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HANDS ON 36

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ON BEAUTY

Marco Antônio de Biaggi, o badalado cabeleireiro

das estrelas

ON TECH

Renato Opice Blum, analisa a maturidade no uso da inteligência artificial nas empresas e no ambiente institucional

ON THE TABLE

Rancho Português, uma experiência lusitana inigualável

MÔNICA CURY

ATUAÇÃO

Mondial. A escolha inteligente.

Top of Mind pela 5ª vez consecutiva.

Na categoria de Air fryer

CEOGrupo On Media e Publisher HANDS ON OTAVIO NETO

CONEXÕES QUE TRANSFORMAM

Em um cenário onde estratégia e propósito caminham cada vez mais juntos, esta edição da Hands

On Magazine reúne histórias que refletem o impacto de trajetórias construídas com consistência, visão e compromisso com o coletivo.

tágio de maturidade do uso da IA no Brasil, avanços, desafios regulatórios e riscos que já fazem parte da agenda das empresas.

HISTÓRIAS QUE

REFLETEM O IMPACTO DE TRAJETÓRIAS CONSTRUÍDAS COM CONSISTÊNCIA, VISÃO E COMPROMISSO COM O COLETIVO

Na capa, uma entrevista com Mônica Cury, que traz uma atuação marcada pela experiência no Legislativo e na área jurídica, hoje aplicada de forma estratégica na Câmara Municipal de São Paulo, conectando articulação institucional a pautas que impactam diretamente a sociedade.

E se tem um tema que vem impactando a sociedade é inteligência artificial. Fomos falar com um dos maiores especialistas nesse assunto, Renato Opice Blum, sobre o es-

A edição também percorre experiências e inspirações: da tradição gastronômica do Rancho Português, à trajetória de Marco Antonio de Biaggi, o Rei das Tesouras, passando pela força criativa da artista Baby Grass e pelo remo como esporte de quem busca disciplina, resiliência e superação. E uma homenagen ao líder notável, Aroldo Schultz, e os 40 anos dedicados ao turismo do Grupo Schultz.

Que estas histórias inspirem novos caminhos, boas conexões e decisões com propósito. Boa leitura .

CEO e PUBLISHER

Otavio Neto otavio@onnatv.com.br

EDITOR E JORNALISTA RESPONSÁVEL

Luciana Albuquerque luciana.albuquerque@onnatv.com.br MTB: 53210/SP

DESIGN E DIAGRAMAÇÃO

Celso Andrade

REPÓRTER

Vanda Fulaneto vanda_fulaneto@hotmail.com

CONSELHO EDITORIAL

Adelson Coelho

Luciana Albuquerque

Professor Luís Marins

Toni Sando

Otavio Neto

DEPARTAMENTO

COMERCIAL

Otavio Neto otavio@onnatv.com.br

PROJETOS ESPECIAIS

E PROJETOS DIGITAIS

Luiz Octavio Pinto Neto (JAKA) luizoctaviopn@icloud.com

+55 (11) 98400-9130

FOTOS E ILUSTRAÇÕES

Gregory Grigoragi, Divulgação, Pexels e Freepik

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UMA PUBLICAÇÃO ON MEDIA E GESTÃO LTDA

Redação e administração: ON MEDIA E GESTÃO LTDA, inscrita no CNPJ(MF) sob o n° 55.157.837/0001-30, estabelecida à Av. Fernando Nobre, n° 11

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A HANDS ON não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos assinados. Não é permitida a reprodução total ou parcial sem a prévia autorização.

Data de publicação: 04/05/2026

COLABORADORES

Adelson Coelho

Fabio Porchat

Jéssica Mendes

Professor Luís Marins

Suely de Souza

Willy Herrmann

MÔNICA CURY

Assessora da presidência da Câmara Municipal de SP, une expertise jurídica e articulação política para transformar pautas de cuidado, como o combate à violência doméstica em ações instituicionais concretas

EDITORIAL

Conexões que transformam

SPEAKERS

Luiz

Muita calma na hora da turbulência

Suely de Souza

As influências dos meses universais, pela numerologia

Rancho Português: uma casa portuguesa, com certeza

O Brasil diante da inteligência artificial

Baby

Marco Antônio de Biaggi: o homem que vira a cabeça das mulheres

remo como esporte disciplinado

Vanda Fulaneto Instinto Selvagem

Um giro pelo mercado por Otavio Neto

Aroldo Schultz

Em segurança, não existe expectativa. Existe preparo.

vigilância e segurança

LUIZ MARINS

Antropólogo,consultor, palestranteeescritor com37livrospublicados www.marins.com.br

MUITA CALMA NA HORA DA TURBULÊNCIA

Qualquer piloto experiente sabe que o principal, na hora da turbulência, é manter a calma.

Durante vários anos eu tive um avião, o que me facilitava muito fazer palestras em todo o Brasil. Sempre tive dois pilotos experientes comigo, pois, justamente por causa de tempos turbulentos é que é importante que o piloto tenha também um copiloto experiente. No meio de uma turbulência forte, um segura o manche e o outro faz a fonia — fala com a torre, com os órgãos de controle — pois a turbulência exige muita calma e atenção.

Muitos acidentes aéreos poderiam ter sido evitados se a aeronave tivesse dois pilotos e ambos tivessem tido calma suficiente para enfrentar momentos difíceis, especialmente de grande turbulência.

Não preciso dizer que estamos passando por uma turbulência e o que é mais exigido de qualquer líder nesta hora é calma. Muita calma!

bra brusca demais. Calma para decidir com sabedoria.

E como num avião, o comandante não deve querer decidir tudo sozinho. Deve ouvir seus copilotos, seus líderes e até seus colaboradores. Uma decisão emocional, sem calma e atenção, pode trazer sério acidente para uma empresa ou organização.

Sei, muito bem, que manter a calma em tempos turbulentos não é fácil. É sempre mais fácil falar do que fazer, é muito mais fácil pedir calma do que ter calma.

O que peço nesta hora é que você procure manter a cabeça no lugar, evitar decisões emocionais, analisar com serenidade os dados concretos e todos os pontos de vista para não tomar a sopa fervendo e se arrepender depois.

+CONTEÚDO

Calma para dar tempo ao tempo antes de tomar qualquer decisão radical que possa fazer seu avião perder a sustentação numa mano-

Peço, também, que tenha cuidado com os palpiteiros externos que não conhecem totalmente a realidade de sua empresa ou organização e que, muitas vezes, dão conselhos errados, muitas vezes, com boas intenções, mas sem os dados necessários para uma boa decisão. Lembre-se disso: na turbulência é preciso muita calma e atenção.

Pense nisso. Sucesso!

SempreJuntosBR é uma plataforma multi-setorial de networking, unindo empresários, líderes de mercado, profissionais liberais e empreendedores. Reconhecemos que o crescimento é fundamental, porém, cada vez mais exigente em termos de discernimento e conhecimento para escolhas assertivas e sustentáveis.

SUELY DE SOUZA

Numerologista www.numerandos.com.br

AS INFLUÊNCIAS DOS MESES UNIVERSAIS, PELA NUMEROLOGIA, TÊM

SIGNIFICADOS EM TERMOS

DE SITUAÇÕES E ATITUDES

Maio de 2026

será Mês Universal “6” (2026 + 05 = 10 +5 =15 = 6)

Este mês pede para dar especial atenção a tudo o que diz respeito ao lar e à família. Seja compreensivo, tolerante e justo. Não cobre do outro aquilo que ainda não está preparado para dar. Para além da família podemos aqui incluir os amigos, os colegas e todas as pessoas que, de algum modo, precisam da nossa atenção, do nosso cuidado, do nosso colo e até mesmo de um puxão de orelha.

Os pontos positivos para esse mês são: resolver assuntos familiares, fortalecer relacionamentos, criar estabilidade emocional, assumir responsabilidades importantes e cuidar da casa e do ambiente. Procure aceitar as pessoas como são sem tentar modificá-las. Você atrairá muito mais facilmente tudo aquilo em que se concentrar. É importante discernimento para enfrentar os desafios do número 6, tais como: excesso de cobrança, carregar problemas dos ou-

tros, apego emocional ou sacrifício exagerado. A tônica incide na capacidade de escolher, pesando os prós e os contras com muita ponderação e sentido de justiça. Sensibilidade e sentido de estética estarão muito apurados. Mês ótimo para estabelecer a harmonia no lar e casar-se, pois, as relações estabelecidas sob essa vibração têm uma melhor chance de serem bem-sucedidas e duradouras. Você atrairá pessoas e bens materiais fortemente neste período. Desenvolva relações existentes, seja positivo e receptivo, estas energias o ajudarão a atrair o que deseja. É importante cultivar a ordem e a harmonia, mantendo as rotinas e preservando a paz, a concórdia e o entendimento, sem grande alvoroço. Também é aconselhável pôr as finanças em ordem e manter as obrigações e os deveres em dia. Por ser proveniente de 15, traz mudanças importantes, principalmente na forma de pensar e viver. Pode haver ganhos materiais ou oportunidades, mas será necessário fazer escolhas conscientes. Muito cuidado com decisões impulsivas e compromissos mal pensados. O 15 sugere que se leve a vida com mais sabedoria, mas também com mais leveza — o sorriso ajuda a curar e a enxergar melhor.

