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SEXTA-FEIRA 1 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3947

hojemacau

GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

O PRIMADO DE QUE LEI? GRANDE PLANO

CAÇA AO MÉDICO MAGRITTE

AMNÉSIA

h ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO PUB

LAG

Alexis mostra o que vale O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura é o que apresenta mais trabalho, mais soluções e mais ideias. Da Saúde à Cultura, passando pela Educação e o Turismo, quem o ouve até se arrisca a pensar que este Governo trabalha.

PÁGINAS 4-5

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ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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PÓS o discurso da secretária Sónia Chan na abertura da conferência académica internacional sobre direito processual civil de Macau, subiu ao palco o vice-director do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM. Chen Sixi começou por referir a necessidade de “impulsionar a unificação da China”, à luz da “nova Era de socialismo chinês” saído do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês. A discursar perante uma plateia de juristas e académicos, Chen Sixi fez questão de vincar o compromisso com o “cumprimento rigoroso da Constituição e Lei Básica de Hong Kong e Macau”, assim como empenho em assegurar a estabilidade das duas regiões administrativas especiais. De seguida, o vice-director do Gabinete de Ligação referiu as fortes ligações entre a lei portuguesa e a legislação local, adiantando que “depois da transferência houve um grande desenvolvimento” que implica a necessidade de “rever a lei para a adequar à nova realidade”. Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau, entende que o “19º Congresso abriu uma nova Era que implica mudanças para a construção dos grandes objectivos definidos”. Quando interrogado sobre como interpretou as palavras do vice-director do Gabinete de Ligação, Neto Valente diz que “é preciso saber do que se está a falar”. O advogado revela que ainda não conhece as alterações previstas para os códigos processuais, neste momento em fase de estudo, mas que “para alterar um código com a relevância de um código de processo civil é preciso saber-se muito de Direito, não é algo que se faça em duas penadas”. Fazer alterações profundas num código que regula todas as fases processuais requer uma “evolução lenta”. Neto Valente dá o exemplo de algumas regras que “hoje existem no Código Civil que têm centenas de anos de sedimentação”.

MATRIZ LUSA

O ordenamento jurídico de Macau foi fortemente influenciado pelo direito português. Por exemplo, o Código de Processo Penal

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JUSTIÇA

DECLARAÇÕES TRAZEM FANTASMA DA EROSÃO DA INFLUÊNCIA PORTUGUESA

DIREITO POR LINHAS TORTAS O vice-director do Gabinete de Ligação do Governo Central, Chen Sixi, proferiu declarações vagas sobre a revisão legal que Macau tem de fazer para se adequar à realidade trazida pela transferência e desenvolvimento rápido do território. Outra das questões que marca a erosão da influência lusa na justiça prende-se com, cada vez menos, existirem juízes portugueses nos tribunais de Macau

foi elaborado por Figueiredo Dias, uma solenidade jurídica em Portugal. Pedro Leal, que exerce advocacia em Macau há 30 anos, é da opinião de que o vice-director do Gabinete de Ligação “deu uma no cravo e outra na ferradura”, algo que entende como muito típico na cultura chinesa.

“Depois da transferência houve um grande desenvolvimento” que implica a necessidade de “rever a lei para a adequar à nova realidade.” CHEN SIXI VICE-DIRECTOR DO GABINETE DE LIGAÇÃO

No entanto, o causídico não espera grandes alterações nos códigos de processo penal, principalmente que cortem a matriz portuguesa do direito local. “Se a ideia é cortar e ser um direito de matriz chinesa, isso vai demorar muitos anos. Algo que só é possível se for feito de uma forma gradual”, comenta. Um dos aspectos onde Pedro Leal vê o desaparecimento da influência lusa é na substituição de juízes portugueses que saem do território e que são substituídos por magistrados mais inexperientes e formados localmente. “Havia uma boa dezena de juízes portugueses e deixou de haver, por alguma razão será”, recorda. O advogado entende que “há uma espécie de um complexo de inferioridade de quem manda em Macau que não quer, pura e simplesmente, que venham juízes ou magistrados portugueses”. Como se formam juízes no território, a necessidade de “importar” magistrados de Portugal não se coloca nas mais altas esferas judiciais. Outro problema fundamental prende-se com a morosidade e dificuldade de formar juízes. O processo é longo e é necessário ganhar calo para melhor administrar a justiça. Além disso, quando um magistrado português abandona o território, ou a profissão, a sua substituição não é imediata. Um episódio que aconteceu recentemente, quando uma magistrada portuguesa saiu do território sendo substituída quatro me-

ses depois ilustra bem a situação. Ou seja, durante esse período os processos desse juízo estiveram parado, uma situação que revela clara falta de recursos humanos.

VELHA HISTÓRIA

António Katchi foi um dos juristas que testemunhou os primeiros dias de RAEM. “Lembro-me bem de, já nessa altura, diferentes personalidades, incluindo deputados, afirmarem que a legislação de Macau era obsoleta e que era necessário proceder a uma ampla e profunda revisão”, recorda. O advogado evoca os tempos em que a pasta da Administração e Justiça estava

“Para alterar um código com a relevância de um código de processo civil é preciso saber-se muito de Direito, não é algo que se faça em duas penadas.” JORGE NETO VALENTE ADVOGADO


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GCS

nas mãos de Florinda Chan, quando se “chegou a elaborar planos de reforma legislativa que mais pareciam planos de produção de uma fábrica”. Um dos fios condutores desses projectos, que não chegaram a ver a luz do dia, era a desconsideração perante o facto de que “grande parte dos diplomas legais de Macau datava de finais dos anos 1990 e havia passado pelo crivo do Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês”. António Katchi entende que o ramo que escapou ao processo de actualização nessa altura foi o direito do trabalho. “Nesse domínio, a oligarquia de Macau e a casta dirigente do Partido Comunista Chinês nunca quiseram que se mexesse, a não ser para degradar ainda mais a posição jurídica do trabalhador”, teoriza o jurista. O facto é que para uma alteração tão significativa ao ordenamento jurídico local constituiria uma violação da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, algo que realizado unilateralmente seria um atropelo ao direito internacional, uma vez que a China se comprometeu a manter inalteráveis as leis

“Há uma espécie de um complexo de inferioridade de quem manda em Macau que não quer, pura e simplesmente, que venham juízes ou magistrados portugueses.” PEDRO LEAL ADVOGADO

fundamentais e o sistema jurídico de Macau até Dezembro de 2049. Neste contexto, António Katchi entende que “as palavras de Chen Sixi correspondem a uma velha ladainha que só ganharão algum interesse se, e quando, vierem a adquirir um conteúdo mais definido”. Uma coisa é certa: qualquer interferência mexe com os elementos identificadores do sistema legal de Macau. O direito de todos os países e regiões onde houve administração lusa, como por exemplo Cabo Verde,Angola, Moçambique, Guiné e Macau, são de matriz portuguesa. Jor-

ge Neto Valente entende que assim terá de continuar a ser em Macau, “sob pena de se destruir e perder a identidade” do ordenamento local.

BOM PARTIDO

A China não tem uma separação de poderes nítida, confluindo tudo na unidade partidária. Por exemplo, um sector do Partido Comunista Chinês tem o poder para interpretar leis, tal como faria um Tribunal Constitucional. Por cá, aquando das divergências interpretativas quanto à Lei de Terras, o Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular pronunciou-se sobre a matéria concluindo que o diploma legal não infringia a Lei Básica. O caso ganha outros contornos políticos tendo em conta que quem deu a notícia foi Ho Iat Seng. À altura, o presidente da Assembleia Legislativa argumentou que o projecto da Grande Baía Guangdong–Hong Kong– Macau era uma oportunidade demasiado apetecível para o território e que deveria ser prioritária face a questões de natureza jurídica. Independentemente do crescimento do primeiro

“As palavras de Chen Sixi correspondem a uma velha ladainha que só ganharão algum interesse se vierem a adquirir um conteúdo mais definido.” ANTÓNIO KATCHI ADVOGADO

sistema, ou da falta de juízes portugueses a decidir em Macau, há uma vontade conjunta entre juristas e a secretária para a Administração e Justiça: a simplificação do processo judicial. Essa é uma das prioridades da reforma legal, de acordo com Sónia Chan, de modo a elevar a eficiência processual e a elevar a protecção dos direitos e interesses de quem busca justiça nos tribunais. João Luz

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4 LAG ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

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LEXIS Tam não duvida dos cuidados de saúde prestados no território e, no que respeita ao atraso na construção do Hospital das Ilhas, reitera que a situação está sob a tutela das Obras Públicas. No entanto, o secretário tem um plano alternativo. “Enquanto o hospital não funcionar o Governo vai continuar a apostar na melhoria dos serviços que estão activos”. Para o efeito, está na calha a contratação de médicos de Portugal. “Vamos celebrar um

GOVERNO VAI CONTRATAR 31 MÉDICOS A PORTUGAL

Plano alternativo GCS

Os atrasos na construção do Hospital das Ilhas e o sistema de saúde local dominou parte do debate de ontem das Linhas de Acção governativa da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura. Alexis Tam afirma ter um plano alternativo enquanto o hospital não está pronto e que passa pelo melhoramento dos serviços já existentes. Para o efeito, o Governo vai contratar médicos em Portugal

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Mais do que olhar para um hospital em construção, Alexis Tam considera pertinente ter em conta o desenvolvimento dos serviços que já existem

acordo com Portugal para trazer mais médicos portugueses para trabalharem aqui”, apontou ontem no debate das Linhas de Acção Governativa da sua tutela. A ideia é não só poderem exercer a sua actividade nas instalações de saúde de Macau, mas servirem ainda de “mestres dos médicos locais que já frequentam formações no exterior para melhor a qualidade do nosso sistema de saúde”, explicou. A revelação foi prestada quando de uma resposta dada ao deputado

Ho Ion Sang que, depois de referir a importância da tutela do secretário que tem a seu cargo “todo o que diz respeito à população desde que nasce até que morre” e de apelidar Alexis Tam de “secretário one stop”, pediu satisfações relativamente aos atrasos sucessivos na construção do Hospital das Ilhas. Para o deputado, está em causa a qualidade do sistema de saúde do território. De acordo com Alexis Tam é prioridade do Governo continuar a injectar mais verbas no sector de

modo a promover um “desenvolvimento saudável e qualitativo”. Mais do que olhar para um hospital em construção, Alexis Tam considera pertinente ter em conta o desenvolvimento dos serviços que já existem e que têm vindo a crescer e a ser internacionalmente reconhecidos. O secretário avançou ainda com medidas que já estão em prática “antes do hospital funcionar”. “Já temos três centros de saúde que funcionam até à meia-noite e já há muitas especialidades no hospital

de São Januário a trabalhar ao fim-de-semana”, explicou.

PROBLEMAS ALHEIOS

Por outro lado, não cabe à sua tutela a responsabilidade dos atrasos actuais da obra. “Quero reiterar o seguinte: nós somos utilizadores e não somos os serviços competentes pelas obras. Por isso, não conseguimos muitas vezes controlar o processo de evolução das empreitadas ou o calendário de construção mas sabemos que, até ao fim do mandato, teremos algumas coisas prontas”, frisou. Já o director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion, fez saber que, no que respeita ao Hospital das Ilhas, os serviços estão a fazer o que podem e contam para o efeito com a ajuda de profissionais experientes do estrangeiro. “Convidámos hospitais da China para ajudar a gerir o processo, convidámos dois hospitais de Hong Kong, convidámos uma universidade chinesa e uma empresa dos Estados Unidos para nos ajudar a fazer concepção arquitectónica do bloco operatório e de oncologia”, referiu. Lei Chin Ion adiantou ainda, quando questionado acerca dos serviços de saúde inteligentes, que além da partilha de metadados clínicos entre instituições de saúde, a ideia tem que ver com aplicações informáticas que as pessoas podem utilizar e que as ajudam a monitorizar o seu estado físico. Para desenvolver essas aplicações, o responsável já teve uma reunião com Jack Ma, dono da Alibabá, acerca deste tipo de sistemas. Entretanto, está a ser finalizada a proposta de lei relativa à qualificação para o exercício de actividades no sistema de saúde, avançou o director dos SS ao mesmo tempo que admitiu a possibilidade do Governo pensar num seguro para a população, sendo que, alertou, “é uma questão complicada”. Sofia Margarida Mota

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ALEXIS TAM QUER TORNAR O REGIME DE PREVIDÊNCIA OBRIGATÓRIO

LICENÇAS PARA RESTAURAÇÃO PODEM SER COORDENADAS PELO SECRETÁRIO

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secretário para os assuntos sociais e cultura, Alexis Tam, espera que o regime de previdência não obrigatório, que está agora em análise na especialidade, passe a obrigatório. “Agora não é obrigatório mas no futuro espero que passe a ser de modo a abranger mais pessoas”, apontou o secretário, ontem, na apresentação das Linhas de Acção Governativa da sua tutela. Para já há que lidar com o que está em análise e de forma a garantir a sua eficácia, Tam refere que já foram dados incentivos às empresas para que adiram à iniciativa, sendo que “a parte laboral só contribui 5 por cento”.

Apesar de satisfeitos os deputados ainda têm dúvidas e pretendem que a secretaria tutelada por Alexis Tam venha a fazer mais esforços nomeadamente junto das operadoras de jogo. Para Ng Kuok Cheong, Macau vive agora uma “boa situação económica, pelo que alerta para a possibilidade de estabelecer este mecanismo de forma regular. Com os incentivos às empresas, o secretário respondeu ainda a Joye Lao que questionava acerca das iniciativas que o Governo pretende levar a cabo para atrair a adesão das empresas. Para o deputado, trata-se “de um assunto delicado porque envolve a harmonia entre empregadores e empregados”. S.M.M.

STÁ em curso a revisão de dois diplomas relativos à emissão de licenças em que “um diz respeito as agências de viagens e outro a hotéis, bares e restaurantes”. A ideia foi avançada ontem pela directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, no debate das Linhas de Acção Governativa da secretaria para os assuntos sociais e cultura. A ideia é que os documentos passem a

ter a coordenação desta secretaria no processo de emissão. “Já preparámos a proposta de alteração e vamos prever a hipótese de emitir uma licença provisória”, disse Helena de Senna Fernandes. Actualmente, sem o parecer de outros serviços, a DST não consegue emitir licenças pelo que na proposta que está na mesa, a ideia é delimitar o tempo dos restantes serviços para emissão de pareceres. “Se

esse prazo não for cumprido, vamos considerar que estão a favor”, referiu. Alexis Tam reforçou a importância da sua tutela coordenar o processo de emissão de licenças na área da restauração, num momento em que é preciso atrair o investimento no sector de forma a que seja diversificado, tendo em conta a classificação do território como cidade criativa na área da gastronomia. S.M.M.


