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Diretora de Conteúdo Paula Santana Editora-chefe Marcella Oliveira Editora de Criação Chica Magalhães (QVQITCƂC Gustavo Moreno e Celso Junior Produção Executiva Karine Moreira Lima Pesquisa de Imagens Enaile Nunes Reportagem Giulia Roriz, Larissa Duarte, Marina Adorno, Marina Ferreira, Sabrina Pessoa e Theodora Zaccara Colaboradores

Aline Vessoni, AndrĂŠ Nicolau, Bruno Cavalcanti, Celso Junior, Charles Almeida, Daniel Cardozo, Edinho MagalhĂŁes, Fernando Batista, Isadora Campos, Luara Baggi, Marciana Alves, Maria Thereza Laudares, Marina Cardozo, MĂĄrio Rosa, MaurĂ­cio Lima, Morillo Carvalho, Rebeca Oliveira, Roberta Pinheiro e PatrĂ­cia Justino RevisĂŁo Jorge Avelino de Souza Diretor Executivo Rafael Badra Diretora de Estilo Flaviany Leite

GPS|BRASĂ?LIA EDITORA LTDA. www.gpslifetime.com.br

Diretor de Relacionamento Guilherme Siqueira

SĂ“CIOS-DIRETORES

Publicidade Will Madson e JosÊ Roberto Silva Tiragem 30 mil exemplares Circulação e Distribuição EDPRESS Transporte e Logística

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RAFAEL BADRA PAULA SANTANA FLAVIANY LEITE GUILHERME SIQUEIRA 'FKHÉEKQ8GIC.WZWT[&GUKIP1HƂEGU Setor Comercial Norte, quadra 1, sala 216 CEP: 70711-010 – Brasília-DF Tel.: (61) 3364-4512 | (61) 3963-9003

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Coleção Squadra 61 Brinco Ponte

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EQUIPE

Chica Magalhães

Marcella Oliveira

Gustavo Moreno

Larissa Duarte

Marina Adorno

Giulia Roriz

Theodora Zaccara

Marina Ferreira

Sabrina Pessoa

Celso Junior

Karine Moreira Lima

Enaile Nunes

COLABORADORES

André Nicolau

Bruno Cavalcanti

Daniel Cardozo

Fernando Batista

Luara Baggi

Marciana Alves

Marina Cardozo

Morillo Carvalho

Rebeca Oliveira

Roberta Pinheiro

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ANO 8 – Nº 23 – JUL AGO SET 2019

Isis Valverde veste camisa Salvatore Ferragamo, sutiĂŁ e hot pant Hope, colar Miranda &DVWURHEULQFRV*ULĆ“WK$DWUL]IRL IRWRJUDIDGDSRU$QGUÂŤ1LFRODX com styling de Fernando Batista e EHOH]DGH&KDUOHV$OPHLGD

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CESCHIATTI, O ESCULTOR DOS PODERES

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VERSATILIDADE INGLESA

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EBULIĂ‡ĂƒO CULTURAL

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SAFRAS ITALIANAS

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DULCINA DE MORAES, O MONUMENTO

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DRINK UP

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ESSE ROCK DĂ SAMBA

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A BASE DA SAĂšDE

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AUMENTA QUE ISSO AINDA É ROCK’N’ROLL

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MISSIONĂ RIO DE VIDAS

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ARTIGO POR CRISTINA SALARO

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FISIOTERAPIA CONTRA O ENVELHECIMENTO

Um passeio pelas obras do artista na capital Adão Cândido, secretårio de Cultura, conversa sobre o setor O legado da artista e seu teatro no centro O bloco Eduardo e Mônica agita Brasília

Porão do Rock chega a sua 21ª edição

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LA BONNE TRADITION

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O PADEIRO SEDUTOR

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O BOM CONFEITEIRO

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SIMPLESMENTE ESTRELAR

Por dentro da Embaixada da França Olivier Anquier e o charme francês Daniel Briand conta sua trajetória na cidade Premiados pelo Guia Michelin no eixo Rio-São Paulo

A diversidade do menu do The Queen’s Place

Wine’s Life promove degustação do vinho Sassicaia Importadora Siqueira Campos com destilados premium Francisco Araújo e a gestão do Hospital de Base Paulo Hoff traz sua excelência na oncologia para Brasilia MÊdica fala sobre dermatologia cosmÊtica

Sarah BrandĂŁo analisa tratamento preventivo

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Ă?CONES

Isadora Campos apresenta mulheres de destaque

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EU SOU A GLÓRIA

140 ENTRE NÓS

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PROTAGONISTAS DE SUAS VIDAS

142 MAXI MAN

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2100 – O PLANETA INSUSTENTÁVEL

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A robô heroína criada por Cristina Castro Empreendedorismo nas mãos de Beatriz Guimarães

A arquitetura maximalista de Sig Bergamin

146 O TOQUE DE MIDAS

O acervo do colecionador Marco Amaro

A visão da inglesa Kate Raworth para a nova economia mundial

148 ARTE POR MAURÍCIO LIMA

UMA QUESTÃO DE RESPONSABILIDADE

150 UTOPIA CONSTRUTIVA

ARTIGO POR EDINHO MAGALHÃES

158 UMA SUPER COBERTURA

Advogado Marcelo Seba analisa o segmento

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Patrícia Justino e suas dicas fashionistas

Opinião sobre as reformas do Brasil

100 O ESPAÇO COMO UM LOCAL DE APRENDIZAGEM

O projeto arquitetônico da Escola Eleva

102 INCENTIVO AO ESPORTE

O apoio da Casa Thomas Jefferson aos atletas brasilienses

104 UMA CASA FUNCIONAL #ECRCEKVCÿQRTQƂUUKQPCNFC%CUC$GDÆ

109 ALÉM DO BELO #HQVQITCƂCCHGVKXCFQGUVÖFKQ(NQTFG.KU .KU

Marchand discorre sobre Sérgio Lucena O colecionismo de João Carlos Figueiredo Braz A tecnologia gringa das telhas Shingle

160 CONEXÃO CENTRO-OESTE

A aeronave executiva Phenom 100E

162 EXPLORA

Dicas de Marcella Oliveira pelo mundo

164 EM MANHATTAN, UM RESORT VERTICAL O hotel-cenário de Gossip Girl

168 INSPIRAÇÃO DO CÉU E DO MAR Um resort em ilha particular no Caribe

170 O CHARME DO CEARÁ

Rede Carmel e o conceito destino de luxo

110 ARTIGO POR MÁRIO ROSA

O homem frágil na linguagem do escritor or

112 ISIS VALVERDE, O ESPLENDOR Atriz mineira estrela a capa da revista

Dolce & Gabbana preço sob consulta

126 ESSENTIAL

Flay Leite elege os queridinhos da temporada porada

130 TETÊ COM ESTILO

Maria Thereza Laudares fala sobre a Hermès

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EDITORIAL

Paula Santana

Flay Leite

Guilherme Siqueira 5DIDHO%DGUD

“SE A SUA PLANTA NÃO ESTÁ CRESCENDO, ELA ESTÁ MORRENDO”

A

utoridades no assunto têm nos alimentado de análises positivas quanto ao futuro breve. A próxima reforma será a tributária. E quando isso acontecer... imagine um Brasil continental, que já nasceu abundante, tornar-se próspero. Sim, pois aqueles que empreendem heroicamente neste País poderão, finalmente, jogar uma partida mais justa. Cresceremos 2%, 3% por cento ao ano? É possível, sabia? Porque depende somente de nós. Do nosso comprometimento no presente e também do nosso pensamento global. Em cinco anos, todos os empreendedores que não estiverem apoderados de tecnologia de alta performance em seus negócios estarão fora do mercado.  Acredite. E organize-se. O  whatsapp  e o  Instagram  nem completaram dez anos. Dois bebês que nos transformaram e nos adoeceram também.  O que é preciso fazer? Eliminar nossa mente escassa oriunda de tanta chapuletada aos longo das últimas décadas. E doar. Doar. Doar... tempo ao trabalho, amor à família, dinheiro aos desfavorecidos, conteúdo aos aprendizes. E por aí vai. A linha da vida é clara quanto a isso. Só cresce quem compartilha.    Só aprende quem tem humildade. Só expande quem se relaciona. E só floresce quem tem caráter. Isso tudo nada mais é que razão e emoção integrados. 

Nesta edição, abordamos pessoas, projetos, causas que comungam destas riquezas de atitude. Todos que estão nas páginas a seguir construíram o conceituado storytelling. Estão dividindo suas experiências e, sim, querem reconhecimento porque estão no jogo, vencendo. Elegemos Isis Valverde para este momento de repaginação global de postura e pensamento. Conhecê-la somente enquadrada pela tevê ou cinema não a representa.  Isis é vida. Na velocidade máxima de seu potencial. Ela se entrega, se doa. Reprograma-se agilmente. Ela é a verdadeira sinapse na neurociência. Interage, comunica-se, conecta-se. E conta a sua história.   E nós? Nós sabemos o nosso por quê? Nós temos histórias para contar? Elas são relevantes? Impactariam alguém? Sim? Estamos no caminho correto. Não? Ainda bem que médicos dizem que podemos viver bem até 120 anos...  Dá tempo. Então, permita-se a partir de hoje não levantar da cama sem sorrir, sem agradecer, sem entender qual será o sentido deste dia. E entendendo que tudo, tudo mesmo, tem um propósito. Porque Deus vive no agora. E é exatamente onde temos que estar: no presente, agindo.

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ESTACIONAMENTO GRÁTIS

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LEGADO

CESCHIATTI O ESCULTOR DOS PODERES 16 « GPSLifetime

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TRÊS DÉCADAS APÓS SUA MORTE, ALFREDO CESCHIATTI AINDA IMPACTA A ROTINA NA CAPITAL FEDERAL EM ESCULTURAS QUE NAVEGAM COM PUREZA NA FORMA FEMININA. O TRAÇADO SENSÍVEL FAZ COM QUE EQUILÍBRIO E LEVEZA FLERTEM COM O BARROCO EM MEIO AO MODERNISMO DE OSCAR NIEMEYER POR MÁRIO ROSA « FOTOS CELSO JUNIOR

As Gêmeas, na cobertura do Palácio do Itamaraty

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E

Os Evangelistas, na entrada da Catedral Metropolitana de Brasília

xistiriam inúmeras formas de ilustrar a genialidade e o talento de Alfredo Ceschiatti, mas eu tenho uma que para mim sintetiza a imensidão criativa do escultor que trouxe aos olhos mais do que esculturas: saíram de suas mãos uma parte da forma do imaginário disso que chamamos Brasília. As esculturas de Ceschiatti estão na entrada da Catedral, nos Evangelistas que adornam a chegada ao templo feito pelo arquiteto ateu que concebeu a Nova Capital. Ceschiatti ornamenta a Justiça, pétrea, símbolo e ideal da corte Suprema. Está no Anjo, no salão verde da Câmara dos Deputados, o coração político da democracia. Nas Iaras (ou banhistas), na residência oficial do Presidente da República. Ceschiatti, assim, está no epicentro dos Três Poderes. E no quarto poder da época também, o religioso, em que ainda enfeita cheio de graça o teto da Catedral com seus Anjos que flutuam sobre os fiéis. Entretanto, como nas curvas sinuosas de Ceschiatti, fui um contorcionista (aliás, nome de outra lindíssima criação do artista, instalada no foyer do Teatro Nacional): comecei o texto sugerindo o que para mim seria o maior símbolo da genialidade – entre tantos – da obra de Ceschiatti, mas deliberadamente discorri o primeiro parágrafo inteiro sem revelar o que seria. A arte, a literatura e até os textos jornalísticos possuem os seus ardis, as suas artimanhas, os seus artifícios para buscar encantar, revelar ou esconder, sempre com a pretensão visceral de tentar encantar ou entreter. Seja como for, já estou aqui quase ao fim do segundo parágrafo e, quer saber? Chega, né? Vou elucidar logo esse mistério. O prodigioso Oscar Niemeyer concebeu um manifesto, também chamado de Casa das Canoas. Projetada por ele para ele mesmo, é uma joia da arquitetura modernista, por óbvio. Uma casa minimalista. Nada ali é à toa. Não há espaço para a banalidade. Para o excesso. Pois na sala dessa capela que Niemeyer projetou para si mesmo havia apenas uma, uma e apenas uma, obra de arte na sala. De quem? De Ceschiatti. A deslumbrante, sensual e curvilínea Guanabara. Já dizia o gênio-arquiteto em seu Poema da Curva:

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“Não é o angulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher amada.” Pense em tudo que Niemeyer poderia colocar em sua casa, em todos os artistas a que tinha acesso. Agora pense o contrário: pense em tudo que ele dispensou para que um único objeto de um único artista pudesse estar ali, na intimidade mais reservada de sua casa-conceito? Pois eu acho essa a maior de todas as proezas de Ceschiatti. Afinal, já não é pouca coisa fazer parte da narrativa em pedra e bronze que compõe a paisagem urbana do símbolo de um País, sua capital futurista, a primeira capital brasileira, já que Salvador e Rio de Janeiro foram feitas pelos colonizadores e não pelos brasileiros, pela gente brasileira. Pois se já é um feito notável pertencer ao círculo

restrito de artistas – Burle Marx, Bruno Giorgi, Athos Bulcão – que traduziram a ideia de Brasília do abstrato para o concreto, mais fenomenal ainda é ser tão especial a ponto de monopolizar um olhar calejado como o de Niemeyer em seu claustro. E o que falar da Guanabara? Reza a lenda que o nome da voluptuosa mulher deitada de lado com a mão direita sustentando a cabeça e a mão esquerda dobrada sobre o crânio tem esse nome por causa do formato que a combinação de braços e dorso teriam: vistos de trás são como o Pão de Açúcar, o maciço que se derrama sobre a Baía de Guanabara. No mais, a linda e digna do mais contundente poema das curvas também representa o amor de Niemeyer por elas, suas companheiras, amantes, suas curvas. A vida me deu alguns privilégios. Dois deles, por uma dessas coincidências, entrelaçam-se com o tema deste artigo. Anos atrás, a vida me trouxe uma linda Guanabara “de chão”, do tamanho de uma pessoa. Eu sei exatamente porque Niemeyer, no seu minimalismo, mantinha uma relação monogâmica com aquela escultura exatamente igual à minha, tendo-a (justo ele, que sempre foi tão intenso com as mulheres de carne e osso) como uma musa de bronze

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A Contorcionista, no foyer da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional

Minerva, na Biblioteca Central da UnB

Foto: Gustavo Moreno

esverdeada em seu jardim do Éden. TambÊm tive a sorte de arrematar um exemplar das Iaras. Foram poucas, raríssimas, as que saíram da fundição Zani e uma delas de mais de um metro de altura acabou parando em minhas mãos. Uma pequena Contorcionista que o destino tambÊm trouxe para a paisagem do meu cotidiano domÊstico. Então, posso falar de Ceschiatti não apenas como fã, como admirador, como observador de suas obras públicas marcantes no imaginårio do poder. Posso dizer que ele e suas formas, espalhadas ainda em tantas e tantas peças nos salþes do palåcio da Alvorada e do Itamarati, nos espaços de poder que percorri quase como numa peregrinação em minha encarnação como jornalista de política um dia, moldaram tanto o meu olhar que, quando pude, trouxe-o para perto, para casa, pois ele fazia parte de mim. Tive sorte: Ceschiatti faz parte tambÊm de muitos e muitos que vivem ou estão sintonizados com a frequência do poder em Brasília. E ter um pedaço dele, tocar em algo que ele produziu, ter essa relação de intimidade (assim como Niemeyer) – saber exatamente qual Ê essa sensação

Foto: Gustavo Moreno

A JustiçaHPIUHQWHDRSUGLRGR6XSUHPR7ULEXQDO)HGHUDO

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Os anjos no interior da Catedral

– faz-me garantir a você, querida leitora, querido leitor: como Niemeyer devia se sentir privilegiado de ter algo tão belo para desfrutar tão solitariamente. O segundo privilégio que a vida me deu – e que se entrelaça com Ceschiatti – tem a ver com seu parceiro de Brasília. Uma década atrás, um dos mais prestigiados arquitetos do Brasil me concedeu a honra de passar a possuir um pequeno tesouro: 26 desenhos de Niemeyer, de diversos tamanhos. Eu ainda tive a sorte de arrematar num leilão uma preciosidade: o “resumo da obra”, um nanquim enorme com suas principais criações e o “poema da curva” escrito, peça que pertenceu à filha do arquiteto, a galerista Anna Maria. Observar esses desenhos – de monumentos e de... mulheres! – e passear por formas arredondadas é entender que o limite que separa as cúpulas das edificações majestosas e as femininas curvas tantas vezes desenhadas era algo mais próximo do que a frieza do concreto armado pode fazer crer. Que beleza é ver todo o projeto da Pampulha discorrer em um único traço leve e firme da mão do gênio.

Outro grande escultor, Bruno Giorgi, é também outro monstro sagrado da paisagem brasiliense. Seu “meteoro” em frente ao Itamarati, sobre o lago que circunda o palácio, ou os “candangos”, na Esplanada dos Três Poderes, que encarnam o povo e encaram o governante em frente ao palácio presidencial, são ícones certamente mais poderosos e conhecidos, quando se fala de Brasília para os “forasteiros”. Mas Ceschiatti, aí é que está uma de suas singelezas, é para os iniciados, é para os que vivem a cidade e não apenas para os que passam por ela. Ele é o escultor dos poderes: está em cada um deles, emprestando-lhes algum significado. Uma das curiosidades sobre Ceschiatti é a sua principal ausência: agastado com Niemeyer em certo momento da vida, foi preterido pelo arquiteto de fazer a escultura do pai da cidade, no memorial JK. Ceschiatti era mineiro, filho de italianos. Ganhou o prêmio do Salão Nacional de Belas Artes, em 1945. Iniciou sua parceria com Niemeyer no audacioso projeto da Pampulha e, de lá, a vida esculpiu seu destino para que deixasse com suas mãos marcas indeléveis em nossa História.

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ENTREVISTA

EBULIÇÃO CULTURAL

SECRETÁRIO DE ESTADO DE CULTURA, O GAÚCHO ADÃO CÂNDIDO COMANDA O PROJETO DE TIRAR DO PAPEL O POLO AUDIOVISUAL NO DF, COM A ATRAÇÃO DE GRANDES ESTÚDIOS AMERICANOS. TUDO SEM ESQUECER O BÁSICO, COMO REABRIR O TEATRO NACIONAL POR MARINA CARDOZO « FOTOS GUSTAVO MORENO

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O

ambiente em que despacha o secretário de Cultura do Distrito Federal, Adão Cândido, poderia ser dos mais inspiradores. Afinal, o maior símbolo cultural de Brasília, o Teatro Nacional, está bem ali ao lado. A realidade, porém, é perturbadora. O equipamento público segue fechado há cinco anos e é emblemático para ilustrar a cena cultural do DF. Chefe da pasta desde o início da gestão Ibaneis Rocha (MDB), o sociólogo gaúcho de 48 anos encara a reabertura da obra de Oscar Niemeyer como a missão número 1. Mas não para por aí. Muito além de revitalizar os espaços em situação de abandono e mantê-los ocupados, a ideia é direcionar Brasília a um novo patamar que une cultura e economia criativa. A premissa até foi acrescida ao nome da pasta. Para isso, o maior projeto é o chamado Polo Audiovisual. Ao contrário do atual Polo de Cinema em Sobradinho, a futura estrutura no Setor de Clubes Sul vai abrigar também estúdios de rádio e TV e uma incubadora de startups, entre outras ações. Cândido não esconde o entusiasmo, mas pondera que se trata de um projeto de médio e longo prazo. Enquanto isso, o desafio é atender demandas urgentes e até lidar com a torcida de nariz de parte do setor artístico local, provocada por uma revisão no Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Nada fora do comum para alguém que se relaciona com a política em Brasília há 20 anos, desde que chegou para trabalhar no gabinete de Roberto Freire (PPS) no Senado Federal. O convite surgiu após coordenar a campanha de Ciro Gomes à Presidência da República em 1998 – Freire seria o vice. Até o ano passado, antes de integrar o GDF, Adão era secretário de Articulação e Desenvolvimento Institucional do Ministério da Cultura. Mais do que habituado à capital, o gaúcho estabeleceu uma relação com a cidade e aqui nasceu seu terceiro filho. Com Martin, de 9 anos, Cândido visitou todos os equipamentos culturais sob sua responsabilidade ao assumir a gestão. Para ambos, o Teatro Nacional foi o que mais chamou a atenção, não só pela importância do patrimônio, mas pela comunidade de animais peçonhentos que se apossaram do espaço devido ao desmazelo. A promessa é mudar esse cenário, digno de um espetáculo de terror. &RPRYDLIXQFLRQDURSURMHWRGR3ROR$XGLRYLVXDO"

Ele será construído na área ao lado do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). É uma ideia antiga, um projeto que perambula pelo GDF desde 2007, e nunca foi tocado. Essa área tem 310 mil metros quadrados e, além de substituir o Polo de Cinema em Sobradinho, vai abrigar um novo setor de rádio e TV, que hoje está esgotado. Nove emissoras já manifestaram interesse, in-

“NOSSO PROBLEMA NÃO É A QUANTIDADE DE RECURSO. A QUESTÃO AQUI É PARA AONDE ELE VAI”

clusive a CNN. Teremos também uma parte do governo, com estúdios públicos, cinemateca e uma incubadora de startups na área de arte e cultura. Já temos projetos para museus, e a procura está bem acima do previsto. O projeto é grande. Muda toda a configuração da economia criativa. Queremos que o polo já nasça integrado à cadeia internacional de produção audiovisual. 4XHPV¥RRVLQYHVWLGRUHVTXHHVW¥RHPYLVWD"

Estivemos em Los Angeles em junho. Apresentamos o projeto a grandes estúdios na Câmara de Comércio Brasil Califórnia. Contamos tudo o que estamos fazendo nas partes física e tributária, porque os estúdios têm uma grande preocupação com a tributação. Eles escolhem as locações levando em conta sistemas de incentivos. Esse era o debate central: como criar políticas para atrair produções; para que a gente tenha não só a área física, mas participe do sistema internacional de produção e coprodução. Existe uma série de plataformas novas que serão lançadas no Brasil, além das que já existem, e esse mercado de VoD (video on demand) ainda não está regulamentado. Estamos fazendo esse debate interno no governo, já que o DF tem uma vantagem competitiva por ser o único ente federado que faz uma bitributação, como município e como estado. Tão logo o Governo Federal regulamente essas plataformas, a gente já terá uma regulamentação local para atrair o faturamento das empresas. &RPRHVW£RFURQRJUDPDGRSURMHWR"

Está na Seduh (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação), depois vai para o Conplan (Conselho de Planejamento Territorial e Urbano), e então as regras de concessão serão definidas pela Terracap. Temos a perspectiva de que até o começo de agosto a gente lance o projeto, com os editais de chamamento para os investidores. É um projeto que vai transcender nosso mandato, mas achamos que até o final deste governo estaremos com os prédios inaugurados, com algumas instalações públicas. GPSLifetime « 23

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Ali são mais de mil hectares. A årea vai ser destinada a um grande projeto turístico. O secretårio de Projetos Especiais, Everardo Gueiros, tambÊm esteve em LA e levou essa agenda. O fato Ê que, onde estå, o polo não tem sido utilizado por uma sÊrie de fatores, mas basicamente porque estamos fora das cadeias produtivas nacionais e globais. Nós queremos que Brasília esteja preparada para ser um polo de cinema. É uma cidade com tradição. Temos o festival mais antigo do País, temos o FAC (Fundo de Apoio à Cultura). As pessoas não veem Brasília como um player forte porque não existem essas políticas. &RPRVHGDU£DFDSDFLWDŠ¼RGDP¼RGHREUD"

Estamos ďŹ rmando uma parceria com a OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a CiĂŞncia e a Cultura). Eles investirĂŁo R$ 3,5 milhĂľes em cursos de formação. Vamos ter açþes de massa, para o grande pĂşblico, para oferecer cursos de diversos nĂ­veis. E a gente tem feito conversas com esses grandes meios globais para que tragam escolas para o polo. &RPHVVHWLSRGHIRPHQWRRVHQKRUFRQVLGHUDTXHRDWULWRFRP DUWLVWDVORFDLVVHUÂŁVXSHUDGR"$PXGDQŠDGHJHVWÂĽRSURYRFRX desgaste com o setor apĂłs mudanças no Fundo de Apoio Ă &XOWXUD )$& 

Não se pode generalizar. Isso ocorreu com alguns artistas historicamente muito ligados ao fundo. Proporcionalmente, o FAC Ê hoje o maior fundo do País. São Paulo, com todos os seus fomentos, pþe R$ 154 milhþes para 47 milhþes de pessoas. No DF, são R$ 100 milhþes somando o FAC à LIC (Lei de Incentivo à Cultura) e a emendas. Nosso problema não Ê a quantidade de recurso. A questão aqui Ê para aonde ele vai. Estamos colocando as prioridades da gestão. A primeira Ê a questão patrimonial. Apesar de toda a responsabilidade legal e moral com o tombamento, não hå previsão orçamentåria para atender a manutenção e a conservação desses bens. Essa foi a grande contradição encontrada pela gestão. Ao utilizar uma parcela do FAC, só estamos fazendo uma escolha política que atÊ então não havia sido feita. Se essa atitude jå tivesse sido tomada, hoje não estaríamos nessa situação falimentar em que nós nos encontramos. O maior exemplo Ê o Teatro Nacional. 4XDQGRR7HDWURVHU£HQƓPUHDEHUWR"

O edital estĂĄ pronto, vamos lançå-lo em julho. AtĂŠ o ďŹ m do ano deve ser reformado, e em 2020 vai ser entregue: primeiro a Sala Martins Pena e depois a Villa-Lobos. Mas tudo na perspectiva de restauro. Vamos entregĂĄ-lo como foi inaugurado, diferentemente do me-

gaprojeto que recebemos, que custaria R$ 200 milhþes. Hoje não existe essa previsão. Mudamos o enfoque: agora queremos uma intervenção de conservação e restauro. Vamos fazer tudo o que estå na lista de exigências dos bombeiros e devolver o teatro à comunidade. Ele poderå ser um dos equipamentos submetidos a parcerias SŸEOLFRSULYDGDV"

Depois que o Teatro for entregue Ă comunidade, estaremos abertos a discussĂľes de projetos de gestĂŁo. Queremos que nĂŁo ocorra mais esse processo de desgaste contĂ­nuo da infraestrutura sem uma visĂŁo de sustentabilidade. Temos uma conversa boa com o BRB para ver quais açþes podemos fazer juntos, com uma parte de consultoria ďŹ nanceira, e tambĂŠm estamos abertos para que haja componentes que queiram se responsabilizar pela gestĂŁo. Neste perĂ­odo a gente conversou com vĂĄrios atores, mas ainda nĂŁo conseguiu avançar nessa questĂŁo de PPP. Apesar de ter muita gente interessada, tem a situação econĂ´mica do PaĂ­s. Como ĂŠ um bem muito grande, o pessoal resolveu esperar um pouco. Mas nĂłs, gestores, nĂŁo podemos esperar. EntĂŁo, ďŹ ca aberto o sistema de parceria tanto para o teatro quanto para outros equipamentos. 2VHQKRUMÂŁGHFODURXVHUIDYRUÂŁYHODFREUDQŠDGHWD[DVHP HTXLSDPHQWRVFXOWXUDLVSÂźEOLFRV(VVDYLVÂĽRSHUPDQHFH"

É uma polĂŞmica grande. Hoje, estamos tentando fazer esse arranjo geral dentro das nossas despesas, para manter os equipamentos totalmente gratuitos. Mas hĂĄ alternativas, por exemplo, de cobrar sĂł de turistas. Neste momento nĂŁo hĂĄ nenhuma previsĂŁo de que isso ocorra, porque temos conseguido fazer essa reorganização ďŹ nanceira. Mas nĂŁo ĂŠ algo que eu tenha preconceito, pois hĂĄ um custo muito alto na manutenção de toda essa rede. HaverĂĄ novidades nesses bens culturais, alĂŠm da manutenção HVSHUDGD"

Dos 24 equipamentos sob nossa responsabilidade, começamos o planejamento para reforma do Centro Cultural dos TrĂŞs Poderes (que abrange o Museu HistĂłrico de BrasĂ­lia, o Espaço LĂşcio Costa e o PanteĂŁo da PĂĄtria). Fizemos um projeto com a Unesco, contratamos dois arquitetos e jĂĄ foi feito um diagnĂłstico. Agora eles farĂŁo uma releitura de como fazer as estruturas. Vamos trabalhar na qualidade da experiĂŞncia. Que o turista queira estar lĂĄ, que se referencie ao postar as fotos nas redes sociais. Depois, vamos fazer isso com o Museu dos Povos IndĂ­genas, com o Museu Vivo da MemĂłria Candanga, e, por Ăşltimo, o Catetinho. Os equipamentos histĂłricos vĂŁo passar pelo mesmo processo de anĂĄlise, diagnĂłstico e depois os arquitetos vĂŁo propor uma nova cenograďŹ a. A ideia ĂŠ que atĂŠ 2020 todos estejam em um novo patamar de cuidado e de experiĂŞncia.

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“DEPOIS QUE O TEATRO FOR ENTREGUE À COMUNIDADE, ESTAREMOS ABERTOS A DISCUSSÕES DE PROJETOS DE GESTÃO”

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TABLADO

DULCINA DE MORAES, O MONUMENTO DIVA DO TEATRO BRASILEIRO DESEMBARCA NA EMPOEIRADA BRASÍLIA, EM 1972, PARA FUNDAR O TEATRO QUE LEVARIA O SEU NOME. HOJE, O ESPAÇO QUE ABRIGA TODO O ACERVO DA ATRIZ VIVE ENTRE A HONRA DE SER PATRIMÔNIO CULTURAL E A LUTA POR SUA MANUTENÇÃO POR LARISSA DUARTE « FOTOS GUSTAVO MORENO

E

u sabia que havia existido uma Dulcina de Moraes. Eu também sabia que ela estava na memória brasileira como “uma grande atriz”. Ponto. Até as apurações para esta matéria, eu desconhecia sua grandeza. Não imaginava a sua influência, tampouco percebia sua soma no legado artístico do País e da Capital Federal. “Edifício ou construção grandiosa, digna de admiração por sua importância histórica, por sua majestade ou tamanho”. É isso... Dulcina se encaixa perfeitamente no que os dicionários trazem como “monumento”.

E foi cruzando monumentos de Brasília que cheguei até o local onde eu seria devidamente apresentada à mulher que já nasceu aplaudida – sua mãe e também atriz Conchita de Moraes entrou em trabalho de parto em pleno palco e Dulcina veio ao mundo de improviso, numa casa arranjada às pressas próximo ao espetáculo, que acontecia na cidade de Valença, no Rio de Janeiro, em 3 de fevereiro de 1908. O caminho até meu encontro com Dulcina foi guiado pela dupla Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Atravessan-

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do a plataforma da Rodoviária do Plano Piloto, eu era abraçada pela Torre de TV de um lado e o interditado Teatro Nacional com a espaçosa Esplanada dos Ministérios do outro. Cheguei! Vinte e três anos após sua morte, Dulcina segue de pé, ali, no encontro das Asas, no chamado Setor de Diversões Sul – o bom e velho Conic – local que escolheu a dedo para eternizar seu maior patrimônio: a Fundação Brasileira de Teatro, a FBT. Na fiel companhia do marido, empresário e também ator Odilon Azevedo, Dulcina desembarcou em Brasília tachada como “louca” por seus colegas cariocas. O motivo? Ela acreditava demais no teatro. E, sim, poderia cometer loucuras por ele. No final dos anos de 1960, agarrou-se ao sonho de Dom Bosco, botou fé na empreitada de Juscelino Kubitschek e compartilhou com Lúcio Costa o sentimento de que a Nova Capital teria potencial para ser um polo de cultura.

Determinada, a atriz optou por abrir mão do seu teatro e de sua casa na Cidade Maravilhosa para investir todo o dinheiro na mudança da FBT, criada em 1955, no Rio, para a empoeirada Brasília. Com esboço arquitetônico de Niemeyer, a mudada sede abre as portas em 1972, a partir da chegada oficial de Dulcina na cidade. Frutos da Fundação e da persistência de sua criadora, o Teatro Dulcina é unido ao espaço em 21 de abril de 1980 – um ano antes da chegada do gigante Teatro Nacional – e a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes começa a operar em 1982, consolidando-se como uma das primeiras instituições de ensino do país dedicadas às artes. GPSLifetime « 27

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Raissa Gregori, presidente da FBT

De volta ao cenário atual, a agitação do cotidiano na calçada do Conic se destoa do silêncio que surge enquanto me aproximo da entrada do prédio da Fundação. Logo no segundo andar, já total imersa na quietude, a sala da atual presidente da FBT, Raissa Gregori, guarda memórias vivas dos tempos de ouro. Encostados na parede ao fundo, abaixo da emoldurada planta original de Niemeyer, estão os baús verticais devidamente identificados responsáveis por carregar os figurinos de Dulcina em suas viagens. Raissa se arrepia enquanto abre as gavetas de madeira ocupadas com acessórios pessoais da atriz. Chapéus, lenços, espelhos de mesa, premiações, estatuetas e até um antigo sabonete que “ainda guarda o cheirinho dela”, como confia a presidente. Raissa também é atriz. Quando fala da pessoa Dulcina, parece falar de uma íntima mentora-amiga, mesmo não tendo a conhecido pessoalmente. “É uma mestra para mim. Vejo-a como uma grande responsável pelo teatro brasileiro e pelas condições de se fazer teatro aqui”, entrega. Importante reverenciar: entre suas lutas pela categoria, Dulcina foi responsável por formalizar a profissão de artista junto ao Ministério do Trabalho, dando fim à tal da carteira de prostituta e prostitutos, obrigatória para atores e atrizes na época.

Digníssimo de protagonizar exposições e até mesmo um museu, o acervo “escondido” no prédio de três andares e de 5 mil m² ocupa muitos outros cômodos silenciosamente. Mas a história, lá dentro, grita. São salas recheadas de álbuns de foto, quadros de diversos tamanhos, cartazes, pôsteres. Tudo está tombado como patrimônio cultural pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Dentro de um dos oito camarins do Teatro, Raissa me apresenta outro universo: os figurinos de Dulcina. São mais de 400 jogos de roupa que entraram em cena no corpo da atriz ao longo de meio século de carreira. Com extrema delicadeza e atenção, a presidente escolhe um visual que merece destaque no extenso guarda-roupa: o figurino usado no espetáculo que apresentou desde 1944, Bodas de Sangue, a primeira montagem brasileira de texto do célebre poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca.

