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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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10 DE JUNHO Os jovens portugueses radicados na RAEM celebram o Dia de Portugal com saudades de casa mas sem pensar em voltar. Pelo menos para já...

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YAO FENG Poemas inéditos em português

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hojemacau JUVENTUDE DINÂMICA EM DEFESA DAS RELÍQUIAS DE COLOANE

PERDIDOS E ACHADOS Depois de uma petição no Facebook, a Juventude Dinâmica avança com nova acção pela conservação dos achados arqueológicos descobertos em Coloane. Em nome da história de Macau.

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TERÇA-FEIRA 10 DE JUNHO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3106

REOLIAN

UMA NOVA ERA Chegou ao fim o mistério da operadora que substitui a Reolian. A autorização foi tomada no fim de Maio mas só hoje entra em vigor. A TCM é a maior accionista da nova operadora. Nam Kwong reina. SOCIEDADE

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10 DE JUNHO

hoje macau terça-feira 10.6.2014

GONÇALO LOBO PINHEIRO

O DIA DE PORTUGAL ENTRE OS JOVENS LUSOS

Distante lar

Comemora-se hoje o 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Como tal, o consulado de Macau, o Instituto do Oriente e outras instituições locais preparam várias actividades para comemorar o feriado português. O HM saiu à rua e foi falar com alguns jovens portugueses radicados na RAEM. As saudades são muitas, mas a curiosidade de conhecer o mundo parece ser mais forte LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

P

ARA além do dia 10 de Junho servir para homenagear Camões e Portugal, serve também para recordar todas as comunidades portuguesas que se estendam além fronteiras. Assim, o HM quis saber a opinião de alguns jovens portugueses residentes no território acerca da importância deste dia. As opiniões dividem-se, mas uma coisa é certa: poucos pensam em voltar para Portugal neste momento.

FESTIVIDADES À PARTE

Foi no final de 2012 que Francisco Jalles chegou ao território para integrar a equipa da empresa portuguesa Quidgest em Macau. Desde então, tem participado em vários eventos destinados à comunidade portuguesa e relativos a Portugal. No ano passado, foi até à residência consular para aproveitar a recepção à comunidade lusa e confraternizar com os restantes presentes. “As pessoas deveriam ter o sentido patriótico de se juntarem como finalidade de reforçar o peso e a ligação da comunidade portuguesa. Não como uma comunidade isolada, mas por numa perspectiva de abertura e convite à comunidade local”, explica. Em jeito de brincadeira, confessa que “não é necessário comprometer os discursos e formalidades à custa dos croquetes e cocktails”. No fundo, acredita que se pode juntar o útil ao agradável. Já para Filipa Araújo, que aterrou em solo macaísta há dois meses, o dia de

Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas não tem uma importância específica, mas confessa que as actividades agendadas são sempre momentos de “cheirinho a Portugal”, factor que considera positivo. A convite de uma empresa portuguesa, decidiu mergulhar de cabeça e tentar conquistar o oriente. Confessa-se “um bocadinho desligada de datas comemorativas” e diz que o 10 de Junho não é aquilo que a faz lembrar o “seu país”, pois recorda-se dele todos os dias. “Também não é por causa deste dia que me vou lembrar de Luís de Camões. A única homenagem que lhe podemos fazer é a leitura das suas obras”, comenta a cidadã lusa recém-chegada. “A comunidade portuguesa deve sentir orgulho nas suas raízes e aproveitar o dia para reflectir naquilo que fomos e o que somos agora como país, aproveitando para conhecer os novos compatriotas e rever os antigos, cultivando o espírito solidário de quem

“Também não é por causa deste dia que me vou lembrar de Luís de Camões. A única homenagem que lhe podemos fazer é a leitura das suas obras” FILIPA ARAÚJO Jornalista

está longe de casa”. Quem o diz é Filipa, que está na Ásia pela primeira vez. José Maria Álvares integrou a leva de jovens que vieram estagiar para Macau no âmbito do programa InovContacto – que organiza e financia programas de estágios em várias áreas de estudo em diferentes locais do mundo – em Janeiro do ano passado. Acabou por ficar pelo território, trabalhando actualmente num escritório de advogados. Sente que um ano e cinco meses não chegam para conhecer tudo sobre a região e quer saber sempre mais sobre Macau. “Sinceramente, só agora sinto o verdadeiro significado da data. Não sou pessoa de me apegar ao passado, mas é importante lembrar as antigas glórias deste nosso Portugal, pois esse é um excelente estímulo ao que podemos aspirar”, diz ao HM. Mas o jovem jurista não se fica por aqui e confessa que só em Macau começou a compreender o simbolismo do 10 de Junho, actualmente tendo o dia como “uma vibrante lembrança de que sou

português e tenho enorme orgulho em sê-lo”. “Portugal precisa de mostrar ao mundo que estamos aqui para ficar, seja na preservação da nossa cultura e tradições como em mostrar que temos capacidade para contribuir para o desenvolvimento desta comunidade cada vez mais mundial”, disse o jurista.

AS SAUDADES APERTAM, MAS OS JOVENS FICAM

Francisco, da Quidgest, não sente saudades de Portugal em concreto, mas sim da família e dos amigos, que se encontram todos do outro lado do mundo. Ainda assim, não pretende voltar para a terra-natal brevemente a não ser para férias de verão e festividades natalícias. Depois de uma tarde bem passada na Belavista, o empresário seguiu para o bar Sky21 com alguns colegas da área empresarial para uma sessão de networking. Neste momento, Filipa apenas voltaria para Portugal com uma “proposta irrecusável”, pois considera que, fora isso, esta é a

“Portugal precisa de mostrar ao mundo que estamos aqui para ficar, seja na preservação da nossa cultura e tradições como em mostrar que temos capacidade para contribuir para o desenvolvimento desta comunidade cada vez mais mundial” JOSÉ MARIA ÁLVARES Jurista

idade para conhecer novos países, culturas e pessoas. Tem saudades das pessoas que ama e das rotinas que fazia, aquelas que “quando vivemos achamos insuportáveis”. Os ovos moles de Aveiro e o leitão da Bairrada também continuam bastante vivos na memória de Filipa, embora seja o sol de Lisboa e as praias da costa vicentina que mais falta fazem à jovem. Tal como a jovem jornalista, também Zé Maria sente saudades de Portugal. “Nem sei muito bem por onde começar”, conta, enumerando coisas como os amigos, a família, as esplanadas ou simples acções como conduzir o seu carro ou abrir a janela do quarto sem que a casa se preencha de humidade.

TERRA DAS OPORTUNIDADES

Ao contrário de muitos, o advogado José Maria não está em Macau apenas para “fazer dinheiro”, pois já que está a construir uma vida no território, confessando-se “realizado” nesse aspecto. “A China é uma fonte de oportunidade e está a conhecer uma segunda fase da sua abertura ao mundo – na minha opinião, a primeira deu-se com Deng Xiaoping – estando nós

num local privilegiado para participar nesse advento, o que nos proporciona uma experiência profissional incrível”, remata o jovem. Gosta de cá estar e, embora as saudades apertem, sabe que vai continuar por cá durante uns tempos. Ainda que para a maioria não seja feriado em Macau, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas não passa despercebido por terras macaístas. O consulado e outras entidades ligadas a Portugal não se poupam em festividades para marcar o dia. A romagem às grutas e um cocktail descontraído na residência do Cônsul são paragens obrigatórias para vários portugueses radicados na RAEM. Este ano, o programa das festas traz o cantor João Pedro Pais ao Centro Cultural de Macau e o psiquiatra português José Gameiro ao café Oriente do Instituto Português do Oriente (IPOR), para uma conversa informal sobre famílias, casamentos e divórcios. As comemorações continuam Junho dentro, com a transmissão em directo de três jogos do campeonato mundial de futebol, duas exposições de pintura e outros concertos.


POLÍTICA

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

A

1ª Comissão da Assembleia Legislativa (AL), que continua a discutir o Regime Jurídico de Acreditação, Registo, Inscrição e Qualificação para o Exercício de Funções Profissionais nos domínios da Construção Civil e do Urbanismo, discorda da opinião do Governo de nomear o Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Lau Si Io, para presidente do futuro Conselho de Arquitectura e Engenharia (CAE). O grupo da AL, que discute a proposta de lei referente ao Regime, discorda de Lau Si Io para presidente por considerar que um novo cargo impossibilita o Secretário de “dar resposta às acções governamentais” que tem em mãos. A presidente da 1ª Comissão, Kwan Tsui Hang, assegura que a opinião quase unânime do grupo nada tem que ver com a falta de capacidades de Lau Si Io para liderar o CAE. “A comissão espera veemente que o Governo possa equacionar esta questão”, disse Kwan aos jornalistas. Este foi o ponto da proposta de lei que mais controvérsia gerou, juntamente com o artigo relativo à impugnação das deliberações do Conselho, que se refere às reclamações por parte de

CONSELHO DE ARQUITECTURA E ENGENHARIA COMISSÃO CONTRA LAU SI IO PRESIDENTE

Requerem-se órgãos internos O grupo da AL não duvida das competências do Secretário mas teme que este não consiga dar respostas aos assuntos que tem em mãos técnicos e trabalhadores do sector da construção civil. Sobre esta matéria, a 1ª Comissão considera que deve haver uma repartição interna do CAE, apoiando a criação de diferentes grupos dentro da mesma entidade. Isto para que as reclamações não sejam recebidas

e avaliadas por um mesmo plenário. Sobre a questão de tornar indeferidas todas as reclamações que ultrapassem os 20 dias, a presidente da 1ª comissão diz que se trata de “indeferimento tácito” e que não deve acontecer. Antes, o conselho de arqui-

tectura e engenharia deverá responder aos cidadãos que reclamaram, para que estes fiquem a saber quais os fundamentos que levaram ao abandono da sua impugnação. Kwan propôs ainda que fosse criado um mecanismo para o tratamento das reclamações, como um

LEONG VENG CHAI APONTA DEDO A GOVERNO POR AUMENTO DE TARIFAS DA TURBOJET

A viagem sai cara D ESTA vez, foi Leong Veng Chai quem criticou o Governo sobre o aumento de 13% nas tarifas da Turbojet, empresa tutelada pela Shun Tak e responsável pela travessia marítima entre Macau e Hong Kong. Numa interpelação, o deputado pretende saber se o Governo fez algum estudo prévio antes de aprovar o aumento das tarifas, que valeram à empresa um lucro de mais de 165 milhões de patacas em 2013, valor que se traduz numa subida de 154% de ganhos em relação a 2012. Questionou-se sobre se a aprovação da medida foi feita para assegurar a solidez financeira da empresa ou apenas para “proporcionar um aumento injustificado dos lucros da Shun Tak”.

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

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Leong Veng Chai questionou ainda o Governo sobre a eventual tomada de medidas relativamente à redução das tarifas. Caso tal não acontecesse, requereu melhores condições de trabalho aos funcionários da Turbojet, seja na subida dos ordenados mensais ou na diminuição das horas de trabalho. No mesmo documento, o deputado mostrou vontade de que seja resolvida a questão dos bebés de um ano pagarem tarifas de adulto, medida que considera que deve ser abolida. Aparentemente, a empresa justificou a necessidade do aumento dos preços das viagens com a compra de sete novas embarcações e com o

“organismo hierárquico”, por exemplo. Considerou ainda que deverá ser criado “um grupo dentro do CAE que delibere sobre os outros grupos” do mesmo conselho. Outra das questões diz respeito ao mesmo artigo e está relacionada com o facto de ser o Tribunal

de Segunda Instância (TSI) a tratar de casos de crime ilícitos que envolvam técnicos da construção civil. Em conversações, a 1ª Comissão explicou ao Governo que não há nenhuma lei que impute essa responsabilidade ao TSI. A próxima reunião deverá servir para discutir o próximo artigo – 15º – da proposta, assim dando “tempo para o Governo pensar” nas questões até agora levantadas.

Pereira Coutinho critica demoras na promoção de oficiais de justiça

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aumento do preços dos combustíveis e dos salários dos seus funcionários no ano passado. De acordo com Leong Veng Chai, a margem de lucros da Shun Tak “mostra que não era necessário o aumento das tarifas aprovado pelo Governo para manter a saúde financeira da empresa”.

Este não é um assunto novo, sendo que o deputado Au Kam San já havia expressado o seu desejo de que a Turbojet tivesse mais rivais no mar que pudessem fazer frente à empresa que já monopolizou as viagens que fazem a travessia entre as duas regiões administrativas especiais. - L.S.M.

deputado da Assembleia Legislativa (AL) e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), José Pereira Coutinho, criticou o Governo pela demora na promoção dos oficiais de justiça, que se dirigiram ao gabinete de atendimento aos cidadãos da ATFPM para reclamar a escassez de concursos de promoção de carreira e o atraso dos mesmos, quando existentes. Assim, Pereira Coutinho exige que o Governo faça saber qual a justificação para o atraso na abertura de concursos e na classificação dos funcionários de justiça, que desta forma vêem uma eventual promoção profissional prejudicada. O deputado pretende ainda saber quais as medidas que serão implementadas para que os trabalhadores retomem os seus direitos e evitar que os atrasos aconteçam novamente.

Aumentado risco social

O Governo aumentou ontem o valor do subsídio para pessoas com carências economómicas, conhecido como o indíce mínimo de subsistência. Assim, um agregado familiar constituído por uma pessoa tem como risco social um limite de 3800 patacas, passo que um de duas pessoas se fixa em 6990 patacas. A partir de cinco pessoas, um agregado familiar tem como risco social um limite de mais de 13 mil patacas, valor que aumenta para as cerca de 18 mil patacas para oito ou mais pessoas da mesma família.


