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Diretora de Conteúdo Paula Santana Editora-chefe Marcella Oliveira Reportagem Larissa Duarte, Rebeca Oliveira e Roberta Pinheiro Editora de criação Chica Magalhães Editor de fotografia Celso Junior Produção executiva Karine Moreira Lima Pesquisa de Imagens Enaile Nunes Colaboradores Aline Vessoni, Bruna Nardelli, Bruno Peres, Doris Bicudo, Helio Perfeito, Isabella de Andrade, Junior de Paula, Marcus Barozzi, Maria Eduarda Bastos, Maria Thereza Laudares, Morillo Carvalho, Patrícia Justino, Paula Brofman, Roberta Pinheiro e Theodora Zaccara Revisão Jorge Avelino de Souza Diretora de Estilo Flaviany Leite Diretor Executivo Rafael Badra Diretor de Relacionamento Guilherme Siqueira Publicidade Marina Vitali e José Roberto Silva Tiragem 30 mil exemplares Circulação e Distribuição EDPRESS Transporte e Logística

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GPS|BRASÍLIA EDITORA LTDA. www.gpslifetime.com.br

SÓCIOS-DIRETORES RAFAEL BADRA PAULA SANTANA FLAVIANY LEITE GUILHERME SIQUEIRA Edif cio ega uxur esign ffices, Setor Comercial Norte, quadra 1, sala 216 CEP: 70711-010 – Brasília-DF Tel.: (61) 3364-4512 | (61) 3963-9003

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EQUIPE

Chica MagalhĂŁes

Marcella Oliveira

Karine Moreira Lima

Celso Junior

Enaile Nunes

Rebeca Oliveira

COLABORADORES

Aline Vessoni

Bruna Nardelli

Bruno Peres

Doris Bicudo

Helio Perfeito

Isabella de Andrade

Junior de Paula

Larissa Duarte

Marcus Barozzi

Maria Eduarda Bastos

Morillo Carvalho

Paula Brofman

Roberta Pinheiro

Theodora Zaccara

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ANO 7 – Nº 20 –

ET 2018

Foto Celso Junior Camila Coutinho, Yan Acioli, Beto Pacheco e Marina Morena vestem Dolce & Gabbana

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DE PORTAS ABERTAS

Bem-vindo de volta ao Espaço Renato Russo

ADORÁVEL INTERVENTOR URBANO

A interferência despretensiosa de Toninho Euzébio

CADA DIA MAIS PERTO

Sírio-Libanês é símbolo de excelência

SAGRADO REFÚGIO

Memorial dos povos indígenas, 40 anos

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SERES MARCADOS

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A SUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

48

REFLORESTADORES URBANOS

54

ATHOS POR TODA PARTE

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DIRA PAES

laudia ndu ar e a fotografia como ativismo

Design e natureza em projeto de Valéria Gontijo Triptyque cultua a cidade leve

Empresa e fundação homenageiam o mestre A bela pratica arte inspirada na vida

58

A ESCRITORA DE CEM MILHÕES DE LIVROS

62

MULHERES PLURAIS

Isabella Carpaneda ganha livro com seu nome As donas dos versos na Capital

68

EU VOU ESTAR Capital Inicial não perde a vitalidade

72

UMA ADEGA LITERÁRIA Suntuosa biblioteca de vinhos vira livro

74

DESEMBARQUE IMEDIATO Premiados chefs de Brasília desembarcam em SP

88

BRASÍLIA CONTRA O CÂNCER Santa Lúcia e maior campanha contra o câncer

92

PERFECTA: EXAMES RADIOLÓGICOS PERSONALIZADOS Acolher e humanizar: lemas da Clínica Perfecta

94

HOMEM: CUIDADO, FRÁGIL O amor faz saber que precisamos fazer algo

96

LÍVIA DE MOURA FARIA a e news e o desafio da usti a Eleitoral

104 NA VANGUARDA DO ENSINO asa T omas efferson tradi ão e inova ão

106 EXPLORE O LAGO PARONOÁ Compartilhar lanchas e jet ski é realidade

108 CRIADORES DE SOLUÇÃO oão Todde, Erenice lei e ordem

uerra e

ilson enriques

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110 A ORDEM EM ORDEM Max Telesca rumo à OAB

112 O VOO MAIS ALTO

Paulo Sérgio Kakinoff leva a GOL rumo ao topo

116 A CONCRETUDE QUE NOS UNE

Um cidadão do mundo, mas de Brasília

119 O MURALISTA MONUMENTAL

Eduardo Kobra imprime talento mundo afora com spray

124 E O TEMPO LEVOU…

Em São Paulo, a magnitude de Niemeyer

133 QUARTETO FANTÁSTICO

Camila, Betinho, Marina e Yan chacoalham o Brasil

144 ESSAS MULHERES

Nomes que fazem de SP uma metrópole melhor

164 CELEBS DA ERA DIGITAL

n uenciadoras rasilienses se consolidam como personagens relevantes

194 LET'S SHINE A luz do dia inspira o verão

196 TETÊ COM ESTILO Arte que pulsa em Florença

200 TESOUROS REVELADOS Quando assimetria invade o set

202 A RESTAURAÇÃO Por dentro da Detak, primeira bag spa do DF

204 ALTA-RELOJOARIA Seletos celebram Bronzo, novidade Panerai

206 ARTE Como montar uma coleção de arte

208 O RENASCIMENTO DA TRADIÇÃO Liceu de Artes e Ofícios renasce

212 O EXTRAORDINÁRIO DA ART BASEL A cultura de vários continentes

176 TEMPO DE COSTURA

216 AFINIDADES AFETIVAS

178 SIM, SENHORA

220 GERMAN LORCA

Alta costura se rejuvenesce Aos 77 anos, Faye Dunaway rouba a cena

180 MODA

As tendências sob a curadoria de PS

186 TÁ DE PÉ

Glitter, metalizados, paetês, veludos molhados, logomania…

188 ESSENTIAL

Collabs da Rimowa, biquínis oitentistas e miniwatch Cartier

190 OH, MY BAG!

Mix de texturas e cores é novo statement

192 ENTRE NÓS

Diego Cattani elege Brasília como lar

A pungência de Lucia Nogueira na Bienal

O espetáculo do cotidiano

226 UM SANTUÁRIO PRIMITIVO Kenoa Eco-chic design: simplicidade é um luxo

230 TIPS FOR FLORIDA As trends e news mais quentes do estado

232 EXPERIÊNCIA GLOBETROTTER Os melhores hot spots pela Europa

234 IT’S LONDON, BABY Londres: caldeirão de raças, idiomas e estilos

238 HOSPEDAGEM REAL The Lanesborough, a joia britânica

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EDITORIAL

Paula Santana

Flay Leite

Guilherme Siqueira Rafael Badra

O PROCESSO DA LEVEZA

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ontam os sábios que tudo na vida é processual. Há o momento correto para que cada coisa aconteça. O tempo da espera. Enquanto isso, percebemos que a caminhada faz mais sentido que o destino final. A jornada é que é a graça da vida. Vai, caminha, segue. A chegada é o que menos importa. Porque a vida está no agora. Melhor ainda é quando o presente alcança o futuro. Foi o que aconteceu conosco. Avançamos e nos tornamos o GPS|Media Group, uma solução adaptada à nova configuração no mercado de comunicação. E resolvemos dividir nossa história com São Paulo, a capital que tanto nos inspira e direciona. Preparamos uma edição especial, elencando personas que de fato identifiquem o atual DNA paulistano em todas as esferas. Trouxemos para a capa a universalidade do país. O brasiliense Yan Acioly, a baiana Marina Morena, o paulista Beto Pacheco e a pernambucana Camila Coutinho, atualmente profissionais influentes que movimentam o universo do entretenimento. Pelas lentes de Celso Junior, eles chegaram ao topo. Estiveram no mais alto ponto do Edifício Copan, uma das obras-primas de Oscar Niemeyer. A todo instante, a conexão entre ambas as capitais que dirigem o Brasil se fazia visceralmente presente nesta edição, seja pela obra de Eduardo Kobra estampando o rosto do arquiteto modernista

ou pelos prédios do mestre engolidos pelo caos urbano do centro da cidade. E as mulheres empoderadas, de presença e atitude, que chacoalham a cena empreendedora do jet set local. Elas são geniais. E se for para falar das delícias da feminidade, então temos a atriz humanista Dira Paes, a escritora Isabella Carpaneda, as poetas que versam a República. E buscamos tantos ícones nesta edição… os fotógrafos German Lorca e Claudia Andujar, além da efervescência artística que explode em tantas manifestações culturais como a Bienal e a volta do Liceu. De Brasília, apresentamos Toninho Euzébio, publicitário que ganhou a simpatia do mundo com sua irreverente interferência urbana. Vale muito apreciar. O que queremos com essa sinergia que ganha forma é, sobretudo, nos fazer relevantes da forma mais colaborativa que houver, com a leveza das curvas do traço de Niemeyer. O mundo e a alma pedem essa simplificação. E trocar expectativa por perspectiva pode ser a maior experiência a se vivenciar. Como diz a sagrada escritura, “Eis que faço novas todas as coisas”. Assim seja.

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CULTURA

DE PORTAS ABERTAS O CELEIRO CULTURAL QUE DESPERTOU GERAÇÕES PARA A ARTE ESTÁ VIVO. PARA OS VETERANOS, O REGRESSO À CASA. PARA OS JOVENS, UM NOVO HORIZONTE DE POSSIBILIDADES. BEM-VINDO DE VOLTA AO ESPAÇO CULTURAL RENATO RUSSO POR ROBERTA PINHEIRO « FOTOS CELSO JUNIOR

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RETRANCA

“O JOVEM PRECISA DE UMA ESTRUTURA DE ACEITAÇÃO DO TRABALHO PARA MOSTRAR COISAS BOAS, NOVAS IDEIAS” Ralph Gehre

“OS ARTISTAS ESTAVAM PRÓXIMOS. ERA UMA MISTURA DE QUEM ESTÁ APRENDENDO COM QUEM JÁ ESTÁ NO MERCADO” Adriana Lodi

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ma pasta com alguns desenhos e coragem. Era tudo o que o artista plástico Ralph Gehre tinha em 1980, quando marcou uma audiência com o diretor da então Fundação Cultural do Distrito Federal (FCDF). Na época, a instituição ocupava um dos galpões da 508 Sul. “O diretor viu o material e gostou”, relembra Ralph. Assim, sem burocracias, o local abriu as portas para a primeira exposição de um artista da cidade, de apenas 28 anos: Ralph Gehre Desenhos. Passadas três décadas, coube ao artista bater o primeiro prego do recém-reinaugurado Espaço Cultural Renato Russo. Depois de cinco anos fechado por problemas estruturais, o local volta a respirar. Ralph Gehre participa da exposição coletiva Ondeandaonda III  – uma iniciativa do diretor do Museu Nacional da República, Wagner Barja, que reúne obras de artistas de espaços independentes da cidade. Para Ralph, retomar as atividades do complexo cultural é um resgate importante não só para a cidade como para a cena artística.  “O jovem precisa de uma estrutura de aceitação do trabalho para mostrar coisas boas, novas ideias, um pensamento mais arriscado, desconcertado, e mostrar outro ponto de vista», diz.

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O grafite colorido na fachada sempre foi uma característica. Contudo, com o abandono, as cores perderam a graça e as pichações se sobrepuseram. Por dentro, era escuridão e poeira. Na nova fase, o local se transformou em uma tela em branco e os grafiteiros de Brasília Toys, Curujito, Mudof, Siren, Odrus e Vanz fizeram a sua arte. Na parte interna, a luz natural toma conta. As instalações são aparentes e remetem a um grande galpão ou uma fábrica. Como um ambiente multidisciplinar, tem espaço para todas as expressões artísticas: as galerias Rubem Valentim e Parangolé, o teatro Galpão, a sala de filmes Marco Antônio Guimarães, sem falar na biblioteca e na gibiteca – acervo raríssimo. A Rádio Cultura sintoniza de lá e, entre as novidades anunciadas, haverá uma área dedicada à memória do cantor e compositor Renato Russo.

“ELE INFLUENCIOU A VIDA DE GERAÇÕES DE BRASILIENSES, SEJA FORMANDO PÚBLICO E PLATEIA, SEJA DEFININDO CARREIRAS ARTÍSTICAS”, Guilherme Reis, secretário de Cultura

HISTÓRICO

A sua presença chama a atenção de quem circula pela avenida W3 Sul na altura da 508. Durante anos, tapumes, pichações, poeira, sujeira e resquícios de obra ocuparam o espaço antes tomado pela arte em suas diferentes linguagens. A história do espaço começou em 1974, quando galpões que abrigavam a sede da extinta FCDF e também funcionavam como depósitos transformaram-se no Teatro Galpão. A primeira peça encenada ali foi O Homem que Enganou o Diabo e ainda Pediu Troco, do jornalista Luiz Gutemberg. Em 1977, o local foi rebatizado de Centro de Criatividade, que incluía além do Teatro Galpão, o Galpãozinho e GPSLifetime « 23

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as galerias de arte. Nessa época, além de nomes da cidade, passou por ali Oswaldo Montenegro. De 1986 a 1993, houve declínio e as primeiras reformas. Contudo, a comunidade artística se mobilizou para reinaugurá-lo. Em 2003, foi rebatizado de Espaço Cultural Renato Russo, uma homenagem ao músico brasiliense que frequentava o local durante sua adolescência e utilizava os galpões para cantar junto com sua primeira banda, o Aborto Elétrico. Dez anos depois, mais uma vez, o complexo foi fechado. A reforma foi iniciada em 2016.

MEMÓRIAS “Uma das lembranças mais marcantes que tenho foi quando o teto do galpão saiu no meio de uma tempestade”, comenta a artista, gestora cultural e integrante do Coletivo Instrumento de Ver, Julia Henning. A primeira apresentação do grupo foi ensaiada ali, em 2002, e, mesmo fechado, servia de palco para as criações do grupo. “Ter ficado fechado foi muito ruim, uma geração de artistas perdeu o contato”, analisa. Para ela, a vo24 « GPSLifetime

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cação do Espaço Cultural Renato Russo é a sua abertura para a arte genuinamente brasiliense. “A cidade tem uma atividade cultural forte e ter equipamentos acessíveis é fundamental. Ali é um local de arte autônoma e de experimentação”, conclui. Ao lado da estação de metrô e de paradas de ônibus, o complexo é democrático. “A diversidade de sujeitos que o frequentavam sempre foi muito inquietante. Para adolescentes que ainda não têm definido o que querem, que não sabem aonde ir, o espaço é frutífero, de provocação. Ele te dá liberdade. É uma grande oportunidade para encontrar caminhos. Foi o meu caso”, relembra a atriz Adriana Lodi. Ela pisou no espaço, pela primeira vez, em 1983 para uma oficina de teatro gratuita a convite de um amigo. Anos depois, Adriana retoma as oficinas gratuitas para oferecer a outros jovens a mesma experiência que teve. Inventar, produzir, escrever, encenar e entender toda a cadeia produtiva cênica. Entre as muitas lembranças, a atriz guarda os momentos que ficava olhando pelas brechas das portas os grandes nomes, como Hugo Rodas e Fernando Villar, trabalharem.  “Os artistas estavam próximos. Era uma mistura de quem está aprendendo com quem já está no mercado”, relembra. Como Secretário de Cultura do DF, Guilherme Reis presenciou o dia em que o complexo voltou a exalar arte. “Acho que tê-lo de novo à disposição da comunidade tem um significado muito grande. Para os mais vividos significa quase um retorno para a própria casa, um reencontro com a sua memória, a sua vida. Para as gerações mais novas, a ampliação de horizontes. Ali me tornei ator, diretor e já levei espetáculos nacionais e internacionais importantes como produtor”, comenta. Agora, uma entidade da sociedade civil vai participar junto com a pasta da gestão do espaço. “Ele influenciou a vida de gerações de brasilienses, seja formando público e plateia, seja definindo carreiras artísticas. Espero que continue sendo um local democrático que dialogue com todo o DF, preserve a memória e a tradição do que já aconteceu ali e se abra para o futuro”, resume Guilherme. Espaço Cultural Renato Russo W3 Sul, quadra 508, Asa Sul, Brasília (DF) Tel.: (61) 3443-6039 Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 20h

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DESENHO

ADORÁVEL INTERVENTOR URBANO CANETA, PAPEL E OLHAR LÍRICO TRANSFORMARAM A VIDA DO PUBLICITÁRIO TONINHO EUZÉBIO. A INTERFERÊNCIA DESPRETENSIOSA NAS PAISAGENS COTIDIANAS PUBLICADAS NAS REDES SOCIAIS O LEVOU A GALERIAS MUNDO AFORA POR BRUNO PERES « FOTO HÉLIO PERFEITO

E

m um passeio por Brasília é bem possível encontrar o artista Toninho Euzébio em atividade – ou em processo de “interferência urbana instantânea”, como ele próprio define o trabalho de unir desenho à mão com fotografia digital de paisagens e cenas do cotidiano, em uma sobreposição harmônica de elementos, com muita criatividade e bom humor. Vestindo-se confortavelmente, é fácil identificá-lo com uma mochila de alça atravessada.

“Achei ‘interferência’ um nome interessante. É uma intervenção no ambiente público, mas sem interferir verdadeiramente. É instantâneo”, diz, um tanto acelerado, como um típico gênio da criatividade cuja fala não acompanha a velocidade das ideias. O resultado pode ser con-

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em 2016. Contratou o artista para ilustrar um comercial de TV sobre o respeito à faixa de pedestre. Já a Justiça Eleitoral projetou a arte de Toninho em escala nacional para anunciar o desenvolvimento do aplicativo e-Título. A Moleskine o convidou para ser embaixador da marca no Brasil. “Eu fiquei felizão”, conta o goiano bem brasiliense, de 52 anos, morador da Capital Federal há 45. O tipo do papel do caderno pequenino, diz o artista, é o ideal para o traço preto da caneta com pigmentos de nanquim comprada no exterior. Já os preenchimentos coloridos são feitos por canetas marcadoras de alta qualidade próprias para desenho. Toninho sempre lança um olhar próprio sobre qualquer paisagem que o envolva. Às vezes, recebe sugestões, mas o toque final é dele. Foi assim quando um amigo sugeriu desenhar o King Kong em uma visita ao Empire State Building, em Nova York. Ele optou por pendurar um cacho de bananas ao topo do edifício e representar o primata com a própria mão. Essa viagem para os Estados Unidos em março deste ano, aliás, tinha uma finalidade importantíssima. Por meio da internet, uma galeria suíça entrou em contato, sugerindo a inscrição de seus trabalhos à curadoria da The Armory Show, um dos encontros anuais mais importantes do mercado de arte. O retrato da Ponte JK entendida como uma pedra quicando sobre a água – feito no intervalo de um tra-

ferido em sua galeria no Instagram, onde dez mil admiradores são surpreendidos a cada postagem. A partir das redes sociais, sua arte também passou a ser reconhecida em campanhas na TV e em presentes encomendados. O Detran do Distrito Federal foi o primeiro cliente,

balho publicitário – tinha sido a única ilustração escolhida entre as inscritas para a mostra em Nova York, mas houve uma surpresa. À ilustração do cartão postal de Brasília projetada na galeria sucede-se a série completa de obras apresentadas aos curadores. “Eu vibrei muito, esperava que fosse só uma. E era o único do Brasil”, orgulha-se.

O INÍCIO

Aconteceu em uma repartição burocrática do Distrito Federal o start para uma guinada na trajetória de Antônio Carlos Euzébio Pereira, após anos atuando em agências de publicidade. Enquanto aguardava ser atendido em um posto da Secretaria de Fazenda, o artista plástico ouvia as queixas de uma senhora bem reclamona quanto à demora na fila. Sacou papel e caneta para passar o tempo desenhando. O desabafo “Que demora! Não vai chamar minha senha?”, retratado em uma espécie de complementariedade à cena vista por Toninho, seria o passaporte para um novo mundo. GPSLifetime « 27

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“Todo desenho eu jogo para o Instagram”, afirma o artista, lembrando que foi graças a esse canal de comunicação que a CNN norte-americana o procurou para ilustrar reportagens sobre o Rio de Janeiro às vésperas da Olimpíada de 2016. Conforme sua arte foi ganhando escala internacional, Toninho precisou fazer adaptações. Os textos, ainda que em frases curtas, foram suprimidos para tornar o trabalho universal. Seu acervo hoje tem cerca de 200 ilustrações. O fotógrafo Kazuo Okubo foi o responsável por transpor

seus trabalhos do plano virtual para o mundo real, ao convidá-lo para uma mostra coletiva no Cine Brasília no fim de 2015. “Ele me tirou do Instagram e me orientou sobre formatos e como imprimir o material. Foi a primeira vez que participei de uma exposição”, conta. Esse trabalho externo lhe rendeu retorno financeiro e seria questão de pouco tempo até largar a direção de arte em agência. Há dois anos e meio, o artista se dedica somente aos seus rabiscos criativos. Os recursos usados em seu trabalho não são uma in-

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venção própria. A técnica de sobreposição de imagens, por exemplo, é um artifício comum na publicidade. Em uma viagem a Paris, à beira do Rio Sena, flagrou um artista desenhando um boneco pensante, cujas ideias, extrapolando o papel, eram representadas por esferas de ferro fixadas à calçada, harmonicamente à ilustração feita no bloco de notas. “Eu falei: e agora? Lascou!”, lembra Toninho, que, depois de muita angústia, concluiu que a proposta pode até ser a mesma, o que não invalida, entretanto, o trabalho artístico.

E se antes a preocupação era mais com aspectos como movimento, luz e sombra, Toninho ainda se acostuma com a interação de admiradores que reconhecem a arte e o artista pelas ruas de Brasília. E palpites e sugestões também chegam de outras localidades pelas redes sociais. “Antes, era só apreciar. Agora, é olhar com outra visão. Eu passei a ter uma convivência diversa com os elementos do cotidiano”, conclui o artista. Para ver mais @teuzebio

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PUBLIEDITORIAL

CADA DIA MAIS PERTO NA RETA FINAL DA CONSTRUÇÃO DO GRANDE HOSPITAL, A MANDALA QUE SIMBOLIZA A EXCELÊNCIA EM SAÚDE DO SÍRIO-LIBANÊS GANHA A INTERVENÇÃO DO ARTISTA TONINHO EUZÉBIO

Q

uem passa pela via L2 Sul, na altura da quadra 613, não deixa de observar um grande painel, com mais de 20 metros de comprimento, em que se vê a imagem da Ponte JK com a intervenção do traço do artista Toninho Euzébio. Na obra, o artista brinca com a inspiração que deu origem à ponte, cartão postal da Capital Federal, criando uma lógica de movimento a partir das linhas curvas da arquitetura monumental, sugerindo o traçado de um objeto que vem quicando sobre as águas do Lago Paranoá.

Neste caso, o objeto é a Mandala do Sírio-Libanês e representa a ampliação dos serviços de excelência em saúde em Brasília, oferecendo aos moradores da Capital e das regiões próximas, em breve, um hospital completo com diversas especialidades, como neurologia, cardiologia, ortopedia, além de um pronto atendimento. Os brasilienses têm acompanhado o projeto gradativo do Hospital Sírio-Libanês para a região, tal como os três quiques da Mandala no Lago Paranoá na obra do Toninho. Primeiro, viram o lançamento do Centro

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ternação – dos quais 20 são de UTI –, seis salas de cirurgia, um pronto atendimento, além de um Centro de Diagnósticos por imagem e análises clínicas. O hospital terá o que existe de mais moderno, com tecnologia de ponta. “Teremos inovações, por exemplo, para cirurgias robóticas e contaremos com o primeiro equipamento de ressonância intraoperatória da região, que fornece, em tempo real, dentro da sala de cirurgia, imagens de precisão para os especialistas durante os procedimentos cirúrgicos mais complexos”, revela Gustavo Fernandes.

COMPROMISSO SOCIAL

de Oncologia da Asa Sul, em 2011, depois da unidade do Lago Sul, em 2014, também de Oncologia, e, dois anos mais tarde, do Centro de Medicina Diagnóstica, localizado também ali no final da Asa Sul. E, como a ilustração do painel sugere, a instituição segue seu dinamismo, anunciando que está entrando na reta final de construção do seu hospital geral. O Hospital Sírio-Libanês Brasília é aguardado com boas expectativas e está gerando um movimento de interesse entre profissionais de saúde e fornecedores. As mais de 500 vagas de emprego anunciadas há alguns meses seguem em fase avançada de seleção. No corpo clínico, o oncologista Gustavo Fernandes comandará a equipe altamente qualificada e formada nas melhores universidades do país, com especialização no próprio Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa e em renomados centros internacionais, como Dana-Farber Cancer Institute, Harvard Medical School, University of Texas MD Anderson Cancer Center e Johns Hopkins School of Public Health, JHSPH, dos Estados Unidos. Na cardiologia, Dra. Ludhmila Hajjar, que já faz parte do Sírio-Libanês em São Paulo há dez anos, comandará a UTI Cardiológica e o Pronto Atendimento do novo Hospital. O edifício onde será instalado o Hospital tem 30 mil metros quadrados e contará com 144 leitos de in-

As atividades do Sírio-Libanês não estão relacionadas unicamente às suas próprias unidades. A instituição tem atuação marcante em favor da saúde pública dos brasileiros por meio de ações de responsabilidade social e parcerias com o Ministério da Saúde no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde – Proadi SUS, como instituição filantrópica de excelência em saúde. Exemplo de ação do Sírio-Libanês via Proadi SUS na Capital Federal é o projeto Lean nas Emergências, em desenvolvimento no Hospital de Base de Brasília e inspirado na indústria automobilística dos anos 1940. Esse projeto promove uma revolução na logística de atendimento de urgência e emergência dos pacientes que ali chegam, reduzindo o tempo de espera, com maior eficácia do atendimento e diminuindo o desperdício de insumos e equipe. O método é empregado, por exemplo, no fluxo de pacientes, separando os de maior gravidade daqueles de menor gravidade ainda na sala de espera. Os que apresentam menor risco, após o atendimento inicial, são encaminhados para a atenção básica – o que pode representar 80% dos casos. Já os casos mais graves, após a assistência inicial, são direcionados para internação e procedimentos específicos. Além da atuação via Proadi SUS, o compromisso social da instituição é refletido na população do DF e do entorno por meio de parcerias com hospitais locais. No Hospital da Criança de Brasília José Alencar, o Sírio-Libanês realiza, gratuitamente, todas as sessões de radioterapia dos menores ali atendidos. Outro exemplo é a realização, também gratuita, de todas as tomografias de 60 pacientes da oncologia do Hospital de Base. “A contribuição do Sírio-Libanês para a melhoria da saúde pública no país faz parte de sua missão de conviver e compartilhar para contribuir com uma sociedade mais justa e fraterna”, conclui Paulo Chapchap, diretor geral do Sírio-Libanês. Hospital Sírio-Libanês Brasília SGAS 613, S/N – Lote 94, Asa Sul, Brasília (DF) www.hospitalsiriolibanes.org.br

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ORIGEM

SAGRADO REFÚGIO

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HÁ QUATRO DÉCADAS NASCIA MAIS UMA OBRA DE OSCAR NIEMEYER, O MEMORIAL DOS POVOS INDÍGENAS. DISPUTADO POR ARTISTAS, AMALDIÇOADO PELAS DIVINDADES, ABANDONADO PELO GOVERNO, O LOCAL ATUALMENTE É O ESPAÇO QUE REPRESENTA AS CENTENAS DE ETNIAS DO PAÍS POR BRUNO PERES « FOTOS CELSO JUNIOR

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o meio de uma cidade concebida por concreto e vegetação do Cerrado, uma construção rouba a cena. Lembra uma taba indígena com os traços modernistas de Oscar Niemeyer. Sintetiza, em um mesmo projeto, os elementos da tradição ancestral às técnicas avançadas da arquitetura moderna. O monumento, em que a pintura em tons rubro-negros se sobrepõe ao branco, tem alma. E bem ali, na região central de Brasília, onde milhares de carros passam diariamente, o Memorial dos Povos Indígenas muitas vezes parece esquecido. A pintura atual da fachada do prédio, feita em 2015, é reflexo da presença indígena. Anuiá Yawalapiti, chefe da etnia que carrega como sobrenome, foi o responsável por liderar durante um mês a reprodução do grafismo original do Xingu na parede externa do memorial. A intenção agora é criar uma espécie de galeria rotativa com a impressão de cada etnia existente no Brasil. O acesso à parte superior do prédio é feito por meio de uma rampa. No topo do trajeto sinuoso, uma estátua em bronze do próprio Anuiá recepciona os visitantes. A sensação de estar imerso em uma verdadeira tribo é reforçada com o canto indígena que ecoa no ambiente, cujo ápice é a arena central, usada para cerimônias. O local idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro é um convite ao reencontro com a própria origem.

“Um paraíso guardado pelo segredo de uma chave”, nas palavras de Álvaro Tukano, atual diretor do memorial, com propriedade para falar de seus semelhantes. Ele dá o tom das diferentes compreensões sobre o acervo. “São peças artísticas sagradas para o mundo indígena, mas para fora daqui são apenas artesanatos, objetos de índios, sem valor”, diz. Estamos falando, portanto, de artigos frágeis de palha, material orgânico, plumagens, cerâmicas e cestaria. “Não podem ser tocados. São raros”. Há ali ali uma agenda de eventos definida como oficial, com exposições, debates, oficinas e mostras de filmes, que funciona paralelamente à realização de rituais mais tradicionais desses povos. Viajantes, estudantes, diplomatas e até políticos são alguns dos perfis comuns nesses encontros mais reservados.

A LUTA INDÍGENA O memorial foi construído em 1987. Tanta beleza logo despertou a cobiça de autoridades pelo prédio. “O prédio é muito bonito para ser Museu do Índio”, disse, conforme registros da época, o então governador do Distrito Federal, José Aparecido de Oliveira, em meio à tentativa de transformar o espaço em um museu de arte moderna. Guerra declarada, a mobilização pacífica dos índios para a recuperação do espaço contou com a adesão de intelectuais e artistas e, sobretudo, de proteção espiritual. Dois importantes pajés – Sapaim Kamaiurá e Prepoí Cayabi – foram convocados para a realização de um ritual que impedisse o funcionamento do local até que o prédio fosse novamente designado como a maloca moderna indígena.

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ACERVO

Em 1990, o lançamento de uma exposição venezuelana de arte contemporânea era para ser uma bela e pomposa inauguração. Um temporal furioso, entretanto, castigou os invasores presentes à vernissage. E as goteiras, por sua vez, quase destruíram as obras de Armando Reverón, um dos mais importantes artistas plásticos da América Latina. Depois de ficar abandonado até 1995, a cerimônia religiosa, no dia 19 de abril, Dia do Índio, marcou o restabelecimento do espaço pelos indígenas, com dois raios riscando o céu da tarde daquela quarta-feira chuvosa, de acordo com os relatos da data. Mas o Memorial dos Povos Indígenas só começou a funcionar efetivamente em abril de 1999. Dois anos antes, chegou a ser aberto para o velório do índio Galdino Pataxó, queimado vivo por jovens de Brasília em um ponto de ônibus, num dos episódios mais tristes que marcam a história da Capital Federal, onde residem sete mil indígenas, segundo dados mais atualizados do governo do DF. “Apesar de ser um prédio que pertence ao poder público, ele tem, na verdade, um histórico de ocupação e protagonismo dos povos indígenas. É um espaço com vocação para ser uma das casas dos povos indígenas no Brasil”, afirma Gustavo Pacheco, subsecretário de Patrimônio Cultural, da Secretaria de Cultura do DF, de quem o espaço está sob responsabilidade.

Uma mudança recente na legislação permite que a gestão do espaço seja feita pelo Governo de Brasília com a participação da sociedade civil. Atualmente, o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) é a organização não governamental escolhida em chamamento público para a participação social na dinamização das iniciativas do memorial. Entre as atribuições está justamente a organização do acervo do memorial. A estimativa do total de peças que compõem a riqueza do espaço é incerta. Sabe-se somente que teve início com itens coletados em pesquisas de campo de antropólogos, indigenistas e sertanistas, como o próprio Darcy Ribeiro, além das contribuições valiosas de Berta Ribeiro, Eduardo Galvão e irmãos Villas Boas – Orlando, Cláudio e Leonardo. “Aqui temos a realidade da questão indígena e do meio ambiente. Tratamos de coisas práticas e minuciosas”, diz Tukano, apontando a existência de 272 línguas entre 314 povos indígenas, que ocupam 13% do território brasileiro. “Nosso jeito de trabalhar é educando a juventude para formar novas lideranças. Se não cuidarmos bem daqui, estaremos ignorando nossas raízes”. Memorial dos Povos Indígenas Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, Brasília (DF) De terça a sexta-feira, das 9h às 17h; e sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. (61) 3344-1154 | 3342-1156 agendamento.mpi@gmail.com

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IMERSÃO

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Horizontal II da Série marcados, 1981-1983

AO DESEMBARCAR NA AMAZÔNIA PARA REGISTRAR OS YANOMAMIS, A SUÍÇA CLAUDIA ANDUJAR GANHA NOTORIEDADE E POR MEIO DA FOTOGRAFIA TORNA-SE ATIVISTA NA LUTA PELAS CAUSAS INDÍGENAS POR ROBERTA PINHEIRO

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primeiro andar da Pinacoteca de São Paulo está tomado por mais de 280 trabalhos em fotografia, vídeo, pintura e outras linguagens que extrapolam o suporte e dão visibilidade à surpreendente produção de mulheres artistas. Na História da Arte não é novidade que o feminino como sujeito ficou em segundo ou terceiro planos. Com curadoria da historiadora de arte e curadora venezuelana britânica Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítalo-argentina Andrea Giunta e colaboração de Valéria Piccoli, curadora-chefe da Pinacoteca, a exposição coletiva Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985 é a primeira na história a levar ao público um significativo mapeamento das práticas artísticas experimentais realizadas por artistas latinas e a sua influência na produção internacional. Poética e política se entrelaçam no decorrer da mostra.  Entre muitos nomes, um, em especial, fez da arte uma luta pela vida: Claudia Andujar. Filha de pai judeu morto em um campo de concentração, a fotógrafa nasceu na Suíça, foi criada na Hungria e nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 1955. Ao país tupiniquim, Claudia acolheu como pátria. A fotografia surgiu como forma de

Claudia dos Xicrin, 1972

comunicação. Amante de novas descobertas, ela viajava pelo país e usava a imagem para se comunicar com os outros e consigo. Na década de 1970, sua vida mudou para sempre. Pautada pela revista Realidade para um especial sobre a Amazônia, Claudia embarcou para o Norte e conheceu a etnia Yanomami. Uma população que estava sendo dizimada na esteira da abertura de estradas e da invasão, por garimpeiros, de suas terras, na região fronteiriça entre a Venezuela e os Estados brasileiros de Roraima e Amazonas. A fotógrafa se viu encantada com a autenticidade, a compaixão e o respeito daquela comunidade. O que seria um trabalho pontual, transformou-se em ligação eterna. A fotógrafa, aos poucos, aprofundou-se na cultura Yanomami, incorporando-a ao seu trabalho fotográfico e mesclando sua história com a dos índios para sempre. O envolvimento extrapolou os limites do universo artístico e Claudia passou a lutar ao lado dos índios por saúde, terras e até por reconhecimento. Inclusive, ela ajudou a retratar indivíduos de comunidades dispersas para identificá-los e dar-lhes acesso a serviços disponíveis – o resultado virou uma série denominada Marcados, que já foi publicada em livro e hoje algumas fotos integram a exposição na Pinacoteca. Expulsa da tribo por razões políticas em 1978, a fotógrafa, mesmo distante, seguiu o enfrentamento. Ela foi membro ativo da Comissão Pró-Yanomami, coordenou a campanha pela criação da reserva indígena, finalmente reconhecida em 1992, e tem uma ONG em prol da comunidade indígena.  Para Claudia, ela enxergou além dos estereótipos de “bom selvagem” ou “povo feroz”. Ao desembarcar na Amazônia, encontrou seres humanos – justamente o significado de Yanomami – e passou, mesmo não sendo índia ou brasileira, a pertencer a essa tribo. Depois de acompanhar a morte de seus familiares de sangue, fez da sua arte uma forma de dar vida aos outros.

