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ROBERTO SAUL

O DIVINO JOGO DA CONSCIÊNCIA “O D E S P E R T A R D O “S E R”

EDITORA

PANDORA


SUMÁRIO


Sumário

Apresentação 9

Introdução 17

A impermanência 20

A luz da consciência 25

Lampejos do ser 35

A serpente adormecida 39

O caminho do sagrado 48

O divino jogo da consciência 57

O feitiço do tempo 69

Conclusão 87


Afirmações 93

Bibliografia 106

Sugestões de livros e filmes 137


Este livro é dedicado a todos os mestres, filósofos e cientistas que me inspiraram através de seus ensinamentos e que dedicaram suas vidas para o despertar da humanidade. Só posso retribuir com todo meu amor e gratidão a todos eles. Que este livro possa também inspirar a todos, pois possui o mesmo objetivo: Despertar o homem para uma nova consciência. Rob erto Saul


APRESENTAÇÃO


Eu fui um ateu ceé tico em determinados períéodos da minha histoé ria. Porque produzi uma das poucas teorias da atualidade sobre o processo de construçaã o de pensamentos, que eé uma das ué ltimas fronteiras da cieê ncia, minha mente era uma maé quina de pensar. E muito mais, uma maé quina incansaé vel de interrogar. Quem eé Deus? Existe um ator por detraé s do cenaé rio da existeê ncia? O universo existe sem uma causa fundamental, sem uma causa das causas, um princíépio dos princíépios? Pode o nada sair de sua clausura e ser a fonte do tudo? Pode a inexisteê ncia sair do seu calabouço construir o teatro do tempo e o ser-em-si ? No torvelinho das minhas inquietaçoã es descobri que o Homo sapiens eé uma fonte de perguntas em busca de grandes respostas. E cada resposta eé o começo interminaé vel de novas perguntas. A arte da dué vida abriu o leque a minha mente para pensar em muitas possibilidades e desse modo sair do caé rcere dos preconceitos, ateé o preconceito de que Deus naã o existe. Por fim entendi que Deus naã o existe mesmo, Deus eé . EÉ o começo e o teé rmino, o Alfa e o Omega, a víérgula e o ponto final. E cheguei a essa conclusaã o depois que minha pequenez intelectual foi desvendada perante um homem que analisei como um ceé tico e críético: Jesus de Nazareé . Analisei suas biografias ou chamados evangelhos e esperava encontrar um heroé i produzido nos escombros da emoçaã o de um grupo de galileus que naã o suportavam o jugo tiraê nico de Tibeé rio Ceé sar, o imperador romano que governava o mundo e cobrava pesados impostos dos povos dominados. E, talvez, o maior de todos os impostos fosse aà perda da liberdade e a humilhaçaã o social. Mas para minha surpresa, encontrei nessa empreitada analíética um homem fascinante, surpreendente, inimaginaé vel, que amava ser chamado de filho da humanidade, que sabia proteger sua emoçaã o quando traíédo, negado, torturado. Um homem que escreveu poesias sem pegar em penas e papiros, que transformou desprezíéveis leprosos em príéncipes e prostitutas em rainhas. Jamais se envergonhou dos que viviam a margem do sistema. Ao contraé rio, protegeu-os, correu riscos por eles e os transformou em seus íéntimos amigos. Naã o sou uma pessoa religiosa e nem defendo uma religiaã o, mas atraveé s da analise dele, os líérios dos campos, o sorriso de uma criança, os delíérios de um psicoé tico, a dor de um deprimido, as reflexoã es de um pensador, as recordaçoã es de um idoso, os raios luminosos e ateé a auseê ncia da luz saã o assinaturas do Autor da existeê ncia. Um artesaã o do qual falamos muito e conhecemos taã o pouco.


Roberto Saul tambeé m fez sua empreitada. Seu livro discorre sobre a espiritualidade, a sabedoria e o autoconhecimento. Ele fez jornada difíécil de descrever por palavras. Saul eé um homem culto, eé um escritor refinado, eé um ser humano apaixonado pela vida e pela sociedade. Com intrepidez e inteligeê ncia, ele nos convida a viajar em cada capíétulo em suas descobertas, velejar nas aé guas de seus pensamentos e embarcar nas suas reflexoã es analíéticas. O leitor deve se preparar para fazer uma fascinante jornada.

Augusto Cury Psiquiatra psicoterapeuta cientista e escritor


INTRODUÇÃO


Quando acontece algo que estå de acordo com minha natureza original de paz, amor e felicidade, cria-se uma ressonância que faz o estado inteiro vibrar. Resultado: Um sentimento de bem estar.


O que não é natural produz algo que não nos deixa confortáveis. Se a arrogância, a agressividade e o conflito fossem nosso estado natural, então isso nos confortaria e não nos deixaria tão perturbados. Ken O’Don

Muitas

vezes

o destino

nos

coloca

em

certas

situações, que não temos como escapar. Esta foi a sensação que senti quando estava terminando de escrever “O Divino Jogo do Amor” A razão é que o meu projeto era escrever mais um livro para completar a trilogia. sabia que para finaliza-lo, teria que arregaçar as mangas e escrever “O Divino Jogo da Consciência”, exatamente o livro que você está começando a ler. Não que estivesse sem inspiração, ou sem vontade, mas sabia que não seria fácil abordar com palavras, a complexidade da consciência humana e sua ascensão. Dois livros seriam insuficientes para esgotar este profundo e atemporal tema. Mas mesmo assim resolvi aceitar o desafio, e quando terminei senti que valeu a pena. Quando cheguei ao fim, depois de muitas correções e alterações, contemplei satisfeito as últimas linhas do livro. Finalmente depois de longos e sofridos, meses de trabalho, mas também com momentos maravilhosos de alegria, a obra estava concluída. Este é sem dúvida um momento mágico e curti estes breves

instantes

champanhe.

com

euforia,

plenitude

e

duas

taças

de


Mas se escrever é uma aventura, a tentativa de publicá-lo é outra grande aventura. Como tão bem definiu a jornalista Kelly de Souza: ”Sempre por trás de um grande autor, há sempre o trabalho de um bom editor que, no competitivo jogo do mercado literário, apostou suas fichas nele.” Porém antes de convidar o leitor a fazer parte desta minha jornada, devo fazer um breve intervalo para explicar para os que ainda não leram os meus dois livros anteriores, que em todos eles, faço uma analogia entre a vida que levamos tão a sério e um jogo que é apenas uma grande e emocionante aventura, até mesmo a aventura de editar um livro. Nada é grave como imaginamos, ou como o ego (falso eu) tenta nos convencer. Entretanto existem regras e como todo bom jogo estas regras tem que ser cumpridas. Isto é assim porque caso contrário o jogo deixaria de ser um jogo e assim acabaria toda a graça e tudo viraria uma grande confusão. O conceito de um jogo cósmico é o ponto central da filosofia hindu. A própria criação é sempre comparada a uma brincadeira sem fim, como uma criança endiabrada. É como os hindús a chamam (LÍLA). Estas regras são fundamentais, porque irão nos proporcionar motivação, desafios e satisfação dentro do jogo da vida. Se cada jogador fizer qualquer coisa com uma bola numa partida de futebol por exemplo, sem que haja marcação de faltas, impedimentos, sem a presença de um juiz, e sem tempo determinado, então a partida iria se transformar num verdadeiro campo de batalha, e sem nenhum propósito. Foi baseado neste conceito que a trilogia ganhou o título do Divino Jogo do Ser, do Amor e agora por último “O Divino Jogo da Consciência” Embora acreditamos que a consciência ou o “Ser” seja a coisa mais evidente e que cada um de nós a conhece, ela é apenas um conceito e continua como um dos fenômenos menos compreendidos. “Conhecer-se a si mesmo” tornou-se hoje uma expressão desgastada e ignorada, porque quase todos acreditam serem conhecedores de si


mesmos, apenas pelo fato de sentirem a sua própria individualidade, como se isto fosse o suficiente. Mas não é bem assim. Isto ocorre, porque

sem

nos

darmos

conta

o

ego

nos

domina

quase

continuamente impossibilitando um contato real com o nosso “Ser” Não se pode descrever o Despertar do “Ser”1 através de palavras. O “Ser” transcende as palavras. O Despertar do “Ser” só pode ser experimentado. Ele está além da mente e dos pensamentos. O Despertar do “Ser” é estar unificado com o todo. É sentir a bemaventurança. É perceber de forma vivencial a ilusão do eu, e lembrar

da nossa verdadeira identidade. “A alegria do “Ser”

sempre presente. Embora eu tenha tido o privilégio de ter experimentado por momentos, lampejos deste estado que os hindús chamam de samadi, hoje eles são lembranças em minha memória e não se repetiram mais. Pelo contrário, com o passar do tempo, tive que enfrentar diversas adversidades e uma ansiedade quase contínua, com pequenos intervalos de alívio. Mas como disse Eckhart Tolle, realmente um mestre de uma lucidez espiritual extraordinária: “Nós somos como a flor de lótus, símbolo do budismo que nasce no lodo de um lago, para se transformar numa flor de grande beleza”. Ainda não alcancei este estado, ou seja, acredito que minha flor de lótus ainda esteja em botão, mas eu sei que um dia ela irá florescer, assim como florescerá para todos nós. Como já mencionei nos volumes anteriores, escrever este terceiro volume, não deixou de ser também, uma forma terapêutica para mergulhar cada vez mais fundo em meu interior e gradativamente romper o véu de ilusões que ainda me prendem ao mundo do ego e conseguir um equilíbrio entre as duas dimensões. Ele também possui o propósito de despertar as pessoas, porque quando eu desperto, você também desperta. “Deixem Cesar ter as coisas deste mundo porque elas não são nada. Deixam Deus ter o seu espírito, pois ele é tudo.” Segundo mestres ascencionados estas foram as verdadeiras palavras que tão 1


sabiamente Jesus pronunciou em sua época. Mas o que realmente significa

esta mensagem? Com outras palavras, ele quis nos

advertir para que não nos importássemos tanto em dar a Cesar as coisas deste mundo, porque pela nossa própria condição de impermanência elas são efêmeras e sem muito valor. Devemos ao contrário priorizar o “Ser”. Eterno e sempre constante. Quando você se entrega a um poder maior, começa a se soltar e a confiar. Mas enquanto estivermos vivendo no mundo das formas, sabemos que é muito difícil romper de vez este estado e passarmos para a outra margem do rio. Pode até acontecer, mas isto significa que estávamos preparados para dar este salto quântico. Mesmo assim Sidarta Gautama mais conhecido como Budalevou sete anos experimentando as mais diversas disciplinas espirituais, inclusive o jejum, para finalmente aos pés de uma figueira atingir a iluminação. Como já descrevi, o mundo das formas e seu constante e inseparável companheiro (o ego) são necessários. Embora eles sejam de fato ilusões, e que constantemente nos atormentam, eles são em verdade os estimuladores que nos impulsionam em direção ao “Ser”. Para que você possa compreender melhor esta questão, seria importante ler o primeiro volume, pois dedico um capítulo sobre o tema. Aqui farei um breve resumo para se ter uma idéia sobre o ego e o seu propósito. Desta forma procurei me utilizar de uma analogia para facilitar a compreensão deste ladino e traiçoeiro eu. Assim comparo o ego como um barco que nos mantém temporariamente na superfície do mar, às vezes calmo, às vezes agitado e que nos leva em direção ao continente (“Ser”). Não que seja este o seu propósito. Ao contrário ele fará de tudo para permanecermos em nossa embarcação. No entanto se acreditamos que o ego é esperto o “Ser” é muito mais. Por ser real o “Ser” se utiliza do ego para nos levar em direção ao continente. Não importa se o barco é um luxuoso e confortável iate de 50 pés ou um simples bote de borracha. Ambos possuem o mesmo objetivo. Talvez até um simples barco chegue primeiro por ser mais leve ou talvez pelo 


desconforto que ele nos traz. Podemos entender hoje porque Jesus afirmou que é mais fácil um homem simples e humilde entrar no reino dos céus (“Ser”) do que um homem muito rico. As atitudes egóicas de um homem simples são menores, e ele não se encontra tão identificado com o mundo das formas. É claro que esta afirmação não é regra geral. Porque às vezes um homem muito rico, cansado de carregar um fardo tão grande de responsabilidades e preocupações pode também chegar primeiro. Entretanto como estamos navegando ainda no mar do (Samsara*) estaremos propensos a enfrentar nesta travessia momentos

de calmarias,

tempestades, sofrimentos, necessidades e decepções. Contudo se estivermos conscientes de nossa verdadeira identidade, aceitaremos serenamente estas situações como se fossem apenas como ondas que oscilam no oceano da vida. Como um experiente capitão, conseguiremos

navegar

com

segurança,

para

que

a

nossa

embarcação possa alcançar seu destino. Sem a interferência do ego que serve de estimulador, não seria possível alcançar o estado de “Ser” Para se conectar com a fonte, é necessário o seu oposto. O ego gosta da complexidade, é o seu trabalho. Enquanto o “Ser” é simples e percebe os outros como iguais. Devo deixar bem claro que a necessidade do ego possui sua importância apenas em nossa condição existencial de dualidade. Porém enquanto estivermos no mar das ilusões e suas águas estiverem calmas, e com um belo céu azul, não existe nenhuma razão em não desfrutar desta serena e feliz condição. Muitos podem ter a sorte ou o merecimento de enfrentar por pouco tempo um mar um pouco agitado. Outros irão enfrentar grandes e assustadoras tempestades, e alguns por despreparo irão naufragar. Podemos dizer que o início do verdadeiro despertar espiritual, ocorre quando ainda em pleno oceano o homem começa a sentir no íntimo de sua alma que existe em algum lugar um continente esperando por ele. Esta intuição desperta nele a vontade de saber e compreender, e assim vai em busca de mais conhecimentos e informações, para confirmar que este continente não é mera imaginação. Ele sente por intuição


que ele existe de fato.. Estimulado por esta esperança vai em busca de pessoas que estiveram lá (os Mestres) para obter mais orientações e consolidar a sua fé.

Mesmo que ele chegue ao

continente através de um luxuoso iate, ninguém iria querer comprálo. Até mesmo se ele for dado gratuitamente com certeza ninguém estaria interessado. Quem teria o desejo de voltar a navegar as águas turbulentas do samsara*? É claro que tudo isso é apenas uma analogia. Sabemos que ela possui suas restrições, mas ela nos permite uma compreensão que está além do nosso campo de visão da mente lógica racional. Apenas uma história para entender melhor o que está além do entendimento. Já o segundo despertar espiritual se manifesta quando orientado pelo capitão (mestre) ele avista ao longe o continente. Pode estar apenas vendo um pequeno ponto no fim do horizonte, mas já lhe dá a certeza que a vida não se restringe somente em viver rodeado pelo mar. Existe algo mais sólido e verdadeiro. Pode ainda não saber detalhadamente o que é, mas isso será suficiente para lhe proporcionar um estado de alegria e maior tranquilidade. Agora é apenas uma questão de tempo para voltar para casa. É neste sagrado momento que podemos afirmar que está efetivamente no caminho do despertar. Todas as técnicas espirituais como a meditação, a autoinvestigação, mantras, orações, livros esotéricos ou mediúnicos e contato com mestres, correspondem como a um motor mais possante para acelerar a sua chegada. Alguns mais preparados chegarão mais rápidos, outros irão demorar um pouco mais. A boa notícia é que independente do tempo, todos chegarão. O amor incondicional de Deus não esquece ninguém, como tão poeticamente foi dito na parábola do bom pastor. O mais surpreendente é que ao final quando de fato o “Ser” despertar, irá constatar que em verdade nunca existiu um oceano, nem barco e tão-pouco um continente. Todo este percurso não passou de um sonho. Isto pode ser a princípio atemorizador para quem ainda não atingiu o estado de não dualidade, que será explicado no decorrer do livro.


Outra afirmação

sobre o ego, que pode também nos

surpreender, e exigir uma maior reflexão, é que só existe o “Ser”. Nada existe a não ser o “Ser”, Deus, Eu sou, o Absoluto, não importa o nome que possa dar. No entanto como imaginamos

estarmos

distanciados da nossa natureza, sentimos um vazio, que anseia ser preenchido. Então criamos um pequeno “eu” (ego) em substituição, para nos dar um suporte , como na analogia da embarcação. Dentro do processo de ascensão, na medida em que começamos a despertar e nos aproximamos do “Ser” que é a nossa verdadeira natureza, o ego começa a perder a sua importância e sentimos que é muito mais vantajoso se unificar com o “Ser” do que com o falso eu que sempre nos causa problemas e decepções. Com esta percepção ficamos surpreendidos por não termos tido consciência que ele na verdade não passava de uma ilusão. Tudo isso pode nos deixar um tanto confusos ou estonteados. A princípio parece mais como um cenário surrealista de um filme do Fellini, mas mesmo assim, apesar de sua irrealidade, enquanto não nos conectarmos com o “Ser” que é a nossa verdade absoluta, o ego se faz necessário. Uma outra analogia para entender a importância do ego, é como se fosse a perseguição instintiva entre o gato e o rato. O gato representa o ego e o rato representa o “Ser”. Quem já não se divertiu assistindo os clássicos desenhos animados do Tom e Jerry? O gato por ser maior e mais forte parece que irá vencer e massacrar o pobre Jerry, mas o ratinho embora pequeno demonstra ser muito esperto e inteligente e sempre acaba escapando criativamente das garras do Tom. Da mesma forma o ego parece maior e nos dá a impressão que desta vez não teremos escapatória. Mas no final percebemos que ele é fraco. Não possui o poder que lhe atribuímos. Ele é apenas um simples servidor. O “Ser” acaba sempre vencendo, porque ele é simplesmente a única verdade. Como num campo de treinamento, somos testados todos os dias e o Jerry (o ego) apesar de estar sempre nos perseguindo e aparentemente parece ser o vilão da história, no fundo é um espelho para que possamos


enxergar nossas fraquezas e ilusões. Mesmo tendo um bom conhecimento sobre o ego, sabemos que ele é muito astuto e muitas vezes nos faz tropeçar. Quando isto acontece, não devemos nos sentir culpados ou desanimados, porque isto acaba reforçando o seu poder, e intensificando a crença em sua ilusória realidade. Naturalmente ele adora quando você fica insatisfeito do seu passado, ou preocupado com seu futuro. Por isto a importância de estar sempre vigilante, para não permitir a sua interferência nas difíceis situações ou em nossos relacionamentos. Temos que ter consciência de que nada pode nos causar tristeza ou felicidade a não

ser nós mesmos. Quando

percebemos com muita clareza que o ego é uma falsa identidade, então

gradativamente

deixamos

de

nos

identificar

com

ele. Intelectualmente entendemos o processo e nos parece que será fácil adotar outra conduta, mas isso não ocorre tão rapidamente como

imaginamos

porque

ainda

não

estamos

conectados

vivencialmente com o “Ser”. Devido a nossa desatenção o ego nos pega desprevenidos e acaba marcando mais um gol. Mas tudo bem. Não devemos nos abalar com esta vitória temporária. Um método eficaz que podemos utilizar para saber se o ego está com a bola toda é observar com muita atenção se no momento estamos “julgando, condenando ou nos defendendo”. Porque o “Ser” não precisa de defesas. Quem assistiu ao filme “Avatar” dirigido por James Cameron, mostra com imagens extraordinárias o confronto entre uma sociedade conectada de forma sagrada com a natureza e com eles próprios em contraste com outra cultura onde impera um sistema de pensamento que acredita na separação, culpa e punição. É um filme que traz uma profunda mensagem, porque retrata a nossa

própria

violência

em

relação

a

natureza,

como

se

estivéssemos em guerra com ela. É claramente um reflexo da nossa indiferença ao próximo e consequentemente um sofrimento que acabamos infringindo a nós mesmos. A história representa a 


constante batalha entre o ego e o “Ser”, entre a luz e a sombra, entre o medo e o amor. Quando temos esta percepção que o ego é um engodo, sabemos por experiência que ele não vai aceitar assim de

mão beijada que foi desmascarado.

