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L O RRAIN E H EAT H Os Sedutores de Havisham . 1

Codinome ady V


Os Sedutores de Havisham . 1

L O RRAI N E H E AT H

Codinome ady V

Tradução:

A C Reis


Copyright © 2015 Jan Nowasky Copyright © 2017 Editora Gutenberg

Título original: Falling Into Bed with a Duke Publicado mediante acordo com a HarperCollins Publishers. Todos os direitos reservados pela Editora Gutenberg. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.

editora responsável

revisão final

Silvia Tocci Masini

Mariana Paixão

editoras assistentes

capa

Carol Christo Nilce Xavier

Carol Oliveira (sobre a imagem de Subbotina Anna [shutterstock])

assistente editorial

diagramação

Larissa Carvalho Mazzoni

Andresa Vidal Vilchenski preparação

Andresa Vidal Vilchenski Nilce Xavier

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil

Heath, Lorraine Codinome Lady V / Lorraine Heath ; tradução A C Reis. -- 1. ed. -Belo Horizonte : Editora Gutenberg, 2017. Título original: Falling Into Bed with a Duke. ISBN 978-85-8235-419-3 1. Ficção histórica 2. Romance norte-americano I. Título. 16-09280 CDD-813 Índices para catálogo sistemático: 1. Romances : Literatura norte-americana 813

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Para as Garotas da Capa Que compartilham o amor por bons livros, gargalhadas, um bom vinho e uma amizade extraordinรกria. Para Kathy e Becky, que nos fizeram comeรงar. Para Wendy, Jenn e Felicia por nos manterem juntas. Clubes do livro sรฃo demais!


– Você não vai para cama com virgens – ela o lembrou. – Decidi abrir uma exceção. Que Deus me ajude. Não consegui parar de pensar em você. – Então a boca de Ashe desceu sobre a dela outra vez, exigente e decidida, como se pretendesse devorar cada pedacinho dela. Tola que era, Minerva exultou em ser desejada. Não importava que tudo que ele quisesse, tudo o que conhecia dela, fosse a superfície, o corpo. Finalmente, um homem queria levá-la para a cama. Um homem a desejava. E estava louco para possuí-la. Não era algo completo ou perfeito, profundo ou duradouro. Mas era calor e fogo, urgência e necessidade. E ela aceitava. Minerva queria envolvê-lo com os braços, mas Ashe ainda os mantinha no lugar, exercendo o controle sem lhe dar guarida. Quando interrompeu o beijo, ele respirava com a mesma dificuldade que ela. – Retire a máscara. Mostre-me quem você é! – Ele ordenou.


Prólogo

Na noite de 15 de novembro ocorreu um dos desastres mais terríveis da história ferroviária britânica, quando um trem de passageiros colidiu de frente com um trem de carga que transportava produtos inflamáveis. Diversos vagões foram instantaneamente en-

golidos por uma bola de fogo flamejante. É impossível descrever a horrenda carnificina de corpos mutilados, viajantes empalados e destroçados, cadáveres carbonizados... Vinte e sete vidas foram perdidas...

Noticiado no Times, 1858 Enquanto a carruagem seguia rangendo pela estrada acidentada, Nicholson Lambert, recentemente intitulado como Duque de Ashebury, observava a paisagem que passava, árida e melancólica como sua alma. Ele se sentia oco, vazio, como se, a qualquer momento, seu corpo pudesse murchar e deixar de existir. Não sabia por quanto tempo mais conseguiria continuar respirando, seguindo em... – Não me toque! – Exigiu o Conde de Greyling, sentado à frente dele. Nicky ergueu os olhos a tempo de ver Edward, gêmeo do conde, empurrar o ombro do irmão. O conde devolveu o empurrão. Edward lhe deu


