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as orelhas nos is Lebre ou Coelho? Vá-se lá saber o que pensam realmente os chineses. Certo é que estamos perante o ano de um lagomorfo e não de um roedor. Estas e outras novidades é o que propomos aos nossos leitores. .81*+(,)$7&+2,


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QUARTA-FEIRA 2.2.2011 www.hojemacau.com.mo

(6&/$5(&,0(172,1,&,$/‡ SE FOSSE O ANO DO COELHO SERIA MAIS ASSIM

Hoje hĂĄ Coelho Carlos Morais JosĂŠ info@hojemacau.com.mo

HOJE HĂ coelho! Eis uma expressĂŁo bem portuguesa - poderĂĄ dar origem ao lamentĂĄvel e sussurrado “aqui hĂĄ gatoâ€? - que encontraremos dependurada na montra de um restaurante. Mas nĂŁo sĂł. HĂĄ coelho porque este animal tambĂŠm tem que se lhe diga na cultura ocidental. E muito. O coelho enche de sentimentos contraditĂłrios a infância e permanece depois, roendo de tempos a tempos, nos nossos pesadelos. A cultura Chinesa usa o coelho para nomear uma constelação de astros e simbolizar traços do carĂĄcter de quem nasce sob esse signo. No Ocidente, este roedor aparentemente simpĂĄtico ĂŠ ignorado pelos astrĂłlogos, mas nĂŁo deixa de merecer interesse (certamente o dos gastrĂłnomos...), na medida em que tambĂŠm surge associado a mitos, hĂĄbitos e comportamentos cujas raĂ­zes se estendem Ă s camadas mais arreigadas da nossa cultura. E ĂŠ bom começar pela infância: pelo FRHOKREUDQFRRXSHORVSDVVHLRVHPĂ RUHVtas, que se imaginam povoadas de coelhos HQWHUQHFHGRUHV FRPR QRV Ă€OPHV GH :DOW Dysney. O primeiro caso nĂŁo acontece com frequĂŞncia, isto ĂŠ, a maior parte das crianças nĂŁo tiveram um coelho branco. ImpĂľe-se como longĂ­nquo objecto de desejo. Quantos traumas nĂŁo terĂĄ essa imagem do coelho branco provocado nas crianças? Quantos adultos nĂŁo perseguirĂŁo ainda esse mesmo DQLPDOQXPDFRUULGDVHPĂ€PDWUiVGHXP objecto que nunca ĂŠ satisfatĂłrio? É que o coelho ĂŠ normalmente, nas representaçþes infantis, um alter ego da criança espectadora, porque ele ĂŠ tambĂŠm infantilizado. Ao contrĂĄrio do lobo, do tigre, da serpente, que habitam universos distantes da criança, o coelho ĂŠ domĂŠstico e representado com um aspecto infantil e dĂłcil. O coelho aparece aqui como elemento de individuação da criança porque ĂŠ seu e ele toma conta. A ausĂŞncia do coelho sĂł poderĂĄ ser entendida como uma falta de crença na sua capacidade e responsabilidade. Ou mesmo falta de amor. Ainda que a culpa nĂŁo lhe seja atribuĂ­da; trata-se, portanto, de um sĂ­mbolo de uma injustiça fundamental. A paixĂŁo pelo objecto negado do desejo leva a que a criança medite nas suas caracterĂ­sticas. E ĂŠ aqui que tudo se pode tornar mais problemĂĄtico porque o coelho branco nĂŁo ĂŠ um coelho qualquer: ĂŠ branco e solitĂĄrio. Enquanto que todos os outros coelhos tĂŞm uma cor outra ou sĂŁo malhados, o coelho infantil ressalta pela sua alvura. Ele nĂŁo ĂŠ um Animal, mas um AnĂłmalo (1). O coelho branco estĂĄ para os outros coelhos como a baleia branca Moby Dyck estĂĄ para as outras baleias (2).

O bom coelho Ê o coelho no prato, quer despedaçado no arroz, quer inteirinho a sair do forno. E este, sobretudo este, Ê o lugar do coelho na cultura Ocidental. Por outro lado, todos os outros coelhos vivem grupalmente e são considerados comestíveis. O branco vive sem o contacto dos outros da sua raça e não lhe Ê atribuída sexualidade precisamente porque Ê celibatårio. Deste modo, o coelho branco assume tambÊm no imaginårio infantil a emergência da consciência de uma diferença exclusiva, que Ê como quem diz remete para um irritante e difícil de tratar complexo de superioridade. Curiosamente, o coelho torna-se em quase todas as culturas, incluindo a chinesa, QXPDQLPDOVDFULÀFLDOQDPHGLGDHPTXH aparece associado à Lua, animal herói e mårtir, cuja ambiência simbólica se deve aproximar do cordeiro cristão, animal doce e inofensivo, emblema do messias lunar, do Filho, por oposição ao conquistador guerreiro e solar(3). Só que na cultura ocidental, o coelho estå longe de se revestir destas características. Este animal, hoje considerado simpåtico, esteve em tempos associado às pragas, quase um equivalente dos gafanhotos e dos escaravelhos bíblicos. Claro que temos de entender que o coelho branco Ê uma invenção burguesa e

estå relacionado com a importância que a criança adquiriu com a burguesia no seio da família. Antes, o coelho era sobretudo entendido como um animal de reprodução exacerbada e de fome devoradora, que existia em imensos grupos. O coelho selvagem tem de ser caçado, sob pena de se encontrarem as colheitas sistematicamente vandalizadas. Um coelho nunca vem só, desloca-se sempre no seio de um imenso grupo e não pode ser entendido como indivíduo. Compreende-se então o nascimento de um simbolismo da pequena mordedura, um simbolismo roedor tambÊm atribuível aos ratos, de quem os coelhos são parentes relativamente próximos, se não em termos estritamente FLHQWtÀFRV FHUWDPHQWH QR PDLV UHFXDGR imaginårio popular. Os coelhos são uma imensa massa de GHQWHVDÀDGRVSURQWRVDWXGRGHVWUXLUjVXD passagem, sem que a culpa possa ser atribuída a um chefe, jå que não são discerníveis indivíduos mas uma mole informe, escrava de uma insaciåvel sede de roer. Fazem assim parte do gÊnero de pragas que lemos nas descriçþes apocalípticas, surgidas do próprio pó da terra para tudo fazerem voltar ao pó, nada deixando à sua passagem, sobretudo vestígios de humanidade. São tambÊm assim

