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Eu vi a luz

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SEXTA-FEIRA 1 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3888 ANTÓNIO FALCÃO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

GRANDE PLANO

O MUNDO É INÓSPITO EVENTOS


2 grande plano

EFEMÉRIDE

1.9.2017 sexta-feira

“Ao meu coração, um peso de ferro” CELEBRAÇÃO DOS 150 ANOS DE CAMILO PESSANHA AVIVA UMA MEMÓRIA ADORMECIDA

Depois de um século e meio do nascimento de Camilo Pessanha, Macau recebe uma série de eventos para assinalar a data do maior poeta em língua portuguesa do território. Após um longo período de relativo esquecimento, o autor volta a ser comemorado com uma série de eventos entre 1 e 7 de Setembro no Antigo Tribunal

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OMEÇAhoje uma semana dedicada ao mais alto vulto da literatura em Macau com poesia, conferências, livros e exposições no Antigo Tribunal. “O Pessanha faz parte da identidade de Macau, não é apenas um vulto na literatura portuguesa, mas é um autor que tem muito a ver com Macau”. Quem o diz é Miguel de Senna Fernandes. O advogado, assim como muitos dos leitores do poeta, reconhece a universalidade de Camilo Pessanha mas destaca as influências que a cidade teve na obra do autor. O escritor é um vulto omnipresente no imaginário literário de Macau, assim como a cidade onde escolheu viver é uma referência incontornável na sua obra. “Tirando o facto de ser um grande poeta português, que escolheu Macau como sítio para viver, a sua obra reflecte as influências do tempo que aqui esteve”, refere Amélia António. A presidente da


grande plano 3

ESQUECIMENTO CENTENÁRIO

Durante os últimos tempos a comunidade macaense tem-se afastado da cultura e língua portuguesa, com muitos jovens a preferirem aprender mandarim. “A comunidade macaense anda muito dispersa e um pouco desligada na sua relação com a cultura de Portugal, anda um pouco desfasada”, revela Miguel de Senna Fernandes. É algo que escapa ao entendimento do presidente da Associação dos Macaenses e que lamenta uma vez que entende que “Camilo

“O Pessanha faz parte da identidade de Macau, não é apenas um vulto na literatura portuguesa, mas é um autor que tem muito a ver com Macau.” MIGUEL DE SENNA FERNANDES PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS MACAENSES

Pessanha é um dos nossos poetas, faz parte do património cultural de Macau”. Amélia António alarga este esquecimento a um espectro mais global no território. “Acho que a memória de Camilo Pessanha não é nem bem, nem mal, tratada por cá. Simplesmente não tem sido tratada, não tem sido devidamente valorizada”, comenta. A presidente da Casa de Portugal entende que, como grande poeta local que foi, “Macau devia honrá-lo e devia ser feito tudo para tornar a sua obra mais conhecida”. Outra das lacunas em termos de valorização e difusão encontra-se entre a comunidade chinesa, que tem pouco contacto com a obra do poeta. “No fundo, Macau tem não tem dado atenção aos aspectos culturais. Não é uma doença nova, sem ela, certamente, hoje existiria um número diferente de pessoas com conhecimento de literatura, a apreciar, a dar valor e a defender esse património”, considera Amélia António.

editorial

ANTÓNIO FALCÃO

Casa de Portugal acrescenta que o poeta “é património de Macau, da língua portuguesa e conjuga-se na sua pessoa todas estas facetas que espelham a presença cultural portuguesa em Macau”. A advogada enaltece a série de eventos que se iniciam hoje, “um tipo de trabalho que tem faltado em Macau”, apesar das esporádicas traduções que se vão fazendo da obra do poeta. Amélia António destaca que não foi feito um trabalho sistemático de divulgação e estudo, ao longo dos anos, de forma a manter a memória e a obra de Camilo Pessanha presente em Macau. No entanto, destaca que esta falta de preservação não é exclusiva da RAEM, é uma negligência que vem de trás e que, além disso é recíproca. “A maioria dos portugueses também ignora a literatura e a poesia chinesa, nomeadamente a que é produzida em Macau. As traduções não abundam e também muita da literatura em chinês já não se foca em Macau”, explica a presidente da Casa de Portugal. Amélia António entende que a literatura é uma forma de ligar comunidades, um instrumento que permite aprofundar conhecimentos e apreciações mútuas.

TIAGO ALCÂNTARA

sexta-feira 1.9.2017

CARLOS MORAIS JOSÉ

“Acho que a memória de Camilo Pessanha não é nem bem, nem mal, tratada por cá. Simplesmente não tem sido tratada, não tem sido devidamente valorizada.” AMÉLIA ANTÓNIO PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL

Antes de recriminar quem quer que seja, temos de nos recriminar a nós próprios por aquilo que não se fez ao longo destes séculos. Miguel de Senna Fernandes recorda o momento em que se debateu a possível trasladação dos restos mortais de Camilo Pessanha para Portugal e a forma como o Instituto Cultural se opôs. Mas acrescenta que se poderia fazer muito mais. Neste aspecto, é de salientar que a própria campa do poeta não tem qualquer destaque no cemitério onde está sepultado. Até hoje, a memória e obra de Camilo Pessanha tem ficado encerrada num pequeno ciclo intelectual. “Só o interesse de um estudioso, ou de um apaixonado, pela literatura, origina uma tradução, ou algo do género. É preciso contornar esta circunstância e dar conhecimento da sua obra ao maior número de pessoas possível”, projecta Amélia António. João Luz

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

“UMA CIDADE DE CULTURA”

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AZEMOS frequentemente apelo à importância e ao conhecimento da História como discurso que, ao representar a realidade de determinados tempos e espaços, nos apoia na construção de uma memória como Povo e como Comunidade em relação permanente com outras comunidades. Num outro registo, não é menos significativo ou importante o conhecimento da Literatura, igualmente como discurso produzido no tempo e no espaço, que nos interpela, nos projecta e nos convoca para a reflexão e para a fruição. De ambos os discursos se faz a cultura de um povo. A grande relevância das comemorações dos 150 anos sobre o nascimento de Camilo Pessanha que, em boa hora, sob o impulso de Carlos Morais José, um conjunto de pessoas e instituições – entre as quais este

Consulado-Geral – tornou realidade aqui em Macau, associa-se a estes dois aspectos. Não se trata apenas de trazer para os dias de hoje a obra de um poeta português que constitui uma referência na sua geração e no seu tempo e de eventualmente reflectir sobre como, sendo intemporal, se poderá fomentar a sua divulgação e o seu maior conhecimento. Trata-se, também, de evocar um tempo na história de Macau e de a afirmar também como uma cidade de cultura, no passado como no presente. Expresso, por isso, a minha satisfação por estas comemorações e faço votos para que estes dois propósitos possam delas sair reforçados. Vítor Sereno, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong

Porquê celebrar? É

muito estranho tudo isto. E contra os meus princípios: sempre disse detestar o aproveitamento póstumo dos poetas, dos escritores, dos artistas. Normalmente, são os políticos que o fazem. Eles citam, eles trauteiam, eles aproveitam, na maior parte os versos de gente que lhes voltaria a cara na rua. Milionários ou os seus servos não cessam de citar Camões, que morreu na miséria. Por exemplo, mas os exemplos seriam muitos, demasiados. Então por que razão me encontro no centro de uma celebração de Camilo Pessanha, se tenho uma opinião tão negativa dos que habitualmente cavalgam na obra alheia, por que razão me atrevo assim, despudoradamente, a montar a mesma sela? Pensei sobejamente sobre isto, até que entendi pôr de lado a minha repugnância egoísta e vaidosa. Afinal, o nome de Camilo Pessanha e a sua obra merecem ou não ser celebrados, lembrados, revificados? É claro que sim. E não será que a celebração deste poeta ultrapassa o campo da literatura, na medida em que a sua figura se espraia por vários universos? Obviamente. Camilo foi também cidadão português, naquela que era no seu tempo a mais distante colónia e aqui desempenhou diversos papéis, tornando-se num dos membros mais respeitados da sociedade