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uma bofetada. O conde deu um pulo no assento, ficando de joelhos, sua nova posição lhe conferindo mais altura enquanto ele fechava o punho, levava o braço para trás e... – Agora chega, rapazes. – Interveio o Sr. Beckwith, colocando de lado o livro que estava lendo e lançando-se para frente, para esticar o braço e proteger Edward do ataque do irmão. Ainda assim, o conde soltou o punho fechado, acertando o antebraço do Sr. Beckwith com um baque inofensivo. Em outro momento, Nicky poderia ter achado graça na ineficiente técnica de luta do garoto. Apenas alguns meses antes, pouco depois de Nicky completar 8 anos, seu pai o levou para assistir a uma luta de boxe, de modo que ele sabia bem como era o som de um soco potente quando o punho encontrava a carne do adversário. O punho do conde produziu o mesmo impacto que uma pétala de rosa flutuando até o chão. – Esse não é o tipo de comportamento que um lorde real deve demonstrar. – O Sr. Beckwith repreendeu o conde. – Foi ele que começou – Greyling resmungou, não pela primeira vez, desde que aquela jornada árdua e horrenda tinha começado em Londres. – Sim e eu estou terminando. Vossa Graça, por favor, troque de lugar com o conde. – A ordem foi dada com naturalidade, como se Nicky, que estava com dificuldade para se imaginar como Duque de Ashebury, pensando se um dia conseguiria desempenhar esse papel, tivesse a capacidade de se mover quando quisesse, como se não fosse necessário, para ele, buscar forças em alguma reserva oculta, enterrada no fundo do seu ser. Olhando por cima do ombro, o Sr. Beckwith arqueou as sobrancelhas sobre o olhar azul que parecia enxergar longe. – Vossa Graça? Inspirando profundamente, Nicky reuniu suas forças para se erguer do banco e suas botas bateram no chão. Fazendo um esforço imenso, ele manteve o equilíbrio e trocou de lugar com o Conde de Greyling. Depois que todos estavam dispostos de acordo com a vontade de Beckwith, o advogado ajustou os óculos e voltou a atenção para o livro que lia. Edward mostrou a língua para o irmão. Lorde Greyling envesgou os olhos e empurrou a ponta do nariz para cima, ficando parecido com o de um porco. Nicky voltou sua atenção para a janela, para a paisagem, e desejou que o Sr. Beckwith lesse em voz alta, para que sua voz abafasse o uivo do vento sobre o pântano. Ele desejou que... – Eu não vou ficar. – Edward avisou. – Eu vou fugir. Você não pode me obrigar a ficar.


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Nicky olhou para Edward. Ele parecia tão confiante, tão certo de si, o queixo elevado, os olhos castanhos penetrantes encarando o advogado. Será que isso era só o que bastava para interromper aquela viagem torturante até Dartmoor? Fazer uma declaração simples de que não seria daquela forma? Devagar, Beckwith baixou o livro, demonstrando compreensão, compaixão e tristeza com o olhar. – Isso não agradaria seu pai. – Meu pai está morto. O conde soltou uma exclamação. Nicky sentiu aquelas palavras como um verdadeiro soco no peito. Ele mal conseguia respirar diante da verdade nua e crua que nem ousava sussurrar para si mesmo. Ele imaginava que, se não pensasse naquelas palavras, elas não seriam verdadeiras, seu pai não estaria morto e ele não seria o Duque de Ashebury. Mas era difícil manter a ilusão de que seu mundo não havia desmoronado. – Ainda assim, ele gostaria que você se comportasse de maneira adequada à sua posição. – O Sr. Beckwith disse, gentil. – Eu não quero ficar lá! – Edward acrescentou com veemência. – Eu quero ir para casa. – E vocês irão... quando for a hora. Seu pai... – ele olhou para Nicky – ...os pais de vocês conheciam muito bem o Marquês de Marsden. Eles foram para a escola juntos, eram amigos. Seus pais confiaram a ele a criação de vocês, garotos. Como eu expliquei antes, eles deixaram instruções para que, no caso de morrerem, o marquês fosse seu guardião. E assim será. O lábio inferior de Edward começou a tremer e ele olhou para o irmão. – Albert, você é o conde agora. Diga para ele que nós não queremos ir. Faça com que ele nos leve para casa. Com um suspiro abafado de submissão, o novo Conde de Greyling coçou a orelha direita. – Nós temos que ir. É a vontade do nosso pai. – É idiotice. Eu te odeio. Eu odeio todos vocês! – Edward recolheu os pés para cima do assento e se virou de costas para ele, enterrando o rosto no canto da carruagem. Nicky percebeu que os ombros dele tremiam e soube que Edward estava se esforçando para não deixá-los ver que chorava. Ele também quis chorar, mas sabia que demonstrar tanta fraqueza decepcionaria seu pai. Ele era o duque e tinha que ser forte. Não importava que seu pai e sua mãe estivessem mortos. Sua babá tinha lhe garantido que os dois ainda


