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Longo caminho para as indústrias criativas. O primeiro degrau é a educação artística no ensino primário

Albano Martins fala das atrocidades que a falta de legislação provoca aos animais

centrais

páginas 18 e 19

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Director carlos morais josé • sexta-feira 10 de Dezembro de 2010 • ANO X • Nº 2268

Nem políticos contrariam a má fama do sistema de saúde local

Quem arrisca ir ao hospital?

Se for em Macau, nem Susana Chou nem Edmund Ho. A antiga presidente da Assembleia Legislativa esteve ontem no hospital Kiang Wu para dar uma “aula” de ética aos médicos. A ex-parlamentar revelou que ao ter uma suspeita de cancro procurou conselhos no ex-Chefe do Executivo, que lhe apresentou imediatamente um especialista em Hong Kong. “Desculpem se não digo mentiras. Já visitei o Kiang Wu quando tive dores de cabeça ou de estômago, mas vou para fora quando preciso ver um especialista”, desabafou Susana Chou, perante uma plateia de doutores que receavam ser apanhados a dormir na primeira fila. >página 5

Venetian

Adelson recebido com rusga e greve • P.8 e Última

Jovens não sabem nem querem saber o que são as LAG e o que fazem os políticos

Corrupção

Alagados em dúvidas

• P.3

Página 4

Juventude recusa-se a denunciar

The Fountainside

Obras sem barulho é impossível • Págs. 6 e 7

Reserva financeira

Deputados querem investir dinheiro em acções • P.3

Mulheres

Estudo para analisar quem são elas • P.8

os nossos contactos mudaram

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sexta-feira 10.12.2010 www.hojemacau.com.mo

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actual

Oslo fala em 19, China em 100

China, Federação Russa e Cuba são alguns dos 19 países que declinaram o convite para assistir à entrega do Prémio Nobel da Paz ao dissidente chinês Liu Xiaobo. Na base destas recusas estão as pressões chinesas com vista ao boicote da cerimónia. Em Pequim, o regime chinês renovou as críticas aos membros do Comité Nobel norueguês, que qualificou como “palhaços”, e afirmou que gozava do apoio da “maioria” da comunidade internacional. Alguns dos países ausentes, “segundo tudo leva a crer, cederam às pressões da China, outros têm outras razões”, declarou à agência France Presse o director do Instituto Nobel, Geir Lundestad, sem detalhar a informação. Segunda potência económica mundial, o país asiático tentou dissuadir outros países de participarem na cerimónia, enviando uma nota a várias embaixadas para lhes solicitar que boicotassem a cerimónia, ameaçando com “consequências” os Estados que apoiem Liu Xiaobo.

Moção arrogante

A China considerou ontem “arrogante e despropositada” a moção a favor do Prémio Nobel da Paz 2010, aprovada na quarta-feira pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. “Apelamos aos legisladores dos Estados Unidos para mudarem a sua arrogante e despropositada atitude e mostrarem respeito pelo povo chinês e a soberania judicial da China”, disse a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu. Na quarta-feira, em Washington, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou por 402 votos contra 1 uma moção de felicitações a Liu Xiaobo pelo Nobel da Paz e apelou para a sua libertação imediata. “A China manifesta a sua firme oposição”, disse a porta-voz do MNE chinês acerca da iniciativa.

Comunicado a caminho

Um dissidente chinês afirmou que Liu Xiaobo pediu a um actor norte-americano que leia em Oslo um comunicado intitulado “Não tenho inimigos”. No comunicado que será lido em Oslo, o Nobel chinês declara ter cumprido a sua responsabilidade social em defesa do direito de liberdade de expressão, assegurou o dissidente em Taiwan Xu Wenli, que não explicou como recebeu notícias de Liu. “Tudo o que fiz foi inocente. Não me queixo, embora tenha sido acusado (pelo Estado)”, afirma Liu no comunicado, de acordo com uma citação de Xu. A liberdade de expressão é a base dos direitos humanos e a mãe da verdade, e a sua supressão equivale a pisar os direitos humanos, asfixiar a natureza humana e oprimir a verdade, sublinha o Prémio Nobel da Paz. O ódio prejudica a sabedoria e a consciência, enquanto a hostilidade envenena o espírito, acrescenta Liu no comunicado, de acordo com as palavras de Xu. “Quando se fomenta uma luta cruel de vida ou morte, o espírito de tolerância e a natureza humana de uma sociedade são destruídas e o progresso em direcção à liberdade e democracia fica obstruído”, adianta.

Liu Xiaobo | China censura páginas na Internet e faz tabu do tema do momento

O Nobel que não conta

Hoje, em Oslo, uma cadeira vazia representará simbolicamente o dissidente chinês Liu Xiaobo, que se encontra preso, durante a cerimónia de entrega do Nobel da Paz. Na véspera do acontecimento, o Governo chinês voltou a frisar que o Nobel foi atribuído a um criminoso, bloqueou páginas na Internet com referências à distinção ou ao dissidente e não quis dar mais corda ao tema Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

Os vizinhos sabem que vivem numa zona sensível. Num bairro onde à entrada um cartaz diz “é proibido fazer entrevistas”. Não são precisas mais palavras. Quem ali vive sabe que é vizinho de Liu Xia, a esposa de Liu Xiaobo, o Nobel da Paz 2010, prisioneiro político na China. Para os vizinhos, o melhor é mesmo o silêncio. Por uma questão de segurança porque no bairro ninguém quer problemas com o Governo. Nas ruas de Pequim o Nobel não é falado. E na imprensa, as únicas notícias que podem sair são contra este passo “nitidamente contra a China” dado pela Academia Nobel. “Palhaços são aqueles que escolheram este Nobel da Paz”, foi dito em Pequim a uns dias da cerimónia de atribuição. Hoje deve ser um dia igual aos outros para a maioria da população chinesa. Uma comunidade não organizada de activistas, artistas e intelectuais, tem sido pouco a pouco proibida, desde Outubro, de viajar para fora do país. Em nome da se-

gurança nacional, tudo se justifica nestes dias. Os canais internacionais como a CNN e a BBC começaram a ter a emissão censurada de cada vez que sai uma notícia a referir Liu Xiaobo, o nome que hoje é melhor sussurrar. E a um dia da cerimónia de atribuição, várias páginas na Internet foram bloqueadas. À pergunta do jornalista da BBC sobre a razão pela qual a página online deixou de poder ser aberta em Pequim, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Jiang Yu, respondeu ontem que não pode dar respostas pelo que se passa na Internet. Mas sem falar em censura, deixou a ressalva de que nada pode ir contra a lei chinesa. À página da BBC, censurada desde a manhã de ontem, juntaram-se outras. A fundação Nobel também deixou de existir online na China e a resposta com uma ligação feita a partir do serviço de wireless no centro de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês é apenas que “esta ligação foi interrompida”. A mesma que aparece em qualquer computador ligado a partir de Pequim.

Sem apresentar uma lista, o MNE chinês informou que mais de cem países mostraram apoio à China na questão do Nobel. Um exemplo que o ministério considera mostrar que a escolha deste ano não está livre de contradições. A ausência de vários países na cerimónia de atribuição chega para deixar a China contente e alertar que haverá consequências nas relações bilaterais com a Noruega. O preso mais famoso na China, Liu Xiaobo a viver na prisão de Jinzhou, vai ser uma ausência de peso em Oslo. As dificuldades levantadas a qualquer representação em seu nome levam a que no dia anterior à entrega, não se saiba ao certo quem fará o discurso. Tal como se mantém a dúvida sobre a quem vai ser dado o prémio em nome de Liu Xiaobo. Haverá uma cadeira vazia para marcar o espaço que é seu. O terceiro Nobel da China, depois de Dalai Lama e de Gao Xinjiang, Liu Xiaobo é o primeiro a ser escolhido enquanto está preso. Mas, tal como os outros dois nomes, é um cidadão incómodo para a República Popular.

O sonho de comemorar um Nobel a nível nacional ainda não aconteceu este ano. Se na literatura Gao Xinjiang continua a ser um escritor censurado, Dalai Lama é considerado um inimigo da China. E Liu Xiaobo um criminoso. Na última conferência de imprensa oficial antes da cerimónia do Nobel, Jiang Yu falou para cerca de cem jornalistas. Às perguntas que se repetiram sobre Liu Xiaobo e a sua mulher, a comunidade de activistas proibida de viajar e as consequências sobre os países que vão estar presentes, a portavoz repetiu vezes sem conta que “essa resposta já foi dada” e que “o Nobel da Paz foi atribuído a um criminoso”. Evasiva o suficiente, Jiang Yu acabou por demonstrar alguma impaciência perante a insistência dos jornalistas no mesmo tema, dizendo que não percebia porquê o entusiasmo que trazia tanta gente nova à conferência de imprensa de rotina, “pessoas que antes nunca cá vinham”. A razão é simples. Chama-se naturalmente Liu Xiaobo, o dono do lugar na cadeira que vai estar vazia em Oslo.


Foi emocionante esta semana ver como, contra ventos, marés, marinheiros e bom senso, a Universidade de Macau insiste no seu método de contratação do regente da Faculdade de Direito. A teimosia é uma arma que, geralmente, vence pelo cansaço. Ele são professores, advogados, assessores, juízes e outros que se pronunciam contra o método adoptado, temendo o resultado final, mas para as bandas da Umac insiste-se na política do “orgulhosamente sós”, na base de que “os cães ladram e a caravana passa” e pronto: segue para bingo. Carlos Morais José, P. 22

A proposta de lei para a criação do Regime de Reserva Financeira já está a ser discutida nas salas da Assembleia Legislativa. Os deputados, por intermédio da 3.ª Comissão Permanente, e o secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, discutiram, ontem, pormenores e por maiores da lei que visa providenciar uma melhor gestão dos saldos financeiros da RAEM. “Nesta primeira reunião trocámos impressões no sentido de perceber quais são as intenções do Governo e tivemos as necessárias garantias”, disse no final Cheang Chi Keong, presidente da 3ª Comissão Permanente da AL. A reserva financeira a ser criada em proposta de lei é composta por duas partes: a reserva básica e a extraordinária. O valor da reserva básica equivaleria a 150% da totalidade das despesas realizadas pelos serviços integrados e pelos serviços com autonomia administrativa da RAEM, constantes do último orçamento examinado e aprovado pela AL, enquanto os saldos remanescentes da reserva

Mais de 70% dos jovens de Macau ficariam de bico fechado caso presenciassem um acto de corrupção. Esse é um dos resultados de um estudo conduzido pela Associação Geral dos Operários de Macau (AGOM) sobre a percepção da corrupção no território, na data em que se assinalou o Dia Internacional da Luta Contra a Corrupção, ontem. A associação entrevistou 906 jovens dos 12 aos 24 anos e concluiu que 39,07% considera o ambiente de corrupção na cidade “grave” e outros 12,36% “muito grave”. Apesar de 74% ter revelado que o assunto é tema de conversa entre familiares e amigos, só 20% estariam dispostos a apresentar uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção caso se debatessem com um caso de corrupção à frente. Outros 76% afirmaram que não tomariam nenhuma atitude, enquanto os restantes quatro por cento não souberam o que responder.Outro dado

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Reserva bicéfala

gonçalo lobo pinheiro

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Deputados concordam com gestão da Autoridade Monetária

Gonçalo Lobo Pinheiro

Vanessa Amaro

sexta-feira 10.12.2010

financeira são transferidos para a reserva extraordinária. A reserva básica é destinada a oferecer a última garantia para a capacidade de pagamento das

finanças públicas da RAEM e só pode ser utilizada quando a reserva extraordinária estiver totalmente esgotada. A outra metade, a reserva extra-

ordinária, destina-se a promover a implementação da política relativa às finanças públicas da RAEM, e a oferecer garantia para a capacidade de pagamento das mesmas. Pode

Maioria dos jovens de Macau não agiria perante corrupção

Não é da minha conta revelador é que 60% dos jovens inquiridos consideram que o combate contra o problema deveria ser tema de disciplina escolar. A organização Transparência Internacional (TI) apresentou também ontem os resultados do seu “Barómetro

Global da Corrupção 2010”, cujos resultados apontam que seis em cada dez pessoas no mundo afirmam que a corrupção aumentou nos últimos três anos e uma em quatro afirma ter pago suborno no último ano. Para o estudo, foram

entrevistadas mais de 91.500 pessoas em 86 países e regiões, deixando, desta vez, Macau de fora das estatísticas. Hong Kong e China foram incluídas na pesquisa e, segundo os entrevistados, na região vizinha os casos de corrupção têm vindo a diminuir na sua

ser ainda aproveitada para facultar apoio financeiro para o défice orçamental e os recursos financeiros necessários para favorecer o desenvolvimento socioeconómico, bem como no caso da ocorrência de uma calamidade natural ou de uma epidemia. “Concordámos com o que nos foi apresentado e não apresentámos grandes divergências de opiniões a não ser na aplicação dos saldos e lucros, que julgamos ser retrógrado”, disse Cheang Chi Keong. Essa aplicação compete à Autoridade Monetária de Macau (ACM). A ACM tem a seu cargo o investimento e a gestão da reserva financeira, cujos saldos e lucros provenientes do investimento serão aplicados em divisas e obrigações, para conhecimento e fiscalização públicos. “Achamos que a aplicação deveria ser feita em acções, mas o Governo quis jogar pelo seguro. O mais importante é o reforço dos trabalhos de fiscalização e na tomada de decisão”, concluiu Cheang. A próxima reunião, que vai discutir o artigo 11.º da proposta de lei e trata da regulamentação complementar, está agendada para depois do Natal.

perspectiva – 33% dizem que aumentaram contra 32% a dizer que caíram -, mas na China, 46% afirmaram que o problema aumentou. Ainda assim, essas percentagens estão muito abaixo dos valores indicados pelos nacionais de Portugal (para 83% a corrupção aumentou nos últimos três anos), Estados Unidos (725), Alemanha (70%), Grã-Bretanha (67%) ou França (66%). O país onde o maior número de

pessoas percebeu o aumento da corrupção foi o Senegal, com 88 por cento. O menor índice é da Geórgia, com apenas nove por cento. A pesquisa também revela que sete em cada 10 pessoas estariam dispostas a denunciar actos de corrupção. A pesquisa mostrou que nos últimos 12 meses, uma em cada quatro pessoas pagaram subornos a instituições e serviços como saúde, educação ou impostos.

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AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 43/P/2010 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 20 de Novembro de 2010, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Um Sistema de PréTratamento de Amostras de Sangue aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos encontram à disposição dos interessados desde o dia 9 de Dezembro de 2010, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão deAprovisionamento e Economato sita na Cave 1 do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento do custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer no Cave 1 da Divisão de Aprovisionamento e Economato situada no Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 14 de Dezembro de 2010 às 15,00 horas para visita às instalações a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes

Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega das propostas termina às 17,45 horas do dia 4 de Janeiro de 2011. O acto público deste concurso terá lugar no dia 5 de Janeiro de 2011, pelas 10,00 horas, na sala do «Auditório» situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do C.H.C.S.J.. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $ 34 000,00 (trinta e quatro mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 29 de Novembro de 2010

O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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política

LAG

Não sabem os que são as LAG e a política não é matéria que lhes passe pela cabeça. O Hoje Macau saiu à rua para interrogar os jovens do território mas são raras as excepções que demonstram conhecimento nesta área. Para os académicos, a situação demonstra demasiada comodidade relativamente à vida social. Os poucos que têm uma opinião justificam o desinteresse com a falta de tempo e dúvidas no sentimento de pertença Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com

São futuros administradores, tradutores ou gestores e andam na casa dos 20 anos. Na sua maioria, estudantes ou recém-licenciados e todos com um ponto em comum: demonstram grande falta de interesse na vida política e social do território e revelam mesmo falta de consciência sobre o assunto. Em entrevista ao Hoje Macau, Virginia Leung, estudante de relações públicas no Instituto Politécnico,

Jovens não têm ideia do que o Executivo e os deputados de Macau fazem

O que é isso?

confessou não saber “quase nenhum nome” dos deputados da RAEM e não “ter ideia” sobre o que são as Linhas de Acção Governativa, as tão faladas LAG que durante duas semanas tiveram direito a transmissão directa na televisão a partir da Assembleia Legislativa. A estudante diz saber que a política influencia a sua vida mas que “está bem” sem ter necessidade de ser parte activa nela. Já Kin Man Cheong, recém-licenciado em Estudos Portugueses, tem consciência de que a política existe e urge nas decisões sobre a população, mas quase de uma forma “invisível”, porque “há uma fraca definição do que é a nossa identidade”, dos chineses de Macau, e os temas abordados são desinteressantes ou “falados de forma desinteressante”, defende. Apesar de não saber o que são as LAG, o recém-licenciado aponta que não tem preocupação directa a nível político, mas que no futuro espera uma “maior cooperação com Hong Kong”. Face aos dados apresentados sobre o porquê disto acontecer, os académicos analisam a situação quase de forma comum. Em entrevista ao Hoje Macau, José Manuel Simões, pro-

fessor e coordenador do curso de Comunicação da Universidade de São José, defende que deveria haver mais participação cívica e que “o maior problema se centra numa letargia global na juventude de Macau”, isto é, uma falta de sensibilidade perante a participação na vida social, cultural e local. “Os jovens agem como se tudo fosse fácil e cómodo na vida”, sublinha o professor. Uma professora universitária chegou mesmo a dizer ao Hoje Macau que “numa turma de 30 alunos ninguém soube responder quando questionados sobre quem são e quais as actividades dos deputados da Assembleia Legislativa”. Mais ainda, sublinhou a professora, “muitos deles pensavam que Chui Sai On, o Chefe do Executivo, era o único a comandar”. Florinda Chan, Cheong U ou Lau Si Io são nomes que, para os estudantes, nada significavam.

