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Editorial Reflexão Hoje ao acordar e ver na televisão algumas festividades em homenagens aos 459 anos da fundação da Cidade “País”, de São Paulo, lembrei-me de quando trabalhava na Televisão Rio canal 13 cidade do Rio de Janeiro. no auge do verão encontro com o meu amigo Billy ‘Ubiratan Martins’, filho da consagrada cantora da música popular brasileira Dalva de Oliveira e do grande compositor, músico e cantor, Herivelton Martins e irmão do cantor musico e compositor Pery Ribeiro. Billy estava passando uns dias no Rio, ele tinha ido morar em São Paulo e durante nossa conversa me perguntou se eu gostaria de trabalhar em um canal de Televisão de São Paulo. Eu respondi que sim. ‘Sempre tenho vontade de ampliar meus conhecimentos’. Assim trazido por Billy cheguei a São Paulo para participar das gravações de programas que seriam usados quando a emissora Televisão Bandeirantes (ainda não era Rede) fosse inaugurada, o que aconteceu em 13 de maio do ano 1967. Confesso que na ocasião passei por um grande ‘choque’ cultural, vivi o futuro no presente. Esse saudosismo que permeia o relato resumido de minha vinda para trabalhar e viver aqui ressalta a minha satisfação e também como sinto honrado em até os dias de hoje, viver nesta grandiosa metrópole. São Paulo é o coração da América do Sul, locomotiva que transporta progresso, abriga povos, representa uma Nação. Nessa cidade onde eu tive o privilégio de aqui chegar contratado e, ampliar e engrandecer minha carreira profissional viu também meu filho nascer. Hoje ao participar das comemorações através do meu trabalho, eu me ufano de ser brasileiro.

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Fundador e Diretor Responsável: José Heitor da Costa Fundado em 12/09/2012 Presidente: Jaldete Vieira Garcia Vice-presidente: José Heitor da Costa Diretor Executivo: Valberto Garcia Diretor Comercial: João Pedro Gutierrez Teixeira Diretora de Publicidade: Carmem Lúcia Diretora de Projetos Gráficos e Web Designers: Iza Souza Diretor e Editor de Esportes: João Costa Diretor de Assuntos Internacionais: Gilmar Freitas Repórteres: Afonso Aquino. Pinheiro Junior. Rodrigues Taú. Wanda Lacerda. Álvaro Cintra. João Mendes. Correspondente Internacional: Rotieh Atsoc contato@jhcmidiadigital.com Cel: +55 (11) 98178-5433 Conselho Administrativo Presidente: Jaldete Vieira Garcia Vice-Presidente: José Heitor da Costa

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Ciência e Tecnologia Fotógrafo revela detalhes de anfíbios e répteis em close-up

Um fotógrafo britânico conseguiu capturar imagens extraordinárias de répteis e anfíbios; nesta foto, a lente registrou os olhos enormes de um sapo

Mark Bridger, de Kent, no Reino Unido, conseguiu fazer close-ups para mostrar o colorido de camaleões, sapos, lagartixas, entre outros animais

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Aqui aparece um gecko, um lagarto sem pálpebras, que precisa utilizar a língua para lubrificar os olhos

O fotógrafo conseguiu registrar o momento exato em que o lagarto passa a língua pelos olhos

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As imagens mostram o colorido das espécies exóticas

Imagem mostra em detalhes a causa do camaleão

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Os animais aparecem em diferentes ângulos

Imagem mostra um sapo de cores intensas

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Um pequeno lagarto aparece segurando-se a um pedaço de tronco

O quinto gigante do sistema solar Por Patricia Herman

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sistema solar já teve cinco planetas gigantes e gasosos em vez dos quatro que existem hoje. Essa é a conclusão de uma simulação da evolução do sistema solar, o que sugere o quinto gigante foi arremessado para o espaço interestelar cerca de 4 bilhões de anos atrás, depois de um encontro violento com Júpiter. Há décadas os astrônomos lutam para explicar a estrutura atual do sistema solar. Em particular, Urano e Netuno não poderiam ter sido formados onde eles estão hoje. Um cenário mais provável é que os planetas orbitavam muito próximos quando foram formados e só se afastaram quando seus discos de gás e poeira foram dispersados.

Mas os grandes valentões gravitacionais do sistema solar, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, não teriam ido tranquilamente para suas novas casas, quer dizer, órbitas. Simulações anteriores mostram que pelo menos um planeta, provavelmente Urano ou Netuno, deveria ter sido expulso do sistema solar na confusão. Até então, pesquisadores não sabiam como resolver a questão. Mas agora propuseram uma solução: um gigante de gelo foi sacrificado entre Saturno e Urano, tudo pelos seus irmãos planetários. Se a simulação começa com cinco planetas gasosos, um planeta se perde. E na maioria dos casos, o resultado é um bom sistema solar. No total, foram feitas 6 mil simulações de computador, com quatro ou cinco gigantes de gás, em várias posições iniciais em torno do sol. Os testes simulam o início logo após a dispersão do disco de gás e chegam a 100 milhões de anos, tempo suficiente para que os planetas estabeleçam suas órbitas finais. Em 10% das simulações feitas com quatro planetas, sobraram apenas três. Porém, na metade das simulações com cinco planetas o resultado foi um sistema solar muito parecido com o nosso. Os melhores resultados ocorreram quando o quinto planeta ficou entre Saturno e Urano e acabou sendo expulso após um encontro com Júpiter. O cenário de cinco planetas gasosos resolve alguns outros mistérios também. Para os planetas rochosos sobreviverem intactos enquanto os gigantes de gás brigavam por umaposição, algumas simulações anteriores mostram que Júpiter deve ter “saltado” de uma posição mais próxima ao sol até sua órbita atual. Esta teoria do salto de Júpiter é muito difícil de ser provada no sistema de quatro planetas, mas é uma consequência natural do sistema de cinco. Se Júpiter atira o gigante de gelo perdido do sistema solar, ele perde o momento angular e se afasta do sol. A reorganização também pode ter perturbado a formação do cinturão de Kuiper e da nuvem de Oort – reservatórios de proto-planetas que estão além da órbita atual de Netuno – arremessando destroços em direção ao interior do JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 11


sistema solar. Isso poderia explicar o período de violência que teria ocorrido há 4 bilhões de anos, quando a lua ganhou a maioria de suas crateras. Este é o período que os astrônomos chamam de “bombardeio pesado atrasado”. O planeta perdido há muito tempo ainda pode estar lá fora. Em maio, astrônomos no Japão anunciaram que tinham visto planetas solitários vagando pelo espaço escuro entre as estrelas. Se o gigante gasoso ainda estiver lá fora, pode ser um dos exoplanetas errantes. Planetas de hoje podem ter outros irmãos perdidos também. Pesquisas anteriores sugeriram que um quinto planeta rochoso pode ter sido expulso de uma órbita entre Marte e Júpiter e que super-Terras podem ter sido engolidas por Júpiter ou Netuno. O nosso sistema solar parece calmo e tranquilo agora, mas sabe-se muito bem que ele teve um passado violento. A questão ainda é como e o quanto foi violento. [NewScientist]

Nanotubo é eficiente na osseointegração de implantes Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br

Imagem de secção transversal da película de titânia obtida em microscópio eletrõnico

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a Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, cientistas estão desenvolvendo nanotubos de óxido de titânio (titânia – TiO2) que poderão ser utilizados para melhorar a osseointegração de implantes produzidos com o metal.

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Nos experimentos, os pesquisadores conseguiram obter uma fina película, medindo entre 500 nanômetros e 3 micrômetros de espessura e que concentra nanotubos, que podem ser vistos somente em microscópio eletrônico de varredura de alta resolução. As películas de titânia (nanotubos de óxido de titânio) foram obtidas por anodização, como conta o professor Alain Robin, do Departamento de Engenharia de Materiais da EEL. “Quando a película é depositada sobre o titânio, os nanotubos irão abrigar as células ósseas que poderão crescer no seu interior”, descreve. O docente, que estuda diversas ligas metálicas além do titânio, supervisionou um estudo em que foram obtidos os nanotubos. O trabalho da estudante de Engenharia de Materiais Michele B. A. Ribeiro, Obtenção e caracterização de nanotubos de TiO2 sobre titânio, foi realizado no Laboratório de Corrosão e Eletrodeposição da EEL, e recebeu menção honrosa no 20º Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (SIICUSP) ocorrido entre os dias 22 e 26 de outubro de 2012. O processo de anodização realizado nas condições definidas neste trabalho foi aplicado com sucesso em implantes dentários comerciais de fabricação nacional.

Anodização A anodização é um processo eletroquímico baseado na eletrólise. Numa célula eletroquímica é colocada uma solução inorgânica ou orgânica contendo íons fluoretos, que podem ser de sódio, de amônia, ou ácido fluorídico. “As soluções para se obter os nanotubos precisam conter fluoretos”, explica o pesquisador.

Visão superficial da película (aumento x100 000)

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Dentro do líquido, é colocado o corpo de prova de titânio juntamente com um eletrôdo de platina. A partir daí está montado um circuito elétrico com uma fonte de corrente contínua, sendo o titânio o polo positivo e a platina o negativo. “Em seguida aplicamos uma Diferença de Potencial Elétrico (DDP) para a formação da titânia [óxido de titânio] na forma de uma película”, conta Robin. As características geométricas dos nanotubos, como altura e diâmetro interno, dependerão de como foi feito o processo de anodização, como DDP, quantidade de fluoretos, tempo de anodização e temperatura da solução. Robin afirma que ainda não existem no Brasil aplicações industriais de crescimento de nanotubos de titânia sobre implantes e que os estudos ainda carecem de testes biológicos para se verificar o crescimento das células dentro dos nanotubos de titânia.

Visão superficial da película (aumento x 500 000)

O professor lembra que, além da utilização dos laboratórios da EEL, todo o processo de caracterização dos nanotubos foi realizado no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do governo federal, em Campinas, São Paulo. Imagens: cedidas pelo pesquisador

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Saúde Uso prolongado de aspirina é ligado a tipo de cegueira James Gallagher Da BBC News Pessoas que tomam aspirina por muito tempo podem desenvolver forma úmida de doença macular

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essoas que tomam aspirina por muitos anos, como pacientes cardíacos, por exemplo, são mais suscetíveis a desenvolver um determinado tipo de cegueira, revelaram cientistas.

Um estudo com 2.389 pessoas, publicado na revista científica JAMA Internal Medicine, indicou que o uso prolongado do ácido acetilsalicílico, principal substância do medicamento, dobra os riscos do surgimento da forma úmida da degeneração macular relacionada à idade. A doença deteriora a chamada retina central, ou mácula, causando perda de visão no centro do campo visual do paciente. Os pesquisadores, entretanto, não souberam dizer quais mudanças seriam necessárias na ingestão do remédio para evitar a cegueira. O estudo, conduzido na Universidade de Sydney, na Austrália, reuniu participantes com idades em torno de 65 anos. Um a cada dez deles usava o medicamento pelo menos uma vez por semana. Os pacientes foram submetidos a testes oftalmológicos a cada cinco, dez e 15 anos. Ao final do estudo, os pesquisadores concluíram que 9,3% dos pacientes que tomavam aspirina desenvolveram o tipo úmido da degeneração macular JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 15


relacionada à idade, contra uma taxa de 3,7% entre os pacientes que não faziam uso da medicação. Segundo o relatório, "o aumento do risco da forma úmida da degeneração macular relacionada à idade foi detectado apenas 10 ou 15 anos depois, indicando que a dose prolongada tem um papel importante". "Dado o uso generalizado da aspirina, qualquer risco de condições anormais será significativo e afetará muitas pessoas." A forma úmida da degeneração macular relacionada à idade é causada pelo crescimento dos vasos sanguíneos. Isso provoca o inchaço e o sangramento da retina. O processo pode acontecer muito rapidamente, com a visão sendo danificada em dias. Idade, fumo e histórico familiar são os principais fatores de risco.