- entenda-se - instrumentos da vontade de Deus. Tudo começa com o fervilhar de uma TXDQWLGDGHLQÀQLWDGHSHTXHQDVERFDVTXH mordem. Que diferença entre a boca edipiana do lobo, do tigre ou do leão e esta miríade GH GHQWHV DÀDGRV VHP LQGLYLGXDomR $V pragas estendem-se sobre os homens sem que apresentem uma face, sem hesitaçþes, numa multiplicação submergente e absurda. As crianças não têm pesadelos com coelhos porque estes não se constituem como indivíduo mas como conjunto informe, sem LQIRUPDomRVXÀFLHQWHSDUDTXHVHOKHDWULEXD uma identidade que não seja um movimento irracional e destrutivo. Talvez na inversão destas características, o coelho faz parte do imaginårio, inclusivamente moderno, como símbolo de um determinado tipo de sexualidade e sedução. A sua constatåvel fertilidade remete para o VH[RLQÀQLWRHVHPREMHFWRGHWHUPLQDGRGH desejo. Daí que o coelho seja o símbolo da famosa revista Playboy, na leitura da qual homens-coelhos exercem o seu desejo sexual YHUVmRYR\HXU FRPXPQ~PHURLQÀQGiYHO de mulheres. Cego ao objecto, o coelho esplana a sua sedução e parte para o poiso seguinte sem remorso nem memória. Assistese aqui ao reemergir dos fantasmas associados ao coelho branco: a eterna vingança na busca do objecto perdido e o complexo de superioridade/inferioridade mitigado num exibicionismo imoderado das mulheres, das måscaras e das marcas de prestígio. Muito mais poderia ser dito sobre o coelho mas não quero maçar em demasia a jå esgotada paciência do amåvel leitor. Seja como for, na minha humilde opinião, o bom coelho Ê o coelho no prato, quer despedaçado no arroz, quer inteirinho a sair do forno. E este, sobretudo este, Ê o lugar do coelho na cultura Ocidental. Notas 1) Cf. Deleuze-Guattari; Mille Plateaux; Editions Minuit, 1980, påg. 298 e segs. 2) São inúmeras as teses sobre esta questão do fascínio exercido pela brancura do coelho - e a brancura em geral - e a sua explanação não se cingiria aos limites desta pågina. Remetemos,no entanto, o leitor para as obras de Mircea Eliade e de Herman Melville, se bem que coelho e baleia sejam dois símbolos GLÀFLOPHQWHFRPSDUiYHLV2SULPHLURVXUJH como uma excepção que se possui e o segunda como uma muralha contra a qual se morre. Sobre a brancura que se desagrega, como a de um monte de coelhos em debandada, sugerimos a leitura do jå referido Mille Plateaux, de Deleuze-Guattari, nomeadamente o capítulo intitulado Micropolitique et SegmentaritÊ, no seu subtítulo /LJQHjVHJPHQWVà X[jTXDQWD. (3) Durand, Gilbert, As estruturas antropológicas do imaginårio, Editorial Presença, Lisboa, 1989; påg. 216.


AS ORELHAS NOS IS

$9(5'$'(‡ DE COMO ENTRE DOIS BICHOS SIMILARES EXISTE UM MUNDO DE DIFERENÇAS

Venha daĂ­, Dona Lebre Carlos Morais JosĂŠ info@hojemacau.com.mo

ORA SUBA a terreiro Dona Lebre! Não vem, pois, Ê o costume: ao contrårio de seu primo orelhudo e de pompom, a lebre não estå para grandes socializaçþes. Enquanto o coelho se conformou à domesticação, a lebre permanece irredutivelmente selvagem, vivendo longe dos espaços culturais. A lebre não gosta de convívio com os humanos que, aliås, lhe retribuem com fervor, perseguindo-a como danados mal soam as trombetas que marcam o início da Êpoca da caça. O coelho tem aquele sabor plano, quase insípido; MiD'RQD/HEUHUHVFHQGHDà RUHVWD e a prados, obrigando à utilização das ervas frescas, quando Ê tratada na cozinha. A lebre Ê rara, o coelho Ê comum. Repare-se que a lebre, apesar de não viver entre os humanos, ocupa o lugar que imediatamente se segue aos espaços humanizados. Na verdade, as lebres espiam os humanos, vigiam a sua agricultura, aproveitam-se dos seus restos, permanecem na orla das aldeias, espiando as raparigas quando estas levantam as saias, no afã da lavoura ou da barrela. Hå uma sexualidade inopinada na figura da lebre que, ao invÊs do coelho, nada tem de domÊstico e se inscreve na galeria dos selvagens. A lebre, que Ê muito macho, ergue-se nas patas traseiras e espreita as moçoilas. Diz-se que quem paga, finalmente, Ê a sua expectante fêmea, que jå sabe, nestas alturas, o que a toca gasta. O coelho Ê domÊstico, branco, tímido, cobarde e extremamente gregårio. A lebre Ê selvagem, amarronada, atrevida e solitåria. Habita os espaços deixados livres pelos

homens e aí escava a sua toca, que a protege de humanos e outros predadores. Se o coelho infesta o imaginårio humano desde a baixa infância, jå a lebre se destaca pela exiguidade de referências. É como se, perante o seu primo mais fåcil, a lebre tenha sofrido algum esquecimento. Distinto nas lebres: as orelhas. E que belas orelhas! Grandes, aguoDGDVXIDQDVQRDUGHVDÀDQWHVGR espaço, atentas ao menor som, parecem capazes de detectar qualquer PRYLPHQWR (LODV TXH GHVDÀDP D representação e que por isso não deixaram de impressionar deuses e humanos, ao longo da História e do Mito. A proporção entre os magQtÀFRVDEDQRVHRUHVWRGRFRUSRp deveras impressionante. É como se as lebres estivessem sempre a dizer que são todas ouvidos.