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CANÍDROMO VAI ACOLHER QUATRO NOVAS ESCOLAS

Dos galgos às crianças

O espaço ocupado pelo Canídromo já tem destino marcado. A ideia é a construção de quatro escolas inseridas no projecto Céu Azul. O plano já foi entregue pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude às Obras Públicas. A garantia foi dada pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam

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OMEÇAM a ser conhecidas as finalidades do espaço onde actualmente funciona o Canídromo de Macau. A primeira foi ontem dada a conhecer pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, no debate sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) na sua tutela para 2018. O Governo quer construir quatro novas escolas, no âmbito do projecto Céu Azul. Mais do que palavras, passaram-se aos actos, tendo o projecto sido já apresentado às Obras Públicas pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). “Estou muito feliz porque, quanto ao Canídromo, já apresentámos, através da DSEJ, o plano para a sua ocupação com a construção de quatro escolas, sendo que uma delas será uma escola de ensino especial”, anunciou o secretário. O projecto Céu Azul é a iniciativa governamental que tem por objectivo transferir as escolas que estão a funcionar em pódios para instalações adequadas. Se no início, há cerca de três anos, as expectativas relativamente ao seu término andavam entre os dez e vinte anos, agora o projecto parece poder ser concluído mais cedo. “O projecto foi apresentado há três anos e, nessa altura, tinha um

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AI entrar em acção, no próximo ano, o plano de criação do Centro de Intercâmbio Cultural Sino-lusófono. A informação foi adiantada ontem pelo secretário para os assuntos sociais e cultura, Alexis Tam, na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2018. O organismo pretende ser “um mecanismo de intercâmbio da cultura tradicional chinesa e as histórias de Macau”, disse o secretário. Para o efeito , apontou o secretário, cabe ao centro “a organização de reuniões de alto nível, de fóruns culturais e actividades artístico-culturais”.

prazo de dez a vinte anos para ser terminado porque não sabíamos que o Canídromo poderia ser revertido para o Governo ou outros, Por isso tínhamos de o encarar com cautela”, explicou o secretário.

TERRENOS BEM APROVEITADOS

Também os novos aterros da zona A poderão vir a acolher

temporariamente escolas que estejam em pódios, enquanto as instalações definitivas não se encontrarem prontas. “Além de conseguir reaver terrenos e do Canídromo, temos projectos para a zona A . Queremos ter edifícios temporários para escolas que ainda estejam em pódios”. A ideia é que sejam instalações

“Estou muito feliz porque, quanto ao Canídromo, já apresentámos, através da DSEJ, o plano para a sua ocupação com a construção de quatro escolas, sendo que uma delas será uma escola de ensino especial”

temporárias até que exista uma solução definitiva. podem ter de ficar novamente temporariamente em edifícios nestes aterros”, adiantou Alexis Tam. O secretário, visivelmente satisfeito, considera agora que o projecto Céu Azul reúne condições para terminar muito mais cedo do que o previsto. “Este projecto não vai mais durar de dez a 20 anos e vai ser mais rápido. Os resultados são muito positivos”, apontou. Desta forma, o secretário respondeu às questões colocadas por Ho Ion Sang, Chan Hong e Lam Lon Wai. Ho Ion Sang perguntava se a secretaria tutelada por Alexis Tam “tinha reservado espaço para escolas nos novos aterros da zona A”, Chan Hong queixava-se de que ainda existem 11 escolas a funcionar em condições precárias e Lam Lon Wai sugeria que o Canídromo fosse um espaço a ter em conta para a instalação de projectos educativos sendo que se trata de um local que ficará disponível no próximo mês de Julho, altura em que termina o contrato de concessão de exploração à empresa Yat Yuen.

ALEXIS TAM SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

Macau vai ter um Centro de Intercâmbio Cultural Sino-lusófono

ATENÇÃO À DIFERENÇA

“Concordo com a coexistência de culturas desde que a cultura chinesa seja a dominante”, começou por dizer o deputado Pang Chuan. Para o tribuno, trata-se de uma questão de confiança na própria

cultura “que é muito rica e afecta muitos países”. De acordo com Pang Chuan, Macau tem uma situação privilegiada no que respeita a coexistência cultural, mas o importante, referiu, é saber como é que se pode salientar a cultura chinesa, pelo que, pediu mais informações a Tam acerca do centro a ser criado. A ideia é partilhada por Joye Lao. O deputado considera que “ ainda não foi pormenorizada mais in-

O Fundo de Segurança Social do Governo está de boa saúde e oferece garantias para o futuro. “Neste momento não há grandes problemas quanto à sustentabilidade do FSS, esta estável”, referiu Alexis Tam, ontem, no debate das Linhas da Acção Governativa. Vários deputados manifestaram a sua preocupação relativa à sobrevivência dos idosos no território e à capacidade do Governo em manter as ajudas a esta faixa da população que tende a crescer. O deputado Lei Chan U questionou o secretário para os assuntos sociais e cultura acerca da sustentabilidade do FFS. Alexis Tam esclareceu com números: “o FSS já totaliza, neste momento, três mil milhões de patacas”.

Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

Finalmente há luar A ideia pareceu agradar aos deputados, sendo que houve quem salientasse a importância da preservação da cultura chinesa enquanto matriz dominante.

Fundo de Segurança Social está estável

formação acerca desta base de cooperação e diálogo tendo a cultura chinesa como dominante e tendo em conta

a coexistência de outras culturas”. Para o deputado é necessário saber que planos estão a ser pensados até porque, salienta, “Macau é uma cidade em que coexistem várias culturas, temos uma base cultural muito sólida e podemos aproveitar ao máximo esta situação e articular a situação com o desenvolvimento económico local”. Alexis Tem respondeu: “Tive uma conversa hoje com o ministro da cultura da China a esse respeito”, disse. A criação do centro de intercâmbio insere-se nas políticas do momento e o próprio “presidente Xi Jinping testemunhou uma

cerimónia de assinatura de acordos da região metropolitana da Grande Baía por ser uma boa plataforma pela coexistência de culturas”, apontou Tam. Por outro lado, “os portugueses chegaram cá há mais de quatro séculos pelo que acumulamos várias culturas. O ministro da cultura chinês também elogiou a cultura local e podemos desempenhar o papel de plataforma não só na Grande Baía como na política “Uma Faixa, Uma Rota”, como tal “vamos criar este Centro de Intercâmbio Cultural Sino-lusófono”. S.M.M.


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Depois das muitas manifestações, e de candidatura às eleições legislativas, os lesados do Pearl Horizon pretendem entrar na corrida a um lugar na Assembleia Popular Nacional

LESADOS DO PEARL HORIZON COM CANDIDATO À ASSEMBLEIA POPULAR NACIONAL

O passo seguinte

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EPOIS de não terem conseguido eleger qualquer deputado nas últimas eleições para a Assembleia legislativa, os lesados do caso Pearl Horizon focam-se noutro alvo político. O novo objectivo passa pela corrida às eleições dos delegados de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN). A mensagem foi confirmada com o presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, que contou ao HM, estar disponível para ser candidato. Até 6 de Dezembro, os interessados nas eleições a delegados de Macau à APN podem apresentar candidatura, algo que requer a entrega de 10 cartas de nomeação dos membros o sufrágio. Na próxima segunda-feira, os lesados vão ao Centro de Ciência de Macau para adquirir o boletim de inscrição e apresentar uma carta ao vice-presidente do Comité Permanente da APN. O objectivo da candidatura às eleições passa, naturalmente, por levar as queixas da União Geral dos Proprietários

do Pearl Horizon aos membros do Governo Central.

CHEGAR-SE À FRENTE

Kou Meng Pok, presidente da associação, revelou ao HM que o nome do candidato não está confirmado e que os membros da união ainda não decidiram quem será o representante. No entanto, o próprio presidente manifestou estar disponível.

“Para já vamos tirar o boletim de candidatura. Caso tenha esta oportunidade, posso ir sem problema”, disse o presidente, acrescentando que a decisão da associação é a demonstração de que não vão desistir enquanto não for encontrada uma resolução para as suas exigências. Relativamente ao requerimento das 10 cartas de nomeação necessárias para entrar na corrida de eleição, Kou Meng Pok tem confiança que

é exequível, tendo entendido que de entre os membros com poder para nomear candidatos, alguns são também lesados de Pearl Horizon. Apesar de não saber o número concreto de lesados nas reuniões, o presidente referiu que já está a enviar mensagens nos grupos de conversa através de telemóvel para obter nomeações suficientes dos membros. Caso seja eleito como delegado de Macau à APN, o presidente

Deputados incentivam Governo a investir

AUMENTO DOS CUSTOS

Por contraste, Chan Chak Mo revelou, que durante a reunião Lionel Leong apresentou os ganhos para os primeiros noves meses do ano. Nesta altura as agências internacionais contratadas pelo Executivo estão a gerar ganhos de 10 mil milhões de patacas, com os valores referência dos mercados a serem novamente ultrapassados. “Os deputados consideram que se deve encorajar o Governo a continuar com estas operações, porque quando se investe em produtos com menor risco,

também os ganhos são muito menores. Estes investimentos têm um retorno muito melhor”, afirmou o presidente da comissão. O deputado garantiu ainda que o Governo e os membros da Assembleia Legislativa vão acompanhar de perto a carteira de investimento, e que os gestores que apresentarem piores performances não terão os seus contratos renovados. Ontem, a comissão continuou a analisar o Relatório Sobre a Execução do Orçamento do ano passado, contando com a presença do Executivo para esclarecer alguns pontos. Uma das questões que teve de ser melhor explicada foi o aumento dos custos com o pessoal de 7,1 por cento. Os representantes do Governo, encabeçados por Lionel Leong, justificaram o aumento com a contratação de mais funcionários para as áreas da Saúde e Segurança. J.S.F.

O deputado Mak Soi Kun interpelou o Governo sobre o caso Pearl Horizon, questionando o trabalho levado a cabo pelo grupo de trabalho coordenado por três secretários do Executivo. O deputado lembrou que, em 2015, o Chefe do Executivo havia garantido que o grupo já tinha feito um grande volume de trabalho ao analisar as leis, tendo sido consultada a opinião do procurador do Ministério Público. Contudo, Mak Soi Kun revelou que a demora de dois anos na resolução do caso está a gerar consequências negativas junto da sociedade. Mak Soi Kun espera, por isso, que o Governo continue a acompanhar o caso, sem que apresente sempre a mesma justificação de espera de uma decisão da parte dos tribunais. TIAGO ALCÂNTARA

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“Os números foram negativos em 2016, mas a performance dos gestores foi considerada positiva. Os investimentos nem sempre são fáceis, porque os mercados podem ser imprevisíveis, mas as empresas gestoras contratadas pelo Governo conseguiram resultados acima dos valores de referência internacionais”, explicou.

Vítor Ng

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Pearl Horizon Mak Soi Kun questiona atraso na solução do caso

Governo perdeu 500 milhões em 2016, mas este ano já lucra 10 mil milhões

S deputados da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa incentivaram o Governo a investir parte das reservas do território em acções nos mercados internacionais, através de agências independentes, mesmo depois de terem sido registadas perdas de 500 milhões de patacas, em 2016. A explicação foi avançada por Chan Chak Mo, presidente da Comissão, após uma reunião da comissão, onde esteve presente o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. Segundo Chan, a tendência negativa já foi invertida nos primeiros nove meses deste ano, e os ganhos cifram-se em 10 mil milhões de patacas. “Todos os deputados estão de acordo que se deve continuar a investir nos mercados, mesmo depois dos gestores contratados pelo Governo terem gerado prejuízos de 500 milhões de patacas, em 2016”, afirmou Chan Chak Mo.

considera que, como a situação mexe com os interesses gerais da sociedade, o caso deve ser resolvido com prioridade. “O caso arrasta-se há dois anos, e já não podemos esperar mais, por isso, optamos por este meio para contar este incidente injusto ao Governo Central”, disse Kou Meng Pok ao HM.


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O comunicado enviado à bolsa de valores aponta que a Future Bright Holdings fica exonerada “de todas as responsabilidades decorrentes da incapacidade” de cumprir as datas previstas para a construção das fundações

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depu tado Chan Chak Mo pode, finalmente, respirar de alívio. A empresa de que é accionista, a Future Bright Holdings, chegou a acordo com o Comité Administrativo para o Planeamento e Desenvolvimento de Terras de Zhuhai e ficou “exonerada” do pagamento de multas diárias de 628 mil yuan. A informação foi comunicada ontem aos accionistas e à bolsa de valores de Hong Kong. A empresa corria o risco do pagamento de multas devido aos atrasos na construção das fundações do futuro empreendimento comercial, a ser erguido num terreno em Hengqin. O contrato assinado com as autoridades do interior da China obrigava a Bright Sucess Property, uma subsidiária da Future Bright Holdings, a obter uma licença para a construção das fundações até 28 de Novembro de 2015. Contudo, a empresa teve de esperar pela aprovação do projecto por parte das autoridades da Ilha da Montanha.

ILHA DE HENGQIN FUTURE BRIGHT HOLDINGS JÁ NÃO VAI PAGAR MULTAS

Atraso perdoado

A empresa Future Bright, do deputado Chan Chak Mo, já não vai ser obrigada a pagar multas por atrasos no desenvolvimento de um terreno na Ilha de Hengqin. O acordo suplementar assinado determina que o empreendimento comercial deva estar concluído em 2020 Este atraso poderia ter originado uma quebra do contrato e o pagamento das referidas multas, mas a empresa sempre contestou esta acusação, apontando que tudo se deveu ao longo período de tempo gasto com trocas de ideias sobre o projecto, com diferentes departamentos governamentais. Em causa estaria também o facto do terreno ser demasiado macio naquela zona, o que obrigou

os responsáveis pela obra a um trabalho extra.

SEM RESPONSABILIDADES

O comunicado enviado à bolsa de valores aponta que a Future Bright Holdings fica exonerada “de todas as responsabilidades decorrentes da incapacidade” de cumprir as datas previstas para a construção das fundações, conforme estava no contrato

inicial assinado a 12 de Janeiro de 2015. O projecto, que deverá ter mais de 50 restaurantes e lojas, deve agora cumprir os seguintes prazos: até 31 de Julho do próximo ano os trabalhos de fundações e solos devem estar concluídos, sendo que até 31 de Julho de 2019 a estrutura principal do edifício também deve estar terminada. O acordo suplementar assinado prevê que

o espaço comercial deva abrir ao público em 2020. O empresário e deputado pagou, em 2014, o valor de 260 milhões de dólares de Hong Kong pelo terreno que fica situado no parque de cooperação Guangdong-Macau. Prevê-se que o projecto custe, no total, à Future Bright Holdings o valor de 1,1 milhões de dólares de Hong Kong. O período de concessão do terreno é de 40 anos. Este empreendimento ligado ao sector da restauração é um dos 33 projectos de Macau anunciados pelo Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM). O delegado de Macau à Assembleia Popular Nacional, Lao Ngai Leong, pretende desenvolver um centro de produção multimédia de grandes dimensões, chamado “i CITY Hong Kong-Macau”, que deverá custar mais de dois mil milhões de yuan. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

JUSTIÇA PROTOCOLO COM A ORDEM DOS ADVOGADOS DE PORTUGAL NO HORIZONTE

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presidente da Associação dos Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, está optimista e entende que “não faltará muito” para reafirmar o protocolo com a Ordem dos Advogados de Portugal. “Ainda falta alguma coisa, mas do nosso lado

está resolvido”, explica. Neto Valente encontrou-se com o bastonário Guilherme Figueiredo num seminário no Porto, sendo o protocolo um dos temas na agenda. A conversações continuam a seguir o seu caminho, mas estão ainda

presas pela mesma questão. A Ordem dos Advogados tem regras próprias quanto à admissão, o que complica as relações que mantém com profissionais de países de língua portuguesa, em especial o Brasil. Ao longo de 2017 cerca de

quatro centenas de juristas brasileiros mostraram interesse em ir para Portugal. Como o Brasil tem uma oferta incomportável com o pequeno mercado português, a Ordem dos Advogados tenta manter algum equilíbrio. Além

disso, normas jurídicas europeias permitem o estabelecimento em Portugal de advogados oriundos de países da União Europeia. Como tal, a organização portuguesa não pode regular a admissão de advogados de Macau, Angola,

Brasil, de forma diferente. Ainda assim, Jorge Neto Valente procura junto da Ordem dos Advogados portuguesa “um modo em que os advogados de Macau sejam tratados de maneira especial em relação ao resto do mundo”. J.L.