4 política

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IMOBILIÁRIO LAU SI IO ANUNCIA A HIPÓTESE DE IMPLEMENTAR NOVAS MEDIDAS

Depois de na semana passada ter admitido a ineficácia das medidas sobre o imobiliário, o Secretário abre a porta a novas acções para tornar este mercado mais sustentável

O

Secretário para as Obras Públicas e Transportes disse esta semana que o Governo poderia vir a implementar novas medidas “para manter o mercado imobiliário saudável”. À margem de um jantar com a Associação dos Empresários do Sector Imobiliário de Macau, o responsável não adiantou que medidas poderiam ser, mas indica que o Executivo está a pensar no assunto. “O desenvolvimento sustentável do mercado

imobiliário é uma meta do Governo. Em conjunto com o público, vamos rever as medidas tomadas no mercado imobiliário”, começou por dizer. Lau Si Io ressalva, contudo, que já se podem ver algumas melhorias, ainda

14.000 fracções em 86 projectos

em construção de prédios privados

TIAGO ALCÂNTARA

A rever a matéria

que, na semana passada na Assembleia Legislativa, tenha admitido alguma ineficácia das medidas. “De acordo com o ambiente económico, foi implementada uma série de medidas, incluindo recuperação de solos, construção de prédios, mais impostos, etc. Isso melhorou o regime de compra e venda dos imóveis, estabilizou o mercado e fez com que o mercado desenvolvesse de forma saudável. Neste momento já podemos ver os resultados das medidas tomadas.”, frisou Lau Si Io. “Os imóveis são sempre um assunto muito falado entre a população e as políticas do Governo têm sempre em conta a promoção de um mercado imobiliário saudável. Até agora, as medidas tomadas estão implementadas e têm certos resultados, mas o Governo continua a dar atenção

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LEI DE RENDAS ESTUDO OUVIU MAIS PROPRIETÁRIOS

Não há crise

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à economia estrangeira e ao mercado imobiliário local e, conforme as situações, é possível implementar novas medidas.” Na ocasião, Lau Si Io aproveitou para relembrar que, até ao primeiro trimestre deste ano, há 86 projectos em construção de prédios privados, que podem oferecer 14 mil fracções. Nas ofertas da habitação pública, além das 5600 fracções depois das 19 mil habitações públicas, o Governo também tem mais 4400 fracções para serem construídas.

universo do estudo que vai servir de base à proposta de revisão da Lei do Arrendamento é composto na sua maioria por proprietários e pessoas com casa própria. De acordo com o jornal Ponto Final, o estudo - encomendado pela Associação dos Empresários do Sector Imobiliário ao professor do departamento de Serviço Social e Administração Social da Universidade de Macau -, observa-se que mais de 70% dos que responderam ao questionário são donos de imóveis e 9,9% são senhorios. O jornal cita dados fornecidos pelo professor Kin Sun Chan e frisa que esta escolha da amostra pode explicar uma das conclusões principais do estudo que, diz, quem respondeu à sondagem, “não

sente que o Governo deva impor limites à subida das rendas”, mesmo com 31% a demonstrarem preocupações com as rendas dos imóveis. No entanto, o cenário mudava quando os inquiridos se tratavam de pessoas que alugavam casa. O professor Kin Sun Chan admite que a resposta era clara e que preferiam ter uma renda controlada. O deputado Gabriel Tong conclui que a limitação das rendas não é uma matéria consensual. Este é um dos quatro deputados que pretendem usar o inquérito como base para uma proposta de lei sobre o mercado do arrendamento, que ainda não tem data de elaboração. Chan Meng Kam, Si Ka Long e Song Pek Kei são os outros.

CAECE ESPAÇOS DE CAMPANHA POR REQUISITAR

Divulgação normal, parco conhecimento A

A Santa Casa da Misericórdia de Macau

SAÚDA TODOS OS PORTUGUESES

POR OCASIÃO DO DIA DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

TÉ ontem, ainda nenhum candidato das eleições para o colégio eleitoral requereu espaço de campanha à Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE). A propaganda eleitoral é permitida entre os dias 14 e 27 de Junho e deverá servir para que os candidatos exprimam as suas vontades e opiniões. Apresidente da comissão, Song Man Lei assegurou, depois de mais uma reunião da CAECE, que a divulgação pública de informações sobre estas eleições está a correr dentro do prazo esperado, afastando a hipótese de alheamento por parte da população relativamente a este acto cívico em específico, no qual se pretende que seja escolhido o colégio eleitoral que vai seleccionar o próximo Chefe do Executivo, a saber-se em Setembro. Mesmo depois de vários cidadãos terem expressado, no programa

da manhã do canal de rádio chinês, as suas dúvidas acerca de todo este processo eleitoral, a presidente da comissão mantém a sua opinião de que a comunidade de Macau não está alheada do processo eleitoral. Embora tenha afirmado que os trabalhos de divulgação estão a correr dentro dos parâmetros normais, a presidente da comissão lembra que “a lei eleitoral não estabelece regras para a divulgação”. Song Man Lei frisou ainda que, a serem realizados, os actos de campanha não podem ser efectuados dentro das assembleias de voto nem no perímetro de 100 metros que circunda estes locais. A

presidente aproveitou para lembrar que os boletins de voto não podem ser fotografados ou filmados. Recorde-se que são cinco os locais de voto e as eleições para o colégio eleitoral que escolherá o Chefe do Executivo vão acontecer no próximo dia 29 de Junho. São mais de 500 as associações inscritas e a contagem dos votos vai ser realizada por via electrónica. Para além da reunião, a CAECE também esteve com 200 funcionários provenientes de 41 serviços públicos, a fim de dar início à formação de todo o pessoal envolvido nas eleições para que estas corram da forma mais positiva. Durante as acções explicativas foram destacadas questões como o escrutínio electrónico. É a primeira que este processo é utilizado para contar votos em Macau, tendo a CAECE considerado que merece especial atenção. - L.S.M.


SOCIEDADE

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JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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HAMA-SE Macau Nova Era de Autocarros Públicos, S.A. e está já autorizada a assinar contrato com o Governo. A nova operadora de autocarros que vai substituir a Reolian foi ontem dada a conhecer através de Boletim Oficial. Segundo o que disse a Direcção dos Serviços

AUTOCARROS EMPRESA QUE SUBSTITUI REOLIAN TEM COMO ACCIONISTAS A NAM KWONG E A TCM

Vem aí uma “Nova Era” TIAGO ALCÂNTARA

O mistério chegou ao fim. Depois de muito suspense, sabese finalmente quem é a nova operadora que agora assume os destinos da Reolian. A ordem foi dada no final de Maio, mas os detalhes da operação só hoje se saberão

para os Assuntos de Tráfego (DSAT) ao HM, a Sociedade de Transportes Colectivos de Macau (TCM) é a maior accionista da operadora, que é ainda detida pela Nam Kwong e pela Serviços de Reparações Mecânicas Macau S.A.R.L. Esta última e a TCM são empresas também pertencentes à Nam Kwong. O despacho de ontem autoriza Lau Si Io, Secre-

NÚMEROS • Capital social de 50 milhões de patacas

40% do total das rotas de autocarros • 27 carreiras • Mais de 500 funcionários

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tário para os Transportes e Obras Públicas, a celebrar o contrato com a empresa, representando o Governo. No documento, fica-se a saber que o Chefe do Executivo já deu autorização para que isto acontecesse a 30 de Maio, ainda que esta ordem entre apenas hoje em vigor. Recorde-se que, recentemente, numa conferência de imprensa, o Governo indicou que iria ser uma operadora local a ficar com os serviços da Reolian, mas negou dizer quem seria por ser “mais vantajoso” para o Governo na altura de assinar o contrato. Wong Wan, director da DSAT, disse na altura que a experiência contava muito, mas recusou dizer se a nova operadora teria ligações a alguma das que actualmente prestam serviços públicos,

UM fiscaliza obras do novo Tribunal Judicial de Base

A Universidade de Macau (UM) vai ser a responsável pelo controlo de qualidade na construção do novo Tribunal Judicial de Base (TJB). Depois de ter sido anunciado que o projecto terá a assinatura do arquitecto português Carlos Couto e que as obras serão levadas a cabo por um consórcio formado pela China Road and Bridge, um anúncio em Boletim Oficial indica que a instituição universitária foi a escolha do Governo para o controlo da qualidade. “É autorizada a celebração do contrato com a Universidade de Macau, para a prestação dos serviços de controlo de qualidade da empreitada das novas instalações do Tribunal de Base, pelo montante de 2.859.851,70 patacas.” Os pagamentos serão feitos à universidade até 2016.

onde se inclui, então, a TCM e a Transmac. O Executivo não dá mais detalhes sobre a nova empresa que, diz a DSAT, foi “recentemente criada”, há cerca de dois meses. Segundo a Rádio Macau, a Macau Nova Era tem um capital social de 50 milhões de patacas e os principais nomes dos órgãos sociais da empresa estão ligados à TCM: um deles é o do

presidente do conselho de administração, O Hoi Fan, e, na vice-presidência, o do empresário Ng Fok, fundador inicial da TCM.

“EM BREVE”

Num comunicado da DSAT, enviado ontem ao final da tarde, o organismo anuncia que hoje vai dar mais detalhes sobre o novo contrato. Este, recorde-se, será diferente do das outras ope-

“O governo da RAEM partiu sempre do princípio que a nova operadora deve aceitar o contrato (...) assim como suceder à Reolian na (...) garantia da manutenção das remunerações e regalias dos trabalhadores da mesma empresa”

radoras, sendo que vai ser um Regime de Concessão de Serviços Públicos – algo recomendado pelo Comissariado contra a Corrupção que notou que os contratos em vigor com a TCM e a Transmac dão mais poder às operadoras do que ao Governo. Num outro comunicado, o Governo assegura que fará todos os esforços para que haja uma transição estável dos serviços da Reolian. A nova empresa, recorde-se, tem de ficar com os equipamentos e com os trabalhadores da antiga empresa. “O governo da RAEM partiu sempre do princípio que a nova operadora deve aceitar o contrato, ter capacidade técnica e profissional e experiência adequada no exercício da actividade de transportes colectivos rodoviários de passageiros, assim como suceder à Reolian na utilização da frota de veículos e equipamentos para exploração e na garantia da manutenção das remunerações e regalias dos trabalhadores da mesma empresa”, pode ler-se num comunicado, onde o Governo salienta que “devido a urgência do problema é impossível lançar um concurso público”. A Reolian tem 40% do total das rotas de autocarros, 27 carreiras a seu cargo e mais de 500 funcionários. A DSAT afirmou ao HM que o contrato será celebrado “em breve”.

O HM ERROU Na notícia publicada na edição de segunda-feira sobre a Companhia de Sistema de Resíduos (CSR), no título informava-se erradamente que a empresa teria tido “lucros superiores a cem mil milhões de patacas”, em 2013. O relatório financeiro da referida empresa só mais tarde será apresentado, pelo que a notícia carece de qualquer fundamento. Pelo lapso, pedimos desculpa aos visados e leitores.


6 sociedade

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COLOANE JUVENTUDE DINÂMICA PEDE A GOVERNO QUE PRESERVE RELÍQUIAS

Pela história de Macau

Depois de ter lançado uma petição no Facebook, a associação entregou agora uma carta numa acção que visa a preservação dos achados arqueológicos

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Juventude Dinâmica de Macau entregou ontem uma carta na sede do Governo, pedindo que o Executivo conserve as peças arqueológicas recentemente encontradas recentemente em Coloane. Para Lei Kuok Keong, da associação, a preservação dos achados arqueológicos é muito importante para Macau, sendo que o valor cultural do local passa a ser considerado muito alto e, por isso, diz, muito precioso para Macau. “O presidente do Instituto Cultural (IC) respondeu o nosso email sobre o assunto, mas nós ficámos muito insatisfeitos com as respostas, daí termos decidido dar um segundo passo, com a entrega desta carta”, disse ao HM. O grupo já tinha lançado uma petição no Facebook,

“...deve-se pensar que o que foi descoberto foram artigos arqueológicos pré-históricos, que antes nunca tinham sido descobertos no sul da China” LEI KUOK KEONG

Fazendo, mas devagar JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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INDA estão a ser feitas as obras no Terminal Marítimo do Pac On, na Taipa, e o Governo escusa-se a dizer quando é que a infra-estrutura será entregue à Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA). De acordo com o que disse Susana Wong aos jornalistas, recentemente, a ideia era que o Terminal Marítimo do Pac On estivesse concluído e fosse entregue à DSAMA até este mês. De acordo com informações prestadas ao HM pelo Gabinete para o Desenvolvimento das Infra-Estruturas (GDI),

actualmente, “ainda estão a ser instalados equipamentos electromecânicos” e a ser “executadas decorações no interior do terminal”. O GDI não se alonga nas respostas, sendo que disse ao HM que não tem mais infor-

mações sobre, por exemplo, a estimativa de quando será o terminal entregue à DSAMA. “Será entregue para realizar as operações experimentais.” Já numa outra resposta, contudo, a DSAMA estima que este processo de instalação de equipamentos possa demorar meio ano. “Quanto ao andamento das obras do terminal marítimo da Taipa, a situação detalhada pode ser consultada através dos serviços competentes relativos às obras. A DSAMA realizou anteriormente reuniões de cooperação e visitas em conjunto com outros serviços competentes e empresas de navegação, para que possam ser iniciadas imediatamente, após

concluídas as obras, as instalações de equipamentos, que demorarão cerca de meio ano”, começa por dizer uma resposta do organismo enviada ao HM. “Depois das instalações, vão ser efectuados as depurações e o ensaio e funcionamento, com o objectivo de transferir as operações do terminal provisório para o novo terminal, de modo estável e gradual.” Nem a DSAMA, nem o GDI têm datas para apresentar, ainda que Susana Wong tenha referido que estimaria que a obra ficasse concluída, no máximo, até ao segundo trimestre do ano. A inauguração do Terminal Marítimo do Pac On chegou a estar prevista para Julho de 2013, mas os prazos e o orçamento foram sendo alterados. Em 2011, a obra custava pouco mais de 500 milhões de patacas, mas esse valor já chegou aos mais de 3,5 milhões de patacas.

TIAGO ALCÂNTARA

PAC ON TERMINAL SEM DATA PARA SER ENTREGUE À DSAMA

onde recolhe assinaturas para preservar estes achados e onde pede às pessoas que enviem cartas para o IC. Mais de 300 pessoas participaram na actividade. “O que eu quero salientar é que o presidente não tem intenção de preservar o sítio e confundiu o património com sítio histórico. O sítio pertence a um proprietário, se se preservar o sítio, o Governo precisa de pagar ao proprietário. Mas, acho que, apesar disso, deve-se pensar que o que foi descoberto foram artigos arqueológicos pré-históricos, que antes nunca tinham sido descobertos no sul da China.” Recentemente, nas escavações em obras dos antigos estaleiros, descobriram-se peças pertencentes ao período neolítico e do bronze. A Macau Youth Dynamics assegura que não quer deixar cair o achado no esquecimento. “Acho que é melhor convidar os especialistas do interior da China ou de Taiwan na participação na escavação dos artigos arqueológicos e é muito importante que não se esqueça este assunto. Isto é muito útil para investigar a história de Macau há 3000 anos atrás. Espero que cada vez mais pessoas se preocupem com o assunto e pressionem o Governo.” Em Coloane, foram ainda encontradas duas ruínas de lareiras, o que comprova, diz Lei Kuok Keong, que este local era um habitat humano.

