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ANO LVII

| N º 658 | DEZEMBRO 2016 | KISLEV 5777

Férias é na Hebraica


HEBRAICA

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palavra do presidente

O mundo nos extremos Nos últimos dias uma parte do mundo foi surpreendida com a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Conhecido por discursos polêmicos e posições controvertidas deixa todos com uma grande dúvida: como, afinal, será o governo dele? Qual Trump vai governar o país? Não temos respostas, pois só o tempo dirá. O mundo está indo para os extremos, e isso não é bom sinal, mas sinal de alerta e de desespero. Parece estar de volta a era do nacionalismo que já provocou uma guerra mundial e, por isso, a vigilância sobre o bem-estar e a saúde da democracia tem de ser redobrada. Minha esperança é que o Trump que vai governar seja capaz de entender as responsabilidades do cargo e tente unir os fragmentos da nação americana em favor de um governo democrático. É preciso manter as importantes conquistas alcançadas nas últimas décadas nas questões raciais, religiosas e feministas. Tem-se a impressão de que nesse mundo tecnológico e rápido as pessoas procurem igualmente soluções rápidas e fáceis, e todos sabemos que não é tão simples, nem óbvio assim. Não podemos nos deixar embalar por promessas populistas mas entender melhor como as coisas funcionam, aprofundar o conhecimento e buscar informações para poder tomar decisões. Passada a eleição de Trump, assistiu-se a uma enxurrada de manifestações de líderes de extrema direita aproveitando-se para surfar nesta onda, principalmente na Europa, como Marine Le Pen, e outros. Essa marcha para os extremos nos faz ligar a luz amarela de um filme já assistido várias vezes com a extrema esquerda no papel principal na América Latina, e agora mudando para a direita no outro lado do mundo Essa orientação para os extremos nos Estados Unidos e Europa nos ensina que não é solução, e pode ser muito perigosa. Temos de trabalhar com dedicação para que volte a moderação, o diálogo se mantenha e que a tolerância social, religiosa e racial seja ampliada assim como os princípios democráticos fundamentais para um mundo melhor e um futuro digno para nossos filhos e netos se fortaleça. Uso o final desse texto para uma reverência pessoal ao músico e poeta Leonard Cohen, morto aos 82 anos, na segunda semana de novembro, no Canadá. Certa vez Bob Dylan disse que Cohen era o número um, e ele o número zero. Frequentou sinagogas até o fim da vida, embora tenha sido consagrado monge budista. Abandonou uma turnê na Grécia durante a Guerra de Iom Kipur, em 1973, e foi cantar para os soldados israelenses no front do Canal de Suez ao lado do general Ariel Sharon como os jornais registraram, na época. Revelou-se mais uma vez um grande judeu ao afirmar: “Não estou procurando uma nova religião. Estou bem feliz com aquela velha, o judaísmo”. Pois a voz rouca desse judeu bom e honesto vai fazer falta num mundo que avança perigosamente para os extremos. Shalom

Avi Gelberg

MINHA ESPERANÇA É QUE O

TRUMP QUE

VAI GOVERNAR SEJA CAPAZ DE ENTENDER AS RESPONSABILIDADES DO CARGO E TENTE UNIR OS FRAGMENTOS DA NAÇÃO AMERICANA EM FAVOR DE UM GOVERNO DEMOCRÁTICO


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sumário

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carta da redação

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7 dias na hebraica Acompanhe toda a programação de dezembro

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capa / verão Prepare a garotada para a estação mais aguardada do ano

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concessionários Tem novidade na área. Acompanhe as mudanças a serem implementadas

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réveillon O Departamento Social já tem tudo definido para a última festa do ano

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curtas Os melhores momentos da vida social e cultural da Hebraica

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corrida da amizade A cobertura completa do evento que tem a tolerância como tema

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comunidade Os eventos comunitários mais significativos da cidade

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fotos e fatos Os destaques do mês na Hebraica e na comunidade

entre amigas Foram três encontros ao longo do ano e o formato já é um sucesso

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festival carmel Começou a contagem regressiva para um dos maiores eventos de dança folclórica

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escola maternal A Escola Maternal já está se preparando para aumentar o número de crianças atendidas

50

fotos e fatos Os momentos mais marcantes do último mês

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xadrez O Salão Marc Chagall ficou lotado para o Campeonato Paulista de Xadrez Escolar

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natação Teve encontro, competição e confraternização em novembro

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curtas Na pauta, ginástica olímpica e muitos golpes nos tatames

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fotos e fatos Os momentos mais marcantes do último mês

FASHION KIDS AGITOU A PRAÇA CARMEL

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religião Israel planeja ampliar o fim de semana para alegria dos ortodoxos

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leituras A quantas anda o mercado das ideias?

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ensaio Uma reflexão sobre como os judeus americanos veem Israel

90

curta cultura Dicas para o leitor ficar ainda mais antenado

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memória Algumas das canções de Leonard Cohen (z’l) que vieram para ficar

106

lista Saiba quem é quem no Executivo da Hebraica

12 notícias As notícias mais quentes do universo israelense

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viagem Nosso publisher foi conferir de perto todo o exotismo do Usbequistão

80

eleições americanas Entenda o enigma Trump e as suas relações com judeus

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carta da redação

ANO LVII | Nº 658 | DEZEMBRO 2016 | KISLEV

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DIRETOR-FUNDADOR SAUL SHNAIDER (Z’l)

A Revista

PUBLISHER FLAVIO MENDES BITELMAN

Esta edição, a última do ano, é praticamente toda ela dedicada às atividades da Hebraica – passadas, presentes e futuras – o que explica a menor quantidade de textos nas suas mais variadas formas, na seção “Magazine”, a respeito do vasto e aparentemente inesgotável universo judaico em todos os campos. A ideia de fazer uma revista dentro da revista com o nome de “Magazine”, vem de longe, desde os idos dos anos 1990, na gestão de Jack Terpins, atual presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, que aceitou a sugestão de convidar o jornalista Marcos Faerman, um verdadeiro gênio, diretor de redação da revista Hebraica. Marcão, como era conhecido. E conhecido por ser um mestre da criatividade, propôs que se fizesse um “Magazine”, com os fatos e feitos dos judeus ao longo dos séculos. Ele faleceu prematuramente, em 1998, e ao assumir, dois anos depois, na gestão de Hélio Bobrow, com esta pequena, mas digna e honrada equipe, ampliei o “Magazine” usando material produzido aqui e lá fora e um conteúdo capaz de prender a atenção do leitor para o conjunto da obra pelo inédito e surpreendente. Shalom Boa leitura Bernardo Lerer – Diretor de Redação

DIRETOR DE REDAÇÃO BERNARDO LERER EDITOR-ASSISTENTE JULIO NOBRE

SECRETÁRIA DE REDAÇÃO MAGALI BOGUCHWAL REPORTAGEM TANIA PLAPLER TARANDACH TRADUÇÃO ELLEN CORDEIRO DE REZENDE

CORRESPONDENTES ARIEL FINGUERMAN, ISRAEL FOTOGRAFIA FLÁVIO M. SANTOS GUSTAVO WALDMAN

GERCHMANN (COLABORAÇÃO) CAPA DIVULGAÇÃO

DIREÇÃO DE ARTE JOSÉ VALTER LOPES DESIGNER GRÁFICO HÉLEN MESSIAS LOPES

ALEX SANDRO M. LOPES

EDITORA DUVALE RUA JERICÓ, 255, 9º - CONJ. 95

E-MAIL DUVALE@TERRA.COM.BR CEP: 05435-040

- SÃO PAULO - SP

DIRETOR PAULO SOARES DO VALLE ADMINISTRAÇÃO CARMELA SORRENTINO ARTE PUBLICITÁRIA RODRIGO SOARES DO VALLE

DEPTO. COMERCIAL SÔNIA LÉA SHNAIDER PRODUÇÃO PREVAL PRODUÇÕES

IMPRESSÃO E ACABAMENTO GRASS INDÚSTRIA GRÁFICA PUBLICIDADE TEL./FAX: 3814.4629

3815.9159

E-MAIL DUVALE@TERRA.COM.BR JORNALISTA RESPONSÁVEL BERNARDO LERER MTB 7700

calendário judaico ::

OS CONCEITOS EMITIDOS NOS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DOS SEUS AUTORES, NÃO RE-

PRESENTADO, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DE DIRETORIA

DEZEMBRO 2016 Kislev 5777

JANEIRO 2017 Tevet 5777

dom seg ter qua qui sex sáb

dom seg ter qua qui sex sáb

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DA HEBRAICA OU DE SEUS ASSOCIADOS.

A HEBRAICA É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL DA ASSOCIAÇÃO

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Primeira vela de Chanuká

“A HEBRAICA” DE 1.000, PABX: 3818.8800

BRASILEIRA

SÃO PAULO RUA HUNGRIA,

EX-PRESIDENTES LEON FEFFER (Z’l) - 1953 - 1959 | ISAAC FISCHER

(Z’l) - 1960 - 1963 | MAURÍCIO GRINBERG (Z’l) - 1964 - 1967 | JACOB KAUFFMAN (Z’l) - 1968 - 1969 | NAUM ROTENBERG 1970 - 1972 | 1976 - 1978 | BEIREL ZUKERMAN - 1973 1975 | HENRIQUE BOBROW (Z’l) - 1979 - 1981 | MARCOS ARBAITMAN - 1982 - 1984 | 1988 - 1990 | 1994 - 1996 | IRION JAKOBOWICZ (Z’l) - 1985 - 1987 | JACK LEON TERPINS 1991 - 1993 | SAMSÃO WOILER - 1997 - 1999 | HÉLIO BOBROW - 2000 - 2002 | ARTHUR ROTENBERG - 2003 - 2005 | 2009 - 2011 | PETER T. G. WEISS - 2006 - 2008 | ABRAMO DOUEK 2012-2014 | PRESIDENTE AVI GELBERG

VEJA NA PÁGINA 98 O CALENDÁRIO ANUAL

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capa | verão | por Magali Boguchwal

Férias na rua Hungria, 1000 DESDE SETEMBRO, OS PAIS ACORREM ÀS SECRETARIAS DA ESCOLA DE ESPORTES, DO CENTRO JUVENIL HEBRAIKEINU E DO ATELIÊ HEBRAICA POR TELEFONE OU PESSOALMENTE PARA SABER MAIS A RESPEITO DAS

PROGRAMAÇÕES PARA JANEIRO. NO FINAL DE NOVEMBRO, O CLUBE

COMEÇOU A DIVULGAR MATERIAL ACERCA DE TODAS AS COLÔNIAS DE FÉRIAS E HORÁRIOS DOS SERVIÇOS VOLTADOS PARA O PÚBLICO INFANTIL

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ichelle Brodskyn pretende passar parte das férias de verão na praia. Com três filhos, Hannah, 4 anos, Gabriel, 2, e Daniel, 6 meses, ela se dedica totalmente a eles e não tem, em princípio, urgência em inscrevê-los em uma colônia de férias. “Se bem que a Hannah bem que poderia frequentar a colônia do Ateliê, que funciona só à tarde”, pondera a mãe. A colônia Ateliê nas Férias é a única opção de meio período no clube. De 16 a 20 de janeiro, as crianças inscritas farão projetos diários baseados em trabalhos manuais. Betty Lindenbojm, coordenadora do Ateliê Hebraica, pesquisa muito antes de definir os cinco objetos que as crianças decorarão, usando as mais variadas técnicas artísticas. “Enquanto pintam, colam, desenham, as crianças conversam entre si, se distraem e, ao final da tarde, levam como lembrança algo feito por elas”, conta Betty. Na semana anterior de 9 a 13 de janeiro, a equipe do Ateliê trabalhará em parceria com a colônia de férias da Escola de Esportes, o que duplica a pesquisa de Betty por atividades que, além de desafiadoras, resultem em lembranças úteis para as crianças levarem para casa. A colônia de férias da Escola de Esportes começa dia 9 e os professores trabalharam duro para planejar cada dia de modo a garantir 100% de aproveitamento do tempo pelas crianças. “O Arthur frequenta as colônias de férias, em janeiro e julho, desde os 3 anos, e adora. Quanto a mim, fico tão tranquila que nem entro mais no clube para deixá-lo com o grupo. Paro na porta do clube e ele segue sozinho. Este ano, eu o inscrevi apenas na primeira semana, pois nas se>>

AS COLÔNIAS DE FÉRIAS DA ESCOLA DE ESPORTES E DO HEBRAIKEINU UTILIZAM TODA A INFRAESTRUTURA DO CLUBE


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capa |verão NA SAÍDA PARA A MACHANÉ, AS FAMÍLIAS OUVEM JUNTAS AS EXPLICAÇÕES DADAS PELOS MONITORES

>> guintes estarei de férias e aí viajaremos os dois juntos”, antecipa a mãe, que trabalha na captação de recursos. Arthur não sabe que frequenta a colônia de férias mais antiga do clube. Desde os anos 1960, o clube é uma das opções de lazer supervisionado para crianças cujas famílias ficam em São Paulo durante parte das férias escolares. Melhorando sempre Ao longo dos anos, a Escola de Esportes absorveu a colônia e estabeleceu um alto padrão que evolui sempre para combinar as necessidades infantis com os valores de cada família. Dos 3 aos 12 anos, as crianças participam de jogos, gincanas, atividades artísticas e esportivas, utilizando a infraestrutura do clube. Em um mesmo dia, a programação pode incluir horas brincando na piscina sob os cuidados dos professores e depois uma sessão de cinema com direito a pipoca. E eis que, de repente, chega o dia das saídas externas. Para a faixa etária de 3 a 6 anos estão previstos passeios ao novo Parque da Mônica, à Cidade do Livro, e “os mais velhos vão para a Kidzania, o pesqueiro Maeda. A visita ao Zoopark é para todos”, anuncia a coordenadora da Escola de Esportes, Ana Maria Portaro. Além da colônia, a Escola de Esportes organiza o Soccer Camp, dirigido aos fãs do futebol na faixa dos 7 aos 11 anos. De 19 a 23 de janeiro, a Estância Santa Mônica se tornará um centro de prática do esporte em todas as suas variações. “Os garotos jogam muito futebol, claro, mas também praticam polo aquático, futebol de botão e até pebolim. É uma verdadeira imersão no futebol”, comenta a também coordenadora da Escola de Esportes, Regina Falcade. As reservas de vagas podem ser

feitas pelos telefones 3818-8911/8912. Para as famílias que ficarem na cidade no período de 16 a 27 de janeiro, o Centro Juvenil Hebraikeinu oferece uma excelente opção para crianças de 2 a 8 anos. Por exemplo, a pequena Alice Weber, 2 anos e meio, participará da colônia de férias pela segunda vez, enquanto o irmão Arthur, de 5, já se considera um veterano entre os fãs da colônia. “O Arthur frequenta o movimento juvenil, conhece os madrichim (monitores) e algumas das crianças, o que facilita muito. Já a Alice adorou a colônia em julho e quando o Hebraikeinu retomou as atividades, em agosto, foi natural ela entrar para o Hebraikeinu Gan (2 a 4 anos). Já inscrevemos os dois”, afirmaram Lívia e Sérgio, ainda em meados de novembro. Eles aproveitam tudo o que o clube oferece para famílias com crianças na mesma faixa etária dos filhos. “Parece que vão exibir o filme Alice no País das Maravilhas

hoje, no cinema. Quando chegar a hora do cinema, vamos sair com as crianças da Brinquedoteca, comprar pipoca e nos divertir em família no Teatro Arthur Rubinstein”, planejavam, no meio da tarde chuvosa daquele domingo. Para o público de 7 a 17 anos, a proposta do Hebraikeinu é a Machané Kaitz (acampamento de verão) de 14 a 21 de janeiro no Sítio Ranieri, em São Lourenço da Serra. Ali, os madrichim aproveitam a infraestrutura completa de lazer e o descontraído ambiente rural para organizar gincanas, debates, festas e atividades sempre em torno de um tema central. Para informações da colônia de férias do Hebraikeinu, basta ligar para 3818-8867. Até o fechamento desta edição, faltavam dados a respeito das colônias de férias do Espaço Gourmet e, por isso, é bom ficar atento, pois trata-se de mais uma opção para divertir as crianças nas férias. A Brinquedoteca, a área infantil da Bi-

blioteca e o Espaço Bebê são locais que funcionam durante o ano todo e ganham ainda mais importância nas férias, quando se é tarde para as crianças continuarem na piscina ainda é cedo para ir para casa. A Biblioteca funciona de terça a sexta até às 19 horas e aos sábados e domingos às 18 horas. A Brinquedoteca não tem programação especial, mas estende o horário de funcionamento de terça a domingo, das 9h30 às 13 horas e das 13h30 às 17 horas, entre os dias 20/12/2016 e 29/01/2017 (exceto 24, 25 e 31/12/2016 e 1o/1/2017). O Espaço Bebê fechará para manutenção de 1o a 6 de janeiro, e reabre dia 7 no horário habitual (das 8h30 às 12h30 e das 14 horas às 17h30 durante a semana, e das 10h às 13hs30 nos finais de semana). Além de acolher e estimular crianças até 3 anos, também são promovidas atividades para gestantes, mães com recém-nascidos. Informações de horários e custo das oficinas, ligue para 3818-8711/8854.

A FAMÍLIA WEBER É FÃ DA COLÔNIA DE FÉRIAS DO HEBRAIKEINU. A PEQUENA ALICE TAMBÉM FREQUENTA O ESPAÇO BEBÊ

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concessões

MAQUETE ELETRÔNICA DO NOVO QUIOSQUE DO COCO & CIA, QUE OS SÓCIOS DEVEM CONHECER NO INÍCIO DE DEZEMBRO

Tudo para facilitar a vida do sócio no clube NESSE INÍCIO DE DEZEMBRO, O CLUBE AMPLIA AS OPÇÕES PARA REFEIÇÕES LEVES, LANCHES OU SIMPLESMENTE MATAR A SEDE COM OS AMIGOS. ACOMPANHE AS NOVIDADES PARA OS PRÓXIMOS MESES

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ada como escolher onde almoçar ou tomar um suco. A partir deste mês os sócios terão esse prazer, a partir da inauguração de novos espaços para alimentação – um restaurante e dois quiosques –, e a realocação do Cantinho do Seu Manoel e do Coco & Cia, “Todos estarão funcionando para atender aos dançarinos e ao público do Festival Carmel 360º”, garan-

te o gerente de concessões do clube Anderson Nalcino. Ele está animado em apresentar aos sócios o novo quiosque do Cantinho do Seu Manoel, em frente à Pista de Atletismo. “Serão os mesmos produtos e a gentileza do seu Manoel que as crianças adoram”, garante Anderson. Já o Coco & Cia funcionará junto à piscina semi-olímpica e com mix de produtos ampliados. “O quiosque

terá acesso pela Praça Carmel e pela piscina, de modo que os banhistas poderão saborear água de coco ou caldo de cana sem sair do parque aquático. E o casal que gerencia o Coco & Cia promete novidades na vitrine de produtos para breve”, antecipa o gerente. Nos espaços disponíveis na Praça Carmel serão instaladas uma lanchonete especializada em sanduíches e sucos naturais e a pizzaria “O Melhor Pedaço de Pizza”. Já o restaurante no mezzanino da Praça Carmel tem uma proposta que agradará às famílias e aos madrugadores porque “haverá um serviço de bufê de café-

-da-manhã e almoço com preço fixo. A ideia é oferecer o melhor custo-benefício e cardápio variado e caprichado no sabor”, anuncia o gerente. Quanto ao nome do novo restaurante, até o fechamento desta edição, ainda era uma questão em aberto. “A vice-presidência Administrativa pesquisou e negociou e o novo concessionário tem tudo para ter sucesso”, garante Anderson. Ainda no quesito novidades, ele destaca a instalação recente das vending machines de produtos naturais e de pipoca. “São duas máquinas de pipoca, uma na Praça Carmel e outra no saguão do Teatro Arthur Rubinstein. Já as máquinas especiais têm snacks e bebidas para quem prefere evitar o açúcar, lactose ou simplesmente quer alimentação integral. Uma das máquinas fica no estacionamento, para quem quiser comprar algo rapidamente na chegada ou saída do clube. A outra fica na Praça Carmel e já ganhou fãs que buscam energia ou hidratação depois do treino.” Além desses lançamentos imediatos, o Departamento de Concessões prepara a repaginação do restaurante japonês na esplanada e do Bar do Pedrinho. “Também vamos modernizar a Barbearia, atendendo a uma antiga reivindicação dos sócios que fazem esportes, se alimentam e cuidam do visual sem sair do clube”, conclui Anderson.(M. B.)

