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Director carlos morais josé

Sexta-feira 1 de julho de 2016 • ANO Xv • Nº 3604

Mop$10 Tiago Alcântara

pub

Agência Comercial Pico • 28721006

consulado

Horário reduzido página 7

h

Fenícios e Tormentas

José Simões Morais

Anabela Canas

DSAT

As negas do chefe página 8

Carlos Duarte

Psiquiatria e mutações Entrevista

opinião

Competir pub

Fa Seong

“Assalto” no estádio Página 6

hojemacau Terrenos Gabriel tong quer mudanças na lei

Os Amos da terra

Já está na Assembleia Legislativa a proposta de alteração à Lei das Terras, entregue pelo deputado nomeado Gabriel Tong. Em causa está a suspensão ou o

prolongamento do prazo de concessão de terrenos. O deputado mostra-se confiante na aprovação das alterações a uma lei que considera absurda no seu estado actual.

Página 5

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Nome interior

Complexo olímpico


2 entrevista

Carlos Duarte psiquiatra dos Serviços de Saúde

Na zona do Caminho das Hortas, na Taipa, continua a existir a única clínica psiquiátrica do território. Carlos Duarte, médico nestes serviços, diz que a clínica é hoje maior do que há cinco anos, com mais pessoal e casos, ainda que não tenha um serviço de Alcoologia. Sem necessidade de um hospital psiquiátrico, Macau deve estudar mais a doença mental, defende

“Macau é uma sociedade em mutação acelerada. E todas as sociedades em mutação acelerada são locais onde os problemas psiquiátricos aumentam muito”

“Hospital psiquiátrico não faz parte das necessidades” A dependência do Jogo domina a sociedade, mas dependências como a do álcool e da droga acabam por estar relacionadas com esse vício e podem passar despercebidas. Concorda? Isso é um pouco difícil de responder. São tipos de dependência que são, na sua essência, bastante diferentes. Por norma as pessoas que desenvolvem a dependência de substâncias são diferentes das que desenvolvem a dependência do jogo, embora possa haver algumas características semelhantes. A problemática da dependência do jogo não está entregue directamente aos Serviços de Saúde, mas sim ao Instituto de Acção Social. O que nós aqui neste serviço, de Saúde Mental e Psiquiatria, nos debruçamos mais é sobre problemáticas da saúde mental e os problemas de jogo são situações que nós frequentemente observamos, mas são associados a outras perturbações psiquiátricas. Há um duplo diagnóstico nesses casos: um problema de ansiedade e depressão associado ao vício do jogo, por exemplo. Depois há também uma ligação com a chamada dependência de substância. Vemos muitas vezes pacientes que têm situações psiquiátricas, uma depressão, um estado de ansiedade, perturbações de adaptação, e associadas a essas situações encontramos abusos de substâncias ou álcool. Essas dependências estão, digamos assim, diluídas noutras problemáticas. Podemos falar nesses termos, são dependências combinadas. Falamos de casos de duplo diagnóstico, com situações diferentes. [Na] doença bipolar, que é persistente, a pessoa pode, nos períodos em que está deprimida, refugiar-se no álcool, mas esta dependência pode ser considerada como secundária em relação à doença psiquiátrica que está subjacente. Estas situações são relativamente frequentes.

Considera que, de certa forma, deveria haver uma maior junção de tratamentos, criar um novo tipo de infra-estrutura para abranger todas estas dependências? Pode-se pensar que isso seria uma opção, dado que, no fim de contas, todos estes quadros têm subjacente uma situação de dependência. Mas temos de nos lembrar que a população que vai desenvolver uma toxicodependência é tipicamente diferente daquela que desenvolve um abuso de álcool ou uma dependência do jogo. Tornar-se-ia difícil que fosse criado um serviço que abrangesse todas estas situações. Em muitos países, como em Portugal, há serviços com tratamento do álcool que são separados dos serviços para a toxicodependência. Falamos de grupos populacionais diferentes com problemáticas diferentes. O que está indicado são serviços especializados. Esse serviço de Alcoologia existe aqui, portanto. Em Macau não existe especificamente um serviço de Alcoologia. Deveria haver? Eventualmente. Os serviços de saúde mental têm vindo a ter um grande desenvolvimento, sobretudo nos últimos anos. A política de saúde mental está regulada por um decreto-lei, que foi um dos últimos diplomas da Administração portuguesa. Aí diz que a assistência de saúde mental deve ser feita sobretudo junto da comunidade. É em linha com o que acontece nos chamados países desenvolvidos: o tratamento deve ser virado para a comunidade e não para um hospital psiquiátrico. Nós aqui em Macau não temos um hospital psiquiátrico, temos uma clínica psiquiátrica que está integrada no hospital geral, o que é uma coisa já de si melhor do que ter um hospital psiquiátrico. Os hospitais psiquiátricos têm associados a si uma série de problemas.

E são alvo de estigmatização por parte da sociedade. Nesse aspecto não temos essa questão. A única coisa que não é tão favorável a esta clínica é a distância física, mas há uma integração no hospital. Mas há uma estigmatização da doença mental, sobretudo junto da comunidade chinesa? Isso foi estudado. Em todas as comunidades chinesas, quer estejam em Taiwan ou em Hong Kong ou no mundo, o estigma tem uma grande importância. Tem uma dimensão considerada mais negativa do que noutras sociedades. Tem notado um aumento de procura da clínica nos últimos anos? Falou-me do decreto-lei de 1999 e a sociedade evoluiu bastante desde aí. Se houve um aumento de pacientes, a que se deve isso? Esse decreto-lei fala numa integração dos serviços de reabilitação com o hospital e a comunidade, algo que, desde há umas décadas para cá, se encara como a solução ideal para o tratamento destes doentes. Mas estes serviços são muito difíceis de pôr em marcha. Este ano começou a funcionar a equipa de psiquiatria ambulatória. Fazem serviços ao domicílio. Fazem avaliações de vários tipos junto das famílias, onde as pessoas trabalham, visitam os doentes em casa e isso é uma coisa absolutamente imprescindível para existir num serviço que se pretende completo. Apesar do decreto já em 1999 referir que o ideal seriam serviços de saúde mental centrados na comunidade, só agora é que isso foi implementado. Este trabalho pode evitar um internamento e é fundamental. Temos de ter a noção de que Macau é um território muito pequeno, então quando se fala em hospitais psiquiátricos, outros países têm uma área muito diferente da de Macau.

Não é então necessário um hospital psiquiátrico. Um hospital psiquiátrico não faz sequer parte das necessidades que Macau tem, já desde há bastante tempo. Existem números relativos aos casos de dependência de alcoolismo? Cheguei à conclusão que os números sobre o alcoolismo não são muito fiáveis porque são números muito baixos. Isso tem a ver com a situação de que, não sendo este serviço virado para o tratamento do álcool, encontramos sobretudo situações de duplo diagnóstico. Para se ter uma ideia, num país como os EUA, os problemas clínicos de abuso de álcool chegaram aos 70% da população internada na psiquiatria. Aqui não chega a esses valores sequer. Falamos de menos de 10% dos doentes internados? Não temos dados específicos. Quando às doenças mentais, qual a tendência? Tem havido um aumento, mas é bastante difícil avaliarmos as circunstâncias em que este aumento acontece. Houve um aumento do serviço em termos do pessoal que aqui trabalha. O serviço de psiquiatria é hoje muito maior do que há quatro ou cinco anos. Há mais médicos, mais terapeutas. A oferta é maior, mas por outro lado a população também tem vindo a aumentar. Se aumentaram os problemas psiquiátricos isso é uma coisa um pouco difícil de gerir, teríamos de fazer estudos epistemológicos com base nos valores que falamos aqui, e se haveria razões para os números aumentarem. Podemos falar de novos panoramas em termos de saúde mental? Há hoje diferentes cenários que podem afectar a saúde mental? Macau, e toda a gente concordará com isso, tem uma sociedade que tem vindo a mudar muito nos últimos anos. E mudou bastante quando se instalaram


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Hoje Macau

hoje macau sexta-feira 1.7.2016 www.hojemacau.com.mo

“É imprescindível haver estudos que possam orientar as nossas prioridades. Mas aqui em Macau infere-se sobre o que existirá, considerando as características da população e as necessidades, e tomamse medidas mesmo que não existam estudos avançados” os casinos, que alterou por completo o modo de vida das pessoas. O nível de vida subiu, o custo de vida aumentou, até ao nível das casas. Todos esses factores levam-nos a pensar que a sociedade de Macau é uma sociedade em mutação acelerada. E todas as sociedades em mutação acelerada são locais onde os problemas psiquiátricos aumentam muito. Existem enormes pressões para que isso possa acontecer, basta pensar que as pessoas em Macau trabalham frequentemente por turnos e esse é um factor de transtorno mental significativo. Longas horas de trabalho, perda de empregos, subida do custo de vida fora de controlo em muitos dos casos. Quais as doenças mais comuns? As depressões, problemas de sono? Podemos pensar em dois tipos de população. A população que é atendida no nosso serviço de psiquiatria (o único no território) é muito especial e não reflecte os problemas que há na comunidade. Na comunidade poderemos ter alterações do sono, depressões, problemas de adaptação. No próprio serviço acabamos por ter aqui situações mais graves. São necessários mais estudos sobre a área da saúde mental? Sim, é imprescindível haver estudos que possam orientar as nossas prioridades. O que deve ser feito e o que não deve. Idealmente os serviços seriam orientados em função das prioridades identificadas. Mas aqui em Macau infere-se sobre o que existirá, considerando as características da população e as necessidades, e tomam-se medidas mesmo que não existam estudos avançados. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 Política

hoje macau sexta-feira 1.7.2016

Adeus ao fumo Empregados querem interdição total de tabaco nos casinos

A

Associação dos Empregados de Jogo de Macau entregou uma petição à Assembleia Legislativa (AL), indicando que a maioria dos trabalhadores não aceita nem o fumo, nem salas de fumo nos seus locais de trabalho.Acarta tem uma intenção clara: reforçar o pedido de proibição total de fumo nos casinos. Cloee Chao, secretária-geral da Associação, disse ao HM que o grupo “entregou a petição, porque queria que uma voz de representação dos empregados do sector do Jogo fosse ouvida”. “Esta voz é clara, apoiamos a proibição total do fumo de tabaco nos casinos”, frisa. A representante referiu ainda que a Associação fez um inquérito sobre o tema e em 9490 entrevistados, 90% concorda com a proibição total. Além disso, “os novos casinos têm salas de fumo na

área exterior e não existem salas de fumo [dentro] e isso é uma grande diferença para os trabalhadores”. Também, aponta, os clientes “cheiram menos a fumo”. No entanto, o que interessa, diz, é que o Governo avance o mais rápido possível. Em comunicado, a Associação indicou que “empregados vão para os casinos trabalhar, não vender as suas vidas”, pelo que é preciso proteger a sua saúde. “O Governo deve rever já a lei, é a única maneira de sair do perigo do fumo passivo”, pode ler-se. A revisão da lei continua em análise pela 2.ª Comissão Permanente da AL, que garantiu, na última reunião deste mês, não estar a atrasar decisões, ainda que alguns dos deputados discordem da ideia do Governo. Tomás Chio (revisto por F.A.) info@hojemacau.com.mo

IH Condomínios afectados por falta de recursos

O Jogo Associações a favor da proibição de entrada de funcionários

Pôr os pontos nos is

A

Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) reuniu ontem com 11 associações que representam os trabalhadores do sector do Jogo, com vista a debater a possibilidade de proibir a entrada dos funcionários em todos os casinos. Ao HM, o presidente da Associação Forefront of Macau Gaming, Ieong Man Teng, confirmou que todas as associações presentes no encontro estão a favor da proibição, com pequenas divergências sobre alguns pontos. Um deles é se a proibição vai abranger todos os trabalhadores dos

casinos, incluindo pessoal da administração e empregados de limpeza, a título de exemplo. “O Governo está certo em considerar a execução da interdição da entrada. A reunião serviu sobretudo para as associações expressarem as suas sugestões”, referiu Ieong Man Teng.

