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C. H. SPURGEON

ESBOÇOS BÍBLICOS DE GÊNESIS A APOCALIPSE VOLUME 2 APRENDENDO COM O PRÍNCIPE DOS PREGADORES

Copyright - SHEDD PUBLICAÇÕES Título do original em inglês: Spurgeon´s sermon notes: Genesis to Revelation 1a Edição - Dezembro de 2007 Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados por SHEDD PUBLICAÇÕES LTDA-ME Rua São Nazário, 30, Sto Amaro São Paulo-SP - 04741-150 Proibida a reprodução por quaisquer meios (mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos, gravação, estocagem em banco de dados, etc.), a não ser em citações breves com indicação de fonte. Printed in Brazil / Impresso no Brasil ISBN 978-85-88315-65-5 TRADUÇÃO: Hope Gordon Silva REVISÃO: Shirley Gomes DIAGRAMAÇÃO E CAPA: Samuel da Silva

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Créditos: Micscan


Prefácio Quanto mais se lê e estuda Spurgeon, tanto mais se enche de admiração por este "pregador dos tempos," notavelmente dotado. Em sua admirável biografia, The Shadow of the Broad Brim (A Sombra do Chapéu de Aba Larga), o Dr. Richard Ellsworth Day nos dá uma fartura de relances íntimos sobre sua vida, que é a vida de um dos gigantes espirituais de Deus. Antes de sua morte, Spurgeon havia lido "O Peregrino" uma centena de vezes. Todo o seu estilo literário foi poderosamente influenciado por João Bunyan. Ele tinha apenas um propósito na vida: pregar a Cristo em toda a sua glória e poder. Ele não poupou o tipo de ministro de "reuniões elegantes", quando disse: "Acautele-se de andar correndo desta reunião para aquela, contribuindo com sua parte para enfatuar ainda mais os fanfarrões. Sua primeira preocupação deve ser o preparo para o púlpito". O Sr. Spurgeon era um mestre da palavra falada e escrita. Atente-se para esta sentença do púlpito Metropolitan: "Quando este grande universo jaz na mente de Deus como futuras florestas no cálice da bolota". Foi Dwight L. Moody quem confessou abertamente que sua veemência vinha da Bíblia e de Spurgeon - "Tudo o que ele já disse, eu li. Meus olhos se deleitam nele. Se Deus pode usar o Sr. Spurgeon, por que não deveria Ele usar a nós outros?" Este volume de Notas de Sermões de Spurgeon foi condensado de quatro volumes de originais com cerca de 1500 páginas, abrangendo a Bíblia toda. Ele está cheio, a ponto de transbordar, e recapitula aproximadamente duzentos esboços de sermão e quase quinhentas ilustrações escolhidas. Esses esboços e essas ilustrações não se destinam ao pregador preguiçoso que despreza ou negligencia a preparação completa; destinam-se, antes, aos ministros, missionários, professores da Bíblia que precisam de uma centelha, uma vez ou outra, para fazer o fogo arder e brilhar com novo calor e poder. A ardente esperança e oração do redator deste volume, condensado de notas de sermões, é que todo aquele que o puser em uso, pense no Senhor Jesus Cristo, da mesma maneira que pensava o grande pregador de Londres, quando escreveu: O que a mão é para o alaúde, O que o sopro é para a flauta. O que a fragrância é para o olfato, O que a nascente é para o poço, O que a flor é para a abelha, Isso é Jesus Cristo para mim. O que a mãe é para o filho, O que o guia é na selva ínvia, O que é o óleo para a onda turbada, O que é o resgate para o escravo, O que é a água para o mar, Isso é Jesus Cristo para mim. Grand Rapids, Michigan David Otis Fuller


Prefácio Condensado Em diversas ocasiões formularam-me a pergunta: "Não poderia o senhor ajudar-nos com alguns esboços de discursos?" Ao que tenho respondido que há muitas obras desse tipo no mercado. Replicam, porém, que gostariam de algo mais simples e menos retórico. Sinto-me encorajado pela solicitação deles de tentar o que se poderia fazer nesse sentido. Preparei estas estruturas, não para estimular a indolência, mas para ajudar o esforço sem metas; e só espero que não tenha escrito tanto, a ponto de capacitar qualquer homem a pregar, sem dar tratos à imaginação, nem tampouco a ponto de deixar sem auxílio a uma mente cansada. Devem ser poucos os pregadores que podem prescindir inteiramente de esboços; se, porém, com sua pregação, eles atingem o objetivo, são homens felizes. Alguns andam de muletas e lêem quase todo o sermão; isto, como norma, deve ser um mau negócio. A maior parte dos pregadores precisa carregar um elemento de apoio, mesmo que muitas vezes não dependa dele. O homem perfeitamente capaz não precisa nada disso. Não sou um desses irmãos de primeira classe; "com meu cajado tenho atravessado este Jordão", e assim o empresto a todos quantos sintam que podem prosseguir sua jornada, com a sua ajuda. Da mesma maneira como despejamos um pouco de água numa bomba, para ajudá-la a trazer lá de baixo uma corrente de água, assim possam esses esboços de sermões refrescar muitas mentes exaustas e, então, pô-las a funcionar, de modo que desenvolvam os seus próprios recursos. Que o Espírito Santo possa usar estes esboços para ajuda de seus servos atarefados. A Ele seja todo o louvor e à sua Igreja, o benefício. Que somos nós, sem Ele? O que é impossível a nós, quando Ele está conosco? Possam aqueles irmãos que usarem esta pequena seleção de tópicos, desfrutar a presença do Senhor, ao assim fazerem. Espero contribuir com um punhado de lascas e cavacos, ou, se preferir, um feixe de lenha, a um irmão, com o qual ele possa acender um fogo em seu próprio coração, e preparar o alimento para o seu povo. Possivelmente, algum irmão preguiçoso fará ferver sua panela com as minhas achas de lenha, mas também isso não devo deplorar, contanto que o alimento fique bem cozido. Caso eu seja tão infeliz, a ponto de ajudar o homem totalmente ocioso, tentando-o a não ajuntar seu próprio combustível, ainda assim não devo ver o assunto com desespero, pois talvez o ocioso possa queimar os dedos na operação; e devo considerar que ele teria apanhado lenha de alguma outra pilha, se não tivesse encontrado a minha. Homem algum causará grande dano com os meus feixes de lenha, lidando com o fogo sagrado; as veredas contidas nesses esboços não farão mal a homem nenhum, se, honestamente, lhes for permitido que falem por si mesmos. Espero e creio que esses esboços não serão de muita utilidade a pessoas que deixam de pensar por si mesmas. De tais "faladores" não tenho a mínima compaixão. Meus esboços pretendem ser auxílio à pregação, e nada mais […] Em todos esses esboços, a verdade evangélica está exposta tão claramente quanto sou capaz de expô-la. Isto


prejudicará a minha obra na estima daqueles cuja admiração não cobiço; porém, não me causará alarme, pois o peso de sua censura não é grande. Sejam quais forem os tempos, não haverá dúvida alguma quanto à posição que o escritor destes esboços assumirá, na hora da controvérsia. Nada sei, senão as doutrinas da graça, o ensino da Cruz, o Evangelho da Salvação; e escrevo somente para que essas coisas sejam publicadas mais amplamente. Se aqueles que crêem nessas verdades me honrarem, usando meus esboços, regozijar-meei e confiarei que a bênção de Deus acompanha seus discursos. Não é pequeno o prazer de ajudar os irmãos na fé a semearem a semente viva da Palavra de Deus, ao lado de todas as águas. Nunca foi o meu propósito ajudar homens a entregarem uma mensagem que não seja própria deles. É mau sinal, quando os profetas furtam suas profecias uns dos outros, pois então é provável que eles - todos eles - se tornem falsos profetas. Mas assim como o jovem profeta tomou emprestado um machado de um amigo, e não foi censurado por isso, porquanto os golpes que ele dava com o machado eram seus próprios golpes, do mesmo modo possamos refrear-nos de condenar aqueles que encontram um tema que lhes seja sugerido, uma linha de pensamento lançada diante deles e, de todo coração os utilizem para falar ao povo. Isso não se deveria constituir em um costume deles; cada homem deve possuir seu próprio machado, e que não tenha ele necessidade de clamar: "Ai! Meu senhor! Porque era emprestado". Mas há momentos de pressão especial, de enfermidade física ou cansaço mental, ocasião em que o homem fica contente com a ajuda fraternal, e pode usá-la, sem nenhuma dúvida. Para tais ocasiões é que tentei prover. Que eu possa ajudar alguns de meus irmãos a pregarem de tal maneira que conquistem almas para Jesus! O calor humano, o testemunho pessoal são muito úteis nesse sentido, e, portanto, espero que, acrescentando seu próprio testemunho sincero às verdades que aqui esbocei, muitos crentes possam falar, com êxito, a favor do Senhor. Confio meus humildes esforços a Ele, a quem desejo servir por meio daqueles. Sem o Espírito Santo, nada há senão um vale de ossos secos; mas se o Espírito vier dos quatro ventos, cada linha se tornará vívida de energia. Vosso irmão em Cristo Jesus, Westwood, março de 1886

C.H. Spurgeon


Sumário Esboços - Título

Texto

1 BRANDAMENTE 2 JUDÁ 3 ACORDO DE AMIZADE FIEL 4 CONSULTANDO COM JESUS 5 UMA DESCULPA FRÍVOLA 6 UM REI ENVIADO EM AMOR 7 RUÍNAS 8 A ALEGRIA DO SENHOR 9 SATANÁS ENTRE OS SANTOS 10 DE NADA NÃO SAI NADA 11 PRESUNÇÃO REPREENDIDA 12 UM PRESUNÇOSO É INSTRUIDO 13 REVELAÇÃO E CONVERSÃO 14 LOUVOR ABERTO E CONFISSÃO PÚBLICA 15 O CAMINHO DE ESPINHOS 16 O PEDIDO DA SABEDORIA AO SEU FILHO 17 O MELHOR AMIGO 18 O CÂNTICO DE SALOMÃO 19 ANDANDO NA LUZ 20 RIOS NO DESERTO 21 O AMARGO E O DOCE 22 UM SERMÃO PARA OS IDOSOS 23 AUMENTO DA IGREJA 24 A PEQUENA IRA E A GRANDE IRA 25 A NUVEM DE POMBOS 26 INTERROGAÇÃO E EXCLAMAÇÃO 27 ARREPENDIMENTO INDIVIDUAL 28 MEMÓRIAS SAGRADAS 29 PÂNTANOS 30 CAMINHOS ESTRANHOS DO AMOR 31 UM POVO QUE NÃO ERA POVO 32 TEOCRACIA 33 MAROTE OU OS DESAPONTADOS 34 VIGIANDO, AGUARDANDO, ESCREVENDO 35 FALTA QUADRÚPLIECE 36 SI PRÓPRIO OU DEUS 37 RESTAURAÇÃO PERFEITA 38 O AMARGO DA CRUZ 39 A TUA PALAVRA ME É SUFICIENTE 40 UM RETRATO DE JESUS 41 CABELOS NUMERADOS 42 JESUS CHAMANDO 43 DE VINTE E CINCO A TRINTA E CINCO 44 SALVE! 45 RESISTÊNCIA À SALVAÇÃO 46 FÉ FRACA APELANDO A UM SALVADOR FORTE

Gn 33.13 Gn 49.8 1Sm 18.3 1Rs 10.1 1Rs 20.40 2Cr 2.11 2Cr 28.23 Nm 8.10 Jó 1.6 Jó 14.4 Jó 34.33 Jó 34.33 Sl 19.7 Sl 138.1-3 Pv 15.19 Pv 23.26 Pv 27.10 Ct 6.5 Is 1.5 Is 32.2 Is 38.17 Is 46.4 Is 49.20-21 Is 54.7 Is 60.8 Jr 3.19 Jr 18.11 Jr 51.50 Ez 47.11 Os 2.14 Os 2.23 Os 13.10 Ml 1.12 Hc 2.1-4 Sf 3.2 Zc 7.5-6 Zc 10.6 Zc 12.10 Mt 8.7; Lc 7.7 Mt 9.36 Mt 10.30 Mt 11.28 Mt 20.3-4 Mt 28.9-10 Mc 5.7 Mc 9.24

Página 008 011 014 018 021 024 026 029 032 036 038 041 043 047 050 053 056 059 062 065 069 072 075 078 081 084 087 091 094 097 100 103 107 110 113 115 118 121 123 126 129 133 135 138 141 145


47 TÃO PERTO 48 ELE PRECISA 49 A FONTE 50 JESUS ESTÁ EM NOSSAS REUNIÕES 51 FÉ SEM O ENXERGAR 52 A SEGUNDA VEZ 53 MORTOS, MAS VIVOS 54 COMUNHÃO EM ALEGRIA 55 EM MEMÓRIA 56 LIMPEZA QUE VEM DE PIEDADE 57 CARREGAR CARGAS 58 CRUCIFICADO NO MADEIRO 59 A GARANTIA 60 A FAMÍLIA DO REI 61 A CABEÇA E O CORPO 62 FILHO DA LUZ E OBRAS DE TREVAS 63 O PADRÃO DO AMOR 64 "ASSIM COMO" 65 A CONVERSÃO DE PAULO É MODELO 66 COMPAIXÃO DOS IGNORANTES 67 O PRÓXIMO E O SEGUNDO 68 NUNCA, NÃO NUNCA 69 SALVAÇÃO COMO É AGORA RECEBIDA 70 UMA PARTICIPANTE E UMA TESTEMUNHA 71 PURIFICAÇÃO POR ESPERANÇA 72 OS TRIBUNAIS INFERIORES 73 A ARCA DA ALIANÇA DELE

Mc 12.34 Lc 19.1-9 Jo 4.11 Jo 10.22-23 Jo 20.29 At 7.13 Rm 6.11-12 Rm 12.15 1Co 11.24 2Co 7.1 Gl 6.2, 5 Gl 6.14 Ef 1.13-14 Ef 3.15 Ef 4.15-16 Ef 5.11 Ef 5.25 Cl 2.6 1Tm 1.16 Hb 5.2 Hb 10.9 Hb 13.5 1Pe 1.9 1Pe 5.1 1Jo 3.3 1 Jo 3.20-21 Ap 11.19

148 151 153 157 160 163 166 169 173 176 179 182 185 188 192 195 198 200 203 207 210 213 216 218 221 224 227


1. BRANDAMENTE Jacó porém lhe disse: "Meu Senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias: e se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá" (Gênesis 33.13). Jacó poderia ter acompanhado o ritmo dos passos de Esaú se estivesse sozinho, mas não com tantas crianças e rebanhos. Ele não esperava que Esaú viajasse no mesmo passo lento que ele era obrigado a manter; portanto desejava se separar. Como Jacó declarou seu motivo, o irmão sentiu que tinha razão: se precisamos ir de modos diferentes, vamos tornar conhecido o nosso motivo para que não pensem mal de nós. Matthew Henry diz: "Se amigos não podem concordar com os planos um do outro, devem fazer esforço para não se desentenderem." Jacó se separou do irmão com quem havia se reconciliado por amor aos seus pequenos, que lhe eram muito queridos.

I. VEJAMOS JACÓ COMO UM EXEMPLO. Ele demonstrou uma consideração especial para com os pequenos e fracos. E nós devemos fazer a mesma coisa. Vamos considerar: 1. Como podemos provocar fadiga? - Deixando as pessoas perplexas com pontos de doutrina profundos e controversos; condenando-os por não estarem muito corretos em suas opiniões. "Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controversiais" (Rm 14.1). - Colocando um padrão de experiência e franzindo a testa para elas por não sentirem todas as tristezas ou êxtases que nós já vivemos. - Exigindo um alto grau de fé, coragem, paciência e outras graças que, para elas, ainda está florescendo. - Não pregando nada senão as verdades, ou insistindo constantemente no dever, com ameaças, enquanto deixamos de falar das promessas e partes consoladoras da Palavra. - Manifestando austeridade na maneira, suspeita, dureza, espírito de censura e desprezo por irmãos mais fracos. - Criticando e não elogiando. "Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem" (Cl 3.21). - Falando sempre sobre as provações, tentações e tristezas de crentes, e pouco sobre suas alegrias e privilégios. - Destas e de muitas outras maneiras, mestres professos revelam que precisam ir à escola de Jacó para aprender com a profissão dele e imitar a sua terna consideração.


2. Por que nós não devemos apertar o passo dos cordeiros (sejam adultos ou crianças)? - A simples bondade humanitária o proíbe. - Nossa própria experiência quando éramos novos deve ensinar-nos um modo melhor. - Podemos voltar a ser fracos e precisar que tenham paciência conosco. -Nós os amamos demais para sermos duros com eles. - Jesus os tem em tão grande apreço que não nos cabe preocupá-los. - O Espírito Santo habita neles, e devemos ser gentis para com os mais leves inícios de sua obra. - Estaríamos fazendo a obra de Satanás se os sobrecarregássemos. - Estaríamos assim provando que nos falta sabedoria e graça. Se matarmos os cordeiros agora, de onde teremos nossas ovelhas do próximo ano? - Não ousemos ser responsabilizados por ofender estes pequenos, pois penas pesadas são pronunciadas sobre aqueles que lhes fazem mal. Nós nos lembramos do quanto Jesus é terno: e isso nos traz ao nosso segundo ponto.

II. VEJAMOS JACÓ COMO RETRATO DE NOSSO SENHOR JESUS. Vejamos o retrato dele em Isaías 40.11: "Como pastor ele cuida de seu rebanho, com o braço ajunta os cordeiros e os carrega no colo; conduz com cuidado as ovelhas que amamentam suas crias." 1. Os fracos têm um lugar especial no amor dele. 2. Ele não quer que nem um só deles morra. 3. Portanto ele nunca conduz à exaustão nenhum deles. 4. Mas ele ajusta seu passo à fraqueza deles. "Eu sigo atrás devagar" (Gn 33.14), "Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora" (Jo 16.12). - Ele não tem tido tanta ternura conosco? "Desces ao meu encontro para exaltar-me" (Sl 18.35). - Não nos irritemos e preocupemos como se ele fosse um patrão. Nós não somos conduzidos por um Jeú; somos conduzidos por Jesus. Descansemos no amor dele. Ao mesmo tempo, não sejamos mais vagarosos do que precisamos ser.


- Para com os outros sejamos pura ternura, pois somos instruídos a amar nosso vizinho, nosso próximo, como a nós mesmos.

PARÁGRAFOS ÚTEIS O Senhor escolhe pastores subordinados para seu rebanho entre homens sujeitos à fraqueza e enfermidade, para que possam ter uma empatia de semelhante pelos fracos. Lelah Merill, em seu livro East of the Jordan (A leste do Jordão), descreve o movimento de uma tribo árabe e diz: "Os rebanhos de ovelhas e bodes eram em sua maioria conduzidos por crianças pequenas. Às vezes, havia rebanhos de cordeiros e cabritinhos levados por crianças que tinham quase a mesma idade que os próprios animaizinhos. Alguns dos homens tinham em seus braços dois, três, quatro, ou uma braçada inteira de cabritinhos e cordeiros que eram novos demais para caminhar; e entre alguns utensílios de cozinha, numa grande panela, um par de pequenos cabritos que foram pequenos demais para a jornada." Uma vela, que foi há pouco acesa e precisa ser mudada de lugar, deve ser levada devagar ou então se apaga. Um fogo que está quase morto pode ser reavivado por um sopro leve, mas se extinguirá se foles forem aplicados com força total. Você pode afogar uma plantinha aguando-a demais, e destruir uma linda flor expondo-a a sol em demasia. Nada é tão forte quanto a brandura: nada é tão brando quanto a força real (Frances de Sales). O britânico Dr. Johnson declarou que a falta de ternura é falta de caráter; é prova de estupidez bem como de depravação. No Orfanato Stockwell, a regra geral em caminhadas é deixar os meninos pequenos irem na frente. Assim, as crianças mais novas não são forçadas demais nem deixadas para trás. Todos os meninos podem ver para onde vão, já a prática usual de deixar os mais altos na frente encobre a visão de todos, exceto daqueles poucos que abrem o caminho. Que a igreja tenha o máximo cuidado com os irmãos mais fracos e dê forma à sua ação com referência constante a eles. Um cristão forte poderia fazer mil coisas realmente se só pensasse em si, mas não fará tantas porque quer agir para o melhor e não magoar seu irmão, nem fazê-lo tropeçar. Mesmo em nossa maneira de agir deverá haver ternura. Dependendo da maneira como é realizado, um ato bondoso pode causar tanto tristeza quanto alegria. Soubemos de alguém que jogava uma moedinha em um pedinte, machucando-o enquanto o ajudava. Um coração cheio de amor tem uma maneira toda sua pela qual suas dádivas são intensificadas. Já há miséria suficiente no mundo. Algumas pessoas são exageradamente sensíveis, e isso é um erro da parte delas, mas quando percebemos isso precisamos ser ainda mais cuidadosos para que não causemos dor desnecessária. Um homem que sofre de gota, gritará se atravessarmos a sala com passos pesados. Vamos censurá-lo por isso? Não, vamos nos apiedar dele e andar com passos leves. Façamos a mesma coisa pelas pessoas sensíveis em geral.


2. JUDÁ Judá, seus irmãos o louvarão: sua mão estará sobre o pescoço dos seus inimigos; os filhos de seu pai se curvarão diante de você (Gênesis 49.8). Usaremos Judá como um tipo do Senhor Jesus, que surgiu de Judá, que é o herdeiro da casa real de Davi, e o Siloé a quem virá o ajuntamento das nações (Gn 49.10). Usamos tanto o homem Judá como a tribo de Judá no paralelo.

I. O LOUVOR DE JUDÁ. "És aquele a quem seus irmãos louvarão" Aqueles que mais o conhecem, a quem ele está mais próximo no relacionamento, por quem ele mais se preocupa, são os que mais o louvam. 1. Ele é primeiro na intercessão. - Esta é sua bênção pactual, "Escutem, ó céus, e eu falarei" (Dt 32.7). - Isto ele prova na intercessão com seu pai, Jacó (Gn 43.3). - E em rogar com José quando este iria segurar Benjamim. Com que emoção falou! Quando se ofereceu para ficar no Egito como substituto! (Gn 44.14). 2. Ele é primeiro em sabedoria. - A Judá pertencia o homem que estava cheio com o espírito de Deus, por quem o tabernáculo no deserto foi erguido. "Eu escolhi Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística" (Êx 31.2-3). - A Judá veio o poder legislativo. "O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando dos seus descendentes..." (Gn 49.10). 3. Ele tem a precedência no ofertar. Aquele que fazia sua oferta no primeiro dia era da tribo de Judá (ver Nm 7.12). 4. Ele tem a precedência na marcha. Na descida ou subida, na batalha ou no progresso, em primeiro lugar ia o estandarte de Judá (ver Nm 10.14, Jz 1.2). 5. Em todas as coisas ele tem a preeminência.


Davi foi escolhido pelo Senhor para ser rei. "Também rejeitou as tendas de José, e não escolheu a tribo de Efraim; ao contrário, escolheu a tribo de Judá" (Sl 78.67-68).

II. TRIUNFOS DE JUDÁ FORA DE CASA. "Tua mão estará no pescoço de teus inimigos". Ilustrar com a vida de Davi. - Ele passou por sérios conflitos (ver 1Sm 17.34-36). -Ele ganhou grandes vitórias (2Cr 13.14). - Ele fundou um império pacífico. -Ele massacrou as forças de seus inimigos, e "quebrou o pescoço" de toda a oposição. - Assim tem feito o nosso Senhor através de sua vida, morte, ressurreição, poder reinante e segunda vinda.

III. AS HONRAS DE JUDÁ EM SEU PRÓPRIO TERRITÓRIO. "Os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti." 1. Tornou-se o cabeça da família. 2. Foi revestido de poder como o do leão. "Ele expressou-se como um leão, e como um velho leão". Ver o versículo 9. "O leão da tribo de Judá prevaleceu" (Ap 5.5). 3. Ele é o centro de nossa assembléia. "A ele será a reunião das pessoas" (v. 10). 4. Sua glória é a sua mansidão. "Com seu jumento" etc. (v. 11). "Eis que o seu rei vem a você, humilde e montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta" (Mt 21.5). 5. Seu banho de vinho em seu primeiro e segundo adventos, o faz lindo aos nossos olhos. Ver versículos 11 e 12; e também "Sozinho pisei uvas no lagar" (Is 63.1-3). 6. Ele é Rei para nós, para sempre. Aleluia. Ver Oséias 11.12. "Efraim cercou-me de mentiras, a casa de Israel, de enganos, [e Judá é rebelde contra Deus, na NVI], mas "Judá ainda governa com Deus" [trad. que foi usada no livro de Spurgeon aqui]. -Estamos nós entre os inimigos contra os quais ele luta como um leão? Acautelemo-nos em como nós o acordamos (9). Mas neste versículo diz: "Não virei com ira." -Estamos nós entre os amigos dele por quem ele luta? Louvemo-lo de todo o coração, e prostremo-nos diante dele. Não somos nós filhos do Pai dele? -Nós temos fome e sede de alimentos celestiais? São abundantes com ele, conforme mostra Os 14, o capítulo final. "O fruto que você produz de mim procede" (Os 14.8b).


SUGESTÕES Há sugestão abundante no texto [deste capítulo] para três sermões a partir do versículo único que selecionamos, e os versículos seguintes são especialmente ricos. O nome de Judá significa louvor, Judá na pessoa de Davi tornou-se o líder de louvor. "Deus é louvado por estar nele, e por ele; e, portanto seus irmãos o louvarão." Veja em nosso Senhor tanto o leão exuberante como o leão deitado com a cabeça erguida. Jesus, que, tendo derrotado principados e potestades, subiu como um conquistador, e se sentou à mão direita da majestade divina "o leão da tribo de Judá prevaleceu". Rutherford muitas vezes exclamou: "Ó, que eu tivesse uma harpa bem afinada." Este texto extraído de Thomas Brooks pode auxiliar o pregador a variar a exposição da reivindicação de nosso Senhor ao nosso louvor. "Cristãos, lembrem-se disto, que todas as razões de se valorizar pessoas e coisas estão eminentemente e apenas em Cristo; portanto, valorize muito, muito altamente o Senhor Jesus. Você valoriza uns pela sua beleza; ora, o Senhor Jesus Cristo é o mais belo dentre os filhos dos homens, (Sl 45.1-2; Ct 5.10). 'Meu amado é claro e corado, acima de todos'; ou o porta-bandeira, 'entre dez mil'. Você valoriza outros pela força deles (Is 26.4). 'Confiai no Senhor para sempre: pois no Senhor Jeová há força sempiterna.' Você valoriza outros por se parecerem muito com seu pai; ora, o Senhor Jesus é o próprio brilho de seu Pai, e a imagem expressa de sua pessoa (Hb 1.3). Você dá valor a outros pela sua sabedoria e conhecimento; um que é assim é um homem muito conhecedor, e portanto você o valoriza; ora, todos os tesouros de sabedoria e conhecimento estão em Cristo (Cl 2.3). A verdade é que todas aquelas perfeições e excelências que estão em todos os anjos e humanos são sintetizadas em Cristo. Todos os anjos no céu têm apenas algumas daquelas perfeições que há em Cristo. Toda a sabedoria, e todo o poder, e toda a bondade, e toda a misericórdia, e todo o amor etc. não estão em nenhuma criatura glorificada; não, nem em todas as criaturas glorificadas reunidas. Mas agora em Cristo todas essas perfeições e excelências se encontram, como todas as águas se encontram no mar, e como toda a luz se encontra no sol. Outros, você valoriza pela sua utilidade; quanto mais úteis são as pessoas e coisas, tanto mais você as preza e as valoriza. O Senhor Jesus Cristo é de utilidade universal para seu povo; ora, ele é o olho direito de seu povo, sem o qual não conseguem enxergar; e a mão direita de seu povo, sem a qual não podem passar etc. Ele é de utilidade singular para todos os seus. Ele é útil para santos fracos, para fortalecê-los; e ele é útil para santos que duvidam, para confirmá-los; e ele é útil para santos insípidos, para os avivar; e ele é útil para santos que estão caindo, para sustentá-los; e ele é útil para santos perambuladores, para recuperá-los. Na prosperidade, ele é útil para conservar seus santos humildes e vigilantes, sem mancha, e frutíferos; e na adversidade ele é útil para conservá-los contentes e alegres. Tudo isso deve encorajar muito os nossos corações a valorizar este Cristo."


3. ACORDO DE AMIZADE FIEL E Jônatas fez um acordo de amizade com Davi, pois se tornara o seu melhor amigo (1Samuel 18.3). E Jônatas fez Davi reafirmar seu juramento de amizade, pois era seu amigo leal. Por que tantos sermões sobre Jonas, e tão poucos sobre Jônatas? São os intratáveis mais dignos de estudo do que os gentis e generosos? Este nobre príncipe teve como grande alegria promover os interesses do homem que iria ser escolhido no seu lugar. Havia algo lindíssimo em Jônatas, e isso apareceu em seu amor altruísta, magnânimo para com Davi. Quanta beleza há no amor sem paralelos de Jesus para conosco, pobres pecadores!

I. GRANDE AMOR DESEJA SE ATAR COM AQUELE QUE É AMADO. "Jônatas e Davi fizeram um contrato, porque ele o amou." -O pacto foi feito não tanto por causa do amor mútuo, e sim porque Jônatas amava a Davi. "Sua amizade era, para mim, mais preciosa que o amor das mulheres" (2Sm 1.26). 1. Jesus se ligou a nós por liames de pacto. Ele assumiu cuidar de nós como nossa garantia no pacto da graça. - Ele entrou em nossa natureza para representar-nos, assim tornando-se o segundo Adão (1Co 15.47). - Ele se comprometeu a remir-nos com o sacrifício de si próprio. "Ele me amou e se entregou por mim (Gl 2.20). - Ele tomou-nos em união consigo mesmo. "Pois somos membros de seu corpo" (Ef 5.30). - Ele vinculou nossas vidas futuras à dele próprio: "Sua vida está escondida em Cristo com Deus" (Cl 3.3). "Porque eu vivo, vocês também viverão" (Jo 14.19). "Pai, Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou" (Jo 17.24) "O amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja" (v. 26b, palavras de ouro). - Ele nos fez compartilhar em tudo que ele tem, trocando de vestes conosco, como nesta narrativa (1Sm 18.4). - Ele não podia chegar mais perto de nós, ou o teria feito. -Em todos esses atos pactuais ele prova seu perfeito amor.


2. Jesus desejava que fôssemos atados a ele por seus laços pactuais: portanto, ele quer de nós: - que nos submetamos ao poder salvador de seu amor. - que o amemos pelo seu grande amor, assim como Davi amou a Jônatas. -que admitamos que somos dele por escolha, por compra e por poder; e que façamos isso deliberada e solenemente, como homens que pactuam. - que nos unamos ao povo dele; pois ele os avalia como sendo ele próprio. -que mostremos bondade para com todos os que são dele, por amor a ele, assim como Davi foi bondoso para com Mefibosete (2Sm 9). -que cada vez mais unamos nossos interesses aos dele e descubramos nosso lucro em promover a honra dele (2Co 5.14-15). "Vida... firmemente segura como a dos que são protegidos pelo Senhor, o teu Deus" (1Sm 15.19). Que linda expressão! Contudo, tão verdadeira! 3. Se este é o desejo de nosso Senhor, não o cumpriremos? - Que os elos sejam mútuos e indissolúveis (Ct 2.10). - Que aceitemos as dádivas inestimáveis do Príncipe, e então nos entreguemos a ele sem reservas. - Que o amemos assim como amamos a nós mesmos, porque ele nos amou mais do que a si mesmo (Mt 27.42). Que este seja um tempo de amar, uma estação de renovar nossos votos, um tempo de um maior fundir de si com Jesus. "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20).

II. GRANDE AMOR DESEJA RENOVADOS VOTOS DA PARTE DE SEU OBJETO. "Jônatas fez com que Davi jurasse novamente." - Não por egoísmo, mas por um ciúme sagrado. "O Senhor teu Deus é um Deus que tem ciúme." Ver também Cântico dos Cânticos 8.6. - É o único retorno que o amor pode receber. Podemos amar Jesus, não podemos fazer mais que isso: "Amem o Senhor, todos vocês!" (Sl 31.23). - É para maior benefício nosso. Atados aos chifres do altar, somos livres. Presos com solda a Cristo, somos abençoados.


- Somos tão frios que temos necessidade de renovar a chama do afeto com as brasas da carne de comunhão amorosa. - Somos tão tentados e assaltados que quanto mais solene e mais freqüentemente renovamos nossos votos, melhor é para nós. - Somos infelizes demais se atraídos a fugir: toda apostasia é uma infelicidade. Portanto, fiquemos atados firmemente ao nosso Senhor. - Assim ele convida-nos a novos compromissos (Ct 8.8-9). -Nossa primeira capitulação foi assistida com dedicação solene. - Nosso batismo foi o sinal dado de sermos um com ele em sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.4). -Nossas santas ceias devem ser renovações santificadas de nosso pacto: "Que cada ato desta adoração hoje seja, Como núpcias nossas contigo, ó Senhor, Como a hora amada dos votos, na igreja Onde aprendemos o compromisso do teu amor." -Nossos restabelecimentos de doenças devem ser lembrados com louvor especial, e devemos pagar nossos votos na presença do povo de Deus (Sl 116.8, 14). - Nossas condições da carne devem ser assistidas com devoção extra. Mudança, promoção, casamento, nascimento de crianças, morte de parentes etc. são ocasiões dignas de dedicação. - Nossas ocasiões de reavivamento espiritual, quando estamos cheios de comunhão forte com o Senhor e seus santos na igreja, devem ser novas venturas. -Venham e deixemos que se renovem nossos amores nesta boa hora. - Fiquemos a sós e expressemos nossos desejos puros diante de nosso bem-amado, onde só ele pode nos ouvir. - Pensemos em algum ato especial de devoção pelo qual possamos expressar nosso afeto e façamos isso de imediato. Não temos frasco de alabastro (Mt 26.7). Será que não podemos lavar os pés do Amado e beijá-los com afeto reverente?

JANELAS DE ÁGATA Uma menininha estava brincando com a boneca no mesmo cômodo em que a mãe se ocupava de um trabalho literário. Quando ela terminou de escrever, disse: - Você pode vir aqui agora, Alice, já fiz tudo que queria fazer nesta manhã.


A criança correu para a mãe, exclamando: - Estou tão contente porque eu queria amá-la tanto. - Mas pensei que você estivesse bem contente com sua bonequinha! - Sim, mãe, eu estava, mas me canso de amá-la, porque ela não me pode amar de volta. - E é por isso que você me ama, porque eu posso amá-la de volta? - É, esse é um motivo, mas não é o primeiro nem o melhor. - Qual é o primeiro e o melhor motivo? - É porque você me amava quando eu era pequena demais para amar você de volta. Os olhos da mãe se encheram de lágrimas e ela falou bem baixinho: - Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. Lorde Brooks apreciava tanto a amizade de sir Philip Sydney que mandou gravar em cima de seu túmulo somente isto: "Aqui jaz o amigo de sir Philip Sydney". Cristo e o crente que o ama vivem como se tivessem uma só alma entre eles. Não é a distância entre a terra e o céu que pode separá-los. O amor verdadeiro descobrirá Cristo onde quer que esteja. Quando ele estava sobre a terra, aqueles que o amavam procuravam-no para estar em sua companhia, e agora que ele já foi ao céu, e está fora do alcance de nossa vista, aqueles que o amam estão freqüentemente fazendo subir seus corações até ele. E assim tornaram suas almas bem conhecidas e familiares com seu Salvador crucificado (1Co 2.2) [Citado em The Morning Exercises]. "Você me ama?" "Cuide dos meus cordeiros". Foi um ato de ternura da parte de nosso Senhor permitir que Pedro expressasse três vezes o seu amor, e que em todo o resto de sua vida exercitasse esse amor, dando-lhe trabalho para fazer. Jesus, o amigo, pergunta três vezes, e então lhe dá uma obrigação a cumprir. Pedro, por amor sincero, responde três vezes, e lhe presta serviço até o fim da vida. Amor é aparente em ambos os lados. Os santos--os cristãos--é para se verem como sendo completamente do Senhor, em oposição a toda a competição. O Senhor não dividirá com rivais; se o escolherem, então estes precisam ficar para trás. A alma até chegar dentro do pacto está em desassossego, como abelha que vai de flor em flor, ou um pássaro de arbusto em arbusto, mas quando está casada com Cristo está estabelecida com ele, e quebra os vínculos com todos os demais. Lembre-se de que o pacto em que vocês entraram é uma liga ofensiva e defensiva. Vocês deverão ter amigos em comum e inimigos em comum com o Senhor. O povo dele precisa ser seu povo, e os inimigos dele precisam ser seus inimigos. Lembre-se de que seus ouvidos estão grudados às entradas das portas do Senhor, você abriu sua boca para o Senhor e não pode retroceder. Você deverá ser dele até o fim e sem interrupção. É uma prática louvável de santos repassarem o acordo outra vez,


firmarem-se nele, selarem-no de novo, e sempre se verem como sendo do Senhor. Há uma disposição de retrocederem até nos melhores momentos, mas uma renovação de nossa aliança é um antídoto para esse veneno. Além do mais, aquele que realmente fez tal pacto já se doou a Cristo sem reserva, e tem colocado um papel em branco na mão do Senhor, dizendo, com Paulo, "Senhor, que queres que eu faça?" Isso agrada muito ao nosso Deus (Thomas Boston).

4. CONSULTANDO COM JESUS A rainha de Sabá soube da fama que Salomão tinha alcançado, graças ao nome do Senhor, ela foi a Jerusalém para pô-lo à prova com perguntas difíceis (1Reis 10.1). Nós podemos considerar com proveito a Rainha de Sabá em sua visita a Salomão, pois ela é dada para nós como um sinal (Mt 12.42). Certamente, ela teria vindo da Arábia, a Feliz, mas teme-se que muitos à nossa volta sejam habitantes da Arábia, a Empedrada, pois seus corações são duros como pedra. Jesus é maior do que Salomão em sabedoria, pois ele conhece o próprio Pai, e todas as riquezas de sabedoria e conhecimento são entesourados nele. Será uma vantagem para nós ir até Jesus com todas as nossas dúvidas e dificuldades e provar seu amor e sabedoria.

I. ADMIREMOS O MODO DE PROCEDER DA RAINHA. 1. Ela provaria a sabedoria do rei aprendendo dele. O melhor meio de conhecer Cristo é tornando-se seu discípulo. 2. Ela faria a prova dele com muitas perguntas. Muitos são os nós no fio da vida. "Se a qualquer homem falta sabedoria, que o peça a Deus." 3. As que ela fez foram perguntas difíceis. - Iam além dela. - Iam além dos sábios dela. - Mas não além da mente ampla de Salomão. Fazer tais perguntas era usar a rara oportunidade que estava diante de si. Grande sabedoria merece perguntas difíceis. Utilize Jesus como ele é: Um intérprete, um dentre mil. Salomão ficaria contente de responder a tais perguntas. - Mostraria a fé dela na notícia de sua glória e sabedoria. - Sua própria mente ficaria descansada, pois muitas perplexidades seriam removidas para sempre. O mesmo é verdade com respeito a Jesus. II. IMITEMOS O EXEMPLO DELA E PROVEMOS NOSSO SALOMÃO MAIOR COM PERGUNTAS DIFÍCEIS:


Aqui estão algumas delas com que começar: 1. Como pode um homem ser justo com Deus? 2. Como pode Deus ser justo e o Justificador daquele que crê? 3. Como pode um homem ser salvo pela fé somente sem obras, enquanto seja verdade que um homem salvo precisa ter boas obras? 4. Como pode um homem ser nascido quando ele é velho? 5. Como é que Deus vê todas as coisas e, contudo, não vê mais os pecados de crentes? 6. Como pode um homem ver o Pai, que é invisível? 7. Como pode ser verdade que aquele que é nascido de Deus não peca e, contudo, homens nascidos de Deus confessam pecado diariamente? 8. Como pode um homem ser um homem novo e ainda ter de suspirar por causa do velho homem? 9. Como pode um homem ser tristonho, contudo, sempre regozijar? 10. Como pode a vida de um homem estar no céu enquanto ele ainda habita a terra? Lemos que Salomão lhe informou todas as suas perguntas, e podemos ter certeza de que Jesus nos ensinará tudo o que precisamos saber porque "nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento! (Cl 2.3).

III. VAMOS DAR ATENÇÃO A CERTAS PERGUNTAS DE CARÁTER REALMENTE PRÁTICO. -Como podemos chegar a Cristo? - Como podemos fazer a Cristo perguntas duras? - Como ele pode responder-nos? Pela sua Palavra, seu Espírito, sua Providência. - Como é que ninguém pode vir senão aqueles que Jesus atrai, e, contudo, aquele que o procura ele de modo algum o lançará fora? Experimente ambas as verdades em sua própria experiência, e elas se provarão. -Como é que há uma hora determinada e um dia limitado, contudo, o Senhor manda chegarmos a Jesus imediatamente? Venha e veja. - Como é que nós não viemos há muito tempo atrás? - Por que não devemos chegar neste exato momento?


MAÇÃS DE OURO EM SALVAS DE PRATA A filosofia nasceu pagã, mas ela pode se tornar cristã, e deve ser batizada "Maria". Ela pode se orgulhar de sentar-se aos pés de Jesus. Hellas chegando-se ao Messias da Judéia é uma cena raramente linda (Dr. Duncan). Questionadores precisam ser ensináveis. Quando o compositor Haydn estava em Londres, um nobre chegou-se a ele em busca de aulas de música, mas achava defeito em tudo que Haydn dizia. Finalmente, esgotada a paciência, o músico exclamou: "Eu vejo, meu senhor, que é o senhor que é tão bom a ponto de dar aulas para mim, e sou obrigado a confessar que eu não mereço a honra de ter tal mestre." Não suponha que a sabedoria seja tão lisonjeada em ter você por aluno que ela vá lhe dar lições fáceis e mesmo assim dar-lhe a medalha de ouro! (T. T. Lynch). Um exemplo das charadas estranhas da experiência cristã é dada em um dos "Sonetos do Evangelho", de Ralph Erskine: Sou pecador, mas sou sem pecado; Limpo no todo, mas todinho manchado; Negridão e beleza, dos dois compartilho, Um preto infernal, e do céu todo o brilho. Os peregrinos quando ficavam na casa de Gaio passavam o tempo fazendo e respondendo charadas como essas. Aqueles que perdem o caminho por não perguntarem merecem mais ser culpados do que ajudados. Os homens pagam muito bem para obter a opinião de um grande médico; o que diremos de pessoas doentes que não vão consultar o Curador infalível, embora suas curas sejam de graça? Jesus espera ser procurado, mas a maioria dos homens prefere seguir seus próprios pensamentos do que aceitar os ensinos infalíveis dele. Que não estejamos entre estes, mas tendo a oportunidade dourada de entrevista com tal mestre, que tragamos diante dele todas as dificuldades, e, como Maria, nos sentemos aos pés e Jesus e aprendamos com ele. As perguntas duras da vida nos provam, e fazem-nos ver, nossa própria ignorância e tolice. Contudo, nós não preferiríamos ficar sem elas, porque também elas provam a Jesus, e expõem a nós o conhecimento e a sabedoria dele. Lembramos de perguntas duras na Providência que não podíamos responder, mas ele as tem tornado claras como o meio-dia; perguntas duras de conflito interno, que ele tem resolvido plenamente, perguntas duras quanto a promessas aparentemente não respondidas, que agora compreendemos, e perguntas duras de doutrina evangélica, que agora vemos ser a verdade nele próprio. Vamos prosseguir provando nosso Senhor, mas nunca o tentando. Toda prova justa, embora seja muito mais severa do que aquelas que a rainha de Sabá impôs a Salomão, Jesus é mais do que capaz de suportar.


5. UMA DESCULPA FRÍVOLA "Enquanto o teu servo estava ocupado com outras coisas, o homem desapareceu. 'Essa é sua sentença', disse o rei de Israel. 'Você mesmo a pronunciou'" (1Reis 20.40).

Um homem precisa estar muito enrascado mesmo quando ele não pode forjar uma desculpa. Esta é uma desculpa muito comum para a perda da alma. "Eu estava muito ocupado e não tive tempo para cuidar da religião." Costuma se dizer que uma má desculpa é melhor do que nenhuma. Isso é questionável. Aqui está uma desculpa que condenou o homem que a deu. O homem na história do profeta recebeu a ordem de vigiar um prisioneiro, e era seu primeiro dever fazer isso, mas ele preferiu seguir seus próprios desejos e cuidar de coisas particulares, e assim o prisioneiro "desapareceu". É claro que ele tivera a capacidade de ter cuidado do negócio do rei, pois ele tinha cuidado do seu. Sua desculpa foi uma confissão de que tinha sido voluntariamente desobediente.

I. É UMA DESCULPA QUE ALGUNS NÃO PODEM USAR. 1. Eles têm poucas coisas com que se ocupar. São pessoas nobres, ou senhoras sem nenhuma ocupação, ou pessoas de muito lazer, ou inválidos que não podem fazer nada para ganhar a vida, e, portanto, têm muito tempo para a reflexão e a leitura. 2. Já fizeram todo o trabalho difícil, estão aposentados e acham difícil passar o tempo. 3. Eles nunca estão ocupados, pois são ociosos a quem nada pode provocar a trabalho. Só matam o tempo.

II. É UMA DESCULPA QUE NÃO É VÁLIDA. 1. Não havia necessidade nenhuma de estar tão ocupado. Muitas pessoas fazem de si escravos mesmo com vistas a lucro, quando podiam ganhar o suficiente para suas necessidades e ainda ter lazer abundante para cuidar de suas almas. 2. Ter crido no Senhor teria diminuído o cuidado necessário da vida, e assim a pressão de negócios estaria mais leve. O fato é que nenhum homem pode arcar com o preço de perder sua alma, porque assim ele impede a sua própria obra de vida. 3. Você acha tempo para outras coisas necessárias - comer, beber, vestir, conversar e dormir. E não tem tempo de alimentar sua alma, de beber a água viva, de se arrumar com a capa da justiça, da retidão, de conversar com Deus e encontrar descanso em Cristo? 4. Você tem tempo para diversão. Pense nas muitas horas desperdiçadas em conversa fiada, em leitura que não é proveitosa. Se lhe oferecem um feriado ou o entretenimento


de uma noite, você cria tempo se não o tem. Você tem, então, tempo para assuntos de peso. 5. Você acha tempo para julgar os outros, questionar grandes verdades, descobrir dificuldades e discutir ninharias. Você não tem tempo para se examinar, estudar a Palavra, e buscar o Senhor? Claro que tem; onde é que está?

III. É UMA DESCULPA QUE ACUSA A PESSOA QUE A FAZ. 1. Você apreciou muitas misericórdias em seu trabalho diário, pois tem sido possível dar atenção ao seu trabalho; estas não devem ter ganhado sua gratidão? 2. Você tem visto muitos problemas, enquanto está ocupado aqui e ali; por que eles não o levaram a Deus? 3. Você tem capacidades para negócios, e estas deviam ter sido usadas para Deus. Ele não lhas deu? Por que gastá-las em seu próprio ganho de dinheiro egoísta?

IV. É UMA DESCULPA QUE FERIRÁ A LEMBRANÇA DE ALGUNS. -Ter trabalhado duro por nada: viver duramente e ainda falhar, e morrer pobre por fim, será triste. -Ter de deixar tudo quando você conseguiu acumular riqueza será duro. Contudo tem de ser.

V. É UMA DESCULPA QUE NÃO RESTAURA A PERDA. - Se você perdeu o tempo, certamente ele lhe foi confiado, e você será chamado para prestar contas dele: mas não pode recuperá-lo, nem repor a perda. - Que terrível ter gasto uma vida em viagens ociosas, coletando conchas, lendo romances etc. e não reservado espaço algum para servir a Deus e conhecer o Redentor. - Homens fazem pior do que isso: pecam, levam outros a pecar, inventam modos de matar o tempo, e depois dizem que não têm tempo. - Dão suas mentes a pensamento céticos, propagar ateísmo, minar a Escritura, ou discutir contra o evangelho, e contudo não têm tempo para crer e viver! - Chame os jovens para usarem tempo enquanto o tempo é deles. - Chame os idosos para gastarem bem o restante de seus dias.


- Chame os cristãos para cuidarem bem das almas de suas crianças, para que não escapem de sua influência enquanto estão ocupados para cá e para lá. - Chame crentes experientes para cuidarem de sua própria alegria no Senhor, para que não o percam na multidão. Em Londres, tal é o zunzum de negócios, que o grande relógio da Catedral de São Paulo pode bater muitas vezes e não ser ouvido. Deus fala com freqüência, e os homens não o ouvem porque outras vozes os ensurdecem. Um grande terremoto aconteceu quando dois exércitos estavam no calor da batalha, e nenhum dos combatentes soube dele. Preocupações da mente evitarão que as coisas mais solenes tenham peso. Nero, quando Roma estava faminta, mandou navios para Alexandria, não para trazer milho para as pessoas que passavam fome, mas para buscar areia para a arena. Ele tocou violino enquanto Roma estava em chamas. Não existem tantos que são cruéis consigo mesmo? Não estão gastando em divertimento passageiro as preciosas horas que deveriam ser usadas em buscar prazeres para a eternidade? Seja qual for a negligência que ache entrada em seus estudos, ou em suas buscas de prazer ou de negócios, que haja um ponto, pelo menos, no qual você esteja sempre de olho, sempre vivo. Isto é, na realização de seus deveres religiosos. Que nada o induza, mesmo por um dia, a negligenciar a leitura da Bíblia. Você sabe o valor da oração; é preciosa acima de todo preço. Nunca, nunca o negligencie (Buxton ao seu Filho). O rei Henrique IV perguntou ao duque de Alva se ele havia observado o grande eclipse do Sol que havia acontecido. "Não", respondeu o duque. "Tenho tanto que fazer na terra, que eu não tenho lazer para olhar para o céu." Ah, que isso não fosse verdade de professores nestes dias! É triste pensar em como seus corações e tempo são tão tomados com coisas terrenas, que não têm lazer para buscar a Cristo e as coisas que pertencem à sua paz eterna (Thomas Brooks). Um tratado sobre a excelência e dignidade da alma, por Claude, bispo de Toul, termina assim: "Eu tenho apenas uma alma, e vou valorizá-la." Agarre momentos, O céu está nas asas deles: um momento podemos desejar, Quando mundos querem riquezas para comprar (Young). Grotius, o historiador, clamou na hora da morte: "Ah, eu consumi minha vida no laborioso fazer nada. Daria todo o meu saber e a minha honra pela integridade simples de João Urick" (um pobre de eminente piedade). Um nobre que morria exclamou: "Bom Deus, como eu me ocupei! Em que delírio tem minha vida se passado! O que estive fazendo enquanto o sol em sua corrida e as estrelas em seus cursos têm emprestado seus raios talvez só para me iluminar a perdição! Tenho buscado sombras e me entretido com sonhos. Tenho estado a entesourar o pó e a divertir-me com o vento. Eu deveria ter pastado com os animais do campo ou cantado com os pássaros da mata, com maior propósito do que qualquer pelo qual eu tenho vivido."


6. UM REI ENVIADO EM AMOR Hirão, rei de Tiro, respondeu por escrito a Salomão: O Senhor tem amado o povo dele, e por isso te fez rei sobre eles (2Crônicas 2.11). Tal foi o caráter de Salomão que até mesmo Hirão podia ver que ele era uma bênção para o povo sobre o qual ele governava. Que seja nosso o abençoar os outros, qualquer que seja nossa posição. E que possa ser observado a nosso respeito que, porque o Senhor amou a família, ele nos fez cabeças dela, amigos dela, ou servos dela etc. Mesmo um pagão podia traçar grandes bênçãos ao amor de Deus; que pagãos são aqueles que não falam da bondade do Senhor, mas falam de "chance" e "boa sorte"! É grande bênção quando as comunicações entre governantes têm sabor de cortesia piedosa, como estes entre Salomão e Hirão. Este versículo bem pode ser aplicado ao nosso Senhor Jesus. Possa o Espírito Santo abençoar nossa meditação nele.

I. O AMOR DE DEUS FEZ JESUS NOSSO REI. 1. Não é, então, um fardo estar sob a lei de Cristo: "os seus mandamentos não são pesados" (1João 5.3). 2. Jesus não precisava de nós como súditos, mas nós precisávamos estar sob o governo e a direção de Jesus. É para nosso direcionamento, consolo, honra, crescimento, sucesso, paz e segurança. 3. Traz-nos muita felicidade obedecer ao nosso Príncipe. Suas leis são indicações de onde nossa felicidade se acha. 4. O caráter pessoal de nosso Rei é tal que é muita bênção para seus súditos tê-lo como seu Monarca. - Tão sábio: portanto, capaz de julgar e dirigir. - Tão poderoso: portanto, capaz de enriquecer e defender. - Tão gracioso: portanto, se estendendo a nós para beneficiar-nos todos. - Tão santo: portanto, elevando e purificando seu povo. Nisto Salomão fracassou, mas Jesus teve êxito. 5. Seu relacionamento conosco faz com que seja uma grande bênção tê-lo como nosso Rei. Nós não estamos sob a tirania de um estranho, mas para nós é cumprida a palavra do profeta: "Seu líder será um dentre eles, seu governante virá do meio deles" (Jr 30.21). O Senhor Jesus é, para todos nós que somos crentes:


- Nosso irmão, portanto, não é servidão segui-lo. - Nosso redentor, portanto, é uma alegria possuir a propriedade dele em nós. - Nosso esposo. Quem não faria o que manda um ser tão amoroso? É um deleite obedecer em tudo a ele que nos tem abençoado em todas as coisas.

II. O AMOR DE DEUS TEM NOS FEITO OS SÚDITOS DE JESUS. 1. Vemos isso na escolha que o Senhor fez de nós. Somos como Israel: - Insignificantes em poder ou sabedoria. - Errantes e continuamente capazes de se revoltar contra o nosso Rei. - Pobres e, portanto, incapazes de pagar-lhe qualquer grande rendimento. - Fracos e, portanto, nenhuma ajuda a ele em seus grandes projetos. -Volúveis e, conseqüentemente, um povo ruim para governar e dirigir. 1. Nós vemos isso nele nos abrandar. Nós começamos com rebelião, mas nosso Príncipe nos venceu e nos colocou sob sujeição feliz por causa de seu grande amor. 2. Nós vemos isso na ordem salutar que ele mantém. É bom para nós estarmos sob um governo tão sábio. Amor dá a rebeldes um governador poderoso, gracioso e paciente. Uma mão firme e um coração amoroso amansa os obstinados, e será uma bênção para eles. 3. Vemos isso na paz que ele cria: a quietude dentro e fora: no coração e na igreja (1Reis 4.24). 4. Vemos isso na abundância que ele espalha: "O rei tornou tão comuns a prata e o ouro em Jerusalém quanto as pedras, e o cedro tão numeroso como as figueiras bravas da Sefelá" (2Cr 1.15). Muito maiores são as riquezas da graça que o reino de Jesus traz a nós. 5. Nós vemos isto na honra que ele põe sobre nós, fazendo-nos todos reis e sacerdotes com ele (Ap 1.5-6).

III. NOSSO AMOR PARA COM DEUS FAZ O REINO DE JESUS ABENÇOADO PARA NÓS. 1. Faz seus pátios nosso deleite. 2. Faz seu serviço nossa recreação.


3. Faz seus impostos nossas riquezas. 4. Faz sua glória nossa honra. 5. Faz sua cruz nossa coroa. 6. Faz que ele próprio seja nosso céu. - Senhor, abençoa teu povo, conservando-o leal e obediente. - Senhor, abençoa os rebeldes, trazendo-os para se prostrarem diante de tão gracioso e sábio Príncipe. - Senhor, nós agora te abençoamos por exaltares Jesus, para ser um Príncipe e um Salvador para nós. Que o Espírito dele repouse sobre nós!

7. RUÍNAS Mas eles foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o Israel (2Crônicas 28.23). Narre as circunstâncias reais. Acaz voltou de Jeová para servir os deuses de Damasco, porque a Síria estava gozando de prosperidade. "Ele ofereceu sacrifícios aos deuses de Damasco que o haviam derrotado, pois pensava: 'Já que os deuses da Síria os têm ajudado, oferecerei sacrifícios a eles para que me ajudem também'. Mas eles foram a causa de sua ruína, e da ruína de todo o Israel." A conseqüente introdução de falsos deuses e profanação do culto de Deus tornou-se a ruína de Acaz e seu reino. Nós tememos com receio de que isso seja a ruína da Inglaterra; pois os ídolos dos papistas e as doutrinas de Roma estão novamente sendo estabelecidos em nossa terra. Embora nenhum país prospere no qual estes prevalecem, contudo, mentes obcecadas estão trabalhando para restaurar os deuses do Vaticano. Este assunto merece muitos sermões fiéis. Neste ponto, voltaremos o texto para um uso mais geral.

I. O HOMEM SE ARRUINANDO. Acaz é o tipo de muitos destruidores de si. "A tua ruína, ó Israel, vem de ti" (Os 13.9, ARA).


- Ele queria ser seu próprio mestre. Isso arruinou o filho pródigo, e arruinará milhões de outros. - Ele era arbitrário e arrogante no pecar. "Andou nos caminhos dos reis de Israel" (2Reis 16.3-4). Esta é uma corrida para a ruína. - Ele esbanjou tesouro com isso. Gastou muito e ganhou pouco. Desperdício e muitos outros caminhos errados são caros e ruins. - Ele desafiou a punição. "Mesmo nessa época em que passou por tantas dificuldades, o rei Acaz tornou-se ainda mais infiel ao Senhor" (1Cr 28.22). Essa rebeldia contra a correção leva à ruína certa. - Ele era muito sagaz e bajulava os grandes. Ele fez uma cópia de um altar clássico e o mandou para sua casa. Mais homens perecem por serem espertos demais do que por serem simples. - Ele era um homem de bom gosto. Admirava as antigüidades e o estético na religião. - Ele teve oficiais para apoiá-lo. "O sacerdote Urias construiu um altar conforme as instruções que o rei Acaz tinha mandado" (2Reis 16.11). Maus ministros são terríveis destruidores. - Ele imitou pecadores prósperos. O rei da Assíria tornou-se seu tipo. Isso é conduta ruinosa. - Ele abandonou todo culto de Deus. "Ele trancou as portas da casa do Senhor" (2Cr 28.24). Este é o clímax de rebelião e o selo de ruína. Mas ele não prosperou; os falsos deuses foram a ruína dele.

II. O HOMEM EM RUÍNAS. Nós deixamos Acaz, para pensar em alguns à nossa volta. - O homem torna-se carcomido com vício secreto. Uma ruína que apodrece assombrada por morcegos e corujas e criaturas sórdidas da noite. - Um homem com hábitos de beber, um bruto, um inimigo. - O homem que é má companhia, capaz de logo estar em prisão, ou rejeitado. - O homem de más companhias e fala suja, perdido para Deus, para o bem, e o senso moral. - Em volta de nós vemos tais ruínas espirituais. - Voltados de usos santos para serem uns perdidos mofando. O homem é arruinado em:


- Paz, caráter, utilidade, perspectivas para o futuro. Pior de tudo, ele mesmo é uma ruína e será assim para sempre. - Uma ruína sugere muitas reflexões. -O que foi! O que poderia ter sido! -O que é! O que será! -Meditações entre ruínas podem ser úteis àqueles que se inclinam a repetir a experiência de Acaz.

III. OUTROS ARRUINADOS COM ELE. "Foram a ruína dele e de todo o Israel." - Propositalmente. Alguns homens pelo exemplo criam bêbados, pelo ensino fazem pagãos, pela sedução arruínam a virtude, pela própria presença destroem tudo o que é bom nos seus associados. - Incidentalmente, mesmo sem intenção, eles espalham o contágio do pecado. Sua irreligião arruína os jovens, sua conduta influencia os inseguros, sua linguagem influencia os maus. - O pecado arruinará a você, se persistir nele. - Sua queda arrastará outros. - Você não tentará fugir de ruína? - Jesus é o restaurador dos dissipadores.

RUÍNAS Na Austrália, há uma arma de arremesso chamada bumerangue que, quando arremessada, descreve curvas singulares e volta por fim à mão de quem a lançou. O pecado é uma espécie de bumerangue, que, curiosamente, sai para o espaço, mas retorna para o seu autor, e com dez vezes a força golpeia a alma culpada que o lançou. Poderíamos ilustrar o mal do pecado com a seguinte comparação: "Suponha que eu estivesse passando por uma rua e fosse arremeter minha mão através de uma grande chapa de vidro, que mal eu receberia?" "Você seria punido por quebrar o vidro." "Seria só esse o mal que eu receberia?" "Sua mão seria cortada pelo vidro." "Sim, e assim é com o pecado. Se você quebra as leis de Deus, você será punido por quebrá-las, e sua alma é machucada pelo próprio ato de quebrá-las" (J. Inglis).