de Macau. Isto apesar dos seus hábitos peculiares e da sua figura que, na altura tal como hoje, na pequena chuchumequice local, muitos haviam de considerar demasiado excêntrica. Camilo era, de certo modo, um maldito. Alguém de quem se diz mal. Alguém que é criticado pelos seus mores privados. E também pela sua intolerância face à estupidez, à cupidez, à maledicência que, infelizmente, ontem e hoje, grassa nesta e noutras terras. Ontem um guarda de uma empresa privada contratada para guardar o antigo tribunal, onde estou a montar este evento, insultou-me, ameaçou-me de porrada, porque eu não estava de gravata mas de calças de ganga e a trabalhar. Era chinês e foi estimulado por uma rapariga que eu não conhecia de lado nenhum mas que se achou no direito de me dizer que eu não podia estar ali. Fui paciente. Expliquei. Até que tive também de explicar, menos cortês, quando ela foi arrogante, que ela não me conhecia de lado nenhum para me dirigir a palavra. Aí o guarda avançou. Só que... eu podia estar ali. A trabalhar para a cultura de Macau. Às dez da noite. Faz parte das regras. Azar. Chegou um outro guarda, creio que filipino. De uma cortesia admirável. A partir daí e do momento em que mostrei o meu cartão, a coisa sossegou. O guarda chinês era daqueles que gosta de chutar para baixo e lamber para cima. Afinal podíamos trabalhar até à meia-noite. Claro. Foi uma cena lamentável e foi pena. Mas é isto. É preciso fingir, armar-se em bom, é preciso representar para se dar ao respeito nesta e noutras terras. Não basta fazer um trabalho honesto e limpo. Isso ninguém ou poucos reconhecem. E é também por isto que é necessário celebrar homens como Pessanha cuja dignidade não se mede pelo fato mas pelas obras. E isto é fundamental para nós como para todos os habitantes de Macau. E por isso é importante lembrar e celebrar.


4 política

TUFÕES NOVO MACAU APONTA RESPONSABILIDADES A CHUI SAI ON

De dedo em riste GCS

A Associação Novo Macau considera que Chui Sai On, o Chefe do Executivo, é o principal responsável pelas consequências da passagem do tufão Hato, por nunca ter adoptado medidas na prevenção de catástrofes e na melhoria das infra-estruturas

1.9.2017 sexta-feira

Just Macau Jason Chao vai disponibilizar discursos dos vários candidatos

“O que é que eles dizem” é o nome do novo site da plataforma “Just Macau”. De acordo com um comunicado enviado por Jason Chao, esta é uma medida que, através da divulgação dos discursos dos principais candidatos à Assembleia Legislativa, pretende promover o envolvimento da sociedade no processo eleitoral. Por outro lado, lê-se, a “O que é que eles dizem?” é uma forma de ter disponível informação online e facilitar à população a procura do que vai sendo dito pelos vários candidatos”. Com a medida, Jason Chao, mentor da “Just Macau”, espera que todos os residentes possam avaliar melhor cada candidato e tomar melhores decisões. O novo site vai estar online a partir do dia 2 de Setembro à meia noite.

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AUSOU dez mortos e as suas consequências ainda estão na mente de muitos, que não esquecem o tufão mais forte dos últimos 50 anos. Os estragos que o Hato causou no território levaram a Associação Novo Macau (ANM) a acusar o Chefe do Executivo, Chui Sai On, de ser o principal responsável por tudo o que aconteceu nos últimos dias. “A ANM pede que o Chefe do Executivo seja responsabilizado. O próximo passo que Macau deve tomar é responsabilizá-lo, e também ao Governo, pela sua inacção e necessidade de reformas, para que se possa prevenir a ocorrência de uma nova tempestade”, lê-se em comunicado. Número a número, a ANM recorda todas as medidas que ficaram por cumprir e que, na visão de Sou Ka Hou e Paul Chan Wai Chi, levaram a que o território tenha ficado seriamente destruído. “O tufão foi, claro, um desastre natural, mas a maior parte dos efeitos sentidos vieram das acções humanas, nomeadamente do Governo e do Chefe do Executivo em específico”, apontam. A ANM começa por apontar a renomeação de Fung Soi Kun como director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) em Agosto. “Depois dos pedidos públicos que foram feitos para a saída de Fung Soi Kun, o Chefe do Executivo decidiu renovar o seu mandato, garantindo que este teria a experiência e conhecimentos adequados ao cargo.” Além disso, os SMG “nunca cumpriram a promessa de rever o sistema de alerta de tempestades tropicais”.

MEDIDAS DE 2009

A Novo Macau recorda ainda que, já em 2009, quando Edmund Ho ainda era Chefe do Executivo, o

Eleições Lista “Cor-de-rosa Amar a População” desiste

Há menos uma candidatura na corrida às eleições legislativas. A informação foi dada pela Rádio Macau por uma fonte da Comissão de Assuntos Eleitorais. A lista número cinco, “Cor-derosa Amar a População”, não se apresenta no próximo dia 17 de Setembro na votação. Até agora, não são conhecidas as razões da desistência. A lista liderada por Lei Kit Meng, promotor de jogo e piloto de corridas, era composta por um grupo de estreantes. Entre as principais ideias defendidas estavam o ensino superior gratuito e o alargamento da oferta de habitação pública.

ANM “Depois dos pedidos públicos que foram feitos para a saída de Fung Soi Kun, o Chefe do Executivo decidiu renovar o seu mandato”

Governo aprovou o Sistema de Alerta e Aviso para Situações de Ameaça de Risco Colectivo. Em 2012, foi criada uma comissão para lidar com este tipo de situações. Contudo, “estes sistemas não foram utilizados nesta ocorrência e o Chefe do Executivo deveria ser responsabilizado pela falta de acções”. Sobre a actuação do corpo de operações da protecção civil, a ANM defende que ficou aquém do desejado, uma vez que, sem a

ajuda de vários grupos de voluntários, a limpeza das ruas teria falhado. O Chefe do Executivo é também criticado pelo facto de nunca ter avançado com a construção de infra-estruturas consideradas essenciais para travar as cheias na zona do Porto Interior. “O atraso na construção destas infra-estruturas causaram mortes e perdas económicas”, aponta a ANM. A Novo Macau acredita ainda que as falhas de electricidade que se verificaram nas horas seguintes

à passagem do tufão Hato mostram o quão Macau está dependente do continente. “Durante esta Administração, a proporção da electricidade importada passou de dez para 90 por cento, o que faz com que Macau fique vulnerável se o fornecimento de electricidade não for estável ou estiver danificado”, remata a associação. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

AAM Substituições na direcção

Lee Kam Iut integra agora a direcção da Associação dos Advogados de Macau (AAM). A advogada vai substituir Chu Lam Lam que renunciou ao cargo que exercia na associação. A informação foi dada em comunicado aos órgãos de comunicação social. Chu Lam Lam abandonou a função pública em 2015 quando exercia o cargo de responsável pela Direcção dos Serviços de Reforma Jurídica e do Direito Internacional, na sequência da fusão da Direcção de Serviços com os Serviços de Assuntos de Justiça.


política 5

Chui Sai On em silêncio

HOJE MACAU

sexta-feira 1.9.2017

Deputada de Hong Kong barrada na fronteira

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IAS depois de vários jornalistas de Hong Kong terem sido barrados na fronteira, após a passagem do tufão, eis que as autoridades locais decidiram barrar mais uma cidadã da região vizinha. Segundo o website Hong Kong Free Press, que cita o jornal Apple Daily, Helena Wong, deputada do campo pró-democrata do Conselho Legislativo (LegCo), foi proibida de entrar em Macau por constituir “uma ameaça à segurança interna e estabilidade”. A deputada referiu que foi a primeira vez que viu ser-lhe negada a entrada na RAEM, tendo prometido que iria endereçar uma carta a Chui Sai On, Chefe do Executivo. “Isto é uma piada e traz grandes prejuízos para a imagem de Macau”, referiu Helena Wong. Ao HM, o porta-voz do gabinete do Chefe do Executivo adiantou que Chui Sai On remete o seu comentário para as palavras proferidas nos últimos dias por Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, “nada mais tendo a acrescentar”. Esta semana, após a proibição de entrada de jornalistas de Hong Kong, Wong Sio Chak referiu que “ninguém gostaria de ter a sua entrada proibida no território independentemente da sua profissão e não estamos concentrados numa só profissão”. “São casos confidenciais e que não podem ser divulgados o que também é conforme a lei”, acrescentou. Segundo o mesmo portal de informação, Helena Wong frisou que iria discutir o assunto com Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, e levá-la a reflectir sobre o descontentamento que este tipo de decisões pode originar junto da população de Hong Kong. A deputada deslocou-se a Macau no âmbito de uma visita de intercâmbio organizada pelo Instituto Politécnico de Hong Kong e pela Universidade de Macau. Na fronteira, Helena Wong terá sido interceptada pelos agentes do Serviço de Migração, tendo sido levada a preencher documentos com dados pessoais. Todos os seus colegas conseguiram entrar no território.