Da prevenção

Segundo um comunicado da DICJ, os representantes das associações concordaram que “a proibição da prática de jogos por trabalhadores do jogo irá ajudar a prevenir que os mesmos se tornem jogadores problemáticos e contribuir para o desenvolvimento saudável

do sector do jogo”. Paulo Martins Chan, director da DICJ, disse que o Governo “tem estado atento ao impacto do Jogo na sociedade e irá continuar a aperfeiçoar o regime jurídico do sector”. “Os trabalhadores do sector necessitam de ser protegidos, assegurando que não sejam afectados pelo problema do jogo problemático”, acrescentou. Antes da reunião a Forefront of the Macao Gaming apresentou um inquérito feito a quatro mil residentes sobre o assunto. Os resultados mostram que 755 dos inquiridos, mais de 2900 pessoas, estão a favor desta proibição. Cerca de 77% dos trabalhadores dos

casinos que responderam ao inquérito também estão a favor. O encontro serviu ainda para discutir a supervisão efectiva, dada a dificuldade em identificar as pessoas. Várias associações sugeriram que os cidadãos que não são empregados nos casinos possam também fazer o seu registo na DICJ para poderem entrar nos casinos, ideia com a qual a Forefront of Macau Gaming concordou. A próxima reunião será entre a DICJ e as concessionárias de jogo, bem como com as associações de jogo responsável. Angela Ka (revisto por A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

trabalho vai ser muito e o Governo não tem funcionários. Foi esta a ideia deixada ontem pelo deputado Chan Chak Mo, que preside à 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). Esta Comissão analisou ontem o Regime Jurídico da Administração das Partes Comuns dos Condomínios. Uma das condições para que a questão das assembleias de condomínios chegue a bom porto diz respeito à garantia da sua legitimidade através da emissão da certidão por parte do Instituto da Habitação (IH). O Governo disse aos deputados que é possível que se registe uma insuficiência de trabalhadores do IH, algo que pode afectar a capacidade de resposta desta entidade aos pedidos de emissão de certidão. O deputado adiantou ainda que o governo Executivo referiu à Comissão que o “trabalho vai ser muito e difícil”. Chan Chak Mo diz ainda que estes problemas se prendem com a “efectiva falta de pessoal no geral por parte do Governo bem como

o novo regime de contratação para a Função Pública”, sendo que a falta de mão-de-obra “vai influenciar” a boa prática da proposta de lei. Por seu lado, o deputado referiu ainda que o IH não sabe o número de funcionários que serão necessários, visto também não existir noção do número de pedidos de certidões. Chan Chak Mo espera que a partir da entrada em vigor da proposta de lei, o acompanhamento processual do IH passe a ter que ser cada vez menor no que respeita à resolução de possíveis conflitos. Da reunião de ontem não se registaram divergências relativas aos artigos analisados em que foram abordadas as questões burocráticas relativas à documentação necessária para acompanhar as convocatórias, à representação por parte de terceiros, ao registo de presenças e quórum necessário para que sejam tomas as decisões de condomínio. É ainda intenção da 2.ª Comissão dar a análise por terminada ainda antes do final desta sessão legislativa. S.M.


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Política

Lei de Terras Gabriel Tong entrega alteração ao diploma

O dedo na ferida

A Assembleia Legislativa tem em mãos uma proposta de alteração da Lei de Terras assinada pelo deputado nomeado Gabriel Tong. Este propõe que o Chefe do Executivo possa suspender ou prolongar o prazo de concessão de um terreno caso a empresa não tenha culpa da sua falta de desenvolvimento

O

d e p u t a d o nomeado Gabriel Tong entregou na Assembleia Legislativa (AL) uma proposta de alteração à Lei de Terras, visando a concessão dos terrenos e o prazo de aproveitamento. O HM teve acesso ao projecto de lei e à nota justificativa e a intenção do deputado é clara: pôr o Chefe do Executivo a decidir a suspensão ou prorrogação do prazo de concessão do terreno, “sempre que haja motivo não imputável ao concessionário e que tal motivo seja, no entender do Chefe do Executivo, justificativo”. Esse acto deve ser feito com o “requerimento do concessionário”. “Se a inobservância do prazo se dever a factores exteriores, que não podem ser controlados, e por motivo não imputável e considerado justificativo, parece que exigir ao concessionário a assunção das consequências da devolução do terreno afecta o princípio da boa fé”, escreveu Gabriel Tong na nota justificativa do projecto de lei. Ao HM, Gabriel Tong referiu apenas que espera a aprovação do hemiciclo sobre esta matéria. “Espero que haja apoio a esta alteração, caso contrário não a tinha apresen-

tado. Tenho grandes expectativas de que a proposta seja aprovada. Visa resolver uma situação muito grave, juridicamente falando. Para mim esta interpretação da Lei de Terras é um absurdo, por isso apresentei a proposta de alteração.” Tong diz que como exerce a profissão na área jurídica há mais de dez anos, “a consciência ditada pela ética profissional e pelas responsabilidades sociais não deixa tolerar o surgimento desse resultado absurdo”, como escreve o deputado na nota justificativa. “Como deputado, o meu dever funcional não me permite deixar a ocorrência deste resultado absurdo e nada fazer”, disse ainda. Gabriel Tong defendeu ainda que a proposta de alteração “não significa a modificação ou o abandono dos princípios, pensamento e regulamentação estabelecida na Lei de Terras de 2013”.

O problema de Nam Van

Gabriel Tong dá como exemplo os 14 terrenos não aproveitados localizados junto à zona C e D do lago Nam Van, os quais foram alvo de análise em 2011 e “foram classificados como casos não imputáveis aos concessionários”.

De realçar que esta semana o Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, disse que esses terrenos serão revertidos para a Administração, sendo que a Shun Tak, empresa de Pansy Ho e concessionária de dois terrenos, já prometeu defender-se em tribunal. “Mais concessões de terrenos vão enfrentar a situação de caducidade em breve, de modo que os investidores dos terrenos, as instituições financeiras, terceiros de boa fé e credores se vêem colocados numa situação de impasse”, alertou Gabriel Tong. O também vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau (UM) lembrou que “os respectivos concessionários referiram que, ao longo dos anos têm apresentado diversos requerimentos para o desenvolvimento dos terrenos, sem que tenham obtido qualquer resposta por parte da Administração. Muitas situações são da responsabilidade da Administração, como a não conclusão do planeamento urbanístico ou a protecção do património, entre outros”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Tudo bem, mas nem por isso Juventude Dinâmica não acredita em investigação do CCAC sobre Jinan

A

reacção é clara: a investigação do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) aos cem milhões de yuan atribuídos pela Fundação Macau (FM) à Universidade de Jinan não convence a Juventude Dinâmica. “A nossa Associação já leu a conclusão do CCAC e percebe-se que parte do seu conteúdo é de uma carta também publicada pela FM. Desde o período da data de denúncia até à data a que o CCAC nos respondeu passou muito pouco tempo. Acho que o CCAC não fez uma investigação a fundo sobre este caso”, acusa Lei Kuok Keong, secretário da Associação.

O responsável da Juventude Dinâmica vai ainda mais longe e acusa o CCAC de “estar a ajudar a FM”. “O que nos parece é que o CCAC está a desculpar a própria FM, explicando à população o que aconteceu. Não parecer ser uma investigação”, frisou. “A doação que foi feita é dos cofres públicos, o público não pôde decidir sobre nada, nem sequer soube detalhes da decisão, portanto, ambos - o Governo e a FM - têm de ser mais transparentes”, argumentou. Lei Kuok Keong diz ainda que, na conclusão do CCAC, a questão do conflito e transferência de

interesses não é explorado. “Isto nem sequer faz sentido quando a própria FM admitiu que tem espaço para melhorar no processo de doação de fundos. Partimos ainda do princípio que, como o CCAC indica que não houve violação da lei relativamente aos impedimentos do Chefe do Executivo, então todos os cidadãos podem fazê-lo também”, continua. Para a Associação “é óbvio” que o sistema de subsídios da FM “não funciona bem”. “Porque é que o CCAC não disse nada sobre isto, afirmando que não existem problemas relativamente à doa-

“Tenho grandes expectativas de que a proposta seja aprovada. Visa resolver uma situação muito grave, juridicamente falando. Para mim esta interpretação da Lei de Terras é um absurdo” Gabriel Tong deputado

ção. Acho que o CCAC faltou na sinceridade da investigação, não está a trabalhar bem no seu papel de fiscalização e por isto o público não vai acreditar mais no CCAC”, rematou.

Nos conformes

Também ontem, a FM reagiu ao relatório do CCAC, afirmando que concorda com o mesmo e que a própria instituição “tem funcionado no estrito cumprimento dos [seus] Estatutos, estabelecendo regras rigorosas para a concessão de apoios financeiros”. Ainda assim, no mesmo comunicado, a Fundação indica que tem “vindo a adoptar diversas medidas no sentido de melhorar os seus serviços no âmbito de concessão de apoios financeiros”, tais como, os

critérios de apreciação, divulgação da informações, novos formulários no pedido e um maior reforço na verificação sobre a idoneidade dos requerentes. “Fazer dos cidadãos beneficiários finais dos subsídios é um objectivo em que a FM tem insistido”, pode ainda ler-se no comunicado. Para Lei Kuok Keong não há dúvidas: a “maneira mais rigorosa na atribuição dos subsídios é existir uma maior participação do público”. “Há muita coisa debaixo da mesa, só quando a FM avançar com medida para a participação do público é que existirá rigor e verdade”, remata. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Tomás Chio

info@hojemacau.com.mo


6 Sociedade

hoje macau sexta-feira 1.7.2016

Complexo Olímpico Ex-presidente do ID envia carta ao Governo

Estranhas demolições

Manuel Silvério sentiu ter obrigação de falar sobre a decisão de destruir parte do Complexo Olímpico para construir habitação pública e defende que a ideia é irracional e estranha. O ex-presidente do ID fala em algo que é um erro e que, se avançar, é porque algo se passa. O Governo não comenta

U

m erro, um assalto à mão armada e algo muito estranho.” É assim que Manuel Silvério, ex-presidente do Instituto do Desporto (ID), classifica a ideia de substituir parte do Complexo Olímpico da Taipa por habitação social. Não é apenas pela irracionalidade de se colocar pessoas a viver num sítio onde o espaço é

escasso, diz, mas também pela história do edifício e a própria utilidade que poderá ter. “Reestruturar aquele espaço para um uso mais abrangente como para sedes de associações desportivas, que se reúnem em cafés porque não têm espaço, criar salas de desporto, aumentar o parque automóvel e até instalar o próprio ID seria mais lógico do que lá colocar habitação pública”, defende

Manuel Silvério numa carta enviada ao Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e com conhecimento de Raimundo do Rosário, da tutela das Obras Públicas e Transportes. A falta de locais para a prática de desporto e de espaços para os serviços públicos é algo que tem vindo a ser admitido pelo Governo, pelo que Manuel Silvério considera que faria mais sentido o local ser utilizado para essa finalidade. Até porque, defende, “o tráfico gerado pela quantidade de pessoas que vai morar lá vai ser caótico”. “As pessoas já se vêem aflitas para arranjar estacionamento ali.” No espaço que será demolido existe um parque de estacionamento, que ao que o HM apurou se encontra fechado e vazio, e funciona no último andar o Gabinete de Estudos das Políticas, sendo que, segundo o ex-responsável, tem escritórios, salas de tradução, jardins, entre outras infra-estruturas, e capacidade para 300 pessoas.

Nas mãos do CPU

A decisão da demolição foi anunciada em Junho pelo Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU). Questionado sobre por que considera que a decisão foi tomada sem consulta pública, Manuel

Silvério diz não saber, mas felicita o facto de ter sido o grupo a analisar. “Felizmente alguns membros opinaram de forma contrária e ainda bem”, diz ao HM. “Por que a decisão foi tomada, não sei. É por conveniência. É estranho”, indica, considerando que se foi por causa dos casos de alegada corrupção que envolveram o Complexo, então o Governo “teria de desmantelar meio Macau”. Manuel Silvério denota ainda que os responsáveis do Desporto não foram consultados, mas que também não falaram. “Da parte da comunidade desportiva, Conselho do Desporto e ID, não há um único responsável que informe que o edifício é a peça central do Complexo Desportivo Olímpico. É um complexo utilizado

“Isto é uma irresponsabilidade em termos da gestão das coisas públicas. Não devem sacrificar o Complexo, até porque há alternativas”

Ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai já está ligada

S

egundo informação ontem veiculada pelo Diário do Povo online, que cita as autoridades responsáveis pela Ponte Hong Kong -Zhuhai-Macau (Ponte em Y), foi instalada nesta quarta-feira a última secção do corpo principal

da ponte, sinalizando um marco importante na construção deste megaprojecto que já dura há sete anos. A ponte terá 55 quilómetros de comprimento, incluindo 6,7 quilómetros de túnel subaquático e 23 quilómetros sobre o mar, o que a torna

a maior ponte sobre o mar do mundo. Segundo as autoridades responsáveis pela infra-estrutura, os trabalhadores começaram a instalar a última parte da ponte às 11h45 da noite da terça-feira e após uma hora a ponte tinha sido interligada.

diariamente por centenas de cidadãos, sem falar nos campeonatos escolares que se realizam com alguma frequência no mesmo espaço”, escreve na carta, que diz que o edifício foi construído “a muito custo” no limiar da transição.

