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MOP$10

TERÇA-FEIRA 1 DE AGOSTO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3866

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hojemacau

ELEVADORES

Os cabos do medo PÁGINA 6

Pôr a casa em ordem

COREIA DO NORTE

MANOBRAS DE VERÃO

GRANDE PLANO

TELECOMUNICAÇÕES

Haja paciência

Custou mas foi. Após anos de polémica, o parecer que altera o regime jurídico de arrendamento foi finalmente assinado, apesar da discordância de cinco deputados.

PÁGINA 4

PÁGINA 5 ANDRE KOSTERS/LUSA

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RENDAS PROJECTO DE LEI PRONTO PARA SER VOTADO

Erro ontológico

h PAULO JOSÉ MIRANDA AMBIENTE

Malditas descargas PÁGINA 7

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TIMOR-LESTE | PORTUGUÊS

Pendurado no tétum EVENTOS


2 grande plano

1.8.2017 terça-feira

COREIA DO NORTE

CHEGA ISSO PARA Pequim não gostou da twittada de Donald Trump e respondeu: não há que confundir assuntos quando se fala em controlar o regime de Kim Jong-un. Já Tóquio não quer perder a protecção norte-americana. Washington garante que a aliança está mais forte do que nunca

TENSÃO ENTRE PEQUIM E WASHINGTON. JAPÃO E ESTADOS UNIDOS REITERAM ALIANÇA

A

China exortou ontem os Estados Unidos a separar a questão nuclear norte-coreana das discussões sobre o comércio entre os dois países, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter acusado Pequim de inacção face a Pyongyang. “Acreditamos que a questão nuclear da Coreia do Norte e o comércio entre China e Estados Unidos são dois assuntos separados, que pertencem a áreas completamente diferentes”, afirmou o vice-ministro chinês do Comércio Qian Keming, em conferência de imprensa. Estas questões “não estão a ser abordadas juntas”, disse. Qian Keming considerou ainda que as “relações comerciais entre China e Estados Unidos são, no geral, mutuamente benéficas” para os dois países, e que os “Estados Unidos beneficiam muito do comércio bilateral e cooperação no âmbito do investimento”. O responsável chinês reagia assim ao comentário feito por Trump, através da rede social Twitter, no sábado passado. O líder norte-americano sugeriu uma retaliação contra Pequim, acusando os líderes chineses de fazerem muito pouco para enfrentar a Coreia do Norte, depois de Pyongyang ter voltado a testar um míssil balístico intercontinental. “Estou muito decepcionado com a China. Os nossos antigos líderes, ingénuos, permitiram-lhes ganhar centenas de milhares de milhões de dólares por ano em comércio e, no entanto, não fazem nada por nós em relação à Coreia do Norte”, escreveu na rede social Twitter. “Não permitiremos que isto continue. A China poderia facilmente resolver este problema!”, acrescentou Trump.

UM PROBLEMA DE MUITOS

Sobretudo desde que Donald Trump tomou posse, Washington

tem vindo a pedir a Pequim para que controle as aspirações bélicas do seu vizinho, mas o Governo Central, que já suspendeu as importações de carvão norte-coreano, afirma que a solução passa por dialogar. A China é o principal aliado do regime de Kim Jong-un, mas condenou o novo teste conduzido pelo país, apelando a que respeite as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e pediu a “todas as partes” para que exerçam moderação. O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, afirmou também que a Rússia e a China são “os principais facilitadores económicos do programa de desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos da Coreia do Norte”, e têm uma “responsabilidade única e especial pelo crescimento da ameaça à estabilidade regional e global”. Já depois da acusação deixada por Trump, a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, defendeu que a China “sabe que deve actuar” na procura de uma solução para a crise com a Coreia do Norte, um “problema” que “não é apenas norte-americano”. “Já chega de falar sobre a Coreia do Norte. A China sabe que deve actuar. O Japão e a Coreia do Sul devem aumentar a pressão. Não é apenas um problema norte-americano. Exigirá uma solução internacional”, considerou a diplomata, uma posição manifestada na sua conta no Twitter. Num comunicado divulgado pouco depois, Haley insistiu que a China “deve decidir se finalmente quer dar este passo vital”, porque “o tempo de falar acabou”. “O perigo que o regime norte-coreano representa para a paz internacional é claro para todos agora”, sustentou. Haley informou também que os Estados Unidos não pretendem


grande plano 3

“Os Estados Unidos beneficiam muito do comércio bilateral e cooperação no âmbito do investimento.” QIAN KEMING VICE-MINISTRO CHINÊS DO COMÉRCIO

“Já chega de falar sobre a Coreia do Norte. A China sabe que deve actuar.” NIKKI HALEY EMBAIXADORA DOS EUA NA ONU

convocar uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU, como tem acontecido nas Nações Unidas após os mais recentes testes com armas de Pyongyang. O Conselho de Segurança é composto pelos Estados Unidos, China, França, Rússia e Reino Unido.

BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/GETTY IMAGES

terça-feira 1.8.2017

INÚTEIS SANÇÕES

“Não faz sentido realizar uma sessão de emergência se não houver nenhuma consequência”, considerou Nikki Haley, comentando que a Coreia do Norte “já está sujeita a inúmeras resoluções do Conselho de Segurança, que viola com impunidade, e que não são respeitadas por todos os Estados-membros da ONU”. Assim, uma resolução “adicional” que não incremente “significativamente” a pressão internacional sobre Pyongyang “não tem qualquer valor”. “De facto, é pior que nada, porque envia uma mensagem ao ditador norte-coreano de que a comunidade internacional não quer desafiá-lo seriamente”, adiantou. Na quinta-feira passada, o Congresso dos Estados Unidos deu luz verde a um conjunto de sanções contra a Coreia do Norte, Irão e Rússia, que estão a aguardar a assinatura de Trump. Dois dias antes, Haley tinha assinalado que se estavam a fazer progressos nas negociações entre Estados Unidos e a China para endurecer as sanções da ONU contra a Coreia do Norte, apesar de não ter concretizado quais eram esses avanços. Em resposta aos mais recente teste levado a cabo por Pyongyang, os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizaram um exercício militar conjunto. Seul anunciou que vai acelerar a implementação no seu território do sistema antimísseis norte-americano THAAD. Pequim reagiu de imediato à posição de Seul, afirmando que o THAAD “só vai complicar a situação”. Washington acusa frequentemente Pequim de proteccionismo. Em 2016, o comércio bilateral registou um défice de 310 mil milhões de dólares para a Administração norte-americana.

Mais juntos do que antes

Japão e Estados Unidos reforçam cooperação

O

primeiro-ministro japonês anunciou ontem que Tóquio e Washington concordaram em reforçar as acções contra a Coreia do Norte, na sequência do lançamento, pelo regime de Kim Jong-un, do mais recente míssil balístico intercontinental. A ideia foi deixada depois de Shinzo Abe e Donald Trump terem conversado ao telefone, ontem de manhã. O líder do Governo nipónico referiu que Trump está disposto a “tomar todas as medidas necessárias para proteger” o Japão que, por seu turno, vai dar todos os passos necessários para reforçar o seu sistema de defesa. Os especialistas que estiveram a analisar o lançamento do míssil balístico intercontinental chegaram à conclusão de que o armamento norte-coreano tem agora capacidade para chegar à quase totalidade do território norte-americano. Shinzo Abe fez ainda referência ao fracasso dos esforços diplomáticos, a via que tem sido defendida por Pequim. “A sociedade internacional, incluindo a Rússia e a China, precisam de olhar para isto com seriedade e aumentar a pressão”, declarou. Apesar de frisar que o Japão e os Estados Unidos vão dar passos concretos neste sentido, não divulgou qualquer detalhe sobre o que pretendem fazer. Já o porta-voz do Executivo japonês, Koichi Hagiuda,

garantiu que Abe e Trump não estiveram a discutir qualquer acção militar contra a Coreia do Norte, nem tampouco que atitudes por parte de Pyongyang serão consideradas como “pisar o risco vermelho”.

OS PROTECTORES

Em comunicado acerca do telefonema de ontem de manhã, a Casa Branca disse que os dois líderes estão de acordo em relação “à grave e crescente ameaça que a Coreia do Norte representa directamente para os Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e outros países, perto e longe”. Acrescenta-se na nota que Donald Trump reafirmou “o inabalável compromisso” de defesa do Japão e da Coreia do Norte de qualquer ataque, “usando todas as capacidades dos Estados Unidos”. A conversa ao telefone durou cerca de 50 minutos. O papel que a China deverá desempenhar, “extremamente importante”, foi destacado em conferência de imprensa em Tóquio, com o Governo de Shinzo Abe a anunciar que pretende contactar todos os países envolvidos – a Coreia do Sul, mas também a China e a Rússia –, bem como as Nações Unidas, para que haja uma pressão adicional ao regime de Kim Jong-un. Não foram relevadas informações sobre as acções que se vão pedir ao grupo de nações em causa.


