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CARTA AO LEITOR

Funcionalidade, um item imprescindível Caro leitor,

É fato que o segmento da saúde exige uma atenção mais que especial no quesito obras. Independentemente do formato da edificação, cuidados com o projeto arquitetônico devem ser minuciosos para obter um resultado final de qualidade. Seja em uma clínica, hospital ou indústria de produtos médicos. Para garantir que pacientes e colaboradores das instituições utilizem um ambiente com atributos seguros e confortáveis é necessário seguir inúmeros requisitos. E é com esse ideal que trazemos a reportagem de capa, sobre a construção de uma nova fábrica da empresa médico-hospitalar B. Braun, sendo um complexo industrial, localizado em Guaxindiba, bairro de São Gonçalo (RJ). Tal projeto, assinado pelo pioneiro arquiteto Siegbert Zanettini, será executado em diferentes fases e contará com um Centro Logístico que terá, na primeira fase, um armazém para produtos acabados de fabricação local e importados. Em seguida, será construída uma fábrica de Dispositivos Médicos (equipos) e, por último, o Centro Administrativo. A conclusão de todo este empreendimento está prevista para 2017. Ainda nesta publicação, vamos contar com reportagens especiais sobre construções e ampliações da cooperativa Unimed, ao citar as unidades Grande Florianópolis (SC), Jaraguá do Sul (SC), Tatuí (SP) e Resende (RJ). Na editoria Responsabilidade Social, você confere uma matéria que aborda um projeto de arquitetura direcionado às crianças com problemas cardícados. Já na seção Iluminação, a arquiteta Esther Stiller comenta sobre fornecedores, profissionais e a importância de projetos luminotécnicos no atual mercado da saúde. Ainda destacaremos nesta edição a matéria “Susten-

tabilidade em foco” que relata pontos importantíssimos das etapas da ampliação de um hospital localizado na região Sul do Brasil, em que as instalações priorizam soluções sustentáveis. Para enriquecer o conteúdo, apresentamos o projeto do Hospital Villa-Lobos, em São Paulo (SP). A estrutura física da instituição promove um resgate da música brasileira aliada à modernidade de móveis e equipamentos tecnológicos.

Que todos tenham uma excelente leitura!

Edmilson Jr. Caparelli Publisher


EXPEDIENTE

PRESIDENTE Edmilson Jr. Caparelli ecaparelli@grupomidia.com

RELAÇÕES INTERNACIONAIS Jailson Rainer jailson@grupomidia.com

DIRETORA ADMINISTRATIVA Lúcia Rodrigues lucia@grupomidia.com

diretora editorial Priscila Soares Prado priscila@grupomidia.com

GESTORA DE RECURSOS HUMANOS Gislaine Filipine gislaine@grupomidia.com

CONSELHO EDITORIAL Edmilson Jr. Caparelli, Erica Almeida Alves, Jailson Rainer, Lúcia Rodrigues e Priscila Soares Prado

diretor comercial Marcelo Caparelli marcelocaparelli@grupomidia.com

DEPARTAMENTO DE Marketing Erica Almeida Alves

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COMERCIAL

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A revista HealthArq é uma publicação trimestral do Grupo Mídia. Sua distribuição é controlada e ocorre em todo o território nacional. O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos autores. A reprodução das matérias e dos artigos somente será permitida se previamente autorizada por escrito pelo Grupo Mídia, com crédito da fonte.

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68 CAPA

Novo Complexo Industrial Zanettini comenta projeto arquitetônico de empresa de produtos médico-hospitalares e analisa setor da arquitetura para os próximos 20 anos

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Arquiteta comenta sobre fornecedores, profissionais e a importância de projetos de iluminação no atual mercado da saúde

Projeto arquitetônico promove resgate da música brasileira aliada à modernidade de móveis e equipamentos tecnológicos

ARQ entrevista

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criatividade


NESTA EDIÇÃO N.07 I MARÇO | ABRIL | MAIO | 2013

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criatividade

estrutura

Projeto arquitetônico de dois hospitais de São Paulo concretizam eficiência e humanização para seus usuários

Com cinco pavimentos em 10,6 mil m² de área construída, o Hospital Unimed Resende (RJ) proporciona moderna estrutura em sua edificação

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responsabilidade social

Arquitetura das novas unidades da Clínica Huntington prima pela excelência do bem-estar

Projeto de arquitetura bem pensado e doações de empresas tornam real hospital voltado às crianças com problemas cardíacos no RJ

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boletim ARQ

INTEGRAÇÃO Novas torres hospitalares são instaladas na Pensilvânia O Susquehanna Health, em Williamsport, na Pensilvânia (EUA), é um Projeto Parceiro do Centro de Saúde Pebble criado em 2008. Trata-se de um sistema integrado que presta serviços em todo território rural da Pensilvânia central. O Projeto, iniciado em 2012, incluiu a adição de uma nova torre no prédio Williamsport Regional Medical Center. O local foi inaugurado no ano passado e possui departamentos de enfermagem descentralizados. Além disso, possui espaços para acompanhantes em todos os quartos de pacientes. A edificação conta com uma estética agradável de arquitetura e capacidade para comunicação de voz sem fio.

DESIGN Hospital para tratamento mental infantil inaugura novas áreas Uma equipe de design empenhou-se em enfatizar a identidade do Amplatz Children’s Hospital, da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, dedicado ao tratamento de doença mental. Nos ambientes foram utilizadas cores suaves e tons de madeira. Outros setores, como as Salas de Aconselhamento, oferecem tranquilidade e conforto e os quartos que foram projetados para o desenvolvimento de atividades específicas possuem elemento de design que despertam e energizam o ambiente, através de cores fortes e alegres. O projeto traz a renovação de grandes espaços com a valorização da iluminação natural sem a necessidade de remover ou alterar a estrutura da unidade.

EXPANSÃO Universidade de Standford expande novos centros de pesquisa A Universidade de Medicina de Stanford, nos Estados Unidos, passou recentemente por mudanças em sua arquitetura para abrigar novos centros complementares à instituição. Trata-se de novos departamentos para diversas frentes de estudo. A fim de harmonizar a universidade com as novas edificações, o design proporcionou uma reinterpretação contemporânea do campus. Na parede foi utilizada pedras cobrindo a arcada da passagem da rua para o pátio de entrada principal. O piso térreo, onde estão localizadas diversas clínicas, oferece vista para jardins. No segundo piso está o refeitório ao ar livre com vista para o piso abaixo. 12

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EXPOSIÇÃO Obras de arquiteto da saúde são expostas na Holanda Em parceria com o Instituto Holandês de Arquitetura (NAI) e a Universidade de Delft (Holanda), o Museu da Casa Brasileira realizou a primeira itinerância internacional da exposição do arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé. Sediado na cidade holandesa de Roterdã, o NAI abrigou, até fevereiro, a exposição “Lelé: arquiteto da saúde e do bem-estar”. A mostra possibilita apreender o apuro técnico e a grande inventividade das soluções propostas pelo arquiteto na implantação de uma espacialidade adequada ao homem e ao ambiente no Brasil, com projetos integrados corretamente à paisagem e ao contexto sociocultural.

CUIDADOS Arquitetos desenvolvem projeto para cuidados com o coração dos pacientes O Louis & Peaches Owen Heart Hospital, localizado em Texa, nos Estados Unidos, foi inaugurado recentemente, trazendo um novo conceito de arte. As instalações contam com uma moderna estrutura para cuidados cardíacos. Desde o início, a equipe de arquitetura deixou claro que queria construir uma instalação de classe mundial, que combina a mais recente tecnologia e equipamentos, com um design intemporal. Também foi dada uma ênfase especial no desenvolvimento de ambientes mais tranquilos, a exemplo de jardins. Além disso, o hospital possui interiores com características humanizadas.

FLEXIBILIDADE Hospital na Suécia contempla três alas e se destaca pela fachada irregular O Hospital Helsingborg, na região Sul da Suécia, divulgou seu projeto de construção. A instituição contará com 35 mil m², compreendendo uma ala para psiquiatria adulta, clínica e laboratórios. Os arquitetos da obra priorizaram a flexibilidade, o traçado limpo, variedade, escala humana, pátios verdes e condições ideais para iluminação natural. A edificação permite futuras demandas e mudanças de uso e função. Vale mencionar que o prédio corresponde à escala dos edifícios do entorno. Já a fachada irregular do local e recortada cria variação entre os espaços e ainda pode ser adaptada, com a abertura e fechamento das janelas, dependendo da funcionalidade de cada ambiente. Health ARQ

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Congresso no setor da construção O Construction Congresso ocorre simultaneamente à Construction Expo 2013, 2ª Feira Internacional de Edificações e Obras de Infraestrutura. O evento, marcado entre 5 e 8 de junho, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo (SP), debaterá os principais temas que norteiam o mercado da construção. Direcionado aos engenheiros, empresários, técnicos e profissionais da cadeia da construção, o congresso oferecerá uma oportunidade para a difusão do conhecimento. Inscrições no site oficial: http://www.constructioncongresso. com.br/. Mais informações pelo telefone: (11) 3060-6377 ou pelo e-mail constructioncongresso@joyeventos.com.br.

Trabalho une design e saúde A arquiteta do Hospital Moinhos de Vento (RS), Gabriela Bassols, obteve aceite para o trabalho inscrito no congresso “Design for Health”, que ocorre entre os dias 3 e 5 de julho na Sheffield Hallam University, no Reino Unido. A pesquisa, intitulada “Using experience-based design research to improve patients experience at MRI diagnosis services?“ (“Como o Design de Serviços pode aprimorar a experiência do usuário na Unidade de Diagnóstico por Imagem do Hospital Moinhos de Vento?”), faz uma análise sob a ótica do design estratégico, os serviços prestados pela Unidade de Diagnóstico por Imagem da Instituição. Mais informações sobre o congresso no site: www.design4health. org.uk/.

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Leitos mais confortáveis Com a proposta de modificar os leitos para trazer mais conforto, o Mount Sinai Hospital Queens, em Nova York (EUA), optou por quartos individuais ao invés de duplos. Na primeira fase do projeto, o arquiteto Charles J. Nafie desenvolveu um plano para modificar 13 quartos, criando 10 individuais com banheiros. A equipe de design foi encarregada de criar um plano para acomodar a variedade de layouts existentes e modernizar o espaço. Os quartos dos pacientes renovados incluem sistema digital de chamada para enfermeiros, televisões de tela plana, novos acabamentos, piso laminado de madeira, máscaras motorizadas com controles de cabeceira, banheiros novos com sensor automático e controle de iluminação.

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Health ARQ

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O valor da luz

ARQ entrevista

A iluminação aos olhos de Esther Stiller Arquiteta comenta sobre fornecedores, profissionais e a importância de projetos de iluminação no atual mercado da saúde

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o longo de mais 40 anos de carreira, a arquiteta especializada em projetos de iluminação, Esther Stiller, coleciona em seu portfólio inúmeros cases de sucesso em diversos centros de saúde, entre os quais os edifícios mais recentes do Hospital Albert Einstein, Hospital Samaritano e unidades do Laboratório Fleury em Anália Franco, Alphaville, Vila Mariana, Braz Leme. Em entrevista exclusiva à revista HealthARQ, Esther Stiller aborda temas como a profissão do arquiteto de iluminação, inclusive de sua Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação (AsBAi). A arquiteta considera que, de modo geral, observa-se um aumento na procura dos serviços de especialistas de iluminação, mas enfatiza que isso não significa “uma correspondente e geral elevação da qualidade desses projetos”. Se por um lado Esther Stiller salienta a falta de dedicação à pesquisa e ao estudo do segmento, ela também ressalta a questão dos contratantes, que “no afã de atender aos exíguos prazos de conclusão dos empreendimentos, acabam por determinar cronogramas que não prevêem a suficiente dedicação do profissional responsável para o projeto de iluminação”. 16

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HealthArq: Como a sra. avalia o mercado de arquitetura de iluminação no Brasil, principalmente no segmento da saúde? Esther Stiller: Esse mercado é ainda incipiente, de um modo geral, inclusive na área da saúde. Infelizmente, os arquitetos de iluminação não dispõem de dados que avaliem o percentual de obras recentes – últimos 15 a 20 anos – que receberam os benefícios de um bom projeto de iluminação. Mas, sabemos que ele é mínimo, mesmo nos grandes centros cosmopolitas, como São Paulo. Entretanto, houve um incremento generalizado de solicitações de projetos, principalmente em decorrência dos requisitos impostos pelos processos de certificação. O segmento de saúde tem investido nessa qualificação. Os hospitais, de modo geral, perceberam que a sua imagem, como instituição bem sucedida, passa pelo alinhamento com as responsabilidades sociais e ambientais, além da credibilidade médico-científica e dos aspectos de humanização, tão invocados atualmente na qualificação dos centros médicos do País. O aumento da procura, no entanto, nem sempre significou uma correspondente e geral elevação da qualidade desses projetos, pois

há inúmeros praticantes da matéria que preferem atuar no que entendem ser o aspecto “emocional” da iluminação, preferindo os diferenciais estéticos ao aprofundamento dos aspectos fisiológicos e biológicos que suportam a matéria, assim como os aspectos psicológicos e emocionais relacionados à recuperação dos pacientes e à perfeita condição de trabalho dos profissionais das áreas clínicas. De fato, a proposição de sistemas de iluminação para as áreas de saúde implica em dedicação à pesquisa e ao estudo desse segmento, o que nem todos desejam envolver-se de forma tão profunda na matéria. De outro lado, nem sempre os contratantes têm conhecimento desses pormenores e, no afã de atender aos exíguos prazos de conclusão dos empreendimentos, acabam por determinar cronogramas que não prevêem a suficiente dedicação do profissional responsável para o projeto de iluminação. Dessa forma, acabam por não contribuir para a evolução desses profissionais. HealthArq: Como é a procura pela arquitetura de iluminação pelos centros de saúde? Esther Stiller: Sem dúvida as solicitações aumenta-

ram consideravelmente nos últimos 10 anos, em especial pelas razões expostas acima. Em São Paulo, por exemplo, os hospitais ligados a importantes fundações têm se empenhado em qualificar suas instalações, o que implica em aumento da procura por profissionais relacionados a projetos de iluminação. Se, de outro lado, a pergunta se refere à forma pela qual os profissionais são integrados às equipes, em geral, isso se dá pelo convite do arquiteto responsável pela obra, que acredita na valorização do seu projeto, sem ter conhecimento efetivo sobre todos os benefícios que podem ser auferidos a partir de um bom e qualificado projeto de iluminação. Ou, então, o setor de manutenção das empresas de saúde acaba tomando a iniciativa de contratar profissionais que apliquem soluções inovadoras no tocante a diminuição de consumo e facilidade de manutenção dos equipamentos, etc. Mas há projetos que se iniciam através de gerenciadoras de projetos, ou mesmo de algumas construtoras, interessadas em tornar mais “eficientes” os sistemas que estarão a implantar em suas obras. HealthArq: Como a sra.

analisa a preocupação de centros de saúde quanto à arquitetura de iluminação? Esther Stiller: Muito, mas muito raramente mesmo, as solicitações de projeto têm início na diretoria clínica. A impressão que tenho tido nestes anos é que a identificação da necessidade de um bom e eficaz sistema de iluminação parte dos arquitetos, da engenharia ou da manutenção, e sempre objetiva qualificação arquitetônica, do lado dos arquitetos, e diminuição de custos de operação, por parte dos engenheiros. Dificilmente há médicos envolvidos nesse assunto. O que não significa que estes não pretendam qualificar seus edifícios, significa, antes, que os arquitetos de iluminação não estão divulgando suficientemente os benefícios da sua profissão. Há ocasiões em que o hospital busca qualificação geral e, acreditando desenvolver um bom trabalho, implanta propostas bastante inusitadas em termos decorativos, acreditando oferecer o diferencial que a chamada “humanização” apregoa. Mas isso geralmente está na contramão dos requisitos fisiológicos e biológicos da visão e, ao invés de qualificar, prejudica seriamente o desempenho do corpo clínico e dos Health ARQ

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O valor da luz

ILUMINAÇÃO pacientes em tratamento ou em recuperação. Sem contar as necessidades de parentes e acompanhantes que, se não estão na linha direta do tratamento, às vezes são exigidos muito além do paciente, em termos psicológicos e emocionais. De um modo geral, os diretores de hospitais carecem de conhecimentos mais profundos acerca dos benefícios e implicações de um projeto de iluminação, assim como dos riscos que pode sofrer uma instituição, em termos de mau desempenho do corpo clínico e altos custos operacionais, quando a necessidade do projeto é identificada, mas o profissional selecionado não é qualificado para a tarefa. Ou ainda quando, efetivamente, um bom projeto é apresentado, mas o departamento de compras anula os benefícios nele contidos, decidindo, unilateralmente, comprar aquilo que lhe parece ser “a mesma coisa que o material especificado”, o que, geralmente, não é. HealthArq: Como a sra. avalia a iluminação de hospitais e clínicas? Esther Stiller: De um modo geral a iluminação dos grandes centros médicos e clínicos em São Paulo melhorou bastante, mas a imensa maioria dos edifí18

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cios continua a ter péssimas instalações de iluminação. Dentre o grande rol de requisitos citados acima como conforto físico e emocional, bem-estar psicológico, harmonia estética, uso racional da energia elétrica, longa vida dos equipamentos, mínimas operações de reposição, atendimento aos conceitos de sustentabilidade, etc. são objetos de atenção das instituições, tanto em prédios reformados quanto em novos edifícios. Acredito que nas demais grandes cidades do País existam alguns edifícios diferenciados em termos de qualidade de iluminação. Mas, na imensa maioria das edificações hospitalares no Brasil, os sistemas se resumem ao uso de lâmpadas fluorescentes de 32W ou até 40W (ainda muito usuais), em luminárias sem qualquer atendimento aos requisitos de assepsia, conforto visual e alto rendimento luminoso, com manutenção deficiente e resultados muito inferiores aos determinados pelas Normas Técnicas. Isso não só se coaduna com as más condições da saúde no Brasil, mas colabora para o mau desempenho das funções de trabalho dos profissionais que atuam nesses locais. Sem contar o desconforto

dos pacientes e parentes, que se inicia muito antes das más condições da iluminação, como sabemos. HealthArq: Como a sra. avalia as ações da AsBAI na iluminação dos centros de saúde? Esther Stiller: A AsBAI tem como objetivo qualificar o profissional da área de projetos de iluminação e divulgar os benefícios decorrentes dos bons trabalhos nessa área da arquitetura. O segmento das edificações de saúde faz parte do conjunto geral dos objetivos da associação. As ações nesse sentido foram feitas – até onde participei da diretoria, no final de 2011 – através de cursos e eventos que trouxeram atualização técnica e contato com trabalhos de colegas do Brasil e do exterior. Algumas ações foram realizadas nesse sentido visando inserir a profissão na cadeia da produção do edifício, como o Manual de Escopo para Projetos de Iluminação, realizado pelo SECOVI, que integra um conjunto de Manuais de Projetos de toda a cadeia produtiva, e que permite ao empreendedor qualificar o corpo técnico responsável pelos seus projetos. É importante notar, entretanto, que há

inúmeras e fortes razões para que a associação não esteja atuando de forma incisiva como necessitamos e desejamos – na área da saúde como em outros segmentos. O que acontece na AsBAI, como em outras associações de mesmo porte, é que ela é conduzida por profissionais que a ela dedicam – de forma voluntária e abnegada – uma parte substancial do seu tempo de trabalho, através do qual, garantem sua subsistência. E isso impede a agilidade que se desejaria ter e que se faz necessária ao desenvolvimento da maioria dos programas planejados nas suas diretorias. Mas, talvez, o mais importante a dizer é que, desde a sua fundação, no ano 2000, as diretorias que estiveram à sua frente tiveram que estruturar a associação, dando-lhe corpo e voz, e programando um percurso de divulgação da profissão, a partir da qualificação dos profissionais. Essa qualificação teria que passar, necessariamente, pela formação de novos profissionais, o que exige um empenho enorme por parte do atual corpo de profissionais que atuam no País. HealthArq: Como a sra. avalia a formação dos


profissionais deste segmento, bem como a oferta de mão-de-obra qualificada no país? Esther Stiller: Não há cursos de formação específica para arquitetura de iluminação no Brasil. Há inúmeros cursos livres, assim como algumas propostas de Pós-Graduação que deixam a desejar no aspecto da atividade de projetos, tanto na concepção como na experimentação de soluções. A limitada oferta de mão-de-obra é uma consequência dessa lacuna na formação de arquitetos especializados em projetos de iluminação. De modo geral, a oferta de bons profissionais é minúscula, frente ao imenso potencial de um mercado ávido para acolher bons sistemas de iluminação. A aversão ao conhecimento científico e ao aprofundamento das suas habilidades técnicas, por parte dos arquitetos, certamente contribui para a fragilidade técnico-científica que se constata, de forma crescente, nessa atividade em que a tecnologia avança de forma muito rápida na direção de ferramentas cada vez mais complexas, que exigem alto grau de consistência técnica para a sua correta aplicação. Refiro-me aos LEDs, claro, que exigirão de todos os profissionais idôneos e responsáveis,

um aprendizado longo e persistente na direção do domínio da sua complexidade, domínio esse que é indispensável para a sua correta aplicação. HealthArq: Como a sra. analisa a importância da atuação da AsBAI na valorização do profissional? Esther Stiller: Sendo um dos seus objetivos estatutários, a valorização do profissional é de suma importância para a AsBAI, claro. Com certeza houve algum progresso, a partir da fundação da AsBAI, no reconhecimento profissional pelo mercado. O aumento da atividade da construção civil também gerou maior interesse dos empreendimentos acerca dos benefícios que podem ser obtidos com bons projetos de iluminação. Mas a verdadeira valorização dos profissionais decorre da qualidade dos seus projetos, e essa, por sua vez, decorre do grau de conhecimento e de criatividade do profissional. Entendo que a única forma de valorizar o profissional é investir na sua formação, na sua permanente atualização técnica, na ampliação das experiências de projeto, que ocorre através do contato com colegas de outros mercados e culturas. E esse planejamento de valorização profissional

dentro da AsBAI inclui esforços no sentido de conseguir condições de criar a Certificação Profissional, o que demandará tempo e muito esforço das diretorias da associação. No intervalo de tempo entre os planos e a realização desse objetivo, a AsBAI investiu e continua a investir em cursos e eventos para promover esses objetivos, e a presença de grande público em todos esses eventos demonstra que o mercado está ávido para participar desse processo de valorização. HealthArq: Como a sra. analisa a relação entre o arquiteto e o fornecedor de luminárias? Esther Stiller: Vejo o contato entre fornecedores e profissionais especificadores como uma relação em que deve prevalecer a mútua independência, o mútuo respeito e máxima transparência, cuja comunicação deve ser baseada exclusivamente nos produtos e no material técnico ofertados por cada fornecedor. A idoneidade técnica dos produtos e respectivos dados luminotécnicos é, para mim, o objetivo prioritário da minha relação com os fabricantes de luminárias. Muito pouco ou nada existe além disso, embora o contato próximo às equipes de desenvolvimento

de produto nos permita sugerir novos equipamentos, que venham a nos atender conforme nossas necessidades. Do mesmo modo, o suporte técnico e de laboratório (de medições) é um item fundamental no nosso relacionamento. Entendo que, guardadas essas características de relacionamento, os profissionais têm muito a sugerir aos fabricantes, não apenas no desenvolvimento de novos produtos, mas em termos de melhoria das linhas e sistemas específicos de cada fabricante. A credibilidade dos dados técnicos, especialmente os que se relacionam com a medição das luminárias, é um ponto de honra, para mim e com certeza para os profissionais idôneos que atuam no mercado. Não posso admitir empresas que não conseguem comprovar, no momento da verificação do desempenho dos seus produtos, as informações técnicas divulgadas entre os profissionais. Para finalizar, considero mandatório o respeito do fornecedor para com as especificações dos nossos projetos, o que me faz evitar o contato com empresas que não têm nenhum constrangimento em “atravessar” as nossas especificações propondo “similares” que não atendem às determinações de desemHealth ARQ