Alto risco Já há relatos na literatura médica dos riscos da aspirina, como os sangramentos internos. Para a equipe que conduziu o experimento, o risco de dano à visão "também deve ser considerado". Os pesquisadores reconheceram, no entanto, que para a maior parte dos pacientes, há "pouca evidência" para mudar a prescrição do medicamento. Eles também indicaram que o uso da droga seja reavaliado em pacientes de alto risco, como aqueles que já possuem a doença em um de seus olhos. Segundo o professor Jie Jin Wang, especialista em olhos da Universidade de Sydney, a descoberta pode fazer com que os médicos rediscutam a ingestão do medicamento com seus pacientes. A Macular Society, entidade britânica ligada à área, disse: "A evidência está aumentando sobre a associação da aspirina e da forma úmida da degeneração macular; entretanto, ainda há um longo caminho a percorrer neste tema." "Para pacientes que sofrem de cardiopatias, os riscos para a saúde com a interrupção ou não prescrição da aspira são muito maiores do que o desenvolvimento da doença ocular." "Pacientes que estão tomando aspirina não devem interromper seu uso antes de falar com seus médicos." JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 16


Exposição a luz no útero desenvolve olhos de bebê, sugere estudo

Desenvolvimento da retina pode estar associado à quantidade de luz que atravessa o corpo

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luz que passa através do corpo e chega ao útero tem um papel importante no desenvolvimento do olho, descobriram pesquisadores americanos.

Um estudo, publicado na revista Nature, mostrou que fêmeas de ratos que passaram o período de gestação em completa escuridão tiveram bebês com o desenvolvimento do olho alterado. De acordo com os pesquisadores, pequenas quantidades de luz seriam necessárias para controlar o crescimento de vasos sanguíneos nos olhos. Os pesquisadores esperam que os resultados possam ajudar na compreensão de doenças oculares.

Claro ou escuro? Se você pudesse viajar no interior de um rato ou de uma pessoa, não haveria luz suficiente para ver. No entanto, pequenas quantidades de luz atravessam o corpo. Agora, os cientistas - da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e do Cincinnati Children's Hospital Medical Center - acreditam que essa luz que penetra no corpo pode alterar o desenvolvimento do olho, pelo menos em camundongos. Normalmente, uma rede de vasos sanguíneos, conhecida como a vasculatura JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 17


hialoide, é formada para ajudar a nutrir a retina durante sua formação. No entanto, esses os vasos sanguíneos atrapalhariam a visão caso se mantivessem após o nascimento - e por isso são posteriormente removidos, como o andaime de um edifício em construção. Os pesquisadores disseram que isso não acontece quando a gravidez ocorre na escuridão total. "Não é algo sutil, é um efeito importante sobre a forma como a retina se desenvolve e necessita de luz atravessando o corpo", disse o professor Richard Lang, do Hospital Infantil de Cincinnati. Ele disse que foi uma "grande surpresa" que isso ocorra.

Bebês prematuros Os pesquisadores esperam que a descoberta possa ajudar na compreensão de doenças do olho humano. Alguns bebês que nascem prematuramente desenvolvem uma doença conhecida como retinopatia da prematuridade, em que vasos sanguíneos no olho crescem anormalmente, resultando em danos à retina e eventual perda de visão. O professor Lang disse: "Na retinopatia da prematuridade há crescimento excessivo dos vasos sanguíneos e isso é o que você vê nesses camundongos." Os pesquisadores mostraram que a luz ativou uma proteína nos ratos, a melanopsina, que também tem um papel na regulação do relógio biológico do corpo e está presente em seres humanos. No entanto, não se sabe se os mesmos processos ocorrem em pessoas ou animais. O professor Robin Ali, do University College de Londres, qualificou o estudo como "fascinante". Ele disse que mais pesquisas ainda são necessárias, mas os resultados podem levar a considerações sobre níveis de luz durante a gravidez e esforços para desenvolver retinas em laboratório. Ele disse: "O estudo nos traz um novo aspecto a ser considerado no desenvolvimento da retina. E ilustra o quanto ainda temos de entender sobre o olho."

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Cigarro é proibido em trechos de praias argentinas Marcia Carmo

A ideia da prefeitura é expandir as áreas livre de cigarro a todas as praias de Partio de la Costa

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m município argentino inaugurou dois trechos de 200 metros de suas praias como áreas em que fumar é proibido.

A medida veio após o sucesso do projeto piloto iniciado em uma dessas praias no ano passado, em Partido de la Costa, um conhecido reduto de turistas da classe média argentina. As praias, Santa Teresita e San Bernardo, ficam a 300 quilômetros de Buenos Aires. Em entrevista à BBC Brasil, o prefeito, Juan Pablo de Jesús, conta que houve resistência inicial ao projeto. A prefeitura, no entanto, aposta na conscientização da população através de uma campanha, intitulada "A Costa Respira". "Fizemos uma experiência piloto e ela deu certo e por isso decidimos manter a medida em Santa Teresita e aplicá-la agora em San Bernardo. No início, houve alguma resistência à medida, mas agora não", disse. A medida não prevê multas. A campanha contou com a distribuição, nas praias, de folhetos que abordavam os males do fumo e a importância de evitar o cigarro na frente de crianças, "para que elas não repitam os hábitos dos pais". "O que queremos é que o verão seja um o início de um processo para que a JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 19


pessoa deixe o hábito do cigarro", disse o prefeito. Partido de la Costa é o segundo destino turístico argentino no verão e recebe cerca de 2,5 milhões de turistas do país nesta época do ano, segundo informações oficiais. San Bernardo e Santa Teresita são as principais praias do município, banhado pelas águas mais frias do Atlântico Sul. Segundo o prefeito, o objetivo é ampliar a cada verão as áreas isentas de fumo. O município Partido possui catorze praias distribuídas em cem quilômetros de orla. "Não sou médico, mas nosso objetivo é que o turista saia daqui mais preocupado em cuidar da sua saúde. Por isso, já iniciamos projeto para que as praças da cidade também sejam livres da fumaça do cigarro", afirmou.

Especialistas alertam para aumento global de diabetes infantil

Diabéticos precisam tomar insulina para controlar taxa de açúcar no sangue

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número de casos de diabetes tipo 1 está crescendo rapidamente, especialmente entre as crianças, enquanto muitas não são diagnosticadas devidamente, afirmam especialistas. Segundo um estudo da Federação Internacional de Diabetes, a diabetes tipo 1 é uma das doenças endócrinas e metabólicas mais comuns na infância e os casos entre crianças estão aumentando em todo o mundo. Atualmente, 371 milhões de pessoas sofrem de diabetes no mundo, principalmente diabetes tipo 2, provocada, principalmente, pela obesidade e

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por um estilo de vida precário. Para especialistas, o desenvolvimento de diabetes tipo 1 pode ter causas genéticas, mas eles ainda não sabem dizer a que se deve o incremento nos casos da doença. Além disso, em um número considerável de países, cada vez mais as crianças também estão sendo diagnosticadas com diabetes tipo 2.

Diagnóstico adequado A diabetes se manifesta quando o organismo não pode produzir ou utilizar eficientemente a insulina, um hormônio que regula o nível de açúcar no sangue. Caso não seja tratada adequadamente, a doença pode produzir complicações severas. Uma pessoa com diabetes tipo 2 pode permanecer sem ser diagnosticada durante muito tempo. Mas no caso da diabetes tipo 1, se o paciente não recebe injeções de insulina diariamente para controlar seus nível de glicose, corre risco de morte. Apesar de a doença aparecer em qualquer idade, o mais comum é que ela ocorra em crianças e adolescentes menores de 14 anos. Segundo o informe da Federação Internacional de Diabetes, nos últimos anos, houve um crescimento anual de 3% dos casos de diabetes tipo 1 no mundo, principalmente em menores de 14 anos. O principal aumento ocorreu na Europa central e do leste. Embora não haja estudos sobre a incidência em outras partes do mundo, acredita-se que as tendências sejam similares globalmente. Conhecendo os sintomas

Principais sintomas da diabetes tipo 1 • Necessidade frequente de urinar • Sede abundante • Cansaço excessivo • Perda de peso Estima-se que, em média, cerca de 78 mil menores com até 15 anos desenvolvam a doença todo ano. Com isso, a diabetes tipo 1 pode ser um enorme desafio para muitas crianças e adolescentes. Além do impacto físico, a doença pode dificultar ou limitar as JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 21


relações sociais, além de afetar o desempenho escolar. O estudo indica que cerca de 25% das crianças que desenvolvem a diabetes tipo 1 são diagnosticadas quando já se encontram em estado grave. Segundo Barbara Young, presidente-executiva da Diabetes UK, "é particularmente importante que os pais conheçam os sintomas da doença". "Atualmente, o desconhecimento dos sintomas da diabetes tipo 1 é uma das principais razões para que um número assombroso de crianças estejam gravemente doentes quando recebem um diagnóstico". Entre os principais sintomas, explica a especialista, estão: necessidade frequente de urinar, sede abundante, cansaço extremo e uma perda inexplicável de peso. "Os padres e as babás também precisam entender que se uma criança apresentar algum desses sintomas têm de levá-la ao médico o mais rápido possível, para que se faça o teste da diabetes tipo 1", acrescentou Young.

Cientistas usam vírus para criar 'marcapasso biológico' James Gallagher Técnica em desenvolvimento poderia um

dia

substituir

marca-passos

artificiais, diz estudo

C

ientistas americanos induziram células no coração de porcos-da-índia a se transformar em 'marcapassos' ao injetar um vírus modificado com um gene no músculo cardíaco das cobaias.

Em estudos anteriores, células do músculo cardíaco já haviam sido programadas para adquirir as funções das células que controlam e organizam os batimentos do coração. A diferença, nesse caso, é que os especialistas usaram um único gene - o Tbx18 - para modificar geneticamente as células cardíacas dos animais. O trabalho, feito por pesquisadores do Cedars-Sinai Institute, em Los Angeles, no Estado americano da Califórnia, foi publicado na revista científica Nature JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 22


Biotechnology. A equipe responsável disse ter esperanças de que a técnica também funcione em corações humanos porque o Tbx18 é um gene humano.

Solução Alternativa Em seu funcionamento normal, o coração humano é composto por bilhões de células. No entanto, os pesquisadores explicam que menos de dez mil delas têm a propriedade de controlar os batimentos cardíacos, e fazem isso por meio de sinais elétricos emitidos em intervalos regulares. Com o envelhecimento, ou em consequência de doenças, o ritmo e a frequência desses sinais são alterados, levando o coração a bater muito rápido, ou muito devagar, e em alguns casos, o coração pode deixar de bater completamente. Atualmente, a solução para o problema é implantar no organismo do paciente um marca-passo artificial. O aparelho, movido por uma pequena bateria, produz pequenas descargas elétricas ritmadas que impulsionam os batimentos. Mas a equipe americana optou por um caminho diferente. Os especialistas decidiram gerar, no coração das cobaias, novas células com o poder de controlar seus próprios batimentos cardíacos. Para tanto, o grupo injetou o gene Tbx18 em um vírus modificado geneticamente. O vírus foi então usado para "infectar" as células do músculo cardíaco de sete porcos-da-índia. O gene Tbx18 foi escolhido por estar associado à formação, no embrião, das células que regulam os batimentos do coração. Quando as células foram infectadas, tornaram-se menores, mais finas e menos espessas, à medida que adquiriam as "características singulares das células marca-passo", indica o estudo. Cinco entre os sete porcos-da-índia que receberam as injeções do gene Tbx18 em seu coração passaram a apresentar batimentos cardíacos originados a partir dos seus novos marca-passos.

