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MinistĂŠrio da Cultura apresenta Banco do Brasil apresenta e patrocina

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Ministério da Cultura apresenta Banco do Brasil apresenta e patrocina

A curadoria e a programação da MFL foi realizada por Guilherme Whitaker, Scheilla Franca, Gabriel Sanna e Diego Franco. Rio de Janeiro - 21 de março a 15 de abril de 2018 São Paulo - 22 de março a 16 de abril de 2018 Brasília - 24 de abril a 20 de maio de 2018


MFL 2018 É dedicada à memória de Cid Nader 1958 | 2017

Luiz Giban 1980 | 2017

e J. Ulivan, o Caramujo 1949 | 2017

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O Banco do Brasil apresenta e patrocina a 17ª edição da Mostra do Filme Livre, projeto nascido no CCBB Rio de Janeiro e que se tornou a maior mostra de cinema independente do Brasil. Marcada pela diversidade de formatos, gêneros e temas, a programação conta com a exibição de mais de 200 produções vindas de diferentes partes do Brasil. O homenageado deste ano será o crítico e cineasta Olívio Tavares de Araújo, com sessões de quatro de seus filmes e debate nas três cidades que recebem o evento: Rio, São Paulo e Brasília. O programa fica completo com o curso Cinema e Memória, que será ministrado pelo pesquisador Hernani Heffner. Com a realização desta mostra, reforçamos nosso apoio ao projeto e à arte cinematográfica e contribuímos para a divulgação da crescente produção audiovisual nacional e independente. Centro Cultural Banco do Brasil

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íиdicЄ 6 Urgências Audiovisuais 7 Números da MFL 8 Curadoria, Júri e Premiação

RJ, SP e DF 11 Sessões de Abertura 12 Homenagem a Olívio Tavares de Araújo 36 Sessões Competitivas 37 Caminhos 46 Longas Livres 58 Panoramas Livres 78 Destaque Atos da Mooca e Priscyla Bettim 86 Destaque Marcus Curvelo 90 Autorias 105 Biografemas 109 Cabines Livres 124 Coisas Nossas 129 Curta o Curta

132 Especial Caramujo 141 Especial Chorume 148 Especial Grande Sertão 150 Especial Luiz Giban 154 Especial Híbridos 160 Especial Jorge O Mourão 165 Especial Nossa porção mulher 174 Especial TanTão 180 Mostrinha Livre 184 Mundo Livre 189 Pílulas 199 Regional Curta Brasília 206 Regional Curta Rio 210 Regional Curta Sampa 213 Territórios 227 Questão de gêneros 236 Cineclubes Livres 237 Cursos Livres 238 Debates Livres 239 Equipe MFL2018 241 Tabelas de programação


A MFL se transformou, nos últimos anos, na maior mostra audiovisual do Brasil, exibindo a cada edição mais de 200 filmes (brasileiros) em várias capitais. Quando um evento focado na (crescente) produção alternativa, feita na maioria das vezes sem patrocínios eou uso de verbas públicas, se torna o maior de um lugar como o Brasil, toda reverberação é importante. Fruto da dedicação e esforço de muita gente, por mais de década, a MFL insiste que o cinema mais amoroso que monetário é fundamental de ser feito e mostrado. Os 230 filmes desta edição compõem um caleidoscópio do país que nos tornamos, que somos, com tudo de posi/negativo que este painel carrega, visto que o Brasil é cheio de contradições, muitas delas seculares e mal resolvidas. Pelo Brasil adentro são feito filmes que buscam levar à tona questões que muitas vezes incomodam - sejam elas estética ou políticas. O cinema livre trata desse lado espinhoso do cinema nacional, de modo que a MFL nasceu e segue viva para exibir e pensar o que de mais original, exótico, poético e subversivo os brasileiros têm sido audiovisualmente.

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A visão do CCBB em 2002, ao nos bancar pela primeira vez, evidencia a graça e eficácia de uma política cultural não de governos, mas republicana, que visa plantar (e planta) raízes fortes a fim de gerar frutos coletivos e de longo prazo. Ao nos hospedar nestes 17 anos, o CCBB se tornou porto fundamental na difusão do cinema independente brasileiro, que tem na MFL um manancial de filmes feitos por amor, cada qual com a sua urgência motivadora, e isso importa e quer dizer muito nestes tempos. Começamos exibindo VHSs, Betas e 16mm, depois DVDs e blurays, hoje HDs e pen drives. Vivemos os tantos impasses destas mudanças de formatos tanto de captação quanto de projeção, e do que seja o audiovisual hoje. A cada edição comprovamos um ditado criado por nós mesmos: se cinema é cachoeira, vídeo é arrebentação. Que essa quebradeira siga firme e cada vez mais forte, em nome da poesia e liberdade de expressão! Guilherne Whitaker WSET


NúmзяØs dδ

Este ano a média de filmes inscritos se manteve. Foram 1.150 filmes, sendo que apenas 186 filmes (16%) tiveram apoio de editais e/ou leis de incentivo. No total, foram selecionados 160 filmes e outros 70 foram convidados, totalizando 230 filmes na programação nas três cidades. Dos 362 filmes inscritos feitos por estudantes, 30 foram selecionados. Dos 230 selecionados/convidados, 45 filmes tiveram apoio de editais e/ou leis de incentivo.

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INSCRITOS: SELECIONADOS/CONVIDADOS POR UF: RJ=370/62 SP=226/41 MG=119/23 PE=77/8 BA=50/9 GO=43/6 RS=35/5 DF=33/5 SC=30/6 CE=30/6 PR=30/2 PB=14/2 ES=9/3 RN=3/1 PA=21

AL=14 AM=8 MT=7 SE=6 MS=6 MA=5 RO=3 AC=2 RR=1 PI=1 AP=1 TO=1 Total de 26 longas selecionados.

335 filmes inscritos foram realizados por mulheres, 85 selecionados 7 | MƒL 2018


CurδdØriδ, Júri & PяΞmiλçãØ A curadoria da MFL2018 aconteceu de novembro de 2017 a fevereiro de 2018 por Guilherme Whitaker, Scheilla Franca, Diego Franco e Gabriel Sanna. Os quatro meses deste processo tem se repetido nos últimos anos da mesma forma. A MFL criou, em 2006, e tem aprimorado desde então, um sistema online próprio onde os curadores podem acessar as fichas de inscrição dos filmes (este ano foram 1.150), com suas infos, fotos e, claro, link para serem vistos, normalmente no YouTube ou Vimeo, com ou sem senhas. Com certeza sem este sistema integrado não seria possível assistir a todos os filmes num prazo tão curto. Completando o tema, este sistema serve não apenas aos curadores da mostra, mas também à produção e assessorias de comunicação, que o usam incessantemente principalmente depois que o foco deixa de ser os filmes inscritos e passa a ser os filmes selecionados e convidados para comporem a mostra. Segue abaixo uma compilação de textos livres da curadoria, sobre como foi fazer a seleção e programação da MFL2018.

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A liberdade é um signo que resiste na experiência, no gesto, na entrega, na queda. Sua existência se dá imersa, contraditoriamente, na dependência de uma infinidade de relações invisíveis (afetivas, políticas, sociais, comunitárias). No cinema livre não é diferente. Trabalhar na curadoria de uma mostra de filmes livres é um salto coletivo onde cada um se perde como pode dentro das forças que atravessam e marcam a superfície das obras em relação às dependências deste conceito, dando-lhes forma, força, tensão. Tais relações nos sustentam sem chão, no ar, no mar, nos deixando queimar, transformar, durante a seleção dos filmes que vão compor cada uma das sessões da MFL 2018, para cada um de nós e para todos nós, juntos.

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O curador engajado trabalha para dar visibilidade a filmes que dificilmente teriam outra oportunidade de serem vistos. Muitos dos filmes produzidos no Brasil não acontecem, eles não circulam e, por isso, cabe ao curador jogar garrafas ao mar, para usar uma frase de Marcelo Ikeda, no intuito de provocar reflexão e tensionar o estado de coisas no ainda tão limitado campo cinematográfico nacional. Processo que pode, por vezes, gerar certas formatações, como filmes pensados para entrar nos festivais. Mas, em todo caso, assim como as ondas do mar, a padronização estética logo se quebra aqui e acolá, dando lugar a outros jogos que criam novos esquemas e referências. Assim como o pensamento, a criação é movente, fluxo puro e cristalino que atravessa a imobilidade e quebra paradigmas visuais, sonoros e conceituais. Curadoria MFL2018 9 | MƒL 2018


Júri & PrΞmiδçãØ Este ano teremos premiação para três sessões, a Caminhos, com 7 filmes de escola, a Panoramas Livres, com os 28 principais curtas e médias da mostra, e a Longas Livres, com os 7 principais longas. No total, 42 filmes concorrem ao troféu FILME LIVRE! e aos seguintes prêmios, oferecidos pela Conecta Acessibilidade e pelo CTAV. PRÊMIO ACESSO Dois serviços de audiodescrição, legendagem descritiva e libras, para que os filmes possam ser assistidos por pessoas com deficiência visual e/ou auditiva PRÊMIO CTAV ↘ 20 horas de serviço de mixagem nos estúdios CTAV para o premiado da sessão LONGAS LIVRES ↘ Empréstimo por 1 semana da câmera SI-2K. para o premiado da sessão CAMINHOS ↘ Empréstimo por 1 semana da câmera SI-2K. para o premiado da sessão PANORAMAS

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SESSÕES EM COMPETIÇÃO CAMINHOS Júri do coletivo de críticas ELVIRAS, formado por Roni Filgueiras (jornalista e crítica de cinema), Julia Levy (pesquisadora e crítica de cinema) e Roberta Canuto (jornalista e crítica de cinema) PANORAMAS LIVRES Júri da Associação de Críticos do RJ, ACC-RJ, formado por Filippo Pitanga, Ricardo Cota e Gilberto F. Silva Jr. LONGAS LIVRES Júri do site Cine Festivais, formado por Adriano Garrett, Rodrigo Pinto e Amina Jorge, Os filmes premiados das sessões Caminhos e Panoramas passarão no encerramento da MFL RJ, dia 15-04, quando os(as) realizadores(as) premiados(as) estarão presentes para um debate.


SΞssõєs dΞ ∆bєЯtur∆ A MFL2018 acontece nos CCBBs do Rio e São Paulo simultaneamente, seguindo depois para o CCBB de Brasília. As aberturas:

RJ | 21/03 19H NO CINEMA 1 com curtas cariocas e convidados

SP | 22/03 19H30 NO CINEMA com curtas paulistas e convidados

DF | 24/04 19H NO CINEMA

com o longa “Híbridos, os Espíritos do Brasil”, seguida de debate com os realizadores Priscilla Telmon & Vincent Moon

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Olívio Tavares de araújo

o Cinema de ouvir e a Ruína Rodrigo Lopes de Barros

A prática comandante do cineasta Olívio Tavares de Araújo de dirigir, fotografar, montar e escrever os roteiros da maioria de seus quase 60 filmes realizados de 1969 a 2007 (como pode ser observado na filmografia em anexo, cedida pelo diretor) é, poderíamos ousar fazer a conexão, uma característica de sua obra que aponta certa afinidade a uma linha curatorial estabelecida ao longo dos anos pela Mostra do Filme Livre (MFL), no diálogo com um “cinema de garagem”, como definido por Dellani Lima e Marcelo Ikeda em seu livro homônimo.1 Evidente que temos diferenças entre esse recente fenômeno cinematográfico definido por Lima e Ikeda, fruto da era digital, e os

1 Dellani Lima & Marcelo Ikeda, Cinema de garagem: um inventário afetivo sobre o jovem cinema brasileiro do século XXI (Belo Horizonte: SuburbanaCo, 2011). 13 | MƒL 2018

quatro filmes de Olívio exibidos na mostra; porém, em alguns aspectos, seria possível falar então num proto-cinema de garagem desse diretor, pois ainda que sua produção seja anterior e que seus filmes tenham recebido em momentos apoios institucionais, Olívio é sem dúvida um artista e intelectual autodidata, com tendências ao do it yourself (DIY), ou “faça você mesmo”, ao assumir, senão todos, vários aspectos da produção. Ademais, seu autodidatismo se vê tanto como crítico de arte (carreira que começou a desenvolver aos 16 anos, escrevendo sobre música erudita, como apontado nos créditos da versão restaurada de seu filme Farnese), quanto como cineasta, ao criar, mesmo sem a necessidade de submeter-se à institucionalização do âmbito acadêmico (caso cada vez mais raro), um trabalho robusto em


ambas as frentes, além de recorrer (nesses filmes) a uma temática de fundo que se tornará evidente no cinema da primeira metade do século XXI: “reflexões sobre o pessimismo, a desilusão, o tédio e a melancolia, formas de expressar e tentativas de superar a vida solitária do homem na atualidade” (Dellani Lima),2 mesmo que sua busca transcendental não seja abertamente pelo “autoconhecimento”, como apontou Lima ser um dos caminhos da geração da década de 00, mas, no caso de Olívio, pelo contato com os sujeitos filmados, pois, precisamente, o que caracteriza um documentário em si, partindo de João Moreira Salles, é a questão ética que surge da relação que se estabelece com o outro.3 Como crítico, Olívio organizou exposições, publicou catálogos, livros e ensaios que abarcaram uma série de artistas, por exemplo: Volpi, Celso Renato, Emanoel Araújo, Lívio Abramo, José Antônio da Silva, Maria Luiza Leão, Francisco Brennand e Carlos Eduardo Zimmermann. Como cineasta, construiu vasta obra: em que se observa um intenso investimento no curtametragem, “esse formato, ainda marginal, [...] uma declaração de princípios do que se espera da vida e do cinema” (Marcelo Ikeda)4 – outro marcador talvez de um proto-cinema de garagem, pois apenas um de seus filmes atinge a barreira de 1 hora, sendo que grande parte das suas seis dezenas de produções

2 Lima & Ikeda, Cinema de garagem, 23. 3 João Moreira Salles, “A dificuldade do documentário”,

in O imaginário e o poético nas ciências sociais, org. José de Souza Martins, Cornelia Eckert & Sylvia Caiuby Novaes (Bauru: EDUSC, 2005), 57-71. 4 Lima & Ikeda, Cinema de garagem, 92. 14 | MƒL 2018

audiovisuais possui duração menor do que 30 minutos. Isso tudo em quase 40 anos de produção concluída, a qual se debruça amplamente sobre a investigação do mundo particular de artistas, mas que, como veremos, se expande ao diálogo fílmico com pessoas aparentemente comuns – digo aparentemente, pois cada qual deve possuir sua excepcionalidade, excepcionalidade que emana de um ordinário apenas superficial e que se ressalta através do processo de ouvir do cineasta Olívio, especialmente no que tange seres marginalizados pelas estruturas sociais. Essa definição, cinema de ouvir, retiro do próprio nome da produtora que assina três dos quatro filmes de Olívio exibidos na MFL 2018, “Ver & Ouvir”. O processo então já está aí, declarado de antemão, é um readymade duchampiano. Assim, dessa vasta obra, trataremos aqui de pinceladas, como meio de reconhecimento, pela MFL, de um extenso e prolongado trabalho cinematográfico: Farnese (1970), O Olhar Triste (1994/1995), Brennand e o Sentimento Trágico do Mundo (1998), Omissão de Socorro (2001/2007). Utilizamos aqui para esses quatro trabalhos o termo “cinematográfico”: ainda que O Olhar Triste tenha sido feito com intuito primeiro televisivo e Brennand... como acompanhamento à exposição do artista na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 1998, pois ambos apontam para trabalhos reflexivos e autorais, que borram as linhas arbitrárias entre os meios de disseminação midiática, similarmente à maneira que Olívio mescla os próprios campos do filme e da crítica de arte. O sofrimento e a solidão, esta vista por Lima como característica da geração dos anos 00, são posições diante da vida que já se faziam


Divulgação MFL2018

presentes também, como dito anteriormente, no arcabouço de Olívio.5 Francisco Brennand declara no filme sobre si próprio: “a solidão está ligada a própria natureza humana”. Farnese de Andrade confessa: “Eu nunca me senti amado”. Em outro momento, Brennand cogita: “certos elementos da minha escultura estão muito ligados ao sofrimento, [...] eu tenho absoluta consciência de que a vida é uma servidão, todos nós estamos nos preparando gradativamente para o fatal, o fatal não é representado somente pela morte,

5 A solidão como tema recorrente na obra cinematográfica de Olívio Tavares de Araújo já havia sido assinalada por Jacob Klintowitz, ver: Cinema sobre arte/Cinema como arte: filmes de Olívio Tavares de Araújo (São Paulo: Museu de Arte Contemporânea da USP), 1984, s.p. 15 | MƒL 2018

o fatal é representado pelo sofrimento”. Farnese, filme que teve uma maior circulação depois de acompanhar em DVD o livro que levava o nome do artista plástico e que foi editado pela extinta Cosac Naify em 2002, já constrói, na trilha sonora composta desde criações de Peter Schat, Milan Stibilj e Makoto Shinohara, um ambiente sombrio que reflete um mundo inquietante e solitário, onde não há possibilidade plena sequer para a existência infantil (“eu não sou favorável a procriação” – declara Farnese, que, como um bom – e até simpático – misantropo prefere “bicho” a “gente” e reafirma, uma vez mais, a “solidão” como o seu “estado ideal”). A existência infantil acontece, no entanto, apenas de um modo enviesado, quando vemos brinquedos de crianças, mais


especificamente bonecas de plástico, uma comprada no antiquário já com os braços faltando, como se tivesse sido amputada, posteriormente deformadas pelo fogo e aprisionadas em redomas de vidro. Antes de mais nada, devo articular que vejo como pouco frutífero comentar os filmes de Olívio sem recorrer às falas e à obra dos artistas por ele retratados, pois, insisto, compreendo o seu cinema a partir do título da produtora, um cinema de ouvir. Observo uma tentativa de mergulhar na mente daqueles que dão vida a sonhos (ou pesadelos) através da arte: nos entregando peças muitas vezes perturbadoras e até escandalosas, como as de Farnese e Brennand. O cineasta, em minha opinião, não parece querer somente registar/analisar a obra, mas também o artista, e o artista não apenas como mito, porém como ser humano, com suas contradições e idiossincrasias. Nesse sentido, ambos os artistas estão num misto de criação e destruição, coincidência que não pode ser ignorada, contudo deve ser entendida como um reflexo de Olívio como autor cinematográfico, no que ele busca transmitir através de ouvir o outro.6 Por exemplo: qual Francisco Brennand, que concebe suas esculturas num processo de preservação/reabilitação de uma velha fábrica familiar semiabandonada, Farnese é a apreensão fílmica de um artista que cria a partir das ruínas: ele encontra nos restos, nos escombros, em objetos velhos

6 A ideia de ver certa continuidade temática ao longo de distintas obras como um marcador autoral vem do que capturei da palestra: Jeremi Szaniawski, “A French Auteur (ou presque): The Case of Hong Sang-soo”, apresentação na Boston University, 29 de janeiro de 2018. 16 | MƒL 2018

e abandonados a sua base inspiratória. As figuras mutiladas são, além disso, recorrentes nos dois artistas. Ademais, “dor, desencanto, conflito” são palavras utilizadas pelo locutor para se referir a tradição a qual pertence a obra de Brennand. Ora, não seria a obra de Farnese também parte dessa genealogia? E o que dizer da própria obra de Olívio que, para além desses curtasmetragens, busca essa mesma tríade nos documentários sobre os doentes de AIDS, O Olhar Triste, e sobre os que sofrem de transtornos mentais, Omissão de Socorro? – a travesti Paula, em O Olhar Triste, nessa linha, sentencia: “nada nessa vida valeu”. Quando Brennand conclama que se deve falar do “sinistro”, dos “assuntos proibidos”, “ferir o sistema”, não podemos deixar de pensar que é exatamente isso que faz Olívio nos outros três filmes, especialmente quando sabemos que, a respeito de O Olhar Triste, o cineasta encarou a recusa inicial por parte da TV Cultura em exibi-lo, pois essa considerou tal conteúdo pesado demais.7 Enfim, impressiona o fato de Olívio ter feito documentários, com proximidades temáticas, de artistas aparentemente tão distintos como Brennand e Farnese e que esses filmes estejam separados por quase três décadas. Temos uma demonstração de continuidade que fala tanto das pessoas documentadas, quanto do cineasta em si: de suas preocupações filosóficas com respeito a entender as nuances da vida através de seus personagens filmados. O fogo, noutro exemplo, é elemento essencial nos dois artistas abordados por Olívio: Brennand relata como o espaço físico onde trabalha foi reavivado apenas porque

7 Ver sinopse do filme na filmografia em anexo.


ainda se mantinha em funcionamento o seu “miolo”, um forno refratário que lhe permitiu queimar o barro para finalizar suas criações e construir um mundo particular de seres míticos. Em Farnese, Olívio deixa claro que não estamos tratando de um restaurador, mas de alguém que usa as chamas para destruir/criar. Incialmente, o filme se guia através de um trabalho de câmera observacional sobre o artista, que caminha pela beira do oceano e pelo porto, recolhendo materiais trazidos de volta à terra firme pelas ondas do mar, esse grande lixão do planeta, realizando um trabalho meio de catador, meio de reciclador – a fotografia é assinada por Mário Carneiro, que mais tarde viria a colaborar, em 1977, com Glauber Rocha em um filme sobre outro artista, Di Cavalcanti, mais precisamente sobre a morte deste, ainda que a correria para filmar o velório do pintor sob as ordens frenéticas de Glauber parecem não ter permitido a Carneiro, deduzo, repetir a rigidez dos planos de Farnese, com seus filtros coloridos e composições meticulosas;8 porém, diferentemente do documentário de Glauber, em que o diretor é personagem, às vezes até mais principal do que o homem documentado, Olívio permanece como diretor exclusivamente pensante, que monta seu próprio filme e exerce o seu papel na relação com o material (o que entra e o que fica de fora, o que será preservado e o que será destruído). Finalmente, Olívio mostra que Farnese claramente deteriora ainda

8 Sobre o processo de filmagem de Di Cavalcanti, de Glauber Rocha, ver: Ivan Finotti & Paulo Santos Lima, “Glauber e Di: a história proibida”, Folha de São Paulo, 11 de junho de 1999. 17 | MƒL 2018

mais os seus objetos, como um “operário das ruinas” – para nos apropriarmos de parte de um verso do poema “Psicologia de um vencido” de Augusto dos Anjos.9 Um dos pontos altos do curta-metragem é a cena em que Farnese aparece queimando no fogo de uma vela uma pequena boneca, praticamente num processo simbólico de tortura. É um acontecimento que nos remete quase que de imediato a Machado de Assis e seu conto “A causa secreta”, em que o personagem Fortunato padecia de singular deleite ao vislumbrar o sofrimento alheio. O conto tem seu ápice quando o homem é surpreendido pelo amigo ao torturar um rato cortando e cauterizando seus membros. Obviamente, Farnese age sobre objetos inanimados e, além disso, professa espécie de compaixão pelos animais em seu testemunho. O que ele faz está mais próximo de um vodu, a substituição por meio da boneca de um sofrimento real, um sofrimento que não pode existir ou, se existente, não é eticamente aceitável. Olívio age, então, como um narrador machadiano, “a causa secreta” que ele nos revela é esse processo mórbido que Farnese utiliza para compor algumas de suas obras – o prazer em assistir, lentamente, a cremação da boneca, o sofrimento humano mediatizado. Ainda que a voz do cineasta não apareça, nem mesmo o seu texto, que entrará em voz over mais adiante, ele atua, em uma atualização de Machado, não por meio da escrita, mas pelo corte e montagem. Inclusive, as palavras do próprio Machado podem ser aqui utilizadas para

9 Augusto dos Anjos, Eu & outras poesias (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982), 56.


descrever o que se vê na tela do filme de Olívio ou, pelo menos, o que a mente de alguns seria capaz de induzir a partir do espetáculo, já que o rosto de Farnese aparece em grande parte cortado, fora do plano, do seu nariz para baixo: “Nem raiva, nem ódio; tão-sòmente um vasto prazer, quieto e profundo, como daria a outro a audição de uma bela sonata ou a vista de uma estátua divina, alguma cousa parecida com a pura sensação estética”.10 Interessante ressaltar que a decisão de Olívio Tavares de Araújo de iniciar prontamente Farnese em voz off do próprio personagem – sobre aquelas cenas em que ele vaga pela beira do mar, pelo porto e pelas ruínas, depois por um antiquário e, finalmente em sua casa, capturadas com

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10 Machado de Assis, “A causa secreta”, in Obras completas, v. 2 (Rio de Janeiro: W.M. Jackson 1962), 516-17.

os ditos filtros, que obliteram a variação natural de cores, ocasionando uma imagem monocromática em tons de amarelo ou verde ou vermelho, etc. – mostra por parte dele um domínio ímpar da linguagem do curta-metragem. Sem rodeios, sem mais delongas, a não ser os créditos iniciais, o cineasta introduz a audiência ao desconhecido e misterioso, sem o emprego de uma voz over do tradicional locutor de documentários. Os enquadramento também são importantes para a nossa entrada nesse ambiente: navios abandonados, enferrujados, ferrugem que toma a tela em sépia, enquanto Farnese é visto pelos escombros do cais – em meio a uma desordem composta de peças, correntes, tambores – bem vestido, limpo, de roupas claras, destacando-se como se fosse um médico: ou melhor, ele é como um cientista que explora os arreadores para descobrir

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como engendrará o seu Frankenstein, como dará uma vida simbólica a partir de objetos encontrados. Quando a voz over de Tite de Lemos aparece, no segundo terço do filme, trazendo as necessárias informações factuais e biográficas, além de pontos interpretativos e analíticos, já estamos imiscuídos no estranho mundo de Farnese, fascinados por sua personalidade e pela peculiar maneira com que ele lida com os objetos que vai capturando pela cidade. É uma mescla interessante, entre o observacional e o pedagógico, a que produz o cineasta. Uma das grandes contribuições de Olívio ao cinema brasileiro é, desde minha perspectiva, mostrar a possibilidade de entendermos o filme ou, se preferirem, o 19 | MƒL 2018

audiovisual, como um meio em si que pode ser hibridizado e transformado no veículo mais propício, devido às suas capacidades sensoriais, para o exercício da crítica.11 É um cinema multidimensional e ensaístico, para apresentação e discussão de ideias. Farnese e Brennand... não são simplesmente registros históricos da obra de tais figuras, mas são um misto de biografia, performance e análise, o qual me parece raro de se concretizar, com a mesma simbiose, na mídia em papel e na mídia digital que envolve majoritariamente palavras escritas.

11 Ainda que exercer a crítica por meio do cinema não tenha sido sua intenção inicial, como ele conta em: Cinema sobre arte/Cinema como arte: filmes de Olívio Tavares de Araújo, s.p.


Olívio nos permite notar que fazer crítica é potencialmente mais impactante, acessível e profundo – características, uma vez mais, dificílimas de andarem de mãos dadas – se realizado através da complexidade do cinema. Tanto é crítica em modo audiovisual que, na versão restaurada do filme, apresenta-se, nos letreiros finais, a informação de que Farnese de Andrade admirava o curta-metragem como o mais interessante que alguém havia produzido a seu respeito. *** A presença do enfrentamento com a morte é uma característica que ocorre nos quatro filmes de Olívio exibidos na MFL, assim como a relação dos personagens com o arruinado, seja arquitetônico ou corporal. Morte que está presente na violência da sexualidade que emana das esculturas de Brennand, ou em suas figuras baseadas em histórias trágicas, e que também se vê na comentada, paradoxal, destruição do destruído por Farnese, ou ainda nos filmes que lidam com seres humanos em situações limites, entre a vida e a morte, tanto biológica quanto política, se relembramos a noção de vida nua, do filósofo italiano Giorgio Agamben.12 Em O Olhar Triste, Olívio procura histórias de pacientes que lutam contra a dolorosa arruinação do próprio corpo, causada pela catástrofe da AIDS que, quando realizado o filme, na primeira metade da década de 1990, ainda não possuía tratamento verdadeiramente eficaz – uma vez mais, conexão machadiana, pois, em A Causa

12 Ver: Giorgio Agamben, Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua, I (Belo Horizonte: UFMG, 2010). 20 | MƒL 2018

Secreta, a esposa do sádico Fortunato morre de tuberculose, definida, pelo escritor oitocentista, como “velha dama insaciável, que chupa a vida toda, até deixar um bagaço de ossos”.13 Essas palavras poderiam muito bem ser aplicadas ao que vemos no filme de Olívio, já que a AIDS ocupava um papel com claras similitudes ao que teve, anteriormente, a doença pulmonar. Podemos mencionar outro trabalho de Olívio, que parece ser um de seus preferidos, Profissão Travesti (1980/1982), ainda não restaurado e que o próprio cineasta definiu, em correio eletrônico, como: “Talvez [...] o mais sofrido. Não tem nada a ver com o travestismo como capricho sexual, estético ou estrelismo. Nenhum glamour, nenhum pailleté nem purpurina (literalmente). É sobre prostituição, sobre a barra pesada, num momento em que os travestis eram, ademais, objeto de perseguição policial”.14 Eis aí mais uma instância desse enfrentamento com a morte, não apenas pela perseguição policial referida no comentário de Olívio, mas também pelo fato de o assassinato de travestis ainda consistir numa ocorrência constante e não-superada da sociedade brasileira contemporânea.15 A travesti Adriana, em O Olhar Triste, corrobora: “quando mata uma, eu vou reconhecer corpo no IML”. Por outro lado, ainda em O Olhar Triste, o dito enfrentamento com a morte às vezes mais parece um jogo, está na desinformação ou na descrença do quanto

13 Machado de Assis, “A causa secreta”, 518. 14 E-mail ao autor, 10 de fevereiro de 2018. 15 Pedro Diniz, “Brasil patina no combate à homofobia e

vira líder em assassinatos de LGBTs”, Folha de São Paulo, 17 de maio de 2017.


era perigoso o sexo desprotegido: que seguia acontecendo, muitas vezes, pouco alterado. Lá, a brincadeira com fogo, o fogo que deforma as bonecas em Farnese ou que vitrifica o barro em Brennand..., é justamente não se importar com os riscos da atividade sexual: um fogo metafórico, implícito, não declarado no filme, não dito, mas que continua presente como elemento transformador, se já não para um possível bem, para um subtendido mal. O filme segue com sequências impactantes, que indubitavelmente devem tocar a audiência em suas emoções, de corpos magros, arruinados pela doença. Lá, a ruína é corporal, a massa biológica que se esvai, lentamente e com dor: vemos de modo comovente os ossos sob a fina pele, para, depois, percebermos desde a tela, uma luz no fim do túnel, quando a travesti Adriana se maquia, em câmera lenta, e se veste de um azul reluzente: a maquiagem é uma reforma do corpo, uma pintura, uma manutenção que deve se contrapor à força da doença destruidora. É também um desafio à morte – ela diz não temer o vírus – assim como a produção artística de Francisco Brennand ou Farnese de Andrade é um intento de vencer a mortalidade: eles, como pessoas, como corpo orgânico, se irão; a obra deles ficará, poderá ser preservada, os filmes são parte de uma tentativa de preservação. Portanto, o cinema de Olívio Tavares de Araújo acaba sendo, a meu ver, uma aposta em sobrepor essa morte onipresente e inexorável, o enfrentamento se dá com intuito de superação: podemos pensar, quem dessas pessoas em O Olhar Triste ou Omissão de Socorro já não existem, 21 | MƒL 2018

morreram em decorrência das batalhas que enfrentavam? – Adriana, por exemplo, morreria em 1997, cerca de dois anos depois do lançamento do filme, mais tristeza, pois ela termina o documentário como a portavoz de uma mensagem de vida desafiadora.16 Assim, o que resta dessas pessoas para além da beleza de suas contribuições ao entendimento do sujeito humano registradas pelo cineasta, a diversidade de suas visões sobre a própria responsabilidade de sua condição de doentes, sobre a vida que tiveram e da justiça que gozaram ou não enquanto possuíram a possibilidade da existência, sobre a conformidade ou não para com a solidão que os acompanha? – (alguns podem ter deixado um corpus, outros, fotografias familiares, outros ainda, amigos, entretanto, para nós, distantes espectadores, aquelas pessoas, com todos os seus conflitos, nos chegam através desses filmes). Como também reconstruir a vida de tais artistas, seus respectivos momentos de criação, sem o olhar dos filmes de Olívio, sua câmera discreta guardando instantes que estariam perdidos no continuum, nos escombros da história (para relembrar Walter Benjamin).17 O cinema de Olívio parece se comportar como as ferramentas de um historiador em tempo real, registrando acontecimentos em sincronia com o agora.

16 Monique Maia, “Projeto capacita travestis e transexuais na região Norte”, Agência Brasil, 24 de outubro de 2006, http:// memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2006-10-25/ projeto-capacita-travestis-e-transexuais-na-regiao-norte. 17 Ver: Walter Benjamin, “Sobre o conceito de história”, in Obras escolhidas, v. I: Magia e técnica, arte e política, trad. Sérgio Paulo Rouanet (São Paulo: Brasiliense, 1987): 222-232.


Seus documentários, ainda que recebedores de prêmios importantes no momento de sua estreia, parecem ganhar nova força com o desenrolar do tempo, não a força do conhecimento imediato, da exposição ou da denúncia, contudo uma força relacionada com o entendimento de nós mesmos como participantes de um processo civilizatório: como será vista a obra de Brennand num futuro distante, quando já não estaremos aqui, apenas suas esculturas, ou os trabalhos de Farnese, ou a catástrofe da AIDS que vai se diluindo de geração em geração, ou o tratamento que dá uma sociedade às pessoas que discrepam da normatividade mental e sofrem ou causam sofrimento por isso? Nesse encontro com a morte, Olívio desenvolve o seu cinema de ouvir. “Ouvir a história deles” é como deve ser a principal atenção ao paciente com AIDS segundo Lisette, a personagem suíça que cuida dos doentes pobres no Brasil em O Olhar Triste.18 Esse cinema de ouvir de Olívio

18 Adicionalmente, Lisette também utiliza a palavra “escuta” para definir o mais importante aspecto de seu cuidado para com os doentes. Durante a fase final de escritura desse artigo, encontrei que o termo “cinema de escuta” aparece em artigo de Fábio Arcanjo para se referir a Eduardo Coutinho (“O documentarista pode ser considerado um autor?”, Interfacis, v. 2, n. 2 [2016]: 14), igualmente num breve comentário de Jair Fonseca, especialista em cinema brasileiro da UFSC, à notícia da morte de Coutinho no Jornal GGN (https://jornalggn.com.br/comment/211597#comment-211597). Renato Sztutman lança mão de “cinema de escuta” para se referir a obra de Jean Rouch (“Mostra traz mestre do cine verdade”, Folha de São Paulo, 13 de abril de 2000) (“Jean Rouch: um antropólogo cineasta”, in Escrituras da imagem, org. Sylvia Caiuby Novaes et al. [São Paulo: EdUSP, 2004], 55). A expressão em inglês 22 | MƒL 2018

volta em Omissão de Socorro já no letreiro inicial do filme, quando é declarado que iremos acompanhar o debruçar-se sobre o abandono de pessoas que padecem de problemas psíquicos: “a voz dos principais interessados precisa ser ouvida”. Tão de “a cinema of listening” foi utilizada recentemente (2016) para definir a obra de Coutinho numa mostra realizada pelo UC Berkeley Art Museum and Pacific Film Archive (BAMPFA), que teve João Moreira Salles como palestrante e, como curadora convidada, Natalia Brizuela (https:// bampfa.org/program/eduardo-coutinho-cinema-listening). Essa exibição estava ligada à publicação do bem elaborado dossiê, em que a questão do “listening” e da “conversation” em Coutinho é mencionada em graus diversos (Natalia Brizuela and B. Ruby Rich, “An Introduction to Coutinho”, Film Quarterly, v. 69, n. 3 [2016]: 9-11) (Cecilia Sayad, “Variations on the Author”, ibid., 12-18) (Natalia Brizuela, “Conversation and Duration in Eduardo Coutinho’s Films”, ibid., 19-27) (Consuelo Lins, “Eduardo Coutinho, Savage Linguist of Brazilian Documentary”, trad. Natalia Brizuela, ibid., 28-34) (Ismail Xavier, “Inquiries into Eduardo Coutinho and His Dialogue with Modern Tradition”, trad. Krista Brune, ibid., 35-43). Como notou Cecilia Sayad (ibid., 12), Ismail Xavier já havia falado de uma tradição brasileira do documentário como “listening”, em ensaio anterior, parcialmente dedicado a Coutinho, na qual Xavier frisa a abordagem do diretor como “look and listen to people” (“Ways of Listening in a Visual Medium: The Documentary Movement in Brazil”, New Left Review, n. 73 [2012]: 113). Optou-se aqui, para caracterizar os quatro filmes de Olívio, pelo termo “cinema de ouvir” não como uma derivação dos usos descritos acima ou quaisquer outros que possam existir em relação a diferentes realizadores, pois, eles são co-incidentes, já que o conceito foi primordialmente retirado do título da própria produtora de filmes de Olívio, como já frisado; ademais, infelizmente não cabe aqui uma comparação entre a produção de Coutinho e Tavares de Araújo.


ouvir que as primeiras palavras emitidas por um dos personagens nos chega em tela preta, apenas som. Teremos também um componente didático, histórico, narrado na conhecida voz de Sérgio Roberto Ribeiro, sobreposta a imagens de arquivo, algo raro dentro dos quatro filmes aqui apresentados. Mas é a delicadeza de ouvir que considero ser o mais chamativo desde um ponto de vista cinematográfico: calmamente o cineasta ouve, sem preconceitos, sem hierarquias, aqueles que lidam em primeiro grau com a enfermidade, os que estão em dor porque devem cuidar dos familiares doentes e os profissionais médicos, os quais buscam explicar as questões éticas de seu trabalho ou as consequências de decisões históricas no que tange o tratamento psiquiátrico, da demonização à (re)descoberta da eletroconvulsoterapia. A diversidade humana que aparece em O Olhar Triste (no modo como as pessoas encararam a AIDS, doença então fatal), ou o seu duplo, a excepcionalidade humana, a qual vemos o cineasta buscar em Francisco Brennand e em Farnese de Andrade, está, de tal modo, também presente em Omissão de Socorro: as falas dos que estão doentes variam desde um fluxo de consciência que pode até lembrar associações livres e literárias, do relato histórico que vincula a loucura a consequências de torturas políticas na ditadura militar (1964-1985), até discursos pessoais bem coerentes que nos fazem pensar o porquê de alguns terem chegado a tal situação, pois podem articular ideias de uma maneira, que parece à audiência, bastante racional. Como não há uma só postura para suportar a AIDS, como não há um só modo de lidar com 23 | MƒL 2018

a criação artística e o que ela impõe (o confronto com a solidão e com a morte), também não existe um único meio de expressar, experimentar e sofrer a doença mental, tampouco as suas causas ou como a sociedade trata os seus doentes. O cinema de Olívio, ao menos nesses quatro exemplos que constam na MFL 2018, busca o oposto da massificação e da estatística, das generalizantes leituras sociais (embora proponham, muitas vezes, temas abrangentes), para estar em contato, através das ferramentas de registro sonoro e da imagem em movimento, com as nuances particulares de cada ser. Omissão de Socorro inclui, em sua parte final, ciclos que remetem aos dois curtasmetragens sobre artistas (Farnese e Brennand...) e ao documentário sobre portadores do vírus HIV (O Olhar Triste). São eles: as obras do artista plástico Antônio Augusto e o fluxo de consciência de Luciana, nesse último caso em montagem vertical, sendo essa técnica a “que articula imagem e som a partir de um princípio de descontinuidade e nãosincronia” (Ismail Xavier).19 Ambos, Antônio Augusto e Luciana, sofrem de transtornos mentais. Antônio Augusto vê na pintura uma resposta à altura de sua dor: “através da minha arte, eu tento assim... me valorizar cada vez mais e me vingar [...] da vida que eu levei e que eu levo... eu levo uma vida muito oprimida [...]. Eu sou uma pessoa muito sofrida [...], muito sofrida mesmo, e

19 Ismail Xavier, “Viagem pela heterodoxia”, Significação: Revista de Cultura Audiovisual, n. 14 (2000): 10.


sempre fui [...]”. Luciana, sendo também soropositiva, acabava desaparecendo das ruas sem deixar rastros: levando novamente o cineasta e, por consequência, a audiência, ao encontro com a morte, com a vida arruinada. Porém, ainda que os filmes sejam trágicos, não há uma intenção totalizadora de fixarse somente em tal aspecto: em O Olhar Triste, há um foco importante do cineasta na organização, na estruturação daquelas vidas cercadas pela ideia da morte e na coragem que demonstram vários doentes em enfrentar o seu destino; Farnese de Andrade produz beleza, uma beleza peculiar e polêmica, daquelas que assusta, apesar de obcecado pela hecatombe civilizatória. Também Olívio destaca na tela as formas ovaladas de alguns trabalhos de Farnese, importantes para o seu reportório criacional, de gênese e de continuidade da humanidade, o que contrasta com a anterior negativa do artista à procriação. Pois, claro, se a morte e a ruína fossem o único em questão, veríamos tão-somente a chaga do pessimismo. Nesse sentido, ainda que os dois curtas tratem de artistas engajados com as ruínas, impressionados pelo decaído, existe um resquício que mira o futuro: mesmo que seja um futuro de formas novas, inventadas, moldadas, de um ser humano transformado e até novo, como nas esculturas de Brennand.

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FILMOGRAFIA COM SINOPSES (MATERIAL FORNECIDO PELO CINEASTA) Quase todos os filmes e vídeos desta lista têm roteiro, fotografia, montagem e direção de Olívio Tavares de Araújo. Quando não for assim, indica-se o nome do fotógrafo e demais profissionais que participaram do trabalho.

