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Jean-Luc Cornette nasceu em

Flore Balthazar

nasceu na Bélgica e, aos 9 anos, decidiu que se tornaria quadrinista após ler As Aventuras de Tintim, de Hergé, e outras obras na biblioteca perto de sua casa. Ela logo percebeu que sua arte não se pareceria exatamente com a de Hergé, e desenvolveu um estilo próprio. Estudou em Binche e na Academia Etterbeek de Belas Artes, cursando também línguas eslavas e literatura na Universidade de Bruxelas. Ela então percebeu que a melhor forma de se tornar quadrinista é simplesmente continuar desenhando. Atualmente, vive em Orléans, França.

Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?

1937, MÉXICO. Frida Kahlo, artista genial e mulher livre, recebe em sua casa Leon Trotsky, um dos líderes da revolução russa, forçado ao exílio após a ascensão ao poder de seu adversário Stalin. Até 1940, o político, a bela mexicana e seu marido, o grande muralista Diego Rivera, viverão uma aventura extraordinária, entre paixão e fúria, arte e política, risos e lágrimas. Três destinos que se cruzam para contar quatro anos de uma história que marcou profundamente o século XX.

ISBN 978-85-8286-353-4

9 788582 863534

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JEAN - LUC CORNETTE | FLORE BALTHAZAR

1966, na Bélgica. Se perguntar a ele o que o levou a escrever quadrinhos, Jean-Luc dirá que sempre os leu e, portanto, sempre teve vontade de ser quadrinhista. Estudou no Institut Saint Luc de Bruxelas e começou a trabalhar na revista Spirou, escrevendo sobre uma pequena heroína vinda do espaço, chamada Columbia. Iniciou sua carreira nas publicações infantojuvenis trabalhando para a École des Loisirs ou Seuil Jeunesse, produzindo títulos de sucesso como Pizza Quatre Saisons e Coyote Mauve, ilustrados por Jean-Marc Rochette.

JEAN - LUC CORNETTE FLORE BALTHAZAR

“Desejo que eu pudesse fazer o que eu quisesse por trás da cortina da ‘loucura’. [...] Construiria meu próprio mundo, o qual, enquanto eu vivesse, estaria de acordo com todos os mundos. O dia, a hora, ou o minuto que eu vivesse seriam meus e de todo mundo – minha loucura não seria uma fuga da realidade.”


Frida Kahlo, Cornette – Balthazar Copyright © 2015 Éditions Delcourt Copyright © 2016 Editora Nemo Título original: Frida Kahlo – Pourquoi voudrais-je des pieds puisque j’ai des ailes pour voler ? Todos os direitos reservados à Editora Nemo. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. Dedico este álbum ao Jean-Luc e a todas as mulheres que desenham. Obrigada a todos e a todas que estiveram com a gente, o Appartelier, o Atelier Millle e, é claro, obrigada, Frida, por colocar flores e cores sobre todas as dores. Flore Balthazar gerente editorial

Arnaud Vin editores assistentes

Carol Christo Eduardo Soares assistente editorial

Jim Anotsu preparação e revisão

Renata Silveira adaptação de capa e miolo

Guilherme Fagundes Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Cornette, Jean-Luc Frida Kahlo : para que preciso de pés quando tenho asas para voar? / Jean-Luc Cornette ; desenho e cores Flore Balthazar ; tradução Fernando Scheibe. -- 1. ed. -- São Paulo : Nemo, 2016. Título original: Frida Kahlo : pourquoi voudrais-je des pieds puisque j'ai des ailes pour voler ? ISBN 978-85-8286-353-4 1. Histórias em quadrinhos 2. Kahlo, Frida, 1907-1954 3. Pintores - México - Biografia I. Balthazar, Flore. II. Título. 16-08799

CDD-759.972

Índices para catálogo sistemático: 1. Frida Kahlo : Pintores mexicanos : Biografia : Histórias em quadrinhos 759.972

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Oslo, outono de 1936. Os arenques?

Os arenques! Mas isso é absurdo!

Está bem, os arenques, que seja. Mas e eu, o que eu faço?

É aí que a porca torce o rabo. . .

Eu realmente não sei. . .

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México, 21 de novembro de 1936.

Não era brincadeira, essa história de peixes é séria mesmo.

Camaradas! Os arenques!

É tudo o que vocês têm a dizer? Sim. . . Quer dizer, não. . .

Nem sequer estamos falando de peixinhos dourados , e sim de arenques! Não faz o menor sent ido!

Esse problema com os arenques não é da nossa alçada. Somos apenas a Liga Internacional Comunista Mexicana, não a Liga Internacional Comunista do mundo inteiro.

A Lourdes está cer ta.

O Octavio está cer to.

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Cárdenas, el presidente?

Acho que só o Cárdenas pode fazer alguma coisa. O Diego está cer to.

Conheço. Tem o Jorge Cárdenas, que é sapateiro na calle San Andrés Atoto em Naucalpan de Juárez. Tem também a Maria Cárdenas, que vende pulseiras na Plaza de La Const itución. . .

Sim, el presidente . Você conhece outro Cárdenas?

E Lázaro Cárdenas del Rio, você também conhece out ro? Calma, deixa eu pensar. . .

Não, não lembro de mais nenhum. Deve ser el presidente mesmo.

Diego, el presidente Mi amigo, és su amigo? mi amigo. . . Só porque a gente passa as noites juntos, bebendo e. . . É, tem razão, ele é mi amigo.

Sim, o presidente do México, não uma vendedora de miçangas!

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O problema é que ele está em Torreón, fiscalizando a dist ribuição das terras de La Laguna.

Então, Diego, vá falar com su amigo Lázaro em nosso nome. Explique a questão, peça a ajuda dele e resolva de uma vez essa história de bacalhaus! De arenques!

Pegue um carro e vá para lá agora mesmo!

É uma história de arenques!

A História está em marcha! E Diego está em marcha com a História!

Não há tempo a perder, não há tempo a perder. . .

Só tem um detalhe: não sei dirigir. . .

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Obrigado por me levar. Não vai ter problemas na escola?

Eu dei um jeito, graças à solidariedade dos camaradas. Mas confesso que estou um pouco preocupado. . .

Passaremos a noite em San Luis Potosí. Devemos chegar em Torreón amanhã no fim da tarde.

Para avançar na vida, é preciso estar bem calçado. Vejam como o camarada Jorge Cárdenas conser ta uma sola furada.

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El presidente?

Para o oeste. . . Sempre reto. . .

Gracias, camaradas soldados.

Mas de carro nĂŁo dĂĄ pra passar. . .

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Devagar, Octavio! Não sei o que o meu cavalo tem. Parece que não consegue respirar. . .

Não sei se ele tem tuberculose, mas, com o peso que está levando, na cer ta vai ter uma escoliose. Talvez esteja com tuberculose.

Ha, ha, ha!

Desculpe pela brincadeira, camarada Diego! Desculpas aceitas, camarada Octavio!

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Bom, agora que está tudo cer to, desça logo desse pobre animal antes que ele est ique as canelas!


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Frida kahlo  

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