FERNANDO, O PUPILO Curiosamente, foi com Bodas de Sangue que o renomado diretor e professor da Faculdade, Fernando Guimarães, estreou no universo cênico por uma “façanha” de

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“TEMOS QUE DEVOLVER O DULCINA COMO PONTO DE CIRCULAÇÃO NACIONAL DE TEATRO, DANÇA E ARTES VISUAIS” Raissa Gregori, presidente da Fundação Brasileira de Teatro

Foto: Arquivo Pe

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Figurino original de Dulcina em Bodas de Sangue

Dulcina e Odilon em cena

Fernando Guimarães

Dulcina, em 1983. “Eu nunca havia pensado em fazer teatro na minha vida. Eu não venho de família teatral, nada disso. Eu cursava Engenharia Civil na Universidade de Brasília, aos 18 anos, quando a Dulcina surgiu para mim e, literalmente, mudou a minha vida”, conta. Uma amiga de Fernando fazia dança no Teatro, numa sala no terceiro andar, e ele a buscava por lá uma vez ou outra. Nada rotineiro. “Quando entrei no elevador, lá estava Dulcina. Ela me questionou sobre uns

ensaios para a peça de García Lorca, quando eu disse: ‘Eu não faço teatro’. Ela me olhou como quem pensasse ‘não fazer teatro é a coisa mais absurda da Terra’ e me respondeu: ‘Como você não é ator?’”, lembra. Em pouca conversa, Dulcina insistiu para que o estudante de Engenharia tentasse o ingresso na Faculdade de Artes. Por algum motivo, Fernando não conseguiu negar. O “sim” veio involuntariamente. Como preparo para a prova específica, a atriz lhe entregou um “bife” – gíria teatral para um texto longo a ser enunciado por um único ator – da tragédia shakespeariana Júlio César. “Decora. Daqui a dois dias você vem fazer a prova”, ela disse. “Cheguei na sala do Teatro e só havia ela sentada: ‘Sobe ao palco. Pode falar’, ela ordenou. Eu nunca havia feito algo parecido antes, mas cumpri. Em três minutos ela me aprovou. Estreei como figurante em Bodas de Sangue, mas foi o suficiente para eu me apaixonar por tudo aquilo”, compartilha. Como trabalho final de curso, Fernando teve a oportunidade de ser dirigido por Dulcina ao longo de um semestre para a peça A Cantora Careca, do francês Eugène Ionesco. Pouco depois de começar a atuar, ele se descobriu diretor com o conselho de Dulcina de “seguir sua intuição”.

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O Dulcina guarda artigos pessoais da atriz e também é um espaço que mantém viva a arte no DF

Hoje, além de dar aula da mesma matéria que lhe foi aplicada por Dulcina nos anos de 1980, Fernando compartilha com o irmão, Adriano, mais de 25 anos de carreira, mais de 60 peças profissionais em cartaz e uma contribuição imensurável para a história do teatro brasiliense. “E se eu não tivesse pegado aquele elevador naquele dia, naquele exato momento? Não consigo imaginar onde eu estaria agora, pois sei que nasci para isso. Obrigado, Dulcina”.

DETRÁS DAS CORTINAS Mesmo com uma riqueza imensurável de história, o Dulcina passou por um período de instabilidade muito grande desde a morte da fundadora, em 1996. Houve um legado de dívidas. Em meados de 2012, os alunos da Faculdade se uniram para pedir a intervenção do Ministério Público, que se desenrolou entre 2015 e 2017. Neste mesmo período, um movimento paralelo pediu a mudança de

interventora e, assim, o Conselho Curador foi recomposto e Raissa assumiu a presidência em maio de 2018. “Conseguimos nos recompor, mas encontramos um quadro bastante complexo na nossa frente. Ao mesmo tempo em que a mobilização foi um movimento de resistência que permitiu a permanência da instituição, ela também foi muito confusa, pois não havia responsabilização pelo espaço”, lembra. De modo progressivo, a casa finalmente começa a entrar em ordem com o acerto de contas, regulações, organização e competências. Para mudanças maiores, a Fundação busca por financiamentos e apoio, além de planejar uma campanha em crowdfunding para a reforma do Dulcina. “Agora, precisamos dar um salto maior. Temos que devolver o Dulcina como ponto de circulação nacional de teatro, dança e artes visuais”. Fundação Brasileira de Teatro Teatro Dulcina Faculdade de Artes Dulcina de Moraes ZZZGXOFLQDDUWEU

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BATUQUE

POR MORILLO CARVALHO

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ren Foto Gustavo Mo

ORIUNDOS DE BANDAS DA CAPITAL, MÚSICOS SUSTENTAM O PATRIMÔNIO CULTURAL DE BRASÍLIA COM O BLOCO DE CARNAVAL EDUARDO E MÔNICA, QUE GANHA OS FÃS TOCANDO ROCK DOS ANOS 80 E 90 EM RITMO CARNAVALESCO DURANTE O ANO INTEIRO

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ESSE ROCK DÁ SAMBA

ssim como o personagem masculino de Eduardo e Mônica, um belo dia abriu os olhos, mas não quis se levantar, também o rock de Brasília acordou nestes últimos anos com preguiça de ser só rock. Prestes a completar 60 anos, a cidade já não suporta mais o rótulo de “capital do rock”. Passadas três décadas da explosão das nossas bandas, o cenário é muito mais liquidificado entre inúmeros outros sons. Brasília agora produz choro de qualidade, artistas da MPB do mais alto nível e não há fim de semana em que as rodas de samba não figurem entre as atrações preferenciais – sem falar no sertanejo e no hip hop. Além disso, nos últimos anos, a cidade pegou gosto pelo Carnaval de rua. E, num movimento de deferência, um bloco se destaca ao prestar as devidas vênias aos nossos artistas de antes: o Eduardo e a Mônica.

Lá na gênese desse novo Carnaval está o bloco do Galo Cego, que há 15 anos começava a brincar de democratizar a rua para a folia, no entorno do Gilberto Salomão. Um dos criadores, Lucas Falcão, viu o bloco explodir quando se transferiu para o Setor Bancário Norte, até que, há dois anos, junto com Marquinhos Vital (vocalista), resolveu criar outro, que fizesse releituras do rock candango, só que na batida do samba. O resultado? Em 2017, ano de sua fundação, o Eduardo e Mônica elegeu-se como o segundo melhor bloco de rua, numa pesquisa realizada pelo jornal Correio Braziliense – e foi ao topo do pódio, no ano seguinte. Desde então, não apenas tornou-se ponto fixo do roteiro de blocos obrigatórios dos foliões mais entusiastas da capital, como vem cumprindo uma lista

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de compromissos tão extensa fora do período que virou problema na agenda de seus 15 integrantes, todos oriundos de bandas de rock e seus derivados. “A gente via a necessidade de criar um bloco com a identidade de Brasília. Outros blocos aconteciam, mas nenhum com a identificação com o que a gente, de fato, criou aqui. Nosso legado é o rock dos anos 80 e 90, e nossa ideia foi juntar o que é o nosso patrimônio com a brincadeira do Carnaval”, crava Marquinhos. E nessa toada, além de reler Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude ou Paralamas do Sucesso, há espaço

Fotos: Divulgação

para Raimundos, Maskavo, Cássia Eller e Natiruts. “A gente acredita que os blocos de Brasília são inspirados ou baseados em outros blocos de fora da cidade, e pensamos: não. Nada melhor que a nossa verve cultural tombada – o rock – para fazermos o nosso”, endossa Lucas. O Eduardo e Mônica já deu a largada com oito mil foliões. “Sinal de que o público gostou da ideia de aproveitarmos nossas músicas para curtir Carnaval”, comenta Lucas. “Todas as tribos acabaram curtindo, porque o grande lance da música brasiliense, do rock de Brasília principalmente, pra mim, é a mensagem. Então mesmo que a pessoa goste de samba, goste de outros ritmos e não curta tanto o rock, quando ela ouve uma letra do Renato Russo sendo tocada com uma pegada de samba, ela vai curtir”, complementa Marquinhos. E não precisa muito para constatar a sentença. É convidado para grandes eventos, tocou com os Raimundos num show de retorno da banda à capital, em maio, e já se projeta para fora do País. Cabe ressaltar que, ao contrário de experiências semelhantes que a música brasileira já teve – como o Sambô, que releu clássicos como Sunday, Bloddy, Sunday, do U2 – o Eduardo e Mônica faz delicada seleção de repertório para que o público não esteja, de repente, pulando e sorrindo ao som de Teatro dos Vampiros ou Índios – canções da Legião que são mais identificadas como protestos ou mesmo tristes. “A gente percebe que é zero a antipatia, ao contrário. São várias tribos e três gerações curtindo juntas: pai, avô e neto se divertindo no bloco. E o que está sendo o elo são as letras das músicas e as músicas de Brasília”, diz Lucas. Mas... Se tem uma coisa que os músicos da nossa cidade fazem, e muito, é: a partir do momento em que crescem e ganham projeção para além das fronteiGPSLifetime « 33

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ras do quadradinho, acabam rareando nas agendas da capital. Eles, contudo, garantem que não será o caso: “nosso domingo de Carnaval vai ficar, se Deus quiser, para os nossos filhos e netos. É nossa tradição, é onde a gente começou”, diz Marquinhos, interrompido por Lucas, que é enfático: “é impossível. Primeiro porque a gente já carrega na própria marca: ‘Eduardo e Mônica’ é o rock de Brasília pulando Carnaval. Além disso, todos os integrantes do bloco são de quase uma dezena de bandas daqui. São pessoas que estão aí, na noite, dando o sangue pra ganhar o pão. São pelo menos oito bandas grandes: tem o Capitão do Cerrado, O Bando, Surf Sessions, a banda da Águia Imperial da Ceilândia, Distintos Filhos... Não existe a menor possibilidade de abandonar Brasília”. Compromisso firmado, resta saber sobre expansão de repertório. Os planos, agora, são maiores: “a gente tem sido recebido com muito carinho por Belo Horizonte, vamos começar a homenagear, a cada Carnaval, as bandas de outro estado. Então, por exemplo, ano que vem, queremos fazer homenagem a Minas, aí além das músicas de Brasília, vamos incluir Jota Quest e Skank, principalmente, até porque o baixista do Jota Quest, o PJ, demonstrou um interesse muito grande em levar o Eduardo e Mônica pra lá. A gente quer muito fazer, inclusive, com a participação desses músicos. Já tocamos com o Digão dos Raimundos, Kiko Peres do Natiruts... Ano que vem o

Marcelo Bonfá já disse que quer participar”, adianta Lucas. “E a ideia é brincar também. Pegar músicas do Clube da Esquina, fazer homenagens. Esse ano homenageamos o Marcelo Yuka, que tinha acabado de falecer, e tocamos Bob Marley, pois o reggae tinha acabado de ser tombado como patrimônio cultural da humanidade”, complementa Marquinhos. E tem mais: em breve o bloco deve inserir no repertório músicas autorais e incluir as canções das bandas atuais de Brasília – as que eles próprios compõem. E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão? blocoeduardoemonica

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DE PERTO A GENTE SE ENTENDE MELHOR.

A Câmara Legislativa quer estar sempre perto de você, para ouvir suas necessidades, entender e resolver melhor os problemas da população. É para isso que existe o Câmara Mais Perto de Você, um programa que promove sessões itinerantes do nosso legislativo nas diversas cidades do DF. Assim, a Câmara pode criar leis, fiscalizar o governo e transferir recursos com eficiência para beneficiar o cidadão. Aguarde a próxima edição e participe de perto você também.

A casa do povo bem perto da sua casa.

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Foto: Gustavo Moreno

MÚSICA

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AUMENTA QUE ISSO AINDA É ROCK’N ROLL O PORÃO DO ROCK CHEGA À SUA 21ª EDIÇÃO CONSOLIDANDO-SE COMO UM DOS EVENTOS MAIS LONGEVOS DA CAPITAL. ENTRE DIFICULDADES E ÊXITOS, O LEMA É: REINVENÇÃO POR MORILLO CARVALHO « FOTOS GUSTAVO MORENO

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gno Ma Foto: Alexandre

Capital Inicial

Foto: Alessandro

Dantas

O

ano era 1998 e uma reportagem da Revista Época com este mesmo título, decretava: as bandas do rock brasileiro de 15 anos antes estavam entre a consagração e o ostracismo. A morte de Renato Russo ainda era muito recente e sentida. Plebe Rude dava um tempo, Capital Inicial ensaiava um retorno e os Paralamas do Sucesso recém-lançavam seu Acústico MTV. O desinteresse das gravadoras por novidades neste universo estava latente: era o ano em que Padre Marcelo Rossi estourava nas rádios com seu álbum Músicas Para Louvar o Senhor, que vendeu mais de 3,3 milhões de cópias e foi alçado ao posto de disco mais vendido do Brasil – que mantém até hoje. A despeito deste clima geral, o melhor estava por vir e parte estava escondida em Brasília, no subsolo do bloco A da 107 Norte – ou, no “Porão do Rock”. De apelido do espaço dividido pelas novas bandas que pipocavam a nome de festival, o Porão chega a 2019 com novo fôlego e impulso revitalizante. “O Porão é a história contada em notas musicais distorcidas, é a vitrine da tradição do rock de Brasília, do Brasil e do mundo”, resume Digão, vocalista dos Raimundos. A banda é figura tarimbada do festival desde as primeiras edições, e estará na deste ano. Que ainda contará com Ratos de Porão, Far From Alaska e Surf Sessions. Atrações internacionais como Nuclear Assault, dos Estados Unidos, e Demob Happy, da Inglaterra, já garantiram presença no festival, em agosto. O line up inclui ainda ícones do hip hop como Marcelo D2 e Rincon Sapiência e os mais que originais “Academia da Berlinda”, cujo novo álbum inclui participações de Otto e Lia de Itamaracá. Quem esteve na primeira edição, na Concha Acústica, em 1998, pôde presenciar 12 horas de shows com entrada gratuita. Com Plastika, Pravda, Maskavo Roots

Krisiun

e outras, nascia o evento que, poucos anos após, tornar-se-ia o maior do gênero na América Latina. Migraria para os estacionamentos do Nilson Nelson e do Mané Garrincha e ainda teria uma edição na Esplanada dos Ministérios – a que marcou o retorno da Legião aos palcos. Tudo isso acompanhado de um novo impulso roqueiro no País, que durou a primeira década dos anos 2000, com o ressurgimento das bandas dos anos 80, aliadas às novas, que apareciam em todas as partes, e que levou até mesmo à consolidação de um circuito nacional de festivais – era o Porão, mais o Goiânia Noise e o Abril Pro Rock, em Recife (PE), entre outros. Nos últimos anos, o cenário tornou a ficar difícil. No ano passado, nos bastidores do festival, imperava o clima de última edição e vários dos primeiros achegados estavam presentes. Tal qual o próprio rock’n roll, cá está o Porão em 2019: firme e forte, com novo modelo de negócios e trazendo de volta as bandas locais, nacionais e internacionais. Com direito a loja em shopping e programa na rádio Transamérica e tudo. GPSLifetime « 37

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Angra

Rios Voadores

Foto: Gerdan

“O Porão já foi o maior da América Latina, mas isso foi no passado. O rock estava num outro momento, mais em alta. De uns anos pra cá, nós focamos na questão de não sermos os maiores. Tentarmos ser os melhores, o festival em que as bandas querem tocar, vem com tesão pra tocar, curtem o festival”, sentencia Gustavo Sá, produtor e idealizador do festival. Sem captar recursos públicos, o Porão 2.1 prevê se custear com a venda de ingressos. “Brasília tem esse calcanhar de Aquiles, que é a dificuldade de captação de patrocínio sem verbas públicas e, em função disso, e de promessas não cumpridas, de problemas com o pagamento de verbas da Secretaria de Cultura na gestão passada, decidimos fazer o evento em formato autossustentável: vender ingresso e pagar as contas”. Temor? Que nada. Mais que esperançoso, Gustavo é um resiliente, pois sabe assumir riscos. Em 2009, a convite da Embratur, foi feita uma edição do Porão em Buenos Aires, que resultou num calote de R$ 70 mil, que ele próprio teve de arcar. “Foi uma história bizarra, porque a Embratur retirou o patrocínio dias antes do evento, e ele tomou um baita prejuízo. São as agruras do produtor, mas ele [Gustavo] sabe se reinventar”, diz Pedro de Luna, autor do livro Histórias do Porão. Grupo mais que esperado para este ano é o Rumbora, cuja história se confunde com a do próprio festival. “O Porão foi uma saída que as bandas, na época, encontraram para tocar. Incrivelmente, não tínhamos mais onde tocar. Isso em 96, 97... Aí alugamos a sala na 107 e começamos a conversar sobre fazer o festival”, conta Alf, vocalista. Ele diz que era “incrivelmente”, porque a geração “Baré Cola”, como o cineasta Patrick Grosner batizou as bandas que surgiram nos anos 90 em Brasília – dentre as quais Raimundos, Little Quail e Maskavo – já havia explodido e exportado uma nova leva de sons da capital para o restante do país, e apesar disso a cidade vivia com a falta de espaços para os músicos se apresentarem... Apesar de o disco da primeira edição do festival contar com a música deles, Ó do Borogodó, o grupo não tocou, pois acabava de se mudar para São Paulo e estava em estúdio, gravando. “A gente está na maior expectativa. É sempre demais tocar em casa, tocar no Porão. Ao mesmo tempo é uma pressão muito grande. A gente vai tocar músicas dos três discos, e estamos muito a fim, amarradões”,

Foto: Gerdan

SERÁ A MELHOR EDIÇÃO

diz Alf. Entre os fãs, como o jornalista e professor Guilherme Fontes, não há dúvida de que será um grande momento. Perguntado sobre as expectativas para este ano, ele lista: “ver o show do Dead Fish, que lançou o disco novo (Ponto Cego). Pitty, com a turnê ‘Matriz’. Raimundos, com os 25 anos do primeiro disco. E a volta do Rumbora!”.

AO INFINITO... Entusiasta, roqueiro até o infinito, Fontes coleciona os panfletos do evento. “Inclusive tenho o primeiro, de 1998, e o clássico da volta da Plebe Rude, de 1999.

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Foto: Gerdan Da Foto: Alessandro

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Foto: Alessandro

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Raimundos

Fora setlists e palhetas que peguei lá”, conta. Se depender dele, com ou sem panfleto, o evento jamais terá limites. “Considero o maior festival roqueiro fora do eixo Rio-São Paulo. Quando viajo e converso com as pessoas sobre música e Brasília, logo vem o assunto ‘Porão’. É uma ótima oportunidade para conhecer bandas novas. Vou desde 2005, sem faltar a nenhum até aqui e continuarei indo enquanto houver”, declara. Eagles of Death Metal (EUA), Luxúria (SP) e Vivendo do Ócio (BA) são algumas das bandas que conheceu por lá. Sonha em ver o The Vaccines (Inglaterra) e o Biquíni Cavadão naqueles palcos, e vai além: “The Killers, mas aí é sonho mesmo”. Quanto ao melhor momento? Ah, esse... Quem viveu jamais se esquecerá, e Fontes guarda bem: “Legião Urbana, em 2009. Rolou a participação dos Paralamas do Sucesso, Philippe Seabra (Plebe Rude), Loro Jones (ex-Capital Inicial), PJ (Jota Quest) e do Andre Gonzáles (Móveis Coloniais de Acaju). Foi muito emocionante. Olhava para o lado e todo mundo cantando e alguns até chorando. Realmente, histórico!”, sentencia.

A MAIS LEGAL Hoje escalados como headliners do Rock in Rio, a banda inglesa Muse fez sua primeira turnê pelo Brasil tocando em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Porão do Rock, em 2008. “Só vim para não pagar ingresso pro show do Muse”, brincou a roqueira baiana Pitty, à época, na entrevista que deu pouco antes do início de seu show – que foi exatamente anterior ao da banda inglesa.

REVIRAVOLTAS “Os tempos mudaram. Nunca poderia escrever Inútil hoje, tenho 40 anos e poderia soar ridículo. O Ultraje é um fardo difícil de carregar, mas eu nunca vou abandonar o rock”, disse Roger à revista Época, na reportagem já citada aqui, de 1998. Mal sabia ele que, aos 48, estaria desembarcando na edição de 2006 do Porão – e agitaria uma imensa plateia cantando, dentre outras, a própria Inútil. Com a reviravolta dos ventos pró-rock, o Ultraje voltou a cair nas graças do público. Porão do Rock ZZZSRUDRGRURFNFRPEU SRUDRGRURFN

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DIPLOMACIA

LA BONNE TRADITION ENTRE PLANÍCIES E PLANALTO DAS CAPITAIS PARIS E BRASÍLIA ESTÁ UMA OBRA FRANCO-BRASILEIRA, A EMBAIXADA DA FRANÇA NO BRASIL. A ESTÉTICA SETENTISTA PREDOMINA ENTRE OBRAS DE ARTE E ATMOSFERA TROPICAL POR MARINA

ADORNO « FOTOS GUSTAVO MORENO

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or trás dos portões de ferro da Embaixada da França, em Brasília, esconde-se um verdadeiro paraíso tropical. A representação do país no Brasil surpreende pelo ambiente extremamente acolhedor e mais descontraído do que muitos imaginariam, principalmente devido à fama austera que os franceses carregam. O terreno amplo, localizado na 801 Sul, abriga não apenas a chancelaria e o espaço cultural Le Corbusier,

mas também a residência oficial do embaixador da França, cargo que Michel Miraillet ocupa desde 2017. A discrição dos franceses se faz presente em meio ao silêncio. A língua oficial é sussurrada nos corredores. Até mesmo o canto dos pássaros se sobrepõe aos diálogos em francês. A ideia inicial era de que a embaixada levasse a assinatura do célebre arquiteto Le Corbusier. Ele, inclusive, veio para Brasília em 1962 para conhecer a ci-

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dade antes de retornar a Paris e começar a desenhar o projeto. Ele iria conceber um prisma rodeado por dois planos inclinados para a residência e uma torre de sete andares para a chancelaria. Porém, seus planos para a sede da França em Brasília foram interrompidos de maneira abrupta. Em 1965, o arquiteto morreu vítima de um ataque cardíaco. Diante do imprevisto, o governo francês convidou o discípulo de Corbusier para fazer o projeto, o chileno Guillermo Jullian de La Fuente. A construção ocorreu entre 1972 e 1974. Dois anos mais tarde, a embaixada foi oficialmente inaugurada pelo ministro francês das Relações Exteriores da época, Jean Sauvagnargues. O recanto foi uma das primeiras embaixadas a se estabelecerem na capital. Os materiais empregados na sua construção são todos de origem local: madeira, concreto e piso de cascalho, para relembrar a arquitetura colonialista brasileira.

A mesa do jardim de inverno é usada para ocasiões intimistas

BIENVENUE A chancelaria é recortada por vários jardins internos com plantas tropicais e todas as salas têm acesso para os corredores internos e externos, o que garante ventilação e luz natural. O prédio não possui sequer um aparelho de ar-condicionado, ou ventilador, e os funcionários garantem que não há necessidade. Cobogós arrematam o ambiente charmoso e inserem a estética brasiliense de maneira subjetiva no ambiente administrativo. Sem dúvidas, a boa relação entre o Brasil e a França fica evidente no interieur da embaixada. O país do pão de queijo e o do croissant se misturam de maneira harmônica em todo o espaço. A preocupação com o bem-estar dos funcionários é um diferencial da Embaixada da França. Eles possuem uma piscina própria, um jardim para meditação e, durante a pausa para o almoço, desfrutam de aulas de yoga. Outra iniciativa moderna é a instalação de uma horta orgânica no teto do setor administrativo, dela vêm os insumos para consumo da embaixada. Ao fundo do terreno, atrás da estátua La France, de Antoine Bourdelle, está a residência oficial. Sempre de portas abertas, reflete a personalidade acolhedora de seu atual proprietário, Michel Miraillet. A autoridade tem fama de bom anfitrião e sente prazer em acolher visitantes franceses. Os apartamentos de passagem ou quartos de hóspedes estão frequentemente ocupados. Além de uma atitude amigável, é uma maneira do governo de economizar recursos. O concreto armado, as palmeiras e flores multicoloridas do jardim imprimem um tropicalismo que se afasta das imagens clássicas do que se conhece como França. O to-

A escultura em vidro Homenagem a Matisse, de Marianne Peretti

Vista das duas salas de visita

O aparador em laca do hall sustenta as duas luminárias de Michel Boyer « 43 GPSLifetime

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Cobogós adornam os corredores

que do país europeu se faz presente diante dos olhos mais atentos por meio dos detalhes. O vermelho, o azul e o branco, cores da bandeira francesa, aparecem no décor clean. No hall de entrada o destaque é do mobiliário planejado pelo designer Michel Boyer, que, apesar de francês, homenageou Brasília em suas peças. Como que instantaneamente, a grande luminária de teto que recebe os visitantes da maison remete à uma tesourinha e o abajur, sob o aparador preto de laca, ao Congresso Nacional. Os itens foram criados nos anos 70. Ao entrar na sala, o jardim interno ilumina o ambiente e integra a natureza. Segundo os funcionários, o embaixador brinca que, às vezes, diante do comportamento tão à vontade dos macacos, ele que parece ser o invasor do espaço. Nas proximidades do jardim está uma das peças mais preciosas do acervo, uma escultura, em vidro, Homenagem a Matisse, feita por Marianne Peretti – artista plástica franco-brasileira que também assina os vitrais da Catedral Metropolitana de Brasília. Os dois cômodos de visita são minimalistas e modulados por painéis, que permitem transformar os espaços em salas íntimas ou amplas para comportar grandes celebrações, como a festa nacional francesa do dia 14 de julho, data que marca a tomada da Bastilha. Outra parte importante da casa é sala de jantar de gala, com capacidade para 30 convidados à mesa. E mesmo vazio o espaço tem um toque de imponência. Nas paredes, duas tapeçarias policromáticas do israelense Yaacov Agam. Anexado à área de “banquetes” está outro jardim de inverno, que também possui uma

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O EMBAIXADOR

GUARDIÃ

Em 5 de setembro de 2017, Michel Miraillet assumiu o posto de embaixador da França no Brasil. Antes de desembarcar em solo tupiniquim, passou quatro anos nos Emirados Árabes Unidos e foi diretor de Assuntos Estratégicos e diretor de Política de Defesa, no Ministério Francês da Defesa.

vÀi˜Ìi`>ÀiÈ`k˜Vˆ>œwVˆ>iÃÌ?Փ>}Õ>À`ˆK vigilante e incansável, que representa a república francesa: a estátua La France, de Antoine Bourdelle. A escultura em bronze data dos anos 20 e possui uma réplica idêntica em Paris.

Entusiasmado, aceitou a responsabilidade atribuída por Emmanuel Macron de reforçar a relação bilateral entre os dois países. Para um autêntico parisiense, trocar o estilo clássico e cinza da capital francesa pode não ter sido fácil. Entretanto, o verde vibrante e a arquitetura moderna de Brasília conseguiram conquistá-lo.

>Ã>`œi«>ˆ`iµÕ>ÌÀœw…œÃ]µÕ>˜`œ˜Kœ iÃÌ?ÀiViLi˜`œۈÈÌ>Ã]œLœ“>˜wÌÀˆKœiÃÌ? desacompanhado. Recentemente, a embaixatriz Geneviève decidiu retomar sua carreira como médica especialista em genética na França. Os herdeiros do casal ainda estudam e moram com a mãe. Apesar da distância, o clã Mirraillet se mantém unido. Eles viajam com frequência para amenizar a saudade.

mesa. Entretanto, essa é mais intimista e Michel a utiliza para receber grupos menores e jornalistas. Entre os funcionários, o comentário é que l’ambassadeur (o embaixador) adora redecorar e renovar os ambientes. Orgulhoso, ele exibe as mudanças para os servidores e pede opiniões. “Ele busca valorizar ao máximo a residência, que não é apenas dele, mas também da França”, revelam os funcionários.

As mudanças mais recentes ocorreram no segundo piso da residência oficial, Michel trouxe tapetes novos de uma viagem e deu novas cores aos corredores dos aposentos. Cada quarto possui um nome. Bem-te-vi, Beija-flor e Flamboyant são alguns exemplos. Dentro dos aposentos, os móveis preservam a estética dos anos 70, como o característico pé palito. Todas as peças pertencem ao vasto acervo do Mobiliário Nacional Francês e podem ser solicitados pelas autoridades. Algo irresistível para um entusiasta das artes plásticas. Um quadro de Joan Miró foi um dos pedidos de Michel Miraillet e ocupa lugar de destaque na parede. Por mais que Le Corbusier, um dos franceses mais atuantes e conhecidos no Brasil, tenha morrido sem ter a oportunidade de criar o projeto da embaixada em Brasília, ele é lembrado em um canto acolhedor no corredor. Lá está um exemplar autêntico de um ícone do design francês que foi lançado em 1929, em Paris, e até hoje é altamente replicado: a La Chaise Longue, de Le Corbusier. Foi a maneira encontrada de inserir o arquiteto no dia a dia da mais francesa das terras brasileiras. GPSLifetime « 45

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COZINHA

HÁ QUARENTA ANOS NO BRASIL, OLIVIER ANQUIER REVELA SUA PAIXÃO NÃO SOMENTE PELA CULINÁRIA, MAS ESPECIALMENTE POR PESSOAS. ENQUANTO ADMINISTRA OS NEGÓCIOS, CONTA HISTÓRIAS E CATIVA

Dilvulgação

POR MARCELLA OLIVEIRA

O PADEIRO SEDUTOR 46 « GPSLifetime

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ípico dia de domingo na casa de uma família francesa no final da década de 1960. Primeiro compromisso do dia era ir à missa, depois passavam na feira, compravam os ingredientes e se reuniam na cozinha para preparar o almoço. O patriarca gostava da ajuda dos filhos, ainda crianças, para descascar as batatas. Era obrigação. Mas ali, naquele momento, foi criada uma memória afetiva muito forte no pequeno Olivier. Ele descobria a conexão entre paixão, pessoas, cozinha, temperos e sabores. “Vivemos em busca das emoções e dos prazeres que todos os momentos da culinária podem proporcionar. Há o prazer da boca, o mais evidente; depois o de observar o prazer no rosto das pessoas, que é uma troca imediata. E tem ainda todo o simbolismo que a mesa representa, de união, convivência, partilhamento, valores. Isso nos impregna e levamos para a vida”. É contando essa história que o hoje famoso padeiro, cozinheiro e empresário francês e brasileiro (como gosta de frisar) Olivier Anquier justifica sua relação com a cozinha. “Minha paixão, além das mais óbvias que é minha mulher e meus filhos, é me conectar com pessoas. Amo trocar, compartilhar e conhecer pessoas. Eu sou um contador de histórias, então, amo ouvi-las”, define-se. Se adora contar uma resenha, que comece o nosso papo por uma curiosidade: como veio parar no Brasil. O sorriso que se abre no rosto de Olivier já adianta o entusiasmo em relembrar daquela escolha que mudou sua vida. O então jovem de 20 anos era disque-jóquei em Paris, havia conhecido um carioca dono de uma casa noturna na capital francesa e se encantou pelo jeito tupiniquim de ser. Em 15 de dezembro de 1979, desembarcou no Rio de Janeiro para curtir uns dias de férias no País tropical. “Comprei uma camisa vermelha de manga curta e vim, sozinho, sem falar uma palavra em português”, lembra. Mesmo com a comunicação difícil, naquele mês de férias fez uma descoberta. “A França é um país duro, pesado, sofrido. E encontro um povo caloroso, sempre com um sorriso, jeito suave e alegre? Eu pensei: ‘eu sou assim, é isso que quero para a minha vida’, e decidi ficar”, conta. Da amizade com um francês na praia conseguiu ajuda para regularizar a documentação. Sem dinheiro, precisava trabalhar, mas tinha a língua como obstáculo. A sugestão do amigo para aquele jovem boa pinta foi: “conheço um fotógrafo de moda em São Paulo. Para ser modelo você não precisa saber falar português”. O argumento convenceu e Olivier iniciou a carreira de modelo, que durou nove anos. Entretanto, na memória, o francês guardava a paixão pela culinária e, com a morte do pai, em 1989, as lembranças das refeições em família que tanto marcaram

sua vida ficaram latentes. Decidiu fazer o que quase todo gringo sonha quando conhece o Brasil: abrir uma pousada na praia. Partiu em sua Rural, ano 68, pelo litoral e parou na até então desconhecida Jericoacora, no Ceará. Porém, optou por um restaurante, chamado Aloha. “Eu sabia cozinhar muito bem, mas só o que tinha aprendido em casa. Jericoacora foi minha universidade, onde adquiri o lado profissional da culinária. Na época, a região não tinha nada. Eu que levei o primeiro gerador para lá”, revela. “E não foi só uma experiência profissional, foi uma lição de vida”, completa. A vivência no Ceará durou dois anos e ele voltou ao Rio. Namorava a atriz Deborah Bloch, que, após uma turnê com um espetáculo em Florianópolis, apaixonou-se pela cidade. Uma casinha de pescador em praias catarinenses foi, então, transformada no segundo restaurante de Olivier. “Ali a realidade já era mais perto do eixo Rio-São Paulo, mais movimento, mais estrutura”, conta. Foram mais dois anos até que Deborah descobriu a gravidez e retornaram ao Rio. Depois que a filha Júlia nasceu, a atriz recebeu um convite para gravar uma novela em São Paulo. Foi quando Olivier voltou para a capital paulista. Tinha que se reinventar. Com a experiência de dois restaurantes, mais uma vez voltou a olhar para a família e investiu no dom que está no sangue: fazer pães. Ele é a terceira geração de padeiros e sua mãe tem há muitos anos uma padaria francesa na Austrália. Em 1994, montou o novo negócio. Criava-se, então, o enredo típico de novela: a atriz famosa que se apaixona pelo padeiro. Olivier ganhou o título de “padeiro mais famoso do Brasil”, que carrega até hoje, com orgulho. “Eu saía da imagem clássica do padeiro, que era o português de cabelo branco e caneta atrás da orelha”, diverte-se. Afinal, ele era o francês, bonito, ex-modelo e cheio de charme. Não foi difícil conquistar o Brasil. A popularidade não foi fugaz. Poderia ser passageiro, mas Olivier foi mostrando que o que fazia era consistente.

O COMUNICADOR A fama que conquistou no Brasil rendeu um convite, em 1996, para fazer um quadro de culinária em um programa da Rede Record no formato tradicional, da cozinha montada no estúdio. “Fazia-se culinária na tevê de uma forma quadradinha, chata. Eu pensei: ‘por que esses programas só dão receitas? Por que não contam histórias’. E eu ousei. Foi um mini sucesso”. Em 1998, a Copa do Mundo seria na França e a Rede Globo o convidou para fazer uma série de programas pela sua terra natal. “Por três meses percorremos GPSLifetime « 47

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a França sem saber exatamente aonde ir, mostrando as particularidades que eu nem conhecia do meu próprio país”, lembra Olivier. Com a experiência de culinária, estúdio, câmera, palco, viagem e reportagem, iniciou o projeto no canal GNT que durou 20 anos, o programa Diário do Olivier, encerrado no ano passado. A bordo de seu famoso fusca, conectou-se com diferentes sabores por aí e levou para as telinhas muitas histórias. “Sempre gostei muito da televisão, que é uma ferramenta de educação. Tenho certeza que influenciei muita gente. Não há elogio mais valoroso para mim do que uma pessoa que vem aos meus restaurantes dizer que cozinha por minha causa”, emociona-se.

