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Últimos condenados A justiça de Hong Kong condenou ontem os últimos activistas responsáveis pela paralização do centro da cidade, em 2014. Entre os nove líderes declarados culpados por envolvimento nos protestos,

encontram-se os fundadores do “Occupy Central”, Chan Kin-man, Benny Tai e Chu Yiu-ming. Todos enfrentam penas de prisão que podem chegar aos sete anos por cada acusação.

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EVENTOS

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QUARTA-FEIRA 10 DE ABRIL DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4267

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

DEIXANDO A CIDADE LI HE

QUE ME DIZ O CORPO? JOÃO PAULO COTRIM

O QUE FUNCIONAR NUNO MIGUEL GUEDES

NOVA ROTA DA SEDA

OLHARES DE LISBOA GRANDE PLANO

FAZER BEBÉS OPINIÃO

KÁ HÓ | HOSPITAL

ABERTURA ADIADA ÚLTIMA


2 grande plano

10.4.2019 quarta-feira

“UMA FAIXA, UMA ROTA”

MARCO E VASCO A O Instituto de Defesa Nacional, em Lisboa, organizou na segunda-feira uma conferência subordinada ao tema da Nova Rota da Seda promovida por Pequim. O domínio da região, a posição geoestratégica que a China ocupa, e o papel de Moscovo no equilíbrio do xadrez internacional foram os temas discutidos por académicos portugueses

Nova Rota da Seda promovida pela China constitui uma alternativa às antigas rotas de Marco Polo e Vasco da Gama, e a Rússia é decisiva para esta estratégia, considerou o académico José Félix Ribeiro no decurso da conferência "Dinâmicas e Interações na Eurásia" promovida pelo Instituto de Defesa Nacional (IDN) em Lisboa, associada ao Curso de Estudos Avançados sobre a Eurásia. "Quando a China apresenta esta nova estratégia, diz que quer construir uma ponte e ao mesmo tempo uma estrada. A ponte é terrestre e a estrada é marítima", assinalou em declarações à Lusa no "A Nova Rota da Seda é uma alternativa da China às rotas de Marco Polo e de Vasco da Gama", assinalou. "A ponte em terra e a estrada no mar é em si suficientemente curioso para não se perguntar o que quer verdadeiramente a China. Julgo que a China quer ter a protecção da massa continental euro-asiática, que a torne mais independente do mar, sobretudo do Pacífico", disse. Na perspectiva do académico, a primeira intervenção de um debate moderado por Luís Tomé, professor da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), Pequim pretende dominar a rota percorrida por Vasco da Gama (ao longo da costa africana) por dois motivos. "Em primeiro lugar porque quer controlar na Índia, o seu verdadeiro adversário regional, e em segundo lugar quer surgir perante a Ásia como capaz de desafiar os Estados Unidos, porque a ambição da China é ser o centro da Ásia". Quando se avolumam as perspectivas de confronto entre estas duas grandes potências em diversas áreas, Félix Ribeiro acredita que nunca entrarão em confronto directo "porque felizmente são ambas potências nucleares", mas "vão infernizar-se uma à outra".

BLOCOS DE SEMPRE

Neste cenário, não exclui críticas à abordagem de Washington face à China, e também face à Rússia, que permanece um actor decisivo para a consolidação da estratégia de Pequim, devido em particular à sua colossal dimensão continental.

ALTERNATIVA À ROTA DA SEDA DOS SÉCULOS XIII E XVI EM DEBATE

"Os Estados Unidos trataram os derrotados da Segunda Guerra Mundial, Alemanha e Japão, de uma forma absolutamente extraordinária, transformaram-nos nos seus principais aliados nos seus respectivos territórios", recordou o académico. Após ao fim da União Soviética, considera, Washington deveria ter optado por uma posição menos assertiva. "Os Estados Unidos deveriam ter a mesma memória, que o fundamental quando se derrota alguém é saber o que se faz a seguir. E, sobretudo, quando não foi uma derrota de invasão, não houve um tiro, foi uma implosão", defendeu. "Se o Presidente George Bush pai [no poder entre 1989 e 1993] tivesse mantido mais um mandato, nunca teria feito o que Bill Clinton

“A ponte em terra e a estrada no mar é em si suficientemente curioso para não se perguntar o que quer verdadeiramente a China. Julgo que a China quer ter a protecção da massa continental euro-asiática, que a torne mais independente do mar, sobretudo do Pacífico.” JOSÉ FÉLIX RIBEIRO ACADÉMICO

fez, que foi acelerar a adesão dos países de Leste à NATO com aquela rapidez. Clinton quis mostrar que era tão republicano como os republicanos, quer na economia quer nas relações externas. Julgo que foi uma política desastrosa", considerou.

DAR-LHES GÁS

O professor e investigador do ISCSP Marcos Faria Ferreira, que abordou o tema "Água, cooperação e conflito na Ásia Central", Helena Rego, académica e funcionária do SIRP [Sistema de Informações da República Portuguesa] com a intervenção “Perceções em torno da Rússia", integraram os cinco intervenientes num debate que se prolongou por mais de três horas. As "Relações Alemanha-Rússia" estiveram no centro da inter-


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quarta-feira 10.4.2019

NO SÉCULO XXI Moscovo na sequência da incursão militar na Ucrânia, estratégia económica tem levado a Chanceler a não se opor à construção do Nord Stream II. Facto que levou Trump a sugerir à líder alemã que deixasse de comprar gás russo.

INTEGRAR MOSCOVO

venção de Patrícia Daehnhardt, investigadora do IPRI-Instituto Português de Relações Internacionais e professora na Universidade Lusíada, que não ignorou a "ambiguidade" da actual situação. "Há uma certa ambiguidade, mas da parte dos alemães dizem que uma coisa é o panorama político, mas que existe uma relação essencialmente comercial, de salvaguarda de acesso aos recursos energéticos da Rússia, e fazem essa separação, que numa perspectiva externa leva a que a Alemanha possa ser criticada nesse domínio", frisou em declarações à Lusa, e numa referência ao projecto Nord Stream II, que vai transportar gás russo para a Europa e já implicou a ameaça de sanções por parte dos EUA a empresas europeias.

“Em primeiro lugar, [A China] quer controlar na Índia, o seu verdadeiro adversário regional, e em segundo lugar quer surgir perante a Ásia como capaz de desafiar os Estados Unidos, porque a ambição da China é ser o centro da Ásia.” JOSÉ FÉLIX RIBEIRO ACADÉMICO

Este pipeline tem sido motivo de controvérsia entre a Chanceler Angela Merkel e o Presidente Donald Trump, mas é uma história que vem de trás. Em 2005, apenas a dias do fim do mandato de Gerhard Schroeder, o Chanceler aprovou o projecto o pipeline de quase 1300 quilómetros ao longo do Báltico. Schroeder, que é amigo pessoal de Vladimir Putin, acabaria a trabalhar como gestor da construção do Nord Stream, ao serviço da Gazprom. O gasoduto ficou pronto em 2011 e espera-se que a segunda fase se conclua este ano, numa infra-estrutura de importância maior para a economia russa, assim como para a autonomia energética alemã. Apesar da posição de Merkel quanto às sanções impostas a

No entanto, a Crimeia foi um passo longo para a diplomacia alemã, também de acordo com a apreciação de Patrícia Daehnhardt. "No domínio político a Alemanha tem mantido uma coerência desde 2014 [após a anexação da Crimeia pela Rússia e a guerra no leste da Ucrânia], na perspectiva da Alemanha sempre encarou a relação bilateral com a Rússia numa perspectiva de uma relação 'sui generis', mas mudou a sua posição, apoiada pela chanceler Ângela Merkel e pelos sociais-democratas do SPD", precisou. A académica assinala que o Governo de "grande coligação" na Alemanha apoiou o endurecimento dessa posição, denunciou uma violação do direito internacional e considera-se "justificada" nessa sua liderança de uma resposta Ocidental de aplicação de sanções a Moscovo logo a partir de 2014. Uma liderança em conjunto com os Estados Unidos, "mas efectivamente foi a Alemanha que liderou essa resposta", disse. "As acções da Rússia na Crimeia em 2014 não mudaram apenas o tom, mas também a posição. Reconhecendo que é importante, houve aqui uma alteração. Em 2010 houve um encontro entre Merkel e o então Presidente russo Dmitri Medveved numa tentativa de se criar uma nova arquitectura de segurança, e sempre houve essa preocupação de 'como vamos integrar a Rússia'". No entanto, Patrícia Daehnhardt considera que esta perspectiva de "integração" não está totalmente excluída, e compara os reflexos da dimensão política à dimensão comercial, "onde entre 2013 e 2017 houve uma diminuição considerável do volume de comércio", mesmo que em 2018 voltou a aumentar. "Mas existe ainda a dimensão energética, e aí a Alemanha refere ser absolutamente fundamental, porque do gás natural que é importado da Rússia para a Europa, 38 por cento a 40 por cento é

“A Alemanha sempre encarou a relação bilateral com a Rússia numa perspectiva de uma relação ‘sui generis’, mas mudou a sua posição, apoiada pela chanceler Ângela Merkel e pelos sociaisdemocratas do SPD.” PATRÍCIA DAEHNHARDT INVESTIGADORA DO IPRI

depois distribuído na Europa, não fica apenas na Alemanha. E aí, a Alemanha diz que é uma questão de interesse europeu", acrescentou. A "manutenção da pressão" sobre Moscovo, e a preservação da convergência a nível interno, e do Ocidente, são aspectos que deverão prevalecer, apesar de a académica detectar a delicada posição alemã neste contexto, com as alterações da política externa norte-americana com Donald Trump na Presidência, e a pressão que exerce sobre as opções das empresas energéticas alemãs e europeias, em particular em torno do projecto Nord Stream II. "A posição da Alemanha está a tornar-se mais difícil para a sua política externa. Em última instância, a política externa e as visões estratégicas da política externa deveriam ser bastante mais aprofundadas e desenvolvidas, e é isso que falta um pouco à Alemanha", considerou. Antes do período de debate a última intervenção foi da responsabilidade de Carlos Gaspar, investigador do IPRI em torno do tema "Rússia e Segurança Europeia". E ao extrair uma das consequências do que definiu como "ofensiva da Rússia contra a segurança europeia", assinalou a perspectiva de uma "dependência excessiva" da Rússia em relação à China. "Uma dependência excessiva que provavelmente terá efeitos importantes internos entre as elites russas, entre as escolhas que se vão impor a estas elites", disse.


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HABITAÇÃO ECONÓMICA DEPUTADOS QUEREM FIXAR PERIODICIDADE DE ABERTURA DE CONCURSOS MAS GOVERNO DISCORDA

Preto no branco

Deputados querem deixar escrito na proposta de alteração à lei da habitação económica a periodicidade da abertura de concursos. Governo rejeita a possibilidade, apesar do compromisso político

ORDEM DOS TRABALHOS

Actualmente, o Governo encontra-se “concentrado” na primeira fase da zona A dos novos aterros. Segundo Raimundo do Rosário, vão ser desenvolvidos oito lotes, dos quais quatro destinam-se a habitação económica – abarcando as 4.000 casas a atribuir no próximo concurso. Seguir-se-á o projecto da Avenida Wai Long, com três fases, que vai oferecer aproximadamente 6.000 fogos, voltando-se à zona A até se completar as 28 mil habitações públicas. No entanto, a primeira fase na Avenida Wai Long prevê um “número reduzido” de apartamentos, composta “maioritariamente” por instalações sociais, ainda a definir pelos respectivos serviços, indicou Raimundo do Rosário.

nida Wai Long), argumentou. No entanto, os deputados insistem em ter garantias no papel sobre a abertura dos concursos para a habitação económica, em vez de promessas verbais, como confirmou o presidente da 1.ª Comissão Permanente da AL, Ho Ion Sang, que reproduziu os argumentos invocados pelo Executivo de que pôr “preto no branco” prazos não

é só “difícil”, como pode “criar falsas expectativas”.

À MEDIDA

Os deputados transmitiram ainda ao Executivo preocupações relativamente à tipologia das futuras fracções face à experiência do último concurso para habitação económica, lançado em 2013, que contou com mais de 40 mil candidatos a apenas 1.900 apar-

foi a primeira actividade, “em grande escala” de promoção no exterior organizada em conjunto pelos dirigentes de Guangdong, Hong Kong e de Macau, desde o lançamento das Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvi-

mento do projecto de cooperação inter-regional a 18 de Fevereiro. No discurso, a governante sublinhou “que a Grande Baía é uma das regiões com mais alto nível de abertura e mais vitalidade da economia da China”.

tamentos, dos quais metade eram da tipologia T1. Um cenário que levou ao “fenómeno” de famílias de quatro elementos verem ser-lhes atribuído um T1, enfatizou Ho Ion Sang. Neste sentido, “muitos deputados questionaram o Governo se consegue assegurar que as tipologias se adequam às necessidades”, face à existência de um projecto com tipologias pré-definidas, aten-

GCS

Grande Baía Sónia Chan em Tóquio para promover projecto regional A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, esteve ontem em Tóquio enquanto representante do Chefe do Executivo da RAEM numa sessão de promoção do projecto de cooperação regional da Grande Baía. Esta

dendo a que “também não consegue dominar a estrutura dos agregados familiares”, explicou o presidente da 1.ª Comissão Permanente da AL. Tal afigura-se pertinente nas vésperas do lançamento do concurso para a habitação económica, prometido para o actual mandato, em que vão ser disponibilizadas 4.000 fracções para compra a preços inferiores ao do mercado na zona A dos novos aterros. Isto porque, como indicou Ho Ion Sang, o Governo revelou que a tipologia de 25 por cento dos apartamentos (1.000 em 4.000) vai ser T1. “Já alertamos o Governo sobre a proporção”, reiterou o presidente da 1.ª Comissão Permanente da AL.