Ele fará de tudo para

mudarmos de ideia. O ego tentará a todo o momento nos convencer que estamos separados de Deus, que o mundo material é real, que o corpo é o nosso único eu, e que temos que atacar ou nos defender para satisfazer nossos desejos. Enquanto que o “Ser” nos adverte e nos ensina que este mundo não é real, que o nosso lar está em nosso interior e que estamos no mundo para aprender a amar, perdoar e despertar dos nossos sonhos. Este estágio é bastante crítico e desafiador, pois trava-se uma batalha íntima que nos causa um profundo sofrimento. Ficamos divididos. O ego não quer morrer, enquanto o “Ser” deseja florescer. Tudo isto nos causa tristeza, angústia, falta de energia e uma sensação de desamparo. Também sentimos que não podemos voltar mais atrás. O retorno se torna impossível, porque quando sabemos da verdade, não se pode mais viver na ilusão. Estaríamos enganando a nós mesmos. Sentimos que temos que seguir em frente com muita fé e paciência para nos aproximarmos aos poucos da nossa real identidade. Quando

passamos

por

todas essas

adversidades e desafios, é importante lembrar de um texto do “Um Curso em Milagres*” que vem em nosso auxílio, e nos alerta de forma bem clara quando diz: “As provações não são nada além de lições que você ainda não aprendeu, e que se repetem para que você possa acertar

onde

antes errou. E então se libertar de toda dor que a escolha errada provocou em você”. É importante dizer antes de continuar nesta apresentação, que existe uma enorme diferença entre os livros de auto-ajuda e os ensinamentos do “Um curso em milagres”. Embora tenho feito referências a este item em edições anteriores, acho fundamental afirmar novamente que os livros de auto-ajuda te oferecem citações


positivas um tanto mastigados. É claro que não se pode subestimar que de certa forma contribuem para a pessoa se sentir melhor. Porém ele é como um analgésico. O seu efeito é temporário. Enquanto

“Um curso

em

milagres”

muito

diferentemente

te

proporciona as ferramentas certas e indispensáveis para você mesmo se auto-transformar. Ele consegue penetrar até a raiz da condição humana. Ele exige que saia da zona de conforto para você próprio ampliar a sua visão e reconhecer vivencialmente a diferença entre a verdade da ilusão. È por esta razão que são poucas as pessoas preparadas que irão se interessar pelo curso, pois ele exige desempenho e determinação para poder assimilar o seu rico conteúdo. Desta forma munido com este conhecimento, será mais fácil e mais rápido virar o placar do jogo, e sentimos por intuição que a nossa vitória é garantida. Sabemos em nosso íntimo que somos o “Ser” e que o ego não passa de uma miragem. Mas enquanto estivermos

passando

por

esse

processo

devemos

aceitar

pacificamente os nossos tropeços e escorregadas. No estado dual de nossa consciência, a nossa vida é como um pêndulo. Não podemos experimentar somente o lado positivo, sem sentir o seu oposto em algum momento. Hoje estou saudável, mas amanhã posso adoecer. Hoje estou empregado, mas amanhã posso ficar desempregado. Oscilamos continuamente entre o positivo e o negativo. Dor e prazer, riqueza e pobreza, juventude e velhice, sucesso e fracasso, perdas e ganhos. Estes são apenas alguns exemplos. O propósito deste livro é inspirá-lo através de sua leitura e de seus ensinamentos para realizar um trabalho interior, despertar a sua consciência e equilibrar esta balança emocional que oscila sem parar,

permitindo assim elevar seu nível vibracional. No

entanto enquanto estivermos vivendo na dualidade, sabemos o quanto é difícil se desvencilhar dos opostos. Mesmo assim, em nossa essência, só estamos ganhando. Em outras palavras, nada pode ser retirado ou acrescentado em nós, porque já somos completos. Quando estivermos conectados com a verdade do nosso “Ser”


sentiremos a nossa interconexão com o todo e o fim dos opostos. Por tudo isto é que “Um curso em milagres” será citado ao longo deste livro, porque irá contribuir muito

para uma compreensão mais

profunda deste empolgante e divino jogo da consciência. Para as pessoas que ainda sentem que o ego está interferindo em suas vidas, sugiro como exercício reproduzir as imagens do Tom e Jerry, e escrever sobre eles EGO e SER e afixá-las em algum local visível da casa ou escritório, para servir de lembrete para decidir em qual dos dois iremos depositar as nossas fichas. Esta tática irá gradativamente nos libertar do nosso provocador. Hoje podemos notar um grande avanço na psicologia e a psiquiatria que não se detiveram em estudar apenas as perturbações mentais e suas consequências

somáticas,

ou

seja

enfocando

apenas

o

lado

negativo, mas também os estados positivos e ampliados da consciência. Foi quando surgiu a psicologia transpessoal, por volta dos anos 60, que estuda estas manifestações com muita seriedade através de pioneiros como Stanislav Grof,

Pierre Weil, Roberto

Assagioli, Richard Burke só para citar alguns, e mais recentemente Ken Wilber com sua

revolucionária visão integrativa. Cada

pesquisador e cada mestre a definiu com um nome específico como: Consciência Cósmica, Estado do Ser, Sétimo Céu, Nirvana, Estado de Graça, Iluminação, Reino dos Céus e muitas outras definições. Na verdade todos eles tentam descrever um estado de consciência que se encontra em nosso interior, mas que ainda está adormecido. Poderia continuar citando centenas de outros estudiosos que também estão empenhados apaixonadamente nesta busca, mas creio que já dá para sentir o imenso interesse que estas questões estão despertando, nos últimos 40 anos e agora com mais intensidade no início do novo milênio. Também vamos encontrar na área da medicina e psiquiatria outros pioneiros que estudam as chamadas experiências fora do corpo (EMC). “Ver capítulo Lampejos do “Ser. ”São pessoas que declaradas clinicamente

mortas, conseguem sobreviver. Neste


espaço de tempo passam por experiências extraordinárias e incontestáveis, e seus relatos, fornecem provas convincentes da sobrevivência do espírito. Dr. Raymond Moody, médico americano, é considerado um dos primeiros cientistas a investigar com seriedade estes fenômenos, e seu livro “A vida depois da vida” se tornou um Best-seller internacional. Muitos outros o seguiram, como Kenneth Ring, Dr. Sam Parnia, Dr. Melvin Morse e Elisabet Kubler Ross, e mais recentemente o neurocientista

Dr. Eben Alexander III em que ele

próprio passa por esta incontestável experiência relatado em seu livro “Uma prova do céu”.

Tudo isso comprova cada vez mais a

existência de outras dimensões. Também devemos citar o brilhante trabalho do Dr. Brian Weiss pela sua enorme contribuição em suas pesquisas na área da terapia de vidas passadas, confirmando também a realidade da reencarnação e sem esquecer o Dr. Ian Stevenson que possui em seus arquivos mais de 1.000 casos de adultos e crianças que pessoalmente investigou lembranças de vidas passadas, em mais de 50 anos de meticulosos estudos em vários continentes.

Na área terapêutica também não poderia deixar de

mencionar o professor Hermógenes, que foi um dos pioneiros em introduzir a Hatha yoga, e os ensinamentos orientais no Brasil, assim como

o psicólogo e escritor Augusto Cury, que desenvolveu uma

importante teoria sobre o processo de construção do pensamento da mente, chamada “Psicologia Multifocal, e da sua excepcional série “Análise da inteligência de Cristo. De acordo com suas palavras, referindo-se a figura impar de Jesus: “O mestre da vida fez de sua história uma poesia. Nunca alguém tão grande, se fez tão pequeno.” Todas estas descobertas e pesquisas são tão fantásticas quanto intrigantes e acredito que podem conter a chave para o despertar da consciência, e compreender muitos outros mistérios que até então ficavam restritos na área da especulação filosófica ou sob o domínio das organizações religiosas. Acredito que esta nova consciência que está despertando cada vez mais, é apenas a ponta do iceberg. Podemos dizer sem nenhuma dúvida que estamos no início de


importantes transformações para a ascensão da humanidade. Concordo plenamente com Pierre Weil, psicólogo e fundador da cidade da paz que afirmou com muita lucidez: “Quando algum dia no terceiro milênio, se indagar qual foi a mais importante descoberta do século XX, a resposta não será a energia atômica, nem o universo paralelo, mas sim o estado transpessoal de consciência ou consciência cósmica”. O paradoxo é que apesar de termos conquistado quase todos os recantos da Terra e pesquisado a complexidade do corpo humano, o espaço sideral e até a menor partícula do átomo, continuamos ignorando o incomensurável universo interior. Outra afirmação importante sobre esta mesma condição, foi quando Edgard Mitchell, um dos astronautas que retornou da lua também declarou: “Mais importante do que a exploração dos espaços exteriores é a investigação dos espaços interiores”. Se aceitarmos como verdade os ensinamentos de todos os grandes mestres da humanidade ao longo dos milênios, podemos entender de forma muita clara que todos eles unanimemente declararam a mesma verdade, “Sentir dentro de nós a alegria do “Ser” que não depende de nada que esteja fora de nós, e que somos parte inseparável da vida, e livre de todos as limitações de tempo e forma”. Acredito que embora não tenhamos ainda alcançado este estado supremo, sentimos no fundo do nosso coração, lampejos desta bem aventurança, principalmente quando, penetramos no silêncio e experimentamos uma paz que nos envolve, ou quando ficamos encantados com a beleza da natureza, acompanhando simplesmente o vôo suave de um pássaro cruzando o céu. Se você sentiu uma ressonância em seu interior em ler esta introdução, então é sinal que está preparado para ler este livro, que o ajudará a trilhar o caminho espiritual ampliando o seu estado de consciência. Assim como a planta se volta em direção do sol, cada um de nós é atraído inexoravelmente em direção do “Ser.” Procurei


neste livro demonstrar a existência deste grande potencial, um tanto adormecido em nós, mas que precisa se manifestar para irradiar cada vez mais a fragrância do nosso amor, e sentirmos em nós que esta é a nossa verdadeira natureza. Este é o nosso verdadeiro propósito,

“Quando

me

transformo,

o

mundo

também

se

transforma”. Devemos estar sempre conscientes que o mundo exterior é sempre um reflexo do mundo interior. Não estranhe se ao ler este livro, constatar com algumas transcrições dos livros anteriores da trilogia. No entanto isto foi proposital para enfatizar com outras palavras certas verdades. Como sabemos, elas perdem um pouco do seu poder, quando ficamos mais tempo sob a influência do mundo externo. Por isto sempre recomendo que cada livro seja lido mais de uma vez, para absorver com mais profundidade o seu conteué do. Isso irá permitir estar cada vez experimentando vários níveis de compreensão, e mais verdades se revelarão. Aos poucos iremos perceber como grande parte do que até agora pensamos sobre o mundo e sobre nós mesmos, são meras repetições de conhecimentos impostos pela sociedade. Quase tudo é emprestado. Quer seja

através de conceitos filosóficos, dogmas

religiosos, regimes políticos, pessoas de nosso relacionamento e hoje bombardeados intensamente e continuamente por toneladas de informações, muitas delas distorcidas, inúteis ou negativas. Assim quem acompanhar este livro com atenção, será conduzido a uma auto-investigação, para se libertar de falsas e deturpadas verdades, e poder com uma mente pura e inocente “descobrir quem é você por si próprio”. Como mencionei no primeiro volume desta trilogia; você não deve acreditar cegamente em nada do que é escrito, inclusive as informações deste livro. Aconselho que faça uma pausa depois de cada capíétulo, para se impregnar dos seus ensinamentos. Ouvir ou ler sobre a espiritualidade apenas algumas vezes, não é suficiente para uma transformação interior. Como já deve ter percebido, este não é um livro de auto-ajuda, embora irá te ajudar muito. Sabemos que as palavras são apenas simples indicadores, e devem ser transcendidas


para permitir que haja de fato uma verdadeira auto-transformação. Deve estar sempre atento, para que possa sentir o seu significado em si próprio através das entrelinhas e do seu próprio poder de intuição. Se existir alguma dúvida ou um determinado trecho for mais complexo, volte à página anterior e releia-a novamente. Não tenha pressa em terminar o livro. Esteja relaxado, calmo e não fique na expectativa acreditando que ao final de sua leitura irá sentir o despertar do “Ser”. Isto até pode acontecer se você estiver preparado, e pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Isto até aconteceu de fato de forma inesperada por Banzan, um grande mestre zen, quando um dia ouvia um diálogo entre um cliente e seu açougueiro: “Por favor, me forneça o melhor pedaço de carne que você tem. E o açougueiro sem nenhuma hesitação respondeu: Qualquer pedaço de carne que tenho é o melhor. Não existe nenhum pedaço aqui que não seja o melhor. Após ouvir esta afirmação, Banzan se iluminou”. Quando aceitamos que todo momento presente é o melhor, de repente, isto pode ser um insight para o nosso despertar” Somente através deste empenho, você poderá se conectar com sua essência, que é a fonte da qual a consciência se manifesta. Quando experimentado, então nada mais terá a importância de antes, senão uma percepção de arrebatamento e de extrema elevação espiritual.

*Buda –

O Desperto

*Ego – A falsa identidade. *Samsara – Cadeia do mundo finito de mutação. *Um Curso em Milagres- Livro editado sob a influência espiritual, pela psicóloga Dr. Helen Shucman. É um programa de psicoterapia, para obter paz interior e despertar o nosso “Ser”


A IMPERMANÊNCIA


A vida sensorial, com seus apelos cada vez mais intensos, torna o homem cada vez mais cego para perceber a sutileza do ser. Nome, forma, posição social, honrarias, riquezas são rótulos que não duram para sempre. Com o tempo desaparecerão. Só a pureza e a tranquilidade poderão proporcionar condições para uma auto-pesquisa, onde se poderá tomar consciência do “Ser” que é a felicidade perfeita e eterna. Sri Maha Krishna Swami


A inconsciência é também chamada “O lado da sombra”, não porque ele seja negativo, mas porque temos muita dificuldade em acessá-la. É o bloco maior e mais profundo do iceberg e como fica submerso, ele nos parece ameaçador. No entanto ele pode ser tanto negativo quanto positivo. Não devemos temer o inconsciente, ao contrário devemos tornar o inconsciente consciente. O que isto significa? Significa (awareness)

“dar-se

nos

conhecermos

conta”.

Fazendo

por inteiro. uma

Do inglês

analogia

com

um

automóvel, o que podemos saber sobre ele? O que você faria? Talvez entrar em seu interior, vislumbrar o seu moderno painel, o volante, os assentos anatômicos de couro, podemos até fazer um test-drive e sentir o seu desempenho e sua estabilidade nas curvas. No entanto, tudo isto é olhar para a superfície. Se de fato quiser conhecê-lo com mais profundidade o caminho mais óbvio seria ir até a fábrica, olhar todo o projeto no computador, e acompanhar passo a passo a sua fabricação. O motor, os freios, toda sua instalação elétrica, o câmbio, o escapamento, o tanque de combustível. Enfim tudo que a primeira vista está escondido, obtendo desta forma uma visão totalmente nova e profunda a respeito do automóvel. Este é

o propósito

principal do autoconhecimento. Observando não apenas o externo, mas também o interno. Desta forma não seremos seduzidos pelas aparências. Conheceremos o automóvel por inteiro. Adquirir esta consciência é de imensa vantagem. Ao invés de ser iludido pelas adversidades da vida você estará vivendo a partir da verdade do seu “Ser”. Em um dos seus trabalhos, o renomado psicólogo Carl Jung mencionou com muita propriedade que: “A iluminação não consiste


apenas em ver luzes ou ter visões, mas sim em tornar visível as suas sombras”. Devemos estar bem atentos e reconhecer que qualquer mágoa ou resentimento que sentirmos, não pode ser negada. De nada adiantará pensar que nada aconteceu e tentar reprimir estes sentimentos por achar que seria indigno senti-las e manifestá-las só para preservar a imagem nobre que idealizei de mim mesmo. Na verdade a negação como uma repentina erupção vulcânica irá se manifestar em um determinado momento, gerando pensamentos confusos e descontrolados. Porque grande parte da humanidade está mergulhada na inconsciência?

Porque sentimos dificuldade em nos tornarmos

conscientes? Isto ocorre, porque somos iludidos pelos nossos sentidos e vivendo num mundo em constante impermanência. A personalidade (Máscara) se defende pois criou ao longo do tempo diversos papeis, em que nos identificamos e que se tornaram como uma espécie de proteção do eu, (ego) mas que também nos mantêm num

estado

de

adormecimento.

Como

estamos

muito

mais

envolvidos e seduzidos pelo mundo exterior, não nos damos conta de quem somos, e sentimos muita dificuldade em direcionar todo o nosso potencial energético rumo a ascensão. Temos uma imensa dificuldade em reconhecer que a nossa própria natureza possui em si, a essência inata da divindade e que nos dirige inexoravelmente em direção a unicidade. O que podemos fazer é procurar acelerar o processo de ascensão, diminuindo a interferência do ego. Nos próximos capítulos este tema será abordado com mais profundidade. Acho importante esclarecer também que existe uma diferença entre “Consciência e Consciente” Enquanto o consciente é o lado racional que difere do irracional, a consciência é a faculdade de poder discernir a minha verdadeira identidade num mundo de dualidade. Ele é como o leme de um barco, que irá nos direcionar para alcançar a terra firme.


É por isso que Alan Watts * esse fantástico e sábio pensador, hoje um pouco esquecido, escreveu o seguinte, em seu fascinante livro “Tabu: “Há sempre alguma coisa que é tabu. Algo que é reprimido, que não se reconhece ou que apenas se vislumbra com o canto do olho, porque um olhar direto seria demasiadamente perturbador. Há tabus dentro de tabus, como as cascas de uma cebola. De todos os tabus conhecidos, o mais firme e fortemente imposto é o tabu contra sabermos “quem ou o que realmente somos”, por trás da máscara do nosso ego.” A impermanência predomina durante todo o transcurso de nossa vida, assim como a inconsciência significa não saber. Significa ignorar a verdade, ignorar quem sou verdadeiramente. Sim o ego sem dúvida irá discordar e sem perder tempo irá se empenhar em proporcionar-lhe uma identidade para convencê-lo que agora sabe quem você é, ou seja, ele irá te persuadir que você está consciente. Agora você tem um nome uma posição social, prestígio, uma família, determinadas metas. Agora sim, eu sei quem sou eu. É claro que no nível do mundo das formas, isto lhe proporciona até certo ponto um equilíbrio e praticidade e passa a se comportar como quase todo mundo, sem perceber no entanto que a maioria das pessoas vive na inconsciência e desconhecem o que elas verdadeiramente são. Acreditar que sou o meu corpo, os meus pensamentos, ações, emoções, e que este mundo irá me proporcionar felicidade e segurança é estar preso nas ilusões do mundo das formas. É viver na inconsciência. Podemos até conseguir perpetuar por um certo tempo esta condição e acreditar nesta inverdade. Mas como sabemos, o mundo das formas é instável, efêmero, limitado e mais cedo ou mais tarde as coisas começam a desmoronar. Mesmo que eu fizesse um grande esforço, trabalhando, comprando, negociando, acumulando, me protegendo, ainda não seria suficiente para preservar

uma

determinada

situação

ou

manter

intacto

um

determinado objeto. Com apenas uma pequena percepção podemos perceber que o propósito da vida é procurar nos frustrar a todo o


momento. Vocês já se deram conta disto? Isto pode até nos surpreender a princípio, porque sempre acreditamos que a vida finalmente poderá nos proporcionar a felicidade e a estabilidade que tanto almejamos e desfrutar de todas as coisas boas que ela pode nos proporcionar. Um bom trabalho, um ótimo relacionamento amoroso, bens materiais para meu conforto, filhos adoráveis, quem sabe ser famoso e admirado. É o que todo mundo almeja. Mas será mesmo que isto pode ser possível num mundo em constante transformação, onde tudo se desgasta, envelhece e morre. Onde o futuro é tão incerto, num mundo em constante conflito, corrupções, violência, terremotos e guerras? Um mundo onde ainda predomina a lei do mais forte, do mais esperto? Um mundo ainda dominado pelo ego? Um mundo insano, onde apenas só nos Estados Unidos se gasta cerca de $600 bilhões anualmente em suposta defesa militar, (2005) o que seria suficiente para mandar cada criança para o colégio por quatro anos. Isto me faz lembrar, na época em que ainda adolescente por volta dos anos 70, comecei a ler os fascinantes livros do antropólogo Carlos Castaneda, que descortinou para mim um mundo novo, as vezes maravilhoso e outras vezes um tanto assustador. Fiquei surpreendido quando num de seus livros fez um comentário do seu mestre-feiticeiro Don Juan Matus, um xamâ mexicano do qual se tornara

discípulo,

quando

afirmava

que

nosso

mundo,

que

acreditamos ser o único e absoluto, é apenas um em meio a um conjunto de mundos consecutivos, arrumados como camadas de uma cebola. Disse em seu último livro “O lado Ativo do Infinito” uma frase que muito me marcou: “Ao contrário do homem atual que vive como se fosse imortal, e um medo terrível da morte, a superioridade do conhecimento dos xamãs é que possuem consciência que são seres que vão morrer, que tudo é efêmero, que toda a glória é transitória, e que a morte se revela como a nossa conselheira infalível, a única que jamais nós dirá uma mentira”.


Mais uma vez, eternas verdades, expressas por outras palavras, através de um sábio índio yaqui de Sonora. Recomendo ler os livros de Castaneda, pois foi um dos pensadores mais profundos de nossa época. Seus livros influenciaram toda uma geração, descortinando uma nova realidade através dos ensinamentos milenares do xamanismo.

Enquanto

estivermos

identificados

com

o

ego,

estaremos presos aos seus caprichos e limitações. Se tentarmos nos afastar dele, sentiremos como se estivéssemos mergulhando no vazio. Para o ego isto é impensável, porque ele tem uma necessidade imperiosa de sobreviver. Porque sem o ego eu pergunto: Quem é você? Quando somos jovens achamos que só os outros morrem. Não pensamos em nossa própria morte. Temos inúmeros desejos e queremos realizar muitos projetos. Queremos encontrar a mulher ou o homem dos nossos sonhos, e viver uma vida confortável e sem problemas. Mas o tempo vai passando e de repente, quando você menos espera, começa a notar no espelho alguns cabelos brancos. O tempo parece que começa a passar cada vez mais rápido e para seu espanto começam a surgir as primeiras rugas. A sua visão começa a ficar embaçada, necessitando do uso de óculos, os cabelos começam a cair e você começa a sentir que não possui a mesma vitalidade de antes.

