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terça-feira 1 de dezembro de 2015 • ANO Xv • Nº 3465

Agência Comercial Pico • 28721006

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Director carlos morais josé

hojemacau segurança lei da imigração ilegal em revisão

Cerco maior

Wong Sio Chak, Secretário para a Segurança, anunciou ontem na Assembleia Legislativa que a Lei da Imigração Ilegal vai ser revista por se encontrar obsoleta.

Na calha estão medidas como o alargamento do prazo de detenção de imigrantes ilegais, de 60 para 90 dias e o ataque aos casamentos fictícios.

antónio falcão

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refugiados | macau

Noves fora catorze

sociedade Página

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literatura

Novas letras de mestre Henrique eventos

opinião

Da China tânia dos santos Página 15

caso lai man wa

Nada na manga política Página

h

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Naruse na Cinemateca pub

boi luxo


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política

O Governo vai rever a Lei da Imigração Ilegal, aumentando o período de detenção. A medida é anunciada pelo Secretário para a Segurança, que diz que a lei está obsoleta e assegura que vai ainda ser estudada a introdução do casamento fictício no novo diploma

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Secretário para a Segurança Wong Sio Chak anunciou ontem a revisão, em 2016, da Lei de Imigração Ilegal, alegando que esta se encontra obsoleta. Uma das mudanças está relacionada com o prazo de detenção, que aumenta em um mês, até porque, diz o responsável, a lei já não “consegue ser eficaz”.

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Governo revê Lei da Imigração Ilegal. Detenção passa para 90 dias

Os trâmites necessários gcs

“Vamos agora alargar o tempo de detenção de 60 para 90 dias, dado que devido à questão da identificação nem sempre conseguimos [identificar] e não podemos expulsá-los, mas apenas emitir um título de permanência provisório” Wong Sio Chak Secretário para a Segurança

“Vamos agora alargar o tempo de detenção de 60 para 90 dias, dado que devido à questão da identificação nem sempre conseguimos [identificar] e não podemos expulsá-los, mas apenas emitir um título de permanência provisório”, disse, acrescentando que a ideia com o alargamento do prazo é precisamente facilitar os “procedimentos administrativos” que, defende, são demasiado morosos.

Quem discorda da medida é o deputado Au Kam San, que considera ser contraproducente alargar o tempo de processamento. “Em vez de se alargar o período, deviam-se acelerar os processos. Porque se assim for, estaremos sempre a alargar os períodos e os processos administrativos continuam a ser demorados na mesma”, lamentou. De acordo com o Comandante Leong Man Cheong,

a morosidade deve-se à necessidade de contactar os consulados dos países de onde os imigrantes ilegais provêm. “Temos que tratar dos seus documentos (...), de diligenciar junto dos consulados em HK”, começou por explicar “Às vezes [os imigrantes] declaram falsas informações para tentar enganar as autoridades e, através do consulado do país, o processo é relativamente moroso (…) Só podemos emitir uma notificação de permanência provisória e ultrapassando as 48 horas [de detenção] temos de podemos pedir ao tribunal que emita uma ordem de detenção até 60 dias”, completou o Comandante das Forças de Segurança de Macau (FSM).

Cerco da identificação

Esta não é, contudo, a única novidade, já que do conteúdo da lei poderá fazer parte

o casamento fictício. Para já, a medida vai apenas ser estudada, garantiu Wong Sio Chak, que acredita que a imigração ilegal e uma lei ineficaz são “um problema para a segurança”. O responsável adiantou ainda que de Janeiro a Outubro deste ano foram emitidos 1200 títulos provisórios que envolviam 800 pessoas. Destas, 280 foram expulsas e ficaram pendentes mais de 900 casos, a grande maioria de cidadãos do sudeste asiático. “Reforçámos a fiscalização nas zonas mais críticas e vamos continuar a reprimir actos de imigração ilegal juntamente com o continente”, acrescentou o líder das FSM. Leong Man Cheong anunciou ainda a colocação, no próximo ano, de 41 novos postos de passagem automática em fronteiras do território, às quais se juntam mais instalações

de identificação facial e por impressão digital. O método de identificação facial já valeu aos serviços competentes o reconhecimento de cem pessoas que se encontravam no território sem qualquer documento identificativo. De acordo com Ho Ion Sang, a imigração clandestina aumentou 64% face ao ano passado, com o registo de 1810 casos. “Sabem apurar as razões desta imigração clandestina?”, questionou-se. Ao deputado, Wong Sio Chak respondeu que o aumento se deve à procura, por parte de residentes do continente, de trabalho. Além disso, o responsável confirmou o número referido por Ho Ion Sang e explicou que o aumento do número de casos se deve à “diferença das economias da China e de Macau”, sendo que as pessoas vêm em busca de melhor qualidade de vida. “Este ano, a DSAMA, a PSP e outros serviços reforçaram as suas operações contra a imigração clandestina e a China também apertou mais o cerco à imigração normal”, esclareceu. No que respeita às pessoas que excederam o tempo de permanência permitido por lei, Leong Man Cheong fala de um número avultado. “Só este ano mais de 41 mil pessoas permaneceram em Macau mais do que deviam, face aos registados 24 mil no ano passado”, disse.

PJ cria núcleo de segurança cibernética 

Polícia Executivo promove equipa dedicada aos turistas

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servindo somente para fiscalizar eventuais acções de terrorismo e hacking. “Quero frisar que isto não serve para limitar o uso da internet, da palavra e da liberdade de expressão, mas sim assegurar a segurança cibernética, nomeadamente para as instalações governamentais”, sublinhou. “Não há qualquer relação entre este núcleo e a liberdade de expressão”, acrescentou o Secretário. É que as outras jurisdições, frisa, já têm regulamentos destes “há vários anos”. O anúncio surgiu na sequência de uma série de intervenções de deputados, incluindo de José Chui Sai Peng, que se questionou acerca dos crimes cibernéticos: “como pode o Governo fazer uma melhor monitorização dos crimes na internet?”, perguntou. L.S.M.

Governo vai criar a Polícia Turística, uma equipa policial inteiramente dedicada ao tratamento de questões relacionadas com o turismo em Macau. “Vamos criar a polícia turística e este novo tipo de polícia é virado para os turistas, vem prevenir a criminalidade nas zonas turísticas, controlar tiago alcântara

Polícia Judiciária (PJ) prepara-se para criar o Núcleo de Segurança Cibernética, que vai dedicar-se inteiramente à monitorização do mundo online. “A PJ vai estudar a criação de um núcleo de segurança cibernética e estudar as funções que este vai ter, incluindo os parâmetros, com vista a criar um mecanismo de classificação e de alerta”, esclareceu Wong Sio Chak ontem, durante a apresentação das LAG para a Segurança. “Há que dispor de recursos humanos suficientes e a PJ vai proceder ao recrutamento de pessoal para encher os quadros”, disse o Secretário. Além disso, Wong Sio Chak quis deixar claro que esta plataforma não vai tirar aos cidadãos a sua liberdade de expressão no meio online,

o fluxo de multidões e recolher informações, ajudar os turistas na resolução de problemas como extravio de objectos ou documentos”, começou Wong Sio Chak por explicar. O colectivo deverá começar com cerca de 20 elementos para em 2017 ser aumentada para mais de 30.

Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

“Quando houver concentrações excessivas, temos que proceder à sua triagem (…) Em 2016, vai ter mais ou menos 30 elementos e cobrir o Leal Senado, as Ruínas de S. Paulo, o Museu de Nan Tcha, o Teatro D. Pedro, a Casa do Mandarim, o Museu Marítimo”, explicou o Secretário para a Seguança. A ideia é ir formando forças policiais específicas para lidar com os turistas que vêm até à região. Uma das habilidades desejadas é no campo da linguagem. “Esperamos poder escolher elementos como boas capacidades linguísticas, de modo a que os turistas possam ser realmente bem apoiados (…) Em 2017, vamos proceder ao alargamento da equipa.” Nas suas intervenções, Ma Chi Seng perguntou a Wong Sio Chak se será criada uma linha aberta de contacto com este tipo de polícia, algo que poderá acontecer, segundo o responsável da tutela. L.S.M.


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Está tudo à mostra O

A autorização para Macau ter jurisdição sobre águas marítimas vai levar o Governo a reforçar os meios dos Serviços de Alfândega. No próximo ano, o número de funcionários também deve aumentar com a abertura de 150 vagas para o quadro. O Executivo vai adquirir “navios e equipamentos” e vão ser aumentados os postos de controlo em alguns locais. A ideia é a “aceleração da resposta perante incidentes imprevistos a ocorrer dentro de todo o território marítimo sob a jurisdição de Macau”, disse Wong Sio Chak, que prometeu também “a intensificação da cooperação com os serviços marítimos das zonas adjacentes e a partilha conjunta da informação relativa ao controlo de tráfego de navios e às infracções cometidas”.

sem sabermos por que razão”, argumentou o deputado. O democrata acusou o Governo de estar a encobrir informações. “O que é que o Governo está a encobrir?”. Também Ng Kuok Cheong se insurgiu, pedindo mais dados ao Governo.

Caso por concluir

Em resposta, Wong Sio Chak disse, por mais do que uma vez, que o Governo está a disponibilizar todas as informações em tempo devido, acrescentando que a investigação ainda está a decorrer. “Já fizemos muitos trabalhos de investigação, incluindo forenses, com câmaras de vigilância e perguntámos a todas as pessoas que conheciam a senhora, com vista a

encontrar causas para o suicídio”, disse. A isto, o Secretário acrescentou que está ainda a decorrer a investigação, estando ainda por publicar um relatório final. “Após a investigação, a PJ vai efectuar um relatório final e vamos apresentá-lo ao Ministério Público e divulgar à população quando tivermos a concordância dos familiares”, completou. “Quando eu e o Chefe do Executivo demos a notícia, nunca demos o caso por finalizado”, continuou Wong Sio Chak, na sua resposta a Au Kam San. O Secretário concluiu dizendo que tudo foi efectuado “de acordo com as normas internacionais”. Leonor Sá Machado

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“Na véspera não havia sinais de suicídio, estava bem disposta mas foi confirmado suicídio sem sabermos por que razão” Au Kam San Deputado

Reestruturação Instituto de Menores fica sob tutela do EPM

Segurança também arruma a casa não me parece adequado, os destinatários são diferentes (...), o IM deveria ficar na tutela do Instituto de Acção Social.”

Que sentido?