O VISITE SÃO PAULO – assim como as demais entidades de destinos e Convention & Visitors Bureau em todo o Brasil – é uma entidade sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada, que trabalha com a missão de aumentar o fluxo de visitantes de um destino através da prospecção, promoção, apoio e incremento de eventos nacionais e internacionais.

Além disso, por meio de seus profissionais técnicos, oferece apoio logístico, visitas de inspeção, capacitação dos profissionais de atendimento, produção de material promocional, geração de oportunidades entre associados, pesquisa e divulgação de eventos para planejamento e tomada de decisão.

O resultado desse trabalho, que envolve toda a cadeia de turismo, eventos e viagens, contribui para o aumento das taxas de ocupação da hotelaria, recuperação da diária média e, consequentemente, para o desenvolvimento do destino.

Em um mercado cada vez mais competitivo, é estrategicamente importante participar e manter um Convention & Visitors Bureau sólido, organizado e estruturado, que atue a médio e longo prazo não apenas nos novos eventos, mas também no apoio à manutenção dos já existentes no próprio destino.

Por isso, precisamos do compromisso dos gestores dos hotéis associados, a fim de manter na parametrização do sistema de reservas o valor da contribuição do Room Tax.

Com o seu apoio, toda a cadeia produtiva é beneficiada, e quem também sai ganhando é o visitante que, a negócios ou a lazer, encontrará em cada estada uma cidade mais estruturada e acolhedora.

Saiba mais em visitesaopaulo.com.

Junho de 2026 será o Mês Universal “7” (2026 + 6 = 10+ 6 = 16 = 7).

A energia do “7” favorece momento de reflexão, análise e autoconhecimento. Pode trazer tendência ao recolhimento e busca de respostas internas. Favorece estudos, terapias e desenvolvimento espiritual. Geralmente a intuição é mais forte.

Pontos de atenção: evitar isolamento excessivo, cuidado com tristeza ou desânimo. Procure não forçar situações externas (o mês pede mais observação do que ação). É um período positivo para clareza mental, percepções profundas e preparação para decisões futuras mais acertadas. Esse mês não é de movimento externo, mas de crescimento interno. Lembre-se de que esse período não é permanente e faz parte do seu crescimento. Os desafios enfrentados agora irão prepará-lo para novos começos.

Independentemente de suas crenças, explore formas de se conectar com algo maior, seja a natureza, o universo ou uma prática religiosa. É um período em que você pode se sentir chamado a refletir sobre sua vida, suas escolhas e seus propósitos.

A sensação de isolamento pode ser comum, mas serve como uma chance de se conectar consigo mesmo. O número 7 é associado à espiritualidade e ao esotérico. É um bom momento para práticas como meditação, leitura de textos espirituais ou até o estudo de assuntos místicos. Você pode perceber revelações ou intuições mais profundas, como se tivesse acesso a verdades escondidas. É um período excelente para identificar defeitos e limitações, mas também para perceber talentos e habilidades que estavam adormecidos. Embora a solidão possa parecer desafiadora, ela também oferece um ambiente fértil para o crescimento interior.

Por ser proveniente de um “16” corresponde a um período de mudanças fortes e inesperadas, que podem trazer perdas materiais, dificuldades nos negócios e decepções nos relacionamentos. Não é fase para riscos ou atitudes impulsivas. Pode haver desgaste emocional e conflitos. Por outro lado, é um momento de despertar interior: rever atitudes, abandonar o egoísmo e ouvir a intuição. Apesar dos desafios, há potencial para crescimento, novas oportunidades e prosperidade no futuro, desde que haja consciência e equilíbrio.

É UM PERÍODO POSITIVO PARA CLAREZA

MENTAL, PERCEPÇÕES

PROFUNDAS E PREPARAÇÃO PARA DECISÕES FUTURAS

MAIS ACERTADAS

UMA CASA PORTUGUESA, COM CERTEZA

Viva uma experiência inigualável com os sabores de Portugal

Bacalhau à Lagareiro

Representando a cozinha portuguesa em São Paulo, o restaurante Rancho Português está instalado em um belo e espaçoso casarão de clima aconchegante. A proposta da casa é a qualidade e à frente dela estão os irmãos e proprietários, Antônio e Manoel Alves, que atuam na área gastronômica desde que chegaram ao Brasil, em 1998. O primeiro espaço gastronômico da dupla, foi o restaurante o Rancho 53 na Rodovia Castello Branco. O estrondoso sucesso fez com que eles abrissem em São Paulo, em setembro de 2013 o Rancho Português, na Vila Olímpia, agora em uma versão mais sofisticada.

Dividido em restaurante, snackbar, empório e adega – são cerca de 800 rótulos de vinhos portugueses de todas as regiões do país – o local tem decoração com inspiração ibérica: entre os detalhes, muitos azulejos e vitrais como na arquitetura das casas lusitanas.

O comandante da casa é o simpático administrador Valdeci de Castro, convidado por Antônio

e Manoel Alves, que está à frente do restaurante desde sua inauguração, e faz do espaço um local glorioso no atendimento. “A cada dia aprendo aqui e minha carreira deslanchou muito nesse estabelecimento que gosto tanto, é uma experiência maravilhosa, é uma alegria estar aqui cuidando de tudo e sendo muito bem cuidado pelos proprietários que só tenho a agradecer”, declara Valdeci de Castro.

O Chef responsável pelas caçarolas é o competente José Carlos Campelo e no menu, os pratos portugueses vão das simples sardinhas grelhadas na calçada apenas uma vez por ano no Festival da Sardinha na Brasa, até os mais sofisticados, onde o bacalhau é a estrela, porções fartas e tudo com ingredientes de primeiríssima qualidade.

Um dos pratos regionais mais conhecidos e apreciados em Portugal, que faz sucesso na casa, é o Leitão à Bairrada. Ele é assado em um forno especial conduzido por um expert da região da Bairrada, especialista na receita, e pode ser degustado

Camarão Porto Santa Maria

AS RECEITAS COM

SÃO DESTAQUE

NO RANCHO PORTUGUÊS, DESDE AS ENTRADINHAS AOS PRATOS PRINCIPAIS

Bacalhau
Trás os Montes
Bolinho de bacalhau

A CASA FOI FUNDADA PELOS IRMÃOS ANTÔNIO E MANOEL ALVES, E É ADMINISTRADA DESDE SUA INAUGURAÇÃO, EM 2013, POR VALDECI DE CASTRO

quente, morno ou frio, acompanhado de salada, laranja fatiada e batata chips (para duas pessoas: R$348; 1/2 dose, para uma pessoa: R$235; e inteiro para viagem: R$1.390).

As receitas com bacalhau também são destaque, claro! Como entrada, nossa sugestão é a Tigela de Bacalhau espiritual (R$81) e a porção de Bolinhos de bacalhau (8 unidades: R$91). Já como prato principal, fica difícil escolher o melhor: Bacalhau à Moda do Rancho (posta de bacalhau frita no azeite, batatas douradas, brócolis, azeitonas, pimentão, alho e salsinha: R$515); Bacalhau à Narciso (posta de bacalhau assada na brasa, puxada no azeite, alho, cebola, salsinha e pimentão, acompanhada de “batatas ao murro”: R$515) e Bacalhau à Portuguesa (posta de bacalhau cozida, batata cozida, brócolis, ovo cozido, pimentão assado, cebola cozida, salsinha e alho: R$515).

Completa o cardápio, uma seleção de sobremesas conventuais (R$39), o famoso Pastel de Nata (R$14), a Rabanada ao Vinho do Porto (R$38) e o Arroz Doce (R$39).

Há também opção de menu executivo, oferecido de segunda à sexta. Ele inclui couvert, entrada e prato principal, por apenas R$109.

