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Projeto desenvolvido pelos alunos do Colégio Objetivo Itapetininga, em 2014, sob orientação da Professora Giovana B. Schubert.


Apresentação Vivemos novos tempos, num mundo tecnológico que cada vez mais nos leva ao esquecimento das origens e tradições dos nossos antepassados. Por isso é de grande importância entender, resgatar e demonstrar a cultura e a história do nosso país, principalmente no que diz respeito ao folclore brasileiro. Pensando na importância de nossas lendas e crendices, achamos importante trabalhá-las com nossos alunos, a fim de que possamos desenvolver o prazer pela leitura e o amor pela cultura brasileira especialmente de mantê-la sendo transmitida de geração em geração. Desta forma, após minuciosa pesquisa das presentes lendas, os alunos desenvolveram suas próprias versões de cada uma delas, exercitando sua criatividade e imaginação, sensibilizando sua criatividade através das artes, e utilizando a linguagem oral e escrita para explorar e demonstrar as riquezas dos textos folclóricos. Boa leitura! Profª Giovana B. Schubert


A CABRA CABRIOLA Essa lenda é de Pernambuco. A Cabra Cabriola é uma cabra, meio bicho, meio monstro. Soltava fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca. Atacava quem andava sozinho às sextas-feiras à noite. E cantava assim: “Eu sou a Cabra Cabriola, Que como meninos aos pares Também comerei a vós Uns carochinhos de nada...”

Às vezes, nas noites muito quietas, quando algum menino chorava, era a Cabriola que estava comendo alguém!! Luiza Ayaka Fuzikawa


A CUCA A Cuca é um fantasma noturno, velho, muito feio e desgrenhado que aparece no meio da noite para levar as crianças que não dormem e não param de fazer barulho. Ninguém sabe ao certo a aparência desta criatura! Mas a maioria das pessoas fala que a Cuca é velha - muito velha enrugada, de cabelos brancos e assanhados, magérrima, corcunda e sempre leva as crianças que não dormem! Monteiro Lobato, um dos mais importantes escritores brasileiros, retratou a Cuca como uma espécie de Jacaré gigante, uma bruxa horrorosa de cabeleira ruiva, que vivia inventando maldades para fazer com as crianças. Em Portugal tem outro nome: chama–se "A Coca".

Lara Baltazar Pacheco dos Reis.


O PAPA- FIGO Esta é uma lenda da região Nordeste. O Papa-Figo é um sujeito estranho, rico, que sofre de uma doença rara e sem cura. Alguns sintomas dessa doença seriam o crescimento anormal de suas orelhas ou o corpo leproso. Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrível doença, o Papa-Figo, precisa se alimentar do fígado de uma criança. Feita a extração do fígado, ele costuma deixar com a vítima uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a perda junto à família. Sai à noite, ou às tardes, ao pôr do sol. Aproveita a saída das escolas, os parques onde as babás se distraem com os namorados, as praças ensombradas. Nesses ambientes atrai as crianças com gestos engraçados, ou mostrando brinquedos, dando falsos recados ou prometendo levá-las para um local onde há muita coisa bonita! Nomes comuns: Negro velho, Velho do saco, Homem do surrão. Laura Alves Vieira de Moraes.


QUIBUNGO O Quibungo é uma espécie de bicho papão negro, um visitante africano inesperado, que acabou por se domiciliar na Bahia, onde passou a fazer parte do Folclore local. Trata-se de uma variação do TUTU e da CUCA, cuja principal função era disciplinar, pelo medo, as crianças rebeldes e relutantes em dormir cedo. Apesar de ser um ente fantástico das nossas tradições, não se compara ao mito do MAPINGUARI, CAPELOBO e o PÉ DE GARRAFA, pois trata-se apenas de um personagem, uma figura, um ponto de referência da literatura afro-baiana. Ele pega as crianças e as devora, especialmente as mais desobedientes. Maria Clara de Medeiros Mello


