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SOFIA MARGARIDA MOTA

hojemacau

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MOP$10

TERÇA-FEIRA 10 DE DEZEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4429

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Tira-me daqui

Condenado em 2008, a 27 anos de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais, o antigo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, pôs em marcha o processo com vista à sua transferência

METRO LIGEIRO

E NO ENTANTO, ELE MOVE-SE

GRANDE PLANO

FRONTEIRA

Entradas vetadas PÁGINA 5

PARADA

MACAU COLORIDO

para Portugal, onde quer cumprir o resto da pena. Apesar de possuir nacionalidade portuguesa, a tarefa não se antevê fácil, face ao grande mediatismo do caso e ao facto de a China não reconhecer a dupla nacionalidade.

EVENTOS

TNR

Conversa interrompida PÁGINA 9

ÚLTIMA

PORTUGUÊS

SOFIA MARGARIDA MOTA

Poder da diplomacia PUB

PÁGINAS 6-7

PAULO BRANCO | DAR VIDA AO SONHO PUB

ESPECIAL IFFAM


2 grande plano

10.12.2019 terça-feira

AS VOLTAS DA

E

NTRA hoje em funcionamento o segmento da Taipa do Metro Ligeiro, depois de mais de dez anos de estudos e obras, com a garantia de viagens gratuitas até ao final do mês. Ao longo dos anos este tem sido um dos temas mais debatidos pela sociedade e pelos deputados à Assembleia Legislativa (AL), dado os enormes atrasos e derrapagens orçamentais registados. No início, pretendia-se construir um sistema de Metro Ligeiro com 23 estações e um traçado que passava pelo centro da cidade, na zona do NAPE, o que gerou contestação. Os planos mudaram e, anos depois, é apenas inaugurada uma linha 9,3 quilómetros com um orçamento de 18 mil milhões de patacas. Os percalços foram tantos que a deputada Song Pek Kei chegou a afirmar, em Outubro do ano passado, que o projecto do Metro Ligeiro “foi um erro”. “Está a fazer um melhor trabalho do que o seu antecessor porque antes as obras estavam paradas. Não será um erro da nossa parte construir o metro ligeiro, uma vez que Macau é um lugar muito pequeno? Se no futuro houver uma redução dos impostos do jogo quem vai suportar essas despesas? Creio que foi um erro construirmos o Metro Ligeiro, porque serão as próximas gerações a pagar”, frisou a deputada. Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, chegou em 2014 para organizar dossiers pendentes deixados pelos seus antecessores, Ao Man Long (condenado por corrupção) e Lau Si Io e, com ele, o Metro Ligeiro viu finalmente a luz do dia. André Ritchie, arquitecto que foi coordenador-adjunto do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT), hoje Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, disse ao semanário Plataforma que a entrada em funcionamento do Metro Ligeiro constitui “um marco histórico para Macau”. “É muito positivo para Macau. Toda a equipa está de parabéns. É um projecto muito difícil em

qualquer parte do mundo. Apenas quem trabalhou de facto neste projecto tem ideia da grande complexidade que envolve - não só na vertente técnica, mas também na parte relacionada com o modelo de operação comercial”, observa. André Ritchie destaca ainda “todos os diplomas legais que tiveram de ser criados” para o sistema de Metro Ligeiro avançar. Ao HM, o deputado José Pereira Coutinho frisa que “finalmente este elefante branco entra em funções”. “Como estamos na época das ‘vacas gordas’ quase ninguém liga aos seus custos extremamente elevados. Só espero que o transporte seja grátis para os idosos”, adiantou. Para a deputada Agnes Lam, a inauguração do Metro Ligeiro é como “uma entrada que vem sendo preparada há muito tempo, mas como demorou muito só resta uma pequena porção e as pessoas não acham suficiente”, metaforizou.  Nesse sentido, a deputada espera que o Governo “faça desta inauguração um marco histórico para recuperar a confiança das pessoas e que garanta um funcionamento suave do sistema”. Agnes Lam espera também que o segmento da Taipa seja um teste “à ligação entre o sistema do Metro Ligeiro, os táxis e os percursos pedestres”. “Penso que o Governo ainda pode aprender muito com esta ‘entrada’, mas espero que avaliem a relação entre o custo e a efectividade de um projecto desta dimensão e que possam comunicar com o público os resultados. Temos de ter uma solução efectiva para o futuro transporte de massas”, frisou Agnes Lam.  Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo, defendeu ontem que a entrada em funcionamento do Metro Ligeiro pode ajudar à melhoria da circulação de turistas na Taipa, mas não tanto em Macau. “Para quem chegar ao terminal da Taipa ou aeroporto vai ter mais facilidade em chegar aos hotéis do Cotai. Aí vai ser mais fácil, mas chegar ao centro histórico de Macau não vai ser tão fácil assim. Espero que no futuro possamos ter uma maior facilida-

TRANSPORTE DE TODAS AS POLÉMICAS ENTRA HOJE EM FUNCIONAMENTO

FOTOS SOFIA MARGARIDA MOTA

METRO LIGEIRO

de em termos de transporte, não apenas com o Metro Ligeiro, mas com outros meios de transporte.” Jiang Xuchun, directora da Delegação das Ilhas da União Geral das Associações dos Moradores de

Em 2018, Raimundo do Rosário garantiu que a linha do Metro Ligeiro entre os Jardins do Oceano e a Barra vai estar completa até 2024 com um custo de 4,5 mil milhões de patacas.

Macau (UGAMM), disse ao jornal Ou Mun esperar que as estações do metro possam ter informações turísticas dada a proximidade ao aeroporto e terminal marítimo. A responsável defende também que no período de viagens gratuitas as autoridades possam divulgar mais informações sobre a deslocação entre autocarros e o traçado do Metro Ligeiro.

PRIMEIRA DATA E CONTRATOS (2011)

Estudado a partir do ano de 2003, o Metro Ligeiro propunha-se revolucionar o sistema de transportes públicos de Macau que tem funcionado apenas com autocarros e serviço de táxis. A primeira data avançada para a inauguração do Metro Ligeiro foi 2011, mas foi nesse ano que começaram a ser

assinados os primeiros contratos de adjudicação, como foi o caso do contrato assinado com a Mitsubishi para o fornecimento de 110 carruagens, no valor de 4.688 mil milhões de patacas. No entanto, este plano inicial cairia por terra quando o Governo percebeu que tinha encomendado mais 48 carruagens além das necessárias. Em Maio do ano passado, ficou a saber-se que a Mitsubishi seria compensada em 360 milhões de patacas pela rescisão do contrato. “Essas carruagens são demais para aquilo que precisamos para as linhas da Taipa, Seac Pai Van e até a Barra. Achámos que era melhor rescindir a segunda parte [da encomenda à Mitsubishi] – até porque, daqui a uns anos, quando


grande plano 3

terça-feira 10.12.2019

TAIPA a rede do metro for estendida para outros sítios, certamente, haverá carruagens mais modernas e com outras potencialidades”, justificou Raimundo do Rosário.

INTERVENÇÕES DO CCAC E CA (2012 - 2018)

O projecto do Governo para o segmento do Metro Ligeiro na península de Macau gerou críticas desde o início, tendo levado os representantes da Associação para o Desenvolvimento da Comunidade de Macau a apresentar, a 29 de Maio de 2011, uma queixa junto do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) sobre alegados “vários problemas relacionados com a construção do sistema do Metro Ligeiro na península de Macau e na Taipa, suspeitando da existência de

ilegalidades e irregularidades em algumas fases do processo”, lia-se no relatório. Os moradores do NAPE questionavam as razões para a alteração

A inauguração do Metro Ligeiro é como “uma entrada que vem sendo preparada há muito tempo, mas como demorou muito só resta uma pequena porção e as pessoas não acham suficiente.” AGNES LAM DEPUTADA

Ainda Edmund Ho estava no poder quando o projecto do Metro Ligeiro de Macau começou a ser pensado e estudado. A prisão do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, e a sua substituição por Lau Si Io trouxe um compasso de espera a todos os que esperavam um rápido progresso nas obras. Pelo meio, o Comissariado deAuditoria e o Comissariado contra a Corrupção deixaram os seus alertas. Eis os momentos mais marcantes do novo meio de transporte público que começa hoje a funcionar

do traçado inicial do percurso para outro que “passou a contemplar a passagem pelas ruas de Londres e da Cidade do Porto, na zona do NAPE, sem que tenha sido apresentada justificação técnica para tanto”. Além disso, os moradores “alegaram que a construção do Metro Ligeiro ao nível térreo, nesta zona, não preencheria os requisitos de segurança contra incêndios”. A nível orçamental, o sistema do Metro Ligeiro foi analisado quatro vezes pelo Comissariado de Auditoria (CA), a última das quais o ano passado. Disse o organismo liderado por Ho Veng On que o GIT “nunca foi capaz de calcular o custo global do investimento” no projecto e que, “à medida que a obra vai sendo executada, há

tendência para alterar a estimativa dos custos, criando a ilusão de que nunca houve derrapagens no orçamento”. O CA estimou, na altura, um orçamento superior a 51 mil milhões de patacas para todas as fases do sistema de transporte. No total, o CA divulgou quatro relatórios sobre o Metro Ligeiro. Apesar dos vários avisos, Raimundo do Rosário disse, em Janeiro deste ano, que as derrapagens e os atrasos são “problemas do passado”, uma vez que, “se houver atrasos serão dentro dos limites razoáveis”.

zão, o Governo não realizou novo concurso pelo facto do parque de materiais e oficinas estar, à data, praticamente construído. As autoridades entenderam que um novo concurso iria “ter um grande impacto nos prazos da empreitada e na instalação do Sistema de Metro Ligeiro na Taipa”, algo que representaria “um grave prejuízo para o interesse público”. Até ao momento, o Governo não avançou o valor de indemnização pago à China Road and Bridge Corporation para resolver este diferendo.

RAIMUNDO E OS PROCESSOS EM TRIBUNAL (2014-2019)

O FUTURO

Lau Si Io fez muitas tentativas e promessas, mas só Raimundo do Rosário soube assumir o controlo de um projecto difícil quando tomou posse como secretário, em 2014. O atraso já era mais do que evidente, uma vez que, em 2008, Lau Si Io prometia avançar com as obras no segundo semestre de 2009. Afirmaria, em 2013, que “o Governo não aceitava mais atrasos” no projecto. Um dos diferendos que Raimundo do Rosário teve de resolver foi com a adjudicação da obra do parque de materiais e oficinas, essencial para assegurar a operacionalização do Metro Ligeiro. Em 2016, foi assinado um contrato de 1,07 mil milhões de patacas com a empresa Companhia de Engenharia e Construção da China (Macau), depois da ocorrência de um diferendo entre o Governo e o consórcio constituído pelas empresas Top Builders e Mei Cheong, que venceu o primeiro concurso público para a obra. Este consórcio teve de pagar uma multa ao Governo devido aos vários problemas registados com a construção, mas recebeu dos cofres públicos 85 milhões como compensação pelo término do mesmo contrato. Posteriormente a empresa China Road and Bridge Corporation fez entrar no Tribunal Administrativo uma acção para ser compensada pelo que considerou um erro na ajudicação desse concurso público. Apesar de o Tribunal de Última Instância lhe ter dado ra-

Inaugurado o segmento da Taipa, o ónus da questão coloca-se agora na forma como o Metro Ligeiro vai chegar à península. Em 2018, Raimundo do Rosário garantiu que a linha do Metro Ligeiro entre os Jardins do Oceano e a Barra vai estar completa até 2024 e com um custo de 4,5 mil milhões de patacas. “Vai estar a funcionar em 2024 e com um bocado de sorte, pode entrar em funcionamento em 2023”, disse o secretário, que continuará a desempenhar as mesmas funções por mais quatro anos, já com Ho Iat Seng como Chefe do Executivo. Este ano foi confirmado que essa ligação será feita através da ponte Sai Van, apesar dos receios relacionados com a segurança da infra-estrutura. No que diz respeito ao funcionamento do Metro Ligeiro na zona da Barra, os deputados Kou Hoi In (actual presidente da AL), Cheang Chi Keong (que já saiu da AL) e Chui Sai Cheong defenderam, em 2017, a construção de um monocarril. “Os vagões podem percorrer, continuamente, a ferrovia em torno da cidade, permitindo aos cidadãos chegarem da circular exterior a várias zonas da península de Macau”. Com ou sem monocarril, as autoridades mostram confiança na chegada deste sistema de transporte à península. Garantida fica também a passagem do Metro Ligeiro nos Novos Aterros Urbanos e na zona de Seac Pai Van. Andreia Sofia Silva (com P.A.)

