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RECONHECIMENTO DA ONU

120 PAÍSES PARARAM PARA OUVIR O PARAR ---

7ª EDIÇÃO FEVEREIRO 2016

SHARING E MOBILIDADE

SOLUÇÕES ABREM ESPAÇO PARA UM NOVO FUTURO COMPARTILHADO ---

VISÃO INTERNACIONAL

ESTRELAS INTERNACIONAIS DA CONFERÊNCIA GLOBAL PARAR 2015 CONTAM O QUE LEVARAM DO BRASIL

Por que é tão difícil mudar o trânsito?

EMPRESAS ESTÃO DISPOSTAS A FAZER A DIFERENÇA

OS MELHORES MOMENTOS DO EVENTO QUE ENGAJOU E MOBILIZOU PROFISSIONAIS EM TORNO DE UM MESMO PROPÓSITO. Edição 7 | Fevereiro de 2016

TAKES 

Pneus: dicas e cuidados

CÉSAR URNHANI E ROBERTO MANZINI ENSINAM COMO OBTER MELHOR RENDIMENTO, EFICIÊNCIA E SEGURANÇA

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featuredcontents

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08 2, 5 MIL PESSOAS MOBILIZADAS POR UMA MESMA CAUSA

38 220 EMPRESAS DISPOSTAS A FAZER A DIFERENÇA

16 A JORNADA É O PROPÓSITO

44 TAKES

Com transmissão online, debates e palestras internacionais, a III Conferência Global PARAR foi um marco para o setor.

Por Flávio Tavares, diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader.

18 A IMPORTÂNCIA DO RECONHECIMENTO

Prêmios para empresas e gestores de frotas são inspirações para melhores práticas.

31 EXPERIÊNCIA EM INTERLAGOS

PARAR Leader promove dia de atividades práticas em uma das melhores pistas do mundo.

32 HUMOR E CONSCIENTIZAÇÃO

Campanha vencedora do projeto PARAR University surpreendeu os jurados com tom satírico e criativo.

Em momento histórico, corporações assumem compromisso de transformar a gestão de frotas no Brasil e disseminar a cultura de segurança.

Os melhores momentos do evento que engajou e mobilizou profissionais em torno de um mesmo propósito.

54 120 PAÍSES PARARAM PARA OUVIR O PARAR

Líderes do Instituto estiveram em Brasília para palestrar em evento da ONU sobre segurança no trânsito.

56 STOP THE CRASH NO BRASIL

Grupo, liderado pelo PARAR, teve a oportunidade de acompanhar demonstrações práticas de como funciona as principais tecnologias de segurança veicular.

62 GESTOR COM HUMOR

Por Dorinho Bastos, cartunista, professor de comunicação da USP e conselheiro do PARAR.

tips & cases

interview

40 PNEUS: DICAS E CUIDADOS

24 VISÃO INTERNACIONAL

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César Urnhani e Roberto Manzini ensinam como obter melhor rendimento, eficiência e segurança.

42 DR. CARLOS RESPONDE

A correta aplicação de penalidades trabalhistas.

60 NEM POR 1 SEGUNDO

PARAR bate um papo com algumas das estrelas internacionais da Conferência Global 2015 e eles contam o que estão levando para a casa do Brasil.

28 REDUZIR CUSTOS: POR ONDE COMEÇAR?

A orientação mais ouvida no business ganha conotação imperativa quando se trata de frota.

Em novembro, nenhum motorista da Castrol ultrapassou a velocidade máxima de 120 km/h.

61 GESTORES CONECTADOS

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Top Five dos assuntos mais debatidos pelos gestores de frota.

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 Visita à NAFA em 2015: novo grupo viaja em abril.


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12 SHARING E MOBILIDADE URBANA

Soluções alternativas e novas tecnologias abrem espaço para um futuro compartilhado.

26 MONTADORAS INVESTEM EM SEGURANÇA

Conheça as novas tecnologias para proporcionar mais segurança aos motoristas e passageiros.

08 BRINDE, QUE O TÁXI É DE BRINDE

Campanha da AMBEV e Easy Taxi incentivou as pessoas a aproveitarem as festas de final de ano com responsabilidade.

MATÉRIA DE CAPA

34 POR QUE É TÃO DIFÍCIL MUDAR O TRÂNSITO?

Violência viária está ligada ao índice de desenvolvimento dos países. No Brasil, a situação é oposta.

53 BRASIL: POUCOS ACIDENTES DE TRÂNSITO (!)

Artigo de J. Pedro Corrêa, consultor em segurança no trânsito.

58 TRÂNSITO: O PROBLEMA NÃO É A LEI, É SEU CUMPRIMENTO

Artigo de Luiz Flavio Gomes, jurista e presidente do Instituto Avante Brasil.

zoom ————

22 QUEM TEM UM ‘PORQUÊ’ ACEITA QUASE QUALQUER COMO

Roberto Niemeyer, diretor da unidade de negócios de pré-pagos da Alelo, conta como o propósito pode engajar colaboradores e fazer a diferença.

EXPEDIENTE > A PARAR Fleet Review Magazine é uma publicação do Instituto PARAR direcionada para administradores de frotas leves de pequenas, médias e grandes empresas. Publicação gratuita e veiculada por distribuição direta. Para recebê-la, associe-se em www.institutoparar.com.br Conselheiros Antonio Carlos Machado Junior, Dirceu Rodrigues Alves, Dorinho Bastos, Flavio Tavares, Gustavo Benegas, Maximiliano Fernandes, Micael Duarte Costa, Milad Kalume Neto, Ricardo Imperatriz, Ricardo Makoto, Roberto Manzini e Rogério Nersissian. Gerente de Comunicação Maria Fernanda Beneli Vicente Coordenadora Executiva Renata Sahd Coordenador de Conteúdo Pedro Conte Coordenadora de Comunicação Larissa Fernandes Jornalista Responsável Karina Constancio imprensa@institutoparar.com.br Fotografia Osíris Lambert e Felipe Perazzolo Revisão Alessandra Angelo www.primaverarevisaodetextos.com Publicidade publicidade@institutoparar.com.br (43) 3315-9524 Projeto Gráfico e Diagramação Brand & Brand Comunicação www.brandandbrand.com.br Impressão e acabamento Idealiza www.idealiza.com.br nnn A Revista PARAR Fleet Review é uma publicação da empresa idealizadora do Instituto PARAR

48 “SEGURANÇA NÃO É ALGO COM O QUE SE JOGA OU APOSTA”

O secretário geral da Latin NCAP, Alejandro Furas, conta mais sobre sua trajetória e envolvimento com a segurança.

52 O PRIMEIRO BRASILEIRO CERTIFICADO PELA NAFA

Luiz Claudio Souza, Gerente de Canais e Alianças Estratégicas da GolSat, entra para a história como o primeiro gestor certificado pela NAFA.

nnnnnnn “Nós entendemos que não adianta você ter uma empresa focada apenas em resultados. Se você não tiver foco nas pessoas, você não constrói nada.”

www.institutoparar.com.br ------Idealizadora

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Edição 7 | Fevereiro de 2016

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editorial

——— POR RICARDO IMPERATRIZ CEO GOLSAT | PARAR LEADER

COMEÇO I

niciamos mais um ano e os começos sempre me fazem refletir. Felizmente, em nossa vida, somos presenteados com vários começos, pequenos ou grandes, que nos trazem aquele frio na barriga e que nos motivam a dar o segundo, terceiro e quarto passo. São esses começos que nos desafiam, que nos fazem olhar para o futuro e ver uma gama de possibilidades onde podemos atuar e melhorar.

2016 é uma metáfora sobre o começo. Estamos em um ano bissexto e fomos presenteados com mais um dia, com mais uma oportunidade de arriscar, de fazer diferente, de começar algo novo. Esses dias me deparei com uma frase que acredito ser o espírito do que desejo a todos nós neste ano: Viva cada dia como se fosse o primeiro. O primeiro dia é carregado de novidade, curiosidade, ânimo e expectativa. Para mim, é sinônimo de esperança, pois para todo fim, existe a possibilidade de um novo começo. Para todo último dia, há um primeiro e novo dia esperando para acontecer. Sei que 2015 não foi um ano fácil, mas nós lutamos até fim. Agora estamos dando novos passos em direção a um futuro ainda incerto, porém com 366 novas chances de recomeçar. Que as lições e aprendizados que adquirimos até aqui nos sirvam de inspiração para fazermos mais e melhor.

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Edição 7 | Fevereiro de 2016

Estamos juntos construindo uma história relevante para nossa sociedade, com efeitos que ultrapassam o meio corporativo e que possuem um impacto social muito importante para o nosso país. O problema do trânsito brasileiro é responsabilidade de todos. E nós, da iniciativa privada, temos a possibilidade de ser o motor dessa transformação. O impacto social do nosso trabalho vem sendo reconhecido por entidades como ABRAMET e Cruz Vermelha. Mais recentemente, tivemos a chance de palestrar na Conferência Global sobre Segurança Viária, promovida pela ONU e pela OMS. Cumprir a meta da Década de Ação pelo Trânsito Seguro, de reduzir o número de acidentes em 50%, é um desafio que só será alcançado se conseguirmos unir forças. O PARAR é isso, um agregador de pessoas, causas e propósitos. Que em 2016 possamos, juntos, encarar cada dia com o mesmo entusiasmo, paixão e vontade com o qual chegamos no dia 01.01.2016. Que estejamos dispostos a lutar por aquilo que nos move: a vida. E que nada seja mais importante do que isso. 

> RICARDO IMPERATRIZ

Estamos juntos construindo uma história relevante para nossa sociedade, com efeitos que ultrapassam o meio corporativo e que possuem um impacto social muito importante para o nosso país.


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2,5 MIL PESSOAS MOBILIZADAS POR UMA MESMA CAUSA

Com transmissão online, debates e palestras internacionais, a III Conferência Global PARAR foi um marco para o setor Edição 7 | Fevereiro de 2016


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CONFERÊNCIA GLOBAL 2015: mais de 500 profissionais acompanharam o evento de forma presencial, e mais de 2 mil conectados na transmissão online

eflexão, mobilização e engajamento. Essas foram as palavras que pautaram a III Conferência Global PARAR, o maior evento sobre gestão de frotas leves da América Latina, realizado nos dias 11 e 12 de novembro de 2015, na sede da AMCHAM, em São Paulo. Com mais de 500 profissionais acompanhando o evento de forma presencial, e mais de 2 mil conectados na transmissão online, o evento se consolidou como um marco na história do Instituto PARAR e o ponto de virada para uma transformação no setor. Foram mais de 16 horas de conteúdo, que conseguiram reunir associações, entidades, executivos, gesto-

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res e especialistas engajados em debater o atual cenário do trânsito brasileiro e as melhores práticas da gestão de frotas ao redor do mundo. Profissionais que saíram do evento inspirados em serem protagonistas dentro de suas corporações e trilharem um caminho para uma atuação mais eficiente, estratégica e, principalmente, mais segura. Durante dois dias, os milhares de participantes inscritos assistiram a palestras e debates sobre cultura de segurança, gestão de combustível, telemetria, carsharing, mobilidade urbana, direção defensiva e política de frota. O evento foi conduzido por Flavio Tavares, diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader, e pelo piloto de testes e apresentador do Auto Esporte, César Urnhani. Entre os destaques internacionais estavam as aguardadas palestras do fundador do prêmio 100 Best Fleets, Tom Johnson, da presidente da Associação Norte-Americana de Gestores de Frotas (NAFA), Ruth Alfson, da diretora de desenvolvimento profissional da NAFA, Kate Vigneau, e do diretor técnico da Latin NCAP, Alejandro Furas. Além disso, personalidades do automobilismo brasileiro como o bicampeão mundial de F1, Emerson Fittipaldi, e o piloto da Stock Car e comentarista da Rede Globo, Luciano Burti, emocionaram o público com suas histórias de vida e de envolvimento com a

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segurança dentro e fora das pistas. “A segurança no trânsito é um tema muito crítico no Brasil. As frotas estão crescendo e os motoristas precisam ter consciência para dirigir esses veículos de forma segura e preventiva. O evento está no timing perfeito para o país”, afirmou Fittipaldi. Para encerrar as atividades, o navegador Amyr Klink subiu ao palco para compartilhar lições de suas aventuras ao redor do mundo. “Quem trabalha com a segurança, com a vida e com o movimento das pessoas sabe que o que vai ser feito amanhã tem que ser muito melhor do que o que foi feito hoje”, comentou o navegador. Os maiores fornecedores do setor também estiveram presentes na Feira de Negócios. Vinte e duas empresas de diversos segmentos destacaram serviços e produtos e estiveram disponíveis para network com os profissionais que participaram do evento. Para Walter Kerkhoff, sócio-diretor da Plantech, uma das empresas que participaram da Feira de Negócios, a Conferência foi surpreendente. “O maior evento do setor e um dos mais emocionantes que já tive a oportunidade de participar na minha vida profissional”, ressaltou.

RESULTADOS E PERSPECTIVAS Se considerarmos o número de participantes presenciais da III Conferência Global PARAR, o evento teve um público 56% superior ao de 2014. “O crescimento revela que as corporações estão mais atentas para o seu papel no cenário atual do trânsito brasileiro, já que gerenciam 5 milhões de veículos que compõem a frota nacional, e estão buscando melhorar a sua gestão, com foco principal na vida”, destacou Flavio Tavares. Com os milhares de profissionais conectados na transmissão online, o evento ainda atingiu um público novo, de regiões mais afastadas do Brasil, como Norte e Nordeste, e que tiverem a oportunidade de participar da Conferência pela primeira vez. Além disso, os debates e reflexões proporcionados pelo evento, despertaram interesse de gestores dos Estados Unidos, Argentina, Espanha, França e Uruguai. “Para este ano de 2016, nosso grande investimento está concentrado na transmissão ao vivo de todos os nossos eventos. Estamos sendo procurados por empresas de outros países, como Colômbia, Chile e México, e queremos muito gerar conteúdo para eles também. A meta será transmitir nossos eventos com tradução simultânea para o espanhol e posteriormente para o inglês. É a internacionalização de um projeto que começou de forma tímida no Brasil, mas já ultrapassou suas fronteiras”, revelou Tavares. 

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LAURA SHUCH SISTEMA FIERGS —Porto Alegre, RS

Acompanho o PARAR desde o primeiro evento, em Porto Alegre, e ele, com certeza, faz parte da minha história. Foi o Instituto que me deu todo o subsídio para eu ser uma gestora de frota. Eu tinha uma outra profissão antes, e, hoje, faço o que eu faço, principalmente, por causa do PARAR. Desde o primeiro evento, eu senti o amor que todos do Instituto têm pela causa e na Conferência não foi diferente. É muito emocionante ver o quanto o PARAR cresceu nesses três anos”.

ANA PAULA ANDRADE DUARTE RICLAN —Rio Claro, SP

É a primeira vez que participo da Conferência e o primeiro evento do PARAR que acompanho. Fui surpreendida a cada palestra, todas acrescentaram muito e trouxeram algum ponto que vai ser levado para a nossa experiência do dia a dia. Os conteúdos foram, realmente, muito relevantes para a nossa gestão. O Instituto PARAR veio como um divisor de águas”.

LEMUEL DE LIMA JUNIOR PROTELE ENGENHARIA —Natal, RN

O PARAR agrega vários gestores de frota, com experiências em diversos ramos, e, portanto, nos dá acesso a diversos cases, que nos servem de exemplo e inspiração, e às melhores práticas em gestão de frotas que estão sendo aplicadas no Brasil. O evento deixou bem claro que não é só pensar na redução de custo, mas no propósito, que é a vida do condutor. Para mim, a Conferência foi espetacular”.

