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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 10 DE FEVEREIRO DE 2012 • ANO XI • Nº 2547

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 13 MAX 17 HUMIDADE 70-95% • CÂMBIOS EURO 10.6 BAHT 0.2 YUAN 1.2

REFORMA ELEITORAL Governo não revela teor da proposta entregue em Pequim

O Céu decide

O Executivo prometeu e cumpriu - enviou ao Governo Central a proposta de alteração de método para escolher os deputados e o Chefe de Executivo. Que proposta, não revelou, mas adiantou que também vão cerca de 2.000 outras opiniões, recolhidas nas últimas semanas. Agora, será Pequim a tomar decisões. PÁGINA 2

BANDIDOS SEM CASTIGO

2600 casos de roubo foram arquivados ÚLTIMA

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• O Xamane e o seu corpo

JUSTIÇA APERTA O CERCO

Anteneiros com vida complicada PÁGINA 3

AUTISMO EM MACAU

Crianças sem apoio suficiente PÁGINAS 4 E 5

IMPRENSA NÃO GOSTA

Angola contra novo acordo PÁGINA 15 PUB


política

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ÃO 2692 opiniões – mais de mil enviadas por correio electrónico – e a maioria pede uma alteração aos métodos de escolha do Chefe do Executivo em 2014 e da Assembleia Legislativa (AL) em 2013. O Governo terminou a análise às sugestões da população sobre a reforma política e o relatório já foi submetido ao Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, que é quem decide a possibilidade de alteração. O comunicado enviado às redacções, com o balanço das auscultações registadas, não avança com dados concretos sobre as diversas opiniões, mas para a eleição do Chefe do Executivo houve quem sugerisse outro método que não a comissão eleitoral. Já para 2014, sugerem a criação de uma comissão que proponha um líder máximo do Governo e apresente a proposta à população, para que sejam os residentes permanentes PUB

sexta-feira 10.2.2012

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Relatório sobre reforma política já chegou a Pequim

Pedida comissão para propor Chefe do Executivo da RAEM a eleger o chefe por sufrágio universal. Para a constituição da AL – que terá eleições já no próximo ano -, a maioria dos participantes pede um aumento de lugares “iguais” para os assentos directos e indirectos, sem que seja alterado o número de nomeados. “O objectivo é a admissão de individualidades das mais amplas camadas possíveis, através de uma participação equilibrada e que represente os interesses de todos os sectores”, lê-se no comunicado enviado às redacções.

SEM NÚMEROS

Se houve quem seguisse o caminho das opiniões gerais que têm vindo a desenvol-

ver-se ao longo das sessões de debate, houve também quem apresentasse outras opiniões. No relatório sobre o balanço, o Executivo não fala em dados concretos, mas admite ter recebido “visões diferentes”. Como o número de lugares na AL, nomeadamente no que diz respeito aos deputados indirectos em termos de distribuição de sectores. Outras opiniões diziam mesmo não ser necessário alterar o número de deputados eleitos directa e indirectamente e nomeados para 2013. “Algumas opiniões diziam apenas aumentar o número de deputados eleitos pela via directa, não devendo aumentar os indirectos, ou no caso

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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de aumentar os directos, reduzir em simultâneo os não eleitos por sufrágio directo.” A intenção seria fazer com que o número de deputados eleitos directamente atingisse metade do

número total de membros do hemiciclo, dando azo a uma transição gradual de todos os deputados para a eleição do sufrágio directo. “Além disso, entendem ainda que no caso de aumentar

os indirectos se deve, em simultâneo, actualizar adequadamente a delimitação dos sectores e aperfeiçoar as formas de sufrágio directo”, pode ler-se no relatório.

CRIAR POLÍTICOS

Criar condições para que a AL se torne um local para criar interessados na política e nos assuntos de desenvolvimento político, é um dos pontos-chave pedido por quem enviou opiniões. “Adequadamente” é outra das palavras que merece repetição, especialmente quando o assunto é alterar as constituições da AL ou da Comissão que elege o Chefe do Executivo. Os participantes pedem mais representatividade no Colégio Eleitoral, um aumento do número de representantes. Ainda que no relatório não constem quantos – limita-se a dizer que as opiniões foram divergentes –, quem sugeriu pediu que se aumentassem os representantes da opinião pública e os lugares para jovens, profissionais e serviços sociais.


sexta-feira 10.2.2012

política

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Regime Jurídico pune anteneiros de forma mais concreta

Crime semi-público até dois anos de prisão “rigoroso” não agrada ao presidente da comissão. Diz que não é esse o caso, mas sim “fazer com que a população não caia nas malhas da lei inconscientemente”. Sobre se a mera reprodução de obras sem fins comerciais possa ou não ser considerada crime, o presidente da comissão descarta a penalização. “Só se o interessado quiser apresentar queixa.”

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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alteração ao Regime Jurídico dos Direitos de Autor vai impor restrições mais concretas à actividade dos anteneiros. A revisão – a ser analisada neste momento na especialidade pela 3ª. Comissão Permanente – implica que os sinais descodificados e retransmissão sem consentimento sejam crime pago penalmente. “Este é um crime semi-público, sujeito a dois anos de prisão ou 240 dias de multa”, explicou Cheang Chi Keong. Basta a TvCabo principal lesada pelo conflito que envolve os anteneiros e a operadora de televisão do território a quem compete transmitir determinados programas - fazer queixa. A questão dos anteneiros arrasta-se há mais de uma década e prende-se sobretudo com a emissão de programas sem autorização. O presidente da 3ª. comissão reuniu ontem com os membros do Executivo, num encontro que levou mais de duas horas. Depois de um ano e meio sem que se chegasse um consenso possível para levar a proposta à

AVANÇOS

votação do plenário, a nova versão apresentada pelo Governo “reflecte a intenção legislativa do Executivo”. O regime servirá de base para a implementação de duas convenções internacionais sobre a propriedade intelectual, em vigor no continente mas sem extensão a Macau. “Com o avanço rápido da internet, para proteger

a propriedade intelectual há a necessidade de efectivar estes dois tratados o mais breve possível e temos, para isso, de ter feitos trabalhos preparatórios.”

MUDANÇA DE IDEIAS

Na última reunião, deputados e Executivo saíram sem consenso sobre a penalização a quem copie obras ou as po-

nha à disposição do público sem autorização do autor. Enquanto os membros da comissão e a assessoria da Assembleia Legislativa (AL) pediam um agravamento de pena de oito meses para a pena máxima de dois anos para quem disponibilizasse ao público as obras com ou sem fins comerciais, o Executivo não fazia sequer menção

a quando se deveriam impor sanções. A nova versão esclarece o assunto, que toma a posição do Governo. “A versão actual clarifica a posição política do Executivo: são os actos praticados com fins comerciais e lucrativos que merecem sanções”, afirmou Cheang Chi Keong. O facto de ser um critério menos

Na reunião não foi discutida a questão de se apagarem ou alterarem obras – como muitas vezes é feito por brincadeira na internet -, ficando o futuro um pouco vago neste aspecto. Ainda assim, Cheang Chi Keong admite que a reunião de ontem permitiu dar um passo em frente. “A comissão já pediu à assessoria para elaborar um parecer, no final deste mês contamos que a proposta já possa subir a plenário.” Desde Novembro de 2010 que este regime está a ser analisado na especialidade. O objectivo é proteger os autores, mas também preparar para a entrada dos dois tratados internacionais e seguir as práticas das regiões vizinhas.

Pereira Coutinho ainda quer saber por que Ho não testemunhou

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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OVERNO demorou um ano a responder que não comenta a interpelação do deputado da Assembleia Legislativa (AL) José Pereira Coutinho, que questionou o facto de o antigo Chefe do Executivo Edmund Ho não ter tido autorização para depor em tribunal como testemunha de defesa de um dos arguidos no processo do caso Ao Man Long. O deputado, além de criticar a demora da resposta do Governo à sua primeira interpelação sobre o caso, não aceita a resposta que teve por parte do Executivo. “O Governo demorou tanto tempo a responder para, afinal, não responder à questão que coloquei na interpelação”, pode ler-se

ANTÓNIO FALCÃO

Sem justificação plausível na nova interpelação entregue ontem. O elenco liderado por Fernando Chui Sai On refugiou-se no artigo 3.º da Resolução n.º 2/2004 – que regulamenta o processo de interpretação sobre a acção governativa. Para o legislador, a citação do artigo “não especifica, em concreto, que parte desse artigo leva a não querer responder à questão colocada”. “Por que razão estaria esse artigo, nessa parte, a ser violado, dificultando a análise da sua não resposta?”

UM ANO À ESPERA

Seja como for, Pereira Coutinho continua a acreditar que o depoimento de Edmund Ho não viola o seu direito à reserva sobre a intimidade da vida privada ou

familiar. “O seu depoimento como testemunha incidiria sobre matérias do âmbito das obras públicas inseridas nas Linhas de Acção Governativa e, por isso, públicas.” Defende ainda que o antigo líder do Governo de Macau “não estaria a colocar em causa o segredo profissional” nem, tão pouco, “o segredo de Estado ou da Região”. Relembrando ao poder Executivo que a sua interpelação nunca disse respeito a “decisões judiciais”, interpela novamente o Governo para que responda com “fundamentação, de direito e de facto” à não autorização do depoimento de Edmund Ho, assim como a explicação da demora de resposta de um ano à primeira interpelação.

Custos despropositados O Deputado da Assembleia Legislativa Chui Sai Peng apelou ao Governo, após o incidente da CTM e o descontentamento contínuo da população face à operadora, que dê satisfações públicas sobre o assunto. Chui Sai Peng duvida da mudança total no meio de Julho da rede 2G para 3G, e questionou por que razão é que as mudanças mais significativas têm de recair nos residentes, enquanto que os viajantes poderão continuar a usar 2G.


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Associção para o Desenvolvimento Infantil de Macau lança o alerta

Crianças autistas precisam de mais apoio Aumenta o número de crianças com autismo em Macau. Assunto pouco falado oficialmente a não ser através de pontuais e insuficientes estatísticas. Uma associação privada, dedicada às crianças com este tipo de doença, nasceu em 2004, tendo apoiado até hoje mais de três centenas de crianças, apesar de continuar a lutar com dificuldades de vária ordem. Eliana Calderon, uma venezuelana radicada na região há duas décadas, fundadora e responsável pela associação, tem sido, reconhecidamente, a grande obreira deste núcleo de apoio a crianças autistas. Eis a MCDA Helder Fernando info@hojemacau.com.mo

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Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau (na sigla inglesa MCDA) escreve e dirige ofícios desenvolvidos, fundamentados, mas sem resposta, a várias entidades oficiais, nomeadamente para o Centro de Apoio Psicológico e Ensino Especial (CAPEE), dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Os anos vão passando, o número de crianças autistas aumenta, naturalmente que as carências

também. A primeira delas: “financiamento, para através dele, podermos alugar espaços melhores e mais amplos. Por outro lado, é urgente que as entidades oficiais nesta área também nos disponibilizem um espaço. Só desta forma poderemos dar resposta a tanta necessidade que temos”, diz a coordenadora da MCDA. A associação tem insistido, todos os anos, sem resultado. No dia-a-dia são cerca de 80 as crianças que ali encontram apoio especializado, carinho, atenção, como o jornalista testemunhou, em tempos diferentes, nas várias

visitas que efectuou para falar com técnicos e responsáveis. Eliana Calderon afirma necessitar de elementos estatísticos ou mesmo de pessoal habilitado para pesquisar todos os dados referentes à situação do autismo em Macau: “Temos os nossos números, mas provavelmente pecam por defeito. Já pedimos aos Serviços de Saúde (SS), mas também sem resultado porque, provavelmente, não possuem esse tipo de estatística. Acredito que se tivessem, teriam fornecido. Desde 2004, assistimos cerca de 300 doentes autistas, mas por certo

existem muitos mais e de diferentes graus”. O apoio principal da MCDA é junto das crianças que não têm dificuldades cognitivas.

TÉCNICOS, SÓ NATURAIS DE MACAU

A MCDA, que fundamentalmente se dedica a apoiar crianças com problemas de autismo, possui técnicos especializados. “O assunto é muito melindroso, pois a lei local não permite, ou pelo menos dificulta imenso, que esses profissionais nos possam dar colaboração. As crianças de língua-mãe inglesa precisam com a maior urgência

de apoio sistemático na sua língua e esses profissionais não existem em Macau, têm de ser autorizados a vir do exterior, o que não é fácil”, explicou Eliana ao Hoje Macau. “Recebemos resposta dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) a dizer que esses técnicos só podem ser naturais de Macau. Isto é inacreditável. E as crianças de língua portuguesa e inglesa? Temos técnicos prontos a trabalharem connosco, mas são impedidos. Isto é muitíssimo preocupante.” Apurámos também que há familiares de crianças autistas que não conseguem obter apoio de es-


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pecialistas de terapia ocupacional, ou da fala. Naturalmente que a vinda desses técnicos especializados obedece a contratos legais, a condições de trabalho, um mundo de dificuldades que uma associação como a MCDA não consegue até agora ultrapassar, apesar de ser público a obra realizada junto de tantas crianças carentes de apoio. Na associação trabalham três técnicos locais de terapia ocupacional, o que na opinião da coordenadora é manifestamente pouco, “precisamos de outro tanto” uma vez que estes técnicos locais “não estão habilitados a dar apoio especializado às crianças de língua portuguesa e inglesa.”

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Números calculados pelas nossas fontes, apontam para uma conclusão que pode servir de alerta: mesmo que todas as escolas de Macau fossem inclusivas, os números de crianças com distúrbios indicam que haveria necessidade de mais espaços de apoio.