Já ouvi contar que um pastor uma vez ficou de pé e observou uma águia sair de um despenhadeiro. A ave voou bem alto no ar e, logo depois, parecia oscilar, e rodou em seu vôo no ar. Primeiro, uma asa abaixou, e depois a outra; logo, com grande velocidade, o pobre pássaro caiu rapidamente em direção ao chão. O pastor ficou curioso para saber o segredo de sua queda. Ele a apanhou. Viu que quando a águia pousou pela última vez no despenhadeiro, uma pequena serpente tinha se fixado nela, e à medida que a serpente mordeu mais e mais, a águia em sua agonia rodou no ar. Quando a serpente tocou no coração dela, a águia caiu. Você nunca viu um homem ou mulher na igreja, ou na sociedade, subindo e subindo; o homem se tornando cada vez mais influente, aparentemente forte, bem conhecido, exercendo poder perto e longe; e, depois, ficar oscilante, incerto, rodando, como se fosse por incerteza e inconsistência, e por fim cair ao chão, e prostrado ali em descrédito desesperançado, um espetáculo para anjos chorarem e mofadores e diabos se rirem. Você não conhece o segredo da queda, mas o olho onisciente de Deus o viu. Aquela negligência de oração, aquela desonestidade secreta nos negócios, aquela indulgência escondida no copo intoxicante, aquela licenciosidade não vista por homens, aquela mexida secreta com descrença e erro, era a serpente no coração que fez cair a águia. Sábios dos dias antigos sustentavam que nenhum pecado já foi cometido cujas conseqüências ficavam somente sobre a cabeça de quem o cometeu; que nenhum homem podia fazer mal e seus companheiros não sofrerem. Ilustravam isso assim: "Uma embarcação, velejando de Joppa, levava um passageiro que, por baixo do seu leito, cortou um buraco furando o lado do navio. Quando os homens da vigília discutiram com ele, dizendo: "O que fazes, ó homem miserável?", o ofensor calmamente replicou: "O que importa para vocês? O buraco que eu fiz está debaixo do meu próprio leito." Esta antiga parábola merece ser considerada. Nenhum homem perece sozinho em sua iniqüidade; nenhum homem pode adivinhar todas as conseqüências de sua transgressão.

8. A ALEGRIA DO SENHOR Então ele lhes disse, "Podem sair, e comam e bebam do melhor que tiverem, e repartam com os que nada têm preparado. Este dia é consagrado ao nosso Senhor. Não se entristeçam, porque a alegria do Senhor os fortalecerá" (Neemias 8.10).

Naquele dia, contentes como estavam, ofereceram grandes sacrifícios, pois Deus os enchera de grande alegria; as mulheres e as crianças também se alegraram, e os sons de alegria de Jerusalém podiam ser ouvidos de longe (Neemias 12.41). As pessoas que tinham chorado antes, com um sentimento de culpa de pecado, eram agora chamadas a se alegrarem. Lamentação santa prepara o caminho para riso espiritual. Brilho claro segue à chuva. Foi bom que eles se conservaram sob tanto controle que podiam chorar ou alegrar-se como eram mandados.


Sua alegria foi notável pela sua espiritualidade e universalidade, e nestes e em outros modos foi um exemplo para nós.

I. HÁ UMA ALEGRIA DE ORIGEM DIVINA. "A alegria do Senhor." 1. Ela se regozija em Deus mesmo, seu caráter, seus atos, seus comandos, e tudo que perfaz a sua glória. Ela se alegra especialmente em que ele mesmo é nosso. "Finalmente, meus irmãos, regozijai-vos no Senhor (Fp 3.1). 2. Ela possui um profundo senso de reconciliação, aceitação, adoção e união com Cristo Jesus. Alegria necessariamente precisa fluir de todas essas fontes de bênção (Is 12.3). 3. Ela possui segurança de futura perseverança, vitória e perfeição, em razão da obra completada de Cristo, e da imutabilidade e onipotência da graça divina (Hb 6.17-18). 4. Ela é exaltada pela comunhão pessoal atual com Deus da qual ela surge. "Também nos gloriamos em Deus" (Rm 5.11). 5. Fica feliz com a honra de servir (1Tm 1.12). 6. Descansa na vontade divina, em providência, aflição, desapontamento etc. (Rm 5.3). 7. É cheia de esperança no futuro - um poço de deleite.

II. ESSA ALEGRIA É FONTE DE FORÇA. "A alegria do Senhor vos fortalecerá" (Neemias 8.10). 1. Ela surge de considerações que fortalecem. As mesmas verdades que nos fazem alegres também nos fazem fortes. 2. É sustentada por uma vida que é forte, a própria vida de Cristo dentro de nós, mantida pelo Espírito Santo. 3. Fortalece contra tentação, ou perseguição, ou aflição, e assim prova ser uma força presente no tempo da necessidade. 4. Ela prepara para serviço abundante. Aquele que é ele próprio alegre de coração buscará o bem de outros. 5. Proíbe todo o medo ao dar um sentimento de capacidade para enfrentar todo inimigo. É força calma, constante, humilde, real, de base profunda.


III. ESSA FORÇA QUE VEM DA ALEGRIA SANTA LEVA A RESULTADOS PRÁTICOS. 1. Louvor: "Esdras louvou o Senhor, o grande Deus, e todo o povo ergueu as mãos e respondeu: "Amém! Amém!" (Ne 8.6). 2. Sacrifícios de alegria: "Sacrifícios de alegria: "Então todo o povo saiu para comer, beber, e repartir. . . e para celebrar. 3. Expressões de alegria: Deus os levara a "celebrar com grande alegria." 4 Felicidade das famílias notadas pelos vizinhos.

IV. ESTA ALEGRIA ESTÁ AO ALCANCE. Foi presente de Deus, mas veio por: - Ouvir-se atentamente: "E todo o povo ouvia com atenção a leitura dos livros do Livro da Lei" (3). - Adorar devotadamente: "Então eles adoraram o Senhor, rosto em terra" (6). - Chorar penitentemente: "O povo estava chorando enquanto ouvia as palavras da lei" (9). - Entender claramente: "Pois agora compreendiam as palavras que lhes foram explicadas" (12). - Obedecer sinceramente: "Construíram tendas e moraram nelas" etc. (17). -Vamos buscar a alegria em Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem temos recebido a expiação; pois esta é uma alegria verdadeira, segura, santificadora. É tal ornamento que fica bem ao crente completamente devotado enquanto está na guerra, e o prepara para unir-se às aleluias no céu. - Existe uma coisa pior que um coração sem alegria. Deus nos ajude a não ter experiência pessoal disso! - Há também alegrias mortíferas. Destes fujamos para as alegrias da graça.

FAÍSCAS É uma lareira ruim aquela em que todo o calor sobe pela chaminé: a religião verdadeira espalha alegria sobre todos em geral. Contudo, o fogo aquece primeiro a chaminé na qual ele queima, e a graça consola o coração em que ela habita. Ninguém será aquecido por uma lareira fria.


Fé é a chave da felicidade; use-a nas portas da casa do Senhor e os cômodos de bemaventurança se abrirão para você. Se sua religião só o admite a cavernas e masmorras ela deve ser muito incompleta. Cristo vem de palácios de marfim e leva seus escolhidos para casas onde são servidos banquetes. Que a religião cristã seja favorável à felicidade humana, eu creio, é a convicção secreta de muitos que podem não confessar isso abertamente; portanto, não é raro ouvir os vis dizerem: "Eu creio que o cristão verdadeiro é o homem mais feliz do mundo." Lembrome da observação de um certo cético, falando comigo, na hora de aflição: "Ah, senhor, vocês cristãos têm a vantagem sobre nós" (Palestras a homens jovens, rev. Daniel Baker. O Sr. Moody diz: "Nunca conheci um caso em que Deus usou um homem desanimado ou uma mulher desanimada para realizar qualquer coisa grande para ele. Que um ministro entre no púlpito num estado de espírito desanimado, e isso se torna contagiante: logo alcança os bancos, e a igreja inteira ficará desanimada. É assim com um professor ou professora da escola dominical. Nunca conheci um obreiro que estivesse cheio de desânimo e que encontrasse grande sucesso no trabalho do Senhor. Parece que Deus não pode fazer grande uso de tais pessoas." Quando somos enfraquecidos pela tristeza, não falamos de modo atraente. Falta convicção e energia às nossas afirmações. Somos capazes de entrar em discussão por coisas ínfimas, ser afastados por desencorajamento e fazer mal o nosso trabalho. Os soldados fazem o melhor que podem marchando com música, e os marinheiros trabalham mais alegres quando podem unir-se numa melodia viva, e tenho certeza de que nós fazemos o mesmo. Cristãos alegres dão água na boca de um pecador pelas deliciosas iguarias da verdadeira religião. Quando o pródigo voltou para sua casa, ele foi calçado, vestido e adornado, mas nós não lemos que era para os servos porem carne na sua boca. Contudo deviam alimentá-lo, e fizeram isso comendo eles também. "Comamos e alegremo-nos." Este seria o modo mais convincente de induzir o pobre filho faminto a fazer uma refeição. Se os santos fossem mais alegres, os pecadores estariam bem mais prontos a crer.

9. SATANÁS ENTRE OS SANTOS "Certo dia os anjos vieram apresentar-se e Satanás também veio com eles" (Jó 1.6).

É inútil perguntar que dia foi esse - talvez tenha sido um sábado especial guardado tanto na terra como no céu, um dia de convocação solene. Nos primeiros tempos, os piedosos se reuniam com seu Senhor como seu centro. Tanto no céu como na terra, eles se reúnem assim: a comunhão dos santos é uma. Ai de nós! Como entrou logo o mal junto com os justos! Não era necessário que o diabo tivesse estado no céu, mas olhando para baixo a partir do céu o Senhor viu Satanás se misturando com aqueles que o adoravam, e ele tinha uma palavra para ele. Numa congregação bem-ordenada até os maus têm sua posição.


Pela presença de Satanás entre os filhos de Deus nós aprendemos:

1. QUE O MERO REUNIR-NOS COM O POVO DE DEUS NÃO É DE VALOR ALGUM. 1. Muito claramente, não é culto aceitável a Deus: pois nada que Satanás faz pode ser aceito. Sua presença entre os filhos de Deus é audácia, é presunção, e não reverência. 2. Não é benéfico à própria pessoa, pois o espírito caído permaneceu um diabo, e atuava como um, mesmo na presença de Deus. Precisamos chegar ao Senhor pela fé, se não nosso culto é uma morte e não proveitoso. 3. Pode ser a ocasião de mais pecado; pois na assembléia Satanás desvirtuou Jó, e maquinou a sua destruição. Disso aprendemos: II. QUE AS MELHORES ASSEMBLEÍAS NÃO ESTÃO LIVRES DE ELEMENTOS MAUS. 1. Isso deve fazer-nos continuar a nos reunir com os santos mesmo que conheçamos alguns na assembléia que são falsos à sua profissão. Devem os filhos de Deus parar de se reunir porque Satanás pode entrar entre eles? 2. Isso deve causar um grande exame do coração e logo a pergunta, "Senhor, sou eu?" Dos doze apóstolos um era um demônio, e ele estava com o Senhor na sua ceia de despedida. 3. Isso deve nos fazer vigilantes mesmo enquanto estamos orando. 4. Isso deve fazer os pastores fiéis, para que o diabo não se sinta em casa na congregação, mas fique irritado pela verdade que ele detesta. 5. Isso deve nos fazer ansiar pela assembléia perfeita lá em cima onde não haverá mistura, e sim uma congregação sem pecado.

III. QUE SATANÁSPODE SE REUNIR COM OS FILHOS DE DEUS. 1. Para fazer dano a santos: - Acusando-os perante o Senhor, até em suas coisas santas. - Distraindo seus pensamentos de interesses celestiais e fazendo-os pesados de coração e distraídos com preocupações. - Botando-os para criticar em vez de ouvirem para sair ganhando.


- Semeando dissensão até no seu culto santo. - Incentivando orgulho em pregadores, em cantores, naqueles que oram em público e naqueles que contribuem. Isso se mostra em diferentes pessoas em seu estilo, seu tom, sua roupa. - Esfriando o entusiasmo deles, abatendo seu amor, esfriando seu louvor, gelando sua oração, e, em geral, matando seu zelo e alegria. 2. Para fazer dano a ouvintes não convertidos: - Distraindo a atenção da fé salvadora. - Levantando dúvidas, sugerindo idéias céticas, levantando perguntas escuras, e pondo o homem adiante do Mestre. - Sugerindo protelação para aqueles que podem estar bem impressionados. - Extinguindo a oração, impedindo o prazer, evitando o proveito, matando o sentimento e roubando de Deus a glória. - Tirando a palavra que tinha sido semeada, como pássaros que apanham a semente espalhada pela rodovia.

IV. QUE É POSSÍVEL SER TANTO MAIS SATÂNICO POR ESTAR SE REUNINDO COM OS FILHOS DE DEUS. Satanás mostrou seu verdadeiro caráter naquela reunião sagrada mais do que nunca. 1. Ele foi abertamente descarado com seu Criador. 2. Ele afrontou as pessoas de Deus, até um dos melhores deles, a quem o Senhor mesmo chamou de perfeito. 3. Ele resolveu tentá-lo, torturá-lo e levá-lo à rebelião contra Deus, se ele pudesse. - O diabo está aqui neste momento. - Não vamos ceder às sugestões dele. - Clamemos ao Senhor imediatamente e confiemos no Senhor Jesus, que pode preservar-nos deste perpetrador do mal, mesmo quando ele está presente.


ADENDA Logo que o semeador sai a semear sua semente, as aves saem também. Quanto mais o bem é feito em qualquer lugar, mais certo será Satanás fazer oposição. Provocações incomuns serão dadas a professores mornos por aqueles cujo zelo é provocado, e então haverá contendas petulantes. Mesmo durante um reavivamento, irmãos mal-humorados tomarão ofensa, pois as coisas poderão estar um pouco fora da ordem regular; e aqui está outra raiz de amargura. Um número maior de hipócritas irá à frente, assim como lesmas saem rastejando em dia de chuva. Amargura descomum será sentida por pessoas do mundo, e, em conseqüência, difamações virão contra os assaltantes mais ativos do reino do inimigo. Não se pode destruir o ninho de vespas sem ser atacado por sua vez. Contudo, isso é melhor do que a estagnação. Numa igreja que dorme, é o trabalho principal do adversário agitar as coisas, calar todo o barulho e espantar até uma mosca que possa pousar no rosto de alguém que está dormindo; o maior medo de Satanás é que a igreja seja acordada de seu sono sonhador. Visto que Satanás entrará em nossas assembléias, cabe a nós vermos (1) que nenhum de nós o traga em nossa companhia; (2) que ninguém dê lugar a ele quando ele entra no meio da congregação; (3) que, como Abrão com as aves famintas, nós consigamos espantá-lo para sair, ou (4) que oremos com ainda mais sinceridade "Livra-nos do mau". George Marsh, que foi martirizado no reinado da rainha Mary, numa carta a alguns amigos de Manchester, escreveu: "Os servos de Deus não podem em tempo nenhum chegar e se colocar de pé diante de Deus, isto é, levar uma vida piedosa, e caminhar inocentemente diante de Deus, que Satanás não venha também entre eles, isto é, ele diariamente acusa, aflige, persegue, e atenaza os piedosos, pois é da natureza e atributo do diabo sempre prejudicar, e fazer mal, a não ser que esteja proibido por Deus; mas a não ser que Deus o permita, ele nada pode fazer, nem entrar num porco imundo" (Livro dos Mártires, de Fox). Satanás passou-se em revista no fim daquele sábado? Será que sentiu qualquer sombra de remorso por ter desafiado o seu Criador, ter penetrado no meio dos santos e ter feito mal a eles no Palácio de seu próprio Pai? Supomos que não. Mas ouvintes, que não são de Satanás, fariam bem aceitar de coração o caráter de qualquer um dos dias de seu Senhor como Deus o vê. Pecados do Dia do Senhor bem pesados e estudados fornecem material de sobra para arrependimento. Talvez se este tema fosse bem aplicado à consciência, pudesse despertar o coração à penitência e levá-lo à fé. Lutero estava em grande perigo de ser apunhalado por um judeu; mas um amigo lhe mandou um retrato do assassino, e assim ele ficou prevenido. Nós deveríamos ficar prevenidos por sermos avisados de antemão. O grande inimigo não pode agora lançar-se sobre nós de súbito enquanto estamos ocupados com nossas devoções, pois não estamos desavisados de seus estratagemas. Somos mandados vigiar além de orar, para vigiar tanto como orar, para vigiar antes de orar, e vigiar quando nós oramos.


10. DE NADA NÃO SAI NADA "Quem pode extrair algo puro da impureza? Ninguém" (Jó 14.4).

Jó tinha uma profunda necessidade de estar limpo diante de Deus, e realmente ele era limpo de coração e de mão mais do que seus companheiros. Mas ele viu que não podia de si produzir santidade em sua própria natureza e, portanto, fez essa pergunta e deu-lhe uma resposta negativa sem hesitar. Os melhores dos homens são tão incapazes quanto os piores dos homens de tirar da natureza humana aquilo que não está ali.

I. QUESTÕES DE IMPOSSIBILIDADE NA NATUREZA. 1. Crianças inocentes de pais decaídos. 2. Uma natureza santa da natureza depravada de qualquer indivíduo. 3. Atos puros de um coração impuro. 4. Atos perfeitos de homens imperfeitos. 5. Vida celestial de morte moral da natureza.

II. ASSUNTOS DE CONSIDERAÇÃO PRÁTICA PARA TODAS AS PESSOAS. 1. Que precisamos ser limpos para sermos aceitos. 2. Que nossa natureza caída é essencialmente imunda. 3. Que isso não nos livra de nossa responsabilidade; não temos menos obrigação de sermos limpos porque nossa natureza inclina-nos a sermos imundos; um homem que é um velhaco até o cerne de seu coração não fica por isso livre da obrigação de ser honesto. 4. Que não podemos fazer a obra necessária de limpeza pela nossa própria força. - Depravação impede de sermos retos diante de Deus. - Corrupção impede que sejamos aptos para falar com Deus. - Falta de santidade impede que estejamos adequados para habitar com Deus. 5. Que será bom olharmos àquele que é forte quando é para ter força, para o justo para ter justiça, para o espírito criador para uma nova criação. Jeová trouxe todas as coisas


do nada, luz das trevas, e ordem da confusão, e é para um operador como ele que precisamos olhar para ter salvação de nosso estado caído.

III. PROVISÕES PARA ENFRENTAR O CASO. 1. A justiça do evangelho para pecadores. "Quando ainda não tínhamos força, no devido tempo Cristo morreu pelos ímpios." O evangelho contempla fazer por nós aquilo que nós não podemos tentar para nós mesmos. 2. O poder purificador do sangue. Jesus não teria morrido se o pecado pudesse ser removido por outro meio. 3. A obra renovadora do Espírito. O Espírito Santo não nos teria regenerado se pudéssemos regenerar a nós mesmos. 4. A onipotência de Deus em criação, ressurreição, avivamento, preservação e aperfeiçoamento. Isso vem ao encontro de nossa inabilidade e morte. Desespere de tirar qualquer bem do poço seco da criatura. Tenha esperança para a máxima limpeza, visto que Deus se tornou o operador disso.

OBSERVAÇÕES A palavra que nós apresentamos como "limpo" significa brilhante, lindo: uma substância tão pura e transparente que nós podemos enxergar do outro lado, tão pura que é livre de toda mancha ou poluição, de todo pretume e escuridão. Quem pode tirar uma tal coisa tão limpa de uma imunda? A palavra hebraica (tama) chega perto da palavra (contaminatum) que é usada pelas línguas latinas para dizer não limpo, "imundo", e fala da maior poluição, da baixeza e imundície de hábito, o sangue coagulado, a água barrenta, qualquer coisa repugnante ou desagradável. Todos estes significados são encontrados e formam o sentido dessa palavra: "Quem pode tirar uma coisa limpa desta falta de limpeza?" (Caryl). A depravação do homem é universalmente hereditária. Diz-se que Adão gerou "um filho na sua própria semelhança," pecaminoso como ele foi, bem como igualmente mortal e miserável. Sim, o santo mais santo na terra comunica uma natureza corrupta e pecadora a seu filho; como o judeu circuncidado gerava um filho não circuncidado, e como o trigo, limpo e abanado, sendo plantado cresce com uma casca (João 3.6) (Gurnall). Seria trabalho em vão tentar limpar o córrego de uma fonte poluída. Não, a fonte precisa ser mudada, ou o fluxo não será alterado. Pode-se podar o caranguejo como queira, ele não dará maçãs: nem um espinho sob o melhor cultivo produzirá figos. Regeneração é uma mudança de natureza, mas não é de modo nenhum uma mudança natural; é sobrenatural em sua origem, execução e conseqüências. Deve ser lavrada por um poder do alto, visto que não existe nem vontade nem poder de operá-la a partir de baixo.


11. PRESUNÇÃO REPREENDIDA "Acaso, deve ele recompensar-te segundo tu queres ou não queres?" (Jó 34.33, ARA).

O versículo é escrito em linguagem antiga, que poucos compreendem. Além disso, é extremamente vigorosa e incisiva e, portanto, obscura. O sentido dado em nossa versão é, entretanto, aquele que soma as outras traduções, e ele que preferimos.

I. SERÁ QUE OS HOMENS REALMENTE PENSAM QUE AS COISAS DEVEM SER DE ACORDO COM SUA MENTE? 1. Com respeito a Deus. Suas idéias estão de acordo com aquilo que acham que ele deve ser, mas poderia ele ser Deus de qualquer modo se fosse como a mente humana podia querer que ele fosse? 2. Com respeito à providência em grande escala, os homens reescreveriam a história? Será que imaginam que seus arranjos seriam uma versão melhor acima da sabedoria infinita? Em seu próprio caso, eles arranjariam todos os assuntos egoisticamente. Deveria ser assim? 3. Com respeito ao Evangelho, suas doutrinas, seus preceitos, seus resultados, deveriam os homens ter isso conforme seu próprio desejo? Deveria a expiação ser deixada fora, ou a declaração dela ser modificada para agradar-lhes? 4. Com respeito à igreja, deveriam ser o cabeça e mestre? - Deveriam suas idéias liberais apagar a inspiração? - Deveriam o batismo e a ceia do Senhor ser torcidos para lhes agradar? Deveriam cerimônias vistosas obscurecer as ordenanças simples do Senhor? O poder sacerdotal deveria esmagar nossa vida espiritual? Deveria o gosto pessoal passar por cima de mandados divinos? - Deveria o ministério existir só para a consolação especial deles, e ser moldado de acordo com eles?

II. O QUE OS LEVA A PENSAR ASSIM? 1. Convencimento e egoísmo. 2. Auto-estima e vaidade.


3. Um espírito de murmuração que precisa reclamar de tudo. 4. Falta de fé em Cristo, o que leva a dúvidas do poder de seu evangelho. 5. Falta de amor a Deus, corrompe a mente levando-a a ser contra uma coisa simplesmente porque o Senhor a prescreve.

III. QUE BOM QUE AS COISAS NÃO SÃO COMO ESSE TIPO DE PENSAMENTO! 1. A glória de Deus seria obscurecida. 2. Muitos sofreriam para capacitar um homem a poder bancar o ditador. 3. Teríamos que assumir, qualquer um de nós, uma responsabilidade terrível se nossa própria mente regulasse todos os negócios. 4. Nossas tentações seriam multiplicadas. Ficaríamos orgulhosos se fôssemos bemsucedidos, e desesperados se conhecêssemos o fracasso. 5. Nossos desejos se tornariam mais gananciosos. 6. Nossos pecados não seriam corrigidos, pois nunca permitiríamos um castigo ou uma crítica sobre nós. 7. Haveria luta universal porque todo homem quereria governar e comandar (Tiago 4.5). Se pode ser de acordo com a sua idéia, por que não pode ser de acordo com a minha?

IV. VAMOS CHECAR O ESPÍRITO QUE SUGERE TAL VAIDADE? 1. Não é prático porque as coisas nunca podem ser como tantas mentes diferentes as quereriam. 2. Não é razoável porque as coisas não devem ser assim. 3. Não é cristão porque nem Cristo Jesus agradou a si mesmo; ele clamou: "Não seja como eu quero" (Mt 26.39). 4. É ateísta porque tira Deus do trono para colocar o insignificante homem. - Ore a Deus para levar sua mente à vontade dele. - Cultive admiração pelas providências da mente divina. - Acima de tudo, aceite o evangelho como ele é, e aceite-o agora.


AJUDAS Deveria ser de acordo com a sua mente? Muitos parecem crer que sim. Se podemos julgar pela sua conduta, eles acham que o Altíssimo deveria ter consultado seu conforto, sua imaginação e seu enaltecimento. O evangelho não é bem o que eles gostariam que fosse. A providência não funciona como desejam. Poucas coisas são exatamente como deveriam ser. Mortal reclamador! Deveria ser de acordo com sua mente? Não é a sua mente carnal? Não é egoísta? Não é preconceituosa? Se fosse de acordo com sua mente, a glória de Deus não seria obscurecida? Outros não sofreriam? Seus desejos carnais não seriam alimentados? Suas tentações não seriam mais fortes? Seu perigo não seria maior? O seu Deus não é mais sábio, mais bondoso e mais santo do que você? Ele não ama a justiça? Suas misericórdias não estão sobre todas as suas obras? É verdade que você pode ser afligido, você pode ser pobre, você pode ser doente, e daí? Você esta desejando saúde, competência, ficar livre de problemas, mas "deve ser de acordo com a sua mente"? Amado, vamos nos vigiar contra esse espírito. É comum, mas não é razoável, é criminoso, é perigoso. Isso é impraticável. O seu Deus precisa governar, ele é maravilhoso em conselho e excelente para operar. Seus caminhos são justos, seus planos são sábios, seus projetos são misericordiosos, e quando o trabalho está completo, todas as partes refletirão a glória dele (James Smith). Somos todos muito aptos a crer na Providência quando conseguimos obter o que queríamos; mas quando as coisas desandam, pensamos que, se há um Deus, ele está no céu e não na terra. A cigarra, na primavera, constrói sua casa no campo, e canta de alegria porque tudo vai tão bem com ela. Mas quando ela ouve o som do arado a poucos sulcos dali, e o trovão das patas dos bois, então seu céu começa a escurecer, e seu jovem coração enfraquece. Pouco tempo depois, o arado vem triturando atrás, vira sua habitação de cabeça para baixo, e ela mesmo vai rolando, revirando, sem casa e sem lar, "Ó, os alicerces do mundo estão se quebrando, e tudo está cainhando para a destruição." Mas o cultivador, enquanto caminha atrás do arado, será que pensa que os fundamentos do mundo estão se quebrando? Não. Ele está pensando só na colheita que virá no rasto do arado; e a cigarra, se apenas esperar, verá o objetivo do lavrador. Meus ouvintes, todos nós somos como cigarras. Quando obtemos o que queremos, somos felizes e contentados. Quando estamos sujeitos a decepções, tornamo-nos vítimas de desespero (Dr. A. B. Jack, em O pregador e o mensário homilético). O homem queria ter Deus agindo de acordo com a sua mente para castigar e afligi-lo. Ele gostaria que Deus o corrigisse de maneira e na medida bondosa que ele escolhesse. Ele diz em seu coração: Se Deus me corrigisse nisso ou naquilo, eu o suportaria, mas eu não gosto de ser corrigido dessa maneira. Outro diz: Se Deus me abatesse em minha propriedade rural eu suportaria isso, mas não em meus filhos, ou, Se Deus me afligisse só em tal grau, eu poderia me submeter, mas meu coração dificilmente pode submeterse a tão grande medida de aflição. Assim nós teríamos as coisas de acordo com nossas mentes quanto à medida ou continuação das aflições. Nós seríamos corrigidos por tantos


dias; mas ter meses de vaidade e anos de dificuldade não está de acordo com nossa mente. O homem queria que Deus governasse (não só a ele mesmo, mas) o mundo todo de acordo com a mente dele. Lutero escreveu para Melancthon, quando este estava excessivamente preocupado com a providência de Deus no mundo: "Nosso irmão Philip deve ser admoestado para parar de governar o mundo." Dificilmente sabemos deixar Deus sozinho para governar o mundo que ele sozinho fez (Caryl).

12. UM PRESUNÇOSO É INSTRUÍDO "Acaso, deve ele recompensá-lo segundo tu queres ou não queres? Acaso, deve ele dizer-te, escolhe tu, e não eu; declara o que sabes, fala" (Jó 34.33, ARA).

Nunca é sábio disputar com Deus. Especialmente sobre o assunto de salvação. Nenhum pecador buscando perdão deveria ser tão tolo a ponto de disputar com seu Salvador Soberano.

I. UMA PERGUNTA. Deve ser "segundo tu queres ou não queres?" - Deve a salvação ser planejada para ser conveniente a você? Pedintes podem escolher? Estes que professam penitência devem se tornar ditadores? 1. A que você faz objeção? - Há algo censurável no plano de salvação? É muita graça? Será muito simples? É muito geral? É muito humilhante? Você não gosta do método de substituição? Você se rebela contra a deidade do Salvador? - Há obstáculo que cause trombar na operação da salvação? A cruz o escandaliza? Você não aprova a obra do Espírito Santo? São as suas operações muito radicais? A regeneração é espiritual demais? A santidade é enfadonha? - São suas exigências exatas demais? Muito Puritanas? -São suas declarações muito humilhantes? Denunciatórias demais? - É seu termo de serviço muito demorado?


1. Deus não deve fazer a sua vontade? Ele é o doador da salvação; ele não deve fazer como ele quer com os seus? 2. O modo de Deus não é o melhor? Não é o infinitamente bom o melhor controlador, o melhor governador da festa? 3. Deve isso ser de acordo com uma mente que é ignorante? Inconstante? Fraca? Egoísta? A sua não tem esses defeitos? 4. Por que deve a sua mente ser suprema? Por que não a mente de outra pessoa? Você enxerga o absurdo nesse caso, por que não no seu próprio?

II. UM AVISO: "Ele o recompensará, quer você recuse, quer você aceite." Quer pecadores aceitem ou recusem salvação: 1. Deus realizará o que lhe apraz. 2. Deus punirá o pecado. 3. Deus glorificará a Cristo por conversões. 4. Deus exaltará seu próprio nome ante um universo em assembléia. 5. Deus desempenhará sua obra de misericórdia na maneira única que escolheu, e ele não alterará nem um pingo para agradar ao homem vanglorioso.

III. UM PROTESTO. "E não eu." 1. Eu não sou a pessoa com quem se deve disputar: você não está tratando com o homem e sim com Deus. "Ele o recompensará... e não eu". Portanto não adianta usar falsidade ou rebeldia: assim você poderá vencer um mortal, mas não o Eterno. 2. Eu não serei responsável por você. Você está pecando e precisa responder por isso, e nenhum amigo ou pastor pode se colocar em seu lugar quando Deus recompensa seu próprio pecado contra você. 3. Eu não compartilharei de sua rebelião. "Eu não." Precisamos conservarmos livres de cumplicidade com o homem obstinado que dita para seu Deus. É uma coisa ótima poder dizer distintamente: "Eu não."


IV. UM CONVITE. "Conte-me, pois, o que você sabe" (Jó 34.33, NVI). 1. Exercite sua liberdade. Escolha ou rejeite, o risco é seu. 2. Exercite sua razão. Tenha certeza de que você sabe por observação e experiência pessoal, e deixe que sua decisão seja baseada em conhecimento inquestionável. 3. Exercite sua influência e fale como você pensa; mas cuide do que você faz, pois será preciso responder pelas suas palavras. 4. Melhor exercitar seu uso da verdade e dar testemunho de fatos, em vez de criticar os métodos do Senhor. - Não critique os métodos da graça de Deus, pois certamente você não pode alterá-los, e se os pudesse alterar você não iria melhorá-los. - Não se una com outros em suas objeções capciosas. Pode estar na moda criticar e duvidar, mas é danoso, arrogante e rebelde. Quem duvida pode receber grande consideração entre os de sua própria classe, mas são pobres criaturas no final das contas. Aqueles que são mais sábios do que Deus são tolos em letras maiúsculas. - Decida por si, mas que seja com conhecimento e bom pensar; e quando você decidir não pense que todo mundo deve se curvar à sua decisão. Curve-se diante do Senhor e deixe seu juízo estar mais disposto a obedecer a verdade por si mesmo do que a dominar os outros.

13. REVELAÇÃO E CONVERSÃO "A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes" (Salmo 19.7).

As árvores são conhecidas pelo seu fruto, e os livros por seu efeito sobre a mente. Não é pela elegância de sua maneira de dizer, e sim pela excelência de sua influência que um livro deve ser avaliado. Por "a lei do Senhor" Davi quer dizer a revelação toda de Deus, até onde já tinha sido dada em seus dias; mas sua observação é igualmente verdadeira de tudo que Deus se agradou dizer através de seu Espírito. Esta lei santa pode ser julgada pelo seu efeito sobre nós mesmos. Ela toca na própria alma do ser humano, com o melhor resultado concebível; e por isso o salmista fala dela da maneira admirável como sendo tanto perfeita como certa.


I. A OBRA DA PALAVRA DE DEUS NA CONVERSÃO. Não à parte do Espírito, mas conforme é usada pelo Espírito para diversos fins, tudo necessário para a salvação. 1. Convencer os homens do pecado: eles vêem o que a perfeição é, que Deus a exige, e que eles estão longe dela. 2. Afastar os homens de falsos métodos de buscar salvação, e trazê-los ao desespero, cercando-os para encaminhá-los ao método que Deus tem para salvá-los. 3. Revelar o caminho de salvação, pela graça, através de Cristo, por fé. 4. Habilitar a alma a abraçar Cristo com todo o seu ser. Apresentando promessas e convites, que são abertos ao entendimento e selados ao coração. 5. Aproximar o coração para estar cada vez mais perto de Deus. Emoções de amor, desejos de santidade, devoção, auto-exame, amor com outras pessoas, humildade etc. todos estes são agitados, sustentados e aperfeiçoados no coração pela Palavra de Deus. 6. Restaurar a alma quando vagueia. Renovando ternura, esperança, amor, alegria etc. com suaves lembretes. 7. Aperfeiçoar a natureza. Os mais altos vôos de gozo santo não estão acima nem além da Palavra. Nada é mais puro nem mais elevado do que a Escritura Sagrada. A Palavra também mata todo pecado, promove toda virtude, prepara para todo dever.

II. A EXCELÊNCIA DESTE TRABALHO FEITO PELA PALAVRA. As operações da graça pela Palavra são totalmente boas e não más, e são de horas certas e equilibradas com infinita prudência. A Palavra do Senhor funciona com perfeição e segurança. 1. Remove desespero sem apagar o arrependimento. 2. Dá perdão, mas não cria presunção. 3. Dá descanso, mas anima a alma a progredir. 4. Respira segurança, mas estimula vigilância. 5. Concede força e santidade, mas não cria ostentação. 6. Dá harmonia a deveres, emoções, esperanças, e alegrias. 7. Leva o homem a viver para Deus, diante de Deus, e com Deus, contudo não o faz menos apto para os deveres diários da vida.


III. A EXCELÊNCIA CONSEQÜENTE DA PALAVRA. 1. Nós não precisamos acrescentar nada a ela se queremos assegurar conversão em qualquer caso especial, ou em maior escala. 2. Nós não precisamos deixar de dar qualquer doutrina por medo de amortecer a chama de um verdadeiro avivamento. 3. Nós não necessitamos de dons extraordinários com os quais pregá-la: a Palavra fará seu próprio trabalho. 4. Temos apenas que seguir a Palavra para ser convertido. Seria inútil correr atrás de doutrina nova na esperança de ser afetado mais poderosamente. O velho é melhor, e nada melhor do que o velho Evangelho pode ser imaginado. Ele se adéqua às necessidades de um homem como uma chave se ajusta à fechadura. 5. Só temos que ficar com ela para nos tornarmos verdadeiramente sábios: sábios como os idosos, sábios como a necessidade exige, sábios com a era, sábios como a eternidade demanda, sábios com a sabedoria de Cristo. - Agarre-se às Escrituras. - Estude toda a revelação de Deus. - Use-a como seu principal instrumento em todo serviço santo.

INSTÂNCIAS MODERNAS Uma prova notável de que a Bíblia é a sua própria testemunha é dada por um escritor de Oporto, que registra a seguinte resposta de um homem que ele encontrou acocorado numa valeta, à pergunta sobre que livro ele estava lendo: "Bem, se você não vai trairme, eu confesso que este é um Novo Testamento. Comprei-o de um homem que estava vendendo tais livros, e resolvi conhecer algo de seu conteúdo. Não ouso contar a ninguém que eu o tenho, nem à minha esposa. Por isso, eu não tenho ninguém para me ensinar. Mas ele não é difícil de entender, porque enquanto eu o leio ele se faz claro para mim." "O processo de esclarecimento em muitas mentes católicas," diz um observador, "aparece com a forma de uma sombra da experiência de um que vi há apenas poucos dias, na semana passada. Ele sentou-se para ler a Bíblia por uma hora a cada noite, com sua esposa. Dentro de poucas noites ele parou no meio da leitura e disse 'Esposa, se este livro é verdade, nós estamos errados.' Ele leu mais, e daí a poucos dias, disse 'Esposa, se este livro é verdade, nós estamos perdidos.' Preso ao livro, e profundamente ansioso, ele ainda lia, e em mais uma semana exclamou alegremente. 'Se este livro é verdade, nós podemos ser salvos.' Algumas semanas mais de leitura, e ensinados pelo Espírito de Deus através das exortações e instruções de um missionário da cidade, ambos


colocaram sua fé em Cristo, e estão agora alegrando-se em esperança" (Christian Treasury). Eu tenho muitos livros que não posso me sentar para ler; são, na verdade, bons e sadios, mas, como tostões, é preciso ter muitos para ter uma pequena quantia; há livros prata, e uns poucos livros ouro; mas eu tenho um livro que vale por todos eles, chama-se Bíblia (João Newton). É o Livro de Deus. E se eu fosse Dizer, o Rei de Livros? Que aquele que olha Zangado por aquela expressão, achando ousada, Seus pensamentos em silêncio fechem - Até que encontre outro igual (Christopher Harvey.) Quanto mais eu vivo, mais alta é minha estimativa de um ministério da pregação expositiva, abraçando toda a palavra de Deus. De propósito, tenho experimentado certas verdades para ver se elas produzirão conversão e não falhei em nenhum caso. Doutrinas extrínsecas, mais remotas, se encontram com certas mentes extrínsecas que não puderam ser alcançadas pela gama usual de ensino. O que pareciam ser as excentricidades da verdade são todas necessárias para impressionar condições excêntricas de pensamento e coração. Em espírito devoto preguei a ressurreição e muitos foram erguidos à vida espiritual. Eu preguei soberania divina quando um reavivamento estava em pleno andamento e isso aprofundou e continuou a obra. A omissão de certas verdades de certos ministérios pode explicar sua aridez. Ai, que ministros cressem que a palavra não precisa de melhoramento, mas já é perfeita, "convertendo a alma", e que ela não requer adequação aos tempos, pois ainda torna sábios os símplices. Se há qualquer conhecimento que seja plenamente de nossa posse, certamente é aquele que nos vem pela experiência. Que um certo material flutuará na água pode ser provado por um conhecimento de gravidade específica, mas nos sentiremos mais completamente assegurados do fato se já vimos isso experimentado, e consideraremos nossa resposta a quem contesta isso, "Eu já o vi flutuando em água com freqüência," como simplesmente suficiente para silenciar todas as objeções. Sim, nós consideraremos isso como sendo plenamente mais conclusivo do que: "Deve flutuar, porque sua gravidade específica é mais leve do que a água." Neste mesmo princípio - e é o princípio do senso comum -, quão completamente podemos provar que a Bíblia é a Palavra de Deus! Sim, todo cristão leva consigo a prova em sua própria experiência. Uma pobre mulher italiana, vendedora de frutas, havia recebido a palavra de Deus em seu coração, e ficou persuadida da verdade dela. Sentada em sua banca modesta junto à entrada de uma ponte, ela aproveitava todos os momentos que estava desocupada para estudar o volume sagrado. "O que você está lendo aí, minha boa senhora?", perguntou um cavalheiro ao aproximar-se da banca para comprar frutas. "A palavra de Deus", replicou a vendedora de frutas. "A palavra de Deus! Quem lhe disse isso?" "Ele mesmo me disse isso." "Você já falou alguma vez com ele, então?" A pobre mulher sentiu-se um pouco embaraçada, mais especialmente pelo senhor insistir para que ela lhe desse uma prova do que ela cria. Não acostumada a discutir e sentindo-se muito perdida para achar argumentos, ela por fim exclamou, olhando para o alto: "O senhor pode provar para mim, meu senhor,


que há um sol lá em cima no céu?" "Provar isso!", ele respondeu. "Ora, a melhor prova é que ele me aquece, e que posso ver sua luz." "É assim comigo também," ela respondeu alegremente, "a prova deste Livro ser a palavra de Deus é que ela me aquece e dá luz à minha alma" (Bertram's Homiletic Encyclopedia). McCheyne em algum lugar diz: "Pode depender dela; é a palavra de Deus, não o comentário do homem sobre a palavra de Deus, que converte almas." Tenho observado freqüentemente ser este o caso. Um discurso tem sido o meio de convicção ou de decisão, mas geralmente perguntando melhor eu descubro que o instrumento real foi uma citação bíblica dita pelo pregador. Um grande fruto pode conter e nutrir uma pequenina semente; quando o fruto cai ao chão e o rebento aparece, a vida real estava na sementinha, e não na fruta suculenta que a envolvia. Assim a verdade divina está na semente viva e incorruptível: o sermão é tão necessário como a maçã para a sua semente, mas mesmo assim a vitalidade, a energia, o poder para salvar, estava na semente da palavra, e só em um sentido menor na maçã da exposição e exortação humana.

14. LOUVOR ABERTO E CONFISSÃO PÚBLICA Eu te louvarei, Senhor, de todo o coração, diante dos deuses cantarei louvores a ti. Voltado para o teu santo templo eu me prostrarei e renderei graças ao teu nome, por causa do teu amor e da tua fidelidade; pois exaltaste acima de todas as coisas o teu nome e a tua palavra. Quando clamei, tu me respondeste; deste-me força e coragem (Salmo 138.1-3).

Davi estava aborrecido com deuses rivais, como nós estamos com evangelhos rivais. Nada impacienta mais a alma de um homem verdadeiro do que estar circundado com imitações vis, e ouvir estas imitações exaltadas, e a verdade tratada com desprezo. Como Davi agirá sob a prova? Pois assim nós devemos agir. Nosso texto informa-nos. Ele irá:

I. CANTAR LOUVORES DE TODO O CORAÇÃO. "Eu te louvarei, Senhor, de todo o coração: diante dos deuses cantarei louvores a ti." 1. Seu canto mostraria abertamente seu desprezo dos deuses falsos: ele cantaria quer eles estivessem ali ou não. Eram tanto uns nadas que ele não trocaria a sua nota pela deles. 2. Isso evidenciaria sua forte fé no Deus verdadeiro. Na cara dos adversários ele glorificaria Jeová. Seu canto entusiasmado de coração era melhor que denúncia ou argumento.


3. Declararia seu zelo alegre por Deus: ele cantava para mostrar a forte emoção de sua alma. Outros poderiam se agradar em Baal; ele se regozijava grandemente em Jeová. 4. Isso o protegeria do mal daqueles em volta dele, pois o canto santo afasta o inimigo. Louvor é um poderoso purificador. Se chamados a contemplar o mal, vamos purificar o ar com o incenso do louvor.

II. CULTO PELA REGRA DESPREZADA. "Voltado para o teu santo templo, eu me prostrarei." 1. Ignorando todo o culto da vontade, ele seguiria a regra do Senhor e o costume dos santos. 2. Olhando para a pessoa de Cristo, que era tipificada pelo templo. Não há canto como aquele que é dirigido ao Senhor Jesus como vivendo agora, para apresentá-lo ao Pai. 3. Confiando no sacrifício único completado, olhando para a Grande Expiação única, nós louvaremos corretamente. 4. Reconhecendo o próprio Deus, pois é a Deus que ele fala, "voltado para o teu santo templo". A música que é destinada para o ouvido de Deus é música de fato.

III. LOUVE OS ATRIBUTOS QUESTIONADOS. "Renderei graças ao teu nome, por causa do teu amor e da tua fidelidade." 1. Amor bondoso em sua universalidade. - Bondade amorosa é sua especialidade. - Graça em tudo. Graça para mim. Graça tão desprezada pelos fariseus e saduceus, mas tão preciosa a penitentes verdadeiros. - Com respeito à graça de Deus, apeguemo-nos de perto à doutrina e ao espírito do evangelho, tanto mais porque o espírito da época é oposto a eles. 2. Verdade. - Precisão histórica da Bíblia. - Absoluta certeza do evangelho. -Verdade assegurada da promessa.


- Completa exatidão da profecia. Cabe a nós nestes dias maus manter a doutrina da inspiração infalível da palavra, e afirmá-la em termos inconfundíveis. Não se admira que homens saiam correndo para achar uma igreja infalível no papismo, ou para confiar em seu próprio raciocínio infalível, uma vez que duvidam da inspiração plena da Bíblia.

IV. REVERENCIE A PALAVRA HONRADA. "Exaltaste acima de todas as coisas o teu nome." Deus tem exaltado sua palavra fiel de testemunho além de toda revelação como a recebemos através da criação e providência, embora estes declarem o nome de Deus. A palavra do Evangelho é: 1. Mais clara. Palavras são mais entendidas do que os hieróglifos da natureza. 2. Mais certa. O próprio Espírito o sela. 3. Mais soberana. Efetivamente abençoando crentes. 4. Mais completa. O todo de Deus é visto em Cristo. 5. Mais duradouro. A criação passará, a palavra permanece para sempre. 6. Mais glorificadora a Deus. Especialmente na grande Expiação.

V. PROVE ISTO POR EXPERIÊNCIA PESSOAL. "Quando clamei, tu me respondeste." Ele tinha usado seu conhecimento de Deus achado na Bíblia: 1. Oferecendo oração. "Eu clamei." O que os homens conhecem da origem, da graça de Deus e da virtude de sua Palavra, se eles nunca oraram? 2. Narrando a resposta. "Tu me respondeste" etc. Somos as testemunhas de Deus, e devemos com prontidão, cuidado, freqüência e coragem testificar daquilo que vimos e conhecemos. 3. Mostrando a força de alma que foi ganha por oração. É um bom modo de dar testemunho. Mostre por paciência, coragem, alegria e santidade o que o Senhor já fez para sua alma. - Nosso Senhor está acima de todos os outros. -Nossa alegria nele excede a toda outra alegria. - Portanto, nós nos deleitaremos nele e o louvaremos além de toda medida.


NOTAS Cantar a Deus diante dos deuses foi bom para a própria alma de Davi. É perigoso tentar uma fidelidade secreta a Deus, pois é possível que degenere em covardia. Um soldado convertido tentou a princípio orar deitado na cama, ou em algum canto secreto, mas ele descobriu que não servia; ele precisava ajoelhar se no alojamento na frente dos outros soldados, e agüentar o desafio dos comentários dos homens, pois, antes de fazer isso, não tinha tomado uma posição e não sentia paz de espírito. Para nossa saúde espiritual, é preciso que saiamos distintamente no lado do Senhor. O efeito de se fazer as coisas de todo coração é manifesto. Até pessoas preconceituosas agüentam muita coisa num culto quando vêem que aqueles engajados nele estão entusiasmados. "Eu teria dado risada, mas vi as lágrimas correndo pelas faces de um velho marinheiro quando cantava o hino com todas as suas forças", disse uma pessoa que assistiu a um Culto de Avivamento. Observe cuidadosamente os pontos de um mandamento divino: culto "em direção ao santo templo". Nada é pequeno quando a vontade de Deus está envolvida. Conheci um rapaz que desejava ser batizado, mas seus amigos o impediram. Quando ele adoeceu, ficou preocupado porque não tinha confessado seu Senhor de acordo com a Escritura. "Mas Isaque", disse a mãe, "você sabe que o batismo não vai salvá-lo." "Não, mãe", ele respondeu, "é claro que não, pois eu estou salvo. Mas quando vir Jesus no céu, não gostaria que ele dissesse: 'Isaque, era uma coisa muito pequena que eu pedi de você; você não me amou o bastante para fazê-la?'" É a não essencialidade do preceito que o faz um teste de obediência tão importante. Nós não pretendemos colocar a Bíblia num nível mais baixo do que a ciência; pelo contrário, reivindicamos para ela o lugar principal. Pela ciência, o nome e o caráter do Senhor podem ser indistintamente lidos, mas sua palavra é exaltada acima de todas as outras manifestações, pois ali a revelação é mais completa e clara. Observações feitas à luz do sol não podem ser revisadas por olhadelas ao luar: o contrário é o processo correto. Você me diz o que você aprende das obras de meu Pai, mas eu tenho a mente dele em suas próprias palavras, escritas com sua própria pena, e eu prefiro minha informação à sua.

15. O CAMINHO DE ESPINHOS "O caminho do preguiçoso é cheio de espinhos, mas o caminho do justo é uma estrada plena" ( Provérbios 15.19).

Já se tem dito que a astúcia (ou perspicácia) da nação escocesa se deve ao estudo generalizado do livro de Provérbios naquele país. Disso não sou juiz, mas com certeza, se cuidadosamente seguidos, os Provérbios de Salomão fazem os homens sábios para este mundo com muita prudência. Deus quer que seu povo sábio seja sábio. Não há crédito nenhum em ser um tolo, mesmo que você tenha a graça de Deus em seu coração. Para mim, parece ser um dever fazer de mim o melhor que posso, visto que sou um


servo do Senhor. Não quero que as pessoas pensem que todos os filhos de meu Mestre são débeis de entendimento. Ao meditar sobre este provérbio de duas partes, nós iremos:

I. ACEITAR O TEXTO EM SEUS SENTIDOS TEMPORAIS. 1. É claro pela oposição que um homem preguiçoso é o contrário de justo. Certamente, ele é assim. Seus pecados de omissão são abundantes. Ele falta com sua palavra, irrita outras pessoas, Satanás lhe acha travessuras para fazer; ele está, de fato, pronto para qualquer palavra e trabalho ruim. 2. Não é suficiente ser diligente a não ser que sejamos justos, corretos; pois embora a maldição seja para os ociosos, a bênção não é para os ativos, e sim para os justos. É diligência no serviço de Deus, sob o Espírito Santo, quem ganha a recompensa de Deus. 3. A estrada de um homem preguiçoso não é desejável: "Um caminho de espinhos." - É difícil em sua própria apreensão: uma estrada de terreno irregular, e ele quer quanto menos dela possível. Ele preferiria olhá-la por um mês a correr nela por uma hora. - Fica realmente cheia de espinhos em pouco tempo. Sua negligência a fecha ali, envolve-o em dificuldades, traz perdas e cria impedimentos. -Torna-se doloroso: ele é pobre, não confiam nele, é tratado duramente por credores cansados, e no fim fica sem um meio de vida. -Torna-se bloqueado: ele não sabe para onde se voltar; não pode cavar, e tenta pedir esmolas. A preguiça ganha pouca pena, e a própria caridade o repele. 4. A estrada de um homem justo esta sob uma bênção. -Torna-se clara à medida que ele procede nela diligentemente. - Deus a faz assim. - Ele mesmo faz que seja assim. - Outras pessoas se dispõem a ajudá-lo, ou, pelo menos, a confiar nele, empregá-lo e recomendá-lo. 5. O preguiçoso espiritual. -Toma o caminho da indiferença, descuido, indecisão e descrença; e isso, embora possa parecer fácil, é tão cheio de tristeza como uma sebe de espinhos é cheia de pontos ou pontas de espinhos. - Ele quer fazer sua própria vontade, e vontade própria com obstinação são sebes de espinhos: além do mais, sua teimosia e insolência provoca-m outros à oposição, e os espinhos engrossam.


- Ele escolhe o caminho do pecado e logo o descobre cheio de tristezas, dificuldades, perplexidades, enrascadas e ciladas. - Pelos seus modos maus e pelas conseqüências inevitáveis de seus pecados, ele não é aceito nem por Deus nem pelo céu. 6. O homem justo. Seu caminho é o de fé e obediência. -Tem seus impedimentos: estes são varridos do caminho. - É freqüentemente misterioso, mas é limpado. - É por vezes cheios de altos e baixos, mas é a estrada do Rei: Na qual estamos certos. Na qual estamos protegidos. Na qual estamos assegurados de um fim abençoado. -Você está completamente sossegado na religião, aceitando as coisas como elas vêm, de modo desleixado? Então seu caminho logo se tornará uma sebe de espinhos. A negligência é suficiente para produzir uma imensa colheita de espinhos e matinhos. -Você procura ser direito, justo? Você ama a santidade? Você conhece Cristo como seu caminho? Então, prossiga sem medo, porque seu caminho será plano e seu fim será a paz (Sl 37.37).

CONFIRMAÇÕES "O caminho do homem indolente", aquele que o preguiçoso toma ao cuidar de seus afazeres, "é como um caminho de espinhos," é lento e duro, porque ele vai engatinhando em seus negócios, sim, seus temores e dissabores o furam e o seguram como espinhos e matinhos. "Mas o caminho dos justos é como estrada elevada e pavimentada." A ordem que o homem piedoso segue é na maioria plana e fácil, de quem rapidamente corre adiante nas obras de sua vocação como se caminhasse por um caminho elevado em lugar pantanoso (P. Muffet). Quem pode dizer os cuidados que as pessoas preguiçosas têm? As enrascadas nas quais se metem? Mentem para desculpar a preguiça, e uma mentira leva a outra. Depois, procuram esquemas e conspiram, e se tornam desonestas. Conheci uma pessoa que desistiu de um trabalho, começou a beber e perdeu o emprego. Desde então, para ganhar uma vida simples, ela tem de trabalhar dez vezes mais do que lhe era exigido e quase não tem calçados para os pés. Enquanto isso, um homem simples e trabalhador, sustentado, como ele confessa, pela Providência, mas, melhor de tudo, sustentado pela sua integridade e diligência, para esse homem há sucesso e felicidade. Trabalha muito, mas a sua sorte é de total tranqüilidade comparada com a porção do preguiçoso. Ninguém viaja para o céu numa cama macia com colchão de penas. A graça fez uma estrada para o céu para pecadores, mas essa não agrada aos preguiçosos. Aqueles que alcançam a Cidade Celestial são peregrinos e não dorminhocos. A negligência é um caminho certo para o inferno, mas nós precisamos lutar para entrar pela porta estreita, e assim correr para que possamos alcançar a Cidade Celestial. Se você deixar a sua terra por conta própria, ela se encherá de mato, e se seu coração for deixado de lado, será


comido por pecados. Da preguiça nada resulta a não ser trapos e pobreza aqui, e condenação no além. Que vadios em Sião tomem nota! É maravilhoso ver como as dificuldades somem do caminho dos justos! Ao viajar subindo o rio Reno, você parece estar preso por terra por todos os lados, mas ao seguir viagem, você percebe uma passagem clara: uma curva repentina permite que veja a abertura entre os morros. A estrada para Israel parecia bloqueada no mar Vermelho, e outra vez no Jordão, mas como eles estavam seguindo o Líder Divino, ele abriu caminho através das águas. Velhas estradas romanas, que foram colocadas ao longo de morros e atravessando vales, ainda são visíveis; estes eram suficientemente claros para serem seguidos pelo viajante que não conhecesse a região: assim o Senhor tem colocado a estrada de seu povo, e eles não perderão o caminho. "O caminhante, mesmo que seja um tolo, não errará ali." Os espiritualmente negligentes se envolvem em muita tristeza. Negligenciando a oração e outros meios de graça, eles buscam uma vida espiritual fácil; mas se são filhos de Deus, eles não a encontram, mas semeiam para si espinhos abundantes de arrependimento e depressão. Eu sei com certeza que o cristão diligente é o único cristão feliz. A verdadeira religião é acima de todas as outras coisas um negócio que não só compensa fazer, mas que compensa fazer bem. Lavoura abundante nos campos da alma é a única lavoura que compensa.

16. O PEDIDO DA SABEDORIA AO SEU FILHO Meu filho, dê-me o seu coração (Provérbios 23.26).

É a sabedoria que fala aqui. A sabedoria é apenas outro nome para Deus, ou, melhor ainda, para o Senhor Jesus, que é sabedoria encarnada. O pedido é para o coração, as afeições, o centro de nosso ser. "Dê-me seu coração" é o primeiro pedido, o pedido diário, o principal, o pedido máximo do Espírito bom.

I. O AMOR MOTIVA ESTE PEDIDO DE SABEDORIA. 1. Só o amor busca assim amor. A indiferença se importa com o amar a outros? Se ela pode servir a sua própria vez pelas mãos deles, os corações deles podem ir onde quiserem. 2. Só por amor a sabedoria buscaria os corações de coisas tão pobres como nós somos. Que serviço podemos prestar àquele a quem anjos adoram? Que importa o nosso amor ou ódio a ele? 3. Mas a sabedoria ganha um filho quando o coração lhe é dado, pois ninguém é um filho verdadeiro que não ama. "Aquele que ama é nascido de Deus."


4. Se a pessoa já é filho, o amor de Deus manda que nos tornemos ainda mais sábios por meio de uma entrega ainda mais completa do coração a Deus, a Cristo, à sabedoria. Não podemos levar esse preceito longe demais.

II. A SABEDORIA NOS PERSUADE A OBEDECER A ESTE PEDIDO AMOROSO. É para nosso bem duradouro amar ao Senhor e sua sabedoria. 1. Maus amantes nos procurarão, e nossos corações serão dados a um ou a outro. Para nossa ruína ou nosso enobrecimento haverá a escolha. Aquele que tem o coração tem o homem. 2. É bom estar ocupado com o amor mais nobre para que possamos vencer o mais baixo. O servo de Deus não pode ser escravo de Satanás. 3. Agradará a Deus nós o amarmos; um pai fica encantado com o amor de sua criancinha. Que honra, que herança, que céu ser permitido amar ao Senhor! 4. Nenhuma outra coisa pode agradá-lo. O que quer que façamos sem o nosso coração irá entristecê-lo; será uma formalidade vazia. Peixes nunca foram oferecidos a Deus; pois eles nunca puderam chegar ao altar sozinhos. Os pagãos consideravam ser um mau agouro quando o coração da vítima não era são. 5. Ele merece o nosso coração, porque ele o fez, ele o conserva batendo, ele o alegra, ele o comprou, ele o prepara para o céu, ele dá coração por coração - seu próprio amor pelo nosso. 6. Não há como receber sabedoria sem dar o coração a ele. Deus não dará a si mesmo para os que não têm coração. Nada pode ser bem feito a não ser que o coração seja dado àquilo.

III. O AMOR QUER QUE OBEDEÇAMOS AO PEDIDO SABIAMENTE. - Dê a Deus seu coração imediatamente. A demora é má e injuriosa. - Dê a Deus seu coração livremente. Meio coração não é coração. Um coração dividido está morto. "Deus não é o Deus dos mortos." - De uma vez por todas, dê a ele o seu coração, e deixe que fique guardado com ele: para sempre. Onde está o seu coração agora? Em que estado está? Não está frio, mundano, desassossegado? Venha - creia em Jesus para que você possa receber poder para tornar-se um filho de Deus e servi-lo com coração amoroso.


CITAÇÕES SELETAS De todos os pretendentes que vêm a você, parece que não há nenhum com qualquer título para reivindicar o coração senão Deus, que desafia recebê-lo de você, chamando-o pelo nome de filho (Ml 1.6) como se dissesse: "Tu o darás a teu Pai, que o deu a ti. És tu meu filho? Meus filhos me dão os seus corações, e com isso sabem que eu sou seu Pai, se eu habito em seus corações, pois o coração é o templo de Deus" (1Co 6.16). Portanto, se tu és filho, tu me darás teu coração. Podes tu negar algo a ele, cuja bondade nos criou, cujo favor nos elegeu, cuja misericórdia nos remiu, cuja sabedoria nos converteu, cuja graça nos preservou, cuja glória nos glorificará? Ah, "se você soubesse", como Cristo disse para a mulher de Samaria, "quem lhe está pedindo", dê-me o teu coração, então dirias a ele, como Pedro fez quando Cristo iria lavar seus pés (João 13.9), "Senhor, não apenas os meus pés, mas também as minhas mãos e a minha cabeça", não meu coração somente, mas todo meu corpo, e meus pensamentos, e minhas palavras, e meu trabalho, e meus bens, e minha vida; tome tudo que tu tens dado. Se me perguntam por que vocês devem dar seus corações a Deus, eu não respondo como os discípulos que foram atrás da jumenta e potro, "O Senhor precisa deles" (Mt 21.3), mas você tem precisão. Se alguma vez o ditado foi verdade (Atos 20.33), "Há maior felicidade em dar do que em tirar", mais abençoados são aqueles que dão seus corações a Deus do que aqueles que tomam posse do mundo (Henry Smith). "Meu filho, dá-me teu coração." Por duas razões: Porque, (1) a não ser que o coração seja dado, nada é dado (Os 7.14; Mt 15.8-9); (2) se o coração for dado, tudo está dado (2Cr 30.13-20) (Hugh Stowell). Nenhuma acomodação possível. Ora, a maioria das pessoas pensa que se elas guardam todos os melhores cômodos em seus corações varridos e adornados para Cristo, que elas podem conservar um pequeno cômodo na parede de seu coração para Belial em suas visitas ocasionais, ou uma banqueta de três pernas para ele no escritório comercial ou um canto na dispensa do coração, onde ele pode lamber os pratos. Não dá! Você precisa limpar, livrar a casa dele, como você faria com uma doença terrível, até a última mancha. Você precisa estar decidido de que tudo que você tem será de Deus, para que tudo que você é seja de Deus (John Ruskin). "Minha culpa é condenável, é terrível", exclamou um santo humilde, "em reter meu coração, porque eu conheço e creio no seu amor, e no que Cristo tem feito para ganhar meu consentimento--ao quê?--minha própria felicidade" (C. Bridges). Dar-te meu coração? Senhor, eu o faria, E há grande motivo pelo qual eu deveria, Se valesse algo o Senhor o ter: Contudo por certo o senhor estimará que é bom O quê, com o teu sangue, tens comprado E achado que valeu o teu querer. Senhor, se mil corações eu tivesse, E em cada um miríades De amores e temores mais seletos,


Seria muito pouco a dar, Senhor, A quem eu tudo devo. Contudo, o meu coração é tudo que possuo, não lhe fará falta. Mas eu o ofereço--Toma-o Senhor, aqui está (Christopher Harvey, "Schola Cordis"). Diz-se que durante a perseguição dos papistas pela rainha Elizabeth I, alguns católicos ricos desejavam salvar sua própria vida por acordo aberto com suas leis intolerantes, embora permanecessem romanistas no coração. A seu pedido de direcionamento relatase que o papa daquele tempo respondeu: "Deixe que eles me dêem o coração, e assim por enquanto estarão obedecendo ao que são mandados fazer." Quer a história seja verdadeira ou não, podemos estar certos de que se o mau espírito pode só guardar o coração, ele se importa pouco com que religião aparente é praticada.

