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Set/Out’13 “Simples e completo” pág. 16


Indíce

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Nota de abertura

Youcat

Parábolas

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Dialetos da palavra

Folha dos santos

Ajuda à Igreja que Sofre

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JMJ Rio 2013

Cristo Jovem Brasil

Juventude que acredita


NOTA DE ABERTURA

Nota de abertura Olá Juventude que acredita! Este verão ficou marcado para muitos de nós por eventos como Férias Missionárias, Festival Jota, Rio in Douro, entre outros. Quer tenhamos estado presentes ou não nas JMJ no Brasil, este evento acabou de uma forma ou de outra por nos tocar e envolver. Não podemos ficar indiferentes às mensagens que o Papa Francisco nos foi deixando, incentivando, motivando e sobretudo tentando aproximar-nos mais daquele Cristo em que acreditamos e em Quem queremos crer sempre mais. Esta edição chega até ti em tempo de fim de férias e inicio de um novo ano pastoral. Desejamos que as palavras do Papa Francisco te inspirem a servi-Lo mais e melhor. Um abraço em Cristo Jovem,

Sara Amaral

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Jovens campus fidei Ir. Darlei Zanon

religioso paulista, editor do YOUCAT para a lĂ­ngua portuguesa.


YOUCAT

Participar de uma Jornada Mundial da Juventude é um momento fantástico. Talvez pelo encontro com jovens do mundo inteiro, pela troca de experiências, pela alegria contagiante, pelo ambiente de amizade e fé que paira no ar, pelo espírito de comunhão e generosidade que nos invade, pela festa, pelo encontro com o nosso pastor maior, o Papa... enfim, é difícil saber ao certo, mas é um momento mágico, de verdadeiro kairos, o tempo da graça, a experiência do momento oportuno, diferente do tempo linear, cronológico. Além das imensas fotos, boas recordações, amizades e obviamente os sinais da graça de Deus, também ficarão marcadas para sempre na vida dos jovens que ali estiveram as mensagens do Santo Padre. Na JMJ do Rio de modo especial, pois foi a primeira JMJ do novo Papa Francisco, e tudo em língua portuguesa. Cada um de nós certamente sentiu-se mais profundamente tocado por uma ou outra mensagem, é natural. Hoje gostaria de destacar dois excertos que a mim falaram de modo especial, mas também porque refletem muito o espírito do nosso YOUCAT. A primeira mensagem foi dirigida aos jovens da comunidade da Varginha (Manguinhos). As favelas são uma realidade muito complexa do Brasil. Ao mesmo tempo que são um refúgio para criminosos, especialmente ligados ao tráfico de drogas, é também o lar de muitas famílias de bem e de muitos jovens empenhados na construção de um mundo melhor. O gesto do

Papa visitar uma favela é belíssimo, pois reflete a preocupação da Igreja com os excluídos, os sem-voz, os últimos da nossa sociedade. Mostra uma Igreja que vai ao encontro dos que sofrem, dos que sentem a dor de cada dia, dos que esforçam-se para não cair na tentação do mal, dos que lutam diariamente contra a pobreza. A longa tradição da Doutrina Social da Igreja ajuda a compreender melhor a posição da Igreja sobre todos estes temas. Já está em

...também ficarão marcadas para sempre na vida dos jovens que ali estiveram as mensagens do Santo Padre. preparação na nossa coleção o livro DOCAT (Doutrina Social para os Jovens), mas até lá podemos ler no YOUCAT os nn. 438 a 451, onde encontraremos respostas às questões como: Porque tem a Igreja uma Doutrina Social própria? Que significado têm os pobres para os cristãos? Ou podemos ler o que nos diz a questão 389: Porque é pecado consumir drogas? Ou então os nn. 280 e seguintes, sobre a dignidade humana. Há uma riqueza muito grande. Vê no índice os temas que mais te interessam e aprofunda esta profunda mensagem do

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Papa Francisco: “Hei, jovens! Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança.