ESCOLAS NÃO ACEITAM AUTISTAS

Sabendo-se que, por sistema, as escolas da região não estão preparadas para receber crianças com algumas dificuldades em processar a informação necessária para realizar as coisas naturais do dia a dia, a coordenadora da MCDA entende como natural que esses estabelecimentos dificultem, ou mesmo não aceitem essas crianças: “A realidade é que as escolas não foram preparadas para isso, nem têm pessoal especializado. A pouco e pouco temos vindo a influenciar alguns estabelecimentos para que se tornem mais inclusivos, mas ainda são poucos os exemplos. Torna-se urgente uma mudança de mentalidade de quem é responsável por estas áreas, bem como uma mudança, um aperfeiçoamento legislativo, uma sensibilidade muito maior.” Números calculados pelas nossas fontes, apontam para uma conclusão que pode servir de alerta: mesmo que todas as escolas de Macau fossem inclusivas, os números de crianças com distúrbios indicam que haveria necessidade de mais espaços de apoio. Conhecem-se exemplos de famílias com possibilidades financeiras que puderam enviar para o exterior as suas crianças, medida necessária face à realidade da RAEM, mas não aconselhável para as crianças, “uma vez que a separação é prejudicial e o envolvimento familiar é importantíssimo”. “Na nossa associação, só damos apoio estando as famílias também envolvidas. Sabemos que existem

outros espaços que não gostam que os familiares das crianças frequentem as instalações. No nosso caso é completamente inverso, precisamos que as famílias saibam o que se passa no nosso espaço, como nos relacionamos com as crianças e elas connosco, exigimos que assistam, participem”, referiu Eliana.

PSICÓLOGA EDUCACIONAL PORTUGUESA

Oriunda de Portugal, é o grande reforço conseguido pela MCDAhá poucas semanas. Trata-se deAna Rita Inácio, profissional experiente que já está a elaborar um plano para diversas áreas de actuação da associação, bem como necessidades ou carências existentes de âmbito legislativo. Ana Rita esclarece que, em termos de funcionamento diário, o autismo afecta o comportamento social, as suas competências, acrescentando que, nestes casos, “são crianças que normalmente têm dificuldades na área da interacção,

perturbações em termos de linguagem e algum comportamento muito estereotipado, repetitivo”. Nestas situações, por norma os pais começam a detectar que algo não está bem ao repararem em prolongados atrasos de linguagem e também nos comportamentos repetitivos, interesses muito limitados, sendo possível sinalizar algumas destas atitudes a partir da idade de 1 ano e meio a 2 anos. “Uma das características das crianças com autismo é a sua sensibilidade sensorial, ou seja, difíceis na alimentação, padrões de sono oscilantes ou, infelizmente, já na entrada para a escola, quando o educador se apercebe que a criança não reage quando a chamam pelo nome, ou tem reacção apenas a sons

muito altos”, refere esta psicóloga educacional, que explica: “Não há causas específicas, prevê-se uma causa neurológica, mas não está ainda provado a existência de uma causa específica para.” Não será correcto falar em cura do autismo, ou mesmo no seu tratamento. Ana Rita Inácio fala antes em “terapias que podem minorar o tratamento e alguma medicação”. “Na questão das dificuldades de linguagem, podemos propor a terapia da fala, e ainda, quando as crianças têm dificuldades de organização motora, por norma associadas às questões de articulação da fala, a proposta natural é a extrema utilidade do terapeuta ocupacional.” O que faz uma psicóloga educacional no âmbito de uma associação dedicada a apoiar crianças com autismo? Ana Rita Inácio responde: “A minha intervenção é muito na parte escolar e parental, embora possa trabalhar com a criança nas questões de comportamento social, ainda na sua componente emocional, pois elas são hipersensíveis e tendem a ter comportamentos muito impulsivos, por vezes hiperactivas e noutras ocasiões excessivamente passivas.” De salientar que esta profis-

Apurámos também que há familiares de crianças autistas que não conseguem obter apoio de especialistas de terapia ocupacional, ou da fala.

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sional também tem como função na MCDA, preparar estratégias educativas com as escolas e com os pais. A terapeuta tem estado a estudar a legislação macaense nesta área educativa e a conhecer alguns processos relacionados com algumas crianças. “Apercebi-me de algumas lacunas legislativas que se tornam tanto mais graves sobretudo quando a sua língua primeira é o inglês. Nos casos das crianças de línguas primárias chinesa ou portuguesa ainda não tenho opinião formada, pois ainda estou a trabalhar no sentido de ter todos os elementos disponíveis, inclusivamente trabalhar no terreno, indo às escolas chinesas ou portuguesas.” Nitidamente, com as crianças de língua inglesa, tudo se complica mais. Segundo a psicóloga educacional, “por um lado não há técnicos especializados, por outro lado as crianças de língua inglesa estão sobretudo nas escolas privadas”. “Estas escolas gozam de uma certa autonomia pedagógica, embora nem sempre tenham recursos para incluir crianças com os problemas mencionados. Pelo que tenho conhecimento, essas escolas têm de ter um determinado número de crianças para terem direito ao apoio em termos de poderem contar com meios e técnicos especializados em diversas áreas da educação especial”, explicou Ana Rita. Não existindo escolas públicas com língua primária inglesa, as respectivas crianças continuam sem o apoio que tanto necessitam - uma dificuldade acrescentada às grandes dificuldades que elas já sentem. Os centros educacionais, sendo importantes, podem não possuir pessoal especializado em todas as áreas necessárias, o que leva a suspeitar de carência de cultura de envolvimento das escolas oficiais, e das famílias, nos cuidados necessários a crianças com dificuldades do tipo aqui referido. A MCDA, conta também, em regime de colaboração bisemanal, com a terapeuta da fala Dorine Gonçalves Jowharsha, portuguesa residente em Hong Kong e que se envolveu completamente nos trabalhos da associação, apesar das limitações naturais que o não residir na região impõe.


sociedade

Tradutora condecorada com Medalha de Dedicação

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ESTA noite cheia de luar, sopra a brisa refrescante e o mar é sereno como rosas. Os governos chinês e português realizam aqui a cerimónia solene de transferência de poderes de Macau, que marca a retomada do exercício de soberania sobre Macau pelo governo chinês. Este momento importante será memorizado sempre na história.” Estava-se em 1999 e o dia ficou na história dos dois países. Mas não só. O discurso de Jiang Zemin, presidente da China na altura da transferência, faz a tradutora Manuela Aguiar abrir o baú da memória. “Não há outro momento mais marcante, senão a transferência de soberania. Estava a assistir à cerimónia como intérprete do discurso e as lágrimas vieram-me aos olhos. Tive de desligar o microfone, foi muito emocionante.” Intérprete há 21 anos, Manuela passou dez num território administrado por portugueses e outros dez numa RAEM chinesa. Agora, aos 43 anos, o Governo demonstra-lhe todo o seu apreço. Hoje, recebe a Medalha de Dedicação pelas mãos do Chefe do Executivo. “Recebi a notícia com uma grande alegria, sinto uma grande honra.”

21 anos a unir dois povos fessora”, diz enquanto ri. Em 1987, a decisão foi tomada. “Era o ano da assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa e comecei a perceber que a Administração precisava de bilingues.” Inscreveu-se nos cursos do Executivo, porque não queria estudar em Portugal. Em 1990, ingressou no quadro de tradutores/intérpretes da Administração, e em 93 – depois de estudar em Pequim língua e cultura chinesas - soube que queria mesmo ser especialista. “Comecei a

fazer a auto-aprendizagem para me valorizar, lendo jornais e livros em português.”

RECORDAÇÕES

“A primeira interpretação foi fantástica. Estava na Assembleia Legislativa, ainda Anabela Richie era presidente, a acompanhar uns colegas.” No intervalo, lançaram-lhe o desafio: “queres experimentar?”. Ao microfone, saudou em chinês o regresso dos deputados, interpretando a presidente. As cabeças dos

O INÍCIO

O português apareceu-lhe no caminho quando era aluna do Colégio de Santa Rosa de Lima, uma escola portuguesa em Macau. “Comecei o papel de intérprete porque servia de tradutora entre a minha mãe e a pro-

Supostas irregularidades no regime de apoio judiciário

Deputados querem ouvir advogados

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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HOJE MACAU

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A primeira reunião da Comissão da Assembleia Legislativa (AL) que analisa na especialidade o novo Regime Geral de Apoio Judiciário, os deputados voltaram a apontar criticas às principais alterações que serão implementadas no diploma, em vigor desde 1994. Chan Chak Mo, presidente da Comissão, referiu que os deputados querem ouvir a opinião da Associação dos Advogados de Macau (AAM) sobre a matéria. “Vamos primeiro perguntar ao Governo se já ouviu ou não a AAM. Queremos pedir um parecer da associação porque também faz parte do jogo”. Para já, os

deputados prometem esperar 30 dias pelas opiniões da AAM. De acordo com a assessoria jurídica da Comissão da AL, o novo diploma, já aprovado na generalidade, não determina de forma clara quem é que pode receber o apoio financeiro para custear um processo judicial. Além disso, os deputados querem respostas mais claras sobre o apoio passar a ser decidido pelo Governo, através da Comissão de Apoio Judiciário, em vez de serem os juízes a tomar essas decisões. “Por que é que o Governo quer regular o apoio através do regulamento administrativo? O objectivo é garantir a igualdade, para que todos possam receber o apoio. O Governo quer alargar o âmbito de aplicação, mas não vai

atingir esse objectivo. Vai ser restringido, pois as formalidades são mais complicadas.”

CRITÉRIOS EM FALTA

A lei actual prevê que mesmo os Trabalhadores Não Residentes possam requerer apoio financeiros nestes casos, mas o novo diploma, segundo Chan Chak Mo, apresenta falta de clareza nesse âmbito. “Não diz quais são os critérios, quem pode e não pode ter o apoio. Há dúvidas nos artigos 4 e 8. Tudo o que tem a ver com os direitos fundamentais tem de estar claro.” Os assessores da Comissão frisaram ainda que o novo diploma “viola” o artigo 36 da Lei Básica, assim como o Regime Jurídico do Enquadramento das Fontes Normativas Internas.

jornalistas viraram-se para trás quando ouviram a voz feminina. “Tive muito medo, entrei em pânico”, ri. “O meu colega pegou logo no microfone e continuou. Fiquei tão paralisada que só uns minutos depois é que me levantei para lhe dar o lugar.” Era uma altura em que os debates acabavam às cinco da manhã, relembra. “Depois íamos ao yam-cha, a casa lavar os dentes e voltávamos ao serviço.”

O FUTURO

De Governadores a Chefes do Executivo, Manuela passou 21 anos a ajudar chineses a perceber português e vice-versa. Quem a ouve na língua lusa não diria que alguma vez teve dificuldades. “Não podemos ficar com medo. São desafios todos os dias. Foi uma lição que aprendi e que me deu força para continuar a evoluir.” Hoje, também dá aulas no programa de formação de tradutores do Governo e monitoriza os menos experientes. “Normalmente, luto mais para fazer interpretação, porque adoro, mas quando uma pessoa fica mais velha tem de assumir outras funções.” Para quem precisa da sua ajuda, uma certeza: não vai deixar tão cedo de traduzir. “A aposentação é aos 36 anos de serviço. Por mais 15 anos podem contar comigo.”

Quatro cabos de electricidade roubados Os problemas decorrentes da explosão, no ano passado, no Centro Internacional de Macau, ainda não estão resolvidos. A CEM, devido a questões relacionadas com taxas de reparação, só instalou um sistema de fornecimento de electricidade provisório e denunciou à polícia, no dia 7 deste mês, o roubo de cabos de electricidade. A empresa mostrou-se preocupada com o assunto e deseja substituir, quanto antes, o actual sistema provisório por um definitivo. Os representante das lojas denunciaram que foram quatro os cabos roubados, que tinham uma extensão de 400 metros, e que, embora o fornecimento de electricidade não esteja afectado, são as questões de segurança que os preocupam, tendo apelado ao Governo para resolver a situação o mais depressa possível. – V.L.

Ilha Verde 60% desconhecem plano

Residentes pedem desenvolvimento Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde (ABAMMBIV) divulgou os resultados do inquérito “Impacto do plano urbanístico nos moradores da Ilha Verde” - revelou que, dos 900 residentes, mais de 60% desconhecia as alterações previstas no âmbito do “Planeamento Urbanístico para a Ilha Verde”. Mais de metade dos entrevistados mostrou, no entanto, grandes expectativas no desenvolvimento daquela área. Ainda assim, queixaram-se da falta de serviços médicos e de restaurantes, apelando ao governo para o incremento desses sectores na zona.

O estudo revela ainda que os moradores apoiam a criação de infantários e parques infantis e desejam mais centros de lazer ou ginásios, que proporcionem actividades às crianças e aos mais idosos. Pediram também mais bibliotecas, espaços para as crianças estudarem e brincarem, etc.. Os moradores solicitaram ainda o reforço da segurança na área, e gostariam de ter mais mercados tradicionais e supermercados na Ilha Verde. A ABAMMBIV declarou que, quanto ao futuro desenvolvimento daquela área, as expectativas são altas e uma boa percentagem dos cidadãos revelaram uma atitude positiva e confiante.


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que a China continua comprometida com uma solução pacífica para a crise síria. Na terça-feira, o governo chinês anunciou o envio de um diplomata para o Médio Oriente para discutir a situação.

APOIO DA RÚSSIA

“Extremamente irresponsável”, “motivos obscuros”, diz Pequim. “Indecente e histérica”, sublinha Moscovo. “Eles também vetaram outras resoluções”, remata Teerão.