Muitas coisas que você

gostava de fazer já não te empolgam mais, e se tiver uma vida mais longa, então em decorrência da velhice a sua saúde irá se debilitar. A sua estrutura óssea e muscular já não irão comportar mais o peso do seu corpo, tendo que utilizar o apoio de uma bengala, e provavelmente a sua libido irá diminuir. Quando se olhar de novo no espelho você nem irá se reconhecer. Você dirá: --- Quem é este velho feio e enrugado homem que estou vendo refletido neste espelho! Talvez para negar esta perturbadora imagem, poderá dizer que infelizmente não se fazem mais bons espelhos como no passado. Quem comenta este estado de uma forma um tanto humorística é o famoso mitólogo Dr. Joseph Camplbell * numa entrvista com o jornalista Bill Moyers que lhe perguntou numa série de TV, como se sentia agora octogenário? Ele respondeu:


---É como dirigir um velho carro. De manhã demora para dar partida, resfolega para subir as colunas e o tubo de escape está começando a se arrastar. Acho que logo vou ter que entregá-lo em troca de um novo modelo. Eu sei que toda esta descrição pode nos deixar um tanto melancólicos, mas o exagero foi proposital. Sabemos com certeza irá acontecer mais cedo ou mais tarde, mas foi para enfatizar que por mais que você possa se cuidar, o tempo como uma espécie de doença, gradativamente sem se dar conta, vai como que corroendo, desgastando e envelhecendo o seu corpo. O tempo passa e nada sobra. Engole tanto o santo como o pecador, o milionário e o mendigo. Tudo se dirige para este único fim. Será que alguém consegue impedi-lo de avançar? Assim. Se você pensa em construir sua segurança e felicidade nesta praia de ilusões, ela com certeza desaparecerá pelo avanço incontrolável das águas da maré. Temos uma visão extraordinária deste estado transitório e efêmero no espetacular filme “Titanic” dirigido por James Cameron, onde é mostrado de forma bastante realista o navio que parecia que nem Deus poderia afundá-lo se partindo em dois por ter colidido com um iceberg e naufragando logo em sua primeira viagem inaugural, matando grande parte de sua tripulação, ricos, pobres, famosos e desconhecidos. O chocante do filme é o contraste entre cenas reais filmadas através de uma mini- câmera, mostrando os restos carcomidos e quase irreconhecíveis do que restou do verdadeiro navio, inclusive o seu interior, e uma sobreposição de imagens em fusão mostrando a sua soberba grandeza e luxo quando o navio ainda navegava por sobre o oceano. Este filme de grande impacto emocional, nos ensina uma grande lição “toda a água do mar, não consegue afundar um navio, a não ser que ela penetre em seu interior”. De fato esta analogia nos mostra que seja qual for as situações, ou as pessoas, elas só podem nos atingir quando por falta de vigilância e atenção, abrimos as nossas comportas. Então somos invadidos pela turbulência emocional, perdemos o controle e acabamos naufragando. Um outro exemplo, é que quando assistimos


antigos filmes e vemos atores do passado ainda jovens e belos mas que agora são quase irreconhecíveis pela idade avançada em que se encontram. Um dia desses, estava sintonizado numa emissora de TV à cabo, quando passou uma entrevista com a atriz francesa Brigite Bardot, que foi símbolo sexual dos anos 60. Nem preciso dizer como fiquei chocado quando ela apareceu na tela. Uma velha senhora mas que parecia ter muito mais. Enquanto ela falava de sua vida, seus romances, maridos e sua luta em defesa dos animais, a entrevista era intercalada por diversas cenas dos filmes mais importantes de sua carreira de atriz, e naturalmente o contraste era gritante. Além disso, a partir dos anos 60/70 quando se podia ter acesso a filmadoras caseiras, podíamos ter um registro em movimento de nossa transformação física, o que antes era reservado a atores de cinema. E se voltarmos ainda mais a nossa atenção ao passado, antes do advento da fotografia, somente os nobres ou pessoas de posse podiam contratar pintores para se retratarem. De forma que hoje com o progresso tecnológico, percebemos com muito mais rapidez e assombro que o tempo passa muito rapidamente. Num filme podemos até congelar a cena, mas não podemos congelar as cenas reais de nossa vida. Isto pode a princípio nos parecer muito negativo, mas na verdade as coisas são como são. É a lei imutável da impermanência do mundo das formas. Elas se manifestam, duram um certo tempo e depois desaparecem. A mudança está sempre se processando. Queremos manter a nossa juventude e saúde para sempre. Entretanto isto não é possível, apesar de todo o avanço da medicina ou da estética. Reconheço que toda esta descrição pode a princípio nos deprimir, mas é a verdade que todo mundo quer esconder. Falar da decadência ou morte é muito constrangedor e naturalmente o ego se sentirá ameaçado e sem perder tempo fará tudo para você mudar de pensamento. Ele irá sussurrar em seu ouvido e dirá:- “Não é melhor a gente mudar de conversa e falar de outras coisas mais alegres”. Mas como nada é por acaso, tudo isto possui um propósito muito maior do que podemos imaginar devido a nossa atemporal conexão divina. Depois


de uma curta estadia, sobrevêm uma mudança dimensional, popularmente ainda chamada morte, para ampliar o nosso potencial criativo. Embora, a primeira vista, esta condição pode nos parecer um insondável mistério, não podemos esquecer que estas foram as leis estabelecidas dentro do Divino Jogo da Consciência, que iremos entender melhor nos próximos capítulos. O que significa ignorar a verdade?

Significa

não

saber

quem

somos

nós.

Quando

reconhecemos a ilusão do ego e procuramos nos conectar com a nossa essência que está além do corpo, dos pensamentos, das emoções, da mente e até da própria consciência, transcendemos este mundo transitório e nos unificamos com a fonte (Deus). Quando isso acontece, iremos sentir com mais intensidade que a vida é sagrada e que temporariamente ela se manifesta através do mundo das formas. Sim, podemos estar vivendo no corpo e neste aparente mundo, mas reconhecendo e sentindo que somos muito mais do que as limitações de um corpo. É por isso que toda prática espiritual possui por objetivo retirar gradualmente os véus da escuridão, para que a luz de nossa natureza divina possa iluminar o nosso verdadeiro “Ser”.

Foi com muito bom humor que o psicólogo Jean-Ives Leloup definiu esta questão em uma de suas brilhantes palestras: A vida não é somente uma doença mortal sexualmente transmissível. A vida é um exercício evolutivo espiritualmente transmissível. E nós temos que, uns e outros, espiritualmente, amigavelmente,

fazer

deste

exercício

de

nossas

vidas

um

instrumento de nossa evolução. Isto não quer dizer que vamos deixar de admirar a beleza da natureza, de nos encantar com uma bela canção, de ter um trabalho gratificante ou desfrutar de muitas coisas maravilhosas que a vida material nos proporciona. A diferença está em termos consciência que todas estas coisas são transitórias e assim não alimentamos nenhuma expectativa ou desejo em querer perpetuar ou nos agarrar


a estes momentos, pessoas ou objetos. Até o que normalmente acreditamos ser felicidade é na verdade sofrimento, porque é fugaz e toda a felicidade que nos é proporcionada por prazeres, são temporários. Isto acontece porque depois

que um prazer é

experimentado, ele começa a ficar tedioso e assim temos que achar outras satisfações para aguçar nossos sentidos. É um ciclo constante de desejo, prazer, alívio e mais desejos, ou como tão bem se expressou a venerável monja tibetana Yeshe Chödron: “Encontrar satisfação com uma mente iludida é como tomar água salgada. Vamos sempre querer mais, embora ela nunca satisfaça. O desejo é interminável”. A cada momento passamos por frustrações, porque insistimos para que as situações estejam sempre sob o nosso controle. Ao invés de vivermos o presente, nos preocupamos demasiadamente pelo nosso futuro.

Ficamos ansiosos, o medo nos assalta e

passamos a viver numa luta interna que só nos traz mais sofrimento. Por estas razões, ter a possibilidade de encontrar um mestre que possa nos orientar é de suma importância. As bênçãos e os ensinamentos dos autênticos mestres estão sempre a nossa disposição. Ele é como a lente de aumento que podemos aproveitar se desejamos acender o fogo da iluminação na madeira seca da nossa mente. Assim como precisamos de uma lente de aumento para concentrar os raios do sol, caso contrário levaria muito tempo para acender o fogo. O mestre é exatamente esta lente de aumento. Mas se não houver condições de encontrar um mestre encarnado, podemos nos inspirar com os que já viveram entre nós e que nos deixaram profundos ensinamentos para facilitar o nosso despertar. Ser inconsciente de nossa natureza sagrada é como estar desamparado, carente, perdido dentro de um imenso labirinto. Desconhecemos como entramos nele e não conseguimos encontrar a saída. Quando finalmente perdemos o fôlego e aceitamos a nossa triste situação, surge uma espécie de rendição. A mente então se acalma, os pensamentos de aflição diminuem e de repente para o


nosso assombro, vemos que a saída estava bem na nossa frente. Simplesmente a nossa visão estava turva para ver com nitidez a verdade. Quando começo a caminhar passo a passo e consigo sair do labirinto, então uma paz se incorpora em mim e finalmente me liberto de todos aqueles caminhos tortuosos que vinha percorrendo e que de fato era um verdadeiro labirinto mental. Portanto, só existe um sofrimento “A inconsciência”. É por esta razão que a primeira verdade de Buda foi “dukkha”, palavra em sânscrito

geralmente

traduzida por sofrimento. Mas na verdade “dukkha” significa uma limitação da nossa visão, perdendo a capacidade de sentir a ilimitada dimensão que já nos encontramos. Buda se referia mais a insatisfação de vivermos num mundo em que devemos enfrentar a dor física e emocional e também a dor da preocupação com o fim do prazer e segurança, que pode um dia acabar ou ser roubado de nós. Embora exista de fato muito sofrimento no mundo, após cerca de trezentos anos depois, quando seus ensinamentos passaram a ser redigidos, talvez tenham sido distorcidos ou não foi encontrado uma palavra equivalente ao seu verdadeiro significado na linguagem ocidental. Dukka na verdade vem do sânscrito que significa uma roda em más condições, e desta forma se ela estivesse em uma carroça, a sua viagem seria um tanto desconfortável. Assim o âmago do sofrimento ocorre em consequência de estarmos afastados de nossa verdadeira natureza e a inabilidade de administrar com sabedoria os nossos pensamentos e emoções. O entendimento não necessita de uma prova concreta, palpável. Ela é imediata, ela é como um reconhecimento de uma verdade que sempre esteve conosco. Caso contrário ela se torna apenas uma crença, e permanecemos na incerteza. Vou contar como exemplo uma experiência que ocorreu comigo numa viagem turística na cidade de Zermat, uma charmosa estação de esqui, localizada na fronteira da Suíça com a Itália, onde passei dias inequecíveis com minha irmã e meu sobrinho. Ela foi uma comprovação de um grande insight pela qual passei. Depois de desfrutarmos deste deslumbrante recanto, todo coberto de neve,


pois estávamos em plena temporada de inverno, resolvemos depois de uma semana, continuar a nossa viagem. Nos despedimos do famoso monte Matterhorn, o cartão postal mais conhecido dos Alpes, e descemos a montanha num pequeno trem todo pintado de vermelho até a base para tomarmos um outro com destino a Paris. Enquanto aguardávamos na estação, resolvi tirar uma foto. Foi neste momento que percebi que faltava uma pequena maleta, onde estava minha filmadora, a câmera fotográfica, todos os meus documentos, três mil dólares em dinheiro e ainda as passagens do próximo trem, que estávamos aguardando. Como se isto não bastasse, sabia que os funcionários da estação só falavam o idioma alemão, e ia ser uma dificuldade nos entendermos. Crente

que

esquecemos a maleta no bagageiro do primeiro trem que já tinha partido, senti a princípio um frio na barriga e depois um estado de pânico. Meu coração bateu a mil, e uma sensação de perdição e de inconformismo, se apoderou da minha mente, antevendo todo o desconforto que isto iria nos causar. Fiquei torcendo mentalmente, para que a maleta ainda estivesse no bagageiro, e na boa fé que ninguém tivesse se apoderado dela, tentando acreditar na imagem de honestidade que fazemos dos cidadãos suíços, embora tivesse muitos outros turistas estrangeiros no trem. Mas de repente enquanto estava atordoado pela situação, vejo para meu espanto meu sobrinho se contorcendo de tanto rir. Fiquei sem nada compreender. Como ele poderia rir diante de uma situação tão crítica como esta! Mas ele percebendo a minha aflição, abriu uma mala maior, onde continha dentro a pequena maleta, aquela que acreditava estar supostamente perdida. Não podia Ser! Seria uma miragem! Instantaneamente senti um imenso alívio e tranqüilidade, sem ainda acreditar no que estava vendo e ao mesmo tempo espantado por sentir esta rápida transformação emocional. É claro que dei uma bronca nos dois, porque podiam ter me avisado, evitando passar por todo aquele stress. Mas depois quando já acomodado no novo trem, aos poucos fui me dando conta que aprendi uma grande lição ao vivo. Foi sem dúvida um poderoso insight. Percebi que embora a maleta estivesse o tempo todo ao


meu lado, houve toda uma alteração em meu estado mental e físico, na ideia que ela tivesse se extraviado. É o que acontece o tempo todo na nossa vida. Estamos continuamente com toda a nossa eterna riqueza em nosso interior, mas achamos que ela se extraviou ou nunca existiu e sofremos muito por acreditar nesta ilusão. Mas quando surge o despertar, então a crença desaparece, pois ela se esvai. Você passa a sentir por si próprio a verdade de quem você é, em vez de acreditar na falsa imagem, que você pensa ser. No magnífico filme dirigido por Bernardo Bertolucci “O pequeno Buda”, existe um diálogo excepcional entre Siddhartha e seu pai que era o rei Suddhodana e que governou o reino dos Cakyas. Com este confronto, Siddhartha* se dá conta das quatro nobres verdades, e com determinação resolve dar início a sua grande e nobre missão. Quando finalmente alcançou a iluminação, ele encontra a resposta do sofrimento. Acompanhe a profundidade deste diálogo, pois foi o momento crucial de sua transformação, pois até então, Siddhartha vivia na ilusão do mundo das formas. (Diálogos extraídos do próprio filme.) --- Meu pai, porque escondeu a verdade de mim por tanto tempo? Porque mentiu sobre a existência do sofrimento, da doença, da pobreza, da velhice e da morte? --- Se eu menti Siddhartha foi porque te amo. --- Mas pai, o seu amor tornou-se uma prisão, como posso viver aqui como vivia, quando tantos sofrem lá fora? --- Você nunca quis ir lá fora. (na verdade seu pai sempre o impediu de sair, devido a uma profecia) --- Pai, tenho que encontrar uma resposta para o sofrimento. --- Mesmo que me traia Siddhartha, você não tem piedade de abandonar sua esposa e do seu próprio filho? Pensa neles, você também é pai, também tem um dever, não pode partir agora. --- Nem meu amor por Yashodhara (esposa) e pelo meu filho consigo afastar a dor que sinto, porque sei também que eles


terão que sofrer, envelhecer e morrer, como você, como eu, como todos nós. --- Sim. É verdade respondeu o pai.---Todos nós temos que morrer e renascer e morrer de novo e renascer e morrer e renascer, e morrer de novo. Nenhum homem pode fugir desta maldição. --- Pai. Então esta será a minha tarefa. Eu acabarei com esta maldição. E assim se cumpriu a profecia de um sábio, que no dia do seu nascimento disse que Siddhartha seria ou um poderoso imperador ou um Buda que libertaria a humanidade do sofrimento.

É surpreendente notar como um homem acostumado a viver na opulência, conforto e riqueza, abandona este estado privilegiado inclusive seu reino e todos os seus familiares e passa a viver uma vida de mendicância. Tudo isto por estar inconformado em viver uma vida que não fazia mais sentido. Ele tinha que pôr fim a esta maldição. Assim após sete anos exercitando-se nas mais variadas práticas de yoga, e vivendo no mais puro ascetismo, e entregandose a jejuns e penitências, por fim compreende que a vida de privações não valia mais do que a vida de prazeres. Assim aos trinta e cinco anos, sentado aos pés de uma figueira, cai em profunda meditação e alcança a iluminação. Ainda bem que o destino quis que as coisas transcorressem desta forma, porque se o pai não tivesse levado a sério a profecia e tivesse aberto os portões do palácio, Siddhartha teria se familiarizado desde a infância com as leis da condição humana e não teria tanta motivação em descobrir a verdade do “Ser”. Privado de conhecer esta verdade durante vinte e nove anos o choque foi grande demais. Naturalmente tudo isto deve ter sido programado antes da sua encarnação para que ele pudesse desempenhar o papel que lhe foi concedido e da sua nobre missão, que foi de imensa importância para o despertar da humanidade. O grande insight que Buda teve foi ter percebido a grande ilusão do ego. Ele sentiu que por mais que você possa estar preenchido pela


riqueza, pela fama, relacionamentos prazerosos, conforto e bem estar físico sempre haverá um vazio em seu coração que não pode ser preenchido por nada neste mundo impermanente e efêmero. Quando Buda através de uma profunda meditação alcança o nirvana sua alma se aquietou. Finalmente rompera a cadeia de nascimento e mortes, quando observou que o carcereiro desta prisão era a sua própria ignorância por desconhecer a sua Verdadeira essência. Com esta

lucidez,

compreendeu

a

verdade

da

vida,

que

foram

sintetizadas através das quatro nobres verdades, e que foram anunciadas em seu primeiro sermão, diante de seus antigos companheiros.

1- A verdade da existência do sofrimento. 2- A verdade da origem do sofrimento. 3- A verdade da cessação do sofrimento 4- O caminho que conduz a extinção do sofrimento. Na primeira nobre verdade, podemos perceber que a felicidade e o sofrimento são emoções inseparáveis de nossa existência dualística. A segunda verdade constatamos que todas as situações são impermanentes. A terceira, nos montra a possibilidade de podermos

transcender estas situações.

E a quarta verdade nos

ensina o caminho em direção a nossa libertação e iluminação. É claro que precisamos trilhar cada uma destas verdades, através de nossos pensamentos, palavras e ações, pois existe uma grande distância entre entender teoricamente uma verdade e transformar esta

compreensão

em

uma

conduta

natural,

como

quando

respiramos sem fazer esforço. Assim através de um extraordinário insight, Buda como um profundo psicólogo, consegui diagnosticar as causas da doença. Descobre sua origem, e estabelece a terapêutica eficaz para sua cura. Quando foi solicitado a sintetizar sua doutrina num única palavra ele disse:---“Consciência”. Da mesma forma que Buda, Jesus outro grande mestre também procurou nos mostrar a nossa inconsciência espiritual através de


seus ensinamentos, Ele também passou por um período de intenso sofrimento, quando permaneceu por trinta dias em solitude no deserto, se confrontando com sua própria consciência representada simbolicamente por satanás que na verdade era seu próprio ego que fez de tudo para persuadi-lo de desistir de suas intenções. Mas ele também com a agulha sutil de sua força e determinação interior, conseguiu murchar o balão do ego e voltou para cumprir a sua difícil, mas sagrada missão. Como vocês deverão notar na leitura deste livro, procuro transmitir, através de histórias e parábolas os ensinamentos dos grandes

mestres,

que

conseguiram

pela

sua

simplicidade

e

criatividade explicar lições que de outra forma seriam muito difíceis de serem entendidas. Elas prendem a nossa atenção pelo seu suspense e ficam muito mais gravadas em nossa mente. Uma delas é a parábola das dez virgens, que nos alerta da importância de estarmos atentos e vigilantes. A parábola das dez virgens: O reino dos céus (o “Ser”) é semelhante as dez virgens que tomando as suas lamparinas saíram ao encontro do noivo. Cinco dentre elas eram insensatas (inconscientes) e não levaram azeite suficiente

para

acender

as

suas

lamparinas.

As

prudentes

(conscientes) não esqueceram o azeite. Como o noivo demorava para chegar, todas elas adormeceram. Porém a meia noite o noivo chegou. As

insensatas

(inconscientes)

pediram

azeite

para

as

prudentes, pois as lamparinas estavam se apagando. Porem as prudentes responderam: - Talvez não haja o bastante para nós e para vós, ide pois aos que o vendem. Enquanto foram comprá-lo, veio o noivo. Quando, porém vieram as outras virgens a porta estava fechada e elas não puderam entrar.


Como facilmente se pode deduzir, o noivo simboliza a chegada da paz, da alegria e bem aventurança (o “Ser”) As virgens imprudentes representam (a inconsciência.) Assim quando veio a noite ficaram na escuridão (viver na ignorância), pois tinham esquecido do azeite. “Enquanto

as

virgens

prudentes,

devido

ao

precioso

combustível, garantiram a iluminação de seus passos em direção da unificação com o “Ser.” Esta parábola nos alerta que a principal barreira de não ter consciência do “Ser” é que a maioria das pessoas acreditam que já a possuem. Acham que são livres, possuem um bom estoque de informações,

ocupam

posições

profissionais

importantes,

se

destacam na mídia e desfrutam de um bom conforto material. Isto não é ter consciência de si, isto é apenas imaginar que estão acordados enquanto continuam dormindo e roncando. Somente quando

tivermos

alcançado

o

estado

do

“Ser”,

teremos

a

compreensão da nossa verdadeira natureza. Para Ilustrar esta verdade, seria como um peixe que mesmo estando o tempo todo na água, não a reconhece, pois não possui um parâmetro de comparação. Mas se o retirarmos por alguns segundos e depois o recolocamos novamente, ele estaria novamente unificado no oceano mas com uma grande diferença: teria a percepção do seu real valor. Esta analogia possui muita similaridade com a “Parábola do filho pródigo.*” Afastado do convívio do seu amoroso pai, ele sofre as consequências do seu ato, para depois mais amadurecido retorna para seu verdadeiro lar, porém agora consciente do seu real valor. Porque de fato quando o filho finalmente volta para a casa do pai, ele está totalmente modificado. “Ele estava perdido, mas agora reencontrado” Reconhece as ilusões do mundo das formas, e volta para aquilo que sempre foi. Isto confirma as sábias palavras dos mestres iluminados quando dizem que a vida não passa de um sonho, e que na verdade jamais em momento algum nos separamos do nosso reino, ou seja da nossa essência. Isto poderá te


surpreender

mas segundo os mestres, o tempo é uma ilusão.

Vivemos sempre no atemporal. No entanto parece que foi preciso criar o tempo, para você ter mais tempo de perceber que não existe tempo. Na verdade só existe um tempo: “O tempo do momento presente.” A questão é que estamos envolvidos em tantos mistérios, além daqueles que nem sequer sabemos que existem! Tentar desvendálos no nível da nossa consciência limitada e racional é retardarmos o nosso despertar. Isso é assim porque as tentativas de entender o sonho, partindo de dentro do sonho será mera especulação intelectual. Caso contrário o sonhador iria despertar. Quem já sabia disso era Shakespeare, quando expressou magistralmente esta verdade em uma de suas peças: “Existem mais mistérios entre o céu e a terra, do que possa supor a nossa vã filosofia”. Podemos comparar o planeta terra como um gigantesco aeroporto. Permanecemos por um certo tempo, aprendendo novas lições, interagimos com muitas pessoas, mas chega o momento em que temos que partir. Este é um fato que não pode ser alterado. Estamos de passagem e teremos que embarcar para continuar a nossa viagem. Podemos nos sentir como passageiros em direção a eternidade, mas na verdade é o contrário que acontece, somos todos eternos dentro do temporário. Sentir esta sútil verdade que se encontra em nosso interior é o início do despertar da consciência e a percepção da nossa grandeza. Despertar a consciência significa purificar a mente. É o cessar dos pensamentos compulsivos, negativos

inúteis

e

ilusórios.