Um insulto

Na carta, o ex-responsável diz que depois de tantas suspeições sobre a construção, “sem que nada tivesse sido provado”, a notícia da demolição caiu com “estrondo”. Mais ainda, a avançar, esta decisão seria “o insulto final” para o responsável. “Somos tentados a pensar que se pretende apagar mais um pedaço de história, que tanto enobreceu Macau e a que todos nós deveria orgulhar. Os novos residentes vão reclamar todos os dias por causa do barulho do estádio. Para mim, isto é uma irresponsabilidade em termos da gestão das coisas públicas. Não devem sacrificar o Complexo, até porque há alternativas, como os lotes de terreno em frente ao aeroporto (La Scala) e outros terrenos.” Já no CPU foi indicado que teria de se perceber qual a necessidade de “destruir instalações públicas, dado que a zona tem poucos recintos desportivos”. A altura do prédio, que vai obrigar à demolição da antiga sede

As autoridades afirmaram ainda que a construção da maior parte da ponte está em bom andamento e que 80% da obra do túnel já foi terminada. Este megaprojecto faz parte da rede de estradas planeada da China, ligando as costas oeste e leste do Rio das Pérolas. A ponte vai atender à necessidade dos passagei-

dos atletas nos Jogos da Ásia Oriental, poderá atingir os 90 metros. Manuel Silvério diz que, agora, tem que “se render à cultura de se pensar no presente sem pensar no futuro”. O ex-responsável do ID, que considera ter obrigação de falar e que o faz “em nome de outras pessoas a quem não convém opinar”, “retira-se”, mas há pessoas que “devem batalhar”. Sobre se está confiante que possa haver um recuo, Silvério frisa apenas que “o Executivo tem inteligência suficiente para não teimar num erro, num passo mal dado”. Se não o fizer, diz, então “é porque [a obra] traz água no bico”. A carta foi enviada a 10 de Junho, mas até ontem o ex-responsável não tinha recebido qualquer resposta oficial, como assegurou ao HM. A secretaria de Raimundo do Rosário confirmou ter tido conhecimento da carta através do Gabinete de Alexis Tam, pelo que “não tem” qualquer comentário a fazer. Da parte do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura foi dito ao HM que o assunto não é da tutela de Alexis Tam e que o próprio Secretário “já tinha informado Manuel Silvério dessa situação. Joana Freitas

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

ros e o transporte entre Hong Kong, Macau e a parte continental da China. Actualmente, viajar de carro de Zhuhai até Hong Kong demora quatro horas, tempo que será em breve reduzido para 45 minutos. A construção foi iniciada em 2009 e tem um custo de cem mil milhões de yuan.


7 hoje macau sexta-feira 1.7.2016

Sociedade

Tiago Alcântara

Veterinários optimistas com panda recém-nascido

O

Consulado Funcionários passam a trabalhar menos uma hora

Ajuste após braço de ferro Alice Pereira, delegada sindical dos trabalhadores do Consulado-Geral de Portugal em Macau, confirma uma redução do horário de trabalho de oito para sete horas diárias. O horário de abertura ao público mantém-se e o ajuste cambial dos salários será discutido na próxima semana

C

onfirmam-se mudanças laborais no Consulado-Geral de Portugal em Macau. É já a partir de hoje que os funcionários passam a trabalhar menos uma hora por dia, das actuais oito horas diárias para sete horas. Esta alteração não terá, contudo, nenhuma consequência para o público, conforme explicou ao HM Alice Pereira, delegada sindical dos trabalhadores consulares na RAEM. “Não há alterações no horário de atendimento ao público”, frisou. Na próxima semana serão discutidas as alterações a serem implementadas ao nível dos ajustes cambiais nos salários dos funcionários. Isto porque a semana passada o Sindicato dos Trabalhadores

Consulares e das Missões Diplomáticas (STCDE) e o Ministério dos Negócios Estrangeiros chegaram a acordo quanto ao estabelecimento de um mecanismo permanente de compensação da variação cambial, que entra hoje em vigor. “Iremos convocar uma reunião e ainda não recolhi informações sobre esse assunto. Ainda tenho de recolher mais dados em relação ao pessoal, porque podem ter outras opiniões. Continuamos a aguardar que nos digam algo em relação ao acordo assinado sobre o câmbio”, explicou Alice Pereira. O único ajuste feito nos salários dos trabalhadores do Consulado-Geral data de Janeiro de 2015. “Tivemos um acerto cambial de 10%

em Janeiro do ano passado, tivemos apenas esse acerto e não tivemos mais nada.”

Acordo histórico

O HM tentou contactar Rosa Teixeira Ribeiro, secretária-geral do STCDE, mas até ao fecho desta edição não foi possível. Para o Sindicato, o acordo feito é “histórico”, já que vem “dar resposta a um problema que só existe para estes trabalhadores no estrangeiro: a previsibilidade e estabilidade das suas remunerações, fixadas em euros, e pagas em moeda local”. O mecanismo que entra hoje em vigor vai atingir 800 trabalhadores em 70 países onde Portugal tem presença diplomática, sendo que tem vindo a ser “substancialmente

melhorado” para acolher 11 das 13 propostas feitas pelo Sindicato. No caso de Macau, o câmbio faz com que um trabalhador receba abaixo do salário médio pago, actualmente de cerca de 15 mil patacas, uma situação que já motivou a reacção do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP). “Com os salários praticados não se vai de maneira nenhuma criar estabilidade ao nível dos recursos humanos no Consulado de Portugal em Macau, pelo contrário, desestabiliza e obriga à repetição dos procedimentos burocráticos para a admissão de funcionários”, disse José Pereira Coutinho numa declaração recente. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

s veterinários que cuidam dos pandas gémeos nascidos em Macau no domingo estão optimistas quanto ao desenvolvimento do mais novo, que nasceu com 53,8 gramas, considerado “ultraleve” e o segundo mais pequeno do mundo. “Está a desenvolver-se bem, já ganhou o peso original, de nascença, ontem [quarta-feira]. Normalmente, os pandas gigantes perdem algum peso devido à perda de fluidos corporais, mas agora já ganhou. Esta manhã o peso já era de 57,9 gramas, o que é um bom desenvolvimento”, explicou à Lusa a veterinária Eva Lam. O irmão mais novo dos gémeos de Macau é o segundo panda a nascer com menos peso no mundo, tendo o primeiro nascido com 51 gramas, em Chengdu (China), referiu a especialista. “Neste momento estamos muito opti-

mistas, mas depende muito de como as coisas se desenvolvem. Não podemos saber como vai reagir a cada refeição. Ainda é muito novo e não conseguimos dizer, só pelo aspecto, quão desenvolvido está. Ainda é muito pequeno para outros exames ou intervenções, por isso só verificamos o peso, a temperatura e o comportamento”, indicou. Os irmãos, dois machos, estão ambos a ser alimentados exclusivamente com leite da mãe, Sam Sam, mas enquanto o mais velho, que nasceu com 135 gramas (peso normal, já que o médio é 100 gramas), mama junto da progenitora, o mais novo é alimentado através de um biberão. A especialista não põe de parte que o casal Hoi Hoi e Sam Sam volte a procriar, mas para isso é necessário “um ou dois anos” de descanso. LUSA/HM

Escola Hou Kong obriga alunos a ter aulas no Verão

Alguns alunos da escola Hou Kong queixaram-se à publicação Macau Concelears que foram obrigados a frequentar aulas no Verão por serem alunos com apoio escolar. Outros alunos referiram que tiveram de frequentar uma semana de aulas na condição de pagar a totalidade das propinas. A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) emitiu entretanto um comunicado que refere que só há 195 dias lectivos, segundo o Quadro da Organização Curricular da Educação Regular do Regime Escolar Local, tendo sugerido às escolas que façam o planeamento prévio, caso haja um cancelamento das aulas no Verão.

Wynn Palace Esculturas por mais de 200 milhões

A Wynn Macau comprou duas esculturas no valor por cerca de 264 milhões de dólares de Hong Kong. A compra de uma “Tulipa” e uma “Ânfora” foi feita à Wynn Design and Development, uma empresa pertencente à também casa mãe da Wynn Macau, a Wynn Resorts. A venda das esculturas foi feita na passada quarta-feira e, num comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong, a empresa explica que a escultura da tulipa é uma “das cinco únicas versões da obra de arte de Jeff Koons”. Já a “Amphora III” foi criada pela ceramista Viola Frey. Ambas as obras vão estar expostas no novo resort da empresa no Cotai, o Wynn Palace.


8 sociedade

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Macau Gaming Show com novo nome e nova estratégia

A

Corrupção Ex-chefe da DSAT nega acusações

Dinheiro limpo

É acusado de ter entregue a gestão de parques de estacionamento públicos em troca de dinheiro, mas Lou Ngai Wa, ex-chefe da Divisão de Gestão de Transportes da DSAT, nega tudo

L

ou Ngai Wa, ex-chefe da Divisão de Gestão de Transportes da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), negou ontem em tribunal as acusações de corrupção por ter alegadamente ajudado três empresas de auto-silos a obter a gestão de parques de estacionamento. O ex-responsável, que estava em prisão preventiva, disse ainda que não fez qualquer transferência de dinheiro para o interior da China.

O caso começou ontem no Tribunal Judicial de Base (TJB), dia em que se soube também que as empresas envolvidas são a Companhia de Serviços de Limpeza e Administração de Propriedades San Wai Son, a Empresa de Gestão Predial de Lam Fung e a Companhia de Gestão de Estacionamento de Lun Hap. De acordo com a acusação, as três terão obtido 54 contratos com a DSAT entre 2012 e 2015, sem necessidade de concurso

público. Lou Ngai Wa diz que a ausência de concurso público se deveu à necessidade urgente de lugares de estacionamento e à lentidão de um processo destes.

E há mais

Mas o ex-responsável não é o único envolvido. No caso há mais cinco arguidos, entre eles um outro exfuncionário da DSAT, Pun Ngai, subordinado de Lou. Os parques envolvidos neste caso ocupam 70% dos estacionamentos públicos

do território. Lou Ngai Wai nega ter recebido qualquer suborno e ter pedido directa ou indirectamente aos seus subordinados para selecionar as propostas das empresas envolvidas. Sobre a transferência de capitais para o interior da China, o ex-responsável explicou que os capitais não são dele: como já levou várias vezes amigos para jogar nos casinos, mandou estes capitais ganhos no jogo para a China via agências de turismo, defendeu ontem, referindo ainda que recebeu uma comissão de jogo de futebol ilegal. Lam Hin San, director da DSAT, disse ao canal chinês da Rádio Macau que pediu sempre aos seus colegas para serem honestos e que o organismo governamental se esforça sempre por utilizar a via do concurso público para a adjudicação da gestão de parques. Tomás Chio (revisto por J.F.) info@hojemacau.com.mo

Macao Gaming Show vai passar a designar-se MGS Entertainment Show, uma mudança que, segundo nota da organização, prende-se com a necessidade de acertar o passo com a estratégia do Governo de promover a diversificação económica, bem como a de fomentar outras áreas da indústria de lazer para além do jogo. Assim, por via desta reorientação, será possível à feira acolher expositores e produtos para além do jogo, explica ainda a nota. A organização, a cargo da Associação de Fabricantes de Equipamentos de Jogo (MGEMA – na sigla inglesa), garante que esta próxima edição será “actualizada e modernizada, evoluindo do modelo original da feira tradicionalmente organizada em Las Vegas”. O objectivo, dizem, é “trazer para a Ásia a primeira feira a englobar jogo e entretenimento em geral”.

Segundo Jay Chun, presidente da MGEMA, “a MGS Entertainment Show é mais do que uma exposição. A intenção é a de chegar a todos os níveis da indústria que contribuem para os negócios de um destino de turismo e entretenimento”. Para o Executivo, a aposta na diversificação económica está mesmo no centro das suas preocupações adiantando que “é por essa razão que o Governo apoia o evento.” A edição do ano transacto foi, para a MGEMA, “um grande sucesso”, ao registarem incrementos a vários níveis nomeadamente de visitantes que totalizaram 13.186 (11,987 em 2014), mais empresas presentes, 168 e mais países representados. A MGS chega este ano à sua quarta edição e acontecerá no próximo mês de Novembro entre os dias 15 e 17.