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UM duro ataque ao MNE britânico, William Hague, a China demonstrou a sua oposição às críticas do diplomata quanto à decisão soberana daquele país de vetar uma resolução contra a Síria, no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O porta-voz do MNE chinês, Liu Weimin, disse que Hague foi “extremamente irresponsável” por ter criticado o veto do governo chinês e que

Síria China considera diplomacia britânica “extremamente irresponsável”

Mau tempo na travessa dos inglesinhos teria “motivos obscuros” para as suas críticas. Foram os mais incisivos comentários chineses desde o veto do fim de semana na ONU. Países árabes e ocidentais protestaram contra a recusa da Rússia e da China à resolução que abriria a possibilidade de um ataque internacional a Damasco, um plano regional árabe que pedia, entre outros pontos, que o presidente sírio, Bashar al Assad, se afastasse do poder. Hague,

após a votação em que Rússia e China impediram os planos da NATO de bombardear posições na Síria, disse que tanto a China como a Rússia, “com a sua atitude, abandonam o povo sírio e só incentivam o regime brutal do presidente (Bashar) al-Assad a cometer ainda mais matanças, como aconteceu em Homs nestas últimas 24 horas”, declarou o ministro, em um comunicado. Nesta quarta-feira, coube ao governo chinês repelir as críticas:

Investimento chinês na UE quase duplicou em 2011

Comprar em tempos de saldos O

investimento chinês na União Europeia quase duplicou em 2011, somando 4,28 mil milhões de dólares, segundo estatísticas oficiais citadas ontem na imprensa chinesa. “As companhias chinesas encaram como uma boa oportunidade a compra de património na Europa devido aos problemas da dívida (soberana europeia), que causaram um abrandamento da economia e um

alto desemprego”, disse o chefe do departamento de Assuntos Europeus do Ministério chinês do Comércio, Sun Yongfu. Pelas contas do Ministério, o investimento chinês nos países da União Europeia aumentou 94,1 por cento em 2011, enquanto no conjunto do investimento da China fora do país o aumento foi de apenas 1,8 por cento. “As nações europeias

agora recebem bem o investimento chinês e geralmente são descontraídas quanto à transferência de tecnologia para companhias chinesas. O quadro geral é favorável”, comentou Sun Yongfu. Um especialista citado pelo jornal China Daily manifestou idêntica opinião: “A crise da dívida europeia propicia oportunidades de compra favoráveis”, disse Mei Xinyu, investigador da Academia

Chinesa de Comércio e Cooperação Económica Internacional. A China tornou-se em 2010 o quinto maior investidor externo do mundo, ultrapassando o Reino Unido e o Japão. Em 2011, o valor acumulado do investimento chinês fora da China atingiu 322 mil milhões de dólares, 70 por cento dos quais na região Ásia-Pacífico, referiu o China Daily.

“Tais acusações são extremamente irresponsáveis, com motivos obscuros, e os chineses consideram-nas totalmente inaceitáveis”, disse Liu, respondendo a uma pergunta de um repórter do diário chinês China Daily. O porta-voz acrescentou que o veto chinês se baseou “nos princípios e na Carta da ONU, na tradicional política externa da China, e também na salvaguarda dos interesses fundamentais e de longo prazo do país”. Liu disse

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, também denunciou a reacção “indecente e histérica” do Ocidente depois do veto russo e chinês. “Certos votos no Ocidente, que reagiram à votação da ONU, são indecentes e quase histéricos, declarou Lavrov. O Irão, por sua vez, elogiou o veto e disse que essa atitude evitou que os países ocidentais usassem a ONU como instrumento de defesa dos seus interesses. Em declarações divulgadas pela agência iraniana Fars, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, afirmou que o Ocidente pretendia impor uma liderança concreta na Síria por meio de sanções ao país e disse que o Conselho de Segurança não tem competência para interferir nos assuntos internos de um país. “Os países ocidentais propunham-se derrubar o presidente sírio e entregar o poder ao vice-presidente, mas nada na legislação internacional inclui uma autorização para interferir nos assuntos internos de outro país”, afirmou Salehi. O MNE iraniano disse que Rússia e China enviaram uma minuta de resolução ao Conselho de Segurança para solucionar a crise síria e lembrou que os Estados Unidos “vetaram a aprovação de mais de 60 propostas de resolução (no Conselho de Segurança) contra o regime sionista (Israel)”, o que para ele demonstra que Washington utiliza a ONU como instrumento e que “apoia os interesses de certos países” nesse fórum.


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Petróleo Irão e China podem substituir dólar por outra moeda

EUA Espionagem industrial a favor da China

Yuan com “v” de volta

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EERÃO e Pequim discutirão nos próximos dias a substituição do dólar como moeda para o pagamento do petróleo que a China compra ao Irão, por causa das dificuldades impostas pelos Estados Unidos aos iranianos. Segundo a agência Mehr, a ideia surgiu pelos cada vez mais numerosos obstáculos ao uso do dólar para o pagamento a Teerão, devido às sanções impostas pelos EUA às empresas que têm negócios com o país e também às entidades financeiras, incluindo o Banco Central iraniano. As importações chinesas de petróleo iraniano, segundo a fonte, aumentaram em 2011 30% com relação ao ano anterior e situaram-se numa média de 557 mil barris diários, segundo dados das autoridades de Pequim. No entanto, em Janeiro, a

China reduziu suas importações de petróleo iraniano para deixá-las próximas à metade da média do ano anterior, 285 mil barris diários. A China já pagou parte da sua factura petrolífera ao Irã na sua própria divisa, ao invés de dólares, e os iranianos utilizam esse dinheiro para o pagamento das suas cada vez mais abundantes importações chinesas. O Irão também tem aberta uma conta em divisa local na Coreia do Sul para a cobrança de parte de suas exportações de petróleo e a importação de mercadorias do país, segundo revelaram as autoridades de Teerã. A União Europeia aprovou no último dia 23 de Janeiro o bloqueio dos fundos do Banco Central do Irão no seu território e a proibição de importar petróleo dos iranianos aos seus 27 países-membros, uma medida que

deverá entrar em vigor no dia 1 de julho se Teerão não abandonar o seu programa nuclear. Em 2011, a China foi o principal comprador de petróleo iraniano, seguido pelo Japão, Índia e Coreia do Sul. Dos países europeus, o maior importador de petróleo iraniano é a Itália, que é

o seu quinto cliente, seguido pela Espanha, que é o sétimo. A Grécia, a Espanha e a Itália, que segundo organismos europeus importam entre 13 e 14% do petróleo que consomem ao Irão, serão os países mais afectados pela suspensão das compras, se a medida entrar em vigor em Julho.

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ANÚNCIO HM-2ª VEZ Divórcio Litigioso n.º

10-02-2012 CV1-11-0064-CDL

1º Juízo Cível

Autora: CHIO KUAI IENG, de sexo feminino, casada, residente na Rua Gago Coutinho, n.º 5, 1.º andar J, Macau. Réu: DUMBUYA, EDWARD MURU BRIMA, de sexo masculino, casado, natural de Serra de Leoa, filho de Brima Muru Dumbuya e de Hellen Dumbuya, com a última residência conhecida na Rua Gago Coutinho, n.º 5, 1.º andar J, Macau. *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando o réu DUMBUYA, EDWARD MURU BRIMA, para no prazo de trinta (30) dias, decorrido que seja o dos éditos, contestar, querendo, o pedido feito nos ditos autos, que, resumidamente consiste, em que seja decretado o divórcio entre Autora e o Réu, sob pena de, não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final à sua revelia, ficando advertido, em que qualquer dos casos, de que é obrigatória a constituição de advogado (artº. 74º do C.P.C.M.) caso intervenha. Tudo conforme melhor consta da petição inicial, cujo duplicado se encontra nesta 1º Juízo à sua disposição. R.A.E.M., aos 3 de Fevereiro de 2012.

Os cinco e a química

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governo dos Estados Unidos divulgou terça-feira as acusações a cinco pessoas e cinco empresas por envolvimento em esquema de espionagem destinada a roubar segredos comerciais da química Dupont para benefício de empresas chinesas, noticia aAP. O Departamento de Justiça informou que as acusações detalham “um esforço prolongado para obter segredos comerciais norte-americanos para benefícios de empresas controladas pelo governo da República Popular da China”. No último de uma série de casos de espionagem industrial, a acusação acrescenta que o governo chinês “identificou como prioridade” o desenvolvimento de dióxido de titânio e cloro (Ti02), um pigmento branco muito valioso usado nas indústrias de tintas, plásticos e papel. “O roubo dos segredos comerciais norte-americanos, para benefício da China e outras nações, coloca uma substancial e permanente ameaça à nossa segurança económica e nacional, e estamos empenhados em responsabilizar quem quer que roube as empresas norte-americanas da pesquisa que dificilmente desenvolveram”, assegurou a vice-procuradora-geral para a Segurança Nacional, Lisa Mónaco.

Entre os acusados estão a Pangang Group Company Ltd., uma empresas estatal da província de Sichuan, três subsidiárias e a USA Performance Technology Inc., uma empresa de consultoria de engenharia, baseada na Califórnia. A espionagem, que se prolongou por anos, permitiu o desenvolvimento de uma capacidade de produção do Ti02, em larga escala na China. A acusação específica que a China era um dos principais importadores do químico, desenvolvido pela Dupont no final da década de 40 do século passado, e que empresa não queria vender a sua tecnologia a empresas chinesas. O mercado global do dióxido de titânio está avaliado em cerca de 12 mil milhões de dólares (nove mil milhões de euros), com a Dupont a ter a maior parte. A utilização industrial do cloro permite também mais eficiência e tem menos impacto ambiental que o processo prevalecente na China, que envolve sulfatos. Num caso separado de espionagem industrial, um cientista chinês foi sentenciado em Dezembro a mais de sete anos de prisão, por ter roubado segredos de inseticidas orgânicos à Dow AgroSciences, onde trabalhou de 2003 e 2008.

América Latina Bancos chineses expandem empréstimos em yuans

A suave marcha

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S bancos chineses estão à procura de formas para expandir os empréstimos para países ricos em commodities da América Latina, usando o yuan em vez do dólar, como parte de um esforço mais amplo do governo para promover o uso internacional da moeda chinesa. Desde o início do ano passado, o Export-Import Bank of China tem discutido com o Inter-American

Development Bank o estabelecimento de um fundo para fornecer até US$ 1 mil milhões de financiamentos em yuans para projectos de infraestruturas na América Latina e nas Caraíbas. O fundo poderá ser lançado este ano, acrescentaram. Entretanto, o China Development Bank tem levantado fundos em yuans no mercado de dívida em moeda de Hong Kong para parcialmente fi-

nanciar o seu empréstimo de 70 mil milhões de yuans à Venezuela, que é parte de um acordo de empréstimo em troca de petróleo, no longo prazo, assinado em 2010. Desde meados de 2010, o banco vendeu cerca de US$ 2 mil milhões em dívida em yuans, em Hong Kong, onde o custo dos financiamentos é mais baixo que na China, de acordo com a empresa de fornecimento de dados Dealogic.

O comércio entre a China e a América Latina e Caraíbas aumentou mais de US$ 188 mil milhões no ano passado, de apenas US$ 12 mil milhões em 2000, de acordo com o Inter-American Development Bank, um órgão de 48 membros que fornece financiamento para 26 países na região, incluindo Argentina, Brasil, Chile e Venezuela. Em 2008, a China tornou-se membro do banco.


sexta-feira 10.2.2012

Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

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UM fórum sobre mercados financeiros organizado esta semana pelo Banco Central da China em Nanning, o ministério das Finanças anunciou medidas para facilitar o acesso ao crédito como parte da reforma necessária do sector bancário. A grande oferta no sector imobiliário, um dos que mais tem crescido nos últimos anos, tem levado o Banco Central a repensar formas de fazer face ao excesso de oferta existente. O risco dos grandes investimentos na construção vir a reflectir-se em falta de crédito por parte das empresas envolvidas é uma das razões que leva Pequim a reflectir em novos acessos a empréstimos para compra de primeiras habitações. Depois de vários anos de investimentos em construções de luxo, o governo central informou que vai privilegiar o apoio a projectos de edifícios dirigidos à classe média e média baixa. No seguimento de políticas

região

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Governo quer facilitar compra da primeira casa à classe média e baixa

Habitação social contra especulação

que têm vindo a ser implementadas, o fórum em Nanning que contou com a presença de Li Keqiang, discutiu a necessidade de criar novos produtos de crédito dirigidos à vida da

população rural que pode desta forma ver aumentar a sua capacidade de investimento. A proibição de compra sucessiva de habitações para uma mesma família

foi instituída como forma de controlar a especulação por parte das classes altas. No entanto, em cidades como Pequim e Xangai, muitos são os que possuem mais de uma

habitação adquiridas com nomes diferentes dentro de uma mesma família. A reforma que se pretende no sector financeiro quer reajustar o mercado através de uma maior facilidade para a compra da primeira habitação. O objectivo de ter uma casa própria, comum à maioria das famílias médias chinesas, nem sempre tem sido fácil para quem não disponha de dinheiro vivo para um investimento. Consciente do risco que pode criar uma facilidade de acesso ao crédito, os bancos chineses elaboram uma selecção que tem levado a que apenas uma elite tenha poder de compra para uma habitação. A ideia de ter casas mais baratas, construções mais dirigidas à população e não tanto à elite, deve ser uma linha de guia para a reforma do sector em 2012. E o maior acesso ao crédito não deve significar juros baixos porque o que se pretende é uma aposta em novos produtos que possam aumentar o poder de compra e de investimento, para os que estão fora de projectos megalómanos e de grandes fortunas.