Em novembro, Olivier completa 60 anos de idade, sendo 40 deles vividos no Brasil. “O que me fez ficar foi o calor, a brasilidade, o olhar leve sobre a vida. Não me vejo mais morando na França”, revela o francês, que em 2007 tornou-se oficialmente brasileiro. Ele orgulha-se do seu português quase perfeito, mas ainda com o charme do sotaque francês. Hoje, o cozinheiro vive em um apartamento no centro de São Paulo com a esposa, a atriz Adriana Alves, e a filha Olívia, de dois anos – é pai ainda de Júlia, de 25 anos, e Hugo, de 21, fruto do casamento com Deborah Bloch. E é ali no centro que ficam dois de seus negócios: a padaria Mundo Pão do Olivier e o restaurante Esther, no térreo e no rooftop do Edifício Esther, respectivamente. “Quem vai abrir no centro da cidade um restaurante no topo de um prédio de onde não se vê nada no meio da rua? Fui ousado. Me chamaram, me chamaram de louco”, conta. O Esther existe há três anos e a padaria há dois. Como a terceira geração de padeiros de sua família, orgulha-se dos produtos que produz. Destaque para o croissant, para o brioche e para o P72, o pão com 72 horas de fermentação e carro-chefe da casa. Com casca grossa e crocante, mais queimadinha. “Na França, tira-se o miolo e come a casca”, sugere. Olivier tem ainda duas unidades do L’Entrecot do Olivier, onde serve o famoso corte de carne ao molho da tia Nicole, segredo de família, com batatas fritas à vontade. Disque-jóquei, modelo, padeiro, cozinheiro, pai, marido. “Ao longo de toda a minha trajetória profissional, o que liga todas elas é me relacionar com pessoas”, diz, coincidentemente segundos antes de ser interrompido por duas clientes com o pedido de uma foto com o famoso chef. Galanteador e muito educado, atende às fãs. “Meu ritual é justamente circular pelos restauran-

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O BRASILEIRO

tes e pela padaria para conversar com clientes”, revela. Olivier faz questão de frisar que, desde que começou a trabalhar no Brasil, usa ingredientes brasileiros. “Não trago farinha importada. Sou 100% verde e amarelo. Meu croissant também é feito com manteiga brasileira”, garante. No fim da conversa, regada à paixão pela comida, fiz a pergunta que ele revelou sempre ouvir: qual o prato brasileiro que mais gosta? Ele garante que não há um favorito, mas, sim, o que mais o surpreende. “O tacacá”, diz. E completa: “é um caldo quente que se toma às quatro horas da tarde no calor úmido da Região Norte. É o mais brasileiro de todos os pratos”. A entrevista era para ter durado uma hora. No total, foram quase três. Cada pergunta desencadeou uma longa resposta, cheia de histórias interligadas, paixão nos olhos ao relatar cada encontro e uma curiosidade sempre presente. E é essa conexão com pessoas que define a forma como Olivier Anquier vive. Olivier é um homem de paixões e, depois da conversa, fica mais evidente que a maior delas, sem dúvida, é a comida. “A cozinha é para juntar pessoas e contar histórias”, conclui.

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GASTRONOMIA

O BOM CONFEITEIRO

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ELE RODA O BRASIL, MAS É EM BRASÍLIA QUE O FRANCÊS DANIEL BRIAND SE REALIZA TODOS OS DIAS, HÁ 25 ANOS, AO RECEBER CLIENTES E AMIGOS EM SUA PÂTISSERIE POR THEODORA ZACCARA « FOTOS GUSTAVO MORENO

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oalhas cor de creme por cima da mesa de madeira. Um tímido vaso de flores no centro. Tons de laranja, marsala, amarelo, e o cheiro de pão e manteiga perfumando o ar quente. O gazebo nasce em meio ao característico verde das entrequadras, como uma pintura de Degas, Monet, Renoir… “Simples, mas perfeito”. As pinceladas não são estranhas ao olhar do observador que conhece a capital: há quase 25 anos, a pintura é quadro característico no museu gastronômico da cidade, e o autor, um simpático francês que parece ter saído das cenas de um filme de Jean-Pierre Jeunet: Daniel Briand. Numa manhã de quarta-feira, Briand recebeu GPS|Lifetime do jeito que sabe, com café e croissant. “Tem que comer com as mãos”, ressaltou o empresário, que doou seu nome ao café que gere há quase um quarto de século. E onde Daniel se separa de Briand? “Não separa”, ri o boulanger, “Minha história e personalidade de misturam muito à pâtisserie”. A paixão tem sabor da infância. Quando menino, cresceu assistindo as mãos do pai tocarem a massa, transformar farinha em pão. Com quinze anos, já era confeiteiro. Do patriarca, aprendeu a fazer a famosa éclair, o croissant que desmancha na mão, o macaron – doce queridinho de Maria Antonieta – e as outras receitas praticamente intocadas no menu da casa. “Busco a inovação, mas o cardápio se mantém sempre dentro da tradição francesa”. E para que mudar? A lúdica bomba de chocolate é, com o perdão do trocadilho, o ganha-pão do spot – um dos itens mais requisitados da carta Daniel Briand. Há tempero brasileiro? Nas panelas, não muito – a culinária é puramente franca. Na vida, a história é outra. “Conheço quase todo o Brasil. Bahia, Minas Ge-

rais... O Rio é especial”, conta, ressaltando os sabores tupiniquins prediletos: feijoada e uma boa caipirinha – pronunciada com a última sílaba bem aberta. “Aprendi o português na marra e ainda cometo os mesmos erros de antes. Frequentei a faculdade para aprender a língua, mas minha escola foi o café”. Inaugurado num sábado em novembro de 1995, o espaço de 27m² era apertado, mas cabia todo o sonho e empreendedorismo do casal Daniel e Luiza. Ela, fotojornalista brasileira, conheceu o hoje marido quando o mestre era professor de confeitaria, do outro lado do Oceano Atlântico. O amor pedia por mudança. Pela esposa, Daniel decidiu exercitar a veia aventureira, e, como dizem lá no Nordeste, veio “de mala e cuia” para a terra do samba. Lá se vão 25 anos vivendo longe de casa, e a paixão pelo Brasil só cresce. “O brasileiro tem uma energia muito forte”. O segredo do sucesso, além da boa comida, é saber delegar. Apesar de acompanhar com olhos de águia o processo de produção da cozinha, Daniel passa longe de ser um bosszilla, e acredita que o futuro de uma empresa está na liderança e na mentoria – Daniel mantém veia de professor – de seu gestor. “Para mim, um chefe deve ser justo, não agressivo. Mantenho um bom relacionamento com meus funcionários, sou como família”, confessa. E acrescenta: “eu não faço mais nada por aqui, estou aqui por que gosto. Posso viajar por um mês para a França e sei que tudo estará em ordem quando eu voltar. Eu tenho confiança”. A pátria-amada é destino obrigatório todo ano. Original de Angers, capital da Província de Anjou, localizada a 300km de Paris, Briand mata a saudade de casa religiosamente, com viagens de um mês de duração ou mais.

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Apesar das décadas em solo candango, ainda é francês “da gema”, e não se desligou de certos hábitos do Velho Continente. Num país onde falar alto é norma, o gálico se distingue pela maneira sussurrada de pronunciar o português. O “calor brasileiro”, entretanto, é algo que admira, e, até hoje, o surpreende. “Na França, quando você gosta de uma coisa, você diz que ela ´não está ruim´. No Brasil, você diz que está ‘maravilhoso’, ‘incrível’, ‘perfeito’. Eu gosto dessa positividade brasileira”. Entretanto se aventurar no desconhecido sempre foi sua zona de conforto. Durante a juventude, deixou os

aconchegos da Europa para “mochilar” no continente africano. A década era 1970, e por dez anos, o filho de padeiro desbravou novos territórios. De volta ao berço, tinha descoberto uma vocação que ia além da gastronomia: ensinar. Numa dessas, conheceu a esposa Luiza, que lhe ensina, entre outras coisas, a simpatia latina. Com sorrisos e apertos de mão, cumprimenta a todos, sem exceção: clientes, empregados, e até aquele rapaz que vive ali no bloco, membro do sindicato. “Bom dia! Tudo bem, Seu Daniel?”, o homem acena, e Briand, retribui. ZZZFDIHGDQLHOEULDQGFRP FDIHGDQLHOEULDQG

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RETRANCA

Balaio IMS

Evvai

SIMPLESMENTE ESTRELAR O ESPÍRITO AUDACIOSO DA FAMÍLIA MICHELIN PRESERVA HÁ 119 ANOS O FAMOSO GUIA GASTRONÔMICO, ATUALMENTE OFERECIDO PELA CASA VEUVE CLICQUOT. SAIBA DOS PREMIADOS NO EIXO RIO-SÃO PAULO POR PAULA SANTANA

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inda no século XVI, as modernas caravelas dos navegadores portugueses ancoravam no Brasil, sem sequer imaginar que, dentre tantas riquezas, havia uma farta terra produtora de exuberantes alimentos. Vieram logo depois os espanhóis, seguidos de holandeses, suíços, africanos, italianos, alemães, japoneses, árabes. Os novos habitantes descobriram e trouxeram iguarias, técnicas e tradições, formando atualmente a fabulosa, eclética e multicolorida culinária brasileira. Centenas de anos se foram e não mais em embarcações marítimas, mas em veículos de quatro rodas, uma nova aventura norteia apreciadores da gastronomia. Em 1900, na França, para divulgar a empresa da família que fabricava pneus, os irmãos André e Edouard Michelin criaram O Guia Michelin –

atualmente oferecido pela Veuve Clicquot – com mapas de estradas e cidades, passeios e serviços. Anos depois, com a fidelização do produto, uma seleção de hotéis entrou para as recomendações da marca, seguida da famosa lista restaurantes. As estrelas sonhadas pelos estabelecimentos vieram na década de 30, provocando uma corrida galáctica em busca do disputado símbolo. A primeira significa que a cozinha premiada é “de grande finesse” e vale cada centavo. Já a segunda enaltece “cozinhas excepcionais” que valem a viagem. As tão desejadas três estrelas significam que o local oferece “gastronomia única». Apesar de existir há 119 anos, a lista teve início oficial no Brasil apenas em 2015, contemplando as capitais Rio de Janeiro e São Paulo. Nenhuma casa

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o Fotos: Dilvulgaçã

Cipriani

Oteque

recebeu a pontuação máxima de três estrelas, mas continuaram com duas delas os estabelecimentos D.O.M, dos chefs Alex Atala e Geovane Carneiro (em São Paulo); Oro, sob o comando de Felipe Bronze (no Rio de Janeiro), e Tuju por Ivan Ralston (SP). Entre as notícias boas, está a entrada dos restaurantes Cipriani, de Nello Cassese (RJ); Evvai, de Luiz Felipe Souza (SP); e Oteque, do chef Alberto Landgraf (RJ), coroados com uma estrela. Já na categoria Bib Gourmand, dos restaurantes acessíveis, estrearam Balaio IMS, Corrutela, Komah, Lília, Pici Trattoria e Barú Marisqueria. Muito se fala sobre o critério de escolha. Funciona assim: os inspetores fazem visitas anônimas. Distinguem os diversos tipos de cozinha, desde a caseira ou a tradicional até a mais criativa ou transgressora. Os especialistas analisam em discussões colegiadas qualidade e temporalidade, conhecimento técnico do chef, originalidade das receitas, o gosto plasmado nas apresentações. “Tentamos transmitir ao pormenor as sensações de um gastrônomo”, pontuam os editores-chefes da publicação. Como dizia Madame Clicquot sobre o segredo do sucesso da marca de champanhe: “apenas uma qualidade, a melhor”.

7XMX

Baru Marisqueria

Pici Trattoria

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DEGUSTAÇÃO

VERSATILIDADE INGLESA A CASA DE CHÁ THE QUEEN’S PLACE, FAMOSA PELOS ARES PALACIANOS, CONTA COM OPÇÕES NO MENU QUE AGREGAM DO CAFÉ DA MANHÃ ATÉ O JANTAR POR GIULIA RORIZ « FOTOS LUARA BAGGI

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ordialidade, delicadeza e sofisticação. Quem frequenta o The Queen’s Place não precisa nem conhecer a Inglaterra para notar que a casa é um pedacinho da realeza britânica na capital. Com um ano de funcionamento, a casa não passa despercebida por quem frequenta a 116 Sul. O primor dos detalhes da fachada chamam a atenção dos que passam, mas engana-se quem pensa que a relevância do estabelecimento começa e termina no

capricho do décor. A beleza é apenas um dos atrativos do espaço. Idealizada pelos amigos Matilde Gemeli e Ricky Araújo, que compartilham a mesma paixão pelo Reino Unido, o The Queen’s Place é a concretização de um sonho. Ao lado da dupla de amigos, os britânicos Matt Hamas e Ian Scarborough embarcaram na ideia e ajudaram a montar o espaço de ares europeus para proporcionar uma experiência diferenciada aos clientes. “O The Queen’s Place foi pensado para proporcio-

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o Royal Afternoon Tea (R$ 99), é composta por mini sanduíches, seleção de mini bolos e scones adocicados, além de tradicionais chás da terra da rainha, é claro. Para uma refeição mais completa, a boa pedida é o stinco de cordeiro marinado em ervas finas, assado lentamente e servido com purê de batatas refinado (R$ 89). O prato principal é perfeito para ser saboreado com uma taça de vinho tinto da casa. Se não tiver tempo para sentar à mesa, passe no balcão da store. Por lá, é possível levar para casa fatias de bolo, cupcakes, biscoitos escoceses e muito mais. Outra dica é visitar o jardim do spot. A cabine telefônica à la Londres é imperdível para os instagrammers de plantão. nar à nossos convidados algo extraordinário. Desde o mordomo na frente da casa recepcionando, o menu em si, com clássicos da culinária internacional, até o décor inspirado na realeza britânica e seus palácios. Cada detalhe foi pensado para transportar o comensal a Londres”, conta o foodie e business man Ricky Araújo. Apesar de ser conhecida como uma casa de chá, o spot vai muito além. Os 82 lugares do point ficam disponíveis para qualquer momento do dia. “Hoje a casa oferece um menu que vai além de nosso famoso chá da tarde. Criamos uma variedade de opções para café da manhã, almoço executivo de três etapas e jantar. Contamos também com um bar completo, com drinks autorais e clássicos. Isso, em si, já é um diferencial, pois são raros os lugares que oferecem tamanha variedade”, explica o empresário. Aos que chegam, uma recepcionista vestido à altura da elegância londrina leva para adentrar o salão espelhado de sofás no estilo capitonê. “Buscamos a perfeição! Nosso alvo é que o cliente tenha uma experiência fluida e sem interrupções, em que o foco é desfrutar de um momento mágico com familiares e amigos como convidados da Rainha”. Sob a luz de três suntuosos lustres de cristal, o menu extenso de clássicos da culinária internacional pode ser decifrado. Entre as especialidades da casa, os tradicionais eggs Benedict (R$ 35), pancakes (R$ 19) e fish and chips (R$ 48). Destaque para

A GREENHOUSE DA RAINHA Os quatro sócios estão abrindo as portas de mais uma unidade da marca. Localizado na QI 21 do Lago Sul, o novo espaço pretende ser uma réplica de cômodos do palácio da Rainha da Inglaterra. “Se chamará Greenhouse. É um projeto que já tínhamos idealizado há algum tempo, e que agora temos a oportunidade de concretizar. Será uma casa com a cara da marca, mas com características próprias, horário, menu exclusivo, entre outras surpresas que estão por vir”, entrega Ricky. A proposta para o novo The Queen’s Place Greenhouse é ser um ambiente mais lúdico que a primeira unidade, que leva o nome de The Queen’s Place English House. O décor do novo local será em parceria com a Choque Design e Arquitetura. “Juntos estamos trabalhando para criar algo surpreendente para nossos convidados. O mood será de estar dentro e fora ao mesmo tempo”. O menu contará com itens exclusivos, sem deixar de lado os best-sellers que consagraram o gastrospot da 116 Sul. “A ideia e que o público viva desejos de sabores e momentos diferentes em cada lugar. Mas vem muita surpresa por aí”, completa Ricky. thequeensplace

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ENOLOGIA

SAFRAS ITALIANAS A EMPRESA BRASILIENSE WINE’S LIFE REALIZA PROVA VERTICAL DO CONSAGRADO VINHO ITALIANO SASSICAIA. SELETOS CONVIDADOS PARTICIPARÃO DO EVENTO,, NO RIO DE JANEIRO POR SABRINA PESSOA « FOTOS FERNANDO PIRES 58 « GPSLifetime

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oportunidade de degustar o passado entre uma taça e outra, podendo embarcar em uma viagem guiada pelos sentidos sensoriais sĂŁo experiĂŞncias Ăşnicas proporcionadas pelas provas verticais. Esse nome ĂŠ usado quando se degusta diferentes anos de produção de um mesmo vinho. E imagine fazer uma viagem no tempo que começa em 1968 e termina em 2016, totalizando 47 safras do famoso rĂłtulo italiano Sassicaia. O momento marca a maior vertical do mundo da Sassicaia, para um seleto grupo de convidados no Rio de Janeiro, nos dias 9 e 10 de agosto deste ano, no cĂŠlebre hotel Copacabana Palace, com diĂĄria incluĂ­da no valor do investimento. Os rĂłtulos serĂŁo harmonizados ao menu italiano assinado pelo icĂ´nico Cipriani, recentemente premiado com a estrela Michelin. AlĂŠm os vinhos ultra premium, a vertical serĂĄ apresentada por Marcelo Copello, um dos principais formadores de opiniĂŁo da indĂşstria do vinho no Brasil. O proďŹ ssional tem expressiva carreira internacional, e foi eleito “o mais inuente jornalista de vinhos do Brasilâ€? pela revista Meininger´s Wine Business International. Para que a experiĂŞncia seja a melhor possĂ­vel serĂĄ dividida em quatro momentos. No almoço do dia 9 de agosto, a vertical terĂĄ inĂ­cio com a atual safra de 2016, recentemente avaliada com 100 pontos, regredindo no tempo atĂŠ 1994. Em sequĂŞncia, no jantar, entram em

cena as safras de 1992 atÊ a primeira e raríssima safra de 1968, inclusive contemplando, nesse intervalo, o famoso Sassicaia 1972, eleito o melhor vinho do mundo em 1976 – quatro anos após seu lançamento. No dia seguinte, a vertical terå início com o Sassicaia de 2015, eleito o atual melhor vinho do mundo, regredindo, safra a safra, atÊ a de 1995. E, para coroar a grande experiência, no jantar serão apresentadas as safras de 1993 atÊ 1971, incluindo o mais famoso e mais caro de todos os tempos: o Sassicaia 1985, com nada menos do que 100 pontos do crítico Robert Parker. O evento serå realizado pela empresa brasiliense Wine’s Life, que possui em sua loja no Lago Sul uma impressionante diversidade de rótulos, dos mais variados países, e conquistou projeção nacional e internacional pela expertise adquirida na condução de eventos enogastronômicos exclusivos. Como exemplos que entraram para a história, foi a primeira empresa do País a tornar possível a realização de verticais completas dos vinhos Almaviva (Chile), Valbuena 5º (Espanha) e Opus One (EUA). Ou seja, vinhos provenientes de três continentes diferentes, todos ícones de seus países. Wine’s life 6+,64,EORFR)/DJR6XO%UDV¯OLD ')

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Rinaldo e Rogério Siqueira Campos

DRINK UP IMPORTADORA BRASILIENSE TRAZ PARA O BRASIL BEBIDAS ALCOÓLICAS ULTRA PREMIUM POR SABRINA PESSOA « FOTOS BRUNO CAVALCANTI

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arimbos no passaporte registram a imersão em diversas culturas, tradições e costumes. E uma bagagem riquíssima é construída a partir do cruzamento de novas fronteiras. Pessoas adictas a viajar tendem a compartilhar todo o aprendizado, prazeres e, principalmente, as experiências pelas quais passou. Esse é o caso dos empresários Rinaldo e Rogério Siqueira Campos, nomes por trás da Importadora e Distribuidora Siqueira Campos. O contato com bebidas de alto

padrão durante grandes festas e happenings nas cidades ao redor do mundo despertou o interesse dos visionários na importação de rótulos premiados para Brasília. A empresa atua no mercado de importações há mais de 20 anos, e agora a aposta certeira é nos produtos de linhas premium, super premium e ultra premium. Alta qualidade e padrões elevados são os pré-requisitos da instituição quando o assunto é a seleção de um novo produto. A capital federal é o projeto piloto da Siqueira Cam-

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LANGLEY’S ENGLAND

Consagrada como a bebida do momento, o gin não poderia deixar de compor a carta de produtos oferecidos pela Siqueira Campos. Criado para selar o acordo entre botânicos e destiladores, o inovador gin inglês First Chapter foi desenvolvido para tornar o gin tradicional mais agradåvel aos novos consumidores da bebida. Ou seja, sua composição mantÊm as características tradicionais do gin com elementos que suavizam o sabor para agradar mais os diversos tipos de paladares.

PRAVDA

Joia entre as vodkas, a premiada Pravda tem caracterĂ­sticas seletas. Ă guas cristalinas retiradas PQĆ‚OFCGPEQUVCFGWOCOQPVCPJCUÂżQ somada a grĂŁos poloneses de sabor delicado. Ela era exclusiva da monarquia polonesa. A Siqueira Campos oferta um produto requintado, cuidadosamente selecionado para o proveito dos consumidores.

STANISLAV pos, que pretende expandir a experiĂŞncia e a atuação para outros estados. Com o objetivo de agitar o segmento local no ramo de luxo, entretenimento e bebidas, a empresa jĂĄ tem os direitos de distribuição e exclusividade da Vodka Pravda, Vodka Stanislav e do Gin Langley’s England. “Estamos fechando contratos com bares e festas pessoalmente. Queremos estar bem prĂłximos de clientes e consumidores de BrasĂ­lia, acompanhando a entrega das bebidas, promovendo experiĂŞncia com elas. Para condizer com a proposta de alto padrĂŁo dos produtos que estamos trazendo para cĂĄâ€?, detalha RogĂŠrio Siqueira, CEO da importadora.

A Stanislav é uma vodka premium da Polônia, caraterizada por sabor e aroma únicos. Graças à sua qualidade, goza de popularidade em todo a Europa. Na sua produção, utiliza-se apenas água de nascente pura, encontrada apenas em uma área de reserva preservada e protegida nas montanhas Beskidy. Destilamos cinco vezes, são selecionados os melhores ingredientes poloneses, proporcionando a ela a graça de um sabor rico e elegante. Importadora e Distribuidora Siqueira Campos  _   #ODQJOH\VEUDVLO #VWDQLVODYEUDVLO #SUDYGDEUDVLO

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GESTÃO

A BASE DA SAÚDE 62 « GPSLifetime

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ATUAR COM AGILIDADE E ASSERTIVIDADE NO MODELO HÍBRIDO DE GESTÃO, PRIVADO E PÚBLICO, NA SAÚDE PUBLICA É O DESAFIO DE FRANCISCO ARAÚJO, DIRETORPRESIDENTE DO IGESDF. O PROJETO É EXPANDIR O FORMATO PARA O PAÍS POR DANIEL CARDOZO « FOTOS GUSTAVO MORENO

Distrito Federal. Aos 50 anos, assume o desafio de comandar o IGES-DF. Araújo explica que as mudanças já começaram a ser feitas. Hoje, quem vai ao Hospital de Base vê uma nova fachada, um novo paisagismo e iluminação com 12 mil lâmpadas de LED. A alteração estrutural é apenas o começo. Internamente, já tiveram algumas conquistas. Como a aquisição de 159 cadeiras de rodas; a abertura de ambulatórios específicos para diabetes e obesidade, infectologia para HIV e AIDS, onco-hematológicos e transplantados; nova sala cirúrgica; e a assinatura de um acordo de quase R$ 4 milhões para que o PET Scan, equipamento de tomografia computadorizada, volte a funcionar. Além disso, Araújo destaca ainda a condução de um processo de contratação de 2,4 mil pessoas. “Fomos a instituição de saúde que mais contratou em todo o Brasil”, afirmou o diretor-presidente. Tantos desafios não intimidam o gestor. “Todo começo é difícil, mas é preciso analisar a situação em que encontramos a saúde do Distrito Federal”, completou. Confira a entrevista. Qual a sua avaliação sobre a nova gestão do Instituto Hospital GH%DVH"

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missão de dar uma nova cara à saúde do Distrito Federal foi dada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Um modelo de gestão, com a participação da iniciativa privada também no Hospital de Santa Maria e em seis UPAs, foi a saída encontrada. O homem escolhido para a missão de conduzir o projeto ambicioso é Francisco Araújo, diretor-presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF), entidade que pretende dar mais eficiência a contratações e sobretudo humanizar o atendimento nas unidades. O complexo administra 1,3 mil leitos. “É preciso repensar a lógica da saúde. O modelo híbrido de gestão, privado e público, dentro do País inteiro é uma solução. Os resultados que nós temos conseguido colher aqui são importantes e temos chamado a atenção de governadores e instituições internacionais”, declarou Araújo, em entrevista exclusiva à revista GPS|Lifetime. Há quatro anos em Brasília, o nordestino acumula experiência em gestão pública. Nascido no município de Coelho Neto (MA) e criado em Maceió (AL), graduou-se em Serviço Social e chegou a ser vereador e secretário municipal de Saúde em Cajueiro (AL) e esteve à frente da Secretaria de Assistência Social de Maceió. Na capital, foi assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e, no início da gestão de Ibaneis, ocupava o cargo de secretário-adjunto de Gestão da Saúde do

Todo começo é difícil, mas é preciso analisar a situação em que encontramos a saúde do Distrito Federal. Falo em saúde como um todo, porque o Instituto está inserido na atenção terciária com o maior hospital, e há outro de grande porte que é o de Santa Maria e seis UPAs. Nosso balanço é positivo porque só no Hospital de Base realizamos seis mil cirurgias nesses primeiros seis meses, abastecemos as UPAs com medicamentos, fizemos reformas e talvez a maior contratação de profissionais de saúde da história do Distrito Federal, pelo instituto. Fomos a instituição de saúde que mais contratou. 2TXHPXGRXHVWHDQR"

Antes não havia transparência. Só havia um questionamento na sociedade de quanto ganhava um diretor, um colaborador. Nós trouxemos essa transparência, que é uma questão central. Tudo que fazemos aqui está público no site do instituto, completamente aberto. Outro ponto foi a humanização. Nossa gestão é focada nas pessoas, em facilitar a vida dos pacientes. ([LVWLDXPDLQVHJXUDQ©DHPUHOD©¥RDRPRGHORLPSODQWDGRQR ,QVWLWXWR+RVSLWDOGH%DVH(VVHIDWRM£IRLVXSHUDGR"

Tudo que é novo, desconhecido, gera, de certa forma, uma inquietação nas pessoas. Nós temos o modelo que está posto, com a gestão da saúde sendo feita pelos municípios, que é regulada pelos estados e financiada pela União. Esse modelo não dá certo. Tanto é que as grandes crises no País estão na saúde e na segurança. É

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preciso repensar essa lógica de fazer saúde. Existe outra tentativa de oferecer serviços que são as organizações sociais. Aqui no Distrito Federal existe, pelo que houve no passado, uma desconfiança por parte do Ministério Público. E o modelo híbrido de gestão, privado e público, dentro do País inteiro é uma resposta e nós acreditamos que seja uma solução. Os resultados que nós temos conseguido colher aqui são importantes. Tanto é que vários secretários de Saúde de outros estados têm nos visitado para conhecer o modelo. Vamos inclusive apresentar esse modelo no Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conas). Mas é claro que é preciso tempo, já que estamos testando um modelo que pode ser a solução. Naturalmente já chamamos atenção da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Ministério de Saúde e dos estados. Todo o Brasil está de olho nesse modelo. Isso aqui era só o Hospital de Base. Esse governo efetivamente criou o maior complexo hospitalar da América Latina. Só o Base e Santa Maria têm mais de 1,3 mil leitos. Construiremos este ano mais seis UPAs. Somos efetivamente um grande complexo, com grandes resultados. Durante muito tempo as pessoas ignoraram a vocação desse KRVSLWDOSDUDDVD¼GHGHDOWDFRPSOH[LGDGH2WUDEDOKRGH vocês também é educar a população sobre procurar as unidades E£VLFDVHPFDVRVGHEDL[DJUDYLGDGH"

Nós estamos fazendo esse trabalho de conscientização, daí a importância de fortalecer a atenção básica. Somos um hospital de trauma e câncer. Não dá para o Hospital de Base, uma unidade com essa estrutura, fazer esse trabalho. Então cada um faz o seu. A Secretaria de Saúde corre com a atenção básica e nós com o atendimento terciário. 'HTXHIRUPD«WUDEDOKDGDDKXPDQL]D©¥R"

Nós servimos chá na porta, fazemos um movimento para tratar bem as pessoas. Trabalhamos com a Fundação Dom Cabral, treinando as pessoas para valorizar o paciente. O resultado disso é um hospital limpo, que prioriza o acolhimento. É a nossa busca permanente, trabalhar a humanização dentro e fora. Fazemos pesquisas de satisfação com pacientes e funcionários. Da rede, somos o melhor avaliado. Até um fato curioso é que o governador do Acre veio até a porta do hospital anonimamente para ver como era o atendimento e comprovou a qualidade. A rede de saúde do Distrito Federal recebe um impacto por conta GDSURFXUDGHSDFLHQWHVGHRXWURVHVWDGRV&RPROLGDUFRPHVVD TXHVW¥R"

A demanda do entorno e do País sobrecarrega, é claro. Se fosse para atender somente pacientes da capital,

“TUDO QUE FAZEMOS AQUI ESTÁ PÚBLICO NO SITE DO INSTITUTO”

Nos primeiros seis meses de 2019, foram realizados

38 transplantes de córnea e outros 12 renais. No mesmo período, a unidade fez 385.954 «ÀœVi`ˆ“i˜ÌœÃVœ“w˜>ˆ`>`i`ˆ>}˜Ã̈V>i 870.566 procedimentos ambulatoriais.

čiÝ«>˜ÃKœ`œ˜Ã̈ÌÕ̜`iiÃÌKœ ÃÌÀ>Ìj}ˆV> de Saúde do Distrito Federal foi consolidada em 30 de janeiro de 2019, com a sanção por «>ÀÌi`œ}œÛiÀ˜>`œÀ°čiˆÈ°ÓÇäÉÓ䣙ˆ˜VÕˆÕ œœÃ«ˆÌ>,i}ˆœ˜>`i->˜Ì>>Àˆ>­,-® e seis Unidades de Pronto Atendimento ­1*čî>œ“iӜ“œ`iœ`i}iÃÌKœµÕi? Vœ˜Ìi“«>Û>œœÃ«ˆÌ>`i >Ãi`iÃ`iÓä£Ç°

seria uma situação diferente. Mas é missão nossa. O sistema é integrado e faz parte do SUS. ‹SRVV¯YHOLPSODQWDUHVVHPRGHORHPRXWUDVXQLGDGHV"

Para o futuro eu acredito que é possível, sim. Até o fim do ano nós temos que consolidar o que está posto, mas já dá para vislumbrar possibilidades de se expandir para outras unidades do Distrito Federal e até de outros estados. 4XDLVV¥RDVSUHYLV·HVSDUDHVVDH[SDQV¥R"

Não tem como dimensionar tempo. O primeiro plano

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é colocar para funcionar o que está posto. Após isso nós pensaremos em uma nova musculatura para o futuro. A população tem uma imagem de que a saúde pública do 'LVWULWR)HGHUDO«GHP£TXDOLGDGH&RPR,QVWLWXWR+RVSLWDOGH %DVH«SRVV¯YHOUHYHUWHUHVVDSHUFHS©¥R"

Para dar uma resposta à altura do que a população precisa, na atenção básica, na prevenção, é onde está a solução. O DF tem quase 600 equipes do Saúde da Família. Na atenção terciária, é muito caro curar a saúde. Mas é lógico que quando a gente chega juntando o volume de cirurgias do Instituto

com o da Secretaria de Saúde, que passa de 35 mil, traz um impacto muito forte na vida da população. Eu tenho certeza de que a percepção da população pouco a pouco está mudando. Estamos falando muito de humanização, temos feito várias intervenções no sentido de colocar colaboradores que estejam comprometidos em dar dignidade humana para a população. O governador Ibaneis cobra todos os dias que a gente trabalhe de maneira resolutiva e rápida, para que o cidadão sinta o resultado. O nosso trabalho de humanização é visto em cirurgia, consulta e acolhimento, dentro e fora das unidades. GPSLifetime « 65

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SAÚDE

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O PROFISSIONAL MAIS VALORIZADO DA MEDICINA BRASILEIRA TEM RAÍZES EM BRASÍLIA. O ONCOLOGISTA PAULO HOFF RETORNA AO SOLO ONDE SE GRADUOU E SE INSTALA NA CAPITAL À FRENTE DA REDE D’OR POR MARINA CARDOZO

uando desembarcou nos Estados Unidos no início dos anos 1990, o médico Paulo Hoff era um jovem profissional recém-formado pela Universidade de Brasília (UnB). Naquele momento, deixou para trás uma estrutura hospitalar que ainda engatinhava para se aventurar no infinito de possibilidades que a academia norte-americana lhe proporcionaria. “Era como se tivesse saído da Terra e aterrissado em outro planeta”, compara. Três décadas depois, a realidade da medicina brasileira, sobretudo na capital do País, nem de longe se parece com aquele cenário. Aos 50 anos, adquiriu muito da sua experiência no MD Anderson Center, de Houston, no Texas (EUA), o principal polo de tratamento do câncer no mundo. Hoje, Paulo Hoff é referência internacional em oncologia. O médico integra a Rede D’Or há dois anos e foi contratado com o intuito de fazer da oncologia da rede a número um do País, após deixar o cargo de diretor-geral do Centro de Oncologia do Sírio-Libanês, que ocupou por muitos anos. A contratação foi noticiada como a maior da história da medicina brasileira. De volta a Brasília, está na linha de frente do DF Star, unidade da rede de hospitais da Rede d’Or que oferece padrão cinco estrelas para atendimentos de alta complexidade. Enquanto supervisiona empreendimentos da rede em nove unidades federativas, o médico estará quinzenalmente na capital para atender seus pacientes, muitos que antes precisavam ir até São Paulo para encontrá-lo. Nesses intervalos, sua equipe – com a médica Lucila Soares da Silva Rocha como seu braço direito – cuida da assistência na capital federal. Brasília e São Paulo, onde mora, são as únicas cidades onde o médico atende pacientes. Mas sua atuação ganhou expressão também na esfera administrativa dos hospitais. Além da rede privada, ele se orgulha de ser um dos dirigentes do Instituto do Câncer de São Paulo desde sua fundação, em 2008. E a agenda ainda mantém um espaço reservado à docência. Hoff é professor titular de Oncologia da Universidade de São Paulo (USP). “Me dedico com afinco à formação de nossos futuros médicos”, resume. Casado com a onco-endocrinologista Ana Amélia Hoff, com quem tem três filhas, Paulo equilibra a rotina puxada com passeios no Parque do Ibirapuera e viagens frequentes ao litoral paulista. Um bom livro sempre está a postos na cabeceira, mas outra distração tem sido deixada de lado por falta de tempo: os jogos eletrônicos. A calmaria das horas livres parece uma exceção, sobretudo para alguém que tem um objetivo traçado: democratizar o acesso ao tratamento médico. “Meu desafio é levar um atendimento oncológico de qualidade ao maior número de brasileiros, independentemente

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Fotos: Divulgação

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de sua classe social�, projeta. Para isso, diz, continua a participar de projetos de ensino e pesquisa, alÊm de concentrar esforços no crescimento e expansão da rede de Oncologia D’Or.

CRESCIMENTO BrasĂ­lia vive uma boa fase no que diz respeito ao investimento em medicina privada. Somente neste ano, alĂŠm do DF Star, outros dois hospitais abriram as portas na capital: o SĂ­rio-LibanĂŞs, na 613 Sul, e o Albert Sabin, na 608 Norte. O oncologista Paulo Hoff, inclusive, participou das tratativas iniciais para trazer o SĂ­rio-LibanĂŞs Ă capital, ainda quando integrava a equipe da rede. AliĂĄs, sua saĂ­da de uma rede para a outra fez barulho no setor.