ALTA FREQUÊNCIA

Desde Dezembro do ano passado que este tipo de casos têm sido mais frequentes, sobretudo nas vésperas da realização de visitas oficiais de governantes da China às duas regiões administrativas especiais. O Governo nunca admitiu a existência de uma lista negra de pessoas que estão proibidas de entrar em Macau. À Lusa, a Polícia de Segurança Pública disse apenas, em Janeiro deste ano, que as informações estatísticas das “recusas de entrada” são considerados como “dados de informações reservados”, pelo que “não há lugar à sua divulgação”. A.S.S.

HO ION SANG DEPUTADO FAZ BALANÇO DA ÚLTIMA LEGISLATURA

Devagar, devagarinho Processos legislativos muito lentos e pouca importância dada à habitação social são as maiores lamentações do deputado Ho Ion Sang relativamente à última sessão legislativa. O deputado espera ainda que, no futuro, sejam implementadas melhorias para uma maior qualidade dos serviços do Governo

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INDA há muito a fazer e a aperfeiçoar. A ideia é deixada por Ho Ion Sang no balanço que fez, ontem, da actividade dos últimos quatro anos na Assembleia Legislativa (AL). “Há felicidade e infelicidade”, disse o deputado em conferência de imprensa. Ao olhar para os últimos anos, os maiores lamentos de Ho Ion Sang vão para a lentidão de alguns dos trabalhos. Como exemplo, o deputado referiu o regime jurídico de garantia de direitos e interesses dos idosos e o regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer. Para o futuro, o Ho Ion Sang espera que a Administração possa melhorar alguns aspectos como a comunicação e cooperação, “dando primazia aos trabalhos de legislação ligados aos assuntos sociais e económicos”. Tudo para melhorar a qualidade de produção legislativa. Do balanço que faz, Ho Ion Sang relembra que participou 170 nos plenários da AL, 165

vezes na 1ª comissão permanente, e 28 vezes na Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas. De Outubro de 2013 até Agosto de 2017, o deputado assinou no total 198 interpelações escritas, 18 interpelações orais, 56 intervenções antes da ordem do dia, e manifestou a sua opinião 563 vezes através dos meios de comunicação social.

PREOCUPAÇÕES SOCIAIS

Segundo os dados estatísticos divulgados ontem, as maiores preocupações manifestadas por Ho Ion Sang dizem respeito a assuntos sociais. A habitação pública ocupa 14 por cento das suas intervenções, enquanto as questões de trânsito representam 12 por

cento, percentagem idêntica à mostrada pelas questões económicas. Nos últimos quatro anos, o gabinete do deputado Ho Ion Sang recebeu 5615 casos ligados à preservação dos direitos em que 5431 foram resolvidos o que manifesta uma taxa de conclusão de casos de 96,72 por cento. De entre os casos chegados ao gabinete, a habitação ocupa o lugar de destaque. “Com o desenvolvimento da sociedade, o problema de habitação dos residentes de Macau está a ser cada vez mais relevante”, contou o deputado, que considera que muitos residentes enfrentam dificuldades no que respeita à aquisição de casa. O dedo é apontado aos preços elevados do mercado privado e à insuficiência de fracções disponíveis na habitação pública.

“Com o desenvolvimento da sociedade, o problema de habitação dos residentes de Macau está a ser cada vez mais relevante” HO ION SANG DEPUTADO

Ho Ion Sang lamenta ainda que apesar de existirem vários projectos anunciados pelo Governo nesta matéria, o seu progresso é “muito lento e falta um calendário para a conclusão de obras”, refere.

RESPONSABILIZAÇÕES

O tribuno lamentou ainda os casos em que o Governo não assumiu responsabilidades nas falhas que cometeu. “Na sequência de irregularidades nas concessões de obras públicas, na aquisição pública e até na ocorrência de catástrofes, os membros de cargos importantes do Governo demitem-se, mas não vemos nenhuma investigação nem sanção para estas pessoas que cometem erros”, afirmou Ho Ion Sang. O deputado espera que esta situação venha a ser alterada de modo a promover a qualidade dos serviços do próprio Governo. Vitor Ng

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1.9.2017 sexta-feira

Anúncio

O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 3ª vez do ano 2017 (1) Fins

O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.

(2) Alvos de Patrocínio

(i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM.

(3) Projecto de Apoio Financeiro

(i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.

(4) Valor de Apoio Financeiro

(1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)

(5) Data do Pedido

Alínea (1) do número anterior Alínea (2) do número anterior

Todo o ano A partir do dia 1 até 14 de Setembro de 2017 (O próximo pedido será realizado no dia 2 ao 15 de Janeiro de 2018)

(6) Forma do Pedido

Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,«Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n° 411-417, Edf. “Dynasty Plaza” 9° andar, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo.

(7) Condições de Autorizações

Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro». O Presidente do C. A. do FDCT,

Ma Chi Ngai 2017 / 8 / 31


sociedade 7

sexta-feira 1.9.2017

TUFÃO JORNALISTAS INSTRUÍDOS A ESCREVER NOTÍCIAS POSITIVAS

Uma tempestade de pressões O Governo está a ser acusado de pressionar vários meios de comunicação social para escreverem notícias positivas sobre as consequências do tufão Hato. Vítor Chan, porta-voz do Executivo, diz que não há interferências

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MA associação de jornalistas de Macau, na maioria chineses, recebeu denúncias de que cinco meios de comunicação instruíram os repórteres para apresentarem uma cobertura positiva do trabalho das autoridades, na sequência da passagem do tufão Hato. Fonte da Associação de Jornalistas de Macau (AJM) disse à Lusa que estas instruções chegaram em diferentes graus de intensidade, vindas das chefias, a pelo menos cinco meios de comunicação, que não identificou. “Nalguns ‘media’ foi muito directo, disseram que não podiam criticar o Chefe do Executivo ou os trabalhos de recuperação. Noutros foi mais suave, o editor tentou persuadir os jornalistas a serem mais harmoniosos” na cobertura, disse, apontando como

exemplo pedidos de entrevistas a “pessoas pró-sistema” ou a voluntários “sobre o seu bom trabalho”. “Outra instrução foi de que a proporção de peças positivas aumentasse”, acrescentou a mesma fonte, que pediu para não ser identificada. Num comunicado em chinês a AJM indicou ter sido pedido aos jornalistas para fazerem trabalhos que incidissem “mais sobre pessoas boas e boas acções, espalhando activamente energia positiva pela sociedade, e diminuindo [as notícias] que responsabilizam o Governo, especialmente os cargos mais elevados”. A AJM condenou esta tentativa de “enganar o público e distorcer a profissão de jornalista”.

VINDAS DE CIMA

A associação disse acreditar que estas orientações tenham vindo

do Governo, “porque instruções semelhantes surgiram antes”, por exemplo, em polémicas que envolveram a Fundação Macau. Confrontado com esta questão ontem, durante uma conferência de imprensa, o porta-voz do Governo, Victor Chan, afirmou que o Executivo não interfere nos órgãos de comunicação social (OCS). “Apenas prestamos apoio. Quanto ao seu funcionamento [dos OCS] não temos conhecimento, não temos interferido nem conhecemos”, disse. Segundo a fonte da associação, o Governo “estava ocupado com os trabalhos de recuperação e não teve tempo para controlar os ‘media’. Mas após o segundo tufão ficaram preocupados que a fúria dos cidadãos fosse prejudicar Chui Sai On [Chefe do Executivo], por isso tentaram dar instruções”. “Sabemos que os recursos são limitados, e se dão prioridade às histórias positivas, há menos espaço para as negativas. Estamos preocupados com a autocensura, há muitos jornalistas jovens que têm menos experiência e é mais provável que sigam as ordens dos editores”, comentou a mesma fonte. Depois de pelo menos um jornal chinês publicar um editorial dizendo que não recebeu qualquer instrução, a AJM frisou que não pretende passar a mensagem de que todos foram alvo de tal pressão. “Mas [achamos que] há provas suficientes que alguém quer controlar a opinião pública”, sublinhou.

METEOROLOGIA TEMPESTADE DE SINAL 1 COM POSSIBILIDADE DE SUBIR

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OI ontem içado o sinal 1 de tempestade, o mais baixo da escala, sendo possível que se esteja a aproximar de Macau a terceira intempérie no espaço de oito dias, segundo informação dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). O sinal foi içado ontem às 19h, quando a tempestade se encontrava a cerca de 620 quilómetros de Macau, encaminhando-se para a costa leste da província chinesa de Guangdong. Foi também emitido aviso de trovoada, sendo que o sinal 1 deve manter-se ao longo do dia. Numa conferência de imprensa ontem à tarde, a directora substituta dos SMG, Florence Leong, disse

que os seus serviços prevêem “que na noite de amanhã haverá uma grande possibilidade de içar o sinal número 3”. A representante dos serviços meteorológicos acrescentou ainda que “na madrugada de domingo, haverá a possibilidade de se içar o sinal 8”, indicou. Segundo a responsável dos SMG, poderá haver “ligeiras inundações” na zona do Porto Interior no próximo no domingo, quando é esperada maré alta até 2,7 metros. Pode estar eminente, apesar de ainda não ser certo, a aproximação de um novo tufão de Macau, depois da passagem devastadora do Hato e passados quatro dias do Pakhar.