17. O MELHOR AMIGO "Não abandone o seu amigo nem o amigo de seu pai" (Provérbios 27.10).

O homem pode ter muitos conhecidos, mas ele terá poucos amigos; ele pode considerarse feliz se tem um que lhe será fiel em tempo de dificuldade. Se aquela pessoa tem também sido bondosa com seu pai antes dele, ela nunca deve ser menosprezada, muito menos alienada. Amigos verdadeiros são para ser mantidos com grande cuidado, e, se necessário for, com grande sacrifício. A sabedoria do mundo ensina isso, e a inspiração o confirma. Se subimos a uma esfera mais alta, é muito mais então. Ali, temos um amigo--o Amigo de pecadores, o qual em infinita condescendência tem nos chamado de amigo e tem mostrado o amor maior do que todo amor dando sua vida pelos seus amigos. A ele nós nos devemos apegar na vida e na morte. Abandoná-lo seria uma horrível ingratidão.

I. TÍTULO DESCRITIVO. "Seu próprio amigo e amigo de seu pai". 1. "Amigo": isso dá a entender bondade, conexão, auxílio. 2. "Amigo do pai": um que tem sido fiel, constante, paciente, sábio e experimentado, e esta é a experiência de nosso próprio pai, na sensatez de quem podemos depender. Em muitos casos, o melhor médico que você pode ter é o médico da família, que conhece a constituição física dos seus pais, além da sua. O amigo da família deve ser sempre um visitante bem-vindo.


3. "Teu próprio amigo", com quem você já apreciou e aprecia conversar, com quem você pode se sentir seguro e confiante, com quem você tem objetivos em comum, a quem você já fez revelações particulares. 4. Não se esqueça do outro lado da amizade: você precisa ser um amigo para aquele que você chama de amigo. "Aquele que tem amigos precisa mostrar-se amigo." Em todos estes pontos nosso Senhor Jesus é o melhor exemplo de um amigo, e é bom para nós colocarmos este amigo na frente, como um "Amigo mais próximo do que um irmão." "Este é o meu amado, e este é meu amigo."

II. CONSELHO SUGESTIVO. "Não abandone." 1. O que não sugere. Não dá nenhuma dica de que ele vai em algum tempo nos abandonar. Pois ele já não disse: "Eu nunca o deixarei nem o abandonarei"? 2. Em que sentido podemos nós abandoná-lo? Ai, ai, alguns que professam ser amigos de Jesus se tornam traidores, outros seguem de longe, esfriam, voltam-se para o mundo, perdem comunhão de amigos, não defendem a causa dele. 3. Que épocas nos tentam a isso? Tanto a prosperidade como a adversidade. Tempos de espalhar heresia, mundanismo, infidelidade. 4. Qual é o processo de abandono? Esfriamento gradual leva a completo abandono. De grau em grau, vemos suas pessoas pobres desprezadas, sua doutrina duvidada, seus caminhos esquecidos, sua causa não mais auxiliada, e, por fim, a profissão de fé abandonada. 5. Quais são os sinais deste abandono? Podem ser vistos no coração, ouvidos na conversa, notados na ausência de zelo e liberalidade e, por fim, detectados em pecados reais. 6. Que razões causam o abandono? Orgulho, coração amortecido, negligência de oração, amor do mundo, medo do homem. 7. Que argumentos deveriam evitá-lo? Nossas obrigações, a fidelidade dele, nossos votos, nosso perigo longe dele. 8. O que, por fim, resulta de tal abandono? Toda sorte de males segue, para nós mesmos, para a causa dele, para outros amigos, para os mundanos à nossa volta.

III. A DECISÃO CONSEQÜENTE. Eu me apegarei a ele.


Vamos nos apegar a Jesus. - Em fé, descansando somente nele. - Em credo, aceitando cada ensino dele. - Em confissão, declarando nossa lealdade a ele. - Na prática, seguindo os seus passos. - No amor, permanecendo em comunhão com ele. Não abandone Cristo quando ele é perseguido e blasfemado. Não o abandone quando o mundo oferece lucro, honra, bemestar, como preço de seu abandono. Não o abandone quando todos os homens parecem desertá-lo, e a igreja estiver decadente e pronta para morrer.

BOAS PALAVRAS Tem a substância de toda a felicidade, Aquele a quem um virtuoso amigo é dado, Por ser tão doce e harmoniosa a amizade, Somando só a eternidade, você a fará um céu (John Norris). Hewitson escreve: "Creio que eu conheço mais de Jesus Cristo do que de qualquer amigo terreno." Por isso, alguém que o conheceu bem comentou: "Uma coisa me marcou com respeito ao sr. Hewitson: ele parecia não ter nenhuma lacuna, nenhum intervalo em sua comunhão com Deus" (G. S. Bowes). O primeiro-ministro de Madagascar presidindo uma reunião missionária, em 11 de julho de 1878, disse: "Eu não gosto de falar sobre meu próprio pai aqui diante de todos vocês, mas eu me lembro de uma jovem senhora a quem meu pai ensinou a ler a Bíblia, e treinou para ser uma cristã. Quando veio a perseguição de novo, ela foi acusada e condenada à morte por ser uma cristã. Ela foi trazida aqui para ser jogada em cima dessa rocha, e no último momento foi-lhe oferecida a vida se ela retratasse. Mas ela recusou, gritando, 'Não, joguem me, pois eu sou de Cristo'" (Chronicle of the London Missionary Society). Não podemos abandonar nosso próprio amigo, pois isso seria abandonar nosso segundo eu, e nós não podemos abandonar o amigo de nosso pai, porque isso nos faria culpados de uma dupla ingratidão do tipo mais vil que podemos praticar com homens. Os amigos de nossos pais, se são honestos, são as melhores posses que eles podem nos legar, e se Nabote não venderia por preço nenhum a herança que seu pai lhe deixou, mas guardoua apesar de um Acabe e uma Jezebel, até ele ser apedrejado--vamos nós mostrar tal irreverência à memória de nossos pais, a ponto de abandonar, sem qualquer preço, as posses mais preciosas que eles nos legaram? Salomão teria sido um homem mais sábio e mais feliz se tivesse seguido o exemplo e preceito de seu pai (Dr. G. Lawson).


Velhos amigos da família. I. Considere alguns dos velhos amigos de nossos pai: (1) o dia do sábado, (2) o santuário, (3) o Salvador, (4) as Escrituras. II. Considere alguns motivos para ser leal a eles: (1) o que fizeram por aqueles que são queridos para nós, (2) o que prometem fazer por nós, (3) o que já fizeram por alguns de nós (Biblical Museum). Um dia, o púlpito do reverendo G. Cowie, de Huntley, foi ocupado por um ministro que falou como se o Espírito Santo não fosse necessário nem a santos nem a pecadores. Depois do sermão, o senhor Cowie se pôs em pé na escada do púlpito e disse: "Senhores, segurem seu velho amigo, o Espírito Santo; porque se uma vez vocês o entristecem e saem, vocês não vão consegui-lo de volta tão facilmente."

18. O CÂNTICO DE SALOMÃO Desvie de mim os seus olhos, pois eles me perturbam (Cântico dos Cânticos 6.5).

Passamos grande parte da vida ocupados em superar o mal, mas aqui temos que tratar como superar aquele que é perfeitamente bom. Aprendamos com esta exclamação muitíssimo interessante:

I. QUE OLHAR A IGREJA DELE TEM VENCIDO O CORAÇÃO DO SENHOR JESUS. 1. Ele deixou o céu para ser um com ela. Ele não suportou ver a sua ruína, mas deixou seu Pai para que ele pudesse compartilhar a sorte dela. 2. Ele morreu para redimi-la: "achado culpado de um excesso de amor." 3. Seu deleite está nela agora; ela é linda aos seus olhos. 4. Sua eterna alegria deverá vir dela: ele verá nela o resultado de sua agonia de morte: "ele descansará em seu amor." Jesus é tão tomado por emoção que ele ainda dá tudo que ele é, e tem, sim, e seu próprio ser, à sua querida.

II. QUE OS OLHOS DE SUA AMADA AINDA VENÇAM O SENHOR JESUS. Porque seus olhos são cheios de amor, ele é dominado por nossos olhos quando nós estamos: 1. Olhando para cima em arrependimento profundo,


- A princípio buscando perdão. - Por vezes quando nós ansiamos por restauração de apostasia. - Sempre que estamos lutando para manter comunhão, e chorando nossas quebras dela. -Sempre que gememos sob pecado inerente, e gostaríamos de estar livre dele. 2. Olhando a ele pela fé por salvação, - A princípio, por um ato desesperado, ousando uma olhadela com esperança fraca. - Depois, em simplicidade, dia a dia olhando as feridas dele. - Em aflição profunda ainda esperando, e nunca tirando os olhos. 3. Procurando todas as coisas somente no amor dele, - Quando em grande aflição, se submetendo pacientemente. - Quando em humilde esperança, aguardando quietamente. - Quando sob testes sérios, crendo firmemente. - Quando em plena certeza, esperando alegremente. 4. Olhando em oração, - Em dificuldade pessoal, como Jacó, rogando a promessa, e dizendo: "Eu não o soltarei." O Senhor diz: "Solte-me." - Em compaixão santa rogando por outros, como Moisés, a quem o Senhor disse: "Deixe-me". 5. Olhando em amor arrebatador, descansado, - Ele é completamente lindo, e todos os meus olhos nadam com lágrimas de deleite ao fitarem-no, e assim eles o vencem. - Meu coração queima com amor por ele, e eu o adoro, e isso conquista tudo com ele. 6. Olhando em ânsia sagrada pelo seu aparecimento, - Anelando por uma revelação pessoal dele próprio a mim pelo seu Espírito. -Mais de tudo, suspirando por sua vinda veloz na glória de sua segunda vinda. Ele responde: "Eis que venho logo!" Ah , o poder de um homem espiritual com Jesus! Ah, o poder de uma igreja com o céu! O Senhor não negará nada à oração de seus eleitos.


III. QUE SE A IGREJA APENAS OLHASSE A SEU SENHOR MAIS ELA VENCERIA O MUNDO. Conquistar o Senhor é a coisa maior, e quando isso é feito, a igreja bem pode sair vencendo e vencer tudo que é menos do que seu Senhor. Os olhos da igreja devem estar postos em Jesus, e então ela venceria. Se nós estivéssemos: 1. Chorando por desonra feita a ele, ele veria isso, e recuperaria a nossa derrota. 2. Dependendo dele por nossa força, nossa fé nos daria vitória através do amor de Jesus. 3. Obedientemente seguindo os mandos dele, ele então sentiria ser certo dar honra à sua própria verdade e recompensar obediência aos seus próprios preceitos. 4. Confiantemente esperando vitória, Jesus exporia seu braço por nós. Os olhos da fé assistindo calmamente, ou brilhando com expectativa exultante, seriam como chamas de fogo para o inimigo. 5. Ansiosamente rogando pela intervenção dele, nossos olhos cheios de lágrimas, sinceros, logo obteriam sucesso com nosso gracioso Deus. Veja o segredo da força. Olhe a Jesus, e vença. Lamentemos nosso uso pouco freqüente desta arma vencedora. Agora, um longo e amoroso olhar ao Noivo de nossas almas. Ajuda-nos, Ó Santo Espírito, a quem os nossos olhos devem sua visão!

DICAS Quem nunca sentiu o poder do olho? O pedinte implorou tanto com seu olhar que nós lhe demos esmola; os olhos da criança escureceram tanto com a frustração que nós lhe satisfizemos o desejo; o homem enfermo ficou com o olhar tão triste com nossa saída que nós voltamos, e encompridamos a visita. Mas os olhos daqueles que amamos mandam em nós. Uma lágrima começa a se formar? Cedemos na hora. Não suportamos que olhos queridos chorem. Nosso Senhor usa essa figura de linguagem para um propósito muito encorajador. Os olhos chorosos da oração comovem o coração amoroso de Jesus. Matthew Henry diz: "Cristo se agrada em tomar emprestado essas expressões de amante apaixonado para expressar a ternura de um Redentor compassivo, e o deleite que ele tem em seus redimidos, e as operações de sua própria graça neles." Nós lemos em Mateus 15 que o Senhor Jesus disse à mulher cananita: "Ó mulher, grande é a tua fé! Seja conforme você deseja." Ele parece ceder à discrição, vencido por aquela fé que ele mesmo tinha colocado em seu coração. Ora, a fé é o olho da alma, e aqui está um exemplo dos olhos terem vencido o Senhor. Nós não podemos vencê-lo com as obras de nossas mãos, ou a eloqüência de nossos lábios, mas podemos ter a


vitória pelos rogos de nossos olhos, aqueles olhos, que são como olhos de pombos, vendo longe, os olhos da verdadeira fé. Algumas pessoas devotas acham um exercício proveitoso dobrar o joelho e olhar para cima. Com poucas palavras, elas se comunicam por meio de um longo olhar, voltado para cima. Uma só gritou: "Meu Deus", e em outra ocasião: "Deus seja misericordioso comigo, um pecador", e assim mesmo saiu de seu lugar de oração como quem tivesse se banhado no céu. "Você vê um relance de Cristo agora que você está morrendo?", foi a pergunta feita a um velho escocês, que, erguendo-se, deu a resposta enfática: "Não quero nada de seus relances agora que estou morrendo, visto que eu já tive uma vista completa de Cristo nestes quarenta anos passados" (Annals of the Early Friends).

19. ANDANDO NA LUZ "Venha, ó descendência de Jacó, andemos na luz do Senhor" (Isaías 2.5).

Oh, que a "casa de Jacó", no sentido literal, andasse na luz de Jeová reconhecendo Jesus, que é a fonte que vem de cima! Dia infeliz, em que recusam a luz, pois o véu está sobre seus corações! Oremos pelo arrebanhamento das tribos de Israel. Certamente acontecerá "nos últimos dias" (Is 2.2). Agora, trataremos do Israel espiritual, mesmo dos filhos de Deus nesta hora.

I. AQUI ESTÁ UM CONVITE. "Venham, andemos na luz do Senhor." É singular que o povo de Jeová precise de tal convite, pois parece natural que eles vivam nele, se alegrem nele, e aprendam dele, vendo que ele é o seu próprio Deus. É um convite ainda mais estranho que vem das nações para a casa de Jacó. A palavra do Senhor parte de Jerusalém, converte as nações, e depois volta ao povo de quem primeiro partiu. O paralelo é visto quando o convite vem àqueles de nós que somos crentes. 1. Daqueles a quem nós ministramos. Como nos recompensa e encoraja ouvir tal chamado daqueles que uma vez recusaram o convite do evangelho! Quando há um movimento entre ossos secos, esperamos pelos melhores resultados.


2. De convertidos novos, que em seu zelo quente animam santos mais velhos a avançarem, e assim criam alegria, e sugerem uma gentil reprimenda. 3. De santos interessados em edificação mútua. "Venham, andemos." Aqui estão irmãos dispostos chamando a outros que são igualmente dispostos. Deus queira que se faça ainda mais disto. Tais convites como esses são sinais salutares. Devemos incentivar sua produção por relacionamentos mútuos sobre coisas santas.

II. VAMOS ACEITAR ESTE CONVITE. "Andemos na luz do Senhor!" - Nenhuma outra luz é comparável a ela; especialmente para o próprio povo do Senhor. Jeová deve ser a luz de Jacó. - Nenhum outro andar é tão seguro, tão alegre. - Nenhum outro povo é tão capaz de andar na luz de Deus: seus olhos estão abertos, seus pés são fortalecidos, seus corações são purificados, suas ações se adéquam ao dia. 1. Nesta luz, encontramos certeza para a mente. - A razão faz suposições ou confessa que nada sabe. - Fanatismo se apega a sonhos e superstições. - Autoridade humana erra. - Revelação só é certa, infalível, inalterável. Toda outra luz é escuridão quando comparada com ela. 2. Nesta luz, encontramos descanso para a consciência. -Vemos Jesus, seu sangue, e o perfeito perdão que ele consegue. - Vemos sua perfeita justiça nos cobrindo, e fazendo-nos adequados diante de Deus. 3. Nesta luz achamos direção para o juízo. - Vemos o pecado, o amor, a providência, o futuro. em suas cores reais, e sabemos como agir no que se refere a eles. - Aprendemos a conhecer o caminho certo e o modo de agir sábio. -Descobrimos as armadilhas ocultas e começamos a evitá-las. 4. Nesta luz, encontramos deleite para a alma. - Nos propósitos do Senhor. "Predestinados para ser conformados à imagem de seu Filho."


- Em nossa condição pessoal em Cristo. "Completos nele." - Nos modos de proceder da mão de nosso Pai: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus". - Na luta que se passa por dentro, que como um sintoma de graça dá-nos esperança confortável. - No futuro de morte e eternidade, que de outra forma nos estressaria. 5. Nesta luz, encontramos comunhão para o coração. - Nós vemos Deus e sentimos a perfeita paz. - Nós vemos graça dentro de nós e apreciamos a segurança completa. - Nós vemos Jesus e estamos em união consciente com ele. - Nós sentimos o Espírito de Deus e somos trabalhadores com ele. - Nós vemos os santos e nos deleitamos nas graças deles. Amados ouvintes, possa o Espírito Santo guiá-los: - A entrar na luz de Deus. - A permanecer nela, caminhando nela quietamente todos os dias. - A fazer progresso nela, caminhando em direção à perfeição. Venham, e mesmo agora andemos juntos nesta luz. Ela brilha perpetuamente, e nós somos filhos da luz. Viver nela aqui vai preparar-nos para gozá-la em todo o seu glorioso brilho, onde "o Cordeiro é a luz."

ÓLEO PARA A LUZ Uma mulher cansada e desanimada, depois de lutar o dia inteiro com ventos e marés contrárias, chegou em casa, e, jogando-se numa cadeira, disse: "Tudo parece escuro, escuro." "Por que você não volta seu rosto para a luz, titia querida?", disse sua pequena sobrinha que estava em pé perto dela. As palavras foram uma mensagem do alto, e os olhos cansados se voltaram para aquele que é a luz e a vida dos homens, e em cuja luz, somente, nós enxergamos luz.


Um homem que olha para a luz não vê sombra; um homem que caminha em direção à luz deixa as trevas atrás de si. As pessoas ficam nas trevas se impacientando longe da luz. Elas se escondem em cantos obscuros, enterram se em cantos onde os raios do sol da justiça não podem alcançá-los; fecham as persianas e venezianas, e se admiram de não terem nenhuma luz. Uma casa pode ser escura, mas não é culpa do sol. Uma alma pode ser escura, mas não é porque a luz do mundo não espalha raios em todas as direções. Aquele que segue Cristo "não andará em trevas, mas terá a luz da vida." Mas se nossos feitos são maus, nós nos voltaremos de Deus, e amaremos a escuridão mais do que a luz, mas se estamos dispostos a ser repreendidos, corrigidos e guiados na direção certa, descobriremos que "a luz é semeada para os justos, e alegria para os retos de coração." Caminhando na luz, como Cristo está na luz, nós temos comunhão com o Pai, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, limpa nos de todo pecado (The Boston "Christian"). Vale notar como as plantas e as árvores se voltam para a luz, como fica embranquecida a vegetação se ficar na escuridão. O escuro completo é terrível para as pessoas; ele pode ser sentido de tanto que pressiona a mente. A obscuridade de um dia nublado deprime os ânimos mais do que dificuldades ou dor. A exclamação do doente: "Queria por Deus que amanhecesse!" é o suspiro de toda vida sadia quando melancolia a cerca. O que então pode ser dito, se há luz, e nós a recusamos? Deve ter trabalho mau em mão de quem ama a escuridão. Só morcegos e corujas e coisas imundas e famintas gostam da noite. Filhos da luz caminham na luz e refletem a luz. "Onde o sol não entra, os médicos precisam entrar"; assim dizem os italianos, e seu testemunho é verdadeiro. A luz solar não só traz influência alegre como uma ajuda saudável. Ao longo da Riviera, no litoral do sul da França, inválidos devem tudo ao sol, e quando ele se vai, eles se encolhem em seus próprios quartos. Aposentos aos quais o calor dele não chega têm desconto; a luz é essencial à restauração bem como à apreciação.

20. RIOS NO DESERTO Um homem será. . . como rios de água numa terra seca (Isaías 32.2).

Nosso Senhor Jesus é mais próximo e querido de nós como homem. Sua virilidade nos lembra de: - Sua encarnação, na qual ele assumiu nossa natureza. - Sua vida na terra, na qual ele honrou nossa natureza. - Sua morte, pela qual ele redimiu nossa natureza. - Sua ressurreição, pela qual ele ergueu a nossa natureza.


Considere a palavra tornada carne, e você tem diante de si "rios de água". "Agradou ao Pai que nele habitasse toda a plenitude." Embora a virilidade pareça ser um lugar seco, uma terra salgada e estéril, contudo, no caso deste homem, ela produziu rios de água, inúmeros riozinhos, abundantes com frescor. Aprendamos desta comparação diante de nós:

I. QUE A SECA DA NATUREZA NÃO IMPEDE A VINDA DE CRISTO AOS HOMENS. 1. Ele veio ao lugar seco de um mundo caído, arruinado, rebelde. 2. Ele vem a homens pessoalmente, não obstante eles serem sem forças, sem justiça, sem desejo, sem vida. 3. Ele flui dentro de nós em rios de graça, embora a velha natureza continue a ser uma terra seca e crestada. 4. Ele continua o influxo de sua graça até que nos aperfeiçoe, e faz isso embora a deterioração da natureza, o fracasso e a inconstância provem que somos como um lugar seco. "Onde o pecado existiu em abundância, a graça abundou muito mais."

II. QUE A SECA DA NATUREZA INTENSIFICA A PRECIOSIDADE DE CRISTO. 1. Ele é rapidamente descoberto, como seriam os rios no deserto. 2. Ele é altamente valorizado, como a água em um clima tórrido. 3. Ele é amplamente usado, como os riachos no deserto abrasador. 4. Ele é afirmativamente conhecido como sendo o dom da graça de Deus. De que outro modo veio ele estar em um lugar tão seco? Aqueles que menos mérito têm são os mais esclarecidos quanto à graça de Deus. 5. Ele é agradecidamente louvado. Os homens contam de rios que fluem através de ermos devastados.

III. QUE A SECA DA NATUREZA É MAIS EFETIVAMENTE REMOVIDA POR CRISTO.


Os rios mudam a aparência e as características de um lugar seco. Pelo nosso Senhor Jesus aparecer em nossa natureza humana como Emanuel, Deus conosco: 1. Nosso desespero é alegrado e some. 2. Nossa pecaminosidade é purgada. 3. Nossa natureza é renovada. 4. Nossa desolação é removida. 5. Nossas tribulações são vencidas. 6. Nossa condição decaída é transformada em glória. O deserto de hombridade se regozija e floresce como a rosa agora que o homem Cristo Jesus apareceu nele.

IV. QUE NOSSO PRÓPRIO SENSO DE SECA DEVE LEVAR-NOS ESPERANÇOSAMENTE A RECORRER A CRISTO. Ele é rios de água em lugar seco. O lugar seco é sua esfera de ação. A carência da natureza é a plataforma para a mostra da graça. 1. Isso está implícito nos ofícios divinos de nosso Senhor. Um Salvador para pecadores. Um sacerdote que pode ter compaixão pelos ignorantes. 2. Isso é lembrado em suas grandes qualificações. Rios, porque o lugar é tão seco. Cheio de graça e verdade, porque nós somos tão pecaminosos e falsos. Poderoso para salvar, porque nós somos tão perdidos. 3. Isso é manifestado pelas pessoas a quem ele vem. Não muitos grandes ou poderosos são escolhidos. "Eu vim não para chamar os justos, mas pecadores ao arrependimento." Ele chama "o chefe de pecadores." Em cada caso, os rios de amor fluem entrando num lugar seco. 4. Isso é claro pelo objeto ao qual ele apontou, a saber, a glória de Deus, e o tornar conhecido as riquezas de sua graça. Isso pode ser melhor realizado trabalhando-se a salvação onde ela parece não existir, ou, em outras palavras, fazendo com que rios coloquem água em lugares áridos. Venha a Jesus, embora sua natureza seja seca, e seu caso sem esperança. Venha, pois há rios de graça nele. Venha, porque eles fluem a seus pés, "num lugar seco." Venha, se você já veio antes, e está no momento numa condição de apostasia. O Senhor Jesus ainda é o mesmo; os rios de misericórdia nele nunca secam. Cristo nunca é vazio para ninguém senão para aqueles que estão cheios de si mesmos. Ele é seco para aqueles que transbordam de plenitude pessoal, mas ele inunda com sua graça todos os que estão secos quanto a toda confiança em si.


RIOZINHOS É meu maior consolo, Senhor, e sempre será minha vontade Meditar no fato tão belo e precioso Da tua humanidade (Edward Caswall). Homens que têm terra seca não poupam custos, não poupam esforços, para trazer correntes de água através dessa terra, para que seja umedecida. Sabem que, em pouco tempo, isso valerá todo o custo e recompensará todo o seu trabalho. Ah, que os homens sejam tão cuidadosos assim para que seus corações secos sejam regados! (Ralph Robinson). As reivindicações de Jesus Cristo sobre nossa gratidão e devoção são tais que nós alegremente tomamos emprestada a linguagem de qualquer coisa que possa ajudar-nos a pronunciar seu louvor. Assim, o Dr. Marsh adaptou os versículos do poeta inglês Pope, alterando somente as palavras finais: Não águas borbulhantes para o rapaz sedento, Nem descanso para trabalhadores cansados, exaustos de dor, Nem chuvas para cotovias no mato, nem dia de sol para a abelha, Têm a metade da preciosidade que é para mim teu amor, Ó meu Salvador! Com que alegria os viajantes que passam pelo deserto Bayuda chegam a ver na distância o rio Nilo! Enquanto laboriosamente caminhavam sobre a areia abrazadora, sonhavam com rios, e a miragem zombava deles com a imagem de seu sonho acordado. A ficção os encanta porque o fato seria delicioso! O que deve ser estar realmente a beber do riozinho depois de terríveis horas de sede? Os hindus adoram seus rios como deuses, tão preciosos eles os concebem ser. Você se admira que a gratidão dos ignorantes possa tomar tal forma? O que seria do seu país quente sem eles? O que seria do nosso coração, da nossa vida, do nosso presente, do nosso futuro, sem Cristo? O que seria do futuro de nossa nação - qual seria o destino do mundo sem o Senhor Jesus? O que queremos em Cristo, nós sempre encontramos nele. Quando nada queremos, nada achamos. Quando queremos pouco, encontramos pouco. Quando queremos muito, achamos muito. Mas quando queremos tudo, e ficamos reduzidos á nudez completa e a pedir esmolas, nós encontramos em Cristo a completa casa do tesouro de Deus, da qual saem ouro e jóias para nos enriquecerem, e vestimentas para nos vestirem na riqueza e justiça do Senhor (Sears).


21. O AMARGO E O DOCE "Foi para o meu benefício que tanto sofri. Em teu amor me guardaste da cova da destruição; lançaste para trás de ti todos os meus pecados" (Isaías 38.17).

Aqui está o caso de um homem que, quando se tratava de ajuda mortal, era um homem morto, e, contudo, a oração prevaleceu para sua recuperação e o prolongamento de sua vida. Ele registra sua experiência para a glória de Deus, para seu próprio refrigério e para nosso encorajamento. Em nossas depressões profundas nós temos o mesmo Deus para ajudar-nos. Aqui Ezequias coloca diante de nós neste versículo:

I. AMARGURA SAUDÁVEL. "Por paz eu tive amargura". 1. Ele tinha estado em paz. Provavelmente, tinha trazido consigo um estado perigoso, no qual sua mente se tornou carnalmente segura, contente consigo, estagnada, adormecida, descuidada, mundana. 2. Ele passou por uma mudança. Foi repentina e surpreendente - "Amargura." "Grande amargura." Em condição do corpo e em emoção mental ele provou a losna e o fel. Leia os versículos anteriores e veja como ele lamentava. 3. Seu novo estado era de tristeza enfática - "Amargura". "Grande Amargura." Em sua condição corporal e em sua emoção mental ele provou do absinto e da losna. Leia os versículos anteriores e veja como ele lamentava. 4. Isso afetou sua saúde. "Tu me restauraste a saúde e deixaste-me viver" (v. 16). - Isso levou-o ao arrependimento pelo passado. Ele fala de "meus pecados". - Levou-o a se ajoelhar em oração. - Revelou-lhe seu declínio interior e fraqueza na graça. - Isso o fez desfazer-se de seus aviltamentos. - Aprofundou sua fé em Deus. "O Senhor estava pronto para me salvar" (v. 20). 5. A paz voltou e com ela cânticos de alegria. Se algumas pessoas estão agora bebendo o copo amargo, que fiquem bem contentes, pois há um copo de salvação na mão de Deus.


II. AMOR QUE LIVRA. "Em teu amor me guardaste da cova da destruição" (v. 17). A princípio, o sentido que vemos é a recuperação de doença, mas pretende muito mais: na superfície, acha-se benefício à sua alma. Observemos: 1. O ato de amor. "Tu amaste minha alma desde a cova" (margem). - O Senhor livra a alma da cova do inferno, do pecado, do desespero, da tentação, da morte. Só ele pode fazer isso. 2. O amor que realizou o feito. - O amor sugeriu e ordenou isso. - O amor realmente realizou isso pelas suas próprias mãos. Em amor à minha alma, tu a tens amado desde a cova. - O amor parte o coração e o ata de novo. - O amor liberta-nos e depois nos captura. - Somos amados para sair da tristeza, rebelião, desânimo, frieza e fraqueza. Reconheça isso de todo coração. -Meça esse amor pelo seu demérito, seu perigo, sua atual segurança completa e pela grandeza do Libertador, e o que a libertação lhe custou. - Entesoure este amor e cante sobre ele todos os dias de sua vida.

III. PERDÃO ABSOLUTO. "Tu lançaste todos os meus pecados para trás de tuas costas." 1. Esta foi a causa da paz restaurada dele. Ele estava sobrecarregado enquanto o pecado existiu, mas quando ele sumiu, a paz voltou. 2. Isso removeu toda a carga: "Pecados", "meus pecados", "todos os meus pecados." 3. Isso envolveu esforço da parte de Deus. "Tu lançaste..." Lembramos os trabalhos mais do que hercúleos de Jesus, que arremessou nossa carga no profundo sem fundo. 4. Isso é descrito maravilhosamente. "Atrás de tuas costas" que é: - O lugar de deserção. Deus saiu de nosso pecado para nunca mais retornar a ele. Ele o deixou para sempre, e nunca vai cruzar o caminho dele de novo, porque nunca anda para trás. - O lugar de esquecimento: ele não mais se lembrará dele.


- O lugar de não existência: nada está atrás das costas de Deus. Portanto, contaremos a outros nossa história, como Ezequias contou-nos a dele. Vamos buscar um ou mais que nos ouvirão com atenção. "Portanto cantaremos meus cânticos ao som dos instrumentos de cordas (20). A esta hora vamos elevar a voz de gratidão.

AMPLIAÇÕES Thomas Bilney, o mártir, depois de sua submissão ao papado, sendo levado outra vez ao arrependimento, foi, como Latimer reporta, por um tempo inconsolável. "Seus amigos não ousavam deixá-lo sozinho nem de dia nem de noite. Consolaram-no como podiam, mas nenhuma consolação bastava, e quanto aos lugares confortáveis da Escritura, trazêlos a ele era como se um homem atravessasse o coração com uma espada." Ora, amigo, dê-me sua resposta. É melhor ver o pecado e culpa agora, enquanto você pode ver um Salvador também; ou ver pecado e um juiz no porvir, mas nenhum Salvador? Pecado você verá, como dizemos, apesar de seus dentes, sem desculpas. Ah, então, deixe-me ver pecado e culpa agora; Ah, agora, com um doce Salvador, para que eu tenha esta vista triste já passada quando eu chegar a morrer (Giles). "Tu tens lançado" etc. Estas últimas palavras são emprestadas, pegas do maneirismo de homens, que costumam lançar atrás de si coisas que não têm vontade de ver, de cuidar ou de lembrar. Uma alma graciosa tem sempre seus pecados diante de sua face. "Eu reconheço minhas transgressões, e meu pecado está sempre diante de mim"; e, portanto, não se admira que o Senhor as lance atrás de suas costas. Um pai esquece logo e joga, para o passado, as faltas que a criança lembra e tem sempre diante de seus olhos, e assim faz o Pai dos espíritos humanos (Thomas Brooks). Li em alguma parte sobre um grande homem de Deus (acho que foi Ficolampadius) que, tendo se recuperado de uma doença séria, disse: "Tenho aprendido! sob esta doença a conhecer o pecado e Deus." Será que não conhecia estes antes? Sem dúvida, sabia pregar bons sermões a respeito de Deus e do pecado, mas o Espírito, ao que parece, naquela doença, ensinou-lhe estes diferentes do que os conhecia antes (Giles Firmin). Alguns dos abismos a que a Bíblia se refere eram prisões; um eu vi em Atenas, e outro em Roma. Para esses, não havia aberturas a não ser um buraco no alto que servia tanto de porta como janela. Os fundos dessas prisões sempre estavam imundos e eram revoltantes e, por vezes, encontravam-se numa lama imensa. Isaías fala de "o poço de corrupção" ou "putrefação e imundície (John Gatsby). O Dr. Watts, desde a infância até a morte, quase não conheceu o que era saúde; mas por mais surpreendente que pareça, ele via as aflições como a maior bênção de sua vida. A razão que ele atribuía a isso era que, sendo naturalmente de temperamento esquentado e de disposição ambiciosa, essas visitações da divina providência "desmamaram" suas afeições do mundo e trouxeram cada paixão à sujeição de Cristo. Ele mencionou isso várias vezes ao seu amigo, Thomas Abney, em cuja casa ele viveu muitos anos (John Whitecross).


22. UM SERMÃO PARA OS IDOSOS "Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele que os susterá. Eu os fiz e eu os levarei; eu os sustentarei, e eu os salvarei"(Isaías 46.4).

A doutrina do texto é a natureza imutável de Deus, e a constância de sua bondade para com seu povo na providência e graça. Quase não precisamos provar a natureza imutável de Deus, e a constância de sua bondade para com seu povo, durante o curto período de vida mortal, quando: - Na natureza, nós vemos muitas coisas que parecem não ter sofrido mudança durante setenta ou oitenta anos: sol, oceano, rochas. - Nós vemos sua palavra e o evangelho serem ainda os mesmos. - Oração, louvor, comunhão, e culto santo são os mesmos. - Nossa experiência é semelhante àquela dos santos no tempo antigo. - Lembramo-nos, especialmente, de que a própria natureza de Deus coloca a mutabilidade além do alcance da suposição. Das operações do Senhor na providência e graça, dificilmente é necessário provar a imutabilidade, quando nós lembramos a vocês: -Que as misericórdias de uma época são no geral idênticas àquelas de outra, e as promessas são totalmente as mesmas. - Que homens santos estão prontos para testificar da fidelidade de Deus, e que tanto agora como no passado as testemunhas à sua verdade divina e imutável são muitas. - Que a força divina não é dependente das fraquezas do homem, e que o amor divino não muda devido à passagem dos anos. - Que o completar do corpo de Cristo requer a preservação de todos os santos e, portanto, o Senhor precisa permanecer o mesmo para cada um deles. Contudo, sem dúvida a idade avançada tem suas peculiaridades, que só servem para evidenciar a firmeza da graça de Deus.

I. ELA TEM SUAS LEMBRANÇAS PRÓPRIAS. 1. Lembra muitas alegrias, e vê nelas provas de amor. 2. Lembra muitas chegadas à casa da doença, e relembra como o Senhor alegrou o cômodo tristonho.


3. Lembra muitas tribulações com suas perdas de amigos e suas mudanças de condições, mas vê que ELE tem sido sempre o mesmo. 4. Lembra muitos conflitos como a tentação, a dúvida, Satanás, a carne, e o mundo; mas lembra como ELE cobriu a cabeça dele no dia da batalha. 5. Lembra seus muitos pecados; e não está esquecida de quantos professos em Cristo naufragaram na fé; mas ela estima muitíssimo a fidelidade pactual em sua própria preservação. Todas as nossas lembranças são unânimes em seu testemunho a um Deus que não muda.

II. ELA TEM SUAS PRÓPRIAS ESPERANÇAS . Ela tem agora poucas coisas para aguardar, mas essas poucas são as mesmas como em dias mais jovens, pois o pacto dura sem alterações. 1. A base de sua esperança ainda é Jesus, e não um longo tempo de serviço. 2. A razão de sua esperança ainda é a fé na palavra infalível. 3. A preservação de sua esperança está nas mesmas mãos. 4. O fim de sua esperança ainda é o mesmo céu, a mesma coroa da vida e bemaventurança. 5. A alegria de sua esperança ainda é tão brilhante e alegre quanto antes.

III. ELA TEM SUAS SOLICITUDES PRÓPRIAS. São menos os cuidados, pois os trabalhos são reduzidos, e as necessidades que permanecem só servem para mostrar que Deus é o mesmo. 1. O corpo é enfermo, mas a graça compensa pelas alegrias que se foram, de juventude, saúde e atividade. 2. A mente é mais fraca, a memória retém menos e a imaginação é menos vivaz; mas doutrinas graciosas são mais doces do que nunca e as verdades eternas sustêm o coração. 3. A morte está mais próxima, mas então o céu está mais perto também. A terra pode estar menos bonita, mas o país do lar eterno é mais querido, visto que mais pessoas amadas já entraram nele, e nos deixaram menos amarrados à terra. 4. A preparação por exame é agora mais imperativa, mas também ficou mais fácil, visto que a repetição tirou suas dificuldades, a fé tem mais constância, e promessas provadas oferecem consolo mais rico e abundante. Tudo isso prova que Deus é o mesmo.


IV. ELA TEM A SUA PRÓPRIA BEM-AVENTURANÇA. Destituída de certas alegrias, a idade é enriquecida com outras: 1. Ela tem uma longa experiência para ler, provando ser verdadeira a promessa. 2. Tem menos oscilações em suas doutrinas, sabendo agora o que antes só supunha. 3. Tem menos a temer no futuro da vida, vendo que o caminho é mais curto. 4. Tem mais manifestações das regiões celestes, porque é agora na terra prometida. 5. Tem menos negócios na terra, e mais no céu, e por isso tem incentivos para ter mais pensamentos celestes. Aqui há amor divino que se tornou manifesto por ainda ser o mesmo

V. TEM SEUS DEVERES PECULIARES. Há provas de fidelidade divina, visto que fazem pessoas produzir frutos em idade avançada. Estes são: 1. Testemunho da bondade de Deus, a imutabilidade de seu amor, e a certeza de sua revelação. 2. Consolo a outras pessoas que estão batalhando, assegurando-lhes que sairão com segurança. 3. Aviso ao instável e/ou desobediente: tal aviso vem com dez vezes a força quando é de um santo idoso. 4. E freqüentemente pode-se acrescentar: instrução, visto que a experiência do idoso já abriu muito mistério antes desconhecido. Do todo, nós adquirimos: - Uma lição para os jovens para tornar este Deus o seu Deus, visto que ele nunca abandonará os seus. - Um consolo para os homens da meia-idade para que perseverem, pois eles ainda chegarão a ser carregados nos braços da graça. - Um cântico para os idosos, com respeito ao amor imorredouro e à misericórdia invariável. Com voz amadurecida que seja cantado.


ISSO VEM AO CASO O Dr. O. W. Holmes diz: "Homens, como pêssegos e pêras, se tornam doces um pouquinho antes de começarem a enfraquecer." Isso é verdade, mas homens cristãos devem ser doces desde a hora em que são renovados no coração. Contudo, mesmo então a maturidade traz com ela uma certa doçura. Do cristão já foi dito, "O declínio, o enfraquecimento e as enfermidades da velhice", como o Dr. Guthrie chamou esses sintomas de sua própria morte que se aproximava, "serão somente 'aves da terra, pousando nas mortalhas, contando ao velho marinheiro que ele está se aproximando do porto desejado'". Uma reflexão predileta minha é que, se ficarmos vivos até os sessenta anos, nós então entramos na sétima década da vida humana, e que esta, se possível, deveria ser um sabático de nossa peregrinação terrestre, e ser gasta sabaticamente, como nas praias de um mundo eterno, ou nas cortes exteriores, digamos, do templo lá em cima, o tabernáculo que está no céu (Dr. Chalmers).

23. AUMENTO DA IGREJA Os filhos nascidos durante seu luto, ainda dirão ao alcance dos seus ouvidos: "Este lugar é pequeno demais; dê-nos mais espaço para nele vivermos." Então você dirá em seu coração: "Quem me gerou estes filhos? Eu estava enlutada e estéril; estava exilada e rejeitada. Quem os criou... de onde vieram?" (Isaías 49.20-21).

Um estado de espírito esperançoso fica bem à igreja de Deus, pois as memórias do passado, as bênçãos do presente e as promessas do futuro trazem muito ânimo. "Todas as promessas labutam com um glorioso dia da graça." A igreja vive, progride, conquista por sua fé. É preciso que ela abandone o desânimo, como sendo sua fraqueza, seu pecado, seu maior obstáculo. O profeta, para remover todo o temor, nos lembra que:

I. NA IGREJA HÁ DIMINUIÇÕES. "Perdi meus filhos". Freqüentemente, é este o clamor amargurado de uma igreja. 1. A morte invade a casa de Deus e tira aqueles que eram seus pilares e ornamentos. Mas aqueles que partem vão expandir o coral do céu. 2. A providência tira pessoas úteis por remoção ou por ocupação excessiva que as impede do serviço cristão. Os removidos vão para outra parte edificar a igreja: aqueles que são impedidos legalmente por trabalho ainda estão fazendo a vontade do Senhor.


3. O pecado faz com que alguns se apostatem, saiam para outro lado ou se tornem inativos. Mas esses saem de nosso meio porque não são nossos. Essa diminuição é dolorosa, e pode ir tão longe que uma igreja pode se sentir "desolada" e "abandonada." Contudo, o Senhor não se esqueceu de sua igreja, porque ele é seu Esposo.

II. NA IGREJA DEVEMOS PROCURAR POR AUMENTO. Os filhos que você terá ("os filhos nascidos durante seu luto"). Não fiquemos absortos lamentando as perdas; vamos nos alegrar pela fé em grandes ganhos que certamente virão. 1. Aumento é necessário, ou o que acontecerá com a igreja? 2. Aumento é pedido em oração, e Deus ouve as orações. 3. Aumento só pode vir através de Deus, e ele o dará, e será glorificado por isso. 4. Aumento é prometido no texto e em muitos outros versículos da Escritura. 5. Aumento é para ser conseguido com agonia de coração. "Logo que Sião se esforçou, ela produziu filhos".

III. NA IGREJA O AUMENTO MUITAS VEZES CAUSA SURPRESA. Tão estreitos são os nossos corações, tão fraca a nossa fé, que ficamos admirados quando as conversões são numerosas. 1. Por causa do tempo. "Eis que eu estava... rejeitada." 2. Por causa de seu número: "Quem gerou estes filhos?" 3. Por causa de seu jeito anterior: "Estes, de onde vieram?" Eles não estavam, afinal, tão longe assim. - Alguns deles estavam bem perto de nós e perto do reino, na família, escola, classe, congregação, classe de catecúmenos? - Outros estavam longe na irreligião e no pecado. - Outros eram contrários por racionalização, superstição ou conceito de virtude própria. 1. Por causa de sua boa educação: "Quem os criou?" 2. Por causa da avidez e coragem deles: Dirão ao alcance de seus ouvidos: "O lugar é pequeno demais para mim." 3. Por causa de sua constância. "Dá-me um lugar para eu viver." - Eles vêm para ficar.


Onde eles estavam? Em vez disso, diga: "Onde nós estávamos": que não cuidamos deles há tanto tempo e demos boas-vindas a eles. IV. NA IGREJA, DEVE-SE PREPARAR PARA O AUMENTO. Nós nos preparamos para a vinda de crianças. Será que a igreja é uma mãe desnaturada? Ela não receberá com alegria almas recém nascidas? Nós precisamos nos preparar para um aumento: 1. Com muita oração para essa finalidade. 2. Com a pregação do evangelho, que é o meio para isso. 3. Com todo esforço cristão que puder conduzir a isso. 4. Aumentando nossos limites. "Este lugar é pequeno demais para mim." Providenciar um lugar maior como um auditório pode ser um verdadeiro ato de fé. 5. Dando boas-vindas a todos os filhos verdadeiramente nascidos de Deus: que dizem, cada um: "Dê-me um lugar em que eu possa viver." Ah, por uma fé triunfante de que um pequeno se tornará mil! Ah, pela graça de atuar sobre essa fé de imediato." "Creia grandes coisas, tente grandes coisas, espere grandes coisas."

NOTAS Minha observação me leva a crer que, onde igrejas têm o devido cuidado para a admissão de membros, elas descobrirão que seus melhores convertidos vêm em rebanhos, vêm em grande número. Minha impressão é que quando muito poucos respondem ao chamado e vão à frente, todas as pessoas se inclinam em direção a um juízo menos exato do que em tempos em que muitos estão indo à frente. Peixes ruins têm maior probabilidade de ser levados para casa quando os peixes são escassos do que quando são abundantes; porque então o pescador se sente mais livre para fazer uma seleção rigorosa. Não digo nada sobre a severidade ou frouxidão de uma igreja em receber membros, mas é circunstância incidental para a natureza humana que quando estamos num reavivamento nós nos tornamos mais cautelosos, e em tempos difíceis somos mais aptos a olhar para um convertido com uma esperança que é um tanto mais animada do que ansiosa. É assim que explico o que creio ser um fato, que convertidos raros são freqüentemente convertidos nus quanto ao evangelho, e que as melhores ovelhas vêm em rebanhos. O Dr. Judson, missionário dedicado à Burma, durante sua visita a Boston, ouviu a pergunta: "Você acha que a probabilidade é radiante para a conversão rápida dos pagãos?" "Tão radiante", ele respondeu, "quanto as promessas de Deus." Segunda-feira, 22 de dezembro de 1800 - Creesturo, Gokol e sua esposa, e Felix Carey nos deram a sua experiência hoje à noite. O irmão C. concluiu em oração depois de termos cantado, "Salvação, ó som alegre!" O irmão Thomas está quase louco de alegria (Diário do reverendo W. Ward de Serampore).


"Eu me inclino a pensar que não nasce de novo uma alma sequer, à parte do interesse e da ansiedade terna de algum coração ou corações humanos... Provavelmente, Saulo (Paulo) foi convertido em resposta às orações dos discípulos em Damasco" (John Pulsford). Isaac Barrow, quando mocinho, era difícil, não prometia muito. Sua má conduta era tal, e tão irreparável parecia, que o pai dele, desesperado, costumava dizer que "se era do agrado de Deus remover qualquer de seus filhos, desejava que pudesse ser o seu filho Isaac." O que aconteceu com os outros filhos, aqueles em quem o pai teve maiores esperanças, não se sabe dizer, mas aquele filho indigno viveu para ser a felicidade e o orgulho da velhice de seu pai, para ser um dos mais ilustres membros da universidade à qual pertencia e um dos mais brilhantes ornamentos da igreja da qual se tornou ministro.

24. A PEQUENA IRA E A GRANDE IRA Por um breve momento eu a abandonei, mas com profunda compaixão eu a trarei de volta. Num impulso de indignação escondi de você por um instante o meu rosto, mas com bondade eterna terei compaixão de você, diz o Senhor o seu Redentor. Para mim isso é como nos dias de Noé, quando jurei que as águas de Noé nunca mais tornariam a cobrir a terra. De modo que agora jurei não ficar irado contra você, nem tornar a repreendê-la (Isaías 54.7).

Este texto é propriedade de todos os crentes. Seu título é visto no final do capítulo (v. 17). Não deixem de apreciá-lo. Vem em seguida às profecias das grandes tristezas do Senhor (Is 53). Nós nunca somos tão capazes de acreditar em uma grande promessa como quando estamos ao pé da cruz. O povo de Deus é muitas vezes grandemente provado, e suas tristezas são às vezes espirituais e mais profundas do que aquelas dos maus. Seu grande consolo está em que em todas as suas aflições não há ira penal, não há grande indignação, nem juízo final do Senhor. Falaremos sobre:

I. A PEQUENA IRA E SUAS MODIFICAÇÕES. O Senhor chama isso de "uma pequena ira" e chama o tempo de sua continuação -"um momento", "um pequeno momento". 1. Nossa visão difere da do Senhor. Para nós, parece ser um abandono completo e o esconder de seu rosto para sempre. - Nós somos tolos demais, agitados demais, descrentes demais, para julgar com acerto.


- A visão de Deus é a própria verdade, por isso vamos acreditar nela. 2. O tempo dele é curto. O que é menor do que "um pequeno momento"? - Comparado com amor eterno. -Quando lembrado depois de anos de paz santa. - Na realidade só dura um pouquinho. - Logo passará se nos arrependemos e oramos. 3. A recompensa é grande. Jeová promete dar-nos "misericórdias" - muitas, divinas, eternas, grande, eficazes: "com profunda compaixão eu a trarei de volta." 4. A ira em si é pequena. Uma ira de Esposo, uma ira de Redentor, uma ira de quem mostra piedade, ira ocasionada por amor santo. 5. A expressão dela não é severa. - Não colocar meu rosto contra ti; nem mudar de idéia. - Mas esconder meu rosto, e isso só por um momento. - Assim Deus vê o assunto de nosso castigo, vendo o fim desde o princípio. 6. Isso é bem coerente com o amor eterno. Este amor durará para sempre, está presente durante a pequena ira, é a causa da ira, e continuará imutável para sempre. - A criança castigada não é menos amada. 7. Isso não muda nosso relacionamento com o Senhor. Ele ainda é nosso Redentor (v. 8), e nós ainda somos os remidos do Senhor. Nossa obrigação é entristecer-nos por causa da ira do Senhor, ser humilhados e santificados por ela, mas não desfalecer, não desesperar sob ela.

II. A GRANDE IRA E NOSSA SEGURANÇA CONTRA ELA. 1. A ira de Deus contra seu povo não vai se arrebentar sobre eles mais, assim como o dilúvio de Noé não vai retornar para cobrir a terra. Esse dilúvio não retornou durante estes séculos todos, e nunca retornará. O tempo de semear e de colher continua, e o arco-íris está na nuvem. Não temos temor de outro dilúvio universal de água, nem crentes precisam temer uma volta da ira divina (amplie sobre o v. 9). 2. A grande inundação de ira já se arrebentou de uma vez por todas. Sobre nosso Senhor arrebentou, e assim acabou para sempre. "Cristo remiu-nos da maldição da lei, tendo sido feito uma maldição por nós" (Gl 3.13). "Como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões" (Sl 103.12). "Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu" (Rm 8.34). "Se procurará pela iniqüidade de


Israel, mas nada será achado, pelos pecados de Judá, mas nenhum será encontrado" (Jr 50.20). Isso é a expiação real, verdadeira, efetiva, eterna. 3. Nós temos o juramento de Deus de que isso não voltará: "Assim jurei que eu nunca ficarei irado contigo, nem o repreenderei." Em modo de punição nem mesmo uma palavra dura será pronunciada - "nem o censurarei". 4. Temos uma aliança de paz tão segura como a que foi feita com Noé, e de um nível mais alto, pois é feita com Jesus, nosso Senhor. 5. Temos compromissos de misericórdia imutável, imóvel: "os montes e as colinas" (v. 10). Estes podem sumir e ser removidos, mas nunca a bondade do Senhor. 6. Tudo isso nos é falado por Jeová, o misericordioso: "diz o Senhor que tem compaixão de você." Como é maldoso duvidar e desconfiar! Como é segura a condição dos da aliança! Como é glorioso nosso Deus de eterna bondade! Como devemos ter cuidado para não magoá-lo!

PALAVRAS QUE ALEGRAM Ah, filhas de Sião! não tenham medo Da cruz, das cordas, pregos, e da lança, Da mirra, fel, vinagre; Pois com amor, Cristo, o Salvador Bebeu o vinho da ira de Deus Pai! E só ficou pequena espuma, Foi menos para provar do que mostrar Que amargos copos lhes seriam devidos: Os copos que ele por vocês tomou (Herrick). A escuridão de tristeza tem muitas vezes se revelado apenas "a sombra da asa de Deus quando ele se aproximou para abençoar." Não podemos ter chuvas fertilizadoras na terra sem um céu nublado. É assim com as nossas provações. Ó, Senhor, dá-me qualquer coisa exceto teu olhar de censura, e dá-me qualquer coisa com teu sorriso (R. Cecil). Um pastor erudito, assistindo a um ancião cristão em vida humilde, quando estava em sua última enfermidade, observou que a passagem em Hebreus 13.5, "Nunca o deixarei; nunca o desampararei", era muito mais enfática na língua original do que em nossa tradução, por conter não menos que cinco negativas em prova da validade da promessa divina, e não meramente duas, como aparece na versão em inglês (ou português). A resposta do homem foi muito simples e impressionante. "Não duvido, senhor, que você tenha toda a razão, mas eu lhe posso assegurar que se Deus tivesse falado apenas uma vez, eu teria acreditado nele do mesmo modo."


25. A NUVEM DE POMBOS "Quem são estes que voam como nuvens, que voam como pombas para os seus ninhos? (Isaías 60.8).

Nos dias em que o Senhor visitará sua igreja, multidões virão procurá-lo. É uma grande bênção quando fazem isso; uma razão para louvor admirador. Virão de longe para aprender sobre Jesus, voando em linha reta, como pombos quando retornam a seus lares. Jesus é a grande atração, e quando ele é fielmente erguido, homens se apressarão a buscá-lo, voando como nuvens seguidas de uma ventania. Contudo, muitos ficarão surpresos com a cena e eles vão fazer perguntas como as que seguem.

I. QUEM SÃO ESTES CONVERTIDOS QUE SOMAM EM TANTOS? "Como uma nuvem"? As respostas são muitas e fáceis. 1. Os pecadores não são muitos? 2. A redenção de Cristo não é grande? 3. As bênçãos dele não são atraentes? 4. Satanás terá a preeminência em números no final? Não podemos pensar que será assim. 5. O espírito de Deus não é capaz de atrair muitos? 6. O céu não é grande e não há espaço para multidões de almas? Naturalistas nos contam de vastas nuvens de pombos na América. Ah, como será ver uma nuvem assim de convertidos!

II. QUEM SÃO AQUELES QUE DEVEM VOAR? Por que essa pressa ansiosa que faz com que pareçam pombos quando voltam ao seu pombal? Isso também é claro: 1. Estão em grande perigo.


2. Seu tempo é muito curto. 3. São impulsionados por um grande vento. O espírito, como um ar celestial, impele as almas a buscar salvação. 4. São movidos por um forte desejo: têm uma grande fome de chegarem ao lar, onde serão alimentados e abrigados. Pombos voam em linha reta, rapidamente, certeiramente. Não se demoram no caminho, mas se apressam ao lar.

III. QUEM SÃO ELES QUE VOAM JUNTOS? Eles voam em bando tão grande que parecem ser uma nuvem: por que isso ocorre? 1. Eles estão todos em perigo comum. 2. Eles não têm tempo de brigar enquanto buscam segurança. 3. Eles têm um objetivo em comum: buscam um Salvador. 4. Eles são assoprados pelo mesmo vento celeste. O espírito opera em cada um de acordo com a própria vontade dele. 5. Eles acham conforto na sociedade mútua. 6. Eles esperam viver juntos para sempre lá em cima.

IV. QUEM SÃO ELES QUE VOAM ASSIM? Eles são pombos, e assim chegam às suas casas costumeiras nas fendas da rocha ou ao pombal. 1. Buscando segurança em Jesus, dos falcões que os perseguem. 2. Desejando descanso no seu amor, por estarem cansados e sem encontrar outro descanso para os seus pés. 3. Encontrando um lar no coração dele. Andorinhas vão para outra casa no inverno, mas santos habitam em Cristo para sempre. 4. Seus companheiros estão lá: pombos se congregam, e também pecadores salvos amam a comunhão de uns com os outros. 5. Seus filhotes estão lá. "A andorinha achou um ninho para si, para abrigar os seus filhotes" (Sl 84.3). Crentes amam ter seus filhos abrigados em Cristo. 6. Sua comida está lá. Onde mais podemos achar alimento?


7. Seu todo está lá. Cristo é tudo.

V. MAS QUEM SÃO ELES INDIVIDUALMENTE? 1. Alguns são nossos próprios filhos. 2. Alguns são da escola dominical. 3. Alguns são velhos ouvintes, que ficaram endurecidos ao evangelho. 4. Alguns são estranhos, gente de fora. 5. Alguns são apóstatas retornando. 6. Alguns são aqueles a quem buscamos com oração e conversa pessoal. Querido ouvinte, você é um deles? Você não tem motivo para voar fugindo da ira que virá? Voe primeiro para Jesus e, então, sem demora apresse-se para a igreja dele.

PENAS Este texto tem sido bem ilustrado por Morier. "Nas cercanias da cidade (Ispahan), para o oeste, perto de Zainderrood, há muitas casas de pombos construídas a certa distância das casas de moradia. São torres grandes, redondas, um pouco maiores embaixo do que no alto, e coroadas por espirais cônicas, pelas quais os pombos descem. O interior se parece com uma colméia das abelhas, furado com mil buraquinhos, cada um dos quais forma um pequeno retiro confortável para um ninho. Os vôos extraordinários de pombos, que eu já vi em cima de um desses edifícios, são uma boa ilustração do versículo. O grande número e a massa compacta deles, literalmente, parecem com uma nuvem a distância e obscurecem o sol quando passam. O que dá um valor adicional a essa ilustração é a probabilidade de que casas de pombos similares estavam em uso entre os hebreus, pois certamente eram usados entre seus vizinhos egípcios (Bíblia Ilustrada de Kitto). Os filhos de Deus amam a comunidade e a comunhão de um com o outro, para que possam mutuamente ser consolados e edificados na fé: "eles voam como uma nuvem, e como pombos para suas janelas", isto é, para a casa ou igreja de Deus (Benjamin Keach). Aqueles que são fracos querem suprimento e suporte de outros. A natureza ensina esta lição. As criaturas mais fracas dentre peixes, ou aves, ou mamíferos, geralmente andam em revoadas ou bandos (G. Swinnock). Pássaros de plumagem igual voam juntos ("cada qual com seu igual"). Todos sabem que grandes bandos de pombos se reúnem quando bate a hora o grande relógio da praça de São Marcos, em Veneza. Creia-me, não é a música do sino que os


atrai, eles podem ouvir isso a cada hora. Eles vêm, sr. pregador, por comida, e nenhum outro som os reúne por muito tempo. Esta é uma dica para a sua casa de cultos; precisa ser feito, não meramente por aquela voz bela como o sino que você tem, mas por toda a vizinhança estar assegurada de que comida espiritual está disponível quando você abre a boca. A cevada para pombos, meu senhor; e o evangelho para homens e mulheres. Tente isso sinceramente, e você não pode errar; logo você estará dizendo: "Quem são aqueles que voam como nuvem, e como pombos para suas janelas?" (Do livro Penas para flechas, C. H. Spurgeon). Na revista Nature, um escritor declarou que as aves pequenas, que são incapazes de atravessar em seu vôo os mais de 500 quilômetros para cruzar o mar Mediterrâneo, são carregadas de um lado ao outro nas costas de aves maiores, como o grou ou pelicano azul. Quando os primeiros dias de frio chegam, essas aves voam baixo, dando um grito peculiar. Pequenos pássaros de todas as espécies voam até eles, enquanto o pipilar daqueles já acomodados pode ser ouvido distintamente. Se não fosse por essa providência, muitas espécies de pássaros pequenos seriam extintos. Assim, também, muitos convertidos que são novos e fracos precisam de muita assistência para buscar Cristo. Aqueles que são fortes devem ajudar os mais fracos em seu vôo espiritual.

26. INTERROGAÇÃO E EXCLAMAÇÃO Eu mesmo disse: "Com que alegria eu a trataria como se tratam filhos e lhe daria uma terra aprazível, a mais bela herança entre as nações! Pensei que eu lhe chamaria de Pai, e que não deixaria de seguir-me (Jeremias 3.19).

O homem pensa levianamente sobre o pecado, mas não o Senhor. O homem pensa levianamente sobre a graça, mas não é assim o Senhor. O homem esbanja ou menospreza no que Deus admira-se. O homem esquece no que Deus considera. O texto pode ser visto como escrito com um tom de interrogação (?) ou um ar de exclamação (!). Vamos tratar dele mais ou menos desta maneira.