“ser discípulo missionário significa saber que somos o Campo da Fé de Deus” A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo com o bem. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10).” O segundo excerto que gostaria de partilhar está em grande sintonia com esse. Na verdade é ainda mais comprometedor. Na vigília de oração com os jovens, o Papa refletiu sobre o que significa ser um discípulo missionário, partindo do termo “Cam-

pus fidei” (o campo da fé), nome dado ao local onde deveria ter sido a vigília, não fosse a chuva mudar os planos. O sumo-pontífice afirmou que “ser discípulo missionário significa saber que somos o Campo da Fé de Deus” e explicou o sentido desta afirmação utilizando três imagens: o campo como lugar onde se semeia; o campo como lugar de treinamento; e o campo como canteiro de obras”. Eu e tu fomos desafiados a sermos “campus fidei”. Como responder? O YOUCAT pode aqui nos ajudar muito. Nele encontramos o fundamental do modo de ser cristão, ou seja, o que a Igreja e a Tradição ensinam sobre o modo de seguir a Cristo e ser “Campus fidei”. O YOUCAT é uma pequena semente que pode gerar bons frutos nos que o lerem e meditarem; é um instrumento para nos ajudar no “treinamento” da doutrina e da vida cristã; e é um excelente manual para auxiliar na construção de uma vida alicerçada em Cristo e na fé. Com o estudo do YOUCAT compreendemos melhor e concretizamos mais facilmente o que diz o Papa Francisco: “Vocês são o Campo da Fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor.” •

Sugestões de navegação: www.youcat.org | www.paulus.pt | youcat.cristojovem.com


PARÁBOLAS

Parábola do devedor e do perdão da dívida Mateus 18, 21-34 Pe. Ricardo José, scj

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Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: ‘Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’ Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: ‘Paga o que me deves!’ O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: ‘Concede-me um prazo que eu te pagarei.’ Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia. Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor. Então o senhor mandou-o chamar e disse-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia.


PARÁBOLAS

No rescaldo das Jornadas Mundiais da Juventude há, para mim uma frase do Papa Francisco que pode ser esquecida. Encontra-se a meio do seu discurso ao episcopado brasileiro e por isso mesmo poderá parecer que não diz respeito a todos os cristãos. O Papa refere que: “Faz falta uma Igreja capaz de redescobrir as entranhas maternas da misericórdia. Sem a misericórdia, poucas possibilidades temos hoje de inserir-nos num mundo de «feridos», que têm necessidade de compreensão, de perdão, de amor.” (Encontro com o episcopado brasileiro, 27 de julho de 2013) E foi a inspiração para a minha escolha desta parábola. Nela reparamos a diferenças abismal entre o perdão de 10mil talentos e a incapacidade de perdoar a ninharia dos 100 denários. Manifestando a grandeza do perdão de Deus e tantas vezes a nossa mesquinhez em perdoar.

A vingança não fazem parte dos métodos de Deus, felizmente. Para mim o mais curioso é que esta a parábola parece sugerir que existe uma relação entre o perdão de Deus e o perdão humano. É que se o nosso coração não bater segundo a lógica do perdão, não terá lugar para acolher a misericórdia, a bondade e o amor de Deus. Fazer a experiência do amor

de Deus deve transformar o coração e ensina-nos a amar os nossos irmãos, também aqueles que nos ofenderam.
Segundo o Papa é desta forma que podemos evangelizar o mundo. Mas agora poderíamos ficará na dúvida, será que Deus castigará quem não for capaz de viver a lógica do perdão? Não. Absolutamente não. A vingança não fazem parte dos métodos de Deus, felizmente. •

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“Proclama a palavra” (2 Tim 4, 2)

Pe. Nuno Westwood


DIALETOS DA PALAVRA

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“Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina.». (2 Tim 3, 15-16, 4,2).

Tive o privilégio de participar este ano nas Jornadas Mundiais da Juventude no Rio de Janeiro. Mais uma vez, foi para mim uma oportunidade fantástica para experimentar a força da fé e da comunhão eclesial, de ver como a nossa Igreja está viva, ativa, jovem e moderna. Jamais esquecerei momentos únicos vividos na Semana Missionária, onde fomos acolhidos na Paróquia de Venda Nova (em Teresópolis) que nos recebeu de coração bem aberto. Também será impossível esquecer os dias na cidade maravilhosa do Rio, sobretudo na missa de abertura das jornadas, o acolhimento ao Papa Francisco, a via sacra, a vigília e a Missa de envio na praia de Copacabana com mais 3,7 milhões de jovens. Foi, na verdade, “uma formidável experiência de fraternidade, de encontro com o Senhor, de partilha e de crescimento na fé: uma verdadeira cascata de luz” (Bento XVI). Estas jornadas tinham como lema: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações! (cf.