Somente

quando

ocorre

esta

percepção, podemos sentir, o que mais importa: O amor, florescendo em nosso coração. Sentimos que somos todos inocentes e aceitamos as pessoas e as situações como se apresentam. Este é o verdadeiro perdão. Enquanto estava escrevendo este capítulo, ocorreu um fato deveras surpreendente e que demonstrou mais uma vez que nada acontece por acaso. Estava em meu escritório, digitando o texto


desta página, quando de repente dei uma parada e resolvi pagar algumas contas no banco e também

para espairecer a cabeça.

Decidi ir a pé, pois o banco fica bem perto de casa, e uma boa caminhada sempre nos faz bem. Enquanto estava quase chegando, não sei como explicar, mas me veio em mente a imagem do Edú, um antigo amigo e colega de trabalho, que foi fotógrafo de uma das agências de publicidade em que trabalhei. Eu sabia que morava em Guarulhos e já fazia cerca de dez anos que não tínhamos contato, desde quando me mudei para outra cidade. Pouco antes de entrar no banco para meu espanto escuto uma voz chamando pelo meu nome. Mal pude acreditar! Quando virei a cabeça, lá estava ele em carne e osso, o próprio Edú. Mais um surpreendente efeito de sincronicidade. Nos abraçamos calorosamente ainda surpreendidos por este incrível reencontro, e fomos tomar um café para lembrar dos velhos tempos.

Logo

começou

a

me

contar

as

últimas

novas, e que estava por estas bandas para tirar umas fotos para um cliente. Contei-lhe que agora estava me dedicando a literatura e que estava escrevendo um livro, que era o último de uma trilogia e que estava no término de um capítulo que falava justamente sobre o perdão. Ele olhou para mim com uma expressão de surpresa, acariciou sua barba que não era mais ruiva, mas agora quase branca, franziu a testa, como tentando se lembrar de algo, quando de repente exclamou ---É verdade. Não é fácil perdoar. As pessoas teriam que ter uma nova compreensão da vida, para deixar os ressentimentos de lado. Depois de uma pequena pausa voltou a falar: ---Sim agora me lembro, talvez esta história possa te inspirar. E foi tomando o segundo café e um pão de queijo, que começou a me contar a história de um velho amigo já falecido do seu pai, que foi preso e levado num campo de concentração na época da 2ª guerra mundial. Achei tão comovente a história, que resolvi descrevê-la neste capítulo, pois demonstra o que é na realidade o verdadeiro perdão. Acredito que este incrível encontro com um antigo colega de trabalho, contribuiu para enriquecer este capítulo com esta história bastante surpreendente.


Já no final da guerra, os aliados encontraram um prisioneiro, que parecia estar em boa forma física e mental. Mas quando ele disse que já estava a mais de quatro anos preso, presumiram que houvesse colaborado com os nazistas. Mas não. Quando ele foi capturado durante uma revolta que teve no gueto de Varsóvia, os soldados fuzilaram seus pais e uma tia diante dele. Quando ele implorou que o fuzilassem também, os alemães recusaram, pois ele poderia ser útil, pois falava alguns idiomas. Nesta trágica situação, ele sentiu que se não os perdoasse ele seria tão violento e assassino como eles. E durante os anos em que viveu no campo, percebeu que não havia diferença entre eles e as vítimas. Ambos viviam com medo e ansiedade. Assim tomou a decisão de perdoá-los. Esta percepção permitiu que conservasse sua paz interior e mantendo uma relação serena com todos eles. Isto preservou a sua sanidade mental e sua saúde física. O mais interessante, é que esta história me fez lembrar do psicólogo Viktor Frankl que também foi vítima das atrocidades do nazismo, e que afirmou em um de seus livros, que quando um indivíduo encontra um sentido para sua vida, é capaz de superar a maior parte de suas adversidades. A logoterapia criada por ele mais tarde, nos diz com clareza que não adianta se remoer ou se sentir injustiçado pelo seu destino, ou tentar revidar o seu sofrimento para os outros. Ao contrário, devemos tentar explorar o que é possível fazer aqui e agora. Usando suas próprias palavras ele nos diz: “Devemos sempre encontrar um motivo para nos levantarmos da cama todas as manhãs”. Isto demonstra que até mesmo nas circunstâncias mais difíceis, ainda assim podemos escolher entre o medo ou amor. Foi com muita maturidade e sabedoria espiritual que eles ao invés de se associarem ao ego que com certeza tinha uma grande justificativa para que sentissem ódio, raiva e vingança, preferiram escolher o “Ser”. É verdade que é um exemplo extremo, mas notamos hoje nos noticiários, quantos não se vingam por tão pouco. De acordo com os


mestres iluminados “O perdão é a liberdade de todas as ilusões, e por isso que é impossível perdoar parcialmente. O perdão só remove o que não é verdadeiro ”Para mim demonstrou também, que você encontra

as

pessoas

certas

no

momento

certo.

O

mais

surpreendente foi quando depois de pagar as contas no banco, senti que voltei para casa muito

mais enriquecido. Tudo isto nos faz

compreender, que quando passamos por coincidências inexplicáveis, sonhos simbólicos ou situações de sincronicidades, se estivermos bem atentos, eles podem nos fornecer algumas pistas para nos orientar e nos levar ao caminho de uma verdadeira transformação. O “Ser” então nos revela a nossa sagrada missão. Quem quiser adquirir maiores detalhes e se aprofundar sobre este tema, sugiro que consultem o admirável livro de Caroline Myss “Contatos Sagrados - Despertando nosso potencial divino. Enquanto estivermos inconscientes, seremos governados pelo ego e ele sempre encontrará uma bela razão para nos convencer. Ele sempre quer estar no comando para nos manter ainda presos no estado de dualidade. Não se pode ter um relacionamento saudável com uma pessoa inconsciente a não ser que você esteja consciente e perceber com clareza e serenidade a inconsciência do outro. Este é o verdadeiro perdão. O perdão é a união de duas energias aparentemente opostas, que se unificam através da compreensão. Quando perdoamos ela se dilui e sentimos de forma natural, amor e harmonia em nosso coração. Segundo “Um curso em milagres”: “Você deve perdoar seu irmão pelo que ele não fez, para não tornar seu erro real. Como você vê a outra pessoa, verá a si mesmo. É muito importante compreender as atitudes inconscientes do outro, não se identificar com suas ilusões e não considerar absolutamente nada pessoal. Na verdade nada é pessoal. E lembrese, quando perdoa você rejuvenesce mental e fisicamente.


Quando Jesus teve um encontro com Pôncio Pilatos , antes de sua condenação, ele poderia ter se defendido. Poderia tê-lo persuadido que ele era sem culpa. Poderia até realizar uma demonstração

de

seus

poderes.

Poderia

mentalmente

tê-lo

hipnotizado para que o libertasse. Quando o governador perguntoulhe o que é a verdade, Jesus apenas permaneceu serenamente em silêncio. De acordo com suas palavras no “Um Curso em Milagres” “A Verdade não precisa de defesa.” Ele sabia que se procurasse se defender, estaria

simplesmente reforçando a ilusão do irreal. Ele

tinha consciência da sua missão e através do seu amor incondicional veio ao plano físico, para nos ensinar algumas lições, que depois foram propagadas pelos seus discípulos e seguidores. Lições que transformaram

ao longo dos séculos a história da humanidade.

Desta forma podemos perceber com mais clareza que a defesa sempre é do ego. Jamais o “Ser” irá se defender. Talvez agora

podemos compreender melhor quando lemos

sobre os últimos dias de sua vida, e vemos que ele em nenhum momento se defendeu, até mesmo quando no ápice do seu sofrimento na cruz pronunciou suas últimas palavras: “ “Pai perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” Tudo me faz crer que o propósito não era uma advertência, ou um pedido para que Deus não os condenassem, pois sabia que Deus é puro amor. Mas ele as pronunciou para que entendêssemos que quando perdoamos, na verdade estamos perdoando a nós mesmos. Quando perdoamos, não ficamos mais carregando um fardo de ressentimentos e mágoas, que só nos prejudicam, e nos afastam da nossa paz. Por isso o maior beneficiado do perdão, é da própria pessoa que perdoa. O verdadeiro perdão acontece quando há o reconhecimento de que somos todos inocentes. Isto significa que o “Ser” que também habita em nossos supostos inimigos ainda não floresceu. São ainda dominados pelo ego, até mesmo quando 


possuem uma relativa consciência disso. É por isto que sentem a necessidade de encontrar um culpado (bode expiatório) para descarregarem a infelicidade que os atormentam. São inocentes, porque não perceberam ainda que são vítimas de suas fraquezas e do estado de adormecimento do qual se encontram. O ego as convencem que o mundo é real, que o corpo é real e que os pensamentos são reais, quando na verdade tudo não passa de uma grande ilusão. O mesmo ocorreu 500 anos A.C, com o filósofo Sócrates na Antiga Grécia, quando foi sentenciado com a morte, ingerindo

sicuta*.

Quando

interrogado

pelos

seus

amigos

e

seguidores de sua doutrina de que a sua condenação era injusta pelas autoridades do poder judicial, ele respondeu calmamente: “Esperais vós que fosse justa? Todos estamos condenados a morte, porém a diferença, é que eu já sei a minha hora. Não julgue mal dos que vivem no mal, pense somente que estão equivocados”. Se fosse enumerar todos os mártires que pela inconsciência humana foram injustiçados a lista seria enorme. Assim quando estamos conscientes e nos conectamos com a nossa essência, não existe nenhuma motivação para uma auto-defesa. Não existe nenhum julgamento, pois o “Ser” é ilimitado e sempre livre. Este é um elevado estado de consciência que podemos alcançar. Resumindo tudo que foi transmitido neste capítulo, diria que o propósito do “Divino Jogo do Ser” é perceber com muita clareza a diferença entre o “Ser” (o Eu verdadeiro), com todas as suas qualidades inatas, e o mundo do ego. Repetindo uma analogia que escrevi no primeiro volume, é como sentir um medo terrível quando mergulhamos numa vertiginosa velocidade numa montanha russa, e acreditamos que iremos nos despedaçar. Poderemos sentir medo, entrar em pânico, todo o nosso metabolismo químico será alterado ou até desmaiar. Podemos dizer que a diferença que existe num parque de diversões e o nosso mundo é que no parque, por mais medo que possamos ter, sabemos e temos certeza absoluta que no fundo estamos num parque seguro e que todas as suas atrações


foram rigorosamente testadas, e que tudo não passa de um grande entretenimento. Enquanto que neste mundo que também é um gigantesco e sofisticado parque, nós não temos esta mesma convicção. Acreditamos que alguma coisa pode falhar, e de fato muitas coisas acabam nos frustrando, iludido-nos pela sua aparente realidade. Assim o sofrimento surge por estarmos envolvidos neste grande cenário constituído por vibrações energéticas de alta velocidade e que nos convencem de sua solidez e durabilidade. Com isso surge o tripé da ilusão e da infelicidade: A carência, os desejos e as expectativas. Isto cria a fantasia de que o todo está dividido em objetos finitos e independentes. Um ótimo exemplo que pode elucidar melhor este fenômeno, é a tradicional metáfora hindú das ondas e do oceano. Ela é relatada no primeiro volume da trilogia, no entanto acho importante citá-la novamente neste capítulo.

Enquanto

onda,

ela

parece

ser

algo

separado,

principalmente quando toda a sua massa líquida se choca contra um rochedo e se transforma em um milhão de gotinhas. Como esse impacto ocorre em poucos segundos diante dos nossos olhos, sabemos que todas essas gotinhas fazem parte do oceano. Mas agora, tente imaginar por instantes essa sequência filmada em câmera lenta, de tal forma, que todas estas gotinhas aparentemente separadas possam levar centenas de anos para serem absorvidas novamente. Seríamos levados a acreditar, em função da lentidão do tempo, que as gotas estão paradas e separadas no espaço. Seria como se nós, como gotas, nos sentíssemos separados uns do outros, sem desconfiar que na verdade somos o próprio oceano. É por isso que o sábio, quando consciente da realidade e firmemente estabelecido em Deus, sente-se simultaneamente como onda e como oceano. Este é o grande mistério do imanifestado dentro do manifesto. Então se pode afirmar que na verdade não há “os outros”. Somos todos um. Unidos formamos todo o oceano. Estar consciente é estar alerta. É ser um observador desapegado. É estar em total liberdade. Não confundir o real do irreal. Desta forma transcendemos


todos os limites e não nos deixamos mais ludibriar pelas ilusórias aparências. Isto é ser um Buda. É o fim da dualidade e consequêntemente o término do sofrimento existencial. Por isso vamos encontrar no livro “Um Curso em Milagres,” um texto que define com muita clareza e que não deixa dúvidas sobre a ilusão do mundo, que pode a princípio nos surpreender. “ O mundo que você vê é uma ilusão de mundo. Deus não o criou, pois o que Ele cria tem de ser eterno como Ele Próprio. Entretanto, não há nada no mundo que você vê que permaneça para sempre. Algumas coisas permanecerão por um tempo um pouco mais longo do que outras. Mas chegará o tempo em que todas as coisas visíveis terão um fim.” Quando começamos a nos dar conta que o mundo é uma ilusão, até mesmo quando essa compreensão ainda é intelectual, vamos sentir por intuição que até a própria consciência já constitui uma limitação. A consciência na verdade é o início da separação. Ele é o início do Big Bang. Não possui absolutamente nada a ver com o Big Bang descrito pela ciência contemporânea. Confesso que demorei um bom tempo para entender esta questão. Considero este conhecimento de grande importância. Desta forma podemos dizer que a consciência se manifesta somente no momento em que há a divisão de uma coisa em duas, ou seja; um observador e um observado. Isto significa que o observador é o próprio observado. O sonho é do próprio sonhador. Desta forma a consciência constitui a primeira ilusão da separação. É o aparente momento em que surgiu a ideia de estarmos separados da fonte. Ela é como um truque que nos mantém adormecidos neste universo virtual. Na unicidade não existe consciência. Tudo é uno e sem dualidade. Quando a mente cria os pensamentos, eles são projetados para o externo criando assim a crença de um universo aparentemente sólido ou material. Enquanto não ocorrer o verdadeiro despertar, não podemos ainda entender em sua profundidade o Divino jogo do “Ser.” Seria apenas um conceito, como um bom ator interpretando

o papel

de um


mestre, só porque decorou o texto do seu personagem. Devemos estar sempre vigilantes e atentos para perceber

que é mais uma

vez o ego tentando se disfarçar de gurú. Seguir o caminho do meio cruza a linha entre o ego e o “Ser”, entre o apego e o desprendimento, entre o medo ou o amor, entre a verdade e a ilusão,

exigindo

a

escolha

entre

duas

ideias

aparentemente

contraditórias. Somente através de um trabalho interior é que gradativamente vamos criar um espaço cada vez maior entre o “Ser” e o ego de modo que suas estruturas começarão a se equilibrar. Por isso não podemos simplesmente abandonar o ego e a consciência de imediato. Como já sabemos

eles constituem a

embarcação que nos levarão em terra firme, e na medida em que estivermos

cada vez mais prôximos do porto seguro,

como uma

brisa suave, ela refrescará nossa memória, e sentiremos a paz e a verdade do nosso “Ser”. Não estaremos mais identificados com o ego que é a projeção do nosso limitado estado de consciência. Simplesmente não iremos mais precisar dele. Quem de bom senso carregaria um barco nas costas em terra firme? O barco nos ajuda a atravessar o turbulento mar da vida, mas turbulento demais para atravessá-lo sozinho e a nado. Com certeza sem eles jamais alcançaríamos o nosso destino. O mais surpreendente é que embora o mundo nos parece real, nenhum cientista conseguiu provar a sua realidade, e nenhum neurologista jamais afirmou que o cérebro oferece provas que o mundo exterior possui realidade independente. Na visão da física quântica, o universo é constituído de energias que se interliga com o todo. Através de experiências, se constatou que os átomos se comportam

as vezes como partículas e em outras como ondas.

Desta forma o observador influi no que é observado. Como tudo está interligado por este vasto campo de energia, é impossível observar a matéria sem alterá-la. Como uma gigantesca rede multidimensional, nenhum objeto ou ser vivo é independente da consciência do observador. Na verdade ficamos inconscientes deste poder, para não naufragar neste oceano de energias de grande potencialidade, pois


ainda não estamos preparados para suportar o impacto que poderia nos causar. Mas elas estão em nós, e muitas vezes elas se manifestam de forma inesperada e inconsciente. Quem não passou por

estas

misteriosas

experiências?

Através

do

poder

da

concentração e da lei da atração, podemos desenvolver esta extraordinária

capacidade

de

interconexão,

e

vivencialmente

sentirmos intuitivamente que “eu e meu pai somos um” como tão poeticamente Jesus a expressou. No entanto devo alertar novamente que a busca pela espiritualidade não se alcança apenas lendo livros, meditando diariamente ou passando alguns anos num Ashram*. tudo isso irá contribuir para a nossa

É claro que

ascensão, mas a

minha

experiência me comprovou que leva muitos anos para compreender e praticar os princípios básicos da espiritualidade, talvez décadas para dominar o ego e destroná-lo, e mais uma dezena de anos para estar totalmente convicto que a vida não passa de um grande sonho. Isto me faz lembrar de uma palestra do psicólogo Pierre Weil, que foi Heitor da universidade da paz. Logo no início contou uma enigmática e pitoresca história. Não saberia dizer se de fato ela ocorreu, no entanto foi uma grande lição de sabedoria. Um Mestre persa de Surdin, foi convidado para dar uma conferência para um grande auditório. Ele aceitou, e quando se encontrou no auditório disse: ---- Meus senhores, eu posso falar com vocês, mas antes eu tenho que ter certeza que vocês já sabem o que irei falar. Se vocês não sabem do que eu vou falar, eu não poderei falar, então por favor quem sabe do que eu vou falar, levante os braços. No entanto ninguém levantou os braços. Então o sábio olhando para a plateia disse: ----Bem já que ninguém sabe, será inútil estar aqui e foi embora para o espanto de todos. Um mês depois, uma comitiva voltou para implorá-lo para que ele voltasse para transmitir os seus


ensinamentos. Ele aceitou o convite e acabou voltando. Quando estava no auditório, perguntou de novo, quem sabia do que ele iria falar. Prontamente, todos levantaram o braço. Então olhando para a plateia ele disse: ----Bem, já que todos sabem do que eu vou falar, não há razão de eu estar aqui, e foi embora. Um mês se passou e novamente a comissão insistiu para que voltasse. Sem nenhuma hesitação aceitou o convite, e fez novamente a mesma pergunta. Então somente a metade das

pessoas levantaram o braço. Então ele

disse: ----Bem já que a metade sabe e a outra metade não sabe, eu pediria que para os que sabem, ensinem para os que não sabem, e foi embora. Esta história, demonstra de forma um tanto humorística de como o homem pensa que sabe, mas em realidade nada sabe. Tudo acontece de forma mecânica e previsível. A verdade só pode ser experimentada. A compreensão só pode ocorrer, quando é digerida, quando o saber fizer parte do seu “Ser.” Acumular conhecimentos não nos transforma em sábios. Isto é assim porque o homem vive e morre adormecido. Se um homem quiser saber quem ele é verdadeiramente,

deve

reconhecer

primeiramente

que

está

sonhando e encontrar uma forma de despertar. É claro que isto dependerá do seu empenho e amadurecimento espiritual. Enquanto estivermos passando por este estágio, teremos que ter forte determinação,

disciplina

e

preparados

para

enfrentar

inevitavelmente muitos desafios e períodos de muita angústia. Nesta fase devemos confiar em nosso médico (Mestre), obedecer as suas orientações e aceitando estas turbulentas condições que irão se manifestar como se fosse um amargo remédio a ser ingerido. Teremos que enfrentar nossas sombras, e substituir a ignorância pela verdade, o medo pelo amor e as mágoas pelo verdadeiro perdão.

Com

e

paciência,

chegará

o

momento

em

que

desintoxicados das ilusões, sentiremos o “Ser” que sempre fomos, para finalmente a doença do ego deixar de existir.


Sabemos que a verdadeira fonte de amor, não está no exterior, ele está em nosso coração. Quando estivermos passando por estas adversidades aparentes, não podemos fugir deles, ao contrário temos que corajosamente descer neste escuro e assustador abismo, transcender os nossos temores e resgatar este amor que na verdade nunca nos abandona. É claro que estou

me referindo a pessoas

determinadas e conscientes de suas ilusões, para poder reverter os seus confusos e negativos pensamentos, realinhar e harmonizar o seu metabolismo mente-corpo-espírito, e estar preparado para esta grande transformação. Uma perfeita e profunda analogia, que explica

admiravelmente esta condição é descrita por Susan

Thesenga*: “Tal como na história da Bela e a Fera, só com amor e aceitação podemos redimir a fera que existe dentro de nós. A boa notícia é que não existe nada de tão escuro na psique humana que não possa ser transformado, se levado à luz da consciência”. Ludibriados pela forte influência do ego, acreditamos que temos uma infinidade de problemas de todos os tipos e isto dificulta o acesso rumo a magnificência do nosso completo potencial. Na verdade se fossemos rastear para alcançarmos a origem de todos os nossos problemas, iremos constatar que só temos um único problema:

“Imaginamos que estamos separados do nosso Ser.”

Religiosamente falando; estamos aparentemente separados de Deus. Esta é a raíz de todos os nossos supostos problemas. Enquanto estivermos dormindo, até um autentico guru irá lhe dizer que as pessoas na verdade não desejam despertar. Você sabe disso quando está dormindo confortavelmente em sua cama e de repente o despertador começa a tocar. Despertar é um tanto doloroso no início sobretudo quando se trata do verdadeiro despertar e constatar sem nenhuma sombra de dúvidas que vivia até então num mundo de sombras. Por esta razão o guru jamais tenta acordar ninguém.