Decretado 16 de Março para o fim do anonimato nas redes sociais

“Que tal uma boa chávena de cala a boca?” P

EQUIM fixou a data de 16 de Março para que os utentes da rede social Weibo (similar ao Twitter) passem a usar o seu verdadeiro nome. Mais que uma formalidade, é a perda de uma das poucas liberdades da população do país, onde a censura é uma das mais rígidas do mundo. “O que tinha de vir, veio”, comentou um utente identificado como “diannao bao” (jornal de computador, em mandarim) sobre a medida anunciada, com uma imagem que diz “que tal uma chávena de ‘cala a boca’?”. “Até 16 de Março, digam o que quiserem, o que quer que seja, transmitam rapidamente, o tempo de um país com liberdade já se está esgotar”, escreveu o internauta “Fardece”. Milhares de comentários foram transmitidos em fóruns chineses, depois da reunião entre os responsáveis do escritório de Gestão da Rede de Cidadãos da China para implementar várias regras “de gestão do desenvolvimento dos utentes de microblogs” e estipular a data para a medida, anunciada desde Dezembro de 2011.

Portais como Sina, Sohu, Wangyi e Tengxun já começaram a anunciar a nova regulamentação aos utentes das suas redes sociais. Também advertem que, no futuro, os que não completarem os seus dados reais não terão acesso a todo o conteúdo da rede. Cao Zenghui, director do Sina, disse que, depois da norma, o portal comprovou a identidade de 3 milhões de novos utentes, informou nesta quarta-feira o jornal “Beijing News”. Cao acrescentou que, até o momento, o Sina já comprovou

Facebook contra muralha da concorrência O Facebook anunciou na semana passada que estava a considerar voltar à China, a segunda maior economia do planeta, depois de passar quase três anos bloqueado. Mas nesse regresso enfrentará forte concorrência, interferências políticas e sucesso comercial limitado. “É um pouco tarde para o Facebook”, disse Elinor Leung, analista da CLSA, em Hong Kong, acrescentando que o mercado já está saturado de rivais locais como a Sina, Renren, Kaixinwang001 e Tencent Holdings. “Será muito difícil ao Facebook introduzir algo que lhe

permita diferenciar os seus serviços da concorrência”, disse Leung. As companhias dominantes entre os sites chineses de redes sociais são a Renren e a Sina, que está a tentar transformar o Weibo, um serviço de microblogs que conquistou alta popularidade, numa rede social mais ampla. Os sites locais floresceram e desenvolveram ecossistemas fechados, com as suas próprias aplicações, portais de notícias, opções de comércio electrónico, o que dificulta o ingresso do Facebook, dizem profissionais do sector.

a identidade de 400 mil de seus chamados utentes VIP e que, nesta semana, o site premiará quem se registar sob o verdadeiro nome. O vice-editor geral do portal Sohu, Wang Zihui, disse que os novos utentes do microblog foram advertidos sobre a norma e que todos eles já registaram as suas identidades reais, segundo o mesmo jornal. Por outro lado, o Sohu ofereceu 20 milhões de yuans em cartões VIP para adquirir pacotes mensais de vídeo e um total de 1 milhão de yuans em cartões para recarga de telemóveis. O inspector-geral do Wangyi, Huang Zhaohui, também citado pelo “Beijing News”, destacou que, até o momento, 25% de seus utentes já se registaram com a real identidade e que os que completarem o registo com os seus nomes verdadeiros receberão uma medalha de autenticação e outros produtos da empresa. A nova regulação alega que os antigos usuários, após registarem nomes completos, poderão manter seus pseudônimos e que, no caso de organizações e empresas, terão que fornecer seu número de registo e outras informações.

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TV estatal chinesa vai lançar canal nos EUA

A TV estatal chinesa CCTV vai lançar um canal americano nesta semana, como parte da sua estratégia para ampliar a sua influência no exterior, em linha com a expansão do protagonismo internacional da China. A estação de TV afirmou nesta quarta-feira que a filial americana, baseada em Washington, vai oferecer quatro horas de programação diária. O conteúdo será produzido pelos 100 jornalistas que trabalharam em escritórios da América do Norte e do Sul. A grelha inicial da programação contempla um jornal de negócios e assuntos financeiros, Biz Asia America, um programa de debates chamado The Heat e uma revista eletrônica chamada America Now. O canal chinês aspira a uma audiência de 100 milhões de telespectadores, distribuídos por 120 países, e vai competir com redes consagradas como BBC, CNN e Al-Jazeera.

Inflação subiu 4,5 por cento

O Índice de Preços no Consumidor (IPC), um dos principais indicadores da inflação na China, subiu 4,5 por cento em Janeiro passado, mais 0,4 pontos que no mês anterior, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas do país. Foi o valor mais alto dos últimos três meses, mas ficou aquém da média de 2011 (5,4 por cento). Os produtos alimentares, que representam um terço do cabaz com base no qual é calculado o IPC, subiram 10,9 em relação a Janeiro de 2011, indicou a mesma fonte. Em Julho passado, o IPC subiu 6,5 por cento, o recorde dos últimos três anos, mas entretanto foi descendo, chegando a 4,1 por cento em Dezembro.

Lenovo anuncia lucro de US$ 153,46 milhões

A indústria de microcomputadores e notebooks Lenovo Group anunciou que teve um lucro líquido de US$ 153,46 milhões no quarto trimestre de 2011, após um lucro de US$ 99,65 milhões no mesmo período de 2010 (+54%). A receita alcançou US$ 8,37 bilhões no quarto trimestre de 2011, com crescimento de 44% em relação aos US$ 5,81 bilhões do mesmo período de 2010. Analistas previam um lucro líquido de US$ 148,3 milhões e uma receita de US$ 8,13 mil milhões. A Lenovo, que comprou a divisão de computadores pessoais da IBM em 2005, é a maior fabricante de PCs da China e a quarta maior do mundo, atrás da Hewlett-Packard, Dell e Acer.

Bancos emprestam menos Os quatro maiores bancos da China forneceram 320 mil milhões de yuans em novos empréstimos em Janeiro, de um total de 800 mil milhões de yuans fornecidos pelo sector, segundo fontes. Se o volume for confirmado pelo governo no fim do mês, será um declínio significativo em comparação com os dados dos últimos anos.


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IACM inaugura Exposição de Orquídeas de Primavera

A cor do Lou Lim Ieoc Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) inaugurou, ontem, a tradicional mostra de Orquídeas de Primavera 2012 no jardim Lou Lim Ieoc. “As suas cores, muito diversificadas, são sempre bem acolhidas pela população de Macau”, referiu o presidente do IACM, Raymon Tam, no início da inauguração. Honras feitas relembrou, ainda, que a orquídea é uma flor emblemática para o povo chinês. “A orquídea é um tipo de flor tradicional chinesa que tem uma longevidade longa na história.” Com esta iniciativa, feita em Fotos Gonçalo Lobo Pinheiro

conjunto com a Associação de Orquídeas de Macau há vários anos, o IACM pretende dar outra cor ao mais bonito jardim do território. “Com este evento o Lou Lim Ieoc fica ainda mais florido e bonito, vincando-o ainda mais como um ponto de interesse turístico.” A exposição de Orquídeas de Primavera estará patente até ao próximo dia 13 e no local, para além da mostra, os interessados podem “trocar experiências sobre plantação, criação e tratamento destas flores”. No dia 12, pelas 16h, haverá ainda lugar a uma palestra sobre o valor farmacêutico das orquídeas, que para além de uma espécie produzir a conhecida baunilha, outras espécies são utilizadas para produção de aromatizantes de chá.

Orquídeas, muito apreciadas pelo ser humano, são todas as plantas que compõem a família Orchidaceae, pertencente à ordem Asparagales, uma das maiores famílias de plantas existentes. Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos e existem em todos os continentes, excepto na Antártida, predominando nas áreas tropicais. Maioritariamente epífitas, as orquídeas crescem sobre as árvores, usando-as somente como apoio para buscar luz; não são plantas parasitas, nutrindo-se apenas de material em decomposição que cai das árvores e acumula-se ao emaranhar-se em suas raízes. Julga-se que na Ásia existam cerca de 360 géneros diferentes.


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vida

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IBMC descobre mecanismo que trava divisão celular

Arrepiar caminho contra o cancro

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MA equipa de investigadores do Instituto de Biologia e Medicina Molecular (IBMC) descobriu uma forma de impedir a proliferação celular e “apesar de não se tratar de uma medida terapêutica, o estudo poderá levar a futuras terapias” para situações de descontrolo da divisão celular, como é o caso do cancro, segundo avançou Hélder Maiato, responsável pelo grupo de trabalho, ao «Ciência Hoje». O estudo foi publicado na edição ‘online’ desta semana da revista «Nature Cell Biology» e já valeu o prémio Pfizer de Investigação Básica à equipa. O investigador explica que a divisão se realiza normalmente através de um processo de bipolaridade celular, ou seja, o material genético sob a forma de cromossomas separa-se de um modo equivalente para dois polos definidos ao longo do eixo de divisão, constituindo o fuso mitótico, mas “por várias razões, o carácter bipolar pode ser quebrado e este pode adquirir um carácter multipolar,

celular”, continua. A investigação vem provar que determinadas proteínas, as CLASPs, podem ser utilizadas como alvos para inviabilizar células em divisão.

ENTRE CÉLULAS ANORMAIS

originando uma distribuição desigual do material genético e associada a vários tipos de cancro”. Em divisões multipolares as células conseguem “iludir” os mecanismos de controlo de qua-

lidade agrupando os vários polos num fuso bipolar, permitindo a sobrevivência e transmissão do genoma cancerígeno. Agora, “o novo mecanismo tenta evitar o carácter irreversível e causar a morte

Geralmente, uma célula anormal – derivada de cancro – assume um fuso multipolar (com mais de dois pólos) e muitas vezes conseguem reorganizar-se de forma a tornarem-se novamente bipolar. Em cada um dos polos será reorganizada uma célula filha e ambas deverão possuir a mesma informação genética da célula que lhes deu origem. Segundo Elsa Logarinho, uma das autoras do trabalho, refere em comunicado, “é muito importante que este fuso esteja correctamente formado e mantenha o seu carácter bipolar” uma vez que é ele quem garante a igual “divisão dos cromossomas entre as células filhas”, acrescentou ainda. Segundo a investigação, as CLASPs estão envolvidas na

estruturação do fuso mitótico bipolar durante a divisão. Neste estudo os autores mostram que quando a função das CLASPs é afectada, impede-se a capacidade de células cancerígenas agruparem os múltiplos polos num fuso bipolar, tornando o processo irreversível. Neste caso, as células cancerígenas filhas não conseguem sobreviver. Por isso, “Se, em teoria, conseguirmos remover as CLASPs apenas nas linhagens de células cancerígenas, por exemplo, poderemos impedir que tumores continuem a proliferar”, continuou Hélder Maiato. A equipa do IBMC demonstrou que “motores” localizados nos próprios cromossomas, ao actuarem sobre o fuso mitótico, podem levar à fragmentação irreversível dos seus polos. Segundo o investigador, “em termos conceptuais, em biologia, este estudo confere aos cromossomas, geralmente entidades passivas, um papel activo na determinação da arquitectura do fuso mitótico – o que causa esta multiplicação irreversível”. Agora, “o desafio está em direccionar a abordagem experimental e a função das CLASPs para um tecido ‘in vivo’, já que este estudo foi realizado em cultura de células em laboratório”, concluiu Hélder Maiato.

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A América e a Ásia serão um só continente

Amásia junta Ocidente e Oriente ANÚNCIO HM-2ª Vez 10-02-2012 Execução de Sentença sob a CV3-09-0078-CAO-A 3º Juízo Cível Forma Sumária - EXEQUENTE: COMPANHIA DE ADMINISTRAÇÃO DE PROPRIEDADES GOLDEN RIVER, LDA, com sede na Rua de Pequim, 244 a 246, Edifício Finance Center, 5º A em Macau.--------- EXECUTADA: COMPANHIA DE CONSULTADORIA FINANCEIRA LUNG NGAN (Macau), Lda, com sede na Rua de Shanghai, 175, 13º H e K em Macau.------------------------------------------------------FAZ-SE SABER QUE por esta Secção, correm éditos de VINTE DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando os Credores Desconhecidos dos executados, para no prazo de QUINZE DIAS, decorrido que seja o dos éditos, reclamarem o pagamento dos respectivos créditos pelo produto do imóvel penhorado à executada sobre que tenham garantia real.---------------------------- Fracção autónoma designada por C12, do 12º andar C, do prédio sito na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, Edifício Macau Finance Center, em Macau descrito na Conservatória do Registo Predial de Macau sob o número 22058, a fls. 10 v. do Livro B108A e aí registada a favor da executada.-----------------------------------------------

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Á não estaremos por cá para assistir mas já se pôde prever o que se irá passar com o planeta Terra dentro de 50 a 200 milhões de anos. Segundo um estudo de geólogos da Universidade de Yale, a América e a Ásia vão juntar-se no oceano árctico resultando num supercontinente. Esta massa de terra, em redor do Pólo Norte, vai resultar do movimento contínuo e lento dos continentes durante as próximas dezenas de milhares de anos. O principal autor do estudo publicado na revista americana “Nature”, Ross N. Mitchell, explica que “primeiro deverão fundir-se as Américas e depois

irão migrar para Norte, colidindo com a Europa e a Ásia mais ou menos onde hoje existe o Pólo Norte.” Aqui mais perto, a Índia vai acolher a Austrália, e o oceano Árctico e o Mar

Sabia que... ... o músculo mais forte do corpo é a língua?

das Caraíbas vão deixar de existir, declara o geólogo. O último movimento da Terra que fez surgir um novo supercontinente foi há 300 milhões de anos, com a Pangeia. A massa terrestre de então era única e fundia-se no equador, onde hoje está situada a África ocidental. Ao contrário do que tem sido estudado, este próximo supercontinente não se formará neste mesmo local, pelo menos segundo os dados deste novo estudo. AAmásia, nome do novo aglomerado terrestre, irá formar-se no Árctico.