Mt 28, 19) e, por isso, foi constante o desafio a um compromisso com a missão de proclamar o Evangelho. Esse mandato de Jesus, de fazer discípulos e chamá-los para a comunhão e o convívio com Deus, é o tema mais querido do Evangelho de Mateus. E, na verdade, só faz discípulo quem já é discípulo, quem convive com o Senhor O testemunho e o próprio anúncio do Cristo, são grandes desafios pra juventude, que vive em um mundo plural, com milhares de informações, seja através da escola, da internet, especialmente no contato com as redes sociais. Por isso, cada jovem, como discípulo, é chamado a plantar no coração de quem ele encontrar, com quem comunicar, o desejo de ser discípulo de Jesus, para que, através do contato e da amizade com Cristo, desperte o que cada um tem de melhor em si mesmo. Agora que chegamos ao mês de outubro, mês das missões por excelência, vamos acolher o mandato de Cristo no Evangelho


de ir, anunciar e fazer discípulos. Sigamos o desafio de Paulo na carta a Timóteo: “proclama a palavra, insiste a propósito e a fora de propósito” (2 Tim 4, 2). É tempo de renovar o impulso do Papa na Missa de envio: “Ide, sem medo, para servir”. “Seguindo estas três palavras”, acrescentou o Papa, “vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe mais alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo. Queridos jovens, Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, vos acompanhe sempre com a sua ternura: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações»”. •


FOLHA DOS SANTOS

Sebastião, soldado e mártir da fé!

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Sebastião pertencia a uma família nobre e militar, em Narbona. Este recebeu a sua educação em Milão. Sebastião, era respeitado por todos captando a atenção do imperado, que desconhecia a vertente de cristão. Isto aconteceu, visto, Sebastião ser capitão da corte da guarda pretoriana. Como bom cristão, exercitava o apostolado com os companheiros. Sebastião, visitava e encorajava todos os presos em virtude do Cristianismo intrinsecamente enraizado nele. Apesar da admiração que o imperador Maximino, tinha por Sebastião, perante a situação e após uma denúncia ao imperador Sebastião teve que tomar uma opção. Ou continuar a ser soldado ou seguir Jesus Cristo. Sem nada temer optou seguir a milícia de Jesus Cristo. O imperador, ficou enraivecido e ameaçou-o de morte. São Sebastião, forte e firme na fé não mudou a sua opção. Confirmou ser um soldado de Cristo. O imperador Maximino ordenou que os soldados o levassem para um estádio. Aqui despiram Sebastião, amarraram-no a um poste e lançaram sobre ele setas até à sua morte. Todavia, os amigos de Sebastião, aproximaram-se dele quando este ainda

estava com vida. Levaram-no para a casa de Irene, uma nobre cristã romana. Esta cuidou de Sebastião, até este ficar reposto. Sebastião não quis sair de Roma, uma vez, o seu coração que estava ardoso do amor de Cristo. Desta forma, nada o impediria de continuar a anunciar o seu Senhor. Com coragem, Sebastião, foi ao imperador que, descomposto nem queria acreditar quera mesmo Sebastião quem estava à sua frente, quando este o tinha dado como morto. De imediato, ordenou ao seus soldados que o açoitassem até Sebastião morrer. Desta vez, os soldados cumpriram a ordem dada pelo imperador, atirando o corpo de Sebastião ao lamaçal. Os cristão, a quem ele tanto encorajou, não os fazendo desistir de o ser, ao saberem desta crueldade enterraram o seu corpo em Via Apia, na célebre catacumba, cujo o nome é São Sebastião. Presta-se culto a São Sebastião há muitos anos. Este é invocado contra a peste e contra os inimigos da religião. É chamado ainda de Apolo cristão visto, São Sebastião, ser um dos santos mais reproduzidos na arte em geral. •

Oração:

Que vossa intercessão alcance-me a graça de obedecer mais a Deus do que aos homens, tornando-me um soldado de Cristo. Amém. Fontes:

BIBLIOGRAFIA: www.acidigital.com/santos/santo.php?n=192 ORAÇÃO: www.rio2013.com/pt/a-jornada/patronos-e-intercessores


AJUDA À IGREJA QUE SOFRE

Primeiros dias em liberdade

JMJ - Jovens agradecem apoio da Fundação AIS Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

