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anodaserpente parte da edição de 8-2-13 do Hoje Macau • não pode ser vendido separadamente

inteligência e racionalidade


二 anodaserpente 2013 é o Ano da Serpente Para a Astrologia Chinesa, 2013 será o Ano da Serpente. Segundo os chineses comuns, o ano novo só se inicia em 13 de Fevereiro – para os astrólogos começa no dia 4 ou 5 de Fevereiro porque estes se regem pelo calendário solar Xia ou “calendário do agricultor” -, pois eles baseiam-se no calendário lunar, que dura doze meses e 29 dias, e não no calendário solar, usado aqui no ocidente e nosso velho conhecido. Cada ano lunar é regido por um signo, representado por um animal que empresta as suas características àquele ano. Para os chineses, o Ano da Serpente trará uma temporada de muita reflexão, planeamento e procura de respostas. Nada muito diferente do que já é esperado com a regência de Saturno. Mas, não pense que isso se refere a algo pesado ou difícil. A Serpente carrega consigo um aspecto positivo, de muita sorte. Para os chineses este é um animal sagrado. Será um ano em que nos sentiremos protegidos pela nossa própria sabedoria. Por outro lado, embora tudo possa ter um ar fresco e calmo, o ano da Serpente costuma ser sempre imprevisível. Olhando para trás na história, vemos que anos regidos pela serpente nunca são muito tranquilos. Muitos desastres que se iniciaram no ano do Dragão – ano precedente - tendem a culminar no ano da Serpente. Estes dois signos têm uma relação muito próxima e as calamidades dos anos da serpente resultam, frequentemente, dos excessos cometidos durante o reinado dos dragões. No amor, as notícias são boas, mas a calma deverá ser mantida. Para quem está solteiro, a Serpente promete trazer um ano de romance e cortejo. Para quem está comprometido, as brigas podem ser mais intensas, repletas de escândalos de todo o tipo, fique atento. Veja onde pisa e seja mais cauteloso. Nada de deixar o coração falar mais alto. As pessoas nascidas no Ano da Serpente são consideradas nobres dentro da Astrologia Chinesa. Tudo devido à sua sabedoria e capacidade de compreensão. São extremamente sensuais, supersticiosas, orgulhosas e vaidosas, além de muito refinadas.

sexta-feira 8.2.2013 www.hojemacau.com.mo

Almanaque 2013, segundo Peter So RATO

CAVALO

2013 será um ano de descanso. Nem é bom, nem é mau. • Dinheiro – não é ano para fazer muito dinheiro, contudo é mais bom que mau • Trabalho – ano de acomodação e sem grandes ambições, no entanto pode contar com ajudas extras • Amor – estável, sem conflitos e sem novas relações

Um excelente ano para quem é deste signo. Claramente bom na vida sentimental e presságio de muito dinheiro. • Dinheiro – excelente • Trabalho – boa capacidade de entendimento • Amor – muito bom para o amor, com certa tendência para relacionamentos de curta duração mas extremamente apaixonados

BÚFALO

Um ano estável. Nem bom, nem mau. Os de Cabra não terão predisposição para grandes mudanças, muito menos súbitas ou drásticas. • Dinheiro – não gastar o que não deve • Trabalho – ligeiramente positivo • Amor – um ano sem grande história

Ano mais estável que anos recentes. Pode ter ajuda de gente poderosa. Muito bom para negócios com estrangeiros. Relacionamentos com as pessoas melhoram em 2013. • Dinheiro – controlar gastos • Trabalho – pode contar com progresso • Amor – Bom para estável e não é provável que ocorram conflitos

TIGRE

Um ano de muito conflito. Um Tigre tem de saber aguentar-se no ano da Serpente. Não é trágico mas é um ano chato e de muita paciência. • Dinheiro – boas perspectivas mas é possível que tenham de gastar mais do que o habitual • Trabalho – pode haver uma certa desorientação • Amor – sem grandes problemas na parte sentimental

COELHO

Este ano será melhor que anos anteriores. O Coelho será orientado pela Estrela da Mobilidade que o fará “andar de um lado para o outro”, podendo ver-se envolvido em viagens, mudanças de casa ou mudanças de local de trabalho. • Dinheiro – ligeiramente positivo • Trabalho – pode ser promovido e ganhar algum estatuto •Amor – estável mas sem grande excitação

DRAGÃO

Vem de um ano que é o seu e até ao mês de Maio pode sentir alguma trepidação. Depois disso acontecerão só coisas positivas, em especial no que diz respeito às relações com as pessoas. • Dinheiro – tendência para gastar mais • Trabalho – uma viragem para melhor • Amor – muito positivo e bom para quem quer iniciar um novo relacionamento

CABRA

MACACO

A relação entre Macaco e a Serpente é simultaneamente boa e má. Apesar de formarem um casal no zodíaco é de esperar alguma dualidade para este ano. Os do sexo feminino podem ter melhor ano do que os do sexo masculino. • Dinheiro – grandes possibilidades se trabalhar muito • Trabalho – ano muito activo mas pode não ser devidamente compensado • Amor – ano quezilento mas apaixonado

GALO

Unidos com Búfalo e Serpente pelo elemento metal. Estes são signos beneficiados por pertencerem à mesma família da Serpente. Se os Galos se mexerem, o ano de 2013 passará de forma fácil. • Dinheiro – fortuna tende a aumentar logo a partir do começo do ano • Trabalho – decidir o que quer e continuar em frente • Amor – estabilidade

CÃO

É do melhor em termos de amor. Se é casado melhor fica e os solteiros têm tendência a iniciar uma relação. • Dinheiro – particularmente bom para quem trabalha por conta própria, mas no geral a tónica é positiva • Trabalho – é um ano de escalar, onde no topo será compensado pelo esforço •Amor – excelente, pois tudo pode acontecer no sentido positivo

PORCO

SERPENTE

É o seu ano e os signos nunca se dão bem no seu próprio ano. Seja como for, os de Serpente terão um ano misto, com coisas positivas e com coisas tensas. • Dinheiro – muito bom • Trabalho – um ano menos bom e mesmo que ocorra uma situação positiva não deve ser encarada com grandes expectativas • Amor – tendência para a estabilidade, mesmo com períodos em que terá dificuldade de saber o que realmente quer

Um ano negativo. Serpente e Porco são signos opostos no zodíaco, haverá sempre um choque de energias que podem levar a quebras. Espera-se que situações pré-existentes sejam alteradas. Não esmoreça pois as mudanças podem trazer novas oportunidades. É preciso inovar e não contar com a estabilidade. • Dinheiro – a instabilidade não é amiga de grandes fortunas • Trabalho – ano de mudanças que pode trazer viagens, mudança de emprego ou de cargo • Amor – mais interessante para solteiros, podendo ou não ser problemático para quem tem uma relação estável


inteligência e racionalidade

A Dama Serpente Branca Pues esta blancura es la piedra perfecta para la obra blanca, y un cuerpo ennoblecido para tal fin; incluso la tintura de una gloria sumamente exuberante, y una brillantez resplandeciente, que nunca se aparta del cuerpo una vez que se une a él. Por lo cual debes fijarte aquí que los espíritus no se fijan sino en el color blanco… “El Libro Secreto de Artefio” Artefio, sec. XII Lu Dongbin

