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UNIVERSIDADE VILA VELHA GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

GRAZIELLI COMETTI BIZERRA

PROPOSTA PROJETUAL DE UM HOTEL PARA A CIDADE DE IBIRAÇU – ES

VILA VELHA - ES 2015


GRAZIELLI COMETTI BIZERRA

PROPOSTA PROJETUAL DE UM HOTEL PARA A CIDADE DE IBIRAÇU – ES

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso

apresentado à Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora:

Prof.ª

Andara Ramos.

VILA VELHA - ES 2015

Drª.

Larissa

Leticia


GRAZIELLI COMETTI BIZERRA

PROPOSTA PROJETUAL DE UM HOTEL PARA A CIDADE DE IBIRAÇU – ES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovado em 23 / 06 / 2015.

COMISSÃO EXAMINADORA

Profª. Drª. Larissa Leticia Andara Ramos Universidade Vila Velha Orientadora

Profº. Clóvis Aquino de Freitas Cunha Universidade Vila Velha Avaliador Interno

Profº. Kneipp Caiado Arquiteto Urbanista Avaliador Externo


Dedico este trabalho aos meus pais, Leonel e Rosiléia, sem o amor e o apoio de vocês esta conquista não seria possível.


Agradecimentos

Agradeço a Deus pelo dom da vida e por me proporcionar a conclusão deste curso. Aos meus amados pais, Leonel e Rosiléia, que sempre acreditaram em mim e me ampararam de todas as formas. Esta conquista foi um sonho nosso e poder dar a vocês este orgulho, esta felicidade é uma sensação indescritível, é sensacional. A vocês meu muito obrigada. Aos meus irmãos, Danielli e Leonardo, que sempre estiveram comigo, me alegrando e tornando menos difícil a caminhada. Ao

meu

namorado,

João

Paulo

Lombardi,

pela

ajuda,

compreensão

e

companheirismo. Aos meus orientadores, Kneipp Caiado e Larissa Leticia Andara Ramos, pelo auxilio fundamental, dedicação e paciência na elaboração deste trabalho. Ao Professor Clóvis Aquino que aceitou me coorientar e me ajudou na conclusão deste trabalho. Aos meus companheiros de ateliê, Hellen Charile, Marcos Lyra, Maria Paulina Campos, Milena Souza e Ricardo Ribeiro, pelas risadas e aprendizado.


“Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la.” Cícero


Resumo Este trabalho apresenta um estudo para a implantação de um hotel para o Município de Ibiraçu-ES. O centro da cidade é cortado pela BR 101 e pela Ferrovia Vitória a Minas, que promove um grande movimento de pessoas fazendo com que o turismo seja uma potencialidade para o desenvolvimento do Município, sendo um forte elemento econômico e cultural. A região possui vários pontos turísticos que devido à ausência de estabelecimentos de permanência aos usuários que estão de passagem acaba por não aproveitar toda sua capacidade turística. Com o intuito de atrair os transeuntes e turistas em potencial que praticamente só cruzam o Município, propõe-se, com este trabalho, desenvolver um projeto, em nível de estudo preliminar, de um hotel para a cidade de Ibiraçu, visando alavancar o desenvolvimento da cidade pelo turismo, com a permanência e estadia de quem vem à região, tanto de passagem, quanto a negócios ou lazer. Palavras-chave: Hotelaria. Turismo. Ibiraçu. Arquitetura.


Abstract This paper presents a study for the implementation of a hotel for the city of IbiraรงuES. The city center is cut by BR 101 and the Vitรณria a Minas Railroad, which promotes a great movement of people making tourism is a potentiality for development of the municipality, with a strong economic and cultural element. The region has several sights in the absence of permanent establishments users who are passing by just not enjoy all their existing tourist capacity. In order to attract passersby and potential tourists who pretty much just cross the municipality, it is proposed, with this work, develop a project, on a preliminary study of the level of a hotel for the city of Ibiraรงu to leverage the city's development by tourism, in order to stay and stay of those who come to the region, both in passing, as the town. Keywords: Hospet. Tourism. Ibiraรงu. Architecture.


SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 10 1.1. JUSTIFICATIVA ................................................................................................. 11 1.2. OJETIVO GERAL ............................................................................................... 12 1.3. OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 12 1.4. METODOLOGIA ................................................................................................. 12 1.5. ESTRUTURA DO TRABALHO ........................................................................... 13 2. CONCEITUAÇÃO TEÓRICA ................................................................................ 14 2.1. ASPECTOS GERAIS SOBRE O TURISMO....................................................... 14 2.2. ASPECTOS GERAIS SOBRE HOTELARIA....................................................... 16 2.2.1. Hotel Econômico ........................................................................................... 19 2.2.2. Hotel Central .................................................................................................. 20 2.3. CIDADES BEIRA ................................................................................................ 21 2.3.1. Iconha ............................................................................................................. 23 2.3.2. Domingos Martins – Pedra Azul ................................................................... 25 2.4. IBIRAÇU ............................................................................................................. 26 3. ESTUDO DE CASO .............................................................................................. 34 3.1. HOTEL LINX INTERNATIONAL AIRPORT GALEÃO ........................................ 34 4. ANÁLISE DO TERRENO ...................................................................................... 43 4.1. LOCALIZAÇÃO DO TERRENO ......................................................................... 43 4.2. ENTORNO DO TERRENO................................................................................. 45 4.3. ASPECTOS FÍSICO- AMBIENTAIS ................................................................... 49 4.4. ASPECTOS FÍSICO-TERRITORIAIS ................................................................. 54 4.5. ASPECTOS URBANÍSTICOS ............................................................................ 58 4.6. PROGRAMA DE NECESSIDADES ................................................................... 61 5. ESTUDO PRELIMINAR ........................................................................................ 64 5.1. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO PROJETO ................................................... 64 5.2. TÉRREO ............................................................................................................ 72 5.2.1. Áreas Públicas e Sociais .............................................................................. 73 5.2.2. Áreas de Serviço ........................................................................................... 75 5.3. EVENTOS .......................................................................................................... 77 5.4. TIPO ................................................................................................................... 78


5.5. LAZER ................................................................................................................ 83 5.6. ÁREAS TÉCNICAS ............................................................................................ 84 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 86 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 88 ANEXOS ................................................................................................................... 93


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1. INTRODUÇÃO Ibiraçu é uma cidade cortada por dois grandes sistemas de transportes: o rodoviário e o ferroviário, gerando um intenso fluxo de pessoas transitando em seu território cotidianamente. Segundo dados do levantamento elaborado pela Estruturadora Brasileira de Projetos para a implantação da concessionária EcoRodovias, a BR 101 na região de Ibiraçu recebe por dia, aproximadamente, 11000 veículos, entre automóveis, ônibus, caminhões rígidos e articulados, e motos (EBP, 2009). Já a estação ferroviária, chamada de “Estação de Aricanga Lauro Muller”, é apenas um ponto de embarque e desembarque, sem infraestrutura para receber visitantes, tornando assim o local um espaço inseguro e sem atrativos, usado apenas pelos moradores do entorno. Os horários dos trens de passageiros são às 08h17m para quem viaja sentido Minas Gerais e às 19h08m para quem viaja sentido Vitória, sendo que existe apenas um horário de trem de passageiro para cada sentido (VALE, acesso em 02 set. 2014). O Município que tem sua economia voltada basicamente para agricultura, com o cultivo do café, para as plantações de eucalipto e para a piscicultura (IBIRAÇU, acesso em 02 set. 2014), poderia estar aproveitando melhor o poder econômico gerado pelo turismo. A região abriga vários pontos turísticos fortes, que poderiam ser usados para o desenvolvimento e crescimento da cidade se esta possuísse um estabelecimento que abrigasse os viajantes que necessitam de uma pausa em sua viajem de lazer ou a negócios. O comércio de serviços é o ponto forte para quem trafega pela BR 101, sendo considerado o grande potencial do Município. Entre os estabelecimentos que recebem incentivos para a sua implantação estão as pastelarias [que são pontos de parada para descanso, com lojas de conveniência e pontos de informações], oficinas mecânicas, revendas de autopeças e borracharias (IBIRAÇU, 2003), que ajudam no crescimento local, pois recebem um número elevado de pessoas diariamente, mas não permitem a estadia destes viajantes.


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Outro elemento forte da região é o agroturismo1 (IBIRAÇU, 2003), que é pouco divulgado pelos órgãos públicos e que possuem grande caráter turístico. São estruturas consolidadas na cidade, que estão situadas no interior e que demandam de um conhecimento prévio para os usuários chegarem ao local, dificultando a visitação de novos indivíduos, tanto pela localização quanto pelo desconhecimento destas áreas. Ibiraçu ainda abriga o Mosteiro Zen Morro da Vargem, que é conhecido no âmbito internacional, por ser o primeiro mosteiro budista da América Latina (MOSTEIRO ZEN MORRO DA VARGEM, acesso em 02 set. 2014), além de fazer limite com o município de Aracruz, que é uma região que recebe vários eventos anuais.

1.1. JUSTIFICATIVA

A importância deste estudo vem da crescente demanda da região por hotéis confortáveis, com baixo custo de hospedagem e do crescimento econômico da cidade proveniente deste segmento de mercado. A cidade por ter dentro de seu centro urbano uma das principais rodovias do país, a BR 101, possuir belezas naturais e arquitetônicas, estar próxima de uma cidade em pleno desenvolvimento com a implantação de um porto, que é Aracruz, tende a crescer com a exploração do turismo de visitação e de negócios se possuir um empreendimento de hospedagem para os visitantes destes e de outros segmentos. A hotelaria, segundo Andrade (p. 11, 2004), é um “vetor fundamental de expansão e consolidação” do turismo. Os hotéis além de atenderem a demanda do mercado local propiciam o surgimento de novas modalidades econômicas (ANDRADE, 2004). A proposta deste trabalho é buscar informações urbanísticas, históricas e econômicas de Ibiraçu para implantação de um hotel que atenda as necessidades da região e dos objetivos que ele se propõe, que será explicitado no próximo tópico.

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Agroturismo: “[...] turismo praticado dentro das propriedades rurais, de modo que o turista entra em contato com a atmosfera da vida na propriedade, integrando-se, de alguma forma, aos hábitos locais [...]. (BRASIL, p. 20, 2010)”


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1.2. OJETIVO GERAL

Elaborar uma proposta projetual arquitetônica, em nível de estudo preliminar, de um hotel para a cidade de Ibiraçu-ES.

1.3. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Para promover o objetivo geral, os seguintes objetivos específicos serão desenvolvidos: Implantar um local de apoio para os usuários da rodovia; Criar espaços para o uso público; Elaborar espaços de permanência e de contemplação; Relocar e requalificar o ponto de ônibus existente no terreno e; Movimentar a economia local por meio do turismo de negócios e do turismo de lazer.