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ASAS novas para jovens alunos. Os últimos subsídios concedidos pelo Fundo de Desenvolvimento Educativo (FDE), da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), referentes ao ano lectivo de 2016/2017 destinaram-se sobretudo à reparação das instalações das escolas privadas. Uma das instituições beneficiadas com este apoio financeiro foi a Escola Portuguesa de Macau (EPM), que recebeu mais de 2,7 milhões de patacas, para, entre outros projectos, financiar reparações no edifício. Esse montante não foi, contudo, destinado a reparar os estragos causados pelo tufão Hato. “Essas reparações não estão incluídas nesse montante, mas fizemos um relatório de tudo o que ficou danificado, acompanhado de fotografias com as despesas todas. Foi enviado para a DSEJ e, tal como as outras escolas, estamos à espera que nos digam alguma coisa”, adiantou Zélia Mieiro, vice-presidente da escola, ao HM. O FDE atribuiu, no entanto, valores bem mais chorudos

O outro lado da fronteira

TIAGO ALCÂNTARA

O Fundo de Desenvolvimento Educativo concedeu vários milhões para obras de reparação em várias escolas privadas. A Escola Portuguesa de Macau foi uma das contempladas, tendo recebido mais de dois milhões de patacas. Este dinheiro não foi, contudo, destinado aos estragos causados pelo Hato

Desigualdade económica na China é um problema

U EDUCAÇÃO DSEJ FINANCIA OBRAS EM VÁRIAS ESCOLAS

Paredes do nosso contentamento para outras escolas privadas. A Escola da Associação Geral das Mulheres de Macau recebeu mais de cinco milhões de patacas para as “obras de construção do novo edifício escolar”, respeitante à sexta fase do projecto, revelam dados publicados em Boletim Oficial. Já a Escola de Santa Madalena recebeu cerca de dois milhões de patacas para o mesmo fim, tal como a Escola Nocturna Xin Hua (2,9 milhões), a Escola Fong Chong da Taipa (1,5 milhões) ou a Escola Secundária Técnico-Profissional da Associação Geral dos Operários de Macau, que recebeu pouco mais de nove milhões de patacas como “subsídio para obras do edifício escolar”.

VIAGENS À CHINA

A EPM ganhou ainda do FED 685 mil patacas de subsídio no âmbito do “Plano de Desenvolvimento das Escolas” da DSEJ, dinheiro que serviu, entre outras

coisas, para financiar o “programa de visitas de estudo à Ilha de Hengqin”. Segundo explicou Zélia Mieiro, estas visitas de um só dia destinam-se a que os alunos de mandarim possam aprofundar a cultura e a língua que aprendem na sala de aula, afastando-se de quaisquer fins relacionados com a educação patriótica. “O objectivo destas visitas é para os alunos poderem praticar mandarim. O director de turma e o professor de mandarim acompanha os

alunos para que eles possam praticar a língua e, ao mesmo tempo, terem contacto com a realidade que está muito perto de nós.” Segundo adiantou Zélia Mieiro, a EPM não tem condições financeiras para levar os alunos a outros destinos na China. “Não temos possibilidade para isso [visitar outros locais na China], porque são visitas que envolvem muito dinheiro. Fazemos o que conseguimos fazer”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

M inquérito levado a cabo pela Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau, em parceria com a Associação de Pesquisa Sobre Juventude de Macau, concluiu que 45,6 por cento dos inquiridos considera que a desigualdade económica é um dos principais problemas da China. O inquérito foi realizado a cerca de 800 alunos de Macau e teve como objectivo conhecer o seu nível de conhecimento sobre o interior da China. Além da desigualdade económica, os inquiridos consideraram que questões como a imoralidade ou a falta de educação são outras das falhas. Cerca de 70 por cento dos alunos que responderam ao inquérito afirmaram que conhecem o interior da China através dos media e internet, sendo que 48,3 por cento sabe o que se passa nestas províncias chinesas graças à televisão e rádio. Apenas 42,2 por cento dos inquiridos realiza visitas ao continente. A associação referiu que mais de metade dos estudantes locais presta atenção ao que se passa na China, tendo um nível de conhecimento alto sobre a cultura, tradições, história e geografia da China. No entanto, continua a existir um grande desconhecimento em relação ao sistema político, economia e tecnologia na China. Os responsáveis pelo inquérito defenderam que se deve aproveitar os novos media e a internet, tal como plataformas de mega-dados para que se disponibilize mais informação sobre o interior da China junto dos alunos de Macau. Além disso, foi sugerido que se convidem artistas, atletas e cantores chineses para virem a Macau, devendo-se apostar ainda na criação de um mecanismo de comunicação de longo prazo entre os estudantes de Macau e do interior da China.

BO Escolhida empresa para construir centro de estágio de atletas A Companhia de Construção e Investimento Predial Ming Shun, Limitada será a responsável pela “empreitada de construção do Centro de Formação e Estágio de Atletas”. Segundo o despacho publicado em Boletim Oficial, a obra vai custar 1,182 milhões de patacas, valor que será pago até 2019. O novo

Centro de Estágio de Atletas vai nascer no parque de estacionamento da Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental, perto da Rua de Ténis. Ocupa um terreno com cerca de 12.400 metros quadrados e esta obra inclui os trabalhos de escavação e da colocação das estacas para a fundação.


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1.12.2017 sexta-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 767/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora YANG YAQING, portadora do Salvo-conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C18189xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 142.1/DI-AI/2015 levantado pela DST a 06.12.2015, e por despacho da signatária de 14.11.2017, exarado no Relatório n.° 775/DI/2017, de 08.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Xangai n.° 21-E, Edf. I Keng Fa Un, I Tou Kok, 15.° andar C, Macau.-----O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Destadecisãopodeainfractora,querendo,reclamarparaoautordoacto,noprazode15dias,semefeitosuspensivo,conformeodispostonon.°1doartigo148.°, artigo149.°en.°2doartigo150.°,todosdoCódigodoProcedimentoAdministrativo,aprovadopeloDecreto-Lein.°57/99/M,de11deOutubro.-----------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Novembro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 775/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor MA YUANFENG, portador do Passaporte da RPC n.° E52725xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 122/DI-AI/2015 levantado pela DST a 22.10.2015, e por despacho da signatária de 14.11.2017, exarado no Relatório n.° 784/DI/2017, de 07.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.° 28, Vista Magnifica Court, 12.° andar H, Macau onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo149.°en.°2doartigo150.°,todosdoCódigodoProcedimentoAdministrativo,aprovadopeloDecreto-Lein.°57/99/M,de11deOutubro.------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Novembro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 776/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora YANG YUEQING, portadora do Salvo-conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° W73083xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 122.1/DI-AI/2015 levantado pela DST a 22.10.2015, e por despacho da signatária de 14.11.2017, exarado no Relatório n.° 785/DI/2017, de 07.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.° 28, Vista Magnifica Court, 12.° andar H, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Destadecisãopodeainfractora,querendo,reclamarparaoautordoacto,noprazode15dias,semefeitosuspensivo,conformeodispostonon.°1doartigo148.°, artigo149.°en.°2doartigo150.°,todosdoCódigodoProcedimentoAdministrativo,aprovadopeloDecreto-Lein.°57/99/M,de11deOutubro.------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Novembro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 783/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora YE XIAOHUAN, portadora do Passaporte da RPC n.° E21703xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 153.2/ DI-AI/2015, levantado pela DST a 17.12.2015, e por despacho da signatária de 15.09.2017, exarado no Relatório n.° 661/DI/2017, de 01.09.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida Panorâmica do Lago Nam Van, n.° 744-S, Wu Keng Hou Teng, Bloco 3, 10.° andar C, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Novembro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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sexta-feira 1.12.2017

QUESTÕES SOBRE AUSÊNCIA DE MÉDICOS E JURISTAS PORTUGUESES

ERRO MÉDICO LEI CRITICADA POR NÃO INCENTIVAR PREVENÇÃO

Caça ao doutor

A

Lei do Erro Médico foi elaborada com o objectivo de procurar um culpado para trazer a público, sem pensar em prevenir essas ocorrências. A opinião foi expressa, ontem, pela jurista Vera Lúcia Raposo, durante uma conferência na Fundação Rui Cunha, com o tema A Lei do Erro Médico. “Não é uma lei preocupada em prevenir ou evitar erros médicos. Não está preocupada com isso, está preocupada em encontrar um médico culpado e apontar-lhe o dedo: ‘foi este que fez’”, afirmou Vera Lúcia Raposo. “Como paciente não me preocupo nada com isso, quero é que as coisas corram bem. Não quero que haja os erros provocados pelo sistema, que podem ser prevenidos. Mas só podem ser prevenidos se forem primeiro conhecidos, e depois estudados. A lei não quer saber disso”, considerou. Um dos pontos mais focado pelos oradores, que incluíram

D

colega fez, porque da forma como o regime aparece na lei, parece que a obrigação de notificar não diz respeito apenas ao que eu faço de errado, mas ao que o vizinho do lado faz”, apontou. “O regime está implantado de uma forma que temos médicos a vigiar médicos. Big Brother is watching you [O Grande Irmão está a ver-te]”, acrescentou.

INSULTOS AOS DEPUTADOS

também os jurista Paulo Cardinal, Rui Cascão, Mang Ten Iong e Luís Pessanha, foi o sistema de notificação. Este sistema obriga os médicos a reportarem o seus erros e dos colegas. “Se fosse profissional de saúde, em vez de estar mais preocupada em saber se estou a tratar do meu paciente como deve ser, ia estar a olhar por cima do ombro para ver se algum colega me está a ver a mim. E também a ver o que o

Por sua vez, Paulo Cardinal, jurista da Assembleia Legislativa, recordou que quando o diploma chegou pela primeira vez ao órgão legislativo, que continha diversas falhas. “Demoraram 12 anos a estudar esta proposta de lei. A proposta de lei, tal como entrou na Assembleia Legislativa, estava prenha de situações negativas, de regimes que não se entendiam, de soluções que inclusive colocavam em causa os tribunais”, começou por dizer o jurista. “Não é uma lei boa, ainda tem muitos erros, mas infelizmente o ponto de partida era absolutamenPUB

Lições do Norte

Comitiva chinesa de especialistas em tufões visita Macau

C

HEGOU ontem a Macau uma delegação de professores e especialistas liderada por Shan Chunchang, subdirector da Comissão Nacional para a Redução de Desastres e chefe do grupo de especialistas de gestão de resposta à emergência do Conselho de Estado. Segundo um comunicado oficial, a presença desta delegação no território “tem como objectivo ajudar o Governo a rever e aperfeiçoar o plano de resposta a grandes catástrofes”, à semelhança da presença dos especialistas da Comissão Nacional para a Redução de Desastres, em Setembro último. A visita serviu também para o Governo assinar um acordo com três instituições chinesas para a elaboração do relatório sobre a “avaliação conclusiva dos danos causados pela passagem do tufão Hato em Macau e propostas para o aperfeiçoamento do sistema de gestão de resposta a emergências de Macau”. Aequipa liderada por Shan Chunchang vai “proceder a

uma avaliação abrangente da experiência da passagem do tufão Hato e fazer o respectivo balanço”. Vão também ser desenvolvidas “propostas para o aperfeiçoamento do sistema de gestão de resposta a emergências de Macau”.

OS ESTUDOS A DESENVOLVER

“O relatório final vai examinar e destacar questões como a meteorologia, a suspensão de abastecimento de água e electricidade, [bem como] as inundações. Tem ainda o objectivo de enriquecer e aprofundar as recomendações sobre o mecanismo de prevenção, redução e resposta a catástrofes naturais.” Além disso, o documento a elaborar pelos especialistas da China visa “reforçar as infra-estruturas fundamentais e aperfeiçoar o mecanismo de cooperação e comunicação Guangdong, Hong Kong, Macau para responder a emergências”. O mesmo relatório pretende ainda “melhorar as capacidades de resposta a catástrofes classificadas como

‘grandes’ ou ‘imensas’, bem como os seus riscos”. Vão ser contempladas “ideias, resoluções e caminhos” para diversos projectos a implementar pelo Governo, tais como a “criação de uma plataforma de comando para operações de segurança e resposta a emergências na cidade”, o “projecto de estabelecimento de abrigos de emergência e de centros de transferência e realojamento”. O Executivo pretende também desenvolver uma “plataforma educacional para divulgação e popularização científica da segurança pública”, bem como “uma base para formação de equipas de salvamento especializadas”. Existe ainda o “projecto de construção de sistemas de drenagem, prevenção de inundações (efeitos da maré) nas imediações do Porto Interior”. Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, adiantou ainda ser necessário “reforçar o conhecimento sobre a segurança pública”. A.S.S.

urante a conferência, Paulo Cardinal levantou questões sobre a ausência de médicos e juristas portuguesas da Comissão de Perícia do Erro Médico. Cardinal questionou se não haverá pessoas capazes com nacionalidade portuguesa para integrarem a comissão. “Espantadamente vejo que na Comissão de Perícia do Erro Médico não há lugar para nenhum médico português. Presumo que serão todos não-peritos. Não percebo, pessoas com grande experiência médica, formação médica que se têm dedicado a estas questões não foram atendidas para estarem

te negativo, em diversos aspectos essenciais”, acrescentou. Entre as críticas apontadas ao documento original, Cardinal sublinhou duas situações: a ausência de referências à saúde do foro psíquico e o facto de só poder haver erro médico devido a acções e não a omissões dos médicos. Estas foram situações corrigidas, e Cardinal elogiou o papel do presidente da comissão que tratou do documento, o ex-deputado Cheang Chi Keong: “Foi uma pessoa que nunca baixou os braços

presentes na Comissão de Perícia do Erro Médico, do ponto de vista médico”, sublinhou o jurista. “Então a nível dos juristas, se há especialistas em Direito Médico em Macau, estão aqui nesta mesa, do meu lado esquerdo. Também não encontraram o caminho para poderem estar na comissão de perícia”, frisou. O presidente da Comissão de Perícia é médico legista O Heng Wa, responsável pelas autópsias do jovem português Luís Amorim, que foi encontrado morto em 2007, e de Lai Man Wa, antiga directora-geral dos Serviços de Alfândega, encontrada morta em 2015.

e que fez sempre questão de tentar conseguir o melhor possível para o ordenamento jurídico de Macau, para os pacientes e para os médicos”, apontou. “É uma lei claramente melhor do que resultaria se a proposta tivesse sido aprovada de uma maneira acrítica, sem intervenção, apoio da sociedade”, sublinhou. No entanto, o jurista frisou que pela primeira vez uma comissão foi insultada na imprensa chinesa. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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JOSÉ MIGU

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1.12.2017 sexta-feira

BRASIL ANA TERESA PEREIRA É A VENCEDORA DO PRÉMIO OCEANOS

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escritora portuguesa Ana Teresa Pereira foi escolhida ontem como vencedora do prémio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa de 2017, organizado anualmente pelo Itaú Cultural no Brasil, com o romance “Karen”. Em segundo lugar ficou o autor brasileiro Silvano Santiago, que concorreu com a obra “Machado”, seguido pelo poeta português Helder Moura Pereira, com o livro “Golpe de Teatro”. Fechando a lista de vencedores, em quarto lugar foram escolhidos dois autores, a poeta portuguesa Maria Teresa Horta, com o livro “Anunciações”, e o romancista brasileiro Bernardo Carvalho, com a obra “Simpatia pelo Demónio”. Ana Teresa Pereira nasceu no Funchal, Ilha da Madeira, onde vive. Publicou o primeiro livro em 1989, intitulado “Matar a imagem”, e desde então publica regularmente. Entre suas obras destacam-se “Se nos encontrarmos de novo”, vencedor do prémio PEN Clube na categoria Ficção, “A Neve, O Lago”, que obteve com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, para além de cerca de duas dezenas de títulos.