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ILUMINAÇÃO

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penho dos equipamentos, e que, atuando dessa maneira, destroem todos os nossos esforços no sentido de atender aos objetivos do cliente e de seus arquitetos. Para mim isso é absolutamente inadmissível. HealthArq: Como a sra. analisa o mercado nacional de iluminação? Atualmente, o profissional dispõe de tecnologias e avançados equipamentos para a concretização de seu projeto? Esther Stiller: Hoje, de fato, e a partir da economia globalizada, o mercado brasileiro passou a dispor de tecnologia e produtos que se utilizam nos grandes centros internacionais. Quaisquer produtos e tecnologias podem entrar no mercado brasileiro, ao contrário do que ocorria antes dos anos 90. Entretanto, nem tudo o que chega até nós tem a qualidade que desejamos para nossos trabalhos porque, na maioria dos casos, o mercado brasileiro busca soluções aparentemente “avançadas”, com preços de luminárias deficientes. Enquanto isso, na outra ponta da avaliação do mercado, os produtos diferenciados em termos de efetiva qualidade são tachados de “muito caros”. E isso se traduz na paisagem geral das edificações brasileiras: 20

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um certo ar de pretensão na linguagem visual, com grande dose de ineficiência, quando o assunto é o desempenho técnico. Isso não quer dizer que não tenhamos bons produtos à disposição no mercado, sejam eles trazidos da Europa ou dos EUA, ou até mesmo fabricados no Brasil. Estes são muito raros, mas existem, e garantem certa tranquilidade para a atuação dos profissionais de projetos de iluminação. HealthArq: Como conciliar harmoniosamente e estrategicamente a iluminação natural e artificial em projetos luminotécnicos hospitalares? Esther Stiller: Os edifícios de hospitais são, geralmente, de grande porte. O programa dos hospitais requer, quase sempre, a múltipla divisão dos espaços em salas de menores dimensões – consultórios, salas de exames variados, locais para tratamentos individuais e coletivos, enfermarias, apartamentos, salas de curativos e de cirurgia, postos de enfermagem, etc. Essa característica, muitas vezes, implica em ambientes que, nem sempre, são localizados nas áreas que recebem iluminação natural. Outro ponto a considerar é que a luz natural implica em introduzir, no ambien-

te interno da edificação, a energia térmica que faz parte do espectro visível da luz, embora essa seja invisível. Ou seja, onde penetra a luz natural também penetra o calor. E o calor exige energia elétrica para ser retirado do interior dos edifícios, através dos sistemas de ar condicionado. Isso significa que, antes de se utilizar indiscriminadamente a luz natural nas áreas onde ela pode ser aproveitada, é preciso dimensionar o sistema de ar condicionado necessário para resfriar o ambiente, que será aquecido pela luz natural. E essa é uma das prioridades dos estudos relativos à correta aplicação dos conceitos de sustentabilidade nos edifícios. Mas, o que de fato deve ser considerado nos hospitais é a possibilidade de aplicar, através do aproveitamento da luz natural e dos sistemas de iluminação artificial, a variação do espectro da luz conforme o ciclo circadiano, de modo a tentar reproduzir, ao menos nas áreas de permanência dos pacientes, a variação da luz conforme diferenças entre o sol da manhã, do meio dia, da tarde e do final do dia. Esse tipo de sistema é importante item no quesito de bem-estar geral dos pacientes e acompanhantes, e importante ferramenta na condução

do tratamento de pacientes, de modo geral, pelo prazer emocional que esse tipo de sistema oferece, além de ser extremamente importante nos pacientes que sofrem de doenças degenerativas do cérebro. A tecnologia que nos tem permitido sonhar com a implantação desse tipo de sistemas é a tecnologia de LEDs, cuja característica de grande variedade de tonalidades dos diodos permite a implantação de sistemas de dupla ou tripla tonalidade, facilitando a identificação dos diferentes momentos do dia, com relativa facilidade, fato que não se podia conseguir com a tecnologia convencional. HealthArq: Como a sra. avalia as novas tecnologias de LEDs e os benefícios que se pode conseguir através dela, em especial, nos edifícios hospitalares? Esther Stiller: A nova tecnologia de LEDs já introduziu, desde meados do ano passado, grandes benefícios em termos de economia de energia, quando a comparamos com todos os tipos de lâmpadas convencionais que se prestam ao uso em interiores – halógenas, fluorescentes compactas, fluorescentes lineares e vapores metálicos. Outros benefícios, como a ausên-


cia de mercúrio, emissão de calor e de raios UV, bem como a longa vida útil – 35.000 a 50.000 horas – já eram bastante conhecidos. O que está começando a acontecer, atualmente, é a oferta de luminárias com fachos diversificados e mais adequados ao uso em interiores. Antigamente era praticamente impossível desenvolver bons projetos de iluminação com LEDs, não só pela tímida vantagem de economia de energia que apresentavam comparativamente

às lâmpadas fluorescentes lineares, mas principalmente pela pobreza da tipologia de fachos luminosos, restritos à luz exclusivamente difusa, com eficácia mediana, e altos índices de ofuscamento. A tonalidade da luz proporcionada por essa geração de luminárias também era bastante inóspita, pois variava entre 5.000 e 6.000K, ou seja, exageradamente fria e, por isso, inadequada para ambientes que não fossem exclusivamente de trabalho. Hoje, a ten-

dência de ampliação dos tipos de fachos luminosos e de diferentes tipos de luminárias é uma segurança para a aplicação adequada dos LEDs nos ambientes internos. Há, entretanto, que se ter em mente que os sistemas de iluminação obtidos a partir de LEDs devem ser muito bem concebidos, muito bem desenvolvidos e produzidos, para que os benefícios da tecnologia sejam efetivados através desses produtos: controle rigoroso da emissão de calor, para que não se

diminua de forma acentuada a vida dos diodos, nem a sua produção luminosa (depreciação); bom projeto óptico dos refletores, para máximo aproveitamento luminoso e manutenção da eficácia dos LEDs (lms/W), além do rigoroso controle do ofuscamento (decorrente do alto brilho das fontes de LEDs); garantia de origem do LED para manutenção da cor ao longo das operações de manutenção (binnning); facilidade de reposição dos módulos; etc.

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Orientação

Fonte de tranquilidade

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Executivo do setor de luminotécnica orienta quais modelos ideais de lâmpadas para garantir a humanização nos ambientes hospitalares

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comum pensar na luz de duas formas: natural e artificial. Na ausência da primeira, parece que todas são iguais. Se isso fosse verdade, a indústria não estaria se empenhando tanto para desenvolver produtos com vários formatos e cores. Cada lâmpada tem sua aplicação ideal que vai muito além do aspecto estético. A funcionalidade, conforto e bem-estar também são grandes atributos inerentes à iluminação. Ao escolher a luz correta

para um ambiente hospitalar, os gestores devem se atentar além das normas técnicas. É preciso se preocupar com a função terapêutica, do ponto de vista do paciente, e oferecer o conforto luminoso necessário para aliviar a tensão dos profissionais da instituição de saúde. O hospital que adota um mesmo modelo de iluminação em todos os ambientes, que por princípio têm funcionalidades distintas, já apresenta uma falta de conscientização

sobre a importância da qualidade da luz. E quando o espaço passa a sensação de ser utilizado com descaso, o sentimento do paciente e do profissional não deve ser diferente. Ricardo Cricci, Diretor da Divisão LED da Lâmpadas Golden, elenca alguns procedimentos para instalar a iluminação nos ambientes de saúde. Ele recomenda a utilização da temperatura de cor certa, uma luz de apoio nos leitos para consultas e produtos com alta eficiência energética como

“A luz atua como uma profunda aliada do processo terapêutico” Ricardo Cricci, Diretor da Divisão LED da Lâmpadas Golden Health ARQ

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Orientação

ILUMINAÇÃO o LED. “Isso é necessário, pois a iluminação fica quase 24 horas acesa”, ressalta. Questionado sobre o melhor uso das lâmpadas para a humanização nos ambientes, Cricci destaca alguns pontos. Primeiro, a necessidade de estar atento ao tipo de atividade que se desenvolve no ambiente. “Uma sala de coleta de exames, por exemplo, demanda uma iluminação mais estimulante e com maior potencial lumínico que as dependências para repouso dos pacientes”, explica. Segundo o diretor, a iluminação indireta é sempre mais agradável, pois não ofusca e também não promove a sombra, porém tem a desvantagem

de consumir mais energia. “Mas como estamos falando em humanização nos ambientes, o conforto deve vir em primeiro lugar”, afirma. Para Cricci, quanto mais confortável for o ambiente, maior será a sensação de acolhimento para pacientes, que geralmente chegam fragilizados pelo quadro de saúde. “A luz atua como uma profunda aliada do processo terapêutico.” Ao avaliar o uso de novas técnicas de luminotécnica no Brasil para auxiliar o tratamento de pacientes, Cricci considera que os hospitais do País têm percebido a importância das cores e luz na recuperação dos usuários.

MERCADO DA LUZ No mercado é possível encontrar produtos que atendam a demanda tanto da área destinada aos leitos, quanto para ambientes de trabalho, com variedade de cor e potência para abranger um grande estoque de aplicação. A Linha Extreme LED, da Lâmpadas Golden, que, devido a sua elevada eficiência energética, permite às instituições ter fontes de luz mais duráveis e com menor consumo de energia. Na troca de uma lâmpada tubular T8 de 32W por uma tubular de LED de 18 W, considerando o consumo do reator, é possível reduzir o consumo de energia em 50%.

SAIBA MAIS Os hospitais possuem espaços variados, onde a iluminação deve adaptar-se ao uso do mesmo. Por exemplo, nos leitos de repouso é ideal o uso de fontes de luz com temperatura de cor mais amena, entre 2.700K e 4.000K, pois proporciona a sensação de tranquilidade e são mais aconchegantes. Geralmente utiliza-se lâmpadas halógenas e fluorescentes compacta de 3000/4000K. Para ambientes de trabalho contínuo o indicado são lâmpadas de temperatura de cor mais elevada, entre 5000K e 6000K. Nessa variação a luz emitida transmite mais estímulo (despertar). Vale citar que, quanto maior a temperatura de cor, mais branca é a luz. Em ambientes hospitalares predomina-se o uso da lâmpada fluorescente tubular, que possui variação de temperatura de cor e ótimo fluxo luminoso. Devido à distribuição luminosa não focal, este modelo ilumina o ambiente de forma geral. Ainda sobre a tecnologia LED, vale citar que esta possui as mesmas características que as lâmpadas tradicionais, tornando fácil a substituição e agregando as vantagens de ser uma tecnologia limpa, livre de substâncias prejudiciais ao ser humano. 24

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Fácil acesso

FLEXIBILIDADE

Praticidade nos espaços Projeto de construção do Centro de Diagnósticos Unimed, no interior de São Paulo, insere medidas de fácil acesso em blocos diversificados 26

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ocalizado estrategicamente na área central de Bauru (SP), o Centro de Diagnósticos Unimed (CDU) foi idealizado para oferecer serviços de excelência à saúde para a população. A instituição terá quatro edificações verticais, com o acesso facilitado por três ruas. A área total construída será de 17.625.50 m² em um terreno de mais de 3.700 m². Devido ao perímetro bastante irregular, o projeto foi concebido de forma a suportar as quatro edificações distintas. O local contempla pa-

vimentos com planta livre, permitindo mudanças constantes de layout. Ainda possui ambientes com fechamentos moduláveis e forros praticáveis, sendo essas as tecnologias que possibilitam possíveis instalações técnicas. Segundo o arquiteto Maurício Costa, da Albiero e Costa, empresa que elaborou o projeto, cada unidade do CDU tem uma função específica. O centro contará com um bloco de 3.086,43 m² com três pavimentos, destinados a exames laboratoriais, cardiologia/vascular, imagenologia, resso-

nância magnética, raio-x e diagnóstico para mulheres. O CDU ainda terá o bloco Medical Center, uma edificação com oito pavimentos. Essa área será destinada ao Ambulatório de Saúde Ocupacional (ASO), Serviço de Atendimento Unimed Domiciliar (SAUD) e Medicina Preventiva. Também está no projeto a construção de mais dois blocos, o operacional e o administrativo. O primeiro é composto por estacionamento, dependências técnicas, vestiários, refeitório e espaço de lazer. Já

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Fácil acesso

FLEXIBILIDADE o segundo, contará com pavimentos com lanchonete, administração, central de controle de informática e segurança. “A característica da implantação de vários blocos é uma proposta que permite circulações diferentes. É uma maneira que garante o funcionamento das unidades e de suas respectivas atividades de forma autônoma”, avalia o arquiteto Edward Albiero Junior, da empresa responsável pelo projeto. Também vale destacar que cada bloco nesta obra foi agrupado conforme a necessidade de uso. As edificações do CDU foram projetadas com a finalidade de facilitar os acessos e eliminar barreiras arquitetônicas.

CONCEITOS SUSTENTÁVEIS A sustentabilidade está presente na estrutura predial do CDU. Conforto ambiental, humanização e soluções ecológicas, como a escolha do tipo de iluminação, fazem parte das diretrizes do local. Alguns aparelhos de exames terão sistema de chiller com torre de resfriamento e coluna d’água. Já os demais ambientes serão atendidos com o método inverter VRF. Tais tecnologias permitirão a redução do consumo de energia elétrica entre 40% e 60%. O centro também utilizará o gás R 410 A, um hidrofluorcarbono (HCF), que garante maior eficiência energética e não prejudica a camada de ozônio. Além disso, é válido citar que essa obra contempla normas para a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Essa iniciativa traz inúmeros benefícios, tanto para a proteção do meio ambiente, quanto para a qualidade de vida dos colaboradores da instituição. 28

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DETALHES DA CONSTRUÇÃO Estacionamento: Subsolo 2 - 3.634.65 m² Subsolo 1 - 3.038.72 m² Total dos subsolos - 6.673.37 m² - aproximadamente 200 vagas CDU: Térreo - 1.275.18 m² Pavimento 1 - 911.87 m² Pavimento 2 - 899.38 m² Total - 3.086.43 m² Lanchonete e Administração: Térreo - 103.36 m² Pavimento 1 - 103.36 m² Pavimento 2 - 103.36 m² Total - 310.08 m² Anexo - Vestiários e Refeitório: Térreo - 142.34 m² Pavimento 1 (vestiário) - 135.79 m² Pavimento 2 (refeitório) - 135.79 m² Cobertura (lazer) - 69.00 m² Total - 482.92 m² Medical Center: Térreo - 971.30 m² Mezanino - 411.66 m² Pavimento tipo - 782.82 m² - (x7) - 5.479.74 m² Total - 6.862.70 m² Passarelas - 210.00 m² Área total construída: 17.625.50 m²

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Dois em um

criatividade

Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch - M’Boi Mirim

A beleza além do exterior Projeto arquitetônico de dois hospitais de São Paulo concretizam eficiência e humanização para seus usuários

A

fora alguns detalhes, o Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch - M’Boi Mirim, localizado no extremo sul de São Paulo, e o Hospital Cidade Tiradentes, na 30

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zona leste, têm em sua concepção arquitetônica muitos pontos em comum. Trata-se de obras assinadas pelos escritórios Borelli & Merigo e Makhohl Arquitetura que trou-

xeram conceitos como sustentabilidade e humanização em toda a infraestrutura. A obra rendeu aos arquitetos uma Menção Honrosa da Premiação do Instituto de Arquitetos do


Implantação Hospital M’Boi Mirim

Brasil, em 2006, pela categoria “Edifícios: Obras Construídas – Modalidade Institucional”. “O projeto deveria ser único, que pudesse ser implantado nos dois terrenos, cada um com suas condições específicas, sendo que, devido às características do local, no Hospital M´Boi Mirim foi necessário a implantação de uma Praça de Acesso para o PA/PS e, também por uma solicitação do programa, foi projetado um heliponto na cobertu-

ra do prédio”, explicam os arquitetos. O trabalho seguiu rigorosamente os parâmetros da RDC nº 50 do Ministério da Saúde, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Conforme a norma exige, os pisos das áreas técnicas, por exemplo, são em linóleo, e as paredes têm pinturas especiais para hospitais. “Do lado exter-

no, as empenas de concreto foram tratadas com verniz poliuretano e as alvenarias de bloco foram revestidas com massa raspada”, salientam. Os arquitetos valorizaram ambientes que proporcionassem um maior contato com o meio externo, ao invés de espaços confinados. Para tanto, foram planejados jardins de inverno, substituindo, assim, os corredores por circulações mais abertas misturadas com áreas de espera e grandes vazios. Health ARQ

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Dois em um

criatividade

Hospital Cidade Tiradentes

Os postos de enfermagem, por exemplo, são dispostos como “ilhas” na faixa central do pavimento. “O bloco contínuo e comprido pedia soluções que o compartimentasse em relação à luz e circulação.” Para intensificar ainda mais o contato com o meio externo, a iluminação e a ventilação natural foram trabalhadas de modo a trazer maior conforto e bem-estar para os usuários. “Está provado que a luz natural ajuda na recuperação dos pacientes que precisam ter noção exata de quando é dia ou noite.” De acordo com os arquitetos, esses elementos foram valorizados inclusive em setores mais restritos como na UTI e no Centro Cirúrgico. No 32

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centro da construção, por exemplo, os jardins formaram um espaço aberto à entrada de iluminação natural. Segundo Renata Souza Lopes, Administradora Hospitalar do Hospital Cidade Tiradentes, a arquitetura foi pensada e concretizada visando não somente a utilização de materiais de alta tecnologia e equipamentos de ponta, mas também a humanização dos pacientes. “Os quartos amplos com iluminação e ventilação natural permitem que, durante o período de tratamento, o paciente tenha noção de tempo.” O projeto arquitetônico também beneficiou os funcionários da instituição. “Todos os setores estão devidamente localiza-

dos com postos de apoio assistencial e área para a equipe multiprofissional. Dessa forma, o funcionário de cada setor tem a possibilidade de desenvolver seu trabalho sem desperdício de tempo e energia”, salienta Renata Lopes. Do projeto nasceu um edifício monobloco, com 190 metros de comprimento, implantado no sentido longitudinal dos terrenos. Aproveitando-se da linearidade dos lotes, planejou-se um hospital em que o setor de internação é horizontalizado, ou seja, todos os leitos e postos de enfermaria estão localizados em um mesmo pavimento. “O partido traz vantagens à medida que os quartos não se restringem a uma determina-


da especialidade médica, como acontece na maioria dos estabelecimentos deste tipo. Eles se ajustam à demanda do momento, podendo atender desde a pediatria, até a clínica cirúrgica, por exemplo”, ressaltam os arquitetos. Quanto às fachadas leste e oeste, foram utilizados quebra-sóis pré-moldados de concreto dispostos geometricamente. Esse material proporciona a redução da carga térmica

nos ambientes que, necessariamente, devem ser equipados com sistema de ar condicionado. Outra solução sustentável são os aquecedores solares instalados sobre o bloco de suprimentos, reduzindo significativamente o consumo de gás e energia elétrica do edifício, além de realizar o pré-aquecimento da água que abastece a lavanderia e os banheiros dos leitos. “Este é um dos primeiros hospitais no

Brasil em que este conceito de sustentabilidade está sendo empregado de forma integrada.” Já o sistema estrutural foi concebido com laje plana, sem vigas, de forma a facilitar o encaminhamento e a distribuição das instalações. Segundo a equipe de projeto, as estruturas de concreto e aço são as melhores opções para a construção de hospitais, visto que sua flexibilidade permite uma adaptação

Implantação Hospital Tiradentes

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Dois em um

criatividade mais simples ao complexo programa arquitetônico dessas obras. Além do projeto de arquitetura, Borelli, Merigo, e Makhohl também fizeram o acompanhamento da obra, considerado por eles de fundamental importância para o bom desempenho da construção e manutenção das características do projeto. “A presença do arquiteto no canteiro gera um produto final muito mais próximo daquilo que o cliente deseja. Consideramos isso um avanço por parte do setor público”, comentam.

