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Douro! Uma imensidão de água! Especialmente quando comparada com os 20mm de um simples boilie! AUTOR

E IMAGENS: ORLANDO LOUREIRO,

PEDRO RAMOS

E

o porquê

DIOGO DURAIS

do rio Douro

tisfizesse as nossas exigências. Em abril, num dos muitos As abismais profundidades momentos de ócio que a nossa eram apenas um dos obstápesca nos permite, uma troca culos. Foram alguns meses de de ideias sobre onde poderiam pesquisa: imagens, sondagens, andaras grandes care até mesmo conversas com pas portuguesas residentes, com pessoas habituresultou em adas a ver as águas, os pescadounanimires locais e até o peixe. dade ... no Douro! Vários Freixo de Espada relatos ao longo dos à Cinta: a confirmação anos, quase todos de pescaJá com férias marcadas para dores ocasionais, levaram-nos a Freixo de Espada à Cinta, para acreditar que Com persistência a Praia Fluvial da Congida, na seria possível realizar lá boas margem do Douro, arranquei capturas. com a família e a carrinha Uma das etapas mais imporcheia de material de pesca. tantes seria descobrir o sítio Sabia que pouco o iria utiliideal! Conhecedores de muitas zar, a família estava primeiro, centenas de metros de margem, mas só o facto de o material ir especialmente durante a pesca comigo já me fazia sentir bem. ao barbo, sabíamos que iria ser Tudo instalado, fiz uma visita precisa muita padência para à margem portuguesa. Várias encontrar um pesqueiro que sapessoas à pesca e logo relatos

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MUND~~~~!i!! 179


de carpas com 7, 8 e lOkg... provavelmente pesadas "a olho': Depressa cheguei a uma eonclusão, a carpa faz parte da gastronomia locãl, o que mais tarde constatei em alguns restaurantes. Expliquei a todos com quem fa1eio tipo de pesca que praticava, que todos acharam muito i.nteressante. Mas, o dinheiro fala mais alto, numa terra onde os recursos escasseiam. Depois de uma sondagem pelas margens, acabei por escolher um pesqueiro bastante perto, mesmo no meio de uma baía onde os pescadores locais guardam os pequenos barcos. Levei semel'ltes, pois acreditava que boilies elas nunca tinham visto e não iriam pegar neles, teoria que mais tarde Gaiupor terra. Durante os dias de engodagem conheci um pescador local, um senhor com maís de 60 anos, com bastante experiência naquelas águas, e que aos poucos me foi contando alguns truques, que provaram dar resultado para a sua pesca à boia, técnica que usa exch!lsivamente. Todos os dias pegava no barco, atravessava o braço de rio e \ \ colocava-se entre duas oliveiras ,~\ na margem oposta. Ficava lá \\ ' ,até meio da manhã. Segundo .•'' \•..•ele a partir daquela hora estava líllUitocalor e o peixe já não f,,' pêgava (estávamos na última ~ : "'-".semana de julho). Numa das ",,-manhãs surpreendeu-me com 'U~a boni,tq"carpa, que caleulei pes,,:ria,avolta dos lOkg. Infelizrneme já estava morta ~caboÜ vendida a um restaurante. Na véspera do dia da pescaria, estava ,na varanda da casa q~ê{inha alugado, com

vista para o pesqueiro, quando me aperGebo de um pequeno barco a rondar precisamente o sítie>que tinha engodado. Logo desconfiei do que era. Confirmei quando lá cheguei, um casal a colocar redes por todo o braço de água. Falei com eles, expliquei o trabalho e a despesa que tinha tido, mas o melhor que consegui foi que retirassem as redes do local onde tinha sido feita a engodagem quando eu chegasse para pescar. Cheguei cedo, ainda noite, outra surpresa me aguardava, mesmo onde pretendia montar o material, um casal holandês tinha montado uma barraGa. Tudo ultrapassado, coloco as montagens na água, uma com um boilie e outra com uma tiger e um grão de milho. Apesar de todo o barulho que tinha sido feito ao levantar as redes, fiquei surpreendido quando às 9h30 um alarme começa a apitar. Deu uma boa luta, acabando por se perder a um metro do camal'oeiro. Ainda deu para outro arranque, desferrandose alguns segundos depois. Se naquelas condições consegui dois arranques, as coisas não pareciam assim tao difíceis. Vim menos descrente quanto à captura de carpas no Dou- . ro, mas confesso que estava nervoso, a pensar se estaríamos a utilizar a estratégia carreta. Entretanto o Pedro liga-me a

Pescar com lead clip podia ser solução, mas após breve estudo percebemos que o tipo de erva até à linha madre se agarrava contar que tinha sido Gapturada por um pescador, de nome Avelino Correia, uma carpa de 23.1kg. Infelizmente foi morta, perdendo-se assim um sonho e record para a maioria dos carpistas. Confirmava-se, se

dúvidas houvessem, que havia lá grandes earpas.

