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MEDO DE ERRAR IMPEDE INOVAÇÃO:

13ª EDIÇÃO / ABRIL 2018

7 passos importantes para resgatar a criatividade nas empresas. / pág. 26

MOBILIDAD E, T EC NO LO GIA E P R O P Ó S IT O

SUÍÇA: O BRASIL DE AMANHÃ?

LUGAR DE MULHER É…

Como a Suíça conseguiu revolucionar a dinâmica do transporte e se tornou referência para o mundo em mobilidade.

Conheça mulheres que estão desafiando as estatísticas e fazendo história na tecnologia.

pág. 32

pág. 12

DAS 8H ÀS 18H? Jornada flexível beneficia empresa e colaboradores, permite conciliar carreira com vida pessoal, além de perder menos tempo no trânsito.

pág. 40

Mobility is everything WTM18 coloca o ser humano no centro das discussões com três dias de imersão no berço da inovação em São Paulo. pág. 42


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featuredcontents

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INSIDE

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12 SUÍÇA: O BRASIL DE AMANHÃ?

08 WELCOME TOMORROW 2017

Como a Suíça conseguiu revolucionar a dinâmica do transporte e se tornou referência para o mundo em mobilidade.

20 INTELIGÊNCIA E INOVAÇÃO COMO

A Smart Mobility é a chave para revolucionar a mobilidade do mundo e torná-la mais ecológica, segura e econômica.

26 MEDO DE ERRAR IMPEDE INOVAÇÃO

Ainda minoria no setor, mulheres estão desafiando as estatísticas e fazendo história na tecnologia.

40 DAS 8H ÀS 18H?

Jornada flexível de trabalho beneficia empresa e colaboradores, que têm mais liberdade para conciliar carreira com vida pessoal, além de perder menos tempo no trânsito.

QUE ALIA TEORIA E PRÁTICA

O PGF agora é uma pós-graduação que alia conteúdo, tecnologia e aplicação prática.

MAT ÉR IA DE C APA

42 MOBILITY IS EVERYTHING

WTM18 coloca o ser humano no centro das discussões e oferece três dias de imersão no berço da inovação em São Paulo.

66 TAKES

Confira os melhores takes da WTM17, a quinta edição da Conferência Global PARAR, que reuniu mais de mil profissionais em dois dias de muito conteúdo, network e experiência.

68 GESTORES CONECTADOS

Top Five dos assuntos mais debatidos pelos gestores de frota.

48 AÇÃO E PROPÓSITO

70 GESTOR COM HUMOR

60 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CHEGA

interview

Quando nosso maior objetivo é viver uma vida com propósito, é preciso encontrar lugares e pessoas que façam sentido para nós.

PRIMEIRO ÀS EMPRESAS

Especialista defende que as novas tecnologias têm potencial para transformar o mundo a partir da automatização de tarefas manuais, assim sobra espaço para as relações humanas.

64 A ERA DO FUNCIONÁRIO-CLIENTE

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28 PGF 2018: PROFISSIONALIZAÇÃO

Especialista lista sete passos importantes para resgatar a criatividade nas empresas.

32 LUGAR DE MULHER É…

Flavio Tavares, diretor de marketing e vendas da GolSat e fundador do Instituto PARAR.

PARA O SETOR DE AUTOMÓVEIS

Principal proposta de mobilidade do governo para os próximos anos carrega vícios do passado.

Como foi o maior evento realizado pelo PARAR até hoje.

16 MOBILIDADE E QUALIDADE DE VIDA

CHAVE PARA O FUTURO

24 ROTA 2030, A PRÓXIMA CARTADA

Empresas antenadas já descobriram que colaborador motivado produz mais, fica menos doente e permanece mais tempo na companhia; veja os casos.

PararReviewMagazine

Por Dorinho Bastos, cartunista e professor de comunicação da USP.

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54 GERAÇÃO DO PROPÓSITO

Consultor defende a contratação de jovens de até 30 anos para que as empresas se mantenham atualizadas.


Edição 13 | Abril de 2018

tips & cases ————

18 “SALVAR VIDAS É O MAIS IMPORTANTE”

Para Ivan Gonçalves, responsável pelo projeto da Telemetria na BRF, a gestão da frota só faz sentido se o cuidado com a vida for o principal valor da Companhia.

nnn

EXPEDIENTE A PARAR Review é uma publicação do PARAR, veiculada por distribuição direta. Para recebê-la, envie um e-mail para atendimento@ institutoparar.com.br

50 O SPEED UP DAS STARTUPS

Ford Fund e Artemisia divulgam os negócios destaques no programa de aceleração de startups.

CONSELHEIROS Antonio Carlos Machado Junior, Dirceu Rodrigues Alves, Dorinho Bastos, Flavio Tavares, Gustavo Benegas, José Mauro Braz de Lima, Micael Duarte Costa, Milad Kalume Neto, Ricardo Imperatriz, Ricardo Makoto, Roberto Manzini e Rogério Nersissian.

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30 TERCEIRIZAÇÃO CONSCIENTE

Como a Ouro Verde, locadora com 26 mil veículos sob sua gestão, está conectando segurança, mobilidade e tecnologia para atender a nova geração de consumidores.

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62 DO ANALÓGICO AO DIGITAL

Em entrevista exclusiva, o novo country manager da Autorola, Marcelo Barros, falou sobre a desmobilização online dos carros.

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56 O PFC TE LEVA ALÉM

58 SÓ VOCÊ PODE MUDAR

Vencedor do prêmio PFC compartilha sua experiência com o curso e fala sobre suas expectativas para esse ano.

Por que é importante se conhecer, acreditar no seu potencial e fazer diferente.

JORNALISTA RESPONSÁVEL Karina Constancio conteudo@institutoparar.com.br COLABORAÇÃO Ana Luiza Morette, Beatriz Pozzobon, Loraine Santos, Pedro Conte e Pietra Bilek. PUBLICIDADE publicidade@institutoparar.com.br (43) 3315-9500 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Brand & Brand Comunicação brand.ppg.br IMPRESSÃO E ACABAMENTO Idealiza - idealizagraf.com.br. nnn

A Revista PARAR Review é uma publicação da empresa idealizadora do PARAR.

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Edição 13 | Abril de 2018

editorial Por Ricardo Imperatriz CEO da GolSat e PARAR Leader

SOBRE TEMPO, MOBILIDADE E VIDA

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omo já dizia Steve Jobs, “your time is limited”. Nosso tempo nessa vida é limitado, não temos espaço para desperdícios. No PARAR, nós acreditamos que perder tempo é perder vida. E, portanto, gastar horas e preciosos minutos no trânsito, tentando se mover para realizar suas atividades diárias, é colocar a sua vida e o seu tempo em segundo plano. Pare para refletir um pouco sobre o seu dia, quantos serviços estão roubando o seu tempo? Temos que ir ao banco e enfrentar filas enormes para ser atendido, precisamos levar o carro ao mecânico e lá se vão mais minutos de espera, chegou a hora de fazer a compra do mês e, adivinha, mais filas no supermercado. Além disso, estudos apontam que os problemas com equipamentos são responsáveis por 20% das reuniões que excedem a duração prevista. Ou seja, tempo sendo desperdiçado. Isso sem contar todos os minutos que perdemos somente em deslocamentos para realizar qualquer atividade nas cidades. Se você é de São Paulo, mora no Tatuapé e precisa sair todos os dias para trabalhar na região da Paulista, você sabe muito bem do que eu estou falando. E eu sei que, em maior ou menor proporção, também é assim em outros centros urbanos. Falar de mobilidade é essencialmente falar sobre tempo. Pesquisas mostram que a média de tempo que o brasileiro perde em cada deslocamento é de 2 horas. Fazendo uma conta rápida, somente com ida e a volta do trabalho, são 4 horas do dia perdidas. Em um ano, você está deixando 60 dias para trás. E, mais do que isso, está adicionando estresse e perdendo qualidade de vida. Quando chega uma nova tecnologia ou aplicativo com a proposta de solucionar esse problema, eles não estão apenas facilitando a

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PararReviewMagazine

nossa rotina, eles estão devolvendo mais tempo a nossa vida, ou melhor, adicionando mais vida ao nosso tempo. Abrindo espaço na sua agenda para que você possa gastar com o que realmente importa. Para passar mais tempo com a sua família, estudar, ir à academia ou para fazer qualquer outra coisa que você gosta e te faz mais feliz. E pode reparar que tudo isso que eu falei tem a ver com melhorar a vida das pessoas. Se os nossos principais pilares são a cultura de segurança (safe mobility) e a mobilidade inteligente (smart mobility), podemos falar que, na verdade, eles se resumem em apenas um valor: cuidar das pessoas. Elas são o principal ativo de qualquer companhia e a principal ferramenta de transformação de qualquer realidade. Se pudesse pedir para que você incluísse apenas um valor dentro da sua empresa, o valor seria esse. Precisamos de organizações mais humanas, porque isso vai significar cidades mais humanas e um mundo mais humano. Onde as pessoas estão no centro e ocupam o primeiro lugar nas prioridades. Convido você a ler as próximas páginas com isso em mente. Você vai perceber que vamos falar muito de tecnologia, mobilidade e empreendedorismo, mas sempre com esse viés mais humano. Espero que você tenha os insights necessários para fazer a diferença na sua realidade e não esqueça: cuidar do seu tempo é cuidar da sua vida e das pessoas que estão ao seu redor. Boa leitura!

RICARDO IMPERATRIZ

Precisamos de organizações mais humanas, porque isso vai significar cidades mais humanas e um mundo mais humano. Onde as pessoas estão no centro e ocupam o primeiro lugar nas prioridades."


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INSIDE Por Karina Constancio

Como foi o maior evento realizado pelo PARAR atĂŠ hoje

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PararReviewMagazine


Edição 13 | Abril de 2018

1.000

PESSOAS PRESENTES

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Fotos: © Freepik / Divulgação

urpreendente, emocionante, inesquecível". Essas foram algumas das palavras repetidas pelos participantes da Welcome Tomorrow 2017 (8 e 9/11) quando perguntados sobre o que tinham achado do evento. Parecem adjetivos difíceis de serem associados a um evento corporativo, que fala sobre mobilidade, futuro e tecnologia. Mas a quinta edição da Conferência Global PARAR não foi apenas um evento técnico. Discutiu-se sim (e muito) sobre as principais inovações que prometem revolucionar o amanhã da mobilidade no Brasil e no mundo, e sobre os desafios que o país enfrenta para entrar nessa onda disruptiva. Empresas, como Google, Uber e Embraer, vieram para compartilhar tudo o que estão fazendo para contribuir com essa transformação. Palestrantes nacionais e internacionais incentivaram os participantes a pensar fora da caixa. Mas, até aqui, estamos falando de conteúdo. E se tem uma coisa que o PARAR sempre valorizou é que conteúdo nenhum supera a experiência. A Welcome Tomorrow 2017 proporcionou momentos inesquecíveis que valorizaram o "tamo junto", que deixaram bem claro que o mais importante são as pessoas e que as empresas do novo mundo devem fazer do propósito de cuidar das pessoas o seu maior valor. É por isso que aqueles adjetivos do começo fazem tanto sentido para um evento como esse. São esses mesmos valores que estão motivando o PARAR a construir a Welcome Tomorrow 2018 (WTM2018) e fazer dela o maior evento do mundo para se discutir mobilidade (Leia mais na pg. 42). Confira os números da última edição e alguns dos melhores momentos. 

22h

DE CONTEÚDO

CONECTADAS NA TRANSMISSÃO ONLINE

7O

SPEAKERS

NACIONAIS E INTERNACIONAIS

35

22

EMPRESAS

EXPOSITORAS NA FEIRA DE NEGÓCIOS

STARTUPS

INOVADORAS NA STARTUP SHOW

300

C-LEVELS

REUNIDOS NO PUB COM PROPÓSITO

20 30

EMPRESAS COM CASES PREMIADOS

CITAÇÕES

NOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO

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Edição 13 | Abril de 2018

INSIDE Por Karina Constancio 1.

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3.

1. Eduardo Lyra (Gerando Falcões). 2. Rony Meisler (Reserva). 3. Simulador móvel da Navig. 4.

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4. Caco Barcellos (Rede Globo). 5. Flavio Tavares (PARAR Leader). 6.

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8.

6. Insights em desenhos em tempo real. 7. Walter Longo (Grupo Abril). 8. Plenária principal recebeu mais de 1 mil pessoas. 9.

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9. Tom Moore (Mandalah). 10. Cases premiados no 100 Best Fleets (Etapa PARAR Latin America).

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headline Por Ana Luiza Morette

O BRASIL DE AMANHÃ? Como a Suíça conseguiu revolucionar a dinâmica do transporte e se tornou referência para o mundo em mobilidade

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Edição 13 | Abril de 2018

Fotos: © Freepik / iStockphoto

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or muito tempo, ter um carro para ir ao trabalho, fazer compras, viajar, ou até para ficar parado na garagem, foi um sinal de status e de luxo no Brasil. Famílias com dois ou três carros eram admiradas por seus vizinhos e familiares. Nessa admiração, não eram levadas em conta as horas no trânsito, o dinheiro gasto com manutenção, as multas, a dificuldade para estacionar, a falta de segurança ou os danos ao meio ambiente. Diante dessa realidade, com tantos contras em relação às vantagens de ter um carro, a Suíça repensou a dinâmica da mobilidade, a fim de criar um novo mindset sobre o uso dos carros e a posse consciente. A iniciativa foi dos próprios governos federais e estaduais, que criaram medidas estritas para regulamentar o uso de carros no país. Em Zurique, a maior cidade da Suíça, as multas por excesso de velocidade eram de cerca de 6 mil reais e, em casos de reincidência, poderia chegar a até 24 mil reais. O estacionamento ilegal também passou a ser punido de forma mais estrita, fazendo com que o infrator pagasse até 2,5 mil reais por dia estacionado. Além disso, repenA partir de 2016 houve sar a posse do carro e um investimento massivo o uso dos serviços de nas linhas de transporte mobilidade era essenpúblico, tornando-as mais cial para uma mudança confortáveis e seguras, de mentalidade. Diante disso, a partir de 2016 incentivando os cidadãos a houve um investimentrocarem seus carros to massivo nas linhas pelas opções coletivas. de transporte público, tornando-as mais confortáveis e seguras, incentivando os cidadãos a trocarem seus carros pelas opções coletivas. Nesse plano, quase 12 bilhões de reais foram investidos. Para que o transporte público funcionasse de forma ainda mais efetiva, era preciso mais espaço, ou seja, melhorar a infraestrutura. No entanto, uma obra desse porte custaria muito tempo e muito dinheiro. Pensando nisso, o governo suíço criou planos para utilizar de uma forma melhor o espaço já existente. Os transportes públicos, como o BRT, passaram a circular em uma via exclusiva, que conseguia evitar os congestionamentos e facilitar o deslocamento dos usuários. Um critério que pesava quando se pensava em ir de carro ou de ônibus era o conforto, já que em um carro próprio o usuário tem mais espaço, ar condicionado e pode escolher sua rota. Para compensar essas diferenças, as entidades do governo da Suíça também investiram no conforto do transporte público. Algumas linhas têm serviço de bordo e, apesar de terem rotas pré-definidas, podem fazer caminhos alternativos de acordo com a demanda. Esse conforto passou a compensar o estigma social em que estava inserido o transporte coletivo, que era considerado uma

opção somente para os mais pobres e evitados pelas classes média e alta. A mobilidade intermodal também foi uma solução relevante para o transporte na Suíça. “A Suíça tem um sistema de transporte público em todo o país, totalmente integrado com um alto nível de serviço e confiabilidade - um único bilhete lhe dá acesso a uma viagem combinada que inicia com um trajeto de bonde até a estação, depois um trem interurbano, e finalmente um ônibus rural até o seu destino, ou até mesmo uma viagem de teleférico até uma aldeia na montanha. Os bilhetes anuais lhe permitem pagar uma vez e utilizar qualquer modal, em todo o país, tantas vezes quanto precisar durante os próximos 365 dias. Nas linhas principais, os serviços são operados a cada 30 minutos ou com frequência maior, e até mesmo os serviços regionais, de tronco ou de montanha, operam, no mínimo, a cada hora, desde o início da manhã até tarde da noite”, explica Arnd Bätzner, pesquisador e um dos diretores do Switzerland's Mobility Car Sharing. Como parte dessas ações, o governo suíço implementou o carsharing como parte integrada do transporte público. O sistema, chamado Mobility Car Sharing, tem quase 3 mil carros espalhados por toda Suíça e estacionados em áreas estratégicas, como estações de trem e ônibus. Além disso, muitas empresas estão substituindo suas frotas por veículos do Mobility e alguns condomínios residenciais estão criando estacionamentos exclusivos para o carsharing, facilitando o acesso ao serviço. A frota toda do Mobility é constituída por carros para diversas necessidades, incluindo veículos elétricos, e em categorias avançadas de segurança. “Temos todos os modelos populares, desde Smarts de 2 assentos até vans de entrega, inclusive uma frota crescente de sedans elétricos. Todos os carros são escolhidos estritamente pela segurança e conformidade ambiental - nossos próprios padrões de frota excedem as já rígidas exigências legais da Suíça”, conta Bätzner. O formato de funcionamento do carsharing também tem destaque, o Mobility funciona com

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headline Por Ana Luiza Morette

