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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

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TERÇA-FEIRA 1 DE ABRIL DE 2014 • ANO XIII • Nº 3062

hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

ESCALONAMENTO EM VISTA

Análise da actualização salarial estará concluída dia 16 FUNÇÃO PÚBLICA PÁGINA

MOP$10

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Croupiers são pessoas infelizes Um estudo divulgado ontem pela MUST revela que a confiança e satisfação das pessoas empregadas aumentou 0,6%. Ao contrário, na profissão de croupiers baixou 5%.

ESTUDO DA MUST PÁGINA 8

LEONG VENG CHAI ALERTA

Prédios vizinhos também sofreram com o problema

MORREU PHUNTSOK WANGYAL, FUNDADOR DO PC TIBETANO CHINA PÁGINA

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“ GONÇALO LOBO PINHEIRO

SIN FONG GARDEN PÁGINA

NA AL UNS SÃO FILHOS E OUTROS ENTEADOS Quem o diz é o deputado da Nova Esperança JOSÉ PEREIRA COUTINHO que acusa o presidente Ho Iat Seng e alguns deputados da ala empresarial de estarem a preparar mudanças no regimento da Assembleia Legislativa que podem passar pelo corte de alguns direitos dos deputados. ENTREVISTA PÁGINAS 2 E 3


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ENTREVISTA

“Ho Iat Seng não pode ser um mero espectador” Conversámos com o deputado da Nova Esperança José Pereira Coutinho sobre os temas mais quentes da sociedade. Abordouse o estado da saúde, da educação, da poluição, do turismo, da habitação e o também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau mostra-se desiludido com as políticas do Governo. Ao mesmo tempo, acusa alguns deputados da Assembleia Legislativa, inclusive o seu presidente Ho Iat Seng, de estarem a preparar mudanças no regimento da AL, que podem passar pelo corte de tempo de audição dos deputados durante os plenários até à castração do principal papel dos tribunos que é o de fazer leis

GONÇALO LOBO PINHEIRO

JOSÉ PEREIRA COUTINHO, DEPUTADO DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

hoje macau terça-feira 1.4.2014

GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo

Nova legislatura. Mais quatro anos pela frente. Como é que as coisas têm corrido? De uma maneira geral tem corrido bastante bem. Existem novos elementos na Assembleia Legislativa (AL), caras novas, uma outra dinâmica. A transmissão em directo pela TDM e pela TV Cabo, que foi uma das nossas principais reivindicações no plano da transparência e do direito à informação que os cidadãos de Macau têm direito foi extremamente importante para elevar a qualidade cívica e política, por exemplo, dos jovens estudantes da RAEM. Sabemos que a maior parte das universidades de Macau pouco ensinam quanto à história do território, questões cívicas básicas e essenciais tais como habitação, saúde. Pouco ensinam sobre o sistema político e, o mais importante, pouco ensinam sobre a AL. Este é o lado mais positivo desta nova legislatura. Mas para a Nova Esperança em concreto, o que tem sido mais positivo? O mais importante é que cada vez mais pessoas sabem o que se está a passar na AL e o trabalho que está a ser desenvolvido pela Nova Esperança. Para efeitos de avaliação, no final das contas, isto é muito importante. Que trabalho tem sido desenvolvido, no imediato, em prol da Função Pública? Conseguimos que a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) revisse as moradias entregues aos estrangeiros das Nações Unidas a trabalhar cá em Macau. Estamos a fazer muito pressão para que as casas devolutas, que não são poucas, possam ser postas a concurso público. Conseguimos, todos os anos e sempre na linha da frente, que todos os trabalhadores pudessem ter os seus salários actualizados de acordo com a inflação. Estamos numa luta com o Governo em relação ao valor que deve ser actualizado e sempre dissemos que as actualizações deveriam ser progressivas debaixo para cima, numa escala de maior para menor. Conseguimos, por exemplo, que os trabalhadores que estão a trabalhar por turnos em dias de feriado obrigatório tivessem mais um dia de compensação. Aliás, o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) já nos veio dar razão em relação a essa questão. Estamos diariamente a resolver questões dos trabalhadores da Função Pública. Contudo, tem que admitir que não foi positivo o chumbo dos seus projectos-lei, tanto no final da anterior legislatura, como agora. Nós queremos que a AL não seja um charco de água lisa, em que nada acontece. É preciso agitar. O


entrevista 3

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efeito de apresentar projectos – e é aqui que gostaria de enfatizar -, servem mesmo para isso. Existem sinais preocupantes, vindos do presidente da AL e de alguns quadrantes de deputados empresariais, que tentam alterar o regimento da AL. Em que sentido? No sentido de impedir que os deputados apresentem projectos-lei. No sentido de restringir, aos deputados que apresentem determinado projecto-lei, a possibilidade dos deputados poderem apenas eles um projecto que numa primeira fase não obteve suficientes votos a favor. Contudo, abre uma porta ao Governo para este apresentar um proposta da mesma natureza. Isto vai contra as normas regimentares. Restringir o tempo de antena dos deputados, restringir o tempo de audição. Estes e outros sinais, estão a ser discutidos na Comissão de Regimento e Mandatos, cujo o presidente é Vong Hin Fai. E este deputado, como se sabe, é dono de um dos maiores escritórios de advocacia de Macau, que costuma ser o consultor maior do Governo. É evidente que não posso deixar de dizer que existe uma forte ligação entre o Executivo e alguns deputados nomeados. Tudo isto desemboca na nossa dificuldade de exercer plenamente as funções de deputado que são a de apresentar projectos-lei e fiscalizar a acção governativa. Repare numa coisa: antes do estabelecimento da RAEM a AL tinha 23 deputados e agora somos 33. O número de deputados aumentou e, por isso, não há razão para haver alterações regimentares, muito menos aquelas que vão ao encontro de uma diminuição de tempo de intervenção. Outra situação que o presidente Ho Iat Seng terá que ter em conta são as repostas dos governantes às interpelações dos deputados. Muitas vezes pergunta-se “alhos” e eles respondem “bugalhos”. A Nova Esperança compreende que Ho Iat Seng é novo no seu cargo, tem pouca experiência, mas tem de perceber que os deputados não podem ver negada a sua palavra em sede própria, que é a AL. O presidente não pode ser um mero espectador. É público que alguns deputados, maioritariamente nomeados e indirectos, defendem que o seu papel não é o de apresentar projectos-lei. Mas afinal temos uma AL para quê? O mais importante é a Lei Básica e é a ela que nos temos que cingir. A Lei Básica é muito clara no artigo 75º que diz que a competência dos deputados da AL é a de apresentar projectos-lei e de acordo com o regimento da AL. É evidente que, com excepção dos assuntos relacionados com as receitas, despesas públicas ou estrutura funcional do Governo – que são reserva do próprio Governo -, todas as outras

matérias, e aquelas que tem a ver com dia-a-dia do cidadão de Macau, como as rendas, a violência domestica, a protecção animal, a lei sindical, e por aí fora, são da responsabilidade dos deputados. Estamos, quiçá, perante um caso gritante de limitação de liberdade de expressão. Alguns deputados atentam contra a Lei Básica? Não tenho dúvidas que muitos dos diplomas que foram aprovados pela AL violam disposições da Lei Básica. E como nós não temos uma fiscalização abstracta da constitucionalidade das leis, por virtude de não termos um Tribunal Constitucional, o que acontece é que só podemos ter uma fiscalização concreta nos tribunais por via da aplicação de caso por caso. Até hoje, a secretária para a Administração e Justiça nunca teve o cuidado de por em consonância os artigos das diversas leis que não estão de acordo com a Lei Básica. Os interesses de alguns deputados estão acima da Lei Básica? Cada vez mais vejo muitos deputados a colocar os seus interesses acima do respeito e cumprimento da Lei Básica na AL. Isso acontece simplesmente quando proferem afirmações. E o presidente da AL, Ho Iat Seng, também está inserido no bolo, quando me negou o direito à defesa da honra numa sessão onde me criticaram por ter apresentado um documento de interesse público. Na AL, uns são filhos e outros são enteados. Considera que os deputados são gananciosos? O homem por natureza é ganancioso. E é por causa desse defeito que Macau tem receitas astronómicas nos casinos.As pessoas jogam uma vez e ganham, e voltam a jogar. E mesmo que percam, querem recuperar o

dinheiro. Por sermos egoístas é que as nossas receitas batem recordes. Também por isso é que se justifica que os nossos milhões de visitantes não pernoitem no território, porque vêm cá para jogar, perdem e vão buscar mais dinheiro para voltar a jogar. Na AL, os deputados do sector empresarial, por serem empresários, são gananciosos e esquecem-se do seu verdadeiro papel de deputado. É preciso defender acima de tudo os interesses gerais da população.

A Nova Esperança compreende que Ho Iat Seng é novo no seu cargo, tem pouca experiência, mas tem de perceber que os deputados não podem ver negada a sua palavra em sede própria, que é a AL A sua proposta para uma Lei de Protecção Animal acabou chumbada duas vezes seguidas, mesmo que em legislaturas diferentes. Ficou surpreso com as justificações de alguns dos deputados, na hora de votarem o diploma? Fiquei surpreso e gostei da agitação que isso provocou na sociedade, muito por culpa do plenário ser transmitido na televisão. São afirmações ridículas que revelam o nível e qualidade de alguns dos deputados da AL. A deputada Song Pek Kei referiu que deveriam existir autocarros apenas para residentes. Que os jardins deveriam ser uns para residentes e outros para não-residentes. Ou seja, para além daquilo que se ouviu sobre a

Protecção Animal, muitos deputados disseram barbaridades sobre muitos outros temas. Pai perdoa-lhes, porque eles não sabem o que dizem. Existe uma gritante falta de formação em muitos deputados. Quer dizer, portanto, que existem deputados ignorantes. Claro que há. Muitos não conhecem quais são as suas reais competências. Faz parte da nossa AL. Entraram legitimamente, quer pela via directa, quer pela via indirecta ou até mesmo foram nomeados pelo Chefe do Executivo. Temos de viver com essas circunstâncias. Falemos agora sobre o imobiliário. O preço de venda e de arrendamento das casas não pára de subir. O Governo diz que o mercado é aberto, mas, como em qualquer país desenvolvido, deveria ser regulado e fiscalizado. O que mais é preciso fazer para que se pare de uma vez por todas com a especulação imobiliária? A questão não é complicada. É preciso ver se o Chefe do Executivo e os seus secretários jogam na equipa certa. Se jogam pela equipa dos cidadãos, protegendo o interesse público, ou se jogam no lado dos empresários e servem alguns interesses muito influentes no território. Não se percebe porque é que existem poucas casas económicas. Se compararmos com Singapura temos um longo e penoso caminho a percorrer. As casas económicas deviam ser construídas apenas para os residentes de Macau. E, claro, é preciso exigir declarações de rendimentos e bens patrimoniais às pessoas que pedem casas económicas. Quando vamos até Seac Pai Van ou até à Ilha Verde podemos ver carros particulares de gama alta estacionados nos parques dos prédios de habitação económica. Existem muitas falhas. E o mesmo se passa com o comércio local e tradicional,

onde se começam a pedir valores de arrendamento completamente exorbitantes e absurdos. A única forma de resolver isto é controlar, pela via legal, a selvajaria que está neste momento a acontecer no mercado imobiliário. Enquanto não houver uma democracia, isto vai continuar a ser como no livro Ali Babá e os 40 Ladrões. Existe ou não uma bolha no imobiliário? Não existe nada disso porque o mercado é de porto franco. As estruturas de protecção de lavagem de dinheiro são frágeis. São diferentes de Hong Kong e de outros territórios. Só existe uma solução para resolver isto, e que muitos cidadãos já perceberam, que é o aparecimento de uma peste, como a gripe das aves. Como aconteceu em 2003, os turistas deixam de vir a Macau e as estruturas não vão aguentar. Quer agora ou numa situação económica frágil, o jogador pede dinheiro emprestado para jogar, por isso, o dinheiro nunca vai acabar. Não se coloca a questão de bolha no imobiliário em Macau porque este território tem características muito ‘sui generis’de situação económica incomparável com qualquer país ou território. Macau depende só de jogo e vai continuar a depender apenas disso. E a tão falada diversificação da economia? É uma treta. Macau vai ser sempre casinos e as actividades económicas directamente ligadas ao jogo é que vão sobressair. Claro que se o sector ocorrer uma quebra, o resto vai ressentir-se, nomeadamente as lojas de recordações, as lojas de luxo e de grandes marcas, os hotéis, os táxis, as agências de turismo, e por aí fora. Macau vai estar safo, não obstante as dificuldades. Macau está a abarrotar de turistas. Apesar de se considerar um centro internacional de turismo e lazer, a RAEM não pode, até porque não consegue dar vazão por falta de infra-estruturas, ter tanta gente nas ruas. Isso acontece porque o Governo se lembrou de inventar uma fraude jurídica que foi a autorização de mais do que três concessões de jogo. A AL, por via legal, autorizou apenas três licenças e o Executivo, como nos bastidores não conseguiu negociar com os diversos concorrentes do sector, inventou esta ficção jurídica destas três subconcessões. O resultado acaba por ser o de alimentar seis concessionárias. Em Taiwan, só aceitam três milhões de visitantes por ano e aquele território, como sabe, é muito maior que Macau. Aqui chegam, por ano, 30 milhões de pessoas. Acha que isto é de quem pensa boas políticas? (continua na página seguinte)


