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Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

E acabou! Foi uma semana em que o Parque de Estacionamento do Terminal do Porto Exterior de Macau esteve ao rubro antes de voltar a adormecer e consigo levar esta cidade que só daqui a doze meses se vai lembrar qual é o seu maior cartaz desportivo de carácter anual. Nesta edição, em que a chuva levantou muitas questões e obrigou a alterações no programa, felizmente sem sérias consequências, o que não faltou foram temas para apimentar os bastidores. A polémica dos subsídios dos pilotos locais, o adeus forçado de Mike Trimby ao Grande Prémio, a homologação do Porsche de Ávila ou a desavença entre Couto e Menu. Venha o diabo e escolha! No meio de tanto murmurinho e temas provavelmente mais interessantes para dissertar entre amigos e conhecidos, a prestação dos pilotos portugueses, seja a dos cá da terra, seja a daqueles que vieram da metrópole, ficou relegada para segundo plano. E talvez porque houve motivos para isso ou falta deles. Nas duas rodas, como não há santos milagreiros, ninguém irá crucificar João Fernandes e Nuno Caetano por nem sequer terem tomado parte da corrida de ontem. Nos automóveis, Félix da Costa encheu-nos de esperanças, mas na terra da sorte e do azar, ao português saiu-lhe a segunda e a duplicar. Tiago Monteiro chegou a Macau a prometer tentar repetir o feito do ano passado, um pódio. Contudo, logo na qualificação de sexta-feira uma estratégia desastrada da sua equipa fez-nos perceber que a bandeira de Portugal não seria desenrolada no aniversário quarenta da Corrida da Guia. André Couto voltou a mostrar que quem sabe nunca esquece, e depois de uma qualificação “à moda antiga”, como no ano passado, hipotecou o fim-de-semana na curva do Mandarim, mas ninguém o pode censurar por arriscar, afinal é essa a essência do desporto. Salvou-se Ávila, não subiu ao pódio, mas ficar atrás de Mortara, Sawa e Watts também não é vergonha para ninguém, tendo o jovem piloto de GT’s sabido gerir e tirar ao máximo a sua posição dentro do cenário em que estava enquadrado. Para Macau também este não foi um Grande Prémio de grandes memórias e só o “1-2” na corrida do Interport disfarçou a timidez com que os pilotos da casa se fizeram à pista. Afinal, para estes, há outros valores mais altos que se levantam.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

21.11.2011

Festa para uns, azar para portugueses


GONÇALO LOBO PINHEIRO

F3 •

E viva a Espanha!

Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

Daniel Juncadella tor-

Huff a dobrar e Muller campeão WTCC •

O inglês Rob Huff venceu as duas corridas da prova final da temporada 2011 do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC), mas quem celebrou o título foi o seu colega de equipa na Chevrolet, o francês Yvan Muller. Os dois pilotos que iniciaram o fim-de-semana com possibilidades de ser campeões, monopolizaram a primeira linha da grelha de partida e foi entre os dois que foi discutido o triunfo na primeira corrida onde o “Safety-Car” entrou em pista por duas vezes. A primeira manga começou praticamente com o acidente que envolveu André Couto e Alain Menu na curva do Mandarim e que haveria de causar a primeira interrupção. O piloto português, que tinha sido sétimo na qualificação, ao entrar na parte suja da pista embrulhou-se com Menu, com quem já tinha tido um incidente na qualificação. O SEAT bailou até acertar em cheio no Cruze de fábrica do piloto suíço, deixando automaticamente de fora ambos os concorrentes. No reinicio da corrida, Darryl O’Young e Mehdi Bennani colidiram na saída da curva do Lisboa, o que trouxe de volta à pista o carro da segurança. Momentos antes, Tiago Monteiro falhava a travagem e seguia em frente no Lisboa, regressando à pista para terminar num modesto décimo-segundo lugar. Gabriele Tarquini foi o melhor dos pilotos da SEAT, ao ver a bandeira axadrezada no terceiro posto.