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10.12.2019 terça-feira

EXECUTIVO ALEXIS TAM QUER CONTINUAR A CONTRIBUIR PARA A PÁTRIA E MACAU

De fora, mas racha lenha

Apesar de ficar de fora do Executivo de Ho Iat Seng, Alexis Tam vai continuar a trabalhar na Administração em prol de Macau e da pátria. O ex-secretário, em jeito de despedida, destacou o seu contributo na elevação do sentimento de pertença dos jovens ao país e a proibição do fumo nos casinos

D

E P OIS de cinco anos à frente da pasta dos Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam despede-se do Executivo com a promessa de continuar a trabalhar na Administração e de dar tudo pela pátria e por Macau. Depois de falar à comunicação social, o gabinete do secretário que vai ser substituído por Ao Ieong U, declarou que Alexis Tam “vai continuar no Governo e a contribuir para o país, Macau e a população local, envidando esforços para promover um futuro melhor para a RAEM”. Em tom de agradecimento pela oportunidade dada, Alexis Tam elencou alguns dos feitos conquistados durante o mandato. Antes de tomar posse, o governante referiu que “o sentimento de pertença ao país na camada juvenil era relativamente baixo”. Como tal, ao longo de cinco anos, a aposta da tutela foi para “a sensibilização e educação relativa ao “amor pela pátria e amor por Macau”. Ainda no capítulo do ensino, Alexis Tam realçou o progresso dos alunos de Macau na classificação alcançada no Programa Internacional de Avaliação de Alunos, “um desempenho muito positivo, ocupando actualmente o 3.º lugar a nível mundial em termos de literacia em leitura, matemática e ciências”. Na área da saúde, Alexis Tam destaca a esperança média de vida

O

f u t u r o Chefe do Executivo, secretários e titulares de altos cargos do próximo Governo estiveram a receber formação em Pequim e prometeram seguir todas as instruções do Governo Central durante o mandato, de acordo com a agência oficial Xinhua. Segundo os relatos, durante um encontro na sexta-feira com representante do Governo Central, entre eles o vice-primeiro-ministro Han Zheng, “a equipa

da população local, que atingiu 83,7 anos, a boa prestação da Equipa Internacional de Emergência Médica que se tornou na 5.ª equipa nacional e a 25.ª equipa aprovada e acreditada pela Organização

Alexis Tam “vai continuar no Governo e a contribuir para o país, Macau e a população local, envidando esforços para promover um futuro melhor para a RAEM.” GABINETE DO SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

comprometeu-se a seguir as instruções do Governo Central, cumprir as suas obrigações e activamente tomar medidas no sentido de novas conquistas na prática de ‘um país, dois sistemas’ com as características de Macau”. No mesmo encontro Han Zheng elogiou ainda os feitos da RAEM ao longo dos últimos 20 anos e apontou o facto de na Administração Portuguesa haver períodos de depressão económica em Macau que foram ultrapas-

Mundial de Saúde (OMS). Ainda no capítulo do reconhecimento de entidades internacionais, impossível não mencionar a classificação, em 2017, de Macau como cidade criativa de gastronomia pela UNESCO.

HOSPITAL NAS ILHAS

O comunicado do gabinete de Alexis Tam menciona ainda o novo Hospital das Ilhas, começando por sublinhar que a construção não pertence aos Assuntos Sociais e Cultura. Face à demora na construção da infra-estrutura, o secretário explica que isso o levou a implementar, logo em 2015, o prolongamento do horário de funcionamento do Centro Hospitalar Conde de São Januário e dos centros de saúde. Outras medidas destacadas são o prolongamento do horário

de funcionamento das consultas externas e a prestação dos serviços de cirurgia aos fins-de-semana, que resultaram na redução do tempo de espera. O comunicado do gabinete de Alexis Tam sublinha ainda o progresso registado na taxa de cobertura das vacinas contra doenças infecto-contagiosas. A proibição total do fumo os recintos públicos fechados foi outro destaque no legado de Alexis Tam à frente dos Assuntos Sociais e Cultura. “Foram autorizadas mais de 630 salas de fumadores instaladas de acordo com exigências rigorosas, distribuídas por 37 casinos e existem, actualmente, cerca de 30 salas de fumadores em apreciação”, especifica o comunicado. João Luz

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As lições que vêm do Norte Ho Iat Seng e titulares de altos cargos receberam formação em Pequim

sados com a transição. Também durante o fim-de-semana foi emitida a entrevista de Ho Iat Seng com a agência noticiosa estatal chinesa, em que o futuro Chefe do Executivo afirmou ir fazer de Macau uma RAEM “mais bonita”. “Eu vou continuar a unir todos os sectores da sociedade de Macau para impulsionar

o princípio ‘Um país, Dois Sistemas’, de forma a avançar em frente, mantendo a estabilidade, para fazer Macau mais próspera e bonita”, declarou.

ORGULHO NACIONAL

No âmbito do princípio ‘Um país, Dois sistemas’, Ho Iat Seng frisou que Macau sempre teve uma colabo-

ração muito próxima com o Governo Central e que o sucesso da região se deve a ter cumprido todas as exigências vindas do norte. “A implementação precisa do ‘Um país, Dois sistemas’ ajudou Macau a manter sua harmonia e estabilidade, criando uma base sólida para o desenvolvimento económico rápido e para a

TURISMO MAK SOI KUN INSISTE EM WC’S PARA “SELFIES”

O

deputado Mak Soi Kun exige ao Governo que instale mais casas-de-banho públicas nos percursos turísticos do território e quer que estas se tornem num ponto de referência para os turistas. De acordo com a interpretação escrita do legislador as casas-de-banho públicas devem ter um aspecto visual decorado com elementos culturais criativos, como desenhos animados, para facilitar sua identificação, mas também para que se tornem numa atracção turística e lugar quase obrigatório para as fotografias dos visitantes. Já no que diz respeito aos materiais para as obras, Mak Soi Kun defende que devem ter um impacto reduzido no ambiente, assim como o design das mesmas, utilizando fontes de energia renováveis. Segundo o deputado, este último aspecto é muito importante porque serviria para demonstrar a reputação de Macau como um centro mundial de turismo e lazer e uma cidade com condições ideais de viver. Mas esta não é a única medida, depois de concluídas as obras destes espaços, Mak diz que têm de ser inseridas das aplicações móveis para os visitantes como a “Experience Macao” e “Step Out, Macao”, também para facilitar a circulação no território. Finalmente, o deputado escreve ao Executivo que a aposta nas casas-de-banho para turistas e a concretização de tal projecto seria um exemplo de “governação científica”.

melhoria contínua da vida da população”, respondeu sobre a questão. Outro dos pontos destacados por Ho Iat Seng para o sucesso de Macau é a educação patrióticas nas escolas. Segundo o futuro Chefe do Executivo as instituições de ensino utilizam livros escolares patrióticos e fazem regularmente cerimónias de hastear da bandeira o que fortalece o “sentimento de orgulho nacional e a identidade nacional” entre os mais jovens.


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terça-feira 10.12.2019

Comércio Pedidas medidas de combate ao mercado negro

MNE Shen Beili defende que não há segundo sistema na segurança

O deputado Sulu Sou questionou o Governo sobre as medidas para combater o mercado negro no Istmo de Ferreira Amaral e no bairro Vai Tai, perto das Portas de Cerco, uma vez que os residentes da zona Norte se sentem cada vez mais incomodados com o comércio paralelo e a ocupação das vias com caixas que depois são abandonas. Na interpelação, o deputado defende que muitas lojas na zona praticam comércio paralelo e ocupam o espaço público para colocar os bens exportados por contrabandistas, afectando a vida quotidiana dos residentes e causam problemas sociais e de saúde no bairro. O legislador, ligada à Novo Macau,

A responsável do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Shen Beili, defendeu que é imperativo manter as forças externas fora de Macau para que o território possa continuar a construir todos os dias a sua harmonia e estabilidade social. As declarações foram proferidas na sexta-feira, durante uma palestra para comemorar o 20.º aniversário da transferência de soberania, e foram citadas pelo Jornal do Cidadão. Segundo a publicação, Shen Beili elogiou o Chefe do Executivo por cumprir as

Numa altura em que as relações entre a China e os Estados Unidos estão cada vez mais crispadas, os líderes da Câmara de Comércio Americana em Hong Kong, Robert Grieves e Tara Joseph, foram impedidos de entrar em Macau

questiona as razões pelas quais a situação está cada mais grave ao mesmo tempo que parece não haver uma reacção dos Serviços de Alfândega. Por outro lado, pergunta se as autoridades têm o conhecimento do envolvimento de uma associação criminosa a operar na zona com várias lojas dedicadas ao comércio paralelo.

responsabilidades constitucionais e opor-se à interferência externa. “O Governo da RAEM não só conseguiu a legislação do artigo nº 23 da Lei Básica, como também entende que a nível da segurança nacional há apenas um país e não há dois sistemas”, frisou Shen Beili. A comissária considera ainda que a diplomacia de Macau está numa fase nova e que o Governo da RAEM precisa de encontrar o caminho certo e aproveitar as oportunidades importantes perante as circunstâncias complexas internacionais.

FRONTEIRA LÍDERES DA CÂMARA DO COMÉRCIO AMERICANA IMPEDIDOS DE ENTRAR

Uma jogada de xadrez restrições à entrada de diplomatas americanos no País. Por outro lado, espera-se que Xi Jinping visite este mês Macau, o que já levou às restrições à entrada por parte de turistas vindos do Interior.

NINGUÉM SABE NADA

O

S dois presidentes da Câmara do Comércio Americana em Hong Kong, Robert Grieves e Tara Joseph, foram impedidos de entrar em Macau no passado sábado, quando vinham à RAEM participar num evento promovido pela congénere do território. A informação foi divulgada logo nesse dia e o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, afirmou só ter tido conhecimento do caso através dos órgãos de comunicação social. Segundo a informação da Reuters, Grieves e Tara Joseph tentaram entrar em Macau em alturas distintas no sábado, mas foram ambos convidados a assinar um papel em que “voluntariamente” concordavam regressar a Hong Kong sem tentarem entrar em Macau. Durante o procedimento nunca foi explicado aos dois elementos a razão de não poderem entrar. A versão foi avançada num comunicado conjunto: “Temos a esperança de que este episódio seja apenas uma reacção exagerada aos eventos recentes e que os negócios internacionais possam continuar a

ser construídos de forma positiva”, consta do documento assinado pelos dois presidentes da AmCham. Tara Joseph revelou ainda à agência noticiosa que esteve detida durante duas horas. “Não faço a mínima ideia [sobre a razão de não ter entrado]. Fiquei muito surpreendida. Eles não foram antipáticos, trataram da situação de

O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, afirmou desconhecer o caso e só ter tido conhecimento através dos órgãos de comunicação social

forma profissional e nunca foram antipáticos”, frisou, em declarações à Reuters. A proibição de entrada surge depois dos Estados Unidos terem aprovado a Lei dos Direitos Humanos e Democracia em Hong Kong, na sequência dos meses de manifestações da RAEHK. Em resposta, a China criou mais

No entanto, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, afirmou desconhecer o caso e só ter tido conhecimento através dos órgãos de comunicação social. “A Polícia tem a obrigação de manter a ordem nos postos fronteiriços. Não conheço esse caso concreto nem quero referir-me a ele. Não comentamos casos pontuais”, começou por responder Wong, à margem da marcha de caridade. “Só estou a falar de uma forma geral, durante a execução da lei a única coisa que temos em consideração é o risco para a segurança, ordem ou a existência de ameaças para Macau. A identidade e a profissão da pessoa não é um factor ponderado”, foi acrescentado, citado pelo Canal Macau. Já ontem, à Macau News Agency, o presidente da Câmara do Comércio Americana em Macau, Paul Tsé, confirmou que Robert Grieves e Tara Joseph tinha sido convidados para um evento no sábado, mas recusou fazer comentários sobre o que aconteceu na fronteira. “Não temos comentários a fazer sobre as nossas opiniões. Soubemos através dos órgãos de comunicação social que o Governo de Macau tem certas políticas de imigração que não estamos em posição de saber [...] Não conheço a natureza dessas políticas”, apontou. João Santos Filipe

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10.12.2019 terça-feira

Sensibilidade e DIPLOMACIA EMBAIXADOR SANTANA CARLOS RECORDA AS DIFICULDADES PARA MANTER O PORTUGUÊS

A questão “mais sensível” na conclusão das negociações entre Portugal e a China sobre a transferência da administração de Macau foi a regulamentação oficial das duas línguas, segundo o embaixador António Santana Carlos, que liderou o processo. O diplomata jubilado destaca ainda a forma como a contestação em Hong Kong fortalece a posição de Taiwan

“O

S chineses sabem muito bem o que querem e para alterarem uma decisão é extremamente complicado, porque há vários centros de decisão: no partido, no Governo, e muitas vezes na Presidência”, afirmou. Em entrevista à Lusa, em Lisboa, o diplomata jubilado recordou as 39 viagens que fez para Macau durante os três anos e meio em que chefiou o Grupo de Ligação Conjunto (GLC) em representação de Portugal, a partir de 1996. “Tenho um razoável conhecimento da maneira de ser dos nossos amigos chineses, não só porque vivi intensamente o final do processo de transição, como depois estive quatro anos em Pequim”, referiu. Actualmente conselheiro diplomático na Câmara Municipal de Lisboa, Santana Carlos considerou que, apesar das dificuldades, os objectivos foram cumpridos, no

“A China opunha-se à regulamentação oficial das duas línguas. Nós queríamos incluir esse ponto na agenda para começar a ser debatido e a China não tinha instruções e, portanto, dizia que não ou, pura e simplesmente não respondia e o assunto ficava pendurado.” ANTÓNIO SANTANA CARLOS DIPLOMATA JUBILADO

processo de transição. “Como é habitual, aqueles assuntos mais complicados ficam, normalmente para o fim”, reconheceu, referindo-se à insistência da parte portuguesa para que o português e o mandarim ficassem ambos consagrados como línguas oficiais, por forma a assim vigorarem na Assembleia Legislativa, na administração e nos tribunais. A medida, defendeu, foi “muito importante para a defesa da língua portuguesa”, uma premissa “fundamental”. Este foi o assunto “mais sensível” que teve em mãos, dada a oposição da China: “Foi um processo difícil”. Preferindo valorizar o resultado final, o embaixador admitiu que foi necessária “alguma combatividade” e que a discordância entre as partes levou à suspensão de uma reunião plenária do GLC, devido à falta de acordo quanto à agenda. “A China opunha-se à regulamentação oficial das duas línguas. Nós queríamos incluir esse ponto na agenda para começar a ser debatido e a China não tinha instruções e, portanto, dizia que não ou, pura e simplesmente – que é uma boa maneira que os chineses têm de manifestar uma opinião negativa – não respondia e o assunto ficava pendurado”, lembrou. “Não foi fácil de conseguir, foi preciso insistirmos muito e mantermos uma coerência ao longo de todo esse processo”, sublinhou, considerando positivo o resultado, já que mais tarde viria a ser criado o Fórum Macau, uma plataforma que acabou por ligar a China aos países de expressão portuguesa.