A sua presença no menu dos restaurantes Ê discreta e limita-se, geralmente, a uma Êpoca do ano, no pós-caça. Contudo, trata-se de um prato bastante apreciado e de difícil confecção. Serve-se com arroz ou com feijão, regada com um belo tinto, maduro e cerrado, na minha opinião, alentejano. A cultura popular chinesa, porque os chineses não domesticam coelhos e os consideravam todos selvagens, não distinguem claramente entre os dois primos. Este Ê o Ano do Tou-chai, isto Ê, do Coelho ou... da Lebre. Como em muitos outros aspectos desta misteriosa civilização, depois de fazermos TXLQKHQWDVSHUJXQWDVÀFDPRVFRP PDLVG~YLGDV$ÀQDORTXHLPSRUWD não Ê se comes coelho ou lebre, mas se comes. E mais nada.

A MINHA EXPERIĂŠNCIA AMOROSA COM A LEBRE * 6DQWRV3LQWR

(texto recolhido oralmente)

ÂŤTENHO HISTĂ“RIAS giras com as lebres. Apesar de ser uma coisa que nĂŁo se confecciona muito, recordo-me, jĂĄ aqui em Macau, quando voava para cĂĄ a TAP, que havia uma malta que trazia com regularidade umas lebres de Portugal. Eram caçadores e pegavam QHODVDLQGDIUHVTXLQKDVHSXQKDPQDVQDDUFDIULJRUtĂ€FD4XDQGR abriu o aeroporto, alguns deles metiam-nas bagagem e vinham mesmo assim com elas, tal e qual, congeladas e com as orelhas de fora. Era eu que as esfolava cĂĄ. Belos tempos esses. Em Portugal, tenho a experiĂŞncia do Alentejo, mesmo antes de ser cozinheiro, quando era ainda jovem. A minha relação com a lebre ĂŠ boa e vem de lĂĄ. Cheguei a caçå-las tambĂŠm e a carne de lebre ĂŠ realmente muito saborosa. Lembro-me disso perfeitamente. A vida naquela altura nĂŁo era fĂĄcil e entĂŁo a caça que se apanhava acabava por ser o que era mais barato. Lebres, coelhos, perdizes, codornizes, era tudo o que aparecia e que o meu avĂ´ caçava. Lembro-me de que quando a minha mĂŁe fazia a lebre era sempre uma festa. E na realidade, quando se conseguia vender era aquilo que rendia mais. Houve atĂŠ alturas que mesmo fora da ĂŠpoca de caça, de quando em vez, caĂ­a uma lebre e fazĂ­amo-la logo lĂĄ em casa, era sempre um pitĂŠu. Havia sempre vĂĄrias maneiras de a cozinhar. FazĂ­amos Lebre Guisada com GrĂŁo, fazĂ­amos “Cozido Ă Portuguesaâ€? com Lebre e as sempre cĂŠlebres: Lebre Frita e Lebre com FeijĂŁo. Foram muitas e muitas vezes. Tenho muito boas recordaçþes dessa ĂŠpoca. Mas como “tasqueiroâ€? aqui em Macau tambĂŠm tive variadas experiĂŞncias com a lebre, mas foi mais nessa altura, dos caçadores e da TAP. Fazia Lebre com FeijĂŁo, Lebre Frita, Lebre tipo Coelho Ă  Caçador, que tambĂŠm ĂŠ bem bom. Era assim aqui na “tascaâ€?: eles traziam a lebre de lĂĄ, juntava-se um grupo de amigos e o Santos tratava do resto. Normalmente fazia a Lebre com FeijĂŁo Branco, que era o prato mais apreciado. Lembro-me agora, de que quando estive em Portugal em Outubro tambĂŠm comi lebre, em casa da minha mĂŁe, feita Ă  maneira da minha cunhada: frita e depois vai ao forno com aquele molho alentejano, ĂŠ de chorar por mais. Comparando o coelho e a lebre, sĂŁo os dois muito diferentes. A lebre tem muito menos ossos, tem mais carne porque ĂŠ maior e ĂŠ muito mais saborosa. Porque embora escura ĂŠ como se fosse peito de frango. É da melhor carne de caça. E agora que estĂĄ na moda, pode-se dizer que a lebre ĂŠ uma comida biolĂłgica, ĂŠ assim que lhe chamam agora. Para o Ano da Lebre em Macau ĂŠ sempre difĂ­cil de prever, mas se continuarmos assim, com o mesmo ritmo, serĂĄ fantĂĄstico. Os meu desejo ĂŠ que no Ano da Lebre continue a subir e que Macau continue nas bocas do mundo.Âť * na gastronomia

A melhor maneira de comer lebre ‡/(%5(&20)(,-Ž2%5$1&2 Temperar a lebre como se tempera o coelho, com vinho tinto e alho, devendo marinar pelo menos durante 24 horas. Se for mais, melhor ainda. TambÊm para tirar o sabor a erva, jå que ela Ê criada no campo. Depois fazer como se faz um guisado e juntar o feijão branco. Simples e muito saborosa.


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MITOLOGIAS, CIĂŠNCIAS E A NATUREZA DOS LAGOMORFOS

Para nĂŁo levar Coelho por Lebre 7HUHVD)UHLWDV

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O COELHO estå para a Lebre assim como a Cabra estå para a Ovelha. São animais pertencentes à mesma família, mas de gÊneros GLIHUHQWHVVHJXQGRDFODVVLÀFDomR taxonómica do Reino Animal, e, em termos de comparação, são parentes mais afastados que o Burro e a Zebra. Engane-se pois, quem pensa que a Lebre Ê o parente selvagem do Coelho, pois este último tem vårios exemplares selvagens, dos quais alguns foram domesticados. Esses coelhos selvagens chegam mesmo a ser uma praga em países onde normalmente não seriam habitantes, se não fosse pelas próprias mãos do ser humano, o que nos faz pensar na relatividade do termo selvagem serão os inocentes coelhos ou nós mesmos? As lebres e os coelhos são lagomorfos, e não roedores, como se pode por vezes pensar, da Classe dos Mamíferos, Ordem Lagomorpha e Família Leporidae. As lebres pertencem ao gÊnero Lepus enquanto hå vårios gÊneros distintos de coelhos. Os coelhos são hoje a coqueluche de muitos donos, com todos os adereços