APRECIAÇÕES

Jo Merszei, em BMW 320si, foi o único dos pilotos da casa a terminar a corrida. Huff e Muller foram assim discutir o campeonato na segunda manga. O BMW de Tom Coronel foi o primeiro líder, perseguido por Michael Nikjaer e Huff. Partindo mais de trás, Muller só precisou de uma volta para ascender a quinto e duas para ser quarto, mas nessa altura já Huff se tinha desenvencilhado dos concorrentes à sua frente e caminhava paulatinamente para mais um triunfo e para uma igualdade pontual com o seu rival. Contudo, a duas voltas para o fim, Muller colocou um ponto final na discussão do título, ao ultrapassar Nikjaer e a colocar-se no terceiro lugar, apenas atrás de Huff, que se sagrou novamente vencedor. Coronel foi o terceiro classificado, finalizando em quarto lugar no campeonato, o melhor não-Chevrolet. Depois do infortúnio na primeira corrida, Monteiro remediou-se com um oitavo lugar à geral, o que mesmo assim foi pouco para quem tinha ambições de chegar ao pódio este domingo e que auto-hipotecou o seu fim-de-semana com uma estratégia errada na qualificação de sexta-feira. Uma vez mais, Merszei foi o único dos pilotos da RAEM a cortar a linha de meta. Felipe Souza e Ma Ka Lok colidiram no Lisboa, enquanto Couto abandonou quando o motor do seu SEAT cedeu. O também local Kuok Io Keong nem sequer arrancou para qualquer das corridas de hoje. – S.F.

• Macau GT Cup MORTARA NÃO DEIXA CRÉDITOS POR MÃOS ALHEIAS O domínio avassalador de Edoardo Mortara nunca foi beliscado durante o fim-de-semana e nem o Lamborghini ou o Mclaren de Danny Watts acossaram o bi-campeão de Fórmula 3. Nem no momento da largada, nem no reinício, Mortara se viu apertado pelos outros dois favoritos. Só o brutal acidente de Eddie Yau na terceira passagem eclipsou a indiscutível vitória do Audi R8 LMS oficial. Devido ao óleo deixado na pista pelo Audi R8 LMS da equipa japonesa vários carros entraram em despiste na Curva do Mandarim, tendo o Porsche 911 GT3 R inscrito pela equipa macaense Asia Racing Team colidindo por duas vezes nas barreiras de protecção, até ser colhido pelo Ferrari 430 GT desgovernado de John Shen. Ambos os pilotos de Hong Kong passaram pelo Hospital Conde São Januário, mas se Yau voltou às boxes pelo seu próprio pé, o mais velho dos dois irmãos Shen teve que ser transportado de ambulância. Voltando à corrida, o piloto de Macau Rodolfo Ávila, que jogou pelo seguro durante todo o fim-de-semana, terminou na quarta posição com o Porsche 911 GT3 R 2012 que o Team Jebsen estreou no Circuito da Guia,. O piloto português nunca tentou intrometer-

nou-se o primeiro piloto espanhol a vencer a corrida de Fórmula 3 do Grande Prémio de Macau que marcou o regresso dos motores Mercedes-Benz às vitórias no Circuito da Guia. Foram 15 voltas de incerteza mas que ficaram a saber a pouco, pois quando a luta pela vitória ia começar a aquecer, com Juncadella, Felipe Nasr e Marco Wittmann, um acidente ditou a terceira entrada do Safety-Car em pista, o que colocou um ponto final prematuro a um final que era garantidamente empolgante. O alemão Wittmann, o maior trunfo da favorita equipa Signa-

ture, foi o primeiro líder de uma corrida que começou com a entrada do carro da segurança, para que os comissários limpassem os estragos deixados em pista pelo acidente de Roberto Merhi, que ficou parado no momento da partida, sendo posteriormente abalroado por Laurens Vanthoor, outro dos candidatos à vitória. No reinicio, Wittmann viu-se atacado por Valtteri Bottas, mas o finlandês cometeu um excesso na curva do Lisboa que pagou com uma desistência. A corrida voltaria novamente a ser interrompida, agora para recolher o carro acidentado de Félix Rosenqvist na zona da montanha. No segundo recomeço, Wittmann, Juncadella, Nasr e Yuhi Sekiguchi travaram-se de razões até à che-

gada ao Lisboa, com o espanhol levar a melhor sobre os seus trê rivais do momento, enquant Wittmann caiu drasticament para quinto. Uma vez na frente Juncadell tentou fugir, o que conseguiu po breves momentos, cavando um fosso de dois segundos. Quand Nasr e Wittmann se aproxima vam perigosamente do líder, um acidente na recta principal qu envolveu quatro viaturas, chamo o “Safety-Car” pela terceira ve para a arena. A corrida ainda fo reiniciada contudo só havia a linh de meta para cortar e os homen da Prema Powerteam festejaram mais um sucesso esta temporada a que se junta os já conquistado Troféu Internacional de Fórmula e a Fórmula 3 Euroseries, campeo

