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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUINTA-FEIRA 1 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3985

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau Caso Pearl Horizon

Exigida demissão do Chefe do Executivo Os investidores do prédio que nunca existiu sobem de tom e já pedem a cabeça de Chui Sai On. E vem aí mais... PÁGINA 6

CINEMATECA PAIXÃO

EVENTOS

HO IAT SENG

TIRO À IMAGEM PÁGINAS 4-5

De boca calada

ASSÉDIO SEXUAL CASINOS ACONSELHAM SILÊNCIO GRANDE PLANO

Lou Pak Sang é o novo director dos Serviços de Educação

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O Cão ladra sempre duas vezes


2 grande plano

A Polícia Judiciária tratou de três casos de importunação sexual o ano passado, mas há mais casos escondidos que não chegam sequer a ser denunciados, apesar do crime já constar no Código Penal. Cloee Chao, presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, contou ao HM que foi vítima de assédio e que as operadoras de jogo “apelam aos funcionários para não dizerem nada”

1.2.2018 quinta-feira

LEI DA ` MORDACA

ASSÉDIO SEXUAL CLOEE CHAO DENUNCIA CASOS NOS CASINOS E ASSUME-SE VÍTIMA

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LOEE Chao distribuía fichas de jogo na mesa de um casino quando, há dois anos, foi vítima de assédio sexual da parte de um jogador. Foi a própria presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo que denunciou o caso ao HM. “Não tenho a certeza se foi ou não intencional, mas uma vez um cliente passou um cartão de ‘membership’ numa parte importante do meu corpo. Tanto a operadora como os fiscais acharam que estava a ser exagerada. Na altura alguns colegas confortaram-se e contaram-me experiências semelhantes que tiveram”, disse. Cloee Chao denunciou o caso, mas os resultados acabaram por se revelar infrutíferos. “Gastei imenso tempo a dar seguimento, fui à Polícia Judiciária (PJ) e depois ao Ministério Público. Neste processo a empresa não me deu qualquer apoio”, lembrou. O cliente acabaria por regressar à China, tendo o advogado de Cloee Chao dito que o processo ia acabar por se arrastar e que, mesmo com uma acusação, não iria existir nenhum resultado relevante. “A lei não me trouxe qualquer justiça. Este cliente ficou na lista negra do casino [proibido de entrar], mas não está nas listas negras dos outros casinos”, apontou. O caso de assédio sexual de que Cloee Chao diz ter sido vítima não é isolado. Esta terça-feira a PJ disse ter tratado de três casos de importunação sexual o ano passado, isto é, desde que o crime foi criado com a revisão do Código Penal. Apesar do assédio sexual ser já um crime semi-público, permanece um assunto tabu para a maioria das pessoas. “Não existem apenas três casos”, relatou Cloee Chao, que diz que o crime de importunação sexual acontece nos casinos e que há a lei da mordaça. “O método que as operadoras de jogo adoptam é para que não

os escândalos não se espalhem. Normalmente é pedido aos funcionários para não dizerem nada. Os casos não existem apenas entre os trabalhadores, mas também com os chefes e clientes. Como as funcionárias ficam muito perto dos clientes estes casos acontecem com frequência. Os três casos de que me fala são apenas uma minoria”, acrescentou.

“Não tenho a certeza se foi ou não intencional, mas uma vez um cliente passou um cartão de ‘membership’ numa parte importante do meu corpo.” CLOEE CHAO CROUPIER E PRESIDENTE DE ASSOCIAÇÃO

Para que um caso de assédio sexual chegue às malhas da justiça, é preciso um longo e moroso processo. “As pessoas precisam de contratar um advogado para acusar o agressor, o que é complicado, pois o acto de assédio sexual não é um crime público. Como os assediados não têm apoio da parte das operadoras, normalmente deixam os casos passar.”

EMPREGADAS EM SILÊNCIO

Esta semana o jornal Wall Street Journal denunciou o alegado assédio sexual que o magnata de jogo Steve Wynn fez a uma empregada, a quem obrigou à prática de relações sexuais. O empresário terá pago 7,5 milhões de dólares americanos à mulher pelo seu silêncio. O caso levou a Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) a reunir com responsáveis da Wynn

Macau. Até ao fecho desta edição o HM não conseguiu apurar junto da DICJ a ocorrência de queixas relativas a casos de assédio sexual, mas Cloee Chao diz que, muitas vezes, os fiscais da DICJ fingem nada ver. “Espero que as operadoras possam contratar advogados para ajudar os seus funcionários, e não apenas nos casos de assédio sexual. Espero que não achem aborrecido tratar destes casos, sobretudo os fiscais, que muitas vezes parecem não querer trabalhar e ficam nas salas de jogo com um ar relaxado”, acusou. Os casos de assédio sexual não acontecem apenas no mundo das cartas e das fichas. Eric Lestari, líder da associação Overseas Migrant Workers, que representa os trabalhadores não residentes da Indonésia, disse ao HM que há muitos casos de assédio vividos pelas empregadas domésticas, mas que estas optam por nada dizer, com medo de represálias. “Precisamos de mais protecção nesta matéria. Muitas vezes não sabemos qual a lei que nos protege neste tipo de situações. Caso haja casos de assédio sexual as empregadas domésticas optam por ficar caladas e não vão apresentar queixa, porque não têm sequer protecção. Ou então têm medo de dizer quem foi o agressor ou onde trabalham, optam por ficar caladas”, revela Lestari.

NÃO HÁ ORIENTAÇÕES

Apesar do assédio sexual ser um crime semi-público, a verdade é que não existe, na prática, a obrigatoriedade das empresas ou instituições de criarem linhas orientadoras para este tipo de casos. Em 2015 foi notícia um

#METOO

alegado caso de assédio ocorrido na Universidade de Macau, o que obrigou esta instituição de ensino a estabelecer orientações. Melody Lu, socióloga e docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), contou ao HM que o IPM também tem as suas regras quanto a este assunto. “No IPM já tivemos alguns casos e devido a isso foram criadas orientações. Temos um mecanismo de queixas, foi construída uma relação de confiança entre professores e alunos. É preciso ter este tipo de procedimentos.” Melody Lu considera que, apesar da importunação sexual ser agora um crime, é necessário fazer mais. “Tudo depende se a empresa ou uma instituição tem este tipo


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“Criminalização do assédio está desactualizada” Kam Sut Leng, presidente da Novo Macau APJ registou três casos de assédio sexual o ano passado. Estes dados correspondem à realidade? Só é assédio sexual se houver contacto físico. Nós pedimos que os actos verbais sejam considerados como assédio. Noutras regiões, como em Taiwan, a lei tem definições mais amplas. Em Macau adicionou-se o crime de importunação sexual, mas continua a existir uma desactualização. Os três casos registados pela PJ são poucos e tal deve-se ao facto dos actos verbais não serem classificados como assédio sexual. Espero que a lei possa ser aperfeiçoada no futuro. Que casos de assédio sexual conhece? Uma amiga foi assediada recentemente. Ela decidiu não continuar o relacionamento com ele mas o homem continuou a enviar mensagens constantes e a incomodá-la

verbalmente, o que lhe trouxe muito mal-estar psicológico. Este tipo de assédio é mais difícil de descobrir, porque se houver contacto físico, há a hipótese de capturar imagens. A sua amiga denunciou o caso? Nesta situação era difícil. A Novo Macau queria que cada empresa pudesse criar uma comissão para lidar com este tipo de casos. Não pedimos uma criminalização imediata, mas achamos que é preciso dar atenção aos casos de assédio sexual no trabalho. Como define a reacção das vítimas em Macau? Muitas mulheres podem não saber onde apresentar queixa. Há pessoas que acham que não vale a pena, que o agressor poderia estar só a mandar umas piadas com um teor sexual. É preciso mais educação neste sentido, para que se crie uma consciência do que é o assédio. Também são necessárias medidas jurídicas complementares. Alguma vez foi vítima de assédio? Uma vez fui convidada para sair, mas para fins indevidos. Mas há sempre actos, como contar piadas de teor sexual, que causam incómodo e esta parte não é clara. É necessário que, no futuro, a sociedade aborde mais esta questão.

de protocolos para lidar com estas queixas internas. Muitos dos casos não entram no sistema judicial, são tratados internamente primeiro. A lei também deveria obrigar as em-

“Caso haja casos de assédio sexual as empregadas domésticas optam por ficar caladas e não vão apresentar queixa, porque não têm sequer protecção.” ERIC LESTARI LÍDER DA OVERSEAS MIGRANT WORKERS

presas ou instituições a ter este tipo de guias orientadores para estes casos. Em Hong Kong ou Taiwan a lei determina que o Governo estabeleça linhas orientadoras, ou uma comissão para lidar com estes casos, mas isso ainda não acontece em Macau.”

#METOO NÃO CHEGOU A MACAU

O alegado assédio sexual perpetuado por Steve Wynn surge no seguimento de uma série de escândalos que têm ocorrido na indústria de cinema em Hollywood e também no desporto, sobretudo desde que o médico da selecção norte-americana de ginástica foi condenado a prisão perpétua por inúmeros

abusos sexuais cometidos nos últimos anos. O movimento #metoo ganhou espaço na esfera mediática e o debate começa agora a surgir na

“Por norma não existe a cultura de acusar ou denunciar alguém, então é mesmo difícil em Macau acusar alguém desta conduta, porque todos se conhecem.” MELODY LU SOCIÓLOGA E DOCENTE

China e em Hong Kong, mas não em Macau. “Por norma não existe a cultura de acusar ou denunciar alguém, então é mesmo difícil em Macau acusar alguém desta conduta, porque todos se conhecem. Só agora é que na China e em Hong Kong se começou a discutir esta matéria porque existe esta campanha mundial há vários meses, mas leva tempo. Em Macau este debate pode chegar, mas penso que vai ser difícil para que as mulheres venham denunciar estas situações”, defendeu Melody Lu. A socióloga considera que existe a cultura do silenciamento, dada a pequena dimensão da sociedade. “É mais difícil falar de assédio sexual. Se não há um procedimento para lidar com estes casos de forma correcta, as vítimas vão ser prejudicadas. E as escolas ou empresas vão tentar esconder os casos, mesmo que os responsáveis não sejam os culpados, vão sempre tentar silenciar as vítimas.”

LEI DEVE MUDAR

A docente do IPM defende que, numa futura revisão legislativa relativa ao crime de importunação sexual, devem existir alterações.

“Temos, finalmente, uma base legal, mas o problema é que aquilo que foi incluído no Código Penal só inclui situações ocorridas em locais públicos, quer sejam contactos físicos ou verbais, de natureza sexual. Mas isso é muito limitado, porque não inclui as experiências de que as pessoas possam ser vítimas nos locais de trabalho ou em escolas.” Anthony Lam, presidente da Associação Arco-Íris de Macau, defende, em primeiro lugar, uma consciencialização social do assédio sexual. “É uma lei mesmo muito recente em Macau, e penso que em Hong Kong o assédio sexual já está legislado há cerca de 20 anos. É necessário uma maior educação do público em geral e das autoridades sobre esta matéria.” “A educação nas escolas sobre o assédio sexual é ainda muito fraca, e não temos, no geral, uma educação sexual muito aprofundada nas escolas. Nos locais de trabalho também não existem essas orientações. Então acreditamos que a educação é o ponto mais importante”, concluiu. Andreia Sofia Silva (com V.N.)

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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TIAGO ALCÂNTARA

“Foi uma pena que o Ho Iat Seng não se fizesse valer da sua autoridade moral e do prestígio. Estou convencido que os anteriores presidentes teriam tratado a situação de outra maneira.” MIGUEL DE SENNA FERNANDES

Neste processo, o mais recente episódio, ou seja facto do presidente ignorar os pedidos do deputado José Pereira Coutinho, que pretende ter acesso às respostas enviadas pela AL ao Tribunal de Segunda Instância, é visto apenas como mais um erro, entre vários. “A imagem que eu tinha é que ele tinha uma postura normal, de um presidente da AL. Mas este caso do Sulu Sou fez estalar a porcelana. A imagem de um presidente independente, que compreende o sistema e a separação de poderes, estalou completamente”, confessou Jorge Morbey, historiador, ao HM. Para o também escritor, a entrada de polícias à paisana na AL é algo incompreensível, num sistema em que existe uma separação de poderes. “A actuação de polícias à paisana na AL é uma lacuna grave no conhecimento de como funciona a independência no sistema, da separação de poderes entre o poder legislativo, executivo e judicial. É uma forte falta de conhecimento de como as instituições funcionam num regime em que os poderes não se imiscuem uns nos outros”, apontou.

SUSPENSÃO FOI ERRO ORIGINAL

Miguel de Senna Fernandes, antigo ex-deputado, manifestou-se surpreendido como a actuação do presidente ao longo da mais recente legislatura, que começou em Outubro. Para o advogado, a explicação para o desempenho de

deveria ter sido suspenso. Foi uma oportunidade de ouro perdida para que a AL se demarcasse e que fizesse valer o primado da separação de poderes”, considerou Miguel de Senna Fernandes. O advogado admitiu também acreditar que os antecessores de Ho Iat Seng, Susana Chou e Lau Cheok Va, teriam lidado de outra forma com o processo. “Foi uma pena que o Ho Iat Seng não se fizesse valer a sua autoridade moral e do prestígio. Estou convencido que os anteriores presidentes teriam tratado a situação de outra maneira”, apontou.