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Hospital Cidade Tiradentes


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Musicalidade

criatividade

Harmonia nas estruturas

Projeto arquitetônico promove resgate da música brasileira aliada à modernidade de móveis e equipamentos tecnológicos

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lgo indiscutível é a mistura de estilos na estrutura do Hospital Villa-Lobos, em São Paulo (SP). O local resgata o charme da decoração de época sem deixar de lado a modernidade, principalmente na mobília utilizada

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em suas dependências. O projeto foi pensado para proporcionar um ambiente acolhedor e confortável. Nomeado em homenagem ao regente e compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, a instituição tem capacidade para atender 600 pacientes

por dia no Pronto-Socorro e realizar 1.000 cirurgias de alta complexidade por mês. Ainda possibilita o atendimento para algumas especialidades médicas. Com proposta de oferecer um atendimento humanizado, o Villa-Lobos preparou


para os médicos, um espaço de convivência aconchegante, com sistema wireless, micros computadores, TV de plasma, lanchonete e instalações confortáveis. O objetivo deste espaço é permitir ao profissional recarregar as energias para o melhor atendimento ao usuário. Já os pacientes podem desfrutar em todos os aparta-

mentos, de camas elétricas, monitores de LCD e sistema de Internet sem fio que garante maior comodidade no período da internação. Um dos arquitetos que participou da obra, Adri Vicente Junior, do escritório Food Service Company, conta que o projeto foi pensado especialmente com foco nos itens que dizem respeito ao

conforto, à credibilidade e ao respeito ao paciente. “Somos agradecidos pela credibilidade que nos foi dada. O Hospital Villa-Lobos será marcante para a união entre qualidade e respeito em saúde”, afirma. Na obra do hospital, Vicente Junior atuou na elaboração do projeto de estruturação física de espaços, como,

“É uma satisfação enorme participar das obras do Hospital VillaLobos. Acreditamos que entendemos as necessidades da diretoria quanto à viabilidade do projeto e o respeito junto aos clientes atendidos. São marcas que a instituição preza e que nos deram oportunidade de oferecer o que há de melhor no mercado” Adri Vicente Junior Food Service Company Health ARQ

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Musicalidade

criatividade por exemplo, o refeitório. “Todo o projeto do hospital foi um resgate da vida e da obra do músico e compositor Heitor Villa-Lobos. O “Espaço Café” foi desenvolvido conforme a série do artista, ‘As Bachianas’, explica. O refeitório conta com um JunkBox que remete à musicalidade. “A ideia foi de que o local explorasse uma característica cultural. Mas se colocássemos uma simples aparelhagem de som não conseguiríamos envolver as pessoas. Não é o hospital que escolhe o que irá tocar, mas sim, o paciente ou acompanhante”, relata. Também vale mencionar que o projeto apresentou

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a preocupação com o reaproveitamento da água para uso operacional e a incidência de luz natural nas janelas. Por exemplo, nenhuma delas têm persiana interna e todas são do tipo maxiar com vasculante acoplado. “Hoje, devemos considerar todas as alternativas de sustentabilidade para a execução de um grande projeto. Não é mais uma escolha. É uma obrigação de quem deseja estar à frente em seu mercado.” Vicente Junior comenta que um hospital do porte do Villa-Lobos tem diferentes demandas em áreas distintas além de padrões diversos. “O nosso desafio foi atender às solicitações de todos os dire-

tores, adaptando às diversas áreas, a investimentos proporcionais. Esse foi um ponto difícil, mas que conseguimos superar com total dedicação da equipe e até dos próprios diretores”, relembra. Estrutura Construído em uma área de 16 mil m², o hospital tem 200 leitos, distribuídos em 10 pavimentos, com 14 salas cirúrgicas, UTI com 20 leitos, Centro de Diagnóstico com laboratórios de análises clínicas e exames de imagem de última geração. Além de setores de endoscopia digestiva, hemodinâmica, radiologia intervencionista e um pronto-socorro completo.


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ENGENHARIA

Integridade e beleza

Desmistificando padr천es

Hospital de Curitiba, em fase de obras, prioriza a arquitetura contempor창nea para dar mais vida ao ambiente 40

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uscando atender aos clientes mais exigentes, o Hospital Clinipam, de Curitiba (PR), está realizando uma obra com arquitetura contemporânea, que utiliza medidas sustentáveis como o aproveitamento de luz natural em muitos espaços. A preocupação do grupo é manter a integridade de uma edificação hospitalar sem esquecer da beleza na utilização de materiais modernos, tais como: vidros verdes, pastilhas, ACM, utilização de cores aconchegantes nos leitos e pisos vinílicos limpos e coloridos. “Trabalhamos a arquitetura de um modo que transmita seriedade à marca Clinipam e desmistifique o conceito de que um prédio hospitalar tem que ser branco, quadrado e com cheiro de formol”, diz Eleodoro Antunes Lopes, Engenheiro da Construtora Baggio, responsável pela obra. O novo hospital, situado em uma região carente de instituições de saúde, em Curitiba, beneficiará não apenas os bairros Bom Retiro, Ahú e redondezas, como também as cidades mais próximas desta região, Almirante Tamandaré e Rio Branco

do Sul. “Os beneficiários do nosso plano de saúde terão acesso a um novo conceito de hospital, com tecnologia de ponta, novos equipamentos e estrutura por um valor muito acessível”, diz Cadri Massuda, Diretor Administrativo da Cliniplan. Depois de pronto, o hospital terá Pronto-Socorro com 12 salas de atendimento, centro cirúrgico com cinco salas, ala com 18 apartamentos, um andar com 36 leitos de enfermaria e, no último pavimento, 10 leitos de UTI e oito leitos de enfermaria. Acoplado a isso, um laboratório com atendimento 24 horas para todos os exames clínicos e, anexo ao hospital, a construção de um Centro de Imagem. O investimento na obra, que deverá ser entregue completamente em março de 2014, é previsto em R$ 15 milhões. A construção foi dividida em três etapas. Na primeira parte, o hospital em si, que está sendo entregue no primeiro semestre deste ano. Na segunda, a qual envolve estacionamento e fundação do prédio em anexo, está prevista para julho de 2013. E a última parte, a finalização do centro de imagem, será Health ARQ

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Integridade e beleza

ENGENHARIA para 2014. “O foco principal deste projeto é a humanização do ambiente hospitalar. A instituição será uma obra muito bonita, com um ambiente agradável com muita luz e cor”, ressalta o Diretor Administrativo. A principal dificuldade da construtora não está nas novas edificações, mas sim na adequação de um prédio já existente às normas hospitalares atuais e à coordenação dos projetos. Em se tratando de normatização, todo o processo segue rigorosamente as normas da

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ANVISA - RDC NO50 (vigilância sanitária), Corpo de Bombeiros, Prefeitura Municipal de Curitiba e NBR’s (Normas Brasileiras). A obra que emprega aproximadamente 150 pessoas diretamente e 250 indiretamente, além da beleza, possui também outra preocupação no projeto: a sustentabilidade. “Por isso, estão sendo construídas grandes aberturas para incidência de luminosidade, contenção e reaproveitamento das águas pluviais”, conta o engenheiro Lopes.

“A obra emprega aproximadamente 150 pessoas diretamente e 250 indiretamente e, além da beleza, tem também outra preocupação em seu projeto, a sustentabilidade. Por isso, estão sendo construídas grandes aberturas para incidência de luminosidade, contenção e reaproveitamento das águas pluviais” Eleodoro Antunes Lopes, Engenheiro da Construtora Baggio, responsável pela obra


Além das barreiras

Soluções técnicas de engenharia contribuem no cumprimento de metas para a conclusão de determinadas obras dentro de prazo estipulado

T

er o compromisso de executar uma obra direcionada ao segmento da saúde é algo mais que desafiador. A construção de um centro de diagnósticos deve seguir inúmeras normas, o que torna o trabalho ainda mais complexo. Atualmente, dezenas de

técnicas têm facilitado o serviço da engenharia no cumprimento de prazos para a finalização de novas edificações. Uma obra que exemplifica essa situação é a construção da a+ Medicina Diagnóstica - Capela do Socorro, do Grupo Fleury. Com um prazo para

conclusão muito curto, a equipe de engenharia tinha vários desafios. Os profissionais não tinham espaço para canteiro, o terreno era 100% ocupado e ainda era uma época de muita chuva. Entretanto, tais desafios foram superados com a competência e compro-

metimento de todos envolvidos no projeto. “A busca de soluções técnicas, o trabalho intenso para eliminar problemas e o cumprimento de metas propostas marcaram este trabalho”, afirma o engenheiro Mauricio Valente da Silva, da Nexus Engenharia e Construção. Health ARQ

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Ampliação

ENGENHARIA Quanto às inovações da obra, vale mencionar que o local contará com um sistema de controle de ar condicionado para tomografia e ressonância, capaz de proporcionar uma alta confiabilidade das características do ar. De acordo com o engenheiro, trata-se de um princípio de controle micro processado, capaz de gerenciar todos os componentes do sistema simultaneamente e de forma interligada. “Tal fator, garante o ar com as características necessárias em todas as condições”, explica. Para Maurício, o fato de ser um empreendimento totalmente novo, as estruturas e instalações são modernas e bem executadas, o que garante uma longa vida de utilização e baixa manutenção. Ao destacar as medidas sustentáveis da obra, o engenheiro conta que todo material retirado da construção teve destino controlado, sendo separado por categoria, para descarte em locais credenciados pelos órgãos ambientais. João de Lucca Souza, Diretor de Engenharia e Patrimônio do Grupo Fleury, comenta que as unidades da a+ Medicina Diagnóstica representam os atributos da marca. Ele conta que nesses ambientes, devem ser percebidos os 44

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seus valores, cultura e sua estética, com o objetivo de traduzir a marca e gerar uma experiência memorável. “Os ambientes internos das unidades devem ser claros, convidativos e organizados.” No total, foram necessários oito meses entre a demolição e a obra finalizada. Maurício relata que foi muito gratificante atuar neste empreendimento, por ser uma obra complexa e de prazo curto, “no final, com os objetivos alcançados, há um grande sentimento de realização e dever cumprido, além da satisfação do cliente, o que nos deixa muito felizes.”

FICHA TÉCNICA a+ Medicina Diagnóstica Capela do Socorro Arquitetos responsáveis: ACR arquitetura e planejamento Ltda Engenheiros responsáveis: João De Lucca Souza Construtora: Nexus Engenharia e Construção LTDA Interiores: Equipe Engenharia do Grupo Fleury: Ellen Cristina Scarpato de Noronha Saco, Karla Nascimento Antonio e Juliana Dias Delaroli Colaboradores da Engenharia: Aline Cintia G. Bellomo; José Fernando Müller; João Batista de Moraes; Emily Mayuko Hiraiwa; Antonio Carlos Monteiro da Gama; Renata Nunes Aguiar e Silva Coordenação da obra: Equipe Engenharia do Grupo Fleury: Paulo Eduardo Sartori Paluan ; Leonardo Botelho Gomes Leite Gerenciamento de licitação: Equipe de Suprimentos do Grupo Fleury: Afranio R. Haag; Patricia Regina Viviani, William Jesus Silva Divisórias e Portas: Cataldo / Mulltidoor

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responsabilidade social

Lúdico e eficiente

Construção do bem

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Projeto de arquitetura bem pensado e doações de empresas tornam real hospital voltado às crianças com problemas cardíacos no RJ

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m dos pontos mais notados na construção do Hospital Pró Criança Cardíaco é a sua fachada. Concebida pelo arquiteto João Pedro Backheuser, Sócio Diretor da Blac Arquitetura e Cidade, e detalhada em parceria com a RAF Arquitetura – responsável ainda pelo projeto de arquitetura do hospital -o projeto tem sido bem recebido por sua ambiência alegre e colorida. “Acredito que através da utilização de cores, volumes arquitetônicos e

materiais de alto rendimento conseguimos um ótimo resultado: espaços eficientes e alegres ao mesmo tempo”, relata Backheuser. Todo o projeto, da fachada ao Centro Cirúrgico, primou pela utilização de materiais de alta eficiência e qualidade. Na lateral de maior insolação foi criada uma pele dupla em chapas de cobre perfurada visando minimizar a incidência direta do sol sobre a fachada. Os materiais utilizados na construção da parte interna

do hospital são de fácil limpeza e alta resistência para garantir durabilidade e facilitar o trabalho dos prestadores de serviços. “Os cuidados com o projeto voltaram-se principalmente pela busca da alta eficiência técnica e a relação lúdica, por se tratar de um hospital voltado para o público infantil e adolescente”, conta. Todo cuidado com a obra deste hospital tem por trás uma preocupação: responsabilidade social. “É um orgulho e um prazer enorme ter participa-

Todo o projeto, da fachada ao Centro Cirúrgico, primou pela utilização de materiais de alta eficiência e qualidade. Porém, a relação lúdica, por se tratar de um hospital voltado para o público infantil e adolescente, não foi deixada de lado.

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Lúdico e eficiente

responsabilidade social do desde o embrião até a conclusão. Participei desde o início da concepção geral, acompanhamento do desenvolvimento do projeto e obra, plano de ambientação e fachada. O sonho se tornou uma bela realidade, feita com dedicação, seriedade, comprometimento e certeza de que o resultado final presta um serviço enorme à nossa cidade.” Essa preocupação também está incorporada nas demais empresas que colaboraram com doações para a construção

do hospital. Um exemplo é a Carioca Engenharia, que sempre deu atenção a esta questão. “Na obra da Linha Vermelha, em 1991, foi uma das primeiras construtoras a desenvolver o projeto “Alfabetizar é Construir”, ensinando colaboradores no canteiro de obras”, conta Mario Lobo, Gerente de Relações Institucionais da empresa. A construtora já realizou as obras de outras casas de saúde como o Hospital da Mulher Heloneida Studart (RJ) e Hospital Municipal Evandro Frei-

re (RJ). Há algum tempo tomou conhecimento da iniciativa da Dra. Rosa Célia, idealizadora do hospital, de atender crianças carentes com problemas cardíacos. Resolveram então, apoiar a entidade Pró Criança Cardíaca com recursos financeiros. “Entendemos a carência significativa de hospitais públicos e mesmo particulares preparados para realizar cirurgias cardíacas mais complexas. O Hospital Pró Criança Cardíaca vem preencher esta lacuna”, acredita Lobo.

“Acredito que através da utilização de cores, volumes arquitetônicos e materiais de alto rendimento, conseguimos um ótimo resultado: espaços eficientes e alegres ao mesmo tempo” João Pedro Backheuser, Sócio Diretor da Blac Arquitetura e Cidade 48

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Informe Publicit谩rio

FUNCIONALIDADE

Centro de Diagn贸stico Unimed

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Unimed Grande Florianópolis implanta Centro de Diagnósticos e Análises Clínicas para melhor atender aos seus usuários

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stima-se que cerca de 80% do volume de exames realizados no Brasil ocorrem em ambiente ambulatorial, o que chamamos de Outpatient system. Neste modelo de mercado, a competição dos prestadores de serviços diagnósticos passou a ter, cada vez mais, como foco a absorção e a retenção do paciente. Seja por meio da geração de uma experiência positiva na prestação do serviço, ou mesmo na confiança do médico

prescritor, baseada no valor da informação gerada e em estar disponível para o cliente. Estes atributos somados são responsáveis pela criação da percepção de qualidade, formada pelos clientes pacientes e por seus médicos. A busca pela “experiência do paciente” pressionou as prestadoras de serviços a envidar esforços no sentido de promover cada vez mais o atendimento de excelência. O foco na hospitalidade e na experiência.

Além de gerar a necessidade de ofertas integradas de serviços diagnósticos, os chamados Centros de Diagnósticos, uma modalidade de assistência pautada no conceito one-stop-shop, bem como a criação de setores de atendimento especializados. Soma-se a estes atributos competitivos o fator acessibilidade, pautado na estratégia de capilarização de unidades de atendimento, onde o aumento da oferta promove o cres-

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Informe Publicitário

FUNCIONALIDADE cimento da demanda, e consequentemente, a sustentação do negócio. Para melhor atender seus beneficiários, a Unimed Grande Florianópolis, em um projeto único de expansão, idealizou seu Laboratório Clínico para compor o Centro de Diagnóstico Unimed, onde o cliente tema possibilidade de fazer todos os exames em um único local. O projeto teve início em 2011 com a implantação da Unidade Trindade, onde está instalada a Unidade de Processamentode Amostras Biológicas, e, foi consolidado em 2012, com a expansão da rede de coleta e abertura das unida-

des Estreito, Ingleses e Rio Branco. “A IDEIN - ideia + desenvolvimento, escritório de arquitetura responsável pelo projeto de implantação do Laboratório Clínico Unimed, é também a responsável pelos projetos de toda a rede de Recursos Próprios da Unimed Grande Florianópolis, e esteve com a operadora desde o início do processo de “verticalização” dos serviços. Este fato contribui, e muito, para a dinâmica do processo”, destaca o arquiteto Emerson da Silva, Diretor da IDEIN. Ele acredita que o histórico de atuação com o cliente e a convivência com os

diferentes players envolvidos sejam fundamentais neste momento de expansão dos negócios, especialmente em um cenário de cooperativa, onde as diferentes opiniões precisam ser respeitadas e atendidas dentro das possibilidades. Critérios de Projeto A implantação de uma rede de atendimento, em especial quando se trata da área de diagnósticos, requer alguns critérios projetuais que garantam o êxito da operação, seja pela funcionalidade dos espaços, pelo controle dos critérios de segurança nos processos, ou mesmo pela necessidade de reconhecimento

Alguns número da Rede Capacidade instalada de atendimento para pacientes eletivos: • Unidade Trindade: 504 pacientes/dia. • Unidade Estreito: 360 pacientes/dia. • Unidade Ingleses: 288 pacientes/dia. • Unidade Rio Branco: 432 pacientes/dia. 52

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e caracterização da marca, e da rede de serviços. Na Unidade de Processamento de Amostras Biológicas o arranjo funcional deve tornar as operações seguras e confiáveis, para garantir a precisão dos resultados e a manutenção das rotinas. Por outro lado, uma situação desejável para este cenário é que a capacidade de processamento seja flexível e crescente, uma vez que, ao longo do processo de implantação das unidades de coleta, a quantidade de amostras e exames tente a aumentar, e, as rotinas de análises devem comportar

esta condição de produtividade contínua. Nos Postos de Coleta, o padrão e o modelo funcional devem atender os diferentes perfis de usuários da unidade, uma vez que, a criação de setores de atendimento dedicados podem gerar necessidades específicas, como o caso das áreas de saúde da mulher, setores pediátricos ou as diferentes especialidades diagnósticas exigidas pelo médico prescritor, principal responsável pela demanda dos serviços da rede. Outro fator relevante é a “linguagem visual” característica da rede, uma vez que, com

o advento da capilarização de unidades de atendimento a marca UNIMED, maior patrimônio da cooperativa, deve ser fortemente assimilada pelo usuário da região onde o serviço será implantado. Todos estes aspectos somados contribuem para a formação da “qualidade percebida” de uma unidade de medicina diagnóstica, uma vez que, a decisão do prestador de serviços a ser utilizado pelo paciente, passa pela confiança de seu médico, pela presença da empresa no mercado e pela experiência prévia do serviço.

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humanização

Renovação

Investimento em conforto

Hospital Unimed Caxias do Sul investe R$ 72 milhões em projeto de ampliação

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magine um projeto arquitetônico elaborado para o setor da saúde em que pacientes, acompanhantes e equipes assistenciais encontrem um espaço físico de beleza, conforto e segurança. Todas essas 54

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características integram o projeto de ampliação do Hospital Unimed Caxias do Sul (RS), que será triplicado nos próximos anos. Atualmente, com 12.284 m² de área construída, a instituição ganhará mais 31.326 m²

a partir de um investimento avaliado em R$ 72 milhões, dividido em duas fases. O projeto tem a assinatura do escritório Lucia Lisboa Arquitetura Médico-Hospitalar e conta com itens como captação

e utilização das águas da chuva. Além disso, utilizará a luz solar para aquecer a água usada no prédio e fachadas com vidro duplo para minimizar os efeitos do calor e economizar a energia elétrica. Vale tam-


bém destacar que o local contará com telhados verdes e escadas pressurizadas. Segundo o Superintendente Administrativo da Unimed Nordeste (RS), Marcos Zago, o traçado do projeto insere-se na vegetação

de modo a evitar o corte de árvores de espécies ameaçadas de extinção. “Houve uma grande preocupação com a sustentabilidade desde o princípio.” Já arquiteta Lúcia Lisboa afirma que houve um cui-

dado com o respeito à natureza, integração da paisagem natural com o entorno construído e também com a humanização. “Tudo que é inerente a estes conceitos nortearam nosso trabalho”, complementa.

Segundo a arquiteta, projetar espaços destinados à promoção e à manutenção da saúde exige pesquisas constantes e busca permanente de ecoeficiência. “Desenvolver a implementação de prédios sustentáveis, Health ARQ

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Renovação

humanização contemporâneos, humanizados e rigorosamente dentro das legislações tornou-se para nós uma obstinação projetual”, salienta. De acordo com o arquiteto Camilo Franzoi, procedimentos de acessibilidade universal são imprescindíveis nos projetos que o escritório desenvolve. Por isso, a sustentabilidade e o respeito à natureza foram itens inquestionáveis nesta obra. “Temos um terreno privilegiado, porque nele existe uma mata nativa com Araucárias, as quais serão preservadas e farão parte do entorno do novo prédio, oferecendo encanto e beleza natural”, ressalta. De acordo com a arquiteta, o grande desafio deste trabalho arquitetônico foi

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a conexão do novo edifício com o prédio já existente do hospital. “Contudo, todos os desafios foram vencidos ao longo de 10 meses do projeto, cujo grande diferencial está sendo trabalhar com uma equipe multidisciplinar de alto nível de profissionais, composta por funcionários da instituição. O projeto foi sistematicamente discutido e analisado, o que o enriquece e o aperfeiçoa”, avalia. A META O primeiro momento das obras terá início neste ano e com previsão de término em 2015, quando serão inaugurados o novo Pronto Atendimento, um Centro Cirúrgico Ambulatorial e a centralização dos serviços da cooperativa – SOS

Emergência, Assistência Domiciliar, Saúde Ocupacional, Medicina Preventiva e Responsabilidade Social. A segunda etapa passará a ser erguida em 2016, com finalização marcada para 2018. Nessa fase será instalada uma unidade materno-infantil, inédita na Unimed, e também contará com mais leitos de internação. Ainda, as obras incluem 10.800 m² de estacionamento coberto para aproximadamente 400 veículos, projetado especialmente para facilitar as rotinas de quem necessita de atendimento médico. O projeto está em fase final de plano básico, isto é, para aprovação nos órgãos fiscalizadores Estaduais e Municipais.