Já no empório, é possível encontrar desde objetos de decoração, chiquérrimas louças Vista Alegre (marca premium em porcelanas portuguesas) até azeites, embutidos, queijos, conservas, frutas cristalizadas, castanhas, azeitonas, bacalhau, doces e massas, incluindo produtos importados da Europa e de  outros países

Serviço: RANCHO PORTUGUÊS

Avenida dos Bandeirantes, 1.051 - Vila Olímpia

Tel.: (11) 2639-2077

Instagram: @ranchoportuguessp www.ranchoportugues.com.br Horário de funcionamento (incluindo feriados): Salão – Seg.- Sáb. 11h30 às 22h30/ Dom. 11h30 -17h30. Empório e Delivery – Seg.- Sáb. - 9h às 22h30. Dom. 9h-17h30. *Acesso para deficientes físicos com banheiro e mobília adaptada *Estacionamento com manobrista: R$35.

Colchão de Noiva

Renato Opice Blum é um dos maiores nomes no Brasil quando o assunto é a regulação da inteligência artificial. Para ele, o Brasil está entre os países mais avançados nessa discussão regulatória

DIVULGAÇÃO

O BRASIL DIANTE DA

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Renato Opice Blum, advogado especializado em direito digital, proteção de dados, inteligência artificial e segurança da informação, reconhecido pela atuação na interface entre tecnologia e regulação, faz uma análise estrutural do impacto da IA nas empresas e no ambiente institucional

Luciana Albuquerque

A inteligência artificial começa a se consolidar como uma camada que media a relação das pessoas com o conhecimento, tarefas e decisões. Esse impacto já se traduz em escala. No Brasil, o uso da IA se dissemina rapidamente, atravessando diferentes perfis de usuários e incorporando tarefas simples do dia a dia. Levantamentos do Instituto Locomotiva indicam que mais de 80% dos brasileiros já utilizam algum tipo de ferramenta de inteligência artificial, ainda que esse uso nem sempre seja acompanhado de compreensão mais profunda. Já no ambiente corporativo, pesquisa da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), em parceria com a Brazil Panels e a es-

cola de negócios Lideres.ai., aponta que, apesar do crescente uso da tecnologia, a maioria das empresas ainda enfrentam dificuldades para incorporar a IA de forma estruturada: 72% estão nos estágios iniciante ou experimental de adoção.

É nesse contexto que a leitura de Renato Opice Blum, ajuda a organizar o cenário. Para ele, o país ocupa hoje uma posição intermediária nesse movimento, mas com sinais claros de aceleração. “Do ponto de vista da tecnologia, o Brasil está na média do mundo, mas acelerando”, afirma. As empresas foram as primeiras a acelerar. Antes mesmo de entender plenamente o que a IA alterava em seus processos, passaram a incorporar ferra-

mentas, testar aplicações e redistribuir tarefas. O problema é que, nesse movimento, a adoção veio antes da estrutura. A corrida se traduz em uma operação ainda desorganizada. Licenças são adquiridas, áreas começam a testar soluções de forma paralela e decisões passam a ser tomadas sem um modelo claro de governança. Para ele, “está tudo meio bagunçado ainda. “Esse grau de maturidade de governança, infelizmente, ainda é muito incipiente”, explica.

O descompasso revela um estágio mais amplo da transformação. A inteligência artificial já opera dentro das empresas, mas ainda não foi completamente assimilada. Há avanço, mas ele não é homogêneo, conforme avalia Renato. “Algumas empresas já estão mais maduras, já têm seus projetos de governança implementados. E esse é um projeto que você começa, mas não acaba nunca mais. Você tem que estar sempre acompanhando, porque tudo muda muito rápido.”

Nesses casos, os resultados começam a aparecer. “Empresas que fizeram estão com feedbacks interessantes, dizendo que além da conformidade, ganharam uma vantagem competitiva de mercado, de segurança.” Ainda assim, são exceções. A dificuldade, segundo ele, está em ampliar esse padrão. “Convencer disso é difícil. A gente precisa de normativas mais robustas para dar o impulso e todo mundo começar a fazer.”

É nesse ponto que o entusiasmo inicial começa a encontrar seus primeiros limites. A promessa de eficiência, que sustenta boa parte do discurso em torno da IA, não dá conta de explicar o que está em jogo. Para Renato, o ganho e o avanço não estão exatamente onde o mercado costuma apontar. “Muita gente fala em eficiência. Eu acho que o que vai fazer a diferença vai ser a profundidade.”

A mudança é menos visível e mais estrutural. O tempo economizado não reduz o volume de trabalho, altera sua natureza. “Você vai acabar fazendo mais coisas. Ao invés de apenas um job, vai ter trinta. Vai ter mais intensidade.” O que muda não é apenas o quanto se faz, mas como se faz. A tecnologia

amplia a capacidade de análise, de produção e de articulação, exigindo outro nível de elaboração.

Esse deslocamento ajuda a entender por que a inteligência artificial não pode ser tratada como uma ferramenta isolada. Ela reorganiza o funcionamento das empresas. “Isso é multidisciplinar. Tem a parte jurídica, que envolve governança, proteção de dados, monitoramento e risco. Tem a parte técnica, com TI e segurança da informação. Tem fornecedores, desenvolvimento, implementação, cada um com seu grau de responsabilidade”, explica. A transformação atravessa áreas distintas e alcança também a alta direção. “Envolve RH, marketing, pesquisa, alta direção. E envolve custo. Então, é multidisciplinar.”

Se o impacto é mais profundo do que parece, o limite também é. Para Renato, a própria forma como a tecnologia é nomeada contribui para uma leitura equivocada. “Não deveria ser chamada inteligência artificial, mas inferência artificial. Nós raciocinamos. A ferramenta infere.”

Não se trata apenas de semântica. A explicação do especialista define o alcance e os riscos do uso. Sistemas de IA operam a partir de padrões e probabilidades. Não compreendem e não interpretam no sentido humano. Inferem. E, nesse processo, estão suscetível erram. “O principal risco jurídico é o erro. Você confia demais na ferramenta e toma uma decisão baseada em algo que não representa a realidade.”

A supervisão, portanto, não é opcional. Ela passa a ser parte característica do uso. “Você tem que combinar o uso da IA com a inteligência orgânica”, diz. A revisão deixa de ser uma etapa final e se torna uma condição permanente de uso, ajuste e eficiência. “A ferramenta não é inteligente. Esse é o grande erro.”

A discussão sobre viés segue a mesma lógica. “O algoritmo não tem vontade. Ele erra. Ele aprende com base nos dados, e esses dados são dinâmicos. Sempre haverá margem de erro.” O que está em jogo não é a intenção, mas o limite. E é a partir desse limite que a tecnologia precisa ser compreendida e utilizada.

Renato Opice Blum é advogado, sócio fundador e chairman do escritório Opice Blum; professor de Direito Digital, Proteção de Dados, Inteligência Artificial e Segurança da Informação em diversas universidades, como INSPER, ESPM e FAAP; Presidente da Comissão de Estudos de Novas Tecnologias, Neurodireitos e Inteligência Artificial do IASP; Diretor do Departamento de Defesa e Segurança da FIESP e conselheiro da Europrivacy, FIESP E FECOMERCIO, além de membro da Associação Europeia de Privacidade

Regulação em curso

É aqui que a regulação ganha espaço. E, ao contrário do que se poderia supor, “o Brasil está entre os países mais avançados na discussão regulatória de IA”, afirma Renato.

Segundo o advogado, o modelo em construção busca evitar rigidez excessiva. “A solução passa por uma lei mais principiológica, com o detalhamento sendo feito por agentes setoriais, que conseguem responder com mais agilidade.” A proposta é criar um arcabouço que acompanhe a velocidade da transformação, sem engessá-la.

Ainda assim, não se trata de uma resposta definitiva. A regulação surge como tentativa de organizar um ambiente que ainda está em formação. Ao distribuir responsabilidades entre empresas, plataformas e diferentes instâncias institucionais, ela estabelece critérios mínimos, mas não elimina a complexidade do cenário.

Esse movimento já começa a se materializar. O projeto de lei 2.338, aprovado no Senado e em discussão na Câmara, avança na construção de um marco legal inspirado em modelos internacionais, especialmente no que diz respeito ao risco, adaptado ao contexto brasileiro. Ao mesmo tempo, diferentes setores passam a desenhar suas próprias regras, dando esse desenho mais estruturado.

No Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça ampliou, em 2025, as diretrizes para o uso de inteligência artificial, avançando de princípios gerais para critérios operacionais de governança, auditoria e monitoramento. A norma reforça exigências de transparência, segurança, mitigação de vieses e, sobretudo, supervisão humana, estabelecendo que o uso de IA, especialmente a generativa, deve estar submetido à revisão e à intervenção da magistratura.