I. AQUI ESTÁ UMA PERGUNTA DIFÍCIL. Muitas perguntas complicadas estão envolvidas nisso. 1. Quanto ao Senhor santo. "Como eu porei a ti entre as crianças?" Como, para ser coerente com justiça e pureza, vai o Santíssimo colocar na sua família pessoas de tal caráter? Elas já menosprezaram, abandonaram, rejeitaram e insultaram o seu Deus e será que ele pode tratá-los como se tivessem amado e obedecido? 2. Quanto à pessoa não santa: "Como vou pôr você entre as crianças?" Você será adotado depois de ser:


- Um rebelde tão afeito à maldade travessa, intencionalmente desobedecendo? - Um pecador tão descarado, tão presunçoso, tão obstinado? - Um desesperado tão libertino, profano e perseguidor? - Um criminoso "já condenado" por tua descrença? Tais pessoas obtêm misericórdia sim, mas como o fazem? 3. Quanto à família: "Como vou colocar-te entre as crianças?" - O que as crianças dirão? "Um ótimo irmão, com certeza? - O que o mundo dirá? Será que algum observador não vai exclamar: "Veja que tipo de gente é recebida na família de Deus! Não poderá até parecer estar agindo levianamente com a iniqüidade? Será que os maus esperam por impunidade em seu pecar? - O que eu mesmo posso dizer para justificar tal procedimento? Como farei para que isso pareça ser o ato do Juiz de toda a terra? 4. Quanto à herança: "e lhe daria uma terra aprazível, uma bela herança?" Isso não é bom demais para tais? -Você terá paz e felicidade aqui em baixo? - Você terá tudo que minhas crianças estimadas apreciam? - Você será recebido no céu? É uma pergunta em que ninguém pensou, a não ser o Senhor. Ele mesmo respondeu à pergunta ou então não seria possível dar-lhe uma resposta. II. AQUI ESTÁ UMA RESPOSTA MARAVILHOSA. 1. É do próprio Deus e, portanto, é uma resposta perfeita. 2. Está no estilo divino: "Tu irás" e "tu não irás". A onipotência fala, e a graça revela seu caráter incondicional. 3. Diz respeito a uma obra divina. Deus mesmo põe pecadores entre seus filhos, e ninguém além dele pode fazer isso. - O Senhor infunde um novo espírito - um espírito filial. - Este espírito se expressa por um novo chamado: "Meu Pai". - Isso cria novos elos: "e não deixará de seguir-me". 4. É eficaz para o seu propósito. - Aqueles que clamam com vontade "Meu Pai" podem seguramente ser colocados entre os filhos. - Aqueles que não se desviam de seu pai devem ser filhos.


Servos se vão, mas filhos permanecem. Assim, a sabedoria de nosso gracioso Deus, por regeneração e adoção, responde à pergunta difícil. III. AQUI, SEM DÚVIDA, ESTÁ UM PRIVILÉGIO INCOM-PARÁVEL. Nós estamos colocados entre os filhos. 1. Somos realmente feitos filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo. 2. Somos tão amados como os filhos. 3. Somos tratados como os filhos. - Somos perdoados como um pai perdoa seus filhos. - Somos vestidos, alimentados e abrigados como filhos. - Somos ensinados, governados e disciplinados como filhos. - Somos honrados e enriquecidos como filhos. 4. Somos colocados sob obrigações filiais: Para amar, honrar, obedecer e servir ao nosso Pai. Isso deve ser visto como uma honra elevada, e não como um peso. Vamos admirar a graça que nos coloca na família. Vamos apreciar os privilégios que isso proporciona. Vamos agir como filhos amorosos devem agir.

CITAÇÕES Deus até parece, como se fosse possível, estar em uma sinuca. "Como agirei para salvar estes pecadores e não me causar danos?" Isso deve nos humilhar grandemente por nossos pecados. É como se uma criança fizesse muita maldade e se colocasse em grandes apuros, de modo que se seu amoroso pai a ajudasse, ele próprio seria colocado em grandes dificuldades; ele está se esforçando ao máximo para laboriosamente estudar como ele para salvar seu pobre filho tolo de ruína. Ora, se o filho possui sinceridade, ele não pensará, "A ansiedade de meu pai não importa muito, contanto que eu me livre", mas ele clamará. "Ai, que isso partirá meu coração! A que problemas eu levei para meu pai! Não agüento nem pensar!" Assim deve ser conosco em relação ao nosso Deus, que neste texto fala de acordo com a maneira dos homens (Jeremiah Burroughs). No século II, Celso, um celebrado adversário do cristianismo, torcendo as palavras de nosso Senhor, reclamou: "Jesus Cristo veio ao mundo para fazer a sociedade mais horrível, porque ele chama os pecadores, e não os justos, de modo que o corpo que ele veio para reunir é um corpo de devassos, separados das pessoas boas, entre quem eles antes estavam misturados. Ele rejeitou todos os bons e coletou todos os maus." "Verdade", disse Orígenes, em resposta, "nosso Jesus veio para chamar pecadores - mas para o arrependimento. Ele reuniu os maus - mas para convertê-los em homens novos,


ou melhor, para fazer deles anjos. Nós chegamos a ele cobiçosos, ele nos torna liberais; sensuais, ele nos faz puros; violentos, ele nos faz mansos; ímpios, ele nos torna religiosos." Regeneração não é uma mudança da velha natureza, e sim uma introdução de uma nova natureza. Não "Ismael mudou", e sim "Isaque nasceu?" é o filho da promessa. Quando Deus adota, ele unge; a quem ele faz filhos, ele faz santos (Watson). Um de meus paroquianos em East Hampton, convertido depois de ter vivido, através de três ou quatro avivamentos, até a idade de cinqüenta anos, e tendo perdido a esperança, costumava exclamar durante várias semanas depois de sua mudança: "Sou eu? Será que sou o mesmo homem que pensava que era tão difícil ser convertido, e meu caso tão sem esperança? É mesmo? Ah, é maravilhoso!" (Dr. Lyman Beecher).

27. ARREPENDIMENTO INDIVIDUAL Converta-se cada um de seu mau procedimento e corrija a sua conduta e as suas ações (Jeremias 18.11).

Esta é a voz da misericórdia, preocupada com cada indivíduo. Justiça poderia matar o pecador no seu pecado; mas misericórdia mataria o pecado e pouparia o pecador. Contudo, é a voz da santidade, oposta ao mau caminho especial de cada homem; e reivindicando de cada homem uma vida aceitável. O Senhor Jesus não veio ser o ministro do pecado, mas o destruidor dele. Ouçamos cada um para si mesmo nesta ocasião, pois não será que temos, cada um de nós, algum caminho mau? É a voz de Jeová, e com respeito à sua mensagem nós perguntamos:

I. O QUÊ? "Retorne." Isso inclui três coisas. 1. Parem! Fiquem de pé. Não dêem nem um passo adiante nesse mau caminho. 2. Dêem meia-volta! Virem-se na direção de Deus, da santidade, do céu.


3. Voltem depressa! Andem no caminho certo e continuem na direção certa que é o inverso da direção atual.

II. QUANDO? "Retornem agora." 1. Cada passo aumenta mais o caminho para retornar. 2. Cada passo deixa o retorno mais difícil. 3. Andar mais adiante será libertino e proposital, uma rejeição arrogante do aviso que é agora dado tão sinceramente. 4. Pode ser que vocês nunca mais tenham a oportunidade de retornar. - Não há nada certo sobre a vida a não ser a sua incerteza. - Alegria está sendo perdida por essa procrastinação; você está perdendo paz de espírito atual. - Deus é roubado da prestação de serviço a ele, e vocês não podem consertar a perda. - O homem está sendo prejudicado pelo seu exemplo. Cada razão roga pelo agora, mas pela demora não há desculpa.

III. QUEM? "Converta-se agora cada um." É necessário que o chamado seja pessoal a cada ouvinte, pois: 1. Cada homem tem seu modo particular de pecar. 2. Cada homem é capaz de pensar mais no pecado de seu próximo do que no dele. 3. Cada homem precisa de um chamado especial para decidir retornar. 4. Cada homem é agora convidado amorosamente para retornar.

IV. DO QUÊ? "Do seu mau procedimento." "Cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho" (Is 53.6).


Este caminho próprio do qual você deve retornar é: - Seu pecado pessoal. - Seu pecado constituinte. - Seu pecado mais freqüente. Para muitos, será importante poder descobrir 1. É aquele para o qual você é mais facilmente levado.

este

pecado

predileto.

2. É aquele no qual você mais tem cedido. 3. É aquele sobre o qual você fica mais irritado se lhe chamam a atenção sobre ele. Preciosos pecados não podem ser tocados, ou seus amados amigos ficam zangados. 4. É aquele pelo qual você desiste de outros pecados; uma pessoa cobiçosa não será extravagante, um hipócrita se negará. 5. É aquilo do que você mais detesta ter que se separar. 6. É aquilo com o que você gasta mais dinheiro, energia. Para um pecado querido cada pessoa precisa se voltar.

V. PARA O QUÊ? "Corrija a sua conduta e as suas ações." Religião negativa não é suficiente, precisa haver bondade positiva. 1. Seus hábitos ou modos gerais precisam ser tornados bons como um todo. 2. Seus caminhos em referência a você mesmo. 3. Seus feitos tanto para com Deus como para o homem. Exame pessoal é de importância suprema. Arrependimento prático é uma necessidade absoluta. Mas quão difícil é o caminho do retorno! Ir para o pecado é fácil, mas encontrar os passos que tragam você de volta, essa é a batalha, este é o trabalho. Só pela fé no Senhor Jesus isso pode ser realizado, um olhar à sua cruz cria mais arrependimento do que qualquer outra coisa no mundo. Para aqueles que crêem em Jesus, ele mandará o Espírito Santo para conduzi-los no caminho eterno.

EXPLICATIVO Há duas coisas apropriadas a um homem que retorna: primeiro, ir num caminho completamente contrário ao caminho pelo qual andou antes; segundo, pisar e apagar seus passos anteriores: --Primeiro, eu digo, ele precisa ir por um caminho completamente contrário ao seu caminho anterior. Muitos homens pensam que o caminho ao inferno é só um pouquinho fora do caminho para o céu, para que um homem em pouco tempo, com pouca dificuldade, possa passar de um para o outro; mas estes estão muito enganados: porque assim como o pecado é mais do que um passo para o lado, a saber, uma planície, um afastamento direto de Deus; assim o arrependimento,


ou o deixar do pecado, é mais do que um pequeno deslize de um modo para outro. Cruzamentos não servirão; não há caminho, da estrada do pecado para o lugar que buscamos, a não ser uma volta bem para trás no caminho em que viemos. O caminho do prazer no pecado precisa ser mudado em tristeza pelo pecado. Aquele que tem supersticiosamente adorado a falsos deuses precisa agora servir ao verdadeiro com igual devoção; a língua que já disse blasfêmias precisa com a mesma freqüência fazer soar o nome de Deus em oração e ações de graças; o homem cobiçoso precisa se tornar liberal, o opressor dos pobres deve ser igualmente caridoso para aliviá-los, o caluniador de seu irmão se tornar um terno guardador do bom nome; enfim, aquele que odiava seu irmão antes precisa agora amá-lo tão ternamente como ama a si próprio (Joseph Mede). "Agora", você resolveu, "daqui em diante, vou cuidar disso melhor do que cuidei no passado." Mas ai! esta vontade para o futuro não é vontade! Primeiro, porque é só um afastar a boa vontade do presente. O coração não está disposto a obedecer, e portanto, adia o mandamento para o futuro, não por qualquer desejo que tenha de fazer isso no futuro, mas só porque não está disposto a fazê-lo no presente; como um homem que está indisposto a emprestar. "Eu emprestarei isso mais tarde", ele diz, só porque gostaria de livrar-se de qualquer empréstimo que fosse. Em segundo lugar, esta vontade para o depois não é nenhuma vontade, porque ela está fora da vontade de Deus. A vontade de Deus é agora; a sua é futuramente. "Aquele que não faz quando pode, quando quer receberá "não". Cuide para que quando você quiser ser perdoado, e gritar, "Senhor, abre para mim," que você não descubra ter chegado tarde demais (William Fenner). Na Índia, um missionário, dirigindo-se às pessoas do país sobre a questão do pecado, perguntou: "O que dizem seus próprios líderes hindus? 'Eu um pecador, você um pecador, pecadores cada um do rol, Sem pecado - nenhum achado que habite sob o sol.' (1) Aquele que não deixa todo o pecado; (2) Aquele que deixa o pecado só externamente; (3) Aquele que deixa o pecado porque ele não pode cometê-lo; (4) Aquele que deixa o pecado por causa de respeitos sinistros; (5) Aquele que deixa um pecado por outro; (6) Aquele que deixa o pecado apenas por um tempo; (7) Aquele que deixa o pecado, mas não tenta subjugá-lo; (8) Aquele que se volta do pecado de modo a não voltar a Deus - não têm tido arrependimento completo (Clarkson). Muitos matariam a cobra, e poupariam a víbora; como em Hudibras, eles "Ajustam por pecados a que são inclinados, Condenando aqueles que não são cogitados."


28. MEMÓRIAS SAGRADAS Lembrem-se de Jerusalém (Jeremias 51.50).

Os cativos na Babilônia são encarregados de se lembrarem de Jerusalém: - Porque o templo de seu Deus estava lá. - Para evitar que eles se estabelecessem em Jerusalém. - Para fazê-los suspirar pela cidade santa, e - Para os conservar preparados para voltar a ela. Há razões igualmente boas para nós nos lembrarmos da Nova Jerusalém. Somos muito inclinados a esquecer nossa cidadania espiritual e, então, vamos meditar sobre o nosso texto sob dois aspectos.

I. HÁ UMA JERUSALÉM AQUI EMBAIXO QUE DEVE ENTRAR EM NOSSA MENTE. A igreja do Deus vivo é a nossa cidade santa, a cidade do Grande Rei, e nós devemos têla em mente: 1. Para nos unirmos com seus cidadãos. Nós nos uniríamos a eles em profissão de fé aberta em Cristo, em amor cristão e auxílio mútuo, em serviço santo, culto, comunhão. 2. Para orar por sua prosperidade. Sempre que está bem conosco em oração, devemos deixar a causa de Deus estar em nossa mente. Nossa janela, como a de Daniel, deve estar aberta em direção a Jerusalém. 3. Para trabalhar pelo seu progresso. Devemos lembrar dele na distribuição de nosso dinheiro, no uso de nosso tempo, no emprego de nossos talentos, no exercício de nossa influência. 4. Para preferir os privilégios dela acima do ganho nessa vida. Devemos considerar esses privilégios na escolha de nossa residência, ocupação. Para muitos professores, este é um assunto pequeno. 5. Para atuar coerentemente com o seu caráter sagrado. Não devemos desonrar o lugar de nossa cidadania. O povo de Deus não pode degradar seu nome e causa vivendo no pecado.


6. Para lamentar seus declínios e transgressões. Lembre-se de como o nosso Senhor chorou sobre Jerusalém, e Paulo chorou pelos inimigos nas igrejas (Lucas 19.41; Fp 3.18). Ah, que todos os cristãos tivessem interesse bem mais profundo na igreja de Deus! Era bom se em todas as nossas alegrias e tristezas a causa de Deus estivesse entretecida como um fio de linha de ouro. Não é bom patriota aquele que se esquece de seu país, e não é cristão quem não leva a igreja no seu coração.

II. HÁ UMA JERUSALÉM CELESTE QUE DEVERIA VIR À NOSSA MENTE. 1. Que os pensamentos do crente possam ir lá freqüentemente, porque Jesus está lá, nossos irmãos que já partiram estão lá, nosso próprio lar está lá, e para lá nossas esperanças e desejos sempre devem se inclinar. Deveria estar em nossas mentes: - Em nossos prazeres mundanos, para que não nos tornemos mundanos. - Em nossas tribulações diárias, para que não fiquemos abandonados. - Em nossas associações, para que não idolatremos amizades atuais. - Em nossas perdas por morte, para que não nos angustiemos demais. - Na velhice, para que estejamos de vigia para a ida ao lar. - Na morte, para que visões de glória possam abrilhantar nossas últimas horas. - Em todos os tempos, para que nossa conversação possa estar no céu. 2. Deixe que os não convertidos permitam que tais pensamentos venham em sua mente, pois eles podem bem indagar a si mesmos: - E se eu nunca entrar no céu? - Será que nunca mais vou me encontrar de novo com meus parentes crentes? - Onde então eu precisarei ir? - Posso esperar que minha vida presente vá me conduzir ao céu? - Por que não estou tomando o caminho certo? - Incrédulos perecem: por que eu sou um deles? Eu quero perecer? - Como posso esperar poder entrar no céu se eu nem ao menos penso sobre isso ou sobre o Senhor que reina lá? Esses pensamentos vão vir às nossas mentes se permitirmos.


Será que não vamos abrir a porta de nossa mente de imediato e deixar que os visitantes celestiais entrem e fiquem?

LEMBRETES O amor profundo dos judeus por sua pátria e seu infalível desejo de retornar a ela são demonstrados em uma maneira comovente no dia de reconciliação, que ainda é observado por eles com grande solenidade. As cerimônias religiosas do dia terminam com o grito de imploração, "quando o próximo ano vier, que todos nós estejamos em Jerusalém"! Nós quase poderíamos fazer nossa esta oração quando pensamos na "Jerusalém lá em cima". Tenho procurado estabelecer entre nós os grupos chamados "Aarão e Suas Sociedades", isto é, pequenas coleções de quatro ou cinco ou mais pessoas, que se reúnem antes do culto no domingo de manhã, para passar uma hora em oração por uma bênção com o ministro e as ordenanças. Eles começaram no Dia de Ano Novo, e nós parecíamos receber uma resposta imediata, pois o culto foi incomumente solene, e nós temos razão para esperar que a palavra não foi pregada em vão (Dr. Payson). Minha alma ainda ora por Sião, Enquanto vida ou fôlego durar; Lá meus amigos semelhantes moram; Lá Deus meu Salvador está a reinar (Watts). A igreja de Deus deve vir a nossa mente tão espontaneamente como a lembrança de nossa esposa ou mãe. Quando olhamos o mapa de qualquer país, devemos pensar em como a causa de Deus prospera naquela região. Se obtemos um lucro nos negócios, um de nossos primeiros pensamentos deveria ser: "agora eu posso fazer algo mais pela obra do Senhor." Quando o jornal é lido, deveria ser em relação ao progresso do reino de Deus. Esta única coisa deveria dar cor a todas as outras coisas com sua própria cor, e atrair todos os outros pensamentos em sua rede. A causa de Cristo deverá ser um sorvedouro que absorve a tudo mais, para o qual todos os nossos pensamentos e atividades deveriam ser atraídos. Um homem de uma só idéia vê o universo à luz dela, e o que ama a igreja de Deus de todo o seu coração fará o mesmo. Como podemos nós dizer, "Senhor, lembre-se de mim" a Cristo no céu, se não lembramos de sua igreja na terra? Pode ser um pecado ansiar pela morte, mas tenho certeza de que não é nenhum pecado ansiar pelo céu (Matthew Henry). Abençoados são aqueles que têm saudades do lar, porque eles chegarão por fim à casa do Pai (Heinrich Stillings). John Eliot estava certa vez fazendo uma visita a um comerciante e encontrando-o em seu escritório de contabilidade, onde viu livros de negócios na mesa, e todos os livros devocionais na prateleira, ele lhe disse: "Senhor, aqui está a terra na mesa, e o céu na prateleira. Por favor, não pense tanto na mesa a ponto de esquecer por completo a prateleira."


Aqui me sento o dia todo com o semblante da igreja diante de mim, e a passagem, "Por que tens tu feito todos os filhos dos homens em vão?" Que horrível forma da ira de Deus é aquele abominável reino do anticristo romano! Eu detesto minha própria dureza de coração por eu não estar dissolvido em lágrimas, e porque eu não choro fontes de lágrimas pelos filhos mortos de meu povo. Mas será que não há ninguém para se levantar, e apegar-se a Deus, e fazer de si um muro para a casa de Israel neste dia final de sua ira? Deus tenha piedade de nós! Pelo que, seja você nesse momento imediato como ministro da palavra e fortifique os muros e torres de Jerusalém enquanto eles não lhe atacarem (De uma carta a Melancthon, escrita por Lutero, no Castelo de Wartburg).

29. PÂNTANOS Mas os charcos e os pântanos não ficarão saneados; serão deixados para o sal (Ezequiel 47.11).

O profeta viu em visão o fluir do rio doador de vida e destacou seus efeitos maravilhosos e benéficos. Que o capítulo seja lido e um breve resumo dele seja dado. O profeta também observou que aqui e ali o rio não levava bênção: havia pântanos que permaneciam sempre improdutivos.

I. HÁ ALGUNS HOMENS QUE O EVANGELHO NÃO ABENÇOA. 1. Fica estagnado neles: eles escutam em vão, aprendem, mas não praticam; sentem, mas não decidem, resolvem, mas não põem em prática. 2. Ele se mistura com suas corrupções, como água limpa com a lama. Eles enxergam com olho cego, entendem de uma maneira carnal e recebem a verdade, mas não o poder dela. 3. Ele torna-se alimento para seus pecados, assim como capim malcheiroso é produzido em águas paradas de lugares lodosos. - Sua descrença transforma mistérios em pretextos para infidelidade. - Sua inimizade é atiçada pela soberania da graça. - Sua impenitência toma liberdades com a graça, e tira desculpas de misericórdia divina. - Sua segurança carnal se alimenta do fato de ter ouvido o evangelho.


4. Torna-os cada vez piores. Quanto mais chuva, mais lama. - Quanto mais graça usada mal, tanto mais mau o coração. - Quanto mais conhecimento não-santificado, maior a capacidade para o mal. - Quanto maior número de profissões falsas, mais deslealdade.

II. ALGUMAS DESTAS COISAS NÓS JÁ SABÍAMOS. Estes pântanos não estão a grande distância. Constituem algo feio para ser visto e uma dor bem próxima ao coração. 1. O homem muito falante, que vive em pecado, é alagado de conhecimento, mas destituído de amor; tem expressão fluente, mas nenhuma experiência. 2. Os críticos que notam só os defeitos dos cristãos, e são rápidos para estender-se a respeito, são eles mesmos falsos. 3. Aqueles que recebem verdade ortodoxa, mas ainda assim amam o mundo. 4. Aqueles que ficam impressionados e comovidos, mas nunca obedecem à palavra. Têm prazer em ouvir o evangelho, e só o evangelho, contudo, não têm nenhuma vida espiritual.

III. TAIS PESSOAS ESTÃO EM SITUAÇÃO TERRÍVEL. Sua condição é mais do que comumente terrível. 1. Porque não estão apercebidas dela: pensam que tudo está bem com eles. 2. Porque os meios comuns de abençoar os homens falharam no seu caso. Aquilo que é um rio de vida para os outros não é isso para eles. 3. Em alguns casos os melhores meios falharam. Um rio especial de oportunidade graciosa fluiu até eles, mas seus rios os visitaram em vão. 4. Não há meios conhecidos que ainda lhe restem. "Que farei para ti?" Que mais pode ser esperado da economia da misericórdia? 5. Sua ruína parece certa: serão entregues, se deixados por conta própria, para serem charcos. 6. Sua ruína é tão terrível como certa: como aquela das cidades da planície - entregues ao sal; só que seu destino será menos tolerável do que o de Sodoma e Gomorra.


IV. COM ESTES NÓS PODEMOS APRENDER. 1. Uma lição de advertência, para que nós mesmos não sejamos visivelmente visitados por rios de graça sem nunca tirar proveito disso. 2. Uma lição de despertamento, para não descansarmos em regulamentos, que em si não são necessariamente uma bênção salvadora. 3. Uma lição de gratidão: se nós somos mesmo curados pelo rio da vida, vamos bendizer a graça efetiva do Senhor nosso Deus. 4. Uma lição de aceleração para pastores e outros obreiros, para que olhem bem pelos resultados de seu trabalho, e não façam pântanos onde desejam criar campos ricos para a ceifa.

A RESPEITO Ninguém parece menos provável de ser salvo do que seus descrentes religiosos. Eles vestem uma armadura de provas. Você não consegue dizer-lhes nada de novo e marcante, a cabeça deles está sempre protegida com capacetes de conhecimento religioso; você não pode tocar seus corações, pois embaraçam sempre o escudo do endurecimento do evangelho. Eles fazem mesura a toda verdade e, contudo, não crêem em nada; dão atenção a toda observância religiosa, mas não têm religião. Nenhuma armadura tem a metade da eficácia para repelir os ataques da verdade como aquela forjada nos arsenais da religião. Tenho mais esperança de um que se diz pagão do que de um ouvinte que está precavido contra o evangelho (C. H.). Ou as águas não chegaram a estes pântanos, ou se chegaram, estes as recusaram, e assim foi-lhes dado sal, foram feitos como Sodoma, estéreis e amaldiçoados. Alguns lugares não têm as águas do santuário, a doutrina do evangelho, e são áridos, e perecem por falta dessas, como Tiro e Sidom. Outros lugares as têm, e porque são impenitentes e não querem receber a verdade com o amor dela, porque não beberão nestas águas, são, pois, entregues ao sal, são improdutivos e amaldiçoados. Assim foi com Cafarnaum e Jerusalém (Mt 11.23; 23.37-38); e assim é com muitos lugares nesta nação, temo eu (William Greenhill). Certas pessoas são encontradas em reuniões de avivamento e são as primeiras a entrar na sala de consulta após o sermão, mas quando se pergunta sobre o seu histórico descobre-se que são velhos praticantes e passaram por conversão muitas vezes antes. São a praga e a desgraça de um despertamento religioso. Facilmente comovidas, sua própria piedade é uma falsidade: elas não são hipócritas exatamente, mas há tão pouca profundidade nelas que estão na porta vizinha. Soubemos de uma delas que tinha sido curada de coxeadura, dizia ela, mas, depois de poucos dias, tornou a pegar as muletas e assim lançou grave dúvida sobre aquele confesso curador. É dessa forma que esses convertidos ordinários levantam um clamor contra movimentos admiráveis. São pessoas que nem o evangelho abençoam - pântanos, que nem o rio da vida fertiliza.


Quem é o homem mais triste do mundo e onde vamos procurá-lo? Não no botequim, não no teatro pornô, nem mesmo no bordel, mas sim na igreja! Aquele homem que se sentou domingo após domingo, sob os chamados do despertamento e emoção do evangelho, e que endureceu seu coração contra esses chamados, ele é o homem cuja condição é a mais desesperada de todos. "Ai de Corazim! ai de ti, Betsáida" E tu, Cafarnaum, que és exaltado até o céu, "descerás até o inferno" (Richard Cecil). As pessoas que falavam latim costumavam dizer: "A corrupção daquilo que há de melhor é a pior de todas as coisas." De todas as combinações de fraqueza e depravação humana, a mais repulsiva é uma fogueira de beatice religiosa, que é toda emoção e nada de princípios, toda conversa e nada de caráter, toda de oração e nada de vida, toda domingos e nenhum dia de semana. Sepulcros caiados! (Mt 23.27) "Geração de víboras." Os mais santos dos homens se unem ao clamor indignado do mundo contra tal hipocrisia nauseante. Um pedido sábio e sempre oportuno da Igreja Anglicana. "Da falsidade do mundo, das artes do diabo, bom Senhor, livra-nos!" (Austin Phelps).

30. CAMINHOS ESTRANHOS DO AMOR Portanto, agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e falar-lhe com carinho (Oséias 2.14).

Na primeira parte do capítulo, encontramos palavras de acusação e ameaça dirigidas com grande justiça contra uma nação culpável. Nesta segunda parte, chegamos a um trecho todo de graça. A pessoa com quem se trata é a mesma, mas ela é tratada sob uma outra dispensação, o próprio pacto da graça do qual achamos um sumário no versículo 23. Deus, pretendendo tratar com seu povo pecador em amor, fala palavras que são do mais extraordinário conteúdo.

I. AQUI ESTÁ, PARA SEUS ATOS DE AMOR, UMA RAZÃO ALÉM DE TODA RAZÃO. O texto começa com "portanto". Deus sempre tem uma razão. O contexto descreve o pecado mais baixo, e como poderia Deus achar uma razão ali? 1. Deus encontra uma razão para a graça onde não há nenhuma. Que outro motivo ele tinha para abençoar Israel, ou qualquer um de nós? 2. Deus cria uma razão que supera quaisquer outras razões. Porque seu povo persistira em ser tão mau, ele demonstrará mais amor até que os ganhe de seus desvios.


3. Deus cria uma razão a favor partindo dos motivos contra. "Ela se esqueceu de mim, diz o Senhor. Portanto eu a atrairei." (Veja todos os versículos anteriores). O grande pecado que em si já é motivo para julgamento agora é por divina graça transformado em argumento a favor da misericórdia. 4. Deus justifica sua própria lógica com os homens por uma razão. De acordo com a margem, "Eu falarei ao coração dela", é a promessa do texto, e o Senhor dá um "portanto" por isso. Ele tem um motivo gracioso para arrazoar conosco em amor. A graça soberana de Deus havia escolhido seu povo, e seu amor imutável resolve ganhar este povo, portanto, ela se põe a realizar a obra.

II. ESTÁ AQUI UM MÉTODO DE PODER QUE VAI ALÉM DE TODO O PODER. "Eu a atrairei." 1. Atração de amor excede em poder a todas as outras forças. Parece que outros métodos tinham sido usados, tais como: - Aflição com sua sebe de espinheiros (v. 6). - Instrução com todas as suas aplicações práticas (v. 8). - Privação até mesmo de coisas necessárias (v. 9). - Exposição de pecado acima de toda negação. (v. 10). - Tristeza em cima de tristeza (v. 11 e 12). 2. A doce atração de ternura vence a vontade de resistir. - Assaltados, nós nos defendemos; atraídos, nós nos rendemos. 3. A atração da graça tem muitas armas de conquista. - A pessoa, a obra, os ofícios e o amor de Jesus levam os homens cativos. - A liberalidade e a abundância do perdão divino vencem a oposição. - A graça e a verdade do pacto desafiam a resistência. - A adoção e a herança tão graciosamente concedidas persuadem o coração com a força tremenda da gratidão. - A sensação de paz presente e a perspectiva de glória futura cativam nos acima de tudo.


III. AQUI HÁ UMA CONDIÇÃO DE COMPANHIA ALÉM DE TODAS AS COMPANHIAS. 1. Ela é feita para ser só. Livre de tentação, distração, ou companhia assistente. Todos os seus amantes longe dela. Sua esperança neles foi-se. 2. Sozinha com Deus. Ele se torna sua confiança, desejo, alvo, amor. 3. Só como no deserto. Ilustrado por Israel, que, no deserto, conheceu o Senhor como libertador, guia, guarda, luz, maná, médico, campeão, glória central e rei. 4. Só--com o mesmo objetivo como Israel, para treinamento, crescimento, iluminação e preparação para o descanso prometido: acima de tudo para que pudessem ser indivíduos separados especiais do próprio Senhor.

IV. AQUI ESTÁ UMA VOZ DE CONSOLO ALÉM DE TODO CONSOLO. "E falar-lhe com carinho" (OS 2.14). 1. Conforto real é dado a almas a sós com Deus. A fala divina é aplicada ao coração, e assim seu consolo é compreendido e apropriado, e efetivamente toca os afetos. 2. Consolo abundante é concedido, recebido e reconhecido: - Por gratidão renovada: "Ali ela me responderá como nos dias de sua infância" (ou "mocidade", v. 15, trad. Almeida). - Por um espírito mais confiante "você me chamará 'meu marido'" (v. 16). - Por uma paz estabelecida (v. 18). - Por uma revelação mais clara de vida eterna (v. 19 e 20). - Por um senso mais claro do futuro eterno e sua união-casamento de felicidade eterna; pois contrato de casamento prenuncia casamento. Agora que seja tudo isso conhecido e sentido, e nós estamos certos que o coração é ganho: não pode haver revolta depois disso. Que a oração de cada um de nós seja: Amor Celeste, domine meu coração, Quero ser conduzido em triunfo também, Atraído a viver para Deus apenas, No trono curvar-me submisso. Amém. Quando a livre graça de Deus pousa sobre seu objeto, muitas vezes solicita a alma à sua maneira peculiar: quer dizer que a graça namora e ganha por sua própria graciosidade,


conquista não por armas, mas por fascinação. Você já não observou uma mãe atraindo seu filho para que corra para o seu abraço com a promessa de um beijo? Você nunca ouviu os pássaros pequenos atraindo seus pares com canto extasiado? Você não conhece o caminho do amor pelo qual o amor ganha suas vitórias? Se conhece, você também entende por que a amada deve ser procurada no ermo para se falar com ela. O amor é acanhado, foge à multidão: a solidão é seu elemento. Quando uma alma é obrigada a ficar a sós com Deus, ela ouvirá muitas coisas que até então não podiam ser faladas a ela. Falar ao coração é reservado para a intimidade; não fica bem demonstrar os segredos da comunhão divina a um ajuntamento misto. Compreenda, portanto, ó solitário, porque você é obrigado a ser um solitário, e agora entregue o coração às seduções da graça soberana! (C. H. S.). Há alguns anos, um incidente comovente foi reportado em referência à ex-imperatriz Charlotte, uma princesa austríaca, cujo esposo foi por um curto tempo imperador do México. No ano de 1867, ele foi alvejado com um tiro pelos revolucionários. A imperatriz, em sua viúva infeliz, tornou-se vítima de loucura de melancolia, que seus médicos abandonaram todas as esperanças de cura. Como em casos semelhantes, ela voltou aos gostos e hábitos da infância, um dos quais foi uma paixão por flores, e ela passava a maioria de seu tempo com elas. A atração delas para a ex-imperatriz Charlotte foi manifesta de modo comovente (patético) na ocasião em que, tendo se evadido da vigília de seus atendentes, ela tinha fugido do castelo. Quando encontrada, soube-se que era impossível induzi-la a voltar, exceto pelo uso de meios que certamente a deixariam machucada. Um de seus médicos felizmente pensou em seu amor por flores e, mostrando-lhe as flores aos poucos, ela foi gradualmente atraída de volta para sua casa. Será que esta história não pode ser tomada como ilustração do modo como Deus atrai almas perambulantes de volta a si pelos convites e promessas do evangelho?

31. UM POVO QUE NÃO ERA POVO Tratarei com amor aquela que chamei "Não-amada", Direi àquele chamado "Não-meupovo": Você é meu povo, e ele dirá: "Tu és o meu Deus" (Oséias 2.23).

Como ele diz em Oséias, "Chamarei 'meu povo' a quem não é meu povo e chamarei 'minha amada' a quem não é minha amada" (Romanos 9.2526). Nós aceitamos a suprema autoridade da Escritura Sagrada: cada palavra dela é verdade para nós. Contudo, atribuímos peso especial a palavras que são a fala pessoal do Senhor Deus; como neste caso em que Deus é o orador na primeira pessoa. Ficamos ainda mais impressionados quando uma mensagem divina é repetida, como neste caso, em que Paulo escreve "Como ele diz em Oséias". Deus "diz" ainda o que disse há muito tempo.


Venham então, almas ansiosas, e ouçam a história da graça de Deus aos seus escolhidos, na esperança de que ele possa fazer o mesmo para vocês. Observe com atenção, com respeito às pessoas de Deus:

I. SEU ESTADO ORIGINAL: "Não-amados - não meu povo." 1. Eles não só não eram "amados", como eles foram expressamente renegados. Foi dito para eles, vocês não são povo meu. Sua reivindicação, se fizeram alguma, foi "negativada". - Este é o pior caso que pode haver: pior do que ser deixado sozinho. - É isso que a consciência, a providência e a Palavra de Deus parecem dizer para as pessoas que persistem em pecar. 2. Eles não tiveram nenhuma aprovação de Deus. - Eles não foram numerados com o povo dele. Não foram contados. - Eles não foram "amados" no sentido do amor de complacência, de satisfação. 3. Eles não tinham, no mais amplo sentido, obtido misericórdia. - Pois eles estavam sob julgamento providencial. - Esse julgamento não tinha se tornado uma bênção para eles. - Eles nem tinham procurado misericórdia. 4. Eles eram um povo que por enquanto: - Não tinha sentido nenhuma aplicação do sangue de Jesus. - Não conheceu nenhuma obra renovadora do Espírito. - Não tinha obtido nenhum alívio por meio de oração; talvez não tenham orado. - Não tem apreciado nenhum consolo das promessas. - Não tem conhecido nenhuma comunhão com Deus. - E não possui nenhuma esperança do céu ou preparação para ela. É uma descrição terrível, que inclui todos os não-salvos. Com certeza, é com respeito a estas pessoas que a promessa incondicional é feita no texto: "Eu os chamarei meu povo." Quem são estes será visto no devido tempo pelo seu arrependimento e fé, que


serão operados neles pelo Espírito de Deus. Existem essas pessoas, e esse fato é nosso encorajamento na pregação do evangelho, pois percebemos que nosso trabalho não será em vão. II. SUA NOVA CONDIÇÃO: "Chamarei meu povo." 1. Misericórdia é prometida: "[...] antes eram desobedientes a Deus mas agora receberam misericórdia, graças à desobediência deles" (Rm 11.30). Isso é absolutamente livre. 2. A revelação divina é pronunciada: "Eu direi, tu és o meu povo." - Isto é feito pelo Espírito de Deus no coração. - Isto é apoiado pelos tratamentos graciosos na vida. 3. Uma resposta entusiasta será dada: "eles dirão, Tu és o meu Deus." O Espírito Santo o levará a esta livre aceitação. - Como um todo, dirão isso com uma só voz. - Cada indivíduo o dirá para si no singular, "Tu". 4. Uma declaração de amor será feita: "Eu chamarei 'minha amada' a quem não era minha amada" (Rm 9.25). O amor será apreciado. 5. Isso será percebido por outros: "Eles serão chamados os filhos do Deus vivo." Sua semelhança com Deus fará com que sejam chamados os filhos de Deus, assim como os pacificadores em Mateus 5.9. Assim toda bênção será deles com certeza, pessoalmente, para sempre. Reflexões que surgem de tudo isso: - Não podemos desistir de ninguém como se não houvesse esperança, mesmo que sejam marcados por provas terríveis de não serem povo de Deus. - Ninguém pode desistir, nem em desespero. - A graça soberana é a última esperança dos caídos. - Que estes confiem em um Deus que é tão livremente gracioso, tão onipotente para salvar, tão resolvido a trazer para si aqueles que pareciam que até ele próprio havia rejeitado, a que todo mundo havia abandonado como não sendo povo de Deus.

ANOTAÇÕES "Você já ouviu o evangelho antes?" perguntou um senhor inglês, em Ningpo, a um chinês respeitável que não tinha visto em sua sala-missionária antes.


"Não", ele respondeu, "mas eu já o vi. Conheço um homem que era o terror de sua vizinhança. Se você lhe desse uma palavra dura, ele atirava em você, e amaldiçoava a você por dois dias e noites sem parar. Ele era tão perigoso como um animal feroz, e um mau fumador de ópio; mas quando a religião de Jesus o prendeu, ele ficou completamente mudado. Ele é calmo, moral, não fica mais zangado rapidamente e abandonou o ópio. Na verdade, o ensino é bom!" (Word and Work). Dará uma espécie de exaltação à felicidade do santo contemplar aquela fundura moral da qual ele foi tirado. Um homem à beira de um precipício, à noite, não pode vê-lo claramente; mas quando o dia amanhece, ele poderá ver o perigo do qual esteve próximo. Assim, o santo não pode, enquanto está na terra, conceber a profundidade do pecado do qual ele foi erguido, mas ele poderá medi-la pela luz do céu, e poderá voltar eras antes que chegue ao lugar onde ele um dia esteve e então pensar no que ele é--e quanto esteve no fundo um dia, mas quão alto agora--e isso aumentará a emoção de felicidade e glória--e então poderá reconhecer quem foi a causa--e toda vez que ele abaixa os olhos para o que foi, isso dará maior ênfase à declaração: "àquele que nos amou, e lavou-nos de nossos pecados em seu próprio sangue, e nos fez reis e sacerdotes para seu Deus e Pai: a ele seja a glória e o domínio para sempre e sempre" (John Foster). O anúncio feito por Brownlow North aos seus velhos amigos sobre sua mudança repentina, quer oralmente ou por escrito, criou certa sensação entre eles. Alguns acharam que ele tinha perdido a cabeça, outros acharam que era uma impressão ou entusiasmo temporário, e que logo passaria; foi o caso especialmente com quem conhecia bem as convicções anteriores, e a reforma temporária, enquanto que, em alguns dos jornais, foi até dito, depois que ele começou seu trabalho público, que a coisa toda foi feita por uma aposta, e que ele tinha feito uma aposta para reunir um certo número de milhares ou dezenas de milhares de ouvintes de uma só vez. Os homens carnais pouco entendem as operações do Espírito de Deus, mesmo quando vêem as provas mais marcantes e manifestas delas (Da biografia de Brownlow North, reverendo K. Moody-Stuart, M.A.).

32. TEOCRACIA "E agora? Onde está o seu rei que havia de salvá-lo em todas as suas cidades?" (Oséias 13.10).

Esta foi a declaração de Deus a Israel, satisfazendo uma grande necessidade e salvando o povo de um grande peso. Seriam salvos da despesa e do perigo que incorreriam com um monarca humano e encontrariam governo e liderança no próprio Deus. Isso não contentou sua natureza natural, e eles desejavam um rei, como as nações em volta. Com esse desejo aborreceram o Senhor e perderam um grande privilégio.


Para nós, o Senhor apresenta o mesmo privilégio num sentido altamente espiritual, e se somos sábios nós o aceitaremos.

I. O DESEJO DA NATUREZA. "Dá-me um rei." Não vamos discutir do ponto de vista político para dizer se está certa ou errada essa questão da monarquia no sentido abstrato: seria uma discussão aborrecida e inconveniente para nosso interesse atual. Estamos satisfeitos com a forma de governo de nosso próprio país. Mas falamos moral e espiritualmente da necessidade individual. O homem estava feliz no jardim enquanto Deus era seu rei, mas quando ele começou. . . "Dá-me um rei", a frase é: 1. Um grito de fraqueza. O homem precisa de alguém para admirar. 2. O suspiro de aflição. Em apertos, ele suspira pelos sábios e os fortes para aconselhar e socorrê-lo. 3. A oração do pensativo. - Anarquia de alma é terrível; cada paixão luta para ser a mais importante. - Uma vida sem rei, sem-direção é uma miséria. Ócio é um trabalho penoso: aqueles a quem falta propósito são infelizes. - O rei eu-mesmo é um mestre cruel e ingrato. 4. O desejo da experiência. - A tolice nos faz desejar um legislador. - O perigo sentido faz-nos penar por um protetor. - A responsabilidade pesando sobre nós faz-nos suspirar por um superior, que se incumbirá de escolher nosso caminho, e nos dirigir nele.

II. A RESPOSTA REAL DA GRAÇA. "Eu serei teu rei". 1. Condescendendo eminentemente. Nosso Deus vem para reinar sobre um reino: - Arruinado, na bancarrota, desolado. - Esfacelado por pretendentes que disputam entre si.


- Cercado por inimigos poderosos e implacáveis. - Cheio de membros indisciplinados. - Nada senão amor infinito poderia induzi-lo a assumir um trono desses, ou usar uma coroa que lhe custasse tanto, tanto. "Eis o seu rei!" 2. Abundantemente satisfatório, pois: - Ele tem poder para subjugar todo rebelde interno. - Ele tem um caráter digno de domínio. É uma grande honra submeter-se a tal príncipe. - Ele tem mais do que a sabedoria de Salomão para tratar todo assunto. - Ele tem bondade para abençoar, e está tão pronto que é capaz de tornar seu reino um período de felicidade, paz e prosperidade. - Ele tem amor com o qual exigir obediência afeiçoada. 3. É infinitamente consolador: - Ser protegido por sua onipotência. - Ser regido por perfeição absoluta. - Ser governado por um rei que não pode nem ser derrotado, nem morrer, nem abdicar, nem mudar. - Encontrar em Deus muito mais grandeza e bondade do que se pode-ria sonhar que existisse na melhor das soberanias terrestres. 4. É gloriosamente inspirador: - Viver e morrer por tal líder. - Reivindicar posse de corações humanos para um benfeitor assim. -Ter tal exemplo para imitar obedientemente. - Ser para sempre ligado com um potentado tão majestoso.

III. A DELÍCIA DA LEALDADE. NOSSA RESPOSTA À PROMESSA DO TEXTO É ESTA: "Tu és meu Rei, Ó Deus" (Sl 44.4). Se nós aceitarmos o nosso rei sem reservas: 1. Nós esperamos ver e compartilhar a sua glória dentro em breve (Is. 33.17).


2. Esperamos livramentos no presente (Sl 44.4). 3. Descansamos na confiança deliciosa da sabedoria, bondade e imutabilidade de todos os seus planos. 4. Buscamos estender os seus domínios (Mt 6.10). 5. Gloriamos em seu nome com alegria indizível. Sua história é a nossa meditação, sua promessa é nossa sustentação, suas honras são a nossa glória, e sua pessoa é nossa adoração. Seu trono é nosso porto e nosso céu. Ele, ele mesmo, é toda a nossa salvação, e todo o nosso desejo (2Sm 23.5). PLANOS PARA HOMENAGEM Será Jesus de fato e em verdade o meu rei? Onde está a prova disso? Estou eu vivendo no reino dele de "justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" agora? (Rm 14.17). Estou eu falando a linguagem daquele reino. Estou eu seguindo "o costume do povo" (Jr 10.3) que não é seu povo? Ou será que eu "diligentemente aprendo os modos de seu povo"? Tenho eu rendido homenagem do coração a ele? Estou eu com coragem e honestidade defendendo a causa dele, por ser dele, não meramente porque aqueles em volta de mim fazem assim? A minha lealdade está fazendo qualquer diferença prática em minha vida de hoje? (Miss Havergal). Deus é o fundamento básico de toda a sociedade humana; sem ele não se consegue cimentar nem governar a sociedade. Uma louca tentativa foi feita na França. O conselho que governava decretou que não havia nenhum Deus. Qual foi o resultado? Anarquia, confusão, licenciosidade, derramamento de sangue, terror. Robespierre, um dos principais mentores da Revolução, teve de declarar a seus camaradas reunidos em assembléia reservada: "Se não existe nenhum Deus, nós precisamos fazer um - não conseguimos governar a França sem ele" (J. Cynddylan Jones). O que, então, vamos retribuir por este inestimável favor, ao nos tomar para ser seus súditos? Ah, ofereçamos a ele não só os dízimos de nossos trabalhos, como também os primeiros frutos de nossos afetos: abramos não só as portas de nossos lábios, mas também os portões de nossos corações, para que entre o rei da glória. E quando tu te dignas, Ó meu Senhor, de vir com tua alta majestade sob meu teto baixo, e operar um milagre, tendo aquela grandeza que o mundo não contém, contido em um pequeno canto de meu peito, digna-te mandar também tua graça como precursor de tua glória! Possua-me inteiramente, Ó meu Soberano! Reina em meu corpo, por obediência a tuas leis, e em minha alma, por confiança em tuas promessas: estruture minha língua para louvar-te, meus joelhos para reverenciar-te, minhas forças para servir-te, meus desejos para querer-te e meu coração para abraçar-te (R.Baker, "A Oração do Senhor"). O Senhor em nosso texto assume o trono, não tanto pela eleição de seus súditos como pela eleição dele dos súditos; e o ato não é um ascender a uma dignidade mais alta do que a que ele naturalmente possua, e sim uma descida de amor a uma posição que é para nosso ganho em vez do dele. Ele vem a nós com esta doce prontidão para reinar sobre nós, e é sabedoria nossa aceitar alegremente os privilégios infinitos de seu domínio eterno.


33. MAROTE OU OS DESAPONTADOS Os que vivem em Marote se contorcem de dor, aguardando alívio, porque a desgraça veio da parte do Senhor até as portas de Jerusalém (Malaquias 1.12).

A vila da fonte amarga (porque este é provavelmente o sentido do nome Marote) passou por uma experiência de desapontamento amargo. Quanto mais ansiosa e paciente sua espera cuidadosa, mais amarga e desagradável o copo do mal que foi obrigado a beber. Sua confiança no homem provou ser vã, pois o Assírio venceu-os e assolou-os, e não parou enquanto não chegou às portas de Jerusalém, onde a fé de Ezequias em Deus fez o inimigo parar e se retirar. Consideremos, como sugerido pelo texto:

I. DESAPONTAMENTOS TRISTES. "Esperaram cuidadosamente pelo bem, mas veio o mal." Desapontamentos vêm com freqüência para os sangüíneos, mas também acontecem com aqueles que esperam esperam com cautela e com inteligência. 1. Desapontamentos são muitas vezes extremamente dolorosos na hora. 2. Contudo se pudéssemos conhecer toda a verdade, nós não lamentaríamos. 3. Em referência a esperanças de vários tipos eles são certos. Como, por exemplo, quando esperamos mais da criatura do que pretendia nos dar, quando nós procuramos felicidade em pecado, quando nós esperamos fixação em coisas terrenas. 4. Em muitos casos, os desapontamentos são altamente prováveis. Esperanças presunçosas, expectativas sem fundamento, especulações. 5. Em todos os casos, são possíveis. "Muita coisa escapa entre o copo e o lábio" é um ditado em alguns países. 6. Devem ser aceitos com paciência valorosa. 7. Podem provar ser altamente instrutivos, ensinando-nos: -Nossa falibilidade no julgar. - A incerteza de coisas terrestres. - A necessidade de reserva em se falar do futuro (Tiago 4.14). - O dever de submeter todos os nossos projetos à vontade divina.


8. Eles devem ser grandemente santificados. - Algumas vezes, eles têm mudado a direção de uma vida. - Sua intenção é "desmamar-nos" do mundo. - Eles tendem a fazer-nos valorizar mais a verdade de nosso Deus, que cumpre o desejo daqueles que o temem. -Trazem-nos coisas preciosas que só podem sair da experiência. - Salvam-nos de males desconhecidos que poderiam arruinar-nos.

II. ESTRANHAS COLOCAÇÕES. O texto nos diz: "o mal desceu do Senhor." 1. A expressão não deve ser mal entendida. Deus não é o autor do mal moral. Aqui, a referência é ao mal de tristeza, aflição, calamidade. 2. Não obstante, é universalmente verdade. Nenhum mal pode acontecer sem permissão divina. "Eu faço paz, e crio mal" (Is. 45.7). 3. Alguns males são distintamente vindos do Senhor. "Esta desgraça vem do Senhor" (2Reis 6.33). - Para testar os homens e fazer seu caráter real ser conhecido. - Para castigar os bons (1Cr 21.7). - Para punir os maus (Gn 6.5-7; 19.24-25). 4. Por isso, tais males devem ser suportados pelos piedosos com humilde submissão à vontade de seu Pai celestial. 5. Por isso, nosso conforto sob estes males: visto que todos os males estão sob controle divino, seu poder de machucar se foi. 6. Por isso, o antídoto para o nosso desapontamento se acha no fato de que são os apontamentos de Deus.

III. EXPECTATIVAS QUE NÃO TERMINARÃO EM DESAPONTAMENTO. 1. Esperanças fundadas sobre as promessas de Deus (Hb 10.23). 2. Confiança depositada no Senhor Jesus (1Pe 2.6). 3. Desejos apresentados em oração de fé (Mt 21.22).


4. Esperanças de ceifa ligadas a semear a semente para o Senhor (Sl 126.56). 5. Expectativas de adormecer em Jesus (1Ts 4.14). A sua vida é amargurada por desapontamento? Lance a cruz em água amarga e ela se tornará doce.

COLETA DE IDÉIAS Durante o período em que infelizmente permitiu-se que loterias vicejassem no Reino Unido, um senhor, espiando da janela de um escritório lotérico na área da Igreja de St. Paul, descobriu para sua alegria que seu bilhete lhe rendera um prêmio de dez mil libras. Tonto com essa repentina notícia de fortuna adquirida, ele caminhou em volta do pátio da igreja, para considerar calmamente como deveria dispor de sua fortuna. Quando em sua volta passava pelo escritório de novo, resolveu dar outra olhada no charmoso anúncio na janela; foi quando ele viu que um novo número tinha sido substituído o anterior. Perguntando o que havia acontecido, ficou sabendo que, por engano, haviam mostrado o número errado e que no final das contas ele não era o ganhador do prêmio. Seu desapontamento era agora tão grande quanto fora o seu prazer momentos antes (W. Haig Miller, em "Life's Pleasure Garden"). É prudente, quando somos desapontados em uma coisa, colocar contra esta uma expectativa esperançosa de outra, como o fazendeiro que disse: "Se as ervilhas não valem à pena, esperemos que as vagens dêem certo." Contudo, seria inútil consertar uma expectativa má com outra de igual caráter, pois isso só faria pior o rombo. É melhor ir das ficções do mundano otimista aos fatos do crente na palavra do Senhor. Então, se não achamos lucro em nosso comércio com o mundo, podemos nos fiar confiantes no tesouro de nosso coração no céu. Podemos até perder nosso ouro, mas nunca podemos perder nosso Deus. A expectativa do justo é do Senhor, e nada que vem dele falhará jamais. Conheci uma pessoa que fez de sua filha um ídolo, e quando ela ficou doente e morreu, ele se revoltou e o resultado foi que ele próprio morreu. Expectativas que se penduram sobre o frágil direito de posse de uma vida humana podem encher nosso copo de absinto se tomam todo o nosso pensamento. Será que este pai não podia reconhecer a mão do Senhor na retirada de sua criança, e não poderia ter antes moderado suas expectativas com respeito a ela? Poderia ter vivido em felicidade com os outros de sua família, e ter sido um exemplo de santa paciência (C. H. S.). Quem nunca resmungou "Marah" em cima de algum poço no deserto que fez força para alcançar e descobriu ser "amargura"? Você nunca achou águas salgadas onde achava que encontraria doçura e alegria? Amor, beleza, as coisas brilhantes do mundo, os ajuntamentos coloridos do mundo, casamento, lar, as coisas que um dia o cativaram e prometiam matar a sede de sua alma por felicidade, são elas todas Elims, fontes doces e palmeiras? Ah, que murmurações ferozes de "Marah" tenho eu ouvido de corações repletos de angústia, de almas mirradas e estragadas por uma confiança grande demais em qualquer coisa ou qualquer ser que não fosse Deus! Creia isso, nenhum homem, com um coração de homem, vai longe no seu caminho deserto sem algum desapontamento amargo de busca na alma; feliz aquele que tem coragem suficiente para


se esforçar em mais outro estágio da jornada, e descansar em Elim, onde há doze fontes vivas de água e setenta palmeiras com frutos (L. B. Brown). Desapontamentos em desejos prediletos são penosos, e nem sempre somos suficientemente sábios para lembrar que desapontamentos no tempo são muitas vezes os meios de se evitar desapontamentos na eternidade (William Jay).

34. VIGIANDO, AGUARDANDO, ESCREVENDO Ficarei no meu posto de sentinela e tomarei posição sobre a muralha; aguardarei para ver o que o Senhor me dirá e que resposta terei à minha queixa. Então o Senhor me respondeu: Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente. Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim, e não falhará. Ainda que demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará. Escreva: O ímpio está envaidecido; seus desejos não são bons; mas o justo viverá pela sua fidelidade (Habacuque 2.1-4). A promessa de Deus demorou, e os ímpios triunfaram. Aqui estava o antigo problema de Davi em outra forma. "Então porque toleras os perversos?" (Hc 1.13) é apenas uma repetição de "Tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios" (Sl 73.3). O mesmo problema ocorre em nós, e este texto pode ajudar-nos. Observe com entendimento:

I. O SENTIDO NO QUAL HÁ UMA DEMORA NA PROMESSA. Não é toda demora aparente que é real. Nosso tempo e o tempo de Deus não são medidos no mesmo mostrador. 1. Cada promessa aguardará o seu próprio tempo para o cumprimento: "Pois a visão aguarda um tempo designado". 2. Cada promessa no fim se mostrará verdadeira: "Ela fala do fim, e não falhará." 3. Cada promessa irá recompensar nossa espera: "Ainda que demore, espere-a." 4. Cada promessa será pontual em sua hora: "Ela certamente virá e não se atrasará." A palavra do Senhor é tão certa quanto ao tempo como quanto ao assunto. Para ele seu tempo de amadurecer é curto: apenas para nós demora.

II. A ATITUDE DE UM CRENTE ENQUANTO A PROMESSA DEMORA.


Devemos vigiar pelo aparecimento do Senhor em cumprimento de sua promessa, e devemos estar preparados para receber repreensão bem como bênção. O profeta assumiu: 1. Uma atitude determinada e pensativa: "Tomarei posição e aguardarei." 2. Uma atitude atenta: "para ver o que o Senhor me dirá." Ele está absorto neste único ponto: ele só deseja ser ensinado pelo Senhor. 3. Uma atitude paciente: "Tomarei posição sobre a muralha." Sentado numa torre. É como se fosse colocado lá como uma sentinela resolvida a ficar em seu posto. 4. Uma posição solitária, se preciso. Ele fala dele próprio sozinho. 5. Uma atitude mental humilde e submissa: "aguardarei para ver o que o Senhor me dirá e que resposta terei à minha queixa." Em todos os aspectos, o homem de Deus está pronto para seu Senhor. A demora é evidentemente uma bênção para ele. A bênção será maior quando vier. III. A OBRA DO SERVO DO SENHOR ENQUANTO A PROMESSA DEMORA. 1. Pela fé coloque a visão. Realize o cumprimento da palavra divina em sua própria alma. "Aguarde para ver o que o Senhor dirá." 2. Declare-a como certa: registre-a por escrito, como um fato a não ser questionado. "Escreva a visão em tábuas." 3. Declare-a claramente, para que o estafeta possa lê-la. 4. Declare-a de modo prático, para que aquele que o ler possa se apressar em conseqüência da leitura. 5. Declare-a permanentemente: escreva a matéria para um registro que sirva de referência; grave-a em tabletes como registro para a perpetuidade. A fé simulada negase prudentemente mencionar suas expectativas. É considerado presunçoso, fanático e imprudente ser positivo de que Deus guardará sua promessa; e quanto mais mencionar isso. O crente verdadeiro não pensa assim, mas age com as promessas do Senhor como agiria com compromissos feitos em negócio por homens honestos: ele os trata como reais, e queria ver outros fazerem o mesmo.

IV. A DIFERENÇA VISTA EM HOMENS QUANDO A DEMORA DA PROMESSA OS TESTA. 1. O homem que não tem a graça é soberbo demais para aguardar a Deus como o servo do Senhor fará. "O ímpio está envaidecido; seus desejos não são bons.". - Ele próprio é desonesto, e assim suspeita de seu Deus.


- Isso o impede de encontrar consolo na promessa. 2. O homem justo crê na palavra de um Deus santo. - Ele aguarda serenamente, em plena certeza. - Ele vive no sentido mais alto pela sua fé. "Descanse somente em Deus, ó minha alma" (Sl 62.5). O que pode fazer aquele que não tem fé em seu Criador? (Hb 11.6). DE NOSSOS TABLETES Era costume entre os romanos os afazeres públicos de cada ano serem registrados pelo pontifex maximus, ou sumo sacerdote, e publicados numa mesa. Assim eram expostos aos olhos do público, para que as pessoas pudessem ter oportunidade de tomar conhecimento deles. Também era comum dependurar leis aprovadas e registradas em tabuletas de bronze nos mercados e nos templos, para que pudessem ser vistos e lidos (Tacitus). De maneira semelhante, os profetas judeus costumavam escrever e expor suas profecias publicamente em mesas, ou em suas próprias casas, ou no templo, para que todos que passassem pudessem entrar e lê-las (Burder). E embora demore até a noite, e venha o novo dia a amanhecer, meu coração nunca há de duvidar do teu poder, nem vai se entristecer. Fazei assim, Ó vós sementes de Israel Que do Espírito nascestes sim, de fato, Esperai o teu Deus aparecer! (Martinho Lutero) O bom velho Spurstow diz que algumas das promessas são como a amendoeira - "elas desabrocham apressadamente bem cedo, mesmo na primavera", ele diz, "mas há outras que se assemelham à amoreira - são muito lentas para abrir suas folhas!" Então o que um homem deve fazer, se ele tem uma promessa de amoreira, que tarda em florir? Ora, ele deve esperar até que dê flores, visto que não tem o poder de apressá-la. Se a visão tarda, exercite a preciosa graça chamada paciência, e o tempo devido certamente lhe trará uma recompensa rica (C. H. S.). As promessas de Deus são datadas, mas com um caráter misterioso; e, por falta de habilidade nossa na cronologia de Deus, somos levados a pensar que Deus se esquece de nós; quando, de fato, nós nos esquecemos de nós mesmos de tal modo a colocar Deus num tempo nosso, e ficar zangados que ele não venha exatamente naquele tempo para nós (Gurnall). Se fôssemos mais humildes, seríamos mais pacientes. Um pedinte, que está com fome, aguardará no portão do homem rico por horas seguidas com a esperança de receber sobras de comidas; mas o doutor, que não sofre nenhuma falta, logo vai embora se a porta não for aberta quando ele bater. Nós já fizemos o Senhor esperar bastante e não


precisamos ficar admirados se ele puser à prova a nossa fé e paciência com atrasos aparentes. Em todo caso, vamos assentar isso em nossos corações, que ele há de cumprir suas promessas. Nosso texto mostra-nos um Deus pontual, alguém que espera com paciência, e uma confiabilidade publicada, mas isso acaba com um descrente orgulhoso. Ou, se preferir, é o homem pronunciando uma decisão corajosa, e o Senhor respondendo à fé dele; razões apresentadas à fé paciente, e repreensões ao orgulho impaciente.

35. FALTA QUADRÚPLICE "Não atende a ninguém, não aceita disciplina, não confia no Senhor, não se aproxima do seu Deus" (Sofonias 3.2).

Quando o Senhor está julgando homens ele não poupa aqueles que são chamados seu povo: Moabe e Amom e Nínive são visitados, e Jerusalém não é poupada. Há pecados que pessoas de fora não podem cometer, tais como aqueles do texto. Quando privilégios próprios só criam pecados próprios, serão seguidos por castigos próprios. As ofensas mencionadas neste versículo são encontrados em nações, igrejas e indivíduos até o dia de hoje, e em certa medida entre o próprio povo de Deus.

