Page 1

MAMÍFEROS de Redondo

MAMÍFEROS de Redondo


Guia de Mamíferos de Redondo

Ecomuseu de Redondo

FICHA TÉCNICA Edição Câmara Municipal de Redondo 2012 Titulo Guia de Mamíferos de Redondo Textos e conteúdos Carolina Bloise Colaboradores Nídia Fernandes e Valter Gonçalves Consultores Nuno Pedroso, Sara Santos e Rita Sanches Ilustração e Design Gobius Comunicação e Ciência Impressão Gráfica Calipolense Depósito legal nº. 344604/12 ISBN 978-972-95642-2-2 Todos os direitos reservados. Esta publicação não pode ser reproduzida no todo ou em parte, sob qualquer meio eletrónico ou mecânico (fotocópia, gravação, fotografia, etc.) para qualquer finalidade, sem prévia autorização do CEAI e da CMR. As ilustrações não podem ser reproduzida no todo ou em parte, sob qualquer meio eletrónico ou mecânico (fotocópia, gravação, fotografia, etc.) para qualquer finalidade, sem prévia autorização de Mundo Gobius Comunicação e Ciência Lda.

Executante

Promotor

Co-financiamento

O QUE É?

PAISAGENS E HABITATS

O Ecomuseu é um museu “a céu aberto” que tem como missão investigar, conservar, interpretar e difundir testemunhos da paisagem natural e da ocupação humana do território em que se insere, contribuindo para a transmissão das memórias soció-históricas colectivas e para a identidade do concelho.

A área abrangida pelo Ecomuseu é composta por uma paisagem diversificada, que abrange parte da Serra D’Ossa e vastas áreas de Montados de Azinho (Quercus rotundifolia) e de Sobro (Quercus suber), existindo resquícios de um antigo matagal mediterrânico. Na zona mais meridional a paisagem é dominada por terrenos agrícolas e pastagens e um pouco por toda a área surgem cursos de água de regime temporário, alguns com galerias ripícolas bem conservadas.

A zona de intervenção do Ecomuseu situa-se no extremo Norte do concelho de Redondo incluindo uma área de 6000 ha (ver mapa na contracapa), com uma paisagem rica e diversificada, que abrange parte da Serra D’Ossa e vastas áreas de montados. Inclui ainda um rico património histórico e arqueológico, do qual são de salientar as antas, monumentos megalíticos funerários que existem em grande densidade na região. Esta área apresenta uma densidade populacional muito reduzida, incluindo apenas alguns montes isolados e uma pequena povoação, a aldeia do Freixo. Tem uma baixa densidade de estradas principais, sendo apenas atravessada de Este para Oeste pela estrada nacional que liga o Redondo a Évoramonte. A antiga escola primária de S. Bento do Zambujal foi restaurada e equipada, funcionando como Centro de Acolhimento do Ecomuseu e serve de apoio a acções de sensibilização e divulgação da riqueza natural e cultural deste território.

A Serra D’Ossa, composta na sua maioria por uma floresta de eucaliptal, alberga uma baixa diversidade de espécies, uma vez que a fauna local não está adaptada a utilizar as folhas, casca e frutos do eucalipto. Os Montados e galerias ripícolas são os habitats que albergam maior biodiversidade. As galerias ripícolas, compostas pela vegetação envolvente aos cursos de água, são utilizadas por diversas espécies em busca de abrigo e alimento. Os Montados permitem conciliar a vertente económica com a conservação da vida selvagem. A forma como são explorados pelo Homem confere-lhes características próprias que promovem a biodiversidade. O seu caráter de transição entre floresta fechada e campo aberto, a disponibilidade de um grande número de cavidades nas árvores (abrigo de animais) e a diversidade de usos do solo (cereais, pastagens, pousios e matos) tornam os montados um habitat muito diverso e por isso favorável à presença de variadíssimas espécies. 1


Guia de Mamíferos de Redondo

Guia de Mamíferos de Redondo

Glossário

Mamíferos O QUE SÃO?

COMO OBSERVAR?

Os mamíferos surgiram há cerca de 200 milhões de anos. São animais extremamente versáteis que se adaptaram a diversos ambientes, desde o meio aéreo (ex. morcegos) ao aquático (ex. Lontra) e subterrâneo (ex. Toupeira).

Os mamíferos selvagens são muito difíceis de observar diretamente na natureza devido à sua timidez (escondem-se logo que sentem a presença do Homem), ao facto de serem relativamente escassos e de muitas espécies terem hábitos noturnos. Por essa razão, a principal forma de os detetar no campo é através dos seus vestígios de presença, marcas que deixam nos locais onde vivem ou por onde passam.

Estes animais possuem características únicas tais como a presença de glândulas mamárias destinadas a segregar leite, que serve de alimento às crias nos primeiros tempos de vida e o facto de terem o corpo coberto de pelos, o que os ajuda a manter uma temperatura corporal constante entre 36 a 39 ºC (homeotermia). Possuem também um cérebro relativamente desenvolvido, tendo por isso uma grande capacidade de aprendizagem. São maioritariamente espécies sociais que têm os sentidos da audição e do olfato muito desenvolvidos, devido aos seus hábitos maioritariamente noturnos e crepusculares. Em Portugal continental existem 99 espécies de mamíferos, 68 das quais com hábitos terrestres. Os mamíferos terrestres estão organizados em seis ordens: Insetívoros, Quirópteros, Roedores, Lagomorfos, Carnívoros e Artiodáctilos.

Esses vestígios de presença podem consistir em: pegadas, dejetos ou latrinas (conjuntos de dejetos), refúgios e tocas, restos de alimentos, pelos, odores característicos ou outros vestígios de utilização do habitat. No caso dos micromamíferos, a deteção das diferentes espécies nem sempre é fácil através dos seus indícios de presença, pois são pouco conspícuos e difíceis de identificar. Por esse motivo, a melhor forma de confirmar a sua presença num dado local é através da análise de regurgitações de aves de rapina nocturnas, nomeadamente a Coruja-dastorres. As regurgitações são “bolas” de pelos e ossos, que contêm os restos de alimentos não digeridos por estas aves, e a partir das quais é possível extrair os crânios dos animais consumidos e identificar a espécie a que pertencem. Foi desta forma que se detetou a presença de uma colónia de Rato de Cabrera (Microtus cabrerae), uma espécie rara e ameaçada a nível nacional, na zona do Ecomuseu de

Redondo.

2

Endemismo Espécie cuja distribuição está limitada a uma determinada área geográfica ou a um dado habitat (por ex. Endemismo Ibérico: espécie cuja distribuição está restrita à Península Ibérica). Geralmente os endemismos ocorrem em áreas de alguma forma isoladas e resultam, muitas vezes, da separação de populações de uma dada espécie que evoluem separadamente, sendo por isso o resultado de mecanismos de isolamento. O facto de uma espécie ser endémica, ou seja, estar restrita a uma determinada área, torna-a mais vulnerável, pois qualquer factor de ameaça na sua área de distribuição pode levar à sua extinção. Gramíneas São plantas pertencentes a uma vasta família de angiospérmicas (plantas com flor), designada tecnicamente de Gramineae. A diversidade de espécies que pertencem a este grupo é enorme, cerca de 10000. As gramíneas distribuem-se por diversos habitats, desde zonas húmidas, como é caso do caniço (Phragmites australis), até zonas muito secas como os terrenos cultivados do Alentejo, onde se encontram inúmeras espécies espontâneas como a Briza e o Brachypodium. Algumas gramíneas são também muito importantes na alimentação do homem, sendo cultivadas em larga escala, como por exemplo o trigo e o centeio. Dejetos excrementos.

27


Guia de Mamíferos de Redondo

Guia de Mamíferos de Redondo

Bibliografia BROWN, R. W., M. J. LAWRENCE & J. POPE. 2004. Animals Tracks, Trails & Signs. Hamlyn Guide. HAMLYN. London. CABRAL, M.J. (coord.), J. ALMEIDA, P.R. ALMEIDA, T. DELLINGER, N. FERRAND DE ALMEIDA, M.E. OLIVEIRA, J.M. PALMEIRIM, A.I. QUEIROZ, L. ROGADO & M. SANTOS-REIS (Eds.). 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade. Lisboa. MACDONALD D. & P. BARRET. 1993. Mamíferos de Portugal e Europa. Guias FAPAS. FAPAS. Porto. MIRA, A. 2007. Trilhos e Pegadas. Câmara Municipal de Montemor-o-Novo (publicação no âmbito do projecto Dias Tranquilos... da C. M. Montemor-oNovo) PIÑERO, J.R. 2002. Mamíferos Carnívoros Ibéricos. Lynx Editions. PINTO BASTO, M. & N. PEDROSO. 2003. Introdução ao Estudo de Mamíferos em Portugal. CEAI. Évora. PINTO, B., C. LUIS, F. VALA & P. GARCIA PEREIRA. 2010. Guia de Campo DIA B 22 de Maio 2010. Bioeventos 2010. Lisboa.