Na advocacia, a Ordem dos Advogados do Brasil seguiu na mesma direção ao editar recomendações específicas para o uso da tecnologia. As diretrizes reforçam a necessidade de confidencialidade, revisão integral das respostas geradas por sistemas automatizados e transparência com

“O

PROJETO DE GOVERNANÇA PARA O USO DE IA NAS EMPRESAS NÃO ACABA

NUNCA. TEM QUE ESTAR SEMPRE ACOMPANHANDO, PORQUE TUDO MUDA MUITO RÁPIDO”

o cliente, além de vedar a delegação de atividades privativas sem supervisão humana.

Na prática, o que se observa é uma mudança de estágio. A inteligência artificial deixa de ser apenas um vetor de inovação e passa a ser incorporada dentro de estruturas formais de controle. “Se for necessário ajustar, regular mais ou menos, isso pode ser feito rapidamente”, explica Renato. Ao mesmo tempo, amplia-se a responsabilidade sobre os diferentes atores. “As plataformas têm capacidade técnica de intervir, e isso começa a ser considerado juridicamente.”

A proximidade da disputa eleitoral reforça essa dinâmica. O uso da inteligência artificial tende a seintensificar na produção e circulação de conteúdo, ampliando os riscos ligados à desinformação. Para Renato, o TSE tem atuado de forma correta, “estabelecendo responsabilidade solidária quando há notificação e ausência de ação.”

Entre adoção acelerada, excesso de expectativa e limites ainda pouco assimilados, o avanço da inteligência artificial no Brasil se dá de forma desigual. A tecnologia já está incorporada ao cotidiano e às empresas, mas sua compreensão e, sobretudo, sua governança ainda está em construção. O que se entende, então, não é uma disputa por velocidade, mas por critério. A diferença não está em fazer mais rápido, mas em fazer melhor e com mais profundidade.

QUANDO

VIRA INFLUÊNCIA TRAJETÓRIA

Com passagem pelo Legislativo e pela Procuradoria, Mônica Cury integra hoje a assessoria da presidência na Câmara Municipal de São Paulo, unindo experiência jurídica, visão política e estratégia para influenciar articulações no poder público e aproximar agendas institucionais da vida real, em torno do cuidado, principalmente no combate à violência doméstica e no apoio às famílias atípicas

Por Luciana Albuquerque Fotos Chico Audi

Natural de Salto Grande e advogada de formação, MÔNICA

CURY

construiu carreira entre o interior paulista e a capital. Passou pela gestão municipal, pelo Banco do Povo Paulista, foi procuradora municipal de Cândido Mota e vereadora em Salto Grande, somando experiência técnica, vivência eleitoral e trânsito institucional. Hoje assessora da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo, ela define a função como uma tentativa de aproximar agendas institucionais da vida real. “Minha função é expandir o institucional para a cidade. No fim, esses assuntos se conectam.” A frase resume a visão de quem passou por diferentes frentes do serviço público e transformou essa vivência em métodos de trabalho, que impactaram sua forma de enxergar a gestão pública hoje.

Da violência doméstica ao envelhecimento da população, ela organiza sua visão pública em torno do cuidado. “Eu gosto de tratar política pública como política do cuidado - um cuidado real com o cidadão.” Para ela, governar exige olhar cada pessoa em sua realidade concreta, com limites, demandas e urgências que nem sempre chegam ao centro do debate público. Sua leitura ajuda a entender a filosofia por trás de uma trajetória que circulou entre diferentes ambientes da gestão pública.

Nesta entrevista, dois temas que mobilizam o país aparecem com força: a presença feminina nos espaços de decisão e a violência contra a mulher. Para Mônica, o Brasil ainda carrega marcas históricas que ajudam a explicar a baixa representação feminina na política e em postos de liderança. “Até outro dia a mulher usava o mesmo CPF do marido”, lembra. Mais do que uma pauta identitária, ela trata o tema como questão de qualidade governamental, pois vê na presença feminina o cuidado e a atenção que, por vezes, faltam no trato público.

Ao falar de liderança feminina e rede de proteção à mulher, Mônica amplia o debate. Também inclui pessoas atípicas, envelhecimento e famílias sobrecarregadas. E reforça o princípio de que políticas públicas só produzem resultado quando deixam de existir apenas no papel e alcançam o cotidiano das pessoas.

Sua crítica, porém, não se limita ao diagnóstico. Mônica sustenta que ampliar lideranças femininas significa incorporar novas referências à gestão e formulação de soluções, além de reconhecer competências frequentemente associadas à experiência da mulher, como organização prática, lidar com múltiplas demandas e a sensibilidade de antecipar riscos e administrar conflitos.

Essa lógica também orienta sua leitura sobre proteção à mulher. Combater a violência passa por fortalecer redes locais, ampliar acesso à informação, garantir autonomia financeira e integrar serviços públicos que muitas vezes existem, mas permanecem distantes de quem precisa de-

les. Para ela, políticas eficazes precisam enxergar vínculos, contexto e reincidência. Violência, lembra, raramente começa quando vira manchete. “Em muitos casos, o Estado já poderia ter atuado com mecanismos que ajudem a reorganizar relações em conflito”, defende.

Ao tratar desse tema, Mônica também chama atenção para o papel da outra parte na mudança cultural necessária. “A comunicação também precisa chegar aos homens”, diz. Para ela, enfrentar a violência vai além da resposta penal imediata. “É muito mais fácil para um político dizer que vai aumentar uma pena de trinta para quarenta anos do que explicar para a sociedade que também vai reeducar o homem.” Na sua avaliação, esse tipo de anúncio produz impacto rápido, enquanto o problema estrutural permanece intocado. “Além de criar novas políticas, precisamos mudar mentalidades.”

O mesmo raciocínio aparece quando fala de pessoas atípicas, idosos e famílias submetidas a rotinas intensas de cuidado. Segundo Mônica, grande parte da política pública ainda enxerga apenas o beneficiário direto e ignora quem sustenta esse cuidado todos os dias. São mães, pais, avós e irmãos que reorganizam a própria vida para suprir ausências de apoio. “Essa é uma realidade cada vez mais comum: mulheres maduras sustentando várias gerações ao mesmo tempo”, diz. E conclui: “O poder público não tem a capacidade de abarcar toda necessidade de uma população”.

Ela evita reduzir o debate a um diagnóstico. Fala de inclusão, acessibilidade, saúde, educação e acolhimento, mas também da exaustão silenciosa de quem acompanha consultas, administra crises, abandona oportunidades profissionais ou vive em estado permanente de alerta dentro e fora de casa. Cuidar da pessoa atípica, ressalta, também significa cuidar do cuidador.

Vinda do interior e hoje inserida no centro político da capital, Mônica se colocou à disposição do União Brasil para projetos futuros no estado. Mais do que um movimento político, sua atuação

se consolida como defesa direta da qualidade de vida da mulher, das políticas públicas conectadas à vida real e da convicção de que o cidadão não pode ser reduzido a número, estatística ou promessa de campanha.

Hands ON: Como a presença de mulheres em espaços de decisão, como advocacia, gestão pública e política, pode melhorar a qualidade das leis e das políticas públicas?

Mônica Cury: Olhando para a história e para a cultura do Brasil, ainda faltam mulheres nos espaços de decisão política. Isso porque até outro dia, a mulher usava o mesmo CPF do marido, por exemplo. Se você não tem identidade própria, você não é ninguém. E, pior, quando a sua identidade é a de outro, você deixa de ser você. Eu gosto de tratar política pública como política do cuidado. Cuidado com o cidadão. E a sociedade precisa de referências diferentes na hora de pensar soluções. O que não pode acontecer é só homens decidirem por todos, especialmente em uma sociedade formada, em sua maioria, por mulheres. Muitas vezes, quem legisla não conhece de perto as necessidades reais da vida feminina, que é multitarefa: maternidade, rotina da casa, sobrecarga, criação dos filhos, múltiplas jornadas. Isso faz diferença quando se pensa em lei, orçamento e prioridade pública. Existe também algo muito próprio do universo feminino, que é o cuidado com o outro e com a família. A mulher, historicamente, assumiu esse lugar e continua assumindo. É por isso que tantas acabam sendo multitarefa. Trabalham fora e seguem responsáveis por tudo dentro de casa.

HO: Quando se fala em protagonismo feminino, muitas vezes se cobra que a mulher ocupe novos espaços sem que a estrutura ao redor mude. Na prática, que políticas públicas poderiam reduzir essa sobrecarga e dar condições reais para que mais mulheres avancem?