4 política

1.8.2017 terça-feira

TELECOMUNICAÇÕES SUGERIDO GRUPO DE ACOMPANHAMENTO AO GOVERNO Raimundo do Rosário explica que a convergência no sector das telecomunicações um trabalho colossal no é matéria que que diz respeito ao temrequer muito po, porque trabalho, é um sector muito técnico, portanto, eu incluindo peço alguma paciência.” As são de Raimundo revisões legais. palavras do Rosário, acerca da convergência de serviços de Por outro lado, telecomunicações em Macau. a comissão de O secretário para os Transportes e Obras Públiacompanhamento cas especificou a dimensão do trabalho, sendo que da Assembleia um dos aspectos que mais Legislativa esforço implica será a relegal. “Alterar uma sugere a criação visão lei leva o seu tempo, aqui não se trata de alterar uma de um grupo ou duas, mas todo o sector de peritos em simultâneo”, explica o secretário à saída de uma que auxilie reunião com a Comissão de Acompanhamento para os ao andamento Assuntos da Administração Pública. Neste aspecto, imdos trabalhos

“É

GCS

A passo de caracol

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porta referir que Macau tem uma lei de base que regula o sector na generalidade, à qual se juntam diplomas específicos para a Internet, telefone fixo, telemóvel, etc.. Um pequeno ordenamento jurídico de telecomunicações que carece de revisão. A referida reunião serviu para o Governo dar a conhecer aos deputados a sua visão, o plano que tem para o futuro. Raimundo do Rosário entende que “mais vale tarde que nunca”; porém, o assunto tem sido discutido ao longo dos anos. Quando interrogado se a almejada convergência vai demorar dez anos a ser atingida, o secretário responde “talvez”. Há mais de quatro anos, o então director dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), Tou Veng Keong, anunciava o estudo sobre o serviço em convergência de forma a incluir pacotes de Internet. Já nessa altura se falava em revisão abrangente do corpo de leis que regem o sector. Aliás, no Verão de 2008, Macau recebeu o 5.º Encontro do “Wireless Forum” da Ásia Pacífico. À data, o então secretário para os Transportes e Obras

Públicas, Lau Si Io, falou na importância de convergir este tipo de serviços.

OS ESPECIALISTAS

Hoje em dia, o sistema de telecomunicações de Macau está organizado de forma vertical, com cada concessionária, ou empresa, a fornecer um serviço. Raimundo do Rosário pretende alterar este panorama e aproximar o que se passa localmente da realidade noutros países. “No futuro, as empresas vão poder fornecer todo o tipo de serviço, que é aquilo que já existe em Portugal, ou seja, o consumidor pode comprar um pacote com televisão por

Chan Meng Kam entende que a horizontalização do mercado vai trazer benefícios para os consumidores e fomentar um ambiente económico no sector de concorrência justa

cabo, Internet, telemóvel e telefone fixo”, projecta Raimundo do Rosário. O secretário adiantou que será necessário auscultar as sensibilidades do sector, uma tarefa que poderá suscitar opiniões diversas. “Teremos muitos obstáculos pela frente na empreitada que iniciamos agora”, prevê Raimundo do Rosário. O responsável pelos Transportes e Obras Públicas confessa que esta matéria “será um grande desafio” para ele próprio. O presidente da comissão de acompanhamento que participa nesta discussão, Chan Meng Kam, entende que esta é uma “reforma que implica tempo, porque são trabalhos volumosos, mas é um grande progresso”. O deputado não nega a realidade de que “o nível destes serviços é um bocado atrasado” em Macau e que uma revisão das regulações do sector permite “resolver a situação em que uma operadora assume predominância”. Uma das soluções apontadas por deputados da comissão foi a realização de uma visita a Hong Kong para estudar o que é feito noutras regiões e daí retirar algum conhecimento para aplicar localmente. Chan Meng Kam entende que a horizontalização do mercado vai trazer benefícios para os consumidores e fomentar um ambiente económico no sector de concorrência justa. Tendo em conta o volume de trabalho que esta revisão acarreta, a comissão de acompanhamento sugeriu ao Governo a criação de um grupo exclusivo para o desenvolvimento dos serviços de telecomunicações. Chan Meng Kam especificou que o grupo seria constituído por peritos do sector, académicos e partes interessadas na matéria que possam dar um contributo técnico para a revisão dos diplomas. O presidente da comissão de acompanhamento está consciente de que “as tecnologias evoluem rapidamente, num abrir e fechar de olhos”. Nesta matéria, esperar tanto tempo é uma garantia de obsoletismo. Há dez anos o mundo conheceu o primeiro iPhone. Netflix, Twitter e o sistema Android davam os primeiros passos e o Facebook tinha apenas 20 milhões de usuários. Ou seja, em termos tecnológicos, uma década é uma eternidade. João Luz

info@hojemacau.com.mo


política 5

terça-feira 1.8.2017

PROJECTO DE LEI PRONTO PARA IR A PLENÁRIO

Rendas a votos

Estava em análise em sede de comissão desde 2015. Ontem, acabou por ser assinado o parecer sobre a alteração do regime jurídico de arrendamento previsto no Código Civil. Cinco deputados fizeram questão de ter os seus nomes no documento, enquanto opositores ao projecto de lei

A

polémica foi muita, mas o parecer sobre a alteração do regime jurídico de arrendamento previsto no Código Civil foi mesmo assinado. No entanto, apesar da “concordância geral”, foi ontem adicionada uma adenda ao documento. Em causa está a discordância de Tommy Lau, Victor Cheung Lup Kwan, Angela Leong, Vong Hin Fai e Chui Sai Peng. O presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), Cheang Chi Keong,

alertou ainda para o momento de votação na especialidade. “A discussão na reunião plenária vai ser muito acesa e solicitamos a presença do Governo para esclarecer as questões que possam vir a ser colocadas, e para equilibrar os interesses públicos e privados”, disse. O projecto de lei apresentado por nove deputados em Junho de 2015 sugere mudanças no sentido de amenizar os problemas que surgiram com o desenvolvimento local. Cheang Chi Keong acredita que a alteração à lei “irá resolver

os problemas de arrendamento no território”.

O PODER DO CHEFE

Uma das áreas de mudança que o projecto propõe é a intervenção do Chefe do Executivo. Com a alteração aprovada, o líder do Governo passa a poder definir um coeficiente máximo da renda a cobrar ao inquilino, decretado por despacho. A definição deste coeficiente não tem um carácter permanente e acontece em situações de crise. Quando se registar

um aumento de rendas que cause desconforto à população, o Chefe do Executivo é chamado a intervir. Um outro aspecto salientado no parecer tem que ver com o facto de esta intervenção poder ser direccionada a sectores particulares da economia local. “Por exemplo, se os parques de estacionamento começarem a exagerar nos aumentos das rendas, a definição do coeficiente máximo pode ser apenas para o sector do estacionamento e não abranger a habitação”, explicou Cheang Chi Keong. Por outro lado, o aumento pode não obedecer ao tecto definido pelo Chefe do Executivo. Apesar de “poderem existir acordos entre as partes, o limite máximo de aumento tem de ser respeitado e nunca pode ultrapassar o definido por despacho”. Quando o Governo quiser implementar este mecanismo tem de ter em conta os vários índices existentes.

TRÊS ANOS SEM CHATICES

Outra das modificações previstas no projecto de lei é o aumento da duração dos contratos de arrendamento de dois para três anos. O objectivo, lê-se, “é garantir ao arrendatário um mínimo de três anos de arrendamento”.

DINHEIRO RECEITAS PÚBLICAS SUBIRAM 14,2 POR CENTO

A

S receitas públicas aumentaram 14,2 por cento até Junho, em termos anuais homólogos, em linha com o aumento da verba arrecadada com os impostos directos cobrados sobre a indústria do jogo. De acordo com dados provisórios publicados no site da Direção dos Serviços de Finanças, a Administração fechou os primeiros seis meses do ano com receitas totais de 54,829 mil milhões de

patacas, valor que traduz uma execução de 60,3 por cento. Os impostos directos sobre o jogo – 35 por cento sobre as receitas brutas dos casinos – foram de 45,231 mil milhões de patacas,

reflectindo um aumento de 14,2 por cento face ao mesmo período do ano passado e uma execução de 62,9 por cento em relação ao Orçamento autorizado para 2017. A importância do jogo traduz-se no peso que detém no orçamento: 82,5 por cento nas receitas totais, 82,7 por cento nas correntes e 95,7 por cento nas derivadas dos impostos directos. Já as despesas cifraram-se em 34,750 mil

milhões de patacas nos primeiros seis meses do ano – mais 13,6 por cento em termos anuais homólogos –, estando cumpridas em 40,7 por cento. Nesta rubrica destacam-se os gastos ao abrigo do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) que alcançaram 6,111 mil milhões de patacas, traduzindo um aumento de 256 por cento e uma execução de 40,1 por cento.

Entre receitas e despesas, a Administração acumulava até Junho um saldo positivo de 20,079 mil milhões de patacas, valor que reflecte um aumento de 15,3 por cento face ao apurado nos primeiros seis meses do ano passado. A almofada financeira excede em muito o previsto para todo o ano (5,567 mil milhões de patacas), com a taxa de execução a corresponder já a 360,6 por cento do orçamentado.

“Se os parques de estacionamento começarem a exagerar nos aumentos das rendas, a definição do coeficiente máximo pode ser apenas para o sector do estacionamento e não abranger a habitação.” CHEANG CHI KEONG DEPUTADO

A medida começou por ser destinada à defesa do sector do comércio, na medida em que dois anos era considerado um período de tempo muito curto para colocar um negócio a funcionar, mas agora é também dirigida aos contratos habitacionais. Está ainda prevista a criação de um mecanismo de arbitragem “com vista a uma solução eficaz dos conflitos decorrentes do arrendamento”, e os contratos passam agora a ter obrigatoriamente o reconhecimento notarial. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

Consultadoria Contas da RAEM custam mais de quatro milhões

O Governo adjudicou à PricewaterhouseCoopers (PwC) a prestação dos serviços de “consultadoria às Contas da RAEM”. Em despacho do Chefe do Executivo, explica-se apenas que o trabalho vai custar 4,680 milhões de patacas, dinheiro a ser gasto até 2019. A PwC é uma rede de serviços com sede em Londres, no Reino Unido. Integra o grupo dos quatro grandes auditores internacionais, onde estão também a Deloitte, a EY e a KPMG.


