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Expediente: Pai Rubens Saraceni Pai Alan Levasseur

J o r n a l Quinzenal Jornal Nacional da Umbanda

São Paulo, 01 de Setembro de 2012.

Edição: 44

Ano: 02

contato@colegiodeumbanda.com.br

Curso de Magia Divina das 7 Espadas Sagradas

JORNAL NACIONAL DA UMBANDA ED. 44

INDICE DE MATÉRIAS EDITORIAL Religião e Politica - parte 1(Rodrigo Queiróz) pág. 02 CADERNO DO LEITOR O caminho(Helem Martins Costa) pág. 04 Calunga (JFlavio Fukuda) pág. 04 Casa de Vela Santa Rita (Nelson Dias) pág. 05 Ogum ensina a arte da Agricultura (Mary Nogueira) pág 06 Lendas de Oxum (Mary Nogueira) pág 08 Tambores do Além (Ronaldo Figueira) pág 08 A Digital de Deus (Flavio Fukuda) pág 09 DOUTRINA Exu faz o Bem e faz o Mal? (Alexandre Cumino) pág. 10 Como agradar um Orixá (Ronaldo Figueira) pág. 11 Mensagem do Exu Caveira (André Cozta) pág. 12 Oração a Obaluayê (André Cozta) pág. 12 Entendendo a Umbanda (Newton Marcelino) pág. 13 Aula Pratica, exercicio do Sacerdócio (Rubens Saraceni) pág. 14 Mensagem da Vovó maria da Bahia (Hellen Costa) pág. 22 AVISOS CULTURAL Lançamento de livros, serviços, cursos (JNU). pág. 18 ÚLTIMA PÁGINA A escrita Magica na Umbanda, Ponto riscado (Frederico castro e Vitorino Camelo). pág. 20

AULA PRATICA DE EXERCICIO DO CURSO DE SACERDÓCIO 1ª Aula: Abertura e Encerramento de Trabalhos Espirituais. Procedimentos: 1– Fazer duas linhas de médiuns, uma com as mulheres e outra com os homens, para que eles não se misturem durante a abertura. Isto tanto é necessário devido a frequências vibratórias diferentes, quanto para organizar o corpo mediúnico, mostrando à assistência um quadro visual bonito. PAG.14

Jornal Nacional da Umbanda

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EDITORIAL

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RELIGIÃO E POLÍTICA Por Rodrigo Queiroz

Parte 01

Esta combinação sugerida no título é ainda motivo de intensas discussões e normalmente pouquíssima reflexão producente. Pois é, falar de Política na Religião é filosoficamente tão paradoxal quanto o tema “Razão e Fé”. Religião é o Sagrado, sim, isso é verdade; e Política é sacanagem, coisa ruim, jogo de interesses mesquinhos e… ops “pera aí”. Imagino que os grandes democratas da Grécia Antiga se decepcionem com o que ocorre no sistema político do planeta atualmente quando se trata de troca de vantagens, propinas e mensalões da vida. É certo que eu poderia tomar sua atenção tão preciosa para escrever centenas de páginas sobre as problemáticas sistêmicas da engrenagem política no país, e também é certo que posso usar o mesmo tanto de páginas para apontar coisas interessantes que já se fez e faz neste país e que, por não atenderem ao sensacionalismo e não vender mídia, não são tão expostas. No entanto, neste primeiro momento, quero usufruir de sua especial atenção para refletirmos sobre princípios equivocados a respeito do tema proposto. Religião, em síntese, é uma estrutura idealizada pelos homens para se relacionarem com o Sagrado, na intenção geral de estimular as virtudes, potências e proporcionar a tão perseguida transcendência consciencial nos indivíduos. Muito bem, religião não existe sem indivíduos, todos os indivíduos pertencem a uma sociedade, um Estado, um Município, um País. Já a Política é uma manifestação comportamental e natural nos indivíduos humanos e também no reino animal, tratemos aqui do H. Sapiens Sapiens. A Política sistemática, como a conhecemos, pretende ser uma estrutura para tratar das relações humanas a fim de atingir resultados esperados para a coletividade, esta que chamamos de sociedade. Pois bem, antes da religião, portanto, temos a natureza política e o exercício político por excelência. Um templo religioso congregará indivíduos num contexto muito particular, mas que ao sair daquela estrutura voltam para a realidade social, existencial, palpável. O indivíduo continuará a se deparar com o trânsito, com as pessoas, com suas necessidades básicas e objetivos diversos. Ao bem da verdade é que Religião é também uma maneira política de se relacionar com Deus, com o Sagrado, e que é tão natural no homem holístico. Querer afastar o exercício e a participação política da religião é o mesmo que afastar Deus da sociedade. Percebe? Uma coisa está atrelada a outra. Até aqui estou tratando da natureza comum aos homens, o religioso e o político. As religiões se organizam normalmente sempre tendo um líder da comunidade, assim é a política democrática em nosso país, onde elegemos líderes para tratarem de interesses e necessidades dos grupos sociais. Acontece que existe um ranço contra política e seus operadores, os políticos. Há um desânimo e profunda descrença na dignidade humana. Claro que não por acaso, por exemplo, estamos em pleno julgamento de um dos maiores casos de corrupção da história de nosso país. É constante virem à tona escândalos do gênero. Mas não esqueça, quem faz isso são cidadãos, entes humanos, muitas vezes com menos caráter do que eu e do que você. Por outro lado, vemos frequentemente escândalos por desvio de conduta de muitos líderes religiosos: “Padres” pedófilos, “Pai de Santo” traficante, “Rabino” ladrão de gravatas, “Pastor” agressor e assim por diante. A questão é: a religião é o indivíduo? Ou o indivíduo está na religião? É a religião que ensina isso, ou é o indivíduo que é oportunista? Quando falamos de políticos corruptos, imundos e sacanas, a mesma pergunta: política é o indivíduo? Ou o indivíduo está político? Quem rouba, a política ou o político? Percebemos, numa reflexão mais profunda, que a política é tão metafísica quanto a religião, e o homem é quem concretiza de maneira boa ou não aquilo que exerce e representa. Jornal Nacional da Umbanda