PARAR: Aqui, o carsharing ainda está engatinhando se compararmos ao que já acontece na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo. Como você vê o potencial de crescimento do carsharing no Brasil? ARND BÄTZNER (A.B): Permita-me começar mostrando que o crescimento do carsharing na Europa e nos EUA durante as últimas duas décadas deve-se a um conjunto de fatores infraestruturais e socioeconômicos. Primeiro, o formato urbano que permite certo nível de "walkability" e "bikeability", de forma que não é necessário o uso do carro para viagens curtas. Segundo, a disponibilidade de um bom nível de serviço de transporte público - frequente, confiável, a um preço acessível, seguro e fácil de usar. Terceiro, e em paralelo, observamos o surgimento de uma classe média urbana voltada para o estilo de vida e para o meio ambiente, focada em fazer o melhor uso do seu tempo, e que já não quer mais lidar com as complexidades chatas ligadas à propriedade de um carro. Vejo, no Brasil, um número cada vez maior de áreas onde podemos observar desenvolvimentos semelhantes. Não apenas São Paulo e Rio de Janeiro, mas também Salvador, Fortaleza, Recife, Porto Alegre e outras cidades têm o potencial estrutural para o sucesso do carsharing. A medida que as conversas se espalham sobre o quanto ter acesso a um veículo, quando e onde for necessário, é, não apenas menos incômodo, mas também mais econômico do que possuir um, cada vez mais pessoas vão se interessar. Esse é o mecanismo básico que observamos na Europa e nos EUA. Um fator-chave é a prontidão para um investimento inicial para tirar o carsharing do papel e torná-lo mais conhecido pelos cidadãos. Ultimamente, temos visto algumas iniciativas muito promissoras no Brasil. PARAR: Todas as cidades que você citou que possuem potencial para o carsharing são capitais. Essa seria uma solução restrita a grandes centros urbanos? A.B: Um dos pontos principais é possuir certo nível de densidade urbana, um ambiente urbano movimentado onde o varejo e os serviços são próximos e de fácil acesso. Em um ambiente assim, as pessoas geralmente preferem dedicar o espaço de

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> Sistema Mobility Car Sharing, com quase 3 mil carros espalhados por toda Suíça e estacionados em áreas estratégicas, como estações de trem e ônibus.

rua para atividades enriquecedoras, tornando-o uma esfera de interação social, com prósperas lojas de esquina, cafés e restaurantes, com áreas para os cidadãos interagirem e para as crianças brincarem. Os carros são amplamente vistos como elementos antissociais que não pertencem a tal ambiente. Estatisticamente, a maioria dos carros particulares não se desloca durante 23 das 24 horas por dia. Ao contrário, ficam em uma baia de estacionamento que ocupa um espaço valioso. Isso se aplica tanto às principais cidades do Brasil como a áreas europeias ou norte-americanas. Na maioria dos casos, os densos centros urbanos têm sido os incubadores e núcleos para o surgimento e crescimento de sistemas de carsharing. Mas, a partir daí, eles podem se espalhar. A medida que se tornarem conhecidos dos cidadãos e cada vez mais fizerem parte de seu dia a dia. Áreas de subúrbio são mais difíceis. Infelizmente, desde o final da década de 70, o Brasil tem visto em muitos lugares a adoção de um estilo de vida suburbano inspirado nas áreas residenciais dos EUA com casas isoladas e shoppings ávidos por terras e energia, tornando os deslocamentos longos e demorados. Isso é exatamente o oposto de um desenvolvimento sustentável. É difícil ter um trânsito de qualidade em áreas espalhadas e, às vezes, é impossível até mesmo se adaptar. No entanto, em algumas áreas onde a expansão ocorreu ao longo de corredores de

Fotos: Reprodução / Internet

livre flutuação entre cidades como Zurique e Basileia, ou seja, os carros podem ser apanhados em qualquer estacionamento e devolvido em qualquer área dentro do espaço determinado, sem que necessite ser devolvido no mesmo lugar onde foi pego. O pagamento do carsharing também está integrado ao sistema de pagamento de bilhetes de transporte público, o RFID, que a maioria da população do país já utiliza e possui. Quando tentamos encaixar o Brasil em uma realidade próxima à da Suíça, parece um grande desafio. Porém, já conseguimos ver projetos e soluções, principalmente da iniciativa privada, que incentivam uma mudança de cultura, que valoriza mais o uso do que a posse. Em entrevista exclusiva para a jornalista Karina Constancio, Arnd Bätzner esclareceu pontos importantes sobre como o Brasil pode se inspirar no case suíço. Confira:


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disponibilizado usando veículos autônomos. Algumas partes das funcionalidades que hoje são abordadas pelo carsharing serão assumidas por tais novos serviços, e os operadores de carsharing estão bem posicionados para fornecê-los. Eles têm o conhecimento do mercado, os dados e a experiência para entender e atender às necessidades de mobilidade dos clientes. É crucial que os operadores de carsharing mantenham o compromisso de, Queremos cidades que em primeiro lugar, servir a sociedade, como parte possam ser habitadas integrante de um ecossistema de mobilidade para por uma sociedade o qual eles contribuem. Eu acredito que as soluções inclusiva, onde as ruas de mobilidade futuras precisam ser equitativas, - assim como trens e inclusivas e multimodais, proporcionando níveis PARAR: O que você acha que o Brasil pode ônibus - sejam locais completamente novos de conforto ao usuário. aprender com a Suíça? onde as pessoas se Trata-se de construir um ecossistema de mobiA.B: Como eu falei, um bom nível de serviço de reúnam e compartilhem lidade bem administrado, bem gerenciado e intetransporte mostrou ser um requisito essencial para o ativos e experiências." grado. Veremos que novos modelos de precificação carsharing prosperar em um dado local. O transporte para o uso de ativos públicos, como espaço de esé bem sucedido se é disponível, acessível e confiável. O ARND BÄTZNER pesquisador e trada e qualquer outra coisa que não um sistema último fator ainda é uma questão crucial em algumas um dos diretores do Switzerland's onde todos os atores, públicos e privados atuam cidades brasileiras. Os veículos de carsharing compleMobility Car Sharing juntos e colaboram, não podem ser financiados mentam e estendem o alcance do trânsito de massa. no longo prazo. O trânsito de massa, especialmente ferroviário, conEsses carros exigem um contrato tácito a ser tratado de forma razotinuará a ser a espinha dorsal para cidades sustentáveis, habitáveis ável. Nenhum operador de carsharing pode dispor de veículos para e inclusivas. Historicamente, eram os metrôs e trens de passageiros serem incendiados ou que os clientes temam ser roubados ao acessar que globalmente tornavam possível a cidade densa e moderna do um estacionamento. Esse é um problema complexo. Ao final do dia, se final do século 19. Somente o trânsito de massa - atualizado e inreduz a quem possui espaço público. Queremos cidades que possam tensificado com serviços para atender a era digital e integrado com ser habitadas por uma sociedade inclusiva, onde as ruas - assim como conectores de último quilômetro - pode fornecer a qualidade netrens e ônibus - sejam locais onde as pessoas se reúnam e comparticessária em horários de pico. É principalmente por esse motivo que lhem ativos e experiências. O Brasil, um país tão inacreditavelmente essa visão do transporte de cápsula, onde veículos pequenos que rico em patrimônio, cultura e com o maior potencial para o século 21, transportam 4 ou 6 pessoas dominam todo o transporte terrestre, precisa que a sociedade civil reassuma o controle de sua esfera públinão é viável. Esses cenários nada mais são do que sonhos dos anos ca. Por exemplo, se os trens de passageiros da Baixada Fluminense 50 reembalados e remarcados da era do automóvel que vimos frafossem mais confiáveis e mais seguros para serem utilizados a qualcassar de forma tão espetacular. Além disso, o transporte de cápsula quer hora do dia, se os teleféricos que atendem o Morro do Alemão e não é desejável do ponto de vista da coerência social. Humanos são Morro da Providência - construídos para proporcionar uma conectiseres sociais, e em sociedades democráticas, a segregação cada vez vidade essencial aos residentes - voltassem a ser operados após um maior, invariavelmente, levará a uma crise. O Brasil possui todos os ano de fechamento, as condições melhorariam de forma que os opepré-requisitos e oportunidades para fazer parte desse cenário de moradores de carsharing também pudessem se deslocar. Veículos de carbilidade do século 21. Mas, uma vez que isso envolve o compartilhasharing em estações poderiam ser um serviço atraente, fortalecendo o mento, novamente, a segurança parece ser o principal problema. No valor do trânsito existente. E sempre que uma situação familiar ou de mundo todo, quando viajo, eu tento usar a bicicleta para chegar até os trabalho tornar a propriedade de um veículo inevitável, o carsharing aeroportos - é geralmente mais rápido, menos estressante e mais ecotambém pode substituir a propriedade de um segundo veículo. lógico do que usar um táxi e gerar uma viagem de carro extra só para mim. No dia em que eu puder fazer isso no Rio de Janeiro, quando até PARAR: Como você vê o futuro da mobilidade e como o carshaos operadores de ônibus já não precisarem me impedir de andar no ring se encaixa nesse amanhã? ônibus 915 Bonsuccesso x Galeão, o trânsito voltará a fazer o que A.B: Nos próximos 10 anos, veremos uma grande melhora na quadeveria fazer: servir os cidadãos. Nesse dia, o carsharing será parte lidade dos chamados serviços de último quilômetro - desde a porta integrante disso.  da sua casa ou trabalho até um terminal de transportes. Semelhantemente, o transporte coletivo ponto a ponto de curta distância será infraestrutura e podem se tornar mais densas, adicionando serviços em pequena escala e casas mais compactas, opções de trânsito podem ser adicionadas para reduzir a dependência do carro. Um exemplo é a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde a extensão do corredor ferroviário do metrô, linhas BRT e ônibus alimentadores para serviços de último quilômetro (ou last-mile) vão melhorar significativamente a situação. Quando isso for estabelecido, o carsharing terá as bases para funcionar localmente e ajudará ativamente a reduzir a propriedade de automóvel.

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INSIDE Por Flavio Tavares Diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader

E

stou observando um novo movimento nos centros urbanos e há recentes pesquisas que comprovam isso. As pessoas estão saindo da cidade e indo para o interior, um movimento que chamo de êxodo inverso. Quando paramos para refletir sobre o porquê disso, é difícil não trazer a discussão para o ambiente corporativo, onde as empresas estão, na maioria dos casos, distantes da casa das pessoas. Em grandes centros, com trânsitos caóticos e mobilidade mais complicada, essa distância acaba sendo um grande desafio. Eu costumo falar que o mundo está ficando mais vintage porque as pessoas estão voltando a resgatar valores que até então não pareciam estar sendo mais relevantes, como, por

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exemplo, almoçar com a sua família, buscar e levar seu filho na escola. Parece que as novas gerações estão mais preocupadas com essas questões e esses valores. As pessoas estão fazendo um resgate de valores passados, com food trucks, comidas orgânicas, compartilhamento. As novas gerações estão nos reaproximando das coisas que fazíamos no passado e que a nossa geração deixou de fazer. Na minha época, as pessoas se formavam e queriam ir para grandes centros trabalhar, hoje, as pessoas querem voltar pras suas cidades de origem. E o que eu tenho percebido é que de alguma forma as empresas têm que reconhecer isso e encontrar soluções. Nós fizemos um evento recentemente que tinha

Fotos: © iStockphoto / Divulgação

E QUALIDADE DE VIDA


Edição 13 | Abril de 2018

Quando estamos falando de mobilidade, o ponto não é só deslocamento, engloba praticamente tudo: se você não tem mobilidade você não tem qualidade de vida, não tem tempo para cuidar dos seus filhos, para cuidar da sua saúde."

FLAVIO TAVARES

muitas pessoas de RH e pedimos para levantar a mão quem sabia quanto tempo seus colaboradores gastavam com deslocamento e ninguém se manifestou. As empresas precisam entender que se preocupar com o colaborador envolve se preocupar também com a sua mobilidade. Quando estamos falando de mobilidade, o ponto não é só deslocamento, engloba praticamente tudo: se você não tem mobilidade você não tem qualidade de vida, não tem tempo para cuidar dos seus filhos, para cuidar da sua saúde. Os dados de São Paulo, hoje, são que o paulistano gasta em média duas horas de deslocamento por dia entre casa e trabalho. Se ele não precisasse gastar tudo isso, ele poderia usar essas horas fazendo academia, almoçando com a família. A mobilidade impacta em todos os outros fatores e o problema das grandes empresas e das grandes cidades é não repensarem esses pontos.

Uma pesquisa da Rede Nossa São Paulo revelou que 80% das pessoas não usariam carro se elas pudessem ter acesso a um transporte público mais eficiente, ou seja, elas não querem usar carro, mas não tem outra alternativa de deslocamento. Da parte do poder público, é preciso melhorar a infraestrutura dos centros urbanos para facilitar o acesso a serviços, investir em transporte coletivo de qualidade e em outras alternativas de mobilidade. É preciso tornar as cidades mais inteligentes e conectadas. As empresas, por sua vez, precisam ter um olhar mais sensível às necessidades de seus colaboradores. E algumas já estão fazendo isso. Um grande banco, por exemplo, mudou sua sede em São Paulo e começou a desenvolver ações pensando na mobilidade de seus colaboradores. Uma das medidas era o horário alternativo e isso já teve uma mudança muito significativa, porque aquele colaborador que morava longe e gastava duas horas para chegar no trabalho no

horário convencional começou a sair de casa às 9h e chegar no trabalho em poucos minutos. Com o PARAR, queremos incentivar as empresas a refletirem sobre como essas mudanças inteligentes de mobilidade podem reduzir esse tempo de deslocamento e transformar em mais tempo para cuidar da saúde, da família, a ter mais tempo em casa. Se isso não for repensado pelas empresas, esse movimento para o interior vai ser um caminho sem volta. 

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tips & cases Por Loraine Santos

“SALVAR VIDAS

Para Ivan Gonçalves, responsável pelo projeto da Telemetria na BRF, a gestão da frota só faz sentido se o cuidado com a vida for o principal valor da Companhia

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É O MAIS IMPORTANTE”


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no após ano, a violência no trânsito deixa sua marca negativa na transformação que a mobilidade urbana propõe para melhorar a vida das pessoas que vivem nas cidades (que, segundo a ONU, somam cerca de 80% da população mundial). De acordo com números da Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes rodoviários são a principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos, e 90% das mortes do mundo nas estradas ocorrem em países de baixa e média renda. Quando observado sob o viés corporativo, as empresas que utilizam veículos como ferramenta de trabalho impactam diretamente o cenário do trânsito. Segundo o DPVAT, a frota nacional é composta por 56 milhões de veículos. Estima-se que 10% desse total pertence ao universo corporativo. Ou seja, existem cerca de 5 milhões de pessoas dirigindo à serviço de alguma empresa, um número expressivo quando puxamos para as corporações parte da responsabilidade sobre esse cenário alarmante do trânsito. Mais do que administrar. os custos do modal - que, diga-se de passagem, estão entre os que mais impactam o orçamento da companhia - essas empresas são responsáveis pelo ir e vir dos colaboradores que passam a maioria das horas de trabalho atrás de um volante. Para Ivan Gonçalves, responsável pelo projeto de implantação de telemetria na BRF, uma das maiores companhias de alimento do mundo, esse alinhamento entre a gestão de 4 mil veículos que compõem a frota da empresa e os valores da companhia focados na segurança dos colaboradores foi a força propulsora para uma mudança drástica - e muito positiva - no departamento de frotas da BRF. “A cultura de segurança na BRF sempre foi um valor forte. E, em 2016, iniciamos um projeto no departamento de frotas para estender essa cultura aos condutores da companhia e os resultados foram

transformadores”, explica Gonçalves. A célebre frase de Peter Drucker de que “se você não pode medir, não pode gerenciar” permeou a virada de chave da gestão na BRF. De acordo com Gonçalves, “o primeiro passo no projeto foi a implantação da telemetria, uma tecnologia que nos fez conhecer de fato a situação da nossa frota, e que nos permite hoje realizar um trabalho constante e efetivo alinhado com as metas propostas em nossa Política de Frotas”. Embasado em um plano de comunicação forte com seus condutores, a BRF atuou com indicadores de dirigibilidade fornecidos pela telemetria, estabelecendo limites de velocidade, regras e punições em sua política. “Assim que implantamos a telemetria, vimos em relatório que nossos condutores cometiam em média 150 mil excessos de velocidade no mês. Com o trabalho de conscientização, chegamos ao número de 15 mil infrações por mês. Em agosto do ano passado, introduzimos o aviso sonoro dentro dos veículos, uma tecnologia que avisa o condutor que o excesso da velocidade é iminente, e conseguimos chegar a 700 excessos de velocidade no mês. Se analisarmos por condutor, a grande maioria já está com índice zero de infrações”, relata Gonçalves. Para minimizar ainda mais o impacto negativo que essa relação “trânsito x condutor corporativo” tende a causar quando não é clara, a BRF criou uma política restritiva de uso dos veículos corporativos para finalidade pessoal. “Na verdade, o que fizemos foi organizar a utilização da frota pelo condutor fora do horário de trabalho. O uso pessoal é permitido, mas existem regras bem definidas quanto aos tipos de infrações cometidas, o desconto em folha por Km rodado e os abastecimentos”, conta Gonçalves. A ação refletiu positivamente no bolso da companhia. Antes da política, o uso do veículo fora do horário comercial representava 25% em total de Km rodados. De acordo com Gonçalves, “reduzimos

> Ivan Gonçalves com o time da BRF

em 50% o uso da frota fora do horário de trabalho e, em 2017, tivemos um retorno de quase R$ 1,5 milhões referente ao desconto de folha. O número de multas cometidas nos finais de semana também caiu cerca de 50%”. Colocar um projeto dessa magnitude em prática dá trabalho. “É preciso argumentar com a alta gerência e criar um fluxo de comunicação com quem mais vai sentir os reflexos das mudanças, ou seja, nossos condutores. Porém, os resultados estão aí para mostrar que prevenir é muito mais seguro e econômico do que atuar somente depois que as tragédias acontecem”, afirma Gonçalves. Antes de 2016, a BRF havia enfrentado situações delicadas envolvendo colaboradores e terceiros. Após o projeto da telemetria, os acidentes de trânsito caíram consideravelmente e não houve óbitos desde então. “Desde o começo, nossa premissa foi a de que não importava o custo do projeto, se a gente salvasse uma vida, estava pago”, conta ele. E as conquistas não param por aí. O próximo passo para BRF é implantar uma política criteriosa para escolha dos carros que vão compor a frota da companhia a partir de 2019. “Não vamos levar em conta apenas aspectos comerciais. Nenhum veículo será aprovado sem antes ser minuciosamente avaliado por um comitê interno, que vai levar em conta os critérios de segurança da Latin NCAP, a ergonomia e as necessidades de quem vai utilizar a frota. Essa e outras ações reafirmam o propósito da BRF de que zelar pela vida deve ser o principal valor dentro de um departamento de frotas, mais importante do que qualquer economia”, conclui Gonçalves. 