Outros interesses

A maior parte das pessoas no campo da política só quer saber “se há mais ou menos dinheiro” para cada ano, diz Kin Man Cheong. Também Dawn Tong, estudante de tradução, fala sobre “uma Macau de alto nível”, onde

a “fortuna é controlada e há muita gente pobre”. Para a jovem, a política assume-se como um meio financeiro, nomeadamente para os casinos. Na opinião de Dawn, Macau devia seguir o exemplo de Hong Kong, com mais espaços de lazer e infra-estruturas dedicadas à população. “Em Macau só há casinos”, por isso, sublinha, não se interessa por assuntos relacionados com a sociedade e “lê apenas as notícias”, não fazendo parte da camada que interage com a política de Macau. São contabilizados pelos dedos aqueles que o fazem. Há apontamentos que indicam a existência de jovens em acções ou protestos, mas não é possível defender

com números exactos quantos são e, grande maioria, quando participa fá-lo uma única vez. “Há que auxiliar a mecanismos para motivar a juventude local”, defende José Manuel Simões, por exemplo, “chamá-los a participar em eventos para trocas de ideias”. Na opinião do académico, a falta de espaços não se sobrepõe à falta de consciência social. Deputados da Assembleia Legislativa, em declarações sobre o assunto, defenderam que tem vindo a aumentar o número de jovens interessados na política, mas é consoante o contexto familiar que estes despertam para o problema. José Manuel Simões discorda,

apontando que a variação do interesse demonstrado é feita de curso para curso e não de indivíduo para indivíduo. “A minha turma do terceiro ano de Estudos Modernos, curiosamente, não demonstra qualquer posição activa, em comparação com os cursos de Comunicação, Arquitectura ou Psicologia, que se mostram mais abertos e curiosos”, explica. Esses jovens que não se focam na temática social são os que trabalham, na sua maioria em casinos, e estudam ao mesmo tempo, provando que a falta de tempo pode ser um factor a ter em conta. Melhorias precisam-se

Para Esther Un, presidente da Associação Juventude Dinâmica, um grupo de jovens que revela preocupação sobre o meio social, “o Governo e alguns deputados deixam a impressão de que falta sabedoria política”. Esther aponta como erros a contabilidade, que parece não ter um sistema ordenado, e a quebra de comunicação que há entre o Governo e os jovens. A presidente assume que “o Executivo dá a ideia de que a política é algo obscuro e secreto” e defende que seria necessário impor um sentimento de segurança para aqueles que querem manifestar sugestões ou opiniões. “Se as pessoas sentirem que falam para nada, sentem-se frustradas e desconfiam de que há realmente pessoas responsáveis a tratar dos assuntos.” Também os locais de ensino são categorizados como um meio fundamental para instigar à formação dos jovens nesta área. A introdução da disciplina de formação cívica é afincadamente defendida pelos académicos e Esther Un sublinha também que esta seria uma forma de “encorajar à participação” e incutir nos jovens “o sentimento de moral e pertença”. A aproximação à juventude carece de melhorias até porque, como salientam alguns deputados, “os jovens têm ideias ousadas que podem dar um novo fôlego à sociedade, mudando conceitos que possam estar antiquados”.


Assinado parecer da Lei do Orçamento 2011 “Não há nenhum problema”, relatou aos jornalistas o deputado Chan Chak Mo sobre a proposta de Lei do Orçamento de 2011. Depois de hora e meia de reunião para análise e discussão, o presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) disse aos jornalistas que o organismo entendeu não haver nenhum entrave à assinatura do parecer que segue agora para plenário. O deputado lembrou ainda que no final do próximo ano as contas públicas devem acabar com um saldo positivo de 22.100 mil milhões de patacas. Recorde-se que a receita proveniente da indústria do jogo prevista é superior a 79.611 mil milhões de patacas – um aumento de 35,23% em relação a este ano. No que toca as despesas, o valor orçamentado ronda as 57.470 mil milhões de patacas.

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Susana Chou dá uma aula de ética aos médicos do hospital privado

Quem vê bolsos, não vê corações kahon.chan@hojemacau.com.mo

Susana Chou considera injusto que os hospitais de Macau sejam rotulados como especializados em “matar pessoas” ou “roubar dinheiro”, mas admitiu que o próprio Edmund Ho lhe sugeriu uma vez que fosse a um especialista de Hong Kong para fazer exames médicos. Numa palestra dada à equipa clínica do hospital Kiang Wu, a antiga presidente da Assembleia Legislativa (AL) sublinhou a importância daquele centro hospitalar para a população e disse que os médicos não deviam olhar apenas ao dinheiro e ao estatuto dos pacientes – o que considerou ser uma tendência instintiva humana – mas sim à ética inerente à profissão de médico. A palestra, intitulada “Como defender os seus valores de correcção de toda a vida”, teve lugar ontem à noite numa sala do hospital Kiang Wu. Várias centenas de funcionários assistiram à aula, mas tomaram o cuidado de começarem a preencher a lotação do auditório a partir dos lugares mais ao fundo – os jornalistas que foram cobrir o evento ouviram a explicação: os funcionários tinham medo de serem escolhidos para responder a perguntas caso se sentassem muito perto do palco. Um deles disse ter medo de ser apanhado a dormir na fila da frente. Ao contrário do que aconteceu num encontro anterior com a juventude, em que expressou a sua opinião sobre reformas políticas,

Susana Chou esteve mais concentrada no tema em questão nesta sua segunda aparição pública desde que deixou a presidência da AL no ano passado. “Desculpem se não digo mentiras. Já visitei o Kiang Wu quando tive dores de cabeça ou de estômago, mas vou para fora quando preciso ver um especialista”, afirmou. A verdade é que muitas das pessoas com mais posses, incluindo o anterior Chefe do Executivo, partilham da opinião. “Fiz uns exames prévios uma vez no CHCSJ [Centro Hospitalar Conde de São Januário] mas quando houve uma suspeita de cancro, falei com Edmund Ho no mesmo dia e ele apresentou-me a um especialista de Hong Kong. Desde então tenho feito os exames em Hong Kong.”

o melhor trabalho possível é mais importante.” Para tornar o seu apelo ainda mais convincente, Chou partilhou os seus objectivos de vida: aos cinco anos, queria dirigir uma empresa, fascinada que estava com a imagem “heróica” que tinha do pai. Mas quando se celebrizou aos comandos da maior firma de exportação e ganhou fortunas com os negócios, sentiu-se desenraizada e infeliz a dada altura, a ponto de querer recomeçar a vida em França. “Hoje penso que tanto o dinheiro como o poder são vazios, não são a base sólida da nossa alma. Podem reduzir a nossa dor, mas não acrescentar felicidades à nossa vida.” Fong Chi Keong, moderador da conferência e presidente do comité de gestão do Kiang Wu, foi ainda mais longe na mensagem deixada aos profissionais do hospital: “A gestão rigorosa é uma forma de amor. É um problema um gestor sénior ver algo insatisfatório e fingir que não vê porque isso significa que já não se preocupa. Uma pequena empresa privada não pode sobreviver muito tempo assim em parte nenhuma, muito menos um hospital que serve a comunidade”. Fong revelou à imprensa em chinês em Novembro que o Kiang Wu estava a sofrer de baixo moral, instabilidade na equipa de médicos, falta de clareza nas responsabilidades administrativas, baixa sensibilização para os problemas, qualidade de serviço inconsistente e fraca investigação.

kahon chan

Kahon Chan

Um mata, o outro esfola

Não é segredo para ninguém a fama dos dois hospitais de Macau, admitiu Chou perante a equipa do Kiang Wu. Muitas pessoas acreditam na descrição popular de que “um rouba, o outro mata”. Injusto para ambos, na opinião da ex-parlamentar, que considera que os respectivos médicos enfrentam uma enorme pressão. “Espero que todos aqui pratiquem a ética. Vocês escolheram essa carreira e devem respeitar os princípios éticos inerentes”, afirmou. “Macau não pode viver sem vocês porque não pode sequer morrer sem vocês. Apoio social e governamental é necessário para fazer um Kiang Wu melhor, mas a vossa motivação para fazer

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Macau e Hong Kong dão as mãos pela cooperação

De um ladoAlexis Tam, chefe do Gabinete do Chefe do Executivo e porta-voz do Governo da RAEM, do outro, o secretário permanente (Permanent Secretary for Constitutional and Mainland Affairs) Joshua Law Chi-kong, a representar a RAEHK. Hong Kong e Macau. Duas regiões com poderes especiais que se juntam. Um encontro que serviu, ontem, para, além de reforço de ligações, os responsáveis

da RAEM apresentarem a participação do território no projecto de exploração da Ilha da Montanha (Henqin) em Zhuhai, nomeadamente o ponto de situação das obras do novo campus da Universidade de Macau e dos preparativos para o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau,

Gonçalo Lobo Pinheiro

Estes velhos conhecidos bem como da intenção de tornar Macau num centro internacional de turismo e lazer. Os vizinhos ouviram com atenção. No final do encontro, Alexis Tam recordou que “as várias medidas implementadas nos últimos anos por ambos os governo para maior facilidade de circulação de residentes vieram contribuir

para o intercâmbio bilateral reforçado a vários níveis”. No campo do turismo e lazer, por exemplo, entre os meses de Janeiro e Outubro deste ano, o número de visitantes de Hong Kong que viajaram para Macau atingiu já os 6,237 milhões, representando um aumento de 11% comparativamente a igual período do ano passado.

O responsável de Hong Kong destacou que as visitas efectuadas a vários pontos turísticos e de preservação do património cultural, juntamente com a apresentação feita na sessão de intercâmbio, “permitiram-me saber mais sobre Macau e os resultados frutíferos dos trabalhos de promoção do turismo cultural do território. Estamos também a aprender”. Ficou a promessa de que a cooperação e intercâmbio são para continuar para um desenvolvimento com benefícios de ambas as partes

no quadro da cooperação regional. RAEM e RAEHK são velhos conhecidos. Estas reuniões, cá e lá, de intercâmbio e cooperação já acontecem há alguns anos, desde o Executivo liderado por Edmund Ho. Naquela altura discutiram-se formas e meios de aperfeiçoar os procedimentos nas fronteiras e a viabilidade de alargamento das áreas de cooperação bilateral, bem como políticas em matéria de ambiente, mercado laboral e Administração Pública.


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the Fountainside diz que é impossível fazer obras sem barulho

Do lado de cá da fonte António Falcão | bloomland.cn

Muito se tem falado na protecção do património e dos edifícios históricos de Macau. No Lilau há uma obra em curso que se tem rodeado de alguma polémica e tirado o sono a muitos moradores da zona. O Hoje Macau tenta esclarecer mais uma vez esta matéria, agora com a ajuda do construtor

sociedade

A construção

António Falcão

antonio@hojemacau.com.mo

O “The Fountainside”, um edifício habitacional paredes meias com o Largo do Lilau, encontra-se em intensa fase de estruturação, no entanto, o projecto, entre queixas dos vizinhos e algumas manobras menos claras, tem estado envolvido em alguma polémica. Inicialmente, a ideia era deitar tudo abaixo, mas um alerta do Instituto Cultural, num processo que envolve sempre a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOP), que formula mais do que simples obrigações, determinou que se poupasse a fachada. Na convicção de João Afonso, director em Macau da empresa responsável pela construção do empreendimento, a Headland Development, tal decisão veio encarecer a obra substancialmente, num valor na ordem dos 10%, em relação ao orçamento inicial, oficialmente na fasquia de 158 milhões de patacas, onde já se incluem os 70 milhões despendidos na compra do terreno, em 2006. Acima de tudo, este é todo um processo que tem sido mantido pela via do diálogo, assegura João Afonso, há longos anos a trabalhar na área do imobiliário. “É um projecto muito interessante para Macau. Tivemos várias reuniões com o IC, oferecemos a nossa ideia e tivemos autorização

para a realizar, preservando a fachada.” Assim mantémse “o desenho português” para a posteridade, “com as suas janelas típicas de madeira”, como distingue o director da Headland, um bom conhecedor de toda a zona do Lilau, facto que assegura sem margem para qualquer suspeita. Em Setembro, duas questões surgiram a enevoar os planos da Headland. Primeiro o facto de que a dimensão da obra, com mais de 20 metros de altura, viria a prejudicar a zona classificada subjacente à Colina da Penha, área protegida da cidade de Macau e toda a zona nobre referenciada no património da UNESCO. João Afonso esclarece: “O projecto sempre foi muito claro. Este é um edifício de classe M e como tal não pode ir além dos seis andares. Sabíamos que se não fosse assim nunca iriam aprovar a sua construção”. Inicialmente e segundo informações recebidas pelo

parte das Obras Públicas”, organismo que assim está “sempre em cima dos acontecimentos”. Quanto ao seu projecto, assegura que tudo sempre esteve dentro da legalidade. Confessando por fim que “agora é quase impossível fazer uma obra sem licenciamento.” Quase?, quisemos saber. “Sim, de vez em quando vemos crescer apartamentos em cima dos prédios e a maioria deles não tem licença para isso.”

departamento de marketing da Sniper Capital, empresa que faz a gestão financeira do projecto, da qual João Afonso também é o director em Macau, o edifício teria oito andares. O responsável refere que tudo isso não passa de uma confusão. “Na metodologia técnica é na verdade um prédio de oito andares, mas dois deles estão em baixo, com duas caves para estacionamento.” A segunda questão refere-se à situação legal da aprovação da obra com a emissão devida da licença de construção. “Agora são precisas várias fases para construir um prédio”, explica João Afonso, referindo-se aos passos que é preciso caminhar para preencher todos os requisitos legais de uma obra de construção civil. Princípios que mudaram desde o descalabro da era Ao Man Long e que levaram o Governo e as obras públicas a mudarem os procedimentos técnicos de

licenciamento. “Primeiro é necessária a licença de demolição”, obtida pela empresa no princípio de Abril. Um processo que “dada a necessidade de preservar a fachada”, demorou quase três meses a realizar. Depois é preciso a licença para as fundações, cujas obras começaram há

obra. Um acordo posterior com a DSSOPT refere-se ao recuo de um metro e meio na largura do passeio, espaço dedicado aos peões na futura zona, a que a Headland acedeu de pronto, doando essa área, recebendo em troca um espaço com as mesmas dimensões a acordar com o Governo.

Em média, o pé quadrado situa-se nas 3600 patacas e que se repartem, além das moradias, entre apartamentos T0 a T4, para uma área total de 50 mil pés quadrados. Se por acaso quiser investir num pequeno estúdio de 800 pés terá de desembolsar perto de três milhões de patacas um mês e se vão prolongar até Fevereiro. Cada detalhe está inscrito no “caderno branco”, o boletim oficial que dá início aos trâmites de qualquer

João Afonso concorda com as mudanças ocorridas no que toca o processo de construção, que, para o responsável, se traduzem numa “maior eficácia por

Finda a fase de demolição e depois da inspecção da DSSOPT passou-se para o processo, aprovado em Outubro, de edificação das fundações. Esta etapa tem suscitado uma onda de protestos por parte dos moradores, que reivindicam a suspensão da obra. Devido ao ruído, aos constantes cortes de trânsito na rua do Padre António e à falta de concentração dos alunos da Escola Católica Estrela do Mar, sobranceira ao empreendimento da Headland. Nos últimos meses, as queixas têm ocupado as linhas telefónicas da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. A empresa - depois de reuniões tripartidas com os queixosos e representantes do Governo - comprometeuse a aliviar o barulho. E a mudança de maior monta passará pela utilização de estacas perfuradoras, que assim se irão debater com o terreno rochoso situado no sopé da Penha. João Afonso, sem mais soluções, diz que “é impossível fazer uma obra sem fazer barulho”, contrapondo que no local vai nascer um “edifício único” e que vai melhor a qualidade de vida de toda a zona. Esperam-se só mais três meses de suplício, até à próxima fase. O “The Fountainside”

Nos seis andares do projecto estão englobados 42 apartamentos e moradias de alto luxo. No caderno de apresentação, o director-geral da empresa sediada em Hong Kong, John Gunning, afirma que o “The Fountainside abraça a filosofia de preser-


Saúde | Alerta de suspensão de medicamentos para emagrecer Os Serviços de Saúde (SS) informaram ontem que não autorizaram a importação de seis medicamentos para emagrecer disponíveis em Hong Kong, mas ainda assim alertaram que os consumidores locais devem suspender imediatamente o uso dos remédios devido a substâncias que elevam o risco de doenças cardiovasculares. Os produtos em questão são Miaozi Qiantijiaonang, Leptin Slimup Fuel Coffee, Leptin Coffee Weight Loss, RELACORE – South African Hoodia Capsule, Rehuoshoushen II Xinzixilie Pilipeifang e Rehuoshoushen III Xinzixilie Boluopeifang. De acordo com análises realizadas na região vizinha, todos os medicamentos contêm a substância sibutramina, que inibe o apetite, mas tem efeitos colaterais graves.

vação da herança arquitectónica de Macau”. O projecto inicial, sem a fachada, aludia igualmente ao vale de tradições da arquitectura do início do século passado, típica da miscigenação encontrada localmente e que advém da presença portuguesa de mais de quatro séculos no território. O edifício existente no cimo do Lilau era bem símbolo disso. Marcava o desenvolvimento do bairro com um toque refinado, onde muitos empresários estrangeiros, grande parte de Hong Kong, acabaram por encontrar as suas residências de eleição, zona onde se incluía um pequeno hospital e uma igreja inglesa. Especialistas ouvidos pelo Hoje Macau acreditam que este tipo de edifícios, por serem “um marco da história local”, deveriam ser preservados para além da fachada. João Afonso não pub

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deixa de reafirmar que a sua empresa só quer “o melhor para Macau” e que está em sintonia com as autoridades do território para o desenvolvimento do local. Os números

No topo do bolo, na fachada preservada irá nascer quatro vivendas de três andares, com parque privativo, com uma área individual de 3500 pés quadrados. O preço? “Cerca de 7000 patacas por pé quadrado”, refere o director local da Headland e da Sniper. Contas de cabeça: 24 milhões e meio de patacas é quanto será preciso desembolsar para comprar a cereja do The Fountainside. João Afonso informa que já existem dois potenciais compradores. Mais contas, a venda das quatro moradias corresponde a 56%, arrecadado pela Sniper, do total investido no projecto. Um negócio da China, portanto.