1.4. METODOLOGIA

A metodologia usada para a elaboração deste trabalho é de pesquisa qualitativa, onde serão analisadas as variáveis para a elaboração de um projeto de um hotel para o Município de Ibiraçu. Serão usados os métodos de levantamento bibliográfico para conhecimento do local e suas necessidades, pesquisa documental de informações catalogadas, pesquisa experimental com estudos da região de inserção do projeto e estudos de caso de projetos similares e pesquisa de ação com a elaboração da proposta projetual em si.


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1.5. ESTRUTURA DO TRABALHO

O capítulo 1 trás a introdução e nele consta a justificativa da escolha do tema, onde consta o objetivo geral, os objetivos específicos e a metodologia a ser utilizada para a elaboração da pesquisa. O capítulo 2 abrange a conceituação dos elementos pertinentes à elaboração deste trabalho. Define-se o que é uma “cidade beira”, sendo exemplificado com duas regiões do Espírito Santo, além de definir turismo, hotel, hotel econômico e hotel central. O capítulo 3 retrata um estudo de caso sobre o hotel Linx Hotel International Galeão, Rio de Janeiro-RJ. O capítulo 4 apresenta o terreno, as analises do entorno, de conforto, dos parâmetros urbanísticos e, por último, apresenta o programa de necessidades do hotel. O capítulo 5 retrata o as características gerais do projeto do hotel, apresentando seus pavimentos e componentes. O capítulo 6 apresenta as considerações finais do trabalho e sua importância.


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2. CONCEITUAÇÃO TEÓRICA 2.1. ASPECTOS GERAIS SOBRE O TURISMO

O deslocamento de pessoas é um ato recorrente desde os primórdios da humanidade e nas sociedades primitivas este movimento tinha como objetivo principal a busca por alimento (DIAS, 2003). Com o avanço das técnicas de cultivo e o domínio da criação de rebanhos de animais para consumo, o homem passou a se agrupar e se fixar, formando assim as cidades com suas características e culturas (DIAS, 2003). Segundo Dias (2003, p. 41), “[...] desde que se formaram as primeiras sociedades, o homem sempre viajou, pelos mais diversos motivos: econômicos, políticos, sociais, culturais e esportivos.”. Outras motivações para o ato de viajar definidas por Ignarra (1999) eram as atividades turísticas religiosas, realizadas através das cruzadas na Idade Média, o turismo de saúde, com as visitas a termas, principalmente no Império Romano, e, também, o turismo exploratório, na busca de conhecer e ocupar novas terras. Segundo Ignarra (1999), o turismo de negócios surgiu, provavelmente, antes do turismo de lazer, pois, desde que o homem começou a viajar a sua maior motivação era a necessidade de comercializar com novos povos, sendo basicamente por questões

econômicas

a

motivação

das

expedições

que

ocasionaram

as

colonizações de povos antigos. Dias (2003) considera a Revolução Industrial como o marco da evolução do conceito de viajar, pois com o crescimento da urbanização, a consolidação da burguesia e o limite das horas de trabalho, onde foram criadas as jornadas de trabalho que determinavam os finais de semana para repouso e as férias, possibilitou às pessoas saírem de suas localidades e conhecer novos lugares. De acordo com Thévenin (2009) o turismo começou a ser discutido em 1925 quando foi fundado o Congresso Internacional das Associações Oficiais de Propaganda Turística, que buscava, basicamente, promover as atividades turísticas por meio de propagandas com o intuito de incitar o consumo em determinados locais e atividades.


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Thévenin (2009) relata que com a Segunda Guerra Mundial, as atividades turísticas tiveram uma queda nos índices de fluxo, tendo sua volta consolidada por volta de 1950, com a criação da União Internacional de Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT), em 1947, precursora da Organização Mundial de Turismo (OMT, acesso em 17 set. 2014). A Organização Mundial de Turismo surgiu em 27 de setembro de 1970, quando foi elaborado o estatuto que defende a promoção e o desenvolvimento do turismo como contribuinte para a economia, a paz entre as nações e o respeito universal, em conformidade com os direitos humanos (UNWTO, 2013). Durante a evolução do turismo várias foram as definições elaboradas por pensadores do tema. Uma das mais antigas, data de 1910, é do economista Hermann von Schullem zu Schattenhofen, (1910, apud BENI, 1998, p. 36) que considera o turismo “[...] a soma das operações, principalmente de natureza econômica, que estão diretamente relacionadas com a entrada, permanência e deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região [...]” (SCHATTENHOFEN, 1910, apud BENI, 1998, p. 36).

Para a OMT (apud Dias, 2003, p. 240) turismos são: “Atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e estadias em lugares diferentes de sua moradia habitual, por um período de tempo contínuo inferior a um ano, com fins de lazer, por negócios ou outros motivos, não relacionados com o exercício de uma atividade remunerada no lugar visitado” (OMT, apud Dias, 2003, p. 240).

De acordo com Dias (2003) é em 1980 que uma definição sintetizada do tema é elaborada por Oscar De La Torre, que define o turismo “O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupo de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, se deslocam de seu lugar de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas relações de importância social, econômica e cultural” (TORRE, 1980, apud DIAS, 2003).

Como atividade econômica, sendo uma prática que desloca o consumidor ao produto, fazendo com que haja melhorias na infraestrutura do local para receber mais visitantes, da melhor e mais agradável forma possível, para que estes indivíduos voltem e indiquem para terceiros a visitação. Este fluxo continuo de pessoas movimenta vários setores da economia, gerando empregos e renda para diversos segmentos de comércio (BRASIL, 2013)


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Segundo a OMT (apud Dias, 2003), existem dois tipos de visitantes: os turistas e os excursionistas. Ainda segundo a OMT, a definição de turista é “[...] visitantes temporários que permanecem pelo menos 24 horas no país visitado, e cujo objetivo é lazer, negócios, família, um missão ou reunião [...]”, e de excursionista é “[...] visitantes temporários que permanecem menos de 24 horas no destino visitado e não pernoitam [...]” (OMT apud DIAS, 2003). A Organização Mundial de Turismo define, também, o turismo segundo a origem dos visitantes, podendo ser turismo doméstico ou interno, em que o deslocamento acontece por indivíduos de um país viajando dentro de seu próprio país; turismo receptivo, onde os visitantes são advindos de outros países; e o turismo emissor, quando os visitantes estão indo para outros países (apud DIAS, 2003). Ignarra (1999, p. 26) ainda classifica o turismo pela distância do destino considerando como “local, quando ocorre entre municípios vizinhos”, “regional, quando ocorre em locais em torno de 200 ou 300 km de distância da residência do turista”, “doméstico, quando ocorre dentro do país de residência do turista” e “internacional, quando ocorre fora do país de residência do turista”. Analisando estas afirmações, o turismo pode ser caracterizado como a transição de pessoas que fomenta a economia dos locais visitados, tendo diversas finalidades e motivações para tal visitação.

2.2. ASPECTOS GERAIS SOBRE HOTELARIA

Segundo a “Cartilha de Orientação Básica” e o guia Hotelaria e Hospitalidade”, os hotéis são estabelecimentos comerciais de serviços destinados a hospedar pessoas por um determinado tempo, com unidades habitacionais mobiliadas e com banheiros privados, com cobrança diária, podendo ter ou não uma área destinada a alimentação (BRASIL, acesso em 18 set. 2014; BRASIL, 2007). Um estabelecimento hoteleiro tem como estrutura básica os seguintes itens: Hospedagem: apartamentos, quartos, suítes; Áreas sociais ou públicas: salas de estar, salas de TV, restaurantes, bares, salões de eventos e festas;


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Administração: recepção, gerência, reservas, contabilidade, recursos humanos e marketing; Áreas de serviço: cozinha, lavanderias, vestiários, estoque e manutenção; Áreas de alimentos e bebidas: câmaras frigorificas, cozinha principal e de banquetes, almoxarifado e etc.; Equipamentos e estrutura: reservatórios de água fria e de água quente, motor gerador de energia, etc.; Recreação, esportes e lazer: quadras esportivas, campos de golfe, piscinas, parques aquáticos, salões de jogos, saunas, academias, etc. (BRASIL, 2007). Os meios de hospedagem podem ser definidos por: “[...] empreendimentos ou estabelecimentos, independentemente de sua forma de constituição, destinados a prestar serviços de alojamento temporário, ofertados em unidades de frequência individual e de uso exclusivo do hóspede, bem como outros serviços necessários aos usuários, denominados de serviços de hospedagem, mediante adoção de instrumento contratual, tácito ou expresso, e cobrança diária” (Artigo 23 da Lei nº 11771/2008, apud BRASIL, 2010).

Os hotéis podem ser classificados quanto a sua tipologia de meio de hospedagem, estando nas categorias: Hotel central ou urbano: meio de hospedagem localizados em uma áreas centrais, com intenso fluxo de pessoas; Hotel não-central: meio de hospedagem localizados em pontos estratégicos, estando próximos de centros urbanos e de pontos turísticos; Hotel econômico: meio de hospedagem com unidades habitacionais simples, não há necessidade de equipamentos de entretenimento, pois o público alvo é de viajantes e executivos; Resort: meio de hospedagem voltado ao lazer e entretenimento; Hotel-fazenda: meio de hospedagem que permite o convívio com o meio rural; Fazenda-hotel: meio de hospedagem que permite ao usuário o contato com as atividades rurais; Hotel histórico: meio de hospedagem implantado dentro de um edifício histórico;


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Pousada: meio de hospedagem limitado em até três pavimentos, trinta suítes e noventa leitos; Flat ou Apart-Hotel: meio de hospedagem que dispõem de dormitório, banheiro, sala e cozinha em cada unidade; Hotel de selva: meio de hospedagem localizados em florestas; Spas: meio de hospedagem para usuários interessados na saúde; Hotel cassino: meio de hospedagem que tem como atrativos jogos de azar; Hotel de lazer: meios de hospedagem que estão localizados fora dos centros urbanos; Pensões: meio de hospedagem com caráter familiar que por vezes pode oferecer banheiros coletivos; Motel: meio de hospedagem localizados nas rodovias em que se paga por hora (BRASIL, 2007). Outra classificação é quanto a categoria do padrão de suas instalações, medido pela simbologia de estrelas, que avalia a variação do grau de conforto dentro de cada tipologia de meio de hospedagem:

Superluxo ou 5 estrelas SL; Luxo ou 5 estrelas; Superior ou 4 estrelas; Turístico ou 3 estrelas; Econômico ou 2 estrelas; Simples ou 1 estrela (BRASIL, 2007). Matriz de classificação por estrelas da Embratur (Figura 01).


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Figura 01 - Matriz de Classificação da Embratur. Fonte: Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem. Cartilha de Orientação Básica 1, acesso em: 18 set. 2014.

Um hotel pode ter várias classificações, tipologias e uso, que varia de acordo com o público alvo e a região em que será inserido. A definição de “para quem” e “onde” este empreendimento será utilizado e implantado, respectivamente, é essencial para o êxito do investimento. Outros fatores relevantes são conhecer a demanda de mercado da região em que se planeja implantar o hotel e o tamanho da edificação, que está associado diretamente as condicionantes da tipologia de hotel e a capacidade do terreno (ANDRADE, 2004).

2.2.1.