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headline Por Ana Luiza Morette

INTELIGÊNCIA E

INOVAÇÃO COMO

CHAVE PARA O FUTURO ukas Neckermann, autor dos livros “The Mobility Revolution”, “Smart Cities, Smart Mobility” e “Corporate Mobility Breakthrough” e consultor de mobilidade reconhecido mundialmente, define a Smart Mobility como o sistema circulatório das Smart Cities, ou seja, é essencial para que as cidades funcionem de forma mais efetiva e inteligente. No entanto, para que a Smart Mobility se torne uma realidade, é preciso repensar e reconstruir muito da realidade atual

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da mobilidade. Neckermann explica que a nova mobilidade é elétrica, autônoma, conectada e compartilhada, o que exige mudança de diversas áreas, possibilitando uma mobilidade zero posse, zero acidentes e zero emissões, o ideal da Smart Mobility. Quando o assunto é zero posse, a mudança já é perceptível. Segundo uma pesquisa da Deloitte, 55% dos usuários de compartilhamento de veículos já questionam a necessidade de ter carro próprio. Entre as gerações Y e Z, esse número sobe: 62% dos jovens acredita ser dispensável a posse de um veículo.

A solução para essas pessoas são os aplicativos de caronas e de compartilhamento de veículos, como a Cabify, que oferece soluções de compartilhamento inclusive de frotas corporativas. “Quando você estiver dirigindo para o trabalho, olhe ao redor e perceba quantas outras pessoas estão sozinhas em seus carros e sinta-se mal por isso”, pede David Ficachi, Diretor Global de Alianças Estratégicas da Cabify. Ficachi explica que antes de pensar em ter um carro, precisamos pensar na questão da segurança, do meio ambiente e entender que a posse nem sempre compensa.

Foto: © iStockphoto

A Smart Mobility é a chave para revolucionar a mobilidade do mundo e torná-la mais ecológica, segura e econômica


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As pessoas não querem mais um carro, querem se mover. Se elas querem comprar um carro, ele será um veículo autônomo, que o levará para qualquer lugar sem que exista a necessidade de pilotá-lo. Essa é a revolução da mobilidade” LUKAS NECKERMANN

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headline Por Ana Luiza Morette

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Repensar nossa rotina, de forma que ela fique mais fácil e nos ajude a poupar tempo é uma forma efetiva de tornar a mobilidade mais inteligente.

a dia no trânsito. Repensar nossa rotina, de forma que ela fique mais fácil e nos ajude a poupar tempo é uma forma efetiva de tornar a mobilidade mais inteligente. O home office é uma opção que tem feito sucesso: quando o trabalho é em casa, não é necessário deslocar-se e gastar tempo e dinheiro para isso. O Home Agent é uma agência de call center que funciona 100% em home office, alguns de seus funcionários gastavam quase quatro horas em seus deslocamentos para o trabalho e agora usam essas quatro horas como mais tempo para ficar com a sua família e fazendo atividades de lazer e entretenimento. Segundo Fabio Boucinhas, CEO da empresa, o home office devolve quase 7 mil dias a todos os seus colaboradores, quando diminui o tempo de deslocamento. Outra solução inteligente é desenvolver complexos nas sedes das empresas. Esses complexos incluem salões de beleza, academias, centros médicos e laboratoriais, oficinas mecânicas, cursos de línguas, restaurantes e lanchonetes, entre outras coisas, dentro do próprio prédio da companhia. No Brasil, o Santander, junto com a consultoria WRI Cidades Sustentáveis, transformou sua nova sede em um centro comercial completo, evitando que seus colaboradores tivessem que se deslocar para realizar tarefas simples e essenciais no dia a dia de qualquer um. Além disso, passaram a utilizar fretados que levam os colaboradores até as estações de transporte público mais próximas. A maioria das soluções para uma transformação da mobilidade passam pelo desenvolvimento de uma tecnologia inovadora, porém, mais importante que isso é uma mudança de cultura. As cidades precisam trabalhar para desenvolver um plano de mobilidade completamente inteligente, que possibilite a projeção de centros urbanos mais eficientes, planejados mais para pessoas do que para modais. É preciso que empresas, pessoas e cidades estejam empenhadas em trabalhar juntas para criar uma nova realidade de mobilidade, que seja mais segura, limpa, eficiente e compartilhada. 

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Outra alternativa para o fim da posse de veículos é o carsharing. Quantas horas por dia seu carro fica ocioso? Essa reflexão faz despertar a ideia de que nem sempre um carro próprio é necessário, já que ele passa tantas horas parado e faz deslocamentos que podiam ser feitos de outras formas, como de transporte público ou com carona. Na Suíça, o carsharing foi implantado como uma parte integrada ao transporte público, que funciona como mobilidade intermodal - uma saída inteligente para percursos que exigem diferentes modais para o trajeto. “As pessoas não querem mais um carro, querem se mover. Se elas querem comprar um carro, ele será um veículo autônomo, que o levará para qualquer lugar sem que exista a necessidade de pilotá-lo. Essa é a revolução da mobilidade”, acredita Neckermann. Enquanto a chave para a zero posse está mais ligada a uma mudança de mindset, uma mobilidade zero acidentes está diretamente ligada à tecnologia. Segundo um levantamento do governo estadual de São Paulo, 94% dos acidentes fatais que ocorrem no estado são causados por falha humana. A solução parece simples: tirar os humanos de trás dos volantes, substituindo nossos carros por veículos autônomos. A tecnologia autônoma já existe e é eficaz, a Tesla já está produzindo e vendendo carros semi-autônomos e empresas como a Uber já produziram caminhões autônomos para fazer entregas. No entanto, colocar esses veículos nas ruas é o maior desafio. Como Lukas Neckermann ressalta, para se ter mobilidade inteligente é preciso ter cidades inteligentes. As cidades precisam ter estruturas físicas preparadas para esses veículos, com ruas e sinalizações padronizadas, além do desenvolvimento de legislações específicas para esses veículos. Por outro lado, as zero emissões estão ligadas tanto ao desenvolvimento de uma maior preocupação com o meio ambiente, quanto com o desenvolvimento de tecnologias que permitam que carros que não emitam gases poluentes estejam nas ruas. O mercado de carros elétricos e híbridos já cresceu e está crescendo cada dia mais, mas é preciso que se desperte nas pessoas a preocupação de escolherem carros ou frotas que tenham esses diferenciais. Hoje, a poluição atmosférica mata 5,5 milhões de pessoas por todo o mundo, segundo o projeto Global Burden of Deseases. Quando a mobilidade elétrica ainda não é uma opção, a carona ou o uso do transporte público pode compensar a poluição causada pelos milhares de veículos que andam pelas ruas e estão ocupados por uma só pessoa. Outra ação importante é o incentivo financeiro aos veículos elétricos. No Brasil, por exemplo, os planos são de reduzir o IPI de carros elétricos de 25% para 7%, a fim de que isso sirva de incentivo para que mais pessoas se interessem por comprar. A revolução da mobilidade, no entanto, não para por aí. Nem tudo é sobre carros. Algumas soluções práticas de mobilidade não precisam de grandes investimentos em infraestrutura, são soluções simples, mas que impactam diretamente o nosso dia


headline Por Pedro Conte

ROTA A PRÓXIMA CARTADA PARA O SETOR DE AUTOMÓVEIS

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ma das mais importantes indústrias do país, o setor automotivo emprega atualmente cerca de 130 mil pessoas no Brasil, de acordo com dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Por isso mesmo, trata-se de um dos segmentos que mais costuma receber atenção do governo brasileiro, em termos de incentivos e políticas públicas. Exemplo dessa priorização são os programas de incentivo como o Inovar Auto, que funcionou entre 2012 e 2017 e o Rota 2030, que está em gestação no governo

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e que deveria ter entrado em vigor já no final de 2017. E, ainda que não se discuta a importância do setor automotivo brasileiro sobre nossas estratégias de desenvolvimento e mobilidade, a qualidade dos programas que temos criado parece não ter sido atestada. Em muitos casos, sequer avaliamos os impactos das ações que tomamos antes de projetarmos os próximos passos de desenvolvimento do país. A mais recente cartada do governo para o setor automotivo foi o Inovar Auto, também conhecido como Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de

Veículos Automotores. Esse projeto surgiu com três objetivos principais: desenvolver tecnologicamente o setor automotivo, aumentar a segurança dos passageiros e atender exigências relacionadas ao meio ambiente e à emissão de gases do efeito estufa. Alguns objetivos do Inovar Auto foram alcançados. Dados preliminares do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) indicam que houve ganho de eficiência médio de 15,4% dos automóveis fabricados no Brasil, no período de vigência do programa. Um incremento bastante relevante, de fato. E quanto

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Principal proposta de mobilidade do governo para os próximos anos carrega vícios do passado


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A proposta, que ainda está em desenvolvimento, enfatiza as seguintes questões:

Recuperação da cadeia de autopeças, através de um programa de refinanciamento de dívidas

Desenvolvimento de propostas de tecnologia local de propulsão e conectividade

Impostos cobrados com base na emissão de poluentes e não por cilindrada

Calendário para inclusão de novos itens de segurança nos automóveis

aos outros objetivos? Não se sabe. O grupo de trabalho responsável por analisar os efeitos do Inovar Auto se reuniu apenas uma vez, em junho de 2017. Como não há dados sobre os impactos reais do programa Inovar Auto, conclui-se que o o Rota 2030 foi gestado sem que se avaliassem os benefícios e mazelas da estratégia anterior. Com o Inovar Auto, o Brasil dedicou mais de 6,5 bilhões de reais em descontos de impostos para o setor automotivo entre 2013 e 2017, segundo levantamento da Folha de São Paulo. E não parou para analisar se esse dinheiro foi bem empregado ou não, antes de partir para a próxima etapa. A título de comparação, este mesmo montante provavelmente seria suficiente para construir um Hyperloop (o meio de transporte que funciona mais ou menos como os trens de alta velocidade do Japão e está sendo proposto por Elon Musk, CEO da Tesla) entre São Paulo e Campinas. Esse valor também poderia ter sido aplicado para desenvolver obras de BRT (Bus Rapid Transit) em 37 cidades de tamanho médio no Brasil, como Londrina-PR1, Uberlândia-MG, Aracaju-SE ou Florianópolis-SC. Questões como essas são sempre complexas e não é obrigatório que uma alternativa ou outra seja colocada como resposta para todos os problemas de mobilidade. Transporte público não é ne-

Relações trabalhistas mais flexíveis Impostos iguais para automóveis importados

Melhorias de infraestrutura

Programa nacional de inspeção veicular para melhorar emissões e segurança

Redução do IPI de carros elétricos (mesma faixa dos veículos 1.0)

(ESC) obrigatório está prevista atualmente para carros fabricados a partir de 2022, dez anos após a adoção da mesma regra nos Estados Unidos. Um ano antes, em 2021, BMW e Ford já anunciaram que vão colocar no mercado táxis autônomos. Ou seja, estamos nos programando para o ESC em um mundo que terá carros autônomos em operação - e ainda estamos com um ano de atraso entre as duas coisas. Outro exemplo vem das opções para a energia limpa. Em pesquisa recente, a consultoria KPMG questionou as montadoras sobre as suas expectativas de vendas na América do Sul, em 2030. Os entrevistados afirmaram que apenas 36% do mercado será composto de veículos à combustão interna, enquanto o restante do cenário será dividido entre híbridos, elétricos e outras formas de propulsão. Se esse é o cenário previsto pelas montadoras, não deveríamos estar nos programando para ele? Há uma chance real de que, a partir do ano que vem, veículos à combustão interna não poderão mais circular na cidade de Copenhagen, na Dinamarca. Pode ser que não aconteça em 2019, mas certamente será uma transformação que virá antes de 2030. Em contraste, com base nas propostas de mobilidade do governo brasileiro, essa realidade sequer será discutida até lá. Vamos esperar até 2050? 

cessariamente mais importante que os deslocamentos individuais, assim como a tecnologia de caminhar, em muitos momentos, se mostra mais adequada que o desenvolvimento de obras faraônicas e extremamente modernas. Contudo, as chances de que o próximo programa de incentivo ao setor automotivo tenha sucesso são mínimas, se considerarmos que não avaliamos os impactos do projeto anterior. Pioram as perspectivas ainda mais, quando avalia-se que às benesses aos automóveis não está sendo comparadas aos incentivos de outras áreas da mobilidade.

ROTA 2030 Em evento do ano passado, Antonio Megale, presidente da Anfavea, afirmou que o Rota 2030 foi formulado para “construir o futuro da indústria automotiva brasileira”. “Precisamos ter uma visão de longo prazo, no mínimo até 2030", complementou, antes de seguir detalhando algumas das ideias por trás do Rota 2030. Entre os méritos das propostas do Rota 2030 está a ênfase em acelerar a inclusão de itens de segurança obrigatórios e também o fomento para a produção de veículos híbridos e elétricos. No entanto, a abordagem, mesmo quando acerta na direção, parece tímida quanto aos prazos e objetivos. Por exemplo, a adoção do controle eletrônico de estabilidade 1

A mais recente obra de BRT em Londrina-PR custou 175 milhões de reais.

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headline Por Beatriz Pozzobon

m um mundo cada vez mais competitivo e acelerado, manter-se na inércia pode não ser uma boa estratégia de mercado. No entanto, com medo de errar, muitas empresas optam pelo que acreditam que seja o mais seguro, perdendo espaço para as empresas verdadeiramente inovadoras. No livro “O efeito iguana”, a autora Graziela Di Giorgi busca entender os bloqueios e estímulos à inovação dentro das empresas. Segundo ela, as pessoas valorizam mais a perda do que os ganhos.

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“Assim, tendemos a eliminar toda e qualquer possibilidade de erro”, explica a escritora, que é também professora e palestrante. “E é exatamente aí que as empresas inovadoras se diferenciam, pois entendem que um novo caminho pode levar a erros”, acrescenta. Neste sentido, Graziela traz uma analogia do reino animal para classificar as empresas, chamando-as de humanas ou iguanas. A diferença fundamental entre elas está na capacidade de entender e ouvir as necessidades de quem usa seus produtos e serviços. Às empresas iguanas falta essa capacidade visto que, assim como esses repteis, elas só têm instinto

de sobrevivência. Sem o sistema límbico e o neocórtex, responsáveis pela emoção e pelo raciocínio lógico, respectivamente, as iguanas são autocentradas, imediatistas e medrosas. Seguem fazendo o que já sabem pelo receio do erro. A comparação com o mundo animal ilustra o comportamento de muitas empresas que, focadas no curto prazo, são previsíveis e egoístas. “As empresas iguanas acabam seguindo seus velhos hábitos de forma repetitiva”, pontua a escritora. “Não é à toa que algumas empresas apenas sobrevivem e morrem, enquanto outras surpreendem e crescem”, complementa.

Fotos: © Freepik / Divulgação

Especialista lista sete passos importantes para resgatar a criatividade nas empresas


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Para sair da inércia, Graziela aconselha a se perguntar o porquê fazemos sempre da mesma forma. “Tendemos a repetir o mesmo porque é o que sempre deu certo. Mas talvez existam formas mais eficazes, rápidas e econômicas de se fazer a mesma coisa”, afirma. Segundo ela, é preciso incorporar este questionamento no dia a dia para não se acomodar.

CÉREBRO PREGUIÇOSO

A boa notícia, entretanto, é que o cérebro humano é extremamente plástico, ou seja, consegue se adaptar a novas rotinas, desde que exercitado. “A criatividade é como um músculo, que se for bem trabalhado pode ser despertada, desenvolvida e chegar a novos níveis”, garante Bello.

