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36 O verde cor, sustentabilidade e arte

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Fast Life automação residencial. Um novo conceito de viver em casa.

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editorial

O verde como sustentabilidade, cor, natureza, meio-ambiente

ENTREPOSTO tecidos exclusivos

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Lindenberg & Life

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Adolpho Lindenberg Filho e Flávio Buazar

Av. Cidade Jardim, 187 Jardim Europa 01453 000 São Paulo SP tel [11] 2189 0000 fax [11] 3063 2741

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Ser felicidade é uma busca de todo ser humano, descobrimos o QS, o quociente espiritual, que, segundo a física e filósofa Danah Zohar, é fundamental para o perfeito equilíbrio do ser humano. Boa leitura!

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Se o artista plástico Frans Krajcberg usa a madeira calcinada das florestas devastadas em suas esculturas, como grito de alerta, o paisagista Benedito Abbud traz alegria falando sobre seus jardins, feitos para aguçar os sentidos e utilizando o verde das folhagens, legumes e suculentas para sugerir novas formas de arranjos para dentro de casa.

cocoa

Um mundo mais feliz e sustentável foi o fio condutor desta primeira edição de Lindenberg & Life de 2011. Mas não é essa, apenas, a linha mestra deste número que você tem nas mãos. Pensamos no verde como conceito: O verde cor, o verde natureza, o verde preservação, o verde meio-ambiente, traduzido em matérias como Jardins Suspensos do Mundo, que fala da tendência de transformar telhados em jardins, criando novas manchas verdes nos grandes centros, ajudando a diminuir a poluição e os efeitos do aquecimento global. Uma medida importante, mesmo que coadjuvante, para a cada vez menor quantidade de verde em cidades como São Paulo, tema abordado na seção Urbano.

Rouge de Fer

ssim como a natureza que se modifica conforme as fases da Lua, precisamos mudar para evoluir. “Não há mudança no mundo se não houver mudança individual”, afirma nosso entrevistado, Ricardo Young, na matéria Razão e Sustentabilidade. Admirador de Gandhi, o empresário verde acredita que “sem sustentabilidade ficamos mais distantes do ideal de felicidade”.


sumário

08 44

20 16

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Lindenberg & Life

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36 08 Notas Um pouco de tudo para fazer a vida melhor 16 Ricardo Young A fórmula da sustentabilidade 20 Urbano A importância do verde nos grandes centros 28 Sustentabilidade Telhados verdes, moda ou necessidade? 36 Vila Mariana O bairro mais completo de São Paulo 44 Poéticas Urbanas A poesia das pontes e viadutos 46 Outro olhar Frans Krajcberg, o artista do meio ambiente 54 Paisagismo Benedito Abbud: opinião e criação do paisagista 60 Personna Arte e brinquedos convivem num Lindenberg

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arthur decor

sumário

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CORTINAS  |  PERSIANAS  |  TOLDOS  |  REVESTIMENTOS DE PAREDE  |  ENXOVAIS  é uma publicação da Construtora Adolpho Lindenberg. Ano 9, número 36, 2011 Conselho Editorial

Adolpho Lindenberg Filho, Flávio Buazar, Ricardo Jardim, Rosilene Fontes, Renata Ikeda. Diretor

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Ricardo Jardim

DECOR

Marketing

Renata Ikeda

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72 76

66 Filosofia A ideia Deus, sob vários olhares 68 5 Experiências Lembranças do velejador Beto Pandiani 70 Culinária Slow Food, volta o prazer das boas refeições 72 Qualidade de vida QS, o quociente espiritual 76 Turismo Obras de arte convidam a viajar 82 Filantropia Conversa com Roberto Klabin 86 Vendo um Lindenberg Objetos do desejo que estão à venda 88 Em obras Confira o percentual de evolução das obras Lindenberg

Direção de arte

Lili Tedde

Vestimos janelas e ambientes com seus sonhos. Essa é nossa missão.

Editora-chefe

Maiá Mendonça Colaboradores

Adriana Brito, Ana Paula Assis, Andy Ritchie, Instituto Azzi, Judite Scholz, Karina Tengan, Mari Vaccaro, Maria Eugênia, Marianne Piemonte, Marta Zaroni, Paula Queiroz, Patricia Favalle, Rosilene Fontes, Valentino Fialdini

“O processo de implantação de um projeto é extremamente complexo. Exige muita logística, experiência, competência, para que se tenha pontualidade e qualidade. Na Arthur Decor, todos esses quesitos são de praxe preenchidos, associados ao atendimento impecável, ao respeito e, sobretudo, ao desejo notório de nos surpreender positivamente! Cada vez mais!”

Revisor

Claudio Eduardo Nogueira Ramos Arte

Tatiana Bond Publicidade

Cláudia Campos, tel. (11) 3041-2775 lindenberglife@lindenberg.com.br Gráfica

Pancrom Lindenberg & Life não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constam do expediente da revista não têm autorização para falar em nome de Lindenberg & Life ou retirar qualquer tipo de material para produção de editorial caso não tenham em seu poder uma carta atualizada e datada, em papel timbrado, assinada por pessoa que conste do expediente.

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Lindenberg & Life

Lindenberg & Life

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Nossa Capa Pintura do artista plástico Marco Mariutti, que ficou conhecido por seus tecidos pintados à mão e, há dois anos, dedica-se à arte. “O desenho sempre foi meu grande prazer e ser artista um sonho de infância”. www.marcomariutti.com.br

R. Joaquim Floriano, 466, Bloco C, 2º andar, São Paulo, SP, tel. 3041-5620 www.lindenberg.com.br Jornalista Responsável

Maiá Mendonça (Mtb 20.225) A tiragem desta edição de 10.000 exemplares é comprovada pela

SHOWROOM: AL. GABRIEL MONTEIRO DA SILVA, 1.040  |  TEL.: 3087-5834 ARTHURDECOR.COM.BR  |  ARTHURDECOR.COM.BR/BLOG


notas

Viva intensamente a liberdade de ser do seu jeito. Simplesmente mais feliz a cada dia.

Viva toda a sua liberdade de ser.

Tramado de seda

Tramas é o nome da nova coleção de cúpulas assinada pela artista plástica Roxanne Duchini que está na Bertolucci. Elas são trançadas à mão pela artista com tiras de seda sobre uma tela de barbante de algodão. Um interessante contraste entre o clássico da base e o artesanal da cúpula. Bertolucci, www.bertolucci.com.br

Jornalista e fotógrafo, Silvestre Silva acaba de reunir em um belíssimo livro, texto e fotos que resumem cerca de 40 anos de pesquisas e documentação fotográfica na área de botânica. Em Frutas da Amazônia Brasileira (lançamento da Metalivros, 240 págs.) retrata cem entre as mais importantes frutas silvestres da Amazônia. São cerca de 350 imagens acompanhadas de um texto simples e curioso. Imperdível.

Linha Duna - Roque Frizzo

Frutas da terra

O melhor da música

A abertura da temporada 2011 da Sociedade Cultura Artística acontece em grande estilo. Leva para o palco do Teatro Municipal de São Paulo o violinista József Lendvay, o pianista Dejan Lazic e a Orquestra do Festival de Budapeste, sob a regência do maestro Iván Fischer, como parte das comemorações do centenário do teatro. A programação, que inclui o pianista norte-americano Philip Glass, apresenta quatro atrações inéditas: A Orquestra Simón Bolívar da Venezuela, sob regência do maestro Gustavo Dudamel; a Filarmônica de Câmara de Bremen; a Filarmônica de Roterdã; e a Orquestra de Câmara de Munique.

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Informações: tel. (11) 3258-3344, www.culturaartistica.com.br

Objeto do desejo

O sofá-cama de alumínio, braços de laca opaca e couro pode ser mais moderno? Pois ele foi desenhado em 1932 pelo finlandês Alvar Aalto e continua atual. MisuraEmme, Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1.456, tel. (11) 3088-6555, www.collectania.com.br

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A poltrona Giramundo, premiada na Feira de Colônia, na Alemanha, lembra aqueles cachorrões fofos que dão vontade de abraçar. Ela é uma das (muitas) criações do designer Marcus Ferreira, feita artesanalmente com materiais naturais e madeira certificada para a sua Decameron.

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As artes da azulejaria

Azulejos como decoração, revestimento de paredes, entram e saem de moda desde o século 15. Depois de um tempo limitando sua presença às áreas molhadas da casa, eles voltam a invadir a sala. A proposta é da designer Carine Canavesi, que devolveu o caráter de “peças de arte” aos azulejos. Arquitetos como Fábio Galeazzo e Camila Marques adoraram a idéia e passaram a revestir paredes, criar painéis, cabeceiras de cama, etc. Pavão Revestimentos, Rua Doutor Cândido Espinheira, 51, tel. (11) 2359-1686, www.pavaorevestimentos.com.br

Acredite se quiser: você pode filmar em 3D. A Sony acaba de lançar a Handycam HDR-TD10 e a filmadora de bolso Bloggie 3D – MHS-FS3 (foto). A primeira grava em Double Full HD e os vídeos 3D podem ser vistos sem óculos na tela touch screen Xtra Fine LCD de 3,5 polegadas da filmadora e com óculos na tevê. Já a pequenina Bloggie 3D captura 3D em alta definição, além de vídeo Full HD 2D MPEG-4 ou fotos em 5.1 megapixels. A Handycam está programada para chegar em abril; a Bloggie no segundo semestre.

Fotos: Divulgação

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notas

From Brazil to Botswana

“Quando decidi vir para Botsuana tinha em mente estar em contato com a natureza selvagem e viajar por uma boa causa. Encontrei o Safari Camp Meno A Kwena. Um dos sócios, David Dugmore tinha criado, em 2003, a Ong Water For Life para ajudar animais selvagens a terem acesso à água. Cheguei em Botsuana em setembro de 2008 e foi como um sonho: era o verdadeiro Jardim do Éden. Botsuana é um dos últimos países realmente selvagens, com quase 40% de seu território ocupado por leões, elefantes, leopardos e zebras. O Meno A Kwena fica à beira do Rio Boteti, entre o Delta do Okavango e o Deserto do Kalahari. São oito tendas para 16 pessoas, no mais puro estilo de “antigamente” e com todo o conforto, chuveiro ao ar livre, energia solar e o espetáculo dos animais selvagens na porta de casa. Entre as atividades, safáris, parques e, para quem se interessar, projetos sociais. No momento estou escrevendo no meu laptop, no meio da África e vendo elefantes nadando no rio. Para uma paulistana sabe o que mudou na minha vida...?”

Fresquinho

Para os discípulos de Baco, a dica é o Termômetro Digital Menu Vignon, uma pulseira que abraça a garrafa de vinho e ajuda a controlar sua temperatura certa. Boutiques Maison des Caves, tel. (11) 3891-1920, www.maisondescaves.com.br

Wild life

Escritório de Arte Almavera - www.almavera.com.br - Foto: Sidney Doll

Fotos: Divulgação

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O conceito do Camp é o turismo sustentável em todos os sentidos: da coleta de lixo à liberdade dos animais e da recepção dos hóspedes. As oito tendas são extremamente confortáveis, com camas deliciosas, lençóis e toalhas do mais puro algodão e lanternas que funcionam com energia solar e criam um clima mágico. Os chuveiros ficam ao ar livre, com vista para o rio, onde elefantes e zebras se banham na maior tranquilidade. Um detalhe: para quem deseja viajar no esquema Travel for Conservation as acomodações são mais simples e a experiência inesquecível. Janaina Matarazzo, www.menoakwena.com

Não tem nada melhor do que chegar em um ambiente e se sentir aconchegado. É isso o que a Brentwood proporciona. Sofisticação que segue as tendências do design mundial e faz de quaquer ambiente um lugar maravilhoso de se estar.


notas A colheita é uma festa

As parreiras maduras, cachos de uvas perfumadas a ponto de serem cortados, esse é o cenário que se encontra em Casablanca, pertinho de Santiago, no Chile. Até o final de abril é possível apreciar a vindima, em 18 vinhedos, visitar adegas, degustar vinhos e hospedar-se no confortável e simpático casarão colonial onde fica o hotel La Casona e seus amplos apartamentos e excelente gastronomia. www.mateticvineyards.com/casona

Only for pets

A Deca pensou no melhor amigo do homem e criou um recipiente que lembra uma minipia, para água ou ração, com apoio para as patas e válvula para abertura e fechamento de água. Feito de louça branca, design moderno e fácil de limpar, ele pode ser fixado no chão.

Multiuso

Swoop é uma linha de móveis da Hermann Miller confortável, leve, flexível e, por ser concebida como módulo, pode ser agrupada conforme a necessidade. O design é de Brian Kane e as opções, muitas.

Novas coreografias e estrelas internacionais fazem parte da Temporada de Dança 2011 do Teatro Alfa. A abertura será em abril, com a companhia de Pina Bausch e a apresentação de Ten Chi, a coreografia inédita da grande mestra da dança. Já o segundo semestre será brindado com o Grupo Corpo, São Paulo Companhia de Dança, Cia. de Dança Deborah Colker e a inédita coreografia Tathyana, a inglesa Akram Kahn Company, e para encerrar a alemã Sasha Waltz and Guests.

Cronômetro exclusivo

Uma edição de luxo e limitada do Transocean Chronograph da Breitling está sendo lançada. Apenas 2 mil relógios de aço e 200 de ouro vermelho serão distribuídos no mundo, com pulseira de couro, crocô ou malha de aço. Para apaixonados.