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Outra questão que tem preocupado a população prende-se com a falta de táxis ou com às más práticas dos condutores. Para quando uma resolução definitiva deste problema? Outra questão de resolução fácil (risos). O que existe é uma falta gritante de aplicação da lei. Se a lei, no tocante das multas, diz que o valor a aplicar é baixo então eleve-se. Se o taxista é prevaricador, as autoridades podem começar a apreender os táxis. Não nos podemos esquecer que o serviço de táxis é uma concessão de transporte público e o táxi tem um alvará. A questão deverá ser resolvida do seguinte modo: conceder o número máximo de alvarás para equilibrar o mercado, elevem-se as multas e fiscalize-se mais. Esta fiscalização terá de ser feita pelas autoridades policiais e não por agentes administrativos da DSAT. É a favor do aumento da bandeirada? Não tenho dados suficientes para me pronunciar mas cada um pode pensar pela sua cabeça. Se não consigo apanhar um táxi, não estou disposto a aceitar que a bandeirada possa subir. O preço do serviço só pode subir se esse serviço for bem feito, o que não acontece. O grande problema de Macau é a fiscalização (ou a falta dela)? Um dos grandes calcanhares de Aquiles do Governo de Macau é, em primeiro lugar, os nossos secretários serem, a maioria, incompetentes. Em segundo lugar, a existência de legislação desactualizada. E, em terceiro lugar, o facto dos secretários serem incompetentes e não darem instruções precisas para uma efectiva aplicação da lei, resulta em que, cada vez mais, os serviços públicos que tenham competências fiscalizadoras as exerçam insuficientemente. Quem sofre, no final, é o cidadão. Voltando aos grandes temas. Cargos de responsabilidade já vieram a público defender que a saúde de Macau é boa e recomenda-se. É da mesma opinião? O serviço de saúde da RAEM está no vale da amargura. Só eles é que vêem isso. Não existe um substrato populacional que apoie essas afirmações. Nós que lidamos diariamente aqui na associação com casos de erros médicos, falta de profissionais da saúde, é que sabemos como as coisas vão. O grande problema da saúde de Macau está intimamente ligado à gestão do hospital público. Enquanto não tivermos uma gestão profissional competente - e esse problema já vem desde o tempo da Administração Portuguesa não podemos ter um bom sistema de saúde. O gestor de um hospital nunca pode ser um médico, assim como um gestor também não pode ir dar consultas. Enquanto o sector

de haver uma terceira empresa. As rotas deveriam ser negociadas com as duas empresas que já existiam antes do aparecimento da Reolian. Aí, o Governo deveria exigir um maior cumprimento das operadoras, fiscalizando em cima todos os seus procedimentos. Duas empresas chegam. É preciso é que o Executivo tenha mão nas concessionárias, porque se falta essa mão é evidente que eles fazem o que lhes apetece. Mais uma vez estamos perante um caso de falta de fiscalização, de falta de qualidade, de falta de controlo. Não há uma planificação com vista para o futuro. É tudo feito em cima do joelho. A Reolian nasceu torta. Foi protegida desde o início. Mandou vir autocarros da treta. Formou condutores, sem experiência, às pressas e isso justificou os inúmeros acidentes de viação nos quais a empresa esteve envolvida. O resultado foi um péssimo serviço aos cidadãos.

Até hoje, a secretária para a Administração e Justiça nunca teve o cuidado de pôr em consonância os artigos das diversas leis que não estão de acordo com a Lei Básica da saúde não se abrir não auguro bons ventos. Temos um mercado de saúde monopolista quer na prestação de serviços, quer nos medicamentos. Os cidadãos de Macau estão a perceber, cada vez mais, que se tiverem necessidade de fazer um exame médico completo mais vale ir a Hong Kong ou até mesmo a Zhuhai. E toda a polémica em torno dos internatos? É esquisita. Não se sabe muito bem que tipo de formação é que essas pessoas estão a ter. Só conheço dois tipos de formação, no pós licenciatura: o internato geral, para a clínica geral, e o internato complementar, para as especialidades. Não entendo o que é o Governo anda a fazer nesse caso. O director dos Serviços de Saúde tem costas largas e faz o que lhe apetece. A poluição começa a ser um grande problema no território. Está ciente dos problemas que isso pode vir a acarretar? Muita parra e pouca uva. Acabou de decorrer o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF) e tudo isto parece um contra-senso. Macau é uma cidade muito poluída e isso deve-se, em grande parte, ao factor humano. Macau é uma cidade cada vez mais suja. Pastilhas, beatas de tabaco, cuspidelas. O chão está imundo. E não há maneira de melhorar isto. Nem com duas ou três CSR vamos lá. As pessoas sujam a cidade. Um turista que

vai a Singapura e suja a cidade é devidamente castigado com multas avultadas. Aqui ninguém liga. E o ar que respiramos? Obviamente que existem fenómenos exógenos a tudo isto. Mas existe muitos resíduos por reciclar ou incinerar em Coloane, local que consideram como sendo o pulmão do território. Quer dizer, por um lado o Governo vem dizer que temos de proteger Coloane e, por outro lado, os principais resíduos que estão a prejudicar o território estão naquela zona. É preciso resolver muitos problemas. Os autocarros deviam ser eléctricos? Não deveriam ser eléctricos. Deveriam ser a gás natural. Porque neste momento as baterias de lítio são pouco ambientais. É evidente que esses autocarros são mais caros e é evidente, também, que temos de garantir a estabilidade do fornecimento do gás. Toda esta coisa da protecção ambiental propalada pelo Governo é mais um dos fogos-de-artifício que já estamos habituados. Tudo isto é uma paródia. Olhe, outra coisa que me lembrei agora. Mandam vir representantes de países latinos para participar numa parada, gasta-se milhões de patacas para outro fogo-de-artifício. Enfim, é o que temos. Já que estamos a falar de autocarros. Como compreende todo este processo da Reolian, desde a sua criação até à recente falência? A meu ver não existe necessidade

Caso das campas. O José Pereira Coutinho foi uma das pessoas que mais força fez para que se apurassem culpados. Raymond Tam e outros três arguidos estão a ser julgados no âmbito desse caso. Sente que se está a fazer justiça? Penso que o processo vai ser arquivado. Os arguidos vão ser ilibados. Não vão haver quaisquer consequências. É possível que, se alguém for objectivamente ver o caso das dez sepulturas, o Raymond Tam e os outros três fiquem prejudicados, uns por serem responsáveis por supervisionar o departamento que está relacionado com a atribuição de campas e outros por terem tocado em alguns documentos que não deviam. Penso que o futuro destes quatro arguidos, na esfera daquilo que é o funcionalismo público, não será risonho. Armando de Jesus mostrou-se equivocado durante as sessões que foi ouvido. Acha que foi pressionado a dar outra versão diferente da primeira que tinha dado, onde afirmou ter visto os documentos das dez campas no gabinete de Florinda Chan? Acho que sim. Na verdade, nunca mais falei com o Armando de Jesus sobre este assunto. Quero deixá-lo livremente nesta questão. Contudo, não tenho quaisquer dúvidas que há mão de Florinda Chan nos documentos. Outro dos assuntos do momento relaciona-se com os pedidos de Bilhete de Identidade de Residente (BIR). Está mais difícil obtê-lo? Por via legal, os portugueses têm direito ao BIR desde que tenham contrato de trabalho prévio. O atraso que se verifica na entrega dos BIR aos portugueses tem a ver com uma questão de sensibilidade do secretário para a Segurança. Ele,

em vez de sair do trabalho e ir até ao ginásio, como muitas vezes já o vi, deveria fazer, de vez em quando, horas extraordinárias para resolver essa questão. Bastam duas ou três horinhas para despachar expediente. O português que vier com contrato de trabalho tem direito ao BIR. Isso é claro para mim. Este ano vamos ter eleição para Chefe do Executivo. Chui Sai On já se mostrou disponível para continuar. A Nova Esperança apoia essa decisão? Tudo depende das promessas que ele fizer quando da reunião que iremos ter. Ele tem que resolver o problema dos aposentados. Não pode ser resolvido pela via judicial. Se os aposentados de Macau recebem vales de saúde, se recebem ajuda para formação contínua, entre outras coisas, porque carga de água é que não têm direito ao subsídio de residência? Este é um assunto que vamos colocar à consideração do Chefe do Executivo e ele vai ter resolver o problema de uma vez por todas. É uma das bandeiras da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) na defesa dos interesses da população da RAEM? É, sim senhor. Nós temos muitos sócios aposentados que se têm queixado. Quero dizer que não concordamos com a ida aos tribunais para resolver este problema. Digo e repito: está ao alcance do Chefe do Executivo resolver este problema. E não só. Na reunião que teremos com Chui Sai On também vou colocar em cima da mesa o problema da habitação. Chega de palavras aqui e ali. São precisas medidas concretas e nós temos soluções. Redigimos cerca de 20 itens para discutir com o Chefe do Executivo. Se ele for eleito, como tudo aponta que deverá ser, acha que Chui Sai On vai reformular a sua equipa de secretários? Terá que o fazer. A maioria já excedeu o limite aceitável para o exercício de um cargo de tamanha responsabilidade. Para alguns, são 15 anos da mesma coisa. É demais. Independentemente dos secretários serem competentes ou incompetentes, é preciso sangue novo. Chegou o momento de dar oportunidade a outras pessoas que, com mais força, mais vivacidade, mais novos, podem fugir às rotinas do cargo. Sou defensor que é preciso mudar os cinco secretários. Uma última pergunta. AATFPM vive de boa saúde? Cada vez temos mais sócios. O atendimento diário é extremamente elevado com muitas queixas dos cidadãos. Estamos perante um termómetro que revela que a população tem muitos problemas e o Governo é inoperante.