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Sou Umbandista, vejo diariamente denúncias de supostos “sacerdotes” cometendo atrocidades diversas dentro e fora do meu meio religioso. Não me espanto com os escândalos e, de certa maneira, acho bom, assim vai ficando claro que minha religião não é aquilo e que mais um indivíduo está fora de circulação e não poderá mais usar o nome da minha fé em vão; e, por outro lado, trabalho diariamente para fazer completamente o contrário, para expandir, ensinar e enaltecer a minha fé, meus irmãos na fé. Assim penso que deve ser na política, pessoas de bem devem pleitear cargos políticos se desejarem tirar de circulação os charlatões, os falsários, corruptos e bandidos que se aproveitam da fé social do povo, ludibriam e sacaneiam. Viu? No exercício prático, não vejo diferença entre religião e política. As várias religiões são como os vários partidos, ou seja, maneiras grupais de ver e entender Deus e a Sociedade respectivamente. Mas que, independentemente da diversidade, é preciso existir em harmonia, pois tudo junto traz um bem maior. Em nosso país, de dois em dois anos temos o processo eleitoral democrático, algo pelo qual meus avós e pais lutaram para conquistar e que hoje muitos de minha geração pouco compreendem a grandeza. Pra mim não se trata de um ciclo para “obrigatoriamente” dar poder a maus políticos, tratase de um ciclo de renovação de esperança, de responsabilidade cidadã, de participação para uma Cidade, um Estado e um País melhor. É verdade, eu creio seriamente nisso, por isso é preciso saber em quem você deposita o seu voto, saiba que seu voto é a delegação de poder de algo que você gostaria de fazer, mas que outro deverá fazê-lo. Não vote em discursinhos baratos ou em troca de nada, tampouco acredite em excesso de promessas, a verdade é que pouco se consegue fazer no tempo determinado, o importante é que se faça o certo, pois de pouco em pouco fazendo o certo em algumas décadas temos uma realidade melhor. Cuidado com o discurso do tipo: Umbandista vota em Umbandista, Católico em Católico, ou coisa do tipo. Agora o que vale é o Cidadão votando noutro Cidadão, este que recebe o poder não poderá ter estes rótulos, e deverá promover melhorias que vão além de suas particularidades. Tem muita gente se aproveitando, cuidado! Pesquise sobre o indivíduo, não só o que ele mostra, mas o que outros mostram sobre ele. Voltarei noutra postagem continuando esta reflexão. Deixe seu comentário, é importante. Encerro com uma reflexão: --“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.” - Platão

A.U.E.E.S.P. Você pode se cadastrar na A.U.E.E.S.P., sendo pessoa física ou jurídica. Pode ser associado individual, núcleo (centro, associação), colaborador jurídico ou colaborador físico. Se você acredita que vale a pena lutar por nossa religião, venha juntar-se a nós, que nada mais queremos além de ver a Umbanda crescer e de valorizar nossas práticas religiosas e nosso sacerdócio.

Falar com Sandra Santos Fone: (11) 2954-7014 E-mail: sandracursos@hotmail.com Jornal Nacional da Umbanda

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CADERNO DO LEITOR O CAMINHO

Texto enviado por: Hellen Martins Costa

E-mail: hellenmcosta@yahoo.com.br

Salve a todos os Filhos de Fé! Salve a Umbanda Sagrada e Seus Divinos Tronos! Salve o nosso Amado Pai Senhor Deus! Okê! Senhores filhos do Grande Espírito, Somos feitos à imagem e semelhança de nosso Amado Pai! Não importa nossa origem, raça, credo, nacionalidade... Somos todos irmãos, somos um na banda do Um! Não importa o nosso passado nas encarnações, se temos em nosso íntimo e na nossa consciência a vontade e a determinação para crescer e evoluir. Nosso destino foi selado no ato em que fomos fatorados pelos nossos Orixás Ancestrais, então, porque não nos entregarmos aos Sete Sentidos Sagrados com mais dedicação? Vivam, mas vivam intensamente a Fé, não só em nosso Criador ou nas diversas religiões que têm a sua disposição, mas em vocês, em seus projetos e em suas vidas... O Amor, às vossas famílias, parceiros, à Criação como um todo, aos seus irmãos encarnados, aos seres em desequilíbrio, que são centelhas Divinas de Deus assim como nós, ao seu trabalho, saúde, missões... O Conhecimento, das coisas Divinas ou não, a oportunidade do conhecimento, ao autoconhecimento, e também ao conhecimento de suas fraquezas, para que possa através dele evoluir... O Equilíbrio e a Razão, pois sem eles a estabilidade do micro afeta a do macro, causando transtornos e sofrimento a muitos. A Lei e Ordem, pois sem elas nem mesmo o menor inseto, ou a mais desbotada das estrelas poderia cumprir o seu papel no Todo. A Evolução e o Saber, que caminham de braços dados, pois este e o caminho que o nosso Pai nos destinou e espera por nós paciente e bondosamente em nossos débeis passos para que possamos de maneira justa e equilibrada, assumir as nossas funções na Criação Divina. E a Geração, não somente da Vida em si, mas de nossos projetos, ideias, habilidades e meios para cumprir com vossas missões. Busquem os seus caminhos, respeitando a caminhada de seus irmãos e auxiliando os que precisam de um braço forte (ou mais forte que os deles, ao menos) para que possam erguer-se e retomar às suas caminhadas, mas sem carrega-los, pois cada filho precisa caminhar por conta própria. Okê! Sigam em Paz. Palavras do Sr. Xamã Caboclo Serra Negra.

CALUNGA

Por Flavio Fukuda

E-mail: fyfukuda@gmail.com

O nome de um espírito, os naturais da cidade de São Vicente/SP, os descendentes de escravos fugidos, uma boneca de madeira do maracatu, os ajudantes de caminhoneiros ou simplesmente uma planta. Muitas são as definições de “Calunga” que podem ser encontradas por este Brasil a fora. Para nós umbandistas, Calunga, que em bantu significa “mar e morte”, é um local sagrado, um verdadeiro Campo Santo. A morte ao longo da história da humanidade que vai se escrevendo, nem sempre foi vista como sinal de ruptura, como negação à vida ou um mal ao qual todos os homens estão sujeitos, concepção esta que surgiu com a Idade Moderna. Desde a Pré-História, há cerca de 300.000 anos atrás, os homens neandertais além de Jornal Nacional da Umbanda

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instintos básicos de sobrevivências como comer, abrigar-se e reproduzir-se, já enterravam seus mortos em cavernas juntamente com suas armas de caça, demonstrando acreditarem na vida após a morte. Na Antiguidade a morte era encarada como algo natural, sendo o início de uma nova jornada. Os Vikings e os Celtas lançavam os corpos de seus heróis mortos ao mar (eis o porquê de Calunga Grande) para que fossem recebidos pelos seus Deuses. Os gregos e romanos antes de cremar seus mortos com o intuito de exaltar sua nova condição social, colocavam uma moeda de ouro sob a língua ou sobre os olhos de seus mortos para pagarem Caronte, o barqueiro, pela sua viagem até o submundo através do Rio Estige. Os mesopotâmicos sepultavam seus mortos com muito garbo, colocando junto aos corpos roupas, objetos e comidas prediletas. Os egípcios mumificavam seus faraós, pois acreditavam que para desfrutar do outro mundo, deveriam manter seus corpos o mais preservados possíveis, e os sepultavam nas pirâmides juntamente com todas as suas riquezas. Por volta de 200 d.C, os romanos passaram a sepultar seus mortos em catacumbas ao longo das estradas, as quais eram os primeiros indícios para os viajantes da proximidade da cidade. Na Idade Média com a chegada da Era Cristã, os mortos passaram a ser sepultados em locais sagrados como em igrejas ou aos seus arredores, onde acreditavam que permaneceriam adormecidos em um sono profundo até o juízo final, tornando-se locais bem movimentados para eventos sociais, o que em muito desagradava a igreja. Apenas em meados do século XIV, com a pandemia de peste negra (peste bubônica) trazida pelos ratos que ocupavam os navios que vinham do Oriente e que dizimou 30% da população da Europa, como medidas de profilaxia e de combate à doença, os mortos deixaram de ser sepultados e passaram a ser enterrados, criando verdadeiras necrópoles algo já parecido com o que nós conhecemos hoje. Coincidência ou não os “primeiros” cemitérios surgiram com a peste e isto nos remete a um Orixá em específico, não é mesmo?