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1.8.2017 terça-feira

SEGURANÇA MENOS DE 30 POR CENTO DOS ELEVADORES CERTIFICADOS As normas existem, mas não são obrigatórias. E porque não têm força de lei, muitos da entrada em funcionamento deste tipo de equipamenproprietários tos, bem como para a vistoria e operação dos ascensores, optam por não mas não são obrigatórias, contribuir para o o que faz com que muitos proprietários de fracções em pagamento das edifícios habitacionais optem por não pagar os trabalhos de inspecções aos fiscalização, alertava ontem o jornal Ou Mun. ascensores. Há O director da Associação elevadores que Profissional de Engenharia Elevadores e Escadas de são um perigo, Macau, Fong Siu Long, explicou ao diário que, avisa quem além das despesas relativas trabalha no sector à inspecção anual, há proUNZIPPING CHINA

Fiem-se na virgem

A

TÉ Maio deste ano, apenas cerca de 30 por cento dos elevadores do território estavam certificados pelas autoridades oficiais. Existem instruções para a aprovação

prietários que se recusam a contribuir para as obras de manutenção, não atribuindo qualquer importância à segurança dos equipamentos. O responsável vincou que os elevadores são estruturas com uma elevada utilização, razão pela qual é essencial uma boa manutenção. Fong

HM • 1ª VEZ • 1-8-17

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AVISO A partir do dia 7 de Agosto de 2017 (Segundafeira), as secretarias dos 1º, 2º, 3º e 4º Juízos Criminais do Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M. mudarão do 4º andar do Edifício “The Macau Square” para o novo local de funcionamento abaixo indicado e mantêm-se inalterados os locais de funcionamento das secretarias dos demais Juízos:

Siu Long contou que os técnicos propõem vistorias, mas os proprietários recusam, alegando que os elevadores se encontram a funcionar, sinónimo de que não terão problemas. Assim sendo, mesmo que esta classe profissional tenha uma atitude pró-activa e saiba dos riscos

potenciais que se colocam, nada consegue fazer. Fong Siu Long é do entendimento de que o Governo deve tornar obrigatória a inspecção aos elevadores, defendendo que devem ser definidas responsabilidades jurídicas para os proprietários dos edifícios

com ascensores, de modo a que os equipamentos sejam rigorosamente vistoriados. Além disso, o director da associação alerta para a necessidade de se verificar se as empresas que fazem este tipo de trabalho reúnem os requisitos legais, uma vez que há companhias a

oferecer inspecções a preços muito mais baixos do que os que são praticados no mercado: uma vistoria feita por profissionais, refere, custa cerca de 1500 patacas.

INSPECÇÃO DEVE SER ANUAL

Também o presidente da Associação deAdministração de Propriedades de Macau, Paulo Tse, defende que o Governo deve acelerar os trabalhos nesta matéria, para que passe a ser obrigatória uma inspecção anual a todos os elevadores em funcionamento no território. Tse deixa ainda um apelo aos condomínios: não ignorem a necessidade de manutenção e deixem de lado a poupança de dinheiro.

Os técnicos propõem vistorias, mas os proprietários recusam, alegando que os elevadores se encontram a funcionar Caso a Administração avance com a revisão da legislação, sustenta também o responsável, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais deverá abrir um novo curso de formação na área da reparação de elevadores, em resposta à necessidade de técnicos que surgirá devido à inspecção anual obrigatória. Ao Ou Mun falou ainda o coordenador do centro de recursos da gestão dos edifícios, subordinado aos Kaifong. Chon Chong propõe que o Governo obrigue as empresas que fazem a gestão dos condomínios a adoptarem regras rigorosas no que toca à segurança dos equipamentos dos edifícios.

Edifício dos Juízos Criminais do Tribunal Judicial de Base Endereço:

Avenida Doutor Stanley Ho, n.º 347,

Macau (Autocarros que passam pelo edifício: 9A, 18, 23 e 32) Tel:

(853) 8597 0278

Fax:

(853) 2897 3013

Portal:

www.court.gov.mo

Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância

Juízes portugueses com contratos renovados Foi ontem publicada em Boletim Oficial a renovação dos contratos de dois juízes portugueses: Rui Ribeiro e Jerónimo Santos. Em ambos os casos, os vínculos contratuais são renovados por dois anos. Rui Ribeiro é juiz presidente do tribunal colectivo dos Tribunais de Primeira Instância. A renovação produz efeito a partir de 15 de Outubro deste ano. No caso de Jerónimo Santos, juiz dos Tribunais de Primeira Instância, tem contrato assegurado até 1

de Setembro de 2019. Os dois magistrados judiciais continuarão a fazer parte de um grupo que, nos próximos meses, vai conhecer uma redução considerável. Ana Meireles e Mário Meireles, juízes do Tribunal Judicial de Base, vão deixar Macau já no início do próximo mês. Em Novembro, chega a vez de João Gil de Oliveira sair, por atingir o limite de idade. Os tribunais de Macau passarão então a ter cinco juízes contratados em Portugal.

Burlas PJ alerta para novos métodos usados A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem um aviso acerca das burlas feitas pelo telefone, em que os autores do crime se identificam como sendo funcionários dos Serviços de Alfândega, dos Serviços de Migração ou de departamentos oficiais da China Continental. De acordo com a PJ, o ‘modus operandi’ dos burlões alterou-se recentemente. Até há pouco tempo, telefonavam apenas para telemóveis, mas

agora tentam também enganar vítimas através de números pertencentes à rede fixa. As autoridades recordam que este tipo de chamadas telefónicas são burlas, uma vez que os departamentos oficiais de nenhum país pedem transferências bancárias ou depósitos através do telefone. A PJ pede que, caso as pessoas recebam este tipo de telefonema, entrem imediatamente em contacto com a polícia.


sociedade 7

GCS

terça-feira 1.8.2017

Fraude Serviços de Saúde não pedem dinheiro

Os Serviços de Saúde emitiram um comunicado em que dão conta de uma fraude relacionada com serviços farmacêuticos. De acordo com as explicações dadas na nota, os serviços foram notificados da ocorrência de casos de fraude, por via telefónica, praticados por um indivíduo que alegava ser funcionário de uma unidade de monitorização de assuntos farmacêuticos. O indivíduo informava os profissionais do sector farmacêutico de que se encontrava disponível para levantamento um documento “muito importante”, num prazo determinado, e pedia-lhes que procedessem a uma série de operações telefónicas, “sob pena de restrição da sua partida de Macau”. Os Serviços de Saúde sublinham que jamais solicitaram ao sector ou aos cidadãos para procederem às operações em causa, através do telefone, nem pedem aos cidadãos para efectuarem transferências ou remessa de dinheiro.

Trânsito Há cada vez mais motociclos nas estradas

O número de novas matrículas atribuídas no segundo trimestre deste ano aumentou 22,6 por cento para 3494, em comparação com o mesmo período de 2016. A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) indica que, do total, os motociclos e ciclomotores subiram 44 por cento. Feitas as contas, até ao final de Junho havia 243.570 veículos matriculados, o que representa uma queda anual de 1,9 por cento. São cada vez mais os motociclos nas estradas (três por cento), sendo que se assistiu a uma diminuição de 1,6 por cento no número de automóveis ligeiros. A DSEC explica ainda que, entre Abril e Junho, registaram-se 3630 acidentes de viação, que envolveram 1141 vítimas, ou seja, mais 2,2 por cento e mais seis por cento, respectivamente, na comparação anual. Na primeira metade de 2017, quatro pessoas perderam a vida nas estradas de Macau.

Calor Cuidado com a hipertermia

Os Serviços de Saúde apelam aos cidadãos para prevenirem a hipertermia devido às temperaturas elevadas. De acordo com as previsões dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, a temperatura vai manter-se elevada nos próximos dias, sempre acima dos 30 oC. Até ao passado sábado, as urgências do Centro Hospitalar Conde de São Januário não tinham registado qualquer caso relacionado com a vaga de calor. Os Serviços de Saúde recomendam que se evite actividade ao ar livre por um longo período de tempo, a utilização de roupas claras e leves e manter os níveis de hidratação do corpo. Evitar permanecer em veículos estacionados ao ar livre é ainda aconselhado. Pessoas obesas, idosas e de saúde frágil, bebés, grávidas, puérperas e doentes devem permanecer em lugares de boa ventilação e de temperatura adequada.

