Page 1

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PUB

MOP$10

QUARTA-FEIRA 10 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3969

JOVENS DE MACAU MAIS OBESOS CHINA PÁGINA 13

Agreste matéria

Consequências PEQUIM NÃO QUER h Ano novo, sexo novo da fast food MAIS LIXO EUROPEU JOÃO PAULO COTRIM

PÁGINA 7

OPINIÃO TÂNIA DOS SANTOS

EPA

hojemacau CIBERSEGURANÇA ATFPM CONSIDERA PROPOSTA CONTRÁRIA À LEI BÁSICA

COREIAS

OS PRIMEIROS FRUTOS TIAGO ALCÂNTARA

GRANDE PLANO

AUTOCARROS

TODOS CADA VEZ MAIS DIFERENTES PÁGINA 4

Quo vadis?

Para onde vamos? Será que leis como a da cibersegurança não colocam em causa o segundo sistema? Para a ATFPM, não existem dúvidas de que a proposta do Governo viola, para começar, a Lei Básica. Pereira Coutinho explica. PÁGINA 5 FRINGE PROCURA DESVENDAR SEGREDOS DE MACAU | EVENTOS

Os tesouros e as suas sombras


2 grande plano

10.1.2018 quarta-feira

LUSA

COREIAS

COMEÇOU ONTEM A PRIMEIRA REUNIÃO EM MAIS DE DOIS ANOS

MESA DE IRMAOS ˜

A reunião entre as duas Coreias já deu alguns frutos. Sobretudo, desanuvia a tensão criada pela corrida nuclear de Pyongyang e pelo discurso belicista de Trump. Pelo menos, já se fala ao telefone...

A

LTOS representantes da Coreia do Sul e da Coreia do Norte retomaram ontem o diálogo, com a primeira reunião em mais de dois anos centrada em facilitar a participação de Pyongyang nos Jogos Olímpicos de Inverno. O encontro, que arrancou às 10:00, figura como primeiro de alto nível entre as duas Coreias desde Dezembro de 2015. A reunião decorreu em Panmunjom, aldeia fronteiriça onde foi assinado o armistício da Guerra da Coreia (1950-53). Após os discursos inaugurais, ambas as delegações - cada uma composta por cinco membros realizaram uma primeira sessão de aproximadamente uma hora

e após uma pausa de meia hora iniciaram uma segunda ronda de conversações, explicou um porta-voz do Ministério da Unificação

de Seul, citado pelas agências internacionais. A delegação norte-coreana é chefiada por Ri Son-gwon, que

CHINA CONFIA NA RECONCILIAÇÃO

A

China disse ontem estar confiante que as conversações de alto nível entre as duas Coreias, as primeiras desde 2015, vão permitir a reconciliação e ajudar a melhorar as relações entre Pyongyang e Seul. “Esperamos que estas conversações sejam um bom começo para melhorar as relações entre as duas Coreias e promover a reconciliação e cooperação”, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa, Lu Kang, em conferência de imprensa. “Estamos contentes de ver que se mantêm estas conversações de alto nível entre ambas as partes”, destacou o porta-voz chinês, afirmando estar confiante numa redução das tensões na península. Lu pediu ainda à comunidade internacional que proporcione mais apoio e compreensão, face aos esforços realizados por Pyongyang e Seul, visando reduzir a tensão regional. No ano passado, os sucessivos ensaios nucleares do regime de Kim Jong-un e a retórica beligerante de Trump elevaram a tensão para níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953).

lidera o Comité para a Reunificação Pacífica da Coreia, enquanto a sul-coreana é presidida pelo ministro da Unificação sul-coreano, Cho Myoung-gyon. Na sua alocução inicial, cujo texto foi facultado pelo Ministério da Unificação, Ri Son-gwon observou que as relações entre as duas Coreias se encontram “mais frias do que o tempo que se faz sentir por estes dias”, numa referência ao inverno particularmente rigoroso que se vive na península coreana, para ressalvar, de seguida, que “apesar do frio, o desejo do povo [de as melhorar] permanece intacto”. No arranque da reunião bilateral, a Coreia do Norte afirmou que perante “a grande atenção nacional e internacional” dada ao

evento seria adequado que fosse gravado e transmitido na íntegra pela televisão.

SEUL REJEITA TELEVISÃO

Essa proposta foi, no entanto, rejeitada pela Coreia do Sul, com Cho Myoung-gyon a argumentar ser melhor realizar a reunião em privado e “falar com os meios de comunicação social quando necessário”, tendo em conta que “as conversações estiveram estancadas durante um período de tempo muito prolongado” e “há muito por dizer”. O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, segue via vídeo a reunião, que decorre na Peace House, no lado sul de Panmunjom, e tem à sua disposição uma linha de fax


grande plano 3

quarta-feira 10.1.2018

여보세요

LIGAÇÃO TELEFÓNICA MILITAR VAI SER REABERTA

S

para dar instruções à delegação sul-coreana, detalhou o Ministério da Unificação citado pela agência de notícias espanhola Efe. Apesar de ser incapaz de o confirmar, Seul acredita que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, terá um sistema idêntico. A reunião de alto nível tem lugar depois de Kim Jong-un ter agradecido na sua mensagem de Ano Novo a predisposição para o diálogo manifestada por Moon Jae-in desde que chegou ao poder, em Maio, e de ter expressado o seu desejo de melhorar os laços com o Sul e enviar uma delegação aos Jogos Olímpicos de Inverno, que vão decorrer no próximo mês em PyeongChang. A participação norte-coreana nos Jogos Olímpicos de Inverno poderá aliviar a tensão, depois de 2017 ter assistido ao lançamento de três ensaios nucleares e de múltiplos mísseis balísticos por parte da Coreia do Norte, e à retórica bélica do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem trocado insultos pessoais e ameaças de guerra com Kim Jong-un. Seul esforça-se por apresentar os Jogos Olímpicos de Inverno, que vão decorrer a aproximadamente 80 quilómetros da zona desmilitarizada (DMZ), como “Olimpíadas da paz”, mas para a expressão fazer sentido afigura-se essencial a participação da Coreia do Norte.

EUL e Pyongyang decidiram ontem restabelecer a sua ligação telefónica militar, anunciou fonte sul-coreana, dias após a reabertura de uma linha telefónica civil. Tratase da linha destinada a comunicações militares na região junto ao Mar Amarelo (chamado Mar do Oeste nas duas Coreias). Todos os principais canais de comunicação entre as duas Coreias foram encerrados nos últimos anos por decisão de Pyongyang devido à animosidade de Seul contra o seu programa nuclear. Agora, o exército nortecoreano recomeçará a utilizar esta linha na quarta-feira, segundo explicou a delegação do Norte à sua congénere do Sul durante as conversações de alto nível que estão a decorrer entre as duas Coreias. Pyongyang decidiu também, na semana passada, começar a usar outra linha telefónica depois de Kim Jong-un expressar, na sua mensagem de Ano Novo, o desejo de melhorar os laços com o Sul. No encontro, Pyongyang manifestou a intenção de enviar uma delegação composta por altos funcionários, atletas ou animadores aos Jogos Olímpicos de Inverno, que se celebram a partir de 9 de Fevereiro em PyeongChang, na Coreia do Sul. Pelo seu lado, o Sul propôs organizar conversações militares para aliviar a tensão transfronteiriça e retomar as reuniões de famílias separadas pela guerra que opôs os dois países entre 1950 e 1953, mas o Norte ainda não se pronunciou sobre isso.

CRONOLOGIA NUCLEAR NORTE-COREANA – 1987-1992: Desenvolvimento das versões do Scud-C (500 km), do Rodong-1 (1.300 km), do Taepodong-1 (2.500 km), do Musudan-1 (3.000 km) e do Taepodong-2 (6.700 km). – Agosto de 1998: Teste de lançamento do Taepodong-1 acima do Japão, com o objetivo de colocar um satélite em órbita. A operação fracassa. – Setembro de 1999: Adiamento dos testes de mísseis de longo alcance em razão da melhora das relações com Washington. – 12 de Julho de 2000: Fracasso das negociações com os EUA sobre os mísseis, depois que a Coreia do Norte exigiu US$ 1 bilhão para paralisar as exportações dos dois aparatos. – 3 de Março de 2005: Fim da prorrogação dos testes de mísseis de longo alcance, alegando uma política “hostil” por parte da administração Bush. – Julho de 2006: Testes de sete mísseis de longo alcance. Um deles (Taepdong-2) explode em pleno voo depois de 40 segundos. O Conselho de Segurança adopta a resolução 1695, que pede o fim de qualquer actividade de mísseis balísticos. – Outubro de 2006: Primeiro teste nuclear subterrâneo. Adopção da resolução 1718 do Conselho de Segurança, que pede o fim dos testes balísticos e nucleares. – Abril de 2009: Lançamento de um foguete de longo alcance que sobrevoa o Japão e cai no Pacífico, durante uma tentativa, segundo a Coreia do Norte, de colocar um satélite em órbita. Para EUA, Japão e Coreia do Sul, trata-se de um teste do Taepodong-2. O Conselho de Segurança condena a operação e reforça as sanções. A Coreia do Norte abandona as negociações sobre seu programa nuclear. – Maio e Junho de 2009: Segundo teste nuclear subterrâneo, muito mais potente. Adopção da resolução 1874 do Conselho de Segurança, que impõe sanções suplementares.

SCUD Curto alcance 500 km

NO DONG 1 Médio alcance 1300 km

– 13 de Abril de 2012: Lançamento de foguete a partir da base de Tongchang-ri. O lançador se desintegra minutos depois da decolagem. – 12 de Dezembro de 2012: Êxito no lançamento de um foguete para oficialmente colocar em órbita um satélite civil de observação terrestre. É considerado um novo teste de míssil balístico. – 12 de Fevereiro de 2013: Terceiro teste nuclear subterrâneo. – 6 de Janeiro de 2016: Quarto teste nuclear subterrâneo. A Coreia do Norte afirma ter testado uma bomba de hidrogénio. Informação é questionada pelos especialistas. – 7 de Fevereiro de 2016: Pyongyang anuncia o sucesso de seu segundo lançamento de foguete espacial e confirma que país colocou um satélite em órbita. – 2 de Março de 2016: Conselho de Segurança impõe à Coreia do Norte as sanções mais duras até aquele momento. – 9 de Março de 2016: Dirigente norte-coreano Kim Jong-un  afirma que Pyongyang conseguiu miniaturizar uma ogiva termonuclear. – 23 de Abril de 2016: Coreia do Norte lança um míssil balístico a partir de um submarino. – 8 de Julho de 2016: Washington e Seul anunciam a mobilização na Coreia do Sul do escudo antimísseis americano THAAD. – 3 de agosto de 2016: Disparo de um míssil balístico em águas japonesas é registado pela primeira vez. – 24 de agosto de 2016: Êxito no lançamento de míssil a partir de um submarino. – 5 de Setembro de 2016: Lançamento de três mísseis balísticos durante a reunião dos líderes do G-20 na China. – 9 de setembro de 2016: Quinto teste nuclear. – 1.º de Dezembro de 2016: ONU endurece as sanções e limita as exportações norte-coreanas de carvão à China.

MUSUDAN 4 Alcance intermédio 4000 km

– 12 de Fevereiro de 2017: Teste de um novo míssil balístico, que percorre 500 km antes de cair em águas japonesas. – 6 de Março de 2017: Pyongyang lança quatro mísseis balísticos e afirma se tratar de um exercício para atingir bases dos EUA no Japão. – 7 de Março de 2017: EUA iniciam o estabelecimento do sistema antimísseis THAAD na Coreia do Sul. – 14 de Maio de 2017: Coreia do Norte lança míssil que percorreu 700 km antes de cair em águas japonesas. Analistas estimam a capacidade do alcance do projéctil em 4.500 km. – 4 de Julho de 2017: Pyongyang dispara um míssil balístico que percorre 930 km antes de cair em águas japonesas. Os analistas estimam seu alcance em até 6.700 km, o que chegaria ao Alasca. O regime norte-coreano declara que se tratou de um teste de míssil balístico intercontinental Hwasong-14. – 28 de Julho de 2017: Pyongyang lança míssil com alcance teórico de 10.000 quilómetros, o que significa que poderia atingir os EUA. – 26 de agosto de 2017: Disparo de três mísseis balísticos de curto alcance. – 29 de agosto de 2017: Coreia do Norte dispara míssil que sobrevoa o Japão antes de cair no Pacífico. De acordo com Seul, ele percorreu 2.700 quilómetros a uma altura máxima de 550 km. – 3 de Setembro de 2017: Coreia do Norte anuncia o teste de uma bomba de hidrogénio capaz de ser montada e transportada em mísseis de longo alcance.