CASA DE VELAS SANTA RITA. 77 ANOS DE MUITA HISTÓRIA !!!! Por Nelson Dias

E-mail: nelson@imagensbahia.com.br

Esta é a bagagem que a Casa de Velas Santa Rita, situada na Praça da Liberdade, 248 em São Paulo, traz em sua memória. Muito mais do que uma simples casa de artigos religiosos, participa, serve, prestigia e acompanha a evolução não só da nossa Umbanda, como de todas as outras religiões. Mantém uma equipe treinada com funcionários, na sua maioria, com mais de 15 anos de casa. Fundada em 1934 pelo pai, Sr. Gaspar e seus filhos Nelson e Valter, eles inauguraram um pequeno comércio ao lado da Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados. Vendiam basicamente dois produtos: velas, que na época era feita de sebo animal, já que a loja se situa vizinha a Igreja dos enforcados, e leite a granel, pois naquela época não havia geladeira para sua conservação. Algumas curiosidades do bairro vêm da época dos escravos, porque na praça existia uma forca e o pelourinho. Os escravos que conseguiam escapar, usavam este caminho para chegar aos Quilombos. Daí a origem do nome Liberdade. Após a guerra, as velas de sebo animal começaram a ser substituída pelas de parafina. Surgiram então pequenas fábricas que produziam velas brancas. Usando seu prestígio, conseguiu que fizessem também velas coloridas, usadas nas representações de nossos Orixás... quantas histórias.... Começou a haver um aumento na procura de imagens religiosas. Nasce em 1956 a fábrica IMA-

GENS BAHIA LTDA.

O grupo ficou completo. De um lado a fábrica de imagens e de outro a loja de varejo. Segundo Nelson Filho, ele sempre ouvia de seu pai e tio, as histórias de como a Umbanda começou a ganhar força. Em contato com líderes religiosos da época, como o radialista Hercílio Sanches, Pai Jamil Jornal Nacional da Umbanda

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Rachid, Pai Milton Aguirre, Pai Demétrio, Pai Plínio, Pai Caio Aranha, Babá Messias, Pai Élcio de Oxalá entre muitos outros, alguns já não estão mais conosco, mas trabalhavam unidos sempre para defender aqueles que injustamente sofriam perseguições e discriminações por suas crenças religiosas. Muitos continuam até hoje como muitos outros que se juntaram depois, afirma seu sócio, Sr. Décio, que se juntou ao grupo há 50 anos. Hoje o bairro é conhecido pela história da igreja das Almas e dos Aflitos onde centenas de pessoas acompanham as missas pelas 13 almas e por ser um bairro oriental, pelas suas festas, crenças e cultura originada da grande imigração de japoneses, chineses e coreanos. A CASA DE VELAS SANTA RITA cumpre também seu papel cultural, mantendo e levando aos paulistanos e turistas essa bagagem histórica. É conhecida nacionalmente por ser a loja mais completa do setor religioso. Pode-se encontrar roupas, velas, imagens, atabaques, livros, banhos, defumadores, incensos, pedras e muito mais. Existe também um setor de artesanato, peças de gesso em branco e madeira, aulas de pinturas e todo material para a confecção de velas e sabonetes artesanais. A loja é conhecida também por seu atendimento acolhedor e ambiente familiar, fazendo com que sejam abraçadas sem discriminação todas as religiões. É o ponto de referência para acontecimentos culturais, como o que ocorreu em comemoração ao Centenário da Umbanda, homenageando o querido Pai Élcio de Oxalá, as tardes de autógrafos dos lançamentos dos livros de Alexandre Cumino, Severino Sena, Fernandes Portugal, entre outros. Patrocina também peças de teatro e eventos dos mais diversos segmentos culturais. A loja e a fábrica também patrocinam as festas de Curimba, Atabaques de Ouro, Iemanjá, São Jorge e muitas mais. Enfim, todos os eventos importantes onde o nome da Umbanda é exaltado de forma séria. No site www.srita.com.br além da venda de seus produtos existe campos como variedades e notícias, que mostram curiosidades do setor.

OGUM ENSINA AOS HOMENS AS ARTES DA AGRICULTURA

Por Mary Nogueira - E-mail: nogmary@gmail.com A.T.U.P.O. – JORNAL FUNDAMENTO (Portugal)

Ogum andava aborrecido no Orum, queria voltar ao Aiê e ensinar aos homens tudo aquilo que aprendera. Mas ele desejava ser ainda mais forte e poderoso, para ser por todos admirado por sua autoridade. Foi consultar Ifá, que lhe recomendou um ebó para abrir os caminhos. Ogum providenciou tudo antes de descer ao Aiê. Veio ao Aiê e aqui fez o pretendido. Em pouco tempo foi reconhecido por seus feitos. Cultivou a terra e plantou, fazendo com que dela o milho e o inhame brotassem em abundância. Ogum ensinou aos homens a produção do alimento, dando-lhes o segredo da colheita, tornando-se assim o patrono da agricultura. Ensinou a caçar e a forjar o ferro. Por tudo isso foi aclamado rei de Irê, o Onirê. Jornal Nacional da Umbanda

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Ogum é aquele a quem pertence tudo de criativo no mundo, aquele que tem uma casa onde todos podem entrar. [Lenda do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi] A leitura e análise desta lenda permite-nos compreender o que o Orixá Ogum representa: é a energia presente no homem que, com coragem e determinação, desbrava a terra seca e árida e a transforma em terra fértil, pronta para receber as sementes donde nascerá, como refere a lenda, o milho, o inhame que alimentará os povos; é a força bruta que se transforma, que inova, que cria. É a energia que emana do arado usado para cultivar a terra, das ferramentas agrícolas, das armas usadas para caçar, para combater e vencer batalhas, feitas do ferro, metal onde a energia de Ogum também está presente. É o Orixá guerreiro por excelência, é a força que garante que a ordem seja cumprida; é o Orixá que abre os caminhos, nos ajudando a lutar contra os obstáculos e a evoluir; é a energia que nunca pára, tal qual o sangue que corre em nosso corpo, tal qual a vida! Essa é a força de Ogum!