POLÍTICA

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AL COLOCADA POSSIBILIDADE DE AGRUPAR INTERPELAÇÕES E REDUZIR TEMPO DE INTERVENÇÃO NO PLENÁRIO

Tudo em prol de melhorar regimento O regimento da Assembleia Legislativa pode vir a ser alterado. Para já, os deputados estão a pensar em agrupar interpelações e na redução do tempo de antena de cada tribuno no plenário JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

S interpelações dos deputados da Assembleia Legislativa (AL) que tenham o mesmo tema podem vir a ser agrupadas e o tempo de intervenção no hemiciclo diminuído. Tudo para “optimizar os trabalhos no hemiciclo” - um assunto que está a ser alvo de estudo pelos membros da Comissão de Regimento e Mandatos da AL. É comum ver na AL interpelações sobre o mesmo assunto, provenientes de diferentes deputados. Contudo, o actual sistema não é suficientemente operacional. “Segundo as estatísticas, costuma haver três ou quatro [in-

terpelações] a incidir sobre o mesma tema, mas apesar disso, têm de ser lidas uma a uma. Daí que há sugestões de serem agrupadas num único processo de interpelação, de forma a aumentar a operacionalidade”, refere Vong Hin Fai, presidente da comissão. A ideia é que os membros do Governo que respondem às dúvidas dos deputados não tenham de responder uma a uma, mas, caso mude, as alterações não passam só por aqui. “Temos uma primeira fase, em que os interpelantes façam uso da palavra. Depois da resposta dos representantes, os interpelantes podem fazer perguntas e, depois, há uma terceira fase onde os outros deputados também podem falar. [Isto] de forma a que os representantes possam responder a todos da melhor forma.” Apesar de haver “mais deputados a dizer que o uso da palavra não deve ser reduzido”, conforme explicou Vong Hin Fai, há deputados que querem que esse tempo de intervenção antes da ordem do dia diminua mesmo. Ainda são apenas sugestões, mas a sugestão é deixada porque há mais quatro deputados

Apesar de haver “mais deputados a dizer que o uso da palavra não deve ser reduzido”, conforme explicou Vong Hin Fai, há deputados que querem que esse tempo de intervenção antes da ordem do dia diminua mesmo

do que anteriormente. “A duração para as interpelações antes da ordem do dia deverá ser de duas horas, mas o tempo para uso da palavra deve ser reduzido de dez para cinco ou quatro minutos. Mas trata-se, meramente, de uma sugestão preliminar. É que olhando para os dados estatísticos desse período na IV legislatura, o tempo médio uti-

lizado foi de cinco minutos”, justifica Vong Hin Fai, que diz também que vai ser estudado se o tempo de resposta do Governo – actualmente de 15 minutos – vai ser reduzido, mantido ou aumentado.

AUDIÇÕES EM RISCO?

Em vias de extinção pode estar o regime de audição,

actualmente permitido na AL, ainda que a assessoria do hemiciclo vá ainda “fazer um estudo detalhado sobre o assunto”, conforme explicou o presidente da Comissão. “A comissão não concretizou sobre esta matéria, nem abordou com profundidade se este regime deve ser ou não eliminado. Só nos limitámos a debruçar sobre a questão, porque

entendemos que há necessidade de fazer um estudo mais aprofundado.” O regime de audição – surpreendentemente nunca utilizado em plenário – permite que sejam convocadas e solicitadas pessoas para testemunhar e apresentar provas, sempre que necessário. Alguns deputados colocam agora em causa se isto pode ser da competência da AL.

REOLIAN NG KUOK CHEONG INSTA GOVERNO A PUBLICAR DESPESAS DE OPERAÇÃO

Um segredo bem guardado CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

N

G Kuok Cheong quer que o Governo publique as despesas tidas, até agora, com a Reolian. Numa interpelação escrita, o deputado cita uma resposta dada ao jornal Ponto Final sobre o valor pago nos últimos três meses – desde que a Reolian começou a ser gerida pela Administração -, em que

as autoridades rejeitaram revelar os números, dizendo que estes são “confidenciais”. O deputado diz que quer saber que o Governo admite que o contrato com a empresa franco-chinesa foi mal feito, uma vez que, os bens não podem pertencer ao Governo, mas este tem que arrendar os veículos da empresa. “Neste caso, foi o Governo que causou a perda do dinheiro público. Será

que alguns dirigentes do vão ser responsabilizados por esta perda?” Ng Kuok Cheong não quer apenas que o Executivo publique quanto dinheiro já gastou, mas também quanto mais vai ser usado, agora que a empresa tem mais três meses para gerir a Reolian. “Ter que arrendar os bens da Reolian era uma medida temporária para resolver uma dilema causado por uma má escolha

do Governo. Contudo, esta medida temporária ainda não tem uma solução final.” O deputado assegura que recebeu queixas de cidadãos que estão preocupados que este seja “mais um negócio debaixo da mesa” e assegura que há ainda muitas dúvidas por esclarecer à sociedade, sendo, por isso, que “o Governo precisa de publicar mais informações, para reduzir as preocupações do público”.


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FUNÇÃO PÚBLICA ANÁLISE DAS ACTUALIZAÇÕES DE SALÁRIOS CONCLUÍDA DIA 16

Antes de concluir a análise na especialidade do diploma sobre a actualização salarial na Função Pública, os deputados vão voltar a discutir com o Governo a criação de dois escalões de actualização dos vencimentos e a forma de contratação ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

análise da proposta de lei que determina a actualização dos vencimentos na Função Pública em 5,71% deverá estar concluída já no próximo dia 16 de Abril, estando prevista a assinatura do parecer nesse dia. Contudo, os deputados pretendem reunir com o Governo no próximo dia 2 para “trocar opiniões” sobre algumas questões ligadas ao funcionamento actual da funcionalismo público. Uma delas prende-se com a possibilidade de ser criado um escalonamento para as actualizações salariais, com dois escalões diferentes, para que “a taxa de actualização das camadas mais baixas seja mais elevada”, disse o deputado Cheang Chi Keong. Apesar dos deputados já terem levantado a questão

aquando da votação do diploma na generalidade, no passado dia 26 de Março, o assunto continua a merecer a atenção do hemiciclo. “Temos de ver como é que vai ser feita a separação das categorias. A Assembleia Legislativa (AL) tem a obrigação de levantar a questão e chamar a atenção do Governo.” As formas de contratação de funcionários públicos também será outro dos pontos abordados. “Há ainda o problema dos diversos tipos de provimento, incluindo nomeação em comissão de serviço ou o regime de contrato fora do quadro, o que cria injustiças no seio do pessoal da Função Pública. Esperamos que o Governo pondere sobre esse assunto no sentido de ver quais as formas de contratação do pessoal.” Deverá ser ainda falada a melhor forma de “optimizar” o mecanismo de actualização salarial. “Há dois anos

TIAGO ALCÂNTARA

“AL tem a obrigação de levantar a questão”

foi constituída a comissão de avaliação, que era composta apenas por membros da Função Pública e agora não. Há que optimizar o seu funcionamento. Essa vai ser

uma questão a ser debatida pelo Governo”, disse ainda Cheang Chi Keong. Em termos jurídicos, o deputado garantiu que a proposta de lei “está mais

que perfeita”, pelo que não serão feitas mais alterações ao conteúdo. De recordar que os aumentos de 5,71% destinam-se não apenas aos salários mas também às

ELEIÇÃO PARA CHEFE DO EXECUTIVO MEMBROS DA COMISSÃO TOMARAM POSSE

Manifestação de Chui “não afecta o processo” S

ONG Man Lei, juíza do Tribunal de Última Instância (TUI), tomou ontem posse como presidente da Comissão Eleitoral para o Chefe do Executivo, juntamente com mais quatro vogais. À margem da cerimónia, que decorreu durante a manhã na sede do Governo, Song Man Lei prometeu “justiça” no próximo acto eleitoral, referindo à já anunciada intenção de Chui Sai On em se candidatar. “Pessoalmente acho que foi uma manifestação de interesse”, disse, segundo a Rádio Macau. “Não é para afectar o processo (...) e não vai haver

uma situação de injustiça (...) está a querer dizer se há alguma tendência para o apoio ao senhor Chui? Acho que em termos de comissão eleitoral a lei é muito clara, temos procedimentos a seguir.” “Será que só vai haver um candidato? Nós não podemos prever, não posso dizer algo sobre o assunto”, disse ainda a juíza do TUI, que garantiu que, este ano, por comparação a 2009, “a concorrência é maior”, já que a comissão eleitoral é agora composto por 400 pessoas, depois do processo de reforma política.

Song Man Lei disse ainda que a confiança e a justiça no processo eleitoral são transmitidas à população através das informações divulgadas periodicamente. Ip Song San, presidente do Tribunal Judicial de Base (TJB) e Tribunal Administrativo, é outro dos membros integrantes da comissão. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ip Son Sang garantiu manter “boas comunicações” com os meios de comunicação social e com o público, à semelhança do que já foi feito aquando das eleições para a Assembleia Legislativa (AL).

Ip Song Sang disse esperar que os “assuntos particulares possam ser melhorados”. Mak Iek, procuradora-adjunta, José Chu, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e Victor Chan, director do Gabinete de Comunicação Social são outros dos vogais que tomaram posse. Apesar da “manifestação de interesse” de Chui Sai On em se candidatar a um segundo mandato, ainda não há confirmação dos candidatos. A data concreta também não está definida. - A.S.S.

pensões de aposentação e sobrevivência dos funcionários públicos. A medida representa um gasto dos cofres do Governo em cerca de 550 milhões de patacas.


política 7

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O deputado da Nova Esperança Leong Veng Chai escreveu uma interpelação escrita ao Governo a lembrar eventuais indemnizações aos prédios vizinhos do Sing Fong Garden. Muitos proprietários ficaram mesmo sem casa JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

suspensão das obras de construção do edifício Sou Hou Wui, ao lado do Sin Fong Garden, está a motivar queixas dos pequenos proprietários. Quem o diz é Leong Veng Chai, que escreve uma interpelação ao Governo sobre eventuais indemnizações também para estes “afectados”. O Sou Hou Wui fica ao lado do prédio que, em Outubro de 2012, foi eva-

SIN FONG GARDEN INCIDENTE AFECTOU OUTROS DOIS PRÉDIOS VIZINHOS, DIZ DEPUTADO

Indemnizações para todos? cuado por estar em risco de ruína. O edifício estava em construção, sendo que as obras de infra-estruturas acabaram por ser suspensas por ordens do Governo, devido ao perigo que podiam representar para o Sin Fong Garden. Mais de um ano e meio depois, diz o deputado, têm sido recebidas muitas queixas de pequenos proprietários do Sou Hou Wui no seu gabinete. “Queixam-se de que gastaram muito dinheiro com a compra das suas fracções em construção e [como] as obras estão suspensas por tempo indeterminado, não sabem quando podem ocupar as suas casas”, começa por dizer Leong Veng Chai. “Não podemos ignorar que muitos dos proprietários em causa não têm qualquer outra propriedade, utilizaram todas as suas poupanças e até pediram empréstimos para comprar as referidas fracções em construção, mas agora têm de enfrentar sozinhos essas dificuldades imprevisíveis e pagar rendas e prestações. Mas, o mais grave é não saberem quando poderão ocupar as suas casas.”

INFILTRAÇÕES AO LADO

O caso do Sin Fong – que tem estado na ordem do dia recentemente – ainda não

conseguiu resolução, ao fim de mais de um ano desde a evacuação do edifício. Se o incidente causou prejuízos a mais de cem famílias, Leong Veng Chai aponta que há

ELLA LEI QUER AUMENTOS DOS SALÁRIOS DE TRABALHADORES DE LIMPEZA E SEGURANÇA DO GOVERNO

ainda mais repercussões. “Os proprietários de outro edifício vizinho, o Kuong Heng, estão também a ser prejudicados, pois entretanto surgiram problemas de in-

filtração de águas e, segundo eles, tudo tem a ver com o edifício Sin Fong Garden. No entanto, tiveram de assumir os custos das respectivas obras de reparação.”

O deputado questiona o Governo sobre eventuais indemnizações para todos os afectados com o problema do Sin Fong Garden, numa altura em que está a chegar ao fim a atribuição de subsídios especiais para os moradores do prédio da Rua do Patane. Mas, Leong Veng Chai não quer só medidas para os que tiveram de abandonar as suas casas, mas também para os que ainda não conseguiram ocupar os apartamentos e para os que estão a sofrer com infiltrações. “O Governo dispõe de medidas de médio e longo-prazo para ajudar aqueles proprietários a ultrapassarem as dificuldades (...) e para apoiar as pessoas afectadas pelo caso, como por exemplo, os proprietários do Sou Hou Wui e do Kuong Heng?” Leong Veng Chai quer ainda saber se, quando se souber quem é o responsável pela ruptura do pilar do Sin Fong, este terá de retribuir ao Governo o montante do valor dos subsídios atribuídos. Mais ainda, o deputado questiona quando vão recomeçar as obras agora suspensos do Sou Hou Wui, uma vez que, de acordo com o relatório do Sin Fong, as obras de infra-estruturas desse vizinho em nada contribuíram para o incidente.