GCS

EPUTADOS da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) pretendem ver fixada na lei a periodicidade da abertura de concursos para a habitação económica, propondo um intervalo de três a cinco anos, mas o Governo declina fazê-lo, apesar de garantir ser essa a intenção política. As divergências saídas da reunião de ontem foram confirmadas por ambas as partes. “A Comissão gostaria que ficasse escrito na lei que de X em X anos – seria entre três a cinco anos – o Governo fosse obrigado a abrir um concurso para a habitação económica”, mas “temos mantido a posição de que não deve ficar escrito na lei, não obstante nós termos a intenção de fazer isso periodicamente”, afirmou o secretário para os Transportes e Obras Públicas. “O problema é fixar na lei. Talvez seja demasiado conservador – acredito que sim –, mas não queria comprometer-me com o prazo”, complementou Raimundo do Rosário. “Tenho receio de que uma vez escrito possamos não cumprir e aí é muito desagradável porque está na lei. Temos essa intenção [de abrir concursos periodicamente] e certamente faremos isso”, insistiu o titular da pasta dos Transportes e Obras Públicas, pedindo “flexibilidade” para não se fixar no diploma um prazo concreto. Até porque existem situações que escapam ao controlo do Executivo, apontou Raimundo do Rosário, dando um exemplo concreto. “Quando o senhor Chefe do Executivo anunciou que ia abrir um concurso para habitação económica durante este mandato, nós trabalhamos na base de que seria na Avenida Wai Long [junto ao aeroporto, no antigo terreno do La Scala], mas depois tivemos de fazer uma avaliação de impacto ambiental e atrasou”, pelo que “o concurso que vai ser aberto não será na Wai Long, mas na zona A” dos novos aterros. “É um bom exemplo de como há imprevistos e que levam tempo a resolver”, argumentou o secretário. Raimundo do Rosário insiste que o compromisso do Governo em aumentar a oferta de habitação pública existe. “Prova” disso mesmo é que, a prazo, vão ser disponibilizadas 34 mil fracções (28 mil na zona A e 6 mil na Ave-

“Temos mantido a posição de que não deve ficar escrito na lei [a periocidade da abertura de concursos para habitação económica] não obstante nós termos a intenção de fazer isso periodicamente.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO

Apesar da abertura do concurso ainda este ano para a aquisição de 4.000 fracções na zona A, vai demorar até que os candidatos tenham as chaves na mão, admitindo-se mesmo a hipótese de tal nem ser possível durante o mandato do próximo Governo. Isto porque “não vai conseguir concluir a construção nos próximos três anos” e, depois, “construção e ocupação são coisas distintas”, apontou Ho Ion Sang. A 1.ª Comissão Permanente da AL volta a reunir-se hoje com o Governo para discutir a proposta de alteração à lei da habitação económica. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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RÓMULO SANTOS

quarta-feira 10.4.2019

Admitido projecto de lei sindical apresentado por Pereira Coutinho

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Assembleia Legislativa vai voltar a ser chamada a pronunciar-se sobre o projecto de lei sindical. A iniciativa, da autoria de Pereira Coutinho, foi admitida, faltando apenas agendar o plenário para ser votada pelos seus pares. O projecto de lei sobre o direito fundamental de associação sindical – o sexto de Pereira Coutinho – “visa dar cumprimento rigoroso à importante obrigação constitucional decorrente do artigo 27.º da Lei Básica e subsequentemente colmatar uma grave lacuna existente ainda hoje no ordenamento jurídico da RAEM”, refere a nota justificativa. AAssembleia Legislativa chumbou, em Outubro de 2017, pela nona vez um projecto de lei sindical. Recentemente, em declarações ao HM, após ter sido reeleito presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), Pereira Coutinho mostrou-se confiante numa eventual mudança de postura. “Se o Chefe do Executivo quiser deixar uma marca importante no seu mandato de 10 anos, esta é a melhor oportunidade. É a última hipótese de deixar uma imagem positiva junto dos trabalhadores”, afirmou Pereira Coutinho, para quem as orientações do líder do Governo aos sete deputados nomeados podem fazer a diferença. De recordar que, aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2019, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, foi peremptório ao afirmar que “o Governo não tem intenção de tomar a iniciativa para apresentar uma proposta de lei sindical no último ano de mandato. No entanto, foi encomendado um estudo para medir o pulso à sociedade a este respeito, adjudicado pelo valor de 837 mil patacas, à associação do empresário Kevin Ho, sobrinho do ex-chefe do Executivo, Edmund Ho. Os resultados deviam ter sido apresentados até ao final do ano passado, mas o prazo foi [prolongado, devido à necessidade de “ajustes” ao questionário, uma das vertentes do estudo. Segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, deve ser concluído até Junho, devendo o respectivo relatório ser remetido depois ao Conselho Permanente de Concertação Social para discussão. D.M.

FUNÇÃO PÚBLICA PEDIDO DEBATE SOBRE ILEGALIDADES E INDISCIPLINA

Na ordem do dia

Leong Sun Iok e Agnes Lam querem debater na Assembleia Legislativa a forma de tratamento das ilegalidades e infracções disciplinares cometidas pelos funcionários públicos. O primeiro propõe um órgão especializado, enquanto a segunda a revisão das sanções previstas no Código Penal

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ORAM admitidas na Assembleia Legislativa duas propostas de debate, da autoria de Leong Sun Iok e de Agnes Lam. As duas moções, ainda sem plenário agendado, têm como denominador comum a forma de tratamento das ilegalidades e infracções disciplinares praticadas por funcionários públicos. As propostas para a realização de um debate surgem na senda do relatório anual do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), recentemente divulgado, que pôs a descoberto nomeadamente dois casos suspeitos da prática do crime de abuso de poder por parte de dois dirigentes de serviços públicos, entretanto encaminhados para o Ministério Público. Apesar de os deputados – ambos eleitos por sufrágio universal – centrarem as propostas de debate na importância de elevar os efeitos dissuasores, sugerem diferentes meios para atingir esse fim. Leong Sun Iok, por exemplo, avança com

a possibilidade de ser criado um órgão independente responsável pela execução do regime disciplinar da função pública, à semelhança de Hong Kong e Taiwan. Uma solução que, além de acarretar “normas e critérios uniformes para o tratamento e a aplicação de sanções aos trabalhadores da função pública nos processos disciplinares”, permitiria ainda uma “revisão e apresentação de propostas de melhoria do regime disciplinar”, argumenta o deputado dos Operários. “Para promover a edificação da integridade, uniformizar os mecanismos de tratamento das ilegalidades e infracções disciplinares cometidas pelos trabalhadores da função pública e reforçar os mecanismos de fiscalização dos titulares dos principais cargos e do

Ilegalidades praticadas pela Função Pública na mira dos deputados

pessoal de direcção e chefia, deve o Governo instituir um Conselho Especializado para os Assuntos Disciplinares dos Trabalhadores da Função Pública”, aponta Leong Sun Iok. Isto porque, “actualmente, não há na Função Pública um órgão, nem pessoal especializado, para interposição e execução do processo disciplinar” nem “um regime aperfeiçoado e uniformizado quanto à tipologia e regras sancionatórias, o que impede o mecanismo vigente de fiscalização de surtir o efeito previsto”, argumenta o deputado na nota justificativa.

REVER O CÓDIGO PENAL

Já Agnes Lam lança a possibilidade de se introduzirem mexidas no Código Penal para se atingir esse objectivo. “Com vista a reforçar os respectivos efeitos dissuasores, deve ou não recorrer-se à revisão das disposições do Código Penal sobre as sanções para os crimes de corrupção e prevaricação e para as outras infracções disciplina-

res dos trabalhadores da função pública?”, questiona a deputada. Na moção, Agnes Lam lembra que a criação de um “governo transparente” figura como um dos “importantes objectivos”, mas que a realidade tem mostrado um cenário diferente. “As várias ilegalidades e até os actos ilegais de corrupção e prevaricação praticados por trabalhadores da função pública, revelados ao longo destes anos, deixaram muitas vezes a sociedade chocada e assustada e prejudicaram gravemente a credibilidade do Governo”, lamenta a deputada para quem os recentes casos demonstram que há funcionários sem “medo” das consequências de violarem a lei. Na nota justificativa, Agnes Lam faz um paralelismo com Hong Kong e Taiwan, concluindo que “não há grande diferença” nos regimes, mas antes no “preço relativamente baixo preço a pagar” por actos de corrupção cometidos por funcionários públicos em Macau. “Ninguém foi punido com pena de prisão superior a três anos. Como é bastante baixo o preço que os trabalhadores da Função Pública têm de pagar em caso de violação da lei, até mais baixo do que para o crime de roubo, já deixou de ser uma brincadeira dizer que ‘subornar é melhor do que roubar’”, aponta, citando o relatório de actividades de 2018 do CCAC. Neste sentido, a deputada sugere então que, por via de alterações ao Código Penal, “sejam aumentadas as sanções aplicáveis aos trabalhadores da função pública por ignorarem e praticarem actos que violam a lei”. Diana do Mar

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10.4.2019 quarta-feira

Requerimento para emissão do Certificado de associação e fundação destinado às eleições dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo - 2019 Tendo em atenção as eleições dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo- 2019, a DSI vem pelo presente informar do seguinte: 1. Caso as associações ou fundações queiram solicitar o Certificado de associação e fundação destinado às eleições dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo – 2019, para ser entregue nos SAFP, para fins de apresentação da relação dos votantes das pessoas colectivas eleitoras, devem dirigir-se, quanto antes, à DSI para formalizar o requerimento do referido certificado. Aos requerimentos apresentados já com todos os documentos necessários no dia 30 de Abril de 2019 ou antes desta data, será garantida a emissão do certificado solicitado antes do dia 7 de Maio de 2019, data em que termina o prazo de entrega do referido certificado aos SAFP para efeitos de apresentação da relação dos votantes das pessoas colectivas eleitoras. 2. O certificado sobredito que já tenha sido entregue, antes do dia 23 de Abril de 2019, para fins de apresentação do Boletim de Registo do Representante que assina o Boletim de Propositura pode ser usado também para efeitos de apresentação da relação dos votantes das pessoas colectivas eleitoras. 3. Para os requerimentos formalizados depois do dia 30 de Abril de 2019 ou com documentação incompleta, a DSI vai acompanhá-los com o maior esforço. 4. Do certificado a emitir constará somente a relação dos titulares dos órgãos sociais em efectividade de funções a 4 de Fevereiro de 2019. Caso a acta da reunião apresentada no requerimento do certificado demonstre que os actuais corpos gerentes da associação ou fundação iniciaram as suas funções depois de 4 de Fevereiro de 2019, a respectiva acta será considerada inaplicável. 5. O pedido para emissão do certificado sobredito faz-se mediante: Ø O preenchimento do impresso próprio para “Pedido de Certificado de Associação e Fundação” fornecido pela DSI (pode descarregá-lo a partir do website da DSI: http://www.dsi.gov.mo); Ø O pedido é assinado pelo presidente da assembleia geral ou da direcção da associação ou fundação requerente ou pelo seu procurador, e aposto o carimbo da associação ou fundação; Ø O pedido deve ser acompanhado dos seguintes documentos: - Acta da reunião da assembleia geral para eleições dos titulares dos órgãos sociais; - Fotocópias dos documentos de identificação dos titulares dos órgãos sociais; - Procuração, quando o pedido for assinado pelo representante designado pelo presidente da assembleia geral ou da direcção da associação ou fundação requerente. Não é necessário a entrega dos documentos acima referidos se tenham já efectuado a actualização do registo dos mesmos na DSI, entretanto podem as associações ou fundações requerentes juntá-los novamente ao requerimento para evitar morosidade, caso hajam erros nos documentos anteriormente apresentados. Para mais informações sobre o requerimento do certificado de associação e fundação destinado às eleições dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, podem ligar à linha de consulta da DSI através do número 8394-0581. Direcção dos Serviços de Identificação, a 10 de Abril de 2019. A Directora, Ao Ieong U