“Este caso do Sulu Sou fez estalar a porcelana. A imagem de um presidente independente, que compreende o sistema e a separação de poderes estalou completamente.”

Iat Seng, mas recusa ver uma má-intenção na actuação. Contudo, não espera boas consequências deste desempenho. “Por toda esta trapalhada, não seria de admirar que a imagem ficasse um bocado desgastada. Mas Ho Iat Seng é uma pessoa equilibrada. As SOFIA MARGARIDA MOTA

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O longo do primeiro mandato como presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng conseguiu construir uma imagem de credibilidade, equilíbrio e construtor de consensos, dentro dos limites da lei. Contudo, entre os danos colaterais do caso Sulu Sou está a imagem pública do líder do hemiciclo. É esta opinião das pessoas ouvidas, ontem, pelo HM.

A queda de um anjo GONÇALO LOBO PINHEIRO

Visto como um moderado e equilibrado, o segundo mandato do actual presidente da Assembleia Legislativa está longe de ser imaculado, muito por causa da forma como não tem conseguido gerir o processo de suspensão de Sulu Sou

CASO SULU SOU IMAGEM DE HO IAT SENG ENTRE AS “VÍTIMAS” DA SUSPENSÃO DO DEPUTADO

SITUAÇÃO “DESPRESTIGIANTE”

JORGE MORBEY

Ho Iat Seng está no facto de ter complicado um processo simples, ao não ter tentado impedir a suspensão de Sulu Sou. “Ho Iat Seng foi sempre visto como um equilibrado, um homem de consensos, com quem se podia conversar, independentemente das cores políticas. Mas este ano as coisa não lhe correram bem”, começou por dizer, ao HM. “No caso Sulu Sou, em concreto, acho que não se saiu bem. Sou da opinião que o deputado não

Sobre os polícias à paisana a gravarem as declarações de Sulu Sou aos jornalistas, Miguel de Senna Fernandes fala de um episódio “desprestigiante”. “Foi uma estupidez. Foi um caso que o deixou praticamente descalço e foi desprestigiante. Podem dizer o que disserem, a AL não terá nenhuma saída airosa depois de ter suspendido o deputado. Era um caso simples e a suspensão veio despoletar e dar uma visibilidade que o próprio deputado, com todo o respeito que tenho pelo Sulu Sou, não justificava”, sublinhou. “Ho Iat Seng estava a fazer um mandato muito bom, de consensos, mas com este caso vai sair manchado disto”, acrescentou. Por sua vez, Jorge Fão, sindicalista e ex-deputado, admite que possa ter cometido erros Ho

“Por toda esta trapalhada, não seria de admirar que a imagem ficasse um bocado desgastada. Mas o Ho Iat Seng é uma pessoa equilibrada. As situações novas [como a entrada de polícias na AL] podem ter feito com que tenha ficado um bocado atrapalhado.” JORGE FÃO

FICHEIROS SECRETOS GERAM CRÍTICAS

osé Pereira Coutinho considerou, ontem, que o deputado Vong Hin Fai desautorizou Ho Iat Seng, quando defendeu que os documentos enviados pela AL ao Tribunal de Segunda Instância, em resposta aos processos interpostos por Sulu Sou, só deve ser distribuída pelos membros

s pessoas ouvidas pelo HM consideram que José Pereira Coutinho tem razão quando exige aceder à resposta da AL enviada aos tribunais, no âmbito dos processos despoletados por Sulu Sou. “Tem total razão para pedir os documentos. O argumento do momento da entrega é o maior disparate e aberração. O Ho Iat Seng quando fala está a representar os deputados. A partir do

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da AL após o caso ser julgado. “Temos um presidente desautorizado por um deputado, o que acontece por mais do que uma vez. Trata-se de um presidente que, por um lado, é autoritário e que, por outro, não tem autoridade”, disse Pereira Coutinho, em declarações ao HM.

SOFIA MARGARIDA MOTA

COUTINHO ACUSA HO IAT SENG DE TER SIDO DESAUTORIZADO

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momento em que a resposta é formalizada, os deputados já têm direito ao acesso ao teor dos documentos”, apontou Miguel de Senna Fernandes. “Se a resposta é em nome da AL, significa que é uma resposta em nome de todos os deputados. Portanto não faz sentido que essa resposta lhes seja ocultada, aguardando melhor oportunidade”, justificou Jorge Morbey.


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TIAGO ALCÂNTARA

quinta-feira 1.2.2018

CRONOLOGIA

16 DE OUTUBRO Ho Iat Seng é reeleito presidente da Assembleia Legislativa, com 30 dos 33 votos. Começa o segundo mandato

16 DE OUTUBRO Ho Iat Seng afirma que “não teme mais vozes diferentes” na AL, horas antes da tomada de posse de Sulu Sou

13 DE NOVEMBRO AL revela pedido do tribunal para suspender Sulu Sou 14 DE NOVEMBRO Ho Iat Seng diz que AL não vai ter tempo de votar a

suspensão de Sulu Sou até dia 28 de Novembro. Início do julgamento é adiado

16 DE NOVEMBRO Comissão de Regimento e Mandatos recusa tomar uma posição sobre o sentido de voto dos deputados. Comissão impede Sulu Sou de participar na votação sobre a sua suspensão

3 DE DEZEMBRO Cerca de 300 pessoas manifestam-se contra a suspensão de Sulu Sou

4 DE DEZEMBRO Sulu Sou é suspenso com 28 votos a favor e 4 contra 4 DE DEZEMBRO Polícias à paisana apanhados a “espiar” entrevistas do deputado pró-democrata dentro da AL

6 DE DEZEMBRO Ho Iat Seng justifica policiamento na AL e admite que

o pedido para a actuação das forças policias partiu da sua parte. Sobre a utilização polícias à paisana, nega qualquer responsabilidade

4 DE JANEIRO Recurso sobre a suspensão do mandato entra no Tribunal de Segunda Instância

5 DE JANEIRO Pedido de suspensão de eficácia do mandato do deputado entra no TSI

situações novas [como a entrada de polícias na AL] podem ter feito com que tenha ficado um bocado atrapalhado, mas não estou a ver que por causa desta acção ou situação que tenha criado embaraço”, defendeu. “Talvez haja um desgaste da sua imagem, como os outros deputados também tiveram. Mas não implica que haja uma consequência que o possa prejudicar. Não é uma coisa assim tão grave”, frisou.

CORRIDA A CHEFE DO EXECUTIVO

As pessoas ouvidas pelo HM recusaram a hipótese de que o desempenho do presidente da AL se tivesse ficado a dever à saída do hemiciclo de deputados experien-

tes como Leonel Alves ou Cheang Chi Keong. Também o facto de Ho Iat Seng ser um potencial candidato à posição de Chefe do Executivo não é encarado como explicação ou condicionamento. “Julgo que a actuação não está relacionada com uma eventual candidatura porque é capaz de ser prematuro. Até porque isto também não é decidido a este nível”, opinou Jorge Morbey. “Se estivéssemos a caminhar realmente para um segundo sistema forte, ele ficava com condições reduzidas para se candidatar. Mas se a marcha dos acontecimentos se está a afunilar para nos aproximarmos mais do primeiro sistema, então assumo que ele tem condições para ser

Chefe do Executivo de um primeiro sistema”, considerou. Já Jorge Fão diz que a candidatura à posição do Chefe do Executivo não é um cenário muito credível: “Se ele fosse candidato acho que teria saído da AL. Caso contrário vai deixar a casa desfalcada e vai gerar novas eleições. Apesar dele ter as suas qualidades”, justificou. O mandato do actual Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, termina em 2019, altura em que o se sucessor terá de ser escolhido. Ho Iat Seng tem negado a vontade de assumir o cargo publicamente, mas é apontado nos bastidores como um possível candidato. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

11 DE JANEIRO Vong Hin Fai e Kou Hoi In apresentam projecto de

resolução contra poder dos tribunais para analisarem o processo de suspensão de Sulu Sou

14 DE JANEIRO O advogado da AL, Lei Wun Kong, revela que enviou a primeira resposta ao TSI a pedir a recusa da suspensão da eficácia

16 DE JANEIRO Julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang adiado devido a providência cautelar e recurso contra a suspensão do mandato

17 DE JANEIRO Após várias críticas, Vong Hin Fai e Kou Hoi In retiram projecto de resolução e dizem que vão propor uma lei

17 DE JANEIRO O deputado José Pereira Coutinho apresenta as primeiras

queixas públicas pelo facto dos deputados não terem acesso à resposta da AL ao TSI

18 DE JANEIRO Defesa da AL apresenta contestação formal ao pedido de suspensão de eficácia da suspensão

23 DE JANEIRO AL diz ao HM que está a actuar dentro da lei sobre a

divulgação dos documentos da defesa aos deputados, mas recusa explicar quando as respostas do hemiciclo ao TSI vão ser distribuídos

SULU SOU HO IAT SENG ERROU POR FALTA DE EXPERIÊNCIA

24 DE JANEIRO Resposta da contestação da AL chega à imprensa, apesar

deputado Sulu Sou afirmou ao HM acreditar que os erros processuais cometidos durante o processo da sua suspensão e em que Ho Iat Seng teve um papel de destaque, se ficaram a dever à existência de uma situação nova. “Apesar dele ter uma experiência política muito grande na AL, foi a primeira vez que

30 DE JANEIRO José Pereira Coutinho escreve carta a Ho Iat Seng

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houve uma situação destas, pelo menos desde 1999. Compreendo que tenha cometido erros processuais, porque não tinha experiência”, disse Sulu Sou. “Em relação ao meu processo e ao papel do Sr. Ho tenho o sentimento que ele foi pressionado por outras autoridades. É apenas um sentimento. Ele é muito experiente

mas acho que houve erros”, frisou. Sobre a interacção entre os dois, à porta fechada e fora das câmaras, que apenas aconteceu por duas vezes no âmbito do processo da suspensão, Sulu Sou considerou Ho Iat Seng uma pessoa “honesta”, mas que quando fala em público está “condicionado” pelos interesse que representa.

dos deputados ainda não terem tido acesso ao documento

ameaçando recorrer aos tribunais, caso as respostas da AL não sejam partilhadas pelos deputados

30 DE JANEIRO Deputado Vong Hin Fai, secretário da Comissão de

Regimento e Mandatos defende que respostas só devem ser partilhadas após o caso ser julgado


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PEARL HORIZON INVESTIDORES EXIGEM DEMISSÃO DO CHEFE DO EXECUTIVO

A fúria do dinheiro

Os investidores do edifício Pearl Horizon protestaram ontem em frente à sede do Governo, tendo pedido a demissão do Chefe do Executivo. Kou Meng Pok, presidente da união que representa os investidores, disse “estranhar” caso que levou à recente sentença do Tribunal Judicial de Base voz alta, queixando-se de que o Governo tem vindo a demorar muito tempo na resolução deste caso sem que haja uma solução para os pequenos proprietários. De entre os manifestantes, muitos exigiram a demissão de Chui Sai On. O presidente da associação contou que está muito insatisfeito com o acompanhamento que o Executivo

tem dado a este caso, tendo acusado o Governo de mentir, apesar da reunião recente que foi realizada com os investidores, representantes do grupo Polytec (concessionária do terreno) e os membros do Governo.

ESTRANHEZA JUDICIAL

Kou Meng Pok destacou ainda que o objectivo da apresentação de mais uma

carta é o de fazer lembrar a promessa que o Governo fez de proteger os direitos e interesses dos investidores. Foi pedido que as obras do edifício prossigam e que sejam devolvidas as casas aquando da conclusão do projecto. O protesto incidiu também sobre uma decisão recente do tribunal, onde ficou decidido que um investidor tem o direito a receber os

dois milhões de patacas que pagou ao Grupo Polytec pelo apartamento ainda em construção. Kou Meng Pok disse estranhar esta decisão. “Tenho sido o presidente da associação nos últimos três anos mas nunca ouvi falar de um investidor que pedia a restituição do dinheiro.” Para o responsável, a divulgação da decisão do

tribunal veio trazer confusão à população, pois a sociedade pode pensar que os investidores que protestam não querem receber o dinheiro já investido, mesmo que haja essa possibilidade. Por isso, Kou Meng Pok frisou que a solicitação do acesso às casas se mantém para que sejam cumpridos os procedimentos legais do processo de investimento. No final do dia, o gabinete da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, emitiu um comunicado onde aponta que o Governo nunca faltou à sinceridade para com os investidores do empreendimento Pearl Horizon, sendo que sempre manteve a comunicação entre as partes. Sónia Chan considerou “lamentável” as acusações proferidas por Kou Meng Pok. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

HOJE MACAU

ERCA de uma dezena de membros da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon dirigiram-se ontem à sede do Governo para entregar uma carta onde exigem ter acesso às casas nas quais investiram o seu dinheiro. Os ânimos exaltaram-se e os presentes acabaram por exigir a demissão de Chui Sai On do cargo de Chefe do Executivo. O acto da entrega da carta contou com alguns cartazes, sendo que os ânimos se alteraram quando um funcionário fez um pedido aos presentes para estes se afastarem do local. De imediato, o presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, Kou Meng Pok, mostrou-se visivelmente irritado: “será que com este espaço os outros peões não conseguem passar?”, questionou. Kou Meng Pok começou a gritar palavrões em

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Kou Meng Pok começou a gritar palavrões, queixando-se de que o Governo tem vindo a demorar muito tempo na resolução deste caso sem que haja uma solução para os pequenos proprietários. De entre os manifestantes, muitos exigiram a demissão de Chui Sai On

CANÍDROMO CHUI SAI ON REITERA FIM DAS CORRIDAS DE GALGOS

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Chefe do Executivo, Chui Sai On, esteve ontem reunido com representantes dos conselhos consultivos comunitários “para troca de impressões sobre os assuntos inerentes aos bairros e o funcionamento dos respectivos conselhos”, aponta um comunicado oficial. A futura reutilização do terreno onde actualmente funciona o Canídromo foi um dos assuntos abordados, tendo o Chefe do Executivo garantido que as corridas de galgos vão chegar ao fim.