FÓRUM MACAU DIPLOMATA MOÇAMBICANO ASSUME LUGAR DE SECRETÁRIO-GERAL ADJUNTO

Em Maio, como os outros A vez de Vicente Manuel O A CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

deputada Ella Lei, que representa o sector dos operários, fez ontem uma interpelação escrita ao Governo onde pede que sejam aumentados os salários dos trabalhadores da limpeza e da segurança de prédios que trabalham para o Governo ao mesmo tempo que os funcionários públicos, em Maio. “Os funcionários públicos vão ser aumentados em 5,71%. Comparando com este aumento anual do salário,

os empregados da camada baixa do Governo, ainda mantêm um salário baixo. Desde 2007 que o Governo apenas aumentou duas vezes - em 2011 e 2013 - , mas esse aumento ainda não consegue fazer jus ao custo de vida.” O ano passado, estes salários foram de uma média abaixo de seis mil patacas. A deputada considera que, apesar das autoridades estarem a legislar o salário mínimo obrigatório para os trabalhadores da mesma área, mas do privado, também os que prestam serviços

ao Governo, através de empresas de concessão, devem ver os ordenados subir. “O Governo também vai fazer revisão ao nível de salário destes funcionários dos departamentos públicos?”

diplomata moçambicano Vicente de Jesus Manuel vai assumir o cargo de secretário-geral adjunto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, disse à Lusa fonte daquele organismo. A fonte do Fórum Macau contactada pela agência Lusa explicou que o novo secretário-geral adjunto, que vai substituir Marcelo Pedro D’Almeida, diplomata da Guiné-Bissau, toma posse quarta-feira, mas assume funções apenas no final de Junho. “É o procedimento normal nestes casos. O cargo de secretário-geral adjunto em representação dos países de língua portuguesa tem um mandato de três anos, é rotativo por ordem alfabética e é sempre

votado na reunião ordinária anterior”, explicou a fonte contactada pela agência Lusa. A reunião vai juntar em Macau os embaixadores dos países de língua portuguesa, os delegados dos países de língua portuguesa ao Fórum Macau e os ?pontos focais’ nesses mesmos países e que são o elo de ligação entre o Fórum e os países lusófonos. “Vamos passar em revista os trabalhos do último ano e perspectivar os próximos 12 meses tendo também em atenção as directrizes saídas da quarta conferência ministerial realizada em Novembro de 2013 e que marcou o décimo aniversário do Fórum Macau como promotor das relações entre a China e os países de língua portuguesa”, concluiu.


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SOCIEDADE

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ESTUDO MUST PEDE MAIS ATENÇÃO DAS OPERADORAS DE JOGO

Croupiers, os menos felizes Um inquérito realizado pela Universidade de Ciências e Tecnologia revela que a confiança e satisfação das pessoas empregadas aumentou 0,6%. Mas para a profissão de croupiers baixou 5% CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

U

M estudo realizado pela Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST) revela que a confiança dos empregados de Macau aumentou em 2013, mas o mesmo não se pode dizer daqueles que trabalham no sector do jogo. Se, no panorama geral, a confiança e satisfação dos empregados revelou ser mediana, com um aumento entre 0,3 e 0,6%, o mesmo não se passa com os croupiers, que registaram uma quebra na sua confiança e satisfação para com o trabalho na ordem dos

5%. Os croupiers registaram também valores muito baixos nas áreas da saúde, vida social e vida familiar.

Tal poderá ser explicado pelos baixos níveis de educação destas pessoas, algo que, segundo o esPUB

tudo, influencia os níveis de satisfação. Segundo o mesmo comunicado, os autores do estudo explicam que, o facto dos croupiers terem menos competências e qualificações profissionais faz com que sejam mais influenciados pelas mudanças no sector do jogo. O estudo recomenda que o Governo e as operadoras de jogo devem ter mais atenção para com os seus funcionários, disponibilizando mais oportunidades de aprendizagem e formação. Tudo para que tenham mais possibilidades de promoção no emprego, o que promove a confiança. Os jovens são também destacados no inquérito, devido à pouca competitividade. “A educação qualificada é uma das principais forças impulsionadores para o desenvolvimento sustentável da sociedade e da economia. A educação é também um efeito do desenvolvimento económico e uma das razões para a promoção dos empregados.” O estudo foi realizado em Fevereiro deste ano e os resultados foram obtidos através de entrevistas a mais de mil residentes, com um emprego a tempo inteiro e com idades acima dos 16 anos. No ano passado, os empregados não tinham muita confiança face ao próprio emprego ou perspectivas face a outros empregos. Mas este ano, como não houve grandes acontecimentos a influenciar um panorama negativo, tanto a confiança como a satisfação mantiveram-se com níveis semelhantes, aponta a MUST, que garante ainda que os empregados dão cada vez mais atenção à harmonia entre colegas de trabalho. “A relação com os colegas obteve a nota mais alta. A relação com os administradores da empresa e a garantia de manutenção do emprego também ficam no topo da lista.”

CEM Consumo de electricidade aumentou 1,5% em 2013

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Companhia de Electricidade de Macau (CEM) realizou ontem a sua assembleia-geral onde foi aprovado o relatório anual de 2013. Segundo um comunicado, que cita o relatório, o consumo de electricidade subiu cerca de 1,5% face a 2012, com um lucro liquido para a empresa de 581 milhões de patacas. A importação de electricidade atingiu os 92% do consumo total em Macau, “um valor histórico”, segundo a CEM, que atingiu quase 100% em termos de fiabilidade do fornecimento de energia eléctrica,

apontado como um dos “melhores desempenhos a nível mundial”. Já a satisfação do cliente situou-se nos 87,9%. O relatório anual aprovado fala ainda de 2013 como tendo sido “um ano importante em termos de investimento de capital, durante o qual vários projectos de grande envergadura foram concluídos”. O investimento total cifrou-se em 850 milhões de patacas. “ACEM continuou a manter as tarifas estáveis para todos os clientes do grupo A, clientes residenciais e PME, representando 99% dos nossos clientes.”

Mau tempo Granizo em Hong Kong e Guangdong influencia voos de Macau

M

AIS de duas dezenas com destino ou a sair do aeroporto de Macau estiveram atrasados no domingo, devido a uma rara tempestade de granizo que assolou Hong Kong e Guangdong. Segundo os dados da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, houve 23 voos para Macau que estiveram atrasados, desviados para outra rota ou até cancelados. Também 22 voos a sair de Macau foram influenciados por causa do mau tempo, sendo que quatro chegaram a ser cancelados. Na noite de domingo, Hong Kong viu cair granizo em vários lugares, sendo que

o aviso de tempestade se manteve içado até às duas da manhã. A mesmo situação também aconteceu em Cantão, Fuyun e Fushan, na província de Guangdong. Mais de 200 voos em Cantão foram cancelados. Segundo o rádio chinês, durante os dois dias de mau tempo, já morreram nove pessoas e duas estão ainda desaparecidas. Houve também vários feridos. Até às nove da manhã de ontem, morreram 16 pessoas em três províncias do sul da China - Guangdong, Fujian e Hunan. O mau tempo está previsto continuar por mais quatro dias, com previsões de chuvas, granizo e ventos fortes.


CHINA

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TIBETE PHUNTSOK WANGYAL, FUNDADOR DO PARTIDO COMUNISTA MORRE AOS 92 ANOS

Um homem honesto e conciliador O

político Phuntsok Wangyal, fundador do Partido Comunista Tibetano e mediador entre o regime chinês e o Dalai Lama, morreu no domingo num hospital de Pequim aos 92 anos após uma longa doença pulmonar, informaram esta segunda-feira fontes próximas da sua família à emissora “Radio Free Asia”. Wangyal, nascido em 1922 em Batang (província central chinesa de Sichuan), criou o partido na clandestinidade nos anos 40 e organizou uma guerrilha que lutou contra o então governante Partido Nacionalista Kuomintang, em parceria com os comunistas chineses de Mao Tsé-tung. Embora compartilhasse traços ideológicos com o Partido Comunista da China, como a luta contra o feudalismo e a modernização da economia, o seu objectivo inicial, ao contrário do das forças maoístas, era estabelecer um estado tibetano socialista e independente. Após a vitória dos comunistas chineses contra o Kuomintang na guerra civil (1945-49), Wangyal e o seu partido uniram-se ao Partido Comunista da China, abandonando a independência e colaborando com Pequim na criação da região autónoma do Tibete.

Wangyal foi também tradutor do Dalai Lama na viagem que o líder espiritual, ainda adolescente, realizou a Pequim entre 1954 e 1955, nos primeiros anos, época de aparente cooperação entre o nascente regime comunista e as autoridades tradicionais tibetanas.

Mas em 1960, um ano depois das revoltas no Tibete contra a ocupação comunista que terminaram com o exílio do Dalai Lama, Wangyal foi preso na penitenciária de Qincheng, famoso local de detenção de líderes comunistas expurgados

em Pequim, onde passou os 18 anos seguintes. A sua esposa, um dos seus irmãos e os seus filhos foram também presos na época. A mulher acabou por morrer na prisão sem saber se Wangyal continuava vivo. Finalmente o líder tibetano, também conhecido popularmente como “Phunwang”, foi libertado e politicamente reabilitado em 1978, dois anos depois da morte de Mao, e chegou a receber a oferta de se tornar o presidente da região autónoma do Tibete, oferta essa que rejeitou. Wangyal passou o resto da vida em Pequim, e ficou conhecido também pelas tentativas de convencer os líderes do governo central a procurarem uma reconciliação com o exílio tibetano e a permitirem o regresso do Dalai Lama, desejo expresso em várias cartas dirigidas ao então presidente da China Hu Jintao (2003-2013). O Dalai Lama enviou uma mensagem de condolências pela morte do amigo. “Era um homem sincero e honesto, e desfrutei da sua companhia sempre que nos encontramos. Tinha a esperança de voltar a vê-lo, mas não pôde ser”, disse o líder espiritual em mensagem enviada da sua residência em Dharamsala (na Índia).

Satélites de navegação Beidou terão capacidade de prestar serviços de âmbito internacional em 2020 A Agência de Notícias de Xinhua anunciou que até 2020, o país lançará mais de 30 satélites de navegação, que cobrirão todo o globo e poderão prestar serviços em qualquer canto do mundo. A afirmação foi feita pelo presidente da Associação de Localização dos Satélites de Navegação da China, Zhang Rongjiu. Segundo Rongjiu, o sistema de navegação internacional Beidou é desenvolvido autonomamente pelo país e funciona de maneira independente. Até ao momento, a China pôs14 satélites em órbita. Estes aparelhos já cobrem a região da Ásia-Pacífico.

REGIÃO

A

S Coreias do Norte e do Sul trocaram fogo de artilharia ontem junto à fronteira marítima, com Seul a pedir aos residentes de duas ilhas situadas nas imediações para se refugiarem em abrigos face ao aumento da tensão. “Obuses disparados pela Coreia do Norte caíram no nosso lado [da fronteira] e nós replicamos abrindo fogo”, declarou um porta-voz do Estado-Maior da Armada sul-coreana à agência AFP. Os disparos de ambos os lados aparentemente não foram dirigidos contra alvos específicos. “Até ao momento, as duas partes atiraram para o mar”, disse a mesma fonte. Os habitantes das ilhas sul-coreanas de Baengnyeong e Yeonpyeong foram

COREIAS TROCAM DISPAROS DE ARTILHARIA JUNTO À FRONTEIRA MARÍTIMA

Muito gostam eles de “brincar”

aconselhados a procurar abrigos. “Nós instamos todos os moradores a refugiarem-se, sem demora, em abrigos e alguns já o fizeram”, indicou um responsável local à AFP. A Coreia do Norte tinha alertado Seul que pretendia levar a cabo durante o dia de ontem manobras navais com fogo real no Mar Amarelo, junto à fronteira marítima, as quais não são raras, apesar de ser pouco frequente o ‘aviso’ prévio. Pyongyang pediu a Seul para ter sob controlo os seus navios perante os exercícios. A Coreia do Sul replicou, prevenindo

que se extravasassem para o seu lado seriam seguidos de represálias. A fronteira marítima entre as duas Coreias foi no passado palco de repetidos confrontos, alguns dos quais mortíferos. A acção norte-coreana, que poderá contribuir para acentuar a tensão na península, é vista como uma resposta ao “Foal Eagle”, um exercício militar conjunto que Seul e Washington realizam desde o final de Fevereiro e o qual se prolongará até 18 de Abril. O regime de Kim Jong-un considera a manobra conjunta como “um ensaio de invasão” do seu país, pelo que, nas últimas semanas, tem ‘respondido’ com uma série de lançamentos de mísseis de curto e médio alcance.