PREPARAÇÃO DE SAÍDAS DE CAMPO Para preparar uma saída de campo com o objetivo de encontrar vestígios de mamíferos na natureza devem ser tidos em conta vários aspetos. A escolha do local da saída é muito importante. Uma ribeira ou represa, principalmente com vegetação envolvente, são locais ideais para encontrar vestígios de mamíferos, pois muitas espécies visitam essas zonas em busca de abrigo ou alimento deixando pegadas nas suas margens lamacentas. Existem alguns elementos naturais aos quais se deve dar atenção. As árvores velhas com buracos são bons locais para tocas, pelo que podem ter arranhadelas ou dejectos. Os montes de pedras e muros velhos constituem também locais a explorar, pois muitas espécies, como a doninha, utilizam-nos para viver e outras colocam aí os seus dejetos. Observar o chão, por baixo de pedras ou perto das raízes das árvores, pode ser uma boa forma de encontrar tocas de ratinhos. Os carnívoros marcam o território através da colocação de dejetos em pontos estratégicos, pelo que se deve procurar em pedras altas ou outros pontos que sobressaiam na paisagem. Estes animais utilizam também os caminhos feitos pelo Homem para se deslocarem, ao longo dos quais se podem encontrar pegadas e dejetos.

para consulta e em caso de dúvida podem fotografar-se ou recolher num pequeno saco de plástico para consultar posteriormente um especialista. Deve sempre levar-se um pequeno caderno de campo para anotar tudo o que se observa, indicando a data, hora, local, condições atmosféricas, vestígios encontrados e a espécie a que pertencem (se possível). Pode usar-se este caderno também para desenhar os vestígios encontrados e a paisagem. Durante a saída de campo devem ter-se ainda alguns cuidados com a natureza, especialmente se se pretende observar a fauna. É importante seguir certas regras de conduta, tais como: respeitar os seres vivos e o espaço em que habitam, não fazendo muito ruído, não deixar lixo no campo, não arrancar plantas nem capturar animais vivos, fechar portões das propriedades privadas e deixar tudo exatamente como estava.

As condições meteorológicas também são importantes. Os dias seguintes às chuvas poderão ser uma boa altura para encontrar pegadas. Para a identificação dos vestígios deverá ser levado um guia de campo

26

3


Guia de Mamíferos de Redondo

COMO USAR ESTE GUIA Neste guia estão incluídas 20 espécies de mamíferos da fauna portuguesa, organizadas em seis ordens: Insetívoros, Quirópteros, Roedores, Carnívoros, Lagomorfos e Artiodáctilos. Grande parte das espécies incluídas foram detectados na zona do Ecomuseu de Redondo, no entanto incluem-se outras que, apesar de não terem presença confirmada, são potencialmente ocorrentes na zona e têm uma enorme importância em termos de conservação (caso dos morcegos e do gato-bravo). Para cada espécie há uma ilustração a cores que permite a sua identificação, e ilustrações a preto e branco referentes aos seus principais vestígios de presença (pegadas, dejectos, trilhos, etc.) e aos refúgios que utiliza na natureza. Em relação às pegadas, as ilustrações representadas são referentes à pata dianteira e traseira direita. Deve ter-se em atenção que as pegadas observadas no campo nem sempre aparecem como na ilustração. Muitas vezes estão semi-apagadas e a sua forma depende muito do substrato e da maneira como o animal pisou o chão (a correr, a andar, aos saltos, etc.). Em cada espécie inclui-se ainda alguma informação escrita, nomeadamente: -Nome comum e Nome científico: consiste no nome universal da espécie, utilizado por cientistas de todo o mundo e é composto por duas palavras, escritas em latim, o género e o epíteto específico.

4

-Um pequeno texto onde se descrevem os hábitos, habitat preferencial, alimentação e outras curiosidades sobre a espécie. -Biometrias: medidas relativas à espécie (comprimento do corpo e da cauda) e aos seus vestígios de presença (tamanho das pegadas, que é sempre referente à pata dianteira, e vem apresentada como comprimento x largura) e comprimento dos dejectos. -O Estatuto de Conservação da espécie em Portugal: informação retirada do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, onde estão documentadas todas as espécies de vertebrados portugueses e o seu respectivo estatuto de conservação, que nos dá informação sobre o perigo de ameaça que a espécie corre. As categorias do Livro Vermelho que aparecem neste guia são as seguintes: Vulnerável: espécie que enfrenta algum risco de extinção na natureza; Quase ameaçado: a espécie não é considerada ainda como estando ameaçada de extinção, mas dadas as circunstâncias pensa-se que poderá vir a estar; Pouco preocupante: espécie com uma distribuição ampla e abundante em todo o território nacional; Informação Insuficiente: não existe informação suficiente para se avaliar o risco de extinção da espécie.

Guia de Mamíferos de Redondo

Conservação da Natureza Em Portugal Continental, Açores e Madeira existem 104 espécies de mamíferos, das quais 24% têm estatuto de ameaça. Entre os fatores de ameaça a estas espécies, alguns mencionados ao longo deste livro, destacam-se a destruição, fragmentação e degradação do habitat, a intensificação e o abandono agrícola, a mortalidade acidental ou deliberada, a escassez de presas (por ex. a diminuição do coelho-bravo), entre outros. Direta ou indiretamente todos nós temos uma parte de responsabilidade em relação a esta situação, pois o crescimento da população humana, os padrões de consumo não sustentáveis, a poluição e outros comportamentos errados contribuem em muito para piorar as condições do meio ambiente. Está nas nossas mãos fazer a diferença! Quanto melhor conhecermos a Natureza à nossa volta, melhor podemos contribuir para a sua conservação e sensibilizar outras pessoas a fazer o mesmo. Passear pelo campo tentando observar as espécies silvestres com o auxílio de guias de identificação, como este, pode ser uma forma divertida e eficiente de crescermos enquanto cidadãos ambientalmente responsáveis e activos na preservação do nosso património natural.

o Homem, mas quando assustadas podem ser agressivas e magoar, sem querer. Deve-se por isso utilizar luvas, ou um pano para agarrar o animal, de forma a garantir a nossa segurança e acomodá-lo o melhor possível dentro de uma caixa arejada (por ex. caixa de cartão com alguns furos), colocando-a num local fresco e sem luz, pois os animais ficam mais calmos no escuro. Por outro lado deve-se ter o cuidado de não ferir mais o animal, não sendo aconselhável tentar tratá-lo em casa. Os animais silvestres têm necessidades fisiológicas próprias que podemos desconhecer. Após tê-lo acomodado (ou mesmo que não se consiga apanhá-lo), deve-se contactar um Centro de Recuperação da região. Caso não exista nenhum, deve-se entrar em contacto com o SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR, que é a entidade responsável por recolher os animais selvagens feridos ou doentes e encaminhá-los ao Centro de Recuperação mais próximo. Os contactos do SEPNA em cada localidade estão na página web da GNR. Desta forma, poder-se-á prestar auxílio e ajudar a salvar alguns animais silvestres!

O que fazer quando se encontra um animal silvestre?

Site da GNR: www.gnr.pt (contactos do SEPNA a nível regional)

Quando se encontra um animal silvestre aparentemente magoado ou ferido deve-se, em primeiro lugar, ter alguns cuidados ao manuseá-lo. A maioria das espécies não representam perigo para

SEPNA: sepna@gnr.pt | Comando territorial do SEPNA no distrito de Évora: 266 748 400

Contactos

25


Artiodáctilos

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

20. Javali Sus scrofa

Insetívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

1. Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus

espinhos

Caninos superiores (presas) muito desenvolvidos e voltados para cima, nos machos.

Comprimento do corpo: 1 a 1,67 m

Maioritariamente crepuscular e noturno. Habita em bosques caducifólios, matagais e zonas agrícolas. Precisa de zonas com matos para se abrigar e de áreas agrícolas ou abertas para se alimentar. Abriga-se em cavidades pouco profundas, que podem estar expostas ao Sol, ou no interior de uma camada de folhas secas e de pequenos paus. É omnívoro alimentando-se de frutos, OUTROS INDÍCIOS banheira de lama e marcação em árvore toma banhos de lama e depois esfrega-se nas árvores para se livrar dos parasitas do pelo

tubérculos, raízes, invertebrados (ex. minhocas, larvas de insetos), pequenos mamíferos e ovos. Pode consumir carcaças de animais mortos. Os machos são maioritariamente solitários exceto durante a época da reprodução. O javali provoca, por vezes, grandes prejuízos em culturas agrícolas, como por exemplo campos de milho. Pode hibridar com o porco doméstico. PEGADAS 12 x 7 cm

Comprimento do corpo: 22,5 a 27,5 cm

Comprimento da cauda: 16 a 30 cm

Noturno e de hábitos solitários. Habita zonas relativamente húmidas, orlas de florestas e matos, jardins, quintas e áreas agrícolas com baixa utilização de pesticidas. O ninho, feito sob os arbustos, consiste numa bola de ervas e folhas enroladas que serve para hibernar e para a reprodução.

PEGADAS

DEJETOS comparado com ratazana dedos mais grossos unhas mais compridas

com restos de carapaças de insetos

DEJETOS 7 cm

muito escuros 2,5 x 2,8 cm

24

Alimenta-se principalmente de invertebrados do solo como insetos, minhocas, aranhas e lesmas. Ocasionalmente de alguns vertebrados como sapos e lagartos, ovos e crias de aves e alguns frutos. Os ouriços aparecem muitas vezes atropelados nas estradas.

3 a 4 cm

5


Insetívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

2. Musaranho-de-dentes-brancos Crocidura russula

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

Comprimento do corpo: 5 a 8,5 cm

Lagomorfos

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Quase Ameaçado

19. Coelho-bravo Oryctolagus cuniculus

Crepuscular e noturno. Habita terrenos secos e arenosos cujo solo lhe permita escavar tocas, matos mediterrânicos, terrenos cultivados, orlas de pomares, hortas, zonas de sapal e bosques. É uma espécie colonial que vive em sociedades hierarquizadas em galerias subterrâneas, as coelheiras: sistema de túneis subterrâneos que ligam diferentes tocas e podem ter 50 a 300 m de profundidade. Alimenta-se de grande variedade de herbáceas, cereais verdes, sementes, folhas e frutos. O coelho tem vindo a diminuir no nosso país, principalmente devido a duas graves doenças que afetam as suas populações: a mixomatose e a Doença Hemorrágica Viral (DHV). A agricultura intensiva e o abandono agrícola também contribuem para a sua diminuição.

mais curtas que Lebre

Comprimento da cauda: 2,5 a 4,5 cm

Apresenta picos de atividade ao amanhecer e ao crepúsculo. Habita em locais de solos secos, prados, orlas das florestas, jardins, quintas e pequenas hortas. Os ninhos têm forma de taça e são construídos à base de vegetação seca, forrados com folhas por baixo. Alimenta-se essencialmente de insetos e outros invertebrados.