I. NO TEXTO, PERCEBEMOS QUATRO PECADOS MANIFESTOS. 1. Só faremos sobre eles, como um todo, quatro observações. - Certamente existirão pecados de omissão onde houver pecados de comissão. Diz-se de Jerusalém ser "suja e poluída" e depois esses pecados são recitados. - Pecados de omissão se classificam com as mais sujas das ofensas. Considere o contexto e veja com que crimes temíveis estão catalogados, como se para marcar sua vileza. - Pecados de omissão andam em grupos. "Ela não aceita." "Ela não recebeu a instrução." "Ela não confia." "Ela não se chegou perto de seu Deus." Quantos pássaros nocivos podem morar em um só ninho! Um pecado nunca anda sozinho. - Pecados de omissão não são inferiores principalmente quando são espirituais. Como são aqueles mencionados no texto e são citados entre crimes de tingimento mais profundo. 2. Notaremos cada um dos quatro separadamente:


- Ouviram Deus falar, mas não deram atenção. Isso incluiu rebelião, dureza de coração, presunção e desafio ao Senhor, e tudo isso depois de solenes avisos, muita instrução e terno convite. - Sentiram correção, mas não ficaram instruídos. Isso envolveu a maior persistência em rebelião, e ainda mais dureza de coração. - Eles foram incrédulos e desconfiados, e confiaram em ídolos, e não no Senhor. Descrença é um pecado-mestre. - Eles não tinham comunhão com seu Deus. "O Deus dela" implica existência de relacionamento de pacto, no nome pelo menos, mas não houve culto, amor, nem serviço. Esses quatro pecados abundam à nossa volta e entre nós. Desatenção, teimosia, descrença e aversão a Deus são comuns. Envolvem homens em aflição nesta vida, e em ruína eterna no mundo vindouro. Será que não estão destruindo alguns de vocês?

II. NO TEXTO NÓS DESCOBRIMOS QUATRO ENCORAJAMENTOS OCULTOS PARA SE PROCURAR COISAS MELHORES. Que aqueles que confessam seu pecado olhem o texto com esperança, pois está claro que: 1. Deus fala aos homens. Ele pode falar conosco de novo. 2. Deus corrige para nosso bem. A intenção é instruir, não destruir. 3. Deus quer que confiemos nele. Ele não nos culparia por não confiarmos se não fôssemos permitidos confiar nele. 4. Deus quer que nos aproximemos dele. Se não, não seria mencionado como pecado nosso o fato de não nos aproximarmos dele. Tudo isso se aplica a nós até o dia de hoje. O Senhor ainda está no meio de nós, lendo nossas almas no mais íntimo de nós. Vamos colocar nossos pecados no coração, e buscar a face dele através de Jesus Cristo.

UNS POUCOS PEQUENOS PEIXES Lembre-se, ó minha alma, da figueira que foi repreendida, não por dar fruto prejudicial, mas por não dar fruto algum (Thomas Fuller). As últimas palavras que se escutou o arcebispo Usher dizer foram estas: "Senhor, perdoa meus pecados, especialmente meus pecados de omissão." Pecados de comissão são geralmente castigos por pecados de omissão. Aquele que deixa atrás uma obrigação pode logo ser deixado para cometer um crime (Gurnall).


Nenhum pecado fica sozinho. Dr. Macdonald diz: "Não há defeito que não traga seus irmãos e irmãs e primos para viver consigo." Ó, como é raro achar uma alma suficientemente quieta para ouvir Deus falar! (Fenelon). A graça transforma a serpente em vara, mas o pecado transforma a vara em serpente. A primeira transforma veneno em remédio, mas este último transforma o remédio em veneno (Benjamin Beddome). Tristeza é mandada para nossa instrução, assim como escurecemos as gaiolas de pássaros quando queremos ensiná-lo a cantar (Jean Paul Richter).

36. SI PRÓPRIO OU DEUS Pergunte a todo o povo desta terra e aos sacerdotes: Quando vocês jejuaram no quinto e no sétimo meses durante os últimos setenta anos, foi de fato para mim que jejuaram-para mim mesmo? E quando comiam e bebiam, não era para vocês mesmos que o faziam? (Zacarias 7.5-6).

Os deveres religiosos não podem ser aceitos apenas como sendo natural. Devemos fazer perguntas penetrantes sobre eles, porque o próprio Senhor fez isso. Compete a ouvintes darem muita atenção a perguntas pessoais que dizem respeito a coisas sagradas. Durante longos anos, "mesmo aqueles setenta anos", observâncias piedosas podem ter sido mantidas e, contudo, pode não ter havido qualquer virtude nelas. Este fato torna sábio questionarmos a nós mesmos, pois podemos ter sido religiosos por hábito, e, no entanto, também nunca termos feito nada "para o Senhor". Duas reflexões surgem diante de nossa mente:

I. OBSERVAÇÕES RELIGIOSAS DEVEM SER PARA O SENHOR. "Foi de fato para mim que jejuaram?" 1. Deveriam ser cuidadas por respeito à ordem dele. Cerimônias que não são de ordenação dele são mera adoração da vontade. Nós tomamos parte em ordenanças, não por causa de costume, ou regra da igreja, mas "para o Senhor" (Rm 14.6).


2. Deveriam ser realizadas com nossa dependência da graça de Deus para fazê-las úteis a nós, pois formas exteriores nada são em si. A não ser que o Espírito de Deus as aplique a nós, são baldes vazios puxados de um poço seco (Jo 6.63). 3. Deveriam ser cumpridas olhando-se de tal forma em Deus como sua natureza e sentido sugerem: por exemplo, no jejuar deve haver tristeza para com Deus por tê-lo entristecido; e em festa santa a alegria não pode ser carnal, mas sim "alegria no Senhor". 4. Devem ser acompanhadas com aquele entendimento espiritual sem o qual são mera arte cênica aos olhos de Deus. Deve haver o verdadeiro jejum, que é abstinência de pecado, e a verdadeira festança que é a recepção de Cristo com alegria. 5. Devem ser cuidadas com vistas a glorificar Deus nelas. Para esse fim, nós assistimos ao batismo, comunhão, louvor. Se essas coisas não são feitas ao Senhor, o que são senão os ritos de ateísmo?-- ou um tipo de bruxaria, repetição de fórmulas mágicas, genuflectir? (Is 66.3).

II. OBSERVÂNCIAS RELIGIOSAS PODEM SER FEITAS PARA NÓS MESMOS. "Quando comiam e bebiam, não era para vocês mesmos que o faziam?" São assim muito claramente: 1. Quando o elemento espiritual está ausente. Então mesmo na Santa Ceia não há nada mais do que mero comer e beber como no caso da igreja de corinto. Com que freqüência, em geral, têm as festas religiosas se tornado meras desculpas para se banquetear! 2. Quando a ordenança é cuidada e assistida porque traz crédito pessoal, motivações de costume, respeitabilidade ou dignidade podem levar homens até para a mesa do Senhor! Isso é comer para nós mesmos. 3. Quando a observância exterior é usada como meio de apaziguar a consciência, e é tomada como um narcótico espiritual. Sem se chegar perto de Deus, o homem se sente mais leve porque ele executou um pouquinho de ritual piedoso. Isso é comer e beber para nós mesmos. 4. Quando o ritual externo é praticado com a esperança de que fiquemos salvos com isso. A motivação é egoísmo religioso, e o ato deve ser inaceitável. 5. Quando não há nenhuma intenção de agradar a Deus nisso: pois assim como é a intenção, assim é o ato; e onde não há intento para com Deus, a matéria toda deixa de alcançar aceitação com Deus. Veja como são vãs as efetuações de descrentes. Leia versículos 1 a 3 deste capítulo de Zacarias. Vamos nos chegar a Jesus que é a soma e a substância de todos os jejuns, e festas, e tudo mais da observância certa. Vamos viver como para o Senhor (Rm 14.8).


PARÁGRAFOS MARCANTES Se, depois que você ouviu cultos, celebrações e reuniões, e já participou de santa comunhão, e orações, você vai ser mais bondoso para o seu vizinho, e amá-lo mais, e ser mais obediente a seus superiores, mais misericordioso e pronto a perdoar, se você despreza mais o mundo, e tem mais sede por coisas espirituais, então estas coisas aumentam a graça. Se não, são uma mentira (Tyndale). Um certo rei quis construir uma catedral, e, para que o prédio fosse dele, ele proibiu qualquer pessoa de contribuir para a construção dela. Uma placa foi colocada no lado do prédio, e nela seu nome foi esculpido pelo construtor. Mas, numa noite, ele viu em sonho um anjo que desceu e apagou o nome dele; e o nome de uma pobre viúva apareceu ali. Isso se repetiu três vezes, quando o rei zangado mandou que a mulher viesse à presença dele, e exigiu: "O que você tem feito e por que desobedeceu ao meu mandado?" A mulher tremendo respondeu: "Eu amava ao Senhor e desejava fazer algo pelo seu nome, e para a construção de sua igreja. Eu era proibida de tocá-la de qualquer maneira, então, na minha pobreza, eu trouxe um tufo de feno para os cavalos que puxavam as pedras." Então, o rei viu que ele havia trabalhado para sua própria glória, mas a viúva para a glória de Deus, e ele ordenou que o nome dela fosse inscrito na placa (Encyclopaedia of Illustrative Anecdotes). Em nenhuma parte do grande universo há qualquer ser fervorosamente devoto por acaso. Em toda parte, mesmo no céu, as criaturas são devotas de propósito, por esforço. Isso é verdade na terra; nenhum homem algum dia por acaso tornou-se religioso (Dr. Stoughton, em "Lights of the World"). Uma historia que precisa ser contada cuidadosamente e que pode ser muito útil. Contase história que um sultão dormiu demais e não acordou à hora da oração. Então o diabo veio, acordou-o e mandou que se levantasse e orasse. "Quem é você?", perguntou o sultão. "Ah, não importa!", respondeu o outro, "meu ato é bom, não é? Não importa quem faz a boa ação, contanto que seja boa." "Sim", replicou o sultão, "mas eu acho que você é Satanás. Conheço sua cara; você tem algum motivo mau." "Mas", disse o outro, "eu não sou tão mau como sou pintado. Eu já fui um anjo um dia, e ainda guardo um pouco de minha bondade original." "Tudo bem," respondeu o sagaz e prudente califa, "mas você é o tentador: é seu negócio, e eu desejo saber por que você quer que eu me levante e ore." "Bem", disse o diabo, com um tom de impaciência, "se você precisa saber, eu conto. Se você tivesse dormido e esquecido de suas orações, você se arrependeria depois e ficaria penitente, mas se você continua como agora, e não negligencia nem uma só oração por dez anos, você vai ficar tão satisfeito que será pior para você do que se você tivesse perdido uma oração de vez em quando e se arrependido disso. Deus ama a sua falta misturada com penitência mais do que sua virtude temperada com orgulho." O que é toda a justiça que os homens inventam, o que--senão uma barganha sórdida dos céus? Mas Cristo mais depressa abdicaria o seu lugar do que se abaixaria do céu para vender ao orgulhoso um trono (Cowper).


37. RESTAURAÇÃO PERFEITA Tenho compaixão deles: eles serão como se eu nunca os tivesse rejeitado, porque eu sou o Senhor, o Deus deles, e lhes responderei (Zacarias 10.6).

A maneira em que esperança pode chegar a pecadores: "Eu tenho compaixão deles." Misericórdia habita no coração de Deus mesmo depois que a esperança já deixou o peito humano. O sinal de que a misericórdia de Deus está vindo, e que realmente já veio, é a oração. "Eis que ele ora" é a certa indicação de livramento a caminho (Atos 9.11). Deus tinha observado oração neles, pois disse: "Eu lhes responderei." O resultado da vinda de misericórdia é muitíssimo bom: "Eles serão como se eu nunca os tivesse rejeitado." Essa promessa pode ser aplicada:

I. EM GERAL, A TODOS OS PECADORES PENITENTES. A misericórdia de Deus, de muitos modos, devolve aos homens a posição que perderam; e em alguns sentidos, até à sua condição anterior à queda. 1. O perdão do pecado, e justificação pela fé, os faz tão aceitáveis como se nunca tivessem transgredido. 2. A renovação da natureza, pela obra regeneradora do Espírito Santo, cria neles uma vida interior tão pura como a que Adão já teve. 3. Restauração ao paraíso. Mesmo hoje nós habitamos com Deus num estado abençoado, pois o Senhor ergueu-nos para as bem aventuranças celestiais em Cristo. 4. Redenção da maldição. A maldição foi-se completamente para sempre, por aquele que foi feito maldição por nós (Gl 3.13). A ira de Deus é removida de nós para sempre. 5. Engajamento em serviço. Somos usados honravelmente, e não poderíamos ter estado mais bem empregados se não tivéssemos pecado nunca. 6. Comunhão com Deus. Nós a gozamos tão verdadeiramente como a humanidade sem a queda poderia ter apreciado. De fato, o Espírito de Deus habita nos regenerados, e isso não é dito de Adão.


7. Vida eterna. Somos preservados da morte penal. Assim como Jesus, viveremos nós também (João 14.19). Não há temor de que comeremos e morreremos, pois o Senhor já nos deu vida eterna, e nunca pereceremos (João 10.28). Trabalhar mais adiante a semelhança entre o estado dos salvos e a de Adão no jardim, pode ser realizado de modo altamente instrutivo.

II. ESPECIALMENTE PARA APÓSTATAS PENITENTES. Volte-se somente para Deus e viva no temor dele, e você apreciará toda a bemaventurança de seu melhor estado espiritual. Você apreciará novamente: 1. A remoção completa de sua culpa, e não terá mais consciência de pecado; assim você voltará a ter descanso de alma. 2. Alegria renovada, como nos dias de seu primeiro amor. 3. Renovada pureza de coração, como nos tempos antes de você desviar se. 4. Comunhão viva com Deus e direcionamento vindo de seu Espírito Santo. Não é isso que você clama: "Não tires de mim o teu Santo Espírito"? (Sl 51.11). 5. Um modo novo de ser útil. "Ensinarás aos transgressores os modos perdoadores de Jeová" (Sl 51.13). 6. Restauração à igreja, da qual você pode ter sido excluído. Seus irmãos se alegrarão por você, e seu Deus também. 7. Manutenção futura. Você vigiará contra a tentação tanto mais sinceramente, e assim você se levantará mais firmemente pela graça. Deus pode usar de sua queda infeliz para ensinar-lhe lições preciosas. Suponha que este convite para voltar ao Senhor seja recusado: - Será uma rejeição gratuita de amor generoso. - Nunca pode haver uma oferta mais justa. - Isso irá aumentar o desassossego de uma consciência culpada. - Isso levará ao medo de que o recusado não seja um dos escolhidos do Senhor. Mas esperamos melhores coisas de você, e coisas que acompanham a salvação. Preocupamonos para que você não perca o dia da graça. Confesse seu pecado imediatamente, e rogue humildemente a palavra do Senhor: "Eu tenho compaixão deles". Depois, clame em oração, pois está escrito: "Eu lhes responderei." Então, com fé no nome de Jesus, confie na resposta prometida: "Eles serão como se eu nunca os tivesse rejeitado."


Pela misericórdia de Deus, nós lhe rogamos que busque a face dele de imediato, com o coração confiante e importunismo resoluto.

SELEÇÕES A queda é um mistério maior do que a redenção. Aquele que teve a experiência do primeiro pode bem aceitar a revelação do outro (C. Vaughan). Agora tens vingado o Adão suplantado, tirado a desforra, e, vencendo a tentação tens recuperado o perdido paraíso, E frustrada a conquista fraudulenta. Nunca mais ela ousará botar o pé No paraíso para tentar, seus laços se partiram: Pois, embora aquela sede de êxtase terrena tenha fracassado Um paraíso bem mais lindo está fundado para Adão e os filhos escolhidos, que tu mesmo, Um Salvador desceste para reinstalar, Onde eles morarão seguros, quando o tempo então chegar, De estar sem medo de tentador e tentação (John Milton). PARÁGRAFOS IMPRESSIONANTES Se você, depois de ouvir tantas missas matinais, e mesmo orações da tarde, e ter recebido pão santo e água santa, e a bênção do bispo, ou do cardeal, ou do papa, você é mais bondoso para com seu vizinho e o ama mais, e é mais obediente a seus superiores, mais misericordioso e pronto a perdoar, se você despreza o mundo mais, e é mais sedento por coisas espirituais, então fazer tais coisas aumenta a graça. Se não, elas são uma mentira (Tyndale). O que é toda a justiça que os homens inventam, o quê - se não uma barganha sórdida pelo céu? Mas Cristo antes abdicaria os seus, do que se abaixaria do céu para vender aos orgulhosos um trono (Cowper). O fim do evangelho é vida e perfeição. É nos fazer participantes da imagem de Deus, em justiça e verdadeira santidade. O próprio Deus não pode me fazer feliz, se ele for só sem mim, a não ser que ele me dê uma participação de si e de sua própria semelhança para minha alma (Cudworth). Ele me ergueu das profundezas do pecado, Os portões do inferno fez abrir, E fixou minha posição bem mais segura Do que estava antes de eu cair (Watts). Um homem na estrada, tendo perdido sua carteira, é questionado pelo companheiro de viagem onde a viu por último: "Ah", diz ele, "estou confiante que eu a tirei do bolso quando estava em tal cidade, em tal hospedaria." "Ora, então", disse o outro, "não há melhor modo de reavê-la do que voltando a esse lugar." Este é o caso de muitos homens


nestes tempos incertos; perderam seu amor em Cristo, e sua verdade, visto que seu milho e vinho e óleo têm aumentado; visto que coisas externas são acrescentadas em abundância a eles, menosprezaram a luz da face de Deus. Quando eram pobres nada era mais querido e precioso para eles do que a verdade de Cristo. O que, então, deve ser feito para se recuperar o amor em Cristo? Voltando, retornando diretamente ao ponto onde você pela última vez o tinha! De volta ao marco do coração quebrado e contrito! Foi lá que você o tirou em palavras boas e obras melhores ainda, e embora tenha ficado perdido na multidão de ocupações mundanas, lá e em nenhum outro lugar, você terá certeza de encontrá-lo de novo (Spencer,"Things New and Old").

38. O AMARGOR DA CRUZ "Chorarão amargamente por ele" (Zacarias 12.10).

Quando os judeus receberem Jesus como Messias, eles o contemplarão como perfurado e morto: e o primeiro resultado será arrependimento amargo. E a mesma coisa se dá conosco. De todos os quadros, uma vista de Jesus crucificado é o mais doce, mas ao mesmo tempo causa amargura.

I. NOSSA PRIMEIRA VISTA DE CRISTO TRAZ AMARGURA. 1. Por não termos conhecido antes o quanto ele é precioso. Que grande perda! 2. Por não termos dado importância a tal amor por tanto tempo. Crime! 3. Do temor de que ele não seja nosso, afinal. Isso causa uma pontada amarga, uma tristeza na alma. 4. O pecado, sua grandeza e seus efeitos são vistos na morte cruel dele, e isso nos faz lastimar a nossa culpa, e as aflições dele. 5. A ira de Deus, sua justiça e terribilidade são também vistas na cruz, e nós trememos. 6. O receio de nunca sermos perdoados, e de que nós não podemos nunca nos perdoar, estão misturados em um só gole amargo.

II. NOSSA VISÃO CONTINUADA DE CRISTO OPERA EM NÓS DURANTE A VIDA TODA UMA MEDIDA DA MESMA AMARGURA. 1. Seu grande amor, quanto mais conhecido, mais profunda tristeza traz pelo pecado.


2. Isso inspira o mais profundo medo de entristecê-lo. 3. Cria um entristecimento mais profundo por nosso atual desmerecimento. 4.Tira a amargura de aflição, dor e morte. 5. Evita a amargura pecaminosa de ira contra perseguição. 6.Tem uma indizível doçura nela. Chegamos a ter prazer em arrependimento, e apreciar um humilde pesar por Jesus.

PREGOS Eu vejo a multidão na sala de Pilatos, noto seu aspecto tão irado, Seus gritos de "Crucificai-o" assustam, com as blasfêmias gritadas, E daquela multidão que grita sinto que eu sou um, No meio de tão rudes vozes, minha voz eu reconheço. Eu vejo verdugos rasgar suas costas, e pôr coroa de espinhos que doem, E daquela turba que bate e zomba eu sinto que eu sou um. Em volta da cruz, a turba estou vendo, rindo dos seus gemidos, Mas ainda parece ser minha a voz - como se eu sozinho gemesse, Eu crucifiquei o Cristo de Deus, eu uni a minha voz, Contudo esse sangue valeu para limpar o meu pecado, E não menos, a cruz prevalece e dá-me a paz interior. Nós precisamos pregar nossos pecados à cruz de Cristo, fixá-los naquele madeiro no qual ele sofreu. O pecado começará a morrer dentro de um homem ao ver Cristo na cruz, pois a cruz de Cristo acusa pecado, envergonha pecado, e por uma virtude secreta destrói o coração do pecado. Precisamos usar o pecado como Cristo foi usado quando se fez pecado por nós; precisamos erguê-lo e desnudá-lo confessando-o a Deus; precisamos amarrar as mãos e os pés do pecado por arrependimento e furar o coração dele por meio de tristeza divina (Byfield). Ora, para fazer e conservar o coração mole e terno, a consideração da paixão dolorosa de Cristo precisa ser de uso e eficácia singular; como ver as vestes sujas de sangue de César afetaram as pessoas de Roma, "e impulsionaram nos a vingar sua morte" (Trapp). Não sou um pregador, que esta dica baste A cruz uma vez vista, é morte a todo vício; Ou senão, aquele que ali foi pendurado Sangrou, sofreu, agonizou e em vão morreu (Cowper). O hino de Newton, "No mal por longo tempo eu me deliciei", descreve a experiência de uma pessoa que foi levada ao arrependimento e salvação por ver Cristo crucificado. É um ditado antigo: "Que um homem chore por seu pecado e depois se alegre pelo seu choro" (Thomas Brooks).


39. A TUA PALAVRA ME É SUFICIENTE Jesus lhe disse: "Eu irei curá-lo" (Mateus 8.7). "Dize uma palavra, e meu servo será curado" (Lucas 7.7). O centurião que se importou com o bem religioso do povo, e construiu para eles uma sinagoga, tinha também um coração compassivo pelos doentes. É ótimo quando generosidade pública é sustentada por bondade doméstica. Este servo era seu rapaz, e talvez seu escravo, mas era querido dele. Um bom mestre faz um bom servo. É bom quando todos os níveis são unidos em empatia: capitão e pajem estão solidários em afeto. O mestre mostrou seu afeto por procurar auxílio. Coração e mão devem agir juntos. Não amemos somente na palavra. É bom que os seguidores de Jesus estivessem prontos a ajudar todas as pessoas doentes, e que a cura fosse ainda associada com oração a Jesus. Note bem a fé crescente manifesta do centurião e a crescente manifestação de Jesus. - O centurião manda anciãos com o pedido de "vir e curar." Jesus virá e curará. - O próprio centurião vem pedindo por "uma palavra." Jesus dá a palavra, e o feito está realizado. Nós vemos neste trecho um milagre no mundo físico, e somos assim ensinados o que o Senhor Jesus pode fazer no mundo espiritual. Imitemos o centurião em buscar a Jesus sobre outras pessoas. Aprendemos desta narrativa:

I. A PERFEITA PRONTIDÃO DE CRISTO. 1. Ele não debateu com os anciãos dos judeus e mostrou a fraqueza de seu pedido: "Ele merecia" (Lucas 7.4-5). 2. Ele de bom grado concedeu o pedido deles, embora fosse desnecessário ele ir; "Jesus foi com eles" (Lucas 7.6). 3. Ele não levantou nenhuma pergunta sobre a mudança que o centurião propôs, embora já estivesse na estrada (Lucas 7.6). 4. Ele não levantou suspeita quanto ao motivo do bom homem, como alguns poderiam ter feito. Ele leu o coração dele e viu sua verdadeira humildade.


5. Ele não opôs dúvidas à comparação dele com um pequeno oficial. Nosso Senhor nunca é capcioso, mas aceita o sentido nosso. 6. Ele prontamente aceitou a oração e a fé do centurião, deu o benefício, e deu-o do modo como foi desejado. O amor de nosso Senhor por pecadores, seu esquecimento de sua pessoa, sua prontidão em nos agradar e sua ânsia em cumprir sua própria missão devem nos incentivar em oração a ele por nós mesmos e por outros.

II. A CAPACIDADE CONSCIENTE DE CRISTO. 1. Ele não fica intrigado com o caso. Era curioso o servo estar ao mesmo tempo paralisado e atormentado, mas seja qual tenha sido a doença, o Senhor diz: "Eu irei e o curarei." 2. Ele não é posto em dúvida devido ao perigo extremo do servo. Não, irá ter com ele, embora saiba que ele esteja fortemente atacado e completamente prostrado. 3. Ele fala de cura como coisa natural. Sua vinda assegurará a cura: "É vir e curar." 4. Ele trata o método do procedimento como não tendo conseqüência. - Ele virá ou não virá, mas "em uma palavra dirá", contudo, o resultado será o mesmo. 5. Ele se admira mais da fé do centurião do que da cura. Graça onipotente se move com facilidade majestosa. Nós somos preocupados e nervosos, mas o Senhor não é. Somos, assim, encorajados a ter esperança.

III. O MÉTODO PERMANENTE DE CRISTO. Ele é acostumado a curar por sua palavra através da fé. Sinais e maravilhas são temporários, e respondem a um propósito para uma ocasião; mas tanto a fé como a palavra do Senhor são matérias para todos os tempos. Nosso Senhor, no caso que temos à nossa frente, não se apresentou pessoalmente, mas falou, e foi feito, e isso ele faz em nosso próprio dia. 1. Isso é voltar à forma original de operar na criação. - É aparentemente um milagre maior do que operar por presença visível; em todo caso os meios são menos aparentes. 2. Este método convém à verdadeira humildade. Nós não exigimos sinais e maravilhas; a palavra é suficiente para nós (Lc 7.7). 3. Isso agrada a grande fé; pois a palavra é a escolhida manifestação de fé de Deus. Ela se alegra mais na palavra do que em todas as coisas visíveis (Sl 119.162).


4. Isso é perfeitamente razoável. Não será uma palavra de mando de Deus o suficiente? Tome nota da lógica do centurião (Mt 8.9). 5. Isso é certo dar certo. Quem pode resistir ao fiat divino, ao "faça-se" de Deus? Em nosso próprio caso, tudo o que precisamos é uma palavra do Senhor. 6. Isso precisa ser a base em que confiamos. Usemos a palavra e oremos para que o Senhor a faça sua própria palavra. De agora em diante, vamos em frente no nome dele, confiando na palavra dele!

INSERÇÕES Mesmo que o telhado do centurião fosse o próprio céu, ele não teria sido digno de ter Jesus debaixo dele, cuja palavra era a palavra todo-poderosa de seu Pai. Tal é o Cristo confessado por aquele que fala "Diz apenas uma palavra". Ninguém a não ser um poder divino é ilimitado: nem tem fé quaisquer outros limites a não ser Deus. Ali não é preciso lugar para os pés para se remover montanhas, ou diabos, apenas uma palavra. Mas diga só a palavra, Ó Salvador; meu pecado será remido, minha alma será sarada, meu corpo será levantado do pó, e ambos alma e corpo serão glorificados (Bispo Hall). "Fui informado", diz Hervey, "que quando o membro do colégio eleitoral de Hanover foi declarado pelo Parlamento da Grã-Bretanha sucessor ao trono vazio, várias pessoas da elite apresentaram-se à Sua Alteza para, em tempo, candidatarem-se a nomeações valiosas. Vários pedidos dessa natureza foram concedidos e confirmados por uma espécie de nota promissória. Um senhor solicitou a mestria como arquivista-mor e juiz da corte de apelação. Sendo favorecido em seu desejo, ofereceram-lhe a mesma confirmação que tinha sido assegurada a outros requerentes bem-sucedidos; com o que ele pareceu dominado por confusão e surpresa agradecida, e implorou que ele pudesse não pôr o doador real a tal esforço desnecessário, protestando que via a palavra de Sua Alteza como a melhor ratificação de seu pedido. Com essa expressão de cortesia, o eleitor ficou muito feliz. 'Este cavalheiro', ele disse, 'me trata como um rei; e, quem quer que fique desapontado, ele certamente será recompensado.'" Nosso Senhor pode curar ou chegando ou falando. Não vamos nós ditar a ele a maneira pela qual ele nos abençoará. Se nos fosse permitida uma escolha, deveríamos escolher o método mais discreto, aquele em que há o mínimo para ser visto e ouvido, contudo, o máximo para ser admirado. Comparativamente, sinais e maravilhas mostram menos dele do que sua palavra nua, que ele tem exaltado acima do seu nome. Maravilhas deslumbram, mas a palavra ilumina. Essa fé que vê o mínimo, vê o máximo, e aquela que não tem olhos para o visível, tem mil olhos para o invisível. Senhor, chega em tua glória e me abençoa, se é tal a tua vontade, mas se tu ficares onde estás, e me abençoares somente através de tua vontade e palavra, eu ficarei bem contente, e até mais se este método mais te honra! (C. H. S.).


40. UM RETRATO DE JESUS Ao ver as multidões, ele teve compaixão delas (Mateus 9.36).

A expressão é muito forte no original. Tudo o que estava dentro dele foi comovido por aquilo que ele estava vendo. Ele estava cheio de emoção, e mostrava isso em toda a sua pessoa. Sua compaixão anelante se reuniu em torno das pessoas. - Mostre o quadro de Jesus sob forte emoção. - Este é o retrato dele quando ele apareceu em muitas ocasiões. - Na verdade, as palavras diante de nós podem resumir sua vida inteira. Vamos contemplar a compaixão dele como manifesta em:

I. AS GRANDES TRANSAÇÕES DE SUA VIDA. 1. O pacto eterno, em sua concepção, organização, provisões é cheio de compaixão. 2. A encarnação de nosso Senhor mostra compaixão sem igual. 3. Sua vida na carne entre os homens declara isso. 4.Ter ele suportado a penalidade de morte é o fruto maior disso. 5. Sua intercessão por pecadores prova a continuação disso. O assunto é amplo. Em cada ato de sua graça, o Senhor do amor manifesta terna piedade aos homens.

II. OS EXEMPLOS ESPECIAIS REGISTRADOS PELOS EVANGELISTAS. 1. Em Mateus 15.32, nós vemos uma multidão desfalecendo, faminta. - Uma multidão é um espetáculo triste: um povaréu, quando desfalecendo, é mais ainda. - Tais multidões estão perecendo em nossas cidades hoje. 2. Em Mateus 14.14, os doentes são os mais visíveis na multidão. - Jesus viveu num vasto hospital, ele mesmo sofrendo, bem como curando, as doenças dos homens.


- Ninguém pode contar o quanto foi profunda a sua piedade por humanidade sofredora. 3. No caso mencionado no texto, ele viu uma multidão ignorante, negligenciada e perecendo. - As tristezas, os perigos e os pecados de ignorância espiritual são grandes. - O Senhor Jesus é o pastor dos não pastoreados. 4. Em Mateus 20.34, nós vemos os cegos. Jesus tem compaixão dos espiritualmente cegos. - Demore nos detalhes interessantes dos dois homens cegos. 5. Em Marcos 1.41, nós vemos o leproso. Cristo tem dó de homens poluídos pelo pecado. - Jesus compadeceu-se do homem que disse: "Se quiserdes, podes purificar-me." 6. Em Marcos 5.19, temos o demoníaco. Jesus tem piedade de almas tentadas. - O homem de quem ele expulsou uma legião de demônios era para ser temido, mas o Senhor nada deu-lhe senão compaixão. - Ele tem piedade em vez de culpar aqueles que são muito atormentados pelo diabo. 7. Em Lucas 7.13, encontramo-nos com a viúva de Naim. Os desolados por perda de parentes, a viúva e os que não têm pai são especialmente chegados ao coração de Jesus. Estes exemplos devem incentivar casos semelhantes a esperar em nosso Senhor.

III. AS PREVISÕES DA COMPAIXÃO. Conhecendo a nossa ignorância, necessidades, tristezas, o Senhor Jesus já providenciou de antemão para nossas carências: 1. A Bíblia para o nosso direcionamento e consolo. 2. O pastor para falar de homem para homem, ternamente, experimentalmente. 3. O Espírito Santo para consolar-nos e ajudar em nossa enfermidade em oração. 4. O propiciatório (Êx. 24.12) como nosso recurso constante: a presença de Deus para nossa oração. 5. As promessas para serem nosso alimento perpétuo.


6. As ordenanças para ajudarem nossas memórias e tornarem a verdade vívida para nós. Todo o sistema revela um Salvador muitíssimo compassivo.

IV. NOSSAS RECORDAÇÕES PESSOAIS PROVAM ESTA COM-PAIXÃO. Vamos nos lembrar de quão ternamente ele trata conosco. 1. Ele moderou nossas convicções com intervalos de esperança. 2. Ele os terminou antes que nos levassem ao desespero. 3. Ele tem moderado nossas aflições, e nos tem sustentado sob o peso delas. 4. Ele nos tem ensinado, à medida que somos capazes de suportar a carga: "Tenho muitas coisas para dizer a vós, mas não as podeis suportar agora." 5. Ele nos deu tarefas graduadas, para assumirmos gradativamente. 6. Ele tem voltado a nós em amor depois de nossos passos para trás (nossas apostasias). Confiemos nesse misericordioso tratamento divino para conosco. Vamos recomendá-lo a outros à nossa volta. Imitemos isso tratando com compaixão os nossos companheiros.

DETALHES PARA O RETRATO A tradução literal é "todas as suas vísceras estavam agitadas e tremiam com simpatia e compaixão." Os antigos acreditavam que os intestinos (ou vísceras) eram o assento da afinidade ou compaixão, misericórdia. A palavra grega usada aqui para indicar compaixão é a mais expressiva que a linguagem humana é capaz de empregar, tanto que nossa versão deixa completamente de transmitir a vastidão e plenitude do sentido do original (Dr. Cumming). Compare a impressão produzida em Xerxes ao contemplar seu exército enorme. "Seu coração dilatou-se dentro dele à vista de tão vasta assembléia de seres humanos, mas seus sentimentos de orgulho e prazer logo cederam à tristeza, e ele caiu no choro com a reflexão de que em cem anos nem um só deles estaria vivo." Como uma mãe de coração terno rogaria com um juiz a favor de seu filhinho que está ali pronto para ser condenado! Ah, como suas vísceras trabalhariam, como suas lágrimas rolariam; que retórica de choro ela usaria diante do juiz por misericórdia! Assim, o Senhor Jesus é cheio de empatia e ternura (Hb 2.17), para que possa ser um Sumo Sacerdote misericordioso. Embora ele tenha deixado a sua paixão, contudo, não deixou a sua compaixão. Um advogado comum não é afetado pela causa que ele advoga, nem ele se importa em como se sai; o lucro faz com que ele suplique, não a afeição. Mas Cristo intercede com sentimento, e o que o faz interceder com afeto é que é a sua própria causa que ele roga na causa de seu povo (Thomas Watson).


"Cinco centenas de milhões de almas", exclamou um missionário (há muitos anos atrás), "são representados como incultos, ignorantes! Eu não posso, mesmo que quisesse, desistir da idéia de ser um missionário, enquanto eu estiver refletindo neste vasto número de meus companheiros em pecados, que estão perecendo por falta de conhecimento. 'Cinco centenas de milhares' se intrometem em minha mente onde quer que eu vá, e seja como for que eu esteja ocupado. Quando me deito, é a última coisa que volta à minha memória; se acordo dentro da noite, é para meditar nisso somente e, pela manhã, em geral, é a primeira coisa que ocupa meus pensamentos." Podemos supor que nada havia na aparência externa destas multidões que, ao olho comum, indicaria sua triste condição. Podemos supor que eles eram "bem-alimentados e bem-vestidos", e que seus corações, sob a influência de números, como é geralmente o caso, estavam animados com excitamento aprazível, que bom humor iluminava seus rostos, e avivava sua conversa, e que--tanto para si mesmos como para o espectador comum--eles eram um povo feliz. Mas ele, que não vê como o homem vê, baixou o olhar através da corrente superficial de excitamento animado que agora fluía e brilhava, e via--o quê? Intelecto escravizado, razão cega, faculdades morais paralisadas, almas fracas e perdidas, "espalhadas por aí como ovelhas que não têm pastor "(David Thomas).

41. CABELOS NUMERADOS "Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados" (Mateus 10.30).

Quanto o Senhor Jesus considera os nossos temores! Ele sabia que seu povo seria perseguido e buscava alegrá-los. Que doce e familiar a maneira como ele colocava as coisas! Ele condescende em falar sobre os cabelos de nossa cabeça. Aqui está um provérbio, simples nas palavras, mas sublime no sentido. Parece que vemos quatro coisas nesta sentença.

I. PRÉ-ORDENAÇÃO. O texto pode ser lido, "têm todos sido numerados." É do passado bem como do presente. 1. Sua extensão. Predestinação se estende a tudo. - Todo o homem; seu ser como um todo é conhecido. "Foram escritos no teu livro" (Sl 139.16).


- Tudo o que diz respeito a ele já é conhecido, até o seu cabelo, que pode ser raspado sem prejuízo à vida ou saúde. - Tudo o que ele faz, mesmo o mínimo e mais casual pensamento, ou ato. - Tudo o que ele passa. Pode afetar os cabelos e mudar sua cor, mas cada fio de cabelo grisalho por tristeza é numerado. A fonte disso. O contar é feito pelo Senhor. 2. Suas lições. Jesus menciona esta ordenação com um propósito. - Para fazer-nos corajosos sob provação. - Para ensinar-nos a ser submissos. - Para ajudar-nos a ser esperançosos. - Para induzir-nos a ser alegres. 3. Sua influência. Enobrece-nos sermos assim predestinados de minuto em minuto. Se Deus planeja até nossos cabelos, somos mesmo honrados. Ser o assunto de um propósito divino de graça é uma glória.

II. CONHECIMENTO. Somos conhecidos tão bem até a ponto de ter nossos cabelos contados. Com respeito a este conhecimento divino, vamos notar: 1. Seu caráter - Preciso: "Os próprios cabelos de sua cabeça." - Completo: O homem todo, espírito, alma e corpo, é assim seguramente bem conhecido pelo Senhor onisciente. - Preeminente. Deus nos conhece melhor do que nós nos conhecemos, ou do que outros nos conhecem, pois nem nós nem eles já contaram os cabelos de nossa cabeça. - Terno. Assim a mãe valoriza cada fio de cabelo de sua filha querida. - Simpatizante. Deus entra nas preocupações, nos anos e nas doenças que os cabelos de um homem registram. - Constante. Nem um cabelo cai de sua cabeça sem Deus. 2. Suas lições.


- Com respeito à consagração, somos ensinados que nossas partes menos preciosas são do Senhor, e são incluídas no inventário real. Não usemos nem nosso cabelo para a vaidade. - Com respeito à oração. Nosso Pai celeste sabe de que coisas nós necessitamos. Nós não oramos para informá-lo de nosso caso. - Com respeito às nossas circunstâncias. Estas estão diante da mente divina, sejam pequenas ou grandes. Visto que matérias pífias como nossos cabelos são catalogados pela Providência, estamos assegurados de que maiores assuntos estão diante dos olhos do Pai.

III. VALORIZADOS. Os cabelos de nossa cabeça são contados porque são valorizados. Estes foram santos pobres que eram assim avaliados tão altamente. A numeração mencionada no texto sugere algumas perguntas: - Se cada fio de cabelo é valorizado, o que devem valer suas cabeças? - O que devem valer seus corpos? - O que devem valer suas almas? - O que devem ter custado ao Senhor, seu Redentor? - Como é possível pensar que ele perderá um deles? - Nós não deveríamos estimá-los grandemente? - Não é nosso dever, nossa honra, nossa alegria buscar aqueles que não foram ainda chamados pela graça?

IV. PRESERVAÇÃO. Os cabelos de sua cabeça estão todos numerados, porque eles são para ser preservados de todo mal. 1. Da mínima perda verdadeira nós somos segurados por promessa. "Nem um fio de seu cabelo perecerá" (Lc 21.18). 2. De perseguição seremos salvos. "Não tenham medo deles" (Mt 10.28). 3. De acidente. Nada pode nos fazer dano a não ser que o Senhor permita.


4. De necessidade. Você não perecerá de fome, de sede ou de nudez. Deus guardará cada cabelo de sua cabeça. 5. De doença. Ela lhe santificará em vez de lhe prejudicar. 6. De morte. Na morte, nós não somos perdedores, e sim ganhadores infinitos. - A ressurreição restaurará o homem completo. Para nós mesmos vamos confiar, e não temer. Vamos colocar alto valor em almas, e sentir amor sincero para com eles. GRAMPOS "Cabelos"--dos quais vós mesmos sois descuidados. Quem se importa com os cabelos uma vez puxados por um pente? Um cabelo é uma expressão proverbial para dizer uma ninharia absoluta (John Albert Bengel). Se Deus enumera seu cabelo, muito mais ele enumera as cabeças deles, e cuida de sua vida, de seu conforto, de sua alma. Isso dá a entender que Deus cuida mais deles do que eles cuidam de si. Aqueles que são solícitos em contar seu dinheiro, e bens, e gado, contudo nunca foram cuidadosos para contar seus cabelos, que caem e são perdidos, e nunca sentem falta deles: mas Deus enumera os cabelos de suas pessoas, e nem um fio de cabelo de sua cabeça perecerá (Lucas 21.18). Nem o mínimo mal lhes será feito, senão numa consideração valiosa: tão preciosos para Deus são os seus santos, e suas vidas e mortes (Matthew Henry). Existem aqueles que suspiram que não têm coração querido, que não são os mais amados de ninguém--Ó vã suspiro! Do peito do seu amor, ele dispensa-O pai dispensa o filho, para tu morreres: Por ti ele morreu--por ti reviveu: Sobre ti ele vigia em seu reino sem limites. Tu és tanto o cuidado dele, como se além disso Nem homem nem anjo, no céu ou na terra, vivesse. Assim raios de sol caem iguais em sua maré gloriosa Para iluminar mundos, ou acordar o riso de um inseto. Brilham, brilham, sem que se acabe o suprimento-Tu és o amado do teu Salvador--não queiras mais (John Keble). Um mártir italiano, no século XVI, foi cruelmente tratado nas prisões da Inquisição. Seu irmão, que com grande dificuldade obteve uma entrevista com ele, ficou profundamente emocionado por ver seu sofrimento. "Meu irmão", disse o prisioneiro, "se você é um cristão, por que se aflige deste modo? Você não sabe que uma folha não pode cair ao chão sem a vontade de Deus? Console-se em Cristo Jesus, pois as presentes aflições não podem ser comparadas com a glória que virá." Se pestilência assola toda a terra, dizes "Senhor Deus o fez"; Não é Deus também que traz o afídio à rosa em botão? Se avalanche rola dos alpes, é a divina Providência; E não é Deus que age quando as folhas velhas caem ao chão? (John Keble)


42. JESUS CHAMANDO "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu lhes darei descanso" (Mateus 11.28).

Este texto é freqüentemente usado para sermão, mas nunca é demais, visto que as tristezas com as quais trata sempre são encontradas, e o remédio é sempre eficaz. Desta vez, o objetivo é olhá-lo do ponto de vista de nosso Senhor. Ele roga aos cansados que venham a ele. Ele implora para que aprendam com ele. Ele não só recebe aqueles que vêm, como implora que venham. Que desejo é esse que queima em seu seio? E de onde vem? Vamos considerar isso cuidadosamente:

I. QUEM É ELE? 1. Alguém que foi rejeitado, contudo, clama "Venham a mim." 2. Alguém cuja rejeição nos envolve em temerosa culpa, contudo, se dispõe a perdoar e a conceder descanso se viermos. 3. Quem conhece o propósito de seu Pai, mas não teme dar um convite urgente para todos os que trabalham e estão sobrecarregados. 4. Quem tem todo o poder para receber os que vêm, e dar descanso a todos eles. Esse não é um convite em vão, que diz mais do que significa. 5. Quem como filho de Deus é infinitamente bendito e, contudo, encontra nova alegria em dar descanso a homens cansados, desassossegados.

II. QUEM ELE CHAMA E POR QUÊ? 1. Trabalhadores que têm mais do que podem fazer, inquietos, infelizes. - Estes ele chama a si para que lhes possa dar descanso, e fazer com que possam achar repouso. 2. Os sobrecarregados, com mais do que agüentam: oprimidos, tristes, prontos para morrer. 3. Os pobres e analfabetos que precisam ser ensinados.


4. Os espiritualmente carregados, que precisam muito de uma mão que os ajude, e só conseguem achá-la nele.

III. QUE É QUE CAUSA O SEU DESEJO POR ELES? Não sua própria necessidade deles. Não o valor pessoal deles. Nem algo que eles são ou podem um dia ser. Mas: 1. Ele tem amor por nossa raça: "Eu me alegrava com o mundo... e a humanidade que ele criou" (Pv 8.31). Ele queria tê-los descansando consigo. 2. Ele mesmo é um homem, e conhece as necessidades de homens. 3. Ele fez tanto para comprar-nos o descanso que ele desejou dá-lo a nós. 4. Ele se deleita em fazer cada vez mais por nós: é sua alegria dar boas coisas aos homens. 5. Ele sabe qual será nossa ruína a não ser que encontremos descanso nele. 6. Ele conhece qual será nossa felicidade se nos chegarmos a ele.

IV. COMO É ENTÃO QUE VAMOS TRATAR ESTE CHAMADO? 1. É muito sincero, vamos atendê-lo. 2. É muito simples; que mesmo os mais pobres se apeguem a ele. 3. Isso nos convém exatamente. Não satisfaz também a você? 4. É muito agradável, vamos aceitá-lo.

ECOS A mais condescendente afeição que ele demonstrou, os mais graciosos convites que ele fez, foram naquelas ocasiões em que ele teve uma percepção de sua glória de maneira toda particular, para mostrar sua intenção em possuí-la. Quando ele falou de todas as coisas serem entregues a ele por seu pai, um convite a homens para se chegarem a ele é o uso que ele faz disso (Mt 11.2728). Se esse é o uso


que ele faz de sua glória, convidar-nos, então deve ser o uso que cabe a nós nos pensamentos a respeito, o de aceitarmos a sua oferta. "Venham a mim" é o convite do abençoado, tão intensamente humano, embora tão gloriosamente divino, "A mim", em cujos braços criancinhas foram abraçadas, em cujo peito um fraco mortal recostou: "a mim", que sou um que teve fome, sede, que ficava cansado, lamentava, e mesmo assim cujo amor, e pesar, e dores, e lágrimas, foram a expressão de emoções sentidas no poderoso coração de Deus (Caird). Senhor, eu convidei a todos, E eu irei Ainda convidar, ainda chamar a ti: Pois parece apenas justo e direito ao meu ver, Que onde está tudo, ali tudo deva estar (George Herbert). Corra assim--de você para mim, e eu para você. Aqui há uma comunhão dupla montada. Isso é totalmente vantagem nossa e a demonstração da grande graciosidade de nosso Senhor. Nós chegamos, e nisso ele obtém a companhia de um pedinte, um leproso, um paciente, um rebelde repelente: isto não é ganho para ele em nada exceto sua compaixão. Mas certamente ele espera algo de nós para recompensá-lo por nos receber? De modo algum. É para virmos a ele, não para que lhe possamos dar algo, mas para que ele possa dar tudo a nós. Que Senhor este é!

43. DE VINTE E CINCO A TRINTA E CINCO Por volta das nove horas da manhã, ele saiu e viu outros que estavam desocupados na praça, e lhes disse: 'Vão também trabalhar na vinha, e eu lhes pagarei o que for justo' e eles foram. (Mateus 20.3-4) A razão de empregar estas pessoas deve ter sido pura bondade. Com certeza, o bom homem podia ter esperado até a manhã seguinte; mas ele caridosamente escolheu empregar os que estavam necessitados imediatamente. Ele não precisava de trabalhadores, mas os pobres homens precisavam de seus trocados. Certa-mente, é a graça soberana que leva o Senhor Deus a contratar trabalhadores tão miseráveis como nós somos. Vamos indagar:

I. DE QUE MANEIRA PODE-SE DIZER QUE O SENHOR SAI? 1. Visto que o impulso vem primeiro em cada caso, nenhum entra na vinha enquanto ele não o chama. 2. Visto que há épocas de avivamento, quando o Senhor sai pelo poder de seu Espírito, e muitos são trazidos para dentro.


3. Visto que há tempos de visitação pessoal com a maioria dos homens quando são especialmente movidos a coisas santas.

II. QUAL É A HORA MENCIONADA AQUI? Representa o período entre os 25 e 35 anos de idade mais ou menos. 1. O orvalho das primeiras e melhores horas matutinas já se foi. 2. Hábitos de ócio têm sido adquiridos por ficarem parados na praça tanto tempo. É mais difícil começar na terceira hora do que na primeira. Ociosos parados são geralmente estragados por seus hábitos de ócio. 3. Satanás está pronto com tentação para atraí-los a seu serviço. 4. Seu sol pode se pôr de repente, pois a vida é incerta. Muitas vezes, um dia da vida se fechou na terceira hora. 5. Oportunidade boa para trabalho ainda resta, mas vai passar rapidamente à medida que as horas vão passando. 6. Por enquanto, o mais nobre de todo serviço não foi começado, pois só trabalhando para o Senhor pode a vida se tornar sublime.

III. O QUE ESTAVAM FAZENDO AQUELES COM QUEM ELE FALOU? "Estavam de pé desocupados na praça." 1. Muitos estão completamente à toa. São vadios e diletantes frívolos, que nada têm para fazer. 2. Muitos são ociosos com negócios difíceis, cansados com ocupações que nada realizam de valor real. 3. Muitos são ociosos por causa de sua constante indecisão. Instáveis como água eles não sobressaem (Tiago 1.6). 4. Muitos são ociosos embora cheios de intenções de lutar; mas até agora suas decisões não foram levadas adiante.

IV. QUE TRABALHO O SENHOR GOSTARIA QUE FIZESSEM? Ele gostaria que trabalhassem por dia em sua vinha.


1. O trabalho é dos que muitos dos melhores homens gostam de fazer. 2. O trabalho é apropriado e lhe cabe bem. 3. Para esse trabalho, o Senhor achará para você instrumentos e forças. 4.Você trabalhará com o seu Senhor, e assim será enobrecido. 5. Seu trabalho será cada vez mais agradável para você. 6. Seu trabalho será recompensado graciosamente no final.

V.O QUE ELES FIZERAM EM RESPOSTA A SEU CHAMADO? "Eles foram" (Mt 20.5). Que você, que está numa hora do dia semelhante, os imite! 1. Eles foram imediatamente. A parábola indica serviço imediato. 2.Trabalharam com força de vontade. 3. Nunca deixaram o serviço, mas ficaram ali até anoitecer. 4. Receberam a recompensa total no fim do dia. Oremos ao Senhor para que nós saiamos entre nossos homens e mulheres jovens. Esperemos ver tais entrarem na igreja, e que os guiemos em seu trabalho, pois eles entram na vinha para trabalhar. Vamos perguntar se alguns virão agora.

PÁS Você nunca pensou com grande tristeza nos muitos homens e mulheres sobre a nossa Terra cujas vidas são inúteis? Você nunca refletiu sobre os milhões de pessoas que desperdiçam seus pensamentos, seus afetos, suas energias, todas as suas forças, que a frivolidade dissipa como a areia do deserto absorve a água que do céu é enviada? Esses seres seguem em frente sem se perguntarem em que direção eles viajam ou por que razão estão aqui (Eugene Bersier). Toda atividade fora de Cristo, todo o trabalho que não é trabalho na sua igreja é à vista dele um "estar desocupado"(Arcebispo Trench). Um bom ministro, agora no céu, certa vez pregou para sua congregação um sermão poderoso, baseado nas palavras de Cristo: "Por que vocês estão aqui desocupados o dia todo?" O sermão fez bem para muitos, entre os quais estava uma senhora que foi ao pastor no dia seguinte e falou: "Doutor, eu quero uma pá." "Deveríamos ficar contentes de pôr pás nas mãos de todos os nossos amigos desocupados. Há pás de escola dominical, pás de salas de missão, pás de distribuição de panfletos, pás de visitas a doentes. Quem se prontifica a recebê-las?" (Home Evangel).


O que posso fazer para a causa de Deus ajudar? Podem fracas forças minhas contribuir Para o grande projeto avançar? Não por mãos novas os maiores esforços são feitos, Não os esforços ingentes; mas uma mente disposta, Mãos não fortes, mas com vontade O vinhedo do Senhor deve exigir: E cada idade um trabalho encontrará. Venha na infância--à porta do vinhedo-A criancinha tira um matinho, Ou deixa ali cair uma sementinha. Cuide das raízes, venha logo cedo, Treine rebentos novos--ou plante sementes, Há trabalho que precisa de braço mais forte, Mas todos têm lugar para ajudar. Então por que em ócio e pecado esperar Para mover o solo endurecido, Para abaixar e endireitar ramo caído? Para operar a prensa de vinho cheia e rubra, Ou enfeitar em flores o caminho que era tão escuro e agreste (J. H. Clinch). "Você não está suspirando pelo descanso celestial?", disse Whitefield a um velho ministro. "Não, claro que não", foi a resposta. "Por que não?", disse o primeiro, surpreso. "Ora, meu bom irmão", respondeu o santo idoso. "Se você fosse mandar seu servo aos campos, para fazer uma certa porção de trabalho para você, e prometesse darlhe descanso e comida ao entardecer, o que você diria se o encontrasse débil e descontente no meio do dia, murmurando: "Deus me dera que já fosse noite"? Você não o mandaria levantar e agir, e terminar seu trabalho, e então ir para casa e apreciar o descanso prometido? Assim Deus requer de você e de mim que, em vez de procurarmos uma noite de sábado, que façamos nosso trabalho do dia no dia."

44. SALVE! "E foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus. De repente, Jesus as encontrou e disse: "Salve!" Elas se aproximaram dele, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. Então Jesus lhes disse: "Não tenham medo. Vão dizer a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá eles me verão" (Mateus 28.9-10).

TUDO o que diz respeito a nosso Senhor depois de sua ressurreição é calmo e feliz. Um escritor francês chama os quarenta dias na terra de "a vida de Jesus Cristo em glória": verdadeiramente foi glória tão grande como a terra podia suportar na época. Seu túmulo estava vazio, e conseqüentemente as tristezas dos discípulos teriam sido sobre se eles tinham entendido completamente o que aquele túmulo vazio significava. Então, houve o tempo tão especial deles de comunhão viva com seu Senhor ressuscitado e ele não deixou de dar-lhes o privilégio em muitas ocasiões memoráveis. Visto que,


nosso Senhor está ressuscitado, nós também podemos ter uma feliz comunhão com ele. Estes são dias em que podemos esperar que ele se manifeste a nós espiritualmente, como fez por quarenta dias aos discípulos corporalmente. Não fiquemos satisfeitos a não ser que outros digam de nós: "Jesus se encontrou com eles."

I. NO CAMINHO DE SERVIÇO JESUS SE ENCONTRA CONOSCO. "Foram correndo anunciá-los aos discípulos. De repente, Jesus as encontrou." 1. Ele pode vir em outras ocasiões, como fez àqueles que visitaram a sepultura, para aqueles que caminhavam para Emaús, a outros que pescavam, e para os onze reunidos para consolo mútuo. 2. É mais provável que ele venha quando estamos fazendo a obra dele, visto que: - Estamos, nessa hora, acordados e mais aptos a vê-lo. - Estamos então com necessidade especial dele. - Estamos então mais em acordo com ele. 3. Mas venha Jesus quando vier, será uma visita abençoada, digna de ser prefaciada por um "Salve!". Ah, se ele viesse agora!

II. QUANDO JESUS SE ENCONTRA CONOSCO, ELE SEMPRE TEM UMA BOA PALAVRA PARA NÓS. O lema mais certo para a comunhão da ressurreição é "Salve!" 1. Uma palavra de saudação. Ele não se envergonha de chamar-nos de irmãos, e receber-nos com "Salve!" 2. Uma palavra de bênção. Ele nos deseja tudo de bom e expressa seu desejo vigoroso e santo pela palavra "Salve!" 3. Uma palavra de felicitação. Ele estava feliz de ver essas mulheres, ele deu-lhes boas novas, ele as mandou ficarem felizes, ele estava feliz com elas, dizendo "Salve!" 4. Uma palavra de pacificação. Ele depois disse "Não temais", mas isso foi praticamente contido em seu "Salve!" Sua presença nunca tem má intenção; sempre nos opera saúde.


III. QUANDO JESUS SE ENCONTRA CONOSCO, CONVÉM NÓS NOS ACORDARMOS. Devemos em tais horas ser como os discípulos, que estavam: 1. Totalmente vivos com energia esperançosa. "Elas vieram." Com pressa ansiosa, chegaram perto dele. Que vida isso poria em pregadores e ouvintes se o Senhor Jesus manifestamente aparecesse a eles? O enfado desaparece quando Jesus é visto. 2. Totalmente cheios de excitamento feliz. Seguraram-no pelos pés, quase não sabendo o que faziam, mas encantados por vê-lo. 3. Totalmente ardentes com amor reverente. Elas "o adoraram." Com que vigor lançavam-se nessa humilde adoração! 4. Totalmente admirados de sua glória. Eles ficaram prostrados, e começaram a temer. 5. Cheios de medo de perder a felicidade. Seguraram-no pelos pés.

IV. DE REUNIÃO ASSIM, DEVEMOS PASSAR PARA MAIS UM DEVER. 1. Precisamos rogar estarmos absortos como desculpa por inatividade, mas então precisamos "ir" a mando de nosso Senhor. 2. Precisamos buscar o bem de outros por causa do relacionamento deles com nosso Senhor. Ele diz: "conte a meus irmãos." 3. Precisamos comunicar o que nosso Senhor comunicou--"ide contar". 4. Precisamos encorajar nossos irmãos assegurando-lhes que alegria semelhante à nossa os aguarda--ali eles me verão. Assim é que poderemos melhor perceber e reter os benefícios preferidos de comunicação com o Senhor. Não só para nós mesmos, mas principalmente em benefício de outros, é que iremos contemplar nosso Senhor. Vamos ao trabalho mais santo esperando conhecer Jesus à medida que prosseguimos. Vamos ao trabalho mais santo quando já o encontrarmos. Vamos trabalhar para "permanecer nele", aguardando sua vinda prometida e exortando outros a fazerem o mesmo.

ILUSTRATIVO Diz-se que um diplomata empreendedor certa vez perguntou ao imperador Nicolas quem era o mais ilustre de seus súditos. O czar respondeu que o mais ilustre russo era qualquer pessoa que o imperador honrava dirigindo-lhe a palavra. A vaidade real ditou


essa resposta, mas nós falamos "palavras de verdade e sobriedade" quando dizemos que o mais ilustre dos homens é aquele que o Senhor das hostes honra, recebendo-o para a comunhão consigo mesmo. "Fala, Senhor, porque teu servo ouve." Em vão tu lutaste para agir bem livre, Eu nunca soltarei o meu apego; És tu o homem que morreu por mim? O segredo deste amor teu me explica, Lutando, eu não o deixarei sair, Até que eu saiba o nome teu, tua natureza. Há uma lenda que ilustra bem a bênção de cumprir o nosso dever a qualquer custo. Um monge havia tido uma bela visão de nosso Salvador e, em êxtase silencioso, estava contemplando-a. Chegou a hora em que era seu dever alimentar os pobres ao portão de seu mosteiro. Por vontade própria, ele teria demorado mais em sua cela a fim de apreciar a visão, mas, por consciência do dever, ele saiu de lá para ir cumprir seu humilde dever. Quando voltou, encontrou a abençoada visão ainda aguardando-o e ouviu uma voz: "Tivesses tu ficado, eu teria ido. Como tu foste, eu aqui fiquei." É uma bênção sair com a mensagem do Mestre depois de tê-lo visto; é delicioso encontrá-lo no caminho quando vamos contar a seus discípulos, e é prazer impossível de expressar encontrá-lo na assembléia testificando junto a nós. Ir do Senhor para o Senhor, com o Senhor é tão agradável combinação que não pode ser descrita, mas deve ser pessoalmente vivida. O Senhor Jesus não é de modo algum sovino em sua conversa com os seus: ele nos encontra tantas vezes quanto nós estamos bem para ser encontrados, e mais vezes; e ele usa as familiaridades como nunca seriam esperadas, não tivessem já sido apreciadas. Quem sonharia dele dizer "Salve!" se ele mesmo não tivesse escolhido o termo? (C. H. S.). Um bom tema poderia ser encontrado nas palavras da mensagem registrada em nosso texto. Jesus prepara seus mensageiros dizendo: "Não temais." Aqueles que levam mensagens para ele deveriam ser calmos e felizes. Ele chama seus discípulos por um nome doce "meus irmãos", convida-os a encontrá-lo, diz o nome de um lugar de encontros amorosos conhecido, e promete estar ali. Esqueçam as outras coisas, agora é este o principal dever, estar na Galiléia para comunhão de espírito com ele, para estarem lá ao seu dispor e receber a sua incumbência (C. H. S.).

45. RESISTÊNCIA À SALVAÇÃO "E gritou em alta voz: 'Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes" (Marcos 5.7).

A vinda de Jesus a um lugar põe tudo em agitação. O evangelho é um grande perturbador de paz pecaminosa.


Como o sol entre animais ferozes, corujas e morcegos, cria um movimento. Neste caso, uma legião de demônios começou a se mexer.