MC: A mulher, historicamente e por instinto, assume muitas frentes ao mesmo tempo. O resultado

DEFENDO MAIS MULHERES

NOS ESPAÇOS DE DECISÃO. NÃO POR DISPUTA ENTRE HOMEM E MULHER, MAS

PORQUE UMA SOCIEDADE

JUSTA PRECISA SER PENSADA TAMBÉM POR

QUEM SUSTENTA GRANDE

PARTE DO CUIDADO COTIDIANO. QUANDO A MULHER PARTICIPA MAIS, A POLÍTICA SE APROXIMA

DA VIDA REAL

CARREGAMOS UMA CULTURA EM QUE

A MÃE É RESPONSÁVEL POR TUDO E, MESMO QUANDO PODERIA DIVIDIR

DE FORMA EQUILIBRADA, ELA SENTE

CULPA, COMO SE COMPARTILHAR A RESPONSABILIDADE SIGNIFICASSE

ABANDONAR O FILHO, QUANDO NÃO SIGNIFICA. ENTÃO, ALÉM DE CRIAR NOVAS POLÍTICAS, PRECISAMOS MUDAR

MENTALIDADES. A RESPONSABILIDADE PELOS FILHOS É DOS DOIS

disso, muitas vezes, é o esgotamento feminino. A mulher quer crescer, quer ocupar novos lugares, mas não quer abandonar aquilo que também considera responsabilidade dela. Por isso, quando falamos de política pública, precisamos falar de apoio concreto. Creche, rede de cuidado, incentivo ao empreendedorismo feminino, autonomia financeira, serviços que aliviem a rotina e deem condições reais para que essa mulher avance sem carregar tudo sozinha. Existe também um ponto importante dentro do Direito de Família, que é a guarda compartilhada. Hoje, a legislação brasileira estabelece esse princípio como regra. Mas, na prática, o que ainda se vê muitas vezes é a guarda unilateral concentrada na mulher. Isso acontece porque carregamos uma cultura em que a mãe é responsável por tudo e, mesmo quando poderia dividir de forma equilibrada, ela sente culpa, como se compartilhar a responsabilidade significasse abandonar o filho, quando não significa. Então, além de criar novas políticas, precisamos mudar mentalidades. A responsabilidade pelos filhos é dos dois.

HO: Quando você fala de mudança de mentalidade, você acredita que essa pauta não pode ser discutida apenas entre mulheres? Falta envolver mais os homens nessa conversa?

A comunicação também precisa chegar aos homens. É preciso dizer com clareza que ser pai é responsabilidade integral, não ajuda eventual. Cuidar da casa, acompanhar a escola, dividir rotina, participar das decisões familiares, tudo isso também é papel masculino. Nós vivemos uma transição. Muitos homens foram criados em outro contexto, vendo mães dedicadas exclusivamente ao lar e pais distantes da rotina doméstica. Hoje, eles encontram mulheres que querem igualdade, parceria e divisão real de responsabilidades. Isso exige adaptação cultural. E eu não acho que homens são inimigos das mulheres. A imensa maioria quer construir relações saudáveis, embora existam muitos comportamentos aprendidos em modelos ultrapassados que ain-

da persistem. Por isso, quando falamos em violência, desigualdade ou sobrecarga, não acredito que basta apenas punir quem erra. A punição é necessária, claro, mas ela precisa vir acompanhada de educação, mudança de mentalidade e formação das novas gerações. Quando quero um parceiro, quero um homem protetor, mas que saiba que eu também sei me proteger. Quero cuidar, mas também quero poder chegar um dia em casa e encontrar uma janta feita. Quero liberdade sem culpa. E isso só acontece quando entendemos que filhos, casa e responsabilidades pertencem aos dois.

HO: Como você avalia que os projetos de proteção pública possam ser mais eficazes para interromper ciclos de violência contra a mulher antes que eles terminem em tragédia?

MC: Eu acho que o debate e a atividade pública têm se concentrado demais em criar novas leis e aumentar penas. É muito mais fácil para um político dizer que vai aumentar uma pena de trinta para quarenta anos do que explicar para a sociedade que vai manter os trinta anos, mas também reeducar o homem. Isso vira gesto político de impacto imediato, enquanto o problema real continua sem solução. Quando a gente olha para muitos casos de feminicídio, percebe que normalmente havia sinais anteriores, como ameaças, boletins de ocorrência, conversas com amigas, episódios repetidos de violência. Em muitos casos, o Estado já poderia ter atuado com orientação familiar, apoio social, acompanhamento de saúde mental e mecanismos que ajudem a reorganizar relações em conflito. Por isso, a rede de proteção precisa atuar antes de um desfecho extremo. Precisa identificar reincidência, acompanhar famílias em risco, ouvir a mulher, oferecer suporte psicológico, assistência social e medidas práticas de proteção. Precisamos falar mais sobre saúde mental e reeducação desses homens agressores. Não é relativizar o crime, mas não adianta ter só a lei, se não tiver o tratamento, se não tiver o cuidado.

HO: Você diz que muitas soluções já existem, mas não funcionam plenamente. O desafio hoje é menos criar leis e mais fazer o que já existe funcionar?

MC: Quando falamos de proteção social e violência doméstica, não precisamos criar a roda, precisamos fortalecer o que já existe, com continuidade e prioridade ao que já está previsto. Precisamos fortalecer a política pública de longo prazo. Fortalecer o cuidado. Eu aprendi isso convivendo com a assistência social. Trabalhei por anos nessa área e vi de perto como existem soluções concretas dentro da rede pública, especialmente no SUAS - Sistema Único de Assistência Social -, que é uma estrutura muito importante e ainda pouco valorizada. No Brasil, fala-se muito no SUS, e com razão. Mas o SUAS também é essencial, porque é ele que atende vulnerabilidades familiares, conflitos domésticos, mulheres em risco, crianças expostas e tantas outras situações que exigem intervenção antes que virem tragédia. A política pública precisa investir no acompanhamento e cuidado contínuo. Violência doméstica não se enfrenta apenas com penas cada vez maiores, mas com prevenção, presença da assistência social, rede integrada e acompanhamento sério. Existem inclusive ferramentas e programas que poderiam ser mais bem aproveitados, mas exigem tempo, investimento e trabalho contínuo. Isso dá menos visibilidade política, porém tende a gerar resultados mais profundos. Um exemplo é a Oficina de Pais e Filhos – programa educacional e multidisciplinar oferecido por Tribunais de Justiça (CEJUSCs) para famílias em processo de divórcio, união estável, ou disputa de guarda. É uma iniciativa importante, porque tenta reorganizar a relação familiar antes que o conflito cresça ainda mais. Mas, pouca gente sabe que existe no sistema judiciário brasileiro esse trabalho de orientação e prevenção, em que pais e mães participam de encontros, palestras e acompanhamento com psicólogos e assistentes sociais, voltados a preservar o bem-estar dos filhos. E o pior, normalmente não há

cobrança para que as pessoas busquem esse serviço. Ou seja, é mais um caso em que a estrutura está disponível, mas ainda distante da realidade de quem precisa dela. Quando a mulher percebe que existe proteção real e quando o agressor entende que está sendo monitorado e responsabilizado, aumentam as chances de romper esse ciclo antes que seja tarde e de um desfecho positivo.

HO: Você também defende que o atendimento à mulher em situação de violência precisa considerar a realidade concreta de cada família. O que isso significa na prática?

MC: Significa entender que cada caso tem uma realidade própria. A situação de uma mulher é diferente da outra. É diferente para quem tem filhos pequenos, para quem depende financeiramente do companheiro, para quem mora longe da família ou para quem já tem autonomia financeira. Mesmo quando a mulher trabalha, a separação pode representar queda importante de renda e de estrutura. Isso impacta a criança que precisa sair de uma escola particular, a rotina muda completamente e o impacto emocional recai sobre todos. Por isso, o atendimento não pode ser padronizado. É preciso olhar para a saúde mental, para a condição social, para a rede de apoio e para as possibilidades reais daquela família naquele momento. Eu vi casos de mulheres que não queriam a prisão do agressor porque perguntavam: “Como vou sustentar meus filhos?”. Isso mostra que o problema é mais complexo do que parece. Segurança e autonomia financeira caminham juntas. Quando a mulher tem renda própria, autonomia e condições materiais de se manter, ela ganha mais força para tomar decisões e romper situações abusivas. Esse fator pesa muito e precisa ser enfrentado com seriedade. Mas eu também acho importante ampliar o olhar. Não é só dinheiro. Muitas dessas mulheres têm filhos com o agressor, e isso torna tudo mais complexo, atinge da diarista à empresária. Esse impasse atinge a rotina de mulheres de diferentes realidades. Por isso, a independência financeira é decisiva, mas não resolve

tudo sozinha. É preciso combinar autonomia econômica com rede de apoio, proteção, acolhimento psicológico e segurança para que essa mulher consiga reconstruir a vida.