Esperanças Um dos pesquisadores, Hee Cheol Cho, disse ter esperanças de que a técnica funcione em humanos, já que o Tbx18 é um gene humano. Mas ressaltou que terão de ser feitos muitos outros testes em animais antes de que o método JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 23


possa ser testado em humanos. As vantagens de se usar um marca-passo biológico, segundo o especialista, seriam muitas. "Dispositivos elétricos são limitados à vida finita de suas baterias, necessitando de trocas de bateria", explicou. "Complicações como desalojamento, quebras e nós nos fios não são incomuns e podem ser catastróficas. A incidência de dispositivos com infecções bacterianas continua aumentando e, em pacientes pediátricos, o dispositivo não cresce com os pacientes", disse Hee. "Todos esses problemas podem ser resolvidos por um marca-passo biológico". Repercussão Comentando o estudo americano, o médico Jeremy Pearson, da Fundação do Coração Britânica, disse: "A capacidade de transformar-se, desta forma, células comuns do coração em células especializadas marca-passo é muito nova e cientificamente fascinante". "Ela cria a tentadora possibilidade de usar-se terapias celulares para restabelecer o ritmo normal do coração em pessoas que, de outra forma, precisariam de marca-passos eletrônicos". "No entanto, muito mais pesquisas precisam ser feitas agora para entendermos se esses resultados podem ajudar pessoas com doenças cardíacas no futuro".

Formigas transportam microbactérias patogênicas em hospitais Por Mariana Melo - mariana.melo@usp.br Animais podem transportar agentes patogênicos a pessoas debilitadas

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ormigas podem ser vetoras mecânicas de micobactérias patogênicas, segundo a pesquisa de doutorado da veterinária Ana Paula Macedo Ruggiero Couceiro, realizado na Faculdade de Saúde Pública

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(FSP) da USP em 2011. Análises microbiológicas realizadas por amostragem em um hospital no interior de São Paulo apontaram ocorrência de micobactérias ambientais, relacionadas às infecções oportunistas. Essas infecções podem ocorrer na pele, por exemplo, com a formação de abscessos, além de não responderem à terapia convencional com antibióticos. O hospital, pertencente à Secretaria Estadual de Saúde, é especializado na assistência a pacientes com tuberculose. Justamente em centros como esse, os internos estão fragilizados imunologicamente devido à convalescença, e, por isso, a infestação com esses patógenos implica em mais riscos. As formigas foram coletadas num tubo estéril em diversos pontos das instalações do hospital. Segundo a pesquisadora, as micobactérias ambientais estão amplamente distribuídas, inclusive em hospitais. O monitoramento destas micobactérias não é habitual. No entanto, com o aumento de surtos relacionados às mesmas em estabelecimentos de saúde, a preocupação com estes agentes aumentou. Desde 2003, enquanto fazia seu projeto de mestrado, Ana Paula verificou que formigas contribuíam para contaminação de testes de diagnósticos e disseminação de partículas. No levantamento para seu doutorado, notou que algumas características inerentes às formigas facilitavam a sua dispersão, como o fato de andarem até 200 metros (m) a partir do seu ninho em um único dia. Por ter uma dieta generalista, o inseto é um animal de fácil adaptação, convivendo bem em diversos ambientes. Pesquisas anteriores, segundo ela, descrevem a formiga em ambiente hospitalar como transportadora de microrganismos, porém seu trabalho é o primeiro que investiga a disseminação de micobactérias desta maneira. As formigas, neste caso, podem contaminar roupas, alimentos e água utilizados pelas pessoas internadas.

Identificação As formigas coletadas para o estudo eram da espécie Tapinoma melanocephalume dos gêneros Dorymyrmex sp, Camponotus sp, todas encontráveis em domicílios brasileiros. Os pontos nos quais a pesquisadora mas se atentou para suas amostragens foram os próximos aos pacientes, inclusive o solário, espécie de terraço no qual as pessoas em tratamento tomam sol. Após a coleta, as formigas eram congeladas, e pelo menos 24 horas depois, eram maceradas com soro fisiológico e inoculadas em meio de cultura. Durante a incubação, a veterinária acompanhou o crescimento das colônias de microrganismos e, a partir disso, fez identificações específicas. Ainda, submeteu as amostras ao Centro de Referência Professor Hélio Fraga para sequenciamento do código genético das bactérias, de forma a caracterizar corretamente as colônias isoladas. As micobactérias isoladas foram da espécie M. chelonae, M. parafortuitum e M. murale, além de micobactérias que não puderam ser identificadas talvez JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 25


porque ainda não tenham sido descritas. A M. chelonae, encontrada nos vasos sanitários dos quartos dos pacientes, é considerada uma micobactéria ambiental patogênica e já descrita em surtos hospitalares no Brasil. Na coleta das formigas, a veterinária percebeu que a estrutura dos locais favorecia a sua infestação, uma vez que havia a presença de aéreas verdes e também residências. Para Ana Paula, é importante alertar-se quanto aos riscos que estes artrópodes representam na disseminação de infecções hospitalares, e revisar a frequência e efetividade das desinsetizações.

Universidade treina cão a detectar bactéria hospitalar

Cliff passou por dois meses de treinamento para detectar a bactéria em pacientes infectados

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m estudo realizado pela Universidade VU, de Amsterdã, na Holanda, revelou que cães podem detectar bactérias que causam infecções hospitalares graves, como a Clostridium difficile. Cliff, um beagle de dois anos usado no estudo, conseguiu detectar a superbactéria com 83% de precisão. Os testes com Cliff foram feitos em dois hospitais de Amsterdã nos quais, como em outros países, os médicos estão tentando reduzir as taxas de infecção pela bactéria detectada pelo beagle. Os exames de laboratório usados atualmente são lentos, caros e podem atrasar o início do tratamento em até uma semana. A Clostridium difficile geralmente afeta pacientes idosos que estão sendo tratados com antibióticos. Ela provoca problemas na flora intestinal, diarreia

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e, em casos extremos, inflamação intestinal e a morte. Os cientistas afirmaram que usar um cachorro nos hospitais para detectar os pacientes infectados é uma forma "rápida, eficaz e popular" de evitar a propagação da bactéria. A pesquisa foi divulgada na revista britânica especializadaBritish Medical Journal.

Cheiro Estudos anteriores demonstraram que cães são capazes de detectar vários tipos de câncer. A ideia de treinar um cachorro para detectar a Clostridium difficile surgiu quando os pesquisadores do Centro Médico da Universidade VU, de Amsterdã, notaram que as fezes contagiadas pela bactéria emitiam um odor específico. Cliff, que nunca tinha sido treinado para aprender a detectar a bactéria, passou por dois meses de instrução para farejar os odores da bactéria em amostras de fezes e em pacientes contagiados. Cliff tinha que se sentar ou deitar quando o micro-organismo estivesse presente. Quando o beagle foi colocado à prova, foram apresentadas 50 amostras de fezes com a bactéria e 50 sem. Cliff identificou corretamente as 50 amostras positivas e 47 das 50 negativas. A bactéria 'Clostridium difficile' atinge pacientes idosos

Os números equivalem a uma qualificação de 100% em termos de sensibilidade (a proporção de positivos detectados corretamente) e 94% em especificidade (a proporção de negativos identificados corretamente).

capacidade em meio aos pacientes.

Depois, Cliff foi levado para as salas de dois hospitais para provar sua

O cachorro conseguiu identificar corretamente 25 de 30 pacientes infectados (83% de sensibilidade) e 265 de 270 pacientes sem a bactéria (98% de especificidade).

'Rápido e eficaz' JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 27


De acordo com os pesquisadores, Cliff "demonstrou ser rápido e eficaz, rastreando uma sala completa do hospital para buscar os pacientes com as infecções da C. difficile em menos de dez minutos". "Para os propósitos de detecção, o cão não precisou de uma amostra de fezes ou do contato físico com os pacientes", afirmaram os autores da pesquisa. "Tudo indica que os cães podem detectar a C. difficile no ar em volta dos pacientes", acrescentaram. Mas, os cientistas holandeses destacam que este foi um estudo inicial e agora deverão fazer pesquisas mais abrangentes. Também existem algumas dúvidas como a imprevisibilidade de se usar um animal como ferramenta de diagnóstico e o potencial que este animal teria de espalhar infecções.

Com 1,2 mil casos, PR tem epidemia de dengue em 5 cidades JOYCE CARVALHO

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Paraná possui cinco cidades com situação de epidemia de dengue devido à grande quantidade de casos registrados nos últimos meses. O último município a entrar na lista foi Paranavaí, na região noroeste do Estado, com 245 casos confirmados e 519 notificados. Também foi registrado em Paranavaí o primeiro caso autóctone (com origem no local) do tipo 4 de dengue em todo o Estado. Os outros municípios em situação de epidemia são Fênix, São Carlos do Ivaí, Japurá e Peabiru. Até o momento, uma morte por dengue foi registrada neste ano, na cidade de Peabiru. A vítima foi um advogado de 75 anos. As regiões noroeste e central do Paraná são as mais afetadas pela dengue em 2013. A Sala de Situação da Dengue, coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), registrou 1.269 casos confirmados de dengue entre agosto de 2012 até a semana passada. A notificação chegou a 7.668 casos. A dengue atingiu 68 municípios paranaenses, que já registraram casos confirmados da doença. A notificação ocorreu em 208 das 399 cidades do Estado. De acordo com Sezifredo Paz, superintendente de vigilância em saúde da Sesa, a situação no Paraná é de alerta. "Estamos com mais de 200 municípios com

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infestação e o esforço é para que nenhum outro entre em situação de epidemia. Além das regiões noroeste e centro do Estado, nos preocupa as regiões de Londrina e Foz do Iguaçu. Nestes dois casos, a incidência não é alta diante o total da população, mas preocupa pela infestação", comenta. O governo do Paraná determinou que equipes da Defesa Civil vão para os municípios em situação crítica para auxiliar na mobilização da população contra o mosquito da dengue.

A Sesa também vai repassar R$ 4,2 milhões para o combate a dengue em 32 municípios. "Neste ano, os índices de infestação estão maiores em relação a 2012. Tem o fator climático e também casos em que o trabalho de prevenção sofreu alguma deficiência diante da mudança da gestão municipal", explica Sezifredo Paz. O governo do Estado também está preocupado com a circulação do vírus 4 da dengue, o que deixa toda a população paranaense vulnerável a este tipo da doença.

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Notícias Morte de índia extingue idioma e cultura de tribo amazônica Lorena Arroyo Da BBC Mundo

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m uma voz firme e profunda, Bose Yacu entoa os cânticos que ela aprendeu com seu pai na região boliviana da floresta Amazônica, há 50 anos.