A novidade apanhou, aliás, uma série de deputados de surpresa, que se questionaram sobre a lógica da mediTiago Alcântara

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Instituto de Menores (IM) vai passar a estar sob tutela do Estabelecimento Prisional de Macau (EPM), segundo um anúncio feito ontem pelo Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak. Esta é uma das alterações que o responsável da tutela apresentou nas Linhas de Acção Governtiva para 2016. A outra é a transferência do Gabinete do Coordenador da Segurança para os Serviços de Polícia Unitários (SPU) e a da Comissão dos Combustíveis para os Bombeiros. “A carreira de docentes [do Instituto de Menores] vai-se enquadrar nos quadros da EPM e existe a necessidade de fornecer algum apoio psíquico ou psicológico (…) As funções destas duas entidades não são contraditórias, o que devemos fazer para que a EPM funcione sem sobressaltos é aproveitar as forças da sociedade para que estes delinquentes juvenis se integrem rapidamente”, esclareceu, perante a dúvida levantada por Au Kam San sobre se o EPM não teria uma intenção mais “punitiva”, enquanto o IM “seria mais educativo”. O deputado da bancada democrata deu até outra solução: “o IM no EPM

Secretário para a Segurança assegurou ontem, perante questões dos deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong, que o Governo “não está a encobrir” nada acerca da investigação da morte da ex-directora dos Serviços deAlfândega, Lai Man Wa. A questão foi trazida ao hemiciclo pelo deputado Au Kam San, que quis saber qual a verdadeira razão para o alegado suicídio da responsável. “Isto gera desconfiança e dúvidas no seio da sociedade (…) Só quem não tem conhecimento utilizava esses métodos [de suicídio] tão complicados. Na véspera não havia sinais de suicídio, estava bem disposta mas foi confirmado suicídio

Tiago Alcântara

Lai Man Wa Governo “não está a encobrir nada”, garante Wong Sio Chak

S.A. com mais meios devido às águas marítimas

da. Para Ng Kuok Cheong, por exemplo, a aglutinação de serviços vem “agravar a estigmatização dos menores” porque serão inseridos no EPM. Para Chan Iek Lap, é “muito importante” que seja preservado o acto de corrigir os comportamentos desviantes, pelo que também para o deputado disse temer

que a integração do Instituto no EPM não seja uma medida positiva. Wong Sio Chak confirmou apenas que “o local é o mesmo do IM e não vai ficar dentro do EPM, vai ficar fora”. No entanto, há mais mudanças: os SPU passam a ser conduzidos pelo Gabinete de

Coordenação de Segurança, enquanto a Comissão de Combustíveis passa para a direcção dos Bombeiros. “A integração do SPU no Gabinete será discutida muito em breve”, assegurou Wong, frisando ainda que é necessário “eliminar a cultura de passividade e passar a uma cultura energética”. L.S.M.

Raimundo do Rosário Plano director só no final do ano 2016

A elaboração do plano director deve ser iniciada em finais do próximo ano. A explicação foi dada pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas que disse, na passada reunião do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), que a elaboração do plano director de Macau, são precedidos de um estudo estratégico e que, por isso, só em 2016 haverá novidades sobre o plano director. Neste momento é necessário, como anteriormente avançado pelo Governo, este estudo estratégico, que, segundo o Chefe do Executivo, Chui Sai On, deverá ter início ainda este ano. Relativamente ao relatório da 3ª fase de auscultação pública sobre o projecto do Plano Director dos Novos Aterros, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes indicou, em comunicado à imprensa, que está prevista a sua conclusão e apresentação no próximo mês de Fevereiro.


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Os deputados mostraram-se ontem satisfeitos, no geral, com as respostas do Secretário para a Segurança durante o debate que sucedeu à apresentação das Linhas de Acção Governativa da sua tutela

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LAG 2016 Wong Sio Chak recebe nota média dos deputados

o Ion Sang, que se questionou acerca da instalação de câmaras de videovigilância, foi um deles, dizendo estar contente com a resposta do Secretário.  “Wong Sio Chak afirmou que as videovigilâncias vão abranger os pontos com mais incidência criminosa, bem como os sítios onde tem lugar imigração ilegal”, disse ao HM, ainda que acrescentado que, no entanto, há uma das respostas que não agradou muito: esta está relacionada com a cooperação de trabalhos interdepartamentais do Gabinete do Chefe do Executivo com os Secretários para a Administração e Justiça, para a Segurança e para Transportes e Obras

Públicas no que toca à montagem das câmaras.  “Na fase inicial, os trabalhos são da responsabilidade do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas e os Serviços de Polícia Unitários participam. No entanto, não me parece que tenha sido essa a mensagem passada pelo Secretário”, argumentou. “Receio que se gaste demasiado dinheiro numa coisa que pode não resultar em nada”, lamenta.  Quanto à questão de imigração ilegal após obtenção da jurisdição das águas, Ho Ion Sang considera a matéria desafiante, mas Wong Sio Chak defende a ideia de consolidar a execução das leis, bem como de rever os regulamentos respectivos para aumentar a multa, algo positivo para Ho Íon Sang. 

gcs

Se diz que sim, é porque sim

Voto de confiança

Já o deputado Chan Meng Kam mostrou-se confiante no desempenho do Secretário, referindo que ele “assegurou” que vai rever as leis”. Além disso, afirma ainda que viu as suas questões esclarecidas, nomeadamente sobre o crime nas salas VIP.  A propósito da fusão de departamentos do Gabinete de Coordenador de Segurança com as Forças de Segurança, disse-se satisfeito. É que, argumenta, “os trabalhos dos

dois Departamentos de Gestão de Recursos da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança e o Corpo de Polícia de Segurança Pública sobrepõem-se”. No que toca à criação de um centro de segurança da rede, o deputado Chan Meng Kam espera que Wong Sio Chak explique melhor a necessidade da criação de um regime jurídico. Para Chan

Orçamento Governo chamado a justificar gastos e PIDDA

Expliquem lá melhor A

2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), presidida por Chan Chak Mo, considera ser necessário o Governo dar mais explicações quantos aos gastos previstos na Lei do Orçamento de 2016, agora em análise na especialidade, depois de aprovada na generalidade na semana passada. “Hoje ouvimos a nossa [equipa de] assessoria económica que diz que há falta de informações [na proposta de lei]”, começou por dizer Chan Chak Mo, dando como exemplo o caso do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA). A Comissão considera que, entre o período de Janeiro a Setembro, o orçamento peca por falta de informações importantes. “Ainda no PIDDA, sabemos que constam 18 projectos que compreendem construções

e grande reparações (...) com um valor bastante avultado de 145 mil milhões [de patacas], mas há falta de informações sobre estas obras”, apontou o presidente, indicando que espera que o Governo pormenorize os gastos já na próxima reunião com a Comissão, agendada para quarta-feira.

Alexis na cadeira

As informações suplementares já atribuídas à Comissão sobre o

orçamento para o próximo ano não são, portanto, suficientes. A Comissão notou ainda que o Gabinete para os Assuntos Sociais e Cultura registou um aumento notório nas despesas previstas, sendo por isso necessário que o Governo justifique esta previsão de gastos. “Verifica-se [no Gabinete para os Assuntos Sociais e Cultura] um aumento bastante significativo no que diz respeito às despesas para o próximo ano”, apontou Chan Chak Mo, sublinhando que na próxima reunião conta com a presença de vários representantes do Governo. Em relação aos outros serviços, Chan Chak Mo explica que a Comissão irá convidar os respectivos representantes para reuniões futuras para “conhecer a situação de cada” um. Filipa Araújo

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Meng Kam, não faz sentido criar um núcleo sem primeiro desenvolver a legislação que o vai regulamentar. Já Au Kam San considera que o Secretário foi para o hemiciclo bem preparado, mas sem grandes novidades para dar. Em declarações ao HM, José Pereira Coutinho insistiu, mais uma vez, na necessidade do Regime

de Previdência para funcionários públicos, desta vez frisando a necessidade das Forças de Segurança e Bombeiros estarem cobertos: “como é que um bombeiro vai subir a um edifício alto, correr perigo de vida para salvar outras pessoas, sem ter a certeza que a família está protegida?”, questionou-se ao HM. Flora Fong

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Vigilância Número de câmaras aumenta até Junho

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odas as câmaras de videovigilância vão estar instaladas e em funcionamento em Junho de 2016, disse ontem Wong Sio Chak. O Secretário para a Segurança anunciou ainda que o número de câmaras vai aumentar, passando de 1500 para 1620 sistemas. A segunda fase de instalação vai ter lugar já no próximo mês. “Ultimamente todos estão muito atentos em relação a esta obra [das câmaras]. Temos um grupo que reúne trabalhadores do Gabinete de Desenvolvimento de Infra-Estruturas (GDI), da PSP e dos Serviços de Polícia Unitários (SPU). A segunda fase vai servir para instalar 263 [câmaras] e, na terceira, serão instaladas 800”, avançou. “Em Junho vamos ter tudo instalado.” A resposta de Wong Sio Chak veio na sequência da intervenção de Ho

Ion Sang, que se questionou acerca do prazo de finalização deste projecto, mas também sobre o montante total envolvido na referida instalação. O deputado vai mais longe: pede que seja dada prioridade àquilo que chama como “zonas negras”. A título de exemplo, fala dos bairros antigos e postos transfronteiriços. “As zonas em que a segurança é mais crítica devem ser mais prioritárias (…) zonas antigas são pontos negros”, disse. Além disso, optou por sublinhar que só a instalação de 219 câmaras já custaram ao erário público 62 milhões de patacas. “Está planeada a instalação de 1620 câmaras. Quanto é que isto vai custar?”, perguntou Ho Ion Sang ao Secretário para a Segurança. Alguns deputados mostraram-se receosos com a invasão de privacidade que estas câmaras podem representar para os cidadãos. Exemplo disso foi Lau Veng Seng, que questionou o Secretário sobre como é que o seu Gabinete está a pensar proceder à instalação sem violar a privacidade de cada um. Mas não foi o único. “Será possível verificar se a minha vida privada foi captada pelas câmaras de segurança?”, questionou também Ng Kuok Cheong. L.S.M.