“Hoje, apesar das diďŹ culdades recentes que o Brasil enfrentou, a medicina brasileira conseguiu nĂŁo sĂł acompanhar, mas reduzir o gap que existia em relação Ă estrutura hospitalar americana e Ă  europeia. Isso se aplica principalmente a BrasĂ­lia, onde a distância era ainda maior. Fico muito feliz que a cidade esteja atingindo uma maturidade na ĂĄrea mĂŠdica. A somatĂłria dessas inauguraçþes recentes vai mudar o patamar de BrasĂ­lia em nĂ­vel nacionalâ€?, comemora o oncologista, que mesmo apĂłs alçar voos tĂŁo altos sempre manteve o registro no Conselho Regional de Medicina do DF. Na avaliação do oncologista, a inauguração do DF Star reete o crescimento exponencial da medicina local. “BrasĂ­lia ĂŠ uma cidade que tem vocação para ser um grande centro de atração de pacientes: localização geogrĂĄďŹ ca central, a existĂŞncia vĂĄrias faculdades de Medicina, e um pĂşblico exigente, que leva Ă  melhoria do atendimentoâ€?, considera. A rede d’Or investiu R$ 450 milhĂľes no projeto em BrasĂ­lia. A maior parte do recurso foi empregada em tecnologia. Mas a concepção vai alĂŠm dos equipamentos de ponta, que sĂŁo aliados ao atendimento humanizado. Segundo Paulo Hoff, o DF Star se trata de um hospital relativamente menor quando se observa o nĂşmero de leitos – sĂŁo 112 de internação e 30 de UTI. “Isso ĂŠ feito de propĂłsito para que o conforto seja uma prioridade. O paciente vem ao hospital para resolver um problema de saĂşde e quer fazer isso da maneira mais eficiente e mais rĂĄpida possĂ­velâ€?, destaca.

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ARTIGO POR CRISTINA SALARO Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – DF

A SUTILEZA DA BELEZA V

ocê sabia que a palavra “estética” vem do grego aisthesis e significa percepção, sensação? E que levamos menos de uma fração de segundo para, inconscientemente, “julgar” o que é belo ou não? A construção dos sentidos e valores acerca da estética facial está cada vez mais presente no nosso mundo moderno, quer você queira, ou não. A autopercepção da imagem de si mesmo influencia a construção da identidade do indivíduo. Nesse sentido, a Dermatologia Cosmética vem abrir espaço a uma nova concepção de beleza. Sabe o medo que você tem de realizar procedimentos estéticos, com receio de não ficar natural? É um medo que muitas vezes não procede, uma vez que o procedimento seja realizado por um profissional competente para tal fim. Vamos tomar como exemplo o preenchimento com

ácido hialurônico para tratamento de olheiras. Se você é jovem, mas tem olheiras, provavelmente irá se beneficiar com este recurso estético. Quando bem indicado, gera resultados surpreendentes e sutis. É o que chamo de “sutileza da beleza”. É frequente ouvir no retorno das pessoas à clínica a frase: “Ninguém sabe o que eu fiz, só dizem que estou ótima (o)”. O fato é: nada nessa área é banal, como pode parecer. Desde a indicação correta do procedimento (quando o médico falar que um procedimento não ficará bom em você, por que precisa primeiro corrigir outros pontos estruturais, para depois partir para essas pequenas imperfeições, acredite. Ele sabe o que fala. Até a escolha do produto, tudo faz diferença no resultado. Fica a mensagem. São sutilezas e fazem toda a diferença.

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GEREONTOLOGIA

FISIOTERAPIA CONTRA O ENVELHECIMENTO SARAH BRANDÃO: “ESTUDOS COMPROVAM QUE A FISIOTERAPIA MELHORA A QUALIDADE DE VIDA” POR ANA MARIA MORAIS « FOTO BARBARA BASTOS

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fisioterapia desempenha um papel fundamental nos cuidados com a saúde, sendo ferramenta preciosa para um envelhecimento vigoroso. A fisioterapeuta Sarah Brandão, PHD, informa que o envelhecimento se inicia por volta dos 30 anos e que estudos comprovam que a média da perda das funções orgânicas e sistêmicas é em torno de 1% ao ano, o que vai aumentando com a idade. No intuito de prevenir as doenças decorrentes dessa perda, o Sarah Brandão Centro de Reabilitação, em Brasília, oferece um novo tratamento: a prevenção do envelhecimento postural precoce. “Se o paciente é jovem, fazemos um levantamento para saber como estão os ligamentos e tendões, os alinhamentos articulares e a tonificação muscular, quando montamos um programa para prevenir a celeridade do envelhecimento fisiológico”, esclarece. Quando a pessoa está acima dos 40 anos, diz a Dra. Sarah, há uma perda de vitaminas, proteínas e de massa muscular, provocada pelos desequilíbrios hormonais, tornando-se necessário um tratamento que compense as perdas e fortaleça ossos e músculos. “Já nas pessoas com mais de 60 anos, é feito um trabalho pensando em como estará a saúde do paciente com 80 ou 90 anos de idade”. Segundo ela, a procura por uma clínica de fisioterapia se dá principalmente por causa de dores de origem musculoesquelética, que estão causando desconfortos a ponto de limitar as atividades cotidianas. “Tem pacientes que nos procuram por conta, por exemplo, com uma dor no cotovelo, daí observamos também disfunções na coluna, que daqui a alguns anos poderá prejudicar o quadril, o joelho etc., então, na verdade, fazemos um trabalho bem completo, buscando uma melhora global e sistêmica”, afirma. A fisioterapeuta destaca que, no trabalho de prevenção da celeridade do envelhecimento, é preciso sempre resolver o fator causal do problema e não apenas os sintomas. “Muitos pacientes chegam no consultório

dizendo que já experimentaram diversas técnicas para melhorar a dor e nada resolveu a longo prazo, pois a dor sempre volta. Assim, é necessário descobrir se existe algum desequilíbrio biomecânico que precisa ser alinhado para essa dor não voltar.” Quando a dor se torna crônica, os níveis inflamatórios do organismo se elevam e a dor se espalha. “A pessoa começa a ter uma série de pontos de dor, sendo preciso trabalhar o reequilíbrio miofascial e biomecânico para que o paciente possa melhorar e preservar sua autonomia. Os programas de exercícios são personalizados e visam ao aumento da força física, trabalhando as diferentes funções musculares e a correta mobilização das articulações. Estudos comprovam que a fisioterapia melhora a qualidade de vida e reduz a procura de idosos por tratamentos invasivos, bem como internações hospitalares”, finaliza. Centro de Reabilitação Sarah Brandão ZZZVDUDKEUDQGDRFRPEU  

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Ă?CONES POR ISADORA CAMPOS @isadoracampos

BRASILIENSES EXPOENTES DEFENSORAS DO EMPODERAMENTO FEMININO, ESSAS BRASILIENSES DEDICAM SEUS TALENTOS EM PROL DE OUTRAS MULHERES, APRIMORANDO SUAS QUALIDADES DE VIDAS

PRISCILA MOKDISSI A joalheira Priscila Quinan Mokdissi ĂŠ o novo nome queridinho para o day wear das brasilienses. Na terceira coleção da marca que leva seu nome, Priscila cria peças autorais em ouro amarelo 18k, com FKCOCPVGUVQR½\KQUEKVTKPQUGUCĆ‚TCU Consideradas pela designer como “peças cool, fun, atemporais e necessĂĄrias para CEQORCPJCTCOWNJGTUQĆ‚UVKECFCq as suas criaçþes sĂŁo versĂĄteis e acessĂ­veis Ă s mais inusitadas composiçþes. ResponsĂĄvel por retornar com a tendĂŞncia do pinky ring, Priscila dedica parte de sua renda a projetos sociais no Distrito Federal. #SULVFLODPRNGLVVL

MĂ RCIA NASCIMENTO Entusiastas de cabelos vigorosos e longos tĂŞm na hairstylist MĂĄrcia Nascimento a sua grande aliada. Renomada pelos mais de 20 anos de trabalho, atua nas mais diversas formas de extensĂľes capilares, tĂŠcnicas indolores que abrangem entrelaçado, polĂ­mero FGSWGTCVKPCĆ‚VCCFGUKXCRTĂ?VGUGUECRKNCTGUĆ‚VCUGVKEVCEU MĂĄrcia tambĂŠm tem se destacado no amparo Ă s mulheres em sua luta contra o câncer, sobretudo o de mama. Em parceria com instituiçþes como a organização Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de BrasĂ­lia, o seu espaço homĂ´nimo, no Lago Sul, jĂĄ atendeu mais de mil mulheres em tratamento oncolĂłgico. “NĂŁo ĂŠ apenas um trabalho estĂŠtico, mas um apoio Ă  luta. Queremos resgatar a vaidade, o cuidado e a alegria dessas mulheres que estĂŁo em um delicado momentoâ€? @studiomarcianascimento

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JOANA COSTA & TAVE GIRLS LĂ­der da ComissĂŁo de Ética do Conselho Regional de Medicina e da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a dermatologista Joana Costa criou um protocolo personalizado Ă s suas pacientes. Batizado como “pĂ­lula da belezaâ€?, o medicamento resulta em uma melhora considerĂĄvel de pele, cabelos e unhas. O composto ĂŠ produzido pelas empresĂĄrias Nadia Yusuf e Tatiana Valença e pela farmacĂŞutica Anelise Taleb, cosmetĂłloga por trĂĄs do conceito da Tave Pharma. Os diferentes ativos oferecem uma redução das linhas de expressĂŁo e da celulite, conforme avaliação mĂŠdica do seu uso. “Atrelaremos produtos industrializados aos manipulados personalizados, proporcionando uma experiĂŞncia Ăşnica e completa ao consumidorâ€?, garantem. #MRDQDFRVWDGHUPDWR#WDYHEUDVLOLD

MANUELA MAGNO Filha do embaixador brasileiro Raymundo Magno, em representação na BolĂ­via, a empresĂĄria Manuela Magno fundou, ao lado da mĂŁe, a uruguaia Socorro Vila Magno, a Maison Singular, que EQOGTEKCNK\CRGĂƒCUFGTGĆ‚PQCECDCOGPVQ resultantes de trabalhos manuais de comunidades indĂ­genas bolivianas. Entre o acervo que vĂŁo de brincos e acessĂłrios em pĂŠrolas barrocas e de ĂĄgua doce, Manuela aposta nos produtos de alpaca, tecido tĂŞxtil considerado como mais nobre que o cashmere. Advindo da Cordilheira dos Andes, o material compĂľe xales, ponchos, vestes e mantas. “Cada peça demora de duas a trĂŞs semanas para ser produzidaâ€?.

IRMĂƒS TOKARSKI & CRISTIANA MENDANHA A clĂ­nica de recuperação capilar de Cristiana Mendanha Rech se uniu Ă s irmĂŁs Romy e Rogy Tokarski para desenvolver a pioneira e genuinamente brasiliense linha de produtos Sweet Therapy. O pioneirismo da farmĂĄcia de manipulaçþes FarmacotĂŠcnica e o vanguardismo da Sweet Therapy resultaram em trĂŞs produtos ideais para o couro cabeludo e QUĆ‚QUVWFQmade in BrasĂ­lia. O principal ĂŠ o Sweet Moment, Ă  base de proteĂ­na e porcelana. “Foi muito interessante trabalhar neste projeto, uma vez que se destina a um protocolo de alta efetividadeâ€?, garantiu Rogy, que assume a diretoria da empresa que soma 50 anos nas manipulaçþes de medicamentos. #VZHHWWKHUDS\EUDVLO#IDUPDFRWHFQLFD

@maisonsingular

SOPHIA CASTRO MĂ XIMO Caçula do clĂŁ Castro e MĂĄximo, Sophia estĂĄ de malas prontas para uma temporada na Suíça. AlĂŠm de frequentar Ă escola, ela irĂĄ estudar gemologia e fazer estĂĄgio em uma renomada joalheria para seguir os passos da mĂŁe, a joalheira Miranda Castro. Aos 14 anos, Sophia jĂĄ lançou duas coleçþes na maison da matriarca. Em atenção aos projetos sociais tambĂŠm valorizados por sua famĂ­lia, incluindo o ativismo do pai, Gilvan MĂĄximo, atual SecretĂĄrio FG%KÆPEKC6GEPQNQIKCG+PQXCĂƒÂżQFQ&KUVTKVQ(GFGTCN5QRJKCNKFGTCQĆ‚EKPCU de artesanato em suas visitas Ă s instituiçþes sociais do DF. #PLUDQGDFDVWURMRDOKHULD

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TECNOLOGIA

EU SOU A GLORIA 76 « GPSLifetime

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UMA ROBÔ HEROÍNA NEGRA E DE OLHOS FARAÔNICOS PRETENDE AUXILIAR MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL EM LUGARES PÚBLICOS E REDES SOCIAIS. SUA CRIADORA, UMA BRASILIENSE PROFESSORA DA UNB POR MARINA CARDOZO FOTOS GUSTAVO MORENO

G

loria e Cristina não se parecem fisicamente, nem têm uma história semelhante. Em comum, elas guardam dados na ponta da língua e dividem uma ambição: mudar o mundo. De carne e osso, Cristina Castro, 42 anos, é professora de Biotecnologia da Universidade de Brasília (UnB). Já Gloria é a sua criação: uma robô heroína que nasceu com a missão de auxiliar mulheres vítimas de violência, por meio da inteligência artificial. Cristina é natural de Brasília e atualmente mora na capital, mas já faz tempo que ganhou o mundo. Psicóloga de formação, ela enxergou o potencial da área de inovação e empreendedorismo a partir de um mestrado na UnB, concluído em 2005. Desde então, não parou. Fez suas malas e dos dois filhos pequenos, estudou na França, Estados Unidos e Canadá até voltar para a capital federal como docente, em 2012, e doutora. Em seguida, o currículo da professora chegou à Casa Branca e ela foi convidada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos a integrar o programa WE Americas. Trata-se de uma mentoria para lideranças femininas em

mais de 20 países, que trabalham empreendedorismo como ferramenta de empoderamento da mulher. Depois, ela também se tornou embaixadora do WEDO no Brasil, programa com objetivos semelhantes, envolvendo 145 países. “Setenta e cinco por cento do perfil de consumo no mundo é estabelecido por mulheres, mas só 6% delas têm cargos de liderança. Isso é um grande gap. Significa que elas predizem o consumo, mas não se empoderam desse processo”, ilustra Cristina. Toda essa vivência a permitia trabalhar com ações que mudassem a vida de mulheres, mas ainda era pouco. O grande insight da pesquisadora veio em outubro de 2018, em mais uma missão internacional, dessa vez na China. No maior parque tecnológico do mundo, em Shenzhen, ela conheceu uma simpática robô que puxou conversa num canto enquanto os demais convidados – todos homens – conversavam. “Naquele momento entendi que trabalhar com inteligência artificial me permitiria tocar qualquer menina, qualquer mulher que sofresse de violência, seja qual for o tipo, em qualquer lugar”, explica a criadora. GPSLifetime « 77

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FORÇA-TAREFA

Assim foi concebida a Gloria: uma super-heroĂ­na que veio parar na Terra, apaixonou-se pelos humanos e resolveu abraçar a causa feminina. Nada foi pensado ao acaso, a começar pelo signiďŹ cado do nome, e sem acento para ser universal. “Desde o ano passado, eu jĂĄ imaginava a Gloria de um jeito. Negra e, principalmente, com os olhos faraĂ´nicos. Porque todas as estĂĄtuas ao longo da histĂłria estĂŁo sempre em condição de vulnerabilidade e subserviĂŞncia, exceto as faraĂ´nicas, por conta de CleĂłpatraâ€?, ressalta. Os tons de lilĂĄs e roxo remetem Ă espiritualidade, enquanto a negritude reete a cultura africana enraizada no Brasil. O avatar ĂŠ assinado pelo artista plĂĄstico Toninho EuzĂŠbio.

INTERAĂ‡ĂƒO Muito alĂŠm de uma personagem, Gloria surge inicialmente para ouvir e interagir com mulheres que precisavam ser escutadas. Para isso, foram criados um site e perďŹ s nas redes sociais, por onde elas podem entrar em contato. Assim, conversam com a robĂ´ e dela obtĂŞm informaçþes sobre como proceder na condição de vĂ­tima de violĂŞncia. Entre os aconselhamentos, Gloria pode indicar qual a delegacia mais prĂłxima e alertar a importância de procurar um hospital, por exemplo. “No futuro, a ideia ĂŠ que a Gloria possa mandar para a polĂ­cia mapas de calor e outros tipos de informação. E tambĂŠm cruzar dados e gerar relatĂłrios mais completosâ€?, projeta Cristina. O efeito Gloria foi instantâneo. ApĂłs 12 horas de lançamento do perďŹ l no Instagram, em abril, mais de 700 denĂşncias foram recebidas. Os dados ainda estĂŁo sendo analisados. “A gente nĂŁo imaginava que as mulheres estavam tĂŁo desesperadas para falar, para serem escutadasâ€?, admite a professora.

Para que a robĂ´ saĂ­sse do papel em poucos meses, cinco empresas estĂŁo envolvidas diretamente no projeto. Mas ainda nĂŁo ĂŠ o suďŹ ciente para que todas as ideias sejam implementadas. Os realizadores buscam apoio de gigantes como Google, Microsoft, Amazon, e a expectativa de que surjam parcerias ĂŠ otimista. Um dos planos ĂŠ levar Gloria para locais de grande circulação de pessoas, como escolas e rodoviĂĄrias, para tornar o mais acessĂ­vel possĂ­vel a chance de meninas e mulheres conversarem e trocarem informação. A partir dessas interaçþes, a robĂ´ vai adquirindo mais informaçþes, formando um grande banco de dados que poderĂŁo ajudar na implementação de polĂ­ticas pĂşblicas. IrĂ´nico ou nĂŁo, a inteligĂŞncia artiďŹ cial tem a proposta de humanizar o acolhimento das vĂ­timas. “O robĂ´ tem uma coisa que a gente nĂŁo vai conseguir nunca: ele pode ser programado para nĂŁo ter juĂ­zo de valor. A Gloria sĂł quer ajudar. NĂŁo me importa a decisĂŁo da mulherâ€?, diz sua criadora. O conceito parte do princĂ­pio de que os dados sobre violĂŞncia provĂŠm de delegacias e boletins mĂŠdicos, que podem conter um viĂŠs que nĂŁo necessariamente expressa a visĂŁo da vĂ­tima. “Assim, saberemos o que a vĂ­tima acha da violĂŞncia, o que ela sente, como ela a descreve. Porque hoje, tudo o que sabemos foi outro alguĂŠm que escreveuâ€?, completa. A iniciativa projeta tantas possibilidades, que se tornarĂĄ o Instituto Gloria. DaĂ­ em diante, o cĂŠu ĂŠ o limite para os superpoderes dessa heroĂ­na. O target inicial do projeto ĂŠ tocar 20 milhĂľes de brasileiros no primeiro ano, mas a intenção ĂŠ expandir para 145 paĂ­ses. “Pode parecer muito, mas esses 20 milhĂľes sĂŁo sĂł 10% da população brasileira. Ainda estou deixando 90% da população de lado. A questĂŁo ĂŠ urgente. Os nĂşmeros de violĂŞncia tĂŞm se mostrado cada vez maioresâ€?, alerta Cristina.

A VEZ DE TODOS Em tempos de discussĂŁo acalorada sobre questĂľes de gĂŞnero, Cristina defende uma abordagem agregadora. â&#x20AC;&#x153;Eu nĂŁo acho que agora ĂŠ sĂł a vez das mulheres, hora de deixar os homens de lado. De jeito nenhum. Sou mĂŁe de dois homens, agora com 21 e 18 anos. Agora ĂŠ um momento da somatĂłria. O problema ĂŠ de todos. A mulher tem ďŹ lhos, companheiro. A gente nĂŁo consegue deixar isso de lado. NĂŁo importa a orientação sexual, religiosa ou qualquer outra coisa. Me interessa o respeito pelo ser humanoâ&#x20AC;?, conclui. Conheça a Gloria: ZZZHXVRXDJORULDFRPEU ,QVWDJUDP)DFHERRNH7ZLWWHU#HXVRXDJORULD <RXWXEH(XVRXD*ORULD

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16 SEGUNDOS, NO BRASIL, A CADA

UMA MULHER É VÍTIMA DE AMEAÇA COM ARMA.* É TEMPO DE AÇÃO CONTRA O FEMINICÍDIO. A NOSSA É PROTEGER. A SUA É DENUNCIAR.

* Segundo o site www.relogiodaviolencia.com.br

DISQUE 180.

O ciclo do feminicídio sempre começa com algum tipo de agressão. E só acaba quando alguém denuncia. Por isso, o GDF criou ações para apoiar e proteger mulheres que sofrem ou já sofreram algum tipo de violência, como a Rede Sou Mais Mulher, Centros Especializados de Atendimento à Mulher, além de delegacias funcionando 24 horas e o monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica e dispositivos móveis. Acesse DF.GOV.BR e saiba como prevenir e combater o feminicídio.

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Secretaria da Mulher

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Divulgação

PERFIL

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PROTAGONISTAS DE SUAS VIDAS EXECUTIVA NA ÁREA DE TURISMO, BEATRIZ GUIMARÃES RECEBEU A MISSÃO DE DINAMIZAR O EMPREENDEDORISMO FEMININO NO DF, QUE RESPONDE POR 53% DO MERCADO LOCAL POR MARCIANA ALVES

“A

trajetória de Coco Chanel não apenas revolucionou o mundo da moda, como também desafiou o papel da mulher na sociedade e contribuiu para a representatividade feminina”. É citando a estilista francesa que nosso papo com Beatriz Guimarães começa. Os olhares nunca estiveram tão voltados para incentivar as mulheres a assumir um papel de destaque no empreendedorismo. E muitas delas já mostraram que são capazes. Recém-designada para comandar a Câmara de Mulheres Empreendedoras da Federação do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio-DF), a administradora de empresas Beatriz Guimarães quer ajudar no desenvolvimento do empreendedorismo feminino no Distrito Federal e na melhoria do ambiente de negócios para as mulheres. Como fazer isso? “Vamos acolher, aconselhar e encorajar as mulheres para que sejam protagonistas de suas vidas”, enfatiza. Aos 50 anos, a brasiliense foi escolhida pela habilidade em gerir e administrar. Mãe de três filhos, ela tem uma trajetória dedicada ao setor de turismo do DF. Logo no início da carreira, um projeto instigante deu a ela a responsabilidade de comandar um empreendimento familiar: a Fazenda Recreio MUGY, que tinha como foco a educação complementar e a vivência com o meio ambiente. Sob os cuidados de Beatriz, na época, o local chegou a receber cerca de 20 mil crianças e se tornou referência no turismo rural do DF. Ela sempre andou por territórios ocupados na grande maioria das vezes por homens e está ciente da grandeza das responsabilidades que assumiu para si. “Fui chefe aos 26 anos. Era muito jovem e para impor mais respeito comecei a me vestir sobriamente, o que acabei incorporando na minha vida. Me acham uma mulher muito positiva e direta, às vezes até brava, provavelmente por isso não tenha sofrido tanto assédio e desrespeito”, relata. Em 1997, ela quis arriscar em uma proposta inovadora. Após muitas negociações, criou o primeiro albergue da juventude de Brasília, ligado à Hostelling International. “Desde o projeto, a solicitação de cessão do terreno, os trâmites legais, até a construção, na época, muitos me chamavam de maluca, mas nunca duvidei que iria conseguir”, recorda. Com o feito, ela se tornou a primeira mulher brasileira a ser membro da federação internacional. Beatriz foi responsável pelo projeto referência na formatação de Roteiro e Inventário Turístico do DF. Como consultora elaborou mais de 20 projetos, inclusive com premiação fora do Brasil, e foi durante oito anos membro do Fundo de Turismo do DF (Fitur) e do Conselho de Desenvolvimento de Turismo do Distrito Federal (Condetur-DF). Depois, elaborou projetos culturais voltados à valorização do patrimônio

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Foto: Gustavo Moreno

e ao resgate da mĂşsica e das raĂ­zes culturais, que lhe rendeu o convite para participar da Câmara TemĂĄtica de Turismo da FecomĂŠrcio, antes do novo desaďŹ o proposto pela instituição. ConďŹ ra a entrevista. 4XDQGRVHIDODHPHPSUHHQGHGRULVPRTXDODSULPHLUDPXOKHU GHVXFHVVRTXHYHP¢VXDPHQWH"

Sem dĂşvidas, a estilista Coco Chanel. Por trĂĄs de todo o sucesso no mundo da alta-costura existe uma trajetĂłria admirĂĄvel de trabalho e dedicação que, nĂŁo apenas revolucionou o mundo da moda, como tambĂŠm desaďŹ ou o papel da mulher na sociedade e contribuiu para a representatividade feminina. 4XHĆ&#x201C;JXUDIHPLQLQDWHLQVSLUD"

Margaret Hilda Thatcher. Numa ĂŠpoca em que o mundo era governado e liderado apenas por homens, ela foi um sĂ­mbolo de força, poder e determinação da mulher na polĂ­tica mundial. Margaret inspirou mulheres a lutar pelos seus direitos e conquistar posiçþes de destaque na sociedade, se manteve ďŹ el a seus princĂ­pios e conseguiu mudar os rumos do Reino Unido. 4XDOÂŤRLQWXLWRGD&¤PDUDGH0XOKHUHV(PSUHHQGHGRUDV"

A Câmara visa fomentar o empreendedorismo feminino, aumentar seus rendimentos, gerar empregos, ter sustentabilidade no mercado e, sobretudo, ser independente. Iremos atuar em três frentes: sensibilização, articulação e criação de uma rede de parceiros.

Qual a importância de criar uma rede de apoio às mulheres que GHVHMDPHPSUHHQGHU"

As mulheres sofrem de vårias formas, mesmo representando 53% de todas as iniciativas para abertura de empresas no País. Seja na hora da aquisição de um emprÊstimo para o negócio ou mesmo em relação ao apoio familiar. Temos que apoiar em duas åreas complementares: são os Soft Skills e os Hard Skills, pretendemos abordå-los por meio de cursos, design thinking, eventos culturais, lives, maratonas de negociação, meet up, mentoring, missþes empresariais, palestras, seminårios, talk shows, webinårios. 4XDLVV¼RRVSULQFLSDLVREVW£FXORVQR%UDVLO"

O principal ĂŠ o preconceito de gĂŞnero, que desencadeia uma sĂŠrie de açþes inconscientes e culturais que precisam ser mudadas, desde a educação dos nossos ďŹ lhos em casa, atĂŠ a posição na escola e no mercado de trabalho. A responsabilidade disso surge do fato de o mundo dos negĂłcios ser mais tradicionalmente associado a homens e, inclusive, com taxas mais altas no acesso ao crĂŠdito, menor faturamento, menor taxa de crescimento das empresas, menores taxas de inovação, entre outros... 3RUTXHFDGDYH]PDLVPXOKHUHVWÂŹPGHFLGLGRHPSUHHQGHU"

As mulheres decidem empreender por diversos motivos, como a necessidade de mais ďŹ&#x201A;exibilidade de horĂĄrios, trabalho home ofďŹ ce, diďŹ culdade de encontrar colocação no mercado. Vale tambĂŠm destacar a realização proďŹ ssional e a participação na economia.

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ESTUDO

2100

O PLANETA INSUSTENTĂ VEL IMAGINE UM DONUT. E NINGUĂ&#x2030;M PODE CAIR NO BURACO DO BISCOITO. Ă&#x2030; ASSIM QUE A INGLESA KATE RAWORTH TRADUZ A NOVA ECONOMIA MUNDIAL, EM QUE DOIS BILHĂ&#x2022;ES DE PESSOAS VIVEM COM TRĂ&#x160;S DĂ&#x201C;LARES POR DIA POR ALINE VESSONI

A

inda na adolescĂŞncia, a economista britânica Kate Raworth observava com perplexidade os rumos do planeta. Ela, entĂŁo, resolveu estudar economia para tentar colaborar com a construção de um mundo sustentĂĄvel. Mas, ainda na universidade, ela se desencantou com os estudos: como eram possĂ­veis teorias ainda estarem centradas em defesas do sĂŠculo 19? A economia hĂĄ sĂŠculos estĂĄ baseada no crescimento contĂ­nuo, mas para aonde esse movimento desenfreado poderia nos levar? Para Kate â&#x20AC;&#x201C; e para qualquer um que acompanha as notĂ­cias todos os dias â&#x20AC;&#x201C; a resposta ĂŠ evidente: ao colapso. Pois ĂŠ. Como ela bem apontou em seu livro Economia Donut: Uma Alternativa ao Crescimento a Qualquer Custo (Zahar), alguns dos nĂşmeros que traduzem a humanidade, hoje em dia, sĂŁo vergonhosos: cerca dois bilhĂľes de pessoas vivem com menos de trĂŞs dĂłlares por dia e o grupo 1% mais rico detĂŠm mais riqueza que todos os outros 99% juntos. Sem contar que o crescimento nĂŁo traz apenas desigualdades, mas a vulnerabilidade do planeta. E aĂ­, serĂĄ que vale a pena crescer? Os nĂşmeros estĂŁo mostrando que nĂŁo. Kate acredita que ĂŠ preciso rever a economia urgentemente, nĂŁo dĂĄ mais para crescer. Ela

escreveu um livro sobre isso e durante sua passagem pelo Brasil, com a palestra Como Mudar o Mundo, conversou com a nossa reportagem sobre economias possĂ­veis, desigualdade de gĂŞnero e maneiras de colaborar, individualmente ou em rede. &RPRH[SOLFDUDWHRULDGRGRQXWSDUDQÂĽRHFRQRPLVWDV"

NĂŁo tem nada especĂ­ďŹ co da economia no donut. Na verdade, os economistas ĂŠ que acham difĂ­cil entendĂŞ-lo. Ă&#x2030; uma forma para se pensar o bem-estar no sĂŠculo 21, e ele se parece com um donut com o buraco no meio, sendo que o objetivo ĂŠ nĂŁo deixar ninguĂŠm no meio, no buraco. Todo mundo precisa estar dentro do donut, mas nĂŁo podemos extrapolar o teto do donut. Colocamos tanta pressĂŁo no planeta que começamos a exaurir seus recursos. EntĂŁo, a ideia ĂŠ garantir as necessidades de todas as pessoas em equilĂ­brio com as necessidades do planeta. 9RFÂŹRIHUHFHGDGRVFKRFDQWHVVHQÂĽRPXGDUPRVQRVVDIRUPD GHFRQVXPLUHSURGX]LUHPYDLHVWDUEHPGLIÂŻFLOYLYHUQHVVH SODQHWD(PFRPRDXPHQWRGH|&QDWHPSHUDWXUDPÂŤGLD JOREDOLPSRVVÂŻYHO9RFÂŹDLQGDFRQVHJXHVHURWLPLVWD"

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Eu não sou otimista, porque eu acredito que quando as pessoas se tornam otimistas, eles também relaxam. Nós não estamos no caminho certo, precisamos fazer mudanças significativas em nós mesmos e no sistema em que vivemos. Mas eu também acredito no perigo das pessoas se tornarem pessimistas. Entre esses dois polos, eu só posso encontrar energia, e me orientar, através de ações e, por isso, também me cerco de pessoas que estão agindo, seja no jeito deles de ensinarem, ou na maneira como organizam seus negócios, na comunidade, ou até mesmo em suas casas. Todas as pessoas que estão agindo começam a colocar em prática padrões, o que convergiria para novos modelos de economia. E esta é a única maneira de mudar. Você relata que percebeu a inadequabilidade dos estudos de HFRQRPLDGHVGHRLQ¯FLRGDIDFXOGDGH4XDQGRIRLTXHYRF¬ SHUFHEHXTXHSRGHULDGHIDWRPXGDUDOJXPDFRLVD"

Eu nunca quis ser chamada de economista, nunca me apresentei desse jeito, então eu não sabia o que eu era, e não tinha identidade profissional. Trabalhei em Zanzibar (África), nas Nações Unidas, na OxFam. Até que fui mãe

em 2008. Então, quando eu estava cuidando dos bebês, o sistema financeiro mundial estava quebrando. Nos jornais, dizeres do tipo “como nós não vimos que isso estava chegando? Precisamos reescrever a economia”. E eu me senti muito brava, “como assim, nós só vamos reescrever a economia agora que temos uma crise financeira? Quando há décadas enfrentamos um sistema de desigualdade econômica e uma crise climática e ecológica sem precedentes”. Eu então desenhei essa imagem do donut, em 2012, e teve muita repercussão internacional. Essa imagem abriu portas para novas conversas, repolitizando debates que antes pareciam apolíticos. Então, deixei meu trabalho para escrever um livro que garantisse reescrever a economia, e que discutisse tanto a crise financeira quanto a ecológica e social. (GHDOJXPDIRUPDLVVRHVWHYHOLJDGRFRPDPDWHUQLGDGH"

De repente, eu fiquei totalmente sem tempo, por estar cuidando de gêmeos. Tornar-se pai/mãe afeta a maneira como você pensa. Quando se tem um recém-nascido no colo, você só quer que ele esteja seguro, e pensamos no mundo em que os criamos. Não é coincidência que mui-

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tos pais se mobilizam para agir contra as mudanças climåticas. Acredito que tudo esteja conectado. AlÊm disso, a maternidade tambÊm faz pensar sobre a importância do trabalho domÊstico e de cuidado não remunerado, tradicionalmente feminino, em como ele Ê essencial para a continuidade e o bem-estar da nossa sociedade, mas amplamente ignorado da economia formal. Então, sim, a maternidade foi uma experiência de formação. )RUDGDVWHRULDVIHPLQLVWDVSRXFRVHIDODGDQ¼RUHPXQHUDŠ¼RGH WUDEDOKRVHVVHQFLDLVFRPRDVWDUHIDVGRPVWLFDVHGHFXLGDGR

Grande parte das pessoas faz um curso que se chama Econ 101 [muito comum nos Estados Unidos e na Europa], e depois acabam seguindo carreira como polĂ­ticos, empreendedores, jornalistas, mĂŠdicos, advogados, levando com eles o mindset. As questĂľes de gĂŞnero [dentro da economia] acabam ďŹ cando para mestrados ou doutorados. Adam Smith escreveu em A Riqueza das Naçþes: â&#x20AC;&#x153;nĂŁo ĂŠ da benevolĂŞncia do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles tĂŞm pelo seu prĂłprio interesseâ&#x20AC;?. Esta sentença foi idolatrada a ďŹ m de provar o poder do mercado. A grande ironia ĂŠ que, aos 43 anos, quando resolveu escrever esse livro, ele voltou a morar com a mĂŁe, sem esposa ou crianças para acordĂĄ-lo Ă s 3 da manhĂŁ. Enquanto ele escrevia o livro, ela fazia o jantar toda noite. Ele escreveu que nosso jantar dependia do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro graças ao poder do mercado; quando, na verdade, era sua mĂŁe que cozinhava o jantar

no cĂ´modo ao lado. Adam Smith poderia ter inventado a economia feminista, naquele momento, em 1776. Mas isso ďŹ cou de fora da economia por mais de 200 anos. 0DVVHHVSHUDUPRVHVVDVPXGDQŠDVGRJRYHUQREUDVLOHLUR

NĂŁo ĂŠ preciso esperar. As mudanças acontecem em todos os nĂ­veis, nĂŁo precisa começar de um lugar especĂ­ďŹ co. Sabe aquele brinquedo de carrinho, o bate-bate? Algumas vezes, todos os carrinhos ďŹ cam presos, parados, em um canto e ninguĂŠm pode sair dali. Mas algo acontece, e, de repente, todos estĂŁo se mexendo novamente, e eu penso nas mudanças como nesse brinquedo. NĂłs precisamos fazer mudanças em todos os nĂ­veis e lugares ao mesmo tempo. Se em um paĂ­s, hĂĄ um governo que nĂŁo tem postura de liderança, as pessoas vĂŁo aparecer e liderar. Nos Estados Unidos, por exemplo, Trump nunca serĂĄ um lĂ­der no que diz respeito a mudanças climĂĄticas. Ă&#x2030; assim: lĂ­deres surgem quando aqueles que deveriam liderar falham. Ă&#x2030; isso que me dĂĄ esperança, porque hĂĄ resiliĂŞncia e criatividade, e liderança latente em todos os lugares. A Finlândia vai acabar com as emissĂľes de carbono atĂŠ 2035. Eu acredito que precisamos de comunidades, de redes. NĂłs nos sentimos mais motivados a agir, ao saber que todos estĂŁo agindo e dando duro. Ao mudar a maneira como me desloco, mudando meu dinheiro para outro banco, trocando meu abastecimento de energia, quando as pessoas começam a fazer essas pequenas mudanças, elas sentem uma fonte inesgotĂĄvel de poder e motivação.