O secretário para os AMBIENTE RAIMUNDO DO ROSÁRIO JUSTIFICA Transportes e Obras DESCARREGAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS Públicas alega que a descarga no mar de águas residuais não tratadas foi algo que tinha de ser feito. Durante o período da reparação de um colector de descarga de afluentes terão sido despejados para o mar foi feito “um esforço para que o a intervenção na infra-estrutura quase 230 mil incómodo fosse reduzido ao mais foi muito grande, impossibicurto espaço de tempo possível”. litando o seu armazenamento. metros cúbicos Apesar de a ETAR de Macau Aquando do início das obras, o ter a sua capacidade ultrapassa- secretário deu a entender a tarefa de água residuais da há muito tempo, o problema hercúlea que seria armazenar poderia ter sido maior. Uma vez o que seria acumulado: “Não não tratadas

Como arrancar um dente

“A

QUELA reparação tinha de ser feita. Há situações de que nós não gostamos, mas que não podemos evitar”, explica Raimundo do Rosário referindo-se à necessidade de descarregar águas residuais não tratadas no mar devido a obras na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Macau. O secretário para os Transportes e Obras Públicas comparou a operação a “arrancar um dente”, ou seja, algo que “tinha de ser feito”. Os trabalhos decorreram ao longo de um dia e meio, tendo sido necessárias mais umas horas para reabrir a estação. Segundo o responsável,

que o território vive economicamente da indústria do jogo e da hotelaria, com pouca indústria pesada produtora de químicos que necessitam de tratamento, a descarga poderia ter sido bem mais gravosa ambientalmente. “Trata-se, sobretudo, de águas provenientes de residências, que não têm muitos poluentes que afectam o ambiente”, explica ao HM Morse Lei, especialista em resíduos. De acordo com Raimundo do Rosário, o volume de águas residuais que se acumulou durante

temos reservatórios para isso. São muitos metros cúbicos, não há possibilidade de armazenar nem uma hora, nem duas horas, é muita quantidade.”

SEM CAPACIDADE

No ano passado, a deputada Ella Lei, citando dados oficiais, alertava para a sobrecarga a que a ETAR estava sujeita desde 2009, tendo capacidade para processar diariamente 144 mil metros cúbicos de águas residuais. De acordo com as estatísticas disponíveis no site da Direcção

Durante um dia e meio, o tempo em que a ETAR não funcionou, terão sido descarregados no mar cerca de 229 mil metros cúbicos de águas residuais não tratadas

dos Serviços de Protecção Ambiental, a ETAR recebeu em Maio 4741.825 metros cúbicos de águas residuais por dia. Feitas as contas, em média estamos a falar de um volume de quase 153 mil metros cúbicos a cada 24 horas, o que excede a sua capacidade máxima em cerca de nove mil metros cúbicos. Ou seja, durante um dia e meio, o tempo em que a ETAR não funcionou, terão sido descarregados no mar quase 229 mil metros cúbicos de águas não tratadas. Morse Lei compreende a necessidade dos trabalhos desenvolvidos na estação. “Apesar de a maior parte das pessoas ficar preocupada com a descarga, estes trabalhos de manutenção obrigatórios, se não fossem realizados atempadamente, trariam ainda piores consequências para o ambiente”, explica. O especialista em tratamento de resíduos adianta que “como a ETAR foi construída há muitos anos a sua capacidade tecnológica pode não estar adequada ao volume de águas por tratar decorrente da actividade económica dos dias de hoje”. Como tal, Morse Lei entende que outro dos problemas é a infra-estrutura não permitir um plano alternativo para reparações de emergência. O facto é que, como já foi assumido por Raimundo do Rosário, a ETAR de Macau chegou há muito ao seu limite. Nesse capítulo importa referir que, segundo as Linhas de Acção Governativa deste ano, existe um plano para a construção de uma nova ETAR a sul do posto fronteiriço da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau. Uma obra que se afigura essencial no futuro do tratamento de resíduos locais. João Luz (com Agência Lusa) info@hojemacau.com.mo


8 eventos

Timor Leste está a dar passos largos no que respeita ao ensino e divulgação da língua portuguesa, mas ainda há muito para fazer. A ideia foi deixada pela representante do país no Congresso de Lusitanistas que decorreu na semana passada no território, a professora de linguística da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, Benvinda da Rosa Lemos Oliveira

O

português está no bom caminho em Timor Leste.” A afirmação é de Benvinda da Rosa Lemos Oliveira, professora de linguística da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, já no final do 12º Congresso de Lusitanistas que teve lugar na semana passada. “Antes de 1975, apenas cinco por cento da população falava português”, diz ao HM. Hoje, sublinha com satisfação que a percentagem já ultrapassa os 40, o que representa quase metade da população falante da segunda língua oficial do país. “Ainda está a

ERIN MCKINNON

1.8.2017 terça-feira

TIMOR LESTE LÍNGUA PORTUGUESA COM MUITO PARA FAZER NO PAÍS

Português, é preciso dar passos pequenos”, afirma, mas a evolução é inegável. “Em 75, aquando da invasão indonésia, deixámos de falar completamente o português”, recorda. Mas Benvinda Oliveira tinha livros em casa que fizeram com que, de alguma forma, fosse continuando a ter contacto com a língua, apesar da proibição oficial por parte das autoridades indonésias. “Havia uma igreja que era autorizada

a dar a missa ao domingo e era em português e, depois da independência, tem sido uma lenta reconquista”, explica. A responsabilidade e o mérito, considera, estão no próprio ensino, mas os resultados práticos estão ainda muito aquém do desejável. “Temos falta de livros, não há quase nada”, conta. Aliada à fraca oferta de manuais e de literatura, não

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PESO - UMA QUESTÃO DE PESO • Paula Veloso, Teresa Maia

Quando se perde peso, é para ganhar saúde, nunca para a perder. Não se resigne nem arranje desculpas: com a ajuda certa, emagrecer pode ser bem mais fácil do que imagina. Neste livro vai encontrar planos alimentares, tabelas de calorias para os alimentos mais comuns, truques para aumentar a saciedade e diminuir o consumo alimentar e ainda dicas para escolher a roupa que mais favorece a sua silhueta. Grandes ideias para mudar pequenos hábitos e toda a motivação de que precisa para acabar com aqueles quilos a mais. Porque o mais importante de tudo é a sua saúde, o seu bem-estar.

há livrarias. “Só temos bibliotecas e mesmo assim as obras são muito poucas, havendo mesmo áreas em que são praticamente inexistentes”, diz.

MACAU É UM EXEMPLO

Para a académica, que passou a última semana no território, Macau é um exemplo quando se fala de língua portuguesa. “O Governo devia e podia dar mais atenção ao português”,

afirma, enquanto exemplifica com o apoio dado à imprensa portuguesa da RAEM. Se existissem iniciativas do género em Timor Leste, a língua também estaria mais próxima da população, sublinha. “Por exemplo, os jornais são escritos em tétum em cerca de 90 por cento da imprensa. Os restantes dez estão ocupados pelo Bahasa Indonésia, sendo que o português ou é totalmente

ignorado, ou esporadicamente aparece num ou noutro conteúdo”, ilustra a professora. Benvinda Oliveira considera ainda que a televisão deveria ter um papel mais activo na divulgação da língua portuguesa. De acordo com a académica, os media são o meio que mais facilmente chega aos jovens e, como tal, deveriam ser um investimento no que respeita ao português.

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SABORES DE PORTUGAL OU TASTE OF PORTUGAL • Chefe Silva

Sob a direcção do mítico Chefe Silva, Sabores de Portugal é uma obra que lança um olhar sobre as raízes da tradição culinária das regiões do nosso país. Muito mais que uma simples compilação de receitas, este livro, apresentado numa edição bilingue, descreve de modo muito interessante um traço cultura essencial do povo português: a gastronomia.


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terça-feira 1.8.2017

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Piscídia Nome botânico: Piscidia piscipula (L.) Sarg. Sinonímia científica: Erythrina piscipula L.; Ichthyomethia piscipula (L.) Hitchc.; Piscidia erythrina L. Família: Fabaceae (Leguminosae). Nomes populares: CORNISO -DA-JAMAICA.

“A maioria das antenas parabólicas ainda estão viradas para o país vizinho”, lamenta. Asugestão da professora vai no sentido de, além de melhorar os aspectos associados aos meios, aumentar os cursos de português dirigidos aos jovens. Arazão, aponta, é a necessidade de um espaço que abranja todas as áreas de ensino e onde os mais jovens possam praticar a língua. “Acabam por falar só entre as quatro paredes de uma sala de aula e num horário reduzido, mas o que há a fazer compete à política”, afirma.  

PORTUGUÊS PARA INTERNACIONALIZAR

“O português tem um papel predominante na actualidade e, como tal, deve servir de ferramenta para a própria internacionalização de Timor.”Aideia, defendida por Benvinda Oliveira, tem por base a insuficiência do tétum para levar Timor Leste mais longe. A professora deixa

“O português tem um papel predominante na actualidade e, como tal, deve servir de ferramenta para a própria internacionalização de Timor.” BENVINDA DA ROSA LEMOS OLIVEIRA PROFESSORA NA UNIVERSIDADE NACIONAL DE TIMOR LOROSA’E

ainda a sugestão: “Timor Leste e Macau devem dar as mãos no sentido de afirmar ainda mais o português na Ásia”, refere. “Fiquei cheia de inveja quando cheguei a Macau ao ver as placas na rua com as duas línguas”, conta ao HM. No entanto, Timor Leste tem outro tipo de vantagem: apesar de

não estar escrita, a língua acaba por ser mais falada. A razão poderá ter que ver com algumas semelhanças entre o tétum e o português. “Um falante de português consegue perceber muito de tétum”, língua que, refere, tem mais de 50 por cento de empréstimo do português e que faz com que o entendimento oral seja facilitado. A união de forças entre as duas regiões é, de acordo com a professora, um passo em frente no desenvolvimento e afirmação no que respeita ao português. Para Timor Leste, o futuro vai passar pelo marcar de posição da língua no território. “O país só tem a ganhar se o fizer, quer em termos económicos, quer políticos. Podemos ter acesso aos eventos internacionais. O tétum precisa do português para se alimentar. Precisamos do português para nos internacionalizarmos”, remata. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