"Meu pai, Papa Yacu, cantava esse quando ele via trilhas de porco e saía para caçar... já esse outro, quando colhia amêndoas... e esse outro era para mostrar que vínhamos em paz, quando visitávamos alguém", explica Bose, ao fim de cada canção. Sentada do lado de fora de sua casa feita de madeira, Bose – uma mulher magra com longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo – era a mais velha dos pacahuaras e a única que ainda mantinha algumas das tradições da sua tribo, como usar uma franja e um pequeno pedaço de pau em seu nariz, com uma pena vermelha de cada lado. Quando eu a visitei em seu vilarejo, em setembro, senti que suas histórias e cânticos escreveriam o último capítulo da história de sua tribo. Bose morreu recentemente, deixando cinco irmãs: as últimas pacahuaras do mundo. Busi morreu pouco depois da visita da BBC à sua tribo, no interior da Amazônia boliviana

A notícia de sua morte não foi manchete em nenhum jornal, mas foi uma imensa perda, já que as pacahuaras não têm para quem transmitir seus conhecimentos.

'Poucos sobreviventes' Dois séculos atrás, os pacahuaras eram um dos principais grupos indígenas JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 30


na Amazônia peruana. No final do século 18, os pacahuaras "ocupavam um vasto território", mas "dois séculos depois, dá para contar na mão o número de pacahuaras que restaram", de acordo com o antropólogo francês Philippe Erikson, no prefácio de seu livro The Pacahuaras: The Impossible Reduction (em tradução livre – Os Pacahuaras: a redução impossível). Os cinco sobreviventes dos pacahuaras vivem nas cercanias de Alto Ivon, um remoto vilarejo no nordeste da Bolívia, para onde eles foram relocados em 1969. Missionários americanos ajudaram a transferi-los, para escapar de problemas que atingiam a tribo. Era um período em que havia uma febre de produção de borracha em todo o mundo – e isso estava causando graves problemas para as tribos indígenas na Amazônia, alvo da exploração do produto. Os pacahuaras dizem ter sofrido terrivelmente nas mãos de seringueiros brasileiros. De toda a comunidade, acredita-se que apenas a família de Bose sobreviveu: "Lutamos muito. Meu pai foi atingido na cabeça e jogado no rio, mas ele conseguiu sobreviver e voltou para casa", conta ela. Como restante da tribo, Bose não sabe sua idade exata, mas lembra que chegou quando era adolescente em Alto Ivon. Era a terra dos chacobos, uma tribo com raízes e língua similares. Hoje, cerca de 500 pessoas falam chacobo, que está na categoria "definitivamente em perigo", segundo a Unesco. Já a língua pacahuara foi classificada como "em perigo crítico", apenas um estágio antes de "extinto".

Trilha com machetes Ambas as tribos falam línguas da família linguística Panoan. Os missionários do Instituto Summer de Linguística ajudou os pacahuaras a se mudarem a 200 quilômetros ao sul da Amazônia, para que eles pudessem ser assimilados pelos chacobos. JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 31


Pacahuaras acabaram assimilando a cultura e a língua da tribo Chacobos

De acordo com o antropólogo boliviano Wigberto Rivero, "era a única opção para salvá-los, já que, por causa do número reduzido de membros, o crescimento biológico da tribo era impossível". Os chacobos aceitaram proposta dos missionários

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alguns inclusive ajudaram na transição. "Nós sabíamos que eles estavam enfrentando muitos problemas. Fizemos trilhas na floresta e espalhamos machetes e machados", conta Alberto Ortiz Alvarez, líder chacobo, que é o presidente o Conselho Indígena da Amazônia boliviana. Ortiz lembra que quando viram que os objetos haviam sumido, sabia que a tribo estava perto e que em pouco tempo os encontraria. Uma vez que os pacahuaras chegaram, foram recebidos com uma festa, em que receberam bananas e mandioca. O grupo era liderado pelo pai de Bose, que tinha duas esposas e seis filhos.

'Nossa cultura ainda está viva' Mais de 40 anos após a migração, com o patriarca e suas esposas mortos, restaram seus seis filhos – sendo que quatro deles se casaram com membros da tribo vizinha e adotaram sua língua e seus costumes. Maro é o mais novo dos pacahuaras. Ele chegou em Alto Ivon quando ainda era um bebê. Ele já não fala mais sua língua nativa e diz que seus filhos não vão aprendê-la. "Falar chacobo é mais direto. Eles não conseguem falar como Bose falava", diz Maro, que é casado com uma mulher chacobo. De acordo com Rivero, "é um processo de assimilação irreversível" que JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 32


começou com a língua e, em muitos casos, como o de Maro, se tornou uma assimilação social e cultural.

Cachorro de rua A maioria dos pacahauras se casou com índios da aldeia vizinha

Bose era a mais velha e a única que se casou com um membro da tribo: Buca, que era cerca de 10 anos mais novo que ela. "Quando eu era nova, não tinha um marido. Nessa época, meu pai se casou também com a irmã da minha mãe. E meu marido era filho da sua segunda mulher. Então, na verdade, meu marido e eu éramos meio-irmãos", disse Bose. O casal não quis falar sobre o porquê de não terem filhos. E mesmo sabendo que isso significaria o fim da sua língua, não era algo que parecia preocupá-los. "Não estou triste. Nossa cultura ainda está viva. Quando a gente morrer, ela vai morrer também", disse Buca, quando o visitei em setembro. Mas após a morte de sua esposa, ele está vagando na floresta, "sozinho, como um cachorro de rua", contou Pae Dávalos, um chacobo. A morte de Bose deixou Buca transtornado. E deve também deve ter entristecido o professor de chacobo Here Ortiz Soria, que estava tentando arrecadar fundos para registrar a história e a língua dos pacahuaras. Soria, cuja filha é casada com a segunda geração pacahuara, queria entrevistar Bose e reunir palavras na língua da tribo para ensinar as gerações mais novas. Mas a anciã pacahuara morreu antes disso, levando consigo os últimos capítulos da língua e da história da tribo.

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Com Alzheimer, Maguila é internado em hospital de São Paulo Ex-pugilista deu entrada na ala psiquiátrica do hospital e será reavaliado pelos médicos no início da próxima semana iG São Paulo | 19/01/2013 15:24:44 Futura Press

Maguila sofre de Alzheimer

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onsiderado um dos maiores boxeadores brasileiros de todos os tempos, Adilson “Maguila” Rodrigues está internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, em decorrência do Alzheimer. O ex-lutador de 54 anos foi diagnosticado com a doença em 2009. Maguila será reavaliado pela equipe médica na próxima segunda-feira e poderá até receber alta da ala psiquiátrica se melhorar. Além da perda de memória, o sergipano também apresentava uma agressividade cada vez maior. Maguila é um dos grandes pesos pesados do boxe nacional. Ele chegou a realizar duelos contra as lendas Evander Holyfield e George Foreman no fim

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dos anos 80 e começo dos anos 90, mas acabou nocauteado por ambos no segundo round. Depois de se aposentar do boxe em 2000, Maguila chegou a lançar um álbum de samba chamado “Vida de Campeão”, mas o disco não fez grande sucesso.

Análise: Qual o perigo real da ameaça terrorista no norte da África? Raffaello Pantucci Pesquisador sênior do Royal United Services Institute

Rebeldes islâmicos haviam imposto a lei islâmica no norte do Mali

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premiê britânico, David Cameron, disse recentemente que extremistas islâmicos no norte da África representam uma "ameaça grande e existencial", em reação à crise dos reféns em uma refinaria da Argélia. O episódio deixou dezenas de mortos, principalmente estrangeiros. "Será necessária uma resposta de anos, até décadas, e não de meses", afirmou Cameron. "Estamos diante de grupos extremistas islâmicos ligados à Al-Qaeda. Assim como lidamos com eles no Afeganistão e no Paquistão, precisamos nos unir para lidar com essa ameaça no norte da África."

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O grupo responsável pela tomada de reféns na refinaria de Amenas parece ter sido liderado por Mokhtar Belmokhtar, um jihadista local que foi, até o ano passado, comandante do AQIM, braço da Al-Qaeda na região africana do Magreb. Ele fundou uma facção independente que defende que a ofensiva na Argélia é uma retaliação à ação militar francesa no Mali. Mas como essa facção aparentemente tinha agentes infiltrados dentro da refinaria, parece provável que o plano de ataque do grupo tenha sido planejado há tempos e adiantado por causa do avanço francês no Mali. E foi um líder próximo a Belmokhtar, Omar Ould Hamaha, quem declarou que a resposta à intervenção da França "abriu os portões do inferno (e) uma armadilha muito mais perigosa que o Iraque, o Afeganistão ou a Somália".

Tensões e elos regionais Não chega a surpreender o fato de a facção de Belmokhtar querer atacar um alvo ocidental, dado seu histórico de sequestro de estrangeiros e de derramamento de sangue quando comandava o AQIM. Criado com o nome de Grupo Islâmico Armado (GIA), após o Exército ter anulado as eleições de 1990 na Argélia, o grupo abrigou-se em 2007 sob o manto da AL-Qaeda e virou AQIM. O GIA já havia tido ligações com ataques ao metrô de Paris, em meados dos anos 1990, e grupos norte-africanos têm histórica antipatia pelo antigo poder colonial francês na região. O que preocupa nos eventos recentes na África, porém, é que grupos violentos de semelhante retórica extremista podem ser encontrados em diversos países.

Mokhtar Belmokhtar é apontado como líder do grupo que invadiu refinaria na Argélia

Só no Mali, além da AQIM, há outros grupos e inclusive uma ramificação da AQIM, que no ano passado tomou o controle de grandes partes do norte do país, onde passou a impor a lei islâmica.

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Na Nigéria, o grupo extremista islâmico Boko Haram tem promovido uma campanha terrorista desestabilizadora e sangrenta, aproveitando-se de antigas tensões socio-econômicas locais. Na semana passada, vieram à tona relatos de que um líder do grupo teria entrado no Norte do Mali. Comandantes militares americanos há tempos advertem para uma possível conexão entre o Boko Haram, a AQIM e a Al-Qaeda na Península Arábica (braço iemenita da organização). E, a partir do Iêmen, atravessando-se o golfo de Áden, chega-se na Somália, paíssede do Al-Shabab, grupo jihadista que no ano passado alinhou-se oficialmente à Al-Qaeda. Além disso, acredita-se que combatentes do Boko Haram estejam treinando lado a lado de membros do Al-Shabab.

Agenda local Algo que é particularmente preocupante para arquitetos de defesa ocidentais é o fato de muitos desses grupos terem atraído um grande número de combatentes estrangeiros. Um exemplo é o sírio-americano Omar Hammami, que cresceu dentro do AlShabab até ser preterido pelo grupo. E a rede da AQIM se estendem até a França, a Espanha, a Itália e o Reino Unido. No recente ataque na Argélia, o governo do país disse que um canadense estava envolvido na ação extremista. Sob os olhos da Europa Ocidental forma-se um quadro assustador. Mas o risco é de exagerar essa ameaça e focar no todo, em vez de nas partes individuais. Ainda que haja elos entre os grupos islâmicos, eles não costumam operar de forma uníssona nem têm objetivos similares. Em geral, reivindicações locais se sobrepõem às internacionais, ainda que os grupos digam operar sob o guarda-chuva de uma organização internacional como a Al-Qaeda. E faz muito tempo que células ligadas à AQIM não conseguem levar a cabo um plano terrorista na Europa. Ainda que diversos planos recentes tenham sido ligados ao Al-Shabab, até o momento há poucos indícios de que eles fossem para ataques no Ocidente. A maior ameaça é para os interesses ocidentais na África - locais como a JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 37


refinaria de Amenas, que agora serão vistos como potenciais alvos de grupos buscando atenção internacional, vingança contra a França ou represália a ações ocidentais contra aliados.