ROMÃOZINHO A lenda é conhecida no leste da Bahia, em toda Goiás, parte do Mato Grosso e também na fronteira do Maranhão com Goiás. Num dia qualquer, nasceu um menino chamado Romãozinho, filho de um negro. Ele já nasceu malcriado e respondão. O tempo foi passando e Romãozinho foi ficando cada vez pior, sua maldade já passava dos limites: adorava maltratar os animais e destruir plantas. Uma vez, sua mãe pediu a ele que levasse o almoço para seu pai que estava no trabalho. Aí foi ele, destruindo tudo que aparecia em sua frente. Pouco antes de chegar ao trabalho do seu pai, parou e pensou: — Para vingar-me de minha mãe, que estava em casa lavando louça, vou comer a galinha e só dar para meu pai os ossos. E assim foi feito. Ao chegar ao trabalho de seu pai, lhe deu os ossos e disse: — Isso é o que tem, minha mãe comeu a galinha com um homem que vai lá quando o senhor não está. O homem, acreditando no menino, foi voando para casa e matou a mulher. E o Romãozinho só ria. O pai percebeu que era uma brincadeira e se matou. Só sobrou Romãozinho, que como castigo, nunca morrerá até que a última pessoa desse mundo morra. Isabella de Oliveira Amaral


PÉ DE GARRAFA Esta lenda é bastante conhecida no Piauí. O Pé de Garrafa é um ser que vive nas matas e capoeiras. Raramente é visto, mas sempre se ouvem seus gritos agudos. Às vezes, os gritos assustadores são familiares, mas às vezes parecem coisa do outro mundo! Quanto mais eles procuram, menos o grito serve de guia, pois ele se multiplica em várias direções! As pessoas que estão ouvindo este grito podem desmaiar, morrer, ficarem surdas! Aí de quem ousa a encará-lo! O Pé de garrafa vem à meia noite. A vítima que é pega tem sua alma aprisionada e seu pé devorado! A única forma de fugir é atravessando um ponto de água corrente ou acertando o umbigo do monstro! Júlia Silva Arruda


ANHANGÁ O Anhangá é um espírito que vive na floresta e que pode tomar a forma do que quiser. Além de boi, peixe, pessoa ou macaco, o mais comum é sua aparição na forma de um veado branco com olhos de fogo. Para os povos indígenas, Anhangá é considerado o deus da caça e do campo. Ele protege os animais contra caçadores. Algumas lendas contam que caçadores faziam tratos com Anhangá, pedindo ajuda na caça em troca de tabaco. Já para os jesuítas que chegaram aqui no Brasil, Anhangá era considerada uma figura maligna, comparado demônio. Anhangá é muito citado na obra As Aventuras de Tibicuera, de Érico Veríssimo: "Aos cinco anos fiz minha primeira caçada de tucanos. Mas não me meti fundo no mato, porque tinha medo de encontrar Anhangá, Curupira e os outros espíritos maus." Foi dessa figura mitológica que surgiu o nome "rio Anhangabaú" para um ribeirão que corta o estado de São Paulo. Inicialmente conhecido como Rio das Almas, o rio Anhangabaú era muito temido pelos indígenas da região. Os índios acreditavam que suas águas traziam doenças ao corpo e ao espírito. Essa crença leva à suspeita de que suas águas não eram potáveis. Teodoro Sampaio, historiador brasileiro, escreveu em uma de suas publicações que o rio era considerado pelos índios como "bebedouro das assombrações". Dizem que você pode ver um Anhangá se andar pela Floresta Amazônica em noite de lua cheia, se você passar por algum lugar mal-assombrado. A lenda do Anhangá permanece viva até hoje e deve ser mantida para que as futuras gerações conheçam um pouco mais sobre as histórias do nosso país précolonização. César Pereira de Matos


A MISSA DOS MORTOS Esta é uma lenda comum em Minas Gerais, especialmente em Ouro Preto, relacionada à Igreja de Nossa Senhora das Mercês de Cima. Conta-se que numa noite, já deitado, o zelador viu luzes na igreja e, pensando que fossem ladrões, foi investigar. Para sua surpresa, viu que o templo estava cheio de fiéis, lustres acesos e um padre se preparando para celebrar uma missa. Ao entrar, percebeu que o ambiente estava mais frio que o relento do lado de fora. A princípio, só estranhou o fato de que todo mundo estava vestindo roupas escuras e permaneciam de cabeças baixas. No mais, tudo parecia caminhar para uma cerimônia religiosa tradicional. Cheiro de incenso no ar, altar arrumado, e um silêncio sepulcral. Achou também estranho uma missa naquela hora, e sem que ele nada soubesse. Era de fato uma coisa atípica. Os cabelos dos seus braços já ficaram arrepiados e um frio esquisito percorreu seu corpo inteiro. Quando o padre se voltou para dizer o “Dominus Vobscum”, ele viu que seu rosto era uma caveira.Viu que também os coroinhas eram esqueletos vestidos com aquelas roupas que mais pareciam mortalhas. Não esperou para ver o resultado saiu apressado dali e viu a porta que dava para o cemitério escancarada. Voltou para casa sem saber o que pensar, completamente desorientado. De seu quarto, ficou ouvindo aquela missa de outro mundo até o fim.