Nos finalistas do prémio encontravam-se quatro autores portugueses - Maria Teresa Horta, Helder Moura Pereira, Ana Teresa Pereira e Ana Margarida de Carvalho, com a obra que venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores/2016, “Não se pode morar nos olhos de um gato”. Na final estavam também os autores brasileiros Bernardo Carvalho, Elvira Vigna, Sérgio Sant’Anna, Silviano Santiago, Verônica Stigger e Victor Heringer. Este ano, o prémio Oceanos, que até 2014 se chamava Portugal Telecom, expandiu-se e passou a aceitar obras de escritores de língua portuguesa com livros publicados em qualquer país do mundo, aumentando a amplitude da sua actuação. A organização também passou a aceitar inscrições de livros de poesia, prosa de ficção, dramaturgia e crónica que foram publicados apenas no formato digital. O vencedor recebe 100 mil reais (26,9 mil euros), o segundo colocado 60 mil reais (16 mil euros), o terceiro 40 mil reais (10,7 mil euros) e o quarto 30 mil reais (oito mil euros).

Rafaela Silva traz 20 obras pintadas em placas de cortiça com pigmentos naturais para mostrar uma África que conheceu em criança e que não mais a deixou. “Com África no Coração” é inaugurada na próxima terçafeira e conta com organização do Grupo Lusotropical de Macau e Humberto Évora

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ASCEU em Nova Lisboa, Angola, e não mais esqueceu os cheiros e a cultura tão próprios de África. Depois de ter exposto em Macau na iniciativa “Pó e Pedra”, em Janeiro, Rafaela Silva está de volta para uma exposição em nome próprio. “Com África no Coração” é inaugurada na próxima terça-feira na Casa Garden, da Fundação Oriente (FO). O evento vai contar com apresentação musical de Zé Gonçalo e Jandira Silva. O Grupo Lusotropical de Macau e o médico Humberto Évora juntaram-se para que a pintora pudesse realizar um desejo seu. O público poderá ver 20 trabalhos que retratam as diversas vertentes de África, mas sempre com a pessoa

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

CASA GARDEN

África minha EXPOSIÇÃO DE RAFAELA SILVA INAUGURADA TERÇA-FEIRA

humana como protagonista. Dois poemas de poetas angolanos acompanham a mostra. “Estou muito agradecida a este grupo de amigos que se juntaram para que eu possa fazer uma festa bonita”, começou por contar ao HM. “Os trabalhos foram feitos de propósito para esta exposição. É sobre pigmentos naturais, quis trazer uma coisa inovadora.” Rafaela Silva pintou em papel de aguarela e também

em placas de cortiça trabalhada. “Além de fazer as coisas com muita paixão quero que cada um compreenda as coisas à sua maneira, porque eu gosto muito de retratar pessoas, sentimentos. Também trago alguns animais nestas obras. Mas essencialmente o que me interessa mesmo é trazer pigmentos não tóxicos e ir para a pintura mais simples.” “Com África no Coração” será uma verdadeira “farra

africana”, como a artista sempre quis. “É assim mesmo que eu quero que as pessoas se sintam: que vão lá, oiçam música e apreciem a diversidade que África nos pode dar.” Isto porque os sons a que se habituou desde nova sempre fizeram parte das suas memórias. “Em Angola fazíamos muitas festas sempre e costumo dizer que fui criada ao som do batuque, porque desde pequena que participava

Rafaela Silva, pintora “Há cinco anos foram-me apresentados os pigmentos naturais e fiquei fascinada. É a génese da pintura, foi como tudo começou, desde o paleolítico”

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ORAÇÕES PARA TODAS AS OCASIÕES • Thereza Ameal, Raquel Pinheiro

A MINHA BÍBLIA EM HISTÓRIAS • Renita Boyle, Melanie Florian

Este livro, totalmente ilustrado, reúne orações muito simples, mas profundas para diversas situações ao longo do ano, como festas populares, Natal, Páscoa, estações do ano, férias. É uma forma dinâmica e divertida de ensinar as crianças a rezar e principalmente para pais e filhos rezarem juntos todos os dias. Complementa as orações do primeiro livro da autora.

AMinha Bíblia em Histórias dá a conhecer aos mais novos os episódios mais importantes da Bíblia. Perfeita para a hora do conto ou para ler antes de deitar em pequenas histórias onde ficamos a conhecer Adão e Eva, David e Golias, Moisés, Isaías, Maria, José, Jesus e seus amigos e muitos outros.


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sexta-feira 1.12.2017

MÚSICA BOB DYLAN ACTUA EM LISBOA A 22 DE MARÇO

TRANSPOR FRONTEIRAS

Rafaela Silva trabalhou na área da aviação civil e após a reforma decidiu dedicar mais tempo à pintura. Os pigmentos naturais descobriu-os há cinco anos, num workshop realizado no Algarve, onde vive. “Sempre gostei de desenhar e fazer caricaturas de pessoas, mas depois há cerca de 22 anos comecei a estudar desenho a sério. Durante 20 anos pintei sempre com óleo, recorrendo a técnicas mistas, como acrílico, colagens, gostava de fazer telas muito grandes. Há cinco anos foram-me apresentados os pigmentos naturais e fiquei fascinada. É a génese da pintura, foi como tudo começou, desde o paleolítico”, recordou. Com a realização de uma nova exposição, Rafaela Silva assume que gostava de expandir a carreira e alargar horizontes. “Conheço pouca gente que pinte com pigmentos naturais, porque são extremamente caros, são pesados e não são fáceis de pintar. Não sei se será por isso. Utilizam pigmentos naturais noutras técnicas, e como é uma coisa inovadora, gostaria [de transpor fronteiras].”

O LADO ORIENTAL

Rafaela Silva assume estar sempre com novas ideias em mente, e antes de pintar sobre África andou com “uma grande paixão pela Ásia”. “Fiz várias exposições relacionadas com isso, em Lisboa por exemplo. Mas depois resolvi regressar às minhas origens. Sempre me fascinaram as pessoas, embora na Ásia sejam diferentes. Retratei-as a três dimensões, pessoas do Vietname, Tibete, China.” O próximo passo será ir à procura de um papel para pintar que só se faz no Japão. “Quero ver se consigo arranjar um papel que existe no Japão, feito de materiais reciclados e que é feito só lá. Mas será a próxima fase.” Na gaveta está também uma ideia de retratar a pessoa humana na sua ligação com a cidade. “Gosto muito do ser humano e tenho um projecto que será dentro do conceito urbano, as pessoas nas cidades. Quero retratar os sentimentos que as pessoas têm com as cidades”, concluiu. A exposição estará patente na Casa Garden até ao dia 15 de Dezembro. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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GETTY IMAGES / CHRISTOPHER POLK

nestas festas e quem lá esteve não consegue esquecer o pôr-do-sol e o cheiro da terra.”

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cantor, compositor norte-americano e Nobel da Literatura Bob Dylan vai actuar na Altice Arena, em Lisboa, no próximo dia 22 de Março, anunciou ontem a promotora Everything is New. Para o que vai ser o primeiro concerto em Portugal desde que foi premiado com o Nobel da Literatura em 2016, os bilhetes vão custar entre 39 e 240 euros e vão estar à venda a partir de sexta-feira. “O seu portfólio é hoje de valor incalculável com temas como ‘Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again’, ‘Just Like a Woman’, ‘Blowin’ in the Wind’, ‘The Times They are A-Changin’, ‘A Hard Rain’s A-Gonna Fall’, ‘All Along the Watchtower’, ‘Mr Tambourine Man’ ou ‘Like a Rolling Stone’”, lembrou a promotora em comunicado. Em Março deste ano, Dylan lançou “Triplicate”, um álbum triplo, o primeiro da sua carreira, com 30 versões de clássicos da música norte-americana. Dois meses depois, a cidade de Lisboa recebeu a conferência “I’m Not There”, que reuniu na Universidade Nova músicos e investigadores para debater e discutir a obra do músico. Bob Dylan, que completou 76 anos em Maio, foi distinguido em 2016 com o Nobel da Literatura por “ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana”.

Dylan deu seis concertos em Portugal, os primeiros em 1993, no Porto e em Lisboa, e o último em 2008, em contexto de festival, em Algés. A estreia em palcos portugueses aconteceu em Julho de 1993, no Coliseu do Porto e no Pavilhão de Cascais, com Sérgio Godinho e a norte-americana Laurie Anderson a assegurarem a primeira parte de ambos. “No Porto, Bob Dylan chegou a passear sozinho pelas ruas da cidade, acompanhado apenas por um segurança”. No concerto em Cascais, “apresentou versões praticamente irreconhecíveis das suas melhores canções”, escrevia a agência Lusa na altura. O músico regressou depois, em Abril de 1999, novamente para dois concertos no então Pavilhão Atlântico, em Lisboa, e novamente no Coliseu do Porto, na abertura de uma nova digressão europeia. Em Julho de 2004, apresentou-se em Vilar de Mouros e, quatro anos depois, no festival Nos Alive, em Algés, para cerca de 20 mil pessoas. “Durante toda a actuação, foram poucas as vezes que se virou para a audiência e só comunicou com o público quase no final do concerto. O único momento de grande comunhão com a audiência ficou reservado para essa altura, com a interpretação do clássico ‘Like a Rolling Stone’, que Dylan compôs em 1965”, escreveu a Lusa na altura.

AVISO sobre a formulação dos pedidos de apoio financeiro para actividades no âmbito do Quyi (para o ano de 2018)

1. Âmbito de aplicação Espectáculos de óperas chinesas e de canções clássicas e populares a se realizarem durante o período compreendido entre os dias 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2018. 2. Requisito para o pedido de apoio financeiro Instituições constituídas em Macau sem fins lucrativos e que funcionem nos termos legais. 3. Instituições / Projectos que não são considerados prioritários ou que não lhes serão atribuídos subsídios (1) Instituições sem fins lucrativos com menos de um ano de funcionamento; (2) Projectos que não correspondem aos objectivos do requerente institucional; (3) Projectos a se realizarem fora da RAEM. 4. Prazo para formulação do pedido Desde dia 1 até ao dia 29 de Dezembro de 2017. Os pedidos formulados fora do prazo não serão admitidos. 5. Documentos necessários à instrução do pedido Entrega do formulário “Requerimento de Apoio Financeiro” devidamente preenchido, acompanhado dos documentos descritos na Parte C do respectivo formulário. Para mais informações, o requerente pode consultar o “Aviso sobre as novas medidas para apoiar as actividades no âmbito de Quyi” (2016) e os “Guias Gerais para Pedido de Apoio Financeiro para Actividades no âmbito de Quyi” (Versão 2015), publicados pela Fundação Macau em 27 de Outubro de 2015. As informações, os formulários e os respectivos exemplares estão disponíveis no website da Fundação Macau. 6. Serviços de atendimento e apoio à instrução do pedido Durante o prazo acima referido, os funcionários desta Fundação estarão disponíveis no “Balcão de Pedidos de Subsídios para as Actividades no âmbito do Quyi” para prestar um atendimento rápido e eficaz. O representante do Requerente deverá trazer o “Certificado da Composição dos Corpos Gerentes da Associação” emitido pela Direcção dos Serviços de Identificação; a fotocópia do seu B.I.R.; as informações sobre a conta bancária do Requerente e o carimbo da instituição, para tratar do pedido na Fundação Macau. Podia marcar o horário de atendimento com os nossos funcionários. Local para entrega do pedido:

Avenida de Almeida Ribeiro, N.ºs 61-75, Circle Square, 7.° andar, Macau

Horas de expediente:

De segunda a quinta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; sexta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30 (à excepção dos dias feriados em Macau e das tolerâncias de ponto)

Contacto: Linha Directa:

87950965 (Dra. Ao) ou 87970981 (Dr. Cheong)

E-mail:

ds_info@fm.org.mo

Website:

www.fmac.org.mo


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1.12.2017 sexta-feira

“O modelo chinês funciona para a China”

O

embaixador Jorge Torres-Pereira, que terminou ontem uma missão de mais de quatro anos à frente da Embaixada portuguesa em Pequim, diz existir um “reajustamento” na geopolítica mundial, com a China a assumir-se como grande potência. “É claro que a política de baixo perfil deliberado de Deng Xiaoping foi abandonada”, disse o diplomata à agência Lusa. Torres-Pereira, que parte esta semana de Pequim, seguindo para a Embaixada de Portugal em França, considera que a China entrou numa “nova fase”, em que intervirá “em todas as coisas relacionadas com o desenvolvimento, a paz e a governança globais”. Desde que ascendeu ao poder, em 2013, o Presidente chinês, Xi Jinping, visitou 60 países, e passou mais de 200 dias no estrangeiro. Neste período, Pequim lançou um novo banco internacional e um gigante plano de infra-estruturas que visa conectar o sudeste Asiático, Ásia Central, África e Europa. A moeda chinesa, o RMB, avançou para a internacionalização. No espaço de um ano, o país acolheu a cimeira do G20 e do bloco de economias emergentes. Trata-se do início de uma “nova era” em que “a China se aproximará do palco principal e fará maiores contribuições para a humanidade”, apontou Xi, no discurso inaugural do XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), abdicando assim dos princípios vigentes desde a liderança de Deng - “manter um perfil discreto” e “nunca reclamar a liderança”. Já na Europa, o “Brexit” abalou a União Europeia, enquanto nos Estados Unidos, Donald Trump foi eleito com uma agenda isolacionista e nos primeiros meses de governação retirou Washington do

XU XIN

Embaixador português cessante prevê China mais interventiva no exterior

Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e do acordo transpacífico de comércio livre. Torres-Pereira diz que foi “fascinante observar a partir da China” a tudo isto. “É como um reajustamento nas placas tectónicas da geologia internacional”, nota. “Um dos aspectos mais importantes será perceber como é que os EUA e a China aprenderão a viver um com o outro nesta nova realidade”, acrescenta.

O diplomata discorda, no entanto, que a ascensão do país asiático aumentará a atractividade do seu modelo político autocrático junto da opinião pública ocidental. “Eu não estou a ver alguém a propor no ocidente a cooptação, em vez de eleições competitivas, mesmo que tenhamos um sistema que pode eventualmente ser menos eficiente em algumas formas de lidar com os problemas sociais e

desigualdades e aspectos de planificação macroeconómica”, afirma. “O modelo chinês funciona para a China”, realça.