KN-14 (HWASONG-14) Intercontinental 9000-10.000 km

TAEPO DONG 2 Intercontinental 10.000 km


4 política

10.1.2018 quarta-feira

GCS

editorial

Da moral

(ou da falta dela)

F

TARIFAS DE AUTOCARROS SECRETÁRIO NÃO TEME CRÍTICAS DA POPULAÇÃO

O corpo às balas

O Governo mantém a vontade de colocar os trabalhadores não residentes a pagar mais para andar de autocarro e de aplicar tarifas mais elevadas aos idosos nas horas de ponta, ou até isentá-los. Ainda assim, Raimundo do Rosário não teme as vozes de contestação: “Não gosto de aumentar as tarifas, mas quando é necessário faço-o”, disse ontem aos deputados

M

ESES depois de ser anunciado o aumento das tarifas dos autocarros, o Governo ainda não tem uma decisão final sobre este assunto. Ontem, o secretário para os Transportes e Obras Públicas foi à Assembleia Legislativa (AL) debater o assunto com os deputados, depois de uma proposta apresentada pela deputada Ella Lei. Raimundo do Rosário deixou claro que mantém a vontade de colocar os trabalhadores não residentes (TNR) a pagar mais para andar de autocarro, uma medida que praticamente não gerou reacções da parte do hemiciclo. Apenas Zheng Anting disse concordar, explicitamente, com esta matéria. Além disso, vários deputados defenderam a isenção do pagamento de tarifas para idosos e deficientes que tenham BIR, medida sobre a qual o Governo vai ponderar, tal como já tinha dito em Dezembro último. “Em 2015 muitos passageiros não residentes de Macau ocuparam todos os autocarros e os residentes, sobretudo da zona norte, não con-

seguiam apanhar autocarros. Por isso propomos esta diferença, que incide sobretudo nos residentes e TNR. Seja como for, é meramente uma proposta”, frisou Raimundo do Rosário. O Governo também está a analisar a possibilidade dos idosos viajarem menos de autocarro nas horas de ponta. “Só temos uma proposta relativa aos idosos, que é pagarem 30 avos no dia e uma pataca e meia nas horas de ponta. Sabemos que na hora de maior movimento há uma grande procura por transporte público e temos de evitar uma grande procura por parte dos idosos, mas claro que para irem ao médico é inevitável”, referiu Raimundo do Rosário.

Quanto aos estudantes o Executivo propõe “uma certa diferenciação”. “Pagam uma certa tarifa aos domingos e feriados, e aqueles que não precisam de ir à escola pagam a tarifa normal”, explicou o secretário.

AUMENTO NÃO. ACTUALIZAÇÃO

Com ou sem críticas, o governante deixou claro que não vai mudar de ideias. “É meu feitio corrigir aquilo que considero estar errado. Sei que se mexer em alguma coisa as pessoas vão criticar, sobretudo se forem matérias que envolvam dinheiro”, começou por dizer. “Sou a pessoa que mais andei de autocarro e não gosto de aumentar as tarifas, mas quando é necessário

“Em 2015 muitos passageiros não residentes de Macau ocuparam todos os autocarros e os residentes, sobretudo da zona norte, não conseguiam apanhar autocarros. Por isso propomos esta diferença, que incide sobretudo nos residentes e TNR. Seja como for, é meramente uma proposta.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO PARA AS OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES

faço. Quantas coisas não foram actualizadas nos últimos dez anos? As comidas, por exemplo, estão cada vez mais caras. Não se trata de um aumento, mas uma actualização”, frisou Raimundo do Rosário. Actualmente o Governo subsidia 70 por cento dos custos de operação das operadoras de autocarros, sendo que os restantes 30 por cento de ganhos são obtidos através das tarifas. Raimundo do Rosário adiantou que só os ordenados dos motoristas, na ordem das 28 mil patacas, representam 60 por cento dos custos da Transmac, Nova Era ou TCM, um valor “excessivo”, na visão de Raimundo do Rosário. Por essa razão, o secretário considera que o aumento das actuais 3,2 patacas para 6,6 patacas é razoável e que pode ser suportado pela maioria das pessoas. “Acho que os residentes devem pagar mais um bocadinho. A maior parte da nossa população consegue suportar este valor e o Governo tem vindo a dar importância às camadas mais necessitadas.”

SEM ESTUDOS

Vários deputados quiseram saber se foram ou não realizados estudos para se chegar à decisão de aumentar as tarifas dos autocarros, mas Raimundo do Rosário frisou que o assunto apenas foi discutido no seio do Conselho Consultivo do Trânsito. “Não fiz nenhum estudo. Se em dez anos não foi alterado, e se agora aumentarmos um bocado não vai afectar nada, e não é preciso ser-se muito científico para se saber isso. Não é preciso nenhum estudo sobre isso.” Raimundo do Rosário adiantou também que a ideia de aumentar as tarifas não partiu das três concessionárias. “Não se preocupem pois esta não é uma exigência das empresas de autocarros, não se preocupem,

AZER os trabalhadores não residentes (TNR) pagar tarifas mais altas nos autocarros que os residentes é, no mínimo, imoral. O facto parece-me tão óbvio, tão constitutivo de uma normal formação ética, que me custa argumentar contra ele. É algo que me surge como profundamente estranho, inesperado, quase indizível. Trata-se de uma prática que não pode deixar ninguém orgulhoso. Bem pelo contrário. Os TNR, portadores de blue card, são a energia que mantém esta região limpa, movente, eficaz e internacional. Sem eles, este mundo, que vai das Portas do Cerco a Coloane, pararia. Por outro lado, são as pessoas que pior ganham nesta terra. Como é que pode passar pela cabeça de alguém sobrecarregá-los com mais uma despesa, ainda por cima desnecessária aos cofres da RAEM? Sinceramente, acho isto tudo muito estranho, de uma desumanidade atroz. Já nem se trata aqui de existirem cidadãos de primeira e de segunda categoria. Esqueçamos a política. Estamos, muito simplesmente, na área da benevolência (仁 Ren) ou da caridade cristã, ou da falta delas ou, simplesmente, de uma ética fundada em ser uma pessoa de bem (junzi君 子). Como podem os nossos políticos querer ser lembrados por medidas que tão pouco ilustram a dignidade humana? Carlos Morais José porque se estas não conseguirem obter o dinheiro das tarifas o Governo subsidia a diferença. Também concordo que o erário público não deve ser desperdiçado.” Actualmente cada viagem de autocarro custa 3,2 patacas, o valor base, 4,2 patacas na Taipa e quase seis patacas para Coloane. A proposta do Governo pede um aumento para os residentes para as três patacas na nova carreira normal e para quatro patacas na carreira rápida. Já os TNR poderão vir a pagar entre quatro a cinco patacas por tarifa, consoante a carreira que utilizem. O preço base será fixado nas 6,6 patacas. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

quarta-feira 10.1.2018

O

CIBERSEGURANÇA ATFPM ACUSA GOVERNO DE CRIAR LEI ARBITRÁRIA, DESPROPORCIONAL E ILEGAL

Xeque à Lei Básica

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau considera que o projecto de consulta da futura lei da cibersegurança viola a Lei Básica, sendo a actual proposta de monitorização de dados pela Polícia Judiciária “é arbitrária, desproporcional e ilegal” comum a nível internacional, não pode ser atribuída a uma entidade policial ou administrativa a actividade de monitorização do tráfego de dados informáticos.” A proposta já apresentada pelo Executivo irá, na opinião dos dirigentes da ATFPM, permitir “o acesso directo, permanente e em tempo real às redes dos operadores públicos e privados das infra-estruturas críticas”, pelo que a

entidade sugere a eliminação deste artigo do projecto de lei. É também proposto que a monitorização de dados “apenas deva ser permitida após [a ocorrência] de um ataque cibernético, com o objectivo de evitar a sua propagação a outras infra-estruturas críticas”.

GPDP COM MAIS PODER

Na carta enviada a Wong Sio Chak, a direcção da ATFPM faz várias

sugestões, que passam todas pela necessidade de mais intervenção do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP) neste processo. Sugere-se “a criação de um dever de notificação e de cooperação com o GPDP ao abrigo da Lei de Protecção de Dados Pessoais” por parte do Centro de Alerta e resposta a Incidentes de Cibersegurança (CARIC), sendo que este deve também estar sujeito a um código de conduta.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, recebeu no seu gabinete as opiniões da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) no âmbito da consulta pública sobre a futura lei da cibersegurança. E as opiniões assinadas pela direcção, encabeçada pelo também deputado José Pereira Coutinho, estão longe de ser favoráveis às medidas apresentadas pelo Governo. “Consideramos que a monitorização do tráfego de dados informativos entre as redes dos operadores públicos e privados das infra-estruturas críticas e a internet, no âmbito da lei da cibersegurança, está em desconformidade com o ordenamento jurídico da RAEM, podendo, eventualmente, consubstanciar uma violação do artigo 32º da Lei Básica”, lê-se na carta, enviada às redacções. Essa mesma monitorização de dados “é arbitrária, desproporcional e ilegal”, uma vez que o ordenamento jurídico em vigor não permite, segundo a ATFPM, “a ingerência e a quebra do sigilo dos meios de comunicação dos residentes, salvo nos casos de segurança pública ou de investigação em processos criminais”. Nesse sentido, deve “ser eliminada qualquer ingerência e controlo por uma entidade pública, quer pela Polícia Judiciária ou outra”.

EVITAR ABUSOS

Quanto à actuação da PJ, a ATFPM sugere que seja aditado um artigo no projecto de lei “que garanta o cumprimento da lei de combate à criminalidade informática quanto à actividade de monitorização dos incidentes de cibersegurança”. Tudo para “legitimar a intervenção da PJ em matéria de prevenção criminal”. É também exigido o “aditamento de um artigo que delimite o âmbito de aplicação da futura lei de cibersegurança (…) no sentido de limitar exclusivamente a actividade da cibersegurança à garantia da segurança de redes e sistemas informáticos, bem como garantir que a futura lei respeite os direitos, liberdades e garantias dos residentes de Macau”. A ATFPM quer, com as suas sugestões, “prevenir ou evitar o perigo de abuso no acesso indevido a essas bases de dados”. “Estamos perante comunicações privadas cuja intromissão arbitrária ou ilegal é proibida mesmo para as autoridades públicas, podendo constituir uma violação da lei de protecção dos dados pessoais”, lê-se na missiva.

“Num Estado de Direito como o que vigora em Macaunão pode ser atribuída a uma entidade policial ou administrativa a actividade de monitorização do tráfego de dados informáticos.” CARTA DA ATFPM

A ATFPM lança fortes críticas ao papel que a PJ vai passar a desempenhar neste processo de monitorização de dados pessoais. “Num Estado de Direito com um regime de direitos, liberdades e garantias como o que vigora em Macau, e conforme a prática

Esta notificação ao GPDP deve ser feito “quando os incidentes de cibersegurança causarem um dano ou prejuízo à confidencialidade, integridade e disponibilidade dos dados pessoais”. Os dirigentes da ATFPM sugerem também que seja aditado um artigo sobre a protecção dos dados pessoais, “com o objectivo de limitar a possibilidade de acesso arbitrário a dados pessoais ou sensíveis pela PJ ou outras entidades públicas sem a devida autorização, controlo ou fiscalização por parte de uma entidade independente”.

Andreia Sofia Silva

José Pereira Coutinho, presidente da ATFPM

andreia.silva@hojemacau.com.mo

CHEQUES PECUNIÁRIOS VIERAM PARA FICAR? GOVERNO VAI ESTUDAR

O

Governo vai estudar a possibilidade de institucionalização da comparticipação pecuniária. A informação é dada pelos Serviços de Finanças em resposta a uma

interpelação de Sulu Sou. O deputado questionava a necessidade de rever o regime de apoios dados pelo Executivo à população, sendo que, não têm em conta possíveis mu-

danças de cenário económico do território. Para Sulu Sou, os residentes já deixaram de considerar o cheque anual como uma opção do Governo e já o têm como dado garan-

tido. No entanto, o deputado que se encontra neste momento suspenso da actividade legislativa, considera que, se os dinheiros públicos continuarem a ser desperdiçados e

tendo em conta que as receitas têm uma fonte única, a situação pode mudar e os cortes na ajuda pecuniária podem vir a acontecer o que, diz, vai provocar conflitos. Para

Sulu Sou é preciso definir um regime de comparticipação pecuniária e mais: é necessário ter políticas apoiadas cientificamente ao invés de serem voláteis. S.M.M.