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No meio dos milhões de jovens que encheram a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, estavam alguns que só conseguiram fazer a viagem graças ao apoio dos benfeitores da Fundação AIS. Neste momento, já todos regressaram aos seus países. Alguns, como os que vieram da China, experimentaram no Brasil pela primeira vez a sensação de poderem rezar em liberdade. Foi um sucesso. A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro impressionou o mundo inteiro. Três milhões e meio de jovens escutaram o Papa na Praia de Copacabana e aplaudiram-no quando Francisco lhes pediu para saírem para as ruas, para serem revolucionários, à imagem de Jesus. “Quero que a Igreja vá para as ruas. Quero que nos defendamos de tudo o que seja acomodação e ficar fechado em torno de nós mesmos. Não

podemos esvaziar a fé”. Os milhares de jovens que foram ao Brasil viveram uma experiência única nas suas vidas. Alguns deles só conseguiram participar nas Jornadas graças ao apoio da Fundação AIS. Foi um apoio discreto, que passou despercebido a quase todos, mas sem o qual não teriam qualquer possibilidade de fazer a viagem até ao Rio de Janeiro. Por razões económicas ou por pertencerem à Igreja perseguida.


AJUDA À IGREJA QUE SOFRE

A primeira vez

É o caso dos oito jovens que fizeram a viagem por causa da generosidade dos benfeitores da Fundação AIS. “Foi a primeira vez que saímos da China”, disse um dos jovens, que não pode ser identificado nem sequer fazer-se referência à diocese ou paróquia a que pertence, por uma questão de segurança. O contacto com o Brasil, um país onde a fé se vive livremente, onde multidões de jovens podem rezar, cantar e dançar sem medo de sofrerem qualquer tipo de repressão por parte das autoridades, deslumbrou este pequeno grupo de jovens. Na viagem de regresso, levaram algo que não foi visível nos detectores de metais dos aeroportos: “uma fé mais robusta, mais forte”. “Este encontro abriu as nossas mentes e o olhar, e revelou-se como uma oportunidade de crescimento”, acrescenta um dos jovens. Bons Samaritanos Os benfeitores da Fundação AIS não foram

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esquecidos. Agora, no regresso à China, à Igreja do Silêncio, estes jovens vão poder dizer aos compatriotas que nenhuma polícia no mundo pode silenciar os corações crentes, que nenhuma repressão pode acabar com a fé de um povo. E vão dizer, também, que há no mundo quem pense, reze e ajude a Igreja necessitada. Como na China. E essa ajuda não tem preço. “Os benfeitores da Fundação AIS são como o Bom Samaritano e têm ajudado tantas pessoas… Obrigado pela vossa generosidade. Muito obrigado.” China, Iraque, Egipto, Haiti… foram muitas as línguas em que houve jovens que disseram “obrigado” pela participação nas Jornadas Mundiais da Juventude. Agora, estes rapazes e raparigas estão espalhados pelo mundo procurando cumprir o apelo do Papa Francisco para serem “revolucionários”, imitando Jesus Cristo. • Paulo Aido | Departamento de Comunicação da Fundação AIS | www.fundacao-ais.pt


“Simples e completo” Bruno Victor


JMJ RIO 2013

“Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um “cafezinho”, falar com os amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós... Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas!”, disse Papa Francisco, em sua visita à Comunidade de Varginha, que se encontra em um conjunto de favelas, no subúrbio do Rio de Janeiro. Porém, de forma tão intensa e concreta ele, talvez sem perceber naquele momento, conseguiu sim entrar em grande parte das casas de todo país. Pelas emissoras televisivas, rádios, jornais, internet, boca a boca e, principalmente, entrou pelos ouvidos do coração dos brasileiros.

...foi difícil encontrar alguém que não ouviu, viu ou escutou falar sobre a passagem do Santo Padre por nossa nação... O que o Papa diz é de repercussão e conscientização mundial, claro. Porém, aqui enfatizo o coração do brasileiro durante os dias da Jornada Mundial da Juventude. Não importava quem: católicos, protestantes, cristãos ou não, praticantes ou não de alguma religião, foi difícil encontrar alguém que não ouviu, viu ou escutou fa-