1. PURO FANTASMA, 1969

Único filme de ficção até hoje, em 16mm, preto e branco, 30min de duração. Roteiro, montagem e direção de O.T. de A. Fotografia de Eduardo Ribeiro. O título vem do poema Destruição, de Carlos Drummond de Andrade. Trata-se de um filme sobre amor adolescente, não sobre fantasmagorias e mistérios.

2. QUE TEMPO É ESSE?, 1969

Realizado para concorrer no Festival de Cinema do Jornal do Brasil, cujo regulamento, nesse ano, exigia filmes de 90 segundos de duração tendo como tema “a vida”. É um documentário sobre as instruções e o condicionamento que o ser urbano recebe no cotidiano. 16mm, p/b. Recebeu o Prêmio de Produção do Instituto Nacional de Cinema no Festival JB de 1969, com o qual Olívio realizou seu primeiro trabalho profissional.


3. OURO PRETO / SEMANA SANTA, 1970 Primeiro filme profissional, realizado com o prêmio acima citado. Registra uma velha tradição mineira que até hoje se conserva na antiga capital. Fotografia e montagem por Mário Carneiro, 35mm, 20min, Eastmancolor, 1970.

Selecionado para o Festival de Brasília, 1970.

4. FARNESE, 1970

Primeiro filme sobre arte. Fotografia por Mário Carneiro, Eastmancolor, 35mm, 13min50. Mostra o mundo muito peculiar de Farnese de Andrade, um dos pioneiros da utilização da “assemblage” no Brasil, autor de uma obra densa, fundada numa visão pessimista da vida. Prêmio de Melhor Filme de Curta-Metragem do Festival de Brasília de 1971. Único participante latino-americano aceito oficialmente no Festival de Cannes, 1972.

5. LAYOUT PARA UM FILME SOBRE HARRY LAUS, 1971

Único filme na bitola Super 8, Ektachrome, 22min. Trata-se de um documentário semiexperimental sobre o crítico de arte Harry Laus, amigo do diretor, alcoólatra e homossexual. Acabou sendo, na verdade, o layout de um trabalho muito posterior, Profissão Travesti. Prêmio ex-aequo no Festival de Super-8 de Curitiba, 1971.

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6. VOLPI, 1971/75

A realização deste filme marca o início da convivência entre Olívio e Volpi, que se prolongaria até a morte do pintor, e se traduziu também em vários outros trabalhos, como livros e curadorias de exposições. É um documento importante na cultura brasileira, contendo imagens que não existem em nenhuma outra fonte, tais como Volpi trabalhando em seu atelier, e com a família, numa casinha de chão de terra no interior de São Paulo. Fotografia de André Palluch, 35mm, Eastmancolor, 20min. Para as salas de cinema, nos anos 80, foi montada uma versão de 11 min intitulada Volpi: o Mistério.

7 a 20. SÉRIE “O GESTO CRIADOR”, 1976

Roteiro, texto, montagem e direção de um conjunto de 14 filmes em 16mm, com duração média de 10min, realizados em 1976 por encomenda da Rede Globo de Belo Horizonte. Tratam de artistas então muito ativos no panorama brasileiro. Num dos filmes, premonitório, aparece o grande Iberê Camargo pintando quase que em transe, como se brigasse com a tela, de espátula em riste. Dois anos depois, Iberê mataria um homem. Os demais filmes são sobre Álvaro Apocalypse, Antônio Maia, Frans Krajcberg, G.T.O., Glauco Rodrigues, Gregório Gruber, L.P. Baravelli, Marcello Grassmann, Osmar Dillon, Paulo Roberto Leal, Roberto Magalhães e Rubens Gerchman.

21. REBOLO, 1976

Documentário sobre o pintor Francisco Rebolo Gonzales no momento mais alto de sua carreira. Fotografia de André Palluch,


Eastmancolor, 35mm, 20min. Para as salas de cinema, nos anos 80, foi montada uma versão de 11 min intitulada O Anel Lírico: Rebolo. Prêmio Gonzaga Duque da Associação Brasileira de Críticos de Arte, 1979, junto com os dois filmes a seguir.

22. GRASSMANN MESTRE GRAVADOR, 1978

Documentário sobre o mundo mágico de Marcello Grassmann, com suas imagens de damas e cavaleiros medievais, animais e pássaros reais e imaginários. Eastmancolor, 35mm, 11min. Prêmio Gonzaga Duque da Associação Brasileira de Críticos de Arte, 1979.

23. RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM (GREGÓRIO), 1979

Documentário sobre o pintor Gregório, na época com seus vinte e poucos anos. Fotografia de André Palluch, Eastmancolor, 35mm, 13min. Gregório e sua obra – que lembrava muito, então, a de Edward Hopper, o grande cronista da solidão urbana norteamericana – oferecem ao diretor sua primeira oportunidade para filmar a cidade de São Paulo à noite. Desde então, imagens desse tipo estão entre suas prediletas e reaparecem com freqüência em outros filmes. Prêmio Gonzaga Duque da Associação Brasileira de Críticos de Arte, 1979.

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24. GUIOMAR NOVAES: REGISTRO & MEMÓRIA, 1979

O único documento audiovisual feito no Brasil sobre a maior pianista brasileira de todos os tempos, enquanto ela vivia. 16mm ampliado para 35mm, Eastmancolor e Ektachrome, 26min.

25. UNIVERSO DE SIRON, 1980

Sobre o pintor goiano Siron Franco, Eastmancolor, 35mm, 11 min. Sempre preocupado em realizar documentários que tenham uma narrativa dramática e criem um determinado clima em torno do assunto, neste filme o diretor inclui duas sequências filmadas num asilo de doentes mentais na cidade de Goiás Velho, onde nasceu Siron. Na infância, o pintor ia lá furtar uvas e ele mesmo acha possível que a estranheza das figuras tenha influenciado as deformações em sua pintura.

26. PROFISSÃO TRAVESTI, 1980/82

Documentário sobre travestis vivendo de prostituição. Primeira incursão do autor no universo da marginalidade e das minorias, ao qual ele retornou sempre com paixão diversas vezes. Negativo Eastmancolor 16mm ampliado para 35mm, 36min. Dois prêmios Kikito no Festival de Gramado de 1982: Melhor Média-Metragem e Melhor Diretor de Média-Metragem. Participou de diversos festivais internacionais e faz parte da Cinemateca Francesa e da Cinemateca da antiga Alemanha Oriental.


27. DESCOBERTA DE LÚCIO, 1980

Documentário sobre o restaurador do Museu do Ipiranga e pintor Lúcio Pegoraro. Eastmancolor, 35mm, 9min, São Paulo, 1980.

28. IANELLI, UM ARTISTA BRASILEIRO, 1988.

Documentário sobre o pintor Arcângelo Ianelli, realizado para sua exposição retrospectiva na Staatliche Kunsthalle de Berlim, contextualizando-o para um público estrangeiro. Betacam, 25min, São Paulo, 1988.

29. PRESENÇA DE SÉRGIO TELLES EM SÃO PAULO, 1988

Documentário sobre o pintor Sérgio Telles. Como diplomata que também é, Telles viveu e pintou nas mais variadas cidades do mundo. Em 1988, decidiu pintar São Paulo, saindo pelas ruas como um pintor romântico em busca de ângulos e vistas. Betacam, 1988, 26min.

30. VER TOMIE, 1988

Documentário sobre Tomie Ohtake, com roteiro, texto, montagem e direção de O.T. de A., Eastmancolor, 35mm, 20min, São Paulo, 1988. Neste filme, realizado especialmente para acompanhar a exposição de Tomie Ohtake no Museu Hara, de Tóquio, e lá estreado, manifesta-se mais uma vez o encantamento do diretor pelas imagens urbanas São Paulo. Os quadros da grande pintora nipo-brasileira “saem” para as ruas, misturando-se com os habitantes, o trânsito e a paisagem dinâmica da grande cidade.

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31. CARLOS BRACHER: RETRATO INTENSO, 1988

Documentário sobre o pintor Carlos Bracher. A pintura de Bracher se caracteriza pela forte marca expressionista e dá vazão a uma personalidade angustiada e complexa. Olívio é um velho amigo do artista e neste vídeo faz uma investigação psicológica e existencial sobre os motores de sua criação. Filmado em Juiz de Fora e Ouro Preto em 1988, Betacam, 26min. Patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado de Minas Gerais, em convênio com o Ministério da Cultura.

32. LÍVIO ABRAMO, SEMPRE, 1988

Documentário realizado em 1988 em Assunção (onde Lívio Abramo morava desde a década de 1960) e em São Paulo, sob os auspícios da Embaixada do Brasil no Paraguai. Mostra-o realizando uma gravura, analisa o conjunto de sua obra e contém preciosos testemunhos. Betacam, 40min. Único documento áudio-visual existente sobre o pioneiro da gravura brasileira.

33. QUATRO MOVIMENTOS SOBRE SÉRGIO FINGERMANN, 1990

Documentário lírico em quatro partes sobre o pintor abstracionista Sérgio Fingermann. Cada parte (ou “movimento”) recorre a uma trilha sonora específica: Mozart, Webern, de novo Webern e jazz. Mais uma vez, os quadros saem para dar um passeio na cidade. Betacam, 20min, São Paulo, 1990.


34. VOZES DA DIÁSPORA, 1992

Documentário feito por encomenda e com o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Tem como ponto de partida a exposição do mesmo nome realizada na Pinacoteca do Estado e trata da contribuição de artistas negros dos séculos XIX e XX para a arte brasileira. Betacam, 1992, 23min.

35. NICHOLAS VLAVIANOS, ESCULTOR, 1992

Documentário sobre o escultor grego fixado em São Paulo, Nicholas Vlavianos. Betacam, 1992, 23 m.

36 a 38. SÉRIE RITUAIS DE IMIGRANTES, 1994

Três documentários com duração média de 10 minutos, realizados para o Museu da Imigração, com o patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado. Tratam das religiões e rituais que para São Paulo trouxeram os imigrantes gregos, japoneses e muçulmanos. Betacam, 1994.

39. RETRATO DO IMIGRANTE: MITSUKO KAWAI, 1994

Primeiro de uma série de retratos que acabou não sendo concretizada, sobre imigrantes em São Paulo. Realizado para o Museu da Imigração, patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado. Betacam, 1994, 25 m.

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40. O OLHAR TRISTE, 1994/95

Depois de Profissão Travesti, O Olhar Triste é o segundo trabalho de O.T. de A. tratando especificamente de seres humanos em situação-limite. Desta vez são soropositivos e doentes de AIDS, que falam livremente de sua situação, de suas não-perspectivas e de seu enfrentamento próximo com a morte. Quando o filme foi feito, ainda não se tinha descoberto o coquetel de remédios que hoje praticamente transformou a AIDS numa doença crônica. O Olhar Triste dura 52 min e foi realizado em 1994/1995, em Betacam, com o patrocínio de um dos Prêmios Banespa de Incentivo ao Cinema. São de O.T. de A. o roteiro, a fotografia, a montagem e a direção. A exibição foi polêmica, e de início a TV Cultura se recusou a apresentá-lo, por o considerar “muito forte”. Sob a coordenação da TV Educativa do Rio e da TV Minas, entretanto, o filme acabou sendo exibido em rede por todas as televisões educativas do país, exceto a Cultura. Esta acabou revendo sua posição. Em 1996, foi um dos dois produtos brasileiros selecionados para o Festival International de Programmes Audiovisuels de Biarritz, França, ao lado de Socorro Nobre, de Walter Salles.

41. PINTURA E PAIXÃO SEGUNDO C.B., 1995

Outra abordagem sobre o pintor Carlos Bracher. O filme anterior (no. 31), de médiametragem, se concentrava no exame de seu universo psíquico e em contextualizálo junto com a família. Este, destinado ao circuito dos cinemas, inclui aspectos da obra. Eastmancolor, 35mm, 11min, 1995.


42. RODIN NA PINACOTECA, 1996

Documentário para a Pinacoteca do Estado, a partir da grande exposição de Rodin que, ao longo de vários meses, levou àquele museu um público recorde de 400.000 pessoas. Betacam, 1996, 23m.

43. INVESTIGAÇÃO SOBRE UM CIDADÃO ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA, OU: GUIGNARD, 1997

Só a tragédia de Iberê Camargo, que matou um homem, pode-se comparar, na arte brasileira, à de Alberto da Veiga Guignard, o lírico inventor daquela paisagem mineira que mostra montanhas salpicadas de igrejinhas barrocas e balões. A partir de pessoas que conviveram de perto com ele, este documentário retraça sua trajetória dolorosa e a contrapõe ao milagre de sua límpida pintura. Betacam, 52min, Ouro Preto, Belo Horizonte, Rio e São Paulo, 1997.

44. MAILLOL EM SÃO PAULO, 1997

Documentário feito para a Pinacoteca do Estado, a partir da grande exposição de Aristide Maillol que foi realizada naquele museu. Betacam, 1997, 20min. Contém um importante depoimento de Dina Vierny, que foi modelo de Maillol.

45. SONATINA NIKI DE SAINT-PHALLE, 1997

Documentário feito para a Pinacoteca do Estado, a partir da exposição de Niki de Saint-Phalle que foi realizada naquele museu. Betacam, 1997, 12min.

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46. MEMÓRIA DE VIEIRA, 1997

Documentário feito para o Museu da Chácara do Céu, Rio de Janeiro, a partir da exposição de retratos de Maria Helena Vieira da Silva e seu marido Arpad Szenes, pintados um pelo outro. Inclui depoimentos dos brasileiros que conviveram com a grande pintora portuguesa quando, refugiada da Segunda Guerra Mundial, morou no Brasil, do estudioso Nelson Aguilar e do curador do Museu Vieira da Silva em Lisboa, Dr. Sommer Ribeiro. Betacam, 1997, 20min.

47. POETAS DO ESPAÇO E DA COR , 1997

Documentário realizado para acompanhar a exposição do mesmo nome em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Trata das obras de Aldir Mendes de Sousa, Arcângelo Ianelli, Franz Weismman e Volpi. Betacam, 1997, 30min.

48. UM OLHAR SOBRE DI CAVALCANTI, 1997

Documentário para acompanhar a exposição dos desenhos de Di Cavalcanti pertencentes ao Museu de Arte Contemporânea da USP, realizada no Museu de Belas Artes de Santiago, Chile. Betacam, 1997, 30min.

49. ESCULTURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA, 1997

Documentário para acompanhar a exposição de escultura contemporânea brasileira realizada no Banco Interamericano do Desenvolvimento, em Washington. Percorre a trajetória de nossa escultura desde Brecheret, o pioneiro que participou


da “Semana” de 1922, até artistas de hoje como José Resende e Waltércio Caldas, passando por todos os artistas importantes: Ernesto de Fiori, Bruno Giorgi, Amílcar de Castro, Sérgio Camargo, Rubem Valentim, Lygia Clark, Franz Weismann, Frans Krajcberg, etc. Betacam, 1997, 30min.

51. O MUNDO DE BELEZA DE FRANCISCO BRENNAND, 1998

50. BRENNAND E O SENTIMENTO TRÁGICO DO MUNDO, 1998

52. FAZENDINHA, 1998

Em 1998, realizou-se na Pinacoteca de São Paulo uma grande exposição de Francisco Brennand que reformulou a imagem desse artista, nascido em 1927. Como ele trabalha com barro e é pernambucano, chamavam-no de ceramista e davam ênfase à “brasilidade” de sua obra. A retrospectiva demonstrou que Brennand, na verdade, é um importante escultor – o que independe de qualquer matériaprima –, e que nem de longe sua obra se refere ao Brasil. Pelo contrário. Trata dos grandes temas universais, dor, sexo e morte, através sobretudo de visões imaginárias de personagens das mitologias antigas e da história europeia. Este filme foi feito para integrar aquela exposição, mostrando ao público o habitat original onde se produz e vive a escultura brennandiana: uma espécie de museu particular ao ar livre, chamado de “templo”, que ele montou perto do Recife. Conhecer o templo é fundamental para compreender Brennand. O filme o revela ao longo de um depoimento articuladíssimo, do qual ressalta sua percepção trágica da condição humana. Realizado em 1998, em Betacam, 30min.

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Em complemento ao filme acima, realizou-se outro, documentando a própria exposição de Brennand na Pinacoteca de São Paulo, e somando-lhe algumas imagens da oficina e do artista. Betacam, 1998, 20min.

Terceiro filme de O.T. de A. sobre minorias: desta vez, sobre jovens usuários de drogas, internados numa fazendinha de recuperação em Minas Gerais. Através dos testemunhos e memórias muito francos dos personagens, busca-se identificar o pano de fundo sobre o qual a dependência se construiu. Betacam, 52min, 1998.

53. A ABSTRAÇÃO NO BRASIL, 1999

Filme encomendado pelo Instituto Tomie Ohtake, destinado a acompanhar uma futura exposição sobre o assunto. Contém depoimentos de Ferreira Gullar, Fayga Ostrower, Lygia Clark, Lygia Pape, Hermelindo Fiaminghi, Luís Sacilotto, Tomie Ohtake, Flávio-Shiró e Jacques Douchez. Além da montagem linear, em forma de narrativa, existem também cintas de vídeo com segmentos montados em separado, que deverão ser colocados em monitores em diferentes lugares da exposição, dialogando com as obras que se encontrarão a seu redor. Betacam, 1999, 50min.


54. GRAVURA E GRAVADORES, 1999

Vídeo realizado por encomenda do Instituto Itaú Cultural, que em 1999 dedicou à gravura brasileira também uma exposição e um livro, lançados na mesma data. Contém depoimentos de Marcello Grassmann, Fayga Ostrower, Renina Katz, Scliar, Anna Letycia, Anna Bella Geiger, Cláudio Mubarac, Maria Bonomi e Rubem Grilo, e imagens de vários deles gravando, além de Evandro Carlos Jardim. Betacam, 1999, 50min.

55. ÁLBUM DE FAMÍLIA 3, 2002

Vídeo realizado para a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, em convênio com o Ministério da Cultura. Aproveitando algumas gravações amadoras que já existiam nos arquivos da Sociedade, e complementando-as com outras, o filme registra dados fundamentais da história da disciplina freudiana em São Paulo. Betacam, 2002, 50min.

56. RETRATO DE FERNANDO LEMOS, 2004 Realizado por encomenda do Ministério da Cultura de Portugal, como parte do Prêmio Nacional de Fotografia conferido em 2001 a Fernando Lemos. Antes de se mudar para o Brasil, ele integrou o movimento surrealista português como autor de fotografias muito originais. O filme fornece um amplo retrato do artista, com suas ideias brilhantes e posições engajadas. Betacam, 50min, 2004.

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57. OMISSÃO DE SOCORRO, 2001/2007

O mais recente filme de Olívio Tavares de Araújo sobre minorias no limite trata da política pública de atendimento a doentes mentais no Brasil. Na década de 1990, com vinte anos de atraso, depois que tais procedimentos foram abandonados lá fora, o país resolveu adotar um modelo derivado da antipsiquiatria anglo-americanaitaliana, que impõe tirar os enfermos das instituições, devolvê-los à família e tratá-los ambulatorialmente. No Brasil, como estamos falando de pobres (de política pública), as famílias não têm como cuidar de seus doentes. Muitas vezes nem existem famílias. Enquanto isso, fecham-se hospitais psiquiátricos às dezenas (hospitais psiquiátricos não são o mesmo que manicômios!), e os doentes acabam indo para onde? Para a rua. O porcentual de doentes mentais graves, hoje, na população de rua de São Paulo, ultrapassa 70%. O discurso humanitário é bonito: “Vamos libertar essas pobres vítimas da prisão em que a sociedade repressora os meteu!” Mas a assistência ambulatorial é precária, os doentes, em casa, são rebeldes aos remédios e a realidade resultante se torna desastrosa. Este filme dá voz aos grandes interessados: os próprios doentes e suas famílias. Betacam, 60min, 2001/2007.


Olívio

79min

CCBB SP - Cinema - Sexta-feira, 23/3, 19h CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 7/4, 18h30 CCBB DF - Cinema - Sábado, 28/4, 19h SESSÕES SEGUIDAS DE DEBATE

O OLHAR TRISTE SP, 1996, 53min

Depois de Profissão Travesti, realizado na década de 1980, O Olhar Triste é o segundo trabalho de Olívio Tavares de Araújo tratando especificamente de seres humanos em situação limite. Desta vez são doentes de Aids, que falam livremente de sua situação, de sua total falta de perspectivas e de seu enfrentamento próximo com a morte. Na época, ser portador do vírus HIV era uma condenação fatal. Na 32 | MƒL 2018

estreia do filme, apenas dois de seus mais de vinte personagens continuavam vivos. Hoje existe um coquetel de remédios que praticamente transformou a Aids numa doença crônica. Mas quando o filme foi feito, ela aparecia como a grande maldição do final do século XX, maldição como, outrora, a gripe espanhola e, mais recentemente, o ebola, na África. Distinguia-se, porém, deste último por afetar populações do dito primeiro mundo. Não estava lá longe, confinado à miséria e à falta de condições sanitárias. Era um mal universal, espalhado por todas as raças e classes. De qualquer forma, no Brasil – como sempre – os problemas dos pobres são muito diferentes dos problemas dos ricos. O filme O Olhar Triste fala dos primeiros. “Araújo percebeu ser impossível abordar o tema no Brasil sem levar em conta a realidade terceiro-mundista, miserável, que se torna um intrincado complicador da questão. As imagens de O Olhar Triste transbordam Brasil por todos os cantos, como se a realidade social e econômica invadisse a tela e contaminasse qualquer tentativa de controle da Aids”, como bem observou Marcelo Castilho Avellar, no jornal Estado de Minas, de 29/10/1995. Em 1996, O Olhar Triste foi um dos dois filmes brasileiros selecionados para o Festival International de Programmes Audiovisuels de Biarritz, França, ao lado de Socorro Nobre, de Walter Salles. Direção: Olívio Tavares de Araújo Equipe: Produção: Renato Bulcão // Direção de Produção: Ulisses Pereira // Câmera: Wladimir Miranda, Olívio Tavares de Araújo // Alexandre Cury, Milton Araújo, André Palluch, Jeffrey Worthington, José dos Santos Castro, Maria do Carmo Sormani


BRENNAND E O SENTIMENTO TRÁGICO DO MUNDO SP, 1998, 26min

Em 1998 realizou-se na Pinacoteca de São Paulo uma grande exposição de Francisco Brennand que reformulou a imagem desse artista, nascido em 1927. Como ele trabalha com barro e é pernambucano, chamavam-no de ceramista e davam ênfase à “brasilidade” de sua obra. A retrospectiva demonstrou que Brennand, na verdade, é um importante escultor “o que independe de qualquer matéria-prima”, e que nem de longe sua obra se refere ao Brasil. Pelo contrário. Trata dos grandes temas universais, dor, sexo e morte, através sobretudo de visões imaginárias de personagens das mitologias antigas e da história europeia.

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Este filme foi feito para integrar aquela exposição, mostrando ao público o habitat original onde se produz e vive a escultura brennandiana: uma espécie de museu particular ao ar livre, chamado de “templo”, que ele montou perto do Recife. Conhecer o templo é fundamental para compreender Brennand. O filme o revela ao longo de um depoimento articuladíssimo, do qual ressalta sua percepção trágica da condição humana. Direção, Texto, Fotografia e Montagem: Olívio Tavares de Araújo Equipe: Operador de SteadyCam: Marco Túlio Guglielmoni // Narrador: Neville George // Magno Reis, Reginaldo Franco, Rodrigo Ugá Contato: Olívio Tavares de Araújo otda@uol.com.br


Olívio 2 |

73min

CCBB SP - Cinema - Sexta-feira, 23/3, 17h15 CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 8/4, 15h CCBB DF - Cinema - Sábado, 28/4, 17h30

FARNESE RJ, 1970, 13min

Farnese é o primeiro filme sobre arte de Olívio Tavares de Araújo e seu segundo filme profissional, realizado no Rio em 1970. Em 1971 obteve o Candango de Melhor Curta-Metragem do Festival de Brasília e, em 1972, foi o único filme latino-americano aceito oficialmente no Festival de Cannes. Na época do lançamento, a crítica assegurou que o trabalho “credencia Olívio Tavares de Araújo junto à crítica mais exigente e constitui uma magistral experiência” (José Carlos Monteiro, revista Filme Cultura, 1971). Visita Farnese de Andrade (1926-1996), um dos pioneiros da utilização do assemblage no Brasil como linguagem artística maior. O assemblage é uma espécie de colagem tridimensional, que recorre aos mais diversos objetos encontrados para com eles construir esculturas e objetos. A obra de Farnese é muito original, sob alguns aspectos, até 34 | MƒL 2018

única, na arte brasileira. Com sua variada matéria-prima, que vai de detritos lançados nas praias pelas águas a preciosas peças compradas em antiquários, Farnese dá vazão a uma visão peculiar, densa e pessimista da vida. Trata do risco da catástrofe atômica, da solidão e incomunicabilidade humanas e da morte. Pertence ao universo do belo terrível. Direção, Texto e Montagem: Olívio Tavares de Araújo Equipe: Produção e som: Juarez Dagoberto Costa // Fotografia: Mário Carneiro // Tite de Lemos, Laertes Mendes de Oliveira, Vitaliano Muratore


OMISSÃO DE SOCORRO SP, 2007, 60min

Um filme sobre a política pública de atendimento a doentes mentais no Brasil. Na década de 1990, com vinte anos de atraso, depois que tais procedimentos foram abandonados lá fora, o país resolveu adotar um modelo derivado da antipsiquiatria anglo-americana-italiana, que impõe tirar os enfermos das instituições, devolvê-los à família e tratá-los ambulatorialmente. No Brasil, como estamos falando de pobres (de política pública), as famílias não têm como cuidar de seus doentes. Muito frequentemente nem existem famílias. Enquanto isso, fecham-se hospitais psiquiátricos às dezenas (hospitais psiquiátricos não são o mesmo que manicômios!), e os 35 | MƒL 2018

doentes acabam indo para onde? Para a rua. O porcentual de doentes mentais graves, hoje, na população de rua de São Paulo, ultrapassa 70%. O discurso humanitário é bonito: “Vamos libertar essas pobres vítimas da prisão em que a sociedade repressora os meteu!”. Mas a assistência ambulatorial é precária, os doentes, em casa, são rebeldes aos remédios e a realidade resultante se torna desastrosa. Este filme dá voz aos grandes interessados: os próprios doentes e suas famílias. Direção: Olívio Tavares de Araújo Equipe: André Palluch, Fábio René, Reginaldo Franco, Pedro Guimarães, Rodrigo Ugá, Alessandro Piras Contato: Olívio Tavares de Araújo otda@uol.com.br


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CAMINHOS PARA O ABISMO “Saltar no vazio talvez seja atualmente o único gesto realmente necessário.” (Vladimir Safatle, O circuito dos afetos) A MFL confere à sessão Caminhos o papel de se construir através de filmes de estudantes realizados em oficinas, escolas, cursos de formação em cinema e audiovisual, seja em nível técnico ou universitário. Mais ainda, filmes que se lançam no vazio, como enuncia Safatle, ao buscar a experiência de 37 | MƒL 2018

filmar, de expressar-se através do dispositivo cinematográfico, quando se ainda tem pouca experiência e recursos disponíveis. Nenhum dos sete filmes que compõem a sessão tem financiamento de editais ou patrocínio. Em geral, o caminho para viabilizar as obras é a parceria entre grupos e produtoras e o apoio da universidade. Poucas vezes se salta no vazio sozinho quando estamos falando de cinema. Nesse sentido, podemos pensar que caminhar sem chão sob os pés é parte da força estética desta sessão. Afinal, quando se tem patrão, como lembra Tikal, performer e personagem do filme CorpoStyleDanceMachine, de Ulisses Arthur, é sempre mais difícil lançar-se num coração em chamas. É preciso cortar os cabelos, domar-se.


Usualmente é necessário fazer concessões, mudar o rumo, ter mais segurança, buscar padrões, evitar caminhos desconhecidos buscando - quase sempre - se precaver contra quedas. É a dureza do asfalto que espera aqueles que saltam no vazio, como um dia saltou Yves Klein, em 1960. Salto que fez brotar a reflexão de Vladimir Safatle sobre a urgência do precipício, que ao mesmo tempo é político e artístico. E também serve para nós, que vamos com Safatle até parte do caminho, base de nossas leituras compartilhadas na vida, mas além dele, Safatle e de Klein, vamos, acima de tudo, com os filmes e os precipícios que eles nos propõem: fim-início-meio. Através de uma câmera tremeluzente, que opta pela desconstrução da ilusão diegética, A Paz Ainda Virá Nessa Vida, de Isabella Geoffroy e Nícolas Bezerra, acompanha uma narrativa que traz a encenação de dois amigos que, ao desejarem fazer um filme onde vivem, no Complexo do Alemão, esbarram em potencialidades, desejos e frustrações que são - no fim das contas - o próprio caminho: seja pela violência, pela invasão de privacidade ou pela inexperiência em filmar. Apesar do filme jogar com a fé em alguma mudança, a realidade massacra as esperanças, a coerção vem a galope e os tiros sequestram as vida, os desejos e as possibilidades de uma transformação que, muito além da efetivação, é primeiro uma mutação no pensamento em direção à possibilidade de construir outros mundos dentro de nós, além de nós, mundos que nos atravessam e nos ultrapassam. 38 | MƒL 2018

É preciso do escuro da noite para que a lua possa flutuar no vazio e, pensando assim, é no escuro que podemos melhor entender os lampejos da luz. Ou, no escuro do desconhecido - que podemos chamar de vazio, se assim quisermos - é possível vislumbrar a luz que aquece nossos corações. Um vazio cheio de possibilidades, vazio necessário para que tudo seja criado. As primeiras experimentações podem levar a uma relação diferente com, por exemplo, as possibilidades estéticas de uma legenda. Mais do que informar através da escrita o que se fala, no filme de Ulisses ela dança entre as imagens e ganha formas e ritmos variados enquanto o personagem segue, quase sempre, em uma postura estática, remontando poses clássicas da história da fotografia. O que se apresenta nas sombras dessas palavras e na voz cuja performance é a do desgaste e da urgência? O movimento no filme fica por conta das palavras que surgem e desaparecem da tela, ao mesmo tempo que a iluminação dança pelo corpo de Tikal. Corpo este que se viu obrigado - seja pelo homem, seja pelos deuses - a se adaptar à norma, a trilhar o caminho do comum, do trivial, do esperado e, por isso mesmo, cobrado, desejado às custas de tudo. O artista Yves Klein dizia que no coração do vazio, assim como no coração do homem, há fogos que queimam. Incêndios. Segundo o taoísmo, para que a explosão da criação inicial pudesse acontecer, foi preciso um espaço vazio. É na imensidão de possibilidades abertas pelo vazio que


tudo - e nada - pode acontecer. Para diversos realizadores do cinema mundial, importantes referências na história do cinema, o trabalho com o vazio é igualmente fundamental. Abbas Kiarostami é um exemplo rápido que vem à mente. A cada um que lê este texto, podem e certamente vão ocorrer outras referências. Eduardo Coutinho, ao narrar a experiência de realizar Santo Forte, disse: “Eu vou filmar o vazio”. O qualquer, o quase-nada, o vazio, o abismo pode incorporar formas e trazer diversas encarnações ao corpo cinematográfico e remeter a tantas outras. Não à toa, um dos gestos caros a este texto, além de apresentar a sessão, é fazê-lo através de uma escrita mise-en-abyme. Os afetos que atravessam cada obra da sessão Caminhos, em seis curtas e um longa-metragem, propõem cartografias distintas para esquadrinhar esse vazio e algumas interessantes encruzilhadas – desejo de liberdade, pesquisa de linguagem, pessoalidade – em suas potencialidades. Muitas dessas formas estão ligadas diretamente ao desejo de transpor e gritar suas limitações e aproveitar a experiência em sua forma e força. Todos os filmes têm equipes bem reduzidas e, além disso, buscam trazer para a estética, para a forma do filme, potências da limitação, da escassez, do descartado, do lixo. Intraprojeção, de Camila Albercht, por exemplo, trilha uma experiência estética que trata o onírico com lucidez e constrói seus efeitos visuais com objetos de arte, lentes e aparelhagens de materiais descartados que estavam no Depósito de 39 | MƒL 2018

Inservíveis da UFPEL. Como resultado, temos imagens lisérgicas produzidas por uma câmera que perscruta o menor, o quaseinvisível, e o fragmenta na montagem, joga com ritmos e cores que faz com que quando a luz da sala de cinema acende, a sensação de sonho continue por um bom tempo. Sonho com um cinema possível, com a cara no asfalto, um cinema feito através do desejo de também ser imagem, de ser movimento, de ser tudo. Uma das maneiras de descobrir um caminho próprio dentro do cinema é através do fazer, propondo tentativas que muitas vezes partem do que por enquanto é o possível para ampliar seu espectro, a si mesmo e a sua trajetória. Dopamina traz uma investigação da relação entre o audiovisual e a música eletrônica, buscando referências que vão da poesia a filmes de Gus Van Sant. Um trabalho com alto contraste de preto e branco e uma montagem que dialoga com a banda sonora ritmicamente, o que cria paisagens e situações que se metamorfoseiam no chiaroscuro, uma superfície que é e deixa de ser em um piscar de olhos, apresentando assim os três capítulos que costura a obra. Eu Não Sei as Regras, mas a Gente Pode Tentar, abre em off a trama de Junior Cândido. Mas, mesmo sem saber, mesmo tateando, se deixa lançar pelo desejo de jogar - de fazer cinema. Talvez não saber as regras seja primordial para um salto no vazio. Não saber regra nenhuma, nem mesmo as regras da física dos corpos para que, assim, evite o medo da fratura.


Chuva Seca, de Lívia Uchôa

Em preto e branco também, no filme de Lívia Uchôa folhas secas se tornam Chuva Seca. As forças naturais que derrubam as folhas e os gestos deliberados de varrer que as transformam em lixo são, por sua vez, apreendidos pelo cinema de Lívia, que transmutam esses elementos fazendo existir uma chuva sem água. A poesia da montagem, que lança as imagens em temporalidades frágeis, articula a diluição do que é representado em recursos expressivos que participam do ritual fílmico desta dança da chuva. Como se diluir na produção de significados sobre os mundos que atravessam o vasto mundo que nos cerca, entre tantos caminhos que podem ser trilhados a partir do audiovisual? 40 | MƒL 2018

Pedro e Atalanta tangenciam narrativas míticas de forma minimalista. Atalanta, que, na mitologia grega, é a filha rejeitada por ser mulher quando nasce. Descartada, ela é alimentada por uma ursa e criada por caçadores. O filme realizado por Fernanda Brasileiro e Hylnara Anny é uma obra cuja personagem feminina em sua rotina de entrar e sair de casa para tarefas domésticas, num momento qualquer, ao fumar um cigarro entre a porta e a rua, parece ter consciência das barreiras nas quais está confinada - por ser mulher? – e dança com essas limitações. Sua performance transmite o seu mal estar, fazendo-a mover-se como é possível, até que as paredes não existam mais, até a


transcendência. As dimensões secretas sobem como bolhas e a náusea sartreana explode: o corpo se mistura à passagem, vira canto de pássaro, vira areia, vira sol. Pedro, preto e branco, silencioso, também transborda os personagens humanos para a paisagem. É um nome cujo signo nos ancora tanto nas narrativas sagradas da mitologia cristã, como nos muitos Pedros que fizeram o caminho conosco, sendo um nome próprio tão comum há tempos em nosso país. Seus personagens, suas histórias, estão à margem e, de tanto contemplar as águas - que ora são espelhos, ora correnteza, ora nuvem que muitas vezes se precipitam em chuva, umidade e névoa - unem céu e terra. Elas rompem as duras pedras e irrompem as barreiras entre paisagens e personagens. Água mole em pedra dura. A água como método de viver o salto no precipício pode ser uma leitura do filme que cabe bem a este texto. Há muito pouco em que se segurar em Pedro, a não ser no seu fascínio pelas águas. O longa de Marcelo Ribeiro Filho aponta outro caminho entre as possibilidades dos jovens realizadores, saltando, à sua maneira, no vazio silencioso. Um salto lento, leve, que se lança no tempo dilatado dos planos com a imensidão infinita de um jogo que pode ser cruel com a espectatorialidade do contemporâneo, acostumada a cortes rápidos e ritmos acelerados. As imagens persistem na tela - e na retina - por meio de planos contemplativos e aliterativos, que em cada aparição encarnam o personagem em elementos da superfície da obra, o que 41 | MƒL 2018

exige do espectador um posicionamento ativo para criar em meio à indeterminação na qual é lançado. Pedro lança redes toda vez que margeia o que liquidamente o transpõe e nós buscamos os peixes, quando o que importa é lançar-se, seguir a correnteza, o fluxo, se permitir uma fusão com a imagem e apenas sentir como ela nos atinge o corpo, como o torna floresta e memória. Nós mesmos, igualmente, somos convocados a nossos desertos e mananciais, a queimar nossos vazios em delírios ao meio dia, nossos antigos amores, mitos e, por fim, deixar-nos precipitar. Mais do que trilhas em formas retas e regulares, o que pode se perceber na experiência com cada um desses filmes são formações, cartografias do desejado e inesperado cinema, cujas trajetórias e vontades, ainda, muitas vezes, almejam o inefável. Para nós, nesta sessão, formações ainda no sentido de as formas não serem percebidas como instâncias fechadas, mas frutos de leituras e relações. E claro, porque refletem a diversidade de suas formações, de seus caminhos no audiovisual – no sentido estudantil, de pesquisa - desses sujeitos e suas vontades e necessidades de caminhar, de correr no cinema com os próprios pés, sem chão sob eles. Estamos aqui pelo mistério. Diego Franco e Scheilla Franca


Caminhos

73min

CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 24/3, 18h10 CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 19h20 CCBB SP - Cinema - Segunda-feira, 26/3, 18h CCBB RJ - Cinema - Cinema 2 - Sábado, 14/4, 19h20 CCBB DF - Cinema - Sábado, 5/5, 15h

A PAZ AINDA VIRÁ NESTA VIDA RJ, 2017, 6min

Dois amigos e a necessidade de fazer um filme sobre o cotidiano violento da favela aonde vivem. Direção, Produção e Direção de Arte: Isabella Geoffroy, Nícolas Bezerra Outros: Roteiro: Lucas França, Nícolas Bezerra // Fotografia: Jéssica Costa, Leandro Manguinhos, Nícolas Bezerra // Montagem: Cássio Kz, Gerente Elenco: Alex Gomes, Nícolas Bezerra, Gerente Contato: Nícolas Bezerra nicolasbezerra14@gmail.com 42 | MƒL 2018

INTRAPROJEÇÃO RS, 2017, 21min

Um ensaio sobre a visão e a imagem a partir de um encontro com a lucidez no sonho. Direção e Montagem: Camila Albrecht, Takeo Ito Outros: Produção: Gabriela Montezi // Fotografia: Gustavo Menezes, Takeo Ito e Matheus Strelow // Arte: Gabriela Montezi, Taíla Soliman e Camila Albrecht // Som direto: Marina Barbieri e Matheus Strelow // Trilha sonora: Gustavo Cunha // Mixagem de Som: Gustavo Cunha // Confecção e Manipulação de Boneco: Sayô Martins // Design de Créditos: Wilian Vezzaro Elenco: Caroline Albrecht Contato: Camila Albrecht camila_albrecht@hotmail.com


CHUVA SECA RJ, 2014, 7min

Todos os dias, folhas caem no chão e alguém as recolhe. Direção, Fotografia e Montagem: Lívia Uchôa Elenco: Valentin Millo Contato: Lívia Uchôa - liviamsu@gmail.com

ATALANTA CE, 2017, 12min

O silêncio do corpo que leva os olhos a dançarem a potência do que tudo quer dizer. Que dança toda uma mitologia. Direção: Fernanda Brasileiro e Hylnara Anny Outros: Financiadora, Pesquisa de Locação e Produção: Eliania Vidal Sampaio // Logística e Produção: Eliahne Brasileiro // Propositora, Pesquisa de Locação, Produção: Hylnara Anny // Roteiro, Produção, Montagem: Fernanda Brasileiro // Figurino: Mayara Fernandes // Direção de Som: Volga Timbo // Assistência de Som: Ana Paula Oliveira // Direção de Fotografia e Still: David Leão // Assistência de Fotografia e Still Eudes Freitas // Correção de Cor: Felipe Camilo // Motorista: Mazin do Araújo. Elenco: Hylnara Anny Contato: Hylnara Anny hylnaraanny@hotmail.com

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DOPAMINA PR, 2016, 20min

“Com o coração em chamas, eu procuro por você essa noite”.