-se na luta pelo pódio, admitindo sempre que a prioridade era chegar ao fim pela primeira vez nesta corrida. Destaque para o também piloto da RAEM Keith Vong, com um Porsche 911 GT3 Cup, que arrancou a ferro um positivo décimo lugar à geral.

Batalha. Limitado pela sua viatura, Sérgio Lacerda foi décimo segundo, enquanto Hélder Assunção ficou pelo caminho. Já o grande favorito Sun Tit Fan falhou o objectivo do “tri”, também ele atraiçoado pela fraca fiabilidade do seu Evo9.

• Macau Road Sport Challenge – Suncity Group

• Interport MAC/HKG - Hotel Fortuna

YAU VENCE NO AZAR ALHEIO Depois da tragédia do ano passado, a corrida da “Roadsport” foi um exemplo de bom comportamento em pista à qual se juntou uma certa monotonia. O eclético Nattavude Charoensukhawatana tomou a liderança da corrida e cavou um avanço considerável sobre o segundo classificado, mas o Mitsubishi Evo9 do tailandês acabaria por o trair a três voltas do fim, dando de bandeja a vitória a Philip Yau, um dos grandes impulsionadores desta corrida no seu início e que desta vez tripulou um Nissan GTR. O japonês Tatsuya Tanigawa, ao volante de um Mazda LA-SE3P R8, e o veterano de Hong Kong de Kenneth Look, em Subaru Impreza, completaram o pódio. Kevin Tse, que reside em Hong Kong e que também guiou um Mazda da filial de Macau, foi quarto e melhor entre os pilotos do território, à frente de Paulo

CHOU TRIUNFA POR UMA NESGA A primeira corrida do fim-de-semana ficou marcada pela luta “quente” pela vitória entre os pilotos de Macau Chou Keng Kuan e Álvaro Mourato, igualmente de Macau. Na largada feita atrás do “Safety-Car”, devido às condições traiçoeiras em que se encontrava o circuito, Chou ganhou uma confortável vantagem, enquanto Mourato se deixou surpreender sobre Billy Lo que viria a terminar no terceiro lugar. O vencedor desta corrida em 2010 demorou tempo a desenvencilhar-se do rival de Hong Kong, mas ainda foi a tempo de lançar uma investida sobre o primeiro classificado. Os dois primeiros ainda se chegaram a tocar antes da subida para a curva de São Francisco, mas no final Chou levou a melhor sobre Mourato por duas décimas de segundo. Destaque para a boa exibição do veterano português Rui Valente que finalizou num meritório oitavo lugar. Daniel Amante Gomes,

com problemas no se Todos os carros que pa

• Taça de Carros de T

FUNG ESTREIA-SE A G Numa corrida marca por terra as esperanç local Jerónimo Badara Lacetti. O piloto de H RAEM, foi o maior b entre o seu companhe e Leong Ian Veng, d Accord preparado em a primeira linha da g gem para o Lisboa q período de “Safety-C por esta ordem, subi Jesus, que teve uma ficado, enquanto Rica segundo lugar Céli vigésima primeira po


la or m do am ue ou ez oi ha ns m a, os a3 o-

POR RODOLFO ÁVILA

MOTOS • natos ganhos pelo azarado Merhi. O português António Félix da Costa esteve em plano de destaque nos treinos de qualificação de sexta-feira, conseguindo alcançar o segundo lugar na grelha de partida para a corrida de qualificação de sábado. Porém, ainda no sábado, a sorte do português viria a mudar, ao ficar imobilizado na grelha de partida quando os semáforos viraram para verde, devido a um problema de caixa-de-velocidades no seu Dallara-Mercedes. Sem hipóteses de almejar um lugar no pódio, ontem, o piloto natural de Cascais foi subindo posições, e quando já tinha ultrapassado a barreira das dezenas, acabaria por terminar sem brilho o seu fim-de-semana na curva dos Pescadores.