HO: Sua atuação costuma ser associada ao autismo, mas você amplia esse debate para algo maior: o cuidado com pessoas atípicas e com quem cuida delas. Onde estão hoje as principais lacunas?

MC: O autismo ganhou visibilidade, isso é importante. Mas existem muitas outras realidades que também precisam ser vistas, como TDAH, síndromes diversas, doenças raras, deficiências físicas e tantas outras situações que fogem do padrão considerado comum. Por isso, eu prefiro falar da bandeira das pessoas atípicas. Levanto essa bandeira, mas de maneira mais ampla. Muitas políticas públicas olham apenas para o diagnóstico, para o laudo, para o atendimento direto. E é necessário. Mas existe uma camada silenciosa que quase nunca entra no debate: mães, avós, irmãs, familiares e cuidadores que reorganizam toda a vida para sustentar essa rotina ao dar apoio a essas pessoas. Eu vivi isso dentro de casa. Tenho um irmão com doença rara e acompanhei de perto o que significa adaptar a vida de uma família inteira em torno de uma necessidade permanente de cuidado. Depois, também vivi desafios como mãe. Então, não falo desse tema de fora. Quando existe uma pessoa atípica em casa, muda tudo: horários, renda, trabalho, deslocamento, relações familiares e perspectivas de futuro. Muitas vezes, uma irmã mais velha assume responsabilidades cedo demais. Mães abandonam a carreira. Avós voltam a cuidar. Isso quase não aparece.

HO: Quando você fala em cuidado, como o envelhecimento da população entra nessa discussão?

MC: Essa preocupação se estende aos idosos. O envelhecimento precisa entrar de vez na pauta pública. Na prática, essa responsabilidade continua

QUANDO A MULHER TEM

RENDA PRÓPRIA, AUTONOMIA

E CONDIÇÕES MATERIAIS DE SE MANTER, ELA GANHA MAIS FORÇA PARA TOMAR DECISÕES

E ROMPER SITUAÇÕES ABUSIVAS. ESSE FATOR PESA

MUITO E PRECISA SER ENFRENTADO COM SERIEDADE

recaindo majoritariamente sobre as mulheres. É comum mulheres que já cuidaram dos filhos pas sarem a cuidar dos netos e, ao mesmo tempo, assumirem também o cuidado dos próprios pais já idosos. Eu ouvi isso de forma muito marcante em uma palestra. Uma senhora me disse: “Já estou aposentada, ajudo minha filha com os netos, mas também cuido da minha mãe com Alzheimer”. Essa é uma realidade cada vez mais comum, mulheres maduras sustentando várias gerações ao mesmo tempo. Já cuidei de familiares doentes e idosos e sei o im pacto que isso traz. Existe exaustão física e mental, mas quase ninguém fala sobre isso. Em São Paulo, por exemplo, falta aquela proximidade do interior. No inte rior, em muitos lugares, existe uma re lação mais próxima entre comunidade e rede pública. A visita domiciliar, o acom panhamento mais pessoal e a presença de amigos e vizinhos para auxiliar quem está precisando costumam acontecer com mais naturalidade.

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BABY GRAS

Com mais de cinquenta anos de carreira, a artista voltou a apresentar novas séries no último ano, como Sem Fronteiras, In Natura e Intimus, enquanto suas obras - telas, esculturas, colagens e assemblage - seguem presentes em coleções no Brasil e na Europa

Por Luciana Albuquerque

“Arte é uma conversa entre o que está dentro e o que está fora, entre o real e o subjetivo, entre a beleza e o insólito.” A definição vem da artista Baby Gras, alguém que se acostumou a viver entre mundos distintos, múltiplas linguagens e com referências diversas. Argentina de nascimento, paulistana por escolha e brasileira por cidadania, Baby trata a arte como um diálogo permanente, distante de respostas definitivas e mais próxima de um território de investigação.

Bárbara Juana Maria Gras nasceu em Buenos Aires, em 1955. Com quatorze anos, mudou-se com a família para São Paulo, cidade onde consolidou sua vida artística. Desde o início dos anos 1970, desenvolve uma produção contínua entre pintura, escultura, colagem e instalação, sempre em contato com a experimentação material e a pesquisa visual. Ao longo desse tempo, construiu uma obra marcada por permanência e inquietação simultâneas. “Aprender todos os dias e pôr em prática o que está nas entrelinhas”, define.

A artista costuma associar a própria sensibilidade a uma infância vivida entre cidades e culturas distintas. Para Baby, essa experiência a aproximou de muitas referências. “Por ter tido uma infância entre Buenos Aires e Genova, na Itália, assimilei am-

bas as culturas”, diz. Da experiência italiana, guarda a influência de uma tradição estética que a acompanhou desde cedo. “A Itália, como berço das artes, me influenciou desde adolescente, refinou meu olhar e deu o start à minha produção.” Já a origem argentina, em sua leitura, ampliou a percepção de um universo diverso. “A Argentina apurou meu olhar através de vivências latinas e europeias.”

Em São Paulo, experimentou outra energia. A cidade, com seu ritmo acelerado e sua mistura permanente, tornou-se também fonte de estímulo estético. “Mais fresco e jovem, São Paulo me mostrou a explosão de cores e formas e a exuberância da natureza.”

O resultado dessa soma aparece na maneira como define a própria percepção. “Todos os olhares multiculturais se entrelaçam, se somam e inspiram minha arte e meu olhar.” Baby ainda acrescenta: “Meu olhar não é fixo, está sempre em deslocamento.”

Para ela, o processo criativo começa antes do gesto visível. Nasce em uma zona silenciosa, em que memória, observação e intuição se organizam lentamente. “Uma obra de arte nasce para mim de um movimento interno silencioso, muitas vezes após um período de pausa, armazenamento e absorção do universo em torno.” Nada acontece de forma uniforme. “O processo não é linear. Surgem

Baby posa em sua exposição no edifício Itália, Galeria Edmondo Biganti, em frente as obras “Soft” e “Proud” (acrílico sobre tela)

“Sem fronteiras”, colagem sobre spuma paper

“Ressaca”, colagem sobre spuma paper

Exposição “Entre Mundos”, no Centro Cultural Britânico. Obra: “Banco”, acrílico sobre tela

Em seu ateliê, Baby Grass reflete: “Ainda desejo descobrir as surpresas e vestígios das memórias dos materiais e do processo criativo”

Gregorio Motta e Baby Gras
Diego Motta e Baby Gras
TONICO

desejos desorganizados de expressar aquilo que se transformará em uma obra.” O ateliê torna-se, então, lugar de escuta e tentativa, onde as ideias se materializam aos poucos. “Testo materiais, superfícies, gestos, técnicas até encontrar um ponto de encontro entre si.”

Essa relação direta com a matéria ajuda a compreender sua construção ao longo dos anos. A obra de Baby Gras revela predileção por formas compactas e maciças, em composições nas quais a estrutura visual nasce tanto da construção quanto do desgaste. Cor, transparência, raspagens e incrustações convivem como elementos de uma mesma gramática sensível. Em muitos trabalhos, matéria, cor e luz parecem indistintas, como se fossem partes de um único corpo.

Embora dialogue com vertentes do abstracionismo geométrico, sua pesquisa busca menos a rigidez formal e mais a relação entre forma, presença e emoção. A inspiração, diz, não vem apenas de momentos excepcionais, mas do cotidiano. “Busco inspiração no dia a dia. O olho trabalha e armazena.” Talvez por isso, ao definir a própria característica mais marcante, recorra a uma síntese precisa: “Acho que olhar formas e sentimentos.”

Se a obra carrega espontaneidade, ela também revela disciplina técnica. Sua formação combina arte e áreas aplicadas, o que ajuda a explicar o rigor construtivo presente em muitas peças. Estudou pintura e propaganda e marketing na Escola Panamericana de Arte; frequentou cursos de desenho tridimensional, escultura e joalheria no Cabrillo College; estilismo no Studio Berçot e também na Casa Rhodia, em São Paulo; fez pós-graduação em design têxtil na Central Saint Martins; e aprofundou estudos em escultura e pintura na FAAP, com nomes como Nikolas Vlavianos e Gregório Gruber. Participou de importantes exposições ligadas ao design e ao têxtil, com passagens por instituições como o Museu da Casa Brasileira e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. “Desde pequena era ligada em música, arte e arquitetura”, recorda. O repertório se ampliou com o tempo: “Fui influenciada por nomes como Walter Ley, Ismael Nery, Calder, Miró, Chagall, Picasso, Baro e Pietro Della Francesca”, relata.