Chui Sai On disse que “após uma ponderação efectuada ao longo dos últimos anos, o Governo tomou uma decisão sobre a recuperação do referido terreno, garantindo que ali não haverá mais corridas de galgos, nem será para desenvolvimentos ligados ao sector do jogo e nem apenas para fins comerciais”, aponta o comunicado. O Chefe do Executivo adiantou que “devido à alta densidade demográfica e necessidades da população daquela zona, a

renovação urbana e a alteração da finalidade do referido terreno têm como objectivo melhorar a qualidade de vida da população ali residente”. Por essas razões, “a finalidade do referido terreno será, principalmente, para educação, desporto, recreio e lazer”. Além disso, Chui Sai On frisou que existe a “necessidade de dar atenção e de aperfeiçoar as funções e a eficiência dos referidos conselhos, com o objectivo de se proceder bem e de

forma pragmática aos trabalhos em prol da população”. Foram ainda “comunicadas falhas nos trabalhos interdepartamentais e em serviços”, tendo sido prometida uma resposta mais célere da parte dos serviços públicos. Chui Sai On lembrou que a futura criação do órgão municipal sem poder político vai obrigar a “melhorar as funções dos referidos conselhos, principalmente a eficiência e eficácia da comunicação com os cidadãos e serviços públicos”.

Administração Cecília Tse regressa ao seu antigo cargo

Pediu a demissão do cargo de presidente do Instituto Cultural por motivos de saúde, mas deverá regressar ao activo mal possa. A Rádio Macau noticiou ontem que Cecília Tse volta para a Direcção dos Serviços de Turismo, onde era técnica superior assessora antes de ser nomeada por Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Cecília Tse era também sub-directora da DST, cargo que acumulava em regime de comissão de serviço. Segundo a Rádio Macau, a notícia foi confirmada por Helena de Senna Fernandes, directora da DST, que adiantou que Cecília Tse permanece de baixa médica até meados de Fevereiro.


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quinta-feira 1.2.2018

ECONOMIA COMÉRCIO EXTERNO SUBIU 7 POR CENTO 2017 foi um bom ano para o

comércio externo de Macau, que registou um crescimento de 7 por cento em relação ao ano anterior, para um total de 87,13 milhões de patacas. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o valor exportado de mercadorias o ano passado foi de 11,28 mil milhões de patacas, o que significa um aumento de 12,3 por cento em relação ao ano de 2016. As exportações para a China continental cifraram-se em 2,12 mil milhões de patacas, mais 21,1 por cento do que em 2016, tendo sido registado um aumento de 15,8 por cento no valor das mercadorias exportadas, 1,90 mil milhões de patacas, para as nove províncias do Grande Delta do Rio das Pérolas, vizinhas de Macau, no sul do país. As vendas para Hong Kong (6,60 mil milhões de patacas), União Europeia (190 milhões de patacas) e Estados Unidos (186 milhões) subiram 18,7 por cento, 8,6 por cento e 18,9 por cento, respectivamente. Em sentido contrário, as exportações para os países de língua portuguesa registaram uma quebra de 85,9 por cento em termos anuais. Em 2017, as importações da China continental (25,7 mil milhões de patacas) e dos países de língua portuguesa (648 milhões de patacas) baixaram 0,6 por cento e 2,7 por cento, respectivamente. Em contrapartida, as compras à União Europeia (19,09 mil milhões de patacas) subiram 12 por cento. No mês de Dezembro passado, Macau exportou 905 milhões de patacas, uma subida de 20,1 por cento em relação a igual mês do ano anterior, enquanto o valor da reexportação (746 milhões de patacas) cresceu 24,9 por cento, sobretudo o da reexportação de joalharia com diamantes, que aumentou 138 por cento. Em Dezembro, o valor das importações foi de 7,95 mil milhões de patacas, ou mais 17,2 por cento, em termos anuais. O défice da balança comercial de Dezembro alcançou 7,04 mil milhões de patacas, de acordo com a DSEC.

ENSINO LOU PAK SANG É O SENHOR QUE SE SEGUE À FRENTE DA DSEJ

Sucessão esperada

Depois de quase sete anos à frente da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, chegou a hora da directora Leong Lai se aposentar. Lou Pak Sang, antigo vice-director dos serviços desde que a sua antecessora tomou posse, passa a liderar o departamento do Executivo que detém a pasta do ensino

e à educação. Espero que seja bom para a nossa educação e juventude”, remata Paul Chan Wai Chi.

LEONG VAI

O presidente da direcção da Escola Portuguesa de Macau (EPM), Manuel Machado, antecipa a mudança no cúpula da DSEJ como “a continuidade de relações profissionais que têm corrido sempre da melhor maneira”. Ao longo dos tempos em que foi vice-director da DSEJ, Lou Pak Sang pautou a sua relação com a direcção da EPM “sempre com grande afabilidade e carinho”. No que diz respeito ao futuro Manuel Machado espera que Lou Pak Sang “siga a linha da anterior directora”.

“Conheço o Sr. Lou há muito tempo, é uma pessoa muito trabalhadora e penso que dará um bom director, é um homem com grande devoção às crianças e à educação.” PAUL CHAN WAI CHI EX-DEPUTADO

H

Á mais de três décadas que a vida de Lou Pak Sang tem sido dedicada ao ensino. Ontem, o Chefe do Executivo oficializou aquilo que já se sabia. Lou Pak Sang é o novo director da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), depois de ocupar o cargo de vice-director durante sete anos. De acordo com o despacho publicado ontem no Boletim Oficial, o novo líder da DSEJ terá uma comissão de serviço com duração de dois anos, a partir do próximo dia 7 de Fevereiro.

Entre 1987 e 1997, Lou Pak Sang foi docente do ensino secundário luso-chinês. Após uma década nas salas de aula, o novo director da DSEJ passou a ser inspector escolar até 2000, altura em que viria a ser promovido a coordenador de inspecção escolar, cargo que ocupou durante

9 anos. Findos os anos de inspecção, Lou Pak Sang trabalhou na assessoria do gabinete do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura durante dois anos, saindo em 2011 para ocupar o cargo de subdirector da DSEJ. Paul Chan Wai Chi relaciona-se com o novo

líder dos serviços de educação há mais de dez anos. “Conheço o Sr. Lou há muito tempo, é uma pessoa muito trabalhadora e penso que dará um bom director”, conta o exdeputado e professor do ensino secundário. “É um homem com grande devoção às crianças

EPM OBRAS DE AMPLIAÇÃO AINDA SEM PRAZO

“A

s obras de ampliação estão a ser tratadas a nível do conselho administrativo e da Fundação da Escola Portuguesa de Macau, estão a ser resolvidas nos locais próprios e a andar ao seu ritmo”, explica Manuel Machado, presidente da direcção da EPM. Para já, não existe um prazo para a conclusão das obras de ampliação. Entretanto, a Escola Portuguesa tem feito obras de manutenção geral do edifício, algo que é feito todos os anos, e que se circunscreve às instalações eléctricas, canalizações e paredes. “Um edifício escolar sofre um desgaste natural relativamente grande ao longo do ano”, explica o presidente.

Em relação a Leong Lai, o presidente da direcção da EPM confessa que é alguém por quem tem “uma especial consideração, carinho e amizade e que conhece há quase 30 anos”. A relação profissional remota à década de 1990 e desde que ambos ocuparam a liderança, tanto da EPM como da DSEJ, a ligação entre as duas instituições tem se pautado por uma “grande proximidade”. Além de fazer um balanço “francamente positivo” do consulado de Leong Lai, Manuel Machado revela que a ex-directora da DSEJ sempre demonstrou “atenção e carinho, procurando ajudar a resolver os problemas, dos mais simples aos mais complexos”. Em relação a Leong Lai, o ex-docente Paul Chan Wai Chi limita-se a referir que esta “é uma boa altura para se reformar”, desejando à ainda directora da DSEJ uma boa vida de aposentada. João Luz

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SCM CEDÊNCIA DE TERRENO CUSTA 56960 PATACAS

Terras solidárias ANTÓNIO FALCÃO

O terreno que acolhe o Centro de Reabilitação de Cegos da Santa Casa da Misericórdia vai custar à instituição pouco mais do que 55 mil patacas. O contrato de concessão que era gratuito foi convertido em oneroso. O objectivo é manter as instalações, disse António José de Freitas ao HM

1.2.2018 quinta-feira

TERRA BARATA

O preço parece simbólico. No total a Santa Casa vai ter de pagar 56 960 patacas e fica com o encargo anual de 142 patacas.

“Até que o prédio caia é nosso e esta é uma forma de manter aquele espaço destinado à SCM.”

O

pedido partiu da própria Santa Casa da Misericórdia (SCM). A partir de agora o terreno onde está construído o Centro de Reabilitação de Cegos e que estava sob a alçada de uma concessão gratuita, vai ser pago. “A ideia tem que ver com a própria lei de terras em que as concessões gratuitas podem ser convertidas em onerosas até um ano depois da entrada em vigor da lei”, começou por contar o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau ao HM, António José de Freitas. Na prática, com o pagamento exigido pela mudança de contrato, de concessão gratuita para onerosa, a SCM pode manter indefinidamente aquele espaço. “Até que o prédio caia é nosso e esta é uma forma de manter aquele espaço destinado à SCM” justifica o responsável. De acordo com o despacho emitido ontem em Boletim Ofi-

BNU Lucros sobem 26% em 2017

Os lucros do Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau subiram 26 por cento em 2017 para 706 milhões de patacas, indicam dados divulgados ontem. Em 2016, o banco, do grupo Caixa Geral de Depósitos, tinha registado lucros de 560,5 milhões de patacas. De acordo com o balancete, publicado no Boletim Oficial de Macau, a 31 de Dezembro o BNU registou proveitos de 1,82 mil milhões de patacas e custos de 1,115 mil milhões de patacas. O BNU é, juntamente com o Banco da China, banco emissor de moeda em Macau, e conta atualmente com 20 agências, incluindo uma na Ilha da Montanha, em Zhuhai.

cial (BO), a SCM tem de fazer a manutenção das estruturas. A finalidade desta concessão não pode ser mudada, implicando mesmo a anulação do contrato, sem que seja autorizada pelo Executivo. António José de Freitas admite que o objectivo é de facto manter as actuais finalidades, não tendo para já qualquer outro objectivo para o aproveitamento o terreno onde está o edifício do Centro de Reabilitação de Cegos. “A intenção da SCM é a de manter o prédio que lá está e depois da conversão estar onerosa pode, com a autorização do Executivo, aproveitar o terrenos para outras finalidades, mas para já não há qualquer ideia para que aquela zona tenha outro aproveitamento”, referiu.

ANTÓNIO JOSÉ DE FREITAS PROVEDOR DA SCM

António José de Freitas justifica: “não é um preço em si, é antes uma contrapartida pela passagem de uma concessão gratuita para uma concessão onerosa”, afirma. Trata-se de uma terreno com 811 metros quadrados situado na Avenida do General Castelo Branco e que mantinha um contrato de concessão gratuita por aforamento desde 10 de Maio de 1961. O pedido de modificação contratual foi enviado à Comissão de Terras que, a 30 de Novembro do ano passado, emitiu um parecer favorável. A assinatura do contrato teve lugar a 10 de Janeiro e foi ontem publicado o despacho em BO com entrada em vigor imediata. Sofia Margarida Mota

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TALENTOS MANTER CONTACTO COM QUEM ESTÁ FORA É IMPORTANTE

O

secretário da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Sou Chio Fai, nota que a área da gestão nos níveis médio e alto é a que mais necessita de talentos em Macau. Sou Chio Fai esteve esta manhã no Fórum Macau da Ou Mun Tin Toi. Estas necessidades fazem sentir também no sector do jogo. Por isso, adianta, “a política

é para reduzir as autorizações a trabalhadores não locais nestas áreas para tentar criar mais condições para os locais”. Segundo Sou Chio Fai, o trabalho passa também por explicar quais as necessidades em termos de qualificações exigidas. “Não será qualquer pessoa que pode desempenhar esta função. Depois de

falarmos com pessoas da área de recursos humanos, detalhamos as qualificações profissionais destas pessoas”, indicou em declarações à TDM-Rádio Macau. Sou Chio Fai conta que, se entre as exigências estiver uma língua, por exemplo, acrescenta-se “quais são os locais onde se pode tirar os cursos e onde se pode depois de fazer o exame

de proficiência dessa língua”. Dos estudantes que estudam fora, 80 por cento regressam ao território, quanto aos restantes, diz Sou Chio Fai, a prioridade é manter o contacto. “Temos um mecanismo para manter a comunicação com estes alunos. Se estes alunos quiserem acabar o curso e fazer um estágio ou ganhar alguma ex-

periência profissional numa empresa grande na Europa, em Portugal ou nos Estados Unidos, é algo bom. Não é preciso logo depois de acabar o curso regressar a Macau. O que é importante é manter o contacto com eles”, afirma o secretário da Comissão de Desenvolvimento de Talentos em declarações à TDM-Rádio Macau. Rádio Macau


sociedade 9

quinta-feira 1.2.2018

GOOGLE STREET VIEW

monitorização antes e se avançou nos processo de demolição sem a mesma?”