DSEJ ESCOLAS SEM AULAS MAS DE PORTAS ABERTAS

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PESAR da data de início do ano lectivo estar comprometida em seis escolas no território, a Direcção dos Assuntos da Educação e Juventude garante medidas para ajudar os pais. O apoio passa pela abertura dessas escolas aos alunos. Os estudantes não vão ter aulas mas terão um espaço para ficar. A ideia é não causar mais transtorno à população do que aquele que o adiamento do ano lectivo já implica. Questionada pelo HM acerca das condições destas instituições para receber crianças, a DSEJ afirma que os problemas nestas instalações não representam qualquer perigo. “Estas escolas não têm problemas estruturais, mas os estragos relativos a danos em secretárias, e alguns buracos no chão precisam de ser arranjados”, aponta. No que respeita aos espaços, a DSEJ afirma que há salas suficientes para acolher os alunos, embora não haja condições para se dar aulas.

Desde o dia 23 de Agosto que a DSEJ tem estado em comunicação com as várias escolas do território de modo a solicitar o apoio possível de acordo com as suas condições. Seis escolas de Macau não vão poder começar as aulas dentro do calendário, a partir de 1 de setembro, quando começa o ano letivo, devido a danos causados pelo tufão Hato, que atingiu a cidade. “Seis necessitam de mudar o dia de início do ano lectivo – quatro são na zona norte, uma em Coloane e uma na zona central”, disse, em conferência de imprensa, a chefe do Departamento de Educação da Direção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Leong Wai Kei. Os estabelecimentos de ensino que vão adiar o início das aulas são a Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte, Escola Luso-Chinesa de Coloane, Sheng Kung Hui Escola Choi Kou, Colégio Diocesano de São José 5, Escola Madalena de Canossa e Escola de Santa Teresa. S.M.M.

Economia Comércio externo subiu 6,9 por cento

O comércio externo de Macau subiu 6,9 por cento nos primeiros sete meses do ano, em termos anuais homólogos, atingindo 47,94 mil milhões de patacas, indicam dados oficiais ontem divulgados. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre Janeiro e Julho, Macau exportou bens avaliados em 6,73 mil milhões de patacas – mais 13,3 por cento – e importou produtos avaliados em 41,21 mil milhões de patacas – mais 5,9 por cento em termos anuais homólogos. Por conseguinte, o défice da balança comercial aumentou, atingindo 34,47 mil milhões de patacas. Em termos de mercados, as exportações para a China entre Janeiro e Julho totalizaram 1,23 mil milhões de patacas até Julho, reflectindo uma subida de 17,7 por cento.


8 sociedade

1.9.2017 sexta-feira

Hato Quase mil veículos destruídos em auto-silos

Mais de 700 carros e de 200 motociclos ficaram inutilizados devido às inundações nos autosilos de quatro edifícios onde foram encontrados quatro mortos na sequência da passagem do tufão Hato, informaram as autoridades. Até à data não foi contabilizado o total de veículos afectados pelo pior tufão dos últimos 53 anos. O director dos Serviços das Finanças, Iong Kong Leong, disse que estão a ser estudadas medidas para reduzir o imposto automóvel aos proprietários dos veículos danificados pelo tufão que adquirirem novas viaturas ou motociclos. Segundo Iong Kong Leong, se o novo veículo adquirido for ecológico está previsto a isenção do imposto automóvel. Caso não seja, o reembolso é de 80 por cento.

Tufão Sands China vai doar 65 milhões

O grupo Sands China anunciou que vai doar 65 milhões de patacas para “os trabalhos a longo prazo de reconstrução e socorro”, na sequência da passagem pelo território do tufão Hato, na semana passada. A doação inclui 30 milhões de patacas do Sands China e 35 milhões de patacas da fundação Adelson, da família proprietária do grupo, de acordo com um comunicado. “As preocupações da família Adelson e dos nossos colaboradores em todo o mundo estão com toda a comunidade de Macau e, seguramente, com os nossos funcionários locais nesta altura tão difícil”, afirmou Sheldon Adelson, presidente da Las Vegas Sands.

Casinos Galaxy com lucros de 4,6 mil milhões dólares O grupo Galaxy Entertainment anunciou lucros de 4,6 mil milhões de dólares de Hong Kong no primeiro semestre do ano, mais 81 por cento, em termos anuais homólogos. Num comunicado à bolsa de Hong Kong, a operadora de jogo informa que, nos primeiros seis meses do ano, registou receitas no valor de 28,5 mil milhões de dólares de Hong Kong, mais 11,8 por cento que nos primeiros seis meses de 2016. Só as receitas de jogo cifraram-se em 25,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, mais 11,8 por cento em termos anuais homólogos, contribuindo para mais de 89 por cento do total arrecadado pelo grupo entre Janeiro e Junho. O relatório da empresa vem acompanhado por uma página, assinada por Lui Che Woo, em que o presidente da Galaxy volta a lamentar a perda de vidas no tufão Hato e reafirma os esforços da operadora para apoiar a reconstrução da cidade, incluindo através de um donativo de 60 milhões de dólares de Hong Kong.

Mário, morador “Ouvi dizer que a falta de água vai continuar nas próximas duas semanas, mas espero que demore menos tempo.”

BARRA NO MYFAIR GARDEN NINGUÉM SABE QUANDO VAI TER ÁGUA

Os dias da seca

O Myfair Garden, na Barra, é um dos cinco edifícios que continua a não ter acesso a água canalizada, por culpa dos estragos nas tubagens. A associação de condóminos reuniu ontem para tentar chegar a uma solução, mas a água só deverá chegar daqui a duas semanas

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O número 31 da rua Francisco António continua a não existir água quando se abrem as torneiras. Não fosse o regresso da electricidade, depois de um apagão que afectou toda a gente, seria ainda mais difícil transportar baldes de água pelas escadas, num prédio com 15 andares. O Myfair Garden, localizado na zona da Barra, ainda não tem água canalizada, mas a culpa não é da Macau Water. À semelhança de outros quatro edifícios no território, este prédio residencial ficou com as tubagens avariadas graças à passagem do tufão Hato e não há uma data concreta para o regresso da água potável. O HM falou com moradores no local e todos dizem que nas próximas duas

semanas o problema será resolvido, mas ainda nada é certo. Para irem buscar este bem essencial, todos os dias os moradores vêem-se obrigados a subir e a descer constantemente. Não há filas, mas junto aos pequenos tanques que fornecem água de forma provisória está sempre alguém de balde na mão. Ieong é um deles. Os pais são membros da União dos Proprietários do Edifício Mayfair Court e, segundo ele, as concessionárias já deram todo o apoio na reparação das infra-estruturas. O abastecimento de água já deveria, portanto, ter voltado, mas as tubagens dos andares mais altos ficaram danificadas. A união de proprietários já se reuniu para resolver a situação, estando neste momento à espera

do apoio financeiro do Governo. As discussões entre condomínios prosseguem e não há ainda uma data para que a água regresse. “A ideia é que todos os moradores dêem uma parte do dinheiro necessário, porque todos nós queremos ter água em casa o mais depressa possível”, adiantou. Ontem à noite houve nova reunião, mas o consenso ainda não terá chegado.

A OLHAR PARA O RELÓGIO

Mário, italiano e idoso, é outro dos moradores do Myfair Garden que foi afectado pela passagem do tufão Hato. “Ouvi dizer que a falta de água vai continuar nas próximas duas semanas, mas espero que demore menos tempo”, defendeu ao HM.