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EVENTOS

LITERATURA “TROCA DE LIVROS” PROLONGADA ATÉ 10 DE ABRIL

Dar para ler E M complemento das actividades da “Semana da Biblioteca de Macau 2014”, a Biblioteca Central de Macau, levara cabo a iniciativa “Troca de Livros”, que se iniciou a 1 de Março e que estava programada para terminar a 31 de Março de 2014. Devido à grande participação do público a “Troca de Livros” vai prolongar-se até ao dia 10 de Abril, informa a organização. Os interessados podem entregar os seus livros em qualquer uma das bibliotecas dependentes do IC, recebendo em troca uma ficha classificativa, com o qual poderão adquirir outros livros de valor correspondente durante a “Troca de Livros”, a ter lugar nos dias 12 e 13 de Abril de 2014, na Calçada da Igreja de S. Lázaro. Os cidadãos podem entregar os seus livros na Biblioteca Central de Macau (sede), Biblioteca Sir Robert Ho Tung, Biblioteca da Ilha Verde, Biblioteca de Mong Há, Biblioteca do Mercado

Vermelho, Biblioteca do Edifício do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, Biblioteca de Coloane e Biblioteca Itinerante. Os livros entregues serão classificados segundo o seu preço original, em que cada MOP10 (dez patacas) equivale a um ponto, havendo arredondamento ao número inteiro mais próximo; cada livro é avaliado autonomamente e a cada ponto corresponde um carimbo colocado na ficha classificativa. Aos livros sem preço será atribuído o valor fixo de 10 patacas. Estão fora do âmbito de troca os manuais escolares, livros de exercícios, revistas, publicações pornográficas, publicações religiosas, banda desenhada, obras em série incompletas, livros rabiscados e os livros turísticos publicados antes de 2012, etc. As entregas deverão ser feitas individualmente, não se aceitando igualmente a troca de livros por associações, informa o comunicado de imprensa da organização.

hoje macau terça

PESTE NEGRA ARQUEÓLOGOS BRITÂNICOS DESVENDAM MISTÉRIO COM 660 ANOS

Descoberto cemitério com ma O

S esqueletos descobertos durante as obras de alargamento do metro de Londres (o projecto Crossrail) pertencem a vítimas da epidemia de Peste Negra que assolou a cidade nos séculos XIV e XV. O anúncio foi feito este domingo por uma equipa de arqueólogos britânicos, que realizou testes de ADN a alguns dos esqueletos encontrados no ano passado, confirmando que se pode estar perante um cemitério onde foram enterradas mais de 50 mil vítimas da peste. Os arqueólogos já suspeitavam que os esqueletos de 13 homens, três mulheres e duas crianças, encontrados na sequência das obras de expansão do metro da capital britânica, podiam pertencer a vítimas da epidemia que matou um terço da população de Londres. Alguns registos da época já sugeriam que mais de 50 mil pessoas teriam sido enterradas num cemitério do distrito de Farringdon, mas o local exacto permanecia um mistério. Agora, os testes realizados aos dentes de alguns dos esqueletos encontrado nesse local revelam vestígios da bactéria yersinia, responsável pela epidemia de Peste Negra, confirmando a teoria.

UM SÉCULO, TRÊS SURTOS

A Peste Negra chegou a Inglaterra em 1348 e a primeira camada de esqueletos encontrados terão sido enterrados entre 1348 e 1349. A segunda camada coincide com o novo surto registado em 1361 e a última camada de esqueletos

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O NOVO VEGETARIANO • Yotam Ottolenghi

descobertos terá pertencido a corpos enterrados durante um terceiro surto que eclodiu entre 1433 e 1435. “As análises revelam uma quantidade extraordinária de informação que nos permite resolver um mistério com 660 anos”, disse à Reuters Jay Carver,

o arqueólogo que dirige a investigação.  “Esta descoberta é um passo extremamente importante no sentido de compreender e documentar a pandemia mais devastadora da Europa”, acrescentou. As análises revelaram ain-

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

Com os seus restaurantes de grande sucesso e livros de receitas bestsellers, Yotam Ottolenghi tornou-se um dos novos talentos mais promissores do mundo da culinária e da escrita de livros gastronómicos. O livro inclui 120 receitas exclusivas e originais, muitas das quais desenvolvidas inicialmente para a coluna “New Vegetarian” da revista Guardian Weekend. A inspiração de Ottolenghi vem das suas raízes mediterrânicas e do seu amor incondicional pelos ingredientes. Não sendo ele próprio um vegetariano, a sua forma de cozinhar com legumes é totalmente original e inovadora, baseada em sabores intensos e combinações surpreendentes e ousadas. Com secções dedicadas aos legumes verdes, às beringelas, às brássicas, ao arroz e aos cereais, à massa, aos tubérculos, à cebola, à fruta, aos cogumelos e aos tomates, há uma extraordinária variedade de cores, sabores e texturas. Com fotografias extraordinárias de Jonathan Lovekin e receitas inspiradoras, O Novo Vegetariano é um livro a não perder tanto para apreciadores de carne como para vegetarianos.

COZINHA CHINESA • Li Ching

Li Ching, o autor deste livro, era conhecido entre os seus amigos pela alcunha de «restaurante ambulante». Natural de Hai Nan, viajou pelo mundo ensinando a sua arte. Neste livro revela-nos muitos segredos da milenária cozinha chinesa. As sopas, os mariscos e peixes, as aves, o porco, as outras carnes e o arroz são tratados em capítulos separados, sendo também dados muitos conselhos práticos que facilitam a confecção das receitas. As fotografias a cores permitem avaliar o aspecto final de alguns pratos, realçando o seu lado estético, que é um dos «ingredientes» fundamentais da cozinha chinesa.


eventos 11

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ais de 50 mil vítimas da pormenores sobre a forma como aquelas pessoas viveram. Alguns tinham problemas na coluna, sugerindo que realizavam trabalho manual pesado; outros apresentavam vestígios de ferimentos resultantes de eventuais conflitos violentos e muitos sofriam de subnutrição. Os arqueólogos revelaram ainda que 40% cresceram fora de Londres, possivelmente no norte da Escócia, mostrando que no século XIV Londres atraía pessoas de todo o país, tal como acontece actualmente com a capital britânica. Jay Carver destacou ainda o contributo da descoberta para a comunidade científica e para a investigação moderna das doenças. “Historiadores, arqueólogos, microbiólogos e físicos estão a trabalhar em conjunto para traçar as origens e o desenvolvimento de uma das piores doenças endémicas do mundo e ajudar os investigadores de hoje a compreender melhor a evolução dessas bactérias”, destacou. Os testes de ADN permitem também concluir, argumentam os cientistas que a doença se propagou sobretudo através da tosse e dos espirros e não apenas por causa dos ratos, como se pensa. Uma equipa do organismo britânico que estuda doenças infecciosas (Public Health England), liderada por Tim Brooks, argumenta que a infecção propagou-se de forma tão rápida que deve ter afectado os pulmões das vítimas malnutridas, dando a entender que se tratou de focos de peste pneumónica em vez de peste bubónica.

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ANDLE in The Wind, Bennie and The Jets, Goodbye Yellow Brick Road... A sucessão de títulos parece coisa de um best of de Elton John, mas estes são títulos assim consecutivamente arrumados no alinhamento de um álbum duplo que o cantor editou em 1973 e que, transformado num dos seus maiores êxitos e muitas vezes apontado como a sua obra-prima, regressou ontem numa edição que junta uma série de extras. Gravado e misturado em apenas 17 dias, Goodbye Yellow Brick Road (o título aludindo à estrada de tijolos dourados de O Feiticeiro de Oz)

ACE 7 no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania

Com organização do Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM) e do Albergue SCM, em colaboração com o Politécnico de Milão, a sétima edição de “Arquitectura, Cultura e Ambiente” terá lugar no próximo dia 11 de Abril, pelas 9h30, no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania. O evento que conta ainda com a participação científica da Universidade de Palermo e da Universidade de São José oferece um intenso programa relacionado com a complexidade da construção urbana, tanto no capítulo do desenho de novos edifícios como no restauro e preservação de construções antigas, com vista a um desenvolvimento urbano sustentável, informa a nota de imprensa da organização.

Morreu a actriz britânica Kate O’Mara

A britânica Kate O’Mara, uma das protagonistas da série “Dinastia”, morreu aos 74 anos, numa casa de repouso no Sussex, no sul de Inglaterra, disse, este domingo, o agente da actriz. Nascida a 10 de Agosto de 1939 em Leicester (centro de Inglaterra), Kate O’Mara encarnou o papel de “Cassandra ‘Caress’ Morell”, a irmã de “Alexis Colby”, desempenhado por Joan Collins, na célebre série norte-americana, de 1980. Kate O’Mara participou em várias séries televisivas britânicas, nomeadamente “Doctor Who”. “Uma estrela brilhante que se apagou. Kate fará uma enorme falta a todos os que a conheceram e trabalharam com ela”, disse o seu agente, que acrescentou que a actriz morreu de uma “doença de curta duração”.

Morte de Carlos Castro adaptada ao cinema

O assassinato de Carlos Castro vai ser adaptado ao cinema pelo realizador Rui Filipe Torres, avança o Diário de Notícias. O realizador partiu de “Crime em Nova Iorque”, uma peça escrita e interpretada por João d’Ávila que também será Carlos Castro no filme. Ruben Garcia interpretará Renato Seabra. O filme vai começar a ser rodado esta próxima terça-feira no Hotel D. Pedro Palace, em Lisboa. O cronista Carlos Castro foi assassinado em Nova Iorque em Janeiro de 2011 num hotel de luxo. Renato Seabra está a cumprir uma pena que pode ir de 25 anos de prisão a perpétua.

