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A nova montagem da coleção permanente e as duas exposições individuais que compõem o primeiro ciclo expositivo de 2018 propõem pensar o museu como um grande máquina de viajar no tempo e de atravessar o espaço, que, para além da História, produz verdade e ficção, expõe significados ocultos e induz o visitante a uma nova perceção da realidade mantendo com esta uma relação criativa e inventiva.

The new format of the permanent collection and the two solo exhibitions included within the first exhibition cycle of 2018 propose a view of the museum as a great machine that can travel through time and cross space.

Beyond History, the museum can produce truth and fiction, expose hidden meanings and induce a new perception of reality in spectators, maintaining a creative and inventive relationship with them.


CIAJG

PISO 1 / SALAS #1-8 | 1ST FLOOR / ROOMS #1-8

CURADORIA / CURATED BY NUNO FARIA

Lógica circular, eterno retorno, repetição e diferença: a nova montagem da coleção permanente, vigente durante o ano de 2018, regressa ao mapa delineado pela exposição inaugural do CIAJG, Para além da História. Trata-se de prosseguir um projeto sem tempo plenamente consciente do tempo em que é realizado, afirmativamente contemporâneo sem ser exclusivamente constituído por objetos de arte contemporânea. A sua natureza é ser transversal, poroso, impuro, aberto e circular, procurando nexos, relações, permanências; por outras palavras, sonda o impercetível que o tempo histórico, tão marcado por uma memória seletiva e fatalmente grosseira, acaba por expurgar. É um projeto que recoloca o objeto – considerado como uma entidade que existe além da sua objetualidade – no centro da relação percetiva. Voltar a olhar para determinados objetos que nos são estranhos ou familiares, longínquos ou próximos, num contexto específico; considerar o poder mágico dos objetos, a energia que, para além da forma, corporizam e transportam no espaço e no tempo, é um dos reptos do projeto. Os objetos são convocados, reunidos e dispostos como constelações de energia, campos magnéticos, campos de tensão movidos por atração ou repulsa, que nos perturbam, emocionam ou interrogam com uma intensidade tanto mais forte quanto insondável. Teoria das exceções é um livro do escritor e ensaísta francês Philippe Sollers. Como o título deixa adivinhar, trata-se de um mapeamento de alguns universos autorais, idiossincráticos e singulares, que se constituíram como momentos de rutura na história da literatura. Contudo, o título do livro tem um alcance mais longo, apontando e fazendo a teoria de uma espécie de paradoxo que é a possibilidade de sistematização daquilo que por natureza é excecional, descompassado ou afásico; daquilo que vem fora de um cânone. É nesta zona de sombra que se situam os chamados "autores malditos", mas também os autores anónimos, os loucos, os visionários, os excêntricos, aqueles que se deram aos insondáveis mistérios da escuridão – do significado, da forma, da palavra, etc. – e que se situam nas margens da grande narrativa da História. Não quer isto dizer que a História não registe ou inscreva as obras desses autores. Acontece que nessa narrativa surgem como intervalos, momentos inscritos a negativo, a contra-pêlo de uma conceção teleológica do tempo. São exceções que, a pretexto de não desmancharem uma trama legível, confirmariam, segundo a versão oficial, a lógica da história. Se colocadas lado a lado, constituiriam aquilo que se chamaria com propriedade uma História Noturna.

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INAUGURAÇÃO / OPENING 17 FEVEREIRO / FEBRUARY 2018

Obras de / Works by José de Guimarães, Vasco Araújo, f.marquespenteado, Ernesto de Sousa, Franklin Vilas Boas, Rosa Ramalho, Jaroslaw Fliciński, MUMTAZZ, Rui Horta Pereira, Christian Andersson

e / and Arte Africana, Arte Pré-Colombiana e Arte Chinesa Antiga da Coleção de José de Guimarães African Art, Pre-Columbian Art and Ancient Chinese Art of the José de Guimarães Collection