Leong, outra moradora, desloca-se para ir buscar água e conta que, apesar da inconveniência que a falta de água trouxe ao seu dia-a-dia, agradece a solidariedade de todos os condóminos e administradores do prédio. Jojo também ouviu dizer que daqui a duas semanas poderá ter água para necessidades tão básicas como tomar banho ou lavar a roupa, esperando uma solução para breve. O Myfair Garden está localizado numa das zonas mais afectadas pelo tufão. Contudo, a falta de água é o único problema que persiste depois de dias em que a luz faltou em todo o lado e o lixo se acumulou em vários locais. Há dias, em conferência de imprensa, Susana Wong, directora dos Serviços dos Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA), alertou para a existência de cinco prédios sem água, tendo sido prometida a cedência de apoio técnico. No caso dos prédios que utilizam a água de tanques já existentes no prédio, foi aconselhado a que esta seja fervida antes de ser consumida, pelo facto de não estar ligada à rede pública de abastecimento. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo


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sexta-feira 1.9.2017

COREIAS PEQUIM DENUNCIA “PAPEL DESTRUTIVO” DE “ALGUNS PAÍSES”

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China, principal aliado diplomático da Coreia do Norte, denunciou ontem o “papel destrutivo” de “alguns países”, que sabotam os esforços das negociações para resolver a questão na península coreana, referindo-se aos apelos por mais sanções. “É lamentável que alguns países ignorem consecutivamente os apelos ao diálogo e apenas falem em mais sanções, enquanto a China e outros estão a promover um diálogo pacífico”, disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “Face ao deteriorar da situação, [estes países] evitam as suas responsabilidades, e as suas acções e discursos constituem um papel destrutivo e não construtivo”, afirmou Hua, em conferência de imprensa. A porta-voz da diplomacia chinesa lembrou que a crise nuclear na Coreia do Norte “não se trata de um filme ou de um jogo de computador, mas de uma situação real, com impactos para a paz na região”. “Trata-se de um problema grave e importante”, afirmou Hua Chunying, apelando às várias partes para que adoptem uma “atitude responsável”. O Conselho de Segurança da ONU, do qual a China é membro permanente, condenou na terça-feira o último lançamento de um míssil norte-coreano, que sobrevoou o Japão. O grupo composto por 15 países não referiu, no entanto, a possibilidade de reforçar as sanções contra o regime de Kim Jong-un.

No entanto, o Japão disse já esperar que o Conselho de Segurança aprove uma nova “resolução forte” contra o país. O Reino Unido apelou também a novas sanções internacionais, incluindo que China e Rússia repatriem à Coreia do Norte os trabalhadores norte-coreanos nos seus territórios, uma fonte de receitas significativa para o Governo de Pyongyang. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira que a solução para a Coreia do Norte não passa por negociações.

AP

Agruras diplomáticas

ACÇÕES E DIÁLOGOS

A sétima ronda de sanções internacionais, adoptada no início de Agosto pelo Conselho de Segurança da ONU, visa reduzir em mil milhões de dólares as receitas do país com as exportações de carvão, ferro, minério de ferro e pesca, um valor equivalente a um terço do conjunto das exportações. Segundo fontes diplomáticas, as Nações Unidas estudam outras sanções, nomeadamente no sector do petróleo - a China é o principal fornecedor de crude do país. O gigante asiático continua, no entanto, a defender uma “solução pacífica” e a retoma das “Conversações a Seis” (as duas Coreias, Estados Unidos, China, Rússia e Japão), interrompidas desde 2009. Pequim defende também a suspensão dos testes atómicos e com misseis de Pyongyang, em troca do fim dos exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul na península coreana.

“É lamentável que alguns países ignorem consecutivamente os apelos ao diálogo e apenas falem em mais sanções, enquanto a China e outros estão a promover um diálogo pacífico.”

COMENTÁRIOS DE MINISTRO ALEMÃO CRITICADOS

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China criticou ontem os comentários do ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, que afirmou que Pequim não “deveria tentar dividir” a União Europeia, numa alusão ao uso do peso do investimento chinês para influenciar decisões do bloco. O comentário de Sigmar Gabriel surge numa altura de crescente apreensão dos países europeus face às dificuldades no acesso ao mercado chinês e ao excesso da capacidade de produção na indústria do aço do país asiático. “Estamos chocados com os comentários do senhor Gabriel”, disse a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, em conferência de imprensa. “Esperamos que ele clarifique o que quer dizer com ‘uma Europa’”, disse Hua. “Nós acreditamos e esperamos que os comentários sobre a China tentar dividir a Europa não representam o pensamento da maioria dos europeus”, acrescentou. Durante uma visita a Paris, na quarta-feira, Gabriel apelou a uma política europeia comum para a China e disse que Pequim “devia ter uma política de ‘uma Europa’ que não vise dividir” os Estados-membros. O ministro alemão não avançou com mais detalhes, mas funcionários europeus queixam-se de que Pequim usa o seu estatuto de investidor de peso em pequenos países europeus para ganhar o seu apoio em assuntos da UE. Em Junho, a Grécia vetou uma declaração que criticava a situação dos direitos humanos na China e a Hungria, onde a China é um importante investidor, já bloqueou outras declarações. Funcionários europeus queixam-se também que Pequim tentou travar uma resposta comum da Europa em disputas comerciais, ao oferecer concessões a certos governos. A China tornou-se, nos últimos anos, um dos principais investidores em Portugal, comprando participações importantes nas áreas da energia, dos seguros, da saúde e da banca.

HUA CHUNYING PORTA-VOZ DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS CHINÊS

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Aviso

Medidas fiscais especiais a tomar pela catástrofe causada pela passagem do tufão “Hato” A fim de aliviar a carga fiscal suportada pelos estabelecimentos comerciais de Macau, face aos avultados e graves prejuízos materiais causados pela passagem do tufão “Hato”, a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) actuará de forma discricionária nos moldes abaixo indicados, para efeitos da determinação do rendimento colectável em sede do imposto complementar de rendimentos (ICR) do exercício de 2017: (1) Em relação aos contribuintes do grupo A do ICR, os danos ou abatimento de activo imobilizado, em consequência da passagem do tufão, serão considerados, pela íntegra, como perdas ou custos fiscais, e deduzidos ao respectivo rendimento; (2) Em relação aos contribuintes do grupo B do ICR, cujos estabelecimentos comerciais se localizem em zona afectada pela catástrofe, aquando da fixação do seu rendimento colectável, proceder-se-á de forma leniente tendo em conta a situação de calamidade concreta; (3) Será dada, de modo discricionário, atenção aos estabelecimentos comerciais cuja impossibilidade de apresentação dos livros de escrituração ou documentação fiscal exigidos por lei, se prove resultar de situação de força maior, designadamente tempestade, não sendo aplicadas as respectivas multas; (4) No caso de extravio dos conhecimentos de cobrança ou de outros documentos emitidos pela DSF, os estabelecimentos comerciais podem requerer, junto dos Serviços de Finanças, a emissão de uma segunda via ou de respectivo documento comprovativo. Aos 31 de Agosto de 2017.

O Director dos Serviços de Finanças Iong Kong Leong

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O que é que vamos ter em “Kleptokronos”? Quando recebi o convite comecei a pensar no que fazer. Não queria ir buscar imagens que já tinha nem recorrer a paisagens de Macau. Acabei por ter esta ideia, de jogar com o tempo da própria fotografia e tentar, trazer com a técnica, o tempo do Camilo Pessanha. “Kleptokronos” que dizer ladrão do tempo. Uso a técnica da fotografia em que a luz constrói a imagem durante o tempo necessário até ter uma imagem possível. A maioria das fotografias aqui presentes são feitas com várias exposições, e muitas delas, longas. O próprio processo incorporou o conceito de tempo? Sim. A exposição longa traz o tempo para trás e, tecnicamente, é um método em que o tempo se demora pela fotografia adentro. Como é que isto se materializa na exposição? A minha ideia era pegar neste tempo que se comemora do Camilo Pessanha e juntá-lo ao que também se passa agora, à contemporaneidade. Por exemplo, com a questão dos refugiados. Também se lançam ao mar e muitos acabam por naufragar. Faz um paralelo com as situações da actualidade? Sim, tenho uma imagem referente aos fogos que têm passado por Portugal e que se pode relacionar com o poema “Vida” do Pessanha. Fala disso, do lumaréu, de tudo a arder e das flores que deixam de existir. O arder, mais uma vez, também é referente à luz fotográfica que queima. Não foi pegar no poema e fazer uma imagem que se parecesse. Foi outra coisa. Tem alguns auto-retratos. Os auto-retratos têm que ver com outro processo. É um reencarnar-me como uma

ANTÓNIO FALCÃO

“Se existir um deus, é o tempo” FOTÓGRAFO E ESCRITOR

ANTÓNIO FALCÃO

1.9.2017 sexta-feira

António Falcão é Ring Joid, mas podia ser outro qualquer. De regresso a Macau é também Pessanha e os muitos que vão habitando dentro de si. Está no território com a exposição “Kleptokronos”, que é inaugurada hoje e para apresentar o livro “Morri”, amanhã. É um dos artistas que integra as comemorações dos 150 anos de Camilo Pessanha do Edifício do Antigo Tribunal e vem mostrar a sua concepção de tempo espécie de Camilo Pessanha de agora no sentido do delírio, da fuga, da própria erosão da pessoa que está fora, num sítio que não é dela mas que acaba por lhe pertencer. Isto passa também pela minha experiência por Macau. O que vivi e não vivi aqui. A ideia é tentar ser uma personagem, mais do que alguém que escreve ou que fotografa. É criar este embrulho para que tudo o que estou aqui a apresentar faça um certo sentido para

que saia da realidade e traga outros elementos. Vamos ter uma mistura de Camilo com Ring Joid, uma outra personagem sua? Um pouco por aí. Mas sem rigor nenhum. O Ring Joid - e não interessa o nome porque foi quase aleatório - é o ideal de mim que não consigo representar na vida real. E por isso mantenho-o vivo artificialmente como complemento de uma vida com limites. Ele sou eu à solta.