Hotel Econômico

Os hotéis econômicos, em geral, são construções com um programa de necessidades reduzido, dispensando áreas de lazer e entretenimento. Entretanto, o conforto das instalações existentes e a garantia de um serviço de qualidade são indispensáveis a estes hotéis (ANDRADE, 2004). Os usuários desta modalidade hoteleira são, basicamente, de executivos e de viajantes, que estão de passagem e serão aqui nomeados de pessoas em trânsito, que,

segundo

Valente

(2003, apud

Lawson),

são

pessoas

que

buscam

acomodações confortáveis, econômicas e confiáveis para descansar após um dia de viagem ou de trabalho, ou, de ambos. Esta tipologia tem esta denominação, pois, tem as tarifas reduzidas de acordo com a limitação dos serviços prestados, mas essenciais ao hospede (ANDRADE, 2004).


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Segundo Andrade (2004), as instalações se resumem em unidades habitacionais confortáveis

com

mobiliários

adequados,

ar

condicionado, recepção,

área

administrativa, área para café da manhã, dependência para equipamentos, uma pequena lavanderia e estacionamento. Já os serviços prestados se resumem em atendimento na recepção, troca e lavagem da roupa cama e banho, limpeza e manutenção das dependências e preparo do café da manhã. Para Andrade (2004), a localização ideal para o empreendimento é próximo de rodovias, o que é o caso do objeto em estudo e ter um estacionamento compatível com a quantidade de quartos, pois, como o foco são os viajantes, estes estarão com seus devidos veículos. Como visto no item “Aspectos Gerais Sobre Hotelaria”, as áreas e instalações de um hotel podem ser dividas em: áreas de hospedagem, sociais, administrativas, de serviços, alimentos e bebidas, de equipamentos e recreativas, que variam para cada tipo de hotel, como por exemplo, em hotéis econômicos as áreas recreativas são ambientes dispensáveis, já os demais espaços devem ser projetados de acordo com a demanda que um hotel econômico exige, priorizando a funcionalidade (ANDRADE, 2004; BRASIL, 2007).

2.2.2.

Hotel Central

Os hotéis centrais são construções localizadas em áreas prestigiadas com grande atividade comercial e próximas de áreas com equipamentos de lazer, entretenimento e serviço (ANDRADE, 2004). Para Andrade (2004), o hotel central estar situado em uma área que possui atrativos, segurança e ter um transporte público de qualidade é o diferencial que torna

o

empreendimento

competitivo,

isto

é,

sua

localização

deve

ser

minuciosamente estudada para garantir o sucesso do hotel, devendo ser excluídas áreas em processo de decadência e áreas isoladas da cidade. Os usuários desta modalidade hoteleira são diversos, podendo ser desde hospedes de lazer procurando locais para conhecer e descansar, à executivos que buscam um hotel para repousar depois de um dia de trabalho (ANDRADE, 2004).


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As tarifas desta tipologia são variadas, dependendo do tipo de hospede que se planeja acolher e seu poder aquisitivo (ANDRADE, 2004). Para Andrade (2004), a localização ideal para o empreendimento é onde existe a possibilidade de ter os acessos e fluxos de veículos do hotel independente do tráfego da via principal. Um hotel central pode ser de grande ou de pequeno porte (varia de acordo com a quantidade de quartos). Pode, ainda, apresentar maior ou menor variedade de instalações, alterando de acordo com as necessidades do local, do tamanho do lote, da legislação do uso e parcelamento do solo e do público alvo (ANDRADE, 2004). Não existe um numero ideal de quartos nem, consequentemente, um tamanho ideal para um hotel central, o que existe é a renda disponível para se investir no empreendimento, a demanda do local e a necessidade do cliente, que ora busca hotéis maiores com áreas de lazer e entretenimento e ora busca hotéis menores e acolhedores, com um serviço mais ágil e pessoal (ANDRADE, 2004). Como a cidade de Ibiraçu possui alto fluxo de veículos diariamente e analisando as classificações quanto à tipologia de hospedagem, verifica-se que o tipo de hotel que atende a demanda das necessidades do público alvo, que em sua maioria são pessoas que estão trafegando pela BR 101, seja a negócios ou a lazer, é uma mistura de hotel econômico e hotel central.

2.3. CIDADES BEIRA

A história das cidades remonta desde que os assentamentos permanentes tiveram inicio com o domínio da agricultura e da criação de rebanhos de animais para consumo e, para isto, havia a necessidade da proximidade com corpos d’água. Sendo assim o surgimento das cidades está atrelado com a proximidade de rios para a fertilização do solo e irrigação da lavoura, o suprimento da necessidade de água dos rebanhos e para a população, além de ser um meio de transporte, que gera o fomento da economia, e um elemento de segurança. Dois exemplos destes


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agrupamentos são o Egito que surgiu nas margens do Rio Nilo e a Mesopotâmia nas margens dos Rios Tigre e Eufrates (PINTO, 2013). Na história do desenvolvimento das cidades, Gandara (2013, p. 1) traz o conceito de “cidade beira” (beira-rio/beira-rodovia) como sendo a “raiz urbana” e que “trata-se de uma forma de surgimento particular, cuja concepção nasce da própria noção de beira”, isto é, as cidades surgindo, crescendo e se desenvolvendo nas margens de rios ou estradas. Esta localização tem a importante função de movimento e comunicação entre os povoados (GANDARA, 2013). Segundo Gandara (2013, p. 3) “a cidade-beira exerce certo efeito de atração, pois é em relação a ela que se organiza a rede convergente dos transportes”, sendo assim, as cidades-beira são lugares com potencial de atrair pessoas e investimentos, pela facilidade de conexão e movimento (GANDARA, 2013). Segundo Teodoro (2013), antes das rodovias eram as ferrovias que tinham a função de formar e conectar as cidades e as regiões que possuíam uma estação ferroviária eram mais propicias a se tornarem mais desenvolvidas do que as que não possuíam. Com a implantação da malha rodoviária, as estradas absorveram essa função para si e possibilitaram que as cidades do interior formassem uma “teia econômica” (TEODORO, 2013). Com as beiras surgiram os comércios informais de famílias que vendem seus produtos, que são em geral agrícolas, às margens das estradas (TEODORO, 2013). Em algumas cidades beira, as que intencionam o desenvolvimento do turismo, notase casos de comércios formais com estabelecimentos regularizados que funcionam nas margens das rodovias como apoio ao turista, tendo informações dos locais turísticos, área para alimentação e descanso, venda de produtos comercializados e “suvenires”. Analisando as definições de “cidades beira” e suas particularidades, nota-se que diversas cidades surgiram e se desenvolveram sobre estas características no Estado do Espírito Santo, como por exemplo, o Município de Iconha e a cidade de Pedra Azul (localizada no Município de Domingos Martins), que serão abordados nos seguintes subitens para exemplificar o conceito, além da própria cidade em foco neste trabalho, Ibiraçu.


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2.3.1.

Iconha

Iconha é uma cidade localizada a aproximadamente 90 km da capital do Estado do Espírito Santo, Vitória, estando situada na Mesorregião Central Espírito-Santense – Microrregião de Guarapari (ICONHA, acesso em 25 set. 2014). A cidade pode ser considerada uma cidade-beira, e consequentemente um exemplo dos conceitos abordados no item “Cidades Beira” defendidos por Gandara (2013) e Teodoro (2013), pois, “[...] iniciou-se do litoral para o interior, estabelecendo-se ao longo dos rios [...]” (IBGE, acesso em 25 out. 2014) e atualmente ela é cortada pela BR 101, que possibilitou o seu desenvolvimento (ROCHA, 2008). A escolha deste município se deve ao fato de também se tratar de uma região pequena e ter seu desenvolvimento basicamente voltado aos serviços realizados aos usuários da rodovia, sendo similar ao Município de Ibiraçu, local do objeto do estudo. A economia local está voltada para o cultivo da banana, do café e da agropecuária, entretanto, a forte fonte econômica da cidade é o de serviços de apoio a BR 101, pois “é a cidade com maior número de caminhões e carretas por habitantes do Brasil” (ICONHA, acesso em 25 set. 2014).

Figura 02 - Produto interno bruto de Iconha. Fonte: IBGE, em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo e Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, acesso em: 25 out. 2014.


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Conforme análise do gráfico da Figura 02, a indústria e a agropecuária possuem menor destaque econômico quando comparado com o segmento de “serviços”. Este crescimento da economia por meio do transporte é tão forte em Iconha que gerou no ano de 2008, uma arrecadação de aproximadamente 2 milhões de reais em IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e mais de 2 mil empregos diretos, além da Festa do Caminhoneiro de Iconha, que traz shows à cidade e encontros de negócios (ROCHA, 2008). Iconha possui um turismo diversificado, voltado principalmente para o turismo rural, o agro turismo e o ecoturismo. A cidade possui museus, cachoeiras, casas de interesse histórico, restaurantes, alambiques, trilhas, canoagem e rampas para voo livre (ICONHA, 2014). A cidade possui pontos turísticos como a Cachoeira de Salto Grande, conforme ilustra a Figura 03, que está situada dentro do “Sitio Vida”, que além da beleza natural, possui chalés para hospedagem, piscina e restaurante; a Cachoeira do Meio, Figura 04, localizada nas proximidades do “Sitio Tokaia do Valle”, que possui um casarão do século XVII, uma casa de chá, áreas para pequenos eventos e palestras e um orquidário.

Figura 03 - Cachoeira de Salto Grande. Fonte: Prefeitura Municipal de Iconha, acesso em: 25 out. 2014.

Figura 04 - Cachoeira do Meio. Fonte: Prefeitura Municipal de Iconha, acesso em: 25 out. 2014.

Segundo dados do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Turismo do Estado do Espírito Santo (ESPÍRITO SANTO, 2010) Iconha está inserida na “Região da Costa e da Imigração”, que é formada por mais 07 (sete) Municípios e tem como atrativos principais as praias (para os municípios costeiros), a fauna, a flora e o patrimônio histórico.


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2.3.2.

Domingos Martins – Pedra Azul

Domingos Martins é um Município localizado à aproximadamente 43 km da capital do Estado do Espírito Santo, Vitória, estando situada na Mesorregião Central Espírito-Santense – Microrregião de Afonso Cláudio (DOMINGOS MARTINS, acesso em 27 out. 2014). Dentro do Município de Domingos Martins está situado o distrito de Pedra Azul, que é o foco deste subitem. Pedra Azul pode ser considerada um exemplo de uma cidade beira, segundo as definições de Gandara (2013), pois, se estabeleceu na margem da BR 262 (DOMINGOS MARTINS, acesso em 27 out. 2014). A opção de abordar a região de Pedra Azul veio da necessidade de apresentar uma cidade que se desenvolveu com o turismo gerado pela rodovia, diferente de Ibiraçu e Iconha, que tem suas respectivas formas de crescimento voltadas basicamente para a agricultura e dos serviços prestados aos viajantes. A região possui o turismo como principal fonte econômica em decorrência dos aspectos climáticos, dos atrativos naturais e da ambientação típica da colonização italiana (DOMINGOS MARTINS, acesso em 27 out. 2014). Todo o distrito está voltado para receber turistas com pousadas, como a Pousada Pedra Azul, Figura 05, hotéis, restaurantes com gastronomia temática de diversos países, cafés coloniais e propriedades rurais com ambientações para o visitante aproveitar (DOMINGOS MARTINS, acesso em 27 out. 2014). Outro forte atrativo para a localidade é o Parque Estadual da Pedra Azul, que foi criado com o intuito de “proteger um conjunto de valores culturais onde se destaca a Pedra Azul, de formação de granito e gnaisse a 1822 metros de altitude” (DOMINGOS MARTINS, acesso em 27 out. 2014), que é a Pedra Azul ou “Pedra do Lagarto” (Figura 06), como também é conhecida. Possui uma fauna rica em diversidade animal e a flora inclui vegetação rupestre, mata atlântica e a Floresta Ombrófila Altimontana (DOMINGOS MARTINS, 2014).