A ampliação em itens Pronto Atendimento Adulto O Hospital Unimed Caxias do Sul, hoje localizado no centro da cidade, será transferido para a área erguida ao lado do atual Hospital. Ampliado, o serviço reunirá: • Consultórios clínicos e especializados • Salas de espera individualizadas • Salas de aplicação de medicamentos • Salas de observação • Sala de dor torácica • Serviço de Imageologia – raio-x e ecografia • Emergência Pronto Atendimento Pediátrico Para as crianças, haverá um espaço exclusivo com o seguinte: • Consultórios clínicos • Salas de espera individualizadas, de aplicação de medicamentos e de observação exclusiva • Serviço de Imageologia – raio-x e ecografia • Emergência Centro Cirúrgico Ambulatorial Atualmente, o Pronto Atendimento localizado no Centro conta com um Centro Cirúrgico Ambulatorial. Na nova área, o local vai se apresentar ampliado e equipado com tecnologia de ponta. Ele terá: • Salas de cirurgia • Sala de cirurgia oftalmológica • Sala de recuperação pediátrica • Sala de recuperação adulta Unidade Materno-Infantil O novo empreendimento também vai inaugurar um serviço próprio inexistente hoje na Cooperativa, a Unidade Materno-Infantil. Ela terá: • Centro de parto normal • Centro de parto cirúrgico (para cesáreas) • UTI neonatal • UTI pediátrica Internações Ao ampliar a ala de internações, a Unimed imprime nesses espaços um conceito de hotelaria, para oferecer ainda mais conforto aos clientes. Nessa porção, haverá o seguinte: • Internação obstétrica • Internação pediátrica • Internação privativa e semiprivativa • Internação VIP Serviços centralizados Em funcionamento em diferentes partes de Caxias do Sul, os serviços próprios da Unimed serão centralizados. Veja o que será transferido para a nova construção: • Medicina Preventiva • Saúde Ocupacional • SOS Emergência • Assistência Domiciliar • Responsabilidade Social Health ARQ

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humanização

Valorização do espaço

Novos ares

Projeto de revitalização agrega conforto e sofisticação à instituição de saúde tornando-a mais humanizada

O

Hospital São Luiz, da Rede D’Or, localizado no Itaim, na cidade de São Paulo (SP), vem passando recentemente por diversas reformas. O projeto de revitalização contemplou três de seus pavimentos de internação, o Pronto-Socorro e um pa58

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vimento de UTI A prioridade do projeto foi a humanização dos ambientes, visto que esta, dentro dos novos conceitos hospitalares, passou a ter maior relevância no Brasil. “Diversos estudos comprovaram a importância das instituições de saúde em oferecer ambientes

acolhedores e funcionais, ao invés de serem apenas um lugar de tratamento de doenças. Queremos valorizar os cuidados com a saúde. Isto muda completamente o enfoque”, explica Moema Wertheimer, Diretora da Moema Wertheimer Arquitetura, escritório responsá-


vel por esta reforma. A área do Pronto-Socorro, que também atende à especialidade de Ortopedia, recebeu um novo layout e passou de 700 para 1.500 m². Além disso, a unidade reformou 39 apartamentos da ala de internação e seus postos de enfermagem. Esta ampliação teve o objetivo de melhorar a mobilidade contínua dos pacientes. A área de espera foi fracionada em subseções e informatizada. “Utilizamos o conceito de Smart Track, pois assim, todos os procedimentos conseguem um fluxo mais ágil”, conta Fabiana Annenberg, Arquiteta líder do projeto, da Moema Wertheimer Arquitetura. Cuidado especial também foi dado à escolha dos materiais de revestimento, adequados à rotina de um hospital. Foram instalados piso de granito em todo o Pronto-Socorro e revestimento vinílico nas paredes dos quartos e alguns corredores. Luminárias blindadas e caixa embutida para vasos sanitários foram escolhidas para facilitar a assepsia. O projeto especificou revestimento em laminado de alta pressão para maior durabilidade dos móveis dos quartos e módulo de SSM (Superfície Sólida Mineral, tipo Corian) com pia integrada nos consultórios médicos. Health ARQ

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Valorização do espaço

humanização A iluminação e a decoração receberam uma atenção especial. Foram utilizadas luminárias redondas com a proposta de imitar a luz natural (falsas claraboias), complementadas com lâmpadas LED fluorescente para reduzir custos de manutenção e consumo. Para proporcionar aconchego e sofisticação, móveis e painéis de madeira foram utilizados em setores diferenciados por cores em tons pastéis, como a parte clínica em tons de verde e a ginecologia em lilás, cinza e prata. Os banheiros também passaram por um retrofit. O layout foi modificado e os revestimentos de piso e parede foram substituídos por porcelanato extrafino, ideal para reformas. Para facilitar a higienização do ambiente, foram utilizadas uma parede de vidro lilás dentro do box e bancadas em marmoglass e Corian. Em relação à UTI., a maior inovação no projeto foi quanto à iluminação, indireta e colorida. Foram utilizadas nas cabeceiras das camas luminárias com LEDs e função RGB, especialmente projetadas para aumentar qualitativamente o processo de cura, recuperação e conforto dos pacientes internados. Para aprimorar o aproveitamento da cromoterapia foi realizada uma palestra 60

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com a terapeuta holística Silvana Berti. A especialista discursou sobre as diferentes atuações das cores, traçando um perfil da cromoterapia desde suas origens até a sua aplicação médico-hospitalar na atualidade, com um estudo prático das cores. A suíte presidencial tornou-se um dos diferenciais da maternidade. O ambiente foi inteiramente reformulado para oferecer mais conforto e bem-estar à gestante, ao recém-nascido e aos vi-

sitantes. Com 64 m², a instalação, que antes era conjugada com outra suíte por uma passagem na varanda, teve seu layout reformulado, permitindo a ligação entre os quartos pela área interna. Surgiram assim três ambientes: uma suíte completa, antessala e sala para visitantes. Para preservar a privacidade foram utilizadas portas de correr com tratamento acústico e bloqueio visual. A tecnologia colaborou para a modernização dos

espaços. A suíte recebeu iluminação em LEDs e lâmpadas fluorescentes. O toque de requinte foi dado junto com o piso vinílico e o papel de parede florido em tons de lilás. Para deixar o ambiente mais aconchegante e integrá-lo com o paisagismo, foi projetado um caixilho de canto. Todo o mobiliário foi renovado. Os sofás-cama de acompanhantes foram substituídos por um modelo mais confortável, revesti-

do de seda sintética. A poltrona para amamentação tem encosto para a cabeça e é de uma linha mais sofisticada. Além disso, foram colocados um aparador para lembrancinhas e pertences e um painel com vidro colorido para médicos e visitantes escreverem recados. “Esses detalhes foram criados para que a mãe possa agradecer de forma delicada e gentil a visita de seus parentes e amigos”, conta a arquiteta Fabiana. Health ARQ

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Consultoria

gerenciamento

Etapa valiosa Consultoria em obras promove incorporação de recursos técnicos nas edificações de sucesso do segmento da saúde

U

m quesito mais que indispensável em obras do setor da saúde é a consultoria das estruturas. É por meio dessa etapa que o engenheiro tem a garantia de que a obra pode prosseguir conforme o projeto arquitetônico. Com esse procedimento, eventuais problemas podem ser evitados, pois são 62

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analisados fatores sustentáveis e também de logística. Existem diversas empresas que realizam o serviço de consultoria ao implantar nas unidades de saúde, a promoção da análise para a definição de programas e estudos para planos de ocupação. Outro fator importantíssimo é que esta iniciativa contribui na ava-

liação de processos, deficiências e possiblidades. Um exemplo de uso deste método foi na construção da sede do Hospital Unimed Grande Florianópolis (SC). A obra teve o tamanho do empreendimento definido a partir de um estudo epidemiológico e perfil clínico assistencial. O trabalho apresentou atri-


butos de destaque como flexibilidade, adaptabilidade e inovação no processo de implantação. O método utilizado tinha como finalidade identificar e dimensionar o recurso próprio desejado do hospital, a partir do número de usuários cadastrados, perfil de atuação e capacidade de crescimento no mercado. Luciane Infanti, Sócia Diretora da Eloss Consultoria em Estruturas de Saúde, afirma que o estudo de viabilidade desta obra contou com a conciliação de demandas para a implantação do recurso próprio. “Tudo isso ocorreu para complementar e potencializar a rede de atendimento assistencial da Unimed Grande Florianópolis, sendo um importante meio de otimização”, detalha. O estudo de viabilidade desta obra incluiu a implantação do programa de

necessidades do hospital e a análise do Plano Diretor, projetando o crescimento para os anos seguintes ao início da operação. “A expectativa é que o serviço tenha sido utilizado para o desenvolvimento do empreendimento”, explica a diretora. O projeto inicial previa total autonomia da diretoria do hospital para o gerenciamento das próximas etapas. Dessa forma, a fiscalização, hoje, é feita pela equipe interna, assessorada por escritórios de arquitetura e engenharia locais. Para Luciane, dentre os desafios da execução dessa consultoria está a condição geográfica de Florianópolis, a escassez de terreno versus a acessibilidade do público. “O trabalho foi desenvolvido em quatro meses. As barreiras foram superadas por meio da interação entre a equipe administrativa e operacional, além do Corpo

Executivo”, afirma. O escritório foi escolhido para este trabalho através de um convite para apresentação de proposta técnica e comercial. “Relembro que foi um processo transparente e com grande oportunidade para inovação.” MAIS FLEXIBILIDADE Este estudo de viabilidade da construção também foi realizado na Unimed Tatuí (SP). O escopo do trabalho contratado foi para dimensionar o volume de investimento financeiro para o término da obra em andamento. Além disso, o serviço objetivou potencializar a captação de crédito e criar um cronograma possível para a execução. O serviço elaborou o plano de ocupação e revisou a estrutura arquitetônica. “O desafio deste trabalho foi identificar a aderência do projeto em execução

há cinco anos, com as necessidades atuais e a compatibilidade com as novas tecnologias em uso”, explica a diretora. A obra foi adaptada plenamente para o atendimento de todos os usuários. Rampas de acesso e fluxos diferenciados foram planejados para este fim. O empreendimento está em fase de conclusão, com inauguração prevista ainda para este ano. A diretora comenta que uma tarefa que exigiu bastante empenho nesta obra foi adaptar espaços já construídos em locais tecnológicos, a exemplo do Centro de Diagnósticos e Central de Esterilização. “A visão do grupo executivo em implantar unidades assistenciais que possam ser rapidamente alteradas conforme a demanda por complexidade foi um desafio superado com sucesso.”

“Tal consultoria contemplou a aderência do projeto [Unimed Tatuí] em execução com os fluxos atuais, além da flexibilidade dos ambientes para as novas demandas.” Luciane Infanti, Sócia Diretora da Eloss Consultoria em Estruturas de Saúde

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ARQ reforma

Adequação

Além da engenharia

Hospital Florianópolis (SC) reformula a edificação com o compromisso de proporcionar mais qualidade nos espaços e no atendimento

A

lgumas características da engenharia quanto à reforma do Hospital Florianópolis (SC) foram apresentadas na edição anterior da HealthARQ. Agora, nesta publicação, a reportagem traz outros pontos que foram fundamentais para a excelência desta edificação, que visa beneficiar

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cerca de 5 mil pessoas por mês. A Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina informa que a obra tem como meta modernizar os equipamentos para tornar o antigo Complexo Hospitalar referência no atendimento médico na Grande Florianópolis. Este prédio que abriga

a instituição existe desde 1969 e nunca sofreu uma ampla reforma. Por isso, o projeto procurou utilizar cores diferenciadas e otimizar as circulações sempre que possível. Além de sinalizar os diversos acessos, a fim de diminuir o estresse do paciente e minimizar os percursos. Toda a ambientação desta reforma


foi trabalhada para trazer mais qualidade aos espaços. Foi projetado todo o mobiliário de acordo com a necessidade local, sempre buscando trazer mais privacidade, conforto e funcionalidade em ambientes acolhedores. Ainda vale destacar que tal projeto possibilitou o acesso do corpo clínico ao pátio interno do hospital (situado no sub-solo). Também adequou a entrada de pacientes e visitantes pela fachada principal. “Estes acessos são exclusivos para pedestres, sendo que possibilitam a parada de carros para desembarque do usuário. Na Emergência existe uma área exclusiva para desembarque de ambulâncias”, esclarece a

arquiteta Inara Beck Rodrigues, Diretora da Salutare. De acordo com ela, o projeto foi elaborado com uma estrutura já existente de pouca flexibilidade, que precisava adaptar às novas necessidades. “Outro foco do trabalho foi proporcionar qualidade nos espaços e, consequentemente, no atendimento, com áreas apropriadas a sua função”, afirma. Neste projeto de reforma foi trabalhado as fachadas conforme incidência solar, sendo sugerido pela arquiteta colocar brises nesses locais. Inara explica que a equipe de arquitetura trabalhou sempre com a proposta de valorizar a luz natural, principalmente em ambientes de maior

permanência de pacientes. “Quando não era possível ter a iluminação de maneira direta, trabalhamos com visores para que a luz entrasse nestes ambientes. Foi proposto o uso de lâmpadas de baixo consumo de energia sem perder a qualidade e a iluminação necessária para cada espaço”, descreve. Inara conta que o projeto exigiu bastante empenho, pois “as normas hoje são mais exigentes, o que acarreta em grandes alterações na estrutura física. Hospitais mais antigos, muitas vezes, não possibilitam tais alterações.” Além disso, ela afirma que a obra buscou utilizar materiais duráveis, com pouca manutenção e baixo custo.

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Adequação

ARQ reforma A arquiteta considera importante esta revitalização do hospital pois ajuda a trazer mais qualidade no atendimento à população. “Trabalhar para o Governo do Estado é uma grande satisfação, pois trabalhamos para o bem de todos.” Ela ainda comenta que, por se tratar de uma obra pública, é preciso projetar uma edificação bem elaborada, para garantir respeito ao patrimônio. “Atingimos um público muito grande e muito carente de serviços, por isso

a humanização é a palavra-chave neste caso”, relata. Na opinião da profissional, a humanização deve estar sempre presente em ambientes de saúde. Ela explica que locais com iluminação natural, onde é possível ter uma relação direta com o exterior, oferece tanto benefícios psicológicos quanto biológicos ao paciente e à equipe. “Uma ambientação agradável, onde o usuário se sinta acolhido, traz calma e tranquilidade.”

CLIMATIZAÇÃO DA EDIFICAÇÃO Tão importante quanto um projeto arquitetônico bem planejado, também é a eficácia do sistema de climatização implantado na instituição. Afinal, além de proporcionar conforto para os pacientes, a correta umidade e temperatura do ar interferem diretamente na segurança dos usuários. Isso porque o hospital possui diversos setores de alto risco em função de agentes químicos e biológicos, os quais necessitam de uma minuciosa inspeção da vazão de ar, filtragem, pressão, dentre outros fatores. “Para esse controle de climatização é necessário um complexo 66

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sistema de ventiladores, dutos, serpentinas, filtros e resfriadores que fazem o tratamento da qualidade do ar antes da distribuição nos ambientes”, explica o engenheiro Fabiano Burato Feliciano, da O3 Engenharia Sustentável. Além de segurança e conforto, há de se destacar também a potência energética e o quanto isso contribuirá para a sustentabilidade da edificação. Por isso a importância do correto dimensionamento e da escolha do sistema de climatização a ser instalado, uma vez que tal estrutura responde por 50% do consumo de energia elétrica de

um hospital. Vale ressaltar que as características técnicas do local determinam o modelo a ser instalado. Segundo o engenheiro, no projeto do Hospital Florianópolis (SC) foi implantado sistemas que não diferem da maioria dos hospitais. “Foi um projeto com medidas usuais. O destaque seria a busca pelos elementos de otimização no desenvolvimento da solução. Normalmente, todo o sistema está instalado acima dos forros e em áreas técnicas não visíveis, fora do campo de visão dos usuários da edificação.” O cumprimento das normas técnicas também foi


realizado no projeto. Pode-se citar, por exemplo, a NBR 7256, que dispõe os requisitos necessários para cada ambiente de um Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS). Dentre as várias exigências, pontua-se a renovação do ar ambiente com ar novo de boa qualidade proveniente do exterior. Para isso, faz-se necessário reduzir a concentração de poluentes transportados pelo ar, principalmente os que não são retidos pelos filtros de

partículas, como odores e gases. “O atendimento às normas aliado às melhores soluções são alguns dos parâmetros de qualidade de nossos projetos.” Dentre os desafios para a implantação do sistema, o engenheiro destaca a adequação do projeto à estrutura existente de modo a atender todas as necessidades. “É um trabalho que exigiu grande dedicação da equipe até que a melhor solução fosse aplicada”, conclui.

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Polo industrial

CAPA

Novo Complexo Industrial Guaxindiba 68

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B. Braun lança Pedra Fundamental de seu mais novo parque fabril localizado no Rio de Janeiro

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grupo alemão B. Braun, empresa da área médico-hospitalar, acaba de anunciar a construção de uma nova fábrica no Complexo Industrial e Empresarial de São Gonçalo (CIESG), no Rio de Janeiro. Este será o maior investimento da multinacional na América do Sul, com um montante de R$ 346 milhões. O projeto, assinado por Siegbert Zanettini, será executado em diferentes fases, constituído de um conjunto industrial, de 124 mil m², e administrativo, situado em outra

área de 74 mil m². “Trata-se de um importante polo industrial no Brasil, compatível com a reconhecida excelência que a B. Braun goza em todo mundo”, afirma o arquiteto. Para atender às exigências da empresa adotou-se a política “Clean-Desk”, ou seja, uma ocupação da área em que sintetizasse clareza e harmonia no zoneamento de cada fase da obra, desde a etapa inicial até a implantação total. Trata-se de soluções que permitem a otimização dos processos e elimiHealth ARQ

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Polo industrial

CAPA nação de desperdícios, trazendo, assim, resultados diretos na redução de custos de produção, dentre outras vantagens. O lançamento da Pedra Fundamental do novo empreendimento da B. Braun ocorreu em abril. E a conclusão do parque fabril está previsto para 2017. Site Industrial A primeira fase do projeto para o conjunto industrial contará com re-

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serva de espaço para o crescimento lateral e expansão para um grande espaço posterior contíguo com a instalação dos altos blocos de estocagem automatizada nas fases seguintes. “Esta primeira etapa se completa com a edificação do bloco de inflamáveis externo, ao lado da edificação de utilidades, separados dos armazéns pelo grande pátio central de fluxo e estacio-

namento de carretas e caminhões para entrega de matéria-prima, máquinas, componentes, embalagens e expedição de produtos acabados”, explica Zanettini. Os blocos de produção ocupam a área frontal do terreno e foram implantados atendendo ao programa de investimentos da empresa. Nesta área, situam-se ainda laboratórios, refeitórios, vestiários, área de descanso


e de visitantes que, por uma circulação envidraçada, percorre todo o bloco de produção com uma visão completa desta área. “Ainda neste conjunto terá a via de acesso externo, estacionamento e portaria que controlará todos os fluxos de entrada e saída de caminhões, fornecedores, funcionários e visitantes”, ressalta. Site administrativo Localizado do outro lado da via do loteamento, o conjunto adminis-

trativo é formado por um edifício corporativo, estacionamento, portaria, cabines de medição e de resíduos. “Esse edifício integra-se a uma paisagem envolvente na cota mais plana e destituída de vegetação de porte, com o propósito de mantê-la, praticamente, intocável nas condições naturais de relevo e de cobertura vegetal, garantindo assim uma implantação ecologicamente correta, ricas visuais para curso do rio Guaxindiba e a densa

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Polo industrial

CAPA mata ciliar que o acompanha em ambas as margens”, salienta Zanettini. Neste site, destaca-se a manutenção de todo o terreno no seu relevo e nas cotas de apoio das edificações, assim como toda a vegetação de porte, garantindo um entorno agradável e ambientalmente sustentável. Tal

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zoneamento criou condições propícias para a solução arquitetônica do edifício que, atendendo o programa e as suas fases, teve os ambientes articulados dentro do conceito de “Concept Office 2010”. “Isso resultou em uma forma rica, com suas principais faces voltadas para a melhor orientação solar.”