Horizontal I da série Marcados, 1981-1983

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ARQUITETURA

VALÉRIA GONTIJO CONSTRUIU A NOVA MORADA NOS ALICERCES DE SUA HERANÇA MODERNISTA EM HARMONIA COM A ALMEJADA SIMPLIFICAÇÃO DA VIDA. OS ARES REFINADOS ENTRE DESIGN E NATUREZA DÃO CONCRETUDE À GENIAL OBRA ARQUITETÔNICA FOTOS CELSO JUNIOR

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A LE SU VE ST E ZA N T DO ÁV SE EL R GPSLifetime « 43

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A

luz ao poente penetra nas 87 portas pivotantes que se abrem completamente e integram a casa de 890 metros quadrados com a natureza domesticada pelo exímio paisagismo, onde pequizeiros e ipês protagonizam o cenário externo. Impossível não marear-se com o ar puro ou se envolver pela sensação de bem-estar. Não é tão somente a  green trend  da arquitetura. Trata-se do querer vivenciar o  green lifestyle. Foi assim que as décadas de experiência no mercado e o beber da fonte modernista da Capital desde a infância fizeram com que a  arquiteta  Valéria Gontijo desafiasse a própria equipe no Studio – seu escritório em parceria com Isabela Moura e Isabela Valença – para criar a sua casa.  O projeto batizado de Mi Casa seguiu o  mood  da identidade de Valéria. Fundamentalmente  low profile, discretamente genial, intelectualmente perspicaz.  “A busca por uma arquitetura que traduzisse a própria tendência de simplificação que buscamos em nossas vidas, tornou-se chave conceitual”, narra Valéria.

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A casa está distribuída em três blocos: serviço, social e íntimo. Além disso, o uso constante do concreto e da madeira permitiram uma unidade maior ao projeto. “Uma casa aparentemente simples, mas que carrega uma história cheia de desafios e esforços”, define. A piscina com a borda elevada no meio do gramado faz parecer uma lagoa natural, em um visual ainda mais regional, preservando integralmente o bioma do Cerrado. “É uma casa prática, funcional, atemporal, e que se insere no contexto de uma cidade jovem e modernista como Brasília”. A pessoalidade se revela na decoração, que inclui lembranças de viagens, garimpo em antiquários e arte herdada da família. Mobiliário italiano integrado com a estética nostálgica do design incorporado à essência monumental de Oscar Niemeyer. Valéria Gontijo + Studio SHIS QI 17 Conjunto 03 Casa 30, Lago Sul Tel.: (61) 3248-2824 | (61) 3248 – 4345 arquitetura@valeriagontijo.com

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URBANISMO

Os arquitetos Carol Bueno, Olivier Rafaelli, Gui Sibaud e Greg Bousquet

REFLORESTADORES URBANOS ALTO IMPACTO TRANSFORMADOR E UM BAIXO CHOQUE AMBIENTAL FIZERAM DA TRIPTYQUE A REFERÊNCIA NA ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA. ELES CULTUAM MANEIRAS DE TORNAR A VIDA NA CIDADE MAIS LEVE POR MARCELLA OLIVEIRA

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ra final dos anos 2000 quando quatro jovens – uma brasileira e três franceses – recém-formados pela Escola de Belas Artes de Paris desembarcaram em São Paulo para atuar no mercado de arquitetura brasileiro. Na bagagem, traziam a liberdade da expressão artística, a arquitetura como arte e o conceito de envolver a natureza nos projetos. Em seus primeiros anos, propuseram a construção de um prédio no qual as janelas teriam floreiras e as paredes seriam recobertas de verde. A ideia não foi aceita. “Acho que eles pensaram: ‘esses jovens são meio malucos’”, lembra Carolina Bueno, brasileira e única mulher na sociedade do escritório Triptyque Architecture. “Hoje, ele seria maravilhoso e uma referência”, completa a arquiteta, não escondendo o sorriso ao imaginar a construção de vários andares toda verdinha. Dá para ver esse conceito empregado na sede do escritório, que ocupa dois andares de um prédio no centro de São Paulo. O ambiente não tem divisórias, é clean, tem muita madei-

Fotos: Divulgação

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Imagens do projeto Harmonia

ra e plantas, livre circulação e mobilidade – e até uma cozinha gourmet. Reflete também na própria Carolina, que é fashionista, tem um estilo descolado, com maquiagem leve e cabelos naturalmente cacheados, coleciona obras de arte e móveis assinados e tem um lifestyle que inclui passeios aos domingos na Avenida Paulista fechada para carros, ao lado da filha de seis anos. Aos 43 anos, Carol comemora o sucesso do escritório que completa 18 anos neste ano, ao lado dos sócios franceses Greg Bousquet, Guillaume Sibaud e Olivier Raffaelli. “Temos comportamentos complementares”, define, garantindo que nunca se acanhou em ser a única mulher na sociedade. Eram quatro e hoje são 112 colaboradores – sendo 96 em SP e o restante no escritório de Paris –, inúmeros projetos e incontáveis premiações. “Começou como uma aventura. Não conhecíamos nem o mercado de trabalho, muito menos o brasileiro. Os meninos sequer falavam português. Mas vimos com uma missão atuar no Brasil”, conta. Da vivência europeia veio forte essa ideia de integrar o natural com o concreto. “Nosso trabalho sempre foi proporcionar um alto impacto transformador e um baixo impacto ambiental. Eu fico emocionada quando vejo os projetos prontos. Nós, arquitetos, temos uma responsabilidade social muito grande”, confessa. A arquitetura contemporânea sempre foi o foco do trabalho da Triptyque, pelas novas maneiras de viver e de tornar a vida na cidade mais leve. “Podemos dizer que temos um pioneirismo, sim, a gente desbravou um monte de GPSLifetime « 49

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coisas”, diz Carol, em sua mesa que fica de frente a uma varanda com vista para o centro de São Paulo e entre os colaboradores. “Gosto de interagir com todos”.

NA PRANCHETA Pouco tempo de papo já dá para entender porque Carol chama o escritório de ateliê. O conceito de arte é muito forte na Triptyque e em seus projetos, a maioria em São Paulo, mas também pelo Brasil e na França. Sustentabilidade e funcionalidade são elementos obrigatórios. Ideias que emocionam e quebram padrões. “Fomos desbravadores. Nunca deixei de aplicar alguns conceitos porque mestres não fariam”, afirma a arquiteta. O reconhecimento está nas inúmeras premiações, em fazer parte da coleção permanente do Centro Pompidou em Paris desde Janeiro 2014, além de participações na Bienal de Hong Kong/Shenzen em 2009, no museu Guggenheim de Nova York, e no Festival of Architecture e no Victoria & Albert Museum, em 2010, em Londres.

Projeto Arapiraca

de cada apartamento único. Atualmente, são responsáveis pela revitalização do Largo do Arouche, numa proposta de humanizar o centro da cidade. Mas se naquela época do prédio verde seriam malucos, hoje seguiriam uma tendência mundial, uma vez que tanto se fala em sustentabilidade. “Mas o Brasil ainda é muito imaturo”, analisa Carol. “Na Europa, tem todos os projetos complementares e hoje um dos pilares é o engenheiro de sustentabilidade, para trazer a consciência do estado de emergência que a gente vive. Aqui no Brasil temos pouquíssimos desses profissionais”, lamenta. O mais recente projeto premiado do escritório é, popularmente dizendo, a construção de uma

Um dos premiados e queridinhos do quarteto franco-brasileiro é o Harmonia 57, um prédio de três andares na Vila Madalena que seguiu algumas ideias daquele projeto reprovado no início da carreira. “É menor, mas o mesmo conceito”, explica Carol. Concluído em 2008, recebeu o prêmio austríaco Zumtobel Group Awards, por ser um projeto sustentável, e a menção honrosa do 9° Jovens Arquitetos promovido pelo Instituo de Arquitetos do Brasil (IAB-SP). Outra referência é o Fidalga 727, com fachada preta e janelas posicionadas de forma diferente, fazendo

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QUER SAIR UM POUCO DA SELVA DE PEDRA? Dicas da Carolina Bueno para conhecer mais São Paulo Bar Fel . I iranga rreo e blica Discreto, o bar de coquetéis ocupa uma pequena sala aos pés do Copan Galeria Pivô . I iranga e blica Galeria de arte no Copan Casa do Baixo Augusta Projeto sociocultural ligado ao Bloco de carnaval de rua Acadêmicos do Baixo Augusta, onde Carol é uma das fundadoras Parque Burle Marx Em meio à loucura da Marginal Pinheiros. Foi inaugurado em 1995 Parque Trianon/MASP Av. Paulista aos domingos - passeio e pura diversão Jardim Botânico de São Paulo

casinha na árvore em meio ao caos urbano. Visualmente, é completamente diferente. Imagina um prédio em madeira no meio de São Paulo? “É uma material-prima industrializada, com alta tecnologia. Será o primeiro no Brasil”, revela. Batizado de Amata, recebeu o 5º Prêmio Saint-Gobain de Arquitetura Sustentável, importante para o setor. São 13 andares de uma silhueta escalonada, que vai mesclar escritórios e comercial. “Já acontece na Europa, sobretudo na França, usar a madeira como alternativa aos materiais, para produzir menos lixo e solidificar a emissão gás carbônico, para abaixar a temperatura do planeta”, explica sobre a obra, com previsão de conclusão em 2020. Uma verdadeira floresta urbana. A imagem do projeto encanta. Não parece Brasil, muito menos São Paulo. Pedaços de madeira se misturam com muito verde. “Precisamos rever a nossa relação com a natureza, ter consciência de onde estamos, das nossas responsabilidades. Temos um tesouro. A gente precisa trazer o meio ambiente de volta para a cidade. Mais de 50% da população mundial vive nas cidades. O que ela é hoje e o que terá de ser?”, questiona Carolina. É a época da arquitetura viva. Muito mais que projetos arquitetônicos, é um lifestyle que emociona, dá vida e acolhe. Harmonia 57 vista do alto

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PUBLIEDITORIAL

ATHOS POR TODA PARTE NO ANO DO CENTENÁRIO DE ATHOS BULCÃO, A BRASAL INCORPORAÇÕES E A FUNDAÇÃO HABITACIONAL DO EXÉRCITO HOMENAGEIAM O MESTRE E BRASÍLIA EM UM EMPREENDIMENTO NO NOROESTE. O RESERVA CAPITAL UNE PRATICIDADE, LAZER E CONFORTO EM ALTO PADRÃO

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econhecida no mundo inteiro, a obra do artista plástico Athos Bulcão bate mais forte no coração do brasiliense. Aqui ela é vista não somente em museus, mas por toda a cidade, realçando o concreto da arquitetura moderna da Capital Federal. E foi pensando nisso que a Brasal Incorporações, em parceria com a Fundação Habitacional do Exército (FHE), decidiu homenagear a trajetória do designer e a própria cidade com seu mais novo empreendimento do Noroeste: o Reserva Capital, na Superquadra 305, localização privilegiada a seis minutos da Asa Norte, perto dos melhores centros comerciais e de lazer da cidade, com acesso e conectividade com o que há de melhor em Brasília. Com apartamentos modernos, práticos e funcionais de dois quartos, sendo uma suíte, e seis plantas diferentes que variam de 76 a 194 metros quadrados (essas últimas coberturas privativas), o empreendimento tem projeto de Rogério Markiewicz, da MKZ Arquitetos Associados, e decoração assinada pelo BEP Arquitetura de Taíza

Guerra e Bruno Amaral. Conforto e lazer são os pontos de destaque da moradia que contará ainda com salão de festas, brinquedoteca, churrasqueira, piscina, academia e um Clube do Vinho no Espaço Gourmet, que, ao lado de outras áreas comuns como o hall de entrada, ganharão os quadros de azulejos do grande artista. “É sempre muito bom ver que as pessoas admiram e reconhecem o trabalho do Professor Athos”, reconhece Valéria Cabral, Secretária Executiva da Fundação Athos Bulcão. Ideal para quem busca o primeiro imóvel, uma vida mais prática ou a formação de uma nova família, o Reserva Capital é o décimo lançamento da Coleção Reserva da Brasal Incorporações, que tem o desejo de transformação do Noroeste por meio de empreendimentos que carregam não só a sofisticação em seu design, mas todos os diferenciais construtivos que a Brasal Incorporações tem a oferecer. Por isso mesmo que a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável do planeta entraram na lista de

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Athos Bulcão, 1995. Painel em azulejos, Centro Cultural Missionário da CNBB, Brasília – DF

prioridades desse condomínio que disponibilizará, entre outros diferenciais, pontos elétricos na garagem para recarga de bicicletas e carros elétricos. Por todas essas características, o Reserva Capital é mais uma iniciativa de sucesso festejada pelos seus

incorporadores. “A parceria com a Fundação Habitacional do Exército é um momento importante para a Brasal Incorporações, já que a união da força e da tradição das duas marcas resulta em um projeto de sucesso, em um 2 quartos de alto padrão de qualidade, que oferece conforto, conveniência e localização privilegiada”, ressalta Dilton Junqueira, Diretor Geral da Brasal Incorporações. “Estamos satisfeitos em aliar o nosso projeto à agilidade, credibilidade e qualidade do padrão construtivo da Brasal. O resultado dessa parceria é um empreendimento diferenciado para quem desejam residir no Noroeste”, declara o Diretor de Habitação da FHE, General de Divisão José Ricardo Kümmel. Reserva Capital Apartamento decorado no Espaço Brasal Noroeste – SQNW 103 C Tel.: (61) 3550-2374 Visitação todos os dias, das 8h30 às 18h30 www.reservacapitaldf.com.br

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HUMANISTA

DIRA PAES

SOLINEUZA, NORMINHA, CELESTE SÃO PERSONAGENS QUE FIZERAM DE DIRA PAES O RETRATO DA BRASILIDADE. ATIVISTA EM DIREITOS HUMANOS, ELA PONTUA CARREIRA E PENSAMENTO COM POSTURA DE QUEM PRATICA A ARTE INSPIRADA NA VIDA POR THEODORA ZACCARA

“É

impossível ser feliz sozinho”. Entre garfadas de bolo de chocolate e goles de café puro, Dira Paes parafraseou Tom Jobim sem nem tentar. “A gente precisa do outro para ser feliz”, foi como a atriz iniciou a conversa com a revista. Em um papo descontraído, mostrou como realmente é: extrovertida e engajada socialmente. Em uma sala vazia, recheada de travesseiros e puffs, a paraense encheu a mão com duas almofadas e as amontoou no chão, formando uma cadeira. Sentada com pernas flexionadas e os cotovelos apoiados nos joelhos, transpirava a sensualidade crua da simplicidade. Em visita a Brasília como embaixadora da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) citou mais uma vez um grande pensador, dessa vez Oscar Wilde. “A arte é inspirada na vida”. E completou: “Ela faz de você uma pessoa sensível a muitas causas. Quando eu interpretei mulheres que se superaram, de certa maneira isso era mais fácil. Os meus personagens sempre ensinam muita coisa sobre necessidades da sociedade”, contou. Nascida em Abaetuba, no Pará, uma pequena cidade de 150 mil habitantes, a estrela percorreu um longo caminho até vencer no Rio de Janeiro, cidade onde vive desde a década de 1980. Se foi difícil? “Tive muita sorte, mas não é fácil se impor. Eu tracei uma estratégia do que eu compreendi que era o que eu pretendia. Com 15 anos queria fazer cinema, não ser famosa”, lembra. Foi na adolescência que iniciou sua trajetória, que hoje inclui mais de 50 longas no currículo. A educação veio logo atrás. “Meu Plano B era ser professora”, sorri, a bacharel em Artes Cênicas. Dira coleciona cinco Candangos no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e, no ano passado, recebeu o troféu Oscarito, em Gramado, pelo conjunto de seu traba-

lho. Dira é o apelido de Ecleidira. Aos 49 anos, ela conta que aprendeu dentro de casa o que era altruísmo. “Minha mãe sempre foi muito sensível às causas humanitárias”, relembra. “Eu vi que era muito boa a sensação de fazer pelo outro e receber um sorriso como recompensa”. Sucesso também na tevê, em 2011 deu a vida a um dos papéis pelos quais mais tem apreço: a dona de casa Celeste, da novela Fina Estampa. Na trama, a personagem sofria abusos físicos do marido Baltazar, interpretado por Alexandre Nero. Três anos depois, viveu novamente a realidade de cerca de 16 milhões de mulheres brasileiras: a violência doméstica. Na série Amores Roubados, atraiu e surpreendeu o público com cenas fortes de amor e ódio. Sobre elas, Dira tem o que falar. “A arte sempre tem um diálogo completo com o que existe dentro da sociedade, que são as mazelas sociais. É o abuso, a falta de compreensão, a necessidade de ir fundo em assuntos polêmicos”, afirma. Em sua terra natal, é madrinha de causas sociais e ambientais, como o combate ao trabalho escravo e infantil, a defesa dos direitos da criança e do adolescente, pela preservação do meio ambiente e pela comunidade indígena. Tais ações desenvolve com a equipe da ONG Movimento dos Humanos Direitos. “A solidariedade e a sensibilidade em relação a essas lutas dizem respeito à qualidade de cidadão que você é, se você é um cidadão que se importa a ponto de fazer alguma coisa”, enfatiza. As reflexões às vezes deixam um silêncio no ar, enquanto ela aproveita para dar outra abocanhada no quitute de chocolate. Mas ela mostra que sabe ser leve e fazer rir. Foge do papo sério para relembrar as cômicas Norminha, sucesso em Caminho das Índias, e Solineuza, da série A Diarista. “Gosto dos personagens que me surpreendem, que não são nem engraçados nem dramáticos, são humanos”.

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Divulgação

“GOSTO DOS PERSONAGENS QUE ME SURPREENDEM, QUE NÃO SÃO NEM ENGRAÇADOS NEM DRAMÁTICOS, SÃO HUMANOS”.

O preparo para a cena não descrimina gênero. Entretanto, imagens sensuais e violentas clamam por uma interiorização do tema e exigem de Dira reflexão maior. “Existe uma preparação, sim, sempre por meio do que o diretor quer, do objetivo da cena, o que o personagem está sentindo naquele momento. E de que forma eu acho que o público vai se surpreender com ele. É um conjunto”. Um gole farto no café rouba a atenção. Apesar de não se ater às terminologias, é fã do hiato dramático, e instiga ao pausar a prosa para pensar no que irá falar a seguir. “Quando você recebe o roteiro”, conta, em ritmo de narrativa, “já sabe, na leitura, onde o personagem vai dar o seu ‘alô’ especial. Nas novelas, os temas sempre são voltados para a superação, que é o que a gente está precisando”. Com um mistério sobre seu próximo trabalho como atriz, esvazia a xícara de café, deixa somente as migalhas no prato e sorri. Enquanto não vem o desafio artístico, engaja-se cada vez mais no seu melhor papel: assistir ao ser humano. GPSLifetime « 57

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LITERATURA

ESCRITORA DE CEM MILHÕES DE LIVROS EM TRÊS DÉCADAS DEDICADAS À LITERATURA DIDÁTICA, ISABELLA CARPANEDA ACESSA O IMAGINÁRIO INFANTIL, E EDUCA. COM DUZENTAS PUBLICAÇÕES ESPALHADAS POR ESCOLAS PAÍS AFORA, ELA CELEBRA UM GRANDE MOMENTO: UM LIVRO COM SEU NOME POR REBECA OLIVEIRA « FOTO HÉLIO PERFEITO

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descida para o Eixão Norte timidamente ganhava tons âmbar e cor-de-rosa em uma ensolarada tarde. Embora a estação vigente fosse o inverno, fazia calor e o dia já ensaiava pintar-se de multicores, como acontece quando o relógio do brasiliense marca 18h. A cena, retrato de um cotidiano simples, mas com ares de pintura, é o caminho percorrido para chegar até a imponente casa de Isabella Carpaneda na beira do Lago Paranoá. A vista encantadora que tem como destino final esse refúgio certamente serve como inspiração para a escritora, que recebe a reportagem com um sorriso que, de tão largo, invade até os olhos. A felicidade nua e crua tem sido uma constante para Carpaneda, que já vendeu quase cem milhões de exemplares pelo País. Pudera. Em julho, ela recebeu a notícia de que mais duas de suas coleções foram aprovadas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), criado para avaliar e disponibilizar obras didáticas, pedagógicas e literárias às escolas de todo o País. Encontros e Isabella são os nomes dos livros que circularão para alunos do primeiro ao quinto ano nas redes pública e particular, respectivamente. Suor e sacrifício. Dois anos de trabalho resultaram nas mais de três mil páginas escritas – tempo gasto apenas para redigir as obras. O trabalho regresso é ainda maior e a missão é das mais árduas. Em casa, na biblioteca particular, mais de 20 mil livros ficam à espreita,

vigilantes e a postos para o momento em que servirão como fonte de pesquisa e de estudo. Especializada em Língua Portuguesa, Isabella começou a escrever obras didáticas aos 23 anos. Por acaso. Trabalhava em uma instituição de ensino particular quando algumas de suas folhas foram parar na FTD, editora brasileira criada em 1902. Há quem chame de sorte – e quem, mais racional, entenda que se trata de competência. “Não sei como, mas meu material de folhas avulsas acabou chegando até eles. Perguntaram-me se eu teria interesse em fazer livros. Nunca mais parei. Porta de Papel, o primeiro, teve uma aceitação muito grande e até para minha surpresa, por ser de Brasília e a maioria dos autores oriundos de Rio de Janeiro e São Paulo. À época, vendemos sete milhões de cópias. Foi algo absolutamente inédito”, recorda. Não pense que hoje, aos 56 anos, a mineira de Belo Horizonte se deu por satisfeita. Os recentes lançamentos provam o contrário e, para ela, o último livro é sempre o melhor. “O que me move é a vontade de construir uma obra ainda mais completa. É uma loucura. E um trabalho emenda no outro. Eu acabei essa coleção e a editora me pediu para reformular o Porta Aberta. Não é mudar uma ou duas páginas, mas quase refazer o livro. Começar é difícil, e não se pode fazer todos com o mesmo perfil, senão acabo concorrendo comigo mesma”, diz. Um baú de ideias, Carpaneda ostenta mais de 200 livros publi-

“HÁ UMA CRISE GERAL POR CONTA DA DESVALORIZAÇÃO DO PROFESSOR. É DIFÍCIL ENCONTRAR PROFISSÕES QUE PAGAM TÃO MAL QUANTO ESSA” 58 « GPSLifetime

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Nas mãos da escritora, o livro didático que leva seu nome

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cados. Para isso, abre mão de hobbies, como ver filmes e viajar, confraternizar com as amigas ou ir às compras – Isabella é fã de marcas como Grifith e Dolce & Gabbana. Tudo pode esperar. As obras com função didática são, atualmente, o principal ofício da educadora, que até 12 anos atrás também “batia ponto” na diretoria do Colégio Objetivo. Se, no início, elas seguiam um caminho tradicionalista, agora se adaptaram aos tempos modernos. A começar pela forma como são entregues. “Este ano, houve uma mudança nos critérios do PNLD, que acontece de três em três anos. É necessária a produção de material digital. É um conteúdo extra, com outras atividades e leituras, que serão disponibilizados para professores de todo o País”, conta. Mudou, também, a forma como os educadores estimulam a percepção dos alunos, sobretudo os que estão na primeira infância. “Em um livro de primeiro ano, a criança começa lendo para entender a função social dos tipos e gêneros textuais: listas, receitas, bilhetes… Era impensável, há 40 anos, que isso acontecesse. Diriam que a criança não saberia ler aquilo. Mas não vemos a leitura da mesma forma. Leitura não é só o que ela consegue decifrar. A criança pode entrar em contato com histórias clássicas e tradicionais. Isso é um lugar comum atualmente, no entanto, no passado seria impensável. Os textos não tinham uma função prática”, relembra. A razão e por que dos avanços na sala de aula? Permitir que os alunos ganhem autonomia. Outra transformação acontece no campo das ideias. Os livros de Isabella Carpaneda abraçam a diversidade. Estimulam o raciocínio e a criatividade ao mesmo tempo em que aguçam temas fundamentais ao coletivo. Não é uma característica forjada, mas valores que ela defende e ensina aos filhos, o cirurgião plástico Erick e a arquiteta Laísa, fruto do casamento com o médico Carlos Augusto Carpaneda. “O que temos que tratar nas publicações é o respeito ao ser humano. Falar sobre a valorização dos povos, das etnias. No livro, tenho uma seção só para trabalhar esses aspectos. No final de cada unidade, a depender do que foi tratado no capítulo, reservo um espaço para falar sobre temas humanitários. Somos obrigados a discutir esses assuntos com as crianças e isso é muito bom. É necessário falar, por exemplo, sobre o papel da mulher na sociedade”, comenta.

Algumas das obras assinadas por Isabella Carpaneda

“O QUE TEMOS QUE TRATAR NAS PUBLICAÇÕES É O RESPEITO AO SER HUMANO. FALAR SOBRE A VALORIZAÇÃO DOS POVOS, DAS ETNIAS” Não basta fisgar os novos leitores. Um olhar humanitário para toda a cadeia da educação engrossa a lista de habilidades de Isabella. “Há uma crise geral por conta da desvalorização do professor. Ele está ganhando muito pouco, é um desestímulo. É difícil encontrar profissões que pagam tão mal quanto essa. Há uma demanda grande de atualização e leitura. Ele teria que ganhar melhor para poder incorporar essas novidades. Falamos isso há anos, e a situação não muda. Precisamos de metas que independam de governo”, pondera. No noticiário, as manchetes sobre educação preocupam. Segundo a mais recente pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 30% da população brasileira nunca comprou um livro. Em fevereiro, relatório inédito do Banco Mundial estimou que o Brasil irá demorar 260 anos para atingir o nível educacional de países desenvolvidos em leitura. Esses são alguns dos buracos educacionais dos quais o País precisa se desvencilhar – uma tarefa que Carpaneda, mulher de coragem, assume para si. Para alguns, um milagre. Para ela, um desafio. Avante!

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VERSOS

MULHERES PLURAIS NOÉLIA, SEIRABEIRA, MARINA. NO CONCRETO DA REPÚBLICA, ELAS VERSAM BRASÍLIA NOS EIXOS OU EM BARES. ESCREVEM OU DECLAMAM. SÃO, SOBRETUDO, CATÁRTICAS. E ALINHADAS NO PENSAMENTO: NÃO SÃO POETISAS. SÃO POETAS POR MORILLO CARVALHO FOTOS HELIO PERFEITO

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uando surgiu a ideia de falar sobre algumas poetas de Brasília, demorou pouco para que surgisse também o incômodo de ser, novamente, um homem a falar sobre mulheres. O risco de traduzir o que pensam nos moldes do patriarcado transformou-se, rapidamente, em decisão: não vou ser eu a falar sobre elas. Serão as próprias. As armadilhas de um mundo severamente machista ainda estão por todo canto: escondidas em termos naturalizados – como chamá-las de “poetisas”, o que, aprendi com uma delas, Marina Mara, não ser o feminino do substantivo "poeta" e, sim, o diminutivo – ou escancaradas nas tentações do lugar comum de buscar exaltar o feminino em sua delicadeza e sensibilidade. Às favas com o machismo! Este lugar não é meu. Por isso serei breve até mesmo neste prólogo, apenas apresentando-as. Três poetas, três propostas, três mulheres. Em comum, o ambiente em que vivem e que é celeiro para suas criações: Brasília.

NA CASA DA NOÉLIA Noélia Ribeiro nasceu em Recife (PE), radicada em Brasília desde 1972. Tem 55 anos. É a Noélia, da música Nossa Senhora do Cerrado, gravada pelo Liga Tripa e pela Legião Urbana. Autora de Atarantada (2009), Escalafobética (2015) e Espevitada (2017).

Escrevo desde muito nova. Comecei compondo música e letra, fazia quadrinhas rimando com nomes das pessoas, desde os nove anos. Fiz duas canções. Não havia muitos livros em casa, eu lia os que tinha. Mas ouvia muita música. Foi a primeira coisa que me despertou, de arte. Quem vê de fora sabe mais sobre quem me inspira do que eu mesma, sei quem gosto. Cecília, Drummond, Machado... mais contemporâneos: Alice Ruiz, Paulo Leminski, Mário Quintana. Hoje, tenho lido Paulo Henriques Brito e poetas como Ana Martins Marques. Tudo o que eu leio me leva a fazer um poema. Música também, minha poesia tem muita referência musical. Zeca Baleiro, Paulinho Moska, Caetano, Clube da Esquina, o pessoal do Ceará, Belchior, Gil... Brasília tem muita influência na arte e no comportamento. Essa capacidade de reflexão que a gente tinha antigamente e o fato de não ter nada aqui em termos artísticos quando eu era jovem, tudo foi motivando a escrever sobre Brasília, suas vidas, o deserto que era, as siglas que são inspiradoras. Eu tenho um poema que fala “deste quarto de SQS”. Eu tenho que explicar se vou recitar, porque é muito diferente de outras cidades. É uma cidade especial, com pessoas especialíssimas. Meu processo de criação? Às vezes a partir de um verso, outras de uma história. Tem vezes que adoro uma expressão e quero fazer um poema. Meu primeiro livro, Atarantada, eu já tinha o poema. O  Escalafobética e o Espevitada eu tinha a palavra e escrevi sobre. Tem ironia, melancolia, um certo pessimismo. Falo pouco sobre motivos bucólicos, falo sobre a pessoa, o que ela sente. Estou entrando um pouco em política, tenho tentado sair do eu. Falo de gente e suas dores e

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seus amores. A poesia nasce de um incômodo ou de uma ideia. Outras vezes eu escrevo pra não enlouquecer de vez, porque eu às vezes estou muito atormentada e acabo escrevendo um poema meio catártico. É pra me entender e entender o que eu estou vendo. A poesia já não tem muito lugar. A poesia feminina está crescendo, tem poetas maravilhosas. O espaço para a poesia é pequeno, para as mulheres é menor ainda. Mas estamos aí, conquistando espaço. A mulher está muito esperta, está sabendo seus direitos, se colocar e se impor. Insight Depois de padecer em desalinho Dei-me conta, afinal, De que a grama do vizinho É mais verde porque é artificial Sem Ainda Perder sem antes ter Partir sem chegar ainda Sumir sem surgir de fato Ir sem os olhos da volta Morrer ainda embrião Trapaças vis do coração... Instagram: @noeliaribeiropoeta

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MARINA MARA(VILHOSA) Marina Mara tem 39 anos e nasceu em Taguatinga (DF). É coordenadora do bloco Rejunta Meu Bulcão e criadora do aplicativo PoemApp, que mapeia projetos de poesia pelo País. Autora de Sarau Sanitário. com (2010), Figuras (2015) e BlasFêmea (2017).

A gente vê uma cidade tão nova, mas com símbolos tão fortes... Athos me arrebata, Burle Marx me emociona, a DF Zulu me representa. Como coordenadora do bloco Rejunta Meu Bulcão, eu sou meio suspeita pra falar, porque todo ano a gente coloca cinco mil pessoas na rua, vestidas de igrejinha, de azulejo... É tão emocionante isso, vejo como forma de pertencimento. Tenho alma de passarinho Que no azulejo azul marinho Bateu Athos E voou No candomblé, a pessoa que recebe as entidades é chamada de “cavalo”. Me sinto como um cavalo da poesia, é como se eu fosse uma entidade da expressão que perpassa por mim e que escreve. Eu me sinto aberta, em estado de poesia, e ela vem ou o contrário. Todos os meus projetos perpassam meu desejo de espalhar poesia pelo mundo. O PoemApp surgiu há uns dez anos, como uma ideia para um site. Falo sobre cartografia afetiva, mapeio os projetos de poesia por ele. Já o Sarau Sanitário foi mi-

nha primeira iniciativa. Eu era funcionária pública e já não aguentava mais trabalhar com o que não fazia meus olhos brilharem. Me inscrevi no FAC e consegui bem pouquinho dinheiro, e fui aprendendo na raça. Minha ideia era a popularização da poesia – assim como o uso do banheiro público é democrático, que a poesia fosse também. Mais democrático ainda seria traduzir em braile. Com apoio da Biblioteca Dorina Nowill, de Taguatinga, fiz mil cartazes e espalhei por locais públicos. A mulher... É uma recorrente na minha obra desde sempre, porém com esse boom do feminismo senti uma necessidade de fazer uma compilação dos meus escritos que englobassem a temática da mulher. Meu primeiro livro que não tem só poemas, tem crônicas e devaneios literários é o BlasFêmea. Eu tenho uma oficina que chama Feminismo e Literatura, que ministrei no Sesc de São Paulo, em que fizeram parte, por exemplo, Eliane Brum e Elisa Lucinda. Falar sobre o feminismo na perspectiva da literatura é contrariar a ideia de que o romance do século 20 é Lolita – que, meu bem, é uma história de um pedófilo. A romantização de algumas violências. A maioria das mulheres da literatura ou terminam loucas ou são o próprio demônio... A partir do momento em que as mulheres deixaram de ser objeto para ser o narrador é que os escritores tremeram na base e criaram o termo “poetisa”, e na verdade poetisa não é o feminino de poeta, é o diminutivo. Sabia disso? Prefiro me chamar de poeta. Instagram: @marinamarapoesia

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SEM EIRA NEM BEIRA SeiraBeira é brasiliense de nascimento. Aos 41 anos, espalha poesia pela cidade nos mais diversos formatos. O mais comum: imãs de geladeira. Coordenou o Sarau Poelivre-se (Livraria Cultura), entre outras iniciativas.