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No trânsito, dê sentido GPSLifetime à vida.« 87

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SOCIAL

Janete Vaz e Anne Wilians

A noite reuniu mulheres engajadas

Luciana Marsicano e Ana Paula PadrĂŁo

Luciana Marsicano, Ana Paula PadrĂŁo e Anne Wilians

As sĂłcias do escritĂłrio Nelson Wilians & Advogados: Carol AraĂşjo Mendes, LĂ­via de Moura Faria e Tainah Mello

A primeira-dama do DF, Mayara Noronha

MULHERES NA LIDERANĂ&#x2021;A

Anne Wilians

O escritĂłrio de advocacia Nelson Wilians promoveu no GPS Lounge, no UJQRRKPI+IWCVGOK$TCUĂ&#x2030;NKCWODCVGRCRQGURGEKCNUQDTGQUFGUCĆ&#x201A;QUPCECTTGKTC FGVTCDCNJQEQOOWNJGTGUKPĆ&#x192;WGPVGUFCECRKVCN/GFKCFQRGNCLQTPCNKUVC#PC Paula PadrĂŁo, o talk contou com palestras da advogada Anne Wilians, das empresĂĄria Janete Vaz e ClĂĄudia Pereira, e da diretora da Tiffany no Brasil, Luciana Marsicano. A primeira-dama do DF, Mayara Noronha, tambĂŠm participou do encontro. FOTOS LUARA BAGGI Janete Vaz

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Ana Paula PadrĂŁo

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SOCIAL RETRANCA

Adriana Bertolacine, Carmen Difforene e Livia Moura

Carlos Castelhanos e Patrícia Garrote

Conhecida por seu trabalho com as causas femininas, Patrícia Garrote inaugurou o novo escritório de advocacia com uma recepção para seletos convidados. Em parceria com quatro advogadas, o endereço, na QI 11 do Lago Sul, tem WOUKIPKƂECFQGURGEKCNRCTC Patrícia: foi onde ela começou a dar seus primeiros passos na carreira jurídica. Com mailing de Marcelo Chaves, a noite foi animada pelo DJ Filipe Alencar, teve buffet Sweet Cake e doces personalizados com a nova marca, feitos por Maria Amélia.

Patrícia recebeu os amigos em noite de celebração

Fotos Myke Sena

DE VOLTA ÀS ORIGENS

Carlos Castelhanos, Patricia Garrote e André Castelhanos

Cláudia Tolentino e Marcelo Chaves Erica Norima e Luiz Uchoa Fernando List e Marilene Matos

Priscila Castro e Jeanina Daher

Lethicia Hammerschmidt

Janaina Miotto, Ana Paula Guedes e Jessica Alencar

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Com Estefania Viveiros

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SOCIAL

Paulo Octávio

Renato Bettiol

Roberto Luz

&RPRƓOKR/XLV2FW£YLR

Cláudia Pereira

Maestro Cláudio Cohen

Gabriela Alcoforado

O advogado Luis Carlos Alcoforado recebeu amigos e admiradores para uma manhã de autógrafos dos livros Relógio do Tempo e Incompletude. O encontro foi no Espaço Cult PauloOctavio, com a música suave do maestro Claudio Cohen. FOTOS GUILHERME OTHON E LUARA BAGGI

Pedro Gordilho

MÚSICA E POESIA Antônio de Castro

Wilma Pereira

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ESPECIAL

UMA QUESTÃO DE RESPONSABILIDADE 94 « GPSLifetime

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POR MARCELO SEBA*

“T

u te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. O eterno lema do Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry me faz pensar no valor da responsabilidade como a essência para todos os atos da minha vida. Explico: Nasci na cidade de Cuiabá, Capital do Estado de Mato Grosso, em setembro de 1976, de uma família simples, unida e abençoada, composta de seis pessoas, sendo, além de mim, mais 3 irmãos (Cristiane, Marcos e Márcio Seba) e meus Pais (Cleide e Benedito Seba), os quais sempre foram minha base e fonte eterna de inspiração como família, ser humano e cidadão... Compreender os valores que me foram passados é uma busca constante em minha vida e por meio dos quais sempre procuro me guiar. Quando criança, um sonho curioso me inquietava: queria conhecer pessoas e lugares diferentes, estabelecer relações. Talvez tenha sido o espírito aventureiro, a ousadia de encarar desafios e estabelecer metas, a determinação e a persistência os motivos que me levaram a buscar na advocacia um caminho para alcançar meus objetivos, e tornar realidade esse sonho de criança.  Alguns se perguntarão: advocacia? Não teria outra área de ação mais aventureira para explorar e alcançar aquele sonho?  Processos, defender pessoas e causas? “Deve  ser chato estar confinado em escritórios, Tribunais…” Bem, podemos ter diversas visões da função e da atuação do advogado. A que escolhi é a que busca entender as pessoas e suas instituições de uma forma mais humana. Advogar para melhorar a capacidade de sobrevivência das organizações, advogar pensando nas pessoas que poderiam estar em situações delicadas, fragilizadas. Afinal de contas, da mesma forma como a medicina, a advocacia é uma ferramenta de contenção, de ajuste, de transformação, de tratamento para proteger pessoas e organizações, a partir do direito defendido. Vejo na Advocacia a busca do equilíbrio na relação de interesses entre as partes dentro de um regramento estabelecido neste plano em que vivemos, daí a importância de sermos profissionais antes de mais nada, diante do papel público que exercemos, contudo, dentro do que sou e acredito, sem perder a referência do que está por trás de uma instituição ou organização, os elementos humanos que dali tiram seu sustento, realizam-se profissionalmente, compartilham suas experiências, seus valores... Enxergar sob essa perspectiva me dá a noção exata do meu dever e eleva a minha gratidão pela escolha que fiz. Quero revelar que aquele sonho de criança, de conhecer pessoas e mundos diferentes, somou-se ao poder de trazer felicidade e tranquilidade aos meus semelhantes, e alguns dos quais se tornaram meus clientes e amigos. Tenho para mim que a máxima do equilíbrio aplicado aos

“A RESPONSABILIDADE DE TODOS É O ÚNICO CAMINHO PARA A SOBREVIVÊNCIA HUMANA.” Dalai Lama

casos em que atuei em defesa do direito de meu cliente, independentemente dos resultados e dos ganhos hoje somados, asseguraram o dever de consciência e de responsabilidade social em prol da Sociedade, mesmo a partir de um simples diagnóstico prévio, da construção e consolidação de ideias (consubstanciadas em teses jurídicas) permeadas de estratégias jurídicas implementadas e maturadas ao longo do processo/caso, sejam elas compiladas em estudos jurídicos (notas técnicas, pareces, legal opinion) ou no contencioso da clássica advocacia. Já se passaram mais de vinte anos desde a minha formatura e observo, com serenidade, o percurso penoso e árduo que passei para alcançar os resultados positivos e consolidados na Seba Advogados. Um escritório que definimos como inovador, pautado na busca de soluções criativas e com enfoque em resultados sustentáveis. Não há nada mais importante do que tratar com esmero e gentileza, atenção total, nossos clientes ou mesmo aqueles que nos procuram para uma consulta inicial. Afinal de contas, criar uma cultura inovadora dentro de um ambiente bastante tradicional como a advocacia é sem dúvida um grande desafio. Por outro lado, vivemos numa sociedade em crescente transformação, açoitada por crises econômicas, sociais e ambientais. Nesse contexto, cada vez mais, nós advogados temos que nos adaptar às mudanças para entender as situações adversas enfrentadas pelos nossos clientes, e sermos capazes não somente de visualizar como de prevenir e alertar possíveis problemas.  Na área tributária, na qual nos especializamos, em especial no terceiro setor, atendemos importantes instituições de educação e percebemos a responsabilidade que temos em nossos ombros. Confesso que muitas vezes acordo de madrugada em sobressalto, pensando nos GPSLifetime « 95

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casos a serem tratados, (nĂŁo desejo isso para ninguĂŠm!) Ê uma questĂŁo de responsabilidade profunda, e, apesar de muitas vezes ser dolorosa a construção do processo, torna-se prazeroso e gratiďŹ cante quando conseguimos ajudar nossos clientes a enfrentar e vencer situaçþes verdadeiramente dramĂĄticas.  Alcançados os resultados desejados, sinto-me muito bem ao pensar no papel social que cada cliente exerce e contribui no meio em que se insere, nas famĂ­lias representadas por cada funcionĂĄrio e empreendedor que estĂĄ por trĂĄs de cada entidade, e me orgulho de poder ajudar a reduzir problemas, solucionar conďŹ&#x201A;itos, proporcionar resultados importantes aos clientes, em alguns casos afastamos o risco de comprometimento de perpetuação das organizaçþes, de legados, e os consequentes desdobramentos desse fato.   Segundo Abraham Lincoln, â&#x20AC;&#x153;vocĂŞ nĂŁo consegue escapar da responsabilidade de amanhĂŁ esquivando-se dela hojeâ&#x20AC;?. E se queremos ter sucesso, esse pensamento deverĂĄ gestar dentro de nĂłs inicialmente. John Lennon aďŹ rmava que ĂŠ uma falta de responsabilidade esperarmos que alguĂŠm faça as coisas por nĂłs.  Atuamos em todo o territĂłrio nacional e temos como meta tambĂŠm expandir para outros mares. Na Seba Advogados temos como lema â&#x20AC;&#x153;inovar sempreâ&#x20AC;?, sermos, quando chamados, verdadeiros investigadores, incansĂĄveis Sherlock Holmes, buscando entender o problema da empresa ou da organização dentro da realidade por ela vivenciada.   Responsabilidade social...Talvez seja uma obsessĂŁo minha. Sempre busquei junto com a minha equipe desenvolver o trabalho com o compromisso do bem-comum, em favor de uma sociedade mais justa, seja nos diagnĂłsticos prĂŠvios elaborados aos clientes, nos processos, nos mapeamentos, no conhecimento do quadro a ser enfrentado, nas atividades ou nas colaboraçþes 100% Probono em favor das entidades beneďŹ centes de assistĂŞncia social, como, por exemplo, Hospitais, APAE, Creches; alĂŠm de entidades mantidas que atuam nos segmentos sociocultural (museus, teatros) e religioso (sinagogas, templos e igrejas), dentre outros. Percebo que a nossa colaboração prĂĄtica na sociedade se concentra na capacidade de buscar soluçþes sustentĂĄveis para problemas encontrados no âmbito jurĂ­dico da empresa, assim como identiďŹ car previamente os potenciais riscos que poderiam ser reduzidos se tratados preventivamente, o que envolve uma visĂŁo mais ampla do contexto gerencial da empresa. Ă&#x2030; essencial visualizar o todo e entender, dentro de uma visĂŁo geral, o que nĂłs deďŹ nimos como JurĂ­dico 360. â&#x20AC;&#x153;Mais importante do que simplesmente resolver o problema ĂŠ compreender sua causa e ramiďŹ caçþesâ&#x20AC;?.

Tratamos do bem-estar das entidades, empresas e instituiçþes, e, portanto, de pessoas que dependem delas para sobreviver, assim como suas famĂ­lias e comunidades. Esse fato para mim ĂŠ essencial, e percebo o peso de nossa responsabilidade quando aceitamos um caso, um relacionamento/casamento com nosso cliente. Relembro sempre aos meus colaboradores que todo ente jurĂ­dico (abstrato) reĂşne em si pessoas em busca de um propĂłsito, e estas, por sua vez, representam anseios, seja no sustento ou no crescimento individual e/ou coletivo. A visĂŁo essencial que ultrapassa o seu tempo de maturidade, â&#x20AC;&#x153;temos o dever de estabelecer conexĂľes no que propomos a fazer, dentro da nossa formação/expertiseâ&#x20AC;?, ĂŠ premissa bĂĄsica da parceria com a GPS, contribuir e compartilhar conhecimento com novos parceiros. AďŹ nal, somos todos seres mortais e limitados, em busca de felicidade, amor, segurança. Por que nĂŁo aportar açþes positivas e doadoras para nosso tempo, nossa gente e nossa sociedade? Penso nisso frequentemente e gostaria muito de ter a oportunidade de trocar ideias e experiĂŞncias com vocĂŞs, parceiros e leitores da GPS. SerĂĄ um grande prazer iniciar um diĂĄlogo de temas associados ao Direito, Ă  Sociedade ou mesmo conversar sobre a vida saboreando um bom vinho! Finalizo semeando nas suas mentes o pensamento  inspirador de Dalai Lama: â&#x20AC;&#x153;a responsabilidade de todos ĂŠ o Ăşnico caminho para a sobrevivĂŞncia humana.â&#x20AC;?.  0DUFHOR6HEDFDVDGRFRPPLQKDDPDGD*ODXF\HSDLDSDL[RQDGRGD%LDQFDGR 'DQLHOHGR/XFDV

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ARTIGO EDINHO MAGALHĂ&#x192;ES -RUQDOLVWDHDGYRJDGRDWXDFRPRFRQVXOWRUSDUODPHQWDUQR&RQJUHVVR1DFLRQDOĹ&#x160;HGLQKRDVVHVVRULD#JPDLOFRP

AS REFORMAS DO BRASIL O

PaĂ­s atravessa uma nova fase, sem dĂşvida. E ĂŠ tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, com tantos interesses atravessados, de grupos entrelaçados, que nĂŁo dĂĄ nem para deďŹ nir em que fase estamos vivendo e nem se a fase da hora ĂŠ boa ou ruim. No centro dessa confusĂŁo, o Brasil se depara com o â&#x20AC;&#x153;calendĂĄrio das reformasâ&#x20AC;?. E surge a primeira pergunta: â&#x20AC;&#x153;â&#x20AC;&#x201C; Reforma ĂŠ boa pra quem?â&#x20AC;? E quem ĂŠ o maior responsĂĄvel por esse calendĂĄrio? Governo, Congresso ou a â&#x20AC;&#x153;Sociedadeâ&#x20AC;?? Se falarmos que a agenda das reformas ĂŠ do Governo Federal, encontramos mais uma confusĂŁo: seria a reforma do Bolsonaro ou do Paulo Guedes? Sim, hĂĄ diferenças: o Presidente da RepĂşblica nĂŁo conseguiu, por exemplo, ser ouvido pela equipe econĂ´mica â&#x20AC;&#x201C; e muito menos pelo Parlamento â&#x20AC;&#x201C; quando disse em coletiva que havia â&#x20AC;&#x153;equĂ­vocos na Reforma da PrevidĂŞncia para as forças policiaisâ&#x20AC;?. Mas de nada adiantou: aprovaram a proposta em 1° turno do jeito que estava. Neste caso, Paulo Guedes virou o â&#x20AC;&#x153;Primeiro Ministro das Reformasâ&#x20AC;?. JĂĄ se olharmos para o Congresso, teremos o â&#x20AC;&#x153;CalendĂĄrio Maiaâ&#x20AC;? vigorando plenamente. O nome surge em referĂŞncia ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que deďŹ niu uma pauta nacional de projetos estruturantes (como as Reformas da PrevidĂŞncia e TributĂĄria), com metas e prazos (ambas para 2019), puxando para si o protagonismo dessa nova fase. Aqui, o sistema em vigor seria o â&#x20AC;&#x153;Parlamentarismo Brancoâ&#x20AC;?. Restaria o calendĂĄrio do â&#x20AC;&#x153;Mercadoâ&#x20AC;? (eu disse da

sociedade?). EmissĂĄrios do sistema ďŹ nanceiro e representantes de fundos de investimentos acompanham de perto a movimentação desse calendĂĄrio junto a lĂ­deres partidĂĄrios no Congresso, hĂĄ mais de um mĂŞs, num frenĂŠtico â&#x20AC;&#x153;vai-vĂŠmâ&#x20AC;? de SĂŁo Paulo a BrasĂ­lia, para que as Reformas avancem, pois hĂĄ interesse de investidores nacionais e estrangeiros. HĂĄ quem diga, inclusive, que o â&#x20AC;&#x153;toma lĂĄ dĂĄ cĂĄâ&#x20AC;? teria atĂŠ mudado de endereço: â&#x20AC;&#x153;Vamos Ă Avenida Paulista! Quem precisa do Planalto?â&#x20AC;? Especulaçþes Ă  parte, fato ĂŠ que o paĂ­s precisa mudar. A eleição do Bolsonaro foi apenas parte dessa mudança para fechar um ciclo. PorĂŠm, sua maior diďŹ culdade estĂĄ em justamente iniciar um novo ciclo. Enquanto o presidente hesita, Congresso, Guedes e o Mercado agem... inclusive sobre as Reformas. AlĂŠm da PrevidenciĂĄria vem aĂ­ tambĂŠm a TributĂĄria, e claro: com confusĂŁo. De tĂŁo necessĂĄria aos olhos dos atores envolvidos, a TributĂĄria deve vir com vĂĄrias versĂľes. Diferente de sua prima mais velha, que teve apenas um texto analisado por uma Ăşnica comissĂŁo especial, a TributĂĄria deverĂĄ ter pelo menos 3 textos, tramitando em 3 comissĂľes diferentes. Restariam, ainda, as Reformas PolĂ­tica e Administrativa. E nĂŁo podem demorar. Ă&#x2030; inimaginĂĄvel, por exemplo, saber que os parlamentares querem dobrar o valor do Fundo Eleitoral, batendo a casa dos R$ 3,7 bi. E que mais de 70 (vocĂŞ leu certo, setenta!) legendas esperam decisĂŁo do TSE pra virar partido. NĂŁo podemos esquecer, tambĂŠm, dos privilĂŠgios de algumas autoridades com â&#x20AC;&#x153;Foro Privilegiadoâ&#x20AC;? e â&#x20AC;&#x153;Auxilio Moradiaâ&#x20AC;?, que teimam em existir. E de servidores que insistem ganhar acima do teto. Como se vĂŞ, ainda tem muita coisa para mudar. Que venham as Reformas.

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EDUCAÇÃO

O ESPAÇO COMO UM LOCAL DE APRENDIZAGEM COM AMBIENTES QUE ESTIMULAM A CRIATIVIDADE, A ESCOLA ELEVA DESEMBARCA EM BRASÍLIA. O PROJETO DO ARQUITETO MIGUEL PINTO GUIMARÃES VISA UTILIZAR O ESPAÇO FÍSICO COMO PLATAFORMA DE ENSINO POR SABRINA PESSOA

Q

uando o assunto é educação, pais e parentes dobram a atenção e multiplicam as exigências na escolha da escola para os filhos. Sucesso no Rio de Janeiro desde que foi inaugurada, em 2017, a Escola Eleva se destacou no mercado ao apresentar um novo conceito educacional. O colégio bilíngue funde seus pilares aos de Brasília com elementos tecnológicos, rigor acadêmico, cultura digital, raciocínio conceitual, análise de dados e artes. Para encontrar resultados no processo de aprendizagem, a Eleva acredita na confluência dos três fatores: o professor, o grupo em que o aluno está inserido e o ambiente em que tudo acontece. Por isso, toda a estrutura da escola é pensada para ser peça chave no desenvolvimento do cidadão global, com espaços que influenciam o conhecimento de forma positiva, janelas amplas, contato com a natureza e ventilação natural. Localizado na 614 sul, com 15 mil m² de área coberta construída, o projeto é assinado pelo arquiteto Miguel Pinto Guimarães. “Uma das características da Escola Eleva é a intenção de tirar o aluno da sala de aula e fazê-lo circular

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pela escola. Com isso, a criação de diversos locais de interesse, como anfiteatros, arquibancadas naturais, pilotis, áreas que permitam a reunião de um grupo de alunos para uma conversa, aula ou palestra à sombra de uma árvore, por exemplo”, revela Miguel. A unidade conta ainda com dois makerspaces, duas bibliotecas, três quadras poliesportivas, um MediaLab e diferentes parquinhos. Ao lado das arquitetas Adriana Moura e Renata Duhá, Miguel comanda o estúdio MPGAA desde 2003. A equipe elaborou mais de 600 projetos, com diversas premiações, como o internacional A’ Design Award, recebido este ano pelo projeto da Escola Eleva Barra. Na primeira unidade fora do Rio, um dos pontos fortes é a proximidade com o Parque da Asa Sul. “Os três blocos principais se voltam para a natureza. O próprio formato do pátio e pilotis em meia-lua permitiu que um grande espaço natural fosse preservado, onde replicaremos a vegetação nativa, estendendo o desenho do parque, com acesso e circulação dos alunos em área aberta que corresponde praticamente a um terço da escola. É uma oportunidade tanto recreativa quanto pedagógica de interagir com o bioma típico do Planalto Central”, analisa. Nos últimos meses, diretores da Escola Eleva vêm realizando apresentações pedagógicas para famílias da Capital Federal com o objetivo de mostrar detalhadamente a proposta educacional da escola. ZZZHVFRODHOHYDFRPEUEUDVLOLD @escolaeleva

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PUBLIEDITORIAL

INCENTIVO AO ESPORTE

N

as piscinas, nos ginásios, nos tatames e até nos ares, Brasília sempre foi um celeiro de novos talentos em diversas modalidades de esportes. Os atletas brasilienses são reconhecidos nacional e internacionalmente e, para alcançar esses sonhos, eles contam com grande apoio e torcida não só da comunidade de Brasília como também de instituições que cruzam seus caminhos. É o caso de Leandro Bressan. O nadador de 21 anos acumula muitos títulos, como o de vice-campeão sul-americano pela seleção brasileira nas provas de 100m e 200m peito em Lima, no Peru, e de Recordista Mundial Escolar nas provas de 50m, 100m e 200m peito em Viena, na Áustria. Ele conta com o incentivo de familiares e amigos, mas apoios externos também são muito importantes nessas horas. “O treinamento de alto rendimento requer um alto custo financeiro. Precisamos da ajuda de

ATLETAS BRASILIENSES CONTAM COM APOIO DA CASA THOMAS JEFFERSON EM DIFERENTES MODALIDADES FOTOS TELMO XIMENES

instituições como a Casa Thomas Jefferson para darmos conta de manter o nível de treinamento”, conta o atleta. “Sempre buscamos saber das necessidades da nossa comunidade e devolver a ela um pouco do carinho que recebemos”, afirma Lúcia Santos, diretora executiva da Casa Thomas Jefferson. “O esporte é um grande pilar para a educação dos jovens. Com Brasília sendo berço de tantos talentos em diversas áreas, buscamos apoiar nossos atletas para que possam construir uma carreira de sucesso”, continua Lúcia. Atleta desde pequena e competidora há oito anos, a capoeirista Mariângela Silva busca nesses apoios meios para continuar no esporte. “Desde que comecei a fazer capoeira, me encantei. Em 2011, eu tive a oportunidade de ir ao Encontro das Américas, em que ganhei meu primeiro campeonato”, conta a atleta. “É muito impor-

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A nadadora Luana Ribeiro O nadador Leandro Bressan

A piloto de asa delta, Karla Cene

A carateca Maria Eduarda Santana

tante e necessário o apoio de instituições. Isso aumenta a nossa esperança, força de vontade, determinação e foco para continuar competindo e tendo bons resultados”, explica Mariângela. Para a piloto de asa-delta, Karla Cene, assistências como a da Thomas garantem maior autonomia sobre sua carreira. “O auxílio da Casa Thomas Jefferson é de extrema importância para meu crescimento profissional e possibilita total autonomia de conversação em competições internacionais e também no cotidiano”, comenta Karla, que quebrou o tabu do esporte e já coleciona diversas vitórias, como o terceiro lugar na Etapa Sul Brasileiro de Asa-Delta. “É muito bom poder ver que os atletas que apoiamos têm a oportunidade de crescer profissionalmente e de incentivar novos talentos. Acompanhar essa evolução é muito gratificante para a instituição”, acrescenta Lúcia. A assistência local é um grande diferencial para os desportistas, que se sentem acolhidos e no caminho certo em suas carreiras. “Como atleta que mora e treina em Brasília, ter uma instituição local como a Casa Thomas Jefferson me apoiando é muito importante”, explica a atual recordista brasileira em natação nos 100m livre, categoria Júnior, Luana Ribeiro. “Ter esse apoio tem um valor muito especial, pois me ajuda com despesas relacionadas ao esporte. Assim, acabo incentivando outras pessoas a praticar a natação, tanto competitivamente quanto por lazer”, comenta Luana. Com uma trajetória de sucesso, Letícia Caldararo se apaixonou pelo tênis aos oito anos e nunca mais parou. Hoje, com 14, coleciona mais de 20 títulos em torneios locais e nacionais, além de estar entre as três melhores atletas infantojuvenis de Brasília. Letícia sonha em se tornar cada vez melhor em seu esporte, conquistando torneios e competições nacionais e internacionais e conta com o apoio de instituições para alcançar esses objetivos. “A ajuda com recursos financeiros para os custos é necessária para que ela possa competir em alto nível com as melhores do Brasil, evoluindo cada vez mais neste esporte e para atingir o melhor ranking possível”, comenta Gustavo de Albuquerque Cezar, pai da atleta.

Na avaliação de alguns esportistas, isso também é um incentivo para buscar ir cada vez mais longe, como Maria Eduarda Santana, carateca de 9 anos que já coleciona mais de 116 medalhas. Para a campeã mundial de karatê em sua categoria, o apoio local é muito importante para continuar no esporte. “Se mais instituições como a Thomas auxiliassem atletas, o mundo seria muito melhor, em especial para nossas crianças”, comenta Adriana Santana, mãe da atleta. O também carateca Gabriel Oliveira, 12 anos, conta com o apoio para alçar voos mais altos com o esporte. “Quero fazer parte da seleção brasileira e conquistar ainda mais medalhas em 2019. Esse apoio é muito importante, pois me sinto valorizado pelas minhas conquistas”, conta o medalhista. Para Paula Chiarotti, diretora de Comunicação e Marketing da equipe de futebol americano Tubarões do Cerrado, o auxílio de instituições como a Casa Thomas Jefferson possibilita o crescimento em diversas áreas para a equipe. “A parceria com eles permitiu ao time manter um de nossos jogadores mais importantes, o James Springfield Jr., com todos os seus custos, além trazer Jordan Moore, um quarterback qualificadíssimo para nos ajudar no objetivo de nos tornarmos campeões nacionais”, comenta Paula. Os atletas do time também reconhecem nesse apoio uma grande oportunidade de retribuir o carinho que recebem da comunidade. “Desde que comecei a fazer parte do Tubarões, nossos objetivos estão cada vez mais direcionados para a comunidade. Além disso, buscamos estabelecer uma cultura vencedora e promover a evolução do futebol americano no Brasil”, conta James Springfield Jr., atleta do Tubarões do Cerrado desde 2014. Sempre em busca de novos desafios, as expectativas são altas. É fundamental que os atletas se sintam apoiados e preparados para os campeonatos que acontecem durante todo o ano. “Vale lembrar que 2019 é preparatório para obter a vaga olímpica. Quero terminar entre as quatro melhores do país em minhas provas e, ano que vem, chegar com tudo e conquistar a vaga para as Olimpíadas de Tóquio 2020”, comenta Luana Ribeiro. GPSLifetime « 103

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CAPACITAÇÃO ADMINISTRAR UMA RESIDÊNCIA REQUER LOGÍSTICA E HABILIDADE. ELEGER E TREINAR PROFISSIONAIS É TAREFA DE CONSULTORES COM ALTA PERFORMANCE, CUJO OBJETIVO É FAZER DO LAR UM TEMPLO DE CONFORTO POR DANIEL CARDOZO FOTO BRUNO CAVALCANTI

UMA CASA FUNCIONAL

A

lógica do mercado de trabalho mostra que as expectativas de empregadores e profissionais devem estar em harmonia. Quando o assunto é trabalho doméstico, não é diferente. Encontrar um trabalhador que tenha o perfil e as habilidades necessárias costuma ser uma missão difícil, mas existem consultorias que ajudam nessa intermediação. É possível escolher diaristas, babás, cozinheiras, governantas e até pilotos de helicóptero, sempre em contratações dentro da legislação trabalhista. A Casa & Bebê é uma empresa que há 11 anos ajuda as duas partes a se encontrarem, além de fazer treinamentos e auxiliar na capacitação de empregados domésticos. Até hoje foram atendidas mais de cinco mil famílias, sendo atualmente 60 por mês que procuram os serviços. Por parte dos profissionais, são 250 os que buscam por emprego e qualificação a cada mês. Já foram cadastrados cerca de 5,3 mil candidatos em todo o período de operações. O serviço já é consolidado em Brasília e existem escritórios em Goiânia e São Paulo. A demanda se concentra principalmente no Plano Piloto, Lago Norte, Lago Sul, Noroeste e Sudoeste, mas há clientes em cidades como Taguatinga e Guará. Funciona assim: quem deseja encontrar um profissional procura a consultoria e é nesse momento que uma longa apuração é feita. Os hábitos da família, as necessidades individuais de cada membro da casa, as regras para as crianças e tudo o que for relevante para a rotina de trabalho entra no questionário. Na outra ponta, os consultores procuram os candidatos que preencham os requisitos, além de morar perto do trabalho, para evitar deslocamentos longos e estresse. São checadas referências dos candidatos e são avaliados fatores como o temperamento e as aspirações.

Os currículos são selecionados e as entrevistas pessoais feitas, para garantir empatia e confiança. Depois da escolha final dos donos da casa, a empresa faz acompanhamento e colhe feedbacks dos dois lados. Para eles, é importante saber se as partes estão satisfeitas e se são necessárias adaptações nas relações de trabalho. Mesmo após escolhidos, os profissionais passam por treinamentos constantes, para aprimorar habilidades nas modalidades de organização, babá e tarefas domésticas, por exemplo. A  personal organizer  da Casa & Bebê, Valéria Albernaz, conta que as duas pontas da operação são importantes para garantir que o melhor serviço seja prestado. “As pessoas que nos procuram querem contar com profissionais com perfis e habilidades adequados. Então quem nos procura faz um investimento pequeno se comparado às vantagens que oferecemos”, afirmou. Em tempos de desemprego e queda no número de empregados domésticos registrados – entre 2015 e 2018, mais de 300 mil profissionais foram demitidos em todo o Brasil –, prevalecem aqueles que conseguem se adequar melhor ao mercado. Valéria conta que a crise trouxe mudanças significativas ao cenário e que os trabalhadores devem estar sempre atualizados e preparados para os desafios.   “Algumas pessoas bastante qualificadas passaram inclusive a trabalhar como empregados domésticos, mas com perfis mais sofisticados. Já atendemos clientes que precisavam de uma governanta que soubesse planejar jantares, escolher cardápio e até harmonizar vinhos. Muitas vezes é necessário até ter nível superior”, contou. b ZZZFDVDHEHEHEVEFRPEU casaebebe

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FOTO

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Isabela com seus pais, Mariana Ferrer e Ricardo Oliveira 6DPXHOFRPRDYÂś&DUORV7RVKLKLFR0L]XVDNLHRSDL.HQQHWK7R\RKLFR0L]XVDNL

ALĂ&#x2030;M DO BELO

ValĂŠria Bittar e Paulo Renato Roriz e o pequeno Paulo Henrique

COM O CONCEITO DE FOTOGRAFIA AFETIVA, EM QUE A FOTO PODE SER MAIS DO QUE UM LINDO CLIQUE, O ESTĂ&#x161;DIO FLOR DE LIS FOTOGRAFIA FOCA SEU TRABALHO EM ETERNIZAR ENCONTROS E EMOĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES POR MARCELLA OLIVEIRA

â&#x20AC;&#x153;E

o que vai ďŹ car na fotograďŹ a sĂŁo os laços invisĂ­veis que havia...â&#x20AC;? Os versos da mĂşsica FotograďŹ a, do mĂşsico Leoni, talvez sejam um resumo do que sentimos quando observamos uma foto. A histĂłria eternizada pelo clique emociona, faz rir, chorar, sorrir. As fotĂłgrafas Fernanda Nogueira e Mariana Mascarenhas, da Flor de Lis FotograďŹ a, usam muito o termo â&#x20AC;&#x153;fotograďŹ a afetivaâ&#x20AC;? para deďŹ nir a forma como gostam de trabalhar. â&#x20AC;&#x153;Para nĂłs, esse tipo de registro ĂŠ importante. NĂŁo ĂŠ apenas uma foto bonita, bem produzida. Ă&#x2030; uma imagem que transmite uma mensagem, um sentimentoâ&#x20AC;?, deďŹ ne Fernanda. Com esse conceito como ďŹ o condutor do trabalho, elas reforçam com seus clientes a importância das fotos em

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famĂ­lia. Por exemplo, quando fazem ensaios de newborn, fazem questĂŁo de frisar que a mĂŁe, o pai ou irmĂŁos tambĂŠm devem aparecer nos cliques. â&#x20AC;&#x153;Muitas vezes, a mĂŁe acabou de ter o bebĂŞ e nĂŁo tem uma foto com ele. A gente quer pegar a emoção dessa relação, da famĂ­lia completa olhando para o ďŹ lho, as geraçþes se encontrando. NĂŁo hĂĄ nada mais emotivoâ&#x20AC;?, observa Mariana. Na fotograďŹ a afetiva proposta pela dupla, o registro ĂŠ para guardar, colocar no ĂĄlbum, no porta-retratos. â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; uma foto que faz sentido, nĂŁo sĂł bonitaâ&#x20AC;?, diz Fernanda. E, para isso, exige mais cuidado e atenção por parte do fotĂłgrafo, que, com seu olhar por trĂĄs da câmera, conta um enredo. Ă&#x2030; a fotograďŹ a alĂŠm do belo. ZZZĹ´RUGHOLVIRWRJUDĆ&#x201C;DFRPEU #Ĺ´RUGHOLVIRWRJUDĆ&#x201C;D

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ARTIGO POR MÁRIO ROSA

HOMEM FRÁGIL A

gora finalmente consigo enxergar toda a prateleira. Vejo a profusão de rótulos e a cacofonia de embalagens que, antes, no meu olhar se embaralhava. Mas hoje já sou capaz ao menos de distinguir o que é placebo, o que é droga pesada, o que é veneno letal, o que é remédio de marca e o que é apenas artigo promocional. Hoje eu olho as proteleiras do mundo e não domino toda as posologias, mas tenho uma noção geral, tardia eu sei, do básico da alquimia. Não sei como escapei do envenenamento; não promovido por alguém, mas pelo meu desconhecimento. Era quando engolia doses cavalares em total compulsão sem ter a mínima ideia do que tinha na mão. Devo ter praticado roleta russa comigo mesmo não sei quantas vezes. E fui salvo não porque não disparei o gatilho. Apertei pra valer, mas o cartucho é que estava vazio. E foi assim que eu sobrei: cego diante das prateleiras engolindo todas as drageas à mostra. Se estou vivo aqui e lhe relato, saiba, não foi por ser astuto. Foi por obra de milagres que hoje, quando vejo, me assusto. Saí escolhendo de modo aleatório qual o remédio tomar quando estava combalido. Hoje sei exatamente o que tomei e como é incrível ter sobrevivido! Saí cego, saí burro, saí compulsivo e saí doente. E saí acima de tudo como saem os desesperados, a procura da primeira cura que passar pela frente. Hoje, posso até estar desenganado. Mas me curei de mim e sinto um grande alívio. E agora posso finalmente olhar essa grande prateleira, que é o mundo, e saber o que tem, o que faz bem, o que vicia mas não fortalece. Agora posso até ingerir a substância errada. Mas será uma escolha, um

suicidio. Só não será um ato involuntário. Poderei decretar minha própria eutanásia. É melhor morrer sabendo ou por acidente cair desfalecendo? Só sei que agora não tenho mais o álibi de não saber nada. Se sofrer um flagelo serei mandante de minha estocada. O homem frágil já ingeriu doses generosas de analgésicos, injetou nas veias sem saber os mais casuais dos barbitúricos, absorveu trôpego gotas e gotas dos lisérgicos. Virou cobaia de si mesmo. Mas não é mais. Virou alguém outro. Já não prova o sabor do sem sentido. Eu tenho novas pretensões. Eu quero escolher. Quero chegar ao balcão dos desejos, olhar os invólucros... e mirar um e dizer: eu quero esta! E então vou aviar a mim mesmo a minha cura ou experimentarei o meu relapso, o gosto insano da insensatez de minha loucura. Mas vou engolir o conteúdo inteiro. Desta vez, serei eu a substância que haverá de provocar o vício. E assim eu vejo nascer o amor depois de todos os amores, assim eu vejo esse início. Não faço questão da minha sanidade para ser são. Quero cometer a mais tola aventura e me iludir num mundo paralelo onde hei de me enganar e acreditar de novo na ternura. Acreditar em tudo que não parece ser real, acreditar no amor, acreditar na sinceridade e a pureza como algo natural. Então, olharei a prateleira agora na plenitude de minha consciência para me lançar sem redes no voo do amor puro e da inocência. Todo amor é um estado alucinógeno e o que eu procuro começa na razão e me conduz para o espaço sideral. Conhecer as prateleiras não eh para evitar as fantasias. É para vivê-las de um jeito natural. É como sonhar à noite após um longo dia. É viver o real com a sensação de poesia.