ERA DOURADA

Por outro lado, Jorge Torres-Pereira considera que as relações entre Portugal e a China atravessam uma “era dourada”. “Efectivamente, estamos numa era dourada das relações entre Portugal e a China”, disse o diplo-

mata, destacando o investimento chinês em Portugal, visitas bilaterais e intercâmbio entre pessoas. Desde que, em 2012, a China Three Gorges (CTG) comprou uma participação de 21,35% no capital da EDP, o montante do investimento chinês em Portugal ascendeu a 10.000 milhões de euros, segundo dados do Governo português. Nos últimos três anos, o número de turistas chineses que visitaram Portugal quase duplicou, para 183.000, e no primeiro semestre de 2017 aumentou 40%, face ao mesmo período do ano passado. A companhia aérea chinesa Capital Airlines abriu, entretanto, um voo directo entre os dois países. Coincidindo com o aumento do investimento chinês em Portugal, as visitas bilaterais de alto nível registaram, nos últimos anos, uma frequência inédita. Torres-Pereira afirma que “claramente se consolidou a ideia de que o posto [em Pequim] está na primeira linha das preocupações do Governo português e do ministério [dos Negócios Estrangeiros]”. “Tivemos vários sinais disso, incluindo um reforço de pessoal, um pouco em contraciclo”, notou. O diplomata considera que, para os próximos anos, é “importante” Portugal consolidar a sua imagem de plataforma para as empresas chinesas terem uma melhor inserção em terceiros mercados. “É importante que apareçam mais exemplos como o da parceria entre a CTG e a EDP, que já tem projetos no Peru, Brasil ou Reino Unido”, afirma. Torres-Pereira concorda que a China é um posto diferente, apontando a dimensão continental do país. “Não é apenas conhecer a realidade da capital que permite criar uma imagem realista do que a China é”, nota. “É preciso ir para além das cidades habituais, dos contactos mais expectáveis, com empresários ou interlocutores e dirigentes institucionais”, aponta. Jorge Torres-Pereira foi substituído em Pequim por José Augusto Duarte, anterior assessor diplomático do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

COREIA XI JINPING DIZ QUE DESNUCLEARIZAÇÃO É META INABALÁVEL

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presidente da China, Xi Jinping, disse ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, numa conversa por telefone na noite de quarta-feira que a desnuclearização da Península Coreana, a manutenção do regime internacional de não proliferação nuclear e a preservação da paz e estabilidade no Nordeste da Ásia são as metas inabaláveis da China. Xi afirmou que a China gostaria de manter a comunicação com os Estados Unidos e com todas as partes relacionadas para

impulsionarem conjuntamente a questão nuclear na direcção de uma solução pacífica através de diálogo e negociações. Em resposta, Trump disse que os Estados Unidos têm sérias preocupações com o lançamento de um míssil balístico da República Popular Democrática da Coreia (RPDC). Trump disse que Washington valoriza extremamente o importante papel da China na solução da questão nuclear e deseja fortalecer a comunicação e coordenação com a China para procurar soluções.

Além disso, na conversa telefónica, o líder chinês declarou que durante a visita de Trump à China neste mês, os dois chefes de Estado trocaram pontos de vista de forma profunda sobre assuntos-chave de interesse comum e atingiram importantes consensos sobre múltiplas frentes, o que tem importância para a manutenção de relações bilaterais saudáveis e estáveis. Xi pediu que as duas partes materializem estes consensos, preparem bons planos para os intercâmbios bilaterais de alto nível,

garantam o sucesso da segunda ronda de negociações de alto nível China-EUA e implementem os acordos e projectos de cooperação entre os dois países. Trump apreciou a recepção calorosa que recebeu na China durante a sua visita e disse que a história e cultura milenárias da China o impressionaram profundamente. Além disso, disse estar de acordo com Xi sobre sua avaliação positiva dos resultados da visita e as opiniões sobre a promoção das relações sino-americanas.


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sexta-feira 1.12.2017

TAIWAN PEQUIM NÃO QUER QUE FIGURAS POLÍTICAS OBSTRUAM REUNIFICAÇÃO

O continente é uma oportunidade

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M porta-voz de Pequim advertiu na quarta-feira figuras políticas em Taiwan para que não obstruam a reunificação nacional. Ma Xiaoguang, porta-voz do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, fez as observações numa conferência de imprensa. A reunificação dos dois lados do Estreito de Taiwan é uma aspiração comum de todos os chineses e também um interesse fundamental da nação chinesa, segundo Ma. “Colocamos as nossas esperanças nas pessoas de Taiwan”, indicou o porta-voz. “As figuras políticas em Taiwan devem, pelo menos, não fazer nada que obstrua a reunificação nacional, para não mencionar realização de actividades separatistas.” Ao responder a uma pergunta sobre a crescente vontade dos moradores da ilha de procurar oportunidades de emprego e de estudo na parte continental, o porta-voz disse que mais residentes em Taiwan perceberão que os compatriotas dos dois lados pertencem a uma comunidade de futuro compartilhado.

“As políticas da parte continental para Taiwan ajudaram mais pessoas em Taiwan a entender que o nosso compromisso de procurar bem-estar para os compatriotas de Taiwan é sincero e que o desenvolvimento da parte continental é uma oportunidade, não uma ameaça, para Taiwan”, acrescentou. Ma observou que a “independência de Taiwan” prejudicará os interesses

fundamentais das pessoas em ambos os lados e os interesses imediatos das pessoas em Taiwan. Ao responder a uma pergunta em específico, Ma prometeu apoiar os departamentos locais do Partido e do governo em Fujian para testar mais programas que promovam o bem-estar dos compatriotas taiwaneses e o desenvolvimento integrado através do Estreito nas áreas económicas e sociais.

Ma disse também que o princípio de Uma Só China é uma tendência que está de acordo com a vontade da população e um consenso da comunidade internacional, e expressou oposição ao desenvolvimento de relações militares entre os Estados Unidos e Taiwan e a qualquer tipo de intercâmbio oficial entre Taiwan e os países que têm relações diplomáticas com a República Popular da China. Xinhua

PANGOLIM AUTORIDADES FAZEM APREENSÃO RECORDE DE ESCAMAS

A

S autoridades chinesas confiscaram quase 12 toneladas de escamas de pangolim, informou ontem a imprensa estatal, na maior apreensão de sempre na China de partes deste animal em risco de extinção. O pangolim é o mamífero mais contrabandeado do mundo, com cerca de um milhão de espécimes capturadas nos últimos 10 anos, nas florestas da Ásia e África. A caça ilegal é estimulada pelo aumento da procura pela sua carne e partes do corpo. O jornal oficial em língua inglesa China Daily noticiou que a mais recente apreensão no país ocorreu em Julho passado, no porto da cidade de Shenzhen, sul do país.

Segundo o jornal, as escamas eram oriundas de entre 20.000 a 30.000 pangolins, tendo sido “a maior apreensão alguma vez feita pelas alfandegas chinesas” de partes deste animal. Dois suspeitos foram presos. As escamas vinham em sacos, junto com carvão, para ocultar a mercadoria. As autoridades detectaram transacções no valor de 5 milhões de yuans entre os suspeitos. O pangolim, que tem a língua mais longa do que o seu corpo e alimenta-se de formigas e térmitas, é protegido desde Setembro de 2016, pela Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas de Extinção, da qual a China é signatária.

Em algumas regiões do país asiático, o uso da carne do pangolim é popular entre jovens mães, pelos seus alegados efeitos benéficos para o leite materno, enquanto as suas escamas são usadas em farmacopeia tradicional. Comer ou vender espécies em extinção é punível na China com até 10 anos de prisão. Em Setembro, o actor chinês Jackie Chan apareceu num vídeo, feito em colaboração com uma organização chinesa de defesa da fauna selvagem, onde apela aos seus compatriotas que digam “não” ao consumo, uso e compra de produtos de pangolim.

Muito para fazer China e Rússia reforçam compromisso de promoção da cooperação regional

O

primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, reuniu-se na quarta-feira com o presidente russo Vladimir Putin no Kremlin, tendo ambos assumido o compromisso de trabalhar em conjunto para aprofundar a cooperação regional. A China quer trabalhar com a Rússia rumo ao fortalecimento da comunicação e a coordenação em assuntos internacionais, visando cimentar a cooperação dentro de quadros multilaterais, incluindo a Organização de Cooperação de Shanghai (SCO), disse Li Keqiang, acrescentando que os dois países trabalharão juntos no sentido de injectar um ímpeto construtivo no desenvolvimento pacífico do mundo. Observando que o desenvolvimento da cooperação económica obteve um progresso estável, Li disse que os dois países continuaram a impulsionar a cooperação, não apenas em áreas tradicionais como a economia, energia, aviação, infra-estruturas de transporte, produção e agricultura, mas também em novos campos como, a economia digital, inovação tecnológica e pequenas e médias empresas. A China está a postos para intensificar a cooperação no âmbito da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota e dos programas de desenvolvimento da União Económica Eurasiática

(EEU), afirmou o chefe de Governo chinês. Li prometeu também trabalhar com a Rússia para retirar o potencial de desenvolvimento no Extremo Oriente e expandir o comércio transfronteiriço, visando o benefício para os dois povos. Por sua vez, Putin referiu que os frequentes intercâmbios e comunicações de alto nível entre os dois países, demonstram plenamente a estabilidade e o desenvolvimento dos laços bilaterais. Os dois governos e mecanismos de cooperação desempenharam um importante papel orientador na cooperação pragmática, acrescentou. Putin manifestou o desejo de alinhar os dois países com as respectivas estratégias de desenvolvimento, objectivando a obtenção de benefícios recíprocos e resultados “win-win”, realçando que a iniciativa Uma Faixa, Uma Rota e os programas de desenvolvimento da EEU são complementares. Foram trocados também pontos de vista sobre questões globais e regionais de interesse comum. Li, que chegou à Rússia na quarta-feira após de terminar uma visita à Hungria, participará da 16ª reunião do Conselho de Chefes de Governo da SCO, a ser realizada em Sochi, na Rússia, ontem e hoje, sexta-feira.

Vice-primeiro-ministro destaca segurança alimentar O vice-primeiro-ministro chinês Wang Yang pediu mais esforços para melhorar a segurança alimentar. “A segurança alimentar é um requisito básico”, disse Wang numa reunião sobre o assunto realizado em Pequim nesta terça-feira e quarta-feira. Apesar de melhoras, existem ainda muitos problemas na indústria, com algumas autoridades locais ainda a ficar atrasadas em padronização agrícola e segurança alimentar no sector de catering, disse Wang. Os mecanismos e métodos de supervisão devem melhorar a habilidade de administrar a segurança alimentar, acrescentou.


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1.12.2017 sexta-feira

perdi a esperanca como uma carteira vazia ´ José Simões Morais

Imaculada Conceição Padroeira de Macau

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OR engano, na última semana saiu o artigo correspondente ao dia de hoje, 1 de Dezembro, que comemora o início da Restauração da Independência de Portugal em 1640, então sobre o domínio de Filipe III de Portugal e o IV de Espanha. Este rei jurou e fez jurar a todas as Corporações eclesiásticas, Universidades e Catedrais dos seus domínios, o defender o Mistério da Conceição Imaculada. Com Portugal independente, “a 25 de Março de 1646, a Corte e os representantes dos três Estados (clero, nobreza e povo) sob proposta de D. João IV, proclamaram a Senhora da Conceição como Rainha e Padroeira de Portugal e juraram defender sempre esse privilégio augusto e celebrar com muito particular afecto e solenidade a sua festa”, segundo Benjamim Videira Pires, que complementa: “Em 11 de Setembro desse ano, expediram-se cartas para todas as Câmaras da metrópole e do Ultramar, a fim de que as respectivas autoridades, com o clero, a nobreza e o povo, ratificassem e repetissem o acto da Corte e dos três Estados, elegendo também e proclamando Padroeira deste Reino, a Virgem Nossa Senhora da Conceição”. É natural que esta ordem real chegasse a Macau, apenas em 1647 e daí ser feriado no próximo dia 8 de Dezembro. Serve este para venerar a Imaculada Conceição, um dos quatro padroeiros que Macau já teve, a par de S. João Baptista, Santa Catarina de Sena e S. Francisco Xavier, tendo espelho no quinto, o Santo Nome de Deus, assim chamada pelos portugueses a cidade no início. Juntam-se a estes, como protectores para a comunidade chinesa, Kum Iam (Guan Yin), comparável a Nossa Senhora, Á-Ma (Mazu) para os marítimos e Na Cha, contra a peste. Antigamente começava hoje (1 de Dezembro) a celebração do oitavário à Imaculada Conceição e a 8 de Dezembro a sua festa, com missa e procissão.

O CULTO

Os monges franciscanos tinham sido “os primeiros que no século XIII professaram em público, de viva voz e por escrito, a crença da Conceição Imaculada e estabeleceram a festa deste augusto Mistério em todas as suas igrejas. Vários doutores e teólogos desta Ordem se tornaram célebres por seus escritos na defesa desta crença, contra alguns que a impugnavam, quase todos pertencentes à Ordem dominicana e difundindo-a com incansável zelo e ardor, e sendo imitados por insignes e piedosos varões, foram seguidos com entusiasmo, não só pelo comum dos fiéis, como pelas corporações mais sadias e distintas então existentes na Europa”, do Boletim do Governo do século XIX.

Se a Imaculada Conceição foi a última padroeira a ser consagrada em Macau, o seu culto é tão antigo quanto o estabelecimento dos portugueses e “nos primeiros tempos o Senado, ou Governo, fazia à sua custa a festividade da Conceição em 8 de Dezembro, mas seguindo-se de perto ao estabelecimento (em 15/11/1579) da ordem franciscana em Macau, a instituição, na Igreja dela, da Confraria da Conceição, de cujo culto aquela ordem era zelosa propugnadora, o Governo daí em diante só concorria, ainda em 1844, com a prestação de 100 patacas para ajuda dos gastos da dita festividade, que ficou a cargo da referida Confraria, ainda hoje existente, e que esteve ricamente dotada”, como referido nesse Boletim do Governo. A Confraria da Conceição, que rendia o seu culto à Mãe de Deus, estava encarregada da organização destes festejos. “A 23-XII-1781, o Senado assentou ficar (perpetuamente) Presidente da Confraria de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Macau, a pedido da mesma Confraria, que se via impossibilitada de arcar com as despesas da festa”, segundo Benjamim Videira Pires, que refere, “vis-

to ser o Protector, que concorre anualmente com vinte taéis”. No início, as celebrações à Imaculada Conceição eram realizadas no Convento de S. Francisco até que, com esse templo arruinado, em 1850 passaram para a Sé Catedral. Já como Padroeira, a festividade ocorria com uma extraordinária solenidade, havendo missa cantada acompanhada a órgão, com assistência das autoridades políticas, religiosas e os principais moradores da cidade e onde todos os vereadores do Senado comungavam. Após a missa, ao som de uma salva feita desde a Fortaleza do Monte, saía em procissão, à roda do largo da Catedral, o andor de Nossa Senhora da Conceição, seguido do Santíssimo Sacramento conduzido pelo Bispo Diocesano, sendo acompanhada em cortejo com a guarda de honra, que incorporava em peso a própria guarnição e o Governador, pegando os vereadores da Câmara nas varas do pálio.