Meu nome é Seirabeira. Uma aglutinação de “poeta sem eira nem beira”. Nasci e fui criada em Brasília. Agora eu me crio e recrio aqui. Escrevo desde os 13 anos. Participei de um grupo de poetas em Brasília na década de 1990, chamado Nova Plêiade, com exceção dessa interação com outros escritores, sempre escrevi e guardei meus poemas. Achava que a poesia era apenas hobby. Eu não sabia ainda que a poesia era o que eu realmente sou. Eu acreditava, por cobranças sociais, que a arte era uma ameaça à conquista da vida de concurseira, burocrata a que muitos brasilienses galgam em nome da estabilidade financeira. Não sabia que quem iria pagar minhas contas seria exatamente a poesia. Eu a calei por muito tempo, ela rompeu qual um feto rasga o ventre da mãe em 2014. Nunca mais ela (poesia) ficou na penumbra. Participa ativamente de eventos literários e seus poemas encantam brasilienses. Eu li um texto do Paulo Mendes Campos, Para Maria das Graças, no livro didático da escola de Língua Portuguesa. Eu devia ter entre seis e sete anos. Aquilo me impactou fortemente. Eu chorei de esquentar as bochechas. Aos nove anos, achei um bilhetinho enrolado na condução de um banco escolar: era o Memória, de Drummond. Digo que Carlos me salvou aos nove e para

sempre. Drummond é o poeta-guia, o fio condutor do meu coração até a poética. Outros tantos me inspiraram. Hoje, leio todos os dias a mineira Líria Porto. Brasília já foi mais fecunda. 2014 e 2015 foram anos efervescentes para a poesia. Existia o Lounge Poético dentro do Balaio Café. Aquele ponto ali era importantíssimo para o encontro assíduo dos poetas da cidade. Hoje, os eventos estão mais escassos e não são tão pluralizados. Tudo pode vir a me inspirar. Uma palavra é gatilho para fermentar a massa em aparente descanso do subconsciente. Nem sempre a inspiração está em epígrafe; muitas vezes, um acontecimento, uma fala desencadeia o mote subjacente, descortina a entrelinha. A poesia feminina é um palco multifacetado. Você encontrará vários temas sendo propostos. Somos mulheres plurais. Cada qual com suas referências, inserções em diferentes classes sociais e etnias. Acredito nesse poder de fala, de uso do verbo para externar um silêncio, um espaço de adjacência, de apêndice, de clausura que sempre foi escolhido para a mulher. A mulher sabe e age cada vez mais para ser protagonista da própria história, das próprias demandas. Na intersecção da diversidade, o ponta comum: a luta das mulheres contra o machismo e seus desdobramentos. Enfrentar de nariz erguido e expor o algoz, ainda que pela arte. Agora descobri uma certeza: Quero passar A Vida Ao lado de mim mesma Instagram: @seirabeira_

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MÚSICA

EU VOU ESTAR

Divulgação

VETERANO DO ROCK, AS TRÊS DÉCADAS NO PALCO NÃO TIRAM A VITALIDADE DE DINHO OURO PRETO. DO VINIL AO STREAMING, O CAPITAL INICIAL RESISTE À SUPREMACIA DE NOVOS ESTILOS MUSICAIS POR MORILLO CARVALHO

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“O CAPITAL JÁ EXPERIMENTOU DE TUDO, O FRACASSO, O SUCESSO. MAS O FATO DO CAPITAL TER TROPEÇADO NOS ANOS 90 DÁ UMA CERTA SERENIDADE, MODÉSTIA, BOLA NO CHÃO”

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os 54 anos e mais de 30 de carreira, o curitibano Fernando de Ouro Preto permanece impávido garoto: atende à imprensa com disposição e disponibilidade. Olha cada jornalista nos olhos, responde com assertividade e bom humor. Não esconde a excitação de tocar de novo em Brasília, onde tudo começou. Usa uma camiseta leve, a despeito do frio, e o cabelo está jovialmente arrepiado de gel. O vocalista do Capital Inicial está pronto para encarar o palco. O evento era um encontro de motos. Apesar da imediata relação que se faz entre moto e rock, Dinho prefere o segundo: “eu tenho o maior medo de moto”, confessa. E lembra: “o primeiro show do Capital num lugar mais sério – devia ser 1982 – eu nem era da banda ainda, mas estava fazendo as luzes desse show. O Fê (Lemos, baterista) estraçalha o tornozelo em um acidente e não toca no primeiro show, num teatro na L2 Sul”. Todos, na salinha onde a entrevista é concedida, silenciam. Tensão? Ele prossegue: “então eu não sou a pessoa mais responsável do mundo. Eu consigo até cair do palco, imagina se eu não vou cair duma moto?”. Pronto. Gargalhadas. Em nada lembra o episódio de 2009, quando um passo em falso em cima de um palco em uma apresentação em Minas Gerais o levou a uma queda de três metros de altura e várias fraturas. “Sobre o disco novo: como está a produção, como é gravar com o Lucas, do Fresno?”. Sem dar pausa, Dinho muda a expressão. Parece mais reflexivo. “Cara, a gente está começando a fazer algo... eu estou tendo que me adaptar. O Capital começou do vinil. Do vinil a gente foi pro CD, do CD pro download, e agora tá rolando a época do streaming”, conta. A reflexão sobre o momento de se fazer e de se promover música continua: “o streaming mudou a forma como as bandas lançam. Confesso que prefiro trabalhar lançando um álbum inteiro, como a gente era acostumado... Não sou muito chegado em playlist, gosto de colocar o disco e ouvir de cabo a rabo, sabe? Acabou que, lançando assim, a conta-gotas, é como se a gente tivesse voltado aos anos 60, época dos singles: você lança uma música, daqui a um mês outra, e na real, o lançamento acaba durando uns seis meses”. Tempos novos demais para uma banda veterana, que iniciou a carreira por volta de 1982. O show na Granja do Torto lembrou o início do Capital, que nasceu no Lago Norte. Era a casa dos irmãos Lemos – Fê (bateria) e Flávio (baixo), únicos da formação original ainda na banda. Filhos do professor Briquet de Lemos, era na garagem deles que o Aborto Elétrico ensaiava. Do Aborto, originaram-se Capital e Legião Urbana. GPSLifetime « 69

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Mais reservados que o vocalista, os demais integrantes mantém-se no camarim. Além deles, o guitarrista Yves Passarell, que integra o grupo desde a saída de Loro Jones, em 2001. E, ainda, Robledo Silva (teclado e violões) e Fabiano Carelli (guitarra e violão), como músicos de apoio. Capital tem uma carreira repleta de memórias brasilienses, como a do maior show da banda, em 21 de abril de 2008, na Esplanada dos Ministérios. Estima-se que mais de um milhão de pessoas estiveram naquela noite de show que resultou em DVD. Nota-se. “Se eu dissesse pra você que eu piso nesse palco com indiferença seria mentira, sabe? Eu fico nervoso pra caraca, meu coração dispara “, resume. Antes do show, uma última pergunta, sobre a responsabilidade de serem, hoje, possivelmente a maior banda de rock do País. Dinho pensa por dois segundos. “O Capital já experimentou de tudo, o fracasso, o sucesso. Mas o fato do Capital ter tropeçado nos anos 90 dá uma certa serenidade, modéstia, bola no chão.  A maior bandeira passa a ser o próprio rock brasileiro, que tem cada vez menos espaço”, decreta. Conclui o raciocínio dizendo que a saúde de um gênero musical se mede pelo sangue novo. E cita o Scalene e o Dona Cislene – ambas bandas da atual geração brasiliense. No palco, Dinho é garoto novamente. Abre o show com Independência, pulando a cada entrada de refrão e fazendo estripulias que sepultam qualquer trauma com a queda. Joga confete nas bandas brasilienses: toca Tempo Perdido e Que País É Esse?, da Legião, num habitual clamor político. Toca Mulher de Fases, dos Raimundos, ao lado de Digão como convidado especial. Toca as novíssimas Não me Olhe Assim e Tudo Vai Mudar. E se despede glorioso, evocando o público a um coro à capela, com outra da Legião: Por Enquanto, imortalizada na voz da Cássia Eller. “Estamos indo de volta pra casa”. Ao que tudo indica, virão sempre. Serão sempre bem-vindos. A casa é deles.

Henrique François

“SE EU DISSESSE PRA VOCÊ QUE EU PISO NESSE PALCO COM INDIFERENÇA SERIA MENTIRA, SABE? EU FICO NERVOSO PRA CARACA, VELHO, MEU CORAÇÃO DISPARA”

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COLEÇÃO

UMA ADEGA LITERÁRIA A MAIOR BIBLIOTECA DE VINHOS DA AMÉRICA LATINA ESTÁ EM SÃO PAULO. CARLOS REPPUCCI REÚNE MAIS DE SEIS MIL TÍTULOS EM DIVERSAS LÍNGUAS EM UM APARTAMENTO NO ITAIM E LANÇA NOVO LIVRO POR BRUNA NARDELLI

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vinho, bebida que acalora e alegra populações desde os primórdios da humanidade, tem sua história confundida com a da civilização. Ao ler sobre a temática, é possível desbravar a trajetória do mundo em suas mais variadas vertentes, assuntos que vão muito além de castas de uva e aprimoramento de técnicas de cultivo. Quem conhece a fundo esse vasto universo é Juan Carlos Reppucci, dono de um acervo com mais de 6,7 mil exemplares que circundam a cultura vinária. A coleção está, se não em primeiro lugar, entre as top cinco do gênero. “Difícil afirmar precisamente que é a maior biblioteca privada de vinhos do globo, mas sem dúvidas é a mais ampla da América Latina”, sustenta Reppucci. O sotaque entrega as origens do colecionador. Nascido na Argentina, o engenheiro de formação se mudou para São Paulo há trinta anos em busca de melhores condições de trabalho. Na capital paulista, entre jornadas exaustivas, reunia-se com amigos para degustar bons vinhos e papear sobre a vida. O hobby despertou a vontade de aprofundar seus conhecimentos so72 « GPSLifetime

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bre a bebida, à época superficiais. Para isso, ele passou a embarcar em idas imersivas à livrarias mundo afora. Do primeiro exemplar adquirido nem se recorda mais. Os poucos livros foram se multiplicando. O acumulador decidiu, então, adquirir o apartamento anexo ao seu, no bairro Itaim. É lá, sob luz amena e temperatura controlada, que os milhares de exemplares descansam. Até o século XVIII, são organizados por data de edição. A partir daí, são catalogados por idioma, havendo sessões em espanhol, francês, inglês, italiano e português. As encadernações recheiam prateleiras espalhadas por todos os cômodos do imóvel. “Apesar de ser aberta ao público com hora marcada, a coleção atende apenas pessoas que moram ou estão de passagem por São Paulo. A ideia do recém-lançado Uma Biblioteca Vinária é, justamente, fazer com que mais leitores tenham acesso

aos tesouros aqui agrupados”, sentencia o argentino. Entre eles, o Crônica de Nuremberg, datado de 1493 e considerado uma verdadeira raridade da literatura vinária. “No exemplar sobre o meu acervo, é possível ler capítulos de fascinantes encadernações sobre a história do vinho. Ao folheá-lo, descobre-se muito mais do que aspectos interessantes sobre a bebida. Entende-se sobre peculiaridades de áreas correlacionadas, como medicina, artes plásticas, música e religião”, explicita. Ao longo dos anos, ele orgulha-se de ter colecionado mais do que apenas publicações. “Acumulei também amigos que compartilham da mesma paixão que a minha”, conta. Algumas de suas fontes, que o informam sempre que um raro livro bate à porta, estão situadas em Nova York, Paris, Roma e Florença. Para ele, há muitos outros tesouros literários a serem degustados. GPSLifetime « 73

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r Fotos: Celso Junio

DESEMBARQUE IMEDIATO COMER BEM INTEGRA O ELENCO DAS MELHORES EXPERIÊNCIAS DA VIDA. E SE O ATO FOR TEMPERADO COM CORAGEM E INVENTIVIDADE A RECEITA É PERFEITA. PREMIADOS CHEFS QUE FIZERAM CARREIRA EM BRASÍLIA DESEMBARCAM EM SÃO PAULO POR REBECA OLIVEIRA

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ever trajetos, traçar outros caminhos, debruçar-se sobre novos planos de negócios. Na jornada, um punhado de coragem, determinação e um tempero próprio, necessário para destacá-los entre milhares de concorrentes. Terceiro maior polo gastronômico do País, Brasília ficou pequena para os ambiciosos planos de Marco Espinoza, Gil Guimarães, Luiz Trigo e Dudu Camargo. O destino? São Paulo. Levam ingredientes e vivências próprias de quem teve na Capital da República a mais nobre das escolas. Nascidos em outras terras, praticam o êxodo gastronômico com o mesmo impulso com que chegaram ao Cerrado. Sentiram a necessidade de transbordar.

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À MESA E EM FESTA Ousadia, alegria e… boa mesa! Conhecido por movimentar a cena gastronômica brasiliense há quase 20 anos, Dudu Camargo se prepara desembarcar em São Paulo. O chef chega à cidade cinza para engrossar a lista de parceiros de Thiaguinho no Soul Jockey Club. Trata-se da segunda unidade do bar do cantor de pagode. Também são sócios Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest; Caio Ribeiro, apresentador da Rede Globo; e Tico Sahyoun, fundador da marca Bobstore; além do empresário Neto Natt. Será uma das mais difíceis missões assumidas pelo cozinheiro, que há anos deixou claro: mais que fazer bonito à mesa, gosta de estar à frente de ousadas operações. Algumas, como o Dudu Bar, mantém-se há anos como referência na Asa Sul e no Lago Sul. Outras, como o Your’s e Unanimità, já fecharam as portas. Nascido em São Paulo, Camargo vive em Brasília desde 2000. Em 2013, vendeu parte de seus restau-

rantes para um grupo paulista. Agora, o spot tem mais de mil metros quadrados e ostenta projeto de Andrea Lucchesi, da Mestisso Arquitetura e Interiores. “Será um restaurante animado, aos moldes do Dudu Bar. Por isso será no Jockey, até para não causar problemas em relação à Lei do Silêncio. A parte musical é intensa”, garante. “Alguns pratos vendidos em Brasília serão comercializados por lá. Outro ponto alto é o farto buffet mediterrâneo, que será montado aos sábados”, antecipa Dudu. De “árabe a foie grois”, o menu terá clássicos de toda parte do mundo. Uma volta daquelas para quem, no início de carreira, lavava pratos em estabelecimentos paulistas. Dudu Camargo  Soul Sports Bar, Jockey Club de São Paulo Av. Lineu de Paula Machado, 1263, São Paulo

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Fotos: Hélio Perfeito

COMER, VIAJAR De um espaço de menos de quatro metros quadrados ao título de melhor pizza do Brasil. Quem imaginou que o que nasceu como um box na Quituart poderia desbancar concorrentes paulistas? Dezenove anos depois de fundar a Baco, Gil Guimarães retomou a investida nas redondas em Napoli Centrale, no Mercado de Pinheiros, bairro de nome homônimo. Menos de dois anos depois, abriu a C6, hamburgueria que repetiu o sucesso da Parrilla Burger, casa que mantém em solo candango. Não bastasse o bom momento com as duas casas em Pinheiros, o restaurateur se une a outro talento de Brasília, Luiz Trigo, recentemente premiado na Veja Comer e Beber pelo Le Birosque. Juntos vão tocar a Distrito, uma versão reduzida dos mercadinhos gourmands ao redor do globo, que será erguido no Panamby, perto do

Parque Burle Marx. O minimarket de 650m² será uma junção da hamburgueria C6, da pizzaria Napoli, de versão à paulista do Le Birosque (com nome ainda a definir) e da cachaçaria Encantos da Marquesa. A aposta forte é na charcutaria, além de um bar de cervejas especiais. Para Gil, é importante criar algo personalizado para o público paulista. “Eu poderia ter aberto a Baco, mas quis outra proposta”, completa. “Por viver em um ritmo frenético, o público paulista valoriza muito o tempo. Quando sai,  quer ter excelentes experiências”, afirma Trigo, nascido em Ribeirão Preto. Na trajetória, aliás, o chef carrega mais anos de vivências profissionais em São Paulo que em Brasília, onde mora há 10 anos. Passou por casas como o Fasano, Due Cuochi, DOM, La Tambouille, e até na cozinha do Sírio-Libanês. Gil Guimarães e Luiz Trigo  a reliano imar es anamby

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ESPINOZA NÃO PARA Transformação. A palavra é uma constante na vida do peruano Marco Espinoza, conhecido por fazer uma fusão entre elementos da cozinha andina e da brasileira. Deixou Lima aos 19 anos. Antes de aterrissar em Brasília, morou em Buenos Aires, onde fez bico como taxista. Hoje, acumula prêmios de melhor restaurante peruano fora do país latinoamericano, melhor chef, melhor cozinha do mundo e também melhor restaurante de Brasília. Desde 2013, quando abriu o Lima Restobar, em Botafogo, no Rio de Janeiro, Espinoza abraçou oportunidades de negócios Brasil afora. Logo entrou para a lista do Bib Gourmand, do Guia Michelin, uma bíblia da gastronomia e que aponta casas que valem a pena visitar. Outras cidades, como Porto Alegre e

Campinas, vieram logo depois. Desde o ano passado, instalou-se em bairros nobres de “essepê”: Itaim Bibi e Jardins. “É um público diferente, mas tão exigente quanto o de Brasília. Eu precisava dar uma refrescada nas ideias”, afirma o cozinheiro. Espinoza sabe que a selva de pedra não permite mancadas ou margens de erro. Apenas na capital, existem mais de 12,5 mil restaurantes em funcionamento, segundo dados da Abrasel. “Para entrar em um mercado como esse, é preciso estar bem estruturado. Não depende só de ter um bom chef. É um conjunto. Foi um investimento alto e que ultrapassa vários dígitos. Estou só começando”, confidencia. Lima Restobar  Rua Adolfo Tabacow, 269, Itaim Bibi, São Paulo (11) 4327-0623 Lima Cocina Peruana  Alameda Lorena, 1784, Jardins, São Paulo

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Comer é um ritual cada vez mais apreciado na velocidade do novo mundo digital. Com o tempo cada vez mais raro, sentar-se para o deleite da boa mesa tem sido a experiência mais desejada por aqueles que também têm o lazer como prioridade na vida. A gastronomia requer engrenagem com status dimensionais, especialmente nos últimos 15 anos, quando este segmento ganhou todos elementos que o credenciaram a uma das mais expressivas atividades da economia criativa. Chefs se tornaram personalidades e devem mesmo ser tratados com a maior deferência ao exercerem sua arte criativa. Em meio a esse fenômeno, Brasília tornou-se o terceiro polo gastronômico do País, e veja que estamos falando de uma Capital com 57 anos de existência. Pesquisas indicam que 60% da população brasileira come fora. Então, renda-se ao eterno prazer de comer, saboreando. Nas páginas a seguir, casas de Brasília se prepararam para a época primaveril em que o brasileiro quer, merecidamente, viver com leveza.

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BRASÍLIA CONTRA O CÂNCER C A MAIOR CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO CONTRA O CÂNCER DO DISTRITO FEDERAL FOI PROMOVIDA PELO HOSPITAL SANTA LÚCIA. O OBJETIVO É ALERTAR A POPULAÇÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DE ESTAR BEM INFORMADA PARA PREVENIR A DOENÇA

om a hashtag #BrasíliaxCâncer, o Centro de Oncologia Santa Lúcia lançou a campanha que visa mobilizar a população brasiliense acerca de cuidados com a saúde oncológica. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, divulgou a “Estimativa 2018 de Incidência de Câncer no Brasil”, com dados preocupantes: o país deve registrar 600 mil novos casos de tumores por ano, em 2018 e 2019. Trata-se do mesmo número epidemiológico registrado nos anos de 2016 e 2017. A previsão é que o câncer de pele não melanoma continuará sendo o mais frequente (com 165 mil novos casos), seguido do câncer de próstata (68 mil), e o câncer de mama na terceira posição

(59 mil). Os homens devem apresentar mais casos de tumores do que as mulheres, em 2018, com cerca de 300 mil, enquanto elas devem registrar 282 mil novos casos. No Distrito Federal, o cenário muda: são as mulheres quem mais serão diagnosticadas com a doença (4.750) do que os homens (3.700), nesse ano, segundo o Inca. Entretanto, para o Ministério da Saúde e demais órgãos que monitoram a incidência da doença no país, as perspectivas de cura são otimistas, devido à evolução clínica do tratamento oncológico realizado nos últimos anos. “As chances chegam a 90%, quando o câncer é detectado logo no início. Nos casos mais avançados, as chances podem diminuir, mas as terapias sempre fazem a diferença, desde que o paciente procure o tratamento correto”, afirma o médico oncologista e chefe do Centro de Oncologia Santa Lúcia, Dr. Fenando Maluf. Para a diretora-geral do Inca, Ana Cristina Mendes, há uma ameaça surgindo nos últimos anos e que pode colocar em risco o tratamento de muitos pacientes: as Fake News. “A proliferação de mensagens falsas e incompletas leva muita gente a seguir conselhos que, na maioria das vezes, são desprovidos de embasamento

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Com a participação de profissionais de saúde, representantes de entidades médicas, filantrópicas, ONGs, imprensa especializada, influenciadores digitais e convidados especiais, o encontro, em formato de talk show, contou com a participação da médica nutróloga, Melissa Chaves, e da jornalista e editora das publicações JP e Glamurama, Joyce Pascowitch. Ao final, o público participou de coquetel especial realizado no recém-inaugurado B Hotel Brasília.

MAIOR COMPLEXO DO CENTRO-OESTE

científico”, afirma Cristina. Segundo ela, as notícias falsas podem afastar as pessoas do tratamento correto e gerar frustações, sendo que um terço dos casos de câncer pode ser evitado, justamente por ser associado a fatores como tabagismo, inatividade física, obesidade e infecções, como o HPV. Nesse contexto, informação de qualidade pode ser a diferença entre a vida e a morte. Sob a liderança do médico oncologista Fernando Maluf, o hospital lançou a campanha “Brasília Contra o Câncer”. O projeto, que planeja uma série de eventos e ações especiais ao longo do ano no Distrito Federal, tem como base os seguintes pilares: informação de qualidade; prevenção; diagnóstico precoce; tratamento assertivo e humanização. Trata-se da maior campanha de conscientização contra o câncer já realizada na Capital Federal.

O Hospital Santa Lúcia vem realizando importantes investimentos tecnológicos e científicos em diversos setores médicos, entre eles a ampliação e consolidação do seu Centro Oncológico, que reúne todas as atividades necessárias em um só ambiente: cirurgia oncológica, oncologia clínica, hematologia, radioterapia, radiologia e patologia, além da ala premium oncológica. “Estamos completamente integrados para atender pacientes de todo o Brasil, desde situações mais simples às mais complexas, da prevenção ao diagnóstico e tratamento, sem a necessidade de deslocamento para outros lugares”, afirma o chefe do Centro de Oncologia Santa Lúcia. A reestruturação do serviço oncológico do HSL inclui a qualificação e ampliação do time de especialistas, a incorporação de novas tecnologias de ponta, reavaliação de protocolos, humanização do aten-

dimento, criação de programas de capacitação permanente e realização de eventos científicos e de inovações. “Recrutamos um time padrão ouro de oncologistas clínicos e radioterapeutas, que formam o complexo oncológico do mais alto nível no Hospital Santa Lúcia”, ressalta Maluf. O centro cirúrgico dispõe de equipamentos de última geração, como o acelerador linear Trilogy Varian, que utiliza a radiação ionizante e oferece mais precisão e menos efeitos colaterais. Além disso, possui patologias presenciais que poderão se comunicar diretamente com o cirurgião durante uma cirurgia oncológica que exija análise imediata do profissional. Hospital Santa Lúcia SHLS Quadra 716 Conjunto C, Setor Hospitalar Sul, Brasília (DF) el.:

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PERFECTA EXAMES RADIOLÓGICOS PERSONALIZADOS

POR EDINHO MAGALHÃES

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á 12 anos, a clínica radiológica Perfecta surgiu em Brasília com sua primeira unidade no Setor Hospitalar Sul, como fruto da visão de seus sócios sensibilizados com as dificuldades do paciente no que diz respeito à falta de uma assistência personalizada, como a figura do médico radiologista se disponibilizando ao contato direto com o pacien-

te. Esse foi o objetivo sonhado pelo Philipe Bronzeado Cavalcanti, responsável técnico da clínica, que ao longo dos anos percebeu essa necessidade entre os pacientes de Brasília. Médico radiologista com ampla experiência tanto no serviço público como no privado, preceptor da Radiologia do Hospital de Base por muitos anos e titular do Colégio Brasileiro de Radiologia, Philipe começou a moldar seu sonho à realidade instalando – e já ampliando – a segun-

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da unidade da Perfecta Diagnóstico, no Centro Médico Lúcio Costa, na 611 Sul, onde oferece atendimento diferenciado, humanizado e personalizado aos pacientes. Nesta rápida entrevista aos leitores da GPS, ele explica melhor, ao lado da esposa Daniela Queiroz Cavalcanti, como idealizou o tratamento diferenciado na radiologia, alinhando a modernidade tecnológica (com equipamentos mais amplos, rápidos e silenciosos de Ressonância Magnética) com treinamento e capacitação de sua equipe de colaboradores.

ou ainda de poder conversar previamente com a equipe de técnicos para se ambientar com o exame. Isso tudo tranquiliza os pacientes a realizarem a ressonância, que é um exame indolor e não invasivo, num equipamento de última geração, mais amplo, tornando-o mais tolerável inclusive para exames com rotinas mais demoradas, como é o caso da Ressonância Magnética de corpo inteiro para pesquisa de mieloma múltiplo, assim como para pacientes de até 250kg. Em que momento a relação médico-paciente se revela mais humanizada na radiologia?

Quais os diferenciais que a clínica Perfecta oferece aos seus pacientes?

Philipe – Quando o médico se disponibiliza antes ou depois do exame. Não sendo apenas um profissional que vai dar um laudo por trás das telas. E no tempo também. No serviço de ecografia, por exemplo, disponibilizamos o laudo imediatamente após a realização do exame. É importante ao paciente um “feedback”, mínimo que seja, sobre o que estamos vendo ali em tempo real, seja comentando a evolução de um tratamento ou na rápida comunicação quanto aos achados clínicos, que contribui para encaminhamentos e tratamentos efetivos. Além disso, um corpo clínico especializado consegue atender muito melhor uma gama de procedimentos, do doppler à biópsia guiada por ultrassonografia, seja nas áreas de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia ou em exames diferenciados da pediatria, como a avaliação da coluna neo-sacral, fundamental à identificação de malformações desde os primeiros dias de vida.

O investimento em tecnologia com equipamentos mais silenciosos para Ressonância Magnética, por exemplo, é um desses diferenciais?

Vale a pena, então, investir nesses diferenciais?

Daniela – A Perfecta se propõe a um olhar individualizado do paciente, de maneira que ele se sinta acolhido. A começar pela excelente qualidade de nosso corpo clínico, todos titulados pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e pessoalmente escolhidos pelo Philipe. Muito nos orgulha, por exemplo, termos conosco o José Luiz Furtado de Mendonça, profissional de renome nacional em neurorradiologia. E esse cuidado no alinhamento aos valores da Perfecta se estende também a todos os nossos funcionários, que são capacitados, treinados e qualificados para esse objetivo. O acolhimento se dá quando nos colocamos no lugar do paciente, oferecendo, inclusive horário estendido de atendimento de segunda a sexta até as 22hs e ainda com horários disponíveis aos sábados, domingos e feriados. Sempre priorizando as necessidades do paciente.

Philipe – Também. O investimento em um equipamento diferenciado foi apenas um dos pontos avaliados. Por ter maior espaço interno, com as duas extremidades abertas, o “túnel” é mais amplo e curto que o tradicional, proporcionando maior iluminação e conforto, com sequências mais rápidas, encurtando o tempo do exame sem abrir mão da qualidade. Mas o que de fato entendemos por humanização é o acolhimento das reais necessidades do paciente, como a possibilidade de ter um acompanhante na sala de exame de ressonância (que não emite radiação), de ter um fone de ouvido com gênero musical à sua escolha,

Daniela – É o retorno de nossos pacientes que nos mostra que estamos no caminho certo. Contamos com 98% de satisfação deles, aliada à confiança que temos conquistado cada vez mais junto à comunidade médica de Brasília, certos da qualidade de nossos serviços. Os investimentos vão além das instalações e atualização tecnológica, iniciamos há certo tempo parcerias com consultorias especializadas em diversas áreas. A atenção está voltada a todas as vertentes de atuação, inclusive para oferecer atendimento exclusivo e diferenciado, como o “espaço mulher”, que estamos concluindo na nova unidade. Tudo isso voltado a uma prestação de serviços de excelência e à criação de oportunidades para todos os envolvidos. GPSLifetime « 93

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ARTIGO POR MARIO ROSA

mrconsultoria@uol.com.br

HOMEM: CUIDADO, FRÁGIL O AMOR FAZ SABER QUE PRECISAMOS SABER ALGO QUE NÃO SABEMOS

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s vidas são escolhas. Feitas mais pela vida do que por nós. Escolhemos a cor da camisa, o dia do casamento, mas não escolhemos quem iremos encontrar com aquela camisa e iremos nos casar. E, assim, vamos escolhendo e sendo escolhidos. Até que o tempo passa e esse acervo de escolhas voluntárias e involuntárias ganha outro nome: vida. Vida vivida. E chega um tempo em que olhamos para trás e fazemos um balanço de tudo que nos escolheu e de tudo que não escolhemos. Eh hora então de se perguntar: ainda eh possível escolher o que não foi escolhido? Ou se deve fazer a escolha de aceitar a vida como foi e vivê-la sem retrovisores? Cada amor eh uma flecha lançada e sem volta. Mas o arqueiro se pergunta se deve agora mirar novos alvos ou assumir a maestria do seu próprio modo de manejar seu arco. O amor quase nunca vem como resposta. Costuma surgir como perguntas e, por isso, nos faz estremecer. Porque as respostas só valem para o que se foi. Para o que se está vivendo, há as perguntas, as perguntas, novas, que nós fazemos pela primeira vez e, ao fazermos, deixamos de ser o campo tranquilo das respostas que já conhecemos e nos tornamos o abalo sísmico do não saber. Eu já soube tanto sobre tudo e hoje sei apenas que não sei. E essa autoignorância eh a única certeza de que o amor anda ao meu redor. Eh o amor que nos faz saber que ainda precisamos saber algo que não sabemos. O quê? Não sei. Só vivendo o amor para alcançar essa resposta. E se alcançarmos, quando alcançarmos, o amor terá sido vivido e sobrará dele a resposta que não conseguimos imaginar. E que parecerá tão simples ao fim de tudo. Como todas as respostas, como todos ex-amores.

O homem frágil está numa encruzilhada. E todos os caminhos são escolhas, todos os caminhos são incógnitas. Para onde seguir significa que caminhos não tomar. Ele deve seguir seu rumo ou deve arriscar novas direções? Mas seu rumo já não eh o conhecido? Não chegou a vez de mudar a trajetória? Ou o seu rumo eh mesmo o seu caminho e mudar eh se perder de si? Ou mudar eh finalmente encontrar-se? Então por que não? O que o prende a que e o que será que o liberta? Ele foi sempre livre ou prisioneiro? Onde estará a resposta? No amor, ele pressente. Mas por que via? Sempre fui adepto do mantra de que você nunca está perdido se não sabe para onde ir. Então, os que amam nunca estão perdidos. Perdidos estão aqueles que sabem onde querem chegar. Os que não sabem podem chegar a qualquer lugar e se encontrarão. E o amor sempre será um encontro. Desencontros não são amor. E o amor quando acontece emana sua imponência e se faz presente em toda sua majestade de um modo que, sim, sim, só pode ser amor. E essa força move, dissolve, remove, promove e transforma as respostas serenas e acumuladas em perguntas novas e angustiantes. E, assim, partimos nos no impulso de respondê-las. E assim vamos amando, vamos vivendo e vamos nos questionando. O amor eh um questionário que o destino nos formula para respondermos quem somos. A questão eh que hoje o amor não eh mais como sempre foi. Não, o amor eh exatamente como sempre foi e será, mas a entrega ao amor não eh mais o caminho que já foi. O amor hoje mora numa encruzilhada e há tantos caminhos possíveis que amar não eh mais um acidente, um incidente. Eh uma escolha. E o homem frágil eh de um tempo em que o amor o escolhia e não ele ao amor.

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ARTIGO POR LÍVIA DE MOURA FARIA

OAB/DF 27.070

Advogada e Sócia Diretora da Nelson Wilians & Advogados Associados Brasília

FAKE NEWS E O DESAFIO DA JUSTIÇA ELEITORAL NAS ELEIÇÕES DE 2018

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reforma eleitoral de 2017, por meio da Lei 13.488, possibilitou o uso mais amplo de ferramentas disponíveis na internet como mecanismo para fomentar a propaganda eleitoral nas próximas eleições, qual seja: o impulsionamento de “posts” por candidatos e partidos políticos. O mundo virtual é de extrema relevância na atualidade para a propagação de informações, compartilhamento de ideias e opiniões, que são acompanhados e vistos, quase que de forma instantânea, pelos usuários da rede com alcance imensurável. Questiona-se se a internet é um facilitador entre o comunicador e o seu público alvo. E não há sombra de dúvidas quanto a positividade do questionamento. Entretanto, diante da presteza das informações que são lançadas na rede mundial de computadores, surge um provável vilão capaz de macular a imagem de candidatos e partidos políticos nas eleições de 2018: as Fake News. As notícias falsas, popularmente conhecidas como Fake News, já instituem-se como o tema de maior destaque nas eleições que se aproximam, e o seu combate é tratado pela Justiça Eleitoral como o assunto de maior relevância, posto que podem interferir diretamente na disputa eleitoral, desequilibrando o pleito e prejudicando candidatos e partidos. Para se ter uma ideia, as Fake News estiveram presentes de forma maciça nas recentes eleições presidenciais dos Estados Unidos e da França, onde tiveram destaque maior, isto é, mais visualizações que as notícias verdadeiras, impactando assim na decisão dos eleitores no momento da eleição.

Essas notícias têm o condão de influenciar, manipular e até mesmo levar os eleitores a conclusão da posição do adversário ser ou não correta e, em sua forma mais severa, seria apresentar de forma contrária os posicionamentos defendidos pelo candidato a um determinado público alvo de eleitores. Ocorre que o impulsionamento dessas notícias aparecem ao eleitor com todos os caracteres de fato verídico, além do agravante de ser publicado ou compartilhado por uma fonte respeitada. Porém, ao ser feita uma pesquisa a fundo das matérias, percebe-se que se tratam de Fake News, com o condão exclusivo de desvirtuar a veracidade das informações repassadas e, em grande maioria, não se sabe quem foi o financiador de tais notícias. O grande dilema e a dificuldade que se apresenta para a Justiça Eleitoral é o estudo de uma alternativa eficaz para impedir que as Fakes News tenham tamanha visibilidade. O que se sabe é que os prejuízos trazidos são praticamente irreversíveis e afetam o efetivo exercício da democracia. Apesar de ter sanções previstas na legislação eleitoral para punir os responsáveis pela propagação de informações falsas, a dificuldade que se encontra é em monitorar e minimizar o alcance delas, pois, a partir do momento em que aquela notícia falsa teve uma visibilidade alta pelos eleitores, o objetivo do autor da Fake News foi atingido. Dessa forma, a cooperação entre os diversos órgãos de segurança, as empresas responsáveis por divulgar tais notícias e a justiça eleitoral tem que acontecer de forma célere e unificada, a fim de levar as notícias verdadeiras em forma de propaganda eleitoral ao eleitor para o exercício legítimo do direito de escolha, pilar da nossa democracia.

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ARTIGO POR EDINHO MAGALHÃES

ELEIÇÕES: DEIXAR DE VOTAR NÃO É LEGAL

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uando suas excelências os líderes do Congresso Nacional conduziram votação no ano passado proibindo o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas (muito mais pelas revelações da Lava Jato do que por consciência política), eles tinham, desde já, um trunfo na manga: a criação de um fundo eleitoral de aproximadamente R$ 1,7 bilhões. Então, enquanto a Lava Jato mostrava que empreiteiras bancavam campanhas milionárias de políticos, em busca de contratos – por sua vez bilionários – em órgãos e empresas públicas, por meio desses mesmos políticos, o Congresso dava um jeito de “mudar” essa triste realidade aprovando, na verdade, um fundo público para bancar as campanhas privadas.  Logo em seguida, o Tribunal Superior Eleitoral autorizou os partidos políticos a fazerem uso dos recursos de outro fundo, o “Partidário” (cerca de R$ 880 milhões/ano) para ajudar a bancar as campanhas de seus candidatos. Ou seja: os partidos disporiam da bagatela de mais de R$ 2,5 bilhões para custear as eleições deste ano. Uns mais outros menos, vejamos: segundo dados da ONG “Transparência Partidária”, publicados pelo jornal Folha de S. Paulo (edição de 12/8), “entre sobras do Fundo Partidário deste ano mais a divisão do ‘bolo’ do Fundo Eleitoral, as principais siglas do país estariam com o caixa assim divi-

dido (em R$ milhões): MDB 235; PT 225; PSDB 201; PR 155; PP 151; PSB 124; PSD 118; DEM 96; PRB 90; PDT 73; PTB 65. Se a idéia do financiamento público se tornou legal, caro(a) leitor(a), deixar de votar nestas eleições é que não será nada “legal”. O que já está ruim pode piorar. Pesquisa realizada pelo instituto “Opinião Política”, publicada pelo jornal Correio Braziliense (edição de 18/8), revela que mais de 50% do eleitorado está “pouco interessado” ou “sem nenhum interesse” pelas eleições de outubro próximo. Isso é realmente preocupante! Deixar de participar ou anular o voto será o mesmo que comprar ingresso para um jogo e se negar a entrar no estádio. Ou achar que deixando de ir a uma assembleia de condomínio vai te isentar de pagar a taxa mensal ao síndico. Ledo engano! É você quem estará pagando a conta e bancando o pleito do mesmo jeito.  Como já comentamos  por aqui  antes:  devemos ser bons cidadãos e bons eleitores.  Sermos pessoas melhores irá refletir em escolhas melhores e nossos escolhidos, por sua vez, poderão ter atitudes melhores em seus mandatos. Com esse ciclo virtuoso poderemos começar a vislumbrar mudanças no atual sistema político de hoje, falido e exaurido. Portanto, participe, vote e depois se lembre de cobrar pelas mudanças que tanto precisamos!