TSI indefere providência cautelar da CESL-Ásia

O concurso para a exploração da ETAR de Macau continua a correr, depois de o Tribunal de Segunda Instância ter indeferido, ontem, providência cautelar apresentada pela CESL-Ásia. De acordo com notícia da Rádio Macau, a empresa, actual concessionária e concorrente, avançou para tribunal e a acção levou à suspensão temporário do concurso, entretanto reaberto por interesse público e com esta decisão o Governo pode continuar a avaliar as propostas apresentadas por quatro empresas neste concurso público

Concurso para complexo no Pac On com 15 propostas

O concurso para a exploração da ETAR de Macau continua a correr, depois de o Tribunal de Segunda Instância ter indeferido, ontem, providência cautelar apresentada pela CESL-Ásia. De acordo com notícia da Rádio Macau, a empresa, actual concessionária e concorrente, avançou para tribunal e a acção levou à suspensão temporário do concurso, entretanto reaberto por interesse público e com esta decisão o Governo pode continuar a avaliar as propostas apresentadas por quatro empresas neste concurso público


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Boston Consulting Group publicou ontem um relatório onde lista as 100 maiores “competidoras globais” verificandose que mais de uma quarto são chinesas. Por outro lado, ficouse também a saber que as empresas das economias emergentes já ocupam mais de 40% de participação no mercado industrial

A

s empresas com rápido crescimento em vários sectores na China e outras economias emergentes estão a ascender no palco internacional, de acordo com um relatório do Boston Consulting Group (BCG). O relatório, publicado na segunda-feira, lista 100 empresas consideradas como “compe-

Empresas chinesas ascendem no palco internacional

À conquista do mundo

tidoras globais”, as empresas de desenvolvimento contínuo em direcção ao mercado global com desempenhos excelentes. Daquele total, 28 empresas são chinesas, ou seja, mais de um quarto.

“As empresas chinesas são o maior grupo da lista. Por isso, pelo tamanho absoluto da posição, terão mais impacto do que qualquer outra”, disse Dinesh Khanna, co-autor e líder da prática de Vantagem Global do BCG.

Unidos venceremos

Maior grupo de terras raras chinês é formado para impulsionar indústria

A

aquisição e a integração da empresa para formar o Grupo de Terra Rara do Sul da China foram autorizadas por um painel de especialistas, disseram as autoridades na quarta-feira. O grupo foi estabelecido pelo Grupo de Terra Rara de Ganzhou, Grupo de Cobre de Jiangxi e Grupo de Terra Rara e Metais Raros de

Tungsténio de Jiangxi em Abril de 2015 em Ganzhou, Província de Jiangxi, como parte das medidas para promover a integração de recursos ao integrar empresas para formar entidades maiores. Segundo Li Zhuxing, vice-presidente de Grupo da Terra Rara de Ganzhou, o trabalho de fusão do grupo passou pela avaliação de espe-

cialistas durante uma conferência de inspecção organizada pela Comissão de Indústria e Tecnologia da Informação de Jiangxi na segunda-feira. Com um investimento de mil milhões de yuans, o grupo realizou a fusão de 24 empresas de terra rara e formou uma cadeia industrial completa incluindo exploração, fundição, processamento, comércio e pesquisa. O grupo impulsiona a capacidade de explorar 43.600 toneladas de terra rara crua por ano e fundir e separar 59.200 toneladas dos minerais anualmente. Zhang Fengkui, funcionário da Associação de Indústria de Terra Rara da China, disse que a formação do grupo pode reestruturar a indústria e melhorar a eficiência da utilização de recursos.

Na frente

A China é o maior produtor e exportador de terra rara do mundo. Estima-se mesmo que cerca de 97% destas terras sejam produzidas na China mas a indústria tem uma série

Entre as empresas chinesas listadas estão Alibaba Group, Citic Group, Dalian Wanda Group Co., Xiaomi Corp. e China Eastern Airlines Corp. “Acreditamos que estas empresas representam a próxima

de problemas, tais como mineração ilegal, contrabando e falta de competitividade devido a fraca pesquisa e desenvolvimento. A exploração excessiva também causou danos ambientais mas, devido à diminuição das quantidades exportadas, outros países têm vindo a incrementar a extracção de terras raras. Em 2011, o Conselho de Estado da China emitiu uma directriz para melhorar a gestão da indústria, incluindo o combate à mineração ilegal e o incentivo de fusões.

Material precioso

As terras raras ou metais de terras raras são um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos. As principais fontes económicas de terras raras são os minerais monazite, bastnasite, xenótimo e loparite e as argilas lateríticas que absorvem iões. As suas propriedades químicas e físicas são utilizadas numa grande variedade de aplicações tecnológicas e estão incorporadas em supercondutores, magnetos e catalisadores, entre outros. Foram também muito usadas em tubos de raios catódicos para televisores e computadores.

china

força do crescimento económico”, disse Khanna.

Emergentes em força

De acordo com o relatório, as empresas das economias emergentes já ocupam mais de 40% de participação no mercado industrial, dos electrodomésticos à construção e bens imobiliários. “Há dez anos, a lista de competidores globais era dominada pelas empresas de recursos e mercadorias industriais competindo em termos de custo. Muitos competidores de hoje dependem do consumo da classe média nos mercados emergentes e outros lugares,” disse Michael Meyer, co-autor e parceiro com base em Singapura. Apesar da turbulência económica em diferentes países, o rendimento e os lucros de 100 empresas mantiveram-se num nível estável. No total, entre 2005 e 2014, conseguiram quadruplicar os rendimentos no exterior para 944 mil milhões de dólares. Estas empresas, nos seus processos de desenvolvimento, também se envolveram na aquisição de empresas estrangeiras para expandir escala, explorar novos mercados ou procurar melhoria de tecnologia, indicou o relatório. Fundado em 1963, o BCG é uma das principais consultorias no mundo em relação à estratégia comercial com 85 escritórios em 48 países.

PCC tem 88 milhões de filiados

XO Partido Comunista Chinês (PCC) tinha, no final do ano passado, 88,75 milhões de membros, indicou ontem a organização. Segundo os dados citados pela agência oficial Xinhua ontem, na véspera do 95.º aniversário do PCC, em 2015, o partido recrutou mais 965.000 pessoas comparativamente a 2014, reflectindo um aumento ligeiro de 1,1%. No universo total de filiados, 22,27 milhões eram mulheres, ou seja, um quarto do total (25,1%), enquanto 6,18 milhões (7%) pertenciam a minorias étnicas, num país que tem mais de 1,3 mil milhões de habitantes. Fundado no dia 1 de Julho de 1921 por 13 delegados representativos dos 53 militantes organizados em todo o país, o PCC é hoje a maior organização política do mundo e uma das que se mantém há mais tempo no poder. No poder desde 1949, o PCC é dirigido no dia-adia pelo Comité Permanente do Politburo, órgão composto por sete elementos e encabeçado pelo secretário-geral do partido, Xi Jinping, o cargo mais importante do país.


10 eventos

IC XXXII Exposição Colectiva dos Artistas de Macau

É

já no próximo dia 7 que o Instituto Cultural (IC) vai promover sessão de avaliação das obras seleccionadas para a XXXII Exposição Colectiva dos Artistas de Macau. Esta edição recebeu 260 obras, onde se incluem 78 obras de pintura chinesa, 84 de pintura ocidental e 98 de caligrafia. O júri que irá avaliar as obras para prémio inclui críticos de arte de Macau, Hong Kong, Interior da China e Taiwan. Os prémios serão atribuídos nas categorias de pintura chinesa, pintura ocidental e caligrafia chinesa. Em cada categoria serão atribuídos, um prémio para a melhor execução e outro para novos talentos. Os vencedores receberão um prémio pecuniário e um troféu

que a organização classifica de “encorajamento”. Um dos premiados com o “Prémio Melhor Execução” será seleccionado pelo júri para receber o “Prémio Especial Melhor Execução” e pelo qual será convidado a realizar uma exposição individual. Os artistas distinguidos com o “Prémio Novos Talentos” serão convidados a realizar uma colectiva. As obras seleccionadas e premiadas serão expostas na XXXII Exposição Colectiva dos Artistas de Macau, no próximo mês de Setembro e passam a integrar em definitivo a colecção permanente do IC. A sessão decorrerá no dia 7 de Julho, pelas 10:00 horas, no Fórum de Macau e está prevista uma zona para espectadores, já que é aberta ao público em geral.

“Mês de Portugal” Iniciativa com muita adesão veio

Somos os maior

A “ M P c M q o q e p u a e d

Workshops de Intusigi na Creative Macau

V

ão ter lugar, na Creative Macau, dois workshops dedicados à antiga arte japonesa Intusigi. A arte associada à filosofia da aceitação da imperfeição, que dá mote à iniciativa, pretende dar a conhecer tanto as técnicas básicas, como a sua aplicação na área das Belas Artes. A dar a formação está Kristina Mar, natural de Coimbra, que conta com nome feito no panorama da arte da cerâmica artística, adianta a organização. Residente em Quioto desde 1993, a artista é conhecida pelo seu trabalho na área,

nomeadamente no que respeita à arte da cerâmica asiática e europeia. Intusigi significa literalmente “reparação dourada que junta” e refere-se à arte japonesa para reconstruir cerâmica através de laca misturada com pó dourado, prateado ou platinado. Representa ainda a aceitação do dano e da imperfeição enquanto filosofia na medida em que não esconde o estrago ao mesmo tempo que lhe atribui beleza. Para esta iniciativa os interessados são chamados a trazer as peças de cerâmica partidas que possuam, de modo a procederem ao seu arranjo. Será utilizada a laca japonesa para a criação de um novo objecto com novo design, dando outra vida às peças. Os workshops ocupam, cada um, 15 horas de formação e decorrem entre 6 e 14 de Julho, para as técnicas básicas, e entre 6 e 16, para as belas arte aplicadas. O valor da inscrição é de 1600 patacas e confere aos participantes o respectivo certificado. A iniciativa é leccionada em Inglês e Japonês.

O seu filho num espectáculo da Broadway?

Ter a oportunidade de participar num espectáculo da Broadway, ainda por cima num papel importante, não é uma oportunidade que surja todos os dias. Mas é o que pode acontecer a uma criança de Macau, que tenha idades entre os sete e os dez anos, com talento para representação e altura não superior a 1,44 metros. Soa parecido com o seu filho? O papel é o de Shrek em criança e destina-se ao espectáculo que estará em cartaz no próximo mês de Julho, no Venetian. As audições são já este sábado, dia 2, pelas 12h00, no Sands Theatre. Os escolhidos vão ter a oportunidade estar em palco com o elenco do espectáculo, mas terão de estar disponíveis para todos os 21 espectáculos que decorrerão de 22 de Julho a 7 de Agosto. As inscrições pode ser feitas por email para amelia.stein@ sands.com.mo ou gracinda.mou@sands.com.mo.

À venda na Livraria Portuguesa Os Crimes da Rua Morgue • Edgar Allan Poe

“Os Crimes da Rua Morgue” é considerado por muitos a primeira obra policial de sempre. Mãe e filha são encontradas mortas num edifício situado na Rua Morgue, uma artéria parisiense. As vítimas foram brutalmente assassinadas e a sala onde foram descobertos os corpos encontrava-se trancada por dentro. Para adensar o mistério, os vizinhos alegam ter ouvido o assassino falar numa língua que ninguém consegue identificar. Quando um homem é acusado do crime, C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, oferece-se para ajudar a polícia a resolver este caso e impedir que um homem inocente seja preso por um crime que Dupin acredita não ter cometido.

T

erminou ontem a iniciativa “Junho – Mês de Portugal” que, na visão dos organizadores, superou as expectativas e acaba em “balanço francamente positivo”. Foram 30 dias com exposições, ciclos de cinema, música, teatro e tantas coisa mais para marcar o Dia de Camões, de Portugal e da Comunidades

Portuguesas. Este ano, entre 1 e 30 de Junho, juntaram-se o Consulado de Portugal, a Casa de Portugal em Macau, o Instituto Português do Oriente (IPOR), a Fundação Oriente, o Clube Militar e a Livraria Portuguesa. Para João Laurentino Neves, presidente do IPOR, esta iniciativa foi um óbvio exemplo de bom trabalho entre as associações. “Um

trabalho que já existia bilateralmente em alguns caos, mas que agora veio para ficar. O programa veio provar que, quando as instituições se coordenam entre si, é possível construir um programa não só vasto, mas abrangente em termos das áreas da expressão cultural e artística e sobretudo um programa de qualidade”, explicou ao HM, frisando o importante trabalho que

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

O Quase Fim do Mundo • Pepetela

E se a vida animal de repente desaparecesse da Terra, excepto num pequeno recanto do mundo e em doses mínimas? Talvez as causas se conheçam depois, mas o que importa é a existência de alguns seres, aturdidos pelo desaparecimento de tantos, e procurando sobreviver. É sobre estes sobreviventes e as suas reacções, desejos, frustrações mas também pequenas/grandes vitórias que trata este romance. Detalhe importante: o recanto do mundo que escapou à hecatombe situa-se numa desgraçada zona da desgraçada África. O que permitirá questionar as relações contemporâneas no velho Mundo.