A conclusão, afirmam, vem da investigação sobre o magnetismo de rochas antigas para determinar as suas localizações no globo terrestre ao longo do tempo. Mas também das medições feitas sobre o manto, a camada directamente abaixo da crostra terrestre que move os continentes que “flutuam” à superfície. Mas, acima de tudo, os autores destas novas investigações dizem ser importantes não só para dar conta da nova disposição do planeta mas também para perceber como os movimentos terrestres afectam os padrões de dispersão das espécies, além de afectarem as dinâmicas no interior da Terra. “Compreender a disposição das massas dos continentes é fundamental para compreendermos a história da Terra”, sustenta Peter Cawood, geólogo na universidade britânica de St Andrews, citado pela revista Nature. “As rochas são a nossa janela para a história.”


sexta-feira 10.2.2012

vida

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O tráfego marítimo perturba a vida marinha

Click ecológico

Baleias com stress O

ruído no fundo dos oceanos perturba os níveis hormonais nas baleias, causando-lhes “stress crónico”, segundo refere um estudo de investigadores norte-americanos. A brusca paragem do tráfego marítimo na altura dos atentados de 11 de Setembro de 2011, nos Estados Unidos, ajudou à conclusão. As hélices e os motores dos navios comerciais causam a maior poluição sonora, atingindo entre 20 a 200 hertz. Estas frequências, ainda que baixas, são utilizadas para as baleias comunicarem entre si, refere este estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B. Rasalind Rolland, autora do estudo e investigadora do Aquário de Nova Inglaterra, em Boston, afirmou ao “The Guardian” que o ruído obrigava as baleias-francas a aumentarem a amplitude e frequência dos seus sinais de comunicação, a modificarem o seu comportamento e a mudar de habitat.

“Já sabíamos que as baleias alteravam a frequência dos seus chamamentos para se adaptarem ao ruído dos navios, mas esta investigação revela que isso não é só uma chatice para elas, está a ter mesmo efeitos no seu organismo.”

ESTUDO DE CASO

Depois do atentado às torres gémeas, quando constatada uma queda acentuada do tráfego de navios comerciais, os cientistas perceberam que o ruído de fundo nas águas da baía de Fundy - onde se juntam as baleias para alimentar as suas crias - tinha diminuído a sua intensidade para 150 hertz. Quando analisados os excrementos das baleias, onde se segregam as hormonas glucocorticóides, expelidas em resposta a situações de stress, revelou-se uma diminuição das mesmas. “Não existe nenhum outro factor que afecta a população [de baleias]

que possa explicar esta diferença entre a redução do tráfego marítimo e a poluição sonora submarina depois do 11 de Setembro” Embora não haja ainda estudos comprovados sobre os efeitos biológicos do “stress crónico”, sabe-se que a produção continuada destas hormonas nos vertebrados tem efeitos negativos na saúde, como problemas de crescimento, no sistema imunitário e reprodutivo. Segundo Rolland, ainda não há solução para combater a poluição sonora submarina - causada pela prospecção petrolífera, os sonares militares e o aumento do tráfego marítimo - no entanto, é possível minimizá-la reparando os defeitos nos motores das embarcações. Felizmente, já estão a ser elaborados estudos para diminuir o ruído dos oceanos pela União Europeia e a organização Marítima Marítima Internacional.

O degelo da cadeia montanhosa não é tão grave

Os mesmos Himalaias nos últimos 10 anos

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cadeia com o maior manto de gelo, entre os Himalaias e o Tian Shan na fronteira da china com o Quirguizistão, não perdeu gelo nos útlimos dez anos. Esta decoberta espantou os cientistas que acreditavam que todos os anos o derretimento de gelo atingia os 50 milhões de toneladas, sem serem repostos pelos neve. Este estudo foi feito através de satelites, sobre todos os glaciares de gelo. Em geral, a contribuição do degelo, sem considerar a Gronelândia e Antárctida, é muito menor do que seria esperado nos Himalaias e noutros picos da Ásia, responsáveis pela maior disparidade. Jonathan Bamber, glaciologista e professor da Universidade de Bristol, disse que o inesperado deste resultado a insignificância de massa perdida da grande montanha da Ásia, não muito longe do zero. Em 2009, o derretimento dos Himalaias foi alvo de controvérsia quando um relatório do painel intergovernamental das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas disseram erradamente que a cordilheira iria desaparecer em 2035, em

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NEM A COMES, NEM A VÊS • A galinha pedrês portuguesa é uma das três raças de galinhas autóctones de Portugal. Apesar de existirem um pouco por todo o país os seus efectivos existem frequentemente no norte do país.

As riscas pretas e brancas são protectoras

Zebras são menos picadas

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O que parece, há uma razão natural para as zebras não se deixarem picar tanto por insectos. O pêlo às riscas pretas e brancas defende-as das picadelas, segundo um estudo publicado noJournal of Experimental Biology. Os investigadores húngaros e suecos defendem que este padrão é menos atractivo para as vorazes moscas da família “Tabanidae”. Isto porque, a equipa da universidade de Lund, na Suécia, criou quatro modelos de cavalos, cada um pintado de castanho, preto, branco e com riscas pretas e brancas.

“Pusemos uma cola especial nos modelos e depois contámos o número de moscas atraídas por cada um”, disse hoje Åkesson, um dos cientistas, à BBC. O cartaz com riscas foi aquele que atraiu menos moscas. Segundo os investigadores, os diferentes reflexos de luz na cor do pêlo dos animais chega aos olhos dos insectos. As moscas são atraídas por ondas de luz plana, que viajam na horizontal, fazendo lembrar o movimento de uma serpente ondulante que se desloca rente ao solo. Isto acontece porque a luz é re-

flectida na água na horizontal e estes insectos são aquáticos. Nas zebras, as riscas são verticais e a luz é reflectida de maneira diferente. “Concluímos que as zebras desenvolveram uma pelagem com padrão de riscas finas para garantir que são o menos atractivas possível para as moscas da família Tabanidae”, escreve a equipa no site do Journal of Experimental Biology.  Estes insectos, muito ncómodos para as zebras, não só as impedem de se alimentar como são responsáveis pela transmissão de várias doenças.

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vez de 2350. No entanto, o cientista que dirigiu a nova pesquisa diz que enquanto há maior incerteza sobre o degelo nos Himalaias, este assunto mantém-se como um sério problema. Este estudo, publicado no jornal “Nature”, concluiu ainda que entre 443 e 629 milhões de toneladas são derretidas para os oceanos todos os anos. Isto significa um aumento do nível do mar em cerca de 1,5 milímetros a cada ano, a somar aos 2 milímetros causados pela expansão do aquecimento global.

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 71/AI/2012 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 杜平 que, na sequência dos Autos de Notícia n.ºs 5/DI-AI/2011 e 5.1/DI-AI/2011, de 21.01.2011, levantados pela DST e por despacho da signatária de 07.02.2012, exarado no Relatório n.º 75/DI/2012, de 02.02.2012, foi determinada a aplicação de uma multa de $20.000,00 (vinte mil patacas), por quem angariar pessoa com vista ao seu alojamento na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade, Edifício Hung On Center, Bloco 3, 14˚andar U que utilizada para a prestação ilegal de alojamento, nos termos do n.˚2 do artigo 10.º da Lei n.º 3/2010.---------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° dos Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma. -----Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 60 dias, conforme estipulado na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.-----------------------------------------------------------------Haverá lugar à execução imediata de decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------- -----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.ºs 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, em Macau, aos 7 de Fevereiro de 2012.---------------------------------------------------

A Directora dos Serviços, Substª., Maria Helena de Senna Fernandes


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cultura

José Simões Morais info@hojemacau.com.mo

E

STA deusa primitiva da fertilidade é representante também da sociedade matriarcal. Sem haver comemorações especiais do aniversário de Nu Wa (Nôi Wó, em cantonense), que ocorre no dia 20 de Janeiro do mês lunar, o templo dedicado a esta deusa em Macau apenas vai receber flores das pessoas que a querem homenagear. Situado na Rua das Estalagens, este templo é de 1888, pois como se pode ler nos pequenos caracteres gravados no lado direito da parte de fora da porta, foi feito no ano do Rato, décimo quarto ano do reinado do imperador Guangxu, da dinastia Qing. O senhor Cham Kan Chok, que há aproximadamente três décadas toma conta do templo, conta-nos que há uma dezena de anos, um grupo de Hong Kong ofereceu uma pedra vinda do espaço, comprada na Austrália. Entregaram-na a um artista que com ela con-

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Amanhã, sábado, celebra-se o aniversário da deusa Nu Wa

Uma mãe perto de si

No próximo sábado realiza-se o aniversário da deusa Nu Wa, figura lendária que traz a vida humana depois do dilúvio e para o ocidente, pelo mito da arca de Noé é comparável à Eva. cebeu uma estátua à deusa Nu Wa, representando-a a reparar o Céu, após a calamidade provocada pela desarmonia entre dois deuses que, lutando entre si, procuravam ver qual deles era superior. A história conta que o Céu tinha sido fendido após uma luta entre os deuses da água, Gong Gong, e do fogo, Zhu Rong, ambos com ambições em se tornarem os senhores absolutos na Terra. Quando Gong Gong, apoiado pelos seus ministros, atacou com vento que levantou enormes ondas junto à costa onde morava Zhu Rong, este, vendo-se em inferioridade, astuta-

mente retirou-se da costa, o que obrigou ao desembarque dos seus adversários. Em terra, Zhu Rong, já no seu ambiente, cuspiu-lhes labaredas que mataram os seus ministros. O filho de Gong Gong, que também participou nesta expedição, aterrorizado quedou-se imóvel e Zhu Rong, com o seu sabre, cortou-o a meio. O deus Gong Gong ao ver-se derrotado, humilhado resolveu suicidar-se. Assim, atirou-se contra a montanha Buzhou, um dos quatro pilares que sustentam o Céu, danificando gravemente o sustentáculo Noroeste. A abóbada celeste ficou com um grande buraco no firmamento e a

crosta terrestre, com tal abalo, abriu fendas de onde saíram torrentes de água que inundaram todas as terras baixas do mundo. Nas montanhas o fogo destruiu as florestas e os animais sem nada para comer atacaram os homens. Assim o mundo se transformou num inferno. Nu Wa vendo a aflição da humanidade, sua criação, e a iminente destruição do Universo, logo se meteu ao trabalho de reparar os estragos. Usou as quatro pernas de uma tartaruga e colocou-as em cada um dos pontos cardeais como apoio suplementar ao Céu. Tendo consolidado assim o Céu, dedicou-se depois a tapar

o buraco do firmamento, colocando uma massa aglutinadora feita com a mistura de cinco seixos com cores diferentes. Apesar de Nu Wa ter realizado um excelente trabalho, o Céu e a Terra não ficaram como eram no

original. O Céu passou a estar inclinado para Noroeste fazendo deslocar o Sol, a Lua e as estrelas nessa direcção e a Terra, devido ao abalo, ficou ligeiramente descaída para Sudeste. É por isso que todos os rios na China correm para Leste. Muitas outras histórias relacionadas com a deusa trazem o dilúvio como antecedente e por isso, nos tempos que correm, será uma personagem que muito tem para nos contar. Das peças mais antigas do templo, o incensório tem gravado no cobre o registo da data do templo e encontra-se colocado na mesa de oferendas à frente do altar no primeiro andar. Já na sala de entrada, num altar está a folha vermelha, que representa Nu Wa pelos caracteres e provêm do tempo do casal, que anterior ao senhor Cham, tomava conta do templo. Actualmente, o templo tem quatro imagens de Nu Wa, sendo a maior delas uma oferta feita em 2011 por pessoas de Quanzhou, que aguarda um lugar para ser colocada.

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A Associação de Karate-do Rocky-Ryu de Macau, vem felicitar o seu Presidente da Direcção Dr. António José Dias Azedo, pela alta distinção com a Medalha de Mérito Profissional da Região Administrativa Especial de Macau.


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cultura

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Editorial em jornal local não dá hipótese

O

Venetian abre portas ao conhecimento académico

Com a educação não se joga A Feira de Educação Internacional começa a ser imagem de marca do hotel Venetian. No fim do mês, o hotel recebe, pelo segundo ano, professores das melhores instituições. Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

hotel Venetian vai servir de palco para a Feira de Educação Internacional, entre os dias 24 e 26 de Fevereiro. Pela segunda vez consecutiva, este hotel da cadeia Sands alberga uma mostra com mais de 80 expositores e 60 seminários, representados por cerca de 30 universidades de todo o mundo. A coordenação operacional de exposições e convenções do Venetian juntou-se este ano ao gabinete de serviços de educação do governo da RAEM. O vice-presidente deste departamento do hotel, Gene Capuano, realça a mais-valia face ao ano anterior, já que “estende o portfólio de instituições de ensino internacionais, aumentando espectro de opções para os jovens estudantes locais e estrangeiros”. “A primeira feira internacional de educação é a realização do sucesso” é o lema do certame deste ano. Não só porque vai disponibilizar uma plataforma de representantes de instituições estrangeiras - de países como China,

Austrália, França, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos - através de universidades, institutos politécnicos e centros de formação, mas também sectores de governo local e instituições bancárias, para aconselhar os visitantes sobre os seus interesses educacionais e garantias financeiras.