A Piscídia é um arbusto ou pequena árvore de folha caduca que pode alcançar 15 metros de altura. Apresenta folhas compostas, com 20 a 30 cm de comprimento, constituídas por 5 a 9 folíolos ovais, normalmente agudos, e arredondados na base; as flores, vermelhas ou esbranquiçadas e salpicadas de tons púrpura e esverdeados, surgem dispostas em panículas antes das folhas; os frutos são vagens aplanadas, aladas, com 5 a 15 cm de comprimento, e contêm numerosas sementes negras. É nativa do Sul dos EUA, América Central, Caraíbas e Norte da América do Sul, onde habita em matagais e colinas na proximidade das costas pedregosas e secas. Também é cultivada, especialmente pela sua madeira, usada na construção naval. O nome do género botânico, Piscidia, provém do latim, piscis, peixe, numa alusão a um dos seus usos tradicionais: a planta tem propriedades tóxicas para os peixes, sendo usada pelos nativos caribenhos para os atordoar nos barcos de pesca. Por sua vez, erythrina, antiga designação quer do género quer da espécie, remete para a cor púrpura presente nas suas flores. É tradicionalmente usada como sedativo e indutor do sono. Em fitoterapia são usadas as cascas da raiz. Composição Glicósidos (piscidina, uma mistura de dois glicósidos de estrutura semelhante, e glicósidos saponínicos), isoflavonóides (ictiona, jamaicina, lisetina, piscidona e rotenona, entre outros), ácidos orgânicos (málico, piscídico, sucínico, tartárico), ácidos fenóicos, beta-sitosterol, taninos, álcoois a alcalóides de composição não determinada. Acção terapêutica Com actividade electiva sobre o sistema nervoso, a Piscídia acalma a actividade mental produzindo efeitos ansiolíticos, sedativos e indutores do sono, sendo usada na ansiedade, nervosismo, hiperexcitabilidade, insónia, transtornos neurovegetativos, histeria, delirium tremens e alterações nervosas em geral. Pela acção analgésica e antiespasmódica, é igualmente utilizada para aliviar dores de cabeça, enxaquecas, dores de dentes, menstruações dolorosas, cólicas (intesti-

nais, biliares e renais), cãibras, dores nas costas, neuralgias e dores espasmódicas em geral. Além de combater os espasmos, esta planta acalma a tosse, é anti-inflamatória e antiviral e promove a sudação, aumentando a eliminação de toxinas e diminuindo a febre. É muito indicada para a tosse espasmódica, tosse convulsa, asma e bronquite; pode ainda ser empregue nas rinites, constipações, gripes e afecções febris. Em caso de dificuldades em urinar (micção dolorosa ou difícil) e retenção de líquidos, a sua toma pode ser benéfica pela actividade diurética que apresenta. É também usada na diarreia e disenteria como adstringente. Outras propriedades Externamente, a Piscídia pode ser empregue em bochechos e gargarejos, lavagens e compressas, na gengivite, abcessos dentários, herpes, sangramentos, feridas e micoses (fungicida). A rotenona, um dos seus princípios activos mais interessantes, encontra-se largamente distribuído nas plantas da família das Leguminosas (Papilionáceas), ocorrendo naturalmente nas suas raízes e caules. Tem demonstrado ter actividade anticancerígena, sendo este um uso tradicional da planta; é também o responsável pela sua toxicidade. A rotenona é um fitoquímico inodoro amplamente usado como insecticida, piscicida e pesticida de largo espectro. Como tomar Uso interno: • Infusão das cascas da raiz: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente. Tomar 1 a 3 chávenas por dia. • A Piscídia encontra-se em gotas e comprimidos, integrada em fórmulas de plantas, como calmante do sistema nervoso, para as hemorróidas, dores e febre. Uso externo: • Em gotas, para as otites e dores de ouvidos. Precauções A Piscídia está contra-indicada durante a gravidez, lactação e em crianças. Também não deve ser administrada a pessoas com problemas cardíacos. Não são conhecidos efeitos adversos nas posologias habitualmente prescritas. No entanto, as posologias devem ser respeitadas e os tratamentos curtos. Em doses supraterapêuticas pode ocasionar efeitos narcóticos, acompanhados por dilatação das pupilas (midríase), aumento da sudorese, tremores e elevação da pressão arterial. Pode potenciar o efeito dos medicamentos sedativos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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1.8.2017 terça-feira

MAR DO SUL REVISTA OFICIAL ENALTECE PAPEL DE XI JINPING

O grande expansionista

U

MA revista do Partido Comunista Chinês (PCC) afirmou que o Presidente da China, Xi Jinping, dirigiu pessoalmente o reforço da presença chinesa no Mar

do Sul da China, através da construção de ilhas artificiais e outras medidas. Xi “liderou e dirigiu pessoalmente uma série de grandes lutas para expandir as vantagens estratégicas e salvaguardar os interesses

o status das reclamações territoriais da China nas ilhas Paracel, “alteraram a direção básica da situação estratégica no Mar do Sul da China”, acrescenta. A China reclama a soberania sobre a quase totalidade do Mar do Sul da China, região rica em recursos, apesar das queixas e reivindicações dos seus vizinhos do sudeste asiático, e rapidamente construiu ilhas artificiais capazes de receberem instalações militares, incluindo aviões.

BOAS FUNDAÇÕES

nacionais”, afirma o Study Times, revista publicada pela academia central de treino do PCC. As políticas do Presidente, incluindo a construção de ilhas artificiais e alterações administrativas para elevar PUB

Segundo o Study Times, Xi Jinping “criou uma fundação estratégica sólida para conseguir a vitória final na luta por assegurar os direitos sobre o Mar do Sul da China”. A revista compara as políticas do Presidente chinês à construção de uma “Grande Muralha marítima”, numa referência à estrutura defensiva construída para proteger a China das invasões Mongóis e tribos do norte há vários séculos. Nos últimos anos, a China construiu sete ilhas artificiais no arquipélago das Spratly, reclamado total ou parcialmente, além da China, pelas Filipinas, Brunei, Malásia, Vietname e Taiwan, ao depositar areia e cimento no topo de recifes de coral.

Xi “liderou e dirigiu pessoalmente uma série de grandes lutas para expandir as vantagens estratégicas e salvaguardar os interesses nacionais” STUDY TIMES REVISTA DO PCC

Movimentos semelhantes, que incluem a construção de pistas de aterragem, hangares de aviões e outras infraestruturas para uso militar, foram adotados por Pequim nas ilhas Paracel. A China reclama que aquelas construções visam melhorar a segurança de navegação e atividade piscatória. O artigo do Study Times parece sublinhar, no entanto, o seu propósito militar.

DETIDAS 230 PESSOAS EM INVESTIGAÇÃO A ESQUEMA PIRÂMIDE

A

polícia chinesa prendeu 230 pessoas no sul do país, parte de uma investigação a um esquema pirâmide, e depois de uma rara manifestação nas ruas de Pequim, ocorrida na semana passada. A investigação abrange cinquenta e cinco empresas e 142 dos 230 detidos vão ser julgados, revelou neste domingo a polícia da província de Guangdong, em comunicado. Na segunda-feira, mais de uma centena de investidores no fundo, chamado Shanxinhui, protestarem nas ruas do sul de Pequim contra o seu encerramento. Segundo dados citados pela imprensa chinesa, o fundo atraiu mais de cinco milhões de pessoas em todo o país. A polícia de Pequim deteve 67 manifestantes por “obstruir as forças da ordem” ou “perturbar a ordem em locais públicos”.

Zhang Tianming, o fundador do esquema, e vários dos seus funcionários, foram presos em 21 de julho. São suspeitos de ter desfalcado “grandes quantidades” das suas vítimas sob o pretexto da caridade. Entretanto o ‘site’ do Shanxinhui deixou de estar acessível. A plataforma apresentava-se como um fundo de investimento que promovia causas como o reflorestamento e a luta contra a pobreza. Numa altura em que Pequim restringiu o fluxo de capital para além-fronteiras e o sector imobiliário chinês tem abrandado, o financiamento ‘online’ e promessas de investimento remunerativos estão a aumentar. A polícia chinesa investigou, no ano passado, 2.826 casos de esquemas pirâmide fraudulentos, 20% a mais que no ano anterior, segundo dados oficiais.

CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA ABRANDA EM JULHO

O

sector manufactureiro da China continuou a expandir-se em Julho, apesar de a um ritmo inferior ao registado no mês anterior, segundo dados ontem divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas chinês (GNE). O Purchasing Managers Index (PMI) da indústria manufactureira chinesa situou-se em 51,4 pontos, em Julho. Quando se encontra acima dos 50 pontos, o PMI sugere uma expansão do sector, pelo que abaixo dessa barreira pressupõe uma contracção da actividade. O analista do GNE Zhao Qinghui atribuiu a desaceleração no ritmo de crescimento às fortes chuvas e inundações que atingiram determinadas zonas do país e reparações de rotina na maquinaria das empresas.