FELICIDADE PRA MIM É TER

SAÚDE E DESFRUTAR DA MINHA FAMÍLIA E DA ARTE

QUE ME RODEIA, EM TODOS

OS SENTIDOS, COMO DANÇA, DESIGN, MÚSICA, PASSEIOS E AMIGOS

Ao longo das décadas, Gras manteve a produção artística em diálogo constante com a vida cotidiana, a família e a curiosidade intelectual. Em sua visão, a arte permanece viva justamente porque não se fecha em certezas. “A arte para mim é uma pergunta aberta. Talvez seja justamente isso que a mantém viva.” Ao mesmo tempo, reconhece na prática artística uma forma de permanência. “A arte faz e não faz sentido, me ensinou o que permanece depois do tempo.”

Quando fala às novas gerações, prefere estimular liberdade e experiência. “Aconselharia aos jovens experimentar e não se limitar a uma só mídia, e não jogar fora os trabalhos que não gostam em um primeiro momento. Ainda que às vezes, por falta de espaço, acabe fazendo uma seleção.”

Ao falar de felicidade, Baby retorna ao essencial. “Felicidade pra mim é ter saúde e desfrutar da minha família e da arte que me rodeia, em todos os sentidos, como dança, design, música, passeios e amigos.” Entre suas maiores realizações, enumera afetos e percurso: “Meus filhos, meus netos, meus amigos, meus estudos e minha arte.” Depois de mais de cinco décadas de produção, porém, nada sugere acomodação. A busca continua voltada ao que ainda não se revelou. “Ainda desejo descobrir as surpresas e vestígios das memórias dos materiais e do processo criativo.”

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O HOMEM QUE VIRA A CABEÇA DAS MULHERES

Conhecido como o Rei da Tesoura, o mais badalado e desejado cabeleireiro das estrelas, Marco Antônio de Biaggi, celebra 26 anos de sucesso do seu salão, MG Hair Design

Por Vanda Fulaneto

Marco Antônio de Biaggi começou sua carreira sem saber do seu talento, ser cabelereiro para ele não era um sonho, ele queria ajudar a família. Foi no Senac que tudo mudou, ali ele descobriu seu dom: percebeu que nasceu para cortar cabelos. Trabalhou no Salão Henrico Torello por dois anos, depois seguiu como freelancer numa agência chamada Boys. Em seguida, trabalhou no salão Beka Haute Coiffure por 10 anos. Paralelamente a isso, fazia as capas e as matérias para as principais revistas brasileiras. A fera começou fazendo fotos modestas de matérias de moda e comportamento, até ser convidado para fazer a primeira capa da revista Nova, em 1989. Foi a sua primeira capa de revista. Depois vieram milhares, mas a consagra-

ção foi com a famosa Playboy, tendo como capa, Adriane Galisteu, em 1995. Marco fez 479 capas de Nova ao longo de aproximadamente 30 anos.

Mesmo sendo de uma família classe média, nunca se deslumbrou com o sucesso, nunca perdeu a motivação e nem a humildade. Trata todos com educação, respeito e consideração. Cada capa de revista que ele fazia era com a mesma alegria e a mesma energia como se fosse a sua primeira. Foi isso que fez toda a diferença. “Eu considero que tenho um dom divino e faço tudo, todos os dias, para honrar esse dom que Deus me deu. Tenho plena consciência de que nasci para cortar cabelo e de que transformo a vida das pessoas na minha cadeira. E quando vejo a felicidade estampada no

De origem simples, Marco Antônio de Biaggi construiu um império: o MG Hair Design é um dos salões mais requisitados do país. Em 30 anos de carreira, fez 479 capas da revista Nova, além de outras revistas famosas

EM 2017, LANÇOU SUA BIOGRAFIA, A BELEZA DA VIDA (EDITORA ABRIL), ESCRITA PELO JORNALISTA JOÃO BATISTA JR., DESTACANDO SUA TRAJETÓRIA DE SUPERAÇÃO APÓS VENCER UM LINFOMA EM 2015

rosto delas ao final do corte, é isso que me move há quatro décadas, fazendo o meu melhor todos os dias, porque cortar cabelo é o que eu sei fazer e é o que eu tenho certeza de que faço bem”, relata. Fundou o MG Hair Design no ano de 2000 e hoje seu salão completa 26 anos de sucesso e muito trabalho. Sempre atento às mudanças do mercado, define seu local de trabalho como um salão clássico, mas que se reinventa o tempo todo. Ele atende a mãe, a filha e a neta teenager. É um salão que evoluiu com o tempo porque Marco sempre foi antenado. Possui três milhões de seguidores em seu Instagram onde dá dicas de beleza e participa de inúmeros podcasts onde compartilha um pouco do seus segredos e sucesso. Lançou produtos no mercado da beleza – várias linhas de shampoo, condicionador, sérum, nutricosméticos e maquiagem que são um sucesso.

A próxima novidade ele adianta: é a criação de uma linha de perfumes. Como também atende o público masculino Biaggi revela a tendência do momento para eles: “o corte italiano e o scissor cut, um corte inteiro feito com a maestria da tesoura e do pente, sem máquina, porque um homem chique, um homem elegante, nunca usa laterais raspadas na máquina, ponto, tenha certeza disso.”

OTAVIO NETO

CEOGrupo On Media

e Publisher HANDS O

FUTURE MOBILITY 2026 AMPLIA ESCALA E LEVA TEST-DRIVE AO ANHEMBI

Aplataformadenegóciosdedicadaaoecossistemademobilidade einovaçãointegradaàEletrolarShowAllConnected,transformará oSambódromodoAnhembi,emSãoPaulo,emumgrandeespaço deexperimentaçãotecnológica.BatizadadeFutureMobilityDriving Experience,aáreareunirádemonstraçõeseexperiênciaspráticas comveículosesoluçõesdemobilidade,permitindoaopúblico vivenciarastecnologiasqueestãoredefinindoosetor,debates setoriaiseumaáreadecercade100milm²parademonstrações etest-drivesdeveículoseletrificados,micromobilidadeesoluções conectadas.“Quandocompramosumcarro,éprecisoconhecê-lo paraseapaixonarequererfazernegócio.Porisso,otest-driveé tãoimportanteemereceterumespaçoparaele”,afirmaCarlos Clur,CEOdoGrupoEletrolar.Segundoele,aevoluçãodoprojeto acompanhaasmudançasestruturaisdaindústria.“Oevento reúnetrêsdimensõesdesseprocesso:aáreadeexposiçãodas tecnologiasqueestãochegandoaomercado,odebatesobreos caminhosdosetoremnossaArenadeConteúdoeapossibilidade deexperimentaressassoluçõesnaprática”,diz.

Grupo Eletrolar

BRASIL RECEBE TURNÊ DE 30 ANOS DE CARREIRA DE SEAL

SOCORRO GANHA DESTAQUE COMO REFERÊNCIA DO TURISMO

AcidadedeSocorro,nointeriordeSãoPaulo,recebeuumamissãotécnica formadaporrepresentantesdeBrazópoliseMariadaFé,eminiciativa voltadaàimersãonomodelodedesenvolvimentoturísticoquetornouo municípioreferêncianacionalemacessibilidade,sustentabilidadeeturismode experiência.Aprogramaçãocontoucomvisitasaatrativoslocaiseencontros promovidospelaRededosSonhosHotéisFazenda,grupoqueatuade formaintegradaaoecossistematurísticodacidade.Duranteaagenda,os participantesacompanharamtambémofuncionamentodoCOMTUReações dearticulaçãoentrepoderpúblicoeiniciativaprivada.

O cantor Seal anunciou duas apresentaçõesnoBrasildatourquejá passoupelosEstadosUnidos,Canadá eEuropa-“Celebrando30Anosdos ClássicosÁlbunsIeII”:em26de novembro,noQualistage,noRiode Janeiro,eem28denovembro,noAllianz Parque,emSãoPaulo.Orepertórioreúne sucessoscomoCrazyeKissfromaRose eaaberturadoshowficaráacargode SeuJorge.“OSealconstruiuumarelação muitofortecomopúblicobrasileiro desdeosanos90,eessaturnêtemum significadoespecialaorevisitarosálbuns quemarcaramoiníciodacarreira”, afirmaCarolPascoal,VPde ComunicaçãoeMarketingda30e.