Sociedade

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ove anos, nove casos. São estes os números respeitantes aos pedidos de asilo feitos por refugiados em Macau e que foram entregues pelo Governo ao Comité contra a Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo que os nove casos registados envolvem um total de 14 pessoas. Os dados, recolhidos pelos serviços de migração da Polícia de Segurança Pública (PSP), mostram ainda que há três casos por concluir desde 2010. Um deles pertence a uma família de origem indiana, com uma filha, sendo que os restantes dizem respeito a dois homens oriundos da Síria e dos Camarões. Quanto aos casos concluídos, os envolvidos acabaram por desistir dos pedidos de asilo no território, enquanto que outros foram rejeitados pelas autoridades. Foi o caso de dois cidadãos do Sri Lanka, que foram repatriados em 2006 para o seu país. No caso de quatro cidadãos sírios (um homem e três mulheres), estes acabaram por ser enviados para o Canadá em 2012, depois do Alto Comissariado para os Refugiados da ONU, em Hong Kong, ter reconhecido o estatuto de refugiado das pessoas em causa. Um paquistanês, de 39 anos, acabaria por falecer antes do seu processo estar concluído, tendo o caso sido arquivado em 2009. Outro paquistanês acabou por desistir do pedido, tendo sido repatriado para o seu país em 2012.

ONU Macau com nove casos de refugiados e 14 envolvidos

Asilo mas pouco

Dados entregues pelo Executivo ao Comité contra a Tortura da ONU revelam que, em nove anos, foram nove os casos de pedidos de asilo registados no território, os quais envolvem 14 pessoas. Três ainda estão em análise

Os estudantes do último ano da licenciatura em Retalho e Gestão de Marketing do Instituto de Formação Turística (IFT) realizaram um projecto de design e visual merchandising numa loja de um bairro cultural localizado junto à Rua da Nossa Senhora do Amparo e do Pátio de Chon Sau, perto das Ruínas de São Paulo. Em comunicado, o IFT afirma que é importante que estes estudantes saibam desenvolver modelos de negócio para apostar na diversificação económica, sendo que há possibilidades destes estudantes virem a integrar o projecto assim que terminem a licenciatura.

Mais de uma centena de novos prédios vão nascer no território, oferecendo mais de 15 mil apartamentos. Estatísticas recentes apresentadas pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) mostram que no terceiro trimestre do corrente ano foram emitidas licenças para nove empreendimentos habitacionais privados, que se juntam a 98 empreendimentos habitacionais privados em construção - ainda não vistoriados - ou já construídos (em vistoria). No total, estes poderão proporcionar cerca de 15.610 fogos habitacionais, 11.041 lugares de estacionamento para veículos ligeiros e 4020 lugares de estacionamento para motociclos. Em termos de localização, 67 empreendimentos estão localizados na Península de Macau, o que corresponde a 95% do total de empreendimentos habitacionais privados. Quatro são na Taipa e sete em Coloane. Cerca de 11 mil apartamentos são T2 ou inferior. Actualmente, estão ainda em fase de projecto 215 empreendimentos habitacionais privado, que poderão vir a oferecer mais de 21 mil casas e 26 mil lugares de estacionamento.

Nos dados enviados à ONU, o Governo garante que até ao ano passado não foram recebidos quaisquer pedidos de asilo por refugiados com base em casos de tortura no seu país de origem. “As razões para os casos acima mencionados estão, na sua maioria, relacionados com situações de opressão política, perseguição religiosa, guerra na terra natal ou mortes provocadas por acções terroristas nos respectivos países”, pode ler-se. O Governo assume não ter criado ainda procedimentos para analisar potenciais vítimas de tortura de entre os processos recebidos. “Uma vez que não há muitos pedidos feitos por refugiados, não foram formulados procedimentos para identificar as vítimas de tortura de entre os pedidos de asilo apresentados”, pode ler-se.

Hotelaria Mais 21 mil novos quartos

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Cerca de 30% dos estudantes ignoram classificação do Centro Histórico m inquérito da Associação de Estudantes Chong Wa de Macau mostra que cerca de 30% de alunos de escolas secundárias não sabem que o Centro Histórico de Macau já faz parte da lista do património mundial classificado pela UNESCO. AAssociação questionou cerca de 900 estudantes do 7º ao 12º de escolaridade, de um total de 15

Alunos do IFT com projecto em bairro cultural

Imobiliário Cem novos prédios em construção

Sem tortura

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escolas secundárias. O resultado revela que cerca de 30% dos inquiridos não compreendem que a zona do Centro Histórico deve obedecer a uma protecção especial, ainda que já tenham passado dez anos sob a sua classificação. O mesmo inquérito mostra que 40% dos estudantes afirma gostar dos monumentos, sendo que 70% diz achar viável aumentar o turis-

mo através destes monumentos. Mais de metade dos entrevistados consideram que a salvaguarda do património deve ter em conta as tradições culturais, enquanto que 20% acredita que o património ajuda a fomentar o desenvolvimento económico. A Associação de Estudantes Chong Wa acha que a classificação feita pela UNESCO é um facto que

não está directamente ligado com a vida da população, defendendo que é preciso maior divulgação na internet. Segundo o jornal Cheng Pou, a Associação considera ainda que é urgente resolver o “conflito” existente entre a protecção do património cultural e a necessidade de mais terrenos. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Segundo as estatísticas mais recentes da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), até ao terceiro trimestre de 2015 encontravam-se em construção 18 empreendimentos hoteleiros e em fase de projecto 33. Macau poderá, assim, contar com um total de 51 empreendimentos hoteleiros que poderão proporcionar cerca de 21 mil quartos e cerca de 13.500 lugares de estacionamento. O Cotai é o local com mais espaço para mais quartos: ainda que nove dos empreendimentos hoteleiros estejam em construção na Península de Macau, dois fiquem na Taipa e seis fiquem no Cotai, este último local oferece mais de 10.200 quartos.


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SIDA Teste rápido passa a estar disponível permanentemente

epois da actividade de rastreio do vírus HIV, no sábado passado, que contou com a participação de 105 pessoas, os Serviços de Saúde (SS) lançaram o Programa de Testes de Rotina de HIV. Este permite, agora, que se faça o teste rápido da SIDA permanentemente, algo que não estava sempre disponível. O objectivo é claro: as autoridades de saúde querem atingir a meta intitulada de “90-90-90”. Proposta pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ SIDA (UNAIDS), a meta estimada é que, até 2020, o Governo quer que 90% dos infectados com SIDA conheçam a infecção, 90% dos infectados que conheçam a infecção recebam tratamento e que 90% dos infectados que recebam tratamento possam inibir eficazmente a doença. Para isso, está agora disponível de forma permanente o exame rápido do HIV. Qualquer cidadão pode ir a um Centro de Saúde, ou entidade médica, e pedir para realizar o teste. Em apenas dez minutos o utente terá o resultado, sendo que seguidamente será encaminhado para uma consulta médica.

Facilitar o difícil

A operadora de Jogo Sands China já convidou cerca de 212 empresas locais para o fornecimento de produtos, incluindo 170 Pequenas e Médias Empresas e seis empresas com produtos “Made in Macau”. Em comunicado, a empresa confirma que “está a começar a fase inicial com encomendas preliminares a cerca de 40 novos fornecedores”, sendo que as vendas valem um total de dez milhões de patacas. As encomendas deverão ser finalizadas até final deste ano. O programa de parceria entre a Sands China e empresas locais foi anunciado em Julho deste ano, estando a ser desenvolvido em conjunto com a Associação Comercial de Macau.

WABAG continua a gerir ETAR de Coloane

O Governo adjudicou à WABAG – Serviços de Tratamento de Águas (Macau) o contrato de prestação de serviços para a Operação e Manutenção de Estação de Tratamento de Águas Residuais de Coloane. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), o valor do contrato é de 4,7 milhões de patacas, a serem pagos até 2016. De frisar que o ex-Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, detinha acções nesta empresa ao mesmo tempo que esta assinava contratos com o Governo para a gestão das ETAR. As acções já foram retiradas ao ex- Secretário, preso por corrupção, mas a Wabag, envolvida no caso, continua a receber contratos para gerir as ETAR do Governo.

Grupos de risco

Permitindo um alternativa ao exame de SIDA mais demorado, este programa tem como foco quatro grupos considerados, pelos SS, de “maior risco”. São eles as pessoas com manifestações clínicas sugestivas de infecção pelo HIV, doentes suspeitos ou diagnosticados de serem infectados de quaisquer tipos de doenças sexualmente transmissíveis, indivíduos que tomam a iniciativa de pedir o teste de HIV ou de outras doenças

Sands China colabora com 200 empresas locais

sexualmente transmissíveis e, por fim, indivíduos suspeitos ou que afirmaram ter comportamento de risco de infecção por HIV. Em comunicado à imprensa, os SS indicam que esperam, com a implementação deste novo programa,

criar um incentivo à participação de todas as instituições de Macau no programa, fazendo-se notar um aumento da aceitação do teste de HIV pelos cidadãos, “de modo a que seja possível identificar precocemente os indivíduos infectados, para

possibilitar, o mais cedo possível, o tratamento e os cuidados abrangentes no controlo eficaz da doença e reduzir o risco de transmissão de HIV a nível comunitário”. Filipa Araújo

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Zhuhai Dez residentes de Macau vão ser jurados

Resíduos Nam Yue recebe mais de 360 milhões para triagem

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m grupo de dez residentes de Macau foi escolhido para ser jurado para julgar casos num tribunal de Zhuhai. Segundo o Diário do Tribunal do Povo, publicação do continente, Wu Keng Kuong, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, participou na semana passada no julgamento de um caso civil no Tribunal do Povo da Zona Nova da Ilha de Montanha, de Zhuhai, onde, pela primeira vez, o grupo de jurados foi composto por residentes de Macau. Este diário avançou que, devido ao lançamento da Zona Experimental de Livre Comércio da Ilha de Montanha e o grande número de entrada de empresas

de Hong Kong e Macau nesta região, o número de casos que envolvem os dois territórios tem aumentado. “O Tribunal da Zona Nova da Ilha de Montanha é designado pelo Tribunal Popular Supremo para concentrar os casos comerciais e civis que envolvem Hong Kong, Macau e Taiwan, sendo que estes casos ocupam 70% de total de casos”, lê-se no diário. A mesma publicação referiu que já em Outubro, Wu Keng Kuong e outros nove residentes de Macau foram escolhidos para serem jurados do Tribunal do Povo da Zona Nova da Ilha de Montanha, com um mandato de cinco anos. F.F.