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SHARING E MOBILIDADE URBANA

Soluções alternativas e novas tecnologias abrem espaço para um futuro compartilhado ma das maiores tendências globais está centrada no coletivo, no colaborativo e no compartilhamento. Se fizermos uma rápida pesquisa nas editorias de economia, inovação e mercado dos diversos veículos de comunicação, não é difícil nos depararmos com especialistas e estudiosos falando sobre “economia compartilhada”. O termo, e suas aplicações, estão se propagando de forma rápida. Alguns até apontam que esse é o caminho para o futuro. Quando falamos em mobilidade urbana, o conceito de “sharing” aparece como uma alternativa para melhorar um trânsito cada vez mais lento, estressante e caótico. Segundo o Denatran, 87 milhões veículos circularam pelo Brasil em 2014 e, se o ritmo de crescimento for mantido, chegaremos em 2022 com mais de 94 milhões veículos circulando pelo país. Para se ter uma ideia da dimensão desse crescimento, na última década, o aumento percentual do número de veículos foi onze vezes maior do que o da população. O maior problema é que a frota de

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veículos cresce exponencialmente, mas a infraestrutura das cidades não acompanha esse crescimento. Como resultado, temos deslocamentos cada vez mais complicados e trajetos mais demorados. No Rio de Janeiro, por exemplo, o carioca perde, em média, 100 horas por ano parado em congestionamentos. Se pensarmos no tempo de deslocamento, um levantamento divulgado pelo Estadão revelou que os paulistas levam em média 3 horas por dia para se deslocar da casa para o trabalho e do trabalho para casa. Isso significa que ele passa 27 dias do ano no trânsito para se locomover de um a outro ponto da cidade. Quando falamos em quantidade de veículos e trânsito congestionado, outro ponto que chama a atenção é o número de pessoas que circulam nesses carros. É bem provável que a maioria desses 87 milhões de veículos estão levando apenas uma pessoa. E é exatamente nesse ponto que o conceito de sharing se torna relevante. Quando passamos a compartilhar meios de transporte, estamos ganhando espaço urbano, liberando vias e tornando o trânsito mais eficiente. Uma pesquisa recente, feita pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra que uma cidade como Nova York, Nova Deli ou São Paulo poderia funcionar perfeitamente com 20% a menos de carros do que se tem hoje. Mas por que isso não acontece?

Fotografia: Reprodução | Internet


De acordo com Marcos Paulo Schlickmann, engenheiro civil especializado em transportes e colaborador do Portal Caos Planejado, no Brasil, o carro ainda é visto como um símbolo. “As pessoas não veem o carro apenas como um meio de transporte, mas como uma extensão da própria casa. Tornam-se tão dependentes do veículo que acham que o ele é essencial para tudo e a única solução de mobilidade”, explicou. Nesse sentido, o compartilhamento chega para abrir um novo horizonte, disponibilizando soluções e alternativas em que o acesso é mais importante do que a posse. Nesse sentido, o compartilhamento chega para abrir um novo horizonte e transformar a forma que as pessoas veem a mobilidade. Novas soluções e alternativas aparecem com o intuito de promover uma inversão de valores, onde o acesso se torna mais importante do que a posse.

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INOVAÇÕES INCENTIVAM O SHARING Estamos vivenciando um momento disruptivo, em que a tecnologia está sendo usada a favor da mobilidade ao propiciar o desenvolvimento de alternativas mais econômicas e sustentáveis de transporte. Alguns empreendedores já estão investindo nesse conceito e somam esforços para um novo futuro compartilhado. É o caso de André Marim, CEO do Fleety, plataforma que permite que os proprietários possam alugar seus veículos nos horários em que os carros não estejam sendo usados. “Nossa ideia é promover uma mobilidade mais inteligente entre as pessoas e que tenha benefícios para os dois lados. O proprietário, que pode fazer uma renda adicional para ajudar a custear o veículo, e os motoristas, que encontram uma solução de deslocamento sem necessariamente precisar ter um carro, já que ele só vai ser usado por algumas horas”. Marim acredita que estamos caminhando para uma era de desapego do carro como um bem endeusado para encará-lo muito mais como um meio de transporte. “É muito legal quando paramos para pensar que, através do Fleety, o carro passa a não ser um custo para ninguém, pois o proprietário o aluga quando ele não está sendo utilizado e outras pessoas podem usá-lo como um serviço. No final das contas, temos um carro consumido por

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10 famílias onde ninguém paga pela posse, e sim pelo uso. Esse é o nosso objetivo, entregar a mobilidade como um serviço e beneficiar pessoas que ainda não tinham esse acesso”, destacou. Outra plataforma que vem ganhando adeptos dos que buscam novas alternativas de transporte é o Caronetas, site de caronas que integra colaboradores de empresas e centros empresariais. “O Caronetas surgiu para contribuir com a melhor ocupação e uso dos carros. Percebemos que havia muitas pessoas que trabalhavam na mesma empresa, moravam perto, iam todos os dias para o mesmo lugar, mas nunca haviam compartilhado isso”, explicou Marcio Nigro, CEO e fundador do Caronetas. Uma das grandes vantagens da iniciativa, além de diminuir a quantidade de carros nas vias, é melhorar a distribuição

e fluxo do trânsito. Benefício que também encontramos na utilização de transportes coletivos. De acordo com estudo divulgado pelo UOL, os carros usam 22 vezes mais espaço para levar o mesmo número de pessoas do que um ônibus. Se para muitos o transporte coletivo ainda não desponta como a melhor alternativa, devido às suas condições estruturais e demora dos trajetos, uma solução promete conciliar as vantagens das vans e dos micro-ônibus com a tecnologia de informação. O chamado microtransporte já está fazendo sucesso nos EUA e deve chegar ao Brasil, ainda na fase testes, no segundo semestre deste ano, através da startup Bora. “Nesse novo modal, o passageiro compra a passagem através do aplicativo, vai até um ponto específico indicado pelo app e pode ir confortavelmente até seu trabalho, escola ou faculdade, com wi-fi e ar condicionado. É um transporte que se encaixa entre o táxi e o transporte público”, destacou o engenheiro Marcos Paulo Schlickmann.

PAPEL DAS EMPRESAS O que vemos em comum nessas inovações é que elas têm se valido de informação, através de aplicativos e tecnologias, para oferecem soluções de mobilidade. “Por elas trabalharem com

Cidades A

mobilidade é, provavelmente, o maior problema das cidades modernas, e o compartilhamento vem para transformar a lacuna entre o que é privado e o que é público no que se refere à transporte. Algumas cidades, já estão com projetos urbanos voltados para o conceito de sharing e atrelando isso à tecnologia dos carros elétricos, mais econômicos e sustentáveis. Na capital Pernambucana, uma iniciativa do Porto Digital, parque tecnológico situado na região do Recife antigo, oferece o primeiro sistema de compartilhamento de carros elétricos do Brasil. São três carros, importados da China, e cinco estações espalhadas pela cidade. “A tecnologia foi pensada para conectar as pessoas com mais formas de modais. Portanto, os pontos fora do parque estão localizados próximos ao metrô e das principais linhas de ônibus”, ex-

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Se por um lado há um mercado favorável, principalmente entre os jovens que estão abertos a dividir e compartilhar, ainda temos um setor mais engessado e tradicional, que valoriza muito o automóvel.

dados, acredito que estão sendo capazes de vencer algumas barreiras. Pois, se por um lado há um mercado favorável, principalmente entre os jovens que estão abertos a dividir e compartilhar, ainda temos um setor mais engessado e tradicional, que valoriza muito o automóvel”, revelou Brenda Medeiros, gerente de mobilidade urbana da WRI Brasil Cidades Sustentáveis. Uma das boas notícias revelada por Brenda é que muitas empresas estão abrindo os olhos para o seu papel de reduzir as externalidades da mobilidade. A mobilidade urbana é responsável por 70% das emissões de gases do efeito estufa nas cidades e o trânsito do país mata cerca de 50 mil pessoas por ano. “Quando olhamos para como as pessoas se deslocam e o porquê elas se deslocam, vemos que em 50% dos casos é por motivo de trabalho. Dessa forma, as organizações públicas e privadas têm um papel fundamental para reduzir essas externalidades. Entender como o funcionário se desloca e como elas podem contribuir para fazer desse deslocamento mais sustentável não é só uma ajuda, mas o papel social das empresas de transformar e construir um mundo melhor”, destacou. �

compartilhadas plicou Cidinha Gouveia, gestora do Porto Leve, projeto que abraça uma série de iniciativas para melhorar a mobilidade urbana. Além de facilitar o aluguel dos veículos, o aplicativo desenvolvido para o projeto permite mais uma quebra cultural. “Se a pessoa indicar que está disposta a oferecer carona, ela paga metade do valor do serviço, mesmo se não aparecer ninguém. E, se vier alguém, ela ainda pode dividir o custo com o caroneiro”, revela Cidinha. Já em Curitiba, o sistema de compartilhamento de veículos elétricos está sendo usado, nesse primeiro momento, para atender as demandas administrativas da Prefeitura. “Tínhamos uma frota de 1,2 mil veículos e percebemos que havia muita ociosidade”, afirmou Ivo Reck Neto, coordenador técnico do projeto Ecoelétrico. Atualmente, a Prefeitura conta com 11 veículos elétricos e com-

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partilhados e 8 eletropostos. Além disso, 600 profissionais foram capacitados para utilizar esses veículos. “Conseguimos desmitificar e mostrar viabilidade do projeto. Lançamos recentemente um edital de PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse) e a ideia é criar uma frota que circule por toda a capital e ainda incluir um sistema de abastecimento, onde a comunidade vai pagar pela recarga e não pelo espaço”, explicou Neto. De acordo com ele, a expectativa é que Curitiba conte com 600 veículos e 1 mil eletropostos até a última fase de implantação, prevista para 2020. “Nossa intenção é melhorar a mobilidade urbana da cidade. Estudos mostram que 1 carro compartilhado chega a tirar até 10 veículos individuais de circulação. Para mim, o compartilhamento é a Terceira Revolução Industrial”. �

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POR Flavio Tavares

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 Diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader

A JORNADA É O PROPÓSITO P

ropósito. Palestrei sobre o tema nos últimos dois anos e devo ter tido a oportunidade de compartilhar esse assunto em mais de 40 oportunidades. Quando pensamos em propósitos, muitas vezes o confundimos com sonhos ou desejos. Essas coisas são importantes, mas o propósito é algo que vai além. Muitas vezes aplicamos a palavra no seu sentido literal e é comum ouvirmos: "tenho um propósito de me formar e ser um grande médico" ou "tenho um propósito de abrir minha empresa e ganhar muito dinheiro" ou "meu propósito é me casar e ter uma família feliz". Todas essas coisas são importantes e a palavra propósito se aplica a essas frases. Mas, permita-me lhe falar sobre propósito em um sentido mais profundo, algo que nos passa despercebido quando usamos a palavra no nosso cotidiano. Nas minhas palestras, sempre falo que buscar o sentido do propósito é se perguntar o porquê. Por qual razão escolhi determinada profissão, por que faço o que eu faço. Até acredito que essa pergunta possa ajudar muita gente entender um pouco mais, mas creio que este será apenas como um diagnóstico. Você se pergunta e reflete sobre si mesmo. E isso tanto pode fazer muito sentido e você se sentir feliz com sua resposta, como pode não lhe fazer sentido algum e você se sentir desorientado e totalmente distante de estar fazendo o que sonhou fazer. Acredito que deixei muitas pessoas desorientadas ao longo desses últimos anos. É muito comum as pessoas não se pergun-

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tarem muito sobre os porquês. E, portanto, quando são incentivadas a fazer isso, ficam desalentadas pensando: “O que estou fazendo com a minha vida”. Minha proposta em trazer esse tema não é, e nunca foi, deixar as pessoas mais perdidas, mas sim ajudá-las a darem mais sentido para suas vidas, para sua existência neste mundo. Por isso, quero aprofundar um pouco mais o conceito de propósito de forma que possa lhe ajudar a compreender melhor seu papel nesta jornada.. A palavra propósito vem do Latim proponere, que significa pro: à frente e ponere: colocar. Na sua origem, a palavra significa “colocar à frente”, “expor à vista”. Veja que na própria raiz da palavra encontramos que propósito é mais do que estabelecer uma meta. Propósito não é simplesmente dizer onde quer chegar e lutar para alcançar esse objetivo. Quero continuar falando sobre esse tema, mas aplicando uma analogia. Imagine uma estrada, uma longa e sinuosa estrada, que representa nossa vida, nossos dias e nossos anos. Com um carro, temos como missão viajar ao longo dessa estrada. Nela, a meta não é quem chega primeiro. O que vai contar de fato é o que você faz ao longo dessa jornada. Cada um enxerga essa estrada de forma diferente, pois somos educados de formas diferentes e temos valores e crenças diferentes. Por isso que nossos propósitos também são diferentes. Nós colocamos à frente aquilo que consideramos mais impor-


 Todas as vezes que você escolhe não mostrar seus dons ou que você escolhe não defender seus valores, você deixa de viver seu propósito. Sabe quando você vê um filme ou uma matéria no jornal, se emociona e pensa sobre o quanto você queria fazer algo diferente com a sua vida? É o seu propósito aparecendo. tante. Propósito, portanto, é o que você mostra, aquilo que você escolhe expor à vista enquanto você vive sua jornada. Para tentar lhe ajudar, vou separar em dois tópicos o que é o propósito segundo o meu entendimento:

O PROPÓSITO É SER E NÃO TER Essa é a primeira coisa que precisamos ter em mente. Você pode ter diversas metas e propósitos, mas para entender as razões pelas quais está neste mundo, você precisa entender que o propósito não se ganha e não se conquista. O propósito simplesmente é. Com isso em mente, pense no propósito como algo intrínseco à sua alma, algo que já nasceu dentro de você. Sua jornada de vida é o seu propósito florescendo dia após dia. Você foi constituído de forma perfeita, com habilidades, dons e talentos que são somente seus, e você foi criado assim para cumprir o seu propósito. Todas as vezes que você escolhe não mostrar seus dons ou que você escolhe não defender seus valores, você deixa de viver seu propósito. Sabe quando você vê um filme ou uma matéria no jornal, se emociona e pensa sobre o quanto você queria fazer algo diferente com a sua vida? É o seu propósito aparecendo. Sabe quando você tem vontade de ajudar as pessoas e ser mais generoso? É o seu propósito despertando. Quando você descobre algo que ama fazer de tal forma que dedicaria toda sua vida para aquilo, é o seu propósito se cum-

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prindo. Propósito não se tem, propósito é aquilo que somos e nos tornamos ao longo da jornada. É você dedicar a sua jornada ao que realmente te faz feliz e não ter receio de mostrar isso.