É PRECISO OLHAR PARA O CHÃO

A

Associação Novo Macau (ANM) não está satisfeita com as justificações dadas pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) e que informação detalhada e científica no que respeita à monitorização das quantidades de amianto encontradas perto da Colégio Anglicano de Macau. De acordo com uma carta dirigida ao Governo, a associação pró democrata aponta falhas não admitidas pelo Executivo tendo em conta as queixas que tem rece-

Partículas à solta Novo Macau quer monitorização detalhada

bido por parte dos pais com filhos naquela escola. “Acompanhámos de perto a situação e, apesar da DSPA ter afirmado que os resultados iniciais da monitorização do ar perto da colégio não indicarem nenhuma anormalidade, esperamos que estes resultados sejam divulgados”, lê-se na missiva.

O objectivo, afirma a ANM, é garantir a cientificidades dos próprios dados. Por outro lado a situação agrava-se tendo em conta que as demolições que estão a ter lugar naquela área começaram a apresentar problemas já no dia 19 de Janeiro. Para os pró-democratas a questão é clara: “Porque é que não existiu

Não menos importante são factores ligados à própria substância e que podem estar na origem da obtenção de dados erróneos. “O amianto não andará disperso pelo ar, mas estará no chão pelo que os valores “normais” detectados no ar não surpreendem”, diz a associação. “Se o amianto estiver envolvido com o trabalho de demolição, ele cairá na superfície do solo, árvores ou outros objetos. Pode depois ser novamente libertado e ser fonte de poluição que põe em risco a saúde pública”, lê-se. AANM pretende ainda saber se o Governo tenciona implementar alguma acção no sentido de legislar rigorosamente esta matéria. As suspeitas de amianto devido às obras de demolição num lote na Taipa perto do Colégio Anglicano de Macau, levaram a que a escola suspendesse as aulas por dois dias. A DSPA contratou um serviço especializado e assegurou que não existia qualquer anormalidade na situação, sublinhando que estavam a ser cumpridas as normas de segurança. Sofia Margarida Mota

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Aeroporto Esperados mais passageiros

A Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau espera receber mais três por cento de passageiros este ano, segundo um comunicado reproduzido pela Rádio Macau. No total, a CAM espera receber este ano 7,38 milhões de passageiros, bem como um aumento do movimento de aeronaves, das 58 mil em 2017 para 60 mil. A CAM revelou ainda que está a ser ponderada uma extensão do aeroporto para sul, para que se possa aumentar a capacidade para dez milhões de passageiros por ano.

São Januário Registados três casos de hipotermia

Os Serviços de Saúde registaram três casos de hipotermia no Centro Hospitalar Conde de São Januário, ocorridos em dois homens e uma mulher com idades compreendidas entre os 66 e 87 anos. Segundo um comunicado, “os casos de hipotermia foram considerados ligeiros”, sendo que dois pacientes já tiveram alta.

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Proc. Ordinário de Execução n.º

CV3-16-0154-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555-Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. EXECUTADOS: 1. LOI FONG SENG e a sua mulher 2. PENG XIAOTING, ambos ausentes em parte incerta, ambos com última residência conhecida em Macau, na Avenida do Hipódromo, nº 86, Edf. Nam Fai, Bloco I, 12º andar E. *** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando os executados 1. LOI FONG SENG e 2. PENG XIAOTING, acima identificados, para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$3,175,919.39 (Três Milhões, Cento e Setenta e Cinco Mil, Novecentas e Dezanove Patacas e Trinta e Nove Avos) e legais acréscimos, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser devolvido ao exequente o direito de nomeação de bens à penhora, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. Macau, 26 de Janeiro de 2018.

Proc. Declaração de herança vaga n.º CV2-17-0059-CPE 2º Juízo Cível Requerente: Ministério Público Requerido: Law Tin Sic (羅天錫), masculino, solteiro, nascido a 13/04/1926, filho do Law Su Wah e da Lei Siu Fong, com última residência conhecida em Macau, na Av. Leste do Hipódromo nº 336, 4º a 7º andares, Lar de Cuidados “Sol Nascente”, falecido no dia 07/06/2017 em Macau. FAZ-SE SABER, que nos autos de Declaração de Herança Vaga, deixado pelo requerido Law Tin Sic (羅天錫), masculino, solteiro, nascido a 13/04/1926, filho do Law Su Wah e da Lei Siu Fong, com última residência conhecida em Macau, na Av. Leste do Hipódromo nº 336, 4º a 7º andares, Lar de Cuidados “Sol Nascente”, falecido no dia 07/06/2017em Macau, são citados por éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, quaisquer interessados incertos para deduzirem a sua habilitação como sucessores daquele falecido no prazo de 30 (trinta) dias, bem como a citação dos credores desconhecidos, para reclamarem os seus créditos no prazo de 15 (quinze) dias, nos termos do disposto nos artºs. 197º nº 1 e nº 2 com referência aos artigos 194º a 196º do C.P.C.M. e bem ainda do artº. 1031º, nº 1 e 1033º nº1, ambos do C.P.C.M. Macau, 16 de Janeiro de 2018 *****

Acção de Interdição n.º

CV2-18-0002-CPE

2º Juízo Cível

Requerente: Ministério Público (檢察院). Requerido: Ng Chun Chi (吳銓枝). *** O MERITÍSSIMO JUIZ DO 2º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra a requerida Ng Chun Chi (吳銓枝), solteiro, nascida em 30 de Junho de 1974, residente em Macau, na Rua de Tin Chon, Tiapa, Lar São Luís Gonzaga, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, ao 22 de Janeiro de 2018. *****


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1.2.2018 quinta-feira

Ossos para to PAIXÃO CINEMATECA COMEMORA ANO NOVO COM CINEMA EM CHINÊS

Três filmes vindos de Taiwan, Malásia e Hong Kong, e duas películas de Macau construem o cartaz do ciclo pontual “O Poder dos Filmes em Língua Chinesa” que vai marcar presença na Cinemateca Paixão durante o mês de Fevereiro. Rita Wong justifica a escolha com as comemorações do ano novo chinês

U

M ciclo de filmes em língua chinesa é a iniciativa promovida pela cinemateca Paixão para assinalar mais um ano novo chinês. O espaço que prima pela exibição de filmes fora do mainstream, vai trazer a Macau, no mês de Fevereiro cinco películas, em mandarim e cantonês para assinalar a maior festa do oriente. “É uma forma de assinalar a maior festa chinesa, o ano

novo”, refere a responsável pela cinemateca Paixão ao HM, Rita Wong. A rubrica tem o nome “O Poder dos Filmes em Língua Chinesa” começa já amanhã, às 19h30 com a exibição do filme “The Great Buddha”.  A película vem de Taiwan e foi galardoada com cinco prémios no Festival de Cinema de Taipé, incluindo o Grande Prémio e Melhor Filme Narrativo. A proeza foi ainda conseguida com mais cinco estatuetas Golden Horse: Melhor Adaptação

para Cinema, Melhor Novo Realizador, Melhor Cinematografia, Melhor Canção Original e Melhor Banda Sonora Original.

CRIME POR ACASO

O filme traz ao ecrã a história de Pickle, um segurança nocturno numa fábrica de estátuas que passa o tempo a ver televisão e a folhear revistas pornográficas com o amigo Belly Button. Quando a televisão avaria, voltam-se para uma fonte alternativa de

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entretenimento: as filmagens feitas pela câmara do carro do patrão. A vida privada de quem lhes paga é um divertimento até ao dia em que as imagens revelam mais do que situações do quotidiano. De repente, a dupla vê-se testemunha de um crime que envolve a estátua de um buda. “The Great Buddha” é realizado por  Huang Hsin-yao. Nascido em 1973 em Tainan, Huang Hsin-yao é conhecido essencialmente pelos documentários de que

é autor. “The Great Buddha” é o reconhecimento na área da ficção do jovem realizador.

DRAMAS MALAIOS

No mesmo dia, às 21h30, volta ao ecrã mais um filme em língua chinesa vastamente premiado. Agora proveniente da Malásia, “Shuttle Life” é do malaio Tan Seng-kiat e já recebeu o prémio Novo Talento Asiático do Festival Internacional de Cinema de Xangai e foi nomeado para os prémios Golden Horse de Melhor Realizador e Melhor Cinematografia De acordo com a organização, trata-se de um drama neorrealista em que Tan Seng-kiat lança um duro olhar às vidas dos mais desfavore-

cidos no seu país. A história é de Qiang. Vive num bloco de habitação social com a família e aos 19 anos tem de cuidar da sua mãe que sofre de problemas mentais e da irmã de seis anos, Hui-shan, enquanto tenta assegurar a sobrevivência da família. Depois de uma volta com a irmão numa motorizada roubada terminar em acidente, Qiang enfrenta as autoridades e debate-se com a procura de Hui-shan que desaparece. “Este retrato impiedoso e devastador da corrupção e divisão entre classes na Malásia arrasou no concurso de Novos Talentos do Festival internacional de Cinema de Xangai 2017, tendo ganho três prémios, entre eles o de Melhor Filme”, salienta a organização. 

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A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS PÁSSAROS • Valter Hugo Mãe

A CONFISSÃO • John Grisham

O vento anda muito sozinho a soprar pelos céus. Muito cansado dessa solidão, resolve então ensinar a voar algumas criaturas - uns passarocos e umas galinholas que andam a bicar o chão. Escolhe uns que sejam bem leves, pois assim será mais fácil elevá-los no ar, e dá-lhes uns empurrõezinhos até eles se conseguirem manter sozinhos a voar. Foi assim que tudo começou e é por isso que hoje os nossos céus estão cheios de aves de todos os tipos.

A poucos dias de ser executado, só um assassino o pode salvar. Em 1998, numa pequena cidade do Texas, Travis Boyette raptou, violou e estrangulou uma rapariga da sua escola. Enterrou o seu corpo para que nunca fosse encontrado e em seguida, assistiu com espanto à prisão e condenação de Donté Drumm, uma estrela local do futebol. O Corredor da Morte foi o seu destino. Agora, nove anos depois, Donté está a quatro dias da sua execução e Travis, pela primeira vez na vida, decide fazer o que está certo e confessar. Mas como pode um homem culpado convencer advogados, juízes e políticos de que estão prestes a executar um homem inocente?


eventos 11

quinta-feira 1.2.2018

“E

odos Já “Love Education” ainda não tem data nem horário revelado, mas Rita Wong avança que o filme da realizadora de Hong Kong, Sylvia Chang, já uma confirmação. “Love Education” é a narrativa de uma mulher que quer deslocar a campa do pai da aldeia onde foi enterrado para a cidade onde vive. Mas, a mulher do defunto faz de tudo para que isso não aconteça. Entretanto, Weiwei é a jovem neta, que transforma o conflito entre a mão e a “avó” numa história de televisão. É um filme que trata três gerações de mulheres que enfrentam diferentes realidades e modos de lidar com as relações familiares, com as emoções e contextos em que vivem. 