THEORY OF EXCEPTIONS ESSAY FOR A NOCTURNAL HISTORY PERMANENT COLLECTION AND OTHER WORKS Circular logic, eternal return, repetition and difference: The new format of the permanent collection, on display during 2018, returns to the structure that was initially defined by the CIAJG’s inaugural exhibition, Beyond History. This involves pursuing a timeless project that is fully aware of the epoch in which it is produced. It has a decidedly contemporary feel without being exclusively constituted by contemporary art works. The exhibition is transversal, porous, impure, open and circular. It seeks connections, relationships, and a sense of permanence. In other words, the exhibition probes the imperceptible elements that are ultimately expurgated from recorded history, which is always marked by a selective and fatally simplistic memory. The project repositions the object - considered as an entity that exists beyond its own objectuality - at the heart of the perceptual relationship. Taking a new look at certain objects that seem strange or familiar, distant or near in a specific context. One of the project’s main challenges is to consider the magical power of objects - the energy that they embody and transport in space and time, beyond questions of form. Objects are convened, collected and arranged as energy constellations, magnetic fields and fields of tension propelled by forces of attraction or repulsion, which disturb, excite or question us with their strong and unfathomable energy. Theory of Exceptions is a book by the French writer and essayist, Philippe Sollers. As the title suggests, it maps out several idiosyncratic and singular authorial universe, which constitute points of rupture in the history of world literature. However, the book’s title has a longer reach, it traces and develops the theory of a special paradox - the possibility of systematizings things that by their very nature are exceptional, uncomplicated or aphasic; and thus lie outside any established canon. This shadowland habours so-called "accursed authors" and anonymous authors, the insane, visionaries and eccentrics, all those who have delved into the unfathomable mysteries of darkness – of meaning, form, word, etc. . - and lie on the margins of the great narrative of official History. This does not mean that History does not record or register the works by these authors. But in this official narrative they appear as intervals, moments that are seen as a “flip-side” to the main flow of events - a counterpoint to the teleological conception of time. They are exceptions that according to the official version of events confirm the logic of history, and therefore don’t undermine the overall legible narrative. When placed side by side, they would constitute what may be appropriately called a Storia Notturna, or Nocturnal History.


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PISO 1 / SALAS #1-8 | 1ST FLOOR / ROOMS #1-8

Christian Andersson From Lucy with Love / De Lucy com Amor, 2011 Cortesia da Coleção / Courtesy of the Collection Mudam Luxembourg, Musée d'Art Moderne Grand-Duc Jean


CIAJG

PISO 1 / SALAS #1-8 | 1ST FLOOR / ROOMS #1-8

Rui Horta Pereira, Sono # 15, 2015, grafite sobre papel

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SALA/ROOM 4 RUI HORTA PEREIRA SONO

ATÉ / UNTIL 04 MARÇO / MARCH 2018

Para Rui Horta Pereira (Évora, 1975) o desenho é, chamemos-lhe assim, um projeto global. E integral. E ininterrupto. Obsessivo, clarividente, irónico, omnisciente e inocente, em simultâneo. Um eterno retorno, uma forma de resolver problemas, e de os criar, uma forma de distração, um incessante modo de transporte, no espaço e no tempo. Reunimos, nesta sala a que chamamos Gabinete de Desenho, um alargado e diversificado conjunto de desenhos. Desenhos que são forças e modos (de estar, de agir, de pensar, de curar, de sarar, de rir, de revelar, de prever, de projetar, de dar a ver). No projeto de desenho de Rui H. Pereira, há uma inquietação permanente, uma curiosidade indestrutível, mesmo nas horas de fome e de frio. O desenho é aqui resistência e respiração. É preciso continuar, mas não é evidente que seja a desenhar. Podemos pensar que se continua a desenhar «porque não se sabe fazer mais nada». Ao mergulhar no universo do desenho de RHP, penso que se trata exatamente do contrário: continua-se a desenhar porque se trata da linguagem mais refinada, mais performativa, mais propiciatória que o homem herdou (apurou, preservou). No desenho não há desenhador — o desenho toma conta daquele que desenha. É-se possuído pelo desenho, é-se formado pelo desenho, através dele. Forja (aquilo a que se chama) a individualidade. No conjunto de desenhos apresentados, procuramos encontrar os múltiplos fios narrativos, combinações, aproximações, contaminações, subversivas ou ostensivas, que gerem e geram o projeto rizomático que RHP conduz (ou através do qual é conduzido). Sono é uma extensa série de desenhos recentemente produzidos. São enigmáticos e indefiníveis mas, curiosamente, localizáveis: vão beber a inspiração aos feitiços africanos — o grande sono da razão, tal como outrora (parece ainda ontem) predito pelos surrealistas.