Em média, o pé quadrado situa-se nas 3600 patacas e que se repartem, além das moradias, entre

apartamentos T0 a T4, para uma área total de 50 mil pés quadrados. Se por acaso quiser investir num

pequeno estúdio de 800 pés terá de desembolsar perto de três milhões de patacas. As boas notícias para o con-

sórcio, numa fase que ainda não foi aberto ao público, é de que 35% das habitações já estão compradas. Estes são os números de um negócio que, apesar dos protestos, irá trazer para o Lilau “uma mais-valia” e que marca a face de uma empresa com capitais ingleses que pretende assegurar em Macau uma boa fatia de rendimentos no imobiliário de alta qualidade. Um plano a longo prazo “sempre de mãos dadas com a RAEM”. Depois da Torre 6 do empreendimento One Central e deste The Fountainside, as duas empresas preparam-se para “atacar” o antigo prédio de habitação dos funcionários dos CTT, na esquina das traseiras do edifício dos Correios para aí edificar um centro comercial, segundo João Afonso, de “características especiais e virado para as energias verdes”: o Senado Square.


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sociedade

Arquivo Histórico organiza mais um ateliê de encadernação O Arquivo Histórico irá organizar um ateliê sobre encadernação no próximo dia 18, entre as 14h e as 17h. Não se exige nenhuma experiência anterior, mas os participantes deverão ter pelo menos dez anos. As inscrições podem ser feitas a partir do dia 13, mediante o pagamento de 20 patacas, no Arquivo Histórico de Macau na Praça de Tap Seac. O registo será feito por ordem de chegada. Pretende-se introduzir aos participantes as noções básicas de encadernação, uma das formas utilizadas para proteger o precioso património documental de Macau. Profissionais da área de conservação vão demonstrar esta técnica tradicional e ajudar os participantes no processo de criar um caderno com capa dura. No fim da sessão de três horas, os alunos poderão levar o seu caderno para casa.

Empregados de limpeza em greve no Venetian por melhores salários

kahon.chan@hojemacau.com.mo

Dezenas de empregados de limpeza do andar do casino no resort Venetian organizaram uma greve ontem para pedir salários mais justos para a equipa, durante a visita de Sheldon Adelson a Macau. Mesmo sem cartazes, cerca de uma centena de empregados uniformizados reuniram-se em frente à entrada principal do gigante empreendimento a partir das 11h e alguns só desmobilizaram à noite, depois de a administração ter prometido uma reunião no sábado com um funcionário sénior do escritório central de Las Vegas. Cerca de uma dúzia mantêm-se em greve e a Sands China não se mostrou disponível a aceitar as suas exigências até ao fecho desta edição. Num dia que era para ser especial para o Venetian

Revolução das vassouras Resort em Macau, com a visita do presidente Sheldon Adelson, mais de uma centena de prostitutas foram afastadas dos olhos do público antes das 7am, mas um grupo de trabalhadores de limpeza juntou-se na entrada principal para uma greve ao fim da manhã. Os 200 empregados que limpam o piso do casino e casas de banho, a maior parte dos quais de meia-idade, foram contratados pelo resort entre Julho de 2007 e 2009 e recebem actualmente 6150 patacas por mês, depois de terem sido aumentados em 150 patacas há dois meses, quando os trabalhadores imigrantes também tiveram pub

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HM-2ª vez 10-12-10 PROCESSO: Execução Ordinária

CV3-09-0021-CEO

kahon chan

Kahon Chan

os seus salários aumentados para o mesmo nível do dos locais, pela primeira vez. O problema é que cerca de 20 outros trabalhadores locais nas mesmas tarefas da linha da frente recebem 6583 patacas e, apesar de dois meses de exigências dos trabalhadores e da Federação das

Associações dos Operários de Macau (FAOM) para reduzir essa disparidade, a administração respondeu com um “não”. Numa reunião entre a administração, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), e os trabalhadores a 22 de Novembro,

a Sands China recebeu um último aviso de que uma greve estaria iminente se os salários não fossem nivelados em 10 dias. Os trabalhadores, liderados pelo antigo electricista Lam Sek Nam, acabaram por propor uma acção de apresentação de uma carta (essencialmente de protesto) ao Governo de Macau, ontem, para coincidir com a visita de Sheldon Adelson, tendo sido os meios de comunicação alertados para cobrir o evento. Ontem de manhã, os recursos humanos falaram com os representantes dos trabalhadores durante mais deu uma hora, sem que houvesse sinais de avanços. Depois de um contratempo com uma faixa, que Lam tinha deixado num cacifo para depois descobrir que a fechadura havia sido trocada, o líder do protesto juntou-se aos outros manifestantes por volta das 14h e a apresentação da carta foi cancelada e substituída por

uma acção grevista no local. “Têm medo de retaliações?”, perguntou Lam em voz alta para os colegas, que gritaram em uníssono: “Nãããão!” Tam Pou Iong, directorageral da Associação de Empregados das Empresas de Jogo de Macau, manifestou apoio às exigências dos funcionários e acrescentou que a Sands China devia retomar os pagamentos para o fundo de pensões dos restantes empregados. A responsável afirmou que a postura da Sands era provavelmente legal, mas não razoável. Tam e o deputado da Assembleia Legislativa (AL) Ng Kuok Cheong não apoiaram qualquer greve, mas apelaram ao Governo para que voltasse a negociar com ambas as partes de forma activa. Ao fim do dia de ontem, a Sands China e os empregados de limpeza acordaram com a DSAL em voltar a reunir amanhã de manhã para buscar uma resolução para o diferendo.

3º Juízo Cível

EXEQUENTE/請求執行人: DBS BANK (HONG KONG) LIMITED, com sede da Região Administrativa Especial de Hong Kong e representação permanente em Macau, R.A.E., na Rua de Santa Clara, nº.s 5-7E, Edifício Ribeiro, Lojas C e D.----------------------------------------------------------------EXECUTADOS/被執行人: 1-澳特投資置業有限公司, sociedade comercial com sede em Macau, na Avenida da Amizade, Edifício “Nam Fong”, 1º. Andar fracção “X”;--------------------------------------------2-LAM SAI HAK, com domicílio em Macau, na Avenida Ouvidor Arriaga, Edifício “Ngan Lim Yun”, 4º andar, fracção “E”;------------------------------------------------------------------------------------3-LI ZHEN NI, com domicílio em Macau, na Avenida da Amizade, Edifício “Nam Fong” 16º andar “B”.-4-LAM TENG KIO, com domicílio em Macau, na Areia Preta, Edifício “Pak Lei San Chun”, Bloco H, 14º. Andar, fracção “Y”.------------------------------------------------------------------------------*** FAZ-SE SABER que, nos autos acima indicados, são citados os credores desconhecidos dos executados, acima identificados, para no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto dos bens e direitos penhorados sobre que tenham garantia real, e que são os seguintes:-------------------------------------------------------------------------------BENS e DIREITOS PENHORADOS: (1) Denominação: Fracção autónoma, designada por “A-R/C”, “8-R/C” e “AC/V”---------------------- Fim: Para comércio.---------------------------------------------------------------------------------------------- Situação: Rua Alves Roçadas nº 7 a 7-A e Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida nº 66-B, Macau. Número de matriz: 70079.------------------------------------------------------------------------------------- Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 10322, a fls. 197 do Livro B-27.(2) Denominação: Fracção autónoma, designada por “E4”, do 4º andar E.-------------------------------- Fim: Para habitação.---------------------------------------------------------------------------------------- Situação: Avenida Ouvidor Arriaga nº 12 a 12-H, Macau.-------------------------------------------- Número de matriz: 37340.-------------------------------------------------------------------------------- Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 12404, a fls. 93-V do Livro B-33.---(3) Denominação: ½ Fracção autónoma, designada por “B16”, do 16º andar B.--------------------------- Fim: Para habitação.--------------------------------------------------------------------------------------- Situação: Av da da Amizade n.ºs 985, 991 a 1057C e Rua Xiamen n.ºs 2, 6, 18-A, 18-B a 18J, Macau. Número de matriz: 71656.----------------------------------------------------------------------------------- Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22104, a fls. 25-V do Livro B-110A.---(4) Denominação: ½ Fracção autónoma, designada por “Y14”, do 14º andar Y.------------------------- Fim: Para habitação.--------------------------------------------------------------------------------------- Situação: Rua dos Hortelãos, n.ºs 144, 150, 154 a 248, Alameda da Tranquilidade nºs. 77, 81, 87, 93, 99 e 103, Avenida do Hipódromo nºs. 217, 221, 225 a 291 e Avenida da Longevidade nºs. 420, 426, 430 a 448, Macau.---------------------------------------------------------------------------------------- Número de matriz: 71593.------------------------------------------------------------------------------------ Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22074, a fls. 103 do Livro B-124.(5) Veículo automóvel com a matrícula MJ-83-55 da marca Mercedes Benz, modelo C200 KOMPRESSOR A/T.-----------------------------------------------------------------------------------(6) Depósitos bancários titulados pelos Executados, no “Guandong Development Bank”, no “Industrial and Comercial Bank of China Limited”, no “Banco Comercial de Macau, S.A.”, no “Banco Nacional Ultramarino, S.A.”, no “Bank of China Limited – Macau Branch”, no “Banco Tai Fung”, no “Banco Weng Hang S.A.” e no “DBS Bank (Hong Kong) Limited”------------------------------------------------------------------***

mais investimento no combate à violência doméstica

Há protecção mas sem lei Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

A Comissão Consultiva para os Assuntos das Mulheres (CCAM) reuniu ontem, e pela segunda vez este ano, no Centro de Actividades Turísticas de Macau. Da revisão do que foi feito pelo organismo que “faz a ponte entre as mulheres de Macau e o Governo”, segundo explica a secretária-geral Marine Tang, saíram algumas conclusões mas poucas novidades. Tang recordou que está para breve a publicação do mais recente estudo da Comissão, sob responsabilidade da Universidade de Macau, que fornecerá uma visão abrangente sobre a situação actual da população feminina no território. Questões sobre carreira, rendimentos e situação familiar foram feitas a um universo de “pouco mais de mil mulheres” com idades compreendidas entre os 15 e os 74 anos. O objectivo é também fazer

uma comparação entre os resultados de 2010 e os do último estudo, de 2008, “para perceber os progressos e decidir que tópicos discutir nas próximas reuniões”, explicou Marine Tang. Ainda em fase de análise de dados, a secretária-geral adiantou que os resultados deverão estar prontos “no início do próximo ano”. NOVA LEI

A violência doméstica foi um dos temas em cima da mesa da Comissão Consultiva para os Assuntos das Mulheres. Uma nova lei dedicada à protecção das vítimas deste flagelo, que inclua ordens de restrição sobre os agressores por exemplo, é a proposta que está agora a ser desenvolvida e passada para o papel pelos juristas que integram a Comissão. Tudo com o apoio de André Cheong, director dos Serviços de Assuntos de Justiça, e o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Cheong U. “Há protecção mas não há uma lei”, apontou

Marine Tang. “Pedimos inclusive que seja feita uma maior promoção pública do problema”, acrescentou. Através de cartazes, por exemplo, para que as pessoas sejam informadas e tenham noção dos seus direitos. Mas a secretária-geral não soube especificar qual o número de mulheres que são vítimas de violência doméstica no território, mas justificou que “é um problema comum a todas as sociedades”. Outro plano da Comissão é o de criar, a curto prazo, “uma publicação regular para partilhar com o público os assuntos das mulheres”. Problemas familiares, igualdade de oportunidades ou violência doméstica serão alguns dos assuntos abordados. “Ainda não sabemos que regularidade terá mas em breve comunicaremos esses dados”, referiu Tang.


Depósitos dos residentes e não residentes aumentam em Novembro

sexta-feira 10.12.2010

Os depósitos de residentes cresceram 3,3% durante o mês de Novembro, atingindo as 239,2 mil milhões de patacas. Os depósitos em patacas caíram 0,5% e os depósitos em dólares de Hong Kong e em outras moedas ascenderam 5,6% e 2,0%, respectivamente. Os depósitos dos não residentes aumentaram 4,4% para 76,1 mil milhões de patacas e os depósitos do sector público da actividade bancária de Macau ascenderam 6,2%, equivalendo agora a 21,5 mil milhões de patacas. O total dos depósitos da actividade bancária registou um crescimento de 3,7%, atingindo 336,8 mil milhões de patacas. A proporção da pataca e do dólar de Hong Kong nos depósitos globais foi de 23,4% e 47,2%, respectivamente.

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Acordos na aviação estimulam desenvolvimento, mas voos para Lisboa de fora

Macau voa para melhor joana.freitas@hojemacau.com.mo

A aposta é no desenvolvimento do sector da aviação e Macau serviu, pela terceira vez, como a plataforma ideal para a troca de experiências entre as empresas da China, Portugal e países de expressão portuguesa. No terceiro dia da Conferência, a ANA -Aeroportos de Portugal e a Companhia do Aeroporto de Macau (CAM) assinaram um acordo de parceria estratégica que visa uma maior colaboração comercial. Para o administrador da ANA, Heitor da Fonseca, “vale a pena esta aposta” entre a RAEM e Portugal, já que a “gestão do aeroporto da RAEM é um sucesso” e o território pode servir como uma “plataforma para a China dos produtos provenientes de Portugal”, isto é, servir de intermediário para comercializar os projectos portugueses para o continente. Heitor da Fonseca sublinhou também o desejo de prolongar o contracto de colaboração, que termina em Setembro do próximo ano, entre a CAM e a ANA, que é das poucas empresas portuguesas ainda a traba-

lhar em Macau. Além de pretender expandir as actividades entre os dois países, o administrador foca-se agora em criar uma associação que constitua um apoio ao desenvolvimento do sector para todos os países do Fórum Macau. Um “evento anual, formação especializada para os quadros superiores e seminários de alto nível” são as ideias do responsável português. Alta tecnologia e combustíveis baratos

Liu Suning, presidente da CAM,

e Zhou Rucheng, presidente da Companhia Nacional da China de Distribuição de Combustível de Aviação, celebraram um acordo no âmbito da cooperação técnica relativa ao abastecimento dos aviões do Aeroporto de Macau. Este acordo poderá tornar os preços da gasolina mais acessíveis e fazer com que “Macau fique mais competitivo no sector da aviação”, desejo sublinhado por António Rato, responsável das relações internacionais da CAM, no primeiro dia da Conferência.