Zanettini comenta projeto arquitetônico de empresa de produtos médico-hospitalares e analisa setor da arquitetura para os próximos 20 anos “Quando um projeto arquitetônico é estruturado conceitualmente, ao utilizar o aço com leveza e transparência, estamos aplicando uma das mais completas soluções de produção industrializada. Essa iniciativa oferece uma execução rápida e com o canteiro de obras limpo e seguro.” É com essa identidade arquitetônica que Siegbert Zanettini propõe em seus consagrados projetos. Para saber mais sobre essa característica singular, a revista HealthARQ entrevistou esse respeitado profissional que muito dedicou-se à arquitetura da saúde. Zanettini comenta também sobre seu mais novo projeto: a construção do novo complexo industrial da empresa médico-hospitalar B.Braun. Além disso, revela sua visão sobre a arquitetura no País e como é trabalhar ao lado de suas filhas. Como foi desenvolver, para o grupo alemão B. Braun, projeto de construção da nova fábrica no Complexo Industrial e Empresarial de São Gonçalo (CIESG), no Estado do Rio de Janeiro? Siegbert Zanettini: Este complexo industrial e empresarial foi resultado de um concurso de arquitetura que ganhamos em 30 de agosto de 2011. Por se tratar de

uma obra, da sede e principal centro de produção dessa importante empresa, tivemos, após a primeira etapa vencida, um grande número de reuniões com a presidência da instituição. Também nos reunimos com diversos setores responsáveis pela produção, logística, corporativa e administrativa para o detalhamento de cada programa. Ainda realizei uma visita

ao complexo de Melsungen, na Alemanha, para constatação “in loco” da complexidade e nível de robotização que essa sede mundial contém. A edificação possui um excelente nível de arquitetura, realizado pelo arquiteto James Stirling, como também de construção e processos de produção e estocagem, que para que tomássemos como parâmetro para o desenvolvi-

mento do projeto em São Gonçalo. A obra se desenvolverá em três etapas, cuja primeira contém a implantação do setor industrial com a construção da primeira etapa de logística, no qual o projeto já se encontra na fase de término. Em 1960 o sr. começou a atuar em seu escritório e, em 1961, criou seu primeiro projeto de hos-

Siegbert Zanettini, arquiteto Health ARQ

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Polo industrial

CAPA pital, uma instituição direcionada para um aglomerado de usinas. Como é contribuir no histórico da arquitetura para a saúde no Brasil? Siegbert Zanettini: Esse projeto de hospital inserido no canteiro de obras da usina de Ilha Solteira (SP) foi solicitado pela empresa do engenheiro Carvalho Mange, responsável pelo plano urbanístico e das demais edificações urbanas dessa usina. Esse projeto é de muita importância para a minha carreira, foi um desafio, pois na época era arquiteto recém-formado. A partir dessa obra vários projetos foram desenvolvidos, hoje tenho 52 anos de atuação na área

de arquitetura direcionada à saúde, na qual trabalho intensamente até o presente, com a proposta de continuar a introduzir inúmeras inovações tecnológicas e médicas. Quais projetos de sua autoria são destaque ao longo desta caminhada? Siegbert Zanettini: Dentre os mais de 50 projetos elaborados, temos como destaque: Hospital de Pedreira (1989); Hospital Ermelino Matarazzo (1985); Hospital Tide Setubal (1992); Hospital das Nações Unidas (1996); Blue Life Assistência Medica (1996) ; Hospital de Indaiatuba (1996); Hospital São Francisco (1998); Hospital Albert Einstein

(1999); Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (1999); Hospital São Camilo Pompeia (1999); Hospital e Maternidade São Conrado (2000); Hospital São Luiz Unidade Anália Franco (2000); Hospital Bandeirantes (2005); Hospital Leforte (2007); Hospital São Camilo Santana (2007); Hospital São Camilo Ipiranga (2008); Hospital Moriah (2009) e Hospital Mater Dei (2011). Como é para o sr. poder trabalhar ao lado de suas filhas no escritório de arquitetura? Siegbert Zanettini: É auspicioso trabalhar com minhas filhas Luciana (Diretora Comercial) e Adria-

na (Diretora de Marketing e Comunicação). Estar ao lado delas nesta mesma área de atuação é a minha esperança de continuidade da empresa Zanettini Arquitetura para as próximas décadas. Nestes 52 anos de carreira, o sr. possui uma extensa lista de hospitais conceituados em seu portfólio, com uma arquitetura estruturada, tendo aço como sistema único ou combinado com concreto, madeira, alvenaria estrutural ou outros materiais. Como é ter essa referência em seus projetos? Siegbert Zanettini: Essa extensa lista de hospitais conceituados, alguns

Equipe do Escritório de Arquitetura Zanettini 74

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citados acima, foi e continua sendo referência, quando o assunto é edifícios de saúde inovadores. Ambas as obras, utilizaram tecnologias limpas e seguras, eco-eficientes e sustentáveis, aplicaram novos materiais e houveram a preocupação de desempenho duradouro e arquitetura estruturalmente integrada com o meio ambiente. O sr. conta com características nos seus projetos ao introduzir

o aço, detalhes com pastilhas e valorização das áreas verdes. Como é ser um arquiteto que possui traços e características próprias? Siegbert Zanettini: A valorização do entorno e a consideração do meio ambiente como estrutural na arquitetura, não só de hospitais, mas em outras instituições de saúde, colocam nossos projetos como paradigmas de sustentabilidade, de estarem além do seu tempo e identificados

com a sua contemporaneidade.

ambiente, técnica, matéria, ciência e tecnologia.

O seu trabalho é conhecido por levar inovação para os edifícios da saúde, a exemplo de criativos e eficientes retrofits. Qual identidade o sr. buscar dar em seus projetos? Siegbert Zanettini: A identidade se marca pela profunda integração do conhecimento cultural e científico com o conhecimento criador, tendo como questões o homem, lugar, uso, medida,

O que o sr. espera da arquitetura direcionada ao segmento da saúde para os próximos 20 anos? Siegbert Zanettini: Espero que superemos as contradições e a insustentabilidade do nosso sistema político, econômico e social em todos os níveis, do nosso baixo nível cultural, ético e de comportamento não como cidadãos, mas sim como consumidores.

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ARQ destaque

Reformulação

Adequação necessária

Centro de saúde em Belo Horizonte (MG) promove atendimento assistencial em prédio totalmente reestruturado e modernizado 76

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esenvolver uma edificação hospitalar que atenda aos anseios de gestores, médicos e demais profissionais é uma complexa tarefa para arquitetos e engenheiros. Na Unimed-BH essa missão não foi diferente, a diretoria da instituição determinou que seu novo empreendimento, na capital mineira, partisse da modernização e ampliação de um prédio já existente. E foi por meio dessa premissa que ocorreu a construção do Centro de Promoção da Saúde Unimed – Unidade Pedro I. O local oferece ambientes assistenciais, confortáveis, amplos e seguros. O projeto priorizou técnicas de construção seca, com o uso de divisórias dry-wall nos espaços internos e o sistema steel-frame para os novos ambientes. O resultado foi um edifício contemporâneo, dotado das atuais concepções de conforto e recursos tecnológicos. Os layouts, cores e materiais de revestimento utilizados nas recepções também buscaram ampliar o bem-estar do público. Tudo isso, para incorporar elementos que remetem a espaços mais tranquilos e acolhedores. Nos ambientes de espera e circulação, a iluminação natural é abundante. Da Health ARQ

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Reformulação

ARQ destaque

mesma forma, todos os consultórios são ventilados e iluminados naturalmente. Tudo isso foi planejado de forma a maximizar a sustentabilidade na instituição. Além disso, as soluções projetuais buscaram aproveitar ao máximo a edificação já existente, sendo que as construções novas foram feitas seguindo tecnologias com baixa geração de resíduos e aproveitamento dos materiais. 78

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A volumetria da obra alia trechos curvos com arestas e linhas retas. O afastamento em relação aos alinhamentos do terreno, garantiu uma boa integração com o entorno. Outro detalhe interessante é a fachada, marcada por um volume em pele de vidro e elementos metálicos. De acordo com Alberto Dávila, do escritório Dávila Arquitetura, o principal desafio deste projeto foi de-

senvolver um conceito renovado. “Tivemos a missão de alterar uma construção paralisada, assim transformando-a em uma solução avançada”, esclarece. Dávila diz que a obra foi totalmente adaptada para acessibilidade universal, mesmo considerando a topografia do terreno e as soluções pré-existentes, que tiveram que ser alteradas. “A arquitetura teve uma participação importan-

te nesse processo através da definição de uma linguagem visual comum a todos os empreendimentos. A partir da adoção de materiais e soluções que buscou reforçar a imagem corporativa da instituição através dos seus edifícios.” Atuação O Centro de Promoção da Saúde Unimed – Unidade Pedro I foi criado para levar uma opção de atendi-


mento mais próxima para os mais de 390 mil clientes no Vetor Norte da Grande BH. O local oferece consultas com hora marcada em 15 especialidades, exames laboratoriais e de imagem. O investimento total da Cooperativa na nova unidade é de R$ 48 milhões. Além desta unidade, estão em obras, também em Belo Horizonte (RS) mais um Centro de Pro-

moção da Saúde, na Avenida Churchill, bairro Santa Efigênia, e uma Central de Consultórios Médicos e Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa em Saúde, no bairro Funcionários. Outra meta da cooperativa é a ampliação do Hospital Unimed – Unidade Contorno, com previsão de 336 novos leitos, mais que duplicando a atual capacidade instalada.

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Reformulação

ARQ destaque

“A instituição vive um momento especial de investimentos e modernização. É uma honra somar nossa experiência à cooperativa em espaços como o CPS Pedro I. Além deste, estamos trabalhando em outros projetos, mas com a certeza que marcarão a paisagem urbana e o setor de saúde de Belo Horizonte” Alberto Dávila, Arquiteto da Dávila Arquitetura

HOMENAGEM O prédio que abriga este novo Centro de Promoção da Saúde foi batizado com o nome do Dr. José de Laurentys Medeiros, médico cooperado fundador da Cooperativa e falecido em dezembro de 2012. Ao longo de sua trajetória médica, Dr. Laurentys destacou-se como professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) e assumiu vários cargos em sociedades médicas, no Conselho Regional de Medicina e em diretorias da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG).

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FICHA TÉCNICA CPS Unidade Pedro I Endereço: Avenida Dom Pedro I, 2840 - Planalto Data do Projeto: Novembro de 2011 Obra: Início Maio de 2012 Área do terreno: 4.689 m2 Área total construída: 10.078 m2 Nº pavimentos: 07 Vagas estacionamentos: 135 Pronto-atendimento: Não Serviços Diagnósticos: Raio X, Ultrason e Coleta Laboratorial Fisioterapia: Não Nº consultórios: 58 Adicional: Auditório com 90 lugares, Área de cuidados integrados (Curativos, medicação, etc), 02 salas de pequenos procedimentos. Obra: Arquitetura: Dávila Arquitetura Construtora: Construtora Modelo Interiores: Dávila Arquitetura Coordenação: Eustáquio Resende Chaves Colaboradores: Reginaldo Cesar de Andrade, Sandro Menezes, Flávia Costa Nunes, Flávia Alessandra Gomes de Paula, Graziele Gonçalves Lucena, Flávia Alessandra Gomes de Paula, Luciana Vilela P. de Assis, Gisele Fernanda Marques, Leonardo de Abreu Ferreira, Patrícia Blanco de Araújo, Andrea de Senne e Costa Dornas, Samuel Adriano Pereira Gerenciamento de licitação: L + M Guets Projetos: Ar-condicionado: Grau Engenharia Consultoria de caixilhos: BM Consultoria Elétrico e hidráulico: Grau Engenharia Gases Medicinais: Linde Projeto de fundações e contenções: Bedê Consultoria e Projetos Estrutura de concreto: Bedê Consultoria Consultoria e Projetos Luminotécnico: Grau Engenharia Impermeabilização: Firmino Impermeabilizações Prevenção e Combate a Incêndio: Prevent Assessoria Legal: Clam Engenharia Fornecedores de Material e Serviço: Aço: Gerdau Aço Inox: Açoforte Andaimes: Mecan Ar-condicionado: Tuma Engenharia Automação: Tecno Engenharia Concreto: Vanmix Divisórias e Portas: Cataldo / Mulltidoor

Detalhes da Obra: Drywal: Ágile Elevadores: Thyssen Esquadraria ferro: Serralheria 7 de setembro Esquadrarias madeira: Não Esquadrarias metálicas : ABA Esquadrias, Alutec Estrutura metálica: Techneaço Ferragens: Não Ferragens de portas: Cataldo / Mulltidoor Fios: IPCE, Nambei, Prysmiam Granito: Granitos Pacari Guarda Corpo: Açoforte Impermeabilização: Revest Instalações Hidráulicas e Elétricas: Tecno Juntas de dilatação: Univendas Luminárias: Itaim Paisagismo execução: Carla Pimentel, Gramados Vieira Revestimento vinilico de parede : Formline Pinturas: Tecnocril Porta corta-fogo: Mirage São Paulo Metalúrgica Revestimento Cerâmico: Cerâmica Eliane Revestimento Fachada: Miniwave Hanterdouglas Terraplanagem: Transportes Welmar Vidros: Vidropaiva Mão de Obra Civil: Construtora Modelo Fornecedores de Equipamentos: Acabamentos de elétrica: Siemens Água fria, geradores, caldeiras: Stemac Bombas de recirculação: Construtora Modelo Bombas de recalque/incêndio: KSB Bombas Calhas e Rufos: Construtora Modelo Combate a incêndio: Tecno Detectores de fumaça: Siemens Escadas/exaustão mecânica: Tuma Geradores: Stemac Louças: Deca Metais sanitários: Deca Pressurização: Tuma Remoção de entulho: Construtora Modelo Fundação: Gerais Fundações Furação de laje: Construtora Modelo Divisórias de banheiros: Teor Placas de Dry wall: Placo Batente Metálico: Cataldo

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Investimento

ARQ destaque

Maternidade Zona Norte e Hospital de Urgência - Vista Aérea

Estado do Amapá investe em obras na saúde

O Governo do Estado do Amapá fará reformas, ampliações e novos prédios para instituições de saúde visando melhorar o atendimento aos usuários

O

Governo do Estado do Amapá, nos últimos anos, vem investindo significativamente na área da saúde, com projetos de reforma e de novas instituições para melhor atender à população. Todos os projetos partiram de uma etapa inicial denominada “Plano Diretor Hospitalar”, no qual foram analisados cenários do passado, presente e 82

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futuro de cada hospital, considerando as perspectivas de desenvolvimento e de ampliação do potencial de cada unidade, assim como da demanda de serviços e das áreas de assistência médica. A partir deste Plano é que foram desenvolvidos todos os projetos de arquitetura e complementares. As principais ampliações previstas para os próximos meses são para o

Hospital Regional do Laranjal do Jari, Hospital da Criança e do Adolescente em Macapá, Hospital de Santana, e Hospital de Especialidades Dr. Alberto Lima, em Macapá. Sendo este último o principal e mais importante estabelecimento de saúde do Estado. Já os novos estabelecimentos previstos são o Centro de Parto Normal e um grande complexo hospitalar, formado pela

Maternidade da Zona Norte e pelo Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência. Para desenvolver todos esses projetos o governo do Estado contratou uma empresa que atua em toda a Amazônia há mais de 35 anos, a DPJ Arquitetura e Engenharia Ltda. Para todos estes estabelecimentos foram propostas modernas técnicas de construção civil e de sus-


tentabilidade, incluindo uso de materiais regionais de fácil acesso e manutenção, que valorizam os aspectos de conforto ambiental decorrentes dos adequados princípios de sombreamento, orientação e aproveitamento da ventilação e iluminação naturais. Estão previstos também salas de espera e refeitórios para acompanhantes, além de áreas especiais de conforto para parturientes, pacientes e familiares, buscando um meio ambiente hospitalar menos hostil e agressivo. “Os projetos,

além de proporcionarem as melhores soluções funcionais para os espaços físicos hospitalares, privilegiam a humanização dos ambientes, com o uso de materiais adequados ao conforto visual, sonoro e lumínico, além de adequadamente decorados e coloridos”, conta José Freire, arquiteto responsável pelos projetos e Sócio Proprietário da DPJ. Hospital do Laranjal do Jari O projeto de Reforma e Ampliação do Hospital do Laranjal do Jari, elabora-

do em 2011, atingirá uma área final de 6.924,38m² e prevê a ampliação do prédio existente, retirando as áreas de apoio técnico-logístico e do Centro Cirúrgico/Obstétrico para ampliar a ala de internação de 50 para 103 leitos. O bloco existente será ampliado com o aumento da Emergência com novas salas de Estabilização e de Procedimentos Especiais, além de um novo Laboratório, Agência Transfusional e um Banco de Leite. Além da reforma, serão construídos três novos blocos. O primeiro para

Centro de Parto Normal Health ARQ

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Investimento

ARQ destaque

Hospital da Criança e do Adolescente o novo centro cirúrgico e obstetrício, UTI adulto, infantil e neonatal. O segundo para apoio técnico-logístico com serviço de nutrição e dietética, esterilização, lavanderia, almoxarifado Geral e de Medicamentos, oficina e vestiários. Já o terceiro abrigará a central de resíduos sólidos, com autoclave especial para esterilização. Hospital da Criança e do Adolescente O projeto de reforma e ampliação do Hospital da Criança e do Adolescente ampliará sua área de 3.337,09m² para 7.526,44m². Será realizada a reforma da construção mais antiga, que passará a comportar a adminis84

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tração, os ambulatórios e o apoio diagnóstico. Além de 151 leitos de internação, 17 de UTI e 18 de observação no Pronto Atendimento Infantil. Além disso, também serão construídos dois novos blocos, sendo um na frente do prédio atual com estacionamento público e o acesso principal, novo Centro Cirúrgico, UTI, áreas mecânicas sobre eles. Além das áreas de conforto para os médico com plantões, coordenação médica e de enfermagem, e as salas das comissões (Ética e CCIH) e auditório com 110 lugares. O segundo bloco a ser construído, atrás do prédio existente, comportará os serviços de nutrição e

dietética, rouparia, almoxarifado de medicamentos, farmácia, vestiários e oficinas. Além de 52 leitos para internações e área de terapia ocupacional e brinquedoteca. Hospital de Santana Após a adequação de um projeto feito em 2001, o Hospital de Santana passará de 4.941,47m² de área construída para 11.191,98 m². Serão cinco novos blocos além da reforma dos três já existentes. A instituição passará a contar com 148 leitos, centro cirúrgico, UTI adulto, infantil e neonatal e berçário Intermediário. O projeto inclui também blocos de apoio técnico-logístico e diagnóstico


com laboratório, duas salas de Raio X, duas de ultrasonografia e serviços de diálise, além de um novo bloco com Administração e Ambulatórios. “A adequação do projeto previu ainda a ampliação em dois novos blocos, da Internação hospitalar, em mais 120 leitos passando de 148 para 268 leitos, buscando a atender a demanda atual e futura”, relata o arquiteto. Centro de Parto Normal Um Centro de Parto Normal (CPN), com 2.588,64 m², será construído em Macapá (AP). A nova edificação contará com administração, ambulatórios, oito consultórios e sala de Imunização. Além de centro obstétrico com dez

salas de pré-parto, parto e pós-parto, observação com 15 enfermarias, isolamento e berçário de cuidados Intermediários. Também um bloco de apoio técnico-logístico com cozinha, esterilização, almoxarifado geral e de Medicamentos, vestiários e central de resíduos sólidos. “A construção, equipagem e funcionamento deste Centro deverão desafogar a Maternidade Mãe Luzia, no centro de Macapá, deixando para esta apenas os casos de parto cirúrgico e os de maior complexidade”, conta Freire. Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima O processo de reforma

e ampliação do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima, já teve sua primeira etapa, que implantou um bloco anexo em frente ao já existente. Neste bloco, funcionam as áreas de administração e alguns ambulatórios, as novas enfermarias, a UTI e o centro cirúrgico. Nesta segunda etapa será reformada a área antiga do hospital, em três pavimentos, onde funcionarão o apoio diagnóstico, farmácia e esterilização, e enfermarias. Além da ampliação do centro cirúrgico e da UTI. O número de leitos para internação será de 230 leitos. Será construído também um bloco posterior que irá abrigar o novo serviço

Hospital Santana Health ARQ

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Investimento

ARQ destaque e administração de nutrição dietética e Enteral e a residência médica. Complementando esta etapa de obras, será construído um bloco para a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia com espaço especial para radioterapia, quimioterapia, anatomia patológica e a verificação de óbitos do hospital. Complexo Hospitalar da Zona Norte com Maternidade e Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência O Complexo Hospitalar formado pela Maternidade da Zona Norte e pelo Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência foi projetado na BR-

210 que liga Macapá a Santana, localização privilegiada, visto que facilita o acesso da população de grande parte das áreas mais densamente habitadas do Estado do Amapá. Os dois estabelecimentos hospitalares serão construídos em torno de um grande espaço central com estacionamento e heliponto que atenderá a ambos estabelecimentos. Os hospitais contarão com um único bloco de Apoio técnico-logístico que atenderá ambos hospitais. Maternidade Zona Norte A Maternidade da Zona Norte, com 11.500,00m² de área construída, foi projetada com sete pa-

vimentos dividindo entre os andares salas de emergências obstétricas, de prematuros e de gestantes de alto risco, apoio diagnóstico, banco de leite e administração. Além de UTI’s adulto e neonatal e do centro obstétrico. O projeto propõe ainda áreas técnicas em um pavimento mecânico, além dos berçários, laboratórios de análises clínicas e 120 leitos de internação. Hospital de Urgência e Emergência O Plano Diretor do Hospital de Urgência e Emergência define a construção de um prédio de 9.500,00 m², apresentando, no térreo, as áreas críticas da emer-

José Freire, Arquiteto e Sócio Proprietário da DPJ Arquitetura e Engenharia 86

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gência, apoio diagnóstico, queimados, UTIs e centro cirúrgico, todas interligadas, facilitando desta forma o acesso e a interação entre elas. Para o primeiro pavimento foi projetada uma ampla área técnica sobre as UTIs, centro cirúrgico e queimados, proporcionando a locação dos equipamentos e instalações especiais que atenderão àquela área no pavimento abaixo. Por fim, sobre o primeiro pavimento serão edificados quatro pavimentos, sendo um para administração, residência médica e plantões e os outros três para Internação com 40 leitos cada, perfazendo um total de 120 leitos.


História na Arquitetura A DPJ Arquitetura e Engenharia carrega em seu portifólio mais de dois milhões de metros quadrados projetados, seiscentos mil dos quais em obras de estabelecimentos assistenciais de saúde, entre estes, mais de 40 projetos para hospitais. Dentre tais concepções estão os Hospitais Regionais do Pará, em Santarém, Altamira, Redenção e Tucuruí; o Hospital Metropolitanos de Urgência e Emergência de Belém; os Hospitais Regionais do Amapá, em Santana, Serra do Navio, Oiapoque e Amapá, o da Criança e do Adolescente, os Hospitais geral e Materno Infantil de Altamira e o de Especialidades Dr. Alberto Lima em Macapá, além do Hospital Materno Infantil da Santa Casa, em fase final de acabamento. Diante de tantos cases de sucesso, Freire considera que o projeto hospitalar “deve ser uma obra aberta para poder incorporar os vertiginosos progressos da medicina, assim, nas decisões tomadas hoje devem ser consideradas as possibilidades de futuras expansões”. Em 2005, o arquiteto José Freire da Silva Ferreira foi indicado como personalidade do ano da Arquitetura Hospitalar Brasileira pelo departamento de São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil, pelo Centro Universitário São Camilo e pela Associação Brasileira do Desenvolvimento do Edifício Hospitalar.

