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CARTA AO LEITOR

Transformações sociais como impulso para criar

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m pouco mais de um século, entre 1900 e 2014, a expectativa de vida da população brasileira aumentou 41,7 anos, chegando aos 75,4 anos, segundo livro recém-lançado pelo IBGE – Brasil: uma visão geográfica e ambiental do início do século XXI. Com o aumento da expectativa de vida, também tem crescido o número de idosos no país. Até 2025, serão 31,8 milhões de pessoas com mais de 60 anos e o Brasil terá uma das seis maiores populações de idosos do mundo, conforme estimativas divulgadas pelo professor Luiz Roberto Ramos, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), durante a 68ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em julho. Com a população vivendo mais e necessitando de mais cuidados, as instituições de saúde precisam se adaptar. O cenário que se apresenta exige que elas não só invistam em novas tecnologias como também busquem novos projetos e soluções de arquitetura e engenharia que permitam criar espaços verdadeiramente humanizados, por meio de alternativas inovadoras e financeiramente viáveis. Por outro lado, arquitetos, engenheiros e fornecedores precisam estar preparados para propor essas soluções com criatividade. Mas como equilibrar a equação de fazer mais com menos? Será que as inovações se convertem em ganhos reais para as instituições de saúde e para os pacientes? Estas são dúvidas comuns entre os profissionais que atuam no setor da saúde, afinal, ainda persiste no país a ideia de que investir em inovação custa caro. No entanto, há vários exemplos que mostram que é possível superar todos esses desafios, com ganhos substanciais na qualidade da assistência ao paciente e redução de custos por meio do uso racional de recursos. Esta edição traz alguns desses exemplos, dentre os quais o do Hospital Sírio-Libanês, na matéria de capa, que mostra as ações da instituição para ter uma operação mais sustentável e promover o bem-estar físico e psicológico de pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde. A HealthARQ também apresenta o projeto que deu origem ao Hospital Copa Star, da Rede D’Or, que será inaugurado neste ano e aposta nas artes plásticas para acolher com sofisticação. Além disso, traz uma matéria sobre um

projeto de construção civil voltado, desde a concepção, para as necessidades dos idosos: o Residencial Santa Cruz, que conta com cinema, espaço de arteterapia, salão de beleza, piscina e enfermaria. Espero que, nas próximas páginas, você encontre inspiração e enxergue oportunidades para fazer diferente, levando aos hospitais e demais instituições de saúde conceitos, produtos e processos que ajudem no tratamento dos pacientes e, ao mesmo tempo, representem ganhos financeiros que possam se converter em reinvestimentos pelas instituições de saúde públicas e privadas, com consequente melhoria da saúde no país. Desejo a você uma excelente leitura!

Edmilson Jr. Caparelli CEO e Publisher


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Capa da Edição Em entrevista exclusiva à HealthARQ, o diretor de infraestrutura do Hospital Sírio-Libanês, Antônio Carlos Cascão, fala sobre a atuação rigorosa de sua equipe com foco na segurança e sustentabilidade das edificações do hospital. Também na matéria de capa, a coordenadora de projetos de engenharia do Sírio, Maria Fabiana Janaina Fonseca Prado, lista soluções criativas projetadas para criar ambientes humanizados.

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RENOVAÇÃO Projeto de arquitetura e design de interiores confere imagem mais moderna à sede da United Medical após incorporação da empresa ao GBT – Grupo Biotoscana. No local, além da adoção do open space, foi criado um “meeting box” e o terraço recebeu paisagismo e mobiliário. 14

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ACABAMENTOS Planejado com foco na segurança dos pacientes, o Hospital Paulistano investiu no revestimento de dez salas cirúrgicas com Corian, superfície mineral homogênea, não porosa e de fácil higienização.


NESTA EDIÇÃO N.20 I JUNHO | JULHO | AGOSTO | 2016

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SUSTENTABILIDADE O Hospital São Camilo Cura d’Ars, de Fortaleza, concluiu recentemente obras de revestimento vertical, adotando fachadas ventiladas. Além de terem efeito bactericida, as fachadas favorecem a diminuição do consumo de energia elétrica com sistemas de ar-condicionado.

96 HUMANIZAÇÃO Localização estratégica, conforto semelhante a um hotel seis estrelas e um ambiente que remete a uma galeria de arte. Esta é a proposta do Hospital Copa Star, unidade da Rede D’Or que será inaugurada ainda neste ano em Copacabana, no Rio de Janeiro.

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CONSTRUÇÃO Primeira fábrica do Brasil destinada à produção de medicamentos hemoderivados e biofármacos está sendo erguida em Goiana (PE) e será gerenciada pela Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia).

92 INSTALAÇÕES Projetado para tornar-se polo regional de saúde suplementar, o Hospital Unimed Governador Valadares (MG), que se encontra em fase final de construção, une a estrutura arrojada de um empreendimento de nove pavimentos e 136 leitos com as mais modernas instalações. Health ARQ

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boletim ARQ

ACOLHIMENTO Maternidade no interior do Amazonas ganha sala de parto dedicada a indígenas A Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga (AM), inaugurou, no mês de agosto, uma sala de parto projetada para acolher as mães indígenas, que, muitas vezes, preferem ter os filhos nas aldeias e não fazem o acompanhamento pré-natal. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria de Saúde Indígena, e de caciques de etnias locais. Além dos equipamentos comuns em qualquer instalação hospitalar deste tipo, a sala possui diversos elementos usados durante os partos nas aldeias, como um tubo de vidro para as mães soprarem, uma banqueta para as gestantes que escolhem dar à luz de cócoras, uma corda rústica suspensa para que possam fazer agachamentos e, ainda, pinturas feitas por artistas indígenas nas paredes.

MAIS VIDA Reprodução de pinturas de Gustavo Rosa traz cor a ala infantil do Hospital das Clínicas (SP) A Unidade de Nefrologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, em São Paulo, ficou mais colorida a partir de agosto, devido à reprodução de 30 obras do pintor Gustavo Rosa nas paredes dos quartos e corredores do Departamento de Hemodiálise. A ideia da instituição é usar a arte como instrumento de humanização, em benefício do tratamento dos pacientes. O projeto denominado “Bolsa Alegria” é resultado de uma parceria com o Instituto Gustavo Rosa, inaugurado em junho para preservar e divulgar a obra do artista, falecido em 2013.

Fotos: Divulgação

CRESCIMENTO Hospital NEXT Butantã (SP) inaugura ala de internação com 29 leitos O Hospital NEXT Butantã, antes conhecido como Metropolitano Butantã, inaugurou uma ala de internação para adultos com 29 leitos, sendo um de isolamento, exclusivo para pacientes com doenças infectocontagiosas, que necessitam de cuidados especiais. Os novos leitos estão distribuídos em uma área de 600 m² e foram projetados para oferecer conforto e privacidade aos pacientes e aos seus acompanhantes. Os ambientes possuem equipamentos de alta tecnologia e decoração contemporânea. Com a inauguração, realizada em agosto, a instituição amplia o atendimento a pacientes da Zona Oeste de São Paulo.

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Acesse: healtharq.com.br e confira mais notícias do setor.

http://goo.gl/T3ONTW

ALTA COMPLEXIDADE Hospital de Clínicas de Mogi das Cruzes inaugura UTI coronariana A nova UTI coronariana do Hospital de Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, São Paulo, foi inaugurada em agosto. Para implantação dos dez novos leitos foram investidos pelo governo estadual R$ 8,6 milhões. Para o custeio do serviço, o investimento será de cerca de R$ 9 milhões anuais. A UTI representa um serviço de alta complexidade, referência para toda a região do Alto Tietê, e uma complementação ao atendimento cardiológico prestado na unidade.

CUIDADOS PALIATIVOS Hospital de Câncer de Uberlândia (MG) terá centro voltado para pacientes em estágio terminal O Hospital de Câncer de Uberlândia terá um Centro de Cuidados Paliativos Oncológicos. O espaço contará com 20 apartamentos duplos e dois simples, somando 42 leitos, e deverá receber pacientes sem cura e em estágio final da vida. Segundo a presidência da ONG Grupo Luta Pela Vida, que administra o Hospital, esse será o primeiro centro do país construído exclusivamente para esse fim. A ONG apresentou, em agosto, o cronograma da obra, que terá um investimento de R$ 8,9 milhões e está prevista para ficar pronta em dois anos.

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Fotos: Divulgação

AMPLIAÇÃO Hospital Niterói D’Or construirá novo prédio com investimentos de R$ 200 milhões A Rede D’Or anunciou que pretende ampliar o Hospital Niterói D’Or, no estado do Rio de Janeiro. Com investimentos de R$ 200 milhões, o novo prédio terá 16 andares e área construída de 35,6 mil m². A previsão da instituição é que as obras sejam iniciadas ainda neste ano e concluídas até 2019, resultando em um aumento significativo do número de leitos – de 58 para 300. Atualmente, o hospital atende, em média, 2.500 pacientes por mês na emergência. Com o novo prédio, a estimativa é que esse número suba para 12 mil por mês.

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Palavra da Editora

Soluções nascem do contexto e das restrições

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m uma das muitas entrevistas realizadas para a produção desta edição, ao falar da inspiração para um trabalho, um profissional ressaltou que: “As soluções arquitetônicas nascem do contexto e das restrições”. As palavras do arquiteto Flávio Kelner provocaram uma reflexão sobre a importância da criatividade e da habilidade para inovar, sobretudo em tempos de instabilidade econômica. O desafio que se apresenta às instituições de saúde públicas e privadas e às empresas fornecedoras de produtos e serviços para tais instituições é o de atender um mercado cada vez mais exigente, com menos recursos. Neste contexto, entende-se que a criatividade é o caminho para manter o alto padrão de qualidade necessário em empreendimentos na área da saúde, por meio de projetos e soluções que equilibrem humanização, sustentabilidade, eficiência e redução de custos. Nesta edição, trazemos algumas referências, as quais mostram que é possível harmonizar todos esses elementos em benefício dos pacientes e das instituições de saúde. Na matéria de capa, o diretor de infraestrutura do Hospital Sírio-Libanês, Antônio Carlos Cascão, aborda inovações adotadas com foco na economia de recursos naturais e redução de custos do hospital, como a central térmica e o sistema de segregação de medições instalado na Unidade Bela Vista. Já Maria Fabiana Janaina Fonseca Prado, coordenadora de projetos de engenharia do Sírio, lista soluções criativas projetadas para criar ambientes mais acolhedores. Nas próximas páginas, também apresentamos o case do Hospital Regional de Sorocaba, empreendimento que está sendo construído através de uma parceria público-privada. A arquiteta Paula Fiorentini, responsável pelo projeto, mostra como foi possível conciliar o custo de construção pré-estipulado e, ainda assim, conseguir reduzir o custo de operação, garantindo a qualidade assistencial da instituição. A identidade criada é de uma unidade econômica, mas sofisticada. Um hospital público com aparência de privado.

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A HealthARQ traz, ainda, todos os detalhes sobre a construção da primeira fábrica do Brasil destinada à produção de medicamentos hemoderivados e biofármacos, que está sendo erguida em Goiana (PE) e será gerenciada pela Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia). Quando concluído, o empreendimento terá capacidade de processar 500 mil litros de plasma por ano e será a maior indústria deste segmento na América Latina. Espero que aprecie o nosso conteúdo. Ótima leitura!

Maísa Oliveira, Editora da Revista HealthARQ


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ARQ Coluna

Fábio Bitencourt Arquiteto D Sc e Professor

Arquitetura da Resiliência

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experiência do National Health Service (NHS), o serviço de saúde da Inglaterra, é historicamente uma referência a ser considerada no processo de lidar com situações críticas e recuperação de edificações hospitalares em situações de risco, catástrofes e desastres. Mais recentemente, a NHS utilizou o conceito contemporâneo de Arquitetura Resiliente no planejamento para edifícios e ambientes dedicados aos cuidados de saúde. Essa percepção sobre a arquitetura baseia-se na capacidade que um organismo tem de se adaptar e responder às interrupções em situações críticas, internas ou externas, e apresentar, de modo organizado e resolutivo, respostas compatíveis com as atividades previstas para aquele local. O conceito de resiliência é frequentemente vinculado às avaliações biológicas e foi introduzido nos sistemas ambientais pelo ecologista canadense C. S. Holling, que publicou, em 1973, o artigo “Resilience and stability of ecological systems” (Annual Review of Ecology and Systematics, Vol. 4, 1973). Neste trabalho, o autor descreve a persistência dos sistemas naturais em face às mudanças nas variáveis do ecossistema devido a causas naturais ou antrópicas. A resiliência, portanto, pode ser vista de duas maneiras ou sob dois conceitos: 1. Como o tempo necessário para um sistema voltar ao equilíbrio ou estado estacionário, após determinada perturbação; 2. Ou, também, como a capacidade de um sistema 20

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absorver perturbação e estabelecer sua reorganização, enquanto passa por alterações estruturais, de modo a cumprir a mesma função, estrutura e identidade. Em novembro de 2012, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou “Como Construir Cidades Mais Resilientes: Um Guia para Gestores Públicos Locais” (http://www.onu. org.br/img/2014/01/guiagestorespublicosweb.pdf), que tem por subtítulo “Construindo Cidades Resilientes – Minha Cidade está se preparando!”. Nada mais adequado para ser lido e aplicado nos projetos contemporâneos, sobretudo se considerarmos a observação de Joey Salceda, governador da Província de Albay, Filipinas, de que: “A redução de riscos de desastres é um investimento, não um custo. Ela aumenta o retorno dos negócios”. A abordagem da resiliência vinculada aos ambientes de saúde assume, na atualidade, um espectro muito mais amplo que o limite físico da área construída da edificação hospitalar. É, ao mesmo tempo, imediatamente periférico e universal, na medida em que os impactos e danos a serem evitados podem ter causas internas ou sofrer consequências de impactos ambientais não previsíveis. E tais impactos podem trazer consequências relevantes para o planejamento funcional dos edifícos hospitalares, com interferências diretas nas atividades assistenciais de saúde. Deve-se considerar o caráter multidisciplinar necessário aos edifícios hospitalares, compreender o amplo espectro de intercorrências que podem afetar o seu desempenho.


A resiliência na arquitetura hospitalar exige que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) possam, também, adaptar-se e responder às interrupções possíveis de acontecer. Segundo a Nota 00-07 da NHS – Edifícios para Saúde Resilientes (https://www.gov.uk/government/publications/resilience-planning-for-nhs-facilities), são aqueles que apresentam as seguintes condições: • Robustez - ter um sistema estrutural predial e eletromecânico capaz de absorver os efeitos de um evento adverso e continuar a funcionar nos níveis mínimos requeridos; • Redundância - onde a robustez não possa ser absolutamente garantida, é essencial fornecer um subsistema ou uma instalação alternativa; • Reconfigurabilidade - se existe o “risco imprevisto”, este é o mais devastador muitas vezes. Para ser verdadeiramente resiliente, um sistema ou instalação deve ser, sempre que possível, adaptável para lidar com os efeitos de um evento inesperado. O American Institute of Architects (AIA) recomenda a intensa participação dos profissionais de arquitetura em todas as etapas dos projetos de forma a considerar que, eventualmente, edifícios e comunidades podem ser submetidos a forças destrutivas de acidentes, incêndios, tempestades, inundações, além de ataques intencionais.

Em representação gráfica esquemática sobre o “Ciclo do Desastre”, o AIA apresenta um conjunto de ações complementares a serem aplicadas a partir da ocorrência de eventos adversos.

Figura - Resiliência: O Arquiteto + Ciclo do Desastre. Fonte: The AIA, 2016.

Arquitetos têm, portanto, a responsabilidade de criar um ambiente flexível sustentável, que possa se adaptar com mais sucesso às condições naturais e que, mais facilmente, possa se recuperar em situações adversas. Nos edifícios para assistência à saúde, esta recomendação de responsabilidade amplia-se especialmente no processo de prevenção e mitigação a partir da solução projetual.

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Humanização Persiana fechada no HCor

Muito além da proteção solar Vidros e sistemas de sombreamento de fachadas contribuem para a recuperação de pacientes e asseguram a economia e segurança buscada pelas instituições de saúde 22

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radicionalmente, a proteção solar de edifícios de saúde no Brasil se faz por meio de brises, bandejas de luz, persianas externas e, principalmente, vidros técnicos. Na Europa e nos Estados Unidos, novas filosofias de uso de vidros em prédios do setor da saúde têm sido utilizadas com resultados de alto desempenho energético, tanto em dias de sol quanto em dias nublados, contribuindo para evitar infecções hospitalares e reduzir custos de operação e manutenção de quartos. Uma alternativa nova e ainda pouco conhecida no Brasil para reduzir gastos com energia elétrica, tanto nos dias quentes quanto frios, que traz conforto visual e mais luz natural para os pacientes e às equipes que vivem nos hospitais são os sistemas compostos por vidros duplos. Eles são a escolha de instituições como o Sírio-Libanês, Albert Einstein, HCor, Beneficência Portuguesa, hospitais da Amil, Unimed e Rede D´Or, além de hospitais públicos como o GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer) e o ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). “Os sistemas de sombreamento entre vidros ajudam na luta contra infecções hospitalares e, simultaneamente, reduzem custos e riscos. São sistemas com persianas e blackouts insulados utilizados em obras recentes como a do novo bloco

do Hospital Sírio-Libanês e do HCor de São Paulo, e em hospitais como o Moinhos de Ventos de Porto Alegre ou o Prontocord de Manaus”, detalha Philippe Faucon, diretor comercial da Screenline. Segundo Faucon, a receita que garante o desempenho máximo resulta da combinação de vidros claros ou extra claros, pouco refletivos, com os baixo emissivos (Low-E), contendo sistemas de proteção solar dentro de uma câmara entre os vidros. “Quando se usa persianas dentro dos vidros, é possível ter uma eficiência energética máxima com um fator solar de até 12%, o que quer dizer que se impede a entrada de 88% da energia ou calor conduzido pela luz. Além da eficiente proteção contra o calor, o sistema mantém, ao mesmo tempo, uma grande entrada de luz natural no edifício, mesmo nos dias nublados”, pontua Faucon. Essa entrada de luz se reflete em um consumo energético menor pelo sistema de iluminação. O uso de sistemas insulados permite a escolha de vidros menos reflexivos, o que permite se evitar uma armadilha clássica para arquitetos e engenheiros: quando cai a noite, um vidro reflexivo pode se tornar, para quem está dentro do prédio, um verdadeiro espelho, que além de impedir a visão do que se passa no ambiente exterior, faz com que o internado seja confrontado à própria imagem, o que está longe de ser o desejável.

Persiana aberta e blackout meio fechado no HCor

Persiana aberta no HCor

Hospital de Montreuil

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Humanização

Durabilidade e Baixa Manutenção O fator durabilidade e baixa manutenção é capital em hospitais. Protegidas entre dois vidros numa câmara insulada, persianas e blackouts entre vidros duram décadas sem precisar de cuidados, mantendo-se com aparência de novas até o fim da vida útil do caixilho. A facilidade e segurança na limpeza se traduzem em mais tempo de quarto disponível, o que contribui positivamente no resultado financeiro das instituições de saúde. Os sistemas mais duráveis têm acionamentos por imãs coaxiais rotativos: um imã do lado de fora da câmara faz girar o imã interno aos vidros que angula e recolhe lâminas e/ou cortinas blackout. “Todo o movimento se faz sem contato direto, transmitido magneticamente. Desta forma, os imãs agem como embreagens. Se por mau uso ou vandalismo se tenta danificar o mecanismo interno, o sistema magnético não permite que se transfira força o suficiente que possa danificar a parte mecânica dentro dos vidros”, diz Faucon. Outra vantagem do sistema magnético, segundo o diretor comercial, é que os vidros com persianas e/ou blackouts podem ser instalados com acionamentos manuais e anos depois, sem a retirada do vidro, é possível mudar os acionamentos e até motoriza-los. 24

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Recuperação dos pacientes A maior entrada de luz no ambiente, além de resultar em um consumo energético menor pelo sistema de iluminação, diminuindo despesas dos hospitais com eletricidade, contribui para a regulação saudável do metabolismo dos pacientes. “Com menos luz o metabolismo funciona mais lentamente e a recuperação é mais demorada. A falta de luz ou uma luz deformada demais pode, inclusive, alterar o metabolismo de um paciente e levá-lo a ficar deprimido, como descobriram estudos recentes na Europa”, frisa Philippe Faucon, acrescentando que a recuperação mais rápida significa menor exposição dos pacientes a infecções e mais quartos disponíveis nos hospitais. “Um paciente que tem contato visual permanente com a paisagem, a natureza ou a vida da cidade, que tem a liberdade de modular ao seu gosto a entrada de luz em seu quarto ou de fazer penumbra quando desejar repousar, se recuperará, sem dúvida, mais rapidamente. Isso se refletirá em mais quartos disponíveis e em menos infecções hospitalares. Quanto menor o tempo de internação, maior o número de pacientes atendidos, o que também representa uma melhoria nos resultados financeiros das instituições de saúde”, afirma. Faucon ainda ressalta que o sistema de sombreamento entre vidros permite uma reprodução de cores de forma mais fiel, o que influi positivamente na percepção e humor dos pacientes. “Um vidro muito verde ou muito azul, por exemplo, pode alterar a luz interior de um quarto e fazer as pessoas parecerem cansadas, abatidas e doentes”, explica.

CAPEX x OPEX O estudo de custos de sistemas de proteção solar em edifícios de saúde é uma equação que deve incluir e analisar custos de manutenção e operação de cada item que os compõem. A nova alternativa oferecida pelos sistemas internos aos vidros, como persianas e blackouts insulados, deve ser comparada com outros sistemas, analisando-se o custo de cada item separadamente (brise ou persiana externa, vidro técnico, cortinas internas). Descobre-se, assim, que o custo de manutenção e higienização de cortinas por exemplo, é altíssimo e pode ser eliminado pelo uso de sistemas entre vidros. Os custos de operação de certos elementos podem alterar substancialmente a percepção financeira que se tem de um sistema de proteção solar. Não só o CAPEX, mas também o OPEX deve ser analisado. Sistemas insulados oferecem vantagens financeiras e de segurança nítidas e é essa uma das razões pelas quais instituições de referência, após estudos e aprovação por consultores nacionais e estrangeiros, têm escolhido esses sistemas como os ideais de proteção solar em edifícios de saúde.


Higienização e Combate a Infecções Elementos externos de proteção, como brises ou peles metálicas, têm uma limpeza difícil e custosa, são vetores de infestação por pombos e cortam o contato visual dos pacientes com o ambiente exterior, conforme pontua Faucon. Já os elementos internos, como as cortinas, representam um real risco se a limpeza não for feita corretamente e geram gastos muito substanciais em limpeza, manutenção e trocas por desgaste. Em 2014, foi lançado no Brasil o novo sistema TWIN,

que por oferecer não só as persianas, mas também uma cortina blackout dentro da câmara insulada, que permite, agora, a eliminação total das cortinas de dentro dos ambientes de saúde, onde a assepsia é vital. As superfícies de vidro representam segurança para o paciente pela própria facilidade na higienização. Além disso, pode-se usar também o vidro AB, recentemente lançado no Brasil, que tem uma camada de prata antibacteriana. “O vidro é um grande alia-

do no combate às infecções hospitalares, que custam somas consideráveis aos hospitais. Além de fechar o vão de luz, ele pode revestir paredes e outras superfícies ou separar ambientes. Estudos apontam para índices da ordem de 15% a 18% de infecções hospitalares no Brasil. Cada infecção custa, em média, R$ 55 mil para seu tratamento pelo hospital e isto sem considerar os pacientes que vêm a óbito. Nos orgulhamos de oferecer produtos que ajudam neste combate pelos hospitais”, finaliza Faucon.

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Acabamentos My Fathers Heart

Alta performance em cada superfície Instituições de saúde nacionais e internacionais apostam em acabamentos com proteção bacteriostática e de alta resistência

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eterminadas premissas são universais em se tratando de edificações hospitalares. Na hora de escolher superfícies e revestimentos, por exemplo, é padrão avaliar características como durabilidade e facilidade de manutenção e limpeza, sobretudo para evitar problemas futuros, como infecções ou reformas desnecessárias, uma vez que as obras interferem na delicada rotina de pacientes e profissionais da Saúde. Neste sentido, algumas soluções têm se destacado no

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Brasil e no exterior, dentre as quais as superfícies Silestone e Dekton, grande aposta de instituições nacionais – como o Hospital Unimed Litoral e o Hospital Santa Joana Recife – e internacionais – como o Mortimer Market Hospital London, do Reino Unido; o

Govenour Hospital, dos Estados Unidos; e o National Heart Center, de Singapura. “A Silestone é uma das superfícies mais seguras e higiênicas do mundo. Sua composição, com 94% de quartzo natural, lhe proporciona dureza e resistência


extraordinárias. Além disso, é a primeira e única superfície em quartzo com proteção bacteriostática, desenvolvida para inibir a proliferação de bactérias como as causadoras de salmonelose e as responsáveis pelo aparecimento do bolor e outros fungos em áreas sensíveis como os centros hospitalares e laboratórios”, explica Elenice Cardoso, gerente de marketing da Cosentino, empresa responsável pela solução.

Já a Dekton se destaca por ser uma superfície ultracompacta, altamente resistente a riscos, elevadas temperaturas, umidade e manchas. “Composta por mais de 30 minerais naturais fundidos por meio de técnicas de produção de vidro, cerâmica e superfícies de quartzo, a Dekton foi criada a partir de uma técnica de sinterização de partículas que lhe confere durabilidade e fácil manutenção”, detalha Elenice.

Cores e formatos Quando o assunto é design, as superfícies em Silestone e Dekton também se diferenciam por estarem disponíveis em uma imensa variedade de cores e permitirem vários tipos de acabamento. “A Silestone possui mais de 90 cores, e a Dekton, mais de 30 cores. Elas oferecem inúmeras possibilidades de criação, tanto em tamanhos de paginação como formatos geométricos. Isso permite uma infinidade de projetos de design de interiores alinhados com a identidade da instituição”, diz Elenice Cardoso. Health ARQ

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Acabamentos

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“A Silestone possui mais de 90 cores e a Dekton mais de 30 cores. Elas oferecem inúmeras possibilidades de criação, tanto em tamanhos de paginação como formatos geométricos. Isso permite uma infinidade de projetos de design de interiores alinhados com a identidade da instituição”, Elenice Cardoso

Novas ideias e tecnologias Para que essas soluções acompanhem as demandas do mercado, a empresa desenvolvedora investe, segundo a gerente de marketing, na gestão de projetos e ideias provenientes de universidades, clientes, fornecedores ou dos próprios colaboradores. Além disso, por meio de seu Observatório Tecnológico, busca detectar tecnologias emergentes no setor. “Também investimos muito na área da investigação e desenvolvimento, o que contribuiu para a obtenção de novas texturas de pedra natural, conseguidas com o maior respeito pelo ambiente e com excelentes condições de qualidade e segurança no trabalho”, finaliza Elenice. 28

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Humanização 30

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Flexibilidade e humanização Ampliação do Hospital Municipal Dr. Alexandre Zaio contemplará diversas áreas de atendimento

Perspectiva Health ARQ

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Humanização

Corte Perspectivado

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Mais de três décadas projetando a Saúde no Brasil A Borelli & Merigo já projetou dezenas de edifícios de Saúde ao longo de seus mais de 35 anos de atividades. Entre os empreendimentos de sucesso do escritório estão o Hospital de Araxá (MG), o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, o Hospital Cidade Tiradentes (SP), Hospital Unimed de Piracicaba, Hospital das Clínicas de Especialidades de Alta Complexidade de Jundiaí (SP), Hospital Nacional de Zacatecoluca (El Salvador) e Hospital Municipal M’Boi Mirim (SP), recentemente eleito como um dos dez hospitais públicos de excelência no Brasil.

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mplantar soluções inovadoras em edificações públicas. Este é o desafio encarado pela Borelli & Merigo Arquitetura e pela Makhohl Arquitetura, frente às obras do Hospital Municipal Dr. Alexandre Zaio, na zona leste de São Paulo. Responsável pelo projeto de ampliação da unidade de Saúde, o time de arquitetos dos escritórios se viu diante de uma proposta ousada desde a sua concepção: em vez de simplesmente ampliar, era necessário construir um novo prédio. “Inicialmente, a Prefeitura pretendia ampliar as atuais instalações do hospital. Contudo, dada a ampliação do programa inicial e as dificuldades para se adaptar a edificação antiga à nova legislação, concluiu-se que seria melhor a construção de um hospital inteiramente novo. A partir de então, começamos a desenvolver o projeto”, explica o arquiteto e urbanista Marcos de Oliveira Costa.

Foi preciso desenvolver um projeto que contemplasse áreas para pronto-atendimento, emergência, Hospital Dia, centro cirúrgico, UTI, obstetrícia e enfermaria – isso tudo em uma área cujo terreno possui configuração alongada, perímetro curvo e desnível acentuado. Os arquitetos também levaram em consideração a necessidade de reforma da Praça Vigário João de Paula – em estado precário de conservação - no terreno vizinho ao hospital. “A solução proposta consistia na criação de um grande pedestal que se acomodava aos diferentes níveis do terreno, permitindo a correta separação dos diversos acessos ao hospital: serviços, funcionários, pronto atendimento, emergência e internação. Deste modo, também conseguimos separar os fluxos do hospital, o que é fundamental para o controle da assepsia do edifício”, afirma Costa.


Acessos flexíveis O estacionamento da instituição fica no subsolo, com acesso pela Rua Alves Maldonado. Devido à declividade da via, o acesso à emergência fica no embasamento da obra. Mais acima, no térreo, foi projetado o acesso de serviços e internação, através da Rua Alberto Flores. A acessibilidade do pronto atendimento também será feita ao nível do embasamento da construção, através da praça. “Isto criará um espaço de acomodação de grande qualidade paisagística, voltado para o principal eixo de transporte público da região, a Avenida Professor Edgar Santos”, explica o arquiteto. Sobre o pedestal, ergue-se uma torre composta por três partes articuladas: a central, onde localizam-se as circulações verticais, shafts, instalações e espera dos visitantes; e duas laterais, onde ficam os serviços hospitalares. “Com a concentração das circulações e dos shafts técnicos na parte central, as duas asas laterais ficam inteiramente liberadas. Isto garante grande flexibilidade e facilita qualquer alteração no layout sem comprometer os demais pavimentos”, afirma Costa. A estrutura proposta e projetada pela Eduardo Penteado Engenharia possibilita grande flexibilidade. As lajes são planas, sem vigas, o que facilita a distribuição das instalações

Perspectiva

Perspectiva no entreforro, em especial os dutos de climatização (o HAZ é inteiramente climatizado), e também aumenta a liberdade para futuras reformas.

Humanização em pauta Como todo hospital público, o fluxo de visitantes no Hospital Dr. Alexandre Zaio é grande. Pensando no conforto e humanização do público, foram criados espaços para instalação de cadeiras-cama nos quartos de forma que os acompanhantes possam dormir junto com os pacientes. “Além disso, as salas de espera são generosas, bem iluminadas, ventiladas e com varandas ajardinadas”, ressalta o arquiteto.

Sustentabilidade e inovação Superando desafios De acordo com Costa, o projeto do Hospital Dr. Alexandre Zaio tem como diferencial o sistema de aquecimento de água da unidade, que consiste num complexo misto abastecido por energia solar e gás. Além da sustentabilidade, o hospital ainda inova com as Unidades de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) e Unidades de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa). “Isso representa um grande avanço na qualificação do atendimento dos recém-nascidos e de suas mães, que podem ficar junto aos seus filhos durante as internações intensivas”, diz Costa.