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io para ficar

sa”, frisou, sublinhando que, desse ponto de vista, o balanço só pode ser positivo.

ores

hoje na chávena Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

De olhos postos

Vítor Sereno, Cônsul-Geral, desempenhou na divulgação da iniciativa. O resultado final não podia ser mais positivo, diz. “O programa não só proporcionou à comunidade de Macau um conjunto de excelentes eventos, mas promoveu-se igualmente, de forma muito positiva, aquilo que é a produção cultural e aquilo que é produção artística portugue-

SALSAPARRILHA Nome botânico: Smilax spp. Entre outras, são usadas as espécies Smilax aspera L., Smilax officinalis L., Smilax aristolochiifolia Mill., Smilax ornata Lem. e Smilax febrifuga Kunth Família: Smilacaceae (Liliaceae). Nomes populares: S. aspera: ALEGAÇÃO; ALEGRA-CAMPO; LEGAÇÃO; RECAMA; SALSAPARRILHA-BASTARDA; SALSAPARRILHA-DO-REINO; SALSAPARRILHA-INDÍGENA. Delfim Ruas

A iniciativa “Junho Mês de Portugal” conquistou Macau.É o que dizem organizadores, que falam em mais pessoas, união entre associações e vontade de continuar

Prova do sucesso é o aumento no número de pessoas que aderiram às várias actividades. “As assistências que estiveram em qualquer um dos eventos que compunham este programa, mesmo aqueles em que tradicionalmente é mais difícil mobilizar a pessoas, cresceram quando comparando com iniciativas anteriores”, afirmou, frisando que não só portugueses compunham este auditório. A concordar está Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, que justifica uma maior adesão na calendarização das actividades. “No conjunto, as iniciativas foram extremamente positivas. Houve de facto uma maior presença das pessoas. Penso que o facto das coisas não acontecerem em dias seguidos facilita que haja uma maior adesão. Temos essa experiência, quando os eventos acontecem muito próximos uns dos outros não dá para as pessoas gerirem o seu tempo. Ser num mês inteiro, com intervalos, permite uma maior adesão”, apontou.

É para continuar

Desengane-se quem tinha dúvidas. A iniciativa é para continuar. “O Cônsul-Geral sempre disse que esta actividade é para ficar, mas claro depende sempre da vontade das instituições. Julgo que existe essa boa e grande vontade. Julgo que se pretende que este seja um programa para que Portugal marque de facto no calendário o mês de Junho como especial. Em que se juntam vários esforços, colaborações das instituições, empresas, parceiros, do próprio Governo da RAEM neste programa”, aponta. Para a presidente da Casa de Portugal este é o resultado de um trabalho feito ao longo dos últimos anos. “Claro que queremos continuar. Isto é uma coisa [para] a qual já se

O yoga está na moda e é para todos

eventos

vinha a caminhar. Não é uma coisa que aconteceu este ano. Já vínhamos a trabalhar para isto, não era explícito que seria um mês, mas sempre quisemos juntar as peças de cada associação e instituição para fazer uma coisa mais representativa. Já tínhamos tentado, agora assumiu um nome e uma meta. Acho que é de defender a continuação”, rematou. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Domingo é dia aberto numa iniciativa do Yoga Loft Macau e a ter lugar no mesmo local. Rita Gonçalves, organizadora, adianta ao HM que este é mais um evento que propõe a todos um fim de semana diferente. Para isso concebeu um programa de workshops temáticos cujo fio condutor é, claro, a prática do Yoga. O programa abre às 10h30 com o “morning stretch” ao qual se segue o “yoga pose lab” às 13h00 em que são analisadas as tão conhecidas poses da modalidade. Às 15h00 e às 17h00 estão marcados mais duas oficinas, uma para fortalecimento e outra para uma iniciação ao Vinyasa Flow. Para os interessados num só workshop o valor da inscrição é de 150 patacas, enquanto para quem quiser passar o dia todo na modalidade o valor é de 500 patacas.

A Salsaparrilha engloba largas dezenas de espécies do género Smilax, oriundas da América Central e do Sul, Europa Meridional, Ásia e Austrália, onde habita nas florestas tropicais e regiões de clima temperado. Entre elas, encontra-se a Smilax aspera, vulgar nos bosques, sebes, muros e bermas dos caminhos da região mediterrânica. Trata-se de uma trepadeira lenhosa, de caules angulosos e espinhosos, sempre-verde; apresenta folhas brilhantes, cordiformes, pecioladas e com 2 gavinhas na base do pecíolo; as flores são pequenas, de cor branco-esverdeada, e, os frutos, bagas vermelhas ou enegrecidas. Referida na Antiguidade por Dioscórides e Teofrasto, a Salsaparrilha alcançou grande notoriedade no século XVI, quando várias espécies americanas do mesmo género botânico foram trazidas para Espanha. Como os povos indígenas do Novo Mundo a utilizavam como depurativa no tratamento da sífilis, a Salsaparrilha autóctone passou a ser designada por Salsaparrilha-bastarda… Foi ainda mencionada por Lacuna e Mattioli, mas as expectativas eram tão exageradas que a planta acabou por perder popularidade. Actualmente continua a ser usada, tanto na medicina indígena, como na fitoterapia ocidental. São utilizadas as raízes e rizomas. Composição Saponósidos esteróides (sarsapogenina, smilagenina), fitosteróis (ácido sarsápico, estigmasterol, beta-sitosterol), taninos, resina e óleo essencial; contém ainda amido, colina e sais minerais (cálcio, potássio). Aroma agradável. Acção terapêutica Com acção diurética e depurativa, a Salsaparrilha favorece a eliminação de ácido úrico, ureia e outros resíduos do metabolismo, sendo ainda antioxidante, anti-inflamatória e protectora renal. Tem indicação em caso de edemas, retenção da urina (oligúria), inflamação da bexiga, hipertensão arterial, cálculos renais, ureia elevada, nefrite e insuficiência renal. Pode

igualmente ser administrada na hiperuricemia, gota, reumatismo e artrite reumatóide, pelas propriedades anti-reumáticas. É uma das plantas mais utilizadas nas afecções da pele, como acne, eczemas, ictiose e psoríase e em curas depurativas, tendo sido muito usada no tratamento da sífilis, gonorreia e outras doenças sexualmente transmissíveis. Expectorante, esta liana induz a sudação, auxiliando no combate à febre, e fortalece a imunidade, sendo empregue na tosse e catarro, bronquite, asma, gripe e afecções febris em geral. Também reduz os níveis elevados no sangue de glicose, colesterol e triglicéridos. Outras propriedades Com uma acção hormonal semelhante à progesterona e testosterona, a Salsaparrilha tem sido tradicionalmente usada nas perturbações pré-menstruais e da menopausa (debilidade, depressão, afecções da pele, sintomas artríticos) e na impotência, sendo considerado um tónico e estimulante sexual (afrodisíaco). Tem ainda actividade de tipo anabolizante, conduzindo a um aumento da massa muscular. Como tomar Uso interno: •Decocção das raízes: 1 colher de sobremesa por chávena de água. Tomar 3 chávenas por dia, meia hora antes das refeições. •Pode ser ainda administrada em tintura ou cápsulas ou, em fórmulas de plantas, para os cálculos renais, como depurativo e como drenador no emagrecimento (xaropes). •Os rebentos jovens podem ser ingeridos crus, ou cozinhados como um substituto dos Espargos. As folhas podem ser consumidas como verdura. •É usada como espumante em diversas bebidas refrescantes (devido às saponinas). Precauções Não são conhecidas contra-indicações, nem efeitos adversos nas dosagens habitualmente prescritas. Devido à actividade diurética, o seu uso em caso de hipertensão, cardiopatias e insuficiência renal moderada ou grave, deve ser sob vigilância de um profissional, devido à possibilidade de descompensação da pressão arterial. Respeitar as posologias e evitar tratamentos prolongados – em doses elevadas, pode provocar náuseas e vómitos, gastrenterites e um aumento temporário da diurese. Pode interagir com alguns medicamentos, aumentando a sua absorção (digitálicos, sais de bismuto) ou acelerando a sua eliminação renal (hipnóticos). Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


h artes, letras e ideias

12

Do Atlântico Fenício ao Cabo das Tormentas

A

porta do Oceano Atlântico para o Índico foi reaberta em 1488 por Bartolomeu Dias, que lhe chamou Cabo das Tormentas. Passado doze anos, o destino deu-lhe razão! Aí morreu em 1500, aquando da sua viagem na frota de Pedro Álvares Cabral, já o nome tinha sido mudado por D. João II, para Cabo da Boa Esperança. Foi com muitas mortes que se aprendeu os tempos certos de entrada no Oceano Índico, após a aprendizagem feita no revoltoso Atlântico. Segundo Joaquim Veríssimo Serrão em Portugal e o Mundo: “As frotas que iam regularmente a devassar o Atlântico, para a descoberta de novas ilhas e terras, tinham como capitães homens adestrados nos caminhos do oceano, portanto técnicos da ciência naval que cumpriam missões de carácter exploratório marítimo. Assim sucedeu com os maiores nomes da navegação quatrocentista de Portugal, desde Gil Eanes, descobridor do cabo Bojador, a Nuno Branco, que atingiu, pela primeira vez, o cabo Branco; desde João de Santarém e Pêro Escobar, que descobriram o arquipélago de São Tomé e Príncipe, a Rui de Sequeira a quem se deve a abordagem ao cabo Catarina; desde Diogo Cão, que chegou ao rio Zaire e atingiu o litoral de Angola, a Bartolomeu Dias, protagonista da temerária empresa de ultrapassar o cabo da Boa Esperança. Eram todos comandantes de navios e experientes na arte náutica, a quem a coroa atribuía o encargo de avançar o processo dos Descobrimentos, no <mais além> que se atribui ao infante D. Henrique, o primeiro orientador da expansão atlântica”. Partira Bartolomeu Dias de Lisboa em 1486 e no Sul do continente africano sofreu um violento temporal, andando à deriva com o mar encapelado e ondas alterosas. Procurou costa para Leste, mas só encontrou mar. Rumou para Norte e descobriu terra, navegando depois pela costa Oriental de África até ao chamado Rio do Infante. Devido ao temporal sofrido apelidou-

Mediterrâneo, tinham relações com os povos do Oceano Índico através do Mar Vermelho e da Península Arábica. Alexandre da Macedónia usou os fenícios quando ocupou a Mesopotâmia e os conhecimentos marítimos deles para estabelecer colónias no Golfo Pérsico e em 323 a.n.E., quando morreu, o seu legado manteve-se Selêucida pela Ásia Central e no Egipto, com a dinastia dos Ptolomeus. A Ásia Central apresentava-se dividida, com os partos a separarem-se logo em meados do século III a.n.E. e no Oriente, com o reino da Báctria. É com este panorama que no século II os chineses e romanos vão procurar encontrar-se pelo mar. Os romanos chegavam à China e os chineses andavam pela Pérsia a procurar conhecer os caminhos pelo mar para atingir o Mediterrâneo. Assim, mais de dois mil anos antes da viagem de Bartolomeu Dias, já os fenícios tinham dobrado o Cabo que trouxe a Esperança aos portugueses. Daqui se percebe o legado dos fenícios para a navegação do Atlântico. -se aquele promontório de Cabo das Tormentas. Bartolomeu Dias só chegou a Lisboa em Dezembro de 1488.

Os Fenícios pelo Atlântico

Os fenícios navegavam por todo o Mar Mediterrâneo no século X a.C., tendo-se aventurado depois pelo Oceano Atlântico. O rei fenício Hirão estabeleceu um acordo com Israel, para desenvolver o comércio. Assim, o auxílio a Israel com conhecimentos técnicos permitia aos fenícios o acesso ao Mar Vermelho. Com madeiras de cedro vindas da Fenícia (actual Líbano), construíram-se barcos de longo curso que, do porto de Asiongáber (talvez a actual cidade de Elath), no Golfo de Áqaba, partiram para expedições comerciais. Os fenícios descobriram a utilidade da Estrela Polar para a navegação. Consta que no século VIII a.C., deram a volta a África, de Oriente para Oci-

dente, ao serviço do faraó Necao II. Descrita no século seguinte por Heródoto, a viagem que durou três anos, fez-se navegando para Sul ao longo da costa Oriental de África e regressou ao Egipto pelo Mediterrâneo. Com o tempo esta viagem perdeu-se da memória. O mesmo aconteceu ao navegador cartaginês, Hanon, que segundo Bartolomeu de Las Casas, transpôs o Cabo Hespéridas, mas outras fontes revelam que essa expedição de sessenta barcos, iniciada em 470 a.C. (ou 520 a.C.), teria saído de Gibraltar e desta vez pelo Ocidente navegou para criar colonatos pela costa Ocidental de África. Fundaram um entreposto na foz do Rio do Ouro, mas ao atingir as costas do actual país Camarões, aí encontraram um mar de fogo e por isso, não prosseguiram. Os cartagineses visitavam com regularidade as costas da Península Ibérica e a céltica, indo à Cornualha para adquirir estanho. Já os gregos, para além do

Preparação para navegar no Índico

Corria o ano de 1291, em Portugal reinava D. Dinis (1279-1325), O Lavrador, quando dois irmãos genoveses, Ugolino e Vadino Vivaldi, partiram no mês de Maio em uma ou duas galés de Génova no Mar Mediterrâneo. Tendo o promotor da viagem “Tedisio Doria, pertencente à burguesia endinheirada genovesa, que contraiu empréstimos avultados, já que se previa para a expedição um prazo de anos. Sabe-se que a viagem, depois de escalas em Maiorca e Ceuta, prosseguiu para sul, para lá do estreito de Gibraltar, até aproximadamente à latitude do cabo marroquino de Rhir (Guer), um pouco a norte de Agadir. Contudo, a partir daí, tudo se desvanece em conjecturas”, segundo A. H. de Oliveira Marques. Já outras fontes referem terem eles se aventurado a navegar pelo Atlântico, fizeram escala nas Canárias e seguindo para Sul, na tentativa de dobrar o continente africano e chegar à Índia, desapareceram.


