JORNAL DO SERVIÇO EDUCATIVO OUTUBRO A DEZEMBRO 2012 | NUMERO 22 Coordenação Elisabete Paiva Edição Elisabete Paiva e Sandra Barros Produção Gráfica Susana Sousa Comunicação Bruno Barreto Marta Ferreira
Design Atelier Martino&Jaña Textos de Camila Caetano Delfim Ferreira Lara Soares Luís Costa Manuel M. Fernandes Sandra Barros Ilustração Sérgio Domingues
Laboratório LURA Marina Palácio Distribuição Andreia Abreu Andreia Novais Carlos Rego Hugo Dias Paulo Covas Pedro Silva Sofia Leite Susana Pinheiro
PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL servicoeducativo@ aoficina.pt ISSN 1646-5652 Tiragem 3000 exemplares
«ESSE MÉTODO ESTÓICO DE BASTAR ÀS NOSSAS NECESSIDADES SUPRIMINDO OS NOSSOS DESEJOS EQUIVALE A CORTARMOS OS PÉS PARA JÁ NÃO PRECISARMOS DE CALÇADO.» Jonathan Swift
JORNAL DE ARTES E EDUCAÇÃO
EDITORIAL
PISTAS
Imaginar significa “representar no espírito”, “idear” ou “conjeturar”; significa pois, entre outras coisas, produzir imagens, seja sobre si próprio, os outros ou as coisas em volta. Libertas de não ser a própria coisa, essas imagens revelam outras formas, sentidos ocultos naquilo que nos é familiar e (aparentemente) conhecido. Imaginar é por isso uma das formas mais profundas de conhecer e imaginar-se uma poderosa ferramenta de emancipação. Se, como diz uma boa amiga nossa, a criatividade não vem do nada e a imaginação não se alimenta do “monstro obeso do vazio”, pois donde vêm as ideias e os pensamentos, de que se alimentam as imagens que na cabeça construímos? Rapidamente se percebe que a imaginação é muito gulosa e precisa de bom alimento, oriundo das mais refinadas culturas. Assim, sugerimos bons livros e muitas viagens por sítios longe do nosso
sofá, espetáculos de palco e de rua, grandes e pequenos, silenciosos ou delirantes, filmes e serões de conversa, com chás, licores ou outras bebidas da preferência de cada um… Imaginemos, então! Perto de nós, num pequeno país, um silêncio fundo se cava dentro dos teatros, museus e outros espaços culturais, aguardando o ano que vem. Perto de nós, um país como o de ontem, como o de ainda há pouco, começa a ressurgir. Imaginemos esse país. Imaginemos
um país sem teatros, sem museus e sem bibliotecas… sem universidades ou cinemas. País a preto e branco, país só para alguns, país muro de quintal. Ontem, nesse país, um poeta cantava: “Só há liberdade a sério quando houver / A paz, o pão, habitação, saúde, educação” e, hoje, nós gostaríamos de acrescentar “… e imaginação”.
Elisabete Paiva
ARQUIVOS e outras formas de construção de memória Lara Soares e Sandra Barros pág. 02
PISTAS
A Beleza Sandra Barros pág. 03
TRILHOS
Notas de um percurso de campo Manuel M. Fernandes pág. 08
A MONTANTE
A incomodidade da comunidade: aproximações críticas ao trabalho criativo com comunidades Luís Costa pág. 04