A responsabilidade de ancorar o projeto de ampliação de uma instituição pública de Saúde é um grande desafio. Segundo o arquiteto, a complexidade do programa, do terreno, as necessidades das especialidades médicas, as determinações –muitas vezes antagônicas- que a legislação impõe e as implicações sociais fazem do projeto do Hospital Dr. Alexandre Zaio uma iniciativa ousada e inovadora. “Articular uma solução que responda a todas estas demandas, e ainda consiga qualificar o espaço da cidade é um desafio gigantesco”, conclui Costa. Health ARQ

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Construção

Hospital Carlos Chagas

Hospital Carlos Chagas

Expansão assertiva Novo prédio do Hospital Carlos Chagas amplia capacidade de atendimento em 20% após conclusão de obra norteada pela segurança e bem-estar do paciente

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om investimentos da ordem de R$ 44 milhões, o Hospital Carlos Chagas, de Guarulhos (SP), inaugurou um prédio com oito andares em junho deste ano. Desta forma, a capacidade de atendimento foi ampliada, inicialmente, em 20%, com 54 leitos para o público adulto, sendo 40 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 14 de internação. Todos os leitos da UTI adulta são individualizados, sendo quatro de isolamento, exclusivos para internação de pacientes com do34

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enças infectocontagiosas, como meningite e tuberculose. Além desses leitos, a área recém-ocupada inclui lactários, farmácias, salas de espera, postos de enfermagem e sanitários. Segundo o engenheiro Fernando Martins – diretor da Empa, empresa responsável pela obra-, os acabamentos destes ambientes tiveram como premissa o uso de diferentes materiais conforme a destinação de cada espaço, visando o conforto térmico, acústico e visual e obedecendo às exigências

requeridas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Por se tratar do ambiente hospitalar, muitos dos materiais usados foram escolhidos segundo propriedades específicas, tais como caraterística bactericida, resistência ao alto tráfego, resistência a produtos químicos, resistência ao fogo e de fácil higienização”, detalha Martins. Os leitos de isolamento, por exemplo, foram equipados com sistemas de pressão

negativa e controle atmosférico, que impedem a saída de ar do apartamento para outras áreas do Hospital. Além disso, tecnologias de ponta também foram adotadas com foco no bem-estar do paciente, como o sistema de climatização. “É possível controlar a temperatura e pressão por meio de VAVs individuais, posicionadas sobre cada leito, o que garante ao paciente maior conforto durante seu período de tratamento, já que ele mesmo pode ajustar a temperatura de seu lei-


to da forma que lhe for mais agradável”, destaca Martins. Conforme enfatiza o diretor do Hospital, Tony Garcia, a expansão do complexo traz uma série de ganhos para a população. “Com a ampliação, pretendemos aprimorar os serviços oferecidos aos moradores de Guarulhos e, também, das cidades da região, como Mogi das Cruzes (SP), Suzano (SP) e Arujá (SP). Estamos comprometidos em atender a comunidade com qualidade, segurança e no momento que se fizer necessário”, afirma.

Segunda etapa Ainda neste ano, o Hospital Carlos Chagas pretende inaugurar instalações destinadas à maior comodidade dos funcionários e melhoria das condições técnicas e de abastecimento da instituição. “Estamos finalizando as obras no edifício que englobará vestiários, subestações e geradores de energia, reservatórios de água de reuso e potável, estação de tratamento de água e área para depósito de lixo hospitalar, orgânico, químico e reciclável”, detalha Martins.

De acordo com o engenheiro, o maior desafio deste trabalho tem sido realizar as obras sem comprometer o funcionamento da instituição. “Muitas das áreas desta empreitada são adjacentes às salas, consultórios e ambientes de circulação de pacientes e médicos do Hospital. Por isso, trabalhos geradores de ruídos, pó, sujeira e odores tiveram que ser tratados com a devida precaução”, pontua Fernando Martins.

Para evitar interferências na rotina de pacientes e profissionais do Hospital, foram tomados, segundo o engenheiro, cuidados como a instalação de tapumes vedados à circulação de impurezas, utilização de exaustores para captação de odores provenientes de produtos químicos – como cola, verniz e tinta –, limpeza constante das áreas de circulação dos operários, além da sinalização dos ambientes afetados pela obra.

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Humanização Nova Torre 36

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Qualidade assistencial como missão Nova torre do Hospital São José prioriza alta resolutividade e conta com áreas exclusivas para terapias relacionadas à medicina integrativa

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naugurada em julho deste ano, a nova torre do Hospital São José, em São Paulo (SP), foi projetada levando em consideração o conceito de alta resolutividade, que tem como norteadores a agilidade no atendimento e o máximo de conforto a ser oferecido para pacientes e acompanhantes. A obra, com 8,8 mil m² de área construída em 15 pavimentos, ampliou em 65% a capacidade de atendimento do hospital, com o aumento do número de leitos para internação – de 67 para 110. Um dos destaques do projeto é um andar dedicado exclusivamente ao transplante de medula óssea, com sete leitos. “O andar conta com todos os recursos tecnológicos e de segurança que um paciente com a imunidade debilitada necessita para realizar esse tipo de procedimento”, destaca Ricardo Hutter, superintendente-executivo do hospital. O prédio conta, ainda, com 30 apartamentos para quimioterapia, seis boxes para aplicações rápidas, 17 consultórios e um pronto atendimento com serviço superior, o que garante mais privacidade ao paciente. “O pronto atendimento oferece a agilidade necessária para urgências e emergências de alta complexidade, mas também uma proposta de exclusividade, com boxes de atendimento individualizados, todos com banheiro privativo e muito conforto”, explica. Health ARQ

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Humanização

Fachada do Hospital São José

Paciente em evidência Além do conceito de alta resolutividade, Hutter destaca outro diferencial adotado na nova torre do Hospital São José que leva em consideração o bem estar do paciente como premissa. Segundo ele, o hospital passa a contar com terapias relacionadas à medicina integrativa, ciência cuja proposta é complementar as opções da medicina convencional. “Dedicamos um andar a essas novas abordagens terapêuticas, tratando o corpo como um todo e envolvendo mente e espírito para melhorar o bem-estar de nossos pacientes”, afirma. 38

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As questões de humanização se voltam para a individualidade do paciente. De acordo com Hutter, os recursos disponibilizados no hospital permitem o máximo de personalização e privacidade. “Os conceitos de humanização no atendimento já fazem parte da abordagem das equipes que se dedicam ao cuidado e à assistência dos nossos pacientes. Os 350 novos colaboradores e 150 novos médicos que passaram a compor a equipe do Hospital São José compartilham desse DNA e estão completamente alinhados com esse conceito, oferecendo padrão superior de qualidade e estrutura acolhedora e aconchegante”, diz.

A OBRA: - 8,8 mil m² de área construída - 15 pavimentos - Aumento de 65% da capacidade de atendimento - Andar voltado exclusivamente para transplante de medula óssea - 30 apartamentos para quimioterapia - 17 consultórios - Pronto atendimento com serviço superior


“Dedicamos um andar à medicina integrativa, tratando o corpo como um todo e envolvendo mente e espírito para melhorar o bem-estar de nossos pacientes”, afirma Ricardo Hutter

Ante sala - leito VIP

Melhores práticas e soluções As práticas sustentáveis estiveram presentes desde o início da execução da obra no Hospital São José. Segundo o superintendente-executivo, todo excedente de material com potencial de reciclagem utilizado na construção foi direcionado a usinas de reaproveitamento. Em relação à sustentabilidade do prédio, foram projetadas janelas e aberturas capazes de reduzir a necessidade de iluminação artificial. Outra medida foi a adoção de persianas entre os vidros dos caixilhos da fachada, que bloqueiam a radiação solar e, consequentemente, reduzem a necessidade de condicionamento de ar. O grande diferencial no projeto sustentável do prédio, no entanto, é o sistema de geração de água quente. “Optou-se pelo sistema de heat recovery

Consultório

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Sala para aplicação de medicamento


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Recepção PA ventilation. Na cobertura da nova torre existem três chillers de 170 TR. Esses equipamentos geram água gelada para os condicionadores de ar do tipo fan coil e também calor, que seria dissipado na atmosfera por meio de serpentinas aletadas e ventiladores. Antes que o vapor quente passe pelas serpentinas, porém, trocadores de calor casco tubo (heat recovery) recuperam o calor, gerando água quente”, explica Hutter. A capacidade instalada, de acordo com o superintendente-executivo, é equivalente a oito aquecedores, o que é suficiente para atender toda a demanda de água quente do hospital. Outra vantagem é que a água, ao retirar o calor do sistema, dispensa a necessidade de acionamento dos ventiladores que ficam sobre os chillers, o que gera uma grande economia de energia elétrica. 40

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Recepção Intermediária Ficha Técnica Endereço: Rua Martiniano de Carvalho, 965 Data do Projeto: 2015 Obra: 2013 a 2016 Área do terreno: 9.058,00 m² Área total construída: Bloco VII – 9.392,00 m² Nº pavimentos: térreo + 10 pavimentos + 4 subsolos Vagas estacionamentos: 438 Pronto-atendimento: 10 boxes Serviços Diagnósticos: sim Nº consultórios: 17 Obra (empresas responsáveis) Arquitetura: Ozeki & Ianaze Arquitetos Ltda Construtora: Toda Interiores: C+A Arquitetura de Interiores Gerenciamento de licitação: DOX Projetos (empresas responsáveis): Ar-condicionado: Grau Engenharia e Instalações Cozinha/Refeitório: Grau Engenharia e Instalações Elétrico e hidráulico: Grau Engenharia e Instalações Gases Medicinais: Grau Engenharia e Instalações Projeto de fundações e contenções: SIS Estrutura de concreto: SIS Luminotécnico: Neide Senzi Prevenção e Combate a Incêndio: Max Mena Assessoria Legal: Saniro e Acril Fornecedores de Material e Serviço: Aço Inox: Projinox Ar-condicionado: Thermec Automação: JCI Concreto: Engemix Portas: Portas – Ecomarc/ Dânica Detalhes da Obra: Drywall: Guaporé Elevadores: Atlas Shindler Esquadraria ferro: PCF Dominante Esquadrarias madeira: Ecomarc

Esquadrarias metálicas: Alumicenter Ferragens: La Fonte Ferragens de portas: La Fonte Fios: Phelps Dodge Granito: Promar Impermeabilização: Art Seca Instalações Hidráulicas e Elétricas: Turn Key Luminárias: Alloy Paisagismo execução: Bonsai Revestimento vinílico de parede: Vescon Pinturas: Mpintura / Diken Piso Vinílico: Tarket Porta corta-fogo: Dominante Revestimento Cerâmico: Eliane Porcelanato: Eliane Revestimento Fachada: Prismatec Vidros: Vidraria Seixas Mão de Obra Civil: Toda Fornecedores de Equipamentos: Acabamentos de elétrica: Schneider Água fria, geradores, caldeiras: Stemac Bombas de recirculação: Howa Bombas de drenagem/esgoto: ABS modelo Escavenger Bombas de recalque/incêndio: KSB Calhas e Rufos: Calhas Carrão Combate a incêndio: KBS Detectores de fumaça: Siemens Distribuição de água quente e fria: Tubos de cobre Eluma Geradores: Stemac Louças: Deca Metais sanitários: Deca Pressurização: Thermec Bus Way: ND Fundação: Toda Furação de laje: Toda Divisórias de banheiros: Neocom Placas de Drywall: Guaporé Batente Metálico: Kometal


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Humanização

Influência positiva do ambiente

Fachada do Pronto Atendimento Unimed Londrina

Pronto Atendimento da Unimed Londrina é projetado para receber adultos e crianças em espaços diferenciados, funcionais e acolhedores

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om capacidade para atender 12 mil pessoas por mês, o Pronto Atendimento da Unimed Londrina foi inaugurado em junho deste ano, para dar suporte às unidades de pronto-socorro da cidade, que, muitas vezes, ficam sobrecarregadas com pacientes que não necessitam da estrutura de um hospital e podem receber atenção no Pronto Atendimento. Foram investidos aproximadamente R$ 5 milhões na unidade, projetada para receber adultos e crianças de forma humanizada. 44

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Conforme conta Eliane Sedemaca, gestora do Pronto Atendimento, uma das prioridades desde a concepção do projeto era disponibilizar aos clientes duas recepções, uma para o público adulto e outra para o infantil. A intenção era diferenciar os fluxos dos pacientes, como esclarece a arquiteta Talita de Giacomo, da Giacomo Arquitetura, empresa que assina o projeto arquitetônico e de interiores do local. “A preocupação era que as crianças não se envolvessem

com a agressividade visual dos problemas dos adultos e nem tivessem proximidade com suas patologias”. Para receber os pacientes de forma mais acolhedora, foram projetados espaços funcionais e proporcionalmente adequados, explorando a iluminação e a ventilação natural e com variadas cores e texturas. “Introduzimos uma linguagem gráfica criativa por meio da comunicação visual e de ilustrações. Além disso, incorporamos novas tecnologias e um sistema operacional mais

ágil para atendimento aos pacientes”, destaca o arquiteto André de Giacomo, também responsável pelo projeto arquitetônico e de interiores do Pronto Atendimento. Esse sistema operacional é, inclusive, um dos diferenciais da unidade, como explica Eliane Sedemaca. “Adotamos o Protocolo de Manchester, ferramenta utilizada em grandes hospitais mundo afora, que possibilita fazer uma triagem dos pacientes, priorizando o atendimento das patologias por ordem de gravidade”.


Integração Com objetivo de trazer comodidade aos pacientes, a unidade também conta com um Centro de Diagnóstico próprio. “Realizamos exames de imagem e laboratoriais dentro da própria estrutura, o que agiliza o diagnóstico e o atendimento”, ressalta Eliana, acrescentando que os pacientes que precisam ficar em observação são encaminhados a um dos 23 leitos do Pronto Atendimento. Para que toda a estrutura funcione de forma orgânica, os fluxos foram cuidadosamente definidos. “Os fluxos intrafuncionais foram estabelecidos através da prioridade

Fotos: Marcos Fertonani (MF Photografia)

Fachada do Pronto Atendimento Unimed Londrina

Detalhe da fachada

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Fotos: Marcos Fertonani (MF Photografia)

Humanização

Recepção principal

Recepção Oncologia

Observação Adulto 46

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das ações por parte dos agentes operacionais. Já os fluxos interfuncionais foram definidos no macrozoneamento do edifício como um todo, ficando o pavimento térreo com o serviço de primeiro atendimento ao paciente, em razão da proximidade com a rua e com o Centro de Diagnóstico”, detalha Talita. Ainda segundo a arquiteta, os dois outros pavimentos superiores abrigam o serviço ambulatorial de consultas, observações e quimioterapia. Já o pavimento inferior inclui toda a infraestrutura de serviços gerais, como almoxarifado, laboratório de análises clínicas, nutrição e serviços administrativos. De acordo com André de Giacomo, o principal desafio foi adaptar um novo serviço de saúde a um edifício já existente e com uma tipologia diferenciada. “Para que tudo saísse conforme o planejado, o projeto foi pautado pela alta performance do serviço, interatividade dos fluxos funcionais e flexibilidade espacial, buscando de forma decisiva o conforto dos pacientes, familiares e do grupo operacional”. Em consonância, a gestora do Pronto Atendimento ressalta que a adequação


Fotos: Marcos Fertonani (MF Photografia)

da estrutura já existente dificultou a adoção de algumas medidas de sustentabilidade. “Porém, nos preocupamos em reutilizar a água da chuva e aproveitar ao máximo a iluminação natural. Nas áreas onde não foi possível explorar a luz natural, utilizamos a iluminação em LED”, finaliza Eliane Sedemaca, enfatizando que o Pronto Atendimento oferece um ambiente acolhedor e seguro para a população de Londrina e região.

Observação Infantil

Circulação Ambulatório (Sinalização e Comunicação Visual)

Posto de enfermagem Oncologia Adulto

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Ficha Técnica

Humanização

Nome do empreendimento: Pronto Atendimento Unimed Londrina Data do Projeto: abril de 2015 Construção: Vitturi Construção Ltda – engenheiros Mário Dionísio e Marcio Kiyoshi Suzuki. Obra (empresas responsáveis) Arquitetura: Giacomo Arquitetura Construtora: Vitturi Construção Ltda Interiores: Giacomo Arquitetura Coordenação: engenheira Miriam Silvério Martins Colaboradores: Caroline Cavallaro, David Vitturi de Carvalho Gerenciamento de licitação: engenheiro Paulo A.B. Yano Projetos (empresas responsáveis): Ar-condicionado: Thermix Engenharia Térmica Cozinha/Refeitório: Giacomo Arquitetura Consultoria de caixilhos: Palhano Aluminium e Broggi Comércio de Vidros e Acessórios Ltda (Vidrofort) Elétrico e hidráulico: SZ Projetos Elétricos Gases Medicinais: Instalamed - CIGMED Comércio e Instalações de Projeto de fundações e contenções: Politécnica S/S Ltda e Nieri Projetos Estruturais Estrutura de concreto: Nieri Projetos Estruturais Luminotécnico: Giacomo Arquitetura Prevenção e Combate a Incêndio: Hidralon Engenharia Hidráulica Fornecedores de Material e Serviço: Aço: Açofer Aço Inox: Nortinox Andaimes: Mega Andaime Ar-condicionado: Helô Ar Condicionado Concreto: Euromix Divisórias e Portas: Portas fornecidas pela Techdoor Tecnologia em madeira certificada Guarda-corpo: Parquelândia Hidráulica: RNM Instalações Hidráulicas Elétrica: E.M.I.C.R. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA (SH Tecnologia) Revestimentos e acabamentos cerâmicos e em porcelanato: Sandro Dantas Pintura: George Pedro da Silva Pintura externa: Traços e Formas Pinturas Profissionais LTDA-ME Limpeza final de obra: Lealmaster Detalhes da Obra: Drywall: Nos tetos e paredes executados pela Solubrás/Solucon, resistentes a fogo nas áreas de atendimento ao público e à água nas áreas molhadas Elevadores: Com capacidade para uma maca para atendimento aos clientes portadores de necessidades especiais e pacientes Esquadraria ferro: Em geral, portões e grades Esquadrarias madeira: Porta lisa de HDF e madeira - estrutura sarrafeada, prime UV Esquadrarias metálicas: De alumínio e vidro Estrutura metálica: De cobertura e suporte para ACM Ferragens: ACM Ferragens de portas: Cromado fosco da marca La Fonte Fios: Em toda a rede elétrica

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Granito: Soleiras, batentes, bate maca guarnições e bancadas em granito polido branco Dallas Guarda-corpo: Em Inox nas escadarias e rampas Impermeabilização: Nas áreas molhadas, caixas d’água, cisternas Instalações Hidráulicas e Elétricas: Foram executadas segundo as normas da ABNT. Na reforma, foi contemplada a troca de todas as redes de água e energia com materiais novos atendendo às Normas aprovadas ou recomendadas e especificações do projetista. O abastecimento de água potável é feito pela rede pública de água. A captação de esgoto é interligada à rede existente de esgoto. A edificação é provida, também, de rede de águas pluviais, rede de drenos de ar condicionado, rede de prevenção de incêndio, rede de drenagem, sistema de realimentação de cisterna de água pluvial, rede pressurizada de água de reuso e estação elevatória de esgoto. A edificação possui um gerador e todas as partes metálicas estão aterradas. O Pronto Atendimento da Unimed Londrina possui rede de telefonia, lógica, CFTV, sistema de detecção e alarme de incêndio com acionador do tipo aperte o vidro com painel endereçável na recepção, painéis de chamada com senhas, TVs para conforto dos pacientes e acompanhantes nas salas de espera. Além de chamadas de emergência nos banheiros e leitos, através de cordéis que indicarão na central digital onde há a emergência dentro da edificação. Luminárias: As luminárias são com lâmpadas de LED que garantem a luminosidade e baixo consumo energético. O Pronto Atendimento da Unimed Londrina possui luminárias de cabeceira de leito, luminárias de emergência Paisagismo execução: Marta Vitturi Pinturas: Tinta Suvinil acrílica nas paredes e Tinta Suvinil PVA nos tetos Revestimento Cerâmico: Pastilhas porcenalizadas Porcelanato: Porcelanato 60x60 nos pisos e paredes de banheiros com rodapé embutido nas áreas secas e sem azulejo Revestimento Fachada: Placas de ACM, Placas cimentíceas, pinturas especiais da marca Terracor e textura Vidros: laminados nas escadarias, vidros temperados nos visores, vidros comuns nas janelas de alumínio, vidros com película nos consultórios e áreas reservadas. Mão de Obra Civil: A edificação do Pronto Atendimento Unimed Londrina é uma reforma com ampliação. Foram executados serviços de fundação, estrutura, alvenaria, gesso acartonado, instalações hidráulicas, elétricas, de ar condicionado, de alarme e incêndio, conforme citado acima, além de novo telhado, aplicação de revestimentos, pintura e adesivagem. Fornecedores de Equipamentos: Acabamentos de elétrica: Eletrocenter Bombas de recirculação: Açofer Bombas de drenagem/esgoto: Açofer Bombas de recalque/incêndio: Açofer Calhas e Rufos: Madereira Gimenes, Serralheria Colonial Combate a incêndio: Açofer Detectores de fumaça: Suletron Distribuição de água quente e fria: Açofer Geradores: Stemac Louças: DECA - Destro Metais sanitários: DECA - Destro Pressurização: Açofer Remoção de entulho: Águia Caçambas Fundação: Politécnica Engenharia Furação de laje: Allvo Perfurações em Concreto Placas de Drywall: Solucon Placas cimentícias: Diviplus Acoustic Solutions Espancadores: Cia do Impermeabilizante Batente de Granito: Império do Mármore

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Instalações Hospital Municipal de Parelheiros

A fórmula da perfeição Gestão de utilidades norteia projetos especiais para unidades de saúde que buscam segurança e excelência no atendimento

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s unidades hospitalares brasileiras têm buscado, cada vez mais, a implantação de inúmeros projetos que resultem em uma gestão eficiente, garantindo qualidade no atendimento e segurança não só ao paciente, mas também aos visitantes e colaboradores das instituições. A chamada ‘gestão de uti50

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lidades’ tem sido implantada em alguns hospitais, garantindo às instituições a gestão única e em tempo real de todos os sistemas especiais que operam no prédio. Uma das empresas responsáveis por projetos em gestão de utilidades, a Engemon não só desenvolve os sistemas de automação predial, bem como treina os profissionais dos hospitais

para utilizarem o sistema da melhor maneira possível. “Temos um serviço que chamamos de operação assistida. Passamos de 30 a 90 dias junto ao cliente final só acompanhando a utilização do sistema que implantamos, para que ele consiga utilizar tudo o que estamos deixando”, explica Josy Nascimento, gerente de obras da empresa.


Como funciona De acordo com Josy, a gestão de utilidades consiste basicamente em organizar em um sistema único de gestão diversas especialidades que podem ser acompanhadas em tempo real. A ‘leitura’ é feita pelo programa Modbus, que utiliza uma linguagem única para fazer essa integração de setores. “Conseguimos monitorar cada especialidade em uma única sala de segurança. Então, por exemplo, temos a parte de automação do sistema de geração de energia, onde controlamos qualquer falha de energia elétrica. No mesmo local, temos toda a parte de gases medicinais. Se eu tiver qualquer falha na capacidade dos tanques (abaixo do volume), isso pode gerar algum vazamento. Monitoramos se aquele consumo está acima do normal, e temos a possibilidade de achar um risco iminente dentro do hospital e resolvê-lo com mais rapidez”, explica. Ainda no mesmo sistema, é possível coordenar toda a comunicação interna de uma instituição. Um exemplo são as chamadas de enfermagem, que passam por um controle onde é possível localizar em qual apartamento o enfermeiro se encontra. Outra facilidade é o uso deste mesmo sistema de chamada para serviços determinados, como troca de roupa e limpeza, por exemplo, contribuindo assim para o monitoramento de hotelaria hospitalar. “São várias aplicações em um só lugar. Outro exemplo é a parte de detecção. Se acontecer algum incêndio, é possível ver isso em tempo real. Quando os alarmes são acionados, entramos com outro sistema – na parte de sistemas especiais – que é a parte de sonorização, onde conseguimos passar um alerta de evacuação imediato”, aponta Josy.

“Passamos de 30 a 90 dias junto ao cliente final acompanhando a utilização do sistema que implantamos”, explica Josy Nascimento

Hospital Municipal de Parelheiros

Hospital Municipal de Parelheiros

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Instalações Hospital São Camilo - Pompeia

Menos riscos, mais eficiência De acordo com a gerente de obras, os hospitais que têm adotado a gestão de utilidades relatam inúmeras vantagens do sistema, como a eliminação de riscos e o controle mais efetivo de consumo de energia elétrica. “Observamos uma eficiência energética, porque temos automação para a parte de iluminação. Não há interruptores. O sistema automático não permite que as luzes fi52

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quem acesas sem necessidade”, diz Josy. As unidades de saúde também percebem melhorias no controle de temperatura e umidade dos centros cirúrgicos, que passam a operar com mais segurança através do sistema. “É preciso seguir à risca o que a norma pede, para evitar a proliferação de bactérias. Esse controle é feito pela automação predial”, afirma.

Outros ganhos dizem respeito às questões de sustentabilidade. “Utilizando a luz solar, economizamos energia. Também é possível a reutilização de água a partir de captação da água da chuva, para uso nas descargas e rede de incêndio. Todas as bacias sanitárias e o sistema de combate a incêndio utilizam água de reuso. Sem dúvidas, é um sistema que tem muito a crescer no país”, conclui.


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Sustentabilidade

Muito além da aparência Fachadas ventiladas têm efeito bactericida e contribuem para a redução de custos

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liar eficiência e segurança é um objetivo compartilhado por hospitais de referência quando o assunto é arquitetura hospitalar. Alternativas sustentáveis, que asseguram o bem-estar dos pacientes e contribuem para a redução de custos, têm sido as apostas dos gestores das instituições de saúde. O Hospital São Camilo Cura d’Ars – de Fortaleza (CE) –, por exemplo, concluiu recentemente obras de revestimento vertical, adotando fachadas ventiladas KeraGail. Conforme explica o Departamento de Engenharia da empresa Gail, o uso dos painéis cerâmicos extrudados mostra-se ideal para instituições de saúde, sobretudo porque tem como uma de suas principais vantagens o efeito de bactericida. “O sistema possui tratamento HT em todos os painéis, já no processo de queima. Assim, com a ação da luz natural e o oxigênio como catalisador, acontece uma reação conhecida como foto-catálise, a qual elimina todos os poluentes e bactérias existentes na superfície da cerâmica. Isto faz com que a área da edificação tenha um ar mais puro, melhorando a qualidade de vida das pessoas”, como esclarece o Departamento de Engenharia da Gail. Os benefícios dos painéis cerâmicos também incluem a possibilidade de renovação da camada de ar existente entre o revestimento e o corpo principal do edifício. Assim, o sistema contribui para a 54

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maior dissipação da radiação solar, o que melhora o conforto térmico e acústico do edifício. Isto sem falar que impede a ação direta dos ventos e da umidade sobre o prédio, eliminando problemas como infiltrações, eflorescências e manchas.

Sustentabilidade As fachadas ventiladas caracterizam-se, ainda, como uma alternativa de revestimento mais sustentável. No Brasil, onde predomina o clima quente, o uso dos painéis cerâmicos pode proporcionar reduções substanciais de despesas. “A ventilação mais eficiente das edificações favorece a diminuição no consumo de energia elétrica gasta com sistemas de ar-condicionado”, ressalta o Departamento de Engenharia da Gail. Isto sem falar que os painéis são autolimpáveis, o que reduz a necessidade da lavagem das fachadas, minimizando o consumo de água e o uso de detergentes.

Instalação A realização de obras em instituições de saúde requer cuidados redobrados. No caso da instalação das fachadas ventiladas KeraGail, muitos desses cuidados já são assegurados pelas próprias características da tecnologia. Segundo o Departamento de Engenharia, os painéis de cerâmica são os únicos que permitem o acoplamento a uma estrutura metálica sem a necessidade de furos ou cortes. “Nossas obras são limpas, secas e fazemos o mínimo de ruído possível quando se trata da instalação de retrofit em edifícios habitados. Além disso, oferecemos produtos com a higiene que o setor hospitalar exige”, pontua.

A empresa Gail conta que a obra no Hospital São Camilo Cura d’Ars deu tão certo que a instituição decidiu ampliar a metragem inicial do projeto, fazendo todos os requadros com placas cerâmicas. “Foi uma obra diferenciada, a ampliação de um dos mais conceituados hospitais da região Nordeste do país”, finaliza. Health ARQ

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ARQ Coluna

Marcio Nascimento de Oliveira Prof. Arq. Msc. e Presidente da ABDEH

Pesquisa sobre ambientes de saúde: a importância de sua adoção na prática profissional

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que arquitetos (e engenheiros) entendem por pesquisa? Quando e como estes profissionais realizam pesquisas em suas práticas? Quais são os conhecimentos sobre a realização de pesquisas que os arquitetos e demais profissionais precisam ter? Como a adoção da pesquisa pode agregar valor à prática dos arquitetos e seus clientes? Estas e outras questões permeiam o cotidiano de pesquisadores e investigadores, que buscam relacionar seus estudos à prática da arquitetura, em especial dos ambientes de saúde. Em um estudo intitulado “Como os arquitetos utilizam a pesquisa” o Royal Institute of British Architects (RIBA) revelou que os principais escritórios de arquitetura ingleses consideram a pesquisa uma parte intrín-

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seca do trabalho de projeto. Neste caso, a pesquisa é geralmente vista como aquela que abrange os aspectos relativos às necessidades do cliente, à avaliação do contexto do projeto, às características e desempenho dos materiais e componentes da construção e, mais recentemente, às questões de sustentabilidade ambiental e eficiência energética. Segundo o RIBA, a avaliação pós-ocupação (APO) vem claramente se destacando na Grã-Bretanha como uma ferramenta de grande importância na prática dos principais escritórios, embora continuem a existir diversas barreiras para sua adoção nas rotinas dos clientes. Não se pode negar que no Brasil ainda predomina uma certa falta de conhecimento do potencial da pesquisa por parte dos profissionais que lidam dia-

riamente com projeto ou construção. Pode-se notar até mesmo uma certa hostilidade para com a palavra “pesquisa”, como se houvesse de fato um abismo a separar a investigação e a prática. Assim, enquanto universidades e outras instituições de pesquisa estão constantemente produzindo e publicando estudos sobre o tema, poucos são os profissionais que efetivamente baseiam suas decisões e escolhas projetuais em achados e comprovações oriundas das pesquisas científicas. Mas como arquitetos e engenheiros podem se envolver e se beneficiar de iniciativas de pesquisa? Existem atualmente mais de 1 mil estudos publicados que comprovam que determinadas características adotadas nos projetos de estabelecimentos de saúde afetam

diretamente os resultados, tais como diminuição do stress do paciente, a quantidade de erros médicos, a demanda por analgésicos, entre outros efeitos igualmente importantes. O primeiro passo, portanto, é buscar estudos válidos (e validados), que proporcionem o entendimento acerca das causa e efeito das diversas características projetuais. Em seguida, devem ser realizados estudos de casos, tantos quanto forem viáveis, de forma a proporcionar a necessária base comparativa. A fase final e mais crucial consiste no monitoramento sistemático, ao longo de um período determinado, dos diversos efeitos mensuráveis, incluindo o desempenho financeiro do serviço. O problema maior é que medir os impactos, de forma consciente e sistematizada,


e chegar a resultados que permitam concluir algo útil sobre o efeito de determinados aspectos ambientais, é uma tarefa por vezes bastante complexa e demorada, que vai contra o imediatismo que impera em diversas situações. É notório que o processo de projetar, viabilizar, construir e colocar em funcionamento um serviço de saúde pode levar de alguns meses a muitos anos, dependendo do local, das condições e do tamanho do empreendimento. Este longo período entre o inicio do processo (fase de geração das hipóteses e definição dos aspectos a serem pesquisados) e seu funcionamento (fase de coleta de dados) significa que podem facilmente ocorrer quebras na continuidade gerencial, com a inclusão de novos atores com poder de decisão, nem

sempre comprometidos (ou com suficiente conhecimento) sobre os objetivos e a necessidade de realização da pesquisa, colocando em risco toda a estratégia de monitoramento e a avaliação pós-ocupação. Para não dar a impressão de que este texto trata tão somente de defender a existência e a razão de ser dos grupos e instituições de pesquisa, cito um importante estudo publicado nos Estados Unidos em 2011 pelo Center for Health Design (CHD), cujos resultados comprovaram que a incorporação de elementos de design baseados em evidências em um hospital de 300 leitos, todo projetado com o “foco no paciente”, incluindo diversas características tais como uma profusão de jardins tera-

pêuticos, uso de materiais absorventes de som, janelas maiores, quartos individuais, etc., acrescentou US$ 26,2 milhões ao custo total do empreendimento. No estudo, o retorno deste investimento ocorreria em apenas três anos a partir do início da operação, devido aos diversos resultados significativos obtidos, tais como a redução nas quedas de pacientes (-33%) e índices de infecção hospitalar (-20%), diminuição do tempo de internação (-10%), e outros resultados mais difíceis de serem mensurados, tais como melhoras na satisfação do usuário e trabalhador (saiba mais sobre este estudo pesquisando: Fable Hospital 2.0 - The business case for Patient-Centered Facility Design). É importante ressaltar

que nos Estados Unidos os hospitais são remunerados em relação à sua eficiência e resultados, sendo que os mais eficientes recebem bônus, melhores taxas e outras compensações. Pode-se argumentar que estes são números e situações que não se aplicam à realidade brasileira, muito distinta da americana no que se refere ao modelo de financiamento e investimento na atenção à saúde. Porém, estes resultados são mais do que suficientes para justificar, pelo menos, que se realizem cada vez mais pesquisas aplicadas sobre nossa realidade e exemplos, e que a integração entre pesquisa e prática se torne cada vez mais evidente no cotidiano dos escritórios e empresas que atuam no setor.