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podiam vê-lo e ficariam sabendo se ele se comportasse mal. Se ele fosse um garoto mau iria para o inferno quando morresse e nunca mais veria os pais. – Lá está, garotos. A Mansão Havisham. Será seu lar por algum tempo. – O Sr. Beckwith anunciou, solene. Encostando o rosto no vidro e olhando para fora, Nicky encarou a silhueta imensa que se destacava contra o céu plúmbeo. A casa em que ele foi criado era tão grande quanto aquela, mas não parecia tão sinistra. Nicky engoliu em seco. Talvez Edward estivesse certo e eles devessem fugir. A carruagem parou de repente. Ninguém saiu da casa para recebê-los. Era como se não estivessem sendo esperados. Um criado desceu da carruagem e abriu a porta. O Sr. Beckwith desceu. – Venham comigo, rapazes. – A voz dele não deixava dúvida de que eles deveriam estar ali, de que aquele era o lugar certo e eles seriam bem recebidos. Nicky observou o conde e depois o irmão. Os dois tinham ficado pálidos, arregalando os olhos castanhos. Eles esperaram. Nicky era o mais velho, possuía o título mais importante, e, assim, cabia a ele ser o primeiro. Embora tudo dentro dele gritasse para que ficasse onde estava, Nicky reuniu toda sua determinação de não parecer covarde e desceu. Ele inspirou fundo quando o vento frio o açoitou. Os irmãos também desceram, parando atrás dele. Em silêncio, os meninos seguiram o Sr. Beckwith escada acima. No vestíbulo, o advogado ergueu a pesada aldrava de ferro e a deixou cair. Um clangor ecoou, sinistro, ao redor deles. De novo, Beckwith bateu. E de novo, e de novo... A porta se abriu e um velho decrépito apareceu ali, com o paletó e o colete pretos desbotados e puídos. – Posso ajudar? – Charles Beckwith. Para ver o Marquês de Marsden. Ele está me esperando. – Com um giro hábil de sua mão, o Sr. Beckwith entregou seu cartão de visita. Pegando-o, o mordomo de cabelos brancos abriu mais a porta. – Entrem, vou avisar Sua Excelência que estão aqui. Ainda que Nicky gostasse da ideia de se afastar do vento do lado de fora, ele preferia continuar onde estava. O saguão era escuro e tão frio quanto lá fora. O mordomo se retirou por um corredor sombrio, e Nicky receou que aquele fosse o caminho para as profundezas do inferno de que sua babá tinha falado. Ele não conseguia enxergar o fim daquele corredor.


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Um rápido olhar para os gêmeos não o tranquilizou. Parecia que o medo dos garotos tinha aumentado dez vezes. Quanto ao dele, era pelo menos o dobro disso. Nicky queria ser forte, corajoso, destemido. Queria ser o filho bom, agradar ao pai, mas ficar naquele lugar o mataria. Ele tinha certeza disso. Eles esperaram no silêncio opressivo. Nem mesmo o relógio alto no saguão fazia barulho; seus ponteiros não se moviam. Aquele sentinela silencioso fez um calafrio percorrer a espinha de Nicky. Um homem alto e magro emergiu do corredor sinistro, usando roupas que pendiam de seu corpo como se tivessem sido feitas para um homem com o dobro de seu tamanho. Embora suas bochechas e suas olheiras estivessem afundadas, e seu cabelo fosse mais branco que preto, ele não parecia ser realmente velho. Beckwith se adiantou. – Meu lorde, sou Charles Beckwith, advogado... – É o que diz seu cartão. Por que você está aqui? – A rouquidão de sua voz sugeria que não costumava ser usada. – Eu trouxe os meninos. – O que eu vou fazer com meninos? Beckwith endireitou os ombros. – Eu lhe enviei uma carta, meu lorde. O Duque de Ashebury, o Conde de Greyling e suas respectivas esposas tiveram uma morte trágica em um acidente de trem. – Trem? – Repetiu o marquês. – Se Deus quisesse que nós viajássemos nessas máquinas infernais, Ele não teria nos dado cavalos. Nicky arregalou os olhos. Onde estavam a compaixão e a empatia daquele homem? Por que ele não estava lhes oferecendo condolências? – Seja como for – Beckwith disse, impassível –, eu esperava vê-lo no funeral. – Eu não vou a funerais. São um pavor de tão deprimentes. Nicky pensou que aquilo era a mais pura verdade. Ele detestou o funeral de seus pais. Durante o velório, ele quis abrir os caixões para ter certeza de que eram eles, mas sua babá disse que não seria possível reconhecê-los. Seus pais tinham se transformado em carvão. Conseguiram identificar o corpo do duque por causa do anel de sinete, joia que Nicky agora usava pendurada em uma corrente ao redor do pescoço. Mas como ele poderia ter certeza de que a mulher enterrada com seu pai era mesmo sua mãe? E se não fosse? E se agora ela não estivesse com ele?