possíveis e imaginårios a que têm direito. Os coelhos de estimação têm acesso a cuidados veterinårios jå avançados em muitos países. As lebres, em contrapartida, não foram domesticadas. E talvez nunca o venham a ser. NATUREZA DETERMINANTE Fisicamente, as lebres são maiores, com orelhas mais compridas e membros posteriores mais longos. Uma das mais notåveis diferenças entre as lebres e os coelhos, que confere às primeiras uma grande vantagem, Ê o facto de após o nascimento, estarem prontas para enfrentar o mundo em poucas horas: nascem com pelagem completa e começam a saltitar pouco depois. Ao invÊs, os coelhos nascem com o corpo desprovido de pelagem, cegos e sem qualquer mobilidade. Esta característica determina outra grande diferença entre lebres e coelhos. Os coelhos são obrigados a viver em comunidades em tocas escavadas para proteger os seus descendentes, enquanto a Lebre, geralmente solitåria ou em pares, faz ninhos simples à superfície. Em FRPXPWrPDVXDHOHYDGDSUROLÀFLdade, que lhes permite ter por ano YiULDV QLQKDGDV GH  D  ÀOKRWHV

(embora mais os coelhos) e a sua rapidez na corrida e capacidade para realizar grandes saltos. A Lebre, embora um pouco menos veloz que o Coelho, consegue correr durante mais tempo. Todas as características físicas (orelhas longas, olhos laterais com visão panorâmica) e locomotoras das lebres e dos coelhos têm como objectivo detectar e fugir de predadores, atravÊs de detecção apurada, grandes saltos ou corridas em zig-zag. Geralmente, as lebres pesam entre 2,5 a 5 kg e os coelhos entre 1 e 2,5 kg, embora de vez em quando surjam coelhos domesticados anormalmente grandes, com cerca de 20 kg. Ainda em comum, infelizmente para ambos, tanto a Lebre como o Coelho são considerados pitÊus gastronómicos por diversas espÊcies animais, desde o Homo sapiens ao Lobo, à Raposa, às aves de rapina e atÊ mesmo ao nosso próprio Gato, que tendo a chance, não recusa uma bela caçada. ORELHAS MEDIà TICAS Muito menos explorada que o Coelho, na sÊtima arte ou na literatura, na cultura popular, o mais sonante ditado relacionado

com a Lebre ĂŠ mesmo “Gato por Lebreâ€?, que se aplica muito bem e Ă letra nestas paragens orientais. JĂĄ os coelhos sĂŁo idolatrados pelo seu ar fofo e peludo, e tĂŞm lugares muito importantes na sociedade ocidental e oriental, nas suas mais clĂĄssicas formas, respectivamente o Coelho da PĂĄscoa e o Coelho no ciclo do zodĂ­aco chinĂŞs, que lhes dĂŁo um enorme estatuto social. Contudo, hĂĄ quem esclareça que nĂŁo ĂŠ o Coelho mas sim a Lebre que representam a mitologia e astrologia chinesas. Esta secular confusĂŁo tem que ser esclarecida, a Lebre e o Coelho nĂŁo sĂŁo iguais. Como nĂŁo bastasse, associamos tambĂŠm o coelho Ă  Playboy e Ă s suas “Coelhinhasâ€?. No mundo da Lusofonia, ĂŠ ainda um dos mais populares apelidos. NinguĂŠm se chama, por exemplo, JosĂŠ Lebre, embora, por certo, sentisse muito prazer nisso. Estas situaçþes sĂŁo algo discriminatĂłrias para a Lebre, que se vĂŞ restringida ao ditado atrĂĄs referido e Ă  fĂĄbula da Lebre e da Tartaruga, onde ĂŠ vencida pela pachorrenta mas determinada tartaruga. Contudo, isto dĂĄ Ă  Lebre um sentido muito mais inquisitivo, intelectual ou profundo, que a

imagem jĂĄ algo comercial do coelho nĂŁo consegue, pois ninguĂŠm diz “Levantar o Coelhoâ€?, ou “Este Coelho estĂĄ corridoâ€?. A Lebre ĂŠ uma espĂŠcie de parente pobre mas intelectual do Coelho, e daĂ­ se dizer que “Andamos Ă Lebreâ€?, ou seja, andamos nas lonas. Mas, para compensar, o Bugs Bunny, herĂłi da mitologia animada da Disney, variadas vezes catalogado como um Coelho, tem todas as caracterĂ­sticas fĂ­sicas e anĂ­micas de uma Lebre: matreiro, orelhudo e brincalhĂŁo. Contudo, as lebres, seres mais tĂ­midos e discretos, e os coelhos, seres mais sociais e mediĂĄticos, sĂŁo animais distintos, com papĂŠis diferentes no mundo e na natureza, e nĂŁo devem ser confundidos. As lebres tĂŞm vindo a ser ofuscadas e esquecidas pela ascensĂŁo popular do Coelho, ĂŠ certo. Mas, hĂĄ que nĂŁo baralhar as cartas, e decidir de uma vez por todas, se ĂŠ Ano da Lebre ou Ano do Coelho. E jĂĄ agora, sabe distinguir a Lebre do Coelho nas fotografias? De certeza que o seu olhar, durante o ano, vai ficar mais atento. Kung Hei Fat Choi! * MĂŠdica veterinĂĄria