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Construção Residencial Santa Cruz

Conexão com novos cenários Aumento da expectativa de vida da população brasileira provoca transformações nas demandas na área da Saúde e traz oportunidades para a construção civil 58

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população brasileira tem passado por um acelerado processo de envelhecimento nas últimas décadas. Até 2025, serão 31,8 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, conforme divulgado na 68ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em julho. Os dados apontam para a necessidade de implantar projetos de construção civil voltados, desde a concepção, para as necessidades específicas dos idosos. Neste sentido, algumas iniciativas têm se destacado. Um exemplo é o Residencial Santa Cruz, da ordem religiosa Instituto das Irmãs da Santa Cruz, construído pela Tribase para residentes da terceira idade. Localizado em São Paulo (SP), o prédio de seis pavimentos possui quartos individuais, duplos e triplos, totalizando 56 suítes para 118 pessoas. Nos mais de 8 mil m² construídos, há cinema, espaço de arteterapia, salão de beleza, piscina e enfermaria. “Os residenciais para a terceira idade têm apresentado uma grande evolução com projetos arquitetônicos mais humanos e adaptados para um convívio social adequado para o residente. Atuamos nesse nicho com obras de retrofit e construção de novos residenciais e, devido à nossa expertise, já fomos consultados mais de uma vez por investidores do setor em busca de segurança para a implantação deste tipo de empreendimento”, ressalta o engenheiro Fábio Nunes, diretor comercial da construtora, que avalia atuar no setor por meio de parcerias. Fábio Nunes ainda destaca que o aumento da expectativa de vida tem sido acompanhado por profundas transformações nas demandas na área da Saúde, o que traz oportunidades para o segmento de construção civil. “Há um movimento acentuado de novos tipos de atendimento como ‘hospitais de retaguarda’, como alternativa à UTI tradicional, unidades para desospitalização de pacientes crônicos ou agudos com recuperação prevista e programada, além das Instituições de Longa Permanência para Idosos, que são uma necessidade na formatação social atual”, explica o diretor comercial da construtora. Neste sentido, a demanda por obras hospitalares tem se mostrado aquecida nos últimos anos, tanto no que diz respeito à construção de complexos a partir do zero quanto no que se refere à realização de obras de intervenção, também chamadas retrofits. Health ARQ

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Composição

Projetos minuciosos

Radioterapia Santa Catarina

O Hospital Santa Catarina, de São Paulo (SP), por exemplo, investiu na reforma e adaptação de layout de várias de suas áreas para implantação de setores como o de radioterapia, as novas unidades de Pronto Atendimento Adulto e Pediátrico, além do restaurante geral. Conforme esclarece Fábio Nunes, a atuação no segmento hospitalar e da saúde exige grande expertise, mas traz benefícios que superam o tamanho do desafio. “Os projetos são mais minuciosos, com alto nível de detalhes e tecnologia em instalações elétricas, hidrossanitárias, de ar condicionado e gases, nos sistemas construtivos e especificações dos materiais. Isto exige cuidado extremo na execução e acompanhamento das obras, seguindo prazos e minimizando impactos na rotina da instituição. Os desafios são incontáveis, mas a satisfação de contribuir para um conjunto que salvará vidas é maior”, diz.

Estratégias Em tempos de crise econômica, é preciso buscar estratégias que permitam superar a concorrência, como afirma o diretor comercial da construtora. “É fundamental agregar soluções criativas e o melhor da tecnologia e sustentabilidade, com qualidade e custos compatíveis, no melhor prazo. Além disso, é importante investir na constante atualização e reciclagem de colaboradores, para que sejam capazes de acompanhar a incorporação de novas tecnologias”. Ainda segundo Fábio Nunes, algumas ações podem assegurar o sucesso nas obras na área da Saúde. “O segredo da boa atuação em um empreendimento hospitalar é estar atento às necessidades do cliente, sejam elas momentâneas ou de longo prazo, o que antecipa eventuais dificuldades. Também incentivamos reuniões objetivas e periódicas entre nossa equipe técnica e a do cliente, promovendo a integração em torno do mesmo objetivo: o sucesso do empreendimento”, finaliza o diretor comercial. 60

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Radioterapia Santa Catarina


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Sustentabilidade

Sustentabilidade 62

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Vista aérea

Hospital Maternidade da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará como exemplo de construção sustentável

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ma das mais antigas instituições de saúde do Norte do Brasil, a FSCMPA Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará atua há 367 anos, sendo um marco importante na história da saúde da população. Fundada em 1650 no Centro Histórico de Belém (PA), a instituição começou sua atuação como “Irmandade da Santa Casa de Misericórdia do Pará”. Em 1900, a Santa Casa foi transferida para o novo hospital, onde está localizada até hoje. Em 1991, foi elaborado o primeiro plano diretor da FSCMPA. O projeto tinha como proposta transferir, gradativamente, todos os serviços, incluindo lavanderia e cozinha, para os blocos localizados neste novo endereço, visando a futura construção de um bloco hospitalar. Com o passar do tempo, o hospital sofreu alguns desgastes naturais e sua infraestrutura não foi atualizada, resultando em precariedades físicas e estruturais de seus prédios já existentes. Essa situação levou a administração da FSCMPA a contratar a elaboração de um novo Plano Diretor, idealizando intervenções como reformas, ampliações a adaptações para a instituição. Com o objetivo de cumprir com as normas da ANVISA e do Ministério da Saúde, a DPJ Arquitetura & Engenharia elaborou, em 2008, o novo Plano Diretor do complexo hospitalar. O projeto dedicou-se a uma área de 43.356,14 m², sendo 25.018,94 m² de reforma e adequações e 18.337,20 m² referentes aos projetos executivos de arquitetura e complementares da nova maternidade. Justamente pelo Plano Diretor ter sido concebido de forma a atender demandas no futuro, a maternidade foi expandida, transformando-se em um Hospital Materno Infantil. Assim, foram incluídos espaços de atendimento pediátrico,

UTI pediátrica e a ampliação de mais 20 leitos de UTI Neonatal e 17 leitos de internação, sendo um deles de isolamento. Segundo o arquiteto José Freire da Silva Ferreira, autor do projeto e do Plano Diretor, além de coordenador dos projetos, o projeto do hospital foi elaborado com o objetivo de atender média e alta complexidade. Projetado com dez pavimentos, sendo um subsolo, um térreo e oito pavimentos, -entre os quais, três de internação, dois mecânicos e três para as áreas críticas referentes a centro cirúrgico-, UTIs, berçários, apoio diagnóstico, emergência e ambulatórios. A construção do prédio foi finalizada em 2013 e incluiu um novo bloco de Apoio Técnico Logístico com Nutrição e Dietética e Lavanderia, a reforma e restauração do Bloco 35 do conjunto histórico para a UTI Infantil, a Cabine de Medicação e Geradores, a Cisterna e o Reservatório Elevado e redes externas de energia e combate a incêndio interligando todo o complexo hospitalar da FSCMPA. Health ARQ

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Sustentabilidade

Sustentabilidade e Humanização “Projetar sustentavelmente significa criar espaços que sejam ambientalmente sustentáveis, viáveis economicamente e sensíveis às necessidades sociais, econômicas e tecnológicas do estabelecimento e usuários”. Este é o pensamento de José Freire sobre a importância do fator sustentabilidade na elaboração do Plano Diretor. O projeto desenvolvido para a maternidade foi guiado por esses princípios. Para a coleta da água da chuva, por exemplo, foi construído um reservatório especial no pavimento técnico sob a cobertura. A partir da recuperação de águas pluviais é gerada água fria não potável para o abastecimento das bacias sanitárias, mictórios, sistema de ar condicionado e lavagem de piso dos estacionamentos do subsolo. Outra atuação ecologicamente correta implantada pela DPJ no FSCMPA foi a utilização de energia solar para o aquecimento de água de todos os chuveiros e pontos especiais do prédio. Para tanto, foram previstos sistemas conjugados de placas solares posicionadas nas coberturas para a geração de água quente com utilização de resistências. Já em relação à humanização do hospital, foram propostos em todos os pavimentos amplos espaços de estar e espera elaborados com materiais adequados ao conforto visual, sonoro e lumínico, inclusive adequadamente coloridos. “Foram também incluídos refeitórios para pacientes e acompanhantes em todos os pavimentos de internação, além de espaços especiais para estar, repouso e higienização das mães”, comenta Freire.

Experiência na Saúde

Segundo Freire, a DPJ Arquitetura & Engenharia elaborou mais de 700.000 m² de projetos para Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. Nestes incluem-se mais de 40 hospitais, entre os quais estão os Hospitais Regionais do Pará, em Santarém, Altamira, Redenção e Tucuruí, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência de Belém, os Hospitais Regionais do Amapá, em Santana, Serra do Navio, Oiapoque e Amapá, o da Criança e do Adolescente e o de Especialidades Dr. Alberto Lima em Macapá.

José Freire, arquiteto da DPJ Arquitetura & Engenharia

Climatização A FSCMPA foi beneficiada por um sistema de expansão indireta, composta de chillers com condensação de ar que produzem água gelada. Esta água é distribuída aos climatizadores que condicionam os diversos ambientes do hospital, cada um com sua particularidade de temperatura, pureza e umidade relativa do ar, totalizando uma capacidade de 420 TRs entre ambientes de conforto geral, UTI, Centro Cirúrgico, Internações com isolamentos e áreas com exaustão e ventilação mecânica. 64

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Vista da Rua Bernal do Couto


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Humanização Fotos: João Gabriel Bueno Rosa

Instituto da Coluna

Criatividade para ampliar Projeto arquitetônico do Instituto da Coluna mostra que, mesmo com espaço reduzido, é possível criar estruturas adequadas aos fluxos de médicos e pacientes aliadas a um design acolhedor

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timizar espaços é um desafio em qualquer projeto arquitetônico, mas quando se trata do planejamento de ambientes como as clínicas de saúde, tal premissa é indispensável, sobretudo em razão da necessidade de organização dos fluxos de médicos, colaboradores e pacientes. A obra do Instituto da Coluna, em Ribeirão Preto (SP), é um exemplo de como a otimização facilita as rotinas neste tipo de ambiente. Concluída em 2015, a clínica conta com quatro salas de consultório, uma 66

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sala para o setor administrativo, recepção, copa para funcionários, além de banheiros para médicos e pacientes. A missão de viabilizar um layout com essa configuração, em uma área de apenas 155 m², ficou a cargo da arquiteta Paula Cecchi. “A planta era bem complexa em função da necessidade de fazer caber todas essas


Instituto da Coluna

salas no espaço disponível, considerando a quantidade de pessoas que a clínica recebe e a circulação dos profissionais. Isto sem falar que, na área médica, há muitas exigências da vigilância. Então, com um espaço reduzido, é realmente um desafio fazer todas as adequações”, conta a arquiteta. Para que tudo saísse conforme o planejado, o primeiro passo foi desenvolver o fluxograma e definir as medidas dos ambientes. “Fizemos um corredor atrás da recepção, o mais discreto possível, direcionado ao fluxo para as salas dos médicos. Desta forma, enquanto eles circulam por ali, não têm contato com os pacientes em espera”, detalha Paula.

Bem-estar do paciente Resolvida a parte funcional, foram trabalhados o design e os aspectos visuais do projeto, a partir de um conceito que em nada se assemelha à arquitetura fria e impessoal característica da área da saúde. “O ambiente precisava ser clean, mas, ao mesmo tempo, aconchegante. Quando Health ARQ

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Humanização Instituto da Coluna

você trabalha na área médica, é importante dar atenção a isso. Usamos cores como cinza, cru, branco, preto e azul, que trazem tranquilidade e remetem ao logo do Instituto”, explica a arquiteta. A humanização do ambiente não ficou por conta apenas das cores, mas também do mobiliário e da iluminação. “Optamos por móveis confortáveis, que se adequassem a todo o tipo de pessoa, independente da altura, peso ou idade. Além disso, por se tratar de uma clínica de ortopedia, que recebe pessoas com o pé quebrado ou com problemas de coluna, por exemplo, tivemos uma preocupação redobrada com a ergonomia”, destaca Paula. No que diz respeito à iluminação, a proposta foi intensificar a luz nos consultórios e, no restante, priorizar uma iluminação mais aconchegante, de efeito. 68

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“O ambiente precisava ser clean, mas, ao mesmo tempo, aconchegante. Quando você trabalha na área médica, é importante dar atenção a isso. Usamos cores como cinza, cru, branco, preto e azul, que trazem tranquilidade e remetem ao logo do Instituto”, explica Paula Cecchi

No design, também foi dada especial atenção à escolha por materiais ecologicamente corretos. “O sofá, por exemplo, é de lona de caminhão, material bonito e resistente, que suporta muitas pessoas sentadas. Além disso, não foram utilizadas madeiras de verdade. Nas paredes, foram instalados painéis de mdf e o piso é vinílico. Conseguimos aliar beleza, conforto e sustentabilidade, tornando o tempo na clínica o mais agradável possível”, finaliza Paula Cecchi.

Fotos: João Gabriel Bueno Rosa

Sustentabilidade

Instituto da Coluna

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Renovação

Expertise para transformar Obras de instalação do Total Care Amil são exemplo de como realizar modificações estruturais em construções antigas

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beleza e organização características da cidade de Brasília (DF) foram transpostas para o projeto arquitetônico do 72

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Total Care Amil, centro de diagnóstico, prevenção e tratamento voltado a pacientes que necessitam de cuidados especiais. Elaborada pela Amil Assistência Médica In-

ternacional SA, com colaboração da empresa de design de interiores NewSpace Projetos, a planta apresentava o desafio de adicionar um pavimento a um antigo prédio

comercial, sem comprometer a estrutura da construção. A tarefa foi atribuída à construtora Conbral, de Brasília. Trabalho que, segundo o diretor técnico da empresa,


o engenheiro Paulo Muniz, envolveu uma série de etapas complexas. “Primeiramente, foi necessário adequar a estrutura, demolindo a laje e vigas de cobertura que equilibravam o pórtico existente. Para isso, cuidamos do escoramento integral da estrutura existente e da implantação de reforço estrutural de toda a fundação e pilares. Além disso, criamos uma estrutura auxiliar em aço, para sustentar os detalhes da fachada em ACM combinada com o Structural Glazing”, detalha Muniz. Simultaneamente, também foi realizada a compatibiliza-

ção do layout de arquitetura para o desenvolvimento dos projetos de instalações hidro-sanitária, elétrica, de ar condicionado, renovação de ar e lógica. O fator complicador, de acordo com engenheiro civil, foi adequar essas instalações às condições físicas da nova estrutura, que tem o pé direito restrito, seguindo as Normas e Gabaritos da Região. Na execução do projeto, foram empregados materiais de alto padrão e mão de obra própria altamente qualificada, que atuou quase integralmente durante a obra. A construtora contou com o serviço de parceiros apenas em segmentos específicos, como protensão, sistema de ar condicionado e execução da fachada. O resultado foi tão bem-sucedido, que a obra foi vencedora do “Prêmio Construir Brasília Qualidade na Construção - DF”, em 2011. O diferencial neste trabalho foi contar com um sistema de rede estruturada de alta tecnologia, a implantação do sistema de VRF para o arrefecimento de ar, aumento da carga elétrica instalada e a implantação de um Grupo Moto Gerador e No-break, como proteção para a rede elétrica, conforme o exigido para uma unidade médica. Health ARQ

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Renovação

Responsabilidade ambiental Nas obras do centro clínico, também foram adotadas medidas com foco em sustentabilidade. Segundo Paulo Muniz, além da utilização do sistema VRF, que reduz o consumo de energia, também foram instalados vidros de alta performance acústica e térmica na fachada do prédio e implantadas lâmpadas de baixo consumo. Para minimizar impactos, a construtora – que possui certificação PBQP-H SIAC nível A e ISO 9001:2008 desde 2002 – terceirizou o recolhimento e o transporte dos resíduos sólidos da obra. A empresa contratada, que é certificada pelo governo do Distrito Federal, levou todo o material até a área autorizada pelo órgão competente. 74

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Renovação

O poder do novo Reforma traz funcionalidade e sofisticação a escritório e auditório do Sindhosp

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onforto, inovação e estilo. Esses foram os três pilares adotados pelo Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo) para o processo de reforma do seu conjunto operacional. Visando modernizar os ambientes, a entidade reformulou os espaços do escritório e auditório para melhor atender os seus visitantes. As obras, concluídas em maio deste ano, foram divididas em duas etapas. A primeira contemplou a aplicação do contrapiso, instalações e forro de gesso. Já a segunda ficou por conta dos acabamentos, marcenaria e pintura. Com previsão de apenas 120 dias para o término da reforma, foi necessário realizar, simultaneamente, as atividades no escritório e auditório. De acordo com o engenheiro Rafael Pinto, sócio-diretor técnico da Base Engenharia, empresa responsável pela execução da obra, o prazo curto foi um dos principais desafios. Para cumprir esse cronograma, a empresa dividiu a equipe em dois turnos. “Devido aos demais andares estarem ocupados, pela manhã eram administrados os serviços com pouco ruído. As demolições e demais serviços de remoção vertical, que exigem disponibilidade contínua de acesso aos elevadores, foram realizados no período noturno”, explica. 76

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Por meio de uma parceria realizada com fornecedores e com o escritório de arquitetura responsável pelo projeto de reforma, a Base Engenharia, com o auxílio de sua equipe técnica de campo, desenvolveu todo o trabalho de execução, gerenciamento e fiscalização da obra.

Acabamento De acordo com o engenheiro, as maiores inovações foram realizadas no conjunto do auditório. “Adotamos iluminação em LED, revestimentos acústicos nas paredes, teto e portas, além da aplicação do piso vinílico Bolon que deu um toque especial ao ambiente”, conta.

Entulhos

Todos os entulhos gerados foram retirados através de caçambas estacionárias fornecidas por empresas homologadas aos órgãos ambientais do município. Esses materiais foram levados para aterros que realizam processos de reciclagem e reaproveitamento para obras futuras, como aditivos para elaboração de novos insumos.


O material de acabamento, selecionado pelo escritório de arquitetura responsável, foi definido levando-se em conta a praticidade, durabilidade, conceitos e tendências de mercado. Para Rafael Pinto, além das lâmpadas LED, que reduzem o consumo de energia, a sustentabilidade na obra foi trabalhada desde a compra dos insumos até o não desperdício de material. “Optamos por marcas que já utilizam, em seu processo de fabricação, aditivos provenientes de descarte de outras obras. Ademais, reduzimos o desperdício de material durante a execução

da obra com um controle mais detalhado no processo de compras”, acrescenta. Além do Sindhosp, a construtora é responsável pela execução de outros empreendimentos na área da saúde. Segundo o sócio-diretor técnico da empresa, estão sendo desenvolvidos planejamentos de retrofit de leitos de UTI na Unidade Morumbi do Hospital Israelita Albert Einstein, que também está com projetos de pavimentação externa – assentamento de bloquetes, reforma de calçada e grandil – na Unidade Jardins.

“Optamos por marcas que já utilizam, em seu processo de fabricação, aditivos provenientes de descarte de outras obras. Ademais, reduzimos o desperdício de material durante a exceção da obra com um controle mais detalhado no processo de compras”, acrescenta Rafael Pinto

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Foto: Marcelo Stammer

Humanização

Humanização com personalidade Projeto de interiores com inspirações cubista e renascentista cria atmosfera aconchegante e contemporânea no Hospital Ônix

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ma das estratégias para a qualificação do atendimento ao paciente está na humanização do ambiente hospitalar. O Hospital Ônix, nova unidade da Clinipam em Curitiba, é um exemplo de instalação que, através de aspectos como cor e iluminação, busca oferecer avanços no processo terapêutico dos pacientes, além de proporcionar melhor conforto para seus profissionais e visitantes. 78

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Para atingir este objetivo, o Hospital foi projetado com a intenção de provocar a descaracterização hospitalar clássica. De acordo com a arquiteta Luciana Olesko, do escritório Olesko e Lorusso, uma das responsáveis pela arquitetura de interiores da unidade, todo o padrão de hotelaria foi modificado nessa nova sede. “Buscamos tirar o básico verde, azul e amarelo que todos esperam de um hospital. Queríamos surpreen-

der, trazer a sensação do conforto que encontramos em casa para os quartos e recepções. Todo o projeto foi criado respeitando a legislação vigente e recorrendo a produtos com tecnologia adequada para tal uso”, conta Luciana. O planejamento do Hospital Ônix foi cuidadosamente desenvolvido, incluindo diversas particularidades na decoração. Nos quartos, por exemplo, foi utilizado piso vinílico amadeirado,


Acabamento sustentável

cores aconchegantes na pintura e marcenaria amadeirada detalhada em melamínico imitando tecido. Além disso, a iluminação foi instalada de forma indireta e as paredes contam com a presença graciosa de quadros e gravuras. Para Luciana, o maior desafio foi desenvolver um trabalho elegante, que facilitasse a rotina de funcionamento do hospital sem fugir das normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Fizemos todo o projeto de arquitetura de interiores do hospital, desde as áreas de ambulatório, exames, internamento, centro cirúrgico, como áreas de apoio e administrativa. Sendo assim, tudo precisava ter a mesma linguagem para melhorar a qualidade de atendimento como um todo. Esse projeto foi pensando com cuidado em todas as suas fases e ambientes”.

Foto: Gerson Lima

Foto: Marcelo Stammer

No projeto do Hospital Ônix, a sustentabilidade foi trabalhada na escolha dos materiais de acabamento. Foram utilizadas, por exemplo, iluminação em LED e marcenaria com material proveniente de reflorestamento, além de materiais de fácil limpeza, que resultam em economia de água e tempo.

Maria Fernanda Lorusso e Luciana Olesko, arquitetas Health ARQ

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“Ninguém gosta de ficar internado em um lugar triste. Pensando nisso, buscamos detalhes que fizessem diferença no ato de estar em um hospital”, revela Maria Fernanda Lorusso

Fotos: Marcelo Stammer

Humanização

Ambiente aconchegante e contemporâneo

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É comum a existência de clínicas e hospitais que são extremamente funcionais, mas que são frios e impessoais. O ambiente interfere no rendimento da equipe e na própria recuperação dos pacientes. “Ninguém gosta de ficar internado em um lugar triste. Pensando nisso, buscamos detalhes que fizessem diferença no ato de estar em um hospital”, revela Maria Fernanda Lorusso, arquiteta do escritório Olesko e Lorusso. Para desenvolver um ambiente aconchegante e contemporâneo, as arquitetas Maria Fernanda e Luciana dividiram as alas do hospital por estilo de representação e cores, dando personalidade a todos os espaços. A recepção, por exemplo, foi inspirada no estilo cubista, com tons mais alegres. Já a enfermaria, decorada com tons pastéis, seguiu o estilo renascentista. “Os ambientes que mais representam nossa contemporaneidade são as recepções, principalmente a recepção principal. Neste espaço, optamos por mobiliário em linhas retas, mármore nos detalhes que visam à sofisticação e vários espelhos para dar amplitude. Criamos biombos que intercalam vidro e madeira, gerando barreiras físicas, mas não visuais”, destaca Maria Fernanda.


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Construção

Perfeita execução Responsável pelas obras do Hospital Regional de Guarapuava, a Endeal Engenharia é uma empresa especializada na execução de obras hospitalares

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maior obra física do Governo do Estado no Paraná. Assim é considerado o projeto do Hospital Regional de Guarapuava, que vai beneficiar cerca de 410 mil habitantes com seus 150 leitos, 30 Unidades de Terapia Intensiva de adultos e dez quartos pediátricos. Com 17 mil m² de área construída, a instituição deverá ser vinculada à Universidade Estadual do

Centro-Oeste (Unicentro), funcionando como hospital-escola para o curso de Medicina local. As obras foram iniciadas em setembro de 2015 pela Endeal Engenharia, que exibe conhecimento técnico ao acompanhar a execução dos projetos arquitetônico e complementares de acordo com a NR-50 da ANVISA, visando, desde a primeira etapa, até o aprimoramen-

to do processo executivo como um todo. “Inovação e sustentabilidade também fazem parte do nosso trabalho, além de honrarmos com os prazos estabelecidos para cada cliente”, afirma Nalmir Féder, diretor técnico da Endeal Engenharia. A obra está sendo executada com todos os blocos ao mesmo tempo devido ao prazo limite de 720 dias, fator considerado desafiador

Auditório no Hospital Regional

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Construção

O projeto do Hospital Regional de Guarapuava prevê a construção de: - 50 leitos - 30 UTIs adultos - 10 UTIs pediátricas - Ambulatório - Pronto Atendimento - Diagnóstico completo (raio-x, tomografia, ressonância magnética, endoscopia, ECG e EEG), - 5 salas de cirurgia - 11 leitos de recuperação pós-anestésica - 6 leitos de urgência e emergência - 22 leitos de observação adulto - 10 leitos de observação pediátrica - Lavanderia, cozinha, farmácia, almoxarifado, auditório - Heliponto para transporte de urgência.

Hospital Regional de Guarapuava 84

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para a equipe de construção devido à grande incidência de chuvas ocorridas na região. O executivo explica que são concretados em média 2.800,00 m² de lajes por mês. “Não estamos concretando mensalmente áreas maiores devido ao fato das lajes estarem sendo executadas prontas para receber os revestimentos de piso (laje nível “zero” utilizando máquinas acabadeiras). Desta forma, somos obrigados a deixar os níveis das lajes já com previsão para caimento para ralos, bem como espessura de capas de concreto diferenciadas para receber, posteriormente, acabamentos de pisos como granitos, porcelanatos, pisos vinílicos, condutivos e não condutivos. Devido à variação da espessura destes acabamentos, os cuidados durante a concreta-

gem das lajes chegam a ser milimétricos”, diz Nalmir. Em função dos grandes vãos existentes na obra, variando entre 7,00 e 8,50 m, e com o intuito de minimizar o tempo de execução da obra, a Endeal Engenharia optou por lajes pré-moldadas protendidas, visando o melhor custo-benefício com o menor prazo executivo possível. Atualmente, encontram-se concluídas as fundações, primeira, segunda e terceira lajes; o bloco do auditório já está sendo coberto e as tubulações hidráulicas, elétricas e outras estão sendo executadas concomitantemente. O aterramento e as alvenarias de fechamento também estão sendo trabalhados. O quadro efetivo da Endeal é de 168 homens, devendo atingir 300 colaboradores nos próximos meses.


Projetos conciliados “O grande diferencial neste tipo de obra é o fato de que a empresa é obrigada a estudar todos os projetos, conciliando-os devido à alta interferência de tubulações que se sobrepõem, como dutos de ar condicionado, calhas do sistema elétrico, telefônico, CFTV, alarme, lógica, gases medicinais, tubulação de incêndio e demais equipamentos”, revela Nalmir. Para alcançar a perfeita execução deste tipo de obras a Endeal conta com engenheiros civis, elétricos e mecânicos já acostumados a trabalhar na área hospitalar, o que garante a melhor execução e a capacidade de visualizar com antecedência possíveis futuros problemas. A obra possuirá, segundo Nalmir Féder, alta capacidade de refrigeração. “Selecionamos um ar condicionado específico para esta obra hospitalar, com capacidade instalada superior a

4 milhões de BTUs, sem considerarmos as câmaras frias”, afirma. Com tanto trabalho, o executivo garante minimizar ao máximo o impacto ambiental por meio do Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC), o qual segue à risca. O cronograma físico-financeiro vem se mantendo em dia graças ao excelente trabalho do Departamento de Fiscalização da Regional de Guarapuava e de Curitiba sob o comando do arquiteto Ilton Lemberg Bittencourt e sob a direção do engenheiro Luiz Fernando Jamur, diretor Geral da Pred (Paraná Edificações), bem como do secretário de Saúde do Estado do Paraná, Michele Caputo Neto. A Endeal Engenharia costuma acompanhar a execução de todos os projetos desde seu início, garantindo assim a otimização dos mesmos, bem como a perfeita construção da obra.

Enfermaria

Hospital Regional de Guarapuava

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Construção

Bases sólidas para crescer Construção de nova unidade do Hospital CEMA tem início com o desafio de impedir o rebaixamento do lençol freático e o fluxo de água para dentro da escavação do terreno

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uando completou 40 anos de história, em 2015, o Hospital CEMA anunciou a construção de uma nova unidade em São Paulo, que permitirá ampliar o número de atendimentos em oftalmologia e otorrinolaringologia. Localizado no bairro Belém, o novo hospital terá 24 mil m² de área construída, sendo quatro andares no subsolo, destinados a estacionamento, além do térreo e outros sete pavimentos. A obra foi iniciada em abril deste ano, com as perfurações. “O quarto subsolo exigiu uma escavação de 14,8 m de profundidade. O volume aproximado de terra escavada é de 40.500 m³ medidos no corte, sendo que os horizontes geotécnicos superficiais, até 2,20 m de profundidade, são constituídos por aterros inconsistentes e argilas orgânicas muito moles”, detalha o engenheiro Alberto Vianna, da Apoio Projetos, empresa responsável por esta etapa da obra. Como o nível do lençol freático é alto – 2 m abaixo da cota da calçada -, a solução para contenção será em parede diafragma, conforme explica Vianna. “A parede servirá como fundação para as lajes que se apoiarão sobre ela e como contenção, impedindo o rebaixamento do lençol freático externo e o fluxo de água para dentro da escavação destinada à execução dos subsolos”.