Para soldados americanos, morte não escolhe gênero Guerras sem front definido colocam mulheres militares americanas mais em perigo do que nunca

Riannon Blaisdell-Black, comandante militar, em base de Mehtarlam, no Afeganistão - Foto: The New York Times

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uando Devin Snyder, 20 anos, do sul do Estado de Nova York, foi morta por uma bomba enterrada em uma estrada perto desta cidade no leste da Província de Laghman no dia 4 de junho, ela se tornou a 28 soldada americana a morrer no Afeganistão. Mulheres militares morreram em todas as guerras americanas, mas geralmente elas estavam entre a equipe de apoio, como enfermeiras e atendentes. No Afeganistão, a maioria das mulheres que morreu estava em

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situação de combate, como Snyder, apesar da proibição oficial dos militares de que mulheres assumam posições de combate.

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O mesmo tem acontecido no Iraque, onde 111 soldadas já morreram, segundo dados compilados pelo icasualties.org, uma organização independente que monitora fatalidades militares. Em ambas as guerras, 60% dessas mortes são classificados pelos militares como devido a atos hostis. Guerras sem front definido colocam as mulheres mais do que nunca em perigo, dificultando a separação entre os trabalhos de combate, que são proibidos para as mulheres, e os trabalhos de apoio, que são muitas vezes tão perigosos ou mais.

Foto de Karim Sahib/AFP/F

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Talvez a coisa mais notável sobre a morte de Snyder, no entanto, tenha sido como ninguém percebeu que havia algo incomum nisso. "Aqui fora, não há sexo masculino e sexo feminino", disse o sargento Vincent Vetterkind, um de seus companheiros de pelotão. "Nosso gênero é soldado." Enquanto ainda há um debate nos Estados Unidos sobre o papel das mulheres no serviço militar, no campo a batalha ele parece ter sido em grande parte ganho, ainda que em silêncio, com as mulheres cada vez mais correndo os mesmos riscos que os homens. "Para dizer a verdade, eu nem sequer pensei nisso", disse a líder do pelotão, a primeira tenente Riannon Blaisdell-Black, 24 anos, de Virgínia Beach, Virgínia. "Aqui fora nós vemos sexo, não vemos raça”. Blaisdell-Black, cujo Terceiro Pelotão da Companhia da Polícia Militar 164 chegou ao Afeganistão em abril, viu sua unidade perder um oitavo de sua força de duas bombas nos primeiros meses de sua ação. Além de Snyder, três outros PMs do Terceiro Pelotão morreram por causa da mesma bomba, junto com um civil americano. Uma bomba antes, no sexto dia de sua ação no país, feriu uma das outras mulheres e dois homens também. "Havia cinco de nós, compartilhando a mesma barraca", disse Blaisdell-Black, falando sobre a tenda na qual normalmente dormem oito soldados. "Agora há três."

Histórico De famílila militar, Snyder foi atleta no colégio em Cohocton, Nova York. Seu pai foi da Marinha e sua irmã seguiu seus passos, enquanto um irmão optou pelo exército. Ela se alistou logo após se formar, escolhendo a polícia militar, porque, como um de seus companheiros de pelotão disse: "Nós temos as melhores e maiores armas”. Com tatuagens nos braços, Snyder brincava sobre se tornar uma modelo de tatuagens e também manifestou interesse em se tornar analista nas operações psicológicas dos militares. Sua pontuação de aptidão física, muitas vezes ultrapassava os 300 que equivalem a perfeição no Exército, e ela estava determinada a ser promovida a sargenta– uma honra concedida a ela postumamente. Ao mesmo tempo, quando alocada na guerra ela carregava um canivete e fita adesiva rosas, e na base de sua unidade em Fort Richardson, Alasca, ela também tinha uma caminhonete rosa. "Ela definitivamente tinha o seu lado feminino", disse Blaisdell-Black. "Mesmo as tatuagens dela eram todas de flores e coisas femininas". A polícia militar é uma opção de trabalho comum para as mulheres que querem entrar em combate, mas não a única. Hoje em dia, apenas algumas unidades de combate na infantaria e algumas posições especiais são restritas para as JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 41


mulheres - embora mesmo nessas situações elas possam entrar em combate como médicas ou especialistas em logística de combate. O batalhão de infantaria que ao qual o Terceiro Pelotão foi anexado aqui, o Primeiro Batalhão do 133 Regimento, tem 40 mulheres entre os seus cerca de 600 soldados. "Para o soldado comum, quem está em uma missão não faz diferença", disse o comandante do batalhão, o tenente-coronel Steven Kremer. "O que importa é se a pessoa à minha direita ou esquerda sabe atirar. Eu tenho que dizer que as mulheres no meu batalhão são absolutamente incríveis”. Blaisdell-Black disse: "Realmente, a única vez em que é um problema é quando você está fora em uma patrulha de três dias, e precisa encontrar um lugar para fazer xixi”. O Exército tem uma solução até mesmo para isso, um dispositivo que permite que as mulheres urinem de pé. Na noite anterior ao ataque que matou Snyder e seus companheiros, Shakira Lamb, a médica do pelotão, teve um sonho. "Alguém entrou na minha barraca coberto em sangue e pedaços”, ela disse. Quando a equipe saiu na manhã seguinte, "eu sabia que algo estava para acontecer", disse Lamb. Eles estavam indo para uma sessão de aconselhamento em uma estação da polícia afegã em Alingar e teriam de passar por um cruzamento na Rota Iowa através da aldeia de Khandah, onde no sexto dia do pelotão no Afeganistão três de seus membros haviam sido feridos por uma bomba. Uma bomba enterrada no mesmo local explodiu sob o primeiro veículo na frente de Lamb, com tal força que a explosão matou três dos quatro soldados dentro instantaneamente, entre eles estava Snyder. O soldado Robert L. Voakes Jr. viveu o suficiente para ser retirado por um helicóptero medico, mas morreu pouco depois. "É provável que eles não tenham sentido nada, nem sequer percebido o que aconteceu", disse o líder do esquadrão, o sargento Jonathan Enlow. Lamb afirmou: "Não havia muito que eu pudesse fazer por eles e isso foi difícil para mim. Bell parecia surpreso. Voakes estava igual sempre. Snyder, eu podia ver seus olhos, e seu sorriso”. Quatro dias depois, Blaisdell-Black disse, outro pelotão passou pela mesma rota, na mesma missão. "Todos estão realmente determinados a continuar", disse Enlow. "Embora seja difícil perder nossos camaradas, mas não é como se sua morte foi em vão”. *Por Rod Nordland JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 42


Pesquisadores revelam a verdade por trás do mito do El Dorado Jago Cooper Curador, Américas, British Museum

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ara arqueólogos, mito do El Dorado teria sido mal interpretado

O sonho de encontrar El Dorado, uma mítica cidade de ouro perdida na selva sul-americana, levou muitos conquistadores a se aventurarem, inutilmente, por florestas e montanhas. Séculos depois, estudos arqueológicos revelam que "O Dourado" não era um lugar, e, sim, uma pessoa. A chegada de Colombo à América, no ano de 1492, foi o primeiro capítulo de um choque de culturas que transformou o mundo, um embate brutal entre estilos de vida e crenças completamente opostos. O mito europeu inspirado em El Dorado, o de uma cidade perdida, feita de ouro, à espera de ser descoberta por conquistadores aventureiros, condensa a sede infinita dos europeus pelo ouro e sua determinação em explorar financeiramente os novos territórios. A versão sul-americana do mito, por outro lado, revela a verdadeira natureza deste território e dos povos que ali viviam. Para eles, El Dorado não era um lugar, mas um líder tão rico que se cobria de pó de ouro da cabeça aos pés todas as manhãs, e se lavava em um lago sagrado todas as noites. Nos últimos anos, com base em textos históricos e pesquisas arqueológicas, especialistas desvendaram a verdadeira história por trás desses mitos.

Rito de Passagem No âmago dessa história está um ritual, uma cerimônia realizada pelo povo muisca, que desde o ano 800 DC habita a região central da Colômbia. Vários cronistas espanhóis que chegaram a essa região no início do século 16 escreveram sobre a cerimônia do Dourado. Um dos melhores relatos foi feito por Juan Rodrigues Freyle. No livro de Freyle, La conquista y descubrimiento del reino de la Nueva Granada, publicado em 1636, ele nos conta que quando um governante do povo muisca morria, iniciava-se um processo de sucessão. O novo líder escolhido, normalmente um sobrinho do governante anterior, passava por um longo processo de iniciação. O clímax desse processo era uma cerimônia em que o novo líder, em cima de uma jangada, entrava em um lago JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 43


tido como sagrado - como, por exemplo, o lago Guatavita, na Colômbia Central.

El Dorado seria uma mítica cidade de ouro perdida na selva

Rodeado por quatro sacerdotes enfeitados com penas, coroas de ouro e ornamentos, o líder - nu e coberto apenas por pó de ouro - entrava no lago para oferecer aos deuses objetos de ouro, esmeraldas e outras preciosidades, que ele jogava no lago. As margens do lago circular ficavam repletas de espectadores ricamente enfeitados, tocando instrumentos musicais. Fogueiras queimavam, quase bloqueando a luz do dia. A jangada também levava quatro queimadores de incenso que jogavam nuvens de fumaça para o céu. Quando a embarcação chegava ao centro do lago, um dos sacerdotes erguia uma bandeira para pedir silêncio à multidão. Isso marcava o momento em que o povo reunido em torno do lago prometia lealdade ao novo líder, emitindo gritos de aprovação. É fascinante que muitos aspectos desta interpretação dos eventos históricos foram confirmados por meticulosas pesquisas arqueológicas - pesquisas que também revelam o excepcional volume e habilidade na produção de ouro na Colômbia no período em que os europeus chegaram, por volta de 1537.