To Rui Horta Pereira (Évora, 1975) drawing is, we can describe it this way, a global project. And integral. And seamless. It is obsessive, clairvoyant, ironic, omniscient and innocent at the same time. An eternal return, a means of solving and creating problems, a form of distraction, an incessant mode of transport in space and time. In the Drawing Cabinet, we have thus brought together, a broad and diversified set of drawings. Drawings that are forces and modes (of being, of acting, of thinking, of curing, of healing, of laughing, of revealing, of predicting, of projecting, of showing to others). In Rui Horta Pereira’s modus operandi there is a permanent restlessness, an indestructible curiosity, even in times of hunger and cold. In this case drawing is strength and breathing. We must continue, but it’s not clear that we must keep on drawing. We may think that we should continue drawing, “because we don’t know how to do anything else”. As we explore the universe of RHO’s drawings, I think we find exactly the opposite: he continues to draw because it’s the most refined, most performative, more propitiatory language that man has inherited (refined, preserved). In the world of drawing there is no drawer — the drawing takes over the creator. He is possessed by it. He is formed by the drawing, through it. It forges (that which we call) individuality. In the set of drawings presented, we try to find multiple narrative threads, combinations, approaches, subversive or overt contaminations, that manage and generate the rhizomatic project that RHP conducts (or via which he is conducted). Sono (Sleep) is a series of drawings recently produced. They are enigmatic and indefinable but, interestingly, are localisable: they take their inspiration from African spells — the great slumber of reason, as previously (it seems only yesterday) predicted by the surrealists.

Rui Horta Pereira (Évora 1975) é formado em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Desde o ano 2000, que o seu trabalho se centra, sobretudo, na escultura e no desenho. Tem realizado mostras individuais com regularidade e participado em inúmeras mostras coletivas. Nos últimos anos, recebeu vários apoios à criação de algumas entidades institucionais, das quais se destacam a Fundação Calouste Gulbenkian e a DGARTES.

Rui Horta Pereira, Évora 1975, graduated in Sculpture by FBAUL. Since 2000, his work is centred mainly in sculpture and drawing. He has had various individual and collective exhibitions and have been supported by some institutions like Gulbenkian Foundation and DGARTES.

SALAS/ROOMS 2 E 6 MUMTAZZ HILARITAS ASCENSOR D’MENTE “Robert Anton Wilson conta que descobriu a palavra HILARITAS nos Cantos de Ezra Pound, que citava o filósofo bizantino Gemisto Pletão. Dizia este: “podemos reconhecer os deuses mesmo na sua forma humana pelas suas magníficas Hilaritas”. Robert observa que no tempo de Pletão hilaritas significava “alegria, bom humor, diríamos, mas não no sentido de estar sempre a brincar”. Durante muitos anos, Robert Anton Wilson assinou as suas cartas “amor e hilaritas”. Hilaritas, do latim, significa “alegria ou leveza”. É também o nome de um asteroide descoberto em 1923 e que foi assim batizado devido ao espírito alegre do astrónomo austríaco Johann Palisa, que o descobriu.