I. O DEMÔNIO GRITA CONTRA A INTROMISSÃO DE CRISTO. "Que tenho eu contigo?" 1. A natureza de Cristo é tão contrária àquela do diabo que guerra é inevitável logo que Jesus sai de cena. 2. Não há planos de graça para Satanás e, portanto, como ele nada tem para esperar de Jesus, ele teme a sua vinda. 3. Ele deseja ser deixado em paz, pois, descuido, estagnação e desespero combinam com os planos dele. 4. Ele reconhece sua falta de poder contra o Filho do Altíssimo Deus, e não deseja tentar uma queda-de-braço com ele. 5. Ele teme sua sentença, pois Jesus não hesitará em atormentá-lo à vista de bem feito, e mal vencido.

II. HOMENS SOB A INFLUÊNCIA DO DIABO GRITAM CONTRA A VINDA DE CRISTO PELO EVANGELHO. 1. A consciência é temida por eles; não desejam que seja perturbada, instruída e colocada no poder. 2. A mudança é temida por eles; pois amam o pecado, os seus ganhos e prazeres, e sabem que Jesus guerreia contra essas coisas. 3. Reivindicam o direito de ser deixados em paz; esta é sua idéia de liberdade religiosa. Não querem ser questionados nem por Deus nem pelo homem. 4. Argumentam que o evangelho não os pode abençoar. - Não esperam nada dele, pois não conhecem suas ricas bênçãos, nem o poder da graça soberana, todo-poderosa. - Acham-se muito pobres, muito ignorantes, muito ocupados, muito pecaminosos, muito fracos, muito envolvidos e até muito velhos para receber qualquer bem do evangelho. 5. Eles vêem Jesus como um atormentador, que lhes roubará prazer, ferroará suas consciências e os dirigirá a deveres detestáveis. - Portanto clamam: "Que temos nós que ver contigo?"


III. HOMENS SÓBRIOS PODEM RESPONDER A ESSES GRITOS. Eles procuram responder à pergunta: O que tenho eu a ver contigo?" Eles lembram um fato e fazem uma pergunta. 1. Eu tenho a ver com ele inevitavelmente. - Ele veio salvar, e eu sou responsável por aceitar ou recusar sua graça. - Eu sou criatura dele, já que ele é o Filho de Deus, e ele tem poder sobre mim, e tem direito à minha obediência. - Eu estou sob seu governo, e ele me julgará no dia final. 2. Tem ele a ver comigo graciosamente? - Ele tem a ver comigo pelo evangelho que ele me enviou. - Ele tem muito abundantemente a ver comigo se trabalhou o arrependimento, a fé, a oração em mim. - Ele tem tudo a ver comigo se já me concedeu perdão, paz, santificação.

IV. HOMENS SALVOS DE SATANÁS LEVANTAM UM GRITO OPOSTO. De acordo com o caso diante de nós nesta narrativa: 1. Eles rogam para sentar-se aos pés de Jesus, vestidos, e em pleno uso de suas faculdades mentais. 2. Eles pedem para estar com ele sempre, e nunca deixarem de atender pessoalmente a ele. 3. Eles vão ao seu mando, e publicam a todos que grandes coisas Jesus já fez por eles. 4. Daqui em diante eles nada têm a fazer senão viver por Jesus, e por ele somente. Venham, vocês desprezadores, e enxerguem-se como um espelho! Olhem até que se vejam transformados.

CASOS A RESPEITO A conversão é temida por homens naturais como sendo um grande perigo, com receio de que sejam incumbidos da dor e trabalho de piedade; pois homens não fogem de nada


senão daquilo que compreendem como mau, perigoso e, portanto, do verdadeiro objeto de medo. Ora, quando Felix e Agripa estavam ambos na roda do grande Oleiro, eu não posso dizer que a conversão foi formalmente iniciada, contudo, materialmente foi mesmo. Um tremeu, e estava com tanto medo que fugiu, e guardou Paulo para outra ocasião. Ele viu o perigo da graça (Atos 24.25-26) e fugiu dela. O outro disse que ele já era meio cristão (mas foi a metade mais pobre), e "ele se levantou, e saiu" (Atos 26.28, 30). "Seus olhos eles fecharam, para que em nenhum tempo vissem com seus olhos, e ouvissem com seus ouvidos, e entendessem com seu coração, e fossem convertidos, e eu os sarasse" (Mt 13:15), em cujas palavras é evidente que a conversão é temida como um mal. Um patife uma vez brincou que ele esteve um dia em perigo de ser apanhado, quando um pastor puritano, conforme ele disse, "estava pregando com poder divino, e evidência do Espírito de Deus" (Samuel Rutherford). Diz-se que Voltaire, sendo pressionado em seus últimos momentos a reconhecer a divindade de Cristo, se voltou para o outro lado e disse fracamente: "Pelo amor de Deus, não mencione aquele homem--permita-me morrer em paz!" Certa noite, alguns jovens estavam sentados num armazém no sítio, contando no que eles não acreditavam, do que não tinham medo de acreditar e o que não tinham medo de fazer. Finalmente, o líder do grupo observou que, por ele, estaria disposto em qualquer tempo a assinar desistência de todo seu interesse em Cristo por uma nota de cinco dólares. "Será que eu entendi bem o que você está dizendo?", perguntou um velho lavrador que também estava no armazém e ouviu o comentário. "Eu disse que por cinco dólares eu desistiria de todo meu interesse em Cristo, e eu o farei." O velho fazendeiro, que tinha aprendido a conhecer o coração humano até bem, puxou sua carteira de couro, tirou de lá uma nota de cinco dólares e a colocou na mão do dono da loja. Depois, pedindo tinta e papel, ele disse: "Meu jovem amigo, se você vier à mesa agora e escrever como eu ditar, o dinheiro é seu." O jovem pegou a caneta, e começou. "Na presença destas testemunhas, eu, A..... B........, pela soma de cinco dólares recebidos, agora, de uma vez por todas, e para sempre, assino que desisto de todo o meu interesse..." E então deixou cair a caneta, e com um sorriso forçado, disse: "Eu retiro tudo, eu estava só brincando." O jovem não teve coragem de assinar aquele papel. Por quê? Ele tinha uma consciência que o acusava. Sabia que havia um Deus. Acreditava em religião. Tencionava, um dia, ser cristão. E você também, leitor. Apesar de sua aparente indiferença, sua conduta frívola, falar se gabando, você não assinaria essa desistência hoje de seu interesse em Jesus Cristo nem por dez mil dólares. Você não deseja nem espera perder o céu (The Congregationalist American).


46. FÉ FRACA APELANDO A UM SALVADOR FORTE "E imediatamente o pai do menino exclamou [com lágrimas], "Eu creio, Senhor. Ajudame em minha falta de fé" (Marcos 9.24). Aqui estava um homem plenamente despertado para a ansiedade, a oração e o uso de meios, e, mesmo assim, seu desejo não lhe foi concedido imediatamente. Igualmente, muitos estão sendo sinceros sobre suas almas, contudo, não encontram imediatamente a salvação consciente. Isso os leva a tristeza ainda mais profunda. Talvez o caso deste pai pode ajudá-los a compreender o seu próprio. O filho dele não foi curado, e até parecia estar pior do que nunca. No entanto, o caso chegou a um final feliz através do poder de nosso Senhor Jesus Cristo. Vamos observar o caso cuidadosamente:

I. A DIFICULDADE SUSPEITADA. 1. O pai pode ter pensado que a dificuldade estava com os discípulos. - Contudo, sozinhos eles nunca poderiam ter feito nada. -Tivesse seu Senhor estado com eles, eles podiam ter feito tudo. - A principal dificuldade não estava com os discípulos, embora em parte fosse isso. 2. É provável que ele tenha pensado que o caso em si era quase impossível. A doença era: - Tão espasmódica e misteriosa. - Tão terrivelmente violenta e repentina em seus ataques. - Tão profunda e de tão longa continuidade. - Tão perto de destruir totalmente a vida. 3. Ele quase sugeriu que a dificuldade pudesse estar com o Mestre. "Se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos."


- "Se tu podes". Tivesse ele visto a transfiguração, teria sentido o poder e a glória do Senhor. - "Tem compaixão". Pudesse ele ter lido o coração do Senhor, teria sentido certeza de que a compaixão do Salvador já estava despertada. Fique certo, ó coração ansioso, de que a dificuldade do seu caso está somente em sua falta de fé!

II. A DESCOBERTA LACRIMOSA. Ele disse com lágrimas: "Senhor, eu creio. Ajuda tu a minha falta de fé." O Senhor Jesus repudiou a insinuação de que havia qualquer dúvida quanto ao poder dele, e jogou o "se" de volta ao pai com "Se podes crer!" E então: 1. A pequena fé do homem revelou sua falta de fé. 2. Ele ficou estressado e alarmado à vista de sua própria descrença. 3. Ele voltou seus pensamentos e orações nesta direção. Agora não era tanto "Ajuda minha criança", como "Ajuda a minha descrença." 4. Ele ficou profundamente sensibilizado do pecado e perigo da descrença. Olhemos na mesma direção e veremos que descrença é uma coisa alarmante e criminosa; pois ela duvida: - Do poder da onipotência. - Do valor da promessa de Deus. - Da eficácia do sangue de Cristo. - Da prevalência de seu pedido. - Da onipotência do Espírito. - Da verdade do evangelho. De fato, falta de fé rouba Deus de sua glória de todos os modos e, portanto, não pode receber uma bênção do Senhor (Hb 11.6).

III. O APELO INTELIGENTE. "Senhor, eu creio; ajuda tu a minha incredulidade." Em sua grande perplexidade ele clama a Jesus somente: 1. Na base de fé--"Senhor, eu creio."


2. Com confissão de pecado--"minha falta de fé". 3. Àquele que sabe como ajudar nesta matéria--"Ajuda, Senhor." 4. Àquele que é ele próprio o melhor remédio para a falta de fé--"Ajuda tu." Descrença é vencida quando voamos a Jesus, e consideramos: - A majestade de sua natureza divina. - A ternura de sua humanidade. - A graciosidade de suas posições. - A grandeza de sua expiação. - O glorioso objetivo de sua obra. Venha a Jesus com qualquer caso, e em todos os casos. Venha com sua fé pequena e com sua grande falta de fé, pois nesta matéria também ele pode ajudar como ninguém mais. AJUDAS Não há nenhum pecado que não pode ser traçado de volta à descrença (Mason). "Senhor, eu creio". Este ato dele, em colocar abertamente sua fé para crer como podia, foi o caminho para crer como queria (Trapp). Um moço, no século XVII, estando em profunda aflição mental, procurou o Dr. Goodwin para se aconselhar e se consolar. Depois que expôs diante dele a longa e negra lista de pecados que perturbavam sua consciência, o doutor lhe fez lembrar que ainda havia um mais escuro, ao qual ele não havia dado nome. "Qual pode ser esse, senhor?", ele perguntou desanimado. "O pecado", respondeu o doutor, "ao qual me refiro é o de recusar crer em Cristo Jesus como Salvador." A palavra simples baniu os temores ansiosos do rapaz ansioso. Era uma vez uma boa senhora conhecida entre seu círculo pela sua fé simples e sua grande calma em meio às tribulações. Outra mulher, morando a certa distância, ouvindo falar dela, disse: "Eu preciso ir ver aquela mulher e aprender o segredo de sua vida santa, feliz." Ela foi, e interpelando a mulher, disse: "A senhora é a mulher com a grande fé?" "Não", respondeu ela, "eu não sou a mulher com a grande fé; mas eu sou a mulher com uma pequena fé no grande Deus." Vem ajudar-nos Deus, no orar com fé, mais firme em ti estar; Pois ainda quanto mais teu servo tem tanto mais há de ganhar (Milman). Um amigo queixou-se a Gotthold da fraqueza de sua fé e da aflição que isso lhe dava. Gotthold apontou para uma trepadeira, que havia se torcido em volta de uma vara e estava pendurada carregada de lindos cachos, e disse: "É fraca aquela planta, mas que


mal resultou de sua fraqueza, especialmente pelo Criador ter se agradado em fazê-la o que ela é? Tão pouco assim prejudicará sua fé que ela seja fraca, contanto que ela seja sincera e não fingida. A fé é obra de Deus, e ele a dá na medida que ele quer e que julga certa. Deixe a medida dela que ele lhe deu ser por você julgada suficiente. Tome por vara e apoio a cruz do Salvador e a palavra de Deus, cresça em volta desses com todo o poder que Deus concede. Um coração sensível à sua fraqueza, e que se prostra continuamente aos pés da misericórdia divina, é mais aceitável do que aquele que confia demais na força de sua fé, e cai em segurança própria e orgulho falso. Você pode supor que a mulher pecadora, que se prostrou aos pés do Senhor, foi menos aprovada do que o inflado e orgulhoso fariseu?" (Christian Scriver).

47. TÃO PERTO Vendo que ele tinha respondido sabiamente, Jesus lhe disse: "Você não está longe do Reino de Deus" (Marcos 12.34).

O reino de Deus é estabelecido entre homens. Aqueles que estão dentro dele são: - Vivificados com vida divina. "Ele não é Deus de mortos, mas de vivos." (v. 27). - Recebidos sob o reino de graça (Rm 5.21). - Obedientes à lei do amor (1João 4.7). - Favorecidos com privilégios divinos (Mt 6.33; Lucas 12.32). -Elevados a dignidades especiais (Ap. 1.6). - Beneficiados com felicidade singular (Mt 25.34). Aqueles que estão fora dele, estão em certos aspectos em um certo nível. Mas em outros aspectos, alguns estão "longe" e outros "não tão longe." O escriba deste caso estava às bordas do reino. De tal personagem vamos agora tratar.

I. QUAIS SÃO SUAS MARCAS? 1. Veracidade de espírito. - Esse homem era tão sincero como um estudante da lei.


- Esse homem era tão honesto como um mestre da lei. - Esse homem era imparcial como um controversista. - Um espírito de retidão geral, sinceridade e eqüidade, é uma grande vantagem moral. 2. Percepção espiritual. Este escriba deve ter falado com grande discrição, ou o Senhor Jesus não teria observado de forma tão especial a sua resposta. Ele viu ali: - Mais que um papista, que dá tanta importância a cerimônias. - Mais que um doutrinalista, que põe sabedoria mental acima de experiência do coração e santidade. - Mais que um moralista, que esquece o amor do coração. 3. Familiaridade com a lei. - Aqueles que vêem a unidade e também a amplitude e espiritualidade das demandas da lei estão em uma condição esperançosa. - Ainda mais, os que percebem que sua própria vida está aquém dessas demandas e se afligem por conta disso. 4. Ser ensinável, o que este homem demonstrou claramente, é bom sinal, especialmente se estamos dispostos a aprender a verdade, mesmo quando quem a propõe é uma pessoa impopular. 5. Um senso de precisar de Cristo, que não apareceu no caso deste escriba, mas é visto em muitos que dão atenção ao ministério. 6. Um horror de mau procedimento e de impureza de toda espécie. 7. Um alto apreço por coisas santas e um interesse prático por elas. 8. Um diligente começo de oração, leitura da Bíblia, meditação, de ouvir a leitura da palavra, e de outros hábitos graciosos. Há outros sinais, mas o tempo nos faltaria para mencionarmos mais. Muitos destes aparecem como flores numa árvore, mas frustram as esperanças que estimulam.

II. QUAIS SÃO OS SEUS PERIGOS? Nenhum homem está seguro até que realmente esteja no reino: a região limítrofe é cheia de perigos. Há o perigo a cuidar: 1. Para que você não escorregue desta esperança toda. 2. Para que não se contente em parar onde está.


3. Para que seu orgulho não cresça e o sentimento de justiça própria. 4. Para que você não proceda de ser simples e aberto a se tornar indiferente. 5. Para que você não morra antes que o passo decisivo seja tomado.

III. QUAIS SÃO SUAS OBRIGAÇÕES? Embora a sua condição não seja a de descansar, ela o envolve em muitas responsabilidades, visto que é uma condição de privilégio singular. 1. Agradeça a Deus por tratar tão misericordiosamente com você. 2. Admita com profunda sinceridade que você precisa de ajuda sobrenatural para a entrada no reino. 3.Trema de pensar naquele último passo decisivo e salvador não ser dado nunca. 4. Decida de imediato pela graça divina. Ah, pelo Espírito de Deus trabalhar efetivamente sobre você! Que pena que qualquer um pereça que está tão perto! Que horror ver os tão esperançosos lançados fora! Como é fatal parar a tão pouca distância da fé salvadora!

PROTESTOS E ADMOESTAÇÕES Entre aqueles que têm se tornado os inimigos mais decididos do evangelho, há muitos que um dia estavam tão perto da conversão que foi incrível que a tivessem evitado. Tais pessoas parecem que sempre se vingam sobre a influência santa que quase provou ser muito para eles. Disso vem nosso medo por pessoas que estão sob a pressão da graça, pois, se não se decidem agora por Deus, elas vão se tornar ainda mais desesperadas no pecar. O que fica exposto ao sol, se não amolece, endurece. Lembro-me bem de um homem que, sob a influência de um avivalista sincero, foi levado a pôr os joelhos em terra, a chorar por misericórdia, na presença de sua esposa e de outros, mas depois disso nunca mais entraria num lugar de culto, ou daria atenção à conversa religiosa. Declarou que era tão estreita a margem em que ele escapou que nunca correria o risco de novo. Que tristeza uma pessoa tocar levemente o portal do céu, e assim mesmo caminhar em frente para o inferno! (C. H. S.). Alguns estão nos subúrbios da cidade de refúgio. Quero avisá-los contra o fato de permanecerem ali. Ah, que pena que uma pessoa morra às portas da salvação por falta de mais um passo! Aquele que subiu apenas um degrau de uma escada, embora não esteja muito mais perto do alto da casa, deixou de estar pisando na entrada, e está livre da sujeira e da umidade de lá. Então, aquele que dá o primeiro passo da oração exclamando de verdade "Ó


Senhor, seja misericordioso comigo, um pecador!", embora não esteja estabelecido no céu, deu um passo saindo do mundo e de seus consolos miseráveis (Dr. Donne). Um ministro cristão diz: "Quando, depois de circunavegar o globo, o navio The Royal Charter se despedaçou na baía Moelfra, no litoral de Gales, foi meu dever visitar e procurar consolar a esposa do comandante, que pela calamidade ficou viúva. O navio havia dado notícia antes, de Queenstown, e a senhora estava sentada na sala esperando o esposo, com a mesa arrumada para o jantar, quando o mensageiro chegou para lhe contar que ele tinha morrido afogado. Nunca vou esquecer a tristeza, tão abalada e sem lágrimas, com que ela me deu a mão, dizendo: "Tão perto de casa, e contudo perdido!" Isso me pareceu o mais horrível da tristeza humana. Mas, ah! não é nada comparado à angústia que deve apertar a alma que é forçada a dizer por fim: "Uma vez, estive ali na porta do céu e quase entrei, mas agora estou no inferno! Eu me lembro de um homem que chegou até mim em grande estresse de alma, e seu caso impressionou-me profundamente! Era um homem de um navio de guerra, com toda a franqueza de um marinheiro britânico, mas também tinha a predileção de marinheiro por bebida forte. Enquanto conversamos e oramos juntos, as lágrimas escorriam pelo rosto judiado pelas intempéries do pobre homem. "Ah, senhor", ele exclamou, "eu podia lutar por isso!" Certamente, se a salvação pudesse ter sido obtida por algum ato de bravura, ele a teria ganhado! Ele me deixou, sem encontrar paz, e no dia seguinte voltou bêbado para retomar seu navio, e nunca mais tive notícia dele depois disso (J.W. H.).

48. ELE PRECISA Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse, "Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje". Então ele desceu rapidamente e o recebeu com alegria (Lucas 19.1-9).

Nosso Salvador, pela primeira vez, se convidou para a casa de um homem. Assim, ele provou a sutileza e a autoridade de sua graça. "Sou achado pelos que não me procuraram" (Is 65.1). Devemos, sim, convidá-lo aos nossos lares. Pelo menos aceitar alegremente sua oferta de vir a nós. Talvez nesta hora ele se pressione para vir a nós. Contudo, podemos nos achar anfitriões tão pouco prováveis de nosso Senhor como Zaqueu nos pareceu. Ele era um homem: - Numa vocação desprezada--um publicano, ou cobrador de impostos. - Com cheiro impopular perto de pessoas respeitáveis. - Rico, com a suspeita de conseguir seus muitos bens de modo errado. - Excêntrico, porque de outro modo não teria trepado numa árvore. - Excomungado, por ter se tornado um cobrador de impostos romanos.


- De forma alguma a escolha da sociedade. A um homem desses Jesus veio, e ele pode vir a nós, mesmo que sejamos desprezados por nossos vizinhos e estivermos dispostos a temer que ele nos passará de largo.

I. CONSIDEREMOS A NECESSIDADE QUE PESAVA SOBRE O SALVADOR PARA FICAR NA CASA DE ZAQUEU. Ele sentiu uma necessidade urgente de: 1. Um pecador que precisava e que aceitaria sua misericórdia. 2. Uma pessoa que ilustraria a soberania de sua escolha. 3. Um caráter cuja renovação exaltaria sua graça. 4. Um anfitrião que o receberia com hospitalidade genuína. 5. Um caso que anunciaria seu evangelho (v. 9 e 10). Havia uma necessidade de predestinação que a deixou verdadeira: "Hoje preciso ficar em sua casa." Havia uma necessidade de amor no coração gracioso do Redentor. Havia também uma necessidade a fim de abençoar outros através de Zaqueu.

II. VAMOS PERGUNTAR SE TAL NECESSIDADE EXISTE EM REFERÊNCIA A NÓS MESMOS. Nós podemos verificar isso respondendo às seguintes perguntas, que são sugeridas pelo comportamento de Zaqueu para com nosso Senhor. 1. Vamos recebê-lo hoje mesmo? "Ele desceu rapidamente". 2. Vamos recebê-lo de coração? "Ele o recebeu com alegria." 3. Vamos recebê-lo digam o que disserem os outros? "Eles começaram a se queixar." 4. Vamos recebê-lo como nosso Senhor? "Ele disse: 'Olha, Senhor.'" 5. Vamos recebê-lo de modo a colocar o que temos sob o controle de suas leis (v. 8)? Se estas coisas são assim, Jesus precisa ficar conosco. Ele não pode deixar de vir onde será bem-vindo.


III. VAMOS ENTENDER O QUE ESTA NECESSIDADE ENVOLVE. SE O SENHOR JESUS VEM PARA HABITAR EM NOSSA CASA: 1. Precisamos estar prontos para enfrentar objeções em casa. 2. Precisamos nos livrar de tudo em nossa casa a que ele faria objeção. Talvez haja muitas coisas que ele não toleraria. 3. Não podemos admitir alguém que possa entristecer o nosso hóspede celestial. A amizade dele precisa pôr fim a nossa amizade com o mundo. 4. Precisamos deixar que ele governe a casa e nós mesmos, sem rival nem reserva, daqui em diante e para sempre. 5. Precisamos deixá-lo usar-nos e aos nossos como instrumentos para a difusão de seu reino. Por que não recebemos hoje nosso Senhor? Não há nenhum motivo para não fazer isso. Há muitas razões para agir agora. Senhor, dê o seu mando e diga que "eu preciso."

TEXTOS DIGNOS DE NOTA Tivesse nosso Salvador dito nada mais do que "Zaqueu, desça", o pobre homem teria se achado repreendido por sua ousadia e curiosidade: seria melhor não ter sido identificado do que notado por mau procedimento. Mas como as palavras seguintes o consolaram. "Quero ficar em sua casa hoje!" Que doce familiaridade se mostrava aqui! Como se Cristo tivesse conhecido Zaqueu durante muitos anos, a quem só agora via pela primeira vez. Contrário ao costume, o anfitrião é convidado pelo hóspede e chamado a um entretenimento inesperado. Nosso Salvador ouviu muito bem o coração de Zaqueu convidando-o, embora sua boca não o fizesse: desejos são a linguagem do espírito e são ouvidos por aquele que é o Deus dos espíritos (Bispo Hall). Ora, Cristo começa a chamar Zaqueu da árvore para ser convertido, como Deus chamou Adão dentre as árvores do jardim para ser julgado (Gn 3.8-9). Antes, Zaqueu estava muito baixo e, portanto, quis subir, mas agora ele está muito alto e por isso precisa descer (Henry Smith).

49. A FONTE Disse a mulher: "O senhor não tem com que tirar água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir essa água viva?" (João 4.11)


O objetivo de nosso Senhor foi levar a mulher a buscar dele salvação. Nosso desejo é a conversão imediata de todos agora presentes. A mulher samaritana aceitou o Salvador na primeira pergunta. Muitos de vocês já foram convidados a Jesus muitas vezes - e vocês não vão por fim concordar? Nosso Senhor se dirigiu ao coração dela com ensino claro e tratamento familiar - nós tomaremos o mesmo caminho com nossos ouvintes. Quando a ilustração interessante deixou de alcançá-la, ele desceu ao literalismo mesmo, e desvendou a vida dela. Qualquer coisa é melhor do que permitir a uma alma que ela pereça.

I. VAMOS EXPOR O ENSINO ANTECEDENTE. O Senhor havia dito a ela: "Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva." A figura era a de água viva em contraste com a água coletada no poço de Jacó, que era meramente a coleta dos morros em volta--água da terra, não água de fonte. Ele quis dizer que sua graça é como água de um poço de nascente. - É melhor e mais refrescante. - É viva e ministra vida. - É poderosa e encontra seu próprio caminho. - É permanente e nunca seca. - É abundante e livre para todos que chegam. Além disso, ele sugeriu à mulher que: 1. Ele a tinha. Não havia necessidade de um balde com o qual tirá-la. 2. Ele a tinha para dar. 3. Ele a teria dado em troca de ser pedida. 4. Ela é permanente e nunca seca. 5. Ela é abundante e de graça para todos que chegam. Além do mais, ele deu a entender à mulher que: 1. Ele a possuía. Não havia necessidade de balde com que tirá-la. 2. Ele a tinha para dar.


3. Ele a teria dado pelo pedido feito. 4. Só ele a poderia dar. Não se encontrava em nenhum poço terreno.

II. RESPONDEREMOS À PERGUNTA DO TEXTO. Em ignorância a mulher perguntou: "De onde, então, tu tens esta água viva?" Podemos a esta altura dar uma resposta mais completa do que podia ser dada quando nosso Senhor se sentou à beira do poço. Ele tem agora um poder ilimitado de salvar, e este poder surge: 1. De sua natureza divina, aliada à sua perfeita humanidade. 2. Do propósito e da designação de Deus. 3. Da unção do Espírito Santo. 4. De sua obra redentora, que operou para o bem mesmo antes de sua realização real, e que está em plena operação agora. 5. Do poder de sua intercessão à mão direita de Deus Pai. 6. Da vida representativa na glória. Agora todo o poder é entregue em sua mão (Mt 28.18).

III. NÓS TIRAREMOS CERTA INFERÊNCIA DA RESPOSTA. 1. Então, ele ainda pode abençoar. Visto que ele tem essa água viva só de sua pessoa imutável, ele, portanto, a tem agora tão plenamente quanto sempre. 2. Então, ele nada precisa de nós. Ele é em si a única fonte, cheia e totalmente suficiente para sempre. 3. Então, não precisamos temer esvaziar sua plenitude. 4. Então, em todos os tempos podemos nos chegar a ele, e nunca precisamos temer que ele vá nos negar.

GOTAS Quando vemos um grande volume de água saindo de uma fonte, é natural que perguntemos - de onde vem? Este é um dos mistérios da natureza para a maioria das pessoas. Jó fala "das fontes do mar", e sugere que ninguém pode descobri-las. Mas onde estão as fontes da salvação: De onde vem o rio, sim, o oceano sem limites da graça


divina? Ele dá de beber a todos que vêm a ele; onde ele tem esse suprimento inesgotável? Não são estas perguntas que vale a pena fazer? A resposta a elas não deverá ser instrutiva para nós, e glorificadora de nosso Senhor? Venham, então, e vamos tomar emprestado a linguagem desta mulher samaritana e conversar com nosso Senhor (C. H. S.). Ao andar por Londres, fico maravilhado com a grandeza do suprimento que precisa haver diariamente para alimentar seus milhões, e me admiro de que uma fome não tenha começado. Mas quando vejo os mercados e armazéns e penso na Terra inteira como ansiosa por obter um ponto de venda para sua produção em nossas vastas metrópoles, fico descansado e contente. Vejo os suprimentos quase sem limites convergindo, e minha admiração depois disso não é que milhões sejam alimentados, mas que eles possam ser capazes de consumir quantidades tão imensuráveis de alimentos. Assim, quando contemplo a necessidade espiritual do homem, fico maravilhado de que possa algum dia ser satisfeito; mas quando eu vejo a pessoa e obra do Senhor Jesus, isso cessa, e uma nova admiração começa. Fico maravilhado mais pelo infinito da graça do que pelo poder do pecado (C.H.S.). Falando no Cairo, o autor de "Vida maltrapilha no Egito" diz: "Talvez nenhum grito seja mais triste, afinal, do que o curto e simples grito do carregador de água: 'A dádiva de Deus' ele grita ao passar com seu ensacado de água no ombro. É impossível ouvir esse grito sem pensar nas palavras do Senhor à mulher de Samaria: 'Se você conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido, e ele lhe teria dado água viva." É muito provável que água, tão inestimável, e tantas vezes escassa em países quentes, fosse naqueles dias chamada, como agora, "a dádiva de Deus", para lembrar sua preciosidade; se era, a expressão seria extremamente forte para a mulher, e cheia de sentido" (The Biblical Treasury). Com que disposição homens e mulheres vão a este e aquele poço para a ajuda e cura de males do corpo, e vão muitos e muitos quilômetros e dispensam todos os demais negócios, para que possam se recuperar de doenças do corpo; mas como são poucos os que perguntam pela água da vida, ou deixam todos os seus negócios seculares pelo bem e pela saúde de suas almas imortais! (Benjamin Keach). "O poço é fundo", a mulher disse a Jesus, e era mesmo. Levou dois segundos e meio do momento em que a pedrinha foi solta, até ouvirmos o barulho dela na água lá em baixo. Voltando à ilustração diante de nós--"água viva"--o sentido só me veio quando visitei o lugar. O poço de Jacó, fundo como era, e fresco como suas águas sem dúvida eram, realmente era só um poço artificial - uma cisterna para a coleta de chuva, e a drenagem da terra. Em tempos de seca, esse poço deve ter sido inútil - era um poço, ou cisterna, não uma fonte (J. W. Barnisley). A fonte de águas vivas é Deus mesmo (Jr 2.13). "Contigo está a fonte de vida" (Sl 36.9). Não é uma mera cisterna para segurar; é uma corrente que verte, corre, correnteza viva; não, é mais uma fonte que salta perpetuamente. Todos sabemos que um jato ou uma fonte é produzida por uma nascente de água que desce de uma grande elevação e que, quanto mais alta a fonte, mais alto e poderoso é o seu jato, que, no entanto, nunca passa da altura de sua fonte. Nossa vida espiritual, "nossa fonte de vida", tem sua fonte no céu


e é em direção ao céu que se eleva, e não se contenta com nenhum nível mais baixo. Veio de Deus, e a Deus retornará (F. A. Molleson).

50. JESUS ESTÁ EM NOSSAS REUNIÕES Celebrava-se a festa da Dedicação, em Jerusalém. Era inverno, Jesus estava no templo, caminhando pelo Pórtico de Salomão (João 10.22-23).

A presença de Jesus traz: - O lugar: "em Jerusalém, no templo." - A parte exata dele: "O pórtico de Salomão." - O tempo - a estação - a data exata: "era inverno." - O que acontecia: "era a festa da dedicação." A principal característica em toda a história, e em todos os eventos de uma vida particular, é a presença ou ausência de Jesus. Na ocasião mencionada, o Senhor Jesus caminhava abertamente entre o povo. Nós desejamos grandemente sua presença espiritual agora.

I. ELE ESTARÁ AQUI? ELE ESTARÁ EM NOSSA REUNIÃO? O lugar pode ser uma Jerusalém até real, mas ele estará lá? Nosso lugar de reunião pode ser um templo; mas ele estará lá? Pode ser um dia importante, mas estará o Senhor conosco? Pode ser frio e invernal, mas que importância tem se ele estiver lá? Nossa única interrogação ansiosa é sobre sua presença, e sentimo-nos certos de que ele virá porque: 1. Nós o convidamos, e ele não recusará os seus amigos. 2. Nós estamos preparados para ele. Estamos aguardando para dar-lhe as boas-vindas. 3. Temos muita necessidade dele, e ele é cheio de compaixão. 4. Temos alguns de seus irmãos aqui entre nós, e estes o trazem junto com eles: de fato, ele está neles.


5. Temos aqui aqueles que ele está procurando. Ele busca ovelhas perdidas, e há algumas delas aqui. 6. Ele prometeu vir (Mt 18.20). 7. Alguns declaram que já o viram. E por que outros de nós não devemos gozar do mesmo privilégio?

II. ELE PERMANECERÁ? SIM, ELE FICARÁ: 1. Se valorizarmos a sua companhia e sentirmos que não podemos viver sem ela. Precisamos por meio de oração sincera constrangê-lo a ficar conosco (Lc 24.29). 2. Se amarmos a sua verdade e tivermos prazer em torná-la conhecida. 3. Se obedecermos a sua vontade e caminharmos em sinceridade e santidade. 4. Se formos diligentes no serviço e culto que prestamos. 5. Se formos unidos no amor a ele, uns aos outros e para com pobres pecadores. 6. Se formos humildemente reverentes e nos sentarmos aos seus pés em confissão humilde. Aos orgulhosos ele nunca favorecerá. 7. Se formos cuidadosamente vigilantes.

III. O QUE ELE FARÁ SE VIER? 1. Ele caminhará entre nós e observará o que estivermos fazendo, assim como ele notava aqueles que iam ao templo em Jerusalém. 2. Ele ficará triste com a condição espiritual de muitos, assim como lastimava a ruína de Jerusalém. 3. Ele aguardará para dar audiência a qualquer um que deseje falar com ele. 4. Ele ensinará pelo seu servo; e sua palavra, quer recebida ou rejeitada, será dada com grande autoridade e poder. 5. Ele, nesse dia, explicará para nós o templo em si, sendo ele mesmo a sua chave. Pense em Jesus, que é o templo de Deus (Ap 21.22) no templo, e então compreenda, pela luz de sua presença: - O templo (Hb 9.11; Ap 15.5). - Seu altar (Hb 8.10, Ap 8.3).


- O sacrifício (Hb 9.28; 1Co 5.7). - Os pães da proposição (Hb 9.2). - O véu (Hb 10.20). - A arca e o propiciatório (Hb 9.4-5; Ap 10.19). - O sacerdote (Hb 10.12). 6. Ele ao seu próprio povo revelará seu amor, como certa vez brilhava a luz do Senhor acima do propiciatório. 7. Ele nos levará para onde ele sempre anda, mas onde não há inverno: para a Nova Jerusalém, ao templo, a um edifício mais lindo do que o alpendre de Salomão (Ap 21.10-11).

EXPOSITIVO O que aqui é chamado o "Pórtico de Salomão" era, mais exatamente, não um alpendre no sentido que damos à palavra, mas uma das grandes colunatas abertas que cercavam os pátios. Todo o comprimento dos quatro lados do pátio externo era de mil duzentos e sete metros. O lado leste era o Pórtico de Salomão - uma vasta galeria de colunas em filas duplas. Cada coluna, de 10,668 metros, consistia de uma só peça de mármore branco. O telhado consistia de painéis de madeira de cedro. A vista, entre as colunas, para o leste e para fora, se estendia pelo vale até o Monte das Oliveiras. A visão para dentro dava no próprio alpendre, cheio de árvores, e onde na época de festival havia multidões. Há muita solenidade em contemplar Jesus enquanto "caminhava" entre os pilares dessa famosa colunata, e é interessante comparar essa passagem da vida de Jesus com uma muito anterior registrada pelo mesmo evangelista. Nós lemos, naquele primeiro capítulo do Evangelho de João, que Jesus estava "caminhando" - em solidão pelas margens do Jordão, enquanto João o Batista e dois dos discípulos dele o contemplavam. Naquele dia, talvez, o Senhor estava meditando em sua grande missão, no início de sua obra, e no chamar dos primeiros discípulos que aconteceu rapidamente naquele lugar. Agora, quem sabe, ele meditava na realização de sua obra, na destruição de Jerusalém e do templo judaico e no destino do povo judeu. A impressão sobre a mente é muito séria quando pensamos em Jesus, em qualquer dessas duas ocasiões, caminhando em silêncio, ou às margens do rio historicamente famoso, ou na colunata do templo, que, de um outro modo, é igualmente famoso nos anais sagrados (Howson em Thoughts for Saints' Days"). Os maometanos têm um ditado que diz que toda vez que duas pessoas se encontram, há sempre um terceiro. O provérbio faz referência à presença de Deus (Professor Hoge).


Assim como o sol está tão pronto a derramar seu brilho sobre a margarida numa praça de vila como sobre os vetustos carvalhos em Windsor Park, assim Cristo está tão disposto a visitar o coração dos mais pobres e fracos como dos mais ricos e nobres da terra (Handbook of Illustrations). Quando Cristo diz "Eu estarei contigo", você pode acrescentar o que queira --para protegê-lo, para dirigi-lo, para consolá-lo, para continuar a obra da graça em você e no fim coroá-lo com imortalidade e glória. Tudo isso e mais ainda está incluído na preciosa promessa (John Trapp).

51. FÉ SEM O ENXERGAR Jesus lhe disse, Tomé, porque me viu, você creu? Felizes os que não viram, e creram (João 20.29).

Aqueles que viram e não creram, estavam longe de serem abençoados. Aqueles que o viram, e creram, sem dúvida foram abençoados. Aqueles que não viram, e mesmo assim creram, são enfaticamente abençoados. Ainda há o grau superlativo de bem-aventurança em se ver Jesus face a face sem a necessidade de crer no mesmo sentido como agora. Mas, no momento presente, esta é a nossa bem-aventurança, este é o nosso lugar na história do evangelho--nós não vimos e, contudo, acreditamos. Quanto consolo há em que tão alto grau de bem-aventurança esteja aberto a nós.

I. NÃO NOS DEIXE DIMINUIR ESTA BEM-AVENTURANÇA. 1. Não a diminuamos por desejar enxergar. - Ansiando por alguma voz, ou visão, ou revelação imaginária. - Desejando ardentemente providências maravilhosas e dispensações singulares. - Tendo fome por desesperos ou arrebatamentos. - Perpetuamente exigindo argumentos e demonstrações lógicas. - Clamando êxito manifesto ligado com a pregação da palavra, e as operações missionárias da igreja.


- Sentindo a ansiedade de crer com a maioria. A verdade geralmente tem estado com a minoria. 2. Não a diminuamos por deixar de crer. - Creia de modo prático, de modo a agir em cima de nossa fé. - Creia de modo intenso, de modo a rir de contradições. - Creia de modo vivencial, para ser simples como uma criança. - Creia continuamente, para ser equilibradamente confiante. - Creia pessoalmente, para estar seguro sozinho, mesmo se todos os outros desmentem as doutrinas do Senhor. Creia inteiramente para que você possa encontrar o descanso da fé.

II. NÃO NOS PERMITAMOS PENSAR QUE ESTA BEM-AVEN-TURANÇA SEJA INALCANÇÁVEL. 1. Esta bem-aventurança é ligada para sempre à fé que nosso Senhor aceita; de fato, ela é a recompensa marcada para ela. 2. Deus merece tal fé de nossa parte. Ele é tão fiel que sua palavra sem apoios já é suficiente para a fé construir em cima. Será que só cremos nele até onde nós o podemos ver? 3. Milhares de santos têm rendido, e estão rendendo-lhe tal fé, e estão gozando tal bemaventurança neste momento. Nós somos comprometidos para ter comunhão com eles em fé preciosa igual. 4. Até aqui nossa própria experiência tem garantido tal fé, não tem? 5. Aqueles de nós que estamos agora apreciando a paz abençoada da fé podemos falar com grande confiança sobre o assunto. Por que, então, estão tantos desanimados? Por que não crêem?

III. NÃO DEIXE QUE NENHUM DE NÓS PERCA ESSA FÉ. A fé que nosso Senhor descreveu é muitíssimo preciosa, e nós devemos buscá-la, pois: 1. É a única fé verdadeira e salvadora. Fé que exige vista não é fé nenhuma; não pode salvar a alma. 2. Ela é em si muito aceitável com Deus. Nada é aceitável sem ela (Hb 11.6). Ela é a prova da aceitação do homem e de suas obras.


3. Ela é uma prova de graça em uma mente espiritual, uma natureza renovada, um coração reconciliado, um espírito nascido de novo. 4. Ela é a raiz, o princípio fundamental, de um caráter glorioso. 5. Ela é muitíssimo útil a outros para consolar os abatidos, impressionar descrentes, alegrar os interessados. 6. Ela enriquece o seu possuidor até o auge, dando poder em oração, força mental, decisão de caráter, firmeza contra a tentação, ousadia em empreendimento, alegria de alma, percepção real do céu. Você conhece esta fé? Bem-aventurança está naquela direção. Procure-a!

CONTRIBUIÇÕES Mas por que especialmente abençoados? Porque o Espírito Santo tem operado essa fé em seus corações. Eles são abençoados por ter um coração que sabe crer, são abençoados no instrumento de sua crença, abençoados em ter uma prova de que passaram da morte para a vida: "a quem, não tendo visto, vocês amam." É mais abençoado crer do que ver, porque põe mais honra na palavra de Deus. É mais abençoado porque apresenta-nos com um objeto mais invariável. Aquele que pode confiar em um Salvador que não é visto pode confiar nele em todas as circunstâncias: feche a pessoa numa masmorra, separe o de tudo que se vê e da luz, não importa, pois ela tem sempre um coração para crer na justiça, e sua alma descansa em uma rocha que nunca se moverá. A mesma fé que nos segura sem ser vista, o Salvador ressurreto, segura cada verdade que há no evangelho (Richard Cecil). "Com os homens", diz o bispo Hall, "é uma boa regra experimentar primeiro e depois confiar; com Deus é o contrário. Primeiro, porei confiança nele, como o mais sábio, onipotente, misericordioso, e experimentá-lo-ei depois." Com vista constante, o efeito de objetos vistos decresce; por fé constante, o efeito de objetos em que se acredita tornase maior. O motivo provável disso é que a observação pessoal não admite a influência da imaginação em imprimir o fato; enquanto objetos não vistos, reconhecidos por fé, têm a ajuda da imaginação, não para exagerá-los, mas para revesti-los com cores vivenciais e imprimi-las no coração. Quer seja esta a razão ou não, é verdade que quanto mais freqüentemente vemos, menos sentimos o poder de um objeto, mas quanto mais freqüentemente nos concentramos em um objeto pela fé, tanto mais sentimos o seu poder (J. B. Walker). A fé torna coisas invisíveis visíveis, coisas ausentes presentes, faz as coisas que estão muito longe ficarem bem próximas da alma (Thomas Brooks). A região da descrença é obscura com o franzir de sobrancelhas de Deus, e cheia de pragas e ira; mas a região da fé é como o chão do céu quanto ao brilho. A justiça de Cristo a abriga, as graças do Espírito a embelezam e o sorriso eterno de Deus lhe proporciona conforto e a glorifica (Dr. Hoge).


Um pai indulgente ficaria triste de ver seu próprio filho entrar numa corte, e ali dar testemunho contra ele e acusá-lo de alguma inverdade em suas palavras, mais do que se um estranho fizesse isso. O testemunho de uma criança, contudo, quando é a favor da vindicação de um dos pais, parece perder algum crédito na opinião de quem ouve, com a suspeita de parcialidade; mas, quando é contra um pai, parece ter maior probabilidade de verdade do que o que um estranho diz contra ele. A faixa de afeto com que uma criança é atada a seu pai é tão sagrada que não será facilmente suspeita. Não se pode supor que ele ofereça violentá-la, exceto na necessidade mais inviolável de dar testemunho da verdade. Ora, pense nisso, cristão, outra e mais outra vez--pela tua descrença, tu dás falso testemunho contra Deus! E se tu, um filho de Deus, não falas mais bem de teu pai celeste e não o apresentas com o caráter mais belo o mundo, não será de admirar se for confirmado em seu pensar duro de Deus, mesmo até a impenitência e descrença final, quando verás que pouco crédito ele acha em ti, apesar de toda a tua grande profissão de amor para com ele e a proximidade de parentesco com ele (William Gurnall).

52. "A SEGUNDA VEZ" "Na segunda viagem deles, José fez-se reconhecer por seus irmãos" (Atos 7.13).

Há um paralelo claro entre José e Jesus, os irmãos dele e nós. Certas classes de interessados verdadeiros não encontram paz imediatamente; eles vão a Jesus de certo modo e voltam dele do mesmo modo que foram. Nosso medo é que se tornem indiferentes ou desesperados. Nossa esperança é que vão de novo e, antes que passe muito tempo, descubram o grande segredo e encontrem alimento para suas almas. Com essa finalidade, vamos seguir a trilha da história de José, e usá-la como uma alegoria em benefício do interessado.

I. EXISTE ALGUMA COISA QUE VOCÊ NÃO SABE. Os filhos de Israel não conheceram José. Tal como eles: 1. Você não tem idéia de quem e o que Jesus é. Poder e piedade se mesclam nele. Ele é muitíssimo mais do que ele parece. 2. Você o vê somente como grandioso, senhoril, inacessível, um governador importante e severo que faz cobranças.


3. Você não sabe que ele é seu irmão, uno com você em natureza, relacionamento e amor. 4. Você não pode conceber como ele ama, deseja tanto se tornar conhecido, seu coração grande, até inchado, de compaixão. 5. Você não consegue supor o que ele fará por você; tudo o que ele é e tem estará à sua disposição. Imagine os pastores israelitas na presença de um exaltado príncipe egípcio, quando o vêem de pé, com véu de mistério, revestido de poder e rodeado com honras. Poucos poderiam imaginar que esse era José, o irmão deles.

II. HÁ UMA RAZÃO PELA QUAL EM SUA PRIMEIRA IDA VOCÊ NÃO SOUBE DISTO. José não foi revelado a seus irmãos na primeira viagem deles ao Egito, nem você encontrou Jesus para saber do amor dele. 1. Você não o tem procurado. Os filhos de Jacó foram ao Egito em busca de milho, não de um irmão. Você está procurando por conforto, e não pelo Salvador. 2. Você ainda não sentiu seu pecado contra Jesus, e ele o levaria ao arrependimento, assim como José levou os irmãos a confessarem seu grande mal. 3. Você ainda não foi com sua força total. Como os irmãos deixaram Benjamim em casa, assim também você deixou alguma de suas faculdades ou capacidades dormentes, ou frias, em sua busca de graça. 4. Você terá uma bênção maior pela demora, e o Senhor Jesus na hora mais propícia se revelará, como José fez. Até então ele se detém.

III. HÁ GRANDE ESPERANÇA EM VOCÊ IR DE NOVO A ELE. Os irmãos de José fizeram uma grande descoberta da segunda vez; você está em circunstâncias similares às deles. Vá uma segunda vez, pois: 1.Você precisa ir ou perecer. Havia milho somente no Egito, e há salvação somente em Cristo. 2. Outros têm ido e andado felizes. Todas as nações iam ao Egito, e nenhuma foi recusada. Jesus lançou fora uma? 3.Você já demorou muito, assim como fizeram os filhos de Israel.


4. Boas-vindas o aguardam. José ansiava por ver seus irmãos, e Jesus anseia por ver você.

IV. HÁ PREVISÕES DO QUE ACONTECERÁ SE VOCÊ FOR. A história se empresta à profecia. Assim como os filhos de Israel se deram com José, assim você se dará com Jesus. 1.Você tremerá em sua presença. 2. Ele o mandará se aproximar. 3. Ele o consolará revelando-se a você. 4. Ele o abençoará e enriquecerá e lhe mandará para casa alegrando-se, para buscar toda a sua família para ele. 5. Ele governará o mundo todo por sua causa, e você estará com ele e será nutrido por ele. Vamos apressar-nos para ir ao nosso Salvador da segunda vez. Certamente esta é a estação, porque o Espírito Santo diz "hoje".

LINHA SOBRE LINHA Você leva como sendo duro, que você não é respondido, e que a porta de Cristo não é aberta na primeira vez que você bate. Davi precisa bater com freqüência: "Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes, de noite, e não recebo alívio!" (Sl. 22.2). A igreja do Senhor também precisa aguardar: "Mesmo quando clamo ou grito por socorro, ele rejeita a minha oração" (Lm 3.8). O doce Jesus, herdeiro de tudo, orou com lágrimas e fortes brados, uma vez "ó meu Pai", de novo "Ó meu Pai" e da terceira vez, "Ó meu Pai" antes que fosse ouvido. Espera; morra orando, não se esmoreça. É bom ter o coração armazenado com doces princípios a respeito de Cristo e seu amor, para poder descansar na esperança, embora o Senhor não ouça a princípio. Ele é Cristo, e, portanto, atenderá o clamor de um pecador brevemente. É só o lado de fora de Cristo que não é bondoso (Samuel Rutherford). Um homem que há muito estava buscando religião de um modo tíbio, um dia perdeu sua carteira. Ele disse à sua esposa: "Eu sei que está no celeiro, ela estava comigo quando fui ao celeiro e, antes de sair, ela tinha desaparecido. Vou voltar para achá-la, e vou achá-la, mesmo que tenha de mover cada palha." Com tal busca, ele logo conseguiu o seu prêmio, e fez com que sua esposa pudesse ilustrar claramente o caminho para buscar Jesus, de modo que o homem logo encontrou a Ele também, e se alegrou em uma salvação plena. A última vez em que preguei sobre o assunto de decisão na religião foi no velho Salão Farwell. Durante cinco noites, preguei sobre a vida de Cristo. Levei-o do berço e segui-


o até o salão do julgamento e, naquela ocasião, considero que cometi um erro muito grande. Se eu pudesse desfazer o meu ato teria dado parte de mim. Foi numa noite memorável de outubro, o sino do prédio do tribunal soou dando o alarme de incêndio, mas eu não prestei atenção a ele. Estávamos acostumados a ouvir o sino dando o alarme com freqüência, e ele não nos perturbou muito quando soou. Terminei o sermão sobre "O que farei com Jesus?" E eu disse ao auditório: "Agora, quero que pensem nessa pergunta e, no próximo domingo, voltem e me digam o que vão fazer com ela." Que erro! Parece agora que Satanás estava na minha mente quando eu disse isso. Desde então, nunca mais ousei dar a um auditório uma semana para pensar em sua salvação. Se eles fossem perdidos, poderiam levantar-se no Juízo contra mim. "Agora é a hora aceitável." Nós descemos para a outra reunião, e eu me lembro quando o cantor Sankey estava cantando, e como sua voz ressoou quando ele chegou àquela estrofe de súplica: Hoje o Salvador te chama, Voe ao refúgio que é certo! O temporal de justiça já cai, E a morte está perto. Depois de nossa reunião, no caminho para casa, vendo o clarão das chamas, eu disse ao meu companheiro: "Isso significa ruína para Chicago." Perto das treze horas, o prédio Farwell desabou, logo a igreja na qual eu tinha pregado caiu, e tudo ficou espalhado. Eu nunca mais vi aquele auditório. Meus amigos, nós não sabemos o que pode acontecer amanhã, mas há uma coisa que eu sei: se você aceitar o presente de Deus, o próprio Jesus Cristo, você está salvo. O que você vai fazer com ele nesta noite? Você vai decidir agora? (Dwight L. Moody).

53. MORTOS, MAS VIVOS Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos (Romanos 6.11-1).

Como são intimamente ligadas as obrigações do crente aos seus privilégios! Por ele estar vivo para Deus, cumpre-lhe renunciar o pecado, visto que essa coisa corrupta pertence ao seu estado de morte. Com que intimidade tanto seus deveres como seus privilégios estão atados com Cristo Jesus seu Senhor! Como devemos meditar sobre esses assuntos, calculando o que é direito e apropriado, e realizando esse cálculo em suas questões práticas. Nós temos em nosso texto:


I. UM GRANDE FATO PARA LEVAR EM CONSIDERAÇÃO. "Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus." 1. Estamos mortos com Cristo para o pecado, por termos nele suportado o castigo. Em Cristo, nós já suportamos a penalidade e somos vistos como mortos pela lei (v. 6 e 7). 2. Somos ressuscitados com ele numa condição justificada e temos alcançado uma nova vida (v. 8). 3. Não podemos mais vir sob o pecado, assim como ele não pode (v. 9). 4. Estamos, portanto, mortos para sempre para a culpa e o poder reinante dele: "O pecado não os dominará" (v. 12-14). Esse acerto é baseado em verdade ou não seríamos exortados a isso. Calcular-se morto para o pecado para que possa gabar que você não peca mais de modo nenhum seria um acerto baseado em mentira e faria muito mal. "Não há ninguém que não peque" (1Reis 8.46; 1João 1.8). Não há quem tanto provoque a Deus como pecadores que gabam de sua própria perfeição imaginada. O calcular que não pecamos deve ou ir com a teoria antinomiana que pecado no crente não é pecado, o que é uma noção chocante; ou então nossa consciência precisa dizer-nos que pecamos em muitos modos: em omissão ou comissão, em transgressão ou deficiência, em temperamento ou em espírito (Tiago 3.2; Ec 7.20; Rm 3.23). Julgar-se morto para o pecado no sentido da Escritura é cheio de benefício tanto para o coração como para a vida. Esteja pronto a calcular desta maneira.

II. UMA GRANDE LIÇÃO PARA SER POSTA EM PRÁTICA. "Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos." 1. O pecado tem grande poder. Está em você e lutará para reinar. - Permanece como um fora-da-lei, escondendo-se em sua natureza. - Permanece como um conspirador, planejando a sua derrota. - Permanece como um inimigo, guerreando contra a lei de sua mente. - Permanece como um tirano, preocupando e oprimindo a vida verdadeira. 2. Seu campo de batalha é o corpo. - Suas vontades - fome, sede, frio - podem se tornar ocasiões de pecado sempre que levam à murmuração, inveja, cobiça, roubo. - Seu apetite pode desejar indulgência excessiva e, a não ser que seja continuamente cortado, facilmente levam ao mal.


- Suas dores e enfermidades, através de engendrar impaciência e outros defeitos, podem produzir pecado. - Seus prazeres, também, prontamente podem tornar-se incitamentos ao pecado. - Sua influência sobre a mente e espírito pode arrastar nossa nobre natureza para baixo ao rastejante materialismo da terra. 3. O corpo é mortal¸ e nós seremos completamente libertados de pecado quando formos libertados de nosso atual corpo mortal, se realmente a graça reinar dentro de nós. Até então, descobriremos o pecado escondido em um membro ou outro "deste vil corpo." 4. Enquanto isso, nós precisamos não deixá-lo reinar. - Se reinasse sobre nós, seria nosso deus. Provaria estarmos nós sob a morte e não vivos para Deus. - O corpo nos causaria dor e avaria sem medida se ele reinasse só por um momento. O pecado está dentro de nós, visando domínio. Reconhecer isso, junto com o fato que nós somos mesmo assim vivos para Deus, deveria: - Auxiliar a nossa paz, pois percebemos que homens podem ser verdadeiramente do Senhor, ainda que o pecado lute dentro deles. - Ajudar nossa cautela, pois nossa vida divina vale ser preservada e precisa ser conservada com cuidado constante. - Atrair-nos para usar os meios de graça, visto que neles o Senhor se encontra conosco e refresca nossa nova vida. Vamos chegar à mesa de comunhão e a todas as outras ordenanças cristãs, como vivos para com Deus. Desta maneira, alimentemo-nos em Cristo.

PALAVRAS INSTRUTIVAS No século IV, quando a fé cristã era pregada em seu poder no Egito, um jovem irmão procurou o grande Macarius: "Pai", disse ele, "qual é o sentido de ser morto e sepultado com Cristo?" "Meu filho", respondeu Macarius, "você se lembra de nosso querido irmão que morreu e foi sepultado há pouco tempo? Vá agora à sepultura dele e conte-lhe todas as coisas maldosas que você já escutou dele e que nós estamos contentes que ele tenha morrido e agradecidos por livrarmo-nos dele, porque ele foi uma preocupação tão grande para nós e causou tanto desconforto na igreja. Vá, meu filho, e diga isso, e ouça o que ele há de responder."


O jovem ficou surpreso e duvidou se realmente tinha entendido, mas Macarius só disse: "Faça como eu mandei, meu filho, e venha e me diga o que seu irmão que partiu vai lhe dizer." O moço fez como foi mandado e retornou. "Bem, e o que o nosso irmão disse?", perguntou Macarius. "Disse, pai!", ele exclamou. "Como podia dizer qualquer coisa? Ele está morto." "Vá, agora de novo, meu filho, e repita todas as palavras bondosas e lisonjeiras que você ouviu sobre ele. Diga-lhe o quanto sentimos sua falta, que grande santo ele foi, que nobre obra ele fez, como a igreja inteira dependia dele, e volte e conte-me o que ele diz." O jovem começou a entender a lição que Macarius queria lhe ensinar. Ele voltou ao túmulo e dirigiu muitos elogios ao homem morto, depois retornou a Macarius. "Ele não responde nada, pai. Ele está morto e sepultado." "Você sabe agora, meu filho", disse o velho pai, "o que é ser morto com Cristo. Louvor e censura nada são para aquele que está realmente morto e sepultado com Cristo" (Anônimo). Embora o mais humilde crente esteja acima do poder do pecado, o mais alto crente não está acima da presença de pecado. O pecado só arruína onde reina. Não está destruindo onde está perturbando. Quanto mais mal recebe de nós, menos mal faz a nós (William Secker). O pecado pode se rebelar, mas nunca reinará em um santo. Acontece com o pecado nos regenerados como se dá com aqueles animais dos quais Daniel fala, cujo domínio foi tirado, contudo, suas vidas foram prolongadas por uma estação e um tempo (Thomas Brooks). Os homens precisam não deixar um único pecado sobreviver. Se Saul tivesse destruído todos os amalequitas, nenhum amalequita teria vivido para destruí-lo (David Roland).

54. COMUNHÃO EM ALEGRIA "Alegrem-se com os que se alegram" (Romanos 12.15).

Supõe-se que alguns estão se alegrando, e esta é uma suposição alegre. Você está convidado a simpatizar com eles, e esse é um dever alegre. A simpatia é um dever da nossa humanidade, mas muito mais de nossa hombridade regenerada. Aqueles que são um na vida superior devem mostrar sua unidade santa tendo igualmente um sentimento verdadeiro.


Compaixão alegre é devida em dobro quando a alegria é espiritual e eterna. Eu o convido a esta alegria por causa daqueles que ultimamente foram trazidos a Jesus e que serão agora acrescentados à igreja. A ocasião é alegre. Que a alegria se espalhe.

I. REGOZIJEM-SE COM OS CONVERTIDOS. 1. Alguns libertados de vidas de pecado penoso. Todos salvos daquilo que os teria arruinado eternamente, mas alguns deles foram salvos de faltas que prejudicam o convívio dos homens na sociedade. 2. Alguns deles foram salvos do medo agonizante e do desespero profundo. Se você os tivesse visto com convicção, você realmente se alegraria de vê-los livres e felizes. 3. Alguns deles foram trazidos à grande paz e alegria. A experiência feliz de seu primeiro amor deve nos encantar para o deleite de alegrar-se com eles. 4. Alguns deles são idosos. Estes são chamados na décima primeira hora. Alegre-se de que estão salvos do perigo iminente. 5. Alguns são jovens com anos de feliz servir a Deus à sua frente. 6. Cada caso é especial. Em alguns, pensamos o que teriam sido e em outros, o que serão. Há muita alegria nesses recém-nascidos de Deus, e vamos nós ser indiferentes? Vamos recebê-los com alegria e entusiasmo.

II. ALEGREM-SE COM OS AMIGOS DELES. 1. Alguns têm orado por eles durante muito tempo, e agora suas orações foram atendidas. 2. Alguns têm estado muito ansiosos, têm visto muito para lastimar em seu passado, e temeram ao mal no futuro. 3. Alguns são parentes com um interesse especial nestes que foram salvos: pais, filhos, irmãos. 4. Alguns estão esperando e, em certos casos, já estão recebendo, muito consolo da parte dos que acabaram de ser salvos. Já têm dado alegria aos seus círculos familiares e dado alegria aos corações que estavam pesando. Pais santos não têm maior alegria do que o de ver seus filhos caminhando na verdade. E nós não compartilhamos de sua alegria?

III. ALEGREM-SE COM AQUELES QUE OS TROUXERAM A JESUS.


Os pais espirituais destes convertidos estão alegres. - O pastor, o evangelista, o missionário, o autor. - O pai, a mãe, a irmã mais velha ou outro familiar amoroso. - O professor da escola dominical ou classe bíblica. - O amigo ou a amiga que escreveu ou falou-lhes de Jesus. Que alegria têm aqueles que por esforço pessoal ganham almas! Procure ganhar a mesma alegria para você mesmo, e nesse ínterim fique contente por outros a terem.

IV. ALEGREM-SE COM O ESPÍRITO SANTO. 1. Ele vê seus esforços bem-sucedidos. 2. Ele vê suas instruções aceitas. 3. Ele vê seu poder de vivificar operando na nova vida. 4. Ele vê a mente renovada cedendo à direção divina. 5. Ele vê o coração consolado por sua graça.

V. REGOZIJEM-SE COM OS ANJOS. Os anjos maus fazem-nos gemer. Será que a alegria dos anjos bons não nos deveria fazer cantar em harmonia com a alegria deles?