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O engenheiro ainda esclarece que, durante a escavação dos subsolos, a parede diafragma será estabilizada por tirantes provisórios, que serão desativados após a concretagem das lajes. Essas são as etapas iniciais de execução do empreendimento, que tem entrega prevista para março de 2018. Atualmente, o Hospital CEMA realiza, em sua matriz, cerca de 1.200 procedimentos cirúrgicos por

mês. Além disso, a instituição dispõe de cinco centros médicos na capital São Paulo e um em São Bernardo do Campo, projetados para realizar mais de 20 mil atendimentos ambulatoriais mensalmente. Nos casos em que é diagnosticada a necessidade de cirurgia, todos os pacientes são encaminhados para o Hospital CEMA. A partir de 2018, a nova unidade receberá parte deste público.

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Construção

Os desafios da grandiosidade 88

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Descubra as particularidades de uma das maiores obras de expansão do Hospital Israelita Albert Einstein

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Hospital Israelita Albert Einstein, Unidade Morumbi

Fotos: Jorge Hirata

onstruir uma nova torre em um dos maiores hospitais da América Latina, causando o menor impacto possível à operação da instituição ou aos moradores no entorno da obra. Esse foi um dos diversos desafios aceitos pela Racional Engenharia, responsável por uma das maiores obras de expansão realizadas pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A obra, iniciada em setembro de 2006 e concluída em janeiro de 2010, contou com cerca de 1,3 mil funcionários trabalhando simultaneamente em alguns momentos de sua execução e, em todo o período, não houve nenhum acidente de trabalho. De acordo com o gerente de obras da Racional Engenharia, Adão Alves, a empresa atuou em todas as etapas da construção, desde as obras de contenção, escavações, fundações, produção das estruturas de concreto armado, acabamento e instalação de todos os sistemas, além do acompanhamento das instalações dos equipamentos hospitalares até o início da operação do hospital. “Construir uma torre de 77 mil m², dentro de um complexo hospitalar em operação, em uma região residencial, de forma que as obras não interferissem no cotidiano do hospital ou da vizinhança, foi um desafio e tanto”, acrescenta Alves. O hospital está localizado em uma região residencial, na Zona Sul de São Paulo, e a construção de um prédio traria grande impacto à região. Para diminuir os transtornos, a empresa tomou várias medidas, principalmente com relação à circulação de caminhões durante a madrugada. Para os serviços de escavação, para o qual, geralmente, os veículos pesados chegam durante a madrugada, foi criado um bolsão de espera em frente ao estádio do Morumbi, próximo ao local, onde os caminhões eram liberados aos poucos, para se aproximarem da obra a partir das 7h da manhã.

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Fotos: Jorge Hirata

Construção

“No início das obras, promovemos um café da manhã com os moradores vizinhos ao hospital, quando apresentamos a empresa e os planos de expansão do Albert Einstein. Buscamos uma aproximação com a vizinhança para encontrarmos uma maneira de reduzir os impactos da construção”, afirma Alves. Ao longo dos três anos e meio de execução, a obra foi entregue gradativamente para atender às demandas da instituição de saúde. Em agosto de 2008, cinco subsolos de estacionamento foram entregues e começaram a dar vazão à grande demanda por vagas. Entre março e outubro de 2009, foram liberados para operação os pavimentos de internação, centro cirúrgico e consultórios. Para assegurar a sustentabilidade do edifício, todas as suas características precisavam ser auditáveis e mensuráveis. “O projeto conquistou a certificação LEED, nível Gold. A construção hospitalar foi considerada a maior no mundo a receber o selo nesse nível”, completa Alves.

Hospital Israelita Albert Einstein, Unidade Morumbi


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Instalações

Excelência em cada instalação Hospital Unimed Governador Valadares une estrutura arrojada e tecnologia em empreendimento de R$ 100 milhões 92

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rojetado para tornar-se polo regional de saúde suplementar, o Hospital Unimed Governador Valadares (MG), que se encontra em fase final de construção, une a estrutura arrojada de um empreendimento de nove pavimentos e 136 leitos ao uso de tecnologias que vão desde o projeto de engenharia à infraestrutura a ser adotada no prédio. Em uma área de 28 mil m², a unidade realizará procedimentos de média e alta complexidade. Dentre as instalações estão duas salas de observação – uma para adultos com 11 macas e outra pediátrica, com dez macas-, nove salas de cirurgia, UTI com 20 leitos adultos, nove neonatais e três pediátricos, hemodinâmica, centro de diagnóstico por imagem, estacionamento para 250 vagas e heliponto com iluminação para pousos diurnos e noturnos. De acordo com João Carlos Paiva, gestor de comunicação do hospital, foram investidos cerca de R$ 100 milhões na obra. “O Hospital surge como um feito sem precedentes na história da saúde suplementar da cidade e de toda a região dos demais municípios do leste de Minas Gerais. Vem com o intuito de oferecer um atendimento de excelência, com projeção de realizar 1 mil cirurgias e 8,5 mil atendimentos de emergência por mês”, afirma. O projeto de instalações do hospital está sendo executado pela Vertical, empresa do Grupo Vertical Technology, que possui mais de trinta anos no mercado e que, ao longo dos últimos dez anos,

vem se especializando e ganhando visibilidade na execução de projetos na área hospitalar. A instaladora iniciou as suas atividades na obra em abril de 2015, com a estrutura metálica e as lajes prontas para receberem os serviços de infraestrutura das instalações. A empresa também ficou responsável pelo fornecimento de material e de mão de obra especializada para a execução dos serviços de instalações elétricas, hidráulicas, de combate a incêndio, dos geradores, de infraestrutura de redes especiais (TELECOM, chamada de enfermagem, som), dos sistemas de detecção de alarme de incêndio, de aquecimento solar com apoio de aquecedores de gás, de redes de esgoto e águas pluviais, das redes de gás GLP e de gases medicinais, além da instalação do chamado Sistema IT-médico, do SPDA (Sistema de Proteção de Descargas Atmosféricas), do sistema de iluminação de emergência e de mais de 1.200 peças de louças e metais sanitários. De acordo com Rogerio Travassos, gerente de projetos da Vertical, o principal desafio, além de atender satisfatoriamente ao cronograma do hospital, foi a estrutura espacial do empreendimento: “Harmonizar em pequenos espaços todas as infraestruturas de eletrocalhas, perfilados, eletrodutos, tubulações de pvc, tubulações de cobre e dutos de ar condicionado foi um verdadeiro desafio devido à largura dos corredores e o pé-direito dos andares”. Health ARQ

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Instalações

Tecnologia em prol da excelência

Livia Nemer, gerente administrativa da instaladora, afirma que o uso de tecnologias na execução do projeto foi imprescindível para garantir ao Hospital Unimed Governador Valadares uma estrutura arrojada. Segundo Rogerio Travassos, responsável técnico da Vertical nesta obra, foram adotados inúmeros sistemas que conferem um diferencial à edificação. Dentre eles está o controle de infecções que, de acordo com Travassos, é extremamente importante, principalmente no uso de materiais para redes de gases medicinais. “Também nos preocupamos com a confiabilidade e segurança na rede de energia elétrica, onde usamos sistemas de emergência e back-up através de geradores e nobreaks. O suprimento das redes elétricas, com o uso do sistema IT Médico em áreas como os centros cirúrgicos é imprescindível para operação segura da área”, afirma.

Na vanguarda da medicina A inovação é um dos pilares que caracterizam a gestão do hospital. A adoção da biometria é um dos destaques da unidade, uma vez que seu uso elimina os cadastros em fichas de papel pela identificação do paciente através de impressões digitais. “Entre as vantagens estão o controle efetivo dos procedimentos e medicamentos, diminuição de erros em relação a identificação de pacientes e a prevenção de fraudes”, comenta Paiva, gestor de comunicação da instituição. Outro exemplo é o sistema PEP (prontuário eletrônico de pacientes), que faz do hospital uma das poucas unidades de saúde “sem papel” no estado de Minas Gerais. Além do PEP, a instituição também utilizará o PACS (sistema de comunicação e arquivamento de imagens), que alia as 94

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informações em imagens, favorecendo a agilidade na captura, armazenamento e distribuição. “Juntas, essas tecnologias facilitam a tomada de decisão e o rápido diagnóstico, tornando desnecessária a impressão da imagem de exames. Desse modo, elimina-se o consumo de filmes radiológicos que são compostos de acetato e de prata, materiais nocivos ao meio ambiente quando descartados no lixo comum”, explica. Todos os sistemas e equipamentos de alto padrão terão 100% de conectividade web, o que permite a conexão de aparelhos de telemetria, que possibilitam o monitoramento à distância dos sinais vitais do paciente. Trata-se de um diferencial que permitirá a prática da telemedicina. “Teremos a interação e troca de experiências com centros médicos de diferentes locais do Brasil e do mundo. Transmissões ao vivo das cirurgias para outros profissionais e estudantes também será uma realidade, o que contribuirá para a melhoria na assistência à saúde, ensino e capacitação profissional”, afirma.

De olho no amanhã Da montagem do canteiro de obras ao acabamento dos apartamentos, a sustentabilidade sempre foi colocada em primeiro plano na concepção do Hospital Unimed Governador Valadares. Os materiais utilizados na obra foram escolhidos pensando-se na eficiência da gestão de resíduos e no conforto térmico, acústico e visual com ênfase na redução do consumo de recursos naturais. Uma das principais medidas sustentáveis do hospital diz respeito aos recursos hídricos, com a instalação de um sistema de reaproveitamento de água proveniente das chuvas. De acordo com Paiva, a água é captada por um reservatório com capacidade para 22 mil litros e distribuída para outros quatro reservatórios, que somam uma capacidade de armazenamento de até 266 mil litros de água. “Parte dessa captação poderá ser utilizada para a limpeza de áreas externas, como pátio do estacionamento, ou mes-


mo irrigação dos jardins. Temos ainda uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) composta por um dos sistemas mais modernos do Brasil”, destaca. Para a redução de consumo de energia elétrica, foi adotado um sistema de aquecimento de água que funciona 100% por energia solar, além de um sistema de ar condicionado operado por um sistema de água gelada. “Além de ser mais eficiente que o modelo tradicional, minimiza a emissão de gás freon na natureza, um dos principais responsáveis pela destruição progressiva da camada de ozônio”, diz. “Temos a sustentabilidade como modelo de gestão e buscamos seguir rigorosos critérios de excelência adotados no Brasil. A mais nova unidade hospitalar será uma das mais bem equipadas do país”, conclui.

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Humanização Vista parcial da fachada principal 96

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Foto: LMartins Fotografia

Sofisticação para acolher de forma diferenciada Com design funcional e contemporâneo, Hospital Copa Star, da Rede D’Or, aposta em arte para criar ambientes humanizados

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m hospital com localização estratégica, arquitetura e decoração exclusivas e conforto semelhante a um hotel seis estrelas. Esta é a proposta do Hospital Copa Star, unidade da Rede D’Or que será inaugurada ainda no segundo semestre deste ano em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), e que promete ser referência em tecnologia de ponta e humanização em um empreendimento de alto padrão. Projetado pela RAF Arquitetura – empresa que trabalha com a rede há mais de 20 anos – o Hospital Copa Star conta com três subsolos, andar térreo e outros quatro pavimentos. Construído em uma região preservada pelo patrimônio histórico municipal, com restrições de gabarito, o prédio foi um verdadeiro desafio de criatividade para os arquitetos. “A altura do prédio é muito baixa. Por isso, tivemos que buscar soluções alternativas, com muita criatividade para ter o número de leitos compatível com a viabilidade econômica desse hospital, mas sem perder aquele charme, a humanização através de luz natural, do verde e do paisagismo, que ajudam na cura também”, afirma Flávio Kelner, sócio-fundador da RAF. Com a impossibilidade de verticalização do prédio, a solução encontrada pelos arquitetos para garantir a iluminação e ventilação do local foi aproveitar o perímetro de fachada do terreno. “Tivemos que criar uma maior ocupação do terreno e, com isso, fizemos fachadas que dão para um prisma interno. A solução de criá-lo foi justamente por não podermos fazer um prédio muito alto. Eu sempre digo que as soluções arquitetônicas nascem do contexto e das restrições. O fato de fazer o prédio baixo acabou trazendo soluções que não faríamos em um prédio alto. Umas das fachadas da entrada principal tem uma parede verde, a qual não incluiríamos em um prédio muito alto, pois seria financeiramente inviável”, aponta Kelner. Health ARQ

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Fotos: LMartins Fotografia

Humanização

O interior da suíte

Vista do posto de enfermagem com iluminação natural no fundo do corredor

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Lobby do Copa Star, decorado com arte cinética

Identidade Um dos aspectos que mais chamam a atenção no hospital é a tecnologia de ponta, presente em todos os ambientes da unidade, como as salas de cirurgia robótica e salas híbridas. No entanto, a identidade do Copa Star está no estilo contemporâneo e funcional do prédio. Através de um desenho simples da planta, os usuários conseguem ter uma percepção do hospital como um todo. “Vejo hospitais com muitos corredores. Parece um labirinto, as pessoas se perdem. Nesse caso, as circulações são muito fáceis de entender. Ao entender a circulação, é possível entender o projeto como um todo. Ao fundo de cada circulação, temos luz natural. Os corredores terminam em uma janela. Desta forma, tem-se a visão do exterior, o que ajuda os usuários a perceberem onde estão. Isso é muito importante”, destaca Kelner. Outra característica do projeto é a flexibilidade. O prédio possui paredes de drywall, que podem ser modificadas de acordo com a mudança do dia a dia do hospital. A escolha de mobiliário e acessórios, também sob responsabilidade da RAF, completa a característica funcional do prédio.


Arte, protagonista do ambiente O grande diferencial do Copa Star, no entanto, diz respeito à preocupação em transformar o ambiente hospitalar em uma verdadeira galeria de arte. O projeto contempla a coleção de um artista plástico oriental, além de um painel feito com material cerâmico pelo “Coletivo Muda“– o maior já produzido pelo grupo. “Isso demostra a preocupação que os proprietários da rede têm com a arte, com a humanização do espaço”, destaca Kelner. O prisma interno construído a partir do perímetro de fachada será aproveitado como área de exposição. “Conseguimos, por ter um prédio mais baixo, incluir o painel artístico, que vai do primeiro subsolo até o último andar. Então, todo mundo vê esse painel. Ele é o ponto focal do prisma”, diz o arquiteto. Os corredores também serão decorados com arte cinética, onde o usuário será capaz de enxergar inúmeras cores e desenhos, dependendo da perspectiva. “É uma arte plástica no formato de um quadro, só que não é pintura, é cinético. São placas que vão formando desenhos e, conforme você olha, é de um jeito ou de outro. As cores mudam em função da posição em que você olha”, explica. O ‘conjunto da obra’, segundo Kelner, foi, além de desafiador, muito satisfatório para empresa, visto que o terreno onde foi construído o hospital era um dos últimos disponíveis em Copacabana. “A gente tinha que aproveitar isso de alguma forma. O desafio foi fazer um bom projeto no último terreno de Copacabana”, conclui.

Detalhe do painel artístico do “Coletivo Muda”, no pátio interno do hospital

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Sustentabilidade

Em busca do Ouro Qualidade e sustentabilidade como diretrizes para a conquista do selo LEED no novo parque fabril da B.Braun

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maior parque fabril da B.Braun na América Latina conta com uma proposta inovadora: filosofia Lean. Não poderia ser diferente. Concebido com práticas que permitem a otimização dos processos, eliminando desperdícios e trazendo para a empresa resultados diretos na redução dos custos de produção e na rápida resposta para atender à demanda do mercado, o projeto denominado Guaxindiba ganha destaque e garante a certificação padrão Ouro do LEED

(Leadership in Energy and Environmental Design). Na mesma linha de qualidade e sustentabilidade, a Climapress foi contratada em 2014 como responsável pela instalação do sistema de ar condicionado do novo laboratório, localizado em São Gonçalo (RJ). Todo o projeto foi desenvolvido para a obtenção do selo LEED, tendo sido adotado o sistema de expansão indireta por meio de uma Central de Água Gelada, com capacidade total de 420 TR, utilizando unidades resfriadoras de líquido

com condensação a ar, de alto rendimento, inclusive em cargas parciais, mantendo a eficiência energética durante todo o período de funcionamento da instalação. “O sistema utiliza inversores de frequência em todos os motores dos condicionadores de ar (fancoils), além de ciclo entálpico, utilizando as condições climáticas externas (quando favorável), reduzindo assim o consumo de energia do sistema. Para o monitoramento das condições internas contamos com um sistema

de automação provido de software supervisório”, conta Edgard Marzola, Gerente de Engenharia da Climapress. Por se tratar de ambientes controlados, como a indústria farmacêutica e hospitalar, a monitoração do ambiente é tida como assunto sério pela instaladora de HVAC-R, sendo trabalhado desde a concepção do projeto até a entrega da instalação comissionada. Existiu neste projeto uma preocupação com o controle da temperatura e umidade para o armazenamento dos

“Antes da implantação de um sistema como este, identificamos quais são os pontos críticos da instalação e trabalhamos de modo a minimizar os impactos in loco” Vicente Cruz, garante Vicente Cruz

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produtos fabricados, sendo que todo o projeto executivo, equipamentos e materiais, bem como a instalação, foram acompanhados e aprovados pelo departamento de engenharia da B.Braun, com a supervisão direta do Eng. Fernando Costa (B. Braun). Outro item de confiabilidade da instalação de acordo com Ayra Souza, engenheira da Climapress, são os condicionadores que atuam em pares para atender cada zona de climatização, sendo os mesmos dimensionados para atender 50% da carga com folga de 25%, desta forma, em caso de falha ou manutenção de um dos condicionadores, o operante, passará a atender 75% da carga total da zona, minimizando o impacto no sistema. Na área com controle rigoroso de temperatura e umidade, o sistema opera com

equipamento reserva, assegurando assim as condições internas em caso de falha de uma das máquinas. O Armazém Logístico foi a primeira fase do Projeto Guaxindiba, inaugurado em abril de 2015. Nele, a liberação da área de depósito para montagem das prateleiras era o caminho crítico da instaladora, sendo os dutos de insuflação montados a 18 metros de altura. “Antes da implantação de um sistema como este, identificamos quais são os pontos críticos da instalação, trabalhando de modo a minimizar os impactos in loco”, garante Vicente Cruz, coordenador de obras da Climapress. As demais etapas do projeto abrangem uma Fábrica de Dispositivos Médicos e um moderno Centro Administrativo. A planta industrial no Ciesg representa um divisor

de águas para o Grupo no Brasil. O novo parque permitirá a ampliação da fabricação de equipos (conjunto de acessórios para terapias de infusão),

por exemplo, passando de 56 milhões de unidades produzidas por ano, para 84 milhões e, posteriormente, expansível para 112 milhões.

Ayra Souza, engenheira

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Expansão sustentável Sustentabilidade

Ampliação da fábrica B. Braun, em Guaxindiba, recebe certificado LEED Gold

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projeto de expansão da fábrica da B. Braun em Guaxindiba, no Rio de Janeiro, aconteceu em 2015 e teve como resultado a ampliação de um pouco mais de 29 mil m² da sua área construída. Já prevendo as etapas de expansão da planta, o escritório de arquitetura responsável elaborou um masterplan que evitou o retrabalho das fases da obra. O planejamento prévio elaborado pelo profissional já contava com as infraestruturas enterradas, demanda de alimentação elétrica,

água, esgoto e sistema de combate a incêndio. De acordo com Cezário Marques Ribeiro Caram, Diretor Comercial da Ribeiro Caram, construtora responsável pelo levantamento da obra, a estrutura principal das edificações foi feita com pilares e vigas metálicas, painéis isolantes térmicos, lajes steel deck com capeamento em concreto e fechamentos em alvenaria. O projeto implementado na B. Braun apresentou características atípicas em relação ao que usualmente se encontra no mercado, que

são os galpões limitados a 14 m de altura e fechamento em telha de aço simples. Neste projeto foi utilizado, no setor de armazenamento, um pé direito de 24 m. Para atender as normas da Anvisa, foi necessário a instalação de forro modulado acima dos racks de armazenamento para evitar a entrada de sujeira, utilização de painéis isolantes térmicos e autoportantes na fachada, sistema de climatização e de combate a incêndio por splinkers no junto à cobertura e ao longo dos racks a meia altura.

“O prazo foi um dos desafios da obra, uma vez que os projetos ocorreram em paralelo com a execução da obra, exigindo atenção redobrada de todos os envolvidos a fim de evitar retrabalhos ou atraso por falta de liberação de frentes”, diz Cezário Marques Ribeiro Caram

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O piso industrial também foi um caso a parte. O pavimento exigiu uma capacidade de carga maior que a usual e grande planicidade, uma vez que as empilhadeiras tiveram que operar com racks de 24 m de altura, onde pequenos desnivelamentos dificultaram o trabalho dos operadores de empilhadeira. “A portaria também foi um destaque da obra, pois o prédio possui uma cobertura com grande vão livre, sendo uma estrutura importante logo na entrada da B. Braun”, ressalta o Diretor Comercial.


Elaboração Segundo Cezário Caram, a planta foi elaborada dentro dos padrões para acessibilidade e execução. Pátios, ruas, calçadas e áreas de estacionamento foram bem projetados, permitindo fácil visualização e trânsito para pedestres e motoristas. O projeto exigiu a interface e compatibilização de diversos projetistas e fornecedores diferentes para que se executassem a obra civil e a mesma atendesse os critérios considerados nos projetos hidráulicos, elétricos e mecânicos. “O prazo foi um dos desafios da obra, uma vez que os projetos ocorreram em paralelo com a execução da obra, exigindo atenção redobrada de todos os envolvidos a fim de evitar retrabalhos ou atraso por falta de liberação de frentes.”

Sustentabilidade A obra foi certificada LEED Gold. Para alcançar esse mérito, de acordo com Caram, foi necessário iniciar o processo desde a escolha da área até o desenvolvimento do projeto, etapa na qual se define o planejamento de pontuação LEED. Para chegar aos pontos necessários para este grau de certificação, foram empregados materiais e equipamentos de sistema mediante as especificações do sistema construtivo. “Partindo-se deste planejamento, procuramos atingir as metas definidas pelo cliente, contribuindo para a obtenção do certificado ao final da obra. Cada vez mais temos clientes com a preocupação em desenvolver projetos sustentáveis e ecologicamente corretos. Isto é uma tendência que está se ampliando no Brasil”, comenta.

Diferenciais da Obra Elétrica • Filosofia de projeto, visando melhor operacionalidade do sistema; garantia de energia em função das redundâncias, facilitando manobras de transferências sem interrupção de produção; • Baixo custo de energia em função do estudo de balanceamento de cargas; • Aplicação de materiais e equipamentos avançados em tecnologia; • Disponibilidade de expansão futura sem grandes intervenções futuras. Hidráulica • Baixo impacto ambiental quanto às instalações hidro sanitárias, proporcionado por um sistema correto de instalação de água de reuso (aproveitamento de águas pluviais); • Sistema de aquecimento de água por energia solar; • Sistema de captação e tratamento de efluentes sanitários; • Equipamentos e dispositivos de alto rendimento e baixo consumo; • Flexibilidade de expansão sem grandes intervenções futuras.

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Salvador recebe o VII CBDEH Evento discute os caminhos para a criatividade e inovação nos ambientes de saúde

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VII Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (CBDEH) acontece em Salvador, Bahia, entre os dias 28 e 30 de setembro. O tema escolhido para a edição deste ano foi “Ambientes de saúde: caminhos para a criatividade e inovação”. Isso porque o Sistema de Saúde do Brasil, que é constituído por diversos modelos de financiamento, gerenciamento e operação, vive sob contínuos desafios e questionamentos, que se refletem na busca pela maior humanização dos seus ambientes. “Para os idealizadores da infraestrutura de saúde, apenas a criatividade e ino-

vação permitirão estabelecer novos patamares de qualidade dos seus serviços. Vamos realizar debates sobre os caminhos que podem levar à adoção permanente de uma mentalidade disposta a encarar estes desafios de forma construtiva e centrada no bem-estar da população”, adianta Doris Vilas-Boas, Presidente Executiva do VII CBDEH.

Programação Um coquetel de abertura a ser realizado na quarta-feira (28/09) à noite, iniciará o VII CBDEH. A abertura do Congresso será com o presidente do CAU, Haroldo Pinheiro, com uma homenagem a Lelé Figueiras.

Pinheiro trabalhou com Lelé em projetos de hospitais. Para os dias que se seguem, alguns painéis já estão definidos para o evento, como o que abordará “Novas Ferramentas para Coordenação de Projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde”. Com duração prevista para 3h e 30 minutos, terá na mesa o arquiteto Marcos O. Costa e as arquitetas Paula Fiorentini e Miriam Addor. Com a mesma duração prevista, o painel “Hospital Virtual e Tendências Tecnológicas na Saúde” deve receber os engenheiros Guilherme Xavier e Ana Cláudia Rubi Castro, além do médico Chao Lung Wen.

Um terceiro painel, sobre “Perfil dos novos hospitais” também já está confirmado e contará com as presenças dos arquitetos Flávio Kelner e Siegbert Zanettini e também do engenheiro Antônio Carlos Cascão, Gerente de engenharia do Hospital Sírio-Libanês. Já para falar sobre “Sustentabilidade na arquitetura hospitalar”, estão confirmadas as presenças do engenheiro Miguel Aloysio Sattler e dos arquitetos Arthur Brito e Vera Lucia Mascarello. Além dos painéis, haverá também momentos para comunicação de Trabalhos Científicos. Alguns dos palestrantes internacionais que participarão

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Renovação

de conferências no CBDEH de Salvador também já estão confirmados. Entre eles está a arquiteta argentina Liliana Font, que possui mais de 40 anos de atuação destacada na área da saúde, até de ter sido a primeira mulher a se tornar Presidente da Federação Internacional de Engenharia Hospitalar – IFHE, entidade que congrega associações de mais de quarenta países. O nome do engenheiro holandês Douwe Kiestra também já está confirmado. Kiestra é Diretor Comercial da Worksphere, uma empresa do Grupo Strukton, com forte atuação em diversas áreas, incluindo a infraestrutura da saúde. Presidente da Associação Holandesa para Profissionais Técnicos no Setor da Saúde (NVTG) e vice-presidente da Federação Internacional de Engenharia Hospitalar (IFHE), assumiu a presidência da Federação em abril de 2016, durante o congresso realizado pela IFHE na cidade de Haia – Holanda. O arquiteto norte-americano David Allison também já é nome certo para o VII CBDEH. Professor e diretor do programa de pós-graduação em Arquitetura e Saúde da Universidade Clemsom, da Carolina do Sul. Suas pesquisas envolvem a relação do espaço construído e o cuidado em saúde. É um dos fundadores do Colégio Americano de Arquitetura para Saúde, vinculado ao Instituto Americano de Arquitetos (AIA). Além disso, é considerado um dos 20 profissionais mais influentes pela revista Healthcare Design Magazine e um dos 30 docentes mais admirados dos EUA pela revista Design Educators em 2014. Durante os dias do congresso, uma exposição em homenagem a Jarbas Karman também estará sendo realizada no local, mas a grande novidade deste ano são os cursos pré-Congresso, que acontecerão no dia 28 de setembro nos períodos da manhã e da tarde. Os interessados em aprender mais sobre a metodologia de adoção da tecnologia Bin nos escritórios de arquitetura poderão ouvir Marcos O. Costa. E quem quiser conhecer melhor as plataformas do LEED podem se inscrever no curso de Tatiana Mendonça. 106

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Visitas técnicas As tradicionais visitas técnicas realizadas aos hospitais locais da cidade em que o congresso acontece também estão na programação do VII CBDEH. Previstas para acontecerem na quarta-feira durante o dia, os participantes poderão optar entre o Hospital do Subúrbio, Hospital Sarah Kubitschek, Hospital Aristides Maltez, Hospital da Bahia e a Nova Maternidade do Hospital Português.

Outras propostas Como o congresso acontecerá em uma cidade turística, e talvez uma das mais bonitas do país – Salvador –, a organização do congresso, em parceria com agências de turismo locais, está preparando algumas opções de lazer para os visitantes durante o período do VII CBDEH. “Para o dia 29 estamos preparando um jantar de adesão em um restaurante com vista para a Baia de Todos os Santos. E para o fim de semana as agências criaram roteiros de passeios na cidade, para o centro histórico e também para praias próximas”, conta a Presidente do VII CBDEH. Para mais informações sobre o congresso, acesse www.abdeh2016.com.


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Sustentabilidade

Racionalidade desde a concepção

Jardim vertical no Hospital Sírio-Libanês

Diretor de infraestrutura do Hospital Sírio-Libanês, Antônio Carlos Cascão, fala sobre inovações que asseguram eficiência e sustentabilidade às ampliações de um dos mais importantes hospitais da América Latina

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acientes cardiopatas de alta complexidade são atendidos, desde junho deste ano, na nova Unidade de Terapia Intensiva Cardiológica do Hospital Sírio-Libanês, no bairro Bela Vista, em São Paulo. O novo espaço tem 12 leitos individualizados abertos para visita familiar em tempo integral, banheiro privativo e luminosidade natural. Desenvolvida conjunta108

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mente pela Método Engenharia, com projetistas da MHA Engenharia coordenados por Salim Lamha e projeto arquitetônico da L+M, a nova UTI cardiológica se une à Unidade Avançada de Insuficiência Cardíaca, totalizando 23 leitos voltados ao tratamento de pacientes cardiopatas. A abertura do espaço é parte do processo de ocupação gradual de novas áreas do Hospital.

Em abril de 2015, o Sírio-Libanês inaugurou três novas torres, além de ampliações e modernizações em estruturas já existentes, que permitiram um aumento de 352 para 650 leitos, em uma área construída de aproximadamente 166 mil m². Dois prédios coligados formam a torre D, que tem 21 pavimentos. O terceiro, a torre E, apresenta nove andares. A ocupação destas

áreas, iniciada há mais de um ano, deve ser concluída em 2017. O crescimento não se restringe à cidade de São Paulo. Recentemente, a Unidade Brasília inaugurou um centro de diagnósticos de 1.250 m², que realiza desde análises clínicas de rotina até serviços de ponta, como tomografia computadorizada, PET/CT, ressonância magnética e tomossíntese.


