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Vive dentro de mim, como num rio, Uma linda mulher, esquiva e rara, Num borbulhar de argênteos flocos, Iara De cabeleira de ouro e corpo frio. Entre as ninfeias a namoro e espio: E ela, do espelho móbil da onda clara, Com os verdes olhos úmidos me encara, E oferece-me o seio alvo e macio. Precipito-me, no ímpeto de esposo, Na desesperação da glória suma, Para a estreitar, louco de orgulho e gozo... Mas nos meus braços a ilusão se esfuma: E a mãe-d’água, exalando um ai piedoso, Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.

Olavo Bilac


De todos os perigos da mãe terra, não há nenhum maior que os perigos da mulher.

Só basta um sorriso, um olhar ou um canto para enlouquecer a cabeça de um homem.

Uma só mulher tem o poder de fazer uma guerra. pôr povo contra povo, tribo contra tribo.

A mulher acalma o coração, mas, quando quer, também destrói o espírito.

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Por isso, nós, mebemokré, aprendemos desde pequenos a não escutar o som doce que vem dos igarapés.

Eu lhes ordeno que fujam, corram, tapem seus ouvidos, que esse som é o som da morte.

Errados são os que acham que a morte tem a forma feia.

A morte tem um nome, e ela se chama Iara.

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a morte é bonita e tem forma de mulher.


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Por mais que eu tenha avisado, de nada adiantou.

perdemos o jovem Aringrõ, um dos nossos melhores guerreiros.

isso foi coisa da mãe d’água, coisa do seu canto. poucos são os que resistem.

sei, porque fui um deles.

levado pela piracema, eu segui o seu canto.

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foi lá que eu a vi, onde os igarapés se cruzam.

meu coração quase saltou do peito. eu já estava encantado, por isso a segui. sua música doce ressoava nas águas.

e sua beleza era maior que a lua.

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A Iara  

A lenda da Iara é recontada nesta HQ de amor e terror, inspirada nas narrativas indígenas tradicionais. Com dinâmica e dramaticidade a cada...