VI. REGOZIJEM-SE COM O SENHOR JESUS. 1. Sua alegria é proporcional à ruína da qual ele salvou os seus redimidos. 2. Sua alegria é proporcional ao custo da redenção deles. 3. Sua alegria é proporcional ao amor que têm por eles. 4. Sua alegria é proporcional à felicidade futura deles e à glória que a salvação deles lhe trará. Você acha difícil regozijar-se com estes crentes recém-batizados? Deixe-me instar com você para que faça isso, pois: - Você tem suas próprias tristezas, e essa comunhão de alegria evitará que você fique meditando demais sobre elas. -Você renovará o amor de seu casamento por comunhão com estes jovens.


- Você será consolado pelos seus próprios errantes se você se alegrar com os amigos dos convertidos. - Proibirá inveja se você se regozijar com os obreiros cristãos que são bem-sucedidos. - Elevará seu ânimo se você procurar regozijar-se com o Espírito Santo e os anjos. - Isso o capacitará a partilhar em um sucesso igual se você está se regozijando com Jesus, o amigo dos pecadores.

SOLIDARIEDADES Cerca de trezentos anos depois do tempo dos apóstolos, Caius Marius Victonus, um velho pagão, foi convertido de sua impiedade e levado para a fé cristã. Quando o povo de Deus soube disso, regozijaram maravilhados e gritaram e pularam de alegria, e salmos foram cantados em todas as igrejas, enquanto o povo alegremente dizia: "Caius Marcus Victorius tornou-se um cristão! Caius Marcus Victorius tornou-se um cristão!" O senhor Haslam, contando a história de sua conversão, diz: "Não me lembro de tudo que eu disse, mas eu senti uma luz maravilhosa e uma alegria entrando em minha alma. Se foi algo em minhas palavras, ou em minha maneira ou em como eu parecia, não sei; mas de repente um pastor da região, que estava presente na congregação, ficou de pé e, levantando os braços, gritou à maneira do povo da Cornualha: "O pastor está convertido! O pastor está convertido! Aleluia!! E na repetição, sua voz se perdeu entre os gritos e louvores de trezentos ou quatrocentos participantes da congregação. Em vez de repreender aquela 'desordem' extraordinária, como eu teria feito antigamente, eu me uni à explosão de louvor e, para torná-la mais ordenada, comecei a cantar a Doxologia-'A Deus Supremo Benfeitor, anjos e homens dêem louvor'--, que o povo cantou com o coração e a voz, repetidas vezes." Um moço ímpio acompanhou seus pais para ouvir um certo pastor. O assunto do sermão foi o estado celestial. Chegando em casa, o jovem expressou sua admiração aos talentos do pregador. Disse ele: "Mas eu fiquei surpreso de ver que você e meu pai estavam em lágrimas." "Ah, meu filho!", respondeu a mãe ansiosa, "eu chorei, sim, não porque eu temesse meu próprio interesse no assunto, nem o de seu pai, mas chorei por medo que você, meu amado filhinho, fosse para sempre banido da bem-aventurança do céu." "Eu imaginei", disse o pai, voltando-se para a esposa, "que fossem esses seus pensamentos: a mesma preocupação pelo nosso querido filho fez-me chorar também." Esses comentários ternos acharam caminho no coração do moço e o levaram ao arrependimento (Arvine).


55. EM MEMÓRIA E tendo dado graças, partiu-o e disse: "Isso é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim" (1Coríntios 11.24).

Os homens têm feito mau uso desta ordenança tão abençoada. Contudo não têm desculpa de qualquer obscuridade da Escritura. Nada se diz de um sacrifício em um altar, mas tudo é bem claro. A ceia, como a encontramos na Bíblia sagrada, é um culto de rememoração, testemunho e comunhão, nada mais. Nenhuma cerimônia pomposa é preparada. Nem mesmo uma postura é prescrita, e sim meramente o providenciar do pão e do suco da vinha: tomar, quebrar, comer, beber e nada mais. A ação espiritual é prescrita de modo especial. A lembrança de nosso Senhor precisa estar ali, ou deixamos de celebrar a ceia.

I. OUTRAS MEMÓRIAS VIRÃO, MAS NÃO DEVEM IMPEDIR AQUELA MEMÓRIA ÚNICA DA CEIA. As lembranças seguintes podem ser naturais, permissíveis e proveitosas, mas devem ser mantidas em um lugar secundário: 1. De nós mesmos quando éramos pessoas de fora e estranhos. 2. De antes estar olhando e desejando estar à mesa. 3. Da nossa primeira vez de chegar à mesa e a graça de receber a ceia desde então. 4. Dos queridos que já partiram e que um dia estavam conosco à mesa. 5. De queridos que não podem estar conosco na ocasião por doença. 6. De muitas pessoas presentes conosco e como a graça operou em seus casos. Mas podemos pensar em suas necessidades e em suas vidas santas. 7. Dos apóstatas que provaram sua falsidade, como Judas. Seja qual for a maneira em que essas memórias possam pressionar-nos, precisamos lembrar principalmente daquele em cuja honra a festa é ordenada.

II. A ORDENANÇA AJUDA AQUELA MEMÓRIA SAGRADA SINGULAR.


1. Expostos, os sinais mostram a pessoa de nosso Senhor como realmente homem, carne e sangue substancial. 2. Colocados na mesa, sua presença assinala a familiaridade de nosso querido Senhor conosco e nossa proximidade a ele. 3. Quebrado e derramado, mostram os sofrimentos dele. 4. Separados, pão à parte do vinho, a carne dividida do sangue, declaram sua morte por nós. 5. Comendo, simbolizamos o poder sustentador da vida de Jesus e nossa recepção dele em nosso ser íntimo. 6. Remanescendo quando a ceia termina, os fragmentos sugerem que ainda há mais pão e vinho para outras festas de ceia, e, que, mesmo assim, nosso Senhor é totalmente suficiente para todos os tempos. Cada partícula da ordenança aponta para Jesus, e nós precisamos contemplar nela o Cordeiro de Deus.

III. ESTA MEMÓRIA SAGRADA É EM SI MAIS NECESSÁRIA PARA NÓS. É necessária para nos lembrar de nosso Senhor crucificado, pois ela: 1. É a sustentação contínua da fé. 2. É o estímulo do amor. 3. É a fonte de esperança. 4. É uma chamada para se voltar do mundo, de si, de controvérsia, de trabalho, de nossos semelhantes - para o Senhor. 5. É o toque de alvorada, o sinal de acordar para sair. É o prelúdio da ceia de casamento e faz-nos suspirar pela "festa nupcial lá em cima". Acima de todas as coisas, competenos conservar o nome de nosso Senhor gravado em nossos corações.

IV. ESTA FESTA SIMBÓLICA É ALTAMENTE BENÉFICA EM REFRESCAR NOSSAS MEMÓRIAS E DE OUTRAS FORMAS. 1. Nós ainda estamos no corpo, e o materialismo é uma força muito real e potente. Precisamos ter um sinal e um formato prescrito para encarnar o espiritual e torná-lo vívido para a mente. - Além do mais, como o Senhor realmente assumiu sobre si nossa carne e nosso sangue e como ele pretende salvar até a nossa parte material, ele nos dá esse elo com o


materialismo, para não sumirmos com as coisas e não as espiritualizarmos completamente. 2. Jesus, que sabia de nosso esquecimento, designou este festival de amor e podemos estar certos de que ele o abençoará para o fim designado. 3. A experiência tem freqüentemente provado seu valor eminente. 4. Enquanto revivendo as memórias dos santos, tem sido também selado pelo Espírito Santo, pois ele o tem utilizado com grande freqüência para despertar e convencer os espectadores de nossa festa solene a observarem: - Que a ceia é obrigatória para todos os crentes. - Que ela compromete no sentido de ser "freqüente". - Que só na medida em que assegura o lembrar de Cristo ela pode ser útil. Busquem graça amorosamente para lembrar de seu Senhor.

MEMORIAIS É bastante comum encontrarmos celebrações periódicas, aniversários do dia de nascimento ou morte de alguém, celebradas em honra daqueles que se distinguiram muito pelas suas virtudes, seu gênio ou seus valiosos serviços a seu país ou à humanidade. Mas onde, a não ser aqui, lemos que alguém em seu próprio tempo de vida originou e estabeleceu o método pelo qual seria lembrado, ele próprio presidindo à primeira celebração do rito e deixando uma ordem explícita para todos os seus seguidores de se reunirem regularmente para sua observância? Quem dentre todos aqueles que têm sido os maiores ornamentos de nossa raça, os maiores benfeitores da humanidade, teria algum dia arriscado seu bom nome, sua perspectiva de ser lembrado pelas eras que viriam, exibindo um desejo tão ansioso e prematuro de preservar e perpetuar a lembrança de seu nome, seu caráter, seus feitos? Eles deixaram para outros que vieram depois inventar os meios de fazer isso, eles próprios nem vaidosos nem ousados o suficiente para fazer o que nenhum outro já fez? Quem é este, então, que antes de morrer, por seu próprio ato e feito coloca a instituição memorial pela qual sua morte será mostrada? Certamente, deve ser alguém que sabe e sente que tem reivindicações para ser lembrado como nenhum outro foi em qualquer tempo - nas atenções de seus seguidores, ele não tem temor nenhum daquilo que faz ser atribuído a qualquer outro, nenhuma motivação menor do que o mais puro, mais profundo e mais altruísta amor! Será que Jesus Cristo, no próprio ato de instituir durante seu próprio tempo de vida este rito memorial, não está imediatamente acima do nível da humanidade, afirmando para si uma posição para com a humanidade que é totalmente e absolutamente única? (Dr. Hanna). A senhora Edgeworth, em um de seus contos, relata a anedota de um artista espanhol, que foi contratado para pintar "A última ceia". Era propósito dele colocar toda a sublimidade de sua arte na figura e no rosto do Mestre, mas ele pôs na mesa em primeiro plano umas taças com entalhes, cujo trabalho era muitíssimo lindo, e quando


seus amigos vieram ver a pintura no cavalete disseram: "Que lindas taças elas são!" Respondeu ele: "Ah!, eu errei. Estas taças distraem os olhos do espectador do Mestre, a quem eu desejei dirigir a atenção do observador." Ele pegou o pincel e apagou-as da tela, para que a força e vigor do objeto principal do quadro pudesse ser visto como deveria (G. S. Bowes). Aquele que não lembra a morte de Cristo, para que tente ser como ele, esquece o fim de sua redenção e desonra a cruz na qual sua satisfação foi operada (Anthony Horneck).

56. LIMPEZA QUE VEM DE PIEDADE "Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus (2Coríntios 7.1).

Aceso com o fogo de forte emoção, constrangido pelo amor de Cristo, e animado pela companhia de todas as bênçãos espirituais, o apóstolo Paulo aqui sai com uma exortação. Ele apela às paixões mais nobres dos filhos de Deus, à posse de linhagem divina, um dote no presente, e sua expectativa de um destino exaltado. Estes ele usa como incentivos para a santidade e de vida. Para incentivar em nós esta ambição divina, ele coloca diante de nós o Cristão em várias luzes diferentes:

I. COMO POSSUINDO OS MAIS GLORIOSOS PRIVILÉGIOS. "Visto que temos estas promessas." Não promessas por inversão meramente. As promessas referidas são mencionadas no capítulo anterior. 1. Habitação interior divina: "Habitarei com eles" (2Co 6.16). 2. Manifestação divina: "Entre eles andarei." 3. Pacto divino, garantido por contrato: "Serei o seu Deus, e eles serão o meu povo." 4. Aceitação divina: "Eu os receberei" (6.17). 5. Adoção divina: "Eu... lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso" (6.18). Estas promessas já são cumpridas em nossa experiência.

II. COMO QUE DETESTÁVEIS.

TRABALHANDO

PARA

SE

LIVRAR

DE

MALES


"Purifiquemo-nos" (2Co 7.1). A matéria tem nela: 1. Personalidade: "Purifiquemo-nos." 2. Atividade: Precisamos continuar limpando-nos. 3. Universalidade: "De tudo o que contamina". 4. Completamente: "Em corpo e mente" (espírito). Se Deus habita em nós, façamos limpa a casa para um Deus tão puro. Será que o Senhor já entrou em pacto conosco para que sejamos seu povo? Isso não envolve um chamado para vivermos de acordo com a piedade? Somos seus filhos? Não vamos entristecer nosso Pai, mas sim imitá-lo como filhos amados.

III. COMO VISANDO UMA POSIÇÃO MAIS EXALTADA. "Aperfeiçoando santidade." 1. Precisamos colocar diante de nós a santidade perfeita como algo a ser alcançado. 2. Precisamos culpar-nos se não chegamos lá. 3. Precisamos continuar em qualquer grau de santidade que tenhamos alcançado. 4. Precisamos agonizar pelo aperfeiçoamento de nosso caráter.

IV. COMO MOTIVADO PELO MAIS SAGRADO DAS MOTIVAÇÕES. "Aperfeiçoando santidade no temor de Deus." 1. O temor de Deus lança fora o medo do homem, e assim nos salva de uma prolífica causa de pecado. 2. O temor de Deus lança fora o amor ao pecado, e com a raiz, o fruto com certeza vai fora com certeza. 3. O temor de Deus funciona por amor a ele, e este é um grande fator de santidade. 4. O temor de Deus é a raiz da fé, do culto, da obediência, e assim produz todo tipo de serviço santo. Veja como promessas suprem argumentos para preceitos. Veja como preceitos naturalmente crescem a partir de promessas.


DERRAMAMENTOS "Limpar-nos." É o Senhor que é o santificador de seu povo; ele purga retirando deles o refugo e latão. Ele despeja água limpa, conforme suas promessas, contudo, chama-nos para nos limparmos; tendo tais promessas, limpemo-nos. Ele põe nova vida em nós e faz-nos agir, e excita-nos a exercitar e atuar no progresso de santificação. Os homens são estranhamente inclinados a uma construção perversa das coisas. Diga-lhes que é para agirmos e trabalhar e dar diligência, então, eles ainda querem fazer um trabalho em sua própria força e ser seus próprios salvadores. Outra vez, diga-lhes que Deus faz todas as nossas obras em nós e por nós, e então eles pegariam a facilidade de não fazer nada. Se não podem ter o louvor de fazer tudo, sentam-se parados, de braços cruzados, e não usam de nenhuma diligência. Mas esta é a lógica corrupta da carne, é seu mau sofismar. O apóstolo raciocina justamente ao contrário (Filipenses 2.13). "Pois é Deus quem efetua em você tanto o querer quanto o realizar." Portanto, diria um coração carnal: nós não precisamos trabalhar; ou pelo menos, podemos trabalhar muito relaxadamente. Mas ele infere: "Portanto, trabalhemos a nossa salvação em temor e tremor", isto é, na obediência mais humilde a Deus e dependência dele, não obstruindo as influências de sua graça, e, pela preguiça e negligência, provocando-o a tirar ou diminuí-la. Certamente, muitos em quem há a verdade da graça são conservados baixos no crescimento dele por sua própria preguiça, sentando-se parados, e não se mexendo e exercitando as ações apropriadas daquela vida espiritual pela qual ela é exercida e avançada (Arcebispo Leighton). Virtude, sempre frágil, como bela, aqui em baixo Sua terna natureza sofre no atropelo, Nem toca neste mundo sem uma mancha: O mundo é infeccioso; poucos volvem pela tarde à maneira da manhã - imaculados. Algo que pensamos, que está borrado, resolvemos. Está abalado; renunciamos, e retorna (Edward Young). "Avancemos para a perfeição" (Hb 6.1) deve ser melhor colocado, "Deixe-nos ser levados adiante." Se somos incapazes de ir adiante, certamente somos capazes de ser levados adiante à perfeição (Charles Stanford). As promessas, como têm uma aceleração, assim também têm um poder de purificar; e isso com lógica sadia. Deus promete que será meu Pai e eu serei seu filho, e ele me promete vida eterna, e esse estado requer pureza, e nenhuma coisa impura entrará ali. Certamente, se essas promessas forem apreendidas pela fé, como têm um poder de aceleração, purificam com a santidade. Podemos não pensar em levar nossa imundície ao céu. Aquele que pragueja pensa levar suas blasfêmias? Pessoas imundas e mentirosas são banidas de lá; lá não há "nenhuma coisa imunda". Aquele que tem essas promessas se limpa e "aperfeiçoa a santidade no temor de Deus". "Todo aquele que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro (1Jo 3.3) (Richard Sibbes). Uma mente espiritual tem algo da natureza da planta sensitiva: um santo encolhimento ao toque do mal (Richard Cecil).


57. CARREGAR CARGAS "Levem os fardos pesados uns dos outros, e assim cumprirão a lei de Cristo. Pois cada um deverá levar a própria carga" (Gálatas 6.2, 5).

Os gálatas aparentemente gostavam da lei e de suas cargas. Pelo menos, pareciam estar dispostos a eles mesmos assumirem cargas e a cumprirem a lei de Moisés. Paulo quis que pensassem em outras cargas, pelas quais, ao assumirem, cumpririam a lei de Cristo. Nós não estamos sob a lei, e sim sob o amor. Mas amor também é lei no melhor sentido. A lei de Cristo é amor. Amor é o cumprimento da lei. "Levem as cargas uns dos outros e assim cumprirão a lei de Cristo". Para que não haja abuso do princípio dessa lei, ele menciona o princípio da responsabilidade individual. "Cada um deverá levar a sua própria carga."

I. COMUNIDADE. "Levem as cargas uns dos outros." 1. Negativamente: Tacitamente ela proíbe certos modos de agir. - Não é para sobrecarregarmos os outros. Alguns tomam liberdade de fazer isso como se este texto dissesse: "Deixe os outros carregarem suas cargas", que é justamente o inverso do que ele insiste em dizer. - Não é para espiarmos as cargas de outros e informarmos a respeito. - Não é para desprezarmos estes outros por terem tais cargas para carregar. - Não é para agirmos como se todas as coisas existissem para nós mesmos, e para voltarmos tudo para nossos próprios objetivos. - Não é para sairmos pelo mundo insensíveis às tristezas de outros. Não podemos fechar nossos olhos às aflições da humanidade. 2. Positivamente: É para compartilharmos as cargas de outros. - Por compaixão, agüentar com os antigos pecados deles (v. 1).


- Por paciência, tolerar suas enfermidades e até seu orgulho próprio (v. 7). - Por simpatia, compartilhar suas tristezas (v. 2-3). - Por assistência, suportar suas vontades (v. 6, 10). - Por comunhão, em amor e consolo, suportar suas lutas. - Por oração e ajuda prática, levar a carga de seus trabalhos, e assim, torná-la mais leve (v. 6). 3. Especialmente, devemos considerar: - O irmão que erra. Referido no versículo 1 como tendo sido "apanhado em falta". Precisamos restaurá-lo ternamente. - O irmão que provoca, que se acha importante (ver v. 3). Agüente com ele; seu erro vai trazer-lhe muito peso antes que isso termine. - O irmão que é cansativo e difícil é para ser agüentado até setenta vezes sete vezes, até a medida da lei de Cristo. - O que se sente muitíssimo provado deverá ter nossa maior comiseração. Tratemo-lo com simpatia. - O ministro de Cristo deve ser liberado de cargas temporais para que possa se dar inteiramente a carga do Senhor.

II. IMUNIDADE. "Pois cada um deverá levar a sua própria carga." Nós não carregaremos todas as cargas de outros. Nós não estamos tão ligados um ao outro a ponto de sermos participantes em transgressões intencionais, negligência ou rebelião. 1. Cada um precisa carregar seu próprio pecado se persiste nele. 2. Cada um precisa carregar sua própria vergonha, que resulta de seu pecado. 3. Cada um precisa carregar sua própria responsabilidade em sua própria esfera. 4. Cada um precisa carregar sua própria sentença no juízo final.

III. PERSONALIDADE. "Cada pessoa... sua própria carga."


Piedade verdadeira é um negócio pessoal, e não podemos jogar de lado nossa individualidade. Portanto, peçamos graça para parecer bem a nós mesmos nos seguintes assuntos: 1. Religião pessoal. O novo nascimento, arrependimento, fé, amor, santidade, comunhão com Deus. São todos pessoais. 2. Auto-exame pessoal. Não podemos deixar a questão da condição de nossa alma para o julgamento de outros. 3. Serviço pessoal. Temos de fazer o que ninguém mais pode fazer. 4. Responsabilidade pessoal. Obrigações não podem ser transferidas. 5. Esforço pessoal. Nada pode ser um substituto por isso. 6.Tristeza pessoal. "O coração conhece sua própria amargura." 7. Consolo pessoal. Precisamos do Consolador para nós mesmos, e precisamos levantar os olhos ao Senhor pessoalmente para as operações dele. Tudo isso pertence ao cristão e podemos julgar a nós mesmos de acordo. Portanto, carregue sua própria carga como não esquecendo os outros. Portanto, viva de modo a não cair sob a culpa de pecados de outras pessoas. Portanto, ajude outros de modo a não destruir sua autoconfiança.

BREVIDADES CHEIAS DE CONTEÚDO Uma antiga anedota sobre o grande Napoleão conta que, enquanto andava por uma estrada campestre atendido por alguns de seus oficiais, ele encontrou um camponês sobrecarregado com a lenha que carregava. O camponês estava prestes a ser empurrado para o lado quando o imperador, colocando a mão no braço do membro de sua escolta que estava na frente, segurou todo o grupo e deu a preferência do uso da estrada para o trabalhador, com o comentário, "Senhores, respeitem a carga." Que aquele que espera que uma classe na sociedade prospere ao grau mais elevado enquanto outros estão em aflição experimente se um lado de seu rosto pode sorrir enquanto o outro está atormentado (Thomas Fuller). Há um provérbio, mas nenhum dos de Salomão, "Cada homem para si, e Deus por nós todos." Mas onde cada homem é por si, o diabo terá todos (William Secker).


"Cada homem deverá levar sua própria carga": esta é a lei da necessidade. "Levai as cargas um do outro", esta é a lei de Cristo. Que um homem alivie sua própria carga compartilhando a carga do próximo (T. T. Lynch). Há um portão na entrada de uma passagem estreita em Londres acima da qual está escrito: "Não é permitido a passagem de cargas." "E contudo passamos constantemente com as nossas", disse um amigo a outro ao se aproximarem dessa passagem, saindo de uma rua mais larga e mais freqüentada. Eles não estavam carregando cargas visíveis, mas eram como muitos que, embora não tenham um volume sobre os ombros, muitas vezes se abaixam interiormente por causa da presença de uma carga pesada sobre o coração. As piores cargas são aquelas que nunca se fazem óbvias à vista. O bispo Burner, em suas recomendações ao clero de sua diocese, costumava ser extremamente veemente em seu clamar contra as pluralidades. Em sua primeira visita oficial a Salisbury, insistiu com a autoridade de São Bernardo que, sendo consultado por um de seus seguidores para saber se poderia aceitar dois postos, dois benefícios eclesiásticos, replicou: "E como você poderia servir a ambos?" "Eu pretendo", o sacerdote respondeu, "oficiar em um deles por meio de um representante." "Seu representante vai sofrer castigo eterno por você também?", perguntou o santo bispo. "Creia-me, você pode servir ao seu curato por representação, mas você precisa sofrer a penalidade em pessoa." Essa anedota causou tão forte impressão no senhor Kelsey, o clérigo piedoso e abastado que estava presente, que ele imediatamente pediu demissão da reitoria de Bernerton, em Berkshire, que lhe valia duzentas libras por ano, que ele tinha mantido juntamente com outro de grande valor (Whitecross). Com muitos, serviço pessoal na causa da humanidade é prestado por um pagamento em dinheiro. Mas é para nós sermos carvoeiros na campanha contra o mal e não simplesmente pagarmos o imposto de guerra (de Ecce Homo).

58. CRUCIFICADO NO MADEIRO Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo (Gálatas 6.14).

Paulo vigorosamente repreendeu aqueles que se desviavam da doutrina da cruz (v. 1213). Quando nós repreendemos aos outros, precisamos ter o cuidado de agir certo nós mesmos; por isso, ele diz, conforme uma tradução: "Deus não permita que eu me glorie, senão na cruz." Nossa própria aderência resoluta à verdade, quando desenvolvida de modo prático, é um argumento muito forte contra adversários.


Paulo se exalta e acalora sobre a verdade quando pensa nos adversários da cruz. Ele logo que toca no assunto já se acende e pega fogo. Contudo, ele tem suas razões e as declara com clareza e força nas últimas palavras do texto. Aqui estão três crucificações:

I. CRISTO CRUCIFICADO. "A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo." Paulo menciona a morte substitutiva de Jesus nos termos mais claros e mais odiosos possíveis. A cruz era tão vergonhosa como é a árvore do enforcamento. Mas com o contraste mais claro quanto à pessoa suportando-a, pois para ele deu as plenas honras no glorioso título "nosso Senhor Jesus Cristo". Ele se refere à doutrina da justificação gratuita e plena expiação pela morte de Jesus na cruz. Nisso, ele se gloriava de modo a não se gloriar em mais nada, pois ele a via: 1. Como uma mostra do caráter divino. "Deus estava em Cristo" (2Co 5.19). 2. Como a manifestação do amor do Salvador (João 15.13). 3. Como o aniquilar do pecado pela expiação (Hb 9.26). 4. Como a aspirar de esperança, paz e alegria para a alma desanimada. 5. Como o grande meio de tocar corações e mudar vidas. 6. Como privando a morte de terror, visto que Jesus morreu. 7. Como assegurando o céu para todos os que crêem. De qualquer um desses pontos de vista, a cruz é o pilar de luz, flamejando com glória indizível.

II. O MUNDO CRUCIFICADO. "O mundo foi crucificado para mim." Como o resultado de ver todas as coisas à luz da cruz, Paulo viu o mundo sendo como um criminoso executado sobre uma cruz. 1. Seu caráter condenado (João 12.31). 2. Seu juízo condenado. Quem se importa com a opinião de um criminoso naquela posição. 3. Seus ensinos desprezados. Que autoridade podem ter?


4. Seus prazeres, honras, tesouros, rejeitados. 5. Suas atividades, aforismos e espírito lançados fora. 6. Suas ameaças e agrados nem valorizados. 7. Ele mesmo logo se extinguindo, sua glória e sua moda desbotando.

III. O CRENTE CRUCIFICADO. "E eu para o mundo." Para o mundo, Paulo não era melhor do que um homem crucificado. Se fiel, um cristão pode esperar ser tratado como só servindo para ser colocado numa morte vergonhosa. Ele provavelmente encontrará: 1. A si mesmo como primeiro intimidado, ameaçado e ridicularizado. 2. Seu nome e honra tidos em pequena consideração por causa de sua associação com os pobres piedosos. 3. Suas ações e motivos representados erroneamente. 4. Ele mesmo desprezado como um tipo de louco ou de intelecto dúbio. 5. Seus ensinos descritos como detonados e antiquados. 6. Seus modos e hábitos considerados puritanos e hipócritas. 7. Ele mesmo caso perdido e portanto morto para a sociedade. Gloriemo-nos na cruz, porque ela mata a glória do mundo, e a honra e o poder! Gloriemo-nos na cruz quando homens levam embora de nós toda outra glória.

MEMORANDOS É assunto para regozijo e glória nós termos tal Salvador. O mundo o olhou com desprezo, e a cruz foi escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Mas para o cristão, essa cruz é o assunto do gloriar. É assim por alguns motivos: (1) do amor daquele que ali morreu; (2) da pureza e santidade de seu caráter, pois o inocente morreu pelos culpados; (3) da honra ali colocada sobre a lei de Deus por ele morrer para o manter sem mancha; (4) da reconciliação feita ali pelo pecado, fazendo-se ali o que nenhum outro sacrifício podia fazer e por nenhum poder do homem; (5) do perdão conseguido ali para os culpados; (6) do fato que por ele nós nos tornamos mortos para o mundo e somos tornados vivos para Deus; (7) do apoio e da consolação que vem daquela cruz para nos sustentar em tribulação; e (8) do fato que isso conseguiu para nós


a entrada no céu, um título para o mundo de glória. Tudo é glória em volta da cruz. Foi um glorioso Salvador quem morreu, foi glorioso amor que o levou a morrer; foi um glorioso objetivo redimir um mundo, e é uma glória indizível à qual ele levantará pecadores perdidos e arruinados pela sua morte. Ah, quem é que não se gloriaria em um Salvador desse! (Albert Barnes). Se você ainda não descobriu que Cristo crucificado é o fundamento do volume todo, você por enquanto tem feito pouco proveito de sua Bíblia. Sua religião é um céu sem sol, um arco sem pedra fundamental, uma bússola sem uma agulha, um relógio sem mola nem pesos, uma lâmpada sem óleo. Não vai confortá-lo, não vai livrar sua alma do inferno (J. C. Ryle). Não fique satisfeito juntamente com tantos outros só de saber que a cruz tem em seu poder expiar pecados. A glória da cruz é que ela não foi só para Jesus o caminho para a vida, mas que a cada momento ela pode tornar-se para nós o poder que destrói pecado e morte e nos conserva no poder da vida eterna. Aprenda do seu Salvador a arte santa de usá-la para isso. Fé no poder da cruz e sua vitória de dia em dia tornam mortos os feitos do corpo, as concupiscências da carne. Esta fé lhe ensinará a contar a cruz, com sua continuada morte de si, toda a sua glória. E porque você vê a cruz, não como alguém que ainda está no caminho da crucificação com a expectativa de uma morte dolorosa, mas como um para quem a crucificação já passou, um que já vive em Cristo, e agora só leva a cruz como o instrumento bem-aventurado através do qual o corpo do pecado foi destruído (Rm 6.6). A bandeira sob a qual vitória completa sobre o pecado e o mundo é para ser ganho na cruz (Andrew Murray). Quando Inácio, pastor da igreja na Antioquia, foi condenado pelo imperador Trajano para sofrer a morte em Roma, ele teve medo que os cristãos ali, pela sua grande afeição a ele, pudessem tentar evitar o seu martírio; e por isso escreveu uma carta de Esmirna aos cristãos romanos, que ele mandou na frente, na qual pediu sinceramente que não tomassem medidas para a continuação de sua vida, e entre outras coisas, disse, "Eu anelo pela morte", acrescentando como motivo seu desejo de testificar seu amor a Cristo: "Meu amor está crucificado." Amor torna a cruz fácil, amável, admirável, deliciosa. Irmãos, a cruz de Cristo é sua coroa; o opróbrio de Cristo, suas riquezas; a vergonha de Cristo, sua glória (Joseph Aleine, em A prisão comum).

59. A GARANTIA O Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança (Efésios 1.13-14).

O céu é nosso por herança. Não é comprado por merecimento, nem ganho pela força, mas obtido por direito inato.


Dessa herança, temos um gostinho aqui em baixo, e esse antegosto é da natureza de um direito de herança, garantindo-nos entrar em completa posse dela. Uma garantia é da mesma natureza como a bênção final da qual é uma fiança. Uma caução é da mesma natureza da bênção final da qual é caução. Uma garantia é devolvida, mas uma caução é retida como parte da coisa prometida. Grande prazer atende à posse da caução de nossa herança quando corretamente entendida.

I. O ESPÍRITO SANTO É ELE MESMO A CAUÇÃO DO CÉU POR HERANÇA. Ele não é só a caução, a garantia, mas também o antegosto da felicidade eterna. 1. Sua entrada na alma traz consigo aquela mesma vida que entra no céu, a saber, a vida eterna. 2. Sua habitação em nós consagra-nos ao mesmo propósito ao qual seremos devotados através da eternidade, a saber, o servir ao Senhor nosso Deus. 3. Seu trabalho em nós cria essa mesma santidade que é essencial para o desfrutar do céu. 4. Sua influência sobre nós traz aquela mesma comunhão com Deus que desfrutaremos para sempre no céu. 5. Ele ser nosso é como o céu ser nosso, se não mais; pois se possuímos o Deus do céu, nós possuímos céu e mais do que céu. A posse do Espírito é a aurora da glória. II. O ESPÍRITO SANTO TRAZ-NOS MUITAS COISAS ANTEGOZOS BENDITOS DA HERANÇA CELESTIAL.

QUE

SÃO

1. Descanso. Esta é uma qualidade principal de céu, e nós temos descanso neste momento em Jesus Cristo (Hb. 4.3). 2. Deleite no servir. Servimos ao Senhor com alegria mesmo agora. 3. Alegria a respeito de pecadores se arrependendo. Isso podemos conseguir agora. 4. Comunhão com santos. Que doce mesmo no estado imperfeito! 5. Conhecimento ampliado de Deus e de todas as coisas divinas. Aqui também conhecemos em parte as mesmas coisas que são conhecidas em cima. 6.Vitória sobre o pecado, Satanás e o mundo. 7. Segurança em Jesus Cristo.


8. Proximidade de nosso amado. Por estas janelas, nós enxergamos as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam. "Ele nos revela essas coisas por meio de seu Espírito."

III. HÁ UM CONTRASTE MUITO ESCURO PARA ESTE TEMA BRILHANTE. Há sinais evidentes de perdição, penhores de pesar. Também há cauções e antegozos do estado eterno de miséria. Homens ímpios podem adivinhar com maior ou menor clareza a que o pecado os levará quando amadurecer. Que aprendam eles sobre: 1. O fruto de alguns pecados nesta vida: vergonha, trapos, doença. 2. Seu medo da morte, alarme no pensar nela. 3. Sua inquietação e pressentimento freqüentes. "Eles fogem quando nenhum homem persegue", são "lançados para cá e para lá como os gafanhotos"! 4. Decepções com os companheiros, brigas e ódios mútuos. O que será ser fechado com pessoas como essas para sempre? 5. Seu desagrado por coisas boas, incapacidade de orar, todas cauções da impossibilidade de eles se unirem a santos e anjos no céu. Ah, que beleza ser preenchido do Espírito para encontrar o céu começado em baixo.

EXTRATOS MARCANTES Há uma grande semelhança entre uma caução e a habitação do Espírito com as graças que ele trabalha dentro de nós. (1) A caução é parte da soma inteira, que deve em uma certa conta ser paga no tempo devido. Assim o Espírito que temos e sua graça são o princípio daquele glorioso ser que no final recebemos--o mesmo na substância, embora diferindo no grau. (2) Uma caução é apenas pouco em comparação com o todo. Vinte xelins em caução é suficiente para assegurar cem libras; assim, toda a graça que temos é apenas uma pequena coisa em comparação com a plenitude que buscamos, assim como os primeiros frutos foram em comparação com a colheita toda. (3) Uma caução assegura àquele que a recebe a intenção honesta daquele com quem ele faz contrato, assim o Espírito e a graça que nós recebemos de Deus nos asseguram de seu propósito assentado de nos levar à glória eterna (Paul Bayne). Cristãos! Deus está mais perto de nós do que nosso amigo mais próximo, mais perto de nós como Cristo estaria se nós apenas sentíssemos o toque de sua mão e o passar de sua vestimenta; pois ele vem habitar dentro de nós. Platão pareceu ter um relance dessa verdade gloriosa quando disse: "Deus é mais interno para nós do que nós somos para nós mesmos." O que para ele era uma bela especulação é para nós uma realidade inspiradora; pois nós somos o "templo do Espírito Santo" (Dr. Charles Stanford).


Assim que nos pomos a caminho na viagem para casa, nossa casa por gostos antecipados vem encontrar-se conosco. A paz de nossa casa nos abraça, o Espírito, como uma pomba, se aninha em nosso coração, a glória de nosso lar nos seduz; e servos anjos de nosso lar nos fazem companhia e nos ajudam em nossa estrada. Ah, que doce lar o nosso deve ser que pode nos mandar tais penhores de sua doçura enquanto ainda estamos a grande distância dele! (John Pulsford). "A fiança ou carta de garantia." A palavra grega é arrhabon. É hebraica (pelo menos semita) por derivação; em hebraico, a palavra idêntica aparece em Gênesis 38. Por derivação, tem a ver com troca, e então primeiro significa uma garantia; mas o uso a trouxe ao sentido aparentado de uma caução. Foi empregada para os presentes de noivado do noivo para a noiva, um caso exatamente aplicável aqui. Em latim eclesiástico, aparece na forma mais curta, arra. Sobrevive no francês arrhes, o dinheiro pago para se fazer uma barganha. Arrhabon ocorre em outros lugares no Novo Testamento: 2Co 1.22; 5.5. Ali, como aqui, denota os dons do Espírito Santo dados aos santos, como o pagamento parcial de "peso de glória" vindouro, a essência mais interior do qual é a obtenção completa (1João 3.2) daquela semelhança ao Senhor que o Espírito começa e desenvolve aqui (2Co 3.18). Uma expressão semelhante é "os primeiros frutos do Espírito" (Rm 8.23). (Em Cambridge Bible for Schools and Families, obra que recomendamos a todos os pastores.)

60. A FAMÍLIA DO REI "Do qual toda a família no céu e na terra recebe o nome" (Efésios 3.15).

Muitos são os pesos que nos arrastam em direção à terra e às cordas que nos amarram a ela. Dentre estes últimos nossas famílias não são os menores. Precisamos de um impulso em direção ao alto. Ah, que possamos achá-lo no texto! Há uma ligação abençoada entre santos em baixo e santos em cima. Ah, sentir-se que todos nós somos uma família.

I. ENTENDAMOS A LINGUAGEM DO TEXTO. 1. A palavra chave é "família". - Um prédio apresenta a unidade do desenho do construtor. - Um rebanho, unidade da posse do pastor.


- O título de cidadão implica unidade de privilégio. - A idéia de um exército mostra unidade de objetivo e busca/perseguição. Aqui, temos algo mais próximo e ainda mais instrutivo: "a família". - O mesmo Pai, portanto, unidade de relacionamento. - A mesma vida, portanto, unidade de natureza. - O mesmo amor mútuo crescendo da natureza e relacionamentos. - Os mesmos desejos, interesses, alegrias e cuidados. - O mesmo lar para moradia, segurança e apreciação. - A mesma herança para em breve ser possuída. 2. A palavra de ligação é "toda". "Toda a família no céu e na terra." Há apenas uma família, e ela é um inteiro. Na terra encontramos uma porção da família: - Pecando e arrependendo-se, ainda não tornada perfeita. - Sofrendo e desprezada, estranhos e estrangeiros entre os homens. - Morrendo e gemendo, porque ainda estão no corpo. No céu, encontramos uma outra parte da família: - Servindo e regozijando-se. Sem pecado e livre de toda enfermidade. - Honrando a Deus e honrada por ele. - Livre de suspiros e interessada em cantar. Os militantes e os triunfantes são uma só família não dividida. 3. A palavra de coroação da frase é "recebe o nome". Nosso nome recebemos do primogênito, o próprio Jesus Cristo. Assim, todos somos reconhecidos como sendo tão verdadeiramente filhos como o Senhor Jesus, pois o mesmo nome nos é dado. Assim, ele é grandemente honrado entre nós. O nome dele é glorificado por cada um que verdadeiramente leva este nome. Assim, somos grandemente honrados nele ao levar tão augusto nome. Assim, somos ensinados a quem imitar. Precisamos justificar o nome.


Assim, somos forçadamente lembrados de seu grande amor para conosco, de sua grande dádiva para conosco, de sua união conosco e da valorização que faz de nós.

II. VAMOS PEGAR O ESPÍRITO DO TEXTO Vamos agora tentar sentir e mostrar um sentimento de família. 1. Como membros de uma família, apreciemos as coisas que temos em comum. Todos nós temos: - As mesmas ocupações. É nossa comida e bebida servir o Senhor, para abençoar a irmandade e salvar almas. - Os mesmos deleites: comunhão, segurança e expectativa. - O mesmo amor vindo do Pai. - A mesma justificação e aceitação com nosso Deus. - Os mesmos direitos ao trono da graça, ministração dos anjos, provisão divina e iluminação espiritual. - A mesma antecipação de crescimento em graça, perseverança até o fim e glória no final. 2. Como membros de uma única família, vamos nos familiarizar uns com os outros. 3. Como membros de uma só família, vamos ajudar um ao outro de modo prático. 4. Como membros de uma só família, vamos abandonar todos os nomes, alvos, sentimentos, ambições e crenças que dividem as pessoas. 5. Como membros de uma só família, empenhemo-nos pela honra e pelo reino de nosso Pai que está no céu. Vamos buscar os membros perdidos da família. Vamos estimar os membros esquecidos da família. Vamos nos empenhar pela paz e unidade da família.

PALAVRAS SELETAS A Escritura conhece apenas dois lugares para o recebimento de todos os crentes, ou o céu ou a terra. Portanto, quando o apóstolo quer nos contar onde todos eles estavam convergindo sob Cristo como seu cabeça e redentor, ele os arranja na seguinte ordem:


"coisas no céu, e coisas na terra" (Ef 1.10); o apóstolo se esqueceu do limbo lá, e do purgatório aqui. Como a Escritura só conhece dois tipos de santos, assim também dois lugares, o céu para os triunfantes, a terra para os militantes (Paul Bayne). "A família inteira no céu e na terra", não as duas famílias, não a família dividida, mas a família inteira no céu e na terra. Parece, à primeira vista, como se estivéssemos efetivamente divididos pela mão da morte. Será possível sermos uma família quando alguns de nós continuamos trabalhando e outros dormem sob o gramado? Houve uma grande verdade na sentença que Wordsworth pôs na boca da criança pequena, quando ela disse: "Ó mestre, nós somos sete." "Mas eles estão mortos: aqueles dois morreram, Seus espíritos estão no céu!", alguém dizia. Foi lançar fora palavras. Ela repete. A pequenina quis o que queria. E diz: "Não, nós somos sete." Será que nós não deveríamos falar assim da família divina? Pois a morte com certeza não tem poder para separar a família de Deus (C. H. S.). "Quando eu era menino," diz alguém, "eu pensava no céu como uma grande cidade brilhante, com vastas paredes e cúpulas e torres, e com ninguém nela a não ser tênues anjos brancos, que me eram estranhos. Mais tarde meu irmãozinho morreu, e eu pensei em uma grande cidade com muros e cúpulas e torres, e uma revoada de anjos frios desconhecidos, e um garotinho que eu conhecia; ele era o único que eu conhecia naquele tempo. Depois outro irmão morreu, e havia dois que eu conhecia. Depois meus conhecidos começaram a morrer, e o bando cresceu continuamente. Mas só quando um de meus filhinhos foi para o seu Avô--Deus--, eu comecei a pensar que eu tinha entrado um pouquinho eu mesmo. Um segundo foi, um terceiro foi, um quarto foi e até lá eu já tinha tantos conhecidos no céu que eu não via mais paredes e cúpulas e torres. Comecei a pensar nos moradores da cidade celestial. E agora já foram tantos de meus conhecidos para lá, que às vezes me parece que eu conheço mais no céu do que conheço na terra" (Handbook of Illustrations). Thomas Brooks menciona uma mulher que vivia perto de Lewes, em Sussex, na Inglaterra; ela estava doente e foi visitada por uma de suas vizinhas que, para alegrá-la, disse-lhe que se ela morresse ela iria ao céu, e estaria com Deus e Jesus Cristo, e os santos e os anjos. A mulher doente, em toda a sua simplicidade, respondeu: "Ah, minha senhora, eu não tenho parentes lá! Não, nem uma fofoqueira, uma conhecida, e como não conheço ninguém, eu antes preferiria muito mais parar com você e as outras vizinhas, do que ir e morar no meio de estranhos." É de se temer que se muitos falassem o que pensam, falariam mais ou menos a mesma coisa.


61. A CABEÇA E O CORPO A Cabeça, Cristo: dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza sua função (Efésios 4.15-16).

As palavras são tão compactadas como é o próprio corpo. Não tentaremos uma completa e nem mesmo uma exposição exata do original, mas ficaremos com a metáfora do texto, sem dúvida uma metáfora bíblica, e cheia de instrução aproveitável. Quatro assuntos são trazidos diante de nós no texto:

I. NOSSA UNIÃO COM CRISTO. "O cabeça, Cristo." 1. Essencial para a vida. Separado dele, somos mortos. 2. Essencial para o crescimento. Crescemos nele que é o Cabeça. 3. Essencial à perfeição. O que seríamos nós sem um ou uma Cabeça. 4. Essencial a cada membro. O mais forte precisa de união à cabeça tanto quanto o mais fraco.

II. NOSSA INDIVIDUALIDADE. "Cada junta", "Cada parte". Cada um precisa cuidar de seu próprio ofício. 1. Precisamos, cada um pessoalmente, cuidar de nossa própria união vital com o corpo e principalmente com o/a cabeça. 2. Precisamos cuidar de encontrar e conservar nossa posição adequada no corpo. 3. Precisamos cuidar de nossa saúde pessoal, pois um membro com uma indisposição prejudica o todo. 4. Precisamos cuidar de nosso crescimento, por amor a todo o corpo. A mais cuidadosa auto-vigilância não será uma medida egoísta, e sim um dever de sanidade que está envolvido por causa de nosso relacionamento com os demais.


III. NOSSO RELACIONAMENTO DE UM COM O OUTRO. "Auxílio de todas as juntas". "Cada parte realiza sua função." 1. Nós devemos, em desejo e espírito, ser aptos a trabalhar com outras pessoas. É para termos juntas. Como pode haver um corpo sem elas? 2. Devemos suprir o óleo de juntas do amor quando fazemos isso; de fato, cada um precisa ceder sua própria influência peculiar aos outros. 3. Devemos ajudar a solidez do todo pela nossa própria solidez e firmeza saudável em nosso lugar. 4. Devemos realizar nosso serviço para todos. Devemos proteger, guiar, sustentar, nutrir, e consolar o restante dos membros, conforme seja nossa função.

IV. NOSSA UNIDADE COMPACTA COMO IGREJA. "O corpo se edificando em amor." 1. Há apenas um corpo de Cristo, assim como ele é uma cabeça. 2. É uma união real, viva, não uma unidade meramente professada, mas um corpo vivificado pela "operação efetiva" do Espírito de Deus em cada parte. 3. É uma corporação que cresce. Aumenta pela edificação mútua, não por ser inflada por vaidades, mas por ser edificada. Cresce como resultado de sua própria vida, sustentada por alimento adequado. 4. É um corpo imortal. Porque o cabeça vive, o corpo precisa viver também. Estamos nós no corpo de Cristo? Não estamos nós preocupados em vê-lo perfeito? Estamos nós ministrando o suprimento que o corpo pode bem esperar da parte de seus membros?

PARA SE AJUSTAR Há grande justeza na ilustração da cabeça e membros. A cabeça é: (1) A parte mais alta do corpo, a mais exaltada.


(2) A parte mais sensível, a sede do nervo e sensação, de prazer e dor. (3) A parte de maior honra, a glória do homem, a parte do corpo humano que recebe a bênção, usa a coroa, e é ungida com o óleo da alegria e da consagração. (4) A parte mais exposta, especialmente atacada em batalha, e capaz de ser ferida, e onde o ferimento seria mais perigoso. (5) A parte mais expressiva, a sede de expressão, quer no sorriso de aprovação, no franzir a testa com desprazer, na lágrima de simpatia ou no olhar de amor (G. S. Bowes). Todo mundo sabe que seria muito melhor perder nossos pés do que nossa cabeça. Adão tinha pés com os quais ficar em pé, mas nós os perdemos pela desobediência dele; contudo, glória a Deus, nós achamos um cabeça, em quem nós habitamos seguros eternamente, um cabeça que nunca perderemos (Feathers for Arrows). No momento em que eu faço de mim e Cristo dois, eu estou totalmente errado. Mas quando eu vejo que nós somos um, tudo é tranqüilidade e paz (Lutero). Em que condição feliz estão a igreja e os membros de Cristo! (1) Interessados no mesmo amor como o cabeça. (2) Sob o mesmo decreto de eleição como o cabeça. (3) Aliados aos mesmos parentes, interessados nas mesmas riquezas e assegurados por serem membros da mesma vida e imortalidade no mundo que virá. "Porque eu vivo, vós vivereis também" (Benjamin Keach). De todos os símbolos que apresentaram a igreja de Cristo, prefiro este. Apresentando, tão bem quanto qualquer outro, nosso relacionamento com Cristo, e melhor do que qualquer outro nosso relacionamento mútuo, ele nos ensina lições de amor, de caridade e de terna simpatia. Quando o facão ou a tesoura de podar corta um galho de uma árvore, o ramo se curva, parece derramar algumas lágrimas, mas este seca, e os outros galhos não sofrem dor, não mostram nenhuma empatia, suas folhas dançando alegremente no vento acima do galho que está murchando em baixo. Mas uma terna simpatia invade o corpo e seus membros. Toque meu dedo rudemente, e o corpo todo o sente, machuque este pé, e isso faz tremer meu corpo, a dor sobe rápida em direção à cabeça; deixe que o coração, ou mesmo um dente, doa, e todo o sistema sofre a desordem. Com que cuidado se toca numa parte inflamada! Que esforços ansiosos fazemos para salvar um membro! Com que relutância lenta um paciente, depois de longos meses ou anos de sofrimento, consente no último remédio, a faca do cirurgião! Muitas lições santas de amor, caridade e simpatia nosso Senhor ensina com essa figura (Dr. Guthrie). Precisamos trabalhar em comum acordo. A Bíblia dá ênfase a isso como pode ser visto de expressões como: "se dois concordarem", "cooperadores para a verdade", "com uma só mente lutando pela fé do evangelho". É como com a mão humana. Veja um dos dedos, o indicador, por exemplo; ele pode fazer muitas coisas sozinho separadamente. Eu o ponho no meu pulso, para ver como meu coração bate; eu viro a folha de um livro com ele. Eu o uso para apontar o caminho para um estranho. Eu o coloco nos meus lábios para indicar silêncio. Eu escolho o indivíduo para quem eu diria: "Tu és o homem." Eu o sacudo em aviso ou ameaça. Mas a mão pode fazer, não cinco vezes o que um dedo pode, não cinqüenta vezes tanto, não quinhentas vezes tanto, mas cinco


mil vezes - e mais. Assim com as igrejas cristãs; é preciso não só haver esforço individual, como também esforço combinado e unido, de acordo com o princípio neotestamentário: "Conforme cada um recebeu o dom, que ele ministre" (Ef 4.12) (Dr. Culross).

62. FILHO DA LUZ E OBRAS DE TREVAS "Não participem das obras infrutíferas das trevas, antes exponham-nas à luz" (Efésios 5.11).

Orientações sobre como viver enquanto se está aqui em baixo são muito necessárias. Constantemente, entramos em contato com homens incrédulos; isso é inevitável. Mas aqui somos ensinados a evitar tal comunhão com eles que venha a nos fazer participantes de seus atos maus. Três verdades são mencionadas incidentalmente: obras más são estéreis, são obras das trevas, e elas merecem repreensão. Nós precisamos não ter nenhuma comunhão com eles, nem em qualquer tempo, nem em qualquer maneira, nem em qualquer grau.

I. O QUE É PROIBIDO? "Comunhão com as obras das trevas". Esta comunhão pode ser produzida de vários modos: 1. Pessoalmente, cometendo os pecados assim descritos ou unindo-se com outros para fazê-los acontecer. 2. Ensinando fazer o mal, ou de forma clara ou dando a entender. 3. Constrangendo, mandando ou tentando por ameaça, pedido, persuasão, indução, compulsão, suborno ou influência. 4. Provocando, levando à ira, emulação ou desânimo. 5. Deixando de repreender: especialmente pais e mestres que usam de forma inadequada sua posição e permitindo males conhecidos dentro da família. 6. Aconselhando, ou direcionando mal por seu exemplo.


7. Consentindo, concordando e cooperando. Sorrindo de uma tentativa má, e, no fim, aproveitando-se do que foi ganho. Aqueles que se unem com igrejas que estão erradas vêm sob esse título. 8. Sendo conivente com o pecado: tolerando, escondendo e dando-lhe pouca importância. 9. Aprovando, aceitando, defendendo e desculpando o erro já feito e aprovando-o contra aqueles que estão a favor de expor, denunciar e punir.

II. O QUE É ORDENADO. "Repreenda-os". "Reprovar" no original é uma palavra de sentido amplo. 1. Repreenda. Declare o erro disso, e mostre sua aversão a isso. 2. Convença. Assim como o Espírito Santo reprova o mundo do pecado, você terá a meta de provar o erro do mundo, com o fim de ganhar as pessoas, retirando-as dos caminhos do mal. 3. Converta. Essa será sua meta contínua com aqueles à sua volta. Você deverá reprovar de modo a convencer as pessoas a saírem do caminho do mal. E ganhá-las. Ah, que tivéssemos mais reprovação honesta e amorosa de todos os males!

III. POR QUE ISTO ME É ORDENADO? É especialmente meu dever estar isento dos pecados de outros homens: 1. Como um imitador de Deus e um filho amado (v. 1). 2. Como pessoa herdeira do reino de Deus (v. 5-6). 3. Como alguém que saiu das trevas para a maravilhosa luz do Senhor (v. 8). 4. Como um que dá fruto, o próprio fruto do Espírito que é todo bondade, justiça e verdade (v. 9). 5. Como um que não estaria associado àquilo que é vergonhoso ou tolo (v. 12, 15). Se nossa comunhão é com Deus, nós precisamos abandonar os caminhos das trevas.

IV. O QUÊ PODE RESULTAR DE OBEDIÊNCIA À ORDEM DADA.


Mesmo se não pudéssemos ver nenhum bom resultado, nosso dever estaria bastante claro; mas muitos benefícios podem resultar: 1. Nós estaremos isentos de cumplicidade com as obras das trevas. 2. Nós seremos honrados nas consciências dos ímpios. 3. Nós podemos assim ganhá-los ao arrependimento e à vida eterna. 4. Nós glorificaremos Deus por nosso andar separado e pela perseverança piedosa com que nos aderimos a ele. 5. Nós podemos assim estabelecer outros em santo não-conformismo com o mundo. Usemos o texto como um aviso a professores mundanos. Usemos o texto como um diretório em nossas conversas com os ímpios.

EXEMPLOS Um membro da congregação do senhor Hill começou a ir ao teatro freqüentemente. O senhor Hill foi falar com ele e disse: "Isso não dá certo nunca - um membro de minha igreja com o hábito de ir ao teatro!" A pessoa em questão respondeu que, com certeza, tratava-se de um engano, pois ele não tinha o hábito de ir ao teatro, embora fosse verdade que ele ia uma vez ou outra como passeio especial. Rowland Hill respondeu: "Ah!, então você é o pior hipócrita, meu senhor. Suponhamos que qualquer pessoa espalhasse que eu como carniça, e eu respondesse: 'Bem, não há mal nisso; eu não como carniça todos os dias da semana, mas eu como um prato de vez em quando como prazer especial'. Ora, você diria, 'Que apetite horrível, imundo, o Rowland Hill tem, para ter que procurar carniça para um prazer especial'" Religião é o prazer mais verdadeiro do cristão. Cristo é o seu prazer" (Charlesworth, Vida de Rowland Hill). Em certa ocasião, viajando na carruagem de correio de Portsmouth, André Fuller ficou bastante irritado com a conversa profana de dois jovens que se sentavam à sua frente. Depois de certo tempo, um deles, observando a sua seriedade, dirigiu-se a ele com ar de impertinência, perguntando, em linguagem rude e pouco delicada, se quando chegasse em Portsmouth ele não se deleitaria da maneira em que eles evidentemente pretendiam. André Fuller, fechando a cara e olhando de frente para quem fez a pergunta, replicou em tons comedidos: "Senhor, eu sou um homem que teme a Deus." Quase não se pronunciou palavra durante o restante da viagem (Memórias de Andrew Fuller). Mateus Wilks uma vez andou de carruagem com um jovem nobre e uma passageira moça. O nobre começou uma conversa imprópria com o cocheiro e a mulher. Quando teve uma oportunidade favorável, Wilks disse: "Meu senhor, mantenha a sua posição." A reprovação foi sentida e seguida. Que o cristão sempre mantenha a sua posição. Uma senhora cristã distinta recentemente passou algumas semanas num hotel em Long Branch, e tentou-se induzi-la a assistir a um baile a fim de que a festa pudesse ter o prestígio que sua presença conferia a esses eventos, visto que era pessoa da alta sociedade. Sua resposta foi negativa a todos os convites dos amigos e, por fim, um


senador honrado tentou persuadi-la a estar presente, dizendo-lhe que "[...] tratava-se de uma festinha que não faz mal a ninguém, e queremos ter a honra excepcional de sua presença." "Senador", respondeu a senhora, "não posso fazer isso. Sou uma cristã. Nunca faço nada em minhas férias, ou onde quer que vá, que prejudique a influência que tenho sobre as meninas de minha classe da escola dominical." O senador curvou-se, e disse: "Eu a honro. Se houvesse mais cristãos como a senhora, mais homens como eu nos tornaríamos cristãos" (Dr. Pentecos). Críticas devem sempre ser feitas em amor; nunca lave o rosto de um homem em óleo cáustico ("vitriol"). Algumas pessoas queimariam uma casa toda para se livrar de um camundongo. A menor falta é denunciada como um grande crime, e um bom irmão é cortado do companheirismo, resultando maus sentimentos, quando uma dica gentil teria feito a correção com muito mais eficácia (C. H. S.).

63. O PADRÃO DO AMOR Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela (Efésios 5.25).

O amor de Cristo à sua igreja é o modelo para esposos. Deve ser um amor puro, fervoroso, constante, de auto-sacrifício. A conduta de Jesus foi a melhor prova de seu amor. Ele "amou a igreja, e deu a si mesmo por ela." Nossa conduta deve ser o resultado genuíno do nosso amor.

I. COMO CRISTO AMOU SUA IGREJA. Ele amou sua própria igreja com: 1. Um amor de escolha e simpatia especial. 2. Um amor de altruísmo. Ele não amou o que era dela, mas ela própria. 3. Um amor de complacência. Ele a chama: "Hefzibá, meu deleite está nela" (Is 62.4). 4. Um amor de simpatia. Os interesses dela são os interesses dele. 5. Um amor de comunhão. Ele se manifesta à sua noiva escolhida.


6. Um amor de unidade. Uma união amorosa, viva, duradoura é estabelecida. Um amor de constância imutável. Ele ama até o fim.

II. COMO ELE PROVOU SEU AMOR. "Ele se deu pelo amor." 1. Ele se deu à sua igreja deixando o céu e tornando-se encarnado para que pudesse assumir a sua natureza. 2. Ele se deu em toda a sua vida na terra ao despender todas as suas forças para abençoar sua querida. 3. Ele deu a si mesmo em morte, o resgate pela sua igreja. 4. Ele se deu em sua vida eterna: ressuscitando, ascendendo, reinando, intercedendo tudo pela igreja de sua escolha. 5. Ele se deu em tudo que ele é agora como Deus e homem, exaltado ao trono, para o benefício eterno de sua igreja amada.

III. COMO NÓS DEVEMOS PENSAR NISSO. É colocado diante de nós como um amor, que deve influenciar nosso coração. Devemos pensar nisso: 1. Em forma de gratidão, admirando cada vez mais tal amor. 2. Em forma de obediência, assim como a esposa obedece o marido. 3. Em forma de reverência, admirando amor tão grande, tão celestial, tão perfeito, tão divino. 4. Em forma de santidade, regozijando-se de ser como nosso esposo santo. 5. Em forma de amor, cedendo nosso coração todo a ele. 6. Em forma de imitação, amando-o e aos outros por causa dele. Vamos entrar no amor de Jesus, apreciá-lo em nosso coração, depois imitá-lo em nossas famílias.

COM RESPEITO AO AMOR Rowland Hill, muitas vezes, ficava angustiado com os relatos falsos que circulavam de coisas que ele dizia, especialmente as que, segundo esses relatos, ele mencionava


publicamente sua esposa. Suas atenções a ela até o fim da vida foram da espécie mais educada e afetuosa. A alta opinião que tinha dela até o fim da vida pode ser vista pelo seguinte fato: um amigo tendo informado o sr. Hill do falecimento repentino de uma senhora, esposa de um pastor, observou: "Temo que nosso querido ministro tenha amado a sua esposa demais, e o Senhor em sabedoria a removeu." "O que, meu senhor?", ele respondeu com um sentimento profundo, "Um homem pode amar demais uma boa esposa? Impossível, senhor, a não ser que ele possa amá-la mais do que Cristo ama a igreja. 'Maridos, amai as vossas esposas, assim como Cristo também amou a igreja, e deu a sua vida por ela.'" "Que todas as coisas sejam feitas em amor," diz o apóstolo. Se todas as tuas ações para com os outros, então, muito mais as coisas que concernem à tua esposa, devem ser feitas em amor. Teus pensamentos devem ser pensamentos de amor; teus olhares devem ser olhares de amor, teus lábios, como o favo de mel, devem transbordar doçura e amor; tuas instruções devem ser orladas de amor; tuas repreensões devem ser adoçadas com amor; teu porte e toda a conversa para com ela não deve ser outra coisa senão o fruto e a demonstração de teu amor. Ah, quanto Cristo, teu modelo, amava sua esposa! Seu nascimento, sua vida e sua morte foram apenas um palco no qual o amor mais quente imaginável, de princípio a fim, fez a sua parte nessa vida. Era um amor conhecido, desconhecido. Tiberius Gracchus, o romano, encontrando duas cobras em sua cama, e consultando com os adivinhadores, recebeu a resposta de que deveria matar uma delas; contudo, se matasse o macho, ele mesmo morreria dentro de pouco tempo; se a fêmea, sua esposa morreria. Seu amor para com a esposa, Cornélia, era tão grande, que ele matou o macho, diz Plutarco, e morreu logo (George Swinnock). O poeta espanhol Calderon, em um de seus textos, descreve uma linda moça romana, com o nome de Daria, eventualmente uma convertida e mártir cristã, que declara, enquanto ainda era pagã, que ela nunca amaria até que encontrasse alguém que tivesse morrido para provar seu amor por ela. Ela ouve falar de Cristo, e seu coração é ganho.

64. "ASSIM COMO" Assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele (Colossenses 2.6).