OBRA-PRIMA DE ELTON JOHN REGRESSA COM EXTRAS

A celebrar 40 anos nasceria na forma de álbum duplo a 5 de Outubro de 1973. Imponente nos arranjos, seguro na composição (confirmando um momento de forma da dupla autoral), o disco vai dos espaços de grandiosidade do glam rock a terrenos de elegante sinfonismo pop, pelas suas canções passando sobretudo histórias e figuras trágicas como Marilyn Monroe (em Candle

in The Wind), uma prostituta (Sweet Painted Lady) e o assassinado Danny Bailey. Em All the Girls Love Alice Elton John junta-se a David Bowie e Lou Reed ao assinar mais um entre os primeiros retratos de homossexuais na forma de canções pop. A edição comemorativa dos 40 anos do álbum surge em vários formatos,

uns com mais extras do que outros. A versão standard, na forma de CD duplo, inclui um concerto no Hammersmith Odeon em 1973 e um tributo que apresenta versões para nove temas do álbum em novas vozes. Candle in The Wind é reinventada por Ed Sheeran e Sweet Painted Lady surge em nova leitura por John Grant. O tributo apresenta ainda Bennie and The Jets por Miguel e Wale, All The Girls Love Alice por Emily Sandé e Saturday Night”s Alright for Fighting pelos Fall Out Boy.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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luz de inverno

Boi Luxo

ERROL MORRIS, O INVENTOR DO INTERROTRON

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U gosto do Errol Morris. Não sei exactamente porquê, mas estou preparado para admitir que ele excita em mim um sentimento que está para lá da curiosidade e que está mais próximo da bisbilhotice ou da morbidez. Gosto de algumas das pessoas que aparecem nos seus filmes e de me deixar confundir porque não sei bem se Morris gosta sempre das pessoas que filma ou não. Quem pode não gostar dos americanos de Gates of Heaven (1978) um documentário em que se fala de um projecto para a criação de um cemitério de animais e em que os entrevistados estão sempre sentados, de calças claras e camisas abertas no peito? Quem não sente comoção com os interiores garridos das casas destas pessoas de gostos e desígnios simples? Quem não sente emoção perante o evidente afecto com que Morris filma o lugar mais negro e mais solar do mundo – a Califórnia? The Thin Blue Line (1988) é um objecto mais vulgar a nível fílmico. Mas, mais uma vez, é impossível não sentir um prazer mórbido na observação da banalidade dos entrevistados, polícias, criminosos e normais cidadãos, e na demonstração que fazem dos seus desejos e das injustiças de que são vítimas. The Thin Blue Line é o mais sexual de todos estes filmes, aquele em que existe uma quase volúpia na exibição da banalidade. A par de Gates of Heaven, este filme é uma delícia enquanto ponto de observação da Pequena América. Das roupas aos óculos, dos penteados às pronúncias. De qualquer destes dois filmes se desprende a vaga suspeita de que o autor está mais interessado na observação directa dos entrevistados do que nas histórias que estes têm para contar. Ou será esta impressão fruto do desinteresse que elas têm, hoje, para nós? Será que um americano, como Morris, tem a noção de como a América estendeu pelo mundo que a vê e a ouve uma noção de si própria que está mais próxima da ficção do que da realidade? A América de Wim Wenders não é esta? Onde estamos nós no meio de tudo isto? Em A Brief History of Time (1991), que não se passa na América, Errol Morris adopta um tom menos provinciano (afinal, é do nascimento do universo e da história do tempo que se fala) e menos americano. A fixação numa figura, neste caso Stephen Hawkings, permanece, mas nesta instalação banhada por uma distância mais respeitosa. É

A VERDADE

esta distanciação, fruto talvez de uma incompreensão, que torna este o menos afectuoso destes 4 documentários de que aqui se fala, uma disposição que não deixa de iluminar todos os outros, como se o realizador não ousasse aproximar-se de Hawkings do modo que o faz com os outros entrevistados. The Fog of War: Eleven Lessons from the Life of Robert S. McNamara (2003) centra-se no Secretário da Defesa dos presidentes do Partido Democrático Kennedy e Johnson. Os críticos chamam-lhe uma IBM com pernas, um ditador

ser do Interrotron. O Interrotron é uma invenção de Morris que consiste na montagem de um sistema de espelhos e câmaras que permite que os dois dialogantes estejam, na prática, a olhar um para o outro mas sejam filmados como se estivessem a olhar para a câmara. Assim, os interrogados (perdão, os entrevistados) estão a olhar para o seu entrevistador enquanto falam mas a nós, espectadores, fica a impressão que estes nos olham directamente. Estreou no passado dia 21 de Março, no Reino Unido, e estreia no dia

arrogante, um vigarista. Os apologistas elegem-no o melhor Secretário da Defesa até à época. Ele parece quase cândido na clareza do seu discurso, espelho da firmeza das suas convicções. O seu nome do meio é Strange, Robert Strange McNamara. Talvez tenha sido esta estranheza que atraiu Morris. Passados estes anos, não muitos, a grande inquietação que dimana desta entrevista é a distância que a ignorância sobre a história e a situação no terreno, no caso do Vietname, interpôs entre quem decidia sobre a Guerra e a realidade. A mesma ignorância e falta de sensibilidade para entender o Outro que vitimou, mais uma vez, os E.U. no Médio Oriente, agora. McNamara foi Secretário da Defesa durante 2.595 dias, mais do que qualquer outro. É contrariado que confesso que não deixo de dispensar alguma simpatia a este homem. A culpa pode

2 de Abril, nos E.U., o último filme de Errol Morris, The Unknown Known, centrado numa figura em parte semelhante, mas muito mais recente, à de McNamara - Donald Rumsfeld. É fácil de perceber como o documentarista se terá deixado fascinar por esta figura obtusa (será interessante verificar quanto transparecerá desse fascínio certamente involuntário) responsável directo importante por opções geo-estratégicas que moldaram o mundo de hoje. Rumsfeld é um homem de convicções patrióticas enraizadas de um modo natural, quase rural. Nigel Andrews, crítico do Financial Times acusa Morris de ser demasiadamente condescente para com o antigo Secretário da Defesa. No New York Review of Books tem vindo a ser publicado um conjunto de longos artigos (já saíram 5 à data de composição destas linhas) de Mark Danner que retiram a

DA MENTIRA

sua inspiração de 2 livros de mais de 800 páginas cada - By His Own Rules: The Ambitions, Successes, and Ultimate Failures of Donald Rumsfeld, de Bradley Graham, e Known and Unknown: a Memoir, de Donald Rumsfeld – e do documentário de Errol Morris. Danner confessa que acha o documentário de Morris demente mas brilhante. Rumsfeld foi Secretário da Defesa durante 2.158 dias. Apenas McNamara ocupou o cargo durante mais tempo. Nenhum outro marcou tanto o nosso tempo como estes dois. Esperamos com ansiedade a visão de Morris sobre Rumsfeld e ver se este, como acontece com aquele, deixará transparecer as dúvidas e ansiedades que acompanham o exercício desta alta função de Estado. Se McNamara aparece irremediavelmente ligado à guerra no Vietname (e ao seu falhanço), Donald Rumsfeld é o emblema de um fiasco, o iraquiano, menos desculpável numa era em que a ignorância deveria ser menor e muito mais próximo de nós que a guerra do Vietname. É impossível esquecer que todos estes documentários lidam directamente com a morte - de animais de estimação, de um inocente polícia, de milhões de pessoas no Vietname e de muitos milhares no Iraque, no Afeganistão e um pouco por todo o mundo. Vários dos episódios da série televisiva First Person, que Morris produz e realiza, lidam com a morte (o primeiro episódio debruça-se sobre Mary Temple Grandin, professora universitária e experta em técnicas humanas de abate de gado). O filme Mr. Death, The Rise and Fall of Fred A. Leuchter Jr. debruça-se sobre os aparelhos que permitem administrar a pena de morte. Standard Operation Procedure (2008) é sobre a prática da tortura (aparentemente autorizada por Rumsfeld) na prisão de Abu Ghraib. Tabloid é um documentário de 2010 sobre Joyce McKinney, uma antiga Miss Wyoming acusada de, nos anos 70, ter raptado e violado um missionário mormon. Espero ter excitado a vossa curiosidade mórbida, histórica e tablóide.


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Luís Dolhnikoff  IN SIBILA

POESIA GUERRILHEIRA Os versos do Araguaia

U

M facto raro e pouco conhecido na história da poesia brasileira recente foi a reunião e a publicação de poemas escritos por guerrilheiros do Araguaia durante a guerrilha. Os poemas dessa pequena selecção são surpreendentes, em vários aspectos. Antes de comentá-los brevemente é preciso, porém, comentar ainda mais brevemente a própria guerrilha. A guerrilha na região do rio Araguaia, no Pará, durou entre fins da década de 1960 e 1974. Foi organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), de linha maoísta, que pregava um caminho sino-cubano para chegar à Revolução no Brasil, somando a “via camponesa” de Mao Zedong (que contrariava o marxismo-leninismo “clássico”, centrado no proletariado urbano) ao vanguardismo guerrilheiro de Fidel e Guevara. Se esse foi o contexto ideológico da guerrilha do Araguaia e de seus participantes, os poemas ali surgidos escapam da cartilha. Reunidos em um livreto dactilografado e numerado (48 pp.), intitulado  Primeiras cantigas do Araguaia, tiveram sua impressão a cargo do Centro Mineiro de Cultura Popular, no ano de 1980 (segundo a data repetida na “Apresentação” [pp. 4-5], assinada pelos “Familiares de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia”, e no posfácio [p. 47], creditado ao Comité Brasileiro pela Amnistia [CBA]). Os poemas anónimos contidos no opúsculo foram, no entanto, escritos antes de 1974, ano do fim da guerrilha, segundo a data do prefácio “Cantar é preciso” (pp. 6-7), assinado por um pseudónimo de evidente carácter ideológico-colectivo: “Libério de Campos, Fevereiro de 1974” (Libério de Campos: “liberdade do campo”). Estas poesias foram feitas provavelmente pelos guerrilheiros do Araguaia. Sua primeira publicação parcial se deu em 1979 no jornal Resistência, do Pará. Segundo Luiz Maklouf, responsável por sua publicação, elas foram enviadas em 1976 ao jornal  O Estado do Pará, onde trabalhava. Sabendo que jamais seriam publicados por esse jornal, ele guardou-as cuidadosamente, até que houvesse condições de editá-las (“Apresentação”, p. 4). Seria de esperar que tanto a forma quanto os temas dessa poesia respeitassem as regras da “arte camponesa socia-

lista”, ou seja, temas “socialistamente correctos”, de viés agrário, em modos popular-populistas, semelhantes aos adotados, à mesma época, pela produção dos Centros Populares de Cultura (CPCs) e outros grupos próximos. Para piorar, em tais circunstâncias específicas, deveriam reinar os chamados sectários, as convocações “à luta”, os apelos “à causa” etc. De fato, eles existem − mas não predominam.

OS COMISSÁRIOS POLÍTICOS DO PARTIDO NÃO PARECEM TER FEITO UM BOM TRABALHO. O DOS POETAS ARMADOS, AINDA QUE RELATIVAMENTE, FOI BEM MELHOR Tampouco predominam as referências ao socialismo. A crer nesses poemas, a luta no Araguaia, à primeira leitura, parece ter um carácter messiânico, clamando e reclamando por uma “liberdade” algo abstracta. Pois tal “liberdade” não poderia ser simplesmente a liberdade advinda do fim da ditadura militar, que pressupunha, no contexto da Guerra Fria e das forças políticas brasileiras de então, a escolha entre dois diferentes sistemas político-ideológicos: a democracia representativa, “burguesa e capitalista”, ou a ditadura do proletariado. Mas como a guerrilha do Araguaia não era messiânica, na linha do movimento de Canudos, nem defendia a democracia burguesa, a “liberdade” referida nos poemas era mesmo, afinal, a do fim da ditadura − mas somente porque o fim dessa mesma liberdade, pelo subsequente advento da ditadura do proletariado, objectivo último do PC do B, não é aqui considerado (não era essa a “tarefa” do momento, para usar um termo da época): nas palavras do “Prefácio”, “Este trabalho é dedicado a todo o povo brasileiro, a to(Continua na página seguinte)