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Atec Original Design, www.atecnet.com.br

Temporada de dança


entrevista

Razão

e sustentabilidade Devemos procurar ser aquilo que queremos mudar. A frase de Ghandi inspira Ricardo Young a acreditar em um futuro mais feliz e sustentável Por Marianne Piemonte | fotos Mari Vaccaro

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sem sustentabilidade ficamos mais distantes dos ideais de felicidade

Para falar de Ricardo Young, esse paulistano de 54 anos, é preciso começar do começo. Ele é neto de um fazendeiro baiano de cacau que perdeu quase tudo e abandonou a família. Sua avó migrou para São Paulo e refez a vida. Ela jamais perdeu a fé e a alegria de viver. Criou os sete filhos com amor, alegria e bom humor. Tanto é que “todos deram certo”, inclusive Fernando Heráclio Silva, 85 anos, o pai de Ricardo Young. A mãe de Ricardo, Catherine Young Silva, é filha de americanos do sul dos Estados Unidos, uma região de protestantes conservadores. Por influência do pai, o avô materno de Ricardo, sempre foi adepta de homeopatia e acredita na natureza como fonte de cura para os males humanos. O pai de Ricardo, Fernando, estudou filosofia na USP e depois tornou-se empresário, fundador da Escola de Idiomas Yazigi. Toda essa mistura de ideias, formações e ideais nos dão base para entender quem é Ricardo Young. Ricardo é apaixonado por música. Estudou violão erudito por dez anos e considera que apenas a meditação profunda é capaz de produzir tanta calma quanto a música tocada ao violão.

Aos 16 anos, decidiu trabalhar na empresa do pai e seu irmão seguiu o caminho artístico. Ricardo estudou administração pública na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Fez parte dos movimentos estudantis na época da ditadura militar brasileira, lutou pelas liberdades democráticas, estudou Marx mas sempre foi avesso à violência. Nessa mesma época, começou a tomar contato com as ideias de Gandhi que passaram a influenciá-lo e a ter um forte papel em seu pensamento político e econômico. Aos 30 anos, com essa maneira de administrar holística, era presidente do Yazigi. Em 1998, Ricardo faz sua primeira viagem à Índia, a convite da organização Brahma Kumaris, reaproximando-se do budismo, do hinduísmo e da doutrina de Ghandi. Nessa viagem percebeu o quanto a pobreza na Índia, paradoxalmente, era mais sustentável e o quanto a riqueza, da forma que a entendemos no Ocidente, estava distante da sustentabilidade. Ricardo acredita que são necessários recursos para viver com dignidade e com qualidade, mas que opulência e consumo exagerados  são situações predatórias para a sociedade e o planeta.


entrevista

No final de 2007, após a senadora Marina Silva deixar o Ministério do Meio Ambiente e decidir atuar junto aos movimentos sociais, Ricardo e Marina aproximaram-se e conceberam o movimento Brasil Sustentável, que visa engajar diversos setores da sociedade na construção de uma sociedade responsável, justa e sustentável. Hoje, ele é um dos principais nomes do Brasil a discutir e a lutar pela sustentabilidade, seja a das empresas ou a do planeta. Estivemos com ela para uma conversa. A seguir alguns trechos.

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Todos os dias somos bombardeados com informações diversas. Hoje, o mundo pode acabar devido ao aquecimento global, amanhã tudo isso é uma bobagem. Na sua opinião, qual é o status que mundo está hoje com relação a esse tema? É de fato muito alarmante?

Quais são as medidas que, na sua opinião, deveriam ser tomadas urgentemente para que nosso planeta tenha salvação?

preocuparmos ainda mais com a educação. A relação é a mesma.

Mecanismos de redução radical das emissões de gases do efeito estufa, o que tem sido discutido na COP (COP 15 em 2009 em Copenhague e COP 16, em 2010, em Cancun). Uma mudança no padrão de consumo e produção e uma profunda mudança de valores, onde a Carta da Terra expressa o melhor conjunto de valores que devem embasar essa mudança de valores, de consumo.  

Você acredita num futuro mais sustentável e feliz?

Individualmente, podemos fazer algo para ajudar? Ou trata-se apenas de políticas públicas?

Eu adoro a frase de Ghandi que diz que devemos procurar ser aquilo que queremos mudar. Não há mudança no mundo se não houver uma mudança individual. Pode ser chavão, mas é isso. A mudança começa em cada um. E não pode ser uma mudança no debate intelectual apenas. Se você pode fazer melhor, se você puder fazer de forma sustentável, faça.  

Embora muitos gostassem que esse tema fosse uma bobagem, não é uma bobagem. Talvez esse seja um dos momentos mais difíceis da história da civilização porDesmandos das indústrias e lobby que pela primeira vez a humanidade ainda são uma barreira para um país está diante de um desafio que ela não “Não há sustentável (e mais saudável), como controla. Ela (a humanidade) pode ter mudança no poderia ser o Brasil? desencadeado as mudanças climáticas, das coisas que está na agenda da mas ela não controla os seus efeitos e mundo se não Uma sustentabilidade é acabar com esse lonão entende os seus efeitos. Então, nós houver uma bby da forma como é hoje. É lamentávamos levar muitos anos para entender vel. É legítimo, porém, numa sociedade as decorrências completas do que está mudança democrática as empresas fazerem suas acontecendo. Por isso não é uma bobaindividual” reivindicações junto ao poder público. gem. Esse é o desafio do nosso sécuO que não é legítimo é fazer isso de lo. E já está acontecendo. É só olhar a uma forma não transparente. curva dos eventos climáticos extremos que vêm ocorrendo desde a década de 70. Pode ver que   os últimos dez anos mais eventos climáticos extremos Pessoas saudáveis são consequência de meio amocorreram do que nos anos anteriores. Vêm acontecen- bientes saudáveis? O que você pensa sobre isso? do numa projeção alarmante. Mas não é por causa das Nem todo meio ambiente saudável faz pessoas saudáveis. mudanças climáticas que a gente tem que se preocupar Mas certamente um ambiente não saudável inibe muito com a sustentabilidade. As mudanças climáticas são o que as pessoas tenham uma vida saudável. fator de extrema relevância para que nós tenhamos que   nos preocupar. Mas, independentemente das mudanças Nos países nórdicos, sustentabilidade é assunto de climáticas, nós temos um nível de predação dos recursos ricos e pobres. Você vê gente muito rica separando naturais do planeta os quais estão profundamente com- lixo ou preocupada com assuntos que possam preprometidos. Mesmo que não tivéssemos que lidar com judicar o planeta e o futuro de seus netos. Qual é a o aquecimento global nós já estávamos vendo a falência distância que estamos dessa realidade? dos recursos que a natureza fazia sem nenhum custo. Ou A distância é grande, mas isso não significa muita coisa. seja, há uma confusão de que a questão da sustentabili- Não é porque a distância é grande que devemos nos dedade tem sido discutida por conta do aquecimento glo- sestimular. Por exemplo, a educação de jovens brasileiros bal. Não é isso. A questão da sustentabilidade já estava em uma escola pública está a qual distância de jovens preocupando antes da discussão das mudanças climáti- de qualquer outro país? A distância é grande, mas isso cas. As mudanças climáticas são, na verdade, mais uma não significa que cuidar da educação é mais ou menos importante. Comparar a distância só nos obriga a nos evidência de que o assunto é grave e urgente.  

Sem dúvida. Sonho com uma sociedade de pessoas felizes, com qualidade de vida. Meu lema de vida é: paz, alegria e serenidade. Pratico a filosofia de não violência de Ghandi e acredito que somente pela paz se alcança a evolução. Quando as pessoas estão bem e felizes, elas estão na sua expressão máxima de inteligência, afetividade e criatividade. Já a serenidade traz paz interna. Para atingir esses três estágios, só convivendo numa sociedade sustentável, solidária, que pratica a compaixão, que cuida da natureza e onde competição deve acontecer apenas para proporcionar um processo de crescimento sistêmico, onde todos ganham. Desprezo o exibicionismo material, a ganância, o desperdício e a opulência. Aposto que é possível viver numa sociedade mais simples materialmente, com tecnologia a serviço do bem-estar, desenvolvimento humano, em profunda harmonia com a natureza e sem violência. Quais são os desafios da sustentabilidade para o mundo corporativo?

Quando se pensa em empregos verdes e empreendimentos que tenham o DNA da sustentabilidade, é comum imaginar organizações ligadas a produtos da natureza e da biodiversidade. No entanto, essa é uma visão ainda estigmatizada do desenvolvimento sustentável. Uma parte importante da economia sustentável está baseada em educação, ciência, conhecimento e desenvolvimento de novas tecnologias. Acredito que os empresários devam ter as seguintes preocupações para ter uma empresa realmente sustentável: comprometimento com a função social da empresa; compromisso com uma sociedade justa e sustentável; crença no poder das redes e das lideranças mundiais em sustentabilidade; a filosofia, a espiritualidade, a cultura e os valores são fundamentais para se pensar uma nova sociedade; vivemos em uma sociedade em rede onde a

colaboração interssetorial e entre diferentes é essencial para a inovação; crença e paixão pela educação como protagonista da evolução da sociedade e, finalmente, construir uma história empresarial voltada para visão de empresa socialmente responsável.


urbano Parque do Ibirapuera

gigante

A métrica ideal para São Paulo se manter na rota do crescimento está no equilíbrio entre três de suas maiores grandezas: as pessoas, os espaços construídos e as áreas verdes Por Adriana Brito

Mari Vaccaro

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O despertar de um


urbano

N

a panorâmica descortinada pelos olhos, as vias ajardinadas esticam-se através dos longos caminhos calçados de paralelepípedos. Cercado por uma faixa generosa de Mata Atlântica, além de araucárias, figueiras, jatobás e hortos desenhados pelo paisagista Burle Marx, o Sesc Interlagos é dono de uma área de 500 mil metros quadrados, distantes 25 quilômetros da Praça da Sé, marco zero da cidade. Em outro ponto próximo à sede do Corinthians, lá no eixo leste da Pauliceia, a trilha de 1.200 metros do Parque do Piqueri atrai a atenção da vizinhança e dos oficiais do Corpo de Bombeiros, que treinam por lá.

Parque Guarapiranga

Secretaria do Meio Ambiente

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Com cerca de 248 mil quilômetros quadrados, o estado mais populoso do País espalha suas contradições pelas contiguidades da Capital e por cada um dos 645 municípios que o compõem. De tempos em tempos, os paulistanos têm visto brotar do chão as praças de concreto tomadas por edifícios, pontes e rodovias, cuja função é a de melhorar o cotidiano de seus habitantes, assim como os clássicos questionáveis do planejamento urbano, a exemplo do famoso Elevado Costa e Silva, o “Minhocão”, construído em 1971, acusado de esterilizar a terra e afastar os moradores das adjacências. Não se trata de um manifesto avesso à mudança; ao contrário. Quando pensados da maneira correta, a arquitetura, a engenharia civil e o paisagismo revitalizam bairros em declínio, incrementam o patrimônio público, somam técnicas modernas à execução das obras, proporcionam condições aceitáveis de existência e geram milhares de vagas de emprego. A essência desse tema está em duas questões bastante simples: onde estão as áreas verdes da metrópole e de que maneira a falta delas afeta a qualidade de vida dos seus moradores? De acordo com o relatório Biodiversidade no Estado de São Paulo, divulgado recentemente pela Secretaria do Meio Ambiente, contam-se 27 Parques Estaduais; 21 Estações Ecológicas; 17 Estações Experimentais; 13 Florestas Estaduais; 01 Reserva Estadual; 03 Hortos Florestais e 02 Viveiros Florestais sob a gestão do governo, além das 03 Estações Ecológicas; 01 Parque Nacional; 01 Área de Proteção Ambiental; 06 Áreas de Relevante Interesse Ecológico; 03 Florestas Nacionais; 01 Reserva Extrativista e 27 Reservas Particulares do Patrimônio Natural sob jurisdição federal.


Parque Burle Marx

Divulgacão

Para o especialista é fundamental que sociedade e governo pratiquem uma reflexão sobre o uso que deve ser feito do solo e a forma ideal de harmonizar os tecidos urbanos. “Infelizmente, existem poucas áreas disponíveis. Parques como o Volpi (antigo Bosque do Morumbi), e o do Carmo, em Itaquera, parecem atender somente as comunidades que vivem nas imediações. Acho que o mais democrático deles continua sendo o Parque do Ibirapuera.”