E o maior ciclo de expansão da história do Sírio-Libanês ainda não chegou ao fim. Estudos para a implantação de um hospital no Rio de Janeiro estão sendo discutidos e, além disso, a instituição pretende expandir as unidades satélites em São Paulo. Atualmente, o Sírio-Libanês possui duas dessas unidades na cidade, uma no Itaim Bibi e outra nos Jardins. Com tantas obras concluídas recentemente e muitas outras por vir, planejamento e gestão eficiente são palavras de ordem para a instituição. Em entrevista exclusiva à HealthARQ, o diretor de infraestrutura do Sírio-Libanês, Antônio Carlos Cascão, fala sobre a atuação rigorosa de sua equipe com foco na segurança e sustentabilidade das edificações, e consequente economia de recursos e redução de custos. Confira, a seguir, as premissas norteadoras e diferenciais das construções do Sírio-Libanês, uma das principais instituições de saúde do país. HealthARQ: Como tem sido a atuação da equipe de infraestrutura do Hospital Sírio-Libanês? Antônio Carlos Cascão: Atuamos, principalmente, na definição das premissas e requisitos, a fim de parametrizar aonde um novo projeto deve chegar. Além disso, buscamos ter um conhecimento claro das tecnologias que podem ser aplicadas ao nosso caso e que têm o melhor rendimento. Realizamos pesquisas de mercado sobre como as tecnologias estão avançando, quais produtos são mais eficientes e mais adequados para aplicação em um hospital. Para fazer o detalhamento de todo o plano e transformá-lo em um projeto executivo, contamos com alguns parceiros como a Projetar, a Politécnica Engenharia, por meio do Marcos Kazuo, e a Otto Engenharia.

Antônio Carlos Cascão, diretor de infraestrutura do Hospital Sírio-Libanês

HealthARQ: No projeto de ampliação do Hospital, no bairro Bela Vista, de que forma foi possível aliar eficiência e sustentabilidade? A. C. C.: Do ponto de vista de edificação de Saúde, ele é um dos edifícios talvez mais eficientes que há em São Paulo ou no Brasil. Trabalhamos com um plano de sustentabilidade focado no uso racional de recursos naturais. Health 109 ARQ


Sustentabilidade Qualquer projeto que venha a ocorrer aqui dentro deve ter a premissa extremamente clara e parametrizada de consumo de energia com iluminação ou com ar condicionado, por exemplo, ou de água nas torneiras e chuveiros. Tudo isso é parametrizado e é parte do plano que nos leva a estar em um estágio cada vez melhor. Assim, as novas edificações estão sempre mais atualizadas e atendendo aos requisitos desse plano. Temos, também, um legado de edifícios mais antigos, que não possuem os mesmos parâmetros de consumo e eficiência que os novos. Na medida em que fazemos intervenções nesta parte mais antiga, trazemos tudo para aquilo que colocamos como estado da arte com relação à sustentabilidade e ao uso racional de recursos. 110

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HealthARQ: Pode destacar algumas das principais ações do plano de sustentabilidade adotado? A. C. C.: Iluminação: Nos nossos projetos e implantações de iluminação, por exemplo, trabalhamos com uma potência na ordem de 6,5 Watts/ m² de iluminação, para atender dentro das normas, com conforto e segurança. Em algumas áreas mais antigas do hospital, a potência era de 25 Watts/ m². Então, percebemos que as novas instalações trouxeram uma redução de 70% no consumo de energia. Reuso de água: O Sírio-Libanês é o primeiro hospital de São Paulo com implantação do reuso de água. Hoje, 10% da água que utilizamos vêm da nossa estação de tratamento de efluentes. O projeto de reuso de água exige

uma instalação totalmente diferente da de uso comum. Não é só a estação, envolve a separação desde o ponto de geração do resíduo líquido. A água de reuso é destinada a chuveiros e torneiras. Segregação de medições: Investimos na segregação das medições nos diversos setores. Cada área tem medidores específicos para água e energia. Assim, é possível parametrizar qual deveria ser o consumo de um determinado setor. O sistema de automação vai nos dizendo se o consumo está dentro daquilo que esperamos ou se tem algum desvio e, neste caso, conseguimos atuar em tempo real. Localizamos, por exemplo, uma torneira vazando. Estas parametrizações nos permitem um uso mais racional de tudo o que estamos consumindo. Uma de nossas grandes preocupações é bus-

car o tempo inteiro otimizar o uso desse sistema, fornecido pela Johnson Controls e projetado pela Bettoni. Central térmica: O ar condicionado é o que consome mais energia no hospital. Por isso, é fundamental buscar eficiência. A implantação da nova central térmica veio com os melhores equipamentos que há no mercado do ponto de vista tecnológico. Temos um sistema de automação complexo, que busca os pontos ótimos de funcionamento. Com uma atuação dentro do ponto ótimo de funcionamento da central térmica conseguimos uma melhora de performance na ordem de 15%. Se o ar condicionado consome 1/3 de energia do hospital e reduzimos isso em 15%, o impacto é brutal. Jardim vertical: As coberturas e paredes verdes são


extremamente importantes para reduzir as ilhas de calor, o que traz um benefício para o entorno do edifício. No Sírio-Libanês, implantamos um jardim vertical justamente com objetivo de minimizar o efeito da ilha de calor. Além disso, outro ponto que nos motivou foi contribuir para a reurbanização da Avenida 9 de Julho, em um trecho que estava bastante deteriorado. Ter uma área verde ali, de mais de 1 mil m², causa um impacto. Materiais: Na escolha de materiais de equipamentos e acabamentos, priorizamos aqueles que facilitam e conferem um menor uso de produ-

tos de limpeza. Então, também é mais eficiente nesse sentido. HealthARQ: Os novos blocos do Hospital são certificados pelo LEED? A. C. C.: A certificação LEED demanda um tempo após a conclusão do prédio. Atendemos todos os requisitos do Gold, fizemos todas as submissões. Temos o tempo necessário de operação do edifício para comprovar que, efetivamente, o que desenhamos e projetamos atendeu os requisitos e estava com a performance esperada. Isto foi feito e, agora, estamos na fase final, aguardando o recebimento da certificação.

HealthARQ: Como foi trabalhada a infraestrutura para segurança em caso de eventos não planejados, como os incêndios? A. C. C.: Investimos na compartimentação horizontal e vertical. Para cada pavimento de prédio, temos diferentes compartimentos, dependendo do tamanho da laje pode haver dois, três ou quatro compartimentos. A grande vantagem disso é que, se você tem um evento em um deles, a primeira ação é fazer a remoção das pessoas, dos pacientes, para um compartimento adjacente, que está protegido por uma barreira

em relação ao outro. Então, com a estrutura que temos, podemos fazer isso de uma forma muito rápida e segura. Essa é uma ação extremamente importante. Também temos elevadores compartimentados que, mesmo em caso de incêndio, continuam operando normalmente, pois são protegidos contra a entrada de fumaça. Além disso, implantamos sprinklers em toda a edificação, que é equipada com dutos e equipamentos para extração de fumaça. Paralelamente, ainda temos as brigadas, equipe com pessoal bem treinado e preparado para responder aos eventos.

Raio-X do Sírio-Libanês Área total construída: 166.820,36 m² Vagas de estacionamento: 941 Número de consultórios: 70 Número total de leitos: 464 Número de atendimentos realizados: cerca de 713 mil por ano Pronto-atendimento: 96.240 atendimentos em 2015 Número de colaboradores: 6.094 funcionários ativos

UTI Cardiológica do Sírio-Libanês Health 111 ARQ


Sustentabilidade

Acolhimento como inspiração No Sírio-Libanês, é uma premissa que a sustentabilidade seja trabalhada em conjunto com a humanização, conforme ressalta Maria Fabiana Janaina Fonseca Prado, coordenadora de projetos de engenharia da instituição. “Em todos os projetos novos e propostas para melhorias nas áreas existentes estamos buscando soluções sustentáveis como a especificação de luminárias em LED, as quais são eficientes e economizam energia e, ao mesmo tempo, agradam o usuário. Outro exemplo é o jardim vertical, que proporciona conforto térmico e acústico no interior do hospital”. Ambientação, mobiliário, acabamentos de paredes e pisos são combinados, segundo Maria Fabiana, em espaços amplos, claros e confortáveis, para que colaboradores, pacientes e acompanhantes sintam-se acolhidos e, sempre que possível, não tenham a sensação de estarem em um hospital. “A arquitetura exerce grande influência tanto no conforto como na recuperação dos pacientes. Por isso, nos projetos, buscamos alternativas para que eles e seus acompanhantes se sintam em casa e para que tenham o mínimo estresse possível durante a internação”. As marcenarias, como explica Maria Fabiana, são pensadas para esconder tomadas 112

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e pontos de gases que ficam acima dos leitos. Desta forma, eles aparecem apenas quando há necessidade de uso. Já os carros de alimentação e medicação ficam embutidos ao invés de ficarem espalhados pelos quartos. Além disso, há uma preocupação com o isolamento acústico nos leitos, de forma que ruídos externos não causem incômodos, e com a escolha do mobiliário, desenvolvido sempre com empresas parceiras, a fim de trazer maior conforto e segurança ao paciente. Outro diferencial diz respeito à implantação, em alguns leitos, de um trilho para facilitar a movimentação de pacientes com dificuldade de locomoção ou obesos. De acordo com a coordenadora de projetos de engenharia, o trilho interliga o sanitário, a cama e a cadeira a fim de permitir que os pacientes façam esses deslocamentos com maior autonomia, sem necessariamente serem carregados pelas enfermeiras. Já nas salas de exames como a ressonância, são projetadas janelas para o ambiente externo e, nos casos em que elas não podem ser incluídas, são instalados painéis com fotos iluminadas, os quais rementem a uma janela. Ainda no que diz respeito à humanização, a equipe de engenharia aposta em acabamentos de mobiliários e portas em tons

amadeirados e em cores neutras, mas que trazem vigor aos diferentes espaços. “No hospital, temos a preocupação de que a cor do ambiente não agrida a visão do paciente nem atrapalhe a realização de algum exame, por exemplo. Por isso, evitamos trabalhar com cores for-

tes. Buscamos sempre cores neutras, mas que aqueçam o ambiente. Toda a especificação de cores e acabamentos do hospital é supervisionada diretamente pela diretoria de senhoras, pois, para nós, são itens de extrema relevância no projeto”, finaliza Maria Fabiana.

Maria Fabiana Janaina Fonseca Prado, coordenadora de projetos de engenharia do Sírio-Libanês


Health 113 ARQ


Sustentabilidade Jardim vertical do Sírio-Libanês, um dos maiores do Brasil

O frescor da natureza no coração de São Paulo Instalação de um dos maiores jardins verticais do país traz, além de beleza, conforto térmico e acústico para as novas torres do Hospital Sírio-Libanês

A

s novas torres do Hospital Sírio-Libanês trouxeram mais vida para a região central de São Paulo e bem-estar para os pacientes da unidade. Tudo isso porque as cinco fachadas voltadas para a Avenida 9 de Julho ganharam um dos maiores jardins verticais do Brasil, com 114

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mais de 1.300 m² de vegetação, reunindo 80 mil plantas de 42 espécies. De acordo com o diretor de infraestrutura do Sírio-Libanês, Antônio Carlos Cascão, a ideia de implantar o jardim vertical surgiu para minimizar o efeito da ilha de calor na unidade e contribuir para a revitalização

da região. A enorme e complexa estrutura que dá suporte ao jardim – o qual atinge 27m em alguns pontos – foi calculada pelo engenheiro Cesar Pereira Lopes e executada pela Zaffarani Gerenciamento e Construções. “Trata-se de um dos maiores jardins verticais do país e, por

isso, o trabalho foi realmente complexo. O principal desafio foi fazer um projeto estrutural leve, com os painéis da maior fachada fixados ao edifício e estruturas em painéis verticais autoportantes nas outras fachadas, proporcionando um resultado estético belíssimo e sustentável, e presenteando


a cidade com uma bela paisagem natural”, ressalta Celso Zaffarani, diretor e proprietário da empresa responsável pela execução da obra. O trabalho foi iniciado em outubro de 2014 e teve duração total de seis meses, sendo os dois primeiros destinados à fabricação das estruturas e os últimos quatro meses dedicados à montagem propriamente dita. “Utilizamos mais de 25 mil kg de tubos e perfis de aço em diversas bitolas e espessuras. Realizamos os tratamentos anticorrosivos e a pintura final da estrutura”, detalha Zaffarani.

Cuidado redobrado Em função da localidade da obra, em uma das regiões mais movimentadas da cidade de São Paulo, a logística de entrega de materiais, por exemplo, foi um desafio. “Todos os perfis metálicos eram recebidos, conferidos, descarregados e movimentados à noite. Durante o dia, já preparados, eram pré-montados e, após a conferência de alinhamentos, eram soldados e acabados”, conta Zaffarani. O diretor ainda acrescenta que, durante as prospecções da estrutura existente para verificação das condições de ancoragem, foi necessário recalcular os suportes para as novas necessidades

que surgiram. “Assim, montamos distanciadores para um perfeito alinhamento de toda a estrutura, além de montar as passarelas e os trilhos para a instalação dos painéis de vegetação e sua manutenção”. Para garantir a segurança de pedestres e veículos que circulam no entorno do edifício, foram tomados vários cuidados, conforme aponta Zaffarani. “Instalamos telas de proteção nos andaimes em toda a área das fachadas e construímos um túnel para pedestres. Todas as operações seguiram as mais rígidas normas de segurança com técnicos especializados fiscalizando, dia e noite, toda a movimentação de pedestres e da equipe de montagem”. Com o jardim vertical, o Hospital Sírio-Libanês não só contribuiu para trazer um visual mais agradável para o bairro Bela Vista, como também para o conforto térmico e acústico nas novas torres. Todo o projeto segue as diretrizes do Green Building Brasil. “As sobras de materiais metálicos, por exemplo, foram destinadas a reciclagem”, pontua Zaffarani, ressaltando que a experiência da empresa em instalações nas áreas comerciais, somada à qualidade técnica e dos acabamentos, garantiu a excelência neste trabalho.

Montagem da estrutura do jardim, com mais de 25 mil kg de tubos e perfis de aço

Vegetação cobre fachadas voltadas para a Avenida 9 de Julho Health 115 ARQ


Acabamentos

Seguranรงa, funcionalidade e design inovador 116

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Hospital Sírio-Libanês adota forro tensionado em novas instalações

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projeto arquitetônico de expansão do Hospital Sírio-Libanês apostou em inovações que garantissem conforto, segurança e funcionalidade aos novos espaços. A ampliação, com três novas edificações, ultrapassa 72 mil m² de área total construída em três torres, sendo duas delas –de 14 e 20 pavimentos- executadas sobre o hospital e a terceira em um terreno ao lado da unidade. Entre as novidades adotadas na obra está um sistema de forro tensionado. Implantado pela Diarco, empresa especializada produtos arquitetônicos, o forro tem como principal funcionalidade a alta capacidade de absorção sonora. “O principal diferencial que esse tipo de material oferece é trazer tratamento acústico para os ambientes onde foi aplicado, sem perder a característica de forro clean, liso, homogêneo e monolítico. São tramas de poliéster com uma camada de poliuretano com mais de 250 mil furos por metro quadrado para absorção acústica. Poucos produtos no mercado têm essas características”, explica o engenheiro da empresa, Rodrigo Cipriano. A escolha do material, segundo o engenheiro, também veio de encontro com as exigências do hospital, cujo objetivo era manter a excelência no que diz respeito à sofisticação dos ambientes. “Por ser tensionado, o material fica com uma superfície perfeita, totalmente plana, lisa. Diferente de outros produtos, o forro tensionado não deixa resquícios de massa, tampouco marcas de juntas, fissuras ou trincas. Trata-se de um material muito resistente, assemelhando-se bastante a uma lona”, afirma. A velocidade de execução também foi outro ponto levado em consideração pela empresa para a adoção Health 117 ARQ


Acabamentos

“Diferente de outros produtos, o forro tensionado não deixa resquícios de massa, tampouco marcas de juntas, fissuras ou trincas”, afirma Rodrigo Cipriano

do forro tensionado nas novas torres do Sírio-Libanês. De acordo com Cipriano, o material é muito simples e fácil de ser instalado. Com a utilização de espátulas especiais, o forro se fixa a perfis de tensionamento nos perímetros, podendo ocupar até cinco metros de largura sem emendas, o que faz com que a implantação seja rápida e limpa. Outra vantagem é que o material já vem pré-pintado, o que dispensa o serviço de pintura e otimiza ainda mais o tempo dispensado para as instalações. 118

Health ARQ

Seguro Além da facilidade de instalação aliada ao design ‘clean’ e moderno, o forro tensionado ainda confere segurança ao ambiente no qual é implantado. “O material possui classificação II-A contra incêndios, certificada pelo Instituto de Pesquisas Técnológicas (IPT), bem como certificado A+ de substâncias tóxicas não voláteis. Outra certificação é o selo Sanitized para áreas limpas”, completa Cipriano.


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Instalações

Sistema orgânico Nova edificação no complexo do Sírio-Libanês segue projeto de instalações complementares com materiais prémontados e equipamentos de alta eficiência

D

isseminar novos conhecimentos, qualificar profissionais e reter talentos são objetivos do Sírio-Libanês. No mesmo complexo em que está localizado o Hospital, no bairro Bela Vista, funciona o IEP (Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa). Exemplo de que a instituição investe na área educacional, o Sírio-Libanês tem projetos para a construção de um novo prédio, que terá quatro pavimentos e deverá ser destinado a atividades de ensino e pesquisa, com área para biblioteca. A edificação abrigará, também, o espaço para velório. Os projetos de elétrica, hidráulica e ar condicionado do novo prédio, desenvolvidos pela Politécnica Engenharia, foram finalizados em novembro de 2015 e apresentaram alguns desafios, como ressalta o sócio-diretor comercial e de produção da empresa, Marcos Kazuo. 120

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“No Sírio-Libanês, há pouco espaço para as obras, as quais não podem incomodar nem os pacientes nem os colaboradores do hospital. Por isso, indicamos no projeto, prioritariamente, os materiais pré-montados”, comenta Kazuo, acrescentando que o trabalho foi facilitado pelo número de profissionais da empresa envolvidos – 22 colaboradores – e pela proximidade dos mesmos com a equipe de infraestrutura da instituição. “Fizemos as especificações de materiais em conformidade com as orientações do setor de engenharia do hospital. O diretor de infraestrutura do Sírio-Libanês, Antônio Carlos Cascão, coordenou pessoalmente a atuação das empresas responsáveis pelos projetos de arquitetura, estrutura e instalações complementares da nova edificação. Tínhamos reuniões semanais de alinhamento, de evolução de projeto, coordenação e com-

patibilização”, lembra Norberto Takahashi, diretor geral da Politécnica Engenharia. O resultado foi um projeto que alia sustentabilidade e economia em todas as instalações, conforme pontua Kazuo. “Trabalhamos com sistemas de baixo consumo energético e com reduzido impacto ambiental para climatização e iluminação. Optamos por modernos equipamentos de ar condicionado, pela iluminação em LED e com luz natural, por exemplo. Já na parte hidráulica, adotamos sistema para reuso de água”.

Sinergia Para ter eficácia em projetos dessa natureza, segundo Takahashi, é fundamental ter sinergia com o cliente, conhecendo a fundo seu perfil e suas necessidades. “Atuamos junto ao Sírio-Libanês desde 2009, quan-

do elaboramos projetos de hidráulica e elétrica para a Unidade Jardins, na Avenida Brasil. Depois disso, também fizemos instalações de tomógrafos e equipamentos de ressonância na Unidade Bela Vista”, destaca. Com a premissa de proporcionar confiabilidade e redundância em todos os sistemas instalados, além do Sírio-Libanês, a empresa de engenharia atende instituições de referência como o Hospital Israelita Albert Einstein e os hospitais da Rede D’Or, entre outros, em projetos complementares para reformas e ampliações. “Fizemos as instalações do Hospital Niterói D’Or e mais de 50 obras em instituições da Rede. Já no Einstein, atuamos em projetos de expansão como o do novo prédio da Unidade Alphaville e Prédio 2, na Unidade Morumbi. É uma parceria que vem desde 1998”, finaliza Kazuo.


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Acabamentos 122

Health ARQ

Industrial fire door - Metalika


Alumiini Silver

Segurança nos detalhes Expansão do Hospital Sírio-Libanês utiliza inovações tecnológicas em fechaduras

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stética, funcionalidade e segurança são importantes pilares da arquitetura da Saúde. Tais elementos devem estar nos mínimos detalhes do ambiente, como é o caso das fechaduras que, além de incorporarem todos esses princípios, são itens indispensáveis para a segurança hospitalar. No caso do Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, a elaboração do projeto de fechaduras ficou por conta do Grupo ASSA ABLOY que, juntamente com os arquitetos da L+M, analisou os projetos executivos, elaborou levantamentos de tipologias de portas e sugeriu produtos e soluções técnicas para os mais distintos ambientes e suas especialidades. De acordo com a arquiteta da ASSA ABLOY, Márcia do Carmo, para melhorar a elaboração das instalações, a empresa buscou soluções de alto desempenho que garantissem longa durabilidade comprovada em performance hospitalar. “Foram especificados produtos que se caracterizam pelo alto grau de segurança, que são indicados para tráfego intenso e que estão classificados no grau 4 quanto a resistência à corrosão”. Além da complexidade dos sistemas de instalações e acabamentos de alto padrão, foram considerados para especificações técnicas produtos segundo as normas brasileiras. “Analisamos todas as características das portas e consideramos design, durabilidade e desempenho exigidos pela equipe de arquitetura contratada pelo cliente. Também foram feitos acompanhamentos constantes e in loco para adequações de produtos em conjunto com as empresas contratadas”, explica a arquiteta. A ASSA ABLOY também atuou em outras instituições de saúde, como os hospitais Albert Einstein, Sabará, São Luiz,

São Camilo, de Brasília, Amil Anália Franco, Oswaldo Cruz, Alvorada, Bandeirantes, 9 de Julho e Samaritano. Segundo a arquiteta, em todas as obras realizadas busca-se atuar desde o início do projeto junto aos arquitetos, construtoras, clientes e demais envolvidos, fornecendo, por exemplo, soluções completas em abertura de portas, que incluem portas especiais, fechaduras, barras antipânico, ferragens, sistemas de controle de acesso e equipamentos de abertura. “Fornecemos, dentro da nossa extensa linha de produtos, os mais adequados produtos aos usos específicos e buscamos a satisfação do cliente durante as diversas etapas, como especificações, venda, fabricação, instalação, manutenção e assistência técnica”, complementa. Health 123 ARQ


Materiais

Unimed Litoral

O portfólio de marcas oferecido pela ASSA ABLOY no Brasil inclui Yale, Hes, Medeco, Norton ASSA ABLOY, Securitron, Tesa e Metalika. Para Márcia, o diferencial dos materiais está na alta confiabilidade e robustez dos produtos que garantem a restrição de acesso a ambientes controlados, segurança eficiente do patrimônio, ao mesmo tempo que protegem a vida das pessoas em eventos como incêndios. Um exemplo desses equipamentos são as fechaduras utilizadas para portas corta fogo Metalika. Para as ferragens desses instrumentos são utilizados barra antipânico touch e push; molas aéreas para controle do fechamento das portas; coordenador de portas duplas; eletroímã de parede para liberar o fechamento da porta corta-fogo no caso de alarme de incêndio e controle de acesso.

Recomendações Em ambientes hospitalares, a arquiteta recomenda a utilização de portas e ferragens em Aço Inox. Além da durabilidade, o fator assepsia é fundamental nos ambientes de saúde. As fechaduras utilizadas no HSL, em sua maioria, foram de aço inox (INL) 304 (austenítico /não ferrítico). É o material com maior resistência à corrosão, não possui qualquer revestimento protetor, apresenta superfície com ausência de porosidade, permite maior facilidade de sanitização e baixa retenção bacteriológica.

Color124 Vermelho Escuro Health ARQ

“Analisamos todas as características das portas e consideramos design, durabilidade e desempenho exigidos pela equipe de arquitetura contratada pelo cliente”, Márcia do Carmo


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Humanização

Não perturbe Investimentos em soluções acústicas são importantes alternativas para evitar problemas de estresse e contaminações

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ruído é considerado um dos principais riscos em hospitais, segundo o manual “Segurança no Ambiente Hospitalar”, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O barulho constante e em elevados níveis interfere diretamente no bem-estar de pacientes e profissionais que atuam nestes locais, resultando em problemas como fadiga, estresse e até danos ao sistema cardiovascular e fisiológico. Como consequência, pode dificultar a recuperação de pacientes e reduzir a produtividade dos profissionais da saúde. “Ruídos externos causados por buzinas, aviões, ambulâncias, e ruídos internos decorrentes de caldeiras, equipamentos e centrais de ar condicionado não podem atrapalhar o descanso de pacientes, nem o trabalho de médicos e enfermeiros”, re126

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força Nicole Fischer, gerente de Marketing da Atenua Som. Prova de que o combate ao problema tem sido uma preocupação crescente entre as instituições de saúde, a empresa instalou portas e janelas com vedação especial em vários hospitais da cidade de São Paulo, dentre os quais o Samaritano, o Santa Paula e o Pro Matre. De acordo com Fischer, as instituições recorrem a essas alternativas não

só para minimizar os ruídos, como também para impedir a entrada de impurezas vindas da rua e contaminações. “As portas e janelas são confeccionadas em alumínio e vidro, materiais não porosos, os quais são associados a vidros especiais, como o antibacteriano, que mata as bactérias presentes em sua superfície e previne a proliferação de fungos, o que é ideal para os hospitais”, explica.


Personalizados

“Ruídos externos causados por buzinas, aviões, ambulâncias, e ruídos internos decorrentes de caldeiras, equipamentos e centrais de ar condicionado não podem atrapalhar o descanso de pacientes nem o trabalho de médicos e enfermeiros”, Nicole Fischer

Para as instituições que pretendem adotar este tipo de solução, Nicole recomenda que sejam solicitados os laudos técnicos de comprovação de eficácia acústica, a fim de garantir produtos que cumpram o prometido. “Encontramos muitas adaptações no mercado, janelas convencionais com pequenas melhorias, que resolvem o problema parcialmente, sem assegurar o resultado acústico que produtos desenvolvidos para esse fim atingem”, frisa. A executiva também acrescenta que os hospitais têm características diferentes e, por isso, as soluções devem ser personalizadas. “Consideramos essencial a especificação e fabricação de produtos sob medida, de modo que sejam atendidas as necessidades específicas de cada hospital. Para cada tipo de ruído, por exemplo, existe uma composição de vidros a ser utilizada”, finaliza.

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Sustentabilidade

Sustentabilidade x Economia Solução bicombustível se destaca como nova tecnologia para a economia de energia em hospitais Os hospitais brasileiros são responsáveis por 10,6% do consumo de energia elétrica comercial do país. É notável a necessidade de buscar alternativas para manter o funcionamento de uma instituição que não para durante todo o ano. É por este motivo que vários hospitais geram sua própria energia, ganhando, assim, uma vantagem econômica, além da confiabilidade e segurança energética, sem interrupções. Buscando uma alternativa assertiva, o Hospital Sírio-Libanês, através de uma parceria entre a Sotreq e a Comgás, implementou uma nova tecnologia para reduzir os gases emitidos por seus grupos geradores. Trata-se de uma solução bicombustível, que consiste na instalação de um kit para utilização de combustível alternativo – sendo, na maioria das vezes, gás natural – na câmara de combustão. Sua principal característica é operar com diesel e gás simultaneamente. 128

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O Sírio-Libanês adotou essa tecnologia sendo o primeiro hospital a instalar o kit em seus geradores Caterpillar. “Tivemos reuniões para entender a necessidade do hospital e prover a melhor solução com um retorno financeiro, ambiental e tecnológico”, diz Emerson Cabral, gerente de suporte ao produto da Sotreq.

Benefícios oferecidos pela solução bicombustível Além do apelo ambiental, uma vez que reduz a 90% a emissão de material particulado em relação ao diesel, a solução traz economia financeira, podendo reduzir o custo de energia elétrica em até 30%. O kit também proporciona uma flexibilidade de combustível, podendo alcançar entre 50 e 70% a taxa de substituição de combustível diesel pelo gás natural. Na instalação, nenhuma modificação é feita no equi-

pamento, ou seja, é mantido o mesmo desempenho sem perda de eficiência do motor. Com a instalação do kit, garante-se, também, uma significativa redução nos custos de transporte do combustível diesel e no consumo médio do mesmo, além de um acréscimo na autonomia dos equipamentos ao fazer o uso simultâneo de dois combustíveis – diesel e gás natural.

Colocando em prática O Hospital Sírio-Libanês utiliza a solução bicombustível no período entre 17h30 e 20h30, conhecido por “horário de ponta”, em que o gasto de energia pode ser até quatro vezes maior que o normal, chegando assim a produzir 50 mil kg a menos de poluentes no meio ambiente por mês.


A instalação do kit é feita de maneira segura e pouco invasiva. O gás combustível é modulado em toda faixa de carga, realizando todo mapeamento do gás, sem afetar as características do motor. Para a instalação, é necessário ter alguns requisitos simples, como a disponibilização para abastecimento de combustível GNV, além de sistemas de automação e controle que permitirão o gerenciamento na geração de energia, tais como transferências e proteções.

O que esperar para o futuro? Os grandes consumidores de energia, como hospitais, hotéis, universidades e supermercados estão cada vez mais adotando o gás natural como substituto do diesel nos geradores de energia. No último ano, a procura por geradores bi-fuel aumentou exponencialmente, sendo esperado um crescimento cada vez maior para os próximos anos.

A Sotreq atende os principais hospitais do Brasil através de sua área de Aplicações Especiais da Unidade de Negócios de Energia, entre eles: Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital São Camilo, Hospital 9 de Julho, entre outros. Desenvolve soluções técnicas de acordo com as necessidades específicas de cada cliente, podendo adotar a implantação de Sistemas de Autossuficiência Energética ou Sistemas de Geração de Energia de Emergência, de acordo com cada projeto.

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Renovação

Recepção e área de espera do Hospital Samaritano

Atrium no Hospital Samaritano

Área de check-in para internação no Hospital Samaritano

Ambientação além do tempo Combinação de clássicos do design e estilo contemporâneo cria identidade atemporal para o Hospital Samaritano e viabiliza a integração entre as áreas modernas e as mais antigas da unidade. 130

Health ARQ


E

m ampliações e reformas de hospitais e instituições de saúde, é recorrente que os gestores demandem projetos de ambientação e montagem que aliem o contemporâneo e o clássico, de modo que os espaços e acessórios não se tornem ultrapassados em um curto intervalo de tempo. Afinal, partindo deste conceito, as instituições evitam gastos futuros com substituições e obras desnecessárias. O Hospital Samaritano, em São Paulo, por exemplo, inaugurou uma torre em 2011, com aproximadamente 23 mil m². E na hora de escolher o mobiliário e os acessórios, buscou um projeto passível de aplicação não apenas no novo prédio, mas que pudesse ser empregado em futuras reformas e retrofits das áreas mais antigas da instituição. A tarefa de desenvolver o projeto, além de subsidiar o processo de compra e montagem das peças, foi atribuída à Pua Arquitetura. “Tivemos que moldar um conceito contemporâneo sem caracterizar-se como uma identidade típica da época, evitando, assim, que as peças e os ambientes ocupados ficassem ‘datados’. Para tanto, escolhemos itens clássicos do design contemporâneo, que permitem a fácil reposição, além da expansão e adaptação às novas demandas do Hospital”, detalha o arquiteto

Umoatã Macedo de Almeida, sócio da empresa que assina o projeto. Segundo Umoatã, a solicitação do Hospital surgiu em 2010, quando o prédio novo encontrava-se em obras. “Deparamo-nos com o grande desafio inicial de compilar, mapear, entender e organizar os projetos que compunham a nova torre, elaborados por escritórios das mais variadas especialidades. Tivemos que analisar criteriosamente os projetos arquitetônicos de mais de sete escritórios diferentes, a fim de equalizá-los, formando um único projeto para todo o complexo”, conta Umoatã.