Ocasionalmente consome pequenos vertebrados como lagartos e roedores juvenis. Durante a reprodução forma casais que são agressivos com outros indivíduos. As crias geralmente deslocam-se em filas, agarrando-se às caudas umas das outras e da mãe, formando uma espécie de caravana.

OUTROS VESTÍGIOS

PEGADAS muito pequenas

trilhos estreitos através das ervas secas

Comprimento do corpo: 34 a 50 cm Comprimento da cauda: 4 a 8 cm

REFÚGIO Tocas coloniais subterrâneas com várias entradas

PEGADAS 3,5 x 2,5 cm

DEJETOS

1 x 1 cm 6

latrinas grandes la geralmente g localizadas perto lo das tocas d 23


Lagomorfos

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

18. Lebre

Lepus granatensis É predominantemente noturna mas também está ativa durante o dia. Esta espécie está associada a habitats abertos como pastagens, mas também ocorre em terrenos agrícolas e bosques. Não cava tocas mas utiliza abrigos superficiais denominados camas, que consistem numa depressão pouco profunda e se localizam em zonas de vegetação alta ou matos. É herbívora. Alimenta-se sobretudo de ervas, gramíneas e colheitas agrícolas. É uma espécie solitária, formando pares ou pequenos grupos durante a época de reprodução. A corte implica atitudes agressivas, como o “boxe”, comportamento típico das fêmeas que repudiam os machos, que se costuma observar no mês de março.

Comprimento da cauda: 7 a 13 cm

cama entre ervas altas

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

3. Toupeira

Talpa occidentalis

ENDEMISMO IBÉRICO

Visão muito pouco desenvolvida olhos muito pequenos, cobertos por uma membrana fina longas ponta preta

Patas anteriores adaptadas à escavação, muito robustas e em forma de pá.

Comprimento do corpo: 9 a 14 cm

Ativa durante a noite. Habita em jardins, terrenos cultivados e pastagens, mas também em carvalhais e pinhais. Prefere terrenos próximos de ribeiras e albufeiras, pois são mais propícios à construção de galerias. Alimenta-se essencialmente de larvas de insetos e minhocas que encontra durante as escavações e armazena em local próprio.

Comprimento do corpo: 40 a 54 cm

REFÚGIO GIO GI O

Insetívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

PEGADAS

A Toupeira causa problemas aos agricultores porque ao construir galerias desloca sementes e desenraíza plantas. Mas a sua presença é também benéfica pois liberta a terra de muitas larvas de insetos e anelídeos que prejudicam as plantas. Quando escava os túneis onde vive, empurra a terra para cima formando montículos.

REFÚGIO

4,5 x 4 cm

DEJETOS

montículos com torrões de terra, mais grosseiros que os do Rato-cego-mediterrânico,

latrinas pequenas dejetos um pouco maiores que os do coelho 22

7


Quirópteros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

4. Morcego-pigmeu Pipistrellus pygmaeus

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Vulnerável

17. Gato-bravo Felis silvestris

pavilhão auditivo com pequena estrutura membranosa semelhante a uma segunda orelha, com funções na ecolocação

emitem sons pela boca, por isso voam de boca aberta

18 a 24 cm

Comprimento do corpo: 3 a 5 cm

É o mais pequeno dos morcegos europeus e o morcego urbano mais comum. Noturno, sai do abrigo cerca de 20 minutos após o pôr-do-sol. Surge praticamente em todos os tipos de habitat, mas é mais abundante em zonas húmidas e zonas urbanas, que prefere por causa da elevada densidade de insetos. Alimenta-se de insetos caçados durante o voo, preferencialmente REFÚGIO O principalmente construções humanas no inverno pode abrigar-se em buracos das árvores.

Comprimento do corpo: 80 a 130 cm

mosquitos, melgas, moscas e pequenas mariposas. Numa noite pode apanhar 3000 insetos. Hiberna entre dezembro e fevereiro. Na época de reprodução forma colónias com muitas dezenas ou centenas de fêmeas, que podem ocupar lugares muito apertados como fendas em paredes de edifícios, atrás de painéis publicitários, etc. DEJETOS D DE DEJ ETT mu muito mui m uito pe pequenos e co com om re restos estt de insetos desfazem-se de d des e faz azem em facilmente

Crepuscular e noturno. Habita de preferência em florestas de folhosas ou mistas com estrato arbustivo denso. Prefere caçar em terrenos abertos como prados e clareiras. É carnívoro e alimenta-se principalmente de pequenos roedores e coelhos, mas também pode consumir peixes, aves, anfíbios e insetos. Por vezes ingere ervas em pequenas quantidades para evitar a formação de

bolas de pelo, como o gato doméstico. É um animal solitário e territorial. Marca o território salpicando com urina as árvores, vegetação, seixos e colocando os dejetos em locais destacados. A espécie tem diminuído nos últimos anos, devido a vários fatores de ameaça como atropelamento, abate ilegal, destruição de habitat (ex. incêndios) e hibridação com o gato doméstico. PEGADAS

REFÚGIO descansa durante o dia em cavidades de árvores velhas, fendas nas rochas, tocas de coelho e texugo, matos ou grutas abandonadas (não ilustrados)

DEJETOS

Comprimento da cauda: 11 a 25 cm

com estrangulamentos

4 x 4 cm sem garras marcadass gato doméstico

5 a 9 cm muitas vezes semi-enterrados no solo

8

21


Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

16. Raposa Vulpes vulpes

Comprimento da cauda: 32 a 48 cm

Comprimento do corpo: 60 a 90 cm

Noturna e crepuscular. Habita em todos os tipos de habitats, preferindo bosques, matos fechados, lameiros e campos agrícolas. Aparece com frequência na periferia de núcleos urbanos. Pode escavar as suas próprias tocas, ou reutilizar as tocas vazias de coelhos ou texugos. Também utiliza como abrigos fendas entre as rochas. REFÚGIO REF EFÚGI Ú O ÚGI

5. Morcego-de-ferradura-pequeno Rhinolophus hipposideros

Noturno. Caça essencialmente em áreas florestadas com arbustos mas também em zonas agrícolas, pastagens e zonas ribeirinhas. Captura as presas em voo, mas também em superfícies como pedras, ramos e folhas. Alimenta-se de típulas, borboletas noturnas, mosquitos, escaravelhos e aranhas. Hiberna. Na época de reprodução forma colónias com dezenas ou centenas de indíviduos. Espécie ameaçada, estando extinto nalguns países da Europa. Em Portugal a sua população está em declínio, sendo inferior a 10.000 indivíduos. As principais ameaças são a degradação de habitat por ação do Homem: destruição de abrigos, alteração de áreas de alimentação e uso de pesticidas.

Tem uma dieta oportunista e muito diversificada, sendo maioritariamente composta por roedores, lagomorfos, aves, insetos, ovos e minhocas. No verão e no outono pode também ingerir frutas e bagas. Quando os recursos são escassos pode alimentar-se de lixo e desperdícios humanos. Pode também ser necrófaga, alimentando-se de restos de animais como ovelhas ou outros.

movimenta as orelhas de forma independente uma da outra.

PEGADAS

REFÚGIO

5 x 4 cm mais alongadas que ass do o cão cã ão garras bem nítidas, em geral al

Quirópteros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação Vulnerável

Comprimento do corpo: 3,7 a 4,5 cm

Carnívoros

19 a 25 cm

fossas nasais rodeadas de formações membranosas em forma de ferradura, sendo os ultrassons emitidos através das narinas

cria em edifícios abandonados ou grutas e minas de água

DEJETOS muito pequenos com restos de insetos desfazem-se facilmente

cão

DEJETOS

toc tocas oc cass no sol ssolo so o

20

7 a 10 cm odor intenso

3 a 4 cm

9


Roedores

Guia de Mamíferos de Redondo

6. Rato-cego-mediterrânico Microtus duodecimcostatus

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

15. Geneta

Genetta genetta

orelhas e olhos mais pequenos que o Rato de Cabrera

Comprimento do corpo: 40 a 58 cm Comprimento da cauda: 36 a 48 cm

Comprimento do corpo: 8,5 a 10,5 cm

Noturno e crepuscular. Habita em zonas agrícolas como pomares, hortas e campos de arroz. Escava galerias subterrâneas onde vive em grupos. É herbívoro. Alimenta-se particularmente de legumes, gramíneas, raízes, bolbos e tubérculos. Armazena os alimentos em depósitos subterrâneos. Causa atualmente alguns estragos na REFÚGIO

Comprimento da cauda: 2 a 3,5 cm

agricultura, especialmente em pomares de citrinos. A espécie começou a tornar-se praga principalmente depois da modernização da agricultura, nomeadamente com a introdução de sistemas de rega que tornaram os solos secos e áridos do Alentejo mais adequados ao desenvolvimento de grandes populações durante todo o ano.