CRIATIVIDADE EXIGE ESFORÇO

Assim, tanto na rotina individual como na organização de uma empresa, a transformação de um sistema não-criativo para O professor André Bello, especialista em Design Thinking um sistema criativo exige esforço e motivação para se sair da e autor do livro “Acredite! - Design Thinking Para Jovens de zona de conforto. “Nas organizações, observa-se uma tendência Todas as Idades”, afirma que a criatividade humana diminui com a manter um processo de cópia que funcioo passar dos anos. Uma criança de cinco anos nou por muito tempo. No entanto, o que antes é muito mais criativa do que um adulto de 50, Tendemos a repetir o funcionava muito bem, pode não funcionar por exemplo. Isso quer dizer que, ao longo mesmo porque é o que hoje”, avalia Bello. da vida, aprende-se a ser não-criativo. Essa “O maior perigo que uma empresa pode censura criativa se dá por, pelo menos, dois sempre deu certo. Mas correr é tentar fazer as coisas da mesma aspectos relevantes: fatores sociais e fatores talvez existam formas forma que eram feitas no passado. É prefisiológicos. mais eficazes, rápidas e ciso sair da zona de conforto. E isso gasOs fatores sociais envolvem a sobreeconômicas de se fazer ta energia, envolve um novo tipo de revivência das espécies, visto que os mais lacionamento com o conceito de risco”, jovens sempre copiaram o que os mais a mesma coisa”. acrescenta o professor. Ele diz ainda que a velhos fazem, como ao evitar alimentos GRAZIELA DI GIORGI, autora do livro "O Efeito Iguana" mesma velocidade do mercado e do munvenenosos. Já os fatores fisiológicos dizem do em transformação exige das emprerespeito ao consumo de energia pelo cérebro. sas reinvenções constantes e novas formas de pensar e agir, “O cérebro humano representa 2% da nossa massa corporal, no o que está totalmente ligado à criatividade. Essa aceleração entanto, consome 25% da nossa energia. Assim, ele precisa ecoconstante demanda também tomadas de decisões rápidas, nomizar tudo o que for possível”, explica Bello. eficientes e eficazes.  “Nosso cérebro aprendeu a identificar padrões de comportamento e criar atalhos para não precisar ficar pensando, a cada repetição, e reprocessar atitudes previsíveis. Entra, assim, em SERVIÇO: "O Efeito Iguana", de Graziela Di Giorgi, Ed. Alta Books. um modo automático que enrijece cada vez mais as conexões "Acredite! Design Thinking Para Jovens de Todas as Idades", de André Bello cerebrais”, complementa o professor. e Ana Helena Behring Mello, Ed. Guarda-chuva.

O professor ANDRÉ BELLO, especialista em Design Thinking e metodologias colaborativas, listou sete passos importantes para resgatar a criatividade nas instituições corporativas.

Primar por uma liderança com olhares mais humanizados e descentralizados, que fomente uma cultura organizacional aderente à nova economia; 2. Distribuir e horizontalizar decisões; 3. Romper com padrões. Aqueles que não o fizerem correm sérios riscos de extinção; 4. Conceder ao colaborador espaço e oportunidade para despertar novas habilidades, inclusive sua criatividade; 1.

Estimular que o colaborador aumente seu repertório cultural e tenha novas experiências, contribuindo com novas ideias e soluções; 6. Exercitar a empatia para entender olhares alheios e aceitar novos pontos de vista diferentes dos seus; 7. Se libertar dos bloqueios mentais que te impedem de ter novas ideias. 5.

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INSIDE Por Ana Luiza Morette

PGF 2018:

PROFISSIONALIZAÇÃO QUE ALIA TEORIA E PRÁTICA

O PGF agora é uma pós-graduação que alia conteúdo, tecnologia e aplicação prática

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A profissionalização é um passo essencial para a evolução de qualquer carreira: estudar e se dedicar a uma função é o principal fator para quando se quer crescer e alcançar lugares mais altos e superar desafios mais difíceis. Pensando nisso, o PARAR desenvolveu o PGF, o Programa para Gestores de Frota, um curso profissionalizante de gestão de frotas, dedicado a pessoas que já trabalham na área, ou que têm interesse em trabalhar, e que já capacitou mais de 1 mil profissionais. Como a vida profissional desses gestores, o PGF também evoluiu ao longo dos anos e hoje é um dos cursos mais reconhecidos da área, certificado pela NAFA (Associação Norte-Americana de Gestão de Frotas). Em 2018, o PGF deu mais um passo e tornou-se uma pós-graduação, em parceria com a UniFil - Centro Universitário Filadélfia, com sede em Londrina/PR, e a principal universidade de ensino à distância do Brasil. O Programa para Gestores de Frota do PARAR é o primeiro curso acadêmico para profissionais da área.


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O curso possui oito módulos que abrangem todas as áreas da profissão, permitindo uma formação completa como profissional e gestor de frota. Entre os módulos, estão:

ESTRATÉGIAS PARA GESTÃO DE FROTAS Aprofundar as estratégias para melhor entender o cenário da gestão de frotas e sua integração com os diversos setores de cada empresa.

POLÍTICA DE FROTAS E CONTRATOS DE TRABALHO Aprender a criar, validar e aplicar uma Política de Frota sólida é talvez a principal responsabilidade do gestor atual.

FLEET OPERATIONS - FROTA NA PRÁTICA Primeiros passos para entender as atividadeschave da gestão operacional de frotas.

TCO: CUSTOS X RESULTADO Um olhar global sobre os custos diretos e indiretos relacionados à compra e à gestão de frota.

KPI: INDICADORES PARA GESTÃO DE FROTAS Gestão baseada em indicadores claros, mensuráveis e relevantes. Afinal, "o que não é medido não é gerenciado".

CULTURA DE SEGURANÇA Cuidados para prevenir e evitar acidentes. Cultura da vida em primeiro lugar.

SUPPLY: GERENCIAMENTO DE COMPRAS Integração entre o gestor de frotas e o departamento de compras. Trabalho conjunto para selecionar fornecedores e parceiros alinhados à estratégia da empresa.

MOBILIDADE CORPORATIVA Compartilhamento, cooperação e sustentabilidade na busca de uma gestão de frotas mais segura, eficiente e integrada à sociedade.

Além dos módulos específicos, a formação inclui ainda Ética e Relações Interpessoais, Empreendedorismo, Metodologia de Pesquisa Científica e Seminários. Junto com a estrutura e os métodos de ensino da UniFil, o PGF continua completamente online, o que permite maior flexibilidade de horários para as aulas e conteúdos e torna mais fácil conciliar os estudos à vida profissional, por exemplo. Os conteúdos são todos elaborados por professores especializados da área e os alunos acompanhados por tutores, que podem auxiliá-los com os conteúdos e as leituras de cada disciplina, permitindo que a teoria seja aplicada em discussões mais práticas. O PGF conta com 360 horas de aulas e conteúdos diversos à distância e garante um certificado com a mesma validade e reconhecimento que um certificado presencial, mas com uma estrutura de ensino mais flexível e interativa. Dessa forma, é possível manter os conteúdos aprendidos no curso em prática na vida profissional e em discussões online com outros alunos, com professores e tutores, permitindo uma compreensão mais clara e uma aplicação mais evidente do conteúdo do curso. 

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ZOOM Por Loraine Santos

TERCEIRIZAÇÃO

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tecnologia está revolucionando o mundo e as empresas do setor automotivo precisam refletir sobre como gerar novos serviços que conectem as pessoas de maneira mais segura, eficiente e sustentável. A Cabify, empresa multinacional de rede de transporte, oferece opções de mobilidade mais econômica para passageiros corporativos, e muitas empresas que antes dependiam da frota in locco já estão devolvendo o leasing e ficando apenas com o aplicativo. A proposta da empresa paulista Bynd também está inovando o mundo corporativo: colaboradores que moram e trabalham perto um dos outros podem compartilhar carona através da plataforma.

Fotos: © Felipe Rosa/AGP / Pexels

Como a Ouro Verde, locadora com 26 mil veículos sob sua gestão, está conectando segurança, mobilidade e tecnologia para atender a nova geração de consumidores

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A Bora Bike, uma startup de programa de recompensa para ciclistas, permite que as empresas estimulem seus colaboradores a usarem as estações de bike, fazendo do ato de pedalar um jogo que gera prêmios para quem usufrui do benefício. Tem também a empresa Moobie que inovou o mercado de sharing oferecendo um oportunidade do usuário ganhar uma grana extra compartilhando seu carro em vez de deixá-lo ocioso enquanto está no trabalho, por exemplo. É fato que a mobilidade está revolucionando o mundo. São centenas de projetos inovadores que estão transformando a maneira como as pessoas se deslocam nas cidades. E, em meio a tantas mudanças, como os modelos tradicionais de geração de serviço automotivo estão se posicionando diante essas rupturas? Para Fabio Leite, Diretor Comercial & Marketing da Ouro Verde, um dos maiores players do mercado de gestão e terceirização de frotas no Brasil, as mudanças são oportunidades de gerar soluções que melhorem a experiência dos clientes. “A Ouro Verde, por exemplo, possui uma área específica dedicada à inovação e que está diretamente ligada às tendências de mobilidade. Fomos a primeira locadora a possuir veículos híbridos em nossa frota, e continuamos a observar as oportunidades para nossos clientes, seja por meio de veículo compartilhado, veículos elétricos ou veículos autônomos”, explica o diretor. Mesmo com as novas tecnologias e soluções alternativas, o mercado de gestão e terceirização de frota no Brasil tem apresentado grande potencial de cres-

cimento. De acordo com a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), o setor encerrou 2016 com frota de 660 mil veículos e tem expectativa de alcançar um patamar de cerca de 1 milhão até o final de 2018. “Apenas 11% da frota das empresas brasileiras é terceirizada, em alguns países da Europa, com por exemplo na Holanda, este número chega a 58%. Há muito espaço para crescimento”, afirma Leite. Porém, para garantir um crescimento sustentável, as locadoras precisam mudar seu mindset e oferecer serviços que vão além da locação. Segundo Leite, “na Ouro Verde a preocupação com os clientes frotistas é enorme. Nossos consultores têm por objetivo apoiar os clientes para que atinjam o sucesso em seus negócios. Obviamente, tudo isso é possível porque estudamos o mercado, nos atualizamos constantemente e trocamos informações com players do segmento automotivo”. Empresa apoiadora do PARAR, a maior plataforma de eventos e educação para profissionais de frotas e mobilidade da América Latina, a Ouro Verde é um partner atuante desde os primórdios do Instituto, em 2012. Para Leite, “o PARAR atua

em frentes variadas, promovendo ações e eventos para que centenas de gestores de frotas possam se encontrar e se aperfeiçoar. Essa parceria perene com o Instituto tem total ligação com nossa estratégia de crescimento e aproximação com os Gestores de Frotas do Brasil”. Quando o assunto é gestão de frotas, a segurança também precisa entrar na pauta. De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), 93% dos acidentes de trânsito são causados por negligência humana e mais do que acompanhar a evolução do novo mundo, as inovações tecnológicas relacionadas à mobilidade estão sendo desenvolvidas também com o objetivo de corrigir os erros cometidos atrás do volante. “Oferecemos aos clientes da Ouro Verde um Programa de Conscientização de Condutores, com intuito conscientizar os condutores sobre a necessidade de respeitar a política de frota, as leis de trânsito e mitigar os riscos. Além disso, aliamos a tecnologia ao serviço prestado para apresentar um diagnóstico real da frota do cliente, gerando oportunidades para melhorar a eficiência da gestão de frota. Ao longo de 2017, mais de 1000 pessoas participaram do programa”, conclui o Diretor. 

SERVIÇO: A Ouro Verde completa em 2018, 45 anos de atuação no mercado, com cerca de 250 clientes e mais de 26.000 ativos sob sua gestão (entre veículos leves e pesados). A empresa atua nos mais diversos segmentos da economia, como Alimentos e Bebidas, Farmacêutico, Tecnologia, Mineração, Florestal, Energia, entre outros. Desde out/17, a locadora fez grandes investimentos em suas plataformas, site, redes sociais e expandiu sua atuação comercial, com presença no Nordeste, SP, ES, MG, RJ e Sul, de forma a consolidar sua atuação a nível nacional. Para saber mais, acesse o site: ouroverde.net.br

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headline Por Karina Constancio

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da Lovelace, Grace Hopper, Karen Sparck Jones, Radia Perlman. Você pode até não conhecê-las por nome, mas a contribuição dessas mulheres para a tecnologia foi responsável por mudar o rumo da nossa história. Se, hoje, não conseguimos imaginar a nossa vida sem um computador é por causa delas. Ada Lovelace criou o primeiro algoritmo da história em 1843, muito antes de existir uma máquina que pudesse processá-lo. Grace Hopper soma títulos como pioneira, foi ela que programou o primeiro computador digital e também foi uma das criadoras do COBOL (Common Business Oriented Language), linguagem usada até hoje no processamento de bancos de dados comerciais. Karen Sparck Jones esteve envolvida na criação de um conceito que é a base do que hoje são os sistemas de busca e localização de conteúdo e a espinha dorsal de companhias como o Google. Radia Perlman é a criadora do protocolo STP (Spanning Tree Protocol) e considerada a "mãe da internet".

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Mesmo com feitos tão importantes para a tecnologia, essas histórias parecem curiosidades porque pouco se fala sobre as mentes brilhantes por trás dessas inovações. Mais curioso ainda é o fato de serem histórias dominadas pelas mulheres em um meio que é majoritariamente masculino. Se ampliamos a discussão sobre a participação feminina nas mais diversas esferas da força de trabalho, os números revelam que ainda há um longo caminho para ser percorrido. Um estudo da Brookings Institution reconheceu que a participação das mulheres na área de STEM (sigla para Science, Technology, Engineering & Mathematics) está abaixo dos 30% e é ainda mais rara quando se fala em posições de gerência ou liderança. No Brasil, a realidade não é muito diferente. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, apenas 20% dos profissionais que atuam no mercado de tecnologia da informação são mulheres.

Foto: © iStockphoto

Ainda minoria no setor, mulheres estão desafiando as estatísticas e fazendo história na tecnologia


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A engenheira eletrônica Vanda Scartezini atua na área há mais de 30 anos e viu sua candidatura a uma vaga na Telebrás ser negada pelo presidente pelo simples fato de ser mulher. Era meados da década de 70 e o Brasil passava pelo período da ditadura militar. O presidente da companhia, na época, era um general e, segundo Vanda, apesar de ser uma pessoa aberta, seguia a risca os padrões militares. Ele só aceitou conhecê-la depois de muita insistência de um outro diretor da Telebrás e, mesmo contrariado, aceitou dar uma chance para Vanda. Em menos de dois meses, ela já havia sido promovida à coordenadora de uma divisão. "O curioso é que, anos depois, quando eu assumi a Secretaria da Tecnologia, no Ministério da Indústria e do Comércio, em 1995, ele foi a primeira pessoa a me ligar para me cumprimentar", revela. Com uma carreira permeada por diversos prêmios, publicações científicas e especializações, Vanda atua, hoje, como consultora em TICs, Internet e Propriedade Intelectual, é presidente do conselho curador da FItec (Fundação para Inovações Tecnológicas), faz parte da ABRANET (Associação Brasileira de Provedores de Internet) e é fundadora da DNS Woman Institute, uma instituição de capacitação e network entre mulheres que estão envolvidas com o ambiente da internet. "Nós temos mais de 400 mulheres ao redor do mundo em 68 países. Nosso objetivo é estimular negócios entre elas e incentivar mais mulheres a entrarem nessa área", destaca. Vanda conta que passou sua carreira gerenciando equipes diversas e nunca teve problema com seus subordinados. "Talvez seja porque eu ignorava totalmente o fato de ser homem, de ser mulher ou de ser qualquer outra coisa". Na faculdade, porém, alguns casos isolados não saem de sua memória. "Um dos meus professores, toda vez que entrava na classe, olhava para mim e dizia: 'O que a senhora está fazendo aqui? A senhora tinha que estar fazendo café para o seu marido'. Eu ouvi isso todo dia, um ano inteirinho", lembra. Ela e uma outra estudante, já formada em Matemática, eram as únicas duas mulheres da turma de Engenharia Eletrônica, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

Fotos: Reprodução/Internet

Por Karina Constancio


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Cenário, esse, que não mudou muito com o tempo. Quando Camila Achutti passou em Ciência da Computação, na Universidade de São Paulo (USP), em 2010, não imaginava que seria a única da sua sala. "Só caiu a ficha no primeiro dia de aula. Curiosamente, era dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher", conta. Sua grande inspiração para entrar na área não foi nenhuma dessas mulheres citadas no início da reportagem, mas sim seu pai, que aprendeu programar ainda jovem e ditava os códigos por telefone. Camila lembra que muitas vezes ficava admirando seu pai ditar código em COBOL. Para ela, uma língua totalmente desconhecida que magicamente resolvia problemas. "Na época, eu não tinha noção, mas isso mudou drasticamente a minha visão de mundo. Eu sempre achei que programação era linguagem, que era um novo meio de comunicação". E foi assim que ela passou a se interessar pela área. "Na minha casa, computador era para todo mundo. Como éramos só eu e minha irmã gêmea, não tinha distinção do que era de menino e o que era de menina. Eu cresci e não tinha a menor ideia que tinha escolhido uma profissão que poucas meninas se interessavam", ressalta. Quando foi impactada por aquele cenário na faculdade, entendeu que precisava falar sobre isso e decidiu criar o blog Mulheres na Computação. "Queria mostrar que tecnologia era muito legal, que tinham mulheres atuando na área e que programar era um superpoder. Queria, de alguma forma, motivar outras meninas e mostrar que elas também podiam fazer isso".

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1. Ada Lovelace, a primeira programadora da história. 2. Radia Perlman, cientista da computação, referenciada como a "mãe da Internet". 3. Vanda Scartezini, engenheira eletrônica e consultora com mais de 30 anos de carreira.4. Conhecida como a "Rainha da Computação", Gracie Hopper abriu caminho para muitas mulheres. 5. Karen Sparck Jones, responsável pela tecnologia que serviu como base para o Google.