MUMTAZZ P.E.D. (PEQUENAS ESCULTURAS E DESENHOS) Aguarela, caneta de feltro, pastel d’óleo e grafite sobre papel / Watercolor, felt pen, oil pastel, graphite on paper

Mumtazz, uma das mais singulares artistas do panorama nacional, tem vindo a construir um percurso radicalmente heteróclito, profusamente poético e misteriosamente xamânico que, apesar de relativa discrição de como se tem vindo a apresentar no panorama artístico português, exerce uma intensa e subterrânea influência sobre um considerável espectro de artistas. Nascida em Lisboa, em 1970, a artista fez o curso avançado de desenho no Ar.Co e o mestrado na School of the Art Institute of Chicago, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Estreitamente ligado à prática da contracultura, implicado política e ecologicamente, retomando estratégias e modos do psicodelismo, o trabalho artístico de Mumtazz articula influências e elementos de diferentes culturas, diferentes tempos históricos e as mais diversas linguagens – a poesia, o som, o bordado, a fotografia, a instalação, o efémero, o geométrico e o orgânico. A programação do Centro Internacional das Artes José de Guimarães tem vindo a revelar alguns percursos essenciais na cena artística nacional. A exposição antológica de Mumtazz faz-nos descobrir uma artista cujo trabalho, na sua luminosa expansão poética, não tem fronteiras, limites ou interditos e estabelece a liberdade e a alegria de criar como fundamentos da existência humana.

“Robert Anton Wilson said that he first got the word HILARITAS from Ezra Pound’s THE CANTOS, who was quoting the byzantine philosopher Gemistus Pletho who said: “you can recognize the gods even in their human form by their outstanding Hilaritas”, Robert notes that at Pletho's time hilaritas meant “cheerfulness, good humor we would say, but not in a sense of always joking”. For many years Robert signed his letters “amor et Hilaritas”. Hilaritas, from Latin, means “joy or lightness”. It is also the name of an asteroid discovered in 1923 and was thus baptized due to the joyous spirit of the Austrian astronomer Johann Palisa, who discovered it.

Mumtazz, one of the most distinctive artists in the Portuguese art world, has been building a radically heteroclite, profusely poetic and mysteriously shamanic journey which, notwithstanding the relative discretion with which it has been presented in Portugal, exerts an intense and subterranean influence on a wide range of artists. Born in Lisbon in 1970, the artist completed the advanced drawing course at Ar.Co and a master's degree at the School of the Art Institute of Chicago, on a scholarship from the Calouste Gulbenkian Foundation. Closely linked to the practice of counterculture, politically and ecologically involved, resuming the strategies and modes of psychedelism, Mumtazz's artwork articulates influences and elements from different cultures, different historical period and a wide range of different languages – poetry, sound, embroidery, photography, installation and ephemeral, geometric and organic forms. The programme of the José de Guimarães International Arts Centre has revealed several essential trajectories in the Portuguese art scene. Mumtazz's anthological exhibition allows us to discover an artist whose work, in its luminous poetic expansion, knows no boundaries, limits or prohibitions and establishes the freedom and joy of creation as foundations of human existence.


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PISOS 0 / SALAS #9-11 | GROUND FLOOR / ROOMS #9-11

INAUGURAÇÃO / OPENING 17 FEVEREIRO / FEBRUARY 2018 CURADORIA / CURATED BY NUNO FARIA

Concebida em estreito diálogo com o programa museológico do Centro, a ampla intervenção de Christian Andersson (Estocolmo, 1973) reúne um conjunto de peças icónicas e incontornáveis da produção do artista — como são, por exemplo, Scanner e From Lucy with Love, instaladas em duas das salas mais simbólicas do percurso expositivo, as salas 2 e 3 do piso que alberga a coleção permanente — e de peças inéditas, especificamente produzidas para esta exposição. A intervenção não é apenas ditada por conveniência de espaço mas por razões simbólicas — o artista pensou o espaço como um todo, estabelecendo um conjunto de relações, colocando uma série de problemas ou de hipóteses, problematizando a ideia de museu ou de exposição, de coleção como todo ou como representação fragmentária do mundo, da falibilidade de sistemas de pensamento e de sondagem documental ou material do passado de disciplinas como a História ou a Arqueologia. O pensamento de Christian Andersson é rizomático, múltiplo e diverso, tanto do ponto de vista formal como nos modos narrativos que engendra para através de imagens ou de objetos contar as histórias que quer contar. Desafia o espetador, dá-lhe falsas pistas, apela à memória, biográfica e biológica. O seu trabalho, sempre muito diverso do ponto de vista formal (dificilmente se encontram duas peças semelhantes) procura desconstruir a história da arte como ideia de progresso e toma a