O sector manufactureiro da China emprega dezenas de milhões de trabalhadores. O PMI é tido como um importante indicador mensal do desenvolvimento da segunda maior economia do mundo. A economia chinesa cresceu 6,9%, no segundo trimestre do ano, superando as previsões dos analistas, e apesar das medidas adoptadas pelo Governo para travar o aumento do endividamento das empresas. A expansão do sector dos serviços abrandou também, segundo dados do GNE, de 54,9 pontos, em Junho, para 54,5, este mês. Julian Evans-Pritchard, da unidade de investigação Capital Economics, apontou que “os dados de hoje (ontem) sugerem um abrandamento no conjunto da economia”. “Esperamos que abrande ainda mais, dadas as medidas para reduzir os riscos financeiros do aumento do crédito e aceleramento da economia”.


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terça-feira 1.8.2017

A

norte-americana Apple retirou da loja na China aplicações com VPN (Virtual Proxy Network), mecanismo que permite aceder à internet através de um servidor localizado no estrangeiro e é usado no país para contornar a censura oficial. ‘Sites’ como o Facebook, Youtube e Google ou ferramentas como o Dropbox e o WeTransfer estão bloqueados na China. As versões electrónicas de órgãos de comunicação como o The New York Times ou o Economist também estão censuradas. A VPN cria ligações criptografadas entre computadores e pode ser usada para abrir portais bloqueados pela censura do regime comunista. Desde Janeiro, Pequim exige que as empresas que fornecem este serviço obtenham licenças do Governo. “Fomos convidados [pelas autoridades chinesas] a remover alguns aplicativos de VPN que não cumprem as novas regras”, admitiu no domingo a Apple, num comunicado citado pela agência noticiosa France Presse (AFP).

Uma rede apertada

Apple retira da loja na China aplicações que contornam censura da internet

e lamentável”. “Estamos decepcionados com esta decisão, que é a medida mais drástica que o Governo chinês tomou até agora para bloquear o uso da VPN. E estamos incomodados por ver a Apple a ajudar a China nos esforços para censurar”, acrescentou. Na rede de mensagens instantâneas Twitter, a Star VPN escreveu: “Este é um precedente muito perigoso, que pode levar a decisões semelhantes em países como os Emirados Árabes Unidos, e outros onde os governos controlam a internet”.

ESPAÇO SOBERANO

“Estas aplicações estão disponíveis em todos os outros mercados onde são permitidas”, acrescentou a empresa.

Dois fornecedores, a Express VPN e a Star VPN, disseram este fim-de-semana terem sido informados pela Apple de que os seus

produtos deixaram de estar disponíveis na China. Em comunicado, a Express VPN classificou a medida de “surpreendente

A China é o segundo maior mercado do mundo da Apple, a seguir ao dos Estados Unidos. A nação mais populosa do mundo, com 1.375 milhões de habitantes, tem o maior número de utilizadores de internet do planeta. Porém, um relatório da unidade de investigação norte-americana Freedom House coloca o país como o que mais censura a rede, entre 65 nações estudadas, abaixo do Irão e da Síria.

“Estamos decepcionados com esta decisão, que é a medida mais drástica que o Governo chinês tomou até agora para bloquear o uso da VPN. E estamos incomodados por ver a Apple a ajudar a China nos esforços para censurar” COMUNICADO DA EXPRESS VPN

A medida reflecte a visão do Presidente chinês, Xi Jinping, de “soberania do espaço cibernético” ou o direito de Pequim em limitar a actividade ‘online’ dos cidadãos, com o argumento de que o controlo é uma questão de segurança nacional.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 456/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHAN PING CHING, portador do Passaporte das Estados Unidos da América n.° 488731xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 94/DI-AI/2016, levantado pela DST a 06.09.2016, e por despacho da signatária de 25.07.2017, exarado no Relatório n.° 447/ DI/2017, de 24.07.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 549-567, Macau Landmark, 18.° andar sala P18-01, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ----------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Julho de 2017.

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 507/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora TSUI MAN, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° P9568xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 47/DI-AI/2015 levantado pela DST a 29.04.2015, e por despacho da signatária de 20.07.2017, exarado no Relatório n.° 493/DI/2017, de 03.07.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Avenida de Guimarães n.° 30, Jardim de Wa Bao, Bloco 5, 13.° andar AC onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Julho de 2017.

A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 508/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 513/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor XU ANRU, Portador do Passaporte da RPC n.° G45028xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 47.1/DI-AI/2015 levantado pela DST a 29.04.2015, e por despacho da signatária de 20.07.2017, exarado no Relatório n.° 494/DI/2017, de 03.07.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Avenida de Guimarães n.° 30, Jardim de Wa Bao, Bloco 5, 13.° andar AC.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotlin’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor XIN BING, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º C11526xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 21/DI-AI/2016 levantado pela DST a 21.02.2016, e por despacho da signatária de 20.07.2017, exarado no Relatório n.° 503/DI/2017, de 04.07.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.º 1321, Hung On Center, Bloco 3, 14.º Andar Q onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Julho de 2017.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Julho de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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h

1.8.2017 terça-feira

Não durmo, nem espero dormir. Nem na morte espero dormir.

O erro ontológico de Machado de Assis na análise de O Primo Basílio (3)

J

Á vimos que Eça deixa bem claro em O Primo Basílio que a multiplicação do desejo, ao incrementar o nada, enche-nos de aborrecimento. Um aborrecimento do tamanho do mundo. Um aborrecimento do tamanho do mundo, bem que deve ter uma outra palavra, palavra mais forte do que aborrecimento. De imediato, passaremos a analisar este aborrecimento do tamanho do mundo, o que esconde ele, e qual a sua relação com o nada e com a multiplicação do desejo. Será necessário então tentarmos entender um pouco melhor o que é o nada. Que se quer dizer quando se diz nada? Antes de mais, devemos fazer uma distinção fundamental, para a qual Heidegger já nos alertara, no seu célebre curso de 1929, Was ist Metaphysik? [Que é a Metafísca?], entre nada e nulo, se quisermos ser bem sucedidos na compreensão do nada. Segundo Husserl, o nulo é uma “indeterminação determinada”. Que se pretende dizer com isto? Imagine-se que estamos em casa e alguém toca à campainha, sem que esperemos. Do outro lado da porta está alguém indeterminado, um nada que não se pode saber, até que se pergunte “quem é?”, a campainha toca e abre um mundo de possibilidades: “será o carteiro?”, “será um vendedor?”, “será um amigo inesperado?” “será publicidade?”; por fim, nas sua mais indeterminada formulação, “quem será?” Ora, este “quem será?”, esta pergunta é nada para nós, isto é, apresenta-nos um nada de saber acerca de quem está do outro lado da porta. É o indeterminado. Mas este indeterminado tem ainda assim um determinado, isto é, não sabemos quem é, mas sabemos que é alguém, sabemos que não é um cão ou um gato, sabemos que muito provavelmente não é o Presidente da República Portuguesa – se bem que o actual presidente possa muito bem contrariar isso – ou o filósofo Edmund Husserl. Cães e gatos não tocam à campainha, os mortos também não (Husserl) e a probabilidade do Presidente da República Portuguesa nos tocar à porta é ínfima. Por outro lado, as hipóteses adiantadas anteriormente, do carteiro ao amigo inesperado ou ao vendedor são também determinações. Estas determinações indeterminadas são o nulo e não o nada. Ou seja, são qualquer coisa, mas que nós não sabemos o quê ou quem. O nulo é um nada do ponto de vista epistemológico, um nada de conhecimento. O nada também não é uma negação. Quer seja uma negação do ponto de vista lógico-predicativo, por exemplo, “p


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

terça-feira 1.8.2017

Máquina Lírica Paulo José Miranda

não é q” ou “o homem não é imortal”, quer seja do ponto de vista de um juízo existencial, por exemplo, “não há cerveja”, pondo como possibilidade pedir mais ou ir comprar. A negação, o não, tem como horizonte de sentido um sim, o haver que não há. Neste sentido, o não, a negativa é também um nulo, uma nulidade. Não é aqui que podemos perguntar pelo nada. De qualquer modo, perguntar, seja pelo que for, implica necessariamente uma informação acerca do que se pergunta. Imagine-se alguém que na Avenida da Liberdade nos faz esta pergunta: “desculpe, pode dizer-me onde fica o Teatro Dona Maria?” De uma coisa podemos estar certos, ele não sabe onde fica o teatro pelo qual pergunta. Mas podemos também ficar igualmente certos de que ele sabe o que é um teatro, e que existe em Lisboa, e que é perto da Avenida da Liberdade. Ele sabe algo acerca do que não sabe. Por isso pergunta. Perguntar é ter já um conhecimento prévio e indefinido do que não se sabe e pelo que perguntamos. Ou seja, o não saber tem um horizonte de saber, ainda que cheio de imprecisão, cheio de indeterminação. Uma indeterminação determinada, diria de novo o nosso amigo Husserl. Mas qual é então a situação hermenêutica que nos deporá no nada? Se ele não é o nulo, nem o não, nem a negação? Todos estes são sombras de sim, sombras de afirmação, sombras de existências, sombras de saber ou, se preferirmos, são negativos de afirmações, negativos de predicados atribuídos, negações de coisas. E o que pretendemos saber é o que é o nada, que nos invade através da multiplicação do prazer. O nada não pode ser encurralado como o fazemos em relação às estruturas de negatividade. O nada não pode ser interrogado como fazemos em relação à ausência de uma coisa, de um conhecimento, de um predicado. O nada só pode ser interrogado em relação ao seu todo. Por conseguinte, como saber o que é o todo do nada, o que é o nada e não o nada disto ou daquilo ou daqueloutro que, como vimos anteriormente, não é nada, mas nulo, estruturas de negatividade. Perguntar pelo nada é perguntar pela possibilidade do ser; esta é que é a grande visão de Heidegger. Não se pode perguntar pelo nada isolado do ser. Do mesmo modo que não se pode perguntar pela negativa isolada da afirmativa, ou do não isolado do sim, ou do não há isolado do há. O nada só pode ser encurralado em nós. Só identificando em nós o nada, podemos responder ao nada. Só nós podemos responder ao nada, porque só nós somos nada. O problema do nada é que ele é. O nada é expansionista, tem tendência para alargar, para crescer, para tornar em nada tudo o que toca. Heidegger diz: “das nichten des Nichts; nichten não existe em alemão, pertence ao heideggerês, que traduzindo para português, seria qualquer coisa como nadadar (nada-