APAS SHOW CELEBRA

40ª EDIÇÃO

De18a21demaio,oExpoCenterNorte receberácercade900expositorese representantesde24paísesparaaAPAS, comotema,“CoraçãoSupermercadista–Paixãoquetransformaovarejo”.Alémda agendacomercial,oCongressoUpdate-se, trarádebatessobretransformação digital,comportamentodoconsumidor, sustentabilidadeeliderança.“OFestivalAPAS SHOWatuacomoumapoderosaplataforma denegóciosepromovendoconexõesexclusivas entreosprincipaisplayersdosetor”,afirma FabianoBenedetti,diretordemarketing, comercial,CRMenovosnegóciosdaAPAS.

DIVULGAÇÃO
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GRUPO SCHULTZ CELEBRA 40 ANOS E ANUNCIA NOVA FASE

A Schultz celebrou seus 40 anos transformando a data em um marcoestratégicoparaacompanhia.DuranteeventonoCircolo Cocina,aempresaoficializouoGrupoSchultz,reunindoemsuaestruturaoperações deturismo,vistos,segurosetecnologia,movimentoqueconsolidaintegraçõesjáem cursonosúltimosanos.Ofundadordacompanhia,AroldoSchultzrevisitouatrajetória construídadesdeosanos1980edestacouopapeldaspessoasnesseprocesso.“Ao olharparaos40anosdaSchultz,ofatormaisdecisivo,semdúvida,foisaberescolher eformarlíderesaolongodacaminhada.Hojeconsolidamosaquiloquejáéramos emessência.Agorasomosoficialmenteumgrupo.Aolongodessasquatrodécadas, oturismomudou,enósmudamosjunto.Investimoseminovação,tecnologiae,mais recentemente,eminteligênciaartificial,semprecomoobjetivodefortaleceronosso ecossistemaegerarvalorparaagentesdeviagens,parceiroseclientes”,diz.Anova faseseráacompanhadaporatualizaçãodemarca,pensadapararefletirmaturidade eintegração,mantendoaculturaconstruídaaolongodatrajetória.“Seguimoscoma mesmaalma,masmaispreparadosparaosdesafiosdoturismo.”

SÃO PAULO CONQUISTA PRÊMIO: O MELHOR DO TURISMO BRASILEIRO

OMelhordoTurismoBrasileiro,prêmiopromovidopelaeditoriaViagem dojornalOEstadodeS.Paulo,destacouacapitalpaulistaemprimeiro lugarcomodestinogastronômicoedenegócios.“SãoPauloéplural noquepossuicomoexperiênciaamoradoresevisitantes.E,alémda diversidade,oferecemuitaautoriaequalidadeemnívelinternacional”, dizToniSando,CEOdoVisiteSãoPauloConventionBureau(VSPCB).“A gastronomiaemSãoPauloérica,comcomidasdoBrasiledoMundo em estabelecimentos reconhecidos internacionalmente. Já como destino denegócios,apremiaçãoreconheceuqueacapitalpaulistalideraas viagensdenegócioscominfraestruturaconsolidada,altaconectividade eagendaintensa,eampliasuapresençanomercadointernacional.“A experiênciaMadeInSPéincrível”,finalizaSando.

Toni Sando, CEO do Visite São Paulo Convention Bureau (VSPCB)

O REMO

COMO ESPORTE DISCIPLINADO

Amplamente democrático – pode ser praticado por remadores de todas as idades, dos 12 aos 90 anos – o remo ajuda a lidar com desafios, superar limites e compreender que os resultados vêm com constância e esforço

Todas as tardes, quando a vibrante e frenética cidade de São Paulo está em pleno movimento, uma jovem está na água. Aos 15 anos, Manuella Vettorazzo Veiga Martinez (Manú) divide sua rotina entre a escola e um esporte que exige força, técnica e muita disciplina: o remo. Incentivada pelos pais, Debora e Juan – ela que já foi remadora e ele, ainda praticante do esporte - Manú representa uma nova geração de atletas que encontram no esporte não apenas uma atividade física, mas, também, um caminho de crescimento pessoal.

O remo é um esporte olímpico de força e resistência, onde atletas impulsionam o barco, em águas calmas (geralmente 2.000 mt.), sentados de costas para direção do movimento. Utiliza assentos deslizantes e remos fixados na embarcação. Nas Olimpíadas as provas são disputadas por barcos com 1, 2, 4 ou 8 remadores e, apenas este último, tem um timoneiro, que é o atleta responsável por dirigir e comandar a tripulação.

Em São Paulo, Manú treina no Clube de Rega tas Bandeirante, um dos principais clubes do remo brasileiro, sediado na USP. Como estudante, mantém o foco nas responsabilidades escolares, mas, quando termina o período de aulas, o destino é quase sempre o mesmo: a Raia Olímpica. É lá que ela, no ritmo cadenciado dos remos, tem o treino diário e sempre orientado por Acácio Roberto Lemos, treinador e pre -

Manuella Vettorazzo Veiga Martinez (Manú)

sidente do Conselho Deliberativo do Clube e, do também treinador, Norberto Mitsuo Takahashi, aperfeiçoando seus movimentos que exigem coordenação, resistência e concentração. Cada remada é resultado de horas de prática e de uma determinação que impressiona. O esporte é conhecido por exigir disciplina e trabalho em equipe e por ser amplamente democrático, onde remadores de todas as idades – dos 12 aos 90 anos - lidam com desafios, superam limites e compreendem que os resultados vêm com constância e esforço. Para Manuella, esses valores fazem parte da experiência diária e sob a áurea desses conceitos, com ela nos ALÉM DO PREPARO

congratulamos e estendemos essa gratulação a toda uma juventude atlética brasileira, que ela tão bem representa.

O Clube de Regatas Bandeirante, com o patrocínio da Prevent Senior, mantém há três anos o projeto “Remando para um Sonho”, que partiu de um ideal em que todos devem ter acesso a todas as modalidades, tendo como objetivo oportunizar a prática de Remo Olímpico a jovens de baixa renda e estudantes de escolas públicas e/ou bolsistas de instituições particulares, com idades entre 12 e 16 anos de idade. O projeto oferece todos os equipamentos necessários: infraestrutura da Raia Olímpica, barco escola, garagem dos barcos, vestiários, uniformes, transporte ida e volta com motorista, profissionais de

Manuella, ainda adolescente, já conquistou segundo lugar em Torneio Nacional, no Rio Grande do Sul, demonstrando a maturidade de quem encontrou uma paixão. O remo ocupa um espaço importante em sua vida, ensinando lições que vão muito além das competições ou dos treinos.

Entre livros, provas e remadas, ela constrói uma trajetória marcada por dedicação e sonhos. Nas águas tranquilas da raia, cada treino representa mais um passo em direção ao futuro.

E, enquanto o barco desliza pela água, fica evidente que o esporte – assim como a juventude – é movimento, descoberta e esperança.

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Manuella, ainda adolescente, já conquistou segundo lugar em torneio nacional de remo, no Rio Grande do Sul

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AROLDO SCHULTZ

Empreendedor do Turismo, fundador do Grupo Schultz

Com uma trajetória marcada pela capacidade de antecipar tendências, Aroldo começou com vistos consulares, com a Schultz Vistos, avançou para operação turística, fortaleceu a distribuição por agentes de viagens, apostou em seguros, tecnologia e plataformas digitais, e agora lidera uma iniciativa voltada à inteligência artificial aplicada ao turismo, a plataforma Wikitravel.ai. Dessa visão surgiram empresas e iniciativas como Schultz Operadora, Schultz Portugal, Vital Card, TZ Seguros, TZ Systems, Meu Anúncio Web e POTA, formando um ecossistema de negócios interligados

por uma mesma lógica: facilitar a vida do agente de viagens, profissionalizar o mercado, ampliar a segurança do passageiro e usar a tecnologia como aliada do turismo. Construiu empresas, formou líderes, desenvolveu equipes e criou oportunidades para profissionais em diferentes áreas do setor, com uma gestão é baseado em confiança, relacionamento, visão de longo prazo e valorização das pessoas. Hoje o Grupo Schultz celebra 40 anos consolidando sua transformação em holding do turismo, reflexo da trajetória de reputação positiva e crescimento estruturado e sustentável..

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UM ÚNICO TIME CUIDANDO DE TUDO: DO BRIEFING À DESMONTAGEM.

A Azul Play Montagem nasce dentro do ecossistema do Grupo Eletrolar para resolver um problema real dos expositores: montar estandes de alto impacto, com custo competitivo e zero dor de cabeça

Desde 2015, somos o braço oficial de montagem da Eletrolar Show, com uma equipe dedicada a entender as necessidades de cada expositor e transformar briefing em projeto, e projeto em estande pronto – no prazo, dentro do orçamento e alinhado à estratégia da sua marca. CONTATO: +55 11 93927-4275

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