CorpoStyleDanceMachine BA, 2017, 7min

“Ando por mistério, vivo por mistério [...] Nosso corpo é uma máquina, ou cuida ou sabe como é né?” Entre memórias da boate e relatos de resistências cotidianas; Tikal, importante personalidade do Recôncavo da Bahia, dança e afronta as normas. Direção, Câmera, Som e Montagem: Ulisses Arthur Outros: Produção: Marvim Pereira // Finalização: Thacle de Souza // Cartaz: Fábio Rodrigues Elenco: Tikal Contato: Ulisses Arthur - ulisses.arthur@ gmail.com

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Direção, Fotografia, Produção e Montagem: Junior Cândido Contato: Junior Cândido - h.doinel@gmail.com


Caminhos 2

70min

CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 24/3, 18h10 CCBB SP - Cinema - Segunda-feira, 26/3, 19h30 CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 14/4, 18h CCBB DF - Cinema - Domingo, 6/5, 15h30

PEDRO

SC, 2016, 70min Deixar a filiação de pronto, eficaz engrenagem; mar, direção; máscara mortuária da sentença, nada menos que a imposição. Desatrelar o vivaz ante – consequência – óbito. Perfuração, madeira ressecada. Alinhamento entre a forma prévia ao espinho. Força. Continuação, desgaste: conservação. Direção: Marcelo Ribeiro Filho Elenco: Luiz Carlos Conti, Pedro Contato: Marcelo Ribeiro Filho tiu_marcelo@hotmail.com

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você teme e retira o amor do poema planeja uma corajosa operação de soltura respira aliviada quando o bicho compreende exatamente o que tem de fazer e quando você o deixa livre ele voa voa com agilidade para bem longe sem hesitar (Rita Isadora Pessoa, A Casa dos Pequenos Animais) “Ela não está aqui”, cartela de uma das falas do início do filme Buraco Negro, uma das sete obras selecionadas para compor a sessão Longas Livres, sintetiza o que este texto de apresentação gostaria de dizer: a liberdade fílmica do cenário independente brasileiro contemporâneo, ela não está aqui. E nem por isso deixa de estar, porém de forma indicial, como um rastro, ausente e presente ao mesmo tempo, atravessando os filmes, realizando operações de soltura e voando para longe, sem hesitar, como diz o poema de Rita Isadora Pessoa. De tempos em tempos se torna mais recorrente no cinema independente certas formas de filmar, de construir personagens a partir de recursos expressivos e artísticos, sejam eles a presença de atores não profissionais, o tom amador ou performático da narrativa, o tempo dos planos ou mesmo a encenação voltada à teatralização ou às performances da vida cotidiana. Muitas vezes acreditamos no uso e presença destes recursos como 47 | MƒL 2018

formas de apreensão do que é um filme livre, verdadeiros respiradouros onde se torna possível produzir com maior liberdade, fora dos padrões. Mas em si, a liberdade não está em nenhuma delas, embora possa atravessá-las, eventualmente, não se pode apreendê-la numa forma em si, numa obra. Há filmes que podem ter decupagens com planos mais curtos, montagem mais ágil, diálogo com propostas de filmes de gênero e darem igualmente a sensação de liberdade no fazer. Ser livre não pode ser sintetizado em um modelo de planificação, em uma forma de encenar. As obras podem ser e por isso mesmo são - como as que vemos aqui nesta sessão - muito distintas entre si, em termos de forma, de escolhas dramatúrgicas e narrativas, de encenação, de estética, de experiência que propõem. Os filmes livres escapam. Tais filmes, por todas essas questões, escapam sobretudo de um amplo alcance de experiência espectatorial. Isto porque é complexa e dura a realidade dos circuitos de exibição dos longas brasileiros, sobretudo independentes e mais engajados em projetos poéticos e políticos, como são os que a esta mostra interessam. Ainda que a Ancine tenha divulgado no início de 2018 um relatório afirmando um aumento no número de salas e complexos de exibição (cerca de 3.220), isto, em si, também não garante a exibição de um amplo espectro de produções do cinema brasileiro. Este circuito está, quase sempre, comprometido com filmes de maior apelo comercial. Comercial e estrangeiro. Por vezes, brasileiro, mas ainda assim, comercial. Entorpecimento.


Dentro desse cenário nada animador, algumas distribuidoras - mais atentas aos circuitos de festivais - conseguem lançar filmes independentes brasileiros nas salas comerciais. No entanto, ainda assim, estão restritos a poucos cinemas, há os obstáculos de estarem usualmente circunscritos a capitais, obstáculos financeiros tendo em vista os valores de ingresso, as dificuldades geradas pela formação de público, tempo que o filme fica em cartaz, normalmente muito curto. São todas questões muito complexas que muito mais do que resolver em um parágrafo, queremos destacar como forma de compreender o lugar da seleção dos Longas Livres dentro da MFL. Enquanto curadoria, instaura-se um campo de tensão que envolve a forma dos filmes e o desejo de dar a eles espaços de exibição para que esses filmes existam para o espectador e passem a viver nele, em seu olhar. Estes são dois dados fundamentais para que se possa, ao receber os filmes, entender como se desenham estas sessões que devem privilegiar obras que não se comprometam com as tradições de mercado (quase sempre formas do filme se viabilizar e de ser visto). Ao se comprometer com projetos mais livres destas dependências, o filme gera para si obstáculos de existência. Obstáculos ao fazer, obstáculos para serem vistos. Por esta razão, reafirmar que a sessão se chame Longas Livres, dentro de um espaço de exibição que já se chama Mostra do Filme Livre, não é uma redundância, mas uma resistência. São longas que não temem o amor e as operações de soltura. 48 | MƒL 2018

Selecioná-los, programá-los e mais tarde ter a possibilidade de levá-los, por meio das iniciativas dos cineclubes livres Brasil adentro é fundamental para começarmos a pensar em uma reestruturação deste horizonte crítico da exibição dos longas brasileiros, traçando encontros entre obra e público, sabendo das potencialidades deste encontro, de onde ambos saem transformados. Dos sete filmes selecionados para compor esta sessão, cinco deles têm direção feminina ou compartilhada entre homens e mulheres: Fernando, Buranco Negro, Navios de Terra, Diários de Classe e O Desmonte do Monte, o que nos faz pensar nas políticas públicas que começaram a ser implementadas nos últimos anos para estimular a paridade de gênero e raça na cinematografia nacional e as muitas discussões relacionadas que vem ocorrendo em festivais, mostras, eventos, cineclubes, universidades. São produções de diversos estados brasileiros, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Paraíba, São Paulo, Minas Gerais. Cada um dos filmes traz narrativas completamente distintas uma das outras. Estrangeiro é um filme de ficção realizado por Edson Lemos como Trabalho de Conclusão de Curso, na Universidade Federal da Paraíba. É o filme mais longo de toda a MFL, com duas horas de duração. Em média, os filmes selecionados possuem cerca de setenta minutos, como se tornou relativamente comum no cinema brasileiro independente. Todos os que integram a equipe são alunos da universidade, como faz questão de reafirmar o próprio filme. O obra traz a experiência de estranheza e


pertencimento de sua protagonista, num ir e vir da memória que encarna no que se vê o que se sente na banda imagética e sonora do filme, pela chuva que cai, pelos encontros, pelo tom do que se diz, muito mais do que pelo que se fala. Como explicar a saudade, independente da língua? Diário de Classe, documentário baiano de Maria da Carolina Silva e Igor Souza é um filme que não termina. Ele segue conosco em suas discussões sobre estudar como ato de resistência para diversos sujeitos, grupos e classes no Brasil. A experiência do ensino formal, de inscreverem seus desejos em suas rotinas, demanda uma luta diária contra o apagamento das necessidades e vontades das mulheres que são personagens centrais da obra. O fantasma resistente da necessidade de desistir dos seus projetos pessoais - em opressões geradas pelas questões trabalhistas, de classe, de gênero e sexualidade, de situação carcerária - encarnase em questionamentos que extrapolam a questão da sala de aula e do ensino formal. Eles ecoam nas lutas para existir enquanto mulheres, enquanto sujeitos, ou ceder às forças que levam ao apagamento de si e que marcam Maria José, Tiffany, Vânia Lúcia, suas colegas e professoras. E nos marcam. Produzido pelo grupo Osso Osso, que vem realizando filmes mais experimentais ao longo dos últimos anos, dirigido por Helena Lessa e Petrus de Bairros, Buraco Negro é um filme fantástico de truques secos que, ora é mudo e grita, ora fala de sonhos, e tira da gaveta questões femininas de violência contra a mulher que assustam pela crueza com que se materializam no filme, ecos 49 | MƒL 2018

da realidade do Brasil contemporâneo. Um filme que, por suas escolhas estéticas filma os ambientes e consegue dar a eles contornos oníricos na linguagem, possuindo-os, incorporando-os com uma aura surreal, com a pessoalidade que os coletivos conseguem materializar. Entre sessões informais de um cinema para formação do olhar, oficinas de criação artísticas, feituras de hortas e jardins, entre ele e seus alunos, entre nós e sua intimidade, projetos de peça e livro, relações de amor, de crenças, entre o professor, o homem e os álbuns de fotografia com suas experiências se constrói a provocação de reencenar sua própria vida, proposta por onde vemos o espírito criativo de Fernando Bohrer se tornar o filme Fernando, com realização de Igor Angelkorte, Julia Ariani e Paula Vilela. Não por acaso - embora Fernando goste tanto do acaso, do improviso - o filme consegue tamanha intimidade. Uma (auto)biografia gerado pelo encontro dos realizadores com os personagem, de Fernando, e deles mesmos que encarnam papéis na dinâmica ficcional de funcionamento do filme, que faz sentir a potência dos encontros na eterna reconstrução de si diante de nós, em tons de nudez, de trabalho, de vulnerabilidade, de sabedoria, de partilha, de política e de poética, de riso, de delicadeza onde não sabemos à luz de qual máscara de Fernando - este nome que encerra em si o próprio e o comum - estamos. Uma ficção de nós? A intimidade continua sendo um importante dispositivo de criação. E o encontro cinemateatro, eu-nós, continua construindo


interessantes formas-limiares, que nos convidam delicada e ternamente à presença em cena. Entre fotografias, cinema e teatro, entre o acaso e um livro a ser organizado, como bate o coração de Fernando? Iniciado com uma história mítica sobre um homem em busca de uma imagem perdida da Terra e cuja busca, cavando, apenas causa o grito da montanha e o barulho dos mortos, Navios de Terra, de Simone Cortezão, narra este homem perdido, solitário e deslocado que trabalha e vive na exploração de minérios. De forma destrutiva, em nome do lucro e do capital, o personagem ouve o grito dos mortos? Mortos somos nós mesmos, os vivos anestesiados pelo silenciamento, imobilizados pela apatia em relação ao mundo. Hipnotizados pelos longos planos de Cortezão, somos guiados em meio ao nevoeiro dos rastros de caminhões, explosões e implosões impunes de minério. Ramo, documentário pernambucano realizado por Hugo Coutinho, João Lucas, Pedro Andrade e Rafael Amorim, é um filme que mostra a peregrinação a cavalo que um grupo de pessoas faz anualmente, misturando, no ritual, gestos de força sacra e profana. O modo como a obra apreende e traz os gestos da comunidade encarnados nos seus elementos expressivos e na dinâmica dos corpos em cena, fazendo parte da multidão, mas ao mesmo tempo singularizando histórias e motivações em relação à manifestação religiosa e cultural, faz com que a produção tenha ritmo de canto popular.

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O Desmonte do Monte, de Sinai Sganzerla, ainda inédito, é uma compilação de imagens de arquivo que buscam repensar os acontecimentos referentes ao Morro do Castelo, e as medidas de higienização da cidade que levou ao desmonte do lugar onde foi fundada a cidade do Rio de Janeiro. As imagens pesquisadas e trabalhadas através da montagem a fim de refletir sobre a história, transitam entre vulcões, cartões postais da cidade maravilhosa, pinturas e desenhos. E como nos alerta a voz feminina que nos conduz, remetendo a um tempo onde as terras ainda pertenciam aos donos originais: os índios. Entre performances de voz e gestos de montagem, as imagens vão tecendo outros contornos, transformandoas, fazendo-as gerar imagens duras de exclusão pela presença de uma voz e um discurso que ao presentificar-se faz gritar as ausências e fantasmas das imagens. Acessar a liberdade alada de cada um destes longas é uma experiência individual e intransferível. Ou melhor, é um caminho que nos descerra os bichos-filmes, que compreendem exatamente o que têm de fazer como fruto daquela que sem hesitar voou: convocar-nos, secreta e pessoalmente, ao pé do ouvido, na sala escura, a construir juntos sentidos sobre o que somos no aquiagora de cada sessão. Fazer-nos presença, liberdade e asas. Deixar-nos ir. Sem temer. Scheilla Franca


Longas Livres 1 70min

CCBB RJ - Cinema 1 - Quinta, 29/3, 18h CCBB SP - Cinema - Quarta, 11/4, 18h CCBB RJ - Cinema 2 - Quarta, 11/4, 19h30 CCBB DF - Cinema - Quarta, 25/4, 20h

BURACO NEGRO RJ, 2017, 70min

Em uma casa abandonada, ela se torna aprendiz de uma poderosa fantasma. Com a ajuda de suas amigas, explora formas de viver outras vidas. Direção, Roteiro, Som, Montagem: Helena Lessa & Petrus de Bairros Outros: Diretor Colaborador: Pedro Lessa // Arte, Fotografia, Produção: Helena Lessa, Pedro Lessa e Petrus de Bairros // Efeitos Especiais: Helena Lessa, Jorge Polo e Pedro Lessa // Cartelas: Helena Lessa // Fotografia Adicional: Lucas Andrade e Jorge Polo // Som Adicional: Lucas Teixeira // Mixagem: Petrus de Bairros // Correção de Cor: Leandro das Neves Elenco: Aline Besouro, Bárbara Cabeça, Cícero Renan, Fedra, Floriza Rios, Guilherme Cavalcanti, Gustavo Pires, Helena Lessa, Luiza Victorio, Patrícia Cavalheiro, Paulo Victor Soares, Pedro Lessa, Petrus de Bairros, Vanessa Alcântara, Verônica Violência Contato: Helena Lessa - helena.aboim@ gmail.com 51 | MƒL 2018


Longas Livres 2 72min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Quinta, 29/3, 19h30 SP - Cinema - Quarta, 11/4, 19h30 RJ - Cinema 2 - Quinta, 12/4, 19h30 DF - Cinema - Quinta, 26/4, 18h30

DIÁRIOS DE CLASSE BA, 2017, 72min

Frequentando salas de aula de alfabetização de adultos, uma empregada doméstica, uma mãe encarcerada por tráfico de drogas e uma adolescente transexual resistem a um sistema que insiste em apagar as suas vidas. Direção: Maria Carolina da Silva e Igor Souza Outros: Assistente de Direção: Érika Saldanha // Montagem: Iris de Oliveira e Maria Carolina da Silva // Fotografia: Gabriel Teixeira // Câmeras: Gabriel Teixeira, Igor Souza e Maria Carolina da Silva // Câmera adicional: João Tatu // Som Direto: Ana Penna e Juan Penna // Som Direto Adicional: Pedro Garcia // Microfonista: Cristina Lima // Produção

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Executiva: Maria Carolina da Silva e Sylvia Abreu // Direção de Produção: Érika Saldanha // Assistente de Produção: Pedro Gonçalves // Pesquisa: Daiane Silva Elenco: Maria José Santana dos Santos, Tifany Moura, Vânia Lúcia Silva Costa Contato: Lanterninha Produções mariacarrolina@gmail.com


Longas Livres 3 71min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Quinta, 29/3, 19h30 SP - Cinema - Quarta, 11/4, 19h30 RJ - Cinema 2 - Quinta, 12/4, 19h30 DF - Cinema - Quinta, 26/4, 20h

FERNANDO RJ, 2017, 71min

O filme revela a vida de um professor-artista com 74 anos no Brasil hoje. Fernando é provocado a interpretar a própria vida, mesclando realidade e ficção. Diante de um grave problema de saúde, ele segue uma rotina preenchida de projetos e desejos na arte.

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“Firmemente ancorado na tendência de um certo cinema contemporâneo de explorar as fronteiras entre as construções documentais e ficcionais da cena, o filme permite dar um passo a mais nesse caminho por conta da ocupação do seu protagonista, que vive cotidianamente não apenas a arte de encenar, como a de ensinar a atuar. Essa construção em espelhos é que dá ao filme um caráter único e diferente nesse contexto de produção e investigação audiovisual, atingindo momentos profundamente comoventes numa carta de amor ao ofício do ator” (Festival Internacional Olhar de Cinema 2017 - Curitiba). Direção e Roteiro: Igor Angelkorte, Julia Ariani, Paula Vilela Outros: Produção Executiva: Paula Vilela // Direção de Fotografia: Pedro Faerstein // Direção de Produção: Liliana Mont Serrat // Direção de Arte e Figurino: Liza Machado // Montagem: Igor Angelkorte, Julia Ariani, Marina Figueiredo, Paula Vilela // Som direto: Laura Zimmermann // Assistente de direção: Thiago Lima // 1ª Assistente de Câmera: Suelen Menezes // Continuísta: Ana Luíza Falcão // Van de Equipe: Sil Azevedo // Mixagem: Bernardo Adeodato // Edição de som: Fernando Aranha // Correção de cor: Diego Quinderé // Finalização: Azul Que Não Há // Masterização: Tomás Magariños // Idealização: Paula Vilela Elenco: Fernando Bohrer, Rubens Barbot, Carolina Virgüez, Jacob Herzog, Igor Angelkorte, Chandelly Braz, Paula Vilela, Arnaldo Marques, Claudia Mele, Damiana Guimarães, Ligia Veiga Contato: Paula Vilela paula.vilela.souza@gmail.com


Longas Livres 4 70min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Sexta, 30/3, 18:45 SP - Cinema - Quinta, 12/4, 19h30 RJ - Cinema 2 - Sexta, 13/4, 19h30 DF - Cinema - Sexta, 27/4, 18h

NAVIOS DE TERRA MG, 2017, 70min

Há anos a montanha é deslocada entre dois países (Brasil e China). Rômulo, ex- minerador e agora marinheiro, segue levando parte da montanha e vai ao encontro de outra. Na imensidão do mar, ele conhece outros viajantes e, em momentos febris, encontra

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as memórias e o espírito da terra. Num cotidiano atravessado por outras línguas que ele não fala, mesmo sem entender, as conversas em desencontro acontecem. Assim, Rômulo vai enfrentar dias lentos na imensidão do oceano até o outro continente. Direção e Roteiro: Simone Cortezão Outros: Produção: Ana Moravi, Beatriz França, Simone Cortezão // Fotografia: Matheus Antunes // Montagem: Dellani Lima e Simone Cortezão // Desenho de Som: Guile Martins // Som Direto: João Tito e Andrew Lee // Produção Executiva: Gustavo Ferreira e Simone Cortezão Elenco: Rômulo Braga, Shima, George Chen, Wu Fu Jong Contato: Simone Cortezão scortezao@gmail.com


Longas Livres 5 74min

CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 31/3, 17h CCBB SP - Cinema - Sexta-feira, 13/4, 18h CCBB DF - Cinema - Domingo, 29/4, 15h

RAMO

PE, 2016, 74min Uma viagem celebração. Cavaleiros cruzam a madrugada e alcançam as terras sagradas do engenho Ramo. Imagens perdidas no tempo.

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Direção e Roteiro: Hugo Coutinho, João Lucas, Pedro Andrade, Rafael Amorim Outros: Produção: Carlota Pereira, Alberto Rio e Jacaré Vídeo // Direção de Fotografia: Hugo Coutinho, João Lucas, Pedro Andrade, Rafael Amorim, Pedro Luna, Paulo Andrade, Raphael Malta, Rafael Mazza e Ricardo Moura // Som Direto: Philipe de Castro, Rafael Travassos e Jacaré Vídeo // Trilha Original: Hugo Medeiros, Marcelo Campello e Henrique Vaz // Finalização de Cor: Rafael Amorim // Finalização de Som: Nicolau Domingues // Identidade Visual: Victor Zalma // Realização: Jacaré Vídeo Contato: Anna Paula Andrade - tarrafaproducoes@gmail.com


Longas Livres 6 85min

CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 1/4, 16h40 CCBB SP - Cinema - Sexta, 13/4, 19h30 CCBB DF - Cinema - Domingo, 29/4, 16h30

0 DESMONTE DO MONTE SP, 2017, 85min

O documentário aborda a história do Morro do Castelo, seu desmonte e arrastamento. O Morro do Castelo, a “Colina Sagrada”, foi o local da fundação da Cidade do Rio de Janeiro e apesar de sua importância histórica, foi destruído em reformas urbanísticas com o intuito de “higienizar” a cidade. Direção, Roteiro, Produção Executiva e Direção de Produção: Sinai Sganzerla Outros: Pesquisa: Lucio Branco e Sinai Sganzerla // Montagem: Rodrigo Lima // Edição e mixagem de som: Damião Lopes, Jesse Marmo e Vinicius Leal // Colorista: Anuar Marmo // Realização: Mercúrio Produções Contato: Mercúrio Produções smercurioproducoes@gmail.com 56 | MƒL 2018


Longas Livres 7 120min

CCBB RJ - Cinema 1 - Segunda, 2/4, 18h40 CCBB SP - Cinema - Sábado, 14/4, 19h10 CCBB DF - Cinema - Sábado, 12/5, 16h20

ESTRANGEIRO PB, 2017, 120min

Elisabete (Cecilia Retamoza) nasceu no México, mas viveu sua infância com seus pais na paradisíaca praia de Tabatinga, no nordeste do Brasil. Distante do contato com outras crianças, tinha em Daniela (Bruna Belmont) sua única amiga. Devido a um misterioso trauma, Elisabete abandona o seu

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lar e nunca mais permanece em um só lugar. Uma escolha com óbvias consequências e, aos trinta anos, Elisabete anseia por uma identidade. Ela não se sente confortável em sua própria pele, uma estrangeira em seu mundo. À procura de uma resposta, Elisabete revisita suas memórias naquele lugar, mas os tempos são outros e a expectativa de um reencontro com sua antiga confidente pode trazer consigo algumas desilusões. Direção, Roteiro, Produção, Produção Executiva, Edição e Finalização: Edson Lemos Akatoy Outros: Assistente de Direção: Ana Aragão Batista // Produção: Uégillys Keyllor // Fotografia: Júlia Sartori, Raphael Aragão, Charliane Rodrigues, Edson Lemos Akatoy // Som Direto: Leonardo Gonçalves, Janaína Lacerda, Charliane Rodrigues // Arte e Cenografia: Thalita Sales // Preparação de Elenco, Maquiagem e Figurino: Jamila Facury // Trilha Sonora: Luã Brito, Felipe Lins // Canção Original: Erick de Almeida, Marta Sanchís Clemente Elenco: Cecilia Retamoza, Bruna Belmont, Ana Maria Nunes, Solana Bandeira, Luna Cecília, Challena Barros, Amanda Autoo, Paulo Philippe, Jamila Facury, Melina Gabriel, Luiza Picado, Jasmina Lemos, Saskia Lemos. Contato: Edson Lemos Akatoy toyzidro@hotmail.com


PδNorδMδS DΛ NØitΞ O meu amanhecer vai ser de noite. Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção. O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo. Meu avesso é mais visível do que um poste. Sábio é o que adivinha. (Manoel de Barros, O Livro sobre Nada)

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E, no início, não havia Panoramas Livres. Não porque não existissem filmes inscritos na MFL deste ano que não pudessem, de alguma forma, representar tendências e poéticas que nós, da curadoria, consideramos representativas do cinema brasileiro contemporâneo, sobretudo em seu recorte mais independente. A questão é que os filmes - os que nos interessam particularmente neste espaço da MFL extrapolam questões estéticas e poéticas representativas, extrapolam o cinema. Elas, as obras, transbordam. Algumas pareciam feitas para uma belíssima sessão Territórios, como Marias, que encena o


cotidiano de gerações de mulheres trabalhadoras na lavoura de cana de açúcar. Ou ainda Talaatay Nder, uma pesquisa que, além de costurar belamente a Territórios, poderia entrelaçar-se aos filmes da Caminhos. E por que Hans não estar em Biografemas? Ou G nas Cabines Livres. Nada, de Gabriel Martins, é um clássico filme de “Autorias”, enquanto Crise de representação poderia abrir ou fechar qualquer das sessões da Mostra do Filme Livre esse ano. Eis outra crise. Nesse jogo de encaixar e montar, programar e recortar, o que cada sessão representa dentro de nossa proposta curatorial? Para que traçar panoramas, quando a sede dos filmes parece ser discutir outras coisas, como política ou territórios - e haveria um território não atravessado pela política? -, algo para além da representatividade estética dentro do cenário brasileiro atual. Sentimos, muitas vezes, o quão frágil é a delimitação do que é e pode ser cada uma dessas sessões, cada categoria. Estamos com Manoel de Barros e acreditamos que foi justo a noite quem fez amanhecer a sessão batizada Panoramas Livres. Nosso papel como curadores assemelha-se ao do astrólogo na noite veloz: criar constelações de filmes capazes de reverberar certas ideias, costurando entre os trabalhos um raciocínio que dialoga tanto com a produção fílmica - seja ela contemporânea ou não - quanto com os limites curatoriais da mostra ou sessão em questão. Walter Benjamin pontuou certa vez que em uma constelação as estrelas são aproximadas, mesmo distantes umas das 59 | MƒL 2018

outras, e é, pois, neste vazio, nesta distância que reside a potência desses trabalhos. Um traço invisível corta o céu conectando pontos diferentes no espaço, com o intuito de gerar uma imagem que os correlacionam, os filmes. Embora sejam visíveis na mesma direção geral, em um mesmo “panorama”, as estrelas não são fisicamente relacionadas e estão a distâncias da Terra significativamente diferentes. É o astrônomo ou o astrólogo quem se arrisca a traçar no céu as imagens que identifica como arquétipos dos homens, imagens rabiscadas no escuro que conecta os homem com as estrelas. Sigamos orientados pelas estrelas, pelos filmes, que, juntos, formam constelações e nos orientam no caminhar pela trevas que irrompem nos dias atuais. A impressão é que tudo pode ruir: nomes, papéis, lugares, sessões, como no poema de Barros. E muito desse fenômeno tem a ver com os filmes. Estas delimitações são muito frágeis ou já, são em si, ruínas. Mesmo assim, sentimos que há ainda uma força que une os filmes da Panoramas Livres em suas seis sessões. O cinema, como um campo atravessado por muitos afetos e desejos, pode atrair e repelir as obras, umas entre as outras. Estas forças, não sem crise, ajudaram a tecer panoramas fílmicos pela maturidade de sua constituição estética, projeto poético e pela possibilidade de diálogos que propõem entre si. Estética, poética e política, o privado e o público, mais do que nunca encontram-se entrelaçados nestas sessões. Podemos dizer ainda que estes filmes são gatos negros, poderiam estar onde quisessem, mas preferiram sair na


noite do Brasil atual, fortalecendo-se uns aos outros por meio dos gestos partilhados, de resistência pela liberdade de seus discursos, instintos, afetos e experiências. Trata-se de um desafio, portanto, pelo imbricamento das forças e formas, dizer de forma uníssona sobre a experiência que estamos propondo em cada sessão. Igualmente impossível - e por isso mesmo necessário - é apresentar os filmes. As singularidades das obras que compõem as sessões, somadas ao desejo comum de conjugar distâncias e urgências, ao mesmo tempo que desafiam nossa fala, foram fatores que contribuíram para esta formação panorâmica. São obras que vem de realizadores e realizadoras com propostas estéticas muito distantes umas das outras, de diversos estados brasileiros e de quase todas as regiões. Aqui estão em diálogo desde obras mais narrativas, no sentido clássico, porém com tons líquidos, inusitados, particulares como é o caso da sessão que une Trópicos Distantes, Retirada para um coração Bruto e Seguimos Comemorando. Podemos dizer das dores, estranhezas, sacrifícios, buscas por desejos e percepções mais complexas – nas narrativas e personagens - através de filmes que compõem a segunda sessão, como Mortalha, No fim de tudo e Netuno, por exemplo. Ou ainda, da importância de cada um dos cinquenta cortes que narram o golpe recente que o Brasil assistiu - e que boa parte de nós parece ainda não ter sentido sangrar - através da sessão com o filme de Lucas Campolina, que se prolonga em importantes discussões desde a 60 | MƒL 2018

micropolítica familiar, como em Nada, passando por Kamiokande em seus atos poético-políticos de experimentação sonoro-imagética e chegando, por fim, ao niilismo de Vala. Crise de Representação abre uma sessão que além das distorções políticas das dimensões do mais recente golpe brasileiro traz, em desejo e crise, em carne e vinho, a Divina Luz sobre vidas, corpos, obras, performances, narrativas que não se deixam - ou se permitem, apenas em espaços de sedução - se prender, se amarrar. Sherry, Starnight, Vênus - Filó, a fadinha lésbica, são corpos que bruxuleiam, sensualmente, resistindo através de suas sexualidades desviantes. Desde Que Não Se Fale Mais Sobre Isso não faz concessões ao cinema clássico narrativo e reitera o peso da injustiça na noite brasileira. Trazendo no título uma das cartas de tarôt de maior chamado ao autocontrole, XI La Force abre um panorama cujo campo de forças e formas não é possível conter e transborda para a questão do desejo, do afeto, da melancolia e ainda da própria representação, do estranhamento. Asa, Tupianas, Merencória, Leopard Man Study e Continente Perdido são projetos que se refletem em narrativas e experiências muito maduras - e distintas - de realização audiovisual e, mais ainda, de relação com o cinema. O feminino, por sua vez, constitui uma encruzilhada discursiva que traz desde uma comunidade africanas de mulheres que, para resistir à escravidão, optaram pelo suicídio, além de performances sobre os medos da mulher, discursos familiares lidos em mapa


astral, a exploração do trabalho escravo na lavoura açucareira e de vários corpos flutuantes, fora da gravidade, em tamanho G. Aqui estão as forças de Marias e das rainhas senegalesas de Talaatay Nder, a confissão frontal de Ela e a galinha. A transformação de imagens do passado pela leitura da carta natal de Júlia em Todas as Casas Menos a Minha. As seis sessões desenham uma constelação de tendências e possibilidades trilhadas pela produção audiovisual brasileira contemporânea. Trópicos Distantes, por exemplo, usa um curioso dispositivo para mostrar o desenrolar de sua tragédia: acompanhamos por um periscópio o narrador e suas divagações sobre questões que por vezes atravessa a todos nós, como a morte, a memória e o esquecimento. “... o quão não seríamos mais livres se fôssemos incapazes de lembrar? Como a areia que se renova pelo sopro do vento e o avanço do mar.” O filme estabelece um curioso diálogo com Seguimos Comemorando e sua tentativa de montar um filme de amor - que também é um primeiro filme dos realizadores - partindo do acervo pessoal, das imagens-lembranças registradas no primeiro ano de um relacionamento. Como preservar uma história de amor do esquecimento? Os diretores escolhem (re) montar esse acervo através de uma linguagem muito distante do que geralmente é apresentado como um filme de casal, um romance, e que revela uma interessante reflexão sobre as possibilidades estéticas e poéticas das imagens que produzimos no cotidiano. 61 | MƒL 2018

Fomos e voltamos. Tateando no escuro esta apresentação, sentimos que apresentálos, os filmes, por este jogo de relações pode ser uma estratégia - não sem riscos de ser simplista - para discorrer sobre as sessões nas singularidades que brotam do espaço comum criado pelas obras em seus diálogos. Mas não é suficiente. Estamos imersos em um caldeirão de nomes próprios de realizadores (muitos com trajetórias importantes dentro do cinema brasileiro, sobretudo independente, outros destacando-se, para nós, agora) e filmes que de tão potentes - individualmente, claro, mas em diálogo mais ainda - nos fazem pensar em que o cinema realizado por estas obras toca e tudo que os mobiliza. E os faz irromper para além do cinema. Manoel tem razão, pois quando o dia amanhece e é noite, melhor que nomear é aludir, ainda que não seja o usual. Mas não vivemos dias normais. Sendo assim, talvez a estratégia mais coerente seja convidar-te, espectador, a experimentar o transbordar das obras-panorama sem a traição das palavras de apresentação de cada sessão, filme a filme, que como gatos, singulares e em bando, fazem barulho e escapam, despertando-nos. É noite. Como os filmes, rompamos nossas bolhas. Falemos delas, das obras - e das realidades que nos tomam em plena madrugada, nós todos juntos, após as sessões, e pensemos sobre as constelações que construímos, o que elas construíram em nós e o que podemos construir juntos. Sigamos. Diego Franco e Scheilla Franca


Panorama Livre 1 73min

CCBB RJ - Cinema 1 - Quinta, 22/3, 18h10 CCBB SP - Cinema - Quarta, 28/3, 18h CCBB RJ - Cinema 2 - Quarta, 4/4, 19h30 CCBB DF - Cinema - Terça, 1/5, 16h

TRÓPICOS DISTANTES PE, 2017, 35min

Um homem isolado em um submarino, cuja relação com o mundo se dá através de um periscópio. Instrumento que permite a observação à distância, o olho mecânico do voyeurismo. O filme é o relato dos últimos episódios observados por esse homem numa comunidade de pescadores “nos trópicos”. Enquanto conta da chegada de um corpo na praia, ele revive seus traumas de guerra e redescobre memórias que julgava ter esquecido. Direção e Roteiro: Marcelo Costa Outros: Produção Executiva: Manuela Andrade // Direção de Produção: Raquel

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Holanda // Assistência de Direção e Produção: Fernanda Rocha Miranda // Direção de Fotografia: Pedro Urano // Fotografia Adicional: Luís Henrique Leal // Direção de Arte e Figurino: Marcondes Lima // Cenografia: Zezinho, Zé de Maurílio e Júlia Fontes // Maquiagem e Figurino: Gera Cyber // Montagem: João Maria // Edição e Mixagem de Som: Danilo Carvalho // Efeitos Visuais: Carlos Eduardo Nogueira // Correção de Cor e Finalização: Pablo Nóbrega // Coordenador de Pós-Produção: Caio Zatti Elenco: Martin Mammen, Adriano Barroso, Brenda Ligia, Miguel Carlos, Ramiro Fensterseifer Contato: Marcelo Costa - cinedoc21@gmail.com


A RETIRADA PARA UM CORAÇÃO BRUTO MG, 2017, 15min

Ozório é um senhor que vive sozinho onde o Judas perdeu as botas, na zona rural de Cordisburgo-MG. Passa seus dias ouvindo rock no rádio, enquanto vive o luto da sua companheira. Até que um movimento no céu quebra sua solidão. Direção, Roteiro, Edição e Direção de Fotografia e de Arte: Marco Antônio Pereira Outros: Produtor: Ariane Rocha // Música: Manoel Cavalcanti de Albuquerque Elenco: Manoel do Norte, Geraldo Goulart, Wellington Junior, Geraldo dos Santos, Ivany da Silva Contato: Marco Antônio Pereira - marcoantoniozero@gmail.com

SEGUIMOS COMEMORANDO RJ, 2017, 23min

Uma narrativa de registros feitos por duas pessoas que se vêem todo dia. Direção: Cainã Bomilcar & Patrícia Cavalheiro Elenco: Cainã Bomilcar, Patrícia Cavalheiro, Ynaie Dawson, Sérgio Peralta, Traplev, Tantão Contato: Patrícia Cavalheiro - patricia. ccruz@gmail.com 63 | MƒL 2018


Panorama Livre 2 73min

CCCB RJ - Cinema 1 - Quinta, 22/3, 19h40 CCBB SP - Cinema - Quarta, 28/3, 19h30 CCBB RJ - Cinema 2 - Quinta, 5/4, 19h20 CCBB DF - Cinema - Terça, 1/5, 18h

MORTALHA SP, 2017, 19min

mortalha – substantivo feminino; 1. pano ou vestimenta com que se envolve o cadáver de pessoa que será sepultada.

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Direção e Roteiro: Grazie Pacheco Outros: Produção: Laura Calasans // Fotografia: Beto Eiras // Som: Renan Vasconcelos // Montagem: Frederico Moreira Elenco: Grazie Pacheco, Raquel Barcha, Jaqueline Cruz, Frederico Moreira, Monica Moretti, Renan Vasconcelos, Beto Eiras, Juliana Capucho Rossi Contato: Frederico Moreira - docvozes@ gmail.com


NO FIM DE TUDO RN, 2017, 15min

As longas tardes marcam o último estágio de uma relação. Como uma boneca que sempre quis ter, Josy cuida de sua mãe. Seu corpo franzino e seus traços, que se confundem entre o masculino e o feminino, marcam a sua personalidade. Sua mãe, uma senhora debilitada por uma doença degenerativa, que a faz confundir o real e o imaginário, nunca teve uma relação tão próxima daquele filho quanto agora, que depende dele. Direção: Victor Ciriaco Outros: Roteiro: Victor Ciriaco e Helio Ronyvon // Assistência de Direção: Andre Santos // Produção Executiva: Diana Coelho e Winder Guedes // Direção de Produção: Babi Baracho // Assistência de Produção e Maquiagem: Débora Medeiros // Direção 65 | MƒL 2018

de Fotografia: Johann Jean // Assistência de Câmera: Raphael Silva // Preparação de Elenco: Marcia Lohss // Direção de Arte: Vitória Real // Assistência de Arte: Tereza Duarte // Som Direto: Sérgio Xavier // Produção de Elenco: Diana Coelho // Chefe de Elétrica e Maquinária: Cleyton Lima // Still e Making Of: Pedro Medeiros // Mixagem: Ricardo Felix // Montagem: Pipa Dantas // Finalização: Johann Jean // Motorista: Alessandro Costa (Boca) // Acessibilidade: Elizabeth Garcia e Rafael Garcia (audiodescrição e legendagem), Babi Baracho (locução da audiodescrição), Alane Lobato - Cultura de Valor (intérprete de libras) // Designer: Virna Varela // Contador: Augusto Neto // Música: “Milagre da Vida” (Xuxa Meneghel) Elenco: Silvero Pereira (como Josy Proença Meneghel), Arly Arnaud (como Laurinda) Contato: Babi Baracho coletivocabore@gmail.com


NETUNO GO, 2017, 17min

O vento seco e a baixa umidade do ar ressecam a pele dos moradores de Catalão. Nas quartas-feiras, Sandro nada na única piscina da cidade. Foi à beira da piscina que conheceu Maicon. Direçãoe Roteiro: Daniel Nolasco Outros: Produção: Thiago Yamachita // Fotografia: Larry Sullivan // Direção de arte: Aline Mazzarella // Edição: Daniel Abib // Mixagem: Rodrigo Ferrante // Direção de som: Thiago Yamachita Elenco: Norval Berbari, Leandro José, Marcos Vinícius, Wylker Rodrigues, Tothi Cardoso Contato: Daniel Nolasco 1kubrick5@gmail.com 66 | MƒL 2018

NOME: HANS // COR: ROSA RJ, 2016, 22min

Mergulhamos durante uma semana na casa e nos diários de Hans: 80 anos, perfeitamente errado, colorido, erótico, depressivo, arte, 68, sabor da manga fruta maravilha. Direção: Pedro Dannemann Outros: Câmera: Leo Kaufmann // Som Original: Maleen Harlan // Edição: Pascal Höpfl // Edição de Som: Simon Seufert // Produção: Lukas Ritter e Johanna Röder Elenco: Hans Keppler Contato: Pedro Dannemann pdannemann@hotmail.com


Panorama Livre 3 59min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Sexta, 23/3, 18h20 SP - Cinema - Quinta, 29/3, 18h30 RJ - Cinema 2 - Sexta, 6/4, 19h30 DF - Cinema - Terça, 1/5, 20h

NADA

MG, 2017, 27min Bia acaba de fazer 18 anos. O final do ano se aproxima e junto dele o Enem. A escola e os pais de Bia estão pressionando para que ela decida em qual curso vai se inscrever. Bia não quer fazer nada.

O GOLPE EM 50 CORTES OU A CORTE EM 50 GOLPES MG, 2017, 9min

Estancar a sangria? Bessias? Tem que manter isso, viu? Em 50 cortes, os grampos de 2016 e 2017 desnudam os bastidores da política nacional. Direção e Montagem: Lucas Campolina Contato: Olada Produções Audiovisuais ltda - contato@olada.tv 67 | MƒL 2018

Direção e Roteiro: Gabriel Martins Outros: Produção Executiva: Thiago Macêdo Correia // Direção de Produção: Zoe di Cadore // Direção de Fotografia: Diogo Lisboa, Rick Mello // Direção de Arte e Figurinos: Rimenna Procópio, Tati Boaventura // Som: Francisco Craesmeyer, Maurilio Martins, Marcos Lopes, Tiago Bello // Trilha Sonora: Marlon Trindade // Montagem: Thiago Ricarte // Diretor Assistente: André Novais Oliveira // Assistente de Direção: Lara Lima Produção: André Novais Oliveira, Gabriel Martins, Maurilio Martins, Thiago Macêdo Correia // Empresa Produtora: Filmes de Plástico Elenco: Clara Lima, Rejane Faria, Carlos Francisco, Karine Teles, Bárbara Sweet, Pabline Santana, Renato Novaes Contato: Filmes de Plástico contato@filmesdeplastico.com.br


VALA

MG, 2017, 13min Fragmentos dos últimos dias de Francisco.