Anúncio Concurso Público para Prestação de Serviços de Fornecimento de Leite e Leite de Soja às Escolas nos Anos Escolares de 2019/2020 e 2020/2021 1. Entidade que põe o serviço a concurso: Fundo de Acção Social Escolar. 2. Modalidade do concurso: concurso público. 3. Objecto do concurso: fornecimento de leite ou leite de soja nos dias lectivos aos alunos do ensino infantil ao 6.º ano do ensino primário, das escolas da Região Administrativa Especial de Macau, participantes no “Programa de Leite e Leite de Soja”. 4. Período da prestação dos serviços: do mês de Outubro de 2019 ao mês de Julho de 2020 e do mês de Outubro de 2020 ao mês de Julho de 2021. 5. Prazo de validade das propostas: é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa do concurso. 6. Caução provisória: $930.000,00 (novecentas e trinta mil patacas), a prestar, mediante garantia bancária aprovada nos termos legais ou depósito em numerário, à ordem do Fundo de Acção Social Escolar, no Banco Nacional Ultramarino (Conta n.º 9003857873). 7. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação. 8. Preço base: não há. 9. Condições de admissão: podem candidatar-se pessoas singulares ou sociedades, legalmente autorizadas a exercer a actividade de venda de produtos alimentares há um ano ou mais. 10. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Arquivo e Expediente Geral da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), na Avenida de D. João IV, n.os 7-9, 1.º andar; Data e hora limite (Nota 1): até às 12:00 horas do dia 3 de Maio de 2019. (Nota 1): Em caso de encerramento da DSEJ na data e na hora originalmente determinadas para a entrega das propostas, por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limite para a entrega das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. A data e a hora do acto público do concurso estabelecidas no número 11 serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte à data limite para a entrega das propostas. 11. Local, data e hora do acto público do concurso: Local: sala de reuniões, na sede da DSEJ, na Avenida de D. João IV, n.os 7-9, 1.º andar; Data e hora (Nota 2): às 10:00 horas do dia 6 de Maio de 2019. (Nota 2): Em caso de encerramento da DSEJ na data e na hora originalmente determinadas para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Em conformidade com o disposto no artigo 27.o, do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, os concorrentes ou os seus representantes legais devem estar presentes no acto público do concurso para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos constantes nas suas propostas. 12. Local, data e hora para exame do processo e obtenção da cópia: Local: Secção de Arquivo e Expediente Geral da DSEJ, na Avenida de D. João IV, n.os 7-9, 1.º andar; Data: a partir da data de publicação do presente anúncio e até à data do acto público do concurso; Hora: dentro das horas de expediente. Outras observações: os interessados podem obter a cópia do processo do concurso, mediante apresentação da cópia do modelo M/8 (Contribuição Industrial - Conhecimento de Cobrança), cópia do modelo M/1 (Contribuição Industrial – Declaração de Início de Actividade/Alterações) ou carimbo da instituição (qualquer uma das formas referidas) e o devido registo. Para além disso, o processo do concurso pode também ser descarregado através da página electrónica da DSEJ (http://www.dsej.gov.mo). 13. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: ﹣ Preço das bebidas: 30% ﹣ Ingredientes das bebidas: 25% ﹣ Experiência do concorrente no fornecimento de leite e/ou leite de soja: 15% ﹣ Histórico das marcas das bebidas: 15% ﹣ Certificado de qualidade das bebidas: 10% ﹣ Informações sobre os veículos do concorrente utilizados no transporte de leite e/ou leite de soja para as escolas: 5% 14. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer na sede da DSEJ, na Avenida de D. João IV, n.os 7-9, 1.º andar, a partir da data de publicação do presente anúncio e até à data limite para entrega das propostas do concurso público, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Aos 29 de Março de 2019. O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Acção Social Escolar, Lou Pak Sang (Director)


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quarta-feira 10.4.2019

O ETAPM foi transposto para a nova lei dos profissionais de saúde, mas há vários conceitos que os deputados não entendem e que o Executivo não consegue clarificar. O Governo prometeu voltar a trabalhar no diploma

SAÚDE NOVA LEI PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE LEVANTA DÚVIDAS AOS DEPUTADOS

No reino das incertezas RÓMULO SANTOS

fissionais de saúde, nos casos em que foram instaurados processos disciplinares. Uma das circunstâncias para atenuar uma eventual sanção é a “ausência de publicidade da infracção”. Também este ponto não é visto como claro: “O que se entende por ausência de publicidade? Se se mantiver em silêncio sobre a infracção e ninguém souber, aplica-se a atenuante? E se tiver comentado com os colegas o acontecido, já não se aplica?”, perguntou.

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nova lei para a qualificação e inscrição dos profissionais de saúde está a gerar várias dúvidas aos deputados porque em várias partes apenas houve uma cópia adaptada do que consta no Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM). No entanto, a adaptação faz com que os deputados não percebam o alcance de alguns artigos, que também não foram explicados de forma totalmente clara pelo Executivo, que admite fazer mudanças nas partes mais obscuras. “Todos nós cometemos erros no nosso trabalho e este aspecto não foi propriamente bem conseguido”, afirmou o presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, Chan Chak Mo, no final do encontro de ontem. “O ETAPM foi feito a pensar nos trabalhadores da função pública e há circunstâncias que não se adaptam aos profissionais de saúde”, explicou.

“O ETAPM foi feito a pensar nos trabalhadores da função pública e há circunstâncias que não se adaptam aos profissionais de saúde” CHAN CHAK MO DEPUTADO

Entre as dúvidas levantadas está o artigo que define os deveres dos profissionais de saúde, nomeadamente quando é definido que estes profissionais devem “guardar respeito absoluto pela vida humana e pela dignidade e integridade dos doentes a quem prestam cuidados de saúde”. Para os membros da comissão não são claras quais as condutas que não respeitam a “dignidade das pessoas”. “Se um médico não cumprimentar com boas maneiras o

paciente, será que está a faltar ao respeito à sua dignidade?”, questionou Chan Chak Mo. “O Governo disse-nos que vai pensar sobre estas situações e repensar o artigo”, acrescentou. A comissão diz ter compreendido o desejo de evitar práticas em que os médicos recusam responder a perguntas dos pacientes ou fazem declarações como “não vou estar a explicar-lhe [ao paciente] porque você também não percebe estas

coisas”, porém, a redacção permite interpretações diferentes. Ainda em relação a este aspecto, os deputados questionaram o Executivo sobre se a utilização de palavrões de forma involuntária poderia “violar a dignidade das pessoas”. No entanto, também não houve uma resposta clara.

Apesar de todas estas questões, na reunião de ontem foram igualmente debatidos artigos que obtêm o consenso, como foi o caso da alínea que impede os médicos de declararem objecção de consciência em situações urgentes, quando não há outros profissionais disponíveis para intervirem. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

DAS ATENUANTES

Outro artigo que levou dúvidas foram as atenuantes para os pro-

OPERÁRIOS DECLARADA GUERRA A “VEÍCULOS ZOMBIES”

SCM CHUI SAI ON REUNIU COM DIRIGENTES

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U

deputado Lam Lon Wai quer que o Governo assegure que vai lutar com os carros abandonados na RAEM, ou seja contra as viaturas estacionadas ao longo da via pública durante anos, sem que os proprietários paguem os respectivos impostos. É este o conteúdo da última interpelação escrita pelo deputado dos Operários, que foi ontem divulgada. “É difícil conhecer a dimensão deste fenómeno sobre os proprietários que não pagam os impostos dos respectivos veículos porque o Governo não revela os dados. Mas em muitas vias mais remotas há lugares

de estacionamento que estão ocupados por veículos sem o imposto em dia, como se fossem veículos zombies”, escreve o deputado ligado aos Operários. “Apesar das várias queixas, este tipo de veículos ocupa os lugares públicos e os recursos de estacionamento. Há situações em que até criam riscos à segurança”, é acrescentado. Face a este cenário, o legislador quer garantias do Executivo que vai combater o abandono dos carros. “De forma a garantir uma boa circulação e o estacionamento legal [...], será que o Governo vai adoptar as medidas necessárias para com-

bater este fenómeno e tomar a iniciativa de implementar as leis em vigor?”, questionou. Ao mesmo tempo Lam Lon Wai quer uma caça activa aos veículos zombie, ou seja os que não têm o imposto de circulação em dia. “Até ao final do prazo legal [1 de Abril], houve um grande número de veículos que não teve a situação regularizada. De forma a garantir que todos os proprietários dos veículos cumprem as suas obrigações, será que o Governo vai tomar a iniciativa e fazer inspecções para garantir que todos os veículos circulam de forma legal?”, é perguntado.

MA delegação da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM) reuniu na passada segunda-feira com o Chefe do Executivo. Leonel Alves, presidente da Assembleia-geral, e António José de Freitas, provedor da Mesa da direcção da instituição trocaram impressões

com Chui Sai On sobre os serviços de acção social e de caridade. De acordo com um comunicado do Governo, o Chefe do Executivo destacou os alicerces bem consolidados da instituição, enalteceu a persecução do objectivo e espírito e felicitou os dirigentes pelo 450º aniversário da SCM. Por sua vez, Leonel Alves agradeceu o apoio que o Governo da RAEM tem prestado à SCM e destacou o papel que a instituição

tem para os macaenses, “não só porque sinaliza os mais de quatro séculos da sua presença em Macau, como também a posição e responsabilidades que mantêm”. Já o provedor António José de Freitas referiu que para as actividades comemorativas dos 450 anos da SCM, Macau vai receber, pela primeira vez, o Congresso Internacional das Misericórdias, que contará com mais de 200 pessoas provenientes de países lusófonos.


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JOGO WYNN NEGOCEIA COMPRA DA MAIOR OPERADORA DA AUSTRÁLIA

Ganhar a coroa

GONÇALO LOBO PINHEIRO

10.4.2019 quarta-feira

A operadora de jogo Wynn Resorts, com casinos nos Estados Unidos e em Macau, está em negociações para comprar a maior operadora de casinos da Austrália, a Crown Resorts, foi ontem anunciado

A

Crown, que tem casinos em Melbourne, Perth e Londres e, em breve, em Sydney, indicou estar em discussões confidenciais sobre uma oferta da Wynn, de acordo com um comunicado. A operadora australiana disse que a oferta tem um valor implícito de 10,50 dólares por acção, a ser paga 50 por cento em dinheiro e 50 por cento com acções da Wynn. A oferta avaliou a Crown em cerca de oito mil milhões de dólares norte-americanos. “Não há certeza de que estas discussões resultem numa transacção”, apontou a Crown, sublinhando que a proposta está sujeita a condições que incluem aprovações regulatórias.

O valor da Crown caiu 20 por cento desde meados de 2018, devido a resultados inferiores ao esperado. Para os executivos da empresa, a quebra nos lucros deveu-se a uma diminuição dos gastos dos apostadores asiáticos.

JOGO ILEGAL

Em 2016, 19 funcionários do grupo australiano foram presos na China sob a acusação de promoverem ilegalmente jogos de fortuna e azar. Um tribunal chinês sentenciou 16 dos réus, incluindo três cidadãos australianos, a penas de nove a dez meses de prisão, e os três restantes foram libertados após perto de um mês de detenção. Na sequência deste caso, a Crown abandonou os planos de

investimento em Macau e em Las Vegas, e chegou mesmo a vender terrenos na capital do jogo norte-americana ao Wynn por 373 milhões de dólares. Contudo, as notícias da possível compra da Crown pela Wynn levaram, na manhã de ontem, a um aumento de 20,5 por cento no preço das acções na bolsa de valores australiana para 10,07 dólares. As receitas operacionais da Wynn Resorts no último trimestre de 2018 subiram 4 por cento, para 1,70 mil milhões de dólares, com o Palace, na faixa de casinos do Cotai, entre as ilhas da Taipa e de Coloane, a render mais 84 milhões, enquanto o Wynn Macau perdeu 30,3 milhões. “As receitas operacionais foram de 1,69 mil milhões de dólares

no último trimestre de 2018, um aumento de 4 por cento, ou 65,4 milhões; as receitas operacionais do Wynn Macau e das operações Las Vegas aumentaram 84 e 11,7

milhões, respectivamente, compensadas por um decréscimo de 30,3 milhões no Wynn Macau”, anunciou a gestora de hotéis e casinos.