PROPÓSITO NÃO É O DESTINO, É A ESTRADA Se você entendeu que o propósito é tudo aquilo que você coloca à frente, deve ter ficado claro que se você é o propósito, o que conta mesmo é tudo aquilo que você faz na estrada, e não o destino onde vai chegar. Esse ponto é interessante, pois muitas vezes acreditamos que o propósito é o objetivo final, é onde esperamos chegar. Se fosse assim, não haveria tantos milionários depressivos no mundo. Às vezes, temos sonhos e propósitos que passamos a vida perseguindo, metas que atingiremos, e acabamos descobrindo no final que propósito de fato é tudo aquilo que vivemos ao longo da jornada. Não deixe de olhar ao seu lado enquanto caminha. Você, neste exato momento, está cumprindo seu propósito. Não deixe seu coração se esfriar achando que precisa alcançar seus objetivos e não os faça maior do que você de fato é. Nas dificuldades, nas aflições, na caminhada da vida, seu propósito tem se cumprido. Gosto de pensar que tenho cumprido meu propósito muitas vezes sem saber como tenho feito, mas de alguma forma, minhas palavras, meu olhar, minha postura fazem isso por mim sem que eu perceba. Se você está fazendo algo e não se sente feliz, não desanime. Descubra uma forma de mostrar mais quem você é, mais dos seus dons e talentos, e viva a jornada intensamente mesmo quando a estrada parecer longa e cansativa. Esses dias conheci um gestor de frotas com uma história incrível. Ele trabalhava na portaria da empresa, mas nunca quis ser somente um porteiro. Ele queria poder mostrar quem ele era. Em um determinado dia, um gestor teve um problema de saúde e precisou ser afastado. Ele prontamente começou a ajudar nas demandas, como auxiliar, e passou a estudar. Foi ao PARAR, procurou capacitação e foi demostrando seu valor. Hoje, ele é o responsável pelo departamento. Que história incrível, não é mesmo? Ele não traçou a meta de ser o gestor de frotas da empresa, ele simplesmente viveu intensamente sua jornada, colocou à frente o que acreditava, mostrou seus valores, estudou e fez da sua jornada o seu propósito de vida. Pensa que ele parou por aí? Com certeza não. Ainda teremos muitas histórias sobre ele, pois ele escolheu ser o propósito e fazer da sua jornada um caminho excitante de realizações e valores que inspiram outras pessoas. Talvez você esteja se perguntando qual deve ser o seu propósito nessa vida e tentando achar algum objetivo pelo qual lutar. Lembre-se que o propósito não é fim, não é o destino onde queremos chegar, e sim a jornada. A maneira como escolhemos percorrer esse caminho e a intensidade com o que o vivemos. 

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A IMPORTÂNCIA DO

RECONHECIMENTO Prêmios para empresas e gestores de frotas são inspirações para melhores práticas uma simplificação injusta achar que prêmios são apenas vaidade tola”, afirmou O Estado de S. Paulo quando representava oficialmente no Brasil o Festival de Cannes, evento que premia agências de publicidade. Para qualquer corporação, independente do segmento, um prêmio é uma oportunidade de ter suas ações avaliadas por pessoas que não têm pretensão de valorizar um projeto em detrimento de outro. Prêmio é, então, feedback, é benchmarking, é compartilhamento de cases de sucesso. É, muitas vezes, um balizador importante para a empresa que recebe. Tom Johnson, idealizador da 100 Best Fleets, instituição que há mais de 16 anos reconhece as melhores práticas da gestão de frotas dos EUA, é um entusiasta dessa causa. A cada ano ele avalia centenas de projetos da área frotista e homenageia-os diante de uma plateia com mais de 1 mil pessoas presentes na NAFA, o maior evento para gestores de frotas do mundo. Segundo Johnson, que também realiza seminários sobre o assunto por toda a América do Norte, a cada novo encontro com os profissio-

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nais ele é ovacionado por valorizar o trabalho do segmento. Já são milhares de companhias e profissionais que aperfeiçoaram sua gestão de frotas e apresentaram a excelência do seu trabalho a partir da 100 Best Fleets. Eles se sentem motivados com a oportunidade de terem seus projetos reconhecidos e elevam o padrão da gestão em razão disso. O Instituto PARAR também acredita na criatividade e no reconhecimento como ferramenta indispensável para o sucesso de qualquer negócio. Por isso, há três anos realiza edições do Prêmio PARAR, a cerimônia que reconhece os profissionais e as empresas que possuem bons projetos focados na profissionalização da gestão de frotas no Brasil. Para o PARAR, é realmente importante que os prêmios motivem os profissionais das empresas frotistas a atuarem de forma mais organizada e estratégica e, principalmente, a trabalharem em prol de um trânsito mais seguro. Que a perspectiva de reconhecimento faça as > TOM JOHNSON empresas se esforçarem mais, pensarem 100 Best Fleets mais, inovarem mais, ousarem mais, inreconhece as vestirem mais em seus profissionais e melhores práticas condutores. Que o prêmio seja visto como da gestão de frotas dos EUA um botão que liga o turbo. 


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Conheça os vencedores do Prêmio

Dr. Dirceu Rodrigues Alves e Selma Duarte (LENC)

PARAR 2015 Roberto Manzini e Marcio Baneiro (Ericsson)

EXCELÊNCIA EM CULTURA DE SEGURANÇA � LENC

O trabalho realizado na LENC de incorporar medidas de segurança na frota tem sido responsável por progressos significativos. As principais ações foram baseadas na atuação com cada condutor, analisando perfil de dirigibilidade, tipo de infrações cometidas e identificação de medidas corretivas e preventivas para mudança do cenário de risco. De acordo com Selma Duarte, gestora de frota da LENC, esse é um movimento contínuo que precisa ser monitorado de perto para que resultados possam ser avaliados e ações realinhadas para que os resultados obtidos sejam otimizados. “Receber o Prêmio PARAR foi a coroação de um trabalho árduo, mas muito gratificante que visa a mudança cultural dos nossos condutores para que atuem como multiplicadores e promovam a adoção de condições mais seguras no trânsito de forma geral”, destacou.

EXCELÊNCIA EM SUSTENTABILIDADE � ERICSSON

Tendo em vista a responsabilidade social e ambiental, as ações da ERICSSON são pautadas em três pilares: Excelência Operacional, Pessoas e Rentabilidade. Nesse sentido, a empresa conseguiu resultados relevantes em segurança, conscientização, capacitação e redução de custos. Entre essas ações estão a reformulação da Política de Frota e a criação de uma Política de Direção Segura. Além de reduzir em 70% os eventos de excessos de velocidade, algumas medidas contribuíram para a redução da emissão de CO2 e do número de acidentes.

PROGRAMA DE INCENTIVO PARA FROTA E CONDUTORES � CARGILL

Com uma frota 100% própria, a Cargill tem conseguido bons resultados com sua estratégia de incentivo à frota e seus condutores. Em uma das ações, após 3 anos de uso dos veículos, é permitido que os usuários comprem seus carros com desconto de 25% sobre o valor de mercado de usados. A iniciativa trouxe um grande valor aos funcionários e todos passaram a cuidar mais do seu veículo. Além disso, essa estratégia resultou na redução das despesas de manutenção, redução do número de carros devolvidos – não gerando altos custos com desmobilização – e baixo ativo no ato da compra dos veículos.

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GESTOR DE FROTAS 2015: RICARDO INACIO DE SOUZA � BASF

O engajamento em busca da excelência foi o combustível de Ricardo Inacio de Souza, gestor de frotas da BASF, para promover as mudanças e implementações de novas ferramentas, melhorias em processos e savings financeiros. Além de um novo modelo de política de veículo, o processo de inovação contou com um programa de compensação de CO2, treinamentos de segurança, régua de desconto (o colaborador é responsável por construir o desconto no momento da troca do veículo) e disponibilização de carsharing em 4 localidades. “Ser reconhecido como melhor Gestor de Frotas através do Prêmio PARAR 2015 foi mágico e intenso. Um momento único e de muita alegria o qual foi compartilhado com amigos, família e principalmente com o time que nos conduziu a este caminho”, destacou Ricardo Inacio de Souza.

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Conheça os vencedores do PRÊMIO PARAR 2015

PERSONALIDADE DO ANO: ALEJANDRO FURAS � LATIN NCAP

O engenheiro uruguaio Alejandro Furas recebeu o prêmio de Personalidade do Ano por sua séria atuação na Latin NCAP. Com uma postura firme, Furas é uma das principais vozes na luta para incentivar a produção de carros mais seguros na América Latina. Veja na página 50 uma matéria especial sobre sua trajetória e envolvimento com a segurança.

MÍDIA CONSCIENTE - INICIATIVA PÚBLICA � DETRAN-PR

Pensando no grande número de acidentes com vítimas envolvendo álcool e direção, o DETRAN do Paraná produziu baldes de cerveja com restos de carros destruídos em acidentes. O alerta aos motoristas foi feito justamente no momento mais propício: enquanto bebem. O vídeo da ação, entitulado "The Crash Bucket", viralizou nas redes sociais e conseguiu impacto nacional. “O reconhecimento é fundamental e mostra que a sociedade está atenta ao tema. Desde 2011, o Governo do Paraná investe massivamente em ações educativas de grande impacto e os resultados têm sido positivos. Precisamos pensar em campanhas contínuas para salvar vidas e educar as futuras gerações”, afirmou o diretor-geral do DETRAN-PR, Marcos Traad.

MÍDIA CONSCIENTE - INICIATIVA PRIVADA � VIVO

A campanha #UsarBemPegaBem convidou os brasileiros a refletirem sobre o uso excessivo do celular em diversas situações. Uma das produções fazia um alerta para um fato corriqueiro, e perigoso, de digitar e dirigir. Para aprofundar a discussão, foi realizada uma série de debates no Periscope com especialistas em trânsito seguro, comportamento e relacionamento a respeito da conexão consciente e do comportamento das pessoas em relação ao celular. “Este reconhecimento nos mostra a relevância do tema do uso consciente do celular, e reforça nossa crença de que temos um papel importante em promover esta reflexão na sociedade para que as pessoas usem a conexão da melhor forma em suas vidas”, disse a diretora de Imagem e Comunicação da VIVO, Marina Daineze.

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QUEM TEM UM PORQUÊ ACEITA QUASE QUALQUER COMO Roberto Niemeyer, diretor da unidade de gestão de despesas corporativas da Alelo, conta como o propósito pode engajar colaboradores e fazer a diferença

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Roberto Niemeyer: Se você não tiver o foco nas pessoas, você não constrói nada O engajamento dos colaboradores nessa cultura é consequência de uma liderança om passagens por grandes emque também compartilha do mesmo propósito e faz questão de disseminá-lo. “Para ser presas, como AMBEV, Pirelli um bom líder é preciso primeiro acreditar, entender o porquê você faz o que faz, não por e Cielo, Roberto Niemeyer asuma meta, mas por um ideal. A segunda coisa é deixar um legado. Sempre me provoco sumiu a unidade de gestão de despesas a refletir: daqui há 10 anos, eu quero ser lembrado pelo quê? A terceira coisa é levar as corporativas da Alelo com a missão de pessoas a atingir o melhor de seu potencial”, explicou o diretor. olhar para o cenário e entender quais O segredo para o sucesso, de acordo com ele, tem três princípios fundamentais: proseriam os próximos passos. Denominado pósito, foco e execução. “Tem uma frase que eu gosto muito: Quem tem um porquê aceipor ele mesmo como um “emprevendeta quase qualquer como. Se temos clareza sobre onde queremos chegar, se o plano de dor corporativo”, Niemeyer conta que voo está traçado, nós temos o porquê atravessar as turbulências.” sua carreira foi marcada por criar novos Recentemente, a Alelo está caminhando em direção a um novo propósito. Buscando fanegócios dentro de empresas. zer a diferença em um segmento que está em constante evolução e em que os fornecedoO espírito inovador o fez repensar o res estão começando a se atentar a discussões sobre segurança e sustentabilidade: a gestão conceito de cartão de crédito, de forma a de frotas. “Vemos empresas preocupadas em monitorar se o colaborador está abastecendo proporcionar ao cliente uma experiência corretamente, mas que estão negligenciando aspectos que são mais importantes: será que fluída e fácil. “O cartão é o meio e não o aquele motorista sabe dirigir? Será que a empresa o capacitou corretamente? Será que os fim. Ele é, na verdade, a forma de melhocarros têm a segurança necessária para levar esse condutor com segurança para casa? Esrar a produtividade, engajar uma pessoa, tamos no começo de um longo caminho, fazer com que aquela que acreditou e remas tudo que enfrentaremos pela frente alizou seu sonho, seja premiada. Para um será por uma causa final que vale muito a cartão salário, por exemplo, é a forma de pena”, declarou o diretor. dar segurança para essa pessoa e fazer Em 2016, o propósito da Alelo para o com que ela seja financeiramente incluída. Pode parecer uma besteira, mas isso tem segmento de gestão de frotas se une ao muito significado para alguém que nunca teve um cartão”, explicou o diretor. propósito do PARAR com o intuito de dar Apreciador da antropologia, Niemeyer gosta de analisar o que está por trás de um mais condições para que os gestores se comportamento, de entender qual é o medo que uma pessoa tem, para que ele consiga aperfeiçoem através do PGF - Programa solucioná-lo antes mesmo que ela entenda que o tenha. “Nosso trabalho na Alelo segue para Gestores de Frota do Brasil. “Melhomuito esse pensamento. Como é que eu posso antecipar uma solução que vai facilitar a res gestores tornam-se melhores conduvida do cliente mesmo que nem ele ainda tenha entendido esse problema?”. O cuidado tores, que tornam-se melhores pessoas e com as pessoas, é inclusive, um dos propósitos mais importantes da Alelo. “Nós entendeisso, no final das contas, impacta a cadeia mos que não adianta você ter uma empresa focada apenas em resultados. Se você não inteira, de pessoas e de vidas”. tiver foco nas pessoas, você não constrói nada”, ressaltou Niemeyer. A Alelo acredita que Ele ainda ressalta que quando se dimio futuro da empresa está estritamente ligado a um time motivado, com um propósito nui situações críticas, vidas estão sendo único. “Aí sim se constrói um futuro e esse futuro pode ser brilhante”. salvas lá na ponta. “Não interessa qual a Um dos programas da Alelo, chamado Atitude Alelo, incentiva os colaboradores a relação, uma vida é uma vida. Se eu contomar atitudes diferenciadas, que reforcem a cultura da empresa. “Se uma pessoa está seguir trabalhar e garantir que pelo meatendendo um cliente de forma espetacular ou fecha um venda muito bacana, por nos uma seja salva, já valeu a pena. O PGF exemplo, nós paramos a empresa e a premiamos ”, explicou o diretor. Outra ação muito é um curso que tem muito para caminhar interessante é que quando um colaborador recebe mérito por algo, ele ganha um bale a Alelo é assim, a gente não gosta muidinho com um champagne e um chocolate. “O champagne é para comemorar com a to de caminhadas prontas, a gente gosta esposa e o chocolate para comemorar com os filhos. Isso mostra a nossa preocupação mesmo é de jornadas em conjunto”. � em trazer a família para dentro do negócio”, revelou Niemeyer.

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VISÃO INTERNACIONAL O PARAR bate um papo com algumas das estrelas internacionais da Conferência Global 2015 e eles contam o que estão levando para a casa do Brasil

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onfira, a seguir, os principais trechos das conversas com Ruth Alfson, Presidente da NAFA (Northern American Fleet Association), Kate Vigneau, Diretora de Desenvolvimento Profissional da NAFA e Tom Johnson, fundador do prêmio “100 Best Fleets”.

PARAR  COMO FOI A EXPERIÊNCIA DE VOCÊS NO BRASIL? RUTH ALFSON (RA): Essa foi a minha primeira vez e eu achei o Brasil incrível. Tão diferente, mas também tão parecido com o meu próprio país.