Era um dia luminoso de Março. Nas margens do Lago do Oeste, os salgueiros exibiam os seus rebentos verdes e os pessegueiros as suas flores róseas. Numerosos viajantes tinham vindo de todos os cantos do país para ver o esplendor da Primavera a desabrochar naquele lugar paradisíaco. Lu Dongbin, um dos Oito Imortais, tinha vindo para observar a multidão dos mortais. Disfarçado de velho, de cabelos e barba grisalha onde ficavam retidas as pétalas que a brisa soltava, sorridente e benévolo, montou uma tendinha de pastéis de farinha de arroz. Instalado debaixo de um salgueiro, ao lado da Ponte Quebrada, logo que viu os bolinhos cozidos saltitando no caldo fervente, lançou o seu alegre pregão de cana rachada: “Bolinhos no caldo! Bolinhos no caldo! Um cêntimo três bolas grandes, três cêntimos uma bola pequena!” Os passeantes riam a bom rir e alguns alertaram afavelmente o pobre vendedor ambulante: “Oh avozinho, olhe que não é assim que deve dizer, as bolas grandes é que devem custar três cêntimos e a bola pequena, um!” Mas o velho sorria e persistia no insólito pregão. Divertidos, os mirones tiravam das bolsas moedas, compravam os pastéis no seu caldo e comiam com apetite. Em breve todos os pastéis tinham sido vendidos, sobrando apenas no caldo rescendente uma bolinha de farinha de arroz. Foi então que viram aproximar-se um homem com um filho nos braços. O menino, vendo outras crianças comer, apontou com o dedinho rechonchudo o vendedor ambulante e pediu no seu chilrear de criança a apetecida guloseima. Porém não restava um único pastel grande e o homem teve que pagar três cêntimos pela minúscula bola que sobrava. Tenho recolhido o dinheiro, Lu Dongbin encheu uma tigela de caldo e nele deitou o bolinho. Com a

tigela na mão, o homem soprou o caldo para o arrefecer, enquanto o menino agitava as mãozinhas de contente e aproximava a boca para comer. Mal tocou na borda da tigela, a bola deslizou para os lábios e aninhou-se no ventre da criança. Desde esse instante o menino recusou todo o alimento que lhe davam. Ao fim de três dias, morto de inquietação, o pai procurou o velho junto à Ponte Quebrada e interrogou-o duramente sobre o feitiço que fizera com que o filho deixasse de comer. Lu Dongbin, quando isto ouviu, desatou a rir e disse: “O que o teu filho comeu não era uma comida ordinária; mas pelos vistos, não está no destino deste menino tirar proveito dela.” Dizendo isto, segurou a criança sobre o parapeito da ponte de cabeça para baixo e gritou: “Sai!” O bolo comido três dias antes saiu pela boca do menino e caiu no lago. Nesse momento passavam sob a ponte uma serpente branca e uma tartaruga, animais míticos que há muito se empenhavam em aperfeiçoar o seu poder mágico. A serpente, com o seu esguio e ágil corpo, num ápice apanhou o bolo de arroz. A tartaruga precipitou-se pesadamente tentando roubar a comida da boca da serpente, mas era tarde. A serpente já engolira e nesse instante viu o seu poder mágico redobrar: o Imortal escondera no pequeno bolo um poderoso encantamento. Vencida, mas não resignada a tartaruga esgueirou-se em direcção a Oeste. O Banquete dos Pêssegos Na madrugada seguinte, uma bruma leve ascendia do lago. Eis senão quando sob a Ponte Quebrada surgiu uma mulher de grande beleza, vestida de branco cintilante, tal como um lótus prestes a desabrochar. Era a Serpente Branca, que tendo agora poder mágico como se tivesse vivido mil anos meditando em busca da perfeição, tinha tomado a forma humana e se dirigia para a margem do lago. Nesse dia, os Imortais apressavam-se para ir ao Banquete dos Pêssegos, em honra da Rainha-mãe do Oeste. Tendo decidido ir homenagear a deusa, a Serpente Branca aproximou-se da sala do banquete, onde se apresentou como sendo Bai Suzhen, a Dama Branca. Como a sala estava já cheia de convidados, sentou-se modestamente no último lugar livre. Já as fadas andavam servindo pêssegos aveludados em bandejas de ouro fino. Bebiam vinho cor de âmbar

em tacinhas de porcelana e comiam os pêssegos doces como mel, sedosos como veludo rosado, branco, amarelo ou carmim. Os convivas riam e tagarelavam e a certa altura a Soberana Mãe viu a formosa dama vestida de branco e mirou-a da cabeça aos pés sem ter podido reconhecê-la. “Quem é aquela encantadora jovem?”, perguntou ela ao Imortal dos Céus do Sul. O venerável génio riu ruidosamente e cofiando a longa barba disse a Lu Dongbin que se encontrava também presente: “é a ti que compete contar essa história!” Este cofiou também a barba, pois não sabia do que o outro estava a falar. Com ruidosas gargalhadas, o Génio dos Céus do Sul contou como Lu se disfarçara de vendedor de comida para se divertir à custa dos humanos. Todos os Imortais se riram, incluindo o próprio Lu Dongbin. A descrição que o génio fizera das festas da Primavera na beira do lago, a cena do homem soprando a tigela de caldo, o menino contente nos braços do pai, tudo isso exacerbava no coração de Bai Suzhen um desejo que a consumia há muitos e muitos anos. Anos de tristeza e solidão em que meditara no fundo do lago, sabendo que um mundo de felicidade e ternura, de partilha e intensa vida, existia na terra. Mas como poderia uma serpente ascender ao mundo dos humanos? Agora que graças à magia de Lu Dongbin tinha conseguido tomar o aspecto de uma formosa mulher ardia em desejo de conhecer o mundo dos homens. Depois do banquete, na Porta dos Céus, encontrou o génio do Sul e perguntou: “Venerável Génio, diz-me, por favor, onde está a criança que

engoliu o bolo mágico? Eu gostaria de voltar a vê-la.” Ouvindo isto o génio soltou de novo o seu riso retumbante e disse: “Daqui a dezoito anos, no Festival dos Antepassados, poderás procurá-lo nas margens do Lago do Oeste. Quando encontrares um jovem que for ao mesmo tempo o maior e o mais pequeno, será ele.” Dito isto o Venerável partiu montado numa nuvem tingida de âmbar e cinábrio. O maior e mais pequeno Da porta Sul do Céu a Dama Branca desceu à terra. Retomou o seu corpo de serpente e voltou à sua velha morada no fundo do Lago do Oeste. Dia após dia, ano após ano, contou o tempo pelos anéis prateados do seu corpo e finalmente dezoito anos passaram. No dia do Festival dos Antepassados acordou cedo, tomou forma humana e emergiu das águas cristalinas. Secou ao sol nascente a longa cabeleira, penteou-se, vestindo em leve túnica de seda o que fora a sua pele de escamas diáfanas. Seguindo o dique de Su Dongpo, chegou à ponte de Yingpo. Ao chegar viu por entre as ramagens frondosas um velho mendigo que tinha aprisionado uma pequena serpente verde. A serpente debatia-se, agitando a cauda e fazendo oscilar a cabeça delicada, era uma serpente muito jovem e chorava copiosas e aflitas lágrimas. Cheia de piedade, Bai Suzhen perguntou ao velho mendigo: “Venerável Avô, que vais fazer com essa serpente?” E o velho respondeu: “Sou velho e pobre, preciso de algo

