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59º Grande Prémio de Macau #3

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19 DE NOVEMBRO DE 2012

GONÇALO LOBO PINHEIRO

59.º

Grande Prémio de Macau

PILOTO PORTUGUÊS PODE AGORA SONHAR COM A FÓRMULA 1

Salvou-se Félix da Costa Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

E

lá diz o povo; “pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Assim foi a 59ª edição do Grande Prémio de Macau. Tudo começou mal, na quinta-feira, quando Luís Carreira perdeu a vida na Curva dos Pescadores na primeira qualificação do Grande Prémio de Motociclismo. Ainda o ‘paddock’ estava a tentar recuperar do choque, quando na sexta-feira chegaram as terríveis notícias sobre o igual e triste destino de Philip Yau. São fatalidades que nos levam a reflectir sobre os riscos inerentes aos desportos motorizados, ampliados pela

natureza do Circuito da Guia. Por esclarecer ficaram as razões do falecimento de Yau, afinal o desafortunado piloto de Hong Kong conduzia um carro construído com os últimos e rigorosos padrões de segurança da FIA, e o que se passou concretamente no acidente de Carreira. As várias questões por responder apenas deram azo à especulação que nada abona à reputação do próprio desporto. Num fim-de-semana negro para a história do evento, valha-nos, nós, comunidade lusófona, principalmente a portuguesa, a vitória de António Félix da Costa na prova rainha do programa (e também o pódio notável de Tiago Monteiro na primeira das duas corridas do WTCC).

O jovem lobo lusitano, que esteve um ano afastado da Fórmula 3, mostrou que quem sabe nunca esquece e à terceira foi de vez. Com as bandeiras portuguesas nas bancadas a colorirem esta página dourada do automobilismo luso, Félix da Costa triunfou “sem espinhas” e merecia outro respeito pelo feito. Ao fim de trinta anos “A Portuguesa” tocou pela primeira vez naquele pódio, mas o acontecimento ficará para história, pelas piores razões; aqueles dez minutos de embaraço, transmitido em directo na televisão para todo mundo, há espera que o hino português tocasse. Foram dez minutos em que se ouviram assobios e apupos, o desespero no rosto emocionado

do piloto e o orgulhoso cantar espontâneo do hino nacional sem banda sonora pelos portugueses que se encontravam na zona da entrega do troféu. E por falar em embaraço, o que dizer da prestação dos pilotos de Macau? Se descontarmos as vitórias em duas corridas de dimensão regional, a participação dos pilotos da casa foi sombria. A caturrice de quem gere os destinos dos desportos motorizados na RAEM, no que à distribuição dos subsídios governamentais diz respeito, em pleno evento que envaidece esta cidade, traduziu-se num dos resultados mais pobres que há memoria na última década. E quem ficou a perder com isto tudo foi, obviamente, Macau...


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