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Ampliação sustentável

CONSTRUÇÃO

Para o pleno conforto Arquitetura das novas unidades da Clínica Huntington prima pela excelência do bem-estar

A

humanização e o ambiente físico hospitalar são variáveis de uma mesma função, cujo resultado converge para atender aos progressos da medicina, sejam eles tecnológicos ou assistenciais. Com o obje88

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tivo de conciliar tais premissas, o projeto arquitetônico das novas unidades da Clínica Huntington concretiza o conceito de conforto em suas instalações. De acordo com Antônio Carlos Rodrigues e Rafael Tozo, Sócios Diretores da

ACR Arquitetura, o bem-estar dos usuários norteou todo o projeto. Com isso a setorização proposta foi cuidadosamente elaborada a fim de inter-relacionar quatro grandes ambientes: as áreas de recepção e acolhimento,


os setores dedicados ao atendimento ao cliente, a ala de procedimentos e intervenções cirúrgicas e aquela dedicada exclusivamente ao operacional da clínica. “Estas áreas devem ser integradas o suficiente para que se minimizem os desgastes da equipe de profissionais sem interferir na distinção necessária ao conforto dos usuários e pacientes”, comentam. A iluminação dos diferentes ambientes foi trabalhada de modo a atender os requisitos distintos que cada setor exige. Conforme explicam os arquitetos, as áreas de recepção receberam um tratamento de luz indireta, com temperatura de cor mais elevada, para maior conforto

dos clientes. Já nos locais de atendimento, buscou-se um equilíbrio que permitisse maior eficiência na iluminação direta sem abrir mão de um ambiente acolhedor. Na ala de procedimentos e laboratórios há uma maior preocupação em atender requisitos para cada atividade determinada por normas específicas, estritamente atendidas pelo projeto. Outro fator para o bem-estar do usuário é o conforto acústico proporcionado pela arquitetura. Para isso foi utilizado o método de construção de divisórias através da compartimentação por septos, assegurando, desta forma, a estanqueidade do ruído, a privacidade dos

pacientes, além de colaborar para o controle ambiental e climático de cada compartimento. Ainda de acordo com os arquitetos, a seleção do mobiliário valorizou o aspecto hoteleiro, ao invés de trazer características de um ambiente corporativo à clínica. “Isto colabora em grande parte para o bem-estar de todos os usuários, permitindo que o local dedicado ao serviço da saúde torne-se mais acolhedor e receptivo, principalmente, para os pacientes.” Para assegurar a coerência da linguagem arquitetônica e visual entre as unidades, buscou-se o aperfeiçoamento de soluções para a identidade corporativa com relação às

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Ampliação sustentável

CONSTRUÇÃO

questões técnicas e funcionais. “Nossa parceria com a Clínica Huntington já existe há algum tempo, mais precisamente desde que recebemos a demanda para projetar a sede junto ao Parque do Ibirapuera, em 2004. Desde então, acumulamos experiência nos projetos das demais unidades, o que nos permitiu um completo entendimento acerca dos processos e rotinas fundamentais ao correto funcionamento da clínica”, explicam. Vale destacar também que o espaço de atendimento médico, incluindo consultórios, repouso pós anestésico (RPA´s) e centro cirúrgico atendem a rígidos critérios impostos pela vigilância sanitária. Conforme 90

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salientam os arquitetos, os centros de saúde têm uma alta demanda burocrática por conta das licenças de funcionamento, alvarás e demais requisitos legais imprescindíveis ao exercício das atividades. “A maior parte desses assuntos tem relação direta com o projeto de arquitetura. Logo, a interferência dessas questões é permanente ao longo de todo o processo.” A premissa da flexibilidade A planta arquitetônica de um centro de saúde tem como cerne de sua criação saber conciliar as necessidades de hoje com mudanças futuras. Esse viés deve-se a diversos fatores, como a evolução tecnológica e o aumento da demanda pelo

serviço prestado. É com esta preocupação que nasceram as novas unidades da Clínica Huntington. Conforme ressaltam os arquitetos, a expansibilidade constitui-se em uma regra do projeto de arquitetura. “A necessidade em acompanhar as atualizações rápidas e constantes da área da saúde requer do edifício a possibilidade em absorver reformas, adaptações e expansões sem maiores transtornos. Assim, a utilização de materiais de fácil aplicação e montagem, por exemplo, tornam o processo de renovação menos oneroso. Outra solução é o emprego de coordenações modulares compatíveis com os sistemas disponíveis.”


A serviço da sustentabilidade Toda preocupação quanto à humanização da clínica caminhou lado a lado com a adoção de medidas sustentáveis. A especificação e a utilização de materiais de origem reciclada e o gerenciamento adequado dos resíduos são algumas das soluções aplicadas. “Um bom exemplo é o emprego de lã de pet como material termo-acústico em substituição às lãs minerais comumente empregadas. Trata-se de um material

com baixo impacto para o meio ambiente, já que provém de matéria reciclada e é também reciclável quando descartado”, explicam. Essa responsabilidade ambiental é uma das diretrizes adotadas pelo Grupo Huntington em conjunto com os arquitetos. A clínica localizada na rua Sena Madureira, por exemplo, foi construída a partir de materiais que possuem em sua composição até 13% de insumos recicláveis e

especificações de sistemas economizadores de água. Também houve o reaproveitamento planejado de instalações e equipamentos existentes para a perfeita integração ao novo conjunto. Além disso, durante a obra foram tomadas medidas como a preocupação em destinar o entulho gerado em obra para reciclagem. Afora essas soluções, todo o projeto de mobiliário e marcenaria uti-

lizam móveis em MDF proveniente de fontes certificadas. A ambientação também recorre a pisos vinílicos produzidos com até 70% de matéria-prima reciclada pós-consumo. Já os sistemas de iluminação utilizaram lâmpadas LED, que proporcionam maior economia de energia. Por fim, as instalações hidráulicas contam com vasos sanitários com sistema dual flush e torneiras com temporização automática.

“A necessidade em acompanhar as atualizações rápidas e constantes da área da saúde requer do edifício a possibilidade em absorver reformas, adaptações e expansões sem maiores transtornos. Assim, a utilização de materiais de fácil aplicação e montagem, por exemplo, tornam o processo de renovação menos oneroso. Outra solução é o emprego de coordenações modulares compatíveis com os sistemas disponíveis.” Antônio Carlos Rodrigues e Rafael Tozo, Sócios Diretores da ACR Arquitetura

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Ampliação sustentável

CONSTRUÇÃO

O desafio da engenharia Para a construção das novas unidades da Clínica Huntington foram implantadas soluções de forma a buscar a melhor alternativa operacional em cada ambiente, de modo que sejam atendidas as devidas normas técnicas. Segundo Carlos Alberto Fernandes, Sócio Proprietário da Compacto Engenharia, a parte elétrica e hidráulica da obra exigiu minuciosos estudos para atender as necessidades do centro de saúde. 92

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“Trata-se de clínicas com equipamentos muito sofisticados e tecnologia de ponta. Há muitos sensores e controles para gases medicinais, temperatura e umidade. O sistema de ar condicionado, por exemplo, deve ficar ligado 24 h, inclusive no inverno, para que seja controlada a umidade do ar. Temos que entender como funciona cada equipamento e como cada operador trabalha visando deixar toda a infraestrutura correta-

mente adaptada”, explica. Fernandes salienta ainda que todas as clínicas têm que ser reforçadas do ponto de vista de carga elétrica, por conta do aumento na capacidade do ar condicionado, elevadores, etc. “É aí que os gargalos aparecem. As concessionárias de energia levam em média cinco meses entre o estudo de aumento de carga e a ligação final. Isso é realmente o maior desafio na execução das clínicas.”


Dentre as medidas de sustentabilidade adotadas ressalta-se, mais uma vez, o uso de lã de pet reciclada. “Não utilizamos lã de rocha ou vidro dentro das paredes de drywall para gerar conforto acústico. Além disso, todo o resíduo é separado em madeira, papelão/papéis, metais (latas de tinta, estrutura de drywall, etc), e entulho civil. Por fim, todas as salas que possuem máquina e revestimento acústico foram concebidas com material isolante que não propaga fogo”, ressalta.

“Trata-se de clínicas com equipamentos muito sofisticados e tecnologia de ponta. Temos que entender como funciona cada equipamento e como cada operador trabalha visando deixar toda a infraestrutura corretamente adaptada” Carlos Alberto Fernandes, Sócio Proprietário da Compacto Engenharia

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CONSTRUÇÃO

Ampliação sustentável

FICHA TÉCNICA Clínica Huntigton Endereço: Rua Sena Madureira, 100 – Vila Mariana, São Paulo, SP Data do Projeto: Maio/2012 Obra: Junho a Outubro/2012 Área do terreno: 508 m² Área total construída: 914,53 m² Nº pavimentos: 2 (mais subsolo) Vagas estacionamentos: 10 Nº consultórios: 02 Salas de Atendimento Administrativo: 03 Salas de Coleta e Medicação: 01 Salas de Exames – Ultrassom: 02 Sala de Procedimentos / Centro Cirúrgico: 01 Laboratórios de Embriologia: 01 Repousos Pós-Anestésicos: 04 Arquitetura: ACR Arquitetura e Planejamento Coordenação: Antônio Carlos Rodrigues e Rafael Tozo Interiores: ACR Arquitetura e Planejamento Luminotécnico: ACR Arquitetura e Planejamento Gerenciamento de projetos e obra: ACR Arquitetura e Planejamento Empresas responsáveis pelos projetos de: Ar-condicionado Elétrico e hidráulico: Eapec Gases Medicinais: Air Liquide Prevenção e Combate a Incêndio: Abluz Assessoria Legal: Kensetsu Obra: Compacto Engenharia Fornecedores de Material e Serviço: Compacto Engenharia Detalhes da Obra: Drywal: Knauf Elevadores: Zenit Ferragens: Lafonte Instalações Hidráulicas e Elétricas: Compacto Engenharia Luminárias: Omega Iluminação Pinturas: Compacto Engenharia Piso Vinílico: Revitech Porcelanato: Portobello Fornecedores de Equipamentos: Acabamentos de elétrica: Pial Combate a incêndio: Abluz Geradores: Maquigeral Louças e Metais Sanitários: DECA

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Agilidade

acabamento ACABAMENTO

Execução rápida Gerente Técnico da Associação Brasileira do Drywall esclarece várias vantagens da aplicação do método nas edificações do setor da saúde

C

aracterizado por representar a idéia de construção a seco, o drywall dispensa métodos convencionais de alvenaria na construção, em que a sujeira está sempre presente. Todas as formas de aplicação, sendo em 96

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paredes, forros e revestimentos, são adequadas para uso nas edificações do setor de saúde. A utilização do sistema nestes ambientes é recomendada devido à vantagem de execução rápida e limpa. Também é válido mencionar, que o drywall é fácil

de ser aplicado nas instalações elétricas, hidráulicas e de gases. Porém, é importante lembrar que normalmente todas as áreas, principalmente de hospitais, devem ser submetidas com grande frequência a processos de higienização e assepsia. Nesse sentido,

recomenda-se a utilização do sistema de chapas para drywall resistentes à umidade (conhecidas pela sigla RU ou simplesmente como “chapas verdes”), que contêm um hidrofugante em sua fórmula e são apropriadas para as chamadas “áreas molháveis”.


Adicionalmente, antes de receber acabamento com revestimento cerâmico ou pintura epóxi, por exemplo, as paredes drywall utilizadas em “áreas molháveis” devem ser impermeabilizadas em sua parte inferior (até a altura de 20 cm), sendo que essa também é uma exigência expressa na norma técnica de projeto e montagem do sistema. No Brasil, conceituados hospitais utilizam o sistema drywall. O crescente interesse pelo método no País é perceptível, devido às inúmeras vantagens oferecidas pelo procedimento. Instituições como o Hospital Albert Einstein e o Hospital São Luiz (unidade Morumbi) já

apresentam em suas estruturas a aplicação deste sistema, observando excelentes resultados. Na hora de escolher serviço de aplicação de drywall é importante se atentar às normas técnicas brasileiras, com destaque especial para a ABNT NBR nº 15.758:2009, que define as regras de projeto e os procedimentos executivos de montagem de paredes, forros e revestimentos com sistemas drywall, para que tirem o melhor proveito dessa tecnologia e também tenham condições de exigir dos escritórios de projeto, das empresas construtoras e dos profissionais de montagem a rigorosa obediência a es-

sas diretrizes técnicas. Carlos Roberto de Luca, Gerente Técnico da Associação Brasileira do Drywall, explica que existem basicamente dois modelos de empresas de serviço de drywall que atuam no setor da saúde. São os escritórios de projeto e as empresas montadoras dos sistemas, que também podem responder por sua manutenção e eventuais reformas. “Como se trata de uma tecnologia de uso recente no Brasil, é natural que ainda não haja completo domínio de suas características e possibilidades tanto estéticas, quanto funcionais.” Na opinião de Luca, quanto ao projeto no-

tam-se avanços, pois os principais escritórios que atuam nessa área já acumulam razoável conhecimento sobre o sistema drywall. No entanto, ele diz que esse não é um aspecto restrito à área de saúde, é necessário que os arquitetos passem a preocupar-se com o detalhamento de seus projetos, para que a especificação do sistema seja feita rigorosamente de acordo com as normas técnicas relativas a essa tecnologia. “Essa será a melhor garantia de que paredes, forros e revestimentos apresentarão o desempenho esperado e para o qual foram concebidos. A boa especificação ar-

“Como se trata de uma tecnologia de uso recente no Brasil, é natural que ainda não haja completo domínio de suas características e possibilidades tanto estéticas, quanto funcionais” Carlos Roberto de Luca, Gerente Técnico da Associação Brasileira do Drywall Health ARQ

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Agilidade

acabamento ACABAMENTO quitetônica terá reflexos positivos na fase de execução, proporcionando a correta orientação a engenheiros de obras e às empresas de montagem do sistema drywall, evitando improvisações ou adaptações que podem prejudicar o desempenho do sistema”, afirma. Outro ponto fundamental a ser destacado é que na aquisição e no recebimento dos componentes do sistema nas obras, o responsável pela construção deve estar ciente das exigências da norma, evi-

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tando assim utilizar itens não conformes e que podem acarretar não só patologias, mas também a necessidade de retrabalho com seus custos adicionais correspondentes. “Claro que essa não é uma preocupação que deve nortear apenas o uso do drywall, mas de todos os materiais e sistemas construtivos.” O gerente técnico da entidade, informa que em caso de dúvida, a entidade está à inteira disposição dos interessados para dar toda a assessoria necessá-

ria aos profissionais do setor. “A propósito, já temos feito isso. Recentemente, demos um curso de manutenção e fixação de cargas em sistemas drywall para a equipe interna do Hospital das Clínicas de São Paulo e, igualmente, assessoramos a direção do Hospital Sírio-Libanês, para a correta especificação dos sistemas em seu novo prédio. NORMAS As empresas de montagem de drywall são obrigadas, conforme exigências e recomendações das nor-

mas técnicas, a obedecer às regras de montagem do sistema. Tais normas, incluem a utilização apenas de componentes em conformidade com as normas técnicas e aprovados nos ensaios do PSQ – Drywall, iniciativa de qualidade vinculada ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP-H), do Ministério das Cidades. Hoje, esse programa cobre todos os materiais e sistemas de construção produzidos e comercializados no País, embora muitos desconheçam esse fato.


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AMPLIAÇÃO

Otimização do espaço

Plena funcionalidade

Hospital do Câncer de Londrina amplia sua unidade apostando em um perfil arquitetônico contemporâneo e humanizado 100

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projeto arquitetônico do novo Centro de Serviços de Diagnóstico e Tratamento do Hospital do Câncer de Londrina abraça diversas soluções a fim de conciliar solidez e racionalidade para toda a sua estrutura física. Já em execução, o Plano Diretor de Organização e Expansão Física da instituição visa concentrar diversos serviços e tratamentos que se encontram em diferentes setores do centro de saúde, além da implantação do diagnóstico por imagem. Para abrigar toda essa tecnologia de ponta, a proposta arquitetônica traça uma linguagem contemporânea, oferecendo uma identidade própria no entorno da edificação. Em seu interior, a composição dos espaços objetivou otimizar os aspectos funcionais dos ambientes. “A meta é buscar a melhor definição das unidades que ocuparão o edifício e, principalmente, estabelecer o programa físico-funcional mais adequado tanto para as necessidades atuais, quanto para as instalações futuras”, explica Nelson Schietti de Giacomo, arquiteto responsável pela obra e Sócio Proprietário da Giacomo Arquitetura. O projeto apresenta uma

infraestrutura onde respeita-se o fluxo interno de pacientes e do grupo operacional, o que além de garantir agilidade ao serviço, também contribui para o conforto dos usuários. Além da funcionalidade, soma-se ao projeto o fator flexibilidade espacial, garantida através da exata escolha de materiais que proporcionam facilidade na instalação e na remoção, bem como na manutenção. Para o arquiteto, o grande diferencial da obra é justamente essa visão sistêmica do projeto arquitetônico, ou seja, a melhor compreensão através da arquitetura e seus subsistemas. “Isso garante a melhor interligação e compatibilização das diversas interfaces do edifício hospitalar. Por outro lado, todos os espaços foram tratados com especial atenção na oferta de boa salubridade, conforto, bem-estar e ainda com o objetivo de melhor retratar o repertório do dia a dia dos pacientes e familiares.” Arquitetura humanizada Afora aspectos de flexibilidade e funcionalidade, o projeto também apresenta as melhores soluções para trazer conforto aos usuários. Para atender às diversas premissas de humaHealth 101 ARQ


Otimização do espaço

AMPLIAÇÃO nização, foram aplicadas medidas que conciliassem bem-estar e sustentabilidade à nova infraestrutura. A iluminação natural foi favorecida através das aberturas na face Sul, com menor incidência solar. Assim, permitiu-se uma maior transparência e amplitude visual. Quanto às lâmpadas instaladas na área de atendimento ao paciente foram priorizadas as cores com tons amarelados, por proporcionar maior conforto visual. Conforme ressalta Giacomo, a abertura visual do edifício proporciona aos usuários a noção de tempo e a permeabilidade visual do contexto urbano. “Muitos edifícios hospitalares, e neste caso não foi diferente, possuem paredes e

pisos lisos, por conta de higiene e, consequentemente, provocam com facilidade a propagação do som e ruídos. Para impedir essa reverberação, propusemos alternar alturas de forro e trabalhar com espaços cheios e vazios, gerados pela arquitetura.” Quanto à sustentabilidade, o projeto disponibilizou a captação e armazenamento de água pluvial, sendo reutilizada para lavagem de calçadas e veículos. “Também utilizamos um sistema paralelo de coletores de energia solar para pré-aquecimento de água. As áreas de baixa ocupação e sem a necessidade de maior controle de assepsia foram contempladas com grandes aberturas para proporcionar a boa aera-

ção dos espaços e, consequentemente, menor consumo de ar condicionado.” Prova-se, assim, que a identidade contemporânea do hospital não está apenas em sua linguagem visual. Preocupações atuais como sustentabilidade e humanização do tratamento também nortearam o projeto arquitetônico dando todo o amparo possível para abrigar as novas necessidades. “Em nosso processo de concepção, estruturação e consolidação, realizamos o periódico acompanhamento do projeto arquitetônico e a execução da obra, objetivando a sua perfeita realização e compreensão, dirimindo dúvidas e complementando informações necessárias para atingir a alta performance e a qualidade esperada”, conclui.

André de Giacomo, Talita de Giacomo e Nelson Schietti de Giacomo 102

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O requinte nos acabamentos Todos os detalhes foram minuciosamente estudados no projeto arquitetônico do Centro de Serviços de Diagnóstico e Tratamento do Hospital do Câncer de Londrina. Essa mesma preocupação também ocorreu quanto à escolha dos materiais para compor este novo cenário. Nos banheiros e nas cozinhas foram instaladas louças, fechaduras,

batentes, dentre outros elementos, seguindo a norma da ABNT, NBR 9050. Trata-se de inúmeras exigências que devem ser respeitadas a fim de garantir o conforto e a segurança para portadores de necessidades especiais, pessoas com dificuldade de equilíbrio e mobilidade. Nestes locais, a Casa Acabamentos forneceu

materiais conforme os requisitos e que também colaborassem para a assepsia do ambiente. “Os produtos são fabricados com as mais nobres matérias-primas, sempre latão (liga de cobre e bronze) e aço inox nos metais e fechaduras. Já as portas de madeira possuem pintura de esmalte sintético lavável e com tratamento anti-mofo e anti-cupim”, Health 103 ARQ


Otimização do espaço

AMPLIAÇÃO explica Rafael de Giovani Netto, Diretor da empresa. Para estes locais foram selecionados produtos como metais sanitários (torneiras, barras de apoio, duchas, acessórios), louças sanitárias (cubas, lavatórios, bacias, assentos), fechaduras, batentes, portas, ferragens, pastilhas de vidro e porcelana. Além de seguir rigorosamente as exigências técnicas, os equipamentos são de fácil manutenção o que, consequentemente, acarreta em redução de custos para o hospital.

“Não há a necessidade de utilizar nenhum produto abrasivo e quimicamente forte na limpeza. Nas peças laváveis (banheiros), por exemplo, são utilizados água e sabão neutro. No restante, pano úmido e, logo após, pano seco é o suficiente.” Quanto à procura por tais materiais, Giovani Netto afirma que torneiras e acessórios para banheiros e barras de apoio são muito solicitados. “A procura por tais produtos aumentou devido às exigências técnicas. Por isso,

“Os produtos são fabricados com as mais nobres matérias-primas, sempre latão (liga de cobre e bronze) e aço inox nos metais e fechaduras. Já as portas de madeira possuem pintura de esmalte sintético lavável e com tratamento anti-mofo e anticupim”, Rafael de Giovani Netto, Diretor da Casa Acabamentos 104

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Barras de Apoio

Barra de apoio flexível

instituições hospitalares, clínicas e consultórios buscam sempre materiais que ofereçam segurança e assepsia para o ambiente. Vale ressaltar também que são poucas as empresas especializadas em fornecer esses equipamentos específicos.” Segundo o diretor, os fabricantes estão preocu-

pados, cada vez mais, em oferecer produtos inovadores para as instituições. ”Buscamos os principais fornecedores no segmento do País que possuem certificados e proporcione ampla garantia e assistência técnica. As grandes marcas do mercado estão sempre inovando, principalmente na linha de acessórios e

metais sanitários.” Ao longo dos 25 anos no mercado, a empresa, além de atender no varejo e pequenas obras, fornece produtos para obras de médio e grande porte. “Atendemos Londrina e todo o norte do Paraná através de parcerias com arquitetos construtoras”, finaliza Giovani Netto.