Bruno Riberto Dias


MAPINGUARI Diz a lenda que o Mapinguari é de origem recente e possivelmente uma variante (descendência) do curupira. Alguns elementos de sua fisiologia e costumes foram, com certeza tirados do caipora ou curupira, mas ele não é de origem indígena. Dizem que tem o pé torto, retorcido, ao avesso. O início da surpresa seria o rastro de forma estranha, circular indicando justamente a direção oposta ao verdadeiro rumo. Quando ele apanha um caçador, mete-o debaixo do grande braço, forte como aço, mergulha-lhe a cabeça na imensa bocarra e o masca, isto é, come-o aos poucos, mastigando lentamente, remoendo. O Mapinguari escolhe quase sempre os domingos e dias santos para suas aventuras predatórias.

Fernanda Andujas Carlos dos Passos


BOITATÁ O Boitatá é uma espécie de cobra e foi a única que sobreviveu num grande dilúvio que cobriu a terra Ele escapou, se escondeu em um buraco escuro e foi assim que os seus olhos cresceram. Desde então, o Boitatá anda pelos campos em busca de restos de animais mortos no Sul do Brasil. Dizem que ele come apenas os olhos dos animais. Por isso os olhos do Boitatá de longe parecem de fogo. É na escuridão que ele se transforma em uma cobra de fogo. Às vezes, ele é visto como um facho cintilante de fogo correndo de ponta a ponta e no norte do Brasil ele é chamado de “alma dos compadre e das comadre”. Para os índios ele e chamado “mbaê tatá” ou coisas de fogo. O Boitatá é o fogo fátuo ou fogo de santelmo.

Francisco Javier Leston


CURUPIRA É um anão, de cabelos vermelhos, e os pés virados para trás e os calcanhares virados para frente. Pode ser pequeno, mas é um danado: Ele protege as matas e os animais dos caçadores, e é bem mau com eles, fazendo-os esquecerem o caminho de casa e ficarem perdidos no meio da floresta. Como tem os pés virados para trás, quando os caçadores acham que ele, está indo, mas ele está voltando. OU É O CONTRÁRIO? O curupira também emite sons e assovios para assustar os caçadores, imagens ilusórias, e faz se perderem. Ele fica sentado ao deliciar a cada manda, mas se perceber que é observado, logo sai correndo em uma velocidade tão grande que a visão humana não consegue alcançar. Dizem os caboclos que não há o quem alcance. A função do Curupira é proteger as matas e os animais. FERNANDA PROENÇA PAZZINI


MATINTA PEREIRA Conta a lenda que à noite, um assobio agudo perturba o sono das pessoas e assusta as crianças, ocasião em que o dono da casa deve prometer tabaco ou fumo. Ao ouvir durante a noite, nas imediações da casa, um estridente assobio, o morador diz: “Matinta, pode passar aqui amanhã para pegar seu tabaco.” No dia seguinte, uma velha aparece na residência onde a promessa foi feita, a fim de apanhar o fumo. A velha é uma pessoa do lugar que carregaria a maldição de “virar” Matinta Pereira, ou seja, à noite transforma-se neste ser indescritível que assombra as pessoas. Matinta Pereira pode ser de dois tipos: com asa e sem asa. A que tem asa pode se transformar em pássaro e voar nas cercanias do lugar onde mora. A que não tem, anda sempre com um pássaro, considerado agourento, e identificado como sendo “rasga – mortalha”. Dizem que a Matinta, quando está para morrer, pergunta: “Quem quer? Quem quer?”. Se alguém

responder “eu quero”

pensando em se tratar de alguma herança de dinheiro ou joias, recebe na verdade a sina de “virar” Matinta Pereira.