Espiritualidade O ouro da sociedade muisca - mais especificamente, uma liga contendo ouro, JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 44


prata e cobre chamada tumbaga - era altamente procurado, não por seu valor material, mas por seu poder espiritual, sua conexão com divindades e sua capacidade de trazer equilíbrio e harmonia para a sociedade muisca. Como explica Enrique Gonzalez - descendente dessa etnia -, para seu povo, o ouro não simboliza prosperidade. "Para os muisca hoje, assim como para nossos ancestrais, o ouro não era nada mais do que uma oferenda", disse. "O ouro não representa riqueza para nós". Pesquisas recentes feitas por Maria Alicia Uribe Villegas, do Museo Del Oro, em Bogotá, e Marcos Martinon-Torres, do UCL Institute of Archaeology, em Londres, mostram que na sociedade muisca esses objetos de "ouro" eram feitos especificamente como oferendas para os deuses, para incentivá-los a promover o equilíbrio do cosmos e assegurar um relacionamento estável entre o povo e seu meio ambiente. Outro arqueólogo, Roberto Lleras Perez, especialista em crenças e ourivesaria muisca, disse que as técnicas de criação e o uso que os muisca faziam dos metais eram únicos na América do Sul. "Nenhuma outra sociedade, até onde eu sei, dedicava mais de 50% de sua produção a oferendas comemorativas. Acho que isso é algo único", ele disse. Os objetos de ouro, como a coleção de tunjos (oferendas, em sua maioria, figuras antropomórficas achatadas) expostos digitalmente no British Museum, foram feitos a partir de modelos de cera. A técnica consiste em criar-se moldes de barro a partir de delicados modelos de cera que depois são derretidos. Os moldes são então usados para a criação de objetos de ouro. Uma vez que todos os objetos de ouro em cada oferenda tinham a mesma composição química e técnicas de manufatura, os especialistas concluíram que esses artefatos eram produzidos especificamente como oferendas e talvez tenham sido fabricados horas ou dias antes de ser ofertados. Em 1969, três moradores de um vilarejo ao sul de Bogotá encontraram, dentro de uma caverna, uma jangada de ouro com uma gravura mostrando exatamente a cena descrita por Greyle: um homem coberto de ouro partindo em direção a um lago sagrado. Esta é a verdadeira história de El Dorado. A forma como essa história foi sendo transformada para dar origem ao mito de uma cidade de ouro revela o valor que esse metal tinha para os conquistadores europeus, como fonte de riqueza material. Eles tinham pouca compreensão do valor real do ouro para a sociedade muisca. E ficaram fascinados simplesmente ao imaginar quanto ouro não teria sido jogado nas águas profundas do lago e enterrado em outros locais sagrados na Colômbia.

EM BUSCA DA TERRA DO OURO JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 45


800 D.C. A cultura muisca começou a florescer na região onde hoje está a Colômbia Central. Essa sociedade foi uma entre muitas a desenvolver técnicas excepcionais de ourivesaria na América do Sul pré-Colombiana 1532 Francisco Pizarro chega ao Peru para iniciar a primeira de três tentativas de conquistar o povo inca e colonizara América do Sul, armazenando grandes quantidades de ouro nesse processo 1537 Jimenez de Quesada explora o território muisca pela primeira vez 1541 Francisco de Orellana é o primeiro europeu a viajar pelo Amazonas em toda a extensão, segundo relatos, motivado pela busca de El Dorado 1594 Walter Raleigh faz a primeira de duas expedições em busca de El Dorado. Na segunda delas, acompanhado por seu filho Watt, que morreu durante a aventura, em 1617 1772 O cientista Alexander von Humboldt e a botânica Aimé Bonpland viajam para a América do Sul para, de uma vez por todas, colocar um fim ao mito de El Dorado Eles retornam à Europa para disseminar sua conclusão, de que El Dorado não passou de um sonho dos primeiros conquistadores

Fonte: Leonora Duncan, British Museum E foram histórias como essas que, em 1537, levaram o conquistador espanhol Jimenez de Quesada e seu exército de 800 homens a partirem em uma rota terrestre que cruzava o Peru e subia, pelos Andes, à procura da terra habitada pelo povo muisca. Quesada e seus homens foram atraídos para territórios cada vez mais inóspitos e desconhecidos, onde muitos morreram. Mas o que encontraram os deixou atônitos. As técnicas de ourivesaria dos muisca eram diferentes de tudo o que os espanhóis conheciam. Os olhos europeus jamais haviam visto objetos de ouro tão deslumbrantes.

Século 21 Tragicamente, a busca desesperada por ouro continua viva na Colômbia. Arqueólogos que trabalham em instituições de pesquisa como o Museo del Oro, em Bogotá, lutam contra uma maré crescente de roubos. Assim como os conquistadores europeus no século 16, os saqueadores modernos continuam a roubar o passado da América do Sul, privando a todos nós das histórias fascinantes por trás de cada um desses artefatos. JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 46


A quantidade de ouro descoberta pelos saqueadores continua a impressionar. Na década de 1970, quando novos sítios arqueológicos foram encontrados por caçadores de ouro no norte da Colômbia, houve uma quebra no mercado mundial do ouro. Ao longo dos séculos, este saqueamento, inspirado no mito de El Dorado, resultou na destruição da maioria dos preciosos artefatos de ouro précolombianos, que foram derretidos. O valor real dos objetos, as pistas que poderiam oferecer sobre uma cultura antiga, estão perdidos para sempre. Felizmente, no entanto, coleções de artefatos que sobreviveram hoje fazem parte dos acervos do Museo del Oro, em Bogotá, e British Museum, em Londres.

Itamaraty dá mais 4 passaportes diplomáticos a líderes evangélicos R. R. Soares foi um dos contemplados com a nova concessão de passaportes diplomáticos Foto: Futura Press

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Ministério das Relações Exteriores concedeu passaportes diplomáticos a mais quatro “líderes evangélicos”, publicou nesta quarta-feira o Diário Oficial da União. Assinadas pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, as portarias referem-se a pedidos de outubro e dezembro de 2012 de membros da Igreja Internacional da Graça de Deus e da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. O argumento do Itamaraty é que o documento foi concedido em "caráter de excepcionalidade", o mesmo do usado, há dois dias, para conceder o benefício a “líderes da Igreja Mundial do Poder de Deus”. Pela primeira portaria, receberão passaportes diplomáticos Romildo Ribeiro Soares, conhecido como R. R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, e sua mulher, Maria Magdalena Bezerra Soares. A segunda se refere a Samuel Cássio Ferreira e a Keila Campos Costa, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Na segunda-feira, já havia sido contemplado Valdemiro Santiago de Oliveira e Franciléia de Castro Gomes de Oliveira, da Igreja Mundial do Poder de Deus. O Itamaraty afirmou nesta quarta-feira que a concessão está dentro da lei. Pelas regras, segundo a pasta, é possível autorizar até dois passaportes por JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 47


ordem religiosa quando ela tem atividades no exterior. Os interessados na obtenção do passaporte diplomático devem encaminhar "solicitação formal e fundamentada". No caso dos líderes da Igreja Internacional da Graça de Deus e da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, eles alegaram "continuidade do trabalho no exterior". O Itamaraty informou ainda que nem todos os aeroportos do mundo fazem distinção entre os detentores de passaporte diplomático e comum. Em geral, os que detêm passaporte diplomático têm direito a uma fila especial e são submetidos a regras específicas para a concessão de visto, mas há exceções. De acordo com o ministério, quem tem passaporte diplomático é submetido às mesmas regras dos demais viajantes no que se refere aos tratamentos na Polícia Federal e na Receita Federal. Desde 2011, os que recebem passaporte diplomático têm o nome e o pedido publicados no Diário Oficial da União. As regras para a concessão do documento são definidas no Decreto 5.978, de 4 de dezembro de 2006. O texto detalha condições para concessão de passaportes diplomático, oficial, comum e de emergência. O artigo 6º do decreto relaciona as pessoas que têm direito ao documento, entre elas estão o presidente da República, o vice-presidente, ex-presidentes, ministros, governadores, diplomatas, militares, parlamentares e magistrados de tribunais superiores. Porém, o mesmo artigo, no terceiro parágrafo, permite a emissão do documento "às pessoas que, embora não relacionadas nos incisos do artigo, ‘devam portá-lo em função do interesse do País".

Ministra diz que evangélicos querem acabar com religiões africanas

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ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse nesta segunda-feira que os ataques às religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. 'O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos que têm acontecido. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Nós consideramos que isso chegou em um ponto insuportável e que não se trata apenas de uma disputa religiosa, mas, evidentemente, uma disputa por valores civilizatórios', disse ao chegar ao ato lembrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. O número denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência cresceu mais de sete vezes em 2012, quando comparada com a estatística de 2011, saindo de 15 para 109 casos registrados. Para a ministra, os ataques são motivados principalmente por alguns grupos

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evangélicos. 'Alguns setores, especialmente evangélicos pentecostais, gostariam que essas manifestações africanas desaparecessem totalmente da sociedade brasileira, o que certamente não ocorrerá', disse Luíza, que acrescentou que esta semana deverá ser anunciado um plano de apoio às comunidades de matriz africana. 'Nós queremos fazer com que essas comunidades também sejam beneficiadas pelas políticas públicas', completou. No ato promovido pela prefeitura paulistana foi lançada a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Segundo o prefeito, Fernando Haddad, a celebração é uma forma de fazer com que as pessoas que ainda têm preconceito contra as religiões afrobrasileiras reflitam sobre a importância da tolerância. 'Eu penso que a expressiva maioria dos moradores de São Paulo abraça essa causa de convivência pacífica, tranquila, com respeito e a tolerância devida ao semelhante. Agora, existe uma pequena minoria para qual o recado aqui é dado: que há uma grande maioria que quer viver tranquilamente', disse. O recado da tolerância também está sendo promovido pelo grupo multirreligioso Paulistanos pela Paz, que há 8 anos atua para conscientizar principalmente a juventude. 'Nós estamos coordenando visitas a escolas, faculdades para dar palestras, seminários, para trazer esse questionamento à tona. Porque a intolerância brota da incapacidade de conviver com o diferente', disse o Reverendo Mahesh, coordenador do grupo e representante do Hinduísmo Hare Krishna.

Alegoria do Orisa Sango

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Membro do Centro Cultural Ilê-Ifa, o maestro Roberto Casemiro, também defendeu a atuação com a juventude como forma de combater o preconceito. Na opinião de Casemiro, para muitos jovens, em especial os envolvidos em grupos que promovem o ódio, como os skinheads, falta conhecimento e falta cultura. 'E quem não tem nem conhecimento, nem cultura, não tem respeito'. Evangélico de confissão luterana, o pastor Carlos Mussukopf, acredita que a melhor maneira de evitar o preconceito é unindo as diferentes religiões entorno de objetivos e ideias comuns. 'Devemos procurar o que nos une, o que nos unifique, o que nós temos em comum. E que a gente também saia da teoria, dos encontros de diálogo e passe para a prática. Existem tantos desafios na sociedade que nós vivemos que exigem uma ação unificada também das religiões. Vamos ver questão da população de rua, da natureza', disse.

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CAPA

São Paulo Meu Amor Parabéns 459 anos Rotieh Atsoc (JHCMídiaDigital) Fotos: Acervo JHCMídiaDigital. Letra da música de autoria de Caetano Veloso ‘Sampa.’

Alguma coisa acontece no meu coração que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João

é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi

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da dura poesia concreta de tuas esquinas

da deselegância discreta de tuas meninas

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Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução

Alguma coisa acontece no meu coração

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que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto

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chamei de mau gosto o que vi

de mau gosto, mau gosto

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é que Narciso acha feio o que não é espelho

e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho

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nada do que não era antes quando não somos mutante

E foste um difícil começo

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afasto o que não conheço

e quem vem de outro sonho feliz de cidade

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aprende de pressa a chamar-te de realidade

porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

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Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas

da força da grana que ergue e destrói coisas belas

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da feia fumaça que sobe apagando as estrelas

eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços

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tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Panaméricas de Áfricas utópicas, túmulo do samba

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mais possível novo quilombo de Zumbi

e os novos baianos passeiam na tua garoa

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e novos baianos te podem curtir numa boa.

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Non Ducor, Duco.