Parque do Piqueri

Mari Vaccaro

urbano

Mesmo que os números acima deem a entender que a Pauliceia está incrustada num oásis de riquíssima vegetação, quando se olha para os trechos de grande acesso – caso das avenidas Rebouças, Paulista, Celso Garcia e São João, e das ruas da Consolação, 25 de Março e Teodoro Sampaio –, a impressão mais evidente é a de sufocamento. “Um dos exemplos para essa percepção ocorre na Avenida Santo Amaro (na zona sul), onde cada sentido é cortado pelos pontos de embarque e desembarque de passageiros, e margeado por duas vias estreitas para automóveis e uma terceira que serve ao corredor de ônibus. Espremida, entre a rua e o comércio local, está uma calçada, curta, repleta de obstáculos e que mal dá para o pedestre passar; quanto mais para árvores ou vasos de pequeno porte. Não à toa, é difícil ver quem passa ou mora no local andar por ali”, diz Fábio Mariz Gonçalves, Professor Doutor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Parque do Ibirapuera

Fundação Aron Birmann

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Essa escassez de equipamentos justifica a criação do projeto “100 Parques”, liderado pela prefeitura, com o objetivo de ampliar para 50 milhões de metros quadrados os segmentos verdes destinados ao lazer, entretenimento, esporte, cultura e integração socioambiental. Um desses lançamentos é o Parque Benemérito José Brás. Ao custo de quase R$ 800 mil, o endereço foi revegetado e recebeu sanitários, pergolado, bicicletário e mesas de xadrez, entre outras estruturas, para atender quem mora por lá e os usuários da estação Brás do Metrô. Por conta da inauguração de novas linhas subterrâneas de transporte, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) vem sendo questionada sobre os cuidados no quesito sustentabilidade. De acordo com Marcelo Thomaz, da Assessoria de Imprensa da corporação, a área verde presente nas estações conta com 418 mil metros quadrados, distribuídos por várias regiões. “A escolha das espécies priorizou a durabilidade, o custo, a manutenção e o efeito estético, dentre tantos critérios. Os jardins são dispostos de forma harmônica e respeitam as características e o perfil do local em que estão inseridos. A multiplicidade é grande, incluindo plantas nativas, como ipês, pau-brasil, cedros, jatobás, jacarandás e jerivás, totalizando 118 tipos de árvores, 26 de palmeiras, 76 de arbustos e 35 de herbáceas”, completa.


urbano

A engenheira ambiental Letícia Maria Roberto concorda que é valioso cuidar de cada detalhe antes de desenvolver um programa de arborização. “Seria importante se o poder público criasse um número cada vez maior de equipes multidisciplinares para atender, por exemplo, as construtoras. Dessa forma, seriam formulados pareceres técnicos capazes de direcionar a obra em relação à impermeabilidade do solo e à manutenção dos biomas.” Integrante da Equipe Técnica Científica que administra a Mata de Santa Genebra, espaço de relevante interesse ecológico do Governo Federal, sediada em Campinas, a profissional reforça que é possível recompor o ambiente ou criar malhas inéditas. “Uma das alternativas está em acompanhar as decisões que envolvem o Plano Diretor. É sempre muito positivo quando o cidadão participa.” “O hábito de não se envolver é comum”, reitera o professor Fábio Mariz Gonçalves. A ausência dos formadores de opinião e das classes mais abastadas em alguns bairros reduz a cobrança (imprescindível) por melhorias. “Veja o caso dos condomínios de alto luxo. Eles são tão completos que os moradores quase não têm contato com o restante da urbe. E esses ‘guetos’ não são exclusivos de São Paulo. A Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, entre muito outros, traz modelos semelhantes.” Esse isolamento e o descaso da população podem ser prejudiciais para a cidade, que deixa de ganhar importantes áreas verdes. “Recentemente, um grupo de estudantes norte-americanos que visitava a cidade me perguntou onde havia um parque seguro para caminhar à noite. Acho que foi uma das raras vezes que fiquei sem respostas”, conta Utama Rhodes, assessora de imprensa da Multiplan, construtora que está construindo o Park Shopping São Caetano com 23 mil metros quadrados de praças e parques, quatro torres comerciais, centro de convenções dentro do Espaço Cerâmica – um bairro planejado que reunirá moradia, trabalho e lazer num mesmo lugar.

Arquivo FJPO

Divulgação

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Sesc Interlagos

Mata Santa Genebra


sustentabilidade

Jardins

suspensos do mundo

Se quase não temos áreas verdes nas grandes cidades, a tendência aponta para a criação de telhados vivos, verdadeiros parques nos topos dos prédios Por Maiá Mendonça

S

ão Paulo é uma megalópole que tem seus encantos, mas vista do céu é uma paisagem desoladora feita de concreto, telhas, alumínio, antenas, chaminés e piche. Poderia ser diferente? Sim. Poderia ser verde e arborizada como um imenso jardim suspenso, tendência que já toma conta dos telhados de cidades como Tóquio, Chicago, Stuttgart e Copenhague e que começa a pipocar em outros países menos desenvolvidos.

Áustria

Andrey Okonetchnikov/Flickr/Creative Commons

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A idéia não é nova, basta lembrar dos jardins suspensos da Babilônia, construídos por ordem de Nabucodonosor para que sua esposa doente pudesse admirar, de sua janela, as árvores da sua Pérsia, ou das cabanas americanas cobertas de grama do final do século 19. Na década de 1930, Le Corbusier afirmava ser ilógico deixar “esses espaços urbanos sem uso e ignorar o diálogo com as estrelas”, defendendo a idéia do terraço-jardim como um dos pilares da nova arquitetura, recuperando assim o espaço verde ocupado pela arquitetura. Nos anos 1980, o arquiteto Pitanga do Amparo cobriu sua casa, em vez de telhas, com um generoso jardim que se derramava sobre a fachada. É mais ou menos da mesma época a maior cobertura verde de São Paulo, no terraço do edifício Matarazzo, no Viaduto do Chá, onde hoje funciona a prefeitura da cidade. O que não se previa na época eram os danos que o aquecimento global provocaria na saúde do planeta e das cidades. E que um jardim instalado no telhado não era uma atitude exótica, mas uma medida coadjuvante importante para melhorar a qualidade de vida nos grandes centros.


sustentabilidade

Criados na Alemanha, os telhados verdes foram se espalhando pelo mundo (alguns países como Alemanha, Suíça, Japão e México têm legislação que obriga que parte dos telhados seja verde e dão incentivos como redução de impostos para quem tem green roofs). As vantagens são inúmeras. Na Universidade Humboldt de Berlim um grupo estuda quais são as plantas mais adequadas para determinado tipo de clima e telhado. A proposta é fazer desses telhados vivos pequenos pulmões que, juntos, ajudarão a circulação do ar, a melhorar o microclima e a prevenir enchentes. Está provado que coberturas vegetais ajudam a reter a água da chuva diminuindo seu fluxo em direção aos bueiros, o que minimiza o risco de enchentes. Além de regular a temperatura interna das construções e economizar energia. Uma pesquisa feita pelo arquiteto alemão Jörg Spangenberg, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), comprova que a utilização em larga escala dos telhados ecológicos poderia diminuir em 1°C ou 2°C a temperatura nos centros urbanos.

J. A. Brendon/Ancient Route

Chicago, a capital do green roof Não é à toa que o City Hall de Chicago seja a melhor representação do que é um green roof. Desde o final da década de 1990, a cidade incentiva o uso do que os portugueses chamam de “a quinta fachada”. Em 2009 foram plantados quase 56 mil metros quadrados de cobertura vegetal em prédios, e a proposta é que se chegue a 650 mil metros quadrados em pouco tempo. Telhados vivos não substituem jardins, parques e praças, mas, além de suas qualidades estéticas, são sábias soluções para os problemas que o planeta atravessa.

Telhados Suspenso da Babilônia

Andrey Okonetchnikov / Creatice Commons

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A construção em terraços irregulares permitiu que uma das faces desse edifício no Japão ganhasse um jardim. Ao lado, o City Hall de Chicago, um dos green roofs mais importantes

Outros exemplos? • Washington acrescentou 17 mil metros quadrados de telhados verdes pela cidade e pretende ter 20% de coberturas vegetais até 2020. • Incentivos fiscais estão deixando Nova York (onde a maior cobertura vegetal fica no James Farley Post Office) mais verde. • Na Alemanha, 17% das casas têm jardins como telhados. • Em Stavanger, na Noruega, o The Comfort Hotel ganhou um telhado verde ondulado onde seus hóspedes tomam ar ou fazem exercícios. • Seguindo a mesma linha de aproveitar o telhado como jardim, cada apartamento de um edifício em Amsterdã tem seu próprio acesso para o grande jardim suspenso. • No interior da Polônia, casas com extensos telhados verdes se confundem com a vegetação local, diminuindo o

impacto da arquitetura na paisagem natural. • Em São Paulo, o Hospital Albert Einstein e a loja Farm, na Vila Madalena, aderiram à tendência. • O World Trade Center de Montevidéu conta com 2,5 mil metros quadrados de área verde como cobertura. • No museu da Academia de Ciência da Califórnia, em São Francisco, projetado pelo premiado Renzo Piano, o telhado é feito com mais de um milhão de plantas nativas que formam relevos que acompanham o desenho da Golden Gate. • No Brasil, o projeto de lei do deputado federal Jorge Tadeu Mudalen propõe um desconto de 5% no IPTU para os habitantes de cidades com mais de 500 mil pessoas que implantarem coberturas verdes em 50% de seus telhados.


com João Manuel Feijó

O engenheiro-agrônomo João Manuel Feijó descobriu os telhados verdes em suas andanças pelo mundo, e decidiu abrir no Brasil a Ecotelhado, empresa do Rio Grande do Sul que implanta telhados verdes pelo País e pela América Latina. Aqui ele conversa com a revista Lindenberg.

Enrico Carcasci/Flickr/Creative Commons

João Manuel Feijó / Arquivo particular

sustentabilidade

Bate bola

Qual é a importância dos telhados verdes para a saúde do planeta?

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O crescimento populacional dos centros urbanos acarreta novos tipos de problemas como o da poluição atmosférica, dos cursos d’água periféricos, ausência de espaço verde, calor e falta de biodiversidade. O ecotelhado é uma resposta direta, uma solução.

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As vantagens são muito maiores do que em países de clima frio. O mercado brasileiro está crescendo.

de obrigatoriedade de uso de telhados verdes. O estado de Santa Catarina aprovou lei de incentivo a eles.

No Brasil existe alguma legislação que incentive o uso dos ecotelhados?

O que é preciso fazer para que as pessoas se conscientizem da importância dessa pequena atitude?

Em Porto Alegre existe reconhecimento da técnica de acordo com o novo plano diretor. A Câmara de Vereadores de São Paulo está estudando projeto de lei

Creio que os benefícios e vantagens do sistema irão falar por si próprios. As novas técnicas de infraestrutura verde são respostas para problemas das cidades modernas.

Tomadas pelo verde, as cabanas da Islândia se confundem com a natureza. Acima, uma das grandes coberturas verdes da Ecotelhados em sintonia com a Baía da Guanabara

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I.Amos/Creative Commons

O que é um telhado verde? Telhado verde, ecológico ou vivo é uma cobertura vegetal que pode ser instalada na laje de edifícios, fábricas ou sobre telhados convencionais. São inúmeras as vantagens que vão desde o aumento da biodiversidade, aumento da retenção da água da chuva, limpeza da água pluvial e redução da poluição, redução da emissão de carbono, diminuição da temperatura dos micro e macroambientes externos ao conforto térmico e acústico. No Brasil, a Ecotelhado do Rio Grande do Sul patenteou dois sistemas de coberturas verdes: um composto por módulos já vegetados e mais leves, ideais para residências; e o sistema laminar, mais pesado, e indicado para telhados planos, jardins de grama e pequenos arbustos. www.ecotelhado.com.br

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Erik Christensen/Wikipedia Commons/Creative Commons

Lindenberg & Life 32

Telhados verdes e arquitetura contemporânea convivem com elegância no Japão (2) e no Canadá (3), da mesma maneira que são bucólicos na Áustria (1), na Noruega (4) e nas Ilhas Faroe (5), na Dinamarca

Northern New England Photo Library

Como você vê sua implantação no Brasil?


Pitanga do Amparo / Arquivo particular

sustentabilidade

30 anos depois...

com Pitanga do Amparo Nos idos de 1980, o arquiteto Pitanga do Amparo construiu uma casa com o jardim no telhado. Foi considerado ousado demais e projetou apenas três casas com plantas no lugar de telhas. “Era a idéia certa, no momento errado”, diz. Trinta anos mais tarde ele fala sobrea atual tendência dos green roofs.

sua casa com o seu jeito de ser

O que você acha da atual tendência mundial como solução para os problemas ambientais?

Em 2003, uma pesquisa encabeçada pelo arquiteto Eduardo Mendes de Oliveira, do curso de especialização em Conforto Ambiental e Conservação de Energia da Universidade de São Paulo, analisou quatro residências de diferentes arquitetos e demonstrou a superioridade da residência biotectural perante as outras. Foi a confirmação de que eu tive a idéia certa no tempo e lugar errados. Você acredita que no futuro veremos no Brasil apenas telhados vivos?

Lindenberg & Life 34

National Bank of Danmark

Se a bossa nova foi menosprezada por aqui nos anos 60... chegou a hora de importarmos a idéia dos green roof ou toiture végétale.

Acredite se quiser: acima está o Banco Nacional da Dinamarca. Ao lado, um dos projetos assinados pelo arquiteto Pitanga do Amparo

Qual é sua postura atual em termos de arquitetura e sustentabilidade?

A arquitetura evolui com a tecnologia e, essencialmente, deve refletir o momento sociopolítico-cultural do local em que se insere. Uma cidade não deveria ser um tabuleiro de shoppings e condomínios fechados interligados por carros e viadutos. A consequência visível é o apartheid social e a criminalização induzida dos que foram deixados de fora. Você continua querendo transformar o minhocão em um jardim? Em Nova York foi feito algo parecido com um antigo viaduto...

Quem sabe após o sucesso do projeto highline de Nova York, conceitualmente idêntico ao do minhocão. Minha proposta para o minhocão é de 1986 e sempre que surgem rumores sobre seu destino sou procurado para entrevistas.

O alto padrão em unidades de 60 a 91 m2, com serviços, na melhor localização do Itaim.


bairro

A Vila Mariana, considerada o mais completo bairro da Capital, valoriza o passado sem abrir m達o do futuro Por Paula Queiroz | Fotos Mari Vaccaro

CHEIO DE

BOSSA

Parque do Ibirapuera


bairro

a Santo Amaro, a região ainda tinha caráter estritamente rural. O desenvolvimento também foi incentivado pelo Matadouro Municipal de São Paulo, construído em 1887, que abastecia toda a cidade com peças de carne. Hoje, o antigo prédio de tijolos aparentes abriga a Cinemateca Brasileira, que tem o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. Quase 60 anos depois, com o objetivo de controlar uma praga que infestava os cafezais, foi inaugurado, próximo dali, o Instituto Biológico. Ocupando uma área de 10 mil metros quadrados, e com 1.530 pés de café, o Instituto virou ponto turístico, principalmente durante a colheita.