13 hoje macau sexta-feira 1.7.2016

José Simões Morais

Estava na memória ainda fresca esta viagem, que o Rei D. Dinis seguramente tomara conhecimento e por isso, a organização do almirantado, cujas primeiras notícias remontam a 1288, com um tal Domingos Martins. Em 1317, o genovês Manuel Pessanha (Pezagno) foi contratado por D. Dinis como Almirante mor para reorganizar por completo a frota da marinha portuguesa. Após a morte deste rei em 1325, sucedeu-lhe o seu filho D. Afonso IV, que governou Portugal entre 1325 a 1357. “Entre 1329 e 1336 os Portugueses, quer por iniciativa régia quer por resolução do almirantado, organizaram uma primeira expedição que alcançou o arquipélago das Canárias, visitando, pelo menos, Lanzarote e Fuerteventura com as ilhotas adjacentes”, segundo A. H. de Oliveira Marques que refere: “O arquipélago das Canárias era conhecido desde longa data, tendo sido povoado talvez em finais do IV milénio a.C. a partir de África, por povos etnicamente aparentados com os Berberes, a que se seguiram outras vagas de invasores nos III e II milénios a.C.. Depois, tanto Fenícios quanto Gregos e Romanos o devem ter conhecido e eventualmente escalado, atribuindo-lhe a designação de Ilhas Afortunadas (Fortunatae Insulae), com que passou à lenda”. O Rei D. Afonso IV diz ter enviado uma esquadra capitaneada por Nicolau de Recco a explorar as Ilhas Canárias em 1336, marcando essa data o início das descobertas portuguesas. Os barcos usados pelos portugueses nas suas viagens marítimas foram

Para se atingir a Índia faltava a navegação entre o Rio do Infante e Sofala, apesar de constar que após 1488 e depois da viagem de Bartolomeu Dias ter passado o Cabo das Tormentas e chegado à costa Oriental da África, outras tinham sido secretamente realizadas, tendo conseguido viajar ainda mais para Norte evoluindo e se até 1436 se navegava em galés, nessa data apareceu a caravela, uma invenção portuguesa, produto de muito estudo e prática passada no mar, que permitiu navegar no alto-mar e em todos os oceanos. Era a embarcação mais adequada devido a ser ligeira com pequena calagem e facilidade de manobra, que não precisava de um grande número de homens.

Pêro da Covilhã e o Mar Arábico

Reinava já D. João II (1481-1495), quando este rei convocou Pêro da Covilhã dando-lhe uma secreta missão. Constava em ir até à Índia, saber de onde vinham as especiarias, de conhecer os métodos de navegação usados no Mar Arábico, as rotas comerciais muçulmanas e as ligações com a costa Oriental de África. Afonso Paiva, que acompanharia Pêro da Covilhã até ao Egipto, levava como missão entrar na Abissínia e encontrar-se com o Preste João. Saíram de Santarém a 7 de Maio de 1487, ano em que Bartolomeu Dias partia por mar para dobrar o Cabo das Tormentas. Passando por Lisboa seguiram por terra até Barcelona, depois

foram a Nápoles e daí continuaram até à ilha de Rhodes. Entraram disfarçados em território islâmico. Pêro da Covilhã falava árabe por ter vivido em Sevilha durante a sua juventude e o seu conhecimento da cultura muçulmana aliado ao aspecto físico, semelhante aos homens do Norte de África, permitiu-lhe confundir-se com os povos que a partir daí foi visitando. Disfarçados de mercadores de mel entraram em Alexandria, onde adoeceram e só de lá saíram quando se restabeleceram. Depois seguiram para o Cairo, onde Pêro da Covilhã encontrou comerciantes de Tremezém seus conhecidos, com quem continuaram viagem, já no ano de 1488 pelo Suez, até à cidade de Toro (ou Tur), na costa ocidental da península do Sinai. Daí atravessaram o Mar Vermelho e chegaram a Suaquém, na costa africana. No Verão de 1488, em Adém, Pêro da Covilhã separou-se de Afonso Paiva, com quem combinou uma data para se voltarem a encontrar no Cairo, quando cada um tivesse acabado de executar a sua missão. Agora sozinho, Pêro da Covilhã foi o “primeiro” português a visitar a Índia. Desembarcou em Cananor, a terra do

gengibre. Passou depois por Calicute, de onde eram exportadas a pimenta e outras especiarias para a Europa, nos barcos muçulmanos. Em 1489 vai a Goa, daí partindo pelo Mar Arábico até Ormuz, talvez integrado numa hajj, peregrinação a Meca. Nos finais de 1489 estava em Sofala, com mercadores muçulmanos e ficou a conhecer o local mais distanciado nas costas Orientais de África onde os barcos muçulmanos chegavam para comerciar. Era o primeiro europeu a visitar Sofala. Com tudo registado e a missão cumprida, Pêro da Covilhã voltou a Adém em 1489 e no ano seguinte estava em Toro, chegando de novo ao Cairo em 1491, onde tinha combinado encontrar-se com Afonso Paiva. Aí ficou a saber, por dois emissários que D. João II tinha enviado à sua procura, da morte do companheiro. Entregando o que registara da sua viagem pelo Mar Arábico, desde Sofala, na costa Oriental de África, até ao Sul da Índia, partiu depois para a Etiópia, a fim de concluir a missão que o rei de Portugal dera a Afonso Paiva, mas daí, onde de novo se casou, nunca mais saiu. Assim, para se atingir a Índia faltava a navegação entre o Rio do Infante e Sofala, apesar de constar que após 1488 e depois da viagem de Bartolomeu Dias ter passado o Cabo das Tormentas e chegado à costa Oriental da África, outras tinham sido secretamente realizadas, tendo conseguido viajar ainda mais para Norte. Sobre o Mar Arábico, D. João II tinha já desde 1492 as informações de Pêro da Covilhã sobre o comércio entre o porto de Sofala e a Índia.


h

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Nome interior E

NTRANHADO no cerne do texto como sob camadas e cama-

das. Ilegível. Podia ser crónica da cidade de K. Mas não uma referência à Trilogia da cidade de K. De A. Kristof. Simplesmente um paralelismo de título. Na Verdade a cidade de B – K, a cidade de B. Há um título. No interior do texto. No interior da cidade. Dessa cidade. No interior da casa, dessa casa. No interior. Um título difícil de dizer porque submerso. Ficou assim. Finalmente e bem, porque se trata do interior. Um título surge às vezes no início, vai mudando ao longo do texto e apresenta-se muitas vezes com a nitidez irremediável, no final. E com a naturalidade de núcleo em que quase podia resumir-se ali uma crónica. Não esta. Tanta dificuldade em definir um, não pela falta mas pelo excesso. Podia ser crónica da cidade de B. A cidade de K. Poderia ser uma trilogia das cidades de B., mas era uma outra crónica que não esta. Do muito antes, e esse seria um título possível, do muito depois, e seria outro. E de aí. E aqui vai. Do ver… Lembro muitas vezes aquela imagem. Agora que me interrogo, tantas vezes perplexa, sobre as múltiplas camadas do ser. O ser ínfimo, pequenino bem lá no âmago da parte mais recôndida de nós. Disse-ma, desenhada no discurso, com aquela nitidez preciosa de uma pequena fotografia antiga a sépia, uma mulher que vi uma única vez há muitos anos, de quem não lembro o nome, amiga de B. na cidade de K. “That little inner self” ou “that little inner me”. O inglês, meu e dela, não eram de grande sofisticação e nenhuma de nós falava a língua da outra. Casa nova. Uma festa com tango. Inaugural também dessa paixão para sempre. O tecto longínquo, uma lareira enorme e os quadros cheios de seres, minúsculos também eles, nas paredes. Enormes os quadros, povoados de enormes pinceladas cheias de inquietação a negro, ínfimos, quase invisíveis, os seres. Numa contradição de escalas absurda. Veemente. Que só mais tarde vim a entender. E a imagem ficou para sempre. Uma e outra. Ela, essa mulher doce, séria, intensa. De voz baixa quase inaudível. E a imagem que me fez ver. É esse ser pequenino que colhe e que fere.

De uma ternura que, maior que tudo, dói mais que tudo. Naquele dia, acordei na sala grande, rodeada daqueles quadros enormes e incríveis e com Milena – o nome não foi um acaso – miúda, sete, oito anos talvez, já não sei, com aquele ar feliz, aquela voz, já então curiosamente rouca e grossa, aquelas covinhas no rosto liso e branco, de um brilho quase de porcelana. E uns sapatos indizíveis de camurça preta, enormes e de salto alto, calçados e acabados de apanhar do lixo. Para me mostrar. Pareceu-me. Talvez em troca das ervilhas e arroz que lhe cozinhei aqui, e a única coisa que comia num país estranho. Quando queria ficar a dormir na minha cama e achou tanta graça, no seu modo aparentemente distante, quando lhe apresentei as minhas bonecas, e ao facto de terem nome. Claro que as minhas bonecas têm nome. Mesmo Sissi, mais recentemente. A minha primeira boneca menina, oferecida por uma prima imigrante em França. De cabelos crespos aloirados e olhos azuis. E crioula - a boneca - realidade que só se impôs com toda a sua estrondosa evidência, como uma epifania há meia dúzia de anos. Como aquele meu tio-avô adorável e com nome de flor, alto, moreno, de olhos salientes e lábios enormes, cabelo frisadinho e músico de trompete…Tocava aos toiros nas horas vagas. E de resto contabilista como Pessoa. Mas como pessoa, um amor de energia, ternura e humor. Daquele se diz que a contabilidade traz o poeta à realidade. Deste, meu tio, talvez a música. O fizesse voar dali. Aquele rés-do-chão alto em K., a lembrar uma imagem onírica, remota, bela. Montparnasse, uma janela, um quadro vivo, uma sala grande, um piano, livros, uma mesa enorme para dois, calmos, sós de aparência silenciosa, com todos os segredos e raivas possíveis para além daquele momento mudo entrevisto de baixo, de longe. À distância da utopia. Com B. ali também, os nossos seres pequeninos e grandes, de mão dada a olhar. Mas em K. agora, muito tempo depois, já não de mãos dadas, mas visíveis como sempre, uma cidade realmente triste e com um número contadinho sovinamente de horas de sol. Não semanais ou mensais. Anuais.