ENTRE PODERES

António Santana Carlos deparou-se com a diferença de culturas

Última reunião do Grupo de Ligação, 12 de Novembro de 1999

e de regimes. “Nós, ocidentais, por vezes temos consultas duplas Governo – Presidência, mas não com essa linha tradicional que é o

partido”. Na China, prosseguiu, o partido “pronuncia-se sobre tudo. Sobre tudo o que é importante. E é preciso conciliar esses três centros

de decisão no processo. Portanto, houve alguns assuntos que demoraram um pouco mais de tempo a resolver”.

Para Portugal, era importante “preservar a identidade e a singularidade” de Macau para que não fosse “absorvido de uma forma total e rápida” pela China


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bom senso

de Pequim são Xangai e Hong Kong”, afirmou. Questionado sobre as diferenças verificadas ao nível da consciência política nos dois territórios, Santana Carlos respondeu: “Hong Kong tem uma massa crítica que às vezes cria problemas à China, como agora está a acontecer, porque tem uma opinião pública - até por ser maior - que não tem a atitude da opinião pública de Macau”. “Não quero dizer que há interferências, mas eles criaram uma situação complicada para a República Popular da China em Hong Kong”, acrescentou. O problema, está a “reflectir-se nas relações entre Pequim e Washington”, porque “quer o Senado, quer a Câmara dos Representantes norte-americana aprovaram decisões apoiando o lado de manifestações em Hong Kong e criticando a China”, observou. “E essa posição foi posteriormente utilizada pelo Presidente Donald Trump, o que criou dificuldades à China”, acrescentou. Na análise do diplomata, a China não só pensa na estabilidade de Hong Kong e Macau, como essa estabilidade é “muito importante para aplicar o objectivo de ‘Um País, Dois Sistemas’ a Taiwan”. “Essas manifestações, no fundo, acabam por dar força a Taipé, porque é fácil perceber, não é? A República Popular da China tem, efectivamente, um problema com a situação que decorre neste momento em Hong Kong”, declarou.

FESTAS INCLUSIVAS

Para Portugal, era importante “preservar a identidade e a singularidade” de Macau para que não fosse “absorvido de uma forma total e rápida” pela China. “Era fácil! Macau não é um território muito grande. Esses assuntos foram, talvez os de mais difícil resolução”, constatou. Apesar de já não ter acompanhado o processo, o diplomata destacou também a construção do aeroporto de Macau como um passo importante para “dar uma maior autonomia” ao território administrado por Portugal até Dezembro de 1999. “Esse foi um

dossier importante, já estava resolvido quando cheguei a Macau”, declarou. Questionado sobre o cumprimento das bases que ditaram o acordo entre Portugal e a China fez um balanço positivo, com uma ressalva: “É claro que Macau não tem uma lei da greve, mas com a administração portuguesa essa lei também não existia”. Portugal conseguiu também que não vigorasse a pena de morte em Macau e que as forças militares chinesas não entrassem no território logo à meia-noite do dia 20 de Dezembro de 1999, mas no

dia seguinte. “Entraram oito horas depois, mas a transição foi completamente civil. Como não existiam forças militares em Macau, esse

“É claro que Macau não tem uma lei da greve, mas com a administração portuguesa essa lei também não existia.” ANTÓNIO SANTANA CARLOS DIPLOMATA JUBILADO

foi o nosso argumento para não ser uma coisa simultânea, com o final do processo de transição”, relatou.

QUESTÃO DE OPINIÃO

As manifestações em Hong Kong estão a “dar força a Taipé”, segundo António Santana Carlos que considera que a China tem “efectivamente um problema” com a situação na antiga colónia britânica, algo que não se estende a Macau. “Para já o território é muito diferente de Macau, a região tem outra dimensão, outra economia. Tem um peso muito importante, os grandes trunfos da área financeira

Já em Macau, “a opinião pública é muito mais pequena, a massa crítica é menos activa”, disse o ex-responsável pelo Grupo de Ligação, frisando que Portugal conseguiu manter uma “relação de amizade e cooperação” com as autoridades chinesas diferente. “Tanto no processo de Macau, como no de Hong Kong, houve primeiro uma festa portuguesa antes da meia-noite, depois da cerimónia de transição, com as duas partes presentes ao mais alto nível e depois, finalmente, uma festa chinesa”, recordou. Em Hong Kong, contou, “nem nenhum representante da China foi à despedida britânica, nem nenhum representante do Reino Unido foi à festa chinesa, depois da transição”. Em Macau, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês foi à despedida portuguesa e o homólogo português, Jaime Gama, também esteve presente na celebração dos chineses. “Conseguiu-se um entendimento que julgo que é mais do que simbólico”, considerou Santana Carlos, para quem a postura das duas partes “valorizou e continua a valorizar o relacionamento Portugal – China”.


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10.12.2019 terça-feira

Aviso Candidatura dos Prémios de Ciências e da Tecnologia da RAEM para 2020 Nos termo do Regulamento Administrativo n.º 6/2011 que aprova o Regulamento dos Prémios para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, ficando assim, notificados os candidatos de que poderão candidatar-se através da seguinte forma: (1.) Objectivo Premiar as personalidades que contribuam para as actividades no âmbito da ciência e tecnologia em Macau, no sentido de estimular o espírito de iniciativa e criatividade dos investigadores científicos e tecnológicos locais, em benefício de um desenvolvimento científico e tecnológico mais acelerado em Macau. (2.) Categoria e Montante dos Prémios (Unidade: Dez milhares de patacas) Prémio de Investigação Científica e Desenvolvimento Prémios de Ciência e Tecnologia e Prémios Especiais Tecnológico para PósGraduados Primeiro lugar Segundo lugar Terceiro lugar Doutorandos Mestrandos Prémio de Ciências 100 60 40 da Natureza Prémio de Invenção 100 60 40 Tecnológica 8 6 Prémio de Progresso Científico 50 30 20 e Tecnológico (3.) Qualificação da candidatura (I) Prémios de ciência e tecnologia; Os residentes de Macau ou aqueles que obtenham autorização de trabalho ou que estejam a frequentar cursos em Macau podem candidatar-se aos prémios de ciência e tecnologia, desde que estejam preenchidas as seguintes condições: (i) Tenham prestado serviço a tempo inteiro ou frequentado cursos em instituição local por período igual ou superior a um ano; (ii) Parte essencial do projecto de investigação científica ou desenvolvimento tecnológico tenha tido lugar e sido concluído na RAEM, com resultados relevantes; e (iii) Caso se trate de projectos de investigação científica ou desenvolvimento tecnológico realizados em conjunto com académicos do exterior da RAEM, o candidato deve ser o agente principal do projecto em causa. (II) Os mestrandos ou doutorandos que estejam a frequentar as instituições locais de ensino superior ou os que obtenham o seu grau académico no período de um ano até à data da publicação do aviso do concurso para os prémios podem, sob recomendação da instituição de ensino superior a que pertencem, candidatar-se ao Prémio de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico para Pós-Graduados, desde que durante a frequência de cursos, tenham participado continuamente em actividades de investigação científica no âmbito das ciências da Natureza, tecnologia ou engenharia por período igual ou superior a um ano. (III) A atribuir pela RAEM a personalidades ou instituições locais que recebam o Prémio Nacional de Ciências da Natureza, o Prémio Nacional de Invenção Tecnológica ou o Prémio Nacional de Progresso Científico e Tecnológico. (4.) Forma da candidatura Os interessados deverão enviar o pedido pela via electrónica após o devido preenchimento conforme o definido nas instruções e ainda entregar o pedido, após imprimido, ao FDCT para efeitos de confirmação. (5.) Critérios de Avaliação Por Regulamento Administrativo n.º 6/2011, processa o Regulamento dos Prémios para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. (6.) Data do requerimento Entrega o pedido através da via electrónica do FDCT: De 10/Dez./2019 até 14/Fev./2020; Todos os documentos papeis do pedido devem ser entregar ao FDCT antes do dia de 21/Fev./2020. (7.) Consulta Endereço: Av. do Infante D. Henrique, Nº 43-53A, Edf. “The Macau Square” 11º K. Telefone: 28788777; Fax: 28722681 Correio electrónico: sedc@fdct.gov.mo As condições específicas de cada prémio podem ser consultadas no website do FDCT. (http://www. fdct.gov.mo/pt/macau_awards.html) O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 5 Dezembro 2019


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Turbo Jet Perdas de 70 milhões de dólares de Hong Kong

A empresa Turbo Jet, responsável pela operação de ferries entre Macau, Hong Kong e Shenzen, registou perdas de 70 milhões dólares de Hong Kong no primeiro semestre de 2019, o que representa um grande decréscimo face às receitas de 160 milhões dólares de Hong Kong registadas no mesmo período do ano passado. Segundo o Jornal do Cidadão, Hong Yu Han, directora e vice gerente-geral da empresa, apontou que as perdas se devem aos protestos de Hong Kong e à mudança de hábitos de viagem dos turistas. Hong Yu Han disse ainda que este semestre registaram-se 4,6 milhões passageiros, o que representa uma quebra de 32 por cento face a igual período de 2018. Apesar de assumir que a inauguração da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau afectou o fluxo de passageiros, a directora explicou que essa infra-estrutura traz uma competição positiva que beneficia os turistas e promove o turismo na região.

CASINOS CONDENADO A CINCO ANOS DE PRISÃO POR ROUBAR 9 MILHÕES

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M homem de 55 anos de idade foi ontem condenado em Hong Kong a uma pena de prisão de cinco anos pela prática de quatro crimes de furto, envolvendo mais de 9,14 milhões de dólares de Hong Kong. De acordo com a imprensa chinesa, a vítima do crime é uma empresa que emprestava dinheiro aos jogadores dos casinos de Macau, recebendo comissões por cada empréstimo. O arguido foi contratado em Fevereiro de 2018, com um salário de 18 mil dólares de Hong Kong, e tinha como funções realizar viagens entre Hong

Kong e Macau para fazer levantamentos de dinheiro das agências de câmbio relacionados com as dívidas dos clientes. Em Agosto, depois do arguido ter levantado mais de 9,14 milhões de dólares de Hong Kong, deixou de estar contactável, tendo sido detido pelas autoridades do território vizinho. A empresa já conseguiu recuperar 17 mil dólares de Hong Kong em dinheiro e jóias. O arguido afirmou que parte do dinheiro roubado já tinha sido utilizado para fazer cobertura a dívidas de jogadores, não sendo possível a sua devolução.

TIAGO ALCÂNTARA

terça-feira 10.12.2019

TRABALHADORES MIGRANTES ASSOCIAÇÕES QUEREM NOVA REUNIÃO COM DEPUTADOS

Do princípio outra vez

Três representantes de associações que defendem os direitos dos trabalhadores migrantes lamentam que a reunião com a terceira comissão permanente da Assembleia Legislativa tenha demorado menos tempo do que o previsto e esperam poder vir a ter um novo encontro. O dia de sexta-feira apenas serviu para discutir três reivindicações

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RIC Lestari, Jassy Santos e Benedicta Palcon reuniram com a terceira comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) na sexta-feira, mas lamentam que a reunião, pedida há oito meses, tenha durado menos tempo do que o previsto. Ao HM, Benedicta Palcon, presidente da Greens Philippines Migrant Workers Union, disse esperar que uma nova reunião venha a acontecer, uma vez que foram discutidos apenas três pontos da petição. “Não falámos de todas as nossas reivindicações porque a reunião foi de curta duração. Era suposto ser de uma hora e meia, mas tivemos apenas uma hora porque o tradutor teve de ir embora. Disseram que iam ter em consideração os nossos pedidos.” Vong Hin Fai, deputado que preside à comissão, explicou, de acordo com a TDM – Canal Macau, que “a nossa colega

que traduz do inglês tinha um trabalho marcado há meio ano e teve de sair da AL às 3:30”. Jassy Santos, presidente da Progressive Labour Union of Domestic Workers, disse, também à TDM – Canal Macau, lamentar esta situação. “É triste, porque tínhamos pedido para trazer a nossa tradutora, mas eles negaram.”