Acervo Instituto Biológico

A Vila Mariana

é a prova viva de que existe sim um equilíbrio ideal entre o histórico e o moderno. Entre uma rua e outra, passando pelas clássicas casas de vila ou pelos novos prédios de luxo, o que se vê por lá é um mix do antigo e do novo convivendo em perfeita harmonia.

Lindenberg & Life 38

Ora residencial, ora comercial, a Vila Mariana foi considerada pelo ranking do Estado como o distrito mais completo da Capital. Com muitas faculdades, como a ESPM, Unifesp e Belas Artes, e colégios particulares, como o Arquidiocesano e o Madre Cabrini, o bairro tem muitas áreas verdes e o menor índice de criminalidade da Capital. Isso sem falar nos bares, cinemas, restaurantes e nas cinco estações de metrô das linhas 1 Azul e 2 Verde. Região nobre da cidade, com cerca de 26,87 quilômetros quadrados, o distrito que liga o Centro ao sul da Capital, conta com 295 mil habitantes. Mas nem sempre foi assim, o descendente de italianos – imigração predominante no bairro – Francisco Villano tem 94 anos e é considerado uma das figuras mais tradicionais do bairro. Seu Chiquinho, como é conhecido por todos, tem uma barbearia na Rua França Pinto e conta um pouco sobre as mudanças na região. “Nasci aqui e durante a minha vida inteira acompanhei a evolução desse bairro. Antigamente as ruas eram de terra e podíamos ver da janela de casa o movimento das carroças e das charretes.” Até o ano de 1886, data da inauguração da ferrovia de trens a vapor que ligava São Paulo

Onde era o Matadouro Municipal fica a Cinemateca Brasileira. Ao lado, em 1949, algumas ruas da Vila Mariana ainda eram de terra

Por esse bairro pra lá de cozy já passaram diversos artistas e músicos bacanas que se sentiram acolhidos por esse clima de interior moderninho. Entre eles, os atores Tony Ramos, Mariana Ximenes e Aracy Balabanian. Os músicos Bira, Maria Gadu e Edgard Scandurra também já viveram por lá. Scandurra, quando ainda fazia parte do grupo de rock Ira!, chegou a gravar uma música em homenagem ao bairro. Intitulada de Rua Paulo, a canção ecoou como hino: “É na Rua Paulo que me sinto bem. Pois meus amigos estão lá também... Sou menino de São Paulo, lá da Vila Mariana”.

Acervo Casa Modernista

Mas o limite do bairro vai um pouco mais longe. A Vila Mariana chega até cerca de 550 metros do lado ímpar da Avenida Paulista, em seu trecho inicial. O que torna a Casa das Rosas mais um ponto turístico do bairro. Um dos últimos casarões que ainda restam na avenida, foi construído em 1928 e hoje serve de cenário para a efervescência da vida cultural paulistana, onde arte e literatura caminham juntas.

No alto, a Casa das Rosas e seus jardins de influência francesa. Acima, a Casa Modernista, projeto do arquiteto Gregori Warchavchik

No passado, os pés de café que cercavam o Instituto Biológico transformaram o prédio em atração turística


bairro

Ótimas opções culturais também não faltam por lá. Localizado na Rua Berta, na antiga residência e ateliê do artista lituano Lasar Segall, o museu que leva seu nome é um passeio obrigatório. Na construção de 1932, milhares de trabalhos de Segall dividem espaço com a série de cursos ministrados, como os de gravura, fotografia e literatura. Para quem gosta de história, na famosa Rua Santa Cruz, a casa projetada em 1928 pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik é considerada a primeira residência modernista do Brasil. A morada, que dividiu por muitos anos com sua mulher Mina Klabin, além de ter sido tombada em 1986 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado, foi reconhecida como Patrimônio Histórico pelo Iphan. Já com uma pegada bem mais alternativa e experimental, outros dois lugares chamam a atenção. Foi logo ali na Rua Capitão Macedo que a dupla de arquitetos Marcelo Salles e Márcia Gadoli resolveu criar a Casa Contemporânea. Para isso, transformaram um sobrado dos anos 40 em ateliê e espaço expositivo. Mais acanhado, o porão de uma casa na Rua Major Maragliano foi batizado de Beco das Artes e vem recebendo uma série de mostras e debates.

Lindenberg & Life 40

Tardes sossegadas cercadas por arte, no Museu Lasar Segall


bairro

Para quem curte badalar na noite, a dica é correr para a movimentada Rua Joaquim Távora, principalmente entre as travessas Rio Grande e Áurea – um dos quarteirões com maior número de bares de São Paulo. O point, que começou como um esquenta pré-balada, já virou o destino final e está cada vez mais agitado. As faculdades ESPM e Belas Artes contribuem para o clima mais universitário. A região ainda oferece dicas apimentadas para os gourmands de plantão. O bairro está recheado de lugares gostosos com um cardápio de dar água na boca. Vizinho do Instituto Biológico, aberto na década de 60, o Jabuti é um sucesso. A atmosfera parece intacta, mesmo com o passar do tempo. No menu, uma variedade de frutos do mar e a famosíssima batida de amendoim que leva o nome da casa. Do outro lado da Rua Domingos de Morais, próximo à conhecida caixa d’água da Vila Mariana, o simpático bar Veloso tem no currículo uma infinidade de prêmios: Boteco do Ano, Melhor Caipirinha, Melhor Feijoada, Melhor Coxinha, e por aí vai. Bem brasileiro e imperdível.

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Não bastassem todos esses atributos, a Vila Mariana ainda tem o privilégio de sediar o Parque do Ibirapuera. Parada obrigatória de todo paulistano e visitante da Capital que queira aproveitar a natureza em meio à correria do dia a dia na metrópole.

A tranquilidade verde do Parque do Ibirapuera

Os jardins da Casa das Rosas

Novidade! A Construtora Adolpho Lindenberg e a Lindencorp escolheram a dedo o descolado bairro da Vila Mariana para lançar um novo conceito de empreendimento. Previsto para junho de 2011, o edifício ocupará um terreno na Rua França Pinto e tem pessoas antenadas como público alvo. Um projeto moderno, com lazer diferenciado e décor assinado pela badalada Fernanda Marques. Cada unidade terá 69 metros quadrados, com amplo terraço, privilegiando assim um espaço descontraído que amplia o estar. mais informações

11 3041.2758

comercial@lindencorp.com.br


P

ontes, viadutos, passarelas são feitos para interligar dois lugares separados e inacessíveis. Pontes passam por sobre riachos, rios, ou penhascos. Viaduto é uma ponte feita para não interromper o fluxo de uma via e as passarelas são para pedestres. Quantas vezes passamos sobre eles e nem nos damos conta dessas estruturas aerodinâmicas, obra de aperfeiçoamento técnico e de materiais, muitos anos de estudos e um domínio técnico que só a engenharia é capaz.

E mesmo que o viaduto mais famoso seja o do Chá, e tenha sido o primeiro da cidade, não se pode negar a beleza do gradil de ferro art nouveau do viaduto Santa Efigênia, mandado fazer na Bélgica no começo do século 20, para ligar os Largos de São Bento e Santa Efigênia e desafogar o trânsito de carruagens e de carros, que começavam a surgir. Hoje, o viaduto restaurado é usado apenas por pedestres. Pontes, viadutos e passarelas são mais do que um meio de atravessar de um lado para o outro, são travessias de culturas, foram palco de histórias de amor e são verdadeiras obras de arte. Basta lembrar a beleza das pontes que cruzam o Rio Sena, em Paris, sendo a mais famosa delas a Pont-Neuf, mandada construir na segunda metade do século 16 pelo rei Henrique III. Impossível não falar da Ponte dos Suspiros de Veneza, da Ponte Carlos em Praga, da Ponte das Correntes em Budapeste, da Ponte da Torre de Londres ou da passarela do Milênio em Londres; esquecer das pequeninas pontes construídas sobre cursos de água nos jardins japoneses, as Moon Bridges que homenageiam a Lua; ou não lembrar da Golden Gate, de São Francisco, nos Estados Unidos, a ponte pênsil construída em 1937, que fica dourada ao por do sol (curiosamente, a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, conhecida por sua semelhança com a Golden Gate, foi construída quase 10 anos antes, em 1926...)

310 m² 4 suítes | 4 vagas 1 por andar

Personagem de livros e filmes, as pontes mais antigas que povoam nosso imaginário, são as “levadiças” dos antigos castelos e fortificações, sempre cercados por um fosso e que eram levantadas quando o inimigo se aproximava, impedindo sua entrada. Um antigo conto fala de um rio mágico que era impossível de atravessar. Não havia ponte ou navio capaz de quebrar seu encanto. Até que um rei do País de Gales, necessitando cruzar o rio com seus exércitos, deitou-se sobre ele formando uma ponte que ia de uma margem à outra, por onde passaram os soldados, que voltaram para casa a salvo, dando origem à frase “quem é chefe é a ponte”. Assim como a alcunha Sumo Pontífice (construtor de pontes), dada ao papa faz dele a ponte entre Deus e os humanos. Reza a mitologia que o poderoso Zeus teria criado o arco-íris como a ponte que ligava o céu e a Terra, por onde caminhava a bela Íris, a mensageira entre os dois mundos.

Divulgação

poéticas urbanas

A ligação entre dois lados pode ser real como uma obra de engenharia ou mágica como na mitologia, contos e metáforas Por Rosilene Fontes

Bela e imponente, uma ponte é o casamento perfeito entre arquitetura e engenharia. Exemplo dessa união em São Paulo é o da Ponte da Estaiada com seus cabos suspensos e coloridos, o novo cartão postal da cidade sobre o Rio Pinheiros, e que foi cenário do filme Ensaio Sobre a Cegueira, enquanto estava sendo construída.

Lindenberg & Life 44

Tucumã

A poesia das pontes e viadutos

Pronto para morar Últimas unidades

R. Tucumã com R. Hans Nobiling

Visitas agendadas com a Incorporadora: 3041.2707 Viaduto Santa Efigênia

Lembrando do arco-íris de Zeus, certa vez, cheguei ao Rio de Janeiro de navio e vi a Cidade Maravilhosa do mar. A vista era magnífica: de um lado a paisagem infinita daquele horizonte misterioso – o céu e o mar –, do outro a paisagem finita – a praia, as montanhas, a cidade. Imaginei uma passarela sobre o mar ligando as duas paisagens. Por um segundo pensei ter entendido o sentido da vida, a ligação entre dois mundos, entre o céu e a terra, e para o meu alívio ambos lados eram sublimes.

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ESPECIFICAÇÕES Versão positiva 3 cores PANTONE PANTONE PANTONE 289 C 186 C 1815 C

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outro olhar

Arte in

natura

Foi por estas bandas que Frans Krajcberg fincou os pés ainda na década de 40. Aos 90 anos, brasileiro por opção e cidadão do mundo por necessidade, ele continua a surpreender com seu trabalho contundente e atual Por Patrícia Favalle

Frans Krajcberg, a arte como crítica

Instituto Frans Krajcberg

Lindenberg & Life 46

Frans Krajcberg nasceu numa Polônia empobrecida, em 1921, quando os ânimos sentiam o peso pós-traumático deixado pela Primeira Guerra Mundial. Cresceu sob as disputas que teimavam em polarizar a geopolítica global – e escolheu estudar engenharia para compreender o efeito devastador que as fronteiras tramadas de concreto exercem entre os povos. Uma guerra depois, e Frans já conhecia as feridas deixadas pelas trincheiras, detalhe que o obrigou a procurar por terras mais serenas que a natal. Desembarcou no Brasil em 1948, e logo transformou a capital paulista no endereço ideal – afinal, ali estava boa parte da elite cultural daquele momento, gente que reinventava a forma sacudida pelos modernistas tempos antes. Em 1951, com sua porção cubista riscada em pinceladas de cinza e terracota, o artista apresentou dois de seus quadros na estreia da Bienal de São Paulo, local que o havia empregado como assistente de montagem. Mas a urbe era ensurdecedora aos ouvidos pacíficos de Frans, que se mudou para o Paraná, e encabeçou os primórdios do movimento expressionista tupiniquim.


outro olhar

Instituto Frans Krajcberg

Poética denúncia contra a exploração ilegal das matas tropicais

Lindenberg & Life 48

“A minha preocupação é penetrar mais na natureza. Há artistas que se aproximam da máquina; eu quero a natureza, quero dominar a natureza. Criar com a natureza, assim como outros estão querendo criar com a mecânica. Não procuro a paisagem, mas o material. Não copio a natureza. Sinto que a gente foge cada vez mais da natureza. Estamos cada dia mais afastados dela por causa da mecanização”, desabafou no livro Revolta. Tal pensamento se estende às esculturas feitas com raízes e troncos calcinados e também à série Africana, arquitetada com emaranhados de cipós e caules de palmeiras associados a pigmentos minerais. Incansável na defesa pelo meio ambiente, Frans acompanhou o pintor Sepp Baendereck e o crítico francês Pierre Restany ao interior do Amazonas, onde esboçou o “Manifesto do Rio Negro”. “No espaço-tempo da vida de um homem, a natureza é a medida de sua consciência e de sua sensibilidade. (...) A natureza original deve ser exaltada como uma higiene da percepção, e um oxigênio mental: um naturalismo integral, gigantesco catalisador e acelerador das nossas faculdades de sentir, pensar e agir.”