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EXTRACTO DE AVISO Faz-se público que, de harmonia com o despacho do Secretário para a Segurança, de 22 de Outubro 2018, a Direcção dos Serviços Correccionais foi autorizada à abertura dos concursos de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de: 1)

2)

Dois lugares vagos, em regime de contrato administrativo de provimento, de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de informática (desenvolvimento de software) (Concurso n.º: 2019/I05/AP/TS) Quatro lugares vagos (dois de sexo masculino e dois de sexo feminino), em regime de contrato administrativo de provimento, de adjunto-técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de adjunto-técnico (área de aconselhamento e vigilância) (Concurso n.º: 2019/I06/AP/AT)

Os avisos dos concursos encontram-se publicados no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 15, II Série, de 10 de Abril de 2019, com o prazo de inscrição entre 11 de Abril e 30 de Abril de 2019. Os interessados podem consultar os referidos avisos, dentro das horas de expediente, no Centro de Atendimento e Informação da Direcção dos Serviços Correccionais (endereço: Avenida da Praia Grande, China Plaza, 8.º andar “A”, Macau), e na página electrónica do SAFP, em http://www.safp.gov.mo/ ou na página electrónica da Direcção dos Serviços Correccionais, em http://www.dsc.gov. mo/. Para qualquer esclarecimento, por favor, entre em contacto, nas horas de expediente, através do tel. n.º 8896 1218 ou 8896 1293, com os trabalhadores da Divisão de Recursos Humanos. O Director da DSC Cheng Fong Meng 03 / 04 / 20

MP INQUÉRITO ABERTO A INDIVÍDUO QUE SE PASSOU POR CONDUTOR ACIDENTADO

TURISMO GOVERNO QUER OFERECER MAIS ATRACÇÕES PARA DISTRIBUIR VISITANTES

O

A

Ministério Público (MP) abriu um inquérito para investigar o caso de um homem que se fez passar por um condutor que terá sido responsável por um acidente de viação. O caso em questão aconteceu quando um automóvel bateu numa barreira de cimento. Depois do acidente, que terá acontecido de madrugada, o condutor abandonou o local e um amigo deslocou-se ao sítio onde ficou o carro sinistrado a fim de se fazer passar pelo responsável pelo acidente. Na sequência de diligências preliminares de investigação, o caso foi encaminhado pela polícia para o MP. Como tal, o amigo que se fez passar por condutor acidentado é agora suspeito de favorecimento pessoal, crime praticado por quem impede, frustra, ou ilude actividade probatória ou preventiva de autoridade, com intenção

de evitar que outra pessoa, que praticou um crime, seja submetida a pena ou medida de segurança. O MP aplicou medida de coacção “em conformidade com a situação concreta”, sem que tenha sido esclarecida qual. Este crime é punido com pena de prisão até 3 anos, ou com pena de multa e também sancionado na forma tentada. Por outro lado, também o indivíduo que abandonou o local do acidente de viação, fugindo às suas responsabilidades, será alvo das “respectivas diligências de investigação criminal nos termos da lei”, de acordo com um comunicado emitido pelo MP. Além disso, o organismo responsável pela persecução penal em Macau adianta que as diligências de investigação vão prosseguir de forma a punir juridicamente os dois indivíduos envolvidos no caso.

directora dos Serviços de Turismo de Macau defendeu ontem a oferta de mais atracções e locais de interesse para distribuir os turistas e aliviar a pressão sentida em algumas zonas do território. “O nosso problema em capacidade de acolhimento é que [o turismo] não é distribuído. (...) Temos de providenciar mais possibilidades, mais atracções”, afirmou Helena de Senna Fernandes. Macau recebeu em 2018 mais de 35 milhões de turistas, um número que já não está longe do ‘tecto máximo› de 40 milhões de turistas por ano, segundo o Instituto de Formação Turística (IFT). Para a directora dos Serviços de Turismo, “há muitas áreas que estão a sentir esta pressão”, pelo que a estratégia passa por “distribuir os turistas por diferentes espaços”. Questionada sobre outras formas de limitar o número de visitantes, Senna Fernandes salientou que o território “não é um parque temático”, por isso há que pensar em “diferentes maneiras” de combater o problema. A aplicação de uma taxa turística, que está a ser estudada pelo

Governo, não é, no entanto, a solução para limitar o número de entradas, defendeu. A responsável falava à margem da apresentação da 7.ª Expo de Turismo de Macau, que se realiza entre os dias 26 e 28 deste mês. No ano do 20.º aniversário da transferência de administração do território, o evento tem “um objectivo maior”, sublinhou Helena de Senna Fernandes. Neste sentido, a área de exposição foi ampliada para o dobro, de 11 mil para 22 mil metros quadrados, e o número de expositores aumentou de 550 para 800, num orçamento global de 23 milhões de patacas, indicou a responsável em conferência de imprensa. Até à data, está confirmada a participação de cerca de 430 empresas e entidades e de 450 compradores profissionais, provenientes de mais de 50 países e regiões.


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quarta-feira 10.4.2019

TUFÕES GASTOS MAIS DE 110 MILHÕES DE PATACAS EM EQUIPAMENTOS

Pearl Horizon Pedido de indemnização julgado improcedente

O Tribunal Administrativo (TA) deu razão ao Governo na acção, interposta em 2017, por alguns promitentes-compradores de fracções do Pearl Horizon. Os lesados pediam o pagamento de indemnizações pelo prejuízo do preço da fracção e do imposto de selo da compra e venda, com os devidos juros legai. Além disso, os promitentes-compradores solicitavam o pagamento por parte do Governo de todas as despesas resultantes do processo judicial.

Fazer frente aos ventos O Governo gastou cerca de 113 milhões de patacas em equipamentos de resposta a emergências, após a passagem do tufão Hato, revelou ontem o Comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários. Este ano, as autoridades esperam a passagem de quatro a seis tufões, alguns deles “severos”

Rita Santos reeleita presidente do Conselho de Comunidades Portuguesas

Rita Santos foi reconduzida no cargo de presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, depois de ter sido reeleita por unanimidade. A eleição decorreu na sequência da reunião anual dos conselhos para a Ásia e Oceânia, que aconteceu na segunda-feira e ontem em Pequim. Em comunicado, o gabinete dirigido por Rita Santos adiantou que os “conselheiros tiveram uma reunião prolongada com José Augusto Duarte, Embaixador de Portugal em Pequim”, onde “foram passados em revista matérias relacionadas com o bem-estar das comunidades, o emprego, a educação e assuntos de natureza consular”. Armando Jesus fica com o pelouro das questões sociais, económicas e fluxos migratórios. Da delegação australiana, Sílvia Renda fica a cargo do ensino do português no estrangeiro, cultura, associativismo e comunicação social, enquanto Melissa Silva fica responsável pelas pastas das questões consulares e participação cívica e política.

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ESDE a passagem do Hato em Agosto de 2017, o Governo adquiriu equipamentos para fazer frente à passagem de tufões no valor de 113 milhões de patacas. A informação foi dada ontem pelo comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Ma Io Kun, à margem da reunião da protecção civil. “No ano passado, antes da passagem do tufão Mangkhut foram investidos 70 milhões de patacas, este ano mais de 43 milhões”. Entre as aquisições, mais de 70 tipos diferentes, o responsável destacou a aquisição de viaturas anfíbias e botes para “acções de salvamento”, geradores para responder a cortes de energia e drones. Os SPU admitem que ainda aguardam outros equipamentos, que devem chegar “antes do início da época de tufões”. No entanto, de acordo com Ma Io Kun, não há razões para preocupação. “Temos equipamentos suficientes para tratar as situações já desde antes da passagem do tufão Mangkhut”, apontou.

Ma Io Kun recordou que para este ano está prevista a passagem de quatro a seis tufões por Macau, “com a possibilidade de situações severas devido à influência do aquecimento global e a situações climáticas extremas”. O primeiro tufão está previsto para meados de Julho, e o último para o início de Outubro, acrescentou.

ABRIGOS PARA TODOS

Em termos de infra-estruturas, Macau vai dispor este ano de 17 abrigos, mais um do que no ano passado, para acolher quem necessitar de deixar as suas casas. Além destes abrigos, há ainda mais quatro pontos de encontro para situações de emergência. De acordo com o representante do Instituto de Acção Social, presente na reunião de ontem dos Serviços de Protecção Civil, estes centros têm capacidade para acolher cerca de 24 mil pessoas e estão equipados para receber portadores de deficiência. “Também foram acrescentados centros para acolher os turistas

retidos durante as tempestades e nestes centros há recursos materiais e alimentação”, disse Ma Io Kun. “Vamos transferir os turistas das Portas do Cerco para o Campo Desportivo dos Operários, os que vêm da Ponte HKZM vão ser transferidos para o Pavilhão Desportivo da Escola Luso Chinesa. Os turistas do Terminal Marítimo do Porto Exterior vão ser transferidos para o Instituto Politécnico de Macau e os que vêm através dos postos do Cotai vão seguir para a Nave Desportiva”, acrescentou.

TUDO A POSTOS

Para preparar a população para uma situação de evacuação de emergência, vai ser realizado no próximo dia 27 a operação Peixe de Cristal 2019. “O exercício vai abranger cinco zonas: Ilha Verde, Fai Chi Kei, Porto Interior, zona da praia do Manduco e também Coloane e vai ser realizado em simultâneo”, apontou o Comandante-geral dos SPU. Este exercício de simulação vai também ter o contributo da popula-

“Também foram acrescentados centros para acolher os turistas retidos durante as tempestades e nestes centros há recursos materiais e alimentação.” MA IO KUN COMANDANTE-GERAL DOS SPU

ção, estando disponíveis 450 vagas para residentes. “Este ano esperamos a participação [da população], no entanto, sendo a primeira vez, não podemos esperar um grande número de pessoas”, disse. Os residentes interessados podem inscrever-se até ao próximo dia 22 e os serviços vão proceder a duas sessões de esclarecimento prévias agendadas para as manhãs de 24 e 27 de Abril. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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Celebrar um “home AMIGOS DO LIVRO ASSOCIAÇÃO ASSINALA CENTENÁRIO DE FERNANDO NAMORA

A Associação dos Amigos do livro em Macau vai assinalar o centésimo aniversário do escritor português Fernando Namora, no próximo dia 15, com a realização de uma tertúlia. O evento tem lugar na Livraria Portuguesa, pelas 18h e é acompanhado por duas exposições: uma com as obras de Namora, e outra com as capas de livros desenhadas por Victor Palla

TIAGO ALCÂNTARA

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O

médico e escritor português Fernando Namora comemoraria 100 anos no próximo dia 15. A data não é esquecida pela Associação dos Amigos do Livro em Macau que agendou para esse dia o primeiro de três eventos de celebração da efeméride. Para o efeito, a Livraria Portuguesa vai receber os membros da associação e os seus convidados para uma tertúlia. O objectivo é recordar os textos e poemas de Namora. “Além de ser um escritor português muito conhecido nos anos 70 e 80 e traduzido para várias lingas acho que está um pouco esquecido”, começa por dizer o também escritor e médico membro da associação, Shee Va, ao HM para explicar a pertinência em recordar o autor português. “Nas escolas não se fala dele, as pessoas não falam dele”, acrescenta.

No entanto, o “esquecimento” de Fernando Namora não tira o mérito ao trabalho que deixou, até porque “é um escritor que marca uma época e está muito ligado ao neo-realismo apesar de no final da vida ter passado para uma fase muito mais individual”. Por outro lado, foi um homem de liberdade, apesar de ter vivido “numa época em que se vivia o fascismo e em que existiam todas as restrições em relação à escrita”. “Ele manifestou-se como um homem livre. Expressava o seu pensamento nos livros e por essa qualidade acho que temos que o enaltecer”, sublinha Shee Va.

EXPOSIÇÕES PARALELAS

A acompanhar as leituras, o organização vai promover a exposição de algumas das obras de Fernando Namora. “Vamos ter uma exposição bibliográfica

com os livros que se encontram em Macau”, aponta o membro da Associação dos Amigos do Livro. A exposição conta com uma tradução para chinês dos “Retalhos da vida de um médico”, uma crítica literária das obras reeditadas de Fernando Namora que Shee Va encontrou num jornal de 1958 e uma crítica do “O homem disfarçado”. Uma segunda exposição, desta feita dedicada às capas de livros do escritor produzidas pelo arquitecto Victor Palla, vai ainda integrar a celebração. Shee Va aproveita para recordar que Fernando Namora também foi pintor. “Ele queria seguir arquitectura mas por imposição da mãe acabou por seguir medicina. O primeiro livro que publicou, um livro de poemas chamado “Relevos” tem uma capa desenhada por ele”, conta. A efeméride vai ainda ser assinalada com um outro


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em livre”

encontro no dia 23 de Abril em associação com o IPOR. Os detalhes ainda estão por definir até porque, sendo o dia mundial do livro, a associação gostaria de trazer “as palavras de Fernando Namora para a rua”. “Seria uma forma de juntar a celebração com as comemorações do dia mundial do livro e de tentar promover a leitura na rua. Seria uma forma de não ficar-mos retidos num espaço interior e de trazer a literatura em português à população», acrescenta. Para finalizar a celebração do centenário do nascimen-

to de Fernando Namora, a Associação dos amigos do Livro em Macau vai estar, no dia 17 de Maio, na Escola Portuguesa numa acção que junta convidados alunos e professores.

“É um escritor que marca uma época e está muito ligado ao neo-realismo apesar de no final da vida ter passado para uma fase muito mais individual.”

O desafio maior é “ver como se consegue atrair o público”. Entretanto, e para Novembro, está agendada a celebração do centésimo aniversário do poeta Jorge de Sena. Para juntar o público chinês e português Shee Va adianta que vai trazer ao território a poesia, pintura e caligrafia chinesa de modo a mostrar a complementaridade entre estas formas de arte. “Consegui encontrar uma poetisa chinesa que viveu há 700 anos e a poesia chinesa está também muito ligada às artes gráficas porque é passada para a tela e pela caligrafia. Por isso vou juntar caligrafia, pintura e literatura num evento”. A ideia é dar aos leitores lusófonos uma maior compreensão da própria pintura chinesa, recorrendo à poesia, e à caligrafia.

SHEE VA ESCRITOR E MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO LIVRO EM MACAU

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

FUTURO PLANEADO

Com o objectivo de aproximar a literatura do público local, a Associação dos Amigos do Livro em Macau quer promover mais actividades, sobretudo aquelas que possam aproximar as palavras das pessoas. Na calha, está a produção de peças de teatro de rua e “o contar histórias”.