Queixas por fumos oleosos levam a estudo científico

Sebo a quanto obrigas Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

Macau está com gordura a mais. Isso tem sido verificado com o aumento contínuo do número de queixas relativas à emissão de fumos oleosos, principalmente junto das habitações. Em 2009, o número de casos foi seis vezes superior ao que aconteceu em 2004, sendo que 48% desse valor está associado à poluição causada por estabelecimentos de restauração – 83% das queixas referem-se à polui-

ção causada por restaurantes de pequena dimensão localizados no rés-do-chão. As reclamações continuam a crescer e já este ano, até Novembro, o número valor foi suplantado em um ponto percentual. Na sequência deste cenário, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) solicitou ao Instituto para o Desenvolvimento e Qualidade de Macau uma investigação aos fumos oleosos emitidos por esses estabelecimentos de restauração. “Queremos controlar a partir

da fonte. Pretendemos com isto uma eficiência de 90% nos resultados”, disse o chefe do Departamento de Controlo da Poluição Ambiental da DSPA, Ip Kuong Lam. Com base no estudo, prevê-se que durante o próximo ano – com conclusão no quarto trimestre – se realizem experiências em locais piloto, no sentido de avaliar a eficácia dos equipamentos. “Temos de investigar ‘in loco’ os equipamentos de controlo de fumos oleosos e analisar a concentração de fumos, observar as expe-

Entre as empresas que formalizaram os acordos, os projectos centram-se na intervenção ao nível da formação profissional na área de gestão do tráfego aéreo e da própria gestão aeroportuária, na colaboração com os países de expressão portuguesa menos desenvolvidos e na área da tecnologia. Segundo declarações de Carlos Beja, director da NAV, à Lusa a empresa pretende exportar tecnologia já implementada nos aeroportos europeus para a China. Engenhos como o “free route”, que permite aos aviões provenientes da Europa e com destino a Lisboa pedirem uma rota directa, economizando, assim, combustível e reduzindo as emissões de CO2 é uma das medidas possíveis de transportar para o território. Turismo na mira

A conexão entre o sector aeroportuário e o turismo foi outro dos assuntos na ordem do dia e, para contentamento dos convidados, houve um reconhecimento da necessidade de empenhar esforços nesta área. Para João Costa Nunes, director da Direcção dos Serviços de

Turismo, o Aeroporto Internacional de Macau é fundamental para a diversificação dos mercados de origem turística e tem o potencial para continuar a fazer do território um centro de turismo e lazer. Costa Nunes relembrou ainda que desde a construção do aeroporto, em 1995, os voos intercontinentais, nomeadamente os directos de Lisboa, fizeram com o que a RAEM se tornasse internacionalmente conhecida como destino de passeio. Para já, a ligação de Macau a Portugal rende-se apenas à tradição histórica entre os dois países e não foi desta vez que se repensou nas ligações aéreas directas entre Portugal e os Países de Língua Portuguesa e Macau. Isto porque, na opinião de António Rato, não há dimensão económica para se fazer escalas no território. Em entrevista ao Hoje Macau, o responsável preconizou ainda a necessidade de “qualquer sítio como Macau precisar de uma companhia aérea forte” e de ser imperativa a existência de ambição por parte da Air Macau. Desde a perda do mercado australiano e vietnamita que os voos para Macau baixaram e com a extinção dos voos para Taiwan estima-se que se tenham perdido mais de um milhão de passageiros por ano. Por agora, o Governo tem mais um projecto para 2011, disse António Rato ao Hoje Macau, que visa expandir a área do aeroporto dedicada aos voos executivos. O secretário-geral do Fórum, Chang Hexi, comprometeu-se a empenhar todos os esforços para continuar a promover as colaborações entre a China e o Países de Língua Portuguesa neste sector.

Gonçalo lobo pinheiro

Joana Freitas

Joana Freitas

A 3.ª Conferência de Aeroportos da China e dos Países de Língua Portuguesa encerrou ontem com a assinatura de acordos entre as principais empresas do sector. A Navegação Aérea de Portugal, a ANA Aeroportos e a Companhia do Aeroporto de Macau passam agora a celebrar protocolos de cooperação para a formação profissional, parcerias na área de abastecimento de combustível e delineiam estratégias comerciais

riências de outras regiões e avaliar as bocas de saída dos equipamentos, entre outras coisas. Precisamos definir critérios e analisar os valores de poluição. Cada caso é um caso. Através do estudo científico vamos estabelecer normas técnicas que nos permitam agir para cada

sociedade

situação”, afirmou ontem o responsável aos jornalistas. As Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2011 já deram a conhecer que serão disponibilizados cerca de 100 milhões de patacas para o Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética

(FPACE) e este projecto vai ter comparticipação desse fundo. “Planeamos conceder apoio financeiro a projectos de pequenos e médios estabelecimentos de restauração, através do FPACE, com vista a melhorar esta situação”, apontou Ip Kuong Lam. A principal causa da poluição dos óleos prendese com a estrutura do centro urbano de Macau, caracterizado por ruas estreitas que dificultam a dissipação dos poluentes, segundo os especialistas. “Os estabelecimentos de restauração concentram-se, na sua maioria, nas áreas residenciais e comerciais de alta densidade populacional e, principalmente, nos bairros antigos”, recordou Ip Kuong Lam.


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desporto

Futebol | Torneio da Soberania arranca esta tarde

Duelos, derbies e coisas que tais Marco Carvalho

info@hojemacau.com.mo

A edição de 2010 do Torneio da Soberania tem o seu arranque agendado para o início da tarde de hoje, no relvado do Complexo Desportivo de Macau e o cartaz da primeira ronda da prova não podia ser mais aliciante, com vários encontros de monta a prometer competitividade do princípio ao fim do evento. O sorteio para o principal certame organizado pela Associação dos Veteranos do Futebol de Macau foi realizado ao fim da tarde de ontem e determinou vários desafios de interesse, a começar pelo encontro que opõe as velhas glórias do Sport Club Marítimo e os antigos craques dos relvados de uma das principais potências futebolísticas do continente asiático, a Coreia do Sul. As duas formações são nada mais nada menos do que as duas principais candidatas à vitória na décima edição do Torneio da Soberania para Veteranos, uma prova criada com o intuito

de celebrar o 11º aniversário da transferência de administração do território entre Portugal e a República Popular da China. A Coreia do Sul foi a a grande vencedora da nona edição da prova, disputada há um ano, depois de ter derrotado no encontro decisivo da competição uma representação de Pequim por duas bolas a uma. O onze sul-coreano aproveitou a ausência do Sport Clube Marítimo para reivindicar um lugar ao sol no palmarés da competição,

depois de três anos consecutivos em que a formação madeirense não encontrou rivais à altura na caminhada para o título. O conjunto maritimista reivindicou três triunfos consecutivos em outras tantas deslocações a Macau e voltou este ano a rumar ao Oriente com o objectivo de juntar mais um triunfo a um já vasto palmarés. A décima edição do Torneio da Soberania inaugura um novo modelo competitivo, com as oito formações que discutem o troféu a

Os Jogos de hoje

Cantão Taiwan (Torneio da Soberania) Malásia Singapura (Torneio da Soberania por Convites) Marítimo Coreia do Sul (Torneio da Soberania por Convites) Macau Hong Kong (Torneio da Soberania)

serem divididas por duas provas distintas. Assim, Macau, Hong Kong, Cantão e Taiwan entram em campo para lutar pelo triunfo no Torneio da Soberania propriamente dito, enquanto que o Marítimo, a Coreia do Sul, a Malásia e Singapura

Futebol | Papua-Nova Guiné chegou ao Mundial de Clubes

evoluem no Torneio da Soberania por convites. No domingo, os vencedores de ambas as provas encontram-se para determinar o nome do vencedor absoluto da edição de 2010 da competição, mas sejam quais for os resultados

obtidos nos encontros de hoje e de amanhã, há uma certeza que já ninguém pode contrariar: dos principais candidatos ao triunfo na prova, um fica já hoje pelo caminho, uma vez que os novos regulamentos da competição favorecem o formato a eliminar em detrimento do formato round robin. Marítimo e Coreia do Sul protagonizam por volta das 16h20 o principal desafio da jornada inaugural do 10º torneio da Soberania, mas as emoções fortes no relvado do Canídromo não se cingem ao encontro entre madeirenses e sul-coreanos. Cantão e Taiwan inauguram as hostilidades ao início da tarde e às quinze horas é a vez de Malásia e Singapura protagonizarem em Macau um dos mais apetecidos derbies do Sudeste Asiático. A ronda inaugural da prova encerra com outro grande duelo do desporto-rei do continente asiático, o sempre apetecido confronto entre as velhas glórias do futebol de Macau e os antigos craques dos relvados da vizinha Hong Kong.

Ténis | Troféus roubados a Pete Sampras

Ninguém lá acredita no milagre Relíquias sem paradeiro Na Papua-Nova Guiné, o râguebi é o desporto-rei. A electricidade é um bem escasso e, em algumas cidades, não existe rádio, Internet nem televisão. A população de Koparoko, terra natal de Kema Jack, uma das estrelas do Hekari United, é o espelho da pobreza e da incredulidade da região perante o inédito apuramento da equipa papuásia de futebol para o Mundial de Clubes. “Os habitantes conhecem os grandes clubes do mundo, mas uns acham que estou a inventar a história de que nos qualificámos”, confessou o jogador, entrevistado pela FIFA. Mas não é invenção. Ontem, o Hekari

United fez história, mesmo perdendo 3-0 no jogo de estreia do Mundial de Clubes de 2010. Fundada há apenas sete anos, a equipa conquistou uma vaga na competição em Maio, depois de uma vitória histórica na Liga dos Campeões da Oceania, tornando-se a primeira formação a ganhar esta prova, sem ser oriunda da Austrália ou da Nova Zelândia. Desde então, chegaram ao clube 14 novos reforços, mas, nas suas fileiras, militam ainda oito jogadores amadores. O guarda-redes principal, Simione Tamanisau, tirou férias do seu emprego como polícia nas ilhas Fiji para poder estar presente ontem no Abu Dhabi.

Na Papua, quem se deslocou até à capital, Port Moresby, para assistir à partida no pequeno ecrã viu o Al-Wahda pôr um ponto final na odisseia dos papuas. O sonho do Hekari durou 90 minutos. Os tetracampeões da Papua-Nova Guiné foram derrotados por 3-0, frente aos anfitriões, e disseram adeus à prova logo na estreia. A equipa mais internacional de sempre a representar a Oceania conta com jogadores de Fiji e das Ilhas Salomão. Para a maioria, no entanto, foi a primeira experiência no estrangeiro, onde os heróis da Papua-Nova Guiné esperam voltar um dia. Talvez para o ano.

Pete Sampras, vencedor de 14 torneios do Grand Slam na década de 90, perdeu alguns dos seus mais importantes troféus após um

assalto ao armazém em Los Angeles onde guardava grande parte dos galardões. Entre os objectos desaparecidos, destaque para o primeiro dos dois troféus conquistados por Sampras no Open da Austrália, em1994. Foram, porém, roubados muitos dos 64 galardões arrebatados pelo americano: as duas Taças Davis conquistadas ao serviço dos EUA (1992 e 1995) e os seis troféus recebidos por terminar a época na liderança do ranking (entre 1993 e 1998). Retirado da competição em 2002, Sampras confessa que este roubo é mais doloroso do que o dia em que arrumou as raquetas. “É como se me tivessem tirado a história da minha vida no ténis.”, lamentou.


Fórmula 1 | Duas equipas Lotus disputam Mundial 2011 O Grupo Lotus anunciou o regresso à Fórmula 1 após conseguir um acordo com a Renault que dará nome à equipa em 2011. A ‘escuderia’ passará a ser conhecida por Lotus Renault GP Team, após a empresa ter comprado acções da equipa que pertenciam ao Genii Capital, fundo de investimentos de Gerard Lopez. O contrato entre ingleses e franceses tem validade até 2017 e a fábrica gaulesa comprometeu-se a fornecer os motores. O Grupo Lotus escolheu as lendárias cores preta e dourada da Jonh Player Special para a pintura do monolugar. O problema é que a Lotus Racing, pertencente ao malaio Tony Fernandes - e que este época competiu com o nome Lotus-Cosworth - já havia anunciado que usaria também o esquema de pintura da época do patrocínio da mesma marca, assim como motores Renault, em 2011.

Derrota frente ao Braga no domingo pode levar à demissão

Jesus proibido de perder A continuidade de Jorge Jesus como treinador do Benfica depende em grande medida daquilo que a equipa fizer domingo, frente ao Sp. Braga, em partida referente à 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Aeventual eliminação prematura nesta prova, que os encarnados não vencem desde 2003/04, levará a SAD a reequacionar toda a estrutura do futebol, a começar pelo treinador, que ficou ainda mais fragilizado após a derrota de anteontem frente ao Schalke 04, que quase custava a entrada do Benfica na Liga Europa. Esse objectivo mínimo foi alcançado graças ao empate do Lyon frente ao Hapoel nos últimos minutos, mas ficou claro que Jorge Jesus perdeu boa parte da margem de manobra que ainda gozava junto dos adeptos. Prova disso é o facto de quase ter sido atingido por uma garrafa de pub

água arremessada da bancada, logo após o apito final do árbitro no jogo com os alemães. O presidente Luís Filipe Vieira não assistiu ao jogo com os alemães, que marcou a despedida da equipa da Liga dos Campeões, no Estádio da Luz, uma vez que estava no Brasil, de onde regressou ontem de manhã, tendo estado no centro de estágio do Seixal ainda antes do almoço. O líder encarnado ficou bastante irritado com mais esta derrota - a nona em 21 jogos oficiais esta época -, razão pela qual a avaliação daquilo que tem sido o rendimento da equipa será feito depois de 18 de Dezembro, dia do jogo com o Rio Ave, a contar para a 14.ª jornada da Liga, que marca o início de umas mini-férias do plantel, que regressa ao trabalho a 27 de Dezembro. Se o Sp. Braga afastar o Benfica

da Taça de Portugal, é bem possível que no primeiro jogo do novo ano, em casa com o Marítimo para a Taça da Liga, já não seja Jorge Jesus a orientar a equipa. Isto apesar de Vieira ter recentemente dado um voto de confiança ao treinador, garantindo que seria com ele que pretendia “continuar a ganhar”. Só que, nesta altura, a equipa contabiliza apenas mais três vitórias (12) do que derrotas (9)... Se a SAD decidir partir para a rescisão do contrato com Jorge Jesus, os cinco milhões de euros que o treinador terá direito a receber por quebra do vínculo não serão problema. Não é que o Benfica esteja a “nadar” em dinheiro, mas entende que deverá assumir a ruptura se o sucesso mínimo da época, em termos desportivos, ficar seriamente ameaçado. E o adeus à Taça de Portugal seria um rude golpe...

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Del Bosque ganha a Bola de Ouro a Mourinho

Ainda não é desta, Zé!

À semelhança do que havia feito na eleição do melhor jogador, o jornal italiano “La Gazzetta dello Sport” adianta o anúncio para o melhor treinador do mundo de 2010 para a FIFA e a revista “France Football”. Já era uma notícia esperada que o seleccionador da Espanha iria ganhar a Bola de Ouro FIFA 2010. E o jornal italiano “La Gazzetta dello Sport” veio confirmar esta

quinta-feira. Aliás, à semelhança do que havia feito com o vencedor do prémio para o jogador Iniesta, que irá arrecadar o galardão na gala do próximo dia 10 de Janeiro em Zurique. Vicente del Bosque, segundo aquele jornal italiano, é o melhor treinador do ano 2010, superando a corrida ao treinador português José Mourinho, que fica em segundo lugar, à frente do técnico do Barcelona Pep Guardiola, na terceira posição. O seleccionador espanhol que levou a Espanha a conquistar o Campeonato do Mundo na África do Sul, foi o mais votado pelos seleccionadores europeus e capitães das 58 federações europeias da UEFA. Del Bosque conta também com o apoio maioritário das selecções que integram as confederações sulamericanas (CONMEBOL) e América Central (CONCACAF).