6 política

10.1.2018 quarta-feira

DEPUTADOS PANG CHUAN TEM DUAS CASAS E UM ESTACIONAMENTO EM ZHUHAI O vice-reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia e Macau é proprietário é ainda detentor de dois espaços de tado é ainda constituído por um Mun Kam Hoi Ma Tei Tan (tradu- à semelhança de Pang cumpre o de seis fracções estacionamento. parque de estacionamento, que ção fonética), que tem um capital primeiro mandato no hemiciclo, é Segundo a informação declara- está apenas em nome da cônjuge. social de 25 mil patacas. proprietário de dois apartamentos e habitacionais e do por Pang Chuan, o deputado é Pang Chuan e a mulher são Em relação ao cargos em asso- de um estacionamento em Macau. proprietário de duas fracções resi- igualmente os proprietários de uma ciações sem fins lucrativos, Pang Porém todos os bens declarados dois lugares de denciais na Taipa, uma das quais é fracção habitacional em Yancheng, é o presidente da Associação de em Macau são detidos apenas a estacionamento.Já utilizada com fins de arrendamento. na Província de Jiangsu. Porém, Conterrâneos de Nanjing de Macau 50 por cento. membro da AL e a mulher detêm esta habitação é utilizada como desde 2013 até hoje. Nanjing fica No Continente, Lao Chi Ngai Joey Lao é membro Oigualmente na Taipa um estaciona- habitação dos pais. situada na província de Jiangsu, declarou ser proprietário de um para uso do casal. No que diz respeito à partição onde o casal é proprietário de fracção habitacional num aldeia de quatro associações mento Já na Península de Macau, o em empresas, Pang é proprietário uma habitação. O deputado, que que não foi identificada. A localideputado tem uma outra fracção de 30 por cento da empresa Ou é igualmente vice-reitor na Uni- zação da casa herdada surge apenas de conterrâneos residencial em conjunto com a versidade de Ciência e Tecnologia como “aldeia no Interior da China”. de Macau mulher, que é igualmente utilizada de Macau, é ainda presidente das O deputado não tem qualquer

Bens transfronteiriços

O

deputado Pang Chuan, de 46 anos, é detentor de seis casas, em conjunto com a mulher, que se distribuem por Macau e pelo Interior da China, de acordo com a declaração de rendimentos do membro da Assembleia Legislativa. O deputado que foi nomeado pelo Chefe do Executivo e que cumpre o primeiro mandato

A

Associação Novo Macau lançou ontem uma campanha para recolher 300 mil dólares de Hong Kong em donativos de utilizadores da internet, uma acção conhecida pelo termo inglês crowdfunding. Segundo o comunicado da associação pró-democrata, o dinheiro vai ser utilizado para pagar as despesas relacionadas com trabalhadores, renda da sede e impressões de materiais de propaganda política. “Neste momento, a Novo Macau tem dois empregados a

para fins de arrendamento. Contudo, no que diz respeito a esta habitação, o legislador é apenas titular de um sexto do direito de propriedade. Em relação aos restantes imóveis controlados por Pang Chaun, estes ficam localizados no Interior da China, em Zhuhai e na província de Jiangsu. Assim, no outro lado da fronteira Pang possui duas fracções habitacionais, uma das quais é também para arrendar. Em Zhuhai, o património declarado pelo depu-

No que diz respeito à partição em empresas, Pang é proprietário de 30 por cento da empresa Ou Mun Kam Hoi Ma Tei Tan (tradução fonética), que tem um capital social de 25 mil patacas

seguintes associações: Sociedade da Matemática Industrial e Aplicada, Associação Internacional para Sistemas de Informação, Associação de Desenvolvimento e Pesquisa Inteligência Criativa de Macau.

CONTERRÂNEO LAO

participação em empresas, mas tem uma forte presença em associações de conterrâneos, sendo vice-presidente da Associação de Conterrâneos de Kong Mun de Macau e presidente honorário das associações de conterrâneos Hoi Nam, Anhui e Tao Mun.

Também o deputado Joey Lao Chi Ngai, nomeado pelo Chefe do Executivo, apresentou a declaração de rendimentos. O legislador, que

Tenha a bondade de me auxiliar Novo Macau lança campanha para juntar 300 mil dólares de Hong Kong

tempo interior, que tratam das questões administrativas e da comunicação com os média. Os salários representam um despesa de 30 mil patacas por mês.As outras despesas como a renda, e custos de impressão ronda todos os meses as 20 mil patacas”, é explicado no texto da campanha. O movimento associativo representado na Assembleia

Legislativa através de Sulu Sou, deputado que se encontra suspenso, faz questão de frisar que ao longo dos 25 anos da sua história “manteve a independência financeira e nunca recebeu um centavo do Governo nem da Fundação Macau”.

QUASE 20 MIL DÓLARES

Na mensagem publicada para o público é apresen-

tado o modo de financiamento da associação, que se distribui em três fontes: percentagem de salários dos deputados ligados à associação, quotas dos associados e donativos. “O nosso fundo de maneio é constituídos por doações de 20 por cento dos salários dos nossos deputados, das quotas anuais dos nossos

membros (200 patacas) e de pequenos donativos dos nossos apoiantes e cidadão”, é justificado. “Apesar de na última eleição, um dos membros da Associação Novo Macau ter sido eleito para a Assembleia Legislativa, a Novo Macau não consegue cobrir todas as despesas só com esse salário. Assim os donativos da socie-

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

dade civil são essencial!”, é acrescentado. Quanto ao destino dos 300 mil dólares de Hong Kong, a verba vai ser destinada a pagamentos mensais relacionadas com o funcionamento da associação, com o escritório de Sulu Sou e outros projectos sociais. A campanha termina dentro de 88 dias e ontem, até às 8h30, a Novo Macau já tinha conseguido amealhado 19 400 dólares de Hong Kong, o equivalente a seis por cento do total do dinheiro desejado. J.S.F.


sociedade 7

quarta-feira 10.1.2018

A

S crianças e adolescentes de Macau estão a acompanhar as tendências mundiais e a acumular mais peso. É esta a conclusão de um artigo liderado pelo académico Walter King Yan Ho, da Faculdade de Educação da Universidade de Macau, que seguiu dois grupos de estudantes locais entre 2008 e 2014. Segundo os resultados apresentados, o primeiro grupo foi acompanhado entre 2008 e 2013 ao nível de altura, peso e Índice de Massa Corporal, fórmula que permite definir o peso ideal de uma pessoa. Assim, em 2008, no primeiro grupo de aluno, 28,6 por cento estavam abaixo do peso ideal, 56,8 por cento estavam no peso ideal, 8,7 tinham excesso de peso e 5,8 por cento eram considerados obesos. No final da análise, em 2013, 17,3 por cento estava abaixo do peso saudável, 54 por cento tinham o peso normal, 14,4 por cento apresentavam excesso de peso e 14,3 por cento eram considerados obesos.

OBESIDADE HÁ CADA VEZ MAIS ALUNOS COM EXCESSO DE PESO

Lixo irresistível

Entre 2009 e 2014, o número de estudantes considerados obesos aumento de 6,9 por cento para 13,1 por cento, de acordo com um artigo liderado pelo académico Walter King Yang Ho, da Universidade de Macau

2014, 8,6 por cento dos analisados estavam abaixo do peso ideal, 65,4 por cento tinham um peso normal, 12,9 por cento tinham excesso de peso e 13,1 por cento eram obesos.

COMIDA POUCO SAUDÁVEL

Ao HM, também Catarina Rodrigues, treinadora de saúde,

constatou que Macau está a seguir ao nível do peso das crianças e do aumento da massa corporal a tendência das sociedade mais desenvolvidas: “O aumento da obesidade tem-se verificado nos países desenvolvidos, principalmente entre adolescente e jovens. É muito notório e um dos prin-

cipais exemplos são os Estados Unidos”, começou por dizer. “Com o desenvolvimento da sociedade de Macau, cada vez há mais opções de comida junk. Também os adolescentes cada vez comem mais fora de casa do que com os pais, e muitas vezes os hábitos alimentares menos saudáveis

“Por muita educação que os pais dêem aos filhos, se todo o grupo de amigos vai almoçar a restaurantes de fast food, é muito difícil para a pessoa dizer que não quer consumir e que prefere ir comer uma salada.”

também estão relacionados com isso”, acrescentou. A treinadora da saúde destacou ainda as dificuldades na educação das crianças para os hábitos alimentares. “Por muita educação que os pais dêem aos filhos, se todo o grupo de amigos vai almoçar a restaurantes de fast food, é muito difícil para a pessoa dizer que não quer consumir e que prefere ir comer uma salada”, apontou. No início do ano lectivo, a Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) lançou uma plataforma para as escolas acompanharem as necessidades de exercício dos alunos. Ao HM, Catarina Rodrigues considerou a medida positiva, mas destacou a necessidade de se melhorarem os menus da cantinas escolas. “É a postura indicada por parte da DSEJ para contribuir para o exercício dos estudantes. Outra medida que me parece indicada é fazer com que as escolas com cantinas apresentarem não só comida saudável, mas também apelativa para as crianças”, frisou a treinadora da saúde. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

CATARINA RODRIGUES

Em relação ao segundo grupo, que foi acompanhado entre 2009 e 2014, no primeiro ano considerado, 16,4 por cento dos analisados estava abaixo do peso ideal, 65,9 por cento tinham o considerado peso ideal, 10,8 por cento apresentavam excesso de peso e 6,9 por cento das crianças eram obesas. Já em

CENTRAIS NUCLEARES GOVERNO DE MACAU PASSA A SER NOTIFICADO POR GUANGDONG

O

S Governos de Macau e de Guangdong assinaram ontem o “Acordo de cooperação no âmbito da gestão de emergência de acidentes nucleares da Central Nuclear de Guangdong”, relativo ao funcionamento das várias centrais nucleares do interior da China, nomeadamente a de Taishan. Segundo um comunicado oficial, Macau será notificada “no caso de ocor-

rência de qualquer incidente nuclear nas centrais nucleares em funcionamento na província de Guangdong”. Essa notificação será feita de acordo com a Escala Internacional de Acidentes Nucleares e os Quatro Estados de Emergência Nuclear da República Popular da China. “Apesar da taxa de ocorrência de graves incidentes nucleares ser extremamente baixa”, as autoridades con-

sideram “indispensável a criação de um mecanismo de cooperação bilateral”, para que haja uma resposta

a “potenciais incidentes que possam vir a ocorrer nas centrais nucleares de Taishan e regiões circundantes”.

O acordo assinado prevê ainda a realização de reuniões e acções de formação. Além disso, Macau afirma que tem “estipulado planos de contingência e medidas para dar resposta a eventuais incidentes nucleares nas regiões vizinhas”. Apesar das medidas já existentes, o acordo assinado com a província de Guangdong “constitui uma nova etapa para a coopera-

ção na área da segurança nuclear entre Guangdong e Macau, criando condições para concretizar o mecanismo de permuta de informações”. Tal vai permitir “às autoridades de Macau uma maior diligência na tomada das medidas necessárias através da obtenção das últimas informações sobre um eventual incidente nuclear”, aponta o mesmo comunicado.