que me dê forças, vou matá-la e tomar a bílis como medicamento.” Branca acariciou a apavorada serpente e disse ao velho: “Avozinho, vende-me essa serpente, dou-te todo o dinheiro que tenho.” E tirando de uma bolsa belas moedas novas, deu-as ao velho. Contente com a transacção, este partiu em busca de uma casa de chá, pois já tinha com que pagar uma boa refeição. Suzhen, agarrando a pequena serpente com as duas mãos lançou-a ao lago. Um leve fumo cor de jade se elevou então das águas e dele surgiu uma menina vestida de seda verde. Louca de alegria a Dama Branca estendeu-lhe as mãos e exclamou: “Minha pequenina, como te chamas?” E a que tinha sido uma serpente verde, cheia de gratidão respondeu: “O meu nome é Xiao-Chin. E tu quem és, minha linda salvadora?” “Podes chamar-me Suzhen. Queres ficar comigo, Xiao-Chin?” Abraçaram-se e prometeram mutuamente que daí em diante viveriam juntas, como uma verdadeira família. De mãos dadas passearam ao longo das margens do lago e deram várias voltas, Suzhen olhando à esquerda e à direita, parando por vezes para observar os passeantes. Até que a pequena Xiao-Chin a quem as manobras da mais velha intrigavam perguntou: “Minha irmã, quem procuras?” Rindo, a Dama Branca contou à pequenita o enigma que o Génio dos Céus do Sul lhe propusera dezoito anos antes. Feliz por partilhar com alguém os seus sonhos e pensamentos, a que fora uma serpente branca contou que aspirava a viver uma vida humana. Era um dia luminoso de Abril. Uma multidão de peregrinos subia as colinas para levar oferendas aos antepassados e muitos passeavam em redor do lago. Mas, como constatavam a cada instante, os homens grandes não eram pequenos e os pequenos não eram grandes! Ao meio-dia pararam junto da Ponte Quebrada. Uma companhia de acrobatas tinha instalado o seu espectáculo debaixo de um salgueiro e uma pequena multidão já os rodeava. Foi então que Xiao-Chin exclamou puxando a manga da mais velha: “Irmãzinha, olha o que eu descobri! Ali está o homem ao mesmo tempo maior e mais pequeno!” “Onde, onde?”, exclamou a irmã com o coração palpitante. “Olha ali, irmã!” Discretamente a menina apontou um jovem sentado na bifurcação do tronco de um salgueiro. Bai Suzhen lançou um olhar e disse desapontada: “Mas ele não é maior que os outros nem mais pequeno...”


四 anodaserpente “Mas repara bem, irmã” , disse a outra, “em cima da árvore ele é maior que outros, pois todos lhe passam por baixo.” “Ah, de acordo”, disse a mais velha, “mas sendo assim não é o mais pequeno!” “Sim”, respondeu Xiao-Chin sorrindo, “pois a sombra dele ao meio-dia está no chão, todos a pisam, é pois a mais pequena. Não há dúvida, só pode ser ele.” “A adivinha do Venerável Génio era bem difícil, mas tu, minha irmãzinha, és muito inteligente.” Suzhen contemplava atentamente o rapaz. Era belo, de olhar brilhante e honesto. Risonho e ágil, ria das peripécias dos saltimbancos alcandorado no salgueiro. Durante mil anos tinha sonhado com aquele momento, tinha sonhado um encontro humano. A antiga serpente estava feliz e perplexa. Havia pois algo mais forte que a magia? Como abordá-lo, indagar o seu nome? Falar-lhe sem levantar suspeitas? Como fazê-lo descer do ramo de salgueiro? Uma vez mais a azougada menina Verde teve uma ideia. Puxando a Dama Branca para si disse-lhe ao ouvido como usar os seus poderes mágicos. Um instante depois o céu cobria-se de grossas nuvens e logo caía uma chuva pesada acompanhada de trovões e relâmpagos. Os acrobatas pararam a representação e a multidão dispersou-se. O jovem desceu da árvore e, chegando à beira do lago, numa voz vibrante e clara chamou o barqueiro e perguntou-lhe se o levava até à Porta Qingpo. As jovens viram-no embarcar e logo a menina interpelou o barqueiro que instalava os remos: “Tio Barqueiro, tio Barqueiro, pode levar-nos para o outro lado? Deixe-nos embarcar por favor!” O jovem que se abrigara sob a cobertura do barco, viu as duas moças de pé, debaixo da chuva, com os brilhantes vestidos de seda moldando os corpos, e imediatamente pediu ao barqueiro para as embarcar. Subindo a bordo, elas agradeceram educadamente a ambos. Durante a viagem a pequena e azougada Xiao-Chin não hesitou em perguntar o nome ao jovem. “O meu nome é Hsu Sheng, o meu pai deu-me o nome de ‘génio’, porque quando era pequeno encontrei um Imortal junto da Ponte Quebrada”, disse o jovem rindo. Bai Suzhen e Ching-Ching trocaram olhares cúmplices. Suzhen perguntou então a Hsu Sheng onde habitava e este respondeu: “Desde o falecimento do meu pai, vivo em casa da minha irmã, perto da Porta Qingpo.”Aesperta menina aproveitou logo para dizer: “Que coincidência, o teu destino é tão parecido com a da minha irmã! Também ela só me tem a mim, sua irmã adoptiva e até me encontrar, estava só no mundo!

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Dir-se-ia que estão destinados um ao outro!” Hsu corou intensamente e Branca baixou a cabeça. Minutos depois os três jovens conversavam já sem constrangimento. O sol voltara e o barqueiro entoou uma vibrante canção de amor da sua montanha distante:

e protegerá o nosso filho. Deves beber dois copinhos pelo menos.” Suzhen não sabia resistir ao homem que amava. O seu jovem marido nunca desistia. Ignorando mil anos de sabedoria, a mulher-serpente fez apelo a toda a sua coragem e bebeu o vinho. Desde que engoliu a primeira gota, os membros paralisaram, dolorosas vertigens rodaram no interior da sua cabeça e acabou por cair no leito desfalecida. Hsu comia um bolo de arroz olhando pela janela, tentando vislumbrar o ambiente festivo das corridas quando ouviu um estranho queixume. Precipitando-se sobre a cama, afastou o mosquiteiro. De longe vinha o som alegre e compassado dos tambores do barco-dragão, mas no quarto ouviu-se apenas um grito de terror. No leito jazia imóvel uma serpente prateada, mas a sua mulher tinha desaparecido. Cambaleando até junto da mesa, o jovem perdeu os sentidos e caiu no soalho, arrastando a fiada de bolos de arroz glutinoso, o jarro e os copinhos de vinho.

No vasto céu é um só o templo antigo da lua O amor une os corações com um fio de mil léguas Juntos embarcámos sob o vento e a chuva Vindos de mundos tão diferentes Partilhamos agora o mesmo abrigo Se o destino o quiser talvez um dia o mesmo leito A Festa dos Barcos-Dragão Bai Suzhen e Hsu Sheng quando se conheceram melhor apaixonaram-se profundamente. Como eram órfãos, eles mesmos contrataram uma casamenteira. Suzhen comprou uma casa em Zhenjiang, para onde se mudaram depois do casamento. Como Hsu Sheng era boticário, abriram uma farmácia, a que deram o nome de Farmácia da Eterna Harmonia. Aí viviam na verdade harmoniosamente: a esposa fazia os diagnósticos e o marido preparava os medicamentos. Na sua família os homens eram ervanários desde há muitas gerações e ele sabia preparar todas as tisanas, infusões, decocções, emplastros, pílulas, pós e pomadas. Ao lado da porta havia um anúncio dizendo: Cuidados Grátis aos Necessitados. Afluía gente de toda a parte. Uns para fazer consulta, outros para aviar receitas, outros para agradecer curas. Bai Suzhen sabia como bem usar a magia que aperfeiçoara durante mil anos. O seu amor por um mortal humanizara o seu coração compadecido. De tal modo que se esquecia de quem fora. Felizmente lá estava a pequena e diligente serpente Verde, ainda criança, tomando conta da irmã demasiado humana. No quinto dia da Quinta Lua, era o dia da festa dos Barcos-Dragão. Pendurava-se cálamo aromático e artemísia de um lado e outro da porta da Farmácia da Eterna Harmonia e faziam-se libações sobre o solo de vinho enxofrado com rosalgar. No sopé da montanha Jinshan ia disputar-se a corrida de barcos. Uma imensa e animada multidão afluía para as imediações, procurando os melhores lugares para ver e apoiar os remadores. De manhã cedo, Suzhen chamou a irmã e disse-lhe: “Xiao-Chin, sabes que dia é hoje?” “Sim, querida irmã, é o dia dos barcos-dragão.” “Minha querida, ouve bem o que digo”, prosseguiu a irmã suspirando, “ao meio-dia e três quartos, é o mo-