NamYue vai receber mais de 360 milhões de patacas para desenhar e construir um espaço dedicado aos resíduos. De acordo com um despacho ontem publicado em Boletim Oficial, “foi adjudicada àAgência Comercial e Industrial Nam Yue a execução de empreitada de concepção e construção da primeira fase da linha de produção da instalação de triagem de resíduos da construção de Macau”. Assinado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, o despacho indica que a empresa

estatal da China continental vai receber 362,33 milhões de patacas, sendo que a maioria, mais de 270 milhões, será paga no próximo ano. A ideia de reduzir a produção de resíduos de construção merece, neste momento, uma consulta pública levada a cabo pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), que prepara um regime legal sobre o tema. O Governo anunciou que, devido ao aumento do lixo da construção civil, o volume de resíduos aumen-

tou significativamente, pelo que se propõe que o depósito de resíduos de materiais de construção nos aterros deixe de ser gratuita e ainda que seja elaborado um plano de resíduos de materiais de construção. É, contudo, a primeira vez que se ouve falar nesta linha de produção para a triagem de resíduos de construção. O HM tentou perceber junto do Governo qual o objectivo desta construção, mas não foi possível obter resposta até ao fecho desta edição. J.F.


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Função Pública Associação desapontada com aumento salarial

“Perdemos o poder de compra”

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Chefe do Executivo, Chui Sai On, anunciou na apresentação do Relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) de 2016 que vai aumentar o valor do índice salarial da Função Pública das 79 para as 81 patacas. O director Cheong Kuok In e o secretário-geral da Associação, Li Kong Weng, apontaram ao Jornal Ou Mun que o aumento não faz sentido, quando actualmente a inflação atinge os 4,93%. O aumento da remuneração da Função Pública, recorde-se, foi de apenas 2,25%. Os membros da Associação consideram que o Governo não está a considerar a “perda do poder de compra” devido à inflação. A Associação fala ainda em insatisfação face ao atraso da

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criação do mecanismo de mediação das queixas de funcionários públicos. Cheong Kuok In lamenta a ausência de detalhes e aponta mesmo que o recente suicídio de Lai Man Wa poderá estar relacionado com a ausência desse mecanismo. Apesar de considerar um factor positivo o aumento do subsídio de residência para os funcionários da Função Pública, os responsáveis da Associação dizem-se denegridos “por alguns deputados”. “Há sempre espaço de melhoria em todos os trabalhos, mas a nossa equipa contribui muito para a sociedade e isso deve ser apontado”,  rematou.     Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

tiago alcântara

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa não está satisfeita com o nível de aumento salarial dos funcionários públicos. A inflação está alta, dizem, e os aumentos não lhes vão dar mais poder de compra

PIB desce 24,2% no terceiro trimestre

O

Produto Interno Bruto (PIB) registou uma contracção real de 24,2%, no terceiro trimestre do ano. O valor foi inferior ao registado no segundo trimestre, quando o PIB caiu 26,4%. Nos três primeiros trimestres de 2015, a economia retraiu-se 25%, em termos reais, informam os Serviços de Estatística e Censos, em comunicado à imprensa. No terceiro trimestre a contracção económica foi causada, principalmente, pela contínua queda das exportações de serviços, de decréscimos de 37,4% nos serviços do Jogo e de 15,3% nas exportações dos outros serviços turísticos, face ao trimestre homólogo do ano passado. O comércio de mercadorias apresentou um comportamento frágil, com diminuição de 0,1% nas importações de bens e abrandamento do crescimento das exportações de bens (+5,4%). Por outro lado, o deflactor implícito do PIB, que mede a variação global de preços, ascendeu a 4,2%, em termos anuais. A economia continuou em processo de ajustamento, provocando gradualmente uma maior atitude de prudência no consumo privado, tendo contudo estabilizado a situação de emprego, com aumento de rendimento do emprego. A despesa de consumo final do Governo aumentou 6,2%, em termos anuais, com acréscimos de 5,3% em remuneração de empregados e de 7,3% em compras líquidas de bens e serviços.


eventos

É já amanhã que se apresenta a obra “A Noite desceu em Dezembro”, história em fascículos que Henrique de Senna Fernandes escreveu para o jornal Ponto Final. Será também lançada uma nova edição de “A Trança Feiticeira”, bem como a tradução para Chinês de “Os Dores”

A

morte não cala as palavras, que perduram para sempre, ainda que sejam sobre uma guerra que esteve aqui tão perto. Desaparecido há cinco anos, Henrique de Senna Fernandes, um dos nomes mais sonantes da literatura contem-

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hama-se “Mandela – Leader, Comrade, Negotiator, Prisioner, Statesman” e é a mais recente exposição sobre Nelson Mandela. A ter lugar na Fundação Rui Cunha (FRC), que organiza a actividade em conjunto com o Consulado Geral da África do Sul em Hong Kong e Macau, a exposição inaugura hoje e dura até dia 5 de Dezembro, trazendo a público imagens, sons e textos sobre o homem que se revoltou contra o Apartheid. Segundo a organização, a mostra – também patente no

hoje macau terça

Literatura IC apresenta “A Noite desceu em Dezembro”

A guerra de Henrique de Se porânea de Macau, volta a ser lembrado amanhã, com a edição de mais uma obra. “A Noite desceu em Dezembro”, romance escrito em fascículos já publicados no jornal Ponto Final, é agora lançado em formato livro. Para além da nova obra, o Instituto Cultural (IC) vai também lançar uma nova edição de “A Trança Feiticeira”, bem como a tradução para Chinês de “Os Dores”, no âmbito da colecção “Obra Completa de Henrique de Senna Fernandes”. A publicação da obra faz-se não só com o apoio do IC, como da editora Praia Grande Edições e da família de Henrique de Senna Fernandes. Ao HM, Ricardo Pinto, proprietário, contou como foi o processo de publicação de um projecto editorial que sempre foi pensado para sair da gaveta. “No Ponto Final fizemos uma iniciativa intitulada ‘Cinco Anos, Cinco Livros’, em que colocámos cinco autores a escrever um romance por fascículos e Henrique de

Museu do Apartheid, na África do Sul – tem por objectivo celebrar a vida “deste grande humanista e estadista”, recorrendo, para isso, ao registo fotográfico dos seus momentos mais marcantes. “Vão percorrer-se as diferentes fases da vida de Nelson Mandela, focando não apenas as suas lutas, enquanto pontos fortes da sua ímpar personalidade, mas, igualmente, as suas fraquezas. O público é, desta forma, convidado a percorrer a extraordinária vida de Nelson Mandela enquanto líder, estra-

António Falcão

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Senna Fernandes foi um dos autores. Este foi o livro que mais tardou a ser publicado porque, embora possa ser

do volume”, disse Ricardo Pinto. Por ter vivenciado o período da Guerra do Pacífico e

das invasões japonesas sobre a China, o escritor achava que as experiências que observou não se esgotariam numa só

FRC Exposição sobre Mandela com sons, vídeos e imagens

Nova luz sobre uma história antiga

À venda na Livraria Portuguesa Glória • Vasco Pulido Valente

dado como concluído, a verdade é que Henrique de Senna Fernandes tinha em mente escrever um segun-

Um fresco notável da segunda metade do nosso século XIX. Através de uma personagem histórica menor (Vieira de Castro), Pulido Valente retrata todos os aspectos da elite oitocentista: o caos circense da Universidade de Coimbra, os bastidores da política da monarquia constitucional, o marialvismo dos jovens e velhos bacharéis de Lisboa. Haverá quem diga que Glória não é uma biografia, mas sim um romance. Sobre isso, há que dizer uma coisa: os grandes historiadores são escritores. Um grande livro de História não passa à condição de romance só porque é muito bom. Vasco Pulido Valente é tão escritor como Lobo Antunes ou Saramago. E a biografia não é um género inferior ao romance.

tega, prisioneiro e homem de Estado, assim como lhe é dado a conhecer um pouco de uma personalidade única, no que ao seu carácter e humanismo, diz respeito”, avança a FRC. Cada uma das narrativas é ilustrada por fotografias, às quais se juntam um documentário vídeo, assim como um outro apontamento vídeo

sobre a sua libertação e um terceiro registando o período que passou na prisão.

Vida e luta

“A vida de Mandela confunde-se, desde sempre, com a luta feroz e assertiva que desencadeou contra o Apartheid no seu país. Na verdade, remontam aos anos 40 as

primeiras acções conhecidas contra o regime instalado, as quais ganham força nos anos 50, altura em que lidera movimentos de massa contra o sistema, criando no dealbar dos anos 60 o movimento Umkhonto we Sizwe (Lança de uma Nação), como resposta ao Massacre de Sharpeville, no entendimento de que o

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Arte Portuguesa - História Essencial • Paulo Pereira

Da pré-história aos nossos dias, o essencial de mais de dois mil anos de História da Arte em Portugal. Nesta obra procura-se o que é essencial. Não porque exista a pretensão de penetrar na essência da arte, ou de procurar qualquer invariante absolutamente portuguesa - porque até é provável que não exista - mas sim porque o que aqui se encontra resulta de um trabalho de actualização de conhecimentos essenciais, incontornáveis, fundamentais: é esse o sentido do título. O permanente diálogo entre as diversas épocas e as diversas geografias da Europa e do Mundo, o peso umas vezes inerte de tradições de “longa duração”, outras vezes dinâmico e leve de vanguardas súbitas e torrenciais, é o pano de fundo de um percurso pela arte produzida em (e para) Portugal.


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enna Fernandes obra. Mas o destino tirou-lhe a oportunidade de continuar a escrever. “As histórias que tinha sobre o período da II Guerra Mundial eram tantas que achava que havia material para um segundo volume. Depois Senna Fernandes adoeceu, acabou por falecer e acabou por não iniciar esse volume. Fomos sempre retardando a publicação desse livro à espera que o segundo volume estivesse pronto, mas com o desaparecimento de Henrique de Senna Fernandes, o projecto ficou parado”, acrescentou Ricardo Pinto.