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dos os que, de alguma forma, se batem pela liberdade” (p. 7). E esta liberdade era, de fato, ao menos naquele momento, a do fim da ditadura. Em todo caso, ao menos uma forma de liberdade nada tem aqui de abstracta: a da forma. Ela permite que os poemas fujam (se não na sua totalidade, em grande parte) dos meios e modos do popular-populismo e da arte engajada-panfletária para encontrá-la, por exemplo, em outra vanguarda rígida, na linguagem do concretismo. Assim, num giro paradoxal, esta reaparece longe da urbe e dentro da mata, distante das querelas literárias e próxima da luta política na sua forma mais dura. Irónica e imprevistamente, a vanguarda “burguesa” da “revolução” poética encontra a vanguarda esteticamente atrasada da Revolução política, e elas conseguem se entender. * “Cidade grande” faz um subtil e preciso jogo semântico com os significados originais dos substantivos. Favela é um tipo de fava, vegetação comum na região do Arraial de Canudos, onde dava nome a um morro próximo. Os soldados da República para lá deslocados no final do século XIX montaram acampamento nesse “Morro da Favela”, e a denominação os acompanhou ao Rio de Janeiro quando, desmobilizados, acamparam nos morros em torno do Centro, à espera de títulos de propriedades prometidos pelo governo, que nunca vieram (seus acampamentos foram a origem das favelas cariocas). Daí a síntese polissémica da primeira parte do poema: “à sombra / dos arranha-céus / plantam-se / as favelas”. Em “Campo”, por um lado, o vocabulário está “errado”, pois um poema em tal linguagem não deveria falar de coisas campestres como “léguas” e “éguas”, como na segunda estrofe. Por outro lado, também está portanto “errado”, porque completamente acertado, o uso dessa linguagem, que na primeira estrofe é, ao mesmo tempo, metalinguístico, sintético e sofisticado, pela palavra composta de cunho gramatical “sempre-gerúndio”, pela rima rara com “latifúndio” e, por fim, pela aparição subsequente de um gerúndio, “escravizando”. Este pequeno curto-circuito poético, se conhecido antes, talvez tivesse tornado alguns fervorosos argumentos e contra-argumentos crítico-poéticos ociosos. Na primeira parte de “Vida vivida” (“Jogo de contrários”), somam-se de modo convincente (ainda que algo ingénuo) a conhecida sintaxe nominal e

a seca precisão vocabular, palavra a palavra, sem nada de arbitrário (mas necessário) ou de “formalista”, apesar da consciência da forma. Na segunda parte, “Tempo”, a segunda estrofe faz um jogo semântico irônico com a expressão “boca do fuzil” e o “diálogo” das armas, ou seja, o combate. A terceira estrofe utiliza o recurso da montagem para ir de “mês a mês” e “usura” até a palavra-valise (no contexto do texto) “desmesurada”. Mas eis que, algumas páginas à frente, em “Aos nativos”, afinal aparece, numa convivência tranquila, o perfeito popular-populismo de quadras rimadas em redondilha maior (com direito a “violeiro do sertão”), na segunda pessoa do singular e com vocabulário obreiro-agrário, evocando o povo e a luta: Tornou-se um verdadeiro vício da crítica contemporânea de poesia achar aspectos “à Drummond” ou “à Cabral” em todos e quaisquer poetas e neopoetas. Mas em Primeiras cantigas do Araguaia  há ao menos um poema (“Palafitose”) que não desmerece inteiramente o adjectivo de cabralino, sem


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que esse qualificativo o esmigalhe por completo ao peso da evocação. Ele é cabralino, naturalmente, não porque à altura de Cabral, mas por ter conseguido absorver algumas de suas lições (como a sintaxe seca, as rimas toantes, as metáforas substantivas) sem pretender emular, inútil e pretensiosamente, o modelo: Apesar de nada revolucionária, há nessa poesia guerrilheira, ou nesses poemas de guerrilheiros, muito mais variações de formas (num verdadeiro catálogo ecuménico ou democrático das sintaxes poéticas dominantes

no período) do que havia matizes de ideias no movimento, considerando sua conhecida rigidez ideológica. E como a forma é uma forma de conteúdo, a poesia se revela aqui um subtil desfazedor, senão de ideias, de frases feitas. Esses guerrilheiros, em suas vozes poéticas, não falam, felizmente, com a dureza totalitarista dos donos da razão histórica e do futuro. Os comissários políticos do partido, na seara estética das lutas do Araguaia, não parecem ter feito um bom trabalho. O dos poetas armados, ainda que relativamente, foi bem melhor.

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei n.º 8/91/M, de 29 de Julho, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida Olímpica, n.ºs 263 a 323, Rua de Seng Tou, n.ºs 7 a 51 e Rua de Évora, n.ºs 78 a 134, na Ilha da Taipa, (Edifício Flower City Peonia); - Rua de Évora, n.ºs 161 a 251, Rua de Coimbra, n.ºs 105 a 175, Rua de Tai Lin, n.ºs 122 a 210 e Rua de Seng Tou, n.ºs 76 a 146, na Ilha da Taipa, (Edifício Fá Seng Quarteirão 40); - Rua de Évora, n.ºs 278 a 366, Rua de Coimbra, n.ºs 2 a 78, Rua de Nam Keng, n.ºs 7 a 129 e Avenida Olímpica, n.ºs 475 a 573, na Ilha da Taipa, (Edifício Fá Seng Quarteirão 43); - Avenida Olímpica, n.ºs 177 a 257 e Rua de Évora, n.ºs 10 a 72, na Ilha da Taipa, (Edifício Flower City-Lei Pou Kok); - Rua de Tai Lin, n.ºs 3 a 89, Rua de Seng Tou, n.ºs 171 a 239,

2.

3.

Avenida de Guimarães , n.ºs 94 a 180 e Rua de Bragança, n.ºs 104 a 170, na Ilha da Taipa, (Edifício Lai Chun Kok , Lai Chui Kok, Lai Cheng Kok); - Rua de Évora, n.ºs 281 a 363, Rua de Coimbra, n.ºs 102 a 178, Rua de Tai Lin, n.ºs 236 a 324 e Rua de Nam Keng, n.ºs 153 a 229, na Ilha da Taipa, (Edifício Prince Flower City). Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 10 de Março de 2014. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição


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ASSOCIAÇÃO GERAL DE AUTOMÓVEL DE MACAU-CHINA

Inscrição Curso de Formação para os Comissários Desportivos do 61º. Grande Prémio de Macau Avisa-se a todos os interessados que as inscrições do curso de formação para os comissários desportivos do 61º. Grande Prémio de Macau para o ano 2014 estarão abertas a partir do dia 31 de Março do corrente ano. Os interessados deverão preencher uma ficha de inscrição fornecida pelo AAMC, juntando 1 fotocópia do Bilhete de Identidade de Residente Macau, 2 fotografias a cores e 1 atestado médico passado por médico registado na RAEM, apto para prestar funções acima referido e entregar até ao dia 17 de Abril de 2014 na sede da Associação Geral de Automóvel de Macau - China (AAMC), sita na Avenida Amizade, Ed.do Grande Prémio, Rés-do-chão da Torre de Controle, de fronte ao Terminal Maritimo de passageiros do Porto Exterior. Horário de inscrição - De 2ª. Feira a 6ª. Feira: das 09H30 às 13H00 e das 14H30 às 18H30 (excepto feriados oficiais e tolerância de ponto aprovado pelo Chefe Executivo) Para mais Informações, favor de contactar através do número de telefone: (853) 2872 6578 PROPINA DE INSCRIÇÃO: Mop100.00 por inscrição. (o montante será reembolsado após a frequência de todas as aulas do referido curso) Nota: Relativamente ao horário do curso de formação para os comissários desportivos, podem encontrar na página electrónica da Associação Geral de Automóvel de Macau – China, www.aamcauto.org.mo


DESPORTO

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MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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HEGOU, viu e surpreendeu. A estreia do Sporting Clube de Macau na Liga de Elite dificilmente se poderia revelar mais bem sucedida. Ao fim de sete jornadas, os leões do território lideram isolados as contas da principal prova do futebol de Macau com um ponto de vantagem sobre Monte Carlo e Benfica, mas a performance da equipa não se revelou suficiente para assoberbar os responsáveis pelo grupo de trabalho verde e branco. João Maria Pegado, que divide com Mandinho as responsabilidades no banco da formação leonina, entende que ainda é cedo para que a equipa assuma protagonismos desnecessários e se afirme frontalmente como candidata ao triunfo na presente edição do Campeonato de Futebol da 1.ª Divisão. Para o técnico leonino, mais do que nutrir

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LIGA DE ELITE JOÃO MARIA PEGADO RECUSA FAVORITISMO

“Sporting quer triunfar jogo a jogo” aspirações a longo prazo, importa preparar e disputar com afinco cada um dos desafios que a equipa tem pela frente. Os dois próximos, contra o Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública e a Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau, poderão vir a ter um peso decisivo nas perspectivas da equipa, mas João Maria Pegado não espera facilidades. O treinador dos leões do território quer apenas que o grupo de trabalho que orienta cumpra com aquilo que lhe é exigido e vença os dois jogos que tem pela frente até ao fim da primeira volta do Campeonato: “O nosso próximo adversário, a Polícia, roubou pontos ao Chao Pak Kei e não é, de todo, um adversário fácil. O Benfica

é o actual vice-campeão e é uma equipa com aspirações fortes e não seria correcto subestimar nem uma, nem outra equipa. Os nossos objectivos passam sempre, no entanto, por vencer jogo a jogo. O Sporting quer vencer jogo a jogo e é com este propósito em mente que queremos entrar em campo em ambos os desafios”, reitera o técnico dos leões. João Maria Pegado lamenta apenas que o Sporting não se possa apresentar para os dois últimos desafios da primeira volta da Liga de Elite com uma vantagem mais substancial. Para o jovem treinador português, apesar de saboroso, o empate frente ao Windsor Arch Ka I, soube a pouco. O técnico que conduziu na última

época o Sporting ao triunfo no Campenato de Futebol da II Divisão diz que, pelo que fizeram em campo, os leões mereciam outro resultado: “O empate frente ao Ka I foi um empate saboroso porque

continuamos no primeiro lugar. Não foi este o objectivo a que nos propusemos mas, como é óbvio, gostamos de estar à frente dos nossos adversários. Ainda assim, acho que no embate contra o

Ka I perdemos dois pontos. Foi um empate saboroso, mas pelo que fizemos dentro de campo acredito que merecíamos mais do que o empate”, sustenta Pegado. Sporting Clube de Macau e Windsor Arch Ka I encerraram no domingo as contas da sétima ronda da Liga de Elite, registando uma igualdade a um golo num duelo intenso onde não faltou bom futebol. A formação orientada pelo veterano Chan Man Kin inaugurou o marcador aos 17 minutos, num cabeceamento de Kim Young-bin. O Sporting só a treze minutos dos noventa regulamentares conseguiu responder na mesma moeda, com o capitão Bruno Brito a apontar o golo do empate na cobrança de um livre directo.


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FUTILIDADES

TEMPO

AGUACEIROS

MIN

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MAX

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HUM

75-98%

EURO

POR MIM FALO

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BAHT

Cineteatro

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YUAN

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CINEMA

Pu Yi

NOAH SALA 1

NOAH [3D] [C]

Um filme de: Darren Aronofsky Com: Russell Crowe, Anthony Hopkins, Jennifer Connelly 14.15, 19.15

NOAH [C]

Um filme de: Darren Aronofsky Com: Russell Crowe, Anthony Hopkins, Jennifer Connelly 16.15, 21.45 SALA 2

HORSEPLAY [B]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Lee Chi Ngai Com: Tony Leung, Ekin Cheng, Kelly Chen, Eric Tang 14.30, 16.15, 21.30

Despedida Já estamos no inicio de um novo mês, o que significa que estamos a fazer a despedida de Março. Podemos dizer que estamos a fazer uma despedida à época seca, com frio e sol, e chegámos a uma época mais típica em Macau, com humidade e chuva. Mas não estou tão chateado com o tempo, porque sinceramente há sempre muitas coisas para fazer na vida. Para além de discutir o tempo, como fazem os ingleses, podemos sempre falar mais assuntos interessantes. Quero falar da falta dos meus caros companheiros. Às vezes, uns entram, outros saem. Quando sai alguém, mesmo que saia para ter um futuro melhor, ainda sinto uma sensação de perda. Talvez não precise de ser tão sensível. Mas o que posso fazer, já estamos numa época bastante sensível do ano, com muita chuva? Podemos olhar para fora da janela, para imaginar o que os amigos estão a fazer neste momento, mas não podemos comunicar já para ver o que eles estão a fazer e se tudo corre bem na sua vida nova. Só me recordo de um poema chinês escrito pelo famoso poeta chinês da dinastia Tang, Li Bai, no momento em que fez a despedida de um amigo seu. Tratava-se de outro poeta, igualmente famoso, de nome Meng Haoran. No poema, Li Bai disse que se despediram em Março, segundo o calendário chinês, Abril para o calendário ocidental. O poeta olhou para o barco em que ia o seu amigo, olhou para a sua saída e disse esperar um bom futuro para a sua amizade. Em Macau não temos esses barcos, já os usamos há muito tempo. Já não estamos na época do navegador Jorge Álvares, e não precisamos de entrar num barco para ir de encontro a um futuro desconhecido. Mas para os amigos que vão, desejo um futuro melhor!