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Que sorte viver na Asa Norte

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ISIS VALVERDE

O ESPLENDOR

AOS 32 ANOS, A ATRIZ VIVE A ESSÊNCIA DA MATERNIDADE NO MOMENTO EM QUE SE RECONHECE MULHER E ESCALA PERFORMANCES AVANÇADAS NA &$55(,5$(03$3(/&2023527$*21,67$bPOR MARCELLA OLIVEIRA « FOTOS ANDRÉ NICOLAU Direção: Paula Santana Styling: Fernando Batista Beleza: Charles Almeida Produção de moda: Diego Tofolo Produção executiva: Karine Moreira Lima Assistente de produção: Theodora Zaccara

N

a costela do lado esquerdo, Isis Valverde tem tatuadas as clássicas máscaras que representam a tragédia e a comédia na dramaturgia. Chama atenção como elas estão: se beijando. É que, para a atriz, as características antagônicas devem estar em equilíbrio, pois é preciso um pouco de drama para ser um bom comediante, e vice-versa. Esse pensamento se reflete no seu jeito de ser. Ela é moleca e sensual. Pequenina e mulherão. Espevitada e focada. Tímida e divertida. É muito fácil se apaixonar por ela. A convite da revista GPS|Lifetime, desembarcou no hotel Four Seasons, em São Paulo. Chegou sozinha, conversando sem parar – ainda com um pouco de sotaque mineiro –, muito edu-

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cada e simpática. O jeito moleca ficou evidente quando, para esperar a hora de se maquiar, jogou-se na cama e se perdeu entre os travesseiros. “Eu fazia muita bagunça quando criança”, contou, emendando sobre a felicidade de ter voltado das férias em Fernando de Noronha. Isis é falante. Divertida. Tem presença. Era o segundo dia da maior mudança que já fez por um personagem: cabelos ruivos. Tudo pela enfermeira que vai interpretar na próxima novela das 21h da TV Globo. O nome da produção não poderia ter melhor conexão com seu atual momento: Amor de Mãe. Há sete meses, desde o nascimento do primogênito Rael, ela vive as descobertas da maternidade.

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Look total Cris Barros Colar Miranda Castro %ULQFRV*ULÆ&#x201C;WK

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Macacão Valentino Colar Miranda Castro %ULQFRV*ULƓWK Sandália Schutz

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“SER MÃE É UM PROCESSO MUITO RICO, MAS TAMBÉM PODE SER DOLOROSO E SOLITÁRIO”

Aos 32 anos, ela afirma que ser mãe é, de fato, algo transformador. “É um processo muito rico, mas também pode ser doloroso e solitário. Afinal, a sociedade ainda tem dificuldade em acolher a mãe. E é preciso achar o próprio equilíbrio dentro da expectativa dos outros, do julgamento alheio, para não ficar extremamente preocupada com isso. Para entender quais são as opiniões que de fato importam”, reflete. Nos últimos meses, mergulhou, como faz com suas personagens, no ofício materno. As amizades passaram a ser pessoas com filhos. Se desconectou total. Mas, agora, chegou a hora de se entregar ao novo trabalho. “Acredito que esses detalhes, como mudar a cor do cabelo, fazem a gente encontrar essa pessoa que está nascendo para o público. E gosto de estudar o texto, entender quem é aquela pessoa. Porque isso me indica o tom, os trejeitos e tudo mais”, revela, completando que começa a construção do personagem pelo corpo. O sorriso no rosto ao falar demonstra sua empolgação com o novo papel. Não é preciso muito para ressaltar sua beleza natural. Nada de acessórios grandes nem muita extravagância. Ela é discreta no estilo, joias pequenas, jeans, sapatos sem salto ou tênis, e muito conforto. Para fazer o editorial, é cuidadosa ao analisar cada peça.  É sexy e delicada. O charme fica por conta de sua expressividade. Ela domina a cena. Tem consciência de seu poder de sedução. A maquiagem esconde as amadas sardinhas. E basta um olhar, um posicionamento de corpo e rosto. Pronto. O clique foi feito. A intimidade com a câmera tem explicação. Ela iniciou sua carreira artística como modelo, descoberta por um olheiro em Belo Horizonte. Mas foi como atriz que se encontrou. “Fiz o curso no Tablado por indicação da minha agência de modelos na época. Em uma aula me permiti sentir a cena e acabei chorando muito. Saí de lá com a certeza de que era aquilo que queria fazer”, lembra.

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O primeiro papel foi em 2006, como a Ana do Véu, no remake de Sinhá Moça. E não parou mais. Rakelli, Camila, Marcela, Suellen, Sandra, Ritinha. Mocinhas, vilãs, desinibidas. Ela é doação para cada personagem. “Ana do Véu representou muito para mim, mas todas tiveram importância. E ainda estou só no começo, quero experimentar muito ainda”, disse. Dedicada e estudiosa, não mede esforços para compor o personagem. “Por exemplo, quando interpretei Suellen, em  Avenida Brasil, durante a preparação, passei dois meses andando de biquíni pelos estúdios. Justamente porque aquele figurino não era algo natural para mim”, revelou, aos risos. Em seus trabalhos, Isis tem presença, domínio do corpo, sabe o que quer. Nosso papo sobre a carreira incluiu falar da estreia da atriz no cinema, em 2013, que a colocou imersa no mundo brasiliense. “Foi muito bom poder conhecer Brasília de um outro jeito. Adorei a cena cultural underground da cidade. Tudo faz tanto sentido. E me senti realmente conectada ao estar ali, rodando um filme sobre uma das músicas clássicas do Legião Urbana”, contou, sobre a construção da personagem Maria Lúcia no longa Faroeste Caboclo, do cineasta René Sampaio. E a dobradinha com o ator Fabrício Boliveira, que interpretou João de Santo Cristo, foi repetida e o resultado veremos em breve nos cinemas, no filme Simonal, no qual Isis interpreta a mulher dele, Tereza. “É muito diferente trabalhar com um personagem em que você já sabe qual é a curva dramática dele, com uma obra fechada. Isso te traz um outro olhar e agrega muito no fazer artístico”, declarou, sobre fazer cinema. Apesar de todo o estrelato, Isis consegue manter uma certa privacidade. Fala-se pouco sobre sua vida pessoal, o que inclui seu casamento com o empresário André Resende. Mas ela mantém seus 16,3 milhões de seguidores no Instagram atualizados com seu dia a dia.

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Look total Dolce & Gabbana Colar Miranda Castro %ULQFRV*ULÆ&#x201C;WK

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Maiô Louis Vuitton Colar Miranda Castro %ULQFRV*ULƓWK Sandália Schutz

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“QUERO EXPERIMENTAR MUITO AINDA”

“ACREDITO EM DIREITOS IGUAIS PARA HOMENS E MULHERES” “Para mim, é um espaço em que é possível dialogar. Eu gosto das redes sociais, mas também reservo um tempo para viver as coisas sem a obrigatoriedade de registrar tudo”, declarou. Ela compartilha seus projetos, família, viagens, tranquilidade, seu amor pela natureza e sua paixão pela ioga. “Sou uma pessoa agitada, ansiosa. Foi por isso que a ioga e a meditação entraram na minha vida. Está dando tão certo que as uso como ferramentas de trabalho também. Por exemplo, elas me ajudaram muito a interpretar a Ritinha, de A Força do Querer, pois eu tinha de ficar embaixo d’água prendendo a respiração. E adoro me exercitar, estar em movimento”, revelou. Os cuidados com o corpo incluem ainda uma alimentação saudável, uma vez que Isis é celíaca, ou seja, tem intolerância ao glúten. É em meio ao contato direto com a natureza que ela vive, em Itanhangá, um bairro do Rio de Janeiro com muito verde. “Acho que por ter crescido em um lugar com mata e cachoeira sempre tive muito presente em mim essa conexão com a natureza. E busco preservar isso aqui no Rio”, contou. Suas raízes mineiras são mantidas firmes. Foi na sua cidade natal, Aiuruoca, no interior de Minas Gerais, que ela escolheu batizar Rael, na mesma igreja em que foi batizada. “Sou uma pessoa que reverencia muito a própria

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origem. Eu amo o lugar onde nasci e cresci. Ali é onde está parte importante da minha história. Minha família ainda mora lá, então, sempre volto. É onde me renovo também”, contou a filha única de mãe advogada e pai bioquímico. Isis é feminina. E junto com esse adjetivo surge o papo sobre feminismo. “Acredito em direitos iguais para homens e mulheres”, diz, reforçando que não se trata de substantivos opostos. “Machismo é a ideia de que os homens são superiores às mulheres. Já o feminismo fala da igualdade entre homens e mulheres. Vivemos em uma sociedade machista. E buscamos nossos direitos, a liberdade de sermos quem quisermos. Isso é tão importante”, opinou, declarando-se feminista. A jovem que se destacou com foco de menina sensual, meio “Lolita”, agora se posiciona em outros ciclos da vida nos quais é mãe, vai ter seu papel de destaque em uma produção em horário nobre da Globo e está sendo vista como mulher. “Eu não gosto dessa ideia de que a maternidade anula a mulher. Porque isso não é real. É preciso haver espaço para as duas coisas. É um processo até entender como será a vida a partir daquele momento, que meus desejos, sonhos e vontades ainda estão ali”, afirmou. Isis floresceu com a maternidade. É uma representante do poder feminino nos dias de hoje. Mas, como ela mesma diz, ainda está só começando.

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Camisa Handred Top Hope Colar Miranda Castro %ULQFRV*ULĆ&#x201C;WK

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OURO

MODERN AVATAR

Reimaginar o design da flor em forma de estrela criado por Georges-Louis Vuitton em 1896 foi o desafio da nova coleção B Blossom, as joias finas da casa francesa. Iluminada por diamantes, anéis, braceletes, brincos, pingentes e colares provocam o renascimento do monograma numa espécie de uma ode à matriz. A confecção apresenta não só a preciosidade dos materiais, como o refinamento do artesanato multicolorido de pedras como malaquita, ônix, ágata branca, opala rosa. Pérolas esculpidas pavimentadas de diamantes se posicionam como um dos ícones da coleção modernamente feminina. (PS) 122 « GPSLifetime

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JOIA

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Brinco em ouro com brilhantes, esmeraldas HWDQ]DQLWDV*ULĆ&#x201C;WK5

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ESSENTIAL POR FLAY LEITE FRQWDWR#Ĺ´D\OHLWHFRPEUĹ&#x160;,QVWDJUDP#Ĺ´D\OHLWH

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A onda dos piercings chegou atĂŠ as grifes tradicionais. Antenada Ă s tendĂŞncias dos millennials, a Cartier adicionou o acessĂłrio em uma das coleçþes mais imponentes: a Juste un Clou. Criada em Nova York na dĂŠcada de 1970, a linha, em que o prego se torna LQKCTGĆ&#x192;GVGQGURĂ&#x2030;TKVQ moderno, inovador e ousado, caracterĂ­sticas de quem investe no piercing. Feito em ouro amarelo 18K, o modelo da etiqueta francesa foi desenvolvido para adornar a orelha, em especial a regiĂŁo da hĂŠlix. Entre as adeptas do furo estĂŁo as KPĆ&#x192;WGPEGTU:GPKC#FQPVU%JKCTC(GTTCIPKG Lala Rudge. Para mostrar o acessĂłrio da vez, as fashionistas prendem ou colocam o cabelo atrĂĄs da orelha, e complementam a trend com brincos. Must-have!

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KELLY BRACELET LET Dentre tantas particularidades, es, a bolsa a pelo Kelly da Hermès ĂŠ conhecida fecho Ăşnico e icĂ´nico. O adorno rno ras da exclusivo foi parar nas pulseiras cia, etiqueta. Como uma reverĂŞncia, ebeu a coleção dos acessĂłrios recebeu o mesmo nome da it-bag, a qual Ć&#x201A;EQWHCOQUCCRĂ?UUGTWUCFCRGNC RGNC princesa Grace Kelly para cobrir brir a barriga e viva, sem dĂşvida, de grĂĄvida. Se ainda estivesse d se renderia aos encantos a tambĂŠm atriz de Hollywood esa. DisponĂ­vel em ouro nas cores rosĂŠ, dos braceletes da grife francesa. branco e dourado, o item-desejo esejo alia charme e praticidade ao ser colocado ou tirado de forma fĂĄcil. fĂĄ il As A duas d peças da d Hermès H è tĂŞm ĂŞ muito mais em comum do que o nome e o fecho. Dependendo da pulseira, o valor ĂŠ igual ou maior ao de uma bolsa Kelly. Enquanto o acessĂłrio simples custa R$ 30 mil, a joia mais cara vale R$ 160 mil. Esta ĂŠ totalmente cravejada de diamantes. ZZZKHUPHVFRP_#KHUPHV

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FLORALIE A House of Creed é conhecida hecida por criar fragrâncias lendárias. s. É o caso do best-seller masculino Aventus, o qual tem mais de 250 anos, mesma idade da grife britânica. itânica. Do lado feminino, os perfumes mes elaborados se misturam à história do Palácio de Buckingham e da Casa Branca. Isso porque essências da etiqueta foram borrifadas pela rainha Victoria e pela princesa Diana nas suítess da sede da monarquia inglesa. Já Michelle Obama ma e Jacqueline Kennedy aromatizaram cômodos da TGUKFÆPEKCQƂEKCNFQRTGUKFGPVG UKFGPVG dos EUA. Presente em episódios pisódios importantes, a Creed tem m um enredo próprio e, sempre e que possível, busca escrever novos capítulos. Em busca de eternizar uma parceria de duas décadas, écadas, a casa de “alta-costura” dos perfumes criou a fragrância Floralie. A novidade é uma homenagem a luxuosíssima Neiman Marcus. Para traduzir a admiração pela loja de departamentos, a Creed uniu o aroma da rosa búlgara com notas de âmbar, tuberosa e lírio-do-vale, tudo no frasco Floralie, que é um desejo à parte. A embalagem metálica foi desenhada pela artista Taelo Fischer. Fazendo jus à homenagem, o perfume de 75 mililitros está disponível somente na Neiman Marcus, no valor de USD 415.

BFF’S Nem sempre dá para carregar na bolsa mil e um produtos de beleza. O sonho de muitas beauty addicts é encontrar uma paleta prática para se maquiar. Esse sonho acaba de se tornar realidade com o lançamento da Khloé Kardashian com a melhor amiga, a atriz Malika Haqq, para a Becca Cosmetics. A marca conhecida pelas fórmulas de alta pigmentação e brilho desembarcou nas unidades brasileiras da Sephora. Batizado de Made with Love by Khloé, o estojo engloba blush, bronzer e iluminador e tais funcionalidades podem ser usadas ainda como sombra e contorno. 8GTUCVKNKFCFGFGƂPGCRCNGVCSWGVGXGVQPCNKFCFGU GRKIOGPVQUKPURKTCFQUPQGHGKVQFGƂNVTQU HQVQIT½ƂEQU'PEQPVTGL½PCURTCVGNGKTCUFC Sephora por R$ 289. @beccacosmetics e @sephorabrasil ZZZEHFFDFRVPHWLFVFRP HZZZVHSKRUDFRPEU

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RETRANCA

EXPRESSIONISMO ARTESANAL

PATRIMÔNIO DA CASA FRANCESA DESDE A SUA CRIAÇÃO EM 1962, O SCARPIN J’ADIOR GANHA NOVA LEITURA NUM FABULOSO TRABALHO DE ALTA-COSTURA POR PAULA SANTANA

Fotos: © Pol Baril

Em 2016, quando assumiu a direção criativa da Dior, dando início ao processo de revigor na maison, Maria Grazia Chiuri – italiana que passou por Fendi e Valentino em sua carreira – fez a clássica imersão nos baús do fundador, como de costume. Dentre os itens que tiveram sua releitura, Grazia mergulhou no emblemático scarpin que Christian Dior usou em seu desfile de haute couture em 1962. Batizado de J’Adior, evidentemente tornou-se ícone fashion neste novo tempo. Decorados com fita bordada, as inscrições são criadas a partir de um único fio preto, em que cada uma das letras é separada à mão. O salto vírgula foi batizado pelo próprio estilista de pied-de-chèvre. “Os scarpins caem bem com tudo”, dizia Christian Dior em seu Petit Dictionnaire de la mode. Para temporada 2019, dois anos após seu lançamento no mercado, Grazia inova num expressivo trabalho meticulosamente artesanal. Os saltos exigem 230 mil pontos bordados, desenvolvidos com uma única peça de tecido. São cerca de nove horas de trabalho.

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TETÊ COM ESTILO POR MARIA THEREZA LAUDARES PWODXGDUHV#JPDLOFRPŊ#PWODXGDUHV

ALGUMAS MARCAS DE LUXO ENTRAM PARA A HISTÓRIA DE UM PAÍS TORNANDO-SE SÍMBOLO DE SUA CULTURA. A HERMÈS É UM DESSES CASOS QUE POR MEIO DE SEUS PRODUTOS REPRESENTA A CULTURA DO SAVOIR FAIRE, O FAMOSO SABER FAZER FRANCÊS.

HERMÈS T

udo começou no século XIX quando ainda se desfilava por Paris em carruagens. Thierry Hermès abriu um atelier especializado em itens de montaria e, em seguida, passou a fabricar selas. A clientela refinada veio junto com as medalhas recebidas nas Exposições Universais de Paris, um reconhecimento pela qualidade dos produtos. No final do século XIX, Charles-Émile Hermès, filho de Thierry, comprou um desenho do artista Alfred de Dreux, que inspirou a criação da Calèche, carruagem símbolo da marca. A primeira bolsa Hermès foi a Haut à Corroies, HAC, que recebeu esse nome graças ao seu fecho localizado no alto e afivelado como um cinto ou correia. Apesar de ter sido criada para transportar selas e botas, a HAC foi declinada em outros tamanhos e passou a ser usada como bolsa de viagem. Criada em 1892, a Haut à Corroies foi a mãe das icônicas bolsas modelo Kelly e Birkin. Em 1914, Émile-Maurice, neto do fundador, adquiriu nos Estados Unidos o direito exclusivo para a patente do

zíper na França. A invenção nção foi aplicada em bolsas e produtos dutos de vestuário. Quatro anos depois, is, o príncipe Edward, na época herdeiro do trono inglês, foi o primeiro a ter uma jaqueta de couro fabricada pela Hermès com fecho em zíper. Émile-Maurice Hermès estava sempre atento aos movimentos sociais e ao ver a chegada dos automóveis decidiu produzir uma linha de maroquinerie, ou seja, bolsas e sacolas costuradas à mão, seguindo a técnica artesanal de selaria. Em 1923, foi a vez de aplicar o zíper em uma bolsa. Émile- Maurice desenvolveu a Sac pour l’Auto, mais tarde rebatizada de Bolide, uma bolsa feita para se encaixar perfeitamente no carro. De lá pra cá o modelo continua sendo sucesso de venda. Muitos consideram Émile-Maurice Hermès como o verdadeiro fundador da casa Hermès, pois foi ele quem criou várias linhas de produtos, como luvas, cintos, relógios, joias, echarpes de seda e coleiras para cachorros. A terceira geração elegeu o marrom para as embalagens, mas durante a guerra, em uma Paris ocupada,

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com a escassez de material, material foi a vez daa tinta la laranja to surtiu efeito substituir o marrom das caixas. O impacto positivo e atÊ os dias atuais, o laranja Ê a cor emblemåtica da marca. Em 1935, surge a Sac à Depèches, uma bolsa feminina essencial para todas as horas inspirada na Haut à Corroies. O modelo, menor que sua inspiração, trouxe uma alça única. Mas serå somente na dÊcada de 50 que a criação ganharå fama. Na tentativa de esconder sua gravidez dos paparazzi, a Princesa Grace Kelly colocou a bolsa na frente de sua barriga. Pronto! Isso foi o bastante para que a bolsa se popularizasse como Kelly e se tornasse desejo de consumo. Outra personalidade que contribuiu para as vendas Hermès foi Jaqueline Bouvier Kennedy Onassis, cuja

bolsa preferida era o modelo Constance de 1959. FĂŁ dos lenços de seda, Jackie fez dos quadrados estampados Hermès um objeto de desejo. De sua criação Ă fabricação ďŹ nal, cada modelo do carrĂŠ de seda Hermès leva dois anos para chegar Ă s lojas. TambĂŠm em seda, as gravatas lançadas em 1949 sĂŁo, ainda hoje, sĂ­mbolo de elegância masculina. Em 1951, foi a vez do primeiro perfume. Batizado de Lâ&#x20AC;&#x2122;Eau dâ&#x20AC;&#x2122;Hermès, a fragrância unissex foi criada por Edmond Roudnitska, um dos maiores perfumistas de todos os tempos. Os perfumes Hermès nĂŁo saem de linha, o que possibilita sua clientela ser ďŹ el ao aroma por toda a vida criando uma tradição pessoal. Je Louis Dumas, tetraneto do fundador Thierry Jean Hermès, Herm promoveu a expansĂŁo da marca durante a dĂŠcada de 80, ao entrar para a semana de moda francesa. f o criador da icĂ´nica bolsa Birkin. Tudo se deu Ele foi em uum voo Paris-Londres, quando o entĂŁo presidente da Herm encontrou-se com a cantora britânica Jane BiHermès rkin. rk Jane costumava carregar tudo em uma bolsa de palha. paalha. No aviĂŁo ao ttentar acomodar sua bolsa, Jane deixou seus pertences no chĂŁo. Jean Louis deeixou cair todos seu ajudou tudo e ela se desculpou ajjudou a cantora recolher rec dizendo diizendo que nenhuma nenhum bolsa atendia sua necessidade de praticidade e por isso levava tudo naquele cesto. Foi entĂŁo que Jean Louis se apresentou como presidente da Hermès e disse p que iiria ajudĂĄ-la. Os dois passaram o voo a criar esboços no saquinho de enjoo do aviĂŁo. E, assim, em 1981, nasceu nasce a primeira bolsa Birkin. DesentĂŁo, todos os anos a Hermès ende en via uuma nova bolsa Ă  Jane que leiloa a do ano anterior e reverte o valor auferido em caridade. aufe Sempre de olho nas evoluçþes sociais, em 2015, a Hermès lançou soci junto com a Apple, o Apple watch junt Hermès, Hermè uma versĂŁo luxo do relĂłgio inteligente. Outra inovação ĂŠ a linha Petit H, que cria inova objetos aproveitando os materiais descartados pelas oďŹ cinas. Quase dois sĂŠculos depois de sua fundação, a marca conta com 14 linhas de produtos de vestuĂĄrio a mobiliĂĄrio. Presente em mais de 300 lojas espalhadas por todo o mundo, a Hermès se orgulha em manter a qualidade de seus produtos com operaçþes manuais e extremo cuidado aos detalhes, caracterĂ­stica inerente Ă  sua histĂłria de estilo.

Hermès ZZZKHUPHVFRP $Y%UJ)DULD/LPDĹ&#x160;6ÂĽR3DXOR $Y0DJDOKÂĽHVGH&DVWURĹ&#x160;6ÂĽR3DXOR 5XD*DUFLD'Ĺ?Â&#x192;YLODĹ&#x160;5LRGH-DQHLUR

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POP UP

vo endereykonos. Este é o no Nammos Village, M o europeu. erry para este verã ço da inglesa Burb Street, em flagship da Regent na s ia nc rê fe re m Co coleção de abriga a Kingdom, Londres, a pop up mentadas co Tisci, além das estreia de Riccardo rberry. Um ramas de Thomas Bu criações de monog uma parefica no térreo, onde ço pa es do s ot sp s do ante iluspermite que o visit co an br em na lo de de r. Em nova imaginação permiti tre e crie o que sua nera na lintiva, a casa se rege fase na direção cria ino Unido verve criativa do Re a r ze tra ao em ag gu dições, e enaltece suas tra qu em po m te o m ao mes celebrando agem ao fundador, haja vista a homen ada da marca. (PS) toda a herança refin

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CORES

PARA O VERÃO MEDITERRÂNEO, RÂNEO, PUCCI EQUILIBRA LINHAS S LIVRES EM ESCALA CROMÁTICA, CELEBRANDO LEBRANDO A ETERNA O CÓDIGO DA MARCA NA RUPTURA DO TEMPO POR PAULA SANTANA

Produção: Karine Moreira Lima

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em nostalgia. O dinamismo gráfico na mente criativa de Emilio Pucci aoo longo de sete décadas rompeu sazonalidades es e se manteve na biografia da moda, vestindo as mais belas mulheres europeias. Mesmo que sua primeira criação tenha sido uma roupa de ski para uma amiga, Emilio consagrou-se com coleção de balneário que invadiu Capri e Portofino, ofino, estendendo-se por todas praias mediterrâneas errâneas em meados do século passado. De origem aristocrática, criadoo em palácios italianos, ele deixou a aeronáutica áutica para investir no estilismo. A educação nobre perr mitiu que seu estilo refinado para a abstração artística confluísse com a síntese geométrica renascentista. O resultado foram ass mais belas escalas cromáticas, estampadass em tecidos criados por ele, que unia xantung ntung com jérsei, ambos em seda, em cortes simples mples de efeito sofisticado. A filha, Laudomia Pucci, atualualmente no comando da casa italiana,, sabe que é preciso manter a tradi-ção, mas com olhos atentos na velocidade ocidade do tempo fu-turo. Nesta estação primaveril do Hemisfério Norte, elaa aproveita a verve e cria charmosa coleção de paletass quentes com as rupturas cosmopolitas que mantém o código da marca. E celebra a estreia no setor hoteleiro.. A grife, no final de 2018, firmou parceriaa com a redee britânica Rocco Forte Hotels, para colocar ar sua assina-tura no Hotel Savoy de Florença, na Piazza zza della Re-pubblica, marco arquitetônico da cidade.

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ESTILO

GENDER NEUTRAL Embora o streetwear ainda prevaleça, o estilo segue com considerações. Há de ser elegante em alfaiatarias e ternos. O maximalismo tem agradado bastante com sua irreverência, assim como a integração de duas peças mismatched. As cores são Li“ÜwÃ̈V>`>ð-…œÀÌà Burberry - R$ R$2.791 elaborados reinam no verão da Europa, enquanto denin rasgado e washed surgem imperialistas na trama da moda (PS)

Ermenegildo Zegna preço sob consulta

Burberry - R$ 3.358

Dolce & Gabbana - preço sob consulta

Prada

Louis Vuitton - R$ 12.300

7 For All Mankind - R$2.079

Produção: Karine Moreira Lima

Fendi - R$ 5.740

Dolce & Gabbana - R$ 4.300

Bottega Veneta - R$ 3.357 Off-White - R$ 2.916

Givenchy - R$ 2.566 Gucci para GO Eyewear - R$ 2.200

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MODELO Chanel - preço sob consulta

Bottega Veneta - R$ 16.274

Fendi - preço sob consulta Off-White - R$ 5.391

Burberry - R$ 5.520 Miu Miu - R$ 10.300

Dior - preço sob consulta Christian Louboutin - preço p ç sob consulta

Gucci - R$ 15.700

Produção: Karine Moreira Lima

Prada - preço sob consulta

As bolsas pa passam assam por um excelente l e transformação. E de inclusão. processo de odelos do passado é chique. Resgatar modelos so, shapess geométricos e Enquanto isso, ovimentam a estética anos utilitários movimentam tesa a ga ganha a imenso e so 90 em voga.. A a artesania mp alhas, crochês, tecidos. destaque em palhas, sã ão o contexto lux x da peça. Os detalhess são stampas impressiona. Flores O mix de estampas nib bagss encantam (PS) reinam e minibags

IT LOOKS COOL

Saint Laurent - preço p ç sob consulta

Dolce&Gabbana - preço sob consulta

Givenchy - R$ 15.713

Louis Vuittonn - R$ 17.100

Chanel Ch CCha hane ha han nel nel el

Balenciaga - R$ 12.321

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Valentino - preço p ç sob consulta

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MODA

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%DOHQFLDJD5 Rene Caovilla - preço sob consulta

6RSKLD:HEVWHU5

Christian Louboutin - preço sob consulta

PODE SUBIR

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Entre a permanĂŞncia do streetwear e o retorno ao glam, sapatos seguem sua trilha de adorĂĄveis variantes. Para o verĂŁo europeu, mules, estampas, aplicaçþes, Ć&#x192;CVHQTOU]yĂ&#x2022;Â&#x153;° >ViÂ&#x2DC;>Â&#x2C6;Â&#x2DC;Ă&#x203A;iĂ&#x20AC;Â&#x2DC;>Â?]LÂ&#x153;Ă&#x152;>Ă&#x192; curtas, modelos Oxford, color blocks, handmade e ascandy colors. Tudo se mistura, se harmoniza, aproximando hemisfĂŠrios e sazonalidades (PS) Aquazzura - preço sob consulta )HQGL5

Hermes - preço sob consulta Givenchy 9DOHQWLQR5 -LPP\&KRR5

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Givenchy - preço sob consulta

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1LFKRODV.LUNZRRG5 Chanel - preço sob consulta

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Produção: Karine Moreira Lima

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'ROFH *DEEDQD5

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Carolina Herrera

Monique Lhuillier

Lela Rose Phuong My Bridal

Danielle Frankel

Oscar de La Renta

Zuhair Murad

Marchesa

Zuhair Murad

Entre o clássico clássicco e o disruptivo, disruptivoo, a Bridal Week encontra caminhos autorais auttorais rumo ao vestido veestido que leva a noiva ao conexão ready-to-wear altar. A co nexão com o rea ady-to-wearr traz o miniminimalismo como protagonis sta em silhuetas marcaprotagonista Generosos da ou estruturada. e Gen nerosos laços ou cetins em re ndas e fendas importantes im mportantes podem ser rendas harmonizados harm monizados com pproporções retas e geométricas. om métricas. A simplicidade simpplicidade se reveste d nobreza no tem de tempo mpo em que realeza dialoga com rea realidade. lidade. (PS) Reem Acra

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CÁPSULA

N O I H S A F G N I Y L F Roma, Tóquio, Marrocos, Xangai, Mônaco, Berlim ou Nova York. A Cruise Collection traz coleções cápsulas de maisons que viajam o mundo criando experiências em looks despretensiosos, que trazem os anos 80 como o senso comum e podem vir revestidos de urbanidade, feminilidade ou bucolismo. A possibilidade plural permite que o streetwear caótico ou o lirismo delicado transitem em qualquer continente. (PS)

Chloe Chanel

Louis Vuitton

Alexander McQueen

Fenty

Gucci

Burberry

Givenchy

Prada Fendi

Pucci

Carolina Herrera

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ENTRE NĂ&#x201C;S POR PATRICIA JUSTINO SDWW\MXVWLQR#KRWPDLOFRPĹ&#x160;#SDWMXVWLQRYD]

GLAM SLAM A inusitada Maison Margiela, fundada por um dos estilistas mais enigmĂĄticos da histĂłria da moda, o belga Martin Margiela, nĂŁo sĂł conquistou o mundo com o seu estilo autoral e artĂ­stico, como vem se empenhado em lançar peças-desejo a cada nova coleção. Desta vez ĂŠ a Pillow bag, a bolsa fofa com carinha de travesseiro, que dĂĄ vontade de agarrar e carregar. Febre nas Ăşltimas semanas de moda, aparecendo em diversos tamanhos, ela pode ser usada como cinto ao redor do corpo, pendurada no ombro ou simplesmente como clutch. Segundo John artĂ­stico da Galliano, diretor dire bolsa traz o novo marca, a bo inconscienteâ&#x20AC;?. â&#x20AC;&#x153;glamour in nĂŁo sabia que A gente nĂŁ precisava, p pr ecisava, mas depois que adquirimos, nĂŁo q qu e adqui conseguimos viver sem. conseguim co ZZZPDLVRQPDUJLHODFRP Z ZZPDLVRQP

PARAĂ?SO A Riviera Francesa abriga ga um dos cantinhos mais charmosos os do o mundo: o complexo La RĂŠserve Ramatuelle. amatuelle. Tratase de um mix entre hotel, el, spa e villas, com direito a serviços cinco nco estrelas e interação com a natureza. za. No meio de perfumadas colinas, com m uma perfeita vista do mediterrâneo, o arquiteto Jean-Michel Wilmotte idealizou dealizou um projeto em que o hĂłspede ede tem a sensação de estar num elegante navio contemporâneo. LĂĄ o mobiliĂĄrio obiliĂĄrio ĂŠ cool, numa suave paleta de cores. ores. O hotel ĂŠ EGTVKĆ&#x201A;ECFQRGNC.GCFKPI*QVGNUQHVJG I*QVGNUQHVJG World e se destaca tanto o pelas luxuosas acomodaçþes (que podem em ser casas ou quartos), quanto pelas as terapias do seu spa, repletas de mimos mos exclusivos. Para fechar com chave de ouro, os rituais gastronĂ´micos do o seu estrelado restaurante La Voile (*Michelin), ichelin), onde a cozinha leva a assinatura a do aclamado Michel GuĂŠrard, surpreendem endem com um Ć&#x201A;UVKECFQ OGPWNGXGETKCVKXQGUQĆ&#x201A;UVKECFQ ZZZODUHVHUYHUDPDWXHOOHFRP

CASA COM ESTILO Os fĂŁs da badalada concept store 6JG9GDUVGTEQOĆ&#x201A;NKCKUGO/KCOKG New York, tĂŞm mais um bom motivo para comemorar: a multimarcas acaba de lançar a linha home, uma incrĂ­vel curadoria de utensĂ­lios para mesa e dĂŠcor que sĂŁo catalogados ao redor do mundo e agora estĂŁo disponĂ­veis CQEQPUWOKFQTĆ&#x201A;PCNPQUUGWURTKPEKRCKU pontos de venda. Ă&#x2030; a opção perfeita para quem ama objetos de casa, itens de mobiliĂĄrio de design e peças artĂ­sticas cheias de estilo. A seleção de itens estĂĄ fazendo muito sucesso para aqueles presentinhos diferenciados, como tambĂŠm para quem quer imprimir personalidade numa ambientação. ZZZWKHZHEVWHUXV

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UM LEQUE DE OPĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES Nas mais variadas culturas ao longo da histĂłria jĂĄ se usou ou se ouviu falar de rituais e funcionalidades envolvendo esses acessĂłrios tĂŁo charmosos e emblemĂĄticos: os leques. NĂŁo tĂŁo fĂĄceis de encontrar atualmente, eles continuam atraentes, aparecendo cada vez mais fortes na moda e na decoração. Folhas, madeiras, tecidos, penas, RNWOCUGCĆ&#x201A;PUCRGPCUWOCRGSWGPCICOCFG nhola que materiais usados por uma visionĂĄria empresa espanhola decidiu se tornar especialista no assunto,, a Fern Fans. Distribuindo em algumas lojas especiais pelo mundo, ctoria & Albert como Neiman Marcus e o Victoria Museum, a Fern Fans tambĂŠm m faz vendas online. Os leques prometem ser um dos grandes hits no prĂłximo verĂŁo. o. ZZZIHUQIDQVFRP

ESCULTURAS DE VESTIR

EDIĂ&#x2021;Ă&#x192;O LIMITADA A expertise da Bang&Olufsen en em fazer aparelhos de design gn altamente tecnolĂłgicos se uniu Ă especialidade da Rimowa em criar malas especiais eciais GLWPVCUĆ&#x201A;\GTCOWOCcollab b para mitada desenvolver uma edição limitada 91. dos headphones Beoplay H91. Os headphones na versĂŁo original jĂĄ eram um sucesso o e, UWTRTGGPFGPVGOGPVGĆ&#x201A;ECTCO CO ainda melhores: tecnologia iĂŁo, wireless, adaptador para aviĂŁo, ĂŁo peso levĂ­ssimo, apresentação em cor diferenciada (silver/grey) grey) y num lindo acabamento em couro, alĂŠm de virem em cases premium, emium, tais ais da Rimowa quais as malas mais especiais em alumĂ­nio.