ia IncursãQ; boilies, silêncioe. )teorias! Duas semanas de engodagem, intercalande>os dias, com quantidades a rondar os 30kg de cada vez. Entre 3 a 5kg de boilies e o restante de sementes. Boilies que nós acreditávamos que não iriam dar nenhum fruto, pois as carpas não estavam habituadas e eles, e não iriam considerá-los alimento, pelo menos em tão


pouco tempo. No primeiro dia logo se confirmou que esta teoria estava errada. Uma captura numa das canas que tinha um boilie ... captura esta que deu muito trabalho, mas que nos iria dar uma alegria enorme por vermos o trabalho reconhecido. Tratávamos ainda da devolução desta carpa quando arranca uma segunda cana, e deita mais uma teoria por terra ... o silêncio absoluto. Supostamente elas são desconfiadas e só pegam com silêncio absoluto. Bem, estávamos os dois dentro de água, a devolver a primeira e a manifestar a nossa alegria ... Todas as montagens foram trocadas para boilies e os arranques não faltaram. Infelizmente perdemos mais de metade do peixe na erva, que tínhamos visto a crescer de dia para dia, e que além de cobrir grande parte do acesso ao pesqueiro também já começava a incomodar neste.

2a Incursão: como evitar as ervas Estávamos a pescar com montagens in-line. Urgia encontrar uma solução para a próxima pescaria, marcada para daí a poucos dias. Pescar com lead clip podia ser a solução, mas após um breve estudo percebemos que o tipo de erva existente até à linha madre se

Depressa cheguei a uma conclusão,

a carpa faz parte da gastronomia local, coisa que mais tarde constatei em alguns restaurantes da zona agarrava. Tínhamos que usar uma montagem o mais linear possível, coisa que o lead clip não nos permitia. A solução foi encontrada com o sistema de montagem drop-ojJ. Consiste numa derivação do método in-line, mas o fio (usámos leadcore) passa por fora da chumbada, o que a leva a soltar-se quando a carpa puxa na direção oposta à nossa. Uma vez sem

horas recheadas de emoção, muitos arranques, um barbo, e várias carpas, todas elas com barbatanas caudais de impor respeito.

Pré-engodagem ou pura sorte?

Havia ainda uma teoria a o peso da chumbada torna-se testar ... as carpas têm rotinas possível trabalhar o peixe mais à e tivemos sorte ao encontrar superfície, evitando assim as erum desses "caminhos'; ou foi vas. Este sistema permite lançar o trabalho de engodagem que com a força que seja necessária, nos proporcionou aqueles sem nunca correr o risco da resultados? Só havia uma forma chumbada se soltar. de descobrir, ir sem engodar! Uma engodagem diária durante Foram escolhidas as condições uma semana foi a base para de acordo com os dias que nos mais 3 dias de pescaria, desta proporcionaram bons móme vez com a presença eto Diogo __~os, rara sentirmos qi.!e a ún' nos dois últim oram


mortas que iam a passar e logo foi arrastada.

Quinta do Vesúvio: Douro não é só pesca

Chegámos à conclusão que para as tirarmos temos que as alimentar, e de preferência com iscos de boa

qualidade e com fartura diferença seria a engodagem. Noutras águas, mais pequenas e com' menos comida, ou com comida em determinados sítios, talvez as carpas criem rotinas de passagem; no Douro não acreditamos que assim aconteça. Do teste que fizemos nem um arranque resultou. Chegámos à conclusão que para as tirarmos temos que as alimentar, e de preferência com iscos de boa qualidade e com fartura. Quando a média de carpas capturadas num pesqueiro ronda entre os 7 e 8kg, podemos imaginar a rapidez da "limpeza" efetuada aos iscos da engodagem. O mesmo pesqueiro ainda recebeu mais uma visita, já no outono, e foi quando nos deparamos com a morte das ervas aquáticas. Eram tantas na corrente que a montagem não estava cinco minutos sem ser arrastada. Foram usadas todas as técnicas e mais algumas, desde a cana bem a pino para o fio ficar em contacto com a água o menos possível, até ao uso de dois backleads por cana, de forma a colar todo o fio ao chão. Nada resultou. Em alguns lançamentos a chumbada caiu diretamente em cima das ervas

Ainda no fim do verão, foi marcada uma visita às águas deste místico rio, junto a uma bela herdade ... a Quinta do Vesúvio. Uma semana de engodagem, uma paisagem maravilhosa e a companhia das gentes do Vesúvio... em plena época das vindimas! Nesta quinta ainda se pratica a pisa das uvas pelo pé

dos homens e mulheres, que vivem esta época como algo muito maior que um emprego de verão. Tivemos o prazer de assistir pes- . soalmente à pisa das uvas, que se prolongou por um mês inteiro ... com festa todas as noites! Foi também um privilégio provar Vinho do Porto tirado diretamente da pipa, e que vinho .... Foram quatro dias maravilhosos, com 18 capturas e muita emoção, não pelo peso destas, mas pela convivência com aquela gente maravilhosa. Acreditamos que com mais tempo, especialmente de engodagem, as grandes acabariam por aparecer, mas para já não foi possível. Fica um obrigado a quem tão bem nos recebeu. Em 2012 pretendemos atacar o Douro com força e, quem sabe se não mudamos de opinião em certos pontos, ou reforçamos aqueles que nos deram alguma garantia de ação. É uma água magnífica, que pode dar muitos recordes, só é preciso ser persistente e confiante! Çx


Mundo da pesca