KATE VIGNEAU (KV): Essa foi a minha primeira visita ao Brasil e eu só consegui conhecer São Paulo. A cidade certamente oferece todas as comodidades das grandes cidades do mundo. O padrão de hotéis e restaurantes foi excelente. O que faz o Brasil se destacar, no entanto, é o povo que me fez sentir muito bem-vinda, apesar das barreiras linguísticas. PARA VOCÊS, QUAIS FORAM OS PONTOS ALTOS DA CONFERÊNCIA? TOM JOHNSON (TJ): A avaliação da conferência global, em uma escala de 1 a 10, foi 10. Excelente. A revista (PARAR Fleet Review) definiu o tom para todo o evento. Mais que um documento, ela é um modelo para todos os participantes, dentro e fora da conferência. Uma referência para o futuro das operações da frota no Brasil. Uma sugestão para os próximos eventos seria incorporar as mulheres gestoras de frota mais bem-sucedidas nas apresentações. A senhora da Kimberly-Clark (Leonilda Assagra) trouxe ótimas ferramentas para a transparência nas operações.

importante para mim, no entanto, não foi um tema individual, mas sim o tema principal da Conferência: gestores de frotas são, de fato, gestores da vida e a segurança deve ser uma paixão e uma preocupação primordial. Essa orientação de segurança foi o que me atraiu para frota, muitos anos atrás. Na América do Norte, com toda a conversa de eficiência e redução de custos, podemos às vezes esquecer isso. A Conferência PARAR foi um lembrete muito bom. DE QUE FORMA A GESTÃO DE FROTAS É DIFERENTE DAS OUTRAS ÁREAS DE GESTÃO? � RA – Em última análise, a frota não é muito diferente para o quadro geral. Mas quando você entra nos detalhes, a frota é muito diferente, sim. Na maioria das vezes, a frota serve mais de um departamento e é influenciada por forças externas. Você precisa saber como reagir a essas forças para ser bem-sucedido. � KV – Digite "principais causas de acidentes fatais de trabalho" no Google e ficará claro o que torna única a responsabilidade de um gestor de frota. Acidentes com veículos (tanto durante o trabalho, quanto no deslocamento para o local de trabalho) são a principal causa de mortes relacionadas ao trabalho em muitos países. A cada dia, o gestor de frotas tem a oportunidade de influenciar esse cenário e salvar vidas.

� RA – A Conferência foi maravilhosa. Acho que a parte mais importante do evento foram os painéis de discussão que deram a todos a oportunidade de ouvir vários pontos de vista, ao mesmo tempo.

O PARAR E A NAFA AGORA SÃO PARCEIROS EM EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO. NÓS AJUDAREMOS OS ALUNOS NO BRASIL A REALIZAREM OS EXAMES CAFS E CAFM (CERTIFICAÇÕES DA NAFA), E A NAFA IRÁ CERTIFICAR NOSSO PGF (PROGRAMA PARA GESTORES DE FROTAS). QUAL É A IMPORTÂNCIA DOS PROGRAMAS DE FORMAÇÃO E CERTIFICAÇÃO PARA OS GESTORES DE FROTAS? O QUE PODEMOS APRENDER COM NAFA E OUTRAS INSTITUIÇÕES? � TJ – A formação e certificação do PGF e CAFM/CAFS são ótimas colaborações. Concursos como o 100 Best Fleets a serem realizados no Brasil também são outra maneira de melhorar rapidamente e encurtar as curvas de aprendizado.

� KV – Em geral, o programa foi excelente e não houve uma única sessão na qual eu não tenha aprendido nada. O mais

� KV – Quando eu era gestora da frota do Departamento de Defesa Nacional do Canadá, eu criei quatro pilares no meu

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quadro de gestão - segurança, meio ambiente, gestão da informação e formação. O treinamento é vital para os motoristas e mecânicos, mas também para os gestores de frota, que são responsáveis por eles. O PARAR atingiu progressos significativos na criação do PGF. É um primeiro passo admirável na introdução de um profissional para o mundo do gerenciamento de frota. � RA – A formação é muito importante para que você possa mostrar ao seu empregador que você está comprometido em fazer a diferença em seu trabalho. Ao obter a certificação, você também demonstra que está fazendo algo extra para continuar a sua educação. A NAFA pode lhes dar as ferramentas para o passo seguinte: mergulhar profundamente nos detalhes da gestão da frota que podem ter sido negligenciados. � KV – Os programas são complementares e o CAFS e CAFM da NAFA se baseiam na introdução fornecida pela PGF da seguinte forma: O PGF apresenta materiais de nível de entrada, destinados a introduzir um profissional para as realidades da frota e administração no Brasil. No CAFS, os candidatos selecionam quatro de oito módulos (ativos, risco, informação, negócios, finanças, manutenção, combustível ou desenvolvimento profissional) projetados para fornecer conhecimento aprofundado dos princípios da gestão da frota. Embora haja conteúdo específico para o Canadá e os Estados Unidos , o programa se concentra em princípios universais. Finalmente, para conquistar o CAFM, os candidatos devem terminar os últimos quatro de oito módulos. VOCÊS DIRIAM QUE A MAIORIA DAS FROTAS NOS EUA JÁ ESTÃO “FICANDO MAIS VERDES”? OU SEJA, OS GESTORES DE FROTA JÁ ESTÃO LEVANDO O MEIO AMBIENTE EM CONSIDERAÇÃO? � TJ – Com certeza! As preocupações ambientais já influenciam o comportamento da frota nos EUA. A busca por uma economia verde nos Estados Unidos é uma iniciativa nacional para diminuir nossa dependência de petróleo estrangeiro e para diminuir os casos de câncer causados pela poluição. Recentemente, o Departamento de Agricultura investiu 100 bilhões de dólares em etanol, que tem atualmente o Brasil como líder na produção e uso. Veículos e combustíveis alternativos e sustentáveis são uma responsabilidade mundial. �

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RUMO À NAFA 2016 Fonte de inspiração e referência para o Instituto PARAR, a NAFA é responsável pelo mais importante evento de gestão de frotas leves do mundo, o NAFA Institute & Expo, que, em 2015, mobilizou 2,3 mil profissionais e 3,5 milhões de veículos. A maior delegação do evento foi liderada, justamente, pelo PARAR. Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto levou 25 brasileiros, entre fornecedores, gestores e executivos, para conhecer as novidades do mercado americano e trazer boas práticas que poderiam ser aplicadas na melhoria da gestão de frotas do Brasil.

“Não pense duas vezes se você deve ir ou não. O nível de detalhamento de conhecimento que eles têm, que apresentaram nos cases de sucesso, é aplicável em qualquer lugar” descreveu David Zini, diretor da Ouro Verde e um dos membros da Comitiva em 2015. A aproximação com a NAFA tem rendido bons frutos e, em abril, daremos mais um passo importante nessa história. A terceira Comitiva PARAR de Gestores de Frota Rumo à NAFA embarca para Austin (Texas) para um programa de imersão e vivência com gestores de frota internacionais, fornecedores globais e conteúdos sobre o que há de mais moderno na gestão de frotas ao redor do mundo. Além das palestras e atividades já programadas no cronograma do evento, os membros da Comitiva PARAR terão acesso a uma agenda especial, com opções exclusivas. Os interessados em participar devem entrar em contato com o Instituto PARAR através do email: larissa. fernandes@institutoparar.com.br. A experiência NAFA I&E será realizada de 18 a 21 de abril. �

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MONTADORAS INVESTEM EM SEGURANÇA Conheça novas tecnologias para proporcionar mais segurança aos motoristas e passageiros

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nquanto nos EUA e na Europa, o quesito segurança é determinante para a compra de um carro novo, no Brasil, infelizmente, isso ainda é colocado em segundo ou até terceiro plano. A segurança muitas vezes é considerada depois de design, marca e preço, e esse último acada sendo o fator decisivo. Ainda é pouco comum ver brasileiros se informando sobre itens de segurança ou sobre os desempenhos dos carros em testes independentes de impacto, como os realizados pela Latin NCAP, órgão que avalia a segurança dos carros vendidos na América Latina e Caribe. “São fatores que demonstram que a preocupação com a segurança não é prioridade dos consumidores”, observou o sociólogo e especialista em educação e segurança do trânsito Eduardo Biavati, em entrevista ao Extra. Segundo ele, o cinto é o fator mais importante de um veículo, seguido do airbag, da avaliação do carro como um todo e, depois, da manutenção. “A segurança é resultado da combinação desses fatores”. Biavati ressalta que não podemos impedir que um acidente aconteça, mas podemos minimizar sua proporção e efeitos. Por isso, adquirir o hábito de analisar a segurança dos veículos antes da compra é um forma de cobrar das montadoras que os modelos vendidos aqui tenham o mesmo padrão de segurança dos comercializados nos EUA e na Europa. Com as novas medidas estabelecidas pelo governo e, principalmente, com o trabalho que vem sendo realizado por instituições como a Proteste e a Latin NCAP, as montadoras estão se atentando a isso e têm buscado inovações e tecnologias que proporcionem mais segurança aos motoristas e passageiros.

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INVESTIMENTO EM SEGURANÇA A Ford soma esforços para levar itens de segurança antes disponíveis apenas em carros de luxo para todos os modelos, inclusive os de entrada. “Trabalhamos para democratizar as tecnologias de segurança”, afirmou João Filho, chefe de engenharia da Ford na América do Sul. Os carros possuem avançados sistemas semiautônomos para tornar a direção mais segura e inteligente. “Um exemplo é o assistente de frenagem autônomo, que possui um sensor óptico que detecta um veículo à frente e, sem a intervenção do motorista, impede a colisão em velocidades de até 20 km/h – ou reduz consideravelmente o impacto quando o veículo está em até 50 km/h. O sistema opera com uma tecnologia conhecida como LIDAR – sensor de detecção de distância por reflexão de luz”, explicou João Filho. Na Volkswagen, todos os modelos comercializados no Brasil são submetidos aos testes do laboratório de segurança veicular. De acordo com informações divulgadas por sua assessoria de imprensa, os modelos são construídos com uma combinação de recursos de segurança passivos e ativos desenvolvidos para atender as mais exigentes regras de colisão. Um dos exemplos dessa evolução é o Up!, que obteve a máxima qualificação em segurança para adultos (cinco estrelas) e quatro estrelas para crianças no teste da Latin NCAP, provando que carros de entrada também podem apresentar padrões de excelência em segurança. Segundo a assessoria, o modelo combina em sua construção aços formados à quente em pontos determinados da estrutura de sua carroceria, além de aços de

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Crash-test realizado pela Latin NCAP no Jeep Renegade em 2015: 5 estrelas para proteção de adultos e crianças.

ALEXANDRE CLEMES Jeep Renegade reúne 60 itens de segurança

JOÃO FILHO Trabalhamos para democratizar as tecnologias de segurança

ultra-alta e de alta resistência. Além disso, reforços adicionais, na parte superior da porta, aumentam a segurança passiva – especialmente no caso de acidentes graves. Já os veículos do grupo FCA - Fiat Chrysler Automobiles resultam do trabalho de vários centros de pesquisa e desenvolvimento do grupo ao redor do mundo, como, por exemplo, Turim, na Itália, Detroit, nos Estados Unidos, e Betim, em Minas Gerais. Eles são os responsáveis pela fabricação do primeiro veículo nacional a conquistar cinco estrelas para proteção de adultos e crianças nos testes da Latin NCAP: o Jeep Renegade.

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Alexandre Clemes, gerente de produtos da Jeep, explica que, mesmo sendo um SUV compacto, o Jeep Renegade reúne 60 itens de segurança ativa e passiva. “A plataforma dele, chamada de Small-Wide 4x4, nasceu para gerar um SUV compacto 4x4 e, além de moderna, é muito robusta, com o emprego extensivo de aços avançados e de alta resistência. Há muitos itens de segurança de série em todas as versões, como o controle eletrônico de estabilidade (ESC), que engloba controles anticapotamento, de estabilidade e de trailer (de série em todas as versões), freio a disco nas quatro rodas, e opcionais como sete air bags, sensores de ponto cego e faróis de xenônio”. Além do investimento em tecnologia, a realização de testes práticos é essencial para simular as mais diversas situações. Em Tatuí (São Paulo), a Ford mantém um dos únicos centros de experimentação de carros, picapes e caminhões da América do Sul. “O Centro de Provas é equipado para a realização de testes que incluem desempenho e consumo de combustível, emissões, evaporação, arrefecimento, freios, penetração de água e poeira, cabines de névoa salina, nível sonoro interno e externo, dinâmica veicular, calibração e desenvolvimento de motores e durabilidade”, disse João Filho, chefe de engenharia da Ford na América do Sul. Outra inovação mundial da montadora é o cinto de segurança inflável, que funciona como um airbag em caso de colisão, ampliando a área de retenção sobre o tórax do passageiro para evitar lesões e aumentar a segurança. “Essa tecnologia já está presente no Ford Fusion 2016”, revelou. �

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Reduzir custos: por onde começar?

A orientação mais ouvida no business ganha conotação imperativa quando se trata de frota eduzir custos. Provavelmente, essa deve ser a máxima mais ouvida na gestão de frotas. E ela pode ser o "calcanhar de aquiles" dos profissionais responsáveis pelo gerenciamento do negócio, independente da área de atuação. Afinal, cortar gastos ao mesmo tempo em que se busca melhorias na produtividade pode ser um desafio bastante complicado. Para os gestores de frota, responsáveis pelo segundo maior custo dentro das empresas (atrás somente da folha de pagamento) a frase ganha conotação imperativa. Reduzir custos! Para exercer o controle sobre os gastos de sua frota, é preciso, primeiramente, uma análise detalhada do custo da operação. E aí o TCO (Total Cost of Ownership) se revela como uma ferramenta importante. Confira entrevista com o gestor de frota da IBM, Micael Duarte, especialista em Custos, Finanças e TI e conselheiro do PARAR.

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PARAR � QUAL A MELHOR FORMA DE CALCULAR O TCO? � MICAEL DUARTE (MD):: O TCO é uma conta bem complexa e com muitos itens. O gestor de frotas não vai precisar, necessariamente, usar todos os itens em todos os momentos, então, para cada situação existe uma forma de calcular o TCO. Por exemplo, em uma frota própria, o gestor precisará considerar custos de licenciamento, emplacamento, financiamento e desmobilização. Já em uma frota locada, esses custos já estão embutidos no valor do aluguel, o que torna a conta mais simples por ter menos itens. Para cada situação, o gestor terá de usar uma fórmula diferente. Por exemplo, na última contratação que fiz utilizei apenas os valores de Aluguel, Manutenção Preventiva e Combustível para fazer o TCO de 24 meses e traçar um comparativo entre os diversos modelos de carro que estavam sendo oferecidos pela locadora. Se eu tivesse olhado apenas o valor de aluguel, teria contratado um dos carros mais caros (considerando Revisão, Combustível e Aluguel). Por esse e outros motivos é importante o gestor saber calcular o TCO e, principalmente, saber quais itens são importantes para ele considerar em cada uma das situações.

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O PARAR quer saber: Como você faz o cálculo de TCO?

Sabemos que não há uma solução que se aplique a todas operações, isso reforça a importância de conhecer o comportamento de cada frota. Inicialmente, separamos os custos em dois grandes grupos: fixos (independente da utilização do veículo) e variável (conforme a utilização de cada veículo). Nos custos fixos temos despesas como emplacamento, depreciação, IPVA, seguro, telemetria, etc. Nos custos variáveis, onde focamos a maior parte dos nossos esforços, estão despesas de abastecimento, manutenção preventiva e corretiva, sinistros, multas e taxas. Para possibilitar a concentração dessas informações, utilizamos como ferramenta de gestão um software de telemetria e um cartão de pagamento específico para cada frota (combustível e manutenção). Para uma boa gestão é indispensável ferramentas para concentrar os dados e pessoal capacitado para analisar e trazer os resultados”.