8 sociedade

10.1.2018 quarta-feira

GONÇALO LOBO PINHEIRO

BANCA GOVERNO PONDERA ELIMINAR TAXA DOS BANCOS PARA FUNDO DE GARANTIA DE DEPÓSITOS

De papo cheio O fundo de garantias de depósitos de Macau, que como o nome sugere assegura os depositantes, atingiu o limite máximo. Como tal, o Governo pondera reduzir, ou eliminar, a taxa com que os bancos contribuem para o mecanismo de garantia. Encontra-se também em cima da mesa a simplificação do método para calcular a compensação a depositantes

Universidade de Macau Yong-hua Song tomou ontem posse como reitor

Yong-hua Song, é o novo reitor da Universidade de Macau (UM). De acordo com um comunicado da instituição de ensino superior o novo responsável pela UM disse, na tomada de posse de ontem, “esperar reforçar a comunicação com a comunidade e elevar o desenvolvimento e inovação da Universidade de Macau a um novo patamar”. No mesmo dia, a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) reagiu à nova gestão da UM e em comunicado felicitou o novo reitor e sublinhou a importância da utilização da língua portuguesa no contacto da instituição com a comunidade e imprensa. Yong-hua Song vem substituir Wei Zhao que saiu da reitoria antes de terminar o mandato. O novo reitor vem da engenharia electrotécnica e já foi professor catedrático e reitor assistente da Universidade de Tsinghua, em Pequim. PUB HM • 2ª VEZ • 10-1-18

ANÚNCIO

Interdição n.º

CV3-17-0056-CPE

3º Juízo Cível

REQUERENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO.-----------------REQUERIDO: UNG SEONG SON, residente em Macau, na Rua de Tin Chon, Lar São Luís Gonzaga, Taipa.---------------------------------------------* ----Faz Saber que, no Juízo Cível e Tribunal acima referidos, foi distribuída uma acção contra UNG SEONG SON, maior, solteiro, residente em Macau, na Rua de Tin Chon, Lar São Luís Gonzaga, Taipa, supra identificado, para o efeito de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica.----------------------------R.A.E.M., 06 de Dezembro de 2017.-----------------*

G

OVERNO e deputados membros da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) encontram-se estão a discutir o futuro do fundo de garantia de depósitos. Apenas um artigo pode trazer mudanças consideráveis à realidade actual. De acordo com o presidente da comissão, Ho Ion Sang, o Governo vai ponderar a redução, ou interrupção, da taxa com que os bancos contribuem, uma vez que o fundo de garantia de depósitos ultrapassou o seu limite máximo. Os representantes do Executivo revelaram que durante o ano passado, até Outubro, os valores das contribuições para o fundo de garantia eram de cerca de 76 milhões de patacas. Um valor que acresce a um acumulado de 410 milhões, ultrapassando o limite que havia sido fixado em 460 milhões de patacas. Se a opção do Governo passar por reduzir a percen-

tagem das contribuições, Ho Ion Sang revela que se pondera fixar a taxa “numa percentagem uniforme, ajustada ao grau de risco”. No que diz respeito à estrutura e funcionamento do fundo de garantia de depósitos os trabalhos vão continuar a estar a cargo da Autoridade Monetária de

Macau (AMCM). Aliás, o presidente do Conselho de Administração do fundo de garantia de depósitos é o presidente da AMCM, Chan Sau San.

MILHÕES E MILHÕES

Segundo Ho Ion Sang, o valor percentual da contribuição do sector bancário é

de 0,3 por cento, “uma taxa mínima, muito pequena que só ocupa 0,1 por cento dos custos operacionais dos bancos e que não afecta o seu funcionamento”. A alteração ao regime em questão tem motivado um diálogo entre Governo e a Associação de Bancos de Macau, que remonta ao final de 2014. Um dos consensos entre o sector e o Executivo prende-se com a alteração quanto à forma de atribuir compensações. Segundo os representantes do Governo, a mudança para o sistema “gross payout approach” traz vantagens para depositantes e instituições bancárias. Os depositantes que tiverem também dívidas ao banco, caso seja accionado o fundo de garantia, são compensados em primeiro lugar para satisfazer as suas necessidades diárias, podendo liquidar as dívidas num momento posterior. Para os bancos, este processo reduz os custos dos bancos no processamento de informação, ao mesmo tempo que aumenta a cobertura da garantia dos depósitos. Segundo o presidente da 1ª comissão permanente, esta política permite “elevar a eficácia do pagamento da compensação e a confiança dos depositantes, assim como estabilizar o sistema bancário de Macau”. O deputado acrescentou ainda que este método é praticado internacionalmente, nomeadamente em Hong Kong e Singapura. A comissão fixou um prazo para concluir a discussão na especialidade da alteração legal, prevendo assinar parecer ainda em Janeiro. João Luz

info@hojemacau.com.mo

ENERGIA SOLAR GOVERNO REDUZ TARIFAS E REVÊ INSTALAÇÃO

A

S novas tarifas feed-in, relativas à energia solar fotovoltaica, entram em vigor no próximo dia 1 de Julho, aponta um comunicado ontem divulgado pelo Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético. As mudanças prendem-se com o facto “do custo dos sistemas de energia solar fotovoltaica estar constantemente a diminuir”, o que levou o Executivo a alterar tarifas que estão em vigor há cerca de três anos. “Depois de ter estudado o assunto com a Companhia de Electricidade

de Macau (CEM), o Governo irá continuar a implementar as medidas de incentivo para as tarifas feed-in, fixando-as a um preço superior à tarifa de electricidade actual, tendo baixado, mesmo assim, o valor das mesmas”, lê-se no comunicado. Além das mexidas nas tarifas, o Governo decidiu também alterar o actual sistema de classes neste sector. “Para oferecer maior flexibilidade e poder de escolha às pessoas ou investidores interessados em instalar sistemas fotovoltaicos, das

três classes de capacidade instalada dos sistemas, até agora existentes, a Classe III original Superior a 100 kW foi subdividida em duas classes: Superior a 100 kW e até 500 kW e Superior a 500 kW.” As revisões das tarifas não se ficam por aqui, aponta o Executivo. “O Governo irá, oportunamente, voltar a rever estas tarifas. Contudo, as tarifas feed-in previstas nos contratos de aquisição de electricidade, já celebrados, não serão afectadas pela actual revisão”, conclui.


sociedade 9

quarta-feira 10.1.2018

A

MANDARIM À ENTRADA

Apesar dos apoios concedidos pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude serem só atribuídos ao sector jurídico, é com um curso de

DIREITO FRC ABRE CENTRO DE EDUCAÇÃO NA ÁREA JURÍDICA COM APOIO DO GOVERNO

Direito para todos

O Centro de Educação da Fundação Rui Cunha já está em funcionamento e é a primeira valência apoiada pelo Governo para dar formação na área jurídica. A iniciativa vai ainda proporcionar o ensino de outras competências e a estreia é com um curso de mandarim para iniciantes. Para o futuro o centro pretende levar o direito local ao continente GONÇALO LOBO PINHEIRO

Fundação Rui Cunha (FRC) tem uma nova valência na área da formação. É o Centro de Educação, financiado pelo Governo, dirigido, não só aos profissionais da área como a todos aqueles que precisem de mais conhecimentos para melhor desempenharem as suas funções. “Já temos o Centro de Reflexão e Difusão do Direito de Macau (CRED-DM) e este Centro de Educação também é um centro ligado ao direito”, começa por dizer a directora de ambas as entidades, Filipa Guadalupe, ao HM. A ideia para esta valência partiu da experiência tida com o trabalho do CRED-DM. “Já fazíamos cursos dentro do CRED e percebemos que as pessoas queriam e precisavam de formações não só de curta duração e mais práticas como pediam mesmo formação noutras áreas mais complexas que não se aprendem na faculdade e que depois são necessárias no prática profissional do dia-a-dia”, aponta a responsável. O novo Centro de Educação, por seu lado, está direccionado para o público em geral e é entidade pioneira neste tipo de trabalho. “Na área jurídica ainda não existia nenhuma associação particular a fazer este tipo de formações destinado à população em geral e queremos chegar a toda a gente”, refere a directora. A razão, aponta, tem que ver com a própria função do programa: “Espalhar o direito de Macau e transmitir esse conhecimento a todos os que dele precisam. O público não se limita apenas àqueles que trabalham directamente no sector jurídico, mas também àqueles com profissões diversas mas que trabalham indirectamente com o direito”, explica.

para a gestão de desastres ambientais”, dada pelo advogado e ex-secretário de estado do ambiente de Portugal, José Eduardo Martins. “Foi daqueles cursos que foi criado por força da necessidade depois de termos assistido ao que aconteceu com a passagem do tufão Hato”, diz Filipa Guadalupe. De acordo com a também jurista é preciso criar as bases e as estruturas jurídicas para que as coisas funcionem neste tipo de situações. Segue-se um curso de secretariado forense. A formação é dirigido àqueles que já trabalham ou que pretendem trabalhar em escritórios de advogados e a quem são exigidos conhecimentos técnicos nomeadamente na área processual.  O centro termina o primeiro semestre de actividades com a formação em português jurídico II e em propriedade intelectual e tecnologias de informação. Para já, a opção é ter cursos mais genéricos para, com o tempo e a experiência, as áreas se irem afunilando consoante o interesse e a relevância, revela a directora.

LEVAR O DIREITO DE MACAU À CHINA

“O público não se limita apenas àqueles que trabalham directamente no sector jurídico, mas também àqueles com profissões diversas mas que trabalham indirectamente com o direito”

“Se estes cursos servirem também para as pessoas saírem das bolhas culturais em que se encontram, nem que seja dentro de um universo muito pequeno, já é uma mais-valia”

FILIPA GUADALUPE DIRECTORA DO CENTRO DE EDUCAÇÃO DA FRC

língua que as actividades vão abrir no Centro de Educação. As inscrições acabam no próximo dia 15 para uma formação de 30 horas de iniciação ao mandarim. A ideia de ensinar o mandarim teve que ver com o facto “de existir público para esta língua”. “O mandarim é cada vez mais procurado e

mais falado e num momento em que há tanta procura da língua portuguesa, era também importante que os portugueses aprendessem um bocadinho de mandarim, até porque, quer se queira quer não, estamos na China”, refere Filipa Guadalupe. No que respeita a adesão, já estão 30 alunos inscritos

de várias nacionalidades o que representa um interesse crescente por parte dos estrangeiros em estarem mais ligados com a população local. “Se estes cursos servirem também para as pessoas saírem das bolhas culturais em que se encontram, nem que seja dentro de um universo muito pequeno, já é

uma mais-valia”, diz Filipa Guadalupe. Para este curso, e porque os interessados não podem aplicar as ajudas do Governo, a inscrição tem um valor “simbólico” de 500 patacas.  Até Junho o calendário já está cheio. Em Março tem lugar uma formação intensiva em “Instrumentos jurídicos

Apesar de estar a nascer, o Centro e Educação quer crescer para lá das Portas do Cerco e dar a conhecer o direito de Macau ao interior da China. “Queremos transmitir o direito de Macau à China continental e, nesta perspectiva de intercâmbio, o futuro do direito local não só depende da população e da sua consciência dos direitos e deveres, como do conhecimento dos profissionais da China”. A ideia é conseguir levar, através de acções de formação, o direito local ao continente “porque só através do conhecimento é que as situações podem ser analisadas aceites e integradas, especialmente numa altura em que se fala de situações como a integração regional com projectos como o da Grande Baía”, remata Filipa Guadalupe. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


10 eventos

10.1.2018 quarta-feira

Pop distorcido The Pains of Being Pure at Heart e Ride ao vivo em Hong Kong

O

S fãs de rock shoegaze que vivem em Macau e Hong Kong têm razões para estarem felizes com os concertos agendados para os próximos tempos. No dia 24 de Janeiro, os The Pains of Being Pure at Heart actuam na Music Zone KITEC, estando a primeira parte a cargo dos NYPD. Os bilhetes encontram-se à venda e custam 490 HKD. No dia 26 de Fevereiro é a vez dos clássicos Ride actuarem no Macpherson Stadium, em Mong Kok. A banda de culto britânica teve no seu primeiro registo, “Nowhere”, um dos discos mais importantes da cena shoegaze, de onde se retiram hinos intemporais como “Dreams Burn Down”, “Paralysed”, “Kaleidoscope” e “Decay”. A música dos Ride é fortemente marcada por atmosferas de pop rock etéreo, pelas vocalizações suaves e pelos pedais de distorção das guitarras que, do nada, incendiam uma música que poderia revestir roupagens comerciais. Ainda bem que assim é. Depois de sucessivos divórcios e reunificações, os Ride gravaram um disco de estúdio no ano passado intitulado “Weather Diaries”. O álbum é o quinto da carreira da banda e marca o regresso dos britânicos ao estúdio após um hiato de 21 anos. Os Ride, nascidos em Oxford, despontaram para os grandes palcos depois de Jim Reid, dos The Jesus and Mary Chain, os ter visto ao vivo. Em 1990 lançaram o primeiro disco, o acima mencionado “Nowhere”, que viria a lançar a década que se avizinhava. Andy Bell, um dos vocalistas e guitarristas da banda de

Oxford chegou a integrar os Oasis durante um dos hiatos dos Ride.

AS DORES

Mas antes dos históricos de Oxford desafinem as suas guitarras, Hong Kong recebe uma banda que lhes foi beber bastante em termos de influência: Os The Pains of Being Pure at Heart. Com uma carreira que já ultrapassou uma década, a banda de Nova Iorque tem uma discografia com quatro registos de originais, sendo que em Setembro último lançaram “The Echo of Pleasure”, que deve marcar a actuação dos norte-americanos na Music Zone KITEC. O primeiro registo dos nova-iorquinos, um disco homónimo, valeu a aclamação crítica e alguma popularidade que motivou uma tour mundial, um sonho tornado realidade para uma banda recente.Asonoridades dos The Pains of Being Pure at Heart é frequentemente comparada a My Bloody Valentine The Field Mice, The Jesus and Mary Chain e, lá está, aos Ride. A banda faz parte de uma onda de grupos que foram repescar as sonoridades dos finais dos anos 80 e inícios de 90, onde o pop rock melodioso se aliava ao rasgar de guitarras carregadas de feedback, para gáudio de quem gosta destas sonoridades e estava farto de uma década de música electrónica. O panorama dos concertos no território vizinho arranca este ano com muitos motivos para sorrisos entre quem gosta de rock alternativo. J.L.