O artista e suas obras na Bienal de São Paulo. Na página ao lado, esculturas da série Sombras, madeira da floresta destruída e pigmento

Longe de se retirar do circuito, ele comprova que ainda é capaz de comover os olhares mais céticos. Na exposição “Natureza Viva de Frans Krajcberg”, exibida em janeiro no Museu Afro Brasil, em São Paulo, a percepção poética do também retratista está impressa nas 16 imagens selecionadas pelo curador Emanoel Araújo. “Ele é um descobridor da beleza e do poder de fazer surgir, no meio das mais profundas florestas carregadas do silêncio e da intocabilidade, a sua voz de defensor eterno e apaixonado. Ele é um cultivador dos seres vivos, que acolhidos pelo seu olhar, se abrem para o Sol e se mostram em seu esplendor”, finaliza Araújo.

Fotos Galeria Sérgio Caribé

Amante dos contornos orgânicos, já em solo carioca, conquistou a crítica internacional com trabalhos de pintura, escultura e fotografia, cujo tom de protesto denunciava os desmatamentos e as explorações ilegais das florestas tropicais. No começo dos anos 70, em plena onda hippie, ele hasteou bandeira na pequenina cidade de Nova Viçosa, no litoral sul da Bahia, onde arrematou uma área de 34 hectares de mata atlântica preservada, batizada de Sítio Natura. Ali, a 12 metros do chão, no alto de uma frondosa espécie nativa, com jeito de casa saída das aventuras do Tarzan, ergueu a morada dos sonhos.


outro olhar

“Há artistas que se aproximam da máquina. Eu quero capturar a Natureza”

Fotos Museu Afro Brasil

Fotos Galeria Sérgio Caribé

Lindenberg & Life 50

O cipó espinhoso cria uma armadilha de madeira e pigmentos, na escultura da série Sombra. Ao lado, série Pedras, da década de 1960. Na página ao lado, a força da flor calcinada, da série Africana


outro olhar

A natureza original deve ser exaltada como oxigênio mental

Fotos Galeria Sérgio Caribé

Instituto Frans Krajcberg

Lindenberg & Life 52

Escultura da série Sombras, madeira e pigmento verde. Na página ao lado, Krajcberg montando exposição

Em 2003, foi inaugurado o Instituto Frans Krajcberg, em Curitiba, em meio ao Jardim Botânico, cercado por 107 esculturas que delatam a violência humana em contraste com o bem tratado jardim. Depois de ver o Sítio Natura ser transformado em Reserva Particular de Proteção da Natureza (RPPN), Krajcberg criou, no lugar onde viveu boa parte de sua vida, um Museu Ecológico aberto ao público. A prova viva de que é possível viver em harmonia com a natureza. Em São Paulo o artista é representado pela Galeria de Arte Sérgio Caribé, R. João Lourenço, 79. tel. (11) 3842-5235, São Paulo www.galeriasergiocaribe.com.br


paisagismo

dois passos do

paraíso Em São Paulo, o arquiteto paisagista Benedito Abbud fala um pouco sobre sua expertise e conta como repaginar a área externa com elementos naturais Por Ana Paula de Assis | Fotos Valentino Fialdini

Lindenberg & Life 54

“Costumo definir paisagismo como o processo de conceber espaços onde as pessoas possam reconhecer e valorizar a diversidade humana”

“H

á quarenta anos, um estágio no escritório do arquiteto paisagista Luciano Fiaschi me despertou a paixão e o encanto pela natureza, na época, as políticas ecologicamente corretas e a sustentabilidade ainda não estavam na ordem do dia. De lá pra cá me orgulho de ser um dos principais profissionais a ter dedicação exclusiva à arte do paisagismo. Considero uma vitória as pessoas compreenderem que o escape verde é fundamental para a melhora da qualidade de vida, principalmente nos grandes centros urbanos. As referências que norteiam o meu trabalho são de dois grandes mestres pioneiros em implantar essa ramificação de arquitetura no Brasil. O acadêmico Roberto Coelho Cardozo – americano que trouxe a influência da escola californiana para aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/USP e Burle Marx, indiscutivelmente, o paisagista mais aclamado de todos os tempos. Com eles aprendi a desenvolver o senso estético e a criar soluções funcionais que atentam para detalhes como: estrutura do terreno e a paisagem de cada região. Costumo definir

paisagismo como o processo de conceber espaços onde as pessoas possam reconhecer e valorizar a diversidade humana. A garantia de sucesso do projeto paisagístico é a de ele atender a todas as faixas etárias e ser um local democrático para a convivência. Na hora do mãos à obra faço questão de utilizar técnicas que estimulem os cinco sentidos: a visão – dou importância para a variação das cores das folhagens, isso garante colorido em todas as estações do ano –, o paladar – recomendo o plantio de árvores frutíferas (jabuticabeiras), ervas (hortelã) e temperos (manjericão) –, a audição – vale investir num caminho de pedriscos, no murmúrio das águas ou em flores que atraiam os pássaros e assim conseguir um sonoro canto no jardim –, o tato – ter a sensação agradável do sol da manhã na pele ou o frescor das sombras – e, por último, o olfato – que garante surpresas aromáticas como o perfume de uma gardênia, de um eucalipto ou do alecrim. Pronto! O mix de texturas, odores, cores e sabores está completo e garante um harmonioso ambiente outdoor, seja na sua residência ou no apartamento.”

Flor da costela-de-adão


paisagismo Lindenberg & Life 56

Pimentas vermelhas sobre folhagens. Na pĂĄgina ao lado, brĂłcolis, couve-flor, bromĂŠlia e caules de papiro


paisagismo Lindenberg & Life 58

Miolo de philodendro com folhas de palma. Na pรกgina ao lado, microssuculentas e caules de papiro


personna

viver com

arte

Construído na diagonal para aproveitar a generosa vista, esse apartamento ganhou projeto do arquiteto Felipe Crescenti que brincou com contrastes: cores sóbrias e móveis contemporâneos para o living, obras de arte misturadas a brinquedos antigos, a guitarra transformada em quadro e o autorama que corre pelo terraço debruçado sobre a cidade

Lindenberg & Life 60

Por Ana Paula de Assis Fotos Valentino Fialdini | Produção Marta E Paula Zaroni

O primeiro impacto é no hall de entrada, pintado de vermelho para abrigar a obra do artista plástico Geraldo de Barros


personna

Acima, o abajur de vidro, a mesa de jantar de laca ganhou duas poltronas de aço trefilado assinadas pelo americano Warren Platner e tem, ao fundo, obra de arte de Barsotti, ao lado o aparador baixinho arremata a sala de estar. Na página ao lado, no living, o contraste entre o bege e o preto, ao fundo, desenhos de Flavio de Carvalho

Lindenberg & Life 62

N

uma bela manhã de verão, os raios solares roubam a cena da morada, que fica sediada num elegante prédio do estilo neoclássico, em tradicional bairro de Sampa. De cara há uma agradável surpresa, no hall de entrada a tela cheia de cor do pintor e fotógrafo concretista Geraldo de Barros, dá as boas vindas e imprime um pouco da personalidade dos proprietários. A pista certeira não deixa dúvidas de que por ali respira-se arte. O top profissional Felippe Crescenti, repaginou o layout desse Lindenberg, emprestando uma linguagem contemporânea a esse apartamento em um edifício neo-clássico, literalmente, debruçado sobre a Paulicéia. Com sua expertise e traço refinado, o lugar ganhou ares contemporâneos e é a síntese de uma arquitetura convidativa sem exageros ou minimalismo demais, adequado para traduzir e responder aos anseios da família. “Apostei na claridade dos ambientes, reformulação dos closets e espaços interligados”, revela.


personna

Brinquedos são paixão do dono da casa que instalou um autorama no terraço e espalhou brinquedos antigos sobre os móveis. A guitarra ao lado pertenceu a banda inglesa Pink Floyd. Abaixo, mosaico de azulejos portugueses deixam a mesa mais alegre. No terraço, a mesa foi cercada por cadeiras Charles Eames e a luminária é um presente de Felipe Crescenti para a dona da casa

Lindenberg & Life 64

Paixão do dono da casa, o autorama foi instalado no terraço: aqui criança não entra

Os 350 metros quadrados divide-se em quatro suítes, cozinha e salas integradas de tv e jantar. O family room é um dos espaços mais aconchegante da casa de um casal jovem com dois filhos, que adora viver cercado por amigos. O mix de referências dá o tom do espaço. Uma guitarra comprada em um leilão, que pertenceu à banda britânica Pink Floyd, conversa perfeitamente com a mesa de patchwork feita artesanalmente com azulejos portugueses do século 18 e 19. O vaso do designer italiano Gaetano Pesce, nas estante ao fundo da sala, cria um interessante contraste com a geometria e a cor do desenho autoral de Hércules Barsotti. No lado oposto dois singelos riscados do modernista Flavio de Carvalho coroam a seleção dos estetas. A cereja do bolo está na varanda com direito a vista privilegiada da cidade e pista de autorama permanente, um dos hobbys do marido. Alguém ainda dúvida que o lugar seja charmoso sem ser pretencioso?


filosofia

creto”, um ponto de partida objetivo para alicerçar nossas ideias a respeito de Deus. Seria a ciência o caminho que poderia nos levar ao encontro de um fio capaz de nos conduzir nessa meada?

a ideia

Deus

Afinal, quem é Deus? O pai de todos, o único ser divino dos monoteístas, uma ilusão segundo Freud, um ponto no cérebro como quer a ciência? A discussão está aberta Por Andy Ritchie | Ilustração Maria Eugênia

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S

e perguntarmos a um grupo de pessoas quais são as ideias que elas concebem sobre “Deus”, o resultado das respostas dependerá em grande medida do meio no qual esse grupo está inserido, mas, de um modo geral, pode-se prever uma tendência a uma variabilidade bastante significativa. Mesmo que fiquemos restritos a um determinado âmbito, por exemplo, o daqueles que professam a fé monoteísta, e que encontremos alguns pontos em comum nesse meio – a concepção de Deus como o único ser divino do universo, criador de todas as coisas, e que se relaciona de alguma maneira com os seres humanos –, rapidamente perceberemos que as ideias se dispersam através de inúmeras vertentes. E isso faz todo o sentido, pois o “ato fundador” de cada uma das três grandes religiões monoteístas – a aliança que Deus fez com Abraão (judaísmo), o nascimento de Jesus de Nazaré (cristianismo), e o envio de Maomé (islamismo) – já denota concepções que nascem distintas e que tendem a se ramificar cada vez mais. Seria essa variabilidade característica do mundo da fé? Será que se nos focarmos no âmbito da razão encontraremos algum elemento que possa promover uma convergência das ideias que formulamos a respeito de Deus? Vejamos o que alguns dos homens mais racionais de toda a história pensaram a esse respeito: Aristóteles concebeu Deus como uma substância suprassensível que é causa primeira do universo, um “Motor Imóvel” que move o

mundo por atração, mas que não tem qualquer relação especial com os seres humanos; Agostinho mostrou o caminho que a razão percorre partindo do mundo sensível e ascendendo até a Verdade através de um processo de iluminação espiritual que culmina com a união com Deus; Descartes desenvolveu complexas meditações metafísicas para “provar” a existência de Deus a partir da ideia que temos de um ser perfeito, ideia essa que não poderia ter sido produzida por nada menos perfeito que o próprio Deus; Espinosa concebeu um universo formado por uma única substância – Deus – que é causa de si e de todos os demais seres, que exprime esses seres e por eles é expressa, e aplicou a essa unidade a expressão Deus sive Natura (Deus ou Natureza); Nietzsche destruiu a ideia de que Deus é a única justificativa de valoração para o mundo, ideia essa que está tão presente nos valores morais da tradição judaico-cristã (“Deus está morto”); Freud afirmou que as ideias religiosas (inclusive a ideia de Deus como Providência) são ilusões que nascem dos mais fortes desejos humanos por segurança física e psicológica. Ou seja, em vez de encontrar um elemento comum que pudesse levar a uma convergência de conteúdos das inúmeras ideias de Deus, a razão em livre exercício produz concepções ainda mais distintas do que quando condicionadas pelos elementos da fé. A pergunta que se faz, então, é se seria possível encontrar um “elemento con-

Algumas pesquisas recentes procuraram mostrar determinadas alterações cerebrais que estariam relacionadas à experiência religiosa, e esse fenômeno ficou conhecido como a “Marca de Deus” no cérebro. De fato, utilizando a tecnologia de PET scan, foi possível identificar que há alterações em áreas bastante específicas do encéfalo quando um indivíduo se concentra na ideia de Deus, tem emoções religiosas ou quando é exposto a sons e imagens que remetem a Deus. Seguindo uma direção semelhante, outro grupo de pesquisadores procurou demonstrar que além do QI (inteligência intelectual) e do QE (inteligência emocional), existe o QS, uma “inteligência espiritual” que estaria relacionada à busca de sentido e valores éticos para nortear a vida, e denominou-se a correr ao que Kant disse a respeito do pensamento e das área dos lobos temporais associada a esse processo de o ideias. Segundo o filósofo, a metafísica jamais poderá ser “Ponto de Deus” no cérebro. Em outra linha de pesquisa considerada como uma ciência, pois suas ideias (Deus, bem distinta, cientistas estão utilizando os aceleradores Alma, Mundo e Liberdade) estão além dos limites da exde partículas (notadamente o LHC, na Suíça) para fa- periência possível, e, portanto, não podem constituir um zer colidir subcomponentes atômicos com conhecimento científico – não se pode energias semelhantes às que existiam no conhecer (ou provar) Deus a partir das momento do Big Bang, ou seja, estão senideias que temos Dele (esse teria sido o Estariam do reproduzidos em laboratório alguns “erro” de Descartes), assim como não poa religião, dos fenômenos que teriam acontecido demos chegar a Ele a partir de conclusões a filosofia nos instantes primordiais do universo. científicas. Por outro lado – e esse é um Por mais que os objetivos desse experie a ciência dos aspectos mais sublimes da razão – é mento sejam muito mais amplos, algumas justamente através dessas ideias metafíentrando pessoas estão esperando encontrar aquisicas que podemos exercer a nossa razão em acordo lo que seria a causa inicial do universo e de forma livre, e nos é dada a infinita posquanto À associá-la a Deus – ou seja, o verdadeiro sibilidade de pensar em algo absoluto e existência momento da “Criação”. Enfim, estaríamos incondicionado. por meio da ciência começando a conhede Deus? cer as maneiras pelas quais Deus “interO ato de pensar ideias está associado à vém” neste mundo? Poderíamos a partir liberdade da razão humana, e o pensar deste “conhecimento” tornar as ideias a Ele relacionadas Deus de forma diversa – inclusive o não pensá-Lo – é menos especulativas e mais seguras? Novamente a res- uma das grandes expressões dessa liberdade. Fiquemos, posta é não, pois hoje sabemos que determinados pen- portanto, com toda essa diversidade e evitemos ir contra samentos (como os relacionados a Deus) causam altera- o princípio do livre pensar ao tentar impor aos demais as ções cerebrais específicas que desencadeiam emoções nossas próprias “convicções”. Que cada um possa exercer e sentimentos a elas associados; e, no que se refere ao sua própria liberdade e, no seu íntimo, estabelecer – ou LHC, nada jamais poderá garantir que a “causa inicial” não – um “relacionamento” individual com Deus a partir que provocou o Big Bang está relacionada a Deus. Para daquilo que de mais único existe em nós – nossas próembasar essa resposta negativa, me parece oportuno re- prias ideias.