Novas opções Sanduíches e Sucos Naturais, no térreo da Praça Carmel O Melhor Pedaço de Pizza, no térreo da Praça Carmel Bufê de café-da manhã e almoço, no mezzanino da Praça Carmel Vending machines de pipoca e produtos especiais

Novos endereços Cantinho do Seu Manoel, em frente à saída da Pista de Atletismo Coco & Cia, junto à piscina semiolímpica, com acesso pela Praça Carmel e pelo pelo Parque Aquático

VENDING MACHINE INSTALADA NO SAGUÃO DO

TEATRO ARTHUR RUBINSTEIN É UM SUCESSO

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cultural + social > réveillon

Festa de arromba no fim do ano A HEBRAICA NASCEU DO DESEJO DE UM GRUPO DE AMIGOS

QUE SONHAVAM COM UM LUGAR ONDE PUDESSEM CELEBRAR A VIDA AO

LADO DA FAMÍLIA. O RÉVEILLON FAZ PARTE DESTE SONHO QUE SE REALIZA TODOS OS ANOS

À MEIA-NOITE, A PISCINA SERÁ ILUMINADA COM A QUEIMA DE FOGOS ANUNCIANDO O NOVO ANO

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esde a época de D. Pedro II, o Rio de Janeiro iniciou os festejos do Réveillon, o “despertar do ano”, seguindo a moda francesa, então influente na corte brasileira. O significado vem do termo réveiller, “acordar”. O costume se “abrasileirou”, incorporou o sincretismo nacional e se repete, a cada ano mais festejado. A tradição existe na Hebraica e o sócio aguarda para festejar com a família e os amigos de todas as horas. A virada de 2016 para 2017 começa meses antes. É preciso escolher o tema e, daí, a decoração, a banda, o concessionário da gastronomia e outros detalhes que não aparecem no final, porém são da mesma importância para que a comemoração alcance o sucesso e contente aos mais diversos desejos. É nesse espírito que a equipe de profissionais do clube atua, desde a primeira reunião com a vice-presidência Social e todos os departamentos envolvidos. “Luzes” é o tema escolhido para este ano, pois a data coincide com o acendimento da oitava vela de Chanuká, iluminando o mundo na entrada de 2017. Para tornar especial essa noite, a Banda Feelings dará o tom musical e o serviço de finger food será do Casual Mil, além do bar de caipirinhas. Tudo será realizado junto à piscina, o cenário ideal para a queima de fogos no meio da noite, raiar do novo ano. As crianças serão muito bem-vindas, com cardápio infantil e recreação, para que elas participem da alegria familiar. Ao longo dos preparativos, houve também o desejo de tornar a noite acessível, com preços atraentes para sócios, convidados e crianças. Informe-se pelo telefone 3818-8888. Supersticioso ou não, para entrar com o pé direito no novo ano, prepare a roupa branca, tradição que remete a Iemanjá, orixá homenageado na África com oferendas levadas ao mar, ou guarde as sementes das uvas, simpatia trazida dos viticultores portugueses, que separavam e guardavam as sementes para ter fartura. E Feliz Ano Novo! (T. P. T.)


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cultural + social > entre amigas

ENCONTROS NO ESPAÇO GOURMET GANHAM CADA VEZ MAIS INTERESSADAS EM TEMAS ATUAIS

O êxito do encontro na Hebraica DESDE O INÍCIO DO ANO, FORAM REALIZADOS TRÊS ENCONTROS DE “ENTRE AMIGAS”, NO ESPAÇO GOURMET. NOVO CANAL FOCADO NAS MULHERES, UM BATE-PAPO NUM

FORMATO MAIS INTIMISTA E TEMAS DESAFIADORES

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plataforma HEADTalks – Hebraica Educação, Arte e Diversão – foi criada por Andrea Bisker e Carlos Eduardo Finkelstein em 2015, e a coordenação da vice-presidente Social e Cultural Mônica Tabacnik Hutzler, para trazer conteúdo inovador e inspiracional aos sócios da Hebraica, por meio de palestras, mesas redondas e workshops criativos, tendo como ponto em comum temas desafiadores, que provoquem e gerem insights e permitam às pessoas repensar crenças, objetivos de vida e, talvez, quebrar paradigmas. Andrea Bisker enxergou na plataforma HEADTalks a oportunidade de ter um novo canal focado nas mulheres, propondo um formato mais intimista, de um bate-papo entre amigas queridas quando se encontram. Assim surgiu o “Entre Amigas”, que es-

treou em março de 2016, com a ajuda da curadora Karin Szapiro, no Espaço Gourmet, local ideal para trocar ideias, ter inspiração e entrosamento. No primeiro encontro, o tema “Drogas, Mitos e Verdade” foi desafiador e instigante para as cerca de cinquenta pessoas que se juntaram em um café-da-manhã e debateram com a psicóloga graduada pela PUC, com mestrado em dependência química pela Universidade de Londres, Flávia Serebrenic Jungerman, e quando se encerrou as participantes aprenderam um pouco mais a respeito do universo das drogas. O segundo “Entre Amigas” realizou-se em setembro, com a própria curadora, a psicanalista Karin Szapiro, mestre em psicologia pela PUC e membro filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise. Karin tratou dos desafios da modernidade

com mais de noventa associadas a respeito de “Os Casamentos e as Relações Amorosas”, em dois encontros - no café-da-manhã e na happy hour. O terceiro “Entre Amigas”, e que encerrou a programação do ano, foi em outubro com o especialista em jovens e orientação vocacional Tiago Tamborini, que tem profundo conhecimento do universo jovem e adolescente e dos seus desafios. Desta forma, o “Entre Amigas” acredita ter alcançado o objetivo de atrair um público interessado em se manter atualizado, trocar experiências, aprender junto, num espaço aberto, íntimo e à vontade para perguntar, dividir, fazer depoimentos. A equipe do “Entre Amigas” planeja uma programação imperdível em 2017 com mais presença no Facebook e Instagram. A curadora Karin Szapiro conta com a associada “para sugerir conteúdos que lhe interessam, porque o Entre Amigas existe para a sócia da Hebraica. Então, se houver tema, palestrante ou qualquer dica para nos passar, use o canal no Facebook para interagir conosco”.


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cultural + social > curtas

Sua festa no Espaço Gourmet

ntes mesmo de ver Bazar Paraná ser escolhido, semanas atrás, segundo lugar no Prêmio Jabuti 2016, Luis S. Krausz sentiu quanto seu livro gerava interesse em um Aonde Vamos?, realizado ainda em março, na Hebraica. O livro trata dos judeus alemães no Brasil, principalmente aqueles que quase se isolaram em Rolândia, no norte do Paraná. Nesse encontro, Vivian Schlesinger também convidou o jornalista e mestre em relações internacionais Eduardo Szklar, hoje vivendo na Argentina e autor de Nazismo: como Ele Pôde Acontecer.

onfraternizar com amigos, pessoal do trabalho ou reunir a família em uma data especial e procurando o lugar ideal? O Espaço Gourmet da Hebraica é a resposta certa, agora com cinco pacotes: café-da-manhã, chá da tarde, churrascada, pizzada, jantar com um chef e festas infantis. Um cardápio para receber de trinta a cinquenta convidados, incluindo bebidas, num ambiente para cada ocasião. Contato com Ana, no Espaço Gourmet, faça uma visita e seja o/a convidado/a de honra da sua festa.

Show do Meio-Dia em dobro

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um só domingo, o Regional de Choro Infanto-Juvenil e a Big Band Infanto-Juvenil, ambos do Programa Guri, se apresentaram no Teatro Arthur Rubinstein, na série Diálogos Culturais. Jorge Elias e Gilberto Pinto, regentes dos dois grupos, mostraram que, para ser músico, não precisa idade, basta incentivo, querer e dedicação. O Programa Guri promove a inclusão sociocultural de treze mil crianças e adolescentes, em 46 pólos na Grande São Paulo, pela educação musical. É um projeto da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Organização Social de Cultura, que fez parceria com a Hebraica para apresentações em 2016.

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om a chegada do verão, os sócios têm ponto de encontro na piscina. Cerveja “no ponto”, aperitivo com tira-gosto e um som para completar o domingo ensolarado. Nem é preciso entrar na água, porque o acesso ao Boteco é pelo portão na alameda ao lado da piscina.

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O retorno à história familiar

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vidas e situar as cidades no mapa atual da Romênia. Belz, por exemplo, era romena, mas hoje está na Ucrânia. O psiquiatra Arthur Danila, que há algum tempo encaminhou o histórico da família ao consulado da Romênia no Rio de Janeiro, recebeu seu novo documento na “audiência” no clube.

Não perca: duas pré-estreias

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om novo projetor digital, o cinema no Teatro Arthur Rubinstein atrai cada vez mais cinéfilos e, em dezembro, haverá duas pré-estreias: dia 14, às 20h30, Neruda, coprodução Chile, Argentina, França, Espanha e Estados Unidos a respeito da vida do Prêmio Nobel Pablo Neruda, e Eu, Daniel Blake, dia 21, às 20h30, coprodução Reino Unido, França e Bélgica, a história de um analfabeto digital e suas agruras.

m um domingo à tarde, adultos acompanhavam na tela do Teatro Arthur Rubinstein as “loucuras” de Alice no País das Maravilhas. Também havia muitas crianças, pois, afinal, o filme foi idealizado para elas. Escrito pelo matemático Lewis Carroll em 1865 para ensinar os enigmas da lógica, a história se tornou conhecida mundialmente. “Pois foi nesses paradoxos que trabalhei minha tese e meu primeiro livro, Literatura e Matemática”, explica Jacques Fux. E daí para a Meshugá Judaica, o novo livro lançado naquela tarde foi apenas mais um passo: “As pessoas sempre incorporam o gostar e o se odiar, autorreferência tratada na história de Alice”.

urante dois dias, o cônsul geral da Romênia em São Paulo Ovidiu Grecea atendeu gentilmente as muitas pessoas interessadas em obter o passaporte romeno. Filhos e netos de imigrantes originários das mais diversas regiões do sudeste europeu, levaram documentos para o cônsul analisar, esclarecer dú-

O Boteco S.A. vem aí

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Alice e a Meshugá

Do “Aonde Vamos”? ao Jabuti

Fim de ano com a Feliz Idade

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ara encerrar as atividades de 2016, a Feliz Idade vai se reunir dia 15, às 12 horas para o almoço de fim de ano. E, dia 17, às 14 horas, a última atividade será o “Café com Biscoitos e Histórias do Tempo”, no Teatro Anne Frank. (T. P. T.)


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cultural + social > corrida da amizade

A paz esteja convosco DESDE 2009 A CORRIDA CAMINHO DA PAZ REÚNE MILHARES DE PESSOAS

IRMANADAS POR SENTIMENTOS DE BOA VONTADE, TOLERÂNCIA E DIVERSIDADE.

O EVENTO É PROMOVIDO PELA ONG CAMINHO DE ABRAÃO

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á cerca de dois meses alguns locais da cidade, foram ocupados por cartazes e letreiros tridimensionais de dois metros de altura, com mensagens de convivência expressas nas palavras “paz”, “amor”, “respeito”, “união”, “ética”, “amizade”, “integração”, “diversidade” e “prosperidade”. Elas anunciavam o Caminho pela Paz, evento realizado desde 2009 com o nome de Corrida da Amizade, promovida pela ONG Caminho de Abraão mais a AGSport. A corrida e caminhada teve sete quilômetros, desde a avenida República do Líbano até o Parque do Povo, passando por marcos da integração e convivência, como os clubes Monte Líbano, Pinheiros e Hebraica. As palavras foram instaladas também em comunidades de Vila Brasilândia, Capão Redondo, Cidade Tiradentes e Paraisópolis. Segundo Adriana Feffer Skaf, da AGSport., “queremos que as pessoas entendam o projeto, as observem e repensem suas atitudes, praticando cada vez mais esses valores”. De fato, logo

um professor da Escola de Campo Limpo, gritou “paz que emociona!”, diante da palavra Paz na rotatória do bairro ao lado da escola onde leciona. Para os presidentes dos clubes envolvidos, o Brasil é exemplo de integração e solidariedade entre as diversas comunidades oriundas dos mais diversos países, numa convivência que transmite os valores da cultura de paz. O Caminho da Paz foi eleito pelo “Esportividade”, primeiro guia on line de eventos esportivos, como a melhor prova de 2015 no gênero. Este ano aumentou o número de inscritos e as seis mil vagas foram logo preenchidas com um crescimento de mulheres entre os corredores e caminhantes, passando de 48,99% em 2015 para 60,19% em 2016. Desde a primeira corrida, há sete anos, mais de vinte mil pessoas passaram pelo trajeto. Diante do interesse cada vez maior, os dirigentes da ONG pensam em desenvolver mais ações do projeto durante 2017 de apoio à diversidade cultural e às causas da paz. O projeto conta com o apoio da United Nation Alliance of Civilization (Unaoc) e tem como parceiros Rede D’Or, hospitais Sírio-Libanês e Israelita Albert Einstein, Protege, clubes Monte Líbano, Pinheiros, Hebraica e Sírio, bancos Santander e Safra, Telefônica, White Martins, MDS, Posterscope Brasil, Ótima, Elemídia, Minalba, Dotz, Instituto Futuro, PwC, Amazon, Deli Jewels e Grupo Iguatemi.

O Caminho de Abraão Uma rota de turismo inspirada no trajeto realizado pelo patriarca Abraão há quatro mil anos e que percorre quase dois mil quilômetros por vários países do Oriente Médio. Em sua concepção, uma homenagem às culturas muçulmana, judaica e cristã. Foi criada há mais de dez anos e é presidida por William Ury, um dos maiores especialistas na solução de conflitos mundiais. A trilha começa nas ruínas de Harran, entre a Turquia e a Síria, a vila habitada por Abraão ao deixar o lar em Ur e ir em direção a Canaã, a Terra Prometida. A rota inclui as cidades históricas de Alepo, Damasco, Jericó, Nablus, Belém e Jerusalém, com passagem pelas colinas do Líbano, Ajloun, na Jordânia, e o deserto de Grajev, em Israel. Além das paisagens inusitadas, a rota tem como alvo promover a união entre os povos. William Ury colaborou com o presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, nas tratativas de paz com as Farc e tem a paz no mundo como meta: “Meu grande sonho, minha paixão é ver a gente chegar ao estado de paz, paz em nós, com a família, com os amigos, a sociedade. Quero ver acabar a guerra em todo mundo, também no Oriente Médio, o lugar mais difícil do mundo. O impossível é possível”.

A PALAVRA PAZ CHAMOU A ATENÇÃO DE MILHARES DE PESSOAS AO PASSAREM NA FRENTE DA HEBRAICA

Povos irmãos de mãos dadas A

entrevista a seguir foi concedida dias antes da corrida e o presidente da Iniciativa Caminhos de Abraão, Alexandre Chade, já comemorava seu êxito com a participação de centenas de pessoas e a organização de clubes da capital, como a Hebraica. E o projeto Caminho da Paz é uma das ações da entidade, cujo objetivo é levar as pessoas a praticar mais a paz, o amor, o respeito, a ética, a união, a amizade, a integração e a diversidade colaborando para uma sociedade melhor, tal como imaginou o patriarca Abraão e as três religiões monoteístas que gerou: judaísmo, cristianismo e islamismo. Hebraica – Quando e como começou o projeto? Alexandre Chade – Em 2009, criamos uma ação no Brasil para promover o exemplo brasileiro de convivência pacífica e harmoniosa entre as mais diversas culturas. Nada mais natural, portanto, do que convidar os paulistanos que representam esta diversidade para caminharem juntos por um percurso simbólico no coração da cidade. O nome “Corrida da Amizade”, antigo nome do Caminho da Paz, partiu do conceito de que Abraão, nome e ins-

WALTER FELDMAN ENTREGOU O PRÊMIO À ATLETA

piração da organização que idealizou o projeto – a Iniciativa Caminho de Abraão – simbolizava a diversidade, a hospitalidade e amizade entre as pessoas. E esses valores fazem parte da cultura do povo brasileiro. >>

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cultural + social > corrida da amizade cal onde ocorria a corrida caminhada, para uma assimilação dos dois. Mas hoje, com o projeto mais estruturado, tentaremos realizar nosso sonho de levar esses valores a regiões distantes da corrida caminhada. Teremos inclusive palavras em regiões menos favorecidas e lá faremos atividades em conjunto com os jovens da região. Em nosso cronograma, neste primeiro momento, colocamos palavras em Paraisópolis, Brasilândia, Capão Redondo e Cidade Tiradentes. Porque a participação da Hebraica e da comunidade judaica é importante? Chade – A participação de todas as comunidades é essencial para esse projeto. Quanto mais comunidades tivermos, mais amplo e acessível ele se torna. Sendo assim, a Hebraica tem uma participação fundamental, pois nos ajudaram desde o início e acreditaram na proposta sem impor barreiras ou dificul-

>> O que é o projeto Caminho da Paz? Chade – O projeto Caminho da Paz é um movimento pelos valores de paz, amor, respeito, união, amizade, ética, diversidade e integração. Por enquanto, nossas principais ações são a corrida e Caminhada Caminho da Paz e uma intervenção urbana com os valores em formato de palavras “gigantes” espalhadas pela cidade. Nosso objetivo, é levar este movimento para o mundo. Quem abraça e qual objetivo do Caminho da Paz? Chade – O Caminho da Paz tem como objetivo ser um movimento que inspire e promova a reflexão destes valores, para que as pessoas repensem suas atitudes e possam cada vez mais praticar a paz, o amor, o respeito, a ética, a união, a amizade, a integração e a diversidade colaborando para uma sociedade melhor. Para isso temos o apoio da Unaoc (United Nation Alliance of Civilization) que apoia anualmente o Caminho da Paz, como um dos cinco projetos internacionais de integração. E dizer que estamos ao lado de eventos grandes e importantes para a cidade, como Fórmula 1 e Carnaval. E contamos com parceiros como a Rede D’or, Hospital Sírio Libanês e Hospital Albert Einstein, Clu-

DANIEL BIALSKI PRESTIGIOU AS ATLETAS VENCEDORAS;

WILLIAM URY, ALEXANDRE CHADE E PAULO CHADE

be Monte Líbano, Clube Pinheiros, Clube Sírio, Banco Santander, Banco Safra, Telefônica, White Martins, Postercope, Ótima, Telemidia, MDS, PwC, Amazon e algumas das principais galerias de arte de SP. Qual o diferencial desta corrida e caminhada para outros eventos esportivos? Chade – É uma das únicas corridas de ruas em São Paulo que tem diferentes pontos de largada e chegada. A essência do projeto sempre foi começar em um ponto e terminar em outro completamente diferente, assim fazíamos o percurso de sete quilômetros saindo do Clube Monte Líbano e chegando no Clube Hebraica. Hoje passamos simbolicamente pela Hebraica, e terminamos no Parque do Povo. As inscrições são acessíveis. Pois o valor delas nunca ultrapassa o limite de R$ 29,40. E o principal, é o objetivo de trazer a conscientização da importância desses valores. Existe “a corrida pela paz “ em outros lugares do Brasil ou do exterior? Chade – Existem conversas para levar esse projeto a mais cidades do Brasil e a outros países do mundo. No final do ano passado, estive em Harvard para uma apresentação sobre o Caminho da Paz e o público também nos perguntou por que não levar para mais lugares um projeto tão universal. Estamos trabalhando para isso. Como foram definidos esses valores e regiões onde serão instalados os letreiros? Chade – No início, cada comunidade escolheu o seu – os muçulmanos optaram por integração e solidariedade. Já a comunidade judaica escolheu liberdade. Até a última edição optamos por levar as palavras para mais perto do lo-

dades. Muito pelo contrário, abriram seu espaço mais de uma vez quando fizemos cafés-da-manhã para o lançamento do projeto e foram sempre muito receptivos às novidades do projeto. Somos gratos pelo apoio da Hebraica todos estes anos.