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Eu vejo que as pessoas já estão começando a entender que é necessário ter diversidade para se ter inovação"

Além disso, o blog vinha para preencher em Camila uma necessidade de se fazer pertencer. "O blog se chama Mulheres na Computação e eu era apenas uma menina aprendendo computação. Era uma forma de me empoderar", afirma. O grande gargalo que percebeu na graduação foi que ela entrou na faculdade sem saber programar, enquanto todos os meninos já sabiam. "Eu via todo mundo estudar para tirar 10 na prova e eu tinha que estudar muito mais para tirar 6. Só que ninguém te conta isso, você chega lá e começa a pensar 'talvez eu não seja boa nisso', 'talvez isso não seja para mim'". Isso acontece, de acordo com Camila, porque ainda tem uma barreira para as mulheres chegarem à tecnologia. "Você começa a ler sobre programação e os exemplos que têm são todos relacionados à Star Wars, pôquer, eu nem sei as regras do pôquer. De alguma maneira, a gente criou esse

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estereótipo tão forte do que é de menina e o que é de menino, como se isso fosse muito antagônico, separado, mas não é. Existe essa diferença de conhecimento, porque meninas, em geral, não reconhecem que elas são capazes de fazer aquilo, ninguém fala isso para elas, elas não vêem outras meninas fazendo e é óbvio que elas não podem fazer algo que nunca viram", ressalta. Além de ser uma das fundadoras da consultoria em inovação Ponte 21, Camila Achutti criou uma plataforma de educação, a Mastertech, para ensinar tecnologia para meninos e meninas. "Nós temos 70% de alunas mulheres. Não por sorte, mas por trabalho duro, porque existe um esforço do nosso lado para trazer essa menina. Naturalmente, ela não vem". Uma das estratégias usadas por Camila é a empatia. Ao invés de chamar um curso básico de "Introdução à Programação",

na Mastertech, ele se chama "Programação para não programadores". Além disso, todos os textos de divulgação tentam mostrar que aquele espaço é destinado para todos que querem aprender, mesmo que nunca tenham ouvido falar em código. Aos 26 anos, Camila está na lista da revista Forbes como uma das jovens mais promissoras com menos de 30 anos e entende que sua história serve de exemplo para muitas meninas que querem entrar nessa área. "Eu espero que a gente chegue em um momento histórico em que não vai ter mais sentido o blog se chamar 'Mulheres na computação', ele vai ter que ser apenas `Seres humanos na computação'. Eu vejo que as pessoas já estão começando a entender que é necessário ter diversidade para se ter inovação". Esse, segundo Camila, é o primeiro passo para que, de fato, se comece a avançar.

Fotos: Divulgação

CAMILA ACHUTTI, empreendedora formada em Ciência da Computação e fundadora da Ponte 21 e da plataforma Mastertech


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MULHERES NA LIDERANÇA Um outro estudo, feito pelo Linkedin no ano passado, mostrou que, enquanto as mulheres preenchem 30% das posições de trabalho na área de tecnologia, em cargos de liderança, elas não ocupam nem 20% das vagas. Mesmo sendo uma parcela pequena, a notícia não é ruim. Se comparado com cenários anteriores, o setor de tecnologia foi o que mais evoluiu em contratações, com um crescimento considerável de mulheres trazidas para ocupar cargos de liderança. Para Alessandra Bomura, executiva da área de tecnologia da informação, os números refletem um problema cultural. As meninas são menos estimuladas a se interessar pela tecnologia com brinquedos e atividades e, portanto, demonstram menos interesse na hora de escolher a profissão. "Como as posições de alta liderança são um funil, é apenas uma consequência ter menos mulheres executivas em tecnologia. Eu mesma, em alguns processos para contratar diretores para a área de TI, não encontrei sequer candidatas mulheres para entrevistar". Alessandra ainda destaca que não há fórmulas para reverter esses números. "Isso passa por uma compreensão das barreiras que afastam ou atrapalham a maior presença de mulheres em tecnologia e também nas posições de liderança, das mudanças nas organizações para que tenham mais flexibilidade para as pessoas conciliarem suas necessidades pessoais com as profissionais e também criem ambientes mais acolhedores e com mais

suporte para o desenvolvimento dessas profissionais". Um dos grandes desafios das mulheres é conciliar os papéis de executiva com a maternidade e as atividades da vida pessoal. "Nesse sentido, o que eu sempre fiz foi pedir muita ajuda a todos ao meu redor, em especial ao meu marido, que assumiu muitas vezes responsabilidades que, em geral, são vistas mais como femininas, como fazer supermercado e tarefas domésticas ou buscar os filhos na escola. Acredito que leva alguns anos para entendermos que, por mais que sejamos dedicadas e competentes, não somos ‘mulher maravilha’ e não damos conta de tudo sozinhas". Para Alessandra, isso não é fácil, mas é possível. "Quando eu escolho ser CIO (Chief Information Officer) de uma empresa, eu escolho trabalhar muitas horas, viajar bastante e estar sempre disponível. Por outro lado, eu tenho uma oportunidade quase única de muita realização profissional, aprendizado, crescimento e reconhecimento. Acredito que o amadurecimento nos faz menos ansiosos, mais resilientes e isso ajuda muito. Além disso, eu tenho bastante disciplina para não abrir mão do que é importante para mim e sinto que a minha vida é equilibrada e coerente com o que eu amo fazer", conta. Para se obter esse equilíbrio, é importante que as empresas que recrutam essas profissionais entendam esses desafios e desenvolvam ações e projetos que ajudem as mulheres a deixarem "todos os pratos rodando". Para Alessandra, não adianta discussões e metas de diversidade

> Alessandra Bomura, executiva da área de tecnologia da informação.

somente pelo número. "O que realmente precisamos é evoluir na criação de ambientes realmente atrativos para mulheres, diferentes gerações e raças. As empresas que oferecerem isso serão as que atrairão melhores talentos e serão bem sucedidas", ressalta.

MUDANÇA NA BASE Não tem como falar em mais representatividade sem envolver a educação nesse processo. Além de mais oportunidades no mercado de trabalho, é preciso incentivar jovens meninas a se interessarem pela tecnologia e perceberem que são capazes de fazerem isso. Na ETEC Pirituba, uma escola técnica estadual localizada na zona oeste da capital paulista, dos 900 alunos, 75% deles são meninos. “Existe essa barreira que começa desde o ensino fundamental, onde os próprios professores dizem que as meninas são ruins em matemática.Eu encontrei alunas que achavam que nunca seriam boas, e eu dizia que não, que elas podiam conseguir. Precisamos eliminar essa cultura que diminui as meninas na escola e isso tem que começar pelo professor. Nós temos que ajudar as meninas a subirem os degraus para que estejamos todos no mesmo degrau", destaca Eliane Leite, diretora da ETEC.

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que um dia um aluno chegou até ela e falou emocionado que nunca havia tido uma diretora negra e que aquilo era muito importante para ele. "Você percebe que ELIANE LEITE, diretora da ETEC acaba inspirando outros jovens, que eles passam a te olhar de outra forma. É a mesma coisa com as meninas, elas se sentem empoderadas. Olham para você e pensam: eu também consigo chegar lá", diz. Foi esse mesmo cenário que incentivou a professora Cláudia Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e duas ex-alunas, Suzyanne Oliveira e Nayara Rocha, a criarem o projeto Code Girl, que tem como objetivo incentivar a participação feminina no mercado de trabalho de TI. As poucas ser uma equipe, e isso é uma grande rimeninas que ingressam na área, acabam queza. Infelizmente, algumas discussões desistindo no meio do curso. Em pesquide empoderamento feminino parecem, sas, elas identificaram que o desencoramuitas vezes, nos colocar em oposição ao jamento familiar era um dos principais homem, mas não é isso. Tem que ser de obstáculos para a inserção de meninas igual para igual", comenta. essa área. Desde então, elas vêm promoPara Claudia, a diversidade traz riqueza vendo uma série de ações e eventos para de observação e de habilidades. "Se você fomentar a discussão sobre os desafios começa a tratar diferentemente o que é enfrentados por essas mulheres e como para mulher e o que é para homem, isso estão fazendo para superá-los. "Queresó limita e acaba atingindo os meninos mos que elas acreditem que elas podem também. O estereótipo é cruel. Então, nós ser e fazer o que quiserem e o grande ditemos que trazer o debate, a discussão, o ferencial é que nós entendemos que um diálogo. As meninas precisam se aproprojeto de inclusão não pode excluir. Enpriar do seu próprio desenvolvimento e tão, nós chamamos os meninos para que os meninos também", reflete. eles também entendam as O que podemos identificar é que há um dificuldades que as meniavanço mais qualitativo do que quantinas passam", explica Clauficativo, ou seja, mesmo com um debate dia. Elas já perceberam mais aberto sobre o assunto e com mais que houve uma aumento mulheres ingressando nessa área, os núsignificativo do número meros ainda revelam que há um longo de meninas nos cursos. caminho a ser trilhado. Por enquanto, o Hoje, elas representam que essas histórias nos mostram é que 30% dos alunos, enquanto muitas mulheres estão levando a sério a até um tempo atrás não famosa frase da pioneira da tecnologia, chegavam nem a 10%. “Eu Grace Hopper, de que "é mais fácil pedir acredito que quando você perdão do que permissão” e provando acolhe os meninos e as que lugar de mulher é onde ela quiser, inmeninas, eles aprendem a clusive, na tecnologia. 

> Code Girl incentiva a participação feminina no mercado de trabalho de TI

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Professora de matemática, ela conta que quando assumiu a direção da escola, em 2014, se deparou com um cenário majoritariamente masculino nas salas de aula. "Percebi que elas achavam que não eram boas com números e eu comecei a desenvolver projetos para despertar o interesse dessas meninas pelas exatas e pela tecnologia", conta. Além de incentivar a participação delas em competições científicas, Eliane procura trazer mulheres da área para compartilhar suas histórias. Uma forma das meninas enxergarem que se existem profissionais que já fazem isso, elas também podem fazer. O esforço tem dado certo. Entre os vários prêmios já conseguidos pela ETEC em disputas científicas, um em especial levou um grupo de alunos, formado por 5 meninas e 2 meninos, à Índia para uma competição internacional de matemática. Eles foram selecionados para representar a escola depois de um excelente desempenho na Olimpíada Internacional Matemática sem Fronteiras, que estabelece uma competição entre escolas do mundo todo. Para Eliane, aproximar esses alunos de mulheres que estejam trilhando caminhos nas mais diversas áreas é muito importante para a representatividade. "Aqui na escola, por ser diretora, mulher e negra, eu senti um grande preconceito. Precisei provar coisas que não fariam um homem provar. Então, eu busco reconhecimento sim e sei que posso ser um instrumento de mudança", ressalta. Ela lembra

Nós temos que ajudar as meninas a subirem os degraus para que estejamos todos no mesmo degrau"


headline Por Beatriz Pozzobon

Jornada flexível de trabalho beneficia empresa e colaboradores, que têm mais liberdade para conciliar carreira com vida pessoal, além de perder menos tempo no trânsito

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or que todo mundo tem que entrar e sair do trabalho na mesma hora? Por que todos operam na segunda-feira? Por que o horário de almoço é sempre o mesmo? Por que os bancos não podem funcionar aos sábados e fechar às sextas-feiras? Esses foram alguns dos questionamentos trazidos pelo publicitário Walter Longo, um dos nomes mais reconhecidos da

comunicação no país, durante palestra realizada na V Conferência Global PARAR - Welcome Tomorrow no ano passado. Segundo ele, esse é um conceito originado na Revolução Industrial, quando as linhas de produção obrigavam todo mundo a estar junto, no mesmo horário e no mesmo local. Dois séculos depois, com as evoluções tecnológicas, não precisa mais ser assim. Aliás, seria bom que

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DAS 8h ÀS 18h?


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não fosse. Porque, de acordo com Longo, se por um lado a sociedade se aglomera nos grandes centros por razões positivas, por outro, é preciso ter a responsabilidade de resolver o problema circulatório desse “corpo”. Implantar horários alternativos de trabalho nas empresas seria uma das soluções plausíveis. O que, além de contribuir com o descongestionamento do trânsito, dá mais liberdade ao colaborador. E algumas empresas já têm pensado dessa forma. É o caso da PwC Brasil, com sede em São Paulo. Desde 2014, a empresa adota o “Flex Menu”, uma iniciativa que dá mais opções para que o funcionário encontre a melhor forma de equilibrar a vida pessoal e profissional. A flexibilidade de horário e local de trabalho traz benefícios adicionais, como a redução no tempo gasto no trânsito. Quem explica é a diretora de RH da Pwc Brasil, Érika Braga. “Ao conseguir equilibrar carreira e vida pessoal, o profissional fica mais motivado, melhorando também o engajamento nos trabalhos, seu desempenho nos projetos e, consequentemente, sua produtividade, o que é benéfico para ele e também para a empresa.” O “Flex Menu” da PwC Brasil contempla três modalidades: FlexTime, FlexWeek e FlexPlace. O FlexTime flexibiliza o horário de início da jornada de trabalho, que pode ser iniciada entre 7h e 10h e encerrada, respectivamente, entre 16h30 e 19h30, respeitando as oito horas diárias e o intervalo para almoço. O FlexWeek permite reorganizar a jornada semanal de 40 horas, de modo que a carga diária de trabalho seja flexível e possibilite a compensação de horas para o descanso de um dia na semana. Por exemplo, o profissional que trabalhar 10

horas de segunda a quinta-feira, pode ter a sexta-feira como um dia de descanso. Já o FlexPlace possibilita trabalhar uma ou duas vezes por semana de casa, o conhecido home office.

FUNCIONÁRIOS APROVAM A iniciativa da PwC Brasil de flexibilizar o horário de trabalho é vista com bons olhos pelos colaboradores. É o caso do analista de RH, Arthur Mello, que trabalha na empresa desde os 15 anos, ainda como aprendiz. Mello afirma que, quando estava na escola, precisava entrar e sair mais cedo do trabalho. E, quando entrou na faculdade, a necessidade se inverteu. Assim, ele entrava na empresa mais tarde e ficava até mais tarde também. “Sempre pude flexibilizar os horários de acordo com as minhas necessidades”, destaca. “Assim, tenho tranquilidade e autonomia para equilibrar minha vida, além da rotina de trabalho, com os horários que faço natação e com eventuais consultas médicas”, acrescenta o analista. O diretor Antônio Rocca, da consultoria de negócios, é responsável por uma equipe de 16 engenheiros na PwC Brasil e diz que a receptividade, com a flexibilização do trabalho, é grande entre os funcionários. O home office, por exemplo, é uma possibilidade graças às tecnologias da comunicação, que permitem um contato imediato com os colaboradores. Segundo ele, essas medidas têm contribuído com a qualidade de vida entre eles e com a própria produtividade e concentração no trabalho.

BOSCH TAMBÉM ADOTA JORNADA FLEXÍVEL O Grupo Bosch emprega no Brasil cerca de 8.500 colaboradores e adota a jornada flexível de trabalho no país desde 2013. A empresa promove globalmente uma iniciativa denominada “Inspiring Working Conditions” que, entre outros princípios, apoia a flexibilidade e a mo-

dernização do ambiente de trabalho. “Para nós, é importante estarmos prontos e nos manter atrativos. No Brasil, foram criadas as modalidades Home Office, Part-Time e Turnos Administrativos para atender a demanda atual dos profissionais que buscam ambientes mais abertos, flexíveis e criativos”, explica a gerente de RH da Bosch América Latina, Paula Pessoa. A flexibilização do horário de trabalho e a possibilidade de trabalhar de casa têm proporcionado benefícios para a empresa, como a motivação dos colaboradores, maior produtividade, mais foco e a retenção de talentos, otimização de custo com espaços físicos nos escritórios, bem como aumento da atratividade da marca Bosch como empregadora.

NA AVAYA, HORÁRIO ALTERNATIVO JÁ É REALIDADE A Avaya, empresa de telecomunicações, trabalha mundialmente com horários flexíveis, incluindo a prática de home office. A multinacional oferece as ferramentas para que os colaboradores se conectem de onde eles estiverem, o que possibilita a flexibilidade de horário. Dos 150 funcionários da Avaya Brasil, a maioria trabalha em São Paulo. “O horário flexível é uma grande vantagem, pois é possível, por exemplo, fugir dos horários de pico de trânsito”, pontua Patrícia Cardoso, líder de RH da Avaya Brasil. Além disso, caso uma reunião seja muito cedo, o colaborador pode acessar o conteúdo de casa, ao invés de ir ao escritório. E em casos dos funcionários que trabalham em times globais, é possível ajustar o horário de acordo com o fuso horário da equipe. 

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WTM18 coloca o ser humano no centro das discussões e oferece três dias de imersão no berço da inovação em São Paulo

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obility is everything. Se fosse possível resumir o propósito do PARAR em uma frase seria essa. Mobilidade é tudo. É comum quando paramos para refletir sobre o tema, naturalmente, levar a discussão para a situação das nossas cidades, do trânsito caótico ou para mais novas soluções de mobilidade que vão revolucionar o nosso futuro. Todos esses pontos são, sim, mobilidade e merecem a nossa atenção. Porém, o que o PARAR está propondo é abrir o leque. Mobilidade também tem tudo a ver com inteligência artificial, IoT, big data. Está estritamente ligada à maneira como trabalhamos, nos relacionamos e fazemos nossas atividades. Envolve mudar a forma como as empresas olham para seus funcionários e como eles fazem para ir e voltar para o trabalho. É sobre coworking, home office, horário alternativo de trabalho. É sobre comunicação e uma liderança que olha para o futuro. Envolve também a mobilidade aérea. Drones, carros voadores, aviação comercial e executiva, startups que estão revolucionando a maneira como viajamos. Tem, acima de tudo, tudo a ver com pessoas.