AS ORELHAS NOS IS DURANTE GRANDE parte da sua histĂłria, o coelho-europeu, ou coelho-comum, viveu apenas na PenĂ­nsula IbĂŠrica e no Sul de França. Hoje estĂĄ espalhado por quase todos os cantos da Terra, tanto a sua forma selvagem como a domĂŠstica. Mas onde e quando começou a domesticação do coelho? Duas hipĂłteses tĂŞm sido avançadas: tudo terĂĄ começado com os romanos na PenĂ­nsula IbĂŠrica, hĂĄ cerca de dois mil anos, ou entĂŁo terĂĄ sido hĂĄ 1400 anos numa regiĂŁo que actualmente integra o Sul de França e os monges tiveram um papel principal. A equipa de Nuno Ferrand de Almeida, coordenador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos GenĂŠticos (Cibio) da Universidade do Porto, acaba de dar a resposta: foi nos mosteiros da Provença. O coelho-europeu, ou OryctoODJXVFXQLFXOXVRQRPHFLHQWtĂ€FR da espĂŠcie, surgiu na PenĂ­nsula IbĂŠrica hĂĄ cerca de dois milhĂľes de anos e ĂŠ caçado pelos humanos como alimento hĂĄ milhares de anos. Tem duas subespĂŠcies, que no pico da Ăşltima glaciação, hĂĄ 20 mil anos, Ă€FDUDPFRQĂ€QDGDVDGRLVUHI~JLRV enquanto a Oryctolagus cuniculus cuniculus habitava em França e no Nordeste da PenĂ­nsula IbĂŠrica, a Oryctolagus cuniculus algirus vivia no Sudoeste da PenĂ­nsula IbĂŠrica, incluindo o Sul de Portugal. O primeiro registo que nos chegou da abundância do coelho no Sul da PenĂ­nsula IbĂŠrica ĂŠ dos fenĂ­cios, quando vieram atĂŠ Ă s suas costas hĂĄ trĂŞs mil anos, para trocas comerciais. “Viram milhares de coelhos, que confundiram com o damĂŁo-do-cabo, que era abundante nas costas das cidades fenĂ­ciasâ€?, conta Nuno Ferrand de Almeida. “Esse registo poderĂĄ estar na origem do nome Espanha, que quererĂĄ dizer “terra de coelhosâ€?: a designação de “i-shephan-imâ€?, ou terra de damĂľes-do-cabo, que na verdade eram os coelhos, seria depois latinizada para dar Hispânia, e mais tarde Espanha.â€? Quando voltavam para sua terra, no MĂŠdio Oriente, os fenĂ­cios levavam com eles o coelho e espalharamno pela bacia do Mediterrâneo, por exemplo pelas ilhas Baleares e pelo Norte de Ă frica. Mais tarde vieram os romanos, que se instalaram durante sĂŠculos na PenĂ­nsula IbĂŠrica, e tambĂŠm levaram o coelho para outras paragens na Europa. “A primeira tentativa de controlar a reprodução do coelho terĂĄ ocorrido na PenĂ­nsula IbĂŠrica, um sĂŠculo antes de Cristoâ€?, conta o biĂłlogo Miguel Carneiro, tambĂŠm do Cibio, e autor principal do artigo com esta descoberta, publicado este mĂŞs na edição online da revista britânica Molecular Biology and Evolution. A partir da ocupação romana

48(0'20(67,&282&2(/+2" OS MONGES DA PROVENÇA, DIZ A GENÉTICA

Um senhor Europeu passa a haver mĂşltiplas referĂŞncias aos coelhos. “Uma das mais cĂŠlebres ĂŠ a de PlĂ­nio, o Velho, na sua HistĂłria Natural, no primeiro sĂŠculo da nossa era, onde jĂĄ se refere o hĂĄbito de consumir fetos dos coelhos, bem como o facto de produzirem imensos prejuĂ­zos na agricultura. TambĂŠm durante Adriano, um dos mais cĂŠlebres imperadores romanos - imortalizado por Marguerite Yourcenar em MemĂłrias de Adriano -, circulavam na penĂ­nsula moedas com coelhos cunhados na sua faceâ€?, acrescenta Ferrand de Almeida. “A partir dessa altura hĂĄ referĂŞncias permanentes a estruturas belĂ­ssimas chamadas “leporariaâ€?, que eram cercados feitos de pedras onde os coelhos eram mantidos para serem usados na caça e na alimentação. HĂĄ muitos vestĂ­gios arqueolĂłgicos dessas estruturas. Esta seria uma das hipĂłteses para a domesticação do coelho ter ocorrido na PenĂ­nsula IbĂŠrica.â€? CARNE QUE NĂƒO É CARNE No entanto, outros registos histĂłricos sugeriam que a domesticação tinha ocorrido mais tarde, por volta do ano 600, nos mosteiros da Provença. A fundamentar esta suposição encontra-se uma decisĂŁo do papa GregĂłrio I, que tinha sido monge beneditino, em que considera que os fetos e as crias recĂŠm-nascidas de coelho nĂŁo eram carne, pelo que podiam comer-se durante o jejum da Quaresma. E assim a criação de coelhos difundiu-se nos mosteiros da Provença. “HĂĄ muitĂ­ssimos documentos histĂłricos que atestam a frequente troca de coelhos entre abadias, e mesmo com paĂ­ses como a Inglaterra. Este processo poderia ter levado Ă domesticação do coelho e seria uma hipĂłtese de domesticação realizada fora da penĂ­nsula, proveniente das populaçþes selvagens do Sul de Françaâ€?, refere Ferrand de Almeida. Tenham sido os romanos ou os monges da Provença, os sinais claros da domesticação do coelho sĂł surgiram muito mais tarde, a partir de meados do sĂŠculo XV. Em iluminuras e pinturas, começaram a aparecer os primeiros coelhos com cores diferentes, desde brancos a avermelhados, em vez da cor parda dos selvagens. Um dos quadros mais cĂŠlebres

que representa um coelho branco ĂŠ de Ticiano, Madona e Menino com Santa Catarina, tambĂŠm conhecido como A Virgem do Coelho, de cerca de 1530, que estĂĄ no Museu do Louvre. “Esses mutantes de cor poderĂŁo corresponder a um processo de domesticação jĂĄ terminado. E a partir daĂ­ o coelho domĂŠstico difundiu-se por todo o mundo e teve um sucesso enormeâ€?, explica Ferrand de Almeida. No sĂŠculo XVI, hĂĄ registos de coelhos de vĂĄrios tamanhos e cores em França, ItĂĄlia, Flandres ou Inglaterra, o que sugere que a sua domesticação estava jĂĄ concluĂ­da nessa altura. EXCLUSIVO DA EUROPA Mas qual das duas hipĂłteses para a domesticação do coelho, compatĂ­veis com os regisWRV KLVWyULFRV HVWi DĂ€QDO FHUWD" A equipa Ferrand de Almeida começou Ă procura de uma resposta na genĂŠtica, hĂĄ cerca de uma dĂŠcada, com cientistas de

outros paĂ­ses, nomeadamente de França. JĂĄ nessa altura os resultados apontavam para os monges da Provença. “Havia indicaçþes genĂŠticas que sustentavam essa hipĂłtese, mas eram muito fragmentadasâ€?, diz Ferrand de Almeida. Agora foi feita uma anĂĄlise genĂŠtica mais aprofundada, no trabalho de doutoramento de Miguel Carneiro, orientado por Ferrand de Almeida. Em colaboração com cientistas franceses e norte-americanos, estudaram-se mais regiĂľes no genoma do coelho, comparando-se animais domĂŠsticos com populaçþes das duas subespĂŠcies selvagens na PenĂ­nsula IbĂŠrica e no Sul de França. O ADN dos coelhos corroborou a histĂłria relativa aos monges. “A origem da domesticação do coelho nĂŁo estĂĄ na PenĂ­nsula IbĂŠrica, mas no Sul de França. Os monges iniciaram a domesticação do coelho que hoje temos em todo o lado, hĂĄ cerca de 1400 anos. Os nossos dados suportam estes registos histĂłricosâ€?, sublinha