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Vai também lançar o livro “Morri”. Porquê o título? Tem tudo que ver com a questão do tempo. Se existir um deus, é o tempo. É a única omnipresença que existe no mundo e da qual todos fazemos parte. “Morri” foi o título que me apareceu. Comecei a escrever, para o Hoje Macau, em 2004, numa altura da minha vida em que quase tinha uma necessidade da escrita para que pudesse continuar a viver ou a ficar perto do chão.

Escrevia com outro nome, o de Ring Joid. Acabei por inventar essa personagem. Há sempre duas coisas a viver dentro de mim. É como se andasse com uma companhia. Um puxa para o desvio, para ir por outros caminhos mais longos e mais difíceis. Depois há as histórias ao longo do livro que têm esse carácter da morte. Aliás, o livro acaba com um pequeno texto em que sou eu dentro de um avião a cair, e relato os

“Vivemos num mundo isolado dentro deste território e era preciso soltar-me. E na escrita tudo é possível.” últimos momentos antes da sua queda. A morte. O livro têm alguns textos actuais também em que, mais uma

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Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retoma-se a história no ponto onde ficou. Uma segunda geração assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.

MIRAMAR • Naguib Mahfouz

Um romance coeso e de grande carga emocional sobre vidas que se cruzam, Miramar desenrola-se na Alexandria do início dos anos 60. Seis personagens, todas agora exiladas por força das circunstâncias, tornam-se residentes da elegante e decadente Pensão Miramar. A figura central é Zohra, a bela camponesa cuja relação com as outras cinco personagens simboliza a essência da realidade política e social da época.


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sexta-feira 1.9.2017

Uma vida dourada MGM recebe até domingo a exposição “A Golden Way of Life”

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vez, está presente o tempo. A introdução, em que relato uma situação de quando tinha três anos, representa tudo o que se passa agora. É uma situação biográfica em que tudo o que nós vivemos já vimos acontecer. É como se vivêssemos numa dimensão em que tudo está mais ou menos programado e que já vimos isso mas que não conseguimos perceber e agora, como o tempo se estendeu, tudo se descodificou. “Morri” fala também da história contemporânea de Macau. Os portugueses, as despedidas, as passagens, mas muitas vezes uma história idealizada. Por exemplo, os governadores que eram seres de uma dinastia superior, que passavam por um processo de estudo do oriente, da língua, da filosofia e quando chegavam integravam-se na vida do “outro” e eram admirados por toda a população. Eram textos escritos para um jornal na pressão semanal do fecho.

Experiências de temas e de métodos de escrita. Coisas que via, cinema, música, noites. Sempre com o meu outro ser a testar as minhas capacidades, se conseguia realmente escrever alguma coisa. Uma escrita que parte de um trauma que se vai cosendo ao longo dos tempos. Vivemos num mundo isolado dentro deste território e era preciso soltar-me. E na escrita tudo é possível. Tudo existe. Não há freio. E a fotografia? Qual a sua relação com ela agora? A fotografia só funciona se de algum modo participar nela. Não pode ser apenas uma composição visual de elementos exteriores. Isso é uma espécie de malabarismo, tem de estar tudo no lugar para que as bolas não te caiam na cabeça. Eu fico à espera que elas caiam. E depois logo se vê. O que acha das comemorações dos 150 anos do

“A fotografia só funciona se de algum modo participar nela. Não pode ser apenas uma composição visual de elementos exteriores.” Pessanha e da sua representatividade para Macau? O Camilo Pessanha é um dos poetas mais válidos da literatura portuguesa e também dos mais esquecidos. Já Fernando Pessoa o admirava mas depois houve este tempo todo em que parece que esteve adormecido. Em Macau, penso que nunca foi devidamente reconhecido e por isso é importante tanto a obra como a sua figura e a sua passagem pelo território. É preciso que resista para que as pessoas possam, algumas continuar a relembrar o homem e outras o puderem conhecer.

Viveu aqui 17 anos e está de regresso. Como está a viver a visita? Não tenho bem a noção do tempo, quando olho para trás, passaram 17 anos em Macau, passaram seis desde que fui para Portugal. Está tudo compresso na cortina do engenho que capta imagens para dentro do nosso cérebro. Fui embora em 2011 e sempre que volto sinto como se me tivesse ido embora na semana passada. É sempre um sentir-me em casa. É bom e mau mas como estou sempre de partida, e não venho de armas e bagagens para ficar, também não desespero. É a sensação de estar num sítio inóspito. Macau é inóspito? Sim. O mundo é inóspito. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

IKAEL Kraemer é o descendente de uma família parisiense com uma longa história ligadas às artes ao longo do último quarto de milénio europeu, algo que está representado na exposição “A Golden Way of Life”, patente no MGM até domingo. Para além de se poder ver um percurso do ouro bruto, à barra e à folha de ouro, os visitantes podem viajar entre a história das relações entre a China e a França através da arte. Uma das peças de destaque da exposição é o primeiro dicionário de latim/ chinês, publicado em 1742, uma obra que teve apenas 200 exemplares e que demorou quatro décadas a ser elaborada. O dicionário foi encomendado por Luís XIV, o Rei Sol, e serviria para os enviados franceses à China aprenderem a língua pelo caminho. Neste aspecto, importa realçar que a viagem de barco demorava, à altura, quase um ano. “Este livro foi a melhor prova de amor entre essas duas civilizações”, comenta Mikael Kraemer. O francês, proprietário da relíquia, procura um museu nacional chinês para doar a obra. “Talvez Pequim, Xangai, Macau ou Hong Kong, este dicionário tem de ser aproveitado pelo máximo número de pessoas possível”, explica. Mikael Kraemer gostava de ver o livro digitalizado para que possa ser estudado e sirva de instrumento para que se “perceba a relação que havia entre a França e a China durante o Século XVIII”.

ARTE DOURADA

Outra das obras em destaque é uma cadeira portátil

que servia para transportar aristocratas, nobres e realeza pelas ruas da cidade. A peça foi feita por volta de 1770, antes da queda do absolutismo. Com o advento da Revolução Francesa o brasão da família que estava no centro da pintura a óleo que embeleza a cadeira teve de ser retirado por clara desadequação aos tempos. A exposição patente no MGM é um banho de ouro, uma experiência de como a arte se move de acordo com as marés de poder e dinheiro. Durante o século XV, em Espanha os movimentos artísticos expressavam a estética do Barroco, um século depois a Itália apadrinhava a Renascença, depois de uma passagem pela Holanda, Paris torna-se o centro das artes até ao Iluminismo. Com a Revolução Industrial a produção e mercado das artes muda-se para Inglaterra, enquanto o século XX trouxe os Estados Unidos para o centro de produção e mercantilização das artes. Hoje em dia, a China afigura-se como uma potência económica que tem o mundo as artes no horizonte. “A China entende que trazendo para a Ásia as grandes colecções dos maiores museus e galerias criam um mercado local, é aquilo a que se chama diplomacia artística”, explica Mikael Kraemer. Quem quiser experimentar um pouco da vida dourada e do glamour intemporal do ouro tem até domingo para visitar o MGM e deslumbrar-se com peças de joalharia, mobiliário e escultura da exposição “A Golden Way of Life”. João Luz

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

Quero acabar entre rosas,porque as amei na infância.Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio. tonalidades António de Castro Caeiro