5 experiências

A difícil rota austral “Deixamos Port Mott, no Chile, para dobrar o Cabo Horn e aportar no Rio de Janeiro. A costa do Chile é uma das mais difíceis, com mar nervoso, tempo instável e poucas opções de abrigo. Dos 50 dias que levamos para chegar ao cabo, 45 foram de muita chuva e vento, muita dor nas mãos e nos braços para domar o barco, atenção constante e acampamentos complicados para se abrigar e descansar. Foi uma viagem de muita superação, onde testei meus limites físicos e psicológicos. A Terra do Fogo é difícil, fria, úmida, mas é maravilhosa.”

Magia no norte do planeta “Eu não tinha a menor idéia do que encontraria pela frente ao deixar New Jersey, nos Estados Unidos, rumo a Sisimiut, na Groenlândia. É uma costa belíssima, com costões altíssimos e cachoeiras que despencam no mar. Aqui assistimos o majestoso espetáculo da aurora boreal e suas manchas verdes dançando no céu da noite. É um lugar mágico ao qual adoraria voltar.”

289 dias entre céu e mar “Essa foi nossa única viagem oceânica, a mais longa de todas. Passamos semanas sem ver terra, enquanto um dormia o outro velejava. O mar é um imenso deserto minimalista que não oferece nenhum entretenimento, apenas o barulho do vento. Nessa situação é possível perceber se nosso pacífico interno é maior do que o externo e reconhecer o valor das pequenas coisas.”

Mar, rios, floresta, pico... “Pulando de ilha em ilha pelo Caribe chegamos à Venezuela, onde entramos no continente pelo Rio Orenoco. A mudança do mar para o rio é uma experiência. Navegamos pelo Casiquiare, o único canal natural do mundo e entramos no Brasil. Subir o Pico da Neblina e encontrar uma tribo de ianomâmis isolados na mata foram os pontos altos.”

Velejar é

jogar xadrez com o vento A frase que se lê ao entrar no site de Beto Pandiani traduz as experiências vividas pelo velejador quando está no mar. Entre milhares de sensações, emoções e situações, ele conta cinco (de muitas) experiências inesquecíveis

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Por Maiá Mendonça | fotos arquivo Beto Pandiani

B

eto Pandiani manobra sua vida como faz com as velas de seu pequeno catamarã. Filho do velejador Corrado Pandiani, Beto deixou a possibilidade de uma carreira de administrador para ser barman, foi dono das mais badaladas casas noturnas nas décadas de 1980/1990 e, perto da virada do milênio, trocou a noite pelo dia e fez de seu hobby, profissão.

Depois de dois anos publicando livros e DVDs (Travessia do Pacífico, O Mar é Minha Terra e Entre Trópicos) e ministrando palestras, prepara-se para voltar ao mar com sua “jangada high tech” e seu parceiro Igor Belly. Pretendem cruzar o Atlântico Sul e atravessar as 3.600 milhas que separam Cape Town de Ilhabela.

Ousada travessia “É preciso persistência e paciência para atravessar a Passagem de Drake. É um mar monstruoso, gelado, frentes frias mudando o tempo e uma travessia de 82 horas onde o menor erro pode ser fatal: É o Drake que escolhe quem vai passar. Nós éramos equilibristas em nosso hobbycat. Quando pisei no continente estava anoitecendo, me senti pequeno e sem palavras.”

www.betopandiani.com.br: Aqui você encontra todas as viagens feitas por Beto Pandiani e seus companheiros Igor Belly, Felipe Whitaker e outros, os diários, os livros, filmes e fotos que se abrem em tela inteira, enchem os olhos e convidam a viajar.


culinária

A gourmand, que guarda com carinho os livros em italiano de Petrini, e valoriza a cozinha de verdade, que alimenta o corpo, a alma e ainda prestigia o bom ingrediente, abriu um estabelecimento pra lá de bacana. O Lá da Venda é um mix de armazém e restaurante, cheio de coisas gostosas, preparadas com ingredientes orgânicos, artesanais e de pequenos produtores.

DEVAGAR,

Cultivar, colher alimentos frescos e até saborear pratos se tornou algo tão incomum em meio à correria do dia a dia e a facilidade da alimentação rápida e padronizada do fast-food, que é preciso parar, desacelerar e encontrar tempo para apreciar. Tornando o cotidiano muito mais saboroso.

SEMPRE Conjugar prazer e alimentação com consciência e responsabilidade é missão das mais importantes para os adeptos do Slow Food

E

O que você entende por Slow Food?

Slow Food é um movimento mundial pela valorização das refeições. Criado por iniciativa do jornalista italiano Carlo Petrini, o movimento teve sua reunião inaugural em Paris. Diferentemente do que se possa imaginar, o Slow Food não prega apenas comer sem excessiva rapidez, mas prestar atenção ao que se está comendo, tornar qualquer refeição um ato de prazer.

Por que as pessoas foram perdendo um pouco o hábito de sentar-se à mesa diante de uma refeição verdadeira?

Para você, qual é a importância desse movimento nos dias de hoje?

A relação do homem com a alimentação mudou muito, assim como todo o restante de nosso modo de vida. O hábito de as famílias não se reunirem mais em torno da mesa, durante a semana no almoço, foi ditado pelas relações de trabalho. Em geral, o emprego fica longe de casa, crianças e adolescentes passam boa parte do dia na escola, seria um transtorno voltar para casa, pegar trânsito e ainda ter de cozinhar em apenas duas horas.

Ele propõe valorizar a agricultura familiar, o cultivo de matérias-primas livres de insumos químicos e pesticidas, o resgate de produtos que estão desaparecendo.

É a falta de tempo, o cotidiano agitado das grandes metrópoles, que privilegia o fast-food?

O Slow Food é mais um resgate do passado, ou uma necessidade dos novos tempos?

Foto Stock.xchng

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Heloisa Bacellar é fascinada pela cozinha rústica, à base de produtos da estação. O prazer de estar à mesa fez dela adepta do Slow Food

Come mal quem quer Arnaldo Lorençato, editor de gastronomia da revista Veja São Paulo, fala sobre o prazer de apreciar uma boa refeição

Por Paula Queiroz

m 1989 uma bandeira foi hasteada contra o fast- Para eles, a única forma de agricultura que pode oferefood. O italiano Carlo Petrini encabeçou o movi- cer uma perspectiva de desenvolvimento é a baseada na mento que protestava contra a instalação de um sabedoria das comunidades locais, sempre em harmonia McDonald’s em plena Piazza di Spagna, em Roma. Na com o ecossistema que a cerca. época, os poucos adeptos estavam preocupados com o desaparecimento das tradições culiO objetivo inicial era apoiar e defender a nárias regionais devido ao ritmo boa comida, o prazer gastronômico e um Fazer de frenético do viver, e a consequente ritmo de vida mais lento. Mais tarde, essa falta de interesse das pessoas pela uma refeição iniciativa foi ampliada para abranger a quaalimentação, procedência e sabor lidade de vida e a própria sobrevivência um ato de dos ingredientes. do planeta em que vivemos. A proposta é prazer: esse comer melhor. Sentar-se à mesa e ter uma é apenas um Foi assim, timidamente, como um experiência além de saudável, muito prados conceitos zerosa. ato de protesto, que surgiu o Slow Food. Segundo a assessoria de imslow food prensa da Fundação, que fica em Uma verdadeira Slow Food, de coração, a Bra, no norte da Itália, “hoje a rede chef badalada Heloisa Bacellar, que tem no já conta com mais de cem mil membros, organizados em currículo o “grand diplome de cuisine et pâtisserie” da grupos pela Itália e espalhados em 130 países”. E a pre- escola Le Cordon Bleu, em Paris, conta sua forte relação ocupação que norteia esses simpatizantes é saber que com os alicerces desse movimento: “Há quase 30 anos eu a escolha alimentar de cada um pode afetar o mundo tenho verdadeiro fascínio pelas coisas da terra, a cozinha todo. É estar sempre atento à conexão entre o prato e o rústica, regional, com gosto de verdade. Sempre adorei planeta. Uma ecogastronomia artesanal que já conquis- receber e ficar horas na cozinha preparando tudo, e horas tou milhares de seguidores por aí. ao redor da mesa apreciando e conversando”.

Foto Arquivo Pessoal

“Não me acanho em dizer ao cliente que infelizmente não tem mais sorvete de pitanga porque está fora de época”, conta Heloisa, que segue à risca um dos princípios básicos do Slow Food, que, ao valorizar o ato de se alimentar, respeita a natureza e as estações do ano, optando por ingredientes sazonais.

Não se trata de um movimento saudosista. O que o Slow Food propõe é uma reflexão sobre o ato de comer, assim como uma mudança de atitude à mesa, aliás, que se estende da produção de matérias-primas, a distribuição desses ingredientes, a preparação – seja em casa ou no restaurante – e, finalmente, o consumo.

Sem dúvida, a vida nas metrópoles ajuda a criar essa necessidade de refeições expressas. Mas nem tudo que é rápido é ruim. O Brasil, por exemplo, desenvolveu um peculiar sistema de refeições a quilo no qual se pode selecionar os alimentos. E pagar o preço exato pelo que se vai comer, o que colabora para evitar desperdícios. Também há os bufês a preço fixo ou de menus executivos. Não é necessário recorrer sempre a um sanduíche. Come mal quem quer.


qualidade de vida

a razão

e o espírito

A ciência descobre a importância do espiritual na composição de um ser completo, em que pese o equilíbrio entre corpo, mente e espírito para o gerenciamento eficaz da vida profissional e pessoal Por Judite Scholz | ilustração maria Eugênia

A Lindenberg & Life 72

lguns executivos podem sentir-se frustrados ao constatar que todo o investimento para uma sólida formação acadêmica, aliado a certa sensibilidade para lidar com seus pares, como ditava o figurino do bom profissional nos anos 90 – a soma do QI (Quociente Intelectual) com o QE (Quociente Emocional) – não é mais suficiente. O Quociente Intelectual, que foi a medida da inteligência humana durante muito tempo, nos dá todas as ferramentas para o raciocínio lógico e a compreensão de símbolos matemáticos e linguísticos. Mas, na década de 90, o psicólogo americano Daniel Goleman derrubou o mito de que devemos sobrepor a razão à emoção, propondo o equilíbrio entre as duas com o conceito de Inteligência Emocional. Para Goleman, há dois tipos de inteligência – a racional e a emocional –, e a nossa performance na vida é tanto melhor quanto mais o intelecto e a inteligência emocional interagirem bem.

Psicólogos, filósofos e teólogos concordam que QI e QE podem trazer crescimento profissional e financeiro, mas faltava ainda cuidar do espírito para ter paz interior, alegria e chegar ao equilíbrio perfeito.

de surpresa o universo corporativo. Com o livro QS: Inteligência Espiritual, ela aponta a existência de um terceiro tipo de inteligência que torna as pessoas mais criativas e com a necessidade vital de encontrar um significado para a vida. Para a autora, a inteligência do espírito é a capacidade de encontrar um propósito para a própria vida e de lidar com os problemas existenciais que surgem em momentos difíceis. “É a terceira inteligência que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto QS implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequando senso de finalidade e direção pessoal. É uma inteligência que nos impulsiona, com a qual abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor”, diz a autora.