PEGADAS

Exclusivamente noturna. É uma espécie tipicamente arborícola que ocupa uma grande variedade de habitats, preferindo zonas rochosas e de floresta. Também ocorre em matagais, montados, bosques de zonas húmidas, olivais e mesmo pomares. Utiliza as copas cerradas das árvores como local de repouso. Refugia-se e constrói o seu ninho em árvores ocas, sob silvados OUTROS INDÍCIOS

densos ou em fendas de rochas (não ilustrado). Uns dos principais indícios de presença da espécie são as latrinas, localizadas em sítios altos e com uma grande quantidade de dejetos, que podem ser usadas durante várias gerações. É um carnívoro generalista, consumindo principalmente pequenos roedores e aves. Também se alimenta de coelhos, répteis, insetos e frutos. PEGADAS 3 x 2,9 cm parecidas com gato doméstico

1,2 x 1,5 cm

montículos na saída das suas galerias subterrâneas textura mais fina que montículos de Toupeira

10

DEJETOS

latrinas em sítios altos

6 a 13 cm frequentemente em forma de ferradura

19


Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

14. Sacarrabos

Herpestes ichneumon

pelo espesso e denso permite atravessar vegetação espinhosa dos matagais mediterrânicos

Essencialmente diurno. Prefere zonas com vegetação densa, habitando de preferência em matagais mediterrânicos e margens de linhas de água. Aventura-se muitas vezes em terrenos abertos para procurar alimento. Escava as suas próprias tocas no solo ou por vezes alarga tocas já existentes, por exemplo de coelhos. É um carnívoro generalista, tendo por REFÚGIO REF EFÚGI Ú O ÚGI

base da sua alimentação pequenos mamíferos como coelhos e roedores. Pode comer aves, cobras, ovos, insetos, crustáceos e anfíbios. Esta espécie é resistente ao veneno das serpentes. Era considerado sagrado pelos antigos egípcios, tendo-se encontrado desenhos da espécie em paredes de templos que datavam de 2800 A.C. PEGADAS

Estatuto de Conservação: Vulnerável Vulneráve

7. Rato de Cabrera Microtus cabrerae

ENDEMISMO IBÉRICO

pelagem mais comprida e áspera que o Rato-cego-mediterrânico

Comprimento da cauda: 35 a 50 cm

Comprimento do corpo: 45 a 57 cm

Roedores

Guia de Mamíferos de Redondo

Comprimento da cauda: 4 cm

Comprimento do corpo: 11 a 13 cm

Maioritariamente noturno Habita em zonas de gramíneas altas, juncais e margens de ribeiras. Faz tocas no solo, mas os ninhos podem ser construídos à superfície, protegidos pela vegetação. À volta da toca geralmente encontram-se dejetos e pegadas. É essencialmente herbívoro, alimentando-se de ervas, folhas e caules de gramíneas. Em Portugal a REFÚGIO REF REFÚGI E ÚGIO ÚGI GIO

espécie está ameaçada pois a sua área de distribuição é muito reduzida e fragmentada (menos de 2000 km²). Os fatores de ameaça estão relacionados com o facto das áreas favoráveis à espécie serem boas para a agricultura e pastorícia, impossibilitando a fixação de colónias. A construção de estradas, a florestação e a criação de áreas de regadio também constituem ameaças. PEGADAS

4,8 x 4,2 cm garras geralmente marcadas dass da 1,2 x 1,5 cm

DEJETOS

DEJETOS

7 a 10 cm

toc tocas oc cass no sol ssolo so o

18

montículos reduzidos ou ausentes trilhos através de ervas altas montinhos de ervas cortadas e empilhadas (não ilustrado) troncos das árvores roídos ao nível do solo (não ilustrado)

3 a 4 cm esverdeados e muito pequenos

11


Roedores

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

8. Ratinho-do-campo Apodemus sylvaticus

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Pouco Preocupante

13. Lontra Lutra lutra

Comprimento do corpo: 60 a 90 cm Comprimento da cauda: 36 a 47 cm

patas com membranas interdigitais

Comprimento do corpo: 9 a 11 cm Comprimento da cauda: 7 a 11 cm

cauda muito musculosa e achatada, funciona como remo e leme quando nada

Maioritariamente noturno, mas muitas vezes sai da toca 2 horas antes do anoitecer. Habita em bosques e áreas florestais mas também em campos agrícolas e zonas ribeirinhas. Constrói extensas galerias que funcionam como ninho e reserva de alimentos. Os ninhos são construídos de folhas, musgos e pedaços de erva e encontram-se geralmente no subsolo.

Tem uma dieta oportunista e muito variada que inclui grãos, sementes, plantas verdes, frutos silvestres, insetos, caracóis e minhocas. NOTA: os micromamíferos são muitas vezes detetados em regurgitações de aves de rapina noturnas, pois são a base da sua alimentação. Por esse motivo, uma das metodologias de amostragem de micromamíferos consiste na recolha e análise de regurgitações destas aves. PEGADAS

REFÚGIO REF E ÚGI EF Ú O

Noturna. Habita em ambientes de água doce como rios, ribeiras e lagos. Também ocorre em zonas de estuário e mar, especialmente em costas rochosas. Refugia-se e reproduz-se em tocas que consistem em cavidades nas margens das ribeiras, buracos de árvores ou fendas entre as raízes das plantas ribeirinhas. Normalmente as tocas têm REFÚGIO RE REF E ÚGI GO

dois acessos, um deles funciona apenas como respirador e o outro dá acesso direto à água. Alimenta-se sobretudo de peixe e crustáceos. Ocasionalmente consome outros vertebrados como anfíbios, aves, répteis e mamíferos.

PEGADAS

6 x 6 cm tocas com restos de bolotas roídas à entrada

1,3 cm

DEJETOS

DEJETOS

3 a 5 mm depositados ao acaso

12

2 a 6 cm com restos de crustáceos e peixes odor acentuado a marisco em locais proeminentes: rochas ou troncos nas ribeiras

17


Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

12. Texugo Meles meles

Comprimento do corpo: 65 a 80 cm

Nocturno e crepuscular. Prefere paisagens heterogéneas. Habita maioritariamente em zonas de bosques alternando com pastagens, galerias ripícolas e montados com matos. As texugueiras, onde vive, têm geralmente 3 a 8 entradas ligadas por um complexo sistema de túneis subterrâneos que se estendem por 10 a 20 m. As tocas são coloniais, sendo utilizadas por casais REFÚGIO

PEGADAS

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

9. Doninha Mustela nivalis

Comprimento da cauda: 12 a 19 cm

reprodutores e o restante grupo familiar que pode incluir várias gerações. Um sistema de tocas pode ser usado durante décadas por gerações consecutivas de texugos, ficando cada vez mais complexo. omnívoro e oportunista. A sua alimentação baseia-se em invertebrados, como minhocas e insetos, frutos e raízes. Consome também alguns vertebrados e ovos de aves.

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Comprimento da cauda: 6 a 12 cm

Comprimento do corpo: 20 a 31 cm

É o carnívoro mais pequeno da nossa fauna. Está ativa durante o dia e a noite, alternando horas de atividade com horas de descanso. Habitat muito variável, podendo ocorrer em qualquer lugar desde que haja abrigo e alimento, mas tem preferência por biótopos agrícolas. Refugia-se em tocas no solo, debaixo das raízes das árvores REFÚGIO REF EFÚGI ÚGIO ÚG ÚGI O muros de pedra solta muito usados como local de cria

ou em fendas dos muros de pedra. Alimenta-se essencialmente de pequenos roedores e ocasionalmente de aves e répteis.

PEGADAS 1,3 x 1 cm

8 x 5,5 cm

DEJETOS

vive em tocas escavadas no solo: texugueiras

16

6 cm o solo sol olo lo em pequenas covas no frequentemente com restos de escaravelhoss

DEJETOS 2,5 a 4,5 cm

13


Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

10. Fuinha Martes foina

Noturna. Prefere zonas rochosas com matos ou zonas de bosque. Pode ainda ocorrer nas cidades. É uma espécie trepadora, refugiandose no interior de árvores velhas e ocas, local onde geralmente tem as suas crias. Também pode refugiarse em aglomerados de rochas e em construções humanas (sótãos, celeiros, REFÚGIO

etc.). Ao trepar às árvores deixa marcas das suas unhas e patas. Pode acumular os dejetos em latrinas no cimo de árvores e rochas, ou pode deixá-los isolados ao longo dos caminhos. É essencialmente carnívora, alimentandose sobretudo de roedores, mas também aves e frutos, especialmente em certas épocas do ano.

PEGADAS

3,6 x 3,2 cm

DEJETOS

Tocas em buracos das árvores, fendas entre as rochas ou edifícios

14

4 a 10 cm podem conter restos stt s sto de frutos

Estatuto de Conservação: Informação Insuficiente

11. Toirão

Mustela putorius

Comprimento da cauda: 26 cm

Comprimento do corpo: 42 a 48 cm

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Comprimento da cauda: 14 cm

Comprimento do corpo: 30,5 a 46 cm

Noturno. Habita de preferência em locais próximos da água como rios e ribeiras com uma densa vegetação ripícola. Também ocorre em bosques, terrenos rochosos, montados e áreas agrícolas, tirando partido de paisagens em mosaico. No Inverno pode aproximar-se das construções humanas instalando-se em celeiros. É um carnívoro oportunista, REFÚGIO R REF E ÚGI GO es ava escava esc ava to tocas cas a no no so solo lo o ou u ocu ocupa pa p a ant an antigas iga g s ga tocas toc ass de coe a coelho co coelho, lho ho o, refugia-se refugi ref ugi gia-s a- e e a-s em m fendas fen e das d na nass rochas roc o has oc as a

alimentando-se de roedores, coelhos, anfíbios, aves, répteis, minhocas, insetos e carcaças. O estado de conservação desta espécie é mal conhecido mas há indícios que apontam para o seu declínio em Portugal e resto da Europa. Este fenómeno resulta de fatores como a redução da qualidade do habitat, diminuição de coelho-bravo, morte por atropelamento e perseguição direta. PEGADAS

3,5 x 2,7 cm

DEJETOS 6 a 8 cm muito escuros odor intenso pelos e pedaços de ossos

15


Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

10. Fuinha Martes foina

Noturna. Prefere zonas rochosas com matos ou zonas de bosque. Pode ainda ocorrer nas cidades. É uma espécie trepadora, refugiandose no interior de árvores velhas e ocas, local onde geralmente tem as suas crias. Também pode refugiarse em aglomerados de rochas e em construções humanas (sótãos, celeiros, REFÚGIO

etc.). Ao trepar às árvores deixa marcas das suas unhas e patas. Pode acumular os dejetos em latrinas no cimo de árvores e rochas, ou pode deixá-los isolados ao longo dos caminhos. É essencialmente carnívora, alimentandose sobretudo de roedores, mas também aves e frutos, especialmente em certas épocas do ano.