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passar do tempo em que me confundo com as paredes do quarto onde me encontro, as que estão à minha frente, não as que estão atrás das minhas costas, mais especificamente esta extensão de parede que serve de plano de fundo à janela, através da qual vejo apenas farrapos de azul e ramos de uma árvore, e não do tronco até à raiz. O passar do tempo funde-me com o que tenho perante mim, infinitamente mais contraído do que o que não vejo, o tecto ou o chão. E é agora que me distraio da página neste dia de Dezembro de há 20 anos. Entrei por essa dobra temporal do tempo em que não havia pequeno almoço nem início do dia, nem almoço, nem ninguém, só eu e a casa, ou o mundo todo fechado nesse agora em que entro e me faz perder totalmente a atenção ao presente. Esse agora passado enquanto era vivido, tinha já em si contraídos os vinte anos que se seguiram? Há instantes que são entornados para o vasilhame de água em que vivemos. Embora não nos apercebamos de que estamos mergulhados em não se sabe bem o quê, verdadeira corrente e fluxo do tempo que muda, envelhece e mata. As águas do tempo são diferentes das reais, porque são habitualmente imperceptíveis e o seu calendário é multidimensional. A vida nessa dimensão do tempo não é unidimensional nem partilhável com todos como os dias são. Podemos surfar do presente para o passado e para passados cada vez mais antigos ou dar saltos para o futuro ou ir e ver do futuro para o presente e do presente para o passado e do passado para o futuro e do futuro para o passado. Também podemos viver na fantasia onírica do que poderia ter sido, do que poderá ser, ou com a imaginação que cria mundos paralelos de onde podemos regressar só para tomar refeições. As dobras do tempo podem estar fechadas como se podem abrir, do tempo da realidade para o tempo da fantasia onde mundos inteiros, complexos e variegados são sonhados, de mundos imaginados para mundos fantásticos, oníricos e reais. Há tantas casas e vidas quantas as dimensões que criam mundos e vidas só nas nossas cabeças, mesmo sem qualquer consciência. O quarto fica sombrio e depois vem o sol com a mesma tonalidade de há pouco. Debruço-me sobre o que estava a fazer. Desse instante até agora passaram-se mais dez anos. Mais ainda. Olhava para o candeeiro e para a secretária, quando comecei a ler. Teria seis anos? Cinco anos? Já a vida a ler era numa outra dimensão. Coexistia bem com as outras, mas ler e viver são coisas diferentes. E ler faz parte da vida. E se viver fosse ler?

AHMED MORSI, EYEING TIME

Dobras

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Arrasta-me viscosa a vida pelos próximos seis meses, difícil de passar, só a custo, mas sempre em frente. A vida é inexoravelmente sempre para a frente, com os olhos postos no futuro, mas às vezes o próprio presente está embargado como qualquer mercadoria na alfândega, no espaço geográfico de um país, mas confiscada, sem que possamos levantá-la ou fazer uso dela. Assim vivemos, às vezes, um qualquer presente que dura seis meses mas pode durar também décadas ou a vida inteira. A vida pega em mim, encarna em mim, ela é eu e eu não sou nada e faz-me resvalar com a casa inteira a rua que não é onde moro, na noite da insónia, pela vida, com a consciência absoluta da impermeabilidade inacessível que me isola claustrofobicamente de mim como dos outros. O meu corpo é expandido e explode pelas paredes, a rua, o bairro, o Tejo, oriente e ocidente, tudo é estendido pelo agora nesse momento estranho em que sou rio e tudo é rio e o oceano temporal a fluir, onde estou mergulhado como que dentro de água, só que a água é o tempo, a corrente do rio é a corrente do tempo. Num campo de forças com limites mais ténues do que a brisa ou a abóbada celeste vista através de uma atmosfera que aparentemente não influencia nem destorce o que vemos. Olho para uma nuvem que passa e imagino que está parada e a nave da vida em que me encontro e tudo o resto metido lá comigo é que se desloca. Não sou eu parado e a nuvem que passa, mas sou eu quem passa e a nuvem está parada! Sou coextensível com a abóbada celeste e o as profundezas da terra. Penetro na escuridão de bolsos e de gavetas e do lado de lá da superfície de ladrilhos e calçadas e alcatrão. Existo como existem em mim pessoas, todas as pessoas. O mundo é um balão complexo de tempo com um ecrã total que não é ecrã, mas muito mais perfeito porque camufla as coisas como se fossem em si e elas estão todas a escoar ao mesmo tempo para nenhures, para o nada. E eu com elas escorrego no rápido a pique no precipício, sempre, sem chegar, sem pé, sempre mais fundo ou então a subir para uma águas cada vez menos profundas, mas sem perceber se subo à superfície ou se me afundo mais e mais e mais.

As paredes atravessaram a tarde na qualidade da sua duração e são as mesmas. Só vejam que não são porque conheço casas desabitadas, onde famílias moraram e viveram e agora resistem mas deterioradas, já sem ninguém. Uma parede só de uma divisão sem tecto nem chão nem as outras três paredes que albergaram noites de febre e amor e consolo ou desolação. A casa é a mesma num breve instante de percepção e durante todo o tempo da vida em que alguém lá viveu. Os objectos inertes e a sua natureza morta só são percebidos quando percebidos por um ponto de vista que abre o olhar de nenhures. São essas paredes que aí estão pintadas de fresco mas que eu vejo já no bolor do tempo.

As dobras do tempo podem estar fechadas como se podem abrir, do tempo da realidade para o tempo da fantasia onde mundos inteiros, complexos e variegados são sonhados, de mundos imaginados para mundos fantásticos, oníricos e reais

A velocidade estonteante do comboio a galgar terra, o avião que se precipita na velocidade máxima, o carro veloz, as piruetas dançantes, a transformação do mundo no movimento e na ilusão do movimento quando tudo está parado, o amarelecimento das folhas, a queda dos frutos, ficar alagado e enxugar, dormir e acordar, ler e escutar música, o tempo que passa é o plano de fundo a todos os tempos durante os quais duram as mais pequenas acções do quotidiano, as mais pequenas percepções em que se vê de repente que vai chover ou que o dia vai abrir. Num instante sou entornado todo eu para a paragem de mim estagnação de uma vida que de há trinta anos para cá desde aquele instante me converti no buraco negro para onde entrei por ele adentro até agora. Tenho menos trinta anos e mais trinta anos. O que se passou entretanto é já nessa dimensão complexa em que sou distendido desde a imagem fotográfica de então até à imagem fotográfica de agora com todas as imagens que se desdobram e fazem o filme da minha vida até agora, mas desaparecidas ou comprimidas num único instante integrante.


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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

LANÇAMENTO DA NOVA EDIÇÃO DE CLEPSYDRA, DE CAMILO PESSANHA 18h30 | auditório do consulado “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA” Fundação Rui Cunha | 18h00

MIN

26

MAX

33

HUM

60-95%

EURO

9.53

BAHT

LANÇAMENTO DO LIVRO “KARADENIZ – ENTREVISTA COM UM ASSASSINO”, DE PAULO JOSÉ MIRANDA Edifício antigo tribunal | 16h00 LANÇAMENTO DE “RETURNING HOME DIRTY WITH THE LIGHT”, DE RUI CASCAIS Edifício antigo tribunal

O CARTOON STEPH DE

“ENSAIO SOBRE UM FILME”, VÍDEO DE ROSA COUTINHO CABRAL Edifício antigo tribunal | 16h45 CONFERÊNCIA POR PEDRO BARREIROS Edifício antigo tribunal | 17h00 LANÇAMENTO DE “O EXORCISMO”, DE JOSÉ DRUMMOND Edifício antigo tribunal | 18h00 EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “MEMORIES AND ANECDOTES FROM THE THREE LAMPS” Armazém do Boi | 16h00 às 19h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO” Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo, Largo do Senado EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9 EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

Cineteatro

C I N E M A

THE DARK TOWER SALA 1

Tom Taylor 14.30, 16.15, 18.00, 21.45

FALADO EM CANTONÊS Fime de: Masakazu Hashimoto 14.30, 19.30

A DOG’S PURPOSE [B]

CRAYON SHINCHAN MOVIE 2O17 [B]

THE ADVENTURES [B] Fime de: Stephen Fung Com: Andy Lau, Shu Qi, Zhang Jingchu, Yo Yang, Jean Reno 16.30, 21.30 SALA 2