-dar), no sentido em que o nada se torna verbo e actua sobre o mundo. O nada traz um todo de ausência ao todo da presença. Para quem tiver mais dificuldades com esta incursão fenomenológica cerrada, imagine a namorada, o namorado, a esposa ou o marido abandoná-lo ou abandoná-la, quando ainda fervilham de amor. O mundo, literalmente, transforma-se num todo de ausência, isto é, o mundo, onde quer que se vá, fica preenchido com a falta de quem nos abandonou. Os carros, o café, a cerveja, a música, os livros, a comida, a cama (essa então...), os outros com quem nos cruzamos na rua ou ocasionalmente falamos, tudo isso traz até nós quem não está. Quem não está, e só esse ou essa deveria estar, é o nada. O nada que somos. O nada é a ausência materializada em tudo o que vemos, sentimos, pensamos, tocamos. E, agora, para usarmos a metáfora que Heidegger usa: através do nada – a ausência em presença – o mundo fica com um ambiente de cortar à faca. O nada só não existiria se conseguíssemos controlar o destino da nossas vida. Usemos antes a palavra que Heidegger usa, Stimmung, disposição, em inglês seria mood. A palavra vem de stimme, voz, e Heidegger usa metáforas musicais, de ritmo e meteorológicas, de diferentes climas, de o tempo a mudar. De facto, não dificilmente a nossa disposição muda. Ou seja, estamos expostos à intempérie, quem anda à chuva molha-se, humano que anda na vida leva com o nada em cima do lombo. E esta experiência de nos faltar o mundo, da nossa própria vida se estreitar, aquando do abandono a que fomos votados, sem que pudéssemos sequer ter uma migalha de decisão nessa história, é a angústia. A angústia é a vida a ficar cada vez mais estreita, cada vez mais estreita... tão estreita que até parece que nos custa a passar por ela com o que somos ou com o que já não somos. O nada, em suma, não é passível de interrogação à laia do que quer que seja, senão através da nossa experiência no mundo connosco. Não se pergunta pelo nada como se perguntássemos pela terceira lei da termodinâmica ou como se perguntássemos onde é o teatro Dona Maria ou porque caiem os corpos. Pergunta-se pelo nada do mesmo modo que se pergunta a quem se ama, se nos ama. Pergunta-se pelo nada, não à espera de saber, mas à espera de

vida, à espera de se conseguir viver. Por conseguinte, multiplicar o desejo é estar mexendo com o fogo, estar mexendo com o fogo do nada. Porquê? Porque muito simplesmente um corpo a seguir ao outro traz em si mesmo a ausência de uma presença, um vazio total de permanência. Ninguém passa da loira para a morena, da morena para a ruiva, da ruiva para quem quer que se siga, sem que traga no seu pobre coração um aborrecimento do tamanho do mundo. Com o nada a nadadar em alta rotatividade, nada nos chega. Esperemos que a nossa digressão pelo nada e seus derivados tenha sido profícuo para a compreensão da conexão entre a multiplicação do desejo e o crescimento do nada. Porque, podemo-lo dizer agora, este nada é a angústia. Talvez se possa dizer, junto com a Leopoldina, que a angústia é um aborrecimento do tamanho do mundo. Mas então porque continuamos a multiplicação do desejo, sabendo que isso nos faz mal, que isso nos enche de

nada? É o próprio Eça nos dá a resposta, através de uma conversa, muitas páginas antes, entre Luísa e Leopoldina: “- Pois olha que com as tuas paixões, umas atrás das outras... Leopoldina estacou: - O quê? - Não te podem fazer feliz! - Está claro que não! - exclamou a outra. - Mas... - procurou a palavra; não a quis empregar decerto; disse apenas com um tom seco: - Divertem-me!” Eis então aqui diante de nós a resposta à pergunta que fizemos antes: divertimento. Leopoldina sabe bem que a multiplicação do desejo a conduz a nada, a uma aumento de nada, mas continua a fazê-lo pela simples razão de que a diverte. Cá estamos de volta a este nosso tempo, e como Eça de Queirós tão bem o descreveu: o nosso tempo é o tempo da multiplicação do desejo e do divertimento.


14 (f)utilidades

1.8.2017 terça-feira

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TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 28 MAX 33 HUM 70-95% • EURO 9.45 BAHT 0.24 YUAN 1.19

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO | “MY HANDS MOLD MY THOUGHTS” DE WU HIN LONG Macau Art Garden Até 27/8

PÊLO DO CÃO

SUAR LAMENTOS

EXPOSIÇÃO “A SIBÉRIA E O LAGO BAIKAL” DE ANDY LAO EXPOSIÇÃO “MAZU” DE GIULIO ACCONCI Até 27/7 EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8 EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08

EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9

O CARTOON STEPH DE

EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 89

Cineteatro

C I N E M A

SPIDER MAN: HOMECOMING SALA 1

PRIPARA THE MOVIE 2017 [A] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Fime de: Okubo Ismale 14.15

DISPICABLE ME 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 15.30, 19.45

WAR FOR THE PLANET OF THE APES [B] Fime de: Matt Reeves Com: Woody Harrelson, Sara Canning, Judy Greer 17.15, 21.30 SALA 2

VALÉRIAN AND THE CITY OF A THOUSAND PLANETS [3D] [B] Fime de: Luc Besson Com: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Ethan Hawke 14.30, 17.00, 21.30

CARS 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Brian Free 19.30 SALA 3

MEOW [A] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Benny Chan Com: Louis Koo, Mary Ma, Jessica Liu, Andy Huang 14.30, 19.30

PROBLEMA 90

UM FILME HOJE

SUDOKU

EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8

Vivemos dias de progressiva convergência entre pessoa e panela de pressão. Não chegámos ao ponto de cozer favas dentro de um corpo humano, mas a acumulação de calor e consequente exalação de vapores e líquidos alicerçam esta analogia. Começo por dizer que o calor de Macau não é catastrófico, por muito que isto atrapalhe o mui nobre exercício do queixume. Apesar da humidade local, Macau não chega aos calcanhares de, por exemplo, Amareleja, no Alentejo. Aí o horizonte treme como uma chama, o alcatrão borbulha tornando toda a superfície terrestre numa cratera de vulcão activo todos os Verões. Os corpos tornam-se moles, magmáticos, pequenos habitats de fogo prestes a irromper em chamas. Um processo tão natural como a necessidade de lamentação, que parece nascer do calor. Visto desta perspectiva, neste momento, parece-me que os povos nortenhos são menos dados à lamúria. Talvez seja uma impressão momentânea, mas arrisco-me a traçar um paralelismo entre latitude, suor e lamentação. Não sei a partir de que coordenadas o índice de queixume sobe, nem de que forma a temperatura acompanha esta evolução, mas gostava de ver um estudo que se debruçasse sobre as confluências entre temperatura e temperamento. Entretanto, todos suam, todos se lamentam, todos se surpreendem perante a previsibilidade atmosférica, enquanto eu fiquei com vontade de comer favas. João Luz

“FALLEN ANGELS” | WONG KAR-WAI

Há filmes em que não interessa a data de lançamento. Há filmes que se vêem muitas vezes e outros que se vêem com atraso. “Fallen Angels”, de Wong Kar-Wai, é de 1995. Mais de vinte anos depois, podia ter sido feito ontem. O realizador de Hong Kong segue, em “Fallen Angels”, um assassino profissional e cru, as dualidades que vive com a apatia da sua “partner in crime”, numa Hong Kong de hoje. Uma banda sonora escolhida a dedo, uma construção de personagens que integram o lado sombrio de cada um, e uma história intemporal. Um filme para ver e rever de vez em quando. Sofia Margarida Mota

CARS 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Brian Free 16.30

SPIDER MAN: HOMECOMING [B] Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 21.15

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

terça-feira 1.8.2017

RUI TAVARES

Venezuela: o poder corrompe ou o poder revela?