Henrique Quinalhia de Oliveira


O ZUMBI Zumbi foi o título do chefe dos rebelados no quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas. Em Sergipe, Zumbi é um negro, confundido com o Saci, aparece nos caminhos da mata, e é companheiro da capoeira, mas não usa a carapuça. Anda quase sem roupas, sempre procurando crianças que vão pegar frutas no mato para desorientá-las com seus longos e finos assobios, ou surrá-las como faz o Curupira. No Rio de Janeiro, fala-se de um Zumbi da meia-noite, que vagava pelas ruas tarde da noite intimidando as pessoas. Relato semelhante a esse também foi colhido no interior de Pernambuco, apenas que ele canta de forma repetida o refrão: “ Lá vem o Zumbi da Meia-Noite...” e se perde na noite dançando. Também há referências a um zumbi diabinho malicioso, moleque. Também se diz que o zumbi é um feiticeiro. Uma vaga tradição fala de um zumbi retraído, misterioso, taciturno, saindo apenas à noite.

Isabela Pereira de Paula


SACI PERERÊ A lenda do saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras do saci. Seu nome no Brasil é de origem tupi-guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci o é considerado um ser maligno, mas em outros lugares uma criança brincalhona. É uma criança, um negrinho de uma perna só, fuma cachimbo, usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, como desaparecer a hora que quiser . Existem três tipos de saci: - o PERERÊ que é pretinho; - o TRIQUE, moreno e brincalhão; e o - SAÇURÁ que tem olhos vermelhos como tochas de fogo. Ele também se transforma numa ave chamada MATI-TAPERÊ, SEM FIM ou PEITICA,é conhecido no nordeste por seu canto melancólico que ecoa em todas as direções, não permitindo sua localização.Este pássaro é o mesmo que deu origem ao mito da Matinta-Pereira.

A superstição

popular faz dessa ave uma espécie de demônio que pratica malefícios, enganando os viajantes pelas estradas com os timbres dispersos do seu canto, fazendo-os perder o rumo e perdendo o caminho de volta pra casa.

JULIA DE CARVALHO LEITÃO


O NEGRINHO DO PASTOREIO Há muitos anos, no tempo da escravidão, em uma grande fazenda, vivia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, o fazendeiro mandou um menino negro de quatorze anos fosse pastorear seus cavalos e potros que acabara de comprar, mas ordenou que tomasse o maior cuidado, especialmente com o cavalo baio que era o mais valioso da fazenda. No final da tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que estava faltando um cavalo, e era o baio! Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando e o fazendeiro disse: “Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece.” Aflito, ele foi a procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo. Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, totalmente despido, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele estava a Virgem Nossa Senhora e mais adiante o baio e seus outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. E depois disso, entre os andantes e pastoreios, tropeiros, mascotes e carreteiros da região, todos davam a noticia de ter visto passar, como levada pastoreio, uma tropilha de tordilhas tocada por um negrinho montado em um cavalo baio.

Julia Monteiro Correa


MÃOZINHA PRETA É uma estranha criatura. Trata-se de uma mão peluda e preta que assombra as pessoas. De acordo com os relatos, ela não possui personalidade definida, pois em alguns casos suas aparições foram úteis. Em outros casos, a mãozinha preta causou transtornos. Não há motivos evidentes para que essa criatura apareça para determinada pessoa ou em determinado lugar. Às vezes pode ajudar em serviços domésticos, mas quando é ofendida, a mãozinha preta persegue, puxa, belisca e até enforca suas vítimas. Julia Pastorello Duarte


BARBA RUIVA Essa lenda é do sul do Piauí. Diz que nessa região vivia uma viúva com três filhas. Um dia, a filha mais velha ficou doente e ninguém sabia qual era a doença, depois que foram descobrir que ela estava grávida de um menino, filho de seu namorado que tinha morrido. Na hora de dar à luz, ela entrou no mato, e, confusa e com dores, resolveu que ia abandonar a criança ali mesmo. Colocou seu filho em um tacho de cobre e o deixou na lagoa. O tacho afundou, mas a criança foi trazida para cima pela Iara (a rainha das águas), que amaldiçoou moça. Brava pela mãe ter abandonado o filho, Iara causou uma enchente sem fim que alagou toda a região. As águas inundaram toda a várzea, passando por cima das carnaubeiras e dos buritis. Desde esse acontecimento, a lagoa tornou-se um lugar mágico, onde se ouvem estranhas vozes e observam-se luzes de origem desconhecida. Muitas pessoas que vivem ali ouvem, durante a noite, um choro de bebê vindo do fundo da lagoa. A lenda conta que o filho da moça havia crescido e ele aparecia do fundo da lagoa ao meio dia com barbas ruivas e à meia noite com barbas brancas. Ele é tímido, e tem medo de homens, porém aproxima-se das mulheres bonitas para observá-las. Ele ficou conhecido como Barba Ruiva, e é considerado filho de Iara. Não fere ninguém e é visto como um duende bom. Segundo a lenda, se uma mulher atirar na cabeça dele água benta e um rosário sacramentado, ele será desencantado. Barba Ruiva é pagão e deixa de ser encantado se for tornado cristão. João Vitor Fortes Nunes