O fascínio da guerra

Miguel de Senna Fernandes, filho do autor, garantiu estar satisfeito por mais uma obra do pai poder ver a luz do dia. “É enternecedor ver pessoas apostar num autor que já não está entre nós, mas que continua a estar no espírito de muitas pessoas. Henrique de Senna Fernandes é um autor de Macau incontornável e quem queira

apartheid não mais poderia ser combatido com a não-violência. A partir de meados dos anos 60 é preso, durante 27 longos anos. No início dos anos 80, ainda na prisão, Mandela dá início a um longo e responsável processo de negociação para a transição de regime, o qual culmina a 27 de Abril de 1994, com a realização das primeiras eleições livres no país. Eleito como primeiro Presidente da África do Sul democrática, Mandela é, igualmente, proclamado o Pai da Nação.” Christopher Till, Director do Museu do Apartheid, assegura que exposição pretende trazer uma nova luz a uma história contada vezes sem conta, um pouco por todo o mundo, quer seja em livros, documentários ou outras exposições. Esta exposição, assegura a FRC, destaca de forma particular a forma como Mandela construiu um país, a partir de fragmentos de um conflito de décadas, usando tão “somente como armas o amor, a persuasão, o perdão e, acima

conhecer Macau mais a fundo não pode deixar de ler a sua obra”, contou ao HM. Miguel de Senna Fernandes recorda que, em vida, o pai sempre falou de “A Noite desceu em Dezembro”. “A guerra foi um cenário que sempre o fascinou. A história desenrola-se nesta altura, em Dezembro. Apesar da guerra já ter eclodido nesta fase, com a invasão do Japão à China, nunca um país asiático tinha estado em guerra com o Ocidente. Temos o eclodir da II Guerra Mundial nesta zona, o ataque a Pearl Harbour acontece a 27 de Setembro e o livro tem a ver com esse cenário. O meu pai viveu esta época, não viveu na guerra mas viu Macau a ser influenciada pela guerra”, contou o advogado. Este fascínio “é motivo mais que suficiente para inspirar o autor a fazer este livro”, considerou Miguel de Senna Fernandes. “Este livro corresponde a uma primeira parte de uma obra mais vasta e, em vida, ele disse-me que era para uma primeira parte e

depois disse-me ‘logo se vê como vai ser’”, recorda.

Senna em Chinês

A tradução para Chinês de “Os Dores” constitui um marco para a obra de Senna Fernandes, que sempre lamentou ser lido numa só língua. “Lembro-me dos desabafos do meu pai, numa altura em que a projecção literária dele era só Macau, e sentia-se frustrado, porque, para além dos poucos portugueses que estavam em Macau, quem iria ler a sua obra? Mas isso nunca o demoveu de escrever. Há, de facto, que quebrar esta barreira e é fundamental apostar na tradução das obras”, considerou Miguel de Senna Fernandes. Aúltima vez que Macau viu novas edições das histórias do filho da terra foi em 2012, quando o IC apostou na publicação de “Os Dores” e de “Amor e Dedinhos de Pé”, ambos do autor. A cerimónia de lançamento irá decorrer na Academia Jao Tsung-I, na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, pelas 18h30 e a entrada é livre.

Fotografia “Impressões sobre África Oriental” no Centro UNESCO

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mostra “Impressões sobre África Oriental”, integrada no Projecto de Promoção de Artistas de Macau e organizada pela Fundação Macau, inaugura hoje no Centro UNESCO. A exposição integra seis dezenas de fotografias de Ma Chi Son, fotógrafo local que é também o vice-presidente da Assembleia Geral da Associação Fotográfica de Macau e assessor da Easy Photography Association e do Advisor Tamron Photo Club. Todas as obras exibidas nesta exposição são fotografias tiradas durante a viagem de Ma Chi Son ao Quénia e mostram o que o artista presenciou em África. Para além da cultura e dos costumes únicos do povo africano, é possível ver várias cenas épicas passadas na savana africana, tais como a migração dos gnus, os cinco maiores animais daquela parte da África, momentos entre um leão e as crias e ainda fotos de vários tipos de pássaros e de outros animais selvagens. “O fotógrafo espera dar aos visitantes uma perspectiva da realidade que viveu em África, de modo a fazê-los sentir em África, um território que tem tanto de selvagem como de poético e pitoresco”, indica a organização em comunicado. A exposição do autor – que foi monitor de cursos de fotografia realizados pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Instituto para os Assuntos Cívicos e

Municipais e Academia do Cidadão Sénior do Instituto Politécnico de Macau – é ainda antecedida pelo lançamento de um catálogo fotográfico com os seus trabalhos. A exposição estará patente de amanhã a 8 de Dezembro, das 10h00 às 19h00, tendo entrada livre. J.F.

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Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

AVISO sobre a formulação dos pedidos de apoio financeiro para actividades no âmbito do Quyi (para o ano de 2016) 1. Âmbito de aplicação Espectáculos de óperas chinesas e de canções clássicas e populares a realizar durante o período compreendido entre os dias 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2016. 2. Requisito para o pedido de apoio financeiro Instituições constituídas e registadas em Macau, e em funcionamento nos termos da lei, e que não tenham fins lucrativos. 3. Destinatários/projectos não-prioritários ou outros aos quais não serão dados apoios (1) Instituições sem fins lucrativos constituídas em Macau há menos de um ano; (2) Projectos que não sejam compatíveis com os fins da instituição requerente; (3) Projectos a realizar no exterior da Região Administrativa Especial de Macau. 4. Prazo para formulação do pedido Desde 1 até 31 de Dezembro de 2015. Os pedidos formulados fora do prazo não serão considerados. 5. Documentos necessários à instrução do pedido Entrega do formulário “Requerimento de Apoio Financeiro” devidamente preenchido, acompanhado dos documentos descritos na Parte C do respectivo formulário. Os formulários próprios para instrução do pedido de apoio financeiro e os respectivos exemplares estão disponíveis no website da Fundação Macau. Para mais informações, o requerente pode consultar o “Aviso sobre as novas medidas para apoiar as actividades no âmbito de Quyi”(2016) e os “Guias Gerais para Pedido de Apoio Financeiro para Actividades no âmbito de Quyi” versão 2015 , publicados pela Fundação Macau em 27 de Outubro de 2015. 6. Serviços de atendimento e apoio à instrução do pedido Durante o prazo acima referido, o requerente pode contar com a ajuda dos trabalhadores da Fundação Macau que estão especializados na prestação de serviços de atendimento e habilitados para esclarecer todas as dúvidas relativas à instrução do pedido de apoio financeiro para as actividades no âmbito do Quyi.

de tudo, a enorme perspicácia, inteligência emocional e política que só os grandes homens, e acima de tudo, os grandes líderes possuem”.

A exposição abre hoje às 18h30 e tem entrada livre. A Fundação Rui Cunha organizará ainda um conjunto de visitas guiadas para várias escolas. J.F.

Local para entrega do pedido:

Avenida de Almeida Ribeiro, N.ºs 61-75, Circle Square, 7.° andar, Macau

Horas de expediente:

De segunda a quinta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; sexta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30 (à excepção dos dias feriados em Macau e das tolerâncias de ponto)

Contacto:

Tel:

87950965 (Dra. Ao), 87970981(Dr.Cheong) ou 87950969 (Dra. Chan)

E-mail:

ds_info@fm.org.mo

Website:

www.fmac.org.mo


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china

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Obama auxílio de Pequim é crucial para negociação climática

Unidos venceremos O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse esta segunda-feira que a cooperação próxima entre os Estados Unidos e a China no tema da mudança climática é vital nos esforços mundiais para desacelerar o aquecimento global, mesmo tendo admitido as persistentes diferenças com o Presidente chinês, Xi Jinping, em questões como a segurança cibernética e a marítima. Em Paris para a conferência climática COP 21, Obama disse que em nenhuma outra área a coordenação com Pequim tem sido mais crítica e gerado mais frutos que na mudança climática. Segundo o Presidente norte-americano, a liderança de Washington e Pequim levou 180 nações a fazerem seus próprios compromissos para reduzir emis-

Taiwan e China fazem primeira troca de espiões desde 1949

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aiwan e China realizaram, no passado dia 13 de Outubro, a primeira troca de espiões entre os dois territórios desde 1949, informou ontem o Ministério da Defesa da ilha, em conferência de imprensa. Dois taiwaneses condenados em 2006 por espionagem a favor da ilha, os coronéis Chu Kang-hsu e Hsu Chang-kuo, foram libertados na China. Em troca, Taiwan libertou o chinês Li Zhihao, condenado a prisão perpétua por espionagem, estando também a considerar a libertação de outro recluso

cujo nome não foi divulgado. “Esta é a primeira troca deste tipo e tem grande significado histórico e político”, escreveu ontem o diário taiwanês Zhongguo Ribao. O porta-voz do Ministério da Defesa da ilha, o general Luo Shuo-he, expli-

cou que os agentes taiwaneses foram sequestrados em território vietnamita e transportados para a China, onde foram condenados a prisão perpétua e à morte, com as penas a serem mais tarde comutadas para 20 anos de prisão. O espião chinês, natural de Hong Kong, esteve 16 anos preso em Taiwan, até a ilha aceitar conceder-lhe liberdade condicional. O porta-voz presidencial de Taiwan, Charles Chen, atribuiu este acordo à “boa vontade gerada” pela preparação do histórico encontro entre os presidentes de Taiwan, Ma Ying-jeou, e da China, Xi Jinping, celebrado a 7 de Novembro em Singapura.

sões, antes das conversas de Paris. “A nossa liderança neste assunto tem sido vital”, afirmou Obama. Após o encontro entre Obama e Xi, a Casa Branca disse que o Presidente pediu que a China cumpra acordos sobre a segurança cibernética feitos durante a visita de Xi aos EUA em Setembro. O presidente norte-americano também encorajou Xi a avançar com reformas económicas que deixem a competição mais justa no mercado chinês.

Ao trabalho

Xi disse que as preocupações globais tornam ainda mais importante que a China e os EUA trabalhem juntos. “A economia mundial recupera lentamente, o terrorismo está em alta e a mudança climática é um grande desafio. Há mais instabilidade e incerteza nas situações inter-

nacionais”, afirmou o líder chinês. A reunião entre Obama e Xi no início da conferência climática de Paris foi pensada para sublinhar a necessidade de que todas as nações se unam em torno de um forte compromisso contra as mudanças climáticas. A China emite cerca de 30% de todas as emissões de gases causadores do efeito estufa no mundo e os EUA emitem 16% desse total. No início do dia, o Departamento do Estado dos EUA anunciou que o país estava comprometido com 51 milhões de dólares para um fundo global de ajuda aos países mais pobres para se adaptarem à mudança climática. No total, EUA, Alemanha, Canadá, Itália e outros países já anunciaram o investimento de 248 milhões de dólares para esse fundo.