KAMIOKANDE RJ, 2017, 10min

Kamiokande é um filme em três atos, onde não se sabe muito bem quando termina ou quando começa o ato, tudo se dá numa expressão desterritorializante. Trata-se de uma experimentação contra os meios de destruição, onde o repouso visual (tela preta), marca igualmente o estado absoluto do movimento, e o coro de vozes não humanas, marca singularmente o silêncio dos sobreviventes. Kamiokante pensa as populações atômicas de diferentes naturezas a partir da desterritorialização e abrange a prática found footage, que parece funcionar como uma provocação para uma contínua construção que se desdobra e se reinventa. Direção, Produção, Montagem, Trilha sonora original: Fernanda Vogas e Xabier Monreal Contato: Vogas Produções Artísticas e Audiovisuais Ltda - vogasprodutora@gmail.com

68 | MƒL 2018

Direção: João Campos Outros: Produção e Direção de Fotografia: Bruno Greco // Direção de Fotografia e operador de VHS: André Di Franco // Direção de Produção: Vitor Miranda // Som Direto: Duane Cartaxo // Montagem: Chicão Elenco: Francisco Pereira, Thiago Rodrigues Contato: Bruno Greco - brunolgreco@gmail. com


Panorama Livre 4 65min

CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 24/3, 19h40 CCBB SP - Cinema - Sexta, 30/3, 18h15 CCBB RJ - Cinema 2 - Domingo, 8/4, 19h30 CCBB DF - Cinema - Quarta-feira, 2/5, 18h

SHERRY

SP, 2017, 24min

CRISE DE REPRESENTAÇÃO RJ, 2016, 3min

Crise de representação. Direção e Animação: Pablo Pablo Elenco: Dilma Rousseff, Michel Temer Contato: Pablo Souza - telapablo@gmail.com

69 | MƒL 2018

Sherry é um filme documentário experimental que testemunha a vida privada de Robert, um cavalheiro de 75 anos do Condado de Orange. Todos os dias, Robert se transforma em boneca viva, Sherry. Este projeto começou no outono de 2014 quando Lucrecia Martel (cineasta visitante) levou um grupo de estudantes de CalArts para a casa de Robert Sherry. Direção, Edição e Produção: Eliane Lima Outros: Câmera: Eliane Lima e Brad Hoffarth // Trilha Original: James Perley Elenco: Robert Sherry (ele mesmo) e Linda Martinez Contato: Eliane Lima - elianelima@alum. calarts.edu


STARNIGHT MG, 2017, 9min

Depois de performar em teatros, boates, ruas e becos do Brasil, a Figura aparece agora na Star Night, um clássico prostíbulo da cidade de Uberlândia. Ali, sua presença de Diva-anti-Diva faz abalar sexualidades contidas, pretensos binarismos de gênero e conservadorismos que ofuscam a volúpia de estar vivo. Direção e Edição: Yuji Kodato Outros: Performance: Ricardo Alvarenga // Concepção: Ricardo Alvarenga, Yuji Kodato, Luana Diniz, Lucas Vidal E Bruna Freitas // Câmeras: Luana Diniz e Yuji Kodato // Desenho de Som: Lucas Vidal // Assistente de Produção e Still: Bruna Freitas // Preparação Corporal (Twerk): Lara Barcelos // Preparação Corporal (Poledance): Artur Ayroso Contato: Yuji Kodato - ykodato@gmail.com

70 | MƒL 2018

DESDE QUE NÃO SE FALE NADA SOBRE ISSO SP, 2017, 8min

Desde Que Não Se Fale Nada Sobre Isso feito em película super-8 é sobre a fuga sem retorno, idas e vindas pontos de partida entre os encontros e a compra de silêncio. Articulações fraudulentas, crime e conspirações sempre receberam a resposta do oprimido com rebeldia e desejo de liberdade – até as próximas assinaturas de acordos e contratos do capital. Por mais que se ganhe o jogo não decide nada. Direção e Montagem: Piqueras Santangelo de Carango Sá Outros: Música Original: Löis Lancaster // Digitalização: Guilherme Silva e Yudji Oliveira Contato: Everson Lopes de Sousa - carangosa@gmail.com


DIVINA LUZ ES, 2017, 15min

O pensamento de Luz del Fuego, a bailarina naturista que balançou o Rio de Janeiro nos anos 50. Direção e Roteiro: Ricardo Sá Outros: Pesquisa: Alberto de Oliveira, Monica Nitz e Ricardo Sá // Produção Executiva: Monica Nitz e Ricardo Sá // Montagem: Lucas Bonini // Vozes: Letícia Braga, Severino Dadá, Guto Bellucco e Marcio Andrigo // Trilha: Carlos Secomandi // Mixagem: Cons Buteri Contato: Ricardo Salles de Sá ricalles@gmail.com

71 | MƒL 2018

VÊNUS – FILÓ A FADINHA LÉSBICA MG, 2017, 6min

Da espuma do mar, fecundada pelo sangue do céu, nasceu Vênus, deusa encantadora. No conto de fadas animado Filó, uma fadinha lésbica com dedos ágeis, seduz as mulheres de dia, vestido como menino. Mas à noite algo estranho acontece e logo metade da população da Vila do Troço está ansiosamente em fila. Direção: Sávio Leite Outros: Animação, Cenário, Direção de Arte, Design de Abertura e Créditos: Denis Leroy // Roteiro: Cesar Mauricio e Sávio Leite // Produção Executiva: Alexandre Pimenta // Narração: Helena Ignez // Texto: “Filó, a Fadinha Lésbica”, de Hilda Hilst // Assistente de Direção: Arthur B. Senra, João Dias e Luiz Gustavo // Storyboard: Cesar Mauricio e Denis Leroy // Montagem: Lucas Campolina // Desenho Sonoro: Fabiano Fonseca e Sérgio Scliar // Mixagem: O Grivo Elenco: Helena Ignez Contato: Sávio Leite - leitefilmes@gmail.com


Panorama Livre 5

XI LA FORCE

parecer melhor: potência sexual, energia da matéria, dragão, kundalini... É um caos incomensurável que se forma dentro de mim. No meu ventre se unem um diabo e um anjo, formando um vórtice. Como uma árvore, estendo meus galhos para o céu ao mesmo tempo que penetro com força as raízes na terra. Sou uma escada pela qual a energia sobe e desce simultaneamente. Sou o início da criação.” Curta-metragem baseado na faixa XI La Force do álbum Arcanos, de Felipe Zenicola.

“Deixo que circule em meu corpo de baixo pra cima, como as ondas de um oceano tempestuoso, o impulso sublime e feroz que o mundo necessita. Me chame como te

Direção: Mariana Bley, João Bueno, Gabriela Monnerat, Rodrigo Amim, ONZE Outros: Música: Felipe Zenicola Contato: Mariana Bley - mariana.bley@ gmail.com

62min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Sábado, 24/3, 19h40 SP - Cinema - Sexta, 30/3, 18h15 RJ - Cinema 2 - Domingo, 8/4, 19h30 DF - Cinema - Quinta, 3/5, 18h30

RJ, 2017, 3min

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ASA

CE, 2017, 10min O homem dentro da cidade. O homem fora do mundo. Direção, roteiro, fotografia e montagem: Igor Câmara Contato: Igor Câmara - igorcamara@yahoo.com

TUPIANAS RJ, 2016, 6min

Super-8 com imagens filmadas em diferentes lugares no Brasil durante os anos 70. É uma reflexão sobre a ideia de Tupi, a grande nação nativa que vivia neste vasto território solar, antes dos homens brancos chegarem – os tupis-guaranis chamaram-na de Pindorama (terra das palmeiras). O filme elabora uma narrativa não-linear através de uma colagem de “imagens antropofágicas”, apresentando o corpo e o espaço como topologia dos desejos, dos sonhos, e um dispositivo de mudanças – “Tupi or not to Be” (José Celso Martinez Correa / Oswald de Andrade), experimentando a escolha na vida, e a linguagem do essencial, em vez do acessório. Direção: Marcos Bonisson e Khalil Charif Outros: Trilha Original: Ricardo Siri Contato: Marcos Bonisson e Khalil Charif kaliosto21@yahoo.com.br 73 | MƒL 2018


LEOPARD MAN STUDY SC, 2017, 8min

A metamorfose de humano para animal já não simboliza um retorno à natureza selvagem. É impossível a volta a um paraíso natural fantasiado pelo pensamento humano. O ser humano é seu próprio predador. Direção, Concepção, Edição e Finalização: Duo Strangloscope (Rafael Schlichting & Cláudia Cárdenas) Equipe: Produção: Milan Milosavljevi // Produção: Duo Strangloscope & Dom Kulture Studentski Grad // Música: Milana Zari & Richard Barrett Elenco:Milana Zari Contato: Cláudia Cárdenas - strangloscope@gmail.com

MERENCÓRIA SP, 2017, 23min

Cantor que assim falas à lua/ Minha história é igual à tua/ Meu amor também fugiu Direção, Roteiro, Montagem: Caetano Gotardo Outros: Produção: Sara Silveira // Direção de Fotografia: Bruno Risas // Direção de Arte: Juliana Lobo // Som: Juliano Zoppi, Miriam Biderman e Ricardo Reis Elenco: Andrea Marquee, Rogério Brito, Bruno Rudolf, José Geraldo Jr. Contato: Caetano Gotardo - caetanogotardo@gmail.com

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Panorama Livre 6 66min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Domingo, 25/3, 19h50 SP - Cinema - Sexta, 30/3, 19h30 RJ - Cinema 2 - Segunda, 9/4, 19h30 DF - Cinema - Quinta, 3/5, 20h

TALAATAY NDER BA, 2016, 20min

CONTINENTE PERDIDO RJ, 2017, 12min

O que vou te contar muito poucas pessoas o sabem. No Pacífico também existia um continente. A mãe Terra desaparecida no oceano. A ilha mãe: Mu! Direção: Luiz Gustavo Duarte e Leo Duarte Elenco: Felippe Alvaro Contato: Luiz Gustavo Duarte - guplusultra@gmail.com

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“Talaatay Nder” significa em língua Wolof “terça-feira de Nder”, é uma homenagem poética para as mulheres de Nder, na região do Walo, Saint-Louis, Senegal. Em 1820, as rainhas de Nder lutaram e escolheram o suicídio coletivo para escapar à escravidão e preservar a sua liberdade e dignidade. A história de Nder continua viva e atualiza-se na modernidade. Direção, Som e Edição: Chantal Durpoix Outros: Câmera: Eddy Munyaneza, Chantal Durpoix // Música: Grupo cultural Talaatay Nder // Produção: Universidade Saint-Louis UGB (Senegal)/ Africadoc Elenco: Mulheres de Nder (Senegal) Contato: Chantal Durpoix - xantaal@gmail.com


ELA E A GALINHA SP, 2017, 5min

Ela tem uma história a contar, e a galinha Bete é sua testemunha. Usando humor negro, um monólogo afiado e o deslocamento de estereótipos femininos, Ela e a Galinha mergulha em questões difíceis tais como abuso sexual e violência contra a mulher. Esse filme é parte de Dollhouse, um projeto multidisciplinar em que colaboram a companhia de dança Manon fait de la danse (Canadá), o grupo de teatro Bye Bue Princesse (Canadá) e a artista Kika Nicolela (Brasil/Bélgica). Direção, Câmera, Edição e Produção: Kika Nicolela Outros: Texto: Mylène Mackay & Marie-Pier Labrecque // Música: Rrose Selavy Elenco: Mylène Mackay Contato: Kika Nicolela - kikanicolela@gmail.com

TODAS AS CASAS MENOS A MINHA MG, 2017, 20min

Nascer em uma família não significa pertencer a ela. Imagens de um arquivo familiar narram a construção de uma casa pelo prisma de uma criança que ali crescia enquanto a família procurava se consolidar antes de se separar. Direção, Produção e Edição: Julia Baumfeld Contato: Julia Baumfeld - juluabaum@gmail.com

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MARIAS

G

O Brasil ainda é uma colônia de exploração governada por escravocratas. Hoje é mais um dia de trabalho em que as Marias sonham com a liberdade, mas perdem a infância.

G é o símbolo que, na física, representa a aceleração da gravidade. No filme G, a experiência da leveza é apresentada através de corpos desacelerados que flutuam e interagem em atração, dispersão e outras conexões entre si.

GO, 2017, 15min

Direção e Roteiro: Edem Ortegal Outros: Direção de Produção: Luana Otto // Produção Executiva: Joelma Paes // Produção: Tamara Benetti // Direção de Fotografia: Antônio H.Queiroz // Direção de Arte e Figurino: Carol Breviglieri // Montagem e Finalização: Thomaz Magalhães // Som e Mixagem: Thiago Camargo // Produção de Locação: Vivianne Pereira // Caracterização: Ana Simiema Elenco: Yasmin Otto, Maya dos Anjos, Juliana Albuquerque, Eliana dos Santos, Pedro Otto Contato: Edem Ortegal edemortega@gmail.com

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RJ, 2017, 6min

Direção, Fotografia, Montagem, Efeitos e Finalização: Thiago Sacramento Outros: Trilha sonora original: Leonel Pereda // Voz (Respirações): Simone Mazzer // Produção: Luiz Orofino e Maria Alice Silvério Elenco: Flávia Menezes, Liana Ramos, Nilma Duarte, Raquel Albuquerque e Rose Becker Contato: Thiago Sacramento thiagosacramento.contato@gmail.com


Atos da Mooca: Coletivo formado em 2016 pelos amigos/realizadores Caio Lazaneo, Felipe Bomfim, Ivan Ferrer Maia, Renato Coelho, Ricardo Matsuzawa e Thomaz Pedro, que, em seus filmes, contaram com a colaboração de diversos outros amigos, como Priscyla Bettim, que tambem desenvolve uma trabalho autoral. Acreditam numa forma de realização livre e experimental, que prioriza a relação entre o cinema e a poesia.

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CINEMAS EM ATOS |

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cinediário de uma cidade espectro, prazer pela indefinição do sonho que de tão subjetivo busca filmar em meio ao caos o objeto indefinido do desejo entre flores e velas que fluem aceleradas como a passagem da criança pelos castelos de areia das praias esquecidas da infância. em poços de caldas a luz do sol delira como uma lembrança em tempos de guerra que avisa sobre o incêndio que se aproxima: como eternizar a imagem de um doce amor como se fosse jardim de delícias perdido entre discos empoeirados de cantores sertanejos? a morte o trem o cemitério em erupção como ondas no céu em um devir oceânico azul que espreita ao lado de um canteiro orientalmente fotografado de uma herança avant-gardens. formas que se diluem na velocidade do obturador em chamas e sussurra hesitante: como abraçar o espaço com os olhos da câmera como ser vento fogueira chama filme poesia ousadia e desconstrução em imagens que sobrevivem vagamente de um despertar entrelaçado pelos braços quentes de uma paixão, apesar de tudo? fumaça e neblina casa em meio à mata, o abandono rítmico da noite ao amanhecer de uma estrada deserta em kyoto que se enamora pelo prazer do indefinido das copas das árvores no outono dos trópicos na mooca. imagens areiamovediça dos atos da mooca, o coletivo, o pessoal, os nomes próprios e o próprio das ações que são.

Poemas audiovisuais experimentais, três palavras que, muito além de definir a sessão, lançam um lampejo que busca capturar algo do belo e hipnótico fluxo de imagens que o coletivo Atos da Mooca e os realizadores Renato Coelho e Priscyla Bettim constroem. O modo de filmar e o processo de edição da película subverte o tempo através de um estilo artesanal de produzir e montar as imagens, provocando acelerações e retardamentos que comprimem e alteram temporalidades que possibilita associações ora harmoniosas, ora caoticamente inebriantes entre imagem, palavra, ritmo e tom. O estilo dos filmes que este programa revela, de um lado, o afeto pela materialidade fílmica e, de outro, a paixão por uma vertente do cinema experimental americano trilhada especialmente por Marie Menken, Jonas Mekas e Brakhage. Um dos resultados mais expressivo desse processo foi o encontro com novas temporalidades da imagem que, ao mesmo tempo, exigia modos de ver e sentir as imagens que extrapolavam a linearidade das narrativas dominantes. Se a poesia é um caminho para abrir brechas na realidade, o cineasta experimental - assim como um dia Roberto Piva definiu o poeta - existe para impedir que as pessoas parem de sonhar.

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Diego Franco


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Atos da Mooca e Priscyla Bettim 47min

CCBB SP - Cinema - Sábado, 24/3, 18h SEGUIDA DE DEBATE CCBB RJ - Cinema 1 - Sexta, 6/4, 19h, SEGUIDA DE DEBATE CCBB DF - Cinema - Sábado, 19/5, 17h10

VISÃO 2013 PARA ROBERTO PIVA SP, 2013, 3min Ode à cidade de São Paulo e ao universo poético de Roberto Piva. Direção: Priscyla Bettim Outros: Fotografia: Renato Coelho Contato: Cinediário renatocoelhopannacci@gmail.com

O CINEMA SEGUNDO LUIZ RÔ

SP, 2013, 3min

Luiz Rosemberg Filho e seu reino encantado. Direção: Renato Coelho Elenco: Luiz Rosemberg Filho Contato: Cinediário renatocoelhopannacci@gmail.com

81 | MƒL 2018


LIVRO DE HAIKAIS SP, 2014, 3min

Viagem (ao) interior. Direção: Priscyla Bettim Outros: Fotografia: Renato Coelho Contato: Cinediário renatocoelhopannacci@gmail.com

RUA JULIETA PALHARES, 295 SP, 2013, 3min Uma viagem no tempo rumo à casa do meu avô. Direção: Renato Coelho Elenco: Orlando Pannacci, Priscyla BettimContato: Cinediário renatocoelhopannacci@gmail.com

82 | MƒL 2018


TREM

SP, 2015, 3min Vila de Paranapiacaba, maio de 2015. Direção: Renato Coelho Outros: Produção: Priscyla Bettim Contato: Cinediário renatocoelhopannacci@gmail.com

HOTOTOGISU SP, 2015, 3min

Mesmo em Kyoto, tenho saudades de Kyoto. Direção: Priscyla Bettim Outros: Fotografia: Renato Coelho Contato: Cinediário renatocoelhopannacci@gmail.com

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HANOI, OLD QUARTER SP, 2017, 3min

No bairro antigo de Hanói um filme em Super-8 Trinta e seis vielas que se entrelaçam por mais de oitocentos anos de fumaça Comemos na rua Motos e cerveja & Ho Chi Min. Mais um filme Super 8 a câmera e a guerra Direção: Priscyla Bettim e Renato Coelho Contato: Renato Coelho renatocoelhopannacci@gmail.com

HÁ UM AZUL NO CÉU SP, 2017, 3min

Pequeno documentário poético que perspectiva o olhar de duas crianças sobre o mundo, seus encantamentos, sua alegria e liberdade. Em um passeio por uma praia deserta, fugindo do misterioso Doutor Incrível, Ceci e Gael vão atrás de todo azul que há no céu. Direção: Caio Lazaneo e Renato Coelho Outros: Fotografia: Caio Lazaneo, Di Pannacci, Renato Coelho Elenco: Ceci & Gael Contato: Renato Coelho renatocoelhopannacci@gmail.com

84 | MƒL 2018


A LUTA VIVE SP, 2017, 16min

RESSUSCITA-ME SP, 2017, 7min

Sinopse: Diante da roca que gira, a velha a fiar. Entre casulos-novelos, a criança a brincar. Fio, tecido, textura, texto - um discurso sobre a linguagem, sobre o processo. Direção, Concepção e Produção: Coletivo Atos da Mooca Outros: Direção: Caio Lazaneo, Renato Coelho // Roteiro: Caio Lazaneo, Ivan Ferrer Maia, Renato Coelho, Ricardo Matsuzawa // Direção de Arte: Ivan Ferrer Maia // Direção de Fotografia: Felipe Bomfim, Ricardo Matsuzawa // Direção de Produção: Thomaz Pedro // Montagem: Caio Lazaneo, Renato Coelho // Finalização: Caio Lazaneo // Trilha Sonora: Alexandre Marino, André Salata, Felipe Merker, Vitor Kisil Elenco: Carlos Avelino Arruda Camargo, Cecília Morello Lazaneo, Sheila Schvarzman Contato: Renato Coelho renatocoelhopannacci@gmail.com

85 | MƒL 2018

São Paulo, julho de 1917. Durante os prelúdios da primeira grande greve operária da cidade, operários que protestavam na porta de uma fábrica no Brás são atacados pela polícia, resultando na morte do jovem sapateiro espanhol José Martinez. O filme mostra de forma onírica o enterro de Martinez em uma erma rua operária. Em algum momento da procissão fúnebre, o espectro de Martinez desperta e vaga por ruínas de vilas operárias até chegar, por uma fresta no tempo, ao ano de 2017. Direção: Coletivo Atos da Mooca Outros: Concepção e Realização: Coletivo Atos da Mooca Contato: Renato Coelho renatocoelhopannacci@gmail.com


86 | MÆ’L 2018


Há algum tempo o trabalho do coletivo CUAL vem sendo acompanhado de perto pela MFL, graças especialmente à minuciosa pesquisa de Marcelo Ikeda, que através de técnicas avançadas de meditação budista e ayahuaska sempre foi o primeiro a saltar nos abismos mais escuros quando trata de psicografar novos nomes para o cenário da movimagética tupiniquim. Esse é mais um dos inúmeros casos em que ele previu a aproximação de um meteoro pungente: o coletivo foi criado em Salvador em 2011 como uma ação entre jovens amigos e desde então realizou dezenas de filmes nos mais variados formatos, com destaque em festivais nacionais e internacionais. A ideia do grupo é praticar um cinema que prioriza o processo e o encontro, a criticidade e a (re)invenção. Marcus Curvelo é um dos idealizadores desse movimento e este ano se destaca com três curtas, dois deles em parcerias com Bianca Muniz e Álvaro Andrade. Mamata vai de encontro aos principais conflitos vividos por um artista no Brasil pós-golpe: desde a ironia do título, que tira onda com o suposto posto privilegiado do guerrilheiro de imagens, posto aqui que o filme foi rodado em meio à deplorável patrulha praticada insistentemente por grupos radicais de esquerda e direita que visam no fim das contas endireitar os discursos para que 87 | MƒL 2018

em uníssono possam louvar o holograma de seu grande ditador. A forma corajosa como se coloca em cena e dá a tapa a cara, do escape do landscape do skype à luz dissidente do amor impossível, fruto das relações dissonantes que se estabelecem em um espaço-tempo no qual tudo é possível e o nada é também. O clima surrealista perpassa a Nova Melancolia, realizado a partir de fitas esquecidas e reexecutadas à exaustão também pelo espírito obsessor de Álvaro, que já havia testado os limites do cinema em looping no sensacional 10-052012, A Minha Vizinha Também Tem Toc. O Regresso de Saturno apaga as luzes da sala para anunciar que tudo está terrível, tudo vai mal. É interessante notar como a crise de identidade constatada em Mamata é tratada por outro autoretrato (fictício?) ainda mais poético-zen, haikai no meio do redemoinho. Se a crise existencial dos 30 é de fato regida pelo gigantismo dos astros, somos os vermes que corroem o umbigo da Mãe Terra. Nos resta catar os fios de cabelo da fossa, pular no abismo e flutuar, como num antigo ensinamento do Mestre Ikeda. Gabriel Sanna


Marcus Curvelo 73min

CCBB SP - Cinema - Domingo, 25/3, 17h30 CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 31/3, 18h40 CCBB DF - Cinema - Sexta-feira, 27/4, 19h30 SESSÕES SEGUIDAS DE DEBATE

A NOVA MELANCOLIA BA, 2017, 24min

MAMATA BA, 2017, 29min

Brasil, 2017. Eu desisto. Direção, Direção de Arte e Figurino: Marcus Curvelo Outros: Roteiro: Amanda Devulsky e Marcus Curvelo // Direção de Fotografia: Amanda Devulsky, Bianca Muniz, Carlos Baumgarten, Danilo Umbelino, Marcus Curvelo e Ramon Coutinho // Som direto: Amanda Devulsky, Bianca Muniz, Carlos Baumgarten, Danilo Umbelino, Marcus Curvelo e Ramon Coutinho // Montagem: Amanda Devulsky e Marcus Curvelo // Produtora: Cual - Coletivo Urgente de Audiovisual Elenco: Marcus Curvelo, Débora Ingrid, Carlos Baumgarten, Antônio Pereira, Filó Contato: Marcus Curvelo marcuscurvelo@gmail.com 88 | MƒL 2018

Através da misturas de arquivos de diferentes tempos e formatos (memes, TV, videogame), dois diretores se envolvem em uma fábula documental sobre o mundo digital, nessa crônica audiovisual sobre uma nova sensibilidade. Direção: Álvaro Andrade e Marcus Curvelo Elenco: Álvaro Andrade e Marcus Curvelo Contato: Marcus Curvelo marcuscurvelo@gmail.com


REGRESSO DE SATURNO BA, 2017, 20min

Um casal e o regresso de saturno. Tudo está terrível. Tudo vai mal. Direção, Roteiro, Fotografia, Som, Arte e Montagem: Bianca Muniz e Marcus Curvelo Elenco: Bianca Muniz e Marcus Curvelo Contato: Marcus Curvelo marcuscurvelo@gmail.com

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90 | MÆ’L 2018


Autorias vem sendo, ano a ano, uma das mais representativas sessões da Mostra. Aqui toda a diversidade que visamos contemplar é representada nos filmes de pessoas que há muito tempo se dedicam ao cinema não apenas como meio de vida, mas sobretudo como forma de luta e resistência - política, estética e conceitual. É interessante notar a partir deste recorte o quanto o cinema autoral brasileiro é diverso, e as infinitas possibilidades de flutuar entre as linguagens - experimental, documental ou ficcional - sem deixar de ser representativo do momento histórico - histérico - que o país atravessa. Não à toa decidimos abrir a primeira sessão com Cinemargem, do Duo Strangloscope, que a partir de uma gastação iconoclasta que range da reconstrução fictícia ao documentário biográfico, traça um retrato afetivo de Rogério Sganzerla - provavelmente o maior ícone do nosso cinema enquanto guerrilha. Seguido do novo filme da Helena Ignez, que nos apresenta os desdobramentos destes pensamentos arquitetados nos anos 70 em meio à ditadura militar, A Moça do Calendário nos revela a possibilidade do afeto enquanto fuzil, distribuindo entre flores e corpos atestados de que sim, é possível reconstruir a identidade visual de um povo de um lugar devastado por pensamentos fascistas tanto quanto por uma esquerda bunda mole que pretende tomar o poder abraçando palmeiras imperiais nos jardins botânicos da vida. Entre nomes como GuSpolidoro, DellaniLima, EdgardNavarro, SergioRicardo, RenataPinheiro, SérgiOliveira e JoséSette, recorrentes neste programa, temos algumas novidades que há algum tempo vêm sendo 91 | MƒL 2018

garimpadas por nós - como por exemplo as pérolas dinamitadas de Priscyla Betim e Renato Coelho, que a cada ano nos surpreendem com seus microfilmes de fluxo intenso e tatuagens em películas cada vez mais obsoletas & futuristas. Quando a luz apagar o último a sair da sala que bata no peito pra dizer que conheceu o cinema brasileiro para além das tropas e elites tediosas que insistem em achar que nos governam, nem imaginam que o país é um trem desgovernado atravessando a dutra a mil pronto pra explodir o coração financeiro do país e semear glitter nos anais de toda nação, essa reinventada nas periferias a despeito da mediocridade da elite sudestina. Longa vida ao cinema autoral! Gabriel Sanna


Autorias 1 106min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 2 - Quarta, 28/3, 19h SP - Cinema - Quarta, 4/4, 17h RJ - Cinema 1 - Quarta, 11/4, 17h30 DF - Cinema - Terça, 15/5, 18h

CINEMARGEM SC, 2017, 20min

“Tradição é saber lidar com o fogo, não adorar as cinzas”. À margem da margem, este curta-metragem foundfootage mescla materiais de arquivos de diferentes filmagens de um jovem diretor em busca de seu cinema. Direção: Duo Strangloscope (Rafael Schlichting & Cláudia Cárdenas) Outros: Direção de Fotografia e Edição: Rafael Schlichting // Captação de Som: Rodrigo Ramos Elenco: Julio Marti, Dan Rosseto, Theo Castilho, Rafael Schlichting, Cláudia Cárdenas, Ezequiel Machado, Guilherme Baumgart, Daniel Santiago, Ingrid Lima, Janete Lindani, Gabriele Lopez, Gabriela Bresola Classificação Indicativa: Livre Contato: Cláudia Cárdenas strangloscope@gmail.com

92 | MƒL 2018


A MOÇA DO CALENDÁRIO SP, 2017, 86min A história de Inácio, quarenta anos, casado, sem emprego fixo. Ex-gari, Inácio trabalha como dublê de dançarino e mecânico da oficina Barato da Pesada, onde sonha com a Moça do Calendário. No filme, o real e o sonho se entrelaçam.

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Direção: Helena Ignez Outros: Roteiro: Original: Rogério Sganzerla (Adaptação: Helena Ignez) // Produção Executiva: Sinai Sganzerla // Fotografia: Tiago Pastoreli // Montagem: Sergio Gagliardi Direção de Arte: Fabio Delduque // Figurino: Sonia Ushiyama // Edição de som e Mixagem: Pedro Noizyman Elenco: Djin Sganzerla, André Guerreiro Lopes, Mário Bortolotto, Zuzu Leiva, Claudinei Brandão, Eduardo Chagas, Naruna Costa, Barbara Vida Contato: Mercúrio Produções Ltda smercurioproducoes@gmail.com


Autorias 2 60min

CCBB RJ - Cinema 2 - Quinta, 29/3, 19h40 CCBB SP - Cinema - Quinta, 5/4, 17h30 CCBB RJ - Cinema 1 - Quarta, 11/4, 19h40 CCBB DF - Cinema - Terça, 15/5, 20h10

CREPÚSCULO DO GRÃO RJ, 2017, 9min

Drama, autobiográfico, documental, com desfecho sobrenatural. Direção, Roteiro, Produção: Leonardo Esteves Outros: Direção de fotografia: Camilo Soares // Montagem: Gabriela Caldas // Edição de som e mixagem: Emiliano Sette Elenco: Leonardo Esteves, Valéria Amorim, Alexander Kluge Contato: Leonardo Esteves leonardogesteves@gmail.com

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PÉ DE VELUDO - DEUS E O DIABO NA PONTA DO PÉ SP, 2017, 51min Filme 35mm que conta a história de Pé de Veludo, bandido “Robin Hood” do interior de São Paulo que foi morto pela polícia em 1964, aos 21 anos, após um tiroteio de 3 dias e 3 noites. Uma comoção toma conta da cidade e Pé de Veludo torna-se uma espécie de Santo, fazendo milagres até hoje para seus fiéis. Direção e Fotografia: Marcelo Colaiacovo e Nilson Primitivo Outros: Caracterização, Efeitos e Figurino: Gabi Moraes // Direção de Arte: Joe Joe // Figurino: Gabi Moraes // Assistente de Maquiagem e Figurino: Amanda Tedesco // Foto Still: João Risi Elenco: Com André Whoong, Djin Sganzerla. Alexandre Bamba, Joe Joe, Felipe Torres, Luiz Maso, Bruno Bisogni, Carcarah, Walter Figueiredo, Peterson Queiroz, Jarbas Capusso Filho, Fioravante Almeida, Felipe Schermann, Cris Nascimento, Paulo Pereira, Paulo Watanabe, Ednei Lino, Nana Calazans, Cora Calazans Colaiacovo, Petronio Luiz, Ana Costa, Eliane Weinfurter, Foquinha, Agenor Alves, João Maia, Guga Landi, Sirley Gomes Dos Santos, Guta Bodick, Amanda Tedesco, Mariana Ayabe, Marcelo Colaiacovo e Marcelo Rodriguez. Contato: Resistencia Filmes Ltda Me marcelocolaiacovo@yahoo.com.br

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Autorias 3 84min

CCBB RJ - Cinema 2 - Sexta, 30/3, 19h20 CCBB SP - Cinema - Sexta, 6/4, 17h30 CCBB RJ - Cinema 1 - Quinta, 12/4, 17h10 CCBB DF - Cinema - Quarta, 16/5, 17h50

A PARTE DO MUNDO QUE ME PERTENCE MG, 2017, 84min

Documentário sobre sonhos e desejos de pessoas comuns. A vida cotidiana de diferentes personagens anônimos, que constroem suas histórias distantes dos tradicionais cartões-postais de uma cidade. Um filme sobre os combustíveis que nos movem diariamente: felicidade, reconhecimento, estabilidade financeira, casamento, distração, saúde, diversão, alguns quilos a menos, gozo, tranquilidade, superação, sucesso ou – até mesmo – uma simples e humilde pipa.

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Gente comum em busca de seus pequenos desejos cotidianos. Uma obra sobre esferas privadas mínimas, que revela que parte da grandeza do ser humano reside nas sutilezas de seus pequenos gestos. Um olhar íntimo e comprometido com o que somos, de sol a sol, por trás das paredes e telhados de uma cidade. Direção: Marcos PImentel Outros: Produção Executiva: Luana Melgaço // Roteiro: Marcos Pimentel e Ivan Morales Jr. // Fotografia: Matheus Rocha // Som direto: Pedro Aspahan // Montagem: Ivan Morales Jr. // Edição de som e mixagem: David Machado // Empresas Produtoras: Tempero Filmes e Anavilhana Contato: Marcos Pimentel marcospimentel77@yahoo.com.br


Autorias 4 98min

CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 31/3, 17h CCBB SP - Cinema - Sexta, 6/4, 19h15 CCBB RJ - Cinema 1 - Quinta, 12/4, 19h CCBB DF - Cinema - Quarta, 16/5, 19h30

O JARDIM DE AMORES DE WOODY ALLEN RS, 2016, 13min

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Sinopse: No Central Park um casal se conhece, flerta, tem crises e amores. Um plano-sequência cover com diálogos de sete filmes de Woody Allen.

Direção e Direção de Fotografia: Gustavo Spolidoro Outros: Roteiro: Gustavo Spolidoro (diálogos extraídos de filmes de Woody Allen) // Desenho de Som: Marcelo Armani // Finalização: Bruno Carboni e Gustavo Spolidoro // Tradução, Legendas e Créditos: Júlia Cazarré // Produtora e Produção Executiva: GusGus Cinema e Grande Plano Geral Elenco: Justin Phillips, Ma Troggian Contato: Gustavo Spolidoro spolidoro.gustavo@gmail.com


APTO 420 SP, 2017, 85min

Durante uma seca de maconha, um jornalista decide escrever um almanaque antiproibicionista. Direção, Argumento, Roteiro, Produção, Câmera, Arte, Montagem, Cor e Desenho de Som: Dellani Lima Outros: Som: Adicional Ana Moravi // Still: Aline Arruda // Som Adicional, Assistente de Produção e de Arte: Celina Genereze // Som, Assistente de Produção e de Arte: João Toledo // Produção e Arte: Laila Pas // Trilha Sonora: Lê Almeida // Argumento e Consultoria de Roteiro: Rafael Morato Zanatto // Fotografia e Câmera: Bruno Risas // Produção, Som, Montagem e Assistente de Direção: Henrique Zanoni // Trilha Incidental e Créditos: Fodastic Brenfers // Música: “Marijuana é a Solução” Elenco: Henrique Zanoni (Djalma), Laila Pas (Valentina), Shima (Sato), Elisa Porto (Muriel), Daniel Groove (Pascoal), Juan Manuel Tellategui (Diego), André Gatti, Tatá Aeroplano (Guido), Rafael Castro (Edgar), Rodrigo Lacerda Jr (Beto), Renan Rovida (Gordão), Felipe Soares, Henrique Carneiro (Historiador e Professor da USP), Edward MacRae (Antropólogo), Renato Filev (Biomédico), Rafael Morato Zanatto (Historiador), Cristiano Maronna (Advogado Criminalista) Contato: Dellani Lima - dellanilima@gmail.com 98 | MƒL 2018


Autorias 5 104min

CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 31/3, 19h CCBB SP - Cinema - Sábado, 7/4, 17h CCBB RJ - Cinema 1 - Sexta, 13/4, 18h CCBB DF - Cinema - Quinta, 17/5, 18h

ABAIXO A GRAVIDADE BA, 2017, 104min

Bené dedicou muitos anos à busca da sua evolução espiritual, em uma pequena cidade do interior. Ele tem feito grande progresso e está totalmente integrado na comunidade, mas será posto à prova quando conhecer Letícia e for trazido para o submundo da cidade grande. 99 | MƒL 2018

Direção: Edgard Navarro Outros: Produção executiva: Sylvia Abreu // Diretor de Fotografia: Hamilton Oliveira // Diretor de Arte: Moacyr Gramacho // Som: Nicolas Hallet // Trilha Sonora: André T., Tuzé de Abreu // Montagem: Cristina Amaral Elenco: Everaldo Pontes, Rita Carelli, Bertrand Duarte, Ramon Vane, Fabio Vidal Contato: Sylvia Abreu - sylvia@truq.com.br


Autorias 6 49min

CCBB RJ - Cinema 2 - Domingo, 1/4, 19h50 CCBB SP - Cinema - Domingo, 8/4, 15h CCBB RJ - Cinema 1 - Sexta, 13/4, 20h10 CCBB DF - Cinema - Quinta, 17/5, 20h20

HÁ UM AZUL NO CÉU SP, 2017, 3min

Pequeno documentário poético que perspectiva o olhar de duas crianças sobre o mundo, seus encantamentos, sua alegria e liberdade. Em um passeio por uma praia deserta, fugindo do misterioso Doutor Incrível, Ceci e Gael vão atrás de todo azul que há no céu.