THE DARK TOWER [B] Fime de: Nikolaj Arcel Com: Idris Elba, Matthew McConaughey,

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 111

PROBLEMA 112

UM LIVRO HOJE

SUDOKU

LANÇAMENTO DE “ABRIL”, DE AMÉLIA VIEIRA Edifício antigo tribunal | 16h00

1.22

A DESPERTAR

Amanhã

Domingo

YUAN

PÊLO DO CÃO

CINEMA | “DO CORPO E DA ALMA” Cinemateca Paixão | 21h30

LANÇAMENTO DE “MORRI”, DE ANTÓNIO FALCÃO Edifício antigo tribunal

0.24

Tenho acordado torto, do lado oculto da manhã, a correr, a limpar a preguiça da cara e a inércia do corpo. Até que esta semana lembrei-me da fórmula mágica: Música! Um duche com banda sonora torna os pensamentos fluidos como o leito de um vagaroso rio. Visto-me e antecipo a saída para o mundo, depois da precoce fuga uterina da cama, parto para o mundo a sentir tudo com muito mais intensidade. Tudo se mexe de acordo com o ritmo que tenho na minha cabeça, tudo obedece aos ditames debitados pelos headphones que injectam directamente vida no meu cérebro semiadormecido. Árvores dançam comigo, pessoas atravessam a rua e parecem estar prestes a sucumbir ao meu riff de guitarra pessoal, polícias são capazes de irromper num abanar de anca ao ritmo do baixo que pulsa. Tudo parece estar prestes a sincronizar-se comigo e assim vou despertando com suavidade, sem o impacto agreste dos olhos completamente abertos. Alvoreço com melodia, com feedback de guitarras, com batidas electrónicas, com violinos a detonar micro-explosões em todas as minhas células. Sigo embalado por este tónico até ao momento em que tenho de retirar os headphones e encarar a vida sem música. Sei que vou lá voltar quando tiver de escrever isolado de estímulos exteriores, quando me vir forçado a regressar ao útero sonoro onde só eu danço. João Luz

MORTE A CRÉDITO | LOUIS-FERDINAND CÉLINE

Um dos maiores marcos na obra literária do escritor maldito francês, “Morte a Crédito” representa a visão existencialista do alter-ego do autor, um médico que dá consultas na periferia pobre de Paris. O afastamento do personagem da comunidade médica, reflecte a ostracização a que Celiné se votou depois ser largamente elogiado por vultos como Jean-Paul Sartre. “Morte a Crédito” tem uma narrativa confusa, com saltos temporais e estilísticos, mas sempre com a prosa ímpar de um dos mais mal amados génios literários do século XX. João Luz

Fime de: Lasse Hallstrom Com: Josh Gad (voice), Dennis Quaid, K.J. Apa, Britt Robertson 19.45 SALA 3

DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 16.30, 19.00, 21.30

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sexta-feira 1.9.2017

ANNIE WANG, CANTORA E ESTUDANTE

A

QUE L E S que já a ouviram cantar nas jazz jam sessions no espaço Live Music Association (LMA) percebem que está ali um talento natural e uma presença forte que é revelada em palco. Fora dele, Annie Wang assume-se como mais introvertida, mais calada, “mas não demasiado”. Estudante do departamento de inglês da Universidade de Macau (UM), Annie Wang recorre ao filme “Mr e Mrs. Smith”, protagonizado por Brad Pitt e Angelina Jolie, para se caracterizar em palco. “Acho que tenho duas personalidades diferentes. Antes de vir para Macau trabalhei como cantora em part-time em bares, quando andava na escola secundária. No dia-a-dia era uma nerd, a carregar os livros e usava óculos. As aulas acabavam às nove da noite e aí punha a minha maquilhagem e ia cantar”, recorda-se. Annie Wang não faz da música uma profissão, mas começou a cantar ainda antes de aprender as primeiras palavras. Os pais ajudaram-na e incentivaram o nascimento de uma paixão. “Os meus pais gostam de cantar e quando era pequena cantavam muito comigo. O meu

Animal de palco pai cantava uma canção e deixava sempre a ultima palavra da canção para eu cantar. É uma coisa de infância, que começou muito cedo.” Os pais, professor de educação física, e a mãe, professora de música, também vão fazendo uma perninha como cantores. “Mas são pequenos concertos na nossa cidade”, adianta. Se Annie começou a cantar ainda antes de falar, as primeiras experiências em palco aconteceram logo no jardim-de-infância. “Claro que não cantei jazz”, ironiza. “Devo ter cantado algumas canções infantis, muito provavelmente. Tenho uma fotografia e tudo”, recorda. Desde aí, Annie Wang nunca mais deixou os palcos de fora. “Cantar num palco é uma constante na minha vida. Aconteceu na escola primária. Desde que me lembro todos os anos tinha uma oportunidade de cantar.”

MUDANÇA DE MENTALIDADE

A escolha de Macau para fazer os estudos superiores acabou por revelar-se uma agradável surpresa. “Esta experiência tem sido muito boa. Estou de facto a adorar estudar na UM. Vim

estudar para cá por causa dos cursos e dos professores, e quando cheguei aprendi muito com eles. De certa forma mudou a minha vida e a minha forma de pensar.” No território também teve algumas experiências como cantora, sobretudo em sessões onde se canta de forma livre. “Não fiz concertos a sério”, assegura. A cantora ouve jazz e todos os tipos de música. Num lugar onde a música ao vivo tem vindo a ganhar outro rumo, Annie Wang destaca o papel importante que o LMA tem tido. Referindo-se às jazz jam sessions, que decorrem todos os domingos, a jovem estudante garante dar todo o apoio. “Pela minha experiência no LMA há muitos músicos talentosos. Não sabia que aquele lugar existia. Não é um espaço comum em Macau. Há uma certa vibe que é diferente e diversa face ao que existe.” A cantora adianta que este tipo de concertos, com uma onda mais intimista, não são frequentes em muitas cidades chinesas. “Não diria que é mais fácil ser cantora na China. Depende do quão queremos isso, do quão queremos subir na carreira. Há mais

hipóteses de fazer jam sessions em Macau do que na China.”

DOUTORAMENTO NA CALHA

Estando prestes a licenciar-se, Annie Wang não sabe ainda o que quer fazer em termos profissionais. Associar a música à investigação académica é um dos objectivos. “Sempre cantei mas sempre estudei ao mesmo tempo. Neste momento estou a pensar em continuar os meus estudos e fazer um doutoramento. Nunca vou desistir de cantar, vou procurar algo mas continuar a cantar. Quero focar-me nesse trabalho de investigação que pretendo fazer.” Ficar em Macau é uma possibilidade, mas a estudante não descarta experimentar outros destinos. “Tudo depende do que acontecer este ano. Vou licenciar-me para o ano que vem e este ano vou procurar outras oportunidades. Vou ver se dá para fazer um doutoramento num outro lugar”, remata. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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CAMILO PESSANHA 1 DE SETEMBRO 18:30 LANÇAMENTO DE “CLEPSYDRA” E APRESENTAÇÃO DA VERSÃO CHINESA COM: YAO JINGMING, LUÍS SÁ CUNHA, CARLOS MORAIS JOSÉ 2 DE SETEMBRO 16:00 LANÇAMENTO DE “KARADENIZ - ENTREVISTA COM UM ASSASSINO”, DE PAULO JOSÉ MIRANDA 17:00 LANÇAMENTO DE “RETURNING HOME DIRTY WITH THE LIGHT”, DE RUI CASCAIS 18:00 LANÇAMENTO DE “MORRI”, DE ANTØNIO FALCÃO 3 DE SETEMBRO 16:00 LANÇAMENTO DE “ABRIL”, DE AMÉLIA VIEIRA 16:45 “ENSAIO SOBRE UM FILME”, VÍDEO DE ROSA COUTINHO CABRAL 17:00 CONFERÊNCIA POR PEDRO BARREIROS 18:00 LANÇAMENTO DE “O EXORCISMO”, DE JOSÉ DRUMMOND 4 DE SETEMBRO 18:30 CONFERÊNCIA POR VALÉRIO ROMÃO 19:30 CONFERÊNCIA POR ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO 5 DE SETEMBRO 18:30 CONFERÊNCIA POR ANTÓNIO CABRITA 19:30 INAUGURAÇÃO DE “PESSANHA – A CIDADE IMAGINÁRIA” , UM PROJECTO DE CARLOS MARREIROS NA PRAÇA DO SENADO 6 DE SETEMBRO 18:30 CONFERÊNCIA POR PAULO JOSÉ MIRANDA 19:30 CONFERÊNCIA POR AMÉLIA VIEIRA 7 DE SETEMBRO 11:00 ROMAGEM AO CEMITÉRIO DE SÃO MIGUEL 13.00 ALMOÇO COM A FAMÍLIA DE PESSANHA ORGANIZADO PELA APOMAC PARA PARTICIPANTES E CONVIDADOS 20:00 JANTAR - AS RECEITAS MACAENSES DO INÍCIO DO SÉCULO XX, POR GRAÇA JORGE RESIDÊNCIA CONSULAR

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