Simulacro a grande escala no aeroporto

O Aeroporto Internacional de Macau realiza hoje entre as cinco e as nove da manhã o exercício anual de emergência em grande escala, de forma a testar a capacidade de resposta a uma situação de emergência por parte das entidades governamentais e aeroportuárias. O exercício pretende simular a resposta a um incidente envolvendo aeronaves na plataforma de estacionamento, seguido de incêndio de que resultam feridos. Considerando a possibilidade de veículos de socorro se dirigirem para o aeroporto ou provenientes do aeroporto durante o período do exercício poderem provocar alguma dificuldade na circulação dos acessos ao aeroporto, a Autoridade da Aviação Civil solicita aos residentes de Macau que sigam as instruções policiais para minimizar as implicações no tráfego.


sociedade 7

hoje macau terça-feira 10.6.2014

NOVOS ATERROS GOVERNO GARANTE CUMPRIMENTO DO PRAZO E DE ORÇAMENTO

Tudo nos conformes e a tempo JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Governo garante que está a fiscalizar atentamente as obras dos novos aterros da zona A, depois de muitos deputados terem criticado o atraso do empreendimento. A construção tinha um prazo de três anos para estar concluída, mas já passaram quatro anos desde que teve início. Ainda assim, em comunicado, o Gabinete para o Desenvolvimento das Infra-Estruturas (GDI) assegura que a conclusão das obras vai acontecer dentro do prazo. “A entidade adjudicatária aumentou a mobilização dos recursos em termos dos equipamentos, materiais e outros e planificou a implementação do horário de operação durante 24 horas para recuperar o andamento [das obras], comprometendo a conclusão da empreitada em conformidade com a data de conclusão contratualmente prevista a 14 de Novembro de 2015”, frisa o comunicado do organismo. O GDI assegura que estão a ser envidados “todos os esforços” para que as obras sejam feitas de acordo com o contrato celebrado

“A entidade adjudicatária aumentou a mobilização dos recursos em termos dos equipamentos, materiais e outros e planificou a implementação do horário de operação durante 24 horas” COMUNICADO DO GDI

com a empresa, até porque o orçamento inicial é para manter. “O GDI tem vindo a implementar rigorosamente as supervisões e controlos face ao andamento do empreendimento, instando e exigindo à entidade adjudicatária para concretizar a execução dos diversos trabalhos do empreendimento, na premissa de cumprir o preço contratual em prol da

garantia do prazo e da segurança de execução”, frisa o GDI. A construção foi entregue à Companhia de Construção e Engenharia Omas, Limitada, no valor de 1,87 mil milhões de patacas.

ORÇAMENTO MANTÉM-SE

Enquanto o GDI garante que já pediu à empresa que apresenta um relatório sobre o andamento

dos trabalhos – e diz que esta se comprometeu a cumprir prazos – também a Pengest Internacional — Planeamento Engenharia e Gestão, Limitada vai receber um pedido do Executivo. Esta é a empresa responsável pela fiscalização das obras. “O GDI irá solicitar, também, à empresa fiscalizadora para cumprir rigorosamente os cargos de fisca-

lização e supervisão, através de monitorizar o estado de execução por diversos meios e modalidades, tomando as medidas necessárias e efectivas para assegurar o cumprimento do contrato.” O organismo assegura estar confiante que o prazo de construção será cumprido e também que o orçamento não vai sofrer aumentos. A zona A vai situar-se na Areia Preta, ao lado da Ponte da Amizade, e tem uma área total de 138 hectares, onde vai ser construída também a ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau. Segundo o GDI, actualmente, estão em iniciação simultânea seis parcelas principais dos trabalhos de execução de aterro.

Maus serviços dos consulados levam a críticas de portugueses

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passagem superior para peões da rotunda do Istmo vai estar pronta no primeiro trimestre do próximo ano. Quem o diz é o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), através de um comunicado. A obra – que vai permitir mais segurança para os peões e vai reforçar a interligação entre a Vila da Taipa e as novas zonas urbanas – tem um custo avaliado em 140 milhões de patacas, mas o Governo, diz a rádio Macau, rejeita explicar se vai ser suficiente para cobrir as despesas. “Ainda não chegou a fase de liquidação, portanto,

não tenho resposta para essa questão”, referiu aos jornalistas Wong Sau Yan, do GDI. A passagem pedonal tem um cumprimento de 62 metros e vai ser servida por cinco pontos de entrada, com elevadores e escadas rolantes. O trânsito, a quantidade de pessoas e a existência de grande quantidade de tubagens subterrâneas aumentou a complexidade e dificuldade de execução de obra, diz o GDI, que indica ainda que a obra tem como objectivo aliviar precisamente a quantidade de pessoas no local.

EPRESENTANTES dos emigrantes portugueses queixam-se que o atendimento nos consulados tem vindo a piorar, registando-se tempos de espera elevados, devido à saída de funcionários, apesar de as comunidades estarem a aumentar. “Para quem está fora, o consulado é a entidade que nos faz aproximar ao país e isto emperra”, disse à Lusa Fernando Gomes, presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), para quem “com o actual Governo, as coisas só têm piorado, nitidamente”. Regista-se uma “maior saída de portugueses para o exterior” e a “qualidade do serviço decaiu”, afirmou. O responsável, residente em Macau, dá o exemplo do consulado do território, que perdeu três funcionários, e onde o atendimento é feito mediante entrega de senha e, diz, as filas são enormes. A maioria da comunidade portuguesa tem passaporte macaense e a burocracia é mais

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Cotai Passagem para peões pronta em 2015

“Para quem está fora, o consulado é a entidade que nos faz aproximar ao país e isto emperra” FERNANDO GOMES Presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas

simples “felizmente”, ressalva Fernando Gomes. No Luxemburgo, onde as dificuldades no atendimento consular já motivaram manifestações, o conselheiro Eduardo Dias afirma que “o consulado está fechado e só funciona por marcação”. Em Paris, o atendimento já funcionou bem, mas degradou-se com a saída de mais de 30 trabalhadores nos últimos anos, considerou o conselheiro Parcídio Peixoto.


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CHINA

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PC CHINÊS CONSIDERA QUE “A DEMOCRACIA ESTILO OCIDENTAL É UMA ARMADILHA”

Firmes contra o “desastre” O Diário do Povo lança um duro ataque à manipulação a ocidente e exorta os chineses a manter o seu estilo de vida

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mais influente jornal chinês proclamou ontem que a “democracia-estilo ocidental é uma armadilha”, afirmando que a defesa daquela forma de governo “se tornou numa grande bengala para alguns países exercerem hegemonia e um novo intervencionismo”.

“Copiar a democracia estilo ocidental conduzirá provavelmente ao desastre” e “a política de rua conduz habitualmente à desordem interna e até à guerra civil”, refere um comentário difundido pelo Diário do Povo, jornal do órgão central do Partido Comunista Chinês. O texto de opinião, difundido menos de uma semana após o 25.º aniversário da sangrenta repressão militar do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, reconhece que “a democracia é boa”, mas sustenta que “deve ser alcançada de diferentes formas em diferentes países”. “Para os Estados Unidos da América e outros países ocidentais, tudo o que esteja de acordo com os seus interesses e aceite a sua manipulação é democracia, enquanto os que não se enquadram na norma não são”, diz o Diário do Povo.

“Para os Estados Unidos da América e outros países ocidentais, tudo o que esteja de acordo com os seus interesses e aceite a sua manipulação é democracia, enquanto os que não se enquadram na norma não são” DIÁRIO DO POVO

HONG KONG CASAMENTOS HOMOSSEXUAIS RECUSADOS NO CONSULADO DO REINO UNIDO

Sem benção britânica O governo de Hong Kong recusou permitir que o casamento entre pessoas do mesmo sexo no consulado geral britânico, anunciaram ontem as autoridades do Reino Unido, provocando fortes críticas de grupos de direitos de homossexuais.

O departamento de assuntos externos britânico anunciou recentemente que iria permitir que a realização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo nas suas representações diplomáticas em países onde este é ilegal. No entanto, esta possibilida-

de estava condicionada à aprovação das autoridades locais. A recusa de Hong Kong contrasta com o consentimento por parte de países como a China, Rússia, Azerbeijão e Filipinas, muitas vezes criticados pelos parcos direitos concedidos aos homossexuais.

“Antes da legislação do Reino Unido que rege os casamentos homossexuais ter sido implementada no início deste mês, perguntámos ao Governo de Hong Kong se dava autorização para a realização destas cerimónias aqui”, disse um porta-voz do consulado geral britânico em Hong Kong, citado pela AFP, indicando que o Governo da antiga colónia britânica recusou essa possibilidade, algo que gerou já indignação por parte de grupos locais de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT). Nigel Collett, secretário do grupo de defesa dos direitos dos homossexuais “Rosa Alliance”, acusou o Governo de “negar qualquer forma de ampliação de direitos” para os homossexuais na cidade. “Moscovo e Pequim têm tido uma visão mais sensata para algo que não diz respeito aos seus cidadãos”, disse à AFP. O Governo de Hong Kong ainda não comentou a sua decisão. Os casamentos entre pessoas do mesmo sexo são ilegais na conservadora sociedade de Hong Kong, onde a homossexualidade só foi descriminalizada em 1991. Mais de 20 países onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é ilegal permitiram que os consulados britânicos realizassem as uniões, entre os quais Austrália, Japão, Chile, Bolívia e Sérvia.

Segundo o jornal, “alguns países na Ásia Ocidental e norte de África caíram na mania da democracia-estilo ocidental, o que provocou irreparáveis divisões e intermináveis lutas internas, e não felicidade ou estabilidade”. O texto exorta a população chinesa a “estar muito alerta contra a armadilha da democracia-estilo ocidental” e “manter-se firme na via de desenvolvimento político com características chinesas”. No plano económico, o PCC já defende a abertura da China ao capital privado e aos “avançados métodos de gestão ocidentais”, mas não abdica do “seu papel dirigente”. O movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, iniciado por estudantes e esmagado pelo exército no dia 04 de Junho de 1989, é visto pelas autoridades como “uma rebelião contra-revolucionária”. Centenas de morreram pessoas e milhares de outras foram presas ou exilaram-se, mas 25 anos depois, o PCC considera que o sucesso económico alcançado entretanto pela China justificam as “firmes medidas” então tomadas.

Economia Li Keqiang volta a descartar estímulos

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primeiro-ministro da China, Li Keqiang, repetiu que o governo não irá recorrer a fortes políticas de estímulos e, em vez disso, irá depender de políticas selectivas para ajustar o funcionamento da economia. “O nosso governo não vai promover fortes estímulos na economia. Precisamos de ser criativos na política económica se quisermos um desenvolvimento económico saudável. As nossas políticas precisam de ser mais precisas, selectivas e melhor seleccionadas”, disse Li, numa reunião do Conselho Estatal com ministros e governadores locais no fim da sexta-feira. “A minha única preocupação é de que as nossas políticas existentes sejam realmente implementadas”, afirmou. Os comentários de Li foram publicados no site do governo esta segunda-feira. Em editorial de primeira página, o estatal China Securities Journal argumentou esta segunda-feira que as condições monetárias pedem agora um amplo corte na taxa de depósitos compulsório dos bancos, sinalizando uma mudança em relação à recente linha editorial, que avaliava tal movimento como desnecessário.


REGIÃO

hoje macau terça-feira 10.6.2014

Narendra Modi apresenta um projecto ambicioso que inclui a construção de 100 novas cidades e declara “tolerância zero” à violência sexual contra as mulheres

ÍNDIA GOVERNO PROMETE MELHORAR ECONOMIA E COMBATER CORRUPÇÃO

Sangue novo

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novo governo indiano prometeu ontem melhorar a economia e fornecer água, energia e saneamento a todas as casas ao apresentar a sua agenda após a vitória eleitoral do primeiro-ministro, Narendra Modi. Dirigindo-se às duas câmaras do parlamento para apresentar as prioridades do governo e lendo um discurso escrito por Modi, o Presidente Pranab Mukherjee assinalou que a economia da Índia enfrenta tempos “extremamente difíceis” e que a inflação está inaceitavelmente alta. O executivo de Modi tem

planos ambiciosos para recuperar as deterioradas estradas do país, construir uma rede ferroviária de alta velocidade e mais aeroportos, bem como criar 100 novas cidades para servir os milhões que abandonam as áreas rurais todos os anos em busca de trabalho. “Colocar a economia nos eixos é de suma importância para o

meu governo”, disse Mukherjee aos deputados. “Vamos trabalhar juntos para conduzir a nossa economia num caminho de crescimento, para controlar a inflação, estimular o investimento, acelerar a criação de emprego e restaurar a confiança do mercado nacional e da comunidade internacional”, adiantou.

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Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau SAÚDA TODOS OS PORTUGUESES

POR OCASIÃO DO DIA DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

O crescimento da Índia tem ficado abaixo dos cinco por cento nos últimos dois anos, enquanto a inflação tem estado próxima dos nove por cento. O presidente indiano defendeu ainda “tolerância zero” em relação à violência sexual contra as mulheres e o reforço do sistema de justiça penal. Segundo dados do governo, a cada 22 minutos ocorre uma violação no país. Reconhecendo a cólera pública em relação à corrupção atribuída ao governo anterior, Mukherjee prometeu uma administração “previsível, transparente e justa”. O governo indiano do nacionalista hindu Narendra Modi prometeu igualmente uma política externa forte e um compromisso “enérgico” nas suas relações com a China. O executivo vai manter relações pacíficas e cordiais com os seus homólogos estrangeiros, mas não evitará o confronto se necessário, disse o presidente indiano. O governo “está empenhado em construir uma Índia forte, autónoma e confiante” que quer “ocupar o lugar que lhe pertence no concerto das nações”, declarou Mukherjee.