Conhecer o TCO é um diferencial de mercado para qualquer empresa que quer administrar os custos envolvidos na propriedade de um bem. Um exemplo prático: quando você decide comprar um carro, avalia os custos de aquisição – consumo de combustível, seguro, manutenção, valor da revenda e até o tamanho da garagem. Depois de alguns anos, o carro começa a exigir manutenções cada vez mais caras. Isso significa que seu automóvel já está desatualizado, enquanto os modelos mais novos têm opções de desempenho e conforto melhores que o seu. Em algum momento, os custos de manter seu carro passam a ser mais caros do que adquirir um novo. Na nossa empresa, usamos esse cálculo, e pelas métricas que aplicamos, usamos até como indicador de ociosidade do veículo, dessa forma podemos alocar o mesmo em outra regional demandada”.

DANIEL NUNES --------------- Ferramentas Gerais

PARAR � QUAIS AS VANTAGENS DO TCO PARA A GESTÃO DA FROTA? � MD:: A vantagem de se calcular o TCO é que você pode trazer reduções de custo verdadeiras para a frota, e não só reduções em alguns itens e outros não. Outra vantagem é que com o TCO é possível justificar a contratação de um carro que traga mais segurança para os condutores e que, apesar do valor de mercado ser mais caro, ao longo de 24 meses, considerando itens como combustível e revisão, o carro pode sair mais barato que outros.

PARAR � QUAL DICA VOCÊ DARIA PARA O GESTOR QUE TEM DÚVIDA SOBRE COMO CALCULAR O TCO? � MD:: Para fazer os cálculos não existe uma receita de bolo pronta, até porque a quantidade de variáveis é muito grande por causa das inúmeras modalidades de frota que vemos nas empresas (alugada, própria, mista, com gestão própria, gestão terceirizada, manutenção em oficina própria, credenciada, etc.). O importante é saber quais itens devem ser considerados para cada situação onde os custos deverão ser apresentados. Por exemplo, no momento de uma contratação não faz sentido considerar os custos com sinistros/avarias, porque são custos variáveis, que irão acontecer independentemente do modelo do carro. Porém em um report executivo sobre o andamento dos custos da frota é importante mostrar o índice de sinistralidade e o custo gerado por esse item. 

BRUNO HENRIQUE GROTTE ---------------GenesisGroup

MICHEL DUARTE Gestor de Frota IBM

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Brinde, que o táxi é de brinde” Campanha da AMBEV e Easy Taxi incentivou as pessoas a aproveitarem as festas de final de ano com responsabilidade

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de 100 mil happy hours, jantares em família, festas de empresas, baladas e encontros entre amigos foram celebrados sem preocupação e com responsabilidade no final do ano passado. Esse foi o saldo da campanha “Brinde, que o táxi é de brinde”, promovida pela AMBEV e pelo aplicativo Easy Taxi, para incentivar a conscientização no trânsito e o consumo responsável de bebidas alcoólicas. A ação foi feita para ser compartilhada entre amigos e oferecia até 100% de desconto nas corridas para os que curtiram o final de ano de forma consciente. Funcionava assim: o usuário acessava o site, cadastrava o seu CPF e compartilhava o código gerado com até nove amigos. Para ter acesso ao benefício, bastava ser usuário do aplicativo Easy Taxi e selecionar a opção de pagamento “cartão de crédito no app”, inserir e validar o código e então solicitar a corrida. “O pessoal pôde participar todos os dias da semana, das 18h às 6h, em todas as localidades atendidas pela Easy Taxi com desconto de R$ 50,00 nas corridas. Foi o maior desconto já concedido em corridas do app”, contou Julia Radaeli, gerente de marketing institucional da AMBEV. A iniciativa foi um belo exemplo de como as empresas podem se engajar para incentivar boas práticas. “Nas semanas de duração da campanha foram percorridos gratuitamente mais de 1 milhão de quilômetros em todo país , alçando a Easy Taxi ao Trending Search do iOS e para os Top 50 mais baixados na Apple Store”, revelou Dennis Wang, Co-CEO Global da Easy Taxi. Não é a primeira vez que a AMBEV se une à Easy Taxi para promover ações com o objetivo de estimular o uso do táxi e assim garantir diversão com responsabilidade. Outras campanhas foram realizadas, por exemplo, no Festival Cultural de Cerveja, em Campinas, no Dia do Consumo Responsável, e durante o período de férias em Fortaleza. “Nós fabricamos produtos para momentos de celebração e alegria e, há mais de 12 anos, trabalhamos para evitar o uso indevido de bebidas, ou seja, associado à direção, por menores de idade ou em excesso. Por isso, estamos muito felizes em lançar campanhas de consumo responsável em âmbito nacional e bastante entusiasmados com a adesão à campanha”, destacou Julia Radaeli. �

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DENNIS WANG Co-CEO Global da Easy Taxi

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Experiência em Interlagos PARAR Leader promove dia de atividades práticas em uma das melhores pistas do mundo

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uma novidade estaciona na agenda de ações do Instituto PARAR em 2016. Voltado para CEOs e presidentes de empresas frotistas, o PARAR Leader deve reunir 30 profissionais para um dia de atividades na pista de Interlagos, considerada uma das melhores do mundo. Além de palestras e speechs, os executivos terão a oportunidade de participar de atividades práticas de direção defensiva, evasiva e até esportiva. Ainda será possível fazer test drives em carros da frota de trabalho, de benefícios (Premium) e blindados. Com experiências de direção em segurança, velocidade e pilotagem de fuga, o evento é uma oportunidade excelente de network entre líderes e decisores de empresas com frota corporativa. "Para os gestores, a ação é uma forma de engajar os diretores na causa da segurança e abrir uma porta para que em futuras negociações esse quesito seja o fator decisivo", afirmou Ricardo Imperatriz, CEO da GolSat e PARAR Leader. O que você, gestor, acha de convidar seu CEO para ter essa experiência? Para mais informações, entre em contato com o Instituto PARAR pelo email: atendimento@institutoparar.com.br. �

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HUMOR E CONSCIENTIZAÇÃO Campanha vencedora do projeto PARAR University surpreendeu os jurados com tom satírico e criativo

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projeto PARAR University premiou, em novembro de 2015, as melhores campanhas desenvolvidas pelos universitários, estudantes de Publicidade e Propaganda da UNOPAR (Londrina/PR), sobre segurança no trânsito. A equipe que conquistou a primeira colocação, chamada de agência Darkside, escolheu o humor para chamar a atenção para uma causa muito importante: o nosso comportamento no volante é determinante para um trânsito mais seguro. Depois de receberem orientação do cartunista e professor da USP, Dorinho Bastos, do diretor de comunicação da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), Dr. Dirceu Rodrigues Alves, e do líder do PARAR, Flavio Tavares, os alunos tiveram cerca de 30 dias, sob coordenação da Prof. Érica Romagnolli, para elaborar campanhas que incentivassem a reflexão sobre os comportamentos dos motoristas no trânsito brasileiro. Os trabalhos foram avaliados por Cesar Urnhani, piloto de testes e apresentador do Auto Esporte, Dorinho Bastos, cartunista e professor da USP, Dr. Dirceu Rodrigues Alves, diretor da ABRAMET, Flavio Tavares, diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader, Ricardo Imperatriz, CEO da GolSat e PARAR Leader, Mario Seki, presidente da Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina, e Henrique Tavares, representante do PARAR Kids. Danilo de Oliveira, um dos integrantes do grupo vencedor, comenta que a experiência foi muito positiva. “Nos empenhamos bastante para mostrar nossa ideia e ter o reconhecimento por uma ação que criamos para passar uma mensagem tão importante para sociedade, foi uma sensação muito boa e gratificante”. “Para mim não há outra palavra que descreva a minha passagem por esse projeto a não ser emoção”, completa a universitária Bianca Serafim. Lançado no final do ano passado, o PARAR University tem o objetivo de atuar na base, em quem serão os futuros motoristas de nossas vias, para que assim, eles possam multiplicar essa cultura para toda a comunidade. A campanha vencedora ficará disponível para que os gestores de frotas associados ao PARAR usem em suas empresas através do portal PARAR Speaker, que será lançado em breve. 

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CONFIRA O RESULTADO AO LADO

1º 2o 3o

Lugar: Agência Darkside • Miguel Mouco Martins • Marcos Antonio Inocêncio • Letícia Tiradentes • Bianca Serafim de Oliveira • Felipe Ramazzoti Chanan • Danilo de Oliveira e Silva

Lugar: Unna Propaganda • Felipe Balthazar Silva • Anna Maria Garcia Bressanine • Rebeca dos Santos • Roberto Gilcimara Ferraz de Aguiar • Andrei Alex Carrilo Peres • Caroline Ferrarezi Rocha • Gabriela Deganutti de Barros • Carolina Giacomelli de Oliveira • Diego Chaves

Lugar: Alavanca • Iandara Saenz • Lilian Carolina Bianchini • Hugo Henrique Borbolena • André Syllos Jatte

Fotografia: Karina Constancio


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MATÉRIA DE CAPA

Por que é tão difícil mudar o trânsito? Se analisarmos o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e a taxa de mortes no trânsito a cada 100 mil habitantes, é possível traçar uma relação entre o nível de desenvolvimento dos países e a violência viária.

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Violência viária está ligada ao índice de desenvolvimento dos países. No Brasil, a situação é oposta 1,25 milhões. Essa é a quantidade de vidas que são ceifadas por ano em acidentes de trânsito em todo o mundo. Isso significa que, a cada ano, estamos perdendo um número de pessoas capaz de lotar 15 estádios de futebol como o Maracanã. O dado é impressionante, mas fica ainda mais absurdo se pensarmos que cada um desses números representa uma vida, um amigo, um colega de trabalho, um familiar de alguém. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em seu novo relatório (Global Status Report On Road Safety 2015), em um período de três anos, enquanto 79 países viram o número de vítimas do trânsito diminuir, em outros 68 os números cresceram. Mas por que, para algumas nações, é tão difícil reverter esse cenário? O mesmo levantamento indicou que 90% das mortes no trânsito ocorreram em países com índices de baixo ou médio desenvolvimento. Ainda que cada região tenha sua particularidade, talvez esse seja o caminho para uma resposta. Se analisarmos o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e a taxa de mortes no trânsito a cada 100 mil habitantes, é possível traçar uma relação entre o nível de desenvolvimento dos países e a violência viária. Noruega, Austrália e Suíça, por exemplo, os três países que estão no topo do ranking de IDH1, são algumas das regiões com trânsito mais seguro, onde as taxas de mortalidade por 100 mil habitantes são de

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3,8; 5,4 e 3,8, respectivamente. Já se considerarmos as mortes anuais por acidentes de trânsito dos países com os piores índices de IDH - Nigéria, Congo e República Centro-Africana - podemos verificar que o trânsito dessas regiões é mais letal, com 26,4; 26,4 e 32,4 mortes a cada 100 mil habitantes, respectivamente.

1.250.000

MORTES NO TRÂNSITO, ANUALMENTE NO MUNDO

79 PAÍSES

DIMINUÍRAM NÚMERO DE VÍTIMAS FATAIS

68 PAÍSES

AUMENTARAM NÚMERO DE VÍTIMAS FATAIS

IDH ALTO (NORUEGA, AUSTRÁLIA E SUÍÇA)

3,8 | 5,4 | 3,8

MORTES A CADA 100 MIL HABITANTES

IDH BAIXO (NIGÉRIA, CONGO, REP. CENTRO-AFRICANA)

26,4 | 26,4 | 32,4

MORTES A CADA 100 MIL HABITANTES

“É possível notar que as mortes estão intimamente conectadas ao IDH, que, por sua vez, tem por base a educação, a longevidade e a renda per capita. Dentre os 10 países mais violentos do planeta não aparece nenhum do grupo do capitalismo evoluído e distributivo, fundado na educação de qualidade para todos, na difusão da ética, no império da lei e do devido processo legal e proporcional”, destacou o jurista Luiz Flavio Gomes em artigo publicado no site JusBrasil.

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MATÉRIA DE CAPA

ENQUANTO ISSO NO BRASIL…

E aqui?

SUBIU DE 18,7 PARA 23,4

TAXA DE MORTALIDADE NO TRÂNSITO ENTRE 2003 E 2013

QUARTO PAÍS

QUE MAIS MATA NO TRÂNSITO ANUALMENTE

50.000+

No caso do Brasil, mesmo sendo um dos signatários do acordo da ONU e assumido o compromisso de reduzir em 50% a projeção dos números de mortos até 2020, os acidentes fatais no país aumentam a cada ano. Em 10 anos (2003-2013), a taxa de mortalidade subiu de 18,7 para 23,4 e quase se iguala à taxa dos países africanos com trânsito mais perigoso. Em números absolutos, o Brasil é o 4º país que mais mata no trânsito, chegando a quase 50 mil mortes em 2013, de acordo com a OMS. “Para o Brasil atingir a meta da ONU, nós teríamos que fechar 2020 com, no máximo, 30 mil mortes no trânsito, e a gente não está caminhando para isso”, revelou Paulo Guimarães, diretor-técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Aqui a situação é oposta à tendência mundial, regiões desenvolvidas não são sinônimos de segurança no trânsito. As capitais com o maiores índices de IDH do Brasil2, Florianópolis (0,847) e Vitória (0,845), possuem uma das taxas mais altas de violência no trânsito entre os municípios do país. Em levantamento divulgado pelo ONSV, com dados preliminares de 2014, a capital catarinense registrou 22,9 mortes a cada 100 mil habitantes, enquanto, Vitória somou 26,1 mortes. Para Guimarães, os países em desenvolvimento, como o Brasil, não seguem a mesma lógica mundial, pois, quando o crescimento econômico acontece de forma mais acelerada há uma tendência de um número elevado de acidentes mesmo em cidades com bons índices sociais. “Para além do desenvolvimento, há um problema de educação no trânsito, que precisa de tempo para apresentar resultados que reduzam o número de mortes”, revelou em entrevista ao Estadão. Entender esse cenário não é tarefa fácil, pois, além do extenso tamanho do território nacional, as características dos acidentes são muito regionalizadas. O que acontece no Sul, por exemplo, é diferente da realidade do Norte ou Nordeste. Um relatório divulgado pelo ONSV em 2014 destacou que a maioria das vítimas fatais em decorrência de acidentes de trânsito está na região Centro-Oeste. Os usuários de trânsito mais atingidos são os motociclistas, que representam 36,4% das vítimas fatais. Eles também são a maioria nas regiões Norte e Nordeste, representando, respectivamente, 39,1% e 48,1% dos óbitos. Já no Sul e no Sudeste, os ocupantes de automóveis são as principais vítimas, com 36,8% e 33,4% dos óbitos. Para mapear os principais fatores de risco de cada região, seria necessária uma análise criteriosa de dados confiáveis. O que hoje, de acordo com Guimarães, ainda não é possível. “Nós temos um sistema de informações de mortalidade, o Data SUS, que abrange 100% do país, porém não temos um padrão confiável de

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NÚMERO DE VÍTIMAS FATAIS EM 2013 VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO: FLORIANÓPOLIS

22,9 A CADA 100 MIL HABITANTES  IDH ALTO VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO: VITÓRIA

26,1 A CADA 100 MIL HABITANTES  IDH ALTO 36,4% MOTOCICLISTAS

VÍTIMAS FATAIS NA REGIÃO CENTRO-OESTE

39,1% MOTOCICLISTAS

VÍTIMAS FATAIS NA REGIÃO NORTE

VÍTIMAS FATAIS NA REGIÃO NORDESTE

VÍTIMAS FATAIS NA REGIÃO SUL

VÍTIMAS FATAIS NA REGIÃO SUDESTE

META

48,1% MOTOCICLISTAS 36,8% AUTOMÓVEIS 33,4% AUTOMÓVEIS

30.000 MORTES

indicadores sobre ferimentos e sequelas oriundos de acidentes de trânsito”, explicou. Outro fator é o preenchimento dos Boletins de Ocorrência. “Estamos analisando cerca de 5 mil Boletins de Ocorrência a que tivemos acesso e, por incrível que pareça, há estados que têm quatro tipos diferentes de boletim. Ou seja, nós não temos um padrão na coleta de dados e nem temos qualidade nessa coleta”. Como os boletins são mal preenchidos, não é possível tirar a informação necessária para identificar corretamente os fatores de risco. Dessa forma, de acordo com Guimarães, o máximo que conseguimos obter é um indicador nacional. Tendo em vista que temos um diagnóstico razoável da violência no trânsito no país, chegamos a outra questão-chave: a legislação. Por que, mesmo o Código de Trânsito Brasileiro sendo considerado um dos melhores do mundo, temos a impressão de que ele não funciona? “O problema do Brasil não é elaborar leis e, sim, a execução (a efetividade) delas”3, ressaltou o jurista Luiz Flavio Gomes. Para Paulo Guimarães, além da aplicação, o Brasil tem uma velha fama da lei que pega e da lei que não pega. “Desde que o Código foi sancionado, 28 leis já o alteraram. E fora essas 28, até o final de dezembro, outras 566 resoluções, que têm força de lei, entraram em vigor para complementá-lo. É uma confusão absurda. Tivemos o recente caso do extintor de incêndio, por exemplo, e outro, um pouco mais antigo, dos kits de primeiros socorros. Apesar de ser uma legislação muito boa, ela não tem credibilidade perante a sociedade”.