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– É por esse motivo que eu lhe trouxe os rapazes, porque você mesmo não foi buscá-los. – Beckwith prosseguiu. – Por que trazê-los para mim? – Conforme eu expliquei na carta... – Eu não me lembro de nenhuma carta. – Então eu peço desculpas, meu lorde, porque ela foi extraviada pelo mensageiro. Contudo, tanto o duque quanto o conde o nomearam como guardião de seus filhos. Como se só então tivesse se dado conta da presença deles, Marsden focou seus olhos verde-escuros nos garotos. Nicky sentiu como se seu coração tivesse sido perfurado por um atiçador de lareira. Ele não queria ser deixado aos cuidados daquele homem que parecia não possuir nenhuma pitada de bondade ou compaixão. Franzindo o cenho, o marquês voltou sua atenção para Beckwith. – Por que eles fariam uma tolice dessas? – É óbvio que eles confiavam em você, meu lorde. Marsden gargalhou como se aquela fosse a coisa mais engraçada que já tivessem lhe dito em toda sua vida. Nicky não conseguiu suportar: ele correu para frente, cerrou os punhos e socou o marquês na barriga, várias vezes. – Não ria! – Nicky gritou, envergonhado pelas lágrimas que queimavam seus olhos. – Não ouse rir do meu pai! – Calma, garoto! – Beckwith disse, puxando-o para trás. – Não se consegue nada com socos. Só que isso não era verdade, porque o marquês parou de rir. Respirando com dificuldade, Nicky estava preparado para atacar de novo caso fosse necessário. – Desculpe, garoto. – O marquês disse. – Eu não estava rindo do seu pai, mas apenas do absurdo que seria eu cuidar de vocês. Envergonhado do seu rompante, Nicky se virou, ficando surpreso quando viu um garoto magricela – vestindo apenas calções que pareciam pequenos demais e uma camisa branca de algodão – agachado atrás de um grande vaso de planta. Seu cabelo preto e comprido caía diante de seus olhos. – Mas você irá honrar o pedido deles. – Beckwith declarou, enfático. Voltando seus olhos para o marquês, Nicky o viu concordar com um aceno rápido de cabeça. – Sim. Pela amizade. – Muito bem, meu lorde. Se o senhor puder mandar alguns criados para pegar os baús dos garotos... – Mande seu cocheiro e seu criado trazê-los. Depois pode ir.


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Beckwith pareceu hesitar, mas depois se ajoelhou diante de Nicky e dos gêmeos. – Mantenham a cabeça erguida e sejam bons, rapazes; orgulhem seus pais. – Ele pôs a mão no ombro de Edward e apertou. Fez o mesmo com Greyling. E finalmente com Nicky. Nicky queria implorar para não ser deixado ali. Por favor, por favor, leve-me com você! Mas ele se conteve. Nicky já tinha passado vergonha uma vez. Não iria passar de novo. Beckwith se levantou e olhou para o marquês. – Eu voltarei para ver como estão se saindo. – Não será preciso. Estão sob os meus cuidados, agora. Vá embora o mais rápido possível. – Ele olhou na direção das janelas. – Antes que seja tarde demais. Com um aceno curto de cabeça, Beckwith se virou e saiu. Ninguém se mexeu. Ninguém falou. Os baús foram trazidos para dentro. Pouco depois, Nicky ouviu o ranger das rodas da carruagem, os cascos dos cavalos batendo apressados, como se Beckwith tivesse ordenado ao cocheiro que se apressasse, para que fugissem dali o mais rápido possível. – Locksley! – O marquês gritou, fazendo Nicky pular. O garoto atrás do vaso correu até eles. – Sim, pai? – Leve-os lá para cima. Deixe que escolham o quarto que quiserem. – Sim, senhor. Como se já não tivesse mais ciência da presença deles, o marquês saiu pelo corredor escuro e agourento de onde tinha emergido. – Vamos. – O garoto chamou, virando-se para a escada. – Nós não vamos ficar. – Nicky anunciou de repente, decidindo que estava na hora de assumir o comando, de ser o mais ducal possível. – Por que não? Eu gostaria de ter alguém com quem brincar. E vocês vão gostar daqui. Vão poder fazer o que quiserem. Ninguém se importa. – Por que seu relógio não está funcionando? – Edward perguntou, aproximando-se do objeto, de repente parecendo interessado na máquina. Locksley franziu a testa. – Como assim? Erguendo a mão, Edward desenhou um círculo no ar. – Ele deveria estar funcionando. Os ponteiros têm que passar pelos números. – Ele estendeu a mão...


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– Não toque nisso! – Locksley gritou enquanto corria para a frente do relógio. – Você não deve tocar nisso. Nunca. – Por que não? Parecendo confuso, Locksley meneou a cabeça. – Porque não. – Onde está sua mãe? – Greyling perguntou, aproximando-se de Edward, como se precisasse do conforto de uma presença familiar naquele lugar lúgubre e ameaçador. – Ela está morta – Locksley disse, sem emoção. – É o fantasma dela que fica guinchando nos pântanos. Se você sair à noite, ela vai te pegar e o levará com ela. Um calafrio gelado percorreu a coluna de Nicky. Ele olhou para a porta. As janelas de cada lado dela revelavam a escuridão que encobria o céu. Nicky receou que a penumbra também o cobrisse, e que quando pudesse, afinal, sair daquele lugar, restaria pouco dele – apenas cinzas, como seus pais.


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