Onde, mesmo assim aas pessoas conseguem ser felizes. Ou por um outro lado, talvez o contrário, talvez o oposto, a Islândia. Como se pode viver sem o lado escuro dos dias, sem o lado noctuno da alma, ou sem lhe encontrar o lugar de apaziguamento, de fechar as portas a recolher-se depois de toda a violência, de todo o conteúdo a extravasar dos dias. Altos e baixos como as vagas e mudar a folha do calendário. Como se consegue viver sem esse lado nocturno de nós e sem a empatia da noite, o ocultar progressivo do ruído, o sinal de que é bom apagar e reacender para outro dia mesmo se igual. Apagar em sintonia com o astro. Como cílio enorme que se fecha connosco no seu seio. Mais tarde no dia, os miúdos todos do prédio sentados na cozinha a comer batatas. Cozidas e com azeite. Só. A maravilha das coisas pequenas. Mas não como aqueles comedores de batatas de Van Gogh, o chilreio era de alegria, e porque não havia tempo para mais nos preparativos da festa. Ela, essa mulher nesse dia e de quem não lembro o nome, sensível, secreta e densa. Esqueci-lhe o nome e perdi-a de vista porque tem que ser assim com muitas pessoas que vão passando. Havia um papelinho fino, arrancado ao canto de uma página de qualquer coisa, um envelope, talvez, com uma morada ou talvez um endereço de email, já não sei. Mas a propósito de deixar de fumar, naquela sua voz baixa de uma enorme suavidade, seriedade e ponderação no peso com que dizia. Dizia ela, que isso acontece no dia em que conseguirmos ver com clareza esse ser pequenino, verdadeiro elementar e íntimo que transportamos em nós, e o virmos como um ser que se carateriza ou não por fumar. Penso muito nisso e agora, que vejo melhor esse ser pequeno, insignificante e escondido a boiar na imensidão de tudo o resto que sou no coração, vejo-o, a esse ser pequenino como uma criança que fuma. Sempre. É isso. Pequena, carente, indefesa, desesperada e dependente. Uma criança de três anos, que fuma. Nada é possível fazer. Dizendo o que ficou dito, ficou tudo o mais por dizer. Porque isso sou eu a dizê-lo. Eu que sou outra. E se eu fosse mais eu, dizia de maneira diferente. Noutro tempo noutras palavras. A

forma, o recorte exacto, a cor, o aroma do medo, tudo. Tudo o que não sou porque não quero ser. Não posso e não quero ser. Mas sou lá no fundo. Bem lá no fundo. Um fundo longínquo mas como a crista da onda, sempre ciclicamente a alternar com a calmaria lisa suavemente curva e mansa chã. O chão da onda. Aquele movimento curvilíneo e largo de vai - vem. E dizendo, sou eu que o digo e não esse outro ser pequenino de mim. Essa é a voz que não se ouve. Talvez eu nunca me tenha afastado dessa figura pequenina mas vejo-a melhor agora. A propósito de uma outra imagem recorrente. Um núcleo central e centrado, ínfimo e irredutível, por detrás de todas as pessoas e personas que somos em camadas sucessivas, envolvendo de forma centrada ou dispersa esse centro essencial e original. De que partimos. Que abandonamos, esquecemos, odiamos, tememos, escondemos de tudo e todos e de nós. Também. Às vezes. Às vezes como uma pedra. Um seixo minúsculo e redondo por igual. Pesado como chumbo e ínfimo. E irredutível. E para dentro do qual não há mais nada do que a mesma matéria visível à superfície. Não me afastei nunca demasiado. Os terrores nocturnos que me acompanham até hoje podem dizê-lo. Que me perseguem. Uma destas noites, um estrondo enorme e de seguida um outro estrondo enorme. Nunca é preciso tanto para aquela paralisia de que sempre me custo a libertar, até conseguir mover o braço e acender a luz do candeeiro amigo. Percorrer a casa como um cão a farejar todas as possibilidades fantasmagóricas e a garantir que nada se passou. Ninguém. Nenhum monstro indizível. Nenhuma presença intangível. Só a casa. Acordada pelas luzes que vou acendendo precipitadamente ao longo dos corredores. Espreitando atrás de cada porta e olhando para cima do ombro para prever todas as possibilidades. E desta vez os estrondos impuseram-se no momento exacto do acordar e retrospectivamente com uma enorme carga de realidade. Realidade de som mas não de causa. A causa, como sempre, apresentava-se atemorizante, desconhecida, com uma qualidade etérea de fantasmagoria, acentuada pavorosamente pela aparente e veemente realidade do som.


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E os terrores nocturnos, sempre nocturnos. Mas não sempre, afinal. Com espaços, intervalos de não sei o quê. Basta um ruído desconhecido que me acorde, naquele pequeno desfasamento entre o acontecer, o acordar, e o perscrutar retrospectivo, e a angústia instala-se paralisante. Esta noite um estrondo forte. Ali por detrás da porta, irreconhecível, dramático fazedor de imagens. Possibilidades. E lá estava o terror. E, pela primeira vez, deixei-o ir passando quase com indiferença. Uma indiferença estranha. Como se houvesse algo maior a temer. Como se não fizesse mal o que quer que fosse. Nada importasse, nada valesse a pena. E ao contrário de sempre fiquei ali, meio distraída, ao contrário das outras vezes, por pensamentos sobre a estranha indiferença que me assaltou e pensei, estou a crescer. Depois pensei, estou talvez a morrer. Isto não me pareceu um bom sinal. Não ter quase mais medo. Não me importar o medo. Essa analogia quase como um presságio nunca se daria não fossem os pensamentos que avançaram na noite depois dos estrondos. A estranha indiferença pelas causas e pelos efeitos imperscrutáveis. A possibilidade de dormir depois. E dormir, depois. De manhã constatar serenamente que não foram pedaços de tecto que caíram como de outras vezes, mas um quadro que caiu, como de outras vezes e arrastando uma pesada moldura de latão. O quadro, um sorriso gigante de adolescência. Impresso em tela. Para uma exposição. O retrato, de mim com metade da idade. Significados, significantes. Ligados aos pensamentos da noite. Tenho vários retratos meus espalhados por aí. Mais para me lembrar que existi do que por narcisismo. Acho. Que existo. Como espelhos. Ela deixava-se ficar para trás. Lembra-se de si a olhar para o chão que ia percorrendo, a orla do vestido clarinho e os passos calçados de verniz preto. Mais abaixo no final das pernas pequeninas. E a pensar, que ela, a pessoa grande não se virava para esperar por si. Um pequeno pensamento velhaco de criança a precisar de um mimo. Um pequeno pensamento desonesto a explorar a diferença entre o caminhar de pernas grandes e pequeninas. De um teste à possibilidade da prova do amor. E hoje sabe que quando se deixa ficar para trás as pessoas não se voltam. E por isso fica simplesmente. Sabe que não se vão voltar, não é por isso. Como ela, a pessoa grande, embrenhada nos assuntos sérios, e na pressa da vida. Mas de noite aconchegava-lhe a roupa e chamava-lhe

Anabela Canas

anabela canas

de tudo e de nada

carocha. Com beijinhos no pescoço. Ou carochinha. Nome que ainda hoje está dissociado do bicho em si. E que fica para reler e de todas as vezes que tem dúvidas. Porque não o diz mais. E sabe-lhe bem. Nunca perguntou porquê nem adiantaria. Ela não se preocupava em pensar os porquês das coisas. Tinha mais que fazer e não era assim que era. Tomaram-lhe de assalto o quarto, quando a outra pessoa grande estava em África. No exacto dia em que partiu. Ela directamente para a sua cama e a outra pessoa pequena arrastando um divã para a nesga entalada entre a parede e a cama grande. E ali ficavam sozinhos uns com os outros. Não sei, não sabiam, se tinham medo das mesmas coisas. Ela, a pessoa grande, adormecia exausta e morta de um cansaço de nela e nos dias caberem coisas para cinquenta horas. E ela ficava ali sossegadinha a olhar de lado o monstro negro atrás da porta, desenhado pela pouquíssima luz da rua, coada pelos buraquinhos da persiana. E sempre sem se lembrar que de dia eram os roupões pendurados. Sabe-se lá se também de noite. Eram e não eram.

O ser ínfimo e pequeno, sem realidade e sem peso, denso como uma bolinha de chumbo. Daquelas, das espingardas de pressão de ar. Que um dia dispara sobre nós e atinge o coração. Em cheio e sem sangrar. E se aloja ali. Pequena, ínfima. Dor. E um dia acontece. Vê-se sem querer aquele ser pequenino de outra pessoa. No centro de tudo. Para além do gostar e do não gostar. Muito para lá atrás, por debaixo, detrás de todas as camadas contraditórias e dolorosas. Todas as feridas e todas as contradições. Um olhar mais que próximo por algo que querendo ou não, e por vezes abusivamente temos dentro de nós. Ver. Com toda a nitidez que se procurou intrincada no meio de todas as camadas. Debaixo de todas as sedimentações aleatórias. Sem esoterismo, só uma intuição com um desenho próprio. Ver. Então. Um ser pequenino e essencial. Nuclear. Ou porque conhecemos de criança, como Milena, ou porque nos aparece num primeiro olhar para além de uma estatura enorme como B. Outras vezes pode levar anos, décadas. A ver. E a partir daí, habita-nos, sem ruído e sem ferir como

em roupas de flanela macia. Que queremos acarinhar e cujas dores doem nas nossas mesmo que nada tenham a ver com a possibilidade de as amenizarmos. É o amor. O encontro com o ser pequenino de alguém. Outras vezes é o encontro mas não o amor. E outras, ainda, é o amor mas não esse encontro. Que, quando é, habita, mesmo sem saber. Que fica ali escondido quando está e escondido quando não está. Que vem de mansinho por entre todos os retratos. Dolorosamente acarinhado pelos dedos da alma. Se existem. Uns e a outra. Não saber como se insinuou assim, aquele, quando. Quem o vê, ama ou detém o poder imenso de manipular. Ou ambas as coisas. Algumas pessoas são estranhas mesmo na natureza do seu modo de amar. O resto é por vezes ilusão de óptica. Aconteceu-me. Uma e outra das coisas. E outras coisas de outras coisas. Ver. Mesmo que poucas pessoas, nessa qualidade-ser ínfima, despida e essencial, é privilégio e é imenso. Quem vi e vejo, caminha mesmo se à distância da saudade, “descalço e em pijama no meu coração”.


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hoje macau sexta-feira 1.7.2016


17 hoje macau sexta-feira 1.7.2016

opinião

A CANHOTA

S

Nascer para competir?

ou o tipo de pessoa que pensa e reflecte muito, por mim e pelos outros, por tudo ou por nada. “Fa Sheng” em Chinês é qualquer coisa como “pensamento floreado”. E eu estou sempre a pensar. É com muito prazer que vos apresento esta minha coluna de opinião. Estreio-me com um assunto bem quente. Há pouco tempo explodiu nas redes sociais o caso de uma mãe que já está a trabalhar para o sucesso do seu filho, quando este ainda nem sequer nasceu. Sim, a criança ainda está dentro da barriga da sua progenitora e a mãe já está a planear a sua vida. Ainda assim, nota a publicação, a mãe acha que já vai tarde. A preparação, diz, deveria começar antes sequer de ficar grávida. O caso suscitou uma enxurrada de opiniões. O tema ocupa espaço ainda num programa produzido pelo canal televisivo chinês de Hong Kong, a TVB, que pretende, de forma bem irónica, retratar este tipo de casos. Os pais assumem, pelo canal, o papel de “monstros” da organização, dos preparos, do futuro dos seus filhos, que ainda bem pequeninos já têm de saber coisas que só dizem respeito, ou deveriam dizer, aos adultos. Que só eles sabem e que é inútil às crianças. No programa, existem uma mãe e uma criança de quatro anos. A progenitora prepara a sua filha para aprender várias línguas, para além da língua materna. Mas não só. É preciso ainda dominar a matemática, a dança, o piano e, ao mesmo tempo, ser master em programação. Os pais acreditam que com mais conhecimentos, capacidades, qualificações e, até, prémios, os miúdos ganham um estatuto que lhes permite entrar numa escola de renome e alta qualidade. Chega-se ao ponto de uma mãe exemplificar que existem escolas – “conhecidas e boas” – que apenas admitem alunos que tenham nascido em Janeiro, portanto é preciso pensar que para o filho ter sucesso tem de se calendarizar a ejaculação do pai. Não vão as contas baterem errado. Acredito piamente que esse conceito existe também entre os pais de Macau. Vejo que as famílias mais abastadas metem sempre os seus filhos em escolas consideradas as melhores. Pensam que podem ter melhor formação, ou apenas querem mostrar aos outros pais que os filhos são alunos de boas escolas. Escolas que normalmente ensinam em Inglês ou Português. Escolas como a Pui Ching, que é considerada muito boa, mas cujos alunos já foram descobertos a roubar em lojas e a matar animais na rua. (Devo dizer que esta situação é muito mais notória em Hong Kong).

Charles Chaplin, City lights

Fa Seong 花想

“Compete-se pelos bons serviços de saúde, pelas vagas em creches, nos jardins-de-infância, nas escolas e depois nas universidades. Uma vida de competição” No caso que menciono das redes sociais, a mãe já está a sofrer por causa da questão das creches. Qual será aquela que o seu filho poderá frequentar? A progenitora já se está a comprar livros e álbuns de músicas – tudo em Inglês – e vai lendo para o seu filho para que ele – ainda dentro da barriga – comece a ficar familiarizado com a língua... Mais vale prevenir do que remediar, porque no caso desta mãe, o seu filho mais velho não foi muito bem sucedido na entrevista para o jardim-de-infância. A mãe

acha que não lhe preparou bem o futuro e, por isso, o filho não conseguiu expressar as suas capacidades tão bem quanto outras crianças. Comparado com essas, o seu filho não conseguia contar nem dizer as letras do abecedário e a mãe achou mesmo ele tinha um atraso mental. Posto isto, não há dúvidas: a mãe sente que tem de preparar o seu segundo filho melhor. Já não bastava um mundo de competição entre os adultos? Agora começa-se desde criança? Precisam mesmo de competir antes de nascerem? Compete-se pelos bons serviços de saúde, pelas vagas em creches, nos jardins-de-infância, nas escolas e depois nas universidades. Uma vida de competição. Uma outra mãe admitiu no programa que exige ao filho saber como são os amigos, para poder comparar e saber quem é o melhor. Um dos pais falou mesmo numa geração “zombie”, onde os jovens se comportam de igual modo, uns atrás dos outros, onde ninguém foge ao estipulado, nem se questiona, até porque nem sabem como agir de outra forma.