ARTES FRINGE PROMOVE A DESCOBERTA DE MACAU E A INTERACÇÃO ENTRE PESSOAS

À caça de tesouros

A 17ª edição do Festival Fringe, que decorre entre 12 e 21 de Janeiro, tem dois objectivos que ultrapassam a apreciação artística: O desvendar dos segredos escondidos de Macau e o aprofundamento da forma como as pessoas se relacionam umas com as outras

A

LÉM dos 23 espectáculos que enchem o cartaz do Festival Fringe deste ano, o Instituto Cultural (IC), que organiza o evento, tem programado uma dezena de workshops, palestras, sessões de crítica de arte, entre outros eventos que pretendem envolver a cidade durante os dez dias do festival. Um dos intentos da organização é proporcionar a

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA 7 ANOS DE MAU SEXO - CRÓNICAS CONSTRANGEDORAS • Ana Anes

participação activa do público. Nesse capítulo, não há como fugir ao “Leilão de Histórias de Amor”, um espectáculo que se realiza no Mico Café, no dia 14 de Janeiro às 17h e às 21, e nos dias 15 e 17 de Janeiro às 19h30. Neste espectáculo tudo é possível e nada é posto de lado, assim sendo, serão leiloados artigos carregados de romantismo tais como amuletos tailandeses, brinquedos para adultos e essências amorosas.

O espectáculo traça uma viagem entre Taipé e Macau, à procura de recordações de namoros extintos mas que se mantém vivos em objectos como cartões feitos à mão ou cantigas de amor. O leilão será preenchido também pelas histórias submetidas pelos participantes em palavras, vídeos ou movimentos corporais. Outra das actividades do cartaz do Fringe é o Teatro

para Bebés – Workshop de Produção Criativa, ministrado pelo grupo australiano Polyglot Theatre e o Big Mouse Kids Drama Group, que terá lugar no Anim’Arte NAM VAN, a 20 e 21 de Janeiro, das 10h às 13 e das 14h30 às 18h30. O objectivo é envolver a família no Fringe 2018, com um evento em que bebés e crianças em idade pré-escolar exploram e interagem com experiências

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A maior parte das crónicas reunidas neste livro surgiram ao fim de dois anos de muita insistência por parte da autora à direcção do semanário O Independente, onde colaborava há cerca de três anos. Com o término dos suplementos anteriores, que deram lugar ao suplemento Vida, foi possível concretizar o que, mais do que um sonho, foi sempre uma certeza da autora - a de que iria «abanar os alicerces» de algumas mentalidades. Assim foi e, durante cerca de sete meses de duração da rubrica homónima, falou-se semanalmente, sem tabus, de sexo e relacionamentos, obviamente numa perspectiva autobiográfica (e não só, que os amigos deram ajudas preciosas com as respectivas experiências!), com humor, ironia e sentido de oportunidade e actualidade. Para além dessas, o livro reúne igualmente crónicas originais e outras da Perspectiva, da coluna Cambalhotas do Destak e da rubrica A Guerra dos Sexos da Maxmen. As crónicas estão organizadas num sistema crescente de «malaguetas»: as primeiras são relativamente toleráveis, mas para as mais picantes será conveniente prepararem o antídoto!

A PRINCESA E O PRESIDENTE • Valéry Giscard d’Estaing

A Princesa e o Presidente conta a história entre Jacques-Henri Lambertye, Presidente de França, e Patrícia, a Princesa de Cardiff. Nestas páginas, o leitor assiste aos seus primeiros encontros e ao nascimento de um amor que, rapidamente, se tornará o centro das suas vidas agitadas. Tendo como pano de fundo os palácios da república francesa e da monarquia britânica, a aproximação entre ficção e realidade é evidente, fazendo-nos crer que, até hoje, ninguém saberia a verdadeira história de amor daquela que o autor apelida de Princesa de Cardiff.


eventos 11

quarta-feira 10.1.2018

GLOBOS DE OURO PRÉMIOS PARA TODOS

O

filme “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” triunfou na 75.ª edição dos Globos de Ouro, ao conquistar quatro galardões, roubando o brilho a “The Shape of Water”, favorito para os prémios de cinema e televisão. “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”, de Martin McDonagh, impôs-se em quatro das seis categorias para os quais estava nomeado: melhor drama, melhor actriz (Frances McDormand), melhor actor secundário (Sam Rockwell) e melhor argumento (Martin McDonagh). A película “The Shape of Water”, que somava sete nomeações para os Globos de Ouro, não foi, no entanto, além de dois prémios: o de melhor realizador (Guillermo del Toro) e o de melhor banda sonora (Alexandre Desplat).

Já o britânico Gary Oldman confirmou os prognósticos, conquistando o prémio de melhor actor de drama pelo papel em “Darkest Hour”, enquanto James Franco foi distinguido como o melhor actor de comédia por “Um desastre de artista”. Saoirse Ronan triunfou como melhor actriz de comédia por “Lady Bird”, filme realizado por Greta Gerwig que também venceu o prémio de melhor comédia/musical, ao passo que Allison Janney foi distinguida como melhor actriz secundária pela sua interpretação em “I, Tonya”. O prémio de melhor canção foi para “This Is Me”, de “O grande showman”, escrita por Benj Pasek e Justin Paul, a dupla que deixou a sua marca no ano passado com “La La Land”. O ga

lardão de melhor filme de animação foi para “Coco”, da Pixar, enquanto “In The Fade” (Alemanha e França), de Fatih Akin, arrecadou o de melhor filme estrangeiro. Os Globos de Ouro, prémios do cinema e da televisão atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, são vistos habitualmente como uma antecâmara dos Óscares, cujas nomeações vão ser anunciadas no próximo dia 23, estando a cerimónia de entrega marcada para 4 de Março.

VENCEDORES DA 75.ª EDIÇÃO sensoriais que estimulam a imaginação. Os membros do Polyglot Theater vão ensinar técnicas de actuação, como expressão facial e corporal, assim como formas de relação entre público e artistas.

TEATRO NA PRAIA NEGRA

Um dos destaques do cartaz do Fringe recria um habitual fragmento de quotidiano de quem vive em Macau e que na maioria das vezes não é encarado como algo positivo ou artístico. A Dream Theater Association apresenta uma peça itinerante intitulada “O Meu Pai é Motorista de Autocarro”, que tem como ponto de partida a Rua de Lei Pou às 14h30 dos dias 13 e 14 de Janeiro, sábado e domingo. O fio condutor que orienta a peça é o ambiente que se vive no cenário de transição onde todos actuam diariamente. O espaço limitado, os estridentes anúncios das próximas paragens, o linguajar variado à nossa volta, a publicidade que nos entra pelos olhos adentro e os solavancos que tornam a viagem numa acrobacia colectiva são cenário da peça. O protagonista é um motorista aposentado e os seus velhos colegas de profissão que testemunharam durante décadas dramas pessoais e mudanças históricas na cidade. O areal negro da praia da Hac Sa será palco para uma peça encenada pelo Rolling Puppet Alternative Theatre e

Teatro Langasan, de Taiwan, na próxima sexta-feira às 20h, e no sábado e domingo às 15h30. A peça chama-se “Niyaro: Anseio pela Pátria”, e conta a versão poética da história dos Amis, um grupo nativo de Taiwan, através de cantos, danças e cerimónias rituais que representam mitos tribais e o anseio pela terra natal. A peça é um grito de identidade de uma alma antiga que vive cercada por arranha-céus e que procura encontrar um pedaço de terra onde assentar as raízes culturais tradicionais do grupo indígena a que pertence. O Teatro Langasan, originário do vale de East Rift em Taiwan, cria uma fusão entre a cultura aborígene, o teatro moderno e a arte de representação em torno do conceito “o palco é um local de rito”. A actuação única que será apresentada na praia de Hac Sa foi aclamada no Festival Fringe de Edimburgo e no Festival OFF d’Avignon.

SONO E SONHO

Ao contrário do que é normal, a companhia Co-coism, também de Taiwan, convidar os espectadores ao sono. A intervenção artística que dá pelo nome de “Pode Dormir Aqui” tem data e hora marcada para sexta-feira e sábado, às 21h30, em lugar incerto. O objectivo é tornar indistinguível o espaço público do

espaço privado e transformar Macau numa imensa cama. A companhia que já havia participado no Fringe do ano passado, junta-se ao produtor local Ieong Pan e convida o público a “viver em lugares abandonados”. O espectáculo de difícil definição convida a um cochilo ou a uma conversa em ambiente recatado em plena via pública. A organização pede a quem esteja interessado que se prepare para dormir fora de casa. Veremos se São Pedro colabora. O espaço Anim’Arte NAM VAN apresenta no próximo sábado e domingo, entre as 11h e as 19h, uma exposição de pintura que sai das telas e ganha pulso, nomeadamente no museu vivo, com hora marcada entre as 14h30 e as 16h30. A iniciativa intitula-se “Laboratório Miró”, da autoria da Macau Artfusion, e convida o público a perder-se na arte de Joan Miró. O evento tem várias facetas. Workshops de expressões criativas, movimento, desenho, caracterização, pintura corporal, sessões fotográficas e museu vivo, apresentando a obra do pintor surrealista espanhol em telas de pele. Estas são alguns dos exemplos de intervenções artísticas de difícil definição que preenchem o cartaz de um festival onde a indefinição é um conceito fundamental. João Luz

info@hojemacau.com.mo

CINEMA • Melhor drama: “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” • Melhor comédia/musical: “Lady Bird” • Melhor actor de drama: Gary Oldman (“Darkest Hour”) • Melhor actriz de drama: Frances McDormand (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”) • Melhor actor de comédia/musical: James Franco (“Um desastre de artista”) • Melhor actriz de comédia/musical: Saoirse Roan (“Lady Bird”) • Melhor actor secundário: Sam Rockwell (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”) • Melhor actriz secundária: Allison Janney (“I, Tonya”) • Melhor realizador: Guillermo del Toro (“The Shape of Water”) • Melhor argumento: Martin McDonagh (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”) • Melhor banda Sonora original: Alexandre Desplat (“The Shape of Water”) • Melhor canção original: “This is Me”, de Benj Pasek e Justin Paul (“O grande showman”) • Melhor filme de animação: “Coco”, de Lee Unkrich e Adrian Molina. • Melhor filme estrangeiro: “In The Fade”, de Fatih Akin (Alemanha/França)

TELEVISÃO • Melhor série dramática: “The Handmaid’s Tale” • Melhor série de comédia/musical: “The Marvelous Mrs. Maisel” • Melhor minissérie: “Big Little Lies” • Melhor actor de série dramática: Sterling K. Brown (“This is Us”) • Melhor actriz de série dramática: Elisabeth Moss (“The Handmaid’s Tale”) • Melhor actriz de comédia/musical: Rachel Brosnahan (“The Marvelous Mrs. Maisel”) • Melhor actor de comédia/musical: Aziz Ansari (“Master of None”) • Melhor actriz de minissérie: Nicole Kidman (“Big Little Lies”) • Melhor actor de minissérie: Ewan McGregor (“Fargo”) • Melhor actor secundário de série televisiva: Alexander Skarsgård (“Big Little Lies”) • Melhor actriz secundária de série televisiva: Laura Dern (“Big Little Lies”) • Prémio Carreira Cecil B. DeMille: Oprah Winfrey


12 publicidade

10.1.2018 quarta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA “OBRA DE REMODELAÇÃO DAS INSTALAÇÕES DA DSE SITUADAS NO 24.º ANDAR DO EDIFÍCIO BANCO LUSO INTERNACIONAL” 1.

Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

2.

Modalidade de concurso: Concurso Público.

3.

Local de execução da obra: Rua Dr. Pedro José Lobo, n.º 1-3, Edif. Banco Luso Internacional, 24.º andar, Macau.

4.

Objecto da Empreitada: Obras de remodelação interior.

5.

Prazo máximo de execução da obra: 150 dias de trabalho. O prazo de execução da obra apresentado pelo concorrente deve obedecer às disposições do n.º 7 do Preâmbulo do Programa de Concurso e dos n.ºs 5.1.2 e 5.2.2 das Cláusulas Gerais do Caderno de Encargos.

6.

Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso.

7.

Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços.

8.

Caução provisória: $160 000,00 (cento e sessenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais.

9.

Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar).

10.

Preço Base: não há.

11.

Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação.

12.