O Cogumelo de Kunlun

mento fatal. Vai pois esconder-te na montanha e deixa passar o perigo.” “E tu, minha irmã. Que vais fazer?” “Há mil anos que treino para atingir a perfeita magia”, respondeu Branca. “É mais fácil para mim do que para ti.” Xiao-Chin olhou a irmã e abanou a cabeça pensativa. “Era melhor que fossemos as duas juntas para a montanha.” Mas a irmã discordou: “Se desaparecessemos agora as duas o meu marido ficaria inquieto.” A irmã deu-lhe razão e, antes de esgueirar pela janela, disse ainda: “Querida, toma muito cuidado! No teu estado tudo pode acontecer.” Enquanto Xiao-Chin desaparecia na floresta em forma de um leve fumo, Hsu Sheng subia ao andar de cima chamando a mulher e a cunhada. “Despachem-se, vamos ver as corridas de barcos-dragão!” A mulher respondeu: “Vai tu primeiro e leva bolos de arroz glutinoso. Mandei Xiao-Chin comprar linhas de cor, não deve tardar. Aproximando-se, Hsu disse: “Desde que estamos juntos, não tivemos ocasião de ver as festas dos barcos-dragão. Vem comigo, a irmãzinha saberá encontrar-nos.” Mas Suzhen respondeu em voz sumida: “Sinto-me indisposta, prefiro ficar.” Tacteando-lhe o pulso, o marido inquiria: “Indisposta como?” E a mulher respondeu simples-

mente: “Não estou doente, estou esperando um filho.” Já que ia ser pai, Hsu Sheng não queria saber da corrida de barcos. Trauteando uma divertida canção infantil, desceu as escadas a quatro e quatro, chamando Xiao-Chin. Não obtendo resposta, foi ele mesmo preparar uma merenda de festa na cozinha das traseiras da casa. Aqueceu um rosário de bolos de arroz glutinoso e um jarro de vinho doirado, onde diluiu uma diminuta colher de rosalgar. Subiu com um tabuleiro e no quarto encheu um copo para si e outro para a mulher. Ele bebeu de um trago, mas ela, ao levar o copo aos lábios, sentiu um cheiro nauseante que lhe provocou vertigens. Tendo reconhecido a presença do arsénico vermelho, conhecido antídoto contra o veneno das serpentes, afastou o copo, dizendo em voz fraca: “Não posso beber, tenho náuseas, prefiro comer contigo bolos de arroz.” Ele insistiu: “Tens que beber comigo um pouco para celebrar, é dia de festa” Ela retorquiu enjoada: “Deitaram arsénico vermelho no vinho, estou grávida não posso beber.” Ao ouvir isto, Hsu soltou uma gargalhada e disse: “Na minha família, somos boticários há três gerações, achas-me assim tão ignorante? O vinho com leve vestígio de rosalgar expulsa todos os malefícios do corpo

Escondida na montanha, a serpente verde não pressagiava nada de bom. Assim que o momento aziago passou, retomou o caminho sob a forma de fumo cor de jade. Ao sair da floresta recuperou a forma humana e correu para casa. Encontrou o cunhado desmaiado, pálido como um morto, caído perto da cama onde a mulher dormia profundamente. Xiao-Chin acordou-a com meiguice. Ao ver o marido desmaiado, esta desatou a chorar, inconsolável. “Fui eu, fui eu!”, soluçava a pobre mulher-serpente, cada vez menos mágica. “Deixei-o ver a minha antiga forma! Ou devo dizer a minha verdadeira natureza? O meu amor foi-lhe fatal, enganei-o, e é ele que vai pagar com a vida um erro meu!” Xiao-Chin tentou chamá-la à razão: “Sim, sim, mas agora, o importante é salvá-lo, não há tempo a perder. O choro não emenda erros. Temos de ter confiança!” Encorajada pela dedicada menina, Bai Suzhen aproximou-se do marido e colocando a mão sobre o coração dele, constatou que batia, embora fracamente. “Vamos”, disse então, recuperando a coragem e a energia. “Ajuda-me a deitá-lo. Tu ficas aqui de guarda, eu vou à Montanha Kunlun. As ervas comuns não podem nada neste caso. Preciso de trazer um cogumelo sagrado.” Dito isto saiu pela janela em forma de nuvem branca. Chegando à montanha onde os Imortais cultivam as ervas mágicas, logo encontrou as árvores sobre as quais crescem os cogumelos púrpura


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que podem restituir a vida a um morto. “Nobre planta que vais salvar o meu amado, abençoada sejas”, disse ela enquanto colhia um e metia o caule na boca para poder voar no caminho de volta. De súbito, ouviu um forte ruído de bater de asas, era um grou branco, que se precipitou sobre ela quando viu que ela roubara um cogumelo dos Imortais. Asas estendidas, bico aberto, o grou atirava-se a ela. Felizmente, no momento em que o duro bico ia picá-la, um cajado prendeu o pescoço do grou. Olhando para trás a serpente Branca viu o Génio dos Céus do Sul. Desesperada, rompeu em soluços implorando: “Bondoso génio, dá-me este cogumelo sagrado para salvar o meu marido.” O génio libertou o grou e despediu-o com um gesto. O grou subiu nos céus voando para o poente, enquanto o Venerável Imortal ponderava o pedido da serpente. Cofiando a barba, o génio considerou para si mesmo que afinal o mundo dos humanos era um lugar misterioso, incongruente e extremamente perigoso para os Imortais. Bastava ver aquela serpente branca, com mil anos de prática da Perfeita Magia reduzida a implorar um cogumelo por amor de um rapaz aprendiz de boticário. Mas já Bai Suzhen, a Dama Branca, desaparecera como uma nuvem levada pelo vento, sem largar o precioso cogumelo. Chegada a casa, preparou a tisana e deu-a a beber ao marido, introduzindo-lhe entre os lábios pequenos goles, numa mistura febril de amor e apreensão. O jovem sentou-se na cama. Estava salvo do desmaio, mas não do terror. Tremendo de medo, encarou a mulher e precipitou-se para o pequeno escritório contíguo à farmácia, de onde não voltou a sair. Três dias depois, Xiao-Chin, vendo o desespero da irmã, veio bater à porta do escritório. “Irmão mais velho, porque não sobes ao teu quarto há já três noites?” Ele gaguejou: “Mmm... a farmácia tem muito movimento, tenho que pôr em ordem a contabilidade.” Xiao-Chin desatou a rir: “E fazes a contabilidade num velho almanaque? Pois é isso que tens entre mãos.” Vendo o à-vontade da menina, decidiu que o melhor era contar tudo e relatou o que vira ou julgara ver no dia fatídico dos barcos-dragão. Nesse momento, Suzhen, que descera ao ouvir as vozes da irmã falando com o marido, disse com imensa tristeza: “Conheces-me melhor que qualquer outro ser no mundo e dizes que sou uma serpente?” Lágrimas amargas caíam de uns olhos mais do que humanos. Xiao-Chin tomou a defesa do rapaz e disse: “Irmã, perdoa o teu marido, eu própria quando cheguei com as linhas de bordar, ouvi o grito do meu cunhado, subi ao quarto e vi uma serpente alada sair de entre as pregas do leito e voar pela janela.