Sofia Margarida Mota

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Mirra Nome botânico: Commiphora myrrha (Nees) Engl. e outras espécies do género Commiphora Sinonímia científica: Commiphora molmol (Engl.) Engl. ex Tschirch Família: Burseraceae. Nomes populares: COMÍFORA; MIRRA-SOMALI. Originária do Nordeste de África, sobretudo da Somália, a Mirra é também encontrada na Etiópia, Iémen, Arábia Saudita, Irão, Índia e Tailândia. Habita climas secos e cresce em matas. Trata-se de uma planta de porte arbóreo ou arbustivo, espinhosa, de folha caduca, que pode alcançar 5 metros de altura; apresenta um tronco grosso e inúmeros ramos pequenos e nodosos, na extremidade dos quais nascem folhas ovaladas, simples ou trifoliadas, poucas e muito pequenas; as flores são amareladas e crescem em panículas e os frutos são castanhos, ovóides e pontiagudos. A Mirra produz uma resina espessa, amarela e aromática, designada pelo mesmo nome (mirra). O seu nome botânico, Commiphora, provém do grego kommi, que significa adesivo, e phoros, portador, aludindo à sua resina. Esta resina, com propriedades desinfectantes e analgésicas, é um dos remédios mais antigos que se conhecem, sendo amplamente usada noAntigo Egipto. Era ainda usada em perfumes, incenso e no embalsamamento. Curiosamente, ainda que a desidratação dos corpos não fosse devida à sua utilização, ainda hoje, a palavra mirra está associada à perda de água: mirrar, tornar-se seco, tornar-se magro, definhar. Considerada uma resina sagrada, foi também um dos presentes oferecidos ao Menino Jesus pelos três Reis Magos, simbolizando o sofrimento. Particularmente associada a rituais de purificação, é usada em celebrações religiosas. Enquanto planta medicinal integra as milenares Medicina Ayurvédica e Medicina Tradicional Chinesa. Em fitoterapia é usada a resina e o óleo essencial. Composição Goma, óleo essencial e resina, com diversos constituintes. Sabor ligeiramente amargo e que provoca secura. Acção terapêutica Como os princípios activos da Mirra são insolúveis na água, normalmente a resina não é tomada em infusão, mas sim triturada em pó para comprimidos ou dissolvida em tinturas. Além disso, não é facilmente absorvida pelos intestinos, sendo geralmente mais usada por via externa do que interna. Neste sentido, a Mirra é uma das plantas mais eficazes no tratamento de pro-

blemas da boca e garganta, auxiliando a combater a infecção, a suavizar a inflamação e a retrair o tecido afectado. Possui propriedades adstringentes, cicatrizantes, anti-inflamatórias e fortemente anti-sépticas, sendo eficaz contra diferentes estirpes de bactérias, fungos (inclusive a Candida albicans) e determinados parasitas. É uma excelente planta para o tratamento das aftas, gengivites, doença periodontal, estomatites, sapinhos (monilíase), úlceras da boca e língua, após extracções dentárias, congestão dos seios perinasais, amigdalites e faringites. Também é recomendada em caso de inflamações cutâneas ligeiras, feridas, escoriações, acne e furúnculos e, pelo seu efeito secante e suavemente anestésico, nas úlceras de pressão. Outras propriedades Em uso interno, a Mirra é tónica e estimulante, aumenta o apetite e as secreções digestivas, favorece a digestão, acalma a inflamação, combate espasmos e auxilia a expulsão de gases, sendo tradicionalmente usada nos transtornos digestivos e infecções intestinais. É útil na tosse, por ser expectorante, e nas infecções dos brônquios, ouvidos e febre glandular, pela acção antimicrobiana; pode reforçar o uso interno nas afecções orofaríngeas. É igualmente utilizada em problemas circulatórios, casos de menstruação irregular ou acompanhada de dores, como depurativo do sangue e afrodisíaco. Tem ainda actividade antioxidante e preventiva do cancro. O óleo essencial emprega-se como anti-séptico nas afecções da boca e da pele, e, pelo seu efeito frio e anti-inflamatório, em massagens nas zonas doridas e inflamadas. Como tomar •Uso externo: Tintura: diluir em água e aplicar várias vezes por dia em bochechos, gargarejos e compressas. Óleo essencial: diluir num óleo gordo e aplicar em massagens suaves. Bálsamo para as dores de cabeça, musculares e articulares; creme para as mãos e para inflamações cutâneas ligeiras; pasta dentífrica e elixir oral para fortalecer as gengivas e prevenir a formação de cáries. Precauções O uso interno da Mirra está contra-indicado durante a gravidez e a lactação. Em uso externo, pode provocar reacções alérgicas – diluir e usar com moderação. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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10.4.2019 quarta-feira

A campanha para “limpar” a internet de conteúdos “nocivos”, conheceu ontem um novo capítulo com o cancelamento de mais 50 contas, entre as quais a de um académico com milhões de seguidores

A

rede social Weibo, equivalente chinês ao Twitter, suspendeu mais de cinquenta contas de "líderes de opinião" da China, por publicação de "informação política prejudicial", infor-

WEIBO SUSPENSAS 50 CONTAS POR “INFORMAÇÃO POLÍTICA PREJUDICIAL”

Mais bocas caladas mou ontem um jornal de Hong Kong. Segundo o South China Morning Post (SCMP), entre os perfis suspensos consta Yu Jianrong, um investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais que tem mais de sete milhões de seguidores e é visto como defensor de “políticas liberais". A conta de Yu vai estar inacessível durante os próximos 90 dias. "É muito estranho: não sei qual dos meus comentários violou os regulamentos", disse, citado pelo SCMP. O académico acrescentou que, nos últimos dois anos, se absteve de publicar qualquer mensagem política na sua conta. Para o Weibo, "informação política prejudicial" não se refere apenas a conteúdo que viole as leis ou a Constituição da China, mas também a rumores ou "informações

pseudónimo da jornalista de Hong Kong Louis Cha -, vistas como uma alusão indirecta à actualidade na China.

adversas", susceptíveis de minar os "valores da sociedade". "São temas quotidianos sobre arte. Não houve qualquer" informação política, garantiu o especialista. Yu ganhou notoriedade nas redes sociais chinesas em 2011, quando os regulamentos eram menos restritos, através da publicação de

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 136/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 140/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora MAI THI HIEN, portadora do Título de Identificação de Trabalhador Não-Residente da RAEM n.° 13929xxx e portadora do Passaporte da Vietnam n.° N1641xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.°163.1/DIAI/2017 levantado pela DST a 21.06.2017, e por despacho da signatária de 21.03.2019, exarado no Relatório n.° 119/DI/2019, de 07.03.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Malaca n.° 172, Edifício Centro Internacional de Macau, Bloco 11, 14.° andar D.--------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LIU YONGSHI, portador do passaporte da RPC n.° G56736xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.°106/DIAI/2017, levantado pela DST a 28.04.2017, e por despacho da signatária de 26.03.2019, exarado no Relatório n.° 122/DI/2019, de 05.03.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida 24 de Junho n.° 20, Hoi Keng Fa Un, Lei Keng Kok, 9.° andar N, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ----------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Entre os perfis suspensos consta Yu Jianrong, um investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais que tem mais de sete milhões de seguidores e é visto como defensor de “políticas liberais”

REDE “LIMPA”

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-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 21 de Março de 2019.

sulta no bloqueio de vários portais estrangeiros e alguns serviços de "gigantes" do sector, como o Facebook, Google ou Twitter. Considerada até há poucos anos o espaço mais livre na China, a Internet tem sido alvo de crescente censura, após a aprovação de uma lei de segurança no ciberespaço, no Verão passado.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Março de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

uma série de fotografias de crianças a mendigar, visando reuni-los com os seus pais e promover a doação de livros para as áreas rurais. Outra das contas "silenciadas" nos próximos 90 dias é a de Wang Xiaolei, ex-repórter da agência noticiosa oficial Xinhua. Apesar de não publicar mensagens com conteúdo político explicito, o antigo jornalista, que tem meio milhão de seguidores, refere-se muitas vezes à dinastia Tang ou a histórias sobre artes marciais de Jing Song - o

Estas suspensões fazem parte de uma campanha para "limpar e retificar" a Internet, lançada, no ano passado pela Administração da China do Ciberespaço (CAC), a agência encarregue da censura dos conteúdos ‘online’. Em Novembro passado, a agência anunciou a suspensão de 9.800 contas nas redes sociais do país, incluindo no Weibo e WeChat. O regulador chinês para o ciberespaço considerou ainda que o Weibo "violou as leis e regulamentos do país, ao orientar a opinião pública para a direcção errada e exercer má influência". As autoridades puniram a rede social com a suspensão, por uma semana, de algumas das suas ferramentas, incluindo a lista dos tópicos mais compartilhados, ou um serviço pago para fazer perguntas a celebridades. A censura imposta por Pequim no ciberespaço re-

O Governo ordenou aos responsáveis por conteúdo ‘online’ que forneçam informação que esteja "ao serviço do socialismo e da orientação correcta da opinião pública". O Weibo tem quase 500 milhões de usuários activos. O país mais populoso do mundo, com cerca de 1.400 milhões de habitantes, é também o que tem a maior população ‘online’ - mais de 800 milhões.

A derrota dos porcos

Peste suína alastra-se a toda a China com surtos no extremo noroeste

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China detectou novos casos de peste suína africana nas regiões do Tibete e Xinjiang, no extremo noroeste do país, informaram ontem as autoridades locais, confirmando o alastrar do surto a todo o território continental. Os casos foram detectados em vários condados da cidade de Nyingchi, Região Autónoma do Tibete, e em Urumqi, a capital de Xinjiang, detalhou, em comunicado, o ministério chinês da Agricultura e dos Assuntos Rurais. A doença afecta porcos e javalis, mas não é transmissível aos seres humanos. No entanto, coloca em risco o mercado chinês, que produz anualmente 600 milhões de porcos. O ministério anunciou um mecanismo de emergência, visando isolar, abater ou desinfectar os porcos, e proibiu a entrada ou saída de todos os suínos vivos e produtos suínos das áreas afectadas. Em Nyingchi, 55 porcos morreram, enquanto em Urumqi foram registados quinze porcos infectados, numa fazenda com um total de 200 suínos. Desde que foi inicialmente detectado no início de Agosto,

no nordeste da China, o surto espalhou-se já pelas 30 províncias e regiões da China continental. Centenas de milhares de porcos foram já abatidos.

A ESSÊNCIA DA COZINHA

Apenas a ilha de Hainan, no extremo sul do país, e as regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong, não registaram casos. A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60 por cento do total do consumo de proteína animal no país. Dados oficiais revelam que os consumidores chineses comem mais de 120 mil milhões de quilos de carne de porco por ano. A flutuação do preço daquela carne é, por isso, sensível na China e o Governo guarda uma grande quantidade congelada para colocar no mercado quando os preços sobem. No final do ano passado, as autoridades chinesas autorizaram três matadouros portugueses a exportar para o país. Profissionais do sector estimam que, até ao final do ano, as exportações portuguesas para a China se fixem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.


china 13

quarta-feira 10.4.2019

Região

HONG KONG CONDENADOS LÍDERES DO MOVIMENTO DOS GUARDA-CHUVAS

Noves fora, nada

Os últimos activistas sentenciados, responsáveis pelo movimento que paralisou o centro de Hong Kong, em 2014, enfrentam uma pena que pode ir até sete anos de prisão por cada acusação

JAPÃO PROLONGADAS SANÇÕES À COREIA DO NORTE

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Japão decidiu ontem prolongar as sanções unilaterais impostas à Coreia do Norte por mais dois anos, como medida de pressão para desnuclearizar Pyongyang e resolver a questão dos sequestros japoneses, informou a agência de notícias local Kyodo. O período de aplicação das sanções terminaria neste sábado, mas as autoridades nipónicas decidiram prolongar a proibição total das exportações e importações bilaterais, bem como a entrada no Japão de navios registados na Coreia do Norte ou que tenham atracado num porto norte-coreano. Em 2016, o Japão adoptou um conjunto de sanções unilaterais contra o país vizinho como resultado dos seus testes com mísseis e desde então tem estendido as sanções, simultaneamente às sanções também aplicadas a Pyongyang pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Estas medidas têm como objectivo pressionar o regime de Kim Jong-un a tomar medidas específicas para a paz na península

coreana através de uma desnuclearização completa como acordado nas cimeiras que Kim teve com a Coreia do Sul e com os Estados Unidos, um compromisso que está parado face ao desacordo entre Pyongyang e Washington. A decisão também procura instar o regime norte-coreano a resolver a questão dos cidadãos japoneses sequestrados entre 1977 e 1983. Em 2002, o então líder norte-coreano Kim Jong II, como parte das negociações entre a Coreia do Norte e o Japão que iria produzir a Declaração de Pyongyang, admitiu o rapto de 13 japoneses pelo regime. O governo japonês diz, no entanto, que os norte-coreanos raptaram pelos menos 17 cidadãos do país e não descarta o envolvimento de Pyongyang no desaparecimento de outras 883 pessoas. Na altura, Kim Jong II pediu desculpa pelos raptos, mas não revelou os motivos. A questão dos sequestros é um dos principais obstáculos à normalização dos laços entre esses dois países.

Tailândia Alemã violada e assassinada

Uma turista alemã de 27 anos foi violada e assassinada numa ilha do Golfo da Tailândia, anunciaram ontem as autoridades do país, informando que já detiveram o responsável. O corpo da jovem foi encontrado no domingo na ilha Koh Sichang, ao sul da capital tailandesa, coberto de folhas e de pedras, disse à agência de notícias France-Presse (AFP) a porta-voz adjunta da polícia local, Krissana Pattanacharoen. O alegado responsável, um homem de 23 anos proveniente de uma cidade vizinha, foi detido algumas horas depois. Sob custódia policial, o homem admitiu os crimes e disse estar sob a influência de narcóticos. "O corpo apresentava lesões significativas", disse Pattanacharoen.