DESTAQUE LOCAL

O ciclo não passa sem a representação do cinema local. Na tela vai estar “Passing Rain” do realizador local Lorence Chan. Depois de ter marcado presença na segunda edição do Festival Internacional de Cinema, “Passing Rain” está agora pela primeira vez em exibição.  O filme é apresentado em formato mosaico e traz à tela as histórias de diferentes personagens que apesar de

independentes acabam por se cruzar num território pequeno como o de Macau. A prostituição, o jogo, a família e as esperanças e desilusões são alguns dos aspectos que Lorence Chan mostra nesta sua estreia nas longas metragens. “Histórias de Macau 2: Amor na Cidade” é a segunda representação local nesta mostra promovida pela Cinemateca Paixão. Produzida por  Chu Iao Ian, o filme apresenta uma série de curtas metragens feitas por realizadores locais e que abordam o tema do amor e da cidade. As histórias são: “Um Livro a Lembrar” (realizado por Jordan Cheng), “June” (realizado por Fernando Eloy), “Sofá” (realizado por Ao Ieong Weng-Fong), “O Bolo” (realizado por Tou Kin Hong), “Chocante” (realizado por Elisabela Larrea), e “Mundo Gelado” (realizado por Harriet Wong). O filme recebeu uma Menção Honrosa no Festival Internacional de Cinema AVANÇA, em Portugal. Sofia Margarida Mota

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LEKTRA”, de Richard Strauss, que estreia hoje, em Lisboa, “é uma magnífica, forte e fabulosamente intensa ópera, que exige muito dos cantores e da orquestra”, disse à agência Lusa a encenadora Nicola Raab. A produção do Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC), protagonizada pela soprano alemã Nadja Michael, estreia-se na quinta-feira, no grande auditório do Centro Cultural de Belém, no âmbito do ciclo “De Zeus a Varoufakis: A Grécia nos Destinos da Europa”. A encenadora Nicola Raab, que pela quarta vez trabalha com o TNSC, realçou, em declarações à Lusa, o grau de exigência desta ópera para cantores e orquestra, pela “amplitude da partitura” e pela sua “intensidade e violência vocal e orquestral”, mas com “todos os condimentos para uma noite marcante”. Nicola Raab afirmou que a sua opção para apresentar esta ópera foi “uma extrema concentração na protagonista, Elektra, à volta da qual, e da sua questão psicológica, se desenvolve todo o drama musical”.

A ORIGEM DA TRAGÉDIA

O cenário é a Grécia Antiga, a cidade de Micenas, no Peloponeso, onde a narrativa se desenvolve em torno do

Tragédia cantada “Elektra” estreia hoje no São Carlos

tema da vingança: a mãe de Elektra, Klytämnestra, assassina o marido, Agamenon, com a ajuda do amante, Aegisth, levando a que a personagem que dá nome à peça procure justiça, alcançada quando o irmão, Orestes, mata os dois. Conhecendo já a ópera, cujo libreto de Hugo von Hofmannsthal se inspirou na tragédia de Sófocles, esta é a primeira vez que Nicola Raab encena “Elketra”. O convite do São Carlos, revelou a encenadora, tinha apenas uma condição, “encontrar uma maneira de concentrar a ópera e não fazer o habitual”. “E eu respondi que era óbvio, pois a concentração está toda [na personagem] Elketra, ela é o centro de todo, tudo roda à volta, presos à sua vontade”, disse. Para a encenadora, esta “concentração” em torno da personagem Elektra “não é uma restrição, mas antes um sentido de liberdade”. Em palco, o cenário é um quadrado dourado, e toda a ação dramática se passa naquele espaço concreto. A ópera, de Richard Strauss (1864-1949), foi estreada em 1909, em Dresden, na Alemanha, e segundo o

TNSC, “embora [o compositor alemão] já tenha atrás de si obras que sujeitam a linguagem tonal a abusos pontuais, em ‘Elektra’ atinge níveis de audácia harmónica, orquestral, vocal e dramatúrgica que chocaram, e ainda hoje chocam, a audiência”. Se a ópera, aquando da sua estreia, se revelou inovadora do ponto de vista estético-musical, Nicola Raab afirmou que “a inovação hoje pode estar na forma em como se concentrou todo o drama, para criar uma extrema intensidade”. “Eu vejo esta ópera como um todo, para uma noite marcante, sem me preocupar com o histórico da própria ópera”, acrescentou. A ópera, sob a direção do maestro britânico Leo Hussain, sobe à cena na hoje, às 21h00, e novamente nos dias 04, às 16h00, e 07 de fevereiro, às 21h00.

ELENCO DE OURO

Além de Nadja Michael, do elenco fazem parte Allison Oakes, Lioba Braun, James Rutherford, Marco Alves dos Santos, Mário Redondo, Sónia Alcobaça, Rui Baeta, João Terleira, Patrícia Quinta, e ainda, Maria Luísa de

Freitas, Cátia Moreso, Paula Dória, Carla Simões e Filipa van Eck. A encenadora alemã defendeu a actualidade do espectáculo operático, algo que não passa por uma actualização do guarda-roupa ou a transposição para o contexto actual, mas sim “pelos sentimentos que são experimentados em palco e como nos identificamos com eles”. “Podemos dizer, ao assistir a uma ópera, o que acontece a esta personagem, a sua situação, a sua vivência, ou a sua psicologia, são sempre actuais, pois aquelas personagens podemos ser nós”, disse. Elektra, prosseguiu, “está traumatizada por qualquer coisa e não se pode mover, está presa a uma situação, e recusa-se a sair dessa situação, o que acontece a qualquer um de nós que tenha passado pelo que ela passou”. Nicola Raab encenou, anteriormente, também nesta sala lisboeta, “A Flowering Tree”, de John Adams, na temporada de 2015-16. Raab disse à Lusa que gosta de trabalhar em Lisboa e o facto de ter encenado outras produções do TNSC, lhe dá uma “familiaridade” e um “gosto em voltar”. Raab já apresentou também encenações suas no Festival de Salzburgo, na Áustria, e no de Aix-en-Provence, em França. LUSA

BAIRRO ALTO MARCHA LISBOETA CELEBRA ANO DO CÃO EM MACAU

A

marcha do Bairro Alto, segunda classificada nas Marchas Populares de Lisboa em 2017, vai participar nas paradas de celebração do Ano Novo Lunar, em Fevereiro, em Macau, anunciou ontem a directora dos Serviços de Turismo. As paradas vão decorrer a 18 e a 24 de Fevereiro, terceiro e nono dias do Ano Novo Lunar, a primeira no sul de Macau e a segunda na zona norte da cidade, afirmou Helena de Senna Fernandes, em conferência de imprensa.

Este ano, o orçamento do evento é “de 27 milhões de patacas, o que representa um aumento de 5por cento” em relação a 2017, acrescentou. O programa da parada em celebração do ano do cão conta com desfile e exibição de carros alegóricos, espectáculos, fogo de artifício e jogos para telemóveis, e a participação de 25 grupos artísticos de Macau, como o grupo de dança do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), Associação de Danças e Canta-

res Portugueses “Macau no Coração”, Casa de Portugal em Macau, Casa do Brasil em Macau, Associação da Cultura Indiana de Macau, entre outros. Além da marcha do Bairro Alto, participam também nove grupos estrangeiros oriundos de França, Espanha, Alemanha, Japão, Rússia, China interior e da Região Administrativa Especial de Hong Kong. O enredo da parada, organizada pelo sexto ano consecutivo, tem como pano de fundo a história de uma matilha de “wong chois”, nome típico que os chineses costumam dar aos cães, que trazem aos residentes e turistas de Macau prosperidade, saúde e fortuna. Organizada pela direcção dos Serviços de Turismo de Macau, a parada tem como coorganizadores o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), o Instituto do Desporto (ID) e o Instituto Cultural (IC). A Administração Nacional do Turismo da China é a entidade patrocinadora. Em 2017, 935 mil pessoas visitaram Macau durante a semana do Ano Novo chinês, que este ano se assinala a 16 de Fevereiro. LUSA


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1.2.2018 quinta-feira

ENERGIAS RENOVÁVEIS CHINA SUPERA EUROPA E ASSUME PAPEL DE LIDERANÇA

A 13ª Assembleia Popular Nacional (APN) elegerá e nomeará líderes de Estado na sua primeira sessão anual em Março em Pequim, disse uma decisão tomada pelo 12º Comité Permanente da APN na terça-feira. A sessão anual da APN será aberta a 5 de Março, segundo a decisão, adoptada através de uma votação numa sessão do Comité Permanente da APN realizada na segunda e terça-feira. Entretanto, Xi Jinping foi eleito deputado para a 13ª Assembleia Popular Nacional (APN), mediante uma votação unânime na primeira sessão da 13ª assembleia popular regional da Região Autónoma da Mongólia Interior. Xi foi nomeado pelo Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) como candidato a deputado da 13ª APN, e a nomeação foi submetida à votação na assembleia regional. A declaração da sua eleição unânime recebeu um grande aplauso na sessão. Xi é um dos 58 deputados eleitos na tarde de terça-feira para a nova APN na assembleia regional. A eleição unânime de Xi, feita por mais de 500 deputados da assembleia popular regional, “representa a sincera aspiração de mais de 25 milhões de residentes da Mongólia Interior”, disseram os deputados. E “também é uma demonstração vívida da lealdade ao núcleo do PCC e do apoio ao líder de mais de 1,3 mil milhões de chineses de diversos grupos étnicos, disseram os deputados. A 13ª APN inaugurará sua primeira sessão anual em Pequim a 5 de Março.

Rei da Holanda realiza visita de trabalho

O rei Guillermo Alejandro da Holanda realizará uma visita de trabalho nos dias 7 e 8 de Fevereiro à China, onde conversará com o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang. Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, detalhou que a viagem do monarca será por convite de Xi e em suas conversas analisarão o estado das relações bilaterais e questões de interesse comum. “Esperamos que a sua estadia contribua para aprofundar mais a confiança mútua entre a China e os Países Baixos, a promover a cooperação em diferentes sectores e injectar um novo impulso no desenvolvimento de nossos vínculos, afirmou a porta-voz em conferência de imprensa. Esta será a segunda vez que o rei holandês visita a China desde sua ascensão ao trono em 2013.

O futuro já está à vista

Antes na vanguarda, Alemanha e União Europeia foram superadas de longe pelos chineses, que reconhecem potencial económico do sector. O bloco europeu seria capaz de voltar à posição de liderança?

A

S energias renováveis estão a ganhar espaço mundo afora. Acima de tudo, as energias eólica e solar conhecem um boom e já são competitivas perante os combustíveis fósseis. De acordo com a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), os custos das energias geradas a partir do vento e da luz solar continuarão a cair ainda mais e, nos próximos três anos, o da energia fotovoltaica cairá em torno de 50%, na média global. “Esta nova dinâmica sinaliza uma mudança significativa no sistema energético”, afirma Adnan Amin, director-geral da Irena. “A decisão por energias renováveis para a geração de elec-

Os investimentos da Europa vêm diminuindo de forma constante desde 2011 e, de acordo com a Bloomberg News Energy Finance, o investimento caiu mais da metade entre 2011 e 2017, para 57 bilhões de dólares. “A União Europeia tinha um claro papel de liderança até por volta de 2011, que foi abandonado devido a uma falha activa da própria política”, afirma Hans-Josef Fell, presidente do Energy Watch Group. “Foi feita uma política para proteger a energia nuclear, os sectores de carvão, petróleo e gás – tudo isso contra as energias renováveis.”

REUTERS/STRINGER

Novos líderes de Estado eleitos em Março

SEM MUDANÇAS, A CHINA DOMINARÁ O MERCADO Trabalhadores na estação de energia solar e éolica em Hami, Xinjiang

tricidade não representa apenas uma consciência ambiental, mas uma decisão económica muito inteligente. Governos de todo o mundo reconhecem esse potencial e promovem os sistemas de energia com baixa emissão de carbono.” A China, em particular, faz grandes avanços na área de tecnologias do futuro e amplia sua energia eólica e solar como nenhum outro país do mundo. “A China assume esse papel de liderança, pois reconhece as enormes oportunidades de mercado e as vantagens económicas”, afirma a economista Claudia Kemfert, do instituto económico alemão DIW, que também assessora o governo federal.

De acordo com a Bloomberg News Energy Finance, no ano passado, a China investiu 133 mil milhões de dólares em energias renováveis – o maior investimento que já fez no sector. O gigante asiático destinou mais da metade desse valor à energia solar. Segundo a Agência de Energia da China (NEA), em 2017, foram construídas no país usinas fotovoltaicas que geram 53 gigawatts (GW) – mais da metade da capacidade instalada no mundo. AAlemanha, antes na vanguarda da energia fotovoltaica, estima ter instalado cerca de 2 GW em 2017. Com sua política de expansão, a China ultrapassou claramente a Alemanha e a Europa na liderança no campo das energias renováveis.

O tempo não volta para trás

Governo de Hong Kong pede a estrangeiros que não interfiram nos assuntos da região

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governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) pediu que às organizações e políticos estrangeiros para não interferirem nos assuntos da região. O governo da RAEHK fez os comentários nesta terça-feira em resposta a observações de uma organização e políticos estrangeiros sobre a eleição suplementar do Conselho Legislativo de Hong Kong. Um porta-voz disse que o governo da RAEHK sempre respeita e salvaguarda os direitos gozados pelos residentes de Hong Kong de acordo com a lei. Ao mesmo tempo, o governo

da RAEHK tem o dever de implementar e defender a Lei Básica e garantir que todas as eleições sejam conduzidas conforme a Lei Básica e as leis eleitorais relevantes, acrescentou o porta-voz. O porta-voz disse ainda que as decisões tomadas pelos funcionários responsáveis pela eleição visam garantir que a eleição suplementar do Conselho Legislativo seja realizada estritamente de acordo com a Lei Básica e outras leis aplicáveis de maneira aberta, honesta e justa. Um funcionário encarregado da eleição suplementar 2018 do

Conselho Legislativo da RAEHK desqualificou no sábado a nomeação de um candidato pois o último não cumpriu com o regulamento do Conselho Legislativo. A candidata Agnes Chow é membro de uma organização política em Hong Kong que incita ao separatismo.