Não parecia vir por mau intento, antes me pareceu de bom augúrio. Depois vi ambos caídos no chão, inconscientes, e socorri primeiro a minha irmã, que espera um filho.” “Ah!”, exclamou Bai Suzhen, “ouvi dizer que um dragão aparece por vezes a quem espera um descendente e que isso significa que de geração em geração a família será próspera e protegida pelos Imortais. Pois não viste tu um génio quando ainda nem falavas? Não sobreviveste a três dias sem alimentos depois de teres engolido o bolo mágico? Como lamento ter-me sentido mal depois de ter bebido aquele vinho funesto, teria homenageado devidamente o dragão e implorado a sua protecção.” O jovem boticário crescera ouvindo relatos do sobrenatural. Perante tão detalhada explicação e sobretudo pelo reavivar das próprias memórias da infância, após madura reflexão, abandonou as incertezas e os terrores e regressou aos dias sem história da felicidade. No Templo de Jinshan Entretanto a velha tartaruga tinha-se refugiado no Céu do Oeste, onde se escondeu debaixo da flor de lótus que serve de assento ao Buda Tathagata. Durante anos, escutou atentamente a recitação do precioso Sutra, adquirindo apreciáveis conhecimentos. Porém, conhecimento nem sempre rima com merecimento e a ambiciosa tartaruga, um dia, aproveitando a sonolência do bem-aventurado, roubou os três valiosos tesouros: a escudela de oiro, o manto de bonzo e o cajado pastoral, atributos de Buda quando peregrinava pela Terra. Munido dos três objectos sagrados, a tartaruga assumiu o aspecto de um velho e escuro bonzo de olhar selvagem. Seguro da força mágica dos seus conhecimentos, atribuiu a si mesmo o nome de Fahai, que significa Vasto Mar do Poder de Buda. Envolto no manto, com a escudela na mão e o bastão ao ombro, Fahai partiu em peregrinação. Um dia, chegou ao templo de Jinshan, na cidade de Zhenjiang. Aí quedou-se na contemplação do imenso rio Changjiang e das grandiosas montanhas Jin e Jiao. Tomou então a decisão de se instalar no templo. Graças ao uso perverso da sua magia, aniquilou o Venerável Superior do mosteiro e tomou o seu lugar. Mas a vida monástica cedo o desiludiu. Os crentes eram poucos e pobres; os donativos cada vez mais raros. Sempre pronto a apelar para a magia negra, o falso bonzo fez cair uma peste sobre os habitantes, pensando trazer de volta os fiéis implorantes. Mas a farmácia de Hsu Sheng preparava incessantemente medicamentos para evitar que a peste alastrasse e distribuía-os aos ne-

cessitados. Furioso Fahai vestiu os andrajos de bonzo mendicante e meteu-se aos atalhos, pedindo esmola para o templo. Com a insígnia de madeira em forma de peixe pendurada ao peito, dirigiu-se à farmácia, fazendo soar o gongo a cada três passos. Ao chegar à farmácia, espreitou subrepticiamente. Numa ordem e limpeza extremas, Bai Suzhen e Hsu preparavam as receitas. Ervas medicinais e ingredientes de toda a espécie alinhavam-se sobre mesa, onde a esposa os separava por doses e pesava numa antiga e sensível balança. O marido, sentado a uma pequena mesa, preenchia etiquetas com os nomes dos mais variados remédios, na sua caligrafia cuidada de boticário. O falso bonzo olhou atentamente a mulher que, leve e silenciosa, andava pelo aposento retirando frascos das prateleiras, juntando raízes, grãos e folhas sobre imaculado papel de arroz, que depois dobrava num elegante envelope. A velha tartaruga não tinha dúvidas de que aquela formosa mulher não era senão a serpente branca que no lago do Oeste se precipitara na sua frente, engolindo o mágico bolinho de arroz. E o rapaz que a desposara não era senão aquele menino que tivera por três dias escondida no ventre a Pílula da Sabedoria. Rubro de furor, o falso bonzo fraquejou das pernas e sentou-se no banco de pedra onde os doentes esperavam durante o dia pela consulta. Assim, a velhaca serpente branca assimilara mil anos de prática da sabedoria e agora vivia uma vergonhosa felicidade ao lado de um simples mortal, um aprendiz de boticário ignorante. Parecia não fazer outro uso do saber que acumulara a não ser para tratar os doentes que para isso acorriam de mil léguas em redor. Rangendo os dentes, o velho feiticeiro viu o sol cair e a noite descer docemente sobre os montes. Suzhen subiu aos aposentos da casa e Hsu preparava-se para fechar as portas. Batendo no peixe de madeira, o bonzo entrou e juntando as mãos disse ao rapaz: “Ilustre benfeitor, a tua farmácia é tão próspera, podias fazer um donativo para o meu templo.” Hsu Sheng perguntou qual o templo a que ele pertencia. Fahai explicou: “Dia quinze de Julho terá lugar uma cerimónia para afastar os diabos no templo de Jinshan; vem queimar incenso durante a festa e pedir ao Bodhisatva que te conceda longevidade e prosperidade.” Hsu, impressionado pelo discurso do bonzo, deu-lhe algum dinheiro e inscreveu-se na lista dos doadores. Na soleira da porta Fahai voltou-se para relembrar: “Quinze de Julho, não te esqueças, generoso benfeitor.” O tempo passou célere, era já a manhã de quinze de Julho. Hsu Sheng levantou-se cedo, tomou banho e vestiu um fato de festa, dizendo à

mulher: “Querida esposa hoje é o dia do Festival para Esconjurar os Diabos; arranja-te para irmos ao templo de Jinshan.” ADama Branca escusou-se: “Estou grávida, sinto-me pesada, como poderia eu subir a montanha? Vai tu e volta logo que possas, eu fico a descansar.” Hsu Sheng partiu sozinho. Ao chegar ao templo, Fahai arrastou-o para uma cela retirada e disse-lhe: “Ilustre benfeitor, fizeste bem em vir sozinho. Tenho uma grave revelação a fazer-te: a tua mulher é um demónio que se esconde sob forma humana.” Irritado, Hsu afastou o velho bonzo dizendo: “Não tens nada a censurar a minha mulher, és um velho tonto e não tenho que escutar as tuas loucuras.” O bonzo teimou: “É natural que não acredites, estás dominado pelo feitiço. Mas eu, o bonzo louco, posso desmascará-la: ela é uma serpente.” Ouvindo estas palavras um negrume opressivo caiu sobre o coração do jovem, pois lembrou-se da cena do Festival dos Barcos-Dragão. Percebendo a extrema estupefacção de Hsu, o bonzo continuou melifluamente: “Não precisas de regressar a tua casa... podes ficar aqui e fazer-te bonzo, eu te protegerei.” Hsu Sheng respondeu: “Aminha mulher deu-me em todos os momentos da nossa vida em comum o mais profundo amor. Se sou um homem, é porque ela é mulher. Talvez ela tenha sido um demónio Imortal numa vida prévia, mas dormimos juntos desde que eu era apenas um rapaz. Hoje ela tem um filho meu no ventre. Tenho uma razão forte para te dizer, velho bonzo, demónio ou fada, a minha esposa é uma mulher. Se foi por amor de mim que desceu ao mundo dos Homens, uma razão mais para não a deixar com um filho meu no ventre. Fica tu no mosteiro com as tuas rezas e ladainhas. Devias saber que cada um tem a sua maneira de aproximar do Divino Céu. Não me tentes para que me torne bonzo virando as costas à vida que os deuses talharam para mim. Com os teu poderes estéreis, devias ver que a pílula da imortalidade que tive no ventre durante três dias, algo cá deixou, talvez por isso os deuses me destinaram como esposa uma Imortal. Quem sou eu para me revoltar? Dessa aliança a teus olhos monstruosa eu já colhi bem-aventurança que tu não poderás nem sequer imaginar em mil anos de recitação dos teus sutras!” Ouvindo isto, o velho bonzo tremeu e babou-se de inveja e raiva. Agora até um simples mortal o agredia com a sua soberba. Correndo para a pesada porta, fechou Hsu numa escura cela do templo. Entretanto Bai Suzhen esperava-o impaciente. Passou um dia, dois, três. Ao terceiro dia, morta de inquietação, levando com ela a menina serpente Verde, meteu-se num barco e foi pro-