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OVE líderes do maior movimento de desobediência civil na história de Hong Kong foram ontem considerados culpados por actos nos protestos de 2014, e incorrem em penas de até sete anos de prisão por cada acusação. Entre os condenados, estão os também fundadores do movimento "Occupy Central", em 2013: Chan Kin-man, de 59 anos, professor de sociologia, Benny Tai, de 54, professor de direito, e Chu Yiu-ming, de 74 anos, ministro da Igreja Baptista de Chai Wan em Hong Kong. Os três foram considerados culpados de conspiração para perturbar a ordem pública de incitarem ao motim através da obstrução ilegal de lugares públicos, bem como de incitar e mobilizar manifestantes "para alterar a ordem pública”. De acordo com o tribunal, o objectivo dos activistas era "forçar as autoridades a responder às suas reclamações políticas". Os deputados Tanya Chan e Shiu Ka-chun, os ex-líderes estudantis Tommy Cheung Sau-yin e Eason Chung Yiu-wa e o vice-presidente da Liga dos Sociais-Democratas, Raphael Wong Ho-ming, foram considerados culpa-

Os nove, que enfrentam penas de até sete anos por cada acusação, são os últimos activistas condenados pelos protestos, que se prolongaram por 79 dias em 2014, em Hong Kong

dos de incitação para cometer distúrbios públicos. Também o ex-deputado democrata Lee Wing-tat, de 63 anos, foi considerado culpado de uma acusação de incitamento. Os nove, que enfrentam penas de até sete anos por cada acusação, são os últimos activistas condenados pelos protestos, que se prolongaram por 79 dias em 2014, em Hong Kong. Vários activistas foram já julgados pelo Ministério da Justiça, estando a cumprir penas de prisão. Alguns foram proibidos de concorrer às eleições e outros foram desqualificados do Conselho Legislativo da região administrativa especial chinesa.

CENTRO PARALISADO

Entre 28 de Setembro e 15 de Dezembro de 2014, centenas de milhares de pessoas paralisaram quarteirões inteiros da antiga colónia britânica para exigir o sufrágio universal na escolha do chefe do Executivo de Hong Kong, nomeado por uma comissão pró-Pequim. Mas as autoridades chinesas não recuaram. Em 28 de Setembro, o movimento "Occupy Central" decretou o início da sua campanha de desobediência civil, juntando-se a outros protestos em curso há dois dias junto à sede do Governo de Hong Kong.

A acção da polícia desencadeou manifestações mais importantes, levando ao movimento pró-democracia,

também conhecido como a revolta dos guarda-chuvas, usados pela multidão para se proteger das granadas de gás lacrimogéneo. Chan, Tai e Chu renderam-se à polícia em Dezembro de 2014, pondo fim ao movimento "Occupy Central". Recentemente, o cancelamento de eventos literários e artísticos e a recusa em permitir a entrada de um jornalista do Financial Times em Hong Kong reacenderam a preocupação com a liberdade de expressão naquele território.

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Anúncio Concurso Público n.º 1/2019 Prestação de serviços de limpeza De acordo com o disposto no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho e, ainda, de acordo com o despacho da Ex.ma Senhora Secretária para a Administração e Justiça, de 28 de Março de 2019, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem, em representação do adjudicante, proceder a concurso público para a «Prestação de serviços de limpeza». 1. Adjudicante: Secretária para a Administração e Justiça. 2. Serviço responsável pela realização do processo de concurso: Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). 3. Modalidade do concurso: concurso público. 4. Objecto do concurso: fornecimento aos SAFP de «Prestação de serviços de limpeza». 5. Prazo de validade das propostas: não inferior a noventa dias, a contar da data do acto público do concurso. 6. Caução provisória: a caução provisória é de $ 40 000,00 (quarenta mil patacas) e deve ser prestada por meio de depósito bancário ou por garantia bancária legal a favor do Governo da Região Administrativa Especial de Macau — Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. 7. Caução definitiva: valor correspondente a 4% (quatro por cento) do preço global da adjudicação. 8. Condições de admissão: podem candidatar-se ao presente concurso as empresas que tenham sede ou escritórios na RAEM, tenham no âmbito das actividades, total ou parcial, o fornecimento de serviços de limpeza, comprovem ter cumprido as obrigações fiscais. 9. Todas as dúvidas sobre o programa do concurso e o caderno de encargos deste concurso público podem ser apresentadas de acordo com o determinado no mesmo programa do concurso, e realizar-se-á uma sessão de esclarecimento sobre o presente concurso público no seguinte local, data e hora: Local: sala de reuniões do 26º andar do Edifício Administração Pública, sita na Rua do Campo, n.º 162, Macau. Data e hora: 11,00 horas do dia 12 de Abril de 2019. 10. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, Edifício Administração Pública, n.º 162, r/c, Macau. Data e hora limite: até às 17,30 horas do dia 25 de Abril de 2019 (não serão aceites propostas fora do prazo). 11. Local, data e hora do acto público: Local: auditório do Edifício Administração Pública, sito na Rua do Campo, n.º 162, Cave 1, Macau. Data e hora: 11,00 horas do dia 26 de Abril de 2019. 12. Forma de consulta do processo: A partir da data da publicação do anúncio, os interessados poderão obter a cópia do programa do concurso e do caderno de encargos através da página electrónica dos SAFP, em www.safp.gov. mo, ou, durante as horas de expediente, dirigir-se ao balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, r/c, Macau para a consulta do programa do concurso e do caderno de encargos ou para a obtenção da cópia dos mesmos, mediante o pagamento da importância de $ 100,00 (cem patacas). 13. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Preço proposto (60 %); b) Experiência, nos últimos 5 anos, na prestação de serviços de limpeza (20%); c) Certificação da qualidade do serviço de limpeza prestado por concorrente (10 %); d) Percentagem de trabalhadores residentes (10 %). 14. Esclarecimentos adicionais: A partir da data da publicação do presente anúncio até à data limite para a entrega das propostas, os concorrentes podem, durante as horas de expediente, dirigir-se ao balcão dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, r/c, Macau, ou visitar a página electrónica dos SAFP (www.safp.gov.mo) para obterem quaisquer eventuais esclarecimentos adicionais. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, aos 2 de Abril de 2019. O Director dos Serviços Kou Peng Kuan.


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Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer

A Poesia Completa de Li He

出 城 雪 下 桂 花 稀 , 啼 烏 被 彈 歸 。    關 水 乘 驢 影 , 秦 風 帽 帶 垂 。    入 鄉 試 萬 里 , 無 印 自 堪 悲 。    卿卿忍相問,鏡中雙淚姿。

Deixando A Cidade Esparsa flor de cássia, neve cadente. Um corvo a gritar, atingido por um raio, chegou a casa. Numa charca junto à Passagem, uma sombra monta um burro,1 Seu chapéu e berloque desalinhados no vento Qin. Sabia-lhe tão bem estar de regresso outra vez, Mas só podia lamentar não deter sinete. A mulher que amava nem uma pergunta lhe fez – 2 Ao espelho, dois veios de lágrimas rosto abaixo.

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Poema escrito no ano 801, após o equivalente ao grau de doutor ter sido negado a Li. A referência, aqui, é à Passagem de Han-gu. A expressão “Qing-qing [卿 卿 ]” refere-se mais a uma amante, ou concubina, do que a uma esposa. Não existem indicações de que He foi alguma vez casado.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 10.4.2019

João Paulo Cotrim

FORA DE LISBOA, 24 DE MARÇO A notícia apanha-me fora da cidade, fora de mim. Andávamos a arranhar céus, por causa de uma ideia, é sempre assim, mas agora não sei, Manuel [Graça Dias]: desapeteceu-me. Hei-de dar umas voltas, para ganhar coragem de arrumar o irresolvido. Quem, como tu, viu na cidade um corpo vivo, fulgurante e contemporâneo a cada instante? Ninguém, como tu, defendia o direito de cada um, sem restrição de gosto ou proveniência, a fazer a sua casa, a sua cidade. A riscar, arriscando. A construir com ruínas, a erguer em circunvoluções, vasculhando noas catálogos do disponível, sem perder a hipótese do sonhado. Lembro agora que falámos muito de janelas. Hei-de dar umas voltas, de pernas para o ar. ALMIRANTE REIS, LISBOA, 28 DE MARÇO Deixei-me alhear. A cena estava destinada a durar poucos minutos naquele aquário com uma única parede de vidro, a porta abrindo sobre azáfama de papéis, em murmúrio de irrequietude, prestes a sossegarem em um quase nada absolutamente determinante. A leitura em voz alta e borracha na mão despejava em ladainha dados objectivos, moradas, lugares de nascimento, portanto datas. Definitivos que nem lâminas, se excluirmos os nomes. Os nomes completos não se limitam ao real, trazem primeiro o próprio, e logo dele evocação, perfume, um eco; seguem-se os apelidos revelando raízes, as serras e os rios onde germinaram os pais dos pais, quando uns ainda eram filhos e não sonhavam ser pais. Os apelidos são paisagens que nos atravessam. Movimento, só passada a fronteira de vidro. Os corpos aqui fizeram-se estátuas sentadas, recebendo a chuva a conta-gotas da voz verificando o que precisava ficar escrito para que a vida dos apelidos cruzados prosseguisse depois da morte. Estava quase como devia, a emenda fez-se para justificar o aparato do absurdo formal. Sem precisar, pus os óculos e assinei. O carimbo fez ponto mais final. Ainda não sequei as lágrimas. SANTA BÁRBARA, LISBOA, 29 DE MARÇO Corto [Maltese] fez corte à navalha na mão desenhada para prolongar destinos. Meio torto, resolvi alterar a leitura das rugas na testa com lanho longitudinal. Demorei a perceber que se trata de acentuar as coordenadas. Lá diz José [Anjos]: «a mera consciência de si próprio/ ou do corpo/ não é mais do que uma tentativa,/ vã tentativa de estar parado / no que é imparável: a queda.»

Que me diz o corpo? Cai e dobrando as ondas do livro, percebia que não estava a conseguir dissociar as partes em que me tocava, da mesma maneira que não consigo dissociar corpo e mente. Mas pude perceber que memória, infância, amor e morte emergem com a subida das páginas e vivem, transversalmente, numa roda-viva de posições e justaposições. E, enquanto me desvendo através do Zé, penso que afinal só de quatro gotas se faz o oceano e que os mergulhos poderão ter só a profundidade destas quatro gotas: infância, memória, amor e morte… talvez arriscasse dizer que poderíamos retirar a infância e a memória, que das duas fala o amor e a morte, mas, como escreve o José, “são precisos dois olhos para focar/quatro para ficar”. São estas as Quatro Águas que matam a sede à humanidade e lhe dão a distância suficiente da boca do corpo até à terra.»

GRAÇA EZEQUIEL

Ddiário de um editor

HORTA SECA, LISBOA, 2 DE ABRIL Valério [Romão] regressa de mais uma incursão europeia trazendo na bagagem dois contos vertidos para castelhano, italiano, neerlandês e romeno, no âmbito do projecto CELA (Connecting Emerging Literary Artists), projecto a dar atenção aos emergentes, escritores e tradutores. Isto além da participação na delegação portuguesa à Feira do Livro de Leipzig. Parece satisfeito com ambas as experiências, mas não se lhe arranca relatório minucioso assim à primeira. Anda embrenhado em traduções e junta-se logo ao colossal coro de cobradores das minhas crónicas tardanças: «já trataste da autorização?» Nada me castiga mais que a papelada. Ainda nem abri o documento com as vendas do mês passado. A derrapagem parece ser a minha maneira de caminhar. CAMPOS TRINDADE, LISBOA, 3 DE ABRIL Nas poucas vezes que não fizemos o tradicional lançamento, por vontade do autor ou outro contratempo, sobrou-nos um estranho gosto da incompletude. Algo parece faltar no longo ciclo de construção do livro sem este ponto de exclamação. Contudo, uma avaliação rigorosa, subtraindo o que se investiu em tempo, recursos e incómodos aos parcos resultados, justifica a dúvida: valerá a pena? Até que acontecem destes, o de «Uma Fotografia Apontada à Cabeça», do mano José [Anjos]. Falo do intangível, claro: o ambiente. E para melhor explicar, dissequemos, rezando para que o Frankenstein seja, ao menos, terno na sua disformidade.