Em termos de energia renovável, a China tem facilidades em comparação com a Europa, pois no gigante asiático o consumo de energia está a aumentar constantemente. “Os chineses investem no aumento da capacidade, sem necessariamente cessar a produção de energia fóssil ou nuclear”, explicou Julian Schorpp, da Câmara de Comércio e Indústria Alemã (DIHK) em Bruxelas. “Na Europa, por outro lado, há excedente de capacidade, e o consumo de energia deverá também diminuir de acordo com as regras da União Europeia. Existe a tendência de as renováveis substituírem os outros tipos de energia no mercado”, acrescentou Schorpp. Se a Europa não corrigir sua política energética e seguir o exemplo de Pequim, “a China continuará liderando e dominará o mercado”, concluiu.

O governo da RAEHK disse que concorda e apoia a decisão, acrescentando que o estatuto constitucional e legal da RAEHK é muito claro: a Lei Básica de Hong Kong assinala que a RAEHK é uma parte inalienável da República Popular da China. A porta-voz do MNE da China, Hua Chunying, reiterou na terça-feira que os assuntos de Hong Kong são assuntos domésticos da China, o que é claro e simples. “A China opõe-se firmemente à qualquer interferência dos governos, instituições e indivíduos estrangeiros nos assuntos de Hong Kong”, destacou Hua. AUnião Europeia e Chris Patten, ex-governador britânico de Hong Kong, expressaram recentemente preocupações sobre as eleições e a autonomia de Hong Kong.


china 13

quinta-feira 1.2.2018

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Afeganistão é o lar de importantes depósitos de matérias-primas que a China poderia importar. Pequim está  a investir US $ 55 mil milhões no vizinho Paquistão e planeia construir um corredor económico que se estende até ao mar da Arábia. A “Uma Faixa, Uma Rota” (UFUR) vai estimular a economia global e beneficiar também o Afeganistão. A China é o maior parceiro comercial e investidor do país. A estabilidade no Afeganistão é do interesse da China, mas há poucas esperanças que os Estados Unidos, país invasor, possam providenciá-la. Afinal, Washington não alcançou nada de substancial desde 2001. Houve surtos e retracções, mudanças de tácticas e de estratégia e muitos tratados sobre como virar a maré da guerra, mas os talibãs são fortes e a economia afegã está em tumulto – o tráfico de drogas é o único tipo de negócio que prospera. Até agora, a administração Trump não apresentou a estratégia há muito aguardada, apesar de haver pelo menos 8,4 mil soldados americanos no país. O relacionamento entre os EUA e outros actores relevantes, como o Paquistão, são uma confusão. Washington recentemente suspendeu a ajuda militar ao país. A instabilidade no Afeganistão ameaça o corredor económico China-Paquistão – um elemento importante da UFUR. A China actua como mediadora, tentando conciliar as diferenças entre os actores regionais. As relações afegão-paquistanesas deterioraram-se em 2017, quando cada um acusou o outro de prestar apoio aos jihadistas que operam nas áreas fronteiriças. Pequim está a trabalhar para melhorar esses laços bilaterais.  O Movimento islâmico do Turquestão Oriental, um movimento

CHINA CONSTRÓI BASE MILITAR NO AFEGANISTÃO

Viagem que começa por um passo uigur nacionalista e islâmico da região chinesa de Xinjiang, actua no Afeganistão. Os militantes ganham experiência de combate lutando lado a lado com os talibãs e outros grupos militantes. Ora Pequim não quer que guerreiros experientes regressem e se envolvam em actividades terroristas no seu solo. A Rússia e a China intensificaram a ajuda militar aos estados da Ásia Central. Ambos acreditam que a Organização de Cooperação de Xangai (SCO) pode contribuir substancialmente para alcançar uma solução pacífica. Ambos tentam construir uma rede de estados regionais. Moscovo e Pequim são motivados pelos seus interesses nacionais. Conscientes das suas responsabilidades como grandes potências, estão a trabalhar emconjunto para promover a segurança no Afeganistão e na Ásia Central. A China pode sentir que os seus interesses na área são fortes o suficiente para justificar um envolvimento militar fora das suas fronteiras. Funcionários do governo afegão informaram que a China planeia construir uma base militar

em Badakhshan. As discussões sobre os detalhes técnicos devem começar em  breve. As armas e os equipamentos serão chineses, mas as instalações serão equipadas por pessoal afegão. Veículos e hardware serão trazidos através do Tajiquistão. Sem dúvida, instrutores militares chineses e outros funcionários irão realizar missões de treino e assistência.  O vice-presidente da Comissão Militar Central da China, Xu Qilian, afirmou que a construção deverá estar completa em 2018. Depois de algumas ofensivas poderosas em 2017, os

talibãs capturaram temporariamente Ishkashim e Zebak no Badakhshan. O governo afegão não conseguiu fornecer uma presença militar suficientemente substancial para garantir a segurança. Chegou a um acordo com os comandantes de campo locais, dando-lhes uma parcela da produção de lápis lazuli , em troca do fim das hostilidades. Mas as discussões internas prejudicaram a frágil paz entre os grupos locais, e os talibãs aproveitaram a oportunidade para intervir.  A questão é: até que ponto a China está preparada para ir? Até agora, limitou suas actividades militares a equipas de operações especiais que patrulham o Corredor de Wakhan . Uma base militar em Badakhshan seria uma jogada importante demonstrando que Pequim está pronta para expandir sua presença no país e fornecer uma alternativa aos Estados Unidos. A China tem um trunfo que os EUA não tem – são as boas relações com a Rússia e o Paquistão. Pequim representa o SCO, uma grande organização internacional que inclui actores como a Turquia, o Irão, a Índia, o Paquistão e os países da Ásia Central. No ano passado, o presidente russo, Vladimir Putin, tomou a iniciativa de reiniciar  o trabalho do grupo de contacto da SCO Afeganistão. Essas actividades foram suspensas em 2009. A Rússia defende a  abertura de negociações directas entre o governo afegão e os talibãs o mais rápido possível. Pequim também apoia a ideia. Moscovo disse que está preparada para sediar uma conferência sobre o Afeganistão. O OCS pode fazer do processo de paz um esforço real e multilateral. Isso irá enfraquecer a influência dos EUA na região, mas fortalecerá as hipóteses de encontrar uma solução para o conflito.  Cooperação e diplomacia podem abrir um novo capítulo na história doAfeganistão.

MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS TRAÇA DIPLOMACIA DA CHINA EM 2018

O

ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, traçou na terça-feira a diplomacia do país para 2018, durante uma recepção de Ano Novo chinês. Ao fazer um discurso aos diplomatas estrangeiros na China, Wang assinalou que a China promoverá mais a construção de Uma Faixa, Uma Rota e implementará os consensos atingidos no primeiro Fórum Uma

Faixa, Uma Rota para a Cooperação Internacional, que foi realizado em Pequim em Maio de 2017. A China fará preparativos adequados para realizar uma série de eventos diplomáticos como a reunião anual do Fórum Boao para a Ásia, a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai e a cimeira do Fórum de Cooperação China-África, afirmou o MNE. “A China aprofundará a sua

rede de parcerias globais em 2018 e está comprometida em construir uma estrutura de grande país caracterizada pela estabilidade e desenvolvimento equilibrado”, disse Wang. O MNE indicou que o país também consolidará a amizade e a cooperação com os países vizinhos, bem como a cooperação com um grande número de países em desenvolvimento. “A China continuará a

desempenhar um papel construtivo para resolver assuntos problemáticos regionais e promoverá a solução de disputas e conflitos através do diálogo e consultas”, acrescentou. O conselheiro de Estado chinês, Yang Jiechi, participou da recepção, junto com mais de 400 participantes das missões diplomáticas estrangeiras na China e de diversos departamentos chineses.

HRW MAY DEVE DEFENDER DIREITOS HUMANOS

A

organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) quer que a primeira-ministra britânica, Theresa May, defenda os Direitos Humanos junto dos dirigentes chineses, durante a sua visita ao país, que realiza esta semana. O director da HRW no Reino Unido, David Mepham, em artigo de opinião distribuído à imprensa, recordou que May, durante um discurso recente sobre política externa, afirmou que o Reino Unido é definido pelos “valores fundamentais de Equidade, Justiça e Direitos Humanos”, prometendo usar “a influência [britânica] no mundo para o bem”. É exactamente isto que a HRW quer que May faça em Pequim, apesar de relativizar as afirmações desta com o seu incerto futuro político e as dúvidas crescentes sobre a influência britânica num cenário de saída da União Europeia. O dirigente da HRW exprimiu a sua preocupação com a situação dos Direitos Humanos na China, salientando que desde que Xi Jinping assumiu a presidência, em 2013, houve uma “deterioração alarmante”. Para exemplificar, Mepham mencionou a “detenção arbitrária de centenas de defensores, advogados e ativistas dos Direitos Humanos, muitos dos quais foram torturados”. Ataques à liberdade de expressão, restrição da liberdade religiosa, um sistema de vigilância nacional, retirada de DNA de populações inteiras em regiões das minorias étnicas e criação de plataformas de informação pessoal para a polícia, repressão agravada de uigures e tibetanos e interferência política em Hong Kong, foram alguns dos outros casos que apontou para fundamentar o seu argumento.


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1.2.2018 quinta-feira

Quanto mais mesquinhos mais ricos.

Michel Reis

A Poesia Completa de Li He

閏月

Mês Intercalar

帝 重 光 , 年 重 時 。   七 十 二 候 回 環 推 ,    天 官 玉 管 灰 剩 飛 。    今 歲 何 長 來 歲 遲 ,    王 母 移 桃 獻 天 子 ,    羲氏和氏迂龍轡。

Quando imperadores ostentam sua glória, Os anos ostentam suas devidas estações. Setenta e dois ciclos giram Fazendo-se uns aos outros mover.1 Dos tubos de jade do astrónomo Voam cinzas.2 Por que tem este ano de durar tanto, Por que se atrasa tanto o ano vindouro?

1 2

A Mãe do Oeste colhe seus pêssegos3 Para oferecer ao Imperador. Xi e He deixam seus dragões refreados Andar longe perdidos à solta.4

3

4

Este era um mês extra adicionado de tempos em tempos para que o ano lunar se alinhasse com o ano solar. Um ano lunar era composto por setenta e dois períodos de cinco dias cada. Para dar conta dos meses, o astrónomo da corte inseria doze pequenos tubos num tubo maior e enchia-os de cinzas, que eram sopradas quando chegava o devido mês. Uma vez que não havia tubo para o mês intercalar, He dá claramente a entender que o calendário era caótico. Tal era uma grave acusação, pois constituía um ataque ao próprio imperador, cujo comportamento virtuoso era suposto regular as estações e o calendário. “Mãe do Oeste” – Xi Wang Mu (a Mãe que é Rainha no Oeste) era considerada uma das principais divindades taoistas. Os pêssegos da Mãe amadurecem apenas uma vez cada seis mil anos e conferem imortalidade a quem os consome. Esta é mais uma referência à preocupação com o elixir da vida que levava o Imperador a negligenciar os seus deveres. Xi e He eram os aurigas do Sol. Mais tarde, seriam historicizados como os primeiros Directores de astronomia sob a tutela do lendário rei-sage Yao. O Shu-Jing (Clássico de História) relata que em 2159 a.C Zhong Kang puniu Xi e He por negligenciarem seus deveres e deixarem cair em desordem o calendário. A última linha do poema critica a negligencia do dever pelo ministro imperial, i.e., mais um ataque ao imperador. Ao invés de outros, este poema não pode ter sido escrito em conexão com a candidatura de He ao grau de doutor, pois a sua inclusão ter-lhe-ia assegurado fracasso imediato.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 1.2.2018

diários de próspero António Cabrita

Descida aos infernos 1 - Segundo o dramaturgo ateniense Agatão, o único poder negado aos deuses é o de desfazerem o passado. Isto, coitados, são os deuses gregos. De outro expediente, insusceptivelmente eficaz, os políticos moçambicanos que fazem e desfazem o passado, à sua medida e ambição. O seu poder (é a crença instalada) sustenta-se no desiderato de apagar a memória. Tive um jantar com amigos. Alguns trabalharam em arquivos e outros fazem investigação e dependem da frequência dos arquivos. A conclusão é unânime: em Moçambique os arquivos estão mortos, arrasados por um banimento infindável. Começa pela desorganização voluntária dos serviços, no fito de servir interesses dos funcionários. Por exemplo, se os dados estatísticos mostram que naquela biblioteca ou arquivo há uma maior solicitação de determinadas publicações, de xis temas e eventos, então rapidamente desaparecem essas publicações e as páginas referenciais mais requeridas (arrancadas sem pejo), de modo a que posteriormente possam ser solicitadas “particularmente”, contra o pagamento de uma quantia. Os primeiros funcionários do Arquivo Histórico rasgavam os jornais para embrulharem o pão e o mata-bicho delatado com vergonha pela primeira directora do Arquivo. Hoje, metade das colecções de todas as publicações foi espoliada, destruída, despedaçada. Não há modo de empreender qualquer investigação séria com balizas cronológicas: as faltas, omissões e os hiatos serão fatais. Dois terços dos livros da Biblioteca Nacional foram vendidos na rua, em duas décadas de desvios para as bancas de rua. A única colecção nacional provavelmente incólume será a do Banco de Moçambique, fechada ao público. Um dos comensais contou ter orientado uma formação para bibliotecários e arquivistas e como sete dos nove formandos escolhidos pela comunidade eram analfabetos. A sanha de vender os livros ao desbarato ou de se desfazerem do “papel” começou depois da independência, no gesto de se deitar para o lixo os arquivos das Conservatórias, como as pastas com as certidões de nascimento, “porque já não eram necessárias!”, mas estes primeiros actos de irresponsabilidade, ignorância e inconsciência, volveram depois actos de amputação voluntária ao sabor da conveniência política e estenderam-se a todos os domínios. Os arquivos de cinema não estão catalogados – ou seja: não existem -, os arquivos da televisão pública foram literalmente apagados, etc., etc.