POR SÉRGIO FONSECA

eu carro, terminou na cauda do pelotão. artiram para esta corrida chegaram ao fim.

Turismo de Macau - CTM

GANHAR ada por vários acidentes, que deitaram ças de muitos dos favoritos, incluindo o aco. Samson Fung impôs o seu Chevrolet Hong Kong, que nunca tinha vencido na beneficiado da luta pelo primeiro lugar eiro de equipa, Paul Poon, em carro igual, de Macau, aos comandos de um Honda m Itália. Os dois pilotos que partilharam grelha de partida tocaram-se na travaquando a prova foi reiniciada, após um Car”, a três voltas do fim. Poon e Veng, iram mesmo assim ao pódio. Eurico de qualificação modesta foi oitavo classiardo Lopes obteve um meritório décimo io Alves Dias terminou classificado na osição, mas a duas voltas do vencedor.

Rutter bate recorde

II

21.11.2011

III

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Este não foi um fim-de-semana fácil para mim, pois teve vários altos e baixos. Na qualificação de sexta-feira dei um ligeiro toque no muro e só fiz uma volta rápida, ficando com o sexto melhor tempo. No sábado, já correu melhor e subi para quarto. Este domingo o objectivo era terminar a prova: algo que nunca tinha conseguido nesta corrida de GT e desta vez consegui. Cheguei às oito e às nove começou nossa corrida. Os três primeiros estavam mais rápidos que eu mas nunca forcei o ritmo. Atrás de mim a corrida estava controlada e mantive-me longe dos muros. Após ver os destroços do carro do Eddie, a ideia de chegar ao fim ficou reforçada. Fiquei muito satisfeito com o desafio proposto pelo Team Jebsen mas lamento não ter tido a oportunidade conduzir o Porsche 911 GT3 R no limite. Não estou familiarizado com o sistema ABS e isso prejudicou a nossa performance. Fiquei impressionado com o motor e imagino como será conduzir este carro num circuito como Xangai. Depois da minha corrida continuei no paddock a ver as outras corridas. Os pilotos portugueses não tiveram boa sorte, o que é uma pena, mas acontece muitas vezes neste desporto. É sempre bom estar no Grande Prémio, adorei esta experiência com o 911 R 2012, mas não gosto de vir ao Grande Prémio passear, nem acredito que nenhum piloto de Macau goste de correr nestas condições. Espero que no futuro as coisas mudem para bem do desporto automóvel de Macau.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

a ês to te

DIÁRIO

O britânico

Michael Rutter, em Ducati 1200, fez hoje história no Grande Prémio de Motos de Macau, ao conquistar o sétimo título, superando o recorde de seis vitórias que pertencia a Ron Haslam. Rutter, que cumpriu as dez voltas aos 6,2 quilómetros do circuito da Guia em 24.32,817 minutos, à média de 149,59 km/ hora, terminou com quase cinco segundos de vantagem sobre Martin Jessopp, seu companheiro na RiderMotorcycles, e quase sete em relação a Ian Hutchinson, o último a subir ao pódio. Com 39 anos e na sua 17,ª participação no Grande Prémio de Macau, Rutter partiu da “pole position”, mas perdeu lugares logo na largada, os quais viria, no entanto, a reconquistar rapidamente, para não mais largar a frente da corrida. Michael Rutter alimentava desde 2005 o sonho de vencer uma sétima vez em Macau e bater o recorde de vitórias nas duas rodas, o que agora concretizou depois de, em 2010, o também britânico Stuart Easton ter gorado as suas expetativas ao conquistar a terceira vitória seguida na corrida de motos. No final da corrida, Rutter considerou ter sido “fantástico” bater o recorde de Ron Haslam e disse não saber se regressa ao circuito da Guia para tentar uma oitava vitória, apesar de ter admitido que gostaria de tentar. Em causa está o facto de Mike Trimmy, responsável pelo recrutamento de pilotos ingleses, ter terminado o seu acordo de colaboração com a organização do Grande Prémio, o que poderá impedir Rutter e outros motociclistas, como John McGuinness, de regressarem a Macau. Em comunicado, e para evitar especulações, Mike Trimmy esclareceu hoje que a comissão organizadora do Grande Prémio de Macau “não cancelou” o seu contrato, o qual, aliás, “nunca cobriu mais do que um evento”. “Eu simplesmente informei-os de que não pretendo ser considerado depois de 2011. Isto por várias razões, não só porque as minhas responsabilidades aumentaram no meu papel como CEO da IRTA [Associação Internacional de Equipas de Competição], envolvendo-me em 18 campeonatos do Mundo por ano”, diz a nota. Apesar de se sentir “honrado pelas declarações feitas por algumas equipas e corredores” e de estar “orgulhoso” pelo envolvimento com o Grande Prémio ao longo de 34 anos, Mike Trimmy foi claro: “ Não me proponho a mudar de ideias e oferecer os meus serviços no futuro”.