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Figura 05 - Pousada Pedra Azul. Fonte: Modificado de Prefeitura de Domingos Martins, acesso em: 27 out. 2014.

Figura 06 - “Pedra do Lagarto”. Fonte: Modificado de Prefeitura de Domingos Martins, acesso em: 27 out. 2014.

2.4. IBIRAÇU

Ibiraçu teve os imigrantes italianos como primeiros habitantes, que construíram um barracão para abrigar e iniciar a colonização da região. O primeiro núcleo colonizador implantou o cultivo da cana de açúcar e posteriormente o café, que continua sendo a principal atividade econômica do Município (IBIRAÇU, 2003). O Município de Ibiraçu possui cerca de 11.178 habitantes (IBIRAÇU, acesso em: 02 set. 2014, apud IBGE, 2010), está localizado a aproximadamente 54 km da capital do Estado do Espírito Santo, Vitória (Figuras 07 e 08), situado na Mesorregião Litoral Norte do Espírito Santo - Microrregião de Linhares (IBIRAÇU, 2003).

Figura 07 - Localização de Ibiraçu no Espírito Santo. Fonte: Google Earth, acesso em: 20 fev. 2015.


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BR 101

Figura 08 - Percurso entre Vitória e Ibiraçu. Fonte: Google Earth, acesso em: 20 fev. 2015.

A economia local gira em torno da agricultura e pecuária. Na agricultura o café e o eucalipto representam a maior parcela da economia, tendo também a cultura do arroz, feijão, milho, cana de açúcar, mandioca, banana, seringueira e coco anão. Na pecuária a bovinocultura é a criação mais importante e expressiva do Município, possuindo gado para corte e leiteiro, além da criação de suínos, aves e ovos, que são comercializados dentro do Município (IBIRAÇU, 2003). O relatório indica potencialidades econômicas a serem desenvolvidas no Município, sendo elas: implantação de horticultura e orgânicos para abastecer o mercado interno e externo, ampliação da atividade de suinocultura, aprimoramento da fruticultura com o plantio, cultivo e a comercialização da goiaba, banana, cana de açúcar, cacau, coco, mexerica pocam, laranja e manga, cultivo do palmito, apicultura para a produção de mel, piscicultura e cultivo do algodão (IBIRAÇU, 2003). A cidade ainda apresenta incentivos para o setor industrial, abrigando o “Parque Industrial José Luiz Fiorotti”, com uma área de 120000 m² destinada a receber empresas com pretensão de se instalar no Município. Nesta área está instalada a Siderúrgica Ibiraçu, que beneficia 6000 toneladas de ferro gusa por mês e exporta 80% de sua produção (IBIRAÇU, 2003).


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O setor comercial da cidade é definido como “típico de cidade de pequeno porte” abrigando pequenas lojas, bares e restaurantes (IBIRAÇU, 2003). De uma forma geral as potencialidades para Ibiraçu estão divididas em três setores: o setor primário, que engloba a produção das matérias primas, o setor secundário, que engloba a implantação da indústria e a industrialização da matéria prima produzida, e o setor terciário, que é o de incentivo aos serviços de apoio à BR 101 visando à ampliação dos estabelecimentos existentes e a implantação de novos equipamentos (IBIRAÇU, 2003). Este é o cenário de potencialidades voltadas para a agricultura e para a comercialização nas margens das estradas, conforme afirma Teodoro (2013). Os principais pontos de apoio aos viajantes dentro do perímetro urbano de Ibiraçu, são, em geral, as pastelarias e postos de gasolina, conforme Figura 09 abaixo.

Perímetro Urbano

Figura 09 - Mapa de pontos de apoio ao viajante. Fonte: Google Earth, acesso em: 20 fev. 2015.

De acordo com a classificação do turismo, segundo a distância definida por Ignarra (1999), Ibiraçu é uma cidade que possui tendência a receber todas as tipologias de turistas, sendo elas locais, regionais, domésticas, e até mesmo, internacionais devido à existência do Mosteiro Zen Budista que é conhecido internacionalmente. Segundo os conceitos definidos por Gandara (2013), Ibiraçu pode ser considerada uma cidade passagem, pois tem na BR 101 um forte atrativo para desenvolvimento


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da cidade como um todo, tal como as cidades de Iconha e Pedra Azul, que serviram de exemplificação do conceito. A rodovia conecta Ibiraçu à Região Metropolitana da Grande Vitória, que é uma região de extrema importância econômica para o Estado, o que torna a cidade um lugar com forte potencial para atrair investimentos, pela facilidade gerada por este vínculo. Gandara (2013) e Teodoro (2013) afirmam que essas conexões são fatores cruciais para o desenvolvimento econômico. Ibiraçu recebe um número expressivo de veículos diariamente, vez que a cidade é cortada pela BR 101 (EBP, 2009), entretanto, a cidade não possui equipamentos suficientes para a permanência destes transeuntes que poderiam usufruir do agro turismo já existente na região (IBIRAÇU, 2003), movimentando e desenvolvendo a cidade. Segundo o Plano de Desenvolvimento Sustentável do Turismo do Espírito Santo, que foi elaborado para definir a importância do planejamento do turismo e a consolidação de rotas turísticas, o Município de Ibiraçu está inserido na Região Turística do Verde e das Águas, que contém elementos turísticos diversificados como praias, lagoas, montanhas, manguezais, reservas florestais, dunas, etc., e é formada por mais 08 municípios limítrofes localizados no litoral norte do Estado (ESPÍRITO SANTO, 2010). O Município de Ibiraçu possui duas agro estâncias com pesque e pague, restaurantes e chalés para os turistas passarem o final de semana: a Agro Estância Lombardi (Figura 10), e o Pesque e Pague e Restaurante Lagoa do Vale (Figura 11), sendo que na Agro Estância Lombardi há, também, parque aquático, parede de escalada e área com equipamentos para jogos de paint ball.

Figura 10 - Agro Estância Lombardi. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

Figura 11 - Pesque e Pague e Restaurante Lagoa do Vale. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.


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Ambos os estabelecimentos de agroturismo encontram-se no interior, conforme Figura 12, dificultando a localização de quem não está habituado à região (IBIRAÇU, acesso em 02 set. 2014).

BR 101 Estrada Secundária Perímetro Urbano

Figura 12 - Mapa de localização dos estabelecimentos de agroturismo. Fonte: Google Earth, acesso em: 20 fev. 2015.

O turismo religioso também é um forte atrativo para Ibiraçu, que possui, dentro de seu perímetro, o Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde, que recebe por ano mais de 10 mil visitantes para a festa de Nossa Senhora da Saúde em novembro, a Igreja Matriz de São Marcos e o Mosteiro Zen Budista. A capela de Nossa Senhora da Saúde em sua forma original, como foi construída pelos imigrantes italianos no século XIX e que posteriormente se tornou Santuário, conforme demonstra a Figura 13, está mantida. O Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde está recebendo investimentos para melhoria na infraestrutura. O projeto, que já está em fase de execução, contempla um novo espaço para a realização das celebrações, com mais de 2 mil metros quadrados, comportando mil pessoas sentadas, conforme Figura 14. Além do novo templo, o projeto ainda abrange as áreas de apoio às pessoas, como restaurante, ambulatório de emergência, lojas de artigos religiosos, sanitários e berçário (IBIRAÇU, acesso em 08 out. 2014).


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Figura 13 - Capela do Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

Figura 14 - Modelo Virtual do Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

O Mosteiro Zen Morro da Vargem, primeiro mosteiro budista da América Latina, está aberto a visitações apenas aos domingos. O acesso é pela BR 101 e é marcado por um pórtico vermelho, da arquitetura oriental, o “Torii”, conforme Figura 15. A estrutura do local é constituída por um conjunto de templos, conforme Figura 16, dormitórios (que são destinados aos monges), um centro de estudos denominado “Narazaki”, um centro ambiental, trilhas, loja de “suvenires”, cemitério e áreas de usos múltiplos, destinadas aos visitantes, compostas por decks, quiosques e gramados, além da vasta área de Mata Atlântica, que foi reflorestada em meados da década de 70. O Centro de Estudos Narazaki é uma estrutura independente da área central do mosteiro e possui 2 auditórios disponíveis para eventos, área de convivência e cozinha (MOSTEIRO ZEN MORRO DA VARGEM, acesso em 02 set. 2014).

Figura 15 - Torii na entrada do Mosteiro. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

Figura 16 - Interior do Templo de Oração. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

Para integrar a fé cristã ao budismo, foi implantado o projeto “Caminhos da Sabedoria”, que é um circuito de 108 quilômetros devidamente sinalizado por placas e marcos quilométricos, que liga o Santuário ao Mosteiro, passando por 23 pontos de referências históricas, 21 igrejas e capelas, incluindo a Matriz de São Marcos,


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ilustrada na Figura 17. Este circuito atravessa a cidade possibilitando ao turista “conhecer

montanhas,

fazendas

centenárias,

antigas

estações

ferroviárias,

cachoeiras e trechos de mata atlântica” (IBIRAÇU, acesso em 08 out. 2014).

Figura 17 - Percurso do Circuito “Caminhos da Sabedoria”. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

No distrito de Alto Piabas, localizado a 40 minutos do Centro de Ibiraçu, está localizado o Vinhedos Tóttola, onde as uvas são cultivadas e processadas para a comercialização, tanto da uva pura quanto de sucos, vinhos e geleias da fruta (IBIRAÇU, acesso em 28 set. 2014). Ibiraçu ainda conta com áreas naturais para visitação, com cascatas e cachoeiras, em regiões próximas do centro urbano e um museu com acervo de objetos das famílias dos imigrantes italianos, o Museu Zio Minio, conforme Figuras 18 e 19, sendo, respectivamente, o exterior e o interior do museu (IBIRAÇU, acesso em 28 set. 2014).


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Figuras 18 - Museu Zio Minio. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

Figuras 19 - Acervo do Museu Zio Minio. Fonte: Prefeitura Municipal de Ibiraçu, acesso em: 23 out. 2014.