Christian Andersson Column Shred / Tiras de coluna, 2015 Impressão de jacto de tinta sobre papel, madeira, cabos de aço / Inkjet print, wood, steel cables

linguagem, tal como os surrealistas fizeram antes, como cerne da criação artística. Se as peças instaladas no piso superior, encontradas, como refere o artista, “nos intervalos da História”, funcionam como notas de rodapé, códigos ou sinais, coincidências ou acasos, dados objetivos ou subjetivos (vejamos a peça Scanner, instalada na sala das máscaras, que transforma manchas de Rorschach em formas instáveis e nebulosas, questionando a ideia de identidade de forma subtil mas radical), já as peças instaladas no espaço de exposições temporárias, em que nos encontramos, funciona como uma espécie de “espaço subconsciente do museu”. Este piso é constituído por peças que colocam o espetador num limbo percetivo, fazem-no perder as referências de si próprio no espaço e do tempo. Aqui, Christian Andersson trabalha noções como abismo, eco, transmissão. Percebemos talvez, ao contemplar uma das peças novas que o artista apresenta — uma antena obsoleta que perpetua a sua função de comunicar através de ondas — que o que aqui está em causa é a morte de uma certa ideia de ficção científica como aspiração utópica a um futuro incerto e misterioso. A realidade tomou, para nossa incredulidade, as rédeas da ficção. —

Christian Andersson é representado pelas galerias Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa, von Bartha, Basileia e Galerie Nordenhake, Estocolmo e Berlim.

CHRISTIAN ANDERSSON WHEN SCIENCE FICTION WAS DEAD Conceived in intimate dialogue with the CIAJG’s museum programme, this major exhibition of the work of Christian Andersson (Stockholm, 1973) combines a set of iconic and compelling works by the artist – such as Scanner and From Lucy with Love, installed in two of the exhibition’s most symbolic rooms (rooms 2 and 3 of the permanent collection’s floor) – plus brand new works specifically produced for this exhibition. This project is not only determined by the size of the exhibition space, but also by symbolic factors. The artist has conceived the space as a whole – establishing a complex set of relations, raising a series of problems or hypotheses, questioning the idea of ​​a museum or exhibition, the collection as a whole, or as a fragmentary representation of the world, of the fallibility of systems of thinking and of documental or material exploration of the history of disciplines, such as History or Archeology. Christian Andersson's thinking is rhizomatic, multiple, and diverse, both from a formal perspective and in terms of the narrative modes that he engenders, using images or objects to tell his stories. He challenges the spectator, sending out false clues, and appealing to biographical and biological memories. His oeuvre, which always varies widely in formal terms (it is very rare to find two similar works) seeks to deconstruct the history of art as an idea of progress ​​ and considers that language lies at the heart of artistic creation – as the surrealists did before him. The works installed on the upper floor, exist “in the intervals of History” as the artist puts it, and serve as footnotes, codes or signs, coincidences or accidents, objective or subjective data (e.g. Scanner, installed in the masks room, which transforms Rorschach ink blots into unstable and nebulous forms, questioning the idea of iden​​ tity in a subtle but radical manner). By contrast, the works installed in the temporary exhibitions space serve as a kind of “subconscious space of the museum”. This floor consists of works that place the spectator in a state of perceptive limbo, making him lose his personal references in space and time. Christian Andersson explores concepts herein such as the abyss, echo, or transmission. We perhaps realise this when we contemplate one of his new works – an obsolete antenna that perpetuates its function of communicating via waves. The issue at stake here is the death of a certain idea of ​​science fiction – as a utopian aspiration to an uncertain and mysterious future. To our amazement, reality has seized the reins of fiction. — Christian Andersson is represented by the Cristina Guerra Contemporary Art Gallery, in Lisbon, the von Bartha Gallery, in Basel and the Galerie Nordenhake, in Stockholm and Berlin.