“EXCELENTE OPORTUNIDADE”

Monie Kuok Sok Wa, líder de operações do gabinete de serviços de educação terciária do governo de Macau, acredita que esta cooperação entre as duas entidades vem revitalizar a feira, que poderá ser uma “excelente oportunidade para estudantes de Macau e da região do Delta do Rio das Pérolas, estimulando uma maior competitividade a nível de educação superior no território, abrindo portas às oportunidades de diferentes países e regiões”. A feira quer-se também apta a um público-alvo mais abrangente, sobretudo de estudantes. Capuano refere que este ano tenta-se atrair alunos cada vez mais jovens, “de modo a fazerem uma decisão futura mais esclarecida, com mais tempo para pesquisarem

sobre todas as áreas de interesse, aqui e lá fora”. Ao Hoje Macau, o vice-presidente deste departamento do hotel Venetian disse que o objectivo prende-se não só com a exportação de estudantes locais como com a importação de estrangeiros, de modo a criar uma comunidade mais diversificada. Quando questionado sobre as possibilidades que o ensino superior de Macau oferece, diz que na área de hotelaria (vendas, marketing e relações públicas) a RAEM está a crescer e oferece talvez a melhor educação, dando como exemplo o Instituto de Formação Turística. “Não existem todos estes hotéis com mais de 100 departamentos diferentes, para iniciar uma carreira, em mais lado nenhum do mundo. Digo aos meus amigos dos Estados Unidos para virem para cá estudar e trabalhar.” No entanto, refere também que noutras áreas Macau talvez não seja o local ideal para obter as melhores qualificações. A feira, diz, tem acima de tudo um objectivo central: “Mostrar o que há de melhor, cá e lá fora”.

Angola fecha portas ao Acordo

S angolanos ainda não ratificaram o acordo Ortográfico, que entrou em vigor a partir do início deste ano, e não parecem querer fazê-lo tão cedo. Pelo menos de acordo com o editorial do “Jornal de Angola”, que censura as novas regras de escrita, impostas por uma minoria de três países da comunidade de língua portuguesa. Os ministros da CPLP juntaram-se ontem em Lisboa, em reunião, e a resposta da imprensa angolana foi demolidora. “Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a língua portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula.” O jornal angolano não poupou críticas ao novo acordo, defendendo que não pode haver facilidades e muito menos negócios. “Também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português.” Correu a tinta, e correram os insultos ao “dialecto” da país que fez com que todos os outros países ajustassem a sua escrita, de forma a uniformizar a língua portuguesa. “Os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos... nunca descer ao seu nível.”

RESPEITAR DIFERENÇAS

O jornal fez uma apologia das diferenças linguísticas e gráficas entre os países, que, defende, devem ser respeitadas, usando o exemplo de uma tipografia manual em Goa, que não perde a sua preciosidade quando comparada com uma editora brasileira, por-

tuguesa ou angolana. “O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às leis do mercado.”

PORTUGAL DO CONTRA

Em Portugal, muitas personalidades também se opõem à ratificação do acordo ortográfico. Por exemplo, Vasco Graça Moura, director do Centro Cultural de Belém, recusa-se a aplicar as novas regras ortográficas, uma decisão que chegou a ser discutida no parlamento, com o líder do PS, António José Seguro, a pedir ao primeiro-ministro Passos coelho que “desautorizasse” o novo presidente do CCB. No entanto, o governo aceitou a não aplicação do acordo no CCB até 2014. Não é caso único - também o escritor Miguel Sousa Tavares não submete a sua escrita literária ao acordo. Por outro lado, o jornal Sol dizia há dias que a Provedoria de justiça está a analisar uma queixa que pretende travar o Acordo Ortográfico, sob pedido de revisão da constitucionalidade por Ivo Barroso, professor da faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O mesmo garante que as regras de escrita são inconstitucionais. “A nossa Constituição é rígida”, explica Barroso, acrescentando “que nenhum tratado internacional – como o Acordo Ortográfico – ou recomendação da Assembleia da República podem mudar o que está na lei fundamental do país.” Paralelamente, um grupo de cidadãos vai entregar na Assembleia da República um abaixo-assinado para tentar travar as novas regras.


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desporto

Futebol Real é o mais rico do Mundo; Benfica na 21.ª posição

O Real Madrid, segundo o estudo anual “Money Football League” da Deloitte, que contabiliza a capacidade de gerar receitas, é o clube mais rico do Mundo. A equipa orientada por José Mourinho ganharam 4,9 milhões de patacas na época 2010/11, contra os 4,5 do rival Barcelona, que aparece em segundo na lista. Os ingleses do Manchester United surgem na terceira posição, numa lista que tem apenas clubes dos cinco principais campeonatos europeus. O Hamburgo, clube que nem participou nas competições europeias na última época, aparece na 18.º posição. Dos clubes portugueses, o Benfica aparece na 21º posição, o primeiro fora da lista de 20 mais ricos divulgada. De resto, pelos dados divulgados, o Benfica teve receitas de 1,1 mil milhões de patacas e é o clube mais bem colocado do mundo jogando num campeonato fora das cinco grandes Ligas: Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França.

Futebol Académica e Sporting na final da Taça de Portugal

A Académica está na final da Taça de Portugal depois de ter empatado (2-2) frente à Oliveirense no jogo da segunda mão das meias-finais (ganhou 1-0 em Coimbra). Os estudantes vão marcar presença na final da competição pela quinta vez na sua história. Vai voltar ao Jamor onde esteve pela última vez na época 1968/69 (então derrotada pelo Benfica). Recorde-se que a Briosa venceu a primeira Taça de Portugal da história, na época 1938/39, tendo derrotado então o Benfica por 4-3. Para a final que se disputa a 20 de Maio, à Académica juntou-se o Sporting depois de ter ganho na Madeira ao Nacional por 3-1. Será o regresso dos leões ao Jamor quatro anos depois de aí ter batido o FC Porto (em maio de 2008).

Ténis Djokovic pode abdicar da Taça Davis em 2012

O tenista sérvio Novak Djokovic diz que não pode prometer que vai representar o seu país na Taça Davis desta temporada devido a uma agenda “sobrecarregada”. Para já está fora da primeira jornada do grupo mundial em que a Sérvia vai defrontar a Suécia. “Estou inconsolável por não poder jogar contra a Suécia em Nis (sul da Sérvia). Não posso prometer que vou participar nesta competição este ano”, declarou o sérvio à agência de notícias Beta. Devido a estar concentrado em ganhar Roland Garros, o sérvio está também em dúvida para defender o título no torneio caseiro de Belgrado: “Estou na lista de participantes mas será difícil de organizar tudo. Para participar, serei obrigado a fazer mudanças radicais na minha agenda. Vou tomar uma decisão depois de consultar a minha equipa técnica”. Djokovic admitiu que as suas prioridades para esta época são a conquista de Roland Garros e dos Jogos Olímpicos, títulos que nunca conquistou.

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Thomas Dold repete vitória no Empire State Building

não poupou criticas aos organizadores do certame: “Reconheço que foi um alívio cortar a linha da meta e ver que consegui de novo. Correu tudo como queria, venci pelo sétimo ano consecutivo. Houve muitas alterações este ano e dá-me muito gozo perceber que pelo menos um factor não se alterou e esse foi o nome do vencedor”, afirmou Thomas Dold à agência Reuters.

Marco Carvalho

LUA CHEIA

Pedro Ribeiro sétimo em Nova Iorque info@hojemacau.com.mo

O

português Pedro Ribeiro, fundista que reside há mais de uma década em Macau, completou a 35ª edição da Maratona Vertical de Nova Iorque na sétima posição. A prova realizou-se na quarta-feira e atraiu ao Empire State Building mais de sete centenas de atletas oriundos dos quatro cantos do mundo. Pedro Ribeiro, que há pouco mais de uma semana venceu a edição de 2012 da Corrida ao Topo da Torre de Macau, demorou 11 minutos e 24 segundos a conquistar os 1576 degraus que levam à plataforma de observação do mais emblemático arranha-céus nova-iorquino. O atleta português, que competiu no evento pela quinta vez, não conseguiu repetir o sexto posto alcançado há um ano. Tida como a mais exigente

maratona vertical do mundo, a prova voltou a atrair os atletas mais conceituados do planeta e não houve lugar a grandes surpresas, com o alemão Thomas Dold a repetir a vitória alcançada há um ano e a festejar o sétimo triunfo na competição. O atleta germânico galgou os 86 lances de escadas do Empire State Building em 10 minutos e 28 segundos, quedando-se doze segundos

aquém da marca que alcançou em 2010. Este ano, a Maratona Vertical de Nova Iorque foi disputada sob novas regras e Thomas Dold foi um dos atletas que colocou em questão o novo regulamento da competição por considerar que colocava em risco a saúde e a segurança dos participantes. No final da prova, o alemão mostrou-se satisfeito pelo triunfo, mas

Na competição feminina, Melissa Moon não desiludiu e repetiu a vitória alcançada há um ano na prestigiada prova nova-iorquina. A atleta neo-zelandesa, de 42 anos, alcançou ontem o seu segundo triunfo na Corrida ao Topo do Empire State Building, ao completar a exigente subida em 12 minutos e 39 segundos. Moon relegou Suzy Walsham, de Singapura, para a segunda posição e explicou a estratégia que adoptou para levar de vencida a mais exigente maratona vertical do mundo pelo segundo ano consecutivo: “A condição física é crucial, mas se calhar não é o que mais importa numa prova como esta. O mais importante é saber utilizar a mente para fazer com que o corpo resista até ao fim. Este aspecto é algo de que gosto muito. Este é um desafio que tem tanto de mental, como de físico”, sustenta a neo-zelandesa.

Organização da Taça Intercontinental de Le Mans troca de circuito

De Zhuhai para Xangai

Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

A

cidade de Zhuhai perdeu na semana passada o seu evento desportivo de maior envergadura: os 1000 km de Zhuhai - a corrida de resistência que nos últimos dois anos fez parte do calendário da “Taça Intercontinental Le Mans”. Com a promoção a “campeonato do mundo” oferecida pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) à competição promovida pelos organizadores da mítica corrida “24 horas de Le Mans”, o clube francês Automobile Club L’Ouest, a prova chinesa, que tradicionalmente se disputava no fim-de-semana anterior ao Grande Prémio de Macau, foi transferida para o monumental Circuito Internacional de Xangai.

Localizado nos arredores da capital económica da segunda maior economia do mundo, o circuito de Xangai, que é palco anualmente do Grande Prémio da China de Fórmula 1, e que terá custado mais de três mil milhões de patacas, teve a seu favor no momento da escolha por parte da

organização gaulesa, a sua infra-estrutura, dimensionada de raiz para receber um evento de carácter mundial, e o facto de ser um palco almejado por patrocinadores e construtores automóveis envolvidos nas corridas de resistência. Contudo, outros factores terão igualmente pesa-

do na escolha, como, por exemplo, o público. Nos dois anos em que a prova se realizou na cidade chinesa adjacente a Macau, as audiências ficaram aquém das expectativas e longe da “casa cheia” obtida no passado com as visitas de outros campeonatos de dimensão global, como o defunto A1 GP

“Taça das Nações” ou do campeonato FIA GT. Para a história ficam as duas vitórias conseguidas pelos protótipos Peugeot 908 Diesel, em 2010, por intermédio da dupla francesa Stéphane Sarrazin/Franck Montagny, e em 2011 graças ao duo franco-inglês Sebastien Bourdais/Anthony Davidson.

CALENDÁRIO AINDA MOVIMENTADO

Sem competições de nível mundial no seu calendário de provas de 2012, aquele que é ainda o mais movimentado e popular circuito permanente chinês irá no entanto continuar a receber as mais importantes competições automobilísticas de nível regional como a Taça Porsche Carrera Ásia, o Challenge Ferrari Ásia-Pacifico, a Fórmula Pilota China ou o recém criado Troféu Lamborghini Asiático. Está igualmente na forja a realização de uma prova do Campeonato Japonês de Fórmula 3 no mês de Junho.


sexta-feira 10.2.2012

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB I LOVE HONG KONG 2012 [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Gai Chung Com: Eric Tsang, Teresa Mo 19.30

SALA 1

SALA 3

CONTRABAND [C]

Um filme de: Baltasar Kormákur Com: Mark Wahlberg, Kate Beckinsale, Ben Foster, Giovanni Ribisi 1430, 16.30, 19.30, 21.30

WAR HORSE [B]

Um filme de: Steven Spielberg Com: Jeremy Irvine, Emily Watson, David Thewlis 14.15, 16.45, 21.00

JOURNEY 2: THE MYSTERIOUS ISLAND [3D] [B]

SALA 2

CHRONICLE [C]

Aqui há gato

Um filme de: Brad Peyton Com: Vanessa Hudgens, Dwayne Johnson 19.15

Su doku [ ] Cruzadas

Um filme de: Josh Trank Com: Dane Dehaan, Michael kelly 14.130 16.00, 17.45, 21.30

HORIZONTAIS: 1-Restam, estão. Andar à roda. 2-Acto de aparar. 3-Fruto do abacateiro. Apartamento (abrev.). 4-Que é da natureza do ícore. Pimenta de Caiena. 5-Malvada. E assim por diante (abrev.). Remar para fazer recuar. 6-Pau-ferro. Rio europeu. Peça, rogue. 7-Pedículo central dos cogumelos. Does. Planta liliácea oriunda da China. 8-Espécie de peneira (Bras.). Guerrearas. 9-Luto. Esburacar (Fam.). 10-Vacilamos (Fig.). 11-Leu muitas vezes. Que possui asas. VERTICAIS: 1-Nota musical. Imitante. 2-Dificuldade de engolir. 3-Parte por onde se segura alguma coisa. Uiva. Centilitro (abrev.). 4-Segure coisa que cai ou que foi atirada. Puxe à fieira. 5-Homem de pestígio ou de influência numa localidade (Bras.). Cão pequeno, de pêlo comprimento 6-Arranhadura. 7-Bichano. Giesta. 8-Caminhai. Pessoas gordas e desajeitadas (Pop.). 9-Nota de música. Camareiro. Chata, baixa. 10-Dar cor de lagarto. 11-Raspareis. Letra grega.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:30 16:00 18:30 19:00 19:30 20:35 21:00 21:30 22:15 23:00 23:30 02:15 02:45