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No dias 29, 30 e 31 de outubro, o PARAR, em parceria com a Revista Quatro Rodas, vai levar esses temas para discussão na Welcome Tomorrow 2018 (WTM18), a sexta edição da Conferência Global PARAR e o maior evento sobre mobilidade e gestão de frotas do mundo. O encontro é voltado para profissionais que querem viver uma experiência de imersão sobre futuro, tecnologia, smart cities e mobilidade inteligente. O novo mundo de mobilidade que está emergindo nas cidades promove efeitos que vão impactar todas as pessoas que precisam ir de um ponto ao outro para realizar suas atividades diárias. Quando se fala na realidade das empresas, esse futuro representa um diferente cenário de atuação, no qual cuidar dos seus funcionários envolve repensar a maneira com que eles fazem seus deslocamentos e, mais do que isso, ajudá-los a se movimentar de forma mais segura, rápida e inteligente. "A gente acredita que o mundo sem mobilidade vai muito além do que perder tempo em deslocamentos: nos tira o direito de viver com qualidade. Não queremos discutir apenas os modais ou as inovações tecnológicas que vão revolucionar a forma como a gente se desloca, mas queremos olhar para a mobilidade como um serviço. Será mesmo que eu preciso sair de casa ou do trabalho, gastar minutos valiosos no trânsito, para fazer determinada atividade? Quais são os serviços que vão facilitar a minha vida e evitar deslocamentos desnecessários? Colocar a mobilidade como prioridade é colocar a sua vida e o seu tempo em primeiro lugar", ressalta Flavio Tavares, fundador do PARAR.

> Flavio Tavares, fundador do PARAR e idealizador da WTM18

Pela primeira vez, o evento será realizado no WTC, o principal centro de eventos do Brasil, e que será inteiramente reservado para a WTM18, transformando o local em uma verdadeira imersão no mundo da mobilidade. O evento pretende reunir três mil executivos presencialmente e mais de 300 mil na transmissão online. A programação será dinâmica, com palestras, painéis de discussões, pitchs, workshops e talk shows, em trilhas simultâneas de conteúdo sobre mobilidade, gestão de frota, tecnologia, futuro e propósito. Os temas serão tratados por mais de 100 palestrantes nacionais e internacionais, compartilhando experiências desenvolvidas ao redor do mundo. Entre os nomes já confirmados estão: Fabio Coelho, presidente do Google Brasil, Laercio Albuquerque, presidente da Cisco, o dinamarquês Peter Grøftehauge, CEO da Autorola, e o italiano Giovanni Savio, Presidente da Planet Idea e responsável

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pelo projeto da primeira cidade inteligente social do mundo. Para estimular as conexões, uma Feira de Negócios trará 80 das principais empresas do setor. Também está programada uma nova edição da Startup Show que trará 50 startups inovadoras com soluções inteligentes de mobilidade e impacto social. Reconhecido pelo público por ser mais do que um evento de conteúdo e networking, a WTM18 promoverá experiências do começo ao fim. Entre as atrações já confirmadas estão: Electric Drive Experience (espaço exclusivo para experiências em mobilidade elétrica e conectada), mentoria com executivos, bootcamps para aprendizagem imersiva, Pub com Propósito (espaço exclusivo para C-levels com o intuito de promover o networking), agenda cultural paralela nos dias de evento e vida noturna ativa com shows e apresentações especiais. Todos os detalhes sobre o evento, inclusive os speakers já confirmados, estão disponíveis no site: wtm18.com.br.

Foto: Divulgação

CONTEÚDO, EXPERIÊNCIA E NETWORK


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“PORQUÊS” PARA FLAVIO TAVARES.

Por que “Mobility is everything”? Quando pensamos em mobilidade, uma das primeiras coisas que vem a nossa mente é o tempo. Quando ficamos presos em um engarrafamento ou quando não conseguimos fazer tudo o que gostaríamos pela falta de mobilidade, ficamos estressados pensando no quanto de tempo perdemos nisso e ansiosos sobre o quanto deveríamos ter mais tempo para realizar nossas atividades. Nós queremos mudar essa perspectiva, o que importa não é o tempo que perdemos. O que, de fato, estamos perdendo com as rotinas aceleradas das cidades é a nossa vida. Sabe por que? Porque tempo é vida, e esse é o

valor mais precioso que nós temos. É uma oportunidade única e nós devemos vivê-la com a maior qualidade que pudermos. Por isso, estamos trazendo esse novo conceito, de que mobilidade é tudo, é a sua vida. Esse é o grande desafio que temos nesse evento, despertar nas empresas esse entendimento. Fazê-las compreender que se preocupar com a mobilidade dos seus colaboradores é se preocupar com a vida deles. É se preocupar em dar mais vida ao tempo que lhe sobram. Tenho dito que a mobilidade não é um fim, é somente um meio. O fim é construirmos empresas que tenham como propósito o cuidado com as pessoas. Companhias que as coloquem, de fato, como o centro de qualquer negócio. Por que a WTM18 é o mais do que um evento? Afirmamos, muitas vezes, que a WTM18 é mais do que um evento por algumas razões simples. A primeira é porque todo evento é construído com base em valores. Queremos ter networking, queremos que o evento cresça, mas nada disso nunca será mais importante do que despertar nas pessoas e nas empresas o desejo de saírem diferentes dalí. Queremos que nossos valores se tornem os valores de muita gente, e o evento tem isso como coluna vertebral. A segunda é que preparamos inúmeras experiências durante esses três dias, de forma que cada participante possa não só ouvir, mas viver na prática o que estamos falando. Acreditamos que o verdadeiro aprendizado se dá dessa forma, quando conseguimos conectar a razão com a emoção, e isso é uma das coisas que mais nos empenhamos em fazer. A terceira é que iremos promover, neste ano, algo inédito. A maioria das soluções que defendemos como alternativas para a mobilidade estarão acontecendo lá, para você vivenciar isso. Vou dar alguns exemplos: teremos salas de coworking para você trabalhar enquanto estiver por lá, teremos horários alternativos de início e encerramento do evento para fugir dos picos do trânsito, teremos espaços de academias lá dentro, com pilates, ioga, alongamentos e outras atividades físicas há poucos passos, para que você tenha um tempo para se exercitar, cuidar da mente e do corpo. Teremos salas de videoconferência para que você realize alguma reunião que precise fazer. Enfim, você não terá desculpa para não ir, pois vamos construir nesses três dias o ambiente ideal para que resolva qualquer coisa que seja importante para você enquanto estiver por lá. Por que empresas precisam se preocupar com a mobilidade? As razões são muitas, porém, vou destacar três motivos-chave. O primeiro é porque quando as empresas se preocupam com a mobilidade, elas estão cuidando daquilo que é mais importante para qualquer companhia: as pessoas. O segundo é porque é possível, com ações simples, ajudar a resolver um problema que afeta todo mundo, não importa raça, gênero ou classe social. Já o terceiro é porque esse é um valor que também gera um ganho econômico. Quanto mais as empresas cuidarem disso, mais benefícios econômicos terão, como um time mais produtivo, um melhor aproveitamento dos benefícios de deslocamento e mais tempo para ser utilizado com o realmente importa.

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“PORQUÊS” PARA WALTER LONGO.

Por que ser mentor de estratégia e inovação do PARAR? Minha admiração pelo Instituto PARAR teve início com minha participação como palestrante no evento Welcome Tomorrow do ano passado. Fui impactado por uma organização impecável, um cuidado extremo com detalhes e uma qualidade de conteúdo muito difícil de se encontrar em outros eventos de negócios. Mas o que mais me impressionou foi ver que se tratava genuinamente de um projeto com causa, com senso de missão, buscando melhorar a qualidade de vida das cidades e de seus cidadãos. O convite para ser Mentor de Estratégia e Inovação me deixou muito feliz e espero fazer jus à confiança e responsabilidade que a missão encerra. A Welcome Tomorrow é apenas a face mais evidente das dezenas de atividades desenvolvidas pelo PARAR na busca de soluções racionais e eficientes para a mobilidade em nosso país. Reunindo notáveis especialistas e conexões com vários centros de estudo no mundo, nosso objetivo é colocar o Brasil como um think tank de pensamento disruptivo na busca de soluções para a melhoria da qualidade de vida nas grandes cidades. Mais que colocar mais tempo em nossa vida, a mobilidade deve possibilitar mais vida em nosso tempo, alterando as relações pessoais através de uma tecnologia em prol de uma sociedade mais pródiga, consciente e igualitária. Por que as cidades precisam ser repensadas? A concentração populacional em grandes conglomerados urbanos faz da mobilidade o maior desafio que temos a enfrentar.Assim como no corpo humano, qualquer organismo com um sistema circulatório deficiente gera problemas em todos os órgãos desse corpo. E a opção multimodal dos transportes ainda se estabelece de maneira dis-

> Walter Longo, empreendedor digital, palestrante internacional, sócio-diretor da Unimark e mentor de estratégia e inovação do Instituto PARAR.

putada e não integrada. Normalmente, para que um sistema ganhe, um outro tem de perder e essa não é a visão moderna de mobilidade. A solução que devemos buscar é de uma política de mobilidade colaborativa e generativa onde cada modal auxilia na melhoria do outro e vice-versa. Para isso, são necessárias mudanças profundas na legislação, na gestão pública e na consciência da população. E esse é o tripé em que se baseia o conteúdo da WTM18 deste ano. Por que as empresas mais revolucionárias do mundo possuem alma digital? Muita gente tem se preocupado em criar e desenvolver armas digitais e, para isso, buscam ter um site relacional, amigos no Facebook ou seguidores no Instagram. Mas tão importante quanto ter armas digitais é desenvolver uma alma digital na organização. E alma digital é ter a capacidade de aproveitar e explorar todas as potencialidades que o universo digital propicia à gestão corporativa e

não apenas à comunicação empresarial. Uma empresa com alma digital pode e deve rever estruturas hierárquicas piramidais de autoridade e comando, descentralizar o poder de decisão dando mais autonomia à ponta da cadeia operativa, trocar custos fixos por variáveis através de sistemas generativos, manter uma relação constante e individual com seus clientes a custos permissivos, utilizar algoritmos na formulação de esforços de cross-selling, criar novos canais complementares de vendas, serviços e atendimento, reduzir custos de pesquisa inovando na busca de informação, integrar big data defensivo e ofensivo através de data lakes, desenvolver realidade aumentda como ferramenta de treinamento e comercialização e mais, muito mais… Alma digital é entender que inovação é muito mais uma questão de ótica do que de fibra ótica, e que cabe a cada um de nós avaliarmos nossos métodos de gestão e operação procurando fazer diferente para fazer diferença. 

SERVIÇO: O quê: Welcome Tomorrow 2018 - VI Conferência Global PARAR Quando: 29, 30 e 31/10/2018 Onde: WTC Events Center (Av. das Nações Unidas, 12551 Cidade Monções, São Paulo - SP) Informações: wtm18.com.br

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headline Por Ana Luiza Morette

AÇÃO

E PROPÓSITO

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xercitar nosso propósito é essencial para nos manter felizes e realizados com aquilo que estamos fazendo. Por muito tempo, trabalhar foi sinônimo de sobreviver: trabalhávamos para ter o que comer, para pagar contas, para bancar nosso transporte e algum tipo de lazer. O esforço no trabalho era garantido, independente se aquilo nos agradava ou nos fazia feliz. Fazíamos porque era necessário. Agora, uma nova era de negócios e realizações se mostra efetiva: fazer o que se ama como forma de sobrevivência. “Propósito não precisa ser fazer coisas gigantescas, encontrar a solução para um problema enorme no mundo. Propósito é encontrar qualquer coisa que faça sentido para a gente, e que pode mudar com o tempo”, explica Gustavo Tanaka, empreendedor, palestrante e

Quando nosso maior objetivo é viver uma vida com propósito, é preciso encontrar lugares e pessoas que façam sentido para nós

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autor do livro 11 Dias de Despertar. O nosso instinto de fazer tudo pela necessidade também tem tudo para mudar, acredita Tanaka. “A gente nunca pôde fazer as coisas porque queria. Para ver um filme na TV, tínhamos que esperar a programação. Se queríamos ouvir uma música, ficávamos o dia todo ao lado do rádio esperando tocar. Agora, temos Spotify, Youtube, Netflix, em que acessamos tudo quando e o quanto queremos”. Para ele, o segredo é aprender a ouvir e respeitar o que pede o coração e a intuição, e assim realizar as nossas vontades e objetivos. Depois de por em prática isso, a felicidade de ver realizadas todas as coisas que sonhamos e idealizamos é inevitável. Viver fazendo coisas que façam sentido para nós e que façam sentido para outras pessoas que estão conectadas é o maior marco de uma vida com propósito. “Pensar que a jornada do que eu já fiz me trouxe até aqui”, é assim que Caroline Bücker, consultora de design thinking, define sua felicidade em viver uma vida com propósito. Caroline conta que consegue identificar seu propósito quando se vê palestrando ou trocando ideias com pessoas que fazem questão de se conectar com ela, em lugares onde há espaço para esse compartilhamento de pensamentos e objetivos. Conseguir ser um orientador de soluções também é essencial para construir uma realidade com algum sentido. Às vezes, na gana de ver apenas o lado bom, de estar sempre feliz, de não se chatear, as pessoas acabam fechando os olhos ou negando os problemas e, dessa forma, nunca encontram soluções. “Também precisamos olhar para o problema e entender que ele existe, e quando a gente entende que ele existe, a gente pode resolver”, acredita Caroline. Essa nova era de relações interpessoais e emprego de propósito existe, mais que tudo, proatividade e coragem para respeitar nossos desejos e pôr em prática nossos sonhos. Para Caroline Bücker, esse

O segredo é, afinal, encontrar um sentido nas coisas que fazemos e que queremos fazer. Não é preciso encontrar a cura de uma doença rara ou a chave para a paz mundial, mas fazer questão de impactar a realidade ao seu redor, por menor que ela seja.

é o momento de correr atrás de inovações simples, mas consistentes. “É aquela ideia que te faz sentir ‘É isso!’ e encontrar pessoas que também acreditem nisso para realizarem juntos. Se não der certo, tudo bem. Vamos precisar pensar outra vez e descobrir onde está errado. Sem encontrar culpados ou deixar que o ego fale mais alto”. O segredo é, afinal, encontrar um sentido nas coisas que fazemos e que queremos fazer. Não é preciso encontrar a cura de uma doença rara ou a chave para a paz mundial, mas fazer questão de impactar a realidade ao seu redor, por menor que ela seja. Caroline conta que as mortes por afogamento no verão nas praias do Rio Grande do Sul foram reduzidas em 100%. “Ano passado, morreram 500 pessoas. Esse ano, ninguém morreu, simplesmente porque o salva-vidas apita para a pessoa sair do mar assim que ela entra um zona perigosa, ou seja, antes que haja perigo ou que ela se afogue. Ele apita e agora mais ninguém morre, é uma coisa tão simples: quanto custa um apito?”. Isso mostra que devemos encarar os problemas de frente e buscar soluções. Devemos encarar os problemas com o viés de que podemos sim resolvê-los e como uma oportunidade de transformar nossa realidade e o mundo a nossa volta. 

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tips & cases Por Pietra Bilek

O SPEED UP DAS

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Ford Fund e Artemisia divulgam os negócios destaques no programa de aceleração de startups

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inovação no mercado de negócios é muito maior do que o surgimento de novas empresas, está estritamente ligada à capacidade que as corporações têm de se reinventar e de propor soluções criativas para problemas antigos. . Para manter esse potencial aceso, grandes empresas estão se conectando com startups e jovens empreendedores que possuem projetos disruptivos e de grande impacto social.Pensando nisso, o Ford Fund, braço filantrópico da Ford, e a Artemisia, organização pioneira no incentivo de negócios de impacto social no Brasil, se juntaram para dar um passo rumo ao futuro da mobilidade. Eles anunciaram, durante a Campus Party Brasil 2018, os três negócios que irão receber o capital semente no programa Ford Fund Lab: Inovação e Mobilidade: Garatéa, Onboard Mobility e JAUBRA. O programa avaliou mais de 150 startups, de todas as regiões brasileiras. Durante o processo, 20 delas foram selecionadas para participar de um processo de aceleração de curto prazo. Esse processo contou com workshops dinâmicos e webinares temáticos, onde as empresas tiveram acesso a ferramentas inovadoras, conteúdos exclusivos, conexão com outros empreendedores do setor e mentorias com especialistas. A gerente de Relações Corporativas e Responsabilidade Social da Ford, Roberta Madke, ressalta a importância de negócios que contemplem a população de baixa renda. “Ao olharmos a realidade do Brasil, as dificuldades de acesso afetam, principalmente, a população de baixa renda. Apoiar o fortalecimento de negócios com soluções eficazes de mobilidade e que tenham impacto social foi, de fato, algo marcante para a Ford. Pudemos trocar experiências com os empreendedores e nos aproximar de suas soluções e expectativas”. Ela ainda comenta sobre a importância do projeto. “O Ford Fund Lab é um exemplo do poder da união de diferentes atores sociais, uma vez que amplia o impacto dessas startups, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de milhares de brasileiros e ajudando a transformar a forma como o mundo se move”. A gerente de Conhecimento & Inovação da Artemisia, Paula Sato, explicou sobre a produção do programa e como os três negócios se destacaram pelo potencial de impac-

As startups foram avaliadas segundo seis bases principais do programa: Disponibilidade e diversidade de meios de transporte. Otimização do deslocamento para aumento da previsibilidade, agilidade e qualidade.