ESTÁTUAS DA PADROEIRA

A imagem da Imaculada Conceição de Maria encontra-se em muitas igrejas de Macau, assim como logo desde 1640 no

frontispício da Igreja da Madre de Deus. “Após a Restauração, a desejo do Rei D. João IV, por volta de 1647/48 o título da Igreja e do Colégio mudou-se para Colégio e Igreja da Imaculada Conceição”, segundo Benjamim Videira Pires que segue dizendo, “A igreja do mosteiro das Clarissas era também dedicada à Imaculada; e os Franciscanos, na sua Igreja de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula, possuíam um altar à mesma evocação”. Já Luís Gonzaga Gomes refere que em 1936 foi demolida a antiga Igreja da Imaculada Conceição e nesse lugar construída a nova Igreja de S. Clara, em estilo gótico. No Salão Nobre do edifício do Leal Senado, encontra-se um oratório com as estátuas de Nossa Senhora da Conceição no centro do altar e à esquerda a de S. João Baptista, ambos Padroeiros da Cidade e onde outrora, todos os Senadores ouviam Missa e comungavam nas festas de cada um dos 4 Padroeiros. Para construir (ou reconstruir) esse oratório foi pedida autorização pelo Senado a 31 de Dezembro de 1818, sendo deferido por Dec. Régio de 28 de Setembro de 1819, que manda nesta ocasião declarar ao Bispo Diocesano para que ele haja de conceder as licenças necessárias para a erecção do pretendido Oratório, onde antes da Ordinária Vereação dos Sábados, se haja de celebrar Missa. E continuando com P. Manuel Teixeira, o Oratório ainda hoje existe, mas já não se celebra ali Missa, nem sequer se reza antes das sessões camarárias. Na Igreja do Seminário de S. José há o altar dedicado à Imaculada e no alto da Colina da Penha encontra-se a sua estátua, assim como na gruta aí existente. A “17-9-1871 Bernardino de Sena Fernandes convocou os subscritores do Colégio da Imaculada Conceição, para tratar do encerramento deste estabelecimento de educação e instrução, por se terem retirado da Colónia as professoras que regiam esse colégio”, segundo Gonzaga Gomes, que refere ainda, a “192-1906 devido aos esforços do Bispo Dom João Paulino de Azevedo e Castro, chegaram os padres salesianos Luís Versiglia, Ludovice Olive e João Fergnani, acompanhados dos mestres de oficinas Feliz Boresto, Luís Carmagnala e Gaudêncio Rota, para fundarem o Orfanato da Imaculada Conceição, para crianças chinesas”. No feriado oficial de 8 de Dezembro, em honra da Padroeira de Macau Imaculada Conceição, já sem oitavário a anteceder, ocorrerão na próxima sexta-feira apenas duas missas na Sé Catedral, às 11 horas em português e às 17 horas em inglês.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

sexta-feira 1.12.2017

tonalidades António de Castro Caeiro

Amnésia MAGRITTE, DECALCOMANIA

A

vida tal como nos encontramos nela é espontaneamente metafísica. Tendemos a “produzir doutrina” sobre a vida. Temos opiniões fortes sobre o que é. Em cada situação em que nos encontramos, há tentativas e desistências de interpretação do que nos acontece, se estamos bem ou mal, se vamos indo, qual o estado em que nos encontramos, que impressão temos de todo e qualquer conteúdo. Não nos é indiferente percebermos ou não percebermos o que se passa, como se estivéssemos sob uma pressão contínua de saber que se manifesta de forma mais evidente, quando sofremos de incompreensão, não conseguimos perceber o que se está a passar. É o caso, por exemplo, quando não nos conseguimos lembrar de “certas coisas”, de conteúdos específicos como nomes próprios de alguém ou, quando esquecemos “coisas”, tanto e de tal forma que nem percebemos como ficou “apagado da memória”, obliterado, desaparecido. O paradoxo da lucidez humana é que não podemos equacionar logicamente o que é e o que não é com o que existe e o que não existe ou com o que está presente e o que está ausente. Há coisas que nos escapam, sem dúvida, e não nos apercebemos de que nos escapam, pelo menos durante algum tempo. De outro modo, não falaríamos delas. Aparecem num estádio ulterior da vida e percebemos que estiveram inertes e inactivas num qualquer “lugar” da mente. Mas há situações que estão ausentes como um buraco negro visível, tangível. A indeterminação determinável de um nome que não nos lembramos ou da presença emocional com que vivemos um momento do passado. Podemos perceber que nos esquecemos do que acontece não apenas quando fazemos a experiência desagradável de não nos lembrarmos de um conteúdo específico. O meu esquecimento do nome de alguém é o esquecimento inequívoco do nome dessa pessoa e não de outra coisa a respeito dela nem do nome próprio de outra pessoa. Mas o que acontece o mais das vezes é que o presente que se activa na actualidade transita para um reino da alma ou do passado, e esta transição é contínua. A esmagadora maioria dos conteúdos de vida transitam da expectativa mais ou menos activa do futuro para o presente e da vivência mais ou menos atenta do presente para o passado. E no passado moram a esmagadora maioria dos conteúdos vividos, todos os momentos da nossa vida até agora, sem que estejam explicitamente lembrados, em pormenor, isolados uns dos outros, vistos no seu começo, meio e fim.

Se nos perguntarem pela banda sonora das nossas vidas, podemos recordar muitos nomes de canções, mas não nos lembramos da esmagadora maioria, o mesmo se passando para os livros das nossas vidas, pessoas que conhecemos, modulações disposicionais, vivências afectivas, estados emocionais, etc., etc.. A perda de actualidade do presente faz que o passado absorva e sugue todas as nossas vivências e a lupa do presente altamente sensível cria o núcleo duro do sentido e deixa tudo o resto para a sua periferia. Assim é quando há dissociação entre o rosto de alguém, outrora agente do fascínio e encantamento e esse rosto fora do sortilégio e do enfeitiçamento. Pode também acontecer que nos lembremos de todo o sortilégio, feitiço, encantamento e fascinação, mas sem rostos. É assim que pode surgir toda uma época da vida, décadas até, a primeira juventude de coração selvagem. E, contudo, nem na altura tínhamos qualquer hipótese de percepção de uma presença contínua da vida na dependência e sob presença do fascinante que propulsionava futuro, abertura, possibilidade. De caminho, há momentos em que nos surpreendemos a ser com o sentido indespedível da actualidade presente. Como foi que a vida veio a dar até esta orla? O que a transformou? Quem eu era e quem eu sou? Vultos do passado ficaram congelados num tempo sem tempo. Aparecem, às vezes, no sonho acordado

nas tardes passadas ao largo, como fantasmas que quererão dizer alguma coisa, mas nem sabemos o que por eles sentimos e, por isso, também não percebemos o sentido das suas aparições. Rostos conhecidos e com nomes mas como se fossem completamente desconhecidos.

Saber quem se é, é saber-se como se é, do que se é capaz em situações extremas Uma pessoa é a sua aura afectiva, o halo que descontinua o ambiente específico da nossa vida e o altera, a mudança do clima afetivo em que nos conhecemos. E desconhecemo-nos como se tivéssemos sido vítimas de um ataque de amnésia. Não se trata de um apagamento das memórias de longo prazo, dos seus conteúdos. Na verdade, podemos lembrar-nos de tudo, mas como num sobrevoo em que vemos “assim como ninguém quer a coisa” toda a nossa vida e todos os seus conteúdos, mas como se tivesse acontecido a outro, como se não fosse a nossa vida, como se nós fossemos alheios de nós próprios, sem saber verdadeiramente quem somos.

Podemos perder memória de todos os conteúdos como quem não sabe darlhes um nome próprio e, ainda assim, sabemos quem somos. Saber quem se é, é saber-se como se é, do que se é capaz em situações extremas. É estar exposto à atmosfera rarefeita mas translúcida do sentimento que nos faz sentir ser quem somos. Muitas vezes esse sentimento existencial diz-nos da desorientação e do desnorte, da desistência da espera, de quem não somos quem supostamente éramos para ter sido. A necessidade de memória não dá a entender apenas a necessidade de recuperar o tempo havido. Sem recuperar o que foi, não há orientação possível para o futuro, para o trânsito. A lembrança do passado traz consigo a possibilidade da abertura ao futuro. A presença do passado ausente erige uma possibilidade onde se pode vir a ser. A invocação do passado não é uma invocação do conteúdo vivido, do dado auto-biográfico, mas uma edificação do possibilitante, da esperança sóbria que é dada pela onda espontânea que nos sintoniza a nós no nosso tom, onde aparece o que os outros representam para nós e como eles definem as nossas vidas, a nossa disponibilidade para existirmos com eles no espectro disposicional onde a vida aumenta a sua potência, onde há futuro e não apenas a passagem do tempo de quem ficou para morrer.


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OBSERVADOR

1.12.2017 sexta-feira

FERNANDO MENDES FALHA TORNEIO DA SOBERANIA

Baixa de última hora

Maratona Instituto do Desporto promove combate ao doping

O ex-jogador de Sporting, Benfica e FC Porto chegou a ser inscrito como primeiro capitão, mas compromissos profissionais impedem-no de se deslocar ao território. Romeu Silva é a figura mais mediática da comitiva portuguesa

O

ex-médio Romeu Silva vai ser a figura de destaque da equipa de veteranos do Sporting Clube de Portugal, que vai participar no Torneio da Soberania. No total, os leões, que participam na competição em representação das cores portuguesas, inscreveram 20 atletas, mas nem todas as presenças estão confirmadas. O treinador é Vítor Esmoriz, antigo médio que actuou no SCP entre 1980 e 1982, depois de se ter destacado no Belenenses e Atlético. O HM teve acesso à lista de inscrição do Sporting, mas para já há pelo menos uma baixa confirmada: Fernando Mendes, antigo lateral que actuou com as cores de Sporting, Benfica e FC Porto, Vitória de Setúbal, Belenenses e

Boavista. Além disso foi ainda internacional português em onze ocasiões, até 1996. O ex-jogador é agora comentador televisivo e não conseguiu autorização da entidade patronal para poder integrar a comitiva leonina. “Era para ir participar, mas infelizmente não conseguiu a autorização para estar presente. Estou um bocado triste, porque é um território fantástico. Adoro Macau”, disse Fernando Mendes, ao HM. “Era muito bom ir, anteriormente tive oportunidade de ir duas vezes com os veteranos do Sporting. Também fui a Macau uma vez, quando ainda era futebolista profissional pelo FC Porto. Sempre gostei das deslocações”, acrescentou. Há dois anos, na última participação do Sporting no Torneio

da Soberania, Fernando Mendes foi um dos membros da comitiva. Contudo, o ex-jogador deixou uma garantira: “Para o ano, vou fazer tudo para poder voltar a Macau”, frisou.

EQUIPA DE SETE TERRITÓRIOS

Fernando Mendes era para ser o capitão da equipa, mas com estas alterações o cargo deverá ser assumido por Romeu Silva, que na lista de inscrição surge como o segundo capitão. Com uma carreira anterior à de Fernando Mendes, Romeu Silva, actualmente com 63 anos, tem um percurso profissional muito semelhante ao do ex-colega de profissão. Entre 1973 e 1998, Romeu também por passou pelos três grandes de Portugal. Outra curiosidade é o facto de

ambos terem o mesmo número de internacionalizações, ambos vestiram a camisola de Portugal em 11 ocasiões. O Torneio da Soberania vai realizar-se entre 15 e 17 de Dezembro, no Canídromo. A competição vai contar com a participação de oito equipas, que representam Macau, China, Portugal, Taiwan, Hong Kong, Japão e Coreia do Sul. “É um torneio muito bom para a RAEM. Vêm sete equipas de fora, para celebrar, juntamente com a equipa de Macau, o 18.º aniversário da RAEM. É uma das maiores actividades desportivas do território”, disse Francisco Manhão, fundador da Associação de Veteranos de Futebol de Macau, ao HM. João Santos Filipe

joaof@macauhoje.com.mo

Rosa Mota, atleta portuguesa que conquistou a medalha de Ouro na Maratona dos Jogos Olímpicos de 1988, em Seul, vai estar entre hoje e amanhã no Estádio Olímpico a alertar os atletas para os perigos do doping. A iniciativa faz parte da “Actividade de Sensibilização do Controlo de Antidopagem”, com o tema “Jogo Limpo, Diz Não à Dopagem!”, que é organizada pelo Instituto do Desporto, em cooperação com o Centro de Controlo de Antidopagem da Administração Geral de Desportos da China (CHINADA). Entre os temas abordados, vai ser discutido o consumo por negligência e desconhecimento de substâncias proibidas pelos atletas, quando tomam medicamentos para problemas de saúde. Além de Rosa Mota, a actividade vai contar com os especialistas da CHINADA Li Keke e Sun Leda.


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um grito no deserto

E

Suspensão ou expulsão?

M Agosto, os jornais publicaram o relatório da “Sondagem sobre o nível de interesse na eleição para a Assembleia Legislativa”, organizada pela Associação de Desenvolvimento e Pesquisa da Inteligência Criativa de Macau e pelo Instituto de Investigação Social e Cultural da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. A sondagem foi realizada através de um questionário online. Os 456 questionários preenchidos registaram uma pontuação média de 46.2%, abaixo dos 60% considerados positivos. Um dos organizadores desta sondagem foi o Prof. Pang Chuan, um dos deputados nomeados pelo chefe do Executivo da actual Assembleia Legislativa. A 6ª. Assembleia Legislativa assumiu oficialmente funções há menos de dois meses, durante os quais muitas sessões já tiveram lugar. Tirando a área de Transportes e Obras Públicas, que ainda não foi totalmente debatida no âmbito do Relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano financeiro de 2018, as quatro áreas restantes já foram objecto de debate. O público tem estado mais ou menos a par do que se passa na Assembleia através das transmissões televisivas e dos jornais. Dos diversos temas levados a debate, destacamos aquele que se tornou assunto de conversa em toda a cidade, ou seja, a “impossibilidade de contratar um camionista, mesmo que se lhe pague 40.000 patacas”. Se o desempenho da actual Assembleia Legislativa também vier a ser avaliado, pergunto-me qual será a classificação do Prof. Pang Chuan, já que também é deputado. Aposto que estão todos de acordo que Sulu Sou Ka Hou é o deputado da actual Assembleia Legislativa que mais se destaca do geral. Numa altura em que os mandatários nomeados pelo chefe do Executivo estavam a ser criticados pelos participantes de um fórum público, pensaram que as criticas que lhes eram dirigidas tinham partido dos “apoiantes de Sulu Sou”. Mas por que é que o deputado mais jovem se tornou o centro das atenções na Assembleia? Porque pode vir a ser o primeiro representante a ver o seu mandato suspenso, ou mesmo cancelado, pelo plenário. No que diz respeito ao alegado envolvimento de Sulu Sou em reuniões ilegais, que terão tido lugar antes da sua candidatura a deputado, a Acusação está completamente a par da situação, mas eu também estou, já que fui mandatário da lista do “Novo Progresso de Macau” , que concorreu às

importância? Os opositores de Sulu Sou não mencionaram este tema intencionalmente, porque, se o tivessem feito teriam também de falar do caso da doação da Fundação de Macau à Universidade de Jinan, no qual Sulu Sou monitorizou as acções do Governo da RAEM, e isso apenas abonaria a favor do jovem deputado. Por isso, os opositores na sua “esperteza”, evitaram o assunto. Quando a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa reconheceu que Sulu Sou tinha sido eleito e submeteu este reconhecimento à aprovação do Tribunal, a equipa do “Novo Progresso de Macau” não ousou ter um segundo de descanso. Por agora, as audições e o julgamento de Sulu Sou são meros procedimentos rotineiros. A existir problemas, talvez passem antes do mais pela razoabilidade, ou falta dela, da acusação feita pela polícia. Depois disso, compete à Assembleia Legislativa decidir a forma como vai resolver a situação deste jovem deputado que desempenha o seu dever no hemiciclo sob o lema “Reformar a Assembleia Legislativa rumo ao Desenvolvimento Sustentável”.