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Tailândia Levantado recolher obrigatório em mais três zonas turísticas

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junta militar da Tailândia anunciou, ontem noite, ter levantado o recolher obrigatório em mais três zonas turísticas do país. As zonas beneficiadas são o distrito de Hat Yai, no sul, e as ilhas de Chang, no leste, e Phangan, no sul, de acordo com a ordem emitida pela junta militar no poder, a qual surge dois dias depois de se terem levantado as restrições nas províncias de Krabi e Phang Nga e nos distritos de Hua Hin e Cha-am, todos no litoral do sul. Com as três novas zonas sobe para dez o número de destinos turísticos na Tailândia em que foi levantado o recolher obrigatório, depois de, na semana passada, terem beneficiado da medida a cidade de Pattaya e as ilhas de Phuket e Samui, onde se concentra o grosso do sector turístico. O recolher obrigatório – imposto entre a meia-noite e as quatro da madrugada – continua em vigor no resto do país, incluindo na capital, Banguecoque. A junta militar decidiu começar a relaxar as restrições na passada terça-feira, na sequência de queixas por parte de empresários pelos prejuízos no turismo, o qual representa 7,3% do Produto Interno Bruto da Tailândia.


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DESPORTO

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AUTOMOBILISMO RODOLFO ÁVILA TERMINA EM SEGUNDO EM FUJI

SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

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ODOLFO Ávila continuou na senda dos bons resultados na Taça Porsche Carrera Ásia este fim-de-semana no circuito de Fuji. O piloto português de Macau voltou a subir ao pódio, tendo sido segundo classificado na segunda corrida de domingo, no Japão. Naquele que foi um fim-de-semana bastante chuvoso no emblemático circuito do país do sol nascente, Ávila, que conhecia o traçado nipónico apenas pela televisão e videojogos, obteve, na sessão única de qualificação, um quarto e um quinto lugar para a grelha de partida das duas corridas realizadas no domingo.

A dar-lhe gás Pela manhã, realizou-se a primeira corrida de 15 voltas ao circuito de Fuji. Ultrapassando as sucessivas dificuldades que a própria corrida lhe colocou, Ávila conseguiu cortar a meta no quinto lugar, amealhando preciosos pontos para o campeonato. “Fiz uma boa corrida, apesar do resultado não mostrar o que se passou em pista. Na partida, o Martin (Ragginger) e o Alex (Imperatori) colidiram e o carro do Alex atingiu-me. Eu fiz pião

Velejador Ricardo Diniz chegou ao Brasil após viagem solitária

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navegador solitário Ricardo Diniz chegou, esta segunda-feira, a Salvador da Baía, no Brasil, completando a viagem iniciada a 23 de Abril em Lisboa, com o objectivo de homenagear a selecção portuguesa de futebol que vai participar no Mundial2014. Segundo João Paulo Diniz, pai do velejador e assessor do Team Ricardo Diniz, o navegador português chegou à baía de Todos os Santos cerca da meia-noite local, pelas 3 horas em Portugal Continental. A bordo do “Fly TAP”, veleiro de 20 metros, 23 de mastro e três de lastro, Ricardo Diniz completou a viagem em 42 dias, tendo

feito escalas na Madeira e em Cabo Verde. A ideia da viagem, destinada a homenagear a selecção portuguesa de futebol, surgiu durante um dos jogos entre a Suécia e Portugal, no “play-off” de apuramento para o Mundial2014. A bordo, e além de uma bandeira de Portugal, o velejador solitário levou também uma garrafa de grandes dimensões com milhares de mensagens enviadas via internet por portugueses de todo o mundo, impressas em papel de cortiça e que será entregue à selecção lusa, que chega ao Brasil na madrugada de quarta-feira.

e quando estava imobilizado, o Henri Richard não conseguiu evitar o meu carro. Felizmente o meu Porsche resistiu à forte pancada mas, ainda tive que cumprir um ‘drive through’, porque a equipa não conseguiu trocar os pneus antes de ter sido mostrada a placa dos três minutos antes da partida. Desci para último e daí fiz uma corrida sempre a recuperar posições”, explicou o representante da RAEM, em comunicado.

“No global, este foi um fim-de-semana bastante duro, mas mostramos novamente que há que contar connosco na luta pelos lugares cimeiros do campeonato” Na segunda corrida, o piloto de Macau voltou à carga e depois de ter cortado a meta em terceiro lugar, subiu ao segundo

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posto devido à penalização de um adversário. “Fiz uma boa partida e subi de quinto para quarto. Depois o Martin e o Alex voltaram a colidir e eu ascendi a segundo. O Martin, que no final seria penalizado por conduta anti-desportiva, esteve toda a corrida colado à minha traseira e só me ultrapassou quando um concorrente mais lento que não respeitou as bandeiras azuis e acabou por me bater quando eu o dobrava. No global, este foi um fim-de-semana bastante duro, mas mostramos novamente que há que contar connosco na luta pelos lugares cimeiros do campeonato”, conclui Ávila. A Taça Porsche Carrera Ásia regressa o fim-de-semana de 15 a 17 de Agosto, no circuito de malaio de Sepang.

Hóquei Benfica derrota FC Porto e ganha Taça de Portugal

O Benfica conquistou neste domingo a sua 14.ª Taça de Portugal de hóquei em patins, ao vencer o FC Porto, por 8-3, na final disputada em Turquel. Os “encarnados” estiveram a perder por 2-0, com golos dos “dragões” Ricardo Barreiros, aos seis minutos, e Jorge Silva, aos nove, mas concretizaram uma reviravolta, graças aos golos de Valter Neves, aos 14’, 38’ e 41’, João Rodrigues, aos 33’, e Carlos López, aos 44’ e 46’. O portista Hélder Nunes, aos 46’, ainda reduziu a diferença, mas João Rodrigues, aos 48’, e Guilherme Silva, aos 49’, fixaram o resultado final. O Benfica voltou a vencer a Taça de Portugal na modalidade, um título que não ganhava desde 2009-10, sucedendo ao FC Porto no historial da competição, e igualou os “dragões” no número de troféus conquistados (ambos com 14).

Mandzukic deixa o Bayern Munique

Mario Mandzukic revelou que não vai continuar no Bayern Munique, já que o seu futebol não se adapta ao estilo de jogo imposto por Pep Guardiola. «O estilo do treinador não se adapta minimamente às minhas características», afirmou Mandzukic no Brasil, onde está com a selecção do Brasil. «Agradeço ao clube por me ter oferecido a renovação do contrato e a Guardiola, que é um grande treinador. Desejo a todos os maiores êxitos e felicidades.»


MUNDIAL

O guarda-redes Ricardo assumiu a inexistência de qualquer relação com o antigo companheiro na selecção portuguesa de futebol Vítor Baía, que ficou de fora do Euro2004 por opção de Scolari. “É uma relação zero, porque nunca fomos colegas, além da selecção nacional. E hoje em dia, eu continuo a minha carreira, ainda estou no ativo. A relação é de ex-companheiros de selecção”, afirmou Ricardo, em entrevista à agência Lusa. Em 2004, Vítor Baía tinha acabado de se sagrar campeão europeu pelo FC Porto mas não foi sequer convocado para o Campeonato da Europa, uma vez que o seleccionador sempre teve em Ricardo a sua principal opção. Uma década depois, Ricardo considera não ter sentido nenhuma confiança especial do brasileiro Luiz Felipe Scolari em si e que foi apenas mais um membro do grupo.

Euro2004 Ausência de Miguel foi “transcendente”

A derrota na final do Euro2004 foi uma “grande desilusão”, um dos “maiores desgostos” de Gilberto Madail, que considera que a selecção portuguesa de futebol teria vencido a Grécia se Miguel não se tivesse lesionado. “Acho que, com o Miguel, nós teríamos ganhado esse jogo”, disse o então presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) considerando esse com um facto “determinante e transcendente”. Madail lembra que Portugal dominou o encontro e os gregos “tiveram aquele ataque, aquele canto, que foi fatal”. “O Miguel era o único elemento da equipa portuguesa – e estava, na altura, em grande forma – que conseguia vir detrás e abrir um bocado a defesa grega. Ele teve de sair por lesão e isso foi determinante. Acho que, com o Miguel, nós teríamos ganhado esse jogo”, frisou.

Holanda As dores de Van Persie

Robin van Persie, internacional holandês, desvalorizou o facto de ter sofrido várias lesões ao longo da última época, as quais o impediram de estar ao mais alto nível pelo Manchester United. «Fisicamente, estou em condições. Vou dando passos em frente, alguns maiores do que outros. Mas estou bem, em boas condições. De qualquer das formas, há seis anos que jogo com algumas dores, pelo que estou habituado», disse Van Persie, o maior goleador da história da selecção laranja (43 golos).

Tostão “O Brasil de 70 tinha três ou quatro Neymares!”

Tostão foi um dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos. Para muitos, a seguir a Pelé, rei incontestável, o eterno ídolo do Cruzeiro no final dos anos 60 e inícios de 70 estará na linha imediatamente a seguir, a par de nomes como Garrincha, Rivelino, Jairzinho, Zico ou, mais recentemente, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Tostão aposta no Brasil como favorito ao «hexa», mas coloca Espanha, Alemanha e Argentina com iguais condições de poder chegar ao título. A final mais provável? «Brasil-Argentina!», atira a velha glória do escrete. Neymar é, obviamente, o brasileiro em quem Tostão mais confia para levar o escrete ao hexa. Mas o antigo ídolo do Cruzeiro nem hesita em sentenciar: «O Brasil de 70 tinha três ou quatro Neymares!». E desenvolve:  «Falamos muito do Neymar, mas o Brasil de 70 tinha três ou quatro «Neymares»: Pelé, Rivelino, Jairzinho, Gerson, Carlos Alberto... Era uma equipa extraordinária».

JOGO COM IRLANDA FECHA PREPARAÇÃO

Um estágio chama Almeida cada vez mais tapado A ascensão de Éder tem representado a queda de Hugo Almeida. Ou seja, o jogador do Besiktas, que dos três avançados presentes até é aquele que mais golos marcou durante a temporada, passou a ser claramente a terceira opção para Paulo Bento. Frente à Grécia, o seleccionador apostou em Postiga e Éder, e o antigo jogador do FC Porto só entrou na segunda parte. Perante o México, Hugo Almeida nem sequer saiu do banco, já que Éder foi a aposta inicial. Ainda assim, e na última vez que falou aos jornalistas, o jogador que terminou contrato com o Besiktas afirmou que não se sente a última opção para o ataque. “Independentemente das opções, vim para fazer o meu trabalho. Só espero ajudar”, afirmou.

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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França aterra no Brasil com ambições legítimas de chegar longe no Campeonato do Mundo de Futebol, mas para brilhar nos relvados brasileiros terá primeiro que apagar a África do Sul da memória. Há quatro anos, a tricolor gaulesa ficou-se pela fase de grupos, com duas derrotas e um empate. Com Didier Deschamps ao comando, a selecção francesa recuperou a serenidade perdida e os adeptos franceses que têm Macau como casa esperam, por isso, que a formação que os representa chegue longe na competição. Gaspard Laplaine, jovem avançado do Sporting Clube de Macau, diz mesmo que “les bleus” têm a consistência e a qualidade necessárias para levantar o troféu no novo Maracanã a 13 de Julho: “Acredito que a França pode ser campeã do mundo. A selecção tem um bom grupo, tem bons jogadores, atletas que jogam nas melhores equipas europeias. Não me parece de todo impossível que

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selecção portuguesa de futebol vai encerrar na terça-feira o estágio de preparação para o Mundial 2014, monopolizado pela incerteza sobre a recuperação de Cristiano Ronaldo, ao defrontar a República da Irlanda, num jogo particular marcado para New Jersey. O avançado, melhor marcador da história da equipa lusa, com 49 golos, passou ao lado dos relvados durante a preparação realizada em Portugal, devido a dores musculares na coxa esquerda e uma tendinose rotuliana, começando por treinar de forma condicionada nos Estados Unidos antes de passar ao trabalho sem limitações aparentes. Ronaldo poderá fazer frente à Irlanda os seus primeiros minutos na preparação para o Mundial, mas se Paulo Bento não quiser arriscar, a selecção nacional pode partir para o Brasil, o que acontecerá imediatamente após o encontro do estádio MetLife, em New Jersey, sem que e melhor fu-

tebolista do Mundo em 2013 tenha jogado nos três desafios de ensaio para a fase final do Campeonato do Mundo. A “equipa das quinas” procura manter-se na senda das vitórias, depois do “nulo” frente à Grécia, treinada por Fernando Santos, em Lisboa, e do triunfo por 1-0 sobre o México, na sexta-feira, já nos Estados Unidos, em Boston.

Se no confronto com os gregos, Paulo Bento apresentou um “onze” sem seis jogadores que foram titulares durante a fase europeia de apuramento e um sistema táctico pouco habitual (4-4-2), na partida com os mexicanos, o seleccionador nacional regressou ao 4-3-3, já com Fábio Coentrão e Moutinho, embora testando o lateral como médio interior

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Uma relação ZERO

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FRANCESES DA RAEM ESPERAM QUE A TRICOLOR BRILHE NO MU

Para começar, apagar da me França esteja na final ou ganhe a competição, apesar de não ser vista como favorita”, defende. Confiança é também a palavra de ordem para Guy Lesquoy. Radicado em Macau desde 1979, o antigo bailarino já perdeu as contas às fase finais do Campeonato do Mundo que acompanhou a partir do território

JOGOS FRANÇA – HONDURAS Estádio Beira-Rio, Porto Alegre 15 de Junho, 03:00 FRANÇA – SUIÇA Arena Fonte Nova, Salvador 20 de Junho, 03:00 FRANÇA – EQUADOR Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro 25 de Junho, 04:00 HORÁRIO DE MACAU

e foi em Macau que aplaudiu alguns dos principais triunfos e amargurou alguns dos maiores desaires da tricolor gaulesa. No Brasil, França irá chegar longe, acredita Guy Lesquoy, mas primeiro os comandados de Didier Deschamps terão de depurar a imagem e exorcizar de uma vez todas o fantasma da catastrófica participação no Mundial da África do Sul: “As minhas expectativas são de que a França passe a primeira fase. Se a França passar a primeira fase, tu sabes como é: o grupo fica moralizado e os bons desempenhos vêm por arrasto”, sustenta. Bernard Peres mostra-se ligeiramente mais confiante. O director executivo da Premium and Collectibles Trading Company acredita que a selecção gaulesa não terá dificuldades para marcar presença nos quartos-de-final do Campeonato do Mundo e a partir de então, diz, tudo é

possível: “No mínimo, creio que a França poderá avançar até aos quartos-de-final, porque o grupo é simpático, não é de todo dos mais difíceis. Para o entusiasmo dos adeptos gauleses contribui o facto da tricolor francesa integrar um grupo à partida acessível. A formação orientada por Didier Deschamps divide as honras do grupo E com a Suíça, o Equador e as Honduras. A França, defendem os franceses que residem em Macau, à favorita à vitória no grupo, mas suíços, equatorianas e hondurenhos não serão adversários fáceis: “O Equador, é preciso ter cuidado com o Equador. Fez uma boa campanha de qualificação e é uma equipa forte. Ainda assim acho que a França não tem razão de queixa e este é um bom grupo”, salienta Bernard Peres. Gaspard Laplaine complementa. O jovem dianteiro


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mado joelho esquerdo. Eduardo voltou a receber a preferência na baliza em detrimento de Rui Patrício. Ausentes estiveram Cristiano Ronaldo e o médio Raul Meireles, que entretanto já trabalham com o grupo, mantendo-se a incerteza quando à sua utilização neste jogo, enquanto Pepe continua a treinar à parte e o guardião Beto não tem saído do ginásio.