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Gastronomia

Por Paulo Veríssimo, da Universidade Anhembi Morumbi Professor de cozinha Regional Brasileira, Cozinha Européia e Mediterrânea, Garde Manger entre outras

Bobó de camarão

60 minutos Porções: 4 JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 79


INGREDIENTES •

450 g de camarão rosa 25/1

800 g de mandioca, descascada, cortada em toletes e retirado o fio central

50 g de pimentão vermelho

50 g de pimentão verde

80 g de tomate débora

70 g de cebola pera

06 dentes de alho roxo

90 g de azeite de dendê

50 ml de azeite de oliva

150 ml de leite de coco

pimenta de cheiro picada a gosto

sal refinado a gosto

1 ½ litro de água

Coentro fresco a gosto

MODO DE PREPARO Limpar os camarões e fazer um caldo com as cascas, cabeças e água. Cozinhar a mandioca no caldo de camarão e processar ainda quente com um pouco do caldo. Reservar. Refogar o alho esmagado no azeite de oliva, juntar a cebola grosseiramente picada, puxar os camarões até ficarem rosados, retirar somente os camarões e reservar. Refogar os pimentões e os tomates, sem pele e sem sementes, picados em cubos pequenos na panela com alho e cebola, acrescentar as folhas do coentro e cozinhar um pouco. Processar esta mistura ainda quente (ou manter sem processar), retornar ao fogo, acrescentar o leite de coco, o azeite de dendê, a mandioca processada e cozinhar mexendo até dar o ponto. Finalizar, juntando os camarões. JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 80


Arroz de coco 30 minutos Porções: 4

INGREDIENTES • • • • • •

100 g de arroz agulhinha sal a gosto 50 ml leite de coco 20 g de cebola pêra 30 g de coco ralado 200 ml de água fervente

MODO DE PREPARO Lavar e escorrer o arroz até secar. Ferver o leite de coco com a cebola picada finamente. Acrescentar o arroz, o coco ralado e o sal. Acrescentar a água fervente e cozinhar em fogo médio até o arroz estar macio e a água secar.

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Pudim de tapioca Mais de 60 minutos Porções: 4

INGREDIENTES • 55g de tapioca granulada • 250ml de leite integral • 300g de leite condensado • 100ml de leite de coco • 15g de manteiga integral sem sal • 3 ovos tipo extra • 60g de coco fresco ralado • 80g de açúcar refinado

MODO DE PREPARO Hidrate (deixe de molho) a tapioca no leite integral morno por, pelo menos, uma hora. Bata no liquidificador os ovos, a manteiga, o leite condensado, o leite de coco, a tapioca hidratada e, por último, o coco ralado. Reserve. Caramelize o açúcar em uma forma de pudim. Junte à mistura batida. Asse o pudim em banho maria , coberto com papel alumínio em forno preaquecido a 160 graus. Após 1 hora de cozimento, retire o papel alumínio e asse descoberto até corar. Sirva com baba de moça (calda feita à base de água, açúcar, leite de coco e gema). JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 82


Beleza Top 10 esmaltes mais pedidos no verão Está na dúvida na hora de escolher com que cor pintar suas unhas? Selecionamos os 10 esmaltes mais queridos do verão para ajudar na decisão Ligia Helena , iG São Paulo | 22/01/2013 05:02:00

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ue cor de esmalte é a cara do verão? Se depender da manicure Jack Cardoso, dona do nail bar Cosmopolish, em São Paulo, a resposta é uma lista: "Verde, azul, amarelo, o dourado com reflexos prata... um vermelho não pode faltar", diz. Perguntamos para Jack, para Andrea Chaves, do salão Monde K de Guarulhos, e para as manicures do salão Marcos Proença em São Paulo quais são os vidrinhos de maior sucesso na estação, e selecionamos ótimas opções para o Top 10. Confira!

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Verão é tempo de ousar, de experimentar coisas novas, e os tons de verde e azul se encaixam nesta proposta.

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

Azul clarinho 'Relax da Penélope', da Risqué, é uma aposta dambém de Andréa Chaves, do salão Mondo K, de Guarulhos.

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

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Verde 'Did It On 'Em', da O.P.I.

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

Amarelo bem intenso e quente como os dias de verão! Fica ainda mais lindo em peles morenas e negras.

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

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Escolhemos o amarelo 'Amchoor', da coleção Thakoon for NARS.

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

Para as românticas, as candy colors estão com tudo. Lilás clarinho, rosinha, verde menta....

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

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Escolhemos o lilás clarinho 'Encanto', da Eliana Super Pérola

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

Ainda na vibe candy, que tal um coral cremoso, bem feminino

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

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O nosso coral é o 'Grande Atração' da Colorama. As manicures do salão Marcos Proença indicam o '902 Coral', da Revlon

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

Pintamos com o 'Lampone', da DNA Italy

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

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Esta cor chama 'Ryca', da coleção OMG da Capricho

Foto: Alexandre Carvalho / Fotoarena

Três tratamentos estéticos para afinar a cintura antes do carnaval A solução para se livrar daqueles centímetros a mais que insistem em não ir embora pode estar em uma clínica de estética iG São Paulo | 19/01/2013 05:00:00

Thinkstock/Getty Images

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uando o verão chega, é sempre aquele correcorre para começar a malhar e a fazer dieta. Nem sempre, porém, dá para secar a silhueta só com hábitos mais saudáveis. É nessas horas que os tratamentos estéticos podem ajudar. Com

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aparelhos cada vez mais modernos, eles ajudam a dar fim àquela desagradável gordura localizada. Confira três opções para deixar para trás os quilinhos que ainda incomodam. Massagens vigorosas, loções termogênicas, ultrassom e laser estão entre os tratamentos que prometem resultados rápidos.

Tratamento redutor modelador Após uma higienização com loção antisséptica facial e corporal, começa uma esfoliação, que segue para uma massagem de movimentos circulares com uma loção termogênica e a aplicação de um gel corporal com o auxílio de um aparelho ultrassom. Depois, já na fase final, uma massagem modeladora com um creme redutor somado a uma manta térmica é feita pela esteticista, que encerra com a aplicação de um produto para combater a flacidez. “O tratamento promove a perda de gordura, pois as massagens são associadas a dermocosméticos que contêm ativos como cafeína, que possui ação drenante e alivia a retenção de líquidos. Além disso, há ação lipolítica, ou seja, a quebra de gordura dessas células”, afirma Kleire Rocha, esteticista e cosmetóloga especialista em estética facial e corporal da Clinica de Estética I-Mezzo Vila Mariana. A especialista revela que, já na primeira sessão, dá para ver a perda de medidas, mas que é necessário manter hábitos saudáveis para garantir o resultado “Além da alimentação correta e de um programa de atividade física para acelerar o metabolismo, recomenda-se cuidados em casa como, antes dos exercícios físicos, aplicar um gel termogênico”, diz. Ela salienta ainda que não há como fazer estimativa do quanto cada um vai perder com o tratamento, pois isso varia muito de paciente para paciente, exatamente pelo que se faz após deixar a clínica. O intervalo entre uma sessão e outra deve ser de, no mínimo, um dia, e Kleire afirma que “os tratamentos estéticos, de uma forma em geral, deveriam ser incluídos na rotina das pessoas como a atividade física”. O valor médio de cada sessão é R$ 80.

Massagem Turbinada Ao unir lipoescultura manual, massagem modeladora, drenagem com rolo de amassamento e sucção, proporciona redução da gordura localizada e da celulite já nas primeiras sessões, afirma Vanessa Garcia do Nascimento, fisioterapeuta dermato funcional. A especialista conta que as manobras de massagem estimulam o aumento da circulação e aceleram o metabolismo, e JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 90


isso ajuda na quebra da gordura localizada. Vanessa avisa que é importante que haja disciplina para que o tratamento dê certo: alimentação correta, atividade física, comprometimento e cremes auxiliares (a serem indicados pelo especialista) são indispensáveis. “Assim, é possível que, a partir da quinta sessão, seja observada uma melhora significativa no contorno corporal”, fala. E dá uma ideia de quanto é possível perder, ainda que não existam garantias. “Os resultados dependem de um conjunto de fatores, no entanto, em cada sessão, é possível diminuir de1 a1,5 cm.” O intervalo entre cada sessão da massagem turbinada deve ser de, no mínimo, um dia, para que dê tempo de o organismo se adaptar ao novo metabolismo e à ação dos dermocosméticos. O preço médio da sessão avulsa é de R$ 120, na Clínica Zahra, de Moema.

Laserlipolise Por meio de um aparelho, o laser age derretendo a gordura, que é aspirada. É preciso apenas uma sessão para notar a perda das primeiras medidas, segundo o cirurgião plástico Maurício Albuquerque. “O procedimento faz a modelação corporal quando o médico insere uma cânula de um milímetro de diâmetro que aciona o laser, que, por sua vez, realiza um procedimento de tração, enquanto estimula o colágeno da pele”, diz o médico. Drenagem linfática, por ajudar na retirada da gordura e diminuir a retenção de água; radiofrequência, por auxiliar no estímulo do colágeno para melhora da flacidez, além de dieta equilibrada associada a exercícios físicos regulares são, de acordo com Albuquerque, excelentes aliados para potencializar, acelerar e manter os resultados da Laserlipolise. Não é possível dizer o quanto se pode eliminar com o tratamento: “O indivíduo reage de uma maneira mais ou menos rápida, porém, os hábitos de vida são fatores que podem interferir de modo positivo ou não no tratamento”, diz Albuquerque. Para que o organismo tenha tempo de mobilizar e metabolizar a gordura o cirurgião aconselha um intervalo de quatro a seis meses para repetir o processo na mesma região. Apesar de o tratamento ser invasivo, a recuperação, por causa da ação seletiva do laser, costuma ser rápida, permitindo o retorno às atividades rotineiras em poucos dias. Já o preço do tratamento varia de clínica para clínica.

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Esporte Na volta à classe Laser, Robert Scheidt fatura o seu 12º brasileiro da categoria Velejador bicampeão olímpico venceu duelo acirrado contra Bruno Fontes e ficou novamente com o caneco nacional iG São Paulo | 24/01/2013 14:39:25

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o retorno à classe Laser, Robert Scheidt conquistou seu 12º título brasileiro da categoria após o cancelamento das regatas desta quarta-feira, último dia de disputa no Rio Guaíba, próximo ao Clube Veleiros do Sul, em Porto Alegre (RS). Bruno Fontes ficou com a medalha de prata, seguido por Matheus Dellagnelo.