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NA VANGUARDA DO ENSINO A CASA THOMAS JEFFERSON TEM ESSE DNA QUE REÚNE TRADIÇÃO E INOVAÇÃO COM A MESMA COMPETÊNCIA HÁ DÉCADAS EM BRASÍLIA. ENTRE SEUS VALORES: ABERTURA, DINAMISMO, REFLEXÃO E AUTORRESPONSABILIDADE

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om décadas de estudos e sempre dedicada a trazer o que há de mais moderno e inovador no campo do aprendizado, a Casa Thomas Jefferson está sempre à frente do seu tempo e, a cada ano, firma-se como referência no país, quando o tema é ensino de inglês como segunda língua. A escola oferece diversos tipos de cursos que se adaptam aos mais variados perfis de alunos. Modelo de inovação aliada ao aprendizado, o Bilingual Adventure chega com uma proposta inédita à Capital. Diferentemente do ensino bilíngue em uma escola tradicional, o aluno que optar por essa nova modalidade não precisa, necessariamente, trocar de escola ou mu-

dar sua rotina para ter um currículo bilíngue como base de sua educação. “Ser bilíngue é saber se comunicar em duas línguas de maneira natural, ser fluente, falar sobre diferentes assuntos com um vocabulário amplo”, destaca Lucia Santos, diretora executiva da CTJ. Atividades lúdicas, recursos online, link com outras matérias, interação virtual: tudo isso pode ajudar na hora de aprender. Para os pequenos, a tarefa é um pouco mais simples. Com uma capacidade de absorver assuntos maior que a de um adulto, as crianças podem ser mais rápidas no aprendizado, ao passo que também se distraem mais facilmente.

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Deve-se respeitar a individualidade de cada um e trazer o conteúdo. Por isso, é importante identificar logo cedo as aptidões individuais dos alunos e aliar isso a métodos e estratégias lúdicas de ensino. Combinar as características de uma matéria com outra correlacionada, por exemplo, pode ser um bom caminho a ser seguido. Com um espaço divido em diversos ambientes temáticos, o “aprender brincando” se torna uma realidade ainda mais presente no dia a dia dos alunos. Outra forma de aliar os tempos modernos ao conteúdo a ser passado é introduzir a tecnologia nas aulas e em cursos paralelos. O Makerspace é um espaço pensado para o público entusiasta. Com workshops que envolvem tecnologia aliada ao desenvolvimento da criatividade, o Makerspace incentiva os novos “fazedores” com seus equipamentos modernos e orientação qualificada. “É um espaço que estimula a colaboração, o pensamento sistêmico, a inovação e o empreendedorismo”, diz Soraya Lacerda, supervisora do local. Aberto ao público, eles recebem alunos de diversos cursos da UnB para workshops, além de oferecer o aluguel de suas máquinas a preço de custo para quem quiser finalizar algum trabalho. O CTJ Makerspace disponibiliza o uso de computadores de última geração, máquinas de costura, plotter de corte, impressora 3D e cortadora a laser. “A cola-

boração com pessoas e instituições é um dos pilares fundamentais na co-construção do conhecimento e compartilhamento do aprendizado para a ‘cultura de fazedores’: crianças, adolescentes e adultos que se entusiasmam pelas ciências e artes, aprendendo a pensar criativamente e executar suas ideias”, comenta Soraya. Quando se trata de um público mais velho, o desafio se intensifica. O adulto tem muitas coisas para pensar e muitas distrações no dia a dia. Para isso, os cursos estão cada vez mais específicos e personalizados de acordo com a necessidade de seu público. Um bom exemplo é o Thomas Experience. Tirando a necessida-

de de provas ou livros, o curso promove o desenvolvimento da habilidade oral por meio de experiências e atividades práticas em torno de temas contemporâneos e variados, além de contar com o suporte de ferramentas online e de um aplicativo exclusivo para a prática personalizada de listening e pronúncia. Recentemente, as empresas Oni e Amplifica inauguraram o  Espaço Nauta, cujo foco está em iniciativas empreendedoras e na diversificação da tecnologia educacional voltadas para o empreendedorismo educacional. Em parceria com a Casa Thomas Jefferson, o espaço propõe abrir as portas para iniciativas ligadas ao  mindset  empreendedor, em ambiente moderno com vãos livres e salas de reunião multiuso. “Para um educador, é essencial estar antenado ao que acontece no mundo e em como adaptar isso para a sala de aula. No Nauta, eles encontram um espaço voltado para oportunizar uma troca. É importante que exista essa experiência para que o trabalho esteja sempre o mais atual possível”, explica Paula Pacheco, superintendente de operações e negócios da Thomas Jefferson. No local, são oferecidos cursos, jornadas de impulsionamento, eventos e networking que funcionarão como base de apoio, capacitação e estímulo para auxiliar educadores e gestores a pensarem de forma mais ampla nos negócios e na educação. GPSLifetime « 105

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EXPLORE O LAGO PARONOÁ A COMPRA COMPARTILHADA DE LANCHAS E JET-SKY EM BRASÍLIA JÁ É UMA REALIDADE E FAZ COM QUE DEZENAS DE BRASILIENSES APROVEITEM OS ENCANTOS DO LAGO PARANOÁ. VEJA COMO É FÁCIL TER UMA EMBARCAÇÃO HOJE EM DIA. POR ROGÉRIO FAYAD*

Todos os dias, por volta das 18h, o sol cai no horizonte de Brasília. A vista do pôr do sol no Lago Paranoá é considerada uma das mais belas do mundo. Quem costuma passear de lancha pela região conhece bem essa paisagem. Aos finais de semana diversas embarcações ancoram em torno da barragem, a área com a água mais limpa e calma do lago, para apreciar a vista, fazer churrasco e nadar nas águas represadas do Rio Paranoá. Quem pensa que para ter acesso a esse lazer privilegiado precisa investir muito dinheiro e dor de cabeça na administração de uma embarcação está enganado. Nos últimos anos, uma tendência mundial chegou a Brasília e facilitou a vida de muita gente: o compartilhamento de bens considerados de luxo, onde o gerenciamento dos custos de manutenção ficam por conta de uma empresa. Dessa maneira – e de forma simples – as despesas desse bem são divididas entre os cotistas na mesma proporção de sua fração, otimizando assim o investimento. Com essa pegada nasceu em Brasília a Premier Jet. A empresa, a maior do Centro-Oeste no segmento de compra compartilhada, gerencia 22 embarcações, todas quitadas, desalinhadas e desimpedidas, e conta com mais de 70 cotistas. A empresa também atua no ramo de aluguel de lanchas e jet-skis.

Administrar patrimônio de alto valor requer experiência e seriedade. Por isso, a Premier Jet opera com um moderno sistema de reservas online, equipe de atendimento especializada e uma parceria com a concessionária Real Náutica. Localizada na Marina Nauss, ao lado do hotel Brasília Palace, a empresa conta com um píer exclusivo para seus clientes. As embarcações da Premier Jet variam de 24 a 50 pés. Escolha hoje a que mais se adequa a você e sua família. A empresa se encarrega da formação dos grupos, que podem ser de quatro a oito pessoas, da manutenção preventiva, aluguel da marina, seguros, marinheiro, limpeza, revisões, mecânico e todas as possíveis dores de cabeça que a gestão de uma embarcação aquática pode gerar. A empresa é parceira exclusiva do estaleiro Royal Mariner, um dos mais conceituados do Brasil, que há mais de 10 anos fornece lanchas com três anos de garantia de motor e casco. Gostou? Conheça a Premier Jet, faça um passeio e explore o Lago Paranoá. Com certeza você vai se apaixonar! *Rogério Fayad de Albuquerque Rosa é sócio proprietário da Premier Jet www.premierjet.com.br Contato@premierjet.com.br (61) 9 8335-2710 / (61) 9 8284-2204 Facebook: Premier Jet BSB Instagram: @premierjetbsb

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TECNOLOGIA

CRIADORES DE SOLUÇÃO EX-MINISTRA ERENICE GUERRA E O EXECUTIVO MILSON HENRIQUES UNEM-SE AO EMPRESÁRIO E ADVOGADO JOÃO PAULO TODDE E INVESTEM EM INOVADORA EMPRESA COM FOCO EM TECNOLOGIAS DE PONTA: A TODDE TSI POR MARCELLA OLIVEIRA « FOTOS HELIO PERFEITO

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“P

recisamos de pessoas que pensem fora da caixinha”. Essa frase norteou o nosso bate-papo com o advogado Ph.D João Paulo Todde e seus sócios, Milson Henriques de Oliveira e Erenice Guerra. “Inovar”. “Humanizar”. “Criar”. “Trabalhar em união”. “Investir na ideia do outro”. “Buscar soluções inéditas”. Inovação é a palavra-chave do grupo presidido por Todde, que tem dez anos de expertise no ramo do Direito Tributário, além de uma experiência pessoal do advogado há 14 como empresário, mas que agora investe em uma empresa de tecnologia. Advogado, Todde tem visão empreendedora. Iniciou a carreira como consultor e assessor parlamentar, montou o escritório tributário há dez anos, mas não parou de pensar aí. “Um amigo sempre falou para nunca concentrar a fonte de riqueza em um único setor. Talvez por isso eu sempre tenha diversificado minha atuação”, conta Todde, que hoje tem sete empresas no Grupo Todde, o escritório de advocacia como carro-chefe, mas também atua com compra e venda de automóveis importados, capacitação e ensino, filantropia, negociação patrimonial, contabilidade e importadora. Hoje, são cerca de 140 funcionários. Ele preside o grupo e, para cada empresa, tem diferentes sócios que cuidam do operacional. Jovem, com 34 anos, Todde, como é conhecido na alta sociedade brasiliense e paulista, demonstra vivacidade em seu discurso e em sua forma de ser diferente. “Eu não entrei no Direito para ser advogado, mas para solucionar problemas”, define. “Investir em uma empresa de tecnologia não significa que vamos desenvolvê-la, mas vamos fazer as soluções chegarem às pessoas. Vamos agregar tecnologia. Hoje, tudo é tecnologia”, acrescenta Todde. “As pessoas estão no piloto automático, não estão mais refletindo. Deixaram de perceber o mundo. E a tecnologia não tem fronteira, não é mais apenas um adereço, ela é hoje o ambiente todo”, diz Todde. Ao seu lado, o executivo da área de TI Milson Henriques Oliveira e a advogada e ex-ministra de estado Erenice Guerra, CEO e COO da Todde TSI, respectivamente. Apesar de a empresa ser lançada oficialmente em setembro, o trabalho já está a mil. “Os produtos que vamos comercializar são como divisores de água em seus segmentos”, garante Henriques, presidente da empresa. “A Todde TSI chega para apresentar soluções ao mercado, fomentar startups e criar banco de soluções. Até antes de as empresas perceberem que estão precisando. Vamos nos antecipar”, afirma Todde. A empresa é voltada para qualquer individuo, pessoa física ou jurídica. “Investir em startups, mas sempre com o aspecto do avanço tecnológico. Queremos impulsionar a evolução”, diz Erenice, a chefe de operações.

Milson e Erenice vão atuar juntos para trazer novas soluções. “Trabalhar com inovação tecnológica requer olhar meticuloso, estratégico, pensando hoje com os olhos voltados para o amanhã. Vamos trazer soluções que vieram para colocar o Brasil em outro patamar de segurança e controle digital”, diz Erenice. O primeiro ativo da empresa foi batizado de OREV, que significa campana/armadilha, e atua em segurança da informação, protegendo as empresas contra invasores e furtos de informações. “Conseguimos implantar a solução e grandes executivos brasileiros já estão vivendo os benefícios do OREV”, revela Erenice. O OREV é um produto construído com inteligência artificial, aprendizado de máquina e big data. “Ele passa a estudar o comportamento do usuário, levando em conta o conjunto de componentes que têm dentro do seu computador. Com o passar do tempo, ele desenha sua curva de trabalho, o perfil do usuário. O que foge disso, passa a ser suspeito e gera um alerta. Ele observa como o humano funciona em tempo real. Não é antivírus porque impede que qualquer vírus sequer entre nas máquinas e ou rede; não é espião, mas age em contra espionagem, impedindo que a maior riqueza das empresas, suas informações, sejam acessadas, quiçá furtadas e ou sequestradas. Enfim, o OREV é o melhor amigo do departamento de TI”, explica Henriques. Outras ferramentas já estão em processo de negociação. Por exemplo, o Testa Leite. Utilizando a tecnologia química, poderá verificar a contaminação de formol dentro da bebida, para garantir a certeza de que é bom para o consumo. “Veio para trazer ao grande público segurança; a certeza que de fato bebemos um leite verdadeiramente puro”, arremata Milson Henriques. E esse é só o começo. O foco da Todde TSI é como num jogo de xadrez: estar sempre à frente do seu tempo”. Todde TSI, tecnologia que move a evolução Grupo Todde www.todde.com.br

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ELEIÇÃO

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A EXPERIÊNCIA À FRENTE DO DIREITO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL E O VASTO CONHECIMENTO DA OAB-DF PODEM LEVAR O ADVOGADO MAX TELESCA À PRESIDÊNCIA DA CASA. NA PAUTA, ADOTAR NOVAS PRÁTICAS DE GESTÃO, TRANSPARÊNCIA NOS GASTOS E INOVAÇÃO NA ERA DIGITAL POR ISABELLA DE ANDRADE « FOTOS HELIO PERFEITO

“O

diálogo é a melhor alternativa para combater uma crise, seja ela qual for”. É assim que o advogado Max Telesca analisa o momento que o Judiciário de Brasília vive. Atingida pela instabilidade consequente das crises política e econômica do País, para ele, é hora de cuidar da credibilidade jurídica. “Não é possível criticar o mundo político se adotamos a mesma política”, afirma. A vinda para a Capital Federal aconteceu em 1997, quanto ainda jovem, Max decidiu se mudar do Rio Grande do Sul em busca de maiores oportunidades. Em pouco tempo, o recém-formado advogado, graduado na Universidade Federal de Pelotas, passou por diferentes postos de trabalho, como o Congresso Nacional e o Tribunal de Contas. “Eu construí minha vida toda aqui. Criei relações e laços importantes com a Capital”, destaca. Em busca de mudanças futuras no segmento e um diálogo mais aberto com a sociedade, Max investe nos jovens advogados. “Precisamos de uma política de inclusão no mercado. Além de promover uma renovação na atual direção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que está nas mãos de um mesmo grupo político há quase uma década”, critica Telesca. E cita, ainda, o auxílio aos jovens advogados, para que tenham melhores condições de trabalho. “A anuidade da ordem deve ser revertida para auxiliar o jovem iniciante”, acredita. Recentemente, Max Telesca foi escolhido para encabeçar a chapa OAB para Todos  e é pré-candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, seção DF (OAB-DF), que se realiza em novembro. Aos 43 anos, essa não é a sua primeira eleição. Foi candidato no último pleito da Ordem como vice-presidente de Paulo Roque; Secretário-Geral Adjunto na gestão de Francisco Caputo; Conselheiro na gestão de Estefânia

Viveiros, quando exerceu também o cargo de Presidente do Tribunal de Ética. Atualmente, leva uma rotina árdua em pré-campanha, apoiado pela mulher, Sônia Gontijo, e pelos filhos Luís Guilherme, de 17 anos, e Pedro Luís, de 15. Um de seus pilares é resgatar a relevância da entidade e inovar na era digital. Além disso, defende a fiscalização efetiva dos Núcleos de Prática Jurídica e das Defensorias Públicas. Telesca destaca ainda a mudança na máquina institucional da OAB, gastando menos com a autopromoção de seus dirigentes e mais em prol da categoria. “O principal desafio é adotar novas práticas. Temos deficiência na transparência dos gastos”, enfatiza. Outra opção é a descentralização dos serviços, abertura de co-workings e políticas efetivas de congelamento de abertura de novos cursos jurídicos. Sem rodeios, ele afirma: “A melhora do mercado de trabalho se dá de forma gradativa. Magistrados, membros do Ministério Público, servidores e policiais serão convidados a participar deste resgate”, conclui o advogado. Além da advocacia, Telesca transita pela literatura, tem um romance publicado – 2038, A instituição da cleptocracia num futuro não muito distante. Ele é presidente do Instituto de Popularização do Direito, cujo o intuito é bastante relevante para a comunidade. “O instituto tem uma missão importante: a de desmistificar a linguagem jurídica e levar informação de qualidade para uma parcela maior da população”, destaca. Na escrita, o advogado deixa fluir a paixão por outras áreas do conhecimento. Sua inspiração criativa vem da filosofia, da arte, da religião e da história. “Eu me casei com o direito, mas a minha grande paixão são as matérias das ciências humanas”, lembra. Telesca e Advogados Associados S/S www.telescaadvogados.com.br

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EMPREENDEDORISMO

O VOO MAIS ALTO COM EXPERTISE DE PAULO SÉRGIO KAKINOFF, A GOL SE CONSOLIDA COMO MAIOR COMPANHIA AÉREA DO BRASIL. DE FALA FIRME, MAS SERENA, O EXECUTIVO-MODELO AVALIA ATUAL SITUAÇÃO DO MERCADO POR REBECA OLIVEIRA

N

ascida em Floriano, pequeno município a 240km de Teresina, capital do Piauí, Maria Amélia Silva voou pela primeira vez em 2018, beirando os 50 anos. Da infância humilde na cidade de apenas 50 mil habitantes, onde nasceu e viveu antes de mudar-se para a Capital Federal, restaram apenas nostalgia e lembranças. A vida agora é outra, e os sonhos acompanham as mudanças socioeconômicas pelas quais passou. A companhia aérea escolhida? A Gol. E ela não está sozinha. A empresa lucrou R$ 1,5 bilhão nos dois últimos anos e abocanhou a maior participação no setor em todo o País. De todas as pessoas que voam para dentro ou fora do Brasil, 36% escolhem a corporação de cor alaranjada. Não pense que a tarefa foi fácil. Pesaram contra fatores como a instabilidade política, a constante variação cambial e até a crise no mercado petrolífero – que chegou a parar aeroportos este ano. Mesmo com céu cinzento e turbulências na rota, Paulo Kakinoff manteve-se firme nos propósitos assumidos por ele desde que assumiu a frente da gestão da empresa, em 2012. Com um currículo invejável, o administrador de 43 anos não acredita em fórmulas prontas, nem vende soluções mágicas. “O que fiz além

do normal foi uma dedicação intensiva em mudar o setor”, afirma, com experiência anterior de 19 anos no setor automotivo. Natural de Santo André (SP) e vivendo na capital paulista, começou como estagiário da Volkswagen, onde atuou por anos, e tinha apenas 34 anos quando assumiu a presidência da Audi Brasil, de que se desligou para presidir a Gol. A devoção ao trabalho precisou ser levada ao extremo em 2015, um dos piores períodos recentes da economia brasileira e que, como efeito dominó, fez com que a Gol tivesse um prejuízo bilionário. A em-

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presa passou por reposicionamento de marca e, segundo Kakinoff, foi se adaptando ao mercado. Cresceu, ampliou rotas, democratizou o tráfego aéreo e hoje emprega mais de 15 mil pessoas. Passado o mau tempo e com expectativa de crescimento, restam histórias. Paulo prefere as mais simples, como a de “Dona Maria”. Pé no chão e realista, Kakinoff não elenca, entre os possíveis gurus no empreendedorismo, grandes coaches ou megalômanos CEO’s. Ele é prático, direto e líder nato. “Quem me inspira são meus colaboradores e passageiros”, conclui.

A GOL HOJE Com 17 anos e meio de história, diria que estamos vivendo o nosso segundo grande ciclo de crescimento. O primeiro foi justamente no começo da operação e, na fase atual, estamos não apenas aumentando nossa participação no mercado doméstico como ampliando a nossa presença física na América Latina, de maneira geral, e até mesmo no Sudeste dos Estados Unidos. Iniciamos o voo de Brasília para Orlando e Miami, rotas que também foram lançadas em Fortaleza. Aumentamos a presença nos GPSLifetime « 113

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mercados internacionais. É um momento de crescimento de uma marca muito forte, um produto desejado. A companhia tem uns dos melhores serviços aéreos no Brasil, isso acabou gerando reconhecimento dos mais incontestes – que é, justamente, a liderança absoluta no mercado.

INSTABILIDADE POLÍTICA A instabilidade política normalmente gera reflexos em indicadores macroeconômicos que nos afetam. Especialmente em nosso caso, a variação cambial, por exemplo. A volatilidade do dólar, por exemplo, é altamente indesejada e traz uma pressão adicional de custos para a companhia. Esse é, no momento, desde o período que convencionou-se chamar de “período da crise”, o principal desafio gerado pelo ambiente externo à companhia.

DEMOCRATIZAR O ACESSO X ATENDER PÚBLICO PREMIUM A Gol sempre focou em ganhos ainda maiores de eficiência e produtividade e converteu essa vantagem de custos em serviços superiores ao mercado. Foi uma das primeiras companhias aéreas a oferecer wi-fi a bordo, a trabalhar com novos assentos internos em couro ecológico e com mais espaço, a ofertar serviço gratuito a bordo com alimentos orgânicos e bebidas alcoólicas, quando tudo isso não era normal no mercado brasileiro. Tais medidas nos permitem um aumento de ganho, e converter parte desse ganho justamente em benefícios ao consumidor. Simultaneamente, isso nos permite ter uma operação de menor custo, e converter em serviço superior ou melhor. O selfie check-in, que pode ser feito apenas com uma foto, é uma demonstração disso. Isso diminuiu a necessidade de ter interação com o balcão, o que reduz os nossos custos e, para o cliente, é mais conveniente, até mesmo dentro do aeroporto. É um processo de retroalimentação e que nos permite ter melhor tarifa e experiência superior aos clientes que buscam mais conforto.

DETALHES NADA PEQUENOS A marca tem entre seu valor e propósito ser a primeira para todos, no sentido de ser uma companhia de acesso democrático. Abraçamos um país tão rico como o nosso e suas diversidades culturais, sociais, de orientação, de gênero, de crenças.

PAGAR PELA BAGAGEM E ASSENTO... É NECESSÁRIO? As medidas não só são necessárias como elas proporcionam a possibilidade de mais inclusão de clientes no setor aéreo. É através desses recursos que conseguimos gerar tarifas que não tenham os custos embutidos de serviços que alguns clientes não utilizariam. Há aqueles que não viajam com bagagem e têm acesso a uma tarifa menor do que aqueles que teriam esse serviço, uma vez que não têm custo à companhia para transportar bagagem adicional. O Brasil é um dos cinco mercados significativos na aviação mundial, entre mais de 120, no qual o processo de desregulamentação tarifária não tinha sido feito de forma completa. Havia uma impossibilidade de cobrança separada desses dois itens.

PAULO COACH? Faço algumas palestras, mas sempre voluntárias ou gratuitas, sem nenhum tipo de remuneração, à medida que tenho disponibilidade de agenda. Atendo aos convites com objetivo simples de compartilhar experiências. Faço com satisfação, mas não como uma atividade profissional.

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EDITORIAL

A CONCRETUDE QUE NOS UNE

É

incrível como a vida é tão rara, tão efêmera, tão passageira e, sobretudo, tão surpreendente. Se voltar alguns poucos anos, eu jamais me imaginaria viver longe das curvas de Niemeyer, da imensidão do céu do Cerrado, da sensação espacial que Brasília provoca, da monumental obra de arte modernista que ainda é a minha casa, a minha terra-natal. Aquela que não sai da gente nunca. Há sete anos, número místico, eu com Paula Santana e Rafael Badra fundávamos a editora GPS|Brasília. Queríamos produzir conteúdo abrangente do ponto de vista do mercado-alvo em que atuaríamos, mas que tivesse a nossa origem essencial. Com esmero e comprometimento de cada um em sua expertise, posicionamo-nos no segmento. Foi tudo muito mais intuitivo que estratégico. Éramos movidos, e ainda somos, pela paixão em fazer, em realizar. Há quatro anos, entendi finalmente o que era viver sem fronteiras. Em todos os aspectos: geográfico, físico, emocional. Conheci Domenico Dolce em 2013, no JK Iguatemi. Levei um ano até iniciar a maior transformação da minha vida: o desafio de ressignificar-me. E tem sido uma grata experiência. Viver o novo. Mesmo distante, porém próximo, é gratificante ver os frutos que a GPS colheu

nestes anos. Tornou-se um hub de comunicação e agora se apresenta para uma metrópole grandiosa. São Paulo é terra de oportunidade. Mas Brasília é a cidade do aprendizado. E quem floresce na Capital da República com humores tão sui generes está pronto para se integrar em qualquer lugar do mundo. Fico feliz em ver a minha geração representando essa universalidade. Protagonistas de suas próprias histórias. Yan Acioli, meu grande amigo e colega de profissão. De uma sensiblidade e generosidade extremas, o que o torna elementar em seu ofício. Beto Pacheco, que age com maestria numa função tão delicada e fascinante que é o relacionar-se. Essas meninas cheias de personalidade com a força e a firmeza do Nordeste. A baiana arretada traz a verve do empoderamento em sua postura, Marina Morena. E Camila Coutinho, visionária que previu toda a revolução de comportamento no universo digital. Eles chegaram ao topo. Dominaram. De Milão, de Nova York ou por onde o trabalho me destina atualmente, a minha sensação é sempre a do pertencimento. Eu me tornei um cidadão do mundo, mas sou de Brasília. E quero estar com vocês nessa nova jornada. Espero que gostem do nosso produto. GUILHERME SIQUEIRA

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OBRA-PRIMA

Divulgação

KOBRA, O SOBRENOME ADOTADO DAS RUAS, DOS TEMPOS DE PICHADOR, ERA A DIMENSÃO DE SEU TALENTO TRÊS DÉCADAS ATRÁS. HOJE, SEU PENSAMENTO SOCIAL IMPRESSO MUNDO AFORA DISPENSA PALAVRAS E GANHA OS CONTORNOS DO SPRAY POR MARCELLA OLIVEIRA

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O MURALISTA MONUMENTAL U

m muro, paredes de prédios, a lateral de uma casa, o chão. No meio da rua. Por perto, tinta acrílica, tinta látex, esmalte sintético, sprays e compressores. Escadas, lifts e andaimes. Uma máscara para proteger o rosto. O trabalho? “Sou um operário da arte”, define o artista paulistano Eduardo Kobra. Uma arte que não está trancada em museus nem galerias. Está pelas ruas. De São Paulo. Do Brasil. Do mundo. Cheia de cor, única e bem característica.

Cobra não é seu sobrenome. O apelido vem da adolescência. “Eu ouvia muito: você é cobra no desenho”, lembra. Ninguém duvida. Autodidata e extremamente curioso, aprendeu na prática e com muita pesquisa. E experiência. Começou pichando irregularmente pelas ruas do Campo Limpo, região de São Paulo. “Fui detido três vezes”, conta. Pichador, grafiteiro ou muralista? “Rótulos não significam muito para mim”.

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O que começou como brincadeira virou coisa séria. “São quase 30 anos de carreira”, contabiliza o muralista, hoje com 42 anos. Sua casa? O mundo. “Tenho uma residência perto do shopping Eldorado, em São Paulo, mas acho que tem uns sete meses que não vou lá. Ano passado também fiquei uns dez meses fora de casa”, revelou o artista, direto de Nova York, onde estava pintando um painel que será inaugurado no dia 11 de setembro, em homenagem às vítimas do atentado terrorista. Na cidade norte-americana, onde já realizou outros trabalhos, também está fazendo uma série intitulada Cores pela liberdade. “Já pintei oito, deve chegar a 15 ou 20. São murais pela paz, que falam de discriminação, de violência, de racismo, de imigração”, explica o artista, que também administra sua carreira. “Eu participo das reuniões, dou palestras, negocio. Mas o que gosto mesmo é de pesquisar, criar e pintar”, afirma Kobra, que carrega no jeito de vestir sua origem no hip hop, incluindo um sempre presente chapéu, de uma coleção de mais de cem.

Kobra é do mundo. Na verdade, da rua. Um ateliê? Não existe, apenas um espaço físico para guardar o material. “Meu estúdio é a rua da cidade, é o lugar que me inspira”, confessa com seu jeito tímido e humilde, de quem realmente só quer mesmo fazer arte. Confira a entrevista. Você era um menino que gostava de desenhar nos muros da escola, tinha cadernos cheios de rabiscos. Como se descobriu artista?

Na verdade, eu estou vencendo pela insistência. Da minha turma, eu sempre fui o que desenhava pior, tive o menor apoio e incentivo. Ninguém acreditava em mim. Eu mesmo, obviamente, não sabia quais os caminhos que o meu trabalho ia tomar. Tenho me esforçado para continuar fazendo, contrariando as estatísticas. Na maioria de seus trabalhos, você retrata pessoas e sempre com ma tem tica social. omo s o essas de ni es

Eu sempre gostei de utilizar os muros para passar algum tipo de mensagem. Talvez porque eu sou uma pes-

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Kobra fez uma releitura de Davi, famosa escultura de Michelangelo

soa um pouco tímida e gosto de me comunicar através das minhas pinturas. Todas as questões que me incomodam, acabo transmitindo através das minhas pinturas. Às vezes a minha alegria e felicidade, outras minha revolta ou desespero em prol de alguma coisa. Os muros são o meu microfone. Você começou como pichador e seu trabalho ganhou status de obra de arte, em um movimento do mundo em reconhecer o gra te como arte. omo oc esse rocesso

Eu não acredito em evolução nesse aspecto, de pichador que evolui pra grafite ou mural. Cada um tem uma trajetória. Eu já tinha habilidades com desenho, então para mim foi mais fácil essa transição. Eu passei por todo o tipo de desafio que os meninos que estão começando agora passam. Então, por um lado, as portas estão se abrindo, mas tem lugares no mundo que ainda é muito novo a street art. De uma forma geral, é um movimento novo. Claro que agora, para quem já está há muito tempo como eu, quase 30 anos, eu já tenho muitas facilidades, mas ainda é difícil para todos.

Como foi a técnica desenvolvida para deixar o seu trabalho tão característico?

São muitos e muitos anos de batalha, trabalho e dedicação. Embora eu seja autodidata, eu passo o tempo todo estudando e pesquisando para evoluir. É uma busca constante. Ainda estou longe do que eu gostaria de ser. Espero um dia chegar num momento melhor do meu trabalho. As características aparecem porque eu coloco meu coração nisso. Essas mensagens, cores e formas partem de mim. E por isso que se torna único. E é o processo de produção e equipe?

A parte da produção depende muito da dificuldade de cada arte. Sempre diferente. Umas são em prédios, outras são em paredes, no piso, na tela, num suporte menor. Cada uma é uma circunstância e uma situação diferente. Ao longo de todos esses anos eu me habituei a trabalhar com diversas técnicas. A minha equipe oficial é pequena e não pretendo aumentar. Tem umas três pessoas que me ajudam na parte da pintura. Eu tenho um GPSLifetime « 123

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Fotos: Divulgação

Homenagem a Salvador Dalí na Espanha

Brasília também foi colorida pelo artista

projeto chamado Envolva-se, que quando é um trabalho muito grande, as pessoas se inscrevem no meu site e eu dou a elas a oportunidade de fazer um experimental, uma oficina. Então, elas acabam me ajudando também em alguns dos murais maiores. Como acontecem os convites para você?

Hoje, recebo convite de várias partes do Brasil e do mundo. De empresas, de galerias, de pessoas físicas, de governos. O que me esforço para fazer é não deixá-los interferir na minha criação, a gente pode até conversar sobre o tema, mas mudar a minha arte é uma coisa que eu não permito mais que aconteça. Isso que é bacana, além de ser convidado, ainda posso fazer o que eu quero. Você já se sentiu censurado ou sofreu preconceito?

Eu já fui pichador, já corri da polícia, fui detido por

três vezes. Talvez hoje eu não corra o risco de ser detido. Mas eu estou trabalhando com muitos temas políticos, falando de muitas coisas que às vezes incomoda algumas pessoas. Não é tão livre como parece. E o fato de ser permitido ou não hoje significa pouca coisa, porque tem que fazem o trabalho permitido e muitas vezes não significa nada. Já tive murais depredados, já fui ameaçado. Na rua acontece muita coisa. Você se relaciona com as galerias de arte?

Eu fiz uma escolha pessoal de preservar o meu trabalho e há mais de dez anos eu não faço nenhuma exposição. No momento eu não estou com nenhuma galeria, embora eu tenha muitos convites para pintar em galerias e para expor ao redor do mundo. Estou decidindo, talvez para o próximo ano eu faça alguma coisa.

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Alguns de seus trabalhos já foram retirados, como um do Eistein, na Oscar Freire, e o Beijo, em NY. Como é para você ver um trabalho ser “destruído”?

Eu, pessoalmente, tenho a política de respeitar. Eu acho que o espaço de outro artista é sagrado, não se deve apagar e colocar outro trabalho em cima, a não ser que haja um consentimento. É um direito que realmente tem que ser discutido. A partir do momento que eu faço uma obra, por exemplo, pra cidade, ela pertence a cidade, aos moradores. Eu acho uma pena quando uma obra é removida. Imagina se na história da arte todos os murais do Diego Rivera e telas de artistas tivessem sido removidos. A gente não veria nada hoje. Tantos artistas sensacionais que estão pintando nas ruas e ninguém tem cuidado com isso. Acho que tem que começar a mudar e a dar mais valor, preservar mais essas obras. Quando é por ação do tempo, da natureza, ainda vai. Mas de repente resolver uma empresa ir lá e quebrar o muro? Não acho muito legal não. O que pensa sobre a força da street art no mundo? Acha que houve uma glamo ri a o do gra te

Como iniciou a exportação do seu trabalho?

Começou de forma tímida. Acho que com a globalização e a internet ficou mais fácil a divulgação mundo afora e passei a receber convites para todos os lugares do mundo, literalmente. Eu fui para os cinco continentes e continuo sendo convidado. Eu acho incrível essa oportunidade de chegar em lugares que nunca imaginei, em lugares onde a arte de rua não era tolerada há pouco tempo. Conhecer e poder deixar o meu trabalho. Eu ainda me divirto com isso. Tem uma obra preferida?

As obras especiais são as últimas que eu faço, porque elas contêm toda a informação que eu carreguei durante toda a minha trajetória. Mas hoje em dia eu tenho cuidado, sou mais zeloso pelas coisas que faço.