PEGADAS

3,6 x 3,2 cm

DEJETOS

Tocas em buracos das árvores, fendas entre as rochas ou edifícios

14

4 a 10 cm podem conter restos stt s sto de frutos

Estatuto de Conservação: Informação Insuficiente

11. Toirão

Mustela putorius

Comprimento da cauda: 26 cm

Comprimento do corpo: 42 a 48 cm

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Comprimento da cauda: 14 cm

Comprimento do corpo: 30,5 a 46 cm

Noturno. Habita de preferência em locais próximos da água como rios e ribeiras com uma densa vegetação ripícola. Também ocorre em bosques, terrenos rochosos, montados e áreas agrícolas, tirando partido de paisagens em mosaico. No Inverno pode aproximar-se das construções humanas instalando-se em celeiros. É um carnívoro oportunista, REFÚGIO R REF E ÚGI GO es ava escava esc ava to tocas cas a no no so solo lo o ou u ocu ocupa pa p a ant an antigas iga g s ga tocas toc ass de coe a coelho co coelho, lho ho o, refugia-se refugi ref ugi gia-s a- e e a-s em m fendas fen e das d na nass rochas roc o has oc as a

alimentando-se de roedores, coelhos, anfíbios, aves, répteis, minhocas, insetos e carcaças. O estado de conservação desta espécie é mal conhecido mas há indícios que apontam para o seu declínio em Portugal e resto da Europa. Este fenómeno resulta de fatores como a redução da qualidade do habitat, diminuição de coelho-bravo, morte por atropelamento e perseguição direta. PEGADAS

3,5 x 2,7 cm

DEJETOS 6 a 8 cm muito escuros odor intenso pelos e pedaços de ossos

15


Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

12. Texugo Meles meles

Comprimento do corpo: 65 a 80 cm

Nocturno e crepuscular. Prefere paisagens heterogéneas. Habita maioritariamente em zonas de bosques alternando com pastagens, galerias ripícolas e montados com matos. As texugueiras, onde vive, têm geralmente 3 a 8 entradas ligadas por um complexo sistema de túneis subterrâneos que se estendem por 10 a 20 m. As tocas são coloniais, sendo utilizadas por casais REFÚGIO

PEGADAS

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

9. Doninha Mustela nivalis

Comprimento da cauda: 12 a 19 cm

reprodutores e o restante grupo familiar que pode incluir várias gerações. Um sistema de tocas pode ser usado durante décadas por gerações consecutivas de texugos, ficando cada vez mais complexo. omnívoro e oportunista. A sua alimentação baseia-se em invertebrados, como minhocas e insetos, frutos e raízes. Consome também alguns vertebrados e ovos de aves.

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Comprimento da cauda: 6 a 12 cm

Comprimento do corpo: 20 a 31 cm

É o carnívoro mais pequeno da nossa fauna. Está ativa durante o dia e a noite, alternando horas de atividade com horas de descanso. Habitat muito variável, podendo ocorrer em qualquer lugar desde que haja abrigo e alimento, mas tem preferência por biótopos agrícolas. Refugia-se em tocas no solo, debaixo das raízes das árvores REFÚGIO REF EFÚGI ÚGIO ÚG ÚGI O muros de pedra solta muito usados como local de cria

ou em fendas dos muros de pedra. Alimenta-se essencialmente de pequenos roedores e ocasionalmente de aves e répteis.

PEGADAS 1,3 x 1 cm

8 x 5,5 cm

DEJETOS

vive em tocas escavadas no solo: texugueiras

16

6 cm o solo sol olo lo em pequenas covas no frequentemente com restos de escaravelhoss

DEJETOS 2,5 a 4,5 cm

13


Roedores

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

8. Ratinho-do-campo Apodemus sylvaticus

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Pouco Preocupante

13. Lontra Lutra lutra

Comprimento do corpo: 60 a 90 cm Comprimento da cauda: 36 a 47 cm

patas com membranas interdigitais

Comprimento do corpo: 9 a 11 cm Comprimento da cauda: 7 a 11 cm

cauda muito musculosa e achatada, funciona como remo e leme quando nada

Maioritariamente noturno, mas muitas vezes sai da toca 2 horas antes do anoitecer. Habita em bosques e áreas florestais mas também em campos agrícolas e zonas ribeirinhas. Constrói extensas galerias que funcionam como ninho e reserva de alimentos. Os ninhos são construídos de folhas, musgos e pedaços de erva e encontram-se geralmente no subsolo.

Tem uma dieta oportunista e muito variada que inclui grãos, sementes, plantas verdes, frutos silvestres, insetos, caracóis e minhocas. NOTA: os micromamíferos são muitas vezes detetados em regurgitações de aves de rapina noturnas, pois são a base da sua alimentação. Por esse motivo, uma das metodologias de amostragem de micromamíferos consiste na recolha e análise de regurgitações destas aves. PEGADAS

REFÚGIO REF E ÚGI EF Ú O

Noturna. Habita em ambientes de água doce como rios, ribeiras e lagos. Também ocorre em zonas de estuário e mar, especialmente em costas rochosas. Refugia-se e reproduz-se em tocas que consistem em cavidades nas margens das ribeiras, buracos de árvores ou fendas entre as raízes das plantas ribeirinhas. Normalmente as tocas têm REFÚGIO RE REF E ÚGI GO

dois acessos, um deles funciona apenas como respirador e o outro dá acesso direto à água. Alimenta-se sobretudo de peixe e crustáceos. Ocasionalmente consome outros vertebrados como anfíbios, aves, répteis e mamíferos.

PEGADAS

6 x 6 cm tocas com restos de bolotas roídas à entrada

1,3 cm

DEJETOS

DEJETOS

3 a 5 mm depositados ao acaso

12

2 a 6 cm com restos de crustáceos e peixes odor acentuado a marisco em locais proeminentes: rochas ou troncos nas ribeiras

17


Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

14. Sacarrabos

Herpestes ichneumon

pelo espesso e denso permite atravessar vegetação espinhosa dos matagais mediterrânicos

Essencialmente diurno. Prefere zonas com vegetação densa, habitando de preferência em matagais mediterrânicos e margens de linhas de água. Aventura-se muitas vezes em terrenos abertos para procurar alimento. Escava as suas próprias tocas no solo ou por vezes alarga tocas já existentes, por exemplo de coelhos. É um carnívoro generalista, tendo por REFÚGIO REF EFÚGI Ú O ÚGI

base da sua alimentação pequenos mamíferos como coelhos e roedores. Pode comer aves, cobras, ovos, insetos, crustáceos e anfíbios. Esta espécie é resistente ao veneno das serpentes. Era considerado sagrado pelos antigos egípcios, tendo-se encontrado desenhos da espécie em paredes de templos que datavam de 2800 A.C. PEGADAS

Estatuto de Conservação: Vulnerável Vulneráve

7. Rato de Cabrera Microtus cabrerae

ENDEMISMO IBÉRICO

pelagem mais comprida e áspera que o Rato-cego-mediterrânico

Comprimento da cauda: 35 a 50 cm

Comprimento do corpo: 45 a 57 cm

Roedores

Guia de Mamíferos de Redondo

Comprimento da cauda: 4 cm

Comprimento do corpo: 11 a 13 cm

Maioritariamente noturno Habita em zonas de gramíneas altas, juncais e margens de ribeiras. Faz tocas no solo, mas os ninhos podem ser construídos à superfície, protegidos pela vegetação. À volta da toca geralmente encontram-se dejetos e pegadas. É essencialmente herbívoro, alimentando-se de ervas, folhas e caules de gramíneas. Em Portugal a REFÚGIO REF REFÚGI E ÚGIO ÚGI GIO

espécie está ameaçada pois a sua área de distribuição é muito reduzida e fragmentada (menos de 2000 km²). Os fatores de ameaça estão relacionados com o facto das áreas favoráveis à espécie serem boas para a agricultura e pastorícia, impossibilitando a fixação de colónias. A construção de estradas, a florestação e a criação de áreas de regadio também constituem ameaças. PEGADAS

4,8 x 4,2 cm garras geralmente marcadas dass da 1,2 x 1,5 cm

DEJETOS

DEJETOS

7 a 10 cm

toc tocas oc cass no sol ssolo so o

18

montículos reduzidos ou ausentes trilhos através de ervas altas montinhos de ervas cortadas e empilhadas (não ilustrado) troncos das árvores roídos ao nível do solo (não ilustrado)

3 a 4 cm esverdeados e muito pequenos

11


Roedores

Guia de Mamíferos de Redondo

6. Rato-cego-mediterrânico Microtus duodecimcostatus

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

15. Geneta

Genetta genetta

orelhas e olhos mais pequenos que o Rato de Cabrera

Comprimento do corpo: 40 a 58 cm Comprimento da cauda: 36 a 48 cm

Comprimento do corpo: 8,5 a 10,5 cm

Noturno e crepuscular. Habita em zonas agrícolas como pomares, hortas e campos de arroz. Escava galerias subterrâneas onde vive em grupos. É herbívoro. Alimenta-se particularmente de legumes, gramíneas, raízes, bolbos e tubérculos. Armazena os alimentos em depósitos subterrâneos. Causa atualmente alguns estragos na REFÚGIO

Comprimento da cauda: 2 a 3,5 cm

agricultura, especialmente em pomares de citrinos. A espécie começou a tornar-se praga principalmente depois da modernização da agricultura, nomeadamente com a introdução de sistemas de rega que tornaram os solos secos e áridos do Alentejo mais adequados ao desenvolvimento de grandes populações durante todo o ano.