Em 2000, a física e filósofa norte-americana Danah Zohar – descrita pelo Financial Times como uma das pensadoras mais importantes no mundo da gestão – pegou

Na verdade, Danah Zohar e seu marido, o psiquiatra Ian Marshall, se basearam em pesquisas científicas feitas nos últimos dez anos pelo neuropsicólogo Michael Persinger

Ficava claro, então, que QI elevado não é sinônimo de sucesso, e saber controlar as próprias emoções e sentimentos, adequando-os às situações e colocando-os a serviço de um objetivo, e lidar com as emoções das pessoas ao redor, podia fazer a diferença. Afinal, parece bem razoável que ao saber controlar as próprias emoções e entender as alheias, o ser humano consiga lidar melhor com as situações. “Essa é uma maneira de ser esperto, não em termos de QI, mas em termos de qualidades humanas do coração”, disse Goleman.

e pelo neurologista Vilanu Ramachandran, segundo as quais existe uma área no cérebro, nas conexões neurais nos lobos temporais, denominada “Ponto de Deus”, que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas, já que aciona a necessidade de buscar um sentido para a vida. Isso mesmo: cientistas americanos estão encontrando evidências de que o cérebro foi programado biologicamente para fazer perguntas como “quem sou?”, “o que torna a vida digna de ser vivida?”. Segundo a dra. Zohar, “o Ponto de Deus mostra que o cérebro evoluiu para fazer perguntas existenciais em busca de sentidos e valores mais amplos”. O livro de Danah Zohar causou grande impacto no mundo corporativo porque, segundo a própria autora, “o mundo dos negócios passa por uma crise de sustentabilidade. Com um modelo baseado no lucro imediato, gerou uma cultura corporativa desconectada de valores mais profundos. Como impacto negativo desse modelo, temos a


qualidade de vida

devastação ambiental, resultado de uma exploração predatória dos recursos naturais do planeta, e desequilíbrios físicos e psicológicos nos indivíduos que trabalham ou que de alguma maneira são afetados por esse modelo. Há, de fato, uma profunda relação entre a crise da sociedade moderna e o baixo desenvolvimento da nossa inteligência espiritual”, afirma. “Desde o surgimento do capitalismo só se quer dinheiro e lucro. Mas dinheiro e lucro para quê e para quem? Trabalha-se para consumir. É uma vida sem sentido”, diz. Formada em Física e Filosofia no Massachusetts Institute of Technology – MIT, com pós-graduação em Filosofia, Religião e Psicologia na Universidade de Harvard, Zohar leciona na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e faz consultoria de liderança estratégica para grandes empresas, como Shell, Volvo, Philip Morris, BMW, McCann Erikson, Coca-Cola, McKinsey. Ela descobriu a importância da inteligência espiritual durante uma aula: “Eu estava falando com um grupo de executivos bemsucedidos, e um deles, com cerca de 30 anos, disse que tinha um alto salário, uma família legal, mas sentia um buraco no estômago. E todos os outros fizeram um gesto com a cabeça, concordando com ele”.

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Grandes empresas têm procurado a autora a fim de desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Elas se preocupam com o lucro, claro, mas expressam o desejo de aplicar parte dele para desenvolver as comunidades em que atuam, proteger o meio ambiente, propagar educação e saúde. E com a consultoria de Danah são estimuladas a considerar o que ela chama de capitalismo sustentável: “Em vez de ser baseado no consumo, o capitalismo deve ser baseado na melhoria da qualidade de vida. Isso significa que seu negócio não deve ser vender mais sapatos do que as pessoas precisam comprar. As pessoas precisam de melhores condições de saúde, mais lazer. As pessoas não são felizes por possuir uma grande quantidade de lixo que elas não precisam e não podem pagar. Nós temos que voltar para a psicologia e ver o que faz as pessoas felizes e, em seguida, entrar no negócio de felicidade”. O consultor, palestrante e teólogo Roberto Kerber diz que o mundo só tem a ganhar. “Pessoas espiritualmente maduras tendem a ser emocional e psiquicamente mais equilibradas, mais felizes e mais dinâmicas. Isso porque com maior facilidade vão encontrar sentido em cada situação. A empresa que investe com esta finalidade, pode com segurança alcançar uma qualificação como, por exemplo, ser ‘Melhor Empresa para se Trabalhar’ e o reflexo disto no mercado é altamente positivo. Diversos

indicadores de rentabilidade informam que as empresas listadas pela Revista Fortune entre as Cem Melhores com ações negociadas em bolsas apresentaram uma performance acima da média, ao longo dos dez anos de publicação. Logo, não há o que temer quando se pensa em investimentos com este foco, ao contrário, serão revertidos em bons dividendos.” Na experiência de Danah, se aprendermos a acessar e a ouvir mais as nossas almas e corações, poderemos usálos continuamente para nos ajudar a viver mais felizes profissional e pessoalmente. Isso pode ser feito por intermédio da aprendizagem sobre os nossos diferentes quocientes de inteligências: intelectual (QI), emocional (EQ), espiritual (QS) e física (PQ). Uma maneira de fazer isso é aprender os 12 princípios da inteligência espiritual (QS). Segundo ela, líderes que fizeram isso foram capazes de aplicar esses princípios e são mais felizes: “Eles são capazes de influenciar positivamente aqueles com quem trabalham, e se tornam modelos para um comportamento mais sustentável, que resulta em uma cultura de trabalho positivo e que, afinal, é mais rentável”. Confira: praticam o autoconhecimento profundo; são levados por valores; têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade; são holísticos; celebram a diversidade; têm independência e convicções próprias; perguntam sempre o “por quê” das coisas; têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo; têm espontaneidade e compaixão, humildade e sentido de vocação.

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Glândula Pineal A capacidade espiritual do cérebro não é propriamente uma novidade, já que há 400 anos René Descartes disse que a glândula pineal, localizada perto do centro do cérebro, entre os dois hemisférios, é o ponto em que a alma se liga ao corpo, assim como diziam os hindus. Segundo o médico e físico brasileiro Sérgio Felipe de Oliveira, “a glândula pineal capta vibrações do espectro eletromagnético que traduzem emoções de nossos pensamentos ou de espíritos (do mundo espiritual) ou telepáticos (de outras pessoas) e reagem no cérebro das formas mais variadas. Talvez por isso os hindus tenham a pineal como a glândula da vida mental com o contato com o além”.

X

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turismo

a arte

de viajar Kröller-Müller Museum, Otterlo

Conhecer outras paisagens, descobrir diferentes sabores e fazer novos amigos. Alguns roteiros de viagem podem ter uma pitada a mais de charme: arte Por Marianne Piemonte

Musée L’ Orangerie, Paris

As mesinhas de Arles

Nymphéas (Seerosen), 1920-1926, Claude Monet

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O Terraço do Café na Place du Forum à Noite, Arles, 1888, Vincent van Gogh

N

ão é preciso ser um expert em movimentos artísticos ou técnicas para se encantar com os jardins coloridos de Giverny, na França. A paisagem que foi retratada lindamente nos painéis do impressionista Claude Monet (1840-1926). Andar pelas verdes colinas que contrastam com os jardins de flores em tons de lilás e lagos que espelham o céu é como passear sobre as telas do pintor. Mesmo que você não goste de

rock, impossível não se emocionar ao cruzar a faixa de pedestres de Abbey Road, em Londres. Aquela que ficou imortalizada na foto da capa do último disco dos Beatles. Esses são apenas alguns dos exemplos do turismo-arte, aquele que nos leva a conhecer lugares imortalizados. A seguir, montamos um roteiro que vai mexer com todos os seus sentidos. Antes de ler, um aviso: será impossível não sentir vontade de fazer as malas. Boa viagem.

Uma das telas mais famosas do pintor holandês Vincent van Gogh é O Terraço do Café à Noite, finalizada em setembro de 1888. A pintura retrata uma noite de verão, em um dos simpáticos cafés na cidade de Arles, no sul da França. Em uma carta que Vincent mandou à irmã Wilhemina, sete meses após a chegada dele ao pequeno e charmoso vilarejo, ele contou que apesar de ser uma paisagem noturna, ela era caracterizada por cores fortes. Alguns estudiosos dizem que as cores fortes fazem relação ao ambiente vibrante e festivo, outros dizem que os amarelos carregados são influência do francês Louis Anquetin. De fato, os dois artistas conviveram durante um tempo em Paris, onde travaram amizade e influenciaram-se mutuamente no desenvolvimento de diferentes técnicas de pintura. Ainda hoje, o café da pintura pode ser encontrado no mesmo local, sob o nome de “Café Van Gogh”. No início dos anos 90, sua fachada foi pintada em tons de verde e amarelo, aproximando-a da forma com que é vista no quadro.  Serviço: Café Le Pont Van Gogh. 18 Rue Gaspard Monge, Arles, França. www.arlestourisme.com


turismo

Espanha surreal O surrealista Salvador Dalí nasceu em 1904, em Figueras, uma pequena cidade da província de Gerona, na Espanha. Desde o seu nascimento a morte foi uma presença constante em sua vida e, mais tarde, na sua obra. Salvador recebeu o nome de um irmão que morrera prematuramente poucos anos antes do seu nascimento. Muito cedo, com apenas 10 anos, ele decidiu ser pintor. A sua origem catalã e a sua infância influenciaram a sua pintura. Desde as primeiras obras, em quase todos os seus quadros, se vê como pano de fundo as paisagens rochosas da costa catalã.

Museum Boymans-van Beunigen, Rotterdam

Wikimedia Commons/Creative Commons

No quadro Espanha, de 1938 (foto), as gavetas ao lado do corpo da mulher fazem alusão aos horrores da Guerra Civil Espanhola, onde estariam escondidos os “odores nauseabundos da guerra”. É como se existissem dois quadros num só, originando uma terceira dimensão. Em Espanha, dois cavaleiros num duelo de lanças formam os seios de uma mulher, cuja cabeça é formada por um grupo de pessoas num violento combate. Essa imagem é uma homenagem a um quadro de Leonardo da Vinci. Serviço: Museum Boijmans Van Beuningen
Museumpark. Rotterdam, www.boijmans.nl/en/

Abbey Road dos Beatles – Londres

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Capa do álbum Abbey Road, dos Beatles, na famosa rua em Londres

A faixa de pedestres em frente ao estúdio onde os Beatles gravaram seu último disco, em 1969, foi tombada. Agora, a zebra de Abbey Road é patrimônio histórico. Hoje, centenas de pessoas atravessam aquela faixa causando congestionamentos odiados pelos motoristas de táxi, mas que sempre arrancam boas risadas de quem assiste aos grupos de quatro pessoas que tentam, ao atravessar aquela rua, reproduzir um momento histórico do rock’n’roll. Antes daquela foto que traz John Lennon cabeludo em seu terno branco e Paul sem sapatos e com um cigarro na mão, o clima não estava bem entre os FAB Four. Yoko Ono, a controversa mulher de John, havia sofrido um acidente de carro e ele comprara uma cama na Harrods para que ela pudesse acompanhar de perto as gravações. No entanto, quando os quatro meninos de Liverpool entraram em estúdio foi como se a magia dos tempos do Cavern Club, o clube onde eles começaram a tocar em sua cidade natal, voltasse. E o resultado é uma obra-prima para a história do rock. Serviço: Abbey Road, Londres. www.abbeyroad.com/visit

“O Beijo do Hôtel de Ville” – em Paris Conta a história que um dos maiores retratistas da história, o fotógrafo francês Robert Doisneau (1912-1994), estava num dos cafés da Rue Rivoli quando irrompeu a notícia do final da Segunda Guerra Mundial. Naquele instante, uma multidão correu pelas ruas e um apaixonado casal teve registrado um dos beijos mais românticos da história. Sem dúvida o beijo num cenário urbano parisiense dos anos 40 é muito romântico, mas a história não foi bem assim. Doisneau trabalhava num ensaio sobre o romantismo para a lendária revista americana Life. A pedido do fotógrafo, o casal Françoise Bornet e Jacques Carteaud beijaram-se apaixonadamente na Place de La Concorde, na Rue Rivoli (aquela das joalherias) e em frente ao Hôtel de Ville. Como agradecimento, o casal ganhou uma c��pia da foto. Em 2005, Françoise, aos 75 anos, vendeu a foto que guardara por 50 anos em um leilão e arrecadou 155 mil euros. Serviço: Place de l’Hôtel de Ville, Paris

Robert Doisneau


A Giverny de Monet

O parisiense Jean-Baptiste Debret ou simplesmente Debret (1768-18480) foi um dos artistas que serviu a Napoleão Bonaparte, para quem realizou muitos quadros. Quando o imperador perdeu o poder, Debret veio trabalhar no Brasil como pintor a serviço do rei português D. João VI.

Em 1883, Claude Monet levou sua amante e seus oito filhos para uma casa de tijolinhos na bucólica Giverny (50 minutos de trem de Paris) e dedicou grande parte do tempo a cuidar de seu lindo jardim e pintar suas ninféias. Monet era fascinado pela luz. O líder do movimento impressionista – sua tela Impressão: “Nascer do Sol” marcou o nascimento do grupo, em 1874 – prosperou com suas pinturas externas, seja no Sena, perto de Argenteuil, seja no Tâmisa, em Londres. Mas foi pelas cores de Giverny que ficou encantado quando avistou a cidadezinha pela janela do trem. Por volta de 1890, comprou a casa de seus sonhos e logo mandou escavar um lago, construir pontes e plantar um jardim.