Miguel Carneiro. “O coelho ĂŠ o Ăşnico mamĂ­fero domesticado exclusivamente na Europa. Pensa-se que o porco foi domesticado por toda a EurĂĄsia.â€? A Oryctolagus cuniculus cuniculus, que era a Ăşnica subespĂŠcie presente no Sul de França naquela ĂŠpoca, ĂŠ assim o antepassado directo dos coelhos domĂŠsticos. O cenĂĄrio de um Ăşnico sĂ­tio para a origem da domesticação do coelho contrasta com o que ocorreu com a maioria dos animais - ou foram domesticados em vĂĄrias regiĂľes, como o cĂŁo, ou a partir de vĂĄrias espĂŠcies ou subespĂŠcies, como o burro, em Ă frica. Em comparação com muitos outros mamĂ­feros, domesticados hĂĄ mais de cinco mil anos, o caso do coelho tambĂŠm ĂŠ muito recente. No cĂŁo, pelo contrĂĄrio, tal pode mesmo ter começado hĂĄ 14 mil anos. Outro aspecto invulgar ĂŠ o facto de o antepassado do coelho domĂŠstico ainda existir, ao contrĂĄrio do que acontece noutros casos, como a vaca (os Ăşltimos auroques extinguiram-se no sĂŠculo XVII, na Europa Central). MENOS DE 1200 ANIMAIS E de quantos coelhos selvagens descendem todos os domĂŠsticos que existem hoje no mundo? A equipa tambĂŠm pĂ´de determinar esse nĂşmero, agora que jĂĄ se sabe quer onde e quando os coelhos foram domesticados (a partir do ano 600), quer quando o processo estava terminado (sĂŠculo XVI). Tendo em conta a diversidade genĂŠtica dos coelhos domĂŠsticos actuais, todos descendem de 1200 animais, no mĂĄximo, se a domesticação foi lenta. Ou de apenas 14 coelhos, no mĂ­nimo, se foi muito rĂĄpida. “Provavelmente foram mais de 14. TerĂĄ sido um processo mais lentoâ€?, diz Ferrand de Almeida. Coelhos bravos e domĂŠsticos pertencem Ă mesma espĂŠcie, os Ăşltimos apenas se consideram uma população diferente, seleccionada para ter caracterĂ­sticas especiais. Entre essas caracterĂ­sticas inclui-se um comportamento mais dĂłcil e a reprodução ao longo do ano todo, enquanto o selvagem sĂł se reproduz durante quatro a cinco meses. AlĂŠm das variaçþes de cor, o tamanho do coelho domĂŠstico pode ir dos 800 gramas a dez quilos (o bravo tem pouco mais de um quilo). O tamanho das orelhas tambĂŠm muda bastante. Hoje hĂĄ pelo mundo fora mais de 200 variedades de coelhos domĂŠsticos, a maioria das quais surgiu nos Ăşltimos 200 anos. “Na ĂŠpoca vitoriana havia uma paixĂŁo pelos animais. Deu-se uma explosĂŁo da criação de animais, desde cĂŁes, gatos, atĂŠ canĂĄriosâ€?, realça Miguel Carneiro. Para os prĂłximos tempos, esperam-se entĂŁo mais capĂ­tulos da histĂłria do coelho, que â€œĂŠ tĂŁo ricaâ€?, remata Ferrand de Almeida.


anodalebre As previsĂľes do Ano SRU5LQJ-RLG (o Quinto Rei Mago)

No astuto Ano da Lebre diz que o sabor a seguir Ê o salgado. E diz tambÊm que a lebre às vezes Ê bicho de må raça. Portanto, não Ê coisa que faça bem à saúde, nem tão pouco à pulsação. Mas em tradiçþes seculares não se deve mexer e o que dizem os grandes mestres Ê material sagrado que não se pode deturpar. Ai de nós querer inventar alguma coisa. Estå dito, estå dito! Assim, seguem os vaticínios para o grande reinado da Lebre. Vêm da lembrança oral que passa de avôs para netos, ao longo de muitos sÊculos. É a primeira vez que se escrevem. Este Ê um ano cheio de avarias e tropelias, onde tudo serå possível, assim rezam os globos. Para tornar a coisa mais completa e actual usamos aqui os novos trâmites da simbologia astral ocidental. Perdoem-nos as magas e os adivinhos mais fundamentalistas, mas Ê assim que vai ser. Temos estes modos, admiramos a mudança. Nesta desmedida constelação inclui-se jå o famoso Serpentårio, que une – à boa maneira de Macau – a malga de culturas existente no Êter e que vogam na dicotomia do Yin e do Yang – para os do lado de cå – ou no Chiaro e Scuro – para os lado de lå. Ou azul e branco, para os nativos de Dragão, que são gente muito casmurra. No animalejo referido mais acima, o novo Signo, misturam-se a Serpente, requisitada à astrologia oriental, e o Dromedårio, proveniente do fÊrtil vale da Babilónia, entre o Tigre e o Eufrates – não consta que este último seja um astro –, onde nasceu a imensa História da humanidade. Este foi o local preciso onde o Homem desenhou as estrelas pela primeira vez, iniciando assim a lenga-lenga da imaginação moderna. É um bom lugar para começar. A ver vamos.