PEGADAS

Exclusivamente noturna. É uma espécie tipicamente arborícola que ocupa uma grande variedade de habitats, preferindo zonas rochosas e de floresta. Também ocorre em matagais, montados, bosques de zonas húmidas, olivais e mesmo pomares. Utiliza as copas cerradas das árvores como local de repouso. Refugia-se e constrói o seu ninho em árvores ocas, sob silvados OUTROS INDÍCIOS

densos ou em fendas de rochas (não ilustrado). Uns dos principais indícios de presença da espécie são as latrinas, localizadas em sítios altos e com uma grande quantidade de dejetos, que podem ser usadas durante várias gerações. É um carnívoro generalista, consumindo principalmente pequenos roedores e aves. Também se alimenta de coelhos, répteis, insetos e frutos. PEGADAS 3 x 2,9 cm parecidas com gato doméstico

1,2 x 1,5 cm

montículos na saída das suas galerias subterrâneas textura mais fina que montículos de Toupeira

10

DEJETOS

latrinas em sítios altos

6 a 13 cm frequentemente em forma de ferradura

19


Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

16. Raposa Vulpes vulpes

Comprimento da cauda: 32 a 48 cm

Comprimento do corpo: 60 a 90 cm

Noturna e crepuscular. Habita em todos os tipos de habitats, preferindo bosques, matos fechados, lameiros e campos agrícolas. Aparece com frequência na periferia de núcleos urbanos. Pode escavar as suas próprias tocas, ou reutilizar as tocas vazias de coelhos ou texugos. Também utiliza como abrigos fendas entre as rochas. REFÚGIO REF EFÚGI Ú O ÚGI

5. Morcego-de-ferradura-pequeno Rhinolophus hipposideros

Noturno. Caça essencialmente em áreas florestadas com arbustos mas também em zonas agrícolas, pastagens e zonas ribeirinhas. Captura as presas em voo, mas também em superfícies como pedras, ramos e folhas. Alimenta-se de típulas, borboletas noturnas, mosquitos, escaravelhos e aranhas. Hiberna. Na época de reprodução forma colónias com dezenas ou centenas de indíviduos. Espécie ameaçada, estando extinto nalguns países da Europa. Em Portugal a sua população está em declínio, sendo inferior a 10.000 indivíduos. As principais ameaças são a degradação de habitat por ação do Homem: destruição de abrigos, alteração de áreas de alimentação e uso de pesticidas.

Tem uma dieta oportunista e muito diversificada, sendo maioritariamente composta por roedores, lagomorfos, aves, insetos, ovos e minhocas. No verão e no outono pode também ingerir frutas e bagas. Quando os recursos são escassos pode alimentar-se de lixo e desperdícios humanos. Pode também ser necrófaga, alimentando-se de restos de animais como ovelhas ou outros.

movimenta as orelhas de forma independente uma da outra.

PEGADAS

REFÚGIO

5 x 4 cm mais alongadas que ass do o cão cã ão garras bem nítidas, em geral al

Quirópteros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação Vulnerável

Comprimento do corpo: 3,7 a 4,5 cm

Carnívoros

19 a 25 cm

fossas nasais rodeadas de formações membranosas em forma de ferradura, sendo os ultrassons emitidos através das narinas

cria em edifícios abandonados ou grutas e minas de água

DEJETOS muito pequenos com restos de insetos desfazem-se facilmente

cão

DEJETOS

toc tocas oc cass no sol ssolo so o

20

7 a 10 cm odor intenso

3 a 4 cm

9


Quirópteros

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

4. Morcego-pigmeu Pipistrellus pygmaeus

Carnívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Vulnerável

17. Gato-bravo Felis silvestris

pavilhão auditivo com pequena estrutura membranosa semelhante a uma segunda orelha, com funções na ecolocação

emitem sons pela boca, por isso voam de boca aberta

18 a 24 cm

Comprimento do corpo: 3 a 5 cm

É o mais pequeno dos morcegos europeus e o morcego urbano mais comum. Noturno, sai do abrigo cerca de 20 minutos após o pôr-do-sol. Surge praticamente em todos os tipos de habitat, mas é mais abundante em zonas húmidas e zonas urbanas, que prefere por causa da elevada densidade de insetos. Alimenta-se de insetos caçados durante o voo, preferencialmente REFÚGIO O principalmente construções humanas no inverno pode abrigar-se em buracos das árvores.

Comprimento do corpo: 80 a 130 cm

mosquitos, melgas, moscas e pequenas mariposas. Numa noite pode apanhar 3000 insetos. Hiberna entre dezembro e fevereiro. Na época de reprodução forma colónias com muitas dezenas ou centenas de fêmeas, que podem ocupar lugares muito apertados como fendas em paredes de edifícios, atrás de painéis publicitários, etc. DEJETOS D DE DEJ ETT mu muito mui m uito pe pequenos e co com om re restos estt de insetos desfazem-se de d des e faz azem em facilmente

Crepuscular e noturno. Habita de preferência em florestas de folhosas ou mistas com estrato arbustivo denso. Prefere caçar em terrenos abertos como prados e clareiras. É carnívoro e alimenta-se principalmente de pequenos roedores e coelhos, mas também pode consumir peixes, aves, anfíbios e insetos. Por vezes ingere ervas em pequenas quantidades para evitar a formação de

bolas de pelo, como o gato doméstico. É um animal solitário e territorial. Marca o território salpicando com urina as árvores, vegetação, seixos e colocando os dejetos em locais destacados. A espécie tem diminuído nos últimos anos, devido a vários fatores de ameaça como atropelamento, abate ilegal, destruição de habitat (ex. incêndios) e hibridação com o gato doméstico. PEGADAS

REFÚGIO descansa durante o dia em cavidades de árvores velhas, fendas nas rochas, tocas de coelho e texugo, matos ou grutas abandonadas (não ilustrados)

DEJETOS

Comprimento da cauda: 11 a 25 cm

com estrangulamentos

4 x 4 cm sem garras marcadass gato doméstico

5 a 9 cm muitas vezes semi-enterrados no solo

8

21


Lagomorfos

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

18. Lebre

Lepus granatensis É predominantemente noturna mas também está ativa durante o dia. Esta espécie está associada a habitats abertos como pastagens, mas também ocorre em terrenos agrícolas e bosques. Não cava tocas mas utiliza abrigos superficiais denominados camas, que consistem numa depressão pouco profunda e se localizam em zonas de vegetação alta ou matos. É herbívora. Alimenta-se sobretudo de ervas, gramíneas e colheitas agrícolas. É uma espécie solitária, formando pares ou pequenos grupos durante a época de reprodução. A corte implica atitudes agressivas, como o “boxe”, comportamento típico das fêmeas que repudiam os machos, que se costuma observar no mês de março.

Comprimento da cauda: 7 a 13 cm

cama entre ervas altas

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

3. Toupeira

Talpa occidentalis

ENDEMISMO IBÉRICO

Visão muito pouco desenvolvida olhos muito pequenos, cobertos por uma membrana fina longas ponta preta

Patas anteriores adaptadas à escavação, muito robustas e em forma de pá.

Comprimento do corpo: 9 a 14 cm

Ativa durante a noite. Habita em jardins, terrenos cultivados e pastagens, mas também em carvalhais e pinhais. Prefere terrenos próximos de ribeiras e albufeiras, pois são mais propícios à construção de galerias. Alimenta-se essencialmente de larvas de insetos e minhocas que encontra durante as escavações e armazena em local próprio.

Comprimento do corpo: 40 a 54 cm

REFÚGIO GIO GI O

Insetívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

PEGADAS

A Toupeira causa problemas aos agricultores porque ao construir galerias desloca sementes e desenraíza plantas. Mas a sua presença é também benéfica pois liberta a terra de muitas larvas de insetos e anelídeos que prejudicam as plantas. Quando escava os túneis onde vive, empurra a terra para cima formando montículos.

REFÚGIO

4,5 x 4 cm

DEJETOS

montículos com torrões de terra, mais grosseiros que os do Rato-cego-mediterrânico,

latrinas pequenas dejetos um pouco maiores que os do coelho 22

7


Insetívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

2. Musaranho-de-dentes-brancos Crocidura russula

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

Comprimento do corpo: 5 a 8,5 cm

Lagomorfos

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Quase Ameaçado

19. Coelho-bravo Oryctolagus cuniculus

Crepuscular e noturno. Habita terrenos secos e arenosos cujo solo lhe permita escavar tocas, matos mediterrânicos, terrenos cultivados, orlas de pomares, hortas, zonas de sapal e bosques. É uma espécie colonial que vive em sociedades hierarquizadas em galerias subterrâneas, as coelheiras: sistema de túneis subterrâneos que ligam diferentes tocas e podem ter 50 a 300 m de profundidade. Alimenta-se de grande variedade de herbáceas, cereais verdes, sementes, folhas e frutos. O coelho tem vindo a diminuir no nosso país, principalmente devido a duas graves doenças que afetam as suas populações: a mixomatose e a Doença Hemorrágica Viral (DHV). A agricultura intensiva e o abandono agrícola também contribuem para a sua diminuição.

mais curtas que Lebre

Comprimento da cauda: 2,5 a 4,5 cm

Apresenta picos de atividade ao amanhecer e ao crepúsculo. Habita em locais de solos secos, prados, orlas das florestas, jardins, quintas e pequenas hortas. Os ninhos têm forma de taça e são construídos à base de vegetação seca, forrados com folhas por baixo. Alimenta-se essencialmente de insetos e outros invertebrados.