RAIMUNDÃO Esta é uma lenda da cidade de Itapetininga – SP e dizem que isto aconteceu há muitos anos no bairro Chapada Grande, com uma senhora chamada Aurora. Ela morava com os dois filhos e o marido de um lado da estrada e seus pais moravam do outro lado. Um dia, sua irmã estava em sua casa e elas resolveram ir até a casa de seus pais cortando caminho, até que chegaram a uma porteira e viram um homem com os olhos pendurados e gritaram: - É o Raimundão! - e saíram correndo para casa de seus pais. Chegando lá, contaram o ocorrido e seus pais não acreditaram nelas! Mais tarde, o pai de Aurora perguntou se ela já tinha contado ao seu marido, mas ela respondeu que iria contar quando chegasse em casa. Chegando em casa, contou o ocorrido o marido, que disse nunca ter ouvido tanta bobagem! Já era tarde quando todos ouviram alguém bater nas janelas, todos se assustaram! - Será que era o Raimundão? Isabela Augusta Alves Joaquim


A MULA SEM CABEÇA A mula sem cabeça é uma lenda do folclore brasileiro. A sua origem é desconhecida, mas bastante evidenciada em todo o Brasil . A mula é literalmente uma mula sem cabeça, que solta fogo pelo pescoço, local onde deveria estar sua cabeça. Possui, em seus cascos, ferraduras que são de preta ou de aço e apresentam coloração marrom ou preta . Segundo alguns pesquisadores, apesar de ter origem desconhecida, a lenda fez parte da cultura da população que vivia sobre o domínio da igreja católica. Diz a lenda que se a mulher gostasse ou namorasse um padre, ela se transformaria em mula sem cabeça. O encanto pode ser quebrado se alguém tirar o freio de ferro que a mula sem cabeça carrega.

Daniel Augusto Galvão da Silva


LOBISOMEM Surgimento do lobisomem: Quando uma mulher tem 7 filhas e o oitavo é homem, se tornará lobisomem e também quando uma mulher é amancebada com um padre.

Quando ele se transforma: Toda as terças ou sextas – feiras ele sai em encruzilhada ou estradas desertas com uma matilha de cães, ele também sai em 7 vilas, 7 pátios de igrejas e 7 encruzilhadas.

Como se proteger: Reze 3 vezes Ave-Maria.

Outras maneiras de se transformar: Se você for mordido(a) ou se pingar o sangue dele em você, você virará lobisomem.

Maria Eduarda Vieira dos Santos


A MULHER DA MEIA NOITE A Mulher da Meia Noite é um mito universal. Ela também é conhecida como Dama de Vermelho ou Dama de Branco. É uma aparição na forma de uma bela mulher, normalmente vestida de vermelho que aparenta uma jovem normal que gosta de se aproximar de homens solitários e os convida para que a levem para casa. Encantados com tanta beleza, todos aceitam na hora. Entretidos, logo chegam ao destino. Então ela diz: “É aqui que eu moro...” É nesse momento que a pessoa se dá conta de que está ao lado do cemitério e antes que diga alguma coisa, ela já desapareceu. Nessa hora, o sino da igreja anuncia que é meia noite em ponto. Pedro Jensen Faria