O turismo de Ibiraçu possui elementos atrativos que devido a falta de informações e de promoção destes locais, acaba por não incentivar o interesse de visitação por pessoas que procuram novos lugares para conhecer. Com a construção de um hotel, a cidade poderá acolher o turismo como uma nova fonte de renda, além de desenvolver a infraestrutura local.


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3. ESTUDO DE CASO Para exemplificar o que se pretende implantar em Ibiraçu, este capítulo apresenta o estudo de caso de um hotel pertinente ao programa.

3.1. HOTEL LINX INTERNATIONAL AIRPORT GALEÃO

Ibiraçu é uma cidade pequena, cortada por uma importante rodovia federal e com isto recebe uma grande quantidade de pessoas em trânsito diariamente, seja a trabalho ou lazer, motivo este para a escolha do Hotel Linx Internacional neste estudo de caso, pois apesar de implantado em uma grande cidade, diferente de Ibiraçu, é um hotel que também recebe pessoas de diversos lugares. Este hotel é classificado como econômico e possui várias áreas de entretenimento, que serão conhecidas adiante, construídas visando o conforto para os hospedes, mesmo que parte do público alvo seja de usuários com pouco tempo para usufruílas. O Hotel Linx International Airport Galeão foi projetado em 2011 pelo escritório OSPA Arquitetura e Urbanismo e é administrado pela empresa hoteleira GJP Hotels & Resorts. Está situado dentro do perímetro do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, na Avenida Vinte de Janeiro, Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, estando a apenas 500 m de distância da sede do aeroporto, conforme Figura 20. Por estar implantado dentro de um aeroporto, o local é estratégico para receber o seu público alvo, sendo estes, turistas, executivos e pessoas em trânsito (ARCHDAILY, 2014).


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Figura 20 - Localização do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, e do Hotel Linx, na Avenida Vinte de Janeiro. Fonte: Modificado do Google Earth, acesso em: 08 out. 2014.

O hotel foi projetado para atender as necessidades advindas dos grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 (OSPA ARQUITETURA E URBANISMO, 2011). O terreno tem formato retangular de 80x60m, conforme Figura 21, possuindo assim uma área de 4800 m² e a área da intervenção é de 10000 m², composta por duas edificações com o formato de prismas retangulares puros e compactos interligadas por duas passarelas nos dois primeiros pavimentos. O hotel é limitado em relação a sua altura em 06 pavimentos conforme mostra a Figura 22, devido à proximidade com o aeroporto, garantindo assim o predomínio da horizontalidade, tendo um volume destinado aos apartamentos e o outro para as áreas sociais, administrativas e de serviço (ARCHDAILY, 2014).


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Figura 21 - Projeção do terreno e do gabarito máximo do Hotel Linx. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 08 out. 2014.

Figura 22 - Esquema da setorização. Fonte: Modificado da OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 10 out. 2014.

O volume que abriga as áreas sociais e as áreas de serviço é chamado de volume 1, demonstrada na figura 23. Possui dois pavimentos, com mezanino e terraço. Neste bloco, na fachada frontal, encontram-se as áreas sociais com o lobby de entrada do hotel, conforme mostra a figura 24, que possui um pé direito duplo contemplado pelo mezanino, o balcão de recepção, conforme Figura 25, áreas de estar e de acesso à internet para os hospedes, academia, restaurante, café e o acesso ao mezanino, Figura 26. O mezanino dá acesso ao terraço que contém piscina, espaços de estar, bar com restaurante, sala de ginástica e vestiários (ARCHDAILY, 2014).

Figura 23 - Fachada volume 1. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 09 out. 2014.

Figura 24 - Lobby e mezanino. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 09 out. 2014.


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Figura 25 - Balcão de atendimento. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 09 out. 2014.

Figura 26 - Escada para o mezanino. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 09 out. 2014.

A gastronomia é elaborada pelo Restaurante Cygnus e possui dentro das dependências do hotel o restaurante conforme demonstra as Figuras 27 e 28, e o lobby bar no pavimento térreo do volume 1, demonstrado na Figuras 29, e o bar da piscina no mezanino demonstrado na Figuras 30. (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).

Figura 27 - Restaurante Cygnus do hotel. Fonte: GLP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figura 28 - Restaurante Cygnus do hotel. Fonte: GLP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figura 29 - Lobby Bar do hotel. Fonte: GLP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figura 30 - Bar da Piscina. Fonte: GLP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Visando atender o público de negócios, o hotel possui duas salas de reuniões, uma no térreo e outra no mezanino. As duas salas de reuniões localizadas no volume 1


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são disponibilizadas para locação para receber eventos, reuniões, convenções e palestras. No pavimento térreo está situada a Sala Guanabara 1, conforme Figura 31, que tem 94m² e está preparada para acomodar aproximadamente 90 pessoas, enquanto no mezanino está localizada a Sala Guanabara 2, conforme Figura 32, que possui 77m² e comporta, aproximadamente, 60 pessoas (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).

Figura 31 - Sala Guanabara 1. Fonte: GLP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figura 32 - Sala Guanabara 2. Fonte: GLP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Além das salas de reuniões o empreendimento conta com o Business Center com 06 estações de trabalhos e impressora, conforme demonstram as Figuras 33 e 34, à disposição dos hospedes, sem custo adicional (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).

Figuras 33 - Business Center. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figuras 34 - Business Center. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

A academia e a piscina, demonstradas nas Figuras 35 e 36, respectivamente, estão situadas no mezanino, sendo que a academia funciona por 24 horas e a piscina está aberta aos usuários das 08:00 às 20:00 horas (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).


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Figuras 35 - Academia. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figuras 36 - Piscina. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

O volume 2 possui 6 pavimentos, com 27 apartamentos em cada pavimento, totalizando 162 apartamentos, com elevadores sociais e de serviço, duas escadas de emergência e rouparia. Os volumes estão conectados entre si por duas passarelas existentes no primeiro e no segundo pavimento (ARCHDAILY, 2014). A volumetria demonstradas nas Figuras 37 e 38, se faz necessária em dois blocos devido ao limite de altura imposto pela proximidade com o aeroporto e a disposição das áreas foi uma forma eficiente encontrada para garantir a implantação do maior número possível de aposentos, que estão dispostos em todos os pavimentos do volume 2, incluindo o pavimento térreo (GALERIA DA ARQUITETURA, 2013).

Figuras 37 - Volumetria volume 2. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 10 out. 2014.

Figuras 38- Volumetria volume 2. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 10 out. 2014.

Os apartamentos estão classificados em 3 categorias: o standard, o superior e o superior adaptado para portadores de necessidades especiais (PNE). Em cada pavimento há 14 suítes standards, 9 suítes superior adaptadas e 4 suítes superior (as das extremidades). Os ornamentos usados para a arquitetura de interiores elaborada para os quartos, que também foi projetado pela OSPA Arquitetura e Urbanismo, é voltado para representar as belezas e os pontos turísticos do Rio de Janeiro (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).


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Os apartamentos Standards conforme mostram as Figuras 39, 40 e 41, possuem 19,45 m² e capacidade para 02 pessoas. Estão disponíveis para estes hospedes: janelas com vidro duplo para isolamento termo acústico, ar condicionado, uma cama king size ou duas camas de solteiro, que varia dependendo da necessidade do hospede, frigobar, cofre, dock station, mesa de trabalho, televisão de LED com canais a cabo, secador de cabelo, telefone e acesso gratuito à internet wi-fi (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).

Figuras 39 - Quarto Standard com duas camas. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figuras 40 - Quarto Standard com cama king size. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figuras 41 - Banheiro do Quarto Standard. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Os apartamentos classificados como Superior adaptado para pessoas com deficiência locomotora, conforme demonstram as Figuras 42 e 43, possuem 24 m² e capacidade para 02 pessoas. Estão disponíveis para estes hospedes: infraestrutura de acessibilidade, janelas com vidro duplo para isolamento termo acústico, ar condicionado, uma cama king size ou duas camas de solteiro, que varia dependendo da necessidade do hospede, frigobar, cofre, dock station, mesa de trabalho, televisão de LED com canais a cabo, secador de cabelo, telefone e acesso gratuito à internet wi-fi (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).


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Figura 42 - Quarto Superior com duas camas. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figura 43 - Quarto Standard com cama king size. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Os apartamentos classificados como Superior, conforme Figuras 44 e 45, são os 04 das quinas do edifício, possuindo 24,03 m² e capacidade para 02 pessoas. Estão disponíveis para estes hospedes: janelas com vidro duplo para isolamento termo acústico, ar condicionado, uma cama king size ou duas camas de solteiro, que varia dependendo da necessidade do hospede, frigobar, cofre, dock station, mesa de trabalho, televisão de LED com canais a cabo, secador de cabelo, telefone e acesso gratuito à internet wi-fi e algumas outras comodidades (GJP HOTELS & RESORTS, 2013).

Figura 44 - Quarto Superior com duas camas. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

Figura 45 - Quarto Superior com cama king size. Fonte: GJP Hotels & Resorts, acesso em: 10 out. 2014.

O edifício foi construído com estrutura em concreto pré-moldado, conforme Figuras 46 e 47, para que sua execução fosse mais rápida e limpa possível, para poder atender os visitantes da Copa do Mundo de 2014. Além da estrutura, a vedação também foi executada com painéis pré-moldados de concreto e os banheiros que vieram em módulos prontos, conforme Figuras 48 e 49. (GALERIA DA ARQUITETURA, 2013).


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Figura 46 - Instalação do 1º pilar. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 11 out. 2014.

Figura 47 - Estrutura de concreto prémoldado. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 11 out. 2014.

FIgura 48 - Painéis pré-moladdos. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 11 out. 2014.

Figura 49 - Painéis pré-moldados. Fonte: OSPA Arquitetura e Urbanismo, acesso em: 11 out. 2014.

Para garantir a eficiência energética do edifício, além da envoltória em painéis de concreto pré-moldado, o edifício conta com o reuso de água da chuva nos vasos sanitários, painéis solares para o aquecimento da água, geradores que atendem toda a edificação, vidros duplos para isolamento termo acústico e sistemas de automação de irrigação, iluminação e ar condicionado (REVISTA HOTÉIS, 2013).


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4. ANÁLISE DO TERRENO 4.1. LOCALIZAÇÃO DO TERRENO

Segundo Bezerra e Melo (2003) a localização do terreno onde o hotel será implantado é um dos fatores principais para o êxito do empreendimento. O terreno escolhido para a implantação do projeto está situado dentro do perímetro urbano de Ibiraçu-ES, no Bairro São Cristóvão e possui uma área de aproximadamente 3615 m². Ibiraçu é uma cidade pequena e seu centro urbano está quase todo ocupado, restando apenas alguns lotes para a construção de edificações, que em sua maioria, não comportariam este empreendimento por serem de pequeno porte. A escolha do terreno veio da condicionante de encontrar dentro do perímetro urbano de Ibiraçu um lote próximo à rodovia BR 101, e com dimensionamento adequado, não muito grande, para não onerar o custo com a compra do mesmo e nem muito pequeno, para não precisar implantar a garagem no subsolo, o que também oneraria a construção. Os terrenos com estas características foram analisados, visando atender as exigências para a construção do hotel. Os terrenos compatíveis em tamanho que estavam ocupados com construções foram descartados da seleção, pois seria inviável adquiri-los para reforma ou demolição, além de evitar gerar entulho desnecessário. Sendo assim, o terreno identificado localiza-se na esquina da Rodovia BR 101 com a Rua Vitor Bragatto, Figura 50, próximo do Posto de Gasolina Padre Eustáquio, o que é um fator favorável aos usuários da rodovia, por ser um equipamento de serviço e apoio aos viajantes e dos possíveis usuários do hotel.