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Cerimónia de Imposição de Medalhas e Títulos Honoríficos do Ano de 2011 That 70\’s Show (Que Loucura de Família) TDM Talk Show (Repetição) Amanhecer Telejornal Ásia Global Desperate Housewives (Donas de Casa Desesperadas) Passione TDM News The Horse Wisperer (O Encantador de Cavalos) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Couto & Coutadas 15:15 Poplusa 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Portugal de Negócios 17:30 Portugal Aplaude 19:00 Estado de Graça 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Prova dos 3 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 13:00 13:30 15:30 17:30 19:30 20:00

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STAR SPORTS 31 13:00 Golf Focus 2012 13:30 Total Rugby 14:00 M7 - Multisport TV 15:00 2012 FIM X-Trial World Championship 16:00 Hot Water 2011/12 17:00 Rolex FEI World Cup Jumping 2011/12 18:00 Ocean Thunder - Pro Surf Boat Series 2011 19:00 HSBC Sevens World Series 2011/12 21:30 (LIVE) Score Tonight 2012 22:00 Spirit Of London 22:30 Total Rugby 23:00 Asian Olympic Qualifiers Bahrain vs. Malaysia HBO 41 12:00 13:45 15:50 18:30 20:30 22:00 00:00

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SOLUÇÕES DO PROBLEMA

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HORIZONTAIS: 1-FICAM. GIRAR. 2-A. APARADELA. 3-ABACATE. AP. 4-ICOROSO. AGA. 5-MA. ETC. CIAR. 6-ITU. AAR. ORE. 7-TALO. DES. TI. 8-APA. LUTARAS. 9-DO. FURACAR. 10-OSCILAMOS. R. 11-RELEU. ASADO. VERTICAIS: 1-FA. IMITADOR. 2-I. ACATAPOSE. 3-CABO. ULA. CL. 4-APARE. O. FIE. 5-MACOTA. LULU. 6-RASCADURA. 7-GATO. RETAMA. 8-IDE. C. SACOS. 9-RE. AIO. RASA. 10-ALAGARTAR. D. 11-RAPAREIS. RO.

GRAÇAS E DESGRAÇAS DA CORTE DE EL-REI TADINHO • Alice Vieira “Não se trata do retrato de mais um rei de Portugal. El-Rei Tadinho, sua futura mulher (uma fada desempregada, que entretanto se fizera passar por bruxa) e restante família vivem algumas desgraças ora do campo do quotidiano ora do fantástico. O rei oferece a filha (que não tem! — só mais tarde dá pelo engano) em casamento a um dragão; a única bruxa do reino, embora contrariada, decide ajudá-lo; o dragão engana-se e casa com esta última... É impossível não se achar graça, tal a ironia, a prodigiosa imaginação e o alucinante desenvolvimento. (A partir dos 8/9 anos).”

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

CRÍTICA DA RAZÃO CÍNICA • Peter Sloterdijk Crítica da Razão Cínica, publicado por ocasião do bicentenário da Crítica da Razão Pura de Kant, é, antes de mais, uma crítica da modernidade. Para Peter Sloterdijk, o actual cinismo resulta da perda das ilusões iluministas. No nosso tempo, enquanto «falsa consciência», é um fenómeno generalizado que Sloterdijk detecta nos mais diversos campos, da vida privada à religião. Como resposta a este cinismo moderno, e para que ele possa ser ultrapassado, o autor sugere a redescoberta das virtudes do antigo cinismo ou, mais exactamente, do kinismo, que passa pelo riso, a insolência e a invectiva. Surgida na Alemanha em 1983 e considerada então por Habermas como a principal obra filosófica das últimas décadas, Crítica da Razão Cínica permitenos também entender melhor o trajecto intelectual de Sloterdijk e as polémicas suscitadas pelos seus livros mais recentes. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

E QUE BELO REPASTO! Depois de especial atenção dada ao fado como candidato (finalmente, reconhecido) a Património Imaterial da Humanidade, chega a vez de Macau apresentar quatro novas candidaturas a patrimónios intangíveis: gastronomia macaense, o teatro em patuá, as crenças e costumes de A-Ma e as de Na Tcha. Confesso que de religiões e crenças nunca vi nem bom vento nem bom casamento, mas respeito tudo. Sobretudo, porque gosto de vestir a capa da curiosidade e de me lançar a descobrir estas fés que dominam o mundo - umas com tanto de espiritual como de materialista - com a pretensão de assumir a liderança na senda dos conflitos de interesse geoestratégicos. Mas com toda esta conversa, a gastronomia que tanto mais me alicia como sacia, ficou para trás. Sempre fui resistente a provar esta comida dos humanos que por aqui coabitam, mas há coisa de pouco tempo deixei-me convencer por estas iguarias (sinal do meu amadurecimento, dizem eles). E sinto, tal e qual como dizia o autor Filipe Nery, de Xangai, que “a cozinha macaense complementa a portuguesa e a chinesa”, mas tem características verdadeiramente particulares. Que diz quem domina a temática, vai buscar outras demais contribuições à zona de Cantão, ao “subcontinente” indiano, ao Japão e ao Sudeste Asiático. Eu cá contento-me mesmo é com as patinhas do pato, com o peixe panado ou frito, com a galinha à macaense (pou kok kai), com o caldo de raiz de lótus (lin ngau) ou até mesmo com o minchi. Eles trazem o belo do tapau e deixam o resto comigo. E todos os dias, pela mesma hora, anseio pela novidade que me chega depois do yam-cha, que é como quem diz, dos seus almoços. Portanto, transformem as crenças das deusas em património inatingível, e classifiquem de igual modo o dialecto patuá (que, por sinal, sempre achei caricato) mas façam lá o que fizerem, não tornem a culinária macaense em repasto raro.

Pu Yi


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opinião

sexta-feira 10.2.2012

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Jorge Rodrigues Simão

perspectivas

O Sistema D. “And I shall sell you sell you sell you of course, my dear, and you’ll sell me.” Elizabeth Bishop

T

ALVEZ nunca tenha ouvido falar do “Sistema D.” Quando começamos a visitar os mercados de rua e bazares não licenciados que vão enchendo as urbes do mundo, temos de imediato tal percepção. O “Sistema D.” é uma gíria pirata da África francófona e das Caraíbas. Os franceses usam uma palavra para descrever as pessoas particularmente efectivas e motivadas. São designadas por “débrouillards”, que significa igualmente determinada e engenhosa. As ex-colónias francesas esculpiram esta palavra para descrever a sua realidade socioeconómica. São inventivos e possuem auto-iniciativa, os comerciantes empreendedores que fazem negócios por conta própria, sem possuírem autorização para o exercício da actividade. Não se encontram registados, licenciados ou estão sujeitos a uma determinada regulamentação que consideram de burocrática e custosa, e por conseguinte não pagam impostos. Fazem parte da “l’économie de la débrouillardise”, açucaradamente designada por “Sistema D.”. É a economia engenhosa, de improvisação e auto-suficiência, do faz-por-ti, ou “FPT economia”. Um número de conhecidos “chefes de cuisine” também se apropriou do termo, para descrever a habilidade e alegria necessária à improvisação de uma refeição “gourmet”, utilizando apenas os ingredientes que não combinam, mas que estão à mão numa cozinha. A palavra tem paladar e soa a uma melodia despreocupada, com algumas ressonâncias amigáveis. Ao mesmo tempo, afirma uma verdade incontestável, e o que acontece em todos os mercados não licenciados e lojas à beira das estradas do mundo, não sendo simplesmente algo de casual. Sem fazer apologia, tem de se reconhecer que se trata de um produto de resistência, inteligência, auto-organização e solidariedade de grupo, e segue uma série de desgastadas regras não escritas. É, nesse sentido, um sistema. O “Sistema D.” tinha por hábito ter pequenas dimensões, designar um conjunto de mulheres no mercado a vender alguns quilos de vegetais, para ganhar algum dinheiro que lhes permitisse subsistir muito mal e à família. Era a economia de desespero. Mas o comércio expandiu-se e globalizou-se, e o “Sistema D.” acompanhou a promoção pelo exagero. Actualmente, o “Sistema D.” é a economia de aspiração. É onde se situam os empregos. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), uma instituição patrocinada pelos 30 países das economias mais desenvolvidas e dedicada à promoção do livre comércio, concluiu em 2009 que metade dos trabalhadores do

Os maiores pensadores da economia adicionam o “Sistema D.” numa categoria de mercado cinza, que foi introduzido há cerca de 40 anos, pelo antropólogo inglês Keith Hart, que introduziu o conceito de “economia informal” mundo, ou seja, cerca de 1,8 mil milhões de pessoas, trabalhavam no “Sistema D.”, sem qualquer contrato formal, em actividades que não foram registadas ou licenciadas, nem regulamentadas, a serem remuneradas em dinheiro, e, na maioria das vezes, não pagando qualquer tipo de imposto, principalmente sobre o rendimento. Em muitos dos países, com ênfase nos “em desenvolvimento”, o “Sistema D.” está a crescer mais rapidamente que qualquer outro sector da economia, sendo uma força crescente no comércio mundial. Além disso, após a crise financeira de 2008 e 2009, o “Sistema D.” revelou ser um mecanismo financeiro importante de apoio. Um estudo de 2009 do Deutsche Bank, o maior credor comercial alemão, afirmou que nos países europeus, nos maiores sectores das suas economias, os trabalhadores encontravam-se sem contratos ou com contratos que estavam em desconformidade com as legislações nacionais vigentes, ou seja, os cidadãos dos países de mais robusto “Sistema D.” sairiam mais rapidamente da crise económica de 2008 que os cidadãos de países melhor governados em termos de planeamento e regulamentação. Os estudos efectuados na América do Sul têm demonstrado que as pessoas em desespero encontram refúgio no “Sistema

D.” para poderem sobreviver à crise financeira, que o mundo ocidental vive. Este sistema espontâneo, regido pelo espírito de improvisação organizado, será crucial para o desenvolvimento das cidades no presente século. A regra do século passado, em que o trabalhador permanecia durante toda a sua vida activa na mesma empresa, está a tornar-se uma espécie em vias de extinção. A China, cujo sector fabril oferece um melhor futuro financeiro que o sector agrícola, não pode dar nenhuma garantia de segurança no emprego. Face a esta situação, que tipos de postos de trabalho vão existir? Trabalho a tempo parcial, uma variedade de esquemas de auto-emprego, consultoria, clandestino cujos rendimentos da actividade não são declarados, para não serem tributados. Os projectos a desenvolver nos países da OCDE, contarão com dois terços dos trabalhadores empregados no “Sistema D.”, pelo ano 2020. Não existirá multinacional, “Daddy Warbucks”, “Bill Gates”, ou governo que possa competir ao nível da criação de emprego. Considerada a sua dimensão, não tem sentido falar de desenvolvimento, crescimento, sustentabilidade ou globalização sem avaliar o “Sistema de D.”. Adam Smith entendeu esta situação claramente, em 1776, quando publicou “A Riqueza das Nações”,

tendo escrito que “o consumo total das pessoas das classes inferiores ou abaixo do nível da classe média deve ser analisado, e é em cada país muito maior, não só em quantidade, mas em valor, do que das pessoas da classe média ou acima”. Apesar dessa realidade, a maioria dos economistas não reconhecem o “Sistema D.” como parte legítima da ordem financeira. O professor de economia da arte e cultura da Universidade Erasmus, de Roterdão, Arjo Klamer, no seu mais recente livro, “Economics”, afirmou que a economia era o estudo de escolha e alocação de recursos escassos, o que significa que envolve a forma como as pessoas realmente vivem, sendo uma matéria demasiado importante para ser desprezada pelos economistas. Ao invés, os maiores pensadores da economia adicionam o “Sistema D.” numa categoria de mercado cinza, que foi introduzido há cerca de 40 anos, pelo antropólogo inglês Keith Hart, que introduziu o conceito de “economia informal”. Quando criou esse lapidar conceito no início de 1970, pensou que tinha inventado um termo inquestionável, para descrever a economia que é vista como outras actividades económicas, que não se enquadram nas categorias perfeitas do que uma economia capitalista urbana dependente deveria ser, ou algo oposto ao ideal, que encontrou em Acra, capital do Gana e onde os portugueses permaneceram de 1557 a 1578. Nessa cidade os vendedores ambulantes, sem local fixo e sem autorização para exercer a actividade em conformidade com a lei vigente, realizavam uma enorme quantidade de negócios nos passeios das vias públicas. O seu objectivo era reconhecer, em vez de estigmatizar, este sector da economia muito singular do país. Sob a égide do informal, no entanto, Keith Hart involuntariamente alinhou vendedores de rua com uma outra parte do mundo dos negócios, que também é informal, de criminalidade oculta. Crianças que vendem frutas e outros tipos de produtos nos cruzamentos das artérias de muitas cidades do mundo, com ênfase para os países de África e da América do Sul, sem declarar o seu rendimento, estão a exercer uma actividade ilegal. Assim sucede com os milhares de africanos, sul-americanos e de outros continentes que comercializam em Cantão e outras cidades da China, para venderem produtos nos seus países, em clara violação dos princípios e regras definidos pela Organização Mundial de Comércio, legislações aduaneiras e fiscais e convenções internacionais, para não falar no branqueamento de capital e corrupção que caminham de mãos dadas. A fim de repor a legalidade do comércio livre e justo, devem os Estados estarem atentos a este tipo de actividades criminosas. Iguais procedimentos usam as associações criminosas de tráfego de órgãos humanos.