Comparações:

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cultura

António Falcão

antonio@hojemacau.com.mo

O assunto surgiu nas últimas Linhas de Acção Governativa (LAG) da boca do presidente do Instituto Cultural (IC), Guilherme Ung Vai Meng, e visa sobretudo a implementação, a longo prazo e a uma escala mais larga, das tão apetecidas indústrias criativas, começando pela formação artística na base da educação. “Pretendemos que os conhecimentos sejam dados aos alunos do ensino primário, tal como na Finlândia, onde as crianças começam a aprender como apreciar uma bela obra de arte (...) e tentar tornar Macau numa cidade sustentável no domínio criativo”, afirmou na Assembleia Legislativa na semana passada. Para quem está com pressa e espera pela edificação de um modelo de rápido sucesso, que conduzam as indústrias criativas para o território como quem faz apenas uma viagem, este não é o local para se estar, os resultados em Macau só serão sentidos a longo termo. Determinado, mas com “prudência”, o Executivo segue o seu caminho passo-a-passo e a aposta na educação, com um forte ramo dedicado ao ensino das artes, é o princípio de toda o empreendimento. Olhos atentos

Chad Leslie, norte-americano, a viver em Macau há tempo suficiente para conhecer as especificidades locais como a palma da sua mão, tem experienciado e gerido diversos projectos da área do ensino artístico, tanto dedicados a crianças como a adultos. A seu ver, o contacto com a arte “em estados primários” preenche “um papel fundamental no progresso de aprendizagem dos mais jovens”, que não só lhes incute um lado mais “positivo no seu desenvolvimento como seres humanos”. Também introduz elementos fundamentais para o seu futuro na engrenagem social como “a auto-estima, a auto-confiança, a resolução de problemas e a supressão de desafios” com um componente importante no melhoramento das “capacidades linguísticas”. “Já é tarde”, afirma Margarida Saraiva de imediato, especificando que “está cientificamente provado em várias

Plano do Governo para implementar criatividade passa pelo ensino básico

De pequenino se torce o pe áreas do saber que o ensino da arte promove o desenvolvimento da criatividade”. Formada em História mas com uma vida profissional ligada às artes, tem vindo a implementar no seu local de trabalho, no Museu de Arte de Macau, alguns projectos na área do ensino artístico infantil. Apesar da urgência com que dita a sua sentença, acredita que a atitude do Governo de Macau é o caminho certo a seguir, mas que depende muito da “formação dos professores no ensino da criatividade”, a quem deve ser dada “liberdade para explorar multi-disciplinarmente o que todas as opções permitem.” Sublinhando que é necessário todo um processo de aprendizagem tanto para

a qualificação das pessoas envolvidas no ensino, como para a “definição de prioridades e direcções a tomar” que definam as bases da educação da arte desde o ensino primário. E para isso é necessário “insistir na criatividade das pessoas”, incentivando todo um processo que apesar de poder ter um “início mais o menos balbuciante, terá tendência para melhorar”, abrindo caminho para outras amplitudes. Chad tem a mesma opinião relativamente ao método a implementar, que depende muito da estrutura educativa a seguir, sugerindo que se olhe para os exemplos dos outros países, onde alguns projectos com os mesmos objectivos falharam redondamente porque não se adaptaram às caracte-

rísticas culturais específicas de cada território. As experiências no ensino das artes não é uma novidade, aliás vem muito de trás, como recorda Chad Leslie, “remontando à época clássica greco-romana”, altura em que a arte fazia parte da vida citadina, vivendo imiscuída na maioria das componentes do quotidiano. “Facto que se perdeu com a Revolução Industrial”, debita Leslie, “Criaram-se uma série de buracos na sociedade, perdendose a habilidade para aceitar a complexidade”, reflecte. De um modo geral, o ensino da arte delineia o quadro de um mundo melhor. “Fomentando a linguagem e o pensamento livre, com um maior entendimento das palavras faladas.” Chad destaca

ainda o desenvolvimento do “pensamento em abstracto, essencial na geração dos nossos dias, baseada no estímulos visuais e na internet”. Margarida Saraiva aponta a música como um dos exemplos mais válidos para explicar todo este objectivo, que depreende “o desenvolvimento matemático, e por sua vez o desenvolvimento emocional e do raciocínio”. Isso pode surgir igualmente “por via da música dança, pintura...”, elevando “o ensino inter-disciplinar situado nas fronteiras entre as artes”. Especificidades locais

No caso específico de Macau, e em muitas outras culturas asiáticas, o pensamento livre não estão imbuído na cultura local. Apesar da arte se ensi-

O excelente exemplo do modelo finlandês A Finlândia é reconhecida mundialmente pela adopção de um modelo de educação superior, inscrito de um modo geral no topo dos rankings. O seu sistema tem o horário mais curto de ensino formal na Europa e os melhores resultados educacionais. As crianças finlandesas permanecem na mesma classe e com o mesmo professor pelo menos seis anos - o que torna a escola como uma extensão da casa. Os professores são completamente autónomos no seu método, que se reflecte na escolha dos materiais e na pedagogia a utilizar. As crianças aprendem a brincar e a experimentar em grupos, como numa aula de ciências, sendo esse período uma fase importante da aprendizagem. Há muitas pausas e mesmo no Inverno são encorajadas a brincar ao ar livre. Desenvolve-se a auto-confiança e mesmo nas cantinas os alunos são autorizados a cuidar de si próprios. É dada especial atenção à música, ao desporto e às artes. Não se trata, no entanto, de um modelo único, mas que se vai adaptando em pequena escala. Os alunos raramente têm mais de meia hora de trabalhos

para casa, não usam uniformes escolares, nem se premeiam os melhores. Não existem aulas separadas para os superdotados, que podem aplicar as suas capacidades a ajudar os outros, seguindo um princípio de apoiar os alunos mais atrasados. Não há toques sonoros para assinalar o início das aulas ou os atrasos. Há poucos exames padrão e as crianças não começam a escola antes dos sete anos idade. O ensino das artes é implementado com determinação no ensino básico. Os objectivos e conteúdos são determinados em currículos nacionais elaborado pelo Conselho Nacional de Educação para nove diferentes formas de arte: música, artes literárias, dança, artes cénicas (circo e teatro) e artes visuais (arquitectura, arte audiovisual, visual artes e artesanato). Os prestadores de ensino público e privado para as artes recebem subsídios do governo com base no número confirmado de horas de aulas dadas. Sobre os resultados do sistema, um consultor de negócios finlandês referiu: “Nós podemos mudar o mundo, torná-lo mais

democrático, talvez com menos guerras e fome, e se pudermos fazer isso com a educação, vamos então fazê-lo através da dela, exportando os valores do ensino e da própria educação”. No ranking da OCDE referente ao Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) de 2009, a Finlândia está em 3.º lugar na área de leitura, em 5.º em matemáticas e em 2.º em ciências.

nar tanto pelo estímulo como pela repetição, “é preciso uma adaptação ao método de ensino nas escolas chinesas”. Chad Leslie alude a um panorama de “professores ‘esfomeados’ por novos desafios, mas que há que motivar a mudança”, recapitulando que o sistema local encara a “mudança” como totalmente separada do processo educativo. E nomeia alguns bons exemplos no domínio educativo em Macau, como o Colégio Anglicano, que tem vindo a fomentar um programa que incorpora o ensino artístico. A seu ver, os resultados são muito positivos com crianças motivadas para um interesse mais amplo e “cheias de confiança.” Carlos Simões, presidente da Associação de Pais dos Alunos da Escola Portuguesa (EP), refere que esta é já uma preocupação da EP, com algumas experiências no ensino das artes. “A Escola Portuguesa já adopta um pouco esse modelo, com alguma diversidade no ensino artístico, com actividades curriculares e extra-curriculares.” Não que a escola irá implementar um modelo finlandês mas que “já está nessa direcção”, referindo que “mais do que ensinar é preciso saber como utilizar esse conhecimento”. Carlos Simões realça ainda que é uma “ideia positiva” e que espera por um “plano concreto”. Para a frente

“Mais compaixão, numa sociedade com uma mente mais aberta, pelo que é e pelo que pode vir a ser.” É esta a conclusão de Chad Leslie, que espera sequiosamente pela introdução


Doninhas arrumam as botas Os portugueses Da Weasel, uns dos grupos que melhor souberam unir o hip hop ao rock, anunciaram hoje que puseram fim ao projecto, 17 anos depois da fundação, revelou a editora EMI. Em 2009, a banda de Almada tinha anunciado que faria uma pausa no projecto, depois de anos consecutivos de concertos e gravações discográficas, anunciando agora oficialmente o fim do grupo, restando aos fãs a discografia até agora editada e canções como “Good Bless Johnny”, Dúia”, “Agora e para sempre (a paixão)”, “Ressaca”, “Dou-lhe com a alma”, “Dialectos de ternura” e “Tás na boa”. Dos Da Weasel faziam parte parte João Nobre (Jay), Pacman, Virgul, Pedro Quaresma, Guilherme Silva e DJ Glue, com a participação no início de Yen Sung e Armando Teixeira.

Espectáculo Dragone de molho durante uma semana

Água a pingar no CoD

epino deste novo programa do Executivo. O professor refere que, no final, os alunos irão ganhar “perspectiva, questionando o ambiente que os rodeia”. Refepub

rindo que a educação pela arte será “reflectida noutras áreas da sociedade como a economia, política, as finanças, etc.” e que por esse prisma poderão ser avaliadas e entendidas de uma outra forma. O mesmo dita Margarida Saraiva, que aponta que a execução de todo um acto criativo “ajuda a resolver problemas e a aprender a pensar”, referindo ser “um pensar que fica para sempre”.

Suspenso desde a sexta-feira passada o espectáculo chamariz do City of Dreams (CoD), “The House of Dancing Waters”, retoma de hoje o seu programa usual. Em causa esteve uma falha técnica no mecanismo de elevação do tanque de água, a estrela maior de todo o programa. Facto que só foi conhecido pela organização duas horas antes do início do espectáculo. A produção assegura que o acontecimento não causou danos físicos em ninguém e que todos os procedimentos de segurança foram acatados. Uma equipa de manutenção tem efectuado testes complementares desde então, assegurando o normal funcionamento de toda a estrutura, facto que confirmou o reinício da programação do espectáculo de Franco Dragone, um dos mais caros do mundo. Contudo as queixas do público não deixaram de se fazer sentir, que pro-

testaram pelo facto de que só foram avisados do cancelamento do espectáculo momentos antes de entrarem para o teatro especialmente concebido para o efeito. Os espectadores afectados pelo cancelamento dos espectáculos posteriores foram reembolsados e realinhados em novas sessões, levando à implementação de um centro temporário no Shun Tak Centre em Hong Kong para a resolução do problema. O

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13 público reclama ainda que a CoD nunca anunciou oficialmente a suspensão do “The House of Dancing Waters”, que tem um custo diário na ordem das 800 mil patacas. A Direcção dos Serviços de Turismo recebeu cinco queixas na quarta-feira que foram reencaminhadas para a empresa Melco Crown para explicações mais pormenorizadas. Fontes da CoD referem que os problemas acontecem como noutras situações, minimizando todo o processo que levou ao cancelamento do programa. Há poucas semanas um acidente com uma das motorizadas envolvidas no representação levou à sua interrupção, com o acrobata a ser retirado em maca e o recinto a ser encoberto aos olhos do público que teve de esperar durante um longo período para que toda engrenagem fosse retomada. Face aos problemas, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, referiu que não existe nenhum entidade que supervisione continuamente o uso dos equipamentos e a pirotecnia usada no espectáculo da CoD.


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ideias l u z de i n ver n o Boi Luxo

JODOROWSKY

EL TOPO, 1970

Há neste filme, como em La Montaña Sagrada (1973) uma colorida obsessão triangular. Uma obsessão com uma forma geométrica que põe em contacto os mundos de cima e os mundos de baixo. Em ambos os filmes há um percurso ascensorial bem marcado que no primeiro tem imagem mais óbvia na própria forma da montanha e no esforço que no final se empreende de modo a ganhar o seu cume Enquanto os restantes animais inclinados contemplam a Terra, [Deus] concedeu ao homem um rosto sublime e consentiu-lhe que olhasse o céu e que levantasse o rosto para as estrelas. (Covídio). Este filme não é um western, ou não é apenas um western, disse-se algures. Mereceria um estudo exemplar sobre o modo como certos tópicos de alguns géneros se manifestam em filmes que os não exibem por completo ou que escolhem percorrer outros caminhos. Antigo profundo admirador do género, tanto na sua expressão mais tradicional como nas suas manifestações mais excêntricas, quando não bizarras, não hesito em classificá-lo como tal, certamente para profundo desprezo e total gozo do seu realizador. Há cavalos e pistoleiros que lutam contra a injustiça, uma cidade do Far West governada por uns velhos e umas velhas fascistas lúbricos com traços de Grosz, duelos à pistola, um percurso determinado a prcorrer para que se cumpra a conquista da mulher e uma música por vezes a coincidir com aquilo que lembramos do Spaghetti Western dos anos 60 e 70 (foram feitos, incrivelmente, na Europa, nestas duas décadas em que o género perdera vigor nos E.U., perto de 600 westerns) e do cinema hippy. Há também uma paisagem de dunas e rochedos que é um dos lugares típicos do género, longe da paisagem mais nortenha da

floresta nevada (que é outra das paisagens do western) e epidermicamente parecida à paisagem (e a alguma da música) árida, primordial e poética dos filmes de Pasolini (Medea é de 1969). Há neste filme, como em La Montaña Sagrada (1973) uma colorida obsessão triangular. Uma obsessão com uma forma geométrica que põe em contacto os mundos de cima e os mundos de baixo. Em ambos os filmes há um percurso ascensorial bem marcado que no primeiro tem imagem mais óbvia na própria forma da montanha e no esforço que no final se empreende de modo a ganhar o seu cume. O resto é uma colorida bugiganga místico-hippy que tem em La Montaña Sagrada, no entanto, uma intensidade muito superior, tanto na quantidade como na diversidade da bizarria das situações a das imagens com que o espectador é impiedosamente atingido. El Topo é muito mais comedido nesta intenção e pode até ser acusado de um certo depuramento. A coloração mística do filme, no entanto, não lhe retira o humor nem a maturidade. Se algumas das suas propostas hoje podem parecer um pouco patetas, a sinceridade com que o filme é construído e nos é entregue não o relega para o simples domínio da curiosidade. Se não merece o deslumbre não merece igualmente este paternalismo. No nosso tempo, em que há outros fascismos, mais difíceis de identificar do que aqueles

que aparecem neste filme, talvez menos directamente perniciosos mas provavelmente muito incomodativos a um prazo mais longo, este objecto de um chileno meio louco continua a demonstrar uma insuspeitada actualidade. O filme é inundado de um sol omnipresente intenso, o deserto de areia e a paisagem rochosa como templo natural onde se procura a ascensão, palco de um vasto grito gótico em direcção a um céu de um azul metálico que é o azul dos westerns onde se buscava também a pureza do Oeste antes de este ser revelado na sua totalidade. Este azul é também, pela via psicodélica e hippy, o forte azul cerúleo dos estados americanos como a Califórnia e os outros estados desertos, o Nevada e o Arizona. É que há um cinema californiano solar a par do cinema californiano noir. O herói (o próprio Jodorowsky com ar de quem se está a divertir) é instado pela mulher do filme a vencer um conjunto de provas - 4 duelos com 4 profetas - para que esta se lhe possa entregar por completo. Que no final a promessa não tenha sido cumprida não afecta ao desenrolar da estória. É este o núcleo e esta a segunda parte do filme, onde Jodorowsky continua a inscrever a paixão pelo surrealismo, pelo absurdismo e pelo psicodelismo que exibira na primeira parte, aquela que trata, muito autobiograficamente, da rejeição do filho.

Hoje, este tipo de filmes que combinam os topoi do western mais tradicional com algum do seu sucedâneo mais subterrâneo e alucinógeno próprio dos anos 60 e 70 tem um nome apetitoso: o acid western (o termo é recente e foi inventado a propósito de um filme de Jim Jarmusch – Dead Man). Durante estas provas persiste um dos aspectos poéticos centrais do filme que é a sua extrema violência. Como o próprio Jodorowsky não deixa de recordar, as coisas terríveis e as coisas belas andam muitas vezes a par. Contudo, é uma confusão e uma violência em que apercebemos uma piedade, perfeitamente credível e bondosa. A terceira parte do filme, que exibe também muita violência, é a parte pacifista. É a parte em que El Topo oficia, de crâneo rapado como um monge budista, a uma tentativa falhada de pacificação da terra. É a parte em que se imola pelo fogo perante um mundo doente que é o mesmo mundo que vemos em Persona, de Bergman (1966), onde se reproduz igualmente a famosa imagem do monge budista que se imolara em Saigão uns anos antes em protesto contra a guerra. É um fim mais amargo que o que nos é proposto no fim da escalada da Montaña Sagrada onde se guarda um grande segredo. Mas que outro fim se poderia esperar deste filme senão o de uma campa coberta de um enxame de abelhas e do seu dulcíssimo produto?


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15 Os raros buscam os virtualmente inexistentes; é por este motivo que, em mil anos, mal se vê um governo perfeito.

Capítulo 128 Lao Tzu disse: para se tornarem mestres de si próprios, os mais altos adeptos cultivam o espírito e, os de grau inferior, cultivam o corpo. Quando o espírito está claro e a mente calma, o corpo inteiro está em paz; esta é a raiz que alimenta a vida. Para engordar a carne, enche a pança e sacia os desejos dos ramos que alimentam a vida. A mais alta forma de governar uma nação é pela influência que nutre; logo abaixo está o governo pela lei justa. Quando as pessoas deferem entre si, competindo apenas em humildade, modéstia e trabalho duro – e assim se desenvolvem e melhoram dia após dia sem saberem porquê – tal é a raiz da ordem. Quando as pessoas são encorajadas à bondade através de lucrativas recompensas e impedidas de fazer o mal por medo de castigo, quando as leis são justas e as pessoas obedientes – tais são os ramos da ordem. Em tempos antigos, alimentavam-se as raízes; em tempos mais recentes, trabalha-se nos ramos. Capítulo 129 Lao Tzu disse: São raros os líderes que querem governar; ministros dignos de participar num governo são virtualmente inexistentes. Os raros buscam os virtualmente inexistentes; é por este motivo que, em mil anos, mal se vê um governo perfeito. A questão é que a realização bem sucedida da liderança é estabelecida apenas raramente. Se se seguirem as suas boas intenções, impedirem suas malícias, e se se agir em concerto com o povo ao longo de um único caminho, então, o povo poderá ser melhorado e os costumes embelezados. A razão pela qual os sábios são dignos de estima não é por formularem penalidades adequadas aos crimes, mas por saberem de onde vem a desordem. Se o seu gume afiado estiver exposto e lhe for permitido levar a melhor sem restrição, apenas à mercê da lei e dos castigos, tal vileza não poderá ser impedida, mesmo que destrua o mundo.

Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online em www.gutenberg. org.


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Ideias

16 per s pecti va s Jorge Rodrigues Simão

Cimeira de Cancún “If global temperatures continue to rise at their current rate, Earth will be one degree warmer within 10 years, two degrees warmer within the next 40 years and three degrees or more warmer before the end of the century. If the Earth’s temperature increases to three degrees warmer than the average preindustrial temperature, the impact on the planet will be catastrophic. Across the Earth, ways of life could be lost forever as climate change accelerates out of control..”

A

Hot Planet: Timely Look At Global Warming Ahead Of The Copenhagen Summit Iain Stewart and Kathy Sykes

pós as cheias do Paquistão e os incêndios da Rússia, a Europa é assolada por baixas temperaturas e muita neve. Rios congelam, estradas ficam obstruídas, escolas e aeroportos são encerrados, podendo ser o pior inverno dos últimos anos. Alguns países da América do Sul, ilhas das Caraíbas e o Istmo Centro-americano, são atingidos fortemente por fenómenos hidrometeorológicos. Enquanto o desespero cresce nessas regiões do globo, delegações de 194 países continuam reunidos a discutir comodamente, na Conferência número 16 da ConvençãoQuadro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudança Climática, e na Reunião das Partes do Protocolo de Quioto, conhecida por Cimeira de Cancún, iniciada a 30 de Novembro e que hoje termina. Perante a tristeza e a desmotivação criadas na Cimeira de Copenhaga, que se realizou entre 5 e 18 de Dezembro de 2009, as organizações ecologistas mantêm-se firmes e renovam os pedidos, para a realização de um acordo ambicioso, justo e juridicamente vinculante por forma a travar, entre outras situações, as emissões de dióxido de carbono (CO2). Os desafios da Cimeira de Cancún, são os de colmatar as exigências e seguir as linhas mestras exigidas essencialmente, pelas referidas organizações, que coincidem com o primeiro relatório de 1990 e subsequentes, realizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change, IPCC). A posição de países como os Estados Unidos, Japão, China e Índia, faz que as negociações avancem a um ritmo muito lento. Parece existir uma total falta de ligação, senão incoerência, entre o objectivo de reduzir o aquecimento global, e a insuficiência de compromissos internacionais em matérias como a suavização das suas causas, com a fixação de limites às emissões de gases de efeito de estufa e financiamento. Existe a vontade de diversos países de

realizarem progressos substanciais, tendo em vista actuar à sua escala nacional contra as alterações climáticas, e outros ao contrário, defendem a manutenção da situação actual. Os países industrializados são os maiores responsáveis pelas alterações climáticas aos quais se juntaram as grandes economias emergentes, e os incumbidos de propor um acordo alargado que cubra todos os temas em debate, equitativo e vinculante para vigorar entre 2012 e 2020, a fim de evitar uma lacuna jurídica, entre o primeiro período de cumprimento do Protocolo de Quioto, que vai de 2008 a 2012 e o novo acordo. Esse acordo internacional e juridicamente vinculante, tem a grande missão de salvar o clima e o planeta, e um dos requisitos que deve cumprir, é de que os países emissores históricos, reduzam as emissões de gases de efeito de estufa até 40 por cento, em relação à situação de 1990. O limite do aumento de temperatura deveria ser de 1,5ºC, referente aos níveis pré-industriais, para garantir que as alterações climáticas não sejam uma ameaça maior. O acordo político atingido na anterior Cimeira de Copenhaga, não resolveu o objectivo principal de estabelecer maiores e obrigatórios limites de redução de emissões de gases com efeito de estufa. A União Europeia (UE) deveria fortalecer os seus objectivos de reduções, atingindo pelo menos 30 por cento até 2020, em comparação com os níveis de 1990. Desde os começos da época industrial, os oceanos absorveram 30 por cento das emissões de CO2, e 80 por cento do calor criado pelos gases de efeito de estufa, o que se traduziu numa descida significativa do Ph marinho, fazendo que as águas se tornem cada vez mais ácidas. Os governos não conseguiram ainda, chegar a acordo sobre as acções a tomar em matéria de produção e tecnologias limpas para travar, prevenir, mitigar e facilitar a adaptação aos efeitos das alterações climáticas, e qual a forma de obrigar a mudança de comportamentos, face ao uso desmedido de recursos naturais não renováveis, como os combustíveis fósseis, as desflorestações, fontes de produção de gases de efeito de estufa, de uma geração produtora ilimitada de lixo. Alguns países acusam outros de serem os maiores geradores de gases no seu processo de desenvolvimento, atribuindo-lhes a responsabilidade de contribuir em maior proporção, para o desenvolvimento limpo e sustentável dos países menos desenvolvidos, com direito a prosperar de forma sócio-ambiental sustentável. Entre a troca de artilharia verbal e de ideias, existe a proposta pragmática, que

Alguns países acusam outros de serem os maiores geradores de gases no seu processo de desenvolvimento, atribuindo-lhes a responsabilidade de contribuir em maior proporção, para o desenvolvimento limpo e sustentável dos países menos desenvolvidos, com direito a prosperar de forma sócio-ambiental sustentável

PB

consiste em abordar acções concretas, para avançar nos acordos onde existe consenso, promovendo acções preventivas como a criação de fundos de financiamento para desenvolver e aplicar tecnologias limpas, ao invés de tratar as consequências das más práticas e acções, que muitas das vezes incluem

o custo impagável de vidas humanas, até ser possível assinar um tratado alargado. A continuar com a mesma atitude, prevêse que em dez anos se terá de investir 20 por cento do PIB mundial para reparar danos ambientais. O planeamento e o investimento na prevenção de danos provocados por efeitos de gases de estufa, como grandes inundações ou secas, são praticamente nulos. Parece que não existe ainda, no pensamento da maioria dos governantes a nível mundial, nem dos cidadãos da sociedade civil global, a ideia da existência de um nexo de causalidade entre a geração de produção ilimitada de lixo, o uso irracional de combustíveis fósseis e o desflorestamento, com as inundações e as secas extremas, cada vez mais frequentes e as suas consequências. A pouca difusão que é dada ao desenrolar das reuniões e suas discussões durante a Cimeira de Cancún, a somar à quase ausência dos presidentes da maioria dos países, é um presságio da sua incerteza quanto aos resultados. As alterações climáticas conjuntamente com a pobreza e a água potável são as grandes questões deste século. Este encontro de países, era visto como um esforço fundamental, para nascerem ideias conciliatórias, que permitissem realizar acordos em benefício da vida humana e do resto das espécies do planeta. Desde o início que se tem a ideia de que a Cimeira de Cancún, infelizmente pouco iria contribuir para a solução da grande preocupação global, como é o tema das alterações climáticas. As futuras Cimeiras sobre temas ambientalistas, serão úteis, se forem desenhadas a partir de uma perspectiva sub-regional, subcontinental ou bilateral, entre países que compartilhem o mesmo bioma. Este dado revela a fractura social, produtiva e ambiental surgida, a sua grandeza e como o impacto negativo humano sobre o ambiente, é devolvida de novo ao humano, nas diversas formas abrangidas na perda de vidas humanas, corrente produtiva, equilíbrio social, tempo e recursos necessários para o desenvolvimento e progresso de um país. Deve-se aproveitar a crise ambiental, para renascer com novas políticas, planos estratégicos, programas e metas a cumprir com lógica ambiental a nível mundial, nesta Cimeira de Cancún e na próxima da África do Sul, centralizados na prevenção para minorar perdas e trabalhos de reconstrução, investindo na solução das causas dos problemas, e suportados no conceito de desenvolvimento sustentável. Singelamente temos uma grande oportunidade para começar tudo de novo, como diz a doutrina da igreja católica apostólica e romana, de coração contrito e propósito de emenda.


Filipa Queiroz

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sexta-feira 10.12.2010

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José Chaves | Músico e documentarista

Macau bateu-me de forma muito forte e bonita Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.gov.mo

“Macau é uma aldeia global, com todas as vicissitudes más da parte global e as boas da parte da aldeia. Houve muitas mudanças. Por exemplo, estamos sentados num sítio onde antigamente se jogava futebol”. José Chaves refere-se ao Campo 28 de Maio, no actual largo do Tap Seac. Ele não é de Macau, chegou há dois anos ao território mas já se sente em casa. Coleccionou memórias dos outros à distância, através de amigos que fez em Lisboa que tinham trocado o território pela capital portuguesa. Foi um desses contactos que o trouxe para a RAEM. “Há dois anos, estava a fazer o meu último exame [na Escola Superior de Comunicação Social] e o meu amigo António Faria ligou-me a perguntar se eu queria integrar um projecto por cá”. José disse que sim. “Até porque, é cómico, mas sempre fui um apaixonado por dragões e sentia mesmo que em alguma altura da minha vida eu ia passar pela Ásia.” O jovem licenciado em Publicidade e Marketing, com especialidade em Audiovisual e Multimédia, é um dos seis autores (que acumulam funções de editores, realizadores e ‘cameramen’) do projecto “Doc Olhar Macau”. Sob a alçada da Casa de Portugal, a série de documentários trata as festividades do território. “Tudo o que tem conteúdo religioso e/ou festivo foi

captado pelas nossas câmaras”, explica. O resultado “está para sair”. Segundo o realizador, podemos esperar por uma apresentação pública onde serão explicados os conteúdos, as datas e os canais por que vão começar a sair os filmes.” Mas rebobinando. José Chaves nasceu em Lisboa há 28 anos. Mas não por inteiro. “As minhas duas costelas são de Trásos-Montes”. Uma de Chaves e outra de Montalegre, mais precisamente. Para ele, o som e a imagem foram escolhas naturais. “Já que sou mau pintor, ao contrário da minha mãe, e mau escritor, ao contrário da minha irmã”, justifica. “Desde pequeno passei por aquele processo de tocar em bandas...” Mush, Winter Tale e Duas Semi Colcheias Invertidas. A primeira “destruiu a minha formação”, diz. Refere-se aos seis anos de aulas de piano que o ‘grunge’ atirou pia abaixo “naquela fase das borbulhas”, mas de onde ficou uma referência - Beethoven. “As sonatas dele são geniais e as que me tocam mais no coração”, confessa. Com o projecto Winter Tale, o músico chegou mesmo a dar concertos e a gravar um disco – “Winter Tale Vol. 1” -, mas a formação acabou por não sobreviver a um triângulo amoroso entre baquetas e teclados. Já a colaboração com os Duas Semi Colcheias Invertidas persiste, apesar de os

compromissos em Macau o terem impedido de participar na última digressão europeia da banda. E apesar de ter sido a imagem a trazê-lo a Macau, a música acabou por também sair da gaveta. E tudo começou com um piano. “Quando cheguei fui a casa de um amigo que tinha um piano cheio de livros em cima. Eu comecei a tocar e em conversa ele disse-me que os pianos eram baratos em Macau”. Daí a comprar um “Pearl River de Guangzhong” por 3000 patacas foi um passo. “E quero comprar outro”, adianta. Até porque a gaita de foles não se deu bem com o clima do território. Gaita de foles? “Sim, sempre gostei muito de instrumentos e numa época meio revivalista resolvi ir aprender para ‘Juventude da Galiza’”, conta entre sorrisos. Agora está próximo de gravar o primeiro trabalho a solo e em território asiático. “Estou a fazer uma banda sonora para um documentário que, se tudo correr bem, sai lá para Fevereiro ou Março”, conta. E quando José não tem as mãos no piano, tem na sua Canon 5D. Apesar de não ter sido com ela que gravou “3 Acts”, o filme que lhe rendeu o Prémio de Louvor da secção Macau Indies da última edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau. O filme “é quase como uma peça de teatro em que a cidade é a peça e

eu limito-me a dividi-la em determinadas parcelas”, explica o realizador que diz que não é artista. “Um dia os gaiteiros disseram-me que para ser gaiteiro era preciso de ter rugas na cara. Eu acho que é o mesmo com o artista.” José confessa que gosta de “ser político” nos seus trabalhos e que prefere o imprevisto do género documental à ficção. “3 Acts” é um produto “experimental” que brotou das suas primeiras impressões de Macau. “Estava completamente deslumbrado pela Ásia. Bateu-me de uma forma muito forte e muito bonita”, confessa. Do continente já visitou, além da vizinha Hong Kong, a Malásia, a Tailândia, e as cidades chinesas de Cantão e Zhuhai. “Por causa do trabalho não tenho tido muitas oportunidades para viajar e também não gosto de viagens de três dias. Quando vou para um sítio gosto de inalar o ar, sentir as pessoas e os espaços”, justifica. Na mira, estão os Estados Unidos. O documentarista conseguiu uma bolsa de estudos em Nova Iorque e tem muita curiosidade em conhecer também Los Angeles e o Canadá. O objectivo passa por “desmistificar o mito negativo” sobre os EUA. E a Ásia, vai acabar? “Não, gostava muito que Macau fosse um porto seguro para mim, assim como foi para os portugueses que aportaram aqui no passado.”


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entrevista

ALBANO MARTINS, PRESIDENTE DA ANIMA, ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS ANIMAIS

Albano Martins é um economista tarimbado, já desempenhou, e desempenha, algumas funções profissionais de relevo. São muito procuradas as suas análises sobre os temas para que directamente está vocacionado: a macro e micro economia, as oscilações das moedas ou do PIB, as linhas de crédito, a carestia de vida, os monopólios de importação e exportação, as políticas de controlo da inflação e outras. Mas também outros exercícios de cidadania, em olhar atento e crítico sobre o quotidiano de Macau, e publicados no JTM, por exemplo. Desta vez veio à entrevista no Hoje Macau, na função de presidente da ANIMA - Associação Protectora dos Animais, que agora completa sete anos de existência. Não sendo a única em Macau, é a mais antiga do género e, provavelmente, a que mais associados congrega, cerca de 450. Albano Martins, traça um cenário muito negativo do ponto de vista legislativo protector dos animais. Com muita canseira e outras dificuldades, a associação é responsável por cerca de duas centenas de cães e meia centena de gatos. Mas há também o cuidado sobre um pequeno número de cágados e de coelhos. Um economista interventivo na vida de Macau, com décadas de vivência na região, o que o estimulou a preocupar-se com animais de estimação? É visível que algumas coisas estão mal nesse aspecto. Até que uma senhora chamada Fátima Galvão, através de conversas que tínhamos, me alertou definitivamente para esta questão. Das conversas partimos para a ideia de ser constituída a associação, envolvendo também outra senhora, a Regina Paz. Para evitar erros cometidos por outras pessoas que tinham tentado fazer outra associação do género, todos voluntários que chegaram apenas ao acto de elaborar os estatutos, através de um advogado fezse logo o pacto constitutivo da ANIMA, constituiu-se a direcção e a seguir realizámos eleições. Foram 11 pessoas pioneiras da associação, de várias nacionalidades, portuguesa, chinesa, japonesa, francesa... E começamos logo a trabalhar. Naturalmente que a protecção dos animais é o vosso objectivo principal.