HĂĄ um ano, o designer jjaponĂŞs Tomo Koizumi nĂŁo imaginava q que a sua carreira viria a mudar rad radicalmente em tĂŁo pouco tempo. Ele p passou anos sem relevância como estilista e, apesar de uma de ssuas roupas jĂĄ ter sido usada no p passado pela cantora Lady Gag Gaga, foi somente n ne ste ano que ele saiu do neste a nonimato. K anonimato. Koizumi teve a sorte de ccair no gosto d de e uma da das mulheres m ma is bem conectadas na mais m oda: a st moda: stylist britânica ( uma da (e das principais do estilista ccolaboradoras olaborad Marc Jaco Jacobs), Katie Grand. Ela se encantou no Instagram com o trabalho e es cultural do designer des escultural e fez o cconvite co nvite para ele estrear nas passarelas Ăşltima NY Fashion p pa ssarelas da Ăşlt Week5GWFGUĆ&#x201A; Week5GWFGUĆ&#x201A;NGHQKQOCKU comentado da temporada e desde entĂŁo e ele decolou! Sua especialidade? Vestidos com especialidade inusitadas, muito formas inusit volume e um uma explosĂŁo de cores! VocĂŞ nunca viu nada igual. WRPRNRL]XPL#PHFRP WRPRNRL]XPL#P

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DÉCOR

MAXI MAN SIG BERGAMIN TRANSBORDA AUTENTICIDADE E LEVA PARA O QUINTO LIVRO TODA A ESSÊNCIA DE SEU TRABALHO. ADEPTO DA DIVERSIDADE, O ARQUITETO SE RESGUARDA DE TENDÊNCIAS E TEMÁTICAS. “A VIDA TEM QUE SER EXPOSTA” POR ROBERTA PINHEIRO

“V

irei básico”. Entre tantas definições e adjetivos possíveis, estranha ouvir o básico como característica do arquiteto Sig Bergamin. Autor de projetos arquitetônicos e decorativos apoteóticos e multi, ele criou sua assinatura artística como um profissional que une estampas, quadros, cores, móveis em um excesso completamente harmônico e belo. Contudo, pessoalmente, prefere o look “all black”, com pequenos detalhes, como o cinto, os anéis e algumas tachas no bolso da calça. “Antigamente, usava co-

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res, mas virei bĂĄsico. Uso preto, branco e azul marinho. Deixo as cores para a praia e para a Ă?ndia. Acho que o colorido tem a ver com o lugar que vocĂŞ estĂĄâ&#x20AC;?, aďŹ rma. AlĂŠm do minimalismo no jeito de vestir, o arquiteto conta que seu escritĂłrio, localizado em SĂŁo Paulo, ĂŠ dominado pelo branco. â&#x20AC;&#x153;Porque eu preciso de espaço para criarâ&#x20AC;?, justiďŹ ca. Sob os olhares â&#x20AC;&#x201C; e cuidado â&#x20AC;&#x201C; do marido, o tambĂŠm arquiteto Murilo Lomas, Sig Bergamin desembarcou por algumas horas em BrasĂ­lia, precisamente no shopping CasaPark, para o lançamento de seu novo livro, Maximalism, o quinto de sua carreira e o primeiro internacional, publicado em inglĂŞs pela prestigiada editora francesa Assouline. â&#x20AC;&#x153;Ela tem um livro do Niemeyer e, agora, um meuâ&#x20AC;?, comenta prestigiado. Murilo, inclusive, foi um dos responsĂĄveis pela publicação, jĂĄ que sempre incentivou o amado a mostrar seu trabalho e seu talento para o mundo. AlĂŠm de mĂĄxi nas proporçþes e no peso, o coffee table book (340 pĂĄginas, 230 imagens e dimensĂŁo de 25 cm por 33 cm) reĂşne exemplos do ÂŤestilo Sig BergaminÂť. Pelas pĂĄginas, transbordam autenticidade, personalidade, vivacidade e, sobretudo, amor. Depoimentos de amigos, fĂŁs e clientes, como o empresĂĄrio Giancarlo Giammetti, cofundador da Valentino, o estilista Domenico Dolce, a duquesa espanhola Naty Abascal e a artista plĂĄstica Beatriz Milhazes, dividem espaço com as fotograďŹ as das casas decoradas em Miami, Nova York, Paris, Londres, Trancoso, GuarujĂĄ e SĂŁo Paulo. Os cliques levam a assinatura do sueco BjĂśrn Wallander e o prefĂĄcio traz a escrita do tambĂŠm artista Vik Muniz. Maximalismo, tĂ­tulo do livro, seria essa sua assinatura nos SURMHWRV"

Eu acho que a Assouline inventou uma ideia maravilhosa, porque meu estilo Ê preenchimento de tanta coisa, tanta diversidade, coisas misturadas que, no fundo, virou maximalismo e eu sou maximalista, porque eu adoro colecionar coisas. Meus ambientes são cheios. Se bem que adoro minimalismo tambÊm, eu adoro tudo. O maximalismo veio a calhar, porque estå todo mundo falando disso agora e eu não tenho medo de ser maximalista, não tenho medo de nada na decoração.

arriscando e sempre foi dando certo. A cadeira africana fala com o mĂłvel francĂŞs que fala com a almofada que fala com as ďŹ&#x201A;ores. Acho que quando vocĂŞ pĂľe coisa do coração, a alma vem junto. Quando publico os ambientes que faço no meu Instagram, as pessoas falam: â&#x20AC;&#x153;tem muita luzâ&#x20AC;?, â&#x20AC;&#x153;ĂŠ Deusâ&#x20AC;?, â&#x20AC;&#x153;ĂŠ teu anjoâ&#x20AC;?. Estou acreditando. 1RSUHIÂŁFLR9LN0XQL]GL]TXHYRFÂŹSURMHWDXPHVSDŠRIÂŻVLFRQR TXDODLQWLPLGDGHSUHFLVDKDELWDU&RPRID]HULVVR"

Trago uma parte que não Ê pra se esconder nos projetos. Como sou uma pessoa muito transparente, então eu acho que a vida tem que ser exposta. Exposta de maneira muito transparente e muito íntima, mas que você possa retratar. Não Ê porque Ê teu quarto que tem que ser uma sala secreta de objeto e de desejo. Tudo Ê íntimo e tudo pode ser dos seus amigos. &RPRHRQGHFRPHŠDRSURMHWR"

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As pessoas me dizem sempre: â&#x20AC;&#x153;Sig, eu tento misturar o que vocĂŞ mistura e nĂŁo dĂĄ certo e vocĂŞ mistura tudo e as peças se falamâ&#x20AC;?. EntĂŁo, eu acho que foi algo que aprendi, a me arriscar. Sempre comecei me

Vou ao local, analiso, entrevisto os donos da casa e começo a entender o processo da família, do casal. Quando eu entendo o modus vivendi, começo a criar. Eu tenho que fazer a casa pra eles, não pra mim. Tem que ter a cara deles. GPSLifetime  143

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Odeio a palavra tendência. Me då arrepio, porque se você vai comprar uma roupa, a dona da loja fala em moda, eu não gosto disso. Gosto das coisas que permanecem com o tempo. Não gosto de prazos, de validade, de nada disso. Tendência Ê algo muito da hora, da moda. 1DDUTXLWHWXUDKRMHIDODVHPXLWRGRYHUGHHGDUHODŠ¼RGDFDVD FRPDQDWXUH]D2TXHDFKDGHVVDYHUWHQWH"

NĂŁo consigo. Se eu estiver nas minhas casas, se nĂŁo tiver ďŹ&#x201A;or, parece que eu nĂŁo estou. Compro ďŹ&#x201A;or antes de comprar ĂĄgua. (risos). NĂŁo consigo viver sem ďŹ&#x201A;ores, mas nĂŁo gosto de ter tanta ĂĄrvore, plantas dentro de casa, porque elas morrem. Eu gosto quando tem luz, acho justiďŹ cĂĄvel. Quando nĂŁo tem luz, ver planta morta ĂŠ horrĂ­vel. 3UHVHQŠDGDDUWHÂŤXPDFRQVWDQWHHPVHXVSURMHWRV2TXHDFKD GDUHODŠ¼RHQWUHDUTXLWHWXUDGHFRUDŠ¼RHDUWH"

DEPOIMENTOS â&#x20AC;&#x153;Quando comecei a expor meu trabalho em SĂŁo Paulo, nos anos 1980, o Sig Bergamin representava a vanguarda e a frescura do design de interiores brasileiro. Pessoalmente, o que sempre me atraiu em seus projetos ĂŠ sua audĂĄcia de usar cores e misturar etnias e estilos sem hesitaçãoâ&#x20AC;? Beatriz Milhazes, artista plĂĄstica â&#x20AC;&#x153;Eu nĂŁo sou apaixonado por casas e decoração EQNQTKFCU'WEQUVWOQĆ&#x201A;ECTEQOCUOKPJCUEQTGUDGIG preto, marrom e dourado. Mas quando vejo as obras do Sig, sinto que ninguĂŠm ĂŠ como ele, um mestre da decoração vibrante, na qual a cor e muitos outros elementos podem coexistir, criando uma harmonia perfeitaâ&#x20AC;? Giancarlo Giammetti, empresĂĄrio italiano â&#x20AC;&#x153;O estilo extravagante e exĂłtico do Sig preenche qualquer espaço do mundo com personalidadeâ&#x20AC;? Domenico Dolce, estilista

2TXHIXQGDPHQWDOQDHODERUDŠ¼RGHXPSURMHWRSDUDYRF conhecido por misturar estilos, estampas e cores, acha que tem XPGLIHUHQFLDOSRUVHUEUDVLOHLUR"

Não pode faltar num projeto Ê a diversidade, Ê a mistura de tudo, de raça, de etnia, de cores. E acho que isso vem do Brasil. Se você falar para mim que em uma casa, na qual tudo Ê do mesmo estilo Ê bonito, acho uma casa temåtica. Eu adoro a diversidade. E tambÊm não pode faltar o coração. Quando você pþe o teu coração, com as cores que você gosta, independente de onde vem, não tem erro.

Acho que uma casa sem arte nĂŁo ĂŠ nada. Tem uma frase que aprendi e adotei para mim, que diz: antes arte do que tarde. Tem que ter arte, nĂŁo importa se ĂŠ um pĂ´ster, uma foto do seu ďŹ lho, um desenho dele. Usa isso como arte, nĂŁo precisa ter um quadro caro. 9RFÂŹWHPFDVDHP1RYD<RUN3DULV/RQGUHV0LDPL6ÂĽR3DXOR 4XDORVHXGHVWLQRIDYRULWRQRPXQGR"

Meus destinos sĂŁo no Oriente. Adoro a Ă sia, acho que lĂĄ me atrai a fĂŠ, as cores, o artesanato, a gentileza das pessoas. Ă&#x2030; fascinante. As pessoas estĂŁo querendo fazer aquilo para vocĂŞ, trabalhar com vocĂŞ, nĂŁo estĂŁo querendo ser vocĂŞ. Ă&#x2030; um sentimento verdadeiro e vocĂŞ ďŹ ca com o coração preenchido. Acho, inclusive, que quando todo mundo ia para a Feira de MilĂŁo, eu ia para a Ă?ndia. Aprendi com as vivĂŞncias nas Ă?ndia e com os livros em MilĂŁo. (%UDVÂŻOLD"

Eu adoro, porque, pra mim, ĂŠ um jardim de esculturas. NĂŁo sei se eu moraria no PalĂĄcio da Alvorada, mas acho Niemeyer um gĂŞnio e BrasĂ­lia estĂĄ na moda, todo mundo sĂł fala de BrasĂ­lia. &RPRGHVFUHYHULD6LJHVHXWUDEDOKR"

O Sig Ê muito carismåtico, muito seletivo, sem paciência. Gosto de pessoas que são normais, naturais, sem distinção de raça ou cor. Mas eu gosto de naturalidade e sinceridade. )DOWDDOJRHPVHXFXUU¯FXOR"

Um hotel maravilhoso, com carta branca, mas, claro, com budget. AlguĂŠm que me contrate e fale: cria, faz.

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FILANTROPO

DESCENTRALIZAR A ARTE, FAZER DELA UM ELEMENTO DE EMPREENDEDORISMO, FOMENTAR TALENTOS E ACESSAR ACERVOS AO PÚBLICO. ALÉM DESSAS FAÇANHAS, O MECENAS MARCOS AMARO LEVA NUNO RAMOS PARA SUÍÇA POR PAULA SANTANA

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O TOQUE DE MIDAS

lçar voos altos nunca foi empe-cilho para o artista plástico e colecionador de arte Marcos Amaro, herdeiro de Rolim Amaro, fundador da companhia aérea TAM. Envolvido com arte desde criança, desenhar fez parte de sua vida, assim como a aviação. Peças de aviões antigos serviram de inspiração e matéria-prima para que ele desenvolvesse esculturas enigmáticas ao longo de sua carreira, o que lhe rendeu dois prêmios recentes: Melhor Obra Ecosustentável, em Salerno, na Itália, e o de Melhor Escultura, no Visual Arts Press Awards, nos Estados Unidos. Entretanto a verve do empreen-dedorismo também

integra o elenco de qualidades de Amaro e se alia a sua devoção pela arte. O mais recente desembarque foi em Zurique, Suíça, no expressivo Centro Cultural Löwenbräu-Kunst, onde instalou filial da Galeria Kogan Amaro. Ao lado da mulher, a pianista russa, Ksenia Kogan, ele apresenta Nuno Ramos, pintor, desenhista, escultor, cenógrafo, ensaísta e videomaker como representante da arte contemporânea brasileira na exposição solo Sol a Pino. Nas pinturas, o artista emprega uma versão particular da encáustica – mistura de tinta, óleo, parafina, vaselina e pó – que materializa cores elétricas em su-

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perfície de madeira. Em contraposição a este exagero de luz, os mitos gregos de Antígona e Cassandra aparecem na exposição por meio de duas séries de desenhos. Segundo Nuno, trata-se do desejo de solarização na tentativa de alegria em tempos soturnos. “O percurso trilhado por Nuno nos quase 40 anos de carreira mostra a sua importância – vimos a necessidade de seguir projetando-o internacionalmente”, diz Marcos Amaro. Obras de Nuno Ramos

MECENAS O mundo corporativo em que viveu colaborou bastante para que Amaro profissionalizasse a arte, transformando-a não apenas num investimento, mas em um negócio. Em 2012, em Itu, de uma tecelagem do século 19 de 25 mil metros nasceu a FMA - Fundação Marcos Amaro. A premissa básica: permitir e fomentar a descentralização da arte. Dentre os programas, o incentivo a criação artística contemporânea, premiações, investigação e documentação e, ainda, a possibilidade de o público acessar o acervo do colecionador. Ano passado, em meio ao caos cultural com o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Amaro contemplou o segmento com a Fábrica de Arte Marcos Amaro (FAMA), complexo que abraça mais de duas mil obras de seu acervo construído ao longo dos últimos dez anos, num investimento que ultrapassa os R$ 70 milhões. A tela O Menino com Carneiro, de Cândido Portinari, foi a primeira a ser adquirida pelo empresário. De lá para cá, o colecionador tem investido continuamente em obras dos mais importantes artistas, com foco maior nos brasileiros. Além da galeria, da fundação e de sua arte, Marcos também tem cadeiras no conselho do Museu Brasileiro da Escultura (MuBe), na fundação Instituto Iberê Camargo, no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), e ainda outra no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba. Como costumam defini-lo, “Marcos Amaro é um exemplo de amor às artes visuais, à cultura e ao empreendedorismo”. Um azougue. GPSLifetime « 147

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ARTE POR MAURÍCIO LIMA mauricio@galeriaclima.com.br

SERGIO LUCENA

Pintura da Luz

Albedo, paisagem como espelho, óleo sobre tela

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Um lugar como nenhum, óleo sobre tela

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artista plástico Sergio Lucena, como muitos outros, começou sua carreira com trabalhos figurativos. O imaginário folclórico nordestino e a força telúrica das tradições regionais eram evidentes nas cenas fantasiosas que criava no início de sua carreira. Essa narrativa rica em elementos foi sendo gradualmente depurada, dando lugar não a uma abstração igualmente carregada, mas a uma espécie de campo plano e profundo de cor e luz que, às vezes, dava-se a mostrar linhas ou círculos em contrastes matizados, e, outras, insinuadas paisagens, afirma a crítica Julia Pereira Lima em um dos textos que escreveu sobre o artista. No começo da década de 2000, o artista passa para a pintura abstrata ou quase abstrata. Elas, de certa forma, reportam-se à experiência do artista quando criança, no sertão da Paraíba, sua experiência direta com a natureza, a paisagem vasta e silenciosa do sertão, que, guardados em sua memória, afloram de forma bem sutil em suas pinturas. Algumas vezes só as luzes e as atmosferas desses momentos são repassadas para as telas. O crítico Fabio Magalhães observa que não há contornos nem linhas nas pinturas de Lucena. A cor, ou melhor, os tons que se agrupam e que afastam constroem o espaço. O artista deu um salto de grande síntese na sua expres-

são plástica e produziu telas de pura vibração cromática. A cor dominante é fortemente tensionada pela luz na construção do espaço. Em algumas de suas pinturas atuais, notamos a presença de uma luminosidade de forma circular que parece emergir do fundo para a superfície de modo expansivo, como uma onda que reverbera no espaço. O interesse pelo tema da luz e da cor é evidente. Sua pintura transformou-se em vibrantes campos de cor e em grandes superfícies, que inspiram uma postura contemplativa e silenciosa. “Eu proponho um lugar de silêncio e contemplação frente ao excesso contemporâneo. A inspiração é uma coisa misteriosa. O artista tem que trabalhar muito e tem que estar pronto a todo momento. Só assim a inspiração tem alguma eficácia”, diz o pintor. Esse efeito de luz e cor é o resultado de várias camadas de tinta óleo, algumas de suas obras demoram mais de um ano para ficarem prontas. Atualmente o artista tem experimentado a inclusão de minerais, como pó de mica, na busca de aumentar a reflexão da luz. Para Lucena, natureza humana e ciência também foram sempre assuntos de interesse. Estudou Física e Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, e teve o artista Flávio Tavares como o mestre que o introduziu à pintura e ao desenho. Em sua carreira como artista autodidata, participou de exposições, intercâmbios culturais e residências artísticas na Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos, onde é representado pela Mariane Ibrahim Gallery, em Chicago, e pela Galeria Clima em Miami. Todo ano a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) divulga a lista de nomes dos indicados ao prêmio destinado aos artistas visuais, curadores, críticos, autores e instituições culturais que mais contribuíram para a cultura nacional no ano anterior. A lista é elaborada a partir das indicações que os associados enviaram para discussão e aprovação em Assembleia Geral da entidade. Em 2012 Sergio Lucena recebe o prêmio Mario Pedrosa como artista contemporâneo, em reconhecimento ao seu trabalho e sua pintura. Lucena vive e trabalha em São Paulo desde o início dos anos 2000. Apesar de ter seu ateliê na capital da arte brasileira, foi o fato de ter nascido (1963) e crescido na Paraíba, local onde teve contado direto com vários elementos ligados à natureza, fonte das suas pinturas, que marcou sua vida como artista, especialmente na fase atual. Atualmente, o artista está participando da exposição Pausa, na Galeria Clima no Rio de Janeiro. GPSLifetime « 149

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UTOPIA CONSTRUTIVA

GALERIA

NA ARQUITETURA BRUTALISTA DO MUBE, O COLECIONISMO GANHA SUA DEVIDA IMPORTÂNCIA AO CELEBRAR O MECENAS JOÃO CARLOS FIGUEIREDO BRAZ E SUA PAIXÃO PELA ARTE CONTEMPORÂNEA POR PAULA SANTANA

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olhar apurado do colecionador, o reconhecimento dos acervos particulares na difusão da arte, e a importância de aproximar o público de obra e artistas. Estes três pensamentos culminaram na exposição Construções e Geometrias, um apanhado da coleção de Dulce e Joao Carlos Figueiredo Braz, mecenas que iniciou tal missão ainda na década de 1980, em Ribeirão Preto, São Paulo. Com iniciativa do Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia, MuBE, a curadoria de Caue Alves, curador-geral do museu e doutor em Filosofia, traz trabalhos especiais de contemporâneos, como Adriana Varejão, Artur Lescher, Carlos Garaicoa, Carmela Gross, Cildo Meireles, Edgard de Souza, Ernesto Neto, Nelson Leirner, Laura Vinci, Nuno Ramos, Waltércio Caldas. Obras que se estabeleceram neste projeto de forma naturalmente orgânica e engajada, o que posiciona o museu como fugaz reconhecedor do colecionismo no Brasil. “O presente recorte curatorial enfatiza a arte construtiva e geométrica, seja como desdobramento, como ruptura ou reinvenção dessa tradição. A seleção de trabalhos privilegia ainda possíveis vínculos entre as obras e a arquitetura do MuBE”, descreve Alves, ao pontuar o MuBE como uma das mais importantes construções brutalistas do mundo, uma das principais obras de Paulo Mendes da Rocha, grande nome da

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arquitetura, vencedor do prêmio Pritzker em 2006. Uma maquete do prédio, inclusive, faz parte hoje do acervo do MoMA de Nova York. “Não se trata de apenas valorizar formas, mas de compreender que elas são inseparáveis de conteúdos, condensam ideias, processos históricos e os tornam visíveis. Na arquitetura do MuBE, com seu aspecto inacabado do concreto aparente, há a vontade de construção de um espaço público efetivo. Cada obra, em sua singularidade e na relação com seu entorno, ainda pode proporcionar uma experiência significativa e transformadora que reverbere e ecoe para além das paredes do museu”, conclui Alves.

Mesa Alongada, Edgar de Souza

Pirâmide, Sérvulo Esmeraldo

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DESIGN Imagine quando seis estúdios de design se unem para criar uma luminária a partir da reflexão: “o que, nos dias de hoje, poderia ser tomado como genuinamente brasileiro, em um segmento tão ligado à tecnologia?”. O desafio veio do encontro dos escritórios Bertolucci, Brilia e Centro de Educação Belas Artes. Prestam, cada um dos designers, uma justa homenagem às artes plásticas brasileiras, por meio da livre interpretação de questões materiais, ou subjetivas, presentes na obra de alguns de nossos mais notáveis artistas. Evidentemente sem perder a finalidade última, que é a de emitir luz, de forma eficaz e justa, para a finalidade à qual foi criada. POR PAULA SANTANA

ARCO

E SE FEZ A LUZ

LEO ROMANO Arquiteto de atuação multidisciplinar, o goiano e mestre em Artes Visuais, Leo Romano, nutre uma admiração sem paralelos pela obra do mineiro Amílcar de Castro. Arco tem dimensão escultural tal qual na obra do mestre, a transição do desenho para a tridimensionalidade.

MINIMUM ATELIER BAM

Juliana Bertolucci e Clément Gérard, com estúdio em São Paulo, abordam a questão do equilíbrio e, tal como a obra de Waltercio Caldas, provocam uma vertigem nos hábitos mentais de seu espectador, fazendo este se perguntar: como a esfera se equilibra?

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TUNGA

MURILO WEITZ Murilo Weitz é formado em Arquitetura e Urbanismo e em Design n de Criação e Moda. Tem se dedicado à produção de objetos que vão do design gn têxtil à cerâmica. Em Tunga, ele aborda as questões da grandiosidade e da desproporção, roporção, ã recorrentes na obra do artista. rtista.

ANAMÓRFICA

RICARDO BENUCCI e LUCAS LIMA Contemporâneos e formados em design de produto, a dupla tem o gosto pela prática multidisciplinar em uma perspectiva que vai do objeto ao FGUGPJQFKIKVCN#PCOÏTƂECTGXKUKVC a obra de Angelo Venosa, numa mimese da relação esqueleto e pele.

VOLTA

T44 STUDIO

META PÉTALA MULA PRETA

O designer André Gurgel e o arquiteto Felipe Bezerra, ambos naturais de Natal, têm na cultura nordestina suas referências fundamentais. A fusão entre elementos ligados à obra de Helio Oiticica, que remetem à Tropicália, e o esquema de formas, que ele apelidou de metaesquema.

T44 é um estúdio de criação fundado por dois irmãos, o designer Dennys Tormen e o engenheiro Patrick Tormen, em Balneário Camboriú. Volta homenageia Lygia Clark, estabelecendo paralelo entre o funcional e o escultórico, que orbitam em torno de uma fonte de luz.

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TENDÊNCIA

SUBINDO AS PAREDES

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Tons quentes, texturas granulosas, cores, relevos e detalhes autorais. Para criar a imagem e o estilo de quem habita as recentes temporadas de décor, sugerem revestimentos estampados em padronagens criativas, que podem ir além de áreas externas, cozinhas ou banheiros. Padrões orgânicos são realçados pela camada vítrea em micrografias que se retratam em arte. (PS)

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sabe aquela mesa que te faz reunir os amigos?

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quando sua casa muda

vocĂŞ muda

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RÚSTICO

Bontempo

MEMÓRIAS S I A R T S E C AN Pedras naturais ganharam espaço na arquitetura e movelaria. A nobre matériaprima da América do Sul tornou-se tendência na Europa e promove a harmonização da modernidade com a natureza. Têm forte apelo estético quando ambientadas com madeira, vidro ou metais, além de seu conforto térmico, adaptam-se a diferentes temperaturas. (PS)

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CONTEMPORÂNEO canti

Foto: Bruno Caval

IMPERMEÁVEIS, ECOLÓGICAS E RESISTENTES, A TELHA MAIS COMERCIALIZADA DO MUNDO GANHA FÔLEGO NO MERCADO. SUA ELEGÂNCIA ESTÉTICA FAZ DELA A NOVA TENDÊNCIA EM CONSTRUÇÃO POR GIULIA RORIZ « FOTO BRUNO CAVALCANTI

UMA SUPER COBERTURA

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uem nunca reparou nos telhados das tradicionais casas norte-americanas? Com textura e formato wood frame, distintos das coberturas brasileiras – que utilizam telhas metálicas, de cerâmica e de concreto, por exemplo –, o sistema de design elegante vem ampliando suas fronteiras rumo ao Hemisfério Sul. A elegância tem nome. Chama-se Telhas Shingle, atualmente a tecnologia mais vendida no mundo. Especialmente pela praticidade, impermeabilidade e leveza, cujo acabamento e  vedação tornam-se eficazes

pelo sistema de fixação e sobreposição autoaderente, formando uma camada única e contínua. Composto por uma base de manta asfáltica, reforçado com fibras de vidro e revestimento com grânulos cerâmicos sintéticos, esse sistema de cobertura pode ser utilizado em qualquer tipo de construção. “As telhas Shingle são mais fáceis de instalar do que as telhas comuns. Mas as principais características são a durabilidade e a resistência. A garantia deste produto é de aproximadamente 30 anos”, afirma Thiago Quixabeira, sócio-proprietário da Shingle Brasil.

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Fotos: Divulgação

Além disso, os grânulos cerâmicos coloridos nas cores preto, cinza-grafite, chocolate, terracota, verde, areia e cinza-aspen recebem proteção para evitar a proliferação de algas e fungos no telhado. “Pregadas umas nas outras, elas formam uma superfície única, que fica colada na base no telhado e, deste modo, não destelham. O investimento também é outro atrativo, pois se equipara aos preços das marcas tradicionais”, complementa o empresário. Disponível para ser utilizado em qualquer tipo de edificação, o sistema de cobertura é resistente e ao mesmo tempo flexível, possibilitando que o telhado tenha baixas inclinações (de no mínimo 17%) até um ângulo de 90°. “Esse sistema serve para telhados curvos, e inclinações diferentes que uma telha cerâmica ou de concreto não faria”, explica Quixabeira. Além de possuir resistência a ventos de até 209 km/h, evitando destelhamento ou quebras de telhas, a Shingle é 100% estanque. “A composição da telha tem uma base asfáltica e com o calor essa telha se funde uma na outra e forma uma camada única, o que reduz

muito o risco de infiltração de água durante período de chuvas fortes”, afirma o sócio-proprietário da marca. O produto ainda não é produzido no Brasil, todo o material é importado. Porém, os números comprovam que tem ganhado força no mercado nacional. “Percebemos que as pessoas estão mais preocupadas em garantir segurança aos seus imóveis e esse produto se encaixa perfeitamente no objetivo dos clientes”, destaca. Há nove anos atuando com a venda das telhas no Brasil, a empresa de Thiago é a única no País que faz a instalação e troca do material. “Temos profissionais especializados, que fazem o estudo da casa para uma instalação perfeita e com todas as entradas e saídas de ar sendo respeitadas. Assim, a ventilação do local não é comprometida”.  Dentre os clientes fiéis da marca em Brasília, arquitetos expressivos como Denise Zuba, estabelecimentos como a academia Unique e a Mormaii do Pontão do Lago Sul. O sócio-proprietário do restaurante à beira do Lago Paranoá explica que, desde o início da construção, a ideia era manter a estrutura da Mormaii ecologicamente correta. “Agora, resolvemos fazer algumas reformas, ainda seguindo a mesma linha inicial, mas com uma tecnologia mais avançada e esteticamente bonita”. A unidade receberá as telhas Shingle nos próximos meses.  b ZZZVKLQJOHEUDVLOFRPEU VKLQJOHEUDVLO

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PUBLIEDITORIAL

CONEXÃO CENTRO-OESTE A PRIME YOU, EMPRESA QUE ATUA NO MERCADO DE COMPARTILHAMENTO DE BENS DE LUXO, INICIA OPERAÇÕES NO CENTRO-OESTE COM A AERONAVE EXECUTIVA PHENOM 100E

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mpresas sediadas no Centro-Oeste e pessoas físicas de alto poder aquisitivo desta região podem, a partir de agora, adquirir um jato executivo no sistema de propriedade compartilhada. É que a Prime You – primeira empresa do Brasil a oferecer aeronaves executivas, helicópteros, embarcações e carros esportivos no sistema de propriedade compartilhada – chega oficialmente ao Centro-Oeste com a abertura de um escritório em Brasília. A viabilização da empresa na região deve-se a uma parceria local com os empresários brasilienses Eduardo Lira e Diomédio Santos. O primeiro modelo de aeronave a ser compartilhado pela Prime You no Centro-Oeste é o Phenom 100E, jato executivo fabricado pela Embraer, com apenas 350 horas de voo e capacidade para até seis passageiros, que, pelo modelo de negócios da empresa, pode ser compartilhado por até três cotistas. A Prime You já inicia os trabalhos com duas das três cotas desta aeronave já comercializadas, contando com mais uma cota disponível. Os planos da Prime You são de ampliar a oferta de novas aeronaves executivas para compartilhamento no Centro-Oeste, possivelmente ainda em 2019. Os demais modais, embarcações e carros esportivos, começarão a

ser oferecidos pela empresa entre 2020 e 2021, bem como o recente serviço de compra e venda de aeronaves. O Distrito Federal passa a ser a terceira base de operações da Prime You, que possui uma base operacional no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, uma base de operações no Aeroporto de Jacarepaguá no Rio de Janeiro, um escritório central em Alphaville (SP) e operações em Paraty (RJ) e no Guarujá (SP). Fundada em 2008, a Prime You aposta no modelo de propriedade compartilhada de bens de luxo, que, apesar de ainda ser novo no Brasil, é um negócio bastante consolidado nos EUA e em alguns países da Europa e Ásia, onde o compartilhamento tornou-se uma forma inteligente de racionalizar a utilização de aeronaves executivas. Além do segmento de propriedade compartilhada de quatro modais de luxo, a Prime You também atua na gestão de ativos para clientes que desejam profissiona-

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Como é o Phenom 100E?

O Phenom 100E é um jato de alto desempenho que comporta dois pilotos e até seis passageiros e pode alcançar destinos localizados dentro de um raio de 2.150 km, sem necessidade de escala. O avião possui os maiores compartimentos de bagagem, janelas e cabine de sua classe, e um dos mais baixos custos operacionais do mercado. Na Prime You, o Phenom 100E pode ser compartilhado com até três proprietários. O valor da cota é de US$ 1.139.064,00 (1/3 do valor da aeronave), havendo ainda uma taxa fixa mensal de manutenção e outra por hora voada. &RPRIXQFLRQDRPRGHORGHFRPSDUWLOKDPHQWRGHDHURQDYHVGD 3ULPH<RX"

lizar a administração do seu bem. Neste ano, a empresa passou a operar na compra e venda e comercialização de aeronaves de terceiros. Em breve, deve anunciar sua entrada no segmento de táxi aéreo. A Prime You registrou uma média de crescimento de 26% ao ano nos últimos seis anos, e o valor de seus ativos é estimado em cerca de R$ 183,4 milhões. O plano de investimentos para este ano está previsto em cerca de R$ 10 milhões, e destina-se à ampliação da infraestrutura, abertura de novas bases operacionais, tecnologia e expansão da frota, além de recursos humanos. Nos últimos quatro anos, a Prime You investiu aproximadamente R$ 1,5 milhão em infraestrutura, tecnologia e equipamentos. A GPS Lifetime conversou com Marcus Matta, presidente da Prime You, sobre a chegada e os planos da empresa para Brasília e região. Confira. 4XDLVDVH[SHFWDWLYDVGD3ULPH<RXSDUDRLQ¯FLRGDVRSHUD©·HV HP%UDV¯OLD"

Para a Prime You, chegar a Brasília é um sonho que se torna realidade. Tínhamos muito interesse em abrir nossas operações e começarmos a ofertar nossos serviços para o público seleto e sofisticado da região Centro-Oeste do Brasil. Neste primeiro momento, iniciaremos apenas com a aeronave Phenom 100E, mas ainda em 2019 teremos novidades em novas aeronaves que serão disponibilizadas. E, entre 2020 e 2021, devemos lançar os modais de embarcações e carros esportivos.