Diferenciais do projeto Como parte do trabalho de criar um padrão atemporal e flexível para o Hospital, o escritório de arquitetura ficou responsável por especificar os móveis e acessórios a serem comprados e desenvolver as Ferramentas de Compra e Montagem dos mesmos. “Na escolha dos produtos, avaliamos aspectos básicos de acessibilidade, ergonomia adequada, estética, funcionalidade, durabilidade e facilidade de reposição. Mas nos atentamos, principalmente, aos critérios mais exigentes de limpeza e assepsia, estabelecidos conforme as normas vigentes e práticas operacionais padrão da instituição”, destaca Umoatã.

Atrium na cafeteria do Hospital Samaritano

Restaurante dos médicos do Hospital Samaritano Health 131 ARQ


Renovação Setor de internação do Hospital Samaritano

Terraço do Hospital Samaritano

Equipe da Pua Arquitetura, da esquerda para a direita: Cíntia Tengan, Paulo Burckas, Kelly Sousa, Umoatã M. Almeida, Ricardo Ferraz Braga 132

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De acordo com o arquiteto, todo o processo aconteceu em alinhamento com as áreas de Governança e com o Setor de Controle de Infecção Hospitalar. “As peças selecionadas foram previamente testadas pelos diferentes setores do Hospital que acompanharam de perto o nosso trabalho. Eles tiveram contato direto com as peças através de apresentações e mockups montados ao longo do processo”, comenta. No que diz respeito aos acabamentos, além da análise de aspectos como durabilidade e facilidade de manutenção, foram levadas em consideração questões práticas de fornecimento, tais como disponibilidade, continuidade de linhas e custo. “Não poderíamos simplesmente nos ater às questões funcionais e meramente estéticas, sem nos preocuparmos com o custo e a viabilidade prática de uso dos acabamentos nas peças especificadas e respectivas áreas”, frisa Umoatã. Para tornar os ambientes mais humanizados, a estratégia, segundo o arquiteto, foi investir em cores vivas e alegres, e peças com padrões agradáveis ao tato e convidativas para uso. “Criamos, assim, uma atmosfera que vai ao encontro da essência fundamental da instituição, que é tornar tanto os ambientes quanto os profissionais e os tratamentos

cada vez mais humanizados. Tudo isso mantendo, ao mesmo tempo, a sobriedade e seriedade que um Hospital requer”, pontua.

Escolhas conscientes

Todo o projeto foi executado conforme as diretrizes para o recebimento da certificação de construção sustentável pretendida pela instituição de saúde. “O enquadramento das especificações e fornecedores aos requisitos ambientais contribuiu significativamente no processo de obtenção da certificação LEED. Para isso, tivemos que atuar em fina sintonia com a consultoria especializada que orientou a busca pela certificação, verificando e selecionando os fornecedores e toda a sua cadeia produtiva”, relata o arquiteto. Neste sentido, foram priorizados fornecedores com um histórico de confiabilidade e reconhecimento pelo mercado. “Devido à abrangência do projeto, selecionamos aqueles que tinham porte suficiente para atender a demanda do Hospital e, em especial, que prezavam pela confiabilidade na fabricação dos produtos e prestação de assistência após a instalação dos mesmos”, comenta Umoatã. Conforme enfatiza o arquiteto, a seleção de fornecedores foi facilitada pela experiência da empresa na


área, adquirida tanto em projetos hospitalares quanto nos corporativos. “Já conhecemos os players do mercado e as características das linhas de produtos, prazos praticados e condições comerciais de fornecimento. Isso nos possibilitou buscar, entre os fornecedores disponíveis, aqueles que poderiam atender melhor as diferentes demandas do Hospital Samaritano, atuando dentro de suas áreas de expertise”.

Aprendizado

Na percepção do arquiteto Umoatã Macedo de Almeida, o trabalho desenvolvido junto ao Hospital Samaritano trouxe, além de um resultado final harmônico, um grande aprendizado, decorrente da intensa troca de experiências com as diferentes áreas da instituição. “Fomos constantemente desafiados a administrar todo o processo de forma contínua e

ordenada, compreendendo diferentes práticas e nos inteirando sobre os processos, as especificidades de cada uso e cada área, digerindo estas informações e transformando-as em premissas e critérios para definição do projeto”, lembra. A experiência serviu, de acordo com Umoatã, como oportunidade para que a Pua Arquitetura não só aplicasse seus conhecimentos arregimentados em trabalhos anteriores, como assimilasse novas práticas e saberes, o que contribuiu para consolidar sua expertise em projetos na área da Saúde, organização de processos e atuação profissional. Desde então, já assumiu outros projetos e serviços para o próprio Hospital Samaritano, além de realizar trabalhos para hospitais como o Sírio-Libanês, Albert Einstein, Beneficência Portuguesa e Moriah, por exemplo.

O arquiteto Umoatã Macedo de Almeida

Health 133 ARQ


Renovação

2016 Evento abordará os rumos e desafios da arquitetura e engenharia na Saúde e premiará os grandes destaques de 2016

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Grupo Mídia organizará, pela segunda vez, o Fórum+Prêmio HealthARQ. O evento acontece no dia 22 de novembro, no Espaço Apas, em São Paulo. Será um dia repleto de debates e palestras sobre os rumos da arquitetura e engenharia no setor da Saúde. A mesa redonda “O desperdício nas construções: é possível fazer mais com menos nas obras hospitalares?” tem a presença confirmada de Marcos Casado, diretor técnico e comercial na Sustentech Desenvolvimento Sustentável; Adriana Blay Levisky, vice-presidente da AsBEA São Paulo (Associação Brasileira dos 134

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Escritórios de Arquitetura); e Luiz Augusto Contier, da Contier Arquitetura. O Fórum também trará a mesa redonda “Como aplicar a cultura da inovação nas edificações de saúde?”. Os debatedores confirmados são: Enio Moro Júnior, coordenador de arquitetura Belas Artes; Lauro Miquelin, CEO da L+M; Márcio Oliveira, presidente ABDEH, Haroldo Pinheiro, presidente do CAU. Logo em seguida, será realizado o Prêmio HealhtARQ 2016. São quatro categorias mestras: Marcas mais lembradas, Profissionais em destaque, Instituição do ano e Cases de Sucesso. No total, serão 36 premiados.

A metodologia utilizada para eleger os vencedores baseou-se em duas frentes: votação do público e análise de mercado. A votação foi feita através do site healtharq.com.br e se estendeu por três meses. Paralelamente, foi realizada uma pesquisa de mercado que levantou os principais destaques do setor no último ano. Os ganhadores serão divulgados na próxima edição da HealthARQ. A inscrição para o evento é gratuita e pode ser feita através do site healtharq. com.br. Para mais informações, escreva para eventos@grupomidia.com ou entre em contato pelo telefone (16) 3629-3010.


Health 135 ARQ


Acabamentos Bate maca no Hospital Paulista

Superfície segura

Empregado no revestimento do centro cirúrgico do Hospital Paulistano, o material Corian une as vantagens de ser resistente, não poroso e de fácil higienização

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projeto de um hospital, assim como o de qualquer outra edificação, deve ser arquitetado levando em consideração a satisfação e o bem-estar de seus usuários. Logo, as instituições de saúde necessitam de matérias-

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-primas modernas e funcionais. Os revestimentos, por exemplo, devem ser escolhidos cuidadosamente, a fim de minimizar riscos de contaminação. O Hospital Paulistano é um modelo de edificação planejada com foco na se-

gurança e conforto dos pacientes. O centro cirúrgico da unidade dispõe de dez salas cirúrgicas revestidas por Corian, uma superfície mineral homogênea, sólida e não porosa. Segundo Pedro Cotait, diretor comercial da Avitá Design, empresa


responsável pela instalação do revestimento, o Hospital Paulistano foi pioneiro no uso deste tipo de solução no Brasil. O diretor ressalta que o Corian foi a escolha para revestir as salas cirúrgicas porque é o único produto que atende os requisitos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e é resistente para manter os locais sempre disponíveis para operar. “Antes do Corian, avarias nas paredes forçavam reformas imediatas para evitar infecções, comprometendo o uso da sala, a maior fonte de renda do hospital. Máquinas de R$ 2 milhões paravam por conta de pontos de infecções na parede. Valor este muito superior ao despendido com o revestimento. Foi um sucesso e, por isso, hoje, é implantado em outros hospitais, permitindo que as salas cirúrgicas estejam sempre disponíveis”, diz Cotait. O material, além de ser uma das superfícies mais seguras que o mercado da saúde tem disponível para evitar infecções, colabora para um ambiente mais humanizado. “É possível criar móveis coloridos com curvas ergonômicas, toque agradável e temperatura amena, melhorando os ambientes hospitalares, que têm aspectos habitualmente frios”, pontua o diretor comercial. Diferente de algumas outras superfícies, o material possibilita a criação de cantos arredondados monolíticos sem emendas. “Isto o torna único na categoria, podendo ser higienizado de forma eficaz e veloz, evitando infecções hospitalares”, argumenta.

Bancada no Hospital Paulista

Parede revestida no Hospital Paulista

Características do revestimento

Por ser um material não poroso e sem emendas ou frestas, o Corian anula manchas e inibe crescimento de fungos e bactérias, impedindo a propagação de infecções hospitalares. Constituído por uma mistura de 30% de polímeros de acrílico e 70% de minerais naturais, esse revestimento é mais resistente a impactos do que o mármore e o granito. “Sua composição contém acrílico, que absorve impactos melhor do que as pedras rígidas. Além disso, o Corian não amassa como o aço inox. Porém, diferentemente de pedra ou aço inox, caso seja avariado, é possível recuperá-lo facilmente, sem a necessidade da troca da peça inteira. Essas características permitem o pleno funcionamento dos ambientes por reduzir a necessidade de reformas, o que resulta em menos gastos para as instituições”, frisa Cotait. Por ser uma superfície resistente, o produto consegue manter as características de novo mesmo após anos, conforme ressalta o diretor comercial. “Os ambientes de saúde necessitam de funcionamento 24 horas por dia, sendo assim, as manutenções sempre geram problemas. Já com o Corian, elas praticamente inexistem”. Health 137 ARQ


Humanização

Resolutividade e assistência na saúde

Fachada da Unimed Litoral 138

Health ARQ


Projeto arquitetônico do Hospital Unimed Litoral une tecnologia e humanização em prol da excelência no atendimento

O

Hospital Unimed Litoral, em Balneário Camboriú (SC), é referência na integração dos parâmetros tecnológicos e na rastreabilidade das informações, com estratégias que permitem a migração de todos os dados para o prontuário eletrônico do paciente. Neste caso, o papel da arquitetura foi possibilitar que esta metodologia de trabalho fosse facilmente implementada. O projeto arquitetônico da unidade de saúde, assinado pela Idein Arquitetura, concebeu espaços que transmitem a cultura e a imagem da Unimed, para que usuários e colaboradores sempre relacionem os serviços à reputação da instituição. Entre os diferenciais deste projeto estão a preparação dos ambientes, pensados cuidadosamente para receber as tecnologias médico-hospitalares de vanguarda e enaltecer a marca Unimed. “A imagem da instituição é o maior patrimônio desta rede privada de assistência à saúde do Brasil”, conta o arquiteto autor deste projeto, Emerson da Silva, sócio-diretor da Idein Arquitetura. Um dos grandes desafios do projeto do Hospital Unimed Litoral foi a associação da alta tecnologia incorporada no estabelecimento com a humanização. Além disso, Health 139 ARQ


Humanização

Números do Hospital Unimed Litoral houve na edificação uma integração dos espaços, condição essencial para um complexo hospitalar vertical que já tinha parte das suas instalações consolidadas ao longo dos anos de implantação. As soluções apresentadas para ambas as situações tinham como o objetivo principal contribuir para a resolutividade na assistência à saúde. “A nossa intenção foi projetar espaços que otimizem tempo nas operações e tragam bem-estar aos usuários. Nosso objetivo foi desenvolver ambientes adequados para quem cuida e quem é cuidado. Enfim, cenários que promovam a saúde e contribuam para a cura”, destaca Emerson. 140

Health ARQ

22 mil m² de área construída Investimento de R$ 97 milhões 6 salas cirúrgicas 114 leitos de internação 10 leitos de UTI Capacidade para 700 cirurgias por mês 11 mil pacientes atendidos por mês no pronto-socorro

Unimed Litoral Internação - Leito Coletivo


Health 141 ARQ


Humanização

Design a favor do conforto

Unimed Litoral

Ambientação do Hospital Unimed Litoral oferece clima aconchegante a partir de mobiliário exclusivo e de fácil higienização

A

humanização é um dos pilares na maioria dos projetos arquitetônicos de hospitais que buscam a excelência no atendimento aliada ao conforto do paciente. O Hospital Unimed Litoral, localizado em Balneário Camboriú (SC), seguiu esta tendência e apostou no conceito para criar um diferencial em suas instalações. Assinada pela Idein, a ambientação proposta na uni142

Health ARQ

dade de saúde teve o desenvolvimento e a adaptação de produtos como sofás, poltronas, poltronetes, mesas e puffs realizado pela Teto. Eles foram instalados em todas as recepções, sala de medicação, salas de espera e brinquedoteca. “Desenvolvemos os 3Ds de todas as áreas. Já trabalhamos com o mercado residencial e utilizamos este expertise para desenvolver produtos para o mercado hospitalar com o ob-

jetivo de, além de atender às exigências técnicas, propor um design que ajude os pacientes a se sentirem em um ambiente mais aconchegante”, explica Sérgio Fix, sócio e diretor de criação da empresa. Fix conta que uma equipe de designers foi especialmente escalada para desenvolver soluções específicas a fim de criar uma identidade. Algumas das principais características dos produtos

implantados no Hospital Unimed Litoral são a durabilidade e a facilidade de higienização. “Evitamos, ao máximo, dobras e reentrâncias em nossos produtos, para facilitar a higienização. Desenvolvemos um sistema exclusivo de capa removível que possibilita a troca dos revestimentos de nossos produtos no próprio ambiente onde ele se encontra, sem a necessidade do envio da peça para um estofador”, afirma.


Múltipla atuação Entre o portfólio de clientes da Teto estão hospitais da Rede D’Or, Rede São Camilo, Hospital Israelita Albert Einstein, Grupo Dasa, Grupo Fleury, Unimed Vale do Aço, Unimed Rio Verde, Unimed Governador Valadares e Hospital AC Camargo. Em busca de inovações para o segmento da Saúde, a empresa apresentou recentemente um sofá com três funções em uma única peça. “O móvel funciona como sofá, sofá-cama e poltrona reclinável”, destaca Fix.

Unimed Litoral

Health 143 ARQ


Humanização Recepção da clínica Oncologia D’Or Barra

Mudança de conceito Baseado em eficiência e humanização, Oncologia D’Or tem projeto arquitetônico visionário 144

Health ARQ


A

Recepção da clínica Oncologia D’Or Barra

Sala de quimioterapia da clínica Oncologia D’Or Barra

clínica Oncologia D’Or Barra, uma das unidades do Grupo Oncologia D’Or no Rio de Janeiro, com o objetivo de atender à expansão da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro e o crescente aumento da demanda de pacientes na unidade existente, convidou a Hirth Arquitetura, empresa especializada em arquitetura de ambientes de saúde, para repensar a clínica oncológica, em novo espaço mais amplo e com maior visibilidade. As arquitetas Elisabeth Hirth, Fabíola Sotoma e Sabryne Goya e a designer Cristiane Geraldelli fizeram parte da equipe para o desenvolvimento do projeto de arquitetura, que teve como objetivo proporcionar a consolidação da marca no mercado de saúde através da aplicação dos novos padrões visuais, arquitetônicos e de humanização. Em um momento de importante reestruturação organizacional através da implantação da filosofia Lean Healthcare na gestão administrativa da Oncologia D’Or, onde os fluxos operacionais e a humanização da assistência ao paciente foram repensados, o desafio foi projetar a primeira unidade modelo com nova programação arquitetônica e melhores fluxos operacionais. A nova unidade, localizada no pavimento térreo do condomínio corporativo Le Health 145 ARQ


Humanização Sala de quimioterapia da clínica Oncologia D’Or Barra

Monde, tem uma importante visibilidade, uma vez que está situada próxima à principal avenida do bairro. Para dar maior destaque à marca, a empresa de arquitetura valorizou as duas imponentes fachadas envidraçadas que, com vista para a área externa e um pé-direito duplo em grande parte de sua extensão, proporcionaram conforto e humanização por meio da iluminação natural. “Proporcionar ao paciente oncológico um ambiente acolhedor e aconchegante foi a intenção da arquitetura. A madeira foi utilizada para aquecer o espaço e também o uso do verde, garantindo conforto para o longo tratamento antineoplásico e consultas oncológicas”, acrescenta a arquiteta Elisabeth Hirth. 146

Health ARQ

Ainda segundo a arquiteta, o pé-direito duplo existente foi aproveitado e recebeu ambientação diferenciada para propiciar um ambiente acolhedor. “Na recepção e sala de espera, o pé-direito duplo forneceu a valorização e a importância necessária para destacar a entrada principal.” Planejado e executado em dez meses, o desenvolvimento do projeto de arquitetura ocorreu durante a fase de implantação do Lean Thinking – filosofia utilizada na gestão de negócios visando à melhoria no atendimento ao cliente – na gestão administrativa da Oncologia d’Or. Com uma gestão focada no paciente, de acordo com os princípios do Lean Healthcare, puderam ser redefinidos processos e fluxos, manter

os custos baixos e eliminar desperdícios. “A partir desses novos estudos e para atender um novo programa arquitetônico e novos fluxos identificados pela equipe da rede e arquitetos, foi necessária a revisão da estrutura que vinha sendo implantada nas unidades de oncologia da rede”, completa a arquiteta Elisabeth Hirth, da Hirth Arquitetura. Nesse momento, foi definido que a unidade na Barra da Tijuca deveria ser o primeiro modelo da rede com a aplicação dos princípios e da filosofia Lean. De acordo com a arquiteta, a aplicação do Lean Design poderá resultar em um ambiente que promove a melhoria contínua, eficiência, segurança, melhor fluxo de informações, de suprimentos

e serviços para os pacientes. “O projeto de arquitetura desenvolvido a partir da filosofia pode reforçar a cultura Lean dentro do novo edifício”. O trabalho faz parte de um reposicionamento da Oncologia D’Or. “Neste projeto, foi desenvolvido um conceito de identidade visual inovador e que será replicado nas demais unidades do grupo”, destaca a instituição. O projeto de arquitetura pretende assegurar o melhor acolhimento possível ao cliente, em um momento de fragilidade e incertezas frente à sua enfermidade. O desafio do projeto é também tratar o tema oncologia sem o tabu dos tempos passados, uma vez que as estatísticas apontam para a crescente expectativa de cura.


Health 147 ARQ


Construção Hospital Santa Catarina de Blumenau

Funcionalidade aliada à humanização Nova unidade de internação do Hospital Santa Catarina de Blumenau une engenharia de alto desempenho e conforto ao paciente 148

Health ARQ


I

naugurada em abril deste ano, a nova unidade de internação do Hospital Santa Catarina de Blumenau é referência no que diz respeito à funcionalidade e desempenho da obra e aos padrões de humanização no ambiente hospitalar. Com 15 suítes – sendo uma de isolamento e uma totalmente automatizada -, o novo espaço representa um crescimento de 15% no número de leitos do hospital, o que significa um potencial de 100 novos pacientes atendidos ao mês na instituição. Orçada em R$ 3 milhões, a obra levou apenas sete meses para ser concluída, sem a necessidade de interrupção do funcionamento dos demais setores do hospital. O investimento prevê ainda uma nova clínica de oncologia na unidade, que deve ser entregue até o final deste ano. Rafael Schlickmann, engenheiro civil da Construtora Stein – responsável pela execução da unidade de internação –, afirma que o principal desafio da obra foi a entrega no prazo estimado. Trabalhando em conjunto com o hospital, a construtora ficou responsável por todo o escopo civil da obra, incluindo instalações elétrica, hidráulicas, preventivas, de utilidades e climatização. O hospital, por sua vez, ficou responsável pela instalação da mobília,

rede de comunicação e automação dos leitos. “A maior parte dos trabalhos pôde ser realizada em período integral. Contudo, serviços mais ruidosos tiveram que ser executados em horários específicos, pois adjacente à obra estão os setores de UTI e o Centro Cirúrgico do hospital, em pleno funcionamento. No entanto, com um planejamento bem realizado e a parceria de nossos fornecedores, a nova unidade foi inaugurada na data prevista, com a qualidade e o desempenho esperados”, diz.

Sustentabilidade De acordo com Schlickmann, um dos pilares do projeto de construção da unidade de internação foi a adoção de medidas sustentáveis para o funcionamento do prédio, com destaque para a economia de água e energia. “As torneiras empregadas são do modelo de ativação por sensor, e na iluminação de todos os ambientes, optou-se por lâmpadas led”, diz. Outro detalhe levado em consideração foi a escolha dos materiais utilizados na obra, com atenção aos aspectos bactericidas e o cumprimento das recomendações preconizadas pela Vigilância Sanitária. “Em

Hospital Santa Catarina

obras hospitalares, é muito importante que os materiais selecionados atendam não só a estética desejada, mas a funcionalidade e desempenho necessários para seus ocupantes”, afirma o engenheiro. Pensando no reaproveitamento dos materiais, os entulhos foram triados em caçambas conforme sua classificação, sendo devidamente descartados em pontos licenciados.

Inovação

Levando em consideração o curto prazo para entrega da obra, a equipe de engenharia da construtora optou pela adoção de um sistema de fôrmas e escoramentos metálicos nas estruturas de concreto. “Utilizamos este sistema em vez do tradicional sistema de madeira. Além da otimização do material, agregamos uma velocidade produtiva considerável nesta atividade”, explica Schlickmann. Health 149 ARQ


Construção

Bem-estar Responsável pela operacionalização do novo espaço, a equipe do Hospital Santa Catarina optou pelo uso das mais modernas tecnologias de automação aliadas a um padrão de acabamento sofisticado, que preconiza o conforto e a humanização dos pacientes e acompanhantes. “Cada unidade possui leito hospitalar totalmente automatizado, além de poltrona para paciente, sofá-cama para acompanhante, frigobar, bebedouro, bancada de lanches, TV de Led 32” e roupeiro. Buscamos oferecer ao paciente um local que proporcione um quarto de descanso e repouso, e não um ‘local de recuperação de doentes’”, afirma a designer de interiores Lucia Altini. O espaço, clean e organizado, oculta a infraestrutura hospitalar, que, no entanto, está facilmente disponível à equipe assistencial da unidade. Exemplo disso é adaptação dos leitos para a realização de hemodiálise, com climatização independente e sistema de comunicação com a equipe de enfermagem. “Cada cabeceira de leito também possui painel de gases e infraestrutura completa para a equipe assistencial. O paciente também tem total controle do quarto em sua cabeceira, não necessitando sair do leito para acionar a iluminação, ar condicionado, TV e som”, diz Orlando Silva Junior, supervisor de manutenção clínica e hospitalar da instituição. 150

Health ARQ

Sacada no Hospital Santa Catarina

Crescimento e modernização De acordo com o diretor-superintendente do hospital, Maciel Costa, o projeto da unidade de internação foi pensado idealizando o futuro e o crescimento do Hospital Santa Catarina de Blumenau. “Será uma nova referência em termos de internação e assistência, visto que essa

ampliação possibilita suprir uma demanda reprimida existente na região. Isso tudo em ambiente moderno, humanizado e tecnológico. Uma obra que marca o momento de crescimento e modernização do Hospital, que completa este ano 96 anos de existência”, conclui.


Health 151 ARQ


Renovação

A arquitetura contemporânea de hospitais

H

á mais de 50, a Zanettini Arquitetura carrega em seu DNA o cuidado com o meio ambiente e com o empreendedorismo de inovações tecnológicas de ponta e alto e duradouro desempenho. A excelência em projetar e implantar espaços para hospitais vem de experiências adquiridas de inúmeras propostas de soluções ambientais, sistemas hidráulicos, elétricos e espaciais, inovações construtivas, de organização e setorização dos ambientes com atividades correlatas, de fluxos diferenciados e lançamento de variadas soluções estruturais, de tratamento cromático dos ambientes e utilização de um grande número de materiais construtivos e de revestimento de pisos, paredes e forros sempre preocupados com a manutenção e durabilidade das especificações e sua condição de flexibilidade face às constantes exigências médicas na conjunção equilibrada e harmônica entre o conhecimento técnico científico e a sensibilidade inovadora nas áreas ambiental, econômica e estética. O Hospital Mater Dei -

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Health ARQ

Contorno em Belo Horizonte (foto), como sede da Rede Mater Dei vem sendo admirado pelas dimensões de 70.000m² de construção, pela utilização de equipamentos de última geração, humanização de todos os ambientes e construtivamente como símbolo de arquitetura contemporânea: Através de montagens industrializadas com prazo recorde de execução, com estrutura metálica, lajes “steeldeck”, vedações internas em “drywall” e fachadas externas unitizadas integrando painéis de ACM e esquadrias de vidro em módulos conjuntos com persianas internas para sombreamento dos espaços internos. Soluções de economia de energia e de água, de iluminação natural na grande maioria dos ambientes, de tecnologia construtivas limpas, na integração ambiental com o meio externo, com a preservação total do bosque que contorna todo o complexo, alto desempenho na produção do projeto e na rápida execução da obra. Estes predicados valeu a contratação seguida da nova unidade Mater Dei Betim.

Hospital Mater Dei Contorno


Hospital Mater Dei Contorno Betim

Hospital Mater Dei Contorno Betim

Hospital Mater Dei – Betim Destinado a atender uma grande área fabril com industrias de grande porte como a FIAT e razoavelmente distante de Belo Horizonte, desprovida de atendimento hospitalar. Embora tenha uma área 41.200m² construída, é menor do que o Mater Dei Contorno. Situado na mesma área com reserva florestal e com ótimas vias de acesso complementado por um sistema viário próprio.

O projeto foi desenvolvido utilizando a tecnologia BIM (Building Information Modeling), com grandes vantagens. O terreno possui uma topografia muito acidentada e com a nova tecnologia estudos de implantação foram feitos para equilibrar os volumes de cortes e aterros que foram necessários e na elaboração do sistema glazing de fachada como ganhos obtidos na fase de projeto.

Hospital Mater Dei Contorno Betim Health 153 ARQ


Renovação

Hospital São Camilo Pompeia – Bloco 5 A Complexidade de atendimento de ponta e a necessidade de ampliar novos procedimentos e integrar este edifício aos outros quatro blocos do outro lado da via formaram um conjunto de alta complexidade, interligado por uma passarela elevada para integrar o complexo. Todo o projeto foi desenvolvido com a Tecnologia BIM, desde o inicio integrando arquitetura, estrutura e sistemas. O uso da tecnologia BIM permite visualizar um futuro em que as decisões de projeto, orientação, materiais de fachada, sistemas de infraestrutura predial, tem seus efeitos reais, em custo de implantação e em desempenho. Os projetos realizados, além de premiados e publicados na mídia especializada romperam paradigmas e contiveram inúmeros avanços conceituais. 154

Health ARQ

Hospital São Camilo Pompeia - Bloco 5

Hospital São Camilo Pompeia - Bloco 5


Ficha Técnica Nome da obra: Projeto Novo Hospital Betim Proprietário/Cliente: Mater Dei End: Via Expressa Contagem Betim e Av. Juiz Marco Tulio Isaac Cidade: Betim - MG Data início do Projeto: 07/07/2014 Data de aprovação PBH: Área do Terreno: 26.838,11,00 m² Área Total Construída: 42.125,04m² N° Pavimentos : 3 pavimentos Inferiores + 10 pavimentos + Cobertura + Heliponto Estacionamento - N° Vagas: 372 vagas de estacionamento e 10 vagas de carga e descarga 4 vagas de ambulância. Categoria de Uso: Hospitalar Total de Leitos: 311 leitos Equipe técnica projeto de arquitetura Arquiteto responsável: Siegbert Zanettini Arquiteto coordenador: Thaís Barzocchini Arquiteto colaborador: Natália B. Malateaux Arquiteto colaborador: Camila Conti Arquiteto colaborador: Carla Andrade Arquiteto colaborador: Carolina Araujo Arquiteto colaborador: Érick Fick Gonzalez Arquiteto colaborador: Ernani Moura Arquiteto colaborador: Raquel M. A. Jordão Arquiteto colaborador: Valéria Bonfim Descrição sumária Trata-se de um Novo Complexo Hospitalar Betim com 311 leitos, a ser construído em um terreno de aproximadamente 22.380,00m², situado na Via Expressa Contagem Betim e Av. Juiz Marco Tulio Isaac. Contará com 367 vagas de estacionamento e 11 vagas de carga e descarga e 4 vagas para ambulâncias. A área total construída será de 41.200,00m², sendo 21.200,00m² de área computável. O empreendimento contará com 3 pavimentos Inferiores + 10 pavimentos + Cobertura + Heliponto. Health 155 ARQ


Construção

Barreiras intransponíveis Sistema de impermeabilização com aplicação de dupla manta asfáltica aderida com chama de maçarico garante impermeabilidade de estruturas do Hospital Cassems em Campo Grande

Informe Publicitário

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nfiltrações e corrosões são indesejadas em qualquer construção civil, sobretudo nas da área hospitalar, pois geram custos e mobilizações para as instituições de saúde com reformas e reparos que, muitas vezes, interferem na rotina de profissionais e pacientes. Por isso, é importante buscar alternativas, já na execução da obra, que permitam evitar este tipo de problema no futuro. As áreas a serem impermeabilizadas são todas aquelas em contato com água ou umidade, como lajes expostas ao tempo, áreas frias como banheiros, cozinhas, salas cirúrgicas, pisos que tenham influência de lençol freático e reservatórios. O processo contribui para assegurar a longevidade das construções e é levado

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Health ARQ

a sério por empresas que executam suas obras com responsabilidade e qualidade, como é o caso do Hospital Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. Na impermeabilização das lajes da unidade, foi utilizado o sistema de dupla manta asfáltica aplicado com auxílio de chama de maçarico, totalizando 11 mil m² de manta aplicada. “Trata-se de um dos sistemas mais seguros e eficientes empregado em lajes de grandes áreas expostas ao tempo”, afirma o engenheiro Gerson Marin, da ENVAL ENGENHARIA, empresa responsável pelo trabalho. Conforme explica o engenheiro, o processo que garante a impermeabilização

segue uma série de etapas, que começa com a regularização da superfície antes da aplicação da dupla manta asfáltica. “Utilizamos a argamassa de cimento e areia para deixar a superfície livre de irregularidades e, então, arredondamos o encontro do plano vertical com o horizontal para a melhor acomodação e trabalho da manta durante a movimentação da estrutura”. Na sequência, são aplicadas duas camadas de manta asfáltica com 3mm e 4mm aderidas com chama de maçarico. “A vantagem deste sistema é que a primeira camada de manta serve como uma manta de sacrifício que irá absorver possíveis fissuras do substrato e trabalhos da estrutura deixando a segunda manta livre destes

esforços. Além disso, a dupla camada de manta acaba aumentando a espessura do sistema como um todo melhorando o seu desempenho”, detalha Marin. O engenheiro ainda explica que essa etapa é seguida pela aplicação de um filme de polietileno, para que a manta asfáltica não fique em contato direto com a argamassa de proteção mecânica executada logo a seguir, o que evita possíveis danos à manta ao permitir que ambas se movimentem sem estarem aderidas. Esta última, por sua vez “irá proteger a manta asfáltica dos raios UV e deixar a área livre para circulação moderada de pedestres ou aplicação de revestimento diretamente sobre ela”, conclui o engenheiro Gerson Marin.