A INCLUSÃO PERMITE FESTEJAR CADA VITÓRIA NA VIDA

A adesão tem crescido a cada edição. A que você atribui esse fenômeno? Que resultados você busca atingir nesta VII edição? Chade – Sim, sem dúvida. Meu filho Paulo disse uma vez após uma das corridas: “Tá pai, e agora, que acabou? O que vão fazer?”. Essa é a reflexão necessária e que cada vez mais as pessoas estão dispostas a fazer. As palavras e a corrida servem de mensagem para que todos os anos, todos os dias, a todo momento, as pessoas possam se lembrar de que para ter paz, precisamos amar, respeitar, nos unir, sermos mais éticos, integrados e diversos. Essa pode ser uma boa base para o começo de uma convivência. É possível, é bom e faz bem. Cada vez mais buscamos meios e modos para plantar a mensagem, que de alguma maneira, impacte a sociedade. Esse é um de nossos desafios. Que tipo de incentivo/ inovação/transformação social a corrida trará para a cidade? Chade – A rua desde o início foi a casa desse projeto e ela aceita tudo, como também devolve muita coisa que você não espera. A corrida-caminhada além de promover saúde e bem-estar é uma plataforma de diálogo e interação entre os participantes. Todos os anos fazemos algum tipo de intervenção nas palavras, sejam as pessoas interagindo com elas, artistas projetando reflexões importantes ao significado daquela palavra. Este ano também devemos ter artistas, propondo mais uma vez formas criativas e significativas de expressar os valores do projeto. Além disso, tivemos quatro palavras em comunidades menos favorecidas para interagir com os jovens dessas comunidades, e juntos construirmos uma ação em torno da palavra e o valor dela seja para eles um legado.


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coluna comunidade

Melhor cônsul honorário

O Ministério das Relações Exteriores do Estado de Israel reconheceu a atuação de Osias Wurman como “Cônsul Honorário do Ano”. Wurman é um dos 77 cônsules honorários que Israel nomeou mundialmente, trinta deles na América Latina.

Cultura global em foco Pesquisadores brasileiros e internacionais se reuniram em São Paulo durante a conferência internacional “Cultura Global e Cosmopolitismo Estético”. Realização do grupo de pesquisa Cosmopolitismo Juvenis no Brasil em parceria com o Ministério da Cultura e Comunicação da França, Gemass (unidade de pesquisa) da Universidade de Paris-Sorbonne, Escola Superior de Propaganda e Marketing-ESPM e SescSP. Entre os palestrantes, Motti Regev, da Universidade Aberta de Israel, falou sobre cosmopolitismo estético, com discussão do tema e dos conceitos a ele relacionados. Os pesquisadores Vincenzo Cicchelli (Gemass), Sylvie Octobre (Ministério da Cultura e Comunicação da França), Viviane Riegel (ESPM-SP) e Tally Katz Gerro (Universidade de Haifa, Israel) apresentaram os resultados da pesquisa “Aesthetic Cosmopolitanism and Global Culture” na França, no Brasil e em Israel.

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por Tania Plapler Tarandach | imprensa@taran.com.br

Centenário da Knesset Israel

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s imigrantes chamavam de “Groisse Shil” (“Grande Sinagoga”), a Knesset Israel à rua Newton Prado, Bom Retiro, inaugurada em novembro de 1918, após dois anos de construção e com trezentos sócios. Enquanto o mundo passava por duas guerras e os imigrantes europeus procuravam onde viver, essa sinagoga foi um dos pontos de absorção para aqueles que chegavam a São Paulo. As famílias se mudaram para Higienópolis, a Knesset Israel também mudou, para uma casa na avenida Angélica. Ao completar o centenário, volta a ser o Groisse Shil, com a nova sede, à rua Brasílio Machado, 91, que abrigará o Centro Cultural Israelita Knesset Israel. A data foi comemorada com festa e autoridades, diretores, sócios e muitos vizinhos. O leiloeiro Mauro Zukerman foi o mestre-de-cerimônias, o deputado federal e secretário Floriano Pesaro representou o governador Geraldo Alckmin, e compareceram também o vereador eleito Daniel Annenberg, Luiz Kig-

nel, representando o presidente da Fisesp, Bruno Laskowsky, e os anfitriões, presidente da Sinagoga Marcel Rivkind e o rabino Motl Malowany. “Investimos tempo, emoção, e recursos para manter acesa a chama do judaísmo. A Knesset Israel será um novo centro de referência para a comunidade judaica paulista, com ambientes amplos, iluminados naturalmente e funcionalmente integrados”, destacou Rivkind. Um sofer atendia a quem desejava ter uma letra na nova Torá; tijolos recebiam nomes de famílias; crianças usaram um espaço especial para a diversão. Ao finalizar a cerimônia. foi colocada a Cápsula do Tempo, para sinalizar os primeiros cem anos e o marco do novo espaço.

Música judaica em Sampa

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m sua sétima edição, o Kleztival-Festival Internacional de Música Judaica ganhou novos espaços além dos já tradicionais. Realização do Instituto da Música Judaica Brasil, reuniu artistas brasileiros e de países do sul da Europa, norte da África, da Turquia e Israel, com apresentações no Metrô Sé, Fundação Ema Klabin, Colégio Renascença, Unibes Cultural, Espaço K, Faculdade Cantareira, Arisa de Santo André, Hebraica e Sesc Bom Retiro. Além da mostra de filmes judaicos no Museu

da Imagem e do Som (MIS). Nicole e Edy Borger já fazem planos para o próximo encontro, no segundo semestre de 2017.

COLUNA 1 Jacob Klintowitz foi escolhido por unanimidade para receber a Comenda Resistência Cidadã, “pelo trabalho em prol da arte e da cultura brasileiras”. Durante a 2ª Festa Nacional da Liberdade, realizada pela Fundação Alumni/ FND, Fundação Oscar Araripe e Associação de Antigos Alunos e Amigos da Faculdade Nacional de Direito. Eugenia (Guita) Zarenczanski participou da Conferência Regional sobre Conciliação e Mediação na Justiça, em São Paulo. Na Sala de Artes do Club Athlético Paulistano, Norma Grinberg expôs sua série “Fauna Fantástica”. Com a curadoria de Bel Lacaz e Sérgio Scaff. O espetáculo Forever Young tem a produção de Henrique Benjamin e Sandro Chaim, mais a direção de arte de Rosa Berger. No Teatro NET. Na Vila dos Ipês, em uma superfesta, casaram-se Sabine e Michel, sob as bênçãos de Fanny e Luiz Tarandach, Leoni e Liliane Calderon, Raquel e Paulo Kopelowicz.

Gente conhecida entre os escolhidos para o 30º Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira: Marcelo Rosenbaum, Roni Hirsch, Ethel Leon e a Editora Blucher. A HunterDouglas, empresa líder na fabricação de produtos e soluções para arquitetura e decoração, realizou a exposição “Por Onde Andei...”, com croquis do arquiteto José Ricardo Basiches. Inusitada, pois os trabalhos estão em guardanapos. O autor pretende leiloar os desenhos em prol de uma instituição a ser definida. Começou bem o “Israel Beshirá” de 2017. Na primeira reunião, Ana Iosif reuniu dezesseis inscritos para a primeira viagem ou para rever Israel após décadas. Sonho que vai se materializar nas reuniões no clube e, depois, in loco, com muita música e animação. A UMA expande: Vila Madalena (SP), Leblon (RJ), West Village e Bleecker St. (Nova York). Sempre com o bom gosto de Raquel Davidowicz.

Lídia Goldenstein recebeu a superintendente de inovação em investimentos e mercados de capitais do Itaú Unibanco, Ellen Kiss Meyerfreund, e Charles Bezerra, sócio-fundador da Swarms Consultoria. Na Unibes Cultural, o trio falou de “Novos Paradigmas Econômicos para o Século XXI”.

∂ Editora Letraviva lançou A Volta, livro de Alexandre Solomon, premiado na Itália pela Accademia Internazionale Il Convivio. Romeno-brasileiro, o autor, maratonista, escreveu crônicas e contos bemhumorados. “Moda e Empreendedorismo: como Tornar Ideias Criativas em Negócios”, título do debate entre Marcel Gignon, Cauê Zaccaroni e Marcelo Sommer. Durante o festival MECAInhotin, evento multicultural realizado no Instituto Inhotim, em Minas Gerais.

Parceria da Verve Galeria e Anete Ring no projeto “Olhar Compartilhado”. A artista constrói leituras das obras, levantando dúvidas e questionamentos para aproximar o público da arte contemporânea. Doutorando na University of California, EUA, Daniel Bydlowski vai produzir, em Los Angeles, o primeiro filme de ficção do Brasil em 3D. Nano Eden terá quase 65 minutos de duração e usará a realidade virtual para contar histórias com personagens, como no cinema tradicional. Para lançamento no segundo semestre de 2017.

Presença latino-americana nos EUA O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph R. Biden, e o ator Kirk Douglas receberam o Prêmio Theodor Herzl, em jantar de gala do Congresso Judaico Mundial (CJM). Retribuindo os esforços dos homenageados pelo “bem-estar de Israel e do povo judeu”. “Sou sionista e não é necessário ser judeu para ser sionista”, disse Biden, assegurando que não haverá diminuição do apoio dos EUA para Israel no governo de Donald Trump. Entre os representantes brasileiros estavam os presidentes Jack Terpins, do Congresso Judaico Latino-Americano (Cjla), e Fernando Lottenberg, da Conib, e Chella Safra, tesoureira do CJM, (na foto com o ator Michael Douglas).

Ary Prizant foi um dos convidados para palestrar no oitavo almoço de confraternização deste ano da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg-SP).

Presidente do Parlamento alemão no MJSP

Primeiro musical erudito, “33 Variações” reúne o texto de Moisés Kaufman, o piano de Clara Sverner, executando Beethoven, e Nathalia Timberg no elenco. Mais a direção de Wolf Maya. No Teatro Nair Bello.

Sérgio Simon e diretores do Museu Judaico de São Paulo receberam o presidente do Parlamento Federal da Alemanha, Norbert Lammert, e o cônsul Geral Axel Zaidler. Sociólogo e membro do partido da União Democrata-Cristã, o dirigente do Bundestag alemão quis conhecer detalhes do restauro do antigo Templo Beth-El e da construção da nova ala ao percorrer a obra e saber da inserção do Museu no panorama cultural da cidade.


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cultural + social > comunidade+coluna1

COLUNA 1

Prêmio Internacional para Brasiliana No ano de sua criação para distinguir as melhores criações arquitetônicas sul-americanas, o Prêmio Oscar Niemeyer de Arquitetura Latino-Americana foi anunciado em Quito, Equador. O primeiro colocado foi Lugar da Memória, museu localizado em Miraflores, bairro de Lima, Peru. Em segundo lugar venceu a Biblioteca Brasiliana, sediada na USP e projetada pelo escritório Mindlin Loeb + Dotto e Eduardo de Almeida. O local abriga a doação da biblioteca de Guita e José Mindlin – Brasiliana --, a maior coleção particular no Brasil com cerca de dezessete mil títulos e quarenta mil volumes, muitos de grande valor pela raridade. O projeto inclui auditório, livraria, sala de exposições e cafeteria e o acervo do Instituto de Estudos Brasileiros.[

Na’amat tem nova diretoria “Agradeço a importante parceria de todas as chaverot e espero continuar contando com esse empenho para fazermos mais pela comunidade, pela sociedade em geral e por Israel”, declarou Leonor Szymonowicz ao assumir a presidência de Na’amat Pioneiras para o biênio 2017/2018. Compõem a nova Diretoria: Sheila Szymonowicz, Berta Zatz e Julieta Tabacnik, vice-presidentes; Sandra Kuperman Pesso e Sandra Lilian Melighendler, secretárias; Leoni Bien, Simone Clerman Grossmann e Renata Taveiros de Saboia, tesoureiras. Amália L. Wasserstein, Sara G. Dolhnikoff e Clara Mandelbaum compõem o Conselho Fiscal e as suplentes são Edite Zajac, Pérola B. Berezovsky e Cláudia Waisbich.

Presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura / São Paulo, Adriana Blay Levisky fez palestra durante o Fórum Prêmio HealthARQ, evento que discute tendências relacionadas à infraestrutura da saúde no Brasil e no mundo.

∂ No Espaço Promon, Emanuel Silvestri, primeiro violoncelista da Orquestra Filarmônica de Israel, foi a presença especial em mais uma apresentação do projeto “Brahms – O Grande Romântico”, reunindo concertos de música de câmara, diálogos sobre as obras e masterclasses gratuitas a jovens músicos brasileiros. Prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella viajou outra vez a Israel agora para encontrar o prefeito de Jerusalém Nir Barkat. Segurança, o assunto em evidência no diálogo.

Homenagem a Novinsky Na Praça da Bandeira, centro da cidade, aconteceu a Foto_ Invasão. Ignácio Aranovich é um dos curadores do evento que ocupou o espaço Red Bull Station com exposições, projeções, debate e venda de impressões e objetos fotográficos. O jornalista especializado em Oriente Médio Moisés Rabinovici é o novo gerente de Redação da TV Brasil, em São Paulo, contratado pela Empresa Brasil de Comunicação. No Hotel Tivoli Mofarrej, a cerimonialista Simone Wassermann dedicou um dia para a segunda edição do “Recicla Noivas”. Em janeiro de 2017, quem acompanhar a história de Dias Gomes na TV poderá ver “Roque Santeiro” em cena no Teatro Faap. Yael Pecarovich está no elenco da versão musical.

Sai a quarta edição do livro Condutas no Paciente Grave, de Elias Knobel, editada pela Atheneu e autografada na Livraria da Vila/ Shopping JK.

∂ Em Israel, Silvia (Machlup) e Schlomo Rohtstein comemoram a chegada de Gabriel, o irmão de Jonathan.

A arte de Adina Worcman está na III Exposição Nacional de Artes Plásticas de São Paulo e na I FACRaro Feira de Arte Contemporânea, nesta como artista convidada. A Editora Catedra lançou a versão em espanhol dos Diez Mitos sobre Los Judíos, livro escrito, originalmente, em português por Maria Luíza Tucci Carneiro.

Bessarábia, Transnístria e Romênia, roteiro de lembranças familiares levou Benjamin Wainstein com as filhas Rosely Singer e Milene Sterenberg à Europa. Ministério da Cultura, CIP e Livraria Cultura reuniram Rosana Hermann, Rony Vainzof, Sergio Kulikovsky, Gilberto Dimenstein e o rabino Michel Schlesinger para dialogar a respeito de qual o impacto das novas tecnologias em nossas escolhas diárias, no Teatro Eva Herz, dentro do projeto “Dilemas Éticos”.

∂ Café-da-manhã com Leo Burd na casa de Flávio Bitelman para um pequeno grupo. Burd é cientista pesquisador do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e desenvolve abordagens inovadoras para a educação e o desenvolvimento social.

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econnecting 2016, conferência sobre a coexistência das comunidades hispânica e judaica, realizada em Miami, destacou importantes figuras dedicadas ao tema revigorando raízes e patrimônios latino-judaicos compartilhados. Durante o encontro, foram homenageados Henry Cisneros, Honoris Causa, Anita Waingort Novinsky, Prêmio do Presidente, Genie Milgrom e Neomi Dezer, Mulher de Valor. Sonia Bloomfield, da Universidade de Maryland, falou sobre “Anousim: O Problema da Hibridez”; Max Blankfeld, da Family Tree DNA, enfocou “As Raízes da Comunidade Ibéri-

ca-Judaica-A Perspectiva do DNA”; Lina Gorenstein abordou “Cristãos-Novos no Brasil-Status Corrente e Desiderata”; e Anita Novinsky enfocou o tema “Os Judeus que Construíram o Brasil”.

Melhorias na saúde O 3º. Fórum Medicina do Amanhã, realizado no Auditório Moise Safra, discutiu as novas tecnologias da sustentabilidade e, principalmente, da necessidade de antecipar melhorias para o campo da saúde. A programação teve também o 3º. Simpósio Internacional de Medicina de Precisão, com a participação de autoridades nacionais e internacionais abordando a patologia molecular e o papel fundamental na prática diagnóstica e a experiência de saúde populacional com o Big Data.

Wizo e a arte na educação

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solenidade de premiação do Concurso Wizo de Pintura e Desenho sempre surpreende a plateia na Assembleia Legislativa. Nessa 28ª edição também pois alunos e professores de cidades próximas ou remotas contaram do desconhecimento a respeito do Estado de Israel e quanto pesquisaram para chegar aos bons resultados. “Até pesquisei música e dança e descobri coisas muito lindas”, disse Gabriel José Custódio, aluno de Itapeva, vencedor do júri oficial. Outro jovem, encabulado, disse: “Descobri que Israel é um país muito pequeno”. Os prêmios foram entregues pelo cônsul geral em São

Um negócio para ajudar

Paulo Dori Goren, secretário da Educação do Estado de SP José Renato Nalini, presidente do Conscre Sérgio Serber, Sulamita Tabacof, Iza Mansur, presidentes de Honra e da WIZO-SP, Tania Tarandach e Rosa Motta, diretora e curadora do Concurso.

“Doar é rápido e fácil. Ligue para agendar que nós retiramos sua doação sem nenhum custo.” Esta é a chamada do Bazar da Unibes, que ajuda mais de quatorze mil pessoas de todas as idades e dificuldades, por um organizado sistema de vendas nas lojas localizadas na cidade. Roupas, objetos, tudo é bem-vindo, basta apenas ligar para 3311-7266 ou 969294-660 (whatsApp).

Novos secretários da cidade

Conscre vai ao papa

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oram dois anos de preparação para uma comissão representativa do Conselho Estadual Parlamentar de Comunidades de Raízes e Culturas Estrangeiras (Conscre) levar um grupo de representantes para visitar o papa Francisco. O presidente do Conscre, Sérgio Serber, chefiou a missão, que recebeu do pontífice mais tempo do que aquele agendado, interessado em conhecer esse Conselho “inédito, que reúne pessoas de diferentes religiões e representando culturas diversas em um trabalho conjunto”. O entusiasmo do papa se estendeu aos visitantes.

A partir de janeiro de 2017, o prefeito eleito João Doria terá no secretariado vários representantes da comunidade judaica. Júlio Serson (Hotéis Vila Rica) ocupará a pasta de Turismo e Daniel Annenberg foi convidado para dar à nova Secretaria de Inovação e Tecnologia o “padrão Poupa Tempo”, órgão que ele ajudou a criar. Cada Secretaria terá um Conselho de Gestão, órgão de assessoramento formado por voluntários especialistas em cada área. Célia Leão estará no da Pessoa com Deficiência e Marcos Arbaitman, no de Turismo.


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cultural + social > comunidade

Gartner continua seu caminho

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Homenagem a Rabin A “Recordação aos 21 anos do Assassinato de Itzhak Rabin”, realização da Fisesp, Agência Judaica e a parceria da Juventude Judaica, foi na sinagoga do colégio Renascença. Para a homenagem, a atriz Clarissa Kahane interpretou Meu Saba, monólogo inspirado no livro Em Nome da Dor e da Esperança, escrito por Noa, a neta de Rabin. O público também participou de debate a respeito de polarização, tolerância e liberdade de expressão, com Clarissa, o médico sanitarista e membro do Partido Verde Eduardo Jorge e a jornalista Rosana Hermann.

úlio Gartner e Márcio Pitliuk, protagonista e diretor do filme Sobrevivi ao Holocausto, continuam divulgando as atrocidades do nazismo. Estiveram com alunos da Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas; falaram para duzentos adolescentes de 13 a 17 anos das escolas estaduais Ítalo Betarello e cem outros da Plínio Damasceno. Por serem escolas da periferia, após o filme os jovens debateram temas do cotidiano: preconceito, bullying e violência.

A Miss Israel nos EUA

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mundo precisa aprender quanto o Estado Judeu é único e diverso”, disse a etíope-israelense Yityish ‘Titi’ Aynaw, Miss Israel na visita a um campus norte-americano. E continuou: “Aqui há americanos surpresos em saber que sou judia, oficial das Forças de Defesa de Israel e Miss Israel. Soa esquisito para eles. Eles não entendem minha história, não entendem que tudo de bom que eu represento só pode acontecer em Israel. Este é o verdadeiro espírito de Israel: unidade, solidariedade e diversidade”.