curar o marido. Ancoraram no sopé da montanha Jinshan e começaram a escalada. No alto encontraram um pequeno bonzo. Branca dirigiu-se a ele respeitosamente: “Irmão mais novo, viste por acaso um benfeitor deste templo que se chama Hsu Sheng?” O pequeno bonzo respondeu: “Sim, ele está cá, ilustre dama. O superior do mosteiro quer exorciza-lo do poder de um demónio feminino que se apossou dele e quer fazê-lo bonzo, mas ele resiste. Por isso o mestre fechou-o numa cela do templo, em segurança.” “Ah! Atreveu-se a prender o meu marido!”, gritou Branca, como que ferida na alma. Vendo o rosto da dama transfigurado pela raiva o menino bonzo percebeu logo que eram as Imortais Serpente Branca e Serpente Verde que estavam diante de si, e correu a chamar o mestre. Este ao ver a sua rival Bai Suzhen, rosnou com voz cavernosa: “Serpente temerária, que vieste à terra para seduzir os humanos, tu queres é arruinar os meus poderes mágicos. Hsu Sheng agora é bonzo. Já ouviste o provérbio: o mar da amargura é sem limites; retorna sobre os teus passos e acharás a margem? Por misericórdia, deixo-te o dom da vida. Volta ao lago para treinares a prática da Perfeita Magia e que aches a sua absoluta realização. Se teimares, não me acuses de ser impiedoso!” A Dama Branca olhou-o atentamente. Era sem dúvida a velha tartaruga maléfica. Pensou: “O velho cágado de nojenta cabeça rapada não me engana. No entanto, é mais fácil atiçar a cólera do que apaziguá-la.” Disfarçou pois a sua cólera e disse calmamente: “Venerável mestre, tendes aqui neste mosteiro incontáveis bonzos que vos admiram e seguem os vossos ensinamentos. Tendes uma multidão de fiéis e o teu poder como guia espiritual destas paragens não tem limites. Deixa-me pois o meu negócio da farmácia. Que cada um trate dos seus assuntos! Eu renunciei à magia, sou casada e em breve serei mãe. Porque queres tu ser meu inimigo? Em que te posso prejudicar? Liberta o meu marido, para que queres mais um bonzo? É um simples boticário, ser-te mais útil como benfeitor leigo do que encerrado na bonzaria.” Fahai por resposta levantou o cajado de bonzo e deu com ele na cabeça da Dama Branca. Esta não teve outra alternativa senão aceitar o combate. Xiao-Chin precipitou-se com toda a energia em defesa da irmã, mas era apenas uma menina. Bai Suzhen não pensava em mais nada senão em defender o filho que tinha no ventre, por isso os golpes do bastão caíam sobre a sua cabeça, pesados como os montes Taishan. Achou então por bem abandonar o combate. Recuaram até ao sopé da montanha onde encontraram o barco. Suzhen tirou


六 anodaserpente um gancho do cabelo e sacudiu-o ao vento. O alfinete de jade transformou-se numa bandeira onde os bordados representavam ondas e vagas. Passou-a logo a Xiao-Chin que a agitou por cima da cabeça, entregando-a aos ventos. Num abrir e fechar de olhos surgiu uma enorme massa de água. A água levantou-se numa desmesurada vaga e um exército de caranguejos e lagostins se espalhou pelas margens até ao rebordo da montanha. A vaga espraiou-se até ao portão do templo. Fahai, desorientado, tirou o manto e esticou-o diante do portal. Um relâmpago brilhou e o manto transformou-se numa muralha de pedras negras que conteve as águas tumultuosas. A água subia um metro, a barragem crescia o mesmo; a vaga subia dois metros, a barragem crescia mais ainda. Por mais violentas que fossem as ondas, não podiam suplantar a muralha. Bai Suzhen constatou com infinita tristeza que não podia vencer o falso bonzo e levando a menina serpente consigo, regressou mais uma vez às águas plácidas do Lago do Oeste. O Diadema Encantado Entretanto, Hsu Sheng, fechado no templo, recusava fazer os votos de bonzo. Com a ajuda do pequeno discípulo, conseguiu finalmente evadir-se. Chegado a casa, encontrou a farmácia desoladamente deserta. Tristíssimo e receando que o bonzo o viessem procurar, juntou alguma bagagem e meteu-se a caminho de Hangzhou. Antes porém caminhou até à margem do Lago do Oeste, nas imediações da Ponte Quebrada, onde as memórias do encontro com a esposa estavam ainda tão vivas. Sentou-se debaixo do salgueiro onde Branca o tinha visto por entre a ramaria, na feliz Primavera dos seus dezanove anos. Uma saudade imensa do amor puro que a mulher sempre lhe testemunhara o inundou e duas lágrimas desceram pelas suas faces. Revoltado pela recordação da felicidade destruída pelo bonzo Fahai, gritou a plenos pulmões, desesperado: “Minha esposa, minha esposa, onde estás?” O grito vindo da alma, rasgou o silêncio repercutido pelos montes alcantilados e rolou pelo espelho de jade líquido. No fundo das águas, tendo regredido à natureza de serpente, Bai Suzhen ouviu o eco fraco desse lamento que vinha da superfície. Logo alertou a irmã para que prestasse atenção. Não havia dúvidas, era Hsu Sheng. Felizes, emergiram as duas à flor da água, enquanto a pele serpentina se metamorfoseava em vestes de seda. Logo Suzhen apanhou uma folha de lótus e transformou-a num barquinho a remos, no qual se dirigiram a toda a pressa para o salgueiro de onde vinha

o apelo. Entretanto Hsu Sheng vira o barco aproximar-se e mal podendo acreditar nos seus olhos reconheceu a mulher e a cunhada. “Estou aqui!”, gritou ele acenando, louco de felicidade. Branca acostou habilmente e ajudou a irmã a desembarcar. Abraçados sobre a Ponte Quebrada, os amantes desabafaram com alívio os sofrimentos da separação e nem um nem outro podia reter as lágrimas. Vendo isto, Xiao-Chin disse: “Já que estão de novo reunidos, acabem com as lamentações. O melhor será procurar um lugar para nos instalarmos!” Voltaram ao barco e remaram até à Porta Qingpo, onde se abrigaram em casa da irmã de Hsu Sheng. O tempo voltou a escoar-se pautado pelas estações, dias sem história e dias festivos se sucederam. Depois do Quinze de Janeiro foram as festividades da Primavera e de novo prepararam os enfeites e os bolos tradicionais. Suzhen deu à luz um bebé lindo e rechonchudo. Esqueceram os pesares do passado e convidaram família e amigos para a celebração de um mês de vida do filho. No dia do banquete, enquanto a irmã de Hsu e Ching-Ching aprontavam as iguarias, Branca preparava-se para receber os convidados. Entrando no quarto onde a mulher se vestia, Hsu Sheng constatou que a felicidade restituíra a cor rosada às faces da sua mulher. O sedoso cabelo de ébano que ela penteava com simplicidade, brilhava como o lago ao luar. De súbito apercebeu-se que, ao receber os parentes e amigos para apresentar o filho, a esposa não tinha uma única jóia para se enfeitar. Sentiu-se como que apanhado em falta, pois as jóias numa mulher casada são o testemunho do amor do marido. Nisto ouviu-se lá fora o pregão de um vendedor ambulante: “Diademas de ouro! Diademas de ouro!”, apregoava o vendilhão. Hsu Sheng correu à rua e descobriu um mercador ambulante

que vendia enfeites para o penteado. Feliz pela oportunidade, Hsu escolheu um conjunto com várias fiadas de pérolas. Pagou o preço sem discutir e subiu até ao quarto onde a mulher enrolava o cabelo em redor da cabeça. “Querida esposa, usa este diadema que comprei para ti, vai ficar-te muito bem”, disse ele. Sorrindo comovida, Branca deixou que o marido lhe colocasse o toucado. Mas mal o diadema de ouro e pérolas assentou na cabeça, começou a apertar, a apertar, até que foi impossível retirá-lo. Fechava-se sobre a fronte, impiedosamente, e Suzhen sentia que a cabeça lhe ficava cada vez mais pesada, e os olhos se nublavam, até que, enfraquecida, caiu desamparada e perdeu a consciência. Apavorado, Hsu Sheng correu para fora, em busca do vendedor, mas este tinha desaparecido. No seu lugar estava o abominável bonzo Fahai, na soleira da porta rindo, insolente, agarrado ao seu bastão de peregrino. Tendo procurado Hsu Sheng por todo o lado, tinham-lhe chegado as notícias da festa de nascimento do filho. Disfarçado de vendedor de jóias, não lhe tinha sido difícil improvisar uma armadilha mortal transformando em diadema mágico a sua escudela de bonzo. Quando Fahai viu Hsu Sheng precipitar-se sobre ele de rosto deformado pelo ódio, compreendeu que o feitiço surtira efeito. Soltou uma gargalhada maléfica e disse: “Oh benfeitor, não quiseste aceitar os meus conselhos, hoje eu mesmo venho arrancar o demónio-fêmea do teu domicílio.” E dito isto, precipitou-se escada acima até ao quarto sem que o aflito marido o conseguisse impedir. Suzhen, desfalecida, jazia no solo. O bonzo soprou no diadema que imediatamente se transformou na escudela mágica. Os raios doirados da escudela cobriam a Dama Branca impedindo o marido de se aproximar dela. O bonzo lançava impropérios e esconjuros. Suzhen reuniu as forças