Eficiência Com investimentos de R$ 60 milhões, o Hospital Cassems de Campo Grande terá uma área total construída de 14 mil m², com 107 leitos de internação, centro cirúrgico, de diagnósticos e de quimioterapia, UTI para adultos e neonatal. A previsão é que a unidade seja inaugurada ainda neste ano e, para manter o cronograma, foi necessário superar alguns desafios durante a obra, como destaca Gerson Marin. “Os trabalhos de impermeabilização foram execu-

tados com antecipação de trinta dias em relação ao prazo previsto no cronograma inicial, de 150 para 120 dias. Mas a principal dificuldade foi a distância da obra em relação à matriz de nossa empresa, localizada em São José dos Campos. Porém, com uma boa equipe e uma coordenação eficiente tudo transcorreu da melhor maneira possível”, ressalta. Como ressalta Gerson Marin, a colaboração da equipe da empresa responsável pela obra, a Emed Ar-

quitetura Hospitalar, em especial do arquiteto Eduardo Rodrigues, do engenheiro Thiago Vaz F. de Freitas e Diógenes Coimbra foi crucial para o bom andamento dos trabalhos, assim como do engenheiro Regis Roberto Ribeiro Dias, da ENVAL, que auxiliou diretamente Marin na obra. Além do Hospital Cassems, segundo Marin, outras instituições de saúde têm buscado o trabalho da ENVAL ENGENHARIA para evitar problemas como in-

filtrações e corrosões, dentre elas o Hospital Nossa Senhora de Lourdes e o Hospital da Criança, ambos da Rede D’Or São Luiz e localizados na cidade de São Paulo, e também, o Hospital Unimed Resende, localizado na cidade de Resende, no Rio de Janeiro. Este último, por sua vez, também foi realizado pela Emed Arquitetura Hospitalar, responsável pela indicação de empresa ENVAL ENGENHARIA, que executou a impermeabilização total da unidade.

“A vantagem deste sistema é que a primeira camada de manta serve como uma manta de sacrifício que irá absorver possíveis fissuras do substrato e trabalhos da estrutura deixando a segunda manta livre destes esforços”, detalha Gerson Marin

Health 157 ARQ


Construção

Crescimento planejado Gestão da produção aliada à tecnologia garante agilidade nas obras de ampliação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

A

s obras de edificação de dois novos anexos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que permitirão ampliar em quase 70% a área construída da unidade, estão em andamento. O anexo I terá sete pavimentos, sendo dois subsolos de estacionamento e os demais pavimentos destinados à incorporação de áreas como a emergência, o novo bloco cirúrgico e o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), que permitirá a ampliação do número de leitos de 54 para 110. Com as obras na unidade, que é academicamente vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o hospital universitário também irá expandir e modernizar seus espaços dedicados a atividades de ensino e pesquisa. Para tanto, serão construídas salas de aula e de estudo, além de um auditório no anexo II, que terá seis pavimentos, também com dois subsolos de estacionamento. Conforme explica Fernando Pereira, engenheiro do Hospital, as obras incluirão, ainda, a cons158

Health ARQ

trução de uma torre de ligação entre os anexos e o bloco principal do hospital. Com os novos prédios, serão liberadas áreas no edifício central, possibilitando a instalação de mais 155 leitos de internação. Metade da obra civil já foi finalizada e a previsão, de acordo com Pereira, é que os anexos sejam concluídos até o final de 2017. Para tanto, o Hospital conta com a atuação da Engeform, empresa consorciada com a Tratenge Engenharia e sócia do empreendimento, que cuida de toda a gestão da área técnica e da produção dos anexos. “Além de ter realizado a implantação dos canteiros e das contenções, a escavação mecanizada dos subsolos, o estaqueamento, a instalação dos blocos de fundação e das estruturas de concreto e metal, a empresa fará todas as instalações – elétrica, hidrossanitária, de ar-condicionado, gases medicinais e elevadores e ainda cuidará da automação e dos acabamentos gerais”, detalha o diretor de contrato da empresa, Antônio José Ribeiro.

Desafios Um dos principais desafios, segundo Ribeiro, tem sido executar a obra sem interferir na rotina do Hospital. “Isolamos a área do empreendimento com tapumes, adequamos redes elétricas e hidrossanitárias, controlamos a emissão de ruídos e poeira, além de garantir o acesso às instalações hospitalares e a movimentação de veículos no entorno da construção de modo seguro”, conta sobre como têm mantido o funcionamento da unidade. A localização da obra no centro de Porto Alegre também se apresenta como fator desafiador. “Isto torna complexa a logística de abastecimento de materiais e impõe limitações de horário de trabalho, uma vez que o Hospital é rodeado de edifícios residenciais”, explica Ribeiro, ressaltando que, mesmo assim, a obra segue dentro do cronograma planejado. Em consonância, Fernando Pereira destaca que os trabalhos estão em dia devido a uma série de estratégias, como a instalação da equipe dentro da obra. “Assim, mantemos o controle de todas as etapas e serviços, realizamos reuniões frequentes. O trabalho foi muito planejado e mostra que é possível fazer uma obra pública de qualidade e barata”, enfatiza.


Tecnologia O engenheiro do Hospital de Clínicas ainda acrescenta que a agilidade tem sido assegurada pelo uso de tecnologias de ponta nas edificações, que permitem alcançar maior eficiência com um número menor de funcionários. “O reboco das paredes, por exemplo, está sendo feito com equipamentos de argamassa projetada. Então, ao invés de 16 pessoas fazendo o reboco, há dois operando o equipamento, o que resulta em um ganho de projeção grande. Há também outra máquina que realiza a mistura prévia da argamassa de contrapiso,

que permite fazer 500 m² por dia, o que humanamente levaria muito mais tempo”, pontua Fernando Pereira. A construção do novo complexo entra, agora, na fase dedicada à infraestrutura. “Vamos implantar diferentes sistemas de alta tecnologia agregada. A ideia é fugir um pouco das soluções usadas em uma obra convencional e apostar em materiais relativamente novos. Trouxemos automação para o prédio. Todos os sistemas serão controlados por algoritmos”, finaliza o engenheiro do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

“Isolamos a área do empreendimento com tapumes, adequamos redes elétricas e hidrossanitárias, controlamos a emissão de ruídos e poeira, além de garantir o acesso às instalações hospitalares e a movimentação de veículos no entorno da construção de modo seguro”, Antônio José Ribeiro

Health 159 ARQ


Construção

Uma cidade médica a partir do zero Conheça as particularidades do Americas Medical City e das obras que fizeram dele o maior complexo médico-hospitalar do Estado do Rio de Janeiro 160

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ma cidade médica planejada para oferecer tratamentos clínicos e cirúrgicos, reabilitação, diagnósticos e prevenção em um só lugar. É assim que o Americas Medical City se define. Inaugurado em outubro de 2015, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, é o maior complexo médico-hospitalar do Estado, com 72 mil m² de área construída. Incorpora o Hospital Samaritano e o Hospital Vitória, totalizando 494 leitos e 16 salas cirúrgicas. Além disso, engloba um Centro Médico com 252 consultórios e um Centro de Treinamento. Em função da complexidade do projeto, as obras foram realizadas por etapas, conforme destaca Vasco Rodrigues, presidente da Fator Towers, construtora responsável por toda a execução do empreendimento. “Primeiramente, entregamos o Centro Médico. Depois, construímos conjuntamente os hospitais Samaritano e Vitória. Na terceira etapa, em execução, estamos construindo um Centro de Pesquisa que promete ser o mais avançado do país e uma unidade pediátrica. Na quarta e última fase, realizaremos uma ampliação de leitos e a construção de uma área para instalação de um cíclotron, que deverão ser iniciadas em 2017”, pontua Vasco. Health 161 ARQ


Construção

“Não parece um Hospital e sim um hotel cinco estrelas. Tudo foi de primeira qualidade, inclusive na escolha dos materiais a serem aplicados, como concretos especiais, reforços estruturais e fibra de carbono. Além disso, a ambientação, a combinação de texturas e cores ficou muito elegante. O projeto conta com a assinatura do renomado escritório de Solange Medina”, Vasco Rodrigues

Hotelaria de luxo A busca pelo alto padrão norteou toda a construção, acabamento e design das diferentes áreas do complexo. O Hospital Samaritano, por exemplo, tem como marca a hotelaria de luxo, com 109 leitos. Além disso, conta com sala híbrida para a realização de procedimentos combinados de alta complexidade e, ainda, com centro de diagnóstico acoplado ao centro cirúrgico. “Não parece um Hospital e sim um hotel cinco estrelas. Tudo foi de primeira qualidade, inclusive na escolha dos materiais a serem aplicados, como concretos especiais, reforços estruturais e fibra de carbono. Além disso, a ambientação, a combinação de texturas e cores ficou muito elegante. O projeto conta com a assinatura do renomado escritório de Solange Medina”, ressalta Vasco Rodrigues. Com tais características, o complexo médico-hospitalar Americas Medical City foi oficialmente integrado à Rio 2016 como o hospital de atletas, delegações e integrantes dos Comitês Olímpico e Paralímpico. 162

Health ARQ


Desafios De acordo com o presidente da construtora, o maior desafio nas obras do complexo foi compatibilizar todas as instalações, seguindo os requisitos para a conquista da certificação LEED. “A sustentabilidade na obra sempre existiu de alguma forma, mas no início não era algo com foco no LEED. Quando a Amil decidiu pela certificação, criamos um setor para instituir e manter práticas sustentáveis no canteiro de obras e práticas de aplicação de materiais e, também, que pudesse dar apoio à empresa responsável pela medição

das pontuações”, conta. Vasco também acrescenta que, dadas a dimensões e a complexidade da obra, outro grande desafio foi lidar com os prazos, o que a construtora conseguiu fazer apostando em tecnologia. “Realizamos um planejamento apoiado por uma metodologia e um sistema que desenvolvemos internamente, em parceria com a Gopec. Esta tecnologia nos permitiu cumprir todos os prazos, mesmo com as constantes mudanças de projetos, inevitáveis para uma obra com estas características”, finaliza.

Vasco Rodrigues, presidente da Fator Towers

Health 163 ARQ


Inteligência aliada à redução de custos Humanização

Hospital Regional de Sorocaba une qualidade e

flexibilidade em projeto arquitetônico com foco na redução de custos operacionais

Fachada do Hospital Regional de Sorocaba 164

Health ARQ


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m hospital público com cara de privado. Esta é a principal característica do Hospital Regional de Sorocaba, empreendimento construído através de parceria público-privada (PPP) com foco em um projeto que contempla a redução dos custos de operação. Assinado pela Fiorentini Arquitetura Hospitalar, a unidade foi projetada sob os pilares da flexibilidade, humanização e sustentabilidade. De acordo com Paula Fiorentini, arquiteta responsável pelo projeto, um dos principais desafios para a execução da obra foi conciliar o custo de construção pré-estipulado pela PPP e, ainda assim, conseguir reduzir o custo de operação, garantindo a qualidade assistencial da instituição – já que se trata de uma unidade de alta complexidade nas áreas de traumatologia, neurologia e cardiologia. “A grande batalha foi atingir o capex já pré-estipulado, mas com o opex reduzido. O trabalho durou, no total, 15 meses, incluindo projeto arquitetônico, instalações e compatibilização de todas essas peças gráficas”, explica.

Flexibilidade e fluxo de pessoas Por se tratar de um hospital que prevê expansões ao longo dos anos – o projeto inicial contempla 240 leitos (internação e UTI), mas a previsão é que haja uma expansão para 400 leitos em dez anos - a flexibilidade foi um dos aspectos norteadores da obra. Segundo Paula, o prédio conta tanto com uma flexibilidade física quanto funcional, com a disposição dos setores que necessitam de expansão próximos àqueles com baixa necessidade de ampliação. “Uma área administrativa, por exemplo, que seria fácil de realocar, tem que estar ao lado de uma área muito importante que precisaria de uma expansão. Então, essa expansibilidade foi muito pensada no projeto, tanto na questão dos leitos quanto no aumento da capacidade do centro cirúrgico, da parte do pronto atendimento”, aponta. Health 165 ARQ


Humanização

O fluxo interno do prédio também foi outro ponto levado em consideração no projeto arquitetônico. Enquanto hospital público, a instituição terá grande circulação de pacientes ambulatoriais, bem como visitantes, acompanhantes e pacientes internos. Para otimizar a circulação de pessoas, a disposição dos serviços foi determinada pelo tipo de atendimento. “Logo no térreo e nos primeiros andares, os setores são exclusivos para pacientes ambulatoriais. Assim, esse paciente chega ao hospital e circula muito pouco pela instituição, porque os setores para onde ele vai estão muito próximos da entrada no térreo ou no primeiro pavimento. Já os pacientes internos, acamados, ficam nos andares mais altos. Além disso, todos os setores são alimentados por circulações diferenciadas, ou seja, se você é um paciente ambulatorial e está indo fazer um diagnóstico, você não cruza com um paciente acamado”, diz Paula.

Obras do Hospital Regional de Sorocaba

Humanização sensorial Partindo dos princípios sensoriais de interação que a arquitetura estabelece com o usuário, a humanização adotada no Hospital Regional de Sorocaba levou em consideração aspectos como minimização de odores, ruídos e a criação de uma identidade visual para a instituição. Um exemplo é o setor industrial do hospital. Para evitar a disseminação de odores pelo prédio, essa divisão foi instalada em um local mais afastado. “Dessa forma, as pessoas que trabalham no hospital ou os pacientes não se incomodam com o cheiro da comida sendo preparada, por exemplo”, diz Paula. Para evitar a propagação de ruídos, todas as elevações foram projetadas com drywall, gerando um nivelamento acústico importante para o conforto do paciente. Na questão visual, o projeto de ambientação adotou cores determinadas para cada andar, criando uma 166

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Vista aérea do complexo hospitalar

comunicação visual de acordo com a especialidade do ambiente. “No primeiro andar, por exemplo, usamos azul. Então, na chegada dos elevadores públicos, nós vamos ter uma comunicação visual

no totem com as artes com a cor do andar, e na saída do desse andar, vamos ter algum desenho de piso que terá cores mais básicas, mais pasteis, mas sempre relacionadas com a cor do andar”, afirma.


Hospital sustentável

Economia e sofisticação

Os princípios de sustentabilidade não poderiam ficar de fora do projeto arquitetônico do Hospital Regional de Sorocaba. De acordo com Paula, o sistema de ar condicionado da instituição conta com bombas de calor capazes de produzir água quente a partir da água residual do equipamento. Além disso, o prédio adotará ainda um sistema de reaproveitamento da água da chuva, além da instalação de toda a iluminação com lâmpadas em LED.

Para Paula, a identidade criada no Hospital Regional de Sorocaba é de um hospital econômico, que atende a necessidade de planejamento em saúde e ainda contempla o bem estar de todos que por ali passam: pacientes ambulatoriais, pacientes internos, visitantes, acompanhantes e colaboradores. Apesar da redução de custos operacionais, o hospital não deixa de lado a sofisticação do projeto. “É um prédio muito bem ambientado para um hospital público que não tem cara de público, com pé direito duplo, espaços sociais importantes, além de um centro de estudos e pesquisas e restaurante acoplado ao hospital. É, sem dúvidas, um instrumento assistencial e social para a população”, conclui.

“A grande batalha foi atingir o capex já pré-estipulado, mas com o opex reduzido. O trabalho durou, no total, 15 meses, incluindo projeto arquitetônico, instalações e compatibilização de todas essas peças gráficas”, explica Paula Fiorentini

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Instalações

Menos fumaça e gordura Saiba como os sistemas de exaustão devem ser projetados para trazer eficiência e segurança às cozinhas de instituições de saúde

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igiene e limpeza são requisitos básicos em qualquer área de uma instituição de saúde, do centro cirúrgico à recepção. E nas cozinhas dos hospitais, por exemplo, não poderia ser diferente. Afinal, quando se prepara refeições para pacientes, os quais já se encontram com a saúde fragilizada, evitar contaminações e intoxicações alimentares é primordial. Neste sentido, a instalação de um sistema de exaustão de fumaça e gordura não só favorece a higienização das cozinhas, como traz segurança para profissionais que trabalham nestes ambientes. “A gordura é sem dúvida o fator crítico de um sistema de exaustão de cozinha em geral, particularmente de uma cozinha profissional. Ela é um combustível. Por isso, se o projeto de extração dos fumos da cocção não

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for adequado e profissionalmente projetado e executado, haverá um iminente risco de incêndio”, alerta o engenheiro Duilio Terzi, da Fundament-AR, empresa que atua na área de Engenharia Térmica e serviços em Engenharia Consultiva. Terzi lembra que projetos de cozinha industrial são obrigatórios por lei no estado de São Paulo, estando referendados na legislação do corpo de bombeiros, através da Instrução Técnica 38. Além disso, estão previstos na Norma Brasileira 14.518, de maio de 2000, elaborada no âmbito da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e que trata dos sistemas de ventilação para cozinhas profissionais. Para que um projeto atenda corretamente o previsto na legislação brasileira, é necessário considerar uma série de requisitos, como aponta o engenheiro. “É importante avaliar todas as condições externas, observando o que tem na vizinhança para, então, definir para onde será lançada a descarga dos exaustores da cocção, o nível necessário de despoluição do ar lançado e o nível de ruído permitido na região onde se encontra a cozinha a ser beneficiada pela exaustão”. Paralelamente, também devem ser observadas as condições internas do am-

biente. “Os equipamentos previstos no layout devem estar bem identificados e a cozinha deve ter altura suficiente para a passagem dos dutos e instalação das coifas. Além disso, é preciso analisar se existe um local específico para a instalação dos ventiladores exaustores, lavadores de ar ou despoluidores e ventiladores de reposição do ar com filtragem. E, também, se o local previsto para esses equipamentos é de fácil acesso para manutenção posterior”, sinaliza Duilio Terzi.

“Não existe um sistema com eficiência de 100% de despoluição das gorduras captadas nas coifas. E como se trata de um material altamente combustível, pode ocasionar um incêndio por descuido com uma fagulha ou chama. Por isso, os dutos devem ser também providos de acesso para limpeza periódica, em princípio a cada dois ou três meses”, diz Duilio Terzi

Melhor desempenho Na elaboração do projeto, segundo o engenheiro, também é importante escolher coifas que atendam a característica de cada tipo de gerador de poluente – do mais leve, como um banho-maria, até o mais pesado, como um char broiler ou uma churrasqueira. “Ao consultar a Norma Brasileira 14.518, o projetista vai encontrar a coifa adequada a ser utilizada em cada caso, assim como o respectivo cálculo de vazão necessária àquela coifa”, destaca Terzi. Para evitar a propagação de odores, por exemplo, a solução é fazer um cálculo de exaustão preciso. “É necessário balancear as vazões de ar de extração e a reposição dos volumes de ar extraídos, de modo que a área Health 169 ARQ


Instalações

de alimentação encontre-se sempre com pressão positiva em relação à cozinha. Imagine que a área de cocção disponha de um sistema de extração de 100 volumes, se a reposição de ar filtrado for de 80 volumes e o ar externo que vem para a cozinha for de 20 volumes, o sistema estará corretamente balanceado”, esclarece o engenheiro. Em consonância com o físico e projetista de cozinhas Armando Pucci, o engenheiro Duilio Terzi lembra que, para o perfeito funcionamento do sistema de exaustão de fumaça e gordura, é importante ater-se, também, ao arranjo dos equipamentos na cozinha. “É comum que esses equipamentos sejam instalados em ‘ilhas’, ainda que sejam operados de um único lado. Ao colocar os equipamentos junto às paredes, reduz-se a vazão de ar das coifas, o que representa uma economia no investimento inicial e no custo de operação do sistema”, ressalta. No que diz respeito ao funcionamento da coifa, Terzi explica que o equipamento faz a coleta dos fumos da cocção e, posteriormente, o sistema despolui este volume de ar, das gorduras em suspensão. No entanto, como enfatiza o engenheiro, invariavelmente, 170

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uma parcela das gorduras extraídas pelas coifas irá se acumular nos dutos por efeito de condensação e impactação. “Não existe um sistema com eficiência de 100% de despoluição das gorduras captadas nas coifas. E como se trata de um material altamente combustível, pode ocasionar um incêndio por descuido com uma fagulha ou chama. Por isso, os dutos devem ser também providos de acesso para limpeza periódica, em princípio a cada dois ou três meses”, detalha Duilio Terzi, acrescentando que as coifas também devem contar com dispositivos de extinção de incêndio. Ainda sobre a prevenção deste tipo de incidente, o engenheiro faz um alerta quanto ao uso de despoluidores do tipo filtro eletrostático. “A Norma Brasileira vigente chama a atenção para o fato de que os filtros eletrostáticos podem gerar fagulhas, pelo efeito de pontas. Desta forma, a sua utilização está circunscrita ao uso de filtros eletrostáticos com lavador de placa automático”, comenta. Terzi também alerta que existem no mercado modelos de coifas denominadas “lavadoras”, as quais possuem circulação de água permanente,

que além de gerar ruído, têm baixíssima eficiência. “O sistema original norte-americano utilizava um spray de água quente misturado com detergente somente para lavagem das superfícies internas das coifas, nos períodos em que a cozinha está desativada, para evitar acidentes, mesmo porque a ‘lavagem’ não retém nenhuma gordura em suspenção, somente atuando sobre a gordura condensada ou aderida na superfície interior dos dutos”, finaliza.

Salubridade Aspectos que também precisam ser considerados no projeto de uma cozinha industrial são a salubridade e as condições de bem-estar dos profissionais que trabalham neste tipo de ambiente. “O Ministério do Trabalho prevê limites de tolerância ao ruído contínuo ou intermitente e de tolerância à exposição ao calor. Em um futuro próximo, com o aumento da fiscalização pelos órgãos competentes, toda a cadeia produtiva ligada à Engenharia – como proprietário, projetista, instalador e mantenedor das instituições –, será chamada a es-

clarecer os critérios usados na instalação dos sistemas, caso eles estejam fora dos parâmetros previstos pela legislação”, diz Terzi. Para evitar os problemas referentes aos ruídos, por exemplo, o cuidado começa com a escolha dos ventiladores. “Sempre dê preferência aos que possuem baixa rotação e relação de eixo motriz próximo de um, pois, geralmente, as cozinhas são compostas de superfícies altamente reverberantes, como ladrilhos, piso hidráulico, aço e mármore. Portanto, deve-se atenuar ao máximo a geração de ruído a partir dos sistemas mecânicos necessários para o bom funcionamento da cozinha”, recomenda o engenheiro. Quanto a reduzir a exposição dos colaboradores ao calor intenso nas cozinhas, a sugestão de Terzi é instalar o ar filtrado e insuflado no ambiente, que deve percorrer preferencialmente toda a cozinha. “O volume de ar filtrado introduzido na cozinha deve ser lançado o mais distante possível da região de cocção, de forma a ‘varrer’ o ambiente de trabalho e mitigar a carga de calor radiante, a qual não há como alterar”.


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Renovação Hospital Infantil Sabará 172

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Contra o tempo e em benefício dos pacientes Reforma de leitos de UTI do Hospital Infantil Sabará é concluída em apenas seis dias mesmo com o desafio de executar as obras com a unidade em pleno funcionamento

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uando se fala em reforma de ambientes hospitalares, um dos locais mais críticos para realizar obras é a UTI (Unidades de Terapia Intensiva). Pelas próprias características do espaço, destinado a tratar pacientes criticamente enfermos, as obras devem ter celeridade e não podem comprometer o funcionamento do restante do hospital, o que representa um desafio para as construtoras. O Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, por exemplo, passou recentemente por uma reforma de sete dos 14 leitos de UTI existentes no sexto andar. As obras também se estenderam ao posto de enfermagem, sala de utilidades, hall social, corredor interno, setor de rouparia e banheiros e um corredor restrito. Segun-

do o engenheiro Gilberto Teixeira, sócio-fundador da GS Construção Civil & Hospitalar, a empresa teve apenas seis dias para concluir a reforma e deixar a UTI pronta para retomar os atendimentos. “Com a ocupação máxima dos 14 leitos da UTI do quinto andar, foi solicitado que os serviços fossem realizados em caráter urgentíssimo, com início na segunda-feira e término no domingo. O agravante foi que, além de não ter espaço para armazenamento e descarte de entulho ou local para caçamba no Hospital, haveria uma passeata na Avenida Paulista no domingo, impossibilitando a entrega de materiais e retirada de entulho. Com isso, tivemos que alterar o cronograma e antecipar a entrega em um dia, para o sábado à noite”, conta Teixeira.

Gilberto Teixeira, sócio-fundador da GS Construção Civil & Hospitalar Health 173 ARQ


Renovação

Área de espera do Hospital Infantil Sabará

Apesar do prazo reduzido, todo o trabalho aconteceu conforme o planejado, como explica o engenheiro. “Conseguimos conciliar o curto prazo com a manutenção da rotina do Hospital. As reformas foram executadas sem alterações físicas, apenas de acabamento. Além disso, seguiram um planejamento de fluxo, pois iriam interferir na circulação interna do ambiente hospitalar”, diz. Para evitar causar desconforto ou interferir na recuperação dos pacientes, foram tomados cuidados especiais no que se refere a ruídos, ao cheiro forte de alguns produtos químicos e à poluição causada por pó ou fumaça. “Para minimizar o barulho, por exemplo, fizemos isolamentos acústicos, utilizamos ferramentas especiais e trabalhamos em horários específicos. Também realizamos o isolamento total de frestas de 174

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portas e janelas vulneráveis à penetração de resíduos e fumaça. Fizemos, ainda, a retirada e tamponamento das grelhas do ar condicionado para não contaminar todo o sistema com pó. Além disso, usamos tinta sem cheiro”, frisa o engenheiro, acrescentando que os serviços foram acompanhados de perto pelos profissionais de segurança do trabalho, da equipe de limpeza e da CIH (Comissão de Infecção Hospitalar) da instituição.

Expertise A agilidade e segurança demostradas na reforma no Hospital Infantil Sabará, também puderam ser observadas em outras obras executadas pela construtora, especialista em engenharia de manutenção hospitalar. Um exemplo disso foi o retrofit do Centro de Pesquisa do Incor (Instituto do Coração) do

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). “Fizemos um retrofit do layout e substituímos as instalações elétricas e de gases medicinais, a fim de garantir condições físicas para a funcionalidade dos laboratórios e desempenho das atividades dos grupos de pesquisa. Foram reformados o vestiário, a farmácia, além das salas: Metabólico, Eco, Ergo Espiro, Vascular, Tomo Impedância, Pletz, Tilt e Critico”, detalha Teixeira. Na FIDI (Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem), em Santos, a construtora realizou a reforma das salas de tomografia e raio-X do Hospital Guilherme Álvaro em parceria com a Athos Medical. Enquanto isso, no Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa, em Santo André, cuidou de toda

a reforma do setor administrativo da unidade. “A necessidade de uma obra rápida e limpa levou a diretoria e a equipe de arquitetura do Hospital a optarem pelo sistema construtivo de estrutura metálica sobre laje de Steel Deck. Nosso escopo foi a montagem dessa laje da nova recepção e da sala de reuniões de diretoria”, pontua o engenheiro. Já na unidade do IBV (Instituto Brasileiro da Visão) localizada em Santos, a construtora foi responsável pelos projetos de arquitetura, executivo e pela obra. “A preocupação principal foi criar uma clínica oftalmológica com uma ambientação que proporcionasse conforto visual aos pacientes. O projeto conta com cores claras e iluminação indireta, o que resultou em uma clínica ‘clean’, contemporânea e sofisticada”, finaliza Gilberto Teixeira.


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Rotina facilitada Humanização

Cadeira hidráulica ergonômica traz segurança e conforto para pacientes na hora do banho e promete simplificar o trabalho de familiares e profissionais de assistência

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a rotina de pacientes com limitações de movimento, a hora do banho pode representar um grande desafio. Afinal, sem uma infraestrutura adequada, além do risco de queda, a atividade exige um esforço físico muito grande do profissional ou familiar que presta assistência ao paciente. A dificuldade pode ser evitada por meio de inovações como uma cadeira hidráulica ergonômica que possui dispositivos de segurança e conforto, com lançamento previsto para outubro deste ano. “Trata-se de um produto que irá melhorar muito a vida dos pacientes e profissionais que os assistem e que, realmente, vai mudar a forma como o processo é feito”, enfatiza Alexandre Nascimento, da Palmetal, empresa de móveis em aço inox que lançará a cadeira hidráulica em parceria com a Inovacción Care, especialista

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em desenvolvimentos médicos que criou o produto. A cadeira, que possui estrutura em aço inox e assento polimérico, já foi testada em dois hospitais. “Os testes aconteceram em uma instituição pública e em uma privada. O hospital particular encomendou seis unidades de imediato, enquanto o público iniciou processo de licitação para a aquisição de 20 unidades”, conta Nascimento, acrescentando que o item também poderá ser usado por empresas de Home Care e pessoas físicas. O produto chegará ao mercado pelo valor de R$ 22 mil e, segundo Nascimento, sua comercialização beneficiará instituições sem fins lucrativos. “A cada 100 cadeiras vendidas, doaremos no mínimo três para essas instituições. Para nós, é muito importante que pessoas com menos recursos financeiros tenham acesso a essa inovação”, finaliza.


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Humanização Cafeteria no Hospital Marcelino Champagnat

Acolher bem é a referência

Informe Publicitário

Hospital Marcelino Champagnat é exemplo de que quando um projeto executivo e de interiores tem a humanização como conceito desde a sua concepção, conforto físico e emocional tornam-se realidade

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ais do que tratar pacientes, as instituições de saúde têm como premissa, hoje, acolhê-los de forma verdadeiramente humanizada. Para tanto, os hospitais apostam em projetos executivos e de design de inte-

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riores que, desde a concepção, trazem a humanização como elemento central. Este é o caso do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, inaugurado em 2011. Com 34 mil m² de área, a unidade dispõe de 118 leitos de internação sendo

20 leitos de UTI Geral e 11 leitos de UTI especializada em Cardiologia e Neurologia, pronto-atendimento, 72 consultórios, Centro de Diagnóstico e Centro Cirúrgico com sete salas, sendo uma de hemodinâmica. A missão de projetar esses

ambientes priorizando o conforto e a segurança dos pacientes e seus acompanhantes foi atribuída à Jussara Ruggeri, hoje sóciaproprietária da PROJETHOS (w w w. p r o j e t h o s . e n g . b r ) , empresa especializada em arquitetura hospitalar.


Recepção e sala de espera no Hospital Marcelino Champagnat

Segundo Jussara Ruggeri, a humanização foi trabalhada em cada item. Nas soluções de acessibilidade e iluminação, na delicadeza de detalhes e na preocupação com a privacidade de pacientes e profissionais e demais itens de qualificação técnica focados na arquitetura dos espaços. Além dos detalhes arquitetônicos, houve uma preocupação no sentido de humanizar os ambientes também de forma afetiva e

terna, com imagens da vida de Marcelino Champagnat, e isso se traduziu na criação de painéis nas recepções, a fim de trazer identidade aos espaços e promover empatia com os pacientes. “Usamos imagens da Boa Mãe e da vida de Marcelino Champagnat, de onde ele nasceu e dos lugares pelos quais passou. Nos painéis, incluímos frases de conforto espiritual e esperança aos pacientes e familiares”, con-

ta Jussara Ruggeri. Ela ainda acrescenta que, na cafeteria foi instalada uma cortina d’água que não só traz sofisticação e beleza ao ambiente, como proporciona aconchego a todos os que passam pelo lugar. “Este trabalho tem sido motivo de muitos agradecimentos e elogios ainda hoje”, comemora. A atenção dada às áreas comuns estendeu-se a todo o Hospital. A UTI, por exemplo, foi projetada com corre-

dores amplos, cores suaves e muitas janelas para a entrada da luz natural, monitoramento central e uma sala de acolhimento da família, que assegura a privacidade nas reuniões com os médicos. Além disso, os 20 leitos da UTI contam com boxes individualizados e equipados com poltronas para acompanhantes, permitindo maior proximidade com paciente e, assim, contribuindo para o seu bem-estar.