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Direção: Caio Lazaneo e Renato Coelho Outros: Fotografia: Caio Lazaneo, Di Pannacci, Renato Coelho Elenco: Ceci & Gael Contato: Renato Coelho renatocoelhopannacci@gmail.com

NÃO HÁ FOZ NÃO HÁ NASCENTE RJ, 2017, 18min

A volta ao passado, e a reorganização das imagens-memórias guardadas em fitas de mini-DV é um gesto impossível de transmutação. É possível superar o medo? Vestir a imagem, como vestir a pele do outro que nunca fui e nunca serei. Direção: Valentina Homem Outros: Fotografia: Valentina Homem, Ricardo D’Aguiar e Amara Barroso // Montagem: Juliane Peixoto e Valentina Homem // Desenho de som: Felippe Schultz Mussel e Valentina Homem // Colaboração na realização: Fernanda Bond Contato: Sempre Viva Produções semprevivap@gmail.com


HANOI, OLD QUARTER SP, 2017, 3min

ANO PASSADO EU MORRI ES, 2017, 25min

A Rodrigo, o diretor deste filme, foram dados três meses de vida. Solitário diante da morte, o diretor procura por Eduardo, seu primeiro namorado. Mas Eduardo não responde. Rodrigo e o Brasil talvez não tenham sobrevivido a 2016. Direção, Roteiro e Montagem: Rodrigo de Oliveira Outros: Produção Executiva e Assistência de Direção: Vitor Graize // Fotografia e Colorização: Igor Pontini // Arte, Figurino e Maquiagem: Diana Klippel // Som Direto, Edição de Som e Mixagem: Hugo Reis // Direção de produção: Maria Grijó Simonetti // Produção: Igor Pontini, Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize Elenco: Rodrigo de Oliveira, João Paulo Stein, Lorena Lima, Isabella Masiero Contato: Pique-Bandeira Filmes - contato@ piquebandeira.com.br 101 | MƒL 2018

No bairro antigo de Hanói um filme em Super-8 Trinta e seis vielas que se entrelaçam por mais de oitocentos anos de fumaça Comemos na rua Motos e cerveja & Ho Chi Min. Mais um filme Super 8 a câmera e a guerra Direção: Priscyla Bettim e Renato Coelho Contato: Renato Coelho - renatocoelhopannacci@gmail.com


Autorias 7 90min

CCBB RJ - Cinema 2 - Segunda, 2/4, 19h CCBB SP - Cinema - Domingo, 8/4, 16h15 CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 14/4, 15h CCBB DF - Cinema - Sexta, 18/5, 17h50

AÇÚCAR PE, 2017, 90min

Bethania retorna a suas terras onde uma vez funcionou um antigo engenho de açúcar da sua família, o Engenho Wanderley. Entre fotos, criaturas fantásticas, contas a pagar, trabalhadores reivindicando seus direitos sobre a terra, Bethania enfrenta a si mesma em um presente onde o passado

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e o futuro são ambos ameaçadores. Açúcar é ambientado num universo de realismo mágico, que cruza a história pessoal de Bethania com a formação da identidade de um país que é, ao mesmo tempo, moderno e arcaico, contemporâneo e ancestral, branco e muito, muito mais negro. Direção e Roteiro: Renata Pinheiro & Sergio Oliveira Outros: Produção Executiva: Leticia Friedrich, Lourenço Sant’anna, Sergio Oliveira // Direção de Fotografia: Fernando Lockett // Direção de Arte: Renata Pinheiro // Montagem: Adelina Bichis // Som: Manuel de Andrés // Trilha Original: Guile Martins // Escore Musical: Sergio Oliveira // Música: Caetano Veloso, Agepê e Outros // Figurino: Christiana Garrido // Produção: Aroma Filmes // Coprodução: Boulevard Filmes, Canal Curta, Sinapse. // Distribuição: Boulevard Filmes Elenco: Maeve Jinkings, Magali Biff, Dandara De Morais, Zé Maria Contato: Sergio Oliveira - sergioliv@uol.com.br


Autorias 8

Autorias 9

CCBB SP - Cinema - Domingo, 8/4, 18h CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 14/4, 16h45 CCBB DF - Cinema - Sexta, 18/5, 19h40

CCBB SP - Cinema - Segunda, 9/4, 19h45 CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 15/4, 16h30 CCBB DF - Cinema - Sábado, 19/5, 19h40

BANDEIRA DE RETALHOS

QUEBRANTO

90min

RJ, 2018, 90min

Um grupo de moradores do morro do Vidigal se unem para impedir a remoção dos moradores dessa comunidade. História baseada em fatos reais acontecidas no fim dos anos 70 Direção, Roteiro e Música: Sergio Ricardo Outros: Produção Executiva: Cavi Borges // Assistente de direção: Luã Batista // Câmera: Daniel e Pedro Paiva // Edição: Victor Magrath Elenco: Babu Santana, Antonio Pitanga, Osmar Prado, Kizi vaz, Marcelo Melo Contato: Cavi Borges - cavicavideo@gmail.com

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80min

RJ, 2017, 80min

A morte é um sonho dentro de um sonho dentro de um sonho Direção e Roteiro: Jose Sette Outros: Produção Executiva: Cavi Borges // Montagem: Terencio Porto // Trilha sonora: Emiliano Sette Elenco: Mary Gladis, Otavio Terceiro, Mariana de Morais, Samir Contato: Cavi Borges - cavicavideo@gmail.com


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BiØgЯ∆fΞm∆s Biografemas é um recorte criado há alguns anos para contemplar filmes sobre inventores peculiares das mais diversas naturezas. Mais do que experimentos de linguagem cinematográfica, este ano o programa se debruça sobre a potência explosiva dos artistas retratados, por vezes de forma naturalista, onde a grande força de cada filme reside não apenas em sua inventividade mas sobretudo na forma como dão a ver suas personagens. Seja na genialidade absoluta da Manola ou do cânone do caos Bispo do Rosário, no auto retrato fragmentário de Camila Marquez (Estudos de Condensação), ), na bem aventurada construção tragicômica de uma biografia inventada (Cosme) ou na reconstrução espacial extremamente perspicaz do universo criativo do fotógrafo Alair Gomes, ícone da contracultura dos anos 70/80, a sessão nos conduz por um labirinto de ideias estilhaçadas em universos fílmicos distintos que carregam em si o caos de toda estrela que dança e desbunda sem perder a ternura jamais. Gabriel Sanna

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Biografemas 65min

CCBB RJ - Cinema 2 - Sexta, 30/3, 18h CCBB SP - Cinema - Sábado, 31/3, 15h CCBB RJ - Cinema 1 - Quinta, 5/4, 19h30 CCBB DF - Cinema - Sábado, 12/5, 20h10

MANOLA MG, 2016, 5min

La Manola, uma Mexicana de 86 anos, apaixonada pela cultura brasileira passa seus dias solitária em casa, revivendo seus anos de ouro através da música. Direção, Câmera e Som: Joshua Wolf Outros: Edição: Raquel Ladeira Contato: Carla Bronzo - cbronzo@gmail.com

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EU PRECISO DESTAS PALAVRAS ESCRITA RJ, 2017, 19min

O passado de Arthur Bispo do Rosário é praticamente desconhecido. Sabe-se apenas que era negro, marinheiro e pugilista. Em 1938 é internado na Colônia Juliano Moreira após um delírio místico. Com diagnóstico de esquizofrenia paranoide é iniciada sua peregrinação em busca do divino e da catalogação do universo. Direção e Roteiro: Milena Manfredini e Raquel Fernandes Outros: Produtor: Cavi Borges // Produção Executiva: Daniel Barbosa // Produção: Milena Manfredini // Fotografia: Vinícius Brum // Som: Pedro Moreira // Montagem: Joana Collier // Direção de Arte: Fátima Coppeli // Edição de Som: Marcito Viana // Trilha Sonora: Gilberto Gil Elenco: Luciano Quirino (como Bispo do Rosário) Contato: Milena Manfredini milenamanfredini@gmail.com


ESTUDOS DE CONDENSAÇÃO RJ, 2014, 9min

experimento caseiro de criação de tempestades. Direção, edição e fotografia: Camila Marquez Contato: Camila Marquez camilamarquez@gmail.com

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COSME

RS, 2016, 14min Thiago Médici é Cosme, um cantor e compositor que ninguém ouviu. Direção, Edição e Produção: Luciano Scherer Outros: Cinematografia: Luciano Scherer, Diego Placeres // Músicas: Thiago Médici // Desenho de som e mixagem: Davi Rodrigues // Edição de Som e Foley: Davi Rodrigues // Som Direto: Thiago Médici, Pablo Fiallo, Luciano Scherer // Colorimetria: Luciano Scherer, Maíra Flores // Finalização de Imagem e Design: Maíra Flores Elenco: Thiago Médici Contato: Luciano Scherer lucianofscherer@hotmail.com


INOCENTES RJ, 2017, 18min

“Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram. Mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam nas costas, e esquecem.” O percurso voyerístico na obra homoerótica de Alair Gomes. Direção: Douglas Soares Outros: Produção Executiva: Allan Ribeiro // Direção de produção: Violeta Rodrigues

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// Assistente de Direção e Preparação de Elenco: Felipe Herzog // Fotografia: Guilherme Tostes // Montagem: Karen Black // Som: Matheus Tiengo // Mixagem: Daniel Turini // Figurino: Dani Lima // Arte: Luciano Carneiro Elenco: Marcos Caruso, Julio Fernandes, Bruno Krause, Matheus Martins, William Manfroi, Ed Saldanha, Iann Pastor, Luciano Carneiro, Allan Ribeiro, Tiago Correa e Felipe Herzog Contato: Douglas Soares doug.p.soares@gmail.com


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Criada em 2012, as Cabines Livres surgem de uma certa dificuldade que a curadoria sentia de incluir nas sessões regulares das salas de cinema filmes que, de alguma maneira, compreendiam-se ligados ao universo da videoarte. Os filmes programados nesse recorte dialogavam entre si por possuírem narrativas que rompem com um discurso audiovisual linear e sequencial, por serem abstratos, contemplativos ou possuírem uma estrutura dramática fragmentados. A MFL inaugurava, então, outros modos de ser esses filmes, de modo a provocar - e expandir - o pensamento sobre as limitações e potencialidades da própria forma cinematográfica. Ao mudar o modo de exibição, se quebrava com o efeito ilusionista mais imediato dos filmes de narrativa clássica, transformando a fruição do espectador e colocando em questão os novos cinemas: expandido, múltiplo, híbrido. Os filmes deste recorte são exibidos durante todo o dia em uma estrutura que sugere uma situação cinematográfica em ambientes distintos ao da sala de cinema. O espaço arquitetônico é determinante para os modos expressivos e narrativos em jogo. Na sala escura não há possibilidade de circulação e mobilidade dos corpos, muito menos de conversa, pois o dispositivo exige um estado passivo e contemplativo para com as imagens projetadas. Não podemos esquecer, claro, que o ato de ver exige todo o corpo: as conexões que as

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imagens provocam com as experiências do observador. No entanto, se podemos falar do que gozam os filmes neste recorte é preciso dizer que a cabine, enquanto dispositivo, assume diversas encarnações. A cabine não é necessariamente um espaço fechado onde se vê os filmes em looping por 24 horas. Uma cabine está livre destas configurações fechadas. Embora seu dispositivo de exposição contínua do filme - seja numa sala de cinema, ainda que um pouco menor, seja num dispositivo mais próximo das cabines dos museus, da videoarte, o essencial é a libertação do espectador. Do olhar. Independente da estrutura que ela possa adquirir, as Cabines invocam o corpo e o olhar do espectador que, livres para transitarem e participarem da exploração investigativa de descoberta das imagens, pode entrar e sair das cabines quando quiserem, construindo ele mesmo seu envolvimento com o trabalho. O tempo em que vai ficar na sala, as conversas no entorno, se vai sentar ou ficar em pé. O olhar é o corpo e está em constante movimento, em um eterno fluxo de ressignificações de espaços, formas, narrativas, permitindo escolhas que irão determinar experiências distintas. A cada edição da MFL, no entanto, muito tem-se questionado, na curadoria, sobre a limitação dos espaços de experimentação menos narrativos circunscreverem-se às


cabines. Embora seja um espaço potente, sobretudo para o espectador, que por desejo decide se lançar nesta experiência, criarmos limiares entre as cabines livres e as demais sessões da mostra. Lugar de experimentação é no cinema, para todos, e este tem sido um questionamento colocado nas reuniões de curadoria há alguns anos. Nesse sentido, sobretudo neste ano, diversos filmes ocupam as cabines, mas se materializaram ainda em outras sessões, ajudando a dilatar olhares sobre o cinema e com o cinema em seu modo mais tradicional de exibição. Tivemos filmes que pediram para serem retirados da MFL por não serem “filmes para a sala de cinema”. O que isso significa? O que é ser livre? Livre de quem? Para quem? Uma mostra que se projeta como a “maior mostra de cinema independente do Brasil” aos poucos se ajusta à própria liberdade que construiu e presa. Filme remete à película, talvez seja preciso fraturar as próprias palavras, de modo a criarmos novas possibilidades de nos deixar afetar pela materialidade a que ela esteja vinculada. Imagem fractal. Treze. Treze cabines para o espectador livre. Ouroboros. Laço, repetição, fim, início. Filmes abstratos, linguagem híbrida, letra minúscula, música e matemática. Quinto, Ceasa Sinfônico. Acaso, tempo, filme dispositivo - obsessão? Objet trouvé situacionismo nas ruas de Paris. Vídeo Numérique. Planta, Trinca, Pinta. Yara, Oyá111 | MƒL 2018

Tempo, Ajna. O céu - oceano. Vênus que cintila, fadinha que realiza desejos, tamanho G. Corpo, estrutura e flutuação da beleza. Chorume, Garoto Sozinho, Fataurex. O Golpe e a Crise. Um cinema de primeiros trilhos. Fios de Ariadne. Ándale. Tehom, Ladridos e Flor da Montanha. Paciência, cada um se perde como pode flutuando no vazio que também é abismo do tempo, da história, das possibilidades. Conluios, Sopro e Noite Azul Treze portas a entrar de corpo inteiro, o dia inteiro. Diego Franco


C∆binΞs LivЯΞs 1 Rebecca Moure

CCBB RJ - Cabines - Quinta, 22/3, 15h, e Sábado, 7/4, 15h CCBB SP - Cabines - Sexta, 23/3, 15h, e Domingo, 8/4, 15h às 20h CCBB DF - Cabines - Quinta, 26/4, 14h, e Sexta, 11/5, 14h às 19h

PACIÊNCIA RJ, 2017, 4min

terra | movimento suave Direção, Fotografia e Montagem: Rebecca Moure Contato: Rebecca Moure rebeccamoure@gmail.com

O CÉU | OCEANOS RJ, 2017, 2min

ar | desapego generoso filme homenagem a Mãe Beata de Iemanjá Direção, Roteiro, Fotografia e Montagem: Rebecca Moure Contato: Rebecca Moure | experiências photoperformópticas - rebeccamoure@gmail.com 112 | MƒL 2018


PLANTA TRINCA PINTA

YARA

bruxaria é transmutar planta em tinta - processo de tingimento natural por studio trinca

água | enraizamento fluido

RJ, 2017, 4min

Direção, roteiro, fotografia e montagem: Rebecca Moure Outros: Produção: Miguel Bandeira e Rebecca Moure // Performance: Fabíola Trinca Elenco: Fabíola Trinca Contato: Rebecca Moure - rebeccamoure@ gmail.com 113 | MƒL 2018

RJ, 2017, 3min

Direção, fotografia e montagem: Rebecca Moure Contato: Rebecca Moure - rebeccamoure@ gmail.com


C∆binΞs LivЯΞs 2 O Golpe e A Crise

CCBB RJ - Cabines - Sexta, 23/3, 15h, e Domingo, 8/4, 15h CCBB SP - Cabines - Sábado, 24/3, 15h, e Segunda, 9/4, 15h CCBB DF - Cabines - Sexta, 27/4 e Sábado, 12/5, 14h às 19h

O GOLPE EM 50 CORTES OU A CORTE EM 50 GOLPES

CRISE DE REPRESENTAÇÃO

MG, 2017, 9min

Crise de representação.

Estancar a sangria? Bessias? Tem que manter isso, viu? Em 50 cortes, os grampos de 2016 e 2017 desnudam os bastidores da política nacional.

Direção e Animação: Pablo Pablo Elenco: Dilma Rousseff, Michel Temer Contato: Pablo Souza - telapablo@gmail.com

Direção e Montagem: Lucas Campolina Contato: Olada Produções Audiovisuais LTDA - contato@olada.tv 114 | MƒL 2018

RJ, 2016, 3min


C∆binΞs LivЯΞs 3 Baiestorf

CCBB RJ - Cabines - Sábado, 24/3, 15h, e Segunda, 9/4, 15h CCBB SP - Cabines - Domingo, 25/3, 15h, e Quarta, 11/4, 15h CCBB DF - Cabines - Sábado, 28/4, 14h, e Domingo, 13/5, 14h às 19h

ÁNDALE! SC, 2017, 4min

É um filme sobre o mundo de hoje, sobre a necessidade de uma revolução, um levante das massas contra os exploradores, para que o sistema financeiro possa ser todo repensado. É uma visão anarquista do caos que necessitamos para essa mudança ocorrer (porque anarquismo não é bagunça, é apoio mútuo e solidariedade). Direção: Petter Baiestorf Outros: Produção: Petter Baiestorf, Carli Bortolanza, E. B. Toniolli e Elio Copini // Direção de Fotografia: Uzi Uschi // Edição: E.B. Toniolli. Elenco: Elio Copini Contato: Petter Baiestorf baiestorf@yahoo.com.br

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C∆binΞs LivЯΞs 4 Cleyton Xavier

CCBB RJ - Cabines - Domingo, 25/3, 15h, e Quarta, 11/4, 15h CCBB SP - Cabines - Segunda, 26/3, 15h, e Quinta, 12/4, 15h CCBB DF - Cabines - Domingo, 29/4, 14h, e Terça, 15/5, 14h às 19h

FATAUREX RJ, 2017, 8min

Este filme foi feito pra ser visto de olhos fechados. Vá para o local mais escuro possível e fique com sua face bem próxima do dispositivo que estiver passando este filme. Para experiências mais avançadas, recomenda-se o uso do projetor direcionado para o rosto do espectador em distâncias Direção: Cleyton Xavier Outros: Frito Sonoro: Telenoika, Sofócles Bolówsckziick, Cleyton Xavier Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

VOCÊ SABE O QUE É CHORUME? RJ, 2015, 3min

eu também não Direção: Brzzxkxzick, Luan Meyer, Cleyton Xavier, Rafael Romão da Selva Elenco: José Pantoja, Robô Calebe, Caíque Valário, Luan Meyer, Rafael Romão, Cleyton Xavier, Lucas Paes Leme Contato: Caíque Valário caique.valario@gmail.com 116 | MƒL 2018


C∆binΞs LivЯΞs 5 GAROTO SOZINHO RJ, 2017, 3min

Eu sou um garoto solitário. Direção, Montagem, Pesquisa, Som: Cleyton Xavier Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

CCBB RJ - Cabines - Segunda, 26/3, 15h e Quinta, 12/4, 15h CCBB SP - Cabines - Quarta, 28/3, 15h, e Sexta, 13/4, 15h CCBB DF - Cabines - Terça, 1/5, 14h e Quarta, 16/5, 14h às 19h

G

RJ, 2017, 6min G é o símbolo que, na física, representa a aceleração da gravidade. No filme G, a experiência da leveza é apresentada através de corpos desacelerados que flutuam e interagem em atração, dispersão e outras conexões entre si. Direção, Fotografia, Montagem, Efeitos e Finalização: Thiago Sacramento Outros: Trilha sonora original: Leonel Pereda // Voz (Respirações): Simone Mazzer // Produção: Luiz Orofino e Maria Alice Silvério Elenco: Flávia Menezes, Liana Ramos, Nilma Duarte, Raquel Albuquerque e Rose Becker Contato: Thiago Sacramento thiagosacramento.contato@gmail.com

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C∆binΞs LivЯΞs 6

C∆binΞs LivЯΞs 7

CCBB RJ - Cabines - Quarta, 28/3, 15h CCBB SP - Cabines - Quinta, 29/3, 15h CCBB RJ - Cabines - Sexta, 13/4, 15h CCBB DF - Cabines - Quarta, 2/5 e Quinta, 17/5, 14h às 19h

CCBB RJ - Cabines - Sexta, 30/3, 15h CCBB SP - Cabines - Sexta, 30/3, 15h CCBB SP - Cabines - Sexta, 13/4, 15h CCBB DF - Cabines - Quinta, 3/5 e Sexta, 18/5, 14h às 19h

Rail Road Movie

Oyá-Tempo

RAIL ROAD MOVIE RJ, 2017, 81min

As linhas paralelas se apresentam como força do tempo, num único e mesmo plano que se bifurca. Direção, Montagem e Trilha Sonora Original: Xabier Monreal & Fernanda Vogas Contato: Fernanda Vogas vogasprodutora@gmail.com

OYÁ-TEMPO SP, 2017, 25min

Uma travessia tempestuosa leva ao encontro de uma força feminina escondida na natureza. Direção: Camila Maluhy e Octávio Tavares Outros: Produção: Filmes da Diaba // Assistente de Direção: Mariana de Mello // Assistente de Fotografia: Bruno Moya e Cainã Vidor // Figurino: Marina Dalgalarrondo, Gabi Cherubini // Maquiagem: Luiza Lian: Leon Gurfein // Montagem: Renata Miranda, Camila Maluhy e Octávio Tavares // Edição de Som: Charles Tixier e Filmes da Diaba // Mixagem e Masterização: Gui Jesus Toledo Elenco: Luiza Lian, Nina Oliveira, MC Diggão Contato: Camila Maluhy ilmesdadiaba@gmail.com

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C∆binΞs LivЯΞs 8 Iuri Rocha

CCBB SP - Cabines - Sábado, 31/3, 15h CCBB RJ - Cabines - Sábado, 31/3, 15h CCBB DF - Cabines - Sexta-feira, 4/5, 14h às 19h

CEASA SINFÔNICO BA, 2017, 3min

Documentário experimental que explora o fim de um dia numa feira popular e os ruídos do centro da cidade, transformando numa sinfonia industrial, que mostra um ponto de vista diferente do comum sobre o Ceasa. Direção, Produção, Fotografia, Montagem e Edição de Som: Iuri Rocha Contato: Iuri Rocha - iurirpires@hotmail.com

QUINTO BA, 2016, 5min Sujeira, podridão e angústia, presos nesse pesadelo estão Peppa Pig e o Palhacinho Sem Nome, numa bad trip alucinógena causada pela doença das moscas que ronda fezes de cachorro. Direção, Produção, Fotografia, Montagem: Iuri Rocha Contato: Iuri Rocha - iurirpires@hotmail.com

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C∆binΞs LivЯΞs 9

C∆binΞs LivЯΞs 10

CCBB SP - Cabines - Domingo, 1/4, 15h às 20h CCBB RJ - Cabines - Domingo, 1/4, 15h CCBB DF - Cabines - Sábado, 5/5, 14h às 19h

CCBB SP - Cabines - Segunda, 2/4, 15h CCBB RJ - Cabines - Segunda, 2/4, 15h CCBB SP - Cabines - Domingo, 15/4, 15h às 20h CCBB DF - Cabines - Domingo, 6/5, 14h às 19h

Conluios

Vidéo Numérique

CONLUIOS CE, 2017, 22min

As facções que formam os conluios da atualidade. Direção: Gabriel Silveira Contato: Gabriel Silveira gabrielsilveira83@hotmail.com

VIDÉO NUMÉRIQUE SP, 2017, 30min

Realizado no período de 6 meses de residência na Cité des Arts, em Paris, o trabalho apresenta um conjunto de 60 números inscritos em placas, cartazes, construções, luminosos, vitrines... demarcados, gravados, anotados, pichados, colados em superfícies diversas, captados em andanças pela cidade. São números que nomeiam, promovem, avisam, definem valores, estabelecem ordens e medidas, localizam tempo e espaço. Cada um deles tem a duração em segundos correspondente a sua imagem. Vidéo numérique é um vídeo digital/vídeo de dígitos, um souvenir de tempos. Direção e Edição: Selene Alge Contato: Selene Alge selene_ka@hotmail.com 120 | MƒL 2018


C∆binΞs LivЯΞs 11 Nelton Pellenz

CCBB SP - Cabines - Quarta, 4/4, 15h CCBB RJ - Cabines - Quarta, 4/4, 15h CCBB DF - Cabines - Terça, 8/5, 14h às 19h

NOITE AZUL RS, 2016, 6min

Noite Azul é pensado em levar o observador ao encontro de algumas impressões sensoriais vivenciadas durante uma tempestade onde, naquela hora e dez de ventos a mais de cem, o fim dos tempos parecia estar bem ali, na janela do meu quarto. O desenho de som propõe um passeio entre memórias e previsões, entre realidade e ficção. Ações humanas e sons da natureza mesclam-se nesta avalanche de sonoridades, na tentativa de levar o espectador a experienciar uma diversidade de sensações. Direção: Nelton Pellenz Contato: Nelton Pellenz neltonpellenz@yahoo.com.br

SOPRO

SC, 2017, 5min Foi uma temporada, depois outra e, agora, a cada verão ele me chama, e eu vou. Já é algo assim, bem próximo, conjunto. Direção: Nelton Pellenz Contato: Nelton Pellenz neltonpellenz@yahoo.com.br

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C∆binΞs LivЯΞs 12

C∆binΞs LivЯΞs 13

CCBB RJ - Cabines - Quinta, 5/4, 15h CCBB SP - Cabines - Sexta, 6/4, 15h CCBB DF - Cabines - Quarta, 9/5, 14h às 19h

CCBB RJ - Cabines - Sexta-feira, 6/4, 15h CCBB SP - Cabines - Sábado, 7/4, 15h CCBB DF - Cabines - Quinta-feira, 10/5, 14h às 19h

Ajna

Yuji Kodato

LADRIDOS MG, 2017, 10min

Em um pequeno povoado na zona rural de Cuba um jovem passa a madrugada vigiando os animais de um estábulo. Do alto de uma torre, escuta atento à noite, os animais, a gente que passa e todas as coisas que se movem na penumbra. Nesse trajeto sonâmbulo, mugido e grunhidos se esparramam pelo chiqueiro e os corpos se confundem com a escuridão.

AJNA

MG, 2017, 8min O terceiro olho. Direção e Edição: Julia Baumfeld e Sara Não Tem Nome Outros: Câmera e Fotografia: Randolpho Lamonier, Victor Galvão // Trilha Sonora: Julia Baumfeld, Sara Não Tem Nome // Captação e edição de audio: Victor Galvão // Figurino: Artur Malta Elenco: Julia Baumfeld, Sara Não Tem Nome Contato: Sara Alves Braga producaosarantn@gmail.com 122 | MƒL 2018

Direção e edição: Yuji Kodato e Gabriela Ruvalcaba Outros: Câmera: Yuji Kodato // Som Direto: Gabriela Ruvalcaba. Elenco: Junior Montero e Richard Montero Contato: Yuji Kodato - ykodato@gmail.com


C∆binΞs LivЯΞs

Flor da Montanha / Feitio CCBB RJ - Cabines - Quinta, 29/3, 15h CCBB SP - Cabines - Quinta, 5/4, 15h CCBB RJ - Cabines - Sábado, 14/4, 15h CCBB DF - Cabines - Quarta, 25/4 e Sábado, 19/05, 14h às 19h

TEHOM

MG, 2017, 9min De um escuro espesso escorre um corpo. Uma carne em líquido, uma tentativa de nascimento, os sapos, as águas e o ventre pululando o mundo. Tehom é um videodança sensorial que comunga corpo e natureza para criar corporeidades e se indagar sobre o que é nascer. Seu título se refere à grande profundeza de onde surgiram as águas primordiais da criação, segundo o Antigo Testamento: o grande abismo de onde a matéria fundante do mundo surgiu. O curta se inspira livremente nessa ideia e cria performances que buscam, através da experimentação do corpo em relação com a natureza, revisitar o instante em que a existência surge. Direção, Câmera e Edição: Yuji Kodato Outros: Codireção e performance: Diogo Rezende // Som direto e tratamento de som: Lucas Vidal Elenco: Diogo Rezende Contato: Yuji Kodato - ykodato@gmail.com 123 | MƒL 2018

FLOR DA MONTANHA/ FEITIO RJ, 2017, 23 min

Uma cerimônia de feitio na lendária Flor da Montanha, que consagra a ayahuasca na região serrana do Rio de Janeiro e é pioneira em juntar fundamentos do Santo Daime com os da Umbanda.


cØis∆s иØss∆s A sessão Coisas Nossas existe há mais de década, pelo simples fato de que a curadoria e a produção da MFL é feita por pessoas que fazem e/ou produzem filmes. Acreditamos que ao fazer tal sessão estamos dando ´cara a tapa`, o que não é muito comum, pois é a chance do público em geral, e dos realizadores que inscreveram seus filmes no evento, verem os filmes que a equipe do evento faz, seja na direção e/ou na produção. São curtas e médias de todos os gêneros e feitos em diversas cidades do Brasil. Se são livres ou não, o público que vai dizer. 124 | MƒL 2018


Coisas Nossas 74min CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 8/4, 17h CCBB SP - Cinema - Sábado, 14/4, 17h30 CCBB DF - Cinema - Domingo, 29/4, 19h30

RADIUM ES, 2012, 15min

Um estranho acontecimento ocorreu em Guarapari em novembro de 2012... Filme realizado durante a oficina do Festival Cine Terror na Praia Direção: Christian Caselli e os alunos Outros: Câmera: Daniela Silveira Moutinho Menegucio, Ivan Castilho, Matheus Piumbini // Trilha Sonora: Harlem AlienAqtor // Roteiro: Coletivo // Produção: Rodrigo Aragão, Mayra Alarcón, Kika Oliveira Elenco: Claudia Leal, Daniela Silveira Moutinho Menegucio, Ivan Castilho, Emanuelle Meneguci, Matheus Piumbini, Florismara Santos Contato: Christian Caselli chriskzl@gmail.com

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EXU REI ABDIAS NASCIMENTO RJ, 2017, 21min

Divindade africana que aportou no Brasil junto aos negros, Exu é conhecido como o orixá da comunicação, guardião das ruas e do comportamento humano. O curta-metragem de não-ficão Exu Rei dialoga com a influência desse arquétipo pela cultura negra a e sua assimilação pela arte brasileira. Em seu subtexto, o filme homenageia um de nossos grandes ativistas da causa negra – o ator, poeta, dramaturgo e político – Abdias do Nascimento. O posicionamento do documentário procura incorporar o espírito de luta, expressivo e inquieto de Abdias: elo onipresente entre personagens, imagens e sons do filme. 126 | MƒL 2018

Direção e Argumento: Barbara Vento Outros: Direção de Produção e Assistente de Direção: Ethel Oliveira // Produção Executiva: Ethel Oliveira e Bárbara Vento // Produção: Diana Iliescu // Roteiro: Manuela Cantuária // Fotografia e Câmera: Mariana Bley, André Albuquerque, Érica Rocha, Chico Serra // Som Direto: Antônio Carlos (Liliu), Bruno Espírito Santo // Edição de Som e Mixagem: Ricardo Mansur // Montagem: Viviane Laprovita e Vladimir Ventura // Arte e Figurinos: Rebecca Moure // Iluminação: Thabata Martins Elenco: Zózimo Bulbul, Mãe Meninazinha de Oxum, Elisa Larkin, Célia Nascimento, Bida Nascimento, Cridemar Aquino, Lea Garcia, Alice Morena e Grupo Tá na Rua. Contato: Barbara Vento barbaravida@gmail.com


UNTITLED REGGAE SONG RJ, 2017, 2min

LA MUJER MEDICINA DE JANAJPACHA SP, 2017, 8min

A Mãe Terra é simples e profunda, fala com as pessoas que recuperaram a sensibilidade e a pureza. Temos que voltar a aprender a linguagem das pedras, árvores e montanhas. Direção: Carlos Eduardo Magalhães Outros: Imagens adicionais: Krunal Padhiar Elenco: Inka Lekumberri Contato: Carlos Eduardo Magalhães Vieira de Aguiar - carloseduardo.mva@gmail.com

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quando não tenho nada pra fazer, tenho que cantar, e quando não tem música, eu chamo mario travassos. deus o abençoe, pois ele compôs esta canção, e então agora eu posso cantá-la. Direção: Chico Serra Outros: Fotografia: Christian Buratto, Chico Serra, Marcio Abi Ramia Elenco: Mario Travassos, Chico Serra, Leo Alves Contato: Chico Serra chicoserra@hotmail.com


MÉNAGE LITERÁRIO: UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A ESCRITA DE JACQUES FUX

Rodrigo Lopes de Barros // Trilha sonora: João Verbo // Figurino: Gustavo Machado, Jacques Fux, Maria Eduarda de Carvalho. Elenco: Performances: Gustavo Machado, Jacques Fux, Maria Eduarda de Carvalho Contato: Rodrigo Lopes de Barros rlpsbarros@gmail.com

Uma mulher comendo um churro. Algo banal se não fosse capturado pelo olhar voyeurístico de um escritor (Jacques Fux), que observa tal acontecimento como uma “experiência religiosa”. Mas ele não se contenta em vislumbrar o “espetáculo” sozinho: convida deliberadamente seu cânone – Charles Baudelaire, James Joyce, David Foster Wallace, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Susan Sontag, Marcel Proust, Michel Foucault, Fernando Pessoa, Jacques Prévert, Roland Barthes – a interpretar os gestos daquela “musa” do “bom dia”. Porém, diante de sua sórdida criação, o escritor acaba sendo entrevistado por sua própria personagem num filme que busca os limites do documentário.

RUÍDO

RJ, 2017, 14min

Direção e Edição: Rodrigo Lopes de Barros Outros: Produção: Maria Eduarda de Carvalho, Rodrigo Lopes de Barros // Roteiro: Jacques Fux, Maria Eduarda de Carvalho, Rodrigo Lopes de Barros // Feito a partir do conto “Ménage à Trois”, de Jacques Fux, com Apropriações desde: Carlos Drummond de Andrade, Charles Baudelaire, David Foster Wallace, Fernando Pessoa, Jacques Prévert, James Joyce, Susan Sontag, Roland Barthes // Performances: Gustavo Machado, Jacques Fux, Maria Eduarda de Carvalho // Narração: Gustavo Machado // Fotografia: 128 | MƒL 2018

MG, 2017, 14min Viagem à Bahia, 10 anos depois Direção e Fotomontagem: Gabraz Outros: Fotos: Alice Sanna Elenco: Caetano Veloso Contato: Gabriel Sanna Sannagabriel@gmail.com


O site Curta o Curta é o pioneiro na exibição de filmes na internet brasileira, desde 2000. A parceria com a MFL vem desde sua primeira edição, em 2002, quando usou do site para se divulgar, bem antes de YT, zaps e faces da vida. Por vários anos a MFL usou da estrutura do CoC para receber as inscrições de filmes, antes de criar seu próprio sistema, em 2006. Assim, com alegria que mais uma vez faremos na MFL uma sessão especial Curta o Curta, com filmes convidados especialmente para a ocasião!

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Curta o Curta 41min CCBB RJ - Cinema 1 - Segunda, 2/4, 17h

O POETA DE LUMIAR RJ, 2018, 15min

Flávio Nascimento foi precursor da poesia de rua performática carioca, junto com Tavinho Paes, Chacal e muitos outros da geração 80. Entre a boêmia da Lapa e o vilarejo bucólico de Lumiar, o poeta conta sua própria história com muita música, poesia e gargalhadas. Direção e montagem: Pedro Kiua Outros: Fotografia: Pedro Kiua, Eduarda Serra, Amanda Gil // Som e Trilha Sonora: Mauricio Barreto, Estúdio Escola Música Livre // Produção: Marize Sevilha, Mauricio Barreto, Guilherme Whitaker, Eduarda Serra, Amanda Gil, Almir Gomes, Carina Ducos Elenco: Flávio Nascimento, Maurício Barreto, Cátia de França e grupo Teatro de Anônimo. Contato: Pedro Kiua pedrokiua@gmail.com

WOODGREEN RJ, 2017, 11min

Soho N’a é um jovem emigrante guineense a viver em Londres. Vive uma crise matrimonial e decide ir à procura de uma solução obscurantista no Brasil. Na viagem fica perdido numa ilha durante dez dias, mas com a câmera do telemóvel conseguiu registar parte dessa viagem que lhe trouxe efeitos inesperadas ao regressar a casa. Direção, Argumento, Dir. Fotografia, Som Direto, Imagem, Montagem e Edição: Welket Bungué Elenco: Welket Bungué, Felipe Drehmer, Miguel Pinheiro Contato: Welket Bungué welkett@hotmail.com

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ABISMO RJ, 2017, 15min

Juvenal acaba de se tornar porteiro de um edifício. Quarenta anos se vão e Juvenal continua lá como se o tempo não tivesse passado. O interfone toca e um morador o solicita para resolver algum problema. Juvenal sobe deixando a portaria por um instante vazia e chegando no apartamento, ninguém atende. Juvenal tenta voltar para seu posto mas não consegue. O elevador não o obedece e as escadas o enganam. Prisioneiro daquele edifício, Juvenal, enfim, entende o misterioso chamado. Direção e Roteiro: Ivan de Angelis Outros: Produção: Ana Luiza de Angelis // Fotografia: Pablo Rossi // Arte: Michele Marques // Som: Bruno Calheiros // Montagem: Ivan de Angelis // Assistente de direção: Lua Ebisawa // Assistente de produção: Angélica Xavier // Assistente de fotografia: Artur Bravo // Trilha sonora: Rafael Vieira e Fernando Teixeira. Elenco: Jurandir de Oliveira, Everton Lira Contato: Fazcine fazcinecontato@gmail.com

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EM MEMÓRIA José Ulivan, também conhecido como Caramujo, nasceu em Pernambuco em 22 de janeiro de 1949 e veio ainda menino para a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Cresceu na periferia e logo tomou para si o jeito carioca de ser. Tocava repilique como poucos, participou de grupos de pagode e venceu por diversas vezes as disputas de samba enredo no Bloco Carnavalesco Coração de Éden, em São João de Meriti. Como todo artista independente, J. Ulivan precisava levar sustento para casa e tornou-se eletricista profissional. Um dos seus principais feitos, sempre dizia orgulhoso, foi ter participado da construção da Candelária e do Metrô. Sempre vivendo no mundo do samba e como eletricista, J. Ulivan aposentou-se na década de 90. Mas como ele mesmo se intitulava artista de berço, prosseguiu fazendo arte. 132 | MƒL 2018


O ano era 2011, o cineasta meritiense Ricardo Rodrigues, amigo e parceiro de samba, percebendo a sua figura exótica, com seus cabelos compridos, fez um convite para fazer uma pequena participação em seu filme Enterro de Anão. E como ele mesmo dizia ser artista de berço, J. Ulivan deu conta do recado. E foi comemorando num bar o fim das gravações do filme, J. Ulivan, Ricardo Rodrigues, Vitor Gracciano, Fernando Silva e Kaado Pinheiro, fundaram o Cinema de Guerrilha da Baixada. Naquele mesmo dia, num clima de euforia e experimentação, filmaram dentro do Bar da Sopa, o curta A Dona Irosnildes e não pararam mais. Semana seguinte no mesmo bar, filmaram O Nome da Mãe. Depois Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano decidiram criar uma web série usando o bar como cenário. Para rimar com pé sujo, Ricardo Rodrigues criou o personagem Caramujo, dono do bar. E o apelido não saiu mais no ator J. Ulivan. A web série Caramujo e Seu Pé Sujo não durou dois episódios. O coletivo foi expulso do Bar da Sopa por estar atrapalhando a venda e a circulação dos fregueses. Mas Caramujo tinha uma birosca na porta de sua casa e o grupo se mudou para lá. Na porta de sua birosca Caramujo fez da sua casa, um dos principais pontos de cultura de São João de Meriti, onde foram realizadas a produção e a realização de muitos filmes do Cinema de Guerrilha da Baixada, oficinas de cinema e, 133 | MƒL 2018

principalmente, a criação do Cineclube de Guerrilha, de 2014 a 2016, com exibições mensais de filmes do cenário independente. Com os inúmeros trabalhos realizados no CGB, J. Ulivan tronou-se ator profissional, roteirizou filmes como o premiado Pesque e Pague, uma crítica social depois que um idoso caiu num buraco aberto pela prefeitura, dirigiu o filme Quero Ir Pra Casa, que mostra as peripécias de um bêbado para chegar em casa depois da farra do carnaval. Neste curta, Caramujo atuou sem roteiro algum, tudo da sua cabeça e na hora da gravação, se dirigiu. Caramujo foi peça fundamental para o Cinema de Guerrilha da Baixada. Participou de 28 curtas, como ator, diretor, roteirista e também produtor. Os filmes participaram de mais de 400 festivais e mostras de cinema por todo o Brasil e no exterior, com diversas premiações. Antes de falecer, no dia 4 de junho de 2017, Caramujo ainda teve fôlego para realizar um último sonho. Deixou um CD de samba finalizado, com direito a clip, dirigido pelo ex-aluno Raslan Benvenuto. A Mostra do Filme livre 2018 presta uma justa homenagem ao J. Ulivan, com a Sessão Especial Caramujo, mostrando 12 curtas e um clip, com 88 minutos de uma carreira marcada pela energia de quem nunca colocou nenhum empecilho para realizar a sua arte. Cinema Guerrilha da Baixada


C∆Я∆mujØ 91min CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 24/3, 16h

O NOME DA MÃE RJ, 2011, 6min

Amigo quer provar para outro que está bêbado, perguntando se ele sabe responder o nome de sua mãe. Direção: Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano Outros: Produção: J. Ulivan // Roteiro: Ricardo Rodrigues // Edição: Vitor Gracciano

A DONA IROSNILDES RJ, 2011, 2min

Anão tira satisfação com o colega de escola de sua mulher, a Dona Irosnildes. Direção e Roteiro: Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano Outros: Edição: Vitor Gracciano // Produção: J. Ulivan Elenco: Fernando Silva, Kaado Pinheiro e J. Ulivan Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

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Elenco: J. Ulivan, Ricardo Rodrigues e Fernando Silva Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com


PESQUE E PAGUE RJ, 2011, 4min

Sátira crítica social de uma pescaria inusitada num buraco da cidade. Direção: Ricardo Rodrigues Outros: Produção e Roteiro, J. Ulivan // Edição: Vitor Gracciano // Fotografia: Raslan Benvenuto Elenco: J. Ulivan, Fernando Silva e Vitor Gracciano Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

O HOMEM SEM UMBIGO RJ, 2011, 7min

Caramujo, dono de uma birosca, conversa com um cliente cachaceiro e explica o drama de como perdeu seu umbigo quando era eletricista. Direção: Ricardo Rodrigues Outros: Roteiro: Improvisado // Fotografia e Edição: Vitor Gracciano // Produção: J. Ulivan Elenco: J. Ulivan E Kaado Pinheiro Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

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220 v

RJ, 2013, 5min Homem fica parado olhando para cima, despertando a curiosidade de quem passa. Direção: Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano Outros: Produção: J. Ulivan // Edição, Montagem e Fotografia: Vitor Gracciano // Roteiro, Ricardo Rodrigues Elenco: J. Ulivan, Kaado Pinheiro e Ricardo Rodrigues Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

O CHATO QUE VOLTOU DO SAMBA RJ, 2012, 6min

Bêbado volta do samba e amanhece na birosca do Caramujo para continuar bebendo. Direção: Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano Outros: Roteiro: Leonardo de Assis // Fotografia e Edição: Vitor Gracciano Elenco: J. Ulivan, Ricardo Rodrigues e Leonardo de Assis Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

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INSIGHT RJ, 2014, 7min

Jovem confunde-se entre realidade e ilusão, sonhos e pesadelos, onde, num mundo capitalista, as aparências são mais importantes do que ser feliz. Direção: Thuayni Campos, Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano Outros: Produção: J. Ulivan // Fotografia: Jon Tomaz // Trilha Sonora: Leo Peixe // Edição: Vitor Gracciano // Roteiro: Thuainy Campos Elenco: Thuayni Campos Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

O PERDÃO RJ, 2014, 5min

Jovem abandona a sua filha debaixo de uma passarela. Arrepende-se e corre desesperadamente para resgatá-la. Direção: Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano Outros: Produção: J. Ulivan // Roteiro: Ricardo Rodrigues // Trilha Sonora: Panga Jaz // Edição e Montagem: Vitor Gracciano Elenco: Thuayni Campos Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

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O TRISTE FIM DE HERIVELTON RJ, 2015, 15min

Herivelton é mulherengo e não perde um rabo de saia por nada nesta vida. Nem morto. Direção: Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano Outros: Produtor: J. Ulivan // Roteiro: Ricardo Rodrigues // Fotografia: Raslan Benvenuto // Edição: Vitor Gracciano Elenco: Diogo Picchi, Leandro Santanna, Carol Nobre, Cristiana Carvalho. Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

AÇOUGUEIRIAL KILLER RJ, 2016, 2min

Clip poético dentro de um açougue, onde a açougueira fala sobre o drama da mulher gorda. Direção e Roteiro: Leticia Brito Outros: Fotografia e Edição: Vitor Gracciano // Produção: J. Ulivan e Ricardo Rodrigues Elenco: Leticia Brito Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

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QUERO IR PRA CASA RJ, 2014, 18min

As peripécias de um bêbado para chegar em casa depois do carnaval. Direção, Roteiro e Produção: J. Ulivan Outros: Edição: Vitor Gracciano Elenco: J. Ulivan, RR Santos, Dentinho. Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

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CARAMUJO ENTREVISTA NO BAR DA SOPA RJ, 2017, 10min

Caramujo, dono de uma birosca em São João de Meriti, tira um dia de folga para entrevistar os fregueses dos bares da cidade. Direção, produção, roteiro: J. Ulivan Outros: Fotografia: Bruno Rangel // Edição: Vitor Gracciano Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com


DEIXA-ME IR RJ, 2017, 4min

Clip de música inédita de J. Ulivan, o Caramujo, filmado em sua birosca, onde funcionava o cineclube de guerrilha. Direção: Raslan Benvenuto e Marcos Lamoreux Outros: Fotografia: Raslan Benvenuto, Marcos Lamoreux, Kaique Matheus // Edição: Logan. Elenco: J. Ulivan Contato: Ricardo Rodrigues cinemadeguerrilhadabaixada@gmail.com