KANO [B]

(FALADO EM JAPONÊS, HOKKIEN E HAKKA E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Chih-Hsiang Com: Masatoshi Nagase, Oosawa Takao, Togo Igawa 18.15 SALA 3

DIVERGENT [C]

Um filme de: Neil Burger Com: Shailene Woodley, Kate Winslet, Maggie Q, Zoe Kravitz 14.15, 16.45,21.30

NON-STOP [B]

Um filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson, Julianne Moore 19.30

Turistas tiram fotos nus no Machu Picchu • A mania começou no ano passado quando um vídeo de um casal nu a fugir da polícia no monumento arqueológico peruano tornou-se viral. As imagens mostram os turistas a reagir com surpresa e gargalhadas ao casal que corre nu pelo corredor central do sítio arqueológico de Machu Picchu, no Peru, enquanto seguranças perseguem a dupla sem conseguir capturá-la. Em poucos dias, esse vídeo tornou-se viral na Internet. Capturado em 27 de Fevereiro, o caso não foi o primeiro acto nudista naquele lugar. Nos últimos meses, as pedras sagradas de Machu Picchu tornaram-se cenário de um fenómeno estranho: turistas à procura de uma forma de serem fotografados nus nas dependências do monumento histórico.

Norueguês tatua factura do McDonald’s no antebraço VANIA BLUDAU FANTASIA UM TRIO SEXUAL COM BRAD PITT E CRISTIANO RONALDO Vania Bludau, mediática manequim peruana, é solteira. Não tem qualquer tipo de compromisso e, por isso, não se contém nas palavras. Mulher que abusa sensualidade, rosto de vários programas televisivos no Peru, Bludau tem uma grande legião de seguidores nas redes sociais. Durante uma recente entrevista referiu que uma noite a três seria bem passada com Brad Pitt e Cristiano Ronaldo.

fonte da inveja

Se estiveres com fome, não adianta ler Bacon.

• A escolha da tatuagem é um momento importante. Deve-se evitar tatuagens que mais tarde nos possamos arrepender. Mas para Stian Ytterdahl, de Lorenskog (Noruega), a “inspiração” para a tatuagem foi “imposta”. O jovem de 18 anos tatuou uma factura do McDonald’s no antebraço direito. De acordo com o site “Scallywag and Vagabond”, o norueguês foi punido pelos amigos “por ser muito activo com as mulheres”. Eles deram-lhe duas opções: a factura da rede de ‘fast food’ ou uma Barbie. A escolha pareceu-lhe óbvia: a factura. À imprensa local Stian comentou: “Agora sou um outdoor vivo.”

João Corvo


OPINIÃO

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CHARLIE CHAPLIN, THE GREAT DICTATOR

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O “preço da independência”

P

José Goulão

OR ser “o gajo” dos americanos, como explicou a subsecretária de Estado da Administração Obama ao seu embaixador em Kiev, o sr. Arseni Iatseniuk foi entronizado primeiro ministro da Ucrânia depois do golpe de Estado que substituiu um governo ineficaz e corrupto, mas eleito, por um governo controlado por neonazis, sustentado por agentes ineficazes e corruptos, e não eleito. Na qualidade de intérprete privilegiado da estratégia montada pelos Estados Unidos e a NATO para estenderem o seu domínio sobre o Leste da Europa até às fronteiras da Federação Russa, o Sr. Iatseniuk tem merecido gestos carinhosos e afáveis dos senhores de Bruxelas que, sob a batuta da Srª Merkel, não era nele que pensavam para gerir a nova Ucrânia mas sim no boxeur Klitschko, que tem um partido apadrinhado pela direita euro-merkeliana apropriadamente designado UDAR – o golpe. Os dirigentes da União Europeia acederam, contudo, às normas de Washington que o Sr. Obama teve a delicadeza de levar a Bruxelas dizendo deixemo-nos de questiúnculas sobre os

nossos pró-cônsules em Kiev, qualquer um deles fará o que desejarmos – em nome da democracia, com certeza. Entre os vários discursos que vai proferindo no desempenho do papel atribuído, o Sr. Iatseniuk teve uma peça lancinante, dedicada ao “preço da independência”. Coincidiu com o anúncio dos “sacrifícios” pedidos pelo novo governo aos cidadãos ucranianos agora que finalmente foram cumpridos os desejos supostamente expressos pelos revoltosos da Praça Maidan e a Ucrânia assinou o acordo com a União Europeia – rejeitado pelo anterior regime – reforçado com uma “ajuda” do Fundo Monetário Internacional.

Para serem “independentes”, como explicou o sr. Iatesniuk, os ucranianos passam a pagar mais 50% pelo gás, terão os salários congelados ou cortados, as pensões passarão a valer pouco mais do que zero, as “reformas estruturais” aniquilarão o que ainda não foi aniquilado no aparelho público. Sem que isso seja dito de forma explícita, a nova independência da Ucrânia passa a ser ditada pela troika, com uma mãozinha da NATO não vá o diabo tecê-las porque o inimigo está mesmo ali ao lado e veja-se o que se passou com a Crimeia. Se a Grécia, Portugal, Chipre caíram na desgraça em que estão com a independência à moda da troika imagine-se

A nova Ucrânia independente e democrática saudada através do mundo por gente que muitas vezes nem sabe o que diz, é exemplar: a economia será administrada pela troika, as forças armadas obedecem a uma estrutura formada pela NATO e organizações neonazis, a segurança pública fica a cargo de uma nova Guarda Nacional inspirada nos grupos de assalto hitlerianos, em coordenação com empresas privadas de mercenários, tudo sob comando geral neonazi

o futuro a curto prazo da Ucrânia, que parte de um patamar económico muito mais baixo. Não se fica por aqui o “preço da independência” anunciado pelo Sr. Iatseniuk. Parte da segurança do país, comandada do alto pela rede neonazi instalada nos postos chave do governo, será entregue a empresas privadas de mercenários, norte-americanas e europeias, que terão como missão principal “sossegar” as minorias russófonas sobretudo nas regiões ocidentais do país. E quem diz russófonas diz judaicas, imigrantes e quaisquer outras que fujam ao padrão da pureza ucraniana. O desempenho da tarefa fica a cargo de operacionais com talentos demonstrados no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e dotados, por certo, de refinado espírito democrático. A nova Ucrânia independente e democrática saudada através do mundo por gente que muitas vezes nem sabe o que diz, é exemplar: a economia será administrada pela troika, as forças armadas obedecem a uma estrutura formada pela NATO e organizações neonazis, a segurança pública fica a cargo de uma nova Guarda Nacional inspirada nos grupos de assalto hitlerianos, em coordenação com empresas privadas de mercenários, tudo sob comando geral neonazi. O Sr. Iatseniuk tem razão: os ucranianos vão pagar um preço muito alto por esta independência.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@ hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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CORRUPÇÃO PEQUIM APREENDE GRANDES QUANTIDADES DE DINHEIRO A FAMILIARES E COLABORADORES DE ANTIGO RESPONSÁVEL CHINÊS

E tudo o Politburo levou A

LUCROS DOS MAIORES BANCOS DA CHINA SOMARAM MAIS DE UM BILIÃO DE PATACAS EM 2013

Sempre a subir O S lucros dos cinco maiores bancos estatais chineses, entre os quais o Bank of China, já estabelecido em Portugal, aumentaram 11% em 2013, para cerca de um bilião de patacas, anunciou ontem a imprensa oficial. A lista é encabeçada pelo Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), considerado o maior banco do mundo em valor de capitalização, cujo balanço contabilístico do ano passado apresenta um lucro líquido de cerca de 360 mil milhões de patacas. O Bank of China, o quarto da lista e o primeiro a abrir um escritório em Lisboa, em Fevereiro de 2013, apresentou lucros de cerca de 183 mil milhões patacas. China Construction Bank (CCB), Agricultural Bank of China e Bank of Communications são os outros três grandes do sector.

A China deverá aprovar este ano a criação dos primeiros cinco bancos privados, numa “iniciativa piloto” para concretizar o programa de “aprofundamento global das reformas económicas” preconizado em Novembro passado pela direcção do Partido Comunista Chinês. Segundo foi anunciado há duas semanas, Xangai, Tianjin e as províncias de Zhejiang e Guangdong serão as primeiras a testar a abertura do sector financeiro à iniciativa privada. A China é a segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, e apesar do abrandamento dos últimos anos, continua a crescer acima dos 7%. Em 2013, o Produto Interno Bruto chinês cresceu 7,7%, igualando o valor alcançado no ano anterior, e para 2014 o crescimento preconizado pelo governo é de “cerca de 5%”.

S autoridades chinesas apreenderam património no valor de mais de 900 mil milhões patacas que pertencia a familiares e outras pessoas com ligações ao antigo responsável da segurança interna e um dos políticos mais influentes da China, Zhou Yongkang, que está no centro de um dos maiores escândalos de corrupção. De acordo com fontes citadas pela Reuters, mais de 300 pessoas, entre familiares, aliados políticos, protegidos e membros do seu staff, foram detidas ou inquiridas nos últimos quatro meses. A dimensão das apreensões e a escala das investigações que estão a ser levadas a cabo, e que até agora nunca tinham sido reveladas, transformam este num caso sem precedentes e mostram que o Presidente chinês, Xi Jinping, parece estar disposto a combater a corrupção ao mais alto nível. Mas pode também ser a resposta às posições tomadas por Zhou Yongkang, que se opôs à destituição do ex-político

cartoon por Stephff

Bo Xilai, que em Setembro foi condenado a prisão perpétua por corrupção e abuso de poder. Zhou, de 71 anos e que foi membro Comité Permanente do Politburo — a cúpula do poder na China —, está em prisão domiciliária desde o ano passado, quando começou a ser investigado. Duas fontes contactadas pela Reuters afirmaram que os investigadores e o organismo de combate à corrupção do partido congelaram o acesso a contas bancárias no valor de cerca de 44 mil milhões de patacas e apreenderam títulos e acções nacionais e estrangeiras no valor de 60 mil milhões de patacas, na sequência das buscas realizadas a várias casas nas cidades de Pequim e Xangai e em cinco províncias. Os investigadores confiscaram ainda 300 apartamentos e casas, antiguidades, obras de arte contemporânea e 60 veículos. Entre os bens aprendidos, relata a Reuters, figuravam ainda ouro, prata e dinheiro em moeda nacional e estrangeira.

Os relatos revelam ainda que o património apreendido pertencia aos suspeitos detidos e que a maioria dos bens não estava em nome de Zhou Yongkang. Ainda de acordo com as fontes citadas pela Reuters, mais de uma dezena de familiares de Zhou foi detida, incluindo a mulher, Jia Xiaoye, o seu filho mais velho de um outro casamento, Zhou Bin, os seus sogros e o irmão do antigo responsável pela pasta da segurança interna. Sob investigação estão também cerca de uma dezena de pessoas que desempenharam cargos oficiais. Entre

elas estão Jiang Jiemin, antigo presidente da PetroChina e da China National Petroleum Corporation (CNPC), o antigo vice-ministro da Segurança, Li Dongsheng, e Ji Wenlin, ex-vice governador da província de Hainan. Os meios de comunicação chineses noticiaram que estes três dirigentes estão a ser investigados e todos eram protegidos ou colaboradores de Zhou. A Reuters não conseguiu contactar nenhum dos três homens. Mais de 20 guarda-costas, secretárias e motoristas de Zhou Yongkang foram detidos, e outros membros da sua família e colaboradores foram investigados. No poder há pouco mais de um ano, o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu travar uma batalha contra a corrupção, que considera uma das maiores ameaças ao domínio do partido, e varrer a hierarquia do poder de cima a baixo. Aquilo a que chamou “tigres” e “moscas”, referindo-se às grandes personalidades do regime e aos pequenos funcionários.


Hoje Macau 1 ABR 2014 #3062