JURUPARI O Jurupari é uma lenda indígena. Dizem que ele nasceu de uma virgem, Tenuiana, que foi engravidada pelo sumo de uma fruta que comia, chamada cucura (da família da jaca e do figo). Logo depois de nascer, desapareceu, mas sua mãe o sentia mamando nos seus seios à noite. Só foi reaparecer quinze anos depois. Era um rapaz forte e bonito. Foi eleito chefe da tribo e acabou com o poder das mulheres, que até então governavam a sua nação. Criou doutrinas e rituais para os homens, inclusive ritos de iniciação masculina, que exigem – entre outras coisas – jejum e provas de resistência à dor. As mulheres não podem ver os rituais masculinos. Se os virem, morrem. Nas tribos, o que representa sua figura são os maracás usados pelos pajés nas cerimônias relacionadas ao Jurupari. O maracá – palavra que significa “cabeça falsa” – é feito com uma cabaça do tamanho de uma cabeça humana, com orelhas, cabelos, olhos, nariz, e um pequeno cabo para segurar. Colocam dentro dele folhas secas e fumo queimando, e assim o maracá solta fumaça pelos olhos, boca e nariz, enquanto os pajés, o chacoalham dançando, em transe, tendo visões e fazendo previsões e revelações. Por isso, o maracá – que era às vezes um instrumento sagrado, que só os pajés podiam pegar – era identificado com o Jurupari. O nome Jurupari, segundo alguns, significa “o que nasceu da fruta”, e segundo outros, “boca fechada”. Esta última corresponde aos seus rituais cheios de segredo. Em Águas Belas (PE), há um povo que, ao que tudo indica, cultua Jurupari. São os fulniôs, de língua gê, que têm uma aldeia sagrada, num lugar a que só eles têm acesso, onde passam catorze semanas (a partir de agosto) num ritual chamado Ouricuri, e as mulheres ficam em áreas separadas dos homens. E ninguém conta o que acontece lá. Só pode ser coisa do Jurupari…

Pedro Bichara Mendes


A CACHORRA DA PALMEIRA Diz a lenda que uma mulher rica e educada, filha do coronel, ganhou uma cachorrinha de sua vizinha e desde pequena vem cuidando de seu animalzinho. Um dia, morreu Padre Cícero e no mesmo dia morreu a cachorra. Alguns dias depois, a moça foi a uma loja comprar roupas e uma senhora perguntou ao balconista: -Tem tecido preto aí? A mulher, quando soube que o tecido era para o luto do Padre Cícero, caiu na gargalhada e disse: - Por que você não faz luto para a minha cachorrinha que morreu no mesmo dia que o padre Cícero? No mesmo instante, a mulher se transformou numa cachorrinha que latia muito. Seus pais morreram de desgosto. Um irmão conseguiu trancá-la numa jaula, onde vive sua maldição até hoje. A Cachorra da Palmeira tem esse nome porque a sua cidade se chamava PALMEIRA dos ÍNDIOS no ALAGOAS. Rogério Shinjo Oyama


A LENDA DA BRUXA A Bruxa, para as crianças, é uma velha com corcunda, de queixo fino e nariz pontudo. É conhecida em todas as partes do Brasil e também pelo mundo afora. O principal trabalho das Bruxas é carregar meninos que teimam em não dormir cedo ou e, alguns casos, mantendo os vestígios do mito de origem Europeia, sugar seu sangue sem que ninguém a veja. Para evitar que ela não entre em suas casas, deve-se riscar nas portas os símbolos cabalísticos, ou seja, o sinal de Salomão. Na Itália, você mata um cachorro e a Bruxa só poderá entrar em sua casa quando tiver contado todos os pelos dele. Para uma criança não ter seu sangue sugado pela Bruxa, deve-se molhar uma faca ou uma foice na água benta e ferir o ar em volta do berço onde dorme a criança. Ao fazer isso, você pode acertar a Bruxa e ela perderá seu encanto.

RAYSSA HELENA SOLDÁ MARCONDES


A CABRA CABRIOLA II

É uma cabra meio bicho meio monstro. É um bicho que assusta meninos só de ouvir falar. Solta fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca, ataca quem anda nas ruas nas noites de sextas-feiras. A cabra cabriola entra pelo telhado ou pela porta procurando por meninos malcriados e canta assim quando chega: “Eu sou a cabra cabriola que como meninos aos pares, também comerei a vós uns cachorros de nada”. A lenda é de Pernambuco.