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VOCÊ SABE O QUE É CHORUME¿ CHORUME É O SUCO DO LIXO. MAS CHORUME É TAMBÉM 1 NOME CARINHOSO DAQUELA OBRA PRIMA SINCERA, SEM FIRULAS, GRAVEMENTE CARENTE EM ORÇAMENTO, UMA DESGRACINHA CASEIRA, UMA BRINCADEIRA GOSTOSA, UM VIRAL SEM SUCESSO, UM EXPERIMENTALISMO AMADOR COM MUITO AMOR SEM NENHUMA PRÈTENSÃO MERCADO-CRENTEGÊNICA. O FESTIVAL VISA COLOCAR EM FOCO E DEBATE ESSAS PRODUÇÕES Q POR MUITAS VEZES SÃO MARGINALIZADAS E RIDICULARIZADAS PELOS CIRCUITOS DOMINANTS, NÃO CONSIDERADAS COMO CINEMA/ARTE, OU Q SIMPLESMENTE AINDA NEM SAIRAM DA GAVETA DE NOSSOS C0MPUTADORES PQ NÓS MSM DESPREZAMOS TAL DESGRAÇA. DESDE 2O15 O FESTIVAL REALIZA ENCONTROS E EVENTOS EM Q REALIZADORS, ARTIXTAS, AMADORES, AMANTES, ESTUDANTES, CRIANÇAS, DEBUTANTES, GERONTOS, ROBÔS E NÓIAS DE DIVERSAS LAIAS E LUGARES DO BRASIL E EXIBEM E CONSOMEM ESSAS OBRAS, TROCAM EXPERIÊNCIAS E SE RELACIONAM COM ESSA FARRA TODA 142 | MƒL 2018

DE FORMAS QUE NÃO PODERIAM SER FEITAS EM CIRCUITOS TRADICIONAIS DE EXIBIÇÃO PQ SEMPRE TUDO É ENGESSADO A REGRAS, BUROCRACIAS E MIMIMIS INDUSTRIO-INSTITUCIONAIS Q NÃO PERMITEM NADA.. AQUI NÃO HÁ CURADORIA DE SELEÇÃO, SIMPLESMENTE ACEITAMOS E DAMOS UM JEITO DE PASSAR TODOS OS FILMES RECEBIDOS (salvas exceções a filmes preconceituosos e desrespeitosos). NESTA SESSÃO FIZEMOS UMA CURADORIA ESPECIAL À CONVITE DA MFL ~ [[COM CERCA DE 400 FILMES INSCRITOS EM NOSSO ACERVO DAS VÁRIAS 9 EDIÇÕES QUE JA TEVE O FESTIVAL AO REDOR DO BRASIU]] ~ ESCOLHEMOS 15 PARA COMPOR ESSA SESSÃO COMO UMA ESPÉCIE DE PANORAMA BÁSICO DO QUE É VISTO NESTE FESTIVAL QUE É UMA ALEGRIA E TAMBÉM UMA DISGRAÇA. PODE COLAR QUE É SUCESSO, SÓ FILMEE DES RESPEITO A FAMÍLIA BRASILEIRA. PRA (SABER//VER) + Página do Facebook tem que acabar https://www.facebook.com/chorumex Página de disponibilização dos filmes pra download; https://archive.org/details/@festival_de_ chorume FESTIVAL CHORUME


CĦØЯumΞ 52min CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 25/3, 16h SESSÃO SEGUIDA DE DEBATE CCBB SP - Cinema - Sexta, 30/3, 17h CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 7/4, 18h10 CCBB DF - Cinema - Domingo, 20/5, 17h

A INVASÃO DOS MORTOS SP, 2006, 5min A TERRA FOI INVADIDA POR ZUMBIS Direção: Sofócles Bolówsckizziyck Outros: Sofócles Bolówsckizzick e seus amiguinhos. Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

EXPERIÊNCIA DE PICO RJ, 2017, 4min NAO SEI Direção: Clara Chroma Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

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O URSINHO FRÁGIL SP, 2007, 1min nao sei

FILME A VINGANÇA DOS GALHOS AMALDIÇOADOS RJ, 2004, 3min NAO SEI Direção: Lua Guerreiro Outros: Lua Guerreiro e seus primos Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

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Direção: Rafael Mendes Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com


SANGRIA LA CUZINA RJ, 2013, 3min NAO SEI Direção: Pedro de Chirico Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

O ESCROTONNE 2 SP, 2011, 6min uma homenagem a SP Direção: Lucas Slater Outros: Lucas Slater, Izolan, Vittorio, Mestre Jou, Bira, Laís, Lara Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

COMISSÃO DE OBRA TERRORISTA E A MULHER SELVAGEM COMBATEM O FASCISMO À ESPREITA RJ, 2017, 4min NAO Direção: Bia Praça Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com 145 | MƒL 2018


RASCUNHOSO PERPETUANTE RJ, 2017, 5min NAO SEI Direção: Sophi Saphirah Elenco: Sophi Saphirah Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

FELIZ NATAL ES, 2015, 2min NAO SEI Direção: Renato Miranda Outros: NAO SEI Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

SAVE THE FOOD RJ, 2015, 6min NAO SEI Direção: Mayla e Keisy Lochary Outros: Direção: Mayla Roteiro: Keisy Lochary Elenco: Mayla e Keisy Lochary Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

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UMA CÂMERA NA MÃO RJ, 2015, 5min NAO SEI Direção: Rafael Romão, Lucas, Simone Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

DELIRIUM TREMENS CE, 2016, 6min nao tem Direção: Orlok Sombra Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

SOUND OF MY DREAM RJ, 2016, 1min fritação dançante gostosinha Direção: Marco Van Night Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

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GrΛndξ SєrtãØ 58min CCBB RJ - Cinema 1 - Segunda, 26/3, 19h SESSÃO SEGUIDA DE DEBATE CCBB RJ - Cinema 2 - Domingo, 1/4, 18:20 CCBB SP - Cinema - Segunda, 9/4, 17h CCBB DF - Cinema - Quarta, 9/5, 18h30

RIOBALDO E DIADORIM MG, 2017, 58min

Na Fazenda Tamboril, o Grupo Miguilim conta a história do amor impossível entre dois guerreiros. As narrações trazem consigo os sons e as cores de Grande Sertão: Veredas, o romance de João Guimarães Rosa. Direção e Montagem: Anita Leandro Outros: Produção e realização: Anita Leandro e Dôra Guimarães // Recorte de textos e preparação do Grupo Miguilim: Dôra Guimarães // Direção de fotografia: Marta Leandro // Assistente de câmera: Walisson Queiroz // Som direto: Pedro Durães e Anita Leandro // Desenho de som e mixagem: Pedro Durães // Finalização: Frederico Benevides. Elenco: Alice de Souza, Ana Júlia Corrêa, Caio Ribeiro, Dôra Guimarães, Júlia Santana, Maria Eduarda Romanelli, Mariana Castro. Contato: Anita Leandro amatilde2010@gmail.com

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especial giban

EM MEMÓRIA 150 | MƒL 2018


MΞu λmigØ Gibδn Quando soube da sessão em homenagem ao Luiz, fiquei feliz com a delicadeza do gesto. Ao mesmo tempo, também fiquei preocupado, porque, como amigo próximo, me coube a tarefa de escrever um texto sobre ele. E não é nada fácil escrever sobre alguém tão querido que se foi há pouco tempo. Não há um número de caracteres que dê conta de uma vida. Não há palavras suficientes para abarcar uma personalidade tão transbordante. Mesmo assim, vamos lá. Nós começamos a ser amigos trabalhando juntos. Ele foi editor, ou melhor, montador (ele não ficaria nada feliz se fosse descrito como editor) de muitos trabalhos que fiz. E é sobre esta relação que quero falar. Nós dois numa ilha de edição. Ele era muito organizado e metódico em seu trabalho. Ele tinha uma visão de como as coisas deveriam funcionar. E, em geral, a visão dele era bem diferente da minha. Nós discutíamos muito. E não era fácil discutir com ele. Às vezes ficávamos horas argumentando. Mas nunca brigávamos. Eu nunca me aborreci com ele e, creio, que ele nunca tenha se aborrecido comigo. Talvez seja por isso que tenhamos ficado tão amigos. 151 ||MƒL MƒL2018 2018

Depois de debatermos nossas visões, o Giban montava um primeiro esqueleto do vídeo, ou filme que estávamos fazendo. Durante o primeiro corte eu o deixava trabalhar sozinho. Assim que ele terminava este primeiro corte, eu sentava ao lado dele e assistíamos juntos ao trabalho. Geralmente, eu pedia algumas mudanças e começávamos novamente uma longa discussão por conta das mudanças. Escrevendo sobre este processo, parece que era chatíssimo, aborrecido e complicado. Mas não era. Pra mim, aí estava a magia do Giban. Discutir, debater, conversar com ele era muito divertido. Mesmo quando não parecia divertido. E quando ele se foi eu perdi o meu grande amigo, excelente profissional e montador. E eu perdi também este ótimo interlocutor que me questionava e me fazia refletir mais, ir mais fundo nas questões, ir no cerne do trabalho e, por que não, da vida. É muito esquisito usar os verbos no passado para falar dele. De algum modo, ele ainda está aqui. Ainda mais com esta homenagem. Giban, presente! Davi Kolb


luiz GibΛn 54min CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 14/4, 20h

EM BUSCA DA TERRA SEM MALES

RJ, 2017, 15min Na mitologia Guarani, Terra sem males é o lugar onde os índios, enfim, encontram a paz. Nos arredores da cidade do Rio de Janeiro, um grupo indígena sem terra ergue uma pequena aldeia chamada Ka´aguy hovy Porã, Mata Verde Bonita. Ali, crianças crescem entre as antigas tradições, como a língua Guarani, e a cultura das grandes cidades contemporâneas, como o rap. Mas sempre sob a tensão de um dia surgir “os donos da terra” e o eterno pesadelo de, outra vez, terem que sair em busca da terra sem males. Direção, Produção e roteiro: Anna Azevedo Outros: Direção de Fotografia: Vinícius Brum // Montagem: Nina Galanternick // Assistente de Montagem: Luiz Giban // Sound Design: Rodrigo Maia // Sound Mixer: Damião Lopes // Assistente de Direção: Ludmila Curi // Produção Executiva: Joyce Scavoni // Coprodução: Cavi Borges Direção: Anna Azevedo Contato: Anna - annaazevedo@gmail.com

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32 DENTES RJ, 2015, 19min

A felicidade também é inevitável. Direção: Davi Kolb Outros: Roteiro: Alexandre Sivolella, Alvaro Furloni, Davi Kolb e Lígia Diogo // Fotografia: José Eduardo Limongi // Arte: Patrícia Ramos // Montagem: Luiz Giban // Som direto e edição de som: Rodrigo Maia // Direção de Produção: Raquel Stern Elenco: Silvio Guindane, Keli Freitas, Carol Duarte, Anderson Alves de Souza, William Nunes, Joanne Victória S. Assunção Contato: Davi Kolb davi@segundafeirafilmes.com.br


MATINÊ

MARINA

Rio de Janeiro/RJ. Bairro do Grajaú. Dezembro de 1992. Mário tem 12 anos e vai a sua primeira festa à noite. Mas Mario não sabe ainda o que lhe aguarda.

Década de 1970. Um filme sobre perda e esquecimento.

RJ, 2017, 13min

Direção e Roteiro: Davi Kolb Outros: Produtor Executivo: Alexandre Sivolella // Direção de Produção: Raquel Stern // Edição de Som: Ale Borges // Figurino: Giovanna Misquey // Direção de Arte: Patrícia Ramos // Diretor de Fotografia: Guilherme Francisco // Trilha Musical: Nirvana, Leandro e Leonardo, Kenny G // Montagem: Luiz Giban Elenco: Felipe Machado, Giovanna Beltrami, Amanda Orestes, Gabriel Toledo Contato: Alexandre Sivolella melina@segundafeirafilmes.com.br 153 | MƒL 2018

RJ, 2013, 7min

Direção, roteiro e montagem: Luiz Giban Outros: Direção de Fotografia: Guilherme S. Francisco // Direção de Arte: Fernando Átila e Mariana Jannuzzi // Edição de Som e Mixagem: Jesse Marmo // Direção de Produção: Ana Carolina Moura // Trilha Sonora: Tiago Rosas e Thiago Sobral // Assistente de Arte: Luisa Mello // Assistentes de Produção: Ana Carolina Bolshaw, Glaucia Santiago, Mayara Del Bem Guarino, Renato Acácio e Yasmin Motta. Elenco: Thais Inácio Thales Coutinho Contato: Davi Kolb davi@segundafeirafilmes.com.br


Ξspξciδl HíbridØs Øs ΞspíritØs dØ BЯδsil

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Os espíritos do Brasil e a diversidade de expressões de fé em Híbridos Híbridos, os Espíritos do Brasil é um documentário experimental, de cunho etnográfico, como veremos adiante, que se compromete a revelar, desde o título, as múltiplas e diversas formas de religiosidades praticadas no Brasil. Dirigido por Vincent Moon e Priscilla Telmon, o acerto do filme reside no fato de que, ao relacionar o hibridismo à pluralidade de expressões religiosas vistas no Brasil, os autores acabam revelando que, mesmo nas suas especificidades e particularidades, cada uma dessas expressões pode conter elementos muito familiares a uma outra ou a muitas outras expressões. É essa, certamente, a motivação para a escolha do título, que, apesar de ser expressão cara e pouco simpática à Antropologia, junto com o conceito de sincretismo, tem sido conceito recorrente nas muitas interpretações do Brasil e da sua cultura. O subtítulo, entretanto, é mais esclarecedor, já que revelas os muitos espíritos do Brasil e dos brasileiros. O hibridismo, nesse sentido, residiria na tradução da religiosidade brasileira, sobretudo, a religiosidade popular brasileira, como resultante de uma “amálgama sincréti155 | MƒL 2018

ca” (para abusar de termos tão “provocadores” para os estudos de cultura e religião), que congrega os mais diversos traços das mais distintas expressões religiosas. Um caldeirão de espiritualidades. Exemplo disso pode ser visto nas múltiplas manifestações religiosas de matriz africana praticadas no Brasil, que não são, objetivamente, africanas, mas, africanas no Brasil ou, para ser menos redundante, afro-brasileiras. Com 1h25min de duração, a narrativa do filme é conduzida por uma câmera volante e movediça, que, mesmo quando age lentamente, adentra os mais diversos universos religiosos, a fim de revelar não propriamente a religião, mas, tão somente, a participação religiosa, o momento em que nós brasileiros das mais diversas origens de classe, de raça, de etnia e de regionalismos exercitamos nossa fé e alimentamos nossas espiritualidades. Não há diálogos no filme. Os únicos áudios ali presentes dizem respeito aos sons do ambiente – ao barulho da floresta, aos cânticos entoados, às músicas tocadas, às conversações com o divino. Isso poupa o espectador


das recorrentes entrevistas e comentários (em off ou como registros de falas) que, normalmente, constroem os documentários, sobretudo os de cunho etnográfico. O texto, aqui, é propriamente a imagem. Tudo isso dá um tom experimental ao documentário, mesmo que possa ser classificado dentro da categoria documentário etnográfico. É experimental, pois abole a narrativa clássica e óbvia, optando por um projeto audiovisual que muito se aproxima do proposto por Hubert Fichte com sua etnopoesia[2]. Mas, também, é etnografia, já que adentra universos desconhecidos, desvela estranhamentos, a fim de registrar, de modo inovador, mas, não menos descritivo, tanto a cultura material como a cultura simbólica dos grupos retratados. Em Híbridos, temos uma etnografia construída com base nas imagens, nas rezas e conversas com o divino, pura e simplesmente. O interesse da obra é captar o momento em que nós, reles mortais, habitantes desse

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mundo cão de meu deus, daqui, do plano do ordinário, nos relacionamos com o mundo extraordinário. Os povos da floresta fazem isso muito bem, como bem retrata o filme. Mas, Híbridos também mostra que o homem da cidade, ocupante da complexa realidade urbana, não fica atrás. Os terreiros e igrejas retratadas nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, são referências em termos de promoção das religiosidades em sociedades ditas complexas. Me lembro, por exemplo, do terreiro de candomblé comandado pela ialorixá Omindarewá, francesa e mãe de santo radicada no Rio; e do terreiro de Umbaidame, comandado pela Mãe Baixinha, maranhense e líder espiritual também radicada no Rio. As duas lideranças religiosas, nesse sentido, são bastante representativas do que, aqui, os diretores chamam de Híbridos. Ao se propor registrar o invisível, isto é, as relações do humano com a espiritualidade, o documentário viaja pelas muitas musicalida-


des que promovem a ligação entre o mundo ordinário e o mundo extraordinário, o mundo visível e o mundo invisível, a realidade objetiva e o mundo subjetivo. Por isso, Híbridos também é importante registro de musicalidades e um excelente acervo de materiais enriquecedores para pesquisas com base na etnomusicologia. O filme viaja pelas mais diversas regiões do país e, nesse sentido, pelas mais distintas formas e modos de religiosidades (populares) brasileiras. Mesmo quando apresenta expressões de fé em ambientes profanos, essas não deixam de ser menos sagradas, já que envolvem ritualísticas de purificação e de comunicação com o divino e o extraordinário, a fim de que o evento ritual, religioso ou não, transcorra sem problemas. Esse, o caso do Bumba Meu Boi, no São João maranhense, ou do Maracatu, no carnaval pernambucano. 157 | MƒL 2018

O documentário retrata, ainda, a Festa de Iemanjá, em Salvador; o Réveillon e a devoção à Iemanjá no Rio de Janeiro; o Feitio do Santo Daime; um ritual de cura no Terecô maranhense; os passes num centro espírita kardecista; um ritual tântrico; o jogo de búzios; um ritual neopentecostal no Monte Escada de Jacó, situado num subúrbio do Rio de Janeiro; uma visitação de Congado a uma igreja secular nas Minas Gerais; uma festa de Xambá pernambucano e, de modo esplêndido e pouco familiar para nosotros, brasileiros urbanos, os rituais mágicos feitos pelos povos da floresta; nesse caso, três populações indígenas situadas no Mato Grosso e no Acre. São todas manifestações de fé e de espiritualidade, que envolvem rituais mágicos e religiosos, a fim de estabelecer comunicação entre os planos ordinário e extraordinário – essa a ideia de religare, de onde provém o sentido de religião.


O filme também é formado por um conjunto de belíssimos registros de imagens, coloridas, porém, serenas, que volta e meia provocam algum tipo de emoção no espectador. O poder das imagens, nesse caso, é fortalecido pela potência das manifestações de fé (como no espetacular Círio de Nazaré, em Belém do Pará), ainda que o branco das vestimentas dos fiéis prevaleça em muitas das manifestações retratadas.

nos aproxima – e que, não necessariamente, nos afasta.

A trilha sonora e os resíduos e fragmentos de áudio também são importantes elementos para provocar comoção no espectador, no momento em que alimentam o sentimento de participação nessa ou naquela outra manifestação religiosa.

por Ricardo Oliveira de Freitas[1]

A obra, que teve lançamento mundial no final de 2017 e que será lançada no Brasil em março de 2018, é resultado de um projeto de três anos, que, além do documentário, propriamente, reuniu um tanto de registros de vídeos e imagens num belo portal na Internet[3]. A produção faz importante homenagem ao Brasil e aos brasileiros, aos nossos antepassados e às nossas ancestralidades, ao lembrar ao mundo que o Brasil, parafraseando Félix Guattari[4], é um grande laboratório da pós-modernidade, já que reúne as mais diversas expressões de fé e manifestações religiosas, que congregam tradição e modernidade, campo e cidade, rural e urbano, profano e sagrado, colocando o país no patamar das nações mais religiosas do mundo. Por fim, Híbridos também presta importante serviço ao mostrar para o mundo, e para os brasileiros, o que essas expressões de fé e essas manifestações religiosas, praticadas Brasil afora, têm em comum, o que aproxima essas muitas espiritualidades e, num certo sentido, 158 | MƒL 2018

Num momento em que tanto se debate a aceitação da diferença, o reconhecimento da diversidade e o combate à intolerância religiosa, o filme é material para ser devidamente reproduzido e assistido.

---[1] Professor Titular, Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Doutor em Comunicação e Cultura – UFRJ. [2] FICHTE, Huber. Etnopoesia: antropologia poética das religiões afro-americanas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987. [3] Disponível em: <http://hibridos.cc/po/>. Acesso em: 15 de fevereiro de 2018. [4] GUATTARI, Félix. (1999), “Da produção de subjetividade”. In: A. Parente (ed.). Imagem Máquina. Rio de Janeiro: Editora 34. 3a ed.


HÍBRIDOS 88min

CCBB RJ - Cinema 1 - Quarta, 28/3, 18h30 CCBB SP - Cinema - Quarta, 4/4, 19h CCBB DF - Cinema - Terça, 24/4, 19h SESSÕES SEGUIDAS DE DEBATE

HÍBRIDOS OS ESPÍRITOS DO BRASIL

RJ, 2017, 88min

Híbridos, Os Espíritos do Brasil desvela um dos maiores assuntos da nossa geração - a espiritualidade está em voga em nossa sociedade atual e o seu epicentro é o Brasil. Desde a maior procissão católica do mundo a um desconhecido ritual indígena no Mato Grosso, desde cerimônias de cura em centros espíritas a rituais avant-garde com ayahuasca no Rio

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de Janeiro, o filme revela os laços fraternos entre curandeiros, xamãs, místicos, devotos e iniciados. Esta aventura é uma meditação, uma jornada musical. Sem comentários e sem entrevistas, o filme vai de um ritual para o outro tecendo aos poucos e meticulosamente, um novo ritual - um ritual cinematográfico. Direção, Produção, Imagens, Som e Edição: Priscilla Telmon & Vincent Moon Outros: Produção: Fernanda Abreu Contato: Feever Filmes abreufernanda@gmail.com


ESPECIAL Jorge O Mourão ARCHIVOS IMPOSSIBLES BY MOURÃO EM SESSÃO EXTRAORDINÁRIA NA MFL A MFL apresenta uma sessão de curtas radicalmente experimentais do artista plástico, cineasta superoitista, escritor e jornalista Jorge O Mourão. São quatro filmes que compõem os “Fab Four” dos ARCHIVES IMPOSSIBLES by Mourão, e um episódio realizado em 2010 por Clovis Molinari Jr. dentro da série documental Super8 - Tamanho também é Documento, exibida pelo Canal Brasil, que mergulha na obra de Mourão e traz uma irreverente campanha de reocupação cultural de L.O.F.T. da Lapa, galeria alternativa e espaço de intensa agitação cultural e política ocupada por Mourão e colaboradores entre 1975 e meados da década de 80. Estes filmes super 8 de Mourão, produzidos entre 1977 e 78, são uma espécie de tetralogia da libertação do corpo em tempos sombrios, realizados em parte no Rio de Janeiro (A Pátria, Brasil 1.872.000 Minutos…) e em Nova York (Costumes da Casa, Shave & Send), e apresentam uma proposta híbrida entre filme e performance, documentário e manifesto audiovisual. As performances desconcertantes de Shave & Send e Costumes da Casa (a 161 | MƒL 2018

depilação do corpo nu, a ressonância do sexo quase explícito) revelam situações inusitadas, parte documental, parte atuação / catarse / provocação, sem nenhum tipo de pudor. No campo da experimentação corporal apresentado nestes filmes, o próprio corpo do realizador é o objeto máximo a ser revolucionado. Shave & Send é apresentado em três atos, mudos (em algumas ocasiões o filme foi exibido com trilha sonora e performances improvisadas ao vivo pelo próprio cineasta) e extremamente viscerais, encarados por Mourão com a premissa de contrabandear os próprios pelos pubianos infectados por piolhos e enviá-los por correio para seus compatriotas, enquanto Costumes da Casa nos revela “o tesão resistente ressoando em coito interrompido por um telefonema e logo retomado apesar do horror das imagens como o retomávamos sempre ao vivo para permanecermos vivos”, segundo o próprio Mourão. A Pátria e Brasil 1.872.000 Minutos/Noves Fora? são visões “de dentro” do L.O.F.T. da Lapa, que ao longo de 10 anos, segundo o


realizador, conseguiu “arredondar a piração de uma chegada fugida (dos EUA para o Brasil) e transformá-la em arte”. Entre a ditadura agonizante mais ainda atuante e o “lento e gradual” processo de anistia e a abertura política, a política nos filmes de Jorge O Mourão está na libertação dos atos cotidianos, na realização totalmente livre de suas obras, sem nenhum compromisso com um cinema convencional, filmados com liberdade total (dentro da “implacável jornada dos imprevisíveis movimentos contínuos”, como ele mesmo afirma em entrevista a Clovis Molinari) e montados diretamente na camêra, tática de guerrilha adotada por pouquíssimos realizadores experimentais no Brazyl. Preparase para os ARCHIVOS IMPOSSIBLES!!! E veja com olhos livres.

JØrgΞ Ø MØurãØ 72min

CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 14/04, 18h30 CCBB SP - Cinema - Segunda, 02/04, 19h50

Chico Serra Produtor, pesquisador e ex-curador da MFL

COSTUMES DA CASA RJ, 1977, 9min

Um fio de emoção em contra-luz, o orgasmo acima e apesar da tortura. Direção: Jorge O Mourão Outros: Fotografia e câmera: Domingos Mascarenhas. Elenco: Jorge O Mourão e Teresa Brandão Contato: Jorge O Mourão mourao@trancoso.com 162 | MƒL 2018


SHAVE & SEND RJ, 1978, 15min

O raspar total dos pelos infectados e contrabandeados para os EUA. Direção: Jorge O Mourão Outros: Arte, som e edição; Jorge O Mourão. Fotografia e câmera: Domingos Mascarenhas. Elenco: Jorge O Mourão e Teresa Brandão Contato: Jorge O Mourão mourao@trancoso.com

BRASIL 1.872.000 / NOVES FORA? RJ, 1977, 18min

O vômito da repressão, o banho invertido com o sabão do medo e a bucha da censura. Direção: Jorge O Mourão Outros: Fotografia: Jorge O Mourão // Som incidental: Walter Franco, Adelzon Alves, Tavinho Paes, Hino Nacional Brasileiro. Elenco: Christina King, Sonia Sometimes, Luccia Lince, Mari-Cum-I, Marcia Amiga, Cacique Juruna, Jorge O Mourão. Contato: Jorge O Mourão mourao@trancoso.com

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TRYLER. TRAILER. TRILHA RJ, 2010, 27min

Incursão nos ARCHIVOS IMPOSSIBLES do artista plástico, escritor, jornalista e cineasta alternativo Jorge O Mourão que apresenta seus trabalhos em super-8 realizados na década de 1970 e o L.O.F.T da Lapa que agitou a vida cultural no Rio entre 1975/1985. No filme é lançada campanha de reintegração de posse cultural do espaço.

A PÁTRIA RJ, 1977, 3min

O vômito da repressão, a escalada do medo e o banho em reverso. Direção: Jorge O Mourão Outros: Fotografia e elenco: Jorge O Mourão & San. Contato: Jorge O Mourão mourao@trancoso.com

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Direção: Clovis Molinari Jr. Outros: Edição: Terêncio Porto // Fotografia: Jorge O Mourão, Clovis Molinari e Terêncio Porto. Som: Bruno Espírito Santo. Trilha Sonora: Clovis Molinari e Terêncio Porto. Edição de som: Bernardo Gebara. Elenco: Jorge O Mourão Contato: Jorge O Mourão mourao@trancoso.com


ξspeciδl

NØssδ PØЯçãØ MulĦΞr A programação MFL 2018 do dia 06 de maio é uma celebração ao feminino em nosso cinema e em nossa sociedade intitulada “Especial Nossa Porção Mulher”. A programação está recheada de filmes produzidos e protagonizados por mulheres e homens que têm a temática do feminino e da igualdade de gênero como fio condutor de seus filmes.

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O tema da sessão foi inspirado no case de sucesso 12º Festival Taguatinga de Cinema que em 2017 teve como tema Nossa Porção Mulher com curadoria direcionada para obras que abordem, evidenciem e discutam valores femininos. A curadoria dessa sessão ficou a cargo das realizadores do Festival Taguatinga de Cinema, Adriana Gomes, Janaína André e Nina Rodrigues, que promoverão um debate sobre os temas após a sessão.


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Nossa Porção Mulher 55min

CCBB DF - Cinema - Domingo, 6/5, 17h30

ALMERINDA, A LUTA CONTINUA! DF, 2015, 9min

Resgate histórico da vida de Almerinda Farias da Gama, uma das primeiras militantes feministas brasileiras. Almerinda, a luta continua! Direção e Roteiro: Cibele Tenório Outros: Edição e Videografismo: Isabella Jannotti, Telena Teles // Edição de Som: Maíra Lemos // Imagens de arquivo: CPDOVC­ FGV // Imagens: Marcha das Mulheres, Mariana Leal, Gustavo Gomes, Isabele Araujo Contato: Cibele Tenório cibeletenorio@gmail.com 167 | MƒL 2018

IKINI

RJ, 2016, 8min Ikini é um filme sobre corpo e presença. Assim como a terra é marcada pelo tempo, cada corpo traz uma escrita invisível cravada na pele ao longo da vida. Ikini fala do feminino e suas conexões com a terra. Direção e Edição: Fernanda Rondon Outros: Direção fotografia: Daniel Leite // Som Direto: Zé Renoldi // Música: Diogo Vanelli // Produção: Mariana Seivalos // Mixagem: Nilo Romero // Color grading: Ari Marins Elenco: Eliana Carneiro Contato: Fernanda Rondon fernanda.rondon@gmail.com


SUSTENTO RN, 2016, 1min

Sustento é um rio de água rasa. Nele, se pesca da rua a casa, do que se é ao que se vê. É a correnteza que se vence a força, é a sutileza que se renova a cada maré.

CRÔNICAS DO MEU SILÊNCIO SP, 2016, 8min

Histórias que se cruzam. Silêncios que se reconhecem. Um manifesto sobre a violência contra a mulher retratado em três depoimentos baseados em situações cotidianas. Direção e Roteiro: Beatriz Pessoa Outros: Produção: Layla Lima e Maria Spector ­// Direção de Fotografia: Rodrigo Campos ­// Direção de Arte: Hellen Bataglinni //­ Montagem e Edição de Som: Maria Spector Elenco: Mary Rodrigues, Aline Pellegrine, Silvia Covas, Beatriz Pessoa Contato: Beatriz El Ghorayeb Da Veiga Pessoa - bia.gp@uol.com.br

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Direção, Imagens e Montagem: Sylara Silvério Outros: Roteiro: Catarina Santos e Sylara Silvério // Produção e Still: Keila Vieira // Arte gráfica: Silmara Rocha // Trilha Sonora Original: Larissa Paraguassu Contato: Sylara Silvério sylarasilverio@gmail.com


MUCAMAS SP, 2015, 15min

O documentário conta a história da vida de mulheres que são ou já foram empregadas domésticas, escancarando suas lutas e desigualdades. Ao centro, o enraizado pensamento da casa­grande sob a senzala e o discurso do ‘trabalho e desenvolvimento’ que garante a manutenção da lógica serviçal, de herança claramente escravocrata: preconceitos, classismos, distâncias, muros, pontes, remuneração, relações de poder, patroas, empregadas. Narrada pelas trabalhadoras, a Direção do filme é das próprias filhas e por isso propõe também uma importante reflexão sobre representatividade e a construção de narrativas populares. Pela soberania audiovisual em todas as periferias! Pela democratização dos meios de comunicação. 169 | MƒL 2018

Direção: Coletivo Nós, Madalenas Outros: Produtora: Coletivo Nós, Madalenas // Fotografia: Alicia Peres e Daniele Menezes // Som Direto: Elis Menezes // Produtora Executiva: Jaymarah Lays // Ass. Produção: Natalia Fava, Natalie Hornos, Fernanda Correa // Iluminação: Laura Guerreira // Direção de Arte: Fernanda Correa // Montagem: Ione Goncalves // Finalização e Cor: Barbara Almeida Trilha sonora: Hugo Américo, Ba Kimbuta ­// Marias Personagens: Jaidete Maria, Marildete Batista, Nilse Leandro, Regina Oliveira, Valdiedna França Contato: Fernanda Correia fernandacenografia@gmail.com


TRANSLÚCIDOS SP, 2015, 14min

Translúcidos narra a vida de pacientes presos em uma clínica de tratamento de disforia de gênero. Ali, transgêneros vivem a base de medicamentos e técnicas de aversão, fazendo um claro comentário sobre a presença de transgeneridade na Classificação Internacional de Doenças (CID). Direção e Roteiro: Asaph Luccas e Guilherme Candido Outros: Cenografista: Ananda Santos // Direção de Arte: Binho Oliveira // Direção de Produção: Caroline Santos Souza // Direção de Montagem: Guilherme Candido // Ass. de Figurino: Asaph Luccas // Cabelo e Maquiagem: Bianca Gama, Ingrid Lima, Luiz Martires // Cenografista: Lara Costa // Cenografia e Ass. Produção: Luanda Marques // Iluminação: Tatiane Ursulino // Cenografia: Thamires Almeida // Direção de Som: Vinicius Marques // Casting, Computação Gráfica: Vitória Neves. Elenco: Sabrina Huss, Wallace Ruy, Chris Fernandes, Giovanny Sellin Correia da Silva, Yala Hagen, Débora Araújo, Ubiracir Hagermann, Mariana Câmara, Vito Rotondo, Gabriel Soares, Ariana Lackshmi, Thiago Nobrega Contato: Guilherme Candido guilhermehurts@gmail.com

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Nossa Porção Mulher 2 80min

CCBB DF - Cinema - Domingo, 6/5, 19h SESSÃO SEGUIDA DE DEBATE

CLOSE

CE, 2016, 20min Jéssica, Suyanne, Bruna e Nathália estão detidas na Unidade Prisional, localizada em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza. Um espaço, várias histórias, a mesma esperança compartilhada por todas: resistir e lutar pelo fim do preconceito. Direção: Rosane Gurgel Outros: Roteiro: Rosane Gurgel, Helton Vilar // Montagem: Helton Vilar // Direção de Fotografia: Gerson Neto, Helton Vilar // Produção: Rosane Gurgel, Paula Brauner // Trilha Sonora Original: Victor Catrib // Som: Igor Martins, Fábio Xavier Contato: Rosane Gurgel rosanegurgel_16@hotmail.com

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OUROBOROS SP, 2017, 17min

Um pai se torna selvagem em busca de vingança, mas desconhece que, em seu próprio habitat, ele também é um animal. Direção e Roteiro: Beatriz Pessoa e Guilherme Andrade Outros: Produção Executiva: Guilherme Andrade // Direção de Fotografia: Paulo Fischer // Direção de Arte: Mariana Fernanda // Montagem: Maria Spector // Desenho de Som: Gabriel Silvestre // Finalização de Cor: Marina Franzolim // Assistente de Arte: Mayara Durães // Assistente de Fotografia: André Tashiro // Eletricista: Diogo Costa // Assistente de Produção: Lucimar Andrade, Roney Vieira // Maquiagem: Gabriela Sant’Anna // Trilha Sonora: Douglas Germano (“Maria De Vila Matilde”) Elenco: Bruno Costa, Fernanda Viacava, Juliana Lourenção e Igor Armucho. Contato: Beatriz Pessoa e Guilherme Andrade - guilhermeandrademdias@gmail.com


DO CORPO DA TERRA RJ, 2017, 23min

Do Corpo da Terra retrata como quatro mulheres do coletivo de saúde do MST mudaram suas vidas na relação com a terra e com seus corpos. Direção e Roteiro: Julia Mariano Outros: Assistente de Direção: Bernardo Vaz // Empresa Produtora: Fiocruz, MST // Produtores Associados: Aico | Noix Cultura | Praga Conexões | Trotoar // Produtor: Bernardo 172 | MƒL 2018

Vaz // Produção executiva: Bernardo Vaz // Fotografia: Léo Nabuco // Som direto: Camila Machado // Edição de som: Camila Machado // Montagem: Julia Bernstein Elenco: Julia do Rosário da Silva de Farias, Maria das Graças Silva Oliveira, Nelli Stellet, Marilza Campos das Neves Cruz, Luiza Maria da Silva Contato: Julia Mariano contato.noixcultura@gmail.com


TEKOHA SOM DA TERRA DF, 2017, 20min

Nossas mães lideram a retomada do Tekoha Takuara pelo nosso modo de ser e viver nhande reko. O agronegócio avança sobre corpos-­terras indígenas no Mato Grosso do Sul. A luta para recuperar as terras sagradas, a essência da vida na nossa cosmovisão. O luto pelo genocídio Kaiowa e Guarani no Brasil. Direção e Roteiro: Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron (Xamiri Nhupoty) Outros: Produção Executiva: Isadora Stepanski, Rodrigo Arajeju // Direção de Fotografia: Alan Schvarsberg // Som Direto: Camila Machado Ronin // 1º Assistente de Câmera: Pablo Le Roy // Coordenação de Produção: Isadora Stepanski (DF), Rodrigo Arajeju (MS) // Consultoria de Produção/ 173 | MƒL 2018

Pós­Produção: Alisson Machado // Assistente de Produção (MS): Natanael Cáceres // Assistentes de Som (MS): Claudistone Paulo Cunha, Verandyju Theo Veron // Logger: Pablo Le Roy, Rodrigo Arajeju // Edição: Sergio Azevedo // Trilha: Magda Pucci // Cantos: Nhandesys Kaiowa, do Tekoha Takuara Mimby (flauta Kaiowa), Nhanderu Leonel Lopes // Edição e mixagem de som: Mauricio Fonteles // Colorista: André Carvalheira // Projeto Gráfico: Bruna Daibert // Animação: Marcia Roth // Assessoria de Comunicação: Isadora Stepanski, Rodrigo Arajeju // Finalizadora: BASE Audiovisual // Realização: 7G Documenta // Coprodução: COMOVA // Patrocínio: Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Distrito Federal Elenco: Arami Veron, Valdelice Veron, Julia Veron, Carmen Cavalheira e Povo Kaiowa Guarani do Tekoha Takuara Contato: Rodrigo Arajeju rodrigo@7gdocumenta.com.br


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Das uber Zuppa Tantão Conhecer este Ser tão leve, entretanto, entrando pelo CEP 20.000, evento no Rio de Janeiro desde 1990, este Ser, com sua música eletrônica produzida em alta tecnologia. Algo muito simples em suas mãos Tantânicas: já havia participado do grupo Black Future, que eu conhecia, mas ele, Das Tanta, foi só naquele dia e daí somos amigos e cúmplices há quase 30 anos. Nos anos 90, Tantão esteve mais ligado às artes plásticas e contava uma história fantástica para explicar sua desilusão com a música. Mas é de hoje, Tantão com 55 anos, sem ter nunca aberto mão da arte, da sabedoria e da gentileza, explodindo frases de alta densidade poética com seu trabalho Tantão e os Fita, e mais recentemente o filme Eu sou o Rio que, com delicadeza, deixa este super-herói exibir-se. Como Tantão está vivo, sempre produzindo, indicando, vivendo em baixa condição econômica...

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Aí a história de nosso encantado, dando um rolê em Berlim, sendo compreendido e admirado da forma que o Bem merece. Mon Tante Tantan Como tambor torto de circo Qual o trapezista Lula Flambante no vai lá E com elegância cai Salvo pelas cordas Novamente voa e no subir No descer é amparado decaído Tanto faz se nas nuvens ou no chão Guilherme Zarvos


TΛиtãØ 89min CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Domingo, 1/4, 18h30 SP - Cinema - Sábado, 7/4, 19h RJ - Cinema 2 - Quarta, 11/4, 17h50 DF - Cinema - Quinta-feira, 10/5, 18h

EU SOU O RIO RJ, 2017, 78min

marcas que nunca mais conseguiremos apagar Direção: Anne e Gabraz Elenco: Tantão Contato: Gabraz Sannagabriel@gmail.com

GUIGNARD POR ADRIANO MELHEM RJ, 2011, 11min

Biografia Ensaio Obra Vídeo Noel Rosa Ratos do Porão Direção: Thiago Arruda Elenco: Adriano Melhem, Tantão Contato: Thiago Arruda thiago@donarosafilmes.com.br

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TΛиtãØ 2 22min

CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 1/4, 20h10 CCBB SP - Cinema - Sábado, 7/4, 20h50 CCBB RJ - Cinema 2 - Quinta, 12/4, 18h50

TANTÃO E OS FITA (REFUGIADOS)

TANTÃO E OS FITA (OI CAT)

clip tnt

clip tnt

Direção: Patrícia Cavalheiro

Direção: Gabriel Junqueira

RJ, 2017, 3min

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RJ, 2017, 2min


TANTÃO E OS FITA (LÁ VEM A DIREÇÃO) MG, 2017, 4min

lá vem a direção Direção e Fotografia: Gabraz Outros: Música: Tantão e os Fita Elenco: Guto, Têla, Jaque e Andrezza Contato: Gabraz Sanna Sannagabriel@gmail.com

TANTÃO E OS FITA (KABUL) RJ, 2017, 2min clip tnt Direção: Joaquim Pedro dos Santos

TANTÃO E OS FITA (ESPECTRO) RJ, 2017, 3min clip Direção: Pontogor

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TANTÃO E OS FITA (ARL) RJ, 2017, 3min clip tnt Direção: Germano Dushá

TANTÃO E OS FITA (PORTAL) RJ, 2017, 5min

Videoclipe para a música Portal, de Tantão e os Fita, realizado em junho de 2017. Direção e Edição: Andrei Müller Contato: Andrei Müller - andrei.muller@ gmail.com 179 | MƒL 2018


a sessão ivre já é um filmes não tem L a h n ri st o s A nossa M aioria dos a MFL. A m ue busquem inovaçõe d a d a b m ri q ca u o l ta perimen filmes um viés ex porque são té a , m s mais e g a u o são filme não ser tã n e na sua ling , a d a ç à crian ento a destinados e não entrariam no ev mos uma u q fi , no ze narrativos ífico. Este a inco curtinhas c e p s e e rt in, com c neste reco a ena, de 38m cção, e que tendem u q e p o ã ss fi e se o ã ç a ! m anim s as idades que mescla ças de toda n a ri c r” a n “expressio

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MØstrinhΛ LivrΞ 38min

CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 24/3, 15h30 CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 25/3, 15h CCBB SP - Cinema - Sábado, 31/3, 14h CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 1/4, 15h30 CCBB RJ - Cinema 1 - Sábado, 7/4, 14h30 CCBB SP - Cinema - Sábado, 7/4, 15h CCBB SP - Cinema - Domingo, 8/4, 14h CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 8/4, 14h CCBB DF - Cinema - Sábado, 5/5, 14h CCBB DF - Cinema - Sábado, 12/5, 15h CCBB DF - Cinema - Sábado, 19/5, 16h

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DINOSHOP RS, 2013, 4min

Mirim é uma menina de rua que passa os dias a observar Lexx, um pequeno dinossauro que nascera antes da hora no Dinoshop do irritadiço e ganancioso Barbarussa, especializado em vender ovos de dinossauro para os poucos que podem pagar. Quando Barbarussa se irrita pelo fato de Lexx nunca ser vendido, Mirim sabe que terá de enfrentar seus medos para ajudar seu amigo. Direção, Roteiro e Produção: Tainá Ribeiro Nepomuceno Outros: Roteirista, Diretora de Arte, Animadora: Francine Rocha Gonzales // Trilha Sonora Original: Ernesto Martins Mezeck De Sena // Diretora De Animação, Editora: Bruna Thaís De Paula // Diretora de Som, Editora: Camila Mitiko Inagaki Elenco: Andrei Henrique Nogueira, Samoel Giehl, Marilia Ferreira Mota Contato: Tainá Ribeiro Nepomuceno r.n.taina.r.n@gmail.com


MIRA

PR, 2017, 8min Fátima vê uma estrela cadente e faz um pedido. Lá fora, ela terá que lidar com seus monstros, sejam eles reais ou não.