O jogo com a República da Irlanda pode ajudar a perceber a relação de forças entre a selecção portuguesa e a germânica, que venceu de forma incontestada o grupo C de qualificação, no qual os irlandeses foram quartos classificados, tendo perdido por 6-1 em Dublin e por 3-0 em Colónia. Portugal vai defrontar pela 13.ª vez a República da Irlanda

e, apesar de ter um saldo positivo de seis triunfos, contra quatro derrotas e dois empates, não ganhou nenhum dos últimos três jogos, entre os quais os dois da fase de apuramento para o Mundial 2002, ainda que isso não tenha impedido a qualificação para a fase final. O último êxito da equipa lusa remonta a 1996, num jogo particular realizado em Dublin, seis meses depois de ter carimbado o “passaporte” para o Euro 1996 em grande estilo, com uma robusta vitória por 3-0 na recepção aos irlandeses, num Estádio da Luz a “rebentar pelas costuras”. O encontro entre Portugal e República da Irlanda, o último teste da equipa nacional antes do arranque do Mundial 2014, tem início marcado para as 19:00 horas (sete da manhã, em Macau), no estádio MetLife, em New Jersey, cidade onde a comitiva lusa ficou instalada durante o estágio nos Estados Unidos. A selecção portuguesa viaja logo após o jogo para o Brasil, estando a chegada prevista para as 10:00 horas de quarta-feira, em Campinas, no estado de São Paulo, local escolhido para funcionar como quartel-general durante o torneio, que se vai realizar naquele país sul-americano entre 12 de Junho e 13 de Julho. - Lusa

SOFÁ INCLINADO CARLOS MORAIS JOSÉ

Tristão e Isolda

E Berlim, já está a arder? Questionado se um empate com a Alemanha na primeira jornada da fase de grupos do Mundial seria positivo para Portugal, Vieirinha foi claro: o objectivo é ganhar. «O primeiro jogo é sempre um dos mais importantes, todos sabemos do valor da Alemanha mas sabemos o que podemos fazer contra eles. O mais importante é preparar-nos bem para chegar nas máximas capacidade e conseguir o objectivo que não é só pontuar: esperamos ganhar», disse, desvalorizando a diferença no discurso para Joachim Low que, ambicioso, aponta a final e o título como principal objectivo da mannschaft: «É o nosso adversário e isso motiva qualquer um. O seleccionador da Alemanha está no direito de dizer o que pensa. Nós pensamos jogo a jogo e o primeiro objectivo é passar a fase de grupos. Depois, passo a passo, veremos até onde podemos ir.» E o próximo jogo é contra a República da Irlanda, o último de preparação para o Mundial: «Vamos tentar fazer uma boa exibição, se conseguirmos uma vitória robusta, melhor. (...) Todos têm ansiedade para que chegue o primeiro jogo do Mundial mas o mais importante é a preparação da equipa. Temos o jogo com a Irlanda que, neste momento, é o mais importante.»

UNDIAL

emória a África do Sul do Sporting Clube de Macau recorda que todas as 32 selecções presentes na fase final do Mundial estão no Brasil por mérito próprio: “Se chegaram até esta fase é porque não são assim tão maus quanto isso. É suposto terminarmos no primeiro lugar do grupo, uma vez que a França é tida como favorita, mas não vai ser fácil”, reconhece. As ambições francesas para o Mundial sofreram um duro revés com o anúncio de que Franck Ribéry não irá dar o seu contributo à selecção orientada por Didier Deschamps. A ausência do médio do Bayern de Munique não preocupa, no entanto, os adeptos gauleses que residem em Macau. França chega ao Brasil com um meio-campo forte e com um jovem jogador em grande forma. Paul Pogba poderá ser a revelação da tricolor francesa nos relvados brasileiros, sublinham

Laplaine, Peres e Lesquoy: “O nosso meio-campo é bastante forte, com Mutuidi, Cabaye e Pogba. Temos também um bom guarda-redes e estes são factores que dão tranquilidade à equipa”, sustenta o atleta do Sporting Clube de Macau. Titularíssimo na Juventus, Paul Pogba ajudou a formação de Turim a conquistar o seu terceiro scudetto consecutivo e é visto unanimemente como uma das maiores promessas da selecção francesa: “O Pogba pode ser realmente a revelação do Campeonato. Já é um jogador conhecido, ele tem feito coisas muito boas com a Juventus, mas acredito que ele pode mostrar muito e ser, de um certo modo, uma espécie de líder da equipa”, aposta Bernard Peres. Guy Lesquoy assina por baixo: “ O Paul Pogba tem um capital físico impressionante. Esta é a primeira questão. Depois tem um dínamo no corpo. Ele

corre, corre sem nunca se fartar. É um jogador absolutamente incrível”, considera. A França estreia-se no Campeonato do Mundo frente às Honduras a 15 de Junho, horário de Macau e defronta a Suíça cinco dias depois, no mais exigente dos desafios da fase de grupos. A 26 de Junho enfrenta o Equador e os adeptos franceses radicados em Macau não se contentam com menos do que a vitória. A braços com uma crise económica sem precedentes e com o fortalecimento da extrema-direita, um triunfo no Mundial de futebol seria meio-caminho andado, considera Bernard Peres, para uma França mais unida: “O país está a atravessar um momento difícil. Não é o único na Europa. Este tipo de coisas trazem satisfação às pessoas. Ganhar é importante, é importante”, remata o empresário.

OS ESCOLHIDOS DE DESCHAMPS GUARDA-REDES: Hugo Lloris (Tottenham/ING), Mickaël Landreau (Bastia), Stéphane Ruffier (Saint-Etienne) DEFESAS: Mathieu Debuchy (Newcastle/ING), Lucas Digne (Paris SG), Patrice Evra (Manchester United/ENG), Laurent Koscielny (Arsenal/ING), Eliaquim Mangala (Porto/POR), Bacary Sagna (Arsenal/ING), Mamadou Sakho (Liverpool/ING), Raphaël Varane (Real Madrid/ESP) MÉDIOS: Yohan Cabaye (Paris SG), Blaise Matuidi (Paris SG), Paul Pogba (Juventus Turin/ITA), Rio Mavuba (Lille), Moussa Sissoko (Newcastle/ING), Mathieu Valbuena (Olympique de Marselha), Rémy Cabella (Montpellier), Morgan Schneiderlin (Southampton/ING) AVANÇADOS: Karim Benzema (Real Madrid/ESP), Olivier Giroud (Arsenal/ING), Antoine Griezmann (Real Sociedad/ESP), Loïc Rémy (Newcastle/ING)

Diz António Patrício que Tristão é Portugal e Isolda o mar. Ora Isolda, no antigo romance de cavalaria, é uma rapariga loira, irlandesa, de quem o marido tem razões para desconfiar. Seja como for, a nossa relação com a Irlanda tem sido sempre excelente. Para além de saberem beber, ao contrário dos seus vizinhos ingleses, sem que demonstrem uma especial tendência para a violência em estado etílico avançado, os irlandeses têm o simpático hábito de perderem os jogos da bola contra Portugal. Neste caso concreto, o principal motivo de interesse será uma nova incursão pelos neurónios de Paulo Bento, no sentido de tentarmos encontrar alguma lógica nas experiências que tem efectuado nos jogos de preparação. O que nos espera hoje? Bruno Alves a avançadocentro? Miguel Veloso a defesa esquerdo? A táctica do diamante a que habituara no Sporting? Tudo parece ser possível. Sendo o jogo em Nova Jérsia, e sabendo que os irlandeses americanos têm uma vida extremamente ocupada, é provável que o estádio esteja predominantemente decorado por cores portuguesas. Cá fora, vender-se-ão couratos, sandes de chouriço e cervejas a sério. Cantarse-á o hino e gritar-se-á “Portugal”, entre outras palavras de ordem e de desdém. Na falésia, Tristão ainda olha o mar. Tem uma forte obsessão pelo azul, pelo marulho das ondas, a efemeridade da espuma. E, de tanto olhar o mar, esperemos que não se esqueça de que o atravessou para jogar à bola. Isolda não veio. Joguemos pois...


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Á aqui foram nestas páginas apreciados 24 filmes japoneses da década de 60. Vários artigos, de pendor mais geral referem outros que nesta década rica em propostas fílmicas ousadas e de temáticas e estilos diversificados se fizeram. Dos anos 70, por onde se estende a sua estética e parte do seu programa temático, apreciaram-se mais de 10. Verifico com um choque brando que entre esta lista se não encontra nenhum filme de Kobayashi Masaki. Este faz parte de um grupo de realizadores menos conhecido fora do Japão, um nível segundo. Kurosawa, Oshima, Ozu e Mizoguchi formam o grupo que mais rapidamente se distinguiu internacionalmente. Imamura Shohei conquistou também um merecido favor junto do público internacional, calculo, sem grande precisão, que após A Balada de Narayama (1983), uma fama que causou um espanto no autor que também recolheu uma fama benévola. Com o desenvolvimento de aparelhos domésticos de visionação de imagens, como o vídeo e o dvd, um grupo segundo passou a ser mais conhecido. Nele coloco Kobayashi Masaki, que autorizou dois filmes de fama alargada: The Human Condition e Kwaidan (1964) e é autor de dois muito conhecidos filmes para apreciadores de histórias de espada: Samurai Rebellion (Joi-uchi: Hairyo-tsuma shimatsu, 1967) e Hara-kiri (Seppuku, 1962). Outros nomes que eu colocaria neste grupo de realizadores de fama segunda são Masumura Yasuzo, Yoshida Yoshishige, Kinoshita Keisuke, Naruse Mikio, Seijun Suzuki, Ichikawa Kon, Teshigara Hiroshi, Shindo Kaneto e Shinoda Masahiro. Um conhecimento, mesmo que superficial da obra destes 15 realizadores permite um panorama bastante rico da história do cinema japonês até aos anos 80. Uma leitura de A Hundred Years of Japanese Film, de Donald Ritchie, confirmá-lo-á. A ele devem acrescentar-se alguns filmes de realizadores mais marginais dos anos 60 e 70, alguns dos quais só há muito pouco tempo começaram a ganhar alguma fama no exterior e cuja importância Richie rejeita ou ignora: são Wakamatsu Koji (este, hoje em dia, objecto de um pequeno culto inofensivo), Hani Susumu, Terayama Shuji ou Matsumoto Toshio. Um conjunto de filmes dos anos 50 e 60, que ganharam fama internacional, mistura de filmes de autores mais velhos e experimentados e de alguns que se distinguiram nos anos 60, contribuiu

luz de inverno

Boi Luxo

KOBAYASHI MASAKI

para a construção de uma imagem do Japão no exterior que pode ainda hoje permanecer actuante. Este é um processo semelhante ao que (leio num artigo de Akira Mizuta Lippit, Artforum magazine, Fevereiro de 2013) se deu no final do século XIX no interesse que se gerou à época pela arte japonesa. Se esta imagem se mantém é porque a partir dos anos 80 e 90 se não conseguiu construir uma que se lhe substituísse. Estas considerações fazem notar que não existe, hoje em dia, uma atracção pelo cinema japonês semelhante à que existiu dos anos 60 aos anos 80 ou 90. Kitano é, injustamente, mais uma curiosidade que um autor respeitado. Miike Takashi e Tsukamoto Shinya são marginais ao gosto imposto. As histórias em torno da família, suas disfunções e aborrecida atracção têm em Hirokazu Koreeda um distinto representante de alguma fama internacional contemporânea. Nada mais. Todos os autores referidos no quarto parágrafo já morreram. Ao contrário do que aconteceu nos anos 50 e 60 o cinema japonês já não é uma curiosidade nem um cinema distante ou “étnico”. São-no mais o iraniano ou o chinês. Voltemos a Kobayashi com indicação de um pequeno conjunto de filmes que se devem ver. Human Condition (Ningen no joken, 1959-1961) é um longo filme de 9 horas. Nele se de-

monstra - numa história passada durante a Guerra da Manchúria - a que ponto os homens podem ser desumanos. Durante 574 minutos Tatsuya Nakadai tenta manter, contra todos as contrariedades, uma réstia de dignidade num ambiente que lhe é visceralmente hostil. Como em tantos outros filmes dos anos 50 e 60, este é um filme sobre a capacidade de sobrevivência. Poucos filmes excitarão, de modo tão epidérmico, uma tal vontade agressiva contra a prepotência, a ignorância e a injustiça como este. Kobayashi será, na sua geração, um dos autores que mais directamente mostra uma inclinação para criticar a imoralidade dos tempos e a inflexibilidade de velhos sistemas de pensamento. São os vários os filmes em que esta inclinação se dispensa, mesmo que tenha sido constrangido, por vezes, a realizar filmes que agradassem apenas aos estúdios para que trabalhava. Em I’ll Buy You, Black River e Samurai Rebellion trata-se igualmente de 3 retratos sobre a falta de decência. I’ll Buy You (Anata kaimasu, 1956) procede de um modo lento mas firme, próprio a um exercício de autoria segura. A sua proposta inicial não é promissora. Um jogador de baseball, ainda de nível universitário, é cobiçado por vários clubes. Mas este não é um banal supotsu-mono.