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AMPLIAÇÃO

Otimização do espaço

FICHA TÉCNICA Hospital do Câncer de Londrina Endereço: Rua Lucilla Ballalai nº 212, Jd. Petrópolis – Londrina, PR Data do Projeto: Dezembro / 2010 Obra: Centro de Serviços de Diagnóstico e Tratamento Área do terreno: 5.176,00 m2 Área total construída: 7.430,00 m2 Nº pavimentos: 09 pavimentos Serviços Diagnósticos e Tratamento: Ambulatório, exames de diagnóstico por imagem (ressonância magnética, ultrassom, mamografia, etc.), quimioterapia adulto e infantil, UTI adulto e infantil, centro cirúrgico. Nº consultórios: 14 consultórios (ambulatório) Adicional: áreas de apoio ao ensino e pesquisa, residência médica e conforto médico. Serviços e áreas por pavimento: Subsolo: Serviço de Diagnóstico por Imagem - 844,40 m2 Térreo: Recepção, espera ambulatorial, triagem, assistência social, laboratório de coleta - 866,10 m2 1º Pavimento / Mezzanino: Ambulatório / consultórios - 703,60 m2 2º Pavimento: Centro Cirúrgico - 851,25 m2 3º Pavimento: Quimioterapia adulto - 851,25 m2 4º Pavimento: Quimioterapia pediátrica e UTI pediátrica - 851,25 m2 5º Pavimento: UTI adulto - 851,25 m2 6º Pavimento: Centro de ensino e pesquisa, residência médica, apoio médico e administração - 851,25 m2 7º Pavimento: Central de automação e estar de funcionários - 681,69 m2 Barrilete, casa de máquinas 01 e 02: 98,60 m2 Cx. d’água: 22,33 m2 Marquise: 37,18 m2 Área a demolir: 79,93 m2 Total: 7.430,22 m2 Arquitetura: Giacomo Arquitetura Coordenação: Arq. Nelson Schietti de Giacomo, Arq. Talita de Giacomo, Arq. André de Giacomo Colaboradores: Arq. Nancy Cifuentes, Arq. Celina Hiroko Tutumi, Arq. Thaise Suzuki, Arq. Natália Mayumi Diogo Gerenciamento de licitação: Edmilson S. Garcia (Gestor Administrativo do Hospital) Empresas responsáveis pelos projetos de: Ar-condicionado: Thermix Engenharia Térmica, Projetos e Consultoria em Ar Condicionado Consultoria de caixilhos: Solucon Elétrico: SZ Projetos Elétricos Hidráulico: APG Engenharia Hidráulica Projeto de fundações e contenções: Basestac Engenharia de Fundações Estrutura de concreto: AA Consultoria e Projetos de Engenharia Prevenção e Combate a Incêndio: APG Engenharia Hidráulica Obra: Construção: Milano Engenharia Aço Inox: Parquelândia Inox Indústria Metalúrgica Andaimes: Mix Andaimes Concreto: Engemix

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Detalhes da Obra: Drywall: Solucon Elevadores: Thyssen Krupp Elevadores Esquadrias ferro: Serralheria Art Nova Esquadrias de alumínio: Solucon Estrutura metálica: Montasa Engenharia Ind. e Com. Ltda Ferragens de portas: La Fonte | Casa Acabamentos Granito: Pedralha Mármores e Granitos | Loja do Mármore Instalações Hidráulicas e Elétricas: G. Valentim Ltda. Pintura: Campos Pinturas Porta corta-fogo: Dominante Ind. e Com. Ltda Revestimento Cerâmico: Cecrisa Revestimentos Cerâmicos Porcelanato: Cecrisa Revestimentos Cerâmicos Revestimento Fachada: Solucon Terraplanagem: Carnevale Terraplanagem Mão de Obra Civil: Servitec Construções Ltda. Louças: Deca | Casa Acabamentos Metais sanitários: Deca | Casa Acabamentos Furo Certo Cortes e Furos em Concreto

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sustentabilidade

Arquitetura premiada Construção verde

Nova unidade do Instituto Mário Penna traz projeto inovador para a sua ampliação valorizando medidas sustentáveis em toda a infraestrutura

A

reformulação do Instituto Mário Penna, unidade de Luxemburgo (MG), proporcionou a modernização e o aumento na capacidade de atendimento ao público. Tamanha importância e inovação do trabalho foram reconhecidos através do “Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa de

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2012”, na categoria Saúde, que o projeto recebeu. À frente desta ampliação está a TM Engenharia de Soluções, que executou um intenso trabalho a fim de atender o prazo para protocolo do projeto arquitetônico e licenciamento ambiental. “Foram inúmeras reuniões de conceituação com o

instituto devido a sua alta complexidade e especificidade e por se enquadrar em uma lei municipal específica de benefícios urbanísticos para este tipo de empreendimento”, explica Renata Miari, Diretora da empresa. Os estudos de compatibilidade entre as especialidades foram feitos já

na fase de conceituação, o que colaborou, ainda mais, para que o design e a solução final fossem otimizados. Assim, desenvolveu-se um trabalho de forma integral, em que o prévio estudo de aspectos construtivos e de impacto interagisse no layout e na definição arquitetônica de toda a estrutura.


Várias dificuldades foram superadas para realizar toda a construção em uma edificação de 21 mil m². “A solução foi desenvolver o Plano Diretor de Implantação e Obra concebendo então o Complexo Hospitalar Luxemburgo, no qual foi previsto a utilização de lotes adjacentes à instituição para a construção de três novos edifícios anexos, todos interligados, possibilitando, assim, uma completa reorganização funcional/ operacional dos espaços e setores, primando pela eficiência e flexibilidade de sua infraestrutura e sustentabilidade de sua operação a longo prazo.” O primeiro anexo, com 15.500,00 m² de área construída, abrigará o centro de logística do complexo. A nova edificação contará com 518 vagas de estacionamento, ambientes de apoio logístico/operacional e heliponto. Os setores administrativos serão transferidos ao segundo anexo, que contará também com mais 24 novos consultórios, em área total de 8.600,00 m². O terceiro conjunto, com 7.500,00 m² de área, abrigará o novo centro de ensino e pesquisa e diversos setores de apoio técnico. O projeto de adequação e

modernização dos 13 mil m² da edificação existente irão incorporar 220 novos leitos e a ampliação do setor de Imaginologia. Quanto às fachadas, o projeto buscou aliar estética e conforto ambiental, partindo do retrofit do prédio existente tendo como elemento marcante lâminas verticais que envolvem todo o volume. A repetição desta característica nos demais edifícios reforça ainda mais a ideia de unidade integrada. Para Renata, o projeto se destaca por trazer soluções que visem melhorar a qualidade ambiental dos ambientes internos, otimizar o consumo de energia e recursos em médio a longo prazo e aumentar o valor arquitetônico e econômico do imóvel. Sustentabilidade reconhecida Os estudos da nova unidade também se dedicaram a valorizar as soluções de sustentabilidade. Para isso, a análise dos impactos ambientais urbanísticos e os aspectos arquitetônicos da estrutura física foram analisados em conjunto. “O resultado deste diálogo são espaços inteligentes e sustentáveis, no qual o layout das instalações por si são resHealth 109 ARQ


Construção verde

sustentabilidade ponsáveis pela diminuição dos impactos de sua operação e otimização da utilização de recursos, da gestão de seus resíduos a sua eficiência energética.” A diretora salienta ainda que desde a concepção foram feitos análises acerca de vários elementos como drenagem pluvial, impacto de circulação, plano de resíduos sólidos, programa de efluentes, relatório e plano de controle ambiental, dentre outros. Também houve uma avaliação e especificação de materiais construtivos, equipamentos prediais e métodos de trabalhos sustentáveis. “Buscamos sempre

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utilizar materiais que correspondem perfeitamente às regulamentações e normas específicas de empreendimentos da saúde, tendo como premissa sua alta qualidade e durabilidade, baixo custo de conservação e fácil reposição”. Já quanto aos empecilhos encontrados durante a concepção do projeto, a arquiteta salienta as restrições relacionadas à capacidade da estrutura existente de suportar uma ampliação vertical e também a topografia local. “Enfrentamos também diversas incertezas causadas pela falta de clareza da legislação em que o

projeto se enquadra. Todo o planejamento aguarda entraves burocráticos públicos, infelizmente, como a revisão da legislação de incentivo à construção e ampliação de empreendimentos da saúde junto à Câmara Municipal e, consequente, aprovação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.” A diretora considera um privilégio poder trabalhar junto a instituições como o Instituto Mário Penna, de extrema importância para a assistência à saúde em Belo Horizonte e poder contribuir para que esta se torne “uma das principais referências na-


cionais no tratamento do câncer”. Constam no portfólio da empresa atuações em diversos centros de saúde como o Hospital da Baleia (MG), Hospital Ortocenter (MG), Hospital Belvedere (MG), Hospital Municipal de Congonhas do Campo (MG), Hospital Santa Lúcia (DF), Associação Mineira de Reabilitação - AMR, Instituto Materno Infantil de MG - Vila da Serra, Centro Oftalmológico de MG, Hospital São Vicente de Paula de Araçuaí (MG), Fundação dos Empregados da FIAT - Centro Médico BH, Hospital Infantil Padre Anchieta (MG), Hospital Espírita André Luiz (MG), Hospital Infantil São Camilo (MG), dentre outros.

“Buscamos sempre utilizar materiais que correspondem perfeitamente às regulamentações e normas específicas de empreendimentos da saúde, tendo como premissa sua alta qualidade e durabilidade, baixo custo de conservação e fácil reposição”, Renata Miari, Diretora da TM Engenharia de Soluções Health 111 ARQ


Construção verde

sustentabilidade

Adequação primordial Modernidade e conceitos sustentáveis compõem a estrutura do novo centro de atendimento especializado da Unimed Jaraguá do Sul (SC)

O

estilo contemporâneo que ao mesmo tempo valoriza os espaços verdes integra a arquitetura do Hospital Unimed Jaraguá do Sul (SC). Projetado para ser construído em três estágios, este novo empreendimento abrigará Pronto-Atendimento, Diagnósticos, Centro Ci112

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rúrgico, UTI e Internação. O diferencial deste projeto arquitetônico desenvolvido pela L+M GETS está nas fases construtivas, que atendem à uma necessidade e desejo de crescimento gradativo da instituição. Além disso, a obra precisou ser ajustada para se adaptar às condições climáticas lo-

cais, pois a cidade possui grandes transtornos nos períodos de chuva. Ainda, algumas medidas de sustentabilidade foram adotadas, a exemplo da elevação da estrutura do edifício, que conseguiu a liberação do terreno, deixando grande área permeável. Também utilizou-se torneiras com

fechamento automático e caixas para descarga ao invés de válvulas. Além disso, contou com técnicas de proteção do edifício contra a incidência de raios solares, minimizando gastos com condicionamento de ar. Atualmente, o prédio de 2 mil m², está em fase de acabamento. Aproxi-


madamente 50 operários trabalham para terminar as obras de construção da estrutura, que foi toda edificada a 3,5 metros do chão para evitar possíveis alagamentos. O andar térreo será reservado para estacionamento. O piso superior conta com duas rampas de acesso e elevador, e terá capacidade para 250 atendimentos por dia. A equipe de construção está colocando os revestimentos nas paredes, piso, forro, além de concluir o estacionamento interno e externo.

A construção segue em fase final e a previsão de inauguração do prédio é para o mês de junho de 2013. O FUNCIONAMENTO Com atendimento 24 horas, o Pronto-Atendimento terá Clínico Geral e Pediatras, além de ambulância e 17 leitos de observação. Serão 100 colaboradores prestando um serviço exclusivo e diferenciado tanto para o cliente Unimed quanto particular. A estrutura terá capacidade para até 200 atendimentos por dia.

Segundo o Gerente Geral da Unimed Jaraguá do Sul, Davidson Gustavo Reif, a região tem expectativa de mercado para 40 mil associados. “Com este investimento temos como meta aumentar o número de clientes, já que estamos oferecendo toda esta estrutura sem um custo adicional nos planos de saúde”, explica Reif. “Queremos trazer para Jaraguá do Sul o atendimento diferenciado e de qualidade que hoje muita gente precisa buscar em Joinville”, completa.

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sustentabilidade

Construção verde

FICHA TÉCNICA Unimed de Jaraguá do Sul Endereço: Rua Germano Wagner, Bairro Centenário Data do Projeto: Setembro/2011 Obra: Detalhamento de Hospital Área do terreno: 22.000 m² Área total construída: 4.463,57 m² (em três fases) Nº pavimentos: 1 Vagas estacionamentos: 135 Pronto-atendimento: Adulto e Infantil Serviços Diagnósticos: Coleta, Raio-X, Ultrassom, Tomografia Computadorizada e previsão de expansão com Ressonância Magnética Nº consultórios: 04 Adicional: Laboratório de análises clínicas, Cozinha e Refeitório Arquitetura: L+M GETS Interiores: L+M GETS Coordenação: Manoel Fernandes / Débora Fernandes Colaboradores: Wandrea Carla, Tiago Nicácio Projetos: Ar-condicionado: GRAU Engenharia Ltda Consultoria de caixilhos: Metalchic Elétrico e hidráulico: GRAU Engenharia Ltda Gases Medicinais: GRAU Engenharia Ltda Projeto de fundações e contenções: Jorgeny Engenheiros Associados Estrutura de concreto: Jorgeny Engenheiros Associados Prevenção e Combate a Incêndio: GRAU Engenharia Ltda Obra: Construção: L+M GETS Fornecedores de Material e Serviço: Aço – Gerdau Acos Longos S/A Aço Inox: Inox Brito Ar-condicionado: Newset Comércio e Serviços Ltda. Concreto: Supremo Cimentos S/A Detalhes da Obra: Drywal: Knauf do Brasil Ltda Elevadores: Dinâmica Maquinas e Componentes Ltda Esquadraria ferro: Metalúrgica Brothers Esquadrarias madeira: Moveis vale do aço Esquadrarias metálicas: ABA Esquadrias / Metal chic Estrutura metálica: Metalúrgica Brothers Ferragens: Metalúrgica KV Ferragens de portas: Lafonte Fios: Eletrocal Industria e Comercio de Materiais Elétricos Ltda Guarda Corpo: Metalúrgica Brothers Impermeabilização: Midas Impermeabilizações Ltda. Instalações Hidráulicas e Elétricas: Hidráulica Conceito 114

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Juntas de dilatação: Uniontech Tecnologia de Juntas Luminárias: Miralux Indústria e Comercio de Aparelhos Elétricos Ltda. (Itaim) Paisagismo Projeto: EKF Revestimento vinilico de parede: Cerâmica Atlas Ltda. Pinturas: Casa das Tintas Maba Ltda Filial / Valdoir Pinturas Ltda. Piso elevado: Pisotech Revest. Corporativos Ltda. / Caviglia e Cia. Piso Vinílico: Cerâmica Atlas Ltda. / Pisoctech Revestimentos Corporativos LTDA/ Eliane S/A Revestimento Cerâmico: Cerâmica Atlas Ltda. Porcelanato: Avitá Design Revestimento Fachada: Cerâmica Atlas e Timar Tintas e Revestimentos Ltda. Terraplanagem: Parisi Transportes e Terraplanagem Ltda. Vidros: Metal Chic Mão de Obra Civil: Aluir Santos ME Fornecedores de Equipamentos: Acabamentos de elétrica: Instaladora Elétrica Conti Ltda. Água fria, geradores, caldeiras: Stemac S/A Grupos Geradores / Companhia Brasileira de Energia Solar Ltda. Bombas de recirculação: Companhia Brasileira de Energia Solar Ltda (CBE) Bombas de recalque/incêndio: Casa Mimosa Calhas e Rufos: Metalúrgica Brother Distribuição de água quente e fria: Hitachi Ar Condicionado do Brasil Ltda. Escadas/exaustão mecânica: NEW SET Geradores: Stemac S/A Grupos Geradores Louças: Deca Metais sanitários: Deca Remoção de entulho: Parisi Terraplanagem Fundação: Parisi Terraplanagem / Aluir Santos ME / Gerdau Aços S/A Divisórias de banheiros: Neocom Indústria e Comércio de Divisórias Ltda. Placas de Dry wall: Knauf do Brasil Ltda Batente Metálico: Alpha


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Investimento

estrutura

Concretização de excelência Com cinco pavimentos em 10,6 mil m² de área construída, o Hospital Unimed Resende (RJ) proporciona moderna estrutura em sua edificação 116

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O

sonho dos diretores da Unimed Resende, no Estado do Rio de Janeiro, de construir um próprio hospital começou em 2007, quando a cooperativa adquiriu um terreno no bairro Jardim Jalisco. O projeto arquitetônico da obra, assinado pelo arquiteto Sérgio Reis, foi aprovado em uma assembleia no ano de 2008. Após 40 meses de obras, a instituição abriu suas portas para o público em 2012. Com um eficiente proje-

to de impermeabilização desenvolvido pela Cetimper, o prédio dispõe de cinco pavimentos em um total de 10,6 mil m² de área construída. Toda essa estrutura tem como missão oferecer um moderno serviço de atendimento hospitalar. A edificação conta com 70 leitos (sendo dez de UTI), cinco salas de cirurgia, um centro obstétrico com banheira na sala de parto e salas de quimioterapia. Além disso, possui um pronto atendi-

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Investimento

estrutura mento, laboratório próprio de análises clínicas e centro de diagnóstico por imagem. Vale destacar que o prédio possui três processos distintos no projeto de climatização. Também conta com mais de 15 mil metros de cabos interligando computadores e telefones. A instituição precisou construir uma estação de tratamento de esgoto com capacidade para atender uma população de mais de 600 pessoas por dia. No total, foram mais de 40 empresas e 1.100 pes-

soas envolvidas na construção da unidade, desde a fundação até o acabamento, passando pelos fornecedores de equipamentos e mobiliário. Todo esse investimento custou mais de R$ 40 milhões. “Sabemos da expectativa dos nossos usuários e, mais do que eles, estávamos ansiosos por essa construção. Mas valeu a pena esperar”, afirma o Presidente da Unimed Resende, João Alberto da Cruz. Segundo ele, a complexidade que envolve a construção de um hospital surpreendeu até mesmo médicos.

Referência O Hospital Unimed Resende recebeu em março a visita de uma comitiva da Unimed Ribeirão Preto (SP). O intuito do encontro foi conhecer a experiência de construção e funcionamento da unidade de recursos próprios, uma vez que a cooperativa paulista também está investindo em projeto semelhante. Após apresentar dados e contar um pouco da história dos 40 meses de obra, a diretoria da Unimed Resende conduziu os visitantes a um breve tour pelas dependências da unidade.

NÚMEROS DA OBRA - 40 empresas e 1.100 pessoas envolvidas na construção. - 15 mil metros de cabos interligando computadores e telefones - 790 placas de sinalização - 139 itens em braile - Mais de R$ 40 milhões em investimento 118

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Health 119 ARQ


estrutura

Investimento

FICHA TÉCNICA Hospital Unimed Resende (RJ) Data do Projeto: 2010 Obra: término - 2013 Área do terreno: 9.585,26m² Área total construída: 9.605,77m² Nº pavimentos: 5 pavimentos Vagas estacionamentos: 129 Pronto-atendimento: Emergência e Pronto Atendimento Adulto e Infantil, Clínica Médica, Pediatria e Ortopedia Serviços Diagnósticos: raios X, ultrassonografia, tomografia, mamografia e densitometria óssea, Endoscopia digestiva e Colonoscopia, Fisioterapia Nº consultórios: 06 Empresas sub-contratadas: Arquitetura: EMED Arquitetura Hospitalar Interiores: EMED Arquitetura Hospitalar Coordenação: Arqto. Leandro Evangelista Gerenciamento de licitação: EMED Arquitetura Hospitalar Projetos: Ar-condicionado: Eng. Alberto Ascoli Gomes Elétrico: Eng. Roberto Krieger Hidráulico: Eng. José Galoppini Jr. Gases Medicinais: OWS Perck Projeto de fundações e contenções: Eng. José Galoppini Jr. Estrutura de concreto: Eng. José Galoppini Jr. Luminotécnico: Emed Impermeabilização: Cetimper Prevenção e Combate a Incêndio: Eng. José Galoppini Jr. Fornecedores de Material e Serviço: Aço: Gerdau Aço Inox: Strake Ar-condicionado: Duar Climatização Concreto: Resitamix Divisórias e Portas: Design On Detalhes da Obra: Drywal: Knauf Elevadores: Thyssen Krupp Esquadrarias madeira: Design On Estrutura metálica: BMC Estruturas Metálicas Ferragens: La Fonte Ferragens de portas: La Fonte Fios: Nambei Granito: Branco Siena Luminárias: Itaim Irrigação: Tecnofontes Pinturas: Sherwin Williams 120