A sessão de esclarecimentos relativa à empreitada será realizada em 17 de Janeiro de 2018 (quarta-feira), pelas 10:00 horas, no local da obra, sendo o ponto de encontro à entrada da Rua Dr. Pedro José Lobo, n.º 1-3, Edif. Banco Luso Internacional, 24.º andar, em Macau.

13.

Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, R/C, Macau; Dia e hora limite: dia 31 de Janeiro de 2018 (quarta-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega de propostas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

14.

Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Sala de reunião da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5º andar, Macau; Dia e hora: dia 1 de Fevereiro de 2018 (quinta-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público do concurso por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso.

Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 19 de Dezembro de 2017, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os “Serviços de Inscrição de Actividades de Férias do ano 2018 organizadas pelo Instituto do Desporto e pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude”.

15.

Línguas a utilizar na redacção da proposta: Os documentos que instruem a proposta (com excepção dos catálogos de produtos) devem estar redigidos numa das línguas oficiais da RAEM, quando noutra língua, devem ser acompanhados de tradução legalizada, a qual prevalece para todos e quaisquer efeitos.

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, no horário de expediente, das 9.00 às 13.00 e das 14.30 às 17.30 horas, para consulta do processo do concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento da importância de $500,00 (quinhentas) patacas. Podem ainda ser feita a transferência gratuita de ficheiros pela internet na área de download da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov.mo.

16.

Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 17.º andar, Macau; Hora: horário de expediente (Das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas) Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso mediante o pagamento de $300,00 (trezentas patacas).

Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais.

17.

Critérios de avaliação das propostas e respectivas proporções:

Anúncio

Concurso Público N.º 1/ID/2018 « Serviços de Inscrição de Actividades de Férias do ano 2018 organizadas pelo Instituto do Desporto e pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude »

O prazo para a apresentação das propostas termina às 12.00 horas do dia 31 de Janeiro de 2018, quarta-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

Parte relativa ao preço Parte técnica

Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $290 000,00 (duzentas e noventa mil) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na Região Administrativa Especial de Macau e à ordem do Fundo do Desporto ou efectuar um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do “Fundo do Desporto”) na mesma quantia, a entregar na Divisão Financeira e Patrimonial sita na sede do Instituto do Desporto. O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 1 de Fevereiro de 2018, quinta-feira, pelas 9.30 horas, no Auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura. Instituto do Desporto, 10 de Janeiro de 2018. O Presidente, Pun Weng Kun

Critérios de avaliação Preço da obra Prazo de execução Programa de trabalhos Experiência em obras executadas Integridade

Proporção 11 2 3 2,6 1,4

Pontuação final = Pontuação da parte relativa ao preço x Pontuação da parte técnica. Em conformidade com o relatório de avaliação das propostas, os 3 concorrentes com pontuação final mais alta são ordenados por ordem crescente dos preços da obra e o dono da obra procederá à adjudicação com base na respectiva ordenação. 18.

Esclarecimentos adicionais: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 17.º andar, em Macau, a partir de 17 de Janeiro de 2018 (inclusive) e até à data limite para a entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Região Administrativa Especial de Macau, aos 4 de Janeiro de 2018. O Director de Serviços Li Canfeng


china 13

quarta-feira 10.1.2018

OCIDENTE TEM DE TRATAR DO SEU LIXO APÓS CHINA PARAR IMPORTAÇÃO

Era mau e acabou-se

U

M jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) advertiu ontem que o ocidente terá que “aprender a tratar do seu próprio lixo”, depois de a China ter deixado este ano de importar vários tipos de resíduos sólidos. “A verdade é que o ocidente está preocupado”, afirma o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo

do Diário do Povo, o órgão central do PCC. Em editorial, o jornal escreve que os “países ocidentais” estão a ser “gravemente afetados” pela decisão da China de banir a importação de 24 tipos de resíduos sólidos. O país asiático converteu-se no maior importador mundial de lixo desde que começou a importar resíduos para reciclar nos anos 1980,

criando um fornecimento extra de metais e materiais que faltavam no mercado doméstico. A China recebia, por exemplo, dois terços dos resíduos de plástico do Reino Unido, segundo dados citados pelo Global Times. “Os países desenvolvidos habituaram-se a comprar produtos baratos de países em desenvolvimento, como a China, e a enviar o lixo de volta,

mantendo-se limpos”, descreve o jornal. As autoridades de Pequim consideram agora que os problemas criados pela importação de lixo ultrapassam em muito os benefícios, apontando que, apesar do proveito industrial e criação de emprego, tem um impacto “muito negativo” para o ambiente. Décadas de acelerado crescimento económico causaram sérios problemas ambientais na China, com as principais cidades do país a serem frequentemente cobertas por um manto de poluição e a terem parte dos solos contaminados. O país já informou a Organização Mundial do Comércio que, a partir de 2019, irá banir totalmente a importação de lixo. “A era em que os países desenvolvidos exportavam marcas e tecnologia, assegurando um padrão de vida mais elevado, enquanto os países em desenvolvimento cresciam à custa de mão-de-obra barata e poluição vai acabar”, prevê o Global Times. “Não se trata de um argumento nacionalista, mas um desenvolvimento natural na sociedade humana”, aponta.

TURISMO CHINÊS FACTURA 5,4 BILIÕES DE YUANS EM 2017

A

indústria do turismo na China, o maior emissor mundial de turistas, facturou 5,4 biliões de yuan no ano passado, indicou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. Trata-se de um valor equivalente a mais de três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) português. No mesmo período, a China registou cinco mil milhões de deslocações turísticas internas, que geraram uma receita total de 587 mil milhões de euros. Esta receita representa uma subida de 69% em relação a 2012, fixando o crescimento anual

médio em 15,8%, segundo a mesma fonte. Em média, cada chinês fez 3,7 viagens dentro do país. Já 129 milhões de chineses viajaram para o estrangeiro em 2017, mais 5,7% do que no ano anterior, acrescentou a agência, que cita dados oficiais do sector. A China é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1.400 milhões de habitantes. O turismo gerou ainda 80 milhões de empregos no país e tornou-se uma importante ferramenta na redução da pobreza, segundo os dados citados pela

agência chinesa. A China superou, em 2011, os Estados Unidos como o maior emissor mundial de turistas. A maioria dos turistas chineses fica por Hong Kong e Macau, as duas Regiões Administrativas Especiais da China, mas o Sudeste Asiático, Estados Unidos, Europa e Austrália atraem cada vez mais a nova classe média chinesa, numa vaga que beneficia também Portugal. Entre 2013 e 2016, o número de turistas chineses que visitaram Portugal quase duplicou, para 183 mil.

MACRON QUER COOPERAÇÃO EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O

Presidente francês, Emmanuel Macron, destacou ontem a importância do reforço da cooperação entre França e China, no sector da inteligência artificial (IA), no segundo dia de uma visita oficial ao país asiático. Macron interveio num fórum sino-francês sobre IA e presidiu à assinatura de vários acordos de cooperação tecnológica e comercial. A IA é “uma espécie de matriz que irriga numerosos sectores económicos e que vai transformar sectores inteiros da

nossa actividade económica”, afirmou o presidente francês, no encerramento do fórum. O evento reuniu investigadores, académicos, executivos e profissionais de ambos os países, no distrito financeiro de Pequim, visando estabelecer intercâmbios e cooperação naquele sector. Macron reconheceu que a China tem “uma vantagem extrema” no desenvolvimento da IA, devido ao seu “imenso mercado doméstico”. “Alegra-me que no conjunto dos diferentes sectores

académicos e económicos deste sector possamos abrir um campo de cooperação novo”, assinalou Macron. O líder francês ressalvou que a IA deve ser usada para o “equilíbrio e desenvolvimento da sociedade”. Macron reunirá esta tarde com o homólogo chinês, Xi Jinping, e ambos presidirão à assinatura de novos acordos de cooperação. O líder francês encerra a sua primeira visita oficial à China na quarta-feira, com uma discussão sobre as alterações climáticas.

África minha

MNE visita Angola e São Tomé e Príncipe

O

ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, vai visitarAngola e São Tomé e Príncipe, entre 12 e 16 de Janeiro, na sua primeira deslocação ao estrangeiro este ano, avançou fonte diplomática chinesa. A viagem de Wang Yi a África inclui ainda paragens no Ruanda e Gabão. Há mais de duas décadas que o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros começa sempre o ano com uma viagem ao continente africano. “A continuação de Wang com esta tradição demonstra que a China presta consistentemente grande atenção aos laços entre China e África”, afirmou hoje Lu Kang, porta-voz da diplomacia chinesa. A visita de Wang Yi servirá ainda para preparar o Fórum de Cooperação entre China e África, que será organizado, este ano, na China. O país asiático tornou-se, em 2009, o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas

chinesas, em 2015, o comércio China-África somou 169 mil milhões de dólares (141 mil milhões de euros). No ano passado, Angola foi o terceiro maior fornecedor de petróleo à China, depois da Rússia e da Arábia Saudita. Cobre, ferro e outras matérias-primas pesam também muito na balança comercial. Depois de a guerra civil emAngola ter acabado, em 2002, a China tornou-se um dos principais atores da reconstrução do país, nomeadamente das suas estradas, caminhos-de-ferro e outras infra-estruturas. Números oficiais de Luanda apontam que há quase 260 mil chineses a viver em Angola. Em Dezembro de 2016, São Tomé e Príncipe anunciou o reconhecimento da República Popular da China, rompendo com Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949.

Equipas de resgate do petroleiro encontram corpo que deu à costa

O ministro chinês dos Transportes disse ontem que equipas de resgate encontraram um corpo que acreditam ser um membro da tripulação do petroleiro iraniano que se incendiou, após uma colisão na costa leste da China. O ministro detalhou que o corpo não foi ainda identificado e não avançou qualquer informação sobre os restantes 31 membros da tripulação do petroleiro iraniano Sanchi, que se incendiou após colidir com um cargueiro, no sábado. A tripulação era composta por 30 iranianos e dois naturais do Bangladesh. A imprensa chinesa avançou na terça-feira que a embarcação corre o risco de explodir. Segundo as autoridades chinesas, o Sanchi transportava 150.000 toneladas (equivalente a cerca de um milhão de barris de crude) de condensado, um petróleo ultra-leve. O petroleiro Sanchi, registado no Panamá, navegava desde o Irão com destino à Coreia do Sul, quando colidiu com o cargueiro de Hong Kong CF Crystal, a 257 quilómetros da costa de Xangai, “capital” económica da China. Os 21 tripulantes do Crystal, que transportava cereais dos EUA para a China, foram resgatados com vida.


14 publicidade

10.1.2018 quarta-feira

ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de um veículo com cesto elevatório” Concurso Público n° 002/IACM/2017

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 1 de Dezembro de 2017, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de um veículo com cesto elevatório”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 9 de Fevereiro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP30,000.00 (trinta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 12 de Fevereiro de 2018.

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 24 de Novembro de 2017, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de duas viaturas pesadas equipadas com caixa”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 31 de Janeiro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP20,000.00 (vinte mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 1 de Fevereiro de 2018.

Macau, aos 2 de Janeiro de 2018.

ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de duas viaturas pesadas equipadas com caixa” Concurso Público n° 003/IACM/2017

Macau, aos 2 de Janeiro de 2018.