sexta-feira 10.2.2012

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Paul Chan Wai Chi*

um grito no deserto

A Primavera de Macau

O

tempo no Festival da Primavera em Macau esteve muito mais frio do que em anos anteriores, dissuadindo as pessoas a sair de casa. O clima político neste período parece ter acompanhado a onda de frio, deixando as pessoas a tremer. Os tão esperados desenvolvimentos na reforma política de Macau parecem ter finalmente iniciado a sua primeira fase no final do ano passado. Foi o primeiro dos cinco passos a dar, e criou, como não podia deixar de ser, expectativas de que o clima político iria finalmente aquecer e a Primavera estava a chegar a Macau, cheia de força e vitalidade. No entanto, nada de verdadeiro ou aceitável saiu deste primeiro mês de consultas. Defenderam-se os mesmos pontos de vista repetidamente, como se todos tivessem ouvido a mesma cassete. As sessões de recolha de opinião têm o simpático nome de consultas, mas na verdade não passam de encontros para criar a chamada opinião pública. Apenas uma das oito consultas foi aberta ao público, e permitia que cerca de meio milhão de pessoas se inscrevessem para dar a sua opinião. Devido ao grande número de inscrições, as autoridades concederam excepcionalmente mais 30 minutos para as pessoas expressarem os seus pontos de vista, mas recusaram terminantemente a realização de mais consultas. Os grupos com interesses a defender mantiveram o controlo e mobilizaram os seus membros, que despejaram constantemente as mesmas opiniões e até agora nem sequer mais uma consulta aberta ao público foi marcada. O que é que está por detrás destas consultas públicas? Mais valia anunciarem publicamente aquilo que já foi decidido internamente: mais dois assentos de eleição directa e indirecta; aumento do número de membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo para 400 em vez dos actuais 300. Poupava-se tempo e trabalho! (Como Macau já promulgou o artigo 23 da Lei Básica, tenho de declarar que o acima mencionado é pura especulação e não uma revelação de quaisquer segredos de estado. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.) Espero sinceramente que as minhas especulações estejam erradas. Quaisquer mudanças que não acompanhem o desenvolvimento da sociedade e o caminho para a democracia, que negligenciem a responsabilidade perante o crescimento integral da sociedade no futuro, que desprezem o objectivo final de Um País, Dois Sistemas (que é a reunificação pacífica da China), e que se fundamentem em interesses indivi-

Muitos dizem que Macau é uma sociedade associativa, que o número de associações não pára de crescer. A razão para este fenómeno é muito simples. Basta olhar para o Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, e ver a quantidade de dinheiro que o Governo distribui por todo o tipo de associações, todos os anos. duais ou de grupo, só fazem com que os interesses de minorias se sobreponham aos da maioria. Taiwan já adoptou o sufrágio universal para as eleições presidenciais e legislativas. Hong Kong também está a caminhar nesse sentido. Na China um projecto-piloto para o sufrágio directo está a dar os primeiros passos. Que razões levam Macau a manter o seu sistema político obsoleto? Por que é que um Governo que se diz virado para o povo não confia no seu próprio povo? Se os resultados desta reforma política servirem para mostrar que tudo é manipulado atrás da cortina, que quem tem voz são os poderes instalados e não o povo, o que pensarão os taiwaneses de tudo isto? Será que o caminho da China para a reunificação pode ser afectado pela reforma política em Macau? Muitos dizem que Macau é uma sociedade associativa, que o número de associações não pára de crescer. A razão para este fenómeno é muito simples. Basta olhar para o Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, e ver a quantidade de dinheiro que o Governo distribui por todo o tipo de associações, todos os anos. Por isso,

não é de estranhar que tanta gente em Macau adore criar associações. O Governo apoia as associações e as associações apoiam o governo. Esta relação simbiótica faz com que ambos os lados tenham aquilo que precisam e que a estrutura política de Macau sofra de anormalidades. Após a transferência de soberania de Macau, o método das eleições indirectas para a Assembleia Legislativa não era competitivo. Umas centenas de corporações podiam já determinar o número de lugares (10) a ter assento na Assembleia por esta via. Por razões históricas não é possível acabar com esses lugares de uma só vez. Mas acrescentar dois lugares de eleição indirecta, método que deveria desaparecer no futuro, em vez de ser uma prática permanente, é absolutamente errado. No entanto, infelizmente esta “prática” parece que veio para ficar. A neve deveria derreter com o calor da Primavera. Porém, a frente fria política gelou a terra. Quando chegará a Primavera a Macau? *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

opinião

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editorial Carlos Morais José

NEM OBEDIENTES, NEM DESOBEDIENTES Os estudantes de Macau recebem do governo duas mil patacas para comprarem livros e outros materiais escolares, mas parece que gastam a massa em roupas de marca e outras inanidades. Assim, o executivo faz a figura daqueles pais ricos que, não estando para os aturar, despacham os filhos com umas notas, ficando depois surpreendidos quando descobrem que os seus rebentos andam a rebentar o dinheiro onde eles menos esperavam ou desejavam. Aliás, na RAEM, dar dinheiro parece ser a solução mágica para quase tudo. O governo não sabe diversificar a economia, dar a cana, logo dá peixes, leia-se cheques. A CTM deixa cair o serviço e, de imediato, no dia seguinte, anuncia que distribuirá 30 milhões aos seus clientes. Vivemos pois numa sociedade em que o dinheiro remenda tudo, exime responsabilidades, compra favores e amigos, desculpa o governo e amacia os cidadãos. Para além da massa, escasseiam as ideias, os projectos e, às vezes, a boa vontade. Esta fartura de numerário reduz quase tudo a quantidades e, logicamente, fomenta a ausência de valores. Não se espantem, portanto, se a próxima geração surpreender pela sua vacuidade e desinteresse pelo mundo e pelas suas próprias vidas, no que estiver para além da questão monetária. O governo tem que elaborar rapidamente não um mas vários planos de distribuição da riqueza acumulada, que não incluam um desfile com Chui Sai On num carro alegórico, atirando notas à população. Fomente-se uma sociedade onde a seriedade (ching) ainda tenha um papel a desempenhar. Limite-se as dádivas a coisas ou serviços e não a puro numerário porque, está visto, as crianças (de várias idades) não sabem o que fazer com o dinheiro. A culpa não será exclusivamente delas. A verdade é que exemplo vem de cima. Afinal, é curioso comparar o governo da cidade com os seus habitantes. Perguntase: será que a administração sabe o que fazer com todo o patacame que o jogo coloca à sua disposição? A resposta parece ser: obviamente não. Então porque haveriam os seus cidadãos de o saber? Confúcio diz que o governo que distribui a riqueza, une o povo; e que o governo que acumula demasiado, dispersa o povo. Nesta terra, não sabemos bem em que estado estamos. Daí que o povo não se una, nem se disperse. Como no filme de Pasolini, não somos obedientes, nem desobedientes.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Joana Freitas; José C. Mendes; Virginia Leung; Rita Marques Ramos (estagiária) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros; Vanessa Amaro Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


sexta-feira 10.2.2012

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c a r t o on por Steff

SOLUÇÃO DA MOEDA EUROPEIA

Macau Mais empréstimos e menos depósitos

Dados da Autoridade Monetária de Macau indicam que os depósitos dos residentes diminuíram 1,4% em Dezembro último, assim como os dos não residentes, que se situaram nas MOP 92,9 mil milhões. Já os empréstimos internos ao sector privado subiram 1,9%, situando-se nas MOP 167,7 mil milhões. Os empréstimos ao exterior subiram 1,6%.

Paquistão Líder da Al-Qaeda morto

Grécia Já há acordo para novo resgate

O governo grego chegou ontem a acordo com as forças de coligação para as medidas de austeridade que serão impostas no país, essenciais para accionar um segundo plano de resgate junto da UE, estimado em 130 mil milhões de euros. Para receber esta ajuda, a Grécia terá de poupar cerca de 3 mil milhões de euros, com reduções de 22% no salário mínimo.

Autores de 2600 casos de roubo sem castigo

Maioria dos processos de furto arquivada Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Air France Greve custa 10 milhões por dia A greve que a Air France está a levar a cabo desde segundafeira está a custar à empresa dez milhões de euros por dia, disse uma porta-voz da empresa à agência Reuters. A companhia aérea espera cancelar até 35% dos voos de longo curso e 25% dos voos curtos. A empresa está contra a lei que prevê limites no direito à greve nos transportes aéreos.

EUA Rick Santorum vence em 3 estados

Rick Santorum, ex-senador da Pensilvânia e adversário de Mitt Romney nas primárias dos Estados Unidos, ganhou nos estados do Colorado, Missouri e Minnesota. Depois das sucessivas vitórias de Romney, Santorum liderou as eleições no Minnesota com 94% dos votos. “É uma vitória para todos os conservadores e para o Tea Party”, assumiu perante a vitória.

A

Polícia de Segurança Pública (PSP) já tinha lançado o alerta. Desta vez, o Ministério Público (MP) confirmou a existência de mais crimes de furtos e roubos no território, mas a maioria acabou por não ver qualquer resolução. O MP referiu ontem que no ano passado foram abertos 3383 processos de furto, mas 2600 acabaram por ser arquivados. Questionado sobre a eficácia das investigações feitas pelos magistrados, Vong Vai Va, Procurador-Adjunto do MP, referiu que a maior parte dos magistrados “acha que não existem problemas nos processos” e que “há vários factores que influenciam a dedução da acusação, como por exemplo a queixa apresentada pelo ofendido de forma atempada”. “Como sabemos o trabalho de investigação é efectuado pela Policia Judiciária (PJ) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP), creio que estas entidades dispõem de número suficiente de funcionários.”, acrescentou. Nesse sentido, a necessidade de mais agentes, já referida pela PSP, não assusta o Procurador-Adjunto. “Os recursos humanos

Ciclone

e a capacidade de investimento são importantes para aumentar a taxa de sucesso da investigação. Reparamos que na PJ e na PSP o número de funcionários tem sido aumentado de ano para ano. É preciso preservar os funcionários antigos, com experiência. Aumentar apenas o número dos polícias não é suficiente, há que garantir a capacidade.” Como explicação para o aumento deste tipo de crime, Vong Vai Va refere o elevado número de turistas. “O desenvolvimento turístico é a causa. Sendo Macau um território pequeno, há cada vez mais hipóteses de ocorrerem crimes.” Face a 2010, o MP abriu mais 715 processos de furto, o que representa um aumento de 27%. Os furtos e roubos representaram 30% dos processos criminais tutelados pelo organismo. Foram abertos 65 processos de furto em lojas, 530 de roubo de motas e ainda 19 processos de furto por arrombamento. O Procurador-Geral referiu ainda que roubos em autocarros praticados por carteiristas e por empregadas domésticas são cada vez mais frequentes.

PROCESSOS SUMÁRIOS

Actualmente em revisão, o Código do Processo Penal actual prevê que, em determinados

casos, os suspeitos do crime não sejam imediatamente presentes a julgamento, algo que o MP quer ver alterado. “Gostaríamos de ver mais casos julgados em processos sumários. É nosso desejo ver alargadas as condições de aplicação do processo sumário no âmbito penal, no sentido de haver mais casos de furto simples que possam ser remetidos imediatamente ao tribunal para efeitos de julgamento.” Tal facto “contribuirá para um combate conjunto aos crimes de furto”, acrescentou.

CRIMES DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

No ano passado, 43 funcionários públicos foram acusados de diversos crimes, sendo casos considerados “especiais” pelo MP. “É do conhecimento geral que todos os anos há funcionários condenados”, disse Vong Vai Va. “Estes têm de receber mais formação e ter mais deveres.” Os casos ligados ao consumo e tráfico de droga não param de aumentar. Dos 297 inquéritos abertos pelo organismo na área dos estupefacientes, 146 estão ligados ao tráfico. Os casos registados no Aeroporto Internacional de Macau, “suscitam a atenção geral”, sendo que “a quantidade de droga encontrada era relativamente maior” face a 2010.

A tempestade pós-Mubarak no Egipto dá muito que pensar (em relação à liberdade adquirida). POR FERNANDO

O chefe de operações da AlQaeda no Paquistão foi ontem morto depois de um ataque aéreo feito com drones (aviões não tripulados) norte-americanos contra Miranshah, refúgio dos talibãs no país. Um responsável dos serviços secretos do Paquistão disse à AFP que esta morte “constitui um grande revês para as capacidades da Al-Qaeda em atacar no Paquistão”.

Maldivas Ex-presidente com mandado de captura

Mohamed Nasheed, antigo presidente das Maldivas que apresentou a sua demissão do Governo esta terça-feira, está a ser alvo de um mandado de captura por parte do tribunal criminal do país. Um responsável do Partido Democrático das Maldivas, ao qual pertence Nasheed, confirmou a notícia, adiantando que o ministro da Defesa também é procurado. Apesar disso, Abdulla Riyas, chefe da polícia, disse que não tem conhecimento da situação.

EUA Washington aprova casamento gay

A câmara dos representantes de Washington, nos Estados Unidos, aprovou ontem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, cuja lei deve ser promulgada pela governadora Chris Gregoire nos próximos dias. Numa eleição que teve 55 votos a favor e 43 contra, Washington tornou-se no sétimo Estado norte-americano a permitir casamentos gay.

Hoje Macau 9 FEV 2012 #2547  

Edição do Hoje Macau de 9 de Fevereiro de 2012 • Ano X • N.º 2547

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