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que lhe restavam para implorar ao marido: “Foge meu amado, ninguém pode separar-nos nunca.” E logo dirigindo-se a Xiao-Chin: “Foge minha irmã, voltarás para vingar-me quando tiveres aperfeiçoado a tua magia!” Compreendendo que não podia medir forças com a experiência velhaca do feiticeiro, a serpente verde esfumou-se numa nuvem diáfana a caminho da montanha. Hsu tinha agarrado o bonzo pelo pescoço e sacudia-o com todas as forças. A mulher gritou-lhe: “Foge meu amor, cuida bem de ti e do nosso filho, eu voltarei quando me libertar deste feitiço maléfico.” Hsu Sheng, que era apenas um homem, viu que não podia salvar a mulher. Tirou o filho do berço e ergueu-o nos braços, para que a mãe pudesse dizer-lhe adeus com o olhar. Com o rosto banhado em lágrimas, Suzhen encolheu lentamente, até se transformar na serpente branca, enrolada no fundo da escudela de ouro, que o bonzo aprisionou com um riso escarninho. Fahai fez então construir o Pagode do Trovão, em frente do templo Jingzi, na montanha Nanping, e ali a aprisionou. A Derrocada do Pagode do Trovão Entretanto, a pequena serpente verde, escondida numa montanha deserta, treinava as armas e o seu poder mágico. Passaram-se anos. Quando julgou ter adquirido força suficiente, tomou o caminho de Hangzhou para se vingar de Fahai. Este nada mais fizera que acalentar o seu ódio, guardando o Pagode do Trovão. Tinha descurado treinar os seus poderes e, por isso, quando Xiao-Chin o atacou de surpresa com toda a perícia que adquirira durante anos de treino ininterrupto, constatou que uma fraqueza desconhecida lhe tolhia os membros. A espada verde revoluteava como um raio celestial. O combate durou três dias e três noites. O

choque das armas ressoava com todo o fragor, abalando o pagode até aos alicerces. O barulho tremendo chegou ao trono do Buda Tathagata. O Buda acordou, abriu os olhos e viu que os Três Tesouros tinham desaparecido. Imediatamente desceu numa nuvem para ir procurá-los. Ao sobrevoar Hangzhou, Tathagata viu Fahai e Xiao-Chin combatendo duramente. Nesse momento, a serpente verde, exausta, deixou cair a espada; Fahai imediatamente se precipitou para lhe bater com o bastão mágico na cabeça. Vendo o seu bastão no ar, o Buda acenou-lhe suavemente com a mão, fazendo-o voar por cima da cabeça do usurpador. Em pânico, Fahai retirou o manto para envolver a cabeça de Xiao-Chin. Para seu grande espanto, o pano sagrado que revoluteava no ar voou das suas mãos e sumiu na nuvem sobre a batalha, onde Tathagata o recuperou. Neste momento, com um barulho ensurdecedor o Pagode do Trovão ruiu sobre a base e a escudela mágica escapou-se das ruínas voando directa ao céu, libertando a serpente branca que se atirou ao combate, feliz por ver a sua tão estimada irmã. Fahai, cujo poder provinha exclusivamente da posse das relíquias sagradas, atacado pelas duas serpentes, viu-se completamente derrotado. Não tardou a escapulir-se em direcção ao céu, onde implorou socorro ao Buda. Este, reconhecendo o desleal falso bonzo, deu-lhe com o pé, fazendo-o cair de trambolhão bem no meio do lago do Oeste. Bai Suzhen, a serpente branca, vendo a queda do seu velho inimigo, retirou dos seus cabelos um alfinete de ouro e virou-o de cabeça para baixo três vezes. Num abrir e fechar de olhos o lago secou, mostrando o lodo do fundo. Fahai, olhado desesperadamente à esquerda e à direita, não encontrava um lugar propício para se esconder. Finalmente resignou-se a esgueirar-se pela fenda do umbigo de um grande caranguejo, precipitadamente. Logo percebeu que dali não poderia sair, vítima do seu próprio feitiço. Dantes o caranguejo andava a direito, mas encerrado no seu ventre, Fahai impõe agora a este o seu feroz domínio, pelo que o pobre se vê obrigado a andar à esquerda e à direita. Ainda hoje se pode ver no ventre do caranguejo o desenho do crânio nu de um velho bonzo. Quanto à Dama Branca, repôs no cabelo o alfinete de oiro, refazendo assim, intacto, o espelho do lago. Nele se mirou alisando as roupas e ensaiando um sorriso. Pegou na mão da irmã e partiu para procurar o marido e o filho, ansiosa por viver o que sonhara mais de mil anos: o destino de uma família mortal. Quando deslizaram sobre as águas a caminho do salgueiro da Ponte Quebrada, deixaram um rasto cintilante de felicidade, que muito peregrinos ainda hoje conseguem ver.


inteligência e racionalidade

Serpente com... Rato

Este relacionamento está classificado entre os relativamente positivos. Mas há muito trabalho a ser feito até que haja harmonia entre os dois. De facto, o que os astrólogos chineses esperam desta relação é contraditório. Os dois signos podem desenvolver uma colaboração muito construtiva. O Rato poderá sentir-se fascinado pela aura de mistério que rodeia a Serpente. Esta, por seu turno, sentir-se-á encantada pelo ambiente de ternura que só o Rato sabe criar. Mas, de facto, estão em causa duas naturezas completamente diferentes. O que quer dizer que se podem completar, mas também que a barreira entre os mundos diferentes em que ambos vivem pode tornar-se intransponível.

Búfalo

Há harmonia entre os “ramos terrestres” correspondentes aos dois signos. Por isso, a relação está classificada entre as compatíveis. Há maneira de se entenderem e tende a haver harmonia, mas ela poderá não ser imediata. Os nativos da Serpente terão de controlar o seu gosto, por vezes exagerado, pela sedução, pois isso poderá criar problemas desnecessários. De uma maneira geral, os nativos da Serpente tendem a exercer uma grande atracção sobre os do Búfalo. Por outro lado, ao contrário talvez do que muitos esperariam, a Serpente muitas vezes deixará que seja o Búfalo a tomar decisões, sobretudo quando estão em causa situações práticas. No mínimo pode contar-se com uma boa relação de amizade e de colaboração profissional.

Tigre

Não há, à partida, grande afinidade entre estes dois signos. As suas sensibilidades diferem consideravelmente. Têm dificuldade em perceber os pontos de vista e a atitude perante a vida do outro. Desconfiam um do outro, pois simbolicamente os dois animais competem na liderança da selva. É claro que, na melhor das hipóteses, estas diferenças podem funcionar pela positiva. Um contribuirá com entusiasmo e a audácia, o outro com a circunspecção e o sentido estratégico. Mesmo assim, há que não esquecer que os “ramos terrestres” correspondentes aos dois signos não se harmonizam bem, o que pode estar na origem de problemas inesperados, mesmo quando há boa vontade de ambas as partes. Diz um ditado chinês que “quando o Tigre e a Serpente se encontram, há guerra pela certa”.