&$35,&Ă?51,2‡'(-$1(,52$'()(9(5(,52 Para os nativos deste signo adivinha-se um ano complicado no Ano da Lebre, mas com altos e baixos, como ĂŠ da norma. 'DGRV D GHVFRQĂ€DQoDV H D PDXV ROKDGRV RV &DSULFyUQLRV tem um tendĂŞncia perspicaz para se fecharem na sua toca. Contrapondo este hĂĄbito, ĂŠ preciso sair, ĂŠ preciso abordar os estranhos e empreender novos conhecimentos. JĂĄ dizia o outro que o “CapricĂłrnio precisa de amigosâ€?, e ĂŠ bem verdade. Aconselha-se portanto a uma abertura ao Outro, o que por certo irĂĄ trazer tanto o inesperado como por vezes a misĂŠria. Mas nĂŁo se deve baixar os braços, prevĂŞ-se que na segunda metade do ano alguĂŠm – ou algo – especial irĂĄ surgir no horizonte. NĂŁo espere que isso traga fortuna, porque se anuncia que os nativos deste signo tĂŞm alguns dos seus investimentos mal parados. Quanto Ă saĂşde: nada a relatar. Combinaçþes: 3, 8, 38, 83 | Condimentos: Funcho e beldroegas | Contabilidade: Negativa | Coração: Pulsante $48É5,2‡'()(9(5(,52$'(0$5d2 O Ano da Lebre ĂŠ o ano de grande transformação para os nativos de AquĂĄrio. Aconselha-se, portanto, a seguir o compĂŞndio da limpeza-geral Ă  risca: deitar tudo fora e abraçar este perĂ­odo com uma esperança renovada, limpando a vida das intempĂŠries GDPHPyULD2VSULPHLURVPHVHVVmRGHUHĂ H[mRHGHFDOPD mas depois temos o sol e o cĂŠu azul para compensar todos os males. Alguma contenção nos excessos para nĂŁo dar cabo da saĂşde, mas no amor esperam-se umas noites tĂłrridas cheias de humidade. Mergulhar ĂŠ a palavra de ordem. Combinaçþes: Saltos altos e bombazina | Condimentos: Absintos sem ĂĄlcool | Contabilidade: Ă€ tona da ĂĄgua | Coração: Fervilhante 3(,;(6‡'(0$5d2$'($%5,/ Ora bem, os Peixes neste ano vĂŁo ter muito para nadar. Recompensando ciclos menos bons no passado, os Peixes vĂŁo progredir muito no Ano da Lebre. Mas nĂŁo se pense que a progressĂŁo serĂĄ na carreira, nĂŁo, serĂĄ no espaço. Por isso espere-se para os Peixes muitas viagens, muitas braçadas, muitas noites mal dormidas nas carruagens de comboios das grandes estepes. NĂŁo se admire que com isso apareçam novos sabores, novas presenças, novas vistas. Algo que os Peixes terĂŁo de equilibrar por si jĂĄ que ninguĂŠm lhes irĂĄ dar a comidinha Ă  boca. Se da noite para o dia acordar numa cama que nĂŁo conheça nĂŁo se surpreenda, pegue na sua roupa e saia sorrateiramente porque DPDQKmKiPDLVRTXHYLHUjUHGHp´ÀVKÂľ6D~GHDSUHFLVDU de uma olhadela, mas nada de preocupaçþes. Combinaçþes: Ă“culos escuros Ă  noite | Condimentos: HĂşmus | Contabilidade: Nada de mais | Coração: A borbulhar &$51(,52‡'($%5,/$'(0$,2 Desde os tempos bĂ­blicos que os Carneiros e Lebres sempre se

QUARTA-FEIRA 2.2.2011 www.hojemacau.com.mo

deram bem. Por isso Ê um ano propício para esta constelação com os chifres em espiral. Se jå tem a vida estabilizada ela FRQWLQXDUiWDOHTXDO&DVRFRQWUiULRVHWLYHUGLÀFXOGDGHV em equilíbrio e tenha sempre uma leve tendência para o abismo, este serå o ano para se pôr de pÊ. Não se esqueça que Lazarus era do signo de Carneiro e que foi num longínquo Ano da Lebre que ele se ergueu perante o olhar assombrado dos Apóstolos. Agarrrrre bem este ano. Sem medo. É o que dizem os astros. E não se preocupe com a saúde que neste ano nenhum nativo deste signo irå perecer. Não se surpreenda se um engano no banco a seu favor o leve a lista da Fortune 500. Consta que a maioria dos nomes dessa tabela são Carneiros. Combinaçþes: Lã orgânica e cores fortes | Condimentos: Erva fresca | Contabilidade: Muitos e bons zeros | Coração: Ao alto 72852‡'(0$,2$'(-81+2 Os Touros, durante todo o ano, irão andar à procura da Lebre, sem a encontrar. Nessa razão os nativos deste signo vão andar à nora, sem encontrar o rumo certo. Mas não se preocupe, tome HVVHIDFWRFRPRXPDQRVDEiWLFRGHUHà H[mRRSUy[LPRVHUi por certo, melhor. Esqueça que exista, não se preocupe muito consigo e siga para bingo. Faça o que bem lhe der na gana e não pense mais nisso. Não acredite que no fundo do arco-íris hå uma boa e saborosa Lebre. Não, isso faz parte apenas das histórias de cordel. Talvez pôr a leitura em dia, para deixar o tempo correr, não seja a pior das atitudes. Visite o mÊdico com regularidade, não espere pelas palpitaçþes. Combinaçþes: Lã orgânica e cores fortes | Condimentos: Erva fresca | Contabilidade: Muitos e bons zeros | Coração: Ao alto *e0(26‡'(-81+2$'(-8/+2 Este Ê um bom ano para pregar partidas e dizer piadas mordazes. Por isso conte muitas anedotas e faça rir os seus amigos. Finalmente, este Ê o ano em que eles vão achar graça e largar as maiores gargalhadas que alguma vez viu. Não se apoquente, Ê de lå. Um ano cheio de humor e sorrisos, para os GÊmeos, mas hå mais. Diz que nas primeiras horas do Verão, no pisar do Solstício uma notícia vinda de muito longe irå mudar por completo a vida dos nativos de GÊmeos. É coisa para melhor, não hå que ter medo. Os gurus das estrelas atÊ este momento não conseguiram deslindar correctamente o que serå, mas asseguram que serå um bom pressågio e não um cataclismo. Conte desta maneira com uma vulcãozinho lå para a Êpoca do calor. E mais não dizemos, a não ser referir que a saúde serå sempre bem vinda, onde quer que a encontre. Seja num jarro de vinho, seja numa peito graúdo. Combinaçþes: Aposte em tudo o que vir no espelho | Condimentos: Au naturel | Contabilidade: Perdida | Coração: Solitårio mas caçador