Ele

irá

inspirar

o

discípulo

através

de

seus


ensinamentos e de sua serena

e correta conduta. Se a pessoa

estiver preparada e tiver disciplina poderá ter as condições de despertar, caso contrário continuará adormecido. Como diz um provérbio árabe: “A natureza da chuva é sempre a mesma. Ela tanto pode fazer os espinhos crescerem no pantanal, quanto desabrochar as belas flores nos jardins. Mas antes de terminar este capítulo gostaria de citar, um fascinante filme, que vale a pena assistir do diretor David Fincher. “Vidas em Jogo”, pois retrata de forma dramática a condição da inconsciência e a ignorância espiritual do personagem, tema principal deste capítulo. Ao completar 48 anos de idade, um banqueiro milionário, lembra do suicídio do seu pai, exatamente nesta mesma idade. Desde o início, as imagens mostram que ele vive dominado pelo mundo das formas e preso em seu papel de milionário arrogante e tedioso. Porém a partir deste dia, ganha um presente especial do seu irmão. Trata-se de um cartão que lhe permite ter acesso a um divertimento promovido por uma empresa chamada “Serviços de recreação do consumidor”. Aos poucos sua vida toma outro rumo, e se transforma num verdadeiro pesadelo, onde todos a sua volta, parecem querer matá-lo, e passa então por grandes adversidades e extrema aflição, por se identificar com todas as situações dramáticas, pelas quais ele passa. Entretanto, quando chega a pensar que tudo está perdido, para seu espanto, percebe que tudo não passou de um assustador e emocionante jogo e que tinha por objetivo, despertá-lo de sua monótona e adormecida vida. Percebe que tudo que levava a sério, eram apenas ilusões criadas pela sua inconsciência. O grande mérito deste filme, é que representa de forma muito clara “A interconexão com o todo”. Tudo que parecia real era apenas uma mera representação e é exatamente o que acontece em nossa vida, quando somos ludibriados pelo ego, e não sabemos quem somos. Um filme que além de ser muito bem dirigido, possui uma sofisticada produção, e um final surpreendente.


*Pôncios Pilatos - Governador da Judéia. *Sicuta – Veneno mortal. *Susan Thesenga - Mestra conselheira do método Pathwork, iniciado por Eva e John Pierrakos. *Alan Watts - Um dos maiores divulgadores do zen-budismo no ocidente. *Ashram - Retiro para a prática espiritual, sob a orientação de um mestre.

A LUZ DA CONSCIÊNCIA


Ao construir-se uma nova estrutura sobre uma antiga, a escavação do terreno desenterra tubulações enferrujadas, pregos tortos e fundações de


edifícios construídos há muito tempo. O terreno agora está sendo trabalhado em favor de uma nova consciência. Ao concluir-se a nova estrutura, ela substituirá tudo que estava no lugar. Uma nova humanidade está nascendo e com ela, uma nova consciência que esta mudando todos os aspectos da experiência humana. Gary Zukav e Linda Francis


Você sabe qual é a história mais preferida e contada de inúmeras maneiras pela humanidade, seja na literatura, teatro ou no cinema? É a história de um príncipe que orientado por mestres, o incumbem de fazer uma misteriosa e um tanto perigosa viagem em terras longínquas. Assim munido de poderes mágicos e instruções importantes, parte para uma grande aventura. A sua missão é libertar uma linda princesa raptada por malfeitores. Em sua busca, ele enfrenta os mais terríveis adversários e as situações mais desafiadoras, mas por possuir um coração puro, pela sua coragem e por ter seguido as orientações de seus mestres, consegue por fim reaver a princesa e volta triunfante para casa. Como recompensa casa-se com a princesa, pois tinham se apaixonado desde o primeiro encontro. Assume o trono e passam a viver felizes para sempre. Assim como esta história, existem muitas outras que também vamos encontra-la em todas as tradições religiosas. No sufismo é descrito uma história parecida que conta a vida de um sufi , que acaba se perdendo na terra das mentiras, esquecendo sua verdadeira identidade. Na tradução judaica temos a história de Zusya, um homem que ficou preso em seus ilusórios conceitos. Seu rabino lhe diz: - Quando você morrer, Deus não vai perguntar se foi tão sábio quanto Salomão ou tão corajoso quanto David. Ele só vai perguntar “Porque você não foi Zusya”. No evangelho de São Tomé encontramos o “Hino da Pérola” e nos outros evangelhos a famosa parábola do filho pródigo. Estas histórias também constituem a 


essência da Ilíada, da Odisséia e também da Divina Comédia de Dante. No cinema nos emocionamos assistindo: Irmão sol, irmã lua, Guerra nas Estrelas, Os Caçadores da Arca Perdida, A Mascarra do Zorro, O labirinto do Fauno, Harry Potter, O Senhor dos Anéis, A felicidade não se compra.... O encantamento de todas estas histórias é que dentro delas, se

oculta

um

grande

e

perene

ensinamento.

Representam

exatamente o roteiro de nossa própria vida. Estamos numa terra desconhecida, enfrentamos muitas adversidades, e obstáculos, mas se tivermos uma firme determinação, finalmente vamos encontrar o nosso tesouro. É por esta razão que gostamos deste enredo, pois nos faz lembrar, talvez de forma um tanto velada o propósito de nossa vida. “lembrar da nossa verdadeira identidade e reivindicar a nossa própria bem-aventurança”. Este é o jogo (LILA) O Divino Jogo da Consciência.

Saímos

enfrentamos

os

do

nosso

malfeitores

reino,

(Maya),

nos

distanciamos

estamos

conscientes

dele, das

instruções dos nossos mestres (A luz da nossa essência) e finalmente voltamos para casa (O nosso reino) Por isso que sentimos uma nostalgia que toma conta de nossa alma e muitas vezes uma espécie de angústia se aloja em nosso coração. A nostalgia do nosso reino. Foi por esta razão que Jesus através do evangelho de Tomé é ainda mais explícito a respeito do reino. Ele disse: “O meu reino não é deste mundo. Se aqueles que vos guiam, afirmarem que o reino está no céu, então as aves estão mais perto dele. Se eles disserem, ele está no mar, então os peixes já o conhecem. O reino do pai está em vós e no exterior de vós. Quando conhecerdes a vós mesmos, então penetrará na verdade e a verdade te tornará livre. Então saberá que é filho do pai. Mas se não conhecerdes a vós mesmos, então estará na ignorância. Apenas vaidade”.


Com esta afirmação, Jesus tenta explicar que o reino, ou a presença do espírito de Deus está no interior, mas que se reflete no exterior. Desta forma ele nos força a sair da dualidade que é a nossa consciência limitada e habitual. Assim não existe fora ou dentro, interior ou exterior. Quando transcendermos os limites de nossa consciência,

e

tivermos

uma

conexão

com

o

nosso

“Ser”,

penetramos na verdade e a verdade nos liberta da ilusão do dualismo.

Sempre se acreditou

consciência

representava

o

ao longo

divino,

mas

do na

tempo, verdade

que a ela

é

consequência da ilusão da dualidade, pois para ter consciência é necessário a divisão entre um observador e um observado. O sonho só pode ser do sonhador. Tudo é uma coisa só. “Eu e meu Pai somos um” Porém neste aparente retorno à fonte, segundo os mestres iluminados, vamos nos deparar com um grande paradoxo, mas que desaparecerá

quando estivermos

muito além da

consciência.

Quando estivermos na unicidade. “Não existe um Eu e nem um Pai separados.” Para poder entender o verdadeiro significado desta profunda afirmação de Jesus, vamos encontrar em um dos ensinamentos do Cabala*, uma brilhante analogia que explica com muita simplicidade esta unificação. Tente imaginar um copo esculpido de um bloco de gelo. Imagine então jogar água dentro deste copo. A água representa o Pai, e o copo o Filho. Assim em sua essência básica, não existe diferença entre o Pai e o Filho. Tanto a água quanto o copo são feitos do mesmo material, ou seja H2O. Sugiro que façamos agora uma pequena pausa, e nos questionarmos: Será que todas estas afirmações de tantos mestres descritos neste livro são fantasiosos conceitos simplesmente para consolar a humanidade diante de tantos dissabores da vida, ou elas contêm a verdade viva de Deus? A sabedoria do nosso “Ser”? A grande dificuldade é que sabemos que o intelecto jamais entenderá ou ficará satisfeito com estes conceitos. Como o nosso estado


mental é dualístico, fica difícil fazer uma descrição perfeita sobre a unicidade. Ela está além de qualquer simbologia. Está além de qualquer comparação. Só pode ser experimentada. Mas mesmo assim

todos

os

mestres

tentam

nos

transmitir

uma

ideia

aproximada, através de histórias e parábolas. Na antiga China, o grande pensador e legislador Han Feizi (233 A.C ) nos conta uma fábula cômica e profunda. É a história de um homem que decidiu comprar um par de sapatos. Com uma fita métrica, mediu os seus pés. Porém ao sair de casa esqueceu as anotações. Mais tarde quando encontrou os sapatos, se deu conta deste detalhe. Desanimado voltou correndo de volta para casa, a fim de trazer as anotações. Mas ao retornar a loja ela já estava fechada. Não teve outra

alternativa a não ser retornar entristecido para casa.

Encontrando um amigo no caminho, este lhe perguntou: ---Porque não experimentou os sapatos enquanto estava na loja? Ele acreditava mais na fita métrica do que nos seus pés. É o que acontece. As pessoas dão muito mais importância ao intelecto, do que na própria experiência. Experimentar os sapatos em nossos próprios

pés,

nos

dão

a

certeza

que

as

medidas

estão

absolutamente perfeitas. Vamos encontrar também no evangelho de Mateus talvez o mais sublime ensinamento de Jesus conhecido como:“O Reino dos Céus e sua Justiça”.Vou transcrevê-la, porém com outras palavras, como se ele estivesse conversando hoje conosco de forma descontraída, vestindo uma simples camiseta, calça jeans, um tênis surrado nos pés, um coração tatuado no peito e um lindo sorriso nos lábios. “Não procure a sua segurança apenas na dimensão material, onde a traça e a ferrugem a desgastam, onde os terremotos e furacões a destroem, ou os ladrões por inveja e ganância podem lhe roubar. Procure os verdadeiros tesouros em seu interior, onde nem a traça e nem a ferrugem podem alterar e onde os ladrões jamais podem chegar e roubar. Porque quando enxergar este tesouro e tomar posse dele, estará conectado com o seu “Ser”, eterno e imutável. Também não precisa ter preocupações em relação a sua vida, se você terá o que comer, ou beber, nem como terá que pagar


as contas assumidas, e tantos outros compromissos.

Afinal você

não acha que o valor da sua vida não é mais importante do que a comida, e o corpo mais do que suas roupas ou sua moradia? Dê uma espiada para as aves do céu, que nem semeiam e nem acumulam em celeiros, e mesmo assim o poder do Absoluto as alimenta. Agora reflita um pouco comigo. Você não acha que possui muito mais valor do que elas? E qual de vocês, por mais poderoso, pode acrescentar um centímetro em sua altura? E quanto ao dinheiro, por que ficam preocupados e ansiosos? Você já observou atentamente para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, e nem fiam, pois eu afirmo com absoluta certeza que nem o homem mais rico poderia se vestir como um deles. Desta forma, se o Absoluto veste assim a erva do campo que hoje existe, mas amanhã é lançada ao forno, ele não iria vesti-lo com roupas de maior valor. Você deve confiar e fortalecer a sua fé. Não precisa viver inquieto e estressado pensando: - O que vou comer, o que vou vestir, e tantas outras necessidades, muitas delas até desnecessárias. Com certeza, o Absoluto sabe muito bem que você precisa de todas estas coisas. Mas não as busque no exterior onde tudo é transitório e efêmero, mas busque em primeiro lugar em seu interior. É lá que se encontra a sua riqueza. Com este entendimento você receberá de forma natural tudo que precisa como um bônus a mais. Portanto não fique inquieto pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã, se resolverá por si mesmo. Basta viver o presente a cada momento”. Esta é sem dúvida a melhor receita, que um terapeuta poderia prescrever para um paciente, para que tivesse saúde, felicidade, entusiasmo e uma vida despreocupada. O mais espantoso é que esta receita nos foi dada a mais de 2.000 anos atrás, e podemos constatar hoje, que são muito poucos os que a seguem. Como John Piper* tão bem definiu: “ É muito bom ter a companhia de Jesus, mas não a companhia de Jesus revisado e adaptado pelas religiões. Apenas o Jesus puro e original”.


Jamais Jesus em seu tempo pretendia criar uma nova religião, mas sim desenvolver uma correta maneira de pensar, agir e amar. Mapeou poeticamente o caminho para o despertar. “Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Isto significa em outras palavras, seguir o único caminho em direção a unicidade. É importante compreender que as palavras “por mim” não possui absolutamente nada de pessoal. Posso seguir outro mestre iluminado porque em verdade todos nós possuímos a mesma essência e o mesmo propósito. “Acordarmos do sonho da separação”. Infelizmente uma das maiores distorções quando instituído oficialmente o cristianismo no império Romano, foi terem escolhido o símbolo da cruz, ao invés de uma imagem positiva para representar a plenitude e a alegria de Jesus. A imagem da cruz, com seu semblante agoniado de dor e de sofrimento distorceu com este símbolo da morte a essência de seus ensinamentos. Fomos levados a acreditar que com seu sacrifício ele nos absolveu de todos os nossos pecados. No entanto continuamos a cometer erros e acreditamos que seremos punidos pelas nossas perversidades. O grande paradoxo é que embora os ensinamentos das grandes e antigas religiões, possuírem grandes semelhanças, percebemos que estas diferenças são superficiais se pesquisadas com espírito de neutralidade. Todas evidenciam o que podemos chamar a regra de ouro e que constitui o princípio básico de todas elas: “Amar o próximo como a si mesmo”. Todos os grandes mestres, são como ramos da mesma árvore, todos ligados ao mesmo tronco, pois todos se nutrem das mesmas raízes. O verdadeiro despertar dispensa qualquer organização religiosa. Como afirmei no segundo volume da trilogia “O Divino jogo do amor”, frequentar uma organização religiosa, pode te trazer uma paz relativa. Mas a verdadeira espiritualidade, é tudo aquilo que irá levá-lo a suprema bem aventurança, esteja onde você estiver. Somente podemos comungar a nossa divindade, e sentir com consciência e deslumbramento o templo do amor quando nos conectamos em nosso interior, e que se projeta nas relações humanas. Esta é a autêntica religiosidade que


jamais podemos experimentar com tanta intensidade dentro de um templo feito de pedras, por mais belo que ele possa ser.

Nada

poderá substituir o templo da consciência humana. Somente através do silêncio podemos nos conectar com a verdadeira espiritualidade, usando a mente e o próprio corpo como o verdadeiro e sagrado altar. Neste estado quando transcendemos os nossos limites sentimos que somos o “Ser”. Percebemos vivencialmente que o nosso reino não pode ser deste mundo que desmorona a todo o momento, se modifica e se transforma. Um mundo em constante mutação. Quando profundamente compreendido não existe mais volta. É preciso seguir adiante. Aos poucos sentimos que existe uma presença que nos orienta e começamos então a dar muito mais prioridade ao mundo do “Ser” e gradativamente nos afastamos do mundo das formas. Quando isto acontece, saímos da dualidade e mesmo vivendo no mundo das formas, vemos beleza, propósito e bem aventurança. Hoje através de um livro de auto-estudo conhecido como “Um Curso em Milagres” Jesus volta novamente para confirmar com outras palavras a nossa atemporal verdade. “Neste mundo não precisas ter aflições, porque eu venci o mundo.

É

por isso que deveis ter ânimo..... A verdade é

verdadeira. Nada mais importa, nada mais é real, e tudo além dela não existe. Permite que Eu faça para ti a única distinção que não é capaz de fazer, mas precisas aprender. A tua fé do nada está te enganando. Oferece a tua fé a mim e Eu a colocarei no lugar santo onde deve estar. Lá não acharás nenhum engano, mas só a simples verdade. E tu a amaras porque a compreenderas..... O reino é perfeitamente unido e perfeitamente protegido e o ego não prevalecerá contra ele. Amém”. “Um Curso em Milagres” considerado hoje, um clássico da espiritualidade moderna, foi editado em 1975. Acredito que isto só foi possível, porque hoje as pessoas estão em maiores condições de poder compreendê-lo. Muitos dos seus estudantes se tornaram hoje facilitadores em diversas partes do mundo, e muitos livros foram escritos para facilitar a sua compreensão.


Embora exista o reconhecimento de que o mundo das formas é instável e efêmero, eles também nos proporcionam momentos de plenitude, só que de forma homeopática através dos caminhos alternativos. Pesquisando e

refletindo sobre estas questões,

podemos perceber que existem dois caminhos que foram descritos e explicados no primeiro volume, mas acho importante citá-los aqui novamente”. Caminhos Alternativos Existem dois caminhos. O caminho harmônico que nos conduzirá gradativamente ao estado do “Ser” também chamado pelo Curso de “Sonho feliz” e o caminho do ego, que também podemos chamar de caminho do atalho que nos mantém presos ao mundo das formas.

Os caminhos alternativos estimulam o

desabrochar do “Ser”, mas de forma indireta.

É como se eles

fossem apenas um aperitivo, antes de um requintado jantar. No estágio espiritual em que nos encontramos ele predomina, pois nos oferece como tão bem os franceses a expressam ( joie de vivre) “O prazer de viver” embora os fatores externos sejam responsáveis por eles. Podemos dizer que trilhar o caminho harmônico é estar num mundo de semi-dualismo, isso ocorre porque algumas ideias positivas e verdadeiras começam a ser aceitas pela mente. Entre os que mais se destacam

são o sentimento da compaixão, a

sensibilidade pelas artes, o interesse por pesquisas científicas, o deslumbramento pela beleza da natureza, a amizade e o amor nos relacionamentos, o entusiasmo pela prosperidade, e a paz pelo perdão. Todos eles são caminhos que nos proporcionam lampejos da nossa plenitude. Seria simplesmente impossível viver sem eles. Podemos dizer que eles nos transportam temporariamente para o mundo do sagrado, e sentimos por momentos uma conexão com a nossa

verdadeira

natureza.

Provavelmente

consciente e nem estímulo para uma

não

existiria

vida

auto-transformação. Os


caminhos alternativos constituem apenas um lembrete da nossa Bem-aventurança.

Não podemos esquecer que a felicidade que

sentimos satisfazendo os sentidos, não irão permanecer por muito tempo. Somente a Bem-aventurança e a plena realização poderá despertar a alma. O conceito de felicidade para o homem ainda adormecido,

é imaginada

como a possibilidade de mantê-la em

uma estabilidade permanente. Acreditamos que podemos ser felizes, quando por

exemplo concebemos ter uma linda e aconchegante

casa a beira de uma bela praia, um jardim coberto de flores, uma piscina com vista para o mar, uma boa e garantida renda mensal, e claro a companhia de um homem ou mulher que irá nos amar incondicionalmente. Tudo isto parece ser o sonho de qualquer pessoa. Embora isso possa ser prazeroso, com certeza irá se desgastar com o passar dos anos. Por quanto tempo você poderia viver nestas condições? Cinco anos? Quinze anos? Chegará o dia em que fatalmente, tudo isto se transformará num tédio insuportável, e com certeza um dia gritará de angustia para encontrar alguém que possa bater em sua cabeça, para você se dar conta que ainda está vivo. Foi com muita sabedoria que o mestre Yogananda disse certa vez em uma palestra: -----Todo mundo evita o sofrimento, mas até que ponto? O que todos desejam na realidade é a Bem-aventurança (A nossa conexão com o “Ser”) A felicidade é definida como uma espécie de contentamento nebuloso. Decididamente ele é uma condição muito diferente da Bem-aventurança. Desta forma podemos afirmar que os desejos em verdade revelam a nossa alma carente. Na expectativa de poder escapar da dor, tentamos perseguir o prazer, sem percebermos que ambos são idênticos. Tanto o prazer quanto a dor não possuem permanência. Embora os dois caminhos alternativos possam nos proporcionar um bem estar temporário, o caminho do atalho (ego) possui efeitos colaterais excessivamente nocivos e que nos distanciam do “Ser”, devido a intensa interferência de pensamentos e conceitos falsos e equivocados. É o que predomina em nossos dias: alcoolismo, drogas,


homicídios, violência, corrupção, vinganças, indiferença, mentiras etc. Trilhar o caminho do atalho só aumenta o nosso sofrimento e também a dos nossos semelhantes. É como nadar contra a maré, você simplesmente retarda a sua chegada. No entanto trilhar este caminho não significa apenas uma fuga da realidade como podemos imaginar, mas exatamente o contrário, é uma tentativa extrema para dar fim as nossas limitações. É como se estivéssemos em desordem, e pela nossa imaturidade espiritual

procurássemos as

respostas fora de nós. Ao invés de solucionar os nossos desafios ou adversidades em sua raiz, procuramos desfazê-los em seus efeitos. Um bom exemplo seria como estar assistindo a um péssimo filme no cinema, e procuramos

mudar suas imagens na tela. Porém nada

será alterado, o filme continuará a ser projetado. O que de fato devemos fazer dentro desta analogia, é ir até a cabine de projeção e trocarmos o filme, porque só lá poderemos resolver o problema. A curto prazo o caminho do atalho pode aparentemente nos aliviar por um certo tempo, porém depois teremos que enfrentar uma terrível resaca. Afinal quais são os motivos que nos atraem em trilhar o caminho do atalho, até mesmo tendo consciência de seus negativos resultados? Segundo o psicólogo e filósofo William James, vamos encontrar uma das respostas em seu polêmico livro “As variedades da experiência religiosa” escrito em 1902. “A influência do álcool sobre a humanidade é inquestionável devido ao seu poder para estimular as faculdades místicas da natureza humana, geralmente reprimidas na terra, pelos frios acontecimentos e pelas críticas ásperas nos momentos sóbrios. A sobriedade diminui, discrimina e diz; não; a embriaguês expande, unifica e diz; sim”. Da mesma forma mais de um século mais tarde o famoso psiquiatra Carl Jung também escreveu: “A necessidade de álcool é o equivalente ao nível de desejo de nosso ser, pela totalidade. Expresso em linguagem medieval: a união com Deus. Álcool em latim significa spiritus”


Outra surpreendente revelação, foi quando o escritor, filósofo e cientista Aldous Huxley teve um grande insight, quando se deu conta que na verdade nosso cérebro é uma espécie de “Valvula redutora”. Segundo suas experiências científicas sobre o LSD, concluiu que as substancias psicoativas permitem abrir um pouco esta válvula, nos dando uma visão mais ampla da realidade. O psicólogo Stanislav Grof, também chegou a mesma conclusão, quando numa entrevista afirmou que no âmbito psicológico, os estados ampliados de consciência desempenham o mesmo papel do microscópio na medicina ou do telescópio na astronomia. Eles ampliam a nossa capacidade para enxergar quem somos de verdade. Hoje de acordo com Deepak Chopra, médico mundialmente reconhecido por seus estudos na área da saúde holística, também afirma : “O consumo de álcool ou drogas é essencialmente, uma resposta material a uma necessidade que não é basicamente física. Todas as dependências são na verdade a busca pela exaltação do espírito, e essa busca tem a ver com a expansão da consciência, a euforia do amor, que é a consciência pura”. Em relação ao alcoolismo, não podemos deixar de assistir o filme