CIAJG

PISOS -1 / SALAS #12-13 | LOWER FLOOR / ROOMS #12-13

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INAUGURAÇÃO / OPENING 17 FEVEREIRO / FEBRUARY 2018

CURADORIA / CURATED BY NUNO FARIA

Duplo Negativo é a mais ampla exposição realizada por Miguel Leal (Porto, 1967) em contexto institucional. Nesta intervenção, especificamente concebida para o espaço expositivo do CIAJG, o autor põe em evidência algumas das principais características do seu trabalho — sensibilidade ao espaço e ao tempo, atenção à construção do dispositivo e às condições de apresentação e uma capacidade discursiva marcada pelo engenho narrativo. Para esta exposição, concebeu um conjunto inédito de peças que cobrem um largo espetro de linguagens (objetos, escultura, instalação, desenho, pintura, vídeo) que, a partir de uma particular atenção aos mecanismos do tempo e da articulação da palavra, da imagem e do som propõem uma experiência da dissolução dos limites e das fronteiras territoriais e conceptuais. Mas, para além das diferentes peças, sobressai a escala arquitetónica da intervenção e a forma como transformou o espaço, desafiando o espetador a uma experiência tanto sensorial quanto intelectual, propondo diferentes modos de receção, abrindo o leque percetivo de quem o habita. É particularmente notória nesta exposição uma voluntária indistinção de polos normalmente opostos: em Duplo Negativo — título que participa do uso da linguagem como coisa performativa, que não se enuncia somente, mas que se realiza, enquanto objeto ou imagem —, Miguel Leal é, a um tempo, artista e curador, fazedor e pensador, humano e animal, cultura e natureza, cabeça e corpo, linha e mancha, opacidade e transparência, tempo e espaço. A exposição propõe pensar a origem das coisas, a necessidade dos gestos e a potência dos conceitos. Miguel Leal faz-nos aceder ao fascínio do aparecimento e à permanência das figuras arquetípicas sondando os lugares matriciais (grutas), os instrumentos de medição (relógios, sondas), o trânsito entre a materialidade da realidade e da imagem, a falsa simetria, jogando com figuras da linguagem como a suspensão (um corpo sem tempo) e a projeção (uma antecipação do futuro). Em Duplo Negativo, a proposta artística oscila permanentemente entre existir como hipótese e como realidade, talvez o grande desafio que realmente hoje se nos coloca. Miguel Leal Duplo negativo / Double negative, 1992-2018 Dupla projeção de slides, espelhos / Double projection slides, mirrors

Miguel Leal Cabeças / Heads, 2018 Capacetes, chumbo, agulhas de acupuntura / Helmets, lead, acupunture needles

MIGUEL LEAL DOUBLE NEGATIVE Double Negative is the biggest-ever exhibition of the work of Miguel Leal (Porto, 1967) in an institutional context. In this intervention, specifically designed for the CIAJG’s exhibition space, the author highlights some of the main features of his oeuvre – sensitivity to space and time, attention to construction of the device and the presentation conditions, and a discursive capacity marked by narrative ingenuity. He has produced a set of brand new works for this exhibition that cover a wide spectrum of artistic languages ​​ (objects, sculpture, installation, drawing, painting, video) that, on the basis of special attention to the mechanisms of time and articulation between words, images, and sound, offer an experience of the dissolution of limits and of territorial and conceptual boundaries. In addition to the individual works, the overall architectural scale of the intervention is also highly impressive, in particular the way that it has transformed the space, challenging the spectator to a sensory and intellectual experience, proposing different modes of reception, and opening up

the perceptive range of those who experience it. This exhibition highlights a voluntary blurring of normally opposite poles: in Double Negative – a title that takes advantage of the use of language as a performative construction, i.e. which is not only enunciated, but which is produced, as an object or image – Miguel Leal is simultaneously an artist and curator, producer and thinker, human and animal, culture and nature, head and body, line and blot, opacity and transparency, time and space. The exhibition entices us to think about the origin of things, the need for gestures and the power of concepts. Miguel Leal leads us to the fascination of appearances and the permanence of archetypal figures that explore fundamental places (caves), measurement instruments (watches, probes), the transition between the materiality of reality and the image, false symmetry, playing with figures of speech – such as suspension (a body outside time) and projection (anticipation of the future). In Double Negative, the artist’s proposal permanently oscillates between existing as a hypothesis, and as reality, which is perhaps the great challenge facing us today.