AS ORELHAS NOS IS

&$5$1*8(-2‡'(-8/+2$'($*2672 !"#$%&'()$*)+%,$(,-,$%-./012$345&'$)/$6,%4*)/$3&$7,-,689&:)$ HPXQtVVRQR3DUHFHTXHR$QRGD/HEUHVHUiXPDQRSDUD :96%,-$,$;,'<+4,=$>)-$4//)2$/&$/&6%&$;,+%,$3,$/,6%,$%&--46#,2$(&89&$ 6)/$%-,(46#)/$&$,+,$?9&$/&$;,5$%,-3&=$@A)$)+#&$(,-,$%-./2$6A)$ +489&$B?9&+,$8&6%&$?9&$345$?9&$6,$C-4/&$6A)$/&$,--,6:,$6,3,$ 3&$:&4%)2$?9&$6A)$#.$&'(-&8)2$?9&$&/%.$%93)$3&(-4'43)2$&%C2$ HWF1mRDFUHGLWHVmRWXGREDOHODV7HOHIRQHMiKRMHSDUDD WUDQVSRUWDGRUDIDoDDVFRQWDVDRVPHWURVF~ELFRVHPHWD VHQRFRQWHQWRU6DEHPXLWREHPTXHMiHVWiKiGHPDVLDGR WHPSRHP0DFDX²VREUHWXGRDVHQWLUKiDQRVDÀRTXHVH TXHULUHPERUD²HRTXHJDQKRXDTXLSHUGHXOi6HROKDj /9,$*)+%,$&$-&(,-,$?9&$6A)$8,6#)9$6,3,2$&6%A)$',4/$9',$ -,5A)$(,-,$6A)$4-$&'$C)6*&-/,/=$D$6A)$*.$(&+)/$*,+)-&/$,/%-) QyPLFRVGDVUROHWDVLVVRQmRpSDUDVL0HVPRR7LR6WDQOH\ GHXQRTXHGHXHHOHHUDRUHLGRVPDJQDWDV7HOHIRQHjVXD ;,'<+4,$&$348,$?9&$()3&'$(-&(,-,-$,$C,+3&4-,3,=$E,C,9$:.$ HUD6D~GLQKDPXLWRPDODKXPLGDGHMiOKHGHXFDERGDV ,-%4C9+,FG&/=$@A)$(&6/&$?9&$)$,')-$/&$;,5$C)'$,?9&+,$6)%,$ 3&$?946#&6%)/$?9&$3&4H)9$6,$',//,84/%,=$I&(&%4')/J$&/%.$ QDDOWXUDGHED]DU !"#$%&'()*+,-.*/0"%1-2-34%5"-6+7-%8'9-:-!"&8%#*&/"+,;*#-*+<%&='+-:-!"&/'$%1%8'8*,->*4*-/?8"-:-!"@'(5",!=*%"-8*-+'?8'8*+ /(®2‡'($*2672$'(6(7(0%52 eYHUGDGH/HmR]LQKRDFRQWHFHPPLOKDUHVGHPRGLÀFDo}HV &'$*)CK$,$C,3,$/&8963)=$L9,63)$345&'$?9&$696C,$',4/$ )$*4-,'2$?9&$:.$+.$*A)$',4/$3&$3&5$,6)/$?9&$6A)$+#&$(G&'$ )/$)+#)/$&'$C4',2$348,$,(&6,/$?9&$6A)$%&'$)+#,3)$(,-,$)$ UHOyJLR4XHDYLGDpPHVPRDVVLP/HmR]LQKR(DOHEUH DSHVDUGHIRJRVDQmRYmRPXLWRjERODFRPYRFrTXHp/HmR 3RULVVRDFDXWHOHVHSRUTXHHVWHDQRYDLSDVVDUGHIXJLGD @A)$%,-3,$6,3,2$?9,63)$3&-$()-$4//)2$*,4$3,-$3&$C,-,/$C)'$)$ 'UDJmRHPJUDQGHJDORSHHDtMiQmRKiQDGDDID]HUMiIRL 3RULVVRGDVGXDVXPDRXGHL[DFRUUHUHVDOWDSDUDREDUFR RXGHL[DLUHÀFDQDVXD1mRGHVHVSHUHSRGHVHPSUHÀFDU DtDPROKDUDVXDMXEDHFDPLQKDQGRVRERVRO1DYHUGDGH M$4//)$?9&$)/$+&G&/$;,5&'2$6MN !"#$%&'()*+,-A'+/'-'1B?C#-*&D"&/@'@-4"DE-&"-D'#%&=":-!"&8%#*&/"+,-3@@'+/'@-"-"1='@-D"#"-?#-%#5-:!"&/'$%1%8'8*,-F"?@'@-'-<*1*-'"-1C?-:-!"@'(5",-G5"-+7 9,5*(0‡'(6(7(0%52$'(2878%52 2VQDWLYRVGH9LUJHPÀFDUDPPXLWRWULVWHVGHQDWUDQVIRU PDomRGRVDVWURVFRPDLQWURGXomRGR6HUSHQWiULRWHUHP 3&4H,3)$3&$/&-$O4-8&6/=$@A)$3&/&/(&-&2$C,-<//4',$C-4,%9-,$ GH'HXVDYLGDQmRDFDEDDTXL+iEHPPDLVGRTXHDTXLOR ?9&$345&'$)/$,/%-)/$&2$:.$,8)-,2$3)$?9&$345$)$/,C&-3)%&$6,$ PLVVD1mRSHQVHTXHEDVWDXPD$Yp0DULDSDUDVHFXUDU 3&$ %)3)/$ )/$ (&C,3)/=$ >&?9&$ B$ *)6%,3&2$ (&?9&$ C)'$ *,+)-$ DFUHVFHQWDGR3HTXHSRUDOPDGDVEHPGDVDOPLQKDV

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O Ano da Lebre  

Ediçao especial do Hoje Macau no Ano Novo Lunar • 2 FEV 2011

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