Ocasionalmente consome pequenos vertebrados como lagartos e roedores juvenis. Durante a reprodução forma casais que são agressivos com outros indivíduos. As crias geralmente deslocam-se em filas, agarrando-se às caudas umas das outras e da mãe, formando uma espécie de caravana.

OUTROS VESTÍGIOS

PEGADAS muito pequenas

trilhos estreitos através das ervas secas

Comprimento do corpo: 34 a 50 cm Comprimento da cauda: 4 a 8 cm

REFÚGIO Tocas coloniais subterrâneas com várias entradas

PEGADAS 3,5 x 2,5 cm

DEJETOS

1 x 1 cm 6

latrinas grandes la geralmente g localizadas perto lo das tocas d 23


Artiodáctilos

Guia de Mamíferos de Redondo Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

20. Javali Sus scrofa

Insetívoros

Guia de Mamíferos de Redondo

Estatuto de Conservação: Pouco preocupante

1. Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus

espinhos

Caninos superiores (presas) muito desenvolvidos e voltados para cima, nos machos.

Comprimento do corpo: 1 a 1,67 m

Maioritariamente crepuscular e noturno. Habita em bosques caducifólios, matagais e zonas agrícolas. Precisa de zonas com matos para se abrigar e de áreas agrícolas ou abertas para se alimentar. Abriga-se em cavidades pouco profundas, que podem estar expostas ao Sol, ou no interior de uma camada de folhas secas e de pequenos paus. É omnívoro alimentando-se de frutos, OUTROS INDÍCIOS banheira de lama e marcação em árvore toma banhos de lama e depois esfrega-se nas árvores para se livrar dos parasitas do pelo

tubérculos, raízes, invertebrados (ex. minhocas, larvas de insetos), pequenos mamíferos e ovos. Pode consumir carcaças de animais mortos. Os machos são maioritariamente solitários exceto durante a época da reprodução. O javali provoca, por vezes, grandes prejuízos em culturas agrícolas, como por exemplo campos de milho. Pode hibridar com o porco doméstico. PEGADAS 12 x 7 cm

Comprimento do corpo: 22,5 a 27,5 cm

Comprimento da cauda: 16 a 30 cm

Noturno e de hábitos solitários. Habita zonas relativamente húmidas, orlas de florestas e matos, jardins, quintas e áreas agrícolas com baixa utilização de pesticidas. O ninho, feito sob os arbustos, consiste numa bola de ervas e folhas enroladas que serve para hibernar e para a reprodução.

PEGADAS

DEJETOS comparado com ratazana dedos mais grossos unhas mais compridas

com restos de carapaças de insetos

DEJETOS 7 cm

muito escuros 2,5 x 2,8 cm

24

Alimenta-se principalmente de invertebrados do solo como insetos, minhocas, aranhas e lesmas. Ocasionalmente de alguns vertebrados como sapos e lagartos, ovos e crias de aves e alguns frutos. Os ouriços aparecem muitas vezes atropelados nas estradas.

3 a 4 cm

5


Guia de Mamíferos de Redondo

COMO USAR ESTE GUIA Neste guia estão incluídas 20 espécies de mamíferos da fauna portuguesa, organizadas em seis ordens: Insetívoros, Quirópteros, Roedores, Carnívoros, Lagomorfos e Artiodáctilos. Grande parte das espécies incluídas foram detectados na zona do Ecomuseu de Redondo, no entanto incluem-se outras que, apesar de não terem presença confirmada, são potencialmente ocorrentes na zona e têm uma enorme importância em termos de conservação (caso dos morcegos e do gato-bravo). Para cada espécie há uma ilustração a cores que permite a sua identificação, e ilustrações a preto e branco referentes aos seus principais vestígios de presença (pegadas, dejectos, trilhos, etc.) e aos refúgios que utiliza na natureza. Em relação às pegadas, as ilustrações representadas são referentes à pata dianteira e traseira direita. Deve ter-se em atenção que as pegadas observadas no campo nem sempre aparecem como na ilustração. Muitas vezes estão semi-apagadas e a sua forma depende muito do substrato e da maneira como o animal pisou o chão (a correr, a andar, aos saltos, etc.). Em cada espécie inclui-se ainda alguma informação escrita, nomeadamente: -Nome comum e Nome científico: consiste no nome universal da espécie, utilizado por cientistas de todo o mundo e é composto por duas palavras, escritas em latim, o género e o epíteto específico.

4

-Um pequeno texto onde se descrevem os hábitos, habitat preferencial, alimentação e outras curiosidades sobre a espécie. -Biometrias: medidas relativas à espécie (comprimento do corpo e da cauda) e aos seus vestígios de presença (tamanho das pegadas, que é sempre referente à pata dianteira, e vem apresentada como comprimento x largura) e comprimento dos dejectos. -O Estatuto de Conservação da espécie em Portugal: informação retirada do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, onde estão documentadas todas as espécies de vertebrados portugueses e o seu respectivo estatuto de conservação, que nos dá informação sobre o perigo de ameaça que a espécie corre. As categorias do Livro Vermelho que aparecem neste guia são as seguintes: Vulnerável: espécie que enfrenta algum risco de extinção na natureza; Quase ameaçado: a espécie não é considerada ainda como estando ameaçada de extinção, mas dadas as circunstâncias pensa-se que poderá vir a estar; Pouco preocupante: espécie com uma distribuição ampla e abundante em todo o território nacional; Informação Insuficiente: não existe informação suficiente para se avaliar o risco de extinção da espécie.

Guia de Mamíferos de Redondo

Conservação da Natureza Em Portugal Continental, Açores e Madeira existem 104 espécies de mamíferos, das quais 24% têm estatuto de ameaça. Entre os fatores de ameaça a estas espécies, alguns mencionados ao longo deste livro, destacam-se a destruição, fragmentação e degradação do habitat, a intensificação e o abandono agrícola, a mortalidade acidental ou deliberada, a escassez de presas (por ex. a diminuição do coelho-bravo), entre outros. Direta ou indiretamente todos nós temos uma parte de responsabilidade em relação a esta situação, pois o crescimento da população humana, os padrões de consumo não sustentáveis, a poluição e outros comportamentos errados contribuem em muito para piorar as condições do meio ambiente. Está nas nossas mãos fazer a diferença! Quanto melhor conhecermos a Natureza à nossa volta, melhor podemos contribuir para a sua conservação e sensibilizar outras pessoas a fazer o mesmo. Passear pelo campo tentando observar as espécies silvestres com o auxílio de guias de identificação, como este, pode ser uma forma divertida e eficiente de crescermos enquanto cidadãos ambientalmente responsáveis e activos na preservação do nosso património natural.

o Homem, mas quando assustadas podem ser agressivas e magoar, sem querer. Deve-se por isso utilizar luvas, ou um pano para agarrar o animal, de forma a garantir a nossa segurança e acomodá-lo o melhor possível dentro de uma caixa arejada (por ex. caixa de cartão com alguns furos), colocando-a num local fresco e sem luz, pois os animais ficam mais calmos no escuro. Por outro lado deve-se ter o cuidado de não ferir mais o animal, não sendo aconselhável tentar tratá-lo em casa. Os animais silvestres têm necessidades fisiológicas próprias que podemos desconhecer. Após tê-lo acomodado (ou mesmo que não se consiga apanhá-lo), deve-se contactar um Centro de Recuperação da região. Caso não exista nenhum, deve-se entrar em contacto com o SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR, que é a entidade responsável por recolher os animais selvagens feridos ou doentes e encaminhá-los ao Centro de Recuperação mais próximo. Os contactos do SEPNA em cada localidade estão na página web da GNR. Desta forma, poder-se-á prestar auxílio e ajudar a salvar alguns animais silvestres!

O que fazer quando se encontra um animal silvestre?

Site da GNR: www.gnr.pt (contactos do SEPNA a nível regional)

Quando se encontra um animal silvestre aparentemente magoado ou ferido deve-se, em primeiro lugar, ter alguns cuidados ao manuseá-lo. A maioria das espécies não representam perigo para

SEPNA: sepna@gnr.pt | Comando territorial do SEPNA no distrito de Évora: 266 748 400

Contactos

25


Guia de Mamíferos de Redondo

Guia de Mamíferos de Redondo

Bibliografia BROWN, R. W., M. J. LAWRENCE & J. POPE. 2004. Animals Tracks, Trails & Signs. Hamlyn Guide. HAMLYN. London. CABRAL, M.J. (coord.), J. ALMEIDA, P.R. ALMEIDA, T. DELLINGER, N. FERRAND DE ALMEIDA, M.E. OLIVEIRA, J.M. PALMEIRIM, A.I. QUEIROZ, L. ROGADO & M. SANTOS-REIS (Eds.). 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade. Lisboa. MACDONALD D. & P. BARRET. 1993. Mamíferos de Portugal e Europa. Guias FAPAS. FAPAS. Porto. MIRA, A. 2007. Trilhos e Pegadas. Câmara Municipal de Montemor-o-Novo (publicação no âmbito do projecto Dias Tranquilos... da C. M. Montemor-oNovo) PIÑERO, J.R. 2002. Mamíferos Carnívoros Ibéricos. Lynx Editions. PINTO BASTO, M. & N. PEDROSO. 2003. Introdução ao Estudo de Mamíferos em Portugal. CEAI. Évora. PINTO, B., C. LUIS, F. VALA & P. GARCIA PEREIRA. 2010. Guia de Campo DIA B 22 de Maio 2010. Bioeventos 2010. Lisboa.