LIA

RJ, 2017, 11min Lia, uma monstrinha nada assustadora que habita o vão sob a cama da menina Ana, sai de seu esconderijo à noite enquanto a criança dorme. Entre tentativas frustradas de assustar a menina, que já não teme suas peripécias, recebe uma visita inesperada e, com ela, a notícia de que precisa partir. Direção e Roteiro: Giulia Donato Outros: Direção de Produção: Paula Lacerda, Sergio Magraner // Direção de Fotografia: Lucas Badini // Direção de Arte: Elisa Caldana Chiarello, Júlia Cupolillo // Assistente de Direção: Matheus Albano // Som direto: Roger Troncoso // Montagem: Giulia Donato // Trilha Sonora Original: Angélica Faria Elenco: Lívia Feltre, Gabriel Antunes Contato: Giulia Donato giulia.donato97@gmail.com 182 | MƒL 2018

Direção, Ilustração, Animação: Janaina da Veiga Outros: Mentor: Lucas Negrão // Montagem e lighting: Alexandre Spiacci // Desenho de som: Bruno Ito // Trilha Sonora: Shannn e Machado Contato: Janaina da veiga janainaadaveiga@gmail.com


FAZENDA ROSA PE, 2017, 9min

Erasto Vasconcelos, poeta da percepção da vida, faz eco da “pernambucaneidade” do que nos rodeia, do rio, das aves, dos bichos do mangue, das árvores, do que se planta para comer, das pessoas que nos cantam e das cantigas de roda.

O DEDO DE IAN MG, 2016, 6min

Um registro de uma manhã de outono diferente na vida do pequeno Ian, garoto capaz de imprimir na câmera sua subjetividade. Direção, Roteiro, Fotografia, Direção de Arte, Montagem e Som Direto: Igor Amin Equipe: Empresa Produtora: Cocriativa // Trilha Sonora: Bruno Nunes Elenco: Ian Benati Petitot Contato: Cocriativa Conteúdos Audiovisuais - igor@cocriativa.com.br 183 | MƒL 2018

Direção: Chia Beloto Equipe: Direção Roteiro e animação: Marila Cantuária // Animador, pesquisa e fotografia: Mateus Simon // Arte: Chia Beloto // Produção: Rui Mendonça // Voz, flauta e trilha original: Erasto Vasconcelos // Edição e correção de cor: Zé Diniz // Desenho de som e mixagem: Johann Brehmer // Desenho gráfico: Simone Mendes // Assessoria de mídia: Olivia de Souza // Direção: Chia Beloto // Legendagem descritiva: Acessibilidade.com // Produtora associada: Carnaval Filmes // Laboratório de correção de cor e mixagem som 5.1: Porto Digital Contato: Cabra Fulô Produção Cultural Ltda. - cabrafulo@gmail.com


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MuиdØ LivrΞ O recorte Mundo Livre foi criado para dar lugar a produções brasileiras realizadas em outros países, mas acabou evoluindo para uma sessão em transe, na qual o conjunto de filmes visa proporcionar ao espectador a sensação de motricidade essencial no exercício do flanar cinematográfico. Para além de agrupar filmes aleatórios feitos fora do país, a sessão tem se caracterizado sobretudo por propor um olhar em movimento sobre o atual estado das coisas. Questões de territorialidade e deslocamento, movimentos migratórios, banzo e por vezes depressão ou êxtase de estar sozinho são temas recorrentes dos filmes apresentados neste programa. Topofilia, de Amanda Pontes e Michelline Helena, é composto a partir do encontro com mulheres que deixaram para trás suas cidades de origem para em diferentes graus de intensidade se aventurar frente ao desconhecido. Movidas pelas mais diversas pulsões pessoais ou profissionais, todas experimentam diferentes níveis de realização e angústia ao mesmo tempo em que a montagem elíptica transforma o filme, feito a partir de biografemas/reminiscências de suas personagens, num road movie onde o movimento - na estrada, no mar ou google maps - é de fato a sua principal identidade. Em 23rd y Union, Ivan Cordeiro, autor recorrente nos últimos anos da MFL com curtas experimentais realizados nos anos 80, nos 185 | MƒL 2018

apresenta Los Angeles a partir do ponto de vista de uma família latina que comercializa frutos do mar nas praias californianas. O foco naturalmente deslocado do centro para a periferia é o mote deste ensaio em super 8 realizado como parte de um longa metragem que reuniu 11 cineastas de diferentes nacionalidades à época residentes nos EUA. A sessão transcorre com o ensaio sensorial Travelling, de André Amaro, que nos apresenta uma Rotterdam sombria a partir de uma atmosfera de ficção cientifica. Planos centrados nas personagens dos filmes anteriores dão lugar a uma fotografia extremamente rigorosa de fragmentos da cidade, enquanto o texto nos aponta para um exílio de certa forma distópico de um personagem imaginário que constrói a narrativa em primeira pessoa. A sessão deságua no Rio com um curta em que os papéis se invertem - não é mais o Brasil que olha pra fora, mas um olhar europeu que nos observa: Utopia, de Aline Portugal e Tonia Marta, diz muito das contradições do momento político lamentável que o país vive sem se furtar do encantamento de encará-lo de frente, sobretudo em suas periferias, e poder ainda assim se surpreender com a força de lírios que insistem em brotar das fendas deste duro concreto que nos soterra. Gabriel Sanna


MundØ LivrΞ 70min

CCBB RJ - Cinema 2 - Segunda, 26/3, 19h20 CCBB RJ - Cinema 1 - Quarta, 28/3, 17h10 CCBB SP - Cinema - Domingo, 15/4, 15h CCBB DF - Cinema - Sexta, 11/5, 20h

23RD Y UNION PE, 1994, 8min

Este curta-metragem foi totalmente filmado em Super-8 usando película preta e branca e colorida. Faz parte de um trabalho coletivo realizado em 1994, chamado “A super-8 day in LA”, onde outros 10 cineastas documentaram durante um dia inteiro a cidade e suas diversidades. O filme retrata um dia de domingo com uma família que opera um negócio de frutos do mar de um caminhão de comida nos fins de semana, desde a preparação dos alimentos às 5h da manhã até o encerramento no final da tarde. Direção: Ivan Cordeiro Equipe: Paul Hart, Robert Butler Elenco: Família Ruvalcaba, Família Ramirez Contato: Ivan Cordeiro eyeseefilm@aol.com

TOPOFILIA CE, 2017, 37min

Uma cartografia afetiva sobre morar, habitar e viver. Direção, Roteiro, Produção e Montagem: Amanda Pontes, Michelline Helena Outros: Mixagem de Som: Erico Paiva Elenco: Ana Negreiros, Rafaela Diogenes, Shaula Colares, Virna Paz. Contato: Filmes de Janeiro amandapontesss@gmail.com 186 | MƒL 2018


TRAVELLING DF, 2015, 10min

Homem completa 50 anos e questiona aspectos da sua vida em viagem à cidade de Rotterdam (Holanda). Direção, Roteiro, Imagens e Edição: André Amaro Contato: André Amaro andre.amaro48@gmail.com

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UTOPIA

RJ, 2017, 15min Ensaio fílmico sobre a descoberta de uma cidade: o Rio de Janeiro e sua beleza oculta, que se mantém distante de quem não a vive de dentro. A beleza do que não é óbvio, do suor cotidiano, dos olhares que se cruzam em meio a ruídos incessantes, do caos urbano, do calor intenso que aquece e ao mesmo tempo estabelece distâncias. A partir de uma metáfora sobre a grandiosidade e beleza de duas cidades – Paris e Praga - é realizado um relato observacional e poético da trajetória de uma jovem imigrante, que conhece e apresenta a cidade para além dos mitos e da imagem vendida pela TV. Direção e Roteiro: Aline Portugal e Tonia Marta Outros: Vídeo, Montagem, Narração: Aline Portugal // Texto e Colaboração Montagem: Tonia Marta // Fotografias: Aline Portugal, Tonia Marta, Marcio Fabian, Rodrigues Moura, Fernandes Vicente, Larissa Pompeu // Orientador: Marco Túlio Ulhôa // Colorista: Paulo Carou // Trilha Sonora: “Soledade” - Wederson Felix / Edição De Som: Jonas Louzada // Mixagem: Bernardo Adeodato // Arte: Maicon Brasil Contato: Aline Portugal lineportugalfotografia@gmail.com 188 | MƒL 2018


pílulδ∫

Mais uma sessão clássica da MFL, com curtas de até 5 minutos. Este ano, 19 filmes, num total de 57min. São curtas de todo o Brasil e de todos os gêneros, bem a cara da mostra. É uma grande chance para se conhecer, de uma só vez, tantos trabalhos bem diferentes entre si, na sessão que, com certezas, é a mais eclética da MFL!! 189 | MƒL 2018


PílulΛs 57min CCBB CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Domingo, 25/3, 18h30 RJ - Cinema 2 - Sábado, 7/4, 15h30 SP - Cinema - Segunda, 9/4, 18h30 DF - Cinema - Domingo, 29/4, 18h15 DF - Cinema - Sábado, 19/5, 18h20

GAROTO SOZINHO RJ, 2017, 3min

Eu sou um garoto solitário. Direção, Montagem, Pesquisa, Som: Cleyton Xavier Contato: Rafael Mendes mmeennddeess@gmail.com

PORQUE DEIXEI DE CANTAR PE, 1980, 3min

Em 1980, eu e Régi Galvão estávamos no sertão fazendo um trabalho de documentação fotográfica quando Djair Freire me levou pra conhecer a casa do poeta Pinto do Monteiro em Sertânia. Com apenas um rolo de Super-8, documentei aquele dia histórico enquanto Régi tirava fotos e gravava o grande mestre recitando algumas poesias de sua autoria.

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Por muito tempo esse material estava armazenado com meus outros carretéis de filme Super-8 até que foi encontrado no meio de um deles quando escaneava para um outro documentário que editava. Qual foi a minha surpresa de encontrar essas imagens ainda vívidas graças à beleza que somente película nos dá como resultado final. Todo o filme foi editado sem cortes tal qual se filmou, apenas o som foi desenhado para poder coincidir com o tempo das imagens. Direção e Câmera: Ivan Cordeiro Outros: Som: Régi Galvão // Produção Executiva: Djair Freire // Pesquisa e Transcrição: Maybe Cordeiro // Digitalização: Phil Vigeant Elenco: Poeta Pinto do Monteiro e companheira Contato: Ivan Cordeiro eyeseefilm@aol.com


OS QUASE-VERES MG, 2017, 2min

O corpo em movimento se colide com a vista turva, boa parte de o que sou e onde estou não pertence a mim e não a conheço. A videoarte de We Ph se localiza na periferia e no corpo cortado onde só temos a certeza de um conhecimento parcial e sabemos da verdade pelo desconhecimento do resto. Direção, câmera e edição: We Ph Elenco: Rebeca Lima (performer) Contato: Wellington Phillipe wpas12@gmail.com

DEDICO

MG, 2018, 4min Retalhos de vida nos versos das fotografias. Direção, Produção, Fotografia e Som: Rebeca Francoff Outros: Voz: Vó Lúcia Contato: Rebeca Francoff rebecafrancoff@gmail.com

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MAR OCULTO RJ, 2017, 3min

O universo e o oceano seguem cercados de lendas por serem ainda praticamente inexplorados, isso faz com que até hoje mantenham-se os mitos e as crenças que envolvem os mares, o que faz levantarmos muitas dúvidas sobre o que é falso ou verdadeiro. Direção, Câmera e Figurino: Heitor Menezes Outros: Edição: Lucca Dutra // Produção: Rafael Braz e Géssica Hage Elenco: Natassia Massarani Contato: Heitor Menezes contato@heitormenezes.com

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UM

MG, 2017, 4min Uma narrativa sobre angústia e gravidade. Do alto de um prédio, a lembrança de um sujeito ou uma cidade desabar. Direção, Fotografia, Montagem, Texto e Trilha Sonora: Victor Galvão Contato: Victor Galvão victorgalvao00@gmail.com


REVOLUÇÃO DECADENTE

SAVED

Tudo é meu, menos eu.

Barcelona, 31 de maio de 2015, 14:44. Mariano liga para Ludmila duas semanas após o seu aniversário. Ludmila não atende. Mariano deixa uma mensagem de voz. Ludmila liga a câmera e grava a sua reação ao escutar. Filme dedicado a todos os carmas familiares.

SP, 2017, 4min

Direção e fotografia: Alan Athayde Outros: Trilha Sonora: Flavia Goa // Finalização: Camila Marquez Elenco: Tantão e Anne Contato: Alan Athayde alanrathayde@gmail.com

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SP, 2016, 1min

Direção: Lud Mônaco Equipe: Lud Mônaco e Mariano Sevillano Elenco: Ludmila e o seu pai Contato: Lud Mônaco ludmonaco@gmail.com


POSSE

RJ, 2016, 1min Em cada cerimônia, uma simbologia. Um símbolo de poder pra cada um. O poder está na relação das pessoas com seus objetos símbolos. Símbolos desumanizados. Símbolos de vaidade opressora, de identidade orgulhosa de sua posição social. O poder se manifesta no cotidiano das atitudes, das pessoas e seus símbolos. Um looping social de poder, vaidade e controle. Direção, fotografia e edição: Duda Las Casas Elenco: Filme gravado no dia da Posse de Michel Temer Contato: Duda Las Casas lascasasduda@gmail.com

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HISTÓRIAS DA ABOLIÇÃO RJ, 2014, 2min

A rota cotidiana que é a roda cotidiana, a barra da vida do trabalhador. Direção e cut-ups: Pablo Pablo, Luisa Pitanga Outros: Fotografias: Igor Freitas Lima Elenco: Duque de Caxias Contato: Pablo Souza - telapablo@gmail.com


A FEIRA DE SÃO MIGUEL ARCANJO SP, 2015, 4min

As lembranças das conversas com meus avos sempre foram silenciosas, mas cheia de olhares afetuosos... um dia decidi reencontrá-las. Direção: Yudji Oliveira Equipe:: Assistência Gio Galluzzi e Kyka Gasparian Elenco: Dona Jandira e Seu Francisco. Contato: Yudji Oliveira - carlosyudji@gmail.com

SHE MADE IT SP, 2017, 4min

Uma jovem vagueia por um prédio após uma festa, meditando em sua vida. Ela procura uma saída para o seu mundo arruinado e solitário, mas não pode escapar de enfrentar seu destino. Produção Executiva: Balik Arts (Yeşim Guzelpinar) // Coprodução: Diyarbakir Cevre ve Kalkinma Dernegi // Câmera e DOP: Mehmet Cenk Cinaloğlu // Edição: Lud Mônaco & Martina Piazza // Trilha Sonora Original: Mark Aanderud // Sound Design & Re-recording mixer: Mario Martinez Cobos Elenco: Catarina Rodrigues Contato: Lud Mônaco - ludmonaco@gmail.com 195 | MƒL 2018


SEM TÍTULO GO, 2017, 3min

Três olhares, duas metades e uma partida. Direção: Thiago Dantas Contato: Thiago Dantas thgsatnad@gmail.com

GAROTO TRANSCODIFICADO A PARTIR DE FOSFENO SP, 2017, 2min

Enclausurado em fosfeno, material bruto documental desvela seu eu digital, regredindo a sua infância abstrata, uma imagemmemória deslocada de sua dependência de referentes, afetada por sua vida interna. Um computador vê sem olhos, um computador imagina. Direção e Edição: Rodrigo Faustini Outros: Câmera: Lucas Reitano // Produção: Guilherme Agostini Contato: Rodrigo Faustini dos Santos orfaustini@gmail.com

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UMBRAL GO, 2016, 4min

O universo pós-morte é visto em primeira pessoa nesse curta experimental de ficção. O pesadelo, a agonia e a busca por respostas imprimem o sofrimento de quem morreu e não se preparou antes de partir. E quem está preparado para partir?

SMOKING IN THE CITY OU AS CANCERIANAS SEM LAR GO, 2012, 3min

Um olhar contemplativo sobre a solidão nas grandes cidades. Direção, Fotografia, Roteiro e Edição: Sérgio Valério Outros: Elenco: Andréia Miklos, Alyne Fratari, Juliana Franco, Susana Santos e Marina Adorjan Contato: Sérgio Valério poscinema@uol.com.br

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Direção, Roteiro e Produção: Thomaz Magalhães Outros: Direção de fotografia: Thomaz Magalhães e Ana Simiema // Montagem, edição de som, mixagem, color grading e finalização: Thomaz Magalhães Elenco: Elenco: Thomaz Magalhães, Gabriel Newton, Matheus Medeiros, Antônio H. Queiroz Contato: Thomaz Magalhães distribuidora@kinoptera.com


MU RO RU MO RJ, 2014, 2min

Qualé dos muros? Qualé dos rumos? Qualé, Brasil? Direção, Imagens, roteiro, montagem: Heraldo HB Contato: Cineclube Mate Com Angu hb@relinkare.org

AZUL+METRÔ COM VISTA PARA O MAR RJ, 2015, 3min Durante uma viagem de metrô, outras paisagens podem surgir... Direção: Manu Neves Contato: Manu Neves - manuneves0@gmail.com

PRESSEMITTEILUNG (PRESS-RELEASE) RJ, 2017, 5min Como dois adesivos mudaram o posicionamento de uma empresa de metrô em Berlin/Alemanha. Direção e Produção: Luter Filho & Hiroki Mitsuboshi Outros: Roteiro: Luter Filho // Câmera: Hiroki Mitsuboshi // Áudio: Kyotetsu Horikawa: // Locução: Britta Engelhardt Contato: Luter Filho - luterfilho@gmail.com

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Curta Brasilia 71min

CCBB RJ - Cinema 2 - Domingo, 25/3, 15h20 CCBB DF - Cinema - Quarta, 25/4, 18h30 CCBB DF - Cinema - Domingo, 20/5, 15h30

OS OUVIDOS DAS PAREDES DF, 2017, 20min Tijolos, pisos, argamassas, cimento... Um disparo de revólver. Rubens acorda de um estranho sonho. Coloca uma das mãos sobre sua cicatriz na barriga, marca de um tiro levado há anos atrás. Na mesma manhã, descobre que a casa que está construindo corre ameaça de ser derrubada. Imergindo em uma corrida alucinante contra o tempo, Rubens precisa deixar sua casa pronta o mais rápido possível.

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Direção, Roteiro e Montagem: Marisa Mendonça Outros: Direção de Fotografia: Rafael Ribeiro // Produção: Marisa Mendonça e Rafael Ribeiro // Som Direto: Leandro Conde // Design de Som: Sandro Vilanova Elenco: Rubens Bezerra, Flavia Lucci, Bruno Borges e Thiago Pinheiro Contato: Marisa Mendonça marisamirandam@gmail.com


O VÍDEO DE 6 FACES DF, 2017, 20min

Lavina lembra do enterro dos pais, fala de como sua mãe guardou dinheiro, com muito trabalho, para os gastos do próprio enterro. Uma videoinstalação pode servir de túmulo para um gato, projetado, do qual nunca se encontrou o corpo morto? Posso construir um caixão para olhar e, por ele, ser olhado de volta? Tanta parafina derretida, posso encaixotar? Direção: Maurício Chades Outros: Música e Desenho de Som: Ramiro Galas // Fotografia: Lucas Kato Pio e Mau-

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rício Chades // Efeitos Visuais: Felipe Benévolo e Lucas Seixas // Som Direto: Maurício Fonteles, Renato Perotto e Arnold Gules // Coordenação de Produção: Ana Maria Ultra // Still: Flora Egécia, Janine Moraes e Rodrigo de Oliveira // Preparação Física: João Quinto // Eletricidade: Aluízio Alves e Diego Ferreira // Croquis: Gabriela Bilá // Costureira: Janeide Moreira // Assistente de Projeção: Mari Mira // Assistente de Produção: Juca Sabú // peluquero: Felipe Shuman // marceneiro: Marcos Antony // cattering: Victor Lagden e Yasmin Adorno Elenco: Lavina Chades e Maurício ChadesContato: Maurício Chades mauricio@leni.art.br


ÍNDIOS NO PODER DF, 2015, 21min

Mario Juruna, único índio parlamentar na história do país, não consegue se reeleger para a Constituinte (1987/88). Sem representante no Congresso Nacional desde a redemocratização, as Nações Indígenas sofrem golpes da Bancada Ruralista aos seus direitos constitucionais. O cacique Ládio Veron, filho de liderança Kaiowa Guarani executada na luta pela terra, lança candidatura a deputado federal nas Eleições 2014, sob ameaças do Agronegócio no Mato Grosso do Sul. Contra a PEC 215, seu slogan de campanha é “terra, vida, justiça e demarcação”. Direção e Roteiro: Rodrigo Arajeju Outros: Direção de Produção: Pablo Peixoto // Produção Executiva: Alisson Machado // Fotografia: André Carvalheira // Montagem: Sergio Azevedo // Direção de Arte: Marcia Roth // Som: Alisson Machado // Edição de Som: Mauricio Fonteles. Elenco: Deputado Mario Juruna (em memória), Valdelice Veron Kaiowa Guarani, Ailton Krenak, Doéthiro Álvaro Tukano, Aurivan “Negrinho” Truká, Sonia Guajajara e Cacique Ládio Veron Kaiowa Guarani. Contato: Rodrigo Siqueira Ferreira rodrigo@7gdocumenta.com.br 202 | MƒL 2018

TRAVELLING DF, 2015, 10min

Homem completa 50 anos e questiona aspectos da sua vida em viagem à cidade de Rotterdam (Holanda). Direção, Roteiro, Imagens e Edição: André Amaro Contato: André de Borba Amaro - andre. amaro48@gmail.com


CURTA BRASILIA 2 Menina de Barro A MFL do dia 13 de maio é dedicada aos jovens e adolescentes de Brasília com a exibição do filme Menina de Barro. A produção 100% brasiliense foi realizada com cerca de 10 mil reais arrecadado entre os amigos, os atores e seus familiares para despesas básicas. Apesar do pouco investimento, o Menina de Barro empolgou o público do Cine Brasília na 50ª edição do Festival de Brasília, levando os prêmios de Melhor longa-metragem escolhido pelo Júri Popular da Mostra Brasília e Melhor Atriz, escolhida pelo Júri Oficial. 203 | MƒL 2018

O longa Menina de Barro fala sobre um tema urgente em nossa sociedade atual, o bullying, assunto retratado com muita delicadeza e veracidade pelo jovem diretor Vinícius Machado. A protagonista do filme é Rafaela Machado, que faz o papel de Diana, uma garota com habilidades especiais que levou para as telas seu protagonismo juvenil no feminismo e nas causas humanas. Após o filme haverá um bate-papo com os realizadores e atores do filme.


CurtΛ BЯδsiliΛ 2 115min

CCBB DF - Cinema - Domingo, 13/5, 18h SESSÃO SEGUIDA DE DEBATE

MENINA DE BARRO DF, 2015, 115min

A jovem Diana é uma garota habilidosa e especial. Na aurora de seus 12 anos de idade já carrega uma bagagem de conhecimento e talento que se mostra difícil de lidar: ela traz a estigmatizada e dadivosa marca de ser superdotada. Entre a solidão e a curiosidade, entre a agressividade e o carinho, Diana vai tecendo uma autocrítica minuciosa ao passo que descobre a força do conhecimento e da amizade para liberar seus impulsos mais solidários. Ao mesmo tempo que busca “combater” o bullying em sua escola, Diana precisará estar pronta para enfrentar seus problemas de família, seu coração e uma fúria típica daqueles que não se contentam com a apatia alheia.

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Direção, Produção Executiva e Roteiro: Vinícius Machado Outros: Fotografia: João Guilherme Patriota e Jorge Neto // Montagem: Vinícius Machado, Jorge Neto e Thays Elinne // Som Direto: Thays Elinne // Direção de arte, Edição de Som e Trilha sonora: Vinícius Machado Elenco: Rafaela Machado, Vitor Lamego, Marina Mara, Tais Bizerril, Duda Marques, Marcelo Pelucio, Roberta Rangel, Augusto Botelho, Gerimário Júnior, Pedro Nasser Contato: Vinícius Machado vinicius.robin@gmail.com


CurtΛ BЯδsiliΛ 3 20 DE MAIO 18H30 ENCERRAMENTO MFL BRASILIA Brasília: Memória & Invenção e Carnaval e o Direito à Cidade. SESSÃO SEGUIDA DE DEBATE A MFL do dia 20 de maio é dedicada à cultura brasiliense de ontem e de hoje com a sessão Brasília: Memória & Invenção. Na ocasião serão exibidos uma série de vídeos com entrevistas e vivências filmadas em importantes pontos de cultura do Distrito Federal. Coordenado pelo ativista social Mateus Guimarães, o projeto conta com a curadoria de um seleto grupo de conselheiros formado pela historiadora Ana Queiroz, pelo artista plástico Bené Fonteles, pela poeta Marina Mara e pelo cineasta Vladmir Carvalho. Após

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a sessão será proposto um bate-papo com os artistas e produtores dos filmes. A última sessão da MFL 2018, chamada Carnaval e o Direito à Cidade, é uma provocação e uma homenagem à tombada capital do país. A sessão terá a exibição de filmes produzidos pela equipe da Rede Carnavalesca.org, apresentando uma realidade do carnaval de rua produzido em Brasília que vai da purpurina ao gás de pimenta. Ativismo, amor ao carnaval e o direito à cidade serão os temas dos filmes da sessão, seguida de um interessante debate com carnavalescos locais e os produtores da maior festa popular do planeta – o carnaval de rua.


Filmes livres feitos no estado do Rio de Janeiro

CurtΛ ЯiØ 69min CCBB CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 1 - Segunda, 26/3, 17h30 SP - Cinema - Segunda, 2/4, 18h RJ - Cinema 1 - Domingo, 15/4, 15h DF - Cinema - Domingo, 13/5, 15h RJ - Cinema 2 - Domingo, 08/4, 16h

A ILHA DO FAROL RJ, 2017, 21min

Contam que a ilha afundou há quatro séculos atingida por um meteoro. Alguns afirmam que ela simplesmente cansou de ser ilha e virou mar. Até os dias de hoje ainda há os que saem à sua procura. Direção, Roteiro e Produção: Jo Serfaty e Mariana Kaufman Outros: Direção de Fotografia e Câmera: Pedro Faerstein // Direção de Arte e Figurino: Cedric Aveline // Montagem: Luisa Marques 206 | MƒL 2018

// Desenho de Som e Mixagem: João Jabace // Canção Original: Augusto Malbouisson, Mario Maria e Marcos Thanus // Direção de Produção: Joice Scavone // Produção Executiva: Viviane Mendonça Elenco: Cristina Moura, Julio Adrião, Lara Affonso, Rafael Boschi Contato: Mariana Kaufman mariana@fagulhafilmes.com.br


PRAÇA XV RJ, 2018, 16min

Praça XV é um filme sobre a rua, os encontros e a memória impregnada nas coisas da cidade.

ARREMATE RJ, 2017, 25min

Através da confecção de roupas que vão além do gênero, tramas de afetos se constroem entre a Baixada Fluminense e a Lapa. Direção e Roteiro: Éthel Oliveira Outros: Câmeras: Érika Villeroy, Éthel Oliveira, Gabrielle de Souza e Rafael Mazza // Edição: Elena Meirelles // Desing: Ilana Paterman Brasil Elenco: Andrey Chagas, Christina Aguiar, Danny Santos, Evelym Gutierrez, Indianara Siqueira, Lidi Oliveira, Lorena Braga, Luiza Alves, Kaique Theodoro, Leoni Albuquerque, Livinha, Luciana Vasconcellos, Martinha do Coco, Naomi Savage, Renatinha, Rosangela Braga, Tainá Gamelheiro, Tertuliana Lustosa, Tia Angélica, Wescla Vasconcelos, Yasmin Falcão. Contato: Éthel Oliveira etheloliveira@gmail.com

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Direção: Claudio Tammela Outros: Foto: André Lobo, Rudá Caprilles e Claudio Tammela // Motorista: José Carlos Faria Elenco: Bárbara Vida, Negro Leo, Carla Ferraz, Yuri Nicolsky e André Lobo Contato: Claudio Tammela ctammela@gmail.com


MACACU MOVIE RJ, 2017, 7min

Um grupo de amigos viaja para Cachoeiras de Macacu por um final de semana e decide fazer um filme. Este filme é um filme experimental da tentativa de fazer um filme. Direção: Thaís Vieira e Nelson Neto Elenco: Nelson Neto, Nathalie Ribeiro, Lívia Uchôa, Thiago Caronte, Conrado Gonçalves, Tayna Wolff, Yasmin Paçoca, Day Pedrosa, Crystal Gonçalves Contato: Thaís Vieira thaisbvieira@gmail.com

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CurtΛ ЯiØ 2 84min

CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 31/3, 15h

MARCOS MEDEIROS, CODINOME VAMPIRO RJ, 2018, 84min Documentário apresenta Marcos Medeiros, um personagem esquecido da nossa história que foi líder estudantil em 1968. Preso, torturado, cassado e exilado na Europa, Marcos começou a se dedicar ao cinema, tendo feito curtas com Chris Marker na França, um longa com Glauber em Cuba e depois trabalhado na Itália com Rosselini. de volta ao Brasil, nos anos 80, com a anistia, Marcos inicia um trabalho pioneiro em vídeo, mas 209 | MƒL 2018

não encontra um espaço para viabilizar sua arte que não se identificava com o main stream. A incapacidade de se inserir numa sociedade burguesa e sem utopias leva Marcos à depresão. Morre em 1997 depois de uma longa internação no Pinel. Direção, Pesquisa, Roteiro, Fotografia e Desenho de Som: Vicente Duque Estrada Outros: Roteiro e Montagem: Leonardo Duarte // Trilha Sonora Original: Victor Biglione // Direção de Produção: Clara Fornaciari // Produção Executiva: Cavi Borges Contato: Vicente Duque Estrada vestrada@gmail.com


CurtΛ Sampa 59min CCBB CCBB CCBB CCBB CCBB

RJ - Cinema 2 - Domingo, 25/3, 17h SP - Cinema - Domingo, 1/4, 14h SP - Cinema - Segunda, 16/4, 17h DF - Cinema - Terça, 8/5, 18h30 DF - Cinema - Domingo, 13/5, 16h40

A ROTAÇÃO DA TERRA SP, 2017, 15min

Um funcionário de um parque eólico, encontra uma garota em uma festa da cidade e saem para passear de moto. Direção: Matheus Sundfeld Outros: Roteiro: Diogo Faggiano // Produção Executiva: Eugenio Puppo // Montagem Thiago Ricarte // Desenho e Edição de Som: Leo Bortolin // Assistente de Direção: Heloisa Bonfanti // Continuidade: Everton Cardoso // Técnico de Som: Gustavo Guedes e Herisson Pedro // Direção de Fotografia:

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Fabio Bardella e Jorge Maia // 1º Assistente de Câmera: Logger Daniel Tancredi // 2º Assistente de Câmera: Wallace Yuri // Direção de Arte: Paola Ottoni // Produção de Arte e Figurino: Karol Barreto Elenco: Eurilio Silva, Kassia Adriana Contato: Heco Produções - heco@heco.com.br


FAROL INVISÍVEL

A VISITANTE

Erguido em plena metrópole de São Paulo, um farol marítimo guarda mistérios e habita o imaginário dos moradores da cidade.

Julia voltou para casa.

SP, 2017, 16min

Direção e Roteiro: Bruna Callegari Outros: Produção Executiva: Juliana Vicente // Produtor Associado: Rafael Buosi // Direção de Fotografia: Carlos Firmino // Direção de Produção: Alexandre Borzani // Assistente de Produção: Carla Comino // Montagem: Bruna Callegari Contato: Espaço Liquido Audiovisual contato@espacoliquido.com.br 211 | MƒL 2018

SP, 2017, 13min

Direção, Roteiro, Produção, Montagem: Marina Kosa Outros: Assistente de Direção, Montagem: Eduardo Pires // Direção de fotografia: Pedro Geraldo // Direção de Arte: Manoela Cezar // Direção de Som Lucas Gattaz // Direção de Produção Roberto Bertô Elenco: Beatriz Castanho, Pedro Köberle, Guilherme Paschoal Contato: Marina Kosa marinabkosa@gmail.com


BRUMA

SP, 2017, 15min Elisa, 16 anos de idade, escapa de São Paulo com seu amigo Roberto (40) em seu carro. Na paisagem estranha da propriedade que invadem, seu comportamento, que mostra e esconde coisas, gradualmente esboça a relação que eles mantém. Direção e Roteiro: Matheus Parizi Outros: Assistente de Direção: Lucas Barão // Produção Executiva: Max Eluard // Assistente de Produção Executiva: Bruna Miwa // Fotografia: Flora Dias // Assistente de Fotografia: Fabio Popinho Politi // Direção de Arte e Figurino: Juliana Lobo // Som Direto e Edição de Som: Jonathan Macías // Montagem: Caroline Leone // Desenhos de Créditos: Juliana Lobo Elenco: Tamíris Rico, Marcio Zaka Contato: Max Eluard maxeluard@gmail.com

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tσrЯitóriØs

O cinema é ele mesmo um território a ser ocupado. Por Territórios, nome-proposta desta sessão, entendamos algo que vai além do espaço físico, da terra, ramificando-se em tudo o que atravessa a terra: o povo, suas lutas, manifestações e identidades artísticas, culturais, sociais, afetivas e familiares. Delimitações, fronteiras e limiares. Até onde pode ir o cinema nesta relação tão direta e dialógica com a terra e suas línguas, gritos, silêncios e emanações? Cada um dos filmes que compõem as cinco sessões Territórios da MFL 2018 tem um discurso fílmico extremamente atrelado a questões políticas 213 | MƒL 2018

que atravessam sujeitos e comunidades das mais diversas formas, como Índios no Poder, de Rodrigo Arajeju, Tem Dono, de Thiago A. Neves e Thiago Fernandes ou ainda Copacabana-Auschwitz, de Jaiê Saavedra. Porém, aqui, mais do que falar individualmente das potencialidades de cada filme, queremos tratar do modo como cada sessão foi ocupada dentro dessa dinâmica entre discursos cinematográficos e lutas do mundo. Com questões políticas e sociais tão contundentes, o agrupamento das sessões foi realizado no sentido de que o diálogo entre as obras tornem cada filme maior,


potencializando uns aos outros, impulsionando debates, questionando limites e fronteiras entre as produções, entre a política e a estética. O cinema aqui deseja redefinições, justiça, é prática de resistência e propõe outras narrativas em diálogo com a história e a sociedade. A primeira sessão é marcada, em linhas gerais, se é que se podemos traçar linhas gerais (imaginárias e questionáveis, como nas cartografias), por filmes que se constroem na urgência de uma revisão historiográfica de sujeitos pertencentes a diversos grupos sociais invisibilizados em suas dores e feridas, em suas belezas e existências reais. Embora sejam questões que marquem a história da humanidade e brasileira, em especial, há séculos, as feridas permanecem sob panos quentes, gerando máculas e silenciamentos de dor, angústias e apagamentos desde as micropolíticas das relações afetivas e familiares até à política das relações, de trabalho, de classe, de gênero, de lugar nas cidades, na história. Historiografia, Babás, Travessia, Copacabana-Auschwitz, Fantasia de Índio. Aqui, mesmo o silêncio completo, traz em si clamores e luta por reescritas mais justas da história, das relações, de nós mesmos. Babás e Travessia feitos por diferentes mulheres, dialogam com a realidade daquelas que são quase sempre silenciadas pelo afeto de serem quase da família, desde as amas de leite, as mães-pretas, como destaca o filme de Consuelo Lins e que podemos ver reverberar no contemporâneo e na história familiar de Travessia. Os filmes nos fazem engasgar, buscar na memória as nossas próprias babás ou as que vimos trazer nossos amigos à escola, relembrando com 214 | MƒL 2018

afeto, saudade, angústia e dor o possível entorpecimento diante da realidade dessas pessoas tão próximas, mas cujos gritos, sem dúvidas, muitas vezes não conseguimos ouvir. A partir também de fotografias, Safira Moreira propõe uma operação de justiça, dedicando-se a filmar pessoas negras posando para sua câmera, tendo em vista que até pouco tempo atrás as famílias negras não tinham direito a registros fotográficos feitos por eles mesmos, pelo seu alto custo, sendo reféns de serem representadas quase sempre nas fotos das famílias brancas, onde ocupavam o lugar de escravas e mais tarde empregadas domésticas, babás. Em que medida este fenômeno do privilégio branco, apesar de toda luta dos movimentos e vozes minoritárias, ainda não se perpetua no cinema e na televisão? Quem faz os filmes? Quem escreve a história? Em Historiografia, Amanda Pó grita injustiças usando o silêncio. O mesmo silêncio que apagou as mulheres da história mundial e brasileira, nas mais diversas áreas. Em Fantasia de Índio, realizado por Manuela Andrade, vemos a sua busca por comprovar sua ascendência Xukuru esbarrar nos mecanismos de apagamento - dos nomes, do território, pelo sucateamento das instituições. Os corpos são por vezes apresentados como espelhos do território. A sobrevivência da memória pelo depoimento sobre o extermínio de famílias judias ao longo do regime nazista alemão feito Aleksander Laks, somado à montagem que traz para a imagem a relação entre Copacabana e Auschwitz dá força e forma à missão de Laks: “Eu sobrevivi para alertar que isso não pode acontecer de novo com ninguém”. Infelizmente, cada dia mais fica mais urgen-


te estar atento e forte a isso. A segunda sessão Territórios traz de forma mais clara a relação entre artistas e suas motivações para representar, onde o pessoal, o privado, encontra o político. Artistas em sua relação com o mundo, desde o olhar sobre o mínimo como o da câmera que acompanha um carrinho de mão nas ruas e o imperceptível diário em Improviso Ambulante, de Leandro Aragão, até a motivação artística relacionada à pesquisa da violência em suas muitas faces, às buscas pessoais, pela aceitação de gênero, pela alteridade, pela justiça, ao deslocamento, que marcam o ponto de vista que se tece entre história e contemporaneidade, a música e a fotografia, entre o som e a imagem, que se faz por meio de uma orquestra brasileira de fotografia, reunindo artistas de diversas origens e comunidades, com imagens-som muito particulares e dialógicas, como é o documentário pernambucano Prelúdio da Fúria, do fotógrafo Gilvan Barreto. São muitas as formas de revelar os mecanismos de retrocesso político do momento atual, de linchamento institucionalizado, do silêncio e exploração - como os silêncios em torno da violência sexual, das terras vermelhas exploradas pela mineração ou da violência contra os povos indígenas brasileiros - a orquestra nos dá potentes imagens de nós, imagens de resistência, imagens de vozes de minorias que se levantam, imagens interiores de som e fúria. A questão das comunidades e territórios indígenas, em especial, é um discurso forte ainda nos dois filmes que compõem terceira sessão, com Índios no Poder e A Terceira Margem. Embora tal questão já tenha aparecido, por um viés mais familiar, 215 | MƒL 2018

e não por isso imune aos apagamentos e silenciamentos, em Fantasia de Índio, onde a realizadora parte em busca de sua origem familiar indígena. O filme de Rodrigo Arajeju mostra, em alto e bom som, as barreiras que impedem demarcações de terras e que os direitos indígenas sejam respeitados, que vão desde o congresso nacional, majoritariamente composto por homens, brancos, ruralistas, o desinteresse dos partidos em apoiar efetivamente a campanha de um candidato indígena, e os constantes riscos de morte na trajetória das lutas políticas dos indígenas, aqui especificamente a etnia Guarani Kaiowá. Ao longo de A Terceira Margem, filme de Fabian Remy, acompanhamos sua trajetória junto a Thini-á Fulmi-ô pela busca da história de João Kramura. O caminho de cada filme e entre eles nos revela as marcas de um processo que afeta desde as narrativas familiares às trilhas políticas e históricas do nosso país. Sudestino(s), Balança Brasil e Kris Bronze ocupam a quarta sessão Territórios e narram um Brasil ainda pouco explorado, como no filme que dá corpo aos desejos e necessidades de deslocamento, de migração, dos sujeitos pelo Brasil, rodado quase inteiramente dentro de um ônibus, em Sudestino(s), de Germano de Sousa. Nele acompanhamos histórias pessoais que representam motivações que há décadas levam sujeitos de um canto a outro do país, como a falta de emprego. Há ainda os discursos políticos históricos – a escravidão, em Balança Brasil, de Carlos Segundo – e seus impactos sobre os sujeitos contemporâneos, aqui mais especificamente, personagens moradores de Porto Seguro, seus corpos, suas vidas, seus modos de ser e estar no mundo. Kris Bronze,


de Larry Machado, encena relações de afeto e trabalho no seio de uma família, que gerencia uma clínica caseira de bronzeamento no interior da casa, Brasil adentro, no estado de Goiás. Temos o bronzeamento como forma de trabalho de mãe e filha, que, em um dia de correria, nos revela marcas através do conjunto de vozes e confidências femininas, de seus modos de vida, acompanhando a relação entre corpo e imagem queimar linhas de ação-reação do instantâneo das redes de artifício e padrões de beleza que geram corpos e os apagam, um dia depois. Contragolpe é um filme de performance, de Alex Oliveira e Yuji Kodato, em que artistas do projeto Multidão em Um, do grupo mineiro Nóis, interagem em um ferro velho, localizado na BR-356 em Uberlândia, ocupando-o. É um filme que ocuparia, por tradição de lugar de experimentação menos narrativa, a sessão das Cabines Livres. No entanto, a força de sua experiência em trabalho de corporalidades do som aliada a uma câmera que desce e sobe de carros acompanhando corpos que se jogam contra a máquinas velhas mas presentes, denunciando a necessidade de agirmos juntos para ocupar e desmontá-la, levou-a a ocupar uma das formas mais tradicionais de exibição cinematográfica. Alimentando um ao outro, temos em sequência a representação do desejo de permanência de toda uma comunidade em uma ocupação na zona sul de São Paulo, narrativa do filme paulista Tem Dono, de Thiago Fernandes e Tiago A. Neves. A potência de lar que pode existir em cada pedaço de madeira que a marteladas se une a outro e vemos seus moradores subirem paredes para conseguir moradia, denunciam a marteladas a exclusão de um 216 | MƒL 2018

povo que tem esperança de construírem, juntos, a partir da ocupação de um espaço improdutivo, o básico para resistirem neste país. Na última sessão, há uma forte relação espaço, sujeitos e ocupação, ruptura e permanência, sem meias palavras, a marteladas. Andréa França, ao pensar sobre terras, fronteiras e a questão do lugar no cinema contemporâneo, defende que as formas expressivas para lidar com questões territoriais nos filmes “abrem as imagens para as relações não percebidas que lhes agrega, para uma interioridade da câmera, assim como para uma interioridade dos corpos”. O cinema aqui é, ele também, um corpo que luta, que denuncia silêncios e violências, questiona apagamentos, propõe narrativas. Os horizontes filmados de diversas maneiras e presentes, de alguma forma, em todos os filmes, são frutos deste jogo entre olhares, sujeitos, comunidades, cinemas e territórios. Muito mais do que o que foi dito na apresentação desta sessão, dos filmes e de suas propostas é a experiência dessas relações entre espaços e corpos, do cinema e da vida, de trabalho, de limite, de silêncio forçado, de morte, de ameaça, dos corpos, de retorno, de partida, de fronteira, de exclusão, das marcas sobre os corpos, de culturas e comunidades marginalizadas, de resistência que esses filmes trazem à flor da terra e da pele de um país que parece estar sempre por se reconhecer. Os filmes que ocupam estes Territórios vão na contramão dos mecanismos nefastos de apagamento, silenciamento e mutilação infligidos deliberada e historicamente contra nós, brasileiros. Scheilla Franca