Health 179 ARQ


Humanização Hospital Marcelino Champagnat - Recepção Consultórios

Informe Publicitário

Acessibilidade Os projetos executivo, de interiores e de paisagismo adotados no Hospital Marcelino Champagnat também priorizaram outros aspectos além da humanização, conforme explica Jussara Ruggeri. “É sempre um desafio pensar em uma arquitetura ideal aliada ao fator econômico. Elaboramos um projeto com o conceito ‘sustentável e acessível’ visando equiparar as oportunidades que pos-

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sibilitam autonomia nos espaços e acesso de todos. Tínhamos que fazer o melhor considerando fluxos, conforto, beleza, humanização, acessibilidade, manutenções corretivas e preventivas, boas práticas e certificações”, frisa Jussara Ruggeri, responsável técnica pelo projeto arquitetônico. Os fluxos interfuncionais e extrafuncionais, por exemplo, foram definidos a partir de normas, melhores

práticas hospitalares, exigências legais e posições estratégicas, evitando-se o cruzamento de fluxos e considerando critérios como a compatibilidade e incompatibilidade das atividades que se desenvolvem nas diferentes unidades funcionais do hospital. “A concepção do projeto foi baseada no conceito de acessibilidade, facilitando a circulação, interação e autonomia das pessoas em

todos os espaços. Adotamos soluções arquitetônicas, preventivas e de ocupação e planejamento adaptadas às condições específicas locais. Projetamos um edifício eficiente, com ambientes humanizados e arquitetonicamente organizados, constituindo um meio físico e, ao mesmo tempo, técnico, estético e psicológico especialmente preparado para o atendimento aos pacientes”, enfatiza Jussara Ruggeri.


Acabamentos inteligentes As instalações também seguiram um projeto centrado na sustentabilidade, que contribuiu tanto para a economia de recursos quanto para tornar os ambientes internos mais aconchegantes. “Exploramos bastante a luz natural, que traz benefícios à saúde dos pacientes, proporcionando uma sensação de bem-estar e conforto visual, além de reduzir significativamente o consumo de energia da edificação”, comenta a responsável técnica pelo projeto arquitetônico, a engenheira civil Jussara Ruggeri, que tem especializações e pós-graduação em arquitetura hospitalar. Ainda no que diz respeito à iluminação, optou-se pelo uso de luminárias com refletor e aletas parabólicas em alumínio anodizado de alta pureza e refletância, com spot modelo LED point, considerando a eficiência energética e a vida útil das lâmpadas. Jussara acrescenta, ainda, que foram empregadas nas janelas películas de controle solar que proporcionam conforto térmico e redução de consumo de energia elétrica com o ar condicionado e o vidro duplo que, além de ter um ótimo isolamento acústico, também tem a característica de isolamento térmico. O projeto também incor-

porou placas de aquecimento solar da água destinada ao banho dos pacientes e, também, um sistema de captação, filtragem e armazenamento de água da chuva. “Essa água pode ser utilizada em banheiros e mictórios, no resfriamento de equipamentos e máquinas, em serviços de limpeza, no reservatório contra incêndio e na irrigação de áreas verdes”, afirma a responsável técnica pelo projeto arquitetônico. Nos acabamentos, foi mantida a mesma lógica de combinar sustentabilidade e humanização, com uso de materiais certificados, reutilizáveis e recicláveis, como detalha Jussara Ruggeri. “Nos quartos de internação, por exemplo, empregamos uma linha de piso vinílico que possui visual similar à madeira, de fácil limpeza e dando um toque aconchegante ao ambiente. São pisos fabricados com matéria prima nacional, que possuem o selo SustentaX, que avalia e atesta os produtos como socioambientalmente corretos”. Já no centro cirúrgico foi assentado um piso vinílico em manta homogênea e condutiva, com a tecnologia IQ PUR, de fácil limpeza, excelente resistência à abrasão e ideal para áreas onde é necessário o controle da con-

dutividade elétrica, como as salas de cirurgia, anestesia e recuperação. Jussara Ruggeri pontua, também, que os móveis e revestimentos foram produzidos a partir de painéis de média densidade de madeira reflorestada, pinus e eucalipto. Além disso, foram instaladas esquadrias, guichês e visores em alumínio, material durável, resistente à corrosão e que não exige manutenção intensa e são 100% recicláveis. Para atender todas as demandas do Hospital, foi necessário um planejamento bem estruturado. “Iniciamos o projeto em 2007, desen-

volvendo a etapa conceitual com uma equipe multiprofissional. Em 2008, com os layouts finalizados, iniciamos as aprovações nos órgãos públicos. Em 2009, nos dedicamos ao projeto executivo, de interiores e de paisagismo e à gestão e compatibilização dos projetos complementares. Em 2010, demos início à obra, concluída em 2011”, lembra Jussara Ruggeri, destacando que o sucesso do trabalho deveu-se à sua longa e profunda experiência e dos demais componentes, equipes técnicas e multiprofissionais, em práticas e projetos na área da saúde.

Jussara Ruggeri, sócia-proprietária da PROJETHOS

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Obras seguras Construção

Gestão de movimentação de cargas como importante fator logístico e de segurança

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s materiais frágeis estão em quase todas as obras e exigem cuidados específicos na técnica de deslocamento para evitar riscos e acidentes. A gestão de transporte desses produtos, além de contribuir com o prazo e a qualidade da construção, é fundamental para garantir a segurança da movimentação das cargas. A montagem e desmontagem de estruturas utilizadas para o içamento e remoção de cargas exige a atuação de profissionais habilitados. Este foi o trabalho desempenhado pela PWS Transporte durante a atual expansão do Hospital 9 de Julho. A empresa colaborou tanto na logística como no içamento e remoção dos equipamentos pesados. Para a logística foi disponibilizado um espaço para armazenar os materiais transportados durante a reforma. Já nos processos de içamento e remoção foram utilizados guindastes, caminhões munck, empilhadeiras e outros equipamentos capazes de realizar o transporte vertical e a movimentação tanto dos materiais mais pesados, como chillers e geradores, quanto os mais sensíveis, como compressores e quadros elétricos. “Ao mesmo tempo em que possuímos uma equipe especializada no içamento e remoção de equipamentos, possuímos também veículos de grande porte e um amplo galpão para o transporte e armazenamento desses equipamentos. São esses os serviços que estamos prestando ao Hospital 9 de Julho, facilitando bastante a logística no seu projeto de ampliação”, explica Diego Fantoni, sócio da empresa. Para Fantoni, essa gama de serviços torna a obra muito mais sustentável no que se refere aos custos. “Se o cliente precisar contratar o transporte, o içamento e o armazenamento em empresas diferentes, o custo será muito maior do que ele reunindo todos esses serviços em uma empresa só”, complementa.

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Hospitais Além do H9J, outras unidades de saúde também buscam segurança em suas obras no processo de transporte de materiais. A PWS Transportes, por exemplo, prestou serviços para quinze hospitais, entre eles estão o Hospital Sírio-Libanês, Beneficência Portuguesa de São Paulo, Hospital TotalCor e Hospital Paulistano. Um caso atípico aconteceu durante as obras do Hospital Bosque da Saúde. Por estar localizado próximo ao Aeroporto de Congonhas, a operação

do serviço com guindaste – içamento de um equipamento de ar-condicionado – foi feita em um local com restrições a operações com esse tipo de máquina. Em razão disso, foi necessária a atuação da empresa em diversos órgãos de aviação para autorizá-la a realizar o serviço. Exigiu-se o comprometimento em resolver todas as questões burocráticas, isentando o cliente de qualquer preocupação e responsabilidade, além de realizar o serviço com toda segurança necessária.

Diego Fantoni, sócio da PWS Transporte


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Construção Hospital Mointhos de Vento

Na rota do alto desempenho Em fase de execução da estrutura de concreto, novo prédio do Hospital Moinhos de Vento terá acabamento com fachadas ventiladas e esquadrias com isolamento acústico

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ais de três mil pacientes atendidos por ano. Esse é o ganho que a construção do novo prédio do Hospital Moinhos de Vento trará para a população de Porto Alegre. Serão oito andares e uma área total construída de 9.300 m².

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O empreendimento, que teve investimentos da ordem de 100 milhões de reais, ampliará a capacidade da unidade em 100 leitos, que receberão pacientes de convênios e particulares. Segundo o gerente de infraestrutura do Hospital,

Carlos Marczyk, os novos leitos serão divididos em Unidades de Internação, Centro de Terapia Intensiva Adulta e Centro de Terapia Hematológica – especializado no tratamento de doenças oncohematológicas. Iniciada em outubro de

2015, a obra encontra-se em fase de execução da estrutura de concreto com lajes nervuradas e envolve alguns aspectos que tornam o trabalho complexo, conforme destaca Pedro Tedesco Silber, diretor presidente da Construtora TEDESCO, em-


presa do Grupo HTB responsável pela edificação, acabamentos e instalações do novo prédio. “A logística de acesso e abastecimento é desafiadora em função da obra estar localizada em uma rua muito íngreme, além de não possuir área para canteiro de obras. Há também o fato de que o bloco em construção é contíguo ao Hospital. Desta forma, temos uma restrição de horário de jornada de trabalho, executando uma obra praticamente justaposta à estrutura existente e em pleno funcionamento”, conta Silber. Para superar esses desafios e buscar organização e eficiência em todas as etapas, a empresa adota o processo PHEO (Programa Hochtief de Excelência Operacional) na obra, com um sistema de planejamento e estabelecimento de rotinas, tarefas e restrições. Além disso, segundo Silber, a construtora tem especial cuidado na seleção de parceiros e fornecedores, sobretudo neste momento de crise, no qual algumas companhias passam por dificuldades.

Perspectivas

Pedro Tedesco Silber e Volker Schmidt, da Construtora Tedesco

O empreendimento, que deve ser concluído no segundo semestre de 2017, irá incorporar vários conceitos de um edifício de alto desempenho e qualidade técnica, como explica o gerente de infraestrutura do Hospital Moinhos de Vento. “Instalaremos, por exemplo, fachadas ventiladas que melhoram a condição térmica da edificação e otimizam o sistema de climatização. Esquadrias com isolamento acústico dotadas de acionamento motorizado para movimentação de persianas. Além disso, teremos um sistema de climatização com filtragem especial, para atendimento da unidade de internação de oncohematológico”, detalha Marczyk. A ampliação do Hospital representa, segundo ele, uma conquista para a saúde da população de Porto Alegre. “Em tempos em que muitas instituições de saúde têm fechado seus leitos, o Hospital Moinhos de Vento está indo na contramão da crise e oferecendo ainda mais leitos que vão contribuir para a saúde da população. Esta obra demonstra o nosso compromisso em cuidar de vidas, reforçando o cuidado que temos ao disponibilizar recursos e opções de tratamento para a comunidade, com um atendimento de excelência”, enfatiza.

Carlos Emílio Stigler Marczyk Health 185 ARQ


Construção

Vista aérea do site fabril da Hemobrás

Desafios do pioneirismo

Saiba tudo sobre as obras da maior fábrica da América Latina e primeira do Brasil destinada à produção de hemoderivados e biofármacos

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oenças de origem genética como a hemofilia afetam a vida de milhares de brasileiros. Segundo o Ministério da Saúde, o país tem cerca de 12 mil hemofílicos em tratamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Na tentativa de promover avanços na política de atenção a pacientes com essa e outras doenças, como cirrose, câncer e Aids, o Ministério criou a Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia), que gerenciará a primeira fábrica do

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Brasil destinada à produção de medicamentos hemoderivados e biofármacos. O parque fabril está sendo erguido em Goiana, a 63 quilômetros do Recife, capital de Pernambuco. Ao todo, serão 17 prédios, em 48 mil m² quadrados de área construída. Iniciada em 2010, a obra está sendo realizada por etapas, conforme destaca Marcio Coppio, diretor comercial da Tep Engenharia, empresa líder do Consórcio Biotec, responsável pela construção do parque. Algumas áreas já foram

concluídas e, inclusive, estão em operação. Um exemplo disso é bloco B01, destinado à recepção, triagem e armazenamento do plasma. Segundo Coppio, trata-se de uma obra que exige uma série de cuidados. “Trabalhamos com foco nas soluções voltadas para o controle de contaminação, na montagem de salas limpas e na geração e distribuição de utilidades limpas”, diz. De acordo com o gerente de engenharia e automação da fábrica, Berlinck Santos,

foram usados materiais próprios para garantir a seguranças nas salas limpas, tais como divisórias com painéis metálicos com o interior em lã de rocha, que possuem maior resistência ao fogo. Além disso, foram mantidos elementos clássicos como cantos arredondados, luminárias faceando o forro e com manutenção pela parte superior, visores com vidros duplos, portas com vedação especial, sprinklers próprios embutidos no forro, difusores e grelhas.


Bloco B01, onde acontece a triagem do plasma

Recepção, triagem e armazenamento do plasma O plasma coletado pela Hemobrás em todo o país – excedente de doações de sangue realizadas em diferentes hemocentros brasileiros – é recebido no bloco B01, conforme explica Santos. No local, é feita a triagem e o armazenamento do material que, posteriormente, é enviado para a França, de onde retorna como produtos hemoderivados, os quais são distribuídos aos usuários do SUS. A iniciativa é resultado de

uma parceria com o Laboratório Francês de Biotecnologia (LFB). Atualmente, todos os medicamentos hemoderivados utilizados no Brasil são produzidos no exterior. Para Marcio Coppio, o maior desafio na conclusão do bloco foi empregar tecnologias inovadoras e inéditas no Brasil, implementando soluções transferidas pelo LFB. “Tivemos que fazer adequações no projeto elabo-

rado pelo laboratório francês, o que exigiu a busca por soluções técnicas no mercado nacional e a realização de melhorias, mas sempre mantendo a essência do projeto. Aplicamos tecnologias de ponta que permitirão a obtenção de certificações internacionais da OMS (Organização Mundial de Saúde), Food and Drug Administration (FDA) e Agência Europeia de Medicamentos”, ressalta Coppio. Dada a criticidade da

matéria-prima armazenada – o plasma humano –, foram instaladas câmaras frias que podem chegar a temperaturas de -35° C. “Os sistemas de refrigeração destas câmaras possuem três níveis de redundância. Elas são operadas por dois sistemas independentes que possuem dois compressores cada. Além disto, cada evaporador pode ser alimentado por quaisquer dos sistemas anteriores”, detalha Berlinck Santos. Health 187 ARQ


Construção

Próximas etapas Quando concluído, o empreendimento terá capacidade de processar 500 mil litros de plasma por ano e será a maior indústria deste segmento na América Latina, conforme destaca o gerente de engenharia e automação da fábrica. “Isso garantirá maior autonomia ao país na produção de hemoderivados e biofármacos e, consequentemente, no tratamento de pacientes que precisam desses medicamentos, como portadores de coagulopatias e imunodeficiências, e pessoas com queimaduras”,

frisa Berlinck Santos. Segundo o gerente, o fracionamento de plasma requer toda a estrutura necessária para a produção de medicamentos biológicos injetáveis, o que representa o segmento mais complexo da indústria farmacêutica. Por isso, a planta contará com sistemas de produção e distribuição de água purificada, água para injetáveis, vapor puro, etanol puro, ar-comprimido farmacêutico, além de outros produtos químicos e utilidades farmacêuticas. “Toda esta estrutura será

automatizada e controlada por um sistema que gerencia, em tempo real, a disponibilidade dos fluidos críticos para as centenas de usuários da planta, de modo a garantir, a todo instante, a manutenção dos requisitos de qualidade determinados pelos órgãos de controle da indústria farmacêutica”, afirma Santos. No projeto do parque fabril, os principais blocos produtivos – destinados ao fracionamento e envase/liofilização – foram concebidos com três pavimentos, como esclarece Santos. Desta for-

ma, agregam a produção e distribuição de utilidades farmacêuticas, o processo produtivo e, no último pavimento, o sistema de HVAC (Central Heating Ventilation and Air-Conditioning). Esse sistema de tratamento e condicionamento de ar, segundo Marcio Coppio, envolve o uso de tecnologia de computação e engenharia de software de ponta, a fim de evitar contaminações nas salas classificadas, além de proporcionar o condicionamento térmico necessário para esse tipo de ambiente com maior eficiência energética.

“Os sistemas de refrigeração destas câmaras possuem três níveis de redundância. Elas são operadas por dois sistemas independentes que possuem dois compressores cada. Além disto, cada evaporador pode ser alimentado por quaisquer dos sistemas anteriores”, Berlinck Santos

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Renovação

Modernização para ficar na história Hospital Daher Lago Sul realiza reforma e ampliação a partir de projeto executivo e de design de interiores com foco na humanização e mantendo a identidade do prédio. Health 190sustentabilidade, ARQ


Fotos: Edgard Cesar Fotografia

O

lhar para o futuro preservando os elos com o passado. Este foi um dos principais desafios na elaboração do projeto executivo e de design de interiores do Hospital Daher Lago Sul, em Brasília. Iniciadas em 2009, as obras visavam promover a modernização e ampliação do prédio, além da incorporação de soluções sustentáveis. Tudo isso sem comprometer o padrão estabelecido nos projetos arquitetônicos que orientaram duas obras anteriores, as quais fazem parte da história da instituição. Fundada em 1978, a unidade surgiu como uma clínica de cirurgia plástica, a partir de um projeto idealizado pelo arquiteto João Filgueiras. Em 2005, o prédio passou por novas obras para tornar-se um hospital geral com todas as especialidades, seguindo um projeto arquitetônico de Haroldo Pinheiro. As mais recentes intervenções são assinadas pelos arquitetos Eneida Silva e Ronaldo Silva, da Frater Arquitetura. Os irmãos assumiram a missão de fazer as adequações necessárias, em conformidade com a RDC 50, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), preservando a identidade da edificação e seguindo um plano diretor bem estruturado, já que as obras aconteceram com o hospital em funcionamento. “Elaboramos um plano diretor de expansão que teve como objetivo definir as etapas da obra, remanejar setores essenciais e redefinir os fluxos, visando estratégias para controle de infecções hospitalares e o bom funcionamento de toda a estrutura com o mínimo de transtorno para os usuários”, ressalta Eneida. Para que tudo acontecesse conforme o planejado, os profissionais ainda apostaram no uso da tecnologia BIM na gestão de informações do edifício e compatibilização da arquitetura com projetos complementares. “Com esse recurso, foi possível visualizar o edifício como um todo, desde a fase inicial até a entrega da obra. As limitações e problemas comuns de projetos elaborados em 2D foram minimizados, possibilitando maior precisão e capacidade para lidar com muitas informações ao mesmo tempo”, conta Ronaldo Silva. Health 191 ARQ


Renovação

Segundo a diretoria do Hospital Daher Lago Sul, as obras permitiram que a instituição dobrasse o número de leitos de UTI e internação da unidade. Além disso, resultaram em uma reformulação completa do setor de oncologia e na construção de uma cozinha central, de áreas de apoio – como rouparia e farmácia –, de um novo centro cirúrgico, pronto-socorro e área para o serviço de hemodinâmica. As mudanças proporcionaram, ainda, um aumento de 120 vagas de estacionamento. Atualmente, a unidade conta com dez boxes de medicação no pronto-socorro, dez salas cirúrgicas, 40 leitos de UTI e 77 apartamentos, sendo oito suítes. “Precisávamos completar serviços ainda não instalados e modernizar outros. Investimos em uma arquitetura extremamente funcional e temos como diferencial uma hotelaria certificada pela ISO 9001 e processos que priorizam não só a cura do paciente, mas também o seu bem-estar”, enfatiza a diretoria. Em consonância, o arquiteto Ronaldo Silva destaca que foram instaladas estruturas que permitem maior flexibilidade na configuração dos espaços. “Fizemos uma modulação visando o aproveitamento dos espaços para várias funções, como atendimento, internação ou serviços, além do melhor aproveitamento do estacionamento nos subsolos. Nos setores que não necessitam de instalações especiais, foram utilizadas paredes e divisórias de drywall, material que proporciona maior flexibilidade na modificação de ambientes”, conta. Também foi dada especial atenção à organização dos fluxos internos, como explica Eneida Silva. “A otimização das circulações se deu por meio da distribuição e definição dos fluxos, respeitando o que ficou estabelecido nos projetos anteriores e fazendo as adequações necessárias. Neste sentido, uma ação importante para a setorização e organização das circulações horizontais e verticais foi a implantação de um sistema de segurança e controle de áreas restritas, em benefício do Hospital e dos pacientes”.

Bem-estar garantido O projeto executivo e de design de interiores do Hospital também foi norteado pela humanização. “A principal preocupação foi a de aproveitar ao máximo a iluminação e ventilação natural nos ambientes para trazer conforto aos pacientes e contribuir para a sua recuperação. É o que vemos na UTI, qui192

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Fotos: Edgard Cesar Fotografia

Novo cenário

mioterapia, pronto-socorro, cozinha, circulações de internação, apartamentos e recepções. Sempre respeitando a legislação vigente quanto a restrições em algumas áreas”, afirma Eneida. Ainda com foco no bem-estar de pacientes e acompanhantes, foram instalados painéis em tela solar nas cortinas, que contribuem para a diminuição do calor no interior do edifício e permitem a visão do entorno. De acordo com Ronaldo Silva, também foram criados terraços, jardins e solários nas áreas intermediárias dos blocos, ligando as circulações. Além


Fotos: Edgard Cesar Fotografia

disso, foram projetados espaços de estar e descanso para os colaboradores. “A humanização dos ambientes é de extrema importância para que o paciente se sinta acolhido e confortável e para que as equipes médicas e funcionários, de modo geral, trabalhem com o máximo de segurança e conforto. Para isso, criamos espaços arejados, iluminados, alegres e confortáveis”, frisa o arquiteto. Segundo a diretoria do Hospital, a intenção é que a humanização se traduza em um conjunto de ações em direção contrária a tudo o que se pensava de um hospital no passado ou ainda hoje, nos padrões convencionais. “A mentalidade vigente nos hospitais é de que o que importa são máquinas e equipamentos, além da competência do corpo clínico. Estes pré-requisitos são obrigatórios, mas é preciso que os pacientes se sintam pessoas e não apenas números, que sejam tratados de maneira especial por toda a equipe”.

Crescimento consciente Várias instalações tiveram como premissa a busca pela sustentabilidade, como esclarece Eneida Silva. “Procuramos reduzir o uso de recursos como energia elétrica e água, recorrendo a recursos naturais renováveis, minimizando os impactos do edifício no meio ambiente”. Para tanto, foram renovados equipamentos de climatização de ar, instalada iluminação em LED e utilizadas placas solares para o aquecimento da água dos chuveiros. A arquiteta ainda destaca que, no acabamento, foram escolhidos materiais de fácil higienização, como a manta vinílica amadeirada no piso dos apartamentos e o papel de parede vinílico. Também foi criado um sistema para captação e armazenamento da água da chuva, que é reaproveitada para regar jardins e limpar áreas externas. Além disso, foram instaladas lixeiras de coleta seletiva, que possibilitam a reciclagem do lixo comum do Hospital. Conforme aponta a diretoria do Hospital Daher Lago Sul, embora tenham sido concluídas as obras inicialmente planejadas, o trabalho acabou. “Nunca podemos dizer que chegamos ao ponto final. Onde há vida não há ponto final, mas sim um movimento constante e interminável. A partir de agora, assume papel preponderante a gestão, no sentido de potencializar ao máximo as novas instalações, aumentando seu aproveitamento e aperfeiçoando os processos em direção à máxima eficiência e satisfação do cliente”. Health 193 ARQ


Renovação

Ficha Técnica Nome do empreendimento: Hospital Daher Lago Sul Endereço: SHIS QI 07 Bloco F – Lago Sul – Brasília/DF – CEP:71615-570 Data do Projeto: 2009 Área total construída: 15.000,00m² Nº pavimentos: Subsolo 01 e 02, Térreo, 1° Pavimento, 2º Pavimento Vagas estacionamentos: 120 vagas Pronto-atendimento: 9 leitos de observação e 6 consultórios Serviços Diagnósticos: ressonância, tomografia, densitometria, raio-x, ecografia, teste ergométrico, eletrocardiograma, ecocardiograma, mamografia ,hemodinâmica. Laboratório de analise clinicas Oncologia: quimioterapia UTI: 40 leitos adulto Centro Cirúrgico: 10 salas Internação: 75 de apartamentos Hemodinâmica : 1 maquina Nº consultórios: 8 Clínica de cirurgia plástica e estética Construtora: Enec Engenharia Coordenação de projeto: Frater Arquitetura Projetos (empresas responsáveis): Arquitetura: Frater Arquitetura Design de Interior: Frater Arquitetura Ar-condicionado: Joule Engenharia Elétrico e hidráulico: ET Projetos e Tecno Projetos Gases Medicinais: Air Liquide Projeto de fundações e contenções: Erreve Engenharia Estrutura de concreto: Erreve Engenharia Luminotécnico: Frater Arquitetura Impermeabilização: Enec Engenharia Prevenção e Combate a Incêndio: Nova Tecim Fornecedores de Material e Serviço: Aço: Arcelormittal Aço Inox: Arcelormittal Andaimes: Loca gym Ar-condicionado: Joule Engenharia Automação: Joule Engenharia Concreto: Ciplan

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Portas: Marcenaria Campos Cortinas: Hunter Douglas Bate Macas: Cosimo Cataldo Mobiliário hospitalar: Meta Hospitalar Armário vestiários: Nilko Foco cirúrgico: Drager Autoclave: Cisa Poltronas Quimioterapia: Herval Detalhes da Obra: Drywal: Gessolar Elevadores: Atlas Schindler Esquadrarias madeira: Marcenaria Campos Esquadrarias metálicas: Alumínio Ferragens: La Fonte Ferragens de portas: La Fonte Fios: Corfio Granito: Cloves Marmoraria Impermeabilização: Enec Engenharia Instalações Hidráulicas e Elétricas: Nova Tecim Luminárias: Everlight Revestimento vinilico de parede: Bravargem Pinturas: Suvinil Piso elevado: AXXIO Piso Vinílico: Ace Revestimento (Gefloor) Revestimento Cerâmico: Gail Porcelanato: Portinari Revestimento Fachada: Vidro laminado (Vitral) Sistema de fixação: Pele de Vidro Terraplanagem: Terra Viva Vidros: Vitral Mão de Obra Civil: Enec Engenharia Fornecedores de Equipamentos: Acabamentos de elétrica: Pial Bombas: Dancor Combate a incêndio: Skyfire Detectores de fumaça: Skyfire Distribuição de água quente e fria: Eluma Escadas/exaustão mecânica: Joule Engenharia Louças: Deca Metais sanitários: Deca Fundação: Sete Engenharia Placas de Drywall: Gessolar


Health 195 ARQ


Renovação

Novo posicionamento transmitido no layout

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Projeto de arquitetura e design de interiores confere imagem mais moderna à sede da United Medical após incorporação da empresa ao GBT – Grupo Biotoscana.

M

odelo preferido das empresas de tecnologia e startups, o open space tornou-se tendência entre companhias que buscam um layout moderno, que facilite a comunicação entre os colaboradores e, ao mesmo tempo, possibilite a otimização do espaço. A United Medical, por exemplo, apostou em um projeto de arquitetura e design de interiores com essas características, buscando se adequar ao novo momento que a empresa vive. Com sede no bairro Moema, em São Paulo, a United Medical atua no mercado de medicamentos de alta complexidade

nas áreas de Oncologia, Hematologia, Infectologia e Doenças Raras. Em 2014, a companhia foi incorporada ao GBT – Grupo Biotoscana, primeira companhia de medicamentos avançados verdadeiramente latino-americana, que oferece um amplo portfólio de especialidades terapêuticas inovadoras de classe mundial. “A United Medical precisava de uma sede mais moderna e que refletisse essas mudanças que a companhia estava vivendo. O projeto desenvolvido ajudou nessa reestruturação”, destaca Moema Wertheimer, sócia-diretora do escritório MW Arquitetura, que assina o projeto. A obra foi realizada em uma

área de 1.285 m², na sede da United Medical, um prédio de quatro pavimentos. Em todos os andares foram feitas reformulações significativas, conforme detalha Moema. “Diretores e gerentes que estavam em salas fechadas passaram para um open space com estações de trabalho tipo plataforma, o que ajudou na interação da equipe. Foram mantidas apenas algumas salas para aqueles que necessitam de um espaço mais reservado. Já as salas de reuniões receberam infraestrutura e tecnologias para facilitar a comunicação com as outras empresas do grupo espalhadas pelo mundo”, conta. Health 197 ARQ


Bem-estar de colaboradores e visitantes

Renovação

Um “meeting box”, – com sofá, almofadas e plantas, além de uma área de coffee e pool de impressão – foi criado no centro do primeiro e segundo pavimentos, nos quais se encontram os colaboradores da empresa. Além disso, o terraço, que anteriormente era usado apenas para acomodar máquinas de ar condicionado, recebeu paisagismo e mobiliário, tornando-se uma área de relaxamento para os colaboradores. No térreo, outra área ganhou cara nova: a recepção. “Ela foi ampliada e sua entrada transferida para uma porta de enrolar que, originalmente, ficava fechada o tempo todo. Isto traz à pessoa que chega ao prédio a percepção de que a da United Medical é uma empresa grande, sólida e moderna. A recepção tornou-se um verdadeiro cartão de visitas”, afirma Moema.

detalhes que fazem a diferença Na execução do projeto, nenhum detalhe passou despercebido, como explica Moema Wertheimer. “O vão do pé direito triplo foi aumentado, criando uma área de maior integração entre os pavimentos e mais luminosidade. Os banheiros foram modernizados e ganharam sanitários com duplo acionamento e caixa embutida. Além disso, instalações 198

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hidráulicas, elétricas, de cabeamento e ar condicionado foram substituídas, assim como os caixilhos foram trocados por novos, acústicos, já que o prédio fica na rota de aviões”, conta. Buscando assegurar a sustentabilidade da edificação e a economia de recursos, foram empregados vidros mais eficientes, que permitem a passagem de luz, mas não de calor. “Combinados a persianas de tela solar, os vidros ajudam a trazer economia para a empresa, pois possibilitam reduzir o uso de ar condicionado”, frisa Moema. Segundo a sócia-diretora do escritório de arquitetura, também foram utilizadas luminárias decorativas em LED, que não só diminuem o consumo de energia elétrica, como tornam a iluminação do ambiente mais aconchegante e o projeto mais sofisticado.

“A United Medical precisava de uma sede mais moderna e que refletisse essas mudanças que a companhia estava vivendo. O projeto desenvolvido ajudou nessa reestruturação”, destaca Moema Wertheimer

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Eventos 2016 Setembro Evento: VII CBDEH

Local: Hotel Bahia Othon Palace - Salvador (BA)

Data: 28 a 30 de setembro Mais informações: www.abdeh2016.com

Novembro Evento: Fórum + Prêmio HealthARQ Local: Espaço APAS - São Paulo (SP)

Data: 22 de novembro Mais informações: www.forumhealtharq.com.br

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