“Farrapo

magnificamente

humano” por

Ray

(The Milland,

lost e

Weekend) que

retrata

interpretado os

efeitos

devastadores do alcoolismo. Dirigido brilhantemente por Billy Wilder, foi considerado um dos melhores dramas da história do cinema, vencedor de 4 oscars. Segundo o crítico Bosley Crowther “Um filme devastadoramente realista e morbidamente fascinante” Assim podemos constatar para que quem passa por esta fase, também chamada a noite escura da alma, a crise pode se acentuar, e pode resultar num estado depressivo, devido a intensa sensação de vazio que ele provoca. Nesta condição podemos recorrer a outras sustâncias além do álcool, como a cocaína, a maconha, o ecstasy, o oaska e outras substâncias o que aumenta consideravelmente a nossa dependência e também incita o aumento do tráfego ilegal do


comércio das drogas. Infelizmente, tanto as leis governamentais, quanto grande parte dos psicólogos, ainda sob a influência do paradigma materialista, não percebem que o drogado ou o criminoso busca no fundo de forma inconsciente, o sentimento de plenitude. A felicidade do “Ser” da qual se distanciou. Isto é confirmado por aqueles que conseguem se livrar das drogas e acabam se vinculando a uma tradição espiritual. Mas todos estes distúrbios, podem ser também sinais do despertar espiritual. Acho importante mencionar aqui alguns deles, para que não haja nenhum tipo de preocupação em relação aos sintomas

que

porventura

medicina

alopática

estejam

vigente,

não

ocorrendo. possui

este

Infelizmente

a

conhecimento,

ignorando totalmente estas alterações no organismo, pondo em risco a vida do paciente que pode acreditar que se encontra gravemente enfermo, o que pode levá-lo ao suicídio. Além disso quem passa por este estado, principalmente no mundo ocidental, não encontra orientação de um verdadeiro mestre. Acho admirável a definição do psiquiatra Augusto Cury quando afirma que: “Os que pensam em suicídio não querem matar a vida, terminar a existência, mas “matar” a dor emocional, a angústia, o desespero que abate suas emoções. É uma tentativa desesperada de procurar transcender a dor da existência, e não o fim dela”. Aqui transcrevo os sinais de Shaumbra que significa “Família e Amizade Interior profunda”, canalizado por Geoffrey Hoppe através de uma entidade não física chamado Tobias do Conselho Carmesim. (Traduzido por Selma Gentil Ribeiro Gonçalves.) Os doze sinais do seu despertar divino* 1- Dores no corpo e sofrimentos, especialmente no pescoço, ombros e costas. Isto eé o resultado de intensas mudanças no seu níével de DNA, enquanto a "semente Críéstica" eé despertada interiormente. Interiormente. 2- Sentimento de profunda tristeza interna sem aparente razão. Voceê estaé soltando seu passado (dessa vida e de outras) e isto causa o sentimento de tristeza. Isto eé semelhante a mudar-se de uma casa na qual voceê viveu por muitos,


muitos anos para uma nova casa. Por muito que voceê queira mudar-se para uma nova casa, existe uma tristeza por deixar as memoé rias para traé s, energias e experieê ncias da velha casa. 3- Chorar sem razão aparente. Semelhante ao item 2 acima. EÉ bom e saudaé vel deixar as laé grimas fluíérem. Isto ajuda a soltar a velha energia interna. 4- Repentina mudança no trabalho ou carreira. Um sintoma muito comum. Como voceê muda, coisas a sua volta igualmente mudaraã o. Naã o se preocupe em achar o emprego "perfeito" ou carreira agora. Isto tambeé m passaraé . Voceê estaé em transiçaã o e poderaé fazer vaé rias mudanças de empregos ateé se estabelecer em algum que caiba sua paixaã o. 5- Afastar-se das conexões familiares. Voceê estaé conectado com sua famíélia bioloé gica via velho carma. Quando voceê sai do ciclo kaé rmico, os víénculos das antigas conexoã es saã o soltos. Vai parecer que voceê estaé afastando-se de sua famíélia e amigos. Isto tambeé m passaraé . Depois de um períéodo de tempo, voceê pode desenvolver uma nova conexaã o com eles, se isso for apropriado. Poreé m, a conexaã o seraé baseada na nova energia sem elos kaé rmicos. 6- Padrões de sono pouco comuns. EÉ provaé vel, que voceê acorde muitas noites entre duas e quatro horas da manhaã . Haé muito trabalho sendo feito em voceê , e isso muitas vezes faz voceê acordar para dar uma respirada" . Naã o se preocupe. Se voceê naã o puder voltar a dormir, levante-se e faça alguma coisa. EÉ melhor do que deitar na cama e preocupar-se com coisas humanas. 7- Sonhos intensos. Nestes podem ser incluíédos sonhos de guerra e batalhas, sonhos de caçadas e sonhos com monstros. Voceê estaé literalmente soltando a velha energia interna, e estas energias do passado saã o muitas vezes simbolizadas como guerras, corridas para escapar e o "bicho papaã o". 8- Desorientação física. Em tempos voceê sentiraé muito sem chaã o. Voceê estaraé "mudando espacialmente" com a sensaçaã o de que voceê naã o pode por os dois peé s no chaã o, ou que voceê estaé andando entre dois mundos. Conforme sua conscieê ncia muda para a nova energia , seu corpo algumas vezes "atrasa-se" e "fica para traé s", isto eé , ele naã o acompanha. Gaste mais tempo na natureza para ajudar a aterrar a nova energia interior. 9- Aumento da "conversa consigo mesmo". Voceê encontrar-se-aé conversando com seu "Eu" mais frequentemente. Voceê de repente perceberaé que esteve batendo papo com voceê mesmo pelos ué ltimos 30 minutos. Existe um novo níével de comunicaçaã o tomando lugar dentro do seu ser, e voceê estaé experimentando a "ponta do iceberg" com a "conversa consigo mesmo". As conversas aumentaraã o, e se tornaraã o mais fluíédas, mais coerentes e com mais visoã es interiores. Voceê naã o estaé ficando maluco. Voceê eé apenas Shaumbra movendo-se para a nova energia.


10- Sentimentos de solidão, mesmo quando em companhia de outros. Voceê pode sentir-se sozinho e longe dos outros. Voceê pode sentir desejo de evitar grupos e multidaã o. Como Shaumbra, voceê estaé percorrendo um caminho sagrado e solitaé rio.Tanto quanto os sentimentos de solidaã o causem ansiedade, eé difíécil, neste tempo, contar sobre isto a outros.Estes sentimentos de solidaã o estaã o associados ao fato de seus Guias terem partido. Eles estiveram com voceê em todas as suas jornadas, em todos os cursos de suas vidas. Era tempo deles se afastarem, assim voceê ocuparia esse espaço com sua proé pria divindade. Isto tambeé m passaraé . O vazio interior seraé ocupado com amor e energia de sua proé pria conscieê ncia Críéstica. 11- Perda da paixão. Voceê pode sentir-se totalmente desapaixonado, com pouco ou nenhum desejo de fazer qualquer coisa. Isto estaé certo, e isto eé apenas parte do processo. Pegue este tempo para fazer nada mesmo. Naã o lute com voceê mesmo por isso, porque isto tambeé m passaraé . EÉ semelhante a reprogramar um computador. Voceê precisa fechar por um breve períéodo de tempo para poder carregar com o novo e sofisticado software, ou neste caso, a nova energia da semente Críéstica. 12- Um profundo desejo de ir para Casa. Esta talvez seja a mais difíécil e desafiante de qualquer uma das condiçoã es. Voceê pode experimentar um profundo e irresistíével desejo de voltar para Casa. Isto naã o eé um sentimento suicida. Naã o eé baseado numa frustraçaã o ou raiva. Voceê naã o quer fazer um grande negoé cio disto ou causar drama para voceê mesmo ou para outros. Tem uma quieta parte de voceê que quer ir para Casa. A raiz que origina isto eé bastante simples. Voceê completou seus ciclos kaé rmicos. Voceê completou seu contrato para esta duraçaã o de vida. Voceê estaé pronto para começar uma nova vida enquanto ainda estaé neste corpo fíésico. Durante este processo de transiçaã o voceê tem lembranças interiores do que eé estar do outro lado. Voceê estaé pronto para alistar-se para outra viagem de serviço aqui na Terra? Voceê estaé pronto para um contrato de desafios de mudanças em direçaã o aà Nova Energia. Sim, na verdade voceê pode ir para Casa agora mesmo. Mas, voceê veio ateé aqui, e depois de muitas, muitas vidas seria um pouco frustrante ir embora antes de ver o final do filme. Aleé m disso, O Espíérito precisa de voceê aqui para ajudar outros na transiçaã o para a nova energia. Eles precisaraã o de um guia humano, como voceê , que fez a jornada da velha energia para a nova. O caminho que voceê estaé percorrendo agora fornece as experieê ncias que te habilita a vir a ser um Professor para o Novo Humano Divino. Taã o solitaé ria e escura que sua jornada possa ser aà s vezes. Lembre que voceê nunca estaé soé . Todos esses sintomas ocorreram com o psicólogo Richard Alpert, mais conhecido pelo nome de Ram Dass, e que consumia continuamente ácido lisérgico. Quando um dia visitou a Índia, se encontrou com um mestre de ioga que sabendo de seus distúrbios e dependência, lhe pediu que buscasse as drogas que trazia consigo. Assim que as


obteve, para o espanto geral engoliu-as todas de uma vez, sem que nada lhe acontecesse. Conta-se que a partir deste dia, Ram Dass, tornou-se discípulo deste mestre e nunca mais tomou drogas. Este acontecimento nos prova que a principal motivação do consumidor de drogas é o sentimento de vazio espiritual que ele sente, principalmente se ele estiver passando por um despertar espiritual, e não possui uma sólida base de autoconhecimento. Acredito que o grande aumento hoje da depressão e outros distúrbios psicológicos em nossa sociedade, tenham como causa principal a intensidade dos opostos e a percepção que todo o investimento material e tecnológico não lhe trouxe a paz e a felicidade que ele almejava. Apenas

um

relativo

conforto

mesclado

com

obrigações

e

preocupações. Ele se sente encurralado, dividido e não consegue encontrar a saída. Como o universo reflete o estado de nossa própria mente fragmentada, somos ludibriados pelos opostos como o calor e o frio, saúde e doença, o bem e o mal, o melhor e o pior, riqueza e pobreza, amor e medo e centenas de outras polaridades. Todas essas condições não fazem parte de nossa verdadeira natureza que é completa, eterna

e bem aventurada. A explicação sobre este

estado de dualidade em que nos encontramos é compartilhada por todos os mestres iluminados, que nos afirmam que são meramente imagens da nossa mente dividida. O mais surpreendente é que sem nos darmos conta, todas estas experiências boas misturadas com as ruins, são projetadas com o propósito de nos manter ocupados para buscar somente as coisas aparentemente boas, sem perceber que ambas são igualmente falsas. Nesta condição de dualidade, você é mantido neste constante rodízio de ilusões. Para não continuar trilhando o caminho do atalho e escolher o caminho harmônico, o homem deve primeiro despertar do seu sono hipnótico para se dar conta que na verdade nada sabe. Vive quase o tempo todo dominado pelo ego e nem percebe que todas as suas idéias, pensamentos, conceitos, hábitos e fraquezas não constituem o seu EU verdadeiro. Quase tudo é emprestado pelo inconsciente coletivo e sua imaginação. Quando de fato ele perceber a sua


condição e abandonar as suas ilusões, então terá a possibilidade de realmente despertar e se conectar com seu ilimitado potencial. É quase inevitável o homem deixar de passar pelo caminho do atalho, e se defrontar com perdas e decepções para poder despertar. Outras vezes basta um simples empurrão. Do contrário continuará adormecido. Mas quando por fim reconhece a sua situação surge uma espécie de estranha inquietação e aos poucos começa uma busca interior que vai se intensificando, tal qual um homem perdido no deserto e sedento em encontrar água para saciar sua sede. Segundo a pesquisadora Evelyn Underhill em seu admirável livro Mysticism, elaborou uma sugestiva classificação deste processo e o dividiu em cinco partes. O despertar, a purificação, a iluminação, a noite escura da alma e a união com o divino. Quando nos encontramos no estágio da purificação, temos uma distorcida idéia de achar que a vida é injusta e que nos coloca em situações difíceis, quando as coisas não vão bem. Achamos que não merecemos passar por isso. No entanto esquecemos que dentro de uma visão mais ampla e levando em consideração o propósito do mundo das formas, é exatamente o contrário que acontece. Este propósito existe para acelerar a nossa evolução. Um bom exemplo é a parábola do filho pródigo de Jesus. Tente por exemplo imaginar que se ele ao invés de cuidar dos porcos, tivesse sido contratado pelo fazendeiro, como administrador, com um bom salário e outras regalias. O que teria acontecido com seu despertar?

Bem, com

certeza ele iria se acomodar e provavelmente não teria tido a lembrança de sua condição de príncipe e herdeiro do reino. Permanecendo com esta amnésia espiritual, isso retardaria a sua volta. Foi por causa do seu intenso sofrimento, que ele teve este insight, recobrou a memória e imediatamente se pôs a caminho para reencontrar seu pai, que o aguardava com muito amor. É claro que o pai sabia que iriam se encontrar. Assim, o que aparentemente pode nos parecer trágico, dentro de uma perspectiva mais ampla, constatamos que na verdade foi o maior bem que poderia acontecer. A princípio ficamos agoniados e identificados pela situação, pois nos


tira do nosso conforto e da nossa segurança. No entanto, isto nos desperta para lembrar a verdade do nosso “Ser”. Devemos sempre perceber que o mundo das formas é transitório. É apenas uma maquete para um grande jogo. Toda a sua estrutura nada mais é que um campo energético em constante transformação, portanto nada é solido. Dura apenas o tempo de um piscar de olhos. Tudo isto pode nos parecer um tanto negativo, porque com o passar dos anos, nos apegamos a este mundo e temos um medo terrível do desconhecido e nos agarramos com unhas e dentes para que as coisas permaneçam como estão. Mas ao contrário, temos que aceitar positivamente a lei da impermanência, porque,

caso

contrário, não haveria transformação e evolução e seríamos eternos prisioneiros deste mundo, impedindo a nossa ascensão. O mundo das formas não tem intenção de nos despertar e o ego projeta falsos deuses, guloseimas e brinquedos para nos prender. Quando por fim você percebe que seu verdadeiro reino não é deste mundo, começa então a procurá-lo onde ele sempre esteve “Em seu interior”. O grande mestre Lao-Tse*, através do seu livro “Tao Te Ching” um manual clássico na arte de viver e considerado talvez um dos livros mais traduzidos em todo mundo, escreveu com lucidez e sabedoria, a grande oportunidade que temos a cada instante de escolher entre expressar medo ou amor. Abandona o desejo de ser importante; não permita que tuas pegadas deixem rastros. Viaja só com o Tao, para a terra do grande silêncio. Se um homem estiver cruzando um rio e um barco vazio colidir com o seu, por mais mal-humorado que esteja, ele não vai se ofender nem ficar irado. Mas se o barco for tripulado, talvez ele irá se encolerizar,gritar e xingar, *


só porque há um remador. Enquanto cruzas o rio do mundo, perceba que todos os barcos estão vazios, e nada poderá te ofender.

Assim quando estiver navegando pelo mundo, perceba que todos os barcos estão vazios. Esta é a profunda sabedoria que LaoTse quis nos transmitir. Quando de fato, adquirimos consciência que estamos de passagem, ou seja quando constatamos que a vida é impermanente, temos que procurar não nos identificarmos com as circunstâncias, e com a inconsciência coletiva. Sabemos que o “Ser” é infinito e indestrutível e isto nos liberta da ilusão de um eu pessoal. Acredito que aqui está a grande diferença. Passamos a ver o mundo das formas com outros olhos, e interagimos com ele sem apego ou sofrimento, porque compreendemos o seu importante propósito. Ele é a embarcação que nos levará ao continente, que é a nossa verdadeira morada. Acredito que ficou mais do que evidente, que o mundo das formas tem por objetivo nos frustrar a todo instante. A princípio podemos ter a impressão de ser uma afirmação pessimista, mas basta um pouco de reflexão para nos darmos conta da profundidade desta verdade. Porque se tentarmos construir um castelo de areia na beira da praia, ela com certeza não irá durar por muito tempo. A vida está em constante mudança e se muitas vezes ela nos frustra, é porque o “Ser”, não quer permanecer para sempre no nível da forma. Isto acaba ocasionando um sofrimento interior inevitável, provocando perturbações psíquicas e físicas, (maiores detalhes ver capítulo “A Serpente Adormecida.” Isto acontece devido ao atrito que ocorre entre o estímulo evolutivo inato que está em nossa essência, e a interferência do ego que

se opõe a esta

transformação. É como uma semente enterrada, mas que precisa romper a superfície da terra para poder brotar e manifestar todo o seu potencial. Passado este período, as vezes extremamente doloroso, a consciência passa por uma grande transformação e a vida se torna

muito mais leve, e divertida. Passamos a sentir de


forma mais contínua, que o “Ser” está no comando e a certeza que irá nos conduzir de volta para nosso lar. Existe uma citação bastante esclarecedora no “Um Curso em Milagres”, que explica como cruzar a ponte, deixando o ego para traz e passar para o lado do mundo real: “A ponte em si mesma nada mais é que uma transição, na perspectiva

da

realidade.

Desse

lado,

tudo

o

que

vês

é

grosseiramente distorcido, e completamente fora de perspectiva. O que é pequeno e insignificante é engrandecido, e o que é forte e poderoso reduzido a

pequenez. Na transição, há um período de

confusão, no qual um sentimento de desorientação, de fato, pode ocorrer. Mas não tenhas medo, pois só significa que tens estado disposto a soltar o teu apego ao quadro de diferenças distorcido, que aparentava manter o teu mundo no lugar”. Quando finalmente despertamos para quem somos, nosso amor se espalhará de forma natural para todos sem exceção, até para o mundo das formas, que é uma projeção da nossa consciência. A vida passa a ser mais bela e transparente e aceitamos as coisas como elas são. É por isto que é inútil procurar mudar o mundo, mas sim mudar a nossa mente em relação ao mundo. Isto também se aplica na importância em perdoar as pessoas e as situações, e depois perceber que nem precisamos perdoar. Passamos a compreender que nenhuma ofensa ocorreu para ser perdoada, e que nenhuma situação ilusória pode nos ameaçar. O amor sempre irá prevalecer. Ela é a bússola apontando sempre na direção da verdade. Isto não significa que não possamos nos divertir e nos encantar com a beleza da natureza, se apaixonar e nos deslumbrar com o poder de nossa criatividade. É como estar vendo um filme. Sabemos que não é real, mas nada impede de sentirmos emoção e prazer em assisti-lo. Por isso, não podemos deixar de trilhar os caminhos alternativos, porque se as ilusões de tempo/espaço fossem retirados de uma vez, não estaríamos preparados para tamanha transformação. Este sonho do qual nos sentimos ainda separados e que parece tão real e


convincente, despertar subitamente não seria nada aconselhável. O impacto seria demasiadamente assustador. Quando pesquisamos antigas obras filosóficas do passado, é surpreendente encontrar profundas reflexões, muito semelhantes em tudo o que foi descrito nesta trilogia. O fato é que quando a verdade é verdadeira, ela não se altera com o passar do tempo. Com certeza um dos que mais se destacou na cultura ocidental, foi o dramaturgo William Shakespeare,* e sua monumental obra, que permanece até hoje insuperável, tanto pela criatividade como pela sua profundidade espiritual.

Com

certeza um homem, muito a

frente do seu tempo. Os suntuosos palácios, os templos solenes, até o Imenso planeta, sim, e tudo o que mais ele contém, dissolver-se-á e, como este cortejo insubstancial desapareceu, sem deixar rastros. Somos feitos da mesma matéria dos sonhos, e Nossa breve existência está envolta em sono. O tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que tem medo. Muito longo para os que lamentam Mas para os que amam, o tempo é eterno. Shakespeare

Antes de passar para o capítulo seguinte, aconselho fazer uma pequena pausa para poder incorporar

todas

estes conceitos,

reservar um tempo para analisar, e refletir sobre tudo que foi lido. Sugiro que anotem alguns trechos que te proporcionaram um insight mais significativo. Isto permitirá retornar, depois de ler cada capítulo, para reforçar o seu entendimento. Desta forma eles terão um grande poder de autotransformação.


*William Shakespeare - Dramaturgo e poeta Inglês. 1564-1616 .

 Lao-Tse - Mestre Chinês século VII A.C. *John Piper - Pastor da igreja batista de bethlehem – Miniápolis (EUA). *Cabala - Milenar sabedoria do misticismo judaico, que investiga a natureza Divina. *Sufi - Corrente mais esotérica e mística do Islã. *A parábola do filho pródigo é descrita no primeiro volume da trilogia *Billy Wilder –Um dos mais brilhantes cineasta, roteirista e produtor Norte americano. 19062002 *Os doze sinais do seu despertar divino - Mais Informações de Tobias no site oficial do Circulo Carmesim http://crimsoncircle.com ou na versão em Português www.novasenergias.net/circulocarmesim


LAMPEJOS DO SER


Alcançar o nirvana, objetivo último do caminho budista, é a realização suprema que libera os sofrimentos do mundo. Sua busca repousa na compaixão e no altruísmo. A sabedoria, a luminosidade, a clareza, a felicidade abrem o espírito para


as dimensões ilimitadas, não conceituais, fora do tempo e do espaço, ao mesmo tempo em que o coloca em consciência com o mundo. Dalai – Lama


A experiência do “Ser”, o sagrado, Deus, ou o nome que você queira dar, encontra-se em nós mesmos.