Há grande segurança em voltar aos primeiros princípios. Para ter certeza de estar no caminho certo, é bom olhar para trás, para o portão de entrada. Caminho bem começado é meio caminho andado. O texto é dirigido não aos ímpios, nem a estranhos, mas àqueles que "receberam Cristo Jesus, o Senhor". Eles começaram bem; que continuem como começaram. Pelo bem espiritual e pelo estabelecimento destes na fé, o apóstolo anseia, e é para esse fim que ele dá a exortação.


I. NOTE NO TEXTO O FATO DECLARADO. Crentes sinceros têm de fato comprovado ter "recebido Cristo Jesus, o Senhor". 1. Esta é a velha palavra do evangelho. Aqui não há nenhuma evolução de dentro, mas sim uma dádiva de fora, recebida entusiasticamente pela alma. Esta é a linguagem da graça-livre: "recebida", não trabalhada nem comprada. Não se diz que eles receberam as palavras de Cristo, embora isso seja verdade, porque eles prezam cada preceito e doutrina, mas que eles receberam Cristo. Observe cuidadosamente a personalidade daquele que eles receberam, "Cristo Jesus, o Senhor": sua pessoa, sua divindade, sua humanidade, ele próprio. Eles: - Receberam-no no conhecimento deles. - Receberam-no no entendimento deles. - Receberam-no em seus afetos. - Receberam-no em sua confiança. - Receberam-no em sua vida no seu novo nascimento. Quando o receberam, ele lhes deu poder para se tornarem os filhos de Deus. 2. O caráter tríplice em que eles o receberam. As palavras do texto, "Cristo Jesus, o Senhor", indicam isso. Receberam-no: - Como Cristo, ungido e comissionado de Deus. - Como Jesus, o Salvador, para redimir e santificá-los. - Como o Senhor, para reinar sobre eles e governá-los com poder não dividido. 3. O olhar para além de si neste ato salvador de recepção. - Não se diz, como vocês lutaram por Jesus e o ganharam, ou estudaram a verdade e descobriram Jesus Cristo, mas sim, como vocês o "receberam". Isso nos despe de tudo que seja para gloriar-nos, porque tudo que fazemos é receber. 4. A abençoada certeza da experiência daqueles a quem Paulo escreveu: "Assim como vocês receberam Cristo Jesus o Senhor". Eles tinham realmente recebido Jesus; tinham descoberto que a bênção era real: nenhuma dúvida permanecia sobre a posse dela.

II. NOTE, EM SEGUIDA, O CONSELHO DADO. "Assim andai nele." Há quatro coisas sugeridas por esta palavra "andai". 1.Vida. Apreciem vitalmente o Senhor Jesus.


2. Continuação. Permaneçam em Cristo. Façam-no seu lugar constante de movimento e ocupação diária. 3. Atividade. Ocupem-se, mas não com um novo caminho de salvação. Trabalhem para Jesus, com ele, e em obediência a ele. 4. Progresso. Avancem, mas sempre deixem que seu pensamento mais avançado permaneça nele.

III. NOTE, FINALMENTE, O MODELO QUE É APRESENTADO A NÓS. É para andarmos em Cristo Jesus, o Senhor, "como nós o recebemos". E como foi isso? 1. Nós o recebemos agradecidamente. Como bendissemos o seu nome por valorizar nossa posição humilde. 2. Nós o recebemos humildemente. Não tínhamos direitos sobre sua graça, e confessamos isso e fomos humildes. 3. Nós o recebemos alegremente. Nossa primeira alegria foi tão brilhante como o orvalho da manhã. Será que nós a perdemos? 4. Nós o recebemos efetivamente. Produzimos muitos frutos espirituais e plenitude de vida: fé, amor e toda graça. 5. Nós o recebemos sem reserva. Não estipulamos condições com ele e não reservamos nada para a carne. Assim, devemos continuar a caminhar nele, para sempre em nosso viver diário, exceder em todos estes pontos. Mas, ai, alguns nunca receberam Jesus! Nossas palavras finais precisam ser dirigidas a esses. Se você não receber Jesus, você está recusando misericórdia aqui e no céu mais tarde. O quê?! Você não receberá um benefício tão grande como esse?

EXPLICATIVO Inquiridores são freqüentemente aconselhados a dar seu coração a Cristo ou a se consagrarem ao Senhor. Nós queremos ser críticos demais daquilo que é bem intencionado, mas realmente o evangelho não é isso. A boa nova da graça é que Deus nos deu vida eterna, e que, a fim de ser salvo, o pecador nada tem a fazer senão aceitála. Mas tendo recebido a dádiva de Deus e tendo nos tornado participantes de sua graça que converte, então, a obrigação divina para servir começa a nos pressionar. O Senhor tornase um que pede logo que nós nos tornemos recebedores. "Como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele." Que a consagração coroe a conversão, que a autodevoção a Cristo faça resposta à auto-devoção dele por você (Dr. A. J. Gordoni).


Se você quer saber como a fé é exercida neste habitar em Jesus, para ser enraizado mais profunda e firmemente nele, você só tem de olhar para trás ao tempo em que você primeiro o recebeu. Você se lembra bem de quais os obstáculos que parecia haver naquele tempo no caminho de você crer. Primeiro, a sua maldade e a sua culpa: parecia impossível que a promessa de perdão e amor pudesse ser para um pecador como você. Depois, havia o sentimento de fraqueza e morte: você não sentia o poder para a entrega e a confiança para a qual era chamado. E depois havia o futuro: você não ousava aceitar ser discípulo de Jesus, enquanto sentia certeza que não poderia subsistir de pé, mas ia rapidamente ser infiel de novo e falhar. Estas dificuldades existiam como montanhas no seu caminho. E como foram removidas? Simplesmente pela palavra de Deus. Essa palavra fazia com que você cresse que, apesar da culpa no passado e da fraqueza no presente, da infidelidade no futuro, a promessa era segura que Jesus o aceitaria e salvaria. Sobre essa palavra, você se aventurou a vir e não foi decepcionado: você descobriu que Jesus realmente o aceitou e o salvou. Apliquem isso, sua experiência de chegar-se a Jesus, no ficarem firmes nele. Pela fé, vocês se tornaram participantes da graça inicial; por aquela mesma fé que vocês podem apreciar a graça contínua de habitar nele (Andrew Murray). Visto que tinham recebido a doutrina de Cristo, eles não podiam mais separar-se dela sem se convencerem ou da imprudência em terem errado tomando uma doutrina falsa por uma verdadeira, ou da instabilidade em largar e alterar uma doutrina que sabiam ser boa e suficiente quando a receberam. Se sua crença é boa, por que você a muda? Se não, por que você a recebeu? Embora seja um pecado terrível não receber o Senhor Jesus quando ele se apresenta a nós em seu evangelho, ainda assim é muito mais errado lançálo fora depois de o ter recebido; como é maior afronta mandar embora um homem de sua casa, quando você já o admitiu, do que fechar suas portas contra ele no começo (Jean Daille).

65. A CONVERSÃO DE PAULO É MODELO Mas por isso mesmo alcancei misericórdia, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, usando-me como um exemplo para aqueles que nele haveriam de crer para a vida eterna (1Timóteo 1.16).

É comum a idéia de que a conversão de Paulo foi algo incomum, e, de forma alguma, era algo esperado. O texto justamente contradiz tal suposição: a própria razão para a sua salvação foi que ele pudesse ser um tipo de outras conversões. O texto contradiz por completo tal suposição: a própria razão de sua salvação foi que ele deveria ser um tipo de outras conversões.


I. NA CONVERSÃO DE PAULO, O SENHOR ESTAVA COM O OLHO EM OUTROS. O fato de sua conversão e a maneira dela: 1. Teria a tendência de interessar e convencer outros fariseus e judeus. 2. Seria usada por ele próprio em sua pregação como um argumento para converter e animar outros. 3. Encorajaria Paulo como pregador a ter esperança para outros. 4. Seria um argumento poderoso com ele para buscar outros. 5. Permaneceria, muito tempo depois da morte de Paulo, como um registro de como trazer muitos outros a Jesus. Nós somos salvos sempre com um olho em outras pessoas. Por quem você é salvo? Você está fazendo pleno o mais pleno uso de sua conversão para este fim?

II. EM TODA A SUA VIDA, PAULO FALA A OUTROS. Ele foi primeiro em pecado e também em graça, e assim sua vida fala dos extremos em cada lado. 1. Em pecado. Sua conversão prova que Jesus recebe grandes pecadores. - Ele foi um blasfemo, perseguidor e ofensivo. - Ele foi o mais longe que pôde em ódio a Cristo e suas pessoas. - Contudo, a graça de Deus mudou-o e perdoou-o. 2. Em graça. Ele provou o poder de Deus para santificar e preservar. - Ele foi fiel no ministério, claro em conhecimento, fervoroso em espírito, paciente em sofrimento, diligente em serviço. - E tudo isso não obstante o que ele tinha sido. O primeiro no pecado pode ser salvo, e assim ninguém é excluído. Estes devem ser e podem ser os primeiros em fé e amor quando salvos.

III. EM TODO O SEU ARGUMENTO, ELE APRESENTA UM QUADRO DE OUTROS. 1. Quanto à paciência longânime de Deus para com ele. Em seu caso:


- Longanimidade de sofrimento foi levada ao seu mais alto grau. - Longanimidade foi tão grande que toda a paciência de Deus parecia ser revelada neste caso único. - Longanimidade foi concentrada. Todo o longo sofrer que já foi visto ou será visto em outros se reuniu nele. - Longanimidade no sofrimento se demonstrou de muitas maneiras para: Deixá-lo viver quando perseguindo santos. Permitir-lhe a possibilidade de perdão. Chamá-lo eficazmente pela graça. Dar-lhe plenitude de bênção pessoal. Colocá-lo no ministério e mandá-lo para os Gentios. Guardar e sustentá-lo mesmo até o final. 2. Quanto ao modo de sua conversão. Ele foi salvo de modo extraordinário, mas outros serão vistos como se tivessem sido salvos de maneira semelhante se olharmos com bastante atenção e não apenas superficialmente. - Salvo sem preparo prévio de sua própria parte. - Salvo imediatamente saindo de escuridão e morte. - Salvo por poder divino somente. - Salvo por fé operada nele pelo próprio Espírito de Deus. - Salvo distintamente e além de qualquer dúvida. Nós não somos salvos precisamente da mesma forma? É possível reconhecermos em nós mesmos um paralelo completo com Paulo: - Há uma triste semelhança em nosso pecado. - Há uma similaridade na paciência divina para conosco. - Há uma semelhança em algum grau na revelação, pois o Senhor Jesus nos pede do céu: "Por que você me persegue?" - Não haverá uma similaridade também na fé? - Será que não perguntamos "Quem és tu, Senhor?" e "O que queres que eu faça?"

IMPRESSÕES DE PROVAS A palavra "padrão" no original é expressiva: um molde do qual cópias sem fim podem ser tiradas. Você já ouviu falar de impressão estereotipada? Quando os tipos são colocados, faz-se de tal modo que fiquem fixos, de modo que de um original se possa imprimir centenas de milhares de páginas em seqüência sem o trabalho de começar do


zero novamente. Paulo diz: "Que eu possa ser um padrão nunca gasto--nunca destruído, do qual impressões de prova possam ser tiradas até o fim dos tempos." Que pensamento esplêndido, que o apóstolo Paulo, tendo se retratado como o pior dos pecadores, depois se retrata como tendo recebido perdão para um fim grandioso e específico, para que pudesse ser um padrão modelo do qual impressões possam ser tiradas para sempre, e nenhum homem possa se desesperar que tenha lido sua biografia! (Dr. Cumming). Um irreligioso, durante sua doença, ficou convencido de sua condição terrível e, pela assistência de um professor de escola dominical, foi levado ao Salvador e encontrou salvação no sangue dele. Depois da mudança que se passou em seu coração, ele freqüentemente falava do amor de Jesus, seu Salvador, e do céu no qual esperava logo entrar. Percebendo que sua vida estava rapidamente caminhando para o fim, ele instou com o professor para que continuasse em seu glorioso trabalho; então, abrindo a janela de seu quarto, que dava para uma rua cheia de movimento e de gente, ao olhar as formas humanas, apelando para as últimas forças de que dispunha, ele gritou o mais alto que pôde: "Há misericórdia para todos. Ninguém precisa se desesperar, visto que eu, um pobre pagão, obtive misericórdia." Tendo completado seu último trabalho, exaurido pelo esforço, ele caiu para trás na cama e morreu instantaneamente (Houghton, em Bate's Cyclopaedia). João Newton, falando da morte repentina de Robinson, de Cambridge, na casa de Dr. Priestly, disse: "Acho que dr. Priestly está fora do alcance da convicção humana, mas o Senhor pode convencê-lo. E quem sabe se este derrame inesperado pode causar alguma impressão salutar em sua mente? Eu não posso colocar nenhum limite à misericórdia ou ao poder de nosso Senhor, e portanto continuo a orar por ele. Estou convencido que ele não está mais longe da verdade agora do que eu estive um dia." Com o mesmo espírito, Newton escreveu as seguintes linhas: "Pecador eu também fui, Cristo ama-nos assim, Com amor por ti e por mim, Sua graça vencerá! Ele manda-me dizer, Tudo é grátis, pronto está; Se salvou um réu como eu, A ninguém desprezará!" Cada conversão de um grande pecador à uma nova cópia do amor de Deus é uma repetida proclamação da transcendência de sua graça. Foi esse o seu projeto na conversão de Paulo. Ele colocou esse apóstolo como uma bandeira branca para convidar rebeldes a tratarem com ele e retornarem à sua lealdade. Como todo grande juízo sobre um grande pecador é como pendurar um homem em correntes para deter outros de prática semelhante, assim cada conversão é não só um ato da misericórdia de Deus ao convertido, mas também um convite aos espectadores (Stephen Carnock).


66. COMPAIXÃO DOS IGNORANTES "Ele é capaz de se compadecer dos que não têm conhecimento e se desviam (Hebreus 5.2).

Homens que são ignorantes não devem ser recebidos com desprezo, nem crítica, nem negligência, pois eles precisam de compaixão. Devemos fazer todo o possível para ser indulgentes com esses para o bem deles. Um discípulo, a quem tem sido ensinado tudo o que sabe por um gracioso Salvador, deve ter compaixão dos "ignorantes." Um viandante que tem sido restaurado deve ter compaixão "daqueles que estão fora do caminho". Um ministro deve ter compaixão das pessoas com quem ele é uma carne e sangue, e certamente nosso Senhor, que é nosso grande Sumo Sacerdote, tem compaixão abundante para com os ignorantes. Vamos agradecer sua grande piedade para com eles.

I. O QUE É ESTA IGNORÂNCIA? É moral e espiritual, e trata de coisas eternas. 1. É terrivelmente comum entre todas as categorias. 2. Deixa-os estranhos para consigo mesmos. - Não conhecem nem sua própria ignorância. - Estão desapercebidos da depravação do coração. - Estão inconscientes da crueldade de seu pecado real. - Eles não sonham com seu perigo presente e eterno. - Eles não descobriram sua incapacidade para tudo que é bom. 3. Isso faz deles desconhecedores do caminho da salvação. Optam por outros caminhos. - Eles têm noção mista e injuriosa do caminho único. - Muitas vezes questionam e contestam o caminho único. 4. Isso os deixa sem ter o conhecimento de Jesus. Eles desconhecem sua pessoa, suas posições, sua obra, seu caráter, sua capacidade, sua prontidão para salvá-los.


5. Deixa-os estranhos ao Espírito Santo. - Eles não percebem os esforços interiores. - Eles ignoram a regeneração. - Eles não podem compreender a verdade, que ele ensina. - Eles não podem receber sua santificação. 6. É muito ruinoso em suas conseqüências: - Conserva os homens fora de Cristo. - Não os desculpa quando é proposital, como geralmente é.

II. O QUE HÁ NESSA IGNORÂNCIA QUE É CAPAZ DE PROVOCAR-NOS E QUE, PORTANTO, EXIGE COMPAIXÃO? 1. Sua tolice. A sabedoria fica preocupada com os absurdos da ignorância. 2. Seu orgulho. A ira é excitada pela vaidade da presunção. 3. Seu preconceito. Não escuta nem aprende, e isso é irritante. 4. Sua teima. Recusa razão; e isso exaspera muito. 5. Sua oposição. Contende contra a verdade clara, e isso é cansativo. 6. Sua estupidez. Não se consegue esclarecê-la: é profundamente tola. 7. Sua descrença. As testemunhas de verdade divina não são acreditadas. 8. Sua teimosia. Opta por não saber. É duro ensinar tais pessoas. 9. Suas reincidências. Volta à tolice, esquece e recusa sabedoria, e isso é uma aflição dolorosa para o amor verdadeiro.

III. COMO A COMPAIXÃO DE NOSSO SENHOR PARA COM OS IGNORANTES É DEMONSTRADA. "Ele pode ter compaixão dos ignorantes". Isso ele mostra claramente: 1. Oferecendo-se para ensiná-los.


2. Realmente recebendo-os como discípulos. 3. Instruindo-os pouco a pouco, muito condescendentemente. 4. Ensinando-os as mesmas coisas outra vez, pacientemente. 5. Nunca os desprezando, apesar de sua falta de esperteza. 6. Nunca lançando-os fora por canseira com sua lerdeza. A um Senhor tão compassivo cheguemo-nos, ignorantes como somos. Por um Senhor tão compassivo deixar-nos trabalhar entre os mais ignorantes e nunca cessar de ter piedade deles.

ANOTAÇÕES É uma coisa triste para o cego que tem de ler os tipos em relevo, quando as pontas de seus dedos endurecem, porque então ele não pode ler os pensamentos de homens em relevo na página, mas é muito pior perder a sensibilidade de alma, pois, nesse caso, você não pode repassar o livro da natureza humana, mas não lhe é ensinado na literatura sagrada do coração. Talvez você tenha ouvido falar do "duque de ferro", mas um cristão de ferro seria uma pessoa muito terrível: um coração de carne é o dom da graça divina, e um de seus resultados certos é o poder de ser compassivo, terno e cheio de compaixão (C. H. S.). Ignorância é a faculdade do diabo (Christmas Evans). O que os papistas proclamam para o alto como a mãe da devoção, nós clamamos para baixo como o pai da superstição (William Secker). Que um homem morra ignorante se tinha capacidade para o conhecimento, isso eu considero uma tragédia. Se isso acontecesse mais do que vinte vezes no minuto, seria uma seqüência enorme de tragédias! A miserável fração da ciência que nossa humanidade unida, num vasto universo de necessidade, adquiriu, por que não é diligentemente repartida entre todos? (Thomas Carlyle). A total ignorância é uma fortaleza muito eficaz para um mau estado da mente. O preconceito talvez possa ser removido; pode-se arrazoar com a descrença, talvez; até demônios são forçados a dar testemunho da verdade, mas a tolice de ignorância confirmada não só derrota a eficácia final dos meios para tornar homens mais sábios e melhores, como se posta em desafio preliminar ao próprio ato de sua aplicação. Lembro-me de um fato contado em um dos relatos das Campanhas Egípcias Francesas, sobre a tentativa de reduzir uma guarnição colocada num forte volumoso de barro. Fossem as defesas de madeira, os sitiadores poderiam ter ateado fogo e os queimado; fossem de pedra, poderiam tê-las abalado e, por fim, aberto uma brecha pela bateria de seus canhões, ou poderiam tê-los minado e explodido. Mas o grande monte de barro não


tinha nada suscetível ao fogo ou a qualquer outra força; os mísseis da artilharia foram disparados, só para serem enterrados na massa opaca; e todos os meios de demolição foram frustrados (John Foster). Em Eyesight, Good and Bad (Visão, boa ou ruim), R. B. Carter diz: "Nada é mais comum do que a visão defeituosa ser punida como se fosse obstinação ou estupidez. Da minha parte, há muito tempo aprendi a ver crianças obstinadas e burras como se fossem principalmente produções artificiais, e não me esquecerei do prazer com que ouvi do mestre da grande escola elementar em Edimburgo, aonde mil e duzentas crianças vão diariamente, que seu princípio fundamental de administração era que não existem meninos malcriados e bobos." Eu costumava repreender a mim mesmo pela estupidez religiosa quando não me sentia bem, mas vejo agora que Deus é meu bondoso pai, não meu capataz duro esperando que eu esteja cheio de vida e zelo quando fisicamente exausto. Leva muito tempo para aprender tais lições. É preciso penetrar fundo no coração de Cristo para começar a conhecer sua ternura, simpatia e paciência. O amor de Jesus--o que é Só os seus sofredores sabem (Elizabeth Prentiss).

67. O PRÓXIMO E O SEGUNDO Ele cancela o primeiro para estabelecer o segundo (Hebreus 10.9).

O caminho de Deus é ir do bom para o melhor. Isso estimula a admiração e a gratidão. Isso faz os homens desejarem, orarem, crerem e esperarem. Isso ajuda o homem em sua capacidade de receber as coisas melhores. A primeira coisa boa é removida, para que a segunda possa vir mais aptamente. Nesse último fato, vamos meditar, notando:

I. A GRANDE INSTÂNCIA. Primeiro vieram os sacrifícios judaicos e, então, veio Jesus para fazer a vontade de Deus. 1. A remoção das ordenanças instrutivas e consoladoras. Enquanto duraram foram de grande valor, e foram removidas porque, quando Jesus nasceu: - Foram desnecessárias como tipos. - Teriam provado ser pesadas como serviços religiosos.


- Poderiam ter sido perigosos como tentações ao formalismo. - Teriam tirado a mente da substância que antes prenunciavam em sombra. 2. O estabelecimento da expiação real, perfeita, eterna. Este é um avanço abençoado, pois: - Ninguém que vê Jesus lamenta Aarão. - Ninguém que conhece a simplicidade do evangelho deseja ser trazido sob as perplexidades da lei cerimonial. - Ninguém que sente a liberdade de Sião deseja voltar à servidão de Sinai. Cuidado com levantar quaisquer outras ordenanças; pois isso seria edificar de novo o que Deus derrubou, se não fazer até pior. Cuidado ao imaginar que o segundo plano pode falhar como o primeiro falhou. O primeiro foi "tirado", mas o outro é estabelecido pelo próprio Deus.

II. INSTÂNCIAS NA HISTÓRIA. Há muitas. Aqui estão algumas. 1. O paraíso terrestre foi retirado pelo pecado; mas o Senhor nos tem dado salvação em Cristo, e o céu. 2. O primeiro homem falhou; eis o segundo Adão. 3. O primeiro pacto está quebrado, e o segundo toma seu lugar gloriosamente. 4. O primeiro templo, com suas glórias transitórias, sumiu, o ouro derreteu; mas a segunda casa, a espiritual, surge sob o olho e a mão do Grande Arquiteto.

III. INSTÂNCIAS NA EXPERIÊNCIA. 1. Nossa primeira justiça foi tirada por convicção de pecado, mas a justiça de Cristo está estabelecida. 2. Nossa primeira paz foi detonada como se fosse uma cerca bamba, mas nós nos abrigamos na rocha eterna. 3. Nossa primeira força provou ser pior do que fraqueza, mas o Senhor é nossa força e nosso cântico; ele também se tornou a nossa salvação. 4. Nossa primeira orientação nos conduziu à escuridão; agora nós desistimos do nosso eu, de superstição, e filosofia--e confiamos no Espírito de nosso Deus.


5. Nossa primeira alegria morreu como espinhos que crepitam sob uma panela; mas agora nós nos alegramos em Deus.

IV. ESTÁGIOS A SEREM ESPERADOS. 1. Nosso corpo decadente será renovado na imagem de nosso Senhor ressurreto. 2. Nossa terra se acabando, e seus elementos sendo dissolvidos, haverá novos céus e uma nova terra. 3. Nossa família removida uma a uma, seremos encantados pela grande reunião na casa do Pai lá em cima. 4.Todo nosso ser tirado, nós encontramos mais do que tudo em Deus. 5. Nossa vida na vazante, a vida eterna vem rolando numa maré cheia de glória. Não choremos o retirar da primeira. Esperemos o estabelecimento da segunda.

MELHORA A Lei é um Evangelho prefigurado, e o Evangelho uma Lei consumada (Bispo Hall). O destruidor do pecado chegando, nós não estamos mais sob o revelador do pecado (Martin Boos). Não é preciso haver profetas para se indagar O Sol surgiu - e estrelas já se vão. O Consolador é vindo, para brilhar sobre nós com sua santa unção (Joseph Conder). Quando Alexandre saiu em uma expedição esperançosa, ele doou seu ouro, e quando lhe perguntaram o que guardou para si, respondeu: "Spero majorum et meliorum"--a esperança de coisas maiores e melhores... O moto de um cristão é, ou sempre deve ser, Spero meliora--Espero melhores coisas (Thomas Brooks, em "The Best Things Reserved Till Last"). Num dia frio, de vento, em março, um senhor parou numa banca de maçãs, cujo proprietário era um italiano rústico. Ele aludiu ao tempo, quando, com um sorriso e tom alegre, o italiano respondeu com seu sotaque: "Si, bene frio, mas depôs--pensa disso!" Em outras palavras, o tempo de céus quentes e cânticos estava perto, e era para ser pensado. O humilde vendedor pouco pensou na impressão feita por suas poucas palavras. "Mas depois--pense nisso!" Os rabinos judaicos relatam (com que verdade não se sabe) que quando José, nos tempos gordos, tinha colhido muito milho no Egito, ele jogou os resíduos no rio Nilo, para que, fluindo às cidades e nações mais remotas, eles pudessem saber que havia


abundância armazenada, não só para si, mas para outros também. Assim Deus, em sua bondade abundante, para que soubéssemos que glória há no céu, já jogou algumas cascas para nós aqui neste mundo, para que, provando dessa doçura, possamos aspirar à fartura que há lá em cima e tirarmos essa conclusão feliz para o grande consolo de nossas almas preciosas -- que se um pouco de glória terrestre nos faz admirar, o que fará a celestial? Se houver tal glória no estrado dos pés de Deus, o que há no seu trono? Se ele nos dá tanto na Terra de nossa peregrinação, o que não nos será dado em nosso próprio país eterno: Se ele concede tanto aos seus inimigos, o que não dará a seus amigos? (John Spencer). Há certas palavras que, ocorrendo freqüentemente, são como um molho de chaves, e nos possibilitam abrir os tesouros nesta epístola. Uma chave dessas é "melhor" e nós encontramos o Senhor Jesus descrito como sendo melhor do que anjos (1.4, ilustrado em João 5.4-6), melhor do que Moisés (3), Josué (4) e Arão (7), seu sangue dizendo melhores coisas que o de Abel (12.24). O velho pacto baseado na promessa ao homem (Êx 19.8; 24.7-8) foi quebrado em quarenta dias; mas o desempenho pelo filho de Deus foi o fundamento do pacto melhor. "Moisés desceu do monte levando nas mãos as duas tábuas da Aliança" (Êx 32.15; Gl 3.19), mas a lei de Deus está dentro do coração de nosso Fiador (Sl. 40.8, compare Dt 10.1-2). Aquela palavra foi falada por anjos (Hb 2.2; At 7.53), mas esta por aquele que é "tão melhor do que os anjos" (E. A. H.--Mrs. Gordon).

68. NUNCA, NÃO NUNCA "Deus mesmo disse: Nunca o deixarei, nunca o abandonarei" (Hebreus 13.5).

Aqui está uma palavra divina, vinda diretamente da boca do próprio Deus. "Porque Deus mesmo disse." Eis uma promessa feita com freqüência. "Deus disse." Essa promessa ocorre repetidas vezes. Aqui estão algumas das coisas cheias de tutano. A sentença tem tanto sentido como está livre de palavras desnecessárias. Aqui está a essência de carne, a quintessência de medicamento. Possa o Espírito Santo mostrar-nos o tesouro oculto nessa sentença sem paralelos!

I. VEJA AS PALAVRAS COMO UMA CITAÇÃO. O Espírito Santo levou Paulo a citar as Escrituras, embora pudesse ter falado palavras novas. Assim, ele honrou o Antigo Testamento. E ensinou que palavras faladas a antigos santos nos pertencem.


Nosso apóstolo cita o sentido, não as palavras exatas, e assim nos ensina que o espírito de um texto é o principal. Nós achamos as palavras que Paulo havia citado: - Em Gênesis 28.15: "Não lhe deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi." Isso foi falado a Jacó quando ele deixou seu lar, e portanto para jovens santos que estão começando na vida. - Em Deuteronômio 31.8: "Ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo. Não desanime." Para Josué, e assim com todos que perderam um líder, e estão para liderar eles mesmos, e entrar em grandes guerras e acertos, nos quais a coragem será experimentada. - Em Isaías 41.10: "Por isso, não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus." Para Israel, e assim para o povo provado e afligido.

II. VEJA ESTAS COMO PALAVRAS FAMILIARES VINDAS DA PARTE DE DEUS. 1. São peculiarmente um dizer de Deus. "Ele disse." Isso foi dito não tanto por inspiração como pelo próprio Deus. 2. São palavras notavelmente fortes sendo delas cinco negativas no grego. 3. Relacionam-se com Deus e seu povo: "Eu"; "ti". 4. Asseguram a presença dele e sua ajuda. Ele não estaria conosco para ser inativo. 5. Garantem o maior bem. Deus conosco significa tudo bem. 6. Evitam um terrível mal que nós merecemos e poderíamos temer com justiça, a saber, ser desertados por Deus. 7. São tais como só ele poderia pronunciar e fazer acontecer. Ninguém mais pode estar conosco efetivamente na agonia, na morte, no juízo. 8. Providenciam para todos os problemas, perdas, deserções, fraquezas, dificuldades, lugares, estações, perigos, no tempo e na eternidade. 9. São substanciados pelo amor divino, imutabilidade e fidelidade divina. 10. São ainda confirmados por nossa observação dos procedimentos divinos com outros e conosco.


III. VEJA-AS TAMBÉM COMO MOTIVO PARA CONTENTAMENTO. "Que sua conversação seja sem cobiça, e fiquem contente com as coisas que têm." Estas palavras tão graciosas: - Levam-nos a viver acima de coisas visíveis quando temos lojas à disposição. - Levam-nos à satisfação no presente por pouco que esteja guardado em casa. - Levam-nos a ver provisão para todas as emergências futuras. - Levam-nos a uma segurança que satisfaz mais, que é certa, e enobrece, e é mais divina do que toda a riqueza que poderia vir do estrangeiro. - Levam-nos a medir descontentamento como uma espécie de blasfêmia contra Deus. Visto que Deus está sempre conosco, de que mais podemos sentir falta?

IV. VEJA-AS COMO UMA RAZÃO PARA TER CORAGEM. "Para que possamos dizer ousadamente: O Senhor é meu auxiliador, e eu não temerei o que o homem pode me fazer." 1. Nosso Auxiliador é mais importante do que os nossos inimigos. "Jeová é meu auxiliador." 2. Nossos inimigos estão inteiramente na mãos dele. "Não temerei o que o homem pode fazer." 3. Se Deus permite que nos aflijam, Deus nos sustentará sob a malícia deles. Que abençoado livramento de preocupações e temores nós temos nessas poucas palavras! Que nós não demoremos em seguir a linha de coisas que o Espírito evidentemente aponta para nós.

NOTAS SOBRE OS "NÃOS" Senhor, o apóstolo dissuade os hebreus de serem cobiçosos com esse argumento, porque Deus diz: "Eu não te deixarei, nem abandonarei." Contudo, eu não descubro que Deus fez algum dia essa promessa para todos os judeus; mas ele a disse só para Josué, quando primeiro o fez comandante contra os cananitas, contudo isso (sem violência à analogia de fé) o apóstolo aplica a todos os homens bons em geral! É assim que nós somos herdeiros aparentes de todas as promessas feitas a teus servos na Bíblia: Serão as cartas de graça concedidas a eles boas para mim também? Então, eu direi com Jacó: "eu tenho o bastante." Mas como eu não estou autorizado às tuas promessas a eles a não ser que eu


imite a piedade deles a ti, concede que eu possa cuidar tanto de seguir uma coisa como de receber consolo na outra (Thomas Fuller). Nosso amigo, o dr. William Graham de Bonn, há pouco partiu dessa vida, e é-nos dito que no leito da morte alguém lhe disse: "Deus disse: 'Nunca te deixarei, nem te abandonarei,' a que o bom homem respondeu, com seu último fôlego: "Sem dúvida nenhuma! Sem dúvida nenhuma!" (C.H.S., em The Sword and the Trowel, 1884). É direito ser contentado com o que temos, nunca com o que somos (Mackintosh). Eu li, diz Brooks, sobre uma companhia de pobres cristãos que foram banidos para algum lugar remoto; uma pessoa em pé perto deles, vendo-os passar, disse que era uma condição muito triste aquela desses pobres, de serem assim afastados rapidamente da sociedade de homens, e feito companheiros das bestas do campo. "Verdade," disse outro, "seria uma condição triste mesmo se fossem levados a um lugar onde não encontrariam seu Deus. Mas que sejam de bom ânimo. Deus vai junto com eles, e mostrará os consolos de sua presença onde quer que eles vão." Um sábio pagão disse a um de seus amigos: "Não reclame de seus infortúnios, enquanto César for seu amigo. O que diremos àqueles a quem o príncipe dos reis da Terra chama de seus filhos e irmãos?" "Nunca te deixarei, nem abandonarei." Será que estas palavras não lançam ao chão todo temor e cuidado para sempre? Aquele que o tem, a quem tudo pertence, possui todas as coisas (F. W. Krummacher). A alma que em Jesus se chegou por repouso, Eu nunca aos inimigos vou abandonar, Aquela alma, embora o inferno a queira abalar Eu nunca, não nunca, deixarei de amar (George Keith).

69. SALVAÇÃO COMO É AGORA RECEBIDA Alcançando o alvo de sua fé, a salvação das suas almas (1Pedro 1.9).

Os grandes benefícios da salvação são geralmente classificados entre coisas vindouras, mas o fato é que grande parte delas pode ser recebida aqui e agora.

I. O QUE DA SALVAÇÃO É RECEBIDO AQUI? 1. O todo dela pela força da fé e pela graça da esperança. 2. O perdão absoluto e final do pecado é nosso neste momento. 3. Ser libertado da servidão escrava e da terrível sensação de estar distante de Deus é um alívio presente.


- Paz, reconciliação, contentamento, comunhão com Deus e prazer ou deleite em Deus nós apreciamos já, neste tempo. 4. O livramento do poder que condena o pecado é completo agora. 5. Ficar livre do domínio dele é nosso. O pecado não pode mais mandar em nós como ele quer, nem nos embalar para dormir com suas harmonias relaxantes. 6. A vitória sobre o mal nos é dada em grande medida imediatamente. - Pecados são conquistáveis. Ninguém deve imaginar que precisa necessariamente pecar por causa de sua constituição. - A vida santa é possível. Alguns a alcançaram em alto grau. Por que outros não alcançariam? 7. A alegria pode se tornar permanente no meio de tristeza. A herança imediata de crentes é tremendamente grande. A salvação é nossa neste dia, e com ela "todas as coisas".

II. COMO É RECEBIDA? 1. Inteiramente de Jesus, como um presente de graça divina. 2. Pela fé, não pelo ver ou sentir. Nós cremos ver, e isso é bom. Exigir ver a fim de crer é errôneo. 3. Por fervente amor a Deus. Isso excita à vingança contra o pecado e assim dá a purificação atual. Isso também nos dá coragem de consagrar o viver e, assim, produz santidade. 4. Pela alegria no Senhor. Isso nos faz receber paz indizível, não para ser exagerada, nem mesmo falada. Grande demais, profunda demais para ser entendida, mesmo por aqueles que a desfrutam. Muito do céu pode ser apreciado e vivido antes de o alcançarmos.

III. VOCÊ JÁ A RECEBEU? E QUANTO? 1. Você já ouviu falar da salvação, mas só ouvir não é suficiente. 2. Você professa conhecê-la? Mas mero professar não serve. 3. Você já recebeu perdão? Tem certeza? 4. Você já foi feito santo? Você é purificado diariamente em seu andar?


5. Você já obteve descanso pela fé e esperança e amor? Faça essas perguntas como se estivesse na presença de Deus. Se o resultado for insatisfatório, comece imediatamente a buscar o Senhor. Procure pelo aparecimento do Senhor como a hora de receber de uma maneira mais completa "o fim de sua fé."

BREVES Ter a vida eterna é possuí-la. Quem crê tem a vida eterna. É um modo de usar palavras comuns, mas é doutrina sadia e santa. Esta é a certeza de sua esperança, que é como se já a tivessem recebido. Se a promessa de Deus e o mérito de Cristo se mantêm, então, quem crê nele e o ama, estão seguros de ter salvação. As promessas de Deus em Cristo "não são sim e não, mas são nele sim, e nele amém. É mais fácil os rios correrem para trás, e os caminhos do céu mudarem, e os moldes da natureza serem dissolvidos, do que qualquer alma que está unida a Jesus Cristo por fé e amor ser separada dele, e não ter a salvação já esperada nele, e esta é a matéria do seu regozijar (Arcebispo Leighton). Cair em pecado é coisa séria, mesmo que a culpa seja perdoada. Um menino, que muitas vezes desobedecera ao pai foi obrigado por ele a colocar um prego num poste para cada ofensa que cometesse. No dia que se comportava bem era-lhe permitido tirar um do prego. Corajosamente, ele lutou contra seu temperamento e, no fim, todos os pregos tinham saído do poste e seu pai o louvara. "Mas, pai, os pregos acabaram, mas os buracos ficaram!", disse o garoto. Mesmo depois do perdão, é preciso um milagre de graça para que haja a recuperação pelos efeitos danosos do pecado. Na catedral de São Pedro, em Roma, vi monumentos aos reis James III, Charles III e Henry IX, reis da Inglaterra. Esses potentados me eram completamente desconhecidos. Evidentemente, tinham um nome para reinar, mas não reinaram; nunca receberam o fim de sua fé. Não estão muitos cristãos professos nessa mesma condição? (C.H.S.).

70. UMA PARTICIPANTE E UMA TESTEMUNHA Apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada (1Pedro 5.1).

O cuidado do apóstolo. Ele estava ansioso para que os presbíteros cuidassem do rebanho de Deus e se fizessem exemplos para esse rebanho. A gentileza do apóstolo. "Eu exorto", não comando.


A humildade do apóstolo: "presbítero como eles". Ele não insiste em sua posição como apóstolo, embora essa posição fosse muito maior. A sabedoria do apóstolo--"também presbítero". Com essa capacidade, ele teria mais peso com eles em sua exortação. Além disso, ele mencionou duas outras características: "uma testemunha dos sofrimentos de Cristo e um participante da glória que será revelada."

I. UMA TESTEMUNHA DOS SOFRIMENTOS DE CRISTO. Até onde seja possível, vamos ser testemunhas com Pedro. 1. Uma testemunha ocular daqueles sofrimentos. Os apóstolos devem ter visto Jesus. - Ele tinha visto a paixão e a morte de nosso Senhor. Nisto, nós não podemos participar, nem precisamos desejar fazer assim. 2. Uma testemunha em fé daqueles sofrimentos - Pessoalmente, tinha acreditado em Jesus logo no princípio. - Tinha acreditado mais também através da pós-comunhão com ele. 3. Uma testemunha que testificou desses sofrimentos - Deu testemunho de suas amarguras quando sofridas por Jesus. - Deu testemunho de sua importância como uma expiação. - Deu testemunho de como foram completos como satisfação por pecado. - Deu testemunho do seu efeito na salvação perfeita. 4. Uma testemunha participante desses sofrimentos: - Em defesa da verdade sofreu de pessoas que se opuseram. - Em ganhar outros, ele sofreu na angústia de seu coração. - Em servir seu Senhor, ele sofreu exílio, perseguição, morte. O que ele testemunhou em todos esses casos tornou-se um motivo e um estímulo para toda sua vida.


II. UM PARTICIPANTE DA GLÓRIA A SER REVELADA. É importante participar em tudo o que pregamos, ou nós pregamos sem nitidez e segurança. 1. Pedro tinha apreciado um gosto antecipado literal da glória sobre o monte santo. Nós, também, temos nossos antegozos de alegria eterna. 2. Pedro não tinha ainda visto a glória que será revelada, e mesmo assim participou dela espiritualmente; nossa participação também precisa ser espiritual. Pedro teve participação espiritual das seguintes maneiras: - Pela fé na certeza da glória. - Por antecipação da alegria da glória. - Por empatia com nosso Senhor, que já entrou na glória. 3. Pedro tinha sentido o resultado da fé naquela glória: - No consolo que isso lhe dava. - Na experiência celestial que isso operou nele. - Na coragem com que ele foi dotado. Estes dois itens--seu testemunhar e seu participar-fizeram o nosso apóstolo intenso em seu zelo pela glória de Deus. Por ele ter visto e provado a boa palavra, ele a pregava com poder vivo e fala vívida. Todos os pregadores precisam ser testemunhas e participantes. Essas coisas fizeram-no ter urgência com outros para "alimentar o rebanho de Deus." Um homem como esse não podia suportar quem só brincava de escutar.

DICAS Eu me lembro de uma história que era assim: Para um santo que estava orando, o espírito ruim mostrou-se radiante com vestes reais e coroado com diadema incrustado de jóias, e disse: "Eu sou Cristo; estou descendo para a Terra e desejo em primeiro lugar manifestar-me a você." O santo guardou silêncio, olhou a aparição e depois disse: "Eu não crerei que Cristo veio a mim a não ser naquele estado e naquela forma na qual ele sofreu: ele precisa usar as marcas dos ferimentos e a cruz." A falsa aparição sumiu. A aplicação é a seguinte: Cristo vem não em orgulho de intelecto ou reputação de capacidade. Estas são as vestimentas com brilho nas quais Satanás está agora se colocando. Muitos espíritos falsos estão por aí, mas estão aparecendo da fossa; as credenciais que apresentam são as dádivas preciosas da mente, beleza, riqueza, profundidade, originalidade. Cristão, com o santo, olhe bem neles em silêncio, e lhes peça o sinal dos pregos (Dr. J. S. Howson). É muito triste quando os pregadores são como homens de imprensa, que compõem e imprimem muitas coisas que eles não entendem, nem amam, nem experienciam; tudo


que visam é dinheiro por imprimir, que é seu ofício. É também triste quando pastores são como senhores indicadores de lugares, que conduzem senhoras a seus assentos, mas eles mesmos não entram, levam outros ao céu, mas eles mesmos ficam de fora (Ralph Venning).

71. PURIFICAÇÃO POR ESPERANÇA "Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro" (1João 3.3).

O cristão é um homem cuja principal posse está na reversão. A maioria dos homens tem uma esperança, mas a dele é peculiar, e seu efeito é especial, pois faz com que ele se purifique.

I. A ESPERANÇA DO CRENTE. "Todo aquele que tem nele esta esperança." 1. É a esperança de ser como Jesus. - Perfeito, glorioso, conquistador sobre o pecado, a morte e o inferno. 2. Baseia-se no amor divino. Ver versículo 1. 3. Surge da filiação divina. "Chamados os filhos de Deus." 4. Repousa sobre nossa união com Jesus. "Quando ele aparecer." 5. Espera distintamente nEle. "Seremos como ele". É a esperança de sua segunda vinda. II. A OPERAÇÃO DESSA ESPERANÇA. "Purifica." Não se ufana, como o conceito dos fariseus. Não leva a vida solta, como a presunção dos antinomianos. Mostra-nos qual curso é agradecido, é congruente com a graça, qual está de acordo com a nova natureza, e é preparatória para um futuro perfeito.


1. O crente purifica-se de: - Seus pecados maiores. De companhias más. - De pecados secretos, negligências, imaginações, desejos, murmurações. - Seus pecados insistentes do coração, temperamento, corpo, relacionamento. - Seus pecados de relação na família, no trabalho, na igreja. - Seus pecados que surgem de sua nacionalidade, educação, profissão. - Seus pecados de palavra, pensamento, ação e omissão. 2. Ele faz isso de um modo perfeitamente natural. - Obtendo uma noção clara daquilo que a pureza realmente é. Guardando uma consciência sensível e entristecendo-se por suas faltas. - Tendo um olho em Deus e sua presença contínua. - Fazendo outros serem os seus faróis ou exemplos. - Ouvindo repreensões para si, e aceitando-as de coração. - Pedindo ao Senhor que o sonde, e se examinando. - Distinta e vigorosamente, lutando contra todo pecado conhecido. 3. Ele coloca diante de si Jesus como seu modelo. "Ele se purifica, assim como ELE é puro." - Assim ele não cultiva uma graça apenas. - Assim ele nunca teme ser preciso demais. - Assim ele é simples, natural, e não constrangido. - Assim ele está sempre aspirando cada vez mais santidade.

III. O TESTE DESSA ESPERANÇA. "Ele se purifica." Ativamente, pessoalmente, com oração, intensamente, continuamente, ele visa à purificação de si, olhando para Deus por auxílio. - Alguns se maculam por vontade própria.


- Alguns tomam as coisas como são. - Alguns crêem que não precisam de nenhuma purificação. - Alguns falam em pureza, mas nunca lutam por ela. - Alguns se gloriam naquilo que é uma mera falsificação dela. A pessoa que genuinamente espera não pertence a nenhuma dessas classes: ela realmente se purifica e com êxito. O que é estar sem uma boa esperança? Como pode haver esperança onde não há fé? A graça nos adota; a adoção dá-nos esperança; a esperança nos purifica, até sermos como o filho-unigênito.

PALAVRAS QUE ANIMAM (1) O trabalhador. "Todo aquele que tem esperança nele", cada um que visa ser como o Senhor Jesus no Reino de Glória é o homem que precisa empreender esta tarefa. (2) O trabalho é uma obra a ser feita por si. Ele é parte da administração doméstica do Senhor e precisa ser feita com capricho como se fosse para preparar seu próprio terreno, tirar o matinho de seu próprio milho, precisa se purificar; este é seu trabalho atual e pessoal. (3) O padrão que devese dirigir ao Senhor Jesus é sua pureza. Tome-o por modelo e exemplo, olhe para ele que é o autor e consumador de nossa fé; como você já o viu fazer, assim faça; como ele é puro, assim trabalhe você para expressar em sua vida a virtude daquele que o redimiu (Richard Sibbes). Então você é compatível com suas esperanças de salvação quando trabalha para ser tão santo em sua conversação como é alto em suas expectativas. Isto o apóstolo insiste pela evidente compatibilidade da coisa (2Pe 3.11): "Que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda)." Certamente, fica bem a tais serem santos, até para a admiração, estes que esperam por tal dia abençoado; esperamos então ser como os anjos na glória e, portanto, devemos, se possível, viver agora como anjos em santidade. Toda alma crente é esposa de Cristo. O dia de conversão é o dia de compromissos nupciais, nos quais ela é recebida pela fé em Cristo e, como tal, vive em esperanças pelo dia de casamento, quando ele voltará e a levará para seu lugar na casa de seu pai, como Isaque fez com Rebeca na casa de sua mãe, para ali habitar com ele e viver nos abraços do amor para sempre. Ora, será que a noiva quer que o noivo a encontre em sordidez e trajes sujos: Não, certamente: "Será que uma noiva esquece seus enfeites nupciais?" (Jr 2.32). Já se soube algum dia de uma noiva que se esqueceu de mandar fazer os trajes de casamento para o dia do casamento, ou de colocá-los quando procura pela vinda do noivo? Santidade é a veste trabalhada na qual, cristã, tu deves ser trazida para teu Rei e esposo (Sl 45.14). Pois é o dia do casamento adiado tanto, só porque esta roupa leva tanto tempo na feitura? Quando isso é uma vez completado, e tu estás vestida , então chega


aquele dia alegre. Lembre-se de como o Espírito Santo trabalha isso no Livro de Apocalipse: "Chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou" (Ap 19.7) (William Gurnall). Uma boa esperança, pela graça, anima e dá vida à ação, e purifica à medida que vai, como o ribeiro da montanha que cai da rocha, e se purifica enquanto persegue seu curso até o oceano (G. Salter). O cristão precisa de Cristo na sua redenção como o objeto de fé, para salvação; Cristo mesmo é quem se ama, para devoção e serviço; e Cristo em sua glória quando vier, o objeto de esperança, para separação do mundo (W. Haslarn). O biógrafo de Wesitson diz sobre ele: "Ele não só acreditava na volta rápida de Cristo, como a amava, a esperava, vigiava por ela. Tão poderosa força motivadora tornou-se, que ele sempre costumava falar nela depois como trazendo consigo uma espécie de segunda conversão" (A. J. Gordon, D.D.).

72. OS TRIBUNAIS INFERIORES Quando o nosso coração nos condenar. . . Deus é maior do que o nosso coração, e sabe todas as coisas. Se o nosso coração não nos condenar, temos confiança diante de Deus (1Jo 3.20-21).

O erro de muitos é que eles não levam coisas espirituais a sério no coração de modo algum, mas tratam delas como coisas superficiais. Isso é tolice, pecaminoso, fatal. Devemos pôr nosso caso em julgamento sério na corte de nossa própria consciência. Certas pessoas de uma classe melhor ficam satisfeitas com o veredicto de seu coração e não se lembram de cortes superiores; e, portanto ou se tornam presunçosas ou ficam desnecessariamente estressadas. Nós estamos prestes a considerar o julgamento desta corte inferior. Aqui podemos ter:

I. UM VEREDITO CORRETO CONTRA NÓS MESMOS. Vamos resumir o processo. 1. A corte se reúne sob as armas do rei, para julgar por autoridade real. A acusação contra o prisioneiro é lida. A consciência acusa, e ela cita a lei conforme aplicável aos pontos alegados. 2. A memória apresenta provas. Quanto ao fato do pecado em anos passados e do pecado mais recentemente cometido. Pecados de guarda de sábado. Transgressões de cada um dos dez mandamentos. Rejeição do evangelho. Omissões em mil maneiras. Falhas em motivo, espírito, em perder a calma.


3. Conhecimento entra com provas de que o presente estado de mente e coração e vontade não está de acordo com a Palavra. 4. Amor-próprio e orgulho urgem boas intenções e atos piedosos em pausa de procedimentos. Ouça a defesa! Mas que infelicidade! Não vale ouvir. A defesa é apenas um dos refúgios de mentiras. 5. O coração, julgando pela lei, condena. Daqui em diante, o homem vive como em uma cela de condenado sob o temor da morte e do inferno. Se até mesmo nosso coração meio erudito condena, pode-se bem tremer em pensar em aparecer diante do Senhor Deus. A corte mais alta é mais estritamente justa, melhor informada, mais autoritativa, e mais capaz de punir. Deus sabe tudo. Pecado esquecido, pecados de ignorância, pecados meio vistos estão todos diante do Senhor. Que caso terrível é este: Condenado na corte inferior e certo de ser condenado na superior!

II. UM VEREDITO INCORRETO CONTRA NÓS MESMOS. O caso como antes. A sentença aparentemente claríssima. Mas quando revisada pela corte superior ela é revertida, por boas razões. 1. A dívida foi quitada pelo glorioso fiador. 2. O homem não é o mesmo homem; embora ele tenha pecado, já morreu para o pecado, e está agora vivendo como um nascido do alto. 3. As evidências em seu favor, tal como a expiação e o novo nascimento, foram esquecidos, desvalorizados, ou mal julgados pela corte inferior, por isso foi condenado. A sentença de condenação não se mantém quando estes assuntos são devidamente notados. 4. A evidência procurada por uma consciência doentia foi o que ela não pôde achar, pois ela não existia, a saber, bondade natural, perfeição, alegria não quebrada. O juiz era ignorante e inclinado à legalidade. O veredicto foi, portanto, um veredicto errado. Um apelo desobstrui o caso. "Deus é maior do que nosso coração, e conhece todas as coisas."

III. UM VEREDITO CORRETO DE ABSOLVIÇÃO. Nosso coração às vezes com justiça "não nos condena". O argumento para a não condenação é bom: os principais itens que evidenciam estarmos cheios de graça são os seguintes: 1. Somos sinceros em nossa profissão de amor para com Deus. 2. Estamos cheios de amor para com os irmãos.


3. Estamos descansando em Cristo, e só nele. 4. Estamos ansiando por santidade. 5. O resultado deste veredicto feliz do coração é que nós temos: - Confiança em Deus de que realmente somos dele. - Confiança em nossa reconciliação com Deus por Cristo Jesus. - Confiança de que ele não nos prejudicará, mas sim, nos abençoará. - Confiança na oração de que ele aceitará e responderá. - Confiança no juízo futuro de que receberemos a recompensa graciosa no grande último dia.

IV. UM VEREDICTO INCORRETO DE ABSOLVIÇÃO. 1. Um coração enganado pode recusar condenar, mas Deus nos julgará a todos assim mesmo. Ele não permitirá que presunção fique de pé. 2. Um coração falso pode absolver, mas isso não dá nenhuma confiança para com Deus. 3. Um coração enganoso faz de conta que absolve enquanto, no âmago, ele condena. Se nos encolhemos agora, o que faremos no juízo? Que rude acordar, achar-nos condenados no fim!

CITAÇÕES Quando Walter Raleigh deitou a cabeça sobre o bloco de pedra, diz um eloqüente prelado, o carrasco perguntou se estava colocado certo. Com a calma de um herói e a fé de um cristão, ele devolveu uma resposta, cujo poder todos nós sentiremos quando nossa cabeça se agitar no travesseiro desconfortável da morte: "Pouco importa, meu amigo, como está deitada a cabeça, contanto que o coração esteja certo" (Steele). Como diz Lutero: "Embora a consciência nos pese e nos diga que Deus está zangado, mesmo assim, Deus é muito maior do que o nosso coração. A consciência é apenas uma gota; Deus reconciliado é um oceano de consolação" (Critical English Testament). Uma consciência queimada tem melhor opinião de si, uma ferida se julga pior do que deveria; a primeira pode achar todo pecado um esporte, a segunda achar todo esporte um pecado; homens melancólicos, quando doentes, estão prontos a conceber qualquer resfriado como sendo a tosse dos pulmões, e uma ferida ser não menos do que uma ferida da praga. Assim, as consciências feridas concebem pecados de enfermidade como se fossem pecados de presunção, pecados de ignorância como pecados de


conhecimento, entendendo seu caso como sendo muito mais perigoso do que é na realidade (Thomas Fuller). A consciência opera segundo a maneira maravilhosa apresentada no anel que um grande mágico, segundo um conto do Oriente, apresentou a seu príncipe. O presente era de valor inestimável, não pelos diamantes e rubis e pérolas que o abrilhantavam, mas por uma propriedade rara e mística do metal. Ela ficava à vontade no dedo em circunstâncias comuns, mas logo que o usuário formulava um pensamento mau, projetava ou cometia uma ação má, o anel se tornava um monitor. De repente, contraindo, apertava e doía no dedo, avisando o príncipe do pecado. Tal anel, graças a Deus, não é a propriedade peculiar de reis; os mais pobres de nós, aqueles que não usamos nenhum outro, podemos possuir e usar esta jóia inestimável; pois o anel da fábula é só aquela consciência que é a voz de Deus dentro de nós, que é a lei dele gravada pelo dedo de Deus não nas tábuas de granito do Sinai, mas nas tábuas de carne do coração, que, entronizado como um soberano em todo peito, louva-nos quando fazemos o bem e condena-nos quando fazemos o mal (Dr. Guthrie). O espírito do homem, aquela vela do Senhor, muitas vezes dá uma luz fraca e tremeluzente, mas o Espírito de Deus sopra nela para que queime com mais brilho (Benjamin Beddome).

73. A ARCA DA ALIANÇA DELE Então foi aberto o santuário de Deus nos céus, e ali foi vista a arca da sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo (Apocalipse 11.19).

Pode não ser fácil trabalhar a ligação do texto, mas tomada em si é eminentemente instrutivo. Muito que é de Deus nós deixamos de ver; para nós o templo de Deus no céu ainda está em parte fechado. É necessário que nos seja aberta pelo Espírito Santo. Jesus rasgou o véu e assim deixou aberto, não só o lugar santo, mas o Santo dos santos, e, mesmo assim, em função da nossa cegueira, ainda precisa ser aberta para que seus tesouros possam ser vistos. Há mentes que mesmo agora vêem o segredo do Senhor. Todos nós faremos isso lá em cima; e podemos fazer isso em certa medida enquanto estamos aqui embaixo. Entre os principais objetos que estão para ser vistos no templo celestial está a arca da aliança de Deus. Isso significa que a aliança está sempre na mente de Deus, e que os seus propósitos mais santos e mais secretos têm uma referência àquele pacto, àquela aliança. É um "pacto" e não um testamento. Vejamos.


I. O PACTO ESTÁ SEMPRE PERTO DE DEUS. "Foi visto no seu santuário a arca da sua aliança." Aconteça o que acontecer, o pacto está de pé seguramente. Quer o vejamos ou não, o pacto está no seu lugar, perto de Deus. O pacto da graça é sempre o mesmo, pois: 1. O Deus que o fez não muda. 2. O Cristo que é sua garantia e sua substância não muda. 3. O amor que o sugeriu não muda. 4. O princípio sobre o qual está baseado não muda. 5. As promessas contidas nele não mudam. Está, precisa estar, para sempre onde Deus no princípio o colocou.

II. O PACTO É VISTO POR SANTOS. "Foi visto o seu santuário." Nós vemos em parte, e abençoados somos quando vemos o pacto. Nós o vemos quando: 1. Pela fé, nós cremos em Jesus como o nosso cabeça do pacto. 2. Por instrução, nós entendemos o sistema e o plano da graça. 3. Por confiança, nós dependemos da fidelidade do Senhor e das promessas que ele tem feito no pacto. 4. Por oração, nós rogamos o pacto. 5. Por experiência, nós chegamos a perceber o amor-pactual correndo como um fio de prata através de todas as dispensações da providência. 6. Por um maravilhoso retrospecto, nós olhamos para trás quando chegamos ao céu e vemos todas as providências de nosso fiel Deus pactual.

III. O PACTO CONTÉM MUITO QUE VALE À PENA VER. A arca da aliança pode servir-nos como um símbolo. Nele tipicamente, e no pacto realmente, nós vemos:


1. Deus habitando entre homens: como arca no tabernáculo, no centro do acampamento. 2. Deus reconciliado e comunicando-se com os homens em cima do propiciatório trono do Senhor. 3. A lei cumprida em Cristo: as duas tábuas na arca. 4. O reino estabelecido e florescendo nele: a vara de Aarão. 5. A provisão feita para o deserto: pois na arca estava colocado o pote de ouro, que tinha maná. 6. O universo se unia para desempenhar propósitos do pacto, como foram tipificados pelos querubins no propiciatório.

IV. O PACTO TEM CIRCUNSTÂNCIAS SOLENES. "Havia raios, e vozes e trovões". É assistido por: 1. As sanções de poder divino: confirmando. 2. Os suportes de poderio eterno: realizando. 3. Os movimentos de energia espiritual: aplicando a sua graça. 4. Os terrores da lei eterna: derrubando seus adversários. Estude o pacto da graça. Voe a Jesus, que é a garantia dela.

OBSERVAÇÕES DE LÍDERES CRISTÃOS IDÔNEOS A grande glória do pacto é a certeza do pacto, e este é o ponto alto da glória de Deus e do consolo de um cristão, que todas as misericórdias que estão no pacto da graça são "as misericórdias seguras de Davi," e que toda a graça que está no pacto é graça certa, e que todas as bênçãos externas, internas e eternas do pacto são bênçãos certas (Thomas Brooks). O pacto permanece imutável. Criaturas mutáveis quebram os seus acordos e pactos, e quando não são acomodados em seus interesses, rompem-nos completamente, como as cordas de Sansão. Mas um Deus que é imutável guarda os seus. "Embora os montes sejam sacudidos e as colinas sejam removidas, ainda assim a minha fidelidade para com vocês não será abalada" (Is. 54.10) (Stephen Charnock). A arca era um tipo especial de Cristo, e um muito adequado, porque num baú ou cofre os homens põem suas jóias, prata, moedas, tesouro e qualquer coisa que seja preciosa e


que consideram. Os homens costumavam ter esse cofre em casa, onde moram, no quarto onde deitam, mesmo ao lado de sua cama; porque seu tesouro está no seu cofre, seu coração está lá também. Assim, em Cristo, "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento" (Cl 2.3). Ele é "cheio de graça e de verdade" (João 1.14). "Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude (Cl 1.19). Nisso Cristo é "o Filho amado" (Cl 1.13), "o seu eleito em quem tem prazer" (Is 42.10) e ele "assentou-se à direita de Deus" (Hb 10.12) para sempre (William George). Quando um amigo visitou o reverendo Ebenezer Erskine durante sua última enfermidade, disse-lhe: "Senhor Erskine, o senhor já nos deu muitos conselhos bons; por favor, o que o senhor está fazendo com sua própria alma?" "Eu estou fazendo com ela", ele disse, "o que eu fiz há quarenta anos atrás; estou descansando naquela última palavra: "Eu sou o Senhor teu Deus," e nesta pretendo morrer." A outro, ele disse: "O pacto é minha carta patente; e se não fosse por aquela palavra 'Eu sou o Senhor teu Deus', minha esperança e força teriam perecido do Senhor (Whitecross). O arco-íris do pacto brilha em cima, raios de ira partem de baixo. Este é o fogo que parte do santuário para consumir aqueles que profanam suas leis. É a ira do Cordeiro que parte do altar sobre aqueles que rejeitaram o evangelho como um sabor de vida para a vida. É a resposta de Cristo àqueles que lhe mandam por autoridade própria que desça de sua posição elevada e se entregue às suas mãos. "Se eu for um homem de Deus, que o fogo desça do céu e os consuma." A humilhação traz o próprio Cristo do céu à terra; a ordem imperiosa traz fogo consumidor. Do mesmo templo, no qual alguns enxergam a arca do concerto, raios, vozes, trovoadas, terremotos e granizo descem sobre aqueles que profanaram suas cortes com as abominações deles (George Rogers).

C h spurgeon esboã§os biblicos volume 2  
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