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lar sobre a passagem do Santo Padre por nossa nação, seja pela movimentação de pessoas ou pensamentos transmitidos. Eu poderia ficar aqui, ocupando com centenas de parágrafos, apenas descrevendo todas as mensagens do pontífice ou momentos que os jovens vivenciaram. Porém, de forma simples e humilde, trago de coração algumas poucas palavras de quem esperou dois anos para vivenciar um encontro e hoje sente a eternidade em sua vida. Segundo Francisco, “Quando enfrentamos juntos os desafios, então somos fortes!”. De tantos amigos antigos e novos reforçados na fé durante a JMJ, trago alguns jovens que levarão para toda vida estes momentos: Erivania Cavalcante, peregrina “Estamos vivendo um tempo de reconstrução de vidas, de histórias e da igreja, tal como disse Deus a São Francisco de Assis: “Vai e reconstrói a minha igreja”. É um tempo de Deus, do seu amor. E dentre os pretextos do amor de Deus, está também a Jornada Mundial da Juventude, que passou, mas ainda ecoa no mundo através de corações de todo mundo, que foram marcados pelas palavras do Papa Francisco.” Tiago Dias, voluntário “Francisco veio e fez a diferença! É emocionante ver como tantos descrentes falam com carinho do Papa Francisco, comentam com respeito da JMJ, olham com ad-


miração para a igreja que outrora era apenas criticada. Meu coração se enche de amor pelo santo padre a cada vez que me recordo de suas palavras e de como Cristo se fez presente entre cada uma elas.” Marcella Marrara, telespectadora “Apesar de não ter participado da JMJ no Rio de Janeiro, a vinda do Papa ao Brasil me encheu de alegria. Pude acompanhar online todos os passos do Santo Papa e por tudo o que vi, li e debati, a presença deste Papa tão querido e iluminado despertou muitos corações adormecidos para Cristo. Com a sua humildade, sabedoria e carisma, mais do que história, a visita do Papa Francisco deixou em todos os brasileiros, católicos ou não, um recado bem claro de Deus: A importância da Alegria e do amor ao próximo. Sinto que grandes e lindas coisas acontecerão ainda pelas palavras e gestos do Papa Francisco”

Jesus não disse ‘Vai’, mas ‘Ide’!”, comentou nosso amado Papa, em um dos momentos em Copacabana. Às vezes acho que sonhei. Aí eu me emociono, então vejo que é real. E não ouso em dizer que apenas “foi” real, no tempo passado. A Jornada não é apenas um evento, uma festa, uma viagem ou uma

formação. É tudo isso e muito mais sentimentos envolvidos em um só encontro, comungando de um só Amor, professando a mesma Fé e de forma constante, pois o último a vivenciar prepara o caminho para o próximo e assim segue o ciclo sem fim do que realmente é Eterno. Não por alienação, mas pela experiência real do Amor. E nos detalhes, mais uma vez, Deus fez da minha história momentos especiais! É lindo lembrar que todos meus sonhos de expectativa pela JMJ foram superados grandiosamente. Mais ainda agraciado em enxergar as mudanças de rumo, os filhos pródigos retornando ao Pai, os jovens exalando fé, famílias restauradas, projetos, grupos e movimentos fortalecidos, novos projetos nascendo. Ainda em pouca escala comparado com os números do encontro, mas já podemos ver novos discípulos nascendo. “Jesus não disse ‘Vai’, mas ‘Ide’!”, comentou nosso amado Papa, em um dos momentos em Copacabana. Deus está presente, claro, conosco se estivermos sozinhos. Mas ele nos ama tanto que nos enviou de dois em dois, amigos missionários, que se levantam da lama, que vivem juntos, que se amam, porque assim somos mais e melhores e fazemos do mundo um lugar melhor. A JMJ Rio 2013, um sonho que se tornou realidade e eternidade, agora é vida e testemunho para transformação do mundo! Que possamos pelo infinito viver esse novo sentimento, restaurados, avivados, cada vez mais firmes na fé.


JMJ RIO 2013

Quando sua Fé comunga com o Mundo, isso é Jornada. Obrigado Papa Francisco, por me mostrar uma comunhão mundial, com tantas realidades diferentes, mas semelhantes, tantos jovens com os mesmos problemas, discussões, barreiras, mas que buscam o mesmo caminho. Obrigado Papa Francisco, por mostrar ao mundo a importância para vida de que deixem de lado as desavenças e se completem com as diferenças. Que deixem de lado o julgamento e se ajudem em seus pecados. Deixem de lado o apego à vergonha e sejam cristãos autênticos. Obrigado Papa Francisco, por nos ensinar a ser simples e completos. •

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Reflexões na vigília com o Papa Antonio João do Nascimento Neto, SDB