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PISOS -1 / SALAS #12-13 | LOWER FLOOR / ROOMS #12-13

Miguel Leal Caleidoscópio (pedras, cavernas e figuras) / Kaleidoscope (stones, caves and figures), 2010-2018 Múltiplo diaporama / Multiple diaporama


CIAJG

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“O CIAJG é uma instituição de convergência de culturas e civilizações aberta também aos criadores contemporâneos que se reveem nas valências culturais de todas as épocas. Tornar-se amigo do CIAJG significa participar na vida do Centro, acompanhar o seu desenvolvimento e viver as suas atividades. O apoio individual dos amigos do CIAJG é essencial para reforçar o seu reconhecimento nacional e internacional e sentirme--ei muito feliz se puder contar com a sua adesão.” José de Guimarães,

O cartão AMIGO CIAJG foi criado para juntar a comunidade em torno de um projeto museológico sem fronteiras e que reúne objetos de diferentes culturas, tempos e lugares. Queremos que o CIAJG seja um ponto de encontro, um lugar sem limites para a reflexão, onde a única regra seja a do prazer de ver e de pensar, a liberdade de formar um pensamento próprio. Ambicionamos tornar o CIAJG um lugar de referência na cidade, na região, à escala nacional e internacional, e para atingir esse ambicioso objetivo precisamos de si. Bem-vindos ao CIAJG: um museu com a forma do mundo! REGALIAS Como forma de estímulo, o cartão Amigo CIAJG reserva várias regalias aos seus portadores:

A utilização do cartão é pessoal e intransmissível. O cartão deverá ser apresentado na bilheteira do CIAJG e sempre que solicitado.

WWW.CIAJG.PT

Nº:

Nome:

Válido até:

Amigo do CIAJG (nº1)

"Ser amigo do CIAJG é acreditar na capacidade transformadora da arte, é combater a resignação ou o conformismo, é pensar a política cultural como processo contínuo de depuração. O CIAJG tem sabido ser acervo de conhecimento, arte e memória, numa conceção organizada e sistemática que responde às exigências da contemporaneidade." Domingos Bragança, Presidente da Câmara

CIAJG FRIEND CARD The CIAJG FRIEND card has been created to build a community around a museum project without frontiers, that brings together objects from different cultures, times and places. We want the CIAJG to be a meeting place, a place without limits, that will foster reflection, where the only rule is the pleasure of seeing and thinking, the freedom to form our own thoughts. We aim to make the CIAJG a place of reference in Guimarães, the region, Portugal and internationally. We need you to help us achieve this ambitious goal. Welcome to the CIAJG: a museum shaped like the world!

• Entrada livre nas exposições do CIAJG; • 50% de desconto nas visitas orientadas às exposições do CIAJG; • Visita exclusiva com o Diretor Artístico do CIAJG para Amigos, por ciclo expositivo; • Museu Fora de Horas: encontros/leituras seguidas de conversa sobre questões de arte contemporânea; • Acesso gratuito às atividades para famílias do CIAJG, até ao limite da lotação disponível; • 10% de desconto em todas as compras na loja do CIAJG; • 25% de desconto na compra de edições do CIAJG; • Convites para as inaugurações, lançamentos de catálogos e outros eventos; • Envio de newsletters regulares sobre a programação do CIAJG; • Parque de estacionamento gratuito na Plataforma das Artes e da Criatividade, sempre que for visitar as exposições do CIAJG, num período máximo de 2 horas, condicionado à lotação do parque; • 50% de desconto nos espetáculos na Plataforma das Artes e da Criatividade; • Entrada livre nas exposições do Palácio Vila Flor. VALOR DA ANUIDADE CARTÃO AMIGO CIAJG - INDIVIDUAL 50,00 eur CARTÃO AMIGO CIAJG - FAMÍLIA 75,00 eur (pai, mãe e filhos)