Redução dos custos logísticos.

Segurança, acessibilidade, autonomia e redução da vulnerabilidade no trajeto. Facilitação do deslocamento para conexão de pessoas a produtos e serviços básicos. Adequação ao espaço público para melhorar a mobilidade em cidades e fortalecer a cidadania.

to social.“Todo o programa foi elaborado para que os empreendedores pudessem ter maior clareza sobre os próximos passos do negócio e avançassem de forma rápida durante as 5 semanas de aceleração. As startups apresentaram soluções para problemas latentes enfrentados por pessoas de baixa renda quando o assunto é mobilidade e estão construindo modelos de negócios consistentes. Vimos o alto potencial de impactar positivamente o dia a dia de uma grande parcela da população”, ressalta.

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tips & cases Por Pietra Bilek

Conheça as histórias inspiradoras das startups selecionadas pelo Ford Fund Lab: Inovação e Mobilidade.

JAUBRA A comunidade da Brasilândia, em São Paulo, enfrenta a falta de oferta de transporte privado na região. Foi observando isso que Alvimar Silva, junto a alguns amigos, criou a UBRA, plataforma de transporte que atende as periferias e as regiões que são consideradas de risco por outros aplicativos. A iniciativa também oferece a opção de corridas compartilhadas, o que otimiza as locomoções de um ponto a outro. Com isso, os moradores passaram a ter mais mobilidade, conforto e segurança para se deslocarem em qualquer horário do dia.

ONBOARD MOBILITY Em uma cidade grande, para ir de um ponto a outro no dia a dia, quantos deslocamentos são necessários fazer? O empreendedor Luiz Renato criou uma solução com duas grandes vantagens para o cidadão: integrar diferentes modais e serviços de transporte urbano e o pagamento de créditos por meio de um só aplicativo de celular. Foi assim que surgiu a Onboard Mobility, ferramenta que pretende ser o mais seguro sistema de recarga e otimização de transporte do Brasil.

GARATÉA

Além desse programa que apoia as startups, a parceria entre Ford Fund e Artemisia, quer acrescentar ao plano global Ford Smart Mobility o desenvolvimento de uma Tese de Impacto Social em Mobilidade. Uma análise que reunirá informações relevantes sobre os desafios reais enfrentados pela população no dia

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a dia e apontar as oportunidades de negócios que visem melhorar a forma como a sociedade se move, desenvolvendo soluções que tragam mais acesso e qualidade de vida para a população, em especial, a parcela de baixa renda. O estudo tem previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2018. 

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Imagine quantas vidas podem ser salvas com uma corrente do bem, em que pessoas podem ajudar umas às outras enquanto os primeiros socorros estão a caminho. A organização Garatéa, criada por Alexandre Lima, Caio Poli e Iani Zeigerman, surgiu com o propósito de agilizar o atendimento em situações de urgência – principalmente em regiões de difícil acesso, onde os serviços demoram mais para chegar – ao conectar os serviços de emergência a uma rede de profissionais que pode auxiliar na prestação dos primeiros socorros. Enquanto a ambulância se desloca até o local, o respondente pode atuar para diminuir o tempo de espera, qualificar as informações de atendimento e aumentar as chances de sobrevivência das vítimas.


interview Por Beatriz Pozzobon

Consultor defende a contratação de jovens de até 30 anos para que as empresas se mantenham atualizadas

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que os jovens querem da sua vida profissional? A geração Millennial formada por indivíduos de até 30 anos busca um equilíbrio entre carreira e vida pessoal, além de empregos em que possam alinhar seus propósitos de vida com os da empresa. É o que revelou a quarta edição do estudo Millennial Survey publicado anualmente pela Deloitte. Essa pesquisa sugere, entre outras conclusões, que as empresas terão que realizar profundas mudanças para atrair e reter os talentos do futuro.

Quem reforça essa ideia é o escritor, mentor, e consultor de carreira Sidnei Oliveira, autor de vários livros sobre liderança e dos best-sellers da série “Geração Y”. Segundo ele, um dos maiores desafios para as empresas atualmente é reter os talentos que desenvolve. “Isso pode representar custos elevados se não for observado que esses jovens estão muito carentes de desafios e dar autonomia a eles é a melhor forma de garantir que os melhores talentos fiquem na empresa”, avalia o consultor.

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GERAÇÃO DO PROPÓSITO


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53% MULTINACIONAL QUER EMPREGAR JOVENS A Nestlé quer ajudar, até 2030, 10 milhões de jovens de todo o mundo a terem acesso a oportunidades profissionais. No Brasil, a iniciativa engloba a plataforma Nutrindo os Sonhos dos Jovens, por meio da qual a empresa já contribui para oferecer oportunidades para jovens, com o objetivo de contratar nove mil pessoas com idades abaixo de 30 anos até 2020. Dentro do "Nutrindo os Sonhos dos Jovens", a Nestlé também se uniu a outras 16 empresas para formar a Aliança pelos Jovens. O programa tem como prioridades dialogar com o jovem para empoderá-lo sobre a escolha profissional e o mercado de trabalho, identificar oportunidades de sinergia entre as empresas e implementar programas de excelência na formação dos jovens. A iniciativa é uma resposta a um anseio dessa geração, que tem a carreira como uma de suas maiores preocupações, segundo a pesquisa inédita “Próximos Jovens”, realizada em parceria pela Cia de Talento e pela Nextview. O levantamento mostrou que ter uma profissão é uma das prioridades na vida dos jovens de 14 a 19 anos hoje, sendo que 53% dos respondentes elegeu a carreira como uma das três coisas mais importantes da vida, quase empatada com ter uma boa relação familiar. A pesquisa também mostra que esses jovens estão preocupados em conciliar o sucesso profissional com a felicidade pessoal. Para 57% dos participantes, ser uma pessoa bem-sucedida no futuro depende do fato de ser feliz no trabalho. Já para 51%, o sucesso está ligado ao trabalho e a ganhar o suficiente para ter uma vida confortável. Além da Nestlé, participam da Aliança pelos Jovens as empresas Barry Callebaut, Bemis, Bunge, Cargil, CSN, Dairy Partners Americas, Engie, Galderma, Givaudan, Google, GRSA, Klabin, Nielsen, Owens-Illinois, Sodexo e Tetra Pak.

A geração Millennial é formada por um grupo de jovens com idade entre 16 e 30 anos. São pessoas que nasceram sob forte influência da evolução tecnológica, que aconteceu entre 1990 e 2010, representada principalmente pela abrangência da internet e pelo uso intenso dos smartphones. De acordo com Oliveira, o ideal é que as empresas busquem uma parceria entre os profissionais veteranos e os mais jovens. “O conhecimento dos profissionais mais experientes deve ser transferido aos novatos a partir de um trabalho de mentoria, para que eles saibam como transferir seus conhecimentos tácitos aos mais jovens.” Ainda segundo o escritor, a relação do indivíduo com o trabalho se transforma ao longo dos anos, muito por conta do cresciPesquisa mento da inteligência artificial, que está divulgada automatizando diversas atividades. Dessa pela Deloitte forma, os jovens apresentam novas exmostrou que pectativas em sua relação com o trabalho. Pesquisa divulgada pela Deloitte mostrou os jovens também que os jovens valorizam mais o valorizam mais propósito do negócio do que o lucro. Além o propósito do disso, a geração Millennial acredita pronegócio do que fundamente (75%) que as empresas estão mais focadas na sua própria agenda do o lucro. que em ajudar a melhorar a sociedade. Outros dados revelados pelo estudo é que apenas 28% dos millennials sentem que a sua atual organização está a tirar todo o partido das suas capacidades. Mais da metade (53%) aspira tornar-se líder ou um executivo sênior dentro da sua organização. E, por fim, eles dão menos valor aos líderes com visibilidade (19%), bem relacionados (17%) e tecnicamente habilitados (17%). Pelo contrário, definem os verdadeiros líderes como pessoas com um grande pensamento estratégico (39%), inspiracionais (37%), afáveis (34%) e visionários (31%). No entanto, essas ideias ainda se esbarram em empresas hierarquizadas e com processos rígidos. Essas empresas esperam que os jovens aceitem a realidade, mas que proponham inovações, mesmo que elas não sejam adotadas. Segundo Oliveira, por outro lado, grande parte dos jovens ainda apresenta uma atitude de baixa tolerância diante de frustrações e com uma atitude reivindicatória, esperando que tudo esteja de acordo com suas expectativas, antes de apresentar seu talento. De qualquer forma, o consultor destaca que as principais qualidades dos millennials são a energia e a mente mais conectada com a realidade atual, com esse mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo). “Sem esse tipo de pensamento, a tendência é que a empresa perca espaço rapidamente e seja absorvida pelas mudanças. Já há inúmeros casos de empresas incríveis que simplesmente morreram por não se atualizarem”, sentencia. O Estudo Millennial Survey da Deloitte foi realizado em conjunto com a Millward Brown com mais de 7.800 pessoas da geração Millennial de 29 países do mundo, entre outubro e novembro de 2014. 

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interview Por Loraine Santos

O PFC TE LEVA

ALÉM

O

Programa de Formação de Condutores (PFC), do Instituto PARAR, concluiu a primeira turma do curso no ano passado com mais de 5 mil alunos em busca de uma certificação. Durante todo o programa, realizado em uma plataforma online e interativa, os motoristas eram incentivados a melhorar seu desempenho com prêmios especiais para os primeiros colocados a cada módulo. Passaram pelo PFC grandes pilotos e especialistas no assunto, como Ingo Hoffmann, Helena Dayama, Cesar Urnhami e Luciano Burti. Além dos prêmios entregues durante os 8 módulos, o melhor aluno do PFC estava concorrendo a um Kwid zero km, o grande lançamento da Renault de 2017. O grande vencedor e o aluno com melhor desempenho no curso foi Daniel Nunes, eleito em 2017 como o Gestor de Frota do Ano, na V Conferência Global PARAR - Welcome Tomorrow. Em entrevista exclusiva à PARAR Review, ele conta um pouco sobre os aprendizados no curso e o entusiasmo com o prêmio.

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PARAR: Você foi o aluno que mais se destacou no PFC, qual foi o seu maior aprendizado com o curso? Daniel Nunes (DN): Foi uma ótima experiência! Oportunidade de rever conteúdos importantes, que muitas vezes só estudamos no momento de tirar a CNH, e de aprender muitas coisas novas com um time de instrutores super renomado no segmento automobilístico. Durante as aulas tive a oportunidade de aprender sobre direção eficiente, funcionamento do veículo, segurança, legislação e muito mais. Sem falar no privilégio de ser aluno de grandes ídolos, como César Urnhani, Luciano Burti, Ingo Hoffmann, Helena Deyama dentre outros ícones desse segmento. PARAR: 2017 foi um ano incrível para sua carreira e, em 2018, você está vendo os resultados do seu trabalho. Como foi pra você ser eleito como Gestor do Ano e ser o 1º colocado no PFC? (DN): Realmente é um ótimo momento! 2017 foi um ano fantástico e 2018 não poderia começar melhor. Um ciclo marcado por muito trabalho, resultados importantes e grandes realizações. O prêmio de Gestor do Ano certamente foi um marco em minha trajetória profissional, esse reconhecimento eu estendo a todos que trabalham comigo, a começar pelo meu braço direito na gestão de frota, Douglas De Los Santos, passando pelo pessoal administrativo que me dá suporte nas filiais e fechando com nossos condutores que atuam por todo Brasil. Bons resultados só são possíveis quando temos uma equipe competente, engajada e, por isso, me considero com muita sorte. Nada se conquista sozinho.

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Vencedor do prêmio do PFC compartilha sua experiência com o curso e fala sobre suas expectativas para esse ano


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Participar do desenvolvimento de um novo conceito de mobilidade, contribuir para um trânsito mais "leve" e mobilizar as pessoas é o que me move.” DANIEL NUNES Gestor de Frota do Ano

PARAR: O que achou do prêmio? (DN): Foi sensacional! O Kwid é o meu primeiro carro 0 km. Um veículo seguro, econômico, compacto para as cidades e com um ótimo espaço interno. A Renault está de parabéns por mais esse lançamento e eu muito grato por receber esse prêmio! PARAR: Como um profissional altamente engajado no setor, o que te faz ser apaixonado pela profissão? (DN): Como gestores de frota temos a oportunidade de atuar como agentes de mudança, tornar a operação mais segura e eficiente através da conscientização da equipe e garantir que os condutores retornem em segurança para casa.Tenho certeza que com muito trabalho podemos fazer a diferença! PARAR: Gestor de frotas agora é gestor de mobilidade. Você tem sentido essa mudança na prática? (DN): Hoje observamos que as empresas não precisam de veículos, se parar para pensar elas nunca precisaram, a real necessidade sempre foi a mobilidade. O carro é uma das alternativas para essa demanda, e como durante muito tempo a disponibilização de um veículo para o colaborador era o único meio viável de prover mobilidade, acabamos nos condicionando a isso. Esse cenário mudou e com o avanço da tecnologia, o surgimento de novas ferramentas de comunicação e a popularização das soluções de geolocalização, novas formas de deslocamento foram viabilizadas. Podemos observar os

aplicativos de carona, compartilhamento de veículos, integração de modais e muito mais. Mesmo ainda dependentes da posse do veículo, outras alternativas de mobilidade estão cada vez mais presente, e é nesse momento que surge a necessidade do Gestor de “frota” ampliar o seu olhar e propor para sua empresa novas alternativas. O uso de aplicativos como Uber, Cabify e outros similares já é uma realidade na rotina corporativa e muita vezes substitui a utilização de um veículo da frota. Outras soluções como o compartilhamento de veículo e de carona não estão amplamente difundidas, mas mesmo assim podemos observar vários gestores e empresas debatendo sobre o tema e pilotando projetos nesse sentido. Estamos em fase de transição, e esse é um caminho sem volta. Cabe agora aos gestores e profissionais da área de frota assumir o protagonismo e pilotar da melhor maneira possível essa evolução. PARAR: Como prêmio ao título de Gestor do Ano, você ganhou uma viagem para a visitar o Vale do Silício e a NAFA junto com o PARAR. Como está a expectativa? (DN): A ansiedade está grande. Pela primeira vez estarei no Vale do Silício, na NAFA e nos Estados Unidos, participando de uma experiência inédita! Será uma honra fazer parte da Comitiva PARAR, conhecer o que há de mais novo no seguimento e ainda na companhia de grandes profissionais. Sou muito grato por essa oportunidade e buscarei absorver ao máximo todo conhecimento possível. Não vejo a hora de dar início a essa jornada. 

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interview Por Karina Constancio

SÓ VOCÊ PODE

MUDAR É

comum, quando paramos para refletir sobre nossa vida, encontrar alguma área em que nos encontramos insatisfeitos. Pode ser com o trabalho, com o relacionamento, com o corpo, com os estudos, com a espiritualidade. No Brasil, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, 56% dos profissionais estão insatisfeitos com o trabalho. Isso quer dizer que 18,7 milhões de pessoas não estão felizes com sua carreira e acreditam que não estão no lugar certo. O coach e escritor Paulo Vieira, em seu livro "O Poder da Ação", mostra que é possível quebrar esse ciclo de insatisfação e começar uma nova etapa na vida. O método foi desenvolvido em seu doutorado na Florida Christian University, nos Estados Unidos, e apresenta técnicas e ferramentas para que as pessoas descubram e acreditem em seu próprio potencial para iniciar uma mudança em vários aspectos da vida. Um dos profissionais impactados pela obra é o advogado e coach Gabriel Cortez. "Um dos principais problemas que o ser humano vive, e que eu vivia, é a ausência de foco estruturado. Isso está relacionado diretamente ao equilíbrio e à maturidade emocional. Eu começava a fazer alguma coisa e logo desistia disso porque não conseguia me manter naquela linha. Eu não identificava o grande porquê daquilo. Logo que as dificuldades

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apareciam, as forças iam diminuindo e o ritmo também ia diminuindo", revela. Cortez também é palestrante e ministrante oficial do curso "O Poder da Ação". Com o propósito de revolucionar vidas, hoje, ele compartilha os ensinamentos e experiências que tanto fizeram a diferença em sua trajetória. Segundo ele, um dos conceitoschave para começar o processo de mudança é o da autorresponsabilidade. "É preciso entender que sua vida estar como está é uma responsabilidade sua. Só você pode mudar algo. Você é o seu maior instrumento de transformação", ressalta. Portanto, o primeiro passo é fazer uma análise de suas atitudes e da maneira como encara a sua vida. É necessário se conhecer e entender que você tem a autonomia de ser e fazer melhor. Primeiro, você vai identificar o problema e, na sequência, buscar uma solução. Se você está insatisfeito, não espere que a vida se resolva por si só. Isso não vai acontecer. De acordo com Cortez, é primordial assumir as rédeas da situação e começar a fazer diferente. "Quem vive no passado é atingido pela depressão, quem vive no presente, fica ocioso e estressado, e, no futuro, fica muito ansioso. Você tem que dividir isso muito bem para ter uma vida, verdadeiramente, equilibrada. O ideal é viver 10% no passado, para aprender com ele, 30% no futuro - mas em um

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Porque é importante se conhecer, acreditar no seu potencial e fazer diferente


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QUER CRESCER NA EMPRESA? "Os valores do funcionário têm que estar alinhados com os valores do líder, ele tem que querer estar naquela empresa.