PROMESSAS E MAIS PROMESSAS

Benedicta Palcon adiantou ao HM que os deputados prometeram ouvir as suas reivindicações, que passam pelo não pagamento de cauções às

agências de emprego e pela obrigatoriedade de serem ouvidas sempre que seja legislada alguma matéria sobre trabalhadores migrantes. “Garantiram-nos que os trabalhadores migrantes seriam consultados e que poderiam ser feitas adaptações (na proposta de lei das agências de emprego). Uma vez que as empregadas domésticas não estão abrangidas pelo salário mínimo seria justo não termos de pagar nenhuma caução”, referiu Benedicta Palcon. O Governo quer assegurar que as agências de emprego

“Não falámos de todas as nossas reivindicações porque a reunião foi de curta duração. Era suposto ser de uma hora e meia, mas tivemos apenas uma hora porque o tradutor teve de ir embora. Disseram que iam ter em consideração os nossos pedidos.” BENEDICTA PALCON PRESIDENTE DA GREENS PHILIPPINES MIGRANT WORKERS UNION

não cobram mais do que 50 por cento do salário do trabalhador migrante, mas ainda assim as associações garantem que os trabalhadores ficam numa situação precária com estes pagamentos. “O estabelecimento do pagamento de uma caução à agência, que é 50 por cento do primeiro salário mensal, a pagar após os primeiros 60 dias de emprego, deixa-os numa situação de dívida. As agências podem colaborar com os empregadores para contratar e despedir trabalhadores a fim de obterem mais lucros.”  Nos primeiros 60 dias de trabalho com o novo empregador, um trabalhador “pode sofrer abusos” e ser “silenciado por parte das agências para que estas recebam a totalidade das cauções”. Sendo assim, o Governo deveria esclarecer, na proposta de lei, o conceito de “remuneração base”, acrescenta a petição.   Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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10.12.2019 terça-feira

Uma réplica das Ruínas de São Paulo foi um dos pontos de destaque do Pavilhão de Macau na Expo 98. Passados seis anos da exposição mundial, a estrutura foi transferida para o Parque Adão Barata, em Loures. Primeiro muito contestada, devido ao despropósito e elevados custos que acarreta, a réplica é hoje um ponto incontornável do parque da cidade

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UE M passeia pelo Parque Adão Barata, mais conhecido como Parque da Cidade de Loures, já se habitou à presença de uma enorme fachada, que simboliza um monumento que se encontra a milhares de quilómetros daquela cidade do distrito de Lisboa. Trata-se de uma réplica da fachada das Ruínas de São Paulo, um dos monumentos mais emblemáticos de Macau, que está montada neste parque de Loures desde 2004. Anos antes, tinha sido uma das atracções da Expo 98, que se realizou na zona do Parque das Nações, em Lisboa. Em declarações à Agência Lusa, o vice-presidente da Câmara Municipal de Loures, Paulo Piteira (CDU) explicou que a decisão de adquirir o Pavilhão de Macau e

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presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS), Fernanda Ilhéu, defende que o projecto da Nova Rota da Seda no continente africano é “uma iniciativa diferente” que pretende basear-se na cooperação. “Esta iniciativa é diferente, baseia-se numa colaboração bilateral ou multilateral que tem como objectivo desbloquear certas lacunas que impedem que esses países consigam estabelecer um desenvol-

PORTUGAL RÉPLICA DAS RUÍNAS DE SÃO PAULO TORNOU-SE EX-LIBRIS DE LOURES

Primeiro estranha-se para a manutenção e conservação fazem com que a sua presença não tenha sido sempre politicamente consensual. “A contestação que houve no passado teve muito que ver com aquilo que foi inicialmente apresentado, como sendo uma operação muito mais barata, mas, depois, foi subindo de custos”, aponta. Paulo Piteira estima que, no total, a autarquia tenha investido até ao dia de hoje mais de meio milhão de euros na estrutura, a maior fatia com intervenções de manutenção e conservação. “Esta estrutura foi concebida para durar seis meses, que era o tempo que se esperava que a exposição [Expo98] durasse. Além disso, é uma infra-estrutura que está sujeita à intempérie, pois está ao ar livre. Naturalmente que há sempre processos de degradação que se tendem a acentuar”, justifica.

CONQUISTAR CORAÇÕES

“Hoje faz parte da imagem que as pessoas têm da cidade e, em particular, aqui do parque, que é um sítio muito frequentado. Eu diria que é até uma peça que acaba por não destoar no seu conjunto.” PAULO PITEIRA VICE-PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES

vimento sustentado que os leve ao maior bem-estar”, disse Fernanda Ilhéu à Lusa. Fernanda Ilhéu, professora universitária no Instituto Superior de Economia e Gestão, considerou que a relação entre China e o continente africano é “uma relação que vem de há muitos anos” A professora defendeu que “há uma preocupação muito grande para que a ajuda seja feita sob a forma de cooperação”, sublinhando que “não é uma dádiva”.

a fachada nada teve a ver com algum tipo de ligação especial ao território. “Não há nenhuma relação particular entre o município de Loures e Macau, a não ser aquela que existe entre Portugal e o antigo território de Macau. O que acontece é que surgiu uma oportunidade que o antigo Executivo achou que seria comercialmente interessante”, justificou. O autarca refere que a ausência de uma ligação a Macau e os “elevados custos” que envolveram na ocasião a transferência da infra-estrutura para Loures e ainda exigem nos dias de hoje

Apesar dos “elevados” custos de manutenção, Paulo Piteira reconhece que a fachada já ganhou uma importância muito grande para a cidade e também o carinho dos habitantes de Loures. “Hoje faz parte da imagem que as pessoas têm da cidade e, em particular, aqui do parque, que é um sítio muito frequentado. Eu diria que é até uma peça que acaba por não destoar no seu conjunto”, atesta. E, apesar de o município de Loures não ter uma ligação especial com Macau, o autarca de Loures reconhece que a estrutura acaba por simbolizar a multiculturalidade existente no concelho. “Esta fachada representa o Colégio de São Paulo, que foi assumidamente a grande construção dos jesuítas no oriente. A primeira

grande universidade de modelo ocidental. Naturalmente, é algo que tem a ver com a nossa história e com aquilo que queremos para o nosso concelho. Portanto, é uma peça que se encaixa na visão e a vida deste concelho”, sublinha. Alguns visitantes do parque corroboram a ideia de que a fachada do pavilhão já faz parte do património da cidade e que a “embelezam ainda mais”. “Sei que esta fachada pertencia ao Pavilhão de Macau que esteve na Expo e que depois foi adquirida pela autarquia. Acho que foi uma boa aquisição porque tornou o parque ainda mais bonito”, disse à Lusa Maria José, moradora há 50 anos na cidade de Loures. Também Amadeu conhece a origem desta fachada e reconhece a importância que a réplica foi ganhando ao longo dos anos. “Já é um símbolo de Loures e do Parque da Cidade. Sim, agrada-me”, respondeu, sem hesitar. Já Cristino Miguel considera que a fachada “embeleza o parque” e que devido à sua importância histórica deve ser preservada. “Acho que é uma coisa histórica e é preciso lembrar os nossos antepassados”, defendeu. Contudo, e ainda que essa seja a vontade das centenas de pessoas que frequentam diariamente o Parque Adão Barata, a manutenção deste ex-libris estará sempre ameaçada, segundo alerta Paulo Piteira. “Tem esta característica que é efémera e não vai durar para sempre. Infelizmente, creio que no futuro não será muito fácil continuarmos a fazer este trabalho de conservação e manutenção”, alertou.

Uma mãozinha amigável

Nova Rota da Seda é “iniciativa diferente” baseada “em colaborações”

A iniciativa, referiu Fernanda Ilhéu, “está aberta a quem colaborar com a China nesse sentido”, sendo para isso necessário que “os países envolvidos tenham uma grande relação com a China”. A professora universitária referiu que a Nova Rota da Seda “não é um Plano Marshall”. “Os países deverão, eles próprios, ter a

iniciativa de propor à China os projectos que consideram ser fundamentais”, acrescentando que tem de haver uma avaliação para que estes projectos “depois não se venham a mostrar ruinosos”.

TODOS JUNTOS

Fernanda Ilhéu defende que o interesse da China em investir nestes países passa

pelo “novo modelo de globalização” e pelo “crescimento da economia global”. “Ou crescemos todos, ou dificilmente a China também crescerá. Precisamos do crescimento dos países menos desenvolvidos para nos equilibrarmos todos”. Para a presidente da ANRS, os projectos de desenvolvimento conjunto são

uma forma de ultrapassar o desemprego no continente africano. Fernanda Ilhéu falou à Lusa dias antes da apresentação do livro “The New Silk Road and the Portuguese Speaking Countries in the New World Context”, que redigiu em pareceria com Francisco Leandro, professor da Universidade de São José e Paulo Duarte, professor do Departamento em Relações Internacionais e Administração Pública da Universidade do Minho.


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terça-feira 10.12.2019

Só boas intenções

Homem detido por danificar Convento da Ilha Verde

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M residente, de apelido Wu, 57, foi detido por alegadamente ter causado danos ao Convento da Ilha Verde, devido a obras de renovação levadas a cabo desde 2004. De acordo com o porta-voz da Polícia Judiciária, o Instituto Cultural recebeu uma denúncia do actual proprietário da Colina da Ilha Verde para a existência de um homem a roubar electricidade, destruir o espaço e a ocupar ilegalmente o convento. A queixa motivou uma investigação e a PJ descobriu um total de 26 alterações nas portas, janelas, paredes exteriores, entre outros lugares da capela, do convento e da casa de retiro na colina da Ilha Verde. Contudo, não se provou haver energia roubada. Face aos resultados da operação, o operário da construção civil que estava no Convento da Ilha Verde foi preso, mas negou a prática do roubo de energia e ocupação ilegal. Wu alegou mesmo que tinha sido autorizado pelo antigo proprietário do espaço a ficar no convento para tratar da gestão do imóvel.

A PENSAR NO ARRENDAMENTO

defendeu que desde 2004 tinha sido autorizado a fazer reparações e que tinha feito alterações ao estilo do interior, uma vez que o objectivo passava por arrendar o mesmo. Wu confessou igualmente que os trabalhos foram feitos “apesar de saber que o local está protegido pelo Instituto Cultural”. No entanto, afirmou desconhecer a necessidade de pedir autorização ao IC para fazer as obras de renovação. Ainda de acordo com as conclusões da investigação da PJ, após a transferência de proprietário do convento, em 2007, o novo dono pediu a Wu que abandonasse o espaço. Este pedido acabou por entrar nos tribunais, onde o processo ainda decorre. As alterações ao património não afectam a estrutura do edifício, mas o detido foi presente ao Ministério Público e está indiciado da prática do crime de dano qualificado, o que lhe pode valer uma pena de prisão que na penalização mais pesada chega aos 5 anos. J.N.C.

Sobre os danos e alterações ao edifício, o homem

Milhas por milhões

A tradicional Marcha de Caridade para Um Milhão, que se realizou no domingo, contou com a presença de mais de 45 mil pessoas. O evento em que normalmente participam algumas das figuras de topo da política local conseguiu angariar 19 milhões de patacas

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Autocarros Serviço de ligação ao aeroporto internacional de Hong Kong custa 185 patacas O serviço de autocarros que faz a ligação entre a fronteira de Macau da Ponte HKZM e o Aeroporto Internacional de Macau vai entrar em funcionamento na próxima segunda-feira com um preço de 185 patacas para adultos, e 120 patacas para crianças e idosos. O preço praticado é superior ao ferry directo, quando se tem em consideração o montante devolvido dos impostos, após o check-in já no aeroporto. A ligação de autocarro vai disponibilizar 38 viagens por dia entre segunda e sexta-feira e 44 viagens ao fim-de-semana e

CARIDADE MAIS DE 45 MIL PESSOAS MARCHARAM NO PASSADO DOMINGO

feriados. Para poderem comprar um bilhete para os autocarros, os passageiros precisam de uma passagem aérea válida nas 24 horas anteriores à viagem. Em relação à bagagem, as pessoas precisam de carregá-las durante a viagem, mesmo quando tiverem de passar a fronteira e voltar a entrar no mesmo autocarro. Para viajantes das operadoras Cathay Pacific Airways, Cathay Dragon Airlines, Hong Kong Airlines e a Hong Kong Express o Jornal Ou Mun garante que haverá serviço de bagagem.

3 6 ª edição da Marcha da Caridade para Um Milhão, organizada pelo Fundo de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun, realizou-se no passado domingo e contou participação de mais de 45 mil pessoas. Entre os participantes, destaque para o Chefe do Executivo, Chui Sai On, e o director do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Fu Ziying. Somadas todas as doações, a edição deste ano conseguiu angariar um total de 19 milhões de patacas. A marcha, com um percurso com cerca de quatro quilómetros, começou às dez de manhã, começou no Centro de Ciência de Macau e terminou na Barra, junto do Templo de A-Má. De acordo com jornal Exmmo, em comparação com as edições anteriores, a Marcha deste ano foi a maior, visto que não

só contou a participação das escolas e associações locais, mas também com instituições estatais chinesas na RAEM, entre as quais departamentos do Governo. Este ano, o evento contou ainda com a presença de alguns atletas famosos, como a nadadora Fu Yuanhui, que conta no seu palmarés medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e dois campeonatos do mundo e o antigo basquetebolista da NBA Yao Ming, que brilhou nos Houston Rockets e hoje em dia preside à Associação Chinesa de Basquetebol.