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Figura 50 - Localização do terreno. Fonte: Google Earth, acesso em: 11 mar. 2015.

O local é estratégico e possui boa visualização dos usuários da rodovia, por se tratar de um lote de esquina, não possuindo construções altas nas proximidades que impeçam a visualização da edificação do hotel, conforme Figura 51. Outra vantagem do terreno é a possibilidade de se implantar o acesso principal pela rua de menor movimento, a Rua Vitor Bragatto, sem interferir no tráfego da BR 101, garantindo maior segurança aos hospedes ao acessar o hotel.

Figura 51 - Foto panorâmica do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 20 fev. 2015.


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4.2. ENTORNO DO TERRENO

O entorno é predominantemente residencial com alguns equipamentos de serviço para os viajantes, como agência de banco e equipamento institucional, conforme Figura 52.

Figura 52 - Localização e imagem do Restaurante Feijão Doce. Fonte: Arquivo pessoal e Google Earth, acesso em: 22 fev. 2015.

O restaurante Feijão Doce, Figura 52 acima, é um anexo do Posto Padre Eustáquio que funciona com o sistema de self service e seus usuários são, em geral, caminhoneiros que param no posto para abastecer e a facilidade proporcionada pelo pátio de estacionamento de caminhões, ajuda o local a manter o movimento.


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Figura 53 - Localização e imagem do Posto de Gasolina Padre Eustáquio. Fonte: Arquivo pessoal e Google Earth, acesso em: 22 fev. 2015.

O Posto de Gasolina Padre Eustáquio, Figura 53 acima, é uma franquia dos Postos Shell e funciona 24 horas por dia, assim como a Lanchonete Sfalsin, conforme Figura 54 abaixo, que é outro equipamento do complexo de serviços aos viajantes.

Figura 54 - Localização e imagem da Lanchonete Sfalsin. Fonte: Arquivo pessoal e Google Earth, acesso em: 22 fev. 2015.


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Figura 55 - Localização e imagem da Serralheria. Fonte: Arquivo pessoal e Google Earth, acesso em: 22 fev. 2015.

A serralheria é um equipamento ruidoso que está implantado na quadra vizinha ao lote e funciona em horário comercia, figura 55 acima. Outro local que pode ser considerado uma fonte de ruído é a Igreja Pentecostal, localizada aos fundos do terreno, figura 56 abaixo

Figura 56 - Localização e imagem Igreja Pentecostal. Fonte: Arquivo pessoal e Google Earth, acesso em: 22 fev. 2015.


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Nas proximidades do terreno, do outro lado da rodovia, tem uma agência bancária da Caixa Econômica Federal, conforme Figura 57, que representa uma comodidade e facilitador para os usuários.

Figura 57 - Localização e imagem da agência Caixa Econômica Federal. Fonte: Arquivo pessoal e Google Earth, acesso em: 22 fev. 2015.

Nas construções vizinhas do lote, existe uma floricultura, denominada “Natura” e uma estrutura de venda de churrascos no espeto de madeira, que funciona à noite, das 19 às 23 horas, denominada de “Churrasquinho do Wilson”. Este estabelecimento também é caracterizado como um local ruidoso devido o movimento de gente e de veículos no local em seu horário de funcionamento, conforme Figura 58.


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Figura 58 - Localização e imagem da Floricultura Natura e do “Churrasquinho do Wilson”. Fonte: Arquivo pessoal e Google Earth, acesso em: 22 fev. 2015.

4.3. ASPECTOS FÍSICO- AMBIENTAIS

A topografia do terreno é plana, conforme demonstra a Figura 59, não contendo desníveis significativos dentro de seu perímetro, entretanto, verifica-se uma pequena diferença de altura entre o lote e a rua.

Figura 59 - Topografia do terreno. Fonte: Google Earth, acesso em: 11 mar. 2015.


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Figura 60 - Localização das visuais do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

As visuais encontradas do terreno são, basicamente, as montanhas a oeste e ao norte as plantações de eucalipto, conforme demonstram as Figuras 60 e 61.

Figura 61 - Visuais de dentro do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 20 fev. 2015.

Do outro lado da rodovia BR 101, encontra-se o Rio Taquaraçu que tende a encher nas épocas de chuva, ficando com alguns metros acima de seu nível normal, conforme figuras 62 e 63 abaixo.


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Figura 62 – Fotos do Rio Taquaraçu. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 20 fev. 2015.

Figura 63 – Fotos do Rio Taquaraçu. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 20 fev. 2015.

O terreno esta situado na margem da BR e para se construir no local é necessário respeitar a “Faixa non-aedificanti”, exigida pela Lei Federal de Nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano. Esta faixa é de 15m, a partir da faixa de domínio público da rodovia, ou seja, do limite do acostamento para dentro do lote, conforme assinalada na Figura 64.

Figura 64 - Área “Non-Aedificanti” do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.


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O terreno possui maiores dimensões voltadas para o norte e para o sul, Figura 65. Este cenário auxilia na implantação considerando a orientação solar, pois o edifício implantado no eixo leste-oeste pode ter suas áreas sociais e áreas de hospedagem voltadas para as fachadas norte e sul (sendo que a fachada norte receberia tratamento com elementos de proteção horizontais para reduzir a incidência solar) ficando as menores fachadas de maior incidência solar, voltadas para leste e oeste.

Figura 65 - Caminho do sol dentro do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

Outro fator importante do ambiente é a direção dos ventos. O terreno é cercado por uma cadeia montanhosa e forma um corredor de vento que vem do sentido sudestenoroeste, com as maiores fachadas da edificação voltadas para os sentidos norte e sul, conforme Figura 66. Estes ventos predominantes podem ser aproveitados por aberturas que promovam a ventilação natural, auxiliando no conforto térmico da edificação.


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Figura 66 - Ventos predominantes no terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

Dentro do terreno não consta massas de vegetação relevantes que impediriam ou atrapalhariam a implantação do edifício. A Figura 67 representa uma vista panorâmica da área, onde na parte com grande volume de arvores está a Floricultura Natura e na área livre esta o terreno.

Figura 67 - Vista posterior do terreno sem massas de vegetação. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

As calçadas arborizadas encontram-se apenas no entorno da quadra e nos canteiros laterais da BR 101, sendo que, no perímetro do lote, que faz margem com as vias, não existem calçadas, conforme demonstram as Figuras 68 e 69.


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Figura 68 - Fotos das calçadas e canteiros arborizados do entorno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 20 fev. 2015.

Figura 69 – Fotos da ausência de calçadas do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 20 fev. 2015.

4.4. ASPECTOS FÍSICO-TERRITORIAIS

O terreno é cercado de agentes causadores de ruído, conforme Figura70, por isto, deverão ser usadas técnicas de acústica na edificação. O principal agente ruidoso é a rodovia, localizada à frente do terreno. No entorno, os agentes são o posto de gasolina com os caminhões estacionando ao lado do terreno, a lanchonete, a serralheria e a Igreja.


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Figura 70 - Fontes de ruído nas proximidades do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

Foi observado que na região, por possuir vias de fluxo brando desaguando em uma via de fluxo intenso, ocorrem nós viários constantes durante o dia, principalmente quando os motoristas que estão nas vias de fluxo brando querem atravessar a rodovia ou entrar na mesma, conforme Figura 71.


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Figura 71 - Fluxo das vias e nós viários nas proximidades do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

O acesso de veículos pode acontecer pela BR 101 ou pela Rua Vitor Bragatto, que é a menos movimentada da região, sendo esta segunda opção a mais adequada, pois como a rodovia principal tem um fluxo muito intenso, Figura 72, a rua pouco movimentada proporcionaria maior conforto e segurança aos motoristas para entrarem na edificação. Já o acesso principal para pessoas, pode ocorrer tanto pela Rua Vitor Bragatto, quanto pela BR 101, uma vez que o limite não edificante imposto pela rodovia permitirá planejar uma área pública de vivência para o pedestre, com passeios confortáveis, áreas de estar, de contemplação e de apoio ao viajante. Dentro do terreno, os percursos informais de pedestres foram observados apenas nas proximidades com a rodovia, onde seria a calçada, entretanto, as zonas mais


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utilizadas pelas pessoas estão localizados na rua paralela à rodovia, pela segurança gerada pelas edificações que ali estão implantadas.

Figura 72 - Apropriação urbana do terreno. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

Grande parte do terreno atualmente é um vazio urbano, contendo apenas um ponto de ônibus no local, conforme Figura 73..

Figura 73 - Foto do terreno vazio com o ponto de ônibus. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.


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4.5. ASPECTOS URBANÍSTICOS

Ibiraçu é uma cidade que ainda não possui Plano Diretor Municipal, pois, segundo Carvalho (2010) em “O Estatuto das Cidades: Comentado”, as obrigatoriedades para a elaboração do instrumento não foram alcançadas. O Plano Diretor Municipal é um elemento obrigatório e elaborado para cidades: Com mais de vinte mil habitantes; Integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas; Onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4º do art. 182 da Constituição, que define politicas de desenvolvimento urbano para garantir o bem estar dos habitantes; Integrantes de áreas de especial interesse turísticos; Inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional (CARVALHO, p. 112, 2010). Após analise dos fatores determinantes para a implantação do plano diretor, ficou constatado que Ibiraçu, além de ser uma cidade que não atingiu a quantidade mínima de habitantes necessários à implantação, é um local que não recebe incentivos ao turismo, mesmo havendo equipamentos e locais importantes que deveriam ser mais explorados e que ajudariam a desenvolver a cidade e sua economia. Para suprir a ausência do instrumento norteador e definir como a cidade vai crescer até que o plano diretor seja elaborado e posto em prática, Ibiraçu segue as diretrizes municipais da Lei de Nº 3.032 de 2009, que dispõe sobre as edificações e obras do Município. O Art. 1º da Lei Nº 3.032/2009 ...“institui o Código de Obras e Edificações do Município de Ibiraçu, visando garantir condições mínimas de segurança, conforto, higiene e salubridade das edificações e obras em geral, inclusive as destinadas ao funcionamento de órgãos e serviços públicos” (Lei Municipal Nº 3.032, p. 1, 2009).

As condicionantes de uso e ocupação do solo para a construção de edificações definidas pelo Código de Obras do Município de Ibiraçu são referentes aos recuos, à altura da edificação, a área mínima permeável e a área mínima destinada aos


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estacionamentos. Nota-se a ausência da taxa de ocupação e conclui-se que o terreno pode ser aproveitado ao máximo, desde que respeitados os limites dos afastamentos, a altura máxima e garantindo a área mínima de permeabilidade.