PREPARAÇÃO DE SAÍDAS DE CAMPO Para preparar uma saída de campo com o objetivo de encontrar vestígios de mamíferos na natureza devem ser tidos em conta vários aspetos. A escolha do local da saída é muito importante. Uma ribeira ou represa, principalmente com vegetação envolvente, são locais ideais para encontrar vestígios de mamíferos, pois muitas espécies visitam essas zonas em busca de abrigo ou alimento deixando pegadas nas suas margens lamacentas. Existem alguns elementos naturais aos quais se deve dar atenção. As árvores velhas com buracos são bons locais para tocas, pelo que podem ter arranhadelas ou dejectos. Os montes de pedras e muros velhos constituem também locais a explorar, pois muitas espécies, como a doninha, utilizam-nos para viver e outras colocam aí os seus dejetos. Observar o chão, por baixo de pedras ou perto das raízes das árvores, pode ser uma boa forma de encontrar tocas de ratinhos. Os carnívoros marcam o território através da colocação de dejetos em pontos estratégicos, pelo que se deve procurar em pedras altas ou outros pontos que sobressaiam na paisagem. Estes animais utilizam também os caminhos feitos pelo Homem para se deslocarem, ao longo dos quais se podem encontrar pegadas e dejetos.

para consulta e em caso de dúvida podem fotografar-se ou recolher num pequeno saco de plástico para consultar posteriormente um especialista. Deve sempre levar-se um pequeno caderno de campo para anotar tudo o que se observa, indicando a data, hora, local, condições atmosféricas, vestígios encontrados e a espécie a que pertencem (se possível). Pode usar-se este caderno também para desenhar os vestígios encontrados e a paisagem. Durante a saída de campo devem ter-se ainda alguns cuidados com a natureza, especialmente se se pretende observar a fauna. É importante seguir certas regras de conduta, tais como: respeitar os seres vivos e o espaço em que habitam, não fazendo muito ruído, não deixar lixo no campo, não arrancar plantas nem capturar animais vivos, fechar portões das propriedades privadas e deixar tudo exatamente como estava.

As condições meteorológicas também são importantes. Os dias seguintes às chuvas poderão ser uma boa altura para encontrar pegadas. Para a identificação dos vestígios deverá ser levado um guia de campo

26

3


Guia de Mamíferos de Redondo

Guia de Mamíferos de Redondo

Glossário

Mamíferos O QUE SÃO?

COMO OBSERVAR?

Os mamíferos surgiram há cerca de 200 milhões de anos. São animais extremamente versáteis que se adaptaram a diversos ambientes, desde o meio aéreo (ex. morcegos) ao aquático (ex. Lontra) e subterrâneo (ex. Toupeira).

Os mamíferos selvagens são muito difíceis de observar diretamente na natureza devido à sua timidez (escondem-se logo que sentem a presença do Homem), ao facto de serem relativamente escassos e de muitas espécies terem hábitos noturnos. Por essa razão, a principal forma de os detetar no campo é através dos seus vestígios de presença, marcas que deixam nos locais onde vivem ou por onde passam.

Estes animais possuem características únicas tais como a presença de glândulas mamárias destinadas a segregar leite, que serve de alimento às crias nos primeiros tempos de vida e o facto de terem o corpo coberto de pelos, o que os ajuda a manter uma temperatura corporal constante entre 36 a 39 ºC (homeotermia). Possuem também um cérebro relativamente desenvolvido, tendo por isso uma grande capacidade de aprendizagem. São maioritariamente espécies sociais que têm os sentidos da audição e do olfato muito desenvolvidos, devido aos seus hábitos maioritariamente noturnos e crepusculares. Em Portugal continental existem 99 espécies de mamíferos, 68 das quais com hábitos terrestres. Os mamíferos terrestres estão organizados em seis ordens: Insetívoros, Quirópteros, Roedores, Lagomorfos, Carnívoros e Artiodáctilos.

Esses vestígios de presença podem consistir em: pegadas, dejetos ou latrinas (conjuntos de dejetos), refúgios e tocas, restos de alimentos, pelos, odores característicos ou outros vestígios de utilização do habitat. No caso dos micromamíferos, a deteção das diferentes espécies nem sempre é fácil através dos seus indícios de presença, pois são pouco conspícuos e difíceis de identificar. Por esse motivo, a melhor forma de confirmar a sua presença num dado local é através da análise de regurgitações de aves de rapina nocturnas, nomeadamente a Coruja-dastorres. As regurgitações são “bolas” de pelos e ossos, que contêm os restos de alimentos não digeridos por estas aves, e a partir das quais é possível extrair os crânios dos animais consumidos e identificar a espécie a que pertencem. Foi desta forma que se detetou a presença de uma colónia de Rato de Cabrera (Microtus cabrerae), uma espécie rara e ameaçada a nível nacional, na zona do Ecomuseu de

Redondo.

2

Endemismo Espécie cuja distribuição está limitada a uma determinada área geográfica ou a um dado habitat (por ex. Endemismo Ibérico: espécie cuja distribuição está restrita à Península Ibérica). Geralmente os endemismos ocorrem em áreas de alguma forma isoladas e resultam, muitas vezes, da separação de populações de uma dada espécie que evoluem separadamente, sendo por isso o resultado de mecanismos de isolamento. O facto de uma espécie ser endémica, ou seja, estar restrita a uma determinada área, torna-a mais vulnerável, pois qualquer factor de ameaça na sua área de distribuição pode levar à sua extinção. Gramíneas São plantas pertencentes a uma vasta família de angiospérmicas (plantas com flor), designada tecnicamente de Gramineae. A diversidade de espécies que pertencem a este grupo é enorme, cerca de 10000. As gramíneas distribuem-se por diversos habitats, desde zonas húmidas, como é caso do caniço (Phragmites australis), até zonas muito secas como os terrenos cultivados do Alentejo, onde se encontram inúmeras espécies espontâneas como a Briza e o Brachypodium. Algumas gramíneas são também muito importantes na alimentação do homem, sendo cultivadas em larga escala, como por exemplo o trigo e o centeio. Dejetos excrementos.

27


Guia de Mamíferos de Redondo

Ecomuseu de Redondo

FICHA TÉCNICA Edição Câmara Municipal de Redondo 2012 Titulo Guia de Mamíferos de Redondo Textos e conteúdos Carolina Bloise Colaboradores Nídia Fernandes e Valter Gonçalves Consultores Nuno Pedroso, Sara Santos e Rita Sanches Ilustração e Design Gobius Comunicação e Ciência Impressão Gráfica Calipolense Depósito legal nº. 344604/12 ISBN 978-972-95642-2-2 Todos os direitos reservados. Esta publicação não pode ser reproduzida no todo ou em parte, sob qualquer meio eletrónico ou mecânico (fotocópia, gravação, fotografia, etc.) para qualquer finalidade, sem prévia autorização do CEAI e da CMR. As ilustrações não podem ser reproduzida no todo ou em parte, sob qualquer meio eletrónico ou mecânico (fotocópia, gravação, fotografia, etc.) para qualquer finalidade, sem prévia autorização de Mundo Gobius Comunicação e Ciência Lda.

Executante

Promotor

Co-financiamento

O QUE É?

PAISAGENS E HABITATS

O Ecomuseu é um museu “a céu aberto” que tem como missão investigar, conservar, interpretar e difundir testemunhos da paisagem natural e da ocupação humana do território em que se insere, contribuindo para a transmissão das memórias soció-históricas colectivas e para a identidade do concelho.

A área abrangida pelo Ecomuseu é composta por uma paisagem diversificada, que abrange parte da Serra D’Ossa e vastas áreas de Montados de Azinho (Quercus rotundifolia) e de Sobro (Quercus suber), existindo resquícios de um antigo matagal mediterrânico. Na zona mais meridional a paisagem é dominada por terrenos agrícolas e pastagens e um pouco por toda a área surgem cursos de água de regime temporário, alguns com galerias ripícolas bem conservadas.

A zona de intervenção do Ecomuseu situa-se no extremo Norte do concelho de Redondo incluindo uma área de 6000 ha (ver mapa na contracapa), com uma paisagem rica e diversificada, que abrange parte da Serra D’Ossa e vastas áreas de montados. Inclui ainda um rico património histórico e arqueológico, do qual são de salientar as antas, monumentos megalíticos funerários que existem em grande densidade na região. Esta área apresenta uma densidade populacional muito reduzida, incluindo apenas alguns montes isolados e uma pequena povoação, a aldeia do Freixo. Tem uma baixa densidade de estradas principais, sendo apenas atravessada de Este para Oeste pela estrada nacional que liga o Redondo a Évoramonte. A antiga escola primária de S. Bento do Zambujal foi restaurada e equipada, funcionando como Centro de Acolhimento do Ecomuseu e serve de apoio a acções de sensibilização e divulgação da riqueza natural e cultural deste território.

A Serra D’Ossa, composta na sua maioria por uma floresta de eucaliptal, alberga uma baixa diversidade de espécies, uma vez que a fauna local não está adaptada a utilizar as folhas, casca e frutos do eucalipto. Os Montados e galerias ripícolas são os habitats que albergam maior biodiversidade. As galerias ripícolas, compostas pela vegetação envolvente aos cursos de água, são utilizadas por diversas espécies em busca de abrigo e alimento. Os Montados permitem conciliar a vertente económica com a conservação da vida selvagem. A forma como são explorados pelo Homem confere-lhes características próprias que promovem a biodiversidade. O seu caráter de transição entre floresta fechada e campo aberto, a disponibilidade de um grande número de cavidades nas árvores (abrigo de animais) e a diversidade de usos do solo (cereais, pastagens, pousios e matos) tornam os montados um habitat muito diverso e por isso favorável à presença de variadíssimas espécies. 1


MAMÍFEROS de Redondo

MAMÍFEROS de Redondo

Brochura | Mamíferos de Redondo  

Brochura sobre os mamíferos selvagens, de Redondo, elaborado para o Ecomuseu de Redondo. #identidade #desenhografico #ilustracao #editorial

Brochura | Mamíferos de Redondo  

Brochura sobre os mamíferos selvagens, de Redondo, elaborado para o Ecomuseu de Redondo. #identidade #desenhografico #ilustracao #editorial

Advertisement