ACTIVIDADE SIGNIFICATIVA

Em declarações ao jornal Exmoo, Fu Ziying, director do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, apontou que a Marcha da Caridade para Um Milhão como um exemplo da implementação bem-sucedida do princípio “Um País, Dois

Sistemas” em Macau. Fu Ziying mostrou-se esperançado que os residentes de Macau continuem com o tradicional evento demonstrativo da bondade local. Segundo o portal Chinanews, Chui Sai On salientou que a Marcha da Caridade para Um Milhão é uma das actividades mais importantes em Macau e um movimento de caridade que permite dar um exemplo aos mais jovens

Este ano, o evento contou com a presença de alguns atletas famosos, como a nadadora Fu Yuanhui e o antigo basquetebolista da NBA Yao Ming

em termos de espírito de sacrifício e empatia. Citado pela mesma fonte, o Chefe do Executivo disse que o Governo vai continuar a apoiar Fundo de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun na realização de actividades educativas. A irmã do futuro Chefe do Executivo e antiga deputada, Ho Teng Iat preside ao Fundo de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun, que organiza a Marcha. Em declarações ao jornal Ou Mun, claro está, declarou que a Marcha da Caridade por Um Milhão não só traz energia positiva à sociedade, como tem a capacidade para ultrapassar barreiras entre gerações, raças e religiões. Citada pelo mesmo jornal, a presidente disse que tanto o número dos participantes como a montante da doação deste ano foram os mais elevados de sempre. In Nam Ng

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terça-feira 10.12.2019

Cerca de 1.800 artistas coloriram as ruas de Macau durante o Desfile Internacional, que decorreu no sábado. Pelo menos oito grupos de matriz portuguesa estiveram presentes no evento, que teve como tema a iniciativa “Uma Faixa, uma Rota”

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S ruas de Macau encheram-se sábado para o Desfile Internacional que contou com a participação de cerca de 1.800 artistas de vários cantos do mundo. O objectivo da parada foi celebrar o 20.º aniversário da transferência de soberania de Macau para a China. Música, dança, roupas e trajes alegóricos e típicos, de 80 grupos artísticos, cobriram as ruas estreitas e apertadas do centro de Macau, que

Olé, olé, olá... PARADA RUAS DE MACAU AQUECERAM COM O DESFILE INTERNACIONAL

46 membros da equipa que desfilou na Parada. De Angola, chegou o Grupo Tradicional Música e Bailado Angolano Jovens de Hungo, com mais de 15 artistas que “vieram mostrar como dançam os angolanos” e que “também é através da dança que se celebram os anos de vida, de uma pessoa, ou de uma cidade”, disse à Lusa, sorridente, António Sousa, enquanto tocava num djembe “para fazer os chineses abanar as ancas”. A Casa do Brasil em Macau, decidiu trazer uma mistura “de samba com dança africana”, com o tema Brasil e Angola, já que Macau “é a plataforma entre a China e os países de língua portuguesa”, explicou a presidente da associação, Jade Martins, à Lusa. “Este é um ano especial para Macau, então resolvemos caprichar nos fatos e na fantasia”, contou.

SOBREVIVER AO TEMPO

contou com a participação de pelo menos oito grupos de matriz portuguesa, um de Angola e dois brasileiros, disse à Lusa a organização. Ucrânia, Polónia, Itália, Bielorrússia, Quénia, Chile, Rússia, Chipre, Hungria, Nova Zelândia, Mianmar, Tailândia, grupos do Interior da China e de Hong Kong, assim como dezenas de associações locais de Macau, estiveram representados naquela que foi a nona edição do Desfile Internacional de Macau. “Uma experiência magnífica, diferente de tudo aquilo que temos em Portugal”, disse

Laura Guerreiro, uma das 27 artistas que compunha o grupo português Artfusion, em declarações à Lusa. As ruas apertadas, a calçada portuguesa e alguns pontos do caminho, como as Ruínas de São Paulo, o Largo do Senado, a Igreja de São Domingos e o Largo da Sé, fizeram-na “lembrar Portugal, mas com muito mais gente na rua”.

Aos jornalistas, a presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian, mostrou-se “bastante satisfeita por notar que este ano as ruas de Macau estavam com muito mais gente”.

CELEBRAR A FAIXA

O tema do desfile, este ano, para além de celebrar os 20 anos da transferência da ad-

Paulo Costa, residente há quarenta anos em Macau, desfilou com mais cerca de uma dúzia de pessoas para representar a “ortodoxia do folclore português.”

ministração da administração de Macau de Portugal para a China, foi a celebração da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, que pretende reforçar as ligações e dinamizar o comércio entre várias economias da Ásia, do Médio Oriente, da Europa e de África. Por essa razão, associados da Casa de Portugal em Macau ‘vestiram-se’ de azul e empunharam caravelas, a fazer lembrar a época dos descobrimentos, que teve um papel importante na interligação de vários povos e culturas diferentes, contou à Lusa Sérgio Feiteira, um dos

Menos festivo, Paulo Costa, residente há quarenta anos em Macau, desfilou com mais cerca de uma dúzia de pessoas para representar a “ortodoxia do folclore português”. “Mascaramo-nos de portugueses”, que “faz bastante falta em Macau, está à vista, não?”, questionou, apontando para as plateias que estavam repletas de pessoas, a esmagadora maioria chinesas. Após esta resposta, Paulo Costa, recusou qualquer tipo de melancolia e afirmou: “já sobrevivemos 20 anos, agora faltam 30 e depois disso vamos ver, vamos ver…”, numa alusão, primeiro aos 20 anos desde a passagem da administração do território para China, e depois aos 30 anos que faltam até 2049, ano em que terminam os 50 anos de transição. Lusa


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ERCA de 800.000 manifestantes pró-democracia marcharam domingo pelas ruas de Hong Kong, quando se assinalam seis meses desde o início dos protestos contra o regime de Pequim, referem os organizadores. “Tivemos 800.000 participantes”, disse à imprensa Eric Lai, da Frente Civil dos Direitos Humanos (CHRF, na sigla inglesa), organização não-governamental que se tem assumido como a principal organizadora dos protestos. Este é o valor mais elevado desde o início dos protestos, em Junho deste ano. A polícia de Hong Kong, cujas estimativas são por norma mais baixas, ainda não publicou qualquer número. A antiga colónia britânica enfrenta, desde Junho, a sua pior crise desde a transferência para Pequim, em 1997, com acções quase diárias em que os manifestantes exigem reformas democráticas e a investigação do comportamento da polícia.

HONG KONG CERCA DE 800.000 NA RUA PARA MARCAR SEIS MESES DE CONTESTAÇÃO

Marcha dos indignados

“Não importa como expressamos as nossas opiniões, se através de uma marcha pacífica, se através de eleições civilizadas. O Governo não ouvirá.” MANIFESTANTE

MAIS DE SEIS MIL DETENÇÕES EM MEIO ANO

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polícia de Hong Kong disse ontem que fez 6.022 detenções e disparou cerca de 16 mil granadas de gás lacrimogéneo durante os protestos que se prolongam há seis meses na região. Ontem, 12 pessoas foram também detidas por suspeita de estarem a preparar bombas incendiárias. O mesmo relatório indica que as forças da ordem dispararam 10 mil balas de borracha e que desde o início dos protestos 493 agentes ficaram feridos durante os confrontos com manifestantes.

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Governo chinês ordenou que todos os escritórios governamentais e instituições públicas removam computadores e ‘software’ estrangeiros, ao longo dos próximos três anos, depois da decisão de Washington de banir aquisição de equipamentos da Huawei. A directiva estipula que os compradores em diferentes sectores do Estado chinês ou que dependam de subsídios públicos passem a recorrer a fornecedores de tecnologia domésticos, num golpe para as norte-americanas HP, Dell ou Microsoft. A medida faz parte de uma campanha mais ampla para reduzir a dependência da China de fornecedores estrangeiros no sector

A manifestação ocorreu duas semanas depois do triunfo dos candidatos pró-democracia nas eleições locais de 24 de Novembro, contrariando as afirmações das autoridades que defendiam que a maioria silenciosa se iria opor aos manifestantes. Muitos dos manifestantes, trajados de negro, manifestaram a sua indignação contra a administração de Pequim e contra a líder do Executivo

de Hong Kong, Carrie Lam, que continua a recusar-se a cumprir as exigências reforçadas pela larga vitória dos movimentos pró-democracia. “Não importa como expressamos as nossas opiniões, se através de uma marcha pacífica, se através de eleições civilizadas. O Governo não ouvirá”, lamentou um manifestante de 50 anos citado pela France-Presse.

Xeque tecnológico Banidas compras públicas de computadores e ‘software’ estrangeiros

tecnológico, numa altura em que uma prolongada guerra comercial com os Estados Unidos tem alimentado preocupações de uma “dissociação” nas cadeias de fornecimento entre os dois países. Segundo o jornal Financial Times, a ordem terá vindo do Gabinete Central do Partido Comunista Chinês. No mês passado, o regulador de comunicações dos Estados Unidos excluiu o grupo chinês Huawei de um programa federal de subsídios, alegando que a empresa representa

uma ameaça à segurança nacional dos EUA. Washington, que acusa a Huawei de cooperar com o Governo chinês e os seus serviços de inteligência e de representar um risco para a segurança nacional dos EUA, tem ainda pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei na construção de infraestruturas para redes móveis de quinta geração (5G). As autoridades norte-americanas restringiram ainda os negócios com várias empresas chinesas que desenvolvem sistemas

“Ele [o Governo central] obedece apenas às ordens do Partido Comunista Chinês”, disse o manifestante, identificado como Wong. Jimmy Sham, funcionário da CHRF, considerou que “esta é a última oportunidade dada pelo povo à senhora Lam”.

GRUPO DETIDO

Algumas horas antes do início da manifestação, as autoridades de

de reconhecimento facial e outras tecnologias de inteligência artificial que acusam de estar associadas à repressão contra grupos minoritários muçulmanos na China.

MEGA OPERAÇÃO

Analistas da correctora estatal chinesa China Securities estimam que entre 20 a 30 milhões de peças serão trocadas como resultado da directiva chinesa, com a substituição em larga escala a arrancar no próximo ano. As substituições vão ocorrer a um ritmo de 30 por cento, no próximo ano, 50 por cento em 2021 e 20 por cento no ano seguinte. No entanto, analistas consideram difícil substituir o ‘software’ por

alternativas domésticas, já que a maioria dos fornecedores desenvolve produtos para sistemas operacionais norte-americanos, como o Windows da Microsoft e o macOS da Apple. Embora a Microsoft tenha produzido uma “Edição do Governo Chinês” do Windows 10, em 2017, através da sua ‘joint venture’ chinesa, a directriz emitida por Pequim estipula que os clientes do Governo devem mudar para sistemas operacionais inteiramente chineses. Os sistemas operacionais caseiros da China, como o Kylin OS, têm um ecossistema muito menor de programadores que produzem software compatível.

Hong Kong detiveram 11 pessoas e apreenderam várias armas, incluindo uma pistola. Esta é a primeira vez que uma arma de fogo é apreendida nos seis meses de protestos na cidade. Além da pistola semiautomática de nove milímetros, a polícia também apreendeu 105 balas, facas, sabres, cassetetes, gás pimenta e petardos. A polícia de Hong Kong detalhou que os detidos são oito homens e três mulheres, entre os 20 e os 63 anos, e que todos fazem parte de um grupo com ligações a um outro procurado pelo lançamento de ‘cocktails molotov’ contra a esquadra policial do distrito de Mong Kok, em 20 de Outubro. Na segunda-feira, assinalaram-se seis meses desde o primeiro protesto em Hong Kong contra o projecto de extradição para a China e outros países.

Exportações Queda de 1,1% em Novembro

As exportações chinesas caíram 1,1 por cento em Novembro em relação ao mesmo mês de 2018, refletindo o impacto da guerra comercial com os EUA, de acordo com dados publicados domingo pela Administração Geral das Alfândegas. Contudo, as importações da China cresceram pela primeira vez desde Abril passado (0,3 por cento), em relação ao ano anterior. O excedente do comércio externo chinês caiu para 38.730 milhões dólares em Novembro, contra os 42.911 milhões de dólares registados em Outubro.


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Coreia do Norte respondeu ontem ao Presidente norte-americano considerando-o um “velho desatento e errático”, depois de Donald Trump ter avisado que Kim Jong-un arrisca-se a “perder tudo” se adoptar uma postura de hostilidade em relação aos EUA. Em comunicado, Kim Yong Chol, um alto responsável norte-coreano e ex-negociador do dossier nuclear, indicou que a Coreia do Norte não cederia à pressão dos Estados Unidos, porque não tem nada a perder e acusou o governo de Trump de tentar ganhar tempo no prazo, até ao final do ano, estabelecido pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, para Washington salvar as negociações sobre o nuclear. “Kim Jong-un é muito inteligente e tem muito a perder, tudo na verdade, se agir de forma hostil. Assinou um forte acordo de desnuclearização comigo em Singapura. Não quer comprometer o seu relacionamento especial com o Presidente dos Estados Unidos ou interferir nas eleições presidenciais dos EUA em Novembro”, escreveu no domingo Donald Trump na sua conta da rede social Twitter. “A Coreia do Norte, sob a liderança de Kim Jong-un, tem um enorme potencial económico, mas deve desnuclearizar conforme prometido”, acrescentou Trump.