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LENDA DE OXUM

Por Mary Nogueira - E-mail: nogmary@gmail.com A.T.U.P.O. – JORNAL FUNDAMENTO (Portugal)

Oxum se transforma em pavão e abutre “Olorum, ofendido pela rebeldia dos orixás, prende a chuva no Orum (Céu), deixando que a seca e a fome se abatam sobre o Ayê (a Terra). Os orixás, revoltados com tal atitude, foram suplicar-lhe que devolvesse a chuva à terra, não tendo no entanto conseguido o perdão de Olorum. Oxum oferece-se para ir ao Orum falar com Olorum. Gozada pelos outros orixás, que não acreditavam que ela conseguisse tal feito, Oxum transforma-se em pavão, voa até ao Deus Supremo, para suplicar ajuda. À medida que vai aproximando-se do sol, as suas penas enegrecem e caem e os raios vão queimando sua pele. Fica de tal forma queimada pelo sol e sem penas, que de um pavão belo e majestoso passou a ser um abutre. No entanto, alcança o Orum e quando chega a casa de Olorum, este lhe pergunta o porquê de tal sacrifício. Ela lhe responde que enfrentou o perigo pelo amor à humanidade e às crianças. Então, Olorum, comovido pela determinação e bravura de Oxum, devolve a chuva ao Ayê, tornando as terras férteis e prósperas outra vez!” [in Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi] Esta lenda mostra, através de uma linguagem simples e inteligível, o que o Orixá Oxum representa: A energia do Amor, o amor pela humanidade, pelos irmãos, a energia do amor maternal, o amor de mãe que ampara, que protege, que pelos seus filhos enfrenta qualquer perigo; é a energia que comove, que faz chorar e que conquista a riqueza e abundância; é o Orixá ligado à concepção da vida, é a energia da fertilidade, fecundidade, representada pela água que volta à terra, tornando-a de novo rica e fértil, para ser fecundada, ganhar vida e tornar-se próspera de novo! Salve Oxum!

TAMBORES DO ALÉM

Por Ronaldo Figueira Contato: http://9misticos.wordpress.com

Temos muito a aprender com nossos irmãos afro-brasileiros que foram retirados da África e vieram ao Brasil na degradante condição de escravos. Hoje, pode-se ouvir os tambores do além ecoarem um grito de liberdade e vitória. Mas quanto a nós, será que possuímos também nossas amarras e vivemos acorrentados em uma grande turbulência que pode ser chamada de senzala?! Pois bem, convido-vos a refletir sobre o assunto. A sabedoria de um negro velho mirongueiro nos ensina que para nos desprendermos daquilo que nos acorrenta, devemos lutar para não nos tornarmos escravos de nossos próprios desejos. O desejo; eis o seu senhor, seu feitor. Aquele que lhe desfere os golpes de chibata e deixa marcas que jamais serão removidas. O gosto pelo perigoso, pelo proibido e sensual, nos projeta a uma ilusão de satisfação que não demora a nos jogar nas grades da realidade. No entanto, bradamos por liberdade, queremos conquistas e vitórias. Conquistas, seja no aspecto espiritual, sentimental ou profissional, só se concretizam para aqueles que são livres. Libertos de seus cativos sentimentos de culpa. O autoperdão é uma das chaves que temos para abrir o cadeado da ignorância e nos fazer respirar ares de liberdade consciencial. Mas para tanto, precisamos fazer um auto-exame, a fim de identificar o objeto de nossos desejos. Há quem diga que só desejamos aquilo que não temos. Assim sendo, será que vale a pena Jornal Nacional da Umbanda

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qualquer esforço para ter algo que poderá nos satisfazer por tão pouco tempo?! Todos anseiam por uma vida digna, isto é, equilíbrio material, paz de espírito, um grande amor e muita felicidade. Entretanto, estamos sempre batalhando por conseguir algo que possa completar uma felicidade que demora a chegar e não tarda a ir-se embora. A vida exige de nós atitudes corajosas. Mas, no mundo em que vivemos, os conceitos acabam se invertendo e entendemos que coragem é partir rumo ao perigoso e desconhecido mundo das paixões. É se entregar aos sentimentos objeto de nosso desejo. A vida é tão simples e nós, seres humanos, somos tão complicados. Complicamos tanto e fazemos com que nossos caminhos se fechem em uma senzala espiritual. Nosso ser nos faz reféns de nós mesmos. E quanto mais nos debatemos, mais parece que se apertam as correntes. Não é fácil ser simples. Não é fácil superar os desejos e controlar a si mesmo rumo a uma vida dedicada ao espírito e suas verdades. A carne nos faz cairmos nas ilusões de que ser feliz é saciar todos os desejos que um mundo mortal pode nos dar. O resultado disso é uma prisão criada por nós mesmos. Uma verdadeira senzala. Usemos o exemplo dos negros velhos afro-brasileiros, que superaram as dores do cativeiro. E hoje, tocam os tambores no além, bradando um grito de liberdade, exemplo a ser seguido por nós. Que todos nós possamos nos libertar.

A digital de Deus Por Flavio Fukuda E-mail: fyfukuda@gmail.com

De acordo com o UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas) totalizamos mais de 7.054.000.000 de pessoas neste exato momento na mãe Terra. Curioso é saber que na maior parte das coisas que estes mais de sete bilhões de seres tocam, fica ali registrado a sua individualidade como ser único na natureza, uma vez que não existem duas impressões digitais iguais, nem mesmo a de irmãos gêmeos idênticos. Por volta do ano 1200 d.C. viveu na cidade de Pisa na Itália, Leonardo Pisano mais conhecido como Fibonacci. Filho de comerciante, viajava muito pelo mundo e em virtude disto, aprendeu várias maneiras de se fazer cálculos. Afinizando-se mais com a forma indo-arábica em função da sua praticidade em registrar quantidades e de se fazer cálculos, bem diferente da forma europeia que utilizava letras, chegou a escrever um livro no qual explicava o uso dos novos numerais e também alguns métodos de cálculos. Elaborou uma sequência de números, que ficou sendo conhecida como a Sequência de Fibonacci: (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89,…) Nesta sequência a partir do 3º termo, cada número que se segue é obtido pela soma dos dois anteriores, ou seja, 2 = 1 + 1, 3 = 2 + 1, 5 = 3 + 2 e assim sucessivamente. Utilizando esta sequência, Fibonacci chegou ao seguinte retângulo perfeito que é composto por 7 quadrados: Se traçarmos semicírculos a partir das extremidades de cada um destes quadrados, chegaremos a seguinte forma:

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Não só o próprio Fibonacci como muitos outros matemáticos vem, desde então, estudando esta sequência e correlacionando-a com muitas coisas que são encontradas na natureza e que seguem a este mesmo padrão. Seria esta a assinatura do Arquiteto Maior ou simplesmente obra do acaso? Como diria Shakespeare: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”.