tagem pela saturação da informação e da comunicação, porque o consumidor está encadeado pelo vício da pantalha. De forma mais segura será o vulgo paralisado com o excesso de informação sobre tudo (e sobre si mesmo), do que privando-o de informação». Eis o lado negro e obsceno da avalancha mediática que tem, contudo, outras virtualidades e recortes menos sombrios até porque na verdade às imagens de um espelho ninguém as consegue penhorar ou confiscar. 3 - Morreu esta semana o poeta chileno Nicanor Parra, aos cento e três anos. Poeta e matemático, posicionou-se com Antipoemas (1955) como o anti-Neruda, enveredando por uma poesia discursiva e narrativa e que evita a metáfora. Cheguei ao poeta chileno por causa de uma dedicatória de Fernando Assis Pacheco, que lhe chamava «meu mestre». Nicanor - irmão da cantora Violeta Parra e do artista de circo Óscar Parra, conhecido como el Tony Canarito - foi Prémio Cervantes de 2011. Dele fiz a tradução de dúzia e meia de poemas, aqui deixo a sua VIAGEM PELO INFERNO:

A última, contada ao jantar: há duas semanas um dos convivas quis consultar vários números da revista Tempo – um baluarte da comunicação em Moçambique, antes e após a independência – e respondeu-lhe o funcionário da instituição: o arquivo da revista Tempo foi “confiscado pela Presidência”. A tentar adivinhar, sopesar, esmiuçar o que signifique tal “confiscação” bebemos mais duas garrafas à mesa – talvez em luto. Até que alguém deixou cair: - Havia um apagamento deliberado da memória que envolvesse os portugueses e agora impõe-se outro, eles não querem que se recorde que hoje os grandes defensores do capitalismo mais cru e

selvagem eram os ortodoxos líderes socialistas de antigamente… Réplica imediata de outro dos comensais, erguendo o copo numa saúde: - Ah, menos mal, se afinal é um gesto de decoro… - É o decoro de A Grande Farra… atira um terceiro. 2 - Ao arrepio do que se passa em Moçambique, a norte o desnorte ecoa o ditado apocalíptico de Baudrillard: «Hoje o meio mais seguro para neutralizar a alguém não é saber tudo sobre ele, mas sim dar-lhe os meios para ele saber tudo sobre tudo. Já não é necessária a repressão e o controlo, substituído com van-

Os políticos moçambicanos que fazem e desfazem o passado, à sua medida e ambição. O seu poder sustenta-se no desiderato de apagar a memória

Numa sela de montar /fiz uma viagem pelo Inferno. //No primeiro círculo vi umas figuras/ placidamente recostadas/ a uns sacos de trigo.// No segundo círculo borboleteavam homens em bicicleta, / à rasca, sem saber onde apear-se/ - pois estavam bravas as chamas!// No terceiro círculo reparei / numa só figura humana/ que parecia hermafrodita.// Era criatura sarmentosa/ e dava de comer aos corvos. //Trotando e galopando queimei/ um intervalo de várias horas/ até ter chegado a uma cabana/ no interior de um bosque/ onde vivia uma bruxa. // Sacrista do cão,/ foi por um triz! // Já no círculo número quatro/ topei um ancião de longas barbas,/ calvo como um sandeu/ que montava um pequeno barco / no interior de uma garrafa. / Que afável o seu olhar! // No círculo número cinco vi / uns jovens estudantes jogando futebol / araucano com uma bola de trapos. / Fazia um frio de rachar. // Tive de passar a noite em claro / num cemitério, encostado/ a uma tumba / para não morrer de frio.// No dia seguinte continuei a minha viagem por uns cerros/ e vi pela primeira vez os esqueletos/ das árvores incendiadas por turistas. // Só restavam dois círculos./ No primeiro lá estava eu / sentado a uma mesa negra. / Lambuzava-me com um passarinho/ e a minha única companhia/ era um candeeiro a petróleo.// No círculo número sete não vi/ absolutamente nada, só me chegaram ruídos/ estranhos e uns risos espantosos/ enleados nuns miados, suspiros/ profundos, que perfuravam a alma.


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1.2.2018 quinta-feira

Cadernos de Geografia Gisela Miravent

Andorinha

N

ÃO era tudo negro, nem pensar. E não era tudo claro, também. Mesmo quando eu abria muito os olhos, sempre que despertava ou era intempestivamente despertado do meu ciclo de sono, não via senão o que sentia: uma intermitência de farolim que se pode ou não tocar. Lembro, pois, cambiantes de luz. Nada de cores, nada de definido, só impressões de claridade – ou de menor obscuridade –, bolsas luminescentes no microcosmos líquido que me sustinha. Deixei que o farolim me indicasse um lugar. No início é assim: pressentimos estrelas e planetas como fogachos numa noite de breu. Podemos escolher caminhar ao seu lado sem ter nada a ver com eles ou permitir que se entranhem fundo em nós. De resto, ainda aquém de mim nascido, aprendi que ver não era o mais importante. Ver o quê... para quê, ouvindo e sentindo, pouco mais que embrião fecundado num de entre muitos acasos de desamor, a perdição da minha Mãe e a brutalidade lasciva do Monstro? Como conseguiu ela amar-me tanto ainda assim, que me dispôs à lua e ao sol? Nasci do abrupto, como não podia deixar de ter sido. Não tive tempo de me preparar, talvez não tenha chegado mesmo a ser acabado, os pulmões, sobretudo,

suspiravam mais que respiravam… no entanto, aceitei seguir o rastro de luz. Não nasci aflito porque não estava em mim afligir-me a não ser com a hipótese remota de um dia não poder palmilhar descaminhos e neles encontrar-me, perdido para sempre dos que me tinham gerado. De resto, foi tudo muito rápido: os pontapés dele na barriga dela, a queda, as contracções fantásticas, o coro de gritos das mulheres e eu a ser empurrado por uma força sobre-humana para um mundo novo. Tomei apenas algum do líquido morno de que me despedi para sempre e despedi-me ainda da Mãe, que senti partir num último fôlego cansado. Retirado do seu mar quente, optei por só pousar a terra brevemente e logo escolhi o ar. Não sou um menino, sou uma andorinha. Depois de reconfigurado em corpo desligado desse outro corpo que me acolhera, houve quem me desse colo e alimento. Ninguém em especial, nessa altura. Vizinhas velhas e uma tia que a partir de um dado momento, desapareceu de vez. Mas havia as Mimis – não recordo os seus nomes individuais e elas não me levarão a mal. As Mimis eram as meninas

da aldeia que pegavam em mim e me levantavam no ar como se eu fosse o boneco animado que não tinham. Entre si rodavam-me até à vertigem, delas e minha, bem no alto dos seus braços abertos ao céu. Riam e eu talvez risse também. Chorar não chorava. Lá em cima, reconhecia a minha natureza de pássaro. No entanto, à medida que o negro se adensava à minha volta, as luminosas Mimis foram aparecendo cada vez menos, assustadas com o Monstro que as queria levantar no ar também. E depois deitar por terra. Sobrou só a minha Mimi, uma menina mais crescida, protegida por uma cara feia e um corpo anão, a única que recordo olhar-me nos olhos e sorrir com eles para mim, instilando-me alegria e vontade de viver. A Mimi visitava-me muitas vezes, não todos os dias mas sempre que conseguia


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

quinta-feira 1.2.2018

encher o garrafão de plástico com vinho, pelo menos vinho, que pousava à entrada da casa para adormecer o Monstro. Trazia-me um ovo cozido que partia em bocadinhos e me dava à boca, a sorrir meiguice. No inverno dava-me uma laranja, no verão amoras silvestres. Fazia-me festas e dizia que me ia ensinar a voar. Era uma boa ideia, eu tardava em aprender a andar. Balançava incerto do chão debaixo dos pés e tinha tendência para me desequilibrar e cair. Passei, por isso, a erguer os braços e a movimentá-los numa cadência de pássaro. A Mimi levava-me para o terreno em volta da casa térrea minúscula onde eu vivia e os dois ensaiávamos corridas breves, a bater as nossas asas, o corpo atirado para a frente e o rosto ligeiramente erguido. Quando eu era uma andorinha, nunca caía. A Mimi teve ainda outra boa ideia: como o Monstro nunca se lembrava de me dar de comer nem cuidar que eu tivesPUB

se um sítio onde dormir, aprendi com ela a fazer ninhos. Por segurança, escolhemos erguê-los sobre o chão. Só os outros pássaros sabiam que pelo terreno afora havia ninhos escondidos feitos de erva ressequida e de toda a espécie de palhas e raminhos onde me encolhia como no microcosmos do início de mim. Sob esses ninhos cavei buracos, alguns muito fundos, serpentes direitas ao centro da Terra, tão largos que eu cabia lá dentro. Abrigava aí amêndoas, nozes, pinhões e relíquias que coleccionava, como as palhinhas de plástico que segurava à vez entre os lábios, a fazer de bico. Ao correr do tempo fui compreendendo os sinais do Monstro. Captava-os no ar, trazidos por uma energia negativa poderosa: sabia quando ele ia desaparecer, quando estava para chegar, se me devia esconder, se ia ser fechado no buraco. Se ficava fechado no buraco era pior. Nenhum pássaro, menos ainda uma an-

dorinha, suporta gaiolas, douradas que sejam. Quando ali era trancado voltava a mim antes de mim e, na semi-obscuridade, relembrava a mãe-placenta e resistia. Todos os outros estados do Monstro me permitiam mais ou menos acolher-me aos ninhos ou treinar o bater de asas em corridas desajeitadas e bambas. E tecer na imaginação as rampas de vôo de que me lançaria, um dia. – Olha o Andorinha! – ouvia, sempre que me aventurava pelos caminhos da aldeia. – Ainda não partiu, pobre dele. Quando regressas para junto dos teus? Os bandos debandam! – gritavam pessoas. Eu calava o bico, os lábios cerrados esticados para a frente e lançava-me numa corrida demonstrativa, as pernas atiradas ao deus-dará mas os braços firmes, acima abaixo, acima abaixo. Ouvia rir e sabia que partiria dali. Iria voar.


18 (f)utilidades TEMPO

1.2.2018 quinta-feira

C H U VA

?