CARAVAGGIO, SÃO JOÃO BAPTISTA NO DESERTO

PAUL CHAN WAI CHI

O parecer da Comissão sobre Sulu Sou não é de todo tendencioso, o que quer dizer que os membros da Comissão foram incapazes de encontrar razões válidas para apoiar o termo do seu mandato

eleições para a Assembleia Legislativa. As outras listas que difamaram o “Novo Progresso de Macau” durante o período eleitoral, também estão certamente bem informadas. De facto, os membros da lista do “Novo Progresso de Macau” analisaram os possíveis impactos que as acções desenvolvidas pelas forças policiais no âmbito do caso da “Doação de 100 milhões de yuans feita pela Fundação de Macau à Universidade de Jinan, em Guangzhou”, teriam, a curto prazo, no processo de Sulu Sou. Os membros da associação fizeram uma análise detalhada e uma avaliação dos riscos deste

caso, e foram de opinião que as acções de Sulu Sou são absolutamente sustentáveis em termos legais. A acusação é uma coisa e o julgamento é outra. Esta polémica não teve um efeito significativo nas eleições. Mas o que interessava era utilizar as acções de Sulu Sou como trunfo para atacar a oposição durante o processo eleitoral. No entanto, nessa altura, não existiram críticas directas aos seus comportamentos, apenas alguns rumores caluniosos e sem fundamento. E porque é que este assunto não foi trazido à baila de forma frontal? Será que não lhe deram

Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau

Já que se costuma dizer que a ausência de notícias é bom sinal, eu reformulo e passo a dizer, a ausência de opiniões é bom sinal. O parecer da Comissão de Regimento de Mandatos sobre Sulu Sou não é de todo tendencioso, o que quer dizer que os membros da Comissão foram incapazes de encontrar razões válidas para apoiar o termo do seu mandato. Se um deputado poder ser suspenso ou expulso sem provas substanciais, estar-se-á a ir contra a vontade dos eleitores e a prejudicar a própria Assembleia Legislativa. Recentemente, alguns jovens de Hong Kong saíram da prisão sob fiança após apresentação de recurso. Todos eles agradeceram a Rimsky Yuen, “Secretário da Justiça,” por ter permitido que os apoiantes da desobediência civil aprendessem uma lição valiosa e por ter ajudado a população a tomar consciência do valor do “estado de direito” em Hong Kong. Se o mesmo se passar em Macau, pergunto-me se os interessados irão “agradecer a Wong Sio Chak, o Secretário para a Segurança”.


20 opinião

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“New China’s was not a capitalist economy on the basis of private ownership, as in European and American countries, nor was it a socialist economy on the basis of public ownership, as in the Soviet Union and Eastern Bloc countries. It was something altogether novel: a new-democratic economy, with both a capitalist sector and a socialist element. The regime of the new democracy was a system of democratic centralism designed by the National People’s Congress. It was totally different from the parliamentary system of the former democracy, and belonged to the classification of the representatives’ conference of the socialist Soviet Union. However, it was also completely different from the Soviet system, because it eradicated class, while the Chinese system was based on an alliance of all revolutionary classes.” Characteristics of the Common Programme Draft by the Chinese People’s Political Consultative Conference, September 22, 1949. Zhou Enlai,

O

primeiro-ministro chinês Zhou Enlai, apesar do seu motivado discurso em Bandung, e das suas negociações com Kissinger, não era visto pelo Ocidente como um diplomata. A sua visita a África, em 1963, deixou-o muito desiludido quando os africanos rejeitaram o seu pensamento sobre a revolução, pois era o última ideia que os recém independentes países africanos procuravam. Tais países desejavam estabilidade. A China talvez tenha cometido erros com a África, assim como esta cometeu muitos erros consigo mesma, dado que o continente ficou dividido em cinquenta e cinco países e com duas mil subdivisões históricas, culturais e linguísticas. A China aprendeu como ser um estado o mais rápido possível, especialmente com os poderes coloniais que foram enfraquecidos pela II Guerra Mundial e que começaram a sair com mais avareza sem preparar as estruturas governativas e a administração pública dos estados que rapidamente se tornaram independentes. A Nigéria teve a sua sangrenta guerra civil no final da década de 1960. O Congo desmoronou-se desde o início da década de 1960. Nos países onde as potências coloniais se recusaram a sair, e ressalve-se a situação de Portugal que se recusou a descolonizar Angola, guerras sangrentas de libertação entraram em erupção, traduzidos em conflitos originados por movimentos competitivos de libertação. A China, em Angola, apoiou o movimento errado, ou seja, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) no poder desde a independência, em 1975, foi apoiado pelos soviéticos e cubanos.  A China apoiou no Zimbábue a luta armada de Robert Mugabe contra o governo da

minoria branca conservadora que, em 1965, declarou unilateralmente a independência como Rodésia, e liderado por Ian Smith. Robert Mugabe tornou-se primeiro-ministro, em 1980, ao ganhar as primeiras eleições democráticas. Em Abril desse ano, é declarada a independência, passando o país ter o nome que actualmente ostenta, e a partir de 1982 Mugabe começa a liderar o país como ditador, até 21 de novembro de 2017, quando renuncia a favor de Emmerson Mnangagwa que tomou posse como presidente, a 24 de Novembro de 2017. O apoio da China a Robert Mugabe significou não só amizade duradoura, como o Zimbábue sempre manteve com a China desde a independência em 1980, um rápido e ardiloso trabalho diplomático para reparar as relações com os países que não tiveram a ajuda chinesa, como foi o caso de Angola. Ainda que a China tenha começado a fornecer assistência ao desenvolvimento de África pouco depois de Bandung, é facto que iniciou uma nova fase dessa ajuda de forma mais aguerrida, muito ligada a futuras parcerias comerciais e exploração de recursos, após a era da libertação da maioria negra na década de 1990, quando a África do Sul finalmente alcançou o domínio da maioria negra sob a liderança de Nelson Mandela (prémio Nobel da Paz de 1993) e líder do Congresso Nacional Africano (CNA na sigla inglesa), fundado em 1940. Nelson Mandela foi presidente do país de 1994 a 1999. As parcerias comerciais e a exploração de recursos começaram em boa verdade, dez anos após a enunciação formal de Deng Xiaoping sobre as “quatro modernizações”, em 1978, de forma a que sua máquina industrial funcionasse e pudesse fabricar mercadorias para o comércio, que exigiam recursos minerais e petrolíferos em grande escala e que a África poderia fornecer. Aremoção das tensões políticas com os Estados Unidos, juntamente com a plenitude de todas as liberdades diplomáticas, foram igualmente importantes para o sentido chinês de globalização que, desde esse período, começou a alarmar o mundo ocidental, e com o assento no Conselho de Segurança da ONU, percebeu o seu significado, o que aplacou todos os seus presentimentos sobre ser o “império do meio”, apesar do longo período de marginalização. Apesar da caducidade da “Teoria dos Três Mundos”, a aspiração a um papel de liderança nunca desapareceu completamente da China, que entendeu que devia ser realizado pela diplomacia económica e não pela diplomacia política. Mesmo assim, a enunciação da teoria, conjuntamente com o reconhecimento diplomático da China pelos Estados Unidos, que conduziram a ter o referido assento no Conselho de Segurança da ONU, e ao sucesso das “Quatro Modernizações”, estabeleceu uma era de prosperidade e uma forma peculiar de globalização chinesa, pois o seu poder começou a estender-se a todos os cantos do planeta. O papel da África foi crucial, embora seja de enfatizar que o alarme ocidental sobre a

STEVE MCCURRY

A emergência

compra chinesa de tanta influência económica no continente nasce de análises muito fracas. Em primeiro lugar, a influência foi literalmente adquirida. A China não forçou a colonização da África, como a Europa o tinha feito. A China não apoiou o racismo por causa da expropriação mineral, como os Estados Unidos o fizeram e acima de tudo, a África não é um continente negro tolo e inocente que não podia fazer escolhas por si e em seu benefício.  A China sempre teve que negociar as portas de entrada para a África e apareceu com um novo modelo económico, que poderia ser chamado de “modelo de Xangai”,

em oposição a um “modelo de Washington” baseado nos imperativos políticos e na condicionalidade económica do Ocidente. O “modelo de Xangai”, era a condição leve, com um generoso carregamento de liquidez, projectos de desenvolvimento e fundos, que precederam a exploração de recursos minerais e petrolíferos. Se os africanos muitas vezes conduziram negócios difíceis, apesar dos medos ocidentais de inocência e da ingenuidade africana, os chineses geralmente, configuravam a África de forma condescendente e superior, e que foi especialmente real para as empresas privadas chinesas que poderiam ser terrivelmente


opinião 21

sexta-feira 1.12.2017

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

da China (II)

ingénuas e racistas nas suas ideias acerca da forma de operar em um contexto africano. A difícil gestão chinesa das minas da Zâmbia, por exemplo, levou a muitas mortes de trabalhadores locais sem condições adequadas de saúde e segurança, no quase inexistente sistema nacional de saúde do país.  Tal situação alargou-se a um sistema de valores que sustentava o modelo oficial chinês. A experiência e os ganhos de trabalhar na África ajudaram os chineses nos seus planos para o futuro. A África trouxe um novo amanhecer para a China. O Ocidente sempre desfilou, ao lado da sua generosidade, às vezes como condição para receber bene-

fícios, valores de democracia, pluralidade e transparência. A generosidade chinesa foi retratada como suborno e sem valor.  O que provavelmente está no trabalho realizado é a ética confucionista de “guanxi”, que descreve a dinâmica básica de redes de contactos e influências pessoais, e que constitui um conceito central da sociedade chinesa. No entanto, é uma reciprocidade em uma cadeia de hierarquias verticais. Enquanto os valores ocidentais na sua forma mais pura são horizontais, como em uma democracia, os valores confucionistas não o são. O respeito e a obediência fluem, desde a pessoa ao imperador.  Todavia, a provisão

e cuidados devem fluir para baixo, caso contrário, o imperador perderia o mandato do Céu. Além disso, a personagem superior não deve apenas causar um fluxo de valor, deve fazê-lo primeiro e, se o destinatário abaixo for particularmente fraco (ou subdesenvolvido), o fluxo para baixo deve ser generoso, o que revela a visão chinesa do destinatário africano, que é (talvez inconscientemente) de uma entidade mais fraca e comprovadamente menos desenvolvido.  O provimento chinês de acordos com adoçantes abundantes, pode ser visto como parte da responsabilidade chinesa em um arranjo hierárquico, mesmo quando toda a retórica é sobre parcerias iguais.  Tal, como na “Teoria dos Três Mundos”, o ethos subjacente era uma liderança chinesa e, implicitamente, de superioridade. Tal senso de liderança era, em um sentido mais verdadeiro, uma expressão do realismo chinês como uma abordagem das relações internacionais. A China considerou que era impotente e foi um grande choque psicológico, após milénios de poderio. Actualmente considera-se livre para voltar a ser novamente uma super potência, mas por causa da era de humilhação, teve um genuíno e confucionista senso de solidariedade com os outros que emergiam da mesma condição. Era um idealismo empático com realismo, o mesmo sentimento de afastamento cultural que levou a China a um perigoso estádio um século antes.  É de considerar que desta vez, com grande parte dos recursos do mundo em seu poder, está certa de que ganhará em parte a batalha da globalização. O caso chinês sugere que a apreciação cultural se torna importante para a compreensão da política externa, de forma que o “stress” da escola inglesa sobre a história e o “stress” da escola de Copenhaga sobre as formações discursivas, devemos acrescentar o “stress” nas formações culturais. No que concerne à China, o “stress” seria confucionista,  mas também no sentido preconizado pela escola inglesa, totalmente histórico, dada a memória íntima e a recordação do século de humilhação pelos poderes imperiais. O comportamento dos Estados Unidos após a II Guerra Mundial em relação à China não teria sido mais que um eco contínuo dessa situação. O avanço nas relações com os Estados Unidos, ocasionado em grande parte pelos esforços de Kissinger e Zhou, foi intuitivo e, na medida em que um actor intuitivo pode ser racional, lideraram sem a panóplia de ambos os lados do aparelho de formulação governamental de política externa, com toda a sua organização burocrática, e sem as respostas de repertório. Simplesmente não havia um repertório nesta situação. Há um outro exemplo em África, no qual o presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda, entrou em negociações com Frederik Klerk (presidente da África do Sul de 1989-1994 e vice-presidente de 1994 a 1996, sendo no último período presidente, Nelson Mandela) acerca do racismo sul-africano em 1989,

sem qualquer preparação racional, resumos de políticas ou biográficos. O presidente Kaunda, desconsiderou o seu Ministério dos Negócios Estrangeiros e o seu pessoal da Casa do Civil, entendendo que era uma racionalidade formada inteiramente pela intuição e fé na força moral da igualdade e no desejo pela paz. A China, no caso da África, estabeleceu um longo namoro, e está a receber o retorno à medida que os acordos de longo prazo de exploração de recursos naturais se concretizam. O sentimento nasceu de uma empatia chinesa pela humilhação de África nas mãos dos poderes coloniais e Zhou Enlai, em 1956, criou como marco da política chinesa, o princípio da não-intervenção nos assuntos internos dos outros países.  Esta foi simultaneamente uma observação do princípio fundamental do vestfalianismo, e também um compromisso com a África, de que a China não seria como as grandes potências que foram ao continente nos séculos XVIII e XIX.  A reforma da Organização da Unidade Africana (OUA), em 2000, viu a adopção do princípio da não-indiferença. É um princípio que tem sido irregular e selectivo, talvez simplesmente convenientemente observado, diante da turbulência e das matanças que continuam em certas partes da África até ao presente. Os chineses, associados com uma posição do século XX, nada têm a dizer à formal posição africana do século XXI. Talvez, e uma vez mais, olhando para trás se poderia negar à China a possibilidade de olhar o futuro que lhe pertence. Todavia, deve haver a consideração sobre a formulação da política externa chinesa que está a ser sujeita ao impulso e à tracção, nos termos que Graham Tillett Allison, Jr. descreve no seu livro “Reaking Foreign Policy: The Organizational Connection”, de diferentes organizações na ordem ideológica, económica e política chinesa, em que todos procuram adquirir posições em matéria de relações externas. Existem as estruturas organizadas do governo, como o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Gabinete do Primeiro-ministro do Conselho do Estado. Podemos dizer que as estruturas de pesquisa, particularmente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, têm sido até agora menos fortes, pois há os órgãos de política externa do Exército de Libertação do Povo Chinês, e acima os comités de política externa do Partido Comunista Chinês. As instituições financeiras chinesas, cada vez mais, têm uma grande palavra a dizer em toda a conjuntura. Todavia, os órgãos do partido são os mais importantes em matéria de tomada de decisões e ninguém sabe como funcionam. Na ausência de uma figura como Zhou Enlai, que foi correctamente e propositadamente impenetrável, pela sua sobrevivência política, poucos líderes existem com carácter ou personalidade, que se possa dizer terem carregado um poderoso ethos pessoal para o domínio global, como foram os casos de Zhou Enlai e Kissinger.