Poluição no norte atinge um dos níveis mais altos deste ano

A

poluição no norte da China atingiu ontem um dos níveis mais altos deste ano, com a concentração de partículas PM2.5 - as mais finas e susceptíveis de se infiltrarem nos pulmões - a atingir 560 microgramas por metro cúbico em Pequim. Este fim de semana, a capital chinesa emitiu o nível de alerta laranja, o mais alto lançado até agora em 2015, e os residentes foram aconselhados a evitar actividades ao ar livre. Em Hebei, a província ao redor de Pequim, os níveis de concentração de partículas PM2.5 em várias cidades superaram os

500 microgramas, um nível mais de 22 vezes superior ao máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde. A densa nuvem de poluição que se estende pelo norte do país coincide com a chegada do Presidente chinês, Xi Jinping, a Paris, onde participará na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (ver texto principal). Estima-se que a China libertou entre nove e 10 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera em 2013, quase o dobro dos Estados Unidos e

cerca de duas vezes e meia as emissões da União Europeia. No último ano, o país asiático disse que vai atingir o pico de emissões “à volta de 2030”, o que pressupõe que continuarão a aumentar pelo menos por mais uma década. Amaior parte das emissões de CO2 no país é proveniente da queima de carvão, que alimenta cerca de dois terços da energia consumida na China. A poluição está associada a centenas de milhares de mortes prematuras e tornou-se nos últimos anos fonte de descontentamento popular.

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MACAU ANGLICAN COLLEGE

Anúncio Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2012 1. O prazo limite para a apresentação do pedido de atribuição do Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2012 é fixado em 31 de Dezembro do corrente ano. 2. Os indivíduos que satisfaçam os requisitos de atribuição, mas não tenham ainda formulado o pedido, devem dirigir-se até ao termo do prazo supracitado ao Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, n.ºs 762-804, Edifício “China Plaza”, 2.º andar, Macau, para efeitos de tratamento das respectivas formalidades. 3. Por último, solicita-se que os cheques ainda não sacados sejam apresentados, com a maior brevidade, junto de qualquer instituição bancária de Macau. Macau, ao 01 de Dezembro de 2015.

PARENTS ARE WELCOME TO ATTEND A PARENTS’ INFORMATION MEETING FOR ENROLING NEW K1 PUPILS FOR SEPTEMBER 2016 AT MACAU ANGLICAN COLLEGE AV. PADRE TOMÁS PEREIRA, NO. 109-117, TAIPA, MACAU THIRD FLOOR, SCHOOL HALL ON TUESDAY, DECEMBER 15th 2015, 7:30 P.M. *Four new K1 classes commence in September 2016. *100 places will be offered to new K1 pupils aged 3, in 4 classes of 25. *English and Putonghua are the main languages of instruction. *Creative teaching styles; child centred learning. *MAC Registration Documents Submission Days: February 1,2,3 & 4 2016 *Assessment Days: March 2016 (Details to follow).


Região

hoje macau terça-feira 1.12.2015

Recursos Japão recomeça caça à baleia esta terça-feira

Pyongyang considera “acto ofensivo” exercício militar de Seul

Confiança minada A Coreia do Norte criticou o novo exercício militar iniciado ontem pelas Forças Armadas da Coreia do Sul perto da fronteira comum, e acusou Seul de sabotar o ambiente de diálogo entre os dois países. “Trata-se de um acto ofensivo que quer minar a melhoria das relações entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul”, pode ler-se na página oficial de propaganda norte-coreana, Uriminzokkiri. Num texto intitulado “É isto realmente necessário em pleno ambiente de diálogo?”, Pyongyang critica as manobras iniciadas ontem pela 26.ª Divisão da Infantaria Mecanizada da Coreia do Sul em cinco localidades do noroeste do país, a poucos quilómetros da Zona Desmilitarizada (DMZ), que divide os dois países.

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O Japão vai reiniciar esta terça-feira o seu programa de caça à baleia, que diz ser para fins científicos, apesar de ter sido proibido pelo Tribunal Internacional de Justiça em 2014, anunciou hoje a Agência de Pesca japonesa. A agência deu autorização para que a frota do Instituto de Investigação de Cetáceos zarpe a 1 de Dezembro do território nipónico. Esta frota tem autorização para capturar, no máximo, 333 exemplares. No seu veredicto de 2014, o Tribunal Internacional de Justiça exigiu a Tóquio a revogação das autorizações para a sua expedição no Oceano Antártico, considerando que a denominada caça com fins científicos tinha, na verdade, objectivos comerciais. O programa vai estender-se de Dezembro a Março.

Singapura Resgatadas 97 pessoas após acidente de barco

O exercício de treino, que se estende até sexta-feira e que nunca foi realizado anteriormente, conta com a participação de tropas, tanques e veículos blindados. O Governo de Seul respondeu às críticas do país

vizinho, instando-o a “não condenar a actividade militar na região do noroeste, já que gera tensões desnecessárias”, segundo um porta-voz do Ministério da Unificação. O exercício militar abriu um novo foco de con-

flito na península coreana, num momento especialmente delicado, já que Seul e Pyongyang convocaram uma reunião de alto nível para o próximo dia 11, com o objectivo de melhorar as suas relações.

As autoridades de Singapura resgataram as 97 pessoas que viajavam num barco com destino à cidade-estado depois de ter chocado com um objecto flutuante não identificado, informaram os meios de comunicação locais. Na noite de domingo, as Autoridades Marítimas e Portuárias de Singapura iniciaram a operação de resgate após receberem um pedido de ajuda de um ferry que partiu da ilha indonésia de Batam com destino à cidade-estado. Todos os passageiros e tripulantes foram transportados para terra e encontram-se em bom estado de saúde, de acordo com o Channel News Asia. O barco, que não chegou a afundar-se, está agora a ser reparado pelo operador.Milhares de indonésios e malaios utilizam o transporte marítimo para viajar para Singapura, onde há mais oportunidades de trabalho e os salários são mais elevados.

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Notificação n° 28/DLA/SAL/2015 (Aviso a proprietários de estabelecimentos de comidas e bebidas sobre infracções com dedução de acusação) Considerando que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para efeitos de acusação a respeito dos respectivos processos administrativos, nos termos do artigo 95° do Decreto-Lei n° 16/96/M, de 1 de Abril, conjugado com os artigos 10° e 58° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do n° 2 do artigo 72° do “Código do Procedimento Administrativo”, os seguintes proprietários de estabelecimentos de comidas e bebidas, do conteúdo das respectivas acusações, a fim de o Instituto tomar uma decisão final, em relação aos processos de acusação actualmente em curso: 1. Por despacho do signatário, exarado em 10/08/2015 e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 94° do Decreto-Lei n° 16/96/M, de 1 de Abril, foi deduzida acusação contra a COMPANHIA DE INVESTIMENTOS SWAY, LIMITADA (inscrição de empresária comercial, pessoa colectiva n°: 23576(SO)), proprietária do ESTABELECIMENTO DE COMIDAS KUAN TONG HIN HOI SIN FO VO, sito na Rua Sul do Patane, no 266, r/c e sobreloja, loja F, Macau. O facto que o auto de notícia n° 775/DFAA/SAL/2014, de 5/12/2014, refere, foi objecto de instrução de um processo, cujos resultados de averiguação constam do relatório elaborado pelo respectivo instrutor a 5 de Agosto de 2015. Comprovado o acto que implicou a modificação ilegal do projecto aprovado anteriormente, executada pela proprietária do mencionado estabelecimento de comidas e bebidas, constitui tal facto infracção ao disposto no artigo 19° do Decreto-Lei n° 16/96/M, de 1 de Abril, e, nos termos dos artigos 61º (Sucessão), 70º e 84º do mesmo Decreto-Lei, pode ser-lhe aplicada uma multa de sete mil e quinhentas patacas (MOP7.500,00) a quinze mil patacas (MOP15.000,00), com a obrigação de requerer, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, junto da entidade competente, a legalização das alterações efectuadas, findo o qual, caso não lhe haja dado cumprimento, pode ser-lhe ordenado o encerramento temporário do estabelecimento ou pode ainda efectuar, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, as devidas correcções; caso a tal não proceda, pode ser-lhe ordenado o encerramento temporário do estabelecimento, até que o acto de infracção tenha sido corrigido. 2. Por despacho do signatário, exarado em 12/08/2015 e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 94° do Decreto-Lei n° 16/96/M, de 1 de Abril, foi deduzida acusação contra DOLCI (MACAU) LIMITADA (inscrição de empresária comercial, pessoa colectiva n°: 40735(SO)), proprietária do ESTABELECIMENTO DE BEBIDAS SEGAFREDO ZANETTI, sito na Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança, The Venetian Macao Resort Hotel, The Grand Canal Shoppes, loja K13, Taipa. O facto que o auto de notícia n° 1304/DFAA/SAL/2013, de 8/8/2013, refere, foi objecto de instrução de um processo, cujos resultados de averiguação constam do relatório elaborado pelo respectivo instrutor a 16 de Junho de 2015. Comprovado o acto de infracção, exercício ilegal de estabelecimento, cometido pela proprietária do mencionado estabelecimento similar, constitui tal facto infracção ao disposto no artigo 30° do Decreto-Lei n° 16/96/M, de 1 de Abril, e, nos termos do n° 1, alínea c) do nº 2 e do nº 3 do artigo 67º do mesmo Decreto-Lei, pode ser aplicada à infractora uma multa de vinte mil patacas (MOP20.000,00) e ordenado o encerramento imediato do seu estabelecimento. Nos termos do n° 3 do artigo 95° do Decreto-Lei 16/96/M, de 1 de Abril, os aludidos infractores poderão apresentar defesa escrita a respeito destes itens de acusação ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e todas as provas admitidas pela legislação vigente, dentro de 5 (cinco) dias úteis, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação. Aos 20 de Novembro de 2015. O Presidente do Conselho de Administração Vong Iao Lek

www. iacm.gov.mo


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artes, letras e ideias

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Naruse Mikio na Cinemateca de Macau

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aruse Mikio não será o realizador japonês mais excitante. Mas depois de alguns dos realizadores com nomes mais sonantes e estridentes será dos mais interessantes pela fibra que demonstram os seus shomingeki. Shomingeki é um tipo de filme, de imensa popularidade no Japão, que narra a vida de pessoas comuns, o constante esforço para arranjar dinheiro, o endividamento, a falta de comida ou de meios que permitam o avanço social, a vergonha, a perda de face, o desprezo pelos mais desfavorecidos, os casamentos por interesse, a inveja e a extrema abnegação de algumas das suas figuras, muitas vezes femininas. São alguns shomingeki que a nova Cinemateca Paixão nos mostra. A tendência para o retrato das classes comuns é uma tendência que no cinema japonês aparece nos anos 20 (com Shimazu e Gosho Heinosuke, por exemplo, o primeiro hoje em dia relativamente conhecido fora do Japão) e que se estende praticamente aos dias de hoje, mas que teve particular sucesso antes e depois da segunda grande guerra. Rapidamente o público de menos meios favoreceu a ideia de se ver retratado no ecrã. Depois da Guerra, praticamente todos os filmes são shomingeki. A maior parte da população passava por muitas dificuldades e o cinema espelhava-o perfeitamente. É, aliás, um filme de Naruse, um dos primeiros tsuma-mono (filmes sobre esposas), Repast/Meshi, de 1951, baseado no último romance de Hayashi Fumiko, o filme que é considerado como o que relançou o género depois da Guerra. Não é um mundo ideal, antes um registo cru e fatalista da realidade a que se acrescenta, por vezes, uma vaga tonalidade poética e uma forte ciência da transitoriedade da vida (como em Ozu, o realizador do Nada). Pode ser, para algumas sensibilidades, um cinema repetitivo e envergonhado mas Naruse pratica-o, como Ozu, com elegância, sem excessos melodramáticos e por vezes com um forte poder evocativo. Se Naruse foi acusado de manter um estilo demasiadamente monótono, sem altos e baixos, por outro lado a sua monotonia é de uma firmeza que se torna atraente. Nesta página, onde se contam já 64 artigos sobre cinema japonês, mais de 20 dos quais sobre filmes dos anos 60, nem um se dedicara a Naruse.