O Brasil está muito bem na cena, tem artistas fantásticos nas ruas, que merece ser valorizado. Eu não acho que é glamourização, mesmo porque cada artista sabe onde o calo doi. Se o cara precisa fazer algum trabalho comercial não tem problema nenhum, sobrevive, continua mantendo as obras dele na rua. Tudo é liberado. Acho que o cara que vai pelo caminho da arte pública, quer ser livre, não precisa seguir regras ou doutrina. Não é uma religião, é liberdade. Pintar é livre. É um mito dizer que o artista tem que ser bêbado, drogado, vagabundo e abandonado. Acho que o artista tem que ser feliz, tem que viver bem, tem que cuidar da sua família. Eu não vejo glamourização, acho até que são poucas as portas que estão abertas. Tem muitos talentosos passando dificuldades. Passando “perreio”, como a gente fala. A maioria dos artistas precisa de incentivo para continuar pintando no Brasil. Eu trabalhei muito intensamente nesses 30 anos. Consegui vencer meu trabalho em São Paulo e foi a repercussão lá que me levou para o mundo. Mas não é fácil. GPSLifetime « 125

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MESTRE

E O TEMPO LEVOU… NIEMEYER FOI CAPAZ DE INTEGRAR A OBRA AO COTIDIANO. NOS ANOS 50, ELE PARTICIPOU DA REINVENÇÃO DO BRASIL PARA O MUNDO POR MEIO DE SUAS CURVAS ARQUITETÔNICAS. O CENÁRIO FOI SÃO PAULO, TORNANDO ACESSÍVEL, INCLUSIVE, A ARTE DE DI CAVALCANTI E CÂNDIDO PORTINARI POR MARCELLA OLIVEIRA « FOTOS LÉO ORESTES

I

nício da Avenida Paulista. Na lateral do edifício Ragi, na praça Oswaldo Cruz, um mural colorido feito pelo artista paulistano Eduardo Kobra contrasta com o cinza do céu e com o concreto dos prédios em volta. Arte e arquitetura se integram perfeitamente, como bem gostava de fazer o personagem ali retratado: Oscar Niemeyer. O gigante arquiteto – literalmente, afinal, são 52 metros de altura e 16 metros de largura – parece observar o centro de São Paulo. Niemeyer não era paulista. Como um bon vivant carioca da gema, talvez se irritasse com o trânsito dali. Desem-

barcou na capital paulista no auge de seu vigor criativo: a década de 1950. Era um período de experimentações. Quando a cidade já completava quatro séculos, ganhou um terreno de esquina bem no centro para levar sua arquitetura moderna em ebulição. Era seu debut na maior cidade do Brasil. O edifício Montreal. Depois vieram os edifícios Copan, Califórnia, Triângulo e Eiffel. Foram encomendados pelo Banco Nacional Imobiliário e, com a demanda, Niemeyer chegou a abrir uma filial do escritório carioca em São Paulo, na Rua 24 de Maio, comandado pelo arquiteto Carlos

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Lemos –  fechado em 1957, quando Niemeyer foi dedicar-se totalmente ao projeto de Brasília. Com terrenos bem localizados e muito valorizados, o foco do banco era, claro, o lucro. O que, na época, muito desgastou o arquiteto, que era comunista. Diferente de projetos em que tinha a liberdade espacial, nessas construções em São Paulo ele estava limitado pelos prédios em volta. “Em comum no trabalho do Niemeyer foi sempre tentar não fazer a fórmula fácil. Errando ou acertando, a grande qualidade dele foi buscar com que a arquitetura fosse uma surpresa para quem está vivenciando o espaço. Ele surpreende, você gostando ou não”, analisa o arquiteto e professor da Universidade de São Paulo, Francisco Spadoni. “Um grande talento espacial, um esforço de buscar o inusitado dentro do convencional. Lidou com a arquitetura de forma que se construísse um diálogo com o público”, acrescenta. São construções anteriores às famosas obras de Niemeyer na capital paulista: o Museu da América Latina, o conjunto arquitetônico do Parque do Ibirapuera e o sambódromo, já dos anos 1990 e 2000. Cinco edifícios modernos e ousados, como seu criador. Prédios privados com uma relação pública com a cidade. Compõem uma cena urbana na região que parece ter o relógio acelerado. Um vai e vem daqueles que não observam por onde passam. O morador de São Paulo ou seu visitante podem não saber do seu valor arquitetônico. Nada incomum para uma grande metrópole. Mas, assim como a expressão no gigante mural artístico da Avenida Paulista, Oscar Niemeyer se faz presente, discretamente. Faz parte da cidade. Sua poética sempre esteve em criar, inovar e deixar marcas.

O PERSONAGEM DO MODERNISMO Se usando o concreto armado Oscar Niemeyer deixou sua marca pelo Brasil e mundo com seus projetos, hoje, quase seis anos após a sua morte, seu nome se mantém internacionalmente como referência na arquitetura moderna. Segundo Francisco Spadoni, a arquitetura foi o instrumento usado pelo governo brasileiro, na Era Vargas, para se posicionar para o mundo. o final dos anos 30, o Brasil adotou uma estratégia de inventar um Brasil que não existia, de não ser mais um país colonial. Aproveitou a crise europeia do pós-guerra e investiu na arquitetura moderna, e Niemeyer foi um dos nomes desse período. Ele nasceu de uma circunstância que deu base para a geração dele”, comenta. Dos anos 40 até a construção de Brasília, o grande portfólio de Niemeyer, a arquitetura brasileira foi mensalmente publicada em revistas do setor no mundo. “Depois mudou o momento político e mundial. Mas Niemeyer se manteve como esse homem referência de modernismo, com um laço internacional muito forte”, explica o professor. Os bons relacionamentos, profissionais e pol ticos, a udaram ieme er a construir sua personalidade. “Ele teve um amparo muito grande do Estado. Era o arquiteto preferido de Lúcio Costa, uma parceria que rendeu inúmeras obras para governos. Isso o ajudou a ter a importância pública que ele tem, somando-se a um talento inegável”, analisa Spadoni. Em 1988, o arquiteto ganhou o prêmio internacional Pritzker, da Fundação Hyatt, uma espécie de Nobel da Arquitetura, pelo conjunto de sua obra. Um homem internacionalmente inesquecível.

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EDIFÍCIO MONTREAL Av. Ipiranga, 1.284 Niemeyer já era famoso e respeitado, mas não foi fácil ter o alvará da prefeitura para a construção naquele ano de 1951. Os edifícios de esquina na época deviam ter um recuo de dois metros nos andares superiores. E Niemeyer gostava de desafiar. e um relatório gigantesco para ustificar seu pro eto. “Procuramos solução em que predominasse proporção e unidade, o que nos levou a evitar o recuo de que trata o referido comunique-se, uma vez que o mesmo cortaria as fachadas, desproporcionando irremediavelmente todo o conjunto com a agravante – o que nos parece mais grave – de deixar ostensivamente à vista para a praça, a empena do prédio vizinho”. Meses depois, conseguiu o alvará para a construção na Avenida Ipiranga com a Rua Conceição, hoje Cásper Líbero. Já era janeiro de 1952. lém disso, desafiava os engenheiros com suas ondulações. Não gostava de linhas retas. “O que me atrai é a curva livre e sensual”. Diz sua famosa frase. Projetou a fachada com brises soleil, técnica para controlar a entrada da luz usando lâminas de alumínio. O arremate art stico fica pela parceria com Di Cavalcanti, que fez três painéis em mosaico para o hall. Tudo ficou pronto em 1954.

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EDIFÍCIO COPAN Av. Ipiranga, 200 Paralelamente à construção do Edifício Montreal, Niemeyer foi contratado para fazer outro projeto também no centro. Na mesma rua, usando a mesma técnica da fachada de brises soleil, criou um edifício em curvas que se tornaria cartão-postal da cidade, ganharia prêmios e seria o queridinho dos arquitetos. Era o Copan e seus 1.160 apartamentos – alguns deles hoje disponíveis para aluguel no Airbnb, se quiser vivenciar uma noite bem paulistana. “Vista alucinante”, diz alguns dos anúncios. E não é propaganda enganosa. Pode ser do terraço, onde se vê toda a cidade de São Paulo, ou de baixo, na calçada ou na rua, de onde o olhar para o céu é hipnotizado pelas curvas de um prédio de concreto. Seu projeto mais internacional na capital paulista. Projetado em 1951, além das unidades residenciais e de uma área comercial no térreo, o original ainda previa um hotel com 600 apartamentos, que não chegou a ser feito. ficou pronto em 19 1. ieme er teria se desinteressado do projeto pela demora na execução, e o arquiteto Carlos Lemos concluiu a obra.

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EDIFÍCIO TRIÂNGULO Rua José Bonifácio, 24 Numa época em que Niemeyer usou muito os artifícios da arquitetura moderna, um terceiro prédio com brises surgiu, o Edifício Triângulo. as foi modificado e acabou sendo feito todo espelhado. Um painel de pastilhas de vidro criado pelo artista Di Cavalcanti se revela em sua entrada principal – tombado, em 2004, pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. O grande atrativo na época do lançamento do projeto foi a localização. Super central, fica perto da ra a da Sé. “Para homens de negócios”, dizia o anúncio do prédio comercial. Seguiu a legislação da época e tem os últimos três andares recuados, por essa característica chegou a ser chamado de bolo de noiva. Tem um total de 18 pavimentos, com uma escada que gira no sentido horário até o 15o andar e depois no sentido antihorário. Com um formato bem destoante dos que estão em sua volta, no estilo art decó, lembra o famoso prédio de Nova York que aparece em muitos filmes, o latiron Building (ferro de passar, pelo seu formato). Foi inaugurado em 1955.

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EDIFÍCIO E GALERIA CALIFÓRNIA Rua Barão de Itapetininga, 255 O concreto, os cobogós e as colunas em V caracterizam o Edifício e Galeria Califórnia, concluído em 1955. Em mais uma parceria artística, Cândido Portinari criou um mural de mosaico de 250 metros quadrados no saguão, nas cores cinza, preto e vermelho. E diz-se que Di Cavalcanti projetou o jardim suspenso. O prédio tem formato em L, com uma fachada para a Rua Barão de Itapetininga e outra para a Dom José de Barros. Dez andares em um lado, treze do outro. Foi projetado assim porque a ordem era aproveitar ao máximo o espaço. Tinha até um cinema no subsolo, o extinto Cine Barão – que ainda virou um cine pornô e bingo, fechando definitivamente em 1990. Um projeto, talvez, menos imponente do que os outros. Seu diferencial é um térreo de livre circulação, quase que uma extensão da calçada.

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EDIFÍCIO EIFFEL Praça da República, 177 Um bloco central e duas abas laterais mais baixas formam o Edifício Eiffel, inaugurado em 1956. Parece um livro aberto. Niemeyer foi responsável por projetar os 54 apartamentos duplex, um dos primeiros de São Paulo. Os dormitórios ficam no piso inferior – Niemeyer assim o criou para garantir a tranquilidade e o silêncio nos quartos. Cobogós e janelões completam o ar moderno do edifício, permitindo ventilação e entrada de luz. O térreo é livre, cheio de comércio, com circulação de pedestres, integrando a obra ao cotidiano da cidade. Mas o melhor? A vista para o verde da Praça da República.

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RETRANCA

QUARTETO NO UNIVERSO DO SER E PERTENCER A ARTE MAIOR É MANTER-SE RELEVANTE. CAMILA, BETINHO, MARINA E YAN CHACOALHAM SÃO PAULO E POTENCIALIZAM O BRASIL COM SEUS TRABALHOS E RELACIONAMENTOS. NÃO BASTA SER INFLUENCER. TEM QUE SER INFLUENTE POR JUNIOR DE PAULA » FOTOS CELSO JUNIOR

Direção criativa: Paula Santana Produção executiva: Karine Moreira Lima Styling: Maria Eduarda Bastos Produção de moda: Jacqueline Alves Assistentes de fotografia: Léo Orestes e Jota Neto

N

o dicionário, o termo influente é definido de uma forma bem simplista: ”adjetivo e substantivo de dois gêneros. Que ou quem exerce influência”. Apesar de banalizado nos dias de hoje, com uma turma usando o adjetivo como sinônimo de profissão, ser influente é uma arte. E quatro expoentes desta arte de influenciar pessoas, cada um na sua área de atuação, foram escolhidos para serem os personagens da capa desta edição da Revista GPS|Lifetime. Cada um de um canto do Brasil, se encontraram onde vivem: em São Paulo. A pernambucana Camila Cou-

tinho, apesar de ser chamada de digital influencer, é bem mais do que isso. Uma das primeiras blogueiras de moda do Brasil, já teve o seu blog Garotas Estúpidas indicado como um dos mais importantes do mundo e viu seu nome ser incluído na lista da Forbes de pessoas mais importantes abaixo de 30 anos do planeta. A baiana Marina Morena, hoje um dos nomes por trás do sucesso comercial de Anitta, já que a sua empresa, MAP – da qual é sócia de Amanda Gominho e Pedro Tourinho –, é quem gerencia os contratos publicitários da cantora, é um fenômeno do networking. Na sua lista

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FANTÁSTICO

de amigos vai desde a sua irmã de consideração Preta Gil até Riccardo Tisci, um dos maiores estilistas do mundo, hoje à frente da Burberry, e o fotógrafo queridinho de 9 entre 10 estrelas Mert Alas. O brasiliense Yan Acioli é o stylist que virou referência no mundo da moda, principalmente por ter seu dedo – ou vários dedos  –  na transformação de Sabrina Sato em ícone fashion, ao criar os looks mais incríveis e fotografados de uma celebridade nacional de todos os tempos. Hoje, cuida de Angélica, Luciano Huck, Juliana Paes e Mariana Rios, entre muitos outros. Para completar o

nosso quarteto de ouro da capa, temos Beto Pacheco, nascido no interior de São Paulo e hoje dono de uma das lista de contatos mais variadas e bombadas do Brasil. De camarotes de shows internacionais até pequenas reuniões exclusivas em torno de marcas de luxo, Beto é dos mais concorridos na área de RP no Brasil. Na sua lista de clientes: Baile da Vogue, da amfAR e o Camarote N1, no Carnaval Carioca. Ah, e isso sem contar que organizou parte do evento para a Raising Malawi, da Madonna, uma vez. Alguém tem dúvida de que o céu é o limite para esse quarteto fantástico? GPSLifetime « 135

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BETO PACHECO Pensar em alguém capaz de conectar pessoas certas, nos lugares adequados com maestria e leveza é cravar no nome de Betinho, como é chamado. Sua ascendência é fruto de quase duas décadas de labor, data em que chegou a São Paulo para tornar-se advogado, mas descobriu que seu grande tribunal seriam passarelas e maisons, eventos humanitários ou festas portentosas, sempre cercado de personas de relevância para o mercado prestige do Brasil. Ele detém uma das listas mais preciosas do eixo Rio-São Paulo e, com sua facilidade em fazer amigos atua em labels como Valentino, Fendi, Dolce & Gabbana, Dior, dentre tantas. “Estou na minha melhor fase. Eu busco a todo instante novas formas de atuar. Esse mercado se movimenta velozmente. Muitas pessoas são passageiras, o formato criativo de um evento se regenera, então estou sempre pensando na entrega, em como deixar meu cliente feliz e fazendo com que meu convidado sinta que valeu a experiência de estar lá”, explica. Tudo começou na Hugo Boss, onde se aproximou de nomes como Cauã Reymond e Rodrigo Hilbert. Depois de uma temporada em Nova York foi contratado para trazer a Tod’s para o Brasil. De volta a São Paulo associou-se a Fernanda Barbosa até o time adequado para abrir seu próprio escritório. Não tardou para atender Baile da Vogue e amfAR. “A partir daí, a empresa foi crescendo e assinei o Camarote N1,  um super desafio, afinal, sou um cara do interior de São Paulo fazendo parte do carnaval carioca”, relembra. Beto está sempre de olho no seu maior ativo: relacionamento. “Sempre fui quem sou hoje e nunca tive vergonha. Por isso, as pessoas conseguem ficar à vontade do meu lado.  Fujo de intriga e fofoca. Se alguém entra nesse caminho, eu saio de perto. Isso contribui muito para chegar aonde estou”, desabafa. Workaholic assumido, aos 41 anos, ele entrega: “Eu gosto de gente, eu me interesso pelas pessoas”. Na lista de Betinho estão duas convi-

dadas especiais que marcaram a sua memória; Marisa Monte e Kim Kardashian. “Marisa não sai de casa nunca, foi incrível quando ela chegou. E Kim veio cumprir contrato, mas me encantou pela gentileza e disponiblidade em cumprir o protocolo”. Para recuperar a energia, ele se entrega ao esporte e alimentação saudável. E sobre estar no topo? “Não penso muito esse alcance. O topo para mim é a minha integridade no trabalho”. Como seria uma festa perfeita? É importante ter gente bonita, interessante, pessoas poderosas e influentes, travestis, gays… Muitos indivíduos diferentes, porque é a diversidade que deixa tudo mais animado.    Quais três dicas você daria para quem quer começar a trabalhar no seu ramo? Prestar atenção aos seus relacionamentos e aos outros, independentemente de quem seja. Além disso, é preciso preparar um mailing com os telefones e contatos de cada pessoa. A terceira dica seria falar línguas, porque isto é muito importante. No caso desta profissão, acho necessário o inglês e o francês, mas espanhol também faz a diferença.    Qual a maior saia justa que você já passou no seu trabalho? Fazer desfile de moda é sempre uma saia justa, porque todo mundo quer sentar na fila A e sempre tenho que ficar trocando as pessoas de lugar.    Tem uma fórmula para ser bem relacionado? Ser alegre ajuda muito. As pessoas que estão em um evento ou jantar querem estar em contato com alguém feliz. Isto não é falsidade, não estou falando disso. Mas acho importante não levar os problemas pessoais para o trabalho e em eventos.

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Camisa oversized, calça e tênis, look total Prada

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CAMILA COUTINHO

Camila Coutinho é um furacão. Em um dia ela está posando para a capa da GPS, amanhã está em Recife, sua terra natal, depois de amanhã na China, Paris ou Nova York, e, enfim, volta para São Paulo, onde mora atualmente, troca de mala e segue pelo mundo para cumprir seus mil e um compromissos profissionais. Esse sucesso que a criadora do blog Garotas Estúpidas, e uma das jovens mais influentes do Brasil – palavras da revista Forbes, que a incluiu na lista das personalidades com menos de 30 anos mais importantes do planeta –não é por acaso. “Há cerca de 12 anos, quando nasceu o meu blog, ele funcionava como um veículo de comunicação, mesmo, não existia aquela figura da blogueira que surgiu em seguida. Com o tempo, mudei um pouco a forma de comunicar e passei a escrever na primeira pessoa. Nesta mais de uma década, fui sempre me reinventando. Muitos blogs que eram conhecidos naquela época já não existem mais. Realmente, é um trabalho de renovação diária”, explica Camila, que hoje tem 30 anos. E o que mudou de lá para cá? “Atualmente, existe uma separação entre Camila Coutinho e Garotas Estúpidas. Hoje nós temos uma vida independente do outro”, conta. Para ser influente por tanto tempo, na era da efemeridade do fast fashion – e fast tudo –é preciso, antes de tudo, se conhecer e conhecer o seu público. E Camila é ótima nisso. “Entender que eu era uma pessoa influente foi um longo caminho. Comecei a perceber que estava influenciando quando as marcas começaram a me avisar que as coisas que eu postava vendiam muito rápido. De qualquer forma, a gente nunca tem a total noção do nosso poder, porque não tem como dimensionar dois milhões de pessoas. É muita gente quando paramos para pensar”, destaca, abordando o número de seguidores que tem em seu perfil pessoal no Instagram. Junto do grande alcance, dos grandes contratos, e do poder de ser influente vem, também, uma responsabilidade. “Quando a gente tem um público tão grande é necessário imprimir um cuidado no conteúdo. Não gosto muito de influenciar o consumo desenfreado. Sempre quis passar esta mensagem. Fico muito feliz de poder ver a minha opinião sendo ouvida e compartilhada por outros, porque o Garotas Estúpidas não é apenas um guia de estilo. Eu também falo sobre acreditar nas suas ideias e seguir em frente. Vejo muitas meninas e mulheres, por

exemplo, falando que tiraram dicas do meu livro e com isso abriram o seu negócio e se sentiram inspiradas de alguma maneira. Isto não tem preço”, relembra Camila. Sim, ela acaba de lançar um livro, no qual ela reconta esta história da garota que só queria compartilhar informações de moda com as amigas em um blog no Recife e viu nascer um império. A obra aliás, provoca reflexões já no título: “Estúpida, eu?”. A resposta é bem fácil: de estúpida ela não tem nada.   Quais dicas você daria para quem quer começar a trabalhar no seu ramo? É preciso apostar na sua diferença e naquilo que te faz único. Este mercado não tem barreira de entrada o que significa que qualquer um pode entrar. Às vezes, será um sotaque ou uma forma de falar que te fará ser diferente. Acredite na sua forma de passar uma mensagem. Toda a diferença é positiva neste meio. Além disso, é preciso começar. Não fica esperando um fotógrafo ou dependendo de um equipamento, porque não precisa. Às vezes, quanto mais solto e amador, melhor.   Como você descreveria um dia de trabalho para alguém que não te conhece? É uma loucura. Geralmente, acordo  às 9h30  e tento sempre ir para a academia. Passo o dia no whatsapp, porque não leio e-mail nenhum mais, afinal, quem precisa falar comigo sabe onde me encontrar. Estou sempre participando de reuniões, campanhas publicitárias ou fotos para o Instagram.   Tem uma fórmula para ser bem relacionado, algumas atitudes e a em as ortas se abrirem o se ec ar Estar disponível para as pessoas é importante. Ser um bom ouvinte e sincero também. Não tem problema em confessar que não conhece algo e pedir ajuda. É importante ser curioso e questionar, além de elogiar quando achar algo bacana. Gente importante tem pouco tempo e vai dedicar a quem merece, por isso seja merecedor.    Onde você pretende estar daqui a dez anos? Dez anos é muito tempo, não tem como prever. De qualquer forma, espero continuar me comunicando e criando conteúdo. Adoro me dedicar a projetos novos e cada vez mais diferentes. Ah, e espero já estar com dois filhos.

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Beleza Ricardo Vieira Parka e calça, ambas Gloria Coelho, top Max Glamml sandálias Schutz

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MARINA MORENA

A gente podia começar este texto fazendo um trocadilho entre a nossa personagem de capa Marina Morena e a canção de Dorival Caymmi, mas ela não tem tempo a perder. Nem com trocadilhos. Entre o nosso primeiro contato e o dia da entrevista, ela passou por Barcelona, Mykonos, Rio, São Paulo, Ibiza e Nova York – cada cidade com uma turma diferente de amigos – e segue rodando o mundo, sem deixar de lado o seu trabalho como diretora da MAP, uma agência focada em comunicação e desenvolvimento de negócios para marcas, artistas e personalidades do entretenimento. No seu portfólio, tem nomes como Anitta, Chay, Fernanda Paes Leme, Gabriela Pugliesi, Thaila Ayala e muitos outros. “No começo da minha carreira eu atendia as agências de publicidade à procura de personalidades e direitos autorais de músicas para campanhas. Em determinado momento, a minha sócia Amanda Gominho me convenceu que a gente deveria ter um casting fixo e não ser somente interveniente entre empresas, agências e os formadores de opinião”, explica. Marina, para quem não sabe, é filha da famosa banqueteira baiana Keka Almeida, mas, desde cedo, foi criada como membro da família de Flora e Gilberto Gil, tendo Preta Gil como uma espécie de irmã mais velha. Esse trio de mulheres poderosas, aliás, foi a maior escola profissional que Marina teve na vida. “Tudo o que aprendi foi com Flora, Preta e minha mãe”, reconhece. Estar sempre cercada, desde sempre, por nomes conhecidos mundo afora,

ajuda Marina não só a ampliar a sua rede de contatos profissionais, mas também a manter o pé bem fincado no chão e não se deslumbrar com os rumos que sua vida tem tomado, com direito a amigos internacionais da grandeza do estilista italiano Riccardo Tisci, das modelos Irina Shayk e Mariacarla Boscono, e do fotógrafo Mert Alas, só para citar alguns. “Recentemente comecei a ter aulas de coaching profissional, e percebi que não uso um décimo dos meus relacionamentos ao meu favor, profissionalmente falando. Mas quer saber? Tudo bem. Acharia muito chato tudo ter que se transformar em business na minha vida”, sentencia. Chato, também, na opinião de Marina é a dificuldade que as pessoas têm de entender que ela não é uma coisa só. Não é só a businesswomam que está ligada em tudo o que acontece em sua empresa 24 horas por dia, nem só a apaixonada pelas coisas boa da vida – como viagens, festas e amigos  –, nem só fashionista dona de um dos guarda-roupas mais invejados do Brasil, nem só a garota bonita sem pudores das fotos do Instagram. Aos 35 anos, ela é tudo junto e misturado. “Não entendo a dificuldade que as pessoas têm em aceitar que eu posso ser fashionista e ser empresária, ou ser produtora de um clipe e, ao mesmo tempo, vestir uma celebridade”, provoca, antes de finalizar: “Não vim a vida a passeio como muitos acham, mas faço parecer que vim para muitos passeios”. Tem como não amar?

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Como é trabalhar com Anitta?

Eu aprendo mais do que ensino. Ela tem um sexto sentido além do normal, além de ser muito inteligente. Qual a dica para ser bem relacionado? Seja você mesmo. Sem artifícios ou enganações. Também é bom sempre ter cuidado e ficar longe de fofoca. E, ainda, lembrar que a corda sempre arrebenta pra o lado mais fraco. E eu sempre me coloco nesse lado mais fraco.  

Como é a sua rotina?

Não tenho a necessidade de ir ao escritório, mas tenho rotina e um relacionamento profundo com o meu celular, já que fico 24 horas com ele na mão. Viajo muito a passeio, mas estou sempre resolvendo algo. Como lidar com os haters da internet? Eu simplesmente deleto alguns comentários, já que a rede é minha e eu faço o que quiser (risos). Outros eu deixo e ainda curto, para tirar um sarro. Não me levo a sério.

Capa, top e calça, look total Dolce & Gabbana

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YAN ACIOLI Se você pensar em algumas das imagens de moda mais importantes dos últimos anos no Brasil, certamente vai encontrar o stylist brasiliense Yan Acioli por trás. Lembra de Sabrina de Pantera Cor de Rosa e ou de dançarina do cabaré Crazy Horse, de Paris, nos Bailes de Carnaval da Vogue? Pois então, obra de Yan. Sabe os looks de Claudia Leitte na folia baiana e nos clipes mundo afora? Pois é, Yan por trás. Mas antes de ele ser escolhido para renovar o estilo de famosos, que ainda inclui nomes como Juliana Paes, Mariana Rios e o casal Angélica e Luciano Huck, Yan demorou para se encontrar profissionalmente. Nascido em Brasília, filho de uma família jornalistas, ele acabou se encantando pelo universo da Comunicação Social desde muito novo, o que o fez se formar em Publicidade e se especializar em marketing na Austrália. Foi lá, aliás, que a paixão pela moda começou. “Percebi que propaganda não era muito a minha praia. A partir disso, tentei unir estes dois universos, afinal, ser estilista não era a minha pretensão. Fui fazer um curso de Produção de Moda, em São Paulo, durante três meses. Era uma espécie de aventura, na época. Cheguei em abril de 2005 e em maio já conheci a Sabrina Sato. Neste momento, as coisas começaram a dar supercerto e a gente não se separou mais. Foram 13 anos de parceria, terminados em março agora”, conta o stylist, que, hoje em dia, tem 15 profissionais trabalhando em sua equipe e 13 anos de carreira. “Quando comecei, o serviço de personal stylist era pouco divulgado e pouca gente sabia do que se tratava. Não é só montar uma roupa e ir ao shopping. É muito mais. É uma parceria, é conversa e troca de ideias”, enfatiza. Apesar de ter descoberto que queria viver do universo da moda já adulto, suas primeiras lembranças em torno de seu amor por roupas remetem à sua infância em Brasília. “Me intrometia na forma como as mulheres da minha família se vestiam”, lembra. Com 13 anos de carreira e muitos sucessos no currículo, Yan não faria nada diferente em sua trajetória. Repetiria até os momentos mais difíceis, quando se

Blazer, camisa, calça oxford, look total Ricardo Almeida

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mudou de Brasília para São Paulo e foi morar no quarto de empregadas de um apartamento de umas modelos para poder economizar o dinheiro. “Aluguei o lugar mais barato para que meu dinheiro contado desse para ficar um pouco mais do que o planejado. Tudo já deu certo no segundo mês. Dei muita sorte. Conheci os profissionais certos no momento adequado. Não mudaria nada. Só posso agradecer por tudo e me preparar para o futuro”, conta Yan, aos 37 anos. E que futuro é esse? “Se eu puder sonhar, eu gostaria de assinar o figurino de Rihanna em uma turnê internacional”, anima-se.   Quais dicas daria para quem quer ser um stylist? A primeira seria informação. Acho que a segunda coisa é a persistência. Se você acreditar no seu estilo e gosto tem espaço para todos. Então é preciso perceber qual o seu foco e apostar nele. A última dica seria se divertir, mesmo com toda responsabilidade e cobranças. Se você não gostar daquilo tem algo errado.   Qual a sua receita para o sucesso? Não tem receita. No entanto, acho que o meu segredo é acreditar em Deus, saber que as coisas acontecem porque existe um motivo e é preciso ralar muito para tudo se tornar real.    Tem uma fórmula para ser bem relacionado? Espontaneidade é importante. A fórmula é ter, antes de qualquer coisa, educação e verdade. Não acredito em truques ou fingimentos.    Qual a diferença do Yan que saiu de Brasília para o de hoje? Tenho mais fios brancos na minha barba, a minha conta bancária está melhor e a minha bagagem de vida só melhorou. O resto é tudo igual. Não durmo sem pedir a benção da minha mãe, falo sempre no grupo da família e continuo sendo amigo das pessoas de Brasília. Ainda sou o mesmo menino lutando para sobreviver da melhor maneira possível. GPSLifetime « 143

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EMPODERADAS

SÃO PAULO É CONHECIDA COMO O POLO FINANCEIRO E CULTURAL DO BRASIL. A CIDADE, UM TANTO DURA, ONDE TUDO ACONTECE. POR MEIO DE GRANDES MULHERES, SÃO PAULO TAMBÉM É CARREGADA DE ENERGIA POSITIVA E MUITO AMOR. BEM-SUCEDIDAS, BEM RELACIONADAS E DE BEM COM A VIDA, ELAS FAZEM ESTA METRÓPOLE SER MUITO MELHOR POR DORIS BICUDO « FOTOS PAULA BROFMAN

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Luis Vilela

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ão Paulo – Sensacionais, incríveis, maravilhosas, vencedoras! Nossas eleitas para personificar as mulheres da maior e a mais cosmopolita cidade do Brasil não precisam de adjetivos em suas apresentações. Elas falam por si próprias. Com atuações diversificadas, cada uma ao seu estilo representa a mulher contemporânea, que sabe se reinventar nestes novos – e tão velozes – tempos. Para fazer parte deste time, os pré-requisitos são vários... É preciso resiliência, atitude, pulso forte e muito amor às suas escolhas. Sejam elas qual forem. Doar-se também faz parte da mulher moderna. Assim como agregar e compartilhar. Nossas mulheres não esperam o futuro para viverem novas experiências. Com os dois pés fincados no chão, fazem acontecer aqui e agora, na cidade que pulsa, exige e deu muito a elas. Da alta executiva à ativista política, elas transformaram seus predicados no cartão de visitas de São Paulo. Muitas não nasceram capital paulista, mas elegeram a cidade como sua “Pátria Amada. Salve, salve!”. Estar perto delas é estar antenado com o melhor de SP. Temos certeza. Com vocês, as sensacionais, incríveis, maravilhosas e vencedoras mulheres de São Paulo... e do mundo!

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ALEXANDRA LORAS

A ex-consulesa da França no Brasil é uma daquelas mulheres que dá orgulho e voz a qualquer missão que abrace. Militante da conscientização sobre a diversidade de gênero e da raça, Alexandra escolheu o Brasil para se fixar e São Paulo como sua casa. Palestrante, consultora de empresas e autora de livros, atualmente, ela também se destaca como a única mulher negra CEO de uma multinacional no País, à frente da TRACE TV, marca global de entretenimento afro, com alcance de 59 milhões de assinantes e 200 milhões de usuários em 160 países. Como uma boa parisiense de alma, Alexandra carrega o luxo em seu DNA. Sua casa está sempre de portas abertas a um bom bate-papo. Mas, que fique claro, só com gente interessante e de conteúdo. Um chá na temperatura certa, uma vela que perfuma o ambiente de maneira sutil, seu filho – loiríssimo – com a cara dela e o colorido do pai, correndo solto e conversando com todos em um português sem vestígio de sotaque, é o conjunto da rotina de Alexandra. O melhor produto tipo exportação que a cidade poderia ganhar. Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina?

Ser mulher é tentar me tornar a melhor versão de mim mesma. Fora dos padrões impostos pela sociedade que tentam nos inferiorizar apenas no papel da “mãe margarina”, da esposa carinhosa, amante santa, expert em massagem tântrica, meditação. Porque acima disso ela é CEO de uma multinacional e empreendedora premiada, com um corpo malhado. Adequadamente fashion para receber amigos em um happy hour, numa casa impecável. Essa sou eu...

Existe uma receita para se tornar uma mulher vencedora?

Fracassar muito e entender que a resiliência, errar muito e correr riscos calculados são a soma do sucesso. Sou feliz assim. O que São Paulo deu a você? Me deu a liberdade que eu procurava, a bagunça e a criatividade no caos de uma cidade cosmopolita... São Paulo me deu uma nova forma de enxergar o mundo, ensinou-me o bê-á-bá para transitar no segment da arte contemporânea, da moda, da filosofia, do funk, das quebradas...   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar? E o melhor para se tirar férias? Para trabalhar é São Paulo, por conta de tudo acontecer de forma mágica. Já para tirar férias, eu amo ir ao  The Sanctuary,  na Tailândia. Um  resort hippie-chic para desintoxicar mente, alma e corpo.   Ser poderosa é... Saber cair e se levantar de novo, quantas vezes for. E ter a certeza que atrás de cada tombo tem um presente milagroso que nos ensina a superar desafios e propósitos.   Meu livro de cabeceira... Você pode curar sua vida, de Louise Hay.   Uma mulher que me inspira… Oprah Winfrey.   O melhor de São Paulo... Um passeio na catedral – mega kitsch – Nossa Senhora do Rosário, na serra da Cantareira.

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Luis Vilela

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BIA AYDAR Dizer que Bia Aydar esteve à frente de seu tempo não chega a ser uma daquelas frases feitas e elogiosas que falamos para agradar as pessoas. Bia, que começou sua carreira como produtora e também foi sócia e presidente da agência de publicidade MPM por mais de sete anos, sempre foi uma profissional que não poupa se entregar de corpo e alma ao ofício. Empreendedora, fervilhante e capaz de concretizar suas ideias, no final de 2009, Bia, ao lado de Fernanda Nigro – sua irmã e parceira da vida – anunciou a abertura da SEMPARAR, uma agência de atendimento exclusivo que aproxima pessoas com marcas. Exatamente o que a nova forma de comunicação faz nos dias de hoje. Incrível, não? Do lado pessoal, Bia é a amiga querida de todos. A avó dedicada de Manuela e Brisa. A mãe de Mariana e Eduardo. Malha todos os dias há mais de 20 anos, com o mesmo personal. Além de fashionista nata e a cara da mulher contemporânea de São Paulo... e do mundo.

Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina?

Essa busca não é recente, mas a impressão que eu tenho é que está na moda. Sinceramente, é um assunto que faz parte do passado, do presente e do futuro.   iste ma receita ara se tornar ma m l er encedora Sim, trabalhando. O que São Paulo deu a você?