Ao longo do seu desenvolvimento apercebemos uma extraordinária capacidade de entendimento do funcionamento de uma altura da história do Japão do século XX, a do pós-guerra, dilacerada por tensões brutais. Estas produzem-se numa zona entre uma extrema desilusão e uma fantástica vontade de riqueza e afirmação. I’ll Buy You ilustra, sem grito mas através de um brilho metálico fino, a fealdade, a baixeza e a mecânica do pequeno interesse económico e da competição. É um período muito particular da história do Japão, o do estabelecimento da democracia, sob o patrocínio americano, e do início do crescimento económico. Black River (Kuroi kawa, 1957) também se passa no pós-guerra. O Japão é ainda um país pobre. Pertence a uma muito longa lista de filmes japoneses dos anos 50 e 60 que mostra, incluído num programa sentimental ou brutalmente político, o estado de pobreza em que o país se encontrava. Em muitos destes filmes se faz um retrato da marginalidade a que a destituição levou tantos japoneses. Os primeiros filmes de Oshima são um exemplo belo e agreste desta vontade de sobrevivência. Nele se junta uma enorme desilusão com o recente período das sublevações estudantis. Black River, contudo, tem uma gramática mais corrente, longínqua à estética, em grande parte de informação europeia, que se imporá uns anos mais tarde. Esta distância da estética agressiva e comprometida que predominará em muito cinema dos anos 60, a par de uma preocupação programática que é, contudo, semelhante à dos filmes da década seguinte, constitui um dos atractivos da obra de Kobayashi durante os anos 50. No entanto, Black River mostra já muitas semelhanças temáticas com os primeiros filmes de Oshima (aqui apreciados há poucas semanas). Também de Kobayashi, Harakiri (Seppuku, 1962), um dos seus filmes de mais fama, confronta a sobrevivência de códigos de honra ultrapassados que vão contra o dever de compaixão. Este um filme dilecto de todos os apreciadores de filmes de espada (mesmo que as cenas marciais sejam muito poucas). Como todos os outros em cima referidos, com Harakiri Kobayashi consegue amolecer e dispor à bondade e a uma vontade justiceira o mais endurecido dos espectadores. Todavia, esses golpes, mais líricos e mais saborosos porque escassos, serão admirados num outro texto sobre lâminas e golpes.


artes, letras e ideias 15

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Luis Dolhnikoff  IN SIBILA

CULTURA-ESPUMA, HOFDWARE E OUTRAS QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS 1. Na segunda metade do século XIX, ante as mudanças incessantes e incessantemente aceleradas que o modo de produção capitalista impunha e imporia ao mundo, não poupando nada e ninguém, das relações de trabalho às relações familiares, das posições sociais aos valores morais, da distribuição da população às actividades quotidianas, das ideias às paisagens, Marx resumiu a nova condição socioeconómico-cultural numa frase famosa que, ao contrário, perduraria: “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Há alguns anos, o sociólogo Zygmunt Bauman resumiu e actualizou Marx ao falar em “sociedade líquida”. Agora, é a vez da cultura-espuma. Cultura é memória. Memória pessoal de ideias, crenças, práticas e hábitos que uma geração transmite às seguintes, memória grupal que as criações culturais transmitem. Daí serem as artes filhas da Memória (Mnemóssine), mãe das musas. Sem memória, não há arte. Sem ela, não há nada. Pois ao contrário das formas de vida, que são darwinianas (e não transmitem os caracteres adquiridos em vida), a cultura é lamarckista: não apenas depende do que se crie-desenvolva “em vida”, como o que se cria-desenvolve é transmissível às novas gerações. Se não o for, morre. Culturas morrem quando morrem as sociedades que as criaram e transmitiram − mas não sempre, nem necessariamente: se seus registos mnemónicos sobreviverem na memória de outras culturas, a cultura de uma sociedade extinta pode manter-se viva. Numa conhecida metáfora, a cultura é como um vírus, capaz de sobreviver à morte do primeiro hospedeiro. O que acontece na cultura contemporânea é novo e diferente. Uma sociedade que se mantém viva, mas cuja cultura vai-se perdendo em vida. Uma sociedade com Alzheimer. Uma cultura desmemoriada. Uma cultura zumbi. Ou de zumbidos, cheia de sons e movimentos, que significam cada vez menos. 2. Velhas mas ainda assim já então modernas questões filosófico-ideológicas resultaram, no século XVIII, no conceito de “tábula rasa”: para os homens serem iguais, tinham de ser, isto é, de nascer igualmente

vazios. Um nobre não era nobre porque nascido com virtudes da nobreza, mas porque criado na nobreza. As virtudes nobres e também as ignóbeis estavam, portanto, ao alcance de todos, desde que a sociedade cuidasse devidamente de sua formação (e informação). Os homens não nasciam bons, como acreditava Rousseau, mas tampouco maus (isto é, “contaminados” pelo “pecado original”), como queria a Igreja. Nasciam vazios. A sociedade, isto é, a cultura que recebessem, faria deles o que fossem, o que pudessem ser. A “tábula rasa” foi quebrada pela ciência contemporânea, a partir, entre outros, da linguística de Chomsky, da neurologia embrionária e da etologia, a ciência do comportamento animal. Nasce-se com estruturas informacionais inatas, para as quais nem o hardware nem o software servem como metáforas. É algo como um hofdware, que parece um neologismo alemão, mas é a fusão das duas palavras-chave da computação a fim de indicar um sistema, o cerebral humano, em que a estrutura e as informações básicas de seu funcionamento são inextricáveis, porque imbricadas na sua própria “fabricação”. O exemplo clássico é a língua. Se não se nasce sabendo uma língua, nasce-se com uma estrutura gramatical geral e universal impressa no hofdware cerebral, que não somente permite o aprendizado de qualquer língua, como explica o rápido e natural aprendizado da língua materna pelos bebés humanos. Para um humano, falar uma língua é tão natural quanto um pássaro canoro cantar. A cultura, neste caso, não está no falar em si, mas naquilo que afinal se fala, incluindo o código, a língua (mas não a linguagem verbal, que é inata). 3. Assim como a ciência contemporânea quebrou a “tábula rasa”, a filosofia acabou com outro mito ainda mais antigo, o Ideal platónico: formas ideais e perenes existiam numa dimensão perene e ideal, onde também nascia a alma humana, conhecedora, portanto, de tais formas, de que as coisas do mundo eram projecções imperfeitas. Ao sofrer certo “trauma” quando de sua incorporação a um novo ser humano, a alma se esquecia de seu conhecimento profundo das coisas do mundo. Mas o recordava através da experiência, do “re-

-contacto” com as coisas. Daí que, para Platão e os platónicos, aprender é recordar. Ao contrário da “tábula rasa”, os homens nasciam, na verdade, repletos de memória (esquecida) do mundo. Mas o mito platónico da alma individual imortal (depois apropriado pelo cristianismo) morreu com a morte da metafísica. 4. Homens e mulheres não nascem vazios (apesar de não repletos do conhecimento esquecido da alma platónica). Mas a sua memória, sim. Tanto a memória individual quanto a memória cultural tem de ser adquiridas. Mas além de adquiridas, devem ser mantidas: a memória perdida é uma bolha de nada vagando no oceano escuro do passado.

A memória e a mente se constroem juntas, como um novo  hofdware  sobre o  hofdware  do cérebro-estruturas-informacionais-inatas dos bebés. A perda da memória individual resulta em algumas síndromes associadas à demência, literalmente, à perda da mente, ao seu desfazimento. A perda da memória cultural, síndrome contemporânea por excelência, resulta, não em demência, mas em zumbificação cultural. Como um zumbi, a cultura desmemoriada se move, parece viva, porque seu “corpo”, a sociedade que antes a incorporava, desenvolvia e mantinha viva, mantém-se viva e em movimento, apesar de desmemoriada. 5. Por coincidência ou talvez não, a computação em nuvem surge paralela à cultura-espuma: uma névoa de informação difusa, cujo espalhamento é inversamente proporcional à sua densidade.

Enquanto a computação em nuvem existe “dentro” da rede, flutuando no ciberespaço, a informação-névoa existe fora da rede, e se espalha através do tecido da cultura. Esse tecido, que se tece, se esgarça e se retece através da história, e que através da história é tingido, destingido e retingido, é agora apenas humedecido pela informação-névoa, incapaz de impregná-lo com o pigmento da memória e o fixador do hábito. A informação-névoa parece impregná-lo, mas é apenas uma mancha de humidade, que aparece assim como desaparece. O próprio tecido da cultura, então, se desfaz, pois não mais mantido, fixado, sedimentado, e se torna, enfim, a cultura-espuma. 6. Por que ele não mais se sedimenta é uma questão extensa (e que envolve toda a economia, cultura, política e ideologia da época), mas a sua resposta, no entanto, é curta: por excesso, mas também por falta. Excesso de informação acessível, falta de linhas de sedimentação. A areia de um mar sempre revolto jamais se sedimentaria, e esse seria um mar sem fundo: portanto, impossível. Se nenhum mar é um lago de águas paradas, tampouco é um redemoinho perpétuo. Movimento e estase, correntes e sedimentação têm de existir e coexistir, para que o próprio mar exista. O fundo do mar o embasa, mas também o permeia. Os solutos do mar o permeiam, mas também o embasam. Fundo e solutos, memória sedimentada e informação nova, formam um sistema que se impregna e se realimenta. Assim como há caminhos para a chegada de informações novas, também devem existir caminhos para a sedimentação de parte delas. Essas linhas de sedimentação formam (ou formavam) o próprio tecido da cultura. Mas a informação-névoa não se sedimenta em um fundo de memória. O excesso de informação resulta em diminuição paradoxal de informação. Porque é informação-espuma: está lá, mas não dura; não pode durar, pois não tem densidade; se não dura, é logo substituída por mais espuma informacional. A quantidade total de espuma que passa por dia por uma praia é imensa. Mas é, afinal, sempre pouca, pois sempre efémera: a franja frágil que está à tona a cada momento.


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Yao Feng

POEMAS E FOTOGRAFIAS

OS MEUS VERBOS ESTÃO CANSADOS DE SER TÃO CONJUGADOS 10 boca em flor, boca na fonte lábios abertos ao horizonte março não se esqueceu de chegar em março 11 algemado pela lua na prisão das tuas saudades 12 tanto usei o rosto que agora já não me ama cinquenta e seis anos depois o rosto tornado máscara 13 no fundo do copo de vinho não encontrei o que me tinha prometido

Em Paris

1 pela janela vê-se desfolhar outubro   num ramo ainda coo flor o cantar de um pássaro   2 o peixe no aquário bate com a cabeça em todas as direcções  agitar-se o mar, ao longe   3 a árvore que cresce de pé não sabe fugir   em tormentos as raízes como tempestade   4 a noite tão iluminada deixou de ser o endereço da noite escrevo-tr um verso num dado, à mesa do casino

7 o teu sorriso na fotografia lembrou-me tudo o que tinha vivido contigo para além da moldura 8 contemplo o céu alto deitado no relvado   sinto-me enterrado no vazio 9 a minha mão à procura da direcção dentro da tua mão tantos caminhos

para a esquadra de polícia fui levado 14 o imperador come três refeições por dia como eu

Macau

embora use a tigela de ouro

não, esta não é a minha solidão ainda sou jovem no coração

15 quando não se apaga o fogo guardam-no com a palavra

17 o pardal, a ave mais humilde no céu e na terra as penas confundl com da pira, deixou morrer a gaiola

são analfabetos os bombeiros 16 disseste que a solidão é velha feia e careca Zhuhai

18 dorouprça, felicriaou colia espensão nada se adquire por grosso

5 na loja de metáforas em saldo as rosas   mas escolhi uma pedra   6 saí de mim próprio

19 um tigre libertou-se nos teus gestos correndo ao meu encontro

o rosto de outro partiu o espelho

choro quando me lavo interiormente

20 já não choro por ninguém por nada


artes, letras e ideias 17

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Diálogo com Camões

21 em Cotai Venetian onde o céu é azul durante vinte e quatro horas vi um dedo cortado de operária a sangrar numa lâmpada barroca, de luxo, de plástico fabricada em Dong Guan 22 ao sábado, a igreja cheia Deus tão sozinho no céu precisa de companhia 23 não, este peixe e a sua espinha não são ofertas do mar

Lisboa

Rossio

24 hoque a humanidade a evluirá: cada peterá só uma paixão um só amor até à morte 25 como convidado especial fui cortar a fita da cerimónia de burro 26 quando esqueci as estações começaste a estar em flor tanto floresceste que nem frutos deste 27 um corvo na varanda

perguntou-me crocitando: queres voar queres voar comigo? 28 dei muitos erros porque os meus verbos estão cansados de ser tão conjugados

30 no funeral de um amigo vi que a morte está jacente mas nunca morreu lembrei-me de que já tinha vivido 20376 dias

digo “eu amar-te” em vez de “amo-te”

31 não posso cortar todas as canas de açúcar apesar de seres o único amor da minha vida

29 ora, deixa de me amar assim deixa de meter o meu mar na tua jaula

32 ele morreu no vigésimo quinto andar ainda assim teve de ser metido na terra para subir ao paraíso

Manhã


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EVENTOS

Domingo é dia do pai, e alguns restaurantes de Macau oferecem menus especialmente concebidos para assinalar a data. As ofertas são extensas e vão desde salsichas de canguru a leitão assado à moda macaense

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O próximo dia 15 de Junho assinala-se o Dia do Pai e são alguns os casinos que se preparam para receber as famílias com menus e promoções especiais. No MGM, o restaurante Imperial Court oferece uma ementa com oito pratos, que inclui ostras gigantes do Canadá, a um preço de 800 patacas por pessoa (mínimo 2 pessoas).

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DIA DO PAI CASINOS E RESTAURANTES COM MENUS ESPECIAIS

Para alguém especial

Restaurant oferece nos dias 14 e 15, entre as 17:30 e as 22:00, uma ementa para quatro com marisco e ninho de andorinha por 1688 patacas.