DOUTRINA

EXU FAZ O BEM E FAZ O MAL? Por Alexandre Cumino

E-mail; alexandrecumino@uol.com.br

Exu faz o bem e faz o mal? Depende o que você pede para ele? Até quando vamos aceitar que estas perguntas se tornem afirmações: -- Exu faz o bem e faz o mal! Depende o que você pede para ele! E dizer que não temos nada a ver com isso!!! Até uma criança sabe o que quer dizer cumplicidade, ser cúmplice no erro é crime e é burrice, ser cúmplice no erro é assumir o carma alheio, ser cúmplice no erro é errar duas vezes... Exu na Umbanda não é cúmplice do erro alheio, médium caído nas trevas da sua própria ignorância é que passa a ser cúmplice do erro alheio e atrai para si entidades negativas que irão envolve-lo em suas tramas de dor, ódio e vingança com encarnados escravos dos próprios sentidos desvirtuados... Exu na Umbanda é LEI, é LUZ, é VIDA... ACEITAR A IDÉIA DE QUE EXU É CÚMPLICE, Aceitar a idéia de que Exu faz o Bem e faz o Mal é aceitar que ele seja mesmo o “demônio”, “tinhoso”, “coisa ruim”, “trevoso”, tudo menos Exu de Lei e na Umbanda Exu sempre vem na Lei, quando tem já a liberdade de dar consulta e orientar. Exu enquanto guia espiritual está sempre na Lei, Exu enquanto guia quer evoluir e quer também a minha evolução, Exu enquanto guia é orientador e tem uma consciência maior que a minha. Exu é Luz em minha vida e não é apenas Exu, Pombagira também é Lei, Luz e Vida... Já ouvi falar que falo muito de Exu e Pombagira, Só não vê quem não quer, Exu e Pombagira são pontos forte e fraco na Umbanda, forte se conheço e fraco se desconheço... Assim como nós, Exu e Pombagira são espelhos de nós mesmos, se eu conheço minha sombra, se eu conheço minhas trevas, se eu conheço meu ego, se eu conheço meus vícios, se eu conheço minhas paixões e me proponho a trabalhar sentimentos, pensamentos, palavras e atos Jornal Nacional da Umbanda

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então este conhecimento me torna forte. Se eu desconheço ou se coloco para debaixo do tapete minhas dores, meus medos e meus traumas, então passo a me reprimir, me torno hipócrita, e repreendo no outro o que eu gostaria de vivenciar... Exu e Pombagira nos ajudam a lidar com estas questões, ajudam a lidar com nosso ego, com nossas dores, com nossas paixões, para vencer nossos desejos desequilibrados e curar nossos sentimentos. Pena que tantos olham para Exu e Pombagira e só conseguem ver justamente o contrário, querem usar de sua força e poder para vivenciar ainda mais seus desequilíbrios... um dia acordarão... o que é inevitável...

COMO AGRADAR UM ORIXÁ Por Ronaldo Figueira Contato: http://9misticos.wordpress.com

Certa vez, um homem foi se consultar com um Babalawo. Queria saber por que não dava nada certo em sua vida. Ao receber a mensagem de Ifá, descobriu qual era o problema. O Babalawo lhe disse: _ Meu filho, sua vida não vai pra frente porque você não fez as oferendas que deveria. Surpreso o homem indagou: _ Fiz oferendas a todos os Orixás. Como posso não ter feito as oferendas que deveria?! Fui à cachoeira, agradei mamãe Oxum com Ipetê. Fui até o mar, a Yemanjá ofertei flores e perfumes. Nos campos, ofereci a Ogum um cará regado com muito dendê. A Yansã, arriei nos pés de um bambuzal nove acarajés. Em um lindo bosque, oferendei um sarapatel à Nanã e na Calunga deixei junto ao cruzeiro um alguidar com pipocas à Obaluayê. Xangô comeu um saboroso amalá que arriei na pedreira e a Oxossi, levei até as matas um banquete com abóbora, milho, côco e muito mais. E ao glorioso pai Oxalá, oferendei, em um lindo jardim, uma saborosa canjica coberta com muito mel. Agora pergunto: _ ainda faltou alguma coisa?! _ Faltou o principal, meu filho! Quando você foi à cachoeira agradar a Oxum, pediu-lhe amor e lhe deu um Ipetê. Mas não ofertou o amor que ela esperava que tivesse pela sua religião, pelos seus antepassados e pelo seu semelhante. Nas águas de Yemanjá, você pediu que abençoasse sua família, mas não é só com flores e perfumes que se agrada a rainha do mar. É preciso que trate a todos os seus irmãos com respeito, pois somos todos uma só família. Nos campos de Ogum, não basta lhe dar um cará. Necessita-se ter a bravura de um guerreiro para suportar os desafios inerentes à vitória almejada. Os ventos de Yansã, que sacodem o bambuzal, trazem os ares da certeza que põem em ordem os corações duvidosos, levando os eguns desorientados, desde que os acarajés ali arriados sejam regados com o fogo da coragem e do entusiasmo. Nos bosques sagrados de Nanã, só se consegue adentrar com profundidade quem traz consigo não só o sarapatel, mas a sabedoria, pois sem ela não se pode se livrar do lamaçal da vida causado pela maledicência, geradora da falta de fé. Na casa do velho Obaluayê, o senhor das passagens, não adianta arriar o deburu (pipoca) se não vivenciar o que isto representa. É necessário mergulhar no fogo da intolerância, deixar a casca dura da vingança e saltar como uma linda flor. O amalá deixado na pedreira só agrada a Xangô se seu coração não estiver como uma pedra, pois assim não adianta pedir para ele aplicar a justiça sobre seus desafetos, porque você não evoluiu o suficiente para discernir justiça de vingança. Seria melhor ter pedido que o ensinasse a proceder com justiça para com o próximo. Para Oxossi, não era necessário um banquete. A fartura em sua vida virá quando você repartir com os menos favorecidos aquilo que você tem em abundância, pois quem reparte aquilo

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que tem, nuca lhe faltará. Quanto ao bondoso e cristalino pai Oxalá, requer-se muito mais que uma canjica para agradá-lo. Sua oferenda é o seu coração. Não basta que a canjica esteja cândida; seu coração é que deve estar tomado da mais pura brancura. Você pediu paz, mas não agiu de forma pacífica durante toda a sua vida. E ainda disse que os trabalhos não deram certo. Ora! Não foram os trabalhos, ebós, sacrifícios e oferendas que fracassaram. Avalie sua vida até os dias de hoje. Coloque um ponto final no modo egoísta de viver. Volte até o recanto dos Orixás e lhes peça todo o axé necessário para que suas mãos possam produzir neste mundo a paz, o amor, a fartura, a justiça, a coragem, a sabedoria e a força geradora das obras do bem. Somente após mudar sua própria maneira de agir, de modo a poder plantar e regar boas sementes, você poderá colher os frutos de um novo amanhecer. Até lá, faça com fé suas oferendas. Os guias espirituais estarão junto de você. Mas não esqueça que a maior oferenda é o seu coração!

Mensagem do Senhor Exu Caveira Mensagem recebida por André Cozta

E-mail: andrecozta@gmail.com

“Caminhando sob o Sol ou pela escuridão, o ser humano deve carregar em si mesmo a sua dignidade. Isto significa dizer que, todo aquele que recua, esteja onde estiver, cai no abismo que o persegue. Por que todos nós temos um abismo às nossas costas e o Sol à nossa frente. Escolhemos o que mais nos convém. Bem lá no íntimo, você tem consciência de tudo o que passa, por que por tudo isso passa. Então, se for necessário, agora, dê um passo apenas para a sua direita e retome sua caminhada, consciente de que estará rumando para onde sempre deveria ter caminhado. Reflita, repense todos os seus passos e volte a pisar no chão de cabeça erguida. Eu sou Exu Caveira!!!!!!!”