Uma viagem diferente

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Israelense no Anima Mundi Nissim “Nusko” Hezkiyau fundou e dirige o Festival Internacional de Filme de Animação – Animix, realizado em Tel Aviv, e veio ao Brasil participar do Festival Anima Mundi, maior do gênero na América Latina, e exibiu seus curta-metragens, nos quais mostra a evolução e diversidade de estilos. Em Brasília, Nusko almoçou com o encarregado de Negócios da Embaixada de Israel. o ministro da Cultura Marcelo Calero, a embaixatriz e diretora Cultural da Casa Thomas Jefferson, Ana Maria Assumpção, o presidente da Associação Cultural Israelita de Brasília Hermano Wrobel e o analista político Márcio Coimbra.

assefá Ba’Aretz é a missão que reforça a ligação entre líderes voluntários e profissionais comunitários com o Estado de Israel, realizada pela oitava vez. A primeira etapa, sempre em países com presença judaica significativa, foi na Hungria e os problemas enfrentados pelos judeus, culminando com a visita à Grande Sinagoga de Budapeste. O período em Israel teve visitas, entre muitas, ao deputado Manuel Trachtenberg (foto com Bruno Laskowsky e Ricardo Berkiensztat) ao prefeito de Raanana, cidade escolhida por muitas famílias brasileiras, ao casal Caroli e o empresário Michel Abadi, da Beit Israel, local para ajudar os brasileiros em seus passos iniciais como olim hadashim (imigrantes novos). O número passou de 250 para 800 no último ano. O grupo visitou a cidade de Rawabi, nos territórios palestinos, e conver-

sou com Bashar Al Masri, representante local e com o embaixador do Brasil em Ramallah, Francisco Mauro. Terminou no Monte Herzl, onde estão enterrados os pioneiros sionistas de Israel, entre eles Shimon Peres. “Essa viagem é uma imersão de estudos que reforça os laços e compromissos com o judaísmo, o Estado de Israel e a vida contemporânea da Diáspora”, sintetizou Bruno Laskowsky, presidente da Fisesp.


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1. No Parque do Povo, presença de grupos de danças árabes e israelenses na Corrida da Paz; 2, 3 e 4. Kleztival na Hebraica: clarinetista agrada todas as idades; Festival ganha público em tempo real; na Esplanada, London Klezmer Quartet, da Inglaterra, fez a har-kadá mais animada no Kabalat Shabat; 5. Marcelo Blay, Guilherme Horn e Anderson Thees enfocaram em “Fintechs: Ameaça ou Oportunidades?”, em palestra da

6.

7.

Cambici; 6. Célia Parnes, Harmi

8.

Takiya, Luciana Temer e Djamila Ribeiro na inauguração do Insti-

6.

5.

tuto de Longa Permanência para Idosos em Pinheiros, parceria da Prefeitura de São Paulo e Unibes; 7 e 8. Na’amat Pioneiras convidou para palestra sobre a pintora Tarsila: Alexandre Azevedo, da Azimuti, e Fernanda Jozsef Rothstein; Betty Drukier, a palestrante Tarsilinha do Amaral e Flora Shei-

1. Grupo Tzeirot, da Wizo, levou alegria para as crianças do Projeto AMA, no Hospi-

la Grinspan; 9. Benjamin Waisn-

9.

tein e as filhas Rosely e Milene em tour europeu

tal Samaritano; 2. Corrida Caminho da Paz reuniu diretores da Acesc, Daniel Bialski representou a Hebraica; 3. Cônsules Ricardo Martinez Vázquez, da Espanha, Takahiro Nakamae, do Japão, Arturo Jarama, do Peru, Margarita Pérez Villaseñor e o cônsul adjunto Luis Gerardo Hernández Madrigal, do México, recepcionados no clube pelo presidente Avi Gelberg e vice-presidentes; 4. George Legmann foi o cicerone do casal Tatiane e Klaus Hofstadler. Ele, cônsul geral da Áustria, ela, pintora, se encantou com a Galeria de Arte; 5 e 6. Cem anos da Knesset Israel: rabino Motl Malowany, presidente e vice Marcel Rivkind e Nelson Majtlis no novo endereço; sofer dedicado a escrever as letras na Torá; 7 e 8. Na CIP, evento com a Juventude reuniu rabino Michel Schlesinger em bate-papo com a cartunista Laerte Coutinho; vinhos e carnes no encontro de Michel Freller, István Wessel e Fernando Lottenberg; 9. No Salão Marc Chagall, Jairo Goldenberg e Maria Lúcia Barbosa

7.

8.

9.


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cultural + social > fotos e fatos 1.

2.

3.

4.

1. e 2. Espaço Gourmet

6.

7.

Flávio Mello / Gustavo Gerchmann

5.

8.

recebe etapa final do Master Chef Acesc; finalistas, Fernando e Beto Acherboim defenderam as cores da Hebraica; 3, 4, 5 e 6. Sucesso da PARTE no Salão Marc Chagall. Murilo Lomas e Jackie Schor; Carmem Schvartche; Márcia Goldfarb; Lina Wurzmann e Tamara Brandt Perlman à frente do evento; 7, 8 e 9. Vernissage na Galeria de Arte Jana recebeu elogios de muitos amigos ao falar de “Consistir”, título da mostra: e de Olívio Guedes, curador, com a promoter Carol Birenbaum

8.

9.


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juventude > festival carmel

OS INGRESSOS PARA OS SHOWS JÁ ESTÃO À VENDA NA CENTRAL DE ATENDIMENTO

Contagem regressiva para a 36a edição PASSADOS MESES DE ENSAIOS, REUNIÕES DE PRODUÇÃO,

MONTAGEM DE PALCOS E PROVAS DE FIGURINOS, OS PROFISSIONAIS

E VOLUNTÁRIOS ESTÃO PRONTOS PARA O FESTIVAL CARMEL 360O. AGORA, CABE AO PÚBLICO ADQUIRIR OS CONVITES PARA OS SHOWS, ACOMODAR-SE NAS ARQUIBANCADAS E APRECIAR O ESPETÁCULO

H

á semanas, cartazes, vídeos e posts nas redes sociais vêm anunciando a proximidade do Festival Carmel 360º, dias 9, 10 e 11 de dezembro. Para os entusiastas da dança folclórica, integrantes de grupos de São Paulo e de outras comunidades judaicas do País, a carga de informação é desnecessária. O evento domina as agendas desde agosto, independentemente de outros eventos organizados pelo Centro de Danças, como a Maratona Vamp, no final de outubro.

“Agora nosso esforço está direcionado para atrair o público para os shows, as harkadot (sessões de dança em roda) e para o shuk, a feira de produtos que acontece durante o sábado e o domingo, na Praça Carmel”, observa Nathália Benadiba, diretora artística do festival. “O amor pela dança é tão forte quanto o desejo de mostrar o resultado do trabalho de um ano inteiro, por isso as lehakot querem ver plateias cheias, no Centro Cívico e no Teatro Arthur Rubins-

tein, e por esta razão os ingressos já estão à venda na Central de Atendimento. É dessa interação com o público que surge o brilho nos olhos dos dançarinos”, completa. É a oportunidade de o público assistir aos shows “Mundi”, no Centro Cívico Itzhak Rabin, “Olami Infantoescolar” e “360o”, no Centro Cívico e as lehakot do Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e o grupo israelense Machol Midbar, ligado à prefeitura de Maalê Edumim. Em outros locais do clube, acontecem as harkadot, a maratona e os workshops ministrados por professores do Estúdio Anacã e por um mestre em capoeira. A presença do markid (professor de dança) Sagi Azran, que veio de Los Angeles, agita os dançarinos já no dia 8, véspera do espetáculo de abertura, quando dirigirá uma pré-harkadá no Centro de Danças e um workshop especial, das 10 às 17 horas, no mesmo local, no dia 9. “A procura pelas inscrições para o workshop foi muito grande, reforçando o interesse das pessoas em aprender novas danças, especialmente quando o professor é um jovem tão talentoso quando o Sagi”, conclui Nathália.


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juventude > escola maternal

Pequenos cidadãos sustentáveis NA ESCOLA MATERNAL E INFANTIL, PRESERVAR O AMBIENTE É PREOCUPAÇÃO

DIÁRIA E PRESENTE NAS BRINCADEIRAS E PROPOSTAS REALIZADAS NA

ESCOLA E EM CASA. ENTRE AS PROPOSTAS SUSTENTÁVEIS ESTÃO A REUTILIZAÇÃO

DE MATERIAIS E O REAPROVEITAMENTO DE ALIMENTOS

N

ão descarte uma embalagem plástica ou metálica diante de um aluno da Escola Maternal e Infantil. Nem jogue fora uma casca de fruta no lixo, e muito menos um pedaço de papel no chão. Ele ficará indignado, pois, para ele, cada um desses itens vale ouro. Com tampinhas de garrafa

pet ele e coleguinhas constroem brinquedos e obras de arte. “Nosso foco está na formação do cidadão que será parte da cidade e do mundo. Sucatas de todos os tipos são material de trabalho para o desenvolvimento motor e para viabilizar a descoberta de cores e texturas. Esse traba-

ALUNOS DO MATERNAL APRENDEM OS SEGREDOS DA TERRA

lho visa criar uma consciência ecológica que formará a base dos valores desses alunos”, explica a coordenadora pedagógica da escola, Bela Vaie. “É um trabalho conjunto no qual cada professora colabora com desafios e muita dedicação”, acrescenta. Dias antes, a escola realizou uma nova edição da Expoliterarte, em que as famílias dos alunos executam atividades semelhantes às de parte da rotina das crianças. “Em cada sala de aula havia uma proposta somando arte e sustentabilidade e por toda a escola estavam espalhados robôs, aviões, flores e outros objetos construídos pelas crianças com tudo o que em geral se considera lixo. Um dos locais que os alunos do Infantil 3 apresentavam com orgulho era a horta vertical, construída por eles com garrafas pet. Este projeto levou-os a participar de assembleias e teve a ajuda de algumas mães que trabalham com paisagismo” explicou Belinha. Nas classes do Infantil 1, o reaproveitamento de alimentos é um dos projetos anuais. “As crianças prepararam um bolo com cascas de banana e trouxeram de casa dicas dos pais quanto à reutilização de alimentos. Esses valores são cultivados ao mesmo tempo e junto com o programa pedagógico, de modo que, para essas crianças, respeitar a natureza seja algo tão natural quanto se expressar em inglês, contar uma história ou explicar o significado de uma festa judaica”, resume a coordenadora. Às vésperas do encerramento de mais um ano letivo, a Escola Maternal lança mais um novo programa, o Integral com Artes, nas tardes das sextas feiras, com atividades de artes plásticas, teatro e danças judaicas “A escola passará por uma ampliação das instalações físicas para receber novos alunos. “Esperamos passar dos 264 alunos matriculados em 2016 para cerca de 300 em 2017”, projeta a coordenadora. “Vamos utilizar muita sucata nos próximos anos”, brinca, enquanto separa um copo plástico usado para ser reaproveitado. (M.B.)


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juventude > fotos e fatos 1.

2.

1. Joyce Szlak e Simone Benzinsky

3.

Gustavo Gerchmann

O anúncio da parceria entre o Teatro da Juventude e TeenBroadway para

dão as últimas orientações an-

a montagem do musical Shrek mobilizou dançarinos e atores profissio-

tes do início da cerimônia de

nais para uma audição no Teatro Anne Frank com atores amadores que

2. “Shehecheianu

participaram de peças encenadas no clube. A peça estreia em 2017 e os

Vekiemanu Vehiguianu Lazman

ensaios acontecem semanalmente com a participação de grande nú-

Hazé”, prece em agradecimento

mero de sócios

bat-mitzvá;

por celebrar o momento, mais do que especial, da maioridade religiosa; 3. Imagem clássica das alunas do curso de bat-mitzvá 2016; 4. “Hareini Mekabelet Alai... Veahavta Lereachá Kamochá” – “Estou recebendo os mandamentos de D’us: E amarás o próximo como a ti mesmo” ; 5. Leitura do texto “Amor”, de autoria das alunas Anik Zegman Zaharic e Marina Galan Sommerman.

5.

4.

Flávio Mello

5.


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juventude > fotos e fatos Flávio Mello / Gustavo Gerchmann

Setenta e cinco modelos encantaram o público no I Kids & Teen Fashion, evento que encerrou do Mês da Criança, programação que multiplicou as atrações infantis nos finais de semana de outubro. As grifes Funny Kids, Planet Sea, Toule Jour, Tyrol e Tyrol B, Doispontos B, Hip Teen, Tangos e Fantasias e Reserva apresentaram suas coleções para o verão na passarela montada no centro da Praça Carmel. Empresas parceiras forneceram produtos para o sorteio final entre os pais, irmãos e avós dos sócios que desfilaram.

Flávio Mello / Gustavo Gerchmann


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juventude > fotos e fatos Gustavo Gerchmann

Flávio Mello / Gustavo Gerchmann

Construir brinquedos a partir de sucata era uma entre as muitas propostas da Expoliterarte, que mobilizou duas ou mais gerações Um grupo de voluntárias organizou para a vice-presidência de Juventude o I Kids & Teen Fashion, cuidando de todas as etapas, divulgação, inscri-

das famílias de alunos. Os convidados ouviram histórias, brincaram

ção dos modelos, captação de marcas parceiras, agendamento de provas e ensaios, seleção da trilha sonora, decoração e apresentação do evento. No

com tinta, dobraram papéis e decoraram copinhos de plástico. Como

final do desfile, a vice-presidente de Juventude, Elisa Griner, agradeceu às amigas Fernanda, Patty Idesis, Patty Fucs, Flávia, Luciana Klar Fichmann,

resultado, todos transformaram objetos destinados ao lixo em pe-

Nani, Deia e Bertha Alcalay pela colaboração.

quenas obras de arte feitas para divertir


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juventude > fotos e fatos Flávio Mello / Gustavo Gerchmann

1.

1 e 4. Pais e filhos aproveitaram as au-

2.

1.

3.

Flávio Mello / Gustavo Gerchmann

2.

4.

las teóricas e práticas do curso de mergulho promovido pelo Adventure; 2. Pais e alunos da turma 21 do curso de líderes Meidá se reuniram com o diretor superintendente Gaby Milevsky para planejar a excursão a Israel em meados de 2017; 3. Na Feira do Empreendedor organizada pela Incubadora de Ideias foram exibidos os primeiros aplicativos criados pelos adolescentes que aderiram ao mais novo projeto da Hebraica; 5. Grupo Jovens sem Fronteiras aproveitou a festa de Sucot para promover um debate sobre “Direito à Moradia” sob as folhagens da Sucá.

3.

5. 5.

1. Parceria entre a vice-presidência de Juventude e o Kleztival resultou em uma apresentação na Praça Carmel com repertório canções infantis em ídiche; 2, 5 e 3. Projeto Merkaz promoveu palestras sobre empreendedorismo em Israel, no Teatro Anne Frank e sobre vendas, na Sala

4.

Plenária; 4. No show mensal do Centro de Música, o grupo “Os Procurados” apresentou clássicos do rock


P ARA

ANUNCIAR NA REVISTA

H EBRAICA

LIGUE: 3815-9159 duvale@terra.com.br


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esportes > xadrez

ATLETAS DA CAPITAL E DO INTERIOR DO ESTADO DISPUTARAM O TORNEIO ESCOLAR

Lições no tabuleiro A REALIZAÇÃO DO CAMPEONATO PAULISTA DE XADREZ ESCOLAR 2016 FEZ DO SALÃO MARC CHAGALL O CENTRO DAS ATENÇÕES NO SEGUNDO SÁBADO

DE NOVEMBRO, QUANDO

QUATROCENTOS ALUNOS DE

101 ESCOLAS TESTARAM OS

CONHECIMENTOS EM FRENTE AOS TABULEIROS

O

xadrez ganha importância na grade de aulas das redes escolares públicas e privadas. Prova disso foi a grande adesão a este Campeonato Paulista de Xadrez Escolar 2016. O grande número de famílias e equipes uniformizadas que chegaram ao Salão Marc Chagall surpreendeu os sócios, que entravam no local e viam as filas de mesas com tabuleiros onde alunos do primeiro ano do ensino fundamental ao terceiro ndo ensino médio se enfrentavam, atentos às recomendações dos árbitros. A iniciativa da parceria partiu da Federação Paulista de Xadrez (FPX) e foi executada pela empresa Xeque & Mate, especializada na organização de torneios escolares. Confinados ao mezzanino, pais e professores conversavam em voz baixa, revelando sotaques do interior. No salão, os atletas exibiam nos uniformes os nomes das escolas e das cidades. Jogadores de Bauru ou Jacareí enfrentavam de igual para igual inte-

grantes de uma equipe de Registro, por exemplo. “Os alunos puderam colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, além de constatar quantos outros praticam o xadrez”, comentou o presidente da FPX Henrique Salama, que também dirige a modalidade na Hebraica. “Sem o apoio e a infraestrutura da Hebraica, este grande evento não teria se realizado”, acrescentou. De acordo com o relatório do coordenador de xadrez da Hebraica, Davy D’Israel, as três equipes vencedoras eram da capital. “ Os colégios Albert Sabin e Augusto Laranja, de São Paulo, somaram pontos para ficar em primeiro e segundo lugares, respectivamente, e a Emef Prof. Antonio D’Avila, de Cidade Tiradentes, ficou com o terceiro lugar”, informou. Os três melhores alunos de cada série e os seis melhores jogadores na pontuação geral receberam medalhas. (M. B.)


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esportes > natação

Ag judaica ATLETAS DO PRÉ-MIRIM E MIRIM QUE PARTICIPARAM DA COMPETIÇÃO

REI E RAINHA DAS PISCINAS SE DIVERTIRAM MUITO NO PARQUE

CLUBE AQUÁTICO DO PAINEIRAS DO MORUMBY

Disputa e confraternização na água A PISCINA OLÍMPICA FOI

UTILIZADA EM NOVEMBRO PARA

TREINOS CONJUNTOS ENTRE

NADADORES DO CLUBE E OS DO

SESI LEOPOLDINA, E ALÉM DO

INTERCÂMBIO E ESTÍMULO ENTRE AS DUAS EQUIPES, SOBROU

DIVERSÃO PARA OS GAROTOS DO

INFANTIL E DO JUVENIL

A

garotada do mirim I e II e do pré-mirim, na faixa de 7 a 10 anos, participou da competição Rei e Rainha das Piscinas, no parque aquático do Clube Paineiras do Morumby. O evento tem caráter motivacional e este ano reuniu nove entidades esportivas em um total de 383 atletas, dos quais dezessete da Hebraica – quatro em sua primeira disputa pela equipe competitiva. Pelas regras, o atleta precisava nadar as quatro provas para disputar o título Rei e Rainha e “acredito que todos saíram satisfeitos do evento, especialmente os quatro estreantes”, afirmou o técnico do mirim, Renato Okamoto. Entre os resultados, destaque para o atleta Vítor Szpringer, que conquistou o título de Rei das Piscinas na categoria

pré-mirim. Anika Ewing ficou em terceiro; Manuela Paglione em quarto, Benny Susskind em oitavo e Benny Papesc em décimo lugar. Na categoria adulto (absoluto), a mais recente conquista dos nadadores do clube foi no S. C. Corinthians Paulista, durante o Campeonato Paulista Júnior e Sênior de Verão – XVIII Campeonato Paulista Junior e Senior de Verão, quando o clube conquistou sete medalhas das quais três de prata e quatro de bronze. “É notável o desenvolvimento dos atletas André Marques e Jéssica Menezes, que subiram ao pódio levando a bandeira do clube”, informa o coordenador técnico de natação competitiva do clube, Murilo Santos. (M. B.)