É verdade que todos os pais querem o melhor para os filhos, querem que eles sejam os melhores, que tenham um bom futuro, mas não percebo desde quando é que a escola perdeu o poder de ensinar e passar bons conhecimentos aos alunos. Desde quando é que deixou de ser suficiente, sendo necessário encher os calendários dos miúdos cheios de actividades extra-curriculares. Tudo em nome de certificados e prémios. Tantas crianças sem vida social, sem contacto com o mundo lá fora só pelo “bom futuro”, só por “dinheiro”. Nós adultos, quando enfrentamos muitos afazeres, reclamamos muito. “Quem me dera voltar aos meus tempos de criança. Bons velhos tempos”, dizemos tantas vezes. Relembramos vidas desafogadas, horas de brincadeira, erros sem pressões. Era-nos possível errar. Parece que isto deixou de existir na sociedade actual. Com estes pais exigentes, em nome dos seus próprios interesse e não das crianças, estamos a criar adultos infelizes, atrofiados e sem amor à vida.


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hoje macau sexta-feira 1.7.2016

?

aguaceiros

O que fazer esta semana Diariamente

“O Pintor Viajante na Costa Sul da China” de Auguste Borget Museu de Arte de Macau, 18h00

min

27

max

30

hum

75-98%

euro

8.908

baht

Exposição “Dinossauros em carne e osso” Centro de Ciência de Macau (até 11/09) Exposição “Reminescent – Portugal Macau” Galeria Dare to Dream (até 22/07)

o cartoon steph

Exposição “Pregas e dobras 3” de Noël Dolla Galeria Tap Seac – (até 09/10)

C i n e m a Solução do problema 117

problema 118

Um FILME hoje

THE SECRET LIFE OF PETS Sala 1

Sala 2

Filme de: Chris Renaud, Yarrow Cheney 14.15, 16.00, 17.45, 19.30

Filme de: Jon M. Chu Com: Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Lizzy Caplan 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

THE SECRET LIFE OF PETS [A]

Alice through the looking glass [b] Filme de: James Bobin Com: Johnny Depp, Anne Hathaway, Mia Wasikowska 21.30

Sudoku

de

Exposição “Color” 2016 Centro de Design de Macau

Cineteatro

1.21

Um “vai e vem”

Exposição “Artes Visuais de Macau” Instituto Cultural (até 07/08)

Exposição “ Exposição do 70º Aniversário” - Han Tianheng Centro Unesco de Macau – (até 07/08)

yuan

aqui há gato

Exposição “Edgar Degas – Figures in Motion” MGM Macau

Exposição “Cnidoscolus Quercifolius” - Alexandre Marreiros Museu de Arte de Macau (até 31/07)

0.22

Primeiro ponto: Raimundo do Rosário disse aos jornalistas que as tentativas de projecto para o Hospital das Ilhas eram uma espécie de “vai e vem” entre departamentos do Governo, direcções, espécies de arquitectos e nem imagino mais o quê. Ao contrário de outra figura ilustre de Macau, chamado a prestar declarações sobre o assunto, Raimundo do Rosário teve a hombridade de dizer aquela que parece ser a maior verdade: não há datas, não há valores, não se sabe quando estará pronto sequer o projecto. Haja alguém. Haja alguém que se deixe deste jogo político do “diz que disse”, das promessas ocas de factos. Se Raimundo do Rosário nos mente, então fá-lo muito bem. É que já outros sorriem entre mentiras e vão passando imunes. Segundo ponto: o vai e vem marca também as redacções dos jornais. Eu aqui, do alto da minha alcofa, já vi muitos jornalistas chegarem e partirem. Como alguém disse, a vida é feita de chegadas e partidas. E não é mentira que estas últimas custam sempre muito. Apesar do desejo de novas aventuras ocupar o coração de quem parte, vejo, no olhar da jornalista que agora nos deixa, um rasgo de saudade. Está ali, é inegável. Ela sentirá falta de tudo e de todos. E eu das suas festinhas. Pu Yi

“A Vida Secreta dos Nossos Bichos” (Chris Renaud e Yarrow Cheney, 2016)

Tudo começa quando a pacífica vida de Max como animal favorito da casa vai por água abaixo, depois da sua dona levar para casa um desleixado cão chamado Duque. O seu novo parceiro, contente por finalmente conseguir sair da casa dos animais vadios, quer ser um bom amigo de Max, mas acaba por ser rejeitado. Mas os dois têm que esquecer as disputas diárias, após acidentalmente se tornarem cães vadios e precisarem de lidar com um adorável coelho branco chamado Bola de Neve que estaria a criar um exército de animais abandonados para se vingar dos animais de estimação. Angela Ka

INDEPENDENCE DAY: RESURGENCE [b]

Sala 3

THE LEGEND OF TARZAN [B] Filme de: David Yates Com: Alexander Skarsgard, Samuel L. Jackson, Margot Robbie 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Angela Ka; Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Manuel Nunes; Tomás Chio Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


19 PERFIL

hoje macau sexta-feira 1.7.2016

Vitória Fong, aluna de Língua Portuguesa vencedora do prémio CPM

V

itória Fong gosta de aprender línguas. No início, a agora jovem aluna finalista do curso de Língua Portuguesa não sabia porque decidiu estudar a língua de Camões. Mas o facto de ter sido transferida directamente da sua escola secundária para estudar na Universidade de Macau e de nesta instituição ter sido considerada uma das melhores alunas a Português permite, agora, perceber que a escolha foi bem feita. Depois de quatro anos de estudos, fala fluentemente a língua em que escrevemos. A jovem até fez a candidatura também para estudos em Inglês, mas teve de se decidir por um dos cursos, já que a UM só permitia uma opção. Vitória explica-nos a escolha. “Achei que o Português, sendo uma língua oficial, poderia trazer mais vantagens do que os estudos de Inglês, portanto, optei pela língua de Camões” diz-nos, com um sorriso. Sobre a dificuldade de estudar esta língua, Vitória explica-nos que a atitude na aprendizagem é algo muito importante. “Mesmo que um estudante tenha recursos bons, como os professores, as matérias e

Nascida para Macau

outras, se não tiver uma atitude positiva, ou seja não tenha qualquer interesse em estudar a língua, não vai conseguir aprender bem o idioma”, exemplifica ao HM. Vitória dá-nos um exemplo: um professor chinês de Língua Portuguesa é importante para os estudantes, porque “cria um base” para os alunos, ainda que os estudantes chineses não “possam depender tanto desses professores chineses, senão, a capacidade de falar a Língua Portuguesa não vai melhorar”. “Comecei do zero em Português e a primeira impressão que tive da Língua Portuguesa foi muito boa, a minha professora foi muito simpática e isto quebrou o conceito que tinha sobre os professores, diz-nos a jovem local, que ganhou o prémio de Melhor Aluna da Casa de Portugal em 2015. Além do galardão, Vitória conseguiu uma boa nota durante os estudos na UM. Qual o segredo para tal? “Uma grande atenção nas aulas”, diz-nos, juntamente com alguns esforços fora da sala. “Não sou muito trabalhadora, mas estou atenta a tudo o que os professores dizem, faço o

que pedem e, às vezes, vejo e leio o que me interessa em Português. Só assim.”

O futuro na RAEM

Sobre o futuro para os finalistas de Português, Vitória diz que a maioria dos seus colegas aspira ser tradutor na Função Pública, mas nem isto é fácil: neste momento, podem apenas procurar emprego sem qualquer relação com a língua, confessa-nos, porque não existem muitas oportunidades. Além disso, alguns colegas consideram não ter uma qualificação suficiente para procurar um emprego que tem como base o Português, pelo que optam por outras áreas. Mas, a jovem de 22 anos já tem os planos traçados: quer ser professora de Português, até porque já acabou a licenciatura e quer dedicar-se à área da Educação. Mas Vitória ainda tem muito que caminhar: vai continuar os estudos na UM e já se candidatou a um mestrado de Linguística, porque ainda não há um curso de Educação em Português no território. “As instituições pedem uma qualificação elevada nesta profissão, como

cinco anos de experiência educativa ou um certificado do curso de Educação em Português, mas no interior da China, o caso não é assim e alguns finalistas de mestrado podem ensinar nas faculdades ou nos colégios de línguas estrangeiras” diz-nos, acrescentando que o Governo deveria oferecer mais oportunidades de ensino para os residentes poderem fazer alguns estágios.

Entre Macau e Portugal

Nascida em Macau, Vitória reconhece que há uma diferença evidente entre a educação a Ocidente e Oriente. Conta-nos que fez um intercâmbio em Coimbra e relata que viu “que as crianças estavam muitos felizes a brincar” cá fora, algo que “nunca acontece em Macau, o que mostra que a forma de educar é muito diferente entre os dois territórios”. Ainda assim, a jovem preferiu estudar Português em Macau, porque acha que o território tem tudo o que Portugal tem no ensino do Português. Tomás Chio (revisto por J.F..) info@hojemacau.com.mo


“Sento-me nos três primeiros degraus / da minha existência de granito / cinzento do sôco, / tartarugas ombro-a-ombro / nas paredes cor do sal”

Carlos Marreiros

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Substituição no gabinete Li Gang sai da ligação com governo central

L

i Gang, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central da China em Macau, deixou ontem o posto e foi substituído por Wang Zhiming, disse à Lusa fonte do próprio Gabinete. “É verdade, temos um novo director, Li Gang deixou o serviço [ontem]”, disse Bian Tao, representante do Gabinete. Na semana passada, a Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC) – a agência anti-corrupção chinesa – anunciou que ia, pela primeira vez, enviar inspectores para o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado. Bian Tao garantiu, no entanto, que a saída de Li Gang – que antes de Macau foi representante do Governo Central em Hong Kong – não representa “uma crítica”, antes pelo contrário. “Não foi por nada mal feito. Ele foi transferido para um cargo tão ou mais importante que este, mas ainda não foi nomeado. É altamente considerado pelo Go-

verno Central pelo seu serviço em Macau”, sublinhou. Segundo Bian Tao, o novo director, Wang Zhiming, foi vice-director do Gabinete de Ligação em Hong Kong, antes de ser transferido para Pequim, onde assumiu, até agora, as funções de subdirector do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado. “A partir de hoje, é o número um em Macau”, frisou. De acordo com a mesma fonte, a nomeação foi repentina e Wang “não estava preparado” para viver em Macau, tendo “um curto período para se transferir”. Da parte do Executivo local não houve qualquer anúncio. Bian Tao garantiu que o procedimento é comum desde que Xi Jinping assumiu a presidência da China. “Já é prática actual a nomeação, desde Xi Jinping, de quadros de alto nível muito em cima da hora, sem que se deixe sair a informação antes, nem para a própria pessoa. Mas foi uma transferência normal”, assegurou. HM/LUSA

Bebé nasce de embrião congelado há 18 anos

Uma bebé saudável nasceu de um embrião que tinha sido congelado há 18 anos antes, anunciou na quarta-feira um hospital de Xangai. Uma mulher de 45 anos deu à luz a filha com 3,3 quilos segunda-feira, na Província de Jiangsu. O embrião foi implantado no útero em Novembro, no Hospital de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade Fudan de Shanghai. As trompas de Falópio da mãe estavam obstruídas e já tinha tentado engravidar através de fertilização in vitro em 1998 no hospital em Xangai. Depois de três tentativas mal sucedidas (duas delas com embrião congelado), decidiu esperar para tentar de novo. No início de 2015, voltou ao hospital para fazer outra tentativa. Os médicos descobriram que sofria de hidrossalpinge (acumulação de líquidos nas trompas) e endométrio fino. Após cirurgia, implantaram o embrião. Os embriões congelados são armazenados em nitrogénio líquido a -196ºC.

sexta-feira 1.7.2016

Hoje Macau 1 JUL 2016 #3604  

N.º 3604 de 1 de JUL de 2016

Hoje Macau 1 JUL 2016 #3604  

N.º 3604 de 1 de JUL de 2016

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