ORAÇÃO A OBALUAIÊ

Oração Enviada por Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas Escrita por André Cozta Meu senhor da evolução, transmuta meu mental mostra-me as passagens que me darão acesso à real evolução e à ascenção Dai-me estabilidade e controle para que eu possa agir com discernimento cura minha alma e meu espírito, para que eu possa, daqui em diante, seguir no rumo evolutivo a mim designado pelo divino criador olodumare e que eu possa sempre contar com o seu direcionamento neste caminho de flores, pedras e terra firme meu divino pai obaluayê, peço sempre sua proteção e orientação. Atotô, meu senhor da evolução!”

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Entendendo a Umbanda Capítulo 13 – Simplicidade Por: Newton C. Marcellino

E-mail: newton.utf@gmail.com

E alguém da assistência dirigiu a palavra à sacerdotisa Sofia, durante uma palestra. - Fale-nos sobre a simplicidade na Umbanda. - Primeiro precisamos entender o que é simplicidade. Diferentemente do que muitos pensam, simplicidade não é deixar de lado todos os bens materiais e limitar suas opções e escolhas baseadas no mínimo que a vida dispõe, alias, para esse modo de viver, conhecemos como ascetismo ou asceticismo, onde seus adeptos refreiam os prazeres mundanos, acreditando que, através da purificação do corpo, sua alma também se purificará. A simplicidade é ter consciência dos objetivos almejados, livrando-se daquilo que é supérfluo, o que torna tudo mais ágil e fácil. Nossa sociedade possui a ideia de que simples e pobre são a mesma coisa, repugnando aqueles que possuem melhores condições financeiras, vendo-os como ameaça. Para visualizarmos a veracidade de tal fato, imaginemos uma religião qualquer que construiu uma enorme igreja em um dos pontos mais caros da cidade. Parece ser ruim a suntuosidade por trás dela, o dinheiro gasto na obra, a dúvida sobre a origem financeira, e talvez, quem será beneficiado ou prejudicado no futuro, mas poucos analisam a real necessidade do templo: a quantidade de fiéis atendidos exige espaço maior, com várias portas de saída de emergência, estacionamento amplo, altura elevada do teto para impedir a rápida propagação de incêndio, conservação e limpeza da edificação como medida de segurança, localização estratégica facilitadora de locomoção pública, entre outros. Talvez, por pensar dessa maneira, muitos umbandistas acreditam que um terreiro no fundo de um quintal de família, com as paredes mal conservadas, com iluminação precária e, por vezes, sem cadeiras suficientes para a assistência, é o melhor por ser simples, enquanto o terreiro planejado, com arquitetura condizente com a real necessidade de prosélitos, que atende todas as normas de segurança e higiene, instalados em área nobre ou em considerável área verde, onde seus membros vestem uniformes limpos e organizados, é considerado terreiro de alta sociedade e fraco. Essa ideologia parece justificar “divinamente” as mazelas humanas: o pobre sofre pela falta material, por isso é simples e vai para o céu; o rico usufrui do excesso material, logo não é simples e vai para o inferno; portanto, a religião pobre é melhor do que a rica. Raciocínio lógico, porém errado! Mas posso questionar da seguinte maneira: Chico Xavier perderia sua essência caso fosse rico e morasse em uma mansão? Hitler perderia seus ideais se fosse extremamente pobre? O que importa é aquilo que o homem é: a sua consciência, o seu respeito com os seres viventes e natureza, os seus atos na sociedade e o amor que emana ao próximo. A matéria que o acompanha nesta vida se separará dele assim que deixar de viver. Sendo pobre ou rico, a simplicidade está naquilo que o homem faz, com facilidade e consciência. - Então, Sofia, se eu for num terreiro pequeno e pobre com um sacerdote tirano e exigente, esse lugar não é simples? Exatamente. Para entender melhor, um sacerdote vive da simplicidade umbandista quando facilita o ritual, quando é direto em seus atos, quando deixa claros os fundamentos religiosos e, principalmente, quando repassa seus conhecimentos aos seus seguidores. O sacerdote que complica o ritual, esconde informações alegando segredo religioso, não explicando como funciona cada etapa ritualística, este se torna complexo e incompreensível, o que afasta todos ao seu redor, incluindo os membros do terreiro. O fato de um terreiro ser grande ou pequeno, bem ou mal localizado, possuir ou não recursos financeiros, não o faz melhor nem o mais simples comparado com qualquer outro. O melhor e o mais simples é aquele em que seus frequentadores e trabalhadores se sentem bem, vão com prazer aos rituais, sentem orgulho de pisar no solo sagrado, ouvem e falam com sede de aprendizado e, acima de tudo, mantém o respeito mútuo, de cima para baixo e de baiJornal Nacional da Umbanda

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xo para cima hierarquicamente, tornando todos iguais perante Olorum. - O que dizer de um ritual, onde todos cantam uma ou duas músicas de abertura e o aten- O maior jornal umbandista, dimento mediúnico já começa e em poucos minucomunica: tos a gira se encerra? Isso é ser simples? - Cada terreiro possui o seu ritual, de acor- Pedimos aos leitores que não do com o aprendizado e experiência de seu sadeixem de confirmar seu cerdote, logo se tudo é feito às pressas ou se decadastro no site: mora horas para realizar a gira, não cabe a nós discutir, mas respeitar. Temos de entender que a simplicidade jornalnacionaldaumbanda.com.br também não está relacionada com o tempo rituapara evitar que deixem de lístico, com o número de pontos cantados, com a receber o JNU pelo e-mail. quantidade de pessoas ou na velocidade de atendimento, mas em como é conduzida cada etapa de um trabalho espiritual: se há ou não objetivo claro, se todos entendem o que está acontecendo, se existe respeito entre todos e assim, baseado nisso, concluímos a simplicidade do terreiro. - É importante para um terreiro ser simples? - Sim! Vejamos: as religiões neopentecostais tentam simplificar ao máximo seus rituais, inclusive lendo a bíblia para aqueles que não sabem ou possuem dificuldade em ler, e isso ajuda na expansão das mesmas. Na década de 1980, a Umbanda fez o caminho inverso: criou dificuldades para a formação de novos sacerdotes, alegou segredos em seus ensinamentos, pregou a política do medo, forçou terreiros a tomar o caminho da marginalidade e calou-se perante a discriminação social, sendo essas algumas das razões para seu declínio religioso, consequentemente, de alguns anos para cá, há um esforço enorme entre várias lideranças umbandistas para contornar esse quadro e mostrar a verdadeira face à sociedade. Um dos caminhos para a melhora da Umbanda é a simplicidade, desmistificando rituais e ensinando àqueles que batem em sua porta. Podemos perceber que está funcionando nos baseando no último censo demográfico de 2010, que mostrou a estabilidade no número de seguidores de Umbanda, ou seja, o final do declínio. Ser simples e funcional é o caminho a trilhar!