MENUS NA TAIPA

Por sua vez, o Grand Imperial Court, pelo mesmo preço, recomenda tenaz de caranguejo cozido a vapor com ovas de caranguejo em melão de Inverno e espinafre escaldada com presunto pata-negra e bambu. Já o Rossio apresenta um buffet especial com entradas leves, marisco fresco (lagostas de Boston, caranguejo das neves do Pacífico e ostras entre outros), carnes assadas,

um sushi bar, secções com preparações quentes e frias, saladas e sobremesas. Para o almoço, servido entre as 11:30 e as 15:00, o preço é de 518 patacas por pessoa incluindo bebidas. O preço sobe para as 618 patacas, se optar por champagne ou vinho à descrição por duas horas. Para o jantar o Rossio cobra 468 patacas por pessoa. Se preferir visitar o Ponte 16, o restaurante Le Chinois Cantonese

CULTURA AFRICANA INVADE MACAU

De Cabo Verde a Moçambique E STA quinta-feira, a Fundação Rui Cunha acolhe mais um evento, desta vez organizado pela Associação Amizade Macau – Cabo Verde, criada em 1999. “Cabo Verde: Património Cultural e Natural” vai compreender uma palestra com Jorge Morbey, historiador, à qual deverá seguir-se música ao vivo e um cocktail com produtos tipicamente cabo-verdianos.

Em jeito de celebração do 39º aniversário da República de Moçambique, a Associação dos Amigos de Moçambique (AAM) vai organizar vários eventos um pouco por todo o território, integrados na semana cultural do país. Para abrir as festividades, a semana de Moçambique arranca às 18.30 horas do dia 23 de Junho na Livraria Portuguesa e junta moda, fotografia e literatura.

A estilista Mabel Toaiari vai expor e apresentar algumas das suas peças incorporadas na sua marca de moda criada em 2005, Jabulari. O mesmo evento, que abre a semana de Moçambique, vai compreender a apresentação da exposição de fotografia “Rostos de Moçambique”. A mostra, com fotografias de Ana Roque de Oliveira, já esteve em exposição no Porto e em Leiria e

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A RAPARIGA INGLESA • Daniel Silva Madeline Hart é uma estrela ascendente no partido britânico no poder: bonita, inteligente, motivada para o sucesso por uma infância pobre. Mas Madeleine tem também um segredo sombrio: é amante do primeiro-ministro, Jonathan Lancaster. Os seus raptores descobriram o romance e decidiram que Lancaster deve pagar pelos seus pecados. Receoso de um escândalo que lhe destrua a carreira, ele decide lidar com o caso em privado, sem o envolvimento da polícia britânica. Trata-se de uma decisão arriscada, não só para si próprio, como para o agente que conduzirá as buscas.

compreende uma série de imagens de pessoas de Moçambique, captadas entre 2007 e 2008. Serão ainda apresentadas várias obras literárias de escritores moçambicanos. A semana cultural do país africano continua com um jantar de confraternização no Hotel Westin, a 27 de Junho. A refeição deverá ter início às 19 horas e será igualmente organizado pela AAM.

Do lado da Taipa, o Galaxy Macau tem quatro restaurantes a oferecer promoções especiais nos dias 14 e 15. No Festiva, famoso pelos seus buffets, o almoço serve-se por 218 patacas por pessoa e o jantar por 398 patacas e um menu que promete levá-lo numa viagem culinária aos quatro cantos do Mundo. Os destaques vão para pratos australianos como salsichas de canguru ou ovelha assada, entre outros. No restaurante coreano Myung Ga encontramos dois menus especiais com favoritos como kimchi de ginseng, bacalhau preto assado e arroz em pote de pedra com carne de vaca, vegetais e ovo. O menu custa 1888 patacas para quatro pessoas e 2288 patacas para seis. Entretanto, o The Spaghetti House oferece uma ementa de quatro pratos por pessoa

que inclui peixe, vitela assada, sopa e legumes, custando 288 patacas. Já no Terrace Restaurant do Hotel Okura os buffets são de marisco, comida macaense e internacional para almoço por 268 patacas por pessoa e jantar por 288 patacas. No Sands Cotai Central, no Sheraton, o restaurante Bene tem um buffet especial para o almoço no dia 15, por 438 patacas por pessoa. Aí vão poder apreciar clássicos como o spaghetti carbonara, camarões tigre e carne de vaca do Canadá grelhada. No Feast, o buffet de domingo ao almoço chega às 228 patacas cada e o jantar às 418 patacas. Algumas das atracções aqui disponíveis são o leitão assado à moda macaense e um extensa escolha de mariscos e sobremesas. Já no Xin, o único restaurante de hotpot em Macau recomendado pelo Guia Michelin, está disponível um buffet para o almoço no Dia do Pai por 288 patacas, enquanto que ao jantar custará  438 patacas.    Além dos menus, os hotéis oferecem ainda pacotes especiais de spa. É o caso do Bodhi Spa do Hotel Conrad, que por 2100 patacas permite aos clientes usufruírem de um tratamento de 180 minutos, desenhado especialmente para homens, que inclui uma massagem corporal, facial e um corte de cabelo. 

Futuro da formação empresarial na USJ

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O dia 13 de Junho pelas 18:30 terá lugar na Universidade de S. José uma palestra intitulada “O futuro da formação empresarial”, conduzida pelo Professor John Chalykoff e moderada pelo Professor José Alves. Na sua apresentação, o orador vai examinar quais são os factores que determinam mudanças na formação empresarial e as consequências e implicações que isso tem para as escolas

que a administram. Um tema central será a escolha entre todas seguirem o mesmo currículo ou então cada uma adaptá-lo de acordo com as suas necessidades e qual é a melhor opção para os diferentes segmentos de mercado. John Chalykoff é reitor da John F. Welch College of Business na Sacred Heart University, sendo doutorado em Gestão de Empresas pelo Massachusetts Insti-

tute of Technology e conta ainda com um MBA da University of Western Ontario e um bacharelato em filosofia da Boston College. Além de já ter publicado vários livros, Chalykoff é convidado frequente em colóquios. A conferência, organizada pela Faculdade de Administração e Liderança da Universidade de S. José com o apoio da Fundação Macau, tem entrada livre e está aberta ao público.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

AS ESQUINAS DO TEMPO • Rosa Lobato Faria Margarida é uma jovem professora de Matemática de Lisboa: Um dia vaia Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão. Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família. Romance simultaneamente poético e fantástico, “As Esquinas do Tempo” é mais uma prova do indesmentível talento literário de Rosa Lobato de Faria.


( F ) UTILIDADES

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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 26 MAX 30 HUM 75-95% • EURO 10.8 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Cineteatro

CINEMA

LÍNGUA DE gATO

MALEFICENT

THE ETERNAL ZERO [C]

SALA 1

MALEFICENT [B]

(FALADO EM JAPONÊS, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Junichi Okada, Haruma Miura, Mao Inoue 19.00

Um filme de: Robert Stromberg Com: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley 14.30, 16.30, 21.30

MALEFICENT [3D] [B]

Um filme de: Robert Stromberg Com: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley 19.30

Pu Yi

Jovens fora, nada

SALA 3

EDGE OF TOMORROW [C] Um filme de: Doug Liman Com: Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Kick Gurry 14.30, 16.30, 21.30

SALA 2

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [B]

EDGE OF TOMORROW [3D] [C]

Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 14.15, 16.30, 21.30

Um filme de: Doug Liman Com: Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Kick Gurry 19.30

ACONTECEU HOJE

10 DE JUNHO

Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas • Hoje é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Nesta data, assinala-se a morte do poeta Luís de Camões e enaltecem-se os feitos passados do povo português. A data da morte de Luís Vaz de Camões, em 1580, deu origem ao Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Até ao 25 de Abril de 1974, celebra-se a 10 de Junho o Dia de Camões, de Portugal e da Raça. A partir da Revolução dos Cravos, a comemoração ganhou uma nova dimensão. A origem do Dia de Portugal encontra-se nos trabalhos legislativos após a Proclamação da República, a 5 de Outubro de 1910. Um decreto que definia os feriados nacionais é publicado, sendo que alguns feriados religiosos são eliminados, para reduzir a influência social da Igreja Católica e na criação de um Estado laico. Luís de Camões assumia-se como um génio da Pátria, sendo que os republicanos atribuíam enorme importância ao 10 de Junho, dia da morte do poeta. Curiosamente, a celebração da República tinha um cariz mais municipal. Este dia acabou por representar um modo de invocar as glórias camonianas. O 10 de Junho começa por ser particularmente exaltado com o Estado Novo e o Dia de Camões passou a ser festejado a nível nacional. No entanto, ao contrário dos republicanos, que pretendiam um Estado laico, Salazar quis que Camões fosse símbolo nacionalista e propagandístico. Antes da Revolução dos Cravos, 10 de Junho era o ‘Dia de Camões, de Portugal e da Raça’ (este último epíteto criado por Salazar na inauguração do Estádio Nacional, em 1944). A partir de 1963, esta data tornou-se também numa forma de homenagear as Forças Armadas. A Terceira República converte a celebração, em 1978, para ‘Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas’.

H O J E H Á F I L M E A RAINHA STEPHEN FREARS, 2007 Princesa do Povo ou um mito de bondade que só chamava a atenção dos jornais e das revistas através com actos de caridade, Diana de Gales foi, indiscutivelmente, uma figura carismática. A sua morte no túnel Alma, em Paris, no ano de 1997, iria desencadear uma série de acontecimentos e reacções que nem o Governo nem a monarquia britânica conseguiram prever. Este filme retrata a forma como Tony Blair, à época o recém empossado primeiro-ministro do Reino Unido e a rainha Isabel II lidaram com a morte de Diana e com as reacções a uma larga escala do povo britânico. A actriz Helen Mirren desempenha um fantástico papel, com um rosto muito semelhante a Isabel II, conseguindo transmitir os receios, a frieza de espírito e a personalidade conservadora da rainha. - Andreia Sofia Silva

João Corvo

fonte da inveja

Nunca nada foi como nos pareceu.

Ele lá se mantém, aquele país pequenino que tantas saudades dá aos meus colegas cá da redacção. Nesta altura, eles começam a pensar nas praias de Portugal, nos festivais de Verão... Noutras, pensam na comida, nas lareiras das aldeias... Na família que lá fica pensam sempre, mas nunca pensam na esperança de terem uma oportunidade de voltar, arranjar um trabalho e ficar mais perto dos que amam. Hoje é data para celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Mas, será que estas novas comunidades – as que mais jovens que saem de Portugal com uma mala de 20 quilos – querem realmente lembrar-se deste dia? Na minha perspectiva de gato, não passa de um dia político. Uma desculpa para o senhor Secretário fazer visitas relâmpago a alguns dos portugueses à volta do mundo. Um dia para Cavaco Silva – ou quem quer que esteja no seu lugar – dizer a todos os portugueses que devem contribuir para o seu país, trabalhar por e para Portugal, mesmo que Portugal nada nos dê em troca. Um dia que é mais de comunidades, do que de Portugal... ao Camões já ninguém liga, excepto para evocar o seu nome quando falta um sinónimo de língua portuguesa. Portugal não está para festas... só resta as comunidades que, no fundo, existem porque quando o país manda embora as suas pessoas, manda-os aos montes. Os portugueses são valentes. Vão para todo o lado, existem em todos os continentes... mas onde estão os jovens que vão ajudar Portugal a desenvolver-se? Não estão lá. Não regressam lá. E jovens fora, nada... Será que Portugal terá sempre um dia?


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OPINIÃO

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António Manuel de Paula Saraiva

info@hojemacau.com.mo

O parque central da Taipa de entrada que tornam difícil o acesso de carros-grua (defeito menor).  

HOJE MACAU

C

ONFESSO que tive algumas dúvidas em escrever este artigo. Por um lado porque, ao fim e ao cabo, uma obra prevista desde há cerca de 25 anos – a criação do Parque – foi finalmente realizada. Por outro porque, tendo estado envolvido em projectos oficiais do meu ofício, as críticas poderiam ser vistas como fruto das divergências que não poucas vezes surgem entre “oficiais do mesmo ofício”, e não motivadas pela defesa do bem público. Mas verifica-se também a oposta – os oficiais do mesmo ofício têm não poucas vezes entre eles como que um “pacto de silêncio”, para que ninguém seja posto em causa – o que é inconveniente para o “avanço da ciência”. Assim - e também porque, como decano dos arquitectos paisagistas de Macau, penso ter algumas responsabilidades na explicitação e defesa dos conceitos básicos da profissão - decidi-me, embora com atraso, a convidar o leitor a acompanhar-me nesta leitura crítica do Parque.  

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES – A ESCALA

Num conhecido episódio bíblico Jesus alimentou uma esfomeada multidão multiplicando cinco pães e dois peixes. No Parque Central da Taipa conseguiram os projectistas o feito inverso: retalhar uma área com quase 29 mil metros quadrados numa série de “espaçozinhos” onde a vista nunca se pode alongar. Tudo este se traduz numa certa falta de escala, por desconhecimento que a escala de exterior é diferente, e maior 5 a 7 vezes, que a da interior. Antes do uso do Autocad os projectistas colocavam uma folha na prancheta, ou no estirador, e nessa folha desenhavam. Assim nunca perdiam de vista a noção do tamanho dos variados espaços. Com o Autocad o projectista “puxa”, ou “isola” pedaços do desenho, sendo assim fácil perder a noção das dimensões efectivas dos espaços (o mesmo se passa, p. ex., com folhetos de informação, que contêm não poucas vezes fotos ilegíveis).  

DISCUTÍVEL

UMA EMPRESA ACUSADA DE CORRUPÇÃO

Antes do mais refira-se (facto que foi aliás noticiado por este diário) que tomou parte na construção uma empresa acusada e condenada por corrupção activa no célebre processo do ex-secretárioAo Man Long. Os termos “corrupção activa” (quem paga) e “corrupção passiva” (quem recebe) podem ser enganadores, pois numa situação de corrupção ambas as partes beneficiam, e a iniciativa tanto pode vir de uma parte, como da outra. E embora correndo o risco de entrar no campo pantanoso da psicologia, lembro o ditado – “cesteiro que faz um cesto faz um cento” – ou dito doutra forma, quem corrompe, ou quem é corrompido, tem uma ausência de referências morais que tornam possível, ou mesmo provável, a repetição de semelhantes actos. Ora a corrupção é um dos cancros da China, como foi reconhecido ao mais alto nível - pelo que uma empresa condenada por corrupção não deveria poder voltar a fornecer serviços ao Estado, pelo menos enquanto mantivesse a mesma gerência.  