Gabriel Nalesso Leal


IARA Iara é também conhecida como a “mãe das águas”, uma personagem do folclore brasileiro. Ela é uma linda sereia (corpo de mulher da cintura para cima e de peixe da cintura para baixo). Diz a lenda que Iara era uma excelente índia guerreira. Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos resolveram matar Iara. Porém, ela ouviu o plano e resolveu matar os irmãos, como forma de defesa. Após ter feito isso, Iara fugiu para as matas, porém o pai a perseguiu e conseguiu capturá-la. Como punição, Iara foi jogada no rio Solimões (região amazônica). Os peixes que ali estavam a salvaram e, como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia. A "rainha das águas" como também é conhecida Iara, possui o poder de enfeitiçar os homens que olharem diretamente em seus olhos. Lívia Bergamin Tamura Ferrazzi


A CABEÇA SATÂNICA É um dos muitos fantasmas do folclore brasileiro. Não se pode indicar com exatidão a época em que esse mito surgiu, sabe-se apenas que é de origem europeia, e certamente tem raízes portuguesas. A versão mais aceita é a de que tenha chegado ao país através dos colonizadores desembarcados em Recife-PE, mas depois foi se espalhado pelas zonas do agreste, sertão e alto sertão, sendo pouco conhecida nas capitais. Os relatos são assustadores. Ora descreve-se a cabeça satânica como sendo de uma pessoa de cabelo compridos, de olhos esbugalhados, com um sorriso na cara. É uma entidade tão temida que as pessoas, só de ouvirem o nome da cabeça satânica já fazem o sinal da Cruz. Há relatos que a descrevem como um homem decapitado que carrega a própria cabeça com suas mãos. Quando vê uma pessoa, cai no chão e começa a rolar atrás para ela ser sua vítima . Ela só aparece depois da meia noite nos lugares mais escuros. Se uma Cruz feita de palha for colocada do lado de fora da casa, a cabeça satânica não entrará lá. Nomes comuns: cabeça satânica, cabeça errante, besta fera, cate cate e rahú.

Gabriel Matsuura Prall


O BOTO ROSA

De acordo com a lenda, um boto cor-de-rosa sai dos rios do Amazonas e do Pará nas noites de festa junina. Com um poder especial, consegue se transformar num lindo jovem vestido com roupa social branca. Ele usa chapéu branco para encobrir o rosto e disfarçar o nariz grande. Com seu jeito galanteador e falante, o boto aproximase das jovens desacompanhadas, seduzindo-as. Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las. Na manhã seguinte volta a se transformar no boto, deixando muitos filhos sem pai.

Julia Dantas Mendonça.


CHIBAMBA Essa lenda é contada em Minas Gerais e na África. O Chibamba é um fantasma vestido de folhas de bananeira que assusta crianças malcriadas, ele é tipo o bicho - papão. Ele ronca como se fosse um porco, dança de forma compassada enquanto caminha. Às vezes, enquanto está caminhando, ele dá uma paradinha seguida de um giro. O Chibamba faz parte de um ritual Africano que se transformou em Cuca ou Negro Velho e é uma criatura muito assustadora. Ana Lívia Campos Pires


A BESTA FERA Existe em todo o Nordeste, mas é muito comum no interior no estado de Pernambuco. A versão brasileira pode ter surgido na época da colônia, no mesmo estado. Diz a lenda que a Besta Fera tem uma aparência muito assustadora. Ele tem o corpo de um cavalo e um dorso humano. Já estou com medo e mal comecei a escrever! Ele corre pelas aldeias até encontrar uma tumba na qual desaparece. O som de seus cascos é o suficiente para assustar qualquer pessoa. Uma matilha de cães o segue, e a Besta os chicoteia e também a outros animais que encontram pela frente. Segundo a lenda, embora terrível, este homem-cavalo não é muito perigoso para as pessoas. A tradição diz que quando uma pessoa vê o seu rosto, enlouquece por vários dias, mas se recupera depois. Acredita-se que seja que o próprio demônio que sai das profundezas onde mora, em noite de lua cheia para correr pelas ruas dos povoados e pequenas cidades. Termina sua jornada quando chega a frente do cemitério local, e é neste momento que simplesmente desaparece sem deixar vestígio algum. Nas noites de lua cheia fica rodando pelo cemitério com seus cascos enormes e seu corpo metade homem metade cavalo. Maria Beatriz Kihara