O lugar do crime, de vizinhança que se quer crescente, possui o perfume das raras possibilidades. O Bernardo [Trindade] acendeu a luz da sala de estar, que sabe ser o epicentro de encontros insuspeitos. A Graça [Ezequiel], com foto na página, em versão antes da noite cair, ajuda a dar ideia. A generosidade da Quinta do Gradil, pela mão gentil da Ana [Matias], dispôs saborosas boas-vindas em formato viosinho, no branco, e cabernet sauvignon com tinta roriz, para o tinto. Entre muitos amigos, chegados ou dos de partir, estavam a querida Luísa [Pires Barreto], que desenhou o objecto, cuja capa nasce de uma tela onde o Gil Madeira pôs o Anjos a procurar o feminino por entre luz e espelho e manuscritos. O Gil oferece, ainda, o nosso primeiro logótipo em círculo, dança doida de linhas sinuosas. O Marcello [Urgeghe] rodou sobre si sob o lustre para sussurrar leituras comovidas. E o João [Morais] encheu o espaço que já não havia com a sua campaniça, insuflando oxigénio. O autor, tão amante da queda, levitava, talvez por sentir que as páginas se cumpriam nas mãos e nos olhares, enfim, chegavam algures, a uma estação primeira (à maneira de O Gajo). O Gui sublinhou passagens, sem surpresa, sentindo-se com exemplar naturalidade em casa. Ademais só mesmo a calorosa interpretação cantada pela Ana Teresa [Sanganha], que liga o seu gosto pela poesia à psicanálise, «que de gosto meu não se trata, mas sim de uma identidade». A leitura veio tintada pela amizade, como convém, mas revelou-se justa e cheia de alma. «Digo complexidade porque, à medida que ia mergulhando nos poemas

FERIN, LISBOA, 4 DE ABRIL Anuncia-se programa para a televisão pública em torno da música que nos fez mais portugueses. Pede-me o Pedro Castro depoimento matutino sobre o Sérgio [Godinho] e dispara logo a abrir um refrão de memória. A minha perdeu o pio. Sou homem do presente, sobretudo do indicativo, o que me perturba e irrita, fica escrito. Lembrei-me na atrapalhação do hoje que se quer primeiro dia para lançar novo sopro no resto a vir. Veio-me depois à boca o grão da mesma mó, «não sei se estão a ver aqueles dias/ Em que não acontece nada sem ser o que aconteceu e o que não aconteceu/ E do nada há uma luz que se acende/ Não se sabe se vem de fora ou se vem de dentro/ Apareceu». Está visto que o meu tempo continua à espera de suceder. E não ocorreria da mesma maneira sem o SG [gigante]. BIBLIOTECA DA IMPRENSA NACIONAL, LISBOA, 5 DE ABRIL Lá está, lançamento: «Desenhos em Volta de os Passos de Herberto Helder», de Mariana Viana, com a vetusta a dizer que está atenta aos cânones agitados apesar dessa camisa-de-forças onde a querem fechar, mas que não abdicam nunca de atacar a jugular, a que sangra, não a cegueira das minudências do artesanato do ódio. Ele há diferenças, podemos fazer degraus sem pensar em cânone, subindo ou descendo. Esta sala faz-se lugar perfeito para este desdobrável, em cada uma das direcções de todos os ventos. Entre a terra e o céu, umas varandas sem acesso, disponibilizam livros a quem saiba sobrar o varandim, folhear a geografia, saber o caminho dos degraus de água.


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Divina Comédia Nuno Miguel Guedes

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menina Marina, já famosa por ser a sábia do bairro, pergunta-me: «Senhor Nuno, o costume? Meia de leite e croissant com queijo, não é ?». E sei que a resposta está contida na pergunta e sei que nem sequer me deveria incomodar. Mas não: digo que sim mas não é o costume. Tenho problemas ontológicos por resolver, menina Marina. Antes esses do que outros e parecidos. Quem sou, quem diz o que sou, quem diz o que fui – enfim, um croissant com queijo enquanto maço os leitores. Os amigos, quando o são, intimidam-nos. Apanham-nos desprevenidos – nós, que assobiamos descontraídos pelas pequenas alamedas da vidinha – e zinga!, perguntam, incomodam, obrigam a tirar o pano dos espelhos. O resultado nem sempre é agradável (nunca, já posso dizer) mas é sempre necessário. Os amigos, quando temos essa sorte, limpam-nos os fantasmas sem nunca abandonarem o lugar da assombração. Quando isto sucede – esta mistura de indul-

10.4.2019 quarta-feira

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O que funcionar gência, indiferença e espanto – podemos ajoelhar e dizer como o padre Brown de Chesterton: o mais incrível dos milagres é que eles acontecem. Passaram já por isto, queridos leitores (e leitoras, mas acaba aqui a cedência aos tempos, os substantivos plurais são para se utilizarem)? Claro que sim. Aquele amigo ou amiga que já não encontram há algum tempo (leia-se: meia vida) mas que no entanto continua curioso, receptivo, que quer saber mais com uma ternura violenta mas bem-vinda. Aqueles que nos acompanharam na guerra mas só agora na paz têm tempo e vontade de fazer perguntas e ficar maravilhados com as res-

postas. E aceitam, e partilham as suas profundas dissonâncias, e vamos para casa com a barriga cheia desta coisa invulgar que começa a ser as pessoas falarem umas com as outras. Escrevo isto sem me queixar, consciente que é um privilégio e um pouco monotemático nestas crónicas. Mas se insisto é porque – lá está – não pode ser um privilégio. Mais uma vez Oscar Wilde tinha razão: um amigo é aquele que te apunhala pela frente. Mas quando não existe frente, quando só existe ecrãs e ilusões de proximidade? Sei lá. Talvez esteja velho, como sempre desejei. Talvez não compreenda

Sei lá. Talvez esteja velho, como sempre desejei. Talvez não compreenda nada e numa ingenuidade que não desejo nem pratico lute ainda pelos pequenos grandes gestos, que nos salvarão uns dos outros no quotidiano

nada e numa ingenuidade que não desejo nem pratico lute ainda pelos pequenos grandes gestos, que nos salvarão uns dos outros no quotidiano. Essa “medida temporária de graça” que surge no monólogo final de Whatever Works, o filme de Woody Allen que mais cito e onde fui buscar o título à crónica. Olho a minha agenda e vejo que irei ler Beckett com o mano João Paulo Cotrim, que conheço desde os quinze anos e que nos voltámos a reconhecer há algum tempo, com surpresa, confirmação e festa. Mas porque nos olhámos, porque nos falámos e não vimos nada do que fomos, apenas do que agora somos. É ir para a rua e não ter medo de olhar e falar com quem achamos que melhor nos conhece. O resultado é maravilhoso e garanto – o mundo fica um bocadinho melhor. Pelo menos durante um bocadinho mas provavelmente é esse bocadinho que interessa. Menina Marina, é um croissant com queijo e fale comigo, fale comigo.


desporto 17

quarta-feira 10.4.2019

Durante anos Silas Chou e o parceiro de sempre Lawrence Stroll investiram em empresas de moda e venderamnas depois com lucros astronómicos. O mais recente desafio dos dois passa agora por repetir o modelo na categoria rainha do automobilismo

E

STE fim-de-semana a Fórmula 1 comemora com o Grande Prémio da China a 1000.º corrida da sua História. E à partida vai estar a equipa Racing Point (anterior Force India), que tem como um dos proprietários o milionário Silas Chou, irmão da ex-presidente da Assembleia Legislativa, Susana Chou. Apesar de ser uma pessoa discreta no que diz respeito ao mediatismo, Silas Chou está longe de ser um desconhecido no mundo da moda ou entre o clube dos milionários de Hong Kong, onde reside. Segundo a revista Forbes, o irmão de Susana tinha em 2016 nada menos do que uma fortuna avaliada em 2,6 mil milhões de dólares de norte-americanos. Mas se a ligação entre a moda e a F1 pode parecer distante e improvável, a verdade é que foi por esta via que Silas entrou na modalidade. No ano passado, o ingresso neste desporto de Chou ficou formalizado com a aquisição da equipa Force India, que depois mudou de nome para

FÓRMULA 1 IRMÃO DE SUSANA CHOU É UM DOS PROPRIETÁRIOS DA RACING POINT

Bons velhos hábitos Racing Point. No entanto, a origem deste investimento vai, pelo menos, até 1989. Estávamos a mais de 10 anos da transferência da soberania de Macau, recorda o Hong Kong Economic Journal, quando Silas Chou e Lawrence Stroll, parceiro de sempre do irmão de Susana Chou, criaram a Sportswear Holdings, com o objectivo de comprar a famosa marca de roupa Tommy Hilfiger Corporation. A empresa já tinha ligações à família Chou, que auxiliou o designer americano numa fase decisiva para a marca. Porém, a aquisição permitiu a Silas tornar-se numa das principais figuras da empresa. Assim, em 1992, quando a Tommy Hilfiger entrou na bolsa norte-americana, o irmão de Susana Chou era identificado como um dos principais accionistas e o presidente da empresa.

MODELO HILFIGER

Com Chou, Stroll e Hilfiger a conduzir os destinos da companhia até 2006 a marca Tommy Hilfiger tornou-se mundialmente conhecida e multiplicou o volume de vendas várias vezes. Foi por isso sem grande surpresa que nesse ano Chou recebeu 1,6 mil milhões de dólares americanos pela venda das suas acções ao grupo Apax. Apesar do mesmo grupo ter recebido quatro anos depois 3 mil milhões pela mesma participação, o modelo para o futuro estava estabelecido. Com a lição estudada a parceria Chou/Strolll apostou na marca de luxo Michael Kors. Corria o ano de 2003 quando a empresa de moda enfrentava grandes problemas financeiros. Face a este cenário, os empresários não hesitaram e com-

Silas Chou (à esquerda) com Lawrence Stroll (ao centro) e Daniel Greider, CEO da Tommy Hilfiger (à direita)

pletaram a aquisição de uma participação maioritária por 100 milhões de dólares norte-americanos, juntando-se ao próprio Michael Kors. A partir desse momento a história da Tommy Hilfiger repetiu-se. Os milhares de dólares exigidos por cada produto da Kors foram reduzidos para cerca de 300 dólares e com uma reestruturação interna a empresa tornou-se uma máquina de fazer dinheiro. O sucesso foi reconhecido pelos mercados com a entrada da bolsa em 2011 e em 2014, e três anos depois, a empresa estava avaliada em 20 mil milhões de dólares americanos. Chou, Stroll e Kors entravam para o clube dos multimilionários.

Com mais uma marca bem estabelecida e apetecível, Chou repetiu o que tinha feito anteriormente e começou a pouco-e-pouco a desfazer-se

Três anos depois,a empresa [Michael Kors] estava avaliada em 20 mil milhões de dólares americanos. Chou, Stroll e Kors entravam para o clube dos multimilionários

das acções do grupo. Num primeiro momento vendeu a participação a nível internacional e manteve a representação de Hong Kong. No entanto, em 2017, vendeu a última participação por 500 milhões de dólares americanos e só por esta parte da empresa teve um lucro de 400 milhões. Mas se a conta for feita a toda a participação, incluindo as outras representações, o Hong Kong Economic Journal aponta que os ganhos foram 10 vezes superiores ao investimento inicial.

REPETIÇÃO NA F1

Este modelo vencedor vai agora ser repetido na Fór-

mula 1. A entrada de Chou acontece a reboque do parceiro Lawrence Stroll, que nos últimos anos tem investido em patrocínios na modalidade, com o objectivo de promover a carreira do filho, Lance. Nos primeiros dois anos, Lance competiu na Williams F1 com o pai a ser um dos principais patrocinadores da equipa. No entanto, a falta de competitividade da equipa britânica e a falência da Force India, que procurava um comprador, abriram as portas para o investimento da dupla Chou/Stroll. No entanto, engane-se quem pensar que este investimento foi feito apenas para promover o filho Lance Stroll. A dupla está na F1 para vender a equipa com lucro e a meta foi traçada por Lawrence em entrevista ao New York Times: “É verdade que sou um grande admirador deste desporto e, como é óbvio, tenho sido um dos grandes apoiantes da carreira do meu filho. Mas nunca tinha antecipado a compra de uma equipa, nem nunca tinha pensado que queria comprar uma equipa”, afirmou o canadiano. “Para ser sincero, esta compra só surgiu porque foi uma oportunidade de negócio fenomenal. Se fosse uma equipa que estava nos últimos lugares da grelha de partida, não fazia sentido o investimento. Mas é uma equipa que mostrou que é capaz de apresentar resultados com poucos recursos”, justificou. É neste sentido que Stroll deixa a garantia que o lucro é o objectivo: “Não estou neste negócio para perder dinheiro. Isto é uma aposta a pensar no longo prazo, como fiz com todos os negócios em que me envolvi”, apontou. A questão que fica agora por responder é a seguinte: serão Stroll e Chou capazes de repetir os sucessos num mundo tão competitivo como o da Fórmula 1, onde tantos outros falharam? Parte da resposta começa a ser dada com a participação este fim-de-semana no Grande Prémio de China. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


18 (f)utilidades TEMPO

10.4.2019 quarta-feira

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje CONCERTO | HANGAR 18 + EMILY BIRNS LMA | 21H30

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Um filme de: David F.Sandberg Com: Zachary Levi, Asher Angel, Mark Strong 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

P STORM [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, Kevin Cheng, Raymond Lam, Lam Ka Tung, Chrissie Chau 14.30, 16.30, 21.30

US [C] Um filme de: Jordan Peele Com: Lupita Nyong’o,

Winston Duke, Elisabeth Moss 19.15 SALA 3

DUMBO [A] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tim Burton Com: Colin Farrel, Eva Green, Michael Keaton, Danny DeVito 14.30, 16.30, 19.15

MASQUERADE HOTEL [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Suzuki Com: Takuya Kimura, Masami Nagasawa 21.15