No sistema de propriedade compartilhada da Prime You, os jatos executivos são utilizados por até três proprietários, que compartilham a utilização do bem em conjunto, conforme regulamento de utilização. A empresa administra a gestão do ativo de seus associados, deixando o avião pronto para uso conforme agendamento do cotista, cuidando da contratação da tripulação, hangar e manutenção da aeronave. 4XDODYDQWDJHPGRFRPSDUWLOKDPHQWRGHEHQVGHOX[R"

A grande vantagem do compartilhamento de bens de luxo é que os investimentos e custos fixos para a aquisição do bem caem significativamente, se comparada a aquisição e propriedade exclusiva. O compartilhamento permite adquirir frações de um bem por número limitado de proprietários – pessoa física ou jurídica –, que então compartilham a utilização deste bem em diferentes momentos. Além disso, esta tendência faz parte de uma percepção mais inteligente de redução de gastos desnecessários, evitando desperdícios. Esta é uma forma inteligente de se ter um bem e é a mais adequada ao momento atual. )DOHXPSRXFRGRKLVWµULFRGD3ULPH<RX&RPRDHPSUHVD FRPH©RX"

Iniciamos as atividades em outubro de 2008, e, em quase 11 anos de história, conseguimos agora entrar em nossa terceira base de operações, que será o Distrito Federal. Iniciamos em São Paulo, onde fica nosso escritório central, em Alphaville (SP), e nossa base principal, dentro do Aeroporto de Congonhas, onde também fica nosso Centro de Operações de Voo, de onde monitoramos todos os nossos bens. No Rio, nossa base operacional fica no Aeroporto de Jacarepaguá e temos base de operações para embarcações em Paraty (RJ) e no Guarujá (SP). ZZZSULPH\RXFRPEU

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EXPLORA POR MARCELLA OLIVEIRA #PDUFHOODBROLYHLUD

Fotos: Divulgação

CULTURA DOCE

Robin Hill

Imagine 15 ambientes-instalaçþes lĂşdicos, coloridos, super fotografĂĄveis e que despertam uma louca vontade de comer doce? Essa ĂŠ a proposta do incrĂ­vel O Museu Mais Doce do Mundo, em cartaz atĂŠ 18 de agosto em uma casa de dois andares no Jardim AmĂŠrica, em SĂŁo Paulo. NĂŁo pense que ĂŠ para crianças, pois os adultos saem de lĂĄ bem mais felizes do que os RGSWGPQUEQPĆ&#x201A;TOCPFQQVGOCFCGZRQUKĂ&#x192;ÂżQSWGĂ&#x2026;p&KIC5KOÂź(GNKEKFCFGq Especialmente se vocĂŞ se aventurar na piscina demarshmallows. Aqueles cenĂĄrios com doces gigantes sĂŁo de enlouquecer. Ă&#x2030; uma experiĂŞncia sensorial que desperta um sentimento Ăşnico, cheio de lembranças da infância. Os ingressos custam R$ 60 (inteira), no site www.eventim.com.br. Na bilheteria local eles custam R$ 66 (inteira). As visitas sĂŁo com hora marcada e duram cerca de uma hora. Em setembro, a mostra segue para o Rio de Janeiro. Saborosamente imperdĂ­vel!

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ARTE CARIBENHA ?ÂŤ>Ă&#x192;Ă&#x192;Â&#x153;Ă&#x2022;`>Â&#x2026;Â&#x153;Ă&#x20AC;>`i>}iÂ&#x2DC;Ă&#x152;iĂ&#x203A;iĂ&#x20AC;Â&#x2C6;>Â&#x201C;Â&#x2C6;VÂ&#x153;Â&#x201C;Â&#x153;Ă&#x192;Â&#x153;Â?Â&#x2026;Â&#x153;Ă&#x192; `>>Ă&#x20AC;Ă&#x152;iiÂ&#x2DC;KÂ&#x153;>ÂŤiÂ&#x2DC;>Ă&#x192;`>Ă&#x192;VÂ&#x153;Â&#x201C;ÂŤĂ&#x20AC;Â&#x2C6;Â&#x2DC;Â&#x2026;>Ă&#x192;° Ă&#x2022;Â&#x201C;ÂŤĂ&#x20AC;Â&#x153;}Ă&#x20AC;>Â&#x201C;> Ă&#x192;iÂ&#x201C;ÂŤĂ&#x20AC;iLiÂ&#x201C;Â&#x2021;Ă&#x203A;Â&#x2C6;Â&#x2DC;`Â&#x153;ÂŤÂ&#x153;Ă&#x20AC;Â??jĂ&#x2022;Â&#x201C;>Ă&#x203A;Â&#x2C6;Ă&#x192;Â&#x2C6;Ă&#x152;>>Â&#x153;*iĂ&#x20AC;iâÄ?Ă&#x20AC;Ă&#x152; Ă&#x2022;Ă&#x192;iĂ&#x2022;Â&#x201C;]ÂľĂ&#x2022;iwV>iÂ&#x201C; Â&#x153;Ă&#x153;Â&#x2DC;Ă&#x152;Â&#x153;Ă&#x153;Â&#x2DC;]Ă&#x152;iÂ&#x201C;Ă&#x2022;Â&#x201C;Â?>Ă&#x20AC;`Â&#x2C6;Â&#x201C;Â?Â&#x2C6;Â&#x2DC;`Â&#x153; iĂ&#x2022;Â&#x201C;>VĂ&#x2022;Ă&#x20AC;>`Â&#x153;Ă&#x20AC;Â&#x2C6;>Ă&#x192;Ă&#x2022;ÂŤiĂ&#x20AC;L>V>Â&#x2DC;>]iÂľĂ&#x2022;iĂ&#x203A;>Â?Â&#x153;Ă&#x20AC;Â&#x2C6;â>>VĂ&#x2022;Â?Ă&#x152;Ă&#x2022;Ă&#x20AC;> VÂ&#x153;Â&#x2DC;Ă&#x152;iÂ&#x201C;ÂŤÂ&#x153;Ă&#x20AC;@Â&#x2DC;i>°-iĂ&#x203A;Â&#x153;VkĂ&#x203A;Â&#x2C6;Ă&#x192;Â&#x2C6;Ă&#x152;?Â&#x2021;Â?Â&#x153;]iÂ&#x201C;`Â&#x2C6;viĂ&#x20AC;iÂ&#x2DC;Ă&#x152;iĂ&#x192;jÂŤÂ&#x153;V>Ă&#x192;`Â&#x153; >Â&#x2DC;Â&#x153;iÂ&#x2DC;VÂ&#x153;Â&#x2DC;Ă&#x152;Ă&#x20AC;>Ă&#x20AC;?Ă&#x2022;Â&#x201C;>iĂ&#x192;Ă&#x152;Ă&#x20AC;Ă&#x2022;Ă&#x152;Ă&#x2022;Ă&#x20AC;>`Â&#x2C6;viĂ&#x20AC;iÂ&#x2DC;Ă&#x152;i]ÂŤÂ&#x153;Ă&#x20AC;ÂľĂ&#x2022;iĂ&#x192;iĂ&#x2022;Ă&#x192;iĂ&#x192;ÂŤ>XÂ&#x153;Ă&#x192; internos se transformam conforte as mostras em exibição. "Â&#x201C;>Â&#x2C6;Ă&#x192;Â?i}>Â?jÂľĂ&#x2022;iiÂ?iĂ&#x192;Ă&#x192;iÂ&#x201C;ÂŤĂ&#x20AC;iĂ&#x152;Ă&#x20AC;>âiÂ&#x201C;Ă&#x2022;Â&#x201C;>Ă&#x152;iÂ&#x201C;?Ă&#x152;Â&#x2C6;V> Â&#x2C6;Â&#x2DC;Ă&#x152;iĂ&#x20AC;iĂ&#x192;Ă&#x192;>Â&#x2DC;Ă&#x152;iiVÂ&#x153;Â?Â&#x153;V>iÂ&#x201C;iĂ&#x203A;Â&#x2C6;`kÂ&#x2DC;VÂ&#x2C6;>>Ă&#x20AC;Ă&#x152;Â&#x2C6;Ă&#x192;Ă&#x152;>Ă&#x192;`iĂ&#x20AC;i}Â&#x2C6;ÂŞiĂ&#x192;Â&#x2DC;KÂ&#x153; Â&#x201C;Ă&#x2022;Â&#x2C6;Ă&#x152;Â&#x153;Ă&#x20AC;iVÂ&#x153;Â&#x2DC;Â&#x2026;iVÂ&#x2C6;`>Ă&#x192;Â&#x201C;Ă&#x2022;Â&#x2DC;`Â&#x2C6;>Â?Â&#x201C;iÂ&#x2DC;Ă&#x152;i°Ä?Â&#x2DC;Â&#x153;Ă&#x203A;>>ÂŤÂ&#x153;Ă&#x192;Ă&#x152;>]>ÂŤ>Ă&#x20AC;Ă&#x152;Â&#x2C6;Ă&#x20AC; `Â&#x153;`Â&#x2C6;>ÂŁn`iÂ?Ă&#x2022;Â?Â&#x2026;Â&#x153;]j>Â&#x201C;Â&#x153;Ă&#x192;Ă&#x152;Ă&#x20AC;>6JG1VJGT5KFGQH0QY Foresight in Contemporary Caribbean Art (O outro lado do CIQTC2TQURGEĂ&#x192;ÂżQPC#TVG%CTKDGPJC%QPVGORQTžPGC , VÂ&#x153;Â&#x201C;>ÂŤĂ&#x20AC;Â&#x153;ÂŤÂ&#x153;Ă&#x192;Ă&#x152;>`iv>Â?>Ă&#x20AC;Ă&#x192;Â&#x153;LĂ&#x20AC;i>Ă&#x20AC;i}Â&#x2C6;KÂ&#x153;`iĂ&#x2022;Â&#x201C;>vÂ&#x153;Ă&#x20AC;Â&#x201C;> `Â&#x2C6;viĂ&#x20AC;iÂ&#x2DC;Ă&#x152;i]Â&#x153;Â?Â&#x2026;>Â&#x2DC;`Â&#x153;ÂŤ>Ă&#x20AC;>Â&#x153;vĂ&#x2022;Ă&#x152;Ă&#x2022;Ă&#x20AC;Â&#x153;iÂ&#x2DC;KÂ&#x153;ÂŤ>Ă&#x20AC;>Â&#x153;ÂŤ>Ă&#x192;Ă&#x192;>`Â&#x153;° +Ă&#x2022;>Ă&#x152;Â&#x153;Ă&#x20AC;âi>Ă&#x20AC;Ă&#x152;Â&#x2C6;Ă&#x192;Ă&#x152;>Ă&#x192;V>Ă&#x20AC;Â&#x2C6;LiÂ&#x2DC;Â&#x2026;Â&#x153;Ă&#x192;­`iÂ&#x2DC;Ă&#x152;Ă&#x20AC;iiÂ?iĂ&#x192;]>Ă&#x203A;>Ă&#x20AC; Ă&#x2022;Â&#x2DC;Ă&#x20AC;Â&#x153;i]vÂ&#x153;Ă&#x152;Â&#x153;ÂŽĂ&#x203A;KÂ&#x153;Â&#x201C;Â&#x153;Ă&#x192;Ă&#x152;Ă&#x20AC;>Ă&#x20AC;Ă&#x192;iĂ&#x2022;Ă&#x152;Ă&#x20AC;>L>Â?Â&#x2026;Â&#x153;ÂŤÂ&#x153;Ă&#x20AC;Â&#x201C;iÂ&#x2C6;Â&#x153;`i Ă&#x203A;Â&#x2030;`iÂ&#x153;Ă&#x192;]iĂ&#x192;VĂ&#x2022;Â?Ă&#x152;Ă&#x2022;Ă&#x20AC;>Ă&#x192;]ÂŤÂ&#x2C6;Â&#x2DC;Ă&#x152;Ă&#x2022;Ă&#x20AC;>Ă&#x192;iÂ&#x2C6;Â&#x2DC;Ă&#x192;Ă&#x152;>Â?>XÂŞiĂ&#x192;°" Â&#x153;LÂ?iĂ&#x152;Â&#x2C6;Ă&#x203A;Â&#x153;j`>Ă&#x20AC;Ă&#x203A;Â&#x153;â>Â&#x153;Ă&#x192;>Ă&#x20AC;Ă&#x152;Â&#x2C6;Ă&#x192;Ă&#x152;>Ă&#x192;`>Ă&#x20AC;i}Â&#x2C6;KÂ&#x153;° ZZZSDPPRUJ_ pamm

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Fotos: LuĂ­s Riedli

CHEIO DE BOSSA Quando a gente pesquisa sobre o hotel Yoo2, no Rio de Janeiro, depara-se com fotos que mostram WOCXKUVCEKPGOCVQIT½Ć&#x201A;ECRCTCC$CĂ&#x2030;CFG)WCPCDCTC e o PĂŁo de Açúcar. Parece impossĂ­vel ser mais carioca. AtĂŠ que vocĂŞ chega lĂĄ, encontra funcionĂĄrios com camisas Ć&#x192;QTKFCUVGTGEGDGOFGHQTOCFGUEQPVTCĂ&#x2030;FCHC\GOQEJGEMKP com um iPad na mĂŁo e te encaminham para o elevador que tem estampado no fundo a street art ETKCFCRGNQITCĆ&#x201A;VGKTQECTKQEC Marcelo Ment. A televisĂŁo ligada no quarto toca Bossa Nova, um biscoito Globo te dĂĄ boas-vindas e a alma carioca parece tomar conta de vocĂŞ. Mas o charme mesmo estĂĄ no 13o andar, no bar The Rooftop. Com a vista para o PĂŁo de Açúcar de um lado e Q%TKUVQ4GFGPVQTFQQWVTQQFTKPMĆ&#x201A;ECCVĂ&#x2026;OCKUUCDQTQUQ 1JQVGNĆ&#x201A;ECUWRGTDGONQECNK\CFQPC2TCKCFG$QVCHQIQ cerca de dez minutos do aeroporto Santos Dumont. 'Ć&#x201A;ECRGTVQFGX½TKQUDCTGUFCTGIKÂżQ%QOQGNG UGFGĆ&#x201A;PGp7OJQVGNSWGPÂżQĂ&#x2026;RCUUCIGOĂ&#x2026; destinoâ&#x20AC;?. Be cariocally!

GALETTES DA BRETANHA

JĂĄ que nessa edição falamos de muitas coisas da França, isso me remeteu a um dos melhores ETGRGUSWGL½EQOK#ECUCĆ&#x201A;ECPQ4KQFG,CPGKTQG EJCOC.G$NĂ&#x2026;0QKT1PQOGUKIPKĆ&#x201A;ECpVTKIQRTGVQqGĂ&#x2026; referĂŞncia ao trigo sarraceno, ingrediente utilizado para a produção das galettes do local e tĂ­pico da regiĂŁo da Bretanha, no oeste da França. Ele ĂŠ menos calĂłrico que o trigo comum e nĂŁo tem glĂşten. Esqueça os crepes de massa grossa que estĂĄ acostumado a comer. Os da casa sĂŁo diferentes, crocantes e oferecem recheios com ingredientes nobres e mistura de sabores, como o de camarĂŁo com queijo, champagne e uva, que dĂĄ um toque adocicado. Completa a experiĂŞncia o clima intimista e atĂŠ romântico, alĂŠm da cidra francesa para acompanhar, sugerida pelos garçons e charmosamente servidas em canequinhas. Chegue cedo, porque o lugar Ć&#x201A;ECNQVCFQCĆ&#x201A;PCNUÂżQCRGPCUNWICTGU#ECUCĆ&#x201A;ECPC 4WC:CXKGTFC5KNXGKTCGO%QRCECDCPC

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GIN PORTUGUĂ&#x160;S NĂłs jĂĄ somos acostumados a incluir em viagens turĂ­sticas os passeios em vinĂ­colas, mas como de uns tempos para cĂĄ houve um boom de apreciadores de gin, despertou-se a curiosidade de saber como ele ĂŠ feito. E me surpreendeu saber que Portugal tem uma nova (pouco mais de cinco anos), porĂŠm renomada OCTECQ5JCTKUJ)KP#FGUVKNCTKCĆ&#x201A;ECPCTGIKÂżQFQ Alentejo e vocĂŞ pode agendar o passeio e conhecer um pouco da histĂłria, acompanhado pessoalmente pelo Antonio ou o Thiago, os donos. A visita guiada ĂŠ gratuita, mas, se quiser incluir tambĂŠm a prova comentada de quatro tipos de gins, custa 20 Euros. JHUDO#VKDULVKJLQFRP_ZZZVKDULVKJLQFRP

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CENÁRIO

EM MANHATTAN, UM RESORT VERTICAL LOTTE NEW YORK PALACE TEM PERFUME DE REALEZA. NÃO À TOA, SERVE DE CENÁRIO PARA PRODUÇÕES QUE EXALAM O ELEGANTE LIFESTYLE DA BIG APPLE, COMO A SÉRIE GOSSIP GIRL POR REBECA OLIVEIRA

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Fotos: Divulgação

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fachada em tijolos coloniais e o nome em letras garrafais douradas mais se assemelham à entrada de um palácio. Os enormes portões amarelos completam a ambientação. Ao fechar os olhos, é possível sentir o aroma delicado das flores que não sucumbiram ao frio e ostentam, sem falsa modéstia, o colorido típico da primavera que logo vem. Respiro em meio à agitada megalópole, o Lotte New York Palace associa, como poucos, elementos que parecem líquidos imiscíveis quando o assunto é hospedagem na Big Apple. Na cidade que nunca dorme, eis um motivo para desacelerar. Localizado em frente à catedral St. Patrick, em uma disputada esquina entre a 50th e a Madison Avenue,

o empreendimento tornou-se ícone devido a uma conjunção de fatores. Além da óbvia facilidade de acesso aos principais pontos turísticos de Nova York (como o Rockfeller Center e o Top of the Rock, a Times Square, a Grand Central Terminal e a Broadway), destaque-se o amplo espaço dos quartos. Alguns podem ter 495 metros quadrados, artigo de luxo em uma das capitais mais caras de todo o mundo para se alugar ou comprar um imóvel. “Não há nada como isso em NYC. É amável! Sentar no pátio principal e tomar um drinque é como estar em um resort”, orgulha-se o diretor de vendas David Shenman, em um passeio guiado exclusivo à revista GPS|Lifetime. “No Natal, o cinco estrelas é um dos pontos turísticos mais procurados devido à imensa árvore de Natal montada em frente à entrada principal”, emenda. Informações de bastidores dão conta de que o alto escalão do poder americano é habitué. A família Obama, por exemplo, esteve lá. Em 2013, uma reforma milionária incorporou ao que já era satisfatório o The Towers, classificado como um “hotel dentro do próprio hotel”. Foram construídos 15 andares, nos quais estão distribuídos mais 176 quartos, dentre os quais quatro suítes presidenciais. Estar em uma delas? Privilégio para poucos. A Jewel Suite, por exemplo, tem diária que em alta temporada chega a USD 25 mil dólares, algo em torno de R$ 100 mil reais. A justiça ao nome – Suíte Joia, em tradução literal – é feita em cada detalhe do ambiente, que comporta uma família. GPSLifetime « 165

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The Metropolitam Museum of Art As escadarias de um dos museus mais relevantes de Nova York eram ponto de encontro de Blair Waldorf (Leighton Meester) e Serena Van Der Woodsen (Blake Lively) para almoços e, claro, troca de informaçþes.

XOXO, GOSSIP GIRL Anos antes da construção do The Tower, entretanto, uma sĂŠrie televisa fez com que as reservas no Lotte New York Palace fossem preenchidas RQTOGUGUCĆ&#x201A;Q&WTCPVGX½TKCU temporadas, o hotel foi morada de Serena Van Der Woodsen (Blake Lively), protagonista da sĂŠrie Gossip Girl, exibida entre 2007 e 2012, e atualmente FKURQPĂ&#x2030;XGNPQ0GVĆ&#x192;KZ0Q enredo, Gossip Girl narra as desventuras de estudantes no Upper East Side, bairro nobre onde vive a elite de Manhattan. A famosa frase â&#x20AC;&#x153;xoxo, gossip girlâ&#x20AC;? encerrava as mensagens enviadas pela â&#x20AC;&#x153;garota fofoqueiraâ&#x20AC;? que dava conta de tudo que acontecia entre intrĂŠpidos alunos. A novidade ĂŠ que o enredo deve ganhar uma continuidade, produzida pela HBO Max e lançada em 2020. A sĂŠrie se mantĂŠm uma referĂŞncia quando se trata de um lifestyle na famosa cidade PQTVGCOGTKECPC%QPĆ&#x201A;TC outros locais que foram cenĂĄrio de )QUUKR)KTN

Rockefeller Center O complexo com 20 edifícios Ê famoso cartão-postal novaiorquino e, devido à quantidade de lojas, era check-in certo na produção americana, que tinha na moda um de seus principais pilares.

Grand Central Terminal AlÊm de ser o ponto de partida para a sÊrie, com a memoråvel cena de Serena chegando em Upper East Side, a estação abriga o Campbell Apartment, bar onde os atores gravaram vårias das cenas.

Central Park O maior parque urbano do mundo (mais precisamente o Bethesda Terrace e Bethesda Fountain) nĂŁo apenas ĂŠ passagem obrigatĂłria para quem visita Nova York, como foi palco para o casamento de Chuck e Blair.

Lincoln Center O complexo de edifĂ­cios ĂŠ sede para vĂĄrias companhias artĂ­sticas. LĂĄ, os famosos bailes da sĂŠrie aconteceram. 166 ÂŤ GPSLifetime

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AUTORAL

INSPIRAÇÃO DO CÉU E DO MAR NO CARIBE, UMA ILHA PARTICULAR ABRIGA ACONCHEGANTE RESORT, CUJA DÉCOR LEVA ASSINATURA DA ARQUITETA BRASILEIRA PATRÍCIA ANASTASSIADIS POR PAULA SANTANA

Fotos: Divulgação

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uitos são os lugares designados como paradisíacos no mundo. Mas há aqueles que fazem morada afetiva em nossa vida. Não tão longe, uma ilha particular de 300 acres na nação caribenha de Antígua e Barbuda se configura como um dos locais mais intocados da atualidade. Trata-se do Jumby Bay Island, aderido ao portfólio da Oetker Collection no final de 2017. No intenso programa de restauração, a arquiteta brasileira Patrícia Anastassiadis assume o design de interiores do resort, somado ao Palácio Tangará, que também leva sua assinatura nos espaços públicos. Jumby Bay Island imprime o estilo equilibrado entre o tropical e a elegância casual. A atmosfera evoca a todo instante a sensação de luxo refinado em tons claros e arejados combinados com a vegetação. Acabamentos estéticos com alta tecnologia funcional complementam o estilo fresco e contemporâneo. As acolhedoras presenças de um novo restaurante italiano, uma boutique elegante, bem como lounge, bar

e a recepção criam a estética de frescor e calmaria tão procurados. Para decorar, a inspiração veio do céu e do mar com texturas naturais, mármore, móveis de vime e cordas de intenção náutica. Anastassiadis teve o cuidado em manter a identidade dos moradores da ilha, utilizando artefatos históricos, esculturas artesanais, desenhos em carvão vegetal da flora e fauna e até uma clássica canoa de madeira, que presta homenagem aos índios Arawak do Caribe. ZZZMXPE\ED\LVODQGFRP #MXPE\ED\UHVRUW

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REFÚGIO

O CHARME DO CEARÁ P

erto das 6h da manhã, a claridade invade o quarto. A cortina foi deixada aberta de propósito para que o dia começasse junto com o Sol. Confortavelmente acomodada, é hora de levantar. Do lado de fora, o calor típico do Ceará toma conta. O caminho até o restaurante onde é servido o café da manhã é silencioso, o barulho fica por conta da brisa do mar. As paredes de vidro permitem que o desjejum seja com o visual do paraíso da quase deserta Praia de Barro Preto, no município cearense de Aquiraz.

HÁ OITO ANOS, ANTIGA CASA DE PRAIA DA FAMÍLIA SE TRANSFORMOU NO RESORT CARMEL, EMPREENDIMENTO JOVEM, PORÉM O DESTINO CERTO DAQUELES QUE BUSCAM SOSSEGO E LUXO POR MARCELLA OLIVEIRA

A 50 quilômetros de Fortaleza, Aquiraz foi a primeira capital do Ceará. Ainda traz a atmosfera tranquila de uma região de pescadores e transformou-se em destino turístico pelas suas belezas naturais. Mar azul de doer os olhos, praia de areia branca, clima tropical e frescor dos ventos. Muito vento. Misture a tudo isso uma experiência de hotelaria totalmente cearense, elegante e impecável. É o que propõe o resort Carmel Charme. O nome, que em primeiro momento parece uma referência à cidade homônima que fica

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junção das os, na verdade, é a id Un os tad Es s no , Carvalho na Califórnia, proprietária da rede a íli fam da es om letras dos sobren rtaleza antes de se hotéis business em Fo a uí ss po já e qu , de Melo undo dos resorts. era a casa aventurarem pelo m a o Carmel Charme fic de on o çã tru ns anos. Parte da co a em hotel há oito ad rm fo ns tra i fo e a de praia da famíli costumam descrentem? “Em casa”, se se es ed sp hó os z. O que deve Como busca descanso e pa em qu ra pa no sti la icônica ver. É o de a, que é assinado pe sp no ia nc riê pe ex incluir uma da, um dos pontos alie. Mas, sem dúvi ud Ca a es nc fra ca ar m a pela tranquique é quase privativ a, ai pr a é rt so re do altos a receplidade da região. lhes. Começa com ta de s no tá es a ez A delicad frutas cortadas. A coco fresquinha e de ua ág m co o çã com peneiras, tilo rústico-chique, es o e gu se o çã ra luminária deco luminária de corda, a, nd re a, lh pa de cortinas os cearenses. Os tudo feito por artesã de renda e crochê, itane. amenities são L’Occ é fresquinho, tro destaque. Tudo ou é ia om on str ga A ntado de para você e aprese te en lm cia pe es o preparad , petiscos e reinclui desde drinks forma gourmet. Isso imento nos dois piscina até o atend frescos servidos na ro, perto do tem paredes de vid les de Um . tes an ur al funresta da manhã. Já o princip fé ca o o id rv se é de mar, on u que muda jantar e tem um men ciona para almoço e regional. e com uma culinária diariamente, sempr Fotos: Divulgação

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Fotos: Divulgação

Uma opção também é o menu degustação, em que o chef cearense Artur Alves surpreende com a criatividade. O jovem de 26 anos começou a trabalhar no hotel como mensageiro e sempre almejou uma vaga na cozinha. Surgiu uma oportunidade como auxiliar, mas, em um dia de ausência da chef, criou um café da manhã e, assim, conquistou a vaga definitiva. Com a proposta de proporcionar experiências, quem curte uma aventura vai se divertir com o passeio de buggy. A região não é muito radical, o foco ali é para curtir as paisagens das dunas móveis, pois se movem diariamente por conta dos ventos. A dica é ir por volta das 16h para pegar o pôr do sol. Outra opção é pedalar as bicicletas com pneus para circular na areia. Tem que ter fôlego, mas o visual compensa. Antes de se despedir, vale curtir o piquenique. Um cenário típico de filme é montado no gramado, com vista para a praia, no fim da tarde. Cestas de madeira, almofadas e a tradicional toalha nas cores vermelha e branca compõem a experiência. Os dias no paraíso chegam ao fim, mas a vontade é de não ir mais embora. A paz e a tranquilidade convidam para desconectar. Um refúgio no meio do Ceará.

NO CUMBUCO Há três anos, a rede Carmel inaugurou seu segundo resort, dessa vez na Praia do Cumbuco, a uma hora do aeroporto de Fortaleza. O Carmel Cumbuco é maior, tem 88 suítes, todas com varandas com vista para o mar e para a área de lazer. Mas também preza pela tranquilidade. O conceito segue o estilo do Carmel Charme, rústico-chique, com semelhantes serviços de requinte. Por conta dos ventos, a Praia do Cumbuco é chamada de capital brasileira do kitesurfe e um dos melhores lugares do mundo para a prática do esporte. É frequentada especialmente no segundo semestre, quando o vento é melhor. @carmelcumbuco

MAIS LUXO NO CEARÁ O grupo prepara-se para inaugurar, em dezembro, o novo resort de luxo na Praia de Taíba, a 70km de Fortaleza: o Carmel Taíba Exclusive Resort. Com o conceito de hotel design, está localizado em um terreno maior e terá serviços de alto padrão. Serão 36 acomodações, sendo 24 delas com piscina privativa. São lofts, suítes e bangalôs. O projeto arquitetônico é de Marcelo Franco, interiores de João Armentano e paisagismo de Alex Hanazaki. @carmeltaiba

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SOCIAL

Ana Paula Gonçalves

GIPSY NA CHAPADA

Um é pouco, dois é bom, e três dias de comemoração é perfeito! Foi dessa maneira que Ana Paula Gonçalves celebrou seu aniversário, rodeada por amigos, familiares e pela natureza exuberante da Chapada dos Veadeiros. Com tema Boho Chic, a festa mobilizou os 400 convidados que se esmeraram em encontrar o melhor look para o evento, pois a empresária organizou um roteiro completo, passando por locais como o restaurante Rústico e sua casa, a Fazenda Shanti FOTOS BRUNO CAVALCANTI

Karina Curi, Milena Godoy, Cris Pimenta da Veiga, Ana Paula Gontijo, Junia Souto, Heleuza Sarkis e Mima Marys

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A aniversariante com Marcelo Galli

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Rafael Badra, Paula Santana, Eduardo Lira e Flay Leite

Margot Albuquerque e Diomédio Santos

A bailarina Melissa

Narciza Leão, Fabiano Cunha Campos e Vivianne Piquet

Patrícia Justino Vaz Adriana Chaves Isabella Carpaneda, Tatiana Januário e Kika Cardoso

Marina Slaviero

André Braga

Márcia e Cláudia Bittar

Cláudia Salomão, Kika Cardoso e Raquel Jones

Marcelo Araújo e Fernanda Leão

Sônia e Isabella Lim

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Vitória Cruz e Paulo Henrique Chaves

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SOCIAL

Marina Slaviero, Juliana Sabino, Vivianne Piquet, Domenico Dolce, Gui Siqueira, Paula Santana, Fernanda Adriano e Clarice Lagres

RAINHAS DA ALTA MODA Nome por trás da icônica label italiana, Domenico Dolce aterrissou na capital paulista para celebrar o lançamento de seu livro Queens – Alta Moda di Dolce & Gabbana. A obra reúne cliques de autoria do próprio estilista e homenageia diversas ƂFÄNGU da grife ao redor do mundo. Prestigiado por nomes relevantes como Sabrina Sato, Ivete Sangalo e Juliana Paes, o happening no shopping ,-+IWCVGOKVCODÅOEQPVQWEQOƂIWTCU ilustres do jet-set brasiliense.

Sabrina Sato

FOTOS: ALE VIRGÍLIO, JOÃO SAL E LU PREZIA

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Juliana Paes e Domenico Dolce

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Paula Santana, Domenico Dolce e Gui Siqueira Vivianne Piquet e Clarice Lagres

Domenico Dolce, Flay Leite e Gui Siqueira Marcella e Luciana Tranchesi

Yasmin Brunet e Evandro Soldati

Preta Gil e Rodrigo Godoy

Marina Morena Iara Jereissati

Ivete Sangalo

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Paula Santana, Flay Leite, Fernanda Adriano, Tatiana Lacerda, Clarice Lagres, 0DULQD6ODYLHUR-XOLDQD6DELQR9LYLDQQH3LTXHWH%UXQR$UD¼MR0HOOR

Di Ferrero e Isabelli Fontana

Domenico Dolce e Gui Siqueira Beto Pacheco, Patrícia Romano e Carlos Pazetto Lele Saddi (ULND-DQX]D

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Juliana Paes

Giovanni Bianco e Laura Fernandez

Isabella Fiorentino Camila Coutinho Chay Suede Kadu Dantas

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SOCIAL

Vavá Salomão

Filha de Claudia e Márcio Salomão, a bela comemorou a chegada da maior idade com uma megafesta para 300 convidados na residência da família, no Lago Norte. O line-upƂEQWRQT conta dos DJs Sony, Matheus Fonseca e KVSH. A FGEQTCÿQCUUKPCFCRQT8CNÅTKC.G¿QTGƃGVKWDGOQ espírito vibrante da aniversariante FOTOS BRUNO PIMENTEL E LUARA BAGGI

MARIA VALENTINA

Com a mãe, Cláudia, e a irmã, Maria Victória

Com o pai, Márcio Salomão

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Nelson Piquet, Vavá e o avô Gilberto Salomão

Gilberto Salomão Neto assumiu as picapes Marco Piquet

A décor foi de Valéria Leão

Davi Rehem e Cristiano Hoff

Vivianne Piquet

Livia Messias, Bruna Giacomelli, Júlia Segatto, Anna Raio e Gabriela Amaral Natalia Kniggendorf, Mariana Ferraz, Luiza Paro, Letícia Reis, Valentina Salomão, Ana Pinheiro, Maria Laura Araújo e Júlia Fontes

Stéphanie Zarif e Nathalie Nasrallah

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SOCIAL

AO PÔR DO SOL O casal Ju Marques e Léo Bosque

Um lindo entardecer às margens do Lago Paranoá foi o cenário para o enlace de Juliana Marques e Leonardo Bosque. A noiva usou um vestido da estilista Andréia Monteiro para Nágela Maria e teve beleza assinada por Eliel Almeida e Antônio Barbosa. O jovem casal selou a união na residência da família do noivo cercados por familiares e amigos que, após a emocionante cerimônia assinada por César Serra, se dirigiram para a recepção no mesmo local. FOTOS LORENA MONJARDIM E RAFAEL NOLETO

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A noiva com as amigas Maria da Glória e Léo Bosque Amanda Guerra e Sandro Covre

Leonardo Marques e Beatriz Matos

Júlia Munhoz e Philipe Sá

Os noivos brindam com os pais

Emmanuel Sarkis, Enrico e Camila Nereu

Paula Santana

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SOCIAL

Na nave da Catedral de Brasília, Luciana Ferrer e Nicola Margiotta Jr se casaram em meio aos olhares de 400 convidados. A noiva trajava um lindo vestido Monique Lhuillier. Depois do tão esperado “sim”, a comemoração continuou no Clube Naval de Brasília, decorado lindamente por Valéria Leão. FOTOS CELSO JUNIOR

CELEBRANDO O AMOR Luciana com o pai Luciano

184 « GPSLifetime O noivo Nicola Margiotta Jr

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Paulo Neto, Arlete Margiotta, Nicola Margiotta Jr, Luciana Ferrer, Luciano e Solange Ferrer

Marcelo e Glaucia Ferrer, os noivos, Mariana e Ricardo Oliveira

Solange, Luciano, Luciana, Nicola e Bárbara

Luciana no palco com as amigas

Bárbara Ferrer

A noiva dança com as amigas

O brinde dos noivos com os amigos

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Ã&#x161;LTIMO SUSPIRO %ULQFR&RUD5

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Revista GPS Brasília 23  

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