Minha família, meu trabalho e meus amigos.   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar? E o melhor para se tirar férias? Para trabalhar, onde houver oportunidades. Para tirar férias, minha casa na Bahia. Ser poderosa é...

Poder cuidar do meu tempo. Meu livro de cabeceira... Malala.   Uma mulher que me inspira... Minha irmã, Fernanda Nigro.    O melhor de São Paulo... Sua gente! 

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CAROLINA FILGUEIRAS Movida à energia capaz de desafiar até mesmo a física quântica, Carol é definida por quem participa de seu dia a dia como uma mulher doce, determinada e hands on, de verdade. Desde 2014 está à frente da Santapele, marca de skincare voltada ao bem-estar, que utiliza produtos essencialmente naturais. Também sócia proprietária da rede Emiliano de hotéis, a empresária traz em seu currículo um enorme background de qualificações. Após se formar em hotelaria na Suíça e passar dois anos trabalhando em hotéis nos Estados Unidos, ela se fixou por 13 anos em Los Angeles, onde trabalhou com cinema. A experiência californiana a fez olhar para o mundo de outra forma, na qual a vida saudável é totalmente integrada ao mundo coorporativo. Na bagagem de volta, trouxe mais do que este novo estilo de vida: a determinação de criar uma linha de beleza que logo implementou nos negócios da família e hoje faz parte dos spas dos hotéis de São Pulo e Rio, além das amenities. Tudo de excelente qualidade e cool como a própria Carol e a cidade em que ela mora, faz e acontece...

Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina?

Acredito que o verdadeiro empoderamento feminino é estarmos na melhor versão de quem somos, ou seja, nos apoderarmos do que o feminino tem de mais forte: intuição, potencial de executar multitarefas, maravilhosa capacidade de nutrir relações, projetos, capacidade criativa e vulnerabilidade. Existe uma receita para se tornar uma mulher vencedora? Dois pontos: gerenciar nossa expectativa e desafiar nossos limites. Estar sempre questionando, não se acomodar e não desviar do caminho que queremos seguir.   O que São Paulo deu a você? Sofisticação e jogo de cintura.   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar. E qual o melhor para se tirar férias? São Paulo para trabalhar. Nas férias, o combo praia + verão me relaxa mais que tudo.   Ser poderosa é... Reconhecer e aceitar limites.   Meu livro de cabeceira... Um Novo Mundo: o Despertar de uma Nova Consciência, de Eckhart Tolle.   Uma mulher que me inspira... Audrey Hepburn, pela sua graciosidade e generosidade.   O melhor de São Paulo... Uma cidade na qual todos são bem-vindos.

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DANIELA FILOMENO Jornalista, empresária, viajante e amante da boa gastronomia é o que consta no currículo de Dani Filomeno. Mas, em uma visão menos coorporativa fica mais fácil de entender quem realmente ela é: uma pessoa que se apodera dos cinco sentidos para construir seu caminho. Com um olhar 360º, ela é capaz de estar neste momento sentada em sua mesa de trabalho, mas antenadíssima com o que está rolando de melhor em qualquer point do planeta. Sensível e apaixonada por gastronomia, é uma daquelas mulheres multifacetadas capaz de assumir inúmeras responsabilidades ao mesmo tempo. Já chegou a trabalhar mais de 12 horas por dia, mas depois que se tornou mãe decidiu dosar e conciliar o seu tempo com a família. Daniela ama o que faz e transformou sua paixão pelas viagens e “um bom prato” em business, por meio de seu site viagemegastronomia.com.br. Espécie de bíblia para os viajantes antenados. Daniela é a alma da mulher paulistana e explora os quatro cantos da cidade à procura do melhor para seus leitores. Já São Paulo retribui à altura, com suas portas abertas e tapete vermelho estendido por onde ela passa.   Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina? Muita gente diz que empoderamento feminino não existe, já que a mulher já tem o poder, a começar pelo poder de gerar a vida. Não discordo totalmente, mas quando se trata de equidade de gênero, principalmente no ambiente de trabalho, isso precisa mudar. Nós, mulheres, na maioria, ainda temos um “segundo turno” em casa.   Existe uma receita para se tornar uma mulher vencedora? Trabalho. Muito trabalho. Com dedicação e afinco. Mas não acredito que existam receitas na vida, mas sim ingredientes. Você não se torna uma pessoa vencedora se não tiver base, muita determinação e poder de superar frustrações. Comecei a trabalhar muito cedo e não

me lembro de um dia ter sido fácil. As dificuldades só aumentam de acordo com o seu crescimento. O que São Paulo deu a você? São Paulo é a minha casa e grande parte do meu trabalho. Sua riqueza gastronômica e cultural renderia notícias para um ano todo. Viajo muito, mas volto feliz da vida para São Paulo.   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar. E qual o melhor para se tirar férias? O mundo é o melhor lugar para trabalhar, já que ele é a fonte de tudo que escrevo. E férias eu simplesmente amo desbravar a Ásia. Estou encantada pelo continente, que tem uma cultura que me encanta, gastronomia deliciosa e rica em ingredientes, além de lugares históricos.   Ser poderosa é... Ser ética, respeitar o próximo e conquistar as pessoas pelos atos, não pelo o que falamos.   Meu livro de cabeceira... Sou completamente louca por biografias e costumo ler dois livros ao mesmo tempo. Desde que fui para a Rússia, comecei a ler dos Czares e estou agora na de Catarina, a Grande, que foi a responsável pela modernização da Rússia. Também estou começando a ler sobre Katharine Graham, biografia da fundadora do Washington Post.   Uma mulher que me inspira... Indra Nooyi, uma indiana que conquistou o mundo empresarial americano, e que comanda a PepsiCo. no mundo. No Brasil, Denise Santos, presidente do Hospital Beneficência Portuguesa .   O melhor de São Paulo... Temos todos os países aqui: a Itália no Vecchio Torino, o Japão no Kinoshita e, é claro, nossa brasilidade no A Casa do Porco.

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KELLY AMORIM São Paulo só tem o que agradecer a Brasília por nos ter mandado um de seus melhores representantes... Há aproximadamente 15 anos, depois de já ter passado uma temporada de estudos na cidade, Kelly Amorim desembarcava de volta a SP para, desta vez, assumir a presidência e expansão da marca de joias de sua irmã Carla Amorim. O momento de Kelly era difícil. Acabava de sair de outro empreendimento familiar no qual estava insatisfeita. Com o tempo, a empresária não só assumiu a gestão da joalheria como também, de maneira orgânica, tornou-se uma das embaixadoras da marca. Seu jeito fácil de levar a vida, agregado a sua fala mansa, cultura esmerada, elegância e muita simpatia, foi conquistando a alta sociedade paulistana – por vezes um pouco fechada – e lhe abriu todas as portas da cidade. Rompeu barreiras e expandiu a label mundo afora. Religiosa e reservada, não expõe sua vida pessoal nas redes, mas quem a conhece sabe bem de suas prioridades. A mais importante? Sua filha de sete anos, que, como a mãe, já tem São Paulo aos seus pés.   Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina? Sou de uma família de muitas mulheres e apenas um homem, que saiu aos 16 anos de casa para estudar e voltou casado. Minha mãe sempre foi muito forte, independente, corajosa e feita de puro amor. Não conheço influência melhor pra formar cinco mulheres completamente diferentes entre si, responsáveis por seus destinos e suas histórias. Pra mim, isso é empoderamento: dar, a quem quer que seja, as rédeas de sua própria vida. Ciente do ônus e do bônus de suas escolhas.   Existe uma receita para se tornar uma mulher vencedora? Vencer nesta vida é conquistar a felicidade possível, né? Me considero muito feliz, graças a Deus! Meu cunhado Joaquim fala uma coisa muito verdadeira: “a vida é uma eterna manutenção”. Quer uma família em harmonia? Dedique-se a ela todo dia. Quer ficar em forma? Atenção diária. Construir patrimônio? Atenção

diária. Casamento feliz? Todo dia um pouquinho. Acredito nisso. O tempo se encarrega de acumular os efeitos da nossa dedicação. O que São Paulo deu a você? Ah... Eu amo São Paulo! Mudei para a cidade para cursar Administração na FGV. Fiz os amigos que são hoje os que me acompanham. Nossos filhos estão crescendo juntos, nossas carreiras, nossos amores. São Paulo me aguçou a curiosidade intelectual e muita disposição para o trabalho.   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar? E o melhor para se tirar férias? Trabalho a maior parte do tempo em SP e acho bom que seja assim, mas é verdade também que lamento que seja tudo tão difícil no Brasil. Por ser responsável pela atividade internacional da Carla Amorim, vejo como tanta coisa poderia ser tão mais fácil para todos nós aqui. Mesmo assim, sou otimista e espero viver para ver um país mais liberal nos costumes e na economia. Férias? Qualquer lugar perto da natureza, com instalações charmosas, boa comida, bom vinho e ótimas companhias.   Ser poderosa é... Não faço a menor ideia (risos)!   Meu livro de cabeceira... Não leio o mesmo livro muitas vezes, como o meu pai fazia com o Guimarães Rosa. No momento, estou lendo O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, mas tem uma pilha na fila de espera na minha cabeceira...   Uma mulher que me inspira... Minha mãe.   O melhor de São Paulo... EndFragment!

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ISABELLA SUPLICY

Isabella é – quase – uma típica paulistana tradicional. Bem formada, educadíssima e excelente mãe de Graziela, Francesca e Max, a moça de fino trato, literalmente, arregaçou as mangas e colocou as mãos na massa. Deu certo. Aliás, certíssimo. Hoje é ela quem assina os bolos e docinhos dos casamentos e festas mais estrelados não só de São Paulo, como também de todo o Brasil. Tudo sem perder o lado família tão importante para seu estilo de vida, já que é seu pai quem cuida da administração da empresa, sua mãe, da decoração dos bolos e a irmã, responsável por modelar as peças decorativas. Mas não é só de belezura que os bolos de Isabella ganharam fama, a qualidade dos produtos e o cuidado na produção fazem das peças uma viagem sensorial do tipo inesquecível. Isabella, como a maioria dos artistas, não é de muitas palavras. Prefere se expressar através de suas delícias. Criteriosa ao extremo, comanda sua cozinha, com capacidade de fabricar cinco mil doces por dia, da mesma forma que começou, em 1995, na cozinha de sua mãe atendendo sua primeira encomenda. Nossa confeiteira, orgulho de SP, já nasceu pronta para ganhar o mundo! 

Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina?

Me sinto totalmente integrada, abençoada e realizada em ser independente e poder tomar minhas próprias decisões. Além de proporcionar trabalho para varias mulheres que hoje são changemakers em seus próprios universos.   Existe uma receita para se tornar uma mulher vencedora? Acrescentar no que você acredita e seguir o caminho escolhido.   O que São Paulo deu a você? Uma oportunidade enorme de trabalho e realização profissional.   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar? E o melhor para se tirar férias? Nunca trabalhei em outros lugares, por isso não saberia responder. Para, tirar férias, amo qualquer canto da Itália.   Ser poderosa é... Ser feliz.   Meu livro de cabeceira... Livros de receitas. Cada semana leio um.   Uma mulher que me inspira... Lady Di.   O melhor de São Paulo... Minha casa e minha cozinha.

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Divulgação

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MARIA-LAURA SANTOS Mesmo sendo considerada uma das mulheres mais influentes do Brasil, Maria-Laura não se acha poderosa. Modéstia? Não, foco e muita segurança desta executiva que está à frente da gerência geral da operação brasileira do grupo americano Estée Lauder Companies, que detém algumas das marcas de cosméticos mais desejadas entre as mulheres, como M.A.C., La Mer e Clinique. Mas engana-se quem pensar que tamanha responsabilidade a endureceu. Ao contrário, assume o papel de ajudar outras mulheres a alcançarem suas metas, contribuindo com sua experiência, oportunidades e apontando novos caminhos. Uma verdadeira feminista na prática. Maria-Laura também tem seu lado feminino muito bem resolvido e não abre mão de aproveitar parte de seu tempo ao lado de seus dois filhos, assim como não dispensa seu ritual diário de beleza. Confessa que adora experimentar os produtos da companhia a qual ela dirige e elege uma marca por mês. O que Maria-Laura tem a ver com São Paulo? Absolutamente tudo, a começar pela energia pulsante. Uma autêntica mulher dos novos tempos!   Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina? Minha carreira foi construída em um ambiente feminino, onde minhas competências e habilidades sempre foram bem recebidas. No entanto, tornei-me mãe há 20 anos e tive que me organizar para conciliar uma vida profissional arrojada, com minha família. Trabalhei muito para que os desafios da rotina não influenciassem no resultado do meu trabalho. Sempre organizei minha agenda para estar presente na vida dos meus filhos sem afetar minhas responsabilidades no trabalho.

Existe uma receita para se tornar uma mulher vencedora? Trabalho duro e muito foco. Sempre levei meu trabalho a sério, estudo o que faço, sou curiosa em aprender e me preparo com intensidade. Gosto de tarefas bem feitas, com atenção aos detalhes e logicamente gosto de superar minhas metas. Agradeço pelas oportunidades que recebi, pelos desafios que aceitei.   O que São Paulo deu a você? Meus filhos, minha carreira e muitas oportunidades.   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar? E o melhor para se tirar férias? Qualquer lugar, desde que tenha respeito aos funcionários, que tenha um trabalho desafiador, gente interessante, divertida e focada! Já para descansar, gosto do ar livre, de explorar novos lugares... Estou sempre disposta a conhecer novas culturas.   Ser poderosa é... Não me acho poderosa!   Meu livro de cabeceira... Tenho vários. Ler é um hábito antes de dormir. Me divirto com romances e biografias. Recomendo: A Delicadeza do Ouriço, de Muriel Barbey; Adeus China, de Li Cunxin; e O Amante Japonês, de Isabel Allende.   Uma mulher que me inspira... Decididamente, Estée Lauder. Ela acreditava no que fazia, trabalhou duro por seu objetivo e, por isso, teve sucesso.   O melhor de São Paulo... As oportunidades e a junção de muitas culturas que faz esta cidade ser uma das mais interessantes do mundo.

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MAYTHE BIRMAN

É difícil falar de Maythe sem ressaltar a sua beleza como uma de suas maiores qualidades. Sabe aquele tipo de mulher que não tem pra ninguém quando surge no pedaço? Sim, é ela. Mas, na verdade, esta beleza vem de dentro para fora e transborda em generosidade, elegância e savoir faire. Casada com o empresário Anderson Birman, do Grupo Arezzo, e mãe de três meninos: Allan, André e Augusto, Maythe dispensa o título de socialite. Na verdade, ele não combina mesmo com ela. Mulher cosmopolita, cidadã do mundo e apaixonada por arte, há tempos sabiamente trocou o ter pelo ser. O resultado? Seu carisma atingiu grau máximo. O cuidado maior com a beleza está diretamente ligado à saúde. Adepta de alimentação saudável, que junto aos exercícios diários, garante corpo perfeito à nossa musa que, embora não seja paulistana, é a representação mais que completa da cidade. E não troca São Paulo por nenhum outro lugar do planeta.   Hoje se fala muito de empoderamento. Como você se enquadra nesta nova busca feminina? Procuro cada vez mais olhar para dentro, para aquilo que realmente me faz vibrar e me sentir bem e ser coerente com meus propósitos de vida. Quando somos verdadeiras com nossos sentimentos e desejos, seguimos o caminho que devemos seguir. Esta consciência, o “gostar de nós como somos” e a autoconfiança nos faz melhor. Isso é inspirador para os outros. Esta é minha atitude diante da vida.   iste ma receita ara se tornar ma m l er encedora Não existe uma fórmula, mas se posso imaginar algo seria: acredite no seu potencial, seja a mulher que quer

ser e se orgulhe de quem é. Você pode ter sucesso no trabalho, em casa, com seus filhos, sem filhos, fazendo um trabalho social, pintando, bordando, pilotando um avião... Não interessa como, interessa no quanto é feliz com suas escolhas. E se quiser se inspirar em outras mulheres então... melhor ainda! O que São Paulo deu a você? Cheguei em SP em 2002 e não me imagino morando em outro lugar no Brasil. Amo a cidade e o que ela me oferece. Me deu muitos amigos e muitas possibilidades.   Qual o melhor lugar do mundo para trabalhar? E o melhor para se tirar férias? São Paulo é sempre uma opção para se trabalhar, sem dúvida. Já para férias, prefiro os lugares com praia e em contato com a natureza. Ser poderosa é...

Ser você mesma! Meu livro de cabeceira... A Bíblia.   Uma mulher que me inspira... Michelle Obama, sinto falta dela no cenário atual. Deixou várias marcas e me inspirou pela simplicidade, classe, caráter e causas que defendeu.   O melhor de São Paulo... A diversidade e as inúmeras opções que oferece: arte, cultura, restaurantes, parques, lojas... Enfim, vibrante, e repleta de escolhas possíveis. Mesmo com trânsito caótico é uma cidade viciante.

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CELEBS DA ERA DIGITAL POR MEIO DE PERFIS REPLETOS DE SEGUIDORES, INFLUENCIADORAS BRASILIENSES SE CONSOLIDAM COMO PERSONAGENS RELEVANTES E SE TORNAM REFERÊNCIA NA SOCIEDADE DOS TEMPOS MODERNOS POR BRUNA NARDELLI « FOTOS CELSO JUNIOR

N

uma realidade em que mais da metade da população mundial possui livre acesso à internet, os usuários que têm poder de persuasão online prosperam a passos largos. Conhecidos como influenciadores digitais, são eles os responsáveis por desencadear uma verdadeira revolução publicitária ao profissionalizarem o que antes era apenas um hobby: o uso rotineiro das redes sociais. Carismáticos, ditadores de tendências e, sobretudo, formadores de opinião, os digital influencers ostentam status de celebridade e, ao compartilharem um post para seus milhares – às vezes milhões – de seguidores, são capazes de fazer fortuna na velocidade de um clique. O momento pode ser de crista da onda, mas eles vieram para ficar. É o que atesta a especialista em marketing de influência Thays Almendra. “Apesar de não estarem inseridos em uma profissão ‘estável’, daquelas que você entra no trabalho às 9h, sai às 17h e recebe um salário fixo no fim do mês, os influencers estão, sim, consolidados”, garante. A notória ascendência da categoria, segundo a expert, deve-se ao fator pessoalidade.

FLAY LEITE @FlayLeite

Aos 27 anos, Flay é formada em Jornalismo e atua como diretora de estilo da editora GPS|Lifetime. Com olhar apurado para tendências, a globetrotter se destaca por suas tips de moda e beleza. “Busco levar conteúdo de forma próxima e espontânea para os meus seguidores, estabelecendo uma relação de confian a e credi ilidade com eles , entrega. Representante da era millennial, a in uencer é uma expressiva formadora de opinião de sua geração ao compartilhar experiências com olhar de insider. Em seu feed, tutoriais de maquiagem destacam-se, além das imagens dignas de um editorial fashion. “As pessoas se inspiram e confiam na min a opinião, o que torna o uso de mídias uma responsabilidade”, conclui.

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Look total Dolce & Gabbana

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“Em vez de modelos e atrizes, as marcas estão claramente preferindo contratar influenciadoras para divulgarem seus produtos. Isso porque elas imprimem uma relação de maior proximidade com o público. A propaganda acaba virando uma sútil troca de dicas entre amigas, o que provoca um resultado tremendo na hora das vendas”, esclarece. No Brasil, os influencers vêm se posicionando como personalidades de destaque há cerca de três anos, e seu impacto no poder de compra dos followers continua ascendente. Pudera. O País é um dos mais engajados do mundo nas redes sociais. De acordo com a pesquisa Digital in 2018, os brasileiros passam mais de 9h por dia navegando na web – terceiro maior índice, perdendo apenas para os tailandeses e filipinos. No Instagram, a população representa o segundo maior número de usuários, ficando atrás somente dos norte-americanos. A alta participação também é nítida no Youtube, onde 24 dos cem maiores canais são comandados por compatriotas. “De olho nessas estatísticas, empreendedores dos mais variados segmentos apostam em posts pagos para alavancar a comercialização de seus produtos, enxergando os influenciadores como um dos pilares da comunicação de marketing”, complementa Thays.

Direção criativa: Paula Santana Produção executiva: Karine Moreira Lima Styling: Marcus Barozzi Assistente de produção: Luara Baggi Beleza equipe Ricardo Maia Hair Make Up: Maquiagem: Antônio Barbosa Cabelo Flay Leite: Damon Burmester Cabelo Camila Nereu: Marcelo Leite Cabelo Juliana Cunha Campos: Ricardo Maia Capa: Foto Celso Junior Juliana Cunha Campos veste Animale Flay Leite veste Rosa Chá Camila Nereu veste BoBô

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“AS PESSOAS SE INSPIRAM E CONFIAM NA MINHA OPINIÃO, O QUE TORNA O USO DE MÍDIAS UMA RESPONSABILIDADE” DICAS:

Ser autêntica, apostar em boas fotos, interagir com os seguidores e levar conteúdo de relevância para quem está do outro lado

APPS FAVORITOS DE EDIÇÃO DE FOTOS: Facetune, Lightroom e PS express

QUEM MAIS AMO SEGUIR NO INSTAGRAM:

@XeniaOverdose, @HoskElsa e @tezzamb

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Vestido Cris Barros

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Pode até parecer fake news, mas um único publipost nas redes pode chegar a render USD 1 milhão, o equivalente a R$ 3,7 milhões, para uma webcelebrity. A quantia é a que a user mais bem paga da plataforma, a empresária e socialite Kylie Jenner – acompanhada por 113 milhões de pessoas –, fatura por publicação. Os números expressivos de vendas graças a esse tipo de parceria publicitária ajudam os influencers a alçarem voos além das fronteiras do universo digital: eles lançam livros, ministram talk shows, produzem filmes e licenciam produtos, transformando-se em verdadeiras máquinas de fazer dinheiro. A revista GPS|Lifetime, pensando em ilustrar essa ascendência, convidou três boomers da Capital Federal para protagonizar um shooting nos corredores do shopping Iguatemi Brasília. Flay Leite, Camila Nereu e Juliana Cunha Campos se consolidam como referência em moda e lifestyle. O trio deve parte de sua estratégia de atuação à Like GPS, agência digital pela qual são assessoradas. Parte do plural GPS|Media Group, a agency é focada em comunicação digital integrada e tem como base ajudar marcas e pessoas a construírem uma sólida reputação nas plataformas online.

CAMILA NEREU @CamilaNereu

Camila Nereu

A empresária Camila, de 28 anos, exibe todo seu carisma em posts intimistas no IG e em seu homônimo canal de Youtube, lançado há pouco. “Sempre fui desinibida e isso me ajuda a ter uma maior desenvoltura em frente às câmeras”, revela. Sobre seu parto normal, o vídeo de estreia do channel alcançou a marca de dez mil visualizações em apenas uma semana. “Fiquei impressionada, e já me comprometi a produzir mais conteúdos para o Youtube”, conta. trendsetter, que á firmou parcerias com diversas labels locais, declara que, certa vez, conseguiu vender mais de 200 vestidos com apenas uma foto em seu perfil. absurdo o impacto de uma simples postagem! Esse tipo de pu licidade é tão efica que utili o frequentemente na minha própria store, a Ateliê das Duas”, revela.

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Look total Hugo Boss e joias H.Stern

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“SEMPRE FUI DESINIBIDA E ISSO ME AJUDA A TER UMA MAIOR DESENVOLTURA EM FRENTE ÀS CÂMERAS”

DICAS

Ser verdadeira e humilde. As pessoas querem ver vida real, não só coisas maravilhosas que acontecem no dia a dia das in uencers. s seguidores querem sa er das dificuldades, das histórias por trás de cada conquista

APPS FAVORITOS DE EDIÇÃO DE FOTOS: UNUM, InShot, Lightroom

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@HelloFashionBlog, @TheStyleBungalow e @Luisa

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Look total Prada

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JULIANA CUNHA CAMPOS @JuCunhaCampos

A formanda de Comunicação Organizacional, de 21 anos, Juliana também exprime uma opinião otimista sobre o marketing de in uência. omo estudante da área, sei que esse tipo de marketing é o melhor dos últimos tempos. Em vez de outdoors ou anúncios na televisão, por exemplo, é bem mais vanta oso optar por uma parceria com um in uenciador, que tem um público mais segmentado”, diz. “Por isso, estou em uma constante busca por informações sobre o business, no qual pretendo me especiali ar cada ve mais , finali a. uem acompanha Ju se depara com dicas nada óbvias de metrópoles por onde ela passa, seja Milão, Nova York, Los Angeles ou Londres. Fahionista nata, a brasiliense também mostra a paixão por clothes em sua timeline multicolorida.

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Trench Coat Burberry Pulseiras Tiffany & Co. Camiseta acervo pessoal

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"ESTOU EM UMA CONSTANTE BUSCA POR INFORMAÇÕES SOBRE O BUSINESS, NO QUAL PRETENDO ME ESPECIALIZAR CADA VEZ MAIS”

DICAS:

rgani e se para postar com frequência, siga perfis parecidos com o seu como forma de inspiração e analise a interação dos seus seguidores de acordo com horário de postagem

APPS FAVORITOS DE EDIÇÃO DE FOTOS: Unfold, VSCO e Camera+

QUEM MAIS AMO SEGUIR NO INSTAGRAM: @Meg_Legs, @WeWoreWhat e @MarthaGraeff

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Top e saia Água de Coco Brincos e pulseira Água de Coco Bolsa Louis Vuitton

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E D O P M E T A R U T S O C

Viktor&Rolf

cidiu se A alta-costura de rtir de seus pa a r rejuvenesce s. Não se trata elementos eterno sim, de novas E, de tendências. ntar. Um olhar histórias para co das peças, a para a escultura upa. Soluções arquitetura da ro bém integram m ta tecnológicas anos 80 ganham esse refresh. Os homenagens importância em am estrelas e riz que ainda valo rios. Haja luz seus brilhos próp (Paula Santana)

Iris Van Herper

Valentino Christian Dior Couture JPG

Schiaparelli Giambattista Valli

Fendi

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Giorgio Armani

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GERAÇÃO

Fotos: Petra Collins

SIM, SENHORA Não se impressione se vir Faye Dunaway circulando pelas ruas de Manhattan, onde mora, em Nova York, trajando Gucci dos pés à cabeça, absolutamente incorporada no imaginário desconcertante e provocativo de Alessandro Michele, o diretor da brand há três anos. Pois é a atriz de 77 anos a estrela da nova campanha da marca italiana. Com 50 anos de carreira, 5 filmes na tra et ria e uma boa fama de má, Dunaway incorpora o lifestyle dos ricos e famosos em Los Angeles, seja na Rodeo Drive, sob as palmeiras das avenidas de Hollywood, jogando tênis, relaxando à beira da piscina. O detalhe é que quem a acompanha de modo onipresente é a bolsa Sylvie, cuja ideia é de que o acessório seja apreciado ao longo de gerações. “Eu estou realmente feliz por Alessandro e Gucci virem até mim neste momento da minha vida – o momento é exatamente correto”, diz a atriz. Mas não é de hoje que Michele repara e se inspira do estilo Dunaway. Em 2015, logo que assumiu os trabalhos, assim como em 2016, criou looks que faziam referências a seus personagens, usando boinas e peles, tal qual o filme Bonnie&Clyde. emocionante ver todas as gerações compartilhando gostos e estilos. Regras estão sendo quebradas e redefinidas . (Paula Santana)

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MODA

POWER SUIT

Bottega Veneta

Zimmermann

Chloé

Em tempo de gêneros pontuados e da cultura do empoderamento, apropriar-se da androginia feminina é uma boa maneira de dar seu depoimento por meio de um look. Tailoring… essa tendência te representa? Então vista-se de atitude e desfrute da autonomia que os ternos ofertam para quem os elege como ícone fashion da temporada (Paula Santana)

Christian Dior

Ports 1961

Chanel Delpozo

Calvin Klein

Issey Miyake

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BLOCK IS BACK

s a primavera chegar e o bloco das cores se posiciona. A ação cromática ocorre em conjunto ou em momento solo. Até mesmo em padronagens. Importa mesmo é imprimir uma modelagem absolutamente sofisticada e que o efeito seja minimalista. Fluo ou candy. A intenção é causar um imenso impacto visual (Paula Santana)

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CHEIA DE GRAÇA

Prada

Lindo, leve e solto. O divertido jogo do mix ‘n match match, que absorveu das ruas e transformou em tendência o mood da despretensão, é código certo para a temporada de ores e sol que se aproxima. fresh, é girly. E não pode perder o código do inusitado, do conforto e, sobretudo, do equilíbrio (Paula Santana)

Christian Dior

Elie Saab

Miu Miu Christian Dior

SOBRE CAMADAS

Um look que pode se desconstruir ao longo do dia. As intempéries do clima criaram um novo repertório. O de sobreporse de roupas que podem, ou não, ser desvencilhadas de si mesmas. Fato: há um statement aí, de originalidade, de contemporaneidade. O elemento fashion: deve ter leveza, com volumes diferentes (Paula Santana)

Louis Vuitton

Gucci

Givenchy

Jil Sander

Stella McCarteney

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Fotos: Divulgação

REVIVAL

A FLUIDEZ DOS ANOS

Araya Alberta Hargate

O novo milênio, pontualmente no ano 2000, trouxe um dos objetos mais explosivos para a moda na década que seguiria: Saddle, bolsa que fazia referência ao universo da equitação. O formato remetia a uma sela. Fashionistas jamais se esquecerão do ícone criado por John Galliano, à época diretor criativo da label. Sarah Jessica Parker, protagonista da não menos memorável série norte-americana Sex and the City, colaborou para que o modelo se tornasse motivo de histeria entre adoradoras de fashion bags. Numa viagem recente ao baú Dior, Maria Grazia Chiuri apoderase do mood que trouxe tanta atitude quase duas décadas atrás e reedita a Saddle. Em formatos distintos e acabamentos em couro, canvas e patchwork, elas vêm com alças étnicas, franjas e com a inscrição Peace and Love Dior. n uentes e influencers obviamente aderiram. “Pensei que esta coleção poderia ser uma oportunidade para reviver a beleza da Saddle. Considero este ícone da história recente perfeito para lidar com a batalha diária que é nossa vida contemporânea”, diz Maria Grazia.

NEW LOOK

Jessica Alba

Falando em revivals, uma retrospectiva de mais três décadas da história da Dior está compilada nas páginas do livro Dior por Marc Bohan, do jornalista Jérôme Hanover. Ele conta a trajetória do designer que permaneceu mais tempo à frente da Maison Dior. Mais até que o próprio criador, Christian Dior. Em 1957, ao lado de Yves Saint-Laurent, tornou-se assistente do mestre. Em 1960, com a morte de Dior, ele assumiu a casa e só a deixou em 1989, cujo legado se associou a li erdade, sofistica ão e insolência, diante do convencional. Livro importante para biblioteca de moda. “Neste business, complacência é um desastre total... A moda consiste em dar às mulheres o oposto do que elas amaram no dia anterior... nossa culpa se o desejo é algo volátil?”, discorria Marc em suas frases memoráveis. (Paula Santana)

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ESTILO Cris Barros - R$ 1.282

Burberry - R$ 8.150

Balmain - R$ 20.289

Rosa Chá - R$1.998

PRETA, PRETA, PRETINHA

Giambattista Valli

Victor Hugo - R$ 1.185

Saint Laurent - R$12.130

Nem vale mais dizer que all black é tendência. Na ver verdade, é referência de requinte. A monocromia é uma forte sacada para sofisticar a moda. Com a sobriedade de um look preto bem construído (Paula Santana)

Chanel - preço sob consulta Avanzzo - R$59,80 Stella Mccartney para GO Eyewear - R$ 3.700

Twenty Four Seven - preço sob consulta

Bottega Veneta - R$15.090

Bottega Veneta - R$ 23.430

Gucci - preço sob consulta Balenciaga - R$ 5.112

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ESSENTIAL POR FLAY LEITE

contato@flayleite.com.br – Instagram: @flayleite

SOLD OUT Depois de anunciar collabs com a Supreme, Fendi e Off-White, a Rimowa ganhou nova atmosfera e é hit entre os influencers. Personalizadas com detalhes das grifes fashionistas, as malas, ao serem colocadas à venda em lojas físicas e também no e-commerce das labels, esgotaram em menos de 24 horas. Nas stores da Rimowa têm até fila de espera. Total exclusividade permitiu que os modelos se tornassem item de colecionador e, por isso, podem ser encontrados em leilões de luxo, claro, com o preço acima do sugerido pela etiqueta de malas. Consideradas relíquias, as novas bags trazem em seus designers personalização e um tanto de ousadia. Para comprovar a façanha, os modelos da Rimowa desenvolvidos por Virgil Abloh, diretor-criativo da Off-White, têm por material o policarbonato transparente e rodinhas e alças pretas. Já a coleção da Supreme traz nas bolsas vermelhas e pretas o famoso logo da grife streetwear. Além dos detalhes em couro, a linha assinada pela Fendi é coberta pelo monograma da maison. www.rimowa.com

TRÊS VOLTAS De olho na trend de usar miniwatch com muitas pulseiras à la fashionistas como Chiara Ferragni, a Cartier decidiu incorporar os dois acessórios em um único modelo de relógio. Ainda seguindo o shape de formatos pequenos, a grife de relojoalheria lançou o clássico Panthère, com pulseira de três voltas. Com dimensão da caixa entre 20 e 25mm, o novo modelo da maison francesa aparece em ouro amarelo ou rosa com diamantes. Uma verdadeira pompa. Em constante inovação, a coleção Panthère apresenta desde 1980 os designs mais emblemáticos da Cartier. Up to date!

GLOW BABY, GLOW! Se você ama o efeito de uma pele bem luminosa, confira a dica do iluminador queridinho das beauty addicts. Criado pela label britânica Iconic London, o produto da linha Illuminator fez sucesso por ter sido desenvolvido em estado líquido e numa embalagem em conta gotas. Extremamente pigmentada, a versão, que deixa a pele com o efeito glow incrível, está disponível nas tonalidades Original, Shine, Glow e Blush. Um truque dos makeup artists é adicionar um pouco do iluminador na base ou primer para ter um acabamento de pele “molhada”. O produto custa R$ 157 e está à venda no site da marca. E o melhor? Entregam para todo o Brasil. www.iconiclondoninc.com

www.cartier.com.br

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BIQUÍNIS 80 Entre idas e vindas na moda praia, o biquíni cavado, febre nos anos 1980, retornou para as piscinas e praias ao redor do globo. A peça com shape em V conseguiu novamente o seu lugar ao sol ao cair nas graças das influencers, Kendall Jenner, Elsa Hosk e Emily Ratajkowski. Conhecido pela modelagem asa-delta, o biquíni um tanto revelador alonga as pernas e dá a ilusão de silhueta mais esguia, criando a imagem de um look sexy e ousado. Nas passarelas, a trend revisitada foi a aposta das grifes Reina Olga, Inamorata Swin e Revolve. Ótima inspiração para o verão brasileiro.