Comadres zangadas Pyongyang considera Donald Trump um "velho desatento e errático"

O alto responsável Kim Yong Chol disse que os ‘tweets’ de Trump mostram claramente que é um velho irritado “desprovido de paciência”. “Como (Trump) é um velho tão desatento e errático, pode chegar o momento em que não podemos deixar de chamá-lo ‘dotard’ [uma pessoa idosa] novamente”, salientou Kim Yong Chol. “Há muitas coisas que Trump não conhece (sobre a Coreia do Norte). Não temos mais nada a per-

der. Embora, os EUA possam tirar algo mais de nós, nunca podem tirar o forte senso de respeito próprio, poder e ressentimento contra os EUA de nós”, acrescentou. As declarações de Trump surgiram depois de a Coreia do Norte ter confirmado a realização de um “teste muito importante” na tarde de sábado, no Campo de Lançamento do Satélite Sohae. Os resultados dos testes terão “um efeito importante na mudança da posição estratégica (...), mais

uma vez num futuro próximo”, sublinhou a Agência Central de Notícias da Coreia.

PRESSÕES E PROVOCAÇÕES

O teste ocorreu numa altura em que a Coreia do Norte tem aumentado a pressão sobre os EUA para fazer concessões no âmbito das negociações nucleares que não têm conhecido qualquer desenvolvimento após a cimeira falhada entre o líder norte-coreano e o Presidente dos Estados Unidos, em Hanói.

A ONU proibiu a Coreia do Norte de lançar satélites porque tal é considerado um teste da tecnologia de mísseis de longo alcance. Nas Nações Unidas, numa declaração divulgada pelo embaixador da Coreia do Norte na ONU, sublinhou-se que a desnuclearização “já havia saído da mesa de negociações”, sendo que foi dado um prazo até ao final do ano, estabelecido pelo líder Kim Jong-un, para concessões substanciais dos EUA ao nível da diplomacia nuclear. O Presidente dos EUA foi acusado de perseguir persistentemente uma “política hostil” pelo embaixador norte-coreano, que frisou ainda que as declarações de Washington são motivadas apenas pela “sua agenda política doméstica”. A declaração de Kim Song foi uma resposta à condenação de seis países europeus, na quarta-feira, dos 13 lançamentos de mísseis balísticos da Coreia do Norte realizados desde Maio. O representante norte-coreano na ONU acusou os europeus França, Alemanha, Grã-Bretanha, Bélgica, Polónia e Estónia - de desempenharem “o papel de cão de estimação dos Estados Unidos nos últimos meses”, considerando a posição destas nações como “mais uma provocação séria”.

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Direcção dos Serviços de Finanças

Aviso

Torna-se público, para efeito do disposto no número 3) do artigo 85.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, que fica sem efeito o Aviso, publicado no passado dia 29 de Novembro de 2019 e referente a Leong Wun Chao, auditora de contas registada sob o número 275, pelo facto de a mesma ter solicitado a aclaração do acórdão proferido pelo Tribunal de Última Instância no âmbito do processo n.º 35/2017. Aos 6 de Dezembro de 2019 O Presidente da CRAC Iong Kong Leong

NOTIFICAÇÃO N.° 798/AI/2019 -----Atendendo a que não é possível proceder à respectiva notificação pessoal, pela presente notifiquese CHEN YIER e CHEN PINGPING, proprietárias da fracção autónoma situada na Rua de Roma n.° 96, Tong Nam A Fa Un (Tong Nam A Seong Ip Chong Sam) 14.° andar AI, que no dia 16.12.2019 caducaram as medidas provisórias que foram aplicadas à referida fracção na sequência do Auto de Notícia da DST n.º 165/DI-AI/2019,de 17.06.2019.--------------------------------------------------------------------------------Paramaisinformações,ooranotificadopodecomparecernashorasnormaisdeexpediente,noDepartamento deLicenciamentoeInspecçãodestaDirecçãodeServiços,sitonaAlamedaDr.CarlosD’Assumpçãon.os335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.º andar.----------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 21 de Novembro 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

PRECISA-SE Colaborador/a com interesse pelas notícias de Macau e que domine as línguas portuguesa e cantonesa.

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terça-feira 10.12.2019

GP INTERNACIONAL DE KARTING FINLANDÊS VOADOR VENCE EM COLOANE

Os suspeitos do costume

Doping Rússia excluída de JO e Mundiais por quatro anos

A Rússia foi ontem excluída dos Jogos Olímpicos durante quatro anos, devido a questões de doping levadas a cabo com o apoio estatal tornadas públicas há cerca de seis anos, anunciou a Agência Mundial Antidopagem (AMA). De acordo com um porta-voz da AMA, “a decisão foi tomada por unanimidade”, determina a exclusão da Rússia dos Jogos Olímpicos de Verão Tóquio2020, de Inverno Pequim2022 e de todos os campeonatos do Mundo, e prevê a possibilidade de os atletas competirem sob bandeira neutra. A decisão, tomada pelo comité da AMA que avalia o cumprimento dos regulamentos, é passível de recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).

Liga Nos FC Porto empata com Belenenses SAD

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tradição ainda é o que era. A Tony Kart voltou a ser mais forte que a concorrência na edição de 2019 do Grande Prémio Internacional de Karting de Macau que se realizou no pretérito fim-de-semana no Kartódromo de Coloane. A estrutura fundada em 1958 por Antonio “Tony” Bosio colocou os seus quatro pilotos de fábrica nas quatro primeiras posições da Taça Macau KZ, a corrida “cabeça de cartaz” do fim-de-semana, com Simo Puhakka a sagrar-se o vencedor. Mesmo sem contar com Marco Ardigò este ano, visto que o carismático especialista transalpino se retirou das lides, o domínio

da Tony Kart ao longo da prova raramente foi beliscado. Puhakka, que o ano passado fez a melhor volta da corrida, foi este ano o mais forte, tendo o finlandês de 31 anos levado a melhor sobre os italianos Matteo Viganó e Alessio Piccini que completaram o pódio. O sueco Noah Milell foi o quarto classificado, enquanto o australiano Aaron Cameron,

fechou o “Top-5”, sendo o primeiro a não utilizar chassis da Tony Kart, mas sim um JC Kart construído no seu país. Macau esteve representado na prova por Charles Leong Hon Chio. O jovem piloto que há três semanas competiu no Grande Prémio de Macau de Fórmula 3, abriu uma excepção e queria fazer melhor que o sétimo lugar obtido em

A estrutura fundada em 1958 por Antonio “Tony” Bosio colocou os seus quatro pilotos de fábrica nas quatro primeiras posições da Taça Macau KZ, a corrida “cabeça de cartaz” do fim-desemana, com Simo Puhakka a sagrar-se o vencedor

2018, no entanto, tal não foi possível. “Não correu como eu esperava. O resultado não foi bom o suficiente, não me adaptei bem à condução do kart”, afirmou Leong ao HM, ele que terminou no décimo posto.

OUTRAS MARCAS

Com corridas para todos os gostos, foram vários os pilotos que tiveram motivos para celebrar no evento co-organizado pela Associação Geral-Automóvel Macau-China (AAMC), Instituto do Desporto (ID) e Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Na Corrida CKC Macau, classe CKC X30 Cadetes para convidados, onde se destacou a ausência do piloto português inscrito, Pedro

Rilhado, venceu Rashid Al Dhaheri dos Emirados Árabes Unidos. Justin Lai, que defendeu as cores de Macau, abandonou na final. Atemporada de 2019 do Campeonato Open Asiático de Karting (AKOC, na sigla inglesa) também chegou também ao fim entre nós, com mais de uma centena de pilotos a marcarem presença. No que respeita aos pilotos do território, Gonçalo Ferreira foi 25º classificado na Fórmula 125 Jr Open/X30 JR, ao passo que Hermes Lai e Lam Kam San foram primeiro e segundo, respectivamente, na final da Fórmula 125/Rotax Veteranos. Sérgio Fonseca

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O FC Porto empatou domingo 1-1 na visita ao Belenenses SAD, em jogo da 13.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, aumentando para quatro pontos o atraso para o líder Benfica. O médio André Santos inaugurou o marcador aos 14 minutos para os anfitriões, mas o defesa brasileiro Alex Telles igualou aos 32, de grande penalidade, minimizando os danos para os ‘dragões’, que empataram dois dos últimos três jogos disputados fora de casa na prova. O FC Porto manteve-se no segundo lugar, agora com 32 pontos, mas ficou mais longe do Benfica, campeão nacional e líder isolado do campeonato, com 36, enquanto o Belenenses permaneceu na 12.ª posição, com 15.

Sporting Vitória sobre Moreirense e o terceiro lugar mais perto

O Sporting impôs-se domingo por 1-0 na receção ao Moreirense, em jogo da 13.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, e ficou a apenas um ponto do terceiro lugar, ocupado pelo Famalicão. O avançado brasileiro Luiz Phellype marcou o único golo do encontro, aos 70 minutos, cinco após ter substituído o espanhol Jesé, o que permitiu à equipa lisboeta voltar a vencer no campeonato, depois da derrota sofrida na ronda anterior, no estádio do Gil Vicente (3-1). O Sporting consolidou o quarto lugar na I Liga, com 23 pontos, menos um do que o Famalicão, que sofreu no sábado a primeira derrota em casa na prova, por 3-2, imposta pelo Tondela, enquanto o Moreirense ocupa a 12.ª posição, com 14.


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vai até onde ninguém te possa falar

Wu Bin, o monge pintor atento ao inexplicável

Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

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ESSHU Toyo (1420-1506), o monge pintor Japonês que veio à China numa peregrinação cultural tinha dois objectivos principais: comprar artefactos artísticos, em particular pinturas, para ricos mecenas e estudar o Budismo Chan, que o Japão designa Zen, em templos chineses. Era uma escolha curiosa a daquele membro rebelde da família Oda que em 1431 recebeu o nome de Toyo, quando entra no mosteiro Hofuku-Ji e que do seu caminho de noviço no Zen ficaria a lenda de um rapaz desobediente que teve que ser amarrado a um pilar do templo por preferir o desenho ao estudo. Um monge que se aproximou, dizem, terá visto junto dele um rato que o jovem desenhara com as próprias lágrimas. O seu percurso de aprendizagem prosseguiria no templo Unkoku em Yamaguchi e a partir daí escolheria para si mesmo o nome Sesshu, cujos caracteres significam «barco de gelo». Quando se desloca à China em 1468-9 ele irá confirmar a afinidade entre o Budismo Chan e a pintura, aperfeiçoada durante a dinastia Song; as duas colocando uma enfâse especial na contemplação da realidade imediata, banal e concreta por vezes imprevista, a que se apresenta diante dos olhos ou da imaginação. Uma comunhão que explica a existência de tantos pintores monges do Chan. Foi caso de um homem que a si mesmo se designou Zhiyin Toutuo, o «Monge mendigo do templo oculto por ramos de árvores». Wu Bin, cujas datas de nascimento e morte são significativamente incertas, era de

Putian (Fujian) mas viveu maioritariamente em Nanquim onde é associado ao mecenas Mi Wanzong (1570-1628). Numa das suas primeiras pinturas, um rolo horizontal de tinta preta e cor sobre papel (32,1 X 415,4 cm), que está no Metropolitan Museum em Nova Iorque, mostra «Dezasseis Luohans» numa estranha procissão, dominada pela cor verde-azulada. Os luohans, os primeiros discípulos do Buda Sakyamuni que ficaram no mundo para ajudar os seus seguidores, são aqui figurados com um humor cúmplice, por vezes grotesco, respondendo ao entendimento popular de que nessas pessoas excêntricas, como os monges mendicantes ou os esconjuradores de demónios, se escondia uma insuspeita natureza interior espiritual. Tudo possui uma atmosfera irreal que predispõe à ocorrência do milagre. Que ocorre no final do rolo quando um destes seres misteriosos é mostrado sentado, meditando já há tanto tempo que uma árvore foi crescendo à sua volta. Numa outra pintura em rolo vertical, «Pavilhão de pinho entre altas montanhas» (308 x 99,1 cm) a cor e tinta sobre papel, que está no Asian Art Museum em São Francisco, é a própria natureza que se desenvolveu numa tão estranha forma que dir-se-ia um organismo vivo desafiando a lei da gravidade. Essa predisposição de Wei Bin para registar o inescrutável fundamentava-se afinal num mesmo conceito, essencial para a pintura e para o Chan; a receptividade.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 19

terça-feira 10.12.2019

Cartografias Anabela Canas

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Intervalos de paisagem ANABELA CANAS