Recuos ou Afastamentos

Figura 74 - Tabela de Recuo das Edificações em Ibiraçu. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 10 mai. 2015.

A tabela acima, Figura 74, apresenta os afastamentos mínimos exigidos para se construir segundo o Código de Obras de Ibiraçu. Como já citado, o lote é na margem da BR 101 e possui regulamentação específica, de ordem Federal, para se construir nestas áreas. O projeto deve seguir a Lei Federal de Nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, que dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano e determina uma faixa não edificável de 15 metros a partir do final da faixa de domínio público da rodovia para dentro do lote, isto é, o afastamento frontal determinado pelo Código de Obras de Ibiraçu deve ser desconsiderado e adotado o limite da Lei Federal de 15 metros.

Altura Máxima da Edificação O Código de Obras determina que a altura máxima da edificação seja vinculada a dimensão da via em que será inserida, isto é, a altura deverá ser menor ou igual ao somatório da via, as calçadas e o afastamento frontal. Como o terreno está voltado para a BR 101, que tem largura de 7 metros, 5 metros de acostamentos, 1 metro de canteiro lateral, 7 metros da via lateral e 15 metros de afastamento de área non-


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aedificandi, totaliza o somatório de 35 metros, sendo assim, a altura da edificação pode alcançar até 35 metros.

Taxa de Permeabilidade A área mínima permeável determinada pelo Código de Obras de Ibiraçu, independente de qual uso a construção está destinada, deverá respeitar a taxa de 10% da área do lote.

Estacionamento As disposições gerais referentes às áreas para vagas de estacionamento são: É permitido ocupar as áreas de afastamentos para vagas; É obrigatório reservar uma área para estacionamento respeitando o número de vagas determinado pela ordem de 1 vaga para cada 3 unidades de alojamento; É obrigatório 1 vaga para cada 50 m² de área de comercialização e prestação de serviços; As vagas poderão ser cobertas ou descobertas, sendo que, quando o estacionamento for planejado no nível do solo e for descoberto ele deverá ser arborizado, apresentando 1 árvore para cada 4 vagas; Deverá ser reservadas vagas para deficientes físicos próximos as entradas do edifício, com dimensão de 2,50 metros de largura mais uma faixa circulação de 1,20 metros; As vagas deverão respeitar as dimensões mínimas de 2,30 metros de largura e 4,50 metros de comprimento livres de obstáculos; As vias de circulação do estacionamento deverão respeitar as dimensões mínimas segundo o ângulo da vaga:


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o Vagas em paralelo: 3 metros de via; o Vagas com até 30º: 2,50 metros de via; o Vagas com angulação entre 31º e 45º: 3,50 metros de via; o Vagas com angulação entre 46º e 90º: 5 metros de via. Estacionamentos com mais de 30 vagas deverão ter entrada e saída independentes ou em mão dupla.

4.6. PROGRAMA DE NECESSIDADES

Segundo Andrade (2004), para o sucesso do empreendimento, o planejamento de um projeto de um hotel deve ser interdisciplinar e anteceder o processo de criação. Alguns dos aspectos analisados para se planejar adequadamente um hotel são: o perfil dos usuários que se pretende hospedar, a viabilidade econômico-financeira, a localização, a definição do programa de necessidades, segmento de mercado e a tipologia do hotel. A elaboração do programa de necessidades começa, segundo Andrade (2004), com a definição do segmento de mercado e a tipologia, pois estes itens vão determinar o que é importante para o hotel dentro de um programa básico e o que pode ser eliminado. Com a análise do segmento de mercado e a tipologia do hotel a ser projetado, a tabela a seguir representa as necessidades básicas que o empreendimento hoteleiro deve possuir.

Unidades de hospedagem com banheiro; Circulação; Área de hospedagem

Elevadores sociais e de serviço; Hall dos elevadores sociais e de serviço; Rouparia com sanitários masculino e feminino; Escadas de emergência; Shafts.


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Lobby com sala de estar, sala de TV, balcão de atendimento e sanitários masculino e feminino; Áreas públicas e sociais

Restaurante com salão de mesas, cozinha e sanitários masculino e feminino; Área de eventos com foyer, depósito de móveis, salas de reunião, escritório de administração dos eventos e sanitários masculino e feminino; Área para estacionamento. Área de recepção com balcão de atendimento, depósito de bagagem e escritório de apoio;

Área da administração

Área da gerência: sala para o gerente geral com sanitário, sala para a secretaria geral, sala da contabilidade geral, sala de reunião, sala de recursos humanos, setor de compra e venda, sala de recrutamento e treinamento de pessoal e sanitários masculino e feminino; Sala da engenharia e manutenção; Sala da central de segurança. Área de acesso e instalação de funcionários com portaria de serviço, posto de entrega de uniformes próxima da área de armazenagem de uniformes, vestiários com sanitários masculino e feminino, refeitório, cozinha de apoio e sala para descanso; Área de recebimento e triagem com doca de carga e descarga, posto de controle de recebimento e compartimento para lixo seco e lixo úmido;

Área de serviço

Área de armazenamento com depósito de alimentos e bebidas, câmaras frigorificas com antecâmara, governança com depósito de materiais de limpeza e depósito de materiais de higiene; Área da cozinha principal com área de cocção central, preparo de saladas e verduras, preparo de massas, preparo de carnes, preparo de peixes, padaria e confeitaria, higienização, preparo final, área de distribuição, área de devolução e sala do chefe de cozinha; Área de cozinha de apoio com área para higienização e cozinha terminal; Pequena lavanderia e depósito de roupa limpa.


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Sistema de água com reservatório inferior e reservatório superior; Área técnica

Sistema de ar condicionado com condicionadores; Central de gás. Piscina;

Área de recreação

Fitness; Sanitários masculino e feminino; Bar da piscina com área de mesas.

Além

do

programa

de

necessidades

básico

proposto

para

o

hotel,

o

empreendimento servirá como apoio aos viajantes e propõe-se que o restaurante seja aberto à população em geral, intenciona-se criar áreas públicas para descanso, estar e contemplação, além de oferecer serviços de banheiros, chuveiros e fraldário às pessoas que não estão hospedadas, mas que necessitem destes serviços.


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5. ESTUDO PRELIMINAR 5.1. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO PROJETO

O projeto tem como conceito promover o desenvolvimento de Ibiraçu com o turismo e buscar referências e necessidades da região para a elaboração do mesmo. No Município de Ibiraçu está localizado o Mosteiro Zen Budista, que é uma referência turística de âmbito internacional e para resgatar essa identidade local, trouxe para o projeto uma releitura das cores e formas marcantes deste equipamento tão singular, conforme Figura 75 a seguir.

Figura 75 - Desenho esquemático de intenção projetual. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

A volumetria foi pensada para dar dinamicidade e movimento à construção. São dois elementos prismáticos, um alto, com 30 m de altura (chegando a 32,69 m com o reservatório superior), e estreito que sobressai do volume um pouco mais baixo, com 23 m de altura, e comprido, como observado na Figura 76.


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Figura 76 - Desenho esquemático de volumetria. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

O edifício está rotacionado dentro do terreno, estando alinhado com a orientação norte/sul, sendo estas as direções das maiores fachadas da edificação, que permite aos viajantes uma boa perspectiva e visual do hotel. Apesar da fachada norte receber a incidência dos raios solares o dia inteiro, esta fachada recebe proteção de brises horizontais, que contribuem para as questões de conforto e estética. A fachada sul também se apresenta em perspectiva aos usuários da rodovia com uma pele de vidro, entretanto, ela não recebe tratamento de proteção solar por não ser uma orientação problemática. A edificação conta com 09 andares, sendo eles o pavimento térreo, o pavimento de eventos, 04 níveis consecutivos de pavimento tipo, um andar com áreas de lazer, um andar com 03 suítes e por ultimo o pavimento técnico, mais a área de cobertura e reservatório superior de água, conforme Figura 77 abaixo.


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Figura 77 - Corte esquemático da edificação. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

O hotel possui ao todo 58 apartamentos, sendo 52 deles divididos entre 04 pavimentos tipo, 03 apartamentos situados no andar de lazer e 03 no 7º nível da edificação. Para o uso exclusivo dos hospedes, o 6º nível da edificação abriga uma piscina, uma sala fitness e um bar. A edificação possui, também, salas para receber eventos e reuniões e um restaurante aberto para o público, que serve também de apoio ao viajante, com bar, banheiros e fraldário. O estacionamento interno tem capacidade para abrigar 40 veículos e está localizado na parte dos fundos do terreno para garantir a segurança dos automóveis. Próximo à entrada do hotel foi previstas duas vagas para pessoas com deficiência física, com área para circulação e rampa para a calçada. O estacionamento externo possui 04 vagas (uma delas acessível) e foi planejado para atender paradas rápidas para descanso. O estacionamento atende as exigências do Código de Obras do Município de Ibiraçu, que define a obrigatoriedade do seguinte numero de vagas:


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1 vaga de garagem para cada 3 apartamentos: 1 vaga – 3 apartamentos X vagas – 58 apartamentos X = 20 vagas 1 vaga de garagem para cada 50 m² de área de comercialização e prestação de serviços: 1 vaga – 50 m² X vagas – 440,79 m² X = 9 vagas O total mínimo necessário de vagas seria 29, mas, para garantir o conforto dos usuários e atender, também, os funcionários, a quantidade total de vagas do projeto é de 46, conforme mostra a Figura 78.


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ÁREAS DE ESTACIONAMENTO

Figura 78 - Áreas de estacionamento. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

O projeto de paisagismo contempla áreas externas de uso público, demonstrada na Figura 79, caracterizadas como área de estar, circulação, contemplação e o ponto de ônibus (que já estava implantado no terreno antes do projeto e foi requalificado para se integrar a edificação). Estas áreas públicas foram planejadas na área não edificável da rodovia para atrair a atenção dos viajantes que transitam pela via.


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ÁREAS PÚBLICAS

Figura 79 - Áreas uso público. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

A área de estar possui bancos e um caramanchão, conforme Figura 80. As áreas de circulação são as calçadas amplas e arborizadas e os corredores que direcionam à entrada externa do restaurante, Figura 81. A área de contemplação possui postes diferenciados e a placa do hotel e fica na quina do terreno, para dar destaque a visual do edifício.


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Figura 80- Áreas uso público. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

Figura 81 – Entrada do restaurante. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

As imagens 82 e 83, a seguir, representam, respectivamente, o modelo virtual da volumetria da edificação e da fachada norte.


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Figura 82 - Modelo virtual da volumetria da edificação. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

Figura 83 - Modelo virtual da fachada norte da edificação. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.


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5.2. TÉRREO

O pavimento térreo está elevado 75 cm do nível da rua, conforme Figura 84 e possui, aproximadamente, 935 m², ocupando 25,86% do terreno, que possui 3.615,31 m².