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esportes > curtas

Evento triplo em Contagem

D

ez atletas da equipe de ginástica de trampolim viajaram a Contagem, em Minas Gerais, para participar, nas instalações do Sesc, do Campeonato Brasileiro Elite/Junior e do Torneio Nacional de Ginástica de Trampolim realizados pela Confederação Brasileira de Ginástica. O Torneio Brasileiro Elite classifica os vencedores para o pan-americano, copas do Mundo ou até a Olimpíada. Esta foi a maior delegação da Hebraica já inscrita no Torneio Nacional e a viagem rendeu medalhas para veteranos e estreantes. Na categoria adulta, Jorge Solitrenic, Diego Birenbaum e Gustavo Menasce completaram o pódio (ficaram em primeiro, segundo e terceiro lugares) na prova de trampolim individual. Jorge ainda conquistou um bronze no duplo minitrampolim e Diego um ouro no

mesmo aparelho. A dupla conquistou o bicampeonato no Torneio Nacional no trampolim sincronizado. Em sua estreia em eventos de âmbito nacional Artur Sanovicz (categoria infantojuvenil) ficou em primeiro no trampolim individual e no duplo minitrampolim e Tiago Vivolo (infantil) ficou em segundo nas mesmos apare-

lhos. Miguel Dutra ficou em quarto no aparelho tumbling. “Em geral, todos os nossos atletas se saíram bem nesse que foi o último compromisso competitivo de 2016. “Estes Atletas são promessas para 2017, porque teremos eventos classificatórios para competições internacionais”, afirmam os técnicos Fábio Ferreira Zuin e Roseli Lamarca.

Judocas em ação

B

en Liberman, Mariana B. de Toledo e João Cláudio Cimurro Jr. são os mais novos judocas faixa preta 1º Dan da equipe da Hebraica. Eles se submeteram ao exame para promoções de faixas pretas da Federação Paulista de Judô (FPJ). Para se candidatar a essa promoção, foi necessário frequentar o curso de história e filosofia do judô e tirar nota mínima de cinco pontos na prova escrita. Em seguida, o currículo dos jovens foi enviado para a FPJ para avaliação do cumprimento dos pré-requisitos, tais como cursos obrigatórios, disputa de competições, atuação como árbitro e oficial de mesa em torneios oficiais e outros itens. O exame prático foi realizado no Ginásio Municipal de São Bernardo do Campo e os três atletas atingiram médias muito superiores às exigidas pela Federação. Segundo a técnica Miriam Minakawa, o jovem Ben Liberman, que começou sua trajetória no judô da Hebraica aos 4 anos “é um atleta muito dedicado, excelente competidor e chegou ao exame de faixa preta muito bem aprovado e agora é mais um sócio a integrar o seleto grupo de faixas preta do clube”. Em outubro, a Hebraica participou do Campeonato Brasileiro de Judô – Classe sub-13, em Lauro de Freitas, na Bahia, com a atleta Sarah Melo Véras da Silva, categoria médio até 47 kg, que foi acompanhada pela técnica Renata Zyman Pati. Em sua estréia em campeonatos nacionais, a adolescente conquistou o título de campeã brasileira em sua categoria.

Com esta vitória, a equipe da Hebraica soma três títulos brasileiros, e um terceiro lugar. “Chegamos ao nosso maior nível de conquistas e ainda tivemos dois atletas convocados pela CBJ para as seleções brasileiras de base que representarão o Brasil e o clube no campeonato Pan-Americano na República Dominicana”, escreveu a técnica Miriam em seu relatório. Dias depois, Sara e outra atleta, Fernanda Costa, conquistaram o título de campeãs pan-americanas sub-13 e sub-15. (M. B.)


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esportes > fotos e fatos 1.

1. e 2. André Marques Oliveira

Flávio Mello

2.

1.

2.

Flávio Mello / Gustavo Gerchmann

3.

e Jéssica Santos Ferreira conquistaram medalhas no Campeonato Paulista Junior e Sênior de Verão; 3. Mais um título para a Hebraica no Interclubes de Tênis, que foi campeã na ca-

3.

tegoria 4FD2; 4. No Ginásio dos Macabeus, a equipe sub-15 de basquete enfrentou o Banespa 5. No Chile, a tenista Suzana Mentone conquistou dois títulos no Torneio Internacional Alfredo Trulenque:, foi vice em simples e campeã formando dupla com a amiga Lucia Pekel-

1. Grande público e transmissão pela internet da partida entre as equi-

man Rusu

pes do Pinheiros e do Cearense pela Liga Nacional de Basquete; 2. Hebraica foi anfitriã no Festival de Basquete promovido pela Acesc, no Ginásio dos Macabeus; 3. Hebraica recebeu a equipe de Guarulhos no Centro Cívico para uma eletrizante partida de handebol; 4. Jovens en-

4.

5.

xadristas e famílias elogiaram a organização do Campeonato Paulista

4.

de Xadrez Escolar 2016; 5. Na piscina Olímpica 2, muita adrenalina no Campeonato Paulista de Polo aquático sub-13. Na foto, o jogo entre Bauru e Hebraica

5.


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esportes > fotos e fatos Flávio Mello / Gustavo Gerchmann

Pela primeira vez, o Circuito Lúdico, atividade tradicional no calendário do segundo semestre da Escola de Esportes, foi realizado em vários locais do clube. Pais e filhos se divertiram na piscina, no centro de ginástica olímpica e nas quadras de futebol society e externas. Era difícil perceber alguma diferença entre as gerações


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magazine > religião | por Ariel Finguerman, em Raanana ação destas. E também como os trabalhadores teriam que compensar seus patrões por este domingão de vantagem. “Nem pensar em perdas salariais por conta disto”, disse um líder sindical local. Os defensores do novo fim de semana lembram que o israelense trabalha hoje mais tempo que a média dos países do Oecd, o grupo das nações mais desenvolvidas do mundo. No Estado judeu, são 43 horas semanais, enquanto em outras nações do Primeiro Mundo, quarenta horas, e até menos. Por outro lado, a produtividade do israelense por hora trabalhada é considerada menor que a de outros países do OECD. E mais um dia de descanso na semana não vai ajudar a melhor esta situação.

RUA PROIBIDA PARA CARROS EM FERIADO RELIGIOSO DE ISRAEL

Um fim de semana todo seu ISRAEL AVALIA A POSSIBILIDADE DE AUMENTAR O FIM DE SEMANA NO PAÍS, E GARANTIR UM DIA DE DESCANSO REAL AOS RELIGIOSOS

O

paulistano Martin Teitelbaum está entusiasmado com a nova vida em Israel, onde vive há seis anos. Gosta da cidade onde vive, a agradável Raanana, e a mulher assim como os três fi lhos se adaptaram bem. Só tem um problema pois desde que fez sua aliá, não descansa mais no fi m de semana. Observante do Shabat, Teitelbaum se deu conta que aqui, em Israel, perdeu algo que nem percebia tinha no Brasil: o domingão, que permite ao religioso passear com a família e amigos. No Estado judeu, isto não existe, com o fim de semana começando e terminando com o Shabat e as restrições de mobilidade. “É um grande problema social”, diz. Assim como o ex-paulistano, centenas de milhares de israelenses vivem o mesmo desconforto. O governo sabe disso e quis implementar a partir de janeiro uma novidade: seis vezes ao ano, espichar o fim de semana para incluir o domingo. Tudo estava pronto, mas o ministro das Finanças, Moshé Kahalon, temendo consequências para a economia local, puxou o breque

de mão e pediu mais um tempo para estudar a novidade, pelo menos até julho. O ministro das Finanças encara com seriedade a nova ideia e já pediu para o chefe de gabinete elaborar uma proposta de lei para enviar ao Knesset. Várias comissões interministeriais estudam cuidadosamente a viabilidade do projeto, juntamente com a Federação das Indústrias, que reúne o empresariado. Por enquanto, a conclusão é que o fim de semana espichado provocará a perda imediata de U$ 2,4 bilhões para as empresas e outros serviços que dispensariam funcionários e fechariam no domingo. Os técnicos avaliam agora se outros setores poderiam se beneficiar da quantidade extra de gente fazendo lazer, como shopping centers. E se um poderia compensar o outro. Os sindicatos estão preocupados se os salários despencariam numa situ-

Sem ver o irmão Se a nova proposta de descanso no domingo for aprovada, o ex-sócio da Hebraica Martin Teitelbaum planeja finalmente conhecer o país em que mora, mas onde praticamente nunca conseguiu passear. “Estou há seis anos em Israel, mas mal conheço aqui, por conta da falta de fim de semana”, diz. O ex-hebraicano já observava o Shabat em São Paulo, mas lembra do saudoso “domingão paulistano” como o dia em que costumava encontrar os amigos na Hebraica ou ia ao litoral norte. “Hoje não tenho fim de semana aqui. Se quero viajar sexta-feira, tenho de voltar sábado, com todas as limitações do Shabat. Não tem aquele dia livre para diminuir o estresse do trabalho da semana”. Esta falta de um dia “secular” no fim de semana afeta até mesmo as relações entre amigos e familiares. “Eu cheguei até a perder amizades por isso. Uma amiga mora em Netania, a trinta minutos da minha casa, mas há cinco anos estamos combinando nos encontrar e nunca conseguimos”.

A FAMILIA TEITELBAUM, EM JERUSALEM

Ainda mais radical, Teitelbaum ficou seis meses sem encontrar o irmão, que também vive em Israel, num moshav no sul do país, e como ambos observam o Shabat, não conseguem se locomover com facilidade para se encontrar. “Só conseguimos nos ver quando resolvemos um dormir na casa do outro”. Teitelbaum deixa claro que não critica o Shabat, nem nega o prazer que sente ao observá-lo. “Não reclamo do Shabat, gosto deste dia. Simplesmente, não posso pegar o carro e ir à praia. Mas não é algo que realmente me faça falta”. Famílias religiosas como a sua tem dois momentos estratégicos no ano para conseguir passear pelo país. É no Kol Ha-Moed, cinco dias na semana de Pessach e mais cinco dias em Sucot, em que não se trabalha, mas se pode passear de carro. “O problema é que todos viajam ao mesmo tempo e tudo fica muito cheio e muito caro no país. Por isso acabamos nem saindo de casa”. E viagem é algo que já foi muito significativo na vida de Teitelbaum. Foi numa dessas, promovida pelo Hebraica Adventure em 1997 para a Ilha do Mel, que ele conheceu a mulher, Michele. Casaram-se pouco depois e têm três filhos – e um cachorrinho. “Até hoje sou muito grato por isso à Hebraica”, diz. A falta de descanso no fim de semana não atrapalha o prazer de Teitelbaum por ter decidido fazer aliá. Para ele, “não tem nem comparação” as vantagens para um judeu religioso viver em Israel, em relação à vida em São Paulo. “Veja só, estamos sentados na principal rua da minha cidade e absolutamente todos os bares e restaurantes são kasher. Até mesmo na noitada tudo é kasher”. Outra coisa que o atrai em Israel é o fato do país literalmente parar em todos os chagim judaicos. “No Brasil, você precisa implorar para seu patrão te dispensar nestes dias, enquanto aqui minha empresa simplesmente fecha.” Então Teitelbaum é lembrado que quem se prejudica nos chagim são os judeus seculares, que ficam sem muito o que fazer nos longos feriados com as lojas fechadas. “Aí quem sofre são eles”, diz, rindo.

Os defensores do novo fim de semana lembram que o israelense trabalha hoje mais tempo que a média dos países do Oecd, o grupo das nações mais desenvolvidas do mundo


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por Ariel Finguerman | ariel_finguerman@yahoo.com

2

Nunca é tarde Ysrael Kristal, 113 anos, considerado o homem mais idoso do mundo pelo Guinness, se deu conta que nunca havia feito bar-mitzvá. Morador de Haifa, sobrevivente do Holocausto, ele decidiu reunir a família – incluindo trinta bisnetos – num hotel da Galileia para marcar a data. Em 1916, quando tinha treze anos de idade, sua família enfrentava a Primeira Guerra Mundial na Polônia, incluindo o alistamento do pai no exército russo, e não pode cumprir a mitzvá. Quase toda a família foi dizimada em Auschwitz, e ele mesmo pesava 37 kg no final da guerra. Casouse novamente, teve dois filhos e viveu como fabricante de doces em Israel.

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Power girls

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Êta nóis

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Mulherada feliz

Pela primeira vez na história deste país, mulheres etíopes chegaram ao posto de juízes. Duas advogadas, Adanko Chaimovitz e Ester Garadi, foram nomeadas para o tribunal de reconciliação de Tel Aviv e para o tribunal de trânsito de Haifa, respectivamente. Ambas passaram por uma seleção rígida de dois meses até serem aprovadas. Outra nomeação que chamou a atenção foi a da advogada Miriam Banki. Esta nova juíza é mãe de uma jovem que morreu esfaqueada por um judeu ortodoxo durante a Parada Gay de Jerusalém, no ano passado.

Quem está mais feliz com sua faculdade, o estudante que paga mais caro numa instituição privada ou quem estuda numa universidade do governo mais barata? É o que quis saber o equivalente à UNE israelense, numa pesquisa entre onze mil estudantes. Quem deu como resposta o clássico “os mais felizes são sempre os mais ricos” acertou, novamente: as faculdades privadas mais caras do país têm os alunos mais satisfeitos. Em primeiro lugar ficou o IDC de Herzlia, seguido das faculdades Ono e Rupin. As “dinossauras”, que tem apoio público, ficaram todas para trás: Universidade de Tel Aviv (30º lugar), Hebraica de Jerusalém (34º) e Ben-Gurion (37º).

Israel recebeu o respeitável 17º lugar entre os países onde as mulheres melhor vivem no mundo. A classificação é da ONG britânica “Save the Children”, especializada no apoio a crianças através do planeta. O Estado judeu ficou melhor colocado que França (18º), Canadá (19º) e Estados Unidos (32º). Os critérios são número de gravidez juvenil, casamentos precoces, participação de mulheres no governo e presença feminina nas escolas. E onde é o melhor lugar do mundo para nascer mulher? Nos países escandinavos, claro.

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Projeto salomônico Esta é digna de orgulho até para o rei Salomão: como parte das incríveis construções de infraestrutura em Jerusalém, o governo anunciou que o novo trem expresso Tel Aviv– Jerusalém irá alcançar até a entrada do Muro das Lamentações. Até agora, a linha férrea, com previsão para ser entregue no Pessach de 2018, chegaria apenas até a entrada de Jerusalém. Mas o super-ministro dos Transportes, Israel Katz, pediu para os técnicos cavarem um túnel através da cidade para expandir a linha até uma entrada subterrânea, ao lado do Portão do Kotel. É ver para crer.

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Medida contra medida Por que tantos terremotos acontecendo na Itália, destruindo antigas igrejas e monumentos? Para o deputado do Knesset, Ayoob Kara, isto não tem nada a ver nem com fissuras na crosta terrestre nem com o nível de engenharia. A razão é a abstenção da Itália na votação da Unesco, proposta pelos países árabes, que desligou o Monte do Templo de Jerusalém da tradição judaica. Kara, deputado druso do Likud (entrevistado há alguns anos pela revista Hebraica), externou esta sua visão em Roma, quando estava prestes para ser recebido pelo papa. Claro, o ministério do Exterior de Israel rompeu até o Shabat para pedir desculpas aos italianos pelo comentário tosco. Mas desconfio que muita gente gostou da interpretação.

12 notícias de Israel

Aos 39 anos de idade, a deputada do Knesset, Meirav Ben-Ari, chegou à conclusão que não tinha realmente nada neste mundo que pudesse chamar de seu. Não possuía apartamento próprio, nem carro (ela usa o veículo do Parlamento) e nem filhos. Resolveu então procurar um amigo homosexual e fazer uma proposta: trazer uma criança ao mundo. No último Dia da Mulher, ela anunciou no pódio do Knesset que está grávida e que será a “primeira deputada solteira do país, mãe de uma criança cujo pai é gay”. A deputada nega que tenha qualquer interesse político na atitude, mas afirma que quis dar exemplo a mulheres que queiram ser mães, mesmo sem ter um marido.

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Mãe solteira, pai gay

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Drama israelense Racionalmente falando, Israel tinha tudo para não se destacar no quesito TV em nenhum lugar do mundo. Só existem três canais locais e o cinema sabra também não é lá essas coisas. Mas a criatividade local venceu tudo isto. Primeiro foi o seriado israelense Homeland, que virou febre mundial. Depois, In Treatment. Agora é a vez de Shtisel, um seriado que acompanha uma família de ortodoxos de Jerusalém e seus dramas e alegrias. Enganou-se quem pensou que um tema como este somente agradaria o nosso mundinho. A ideia foi comprada pelo canal da Amazon, que fará uma adaptação acompanhando uma família de judeus haredim de Nova York.

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ONU kasher Depois de tantas pancadas recebidas nas Nações Unidas, finalmente Israel conseguiu encaçapar uma a seu favor. O secretáriogeral Ban Ki-Moon, que já prepara as malas para deixar o cargo, aprovou a ideia de oferecer comida kasher nos restaurantes e cafeterias de sua organização aos diplomatas que seguem a dieta do judaísmo. A iniciativa foi do representante israelense Danny Danon, que apresentou um argumento bem convincente: estes locais já oferecem comida halal (própria para consumo dos muçulmanos) e vegetariana. “Da mesma maneira que respeitam seguidores de outras religiões, também devem respeitar o judaísmo”, disse Danon.


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Ralo abaixo

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Sueca no deserto A rede de utensílios domésticos Ikea anuncia a construção de sua quarta mega-loja em Israel. Desta vez será em Beer-Sheva, a chamada “capital do Negev”. A abertura está prevista para fevereiro de 2018, num espaço de 22 mil metros quadrados e estacionamento para 1.500 veículos. A Ikea, baseada na Suécia e considerada a maior loja do gênero no mundo, revolucionou o mercado israelense há quinze anos ao oferecer produtos de boa qualidade e preços baixos. Até então, o consumidor israelense ficava nas mãos de importados caríssimos ou artesãos locais meia-boca. O dono do negócio, o sueco Ingvar Kamprad, é considerado um dos homens mais ricos do mundo – ele merece.

Fim do serviço?

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Lair Ribeiro, o médico-guru brasileiro, disse certa vez que levamos toda uma vida construindo nossa reputação. Mas, às vezes, basta uma só pisada na bola, para tudo ir para o beleléu. Foi isto que acaba de acontecer com Ari Shavit, brilhante jornalista do jornal Haaretz e autor de Minha Terra Prometida (título em português), best-seller internacional, elogiadíssimo por gente do naipe de Christiane Amanpour (“leitura obrigatória”), Thomas Friedman (“livro que se deve ler”) e muitos outros. Mas aí surge uma linda jornalista judia dos EUA, Danielle Berrin, acusando-o de tê-la agredido sexualmente durante uma entrevista para promover o livro, há dois anos. Em seguida, outra mulher judia também o acusou de tê-la assediado sexualmente, também durante sua visita aos EUA. Não deu outra. Shavit emitiu um comunicado dizendo: “Estou envergonhado pelos vários erros que cometi no tratamento de pessoas em geral e, em particular, de mulheres”. Em seguida, demitiu-se tanto do prestigiado posto no Haaretz quanto do jornal televisivo do Canal 10. O Yedioth, concorrente do Haaretz aproveitou para detonar o jornalista, estampando o caso em primeira página. Paraquedista do Tzahal e formado em Filosofia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Shavit vive num dos bairros mais sofisticados do país, Kfar Shemaryahu, com mulher e três filhos. Toda uma vida e carreira brilhantes, agora ralo abaixo.

Quem conhece Israel, reconhece os táxis amarelos tipo vans chamados sherut (“serviço”, em hebraico). Eles são a solução para muitos problemas do trânsito de Israel. Circulam entre as principais cidades do país durante o Shabat, garantindo transporte para milhares e milhares de pessoas que não têm carro, mas precisam – ou simplesmente querem – circular pelo país no fim de semana. As vans sherut também atuam em linhas regulares, levando passageiros que esperariam longos minutos até a chegada do ônibus regular. Agora, circula no governo a ideia de proibir o sherut em todo o país. O argumento é que muitos motoristas e veículos circulam sem o devido controle do governo. Se alguém perguntar minha opinião, sou absolutamente contra a proibição. Se falta controle, que se crie os controles. Não se pode proibir o único meio de transporte coletivo num país que simplesmente pára todos os veículos públicos por trinta horas no fim-de-semana. Israel foi fundado por gente simples, preocupada com o coletivo e liberal quanto à religião. Com o passar das décadas, o país está ficando cada vez mais elitista, individualista e impositivo de um só sistema religioso (judaísmo ortodoxo). A proibição do sherut seria mais um passo nesta preocupante tendência.