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4 5 6 7 8 2 9 1 9 1 4 3 7 6 2 8 0 P.S. – A ordem dos nomes seguiu o alinhamento 2 “de0 acordo 4 com 9 a8lei” 1 6 3 da ficha5 técnica

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para o episódio intitulado “The Witness”, que tem como pano de fundo Hong Kong numa história alucinante de crime a perseguição. Com o dedo de 0 5 7 4 819 1 3 62 David Fincher na produção, 4 3Death 9 6&0Robots” 3“Love, 7 6 2 7é 5 2 1 5 1 uma série imperdível até para 2 8 6como8eu, 3 04 0 7 6quem, 5 1não3 5 é fã de animação. João Luz

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Bem, diz que chegou a hora do adeus. Pior de tudo é que tenho mil caracteres pela frente. Desta vez, não me escapo à derradeira ‘vida de cão’, apesar de insistir que não fui talhada para escrever opinião, ainda que goste de mandar larachas à mesa do café. Hoje, excepcionalmente, o público-alvo são os meus colegas, os eventuais leitores que me desculpem. Obrigada Carlos pela oportunidade, obrigada João Luz pelo cuidado na edição e por censurares o jargão jurídico, obrigada Zé pelas correcções depois da meia-noite. E porque é de ideias que vive um jornal, obrigada Andreia pelas frescas (e pela ‘cunha’ que me trouxe aqui), obrigada João Filipe pelas arrojadas e insolentes, obrigada Sofia por responderes a todas com boas energias. Obrigada Paulo e Rómulo pelas emendas que estragaram páginas feitas e humorísticos títulos censurados. Obrigada Madalena pelo carinho do minchi. A todos, obrigada pelo bom ambiente, pelas graçolas e pela vontade 6 7de fazer 1 melhor, 0 8 não5obstante 9 2 os dias de chuva. O tempo voou, mas chegou para travar 3 amizades 4 8na confusão 6 1 ordenada 2 7da 0 redacção do Hoje Macau, donde saio a não 2grunhidos 5 9animalescos 1 4 e3a dizer 0 o7 estranhar triplo das asneiras que já dizia. Desculpem 0 9 2 8 6 4 3 5 qualquer coisinha – como os reparos matinais aos escritos 1 da0véspera, 3 os7surtos 2 fora9de horas 5 4 e as trombas de dias mal-humorados e sei lá 8 5 9a minha 3 saída, 7 6mas 1 mais o 4 quê. Celebrem convidem-me. E, porque a tradição ainda é o 8 6 7 5 0 1 4 3 que era, o texto ficou maior do que o previsto – são situações. 7 3Até6sempre, 2 camaradas 5 0 e8xau 9 Laura. Diana do Mar

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Cerca de 900 milhões de eleitores vão às urnas entre 11 de Abril e 19 de Maio na Índia, num gigantesco processo para eleições gerais que exigem a sua divisão em sete fases. Em disputa estarão 543 assentos da Assembleia do Povo (Lok Sabha), dos 545 assentos possíveis (dois são indicados pelo Presidente), para um mandato de cinco anos.

S U D O K U

EXPOSIÇÃO | OBRAS-PRIMAS DE ARTE RUSSA MAM | Até 22/04

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A HORA DOS OBRIGADAS

CONCERTO | NEUROOTS + SIDE BURNS + SINO HEARTS LMA | 21H30

C I N E M A

YUAN

VIDA DE CÃO

Amanhã

Cineteatro

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LOVE, DEATH & ROBOTS | TIM MILLER

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Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

quarta-feira 10.4.2019

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

FRIDA CASTELLI, THE WARMTH IN THE MOMENT

Como se fazem os bebés

U

MA amiga comentou que fazer sexo e fazer bebés poderão ser encarados como actividades diferentes. Uma coisa é o sexo, outra coisa é fazer um filho. Uma coisa é ter prazer, outra coisa é criar uma família. Há momentos de intercepção também. Mas quem faz sexo porque quer um bom orgasmo, pode ser um depravado. Quem tem filhos é decente. Mas o sexo nunca desaparece dos nossos mundos de significado. Os pais que procriam em decência, terão que encarar a dura realidade de uma criança que se tornará adolescente e adulto. É preciso falar de sexo em algum momento e de como se quer incluir o sexo na parentalidade. Falar da intimidade é um dever cívico que não se resume a uma conversa do que são pipis ou pilinhas. Nas nuances do sexo e do comportamento sexual existem conceitos confusos. Há necessidade de clarificar emoções e direitos para que certas situações deixem de ser assustadoras ou estranhas. Estes são conteúdos que vão muito além dos métodos contraceptivos

que existem e de ‘como se fazem os bebés’. Os conteúdos programáticos das escolas são inflexíveis, simples e de contrastes distintos e limitados. Estes carregam também uma fraca noção do direito à auto-determinação pessoal das crianças e jovens. Como se eles não tivessem nada a dizer, como se eles não pudessem participar na conversa. Devemos falar de intimidade, consentimento, contracepção e prazer. Mas não há fórmulas perfeitas. Só abrindo espaços seguros e sem julgamento é que é possível explorar a curiosidade natural do sexo. Julgar que se pode controlar os conteúdos sexualizados a que as crianças e jovens têm acesso é pateta. Mais vale oferecer-lhes ferramentas onde eles próprios possam dar sentido às imagens e aos conceitos. Falar sobre sexo pode

Sexo não é ideologia, sexo é um facto. Este facto de consequências reais precisa de ser apresentado da forma que melhor inclui a diversidade. Porque o sexo não é só sobre fazer bebés, é sobre percebermo-nos a nós próprios e à nossa sexualidade

ajudar, mas impõem-se certos desafios. Primeiro porque pensar na sexualização infantil/juvenil é difícil. Há um medo premente que conversas sobre sexo motivem a iniciação sexual. Segundo, há demasiada imaturidade sexual por este mundo fora para pensar que a solução passa por simples conversas. Poucos relacionam a obrigatoriedade do sexo para a propagação genética e perpetuação da vida familiar com o bem último da vida humana - ao prazer dos corpos nus. A parte dos bebés é pragmática, a parte do prazer é polémica. A tensão cai obrigatoriamente na premissa que o sexo fora da procriação é crime – um exemplo bem contemporâneo é o caso do Brunei onde agora o sexo homossexual e o adultério são punidos com pena de morte. Portanto - estamos preparados para falar sobre sexo? Não. Podemos não falar sobre sexo com os mais jovens? Também não. Falamos como podemos disto de ‘como fazer bebés’ e de como não tê-los. Esticamos os conteúdos para uma conversa sobre sexo cada vez mais informativa para depois percebermos que falar sobre sexo (e género também) é agora visto pelos mais melindrados como uma escolha ideológica. Sexo não é ideologia, sexo é um facto. Este facto de consequências reais precisa de ser apresentado da forma que melhor inclui a diversidade. Porque o sexo não é só sobre fazer bebés, é sobre percebermo-nos a nós próprios e à nossa sexualidade.


O homem é um pêndulo entre o sorriso e o pranto. George (Lord) Byron

KÁ-HÓ SARAMPO ADIA ABERTURA DO HOSPITAL DE REABILITAÇÃO

Surtos e atrasos

O

surto de sarampo levou ao adiamento da abertura da parte do novo Hospital de Reabilitação de Ká-Hó gerida pelo Centro Hospitalar Conde São Januário (CHCSJ). A revelação foi feita ontem por Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SSM), após uma reunião com os deputados na Assembleia Legislativa (AL). “A enfermaria do CHCSJ, que fica no segundo andar, ainda não começou a trabalhar por causa do surto de sarampo”, afirmou Lei Chin Ion, quando questionado sobre um balanço dos trabalhos. A cerimónia de abertura do espaço, que tem 188 camas,

foi feita a 1 de Abril e contou com a presença do Chefe do Executivo, Chui Sai On, e o secretário para os Assuntos Sociais e Cultural, Alexis Tam. A parte do hospital a cargo da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) está em funcionamento e serve meia centena de pacientes. “A área da enfermaria de reabilitação gerida pela FAOM tem 50 pacientes, neste momento. São pessoas que ficam internadas [no espaço]” justificou Lei Chin Ion. Em relação ao funcionamento desta unidade hospitalar, o director dos SSM admitiu abordar a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego

(DSAT) para haver um aumento na frequência das ligações de autocarros para aquelas zonas.

À ESPERA DE VACINAS

Por outro lado, a crescente procura a nível de mundial de vacinas contra o sarampo não permite aos SSM apontarem uma data para a chegada das 10 mil doses encomendadas. A situação foi explicada ontem por Lam Chong, coordenador do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC), que anteriormente tinha previsto um prazo de três semanas para a chegada das vacinas. “Comprámos 10 mil vacinas nos últimos dias, mas não temos uma data exacta

PALAVRA DO DIA

para a entrega”, apontou Lam. “Anteriormente o fornecedor tinha-se comprometido a fazer as entregas dentro de três semanas. Mas como houve surtos na Europa e em outros países e regiões há uma grande procura. Por este motivo não temos uma data concreta para a chegada das vacinas a Macau”, justificou. De acordo com os dados dos SSM, desde 20 de Março cerca de 4.200 adultos tinham sido vacinados contra o sarampo. Deste grupo, 1.600 pessoas eram trabalhadores não residentes. Até ao fecho da edição do HM, segundo Lam Chong, estavam confirmados 32 casos de sarampo. Entre estes, três estavam em recuperação, em casa, e os restantes 29 totalmente curados. Ainda assim, havia a possibilidade de serem confirmados entre quatro e cinco casos novos. “Estamos a fazer o rastreio e a aguardar resultados”, reconheceu Lam. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Cidade aberta China quer eliminar restrições no acesso ao ‘hukou’

A

China anunciou ontem que vai abolir gradualmente as restrições no acesso ao ‘hukou’ - espécie de passaporte interno -, em áreas urbanas até três milhões de habitantes, beneficiando 100 milhões de trabalhadores migrantes. O documento, difundido pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o órgão máximo chinês de planificação económica, requer que as autoridades locais permitam o acesso a serviços básicos a trabalhadores migrantes, em cidades com entre um e três milhões de habitantes. A medida abrange 100 milhões de pessoas, segundo a imprensa local, mas exclui automaticamente as principais cidades do país, como Pequim, Xangai, Cantão ou Shenzhen - todas com mais de dez milhões de habitantes -, ou a maioria das capitais de província. Em 2018, o número de população urbana da China fixou-se em quase 60 por cento, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas. Com cerca de 1.400 milhões de habitantes, a China é o país mais populoso do mundo. No mesmo ano, quase 14 milhões de rurais migrados nas cidades obtiveram o ‘hukou’, segundo o relatório de trabalho do Governo, entregue, no mês passado, pelo primeiro-ministro, Li Keqiang, à Assembleia Nacional Popular. As autoridades priorizaram trabalhadores com formação universitária ou profissional, detalha o mesmo documento.

FILHOS ESQUECIDOS

ÍNDIA ATAQUE A COMBOIO DO PARTIDO NO PODER FAZ CINCO MORTOS

P

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ELO menos cinco pessoas foram mortas ontem por rebeldes maoistas que atacaram um comboio do Partido Bharatiya Janata (BJP), no estado indiano de Chhattisgarh, dois dias antes das eleições no país, informou a polícia indiana. Os rebeldes detonaram um artefacto caseiro antes de dispararem contra o comboio do BJP,

partido do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, segundo Girdhari Nayak, um responsável policial do estado, que fica no centro do país, citado pela agência de notícias francesa AFP. A Press Trust of India, citada pela agência de notícias AP, relatou que o ataque ocorreu ontem no distrito de Dantewada, em Chhattisgarh, que é um bastião

insurgente, e apenas dois dias antes do início de eleições gerais que vão ocorrer em várias fases na Índia. De acordo com a AP, os meios de comunicação indianos referiram que um legislador do estado e vários agentes de segurança foram mortos no ataque. Os rebeldes, inspirados pelo líder revolucionário chinês Mao Tsé-tung, lutam contra o Gover-

no há mais de quatro décadas, exigindo terras e empregos para agricultores, comunidades indígenas e pobres. Os insurgentes afirmam ter milhares de combatentes e controlam vastas áreas do território em vários estados indianos. O Governo considera os rebeldes como a maior ameaça à segurança interna da Índia.

quarta-feira 10.4.2019

A autorização de residência ‘Hukou’ é um sistema implantado em 1958, durante o Governo de Mao Zedong, para controlar a migração massiva dentro do país e assegurar a continuidade da produção agrícola e a estabilidade social nos centros urbanos. O restrito sistema de residência priva os trabalhadores de serviços básicos, como o acesso à educação ou saúde pública, rompendo com a estrutura familiar. Devido às restrições, milhões de trabalhadores optam por deixar os filhos ao cuidado de familiares nas aldeias de origem. Em muitos casos, os pais só visitam as crianças uma vez por ano. Um censo divulgado pelo Governo, em 2015, estima que o total de crianças “deixadas para trás” ascende a 9,2 milhões, mas estimativas independentes colocam aquela cifra nos 61 milhões. Em 2018, o número de população migrante que não aparece nos censos das cidades onde residem fixou-se em 241 milhões de pessoas.

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Hoje Macau 10 ABR 2019 # 4267  

N.º 4267 de 10 de ABR de 2019

Hoje Macau 10 ABR 2019 # 4267  

N.º 4267 de 10 de ABR de 2019

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