Figura 84 - Localização do pavimento térreo na edificação. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

No térreo estão implantadas parte das áreas sociais e de serviço, conforme Figura 85, ilustradas a seguir.


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Figura 85- Áreas sociais e áreas de serviço. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

5.2.1.

Áreas Públicas e Sociais

As áreas públicas e sociais foram planejadas para dar conforto e comodidade aos hospedes e usuários. A entrada principal do hotel é pela Rua Vitor Bragatto, e a entrada do restaurante, pela BR 101, ilustrado na Figura 86.


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Figura 86 - Acessos e รกreas sociais. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

As รกreas sociais do hotel sรฃo, basicamente, o lobby e o restaurante, e as รกreas derivadas dos mesmos. A Figura 87, a seguir, ilustra a entrada do hotel, protegida por uma marquise.


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Figura 87 – Entrada do hotel. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

O lobby é a entrada do hotel e abriga o balcão de recepção à frente da entrada, sala de estar e de televisão e banheiros. À esquerda na Figura 85 acima, a entrada interna do restaurante e, à direita, o acesso principal do hotel. O restaurante fica de frente para a Rodovia para atrair os usuários e pode ser acessado tanto pela entrada de frente à BR 101, como por dentro do hotel. As áreas públicas do restaurante são: os banheiros externos para uso dos viajantes, o bar (que exerce função de hall de entrada da área de mesas), a área de mesas interna, o banheiro interno e o deck com mesas.

5.2.2.

Áreas de Serviço

O acesso de funcionários é feita pela Rua Vitor Bragatto, conforme ilustra a Figura 88 abaixo. A entrada está recuada do volume principal para não ser um ponto de destaque na fachada e nem na entrada principal.


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Figura 88 - Acessos e áreas de serviço. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

As áreas de serviço podem ser divididas entre área de controle, armazenamento, vestiários, cozinha e recebimento e triagem. Existem dois tipos de controle, o controle de entrada de funcionários e insumos e o controle de armazenamento, ou, governança. O hotel possui uma doca com uma vaga de carga e descarga coberta para triagem e recebimento de insumo, que passam pelo controle de entrada e seguem para seus respectivos armazenamentos. As áreas de armazenamento estão divididas entre o armazenamento de mantimentos, que abastecem a cozinha central e de apoio, armazenamento de materiais de limpeza, materiais de higiene e o depósito de roupa limpa. Para atender a cozinha foi planejado o depósito de alimentos e bebidas e câmaras frigorificas. O


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depósito de roupa limpa atende à lavanderia, pois em cada pavimento de hospedagem possui sua própria rouparia. Os vestiários são divididos entre masculino e feminino, e, para acessá-los o funcionário passa pelo controle de entrada e o posto de entrega de uniformes. Para descanso dos funcionários foi planejada uma área externa com bancos que é acessado pela circulação de funcionários.

5.3. EVENTOS E ADMINISTRATIVO

O pavimento possui salas para locação para eventos de diversos gêneros, e abriga, também, as áreas do administrativo, que podem ser visualizados na Figura 89.

Figura 89 - Áreas sociais e áreas de serviço. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

O pavimento apresenta as seguintes áreas de eventos: o foyer na saída dos elevadores sociais, 4 salas para eventos, depósito de móveis e equipamentos, escritório de administração e banheiros.


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As áreas de administração foram planejadas para serem integradas com salas próximas

para

facilitar

a

comunicação

e

integração

das

especialidades

administrativas. O andar ainda conta com cozinha de apoio, refeitório e sala de descanso para os funcionários.

5.4. PAVIMENTO TIPO DE HOSPEDAGEM

O andar de hospedagem define a volumetria do edifício. Foi a primeira planta a ficar pronta, pois é a partir da conformação deste pavimento que as demais plantas são elaborados conforme demonstra a Figura 90 e a planta de layout do pavimento tipo.

Figura 90 - Planta de Layout do pavimento tipo. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

O pavimento possui 641,8m² e ele é repetido quatro vezes, compondo o 2º, 3º, 4º e 5º pavimentos da edificação, conforme Figura 91.


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Figura 91 - Posição dos pavimentos tipo na edificação. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

A área de uso dos hospedes, do pavimento tipo, é composta por treze quartos com banheiros individuais, as saídas dos dois elevadores sociais que dão acesso ao hall dos elevadores do pavimento, este hall dá acesso às circulações de entrada dos quartos e das duas escadas de emergência localizadas nas extremidades das circulações, conforme Figura 92.


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Figura 92 - Áreas de uso dos hospedes do pavimento tipo. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

As áreas restritas aos funcionários do pavimento tipo constituem-se da saída do elevador de serviço na circulação de serviço, sendo que, nesta circulação interna pode-se acessar os banheiros dos funcionários, a área técnica, a circulação dos hospedes e a rouparia, que, também, tem ligação com a circulação dos hospedes, a Figura 93 mostra a área restrita do pavimento.


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Figura 93 - Áreas de uso restrito dos funcionários do pavimento tipo. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

As unidades habitacionais (apartamentos) possuem pouco mais de 30 m², tendo 04 metros a menor dimensão, o que segundo Andrade (2004) é uma dimensão considerada adequada para o tipo de construção, pois dimensões superiores podem onerar gastos com a locação distante entre pilares e revestimentos de fachada, além de criar espaços ociosos dentro dos quartos, enquanto dimensões inferiores causariam desconforto e espaços apertados de circulação. Os quartos estão voltados para as orientações norte e sul, sendo oito quartos voltados para o norte e cinco quartos voltado para o sul. A fachada norte recebe tratamento com brises horizontais para proteção da incidência dos raios solares. O mobiliário dos quartos foi pensado para atender as necessidades dos dois tipos de usuários, os viajantes a lazer e os viajantes a trabalho. As unidades comportam uma cama Queen Size ou duas camas Twins, variando de acordo com a necessidade do hospede, além de armário para depositar as malas e roupas, dois criados mudos, bancada com estação de trabalho, uma mesa com duas cadeiras, prateleira de apoio, televisão de 42” e frigobar, conforme demonstra a Figuras 94, que apresenta as duas opções de layout para os quartos.


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Figura 94 - Opções de Layout para as suítes do hotel. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

As Figuras 95, 96 e 97, abaixo, são modelos virtuais do quarto com a cama padrão Queen Size.

Figura 95 - Modelo virtual do quarto. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

Figura 96 - Modelo virtual do quarto. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.


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Figuras 97 - Modelo virtual do quarto. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

5.5. LAZER

O pavimento de lazer, Figura 98 abaixo, acontece logo após o ultimo pavimento tipo, figura 99, e possui, além dos equipamentos de lazer, três apartamentos com a rouparia, a área técnica, os banheiros de funcionários e os elevadores com seus respectivos halls, social e de serviço.

Figura 98 - Planta baixa do pavimento de lazer. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.


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Figura 99 - Localização do pavimento na edificação. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

Os espaços existentes de lazer são piscina, deck com espreguiçadeiras, lanchonete/bar e área livre com mesas para os hospedes, banheiros e o fitness para os usuários não interromperem seus treinos no período em que estiverem hospedados. O posicionamento do volume mais alto estar a leste é para aproveitar o sol da tarde na piscina e no deck com espreguiçadeiras, que estão situadas no volume mais baixo. Para dar apoio aos usuários da área de lazer, foi planejada uma lanchonete/bar para atender os usuários da piscina, da área de mesas e do fitness.

5.6. ÁREAS TÉCNICAS

O hotel está equipado com uma central de gás, para atender as necessidades da cozinha, e uma subestação de energia. Os dois equipamentos estão situados no


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térreo e são acessados pela área externa da edificação, conforme visualizado na figura 100.

Figura 100 - Localização do equipamentos técnicos do térreo. Fonte: Arquivo pessoal, acesso em: 21 mai. 2015.

Para o armazenamento de água foi planejado, segundo as exigências da NBR 5626/1998, o reservatório inferior, que está situado no estacionamento, e o reservatório superior, situado na cobertura da edificação. Ambos os reservatórios são divididos para facilitar a limpeza e manutenção, sendo que, cada compartimento do reservatório inferior possui capacidade para 22075 litros, totalizando uma capacidade de armazenamento de 44150 litros de água e cada compartimento do reservatório superior possui capacidade 14628 litros, totalizando 29256 litros de água.


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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a apresentação deste trabalho, pode-se perceber que a construção de um hotel central/econômico tem tudo pra ser um empreendimento de sucesso e lucrativo, considerando um tempo de médio prazo para o retorno do investimento, uma vez que poderá absorver clientes de todos os níveis sociais, turistas a passeio ou trabalho, viajantes da BR 101 como um todo, além da parcela do público alvo que são gerados em virtudes de visitas aos Municípios vizinhos, que encontram-se em pleno momento de expansão, como o de Aracruz-ES, que já conta com empresas de grande porte como a Fibria, que por si só já atrai clientes de todo Brasil e até do exterior e agora com a construção da Jurong, esta já está provocando uma demanda grande de lugares em hotéis e pousadas para seus clientes em potencial e visitantes, tanto para pernoitarem ou passarem temporada, restando assim, uma demanda, por tabela, de hotéis nos Municípios vizinhos como Ibiraçu, tendo em vista que seus clientes, muitas vezes precisam viajar para o Município de Vitória-ES, para pernoitarem e retornarem no dia seguintes e isto às vezes ocorrer por vários dias seguidos por falta de lugares nos hotéis da região. A construção deste hotel iria absorver todo este público, além das inúmeras pessoas que trafegam pela BR 101 e que precisam de um lugar pra pernoitar e descansar. A escolha do modelo de hotel que se pretende implantar também já é um fator que permite afirmar sobre a viabilidade do projeto, uma vez que, como já citado, o publico alvo que se pretende conquistar e atrair, são todos os transeuntes da BR 101, seja por motivo de passeio, trabalho ou turismo, seja também apenas para uma pausa ou descanso após horas de viajem. O conforto, comodidade e localização do empreendimento irão permitir a estes viajantes parar por algumas horas, uma noite ou mesmo aos finais de semana para visitação da cidade, que como já explicitado, possui pontos de turismos interessantes para serem visitados. Com o planejamento e busca de informações sobre o empreendimento ficou claro que o setor de hotelaria está em expansão, há plena capacidade de absorver todo o público alvo e muitos outros que poderão ser conquistados com o gerenciamento, a infraestrutura e qualidade que serão ofertados.


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Conclui-se, portanto, que planejar e abrir um empreendimento deste porte não é simples, mas após levantadas todas as variáveis, percebe-se que é o ramo certo, no local certo, para o público alvo e que a demanda deste serviço traz confiabilidade, sucesso e benefícios para o Município de Ibiraçu-ES, como se pretende.


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ANEXOS


TCC ArqUrbUVV Proposta Projetual de um Hotel para a Cidade de Ibiraçu-ES  

2015-01 - Grazielli Cometti Bizerra.

TCC ArqUrbUVV Proposta Projetual de um Hotel para a Cidade de Ibiraçu-ES  

2015-01 - Grazielli Cometti Bizerra.

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