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Impacto social Mesmo com essas lacunas técnicas, o trânsito deve ser olhado, essencialmente, pelo impacto social que causa. Esse deve ser o motivo primário para que ele se torne foco de discussões, análises e investimento no Brasil. “Hoje, o trânsito tem matado mais que arma de fogo no país. Há lugares em que até 80% dos leitos dos hospitais estão ocupados por vítimas de acidentes de trânsito” , revelou Guimarães. Contudo, se é verdade que o problema ainda não ocupa o lugar que deveria na agenda política brasileira, já é possível começar a transformação por cada um de nós, como pessoas físicas ou jurídicas. Na última Conferência Global PARAR, 220 empresas assumiram o compromisso de se tornarem agentes de mudança ao disseminar a cultura de segurança e contribuir para a formação de influenciadores da causa. “Quando você trabalha a segurança viária dentro de uma empresa, você tem ganhos de produtividade, mas, mais do que isso, você começa a implementar uma cultura. O trabalhador leva esse propósito para fora da empresa e isso se reflete na sociedade”, destaca Paulo Guimarães. Se tomarmos como exemplo os países desenvolvidos, percebemos que o caminho para a mudança passará, principalmente, por um investimento em educação e conscientização. 

1. Dados do Human Development Report 2014 (UNDP) 2. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (Ipea) 3. Leia o artigo completo na pg. 58

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220

empresas dispostas a fazer a diferença UM

dos momentos mais marcantes da III Conferência Global PARAR foi o lançamento do Manifesto PARAR, um documento que convida os gestores de frota do Brasil a assumirem um compromisso com as causas do Instituto, que têm como principal valor a vida. Duzentas e vinte empresas assi-

naram o documento e selaram o compromisso de transformar a gestão de frotas no Brasil, disseminar a cultura de segurança e reduzir os números alarmantes do trânsito brasileiro.

Eu me comprometo... A ser um profissional engajado dentro da minha corporação, implementando uma Política de Frota que tenha como meta primordial a construção de uma cultura de segurança em que a vida seja o principal valor A ser um disseminador de princípios e valores no âmbito da segurança e um influenciador de outros colaboradores A contribuir internamente com informações que incentivem a minha empresa a ter como um de seus objetivos a persuasão das montadoras para que equipem todos os veículos com tecnologias avançadas de segurança e a optar pelo uso de carros mais seguros Com a profissionalização do setor de gestão de frotas, compartilhando informações e conteúdos, e incentivando a participação de gestores e condutores de veículos em eventos, cursos e treinamentos da área A colocar a vida em primeiro lugar e a segurança como item indispensável em qualquer planejamento A fazer do meu trabalho um propósito maior, a entender que sozinhos dificilmente construímos grandes mudanças, mas que, junto a outros gestores, podemos fazer deste propósito uma causa, e assim lutar para mudar o cenário da gestão de frotas leves e as inquietantes estatísticas atuais do trânsito brasileiro.

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PNEUS: DICAS E CUIDADOS César Urnhani e Roberto Manzini ensinam como obter melhor rendimento, eficiência e segurança pneu é vital para a segurança veicular. Ele é o responsável por conferir maior estabilidade e dirigibilidade ao veículo, além de exercer a função de tração e frenagem. Assim, é natural que ele mereça atenção especial por parte do condutor. A pedido do PARAR, César Urnhani, piloto de testes e apresentador do Auto Esporte, e Roberto Manzini, diretor do Roberto Manzini Centro Pilotagem, separaram algumas dicas para você obter o melhor rendimento e eficiência do pneu.

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AUMENTAR A DURABILIDADE

NA PRÁTICA

A durabilidade dos pneus depende de vários fatores. O cuidado e a forma de conduzir fazem toda a diferença. É importante que os pneus sejam calibrados semanalmente e que o veículo esteja devidamente alinhado, assim como os pneus balanceados. Além disso, é fundamental que o motorista faça a sua parte:

Em um exercício chamado de “desvio de alce”, feito pelo Roberto Manzini Centro Pilotagem, o veículo faz, em uma pista balizada por cones, desvios para a direita e esquerda, percorrendo alguns metros nesta posição, saindo e voltando para sua trajetória inicial. Durante o teste, o piloto aumenta a velocidade progressivamente, até determinar uma velocidade limite, que é aquela onde não há necessidade de correções de trajetória. Utilizando a calibragem recomendada pela montadora de 32 psi, foi possível realizar a ação com segurança e sem ter que corrigir a trajetória a 95 km/h. Já depois de reduzir a pressão dos pneus em 21,9%, passando para 25 psi , para manter a trajetória sem realização de correções, a velocidade limite baixou para 78 km/h, ou seja, houve uma perda de dirigibilidade de 17,9%. “Além disso, ao trefegar com pneus abaixo do determinado pelo fabricante, houve aumento de aproximadamente 5% no consumo de combustível”, revelou Roberto Manzini. 

 Utilize o máximo do freio motor (redução de marchas, mesmo para câmbios automáticos) e menos o freio de pé.  Não acelere forte, mas sim de forma progressiva.  Evite fazer curvas em alta velocidade.

SEGURANÇA Para garantir segurança ao rodar, é importante dar atenção aos seguintes itens:  Garantir que os quatro pneus tenham a mesmas especificações técnicas do equipamento original de fábrica.  Calibre o pneu sempre frio, uma vez por semana e com a pressão especificada pelo fabricante do veículo.  Tenha o carro sempre alinhado e pneus balanceados.  Não rode com os pneus nos limites indicados pelo fabricantes em relação ao TWI, que é de 1,6mm, pois, em caso de piso molhado a possibilidade de aquaplanagem é enorme. Visando minimizar esse risco, o recomendado é trocar antes, com 2,5 ou 2mm. Edição 77 || Fevereiro Fevereiro de de 2016 2016 Edição


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PNEUS EM TESTE ATENÇÃO COM A CALIBRAGEM DOS PNEUS! É a pratica mais simples, porém a mais importante. Um pneu calibrado garante: • MENOR CONSUMO DO PNEU • MENOR CONSUMO DE COMBUSTÍVEL • MELHOR DIRIGIBILIDADE • MENOR VULNERABILIDADE À FORMAÇÃO DE BOLHAS OU CORTES EM IMPACTOS NOS BURACOS • MENOR DISTÂNCIA DE FRENAGEM • MAIOR ADERÊNCIA NO SECO E PRINCIPALMENTE NO MOLHADO

Dada à sua devida importância, os pneus não podem ser escolhidos apenas pelo preço. É fundamental que se faça uma escolha baseada no modelo mais indicado para seu veículo e proposta de uso. Dessa forma, os testes de pneus se revelam como importantes fontes de consulta para se avaliar e comparar parâmetros antes da compra. De acordo com Cesar Urnhani, os testes partem primeiro do tipo de veículo que o equipa. “Se for um carro esportivo, o foco em durabilidade e conforto é baixo, porém em estabilidade e aderência é alto. Já se for um carro popular, existe uma preocupação maior com conforto e durabilidade, sem perder um ponto ideal de estabilidade. Mas seja qual for o segmento tem um item que é igual para todos: a segurança”. O piloto destaca que os pneus devem ser submetidos a três níveis de testes: • VELOCIDADE BAIXAS DE COTIDIANO COM CONFORTO, DIRIGIBILIDADE E ESTABILIDADE DIRECIONAL • VELOCIDADES NO LIMITE DE ADERÊNCIA PARA AVALIAR O DESEMPENHO E SEGURANÇA • VELOCIDADES QUE EXTRAPOLAM O LIMITE PARA AVALIAR A CONTROLABILIDADE QUANDO EXISTE UMA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA EM PISO SECO E MOLHADO

Recentemente, a PneuFree colocou 13 grandes marcas de pneu em teste no Autódromo Internacional de Curitiba. Dois pilotos avaliaram critérios como tração, aderência, estabilidade, ruído, aderência, melhor volta, frenagem no seco e frenagem no molhado. Os resultados estão site www.pneufree.com.br/teste. PararFleetReviewMagazine

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DR. CARLOS RESPONDE

A correta aplicação de penalidades trabalhistas

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análise de fatos que geram infrações trabalhistas no dia a dia demandam um significativo grau de subjetividade. Ou seja, o gestor naquele momento tem que interpretar a gravidade do ato e agir como juiz e executor da decisão tomada. Se na aplicação dessa prerrogativa, que lhe é dada pela lei, ele for muito tendencioso ou agir com “rigor excessivo”, pode vir a ter problemas com a Justiça do Trabalho que, além de anular a punição, pode, em casos mais extremos, até determinar uma indenização por danos morais ao colaborador. Diante desse cenário, é muito importante que o gestor conheça os princípios básicos para a aplicação das penalidades trabalhistas, as quais, se usadas corretamente, constituem-se num significativo instrumento de disciplina e uniformização do trabalho. É importante saber que o fundamento para a aplicação de sanções trabalhistas encontra-se no art. 482 da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. Para aqueles que desejarem ler o texto da lei (o que consideramos bastante útil) é oportuno salientar que, a despeito de constar escrito “constituem justa causa para a rescisão do contrato...”, o texto relata nesse artigo todas as hipóteses de falta grave, sendo que a demissão por justa causa seria apenas a mais extrema das penalidades trabalhistas aplicáveis, aquela que somente deve ser utilizada como último recurso. Vamos ilustrar um pouco essa afirmação: a alínea “e” do art. 482 relaciona como uma das hipóteses de falta grave a “desídia no desempenho das respectivas funções”. Pois bem, por desídia devemos entender qualquer comportamento que demonstre desleixo, negligência, falta de atenção, preguiça, etc.; dentro desse contexto bastante amplo, poderíamos classificar, por exemplo, a

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 Dr. Carlos Tudisco: especialista em direito corporativo e gestão de frotas.

falta de pontualidade (atraso) como falta grave, porém, claro, não poderíamos utilizar um pequeno atraso de um colaborador que tem anos de empresa, para justificar a aplicação de uma demissão por justa causa. Numa situação dessas, mais correto seria uma advertência verbal ou, no máximo, por escrito. Mais do que isso a Justiça do Trabalho poderia considerar rigor excessivo, determinando a anulação da penalidade. Portanto, a análise dos fatos com base na razoabilidade e na proporcionalidade, dois princípios gerais de direito, é uma premissa fundamental. A escolha da penalidade a ser aplicada deve obedecer a uma sequência que leva em conta a gravidade e as reincidências do ato cometido. Nesse cenário, o gestor tem à sua disposição: a advertência verbal, a advertência por escrito, depois, a suspensão do trabalho sem remuneração por períodos que podem variar de 1 até 30 dias e, por fim, como último recurso, a demissão por justa causa. Havendo reincidência nas infrações cometidas, as penalidades devem gradativamente aumentar sua progressão. Vale dizer que não é permitido pelo direito brasileiro a aplicação de multas (ressalvado no âmbito A análise dos esportivo), nem transferências ou rebaixamento de função fatos com base na como forma de punição. razoabilidade e na Quanto à reincidência, utilizando o mesmo exemplo proporcionalidade anterior da falta de pontualidade, ou seja, atrasos, devemos é uma premissa considerar que um atraso de 10 minutos não ensejaria por si só fundamental de imediato uma demissão por justa causa (a não ser naquelas


Outro pressuposto cuja observância é necessária para a correta aplicação da penalidade é a imediatidade funções em que o rígido cumprimento do horário seja imprescindível). Porém, se após recebida uma advertência verbal, o fato torna a se repetir, recebe uma advertência por escrito, repete o atraso, recebe então uma suspensão de 1 dia, e mesmo assim há reincidência do fato, o colaborador recebe uma suspensão de 2 dias e então estará consolidado o caminho para uma demissão por justa causa. Se for observada a proporcionalidade, podemos afirmar que o ex-empregado teria muita dificuldade em reverter na Justiça do Trabalho tal demissão.