CRISTO JOVEM BRASIL

Não tem como não amar o Papa Francisco! Seu carisma, antes de tudo, seu carinho com os jovens foi impecável. Realmente, vê-se nele um pastor amantíssimo, que impulsiona, exorta com ânimo. Acreditem, tentei começar esse artigo de outra forma, mas foi impossível omitir elogios ao nosso Papa. O motivo, só quem foi à JMJ Rio 2013 sabe.

não teria sido esse fato, um recado de Deus, querendo nos dizer que o verdadeiro Campus Fidei somos nós? Durante os dias que Francisco esteve no Brasil, ele falou tantas preciosidades, agiu com gestos tão lindos que tocaram profundamente a todos os presentes de forma especial. Me questiono muitas vezes com alguns discursos de padres ou outros pregadores que, por mais bem elaborados que sejam, não tocam profundamente, pois não são capazes de ajudar a promover mudanças, mesmo que os ouvintes estejam abertos a acolher o que se está falando. O fato é que nosso Papa falou com propriedade, com verdade, não seguiu um script apenas, pois era o Espírito Santo quem o inspirava e ele foi humilde em ouvir e transmitir tudo. No seu olhar

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era notório que se comovia tanto quanto os que o ouvíamos. De fato, há mudanças causadas. Conversei com vários jovens do meu grupo e de outros e todos falaram algo que lhes tocou, como se Francisco houvesse falado para cada um, em particular. Mas quero lembrar aqui da noite da Vigília. Naquela noite, o frio me era um grande inimigo, pois eu sou do Nordeste, região brasileira onde o clima é quente, variando de 25 e 40 graus o ano inteiro. Depois, eu já não tinha mais casacos (eu já havia vestido dois!) e como eu estava coordenando um grupo com adolescentes, fiquei como um guarda, olhando aquela turma para que não se perdessem, afinal, o publico era de mais de 3milhões de pessoas, na preia de Copacabana. No momento do discurso do Papa, minha atenção foi tão grande, maior que o frio. Suas palavras aqueceram meu coração. Ele falou sobre a temática “CAMPUS FIDEI”. Devido o mal tempo, a Vigília não pode acontecer no Campus Fidei, construído no bairro de Guaratiba e ele nos fez refletir: não teria sido esse fato, um recado de Deus, querendo nos dizer que o verdadeiro Campus Fidei somos nós? Claro que sim! Deus nos fala através dos seus representantes na terra e, com certeza, a Vigília aconteceu num Campus Fidei; a praia de Copacabana se transformou no autêntico Campus Fidei! Em tom vocacional, nos disse o Papa que o campo lhe inspirava três imagens: 1º


como lugar onde se semeia, 2º como lugar de treinamento, 3º como obra de construção. (Vale a pena conferir essa fala! Na internet há vídeos que mostram seu discurso na íntegra) Não vou me deter aos três pontos, perdoem-me, uma vez que eu não teria capacidade e ousadia de tentar explicar com outras palavras e fazer-vos entender melhor, pois eu não superaria a santidade, exatidão e simplicidade com que nos falou Francisco.

“Vocês são os atletas de Cristo, são os construtores de uma Igreja mais bonita e de um mundo melhor.” Apenas quero falar sobre a segunda imagem, a do campo como lugar de treinamento. Todos sabem que o Brasil é um país amante do futebol, por consequência, e dou

graças a Deus, hoje já se vê também grande interesse dos brasileiros por outros esportes (eu sou um deles). E foi por esse viés que o Papa nos falou. Na iminência de uma Copa do Mundo, ele disse que Jesus nos convida a fazer parte do seu time, a jogar com Ele. Portanto, o que faz um atleta, quando convocado a fazer parte de um time é treinar e treinar muito. Fazendo referência à carta de S. Paulo aos coríntios, onde se lê que um atleta se priva de tudo para ganhar uma coroa que é corruptível, nós – como atletas do time de Cristo – devemos também nos esforçar, mas por uma coroa que é incorruptível. E disse com sorriso e voz forte: ‘Jesus nos oferece algo maior do que a Copa do Mundo! Ele nos oferece a possibilidade de uma vida fecunda, de uma vida feliz e um futuro ao seu lado que não terá fim, a vida eterna. (...) Vocês são os atletas de Cristo, são os construtores de uma Igreja mais bonita e de um mundo melhor.’ Essas palavras levantaram a multidão reunida, até os que já dormiam, acordaram com o brado de alegria que foi exclamado!