(Estas considerações tecem-se com base num universo de 8 a 10 filmes dos anos 50 e 60 de entre uma filmografia de 89 – em que 21, maioritariamente dos anos 30, se perderam. Fala-se de alguns dos mais famosos mas este é um corpus reduzido, para além de que no ciclo em questão figura apenas um dos seus conhecidos filmes dos anos 50, década em que realizou filmes que se distinguiram). Floating Clouds/Ukigumo (1955) é, talvez a par de A Woman Ascending the Stairs, o filme mais interessante dos que se mostram na nova Cinematheque. Passion. É o mais antigo deles mas talvez um dos dois que conseguem um fôlego quase épico e será esta elevação que o tem distinguido. É uma história de Hayashi Fumiko, que cedo ganha uma tonalidade fatalista. Começa no Vietname, durante a Guerra, onde dois amantes se conhecem. De regresso ao Japão, estes retomam o romance (mesmo que o homem seja casado) e o mais interessante é a incapacidade de reproduzir os momentos de felicidade que haviam conhecido durante a Guerra. O filme é uma longa lista de tentativas falhadas enquadradas

na deprimente envolvência do Japão do pós-guerra onde não falta o envolvimento com um soldado americano. A sua curva indica desde cedo a impossibilidade da felicidade, uma impossibilidade que se torna dolorosa porque Naruse consegue rapidamente dar-nos a perceber que os dois protagonistas da história estão irremediavelmente condenados um ao outro. Ela é a brilhante Takamine Hideko. A Woman Ascending the Stairs/Onna ga kaidano agaru toki (1960) é talvez o mais conhecido filme deste autor. Retrata os esforços de uma mulher de 30 anos recentemente enviuvada (de novo Takamine Hideko) para sobreviver e manter a sua honra intacta num mundo materialista e masculino. Própria é a sedução que se desprende do mundo dos bares de Ginza onde se vê forçada a trabalhar, uma sedução que lhe dá um ar menos popular e menos dependente de cenas domésticas. É o mais urban cool de todos estes seis filmes. O plano de Keiko de abrir o seu próprio bar atrasa-se sucessivamente devido a problemas de família, o habi-

tual desfile de endividamentos, falta de dinheiro e familiares doentes dependentes de apenas uma pessoa. A dolorosa cena final, de Keiko a subir as escadas que dão acesso a um bar que não é dela, mantêm a narrativa aberta para uma história cuja conclusão dificilmente seria eufórica. Daughters, Wives and a Mother/Musume tsuma haha (1960) é, desta selecção, o filme que mais semelhanças tem com os filmes de Ozu mais conhecidos. Nesse género, mesmo sob a ameaça da inevitável com comparação Ozu, não desilude. A presença de Setsuko Hara, a Eterna Virgem, impede-nos de esquecê-lo.* Os admiradores de Nakadai Tatsuya devem evitar ver este filme. O actor japonês, que nos habituou a presenças intensas como feroz guerreiro, capaz de artes marciais inultrapassáveis, parece, em Musume tsuma haha, um completo palerma. Nesta história de inúmeras implicações familiares repete-se o tema da abnegação pessoal perante os imperativos familiares que encontramos


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luz de inverno

em tantos outros filmes da época. A abnegada é Setsuko Hara. Takamine Hideko participa mas, desta feita, num papel mais secundário. Quem toma o papel de mulher independente e ocidentalizada é uma outra personagem, interpretada por Reiko Dan, mas com um relevo pouco significativo. Naruse escolheu sublinhar o elogio da abnegação a sublinhar a afirmação da independência - que nestes filmes tantas vezes vem associada à ocidentalização. ** Her Lonely Lane/Horoki (1962). À habitual exposição da vida das camadas mais destituídas, uma verdadeira obsessão do cinema dos anos 40 aos anos 60, acrescenta-se o interesse de se tratar da vida de uma escritora, Hayashi Fumiko. Foram vários os livros de Hayashi de que Naruse se serviu para os seus filmes mas o que nos é mostrado é essencialmente a parte da sua vida anterior à consagração, um período de extrema pobreza e sucessivas histórias amorosas desastrosas. Yearning/Midareru (1964) é uma agradável surpresa, uma história de

problemática familiar que se transforma numa intensa história de amor. De repente começa a desenhar-se um improvável desenvolvimento e as cenas que se passam na viagem de comboio ganham uma independência original. Tal como acontece em Floating Clouds, o espectador, que se espera bondoso, é levado a pensar que no final da viagem se encontra a felicidade. A última imagem do rosto de Takamine Hideko, é tão emblemática como a imagem final da subida das escadas em A Woman Ascending the Stairs. Yearning é, com Floating Clouds, o mais intenso dos filmes em exibição. Scattered Clouds/Midaregumo (1967) é uma história sentimental que se distingue pela justeza da sua realização. Não há um cabelo fora do lugar, pode falar-se de um sentimentalismo mecânico. O seu último filme é também centrado, como acontece em tantos outros (todos os que se mostram) numa figura feminina. A trama é sedutora: uma mulher apaixona-se pelo homem que acidentalmente matara o seu amado marido.

Naruse manteve-se, mesmo no final dos anos 60, afastado de usos praticados por outros autores mais ousados como Oshima, Wakamatsu Koji, Suzuki, Nakagawa Nobuo ou Teshigahara, tendo escolhido continuar a fazer o mesmo tipo de retratos de gente comum. Sem que se retire mérito à selecção de filmes de Naruse mostrados este Novembro, é pena que se não tenha conseguido mostrar um dos seus filmes mais conhecidos, Mother/Okaasan, de 1952. Este é o filme que Naruse considerava como o mais feliz dos seus filmes, verdadeiramente um rio tranquilo em que a consciência da fugacidade de tudo se exprime com uma sinceridade inultrapassável. De 1952 é Lightning/Inazuma (um dos meus preferidos, que não faz parte deste ciclo). Também uma adaptação de um livro de Hayashi Fumiko e também com Takamine Hideko, é uma história comovente vista, mais uma vez, através dos olhos femininos de uma guia turística em idade de casar. Praticamente tudo anda à volta do pouco dinheiro

Boi Luxo

de um seguro de vida de uma sua meia irmã. É um filme pouco conhecido e simples, que nada acrescenta às muitas manifestações do género, mas é um bom exemplo de outro filme em que não há falhas, em que no seu simples desenvolvimento há uma firmeza narrativa impecável. Lightning é interessante em que, ao contrário do que acontece com os filmes deste ciclo, termina numa linha narrativa muito aberta em que se percebem vários traços de optimismo, o menor dos quais não será a confiança de uma mulher solteira de construir o seu próprio futuro. *** Kyioko é o exemplo perfeito (e lembre-se que Lightning é de 1952) de uma heroína determinada e com ideias próprias que não receia fazer face a ideias ultrapassadas e que expressa um optimismo que não é comum em Naruse. Por fim, como o título deste artigo sugere, faça-se um grande elogio à abertura, na Travessa da Paixão, n.13, junto das ruínas de São Paulo, da Cinemateca .Paixão., cujos desígnios são ainda vagos mas que desejam auspiciosos. Oferece uma atraente sala de 60 lugares e, por agora, um pequeno átrio na porta contígua. Ao pequeno ciclo Naruse junta-se, até dia 8 de Dezembro, a mostra de 3 filmes do realizador formosino Edward Yang a serem vistos no C.C.M., de um filme de 2015 de Du Hai Bin, e vários filmes de Macau e Hong Kong. Para lá da exibição de filmes que se distingam dos que habitualmente se mostram nas salas tradicionais, conta-se acrescentar uma videoteca e um arquivo e a promoção de seminários pertinentes à área do cinema e do vídeo. Este poderia vir a ser um local muito útil. O edifício em si é de uma justeza inultrapassável. * Setsuko Hara, que fez 6 filmes com Ozu e ganhou desse modo uma fama que se internacionalizou, morreu com 95 anos no passado dia 5 de Setembro. O desejo de levar uma vida recatada, desde que se retirou em 1962, levou a que a notícia do seu falecimento tenha sido apenas tornada pública a semana passada. ** Para tudo isto poderá ver-se Russell, Catherine, The Cinema of Naruse Mikio. Women and Japanese Modernity, 2008. *** Takamine Hideko tem, aliás, um tipo de rosto que inspira confiança no futuro e não o típico rosto sofredor de algumas das heroínas dos shomingeki como Setsuko Hara ou a mãe em Okaasan – a enternecedora Tanaka Kinuyo.