CESARE MACCARI, CICERO DENOUNCES CATILINE 1889

in Público

O

poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente”. Já todos repetimos estas palavras, comummente atribuídas ao escritor e político católico inglês Lord Acton. Pergunto-me às vezes se elas não fazem mais mal do que bem. Em primeiro lugar, esta frase dá uma escapatória fácil ao corrupto: “não foi ele, foi o poder que lhe deram”. Em segundo lugar, a ideia de que é o poder que corrompe acaba por afastar muita gente boa e cívica do exercício da governação: se o poder corrompe, para que quereria alguém exercê-lo? Em terceiro lugar, quando aplicada a análise de regimes políticos, aquela frase e

o raciocínio que lhe serve de base afasta-nos da obrigação moral de enfrentar e denunciar os erros, os abusos e as perversões políticas e ideológicas desses regimes, e de identificar de onde elas vêm. A explicação está encontrada — foi o poder que os corrompeu — para quê procurar mais? É este debate que já se antevê em torno da Venezuela e do seu futuro. Ao decidir avançar com um processo constituinte contra um parlamento eleito há pouco mais de um ano e em que pontifica uma maioria da oposição, o presidente Nicolás Maduro faz na Venezuela algo semelhante ao que o primeiro-ministro Viktor Orbán faz na Hungria. Quando a Constituição já não dá jeito, muda-se de constituição; quando o povo deixa de estar connosco, muda-se a maneira de eleger os representantes do povo. A Venezuela já não estava bem. A partir de agora, passa a estar partida em duas metades que se revêem em

O que faltará então é fazer a pergunta: e se o poder revelar a corrupção que já existia antes?

duas constituições diferentes, dois poderes diferentes, duas legitimidades diferentes. E é aí que entra a questão genealógica: o que foi que causou esta degradação? Para muitos defensores do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, a explicação não tardará: foi o poder que corrompeu a elite política venezuelana. Já leio por aí as críticas costumeiras à “burocratização do partido”, as lamentações sobre uma revolução que se perdeu ou foi desviada. Outras duas explicações são também avançadas: foi a morte de Chávez, ou foi o preço do petróleo. Que Maduro é menos carismático do que Chávez, diz-se, e é verdade. Mas não terá sido Chávez a escolher Maduro? E não estava já Chávez esgotado no seu arsenal de frases feitas sobre o imperialismo yankee desde pelo menos o dia em que George W. Bush saiu da Casa Branca? E, a propósito do petróleo, não foi Chávez que baseou o seu programa macro-económico na crença de que o preço do petróleo chegaria aos 200 dólares? Haverá ainda, durante algum tempo, quem vá defender Maduro com base na lógica de que ele é inimigo-do-meu-inimigo,

ou seja, um tipo que chateia os capitalistas (o Goldman Sachs com quem ele negoceia não parece, contudo, queixar-se). Esses são os mesmos que não demoraram mais de cinco meses a vaiar Alexis Tsipras porque ele se recusou a tirar a Grécia do euro — mas que levaram bem mais de quinze anos sem encontrar razão para criticar a prisão e ostracização de políticos e intelectuais por Maduro. O que faltará então é fazer a pergunta: e se o poder revelar a corrupção que já existia antes? Se supusermos que o poder revela pelo menos tanto quanto corrompe, talvez então facilmente identifiquemos a arrogância, o autoritarismo e o espírito de intolerância que já estavam bem presentes no poder chavista antes e que agora se revelam de forma tão clara com Nicolás Maduro. E assim talvez se evitem cometer os mesmos erros de cumplicidades silenciosas e solidariedades enganosas da próxima vez e com o próximo país, agora que a Venezuela caminha já para um perigoso desconhecido.


Benfica Douglas Pereira custa cinco milhões de euros

O Benfica espera acertar os últimos detalhes da transferência de Douglas com o Barcelona nos próximos dias. No final da última semana, os contactos entre os clubes intensificaram-se e já foram discutidas as diferentes possibilidades para fechar o negócio. A SAD do Benfica equaciona a compra do passe, embora ainda esteja a discutir com o Barça em que moldes - 5 milhões pela totalidade ou 2,5 milhões por 50 por cento. Além desse investimento, as águias têm de considerar o elevado salário do brasileiro recebe 1,2 milhões de euros limpos por ano.

França WikiLeaks revela e-mails da campanha de Macron

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A WikiLeaks publicou esta segunda-feira um conjunto de mais de 21 mil e-mails relacionados com a campanha de Emmanuel Macron, o actual Presidente da República de França. Através do Twitter a organização explica que os e-mails revelados no site foram trocados entre 20 de Março de 2009 e 24 de Abril de 2017 e que a sua veracidade foi confirmada por especialistas através de um programa informático. O arquivo, disponível a todos, contém 71.848 mil e-mails com 26.506 mil anexos provenientes de 4.493 mil endereços. Destes, apenas 21.075 mil foram considerados viáveis para serem divulgados. Ainda não há reações à publicação da WikiLeaks.

chefe da polícia filipina declarou ontem que a morte de um presidente de câmara e 14 pessoas durante uma operação antidroga, no sul do país, é “uma advertência” para políticos ligados ao narcotráfico e crime. Ronald dela Rosa falava de uma operação realizada, no domingo, em Ozamiz, na ilha de Mindanao, que deve “servir como uma advertência de que a polícia não abre exceções na hora de aplicar a lei”. “Não temos medo, nem damos tratamento especial”, disse Dela Rosa, numa conferência de imprensa transmitida pela televisão. No domingo, 15 pessoas foram mortas, incluindo o presidente do município Reynaldo Parojinog e vários dos seus familiares, na sequência de um tiroteio com as forças de segurança que iam apresentar meia dúzia de mandados de captura.

SANGUE POR SANGUE

De acordo com a polícia, os agentes abriram fogo ao serem recebidos com disparos, à aproximação da casa do presidente do município, alegado líder de um grupo criminoso ligado, nas últimas três décadas, ao tráfico de drogas, operações paramilitares, sequestros e extorsões. O director da polícia afirmou que o objetivo da operação era deter com vida os suspeitos, mas os agentes foram forçados a disparar ao serem recebidos pelo “exército privado” dos Parojinog.

O

comércio externo de Macau subiu 6,1% nos primeiros seis meses do ano, em termos anuais homólogos, atingindo 40,73 mil milhões de patacas, indicam dados oficiais ontem divulgados. Segundo a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre Janeiro e Junho Macau exportou bens avaliados em 5,62 mil milhões de patacas – mais 9,8% – e importou produtos avaliados em 35,12 mil milhões de patacas – mais 5,6% em termos anuais homólogos. Por conseguinte, o défice da balança comercial atingiu 29,50 mil milhões de patacas. Em termos de mercados, as exportações para a China entre Janeiro e Junho totalizaram 917 milhões de

MORTE DE AUTARCA FILIPINO É ADVERTÊNCIA PARA OUTROS POLÍTICOS

A lei do mais forte No tiroteio morreram também a mulher, a irmã e Octavio Parojinog, irmão do autarca. Um agente ficou ferido na sequência de uma explosão. A polícia apreendeu armas, drogas e dinheiro. Reynaldo Parojinog constava de uma das “listas

negras” do Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, por alegadas ligações ao tráfico de drogas e crime organizado. Mais de sete mil pessoas morreram desde o início da campanha antidroga de Duterte. Cerca de metade das vítimas mortais foram

abatidas por agentes polícias por terem alegadamente resistido à detenção. Na passada segunda-feira, Duterte reiterou que vai manter uma “luta implacável” contra o tráfico de droga, apesar das críticas que recebo dentro e fora do país.

JULLIANE LOVE DE JESUS/INQUIRER.NET

O

terça-feira 1.8.2017

Rufando apressado,/ E bamboleado,/ Boné posto ao lado,/ Garboso, o tambor/ Avança em redor/ Do campo de amor...’’ Camilo Pessanha

Ronald dela Rosa

Contas do meio

como as de produtos têxteis e vestuário (335 milhões de patacas), que desceram 7%, segundo a DSEC.

patacas até Junho, refletindo uma subida de 2,3%. As vendas de mercadorias para os países de língua portuguesa foram de 700 mil patacas, valor que traduz uma queda de 87,8% em termos anuais homólogos. Em contrapartida, as exportações para Hong Kong cresceram 16,8% entre Janeiro e Junho.

ÀS COMPRAS

Comércio externo de Macau subiu 6,1% até Junho A mesma tendência foi verificada nas vendas de mercadorias para a União Europeia (100 milhões de patacas) e para os Estados Unidos (95 milhões de patacas) que aumentaram, respectivamente, 8,7% e 26,8%. Em termos de mercadorias, exportaram-se 5,28 mil milhões de patacas de produtos não têxteis, mais 11,1%, em termos anuais. As exportações de joalharia com diamantes (444 milhões de patacas) cresceram 35,9%, enquanto as de componentes electrónicos (476 milhões de patacas) diminuíram 18,1%, bem

Já do lado das importações, Macau comprou à China produtos no valor de 11,51 mil milhões de patacas – menos 6,7% em termos anuais homólogos.Amesma tendência foi verificada nas importações de mercadorias dos países de língua portuguesa (306 milhões de patacas) que diminuíram 3,3%. Em sentido inverso, as compras à União Europeia (9,07 mil milhões de patacas) aumentaram 14,8%. Ao nível dos produtos, destaca-se as importações de joalharia em ouro (3,20 mil milhões de patacas) e de relógios de pulso (2,52

mil milhões de patacas) que subiram, respectivamente, 30% e 39,6%, de acordo com a DSEC. Já as compras de telemóveis (1,91 mil milhões de patacas) e de materiais de construção (885 milhões de patacas ou 93,) registaram descidas de 17,3%, 16,9%, respectivamente. Só em Junho, Macau exportou produtos avaliados em 938 milhões de patacas – mais 14,3% face ao mesmo mês de 2016 – e importou mercadorias no valor de 6,17 mil milhões de patacas, ou seja, mais 10,4%, indica a DSEC. Por conseguinte, o défice da balança comercial de Junho alcançou 5,24 mil milhões de patacas.

Hoje Macau 1 AGO 2017 #3865  

N.º 3865 de 1 de AGO de 2017

Hoje Macau 1 AGO 2017 #3865  

N.º 3865 de 1 de AGO de 2017

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