CRISTO JOVEM BRASIL

Essas palavras me fizeram refletir bastante e quero compartilhar convosco minhas reflexões.

...devemos acolher de coração aberto e ir ao mundo fazer discípulos de Cristo, transformar o mundo no CAMPUS FIDEI. Pois bem, tantas vezes corremos para nos qualificar em determinadas áreas do saber para sermos mais merecedores deste ou daquele emprego. Nossos esforços são demasiados em certas atividades que, sinceramente não sei se valem à pena. Sei o quanto é corrida nossa vida de estudos e o quanto é complicado conseguir emprego no contexto em que vive o mundo hoje, mas não podemos deixar que essas coisas, por mais importantes que nos pareçam, tomem espaços que não são seus de fato (nem de direito).

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Uma vez que tivemos a graça de fazer experiência do encontro pessoal com Jesus, nosso coração arde de amor, como uma chama que consome o que toca, o ardor missionário que Jesus incute toma conta de nós e impulsiona a segui-lo mais de perto. Ele é quem nos garante a vida eterna, onde não precisaremos mais correr enlouquecidamente por empregos e qualificações (ou seguranças desse tipo), já que estaremos em Deus, que é o tudo. Porém a decisão por fazer parte do time de Jesus deve ser tomada por vias de fé. Não por apenas razão ou sentimento, pois a fé ultrapassa esses limites e os intensifica. É prova disso o ímpeto de tentar evangelizar o mundo inteiro e crer num mundo novo, com pessoas de mentalidade renovada. Apenas Jesus poderia nos dar essa segurança. No nosso Pontífice encontramos a pessoa de Cristo, pois é Seu vigário e, se ele mesmo nos reafirmou tais certezas, devemos acolher de coração aberto e ir ao mundo fazer discípulos de Cristo, transformar o mundo no CAMPUS FIDEI. •


Ser alegre, ser feliz! Miguel Mendes


JUVENTUDE QUE ACREDITA

Eis que chega Setembro e é tempo de retomamos as rotinas de sempre que o verão interrompeu... É um misto de desalento e entusiasmo que nos invade. Desalento porque terminaram as férias, o descanso e todos aqueles momentos com os amigos e família que guardaremos na memória por muito tempo. As fotos, os posts no facebook são a prova dessas vivências que tantas saudades nos deixam. Mas estes são também tempos de entusiasmo, em que sentimos vontade de agarrar o quotidiano com força renovada e nos por a caminho para alcançar os objectivos que traçamos. Mesmo os que mais reclamam, acabam por deixar-se contagiar! A verdade é que se esse entusiasmo nos impulsiona a Ser e a Fazer, o desalento tem o efeito contrário, e por isso mesmo não podemos deixar que tome conta de nós! A forma como nos deixamos afectar é, na maioria das vezes, uma opção inteiramente nossa! Ser feliz não é um estado de alma que se atinge, mas uma forma de ver a vida! O Papa Francisco pede-nos isso constantemente! Quando esteve no Santuário de Aparecida, durante a realização da Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco fez aos jovens três simples, mas difíceis pedidos: conservar a esperança, deixar surpreender por Deus, e viver na alegria! Num mundo que vive uma constante perca de valores, em que a guerra, a fome e a morte insistem em persistir, estes três

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pedidos podem tornar-se difíceis de realizar. Mas o Papa Francisco sabe o que nos pede, e sabe que mesmo num mundo sem rumo, nós temos alguém que nos guia: Jesus. Através do seu exemplo, da sua vida e dos seus ensinamentos, somos também chamados a ser “sal da terra” e levar um pouco de luz a este mundo. Jesus veio mostrar-nos que Deus nos ama incondicionalmente e é esse amor que devemos não só acolher nos nossos corações, mas levá-los aos que nos estão próximos.

...a felicidade não é um estado de espírito que se atinge, mas uma forma de ver a vida! Se repararmos bem, os Amor de Deus é a resposta para estes três pedidos, pois quem é amado vive sempre alegre na esperança de um dia ainda melhor que o de hoje. Para tal basta abrires o teu coração a Deus e verás que ele te surpreende todos os dias! Neste regresso às aulas, não voltes carrancudo para junto dos teus colegas. Abre o coração, deixa-te preencher pelo Amor de Deus e leva essa alegria aos teus colegas e amigos! Porque lembra-te... a felicidade não é um estado de espírito que se atinge, mas uma forma de ver a vida! •


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Godzine 16 (Setembro/Outubro 2013)