JNU

AULAS DE PRÁTICA E EXERCÍCIO DO SACERDÓCIO Por Rubens Saraceni E-mail: contato@colegiodeumbanda.com.br

1ª Aula: Abertura e Encerramento de Trabalhos Espirituais. Procedimentos: 1– Fazer duas linhas de médiuns, uma com as mulheres e outra com os homens, para que eles não se misturem durante a abertura. Isto tanto é necessário devido a frequências vibratórias diferentes, quanto para organizar o corpo mediúnico, mostrando à assistência um quadro visual bonito. 2 – Saudação de Abertura e Defumação: O sacerdote saúda a abertura do trabalho e determina a defumação com cantos e palmas e, em seguida, se ajoelha e clama ao Pai Olorum e aos Orixás que a defumação purifique o ambiente e cada um dos médiuns, diluindo todas as cargas energéticas negativas e recolhendo todos os espíritos desequilibrados que se encontrarem dentro do Centro ou nos campos vibratórios dos médiuns. Sacerdote: Salve a abertura dos trabalhos! Corpo Mediúnico: Salve! (bater palmas sete vezes) Sacerdote: Salve a defumação! Corpo Mediúnico: Salve! (bater palmas sete vezes) Jornal Nacional da Umbanda

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Cantar Pontos de defumação 3 – Abertura do Trabalho Espiritual: A seguir, o dirigente determina o canto de abertura do trabalho espiritual com cantos e palmas e, enquanto a Curimba e os médiuns estão cantando, ele se ajoelha, saúda Pai Olorum, Pai Oxalá, os Sagrados Orixás e todas as Forças Espirituais do Centro e dos médiuns e lhes pede licença para abrir o trabalho espiritual e clama pelo amparo e proteção para que tudo transcorra em paz, harmonia e equilíbrio. Sacerdote: Salve a abertura do trabalho espiritual! Corpo Mediúnico: Salve! (bater palmas sete vezes) Curimba: Cantar Ponto de Abertura: 4 – Canto (ou uma oração) de Saudação a Olorum: Após a abertura, o dirigente determina um canto ao Divino Criador Olorum, sendo que os médiuns devem se ajoelhar, colocar sua toalha no solo, encostar a testa sobre ela, encostar as costas das mãos sobre a toalha e clamarem pela benção, o amparo e a proteção dele para que possam servi-lo com a sua mediunidade e com seus Guias. Sacerdote: Salve Nosso Pai Olorum! Corpo Mediúnico: Olorum é Nosso Pai! (bater palmas sete vezes) Quanto ao dirigente, este deve se ajoelhar, cruzar o solo à sua frente, saudar Olorum e dizer estas palavras: “Divino Criador Olorum, eu vos saúdo, peço-lhe a benção e o amparo divino para o nosso trabalho e peço-lhe que envolva cada um dos seus filhos e filhas aqui presentes com sua vibração divina, assim como envolva todas as forças espirituais deles, dando-lhes o amparo necessário para a realização do nosso trabalho espiritual. E peço-lhe também que envolva esse espaço físico e o seu lado espiritual com suas vibrações divinas para que, o que aqui vamos realizar aqui permaneça, assim como para que não soframos nenhuma interferência externa que perturbe os nossos atendimentos aos necessitados. Amém”. Hino à Olorum: Os anjos tocam seus clarins lá no Céu Anunciando o alvorecer Os anjos tocam seus clarins lá no Céu Anunciando o alvorecer Pai Olorum que tudo vê lá de Aruanda Criou a Umbanda prá seus filhos proteger Pai Olorum que tudo vê lá de Aruanda Criou a Umbanda prá seus filhos proteger 5 – Canto para Oxalá: O dirigente se deita diante do altar sobre a toalha, saúda Pai Oxalá, encostando a testa no solo, saúda sua esquerda encostando a fronte esquerda e depois saúda sua direita encostando sua fronte direita no solo, pedindo–lhe o amparo e a proteção divina para que os trabalhos transcorram em paz. Enquanto isso, os médiuns devem estender a toalha à sua frente, bater cabeça e pedir-lhe benção e proteção para seu trabalho pessoal. Sacerdote: Salve Nosso Pai Oxalá! Corpo Mediúnico: Oxalá é Meu Pai! (bater palmas sete vezes) Obs.: O sacerdote e o corpo mediúnico batem a cabeça neste momento Hino a Oxalá, autoria de Mãe Lurdes Vieira de Campos Vou caminhando nas estradas desta vida E me protegem Sete Luzes de Orixás Filhos de Umbanda minha fé é o que me guia Nos caminhos de Aruanda sob a paz de Oxalá Filhos de Umbanda minha fé é o que me guia Jornal Nacional da Umbanda

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(médiuns em pé)

Nos caminhos de Aruanda sob a paz de Oxalá Oxalá é paz, Oxalá é o rei Divino Pai, Divina Força que me encanta Nos caminhos de Aruanda, sua Luz é minha Lei Divino Pai, Divina Força que me encanta Nos caminhos de Aruanda, sua Luz é minha Lei Oxalá é paz, Oxalá é o rei Divino Pai, Divina Força que me encanta Nos caminhos de Aruanda, sua Luz é minha Lei Divino Pai, Divina Força que me encanta Nos caminhos de Aruanda, sua Luz é minha Lei – Canto para as Sete linhas: Saudação.

Sacerdote: Salve as Sete Linhas de Umbanda! Corpo Mediúnico: Salve! (bater palmas sete vezes) Curimba: Cantar Ponto das Sete Linhas (cantar duas vezes) 7 – Saudação da Esquerda: Os médiuns devem se virar para o lado da rua e o dirigente saúda o Orixá Exu, o Orixá Pomba Gira e o Orixá Exu Mirim, pedindo-lhes o amparo e a proteção para que o trabalho transcorra em paz, harmonia e equilíbrio, e não fique nenhuma carga no término dos trabalhos. Após, canta-se para o Exu da Casa. Saudação: girar para a esquerda em direção à tronqueira, ajoelhar-se com o joelho esquerdo no chão e a mão direita sobre a perna direita espalmada para cima e a mão esquerda em pé virada em direção à tronqueira. Sacerdote: Saravá Exu! Corpo Mediúnico: Exu mojubá! Sacerdote: Saravá Pombagira! Corpo Mediúnico: Pombagira Saravá! Sacerdote: Saravá Exu Mirim! Corpo Mediúnico: Exu Mirim mojubá! (bater palmas três vezes) Sacerdote: Saravá Sr. Exu Tranca Ruas! Corpo Mediúnico: Laroiê SeuTranca Ruas! Ponto do Sr. Exu Tranca Ruas O sino da igrejinha faz belém, blem, blem O sino da igrejinha faz belém, blem, blem Deu meia noite o galo já cantou Seu Tranca Ruas que é o dono da Gira Vai correr Gira que Ogum mandou Seu Tranca Ruas que é o dono da Gira Vai correr Gira que Ogum mandou Ogã: Saravá Seu Tranca Ruas! Corpo Mediúnico: Laroiê, Seu Tranca Ruas! (bater palmas três vezes e virar-se de frente para o Congá) 8 – Canto para o Orixá de Frente do Sacerdote da Casa: Canto de louvação ou de chamada do Jornal Nacional da Umbanda