Estamos no limiar

desta autotransformação e isto deverá provocar um grande salto na evolução da espécie humana. A revelação desta nova consciência sempre foi na verdade o objetivo essencial de todos os mestres, independente de todas as tradições espirituais, e hoje isto tem despertado o interesse também por parte de cientistas, artistas, pesquisadores, e principalmente entre os psicólogos na linha transpessoal. Podemos perceber que este despertar, começou a se alastrar,

principalmente

pela

diminuição

das

distâncias

entre

ocidente e oriente, com a facilidade da internet e outros sistemas sofisticados de comunicação. Também através de livros e filmes e a proliferação em muitos países de centros de meditação, academias de ioga, templos budistas, escolas sobre a cabala, sufismo, budismo tibetano, comunicações ufológicas e várias outras correntes com este fim. Com tudo isto acontecendo, um grande número de pessoas, entre eles psicólogos e cientistas logo perceberam que não se tratava apenas de manifestações fantasiosas, ilusionismo ou crises psicóticas como eram considerados no passado, mas pelo contrário, de fenômenos autênticos comprovando cada vez mais a realidade espiritual. Sabemos hoje da importância e dos resultados positivos

da

prática

da

meditação,

o

constante

intercambio

mediúnico através da psicografia entre diversas dimensões, curas e tratamentos holísticos, e muitos outros fenômenos paranormais. Isto está acontecendo, porque podemos sentir a intensa e urgente necessidade que o homem tem em se conhecer interiormente, e um grande anseio por uma integração maior com o seu verdadeiro “Ser”. Portanto trata-se de fato de uma revolução cultural e espiritual e que gradativamente irá interferir em todos os setores da


nossa civilização, na economia, na política, na preservação urgente do

meio

ambiente,

na

medicina,

na

educação,

nos

hábitos

alimentares, e principalmente no despertar do “Ser”. Estamos cada vez mais, nos dando conta que está havendo uma conscientização espiritual sem precedentes a nível planetário e já percebemos que as estruturas políticas e sociais de modo geral não conseguem mais se manter como estão, e acabarão desmoronando pela sua própria ineficiência, pois não estão mais alinhadas com a nova visão deste novo mundo que se aproxima e agora com muita rapidez. Já podemos notar que este processo já está acontecendo, pois estamos percebendo e sentindo, ainda que de uma forma leve as suas conseqüências. Esta transformação irá se acelerar com maior rapidez, até que haja um equilíbrio entre a dimensão do Ser e o mundo das formas, pois nenhuma civilização poderá sobreviver sem este equilíbrio. Como sabemos, sempre quando surgem mudanças, as crises são inevitáveis, pois o velho não quer morrer e o novo quer nascer. Sabemos que a ciência nunca confirma a realidade de um fenômeno por uma ou duas observações, mas através de vários estudos independentes e com metodologias diferentes. Este sempre foi o alicerce para a confirmação e aprovação das descobertas científicas. Em consequência disso ela se manteve marginalizada em relação a estes fenômenos chamados de paranormais a partir da renascença, salvo por algumas mentes brilhantes. Assim neste capítulo, quero transcrever depoimentos de pessoas que passaram por rápidos lampejos do “Ser” e de experiências de (EMC)  e que ao que tudo indica tendem a aumentar nas próximas décadas. Tudo me leva a crer que brevemente a aliança entre a ciência e a espiritualidade será cada vez maior. Para comprovar esta certeza, gostaria que prestassem atenção da semelhança destes relatos dos mestres do passado de diversas tradições, com os mestres e cientistas contemporâneos. Embora não seja o objetivo deste livro, 


realizar um estudo aprofundado destes estados, e nem entrar em minúcias intelectuais, vale a pena mencionar alguns, porque irão nos

proporcionar

um

entendimento

mais

consistente

destas

sagradas experiências e antever a sua confirmação científica, que ainda não está totalmente generalizada, devido a persistência do dogma do materialismo. Assim se expressavam os Upanishads Védicos de 500 a.c aproximadamente. “Tão vasto quanto o universo exterior – se não maior, é o universo interior do lótus do coração. Dentro dele encontram-se céu e terra, o sol, a lua, o relâmpago e todas as estrelas. Neste mundo interior existe um lago cujas águas são como néctar e todo aquele que beber dessas águas torna-se imediatamente ébrio de alegria, enquanto junto ao lago existe uma árvore que produz o sumo da felicidade.... Porque vagar no jardim exterior? Dentro de nós existe um jardim, um mundo infinito... brilham ali as luzes de um milhão de sóis e de luas. Ali aflora a alegria, quando você saboreia o doce mel que banha o lótus do coração... Ali o céu se enche de música feita sem cordas e nem dedos.” Depoimento do poeta Kabir a 1500 d.C.

“... Vá para esta terra onde ressoam as melodias divinas, onde flui o néctar delicioso, onde brilha a luz serena e terna, onde resplandece a humanidade brilhante de um milhão de sois.” Muktanana, mestre do século XX

“... Súbito, sem aviso de espécie alguma, vi-me envolto, numa nuvem cor de chamas. Por um instante pensei em fogo, mas em seguida percebi que o fogo estava dentro de mim. Acudiu-me de pronto um sentido de exultação, de imensa alegria, acompanhado ou

imediatamente

seguido

de

uma

iluminação

intelectual,

impossível de descrever. Entre outras coisas, não somente vim a


acreditar, senão vi que o universo não se compõe de matéria morta, mas pelo contrário de uma presença viva, tornei-me cônsio, em mim mesmo, da vida eterna. Não era a convicção de que eu possuiria a vida eterna, mas a consciência de que já a possuía, vi que todos os seres são imortais, que a ordem cósmica é de tal natureza que, sem qualquer dúvida, todas as coisas trabalham juntas pelo bem de cada um, e de todos e que o princípio fundamental do mundo, de todos os mundos, é amor. Richard Maurice Psiquiatra do início do século XX

“... Eu estava sentado na praia, ao cair de uma tarde de verão e observava o movimento das ondas, sentindo ao mesmo tempo o ritmo de minha própria respiração. Neste momento de súbito, apercebi-me intensamente no ambiente que me cercava: este se me afigurava como se participasse de uma gigantesca dança cósmica. Como físico eu sabia que a areia, as rochas, a água e o ar a meu redor eram feitos de moléculas e átomos em vibração e que tais moléculas e átomos, por seu turno consistiam em partículas que interagiam entre si através da criação e da destruição de outras partículas.

Sabia

também

que

a

atmosfera

da

terra

era

pensamentos bombardeados por chuvas de “raios cósmicos” partículas de alta energia e que sofriam múltiplas colisões a medida que penetravam na atmosfera. Tudo isso me era familiar em razão de minha pesquisa em física de alta energia, até aquele momento, porém, tudo isso me chegara apenas através de gráficos, diagramas e teorias matemáticas. Sentado na praia, senti que minhas experiências anteriores adquiriram vida. Assim, “vi” cascatas nas quais,

em

pulsações

rítmicas,

partículas

eram

criadas

e

destruídas.“Vi” os átomos dos elementos - bem como aqueles pertencentes a meu próprio corpo – participarem desta dança cósmica de energia. Senti o seu ritmo e “ouvi” o seu som. Neste momento compreendi que se tratava da dança de Shiva, o senhor dos dançarinos, adorado pelos hindús... Este momento foi seguido


por inúmeras outras experiências semelhantes que me fizeram entender gradativamente que começa a emergir da física moderna em harmonia com a antiga sabedoria oriental – Uma nova e consistente visão do mundo. Fritjof Capra – físico 1988

... Cruzando uma pequena varanda de madeira que circundava uma casa bastante modesta, penetramos em um aposento quase escuro e sentamo-nos de frente para o leito coberto de tapetes que se encontra em todos os quartos de todos os rinponchés . Na penumbra, eu distinguia a forma de um homem sentado, imóvel que emanava

uma

luminosidade,

como

uma

espécie

de

vaga

fosforescência, e cujos olhos pareciam luminosos na penumbra... Ele me fitava e senti nascer em mim, e depois crescer uma emoção excepcional, indescritível... tive a impressão de que nada mais no mundo existia além dessa presença na sombra e eu mesmo. A intensificação e a aceleração de minha vida psíquica, pensamentos e sentimentos, transcendiam toda experiência descritível. Todas as lembranças,

todas

as

imagens,

todas

as

possibilidades

apresentavam-se de uma vez. Eu possuía dez, cem cérebros que funcionavam ao mesmo tempo. Talvez aqueles que quase se afogam e reviveram sua existência inteira em poucos segundos tenham conhecido uma experiência semelhante... Depois tudo parou de funcionar, mas isto não era nem a inconsciência, nem o vazio dos desmaios. A consciência e o despertar eram absolutos, aquela era a experiência do verdadeiro silêncio, além da mente, transcendendo o pensamento e a individualidade, o nome e a forma, o tempo e o espaço e, sobretudo a dualidade”. Arnaud Desjardins – Autor de diversos livros e filmes – 1966

...O universo desapareceu momentaneamente, e eu só fiquei sentado lá sozinho, dentro do conhecimento de uma Presença que 


até aquele momento, teria sido inimaginável. Embora a experiência da revelação nunca possa ser traduzida em palavras, existe uma qualidade dela que é tão única que se agarra à memória. Ela acontece em um instante onde uma pessoa recebe uma experiência de estar fora do espaço e o tempo, e até além disso. Você se torna um com algo tão grande que não tem limites. A qualidade mais clara dela, que é completamente diferente de qualquer outra coisa nesse universo, é que ela é constante. Não existe mudança ou interrupção em seu poder ilimitado; ela não muda ou oscila. Ela lhe dá um gosto de algo em que se pode confiar; algo real – cuja alegria está além do entendimento. Eu soube, então que Deus tinha se comunicado comigo. Gary R. Renard – Do livro:“O Desaparecimento do Universo-2002

...Todos os objetos dentro de meu olhar panorâmico tremiam e vibravam como rápidos filmes cinematográficos. Meu corpo, o corpo de meu mestre, o pátio com suas colunas, a mobília, o assoalho, as arvores e as luzes do sol tornaram-se de vez em quando violentamente

agitados

até

que

tudo

se

fundia

num

mar

luminescente, assim como os cristais de açúcar, mergulhados num copo de água, diluem-se depois de serem sacudidos... Uma alegria oceânica rebentava nas praias serenamente intermináveis de minha alma. Atingi a realização de que o Espírito de Deus é beatitude inesgotável... Um sentimento de glória crescente dentro de mim começou a envolver cidades, continente,s o planeta, os sistemas solares e as constelações. O cosmo inteiro, suavemente luminoso, semelhante a uma cidade vista de alguma distância à noite cintilava dentro da infinidade do meu ser... Os raios luminosos dispensaramse oriundos de uma fonte perpétua, resplandecendo em galáxias, transfiguradas com auras inefáveis... De súbito, a respiração voltou aos meus pulmões. Com o desapontamento quase insuportável, constatei que havia perdido minha infinita vastidão. Mais uma vez me limitava à jaula humilhante do corpo, tão desconfortável para o espírito.


Paramahansa Yogananda - Do livro Autobiografia

.

de um Yogue contemporâneo -1945.

... “Oh Deus, eu morri, mas estou aqui. Comecei a sentir uma imensa gratidão... Não havia nada em minha consciência a não ser essa

gratidão ... Enquanto expressava esses sentimentos, uma

neblina começou a ser infiltrada por uma luz enorme, e a luz se tornou cada vez mais clara, até que se tornou tão clara que não feria os olhos, mas era mais clara do que qualquer coisa que eu já houvesse encontrado em toda a minha vida. Neste momento, eu não estava mais consciente de ter um corpo, era pura consciência. E essa luz incrivelmente clara parecia quase me ninar. Sentia ser parte dela e ser nutrida por ela, e o sentimento se tornava mais e mais glorioso e perfeito. Se você pegar as mil melhores coisas que já aconteceram a você e multiplicar por um milhão, talvez você possa se aproximar desse sentimento. Eu me lembro de saber que tudo, em todos os lugares do universo estava ok, que o plano era perfeito. Que tudo que estava acontecendo, inclusive as guerras, a fome, seja lá o que for estava ok. Tudo era perfeito. De algum modo fazia parte da perfeição que nós não precisássemos nos preocupar nem um pouco. Era eterno. E eu era um ser infinitamente perfeito. Você sentia amor e segurança e que nada podia acontecer a você. Você estava em casa para sempre... Depoimento descrito por Kenneth Ring – 1988. Professor da universidade da Connecticut e presidente internacional de estudos de quase morte.

Seria simplesmente impossível transcrever todos os relatos destas sublimes experiências, pois são milhares, e este livro se tornaria tão volumoso quanto uma enciclopédia. Mas se houver maior interesse por extraordinárias

parte do leitor em ler mais sobre estas

experiências,

procure

no

final

deste

volume,

indicações sobre livros que abordam este tema. O que podemos deduzir de todos estes relatos, é a verdade de uma perfeição que


ultrapassa o nosso entendimento. A existência soberana de um profundo amor incondicional e um sentimento de unidade com todas as coisas e que desafia a nossa mente racional. Notamos também o destemor em relação a morte física, ficando muito claro que todas as pessoas que passaram por estas experiências mesmo que por alguns minutos, é tão sublime que deixa uma marca profunda na alma, e elas não hesitariam em deixar a vida terrena para permanecer nesta bem aventurança , não porque a vida no mundo das formas seja negativa ou frustrante, mas porque quando ocorre o despertar do “Ser” é como voltar para casa. Você retorna para o seu reino. Você volta a ser o que sempre foi. Eu mesmo passei por estas experiências, que relatei no primeiro volume, e realmente é impossível verbaliza-las em toda sua totalidade e riqueza, pois as palavras são tão limitadas que não conseguem expressar por mais que se tente, uma experiência espiritual de tamanha magnitude. O mundo interior, só

pode ser

descrito literalmente através de símbolos, parábolas e analogias. Apenas para complementar a minha própria experiência, diria que era como se estivesse fazendo parte do todo. Não havia carência, ou que algo estivesse faltando.

Me sentia totalmente pleno e um

estado de encantamento inundava meu “Ser.” Lembro-me que veio um pensamento de que a posse de qualquer bem material por mais valioso que fosse, era sentido como um pesado fardo. Não desejava absolutamente nada. O nada para mim era o todo. Eu estava num estado de consciência tão repleto de paz e alegria, que qualquer coisa me parecia superficial comparada a essa sensação de totalidade. E o mais surpreendente foi a certeza que não se tratava de algo novo, mas sim o reconhecimento de quem eu sou verdadeiramente e que misteriosamente havia esquecido. Isto me fez lembrar após certo tempo, quando li vários textos sobre o budismo, a referência que eles fazem sobre a vacuidade (Sunyata), considerado um dos pilares básicos do budismo. Em um dos mais famosos sutras é dito que a vacuidade ou o vazio, é o fundamento que dá base à existência de todas as coisas, e a iluminação


acontece quando tomamos conhecimento íntimo e súbito desta noção de vazio, não-perenidade e simultaneamente de unicidade. Acredito que todos estes relatos são suficientes para se ter uma visão clara das experiências pelas quais eles vivenciaram e perceber o profundo desejo que eles tinham em compartilhar o que sentiram. É interessante notar como as experiências da consciência cósmica se parecem com a (EQM). A diferença está em que as experiências de (EQM) ocorrem num estado onde o corpo está clinicamente sem vida por um certo período de tempo, enquanto que a consciência cósmica ocorre repentinamente com o corpo em perfeita saúde. É notável ver a ciência começando a se interessar e pesquisar com muita seriedade sobre os mistérios da condição humana que até então era ignorada ou vista com muita cautela e preconceito. Também é surpreendente perceber os cientistas se dando conta de conhecimentos que já eram conhecidos pelos mestres do passado e começando a ser confirmados no presente, principalmente através da física quântica. Para apoiar ainda mais todos estes relatos, gostaria que atentassem para uma classificação muito bem elaborada, fornecida pelo psiquiatra Stanley Dean e que foi publicada pela primeira vez em 1974 e novamente republicada no livro “Rumo ao ponto ômega de Kenneth Ring em 1984. Naturalmente devemos levar em conta que esta classificação é apenas um pequeno esboço, mas que pode nos fornecer uma visão geral e mais precisa das profundas alterações que ocorrem com as pessoas que passam por estes lampejos do Ser ou pela (EQM). O início é anunciado pela consciência de uma luz ofuscante que inunda o cérebro e preenche a mente. No oriente isso é chamado de “Esplendor Bramanista”. Walt Whitman poeta e místico americano fala disso como uma luz inefável - “Luz rara, indizível, iluminando a própria luz” - além de todos os signos, descrições, linguagens. Dante escreveu que ele é capaz de transformar um homem em Deus.


O indivíduo é banhado em emoções superintensas de alegria, gozo, triunfo, grandiosidade, reverência e espanto - Um êxtase tão avassalador que parece pouco menos do que algum tipo de orgasmo superpsíquico. Ocorre uma iluminação intelectual impossível de descrever. Num lampejo intuitivo surge a consciência do significado e da direção do universo, uma identificação e fusão com a criação, com o infinito e a imortalidade, uma profundidade cada vez maior de significado revelado - Em poucas palavras uma concepção da personalidade superior tão onipotente que a religião a interpretou como Deus... Há uma sensação de amor transcendental e compaixão por todos os seres vivos. O medo da morte cai como um velho manto; o sofrimento físico e mental desaparece. Há uma ampliação do vigor e da atividade mental e física, um rejuvenescimento e prolongamento da vida... Há uma reavaliação das coisas materiais da vida, uma apreciação ampliada da beleza, uma percepção da relativa falta de importância de riquezas e da abundância em comparação com os tesouros do ultraconsciente.

Há um despertar extraordinário do intelecto, uma descoberta de genialidade latente. Longe de ser um estado passivo de devaneios, no entanto, ele pode dar ao indivíduo poderes de alcance amplo bastante para influenciar a história. Há um profundo senso de missão. A revelação é tão comovente e profunda que o indivíduo não pode contê-lo dentro de si. Sendo levado a compartilhá-la com todos os seus próximos. Uma mudança carismática ocorre na personalidade – uma radiância interna e externo pensamento carregado com algum poder


divinamente inspirado, uma força magnética que atrai e inspiram outros com uma lealdade e fé inabaláveis. Há um desenvolvimento súbito ou gradual de dons psíquicos extraordinários tais como, clarividência, percepção extra sensorial, telepatia, precognação, cura psíquica etc. Nosso capítulo poderia terminar neste ponto, se não fosse por um

outro fenômeno singular e relativamente recente e que

indiretamente pode estar associado as estas experiências descritas nas páginas anteriores e que transcendem o estado predominante do nosso nível de consciência. Trata-se do fenômeno de crianças e adultos índigos, também chamadas de cristais, ou

seja de

experiências de indivíduos que se sentem estranhos, com uma sensação de não pertencerem a este mundo. Segundo profundos estudos sobre o tema, muitas crianças que hoje são adultas e que supõem terem nascidas por volta dos anos 40 e 50 apareceram no mundo com uma consciência mais ampliada e apresentam um nível de espiritualidade muito mais desenvolvido. No entanto sentem no início

uma

imensa

ansiedade,

uma

profunda

sensação

de

incompletude e uma necessidade de estar só. Muitos possuem consciência

de

outras

dimensões,

muitos

descasados e quase todos já passaram

são

solteiros

ou

por quadros depressivos

experimentando todos os seus distúrbios. Creio que o propósito dos adultos índigos é serem

uma ponte de vibração ainda pouco

dominante, para uma nova freqüência muito mais intensa e sutil que tem sua origem numa dimensão espiritual superior. São como agentes de mudança para romper fronteiras e dissolver paradigmas para o surgimento de uma nova consciência planetária. Segundo afirmação de mestres iluminados, estaríamos saindo da terceira dimensão vibracional e nos aproximando da quarta e quinta dimensão. Tudo isto pode parecer um texto de ficção científica

mas na verdade o assunto é sério e extremamente

polêmico. Atualmente ele é estudado por grande número de


psicólogos transpessoais. De acordo com uma mensagem recebida e relatada pela psicóloga Ingrid Cañete: “Saber quem somos, querer ser quem somos e jamais abrir mão de ser quem somos”. Esta é a nossa mais elevada missão. É tempo de colocar os dois pés na terra, sentir o coração da terra pulsar em ti, e assumir para ti a responsabilidade de ajudar as velhas e as novas gerações, a saber, que o tempo não existe, que a prisão da dualidade é finita e que o universo é uma teia de infinitas possibilidades nas quais estamos todos entrelaçados, unidos e livres para ser o nosso mais puro ser, a nossa essência que é de luz divina”. Dentro de um contexto geral, acredito que somos todos seres índigos, porque este mundo não é nosso reino, não é o nosso lar. A diferença que caracteriza de fato um ser índigo dos demais é que ele a sente com muito maior intensidade, e naturalmente acaba no início tendo um sofrimento maior, pois não consegue se ajustar dentro da consciência dominante. É como se ele fosse um estranho no ninho. Não consegue aceitar e se adaptar as regras de uma consciência insana e disfuncional. Mas até que ponto podemos conciliar o despertar do “Ser”, a (EQM) e o nascimento de uma nova consciência através de seres índigos? Tudo me leva a acreditar que estejam ocorrendo todas elas simultaneamente. Mas na medida em que vamos adentrando neste novo milênio, podemos constatar estatisticamente um grande despertar pela espiritualidade e muitos já estão reconhecendo que nosso destino é transcendermos o mundo das formas e experimentar a verdade do nosso “Ser” multidimensional. Na verdade todo o universo físico é como um imenso campo de treinamento, projetado para a evolução da nossa consciência. Hoje a ciência sabe das limitações da percepção visual e que o olho só é capaz de ver apenas uma estreita faixa de radiação. Estamos programados para perceber apenas a garrafa que retêm o vinho ou para a embalagem que encobre o presente, sem nos darmos conta que vivemos numa ilusão que destorce a visão do que é real. No entanto estamos todos mergulhados num mar de


energias e de dimensões que não são perceptíveis pelo estreito alcance dos nossos limitados sentidos. Este novo entendimento começou a se ampliar cada vez mais quando acompanhamos as surpreendentes descobertas da física quântica e começamos a compreender que o nosso mundo aparentemente sólido não é o que parece ser. De acordo com observações extracorpóreas (EMCs) e comunicações

mediúnicas

existe

um

conceito

que

todas

as

dimensões existem simultaneamente aqui e agora. Até o eminente físico David Bohm percebeu que a subestrutura do domínio subatômico só faz sentido se admitirmos a existência de dimensões adicionais mais complexas para além de nossa visão. Assim tanto o universo visível e o invisível é um contínuum de freqüências energéticas e consistentes e que são evidências que cada dimensão existe de forma independente segundo a sua freqüência, mas que também estão interligadas formando um universo multidimensional. Segundo William Buhlman, o mais conhecido estudioso em (EMCs) afirma em um dos seus livros: “Cada dimensão que encontramos após deixar o corpo físico é progressivamente menos densa na sua substância vibratória. O mundo físico que focamos não passa de uma fração diminuta do universo. Na realidade, as formas físicas que vemos a nos circundar, são apenas a fina crosta exterior do universo – a camada epidérmica do conjunto do universo.” Outra importante descoberta que teve início da década de 90, ocorreu

com o neuropsicólogo americano Michael Persinger, e o

neurologista Vilayanu Ramachandran da universidade da Califórnia, que identificaram no cérebro um ponto que foi denominado “Ponto de Deus” que aciona a necessidade humana em buscar um significado para a vida. Segundo estudos, este centro espiritual se encontra entre conexões neurais nos lobos temporais. Foram realizados escaneamentos com topografia de emissão de pósitrons que mostram que estas áreas se iluminam sempre que os pacientes pensam ou falam sobre temas espirituais. O que mais chamou minha atenção, é que na pesquisa foi demonstrado que este centro


espiritual, não se encontra apenas em mestres, médiuns ou videntes, mas também está em todas as pessoas. O que achei particularmente fascinante nesta pesquisa é a semelhança existente entre este ponto detectado

pelos cientistas, e o ponto de luz da

filosofia da raja yoga, enfatizado por Brahma Baba, mestre do centro espiritual “Brahma Kumaris”. Também é tradição milenar entre os hindus, pintar um ponto na testa no meio das sobrancelhas chamado Tilak, e que representa simbolicamente a consciência Divina. O mestre Swami Muktananda também descreve com mais detalhes através de suas palestras e livros, este ponto que é comparado a uma semente de gergelim. No entanto o que mais me surpreendeu é que até o mestre Jesus também fez referência em sua famosa parábola do grão de mostarda, quando disse: “ O Reino de Deus é semelhante a um grão de mostarda que um homem semeou em seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes da terra, quando é semeada e cresce se torna maior do que todas as hortaliças, faz grande ramos, e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos e sob sua sombra”. Seria todas estas declarações mera coincidência, independente da

nomenclatura

que

cada

um

definiu?