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magazine > viagem | Texto e fotos de Flávio Bitelman

A PRAÇA REGISTAN ENSEMBLE DE SAMARCAND E SEU MAGNÍFICO CONJUNTO DE EDIFÍCIOS

Na Rota da N Seda SANTUÁRIO DE REFUGIADOS JUDEUS

DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, A

EX-REPÚBLICA SOVIÉTICA DO UZBESQUISTÃO

TRANSBORDA DE GENTILEZAS E SABE RECEBER OS VISITANTES. E HÁ TAMBÉM MUITO

O QUE VER: EDIFÍCIOS MAGNÍFICOS E UMA

ESPLÊNDIDA TAPEÇARIA

o Uzbequistão de hoje falam-se mais de dez línguas diferentes, além do uzbeque, a língua oficial. De todo modo, novas e velhas sinagogas ainda continuam lá e apenas algumas poucas funcionam, garantidos pelo quórum mínimo. Um exemplo foram as duas cerimônias de que participei, em Samarcand e Bukhara, de Iom Kipur e Sucot, respectivamente, há dois meses. Imaginem que havia trinta sinagogas em Bukhara, e só restam duas. Em 1970, viviam cem mil judeus no Uzbequistão, então uma das Repúblicas Socialistas da União Soviética, a grande maioria deles refugiados da Segunda Guerra e na Sibéria que, depois, imigraram para Israel, Estados Unidos, os países de origem e muitos ficaram por lá. Agora, estima-se em trezentos judeus em Bukhara e setecentos em Samarcand. Foram duas experiências significativas, estas de me reunir com irmãos nos confins da Ásia Central, em cidades que surgiram a partir de paradas de viajantes que usavam a Rota da Seda, cujo ponto inicial estava no Extremo Oriente e cruzava a Eurásia em direção à Europa Central, fazendo escoar produtos de que os europeus gostavam e pelos quais ansiavam. O ponto alto da viagem foi, sem dúvida, Samarcand e sua praça Registan Ensemble, que durante séculos foi o centro da

cidade. Registan, que significa Local Arenoso, era o centro administrativo, comercial e de artesanato e o coração da cidade. A praça impressiona pelo luxo e brilho e o complexo que faz parte dela manteve as características apesar de mudanças que tenham ocorrido ao longo dos séculos. A construção da Registan Ensemble é dividida em três períodos: o primeiro foi no reinado de Timur (século 14) quando era a sede social e política e foi criada a legislação; o segundo o tempo de Ulugbek, quando Samarcand se tornou o centro científico do Oriente e, o terceiro período ocorreu durante o reinado de Bahadur Yalangtush Biy. Nesse período, foram erguidas duas grandes madrassahs, a instituição de altos estudos muçulmanos, onde só estudavam os filhos da elite econômica por dez até vinte anos. Eles estudavam principalmente o Corão e o resto das disciplinas era optativo. A Praça Registan é formada por três magníficos edifícios: Ulugbek’s Madrassah construída entre 1417 e 1420, Sher-Dor, 1619 a 1636 e a Madrassah Mesquita Till-Kari de 1647 a 1660. O Uzbequistão é um país fantástico que precisa ser incluído entre aqueles que qualquer pessoa precisa visitar antes de morrer. Muitos além dos monumentos arqueológicos, e sempre objeto das primeiras visitas e todo deslumbramento, porque erguidos em terras inóspitas, o que conta naquele país são as pessoas que parece transbordar de gentilezas e vontade de se aproximar do recém-chegado como se cumprisse o princípio bíblico de bem receber e acolher o estrangeiro. Apesar da cor ocre das terras, é um país cheio de cores expostas em todas as formas de artesanato, como os famosos tapetes, a poteria, e toda sorte de pequenos objetos que seduzem as pessoas. Descubra um pouco deste país fascinante por meio destas fotos. E quem nos leva por essa mágica viagem de trem pela Rota da Seda é a AuroraEco (www.auroraEco.com. br) e as próximas saídas serão em abril e outubro de 2017 e isto é, na primavera e outono, pois o verão é muito quente e o inverno extremamente frio. A viagem é feita no Orient Silk Road Express, um trem de luxo, e os hotéis são de quatro e cinco estrelas. >>

FIGURAS TÍPICAS DE SAMARCAND: A ANCIÃ E A MOÇA QUE FAZ CÂMBIO NA RUA MESMO

INTERIOR DA SINAGOGA DE SAMARCAND EM IOM KIPUR

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O QUE CHAMAM DE MERCADO PERSA É ISSO AÍ, SUCOT NA SINAGOGA DE BUKHARA COM MOSHE SENDACZ

A MESMA PRAÇA ILUMINADA À NOITE, CÚPULAS DE MESQUITAS, COMÉRCIO DE GORROS

GRUPO DE DANÇAS, LOJA DE TAPETES, SANFONEIRO DE RUA


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magazine > eleições americanas | por Armin Rosen

Trump tem assessores antissemitas e familiares judeus O CANDIDATO REPUBLICANO À PRESIDÊNCIA TEM FAMILIARES E AMIGOS JUDEUS E ASSESSORES AQUI ESTÃO ELES. OS JUDEUS LIGADOS A TRUMP PARECEM TER UMA CONFIANÇA ILIMITADA

ANTISSEMITAS.

NAS QUALIDADES PESSOAIS DE SEU BENFEITOR. O TRUMP QUE CONHECEM É DECIDIDO, SÉRIO, TOLERANTE E

GENEROSO, UMA OPINIÃO FORMADA EM ANOS E ATÉ DÉCADAS DE EXPERIÊNCIA PESSOAL COM ELE

P

ouco antes das eleições americanas os assessores de Donald Trump exibiam as amizades, as relações e o parentesco com judeus para afastar do, afinal, candidato republicano eleito, o cálice do antissemitismo. No entanto, dias depois de proclamados os resultados as preocupações aumentaram a ponto de o American Jewish Committee e o Islamic Society of North American terem se juntado formando o Muslim Jewish Advisory Council para proteger as minorias do avanço acelerado dos radicais de direita e supremacistas na figura, entre outros, de Steve Bannon, conhecido provocador profissional alçado à condição de conselheiro principal de Trump, que vai ser empossado dia 20 de janeiro; e Newt Gingrich, um radical e expoente de um movimento que se tornou conhecido como alt right expressão que surgiu em 2008 e se refere a uma ala do eleitorado rural de tendência populista que se rebela e ataca os conservadores usando a internet como forma de reunião e arma. Embora desprovidos de ideologia, estas pessoas têm como fonte de inspiração antigos supremacistas brancos como David Duke, ex alto dignitário da Klu Klux Kan, negacionista do Holocausto e teórico da conspiração de judeus e Richard Spencer, conhecido radical de direita, envolvidos em questões raciais e de imigrantes, controle de armas e em assuntos de livre arbítrio pessoal. No entanto, Donald Trump finge que não ouve ou nada tem a ver com políticas que incomodam aos judeus norte-americanos e apoiadores antissemitas e, para tanto, se vale de velhos amigos, parentes e antigos e leais funcionários de suas empresas como se vai ler a seguir brandindo que é sogro de um judeu ortodoxo e são judeus os conselheiros e apoiadores mais próximos. Essa familiaridade, porém, não lhe permitiu avançar para além dos 30% do voto judaico que Mitt Romney recebeu em 2012.. Nas eleições primárias, Trump distinguiu-se dos rivais por meio de posições a respeito de imigração, particularmente no que diz respeito aos muçulmanos e refugiados da guerra civil síria. Os judeus norte-americanos, além de politicamente liberais, também são sensíveis aos perigos que as populações minoritárias vulneráveis enfrentam dentro e fora dos Estados Unidos. Para alguns judeus, a proposta de Trump de proibir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos lembra antigos movimentos nor-

te-americanos de limitarem a imigração judaica ou fazer dos judeus norte-americanos o bode expiatório dos males sociais e políticos do país. E também há um padrão de incidentes relacionados ao antissemitismo que, de alguma forma, envolveram a campanha Trump que hesitou em rejeitar o apoio do antissemita e antigo Grande Dragão da Ku Klux Klan, David Duke; não condenou apoiadores que enviaram ameaças de morte antissemitas à jornalista Julia Ioffe depois de ela publicar um perfil de Melania Trump na revista GQ; o hábito de retornar mensagens de supremacistas brancos; e o uso do slogan “America First (“América em Primeiro Lugar”), de origem antissemita. Também aceitou se valer de uma imagem antissemita contra Hillary Clinton a partir de um fórum branco nacionalista na web. Pelo menos, durante a campanha Trump não se valeu do êxito de atrair partidários declaradamente antissemitas. De outro lado, Trump tem familiaridade íntima com a prática e a vida judaicas. A filha Ivanka, converteu-se ao judaísmo ortodoxo em 2009 e, Trump é o primeiro presidente a ser pai e avô de judeus observantes. O marido de Ivanka, o magnata imobiliário Jared Kushner, é judeu ortodoxo e um dos principais conselheiros de Trump. O antigo diretor financeiro e conselheiro-geral da Trump Organization são ambos judeus devotos, e Trump tem o apoio de talvez o doador político mais importante no mundo judaico norte-americano – o magnata do jogo de Las Vegas, Sheldon

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Adelson. Embora figura política profundamente repulsiva para muitos judeus norte-americanos, Trump pode alegar que judeus e judaísmo estão mais próximos do centro de sua vida e de seu trabalho do que a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Os judeus ligados a Trump parecem ter uma confiança ilimitada nas qualidades pessoais de seu benfeitor. O Trump que conhecem é decidido, sério, tolerante e generoso, uma opinião formada em anos e até décadas de experiência pessoal com ele. Apesar desse acesso especial, a crença no próprio Trump – muitas vezes independente de qualquer parentesco ideológico profundo – ajuda a desmistificar exatamente por que o investidor imobiliário, tão descarada e visceralmente desagradável para dezenas de milhões de americanos, encanta dezenas de milhões de outros. Os judeus de Trump também sugerem algumas das tendências organizacionais que definem o Trumpworld. Com a possível exceção de Sheldon Adelson, cada um dos principais judeus de Trump o conhecem há anos, são amigos pessoais, ou ligados à família pelo casamento. Um dos judeus de Trump é conhecido por ser um democrata de carteirinha. Outro, foi um importante doador democrata. Os judeus de Trump refletem a importância da lealdade pessoal dentro do universo político e moral de Trump – e um certo grau de diversidade ideológica e formação entre as pessoas que passaram a acreditar mais nele. Eles podem ser divididos em três círculos de influência que, exceto pela filha do candidato, Ivanka, não se sobrepõem tanto: os funcionários mais leais da Trump Organization; o mundo político endinheirado em torno do candidato Trump; e a família do candidato. Desses círculos, parece justo dizer que as pessoas da Trump Organization têm estado com Trump mais tempo, enquanto a família tem influência mais direta com ele.

Trump Organization – Jason Greenblatt Há alguns meses no início da campanha, Jason Greenblatt era conselheiro-geral da Trump Organization e um dos principais funcionários jurídicos internos da empresa. Atualmente, Greenblatt, que trabalha para Trump desde meados da década de 1990, é um dos principais conselheiros do candidato a respeito de Israel e assuntos judaicos, além de principal ligação da campanha com a comunidade judaica. Quando a revista The Forward declarou moratória de 24 horas relativa à cobertura da campanha de Trump em 20 de junho, para protestar contra o bullying online feito pelos apoiadores do candidato contra os jornalistas, Greenblatt redigiu a resposta da campanha. E quando a controvérsia irrompeu sobre o uso por Trump de uma imagem de Hillary Clinton surgida em um fórum branco nacionalista na web, Greenblatt defendeu o candidato no Washington Post, citando as próprias experiências com Trump. “A refutação mais clara da alegação de antissemitismo, ou da afirmação de que Trump é alguém que encoraja, tolera ou se satisfaz com o comportamento antissemita, é a sua eterna adesão ao povo judeu e seu passado de apoio firme às causas judaicas e Israel”, escreveu. Judeu ortodoxo, Greenblatt disse à revista eletrônica Tablet que Trump nunca ligou para o fato de observar o Shabat, permitiu que interrompesse suas atividades no Shabat e conciliasse as atividades profissionais à observância do Shabat. Segundo Greenblatt, qualquer percepção de antissemitismo entre Trump ou seus seguidores resulta de narrativas distorcidas dos meios de comunicação e não de qualquer intolerância antijudaica endêmica da campanha. “Esse mal-estar é equivocado e fora de lugar”, diz Greenblatt a respeito das angústias judaicas em relação a um suposto namorico de Trump com o antissemitismo. “Espero que as pessoas entendam isso. Creio, sinceramente, que é responsabilidade de todos descobrirem isso.” Até que Trump o transformasse em >>

Trump tem familiaridade íntima com a prática e a vida judaicas. A filha Ivanka, converteu-se ao judaísmo ortodoxo em 2009 e, Trump é o primeiro presidente a ser pai e avô de judeus observantes. O marido de Ivanka, o magnata imobiliário Jared Kushner, é judeu ortodoxo e um dos principais conselheiros de Trump


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magazine > eleições americanas >>

conselheiro da campanha Greenblatt nunca tinha trabalhado em política e ele não tem nenhuma preparação formal em relação à política do Oriente Médio. “Eu não sou um cara político”, explicou. “Apenas estou envolvido na política por causa de quem eu trabalho.” A motivação de Greenblatt nesta nova frente de trabalho decorre, em grande parte, da confiança nas qualidades pessoais de Trump, que testemunhou de perto por mais de duas décadas. “Você não está apenas trabalhando para uma organização gigante”, diz Greenblatt sobre a experiência de trabalhar na Trump Tower, “você trabalha para um ser humano. Em um banco, banco de investimento, escritório de advocacia, se trabalha com um grupo de pessoas para uma organização anônima, sem rosto. Aqui, você trabalha para uma grande empresa, mas Donald é o cara”. David M. Friedman Friedman, o advogado especializado em falências que começou a trabalhar para Trump há quinze anos e o representou nos processos de falência relacionados aos empreendimentos imobiliários da marca Trump em Atlantic City, é outro conselheiro sênior sobre Israel, junto com Greenblatt. Para o jornal Haaretz é o “principal candidato” para o embaixador de Trump em Israel. Ex-colunista do site israelense de direita Arutz Sheva, Friedman é altamente cético em relação à solução de dois estados. Ele preside os Amigos Americanos de Bet-El, um assentamento da Cisjordânia ao norte de Ramalá e que provavelmente não ficará sob controle israelense no caso de um acordo de paz com a Autoridade Palestina. Friedman, que organizou ações filantrópicas em Israel e possui uma casa no país, acredita que a legalidade dos assentamentos ainda é uma questão aberta: “Quando Hillary Clinton e Barack Obama dizem que os assentamentos são ilegais, isso não é uma posição neutra, especialmente porque a legalidade dos acordos é altamente discutível”, disse ele. Cético a respeito da solução de dois estados e defensor dos assentamentos politicamente questionáveis na Cisjordânia, Friedman se encaixa no perfil de quem poderia se preocupar com a possibilidade de os Estados Unidos tomarem uma abordagem mais “neutra” a respeito do conflito israelense-palestino, algo que Trump defendeu durante as primárias. Mas Friedman acredita que o endosso de Trump à “neutralidade” era qualquer coisa menos desprezo contra Israel. Na sua opinião, a “neutralidade” significava simplesmente intermediar discussões de paz sem impor condições prévias a qualquer lado. “Na medida em que pensou que havia oportunidade para fazer algum bem, Trump só vai se envolver se achar que pode ser útil”, disse Friedman a propósito da questão da paz do presidente eleito. “Ele não vai se envolver apenas para satisfazer seu ego, como Kerry e Obama fizeram no último ano.” Quando perguntado se estava preocupado por ter ajudado a eleger o homem que poderá negociar a evacuação de Bet El, em Israel, em um acordo de paz final, Friedman disse: “Não estou preocupado porque isso não é realista no ambiente atual”.

Assim como Greenblatt, Friedman discorda de que a campanha de Trump tenha se tornado local de antissemitismo. E acredita que a cobertura dos meios de comunicação acerca do apoio dos antissemitas a Trump ignora a existência do antissemitismo de esquerda e sua alegada proximidade com a campanha de Hillary Clinton. “O que o movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”) realmente pensa sobre o povo judeu? O que a extrema esquerda realmente pensa do povo judeu? Quanto você confia em alguém que canta um slogan sobre assassinar policiais? Você pode realmente pensar que o movimento BDS é apenas um movimento político ou você realmente acha que é um movimento antissemita?”, pergunta Friedman. “Agora, creio que é um movimento antissemita, e eu acho que a extrema esquerda é tão antissemita, senão mais, do que a extrema-direita. Mas por alguma razão, quando se tratava de Bernie Sanders ou de Hillary Clinton, parecem obter aprovação do apoio da extrema-esquerda sem que ninguém os acuse de abrigar o antissemitismo dentro de sua campanha.” Michael Cohen O conselheiro especial e vice-presidente executivo de Trump não votou em seu chefe na primária republicana de Nova York em 19 de abril: Cohen é democrata registrado no partido. Uma década como principal porta-voz, guardião e advogado pessoal de Trump colocaram-no no centro da política presidencial republicana. Cohen, a quem a ABC News já o descreveu como o “pitbull” de Trump, fala com sotaque nova-iorquino e tem uma reputação um tanto duvidosa como é comum a alguém da primeira linha de defesa de uma figura pública controversa. “Se alguém faz algo de que o senhor Trump não gosta, faço tudo o que estiver ao meu alcance para resolvê-lo para benefício do senhor Trump”, disse ele à ABC, em 2011. “Se você fizer algo errado, eu vou atrás de você, pegá-lo pelo pescoço, e não vou soltá-lo até terminar o trabalho.” Esse tipo de abordagem já causou pro-

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blemas para o candidato de Cohen, pois no início da campanha, Cohen ameaçou arruinar a vida do repórter Tim Mak, do Daily Beast , se ele escrevesse a respeito da acusação da ex-mulher de Trump, Ivana, segundo a qual, em 1989, Donald Trump a “violentou” durante o ato sexual, e que faz parte do testemunho relacionado ao divórcio no início dos anos 1990. Cohen disse a Mak, mais de uma vez, que legalmente não existe tal coisa como “estupro conjugal”. Trump e Cohen mantiveram-se unidos durante a controvérsia que se seguiu. Cohen sempre enfatiza a “estreita ligação de Trump com o povo judeu”, e que o pai do candidato, o investidor imobiliário Fred Trump, “também era reconhecido e elogiado pelas comunidades judaicas de Brooklyn/Queens”. Cohen rejeitou com veemência as ligações entre seu chefe e o antissemitismo. “Nada me irrita mais do que a vergonhosa descaracterização pelas mídias liberais do senhor Trump como um racista”, respondeu Cohen por e-mail. “Como filho de sobrevivente do Holocausto, o racismo nunca foi permitido em nossa casa e nunca trabalharia para alguém com essas tendências. Será que um racista assistiria ao bat e bar-mitzvot dos meus filhos? Será que ele faria de um judeu um executivo em sua empresa e daria a essa pessoa a tarefa de proteger ele mesmo, sua empresa e seus filhos? Qualquer um que acredita, até mesmo por uma fração de segundo, que isso seja verdade é muito ignorante para se envolver em uma conversa. Ele (Trump) é um grande homem e vai viver de acordo com seu mantra de fazer a América grande novamente!” Como Cohen explica, Trump também tem critérios simples, totalmente despidos de intolerância para avaliar as pessoas. “O senhor Trump trata todas as pessoas exatamente do mesmo modo, independentemente de raça, religião, credo ou cor. Faça a tarefa satisfatoriamente para ele e você será elogiado. Falhe na tarefa, bem... você sabe o que acontece.”