O Administrador do Conselho de Administração

O Administrador do Conselho de Administração

Mak Kim Meng

Mak Kim Meng

WWW. IACM.GOV.MO

WWW. IACM.GOV.MO

ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de dez viaturas mistas (VAN)” Concurso Público n° 004/IACM/2017

ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de duas viaturas equipadas com bomba para limpeza de esgotos a alta pressão e para sucção de águas residuais” Concurso Público n° 006/IACM/2017

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 7 de Dezembro de 2017, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de dez viaturas mistas (VAN)”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 31 de Janeiro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP40,000.00 (quarenta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 15:00 horas do dia 1 de Fevereiro de 2018. Macau, aos 2 de Janeiro de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 24 de Novembro de 2017, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de duas viaturas equipadas com bomba para limpeza de esgotos a alta pressão e para sucção de águas residuais”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 9 de Fevereiro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP80,000.00 (oitenta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 15:00 horas do dia 12 de Fevereiro de 2018. O IACM realizará a este respeito uma sessão de esclarecimento pelas 10:00 horas do dia 12 de Janeiro de 2018, no auditório do Centro de Formação do IACM. Macau, aos 2 de Janeiro de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng


ARTES, LETRAS E IDEIAS

há algum tempo que o meu olho esquerdo me vigia. diário de um editor João Paulo Cotrim

Agreste matéria

HORTA SECA, 4 JANEIRO A lista de afazeres em atraso, contudo, não deixou de se agravar. Somos poucos para dar vazão ao que se vai criando. Uma editora não se pode limitar a imprimir livros. Deve procurar incansavelmente leitores, que andam preguiçosos e assediados, sem tempo ou vontade. Não penso em marketingue, que procura soluções em modo básico, infantilizando o comprador, importando o estafado de outras áreas. Cada vez mais teremos que oferecer experiências, passagens, viagens. O livro, por si só, contém isso, mundos e muito mais, mas há que gritar-lhe a existência no meio de uma enxurrada de mais de 40 títulos a desaguar, por dia, nas livrarias. Além disso, entendo a editora como plataforma de projectos, desde logo pelo curto-circuito com a ilustração e a assumida luxúria do design, mas também por força do talento que fomos acolhendo. Constato com alegria infantil que a contemporaneidade se exprime em várias linguagens, da música à pintura, com assustadora normalidade. Tenho para mim que esta revolução silenciosa começou algures nos interstícios do sistema de ensino da democracia, ainda que em turbulência nem sempre didáctica, para explodir depois com o advento das redes sociais, que facilitaram o acesso a oceanos de informação e a ferramentas como tutoriais, conferências ou a interacção directa com pensadores e criadores. Natural se torna, portanto, que nasçam exposições que são algo mais, conversas que partem de interesses surpreendentes, bandas de música que fazem da palavra instrumento, convites para se reinventar o escritor. Fazer

algo que não solicitámos. Se por cada oferecimento que entra saísse livro pago teríamos que aumentar as parcas tiragens.

JOSÉ TEÓFILO

VILA NOVA DE CACELA, 3 JANEIRO Nestes dias em que se celebra com intensidade a passagem do tempo, se nem tudo pára, muito se faz vagaroso. Fazemos pausa e partimos ao encontro do mar. O sol ilumina os contornos de um frio palpável, as horas são marcadas pela passagem de comboios que parecem vir do passado sem destino definido. Por aqui não se sente a confusão, pouco se vê de turistagem, estamos fora. Um largo terraço mantém-nos suspensos, sem saber se o céu nos sustenta ou se a terra evita que descolemos. Aproveito para ler, entalado também pelo tempo: revisito obras (quase) completas, espreito propostas em busca de futuro, cedo até ao prazer, sem horário tatuado pelas mensagens e chamadas, sem o ritmo insidioso das miúdas urgências que atormentam um preguiçoso confesso. Durou pouco, mas foi suficiente para ressurgir velha resolução de ano novo: aprender a parar.

h

15

HORTA SECA, 5 JANEIRO Chega relatório de vendas de Dezembro a confirmar o que se adivinhava: perdemos o Natal, muito por incapacidade nossa de recuperar atrasos, mas também por causa de um mercado disfuncional, viciado em novidades e incapaz de trabalhar fundos. A falência da distribuidora fez-se pretexto para devolver os títulos empurrados para a sombra. Quantos são agora os dias de sol para um livro acabado de sair? Outra lista cresce, confirmando para minha surpresa que existimos: a de distribuidoras oferecendo-se para nos ajudar a encontrar leitores, isto é, colocar livros em algumas livrarias. Estamos, para já, servidos, obrigado. E estamos, a prazo, obrigados a inventar novos serviços.

dinheiro com isto, eis desafio que ainda não consegui resolver. Outra lista, essa atormentadora, resulta das centenas propostas que nos chegam pelas mais diversas vias. Algumas são enviadas ao mesmo tempo para dezenas de editoras, revelando o desconhecimento de catálogos, filosofias, espíritos. Há tempos, alguém se oferecia em leilão: tínhamos que enviar resposta aos quesitos, que eram vários, até determinada hora. Ou perdíamos a oportunidade de uma vida. Perdemos. Pais atiram a enésima versão harrypotteriana assinada pelos filhos adolescentes. Reformados, mais que muitos, sugerem livros de história, que explicarão finalmente e de uma vez o que já se esqueceu. Best sellers também se anun-

ciam, assim definitivos e com estrondo capaz de resolver os nosso problemas. «Poesia», essa atreve-se sem vergonha em quantidades aflitivas. Demasiadas sugestões vêm travestidas de pedidos de orçamento, confirmando a disseminação do modelo de auto-edição, o princípio do autor-pagador... Por aqui, há quem ganhe dinheiro, que a imortalidade tem o formato de um livro. Pelo meio, acontece coisa de interesse, mas não se distingue com facilidade. Há humor, abordagens originais, logo engolidas por cadência tão avassaladora que, se a ela nos entregássemos, não faríamos mais nada. Até por todas exigirem resposta atenta, justificação detalhada, vislumbre de direcção, esquecendo que não estamos obrigados a responder a

Na maior parte das telas, o fundo faz-se da luta das cores para se soltarem do branco. São fragmentos feridos de parede, que procuram em vão conter essa vida que se liberta dos tons ocre, da família dos suaves

CASA D’AVENIDA, SETÚBAL, 6 JANEIRO «Somos Contemporâneos do Impossível» volta a servir de pretexto para, em toada íntima, me pendurar no microfone a fazer leituras do [José] Anjos enquanto o [Carlos] Barretto dança nas cordas. O contrabaixo dá, como nenhum outro instrumento, corpo e paisagem às palavras. Dois acordes e o ambiente está lançado. Depois os volteios definem o perfil do se vai dizendo, o que se solta do nosso peito. A poesia do Anjos, ferida de infância, dá-se bem com estes preparos. A Casa renovou-se e a luz marca agora o lugar. Para assinalar a mudança, a Maria João [Frade] convidou o José Teófilo [Duarte] a rasgar janelas com as suas pinturas (uma delas reproduzida aqui na página). «O Truque do Mel», assim se chamava a exposição, coincidiu a finissage nesta tarde. Aliás, na tela maior encontrava-se rima gráfica com o desenho do Simão Palmeirim para a capa do «Somos…», coincidência pura. Na maior parte das telas, o fundo faz-se da luta das cores para se soltarem do branco. São fragmentos feridos de parede, que procuram em vão conter essa vida que se liberta dos tons ocre, da família dos suaves. Deixam-se atravessar por tábuas mal aparadas, cordéis e ramos de videira, miolo de cartão canelado, que abrem e procuram fechar fendas, passagens, dividindo a quadrícula, que sugerem contenção, construção. Não evitam o ressumar da cor, o gesto do pincel, o devaneio da textura, uma muito subtil dança de sombras. Assim à vista desarmada, pareceram-me boa ilustração para a melancolia, mas posso estar enganado.


16 publicidade

10.1.2018 quarta-feira


desporto 17

quarta-feira 10.1.2018

O piloto de 19 anos FÓRMULA 3 RALF ARON REFORÇA PREMA THEODORE RACING está de regresso à equipa Prema Theodore Racing para participar Depois, em 2016, estreou-se com a no Campeonato Prema no Europeu de Fórmula 3, Europeu de conseguindo um 7.º lugar à geral e uma vitória. Fórmula 3, após “Estou muito entusiasmado por estar de regresso à Prema uma breve passagem Powerteam para a temporada de 2018. No passado ganhámos um pela Hitech

O regresso a casa

O

estónio Ralf Aron foi ontem anunciado como reforço da Prema Theodore Racing para a temporada do Campeonato Europeu de Fórmula 3, que se inicia em Maio. O piloto de 19 anos está de regresso à formação ligada a Teddy Yip – filho do antigo parceiro de Stanley Ho, Theodore Yip – após ter passado uma temporada na Hitech. Na última temporada, o estónio terminou o campeonato no 9.º lugar. No passado, Aaron já tinha defendido as cores da Prema Theodore Racing, tendo em 2015 conquistado o Campeonato Italiano de Fórmula 4 com a equipa, naquele que foi o seu ponto alto da carreira até agora. PUB

campeonato de F4 juntos, mas posso dizer que agora sou um piloto mais experiente”, disse Ralf Aron, em comunicado. “Juntando a minha experiência e determinação com as qualidades da equipa, vamos formar uma combinação mais forte do que nunca e conquistar o pódio logo na primeira corrida. Estou muito feliz por estar de regresso”, acrescentou. Aron é um piloto conhecido dos aficionados dos Grande Prémio de Macau, tendo terminado a edição do ano passado, que marcou a sua estreia na Guia, no terceiro lugar, ao volante de um monolugar da Van Amersfoort Racing.

“PILOTO INTELIGENTE”

“Para nós é muito bom poder voltar a contar com o Ralf

[Aron]. É um piloto inteligente, rápido e consistente. É também uma pessoa que cria muito bom ambiente junto dos membros da nossa formação”, destacou René Rosin, director desportivo da Prema Theodore Racing, em comunicado. “Quando fez a sua estreia connosco na Fórmula 3 foi logo

capaz de conseguir uma vitória, por isso tenha a certeza que tem as capacidades necessárias para se tornar num candidato ao título. Não podia estar mais satisfeito com a forma como estamos a constituir a nossa equipa ao nível de pilotos para a temporada, e tenho a certeza que vamos ter bons resultados”, sublinhou.

Na Prema Theodore, Aron vai ter como colegas de equipa o russo Robert Sheartzman e o australiano Marcus Armstrong, pilotos que estão integrados no programa de formação de talentos da equipa de Fórmula 1 Ferrari.

Aron é um piloto conhecido dos aficionados dos Grande Prémio de Macau, tendo terminado a edição do ano passado, que marcou a sua estreia na Guia, no terceiro lugar Também a formação Motopark confirmou esta semana a renovação do contrato com Marino Sato, que vai disputar o Campeonato Europeu de Fórmula 3 pelo segundo ano consecutivo. O piloto japonês de 18 anos vai ter como colega de equipa o britânico Dan Ticktum, que venceu no ano passado o Grande Prémio de Macau. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


18 (f)utilidades TEMPO

C H U VA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Sábado

SEMINÁRIO “NOVA AMÉRICA: CINEMA DE POSSIBILIDADES” Cinemateca Paixão | 14h30

10.1.2018 quarta-feira

? MIN

8

MAX

14

HUM

40-80%

EURO

9.59

BAHT

“THE FLEA MARKET AT OLD BORDER GATE” ESPAÇO “WHAT’S UP POP UP” Rua dos Ervanários | Das 14h às 20h

Domingo

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “MOSTRA FOTOGRÁFICA ‘UM CORAÇÃO DIVIDIDO’” Fundação Rui Cunha | Até Sábado EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

PROBLEMA 194

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 193

UM FILME HOJE C I N E M A

COCO SALA 1

COCO [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 14.30, 16.45, 19.15

SUDOKU

DE

Diariamente

Cineteatro

1.24

O ECONOMÊS

FILME “GOOD TIME” Cinemateca Paixão | 21h30

FILME “CERTAIN WOMEN” Cinemateca Paixão | 21h30

YUAN

PÊLO DO CÃO

FILME “THE LOVE WITCH” Cinemateca Paixão | 16h30

FILME “COLUMBUS” Cinemateca Paixão | 16h30

0.24

O mundo da alta finança fala numa linguagem encriptada incompreensível aos comuns mortais. São necessários anos e anos de estudo lexical para se conseguir interpretar alguns dos papiros e ditames sagrados dos sacramentos bancários. A banca usa um dialecto morto-vivo. Morto porque não é uma língua usada pelas pessoas reais, como o esperanto ou o aramaico. Vivo porque circula em artérias de mistério onde só há lugar para câmbios, flutuações de taxas e índices, sem um único batimento cardíaco. É uma língua com significado tão elusivo e nebuloso como a bitcoin, um triângulo das Bermudas do significado onde as únicas coisas que se perdem são a dignidade e as poupanças. Taxa de cobertura com garantia total soa bem, como se um imposto pudesse ser usado como agasalho à prova de temperaturas árcticas, da mesma forma que bull market alude mais a venda de gado do que a mercados de capitais. A prática desta língua que ritualiza o dinheiro é a negação da transcendência da palavra, a morte da elevação do espírito pela via do vocábulo, muito para além do jargão técnico. Este é um sinal muito claro de que a economia actual não existe para servir os humanos mas para se servir dos pobres desgraçados. O economês é a linguagem das macro-realidades, das multinacionais, das trans-existências, dos meta-corpos. É a linguagem do mais voraz Frankenstein que alguma vez criámos. João Luz

“THREE BILBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI” | MARTIN MCDONAGH

“Three bilboards outside Ebbing”, Missouri é a comédia negra que nos leva às desventuras de uma mãe que desafia as autoridades para conseguir encontrar o assassino da filha. Revoltada com a ineficiencia da polícia, aluga três placares de publicidade na estrada local para questionar acerca da investigação da violação e assassinato da filha adolescente. A polícia sente-se atacada, e entre um xerife com cancro terminal e um assistente com incapacidades mentais, a personagem vê-se alvo de represálias por não manter o silêncio. O filme é de Martin McDonagh e foi o grande vencedor dos Globos de Ouro deste ano que decorreram no passado fim-de-semana. Sofia Margarida Mota