O QUE PENSAM OS PILOTOS

POR JOANA FREITAS

Em discurso directo, os ases do volante do Grande Prémio fazem os balanços após as corridas. Rodolfo Ávila fala sobre as novas regras para a atribuição de subsídios, Alain Menu e André Couto explicam o que os fez abandonar a corrida depois de um segundo acidente entre os dois pilotos e Tiago Monteiro mostra o que correu mal para que ficasse em oitavo lugar na WTCC. • RODOLFO ÁVILA (4º LUGAR NA TAÇA GT): “NÃO DEI 100%” “Já tínhamos apontado mais ou menos [para esta classificação]. Se tivéssemos passado o terceiro, conseguiamos ir para terceiro, mas vimo-lo a fugir e, a partir daí, andei ao meu ritmo. Andei um pouco mais lento que sábado porque sabia que não conseguia chegar aos lugares da frente e também tinha mais a perder se não acabasse a corrida. O meu objectivo era acabar e isso consegui fazer. As condições são assim, fazem-nos acabar a corrida, não podemos dar 100%. Eu não dei 100%. Podíamos ter ficado em 3º, mas o mais importante agora é para o ano. É sempre bom estar no Grande Prémio, mas não gosto de vir aqui passear. Este ano teve que ser. Em princípio vou continuar a correr no Porsche. Espero que no futuro mudem [as regras de atribuição de subsídios], senão não estamos a promover o desporto automóvel em Macau” • ALAIN MENU (DESISTÊNCIA NA FINAL DA WTCC):

“NÃO ESTAVA À PROCURA DE VINGANÇA”

“Não sei exactamente o que aconteceu. Tivemos um bom começo, mas depois a pista estava escorregadia da corrida anterior e eu abrandei. Depois tinha o [André] Couto à minha direita, ele tinha alguém à sua direita, começou a mover-se para a esquerda e eu fiquei sem sítio para onde ir. Movi-me também e pisei o que estava escorregadio e foi isso. Não corri mais porque o carro estava demasiado danificado e não conseguiram arranjá-lo. Este foi um acidente normal da corrida. Na sexta-feira [no primeiro acidente entre os dois] ele (André Couto) cometeu um grande erro, não sei o que ele estava a fazer, quando tentei passá-lo ele encostou-se à esquerda. Isso custou-me o meu fim-de semana, basicamente. Estava muito insatisfeito com ele na sexta, mas hoje foi só uma daquelas coisas que acontecem. Não lhe toquei hoje, não foi nenhum tipo de vingança” • ANDRÉ COUTO (DESISTÊNCIA NA FINAL DE WTCC):

“SINTO-ME TRANQUILO”

“Tudo correu mal na entrada para o [Hotel] Mandarin, ainda não percebi bem o que aconteceu. Não sei se levei um toque

por trás ou não, mas realmente o carro fugiu de repente e não houve nada a fazer. Não acho [que a rivalidade com o Alain Menu tenha provocado isto], as corridas são assim mesmo, quando se anda no meio do pelotão às vezes acontece este tipo de coisas. Paciência, não há nada a fazer, agora é olhar para a frente e para a próxima corrida. Não sei se isto vai afectar os subsídios ou não. Nos últimos anos fiz tudo certinho nos treinos e qualificação, o ano passado deram-me um toque, este ano aconteceu o que aconteceu, mas foi só uma corrida, eu faço isto o ano inteiro. Por exemplo, no Japão nunca tive nenhum acidente. As coisas acontecem às vezes na altura em que nós menos queremos, mas sinto-me tranquilo. Para o ano há mais” • TIAGO MONTEIRO (8º LUGAR EM WTCC):