A família – Ivanka Trump A filha de 34 anos de Ivana e Donald Trump foi um dos centros de poder mais importantes da campanha de Trump. Ivanka foi supostamente a força motriz por trás da demissão do ex-gerente de campanha Corey Lewandowski. Diz-se que Ivanka foi “impressionante” durante as reuniões individualmente com os senadores depois de reuniões desconfortáveis e até hostis entre Donald Trump e os congressistas republicanos, em julho, uma reunião que teria incluído uma “troca tensa de palavras” entre Trump e o senador pelo Arizona Jeff Flake. Em abril, segundo o jornal The New York Times, Ivanka mantém “uma posição exaltada na família, na empresa e até mesmo na campanha”, servindo como conselheira de confiança e “cônjuge político substituto”, à luz da aversão de Melania Trump aos rumos da campanha. Do lado dos negócios, Ivanka negociou a aquisição pela Trump Organization de um resort de golfe de luxo em Miami e a renovação do complexo Old Post Office perto da Casa Branca. Ivanka converteu-se ao judaísmo ortodoxo em 2009 orientada pelo influente rabino ortodoxo Haskel Lookstein, antes de casar com o investidor imobiliário Jared Kushner. Ivanka guarda o Shabat e é glatt kosher (estritamente kosher). Enquanto Donald Trump nunca tenha realizado nenhum projeto de negócios em Israel, David Friedman disse que acompanhou Ivanka a Israel “há alguns anos” para “olhar algumas propriedades hoteleiras”, embora nada concreto tenha resultado dessas viagens. Ivanka quase nunca trata em público da conversão ao judaísmo, mas recordou o assunto em entrevista de 2015 à revista Vogue. “Foi uma grande decisão de vida para mim”, disse a respeito da conversão. “Sou muito moderna, mas também uma pessoa muito tradicional, e acho que é uma justaposição interessante sobre como eu fui criada. Eu realmente acho que com o judaísmo cria-se um plano surpreendente para conectividade familiar.” >>

Os judeus de Trump refletem a importância da lealdade pessoal dentro do universo político e moral de Trump – e um certo grau de diversidade ideológica e formação entre as pessoas que passaram a acreditar mais nele


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magazine > eleições americanas Jared Kushner Quando o filho de Charles Kushner, agora com 35 anos, casou com Ivanka Trump em 2006, provavelmente não tinha ideia de que essa união acabaria por transformá-lo em um dos melhores atores da política americana. De acordo com reportagem do The New York Times, de julho, Kushner é um dos conselheiros mais próximos de Trump e, de fato, gerente de campanha, organizando reuniões de alto nível e mapeando estratégias de controle de danos depois de incidentes como o tweet de Hillary Clinton com a estrela judaica. Ele teria sido o autor de grande parte do discurso bem-recebido de Donald Trump no Aipac (American Israel Public Affairs Committee) em abril passado, o primeiro da campanha em que o candidato republicano falou com a ajuda de um teleprompter. Kushner também é proprietário e editor do semanário New York Observer, que apoiou Trump antes da primária de Nova York em abril, em um editorial com a inesquecível abertura franca: “Donald Trump é o sogro do editor do Observer. Essa não é uma razão para endossá-lo. Dar a milhões de americanos desiludidos um sentido renovado de propósito e oportunidade, sim”. As primeiras linhas desse texto sugerem as tensões incorporadas no papel de Kushner dentro da campanha. Kushner é o rosto jovem e limpo de um dos mais notórios clãs imobiliários da área de Nova York – alguém que poderia entrar na lista de quarenta com menos de 40 anos da revista Forbes e fechar transações de US$ 2 bilhões somente em 2014, apesar dos problemas bem documentados de sua família. Ao mesmo tempo, ele está ligado por casamento ao que muitos viam como empreendimento inerentemente sórdido, ou seja, a campanha presidencial de Donald Trump. Esta tensão ficou escancarada em 5 de julho, quando Dana Schwartz, que escreve para o New York Observer, usou o site do jornal de Kushner para criticar seu chefe por defender Donald Trump contra acusações de antissemitismo, e por se ligar a um candidato presidencial que galvanizou legiões de pessoas que odeiam os judeus. Em 6 de julho, Kushner usou o Observer para argumentar que “meu sogro não é antissemita”, usando a história de sua família no Holocausto e a sobrevivência de seus parentes no massacre de 1941 no gueto de Novogroduk, para desviar críticas a Trump após o incidente de Hillary Clinton com a “estrela de xerife” no início daquela semana. A defesa que Kushner fez de seu sogro não pegou bem junto aos membros da própria família de Kushner. De acordo com Politico, um dos primos de Kushner, criticou-o no Facebook por usar a história do Holocausto de sua família para defender uma imagem alegadamente antissemita. Com tudo isso, Kushner teria tentado dirigir a campanha Trump em uma direção mais restrita e respeitável. Ele teria participado da decisão de junho de demitir Corey Lewandowski, o volátil ex-gerente de campanha do Trump. Depois de ser demitido, Lewandowski disse que Kushner foi parcialmente responsável pela página de Trump no Facebook, um dos meios de comunicação mais disciplinados da campanha.

de acordo com relatório do New Republic de maio passado. Os registros públicos sugerem que Mnuchin, ex-doador de Obama e Clinton, não conseguiu convencer os financiadores republicanos a apoiar a campanha de Trump. A corrida presidencial de Trump levantou somente US$ 3 milhões em maio, comparados aos US$ 72 milhões que Mitt Romney arrecadou em junho de 2012.

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Charles Kushner O pai do genro de Donald Trump era um titã imobiliário em três estados e um dos mais importantes doadores de campanhas democratas do país. Ele foi preso em razão de níveis quase shakespeareanos de fraudes intrafamiliares – e por causa dos esforços de um promotor federal e atual superfã de Trump chamado Chris Christie. Em 2004, Charles Kushner foi investigado por esconder violações de limites federais em contribuições de campanha, investigação que Christie supervisionou enquanto era advogado dos Estados Unidos em Nova Jersey. Então Kushner contratou uma prostituta para chantagear uma das testemunhas-chave do caso, cuja esposa informou aos investigadores das tentativas de Kushner de obstruir a Justiça. Para piorar as coisas, o testemunho e alvo da tentativa de chantagem era o cunhado de Kushner, e foi sua irmã, Esther, quem expôs a trama aos federais. A investigação de finanças de campanha decorreu de uma disputa entre Kushner e seu irmão Murray, um importante doador republicano de Nova Jersey e um dos reforços mais importantes de Chris Christie. Charles Kushner ficou quatorze meses preso, mas continuou importante doador filantrópico nos círculos judaicos do nordeste. Em 2015, doou US$ 100.000 para o Comitê de Ação Política Trump Make America Great Again. Quinze anos

antes, ele fora o maior doador individual da campanha do Senado de Hillary Clinton. Os Doadores – Steven Mnuchin O presidente nacional de angariação de fundos de Trump pertence a um grupo aparentemente mais hostil à corrida presidencial do investidor imobiliário: os ex-alunos da Goldman Sachs. Mnuchin, cotado para ser secretário do Tesouro, agora dirige seu próprio fundo de hedge, passou dezenove anos no banco de investimento, onde foi diretor de informações de 1999 a 2002 (Trump usou as conexões da Goldman Sachs com Heidi Cruz para acusar o marido, Ted Cruz, de subserviência ao gigante financeiro). A amizade de Mnuchin com Donald Trump parece ser sua preocupação primordial, como disse ao The New York Times em maio: “Eu estava lá logo que ele decidiu concorrer à presidência, e eu fui seu apoiador e conselheiro discreto nos bastidores”, disse Mnuchin. A afinidade pessoal pode vir dos negócios chamativos de Mnuchin, que espelham o próprio desejo de Trump por celebridade. Mnuchin foi por pouco tempo co-presidente da empresa de produção agora desaparecida Relativity Media e ajudou a financiar filmes de peso, ganhando créditos como produtor executivo em Mad Max: Fury Road, American Sniper e The Lego Movie. Mas Mnuchin também compartilha outra semelhança com Trump: acusações de participar de negócios moralmente desagradáveis. Em 2010, Mnuchin foi processado por um administrador de falências por supostamente ganhar US$ 3,2 milhões do esquema Ponzi de Bernie Madoff (pirâmide financeira). Mnuchin também foi presidente do banco OneWest durante o auge da crise de execução hipotecária, supervisionando um dos credores mais ativos no país: o banco OneWest “saltou para a execução hipotecária em vez de buscar opções para manter os mutuários em suas casas. Usou documentos forjados e assinados sem checagem para garantir os despejos; e tinha um talento especial para despojar idosos e pessoas de cor de suas casas”,

Sheldon Adelson O proprietário do Casino Sands em Las Vegas foi um dos maiores eleitores a mudar de lado na eleição primária republicana. Apesar dos rumores de que apoiava Marco Rubio – e relata que sua mulher, Miriam, preferia Ted Cruz – Adelson, com patrimônio de US$ 26,5 bilhões e mais de US$ 150 milhões em doações políticas só nas eleições de 2012, não fechou com nenhum dos adversários principais de Donald Trump nas primárias. Apesar disso, Trump escreveu que “Sheldon Adelson deve dar muitos dólares para Rubio, porque sente que pode moldá-lo como seu bonequinho perfeito”. Ao contrário de muitos da ala anti-Trump do Partido Republicano, Adelson aceitou a realidade da candidatura de Trump. Em 13 de maio, Adelson publicou um artigo na página de opinião no Washington Post endossando seu companheiro proprietário de cassino que fez, curiosamente, pouca menção da questão-chave de Adelson: Israel. Adelson é também o dono do jornal diário israelense Yisrael Ha’Yom, que tem tentado melhorar a imagem de Trump naquele país. Adelson é morno sobre a solução de dois estados e com o Aipac(American Israel Public Affairs Committee) em 2008 a respeito do apoio da organização ao processo de paz. Enquanto Adelson pode estar fora do mainstream americano por uma solução negociada de de dois estados, suas opiniões são bastante apoiadas nos círculos republicanos: ao contrário de sua contrapartida democrata, a plataforma republicana deste ano não endossa a existência de um Estado Palestino.

Os judeus de Trump também sugerem algumas das tendências organizacionais que definem o Trumpworld. Com a possível exceção de Sheldon Adelson, cada um dos principais judeus de Trump o conhecem há anos, são amigos pessoais, ou ligados à família pelo casamento


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leituras magazine

HEBRAICA

por Bernardo Lerer

A Porta dos Leões Steven Pressfield | Contexto | 480 pp. | R$ 69,90

Como uma guerra pode ser contada das mais diversas formas e pelos mais variados personagens, o autor escolheu o mais óbvio para narrar a Guerra dos Seis dias, de junho de 1967, e deu-lhe como título uma das entradas do muro que cerca Jerusalém. Para isso, deu voz e vez a pilotos das Força Aérea que destruíram as bases egípcias e sírias, os soldados que lutaram nas areias do Sinai e os paraquedistas que invadiram e tomaram a Cidade Velha de Jerusalém. Foram mais de sessenta entrevistas com veteranos de guerra e 370 horas gravadas, levando o leitor para o interior das batalhas.

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Umberto Eco – A Definição da Arte Editora Record | 278 pp. | R$ 49,90

O objetivo do estudo deste livro não é tanto a arte – a ser definida – mas o problema filosófico da possibilidade de uma definição da arte, da maneira como se coloca para as estéticas contemporâneas. E o livro examina o problema a partir de três pontos de vista: ensaios históricos, ensaios teóricos e a inspeção do território das poéticas da vanguarda para ver como e até que ponto as instâncias de tais poéticas se inserem nos quadros especulativos organizados pela estética.

Fax de Sarajevo Joe Kubert | Via Leitura | 205 pp. | R$ 62,90

Sidney Gusman fez a adaptação à edição brasileira desta obra que narra o cerco à cidade de Sarajevo, e que resultou na morte de mais de doze mil bósnios pelas mãos de assassinos sérvios, principalmente francoatiradores. É lá que o editor de quadrinhos Ervin Rustemagic e sua família se abrigam, em meio aos escombros de uma cidade bombardeada, e de onde só pode se comunicar por meio de um velho aparelho de fax. E a partir dos faxes que recebe, o judeu polonês e lenda dos quadrinhos americanos Joe Kubert conta, do jeito que sabe, a vida de dois anos e meio de privações do amigo Ervin. Uma obra-prima.

A História Secreta da Igreja

Escola dos Ditadores

Michael Kerrigan | Editora Europa | 223 pp. | R$ 89,90

William J Dobson | Via Leitura | 343 pp. | R$ 56,57

Com o subtítulo “Guerras Religiosas, Inquisição, Caça às Bruxas, Escândalos, Corrupção”, o livro traça um panorama da história que a Igreja, enquanto instituição, gostaria de esquecer, desde os primórdios de Roma até os dias atuais. O autor assinala que, apesar dos inúmeros bons serviços que prestou à civilização, a Igreja promoveu, sempre em nome de Deus, episódios e escândalos que mancharam sua reputação, como a Inquisição, entre 1480 e 1800, que torturou e matou centenas de milhares de pessoas declaradas hereges.

Os críticos o apresentam como uma análise brilhante e original da natureza do autoritarismo moderno, isto é, os autoritários de hoje diferem daqueles parados no tempo, como o pessoal da Coreia do Norte: os modernos estão em constante mutação, são tecnologicamente astutos e substituíram as formas mais brutais de intimidação por coerções sutis, reduzindo tudo a uma incrível guerra entre ditadores e a democracia, uma batalha global entre a liberdade e a repressão na China, Rússia, Malásia, Venezuela, etc.

Bíblia Sagrada

Por Dentro da Casa Branca

Editora Mundo Cristão | 1.582 pp. | R$ 49,90

Kate Andersen Brower | Planeta | 334 pp. | R$ 49,90

Tem uma nova edição da Bíblia Sagrada na praça e foi lançada com o nome de Nova Versão Transformadora, no final de outubro em nove versões, com capas e apresentação gráfica voltadas paras os variados segmentos de usuários – pastores, professores, estudiosos, rabinos, etc. com tiragem de mais de 500.000 exemplares impressos na China, em linguagem simples, direta, inteligível e o mesmo conteúdo. Uma comissão de tradutores e revisores dos textos originais em hebraico, aramaico e grego usando traduções clássicas do Antigo e Novo Testamento, os Manuscritos do Mar Morto trabalharam seis anos na tarefa.

Com o subtítulo “As Histórias Privadas da Residência mais Famosa do Mundo”, trata-se de uma espiada pelo buraco da fechadura da casa do homem mais poderoso do mundo, desvendando os detalhes mais íntimos da vida da família presidencial: Hillary Clinton atirando um livro, com raiva pelo caso do marido com a estagiária; os filhos de Jimmy Carter fumando maconha; as broncas de Nancy Reagan nos empregados e no marido, etc. Enfim, o livro desvenda o dia-a-dia da Casa Branca e a atividade anônima de centenas de pessoas que lá trabalham, muitas há décadas.

A História da Família de Anne Frank Mirjam Pressler | Editora Record | 398 pp. | R$ 49,00

Quanto mais os anos passam, mais frutos surgem da frondosa árvore chamada O Diário de Anne Frank e, desta vez, foi um pacote com mais de mil cartas, fotos e documentos encontradas no sótão da casa de Buddy Elias, primo de Anne, em Basileia (Suíça) e que ampliam a visão que se tem da família, ao mesmo tempo em que colocam em evidência os relatos da própria Anne a respeito da convivência de pessoas em situação limite e a própria condição humana, a humanidade e a fé na vida. No final do livro, uma interessante árvore genealógica das famílias descritas.

As Grandes Agências Secretas José Manuel-Diogo | Via Leitura | 357 pp. | R$ 69,99

Trata-se de uma viagem pelas agências secretas do mundo, o Mossad incluído, com suas histórias, personagens, missões impossíveis com êxitos e fracassos, e uma frase de Moshé Dayan: “Os nossos amigos americanos nos ofereceram dinheiro, armas e conselhos. Nós aceitamos o dinheiro e as armas, mas declinamos dos conselhos”. Talvez isso tenha feito da agência israelense uma das mais eficientes do mundo. Vale a pena incursionar por este mundo que muitas vezes muda a história do mundo.

Conquistadores Roger Crowley | Planeta Crítica | 418 pp. | R$ 66,40

Best-seller do New York Times e considerado o historiador referência mundial quando se trata das navegações nos séculos 15 e 16, o autor se vale de cartas e documentos até há pouco inéditos para contar como foi possível a uma nação pequena e pobre, desfrutar durante mais de um século da supremacia marítima conquistando terras e gentes em além-mar e impondo sua língua e cultura. Vitórias militares e o domínio do comércio de especiarias forjaram o que se poderia chamar de a primeira economia globalizada.

O Demônio da Cidade Branca Erik Larson | Intrínseca | 447 pp. | R$ 49,90

Este mestre da narrativa de não ficção conta a história da feia (de Chicago) que apresentou as mais importantes inovações tecnológicas do final do século 19 e um dos primeiros assassinos em série do mundo. É a história de dois homens – um arquiteto, que assina os projetos de prédios simbólicos dos Estados Unidos e o outro, um assassino. Embora nunca tenham se conhecido, os destinos deles são interligados por um evento único e mágico, em grande parte esquecido pela memória moderna. Aliás, por mais estranhos ou macabros que alguns incidentes pareçam não se trata de uma obra de ficção.


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magazine > ensaio | por Michael Laitman *

O abismo entre os judeus americanos e Israel ESTE ARTIGO DIZ RESPEITO AOS JUDEUS DOS ESTADOS UNIDOS E O ESTADO DE ISRAEL,

MAS, DE CERTA FORMA, TOCA TAMBÉM AO RELACIONAMENTO DOS JUDEUS DO BRASIL COM OS DE ISRAEL.

PARA O AUTOR, O FOSSO ENTRE OS JUDEUS DOS DOIS PAÍSES, MAS ELE QUER SUGERIR A DIÁSPORA, CRESCEU TANTO

QUE PODERIA AMEAÇAR ÀS COMUNIDADES DE MODO GERAL

P

assados dois meses desde a purificação de nossas almas, em Iom Kipur, é momento de olhar de modo novo e honesto para a realidade. Se há um pecado que nós, judeus, cometemos quase diariamente é permitir a divisão entre nós. E uma das piores evidências disso é a crescente separação entre os judeus americanos e o Estado de Israel. No período da administração Obama, o abismo entre judeus americanos e Israel aumentou a tal ponto que se tornaram quase duas comunidades judaicas separadas, até mesmo hostis. Se se permitir que este fosso se aprofunde ainda mais, as duas comunidades ficarão realmente em perigo. Assim como o desligamento do judaísmo não ajudou os judeus na Alemanha antes da Segunda Guerra, separar-se de Israel agora não vai ajudar os judeus americanos. Com o antissemitismo se alastrando rapidamente, os judeus estão ameaçados e o remédio para esta situação é a unidade. Diante dos esforços incansáveis de entidades separatistas judaicas que, a pretexto do liberalismo, querem se dissociar do Estado de Israel, os judeus americanos e os de Israel devem criar um vínculo. É esse laço – e não a ajuda militar, nem a condenação aberta de Israel – a chave para a nossa sobrevivência em um mundo que, nos poucos minutos gastos para ler esse texto, ficou um pouco mais antissemita. O grande ódio aos judeus A operação militar Limite Protetor, em Gaza, em 2014, provocou uma fúria mundial contra Israel e desencadeou sentimentos antissemitas até então escondidos por serem politicamente incorretos. Insultos que há muito tempo se supunham esquecidos ressurgiram na Europa, acompanhados por acusações forjadas de crimes de guerra lançadas contra o Estado judeu. Dois anos depois ficou claro que as ofensas contra Israel eram apenas pretexto para escoar os sentimentos antissemitas na Europa, e até mesmo inscrições onde quer que seja, afirmando “Nós não estamos envolvidos com política”, não ajudam quando você é judeu. No entanto, apesar dos seus antecedentes, o antissemitismo europeu é muito menos perigoso do que o americano. Em

fevereiro de 2015, o diretor do Instituto para o Estudo Global do Antissemitismo e Política, Charles Asher Small, afirmou que a relutância de o governo norte-americano em denunciar o antissemitismo é “não apenas imoral, mas é ‘antissemitismo institucional’”. Esta forma furtiva de ódio aos judeus é muito mais alarmante. Ao se ouvir a conselheira sênior da então candidata democrata, Hillary Clinton, Huma Abedin, chamar o American Israel Public Affairs Committee (Aipac) de “aquela multidão”, e ler no porta-voz extraoficial do governo, também conhecido como The New York Times, um editorial aconselhando Obama a pressionar Israel, pois “o Conselho de Segurança das Nações Unidas, numa resolução oficial, estabeleceu diretrizes para um acordo de paz que abrange questões como a segurança de Israel, o futuro de Jerusalém, o destino dos refugiados palestinos e as fronteiras para ambos os estados”, restam poucas dúvidas quanto ao desejo da atual administração de ver Israel acabado. Se Hillary Clinton tivesse sido eleita, ela continuaria na mesma senda que Obama, provavelmente, com mais vigor. A ilusão do poder O pensamento dominante em torno da criação do Estado de Israel, após a Segunda Guerra, foi que se durante a guerra já existisse um Estado judeu, a tragédia do Holocausto teria sido evitada porque os judeus teriam um refúgio seguro. Por muitos anos, esse foi também o pensamento predominante entre os judeus americanos.