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Piso Vinílico: Fademac Porta corta-fogo: Metálika Revestimento Cerâmico: Portobello Porcelanato: Portobello Revestimento Fachada: Alucobond Terraplanagem: TPK Terraplanagem Fornecedores de Equipamentos: Escadas/exaustão mecânica: Duar Climatização Geradores: Stemac Louças: Deca Metais sanitários: Deca Pressurização: Duar Climatização Fundação: Solobase Furação de laje: Engefuros Placas de Dry wall: Gessomix Batente Metálico: Metalika


informe publicitário

A escolha certa para o revestimento A Pisotech Revestimentos, fornecedora exclusiva do piso do novo Hospital Unimed Jaraguá do Sul, é uma empresa com mais de 12 anos de experiência na área da Saúde. Possui vasta relação de obras instaladas no País, com pleno conhecimento da RDC50, no qual todos seus produtos comercializados para o ambiente hospitalar cumprem com as exigências da Anvisa. A empresa possui serviço próprio de mão-de-obra de instalação em todo o País, com profissionais treinados, certificados, equipados e uniformizados. Tudo sob o comando de um coordenador técnico que faz o gerenciamento e fiscalização da obra no dia a dia. A Pisotech dispõem de arquiteto e engenheiro em sua equipe para auxiliar ao cliente e o profissional especificador no que for preciso, seja em questões técnicas, no auxilio em desenvolvimento de desenhos e paginações, onde todos os profissionais trabalham em conjunto visando a excelência nos serviços prestados dentro da obra. Especializada em pisos vinílicos hospitalares, além dos segmentos na área da saúde, atua também nos setores comercial, corporativo, educacional, de hotelaria, e residencial. Além de oferecer soluções para todas as extremidades (piso, parede e forro), fazendo todo o gerenciamento da obra, com mão-de-obra própria e especializada em todo País com garantia total. O Diretor Comercial da Pisotech, sr. Rafael Liz, salienta que empresa possui um mix de produtos diferenciados para o ambiente hospitalar, atendendo às áreas críticas, semi-críticas, e não-críticas, onde disponibilizam ao cliente produtos de última geração, com tratamento insuperável, proporcionando significativa redução de custos de manutenção, e principalmente de custo do produto, haja vista, que atendem de forma direta ao cliente, sem revendedores ou intermediários, com mão-de-obra própria e especializada, além de vasta referências de obras. Outro diferencial da empresa é que o cliente pode optar em fechar todo o “pacote”, sendo piso, parede, forro com gerenciamento único, além da mão-de-obra própria e especializada. Todos os produtos fazem sinergia e têm acabamento em sintonia ao outro, minimizando assim, tempo, custos, e principalmente defeitos na finalização, pois contratando diferentes empresas para estes produtos podem ocorrer sérios problemas pela falta de entrosamento entre as equipes e métodos de trabalho. Rafael Liz acredita também que a escolha do piso vai além de uma ficha técnica e cores apaixonantes, não que isso não seja importante, mas o produto precisa proporcionar satisfação ao cliente, para quando cinco anos depois da obra concluída, ele olhar para o chão e ver que seu piso continua como novo terá então a certeza de que fez a escolha adquada, um bom investimento, optou pela empresa certa. “Hoje, muitas obras são lindas na inauguração, mas depois de um ano, ninguém quer mais nem lembrar, virou um trauma. O piso em situação deplorável faz relembrar os problemas que acompanharam a instalação, a falta de suporte e assistência técnica, enfim, uma experiência que ninguém quer para sua obra. E é justamente em contraponto a tudo isso, que está o propósito da Pisotech, fazer com que seus clientes estejam satisfeitos com os produtos e serviços contratados por nossa empresa”, comenta. Para cumprir esta proposta a empresa busca constantemente melhoria e aprimoramento, contando com o que há de melhor no mercado mundial em relação aos produtos comercializados, fornecedores renomados e consagrados. “Este é o caso da Tarkett, fornecedora exclusiva dos pisos vinílicos da Pisotech, que fora do Brasil, tem sua história de mais de 130 anos no mercado internacional, sendo reconhecida como líder mundial em pisos vinílicos. No Brasil, a marca é líder em seu segmento e possui fábrica em São Paulo.” A marca Tarkett, com mais de 15 anos de referência em obras no Pais, é sinônimo de clientes satisfeitos com produtos que oferecem segurança e sofisticação, “Buscamos no dia a dia levar estes diferencias ao cliente, com seriedade, comprometimento, e acima de tudo sempre buscando a satisfação do consumidor e sua certeza em ter feito a escolha certa”, finaliza. Health 121 ARQ


EXPANSテグ

Humanizaテァテ」o

Espaテァo diferenciado

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Prédio especializado em Oncologia proporcionará maior conforto e inovações no atendimento mais humanizado

F

oi inaugurado no mês de março um novo Instituto Oncológico dentro do Hospital Santa Paula, na cidade de São Paulo. A clínica conta com 12 consultórios, 20 poltronas para realização de mais 1000 infusões de quimioterápicos por mês e 1500 tratamentos de radioterapia. Sua capacidade de atendimento é de mais de 3000 consultas por mês. No local serão oferecidos atendimentos na área de oncologia clínica e cirúrgica de todas as especialidades de radioterapia. Entre seus diferenciais estão o atendimento de pneumologia para cessação do tabagismo, psicologia para atendimento aos pacientes e familiares e nutricionista voltada para área. “O que estamos trazendo de inovação está também

na parte humana. Iremos dispor de um espaço de convivência entre pacientes e familiares que, entre outros serviços, estarão disponíveis: estética (peruca e maquiagem) e jardim de inverno”, conta Otavio Celso Eluf Gebara, Diretor Clínico do hospital. De acordo com Gebara, com os avanços da medicina e a melhoria na letalidade por doenças infecto-contagiosas, houve um ganho substancial na longevidade populacional que, atrelada à incorporação de novas tecnologias para diagnósticos, levaram ao aumento progressivo do volume de pacientes tratados. “Foi esta crescente demanda que nos impulsionou a criação de um serviço voltado para atendimento diferenciado aos pacientes portadores de doenças

oncológicas. Temos certeza que somente com uma equipe multidisciplinar bem formada e treinada poderemos proporcionar um cuidado de excelência.” Mas não foi só na área médica que a instituição se destacou. O projeto do novo Centro foi ganhador do 9º Prêmio de Arquitetura Corporativa. Seu processo de construção envolveu diversas empresas, e a prestação de serviços de gerenciamento das obras foi realizada pela Planservice, que atua no mercado desde 1989. Durante a construção, algumas dificuldades, naturais em qualquer processo, foram ultrapassadas. Entre elas, o fato de não haver espaço para canteiro de obras, já que o empreendimento está localizado na esquina da av. Santo

“Outro item de dificuldade importante a destacar que acontece em obras de curto prazo é quando temos a execução do projeto e da obra simultaneamente”, Luiz Eduardo Maciel Miller, Diretor de Operações da Planservice Health 123 ARQ


Humanização

EXPANSÃO Amaro com a rua Alvorada, o que acabou dificultando bastante o abastecimento de insumos. “Outro item de dificuldade importante a destacar que acontece em obras de curto prazo, é quando temos a execução do projeto e da obra simultaneamente”, conta o engenheiro Luiz Eduardo Maciel Miller, Diretor de Operações da empresa de gerenciamento das obras. Apesar das dificuldades, a preocupação com a qualidade dos materiais utilizados e com a sustentabilidade permaneceu presente durante o trabalho e possibilitará a

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solicitação de certificação AQUA na fase operacional do empreendimento. “Houve a preocupação com os materiais utilizados dentro do conceito das medidas de sustentabilidade, respeitando os critérios de emissão de carbono, consumo de energia, consumo de água, resíduos, conforto e etc”, diz o engenheiro Miller. Cuidados com a segurança dos profissionais envolvidos também foram levados em conta, adotando critérios baseados na NR nº 18 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção - e

fiscalizando o atendimento desta norma por todas as empresas contratadas. Cautela também foi necessária para manter o bom funcionamento do hospital, pois a nova edificação foi construída próxima as demais do complexo HSP. Ela é separada apenas pela rua Alvorada, sem interligação com as mesmas. “Tivemos somente o cuidado no que diz respeito à propagação sonora das atividades de obra não ir além daquelas permitidas pela Lei do Silêncio em áreas hospitalares”, destaca o engenheiro Miller.


Qualidade interior

Móveis utilizados dentro da instituição precisam ser pensados de maneira que atendam às necessidades dos usuários e atuem harmonicamente na decoração

Um ambiente bonito e bem decorado proporciona a sensação de bem-estar a qualquer pessoa, por isso, é importante que o bom gosto seja implantado dentro de uma instituição de saúde. O Instituto Oncológico do Hospital Santa Paula, na capital paulista, teve esse cuidado ao escolher seu mobiliário. Os mais de 200 diferentes móveis entre balcões, painéis de madeira, móveis rodízio, mesas de escritório, fechamento de shafts, entre outros, foram estrategicamente pensados e desenhados. “O mobiliário contribui para decoração do ambiente em todos os aspectos: cores, design e ergometria. Por isso, precisa ter aparência agradável e cores harmônicas”, pontua Plínio P. C. Baccarin, Proprietário da Decorcity Móveis e Decorações, responsável pela produção das peças utilizadas pelo hospital. Para a confecção dos utensílios, a empresa utilizou materiais como Laminado Melamínico e MDF com acabamento madeirado trabalhado nas cores bege, castanho e amadeirado. Na confecção dos móveis foi utilizada apenas matéria-prima certifi-

cada, pensando na sustentabilidade e para garantir a qualidade do produto final. “Durabilidade, uso de ferragens de alto padrão, sem desgaste com uso contínuo e conceitos de ergonomia foram aplicados para fabricação dos móveis”, conta. Além desta preocupação, a assepsia também é levada em conta na hora da fabricação. “É necessário pensar no usuário com conceitos de ergonomia, mas, em se tratando de um hospital, a facilidade para higienização vem em primeiro lugar. Por isso escolhemos materiais e construímos as peças de maneira a facilitar esse processo posteriormente.” De acordo com Baccarin, em um trabalho deste porte, a maior dificuldade não é a produção em si, mas a instalação, que envolve outros profissionais de acabamentos e prazos. “Nossa empresa está no mercado há 28 anos, e prima pela qualidade e o cumprimento das datas estipuladas. Já havíamos atuado junto ao Hospital Nove de Julho e conseguimos honrar nosso compromisso. Creio que até por isso tenhamos sido escolhidos pelo Hospital Santa Paula”, avalia. Health 125 ARQ


Modernização

EXPANSÃO

Expansão e tecnologia Tradicional hospital de Uberlândia (MG) investe na expansão e na implantação de alta tecnologia para melhor atender

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Santa Genoveva Complexo Hospitalar é um dos hospitais mais tradicionais da cidade de Uberlândia (MG), com 37 anos de atuação, corpo clínico de 230 médicos, em 40 especialidades diferentes e um quadro de colaboradores composto por 400 pessoas, além de terceiros que diariamente desenvolvem atividades na instituição. 126

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A casa de saúde atende, mensalmente, cerca de sete mil pessoas, em sua atual estrutura. Porém, a demanda vem crescendo a cada dia e, por isso, a atual diretoria viu a necessidade de ampliar e modernizar a estrutura da instituição. As obras foram iniciadas em março deste ano com a construção de uma torre de cinco andares (2.770 m² de expansão), e tem previ-

são para durar 12 meses. O investimento será de R$ 8,5 milhões em obra física e R$ 3 milhões em novos equipamentos. “Nosso objetivo é, além de ampliar, modernizar toda a estrutura atual. Pretendemos, de maneira geral, uma melhoria da qualidade no atendimento, não só com instalações novas, mas, acima de tudo, utilizando novas tecnologias que irão


conferir ao Complexo Hospitalar um avanço rumo ao que acontece nos maiores centros médicos do País”, afirma o médico Gilson Fayad, Diretor Financeiro Administrativo do hospital. Apesar de toda estrutura do projeto, como em toda obra, surgiram algumas dificuldades. A falta de espaço foi a principal delas. “A estrutura atual do hospital já ocupa quase 100% do quarteirão, então precisamos pensar e repensar qual seria a melhor maneira de realizar a expansão”, conta Clóvis Lima, arquite-

to e urbanista responsável pela obra e proprietário da Arq+saúde, empresa especializada na prestação de serviços técnicos no ramo de projetos arquitetônicos de estabelecimentos assistenciais de saúde desde 2001. A construção está sendo realizada de acordo com os critérios exigidos pela ANVISA e pela VISA-DIEF-MG, com escolha de materiais nobres. “A principal preocupação na execução da obra está na qualidade do material e na durabilidade, visto que o intuito

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Modernização

EXPANSÃO é de não ter que fazer remendos posteriormente. Por isso, utilizamos materiais nobres e duráveis”, explica o arquiteto. Na decoração, a preocupação não está apenas na beleza, mas também no conforto humano através do uso de iluminação natural e de cores suaves, contrapondo ao branco usual. Inclusive a segurança dos colaboradores foi pensada. “Para isso, todos os processos foram devidamente estudados pela Construtora Conel em conjunto com os engenheiros contratados para os projetos complementares e pelos representantes da CIPA do hospital. Basicamente utilizamos os critérios da NR 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde e outras normas usuais como a RDC 50, que normatiza os projetos e estabelece critérios”, afirma. A limpeza completa do terreno e acertos nas instalações já existentes também foram realizados para evitar acidentes durante o processo da obra. A cautela dos profissionais se estende também no que diz respeito a manter o bom funcionamento do hospital durante o período de obras. Foi feito o isolamento das áreas necessárias e a opção do uso de 128

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Pavimento Térreo U.T.I Geral- CME-Farmácia

1o Pavimento Centro Cirúrgico


equipamentos elétricos ao invés daqueles com motor a diesel. Ainda, a entrada e saída de materiais é feita longe das entradas de maior acesso. As reformas trarão ao Centro Cirúrgico inovações em tecnologia: será criada uma sala híbrida que ao mesmo tempo serve como sala propedêutica e, se necessário, cirúrgica, equipada com aparelho de hemodinâmica, e também uma sala dita inteligente, onde todo o aparato cirúrgico se encontra suspenso, dando mobilidade e visibilidade à equipe cirúrgica, melhorando consequentemente os resultados. Mas não é só após as obras que o hospital utilizará de alta tecnologia. Durante o processo de expansão, todo o trabalho será monitorado e acompanhado por um Blog na página da instituição, dando total transparência aos investidores (Sócios Cotistas).

2o Pavimento U.T.I Cardíaca

3 o Pavimento Administração Health 129 ARQ


EXPANSÃO

Modernização

Passo a Passo

4 o Pavimento Apoio

5 o Pavimento Casa de Máquinas

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O projeto de ampliação do Hospital Santa Genoveva delimita uma especialidade para cada pavimento da obra. No andar térreo será construída uma UTI Geral com dez leitos de internação, um de isolamento e um pós-operatório, além da reforma e adequação de uma Central de Material Esterilizado e uma Farmácia Satélite. O primeiro andar abrigará o Centro Cirúrgico Geral, com a reconstrução de duas salas, vestiários de barreira, copa, espaço para guardar e realizar manutenção de equipamentos. Ainda haverá a construção de seis novas salas, sendo uma híbrida e outra inteligente, área para escovação, caixa de elevadores e leito de recuperação pós-anestésica. No segundo andar, estará instalada a UTI Cardíaca, com dez leitos de internação e um de isolamento. O terceiro pavimento abrigará o apoio administrativo, com salas de escritório e apoio técnico. No quarto andar, estará funcionando a administração central, diretoria, escritórios de apoio jurídico e administrativo, conforto médico e espaço de telemedicina. O quinto e último andar será o pavimento técnico, com o gerador, máquinas de ar-condicionado e elevadores.


Investimento em Revitalização Obras iniciadas este ano no Hospital São Paulo deverão proporcionar maior humanização e modernidade à instituição

C

om o investimento no valor de R$ 77,3 milhões do Governo do Estado de São Paulo, o Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp, passará por obras de revitalização e modernização. O recurso vem do Projeto de Modernização dos Hospitais Universitários do Estado, realizado pela Secretaria do Estado de São Paulo. O investimento deverá ser efetuado em sua

totalidade até 2015. Somente neste ano serão repassados pela pasta cerca de R$ 6 milhões à instituição. Do total de investimentos realizados, cerca de R$ 20 milhões serão destinados à reforma e ampliação do pronto-socorro e R$ 12,8 milhões serão investidos em readequações ala de UTI da instituição. Além disso, serão investidos mais R$ 13 milhões na readequação do

setor de radioterapia e do acesso principal e outros R$ 13 milhões para a modernização dos serviços de diagnósticos. Os elevadores da unidade também serão renovados, de acordo com as normas legais de acessibilidade, a um custo estimado em R$ 5 milhões. De acordo com o superintendente, José Roberto Ferraro, o Projeto de Modernização dos Hospitais

Universitários do Estado será muito importante para a instituição, e os recursos serão devolvidos em forma de atendimento de qualidade para toda a população. O Governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, ressaltou a importância desta instituição para a população local. “O hospital é um grande parceiro do governo, e assim como os outros administrados pela SPDM, oferece

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Investimento

EXPANSÃO atendimento com qualidade e eficiência à população”. As obras foram iniciadas em janeiro deste ano e o grande desafio para as empresas envolvidas na construção é manter o hospital em pleno funcionamento durante todo o processo de reformas. De acordo com Luiz Antonio de Oliveira Beatrice, Engenheiro e Sócio Proprietário da Tebecon Construtora, responsável pela obra, está sendo adotada uma logística de remanejamento de enfermarias e unidades por etapas, para permitir que o hospital continue funcionando durante o processo. “As obras serão executadas por setores e não simultaneamente. O hospital deverá ficar em um período mínimo de dois anos neste processo”, conta. A construtora, que já atuou em outras obras hospitalares, como dos Hospitais

Paulista, Geral de Guarulhos, Diadema e Pirajussara vem participando da revitalização do HSP há 16 anos. Já foram executadas obras em vários setores, tais como Centro Cirúrgico, UTI Geral, Refeitório, Unidade de Transplante de Medula Óssea e Lactário. A maior dificuldade da construtora em desenvolver plenamente seus serviços está no fato de que todo o processo precisa acontecer com a instituição em funcionamento. “Apesar de muito gratificante, as obras em hospitais são um pouco mais delicadas. Existem muitos problemas com os barulhos causados pela obra. É preciso também ter muito cuidado com a limpeza dos locais envolvidos. Ainda é preciso ter cuidado para não causar interferências a setores vizinhos que estão em funcionamento. O desligamento elétrico e corte de fornecimento de gases medicinais

poderiam gerar sérios problemas”, conta Beatrice. Esta é uma obra de reestruturação do hospital que abrange uma área superior a 13.300 m2. Após as reformas, a capacidade da instituição, que hoje comporta 754 leitos, deverá diminuir em 10% em razão do atendimento às normas e projetos de humanização. A prioridade é o aperfeiçoamento das instalações de atendimento aos pacientes, mas há também a preocupação com a melhoria em todas as instalações de suporte como transporte vertical, serviços de apoio de nutrição, de lavanderia, de esterilização de materiais, central de água gelada, acessibilidade da edificação, sanitários de atendimento ao público e instalações de prevenção e combate a incêndio. Para conseguir bom resultado com a revitalização de todos esses setores é preciso

que várias empresas estejam envolvidas no processo, cada uma atuando dentro de sua especialização, como a instalação de ar condicionado, redes de gases medicinais e fornecedores de elevadores, entre outros. Porém, para que tudo funcione bem, é necessário que haja um gestor da obra, papel desempenhado normalmente pelo engenheiro, que acompanha diariamente, planeja e estuda a compatibilidade de cada projeto antes de iniciar uma nova etapa. A preocupação com a sustentabilidade também está presente. Toda a madeira utilizada é certificada, na escolha dos metais é dada preferência para aqueles que economizam água, como torneiras e chuveiros com temporizador e vasos sanitários de baixo consumo. O descarte de resíduos da obra também é feito de maneira a não poluir o meio ambiente.

O grande desafio nesta construção é manter o hospital em pleno funcionamento durante todo o processo de reformas” Luiz Antonio de Oliveira Beatrice, Engenheiro responsável pela obra e Sócio Proprietário da Tebecon 132

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Sustentabilidade em foco

Hospital no Sul do Brasil amplia suas instalações e prioriza soluções sustentáveis no projeto

U

m novo projeto, que visa à ampliação do Hospital Regina, na cidade de Novo Hamburgo (RS), está sendo desenvolvido. A obra trará uma nova edificação ao conjunto hospitalar com 76 novos leitos de internação geral, disponibilizados em quartos privativos; 22 leitos de internação obstétrica; 26 leitos na UTI Neonatal; e ainda 17 leitos de recuperação pós-anestésica. A

construção será realizada em uma única etapa, que terá início no segundo semestre deste ano e tem o término previsto para o mesmo período de 2016. Um dos destaques do projeto, desenvolvido pela Seferin Arquitetura, é a preocupação com a sustentabilidade. Dentre as medidas adotadas estão a utilização de energia solar para o aquecimento da água de consumo dos

vestiários de funcionários, vidros com películas reflexivas, automação na iluminação e na irrigação, e ainda a utilização de materiais não poluentes como CFC’s, formaldeídos e solventes. Além disso, o tratamento e reuso das águas servidas e o aproveitamento da água da chuva, para a utilização na irrigação dos jardins e na lavagem das calçadas, também estão projetados. O arquiteto responsável Health 133 ARQ


Sustentabilidade

EXPANSÃO

“Temos, hoje, uma grande normativa que norteia o trabalho do arquiteto quando se trata de estabelecimento assistenciais de saúde(EAS). A RDC-50 foi divulgada pela ANVISA, em 2002, e trata de assunto como dimensionamento de ambientes, descrição de atividades, tratamento de superfícies e conforto. Além dessa norma temos outras que tratam especificamente de cada unidade hospitalar, como a RDC-36,2008, que trata de assuntos relacionados à maternidade e neonatalidade” Gustavo Seferin, Diretor da Seferin Arquitetura

pelo projeto e Diretor da Seferin, Gustavo Seferin, conta que em toda obra há uma dificuldade diferente e, neste caso, a maior delas foi o fato de a edificação projetada se localizar entre os prédios do já existente Hospital Regina e do Centro Clínico Regina. “Precisamos tomar alguns cuidados, pois ambos os prédios precisam ter comunicação. Além disso, serão tomadas medidas também para que as obras não interfiram no 134

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funcionamento das outras instalações”, diz. Para garantir o bom funcionamento da parte ativa do hospital e do centro clínico será elaborado um plano estratégico visando o isolamento das áreas conjuntas à construção através de paredes de gesso acartonado. “Todo o método construtivo proposto pelo escritório, que foi o trabalho com pré-moldados, fechamentos de fachadas em painéis de concreto e as

divisórias em gesso acartonado, foi pensado com o intuito de diminuir o tempo de obra e minimizar os ruídos gerados no entorno da edificação”, conta. Os materiais que serão utilizados na obra foram selecionados de acordo com a sua durabilidade, coeficiente de absorção baixo, performance acústica e térmica. “Vamos dar preferência aos materiais disponibilizados na região, pois dessa maneira, o mer-


cado regional será fortalecido e o impacto ambiental relacionado ao transporte será reduzido”, descreve Seferin sobre a preocupação sócio-ambiental. Os investimentos não estão apenas na parte física da instituição, serão adquiridos também equipamentos e mobiliários novos para este edifício. “Vamos focar principalmente nos aparelhos destinados ao tratamento direto dos pacientes, sempre buscando acompanhar a evolução tecnológica deste mercado”, diz Jonas William Arenhart, Gerente de Manutenção e Projetos do Hospital Regina.

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