Em 1816, fundou no Brasil a Escola de Belas Artes. Os temas principais de suas pinturas eram cenas gloriosas, batalhas e conquistas. No entanto, no Rio de Janeiro, além de retratos da monarquia, ele reproduzia cenas do cotidiano da cidade do Rio de Janeiro, numa época em que os escravos andavam pelas ruas. Nesse período, pintou mais de 500 aquarelas sobre o Brasil, obras que levou para a França em 1831 e hoje estão no Museu da Chácara do Céu no Rio de Janeiro. Debret mostrou com detalhes minuciosos a cultura do povo e da nação brasileira em meados dos século 19, por essas razões, a obra dele é considerada uma grande contribuição para o Brasil e é frequentemente analisada por historiadores. Entre as telas clássicas, e conhecidas internacionalmente, estão: Escravo Sendo Açoitado e Negra Tatuada Vendendo Caju. Serviço: Museu da Chácara do Céu. Rua Murtinho Nobre, 93

Os Orixás de Carybé Poucas são as pessoas que conseguem resistir aos encantos da Bahia. Os temperos fortes, a brisa suave, o ritmo desacelerado daquele povo inebria quem vem de fora. Com o artista argentino Carybé (1911-1997) não foi diferente. Vindo de Lanús, ele adotou Salvador como pátria e ali produziu obras tão lindas quanto a Bahia de Todos os Santos. Para apreciá-las experimente iniciar sua visita pelo Solar do Unhão, que fica à beira-mar, na avenida que liga a Cidade Alta à Cidade Baixa. De cara, a recepção é feita pelas esculturas de ferro torcido de Carybé. Na calçada de pedra do conjunto arquitetônico do século 18 pode-se sentir a brisa com perfume das amendoeiras enquanto se ouve as jam sessions de jazz, que costumam ser realizadas aos sábados à tarde.

Acervo Museus Castro Maya-IPHAN/MinC, Rio de Janeiro, RJ

Negra Tatuada Vendendo Caju, Jean-Baptiste Debret, 1887

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Portal do Solar do Unhão de Carybé, Salvador, Bahia

Aproveite e visite o Museu de Arte Moderna que fica no complexo. O acervo permanente é de babar, formado por pinturas, gravuras, fotografias, desenhos e esculturas de artistas como Tarsila do Amaral, Portinari, Flávio de Carvalho, Di Cavalcanti e Mário Cravo. No Pelourinho, no Terreiro de Jesus, está a galeria Pierre Verger. Não deixe de admirar as fotos do antropólogo francês que ao aportar aqui se tornou babalorixá. Atravesse a praça e gaste mais um tempinho no prédio da antiga Faculdade de Medicina. Ali estão três museus. O mais interessante é o Afro-Brasileiro, onde a atração são os 27 orixás de madeira talhada de Carybé. Serviço: Solar do Unhão, Av. do Contorno, s/nº, Salvador

O pintor morreu ali, em 1926. Das centenas de turistas que visitam Giverny todos os dias, nem todos são fãs das artes – não há quadros originais do pintor expostos em seu estúdio nem na casa de dois andares, mas é possível ver os 32 blocos de xilogravura japoneses da coleção do artista. Vale dizer que o jardim é uma obra de arte; os

lagos das ninféias, os chorões e as pontes japonesas estão intactos; e a charmosa casa, a Fondation Claude Monet, também é especial. Dica: Reserve com antecedência se quiser jantar no famoso Museu Restaurante Hôtel Baudy, onde os discípulos americanos de Monet (como Willard Metcalf e Dawson-Watson) montaram seus cavaletes durante anos decadentes e transformaram o velho hotel em ateliê, com salão de dança, roseiral e quadra de tênis – Cézanne hospedou-se no quarto do sótão por um mês. Após o jantar, passe a noite em Giverny e vá ao Museu Monet de manhã. Na estrada, no Musée d’A rt Américain de Giverny há uma coleção de obras dos artistas americanos impressionistas.

Serviço: Museu Restaurante Hôtel Baudy, Rue Claude-Monet 81, 02.32.21.10.03, fecha 1º nov. 31 mar. Musée d’Art Américain de Giverny, Rue Claude-Monet, www.maag.org

Le Bassin aux Nymphéas Harmonie Verte, 1899, Giverny, Claude Monet, Paris Musée d’Orsay, Paris

Yaci Andrade | www.flickr.com/photos/yaci_andrade

turismo

O Rio de Janeiro de Debret


filantropia

Roberto Klabin e o

Brasil

como potência ambiental Para isso é urgente a modernização das leis ambientais brasileiras Por Instituto Azzi

E

ntender bem as diferentes questões que afetam a sociedade é essencial para um doador pensar adequadamente sua filantropia familiar. A causa ambiental no Brasil vive um momento por um lado promissor, pois a sociedade está nitidamente mais atenta às questões ecológicas, mas também ainda sente-se um pouco a falta de engajamento e mobilização da maior parte da população.

Foto Stock.xchng

Debates ambientais ainda são permeados por estereótipos pejorativos dos ambientalistas, jogos de interesses disfarçados de argumentos desenvolvimentistas e falta de informação com base científica. Lindenberg & Life 82

de em geral. Suas campanhas e ações muitas vezes são entendidas como radicais pela mídia que não tem tempo para analisar melhor a questão, pela oposição dos movimentos conservadores ou pelas partes afetadas pelas denúncias dos ambientalistas, mas principalmente pela ignorância ou desinteresse da maior parte da população brasileira que não vê nessas questões assuntos prioritários. Basta ver o caso da polêmica em torno do Código Florestal, da proposta de reforma do atual Código FloresO fato de o Brasil ser celebrado no mundo como um tal apresentada pelo deputado Aldo Rebelo e aprovada na possível modelo de desenvolvimento limpo faz sentido. comissão especial do Congresso, com apoio da bancada e Afinal, o Brasil conta com uma matriz energética mais lideranças ruralistas. limpa do que outros países e ainda está no começo do Dizem esses senhores, entre outras coisas, que o atual desenvolvimento de outras fontes de energia renováveis Código Florestal engessa o crescimento da agropecuária como a eólica e a solar. O Brasil é um país megadiverso, brasileira que precisa de novas áreas para expandir a sua conservando mais florestas que outros países em desen- produção. Pois os ambientalistas dizem exatamente o volvimento. O Brasil tem tudo, terra, clima e água para se contrário, que o atual Código Florestal é importante para transformar no maior e melhor país proa qualidade de vida de todos os brasidutor de alimentos para um mundo que leiros, pois a conservação das florestas deve crescer em população, dos atuais 7 e de outros ecossistemas naturais inte“A mudança bilhões de pessoas para 9 ou 10 bilhões, ressa a toda a sociedade, afinal são eles do cÓdigo até o ano de 2050. (florestas e ecossistemas) que garantem florestal Assim somos vistos de fora, mas aqui para todos nós serviços ambientais bábrasileiro dentro não temos uma visão do que quesicos que suportam inclusive um cresremos ser, onde queremos chegar. Alicimento sustentável da agropecuária será um mentamos uma enorme ignorância sobre brasileira. retrocesso os recursos naturais de que dispomos e Relaxando a lei, como querem aqueles para o país” nenhuma ideia de como transformar isso que propuseram a mudança do Código, em vantagem competitiva. Ao contrário, o Brasil perderá uma enorme vantagem parte da sociedade brasileira, apesar de competitiva que é a de ser atualmente inúmeras pesquisas que indicam uma maior consciência uma potência ambiental, capacidade essa que dará ao ambiental, tem dificuldade de se aprofundar e mais ainda Brasil, se mantida, melhores condições de existir em um de se envolver na defesa da questão ambiental, por não mundo de mudanças climáticas. Seremos e manteremos entender isso como prioritário e muito menos como ga- a posição de grandes produtores agropecuários desde que rantia de qualidade de vida das pessoas. entendamos os serviços ambientais que as florestas nos proporcionam, sustentando a vida e a economia de todo Ultimamente vem ganhando força uma postura o País. Lutar por isso é lutar pelo melhor para o Brasil e, ecológica menos radical, que inclui preocupações sendo assim, a pecha de radicais é uma afronta daqueles sociais e econômicas em suas propostas de preser- que pensam de modo pequeno e só nos seus interesses. O Brasil é celebrado no mundo como capaz de trilhar um caminho de desenvolvimento mais limpo que o traçado pelos atuais países desenvolvidos. A expressiva votação de Marina Silva nas últimas eleições pode significar que um pouco desse anseio é refletido na população. Até que ponto você acha que é viável e até que ponto é ilusão achar que o Brasil pode manter um crescimento econômico forte sem sacrificar seus recursos naturais?

Nessa coluna, o Conselheiro de Administração da Klabin e Presidente da ONG SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, fala um pouco desses assuntos e coloca o debate sobre a mudança no Código Florestal Brasileiro como o tema mais urgente da questão ambiental no Brasil atualmente.

vação ambiental, tentando aliar a essa preservação condições de desenvolvimento de comunidades locais e o crescimento econômico da nação. Você acha que esse é realmente o caminho certo a se seguir ou, em nome disso, estão sendo feitas muitas concessões que podem comprometer mesmo a idéia inicial de preservação ambiental?

O que é radicalismo ambiental no Brasil? Desconheço que isso ocorra na prática. Ao contrário, são exatamente os setores mais conservadores da sociedade que tentam denominar de radical qualquer movimento que lhes faça oposição. Até hoje o movimento ambientalista no Brasil tem enorme dificuldade em se comunicar com a socieda-

Você acha que, no Brasil, há uma genuína preocupação da população com a preservação da natureza? Isso se reflete em apoio, mobilização e doações às ONGs ambientais?

No Brasil, a população embora muitas vezes simpática à causa ambiental ainda não conseguiu entender a relação entre a proteção ao meio ambiente e a manutenção ou melhoria da qualidade de vida das pessoas. Os movimentos ambientalistas são em parte culpados por isso, pois ainda não souberam se comunicar bem com as pessoas. Em vez de tentar tornar a defesa do meio ambiente em uma prioridade, que no momento não é o caso para a


filantropia

maioria das pessoas, os ambientalistas deveriam melhor entender quais são as prioridades dos diversos segmentos da sociedade brasileira e aí sim, dentro daquilo que as pessoas consideram realmente prioritário, explicar a relação entre essas prioridades e o aspecto inerente a cada uma, do ponto de vista de qualidade de vida e proteção ao meio ambiente. Assim então, penso eu, as pessoas passariam a entender essa relação e a respeitar o meio ambiente. Qual, segundo sua opinião, é um grande caso de sucesso no Brasil de ação efetiva de preservação ambiental? E qual localidade ou região do País, ou campo da proteção ambiental que você julga mais preocupante atualmente?

Há vários casos de sucesso, a aprovação da Lei da Mata Atlântica, a mobilização pelo Rio Tietê iniciada pela Fundação SOS Mata Atlântica – um projeto com duração de 30 anos, onde a sociedade civil acompanha o cronograma físico e financeiro das obras do maior projeto de saneamento do planeta: US$ 3,3 bilhões, garantindo transparência na gestão dos recursos e no atingimento de suas finalidades, ou seja, a despoluição do Rio Tietê. Porém, encaro como o maior desafio para o movimento ambientalista, no momento, as ameaças à legislação ambiental existentes na proposta de reforma do Código Florestal, defendida pela bancada e lideranças ruralistas e aprovada na Comissão Especial do Congresso. Se aprovada tal reforma teremos um retrocesso da legislação ambiental brasileira, gerando enorme insegurança jurídica, além do aumento do desmatamento de forma generalizada atingindo todos os biomas.

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As tragédias ambientais recentes se devem a vários fatores geológicos, climáticos, culturais e políticos. Os fatores climáticos só tendem a se agravar em função do aquecimento global, levando a crer que haverá uma repetição dessas tragédias se o País não começar a encarar o desafio de mudança de atitude diante desses acontecimentos. É necessário investimento em previsão de curto prazo dessas tempestades, Defesa Civil organizada, com recursos para agir preventivamente e agilmente, respeito às leis de ocupação de solo urbano, respeito ao Código Florestal vigente e responsabilização e efetiva punição dos administradores públicos que não cumpram as leis ou sejam inaptos para com a segurança das populações residindo em áreas de risco.

Foto Stock.xchng

Você considera que grandes tragédias, como a recentemente ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro, são fatalidades inevitáveis diante da força da natureza ou são consequências de ações humanas, má gestão e falta de consciência ambiental? Segundo a ONG Conservação Internacional, que criou uma lista das dez florestas mais ameaçadas do mundo pelo lançamento de 2011 como o Ano Internacional das Florestas, a Mata Atlântica é a 5ª floresta mais ameaçada do mundo, conservando apenas 8% de sua cobertura original. Quais são as opções para que este quadro mude?

As florestas ocupam mais de 30% da superfície terrestre e contêm 80% de toda a biodiversidade do planeta. Mais de 13 milhões de hectares de florestas desaparecem a cada ano. Uma superfície equivalente a uma quarta parte da península ibérica. Só aqui no Brasil as autoridades sinalizam que estão dispostas a conviver com uma

perda no bioma amazônico de aproximadamente 7 mil quilômetros quadrados por ano de florestas, ou seja, algo como quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo. No mundo todo, cerca de 300 milhões de pessoas habitam essas áreas e os mais ameaçados com essa destruição são os povos indígenas. Para mudar esse quadro, as pessoas que vivem em países que dispõem de florestas nativas têm que mudar a maneira como enxergam essas áreas, deixando de considerá-las improdutivas e de valor desconhecido versus as atividades tradicionais de pecuária e agricultura mais facilmente entendíveis como oportunidades e valor. Esse processo é longo, passa pelo desenvolvimento de

conhecimento sobre essas áreas até a valorização da floresta em pé e dos serviços ambientais que presta, tornando a sua manutenção e uso sustentável mais interessante e rentável que as atividades tradicionalmente exercidas e danosas às florestas. Mas se esse processo é longo, o tempo das florestas é curto. Por isso é fundamental desenvolver concomitantemente o seu conhecimento e valorização como também, a curto prazo, uma modernização das leis ambientais vigentes tornando-as tão incentivadoras quanto punitivas. Fazendo com que as pessoas enxerguem vantagens agora, mesmo sem todo aquele conhecimento necessário, na preservação das florestas.


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36 O verde cor, sustentabilidade e arte

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Lindenberg & Life Edição 36