E novo esta cartografia que se filtra como uma re- de invisível na articulação das palavras. E das sombras. Camadas de realidade. Como velaturas, no crescendo da complexidade, em que coincidem em sobreposição virtual, pequenos corpos de sentido, formas humildes e individualizadas de um todo. Mas não caídas. Folhas. Adoro estes caminhos de sombras. Recortadas em manchas, já nada dizem do que lhes deu origem. Esta filigrana bidimensional que só o é por ilusão do que vemos. Sem intenção, o resultado de uma cadeia de níveis face à luz, das folhas que habitam as árvores, entretendo-se sem sair do seu lugar, com um teatro a dominar o caminho. Fios invisíveis e verticais a cair paralelos, dos raios solares. Teatro de sombras. Bem observado, nele se encontra tudo. Histórias de encantar e filmes de terror. Os desenhos recombinados tudo permitem. Ao olhar. E, bem junto aos pés, camadas de sombras sobre a própria sombra de quem caminha. Pela ordem lógica das coisas, do espaço e das prioridades da luz. Afirmações. Cada árvore, pontuada na verticalidade, sem temor à luz, Outra de incrível intensidade, esta. Um meio-dia sobre as árvores e chovem todas as folhas a brincar com o chão sem se dignarem mexer um cabelo sequer. Em camadas, empilhadas como folhas de livro acabado. Provisórias, contudo. As sombras mutantes. Mapa curioso de linhas novas sem revelar que segredos e sobreposições por debaixo do foco solar, ocultaram formas unindo-as a outras. Cada exclamação natural a exclamar sombras como palavras virtuais. Uma outra realidade. Recuando ao estúdio. Coloco uma folha branca no ecrã luminoso. Quem diria que 13 kilobytes é o tamanho de uma página vazia. O que pesa no espaço etéreo ocupado. Como 21 gramas, o peso de uma alma que se foi. Nem é muito, pensando em tanto que leva. Mas da página, atendendo a que mil palavras depois, não foi proporcional o aumento de peso, penso que é como se dela resultasse, em vazio prévio, o peso intenso de todas as possibilidades que nos abalroam a alma quando olha. Do que ali não está mas é subliminar. O medo

de todas as frases devastadoras que se podem vir a instalar ali. De todos os segredos que, sem querer, podem fugir por entre a cartografia de linhas das mãos e vir a ocupar espaço entrelinhas. Das que se recusam a ser usadas. Aquilo que de nós pesa em tudo o que está, com aquilo que não está, nem mesmo visível, ou perceptível. Ou tudo o que se elabora no nada, imaculado e por dizer, da página. Como uma camada mais sobre as camadas de impossibilidade e pesar. No cadinho de invisíveis, que já parecem pesar tanto. Quanto pesará em gramas ou kilobytes a sombra de uma folha de árvore? E, na verdade, quanto pesa uma palavra não dita. Ou não pensada. Qual a diferença de peso-massa entre ambas? Na sombra das árvores, um mapa. Desenhado pela íntima colaboração

de todas as palavras ditas, em cada folha de cada uma. A mestria da luz a orquestrar a complexa sinfonia, de desenhos tremeluzentes, com a orgânica mudança de contornos que a aragem agita. E que a luz não pára de reescrever. Amena estabilidade - ilusória - do caminho. Essa pantalha luminosa em que os pés progridem sem ferir. Não se fere a luz e não se magoam as sombras por debaixo dos pés. Não nos magoam acima. Quando M. Foucault, no encadeado das suas “similitudes” referia essa tentação enorme de o mundo se dobrar sobre si próprio, duplicando-se ou reflectindo-se, “a terra repetindo o céu”, poderia estar a caminhar sobre estas sombras e a levantar os olhos para o que as representou no traçado do caminho.

As palavras e os seus silêncios que não são mais que os intervalos de paisagem. Não são mais e contudo são, neles, tudo. O não dito que se insinua, às vezes discreto, suave e claro. A luz branca dos silêncios. Que têm palavras pelo meio. A habitar. Melódicas, suficientes e inacabadas

A afastar os olhos encandeados do fogo vectorial da luz, para os projectar no fogo implícito interior à terra. E pelo meio estas camadas de sombras entre as quais um registo de superfície acontece, mas entre camadas de irrealidade. As palavras e os seus silêncios que não são mais que os intervalos de paisagem. Não são mais e contudo são, neles, tudo. O não dito que se insinua, às vezes discreto, suave e claro. A luz branca dos silêncios. Que têm palavras pelo meio. A habitar. Melódicas, suficientes e inacabadas. Assim, ainda lembrando as similitudes que nos permitem rever no mais ínfimo da escala do visível ou do perceptível um reflexo do que é enorme, reflito neste espaço impreciso e intocável, que se dimensiona entre as camadas de sombras que se sobrepõem nesta teia leve em cinzentos abaixo de mim e acima de mim e como isso me torna intangível camada, também, entre outras. A meio caminho entre uma visão macro, ou uma visão micro. Na insignificância que em qualquer delas me define, sobra o descanso de tudo ser relativo e elástico como o olhar psíquico que sobre tudo se pode estender ou puxar para nós. E, com disse F. “Por imensa que seja a distância do microcosmo ao macrocosmo, ela não é infinita.“. Encerra os limites impossíveis num olhar de devaneio. Caminho então no meio de sombras. A camada do meio. É bonito. O recorte. Essa impressão, como uma existência. Entre as que me assentam e as que assento. Entre o céu, longínquo e etéreo e a mais funda pulsação da terra, este, o caminho do meio, de dentro. O do meio das árvores, que não vão a lado nenhum mas nós nele. E nele, como dançam, estáticas, sóbrias e sólidas. Do indizível se faz uma cartografia de questões e esperas. As árvores exclamações, mas as sombras, entrelinhas. Camadas entre silêncios. E silêncios entre paisagens. Como intervalos de respiração em que cabe o universo.


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Amélia Vieira

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10.12.2019 terça-feira

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Canto de salvação

OLTAR solto ao novo Natal do Sol que não vem pernoitar por cima dos altares de uma velada, das suas ceias, que nessa noite muito longa feita de milhares de anos se busca salvação nas lendas de antanho e suas teias. Uma noite muito fria não suporta mais as mil maravilhas em ciclo continuado que é o ciclo sublimado do pecado. Que o Sol nado – encanto da estirpe – nos recobre no recanto deste Universo e não deseja ser cantado no seu carrocel de sombras – Revolução Maior – o Livro de Horas dos sinais dourados. Não tenho Natal, jamais me nasceu algum Messias, todos os que nasceram não me salvaram e tenho aprendido a arte da vida sem alardo onde nunca um Messias é projectado. Seres há que não têm salvação, e nem a luz os cobre nem lhes interessa o perdão. Que as penas, levamo-las no peito transfigurado, que para elas se acendem as estrelas quando todos já estão deitados.

Somos servidos na dança (quebram sempre frágeis membros) mas na gruta da festa há sempre a lembrança de que a vida cresce para ser Criança que é tudo o que temos. Que se há de bastar para além das sombras e rasgar o peso das marés altas de suas ondas, que nascerá de novo até ser de si uma outra vez o salvador de um povo. Que vai à lenha buscar o lenhador para fazer de cada dia seu único salvador... seremos assim salvos não porque o queiramos, mas pelos acasos de muitos anos.

Já não repartimos nem vamos juntos no vasto mundo, que a Terra gira, dança para nós, e subindo os braços é que estamos presos ao melhor dos dons. Cruxificam sois para os entender, matam a luz porque a noite é longa, e mesmo assim há uma centelha nos rostos mais bonitos que vêem o Sol nos seus sentidos. E ficam eternos de braços no ar, sem ter que o saber ou tornar a baixar, e vem o Verão e arde tudo, são as lamparinas dos reflexos do mundo, cruzam os mares carregados de suor – chovem-nos em cima – tiram-nos a paz, mas que são

Não tenho Natal, jamais me nasceu algum Messias, todos os que nasceram não me salvaram e tenho aprendido a arte da vida sem alardo onde nunca um Messias é projectado. Seres há que não têm salvação, e nem a luz os cobre nem lhes interessa o perdão

ainda a salvação para o que não fomos capaz. Falarás somente do tempo que te reveste, e sairás vestido em todas as Eras sem essa nudez sagrada que cegou as feras. Veste a alma e coloca-lhe flores, que elas, morrem depressa, e os bichos são lentos a compor as dores, fios que vão abalar os frios e fazer da pele um tecido mais por aquelas margens onde passa um rio. E o Sol virá ainda assim com hora marcada, sem peso, sem dobra, trazendo as sandálias de um astro que chora. Gosto de o ver! É um longo começo, ele é natural em seu adereço: vivendo nas sombras estamos muito sós, nem salvos, nem ungidos; ele faz a progressão, labuta na fornalha, e face ao que governa não tem qualquer sentido. Transforma-se, é Estrela, vive cintilando... De Natais indistintos estão mortos os ouvidos e nada nos diz que escutamos o brilho, são Magos reais os reis que o veneram, vêm dos desertos da claridade, e nascituros somos nesse instante face à eternidade. Magoaram o Sol em seu transformar, é apenas um Sol, longe de outros a tentar, que nós temos frio mesmo nas descidas e nos lares que se preparam para o festejar. A sonda dos tempos permanece igual, eles volteiam - as estrelas, os astros - vamos atrás deles vendo-os passar. Deus vem assim como o viajante, sentimos-lhe o mistério no sangue, e nasce p´ra morrer e para esquecer, e voltar talvez num outro amanhecer. Findo, transformado, morre a causa de tudo ter iniciado, pois dele nada se salvou, apenas uma incerteza do lado em que esteve na Criação, que não criou. É porque temos de passar este Norte, esta voz continuada, que a salvação é a vertente mais sagrada. Mas salvarmo-nos de quê? Estamos encurralados, não há quem nos ajude no que construímos, não há salvação para quem nasce: hás tu, que não foste em vão! Mesmo que o Sol imploda e a Terra arda, a nossa febre continua por outros sois, sempre, e ainda, à espera da tua chegada. Que já se foi a salvação, mas há essa noção, esse legado maior, essa terra prometida, esse leite, essa subida, que a saudade não cobre e de vida padece: há os zimbros e os ossos espalhados, há o pó que retorna a um outro universo mais amado onde não sabemos como fomos buscar estas palavras. Ninguém aqui veio, não há aqui chegada, fomos rodando na estação dos Natais, e somos um ponto entre o seu levante e a sua entrada, se viesse alguém, se viesses um dia, nem a Primavera te cobriria de flores, que os mortos não as vêem, nem precisam delas. Ninguém se salvou, a ideia é sê-la.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 21

terça-feira 10.12.2019

Contos para normais Paulo José Miranda

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ALDISNEY, cujo nome se deve a Walt Disney, mas cuja pronuncia do W se leu V, tem 28 anos e traz todos os dias a sua vida atrelada a uma carroça até ao mercado, por mais de dez quilómetros, carregada de frutas e legumes. Não há dinheiro para comprar um animal que faça o lugar dele. Quando leva para casa 50 reais de vendas é uma alegria, para ele e para a mulher, que fica a cuidar do Sítio e dos filhos, quatro, entre os nove anos – o mais velho – até aos 4 anos. Não chegou sequer a terminar o ensino fundamental, começou a trabalhar na roça com 13 anos. Conheceu a sua mulher, Thalita, aos 16, quando ela tinha ainda 14, e um ano depois casaram-se. Frequentam uma pequena igreja evangélica. Tirando os ensinamentos para o cultivo, na bíblia está tudo o que se precisa de saber. O seu sonho era que os filhos estudassem, desde que não se afastem dos ensinamentos da bíblia. Gostava de conseguir dinheiro para pô-los a estu-

Valdisney dar numa das muitas escolas particulares que há no Paraná, onde se ensina o criacionismo. Estava convicto de que por muito que se saiba, se não seguirmos a palavra de Deus nada se sabe. Todo o conhecimento é vão se não servir a Deus. Tinham um televisor, evidentemente só com os canais abertos, e mesmo assim não se via a maioria dos programas por serem considerados uma ofensa à palavra de Deus. Deitavam-se cedo. Raramente se via luz artificial no casebre da família. Deitavam-se e acordavam com a luz do sol, ou quase. O frio do Inverno convidava

a isso mesmo, mas durante o Verão ficavam no alpendre da casa a olhar as estrelas, a complexidade, o mistério de Deus, que tinha criado o escuro da noite e o pintalgado de pequenas luzinhas, para nos maravilhar, pensado naqueles que vivem sozinhos, arrastando um fardo maior do que uma carroça cheia de frutas e legumes. Valdisney não bebia álcool, pelo que não frequentava o único barzinho do Lucas, único das redondezas. O seu tempo era para o trabalho, para a família e para Deus. Vivia no interior do estado do Paraná como se noutro século. Mas o

Um dia, ouviu alguém comentar que a tecnologia está a evoluir de tal maneira, a cada dia, que já nasceu a pessoa que não irá morrer. Riu-se e pensou para consigo, se Deus quisesse que não morrêssemos não havia morte. Os disparates que as pessoas inventam!

que é um século ou dez para Deus? Para o homem dez anos é muito tempo, para Deus é menos que um sopro. Valdisney era aquilo a que se chama um homem bom, um homem responsável por si e pela família, e não queria pactuar com um mundo sem Deus. Tudo o que fazia era por convicção, excepto carregar a carroça, que era por falta de dinheiro para comprar um animal que o fizesse por ele. Mas não se queixava desse infortúnio. Queixava-se da falta de Deus na vida das pessoas, quando testemunhava no mercado com alguns comportamentos. Um dia, ouviu alguém comentar que a tecnologia está a evoluir de tal maneira, a cada dia, que já nasceu a pessoa que não irá morrer. Riu-se e pensou para consigo, se Deus quisesse que não morrêssemos não havia morte. Os disparates que as pessoas inventam! Os disparates em que as pessoas acreditam! Parece até que Deus não pôs juízo em todos os homens... Riu-se e lá voltou para casa, puxando a carroça, com as frutas e os legumes que não conseguiu vender.