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Orixá de frente ou adjunto do dirigente, que pode incorporá-lo e mandar os médiuns incorporarem seus Orixás da mesma linha que o dele. 9 – Canto para o Guia de Trabalho do Sacerdote da Casa: Após a subida da firmeza do Orixá da Casa (com ou sem incorporação), o dirigente incorpora o guia que comandará o trabalho e este, após firmar o trabalho, determina que os médiuns incorporem seus Guias da mesma linha que a dele. Ex.: Se o trabalho for dirigido pelo Caboclo do dirigente, todos os médiuns devem incorporar seus Caboclos para que eles trabalhem, ou se o trabalho for com o Baiano Guia Chefe, todos os médiuns devem incorporar seus Baianos (as) para eles trabalharem. 10 – Canto para Subida dos Guias: Após o término do trabalho de atendimento ao público, cantase para a subida da Linha de Trabalho e, em seguida, canta-se para outra Linha de Trabalho incorporar e fazer uma gira de limpeza e descarrego, tanto do Centro quanto dos médiuns. Pode-se chamar a Linha do Mar, das Crianças, dos Boiadeiros, Esquerda, etc., a fim de descarregar o ambiente e os médiuns. 11 – Canto de Encerramento: Após o término da limpeza espiritual, canta-se para encerrar os trabalhos espirituais realizados. Durante o canto, o dirigente deve se ajoelhar e agradecer desde Olorum até os Guias dos médiuns que trabalharam na Casa. Sacerdote: Salve o fechamento do trabalho espiritual! Corpo Mediúnico: Salve! Ponto de Encerramento

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AVISOS CULTURAL

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Livro: Umbanda – Rituais de Amaci com Oferendas e Orações Da escritora Domitilde Aparecida Pedro, é fundamental para que templos, terreiros, casas de caridade e centros de Umbanda conheçam um pouco mais sobre obrigações e oferendas, tendo como objetivo a apresentação de mais uma opção fundamentada de trabalho para os sacerdotes. Local e horario: Estande da Madras na Bienal do Livro Dia 17 de Agosto, às 19h00 Título: Fundamentos Doutrinários de Umbanda Autor: Rubens Saraceni Editora: Madras Editora Ltda. Este é um livro a respeito dos fundamentos doutrinários da Umbanda, uma religião fundada no Brasil em 16 de novembro de 1908, por Zélio Fernandino de Moraes, a partir de uma manifestação espiritual do Caboclo das Sete Encruzilhadas durante uma sessão espírita. Nesta obra, Rubens Saraceni explica com desenvoltura fundamentos ritualísticos e doutrinários dessa religião centenária, com destaque para a cosmogênese umbandista e seus Orixás, discorrendo sobre suas firmezas, irradiações, oferendas e seus assentamentos, bem como aborda de modo claro as Sete Linhas de Umbanda. Outro ponto importante é a Escrita Mágica Divina, que se trata da própria escrita dos Orixás, e que os Guias chefes, com ordens de trabalho, riscam e ativam o poder das divindades por meio da magia riscada umbandista. O autor discorre ainda sobre o Orixá Exu e sua forma de atuação, e a respeito da formação sacerdotal umbandista. No final da obra, o leitor encontra um glossário que facilita o entendimento dos termos utilizados na obra. Trata-se, portanto, de um livro indispensável a todos os umbandistas e estudiosos do assunto.

Colégio de Magia

Rua Irmã Carolina, nº 272 - Belenzinho - São Paulo Fone: (11) 2796-9059 E-mail: contato@colegiodemagia.com.br

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A Escrita Mágica na Umbanda O ponto riscado

Por Frederico Castro e Vitorino Camelo - E-mail: nogmary@gmail.com A.T.U.P.O. – JORNAL FUNDAMENTO (Portugal)

O ponto riscado possui grande significado na liturgia Umbandista. O seu significado expande-se além das suas propriedades magísticas, na sua consagração há muito como “escrita mágica sagrada simbólica” (Saraceni, R.) Os pontos riscados como símbolos magísticos podem também evocar sinais expressos numa representação orientada para um determinado propósito ou para a própria trajetória humana, sendo muitas vezes usada a pemba*, pelos guias, por para poder riscar os seus pontos ou símbolos espirituais. São espaços cuja função é dada e orientada pela entidade. É também através do ponto riscado que os Caboclos, Pretos Velhos ou Exus contam a sua história, a sua origem e passagens do mundo material e astral, e também no qual manifestam a sua identidade, diferenciada das demais, sendo o próprio estandarte da entidade. Compreendendo-o deste modo, o ponto riscado é um dos mais vigorosos meios magísticos utilizados na Umbanda, consistindo na sua base de um conjunto de símbolos feitos com pemba e agrupados de forma a movimentar energias e a criar campos de forças, ou como base de sustentação de alguns trabalhos. A variedade de funções que é sua propriedade é vasta; os pontos de descarrego tão sobejamente conhecidos; os pontos de firmeza, etc. Os pontos riscados com Pemba representam uma grafia de projeção astral; de símbolos que se revestem de poder mágico, que a força do Orixá lhes confere. Criam genericamente uma espécie de campo energético, onde o instrumento utilizado pela entidade, a Pemba, manipula as forças da Natureza na afinidade com a entidade, na sua identificação e domínios, na prossecução do efeito desejado (dependendo também claramente do merecimento do consulente e do médium). São códigos vinculados ao mundo espiritual, no campo de ação de determinada falange de entidades. Quando são desenhados sem conhecimento de causa, acabam por “não projetar a sua grafia luminosa” (Lima, C.) e não passam de sinais inócuos, porque têm que ser movimentados pelo pensamento, assim como não basta ver um ponto num livro para riscá-lo sem o devido conhecimento, e sem as devidas consequências. Para um ponto riscado, além da Pemba, podem ser usadas outras substâncias, dependendo do trabalho a realizar, como a marafa (pinga ou cachaça), fundanga (pólvora) etc. Também é utilizado somente o gesto, sem matéria adicional, na intenção pretendida. Muitos dos símbolos sagrados são do conhecimento comum, como a Cruz, a Estrela de David ou de seis pontas, que os Umbandistas reconhecem como a estrela do equilíbrio, na força da justiça de Deus incorporada no Orixá Xangô, entre outros. Tidos também sob um olhar receoso, os símbolos são predominantemente associados a cultos e religiões, e a acontecimentos marcantes da História, tendo muitas vezes o seu valor deturpado. Outros desses símbolos mágicos, activados no plano material, são desconhecidos e ainda carecem de classificação. No seio da comunidade Umbandista, as divergências de opiniões mantêm discussão prolongada sobre este tema. Vários dirigentes e autores, sem consenso na sua abordagem, diferem na leitura desses mesmos símbolos, catalogando e fazendo triagens próprias. Outrossim, a reprodução de símbolos e grafias idênticas encontram-se em diversas casas, países, até mesmo religiões. Certo é que, na transversalidade da Umbanda, se reconhecem símbolos riscados indicando mistérios que são propriedade ou capacidade de determinada entidade. Será ponderado não admitir conhecimento absoluto sobre o tema, também na perspectiva de uma aprendizagem contínua... Jornal Nacional da Umbanda

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“Usem bem os símbolos. Usem-nos mais e mais, e descobrir-se-ão num estágio onde já não precisarão deles. A mente humana consegue alcançar qualquer ponto do Universo imediatamente.” Mikao Usui. *pemba – espécie de pequeno giz calcário em formato oval fabricado com diversos componentes.

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