DUAS OBSERVAÇÕES: 1 O mesmo critério deve ser usado para todos os colaboradores. Não podem coexistir “dois pesos e duas medidas” 2 Para que se caracterize reincidência, as infrações devem ter a mesma natureza Há, porém, situações que dispensam essa gradação progressiva. Em uma situação gravíssima, por exemplo, na qual o colaborador é flagrado cometendo fraude, tal como o furto de combustível ou de mercadoria, autoriza-se a aplicação da dispensa por justa causa imediatamente, pois, não seria razoável nem plausível que o empregador fosse obrigado a manter no seu quadro de pessoal alguém que quebrou totalmente a confiança necessária para o desempenho da sua função. Outro pressuposto cuja observância é necessária para a correta aplicação da penalidade é a imediatidade, ou seja, deve ser aplicada imediatamente após o conhecimento do fato que originou a punição (advertência, suspensão, justa causa). Isso, pois, se a empresa teve conhecimento de um fato grave e não aplicou a penalidade, a justiça interpretará que houve o que se denomina “perdão

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tácito”, ou seja, pressupõe-se que a empresa perdoou o ocorrido, “aproveitando-se” do fato no futuro para justificar o desejo de demiti-lo. Deve-se levar em conta também que cada falta só pode receber uma única punição. Isso quer dizer que não se pode aplicar uma suspensão e, depois de algum tempo, rever essa penalidade para decidir que o colaborador deve ser demitido por justa causa. Assim, levando-se em conta toda a complexidade e subjetividade envolvida na aplicação da penalidade trabalhista, não consideramos boa técnica que o empregador tente, seja através do contrato de trabalho, seja através da Política de Frota, estabelecer de forma objetiva qual sanção deve ser aplicada para cada situação prática. Tomemos como exemplo a questão das multas de trânsito. Simplesmente não se pode querer punir com uma advertência a primeira infração cometida, sendo que em um dos casos uma multa pode decorrer de não sinalizar com a seta uma curva e em outro decorrer de dirigir embriagado. Seria uma grave afronta ao princípio da proporcionalidade. Portanto, querer prever todas as situações que podem surgir para consigná-la em norma ou contrato interno, além de ter pouco efeito prático perante a Justiça do Trabalho, que vai analisar o fato frente à punição dada, seria um trabalho praticamente inviável do ponto de vista prático. Resumindo, são pressupostos básicos da aplicação da penalidade trabalhista: a) a ocorrência de fatos que se enquadrem no art. 482 da CLT; b) uma análise criteriosa da gravidade do fato, levando-se em conta a razoabilidade e a proporcionalidade na escolha da punição que se deseja aplicar; c) aplicar a penalidade imediatamente após o conhecimento ou a apuração do fato cometido pelo colaborador; d) manter em arquivo todas as provas possíveis do fato (testemunhos por escrito, documentos, filmagens, etc. – lembrando-se que em direito, via de regra, quem afirma tem o dever de provar). Por tudo isso, aconselha-se que a aplicação de penalidades trabalhistas sejam analisadas em conjunto pelo gestor responsável, pelo departamento de Recursos Humanos e pela assessoria jurídica da empresa. Assim, como já citado, esse recurso torna-se um importante instrumento à disposição do empregador, evitando-se arbitrariedades e passivos com a Justiça do Trabalho. 

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III CONFERÊNCIA GLOBAL PARAR

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Os melhores momentos da III Conferência Global PARAR, o maior evento sobre gestão de frotas leves da América Latina. Evento que engajou e mobilizou profissionais em torno de um mesmo propósito. Quem participou, saiu motivado a ser um agente transformador e fazer a diferença em suas corporações.

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III CONFERÊNCIA GLOBAL PARAR

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Personalidade do Ano Alejandro Furas

Onde ainda precisamos avançar De acordo com Alejandro Furas, para que a segurança dos veículos fabricados na América Latina chegue ao nível recomendado pela ONU, os seguintes itens devem ser obrigatórios:       

Controle de Estabilidade Eletrônico Norma de batida lateral Norma de proteção para pedestres Norma de proteção para cintos de segurança ISOFIX (sistema seguro para a instalação da cadeirinha) Norma de freios Norma de proteção de pescoço no caso de batida traseira

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Segurança não é algo com o que se joga ou aposta O SECRETÁRIO GERAL DA LATIN NCAP, ALEJANDRO FURAS, CONTA MAIS SOBRE SUA TRAJETÓRIA E ENVOLVIMENTO COM A SEGURANÇA

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ma das principais vozes na luta para incentivar a produção de carros mais seguros na América Latina, Alejandro Furas soma conquistas e avanços à frente da Latin NCAP - Programa de Avaliação de Veículos Novos para América Latina e o Caribe. Formado em Engenharia Mecânica e Industrial pela Universidade da República, no Uruguai, Furas começou sua carreira como engenheiro de uma equipe de competição local. De acordo com ele, o espírito do grupo era de não comprar nenhuma tecnologia, e sim desenvolver suas próprias inovações. Eles criaram desde o conceito e o desenvolvimento de soluções de fluxometria, injeção eletrônica, telemetria, motores e amortecedores, e chegaram até a produção de carros de rally que foram fabricados em série, em mais de 400 unidades, em toda a região. “Ganhamos vários campeonatos regionais e nacionais e, em paralelo, estive a cargo de um projeto de produção de biodiesel com microalgas na Universidade da República”, contou Furas. Depois de 10 anos na equipe, ele percebeu que gostaria de voltar seu conhecimento para algo que pudesse fazer a diferença na sociedade. Foi aí que, em 2008, tornou-se engenheiro de projetos da EDUCAR, uma iniciativa da FIA Foundation, Banco Mundial e Fundação Gonzalo Rodríguez para melhorar a segurança das crianças nos veículos fabricados na América Latina. “Ajudamos a desenvolver um ônibus escolar seguro, com cintos de três pontas e assentos especiais para crianças de 5 a 18 anos”, revelou.

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Já, em 2009, Furas passou a fazer parte da equipe que montou a Latin NCAP, e desde então tem sido responsável pela seleção, aquisição, transporte, testes e inspeção dos veículos, bem como reuniões de pós-acidente e publicação dos resultados. “Não só tive a honra de trabalhar na Latin NCAP como também, por meio da Global NCAP, ajudei a desenvolver a Asian NCAP e o projeto de carros mais seguros na Índia”, ressaltou Furas. Em 2011, o engenheiro ainda se tornou membro da equipe da Global NCAP, como diretor técnico, e foi escolhido para ser o delegado da Global NCAP no World Forum for Harmonization of Vehicle Regulations (WP29), promovido pela ONU. Nesses anos de experiência com o setor automotivo, Furas aprendeu que a segurança não é algo com o que se joga ou aposta. “Um erro de segurança pode significar a vida de alguém ou lesões permanentes. Aprendi que a dor não é só da vítima, mas de todos que a rodeiam e é por eles também que se deve olhar para a segurança com muita atenção. Se algo estava errado ou era de má qualidade, provavelmente, não haverá outra oportunidade para testar ou tentar algo novo”.

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SEGURANÇA NA AMÉRICA LATINA Durante a entrevista, Furas revelou que tem se surpreendido com a lentidão do sistema político da América Latina em adotar as normas da ONU, recomendadas pela Global NCAP, e que na Europa já estão em vigor há mais de 20 anos. “Preocupa-me a demora dos governos e políticos de entender que enquanto não exigirem elementos de segurança mais eficientes, eles estão fazendo um favor às montadoras, já que as mesmas podem vender os equipamentos de segurança como opcionais e cobrar mais por isso”. Na visão do engenheiro, as decisões dos gestores de frota podem pesar de forma notável no mercado, impulsionando mu-

Últimos resultados da Latin NCAP

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Latin NCAP encerrou 2015 com um número recorde de veículos testados e os resultados mostram que o órgão está impulsionando avanços importantes em segurança veicular na América Latina. “Tivemos o prazer de encerrar o ano com a maioria dos principais fabricantes de veículos mostrando estratégias para conseguir veículos mais seguros, que levam em conta os resultados da Latin NCAP e escutam a voz dos consumidores”, destacou Alejandro Furas. Já María Fernanda Rodríguez, Presidente da Diretoria da Latin NCAP, reforça que os governos têm provas suficientes para confiar que os fabricantes contam com os elementos necessários para nos oferecer o mesmo nível de segurança proporcionado em outros mercados. “Apenas com regulações técnicas é que se democratiza a segurança, gerando uma concorrência justa entre as empresas, e, o mais importante, protegendo a população”, disse. Confira os resultados divulgados pela Latin NCAP:

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CARRO

Jeep Renegade Seat Leon ST Honda HR-V Toyota Hilux (Argentina) Honda HR-V Volkswagen Golf Honda Fit Honda City Toyota RAV4 Ford Focus III Seat Leon ST Toyota Corolla Toyota Hilux (Tailândia) Volkswagen Jetta / Vento Volkswagen UP Volkswagen Vento Mitsubishi Montero Sport Ford Ecosport com Airbag Duplo (desde ago. 2013) Ford Fiesta com Airbag Duplo Honda City com Airbag Duplo Hyundai Creta FIAT New Palio Chevrolet Cruze LT Ford Ecosport com Airbag Ford Focus Hatchback Ford KA Hyundai HB 20 com Airbag Duplo (desde ago. 2013) Volkswagen Polo Peugeot 208 Nissan Versa Nissan Tiida Sedã Renault Duster Citroën C3 Renault Fluence Suzuki Celerio Toyota Etios

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Fonte: Latin NCAP. Informações completas em www.latinncap.com


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PERSONALIDADE DO ANO Alejandro Furas

danças profundas. “Vejo claramente que as decisões por carros com pouca segurança são tomadas majoritariamente pelos próprios latino-americanos. Nesse sentido, seria muito importante que os gestores incluíssem em sua Política de Frota a compra de carros 5 estrelas, ou seja, com avaliação máxima de segurança”. Além da pressão exercida pela própria sociedade, o poder público deve somar esforços para que as montadoras aumentem a segurança dos veículos da América Latina. De acordo com Furas, os governos devem estar dispostos a arcar com os custos para que se fabrique veículos mais seguros, uma vez que oferecer incentivo fiscal aos carros que cumprem as normas de segurança, aceleraria a mudança no mercado local. 

Volkswagen Fox Nissan March Chevrolet Malibu Nissan Tiida Hatch com Airbag Duplo Toyota Corolla XEI Volkswagen Clássico (BORA) Chevrolet Onix Fiat New Palio com Airbag Duplo Fiat Palio ELX 1.4 com Airbag Volkswagen GOL TREND 1.6 com Airbag Chevrolet Meriva GL Plus Nissan Tiida Hatch com Airbag Motorista Hyundai HB 20 com Airbag Duplo Suzukik Swfit Peugeot 207 Compact 5P 1.4 com Airbag Nissan March com Airbag Duplo Ford KA Fly Viral Chevrolet Celta sem Airbag Peugeot 207 Compact 5P 1.4 sem Airbag Fiat Novo Uno Evo sem Airbag Fiat Palio ELX 1.4 sem Airbag JAC J3 Renault Sandero Volkswagen GOL TREND 1.6 sem Airbag Chevrolet Corsa sem Airbag Suzuki Alto K10 Chevrolet Aveo Hyundai Grand i10 Chevrolet Agile sem Airbag Chevrolet Spark sem Airbag Fiat New Palio sem Airbag Geely CK 1 1.3 Nissan Tiida Sedan Renault Clio MIO Chery IQ LIFAN 320 Nissan Tsuru / Sentra B13 sem Airbag

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O PRIMEIRO BRASILEIRO CERTIFICADO PELA NAFA Luiz Claudio Souza, Gerente de Canais e Alianças Estratégicas da GolSat, entra para a história como o primeiro gestor certificado pela Associação Norte Americana de Frotas sucesso exige três estágios: aprender, agir e compartilhar”. A declaração de Luiz Claudio Souza, Gerente de Canais e Alianças Estratégicas da GolSat, é reflexo de uma trajetória profissional pautada pelo conhecimento, determinação e uma vontade de fazer a diferença. Essas características impulsionaram-no a alcançar um feito histórico. Souza foi aprovado no exame da Associação Norte-Americana de Frotas (NAFA) e é o primeiro brasileiro a receber a certificação CAFS (Certified Automotive Fleet Specialist), uma das mais importantes acreditações do mundo disponíveis na área de gestão de frotas. Depois de quase um ano de estudos, com um planejamento rigoroso para a leitura, pesquisa e revisão dos conteúdos, ele obteve um bom desempenho na prova, o que lhe rendeu essa conquista, até então inédita para profissionais que atuam fora dos Estados Unidos e do Canadá. “Desde o início, sabia que seria um desafio muito grande, pois o cenário norte-americano é muito diferente da realidade de vivenciamos no Brasil. Eles estão alguns anos na nossa frente. Lá os gestores são responsáveis por todo o processo que envolve a frota, assumindo tarefas que aqui, via de regra, terceirizamos. A prova exige um conhecimento muito específico sobre cada etapa da gestão”, explicou. De acordo com ele, ter realizado a prova logo após a III Conferência Global PARAR, foi determinante para que ele conseguisse aplicar tudo o que vinha estudando. “Fui para a prova muito confiante, pensando na energia positiva e palavras de apoio que recebi na Conferência. Divido essa conquista com o time da GolSat e do PARAR, que me ajudaram durante todo esse processo.

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Espero poder compartilhar o que aprendi nesses últimos meses e contribuir para a transformação do nosso setor”. Luiz Claudio Souza é professor do PGF – Primeiro Programa para Gestores de Frota do Brasil – e responsável pelo novo módulo de Gestão Operacional. O próximo passo, segundo ele, é conseguir a CAFM (Certified Automotive Fleet Manager), o nível mais alto de certificação da NAFA. 

Desde o início, sabia que seria um desafio muito grande, pois o cenário norte-americano é muito diferente da realidade de vivenciamos no Brasil.

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BRASIL: POUCOS ACIDENTES DE TRÂNSITO (!)  Por J. Pedro Corrêa: consultor em segurança no trânsito

e alguém perguntasse a você, gestor de frota, quantos acidentes de trânsito ocorrem anualmente no Brasil, que resposta você daria? Eu sugiro: “muito poucos, raros”. Claro que isso provavelmente surpreenderia seu interlocutor – e espero que não a você, que já está calejado de receber relatórios sobre danos físicos, materiais com veículos da sua frota envolvidos em colisões, choques, tombamentos, atropelamentos, etc. A explicação é simples: a maioria absoluta do que chamamos de “acidentes de trânsito” não é acidente e deveria ser conhecido por outros nomes. Por exemplo: quando você dirige em velocidade acima do limite permitido e choca-se com algum obstáculo, você não teve um “acidente”, você acaba de causar uma colisão; se você fura um sinal vermelho e destrói outro veículo, você não teve um “acidente”, você acaba de provocar um choque; se você bebe e dirige e “encontra” uma árvore no seu caminho, você estava bêbado(a) e chocou-se com uma árvore. Claro, se está ao volante e digitando mensagem no celular e enfrenta um obstáculo, você não levou azar, mas incorreu num ato de inconsequência e/ou irresponsabilidade e provocou um evento de alcance impensável.

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Acidente, segundo o dicionário é “o que é casual, fortuito, imprevisto” e as situações relatadas há pouco não significam isto, embora a maior parte da (nossa) sociedade continue achando que é

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Acidente, segundo o dicionário é “o que é casual, fortuito, imprevisto” e as situações relatadas há pouco não significam isto, embora a maior parte da (nossa) sociedade continue achando que é. É disso que quero falar neste artigo. Chamar sua atenção e incentivá-lo a compartilhar esses argumentos. Entendo ser este um papel importante entre as muitas atribuições do gestor de frota ou mesmo executivo de empresas que tenham (ou não) uma frota para monitorar. Vivemos boa parte do tempo achando que os chamados “acidentes de trânsito” eram obra do destino ou vontade de Deus, crendice que, felizmente, está praticamente extirpada embora ainda se veja aqui ou ali alguns em alguns pontos do país. Uma vez eliminada essa crença nociva, pois não contribui para o esclarecimento da população, está na hora de partir para o próximo passo que será de tentar acabar com o conceito do “acidente de trânsito”, tal como hoje a sociedade o percebe. É um trabalho de gigante num país gigante por natureza. Começa pelo tamanho do país, pela distribuição geográfica da população, pela dificuldade de “conversar” com ela, passando pelo baixo nível de educação básica, pela fala de cultura de segurança. Como se isso não fosse pouco, observa-se uma total inapetência das autoridades do setor em lidar com o assunto, seja por desconhecimento de como se faz isso ou, o que é mais provável, por falta de prioridade aos assuntos de segurança no trânsito, tão comum no país nessas últimas décadas. Esse tema me inquieta há muitos anos e não percebo sinais de preocupação por parte de quem comanda o comando. Saúdo, assim, o Instituto PARAR por provocar o assunto e espero que ele consiga estimular um debate oportuno, necessário, esclarecedor e que, sobretudo, seja capaz de jogar uma luz sobre nossa população para tirá-la da escuridão em que se encontra. Vamos continuar o debate? 