António Falcão | bloomland.cn

“Ainda há quem tenha atitudes cruéis

“Os animais de estimação não podem ficar numa gaiola mais do que determinado tempo, esses espaços têm de obedecer a determinada dimensão - já tivemos casos de as gaiolas serem menores do que os animais. Eles ficam atrofiados, não conseguem andar, há muitos casos de crueldade” Precisamente, embora existam outros, como o de arranjar um quadro regulatório que discipline a posse dos animais e ao mesmo tempo discipline esse mercado. Mercado? Sim, em Macau os animais são um mercado. Há várias situações: temos os que gostam de ter animais em casa, temos os que criam animais para os vender, muitos desses animais vindos do continente chinês, alguns em forma de

contrabando, depois temos quem venda animais, as pet shops, e ainda neste circuito temos os veterinários. No meio disto tudo está o canil municipal que devia regular esta matéria. Pode caracterizar cada uma dessas componentes? Criadores, não há regulação que proteja os animais. Aqui toda a gente pode criar animais sem licença especial. Lojas de venda de animais, idem: também não há regulação, qualquer pessoa

pode montar uma pet shop, sem o compromisso de cumprir as exigências que em qualquer outro sítio do mundo são feitas. Por exemplo, os animais de estimação não podem ficar numa gaiola mais do que determinado tempo, esses espaços têm de obedecer a determinada dimensão - já tivemos casos de as gaiolas serem menores do que os animais. Eles ficam atrofiados, não conseguem andar, há muitos casos de crueldade. Quanto aos veterinários, não há nenhuma lei que reconheça quem é veterinário. Quem quiser abrir uma clínica veterinária não necessita de qualquer regulamento nem autorização, abre a clínica e pode abrir os animais, esquartejá-los, curá-los ou matá-los. Porque a lei não diz quem pode ou não pode fazer isso. Já apresentaram às respectivas entidades oficiais algumas propostas para alterar esse quadro? Claro que sim. Logo no início, apresentámos um documento que entregámos ao chefe do executivo na altura, o dr. Edmundo Ho que ao longo do tempo nos deu o apoio, sem ele a ANIMA nunca teria sido o que é hoje, ele é que nos deu todo o apoio. Na documentação que enviámos ao governo, até enunciámos o que está mal em Macau nesta questão dos animais de estimação. Diz a secretária Florinda Chan que esse documento está a ser discutido. Neste caso, já lá vão quatro anos. Deve estar numa gaveta e não há meio de sair de lá. Quer dizer que qualquer pessoa pode ter animais em casa? Existe um lista de sanções que o IACM tem, mas não funciona. Nós, associação, dizemos assim: quem abandona um animal devia ser proibido, durante cinco anos, de possuir outro animal. Isto não acontece, deviam ser fortes as penalizações sobre quem maltrata, sob diversas formas, os animais de estimação. Por exemplo, em Singapura, há penalizações até um ano de prisão e multas até 10 mil dólares singaporeanos. Em Macau não há nada disto. Quanto muito, se o animal abandonado tiver microchip, pode localizar-se o dono, mas a penalização é mínima. A lei local obriga a

que todos os cães possuam microchip. Para ter isso, é necessário que esteja registado no canil municipal, mas para ser licenciado, antes da nossa associação existir, pagava-se duas mil patacas pela licença do animal, quando em Hong Kong era 100. O Chefe do Executivo baixou para 500 patacas essa licença de posse, o que duplicou o número de animais licenciados. Comparado com Singapura ou Hong Kong é pesadíssimo. Vá lá que em Macau a renovação da licença é de 200 patacas, embora pensemos que as 100 seriam suficientes. Neste caso, a vossa reivindicação é quanto ao preço da licença. É, mas não somente a licença em si. O Governo de Macau, ao contrário do que acontece noutros lados, só aceita que a vacina contra a raiva seja dada no canil municipal. Temos de ter em atenção que estamos enquadrados numa zona endémica do ponto de vista da raiva. Arriscamo-nos muito, porque há contrabando de animais, a haver um surto de raiva em Macau e o Governo fazer como fez às aves, mandar matar os animais de estimação. Mesmo que se quisesse vacinar todos os animais, três “gatos pingados” no IACM de certeza que não vacinavam as dezenas de milhar de animais que existem em Macau. Os animais não licenciados são um grave perigo para a saúde pública, até porque a raiva transmite-se aos seres humanos. Além de outras doenças contagiosas. Há números quanto a animas licenciados e não licenciados? Não podemos ter estrutura para possuir números exactos, mas segundo a nossa sensibilidade existem tantos animais não licenciados, na posse de donos, como animais licenciados. Os números oficiais, por exemplo de cães capturados em 2010 foi 681. Cães registados este ano, abrangendo novas licenças e licenças renovadas, 9302. Os gatos nem licenças têm. Cães abatidos este ano pelo canil municipal, 600. Também este ano, cães abandonados, 277. Nós temos os nossos próprios números de animais abandonados e recolhidos por nós que não são somados a estes dados do IACM.


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com Helder Fernando

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e retrógradas contra os animais” Traça um cenário bastante negativo quanto a legislação local apropriada para a protecção dos animais. Se me pergunta, eu devo dizer a realidade. Quando o IACM foi criado, em 2001, a lei dizia que essa entidade devia regular o exercício da actividade veterinária, mas não regula. Devia regular o exercício de venda de animais, não regula. Como nada disto é feito pelo IACM, estamos numa situação completamente diferente do continente, onde existe um desenvolvimento muito maior neste aspecto legislativo e no de protecção dos animais. Falando do vosso dia-a-dia. A ANIMA tem um novo local... Sim, começámos por ter uma cave cedida pela empresa onde trabalho, nos lagos Nam Van, até passarmos para Hac Sá onde houve problemas com a vila porque diziam que incomodava o cheiro dos animais. Pedimos ao Governo que nos desse um local onde quisessem. Passámos para um local ali a caminho dos helicópteros. Arranjámos o terreno que era muito inclinado, construímos um edifício que está a aguardar pela licença de utilização. Antes, tínhamos lá um abrigo temporário, com 60, 70 cães. O novo abrigo é junto ao primeiro. Melhorámos mas não temos mais capacidade para receber animais. Ainda por cima o IACM obriga-nos a fazer umas obras sem sentido, onde vamos despender mais umas 200 e tal mil patacas. Neste momento quantos animais abrigam? Temos 171 cães no local que nos foi concedido. Não contando as dezenas de animais que estão com famílias mas que são nossos, pois a generalidade fica com os animais temporariamente até se arranjar algum dono em definitivo. Fora desse local temos 49 gatos. Dificuldade enorme é realmente o espaço, pois à medida que nos chegam vai diminuindo o espaço entre animais, isso provoca aumento de agressividade entre eles. Tecnicamente há um espaço para cada animal, e nós estamos a ultrapassar as regras, uma vez que o número de abandonos é de tal ordem que não

conseguimos fechar os olhos. Não podemos socorrer todos os animais, fazemo-lo aos que estão em perigo. Por exemplo, os animais feridos, os que pela sua aparência se veja que têm fome, abandonados e que visivelmente não irão sobreviver se não forem tratados, ou os ‘puppies’, os cachorrinhos pequenos. Ainda ontem colocaram um desses à minha porta. O que eu havia de fazer? Recolhê-lo e mandá-lo para o abrigo. Mas não recolhemos todos! Por falta de espaço? Mesmo que tivéssemos espaço

40 por semana. Para nós isso é crueldade. Fazemos isso em várias zonas de Macau, temos voluntários nossos com essa função e muita dinâmica. Chama-se a isso um programa de protecção especial. Muitos de nós conhecemos no quotidiano casos de animais em perigo. Sem dúvida, animais feridos na estrada, em zonas perigosas, ruas movimentadas, os animais pequeninos ou recém-nascidos que não são cuidados. Temos três carrinhas e nove pessoas a fazer esse tipo de resgates.

não temos meios para o fazer. Muitos desses animais de corrida poderiam ser recuperados, se tivéssemos capacidade. As maiores dificuldades? São monetárias. Temos um forte apoio do governo da RAEM. Ainda no ano passado deu-nos 1,5 milhão de patacas, que é praticamente o que gastamos com o pessoal. Até Novembro deste ano, pagámos, só em comida para os animais, cerca de 400 mil patacas. Veterinários, intervenções cirúrgicas, deslocações das nossas carrinhas, a gasolina, a electricidade, a água,

Neste sábado, realizam um jantar-convívio que, tendo a intenção de adquirir alguns donativos, também serve para comemorar o Dia Internacional dos Direitos dos Animais, a 10. E nós, no dia seguinte, a 11, completamos sete anos de existência. Uma feliz coincidência. Há algum relacionamento com outras associações de cariz solidário? Temos. Por exemplo com a ARTM, que nos cedeu um espaço onde temos os gatos, têm sido impecáveis no apoio que nos têm dado. Estamos muito gratos

“O Governo de Macau, ao contrário do que acontece noutros lados, só aceita que a vacina contra a raiva seja dada no canil municipal. Temos de ter em atenção que estamos enquadrados numa zona endémica do ponto de vista da raiva. Arriscamonos muito, porque há contrabando de animais, a haver um surto de raiva em Macau e o Governo fazer como fez às aves, mandar matar os animais de estimação” não recolheríamos todos. Os animais devem viver no seu ambiente próprio, devendo ser protegidos, inspeccionados, deve haver uma brigada da sociedade protectora que diariamente acompanhe esse animais, alimentando-os se necessário e os esterilize, mas mantendo-os no ambiente onde vivem. Pode violar a lei, mas não somos entidade governamental, temos princípios que são apanhar, esterilizar e libertar. O que nos preocupa é a multiplicação descontrolada dos animais, sabendo-se que a raiva é uma doença endémica. Esterilizando, evitamos o abate de tantos animais, como faz o IACM numa média de uns

E quanto ao voluntariado? Há voluntários, mas o problema é que nunca garantem participação constante, isso por vezes cria mais problemas do que resolve. Estamos a tentar organizar o trabalho do voluntariado em dias certos e missões específicas, para desse modo sabermos com o que contamos. Temos de fazer todos os ficheiros dos animais, acompanhar as adopções, de modo a evitar que os animais sejam abandonados de novo, correndo o risco de serem abatidos. Os galgos das corridas estão debaixo da vossa atenção? Deviam estar, temos essa preocupação, mas neste momento

tudo isso custa muito dinheiro. Como observa a sensibilidade das pessoas em Macau para estes assuntos? Os jovens deram um salto qualitativo muito grande relativamente ao passado. Temos muitos jovens chineses apoiantes, preocupados e carinhosos para com os animais. Já possuem a consciência de que os animais são parte da nossa existência e assim devem ser considerados. A ANIMA faz um contrato para a vida com os animais. Por outro, ainda há bastantes pessoas que não pensam assim, têm atitudes retrógradas e cruéis, sendo necessário fazermos campanhas de sensibilização.

com a participação do Augusto Nogueira desde o nosso início. Com outras associações de animais também temos relações, não muito intensas porque cada uma vive obcecada com o seu dia-a-dia. Outros grandes apoios, além do Governo, através da Fundação Macau que sempre nos tem dado extraordinária ajuda, o maior apoio tem sido da neta de Stanley Ho, a senhora Faye Ho, nossa presidente honorária, que já nos deu mais de dois milhões de patacas para o nosso projecto. E muitos outros, individualmente ou em nome de empresas e, desde logo, os nossos associados. Sem eles todos não conseguiria a ANIMA sobreviver.


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o Hoje [r]ecomenda

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«Remixed», Kumpania Algazarra

[f]utilidades Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1 – Relativo à xilografia.2 – Peia. Medo.3 – Abreviatura de binary digit. Um corante.4 – Dizia-se , entre os antigos, da embarcação que só navega junto da costa. Cada um dos cabos que aguentam os mastros para a borda.5 – Substância dura, que une os ossos fracturados. Fruto silvestre do Brasil.6 – Circuito fechado. Bebida, jacuba. Aí.7 – Pequeno corpo arredondado. Vértice occipital.8 – Moderno idioma javanês. Corda com que se atam as velas das embarcações.9 – Inquietações.10 – Ave da família das andorinhas. Espécie de cipó com que se enrolam as folhas de tabaco.11 – Venerável. Árvore de Angola e São Tomé, própria para construções. VERTICAIS: 1 – Lagoa ou grande poça de água. Chefe, electivo, dos Bângalas de Caçanje.2 – Ribeirão de São Paulo. Símbolo de alumínio.3 – Relativo à morte.Nome de um peixe, de grandeza descomunal.4 – Olá. Brinquedo de criança. Zigoto.5 – Moiro convertido. Madeira de uma planta aquática, na Ásia.6 – Pássaro amarelo do Brasil. Deus do Amor.7 – Cheiro fétido. Nome antigo de Ceuta.8 – Partidário do fenomenismo.9 – Calúnia. Antigo povo do Peru.10 – Sólido, de base circular ou elíptica, que termina em ponta. Neste ano, neste tempo.11 – Goma. Antiga medida de comprimento.

Soluções do problema

A Kumpania Algazarra remisturada por Sam The Kid lembra o anúncio do preto de cabeleira loira e do branco de carapinha mas ao contrário: na era do multiculturalismo, é natural. A primeira virtude de «Remixed» reside no exotismo de ter nomes oriundos de géneros tão distintos quanto o hip hop (Sam The Kid), a electrónica fria (Woman In Panic) e o drum’n’bass (Mee_K) a olhar para estas músicas do mundo produzidas em Portugal e a oferecer-lhes a sua visão.

[ Te l e ] v i s ã o RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Recantos 15:00 Magazine Timor Contacto 15:30 Concelhos De Portugal 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Expo Shanghai 2010 17:30 Rumos 18:00 Operação Triunfo 2010 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Magazine Timor Contacto 22:30 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Taking Stocks 07:30 NBC Nightly News 08:00 CCTV News – LIVE 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Babar And The Adventures Of Badou 16:30 Dennis And Gnasher 17:00 League Of Super Evil 17:30 Ben 10 Alien Force 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Transworld Sport 19:00 Football Asia 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 The Amazing Race 21:30 Weekend Blockbuster: Kingdom Of Heaven 22:30 Marketplace 22:35 Weekend Blockbuster: Kingdom Of Heaven 00:30 World Market Update 00:35 News Roundup 00:50 Earth Live 00:55 Dolce Vita 01:25 Top Gear 02:50 The Pulse 03:15 European Art At The MET 03:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News

STAR MOVIES 40 12:00 Cool World 13:45 12 Rounds 15:45 The Legend Of Chun Li 17:30 The Honeymooners 19:05 The Young Victoria 21:00 New In Town 22:45 Judge Dredd 00:30 Ninja HBO 41 13:00 Obsessed 14:45 Warm Springs 16:45 Down To Earth 18:10 Pootie Tang 19:30 Linewatch 21:00 17 Again 22:40 Revolutionary Road 00:30 Hung CINEMAX 42 12:00 Shark Attack 3 13:40 Speed Racer 16:00 Rescue Dawn 18:05 Beastmaster 2 19:55 Kill Speed 21:45 Epad On Max 89 22:00 Delta Force 2 23:45 Tmz 384 00:05 Shark Attack MGM CHANNEL 43 12:30 The Program 14:30 Steel and Lace 16:00 My American Cousin 17:30 Separate Tables 19:30 Pieces of April 21:00 The Meteor Man 22:45 Livin’ Large 00:30 Kuffs

HORIZONTAIS: 1 – XILOGRAFICO.2 – APEIA. CEROL.3 – BIT. CIANINA.4 – ORARIA. OVEM.5 – CALO. PAMA.6 – ON. CHUBE. HI.7 – GRAO. ANIO.8 – JAU. RELINGA.9 – BORRASCAS.10 – GAIVAO. TANI.11 – ALMO. SOASOA. VERTICAIS: 1 – XABOCO. JAGA.2 – IPIRANGA. AL. 3 – LETAL. RUBIM.4 – OI. ROCA. OVO. 5 – GACI. HORRAR.6 – IAPU. EROS. 7 – ACA. ABILA.8 – FENOMENISTA.9 – IRIVA. INCAS.10 – CONE. HOGANO.11 – OLAMPI. ASIA.

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

STAR SPORTS 31 11:00 (LIVE) Australian PGA Championship Day 2 15:00 Spirit Of Yachting Series 2010 15:30 Game 16:00 Hot Water 2010/11 17:00 Laureus Spirit Of Sport 17:30 (LIVE) Omega Dubai Ladies Masters 2010 Day 3 20:30 Spirit Of Yachting Series 2010 21:00 Football Asia 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 World Sport 2010 22:30 Game 23:00 (Delay) Australian PGA Championships Day 2 H/ls

DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Big Rig Myths 14:00 World War II In Colour - Lightning War 15:00 This World: Psychic Vietnam 16:00 A People’s War In Colour - Then The Americans Came 17:00 Dirty Jobs - Sludge Cleaner 18:00 How It’s Made 19:00 World War II In Colour - The Island War 20:00 Mythbusters 21:00 One Way Out 22:00 On The Case 23:00 Extreme Forensics 00:00 One Way Out NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 China Quake 14:00 Apocalypse The Second World War - Shock 15:00 Lockdown - Inmate To Ex-Con 16:00 Nat Geo Amazing! 17:00 Space Month - Stellar Storms 18:00 Mega Factories - Ikea 19:00 South Korea 20:00 China Quake 21:00 Space Month - Time Bombs 22:00 Extreme Kids 23:00 Signs Of Identity 00:00 South Korea ANIMAL PLANET 52 13:00 Into The Pride - Homeward Bound 14:00 Jungle Orphans 15:00 The Wild Yak Patrol 16:00 Botswana’s Wild Kingdom - Chief’s Island 17:00 A Year In The Wild 18:00 Animal Cops Philadelphia - Horse Rescue 19:00 The Most Extreme - Gourmets 20:00 Mad Mike And Mark - Predator’s Ball 21:00 Orangutan King 22:00 Soul Of A River - Vietnam 23:00 A Year In The Wild 00:00 Mad Mike And Mark - Predator’s Ball HISTORY CHANNEL 54 13:00 Digging For The Truth 14:00 Southern Fried 15:00 Jaws In Illinois 16:00 Return Of The Amityville Horror 17:00 The Shortest Fuse 18:00 Shockwave 19:00 The Razor’s Edge 20:00 The Shortest Fuse 21:00 Iran: The Hundred Year War 23:00 Code Breakers 00:00 Return to Limbang STAR WORLD 63 12:10 MasterChef US 13:50 America’s Next Top Model 14:45 How I Met Your Mother 15:10 Rules of Engagement 15:35 Brothers & Sisters 16:25 Private Practice 17:15 MasterChef US 19:05 Accidentally On Purpose 19:30 How I Met Your Mother 20:00 Castle 23:20 Hollyscoop 23:45 Private Practice 00:35 Bachelorette

ESPN 30 13:00 Asean Basketball League 2010/11 Philippine Patriots vs. Westports KL Dragons 15:00 Nokia Windsor Triathlon 2010 16:00 Big Ten Men’s Basketball IUPUI vs. Ohio State 18:00 Football Asia 18:30 Castrol Football Crazy 19:00 ABL game2 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 16 Nations - Road To Qatar China 20:30 KIA X Games Asia 2010 - Inline Vert 21:00 2010 Women’s Billiards U.S. Open 22:00 Sportscenter Asia 22:30 16 Nations - Road To Qatar China 23:00 PBA All STAR Shootout 23:30 Sportscenter Asia

REGRAS |

www.macaucabletv.com

(MCTV 51) National Geographic Channel 18:00 Mega Factories - ikea Informação Macau Cable TV


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[O]bjectiva Gonçalo Lobo Pinheiro

21 Raio [X]

Palavras gastas João Corvo

Só não gastámos as palavras, meu amor.