O advogado e master coach, GABRIEL CORTEZ, elenca duas características primordiais para os profissionais que querem se destacar na companhia. Seja pré-ativo e não reativo. Você não deve 1. apenas reagir, fazer o que lhe pedem. Você tem que saber utilizar as suas emoções a seu favor e tem que aprender a ter iniciativa. Tem que criar e agir sempre além do que lhe pedem. É o conceito de overdelivery. 2. Tenha CP, ou melhor, capacidade de produzir. Não se preocupe em apenas fazer o que for pedido, mas sim em como você pode realizar aquilo da forma mais eficiente e inteligente possível.

futuro de produtividade e de objetivos - e 60% no presente, aprendendo com o passado e com foco no que você quer para o futuro", comentou. No meio corporativo, quando se fala em aumentar a performance, em formar um time com resultados excelentes, não tem como dissociar da questão emocional. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente em 2016, mais de 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho por depressão. O número alarma para um problema que precisa estar no radar das organizações. Gabriel Cortez toca em um ponto importante: empresa, líderes e colaboradores precisam ter sinergia de valores e propósitos. "Os valores do funcionário têm que estar alinhados com os valores do líder, ele tem que querer estar naquela empresa. Quando ele vê que a empresa não é apenas enriquecida pelo seu trabalho, mas que ele também se enriquece com a empresa, que ele cresce junto com a empresa, ele vai estar inconscientemente motivado. Ele vai se sentir valorizado", diz. Para ele, a maioria dos líderes não escuta com a intenção de ouvir e sim para responder. "No momento que o líder enxerga o colaborador com empatia, ele passa a escutá-lo com a intenção de compreender os reais motivos do que está sendo dito. Quando isso acontece, ele consegue trazer o colaborador para

perto e alinhar os valores pessoais, com os valores empresariais e os propósitos e a missão daquela liderança. Os resultados são avassaladores", destaca Cortez. O psiquiatra austríaco Viktor Frankl introduz, em seu livro "Em busca de sentido", o conceito da Logoterapia, uma psicoterapia que coloca em primeiro plano a dimensão espiritual do ser humano e a busca por um sentido na vida. De acordo com ele, é isso que nos move. "A vida é uma busca por um propósito maior, alinhado aos nossos valores", comenta Gabriel Cortez, e é por isso que propósito se tornou um tema tão importante para o meio corporativo. O trabalho também precisa estar dentro dessa esfera do sentido, precisa, de alguma forma, preencher uma lacuna de significado que tanto buscamos. E isso traz resultados. Um estudo da Universidade de Oxford sugere que aumentar a felicidade das pessoas no trabalho, os torna mais produtivos entre 7% e 12%. Não é a toa que a lista das melhores empresas para se trabalhar são também as de maior sucesso financeiro. Pessoas felizes, realizadas e motivadas, trabalham mais e melhor. 

SERVIÇO: "O Poder da Ação", de Paulo Vieira, Ed. Gente. "Em busca de sentido", de Viktor Frankl, Ed. Vozes.

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headline Por Beatriz Pozzobon

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CHEGA PRIMEIRO ÀS EMPRESAS

O Especialista defende que as novas tecnologias têm potencial para transformar o mundo a partir da automatização de tarefas manuais, assim sobra espaço para as relações humanas

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mundo corporativo deve ser o primeiro a ser atingido pelo fenômeno chamado inteligência artificial. Dentro desse universo, as empresas financeiras são as pioneiras, seguidas por algumas seguradoras e empresas de telecomunicações. Outras áreas que caminham para a utilização dessa tecnologia são as empresas de varejo, saúde e agronegócios. Quem faz essa afirmação é o presidente do SAS (Software de Business Analytics e Business Intelligence) no Brasil, Cássio Pantaleoni. Segundo ele, não existem limitações para a inteligência artificial. “Podemos criar algoritmos que criem relações e entendam como as coisas funcionam de uma forma muito mais evoluída que o nosso cérebro possa acompanhar”, destaca o empresário.


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Sendo assim, a inteligência artificial pode ser usada de inúmeras formas como, por exemplo, no monitoramento de remédios tarja preta, auxiliando o paciente a usá-lo da melhor forma; na melhoria da produção de alimentos, ajustando o ambiente para a produção de frutas mais suculentas e vegetais mais saborosos; e na geração de tarefas que envolvam grandes volumes de ação, garantindo precisão. O Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça, em janeiro deste ano, reuniu líderes políticos e econômicos para falar sobre os impactos da inteligência artificial no mundo. Segundo um estudo publicado pelos organizadores do evento, só nos Estados Unidos cerca de 1,4 milhão de empregos serão afetados pelas novas tecnologias até 2026. No entanto, o mesmo estudo assegura que 95% dos trabalhadores mais diretamente afetados poderão encontrar outro emprego com formação adequada. Para Pantaleoni, a sociedade vive hoje a 4ª Revolução Industrial e, assim, como aconteceu nas três primeiras, novas oportunidades de emprego vão surgir, mas serão necessários outros conhecimentos além do que se tem hoje. Nesse sentido, o estudo será um grande diferencial para as novas vagas de trabalho. “Os computadores precisam de manutenção e precisam sempre receber dados para que possam atualizar os algoritmos criados e desenvolvidos. Novas indústrias e negócios surgirão e demandarão de mão de obra especializada”, afirma o empresário. “O ser humano é muito esperto e não gosta de ficar parado. Vamos sempre evoluir buscando mais e mais e, para isso, é importante ter conteúdo”, reforça Pantaleoni.

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A QUESTÃO SOCIAL O presidente do SAS Brasil, Cássio Pantaleoni, afirma que a inteligência artificial tem potencial para transformar o mundo, a partir da automatização de tarefas manuais, sobrando tempo para que o foco esteja na busca de novos conhecimentos e novas tecnologias. Além disso, o grande benefício dessa revolução tecnológica será na dedicação de um maior tempo para as relações sociais. “Teremos mais tempo para nossas relações humanas e não precisaremos investir tanto tempo nas atividades manuais que fazemos hoje, dando mais espaço para nós mesmos. Isso é ótimo, pois trará crescimento para nossa espécie, nos possibilitando descobrir novas tecnologias para mantermos nossa evolução.” Pantaleoni ressalta que, no entanto, é preciso que as novas tecnologias estejam alinhadas com os governos e nações, para que seja possível distribuir tudo isso de maneira mais uniforme pela população. Só assim, todos poderão acompanhar as mudanças e se adequar aos novos cargos. 

Em entrevista divulgada em uma rede social da KPMG Brasil, em janeiro deste ano, o presidente da instituição, Charles Krieck, destacou três assuntos importantes discutidos no Fórum Econômico Mundial. São eles: a preocupação com a segurança cibernética e a criação do Global Center for Cyber Security; o uso da tecnologia artificial para a transformação da área de saúde; e as novas fronteiras de consumo e como a indústria pode se engajar dentro da área de Supply Chain para ser mais eficiente e evitar desperdício. A preocupação sobre a segurança cibernética fez com que se anunciasse, durante o evento, a criação do Global Center for Cyber Security, com objetivo de melhorar este tipo de segurança em todo o mundo. Além disso, consolidar os fóruns existentes sobre o tema; criar uma biblioteca independente com melhores práticas; ajudar regiões menos favorecidas a desenvolver segurança cibernética; e proporcionar educação sobre esta questão. Na área de saúde, a discussão recai sobre as mudanças em diagnósticos, atendimento e serviços em geral. Os empresários presentes no fórum debateram sobre sensores para fazer diagnóstico; médicos assistidos por inteligência artificial; e um tema bastante polêmico, que diz respeito ao paciente ser dono do seu próprio histórico de saúde. Por fim, falou-se também sobre novas fronteiras de consumo. Um estudo revelou que a indústria, de uma forma geral no mundo todo, joga fora plástico, eletrônicos, sucatas e alimentos que, reutilizados, poderiam render cerca de R$ 1,15 trilhão por ano. Dessa forma, o debate é sobre como a indústria de varejo e a população podem se engajar para reutilizar esses insumos ou mesmo para ser mais eficiente e desperdiçar menos.

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ZOOM Por Pietra Bilek

DO ANALÓGICO AO

DIGITAL

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Em entrevista exclusiva, o novo country manager da Autorola, Marcelo Barros, falou sobre a desmobilização online dos carros

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novação automotiva. Essas são as palavras de ordem para Marcelo Barros. Atual country manager da Autorola no Brasil, o executivo tem um histórico de realizações por onde passa. Começou sua carreira no meio automotivo em 1996, trabalhando como trainee na Ford, onde ficou até 2003. Após isso, foi desenvolver a área de terceirização de frotas na Hertz, onde permaneceu por mais 2 anos, e logo na sequência, ajudou no projeto de startup da gigante francesa ALD Automotive no Brasil, por 7 anos. Antes de retornar à indústria automobilística, teve uma passagem em outra gigante de terceirização, a holandesa Lease Plan, e, enfim, em 2013, assumiu toda a área de vendas corporativas da Audi no Brasil, onde ficou até outubro do ano passado, quando deu início a mais uma nova fase na sua vida, dessa vez como country manager da Autorola. Na Audi, realizou um grande marco para a história da empresa. Se você viaja muito e tem o costume de alugar carros - deve ter percebido que as locadoras ampliaram seu portfólio e vêm disponibilizando diversos modelos de carros, não apenas aqueles de entrada. A empresa pioneira a realizar esse feito foi a Audi. Movido por essa vontade de trazer os carros de luxos para todos os públicos, Barros desenvolveu um projeto para o aluguel de veículos premium em aeroportos, iniciativa essa que se expandiu e acabou sendo adotada por locadoras de todo o país. Depois de anos na gigante alemã foi a hora de buscar novos desafios profissionais. Barros foi convidado a ingressar na Autorola, uma multinacional dinamarquesa presente em mais de 20 países, e assumir sua operação no Brasil, como country manager. A empresa mundial é uma das maiores plataformas de compra e venda de veículos online, um conceito que vem revolucionando o mercado. Em entrevista à PARAR Review, Barros explicou um pouco sobre a atuação da empresa e suas perspectivas para o futuro.

"Nós estimulamos as pessoas a pensarem: será que eu preciso todo ano de um carro zero?" MARCELO BARROS Country manager da Autorola

PARAR: Como você enxerga o mercado da compra e venda de carros online? Marcelo Barros (MB): Eu vejo como uma grande mudança. O mercado sai de um modelo quase analógico de vendas e passa a ser digitalizado, através da web. Acredito que essas são as melhores perspectivas possíveis. A Autorola já faz isso há mais de 20 anos e busca se consolidar como um grande player de desmobilização de frotas e vendas online de carros usados. Queremos trazer tendências que já existem na Europa e agregar valor para os nossos futuros clientes, oferecendo uma solução, que não apenas vai resolver seu problema, mas que vai agregar algo ao seu dia a dia. Trazemos essa tecnologia e fazemos com que o mercado siga caminhando para essa atualização. PARAR: Nesse modelo de aquisição, as pessoas têm a segurança e o conforto de comprar sem sair de casa, certo? MB: Exato. A venda de carros usados, diferente dos novos, acontece em outras plataformas além da concessionária, e há perspectiva de crescer cada vez mais. É um conforto, uma segurança. Se você está em Recife procurando por um carro, e, ao mesmo tempo, em São Paulo está ocorrendo uma desmobilização, nós te oferecemos uma forma de acessar todos os dados do carro, mesmo distante. Através de uma plataforma segura, confiável e transparente, você pode ver esse veículo, dar o lance e concretizar a compra. É rápido, é prático e, em pouco tempo, o carro está em suas mãos. É o futuro dando seus passos. PARAR: Por falar em futuro, qual é o impacto disso para a mobilidade urbana? MB: Pensando em termos de mobilidade, estamos falando do uso mais consciente do veículo. O que seria esse uso mais consciente? Quando as pessoas têm acesso a carros semi novos, de baixa quilometragem, de certa forma, elas estão fazendo um uso mais consciente do veículo. Hoje, o carro com um ou dois anos de uso e 20 mil km rodados é um veículo em excelente estado. Então, quando você compra um carro usado, está colocando um carro novo a menos na rua. Talvez você não precise comprar mais carros zeros no Brasil. Se todo ano colocarmos mais três milhões de carros nas ruas, e tirarmos menos que isso, teremos cada vez mais tráfego e um grande atraso na mobilidade. 

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headline Por Beatriz Pozzobon

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Empresas antenadas jĂĄ descobriram que colaborador motivado produz mais, fica menos doente e permanece mais tempo na companhia; veja os casos

DO FUNCIONĂ RIO-CLIENTE

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com a liderança acima de 80%. Em alguns casos, próximo aos ratar o funcionário tão bem quanto os clientes é um 90%.” A diretora também diz que a maior percepção é quando um novo conceito de gestão que veio para revolucionar novo associado entra na empresa. “Eles reagem positivamente e o mercado de trabalho e contribuir e, muito, para o comentam sobre a diferença no relacionamento e tratamento desempenho das próprias empresas. Afinal, um funque recebem. Todos nós gostamos de ser bem tratados”, finaliza. cionário motivado produz mais, se engaja mais e participa mais também. Fica menos doente, menos estressado e menos apático. E permanece mais tempo na empresa. Os loPESSOAS EM PRIMEIRO LUGAR cais de trabalho mais antenados já descobriram isso. É a era do “O empregado é o primeiro foco de atenção funcionário-cliente. que o empresário ou os executivos devem O Grupo Algar, por exemplo, tem como lema “Gente Servindo ter em uma empresa. A razão é básica.  O Gente”, o que é absorvido na brasileira Algar Telecom, que conta, funcionário é, em geral, um dos principais atualmente, com 4 mil associados, como são chamados os coelos entre a empresa e o cliente”, defenlaboradores da empresa. “Cuidamos dos nossos talentos para de Johannes Ayres Castellano, diretor de que eles consigam desenvolver suas tarefas com integridade. A gestão de pessoas & T.I na Adama Brasil. “A perenidade da empresa depende das pessoas que empresa cuida do empregado, o empregado estão nela. Quando os associados estão satiscuida do cliente e o cliente cuida da empresa. Esse é feitos, as metas são alcançadas, as entregas o verdadeiro ciclo de geração de valor da maioria dos negócios”, realizadas e os clientes ficam satisfeitos”, acrescenta. afirma Cida Garcia, diretora de Talentos A Adama é uma empresa que atua no segmento agroquímiHumanos da Algar Telecom. co, com sede no município de Londrina (PR). No país, são cerca Com esse objetivo em mente, a emprede 580 colaboradores e mais de seis mil ao redor do mundo. Sesa realiza, periodicamente, campanhas, gundo Castellano, uma das principais estratégias que a Adama eventos e workshops para Brasil adota para valorizar o funcionário é a o crescimento profissional de comunicação das notícias da empresa em A empresa cuida seus associados. A empresa conta também primeira mão. "Acreditamos que ele deve do empregado, o com política participativa, em que se busca saber as novidades pela sua liderança e não empregado cuida do ouvir os funcionários e colocar suas ideias em pela mídia ou pelos corredores”, pontua o diação, e o programa “Fale com o presidente”, retor. Ele diz também que a empresa busca cliente e o cliente que promove uma aproximação do presidente acompanhar as melhores práticas de gestão, cuida da empresa.  com os associados da Algar. A Algar Telecom remuneração e benefícios. Esse é o verdadeiro possui ainda plano de formação, ações de meTrabalhando dessa forma, as reclamaciclo de geração de ritocracia, participação nos resultados e preções de clientes diminuíram; os resultados valor da maioria dos miação por projetos bem sucedidos. financeiros estão melhores a cada ano; a Essas iniciativas já têm gerado bons resulempresa figura no ranking das Melhores negócios” tados. “A Algar Telecom já aproveitou diverEmpresas Para Se Trabalhar no Brasil; o núJOHANNES CASTELLANO, sas sugestões enviadas pelos associados e mero de empregados “fãs” da empresa audiretor de gestão de pessoas que trouxeram resultados positivos. Também menta anualmente; e o número de casos & T.I na Adama Brasil. contamos com bons indicadores de clima orde afastamento por doenças ou estresse ganizacional, premiações na área de gestão de pessoas e baixa diminuiu, assim como a rotatividade de funcionários. “Tudo rotatividade de profissionais”, pontua a diretora. “Em relação às isso nos anima a continuar cuidando das nossas pessoas em ausências, nossa empresa não controla jornada. Confiamos que primeiro lugar”, destaca Castellano. nossos associados sabem das suas responsabilidades e entregas Para ele, o segredo disso tudo chama-se reconhecimento. “Ree os deixamos à vontade para fazer o seu horário”, acrescenta. conhecimento verdadeiro, sincero.  Reconhecimento além de Ainda de acordo com Cida, as medidas de cuidado com o um parabéns ou um troféu. Apesar de fazermos isso também, o associado fazem com que a Algar Telecom conte, frequentemenempregado vê reconhecimento quando tem oportunidades de te, com alto número de candidatos para vagas abertas. “Além disdesenvolvimento concretas, é convidado a contribuir em proso, nossos indicadores de clima organizacional apontam índice jetos, é promovido. E isso tem acontecido em nossa empresa de de satisfação, engajamento, condições de trabalho e satisfação maneira consistente.” 

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Fotos: © Osiris Bernardino / Fernando Lucania

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Confira os melhores takes da Welcome Tomorrow 2017, a quinta edição da Conferência Global PARAR, que reuniu mais de 1.000 profissionais em dois dias de muito conteúdo, network e experiência.

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GESTOR COM HUMOR Por Dorinho Bastos

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PARAR Fleet Review - 13ª Edição  
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