TRÊS DEFEITOS BÁSICOS

Olhando agora o Parque como paisagista considero que apresenta tês defeitos básicos: - o ter-se querido nele incluir uma multiplicidade exagerada de equipamentos; - o desconhecimento da forma como se mantem um jardim, ou um Parque, e do comportamento dos visitantes; - a falta de escala   A nível de engenharia são aspectos positivos a construção de 2 pisos de estacionamento subterrâneo, completa e eficazmente impermeabilizados; mas verifica-se uma multiplicidade de saídas e entradas de

Finalmente uma pergunta: Já que a Piscina existe – para quando a sua abertura? ar – muito superior à que se encontra no Jardim Carlos Assumpção, o qual também está plantado sobre um silo auto. Essas bocas de respiração tem uma integração difícil, e traduzem-se também na multiplicação de pequenos espaços, com falta de escala.  

A MULTIPLICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS

Um dos aspectos que mais ressalta à vista a quem visite o Parque é a grande sobrecarga de equipamentos. É certo que há falta de equipamentos desportivos em Macau -  por não terem sido reservadas áreas convenientes para tais fins. Assim é razoável supor que aos projectistas foi “imposto” o localizarem no Parque uma série de equipamentos, e que a tais imposições” não souberam ou puderam os técnicos resistir. Mas não poderão os Parques públicos dispor de equipamentos? Sem dúvida que sim – p. ex. o Parque Sun-Yat-Sen dispõe de um restaurante, piscina, biblioteca, área de churrasco – mas tudo integrado de maneira a não destruir a unidade do Parque, e o seu aspecto “verde”. Cabe assim aqui uma chamada de atenção: se é certo que os equipamentos são feitos com dinheiro público, tendo portanto a administração o direito e obrigação de

dar certas indicações aos projectistas, tais orientações devem ser feitas na generalidade, e nunca como “imposições” - tanto mais que não se devem confundir as áreas política e técnica. O predomínio das opções “políticas”, a ter lugar, levará à destruição da unidade e coerência de um projecto.  

DIFICULDADES DE MANUTENÇÃO

Já quanto ao 2º aspecto – dificuldades de manutenção - tal é da responsabilidade dos projectistas. De facto, para minimizar os custos, um Parque deve ser dotado de rega automática – o que os projectistas fizeram; mas os aparelhos de rega necessitam de uma área livre para trabalharem, o que não é possível se o Parque estiver seccionado um áreas muito pequenas. Igualmente são necessárias áreas de certa dimensão para que as máquinas corta-relvas possam trabalhar. O espalhar de equipamentos infantis por uma área relvada é uma ideia simpática – mas que na prática se traduz pelas criação de mais espaços de pequenas dimensões, que acabam, como se pode constatar, por ser pisoteados (a recta é o caminho mais curto entre dois pontos). Outros aspectos são falta de vias por onde camiões possam circular, e pórticos

É um direito (e quase uma obrigação) dos projectistas inovar e experimentar, tanto o mais que não faltam meios à Administração. Exemplo disso são as fontes cibernéticas  introduzidas em Macau pelo eng. Henrique Vasconcelos (infelizmente várias delas mal cuidadas).   Mas tal uso é discutível quando as “novidades” não se traduzem em melhorias efectivas e aumentam os custos – como no caso dos candieiros com um desenho rebuscado e certamente muito interessante mas que não se consegue discernir, das luzinhas no pavimento, ou do “muro” feito com floreiras metálicas sobrepostas – uma sebe alta faria melhor efeito.  

E QUANTO A PLANTAS?

O Parque, que tem profundidade suficiente (altura de solo acima do estacionamento) para que nele possam crescer árvores de grande porte (a profundidade do solo é maior do que no jardim Carlos Assumpção, ou Jardim do NAPE, no qual crescem árvores de grande pujança) foi cheio com solo avermelhado de má qualidade. Nele foram plantadas árvores mal conformadas, algumas delas doentes, fruto de uma má especificação (que indica apenas a grossura do tronco e a altura das espécies, esquecendo a necessidade da boa conformação, manutenção do eixo terminal, juventude e estado sanitário), algumas delas inclusivamente com fungos! Isto é tanto mais de estranhar quanto o IACM tem vindo a promover ao longo de toda a cidade uma série de plantações/transplantações de árvores de grande porte, com uma mortalidade muito baixa, e que, ao fim de alguns meses, ficam árvores “compostas” – ao contrário das árvores do Parque, quase todas ainda com aspecto raquítico. Finalmente uma pergunta: Já que a Piscina existe – para quando a sua abertura?


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FERNANDO VINHAIS GUEDES

desporto e não só

Lisboa. Capital Europeia do Futebol

Q

UARENTAe sete anos depois, Lisboa voltou a ser a cidade escolhida para a realização da final da taça dos campeões europeus de futebol! A primeira, realizou-se em Maio de 1967, no Estádio Nacional, no Vale do Jamor tendo como protagonistas o Céltic da Escócia e o Inter de Itália, com a vitória do primeiro por 2 a 1. Assisti a este espectáculo e recordo muito bem o atleta alto e loiro, a estrela da companhia da equipa Escocesa com o nome Dennis Law, um dos melhores jogadores europeus na época, que marcou um dos golos. Se Portugal foi o País, a cidade foi Lisboa por ter um estádio que reunia as condições exigidas pela União Europeia de Futebol Amador, que de amadores nada têm, já que é de super profissionais que se trata! Não ficaria mal actualizar o nome a esta espécie de multinacional, que gere e administra milhões de euros de receitas por ano! Voltando ao evento, realçar a quantidade de adeptos vindos de Espanha não só para encher o estádio com 60 mil, mas também para povoar a baixa Lisboeta com os milhares de adeptos das duas equipas, que não tendo bilhetes, encheram restaurantes e cervejarias, bebendo milhares de litros de cerveja e comendo o desejado”bacalau”. Foi, sem dúvida, um grande evento, que promoveu o País e principalmente a bela e luminosa cidade de Lisboa, mostrando-a a duas centenas de Países e a cerca de quatrocentos milhões de adeptos de todo mundo! Do ponto de vista económico e financeiro foi igualmente um sucesso. O aeroporto de Lisboa bateu recordes de tráfego aéreo, tendo-se socorrido dos restantes aeroportos do País, inclusive de Tires e de Beja. Hotéis, residenciais e até alojamento de particulares, estiveram cheios. Foi pena que a ganância e o oportunismo do sector hoteleiro se tivesse aproveitado escandalosamente da situação, para cobrarem seis vezes mais do que o preço normal, por uma dormida! A Secretaria de Estado do Turismo, bem podia ter feito alguma coisa nesta matéria, evitando que a imagem do País e da cidade tivessem ficado salpicados por esses exageros de exploração. Este tipo de Evento/espectáculo desportivo é daqueles que todos os Países desejam organizar. Todas as despesas são pagas pela (UEFA), policiamentos/segurança, utilização do estádio etc., etc. Quanto ao espectáculo em si, diria que não foi uma obra de arte muito embora os artistas fossem de elevada craveira. A incer-

teza, que pairou sobre o resultado, terá sido, porventura, a nota a realçar. Ao Atlético de Madrid, aconteceu algo parecido com um pintor, que ao preparar-se para assinar a tela entorna a lata da tinta, estragando o trabalho, sem tempo, imaginação ou forças para recomeçar de novo! O Real Madrid, ao empatar a partida a menos de dois minutos do final, acabaria depois, na meia hora de prolongamento por se apoderar do jogo e marcar mais três golos,

cartoon por Stephff

Fica ainda, o exemplo de um grande evento altamente rentável para o país fazendo lembrar a expressão publicitária “é bom, é barato e dá milhões”

com os jogadores do Atlético completamente esgotados pelo esforço despendido. Para a história fica o resultado, 4 para o Real - 1 para o Atlético. Fica também a festa que decorreu com poucos incidentes, ao contrário do que infelizmente, muitas vezes tem acontecido por esse mundo dito civilizado. Fica ainda, o exemplo de um grande evento altamente rentável para o país fazendo lembrar a expressão publicitária “ é bom, é barato e dá milhões”

ATAQUE

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Joana Freitas (Coordenadora); Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; José C. Mendes; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com. mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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IC MAIOR TUFÃO SENTIDO EM MACAU É MOTE PARA EXPOSIÇÃO

Alerta de calamidade As polícias de Hong Kong e da China desmantelaram uma rede de apostas ilegais em jogos de futebol e corridas de cavalos com registos de 750 milhões de dólares de Hong Kong. A operação policial terá permitido, segundo a estação de rádio RTHK, de Hong Kong, desmantelar aquele que era o maior sindicato ilegal de jogo transfronteiriço. Durante as rusgas efectuadas na operação, as polícias encontraram 11 milhões de dólares de Hong Kong em dinheiro e detiveram 26 suspeitos, incluindo o alegado cabecilha da rede. Três pessoas foram detidas no continente chinês.

Coreia do Norte Promessa de “reacção forte” contra escritório da ONU em Seul

A Coreia do Norte ameaçou ontem as Nações Unidas com uma “forte reacção” ao estabelecimento de um escritório na Coreia do Sul, destinado a observar as violações dos direitos humanos pelo regime de Pyongyang. “Vamos mostrar uma forte reacção contra [a abertura do escritório]. Nem é preciso dizer que este ‘escritório’ e os seus colaboradores não vão ser alvos desta acção”, disse um porta-voz do Comité para a Reunificação Pacífica das Coreias, citado pela agência oficial norte-coreana KCNA. O escritório da ONU em Seul é “uma organização anti-República Popular Democrática da Coreia [Coreia do Norte] que alimenta conspirações e tem como objectivo o lançamento de agressões e desmantelar o sistema social” do país, disse o porta-voz, sem especificar que acções poderão ser levadas a cabo em protesto contra o estabelecimento deste escritório.

Bill Gates 100 mil dólares para preservativo revolucionário

No ano passado, a fundação criada por Bill Gates e a sua mulher, Melinda Gates, começou a investir na revolução dos preservativos. Agora a organização premiou a Universidade de Wollongong, na Austrália, com 100 mil dólares para desenvolver um projecto de um preservativo seguro que não diminua o prazer do sexo. Os investigadores envolvidos explicam que, em vez de usar latex, estão a usar um novo material chamado «tough hydrogel» (hidrogel resistente), que foi criado para se comportar e passar a sensação da pele real. Com o projecto, a expectativa é que os homens se sintam mais à vontade para usar o preservativo, o que também reduziria o risco de gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis. Robert Gorkin, engenheiro biomédico responsável pelo projecto, diz que a evolução tem a capacidade de «melhorar a vida de muitas pessoas». O responsável espera principalmente que a tecnologia ajude a melhorar os hábitos onde sexo protegido não é parte da rotina, como no sudeste asiático ou na África subsaariana. Com esta nova opção, mais natural, a disseminação de doenças pode cair drasticamente, caso haja adopção.

Roma Reabre Mausoléu de Rómulo após 20 anos

O local, na via Apia Antiga, poderá ser visitado sem necessidade de reservas. O mausoléu faz parte dos três edifícios que compõem a Vila Imperial. O Mausoléu dinástico, o Circo, que é o monumento mais conhecido no interior do complexo Magêncio e as ruínas do Palácio Imperial. O restauro, realizado pelas empresas MBS e Angeloni com supervisão da autarquia, custou 873 mil euros. «Estou orgulhoso de poder devolver aos romanos e aos milhões de turistas que todos os anos vistam Roma, uma jóia absoluta do nosso património arqueológico. Depois de 20 anos finalmente é possível voltar a visitar por completo este complexo monumental que contribui para ampliar a excepcional oferta artística da nossa cidade», disse Marino. «É com operações como estas que a administração pretende relançar a unicidade cultural de Roma no panorama mundial, aumentando a competitividade e assim a sua riqueza», destacou o autarca. O Mausoléu, um edifício com forma circular, era destinado ao enterro dos membros da família imperial, e é quase certeza que hospedou os restos de Rómulo, o jovem filho do imperador que morreu muito novo (309 d.C.).

A mostra ontem inaugurada tem como objectivo sensibilizar as pessoas para os perigos das grandes tempestades

O

presidente do Instituto Cultural de Macau afirmou ontem que a exposição sobre o tufão de Setembro de 1874, onde morreram 5.000 pessoas, funciona como um alerta para a sociedade dos perigos das tempestades tropicais. Anualmente a região asiática é assolada por tufões, uma mistura de vento e chuvas muito fortes que podem provocar danos de diferente intensidade, principalmente quando atingem zonas sem grandes infra-estruturas. “Esta exposição serve como um alerta à população dos efeitos dos tufões e de

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como é necessária uma harmonia entre o Homem e a natureza”, disse Ung Vai Meng. Coincidindo com a época em que a cidade e a região são, ou podem ser, assoladas GCS

Apostas ilegais Polícias de Hong Kong e China desmantelaram rede

por tempestades tropicais, Guilherme Ung Vai Meng sublinhou ainda que a mostra pretende assumir-se como uma forma de “alerta” para os riscos destas calamidades naturais. Na noite de 22 para 23 de Setembro de 1874, um violento tufão atingiu o território tirando a vida a cerca de 5.000 pessoas e provocando o naufrágio a 2.000 embarcações.

Assinalando os 140 anos do dia que ficou conhecido por “Calamidade do Tufão de 1874”, a exposição - “Em tempo de tufões - Exposição dos documentos históricos de Macau” - reúne documentos escritos, fotografias, objectos reais, mapas, notícias e outros materiais sobre a tempestade de 1874 e outros tufões que assolaram Macau no século passado, de forma a que os visitantes conheçam melhor a evolução dos sinais de alarme de tufões que afectam Macau e a região.

Na noite de 22 para 23 de Setembro de 1874, um violento tufão atingiu o território tirando a vida a cerca de 5.000 pessoas e provocando o naufrágio a 2.000 embarcações “Muitos dos documentos em exibição são de grande valor histórico, abordando temas como a nomenclatura dos tufões, instrumentos de monitorização, sinais de aviso, devastações e prejuízos dos tufões com o intuito de proporcionar aos visitantes um maior conhecimento sobre o impacto dos tufões em Macau e dar uma visão da relação entre o desenvolvimento urbano e desastres naturais”, refere-se no guia da exposição. A mostra estará patente ao público até 07 de Dezembro, decorrendo durante o período de exibição palestras subordinadas ao tema com o objectivo de melhor esclarecer a população sobre estes fenómenos naturais. Esta exposição ocorre no âmbito do Dia do Património Cultural da China e do Dia Internacional dos Arquivos. Macau e a região asiática são assolados por tempestades tropicais de diferentes graus de Maio a Outubro de cada ano, sendo de Julho a Setembro o período mais susceptível de tufões.


Hoje Macau 10 JUN 2014 #3106