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países pararam para ouvir o PARAR

 Rogério Nersissian, conselheiro do PARAR; María Seguí Gómez, diretora-geral de trânsito da Espanha; Renard Aron, diretor sênior de relações governamentais do grupo Johnson & Johnson; Jack Hanley, diretor executivo da Rede de Empregadores para Segurança no Trânsito; Tatiana Mihailova, gerente de projetos do Automóvel Clube da Moldávia (ACM); Professor Anders Lie, especialista em segurança viária da Administração Viária da Suécia; Jacques Marmy, engenheiro da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU); David Ward, secretário-geral da Global NCAP e ex-diretor da FIA Foundation; e Flavio Tavares, PARAR Leader.

o dia 19 de novembro de 2015, o Instituto PARAR deu um passo muito importante em sua história. Foi nessa data que uma plenária lotada, composta por representantes de mais de 120 países, parou para escutar Flavio Tavares, um dos fundadores do PARAR, contar a trajetória do Instituto, sua luta pela segurança viária e o envolvimento com um propósito que tem como principal valor salvar vidas. O momento aconteceu na II Conferência Global da ONU sobre Segurança no Trânsito, evento organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), agência designada pela ONU para liderar os esforços no campo de segurança no trânsito, junto com suas representantes regionais, como a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) no Brasil. Durante dois dias, especialistas do mundo todo estiverem reunidos em Brasília para debater o trânsito e quais ações podem ser fomentadas para reverter esse cenário preocupante. O evento tinha como objetivo auxiliar as nações a alcançarem a meta, proposta pela Década de Ação pela Segurança Viária, de redução do número de acidentes com morte em 50% até 2020.

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Para Flavio Tavares, “foi uma honra participar do evento e discutir, com representantes de mais de 120 países, um tema que para nós é prioridade. Falar em segurança e, mais especialmente, em cultura de segurança, significa colocar a vida em primeiro lugar. Esse é o propósito do PARAR e poder compartilhar essa causa com outras instituições do mundo que também acreditam nisso é um passo muito importante para que a redução de mortes e acidentes de trânsito esteja na pauta prioritária dos países”. Na ocasião, Ricardo Imperatriz e Flavio Tavares, líderes do Instituto PARAR, tiveram a oportunidade de entregar nas mãos de David Ward, secretário-geral da Global NCAP, uma declaração de compromisso com a segurança assinada por 10 grandes empresas brasileiras. A declaração traz uma série de ações para transformar a realidade da gestão de frotas no Brasil e indicar o caminho para a implantação de um trânsito mais seguro para todos.

Flavio Tavares — ­ "Falar em segurança e, mais especialmente, em cultura de segurança, significa colocar a vida em primeiro lugar. " nnnnnnnnnnnnnnnn

Declaração de compromisso com a segurança entregue nas mãos de David Ward, secretário-geral da Global NCAP nnnnnnnnnnnnnnnn


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STOP THE CRASH NO BRASIL urante a visita à Brasília, os líderes do Instituto PARAR, Ricardo Imperatriz e Flavio Tavares, também se juntaram a gestores de frota e alguns dos conselheiros do PARAR para participar do lançamento da campanha Stop The Crash, promovida pela Global NCAP, no Brasil. O grupo teve a oportunidade de adquirir ainda mais conhecimento sobre as três principais tecnologias de prevenção de acidentes (ESC, AEB e ABS) e de segurança dos pneus, através de uma série de demonstrações práticas, que puderam ser acompanhadas ao vivo. “Foi a primeira vez que a Stop The Crash foi realizada no Brasil e é uma oportunidade única para o PARAR. Não mediremos esforços para que os conhecimentos adquiridos sejam disseminados a todos os gestores associados ao Instituto”, afirmou Imperatriz.

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OBRIGATORIEDADE DO ESC Um dos principais objetivos da Global NCAP é motivar as autoridades públicas a exigirem o Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC) nos carros. Considerado como o desenvolvimento de segurança veicular mais importante desde o cinto de segurança, o sistema será obrigatório em carros no Brasil, a partir de 2020 para modelos inéditos e a partir de 2022 para todos os veículos 0 km. A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão máximo do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) em dezembro do ano passado. De acordo com pesquisas solicitadas pela Global NCAP, 34 mil vidas brasileiras poderiam ter sido salvas e 350 mil lesões graves poderiam ter sido evitadas, se a normativa de segurança veicular da ONU, incluindo os sistemas ESC, já tivesse sido adotada. 

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Grupo, liderado pelo Instituto PARAR, teve a oportunidade de acompanhar demonstrações práticas de como funcionam as principais tecnologias de segurança veicular

 Grupo teve a oportunidade de adquirir mais conhecimento sobre tecnologias de segurança veicular


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TRÂNSITO: O PROBLEMA NÃO É A LEI, É SEU CUMPRIMENTO

Por Luiz Flavio Gomes, jurista, empreendedor na área do ensino de qualidade e presidente do Instituto Avante Brasil acordo com o relatório Global Status Report On Road Safety 2015, da Organização Mundial da Saúde (OMS), houve 1,25 milhões de mortes no trânsito rodoviário em nível mundial em 2013 (maior patamar desde 2007). Quase 50 mil ocorreram no Brasil (23,4 mortes para cada 100 mil habitantes), onde 81% das pessoas acham que é muito fácil descumprir as leis (pesquisa da FGV). Ao contrário de muitos países com altas taxas de mortalidade no trânsito, o Brasil é respaldado por uma legislação adequada em quase todos os quesitos recomendados pela OMS, se assemelhando, em termos de legislação, com os países de renda alta, que apresentam uma taxa de mortalidade no trânsito baixa. O Brasil é o único país dentre os dez maiores do mundo que segue quatro das cinco boas práticas propostas pela OMS para reduzir o número de mortes no trânsito. Singapura, uma cidade-estado com cerca de 5 milhões de habitantes e uma legislação bastante dura com relação à posse de automóveis de passeio registrou, em 2013, uma taxa estimada pela OMS de 3,6 mortes a cada 100 mil habitantes (contra 23,4 do Brasil). Conhecido pela execução de suas duras leis, se comparado com o Brasil possui leis ainda mais leves, como a quantidade de álcool permitida na direção, a não restrição de crianças no banco da frente e o uso da mão livre ao se falar no telefone enquanto está no volante. Contudo, em todas as leis aplicadas teve nota maior no cumprimento delas, além de uma menor velocidade permitida, tanto no meio urbano como nas rodovias.

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ANOMIA E ANAXIA O problema do Brasil não é elaborar leis e, sim, a execução (a efetividade) delas. A Lei Seca, por exemplo, foi endurecida duas vezes desde sua criação (2008), e o que vimos foi uma queda momentânea do número de mortes no trânsito logo após ser reformada, seguida de aumento no ano seguinte, por falta de acompanhamento e cumprimento dos procedimentos necessários para que a lei fosse efetiva. O descumprimento da lei decorre, desde logo, de dois fatores: da falta de fiscalização efetiva por parte do poder público e da carência de predisposição dos motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas para o império da lei. A crise do império da lei é muito grave nesses países de baixa formação ética e de cidadania. Quais são os valores do cidadão médio brasileiro? Amor aos filhos, que se estende muitas vezes aos pais; lhaneza, hospitalidade e cordialidade com os amigos e senso de proteção de algum parente ou partidário. Mas não o move seguramente valores coletivos, como a preservação da natureza e dos recursos naturais, o respeito devido aos trabalhadores e às pessoas em geral, o respeito ao trânsito, o amor à pátria ou o respeito ao bem comum. Nisso reside a anaxia (= ausência de valores coletivos). O êxito econômico (crescimento), sem valores coletivos nem tampouco posturas éticas individuais, é o norte catalizador dos esforços do cidadão médio. O conceito corrente de dignidade está atrelado não ao ser humano, sim, ao ser econômico (ou política ou socialmente) poderoso.


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OS CRITÉRIOS DE BOAS PRÁTICAS SUGERIDOS PELA ONU  VELOCIDADE: Lei Nacional de Velocidade, limite de velocidade urbana de 50 km/h e poder para que as autoridades públicas locais possam modificar os limites de velocidade nacionais;

LEGISLAÇÃO E EFICÁCIA Dos dez países mais populosos (China, Índia, EUA, Indonésia, Brasil, Paquistão, Nigéria, Bangladesh, Rússia e Japão), apenas cinco possuem a legislação de boas práticas recomendada pela OMS para diminuir as mortes no trânsito (velocidade, beber e dirigir, uso de capacetes, uso do cinto de segurança e cadeirinha infantil). E dentro das recomendações apenas um país, o Brasil, contempla quatro dos cinco compromissos. A maioria dos países apenas segue dois ou três critérios. Conforme a OMS, leis fracas nos dez países mais populosos do mundo, colocam 4,2 bilhões de pessoas em risco. Esses países são responsáveis por 56% das mortes no trânsito no mundo (703 mil em 2013). Nenhum desses países têm leis que incluem todos os cinco fatores de risco, em conformidade com as melhores práticas. Caso esses países alinhassem suas leis de segurança rodoviária com as melhores práticas e aplicassem-na de forma adequada, haveria um enorme potencial para salvar vidas e reduzir as lesões resultantes dos acidentes de trânsito. Uma análise da legislação desses países aponta que nenhum dos dez países satisfaz os critérios de melhores práticas em todos os fatores de risco, que atualmente são cinco; nenhum deles respeita a recomendação da legislação para a velocidade; apenas dois países cumprem os critérios de melhores práticas sobre beber e dirigir, o que representa 1,6 bilhão de pessoas; três países, que representam 470 milhões de pessoas, têm leis relacionadas ao uso de capacetes; cinco países têm leis em relação ao cinto de segurança que correspondem às melhores práticas, o que representa 3,1 bilhões de pessoas; apenas dois dos dez países têm leis de retenção para crianças, o que asseguraria 340 milhões de pessoas. 

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 BEBER E DIRIGIR: Lei Nacional sobre bebida e direção; lei baseada no teor alcoólico consumido; teor alcoólico permitido menor que 0.05g/dl; teor alcoólico para jovens motoristas menor que 0.02g/dl;  CAPACETES PARA MOTOCICLETAS: Lei Nacional obrigando uso de capacetes, Lei aplicada a todos os motoristas e passageiros adultos, Lei aplicada a todos os tipos de vias, e a todos os tipos de máquinas, obrigatoriedade de fecho no capacete e que ele seja adequado aos padrões internacionais, obrigatoriedade de uso em passageiros crianças;  CINTO DE SEGURANÇA: Lei Nacional que obriga o uso aplicada tanto ao motorista, como passageiros na frente e atrás;  ASSENTOS INFANTIS: Lei Nacional baseada no peso e idade ou numa combinação desses fatores, restrição de crianças até certa idade se sentarem no banco frontal.

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NEM POR 01 SEGUNDO Em novembro, nenhum motorista da Castrol ultrapassou a velocidade máxima de 120 km/h

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meta da Castrol de zero acidentes pode, para muitos, parecer algo distante ou até mesmo impossível, mas um resultado alcançado recentemente mostra que a companhia está no caminho certo. Em novembro, nenhum motorista da Castrol ultrapassou, nem por 1 segundo, a velocidade máxima de 120 km/h. O feito é consequência de um Programa de Direção Defensiva sólido, implantado junto com outras ações que ajudam a disseminar a cultura de segurança para todos os colaboradores. Desde janeiro de 2007, esse Programa monitora carros, através da telemetria, e um deles é a velocidade. “Qualquer ultrapassagem de velocidade, mesmo sendo de 1 ou 2 segundos, já determina que o motorista está ultrapassando a velocidade. Então, estamos falando de parâmetros bem difíceis de atingir”, explica Gustavo Benegas, diretor de saúde, segurança e meio ambiente da Castrol Brasil. O limite de 120 km/h foi determinado porque essa é a velocidaQualquer ultrapassagem, de máxima permitida no Código mesmo de 1 ou 2 Brasileiro de Trânsito, porém, os motoristas recebem orientação segundos, já determina para que respeitem a máxima da que o motorista está via por onde estão circulando. Atualmente, a Castrol conta com ultrapassando a 40 condutores percorrendo todo velocidade. Então, estamos o Brasil. Para Benegas, o primeiro passo para se atingir essa consfalando de parâmetros cientização e atitude por parte dos colaboradores é estabelecer bem difíceis de atingir.

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regras claras, tanto através do treinamento, quanto formalizadas na Política de Frota. “Outra coisa muito importante é que a segurança é mais uma variável do nosso negócio. Os gerentes de vendas, por exemplo, além de ter que apresentar os números de vendas, precisam apresentar números de segurança”. Além disso, sem o monitoramento, nenhuma dessas medidas faria sentido. “Desde 2008, temos um Programa de Reconhecimento de Bons Comportamentos, em que o motorista que dirige da forma correta, sem ultrapassar a velocidade, vai somando pontos e, ao final do ano, aquele que tiver acumulado mais pontos, será considerado o Motorista do Ano", explica o diretor. Por outro lado, a Castrol também possui um Programa Disciplinar. Aqueles motoristas que dirigirem de forma insegura, que apresentarem muitas multas ou que ultrapassarem a velocidade previamente acordada, passam por um processo de reeducação visando evitar a reincidência do erro. “Este processo pode contemplar uma advertência ou um novo treinamento.” revelou Benegas. O objetivo da Castrol com este Programa é manter em seu quadro de colaboradores e motoristas responsáveis ao volante. 


Gestores Conectados

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Top Five dos assuntos mais debatidos pelos gestores de frota Trezentos gestores de frota de todo o Brasil estão trocando informações, experiências e pesquisas em um grupo no Whatsapp, criado exclusivamente para fomentar o debate sobre os desafios encontrados no dia a dia da atividade. A partir de agora, a cada edição traremos uma lista com os 5 temas que geram mais dúvidas, comentários e discussões no grupo. Confira os destaques dessa edição:

POLÍTICAS DE FROTAS 2

ELABORAÇÃO DE BID 3

PEDÁGIO ELETRÔNICO E EMPRESAS DE PEDÁGIO 4

TELEMETRIA 5

PLANILHAS DE CONTROLE

COMO RECONHECIMENTO AOS PROFISSIONAIS QUE MAIS COMPARTILHARAM, TAMBÉM IREMOS, A CADA EDIÇÃO, DESTACAR OS GESTORES MAIS PARTICIPATIVOS. CONHEÇA QUEM SÃO ELES:

DARLENE AMARAL

MILENA BARROSO

VICTOR BORGES

FERNANDO PAZ

LAURA SCHUCH

ADILSON RAMOS

CARMEN MACHADO

EDREI CARRENHO

PAULO LIMA

MILTON FILHO

ANA PAULA ANDRADE

WESLEY FIGUEIRA

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GESTOR COM HUMOR

CUIDADO NA HORA DE REDUZIR CUSTOS

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Por Dorinho Bastos, cartunista, professor de comunicação da USP e conselheiro do PARAR


LocaLiza Gestão de Frotas: evoLuindo sempre para contribuir com o seu sucesso. A Localiza está celebrando uma conquista recente: fomos reconhecidos pelo Gartner* como a única empresa brasileira e uma das 13 do mundo referência em TI preparada para o “tsunami digital”: mobile, cloud, big data e “Internet das Coisas - IoT”. Evoluir cada dia mais: essa é a nossa maior motivação. converse com a gente. cuidamos da sua frota para você cuidar dos seus negócios.

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PARAR Fleet Review 7ª Edição  

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