Municipal de Guimarães, Amigo do CIAJG (nº2)

Para adquirir o cartão Amigo CIAJG basta preencher o formulário de adesão e entrega-lo na bilheteira do CIAJG ou envia-lo por correio para a morada: Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Av. Conde Margaride, 175, 4810535 Guimarães. O pagamento poderá ser efetuado em numerário (no momento da subscrição), através de cheque enviado por correio à ordem de “A Oficina, CIPRL”, ou através de referência multibanco a gerar no ato de subscrição. O seu cartão será emitido no prazo de uma semana, após confirmação do pagamento e enviado para a morada indicada no formulário. Para tornar mais cómodo o processo de adesão, o CIAJG disponibiliza-lhe ainda um formulário em www.ciajg.pt, que depois deverá ser submetido por e-mail para amigo@ciajg.pt. O cartão é válido por um ano a partir do momento da sua emissão e é renovável consoante intenção do portador. A utilização do cartão é pessoal e intransmissível. O cartão deverá ser apresentado na bilheteira do CIAJG e sempre que solicitado.

Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) Horário de funcionamento terça a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00 (últimas entradas às 12h30 e às 18h30)

Terça a domingo, das 10h00 às 19h00, por marcação através do e-mail mediacaocultural@aoficina.pt (a última visita terá início até às 18h00) Público-alvo Maiores de 3 anos Duração 60 a 90 min. Lotação min. 10 pessoas, máx. 20 pessoas  Preço 2,00 eur (grupos escolares) / 5,00 eur (outros públicos)

3 aos 5 anos Mas-caretos (construção, máscaras, corpo) Desenhos escondidos (desenho, descoberta, revelação) 6 aos 10 anos Histórias desembaralhadas (desenho, alfabeto, histórias) Nkisi e os feitiços (coleção, objetos mágicos, artes plásticas) 11 aos 15 anos A viagem do Rinoceronte (geografia, desenho, perceção) M/ 15 anos Paisagens da China (escrita, oralidade, história) De 20000 a.C a 2000 d.C. (história, pensamento, artes visuais)

Terça a domingo, por marcação através do e-mail mediacaocultural@aoficina.pt Duração 90 min. a 2 horas Lotação 1 turma / 25 pessoas  Preço Oficinas 2,00 eur Preço Vai e Vem (1 visita ao CIAJG + 1 oficina na escola) 2,00 eur

Tarifário 4 eur / 3 eur Cartão Jovem, Menores de 30 anos, Estudantes, Cartão Municipal de Idoso, Reformados, Maiores de 65 anos, Cartão Municipal das Pessoas com Deficiência, Deficientes e Acompanhante / Cartão Quadrilátero Cultural desconto 50% / Entrada Gratuita crianças até 12 anos / domingos de manhã (10h00 às 12h30)

José de Guimarães International Arts Centre (CIAJG) Terça a domingo Público-alvo alunos e professores de desenho Lotação máx. 25 pessoas / grupo Atividade sujeita a marcação prévia através do e-mail mediacaocultural@aoficina.pt Morada / Address Av. Conde Margaride, nº 175 4810-535 Guimarães Portugal N 41.443249, W 8.297915 Telefone / Phone + 351 253 424 715 www.ciajg.pt

Opening hours tuesday to sunday, 10.00am-1.00pm / 2.00pm-7.00pm (last visits 12.30am and 6.30pm) Tariffs 4 eur / 3 eur Holders of the Cartão Jovem, Under 30 years, Students, Holders of the Cartão Municipal de Idoso, Reformados (Senior and Pensioner’s Card), Over 65 years, Handicapped patrons and the person accompanying them / Cartão Quadrilátero Cultural 50% discount / Free Entrance children until 12 years old / sunday morning (10.00 am to 12.30 pm)

Central de Informação | 2018

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Financiamento

Cofinanciamento

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Apoios

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