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“Vivian Maier representa um caso extremo de descoberta póstuma; de alguém que existe unicamente nas coisas que viu. Maier não apenas era totalmente desconhecida no mundo da fotografia, como ninguém parecia sequer saber que ela tirava fotos.” Geoff Dyer

JOHN MALOOF é um escritor e fotógrafo de rua ligado à preservação histórica do Northwest Side de Chicago. Ele descobriu os primeiros negativos de Vivian Maier em 2007, enquanto compilava um livro sobre a história da vizinhança onde ele cresceu. GEOFF DYER é autor de But Beautiful: A Book about Jazz (Picador, 2009); Yoga for People Who Can’t Be Bothered to Do It (Vintage, 2004); The Ongoing Moment (Vintage, 2007 – vencedor do ICP Infinity Award 2006 por trabalhos sobre fotografia); dos romances Paris Trance (Picador, 2010) e Jeff in Venice, Death in Varanasi (Vintage, 2010), e da coletânea de ensaios Otherwise Known as the Human Condition (Graywolf Press, 2011).

Vivian Maier Uma fotógrafa de rua

Da história de VIVIAN MAIER muito pouco se conhece. O que se sabe é que ela nasceu na cidade de Nova York em 1926 e trabalhou como babá para uma família de North Shore, em Chicago, durante as décadas de 1950 e 1960. Aparentemente, não tinha família, e as crianças das quais tomou conta acabaram cuidando de Maier em seus últimos dias. Ela tirou milhares de fotografias durante a vida, mas nunca as compartilhou com ninguém. Maier perdeu a posse de sua obra por falta de pagamento ao guarda-volumes onde ela a armazenava. Faleceu em 2009, aos 83 anos.

Vivian Maier Uma fotógrafa de rua Editado por John Maloof Prefácio de Geoff Dyer Um bom fotógrafo de rua deve ser dotado de muitos talentos: ter um olho para o detalhe, a luz, a composição; um timing impecável, uma perspectiva humanitária ou populista; e uma habilidade incansável de fotografar, fotografar, fotografar, fotografar e nunca deixar passar um momento. É bem difícil encontrar essas qualidades em fotógrafos treinados, que podem contar com o amparo de uma escola, de mentores e de uma comunidade de colegas artistas e entusiastas que apoiam e reconhecem seu trabalho. É extremamente raro encontrá-las em alguém sem treinamento formal algum ou nenhum intercâmbio com outros fotógrafos.

Editado por John Maloof Prefácio de Geoff Dyer

Vivian Maier

Uma fotógrafa de rua

ISBN 978-85-8217-380-0

9 788582 173800

Editado por John Maloof Prefácio de Geoff Dyer

Ainda assim, Vivian Maier é tudo isso; uma babá profissional que, entre os anos 1950 e 1990, tirou mais de 100.000 fotografias pelo mundo – da França a Nova York, a Chicago e a dezenas de outros países – e não as mostrou a ninguém. As fotos são incríveis, tanto pela amplitude do trabalho quanto pela ótima qualidade das imagens bem-humoradas, comoventes e ásperas da vida urbana na era dourada dos Estados Unidos do pós-guerra. Há alguns anos, John Maloof, um historiador local, comprou de uma casa de leilões de Chicago uma caixa com os negativos de Maier. Ele então começou a colecionar e a promover sua maravilhosa obra, que finalmente viu a luz do dia. Pela primeira vez publicado no Brasil, Vivian Maier: Uma fotógrafa de rua reúne o melhor de sua incrível obra.


Vivian Maier

Uma fot贸grafa de rua Editado por John Maloof Pref谩cio de Geoff Dyer


Vivian Maier tinha um interesse profundo pelo mundo ao seu redor. Começou a fotografar por volta de 1950 e continuou a fazer instantâneos até o final da década de 1990, deixando um conjunto de trabalhos que compreende mais de cem mil negativos. Populares idosos reunidos no antigo reduto polonês de Polish Downtown, nobres senhoras vestidas com espalhafato e a experiência do afro-americano urbano; tudo atraía a lente de Maier. Seu gênio se estende a uma série de filmes caseiros e gravações de áudio. Um pouco de cultura norteamericana, a demolição de marcos históricos para a construção de novos empreendimentos, as vidas invisíveis dos oprimidos e desvalidos, assim como cenas de algumas das localidades mais estimadas de Chicago são temas continuamente revisitados por Maier. No entanto, a combinação de intensa privacidade com a falta de confiança de Maier no próprio talento quase determinou que sua coleção ficasse relegada ao esquecimento. Não fosse um conjunto improvável de circunstâncias, as imagens icônicas de Maier teriam ficado dispersas por guarda-volumes lotados de achados e perdidos, livros de arte, recortes de jornais, filmes caseiros, brindes de propaganda política e outras bugigangas. Eu tenho grande apreço por uma citação de Maier em uma gravação na qual podemos ouvi-la filosofar sobre o significado da vida e da morte: “Nós temos de dar lugar a outras pessoas. É uma roda: você embarca, você vai até o fim, e então alguém tem a mesma oportunidade de ir até o fim; e assim por diante, e outra pessoa toma o lugar dela. Não há nada de novo sob o sol”. À medida que o interesse por suas imagens crescia, fui sendo empurrado para o posto de guardião do legado fotográfico de Vivian Maier. Graças a isso, e à demanda popular por fatos da vida e da arte de Maier, tive o privilégio de dividir o palco com alguns dos maiores fotógrafos do mundo. É, ao mesmo tempo, uma experiência muito gratificante e extremamente surreal. Desde o primeiro momento, busco preservar o legado artístico de Maier da maneira “correta”. É meu sincero desejo que este livro capte a essência de sua contribuição para a fotografia de rua.

John Maloof Chicago, 2011

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APRESENTAÇÃO

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m 2007, eu trabalhava na história definitiva sobre a minha vizinhança de Portage Park, no noroeste de Chicago, quando me deparei, acidentalmente, com o tesouro fotográfico de Vivian Maier. A cadeia de eventos que essa descoberta pôs em marcha virou de ponta-cabeça o mundo da fotografia de rua, bem como a minha vida. O que começou como uma paixão particular chamou a atenção do público, e eu passei os últimos três anos cuidando da preservação e do arquivamento da vasta obra de Maier, que ela manteve em segredo por mais de cinquenta anos.


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Vivian Maier - Uma fotógrafa de rua