Castelo de São Jorge surge em cima de uma das sete colinas (Lisboa, 2010)

O corpo, a voz e o resto do mundo separam-nos. Agora vivo pendurado neste fio de sons

Para[ ]comer • Pérola 3/F, Sands, Largo de Monte Carlo, no.203 8983 82222888 3352 http://www.sands.com.mo • VINHA Alm Dr. Carlos d' Assumpção 393 r/c AC 2875 2599vinha@macau.ctm.net http://www.vinha.com.mo • FAT SIU LAU (SINCE 1903) Av.Dr.Sun Yat-Sen,Edf.Vista Magnifica Court Rua de Felicidade No.64, R/C Macau 2857 3585fsl1903@macau.ctm.net http://www.fatsiulau.com.mo

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silenciosos, de imagens que se infiltram entre letras e sentidos.

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Serás tu quem me escreve, serei eu o que

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em todo o lado te encontro, obsessivamente,

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responde?

Volto a procurar uma qualquer identidade, mas como se fosses o meu espelho, o meu corpo, os ritmos vários do meu coração.

Respiro e cada inspiração me aproxima e me afasta de ti.

És a que liga e a que corta, a vida e a morte como miragem que não posso abraçar.

Em breve serei rochedo, de tanto medo te

perder, também neste labirinto de palavras.

[João só está bem em cima dos telhados]

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opinião edi tor i a l Carlos Morais José

Mandarins precisam-se

N

“A governação dos reis Wen e Wu [da dinastia Zhou] foi explanada em madeira e em tabletes de bambu” Confúcio

a civilização chinesa a escrita ocupou, desde tempos imemoriais, um lugar central na organização da sociedade e mesmo no modo como o poder se estruturava e exercia. Era igualmente através de exames escritos que os chineses acediam aos postos de mandarinato. De algum modo, poder-se-á considerar a China uma sociedade onde as letras e os letrados (não exactamente porque estamos perante caracteres) sempre desempenharam um papel central e fulcral. Ainda hoje, na China comunista e pós-comunista, o curso que dá acesso à Administração Pública incluiu uma forte componente literária e, como se sabe, quando um político de elevado gabarito visita algum local, uma das maiores distinções que pode ali deixar é precisamente uma frase, uma sentença, caligrafada pelo seu próprio punho. A escrita é o homem e nela ele revela a sua visão do mundo, o seu estatuto, o seu saber e personalidade. Ora, posto isto, é triste que Macau tenha sido tão mal classificado, em termos literários, no Programa Internacional de Avaliação de

cartoon por Steff

Desde sempre que o Sul da China se distinguiu pela sua cabeça de enumerar e de contar. Gente de comércio, é natural que por aqui a capacidade aritmética esteja em alta. “Quantas fichas quer?”, “pataca a ti, pataca a mim”, são expressões e operações que a malta de Macau realiza de olhos muitíssimo bem fechados. Agora quando se trata de escrever, planear, pensar em geral...ups. É pá, mas que chatice, ó Maria Alice. Alunos (PISA, na sigla em inglês), da OCDE, como ontem o Hoje Macau divulgou. Já em Matemática a nossa maltinha demonstrou que até nem está nada mal, mas quando chega a leitura, a compreensão do que se lê e a capacidade de expressão escrita, a porca começa a torcer o seu por si já retorcido rabo. Ou seja, se vivêssemos noutros tempos, os chineses de Macau bem que podiam tirar os cavalinhos da chuva que daqui não emergiria nenhum mandarim para a governação do império. Que fazer?, como perguntou Lenine, o Vladimiro Ulyanov. Certamente que “um passo atrás, dois em frente”, não parece ser a solução ideal ou sequer possível. Mas, pergunto também, não existirão cabeças pensantes e pagas para pensar em número suficiente

neste território à beira do Rio das Pérolas acomodado? Lá pagas existem, disso estou certo. Assim, senhoras e senhoras dos Serviços de Educação, do Instituto Cultural, das Universidades, dêem corda a esses cérebros e arranjem soluções para melhorar a proficiência dos nossos jovens nestas misteriosas e obscuras coisas da leitura e da literatura, que tão apreciadas são no País do Meio, ao qual esta cidade orgulhosamente pertence. Desde sempre que o Sul da China se distinguiu pela sua cabeça de enumerar e de contar. Gente de comércio, é natural que por aqui a capacidade aritmética esteja em alta. “Quantas fichas quer?”, “pataca a ti, pataca a mim”, são expressões e operações que a malta de Macau realiza de olhos muitíssimo

tributo a John lennon

bem fechados. Agora quando se trata de escrever, planear, pensar em geral...ups. É pá, mas que chatice, ó Maria Alice. E, quanto a este espinhoso tema, por aqui nos quedamos para não ir mais longe, não vá ser mui difícil voltar atrás. * Foi emocionante esta semana ver como, contra ventos, marés, marinheiros e bom senso, a Universidade de Macau insiste no seu método de contratação do regente da Faculdade de Direito. A teimosia é uma arma que, geralmente, vence pelo cansaço. Ele são professores, advogados, assessores, juízes e outros que se pronunciam contra o método adoptado, temendo o resultado final, mas para as bandas da Umac insiste-se na política do “orgulhosamente sós”, na base de que “os cães ladram e a caravana passa” e pronto: segue para bingo. Infelizmente, não parece que este bolo-rei vá proporcionar uma grande prenda. Pelo contrário, todos temem é que nos saia uma enormíssima fava, ainda por cima mal cozida e dura de roer como galo velho. Pendurados no mastro, açoitados sem pudor, os líderes da Umac insistem em desprezar o Português, colocando no anunciozito que o importante é o domínio do Chinês e do Inglês, sendo o Português uma “vantagem definitiva”. Ora numa terra onde o sistema jurídico frui de lusa basezinha, não se compreende muito bem como a ordem dos factores é a referida. E não se trata apenas de uma questão linguística, mas do próprio espírito da legislação já que, como é vulgar saber-se, o sistema jurídico anglo-saxónico parte de pressuposto e conceitos realmente diferentes do sistema dito continental, no qual a República Popular da China também, de algum modo, navega. Enfim, contradições abstrusas que só o tempo e nome do escolhido desvendarão, provando se a escolha é “científica” ou “amiguícia”, outro dos métodos muito utilizados por estas e outras bandas e se o Direito anda ou não a ser escrito por linhas tortas. * Finalmente – e porque na semana passada me esqueci de tal referir – uma palavra de apreço ao primeiro-ministro da China que percebe mais da vocação de Macau com os olhos semicerrados que muito boa gente que por aqui perora com eles pretensamente abertos. Wen Jiabao voltou a pôr as coisas no seu devido lugar, para gáudio de uns e desespero de outros. Eu, por mim, rejubilei. Viva Pequim e os seus títeres, que ele aqui por aqui há muita marioneta a precisar de orientação e manápula firme. Oié.


Não se pode amar inteiramente uma pessoa sem lhe Padre Manuel teixeira [1912-2003]

dar o direito de nos magoar.

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23 u m gr i to n o des er to Paul Chan Wai Chi*

O

Governo da RAEM prometeu concluir a construção de habitação pública no final de 2012. Mas durante as sessões de debate na Assembleia Legislativa (AL), muitos deputados mostraram-se cépticos quanto à capacidade do Governo. Em resposta às dúvidas apresentadas pelos deputados, o secretário Lau Si Io declarou que os membros da sua equipa iriam tentar o seu melhor e trabalhar contra todas as probabilidades para cumprir a missão. Não iriam desistir até ao último minuto. Ao ouvir uma resposta tão reservada, ficou subentendida a mensagem de que mesmo que o objectivo não fosse alcançado, estaria tudo bem, uma vez que eles teriam tentado o seu melhor. Mas será que o público aceita uma resposta dessas? Se as coisas acabarem por ser como disse o secretário Lau, ou seja, que será anunciada a desistência após o fim do prazo, será como se o Governo abrisse mão da sua própria credibilidade. Nesse caso, a vida política do terceiro Governo da RAEM está em contagem decrescente porque é impossível para um Executivo sem credibilidade manter-se vivo. Mesmo que o Governo Central permita aos altos responsáveis actuais que mantenham os seus lugares, parece impossível para o Chefe do Executivo, Chui Sai On, ficar para um segundo mandato. O Governo veio com a promessa de concluir a construção de 19 mil unidades de habitação pública no final de 2012, em resposta a uma insistente escassez de habitação pública. Mas deve ser responsável pelas suas promessas. Sejamos francos: a construção de mais de 10 mil unidades de habitação pública nem sequer arrancou ainda, o que deixa as pessoas realmente preocupadas com a capacidade do Governo em concluir o número prometido de casas num prazo de dois anos. Mas se o Governo for responsável, deve ser responsável também pelo que promete fazer. Se o Governo já sabia que seria impossível concluir a missão, deveria dizer isso aos cidadãos, com antecedência, para permitir que eles percebessem a situação, em vez de vir dizer simplesmente que iria tentar fazer o seu melhor. Além dessa questão, representantes do

Quantos dias mais?

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O Governo veio com a promessa de concluir a construção de 19 mil unidades de habitação pública no final de 2012, em resposta a uma insistente escassez de habitação pública. Mas deve ser responsável pelas suas promessas. Sejamos francos: a construção de mais de 10 mil unidades de habitação pública nem sequer arrancou ainda, o que deixa as pessoas realmente preocupadas com a capacidade do Governo em concluir o número prometido de casas num prazo de dois anos sector empresarial na AL estiveram a defender a proposta sugerida pelo Conselho para os Assuntos de Habitação Pública para estabelecer um limite de rendimentos para os candidatos a unidades de habitação económica, durante a sessão de debate sobre transportes e obras públicas. Os deputados do sector laboral expressaram o seu desacordo com as declarações feitas pelos colegas do sector imobiliário, por acreditarem que estabelecer um tecto nos rendimentos recebidos pelos candidatos a uma unidade de habitação económica para duas pessoas em 26 mil patacas era sem dúvida salvaguardar os interesses dos promotores imobiliários. Porque não estabeleceu o Governo da RAEM um limite máximo durante o tempo em que o mercado imobiliário não estava em crescimento e apenas tenta instituir o limite quando o mercado está sobreaquecido? A resposta é que o Governo está a pensar nas empresas quando pensa nas pessoas. Durante as chamadas sessões de debate que duraram apenas dois dias, o secretário Lau Si Io não respondeu directamente às questões levantadas pelos diferentes deputados. Limitou-se a falar de uma forma baseada no seu entendimento pessoal, o que foi patético. O arranjo pouco razoável para a atribuição de tempo para cada deputado e altos responsáveis expressarem as suas opiniões na sessão de debate na AL fez com que estas pessoas falassem sobre o que quisessem. Os responsáveis do Governo cumpriram a sua missão na AL ao tumultuarem a questão durante os dois dias de debate. Como Macau está ainda carente de uma política habitacional substancial e de

medidas efectivas para arrefecer o voraz mercado imobiliário, este acaba por ficar sob o controlo dos promotores imobiliários e especuladores que se vão enchendo de dinheiro. Não é assim que o mercado se irá desenvolver de forma salutar. Nessa matéria, os departamentos governamentais competentes têm até agora trabalhado para conjugar a sua acção de forma complementar aos interesses dos promotores imobiliários. Tal como em muitos comités do Governo, a maioria dos membros designados para o Conselho para os Assuntos de Habitação Pública é pró-Governo ou oriunda do sector empresarial. A razão por trás dessas nomeações é que esses membros apoiem o Governo em tempos de crise e salvaguardem os interesses estabelecidos de algumas pessoas. Quando uma administração governamental não defende os interesses da maioria, como é possível que uma sociedade esteja em harmonia? Durante a próxima grande manifestação, que irá decorrer no dia 20 deste mês (aniversário da transferência), a maior parte dos manifestantes será formada por pessoas frustradas com os erros cometidos pelo Governo na sua administração. Se o Executivo continuar a exercer uma governação tirana, não importa quantos concertos baratos organize, não irá conseguir remediar a situação. A contagem decrescente do tempo de vida política do terceiro Governo da RAEM começa agora e irá durar até ao final de 2012, altura em que as 19 mil unidades de habitação pública deveriam estar concluídas. *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; João Carlos Barradas; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte; Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges; Catarina Lau Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Vai acabar o sebo em Macau...

Que bom! Estou farto de mudar de roupa...

... 3 vezes por dia

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O dia de ontem foi rico em acções policiais

Prostitutas, carnes e golpe A Polícia Judiciária (PJ) efectuou uma investida surpresa à prostituição no casino-resort Venetian na madrugada de ontem: 110 prostitutas e 22 proxenetas foram levados pelos agentes após uma rusga que terminou antes das 7h. Parte dos detidos eram imigrantes ilegais e alguns eram portadores de documentos de viagem falsificados. De acordo com a PJ, as prostitutas eram obrigadas a pagar a um bando de crime organizado cerca de 800 a mil patacas por dia, para poder exercer a prostituição no interior do resort. O patrão do grupo Sands, Sheldon Adelson, chegou na noite de quarta-feira a Macau e, devido às horas da operação, não assistiu à detenção dos trabalhadores do sexo, mas não pôde ignorar a greve dos trabalhadores da limpeza à porta do Venetian (ver texto na página 8). O

três detenções por alegado contrabando de carne através da fronteira, numa acção coordenada entre os serviços alfandegários de Macau e Zhuhai. Os agentes de Macau perseguiram vários contrabandistas que tentavam entrar no território após as 7h, carregando carnes frescas, e descobriram um “centro de distribuição” na Tamagnini Barbosa. A emboscada teve lugar em frente a um edifício residencial, onde dois homens tentaram recolher a carne em motociclos. Sessenta frangos, filhotes de pombo, patos e três quilos de cobras d’água vivas foram confiscadas, numa apreensão de um total de 123 quilos. Um cidadão da China Continental com um visto válido foi também detido como suspeito. Para fechar o dia das apreensões e rusgas, um empresário da província de Hunan teve de ser socorrido pela polícia para se ver livre

de uma trapaça. O “encarregado”, originário da cidade chinesa de Shenzhen, que actuou como intermediário no esquema, foi detido e quatro jogadores que participaram nas apostas encontram-se em fuga. O suspeito de Shenzhen será entregue ao Ministério Público e julgado por fraude.

hoje Macau questionou o Governo sobre a possibilidade do presidente da Sands – que na semana passada viu a concessão das parcelas sete e oito do Cotai a escorregamlhe das mãos – reunir-se com o Executivo, mas nenhuma resposta foi dada até ao fecho desta edição. O departamento de comunicação da Sands disse ontem estar a preparar uma comunicado à imprensa sobre a detenção das prostitutas, mas não foi capaz de finalizá-lo. Ontem também as autoridades locais realizaram

de um grupo que lhe estava a sacar dinheiro. O homem recebeu um convite por email de um auto-proclamado encarregado de uma empresa da Malásia para negociações no início de Novembro. Mas, quando chegou a Macau, o “encarregado” apresentou-o a quatro “gestores de casinos” para fazer apostas no interior de um quarto de hotel vulgar. Resultado: perdeu 4,88 milhões de patacas. A família chamou a polícia para socorrer o empresário quando este desconfiou de que estava a ser vítima

quando deitou as mãos sobre ela. Os registos de entrada e saída indicam que Shi viajou para a Malásia no início deste mês para recolher a droga, que tinha como destino a China Continental. Mais tarde, a rapariga confessou que receberia apenas 1000 yuans para transportar a droga e que aceitou a proposta por se encontrar desempregada. Shi é ainda suspeita de ter transportada drogas para Macau durante este ano. A jovem está agora detida e aguarda julgamento.

Kahon Chan

kahon.chan@hojemacau.com.mo

2 milhões em cocaína

Na quarta-feira, as autoridades locais já tinham apreendido mais de dois quilos de cocaína transportada na bagagem de uma jovem de 21 anos, que chegou ao Aeroporto Internacional de Macau proveniente de Kuala Lumpur. A droga vale mais de 2 milhões de patacas. Segundo a PJ, a apreensão foi feita durante uma inspecção de rotina no aeroporto, quando um cão pisteiro deu o alerta. A mala foi então colocada no tapete de bagagens e a jovem, de apelido Shi e natural de Guanxi, na China, foi detida em flagrante


Hoje Macau • 2010.12.10 #2268