Robert Scheidt faturou o seu 12º título brasileiro da classe laser Foto: JHCMídiaDigital

Scheidt e Bruno Fontes travaram duelos acirrados, se revezando na primeira posição das regatas. A liderança da competição só foi definida na terça, quando Scheidt venceu as duas disputas do dia, superando o desgaste de um dia de ventos fracos, que obrigou os competidores a ficarem mais tempo dentro d'água, esperando a mudança climática. JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 92


Scheidt destacou que o duelo particular com Bruno Fontes, representante brasileiro da classe nos Jogos de Londres, exigiu um maior esforço dele e se transformou num estímulo a mais para vencer. "Cometi alguns erros e as regatas foram decididas nos detalhes. A superação das dificuldades valorizou ainda mais este título", afirmou o medalhista olímpico. "Estou feliz por começar o ano com esta vitória e saber que ainda velejo dentro do mesmo nível alto de quando deixei a classe", avaliou Robert. O velejador competiu pela Star ao lado de Bruno Prada nos últimos oito anos, conquistando o inédito tricampeonato mundial da classe e duas medalhas olímpicas: prata em Pequim/08 e bronze em Londres/12. Em setembro do ano passado, retornou à Laser e não deixou mais o topo do pódio: venceu o Campeonato Italiano de Classes Olímpicas, em setembro, e dominou a primeira etapa do Paulista da Classe, em dezembro, até desistir da disputa para treinar no Rio de Janeiro. Em sua primeira competição nacional na volta à antiga classe, Scheidt considerou que a Laser continua muito forte no Brasil. "Neste Brasileiro não havia muitos estrangeiros, com exceção dos argentinos. Mas o nível da classe se mantém alto", disse o velejador. Veja o resultado final após oito regatas e dois descartes: 1 - Robert Scheidt - 7 pontos perdidos (1+[2]+1+[2]+ 1+2+1+1) 2- Bruno Fontes - 9 pp ([2]+1+2+1+ 2+1+2+[3]) 3- Matheus Dellagnelo - 17 pp ([4]+3+3+3+3+[4]+3+2) 4- Andre Streppel - 31 pp (3+9+5+[10]+[10]+5+4+5) 5- Juan Pablo Bisio (ARG) - 35 pp ([10]+4+7+4+7+3+[10]+10)

Aos 39 anos, Scheidt afirma ter "lenha para queimar" em seu retorno à Laser Em entrevista ao jornal Marca Brasil, velejador diz que viu a volta para a classe pela qual se consagrou como melhor alternativa para disputar Jogos do Rio Robert Scheidt: maior medalhista olímpico brasileiro (foto: JHCMídiaDigital)

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Maior medalhista olímpico do Brasil, o velejador Robert Scheidt não só prolonga a carreira como decidiu mudar de categoria. Após quase uma década competindo ao lado de Bruno Prada na classe Star, voltou para a Laser. Em entrevista ao jornal Marca Brasil , o atleta de 39 anos afirmou que pretende aumentar sua coleção de medalhas em 2016, nos Jogos do Rio de Janeiro, e que a idade não será um peso na busca pelo objetivo. Robert Scheidt vai conquistar mais uma medalha olímpica em 2016? Comente “Tenho lenha para queimar, treinar, fazer toda a preparação. Ainda curto isso. Vou tentar achar esse caminho. Mas a aposentadoria é algo natural. Tudo na vida tem um começo, meio e fim. Eu estou continuando porque acho que até 2016 é plausível. Depois, saio da vela olímpica. Acho que vou para as regatas oceânicas ou trabalhar como treinador. Antes disso, quero curtir o momento. Estou fazendo o que gosto e curtindo isso”, afirmou Scheidt. Ele justificou a volta para a Laser alegando que seria uma opção mais simples de retomada de uma campanha olímpica para 2016 pela bagagem que tem nesta classe. Afinal de contas, foi nela que disputou as três primeiras Olimpíadas da carreira, nas quais conquistou dois ouros e uma prata. Apesar do histórico vencedor e da vontade de disputar as Olimpíadas mais uma vez, Scheidt disse que só continuará competindo se sentir que está em alto nível. “Não vou dar muito murro em ponta de faca se não for competitivo. Não sei se tenho potencial para ganhar tudo o que ganhava antes. Aquela dominação certamente não terei, mas acho que vou poder brigar. Se sentir que não sou capaz, vou para outra”, declarou.

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Política Oposição entra com ação no Supremo contra MP do Orçamento Reportagem – Marcello Larcher e Janary Júnior

Edição – Marcelo Oliveira 'Agência Câmara Notícias' Foto: jhcMídiaDigital Caiado: MP ignora a prerrogativa do Congresso de aprovar o Orçamento.

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DEM e o PSDB entraram nesta terça-feira (22), no Supremo Tribunal Federal (STF), com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra a Medida Provisória 598/12, que abre créditos no valor total de R$ 65,3 bilhões para investimentos de diversos órgãos públicos. A MP foi editada nos últimos dias de dezembro porque o Congresso encerrou o ano sem votar o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2013. Os partidos pediram na ADI que seja concedida medida cautelar, uma vez que a MP tem efeito imediato; a decisão poderá sair por liminar nos próximos dias. “A MP foi apresentada para dar a aparência de que haverá investimentos, mas fere a Constituição ao destituir do Congresso a prerrogativa de aprovação do Orçamento”, disse o deputado Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM, ao explicar a ação.

Requisitos Por sua vez, o novo líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), afirmou que os requisitos de urgência para a edição de MPs não foram respeitados. “Já temos uma data para a votação do Orçamento, dia 5 de fevereiro, e há regras para gastos do governo até lá”, comentou. JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 95


A oposição tem como certa a declaração de inconstitucionalidade da MP 598 com base em decisões anteriores. Em 2007, no julgamento da ADI 4048, a Corte derrubou a MP 405/07 por entender que ela não atendia ao critério de imprevisibilidade da despesa. Segundo a Constituição, créditos extraordinários ao Orçamento podem ser editados por MP somente no caso de despesas urgentes e imprevisíveis, como na hipótese de uma guerra ou calamidade pública. A MP 405/07 liberava R$ 5,4 bilhões para órgãos do Executivo e para a Justiça Eleitoral. "Tanto os investimentos como as despesas ordinárias não são imprevisíveis e, portanto, jamais poderiam ser tratados por meio de uma medida provisória. Na verdade, o governo federal, mais uma vez, tenta usurpar, retirar o poder constitucional do Congresso de aprovar o Orçamento da União", declarou

Sampaio.

Investimentos A MP 598 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 27 de dezembro do ano passado. O Executivo explicou que a edição foi necessária porque o Congresso não aprovou a proposta orçamentária de 2013 (PLN 24/12) e 18 projetos de crédito adicional que tramitavam na Comissão Mista de Orçamento. Conforme a exposição de motivos da MP, sem o crédito extraordinário haveria “risco iminente de interrupção de diversas ações que se encontram em andamento, imprescindíveis e prioritárias ao desenvolvimento de programas de governo [como obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)]”, a cargo dos ministérios e das empresas estatais. O foco da MP são os investimentos e as inversões financeiras, que não podem JHC Mídia Digital - Edição 017 Ano 2013 96


ser executados na ausência de lei orçamentária, segundo a LDO. Quase 97% dos recursos (R$ 63,1 bilhões) são destinados para essas ações – o restante é para custeio e pessoal. Quando o Orçamento não é aprovado pelo Congresso, como ocorreu no final de 2012, o governo pode liberar despesas na proporção mensal de 1/12 do Orçamento previsto para o ano, de forma a cumprir compromissos, mas não para novos investimentos. Para isso, há gastos de anos anteriores que podem continuar sendo pagos; eles ficam inscritos em uma espécie de orçamento à parte, conhecido como restos a pagar.

Inconstitucionalidade A ação impetrada nesta terça-feira pelos partidos cita a nota técnica que foi elaborada pela Consultoria de Orçamento da Câmara para embasar o trabalho do relator da matéria, ainda não escolhido, na Comissão de Orçamento. Na avaliação da consultoria, a MP tem problemas de ordem jurídica e fiscal. Na esfera jurídica, o texto não respeitaria o critério de imprevisibilidade da despesa determinado pela Constituição (artigo 167, parágrafo 3º) para a abertura de crédito extraordinário. De acordo com a nota, a medida provisória destina recursos a ações que poderiam ser adiadas até a aprovação do Orçamento de 2013 ou teriam sua continuidade garantida pelos restos a pagar, dispensando a abertura do crédito extraordinário. Como exemplo, o estudo afirma que a MP destina R$ 36,8 bilhões para ações do orçamento fiscal e da seguridade que já possuem execução em anos anteriores. Segundo levantamento da consultoria, o potencial de restos a pagar para essas mesmas ações beira os R$ 50 bilhões. Ou seja, o governo estaria liberando por MP um volume inferior ao que terá direito em restos a pagar, que não precisam de autorização do Congresso. Ainda no campo jurídico, de acordo com o documento, a MP afronta a LDO, que não permite a liberação de recursos para investimentos na ausência de lei orçamentária sancionada.

Problema fiscal A nota técnica aponta também que a MP 598 destina R$ 9,4 bilhões para ações do orçamento fiscal e da seguridade que foram contempladas com R$ 42,5 bilhões na proposta orçamentária que irá a votação no Congresso em fevereiro. Essa duplicidade de autorizações (MP e Orçamento) vai exigir do Congresso medidas saneadoras, sob pena de elevar as despesas primárias, o que comprometeria o resultado fiscal do ano e geraria mais pressão sobre o contingenciamento que será anunciado após a sanção da lei orçamentária.

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Medida provisória amplia benefícios para famílias atingidas pela seca Diógenis Santos Reportagem – Janary Júnior Edição – Newton Araújo 'Agência Câmara Notícias

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P beneficiará agricultores da área de atuação da Sudene (estados do NE, Vale do Jequitinhonha e Norte do ES).

O governo enviou ao Congresso a Medida Provisória 603/13, que amplia a liberação de recursos para atender as famílias que foram atingidas pela seca no ano passado. De acordo com o texto, os beneficiários do Fundo GarantiaSafra receberão mais R$ 280, totalizando R$ 1.240 na safra 2011/2012. Os recursos destinam-se a agricultores da área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) que tiveram perda de pelo menos 50% da safra. O dinheiro será liberado em quatro parcelas mensais para os 768,3 mil produtores cadastrados no fundo. A Sudene abrange os nove estados do Nordeste, além de municípios do Vale de Jequitinhonha, em Minas Gerais, e do norte do Espírito Santo. A nova MP já repercutiu entre os deputados.

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Agravamento da seca O valor original do Garantia-Safra, para a colheita de 2011/2012, era de R$ 680. O agravamento dos efeitos da seca na região do semiárido brasileiro levou o Executivo a editar a Medida Provisória 587/12, que tramita em comissão mista, elevando o benefício em R$ 280. Agora, a MP 603 faz novo aporte ao fundo, no mesmo valor. A MP também aumenta os recursos para as 880,7 mil famílias beneficiadas pelo Auxílio Emergencial Financeiro, a chamada Bolsa Estiagem. Elas vão receber R$ 360, o dobro do que foi proposto pela MP 587. Com isso, o valor total que cada família receberá, para a seca ocorrida no ano passado, será de R$ 720. O Auxílio Emergencial Financeiro, criado pela Lei 10.954/04, destina-se a socorrer famílias com renda mensal média de até dois salários mínimos, nos municípios em estado de calamidade pública ou situação de emergência, reconhecidos pelo Executivo federal.

Leilão de milho A MP 603 autoriza ainda a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a comprar até 300 mil toneladas de milho em grãos. O produto será adquirido em leilão, pelo preço de mercado, e vendido diretamente para pequenos criadores de animais, como aves e suínos, da área de atuação da Sudene. Os ministérios da Fazenda, Agricultura e Planejamento vão definir a quantidade mensal de milho a ser adquirido, a metodologia utilizada nos leilões de aquisição, e os limites e condições da venda do grão. De acordo com o Executivo, a compra destina-se à recomposição dos estoques públicos de milho, que foram reduzidos após as vendas realizadas pela Conab no ano passado para atender produtores do semiárido e da região Sul atingidos pela seca.

Impacto De acordo com o Executivo, a compra do milho vai gerar um gasto adicional de R$ 198 milhões. Já a ampliação do Garantia-Safra e do Auxílio Emergencial provocará uma despesa de R$ 359,6 milhões. Os valores deverão ser absorvidos pelo Orçamento de 2013. O Executivo vai editar uma medida provisória de crédito extraordinário para liberar os recursos.

Tramitação A MP será analisada por comissão mista (deputados e senadores). Depois, será votada pelo Plenário da Câmara. A partir de 21 de março a proposta começa a trancar a pauta da Casa em que estiver tramitando.

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