OIL BIOSSANCE Pioneira em beleza sustentável por meio da biotecnologia, a Biossance cria seus produtos de cuidados da pele à base de esqualano – molécula hidratante produzida pelo próprio corpo humano. Dentre os itens da linha de tratamento da marca, o maior achado é o óleo facial, que mescla esqualano com vitamina C e extrato de rosas. Com uma fórmula de rápida absorção pela pele, o produto ilumina o rosto e reduz linhas de expressão. Mas, é claro, sem deixar a pele oleosa. produto a uda na idrata ão e evita que a pele fique “craquelada”. Recomendado por dermatologistas, o oil, por ter vitamina C em sua composi ão, pode ser 50 ve es mais efica do que o ácido asc r ico (molécula que ajuda a prevenir o envelhecimento precoce da derme e a tratar manchas). A label utiliza somente ingredientes naturais e 100% vegetal, que não prejudicam o meio ambiente – questão levada à risca pela empresa. www.biossance.com.br

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ATITUDE Dolce & Gabbana - R$ 7.500 Gucci - preço sob consulta

Goyard - R$ 23.500 Chanel - preço sob consulta Fendi - 17.926

! G A B Y

Bottega Veneta - R$ 9.530

Chloé - R$ 10.630

M , OH

Salvatore Ferragamo - R$ 4.650

E as bolsas seguem cheias de vontade própria com forte in uência do streetstyle. Alças, aros e correntes permanecem. As microbags de outrora ganham a concorrência das maxibags. Tem até a multi em que duas ou três podem ser integradas. A box, durinha que nem uma caixa, é paixão mundial. E o statement são aquelas nas quais cores e mix de materiais se misturam (Paula Santana) Louis Vuitton - preço sob consulta

Christian Louboutin - R$ 6.990 Confraria Studio - R$ 1.426

Valentino - R$16.950

Saint Laurent - R$ 5.140 Prada - R$ 6.550

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ENTRE NÓS POR PATRICIA JUSTINO

pattyjustino@hotmail.com – @patjustinovaz

GENTE QUE FAZ Sempre circulando por Milão, São Paulo e Distrito federal, o curador e designer Diego Cattani acaba de eleger Brasília como uma das suas residências oficiais. p s o lançamento da sua galeria de arte contemporânea, Cumaru, seu próximo projeto é trazer à Capital do País um pouco do seu trabalho como designer de acessórios. Suas peças, inclusive, são vendidas em lojas cool espalhadas pelo mundo: New York, Londres, Paris, Milão e São Paulo. Ao longo da carreira, Cattani já desenhou coleções para marcas como FARM, Helô Rocha, Juliana Jabour, Ellus, Reserva, Totem, entre outras. Sempre buscando referências em arte contemporânea por onde passa, as suas criações se sobressaem pelo mix de materiais usados nas peças e escala exuberante de cores. Ele também é famoso pelas suas coleções de Carnaval que frequentam as melhores cabeças do eixo Rio-SP, nos bailes da Vogue, da Arara, Copa e camarotes. Muito em breve será apresentada em Brasília uma coleção com os hits da sua carreira. Espere por conchas, ouro, cristais rutilados, máxi-búzios, couro de antílope e turmalinas. Puro luxo! www.galeriacumaru.art

BUTTERFLY FLOAT

QUADRA EXPERIENCE Dalí Travel e Q.U.A.D.R.A se unem para proporcionar uma experiência única em moda e lifestyle. A boutique de experiências em turismo e a concept store brasiliense programam para dezembro uma viagem em grupo para a feira Art Basel, em Miami. A ideia é fazer para o pequeno e exclusivo grupo um momento de imersão em moda e arte contemporânea. Serão vários passeios focados em temas espec ficos, visitas guiadas, minipalestras e apresentações. ais in orma es: contato@dalitravel.com.br

As sel es de banhistas, artistas e modelos em boias gigantes roubam as cenas em piscinas, resorts e praias mundo afora. Para deixar tudo ainda mais colorido e belo, uma Collab bem divertida foi lançada entre a grife italiana Missoni e a gigante das boias de luxo para piscinas FunBoy. As duas marcas uniram forças, elegeram o modelo em formato de borboleta, originalmente criado pela FunBoy, e adicionaram as icônicas estampas em cores caleidoscópicas desenvolvidas pela Missoni. Detalhe que deixa todo mundo ainda mais apaixonado: elas são dupla face! Possuem tons alaranjados de um lado e, do outro, tons esverdeados e azuis. Aos interessados: a edição é limitada, portanto, corram! As vendas são online e as quantidades disponibilizadas por pessoa são controladas. www.funboy.com

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NOVA YORK, DEMETRA E ART DÉCO A cidade de Nova York e toda a sua atmosfera cosmopolita foi a inspiração de Mariana Demeterco para a nova linha de nove peças exclusivas que passam a integrar o leque de produtos da label curitibana Demetra. Saindo do óbvio, a grife de joias traz ousadia ao protagonizar nessa cole ão uma ex tica mistura de safiras multicoloridas que remetem à modernidade do período Eduardiano do início do século 20, quando se uscava a feminilidade e a sofistica ão do movimento art déco. Remetendo à época alguns detal es ficam em evidentes nas pe as lapida ão em aguete, linhas retas e circulares estilizadas, design abstrato e o uso de pérolas. A proposta da marca é criar joias atemporais usando tons variados de ouro e pedras preciosas. Outro detalhe que encanta: serão produzidas apenas duas unidades de cada modelo, enaltecendo o handmade criativo, o slow fashion e a qualidade acima da quantidade. Info e vendas: (41) 9925-9010

SOHO FARMHOUSE Unir o lazer ao trabalho, hospedagens, experiências gastronômicas, degustações e relax são as propostas oferecidas pelos members club que se espalham ao redor do mundo. Entre eles, um dos grupos mais famosos e que possui as propriedades mais descoladas para esse fim é o Soho House. Desde 1995, quando foi fundado em Londres, a rede não para de investir e só vem expandindo: Barcelona, Berlim, Istambul, Nova York, Chicago, Miami e Los Angeles são algumas das cidades que abrigam uma das suas charmosas unidades. Os formatos das estruturas são sempre hotéis ou casas super aconchegantes, com serviços para lá de especiais. Um dos últimos lançamentos do grupo foi a Soho Farmhouse, uma tradicional casa de campo bem ao estilo londrino, em Oxfordshire (a 90 minutos de Londres). Passeios a cavalos, spa, quadras de tênis, restaurantes são os atrativos, além da arquitetura que mistura ambientes do séc. XVIII a referências contemporâneas.

NOVAS ATITUDES NO “VESTIR” Cada vez mais as marcas do vestuário vêm buscando ustificativas de relev ncia so re o fa er de moda . Hoje, o que importa não é só a expressão individual de cada pessoa ao vestir as criações, mas os processos que elas valorizam: a sustentabilidade, os cuidados com o meio ambiente, os rituais de produção. A marca Aluf fala muito bem desse universo. Além de um design de moda diferenciado e autoral, a marca busca questionar barreiras entre a moda, arte a psicologia e o mundo em que vivemos. A designer paraense Ana Luísa Fernandes é a mente criativa. Suas roupas e acessórios têm alma, comunicação e muita atitude. www.aluf.com.br

www.sohohouse.com

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CONCEITO

Norma Kamali - R$ 1.090

PatBo para Maria Dolores - R$ 659

Mixed - R$ 1.230

Lenny Niemeyer - R$ 298

Louis Vuitton - preço sob consulta

Oséree para Farfetch- R$ 1.810

Tão natural quanto a luz do dia… assim promete ser o verão. Tecidos em linho e algodão, palhas, cortiças, bordados. Artesania e handmade. Essa é a vibe que combinará com o sol. Cores lavadas, dourado reluzente, tons tranquilizantes (Paula Santana)

Adriana Degreas preço sob consulta Christian Dior - preço sob consulta

Sarah Chofakian - R$ 850

Gucci para Go Eyewear - R$1.800

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TETÊ COM ESTILO POR MARIA THEREZA LAUDARES mtlaudares@gmail.com – @mtlaudares

EM UMA MANHÃ QUENTE DE VERÃO, EMBARCO NO TREM PARA FLORENÇA. VISITAR A EXPOSIÇÃO L’ITALIA A HOLLYWOOD NO MUSEO FERRAGAMO SERÁ ENTRAR EM UM ESPAÇO QUE COMUNICA A ITALIANITÀ, QUE FALA DE ARTE E DE CULTURA.

UM POUCO DE FERRAGAMO... Salvatore Ferragamo, o designer de sapatos que dizia criar em seus sonhos viu sua carreira decolar junto com Hollywood. Ao deixar a Itália em 1915, o artesão italiano elegeu os Estados Unidos como destino. Sua primeira butique, batizada de Hollywood Boot Shop, na Hollywood Boulevard, estreitou os laços com o cinema e tornou-se o endereço preferido das estrelas e da alta sociedade. As estrelas da sétima arte, como Mary Pickford, Charles Chaplin, Joan Crawford e Rodolfo alentino, foram clientes fieis. “Me parece entrever um paralelo entre a indústria cinematográfica e a min a atividade , registrou erragamo em sua auto iografia. p s o tra al o, Salvatore frequentava aulas de anatomia no curso de ortopedia da Universidade da Califórnia como aluno especial. Sua contribuição na invenção de botas ortopédicas e aparelhos de tração para fraturas foram largamente difundidos no período pós-guerra. O atendimento proposto por Ferragamo era uma consulta personalizada que buscava oferecer o máximo

de conforto. Proporcionar experiência às suas clientes era para Ferragamo algo essencial e por isso foi o primeiro a expor suas criações em cima de mesas para que essas pudessem ser tocadas. Os calçados da marca têm até hoje três larguras diferentes para cada numeração, além de contar com o meio ponto. Salvatore Ferragamo considerava seu trabalho como uma obra de arte, sua capacidade criativa era igual a sua incansável busca pelo aprimoramento. De fato, ele foi o primeiro a ligar o nome de Florença, conhecida como a cidade das artes na Itália, ao mundo calçadista. Com Ferragamo nasce a referência do Made in Italy como símbolo de criação artística e produto bem feito. A inovação criativa de Ferragamo deixou um legado de mais de 13 mil modelos, mais de 300 invenções patenteadas e dois mil protótipos nunca elaborados.

A EXPOSIÇÃO L’Italia a Hollywood é uma exposição que nos leva aos Estados Unidos do início do século XX, focalizando a atenção no mundo das artes, do trabalho artesão e do espetáculo realizado por imigrantes italianos. A criatividade de Salvatore Ferragamo acompanha todo o percurso como o desenrolar de uma trama cinematográfica.

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A Exposição Universal de São Francisco (1915) é o ponto de partida com esculturas e pinturas que estiveram presentes no Pavilhão da Itália. O futurismo italiano também está aqui registrado em uma tela de Giacomo Balla. Em seguida, a exposi ão do figurino e o etos do filme italiano Cabíria, de Giovanne Pastrone, que deu origem aos temas romanos, servindo de referência para as produções épicas que caracterizam o cinema Hollywoodiano. Nos anos vinte do século passado, o cinema americano rece eu muitos imigrantes italianos que fi eram ist ria nas telas e atrás das câmeras. Conhecidos por sua habilidade gestual e facial, os italianos eram perfeitos para a expressão do cinema mudo. Em 192 , o filme Os Dez Mandamentos trouxe seus protagonistas calçados com sandálias assinadas por Ferragamo. A riqueza visual começava a tomar seu lugar nas telas. Se os imigrantes italianos avivam a fantasia nas telas do cinema, nos palcos a realidade se reafirma ina

Cavalieri e Enrico Caruso enchem os teatros com desenvoltura em cena e com suas vozes maravilhosas. Seres de exceção, Lina é considerada a mulher mais bonita da época enquanto Caruso se impõe como a voz mais bela de todos os tempos. Vindas do interior da Itália, as bandas, grupos musicais em que cada integrante toca um instrumento musical diferente, trouxeram um novo ritmo para a cena social, dando origem às music bands no jazz. Para fechar com chave de ouro, uma passagem pela reprodução da loja Hollywood Boot Shop, com seus sofás em veludo verde adamascado e mesas com pés dourados onde as criações originais da época fazem ril ar os ol os. aca amento refinado dos cal ados encerram em si a expressão de arte desse mestre que fez de seu sonho sua vida, de sua paixão, uma carreira e uma expressão cultural. L’Italia a Hollywood Museo Ferragam, Florença, Itália www.ferragamo.com

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CONCEITO

Sarah Chofakian - R$ 1.350

Alexa Chung

Prada - R$ 3.230 Gucci - R$ 7.780

Saint Laurent - preço sob consulta

Valentino - R$11.450

A temporada europeia dita o verão dos trópicos. Glitter, metalizados, paetês, veludos molhados, logomania e adornos estão na cena. O plastic incendiou as passarelas e não há como fugir desse fashionismo. As botas estão aí e, seja qual for o modelo, investir nas cores será trendy (Paula Santana)

Jimmy Choo - R$ 6.190

Salvatore Ferragamo - R$ 5.090

Dolce & Gabbana - R$ 4.900

Fendi - R$ 10.052 Chanel - preço sob consulta

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JOIAS Correntes e pendentes, Tiffany&Co. - preço sob consulta Brincos em ouro branco, turmalina paraíba e diamantes, ri t .

rincos em o ro ri t

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Gargantilha Doçura, Carla Amorim - R$11.840

Brincos em ouro e pérolas, Silvia Badra - R$ 2.100

TESOUROS REVELADOS Brincos, Miranda Castro preço sob consulta

Anel com ametista e brilhantes negros, Silvia Badra - R$ 2.700

Brincos Me Leva Diamante, Carla Amorim - R$ 32.640

Pulseira, Miranda Castro preço sob consulta

Aliança Doçura, Carla Amorim - R$ 8.930

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Os opostos devem se atrair. As joias se encontram quando pérolas e pedras se misturam. Quando a geometria e a assimetria invadem o set. Há o boho frágil, nativo, ingênuo. E o barroco tão sedutor que sempre encanta (Paula Santana)

Pulseira Gelati em malaquita, Bvlgari - a partir de R$ 11 mil

Pulseira Encontros, Carla Amorim - R$ 13.490

Anel em ouro 18k, diamante light brown e marchetaria borboleta em madeira paraju do campo, Silvia Furmanovich - R$ 24.800

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NEGÓCIO

ACESSÓRIOS DE LUXO SÃO ETERNOS. NA BUSCA POR MANTER SEUS BENS INTACTOS, KAROL CONILL DESCOBRIU UMA MANEIRA DE REVITALIZÁ-LOS. O ZELO TORNOU-SE UM NEGÓCIO POR THEODORA ZACCARA « FOTOS HELIO PERFEITO

A RESTAURAÇÃO T

ira-manchas, tira-tinta, spray antibateria, eliminador de odor, tinta acrílica, cobertura para couro, gloss finalizador e um cheiro forte de químicos no ar. O estúdio de 25m² no meio do quintal parece uma cabana de luxo. O espaço escuro de odor inebriante não denuncia o que o olho descobre quando as lâmpadas são finalmente acesas. Quando fez-se a luz… a choupana soturna ganhou nova vida. Penduradas nas paredes, apoiadas nas mesas, abertas sobre os balcões, logos das mais respeitadas marcas dividiam espaço com lixas, pistolas, pincéis. Chanel, Dior, Moschino, Prada, Louis Vuitton, Balenciaga, Burberry… “Tem bolsa aqui de quase meio milhão de reais”, conta a empresária Anna Karolina Conill, idealizadora da Detak, primeira bag spa da Capital Federal, que funciona desde junho de 2017. Aos 24 anos, Karol comanda o negócio que teve início como um hobby. “Comecei para recuperar as minhas próprias bolsas. Estava em Miami e conheci um produto de auto detailing chamado Ceramic Pro. Pensei que poderia usá-lo para limpar o couro”. O químico é um fluído para proteção dos bancos de couro e das latarias de carros de alto padrão. Karol mergulhou em cursos e

aulas especializadas em restauração. Em Miami, comprou os materiais para dar start ao projeto. Somente em 2018 recuperou cerca de 300 bolsas. Os serviços vão desde higienização do couro à revitalização de metais, passando pelo difícil e sempre laborioso trabalho de tingimento. “Tenho quatro pessoas que trabalham comigo, duas delas dedicadas exclusivamente ao processo de encontrar cores e tingir materiais”, revela Karol. “É uma clientela exigente, que está confiando peças caras, em valor financeiro e sentimental. Tem que ter muito cuidado e tato para lidar”. Em meio ao minucioso processo de tingimento, Karol muitas vezes deseja o aval de suas clientes para repaginar sem fronteiras os tesouros que chegam em suas mãos. “Em um futuro próximo quero investir em personalização”, revela. É um sonho que, sem perceber, a jovem vestiu na t-shirt que usava por cima da saia-lápis: “Keep dreaming, shine like a star, never give up” – em bom português, «siga sonhando, brilhe como uma estrela, nunca desista.”. Detak one: www.detakboutique.com Instagram: @detak.boutique

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SOCIAL

Exposição dos relógios da Panerai

Cerca de oitenta convidados seletos se reuniram no Lago Sul para apresentação do Bronzo, novo relógio assinado pela Panerai. O evento aconteceu na casa do empresário Bob Lima, embaixador da label italiana e parceiro de longa data de Diomedio Santos, dono da oal eria rasiliense rifit , que ao lado de Tatiana Januário e Margot Albuquerque, celebraram o lançamento com um almoço especial à beira da piscina assinado pelo buffet Due Amici. FOTOS CELSO JUNIOR

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Bob Lima, Diomedio Santos e Felipe Lima arcelo ra o e amigo se di ertem no almo o

Eduardo Lira, Bob Lima, Otávio Noronha e João Otávio Noronha

André Sales Braga e Bosco Braga

Inloon Lin, Diomedio Santos, Fábio Pohl e Osório Adriano

Luís Felipe, Luís Carlos e Luís Roberto Alcoforado e Flávio da Mata

Margot Albuquerque, Lilian Lima e Tatiana Januário Rafael Silveira, Conrado, Paulo, José Lavinas e Leonardo Ranña

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ARTE POR MAURÍCIO LIMA

mauricio@galeriaclima.com.br

COMO MONTAR UMA COLEÇÃO DE ARTE

O

bom hábito de colecionar arte parece, para muitos, algo distante e inatingível. Pode ser por simples falta de conhecimento de em quais artistas investir ou por achar que seria demasiado caro. Mas, ao entrar no mundo da arte, algo muda dentro da pessoa. A sua atenção se volta para as paredes das casas, as galerias e museus, transforma até a forma de se ver uma revista. Arte é onde tudo se inicia, ela desafia os padrões de pensamento. Os artistas parecem ter uma licença para sugerir o absurdo, o inimaginável e muitos desses pensamentos, com o passar do tempo, se integram na sociedade por meio da arquitetura, paisagismo, moda, design, música, poesia, literatura e muito mais. O primeiro passo é saber que existem vários tipos de trabalhos do mesmo artista. Os múltiplos são obras feitas em série, podem ser edições de cinco, sete, dez, cem, mil... Já os originais são obras únicas e, por isso, mais exclusivas e mais caras. Uma ótima alternativa de múltiplos para as paredes são as gravuras. É muito mais importante para uma coleção ter uma gravura de um bom artista do que um original de alguém desconhecido. Normalmente os originais valorizam mais que os múltiplos, mas a compra deles exige um investimento maior. O segundo passo é saber quais artistas comprar, algo que exige muito estudo ou a orientação de um marchand de confiança. Uma dica é não acreditar no discurso de que “esse novo artista é a grande promessa”. A vida de artista é muito difícil e a grande maioria desistirá da carreira ou passará a ter a arte como segunda ocupação. Ao comprar a obra de um artista novo, você estará fazendo um investimento de altíssimo risco, então é importante que você goste muito

da obra e que a preocupação com valorização seja secundária. Às vezes pode se ganhar muito. Já com os artistas consagrados o risco é menor, mas o valor do investimento é muito maior. E opte por comprar em galerias estabelecidas e conhecidas, uma vez que é um mercado que tem muita obra falsa. O mundo está cheio de oportunidades para começar uma coleção sem gastar muito. Gustavo Pérez Monzón, um artista cubano da geração dos anos 1980, hoje mora no México e dedica-se exclusivamente à arte. Grandes colecionadores dos EUA estão comprando suas obras que ainda têm um baixo preço. Esse é só um exemplo, mas existem muitas oportunidades no mercado. Busque orientação de um marchand e comece a colecionar, você vai amar.

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Divulgação

LEGADO

ntiga o cina de decora o

E

m algumas horas, o fogo tomou conta do número 1351 da Rua da Cantareira, no bairro do Bom Retiro, região cen central de São Paulo. Um incêndio de grandes proporções ocultou uma parte importante da história da capital paulista e, principalmente, da vida do Liceu de Artes e Ofícios. Foi em fevereiro de 2014. O galpão que abrigava o Centro Cultural da instituição, lugar de criação, de ideias, de arte, ficou tomado pelas cinzas. A replica em escala natural de David, famosa escultura do renascentista Miche Michelangelo, não brilhava mais como antes. “O incêndio veio de uma maneira traumá traumática, porém nos levou a uma retrospecção maior em relação ao que se espera desse espaço. Das cinzas, surgiu a vontade de transformar o local, mantendo-o, ainda assim, ligado à sua essência. Hoje, te te-

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Iara Morselli Visão do Liceu de Artes e Ofícios

PARA CELEBRAR 145 ANOS, O LICEU DE ARTES E OFÍCIOS GANHA UM CENTRO CULTURAL, ESPAÇO MULTIUSO PARA O DESIGN, QUATRO ANOS APÓS INCÊNDIO QUE DESTRUIU POR COMPLETO O LOCAL POR ROBERTA PINHEIRO

Divulgação

Fachada do antigo Centro Cultural

mos orgulho de poder brindar São Paulo com um centro cultural moderno, que vai se prestar muito para as próprias atividades da escola, para eventos culturais, sociais e abrigar ainda o acervo do Liceu”, comenta Livio de Vivo, presidente do Conselho do Liceu de Artes e Ofícios. No ano em que a escola comemora 145, ela entrega um espaço multiuso, voltado à celebração e reflexão sobre o Design, campo que dialoga diretamente com a sua história. É o Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios (CCLAO), situado no mesmo espaço onde funcionou entre 1980 e 2000 – o local tomado pelo fogo há quatro anos. O arquiteto Ricardo Julião assinou o projeto atual do espaço. Ele manteve as principais características arquitetônicas da construção. Ficaram o pórtico, os pilares e toda a estrutura metálica que antes servia de sustentação, mas, agora, é meramente decorativa. Apagado o fogo e retiradas as cinzas, o lugar volta a brilhar e as esculturas retornam ao ponto de destaque – das 28 peças existentes, seis já foram recuperadas. Entre elas, uma réplica da Pietá, também do italiano Michelangelo. GPSLifetime « 209

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BOAS-VINDAS Para reabrir as portas do Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios, foram montadas duas exposições inéditas: História e Memória, que destaca a relevância da instituição enquanto referência em ensino técnico profissionalizante, e Design Brasil Século XXI, mostra que reúne mobiliário e objetos criados sob o preceito da sustentabilidade, com obras de grandes nomes do design brasileiro. A curadora Denise Mattar é a responsável pela programação. Seu projeto divide-se em três tempos: o Ontem, o Hoje e o Amanhã. A escolha do tema veio da essência da escola. Os produtos de marcenaria e serralheria do Liceu sempre foram conhecidos pela qualidade técnica e artística e estão inseridos nessa área. “Uma das características da produção criativa de designers brasileiros está no fazer experimental, artesanal, sem atingir necessariamente um patamar industrial, situando-se na sua imensa maioria no imbricamento entre Artes e Ofícios”, pontua a curadora.

Em História e Memória, o visitante poderá acompanhar toda a trajetória e os fatos marcantes do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Com centenas de fotos e documentos, a linha do tempo parte de 1873, data da fundação da Sociedade Propagadora de Instrução Popular, organização que deu origem à instituição. “Do Teatro Municipal, o Liceu executou o mobiliário, poltronas e cadeiras de todas as dependências; confeccionou as tapeçarias e cortinas, assim como as decorações em estuque, bronze artístico e ferro batido. Do Masp, todas as esquadrias foram executadas também pelos alunos do ensino técnico. O Monumento a Duque de Caxias, escultura de proporções monumentais desenhada por Victor Brecheret e instalada na Praça Princesa Isabel, no centro da cidade, é outro filho do Liceu. A estátua, em bronze patinado, foi fundida nos galpões da instituição, além destes, a Catedral da Sé também foi feita em grande parte por alunos/profissionais da escola. Podemos citar ainda o Palácio do Café, Tribunal da Justiça, Banco do Brasil da Rua XV de Novembro, Edifício Altino Arantes (antiga sede do Banespa), Faculdade de Direito da USP (largo São Francisco), Casa Palmares e muitos outros”, enumera Livio de Vivo. Já em Design Brasil Século XXI, curada pela designer Fernanda Sarmento, o foco está na produção contemporânea e sua relação com a sustentabilidade. Os projetos expostos apresentam soluções que visam reduzir os impactos ambientais nas diversas etapas do processo, da elaboração ao descarte de produtos e objetos. Ali, o público poderá conhecer trabalhos de nomes como Irmãos Campana, Marcelo Rosenbaum, Domingos Tótora, Inês Schertel, Baba Vacaro, Zanini de Zanine e Brunno Jahara. A mostra se divide em cinco categorias, que ilustram diferentes abordagens do processo criativo e de produção. “Pela excelência de um espaço cultural que se abre a São Paulo para servir aos alunos, não só do Liceu, mas das escolas de nossa e esde outras cidades do Brasil, ele es tará sempre ilustrado com peças e obras de nosso precioso acervo e cultuque se prestará a eventos cultu rais e educacionais em benefício, em especial, de nossa juventude, cuja formação e desenvolvimento sempre se inseriu entre os objetivos entidainstitucionais de nossa entida significade. Estão aí pontos significa tivos de como pretendemos conmanter nossas tradições”, con clui o presidente do conselho da instituição, Livio.

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MOVIMENTO

O EXTRAORDINÁRIO DA ART BASEL Fotos: Divulgação

In memory of George Dyer, por Francis Bacon

O MAIOR ENCONTRO ARTÍSTICO MUNDIAL CONVERGE A CULTURA DE CONTINENTES. BASEL, MIAMI E HONG KONG SÃO ANFITRIÕES DO QUE HÁ DE MAIS RELEVANTE NOS MOVIMENTOS MODERNISTAS E CONTEMPORÂNEOS. O BRASIL É SEMPRE PRESENÇA ESPERADA POR ROBERTA PINHEIRO

“É

a hora de ‘abrir o cofre’”, define Thiago Gomide, sócio e diretor da galeria paulista Bergamin & Gomide, sobre a curadoria para a Art Basel. Em junho de 2018, na 49.º edição da Art Basel, em Basel, na Suíça, a galeria integrou pela primeira vez o setor principal da mais importante feira de arte do mundo. “A maioria das galerias guarda as obras mais relevantes para levar ao evento. A feira em que todos os museus vão, os grandes colecionadores dos Estados Unidos e Euro-

pa também. É muito competiti competitivo. É difícil de entrar e fácil de sair”, complementa. Este ano, o espetáculo das públiartes visuais atraiu um públi co de quase 95 mil pessoas. Ao todo, participaram da Art Basel na Suíça 290 galerias de 35 países, apresentando extraordinárias obras con contemporâneas e modernas de mais de quatro mil artistas. Por lá passaram instituições de arte como o Centro Ge Georges Pompidou, de Paris, o Museu de Arte Moder Moderna, de Nova York, o Tate Modern, de Londres, e o Museu Solomon R. Gu Guggenheim, também da  da Big Apple.

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Patches de Daniel Arsham: Bugs bunny, Mario mushroom, Eroded Bart Simpson e Tweety

“É DIFÍCIL DE ENTRAR E FÁCIL DE SAIR”, Thiago Gomide

Com foco em artistas brasileiros e estrangeiros do período Pós-Guerra, a Bergamin & Gomide levou obras de Sergio Camargo, Lygia Clark, Raymundo Colares, Geraldo de Barros, Léon Ferrari, Anna Maria Maiolino, Roberto Matta, Manolo Millares, Hélio Oiticica, Arthur Luiz Piza, Mira Schendel, Jesús Rafael Soto, Antoni Tàpies e Rubem Valentim. O destaque ficou por conta do trabalho Bicho Linear, da série Bichos (1960), de Lygia Clark. Criada um ano depois do Manifesto Neoconcreto (1959), a escultura geométrica é articulada em alumínio. Adentrar no Messe Basel, construção que abriga a feira, é uma verdadeira imersão no mundo ar-

tístico contemporâneo, onde, apesar das peculiaridades e diferentes origens, todos falam a mesma língua: o amor à arte. Saindo de Zurique, em 1992, para fincar raízes em sete cidades entre a América, o Reino Unido e Hong Kong, a Hauser & Wirth levou para Basel nomes históricos do século XX. Entre os artistas em exposição, estavam o surrealista Francis Picabia, o pintor abstrato Arshile Gorky e o revolucionário Piero Manzoni. Outra que expandiu sua atuação entre Seul, Hong Kong, Xangai e Tóquio e marcou presença na feira é a parisiense Perrotin. Em Basel, a galeria apresentou obras do escultor Daniel Arsham, que brincam com ícones da cultura popular, como Bart Simpson e o Piu-Piu. A Art Basel reserva um espaço para trabalhos de dimensões monumentais. É o Unlimited – o setor é um dos mais movimentados e expressivos. Nele, as galerias têm a oportunidade de mostrar instalações, projeções de

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Fotos: Divulgação

ying g re or rancis acon

vídeo, pinturas, murais fotográficos e performances que transcendem. Em Basel, o curador da área pelo sétimo ano consecutivo foi Gianni Jetzer, do Hirshhorn Museum e Sculpture Garden, em Washington. Ele selecionou 71 obras. Um nome bastante recorrente nas edições da feira é o chinês Ai Weiwei. Com seu tom político retratando questões da condição humana, ele apresentou na Unlimited a obra Tiger, Tiger, Tiger, de 2015. São 3.020 vasos de porcelana quebrados, que representam a resistência da memória cultural e, neste estado fraturado, sua fragilidade. A instalação geométrica feita por fios de Lygia Pape também ganhou destaque. As linhas da artista delineiam volumes e obtêm efeitos visualmente poderosos,  cobrando do espaço uma noção do indefinível, do imaterial. Os tecidos do afro-americano Sam Gilliam também extrapolam os limites da bidimensionalidade. Feitos especialmente para a feira, comprimentos de tecido manchados são suspensos e ficam semelhantes a labirintos. A brasileira Nara Roesler levou para este setor a performance de Paul Ramirez Jonas. Em Fatos Alternativos, de 2017, o artista questiona o significado relativo e a pluralidade da verdade.

BRASIL

Achrome, por Piero Manzoni

A cada ano a presença brasileira no mercado internacional de arte cresce. “A participação brasileira na feira é muito boa. Temos cinco importantes galerias. Acho que é uma presença sólida mais importante em relação aos países latinos. Se houver oito ou nove galerias latinas, cinco são brasileiras”, comenta Thiago Gomide. A Art Basel teve início em 1970, com os galeristas Ernst Beyeler, Trudi Bruckner and Balz Hilt. No ano inaugural, a feira atraiu mais de 16 mil visitantes que viram os trabalhos apresentados por 90 galerias de 10 países. Em 2002, foi a vez de Miami receber o evento. Já em 2013, a Art Basel lançou-se em Hong Kong e metade dos expositores vieram da Ásia e da região da Ásia-Pacífico. “O que mais me surpreende na Art Basel é a qualidade. Desde a seleção das galerias até a organização, logística, arquitetura, programação visual”, finaliza o galerista Thiago Gomide. Art Basel Miami Beach 6 a 9 de dezembro de 2018 Art Basel Hong Kong 29 a 31 de março de 2019

Still life, por Arshile Gorky

Art Basel Suíça 13 a 16 de junho de 2019 www.artbasel.com

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FESTIVAL

AFINIDADES AFETIVAS HOMENAGEADA NA 33ª BIENAL, A GOIANA LUCIA NOGUEIRA FOI UMA DAS GRANDES ESCULTORAS MUNDIAIS ATÉ SUA MORTE. O EVENTO APRESENTA PROJETOS INDIVIDUAIS E MOSTRAS DISTINTAS, RETOMANDO O MODELO CURATORIAL ABERTO POR ROBERTA PINHEIRO

“À

rânea –  Ana Maria Pacheco. O que seria uma viagem de poucos dias, acabou se estendendo por toda a vida. Ela começou uma pós-graduação em História da Arte Inglesa e, nas horas vagas, era assistente de fotografia de Henri Cartier-Bresson. Ali, sua trajetória linear saltava para o universo da arte propriamente dito. Posteriormente, Lucia estudou na Chelsea School of Art e na Central School. Por muitos anos, dedicou-se à pintura. Paralelamente, produzia joias. A artista era capaz de

Fotos: Divulgação

s vezes, penso que meu trabalho é todo sobre lacunas. Você tem uma rotina linear em sua vida que continua e, de repente, algo acontece e quebra a linha. Acho que meu trabalho está muito ligado ao que ocorre quando a linha é fraturada”, definiu Lucia Nogueira. De Goiânia, Lucia se mudou para Brasília para estudar Jornalismo na Universidade de Brasília (UnB). Aos 23 anos, chegou a trabalhar na sucursal do jornal O Estado de São Paulo, mas descobriu a paixão pela fotografia e, com a câmera, viajou o mundo. Morou em Washington, nos Estados Unidos, e depois chegou na Inglaterra, em 1975. Em Londres, Lucia foi recebida por uma artista conter-

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onto nal

Monossílabo

agregar valor e trabalhar, como pedra preciosa, uma tampa de garrafa de champagne. Esse contato e a linguagem tradicional foram enveredando para uma nova forma de expressão: a escultura. Aos 48 anos, contudo, o caminho de Lucia foi interrompido. A linha da vida da artista quebrou e ela faleceu em 1998. Até então, já tinha se tornado uma das vozes mais individuais da escultura na Inglaterra. Suas esculturas se envolvem com o espaço e conduzem a imaginação do espectador em um jogo conceitual perturbador. O trabalho de Lucia, entretanto, só veio a ser amplamente falado no Brasil este ano, com o anúncio dos artistas homenageados na 33ª Bienal de São Paulo. E toda essa história faz parte do relato de um dos seus irmãos: Leonam Fleury, artista plástico goiano. “A Lucia começou a trabalhar um pouco mais velha e teve uma carreira muito rápida. Chegou a ser reconhecida e despontou no universo da arte inglesa. Por sorte, não teve a trajetória interrompida, porque o marido dela é galerista em Londres e guardou todas as obras para expor”, conta Leonam. No Brasil, a Galeria Leme expôs as pinturas da brasileira em 2008. Contudo, o

Mischief

trabalho pelo qual se destacou será visto pela primeira vez a partir de setembro em solo tupiniquim. “Nos anos 1990, cheguei a sair com ela na rua para acompanhar essa parte da coleta. Ela pegava tapetes e luminárias antigas e, em seguida, desmontava aquilo e refazia o material. Lucia Nogueira é um dos três artistas já falecidos que serão homenageados na Bienal: além do guatemalteco Aníbal López e do paraguaio Feliciano Centurión. O curador Gabriel Pérez-Barreiro selecionou projetos comissionados de oito artistas – Alejandro Corujeira, Bruno Moreschi, Denise Milan, Luiza Crosman, Maria Laet, Nelson Felix, Tamar Guimarães, Vânia Mignone, além de uma série icônica de outro goiano, Siron Franco. “O Siron é um artista que acompanho há quase trinta anos. A Lucia não conheci pessoalmente. Por coincidência, são dois artistas goianos. Acho que o Siron é um dos grandes artistas brasileiros, e a série que vai ser mostrada na Bienal, Rua 57, foi feita para responder a catástrofe do césio em Goiânia em 1987. Para mim, é das séries mais importantes de arte política/social das últimas décadas”, explica Gabriel.