UMA IMAGEM CADA VEZ MAIS COMUM, PRINCIPALMENE NOS CAMPI UNIVERSITÁRIOS

No entanto, à medida que os judeus americanos confiavam cada vez mais na sua influência política nos Estados Unidos e na capacidade de controlar seu destino, passaram a considerar Israel mais um fardo do que um ativo político. Esta tendência se encaixa perfeitamente nas ambições da atual administração e nos esforços exitosos para fortalecer as organizações judaicas anti-Israel dentro da comunidade judaica a pretexto do liberalismo e da liberdade de expressão. Há quinze anos, uma organização como a JStreet não seria levada a sério, mas hoje é a organização judaica mais popular entre os judeus com menos de 35 anos. Desta forma, muitos judeus da geração do milênio veem o Estado de Israel como um incômodo e, se pudessem, gostariam de se desfazer dele porque Israel não é um possível refúgio seguro que deve ser preservado para dias piores. Em vez disso, muitas vezes, veem o país ou, pelo menos, as suas políticas, como a causa dos problemas com os antissemitas americanos. Segundo muitos judeus americanos, a existência de Israel faz os não-judeus americanos os odiarem. Assim como os judeus alemães baniram sua fé antes da ascensão do nazismo e até enfatizaram o desligamento de sua herança com a chegada de Hitler ao poder, agora muitos judeus americanos evitam o Estado judeu. Com o antissemitismo em ascensão, eles repetem o erro de se orgulhar por se afastar de Israel. Teorias conspiratórias Ao longo da história, o ódio aos judeus usava roupagens diferentes para momentos diferentes. Envenenamento de poços, matzot feitos com o sangue de crianças cristãs (e agora muçulmanas), fomentador de guerra, usura, conspirar para dominar o mundo, espalhar doenças (da peste negra ao ebola) são apenas uma fração das absurdas acusações lançadas contra os judeus durante séculos. O último delírio é o genocídio – supostamente perpetrado pelo exército israelense contra os palestinos. Não faz nenhuma diferença que a população palestina cresça rapidamente, que os palestinos vivendo sob domínio israelense estejam muito melhor e desfrutam de qualidade de vida melhor nas áreas a Autoridade Palestina. O ódio dispensa provas. Os judeus americanos devem lembrar que quando o antissemitismo se espalhar mais profunda e amplamente na sociedade ame-

ricana – e isso vai acontecer – o fato de não apoiarem Israel não vai ajudá-los, pois, como no passado, os judeus serão responsabilizados por qualquer problema na agenda. Esta é a natureza do antissemitismo. A Torá nos define como povo obstinado, e de fato somos. No entanto, nós nos tornamos uma nação exatamente quando colocamos nosso orgulho de lado e nos unimos “como um homem com um coração”. Ao longo da história, quando estivemos juntos, éramos fortes. Agora, temos de encontrar a força para construir uma ponte entre as duas comunidades judaicas mais importantes do mundo. Não se pode exagerar a importância da unidade para o nosso povo. Se quisermos um futuro, a comunidade judaica americana e o Estado de Israel devem reforçar a aliança entre eles. Esta é a nossa única rede de segurança. O antissemitismo nos Estados Unidos vai se espalhar. Atualmente fermentando em cada campus universitário, em breve vai se disseminar e cobrir o país. Muitos estudantes judeus americanos sabem que as ofensas contra Israel são, de fato, antissemitismo disfarçado de preocupação em relação aos palestinos. Logo toda a comunidade vai saber. Aí será a hora de empregar a rede. Mas, para usá-la, é preciso construí-la já. Há muitas questões controversas entre as duas comunidades. Além de pontos de vista políticos divergentes, há disputas a respeito de práticas judaicas, legitimidade de certas denominações, distribuição de fundos e doações, e muito mais. Estas são questões de peso dignas de discussão séria. No entanto, acima e além de todas as divergências, temos de concordar que, não importa a questão, ficamos juntos como uma nação única. Assim como irmãos que às vezes discordam, mas sempre se lembram que são uma família, o Estado de Israel e os judeus americanos devem sentir o mesmo tipo de ligação. Se o fizermos, vamos enfrentar a tempestade juntos. Se não, a tempestade vai nos afogar a todos. * Autor de quarenta livros traduzidos para trinta línguas, professor de ontologia e PhD em filosofia e Cabala

Muitos judeus da geração do milênio veem o Estado de Israel como um incômodo e se pudessem gostariam de se desfazer dele. Para eles, Israel não é um possível refúgio seguro que deve ser preservado para dias piores. Em vez disso, muitas vezes veem o país ou, pelo menos, as suas políticas, como a causa dos problemas com os antissemitas americanos


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magazine > curta cultura | por Bernardo Lerer

Nuremberg dois anos antes É possível contar nos dedos de uma mão só quem assistiu a None Shall Escape (“Ninguém vai Escapar”), filme a respeito de criminosos de guerra. O tema, claro, não é novo. Novidade é o fato de ele ter sido realizado em fevereiro de 1944 e encerra uma profecia: o julgamento de assassinos nazistas em um tribunal internacional pouco depois de quando a Segunda Guerra terminasse, uma hipótese, àquela época mais do que provável em razão da derrota infligida pelo Exército Vermelho em território soviético e o avanço das tropas russas. O filme é da Columbia Pictures dirigido pelo cineasta húngaro Andre de Toth (1913-2002) que foi assistente de outro húngaro, o cineasta judeu Alexander Korda (18931956), dono de extensa filmografia que incluiu obras como Ricardo III, com Lawrence Olivier, e foi o primeiro a se interessar nos livros de Ian Fleming, cujo herói é James Bond. A história dirigida por de Toth é centralizada em Wilhelm Grimm (Alexander Knox), soldado alemão na Primeira Guerra que fica aleijado e engrossa a legião de militares decepcionados com o Acordo de Versalhes que penalizou duramente a Alemanha. Grimm vai trabalhar como professor na cidade alemã de Litzbark, depois da guerra anexada à Polônia. Lá, reencontra Marja Pacierkowski (Marsha Hunt) sua namorada de infância, mas é acusado de tentar seviciar uma jovem aluna. Em uma briga com parentes da moça fica cego do olho esquerdo, resiste mais um tempo na cidade o suficiente para decidir o que fazer. A ascensão do nazismo facilita as coisas e ele volta à Alemanha, entra para o partido e às conquistas que se sucedem com a invasão da Polônia em setembro e à sua posição na hierarquia nazista faz apenas um pedido: que seja enviado para Liztbark para ser o gauleiter da cidade. Um óbvio desejo de vingança para o qual ele é prontamente atendido e chegando lá pratica toda sorte de atrocidades. A guerra termina, os alemães são derrotados e instala-se o tribunal. É o Tribunal de Nuremberg, quase dois anos antes de ele se materializar e, então, ser tema de muitos filmes. A Columbia vai lançá-lo em dvd.

Quase tudo da pintura paulista

O esperanto do judeu Zamenhof

“Pintores Paisagistas – São Paulo 1890 a 1920” é um livro enorme, pesa muito mais de um quilo tem quase quatrocentas páginas e trata de um tema aparentemente pouco importante: a criação artística no século 19, principalmente em São Paulo, retratando o que era o Brasil de então, na cidade e no campo. É publicado pela Editora a Universidade de São Paulo (Edusp) e, acreditem, já está na segunda edição, tal a sua importância. A autora é a professora Ruth Sprung Tarasantchi que atualmente também empresta seus conhecimentos ao Museu Judaico da Cidade São Paulo, que será inaugurado possivelmente no primeiro trimestre de 2017. O livro é a pesquisa revista e ampliada da tese de doutorado que Ruth apresentou à Escola de Comunicações e Artes da USP em 1986 de um tema que vinha estudando desde 1972 a partir da constatação da ausência ou esquecimento ativo ou passivo, na história, de certas tendências, localidades e artistas, afastando-se da tendência para a obsolescência programada e as classificações redutoras, como “genial”, “maior” ou “pior”, para a qual os meios de comunicação colaboram, primeiro evidenciando temas e novidades, para depois, de forma devastadora, relegá-los ao oblívio e, em seguida, ao desaparecimento. Ruth localiza os pintores no tempo e contextualiza o trabalho deles nas circunstâncias da época em que viveram como, por exemplo, a influência da escola italiana, representada pelas ondas imigratórias que trouxeram toda sorte de mão-de0-obra da Itália para o Brasil, especialmente São Paulo. A autora, aliás, logo no primeiro parágrafo à introdução ao livro, parece proferir sua sentença: “Nas últimas décadas, os estudiosos de arte se interessaram pelo modernismo e suas inovações, mas ninguém se preocupou em conhecer o substrato do qual ele nasceu, nem contra o que ele se insurgiu. É neste período que muitos pintores paulistas viveram e produziram em São Paulo, mas hoje estão ofuscados pelo brilho dos cariocas, dos estrangeiros e dos modernistas quando não esquecidos e relegados a plano secundário. Por isso, temos de reavaliar o trabalho desses pintores e colocá-los no lugar que merecem”.

Era 1922, e a então Liga das Nações discutia a possibilidade de se instituir de uma linguagem mundial. Afinal, era o Congresso do Esperanto durante o qual, orador após orador descrevia os aspectos róseos do que poderia vir a ser uma linguagem universal. Quando a hora do jantar estava próxima um dos oradores se virou para o outro e disse: Nu, vus macht a yid? , isto é, simplesmente, “como vai”, não em esperanto, mas em ídiche. Essa história é contada no livro Bridge of Words: Esperanto and the Dream of a Universal Language (“Ponte de Palavras: o Esperanto e o Sonho de uma Língua Universal”), de Esther Schor, que conta a história de Ludwik Leyzer Zamenhof, um oftalmologista judeu de Byalistok, do movimento esperantista e do próprio entusiasmo da autora que vagou pelo mundo para descobrir quem ainda falava esta língua que Zamenhof pretendia fosse uma língua franca e pensava numa fantasia messiânica, segundo a qual, se todos pudessem falar a mesma língua as pessoas poderiam realmente entender umas às outras e, desta forma, não haveria mais guerras nem derramamento de sangue. Não foi por outra razão, aliás, que o próprio Zamenhof se autointitulava “Doktoro Esperanto”, ou seja, dr. Esperança. O doutor nasceu em 1859 nessa cidade em que 70% eram judeus e os restantes 30% poloneses, russos e alemães, e cresceu convencido de que a raiz da animosidade entre as pessoas está nas diferenças linguísticas, de modo a que, se solucionar a Babel de línguas as espadas se calarão. Zamenhof fazia de tudo em favor de sua causa e pregava a improvisação para alcançar a simplicidade linguística. Para isso, criava palavras a partir de uma raiz, geralmente uma palavra latina à qual acrescentava um “O” para um substantivo, a letra “A”, no caso de um adjetivo e o “E”, se advérbio. Zamenhof não imaginava o esperanto como uma espécie de língua nativa, mas uma segunda língua, adaptável, capaz de estabelecer uma ponte entre falantes estrangeiros. O Ocidente tinha uma espécie de língua franca, como o grego, o latim ou o francês dos tempos de Zamenhof, línguas que, no entanto, se difundiram pelo mundo graças às conquistas. Aliás, Esther descobriu em Alto Paraíso de Goiás, no interior do Brasil, a instituição Bona Espero, onde o casal de italianos Ursula e Giuseppe Grattapaglia mantêm um orfanato e uma escola para crianças brasileiras onde se fala esperanto.

Humus, falafel e música Abu Gosh é um distrito de Jerusalém de pouco mais de 2,5 quilômetros quadrados e cerca de 6.500 habitantes, conhecido por disputar com um restaurante do Líbano, o Guiness pela maior travessa de humus. A do restaurante de Jawdat Ibrahim tem pouco mais de seis metros de diâmetro e antes foi uma desativada antena de satélite adquirida ao Exército de Israel. É citada no Velho Testamento como sendo Anatoth, local de nascimento do profeta Jeremias e, no Novo, no Evangelho de Lucas. Mas é em Abu Gosh que acontece duas vezes ao ano, em Sucot, no outono, e em Shavuot, na primavera, concorridos festivais de corais e de conjuntos musicais e orquestras, na Igreja de Nossa Senhora da Arca da Aliança, e que, a partir de seu altar, tem uma das mais perfeitas acústicas do mundo. Construída em 1924, supõe-se que a Arca da Aliança tenha sido depositada por algum tempo naquele local, a caminho de Jerusalém. Em uma das apresentações, no final de outubro, a cellista Myrna Herzog, nascida no Brasil em 1951, uma das mais importantes pesquisadoras de música antiga e professora na Escola de Música de Tel Aviv, regeu a ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi, executada por músicos israelenses e estrangeiros. Além da ópera, houve espetáculos de jazz e outros gêneros contemporâneos nos jardins e pátios da igreja, um dos quais com azulejos que datam do ano 1200 e de onde se pode ver as montanhas ao redor e os pequenos vilarejos, abaixo. Tal como é, o Festival existe desde 1992, e sucedeu ao Festival de Música Coral de Abu Gosh, instituído em 1957 pelo professor de farmacologia da Escola de Medicina de Jerusalém, Felix Zalman, e pelo professor de música Zigi Shtaderman, que descobriu a excelência da acústica da igreja. Ambos encontraram naquela igreja no alto da montanha o palco ideal para executar música sacra, banida de outros locais por pressão religiosa. Atualmente, o festival é organizado por uma feira italiana, Olivier, o monge beneditino nascido na França e o israelense Gershon Cohen, um professor de física, que reside no moshav Shoeva, lá perto. Por tudo isso, convida-se a quem estiver em Jerusalém em Sucot ou Shavuot: deem um pulo até Abu Gosh, é tão perto. Empanturrem-se de falafel, humus e assistam ao Festival. Depois do estômago, enche os olhos.


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magazine > memória | por Ben Sales

The Story of Isaac/ A História de Isaac Uma das canções mais obscuras de Cohen é uma narração do sacrifício de Isaac. Falando da perspectiva de Isaac, a música questiona a moralidade da história:

Cinco das canções mais judias de

Leonard Cohen

And if you call me brother now Forgive me if I inquire Just according to whose plan When it all comes down to dust I will kill you if I must I will help you if I can.

“NÃO ESTOU PROCURANDO UMA NOVA RELIGIÃO. ESTOU MUITO FELIZ COM A ANTIGA, COM O JUDAÍSMO”, DISSE UMA VEZ O CANTOR LEONARD COHEN, QUE FALECEU NO INÍCIO DE NOVEMBRO

L

eonard Cohen, cuja morte foi anunciada na noite de quinta-feira (10/11), foi um dos compositores populares mais explicitamente judeus desde o rei David cujos salmos ele imitava com habilidade ao longo de uma carreira de cinco décadas. Cohen era neto de dois ilustres rabinos canadenses, um dos quais ajudou a fundar muitas das instituições judaicas e sionistas centrais de Montreal. O outro, que escreveu um dicionário do Talmud, era conhecido como “Sar HaDikdukim”, o Príncipe dos Gramáticos. Mesmo sendo budista praticante, Cohen nunca parou de pensar em si mesmo como um judeu, dizendo a um entrevistador: “Eu não estou procurando uma nova religião. Estou muito feliz com a antiga, com o judaísmo”. Mas ele era ecumênico em sua gama de temas e referências. O primeiro sucesso de Cohen, Suzanne, fala talvez do judeu mais famoso, Jesus, dizendo, “ele mesmo estava quebrado, muito antes do céu se abrir. Abatido, quase humano, ele afundou sob a tua sabedoria como uma pedra”. Cohen, ele mesmo um mestre da linguagem, saturou suas letras com imagens bíblicas e liturgia judaica que ele conhecia intimamente. Suas canções adaptaram as bem conhecidas orações judaicas e contaram as histórias centrais do judaísmo. Aqui estão cinco de suas canções mais judaicas:

Hallelujah/Aleluia A canção mais famosa de Cohen, gravada dezenas de vezes, é uma alusão explícita aos Salmos e histórias dos profetas judeus, do rei David a Sansão. A canção começa: Now I’ve heard there was a secret chord That David played, and it pleased the Lord

But you don’t really care for music, do you? Agora ouvi que havia um acorde secreto Que Davi tocou e agradou ao Senhor Mas você realmente não gosta de música, não é? O segundo verso funde duas histórias bíblicas. Abre contando a história de David ao ver Betsabá, sua futura esposa, tomando banho em um telhado, e termina com imagens dela amarrando-o e cortando seu cabelo – uma alusão a Sansão e Dalila.

Who By Fire/Quem pelo fogo Outra das músicas mais conhecidas de Cohen, Who By Fire é uma adaptação de Unetaneh Tokef, a oração central das Grandes Festas. Os versos da oração narram o Dia do Juízo, descrevendo as várias maneiras pelas quais as pessoas viverão, morrerão, terão sucesso e sofrerão no próximo ano. Cohen adapta a linguagem quase literalmente: And who by fire, who by water who in the sunshine, who in the night time

who by high ordeal, who by common trial who in your merry, merry month of May who by very slow decay and who shall I say is calling? E quem pelo fogo, quem pela água Quem na luz do sol, que no anoitecer Quem por grande provação, que por julgamento comum Quem em seu feliz, feliz mês de maio Quem por decadência muito lenta E quem devo dizer que está chamando?

You Want It Darker/Você Quer mais Escuro Uma das últimas músicas de Cohen, You Want It Darker, foi lançada há dois meses, e nela, Cohen fala sobre a preparação para a morte. A letra muito judia inclui um coro no qual Cohen diz: “Hineni, I’m ready my Lord”. Hineni, hebraico para “aqui estou”, é a palavra que Abraão usa para responder a Deus quando chamado a sacrificar Isaac, assim como o nome de uma oração de preparação e humildade, dirigida a Deus, cantada pelo cantor em Rosh Hashaná. E um verso recorrente ecoa a linguagem do Kaddish, a oração dos enlutados. Magnified, sanctified be thy holy name Vilified, crucified in the human frame A million candles burning for a help that never came You want it darker, we kill the flame. Engrandecido, santificado seja vosso santo nome Vilificado, crucificado no corpo humano Um milhão de velas queimando para uma ajuda que nunca veio Você quer isso mais escuro, nós matamos a chama.

LEONARD COHEN CANTA EM UM CONCERTO EM

RAMAT GAN, ISRAEL, SEPT. 24, 2009 (MARKO/ FLASH90)

Você que está acima deles agora Suas machadinhas embotadas e ensanguentadas Você não esteve lá antes Quando eu deitei sobre uma montanha E a mão do meu pai tremia Com a beleza da palavra. E se você me chama de irmão agora Perdoe-me se eu perguntar Apenas de acordo com o plano de quem Quando tudo voltar ao pó Vou matá-lo se eu precisar Eu vou lhe ajudar se eu puder.

If It Be Your Will/ Se For a sua Vontade O título desta música é uma tradução de Ken Yehi Ratzon, uma frase litúrgica hebraica dirigida a Deus. A canção também é dirigida a Deus, e inclui letra evocando imagens do Kabalat Shabat, o serviço de oração da noite de sexta-feira, dando boas-vindas ao Shabat, da natureza se regozijando: If it be your will If there is a choice Let the rivers fill Let the hills rejoice. Se for sua vontade Se houver uma escolha Deixe os rios encherem Deixe as colinas se regozijarem. Sentiremos sua falta, Leonard.


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