“QUERO CONTINUAR NESTE CAMPEONATO”

“O trabalho em pista não foi mau, mas não é o resultado que esperava. Não estou muito satisfeito com o resultado global, porque sei que tinha possibilidades de andar lá à frente na luta para o pódio. Agora, eu disse desde o início que tudo poderia acontecer, tanto para o bem como para o mal, e este ano foi mais para o mal. A performance continua boa, com alguns problemas no arranque – a embraiagem deixou de funcionar na volta antes da partida – e, por isso, o arranque foi complicado. Mas depois deu para recuperar algumas posições e atacar até ao fim. Os safety cars tiraram-nos algumas voltas para podermos ultrapassar, estava à espera que os tirassem mais rapidamente. Mas é assim, isto é Macau, mais uma vez. Não é desta que vou ganhar, mas sei que estou ao nível para poder fazê-lo, espero eu em breve. Com o óleo dos acidentes nas corridas anteriores, foi um erro meu travar em cima disso na primeira corrida a tentar passar e tive que ir em frente, o carro simplesmente não travou. Depois o carro não estava tão bom como na qualificação, mas ainda dava para fazer algum resultado. A minha intenção é continuar neste campeonato”

O QUE PENSAM OS QUE PISARAM O PÓDIO… “Tinha um bom ‘feeling’ com o carro desde o início. É um carro fantástico. Eu estava preocupado antes da competição. Mas, com confiança podemos puxar até ao limite” • EDOARDO MORTARA, VENCEDOR DA TAÇA GT

mesmo sendo difícil. São muitas emoções agora. Estou muito desapontado, esta é a corrida mais importante. Tudo pode acontecer em Macau” • MARCO WITTMAN, DEPOIS DE PASSAR PARA 3º CLASSIFICADO NA CORRIDA DE FÓRMULA 3

“Estava concentrado em ganhar este ano, mas mal terminei os treinos percebi que este ano ia ser difícil. Mas continuo feliz” • KEITA SAWA, SEGUNDO LUGAR NA TAÇA GT

“Nunca tive oportunidade de liderar, mas fiz um bom trabalho mantendo-me afastado dos muros. Este circuito é muito traiçoeiro” • FELIPE NASR, SEGUNDO NA FÓRMULA 3

“É a primeira vez da McLaren em Macau neste circuito, que é único. Eleva am corrida de GT a um outro nível” • DANIEL WATTS, TERCEIRO LUGAR NA TAÇA GT

“Não esperava ganhar, mas este sentimento é maravilhoso. Apercebi-me das minhas hipóteses quando me vi em segundo lugar. Não acredito que ganhei, é inacreditável” • DANIEL JUNCADELLA, VENCEDOR DA CORRIDA DE FÓRMULA 3

“É difícil dizer algo. Dominei toda a semana, liderei a corrida


21.11.2011

FÉLIX DA COSTA VOLTA A TER PROBLEMAS MECÂNICOS NA FINAL DE F3

CLASSIFICAÇÕES FINAIS

FÓRMULA 3

1.º Daniel Juncadella ESP Prema Powerteam 2.º Felipe Nasr BRA Carlin 3.º Marco Wittmann GER Signature

42:17.099 42:17.458 42:17.761

WTCC 35:01.903 35:02.919 35:08.569

2.ª CORRIDA Robert Huff GBR Chevrolet Cruze Tom Coronel NLD BMW 320 Yvan Muller FRA Chevrolet Cruze

33:23.773 33:28.453 33:32.468

MOTOS 24:32.817 24:37.589 24:39.664

MACAU GT CUP 1.º Edoardo Mortara ITA Audi R8 LMS GT3 2.º Keita Sawa JPN Lamborghini LP-560 GT3 3.º Daniel Watts GBR McLaren MP4-12C GT3

1:39:42.795 1:39:49.265 1:39:58.751

CTM MACAU 1.º Samson Fung HKG Chevrolet Lacetti 2.º Paul Poon HKG Chevrolet Lacetti 3.º Leong Ian Veng MAC Honda Accord CL7