CÉSIO-137 Há 32 anos, uma rua de Goiânia ganhou notoriedade nas manchetes dos jornais mundiais. Era o acidente radiológico de maior proporção no Brasil e que ficou conhecido como acidente com o césio-137. Vizinho da rua, onde tudo teve início, o artista Siron Franco começou a desenhar o que havia ocorrido para mostrar aos jornalistas estrangeiros. “Como disse o Ferreira Gullar, a série nasceu do espanto. A imaginação e o medo conduziram aquele momento. Parecia que estávamos em transe. Naquela época, tínhamos medo de uma guerra nuclear. Era período da Guerra Fria. Cheguei a trabalhar 20 horas por dia num relato de guerra”, relembra Siron.

As obras, simultaneamente, mesclam lamentação, questionamento, revolta, denúncia, perplexidade, atitude, engajamento, diante da contaminação de um lugar íntimo e público apossado pela iminência do perigo e coberto pela sombra da morte. “O trabalho mudou minha pintura. Ele conseguiu se sustentar esteticamente não só pelo fato real, mas como linguagem, ficou provado. Faz parte de uma comunidade que se revoltou contra a ignorância da má informação”, comenta o artista. Apesar de ser um veterano quando o assunto é bienal, ainda bate GPSLifetime « 217

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um frio na barriga. “É uma honra participar e também um medo. Tenho certeza que eu sou uma pessoa de sorte, mas eu não tenho certeza se tenho talento”, conclui.

MEDIADOR Como curador, o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro considera que seu papel é, principalmente, de mediação. Não à toa, ele optou, este ano, por um modelo alternativo ao uso de temáticas, privilegiando o olhar dos artistas sobre seus próprios contextos criativos. “Resolvi inverter a relação curador-tema-artista, trazendo estes últimos para o centro do projeto e dando-lhes real autonomia na curadoria, por sentir um certo esgotamento do modelo de tema ímpar." Sendo assim, a 33ª Bienal não será uma exposição única. O pavilhão estará composto por 12 projetos individuais escolhidos por Gabriel e sete mostras diferentes com curadoria de artistas. São eles: o uruguaio Alejandro Cesarco, o espanhol Antonio Ballester Moreno, a argentina Claudia Fontes, a sueca Mamma Andersson, a americana Wura-Natasha Ogunji e os brasileiros Sofia Borges e Waltercio Caldas. "Eu tinha em mente que queria chegar a um número de cinco a dez artistas, na proporção de 1/3 de brasileiros, 1/3 de latino-americanos, e 1/3 de outras nacionalidades. Defini sete nomes, que foram convidados a curarem sete mostras."

GABRIEL PÉREZ-BARREIRO Como você vê a Bienal em um momento em que a arte está, de certa forma, mais política e também ganhando o noticiário pela censura?

Às vezes, nos esquecemos de que a arte sempre teve uma relação tensa com a sociedade. A arte (boa) sempre questiona os limites do nosso conhecimento, e por isso às vezes não é compreendida por todos no início. Não é coincidência que as plataformas de mídias sociais venham mudando de forma radical o modo pelo qual compreendemos a realidade. A arte é um meio ideal para indagar e expandir nossas relações e fundamentos. iste ma reoc a o com a

est o da orma o de

blico

Outra característica interessante da Bienal de São Paulo é que ela praticamente desde seu início teve uma missão educativa. Isso posto, nesta edição eu tive a preocupação de criar experiências que permitam ao indivíduo experimentar a arte de maneira não linear ou redutiva, o que só se pode efetivar totalmente com a adesão da plataforma educativa e a disposição do espaço físico

ao projeto curatorial. O material educativo, em vez de trazer informações sobre obras ou sugerir atividades, desacelera a experiência da observação. Qual o diferencial da Bienal de São Paulo para as outras ao redor do mundo?

A Bienal de São Paulo tem uma posição única entre as bienais em termos de idade e continuidade, e é uma instituição completamente autônoma, não dependendo da cidade, governos nacionais ou estrangeiros, ou de um único patrocinador. Considero a bienal uma espécie de laboratório para testar diferentes hipóteses relacionadas com a arte contemporânea. Afinidades afetivas é o título da Bienal deste ano. Qual a importância e o papel do afeto no mundo hoje?

O título desta Bienal reúne duas fontes: o romance de Goethe Afinidades Eletivas (1809), no qual ele traça um paralelo entre como as pessoas ligam-se umas às outras e como os elementos químicos se conectam e reagem entre si, e a tese “Da Natureza Afetiva da Forma na Abra de arte” (1949), de Mário Pedrosa. A palavra “afeto” significa influenciar ou mudar na psicologia visual. O que quero recuperar com esse modelo curatorial aberto é justamente esse aspecto da construção da experiência individual em uma exposição. A partir da diversidade e não da uniformidade. Esse é o papel do afeto no mundo hoje: possibilitar e construir relações e espaços comuns em meio à diferença. 33ª Bienal de São Paulo Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera, São Paulo (SP) De 7 de setembro a 9 de dezembro de 2018 Entrada gratuita www.bienal.org.br

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CRIADOR Fotos: Divulgação - Cortesia Itaú Cultural

GERMAN LORCA

O ESPETÁCULO DO COTIDIANO

EM PLENA ATIVIDADE AOS 96 ANOS, O FOTÓGRAFO GERMAN LORCA FOI O GRANDE HOMENAGEADO NA SP-ARTE/ FOTO. SÃO SETE DÉCADAS COM IMENSO LEGADO DE IMAGENS DOCUMENTAIS, PUBLICITÁRIAS E ARTÍSTICAS POR ALINE VESSONI

O

ditado “em casa de ferreiro o espeto é de pau” definitivamente não foi feito para a família Lorca. Se antigamente uma temporada inteira de férias cabia em apenas um filme de 36 poses, com os Lorca era um pouco diferente. “Por ser fotógrafo, o pai sempre levava muitos filmes quando viajávamos. E, a cada parada, nós já perguntávamos ‘mas, pai, vai parar de novo?’”, recorda José Henrique Lorca, o filho mais novo do fotógrafo German Lorca. Como ele resolveu seguir a mesma profissão que o pai, também viu seus filhos fazerem a mesma pergunta toda vez que ameaçava parar o carro na estrada. “Fotografar, muitas vezes, não pode ser feito rapidamente”, diverte-se. Assim que os filhos de German Lorca com a dona Maria Isabel começaram a nascer – eles tiveram três –, o pai sentiu a necessidade de registrar as cenas fofas da infância e, foi dessa maneira que, o contador paulistano passou de um fotógrafo autodidata a um dos mais importantes nomes da fotografia brasileira. “Queria registrar a vida das crianças. Comecei a fotografá-los, eternizar aqueles momentos e me apaixonei pela fotografia. Acabei entrando de corpo e alma”, conta.

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Rio Pinheiros, 1970

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“RETRATO DE CELULAR É IGUAL A UM RETRATO DE MÁQUINA DE FILME. SÓ QUE MAIS RÁPIDO”

asas de enedo efle o

Em 1940, Lorca se formou em Ciências Contábeis pelo Liceu Acadêmico, mas exerceu por poucos anos a contabilidade. “Desde 1945, eu penso em fotografia”. Alguns anos depois integraria uma das associações de fotógrafos mais expressivas do País, o famoso Foto Cine Clube Bandeirantes. Ao lado de tantos outros talentos, como José Yalenti, Thomas Farkas e Geraldo de Barros, Lorca foi um nome importantíssimo para mudar a cara da produção fotográfica no País e para que o experimental se transformasse em moderno. Registrou São Paulo com uma sensibilidade irretocável, tanto que, em 1954, foi o fotógrafo oficial das comemorações do quarto centenário da capital paulista. Trabalhou sobretudo com publicidade, sem deixar de lado a delicadeza para produzir imagens cotidianas, documentais e arte. “Se minha incumbência é uma foto documental, ou se saio para fazer um serviço de arte, vou fazer... Eu nunca tive preferência. Quando eu acho algo interessante, um momento especial, eu fotografo. Eu capto o momento”, explica.

Pipas, 1997

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Liquidação Mappin, 1960

Largo São Francisco, 1954

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Parque Dom Pedro, 1949

NÃO PARA, NÃO PARA, NÃO PARA

À procura de emprego, 1948

Apenas dois anos antes dessa conversa acontecer, Lorca esteve em Nova York com o filho José Henrique, para complementar um ensaio que ele fizera da cidade. Dessa vez, a metade colorida do trabalho foi feita com câmeras digitais, enquanto as imagens em preto e branco foram captadas em película. “Fotografo como se fosse analógica, é o hábito. São 50 anos fotografando com máquina analógica, mas o resultado também é muito bom”. Talvez, Lorca nunca tenha deixado de apertar o disparador por se tratar de uma paixão, mas principalmente porque estamos diante de uma pessoa que compreende os avanços do tempo em que vive. “É a modernidade que está desenvolvendo. Faz parte do progresso, do desenvolvimento das técnicas da fotografia e da arte. Então, a gente tem que acompanhar”, orgulha-se, reafirmando rapidamente que 224 « GPSLifetime

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“É UMA MEMÓRIA CONSTANTE... TODO MUNDO GOSTA DE SER FOTÓGRAFO”

Pickup Jeep girafa, 1962

aderiu ao digital também. Outro exemplo é que, em 2017, ele fez um projeto em que retratou diversos amigos com o celular. E gostou da experiência. “Retrato de celular é igual a um retrato de máquina de filme. Só que mais rápido”, analisa. Se teve fotógrafo saudosista que chorou o fim dos filmes e das revelações caras em laboratórios e consideraram um erro a popularização da arte fotográfica, Lorca, pelo contrário, achou fascinante. “Todo mundo gosta de ter uma recordação de um momento que fez parte de sua vida. Gosta de ter a imagem para lembrar da viagem, do

parente, do amigo. É uma memória constante. Quando se olha o retrato, lembra-se do momento vivido.  Todo mundo gosta de ser fotógrafo”. Esta resignação – usado aqui como sinônimo da capacidade de aceitar aquilo que não se pode mudar – certamente ajudou-o a chegar aos 96 anos com um pique de dar inveja. Desde a morte de sua companheira, Lorca vive sozinho, faz seu próprio almoço e vai ao estúdio do filho dia sim, dia também. “Eu sou muito agitado, não posso ficar muito tempo em casa”. A longevidade e a lucidez, para ele, têm explicação no atleta que foi durante toda sua vida: na natação que praticou até os 85 anos – chegou a fazer a travessia de São Paulo a nado, quando o rio Tietê ainda era limpo –, no atletismo também e na caminhada, que pratica diariamente no quintal de sua casa, depois de ter levado alguns tombos em um parque próximo. “Eu mesmo cozinho, mas quando vou comer fora, procuro comer saudavelmente. Nunca fui de beber muito, na verdade, agora que bebo

Moda Masp, 1978

Jeep futebol, 1959

um pouco de vinho. E também nunca fumei”, finaliza. GPSLifetime « 225

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REFÚGIO

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Divulgação

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arra de São Miguel, Alagoas – Refúgio define bem a sensação que o Kenoa provoca quando a decisão é desembarcar a 30 quilômetros de Maceió para o escape do caos urbano. Para ser literal, o resort é o retiro onde corpo e mente tornam-se protagonistas de uma atmosfera absolutamente natural, acolhedora e sofisticadamente rústica. A alcunha eco-chic design resort  não integra um grupo hoteleiro de alto-garbo. Pertence ao engenheiro português Pedro Marques, que decidiu construir um hotel sob a perspectiva de um hóspede, mas com todas as referências primorosas do segmento. A partida foi a essência do conceito de luxo de seu criador: a relação entre o homem, a natureza e os anseios de simplicidade, privacidade e conforto. O premiado arquiteto alagoano Osvaldo Tenório foi quem recebeu a missão de transformar esses ideais em realidade, onde o mar em seu estado bruto se encontra com a vasta reserva da Mata Atlântica. Pois foi nessa obra-prima da natureza que surgiram 23 acomodações entre suítes e villas, todas com vista para o mar. A conciergeria, vale dizer, faz-se presente a todo instante, quase decifrando desejos, sem ser intrusiva. GPSLifetime « 227

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Fotos: Divulgação

As formas arquitetônicas do Kenoa trazem a fachada em reboco rústico amparados por elegantes troncos de eucalipto reflorestados, muros de pedras artesanalmente talhadas e telhados em piaçava. Em suma: a origem africana adaptada à brasilidade do nordeste. E como é bonito... “Estive envolvido em cada passo, decisão e detalhe de construção do resort. Por isso, é uma jornada muito pessoal”, pontua Marques. A paixão do construtor  também originou o caráter sustentável, que inclui o uso de materiais reciclados, madeira recuperada e luzes de LED. “Acredito piamente na ideia de que é possível ter uma estrutura de alta categoria e ecologicamente correta,” diz. Todos os plásticos são proibidos e nos bastidores é mínimo o uso de eletricidade. O respeito pela presença no habitat nativo também se reflete na consciência social. Marques utiliza artesanato local e investe alto em treinamento da comunidade. O hóspede inevitavelmente se desconectará. Não há outra opção. Neste santuário a palavra de ordem é desfrutar. Tudo ali é delineado para que essa sensação aflore. O spa da Caudalie traz terapias, rituais, massagens. A especialíssima cozinha de César Santos no restaurante suspenso de frente para o mar harmoniza iguarias regionais com a culinária internacional. E na adega é possível escolher pessoalmente o vinho e degustá-lo reservadamente no local. As vilas são espetaculares. Piscina privativa de borda infinita frente-mar e banheiro com mata interna projetam a natureza para dentro do ambiente. A música tem a preferência do hóspede, assim como todos os amenities. E, claro, os mais envolventes lençóis de algodão egípcio. A confirmação do paraíso, no entanto, dá-se logo que a área de lazer invade os olhos. As águas turquesas se encontram com as contemporâneas piscinas gêmeas de 38 metros, cuja parte delas se remete a um aquário com seus vidros transparentes. Um toque de mestre. O Kenoa é assim… o cantinho perfeito e inesquecível na Praia do Gunga. Do lado esquerdo, mar aberto e praia deserta até a chegada na famosa Praia do Francês, a cinco quilômetros de distância. À direita, uma longa barreira de recifes que amansa o mar, formando uma convidativa piscina natural. Em meio a toda essa maravilha, um vasto manguezal intocado, de onde se origina a Lagoa do Roteiro, o que nos certifica de que o Kenoa sempre será uma experiência a ser descoberta. Haja vista as recentes premiações do setor contempladas por experts dos Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra e Portugal. www.kenoaresort.com

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GOL APRESENTA

TIPS FOR FLORIDA BY FLAY LEITE

contato@flayleite.com.br – Instagram: @flayleite

MAIOR MALL DOS EUA SERÁ EM MIAMI

Miami se prepara para erguer o maior shopping da América, com mais de meio milhão de metros quadrados. Baseado nos moldes do Dubai Mall, o Miami American Dream mistura comércio com parque temático. Construído nos arredores do parque Everglades, o espaço contará com 1.400 lojas, um hotel de dois mil quartos, lago submarino, parque aquático, espetáculo permanente do Cirque du Soleil, além de uma pista de esqui com a altura de um edifício de 16 andares. Ansiosos? www.americandream.com

STRIKE A POSE!

O Wynwood Walls é parada obrigatória nos melhores roteiros de viagem por Miami. O distrito completamente instagramável é uma galeria de arte a céu aberto e já expôs o trabalho de mais de 50 artistas de 17 países. Claro que com essa imersão na street art é impossível não tirar fotos maravilhosas e que mereçam muitos likes. nde:

NEWEST DOLCE&GABBANA

Os couturiers Domenico Dolce e Stefano Gabbana decidiram levar a essência italiana do spot preferido da dupla em Milão, o Teatro Alla Scala, para o Miami Design District. A fachada da maison tem folhas de vidro onduladas que lembram as cortinas do palco do teatro milanês. Além disso, há estátuas de mármore espalhadas pelos dois andares. Detalhes relembram cenas de óperas.

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MIAMI FASHION FILM FESTIVAL

Quem gosta de moda vai adorar a sexta edição do MFFF. Serão exibidos filmes maravil osos e questionadores, envolvendo história, suas labels e seus criadores. Paralelamente, vão acontecer workshops onde profissionais da fashion industry e veteranos do cinema vão passar dicas fervilhantes de suas áreas. Fique por dentro da programação completa no site do imperdível festival. www.miafff.org

www.dolcegabbana.com

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DÉCOR MILLENIUM Procurando hospedagem sofisticada asa Faena oferece ambiente histórico e acolhedor por aproximadamente USD159, a diária. O charmoso spot está localizado a menos de um quarteirão da praia de Miami Beach e o melhor: guests podem desfrutar da área de lazer do magn fico otel aena, incluindo praia exclusiva, serviços de spa revigorantes, culinária internacional, biblioteca e teatro. www.faena.com/casa-faena/pt-br

UNICORN ICE

E para os dias quentes: sorvete! A opção mais criativa e divertida fica por conta da Tai a i , vinda recentemente de New York para Miami com proposta l dica e deliciosa. uma surpresa pedir o cone com orelhas e chifres de unicórnio sobre waffle com formato de peixe ou o milkshake que vem servido em uma mini boia de piscina. www.taiyakinyc.com

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CINEMA DE LUXO

Silverspot será o maior cinema de luxo em Miami. Poltronas reclináveis, dinner service com opções veganas e vegetarianas, carta de vinhos selecionados e bar completo são alguns dos assets mais fortes da casa. Mais ainda: quando a segunda fase do projeto for completada haverá seis andares para alo ar, além dos filmes, musicais, pe as vindas da Broadway e concertos. Bravo! www.downtownmiami.silverspot.net

PUTTING ON MAKEUP Para compras de produtos e acessórios de beleza em Orlando, não deixe de ir na Ulta Beauty. A multimarca é considerada uma das maiores da Flórida, os preços dos produtos costumam ser atraentes e a loja trabalha com diversas labels famosas, entre elas a r an eca , enefit e x.

LUXURY ORLANDO RESORT

Nada melhor do que poder descansar dentro do Walt Disney World. Sinônimo de bem-estar, o Four Seasons Orlando recebeu o AAA Five Diamond Award, reconhecimento conquistado graças a sua decor, gastronomia internacional e serviço primoroso. Desfrute do serviço de spa revigorante, do tranquilo clube de golf, aproveite o cine-in – cinema na piscina, a vista exclusiva dos quartos para a queima de fogos nos parques e um jantar inesquecível no rooftop. www.fourseasons.com/br/orlando

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VIAGEM

A BORDO DO SELETO NAVIO CRYSTAL SERENITY, OS MELHORES SPOTS EUROPEUS ENTRE ITÁLIA, FRANÇA E ESPANHA POR FLAY LEITE – ENVIADA ESPECIAL

EXPERIÊNCIA GLOBETROTTER

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editerrâneo – Malas prontas e segue mais um carimbo no passaporte! A Revista GPS passou três semanas pelos hot spots mais incríveis da Europa. O tour começou a bordo do navio Crystal Serenity, da Crystal Cruise – companhia considerada a melhor do mundo pelas revistas Travel + Leisure e Condé Nast Traveler. O cruzeiro seguiu o roteiro de Civitavecchia, província de Roma, até a cidade francesa de Marselha. A embarcação é a maior da companhia e tem capacidade para receber 1.080 hóspedes. As suítes em tamanhos inacreditáveis, sendo algumas com sala de jantar e serviços diferenciados, como um mordomo à disposição. Além de uma hospedagem intimista, o Serenity proporciona ao viajante saborear o melhor da alta-gastronomia, em especial, nos jantares que apresentam menus

com curadoria. Em alto mar, é possível desfrutar as especialidades do spot japonês mais famoso do mundo, o Chef Nobu, comandado pelo renomado Nobu Matsuhisa. Antes de embarcar, alguns dias em Roma e um passeio pela La Rinascente, galeria de luxo italian; Zuma Restaurant, spot badalado que fica ao lado do prédio da Fendi; e, claro, o Taverna Trillussa, conhecido mundialmente pelos pratos trufados. Mais um spot para anotar no roteiro é o Pierluigi, que existe desde 1938 e tem como especialidade frutos do mar, frescos e que ficam à disposição para a escolha do cliente – lagosta, camarão, polvo, lula, entre outros. Depois de os frutos do mar serem selecionados, o chef prepara na hora as delícias. Crystal Cruises www.crystalcruises.com

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STEP THREE STEP TWO

STEP ONE

Pisa, a província italiana na região da Toscana é conhecida em todo o globo pela torre “inclinada”. Lá, geralmente os restaurantes turísticos não têm pratos atraentes ao paladar. Tal realidade não acontece no Ristorante Toscano II Steak House, que tem uma bolonhesa maravilhosa. Buon appetito!

Nice, cidade francesa situada na famosa Côte D’Azur, região mediterrânea a 30 quilômetros da fronteira com a Itália. Caso não queira ficar em ice, em meia ora, o tour pode se estender a Cannes, cidade charmosa e sofisticada, com a aura medieval. ra pacata, ora badalada, não tem como negar que o glamour habita em Cannes, sede do célebre festival cinematográfico, época em que a cidade ferve de celebs.

aint Trope pode ser definida como um oásis de charme francês. Localizada a 100 quilômetros de Nice, a vila é o jetset favorito de celebs internacionais, que deixam seus luxuosos iates amarrados no porto e seguem para festas noites adentro. A melhor pedida é passar o dia no Club 55. Superbadalado, o hot spot é o queridinho das celebs durante o verão europeu. Além do serviço de praia com cadeiras, guarda-sol e garçons, o sunset tem um restaurante à beira-mar fantástico. Dá para ficar na areia, tomando um sol, acompan ado de uma taça de vinho rosé – bebida típica da região – e degustar pratos deliciosos ao som de uma boa música.

STEP FOUR

Ibiza. Dentre os beach clubs na ilha, o mais famoso e badalado é o Blue Marlin. Situado na Baía de Cala Jondal, o hot spot representa bem o estilo vip de Ibiza. Além de ter DJ’s tocando os hits do momento durante todo o dia, o sunset oferece o servi o oficial de táxi aquático para transportar os clientes de seus iates particulares até o bar do club, conhecido por ter os drinks mais autênticos do mundo.

STEP SIX

Mônaco, ao sul da França, famosa pela Fórmula 1. Mas, fora o campeonato, o cassino do distrito de Monte Carlo é considerado a maior atração do local. Apontado como um dos melhores do mundo, a clássica casa de jogos foi construída em 1863 pelo mesmo arquiteto da Ópera de Paris, o renomado Charles Carnier. Diante de tanto luxo e beleza nos diferentes ambientes do hot spot, fica dif cil prestar atenção nas máquinas de jogos.

LAST STOP

Depois de completar o roteiro do cruzeiro e desembarcar em Marselha, o próximo destino foi a Cidade Luz. Em meio ao charme parisiense, o restaurante peruano Manko, na Avenue Montaigne, tem se tornado o queridinho dos turistas. O spot de ar intimista é comandado pelo chef Gaston Acurio, que mistura a culinária peruana com um toque francês. Apetitosos, os ceviches são a especialidade da casa. Além das delícias, após a meia-noite, o spot se transforma e tem um show de cabaré. Fantástico!

STEP FIVE

Barcelona, o must go é o Boca Grande. Com o menu da alta-gastronomia, o restaurante é especializado em preparar peixes e mariscos frescos. Além de fisgar o cliente pelo sa or, o spot encanta pela sofistica ão do espa o. Ao todo são três andares, sendo que cada piso apresenta design diferenciado com charme próprio. No primeiro andar fica o restaurante, no segundo, o bar de cocktails Boca Chica, e no último, o terraço. O toalete tem um design autêntico, típico de Barcelona. Localizado no subsolo, o banheiro é incrível e muito instagramável por ter o décor com tubulação aparente e espelhos espalhados pelas paredes. Os toaletes são estilizados de tal forma por receber baladas exclusivas. Muy chic!

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DESTINO

IT’S LONDON, BABY L

ondres – De onde você é? Essa é a pergunta que você mais vai fazer e ouvir em Londres. Lá estão todas as raças, idiomas, estilos. O agitado lifestyle da cidade consegue aquecer o tempo chuvoso do inverno e incendiar os dias quentes no verão. Ah, o verão. Ele contradiz o clichê de cidade cinza, retratada nos versos “Caía uma chuva prateada sobre o chão sujo da cidade de Londres”, da música London Town, de Paul McCartney. Há dias quentes na terra da Rainha e eles

EM LONDRES É IMPOSSÍVEL EVITAR OS ADORÁVEIS CLICHÊS QUE PONTUAM A TRADIÇÃO SECULAR DE SEU PAÍS. AO MESMO TEMPO, A DIVERSIDADE COSMOPOLITA FAZ DA CAPITAL DA INGLATERRA E DO REINO UNIDO O ÁPICE EFERVESCENTE DA EUROPA POR

MARCELLA OLIVEIRA – ENVIADA ESPECIAL

vêm acompanhados de londrinos nas calçadas em frente aos pubs com um copo de cerveja na mão. Se por um lado o país não tem um prato típico saboroso – contente-se com o fish and chips (peixe com batata frita) – ele ganha os amantes da cerveja: são dezenas e tipos e marcas, servidas em um copo de 500ml, as famosas pints. Londres é feita de clichês. As cabines telefônicas, o Big Ben – em reforma até 2021 –, um povo britânico educado e cortês, um sotaque inglês elegante, humor Fotos: Divulgação

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WESTMINSTER ABBEY

Difícil escolher uma atração preferida em Londres, mas se tivesse que elencar seria a igreja anglicana onde a Rainha Elizabeth II foi coroada, em 1953. Com uma arquitetura gótica e lindos vitrais, o local é palco de importantes cerimônias há mais de mil anos. de impressionar tam ém os t mulos de membros da realeza e intelectuais britânicos. www.westminster-abbey.org

STONEHENGE

Passado místico envolve a região do círculo de pedras gigantes que tem mais de quatro mil anos. Fala-se que foi um cemitério, mas o questionamento principal é como aquelas pedras gigantes foram parar lá. Uma vez por ano, no dia do solstício de verão, dia 21 de junho, o Sol nasce alinhado à pedra principal. O lugar, apesar de ser no meio da nada, tem uma ótima estrutura turística. Dá para ir a partir de Londres, de trem ou por passeios organizados por agências de turismo.

WINDSOR

A cidade onde está o castelo, que foi palco do casamento do príncipe Harry com a atriz Meghan Markle, em maio, tem super cara de cidade do interior. Há muitos passeios de um dia inteiro. O castelo, com áudio guide em português, merece uma visita minuciosa. E preste atenção se a bandeira hasteada é o Estandarte Real, quando ela tem quatro quadrantes, em vermelho, amarelo e azul: significa que a rain a Eli a et II está nas dependências do castelo. final, lá é uma das residências oficiais da reale a. www.royalcollection.org.uk/visit/windsorcastle

www.english-heritage.org.uk/visit/ places/stonehenge

sarcástico e pontualidade. Mas você arriscaria visitar a cidade sem uma foto na cabine vermelhinha? Com direito a passeio de barco no rio Tâmisa, volta na London Eye, atravessar a faixa de pedestre famosa da capa do disco dos Beatles, e passar na livraria onde os personagens de Júlia Roberts e Hugh Grant se conheceram no filme Um lugar chamado Notting Hill. Até mesmo o maior dos clichês encanta: a família real. Impossível passar despercebido pelo suntuoso Palácio de Buckigham e ficar boquiaberto com a cerimônia de troca da guarda que acontece diariamente. Em meio a prédios modernos e uma cidade que pulsa, o tempo paGPSLifetime « 235

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HARRY POTTER

Os fãs do bruxo mais famoso do mundo podem começar a diversão na estação Kings Cross, onde tem uma plataforma 9 3/4 para tirar foto. Mas o passeio mais legal fica a uma ora de Londres, onde você pode visitar os estúdios da arner. envolvente, emocionante e mágico, assim como Hogwarts. Dica: você precisa agendar sua visita pelo site. Faça com antecedência porque é uma atração muito concorrida. www.wbstudiotour.co.uk

rece ter parado na Torre de Londres ou na suntuosa Tower Bridge. Para conhecer a rica história dessa cidade, vale o passeio pelo Museu de Londres, ou visite um dos tantos museus, com temáticas variadas: história, guerra, arte moderna, clássico e, o melhor, todos com entrada franca. Alguns dias na cidade são suficientes para entender a famosa frase do intelectual britânico Samuel Jackson: “Quando um homem está cansado de Londres, ele está cansado da vida”. Não há como ficar entediado por lá. Ainda tem os mercados de Camden Town, Borough Market e Portobello Market; as lojas turísticas de Picadilly Circus; o charme de Covent Garden; os espetáculos musicais; as estações de metrô. E o que falar dos pubs? São tantos que vale, em um mesmo dia, tomar uma pint em cada um. Alguns com música ao vivo. Por lá, a comida vai ser parecida: hambúrguer, nachos, batata frita, fish and chips. Mas a cidade onde o mundo se encontra tem todos os tipos de gastronomia. Não tem como comer mal. E, se procurar, vai encontrar restaurantes de imigrantes e saborear uma original culinária indiana, francesa, italiana, coreana... Mesmo a libra a mais de cinco reais não assusta o turista tupiniquim, que pode aproveitar as inúmeras atrações gratuitas, que incluem os charmosos parques. Segundo a agência de turismo do Reino Unido Visit Britain, o número de visitantes brasileiros subiu 37% em 2017, comparando com o ano anterior. Gente que até se aventurou, e se aventura, em circular no ônibus vermelho de dois andares ou no metrô, mas que sabe que a melhor forma de sentir a energia da cidade é andar, andar e andar. Agradecer por em toda travessia ter escrito “look right” ou “look left”, para te ajudar a olhar para a direita ou esquerda na hora de atravessar a rua com carros que circulam na mão esquerda. Encontrar ruas

CHÁ DAS 5

Apesar de ter muitos cafés pela cidade, a experiência do chá inglês fica perfeita com uma visita ao Fortum & Mason, em Picaddily Circus. A loja é encantadora e sofisticada. o quarto andar fica o salão onde são servidos um chá completo, com sanduíches de sabores variados, tortas doces e os scones, bolinhos ingleses bem típicos. O lugar parece um cenário de um filme. www.fortnumandmason.com

NOS ARREDORES

Se tiver mais tempo na Inglaterra, além de visitar as cidades universitárias de Oxford e Cambridge, vale passar dois dias em Liverpool. A terra dos Beatles é agitada, cheia de mulheres fazendo despedida de solteira, a rua principal reúne os pubs mais agitados, sempre com música ao vivo: uma trilha sonora que predomina, é claro, o quarteto mais famoso da cidade. O museu que conta a trajetória dos músicos, o The Beatles Story, é interativo e envolvente, com música do início ao fim. ale tam ém o passeio pela Marina e uma foto com as estátuas de bronze de John, Paul, Ringo e George. www.beatlesstory.com

engarrafadas, mas não muito barulhentas. Se por um lado Londres é tão previsível, por outro ela é livre. Mais de onze milhões de pessoas vivem por lá – super educadas: pedem desculpas, respeitam filas e ajudam turistas. Uma cidade viva, efervescente, que pulsa. Ao mesmo tempo, é acolhedora, democrática, libertária. Exótica, muitas vezes. Mas sem estereótipos. Um típico inglês de terno e gravata, um jovem ousado, uma mulher de burca. Você pode ser quem você quiser, usar o que quiser. Sem julgamentos ou preconceitos. De comum entre quem circula por lá? Uma sombrinha em mãos. Porque em qualquer época do ano não há como escapar de pelo menos uma leve garoa – senão não será Londres. E aí gente volta aos clichês.

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REALEZA

O restaurante Céleste, que tem uma estrela Michelin: decoração apaixonante

HOSPEDAGEM REAL THE LANESBOROUGH. O HOTEL É UM DOS TRÊS OFICIAIS QUE RECEBE A RAINHA ELIZABETH II. A INTENÇÃO É QUE O HÓSPEDE VIVA A EXPERIÊNCIA DE SER MEMBRO REAL EM TODA A SUA ESSÊNCIA E RITUAL POR MARCELLA OLIVEIRA – ENVIADA ESPECIAL

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ondres – Ao cortar o Hyde Park, o maior parque do centro de Londres, e atravessar a rua na direção do Arco da Constituição, adjacente ao Palácio de Buckingham, uma fachada elegante, porém discreta, hipnotiza. Toda branca, exige um esforço para ler o nome: The Lanesborough. A construção que parece integrar o conjunto arquitetônico da Família Real Britânica é, na verdade, um dos hotéis mais luxuosos do Reino Unido.

“É como um palácio”, resume Simon Thomas, o concierge. Os funcionários estão uniformizados com elegantes vestimentas e parecem sair de filme. Assim como todos os ambientes, mobiliários, lustres de cristal, obras de arte, espelhos e paredes com acabamentos em ouro. Se do lado de fora o branco toma conta, dentro nos remete à construções do século XVI. “A fachada é tão discreta que pensas ser uma residência. Mas aqui dentro tudo é especial e com cor, como essas paredes pintadas a mão e os mobiliários de época”, comenta. A riqueza está também na sua história. O local foi uma residência, um hospital e desde 1992 é sinônimo de hospedagem de luxo na Inglaterra, gerido pelo grupo alemão Oetker Collection. Este ano, foi eleito o melhor hotel de Londres pela revista Travel + Leisure. Uma noite em uma das 93 suítes que contam com mordomos não sai por menos de 800 Libras. “Hospedar aqui é como se sentir um príncipe”, brinca Thomas.

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Fotos: Divulgação

RELAX TIME

EM ALGUM LUGAR NO PASSADO

O Lanesborough Club & Spa, com entrada independente pela lateral do hotel, é considerado o melhor spa de hotel do mundo pelo World Spa Awards. Os detalhes clássicos dão lugar a um ambiente clean e requintado, inaugurado há pouco mais de um ano. Os cosméticos são da suíça La Prairie. Assinados pela terapeuta Anastasia Achilleos, os serviços do spa proporcionam terapia para mente e corpo. “Para os hóspedes e membros, aqui é como uma segunda casa”, explica a gerente do spa, Debbie Lowry. “Eles vem para cá quando buscam um momento de tranquilidade, seja para tomar um café, fazer uma refeição ou passar o dia”, acrescenta.

A curiosidade para saber a história do prédio é aguçada a cada cômodo. Primeiramente uma mansão com tijolos aparentes de James Lane, construída em 1719, a Lanesborough House foi transformada em hospital em 1933, em um projeto do arquiteto da época William Wilkins. O fechamento em 1980 incomodou os ingleses que não se conformavam em ver abandonado aquele prédio em área nobre. Somente sete anos depois o local foi reestruturado, com recuperação que cuidou em manter a fachada, assinada pelo escritório de arquitetura Fitzroy Robinson, e que transformou seu interior em um hotel de luxo.

A genialidade do estúdio de design Alberto Pinto assinou a mais recente reforma, finalizada em 2015. O hotel é um dos três oficiais que recebem a Rainha Elizabeth II. Um dos salões tem, inclusive, uma porta que só é aberta quando um membro da Família Real visita o local. Há espaços para eventos privados, além dos charmosos The Library Bar e The Garden Room, este último um tradicional salão para amantes de charuto. A luz natural penetra pelo telhado de vidro do restaurante, batizado astutamente de Céleste e premiado com uma estrela Michelin. A cozinha é comandada por Florian Favario, sob tutela do chef francês Eric Frechon, também responsável pelo Le Bristol, em Paris. No menu, culinária contemporânea. Experimente a lagosta com purê de brócolis. Mas se quiser completar sua experiência londrina, aproveite o tradicional chá da tarde, com louças de porcelana, fofinhos scones e geleias artesanais. “Este restaurante é a alma de Londres”, conclui Thomas. The Lanesborough Hyde Park Corner, Londres www.lanesborough.com @TheLanesborough

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ÚLTIMO SUSPIRO

Carla Amorim - R$12.500

R$18.070

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Revista GPS Brasilia Nº 20 Ano 7 (2018)  
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