A LENDA DA VITÓRIA REGIA


Os pajés tupis-guaranis, contavam que, no começo do mundo, toda vez que a lua se escondia no horizonte, parecendo descer por trás das serras, ia viver com suas virgens prediletas. Diziam ainda que, se a lua gostava de uma jovem, a transformava em estrela do céu. Naiá, filha de um chefe e princesa da tribo, ficou impressionada com a história. Então, à noite, quando todos dormiam e a lua andava pelo céu, ela, querendo ser transformada em estrela, subia as colinas e perseguia a lua na esperança de que esta a visse. E assim fez todas as noites, durante muito tempo. Mas a lua parecia a não notá-la e dava para ouvir seus soluços de tristeza ao longe. Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura refletida da lua. A pobre índia, imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago, e nunca mais foi vista. A lua quis então recompensar o sacrifício da bela jovem, e resolveu transformá-la em uma estrela diferente daquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa “estrela das águas”, que é a planta

vitória

régia.

Assim, nasceu uma planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.

Rafael Delfino Silveira Corrêa


A LENDA DA MANDIOCA De acordo com a lenda, uma índia tupi deu à luz uma indiazinha e a chamaram Mani. A menina era linda tinha a pele bem branca. Vivia feliz brincando pela tribo. Todo mundo amava muito Mani, pois sempre transmitia muita felicidade por onde passava. Um dia, porém, a indiazinha ficou doente e toda a tribo ficou preocupada e triste. O pajé foi chamado e fez vários rituais de cura e rezas para salvar a indiazinha, mas nada adiantou e ela morreu. Os pais da Mani decidiram enterrar seu corpo dentro da própria oca, pois esta era a tradição e o costume cultural do povo da indiazinha tupi. Os pais regavam o local onde Mani havia sido enterrada com água e lágrimas. Depois de algum tempo, nasceu na oca uma planta cuja a raiz era marrom por fora e bem branquinha por dentro (da cor de Mani). Em homenagem à filha, a mãe de Mani deu o nome da planta de mandioca. Os índios passaram a usar a raiz da nova planta para fazer farinha e uma bebida chamada Caium. Ela ganhou o nome de mandioca, ou seja, junção de Mani (nome da índia morta) e oca (habitação indígena).

Lucílio Antonio Dias Junior


FOGO CORREDOR


Muitos moradores do antigo povoado de Sebastião Ferreira (atual Bernardo Lopes no Pernambuco, onde fica localizada hoje a Usina Roçadinho), contavam que naquela localidade existia a visão do fogo corredor, que era tido como objeto sobrenatural, pois o mesmo soltava faísca de fogo nas pessoas, principalmente nas comadres que mantinham casos amorosos com os compadres e vice-versa. O tal do fogo corredor aparecia no alto (Um pedaço de terra mais alto do que a superfície). O fogo corredor atraia as pessoas até a sua direção, quando os mesmos se aproximavam do bendito fogo, ficavam muito assustados e voltavam correndo e quanto mais eles corriam, era que o fogo corria atrás.

Leonardo Diniz da Silva


COBRA NORATO COBRA NORATO ou HONORATO é uma das mais conhecidas lendas do folclore Amazônico. A lenda conta sobre uma tribo indígena da Amazônia, uma índia, Boiuna, deu à luz duas crianças gêmeas que na verdade eram cobras, o menino recebeu o nome de NORATO e a menina de MARIA CANINANA. Depois de nascidos, ao perceber que eram cobras, a mãe os prendeu e resolveu pedir um conselho ao pajé , perguntando pra ele se devia matá-los e pajé falou que se ela matasse, ela ia morrer também. Então a mãe soltou as crianças no leito do rio TOCANTINS. Lá no leito do rio eles se transformaram em cobras. HONORATO, que era bom, sempre visitava sua mãe. Por outro lado, MARIA, que era malvada, nunca ia visitar sua mãe, mas mesmo assim eles sempre andavam juntos e eles passaram por todos os rios da AMAZÔNIA. MARIA fazia muitas travessuras (que seu irmão não gostava nada) ela maltratava os animais, alagava as canoas, assombrava pessoas, afogava os vigilantes ETC. Eram tantas maldades que HONORATO não aguentou e acabou matando MARIA. Foi então que HONORATO começou a perder seu encanto de cobra e virar um belo rapaz e como isso acontecia quase todo dia, deixou a água para viver na terra com sua família, como um homem normal.

Gabriela dos Santos Bliujus


Lendas do Meu Brasil  

Projeto Desenvolvido pelo 5º ano do Colégio Objetivo Itapetininga, sob orientação da Professora Giovana Schubert.

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