TΞrritóЯiØs 1 60min

CCBB RJ - Cinema 1 - Quarta, 4/4, 17h50 CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 7/4, 16h30 CCBB SP - Cinema - Sábado, 14/4, 16h30 CCBB DF - Cinema - Terça, 8/5, 19h50

COPACABANAAUSCHWITZ RJ, 2017, 13min

Um aposentado tenta descrever sua habitual rotina de morador de Copacabana, mas as memórias de seu aprisionamento no Campo de Concentração de Auschwitz ao final da Segunda Guerra Mundial invadem sua narrativa. Aleksander Laks, imigrante polonês sobrevivente do temido campo de concentração nazista, conta sua história. Direção, Fotografia e Montagem: Jaiê Saavedra Outros: Fotografia: João Atala // Som Direto, Design de Som e Mixagem: Bernardo Adeodato // Fotografia Still: Nicolas Esquenazi // Julio Bezerra Contato: Jaiê Saavedra jaiefarias@gmail.com

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FANTASIA DE ÍNDIO PE, 2017, 18min

Desde criança, ouvia minha mãe falar da minha ascendência indígena. Há duas décadas atrás meu tio materno foi ao encontro dos xukurus à procura de rastros desse passado, resolvi dar continuidade a essa busca. Direção e Roteiro: Manuela Andrade Outros: Produção Executiva: Carol Vergolino, Daiane Dultra // Assistente de Produção executiva: Luiza Cavalcanti // Assistente de Direção: Anny Stone // Diretora de Produção: Clarissa Dutra // Assistente de Produção: Diego Xukuru, Guilherme Xukuru e Kleber Xukuru // Diretor de Fotografia: Breno César // Assistente de Fotografia: Junior

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Siqueira // Som Direto: Sá Luapo // Elétrica e Maquinária: Léo Nunes // Motorista Van: Mauricio Arrud // Ilustrações: Juliana Lapa // Animação: Juliana Lapa e Paulo Leonardo // Montagem: Paulo Sano // Desenho de som e Mixagem: Nicolau Domingues // Trilha Sonora: Nicolau Domingues e Caio Domingues // Correção de cor: Pri Maria // Still e Making Of: Clarissa Dutra // Controller: Patrícia Gonçalves // Prestação de contas: Matriz Contabilidade e Patrícia Gonçalves // Pesquisa: Paula Antunes e Jucélio Matos Contato: Alumia Produção e Conteúdo alumia.conteudo@gmail.com


TRAVESSIA RJ, 2017, 5min

Utilizando uma linguagem poética, Travessia parte da busca pela memória fotográfica das famílias negras e assume uma postura crítica e afirmativa diante da quase ausência e da estigmatização da representação do negro. Direção, Montagem, Roteiro, Som: Safira Moreira Outros: Câmera: Caíque Mello // Assistência: Tuanny Medeiros

HISTORIOGRAFIA SP, 2017, 4min

Por quem foi escrita a História? Direção: Amanda Pó Contato: Amanda Pó amandacspo@gmail.com

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Contato: Safira Moreira safiramoreira1@gmail.com


TΞrritóЯiØs 2 79min

CCBB RJ - Cinema 1 - Quarta, 4/4, 19h20 CCBB SP - Cinema - Domingo, 15/4, 16h30 CCBB DF - Cinema - Quarta, 9/5, 19h50

IMPROVISO AMBULANTE MG, 2017, 18min

O documentário investiga o fenômeno da improvisação, procurando superar os preconceitos em torno de sua aparente precariedade. Explora-se a ideia de que o ato de improvisar possa ser, antes de mais nada, um mecanismo inerente à natureza humana no sentido de buscar soluções e recursos novos, criando novos saberes, científicos ou não.

BABÁS

RJ, 2010, 20min Babás mistura elementos autobiográficos com uma reflexão sobre a presença das babás no cotidiano de inúmeras famílias brasileiras. Direção: Consuelo Lins Outros: Fotografia: Pedro Urano // Montagem: Daniel Garcia // Produção: Flavia Castro Contato: Consuelo Lins consuelolins@gmail.com 220 | MƒL 2018

Direção, Roteiro e Edição: Leandro Aragão Outros: Produção: André Hallak, Eder Santos e Leandro Aragão // Direção de Produção: Barão Fonseca // Direção de Fotografia: André Hallak // Design: Vitor Carvalho // Trilha: Fabiano Fonseca // Som direto: Osvaldo Ferreira e Fábio Ferreira // Edição de som e mixagem: Alexandre Martins Elenco: Marcelo Castro Contato: Eder San Júnior Cinematográfica e Arte Ltda - andre@tremchic.com


PRELÚDIO DA FÚRIA PE, 2017, 61min

“A História é contada por imagens e sons de dor e da fúria”. A frase, dita no idioma matriz do indígena Kamikia Kisedjê, abre e norteia o documentário Prelúdio da Fúria, primeiro filme do fotógrafo e artista visual pernambucano Gilvan Barreto. Nele, Gilvan articula um diálogo entre a obra e as experiências de oito fotógrafos e artistas visuais brasileiros ou radicados no país. Adelaide Ivánova (Recife/Berlim), Bruno Morais/ Coletivo Pandilla (RJ), Hirosuke Kitamura (Japão/Bahia), Kamikia Kisedje (MT), Leo Caobelli/Coletivo Garapa (SP/RS), Lourival Cuquinha/Aparelhamento (PE/SP) e Virginia de Medeiros (BA/SP) partilham suas inter221 | MƒL 2018

pretações para o cotidiano de brutal violência, contradição e vulnerabilidade que se naturalizou na sociedade, em especial nos âmbitos tornados invisíveis por exclusão. A força motriz do trabalho dos artistas é alinhavada ao contexto de convulsão política que envelopou o Brasil em 2015 e 2016. Direção e roteiro: Gilvan Barreto Outros: Produção: Carol Ferreira e Luiz Barbosa // Direção de fotografia: Leo Caobelli // Som Direto: Lucas Ramalho, Antonio Carlos (Liliu), Marcos Manna // Edição de Som, desenho de som e mixagem: Gera Vieira // Montagem: Fabian Remy e Natara Ney // Trilha Sonora: Vários // Direção Musical: Pupillo Contato: Carol Ferreira carolferreira@jaraguaproducoes.com.br


TΞrritóЯiØs 3 78min

CCBB RJ - Cinema 1 - Quinta, 5/4, 18h CCBB SP - Cinema - Domingo, 15/4, 18h15 CCBB DF - Cinema - Quinta, 10/5, 19h50

ÍNDIOS NO PODER DF, 2015, 21min

Mario Juruna, único índio parlamentar na história do país, não consegue se reeleger para a Constituinte (1987/88). Sem representante no Congresso Nacional desde a redemocratização, as Nações Indígenas sofrem golpes da Bancada Ruralista aos seus direitos constitucionais. O cacique Ládio Veron, filho de liderança Kaiowa Guarani executada na luta pela terra, lança candidatura a deputado federal nas Eleições 2014, sob ameaças do Agronegócio no Mato Grosso do Sul. Contra a PEC 215, seu slogan de campanha é “terra, vida, justiça e demarcação”.

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Direção e Roteiro: Rodrigo Arajeju Outros: Direção de Produção: Pablo Peixoto // Produção Executiva: Alisson Machado // Fotografia: André Carvalheira // Montagem: Sergio Azevedo // Direção de Arte: Marcia Roth // Som: Alisson Machado // Edição de Som: Mauricio Fonteles. Elenco: Deputado Mario Juruna (em memória), Valdelice Veron Kaiowa Guarani, Ailton Krenak, Doéthiro Álvaro Tukano, Aurivan “Negrinho” Truká, Sonia Guajajara e Cacique Ládio Veron Kaiowa Guarani. Contato: Rodrigo Arajeju rodrigo@7gdocumenta.com.br


A TERCEIRA MARGEM MG, 2016, 57min

Em 1953, treze anos depois do início da célebre Marcha para o Oeste, os indigenistas irmãos Villas-Boas encontram, entre os índios Kaiapó, o jovem João Kramura, um branco roubado de seus parentes e criado na tribo. Através do índio Funi-ô Thini-á, reconstitui-se a história de João e também a do próprio Thini-á, que compartilha o mesmo trânsito atribulado entre dois mundos. Seguindo os passos de João, que encontra ressonância nos de Thini-á, colocam-se em cheque a ruptura da cultura indígena diante da invasão branca e a evolução dos conceitos de antropólogos e indigenistas ao longo de 60 anos.

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Direção: Fabian Remy Outros: Produção Executiva: André Hallak, Eder Santos // Coprodução: Alexis Taillant (Wendigo Films) // Diretor de Fotografia: Lucas Barbi // Som: Osvaldo Ferreira // Edição: Fabian Remy, Bruno Carboni // Trilha sonora: Rafael Martins // Edição de som e mixagem: Alexandre Martins // Direção de Produção: André Hallak, Barão Fonseca, Leandro Aragão Elenco: Thini-á Fulni-ô Contato: Eder San Júnior Cinematográfica E Arte Ltda - andre@tremchic.com


TΞrritóЯiØs 4 70min

CCBB RJ - Cinema 1 - Sexta, 6/4, 17h30 CCBB SP - Cinema - Segunda, 16/4, 18h20 CCBB DF - Cinema - Sexta, 11/5, 18h30

BALANÇA BRASIL MG, 2017, 25min

O porto, um descobrimento, dois corpos em movimento.

SUDESTINO(S) CE, 2000, 20min

“Eu gosto mesmo é de andar pisando no chão. Voar, é só pra quem tem asas” Uma viagem ao interior da amizade. Direção, Fotografia, Som, Roteiro e Edição: Germano de Sousa Outros: Música: Tiago Almeida Contato: Germano de Sousa germanomundo@gamil.com

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Direção: Carlos Segundo Outros: Produção: O Sopro do Tempo // Fotografia: Roberto Chacur // Som Direto: Cristiano Barbosa // Roteiro: Carlos Segundo e Cristiano Barbosa // Desenho de Som: Pier Valencise Contato: Carlos Segundo dir.carlossegundo@gmail.com


KRIS BRONZE GO, 2017, 25min

Kelly Cristina prepara sua festa de confraternização. Direção e Roteiro: Larry Machado Outros: 1º Assistente de Direção: Adan Souza // Produtora Executiva: Cecília Brito // Diretor de Produção: Tothi Cardoso // Diretor de Fotografia: Antônio Queiroz // 1º Assistente de Câmera: Danilo Pimentel // Técnico de Som: Guilherme Nogueira // Microfonista: Pedro Allyen Fiel // Diretora de Arte/Figurinista: Wilma Morais // Assistente de Arte: Mikael Siqueira // Edição: Thomaz Magalhães // Edição de Som, Composição e Gravação da Trilha Sonora: Thiago Camargo // Motorista: Willian Neris

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Elenco: Kelly Cristina Cardoso Ramos Souza, Moisés Ferreira Souza, Valdemir Jorge dos Santos, Joelma Rodrigues de Sousa, Fernanda Pereira da Silva, Jhuly Marques da Silva, Veralucia Fereira Fantes, Simone Santos de Oliveira, Maria Carolina Brito Dias, Katya Benaz Cassiano, Marielli Alves Santos, Fernanda Rabelo Rodrigues, Karla Cristina C. Otone, Joseanny S. Nascimento Castro, Ludmylla Damascena Silva Pires, Danielly Cristina C. Souza, Mileyde Araújo Lima, Veronica Araujo Silva, Jackelini Sousa Oliveira, Bianca Marques de Morais, Ana Paula da Silva Santos Contato: Larry Sullivan Machado distribuidora@kinoptera.com


TΞrritóЯiØs 5 68min

CCBB RJ - Cinema 2 - Quinta, 22/3, 19h CCBB SP - Cinema - Sábado, 31/3, 16h30 CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 8/4, 17h CCBB DF - Cinema - Sexta, 12/5, 18h40

TEM DONO SP, 2016, 61min

O documentário retrata uma ocupação espontânea de várias famílias em um terreno na zona sul de São Paulo. Os moradores organizaram-se, limparam a área, dividiram os lotes e construíram suas casas. O filme discute ainda quem realmente são os donos da cidade.

CONTRAGOLPE MG, 2017, 7min

Videoperformance produzido num ferro-velho localizado na BR-356 em Uberlândia, MG. As ações propõem ser um desdobramento do trabalho Carcaça, realizado pelo grupo de dança Strondum, num misto entre dança e intervenção urbana. Direção e edição: Alex Oliveira Outros: Câmeras: Alex Oliveira e Yuji Kodato // Som direto: Lucas Vidal Elenco: Performers/Dançarinos: Andressa Boel, Cláudio Henrique Strondum, Lucas Dilan Dilan, Mariane Araujo e Nádia Yoshii. Contato: Alex Oliveira alexo.fotografia@gmail.com 226 | MƒL 2018

Direção, Fotografia e som direto: Tiago A. Neves, Thiago Fernandes Outros: Roteiro e Montagem: Tiago A. Neves Contato: Toco Filmes tiago.a.neves1@gmail.com


QuΞstãØ dЄ

GêиΞrØs


QuΞstãØ dЄ GêиΞrØs Mais uma MFL e, como sempre, nos perguntamos “o que é filme livre?”, sem saber qual a resposta (e ainda bem). Mas não questionamos a liberdade de qualquer autor(a) em fazer o que bem entender. E isto inclui a sua vontade de fazer o dito “cinema de gênero”, ou seja, obras nitidamente veiculadas a um padrão comercial, como terror, ficção-científica, faroeste etc. Os “filmes de gênero” muitas vezes flertam melhor com o grande público, com a bilheteria, com o cinema clássico narrativo... E qual o problema disto? Filme bom tem que ser “de arte”? E “filme de arte” também não seria um gênero? Como nós da MFL não podemos ter preconceito, por isto propomos a sessão aqui descrita. Sessão esta que nas edições anteriores tinha o provocativo título de “Trash ou Cinema de Gênero?”, questionando o preconceito de que... Ora, se algum brasileiro fizer um longa de horror, por exemplo, o resultado seria necessariamente “ruim”? Ou ele teria que apostar na fórmula “tão ruim que é bom” pra gerar alguma “graça”? Mas o fato é que a termologia “trash”, além do estrangeirismo e de soar pejorativo, não faz mais sentido. A moda do “quanto pior, melhor”, 228 | MƒL 2018

tão moda nos anos 90, não é o mote de hoje, já que a tecnologia atual permite filmagens de qualidade e efeitos até razoáveis. Portanto, o desafio agora é construir boas narrativas e, se possível, fazer algo novo. Por isto separamos curtas e longas que fazem a diferença: se de um lado se percebe o extremo profissionalismo do longa O Nó do Diabo, podemos ver em Pazucus, a Ilha do Desarrego um tour de force de tosqueira e nojentice poucas vezes visto na História do Cinema. Para aumentar o cardápio, propomos uma supimpa sessão de curtas de terror e o documentário FantastiCozzi, sobre o inacreditável cineasta italiano Luigi Cozzi, que não deixa de ser uma divertida aula de cinema.

Christian Caselli


Questão de Gêneros 1 74min

CCBB RJ - Cinema 2 - Quinta, 22/3, 19h e Domingo, 8/4, 17h30 CCBB SP - Cinema - Sábado, 31/3, 16h30 CCBB DF - Cinema - Sexta, 4/5, 18h30

COM AMOR MG, 2017, 7min

Sempre te amei e sempre irei te odiar. Direção e Fotografia: Luciano de Azevedo Outros: Assistente de Direção: Yuri Westermann // Roteiro: Luciano de Azevedo, Carolina Queiroz, Luana Frasson // Assistente de Fotografia: Luan de Azevedo, Durso BC // VFX: JC Phillips // Direção de Arte: Carolina Queiroz // Efeitos: Corelio Rosa, Luciano de Azevedo // Maquiagem e Cabelo: Renata Falci // Wardoble: Ingryd Lamas // Still: Daniel Zinato // Sound Score: Rafa Castro // Folley: Corelio Rosa / Luciano de Azevedo Dir. de Produção: Luciano de Azevedo Assist. Prod.: André Garcia / Lucas Nascimento / Giovana Enham Edit / Color: Luciano de Azevedo Executive: Luciano de Azevedo Elenco: Actors: Edina Marcia Zinato Respeita, Mauro Pianta, Sávia Cristina Rosa Contato: Luciano de Azevedo Melo Jr azevedoluciano85@gmail.com

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DANNY

SP, 2016, 9min Alice, uma jovem de 20 anos, acorda na madrugada do Dia das Bruxas com um telefonema de um estranho. Tudo parecia normal até começar a enfrentar uma série de acontecimentos surreais e viver fantasias terríveis. Será isso travessuras de sua mente ou algo muito ruim está por vir? Direção, Produção, Roteiro, Direção de Fotografia, Direção de Arte, Edição: Fernando Alves Outros: Assistente de Produção: Ana Lúcia Alves Elenco: Jhúlia Soares, Fernando Alves, Lucas Velloso, Tereza Alves, Camilly Cardoso Contato: Fernando Alves fernandosilvaalves89@gmail.com


CINCO CÁLICES SP, 2017, 11min

Ivan está mal de saúde, ele descobre ter pouco tempo de vida e nenhuma esperança de sobrevivência. Porém uma estranha proposta sobrenatural pode mudar o seu destino. Direção: Rubens Mello & Julio Wong Outros: Roteiro: Rubens Mello // Direção de Fotografia: Janderson Rodrigues // Direção de Som: Fabio Siqueira // Efeitos Especiais: Igor Carcará Elenco: Cesar Coffin Souza, Lane ABC, Liz Marins e Warley Santana Contato: Julio Wong thejuliowong@hotmail.com

CASULOS SP, 2017, 13min

Ela só queria descansar, mas algo vindo de muito distante atrapalha seus planos. Direção, Direção de Fotografia, Montagem, Finalização e Argumento: Joel Caetano Outros: Produção Executiva, Direção de Produção e Figurino: Mariana Zani // Roteiro, Direção de Arte e Som Direto: Joel Caetano e Mariana Zani // StoryBoard, Concepts, Efeitos Especiais, Maquiagem de Efeitos, Animação 2D, Stop Motion, Criação e Manipulação dos Bonecos, Dublagem e Sonorização: Joel Caetano Trilha Sonora e Efeitos Sonoros: Open Source Elenco: Mariana Zani, Joel Caetano Contato: Joel Caetano joelcae@yahoo.com.br

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ESPÉCIME 53 SP, 2017, 19min

Um pesquisador vive isolado em seu complexo de pesquisa, completamente obcecado pelo seu trabalho que se resume em realizar estranhas experiências com seres humanos. O surgimento de um visitante grotesco inesperado assombrará os dias do cientista arrastando-o para o fundo de um turbilhão de paranoias e tirando-lhe qualquer traço de sanidade. Ao longo da trama descobriremos que as experiências tem como intuito transformar seres humanos em canibais agressivos. O que, claro, acabará tendo papel central na conclusão da trama que envolve criador, criaturas e algum sangue. 231 | MƒL 2018

Direção e Roteiro: Leonardo Prioli Outros: Assistente de Direção: Lucas Miranda // Diretor de Fotografia: Caê Kokubo // Assistente de Fotografia: Cauê Gruber // Eletricistas: Cauê Gruber, Raoni Gruber // Direção de Arte e Efeitos Especiais: Fábio Spila, Gabrielle Benato Marçal // Produção: Beatriz Vallego, Leonardo Prioli // Produção de Set: Matheus Aragão // Captação de Som: Daniel Matsumoto // Edição, Cor e Desenho de Som: Leonardo Prioli Elenco: David Wendefilm, Anderson Modesto, Anderson Marques, Karina Moraes Contato: Leonardo Thadeu Fabbri Prioli prioli.leo@gmail.com


CANA

SP, 2017, 15min Enquanto Beto está no bar assistindo ao jogo do seu time de coração, seus filhos brincam ao lado de um canavial onde habita uma misteriosa criatura pronta para devorá-los. Direção, Produção e Roteiro: Giovani Beloto Outros: Produção Executiva: Rafael Battistuzzo // Direção de Arte: Isabelle Moro // Foto-

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grafia: Laura Iori // Montagem: Alberto Camargo // Som: Gezez Teles e Lucas Bergamini Elenco: Ana, Sara Santarém Beto, Hugo Vidal Pedro, Vinícius Xavier Flávia, Sophia Fré Juca, Gustavo Cancian Mateus, Paulo Biazotto Contato: Giovani Beloto giovani.beloto@hotmail.com


Questão de Gêneros 2 70min

CCBB RJ - Cinema 2 - Sexta, 23/3, 19h CCBB SP - Cinema - Sábado, 31/3, 18h CCBB RJ - Cinema 1 - Domingo, 8/4, 18h30 SEGUIDA DE DEBATE CCBB DF - Cinema - Sexta, 4/5, 20h

FANTASTICOZZI RS, 2016, 70min

Luigi Cozzi ama a ficção científica e a fantasia desde a infância, e seu sonho era um dia tornar-se diretor de filmes desse tipo. Ao longo de cinco décadas, Cozzi perseguiu esse sonho enfrentando orçamentos apertados, produtores gananciosos e roteiros modificados. Sua história, contada através de seus filmes, é a história da obsessão de um homem por fazer filmes de ficção científica em um país que não se importava com isso. FantastiCozzi é o resultado de mais de doze horas de entrevistas e material filmado pelo jornalista 233 | MƒL 2018

brasileiro e cineasta independente Felipe M. Guerra, durante uma visita do cineasta italiano ao Brasil em 2010. Provavelmente é a mais completa retrospectiva da vida e do trabalho deste diretor de culto - um filme engraçado, cheio de aventura e fantasia, e tão inacreditável quanto a vida de Cozzi! Direção e edição: Felipe M. Guerra Outros: Produção: João Pedro Fleck, Nicolas Tonsho, Felipe M. Guerra e Eliseu Demari // Câmera: Martina Dreyer e Felipe M. Guerra Elenco: Luigi Cozzi Contato: Felipe M. Guerra felipemguerra@yahoo.com.br


Questão de Gêneros 3 111min

CCBB RJ - Cinema 2 - Sábado, 24/3, 18h CCBB SP - Cinema - Domingo, 1/4, 15h15 CCBB RJ - Cinema 1 - Segunda, 9/4, 16h CCBB DF - Cinema - Sábado, 5/5, 16h40

PAZUCUS: A ILHA DO DESARREGO SC, 2017, 111min

Dentro do intestino de Carlos, monstros fecais se preparam para o seu fim. Esta confusão estomacal torna-o uma presa fácil para o obsessivo Dr. Roberto. Ao mesmo tempo, Oréstia e Omar procuram harmonizar seu relacionamento em um acampamento e são, gradualmente, oprimidos pela natureza, que de paradisíaca torna-se infernal. Direção: Gurcius Gewdner Outros: Produção: Gurcius Gewdner, Garganta Silva, Cavi Borges, Ligia Marina, Hector B., Marcel Mars // Produção Executiva: Gurcius Gewdner, Marcel Mars, Garganta Silva, Cavi Borges, Sune Rolf Jensen, Flavio C. Von Sperling, Alexandre Brunoro, Teresa Siewerdt, Jefferson Kielwagen, Aristides 234 | MƒL 2018

Rudnick e Zimmer // Fotografia: Flavio C. Von Sperling, Marcel Mars e Pablo Pablo // Efeitos Especiais, Sangue, Vômitos E Cocô: Alexandre Brunoro // Trilha Sonora: Anna White, Excria Reverbera, Lucas Rosseti, Peter Gossweiler, Pontogor & Marcel // Tratamento de Audio: Amexa. Elenco: Marcel Mars, Gurcius Gewdner, Priscilla Menezes, Ligia Marina, Hector B. Braga, Garganta. Participações de Amexa, Magnum Borinni, Pomba Claudia, Maiara P., Flavio C. Von Sperling, Ljana Carrion, Carlos Dias, Ju Simon, Scott Gabbey, Daniel Villa Verde, Galori Fernandes, Lara Albrecht, Andreza Gomes, Everton Antunes, Fabio Bianchini, Hardgar Garcia, Eloah Haole, Vitor V., Milosko Siesty e as vozes de Marcius Lindner e Mariana Ungaretti. Contato: Gurcius Gewdner bulhorgia@gmail.com


Questão de Gêneros 4 128min

CCBB RJ - Cinema 2 - Domingo, 25/3, 18h30 CCBB SP - Cinema - Domingo, 1/4, 17h30 CCBB RJ - Cinema 1 - Segunda, 9/4, 18h20 CCBB DF - Cinema - Sábado, 5/5, 19h

O NÓ DO DIABO PB, 2017, 128min

Cinco contos de horror. Uma fazenda tomada por horrores há mais de duzentos anos. Cinco encontros com a morte. Um nó que não se desata. Direção: Ramon Porto Mota; Gabriel Martins; Ian Abé; Jhésus Tribuzi Outros: Roteiro: Jhésus Tribuzi, Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Anacã Agra, Ian Abé Criação: Ramon Porto Mota // Produção: Ramon Porto Mota, Ian Abé, Mariah Benaglia, Lucas Guimarães Salgado, Fabiano Raposo, Jhésus Tribuzi // Produção Executiva: Ramon Porto Mota, Lucas Guimarães Salgado // Direção de produção: Mariah Benaglia, Carine Fiuza // Direção de Fotografia: Leonardo Feliciano // Direção de Arte: Manoele Scortegagna // Montagem: Daniel Bandeira // Efeitos Especiais: Kapel Furman, Raphael Borghi // Pós-Produção e Finalização: Ely Marques // Música: Daniel Jesi, Rieg Rodig,

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Carlos Montenegro, Claudio N, Luiz Pessoa, Vito Quintans // Figurino: Aurora Caballero, Alan de Abrantes // Maquiagem: Jéssica Monge // Som Direto: Bruno Alves // Desenho de Som: Catarina Apolonio, Raul Arthuso // Mixagem: Gera Vieira // Produção de Finalização: Ian Abé // Produção de Elenco: Fabiano Raposo, Maria Clara Escobar, Nina Flor // Gaffer: Pablo Giorgio // Contrarregra: Luiz Henrique // Platô: Cícero Alves // Continuidade: David Sobel // Logger/Still: Jhésus Tribuzi // Produção de Arte: Caio Cagliani // Produção de Objetos: Rodolfo Marques // Pesquisa de Locação: Ian Abé, Elisandra Neves, Allan Cavalcante, Fabiano Raposo // Produção Local / Lagoa Grande: Allan Marcus Gomes Cavalcante // Produção Local / Pilar: Felipe Martins // Produção Local / Apodi: Antônio César de Lima Pereira Filho // 1º Assistente de Direção: Nathalia Gomes // 2º Assistente de Direção: Fabiano Raposo // Assistente de Produção: Luana Yurine, Kemilly Thayná // 1° Assistente de Fotografia / Steadycam: Tiago Rios // 2° Assistente de Fotografia: Luís Barbosa Elenco: Fernando Teixeira, Isabél Zuaa, Cíntia Lima, Edilson Silva, Tavinho Teixeira, Clebia Sousa, Alexandre Sena, Miuly Felipe da Silva, Yurie Felipe da Silva, Zezé Motta, Everaldo Pontes. Elenco Secundário: Buda Lira, Omar Brito, Cris Leandro, Flávio Guilherme, Alessandra Cariri, Ayleen Vant, Flávia Espinosa, Geyson Névoa, Laís Lacerda, Jardeilson Gonçalves, Luis Fernando Nascimento, Vinicios Monteiro, Arly Arnaud, Soia Lira, Fernanda Ferreira, Daniel Araújo Contato: Ramon Porto Mota ramon_vol1@hotmail.com


EXTRas

Mais uma vez lançamos a ação independente Cineclubes Livres. A maior ação cineclubista em voga no Brasil, há 11 anos levando filmes livres para mais gente Brasil adentro. Chegamos nessa 17ª edição da MFL com o desejo de, mais uma vez, expandir o alcance desse cinema vivo, que emerge à margem das leis de incentivo e do capital especulativo, livres na forma, livres no conteúdo, livres para fazerem suas pequenas revoluções. Serão três sessões disponíveis 0800 para qualquer exibidor ou exibidora escolher, que poderá programar até três projeções durante os meses de junho e julho de 2018. A programação segue as melhores tendências da MFL2018 com sessões que representam muito bem a dinâmica e multiplicidade da atual produção de cinema livre. Em abril lançaremos as inscrições pelo nosso site, sem burocracia ou morosos e complexos processos seletivos, és alguém

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que projeta filmes? Tem uma galera pra levar e ocupar as cadeiras em volta de uma tela? Então sua participação está garantida! Venha fazer parte de mais uma edição da MFL. Os filmes todos serão enviados pela internet, assim como a arte gráfica da Mostra, nós nos comprometemos a divulgar todas as sessões em nosso site, além de todo suporte para questões que possam surgir. Embarque conosco nesse mar de imagens e sons e venham surfar nessa onda do cinema livre! Faça parte dos Cineclubes Livres.


CCBB SP - Cinema - de 23 a 26 de março, das 14h às 17h CCBB RJ - Cinema - de 28 a 31 de março, das 14h às 17h CCBB DF - Cinema - de 25 a 28 de abril, das 14h às 17h *Inscrições gratuitas até a lotação da sala, através do site www.mostralivre.com Classificação Indicativa: Livre

CINEMA E MEMÓRIA O uso de materiais de arquivo na produção contemporânea O arquivo está na moda. Menos como o espaço institucional destinado à patrimonialização da cultura em suas diversas manifestações, usos e sentidos, e mais como uma metáfora de um repositório acumulado que cumpre descobrir, pesquisar, ressignificar em dimensões que vão da memória à história, do passado ao tempo, do esquecimento à preservação, da materialidade à virtualidade. Não se trata 237 | MƒL 2018

só de usar o arquivo como um instrumento de nostalgia e mesmo de negação do presente e do futuro, ou como banco de dados para preencher lacunas de mais uma tentativa de narrativa coerente do passado, ou ainda como campo de experimentação formal, mas de investigar suas arquiteturas discursivas ao longo de um tempo que vai se sedimentando, à maneira do palimpsesto beijaminiano. Teria a imagem audiovisual estrada e carga suficientes para uma tal operação? Seriam os softwares, a educação sonora e visual, e a busca incessante por novos “cases” artísticos capazes de produzir uma estética diferenciada? Sustenta-se que o arquivo como elemento de significação (qualquer documento arquivístico) está entre a narrativa e o contigente, entre silêncios e esquecimentos, entre o outro que ele enuncia e o ser que o utiliza, entre sua prática (burocrática) inerente e a rearticulação (artística) que dele fazem. O curso vai debater algumas dessas implicações relacionando-as ao universo da produção audiovisual contemporânea. Tópicos de aula: • O conceito de arquivo no campo da arte; • O arquivo como lugar de práticas criativas; • Do arquivo geral ao arquivo pessoal; • Filmes de arquivo – tendências contemporâneas.


Debates Livres São Paulo

DIA 23-03 - OLÍVIO, com o realizador Olívio Tavares de Araújo e o curador Gabriel Sanna DIA 24-03 - ATOS DA MOOCA, com os realizadores Renato Coelho, Priscyla Bettim e Caio Lazaneo, e o curador Gabriel Sanna DIA 25-03 - CURVELO, com o realizador Marcus Curvelo e o curador Gabriel Sanna DIA 04/04 - HÍBRIDOS: Com os realizadores Vincent Moon e Priscilla Telmon, mediação do poeta Carlos Eduardo Magalhães

Rio de Janeiro

DIA 25-03 - ESPECIAL CHORUME Com um dos idealizadores da Mostra Chorume e curador da sessão Especial Chorume, Cleyton Xavier, e os realizadores Lua guerreiro, Lucas Slater, Pedro de Chirico, Clara Chroma e Constantin de Tugny DIA 26-03 - ESPECIAL GRANDE SERTÃO Com a realizadora Anita Leandro e Dôra Guimarães, uma das diretoras do Grupo Miguilim DIA 28-03 – HÍBRIDOS Com os realizadores Vincent Moon e Priscilla Telmon, mediação da pesquisadora Mônica Frota DIA 31-03 – CURVELO Com o realizador Marcus Curvelo e o curador Gabriel Sanna DIA 6-04 – ATOS DA MOOCA Com os realizadores Renato Coelho, Priscyla Bettim, Caio Lazaneo e o curador Diego Franco 238 | MƒL 2018

DIA 7-04 – OLIVIO Com o realizador Olívio Tavares de Araújo e o curador Gabriel Sanna DIA 8-04 – QUESTÃO DE GÊNERO Com o curador Christian Caselli, o realizador Gurcius Gewdner e o pesquisador Fábio Velozzo DIA 15-04 - PREMIADOS Com o idealizador da MFL, Guilherme Whitaker, os jurados Roni Filgueiras (ELVIRAS) e Filippo Pitanga (ACC-RJ) e os(as) diretores(as) dos filmes premiados

Brasília

DIA 24-04 - HÍBRIDOS Com os realizadores Vincent Moon e Priscilla Telmon DIA 27-04 - CURVELO Com o idealizador da MFL, Guilherme Whitaker, e o realizador Marcus Curvelo DIA 28-04 - OLIVIO Com o idealizador e curador da MFL, Guilherme Whitaker, e o realizador Olívio Tavares de Araújo DIA 6-05 - NOSSA PORÇÃO MULHER Com Janaína André, Nina Rodrigues e Yale Gontijo DIA 13-05 - CURTA DF 2 Com Vinicius Machado, realizador do filme Menina de Barro, a produtora Rafaela Machado e a atriz Marina Mara DIA 20-05 - SESSÃO DE ENCERRAMENTO Com Jul Pagul, coordenadora da Rede Carnavalesca, Marina Mara, coordenadora do Rejunta meu Bulcão, e José Sóter, Fundados do Pacotão


EQUIPΞMFL2Ø18 CURADORIA MFL Guilherme Whitaker, Diego Franco, Scheilla Franca e Gabriel Sanna PRODUÇÃO EXECUTIVA Guilherme Whitaker e Diego Franco CURADORIAS ESPECIAIS Christian Caselli, Ricardo Rodrigues (CGB), Chico Serra, Cleyton Xavier, Mateus Guimarães e Janaína André

PRODUÇÃO SÃO PAULO Vanessa Eça PRODUÇÃO BRASÍLIA Daniela Marinho DIREÇÃO DE ARTE (DF) Marina Mara VÍDEOGRAFISMO Christian Caselli

ASSISTENTE DE CURADORIA Diego Bion

ASSISTENTES DE PRODUÇÃO RJ Barbara Vento, Diego Bion e Duda Kunhert

DESENHO GRÁFICO Ilustrações: Ida Leal Direção de arte: Thiago Venturotti

ASSISTENTES DE PRODUÇÃO SP Vanessa Lima, Gabriel Santos Chaves e Diego Cavalcante Urbaneja

ILUSTRAÇÕES MOSTRINHA LIVRE Lara Spitz Sousa e Luiza Borges da Fonseca, alunas do Centro de Artes de Lumiar.

ASSISTENTES DE PRODUÇÃO DF Diego Muniz, Eduardo Araújo, Guilherme Marinho e Luciana Santos

CURSO DE CINEMA Hernani Heffner

ASSESSORIAS DE IMPRENSA RJ: Alexandre Aquino SP: Mara Ribeiro DF: Ulisses Freitas

PRODUÇÃO TÉCNICA DAS CÓPIAS E PROJEÇÃO Daniel Cruz, Aline Mielli e Renato da Mata PRODUÇÃO RIO DE JANEIRO Diego Franco

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CINECLUBES LIVRES Carlos Eduardo Magalhães


EQUIPΞMFL2Ø18 FOTOGRAFIA RJ Chico Serra PRODUÇÃO GRÁFICA Sidnei Balbino JÚRI SESSÃO PANORAMAS Associação de críticos do RJ, ACC-RJ, formado por Filippo Pitanga, Ricardo Cota e Gilberto F. Silva Jr. JURI SESSÃO LONGAS LIVRES Site Cine Festivais, formado Adriano Garrett, Amina Jorge e Rodrigo Pinto JURI SESSÃO CAMINHOS Coletivo de críticas ELVIRAS, formado por Roni Filgueiras, Julia Levy e Roberta Canuto SITE MFL Rivello/Menta TRILHA SONORA (VINHETA) Löis Lancaster CONTABILIDADE Maxicontábil - Contabilidade, Administração e Web PATROCÍNIO: Banco do Brasil REALIZAÇÃO: Ministério da Cultura Centro Cultural Banco do Brasil

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AGRADECIMENTOS Olívio Tavares de Araújo, alunos do Campus Centro - Colégio Pedro II, Andrea Bandeira Ribeiro(CP2), Camila Vieira, Carlos Trajano, Clarice Gonçalves, Ctav, Daniela Pfeiffer, Direção-Geral do Campus Centro (CP2), Diretoria de Culturas (CP2), Eloísa Sabóia (CP2), Extensão e Cultura (CP2), Felipe Careli de Castro, Fernanda Abreu, Frederico Pagnuzzi dos Santos (CP2), Filippo Pitanga, Joana Nogueira, Joana Peregrino, João Ricardo Melo Figueiredo (IBC), Jorge O Mourão, Liana Correa, Márcia Oliveira (CP2), Maria Isabel da Silva Oliveira (IBC), Maria Isabel Oliveira, Mario Travassos, Mirna de Almeida Quesado (CP2), Oscar Halac (CP2), Pesquisa, Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Reitoria do Colégio Pedro II, Renato Costa, Ricardo Freitas, Rodrigo Soprana, Rosangela Sodré, Rosiane Dourado (CP2), Samantha Brasil, Tatiana Anjos e aos 1.100 filmes que se inscreveram para participar da MFL2018! O Troféu Filme Livre! é uma criação de Cacá Barcelos.

Ilustração da página 141, livremente inspirada na obra de Giuseppe Arcimboldo. Ilustrações da página 154, baseadas nos desenhos originais do filme Híbridos, de Vincent Moon e Priscilla Telmon


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MFL2018 Catálogo  
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