SALA 2

INSIDIOUS: CHAPTER 4 [C] Filme de: Adam Robitel Com: Lyn Shaye, Angus Sampson, Leigh Whannell 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE [B]

SALA 3

Filme de: Jake Kasdan Com: Dwayne Johnson, Jack Black, Karen Gillian, Kevin Hart 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Katsuyuki Motohi Com: Takeru Satoh, Go Ayano, 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

AJIN [C]

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

quarta-feira 10.1.2018

sexanálise

Ano novo, sexo novo

MARCEL DUCHAMP, NÚS NUMA ESCADA

TÂNIA DOS SANTOS

O

novo ano traz novos desejos e novos planos – 2018 vai ser o melhor ano de sempre! Ou pode ser um ano exactamente igual ao anterior. Desta vez será diferente, sabem porquê? Porque vou pensar na mudança do ano e do sexo com optimismo – registo que não me é nada natural – só porque fiz o optimismo uma resolução para este ano. Querem-se desejos e sonhos sexuais cobertos de esperança e de possibilidades infinitas. Os desejos serão os mesmos para qualquer causa social nesta viragem do ano. Mais tolerância, mais liberdade e mais amor, e porque não gosto de soar a uma hippie inconsequente – estou a tentar ser optimista, e não uma idealista! - eis o que isto quer dizer: já que muitas das estruturas sociais vivem do ódio, do medo e da

vergonha do sexo e da expressão de género, que 2018 traga actos individuais (colectivos ainda melhor) de tolerância. Coisas simples que cada um de nós pode fazer pela nossa própria sexualidade e a dos outros. Quando às vezes penso em tempos antigos, quando as mulheres morriam de abortos mal efectuados, para fugir do estigma da gravidez enquanto solteiras, sem recursos e sem apoios – sim, eu ando uma devoradora de literatura da Margaret Atwood – quando penso na coragem necessária para lidar com as dificuldades das condições menos heterossexuais, menos sexistas, menos sexualmente libertadoras. Outros tempos em que a imagem da bruxa era a de uma mulher com garra, com conhecimento sexual, com a sabedoria que lhe merecia, e, porque assim era, morria queimada na fogueira. O meu pessimismo não existiu estes anos todos sem justificação, alimenta-se da consciência de que muitas destas situações ainda são realidades diárias e contemporâneas. 2018 que soa a um ano futurista – ainda não há muito tempo - vive realidades ainda precárias. A luta continua porque se quer mais e melhor sexo, e porque muito já se conseguiu entretanto.

Querido 2018, peço-te um ano novo com sexo novo - daquele mais simples, mais solto e leve. Daqueles que emanam tranquilidade quando pensamos na liberdade de expressão sexual como uma procura dos sentidos. Da transcendência do sexo à simplicidade diária que poderá ser real ou que poderá ser imaginada. Momentos em que o sexo deixa de ser o bicho papão da censura e da vergonha para se tornar num momento de relaxamento de corpo e mente. Posso pedir mais, 2018? Não quero abusar no peditório nem no entusiasmo. Também gostava de ver melhor discutido em praça pública, não só acerca das coisas

Oh 2018, poderias ajudar a formalizar direitos humanos sexuais? Reforçar que a dignidade humana está bem prescrita em papel e na teoria, mas a prática ainda precisa de se esforçar mais?

boas do sexo, mas das coisas más – que nem por isso deverão ser pintadas como terríveis, como habitualmente se faz. Era porreiro que 2018 ajudasse na consciencialização das doenças sexualmente transmissíveis – que são muitas, variadas e de perigos/taxas de infecção diversas. Mais e melhor educação sexual, mas também mais e melhor apoio médico e bem informado a acerca das formas como podemos ter uma vida sexual saudável. Oh 2018, poderias ajudar a formalizar direitos humanos sexuais? Reforçar que a dignidade humana está bem prescrita em papel e na teoria, mas a prática ainda precisa de se esforçar mais? Bem sei que já percorrermos um longo caminho, mas temos um ainda mais longo por percorrer! Pelo direito ao prazer, ao orgasmo, à nudez desproblematizada, à saúde da vagina e do pénis, pelo bem-estar emocional e a liberdade de expressão sexual. Ir contra as persistentes tradições judaico-cristãs que às vezes ainda se mostram nas formas como directa ou indirectamente se julga o sexo neste novo 2018. Um ano cheio de amor e calor. 2018 e todos os anos vindouros serão pela evolução positiva do sexo, sempre.


Quando uma geração é estéril, passa o tempo a entrevistar o seu vazio, a escondê-lo em sistemas e programas. António Patrício

HABITAÇÃO ESCLARECIMENTOS NÃO SATISFAZEM DEPUTADOS

PARIS VAI TER “CONCEPT STORE” PORTUGUESA

PUB

U

às necessidades de habitação de funcionários da função pública. “O relatório sobre a habitação pública é incompleto porque deixou de fora a habitação dos funcionários públicos e a classe média que não tem posses financeiras para adquirir casa no mercado privado e não reúne condições para adquirir uma casa económica”, referiu ao HM.

FALHAS ADMITIDAS

A

reunião de esclarecimento acerca do relatório da habitação pública não satisfez os deputados. Depois do encontro marcado para a passada terça-feira entre a empresa de consultadoria responsável pelo estudo do Governo e os deputados à Assembleia Legislativa, os legisladores continuam insatisfeitos com as explicações apresentadas. Falta de actualidade, falta de previsão de futuro e falhas nos factores que influenciam a procura deste tipo de habitação foram algumas das críticas apontadas pelos deputados. Leong Sun Iok voltou a manifestar duvidas quanto à actualidade do estudo. Em declarações ao Jornal do Cidadão, o legislador refere que o período de tempo analisado, entre 2011 e 2016, não é representativo do objectivo da pesquisa que visa estabelecer previsões para os próximos dez anos. “Podem existir grandes mudanças económicas tanto nos rendimentos dos residentes como na aquisição de propriedades”, justificou. A ausência de itens que tenham em conta a situação económica local foi também apontada por Fong Ka Chio. O

deputado acha que seria positiva a contratação de outra equipa para estudar a evolução económica do território e o seu impacto em possíveis mudanças quanto à necessidade de habitação pública. No entanto, considera que as taxas demográficas consideradas na pesquisa podem ser bons indicadores das necessidades que se aproximam. Já o deputado Pereira Coutinho alerta para o facto do documento não ter qualquer referência

“O relatório sobre a habitação pública é incompleto porque deixou de fora a habitação dos funcionários públicos e a classe média que não tem posses financeiras para adquirir casa no mercado privado e não reúne condições para adquirir uma casa económica.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

TURQUIA 78,9% QUER SER DA UE

A empresa de consultadoria que levou a cabo o referido estudo esteve representada no encontro pelo professor do Instituo de Pesquisa Demográfica de Universidade de Pequim, Qiao Xiaoqun. De acordo com o Jornal do Cidadão, o representante considera que as mudanças económicas podem alterar as necessidades de habitação pública e sugere que o planeamento do Governo sejam reajustado conforme este factor. Para o responsável a pesquisa realizada deve ser renovada em curtos períodos de tempo, falando mesmo que o ideal seria “anualmente ou em cada dois anos”. De acordo com Qiao Xiaoqun “a renovação do estudo não visa apenas estimar as necessidades de casa mas também motivar o Governo para a construção de habitação pública.”. Já Arnaldo Santos, director do Instituto da Habitação limitou-se a garantir que irá estar em contacto com a empresa de consultadoria, sendo que para já o importante é processar a informação recolhida do encontro com os deputados. Resta saber se vai ou não ser encomendado um novo estudo, sendo que na semana passada o secretário para os transportes e obra públicas afirmou que, se depois dos esclarecimentos dados na reunião de dia 8, se os deputados continuassem com dúvidas quanto aos resultados do relatório, os serviços tratariam de encomendar novo estudo. Vitor Ng com (S.M.M.) info@hojemacau.com.mo

MAsondagem publicada ontem indica que 78,9% dos turcos apoia a entrada na União Europeia, mais 17 pontos do que há dois anos, apesar das crises políticas entre Ancara e Bruxelas e da dura retórica do Presidente turco. “Apesar de todos os desenvolvimentos negativos entre a Turquia e a União Europeia em 2017, esta percentagem é muito significativa”, declarou a autora da pesquisa, Ayhan Zeytinoglu. A sondagem, que utiliza dados de 2017, revela que 78,9% dos cidadãos turcos apoiaria a entrada do país euroasiático na União Europeia, apesar de acreditar que tal não pode realizar-se a curto prazo. Essa percentagem correspondeu a 75,5% em 2016 e a 61,8% em 2015. “Este elevado nível de apoio é uma mensagem para o nosso Governo. Mostra uma vontade nacional para que sejam tomadas as medidas necessárias para um novo processo de aproximação com a UE”, assinalou Ayhan Zeytinoglu. “Também é uma advertência para a UE. Mostra que as políticas que excluem a Turquia carecem de visão”, observou. A sondagem revela ainda que o bem-estar económico, o desenvolvimento, o nível democrático e os direitos humanos são os principais motivos que levam os turcos a querer entrar no clube comunitário. O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou recentemente que deseja recuperar as boas relações com o bloco dos 28, depois da deterioração diplomática verifica no último ano. Durante a campanha para o referendo constitucional da Turquia, realizado em abril, Erdogan acusou os Governos da Alemanha e Holanda de “agirem como nazis” ao impedir que altos dirigentes turcos realizassem comícios nesses países direccionados às comunidades turcas locais. Erdogan também acusou a União Europeia ou os países do bloco de não cumprirem com o acordo relativo aos refugiados, de proteger criminosos procurados na Turquia ou de bloquear indefinidamente a negociação da adesão da Turquia ao bloco comunitário. FRANCOIS LENOIR

ARIS vai ter uma “concept store”, definida como “revolucionária”, por querer mudar o modelo de compra e de venda e por ter apenas produtos portugueses “de luxo e ‘premium’ luxo”, de acordo com os seus fundadores. A loja pretende ser o pontapé de saída da internacionalização da eNeNe - Novos Navegadores, “a primeira marca portuguesa de luxo, ‘premium luxo’ e a primeira marca portuguesa internacional de moda”, nas palavras dos seus fundadores, Carlos Sereno e Luís Filipe Neto. O espaço vai ser inaugurado a 8 de Fevereiro, na rue du Temple, “no centro do bairro mais ‘trendy’ e ‘arty’ de Paris, que é o Marais”, onde passam anualmente “mais de 32 milhões de visitantes”, sendo o objectivo abrir também lojas em Portugal, na Ásia, África do Sul, Bogotá e Nova Iorque, nos próximos anos. “É um espaço revolucionário que é inédito mundialmente, com uma nova proposta de experiência cliente de retalho a que chamamos de ‘physital concept’: é uma mistura de físico e digital e vai ser mesmo uma das nossas entidades em termos de ADN da marca”, afirmou o lusodescendente Carlos Sereno, assegurando que quer ter “a loja mais ‘hype’ de Paris”. O “physital concept” vai cruzar o espaço físico com o ‘e-commerce’: a loja não vai ter preços visíveis nem caixas registadoras, porque os produtos vão estar identificados com códigos QR com cinco cores correspondentes a uma gama de preços, e será o cliente a digitalizar esse código no seu ‘smartphone’. A compra poderá ser finalizada no telemóvel ou com a ajuda dos vendedores, “hospedeiros e hospedeiras de bordo”, munidos de um ‘tablet’, todos lusófonos e vestidos com um macacão alta-costura assinado pelo ‘designer’ de moda Luís Carvalho. “Aideia é propor um percurso ‘seamless’, ou seja, minimizar ao máximo as interações do cliente até à compra. Por exemplo, num ‘site’, o cliente tem a identificação, o cesto das compras, depois paga. Nós queremos diminuir todas estas etapas e fazer com que o cliente só tenha de fazer o ‘scanner’ do produto, pôr no cesto, comprar e ir embora”, descreveu Joana Pacheco, directora-executiva dos Novos Navegadores.

Gasto de papel HOJE MACAU

P

quarta-feira 10.1.2018

PALAVRA DO DIA

Hoje Macau 10 JAN 2018 #3969  

N.º 3969 de 10 de JAN de 2018

Hoje Macau 10 JAN 2018 #3969  

N.º 3969 de 10 de JAN de 2018

Advertisement