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POUCO

10.12.2019 terça-feira

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Sexta-feira UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

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FOGO MORTAL 19

Cerca de vinte pessoas poderão ter morrido na erupção de um vulcão ontem numa ilha na Nova Zelândia, pois não há esperança de serem encontrados sobreviventes no local, declarou ontem a polícia neozelandesa. Cerca de 50 pessoas visitavam a White Island, no norte da Nova Zelândia, quando o vulcão entrou em erupção repentinamente no início da tarde e começou a projectar pedras e cinzas para o ar, disse a polícia.

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 19

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DEZMILGERAÇÕES

INAUGURAÇÃO DA INSTALAÇÃO “LOST IN TRANSLATION” Albergue SCM | 18h30

CONCERTO “MAMASHEMADE” Fundação Rui Cunha | Das 21h30 às 23h30

YUAN

VIDA DE CÃO

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “MACAU CANIDROME – POUCHING TSAI” E “NO YA ARK – INVISIBLE VOYAGE” Armazém do Boi | 18h30

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “LONDON X MACAU ART OF ILLUSTRATION Fundação Rui Cunha | Das 13h00 às 15h00

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“Enriquecer é glorioso”, terá dito Deng Xiao Ping e muitos atribuem a esta frase o despontar do capitalismo na China contemporânea. Mas, ao que parece, enriquecer aqui significa enriquecer em conjunto, colectivamente e não o enriquecimento individual de acordo com o modelo das sociedades ocidentais. Se for esse o significado pretendido por Deng, mais não faz que repetir Confúcio que afirmou que para se crescer é preciso que ao lado os outros também cresçam. Para caçar o rato, ou seja enriquecer, não importa a cor do gato, disse também o Grande Arquitecto. Por isso a China enveredou pela existência de empresas privadas capazes satisfazer o mercado interno e mesmo de rivalizar com as suas congéneres mundiais. E este gato preto foi ganhando cada vez mais poder, mais espaço, mais influência, enquanto o gato branco definhava sem, no entanto, perder o controlo da nação. Entretanto, gatos cinzentos surgiram um pouco por toda a parte e a China enriqueceu. Segundo Xi Jinping, não o fez de forma harmoniosa pois abriu-se um fosso entre os pobres e os muito ricos, alimentando a corrupção, que urgia eliminar. Assim se fez. E é uma China mais harmoniosa que prepara a sua entrada numa Nova Era em que o sonho chinês se irá realizar. Algures, neste reino maravilhoso, Deng Xiao Ping joga go com Confúcio e, ao terceiro copo de vinho de arroz, confessa-lhe a sua admiração: “Mestre, estou preocupado com a persistência da sua sabedoria. Devíamos limitar a sua influência a Dez Mil Gerações.” Carlos Morais José

“THREE BILBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI” | MARTIN MCDONAGH

2 7 3 6 1 4 5 7 7 54 5 1 6 2 3 3 12 4 5 7 1 6 5 1 6 2 3 4 5 7 4 5 11 67 3 6 2 35 3 6 4 2 7 1 6 18 3 423 2 24 4 4 7 1 3 5 6 2 7 4 3 1 2 6 5 4 7 2 6 5 1 3 1 3 5 4 7 2 621 BRIDGES 1 3 2 5 7 4 6 5 2 6 7 4 3 1 3 2 6 5 1 4 237 2 6 5 4 3 1 7 7 1 3 4 6 5 2 24 6 1 2 7 4 3 5 4 1 6 7 5 3 2 1 5 7 3 2 4 6 4 1 4 7 5 4 3 6 2 7 1 3 7 1 2Propriedade 6 Fábrica 5 de Notícias, 4 Lda Director Carlos Morais 2 José4Editores5João Luz;1José C. Mendes 3 Redacção 6 Andreia 7 Sofia Silva; In Nam Ng; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Pedro Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro;4 António Falcão; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; Gonçalo 3 6 Arede 3 Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e 7 5 4 2 6 1 3 6 5 7 3M.Tavares; 4João Paulo 2 Cotrim; 1 José Drummond; José Navarro 6 de 3 4 2 1 7 5 Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo 7 7 1 Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; www. 2 6 7 1 3 5 4 5hojemacau. 2 4 6XinhuaSecretária 1 7de redacção 3 e PublicidadeMadalena3da Silva6(publicidade@hojemacau.com.mo) 1Steph Grafismo 5 Paulo 7 Borges,2Assistente 4de marketingVincent VongImpressãoTipografia WelfareMorada com.mo Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 287524016 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo 6 5 3 7 4 5 1

SALA 1

14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Rian Johnson Com: Danie Craig, Chris Evans, Toni Collette, Jamie Lee Curtis 14.30, 21.15

SALA 3

KNIVES OUT [C]

FROZEN II [A]

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Chris Buck, Jennifer Lee 17.00, 19.15 SALA 2

LAST CHRISTMAS [B]

Um filme de: Paul Feig Com: Emilia Clarke, Michelle Yeoh, Emma Thompson

MARRIAGE HUNTING BEAUTY [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Akiko Oku Com: Mei Kurokawa, Kei Tanaka Tomoya Nakamura, Asami Usuda 14.30, 16.30, 19.30

21 BRIDGES [C]

Um filme de: Brian Kirk Com: Chadwick Boseman, J.K. Simmons, Sienna Miller, Taylor Kitsch 21.30

“Three bilboards outside Ebbing”, Missouri é a comédia negra que nos leva às desventuras de uma mãe que desafia as autoridades para conseguir encontrar o assassino da filha. Revoltada com a ineficiencia da polícia, aluga três placares de publicidade na estrada local para questionar acerca da investigação da violação e assassinato da filha adolescente. A polícia sente-se atacada, e entre um xerife com cancro terminal e um assistente com incapacidades mentais, a personagem vê-se alvo de represálias por não manter o silêncio. O filme é de Martin McDonagh e foi o grande vencedor dos Globos de Ouro deste ano que decorreram no passado fim-de-semana. Hojemacau


opinião 23

terça-feira 10.12.2019

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

H

Violação e outros atentados

Á poucos dias a polícia indiana matou a tiro quatro suspeitos da morte e violação de uma jovem veterinária. O crime tinha ocorrido a semana passada em Hyderabad, Telangana, no sul da Indía. O cadáver da jovem foi atirado para uma passagem subterrânea. Embora todos os suspeitos tenham morrido, este trágico incidente desencadeou grandes manifestações a nível nacional, exigindo que o Governo imponha penas mais pesadas aos violadores. A morte dos suspeitos ocorreu na cena do crime. Os quatro homens tinham sido levados pela polícia ao local, para que fosse feita uma reconstituição dos acontecimentos. Alegadamente, na altura, os suspeitos atacaram os agentes com pedras e roubaram algumas armas com as quais dispararam. Os polícias conseguiram ripostar e os suspeitos foram mortos. Estas mortes provocaram diferentes reacções. A família da jovem assassinada expressou a sua gratidão e sentiu-se justiçada. Muitos cidadãos celebraram o acontecimento nas ruas, lançaram fogo de artifício, distribuíram doces pelos polícias, elogiando a sua acção. Pediam ainda que o seu exemplo fosse seguido por todo o país. No geral as pessoas sentiam que tinha sido feita justiça. No entanto, algumas organizações de direitos humanos acreditam que os suspeitos foram mortos para aplacar a indignação popular. A execução de suspeitos sem julgamento é ilegal e é um atentado ao estado de direito. Se os quatro homens fossem julgados e, se se tivesse confirmado a sua culpa, teriam sido punidos pela lei. Mas toda esta situação tem alguns aspectos que merecem ser analisados. Em primeiro lugar, a reconstituição do crime é uma acção que requer muito mais do que um ou dois agentes no local, serão necessários à volta de dez. Em segundo lugar, os suspeitos estariam algemados e presos pela cintura com uma corrente de ferro. As algemas impediam-nos de atacar a polícia. As correntes de ferro deixavam que se movimentassem, mas sob controle. Teria sido muito difícil, senão impossível, os suspeitos libertarem-se das algemas e das correntes. Como é que puderam agredir os agentes com pedras e roubar-lhes as armas? Se não houver resposta a estas perguntas, é fácil depreender que a polícia lhes montou uma armadilha, cuja finalidade terá sido a sua execução. Esta é a explicação que

adiantam as organizações de direitos humanos: os quatro homens foram condenados sem julgamento, por meios ilegais. Se for verdade, constitui uma séria violação do estado de direito. Se a polícia puder executar os suspeitos, os tribunais deixam de fazer sentido. A lei é indispensável em qualquer lugar porque impõe um padrão de comportamento, pilar de todas as sociedades civilizadas. Sem tribunais deixa de haver critérios para distinguir o certo do errado. Se colocarmos nas mãos

da polícia esse tipo de decisão, abrimos as portas à arbitrariedade. Sem um padrão legal, cada um fará o que muito bem entender. Num cenário desta natureza, deixa de haver responsabilização e de ser necessário reflectir sobre a justiça e a equidade. O que espera a Indía se os seus cidadãos decidirem trilhar este caminho? Para já, a prioridade é a polícia explicar de forma plausível as circunstâncias em que ocorreram as mortes dos suspeitos. Como é que foi possível que se tenham libertado,

Se a polícia puder executar os suspeitos, os tribunais deixam de fazer sentido. A lei é indispensável em qualquer lugar porque impõe um padrão de comportamento, pilar de todas as sociedades civilizadas. Sem tribunais deixa de haver critérios para distinguir o certo do errado

atacado os agentes com pedras, desarmado alguns deles e disparado, de forma a não deixarem outra alternativa aos restantes senão abatê-los. A família da jovem assassinada congratulou-se com este desfecho. É um sentimento natural devido à perda que sofreram e às suas circunstâncias. Como não foram directamente responsáveis pela morte dos suspeitos, não estamos perante um cenário de “ajuste de contas”. Se tivesse sido o caso, as famílias dos suspeitos poderiam eventualmente vir a procurar vingança, dando origem a um ciclo de violência infindável. A população distríbuiu doces e elogiou a actuação da polícia, o que prova que reconheceu e aprovou o que foi feito. É um indicador do ódio que os indianos sentem pelos violadores e da sua vontade de os eliminar. No entanto, não nos podemos esquecer das críticas feitas à polícia pelas organizações de direitos humanos.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


A única verdadeira tristeza está na ausência de desejo. Charles Ferdinand Ramuz

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Mercado de Inverno Ao Man Long quer cumprir resto da pena em Portugal

O

ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, está a tratar das formalidades e fez um pedido de transferência para Portugal, onde pretende cumprir o resto a pena. Depois de um julgamento altamente mediático, o secretário foi condenado em 2008 a uma pena de prisão de 27 anos pela prática dos crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais. Segundo o HM apurou, o processo está a ser conduzido pelo advogado Álvaro Rodrigues que ontem à noite negou fazer qualquer comentário sobre a situação: “Não confirmo nada e não tenho nenhum comentário a fazer”, afirmou. Para poder ser transferido para Portugal, Ao Man Long tem de possuir nacionalidade portuguesa

A fase mais complicada do processo para Ao Man Long deverá ser mesmo convencer as autoridades chinesas a aceitar a transferência num caso que foi tão mediático, não só por se tratar de um ex-governante, mas também pelo facto de a lei chinesa não reconhecer a dupla nacionalidade

e o respectivo passaporte. No entanto, este aspecto não é um entrave uma vez que o ex-secretário tem nacionalidade portuguesa e o seu nome consta nos cadernos eleitorais portugueses. A fase mais complicada do processo para Ao Man Long deverá ser mesmo convencer as autoridades chinesas a aceitar a transferência num caso que foi tão mediático, não só por se tratar de um ex-governante, mas também pelo facto de a lei chinesa não reconhecer a dupla nacionalidade. Além disso, segundo o Acordo entre Portugal e Macau sobre a Transferência de Pessoas Condenadas, em vigor desde 17 de Dezembro de 1999, a “transferência pressupõe uma efectiva ligação do condenado à jurisdição de execução, de modo a permitir uma melhor reintegração e readaptação ao seu meio familiar, social e profissional após o cumprimento da pena”. Este poderá ser outro dos entraves às pretensões do ex-secretário. Segundo os dados fornecidos anteriormente pela secretaria para a Administração e Justiça ao HM, desde a transferência e Maio do ano passado tinham sido transferidos da RAEM para Portugal cinco portugueses. Contudo, os pedidos aprovados até essa altura tinham sido seis, mas uma das pessoas acabou por desistir do processo, já depois de ter recebido autorização para a transferência. Houve ainda três processos recusados, dois por não preencherem as condições de transferência e um por ter a vida profissional em Macau e Hong Kong. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

PALAVRA DO DIA

terça-feira 10.12.2019

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Hoje Macau 10 DEZ 2019 # 4428  

N.º 4428 de 10 de DEZ de 2019

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