57:32.968 57:33.225 57:34.253

MACAU ROAD SPORT 1.º Phillip Yau HKG Nissan GTR35 2.º Tatsuya Tanigawa JPN Mazda LA-SE3P RX-8 3.º Kenneth Look HKG Subaru Impreza GDB Ver8

32:08.547 32:11.999 32:27.040

HOTEL FORTUNA-INTERPORT MAC/HKG 1.º Chou Keng Kuan MAC Honda Integra DC5 2.º Álvaro Mourato MAC Honda Integra DC5 3.º Billy Lo HKG Honda Integra DC5

MOSAICO

Azar vezes dois Joana Freitas

1.ª CORRIDA Robert Huff GBR Chevrolet Cruze Yvan Muller FRA Chevrolet Cruze Gabriele Tarquini ITA Sunred SR Leon

1.º Michael Rutter GBR RidersMotorcycles.com 2.º Martin Jessopp GBR RidersMotorcycles.com 3.º Ian Hutchinson GBR Swan Yamaha

IV

32:49.945 32:50.146 32:57.234

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

Domingo foi, definitivamente, um dia mau para os pilotos portugueses. Depois de André Couto abandonar a corrida devido a um acidente e de Tiago Monteiro ter batido também na pista, foi a vez de António Félix da Costa. O jovem piloto, que corria no Grande Prémio de Fórmula 3, não conseguiu chegar ao fim dos 15 laps do circuito devido a um problema mecânico. “Tive de parar a meio porque saltaram três porcas [da roda] – tenho quatro –, e a roda ficou solta”, explicou António Félix da Costa aos jornalistas. A esta altura nada já havia a fazer, uma vez que a reparação do carro levava bastante tempo. O piloto português ainda regressou uma vez à pista, mas a equipa impediu-o de continuar a correr. “Eles ainda me meteram na pista outra vez, mas disseram-me para eu parar a seguir a uma volta porque é muito perigoso andar assim”, frisou Félix da Costa.

Este foi o segundo problema que o jovem corredor teve no espaço de dois dias. Recorde-se que Félix da Costa fez uma óptima prestação na primeira corrida de qualificação, que lhe permitiu sair do segundo lugar da grelha. Mas um primeiro incidente na segunda corrida de qualificação fez com que o piloto partisse a caixa de velocidades, deixando-o sem possibilidades de arrancar. Félix da Costa, que se viu obrigado a sair da pista, ficava assim no 25º posição na grelha de partida de ontem. Ainda assim, a esperança voltou quando o piloto conseguiu na

“TOP10 ERA POSSÍVEL”

corrida final recuperar 11 lugares – passando para 14º. “Sentia-me confiante para ir bem mais para a frente”, disse o piloto. A sorte não estava, contudo, do lado do jovem. “Este não era o nosso fim-de-semana” , desabafou. Numa corrida atribulada – que permitiu apenas que 13 dos 29 carros a terminassem -, Félix da Costa assegura que fez tudo o que tinha ao seu alcance. “Prometi um pódio que, em condições normais, poderia ter sido possível”. Desiludido e “frustrado”, Félix da Costa não desiste: “quero vingar em Macau e subir ao pódio aqui em Macau”, afirmou.

Tiago Monteiro, manager do piloto de F3, elogiou a “excelência” de Félix da Costa e relembrou o azar que acompanhou o jovem. Ainda assim, Monteiro mostrou-se satisfeito com o desempenho de Félix da Costa nas primeiras voltas antes do incidente com as rodas: “ele é um piloto com muita agressividade e viu-se que deu tudo por tudo para chegar ao top10, que era realmente possível”. O piloto que concorreu em WTCC frisou a “frieza” do jovem corredor e mostra estar confiante no futuro de Félix da Costa. “O grande futuro de Portugal é o António. Ele está a ser cobiçado por muitas equipas e desde que o conheço que não pára de me impressionar. Não estou preocupado com o futuro”, afirma. Uma coisa é certa: dentro de dois anos António Félix da Costa “tem de estar preparado para a Fórmula 1”, avisa Tiago Monteiro.

POR GONÇALO LOBO PINHEIRO


Especial GP 2011