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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

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Amanhã CONCERTO COM ORQUESTRA DE MACAU Casa Garden | 16h00

Diariamente EXPOSIÇÃO “A MACAU QUE EU MAIS AMO” Fundação Rui Cunha | Até 8/12

O CARTOON STEPH

REPRESENTAÇÕES DA MULHER - COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX Museu de Arte de Macau | Até 10/12 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018 PROBLEMA 173

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 172

UM DISCO HOJE

MURDER ON THE ORIENT EXPRESS SALA 1

MURDER ON THE ORIENT EXPRESS [B] Fime de: Kenneth Branagh Com: Penelope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Daisy Ridley, Josh Gad 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

WONDER [B] Fime de: Stephen Chbosky

O mais importante é fortalecer a coisa, tornar os alicerces em músculos vigorosos e envidar todos os esforços para solidificar o sistema. Como diria o Zé Mário, “consolida filho, consolida”. É imperioso estabilizar para tornar a coisa tonificada, robusta, capaz de aguentar os abalos trazidos mãos assassinas. Em todo o lado abalam sismos e cataclismos de destabilização, quando tudo o que queremos é sossego, um soninho tranquilo, narcotizado em berços de conforto. Que os mercados tenham sonhos cor-de-rosa e que os preços se mantenham serenos, tranquilos, na paz dos senhores. Que todos sejamos embalados pela mão sábia do estatuto, que só quer o melhor para nós, que recomenda legumes às refeições, que lavemos os dentes quatro vezes ao dia e aquela parte atrás das orelhas no duche. É vital para a nossa subsistência consolidar a consolidação, principalmente quando se fala em reforma. É nossa obrigação seguir o rumo traçado com obediência e alegria, dentro dos eixos, de forma a orgulhar as nossas santas mães e a honrar os mais beatos intentos. Temos de ser o melhor de nós, sempre no contexto do pacato acatamento, da doutrina da observância, temos de ser bons meninos e respeitar os senhores. Precisamos envidar hercúleos empenhos para consolidar a consolidação. João Luz

SLEEP PARTY PEOPLE | 2010

Imagine-se a sensação de deixar uma discoteca já no final da noite, quase a roçar a manhã de um novo dia, e se segue para casa, a pedir sons bem mais calmos para a mente. Pode parecer cliché, mas esta é exactamente a sensação que se tem quando se ouve este álbum da banda dinamarquesa. As batidas de dreampop ou post-rock deste interessante projecto musical também caem bem ao final de tarde. Andreia Sofia Silva

Com: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

HAPPY DEATH DAY [C] Fime de: Christopher Landon Com: Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SUDOKU

DE

SALÃO DE OUTONO Casa Garden

C I N E M A

1.21

A CONSOLIDAÇÃO

CONCERTO COM ORQUESTRA DE MACAU Galeria do Tap Seac | 18h30

Cineteatro

YUAN

PÊLO DO CÃO

INAGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “LAI CHI VUN REBIRTH – EXPOSIÇÃO DE OBRAS CRIATIVAS DA ÁREA DOS ESTALEIROS DE LAI CHI VUN”

EXPOSIÇÃO “PHOTOSYNTESIS” DE TANG KUOK HOU IFT Café | ATÉ SÁBADO

0.24

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retrato 23

ANITA YU

sexta-feira 1.12.2017

ANITA YU, RELAÇÕES PÚBLICAS

U

“A vida dos animais é tão importante quanto a dos humanos”

M novo desafio. Foi com esta mentalidade que Anita Yu, residente em Hong Kong, se mudou em Janeiro de 2010 para Macau. Na altura, a decisão foi motivada pela vontade de provar que era capaz de viver sozinha, sem estar dependente da família. O facto do seu contrato de trabalho também estar a chegar ao fim, ajudou a tomar a decisão. Hoje, passados quase oito anos, a relações públicas mostra-se muito feliz com a experiência. “Ainda me recordo que quando anunciei aos meus amigos que me ia mudar para Macau de forma permanente, que algumas das resposta que ouvi foram: ‘Não acredito’, ‘Não consegues viver sozinha’ ou ‘Vais regressar muito depressa’”, recordou Anita Yu, ao HM. “Como odeio que coloquem em causa as minhas decisões, prometi logo que ia adaptar-me e que iria mostrar às pessoas que me provocaram que seria bem sucedida. Sou o tipo de pessoa que assim que toma uma decisão, se mantem fiel ao plano. Bem... nesse aspecto acho que me podem considerar teimosa,” considerou. A resolução de se mudar para o território foi bem ponderada, isto porque embora tenha nascido em Hong Kong, os pais de Anita são emigrantes de Macau. Por essa

razão, a relações públicas sabia bem o que ia encontrar. “Estava acostumada a viajar duas vezes por ano para Macau, na altura do Versão e do Natal para encontros familiares. Estava familiarizada com a cidade desde pequena”, admitiu. Enquanto residente em Macau, o espaço de um ano foi suficiente para que a Anita decidisse que queria ficar mesmo no território: “Depois de ter passado um ano no meu trabalho, apercebi-me que a cidade é um bom local para viver. Macau não é só jogo e casinos, é uma cidade muito rica nas áreas das artes e cultura, com uma herança patrimonial muito significativa e com comida deliciosa”, defendeu. Em relação às pessoas da RAEM, Anita considera que são muito afáveis e calorosas. “Gosto muito da forma como as pessoas aqui resolvem os problemas e como são capazes de se dedicar a uma missão com um sentido colectivo. O melhor exemplo, e o mais óbvio, foi a forma como nos ajudámos após a passagem do tufão Hato”, considerou.

O MELHOR DOS DOIS MUNDOS

Se por um lado, Anita reside em Macau, por outro, sempre que pode aproveita para

regressar às origens. Um ambiente que lhe permite mais facilmente relaxar. “Eu gosto muito de Macau, mas Hong Kong é o lugar onde estão as minhas raízes. O amor da família é essencial. Acho que para todos nós é necessário sabermos onde procurar este amor incondicional, principalmente quando nos sentimos perdidos e cansados. Tenho a sorte de ter uma família grande e muitos amigos à minha volta em Hong Kong”, explicou, a residente de 35 anos. Ainda sobre a ocupação dos tempos livres, quando não vai para Hong Kong, Anita gosta de ir a festas, nadar e fazer caminhada. “O stress faz parte da nossa vida profissional, acho que é uma coisa inevitável. Felizmente existem soluções simples que nos podem ajudar: ir a festas, nadar ou fazer caminhada. Nesse aspecto, Coloane é o pulmão da cidade e tem os melhores trilhos. Acaba por ser o melhor local da cidade para mim”, considerou. Em relação a viagens, a relações públicas adora viajar para a Tailândia, porque considera que o país dos sorrisos “é um verdadeiro retiro que permite estar em contacto com a verdadeira natureza”.

Outra das grandes paixões de Yu são os animais e a sua cadela Daw Daw, que em cantonês significa pequeno feijão. Um amor que nem sempre foi correspondido. “Para ser sincera, eu tinha muito medo de cães, depois de quase ter sido mordida, em pequena, por um cão enorme. Só que depois conheci esta cadela da raça golden retriever, que é muito meiga e paciente. Só com ela é que consegui tocar, pela primeira vez, num cão”, confessa. “Adoro animais. E desde Janeiro deste ano que deixei de comer carne. É a minha forma de amar e proteger os animais. Mas gosto especialmente de cães porque dedicam o seu afecto sem reservas e sem expectativas. Os cães têm personalidades muito semelhantes à minha”, sustentou. É por isso que num futuro próximo, Anita Yu tem intenções de se dedicar durante mais tempo a realizar trabalho voluntário para ajudar animais: “Acho que todos nascemos com uma missão. A minha é ajudar as pessoas a compreender que a vida dos animais é tão importante quanto a dos humanos”, concluiu. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


Ah o Grande Cais donde partimos em Navios-Nações! Álvaro de Campos

PALAVRA DO DIA

sexta-feira 1.12.2017

GUIA MICHELIN 10ª EDIÇÃO MANTÉM CLASSIFICAÇÕES

Estrelas pálidas

TNR Número em queda

Macau perdeu 1.546 trabalhadores contratados ao exterior no intervalo de um ano, contando com 176.669 no final de Outubro, indicam dados oficiais. De acordo com dados da Polícia de Segurança Pública (PSP), disponíveis no portal da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, a mão-de-obra importada manteve-se praticamente inalterada (176.666) em termos mensais. A China continua a ser a principal fonte de mão-de-obra importada de Macau, com 111.528 trabalhadores (63,1% do total), mantendo uma larga distância das Filipinas, que ocupa o segundo lugar (28.047), seguindo-se o Vietname (14.731). O sector dos hotéis, restaurantes e similares absorve a maior fatia de mão-de-obra importada (50.164), seguido do da construção (30.383). A construção foi o ramo que registou a maior quebra: no intervalo de um ano perdeu 6.427 trabalhadores. As actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços agrupavam 13.368 trabalhadores do exterior – menos 210 face a Outubro de 2016 –, dos quais 845 eram trabalhadores da construção civil contratados directamente pelas empresas de lotarias e outros jogos de apostas, contra os 1.086 do mesmo mês do ano passado, segundo os mesmos dados. Já o ramo dos hotéis, restaurantes e similares ‘ganhou’ 718 trabalhadores no mesmo período, um aumento que não foi suficiente para compensar a diminuição sentida no sector da construção, que abrandou com a conclusão de diversos empreendimentos turísticos. A mãode-obra importada equivalia a 45,6% da população activa e a 46,5% da população empregada, estimadas no final de Outubro.

TAP Accionista chinês quer sair

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O grupo chinês HNA, acionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul, quer desfazer-se de parte dos seus activos, depois de ter investido, nos últimos anos, 33 mil milhões de euros alémfronteiras. “Farei o meu melhor para sair de investimentos que foram permitidos no passado, mas não o são mais”, afirmou o director-executivo, Adam Tam, esta semana, durante um fórum organizado pela revista chinesa Caijing.

D

E Z O ITO restaurantes de Macau mantiveram as classificações atribuídas pelo Guia Michelin Hong Kong Macau, que ontem apresentou a 10.ª edição no território. “As estrelas Michelin não são vitalícias e têm que ser conquistadas todos os anos”, com ambição e qualidade “características predominantes dos escolhidos”, afirmou o diretor internacional dos Guias Michelin, Michael Ellis. O Guia inclui 65 estabelecimentos em Macau, além de 227 em Hong Kong. “Dez anos após a primeira seleção para Hong Kong e Macau, estamos satisfeitos por verificar a vitalidade da atividade culinária: o número de restaurantes com estrelas triplicou”, sublinhou Ellis. O responsável destacou a “identidade única de Macau,

um cruzamento entre Ocidente e Oriente, especialmente reflectida na cozinha macaense”. Nesta nova seleção para Macau, os restaurantes Robuchon au Dôme e The Eight, ambos no hotel-casino Grand Lisboa, mantêm as três estrelas Michelin, tal como acontece com os cinco que tinham duas estrelas (Feng Wei Ju, Golden Flower, Jade Dragon, Mizumi e The Tasting Room). Macau tem ainda 11 restaurantes com uma estrela Michelin: King, Lei Heen, 8 1/2 Otto e Mezzo-Bombana, Pearl Dragon, Shinji by Kanesaka, The Golden Peacock, The Kitchen, Tim’s Kitchen, Wing Lei, Ying e Zi Yat Heen. Só na distinção “Bib Gourmand”, conferida aos restaurantes que oferecem menus de três pratos por menos de 400 patacas (cerca de 40 euros), surge um restaurante de comida portu-

guesa, O Castiço, entre os nove estabelecimentos indicados em Macau. Entre estes, conta-se novamente o restaurante do Instituto de Formação Turística (IFT) de Macau. Em Hong Kong, oito novos restaurantes receberam uma estrela Michelin, mantendo-se a mesma classificação para 46 outros. A seleção para 2018 manteve ainda a distinção de três estrelas de seis restaurantes (Bo Innovation, L’Atelier de Joël Robuchon, Lung King Heen, 8 1/2 Otto e Mezzo-Bombana, Sushi Shikon, T’ang Court) e de duas estrelas para 11 estabelecimentos na antiga colónia britânica. A escolha “Bib Gourmand” incluiu mais 17 restaurantes de Hong Kong, alargando a lista a 73 estabelecimentos. “A seleção destaca a riqueza culinária local e a qualidade da cozinha cantonense”, afirmou Ellis.

Lawrence do Japão

Melco Crown confiante na construção do “Cidade do Futuro”

A

concessionária de jogo Melco Crown anunciou ontem mais detalhes sobre a construção do resort integrado no Japão, intitulado “A Cidade do Futuro”, sendo que, para já, a empresa ainda está a estudar duas localizações possíveis na cidade de Osaka: Umekita e ilha de Yumeshima. “A Melco está, de forma activa, a construir a sua equipa no Japão, recrutando profissionais oriundos de várias áreas e que representam uma diversidade de experiências. A empresa acredita que isso vai ser crucial para a elaboração de uma estratégia para esse mercado”, lê-se no comunicado oficial.

A tecnologia será um ponto forte neste resort, uma vez que o edifício terá uma “fachada futurista” com a “mais avançada tecnologia de reconhecimento facial do mundo, para garantir

o jogo responsável e a segurança”. A Melco Crown pretende ainda “oferecer ao Governo japonês acesso à partilha de dados com os sistemas de modo a garan-

tir uma colaboração efectiva na segurança contra questões sociais que possam advir do jogo”. Num evento realizado na cidade de Tóquio, Lawrence Ho, CEO da Melco Crown, revelou que “aquilo que iremos fazer no Japão é que o temos vindo a fazer desde o primeiro dia e o que realizamos em Macau, nas Filipinas e no Chipre: construir com parceiros locais e investir em arquitectura e design de topo, criando um ambiente de experiências sofisticado”. “Nós sonhamos mais, pensamos de forma diferente e fazemos mais. Isto significa que, na prática, os nossos resorts trazem valor acrescentado às comunidades. O resort Cidade do Futuro vai cultivar um consumo local sustentável”, disse Lawrence Ho. A.S.S.

AL Caso Sulu Sou será discutido na segunda

O recém eleito deputado Sulu Sou será o foco do plenário da Assembleia Legislativa da próxima segunda-feira, quando o hemiciclo votar se o pró-democrata deve ver o seu mandato suspenso para que seja julgado por desobediência agravada. Entretanto, no domingo a Associação Novo Macau organiza uma concentração junto à Rotunda Carlos da Maia de apoio ao deputado Sulu Sou. A manifestação tem início marcado para as 20h

Macau tem mercado para estruturas ecológicas

Tai Lee Siang, presidente do World Green Building Council, participou no fórum realizado no Centro de Ciência de Macau, onde, segundo o jornal Ou Mun, disse que Macau tem potencial de mercado para o desenvolvimento de infra-estruturas amigas do ambiente, apesar de ter pouca população. O responsável disse que Macau apresenta as condições adequadas para esse investimento, dado o rápido desenvolvimento económico do território. Tai Lee Siang sugeriu que o sector da construção civil coopere com o Governo para que se possa erguer uma cidade verde de forma sustentável. O presidente da Associação China Green Building and Energy Saving (Macau), Chuck Chung Yin, acha que Macau está ainda numa fase inicial no desenvolvimento de infraestruturas verdes.

Eleições CAEAL vai recomendar alterações

Tong Hio Fong, o ainda presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), revelou que irá fazer recomendações ao Chefe do Executivo no sentido de aperfeiçoar o processo das eleições legislativas. Ficará nas mãos de Chui Sai On aceitar, ou não, as sugestões da CAEAL. Tong Hio Fong não quis especificar quais os aspectos que considera merecedores de revisão. À margem de uma conferência de direito processual civil, o presidente revelou que o relatório da CAEAL sobre as últimas eleições deverá ser entregue ao Chefe do Executivo ao longo do primeiro trimestre do próximo ano. Em relação à possibilidade de se aumentar o elenco de deputados eleitos por sufrágio directo na Assembleia Legislativa, o presidente da CAEAL entende que essa não é uma decisão que compete ao organismo que preside, tratando de algo do foro político. Em relação à forma como a comissão eleitoral agiu durante as eleições de 17 de Setembro, Tong Hio Fong entende que a CAEAL agiu em conformidade com a lei.

Hoje Macau 1 DEZ 2017 #3947  

N.º 3947 de 1 de DEZ de 2017

Hoje Macau 1 DEZ 2017 #3947  

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