Coelho

“Se a Serpente e o Coelho se encontram, haverá suprema felicidade” – segundo o ditado. Apesar disso, a maior parte dos astrólogos classifica esta relação, ou entre as neutras, ou entre as apenas ligeiramente positivas. Ou seja, há a possibilidade de se conseguir muito deste relacionamento, mas isso exigirá muita atenção e cuidado. Há que ter em conta, por exemplo, que se alguma coisa não correr bem, a vítima potencial é o Coelho. Mesmo sem querer, a Serpente pode magoá-lo muito. Há em ambos (cada um à sua maneira) um certo gosto por ambientes íntimos e recatados, onde possam gozar a felicidade e recarregar as suas energias físicas e psíquicas.

Dragão

(por Luís Ortet)

Cavalo

À partida esta relação não está classificada nem entre as negativas nem entre as positivas. O Cavalo leva a vida toda de um lado para o outro e é difícil prendê-lo. Ao passo que a Serpente está predisposta para um estilo de vida mais sedentário. Portanto pode muito bem acontecer que nunca cheguem a encontrar-se. Mas há aqui que ter de acreditar no grande poder magnético da Serpente, pois ela é dos poucos signos que podem realmente enfeitiçar o imparável Cavalo... Em contrapartida, a Serpente terá de resistir a qualquer tentação de “amarrar” o Cavalo a qualquer compromisso demasiado asfixiante. Se isso acontecer, o feitiço sobre o Cavalo deixa de existir.

PERSONALIDADES NASCIDAS EM ANO DA SERPENTE

Muhammad Ali

Susana Chou

Yasser Arafat

Kim Basinger

Bob Dylan

Alexandra Lencastre

Maria de Medeiros

James Joyce

Mahatma Gandhi

Greta Garbo

Goethe

Audrey Hepburn

John F. Kennedy

Jacqueline Onassis

Mao Tsé-Tung

Pablo Picasso

Johannes Brahms

Grace Kelly

Eça de Queiroz

Psy

Cabra

O lado carinhoso da Cabra e o paternalismo da Serpente complementam-se. Esta relação não está classificada entre as melhores para a Serpente, mas as suas potencialidades são muito grandes. Um ama os desafios. O outro gosta da paz acima de tudo. Mas como ambos são discretos, poderá assistir-se a um curioso jogo em cada um procura dar ao outro a liderança aparente da relação. O objectivo é controlar a relação, embora transmitindo ao outro a sensação de que é ele a controlar... Pode haver um relacionamento feliz e bastante produtivo tanto na vida profissional e nos negócios como na amizade e no amor. O grande perigo é o de a Serpente bloquear o desenvolvimento da criatividade da Cabra. Este é um aspecto a que se deverá dedicar muita atenção.

Macaco

Cada um à sua maneira são dos signos mais manhosos do zodíaco chinês. A relação entre ambos poderá ser pacífica à superfície, mas na verdade as coisas serão bem mais complexas. Não haverá verdadeira descontracção e à-vontade, pois ambos vigiar-se-ão mutuamente a todo o momento. Em termos de relações entre signos, esta é a terceira pior opção para a Serpente. Mas alguns recordam que muitas Serpentes sentem-se bem nas mesmas árvores em cujos ramos os Macacos se divertem. Isto quer dizer que, se houver bom humor e alguma distância, a relação entre os dois pode ser divertida e criativa, apesar de tudo. Mas, se possível, o mais recomendável é não tentarem uma relação estável...

Galo

Acima de tudo há um grande respeito de parte a parte. Os dois signos pertencem à mesma família, pelo que há natural afinidade entre os dois. Com efeito, esta é uma das melhores combinações para a Serpente. Ambos gostam do requinte e de uma certa subtileza, pelo que formam um par elegante. Essa elegância tanto pode ser puramente estética como pode ser uma elegância de comportamento. Mas segundo alguns astrólogos, o primeiro contacto entre eles pode ser difícil. Nomeadamente os modos convencidos do Galo podem irritar incontrolavelmente a Serpente. Mas com o tempo a harmonia natural entre os dois acabará por se impor.

Em termos astrológicos, o Dragão e a Serpente formam um “casal”, sendo o primeiro a vertente yang e o segundo a vertente yin. É por isso que se costuma dizer que o homem Dragão se sente atraído pela mulher Serpente. À partida há compatibilidade entre os nativos destes dois signos, só que na prática há dúvidas de que as coisas sejam assim tão claramente positivas. Talvez devido à força das personalidades em causa. O Dragão tem de ser elogiado e admirado, mas a Serpente não gosta de ser fã seja de quem for... Cabe pois ao primeiro o cuidado de não “esticar a corda” demasiado, porquanto a Serpente pode, a partir de certo momento, perder a paciência para as suas exigências exageradas... Talvez no campo profissional essa dificuldade de entendimento seja maior.

Cão

Serpente

A Serpente e o Porco estão em confronto directo no zodíaco. Têm dificuldade em compreender-se. O Porco terá dificuldade em entender os mistérios da Serpente. A esta escapará o valor humano do Porco. Ou seja, uma relação entre os dois implicará o exercício diário do esforço de entendimento mútuo. O casamento bem sucedido entre os dois é, astrologicamente, um milagre. Para isso acontecer é necessário, entre outras coisas, que o Porco controle a sua instabilidade afectiva e a Serpente o seu eventual mau feitio. Isso contudo não basta – é igualmente importante que cada um dê ao outro o seu próprio espaço, para que as diferenças de carácter não se transformem em incompatibilidade.

O primeiro comentário é o de que dois nativos da Serpente dificilmente podem viver juntos. O entendimento é mais fácil na amizade e na colaboração profissional, pois nesses dois casos o que releva é o que têm de comum. Por isso podem entender-se bem e a comunicação entre ambos é bastante intuitiva, não necessitando de muitas palavras para se explicarem. Mas no amor e no casamento, o convívio é mais íntimo e podem chegar à conclusão de que são duas personalidades demasiado fortes para uma casa só. Havendo amor, a melhor maneira de o preservar é cada um dar ao outro o seu próprio espaço, físico e mental, de vivência. Então tudo irá bem.

A Serpente é capaz de proporcionar ao Cão a estabilidade que este tanto aprecia. Por seu turno, o Cão é um fiel e dedicado admirador das qualidades da Serpente. Por outro lado, como não há demasiada disparidade de temperamentos, podem, no mínimo, desenvolver uma amizade que crescerá e se consolidará com o tempo. O mesmo se pode dizer da sua relação como colegas e associados. No amor, talvez o problema tenha a ver exactamente com o facto de, no fundo, não serem muito diferentes, podendo, por isso, haver falta de atracção. Mais facilmente o Cão se sentirá atraído pela Serpente do que esta por aquele.

Porco

Acontecimentos em Ano da Serpente 1941 1977 • II Guerra Mundial está no seu apogeu. • O Japão ataca as forças americanas de surpresa em Pearl Harbor e a Alemanha de Hitler invade a União Soviética, com pesadas baixas para o lado nazi.

• Pior desastre aéreo de todos os tempos nas Canárias onde morrem 600 pessoas. • Também em Portugal, na ilha da Madeira, ocorre o pior desastre de aviação português.

1953

1989

• Morreu Estaline. • Nelson Mandela e Fidel Castro são presos. • Descobre-se o ADN.

1965

• EUA intensifica-se o conflito no Vietname e, em sua casa, os negros passam a poder votar.

• Desmantelamento do Muro de Berlim e início do fim da União Soviética. • Nelson Mandela é libertado. • Graves incidentes na Praça Tiananmen, em Pequim.

2001

• Ataque às Torres Gémeas do WTC em Nova Iorque e ao Pentágono, nos EUA, no dia 11 de Setembro.


Desenho da Lara de 11 anos

Desenho da Leonor de 7 anos

Ano da Serpente • 2013  

Suplemento especial do Hoje Macau dedicado ao Novo Ano Chinês da Serpente • 20 FEV 2010

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