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O que fazer esta semana Hoje

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Cinema

Sala 1

The Hunger Games: Mockinghay Part 2 [B]

Filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth 14.15, 16.45, 21.45

The Hunger Games: Mockinghay Part 2 [3D][B]

Macau International Performance Art Festival Armazém do Boi, 19h00 Entrada livre

yuan

Filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth 19.15 Sala 2

Keeper of Darkness [c] Falado em Cantonense Legendado em Chinês e Inglês

Filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Kuo Tsai Chieh, Louis Chueng, Sisley Choi 14.30, 16.30, 21.30

Return of the cuckoo [B]

Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Patrick Kong Com: Chi Lam Cheung, Charmaine Sheh, Joe Chen, Nancy Sit 19.30 Sala 3

Victor Frankenstein [c] Filme de: Paul McGuigan Com: James McAvoy, Daniel Radcliffe 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Aconteceu Hoje

1 de dezembro

Restauração da Independência

Quinta-feira Exposição “Salpicos” de Sofia Bobone Fundação Oriente, Casa Garden, 18h30 Entrada livre

Domingo “Desfile por Macau, Cidade Latina” Entrada livre Peça “Viagem ao Mundo da Música – O Elefante Perdido” Auditório da Torre de Macau, 15h00 Bilhetes a 150 patacas

Diariamente Exposição Casal Notável – artefactos de Sun Wan, segunda filha de Sun Yat Sen Museu de Macau Entrada livre Exposição de Zhou Chunya MAM Entrada livre Exposição “A Jornada de Um Mestre” Albergue SCM Entrada livre Exposição “Aguadas da Cidade Proibida” (até 07/2016) Museu de Arte de Macau (MAM) Entrada a cinco patacas

U m a s é r i e h o j e “Criminal Minds” (Jeff Davis, 2005) Quando as pistas em recentes casos de homicídio ou rapto são escassas, a Unidade de Análise Comportamental entra em acção para ajudar o FBI a resolvê-los. “Criminal Minds” é uma série que, apesar de rolar há dez anos, não cansa e traz sempre novas perspectivas sobre os comportamentos doentios de criminosos. Joana Freitas

• A 1 de Dezembro de 1640 dá-se a restauração da independência em Portugal. “Restauração da Independência” é a designação dada ao golpe de estado revolucionário por revoltados portugueses contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina castelhana, que vem a culminar com a instauração da 4.ª Dinastia Portuguesa - a casa de Bragança - com a aclamação de D. João IV. Os burgueses portugueses estavam desiludidos e empobrecidos com ataques ao seu território e aos navios que transportavam os produtos que vinham das várias regiões do reino de Portugal continental, insular e ultramarino. A concorrência dos holandeses, ingleses e franceses diminuía-lhes o negócio e os lucros. Os nobres viam os seus cargos ocupados pelos espanhóis, tinham perdido privilégios, eram obrigados a alistar-se no exército castelhano e a suportar todas as despesas. Também eles empobreciam e era quase sempre desvalorizada a sua qualidade ou capacidade. A corte estava em Madrid e mesmo a principal gestão da governação do reino de Portugal, que era obrigatoriamente exigida de ser realizada in loco, era entregue a nobres castelhanos e não portugueses. Estes últimos viram-se afastados da vida “palaciana” e acabaram por se retirar para a província, onde viviam nas suas casas senhoriais e solares, para poderem sobreviver com alguma dignidade imposta pela sua classe social. Foi então que um grupo de nobres - cerca de 40 conjurados - se começou a reunir secretamente, procurando analisar a melhor forma de organizar uma revolta contra Filipe IV de Espanha (III de Portugal). Começava aqui a organizar-se uma conspiração para derrubar os representantes do rei em Portugal. Apenas um nobre tinha todas as condições para ser reconhecido e aceite como candidato legítimo ao trono de Portugal. Era ele D. João, Duque de Bragança, neto de D. Catarina de Bragança, candidata ao trono em 1580. Faltava escolher o dia certo. Os nobres revoltosos convenceram D. João, o Duque de Bragança, que vivia no seu palácio de Vila Viçosa, a aderir à conspiração. No dia 1 de Dezembro desse ano invadiram de surpresa o Palácio Real (Paço da Ribeira), que estava no Terreiro do Paço, prenderam a Duquesa, obrigando-a a dar ordens às suas tropas para se renderem - e mataram Miguel de Vasconcelos.

fonte da inveja

A tua vontade faz-me acreditar no sol.

João Corvo


opinião

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Tânia dos Santos

sexanálise

Chen Sicheng, Beijing Love Story

taniarsdossantos@gmail.com

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Da China II

C

hama-se a Revolução Sexual Chinesa e nasceu das especificidades da revolução cultural, da política do filho único, da aberta do país ao mundo e da internet. Durante a revolução cultural, Mao foi o impulsionador de uma ideologia em que homens e mulheres seriam acima de tudo camaradas, vestidos de igual, com o mesmo corte de cabelo, com as mesmas atitudes e contribuições ao regime. Sexo era uma prática feudal depravada que deveria ser suprimida. Assim foi: mas já não o é. Pelo menos para quem acaba de chegar à China e tenta perceber em que moldes a sexualidade se forma, cedo percebe que não é no total conservadorismo que se vive. Pequim neste momento tem mais sex-shops do que Nova Iorque, homens e mulheres igualmente, tentam adornar-se e embelezar-se com os milhares de tratamentos disponíveis, há espaços para saídas nocturnas de loucura e já se começam a ver gestos de afecto em praça pública. Tudo isto, muito provavelmente, faria Mao corar de vergonha, ou arder de raiva. Como não seria de surpreender, a política do filho único teve consequências para a sexualidade chinesa. Ter-se-ia pensado que o sexo seria visto como um objecto de controlo do governo e, por isso, estivesse mais reprimido ou fosse ignorado mas, pelo contrário, as mulheres rapidamente

perceberam que não eram, única e exclusivamente, máquinas parideiras. Assim o sexo redescobriu a sua potencialidade recreativa, que fez com que muitas vozes se expressassem na sua curiosidade por uma sexualidade ainda divertida. Foram as mulheres em especial que começaram esta revolução, que com a ajuda dos meios de comunicação que já conhecemos, puseram dúvidas, contaram as suas histórias e procuraram uma nova identidade sexual. A mais conhecida de todas é uma de pseudónimo Mu Zimei (木子美) que começou um blog onde partilhava as suas aventuras sexuais, com detalhes tórridos das suas posições favoritas e avaliações quantitativas da performance do parceiro. Mas se a política do filho único trouxe vantagens ao sexo em si, trouxe o que já sabemos sobre a actual morfologia da população chinesa. A preferência por um filho homem criou uma grande impossibilidade da totalidade da presente geração de homens encontrar uma parceira e constituir família. E porque a concorrência é muita, os homens vêem-se agora obrigados a preencher requisitos financeiros como, por exemplo, possuir o ninho para viver o amor pós-conjugal, i.e. ter casa própria (normalmente comprada pelos pais do noivo). Percebe-se agora que ter uma filha até nem é mau de todo. Isto empoderou muitíssimo as mulheres da forma como se vêem no mercado do trabalho e em outras áreas das suas vidas, e que agora lutam pelas suas carreiras, pela sua liberdade e pela

sua sexualidade. As que fazem uso deste empoderamento são muitas vezes referidas de ‘Sheng Nv’ (剩女), ‘as mulheres deixadas de lado’. Normalmente são mulheres com mais de vinte e sete anos e que ainda não se casaram e que são erroneamente referidas como ‘as rejeitadas’. Quando, na verdade, trata-se de pessoas com uma educação superior, inteligência, ambição e grande potencialidade para o progresso a que a China deveria aspirar. Como se havia de esperar, os homens deixados para trás não possuem tão óbvia alcunha, nem ninguém os chateia muito com isso. Tal “escassez de mulheres” que têm sido

Como alguém dizia, são tempos extremamente divertidos na China. (...) Em 2009 tentaram criar um parque temático sobre o sexo em Chongqing mas foi ordenada a sua demolição antes de sequer abrir. A ‘Love Land’. Já se passaram seis anos, porque não tentar a sua abertura outra vez?

a desculpa para a ‘legitimidade’ do desenvolvimento da indústria sexual, mais especificamente, na proliferação de bordéis e de consultórios de massagens com ‘final feliz’. Lugares ilegais e operados em grande secretismo que têm contribuído para a contaminação crescente de jovens mulheres e homens com o HIV. A China tem tido pouco cuidado com isso. A revolução sexual chinesa foi e é inevitável. Há forças de muitos lados que puxam para um explodir da sexualidade que se viu reprimida. A abertura, apesar de imperfeita, tem sido incrível, mas falta-lhe muito na divulgação e na informação bem cuidada em prol da saúde de toda a população, mental, física e sexual. No entanto, têm havido passos nessa direcção, com a criação de uma associação de sexologia chinesa ou na organização de exposições sobre sexo ( a que já assisti pessoalmente, com barraquinhas com os mais variados produtos sexuais, com desfiles de roupa kinky e com muitas palestras sobre os mais variados temas). Como alguém dizia, são tempos extremamente divertidos na China, é uma redescoberta sexual, claro, com restrições políticas, mas que parecem ter alguma flexibilidade na forma como são vividas. Em 2009 tentaram criar um parque temático sobre o sexo em Chongqing mas foi ordenada a sua demolição antes de sequer abrir. A ‘Love Land’. Já se passaram seis anos, porque não tentar a sua abertura outra vez?

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; Aurelio Porfiri; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos; Thomas Lim Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Futebol Macau vence Guangdong

Sabor de vitória N a primeira mão da 13ª Edição do Torneio de futebol de Guangdong-Macau, a selecção local não conseguiu vencer a equipa adversária no tempo útil do jogo, tendo apenas obtido o triunfo nas grandes penalidades, pela margem mínima de 5-4. Segundo o Jornal Ou Mun, para celebrar o 16° Aniversário do Estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, o Instituto do Desporto da RAEM, o Instituto de Desporto da Província de Guangdong e as Associações de Futebol de Guangdong e de Macau organizaram conjuntamente a 13ª Edição do Torneio de Futebol de Guangdong-Macau, cuja primeira mão teve lugar no Campo de Futebol da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau(MUST), no sábado passado. Macau, que teve a vantagem de jogar em casa, não conse-

guiu derrotar Guangdong nos 90 minutos do primeiro jogo. Na parte inicial da partida, depois de um erro da defensa de Guangdong, Mário de Almeida teve uma boa oportunidade para fazer golo, mas a baliza dos opositores mostrou-se impenetrável. Guangdong respondeu em força e ganhou o domínio do jogo, mas não concluiu algumas oportunidade flagrantes devido à boa prestação defensiva da equipa local. O nulo manteve-se até ao final da partida, seguindo-se a lotaria das grandes penalidades. Guangdong e Macau falharam os dois pontapés iniciais e foi Pak kin Lau, central de Macau, que decidiu o jogo marcando a última penalidade, dando a vitória a Macau. A próxima partida será realizada no Estádio dos Cidadãos de Guangdong, na cidade de Guangzhou, no próximo dia 4 de Dezembro. Tomás Chio

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cartoon por Stephff

Hoje Macau 1 DEZ 2015 #3465  

N.º3465 de 1de Dezembro de 2015

Hoje Macau 1 DEZ 2015 #3465  

N.º3465 de 1de Dezembro de 2015

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