FRACA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje CONCERTO DE BERRI TXARRAK Live Music Association | 21h30 às 00h30

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WORKSHOP FILM MARKETING IN THE INFORMATION AGE Cinemateca Paixão | 17h30

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Livraria Portuguesa 18:30 - 20:30

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MÚSICA: BE-ATS FEAT PATRICK ZIGON

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4 5 3 2 EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES 4 5 3 6 2 7 1 IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” Casa 6 Garden 1 | Até228/02 3 4 5 7 EXPOSIÇÃO 5 7“TWENTY 6 HOURS 2 – AN1EXHIBITION 4 3 OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS 1 4CAFÉ7 5 3 2 6 STUDENTS” IFT espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03 2 3 5 1 7 6 4 EXPOSIÇÃO 3 2“O TEMPO 4 MEMORÁVEL” 7 6 1 5

DE

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3 7 5 2 4 1 6

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Museu de Macau | Até 25/02

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 8

9A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING

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Museu de Arte de Macau | Até 4/03

1 5 3 2 4 2 6 5 2 3 7C4I Cineteatro 6 4 1 7 5 1 2 6 7 6 5 3 3 7 4 1

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SALA 1

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MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

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Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D] Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15 SALA 2

THE POST [B]

Filme de: Steven Spielberg

6 1 5N 3 7 4 2 7 5 2 4 1 6 3

4 7 1E 5 3 2 6 6 1 5 2 4 3 7

7 3 6 A M 2 4 1 5 1THE POST 3 4 7 6 5 2

Com: TomHanks, Meryl Streep 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

STAYCATION [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Johnson Lee 14.30, 19.30

FATE/STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER [C]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomonori Sudo Com: Johnson Lee, Louisa So, Ti Lung, Chin Siu-Ho 17:00, 21:30

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Este é um disco ao qual sempre se retorna, mais tarde, ou mais cedo, vai-se lá parar. “If You’re Feeling Sinister”, o segundo registo da banda de Glasgow, é uma presença assídua em tudo o que são listas de melhores álbuns dos anos 90. O pop suave dos escoceses, aliado às letras carregadas de ironia de Stuart Murdoch, teve o seu apogeu neste disco intemporal, lançado em 1996. Músicas como “The Stars of Track and Field”, “Me and the Major”, ou “Mayfly” continuam a fazer sentidos nos dias de hoje, não soam datadas. Obrigatório para qualquer melómano que se preze. HM

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SUDOKU

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8O CARTOON STEPH

Afogado em doce de ovos, como se quer. Molhado, viscoso açucarado, o pão-de-ló é a bomba atómica no final da batalha da refeição, o golpe de misericórdia quando as tropas já estão de cinto desapertado e há estilhaços de guardanapo no prato de arroz. É uma apoteose copiosa, opulenta, como um filme com final feliz de uma narrativa gastronómica iniciada com um croquete. Fofo, alto nas extremidades e afundado pelo peso da delícia no meio. Uma sobremesa de coração mole e amarelo para equilibrar a negra amargura do café. E que bem que fica com o seu reverso, ébano e mármore em harmonia num prato pegajoso, chocolate e doce de ovos a sugerir visões de diabetes, de dentes cariados cinturas largas com digestões pesadas. Que venha a mais pestilenta espécie de digestivo, quanto mais forte melhor, 10que venha com vapores de fadas verdes e bagas silvestres, com uma pedra de gelo, por favor. E no final dos finais, no derradeiro momento, a assinatura no ar sem caneta ou papel a pedir a conta. Os momentos seguintes deviam ser de caminhada para gastar o combustível que enche o tanque. Fico a imaginar o bem que saberia um passeio a pé, um duche, uma sesta ou qualquer actividade contemplativa, tudo luxos que não estão ao alcance de um trabalhador numa desoladora tarde de meio da semana. Fico também a imaginar um pão-de-ló só com meio, sem extremidades secas e altas, todo ele ovos moles movediços, redondo e amarelo como o sol de Verão. João Luz

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Live Music Association | 22h00

WORKSHOP FILM MARKETING IN THE INFORMATION AGE

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O EXORCISMO PERFORMANCE, DE JOSÉ DRUMMOND

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quinta-feira 1.2.2018

bairro do oriente LEOCARDO

BASQUIAT, ANJO CAÍDO

Areia Preta do mar dourado

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S meus afazeres do último Domingo de manhã levaram-me até à zona norte da cidade, mais precisamente à Areia Preta, onde já não ia há anos, literalmente. Recordo-me bem daquela zona de Macau do tempo em que cheguei, e já lá vai um quarto de século, e como tudo mudou, pelo Buda. Antes a Areia Preta resumia-se a algumas fábricas e prédios de habitação, que não sendo propriamente económica, era muito em conta. Na altura, por cerca de 150 mil patacas, podia-se adquirir uma fracção com dois quartos naquela zona, quantia com a qual hoje em dia não é possível sequer comprar um estacionamento de motociclo. Sim, há riscos pintados à volta de meia dúzia de metros quadrados de chão que custam milhões. Hoje quase que dá para me perder na Areia Preta; antigamente existiam apenas os

edifícios Hoi Pan, e Kam Hoi San, e pouco mais, e sempre achei piada que se chamasse “jardim” a um prédio que no máximo tinha uma planta dentro de um vaso lá em baixo, no condomínio. Os próprios nomes tinham o seu quê de irónico. “Kam Hoi San”, por exemplo, quer dizer “montanha do mar dourado”, nome dado a um bloco de habitação que deixava muito a dever à imaginação. Actualmente é ainda pior; temos autênticas caixas de fósforos elevadas a 50 ou mais andares, baptizados de “La Baie du Noble” (ulálá), “Crowne Palace”, ou ainda o infame “Pearl Horizon”, que nunca chegou a ser. Os proprietários do imóvel que ficou por construir julgaram estar a comprar uma “pérola”, mas ficaram a contemplar o “horizonte”. Daí o nome assentar-lhe que nem uma luva. Mas ao deparar com esta selva de cimento, detenho-me a pensar: de onde surgiram estes autênticos monstros, como que da noite

Vale a pena visitar a zona norte da cidade, e redescobrir a Macau das pessoas, da gente

para dia, brotando que nem cogumelos? E a rapidez com que apareceram, deu para cumprir com todos os trâmites essenciais para que se garanta a sua qualidade? Quem investe naqueles favos, que chegam a custar a “módica” quantia de dez milhões de patacas a unidade? O circo está montado, é verdade, mas e o público? Parece que sim, que isto é um negócio tremendo, que obedece à velha máxima “if you build it, they will come”, e quem tem dado rios de dinheiro a ganhar a alguma boa gente. É a concretização da tal “montanha do mar dourado”, só que de concreto e betão armado. Às vezes em parvo. Mas se por um lado a Areia Preta cresceu na horizontal, o facto de ainda ser uma das zonas menos caras da Península de Macau levou a que muito do comércio tradicional se mudasse para ali de armas e bagagens. Podemos encontrar ali uma diversidade de restaurantes e afins a preços razoáveis, mas a um esticão do centro da cidade, onde proliferam os casinos, os escritórios, os cosméticos e os cristais austríacos. Vale a pena visitar a zona norte da cidade, e redescobrir a Macau das pessoas, da gente. E é mesmo tanta, tanta gente, e tanta coisa, que se encontra ali, na Areia Preta.


As flores de pessegueiro gostavam de durar um verão inteiro. Han Shan

PALAVRA DO DIA

quinta-feira 1.2.2018

CHINA ‘ERROS’ SOBRE TAIWAN LEVAM A DESTRUIÇÃO DE CATÁLOGO

Não tuge, nem muji

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S autoridades chinesas pediram ao retalhista japonês Muji que destrua um catálogo contendo um mapa que Pequim considera identificar Taiwan “inadequadamente”, depois de outras grandes marcas mundiais terem sido repreendidas este mês por motivos idênticos. A Administração Nacional de Informação Topográfica da China acrescentou em comunicado que o mapa, distribuído na cidade de Chongqing, sudoeste do país, e que mostra onde estão localizadas as lojas da Muji, omitem as ilhas de Diaoyu, que são disputadas por Pequim e Tóquio. A agência considera que o mapa contém “erros graves” e informa que

Os deputados de Hong Kong, considerado um dos principais centros de contrabando de marfim, aprovaram ontem a proibição do comércio deste produto, utilizado em várias áreas, que entrará em vigor até 2021. A decisão era ansiosamente aguardada por ambientalistas depois de a abolição total das vendas de marfim da China ter entrado em vigor no final de 2017. A China já foi o primeiro mercado de destino do contrabando deste material de origem animal. “Fechar esse mercado massivo proporcionará uma oportunidade para a sobrevivência dos elefantes”, disse num comunicado Bert Wander, da organização nãogovernamental internacional Avaaz. “Hoje é um óptimo dia para os elefantes”, disse Alex Hoffard, do grupo WildAid Hong Kong.

listado Macau, Hong Kong, Taiwan e Tibete como países independentes num inquérito aos clientes. À excepção da Defesa e das Relações Externas, que são da competência exclusiva de Pequim, as Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e de Macau gozam de “um alto grau de autonomia”, são governadas pelas respetivas populações, mantêm as suas moedas e não pagam impostos ao governo central chinês, ao abrigo do princípio “um país, dois sistemas”. A noção de independência para aqueles territórios é, no entanto, denunciada por Pequim como sendo “contra a Constituição da China e a Lei Básica” das respectivas regiões.

REUTERS

Hong Kong proíbe comércio de marfim

ordenou a Muji a recolher e destruir os catálogos. No mesmo mês, diferentes reguladores chineses criticaram a marca têxtil espanhola Zara, a companhia aérea norte-americana Delta Air Lines, a fabricante de equipamento médico Medtronic e o grupo hoteleiro Marriott International por colocarem Taiwan como um país nos seus portais electrónicos. Frequentemente, a China comunista critica editoras de livros, mapas e outros materiais que se referem a Taiwan como um país. No caso do Marriott International, o grupo foi obrigado a suspender o seu portal electrónico e aplicativo na China, por uma semana, depois de ter

Standard Chartered disponibiliza títulos em moeda chinesa

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A China concedeu ontem uma licença ao banco britânico Standard Chartered para oferecer “obrigações panda” (denominadas na moeda chinesa, o yuan), no mercado de dívida chinês, a entidades internacionais não-financeiras, noticiou a agência oficial Xinhua. A decisão do Banco do Povo Chinês (banco central) coincide com a visita oficial da primeira-ministra britânica, Theresa May, a Pequim, onde reuniu com o homólogo chinês, Li Keqiang. A filial do Standard Chartered na China continental assegurará as emissões de alguns tipos de “obrigações panda” por entidades estrangeiras. Em Setembro passado, Portugal recebeu autorização do banco central chinês para fazer a primeira emissão de dívida no país asiático, através daquelas obrigações. Portugal poderá assim tornar-se o primeiro país da zona do euro a emitir títulos de dívida pública em moeda chinesa, segundo revelou à agência Lusa, em Pequim, o ministro português das Finanças, Mário Centeno.

Associação Económica Integral Regional vem aí

A China está disposta a fortalecer a comunicação e a coordenação com outros países, incluindo a Singapura, para concluir as negociações da Associação Económica Integral Regional (RCEP, na sigla em inglês) o mais cedo possível para contribuir para a integração económica regional. A porta-voz do MNE Hua Chunying fez estas declarações na terça-feira ao comentar as recentes declarações do ministro do Gabinete do Primeiro-ministro de Singapura, Chan Chun Sing, de que a máxima prioridade para a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a China em 2018 é concluir a RCEP. A conclusão da RCEP, numa data próxima, ajudará a impulsionar a confiança no desenvolvimento económico regional e global e promoverá o processo para atingir uma Zona de Livre Comércio da Ásia-Pacífico (FTA, na sigla em inglês), sublinhou Hua. A porta-voz indicou que a RCEP é o tratado mais significativo de livre comércio na região Ásia-Pacífico, destacando que depois que o acordo for alcançado, a zona de livre comércio será a mais populosa, diversa e energética no mundo. A RCEP é um esquema de FTA composto pelos membros da ASEAN e seus seis parceiros na FTA (China, Austrália, Índia, Japão, República da Coreia e Nova Zelândia). Hua acrescentou que a China sempre dá grande importância às negociações sobre a RCEP, e apoia de maneira firme o papel vital e de liderança da ASEAN nas conversações.

Guantánamo “Extremamente estúpido”

BRASIL LULA MANTÉM LIDERANÇA NAS SONDAGENS

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ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva manteve a liderança na corrida eleitoral com 37% das intenções de voto depois de ter sido condenado por corrupção em segunda instância, segundo a sondagem divulgada ontem pelo Instituto Datafolha. O levantamento foi realizado em 29 e 30 de Janeiro, dias depois de três juízes do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), de Porto Alegre, consideraram Lula da Silva culpado dos crimes de corrupção e branqueamento de capitais e aumentaram a sua pena de nove anos e meio para 12 anos e um mês de prisão. Apesar de liderar a sondagem para as próximas presidenciais, previstas para Outubro, a participação do ex-Presidente na corrida eleitoral está em risco porque uma legislação eleitoral do país

chamada popularmente de “lei da ficha limpa” proíbe a participação em eleições de candidatos condenados em segunda instância. A pesquisa Datafolha também indicou que num cenário sem Lula da Silva o candidato conservador de direita Jair Bolsonaro lidera com 18% das intenções de voto, seguido da ambientalista Mariana Silva (13%) e do ex-governador Ciro Gomes (10%). O Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o apresentador de televisão Luciano Huck aparecem depois, tecnicamente empatados, com 8% das intenções de voto. A sondagem mostra ainda que Jairo Bolsonaro estagnou e possivelmente perderia na segunda volta se enfrentasse Marina Silva, que teria 42% dos votos contra 32% do candidato conservador. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para cima ou para baixo.

O Presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva para manter aberta a prisão militar dos Estados Unidos em Guantánamo, revertendo assim o esforço do seu antecessor em encerrá-la. Donald Trump deixou claro durante a sua campanha que queria que a prisão de Guantánamo permanecesse aberta, apesar de ainda não ter enviado nenhum detido para aquelas instalações. A ordem, que Trump assinou na terça-feira, antes do seu primeiro discurso do Estado da União, salienta que os Estados Unidos mantêm a opção de manter aberta a prisão para proteger a segurança nacional. “Não tenho dúvidas de que grupos terroristas como o EI vão aplaudir o anúncio de Trump, do que é agora a política formal dos Estados Unidos: deter os muçulmanos para sempre sem acusação numa prisão ‘offshore’”, disse o advogado J. Wells Dixon, do Centro para os Direitos constitucionais. “Manter Guantánamo aberto é politicamente conveniente, mas extremamente estúpido, não importa como você olha para ele”, disse.

Hoje Macau 1 FEV 2018 #3985  

N.º 3985 de 1 de FEV de 2018

Hoje Macau 1 FEV 2018 #3985  

N.º 3985 de 1 de FEV de 2018

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