Com

todo

este

conhecimento, podemos compreender que na verdade o que até recentemente era chamado de “espiritualidade” nada mais é do que a descrição de outras frequências vibratórias mais sutis e que passam despercebidas pelos nossos órgãos dos sentidos. O que chama nossa atenção também é constatar que estas verdades sempre foram mostradas de forma um tanto veladas em obras de arte como por exemplo o pintor Jeronimo Bosch, na sua famosa obra “A ascensão ao firmamento”. O poeta William Black com sua obra intitulada “A escada de Jacó” e o famoso ilustrador Gustave Doré na gravura de Dante e Beatriz que representa um longo túnel, conduzindo até uma luz de extremo brilho. O mais enigmático é que quase todas as pessoas que passam por uma EQM descrevem que se movem muito rapidamente através de um longo e escuro túnel,


até aparecer uma pequena luz, que vai aumentando até alcançar um brilho extremo e de indescritível beleza. Seria este ponto de luz, o ponto de Deus

a semente de gergelim ou da mostarda que os

neurologistas estavam se referindo? Lamentavelmente podemos constatar hoje que a missão das religiões, acabou se desviando de sua verdadeira herança espiritual, prevalecendo muito mais os valores externos e se tornando com o passar do tempo um pálido e distorcido reflexo dos ensinamentos dos mestres iluminados. Mas com este novo despertar, não precisamos mais depender de interpretações e crenças dos outros. Através

da

meditação,

extracorpórea,

podemos

contemplação pessoalmente

ou

da

exploração

vivenciaras

verdades

espirituais e estar totalmente convencidos da sua realidade. Não poderia deixar de mencionar o filme “Além da Vida” do ator e diretor Clint Eastwood, que tem tudo a ver com este capítulo pois aborda com muita seriedade a evidência cada vez maior da verdade mediúnica, e das pessoas que passam pelas experiências de (EQM). Talvez você tenha ficado um tanto surpreso, quanto ao nome do diretor. Mas é ele mesmo. O ator que grande parte de sua filmografia se destacou pelos filmes de faroeste. Mas neste filme em particular, ele aborda a vida de três personagens. Uma jornalista que passa por uma EQM, um jovem receoso de assumir a sua mediunidade e a tristeza de um menino inconformado pela morte de seu irmão. A vida de todos eles é abalada por inesperados acontecimentos.

Não

perca uma das sequências mais impressionantes e comoventes do filme nos primeiros quinze minutos. Embora o cinema, tenha produzido muitos filmes abordando a vida depois da morte, considero o filme de Clint, o mais científico, o mais criativo e magnificamente

dirigido.

As

cenas

finais

são

de

extrema

sensibilidade. Como podemos notar aos poucos está havendo um despertar de consciência, e muitos já sentem lampejos do “Ser”. Começamos


a perceber, que os místicos falam como cientistas, e os cientistas falam como místicos. Quando tivermos a plena convicção que o que não deve ser preservado é o eu ilusório, (ego) que nos mantêm cativeiros em falsas e ilusórias identificações, retornaremos ao nosso estado original. Então a nossa conexão com a nossa essência, será tão natural quanto respirar. Para poder identificar de forma mais clara a diferença entre os lampejos do “Ser” e a iluminação, devo esclarecer que os lampejos, são experiências místicas, onde se têm um curto vislumbre da plenitude do “Ser”, enquanto a iluminação ou o estado nirvânico é o despertar definitivo. Sem sonhos e sem pesadelos. Então não existem mais lutas. Não existem mais derrotas ou vitórias, o melhor ou o pior, o mestre ou discípulo. A dualidade e a separação deixam de existir e o que resta é somente - Deus. Reflita com calma sobre esta afirmação, antes de passar para o próximo capítulo.

*EMC – Experiências fora do corpo. *Rinponchés – Mestres iluminados. *Upanishads – Parte final dos Vedas, conhecido como Vedanta, que trata do conhecimento da realidade suprema.


A SERPENTE ADORMECIDA


É muito difícil ás pessoas compreenderem que existe algo grandioso dentro delas. É muito fácil pensar que tudo está do lado de fora. Quando este poder é despertado sentimos que somos feitos de luz e quando despertado com grande força então vemos luz em toda parte. Então você vive em discernimento supremo. Este é o verdadeiro milagre, pois nos liberta da dor e do prazer.


Não existe mais tédio nem solidão. Gurumayi Chidvilasananda

Em se tratando de um livro que tenta transmitir o significado e a profundidade da consciência, não poderia deixar de tocar num dos pontos mais misteriosos e que só recentemente começou a ser divulgado,

não

apenas

através

da

confirmação

de

mestres

iluminados, mas de pessoas comuns e que de repente sentem uma profunda transformação em seu ser. Acredito que talvez hoje a humanidade esteja mais preparada para entender e sentir, o que os mestres do passado já sabiam, mas que era transmitido apenas para os discípulos mais preparados. Trata-se de uma energia que ainda é chamada por seu nome sânscrito; Kundalini. Embora ela continue ainda desconhecida e por vezes ignorada pela maior parte da ciência ocidental, os seus efeitos têm sido sentidos por milhares de pessoas e, portanto trata-se de um fenômeno humano que não pode deixar de ser considerado. Acho importante iniciar este capítulo com uma breve introdução sobre os efeitos da Kundalini, quando esta energia é liberada e começa a despertar. Creio que provavelmente o leitor já tenha lido algo a respeito, pois hoje existem dezenas de livros sobre o assunto, entretanto acho fundamental aprofundar o tema

pela

sua

importância

e

que

pode

contribuir

para

a

compreensão e entendimento científico da iluminação e dos fenômenos já descritos. Kundalini significa “Enrolado”. Ela tem sua origem da palavra sânscrita “Kundal” que significa espiral. Visto por um clarividente,


ela está enroscada na base da coluna, como uma serpente que se enrola sobre si mesma. Supõe-se que seja uma forma sutil de energia, situada no campo astral. Em certas circunstâncias esta energia pode ser ativada, e quando isto acontece ela como que se desenrola e se desloca para cima pela espinha, conectando-se com os centros de energia chamados de chakras. Assim, quando a Kundalini sobe pela coluna e atinge uma determinada região no topo da cabeça, o indivíduo passa para um estado mais elevado de consciência proporcionando-lhe uma inexprimível sensação de paz, amor, alegria e grandiosidade num grau extremamente intenso. Isto demonstra que de fato o ser humano possui um poder latente que precisa se manifestar para poder romper com os limites que o mantém cativo em conseqüência de estar ainda muito identificado com o mundo das formas. Dependendo de cada indivíduo este processo pode se desenvolver sem maiores conseqüências físicas, no

entanto

às

vezes

podem

ocorrer

certos

transtornos

e

perturbações mentais. Mas gradativamente os sintomas começam a diminuir quando o processo é completado. Infelizmente médicos ou psiquiatras tradicionais, ainda sob a influência do paradigma mecanicista, podem complicar o quadro do paciente, receitando-lhe medicamentos impróprios e muitas vezes quando não se recupera, pode ser diagnosticado como psicótico, esquizofrênico, depressão bipolar e outros nomes que a medicina alopática adora classificar. O grande perigo desta situação é o paciente acreditar que está sofrendo de uma doença incurável, perder o ânimo de viver, sentir uma angústia insuportável o que pode levá-lo ao suicídio. Isto pode acontecer, porque hoje ficou mais do que provado o efeito “mentecorpo”, comprovando que o que acreditamos pode se tornar a nossa realidade em conseqüência de nossas idéias e crenças. Segundo recentes pesquisas, um placebo* é tão eficaz quanto o efeito da morfina em 54% dos casos contanto que os pacientes acreditem serem medicados pela substância química. Não é de se estranhar que o mestre Jesus, que como profundo psicólogo curava os doentes, dizendo-lhes sempre: ---Não fui eu que te salvei, mas foi a sua fé que te salvou.


Segundo o psiquiatra Lee Sannela através do seu livro “A experiência da Kundalini: psicose ou transcendência” descreve o despertar da Kundalini como ele é abordado do ponto de vista da filosofia oriental. Também o mestre Swami Muktananda através de sua auto-biografia “O Jogo da Consciência” adverte sobre todos estes sintomas, pelas quais passou. Mas depois deste processo, as pessoas

em

sua

maioria

passam

por

estados

elevados

de

consciência, e sentem lampejos do “Ser”. Somente quando esta potente energia alcança o chakra Ajna,conhecido também como chakra da Coroa, então podemos sentir a nossa união com Deus e você se torna um ser puro de amor, e uma fonte inesgotável de energia espiritual. Existe uma citação que gosto muito no livro “Um Curso em Milagres” que diz: ”A iluminação é apenas um reconhecimento e não uma mudança em absoluta. Essa luz não pode ser perdida. Por que esperar para achá-la no futuro ou acreditar que nunca esteve presente?” Como fazer para que esta semente possa brotar e sentir todos os seus benefícios? Pode parecer um trabalho hercúlio, muito difícil, talvez reservado a poucos. Mas

pelo contrário. Você não precisa

freqüentar nenhuma faculdade sofisticada, estudar ou ler centenas de livros, participar de centenas de palestras ou viver nas montanhas do Himalaia. Não que isto não seja bom, mas basta apenas seguir com constância estas principais disciplinas: Meditação Auto observação Alimentação pura Exercícios físicos Solitude Vigilância do pensamento Amor e compaixão


Quando Buda atingiu a iluminação e revelou as quatro nobres verdades, traçou também um caminho que ele denominou como, o nobre caminho óctuplo. É também uma disciplina para o nosso despertar e nossa unificação. Entendimento correto Intenção correta Fala correta Modo de vida correto Esforço correto Concentração correta A palavra “correta” significa a verdadeira compreensão de um equilibrado caminho. Embora aparentemente simples é necessário ter muita determinação e disciplina para manter esta conduta. Experimente praticar durante um ou dois meses, e depois sinta em você mesmo a diferença. O fato é que a Kundalini esteve durante muito tempo cercada de mistérios, de informações muito distorcidas e superstições equivocadas e era passada apenas para os discípulos mais preparados. A experiência da Kundalini quase sempre é descrita como uma espécie de renascimento, ela transforma a nossa visão. O seu despertar permite experimentar de uma forma direta a verdadeira religião. Ela pode ser encontrada nas tradições espirituais de muitos povos, da Austrália, África, Índia e América. No Japão é conhecida como energia KI, na china CHI e no cristianismo O Espírito Santo. Mas independente do nome, ela é a energia que leva o homem de volta a sua origem. Há descrições muito claras em livros sobre alquimia e outras disciplinas esotéricas. Existe um texto de Swani Krijanda onde descreve que os índios do sudeste americano, entendiam que “O corpo do homem e o corpo vivo da terra eram formados da mesma maneira”. Em cada um deles corria um eixo que era a espinha dorsal que controlava o equilíbrio de seus movimentos e funções. Ao longo deste eixo existiam vários centros vibratórios que ecoavam o som primordial da vida. Estes centros são os chakras e que são mencionados na yoga da Kundalini. Segundo os sufis “O homem é criado perfeito à imagem do seu criador”. Isto confirma os ensinamentos dos mestres que enfatizam que somente quando a Kundalini é despertada então podemos viver sempre em estado de alegria e começar a sentir a liberdade infinita do “Ser”.


As escrituras concordam que este despertar é mais rápido, através da graça de um mestre, porque ele serve como um canal por onde flui esta potente energia. Este processo pela qual a Kundalini é despertada é chamado de Shaktipat. O Shiva Sutras , declara que ela é extremamente jovem, porque está sempre brincando. Seu jogo é a criação, a sustentação e a dissolução deste mundo. A Kundalini que também é chamada de Chiti ela não precisa ser criada, ela já está em nós. Ela controla todo o nosso sistema biológico através de uma fantástica rede de nãdis, que são como canais onde circula a força vital no corpo físico, os nãdis tomam a forma de vasos sanguíneos, nervos e condutos linfáticos. Em nosso corpo sutil ou astral eles formam um complexo de 720 milhões de tubos astrais por onde flui o prana. Segundo as escrituras, o despertar da Kundalini é o início da verdadeira jornada para se conectar com o “Ser.” Então você sentirá que todo o universo se encontra dentro do seu interior. Existem diversas formas de despertar a Kundalini. Ela pode ocorrer pela repetição de mantras, exercícios de yoga, forte devoção a Deus ou mesmo pode ocorrer um despertar espontâneo, em razão de existências passadas. Porém ela pode ser despertada também através de um contato com um mestre que já tenha alcançado a iluminação. Segundo o mestre Nityananda existem quatro formas pelas quais o mestre pode despertar a Shakti. Através do seu TOQUE, pela PALAVRA, pelo OLHAR e pelo PENSAMENTO. Então esta energia atravessa os seis Chakras e alcança o espaço entre as sobrancelhas que é chamado Chakra Ajna. Então a mente se tranqüiliza e a Kundalini alcança o sahasrara considerado o centro espiritual mais elevado, descrito como um lótus de mil pétalas localizado no topo da cabeça. Quando o sahasrara é alcançado, ele 


começa a brincar e faz você compreender que tudo é o jogo de Deus.

Você

começa

a

ver

uma

extraordinária

luminosidade

equivalente a mil sóis e em seu centro surge uma pequena luz chamada pérola azul. Seu tamanho é comparado a uma semente de gergelim e embora tão pequena ela contém todo o universo. Neste estado todas as ilusões se desvanecem, e tudo que vê é Deus. Todas estas afirmações extraordinárias podem a princípio nos deixar estonteados e nos dar à impressão de uma viagem alucinógena ou se sentir como Alice no país das maravilhas. No entanto todo este conhecimento foi transmitido por sábios iluminados que vivenciaram esta realidade através das eras. É por esta razão que os mestres enfatizam que na verdade não meditamos para alcançar Deus, porque já o alcançamos, ele está sempre em nosso interior. Meditamos para termos consciência vivencial da manifestação de Deus dentro de nós. Gopi Krisma que despertou a

Kundalini, foi um dos primeiros a divulgar a sua

experiência através de livros sobre o tema e chegou a conclusão pela sua própria experiência que o universo que vemos é apenas uma das facetas da criação. Tudo isto é de tal foram surpreendente que

aquilo que podemos entender com nosso atual estado de

consciência fica reduzido a insignificâncias. É por esta razão que qualquer experiência mística sempre foi indescritível. Por isto as sempre repetidas expressões “Neti, Neti” que significa “Não é isso, não é aquilo”. Hoje em vários países do mundo funcionam centros da “Kundalini Research Institute” onde diversos cientistas estudam este extraordinário potencial humano. Segundo um depoimento de Amit Goswami PH.D em física quântica, o fenômeno da ascensão da Kundalini parece liberar o poder latente da consciência para fazer nova representação do vital no físico. Pessoas nas quais a Kundalini se manifestou passam por extraordinárias alterações corporais tão notáveis que qualquer um pode observá-las. Penso não ser necessário dizer que tudo que foi exposto neste capítulo é um resumo de um tema tão complexo que não pode ser


entendido corretamente pelo intelecto, só pode ser experimentado. São fenômenos que não podem ainda serem explicados pela ciência, mas não significa que jamais o serão, significa apenas que ainda não temos os métodos experimentais e tecnologias mais apropriadas para comprová-las. Muito ainda deverá ser estudado e muitas verdades serão reveladas. Se nos determos e refletirmos sobre todos estes fenômenos mencionados, talvez possamos chegar a conclusão que os estados de consciência cósmica, como as experiência de quase morte (EQM) e os seres índigos possuem muito em comum com o despertar da Kundalini. A diferença é que quando ele é totalmente despertado, a bem aventurança é constante, enquanto que as outras experiências que podemos chamar de lampejos do Ser, possuem uma duração menor e dificilmente elas podem ser repetidas pela nossa própria vontade. Isto acontece porque segundo as descrições dos que passaram pelos lampejos do Ser, existe como uma espécie de programação cármica a ser vivenciada e que não pode ser interrompida. Deste modo acabam voltando ao nível de consciência, que podemos chamar de comum dentro da nossa dimensão vibratória. Em outras palavras voltam para a dimensão do mundo das formas, muitas vezes contra sua vontade, mas fascinados pela experiência, que como já mencionei sentem enorme dificuldade em expressá-la verbalmente. Não há nada em que possam se agarrar a não ser por analogias. Podemos também perceber que muitos desenvolvem aptidões paranormais que antes não possuíam. Quanto aos seres índigos, supõem-se

que já nascem em

novas condições biológicas ou astrais, talvez com uma Kundalini mais

desenvolvida,

amadurecidos.

por

serem

seres

espiritualmente

mais

De acordo com a Dra. Berrenda Fox, estudiosa do

assunto, parece que crianças índigas, já nascem com mais de uma hélice dupla de DNA. Segundo seu entendimento estamos sofrendo uma mutação genética e futuramente iremos desenvolver doze hélices. Ela afirma que esta é uma explicação científica e que estas


alterações

ainda

não

são

do

conhecimento

público,

pois

a

comunidade científica considerou que isso seria um tanto assustador para grande parte da população. Aqui devemos deixar bem claro, que todas estas pesquisas e informações nos impõem uma necessária cautela, para evitar de sermos concludentes. Entretanto se levarmos em consideração escrituras milenares, revelações proféticas, contatos extraterrestres, descobertas surpreendentes na física quântica e até a própria bíblia, parece que de fato estamos no limiar de um grande salto evolutivo. Isto fará com que outras faculdades de percepção muito mais apuradas venham proporcionar ao homem uma visão mais ampla do universo e do seu propósito. Atingir este estado de consciência, pode nos parecer impossível. Temos a falsa idéia que isto só pode ocorrer para os santos, ou pessoas de grande devoção. No entanto já possuímos aquilo que achamos que não temos. O lama tibetano Jamgon Kongtrul nos deixou enigmáticas e profundas palavras quando disse:

“Está muito próximo, por isso nós o ignoramos. Parece bom demais para ser verdade e, então não acreditamos nele. É muito profundo e, portanto, é impossível compreendê-lo. Como não se encontra em nosso exterior, não conseguimos discernir sua forma”.


*Shiva Sutras - Principal escritura do Shavaismo da Caximira. *Prana - Forรงa vital. *Mantras - Palavras ou cantos para concentrar a mente.


O CAMINHO DO SAGRADO


Estamos descobrindo que vivemos em um mundo misterioso cheio de coincidências e encontros sincronizados que parecem destinados. Ao acordarmos para o mistério criaremos um novo ponto de vista que redefinirá o universo como energético e sagrado. Descobriremos que tudo à nossa volta, toda a matéria é originária e impulsiona


uma energia divina que estamos começando a ver e entender. Existe outro mundo aqui bem diante dos nossos olhos. James Redfield

Na verdade dentro de uma perspectiva mais ampla, não existe em realidade um caminho para o sagrado, porque já estamos vivendo plenamente no que podemos chamar de vida sagrada. Esta classificação é apenas para ordenar a mente e os pensamentos e facilitar a nossa compreensão. Isto pode a princípio nos parecer um paradoxo, entretanto, trilhar um caminho sagrado significa mais precisamente sair do nevoeiro que distorce a nossa visão e encontrar a ponte entre o tempo e a eternidade. A ponte está em nosso interior. Ele é um caminho isento de turbulências, de inconsciência e ignorância. Um caminho harmonioso, equilibrado e que gradativamente, com determinação e disciplina, irá nos conduzir mais próximo do nosso “Ser”. Com esta compreensão, podemos nos dar conta que até mesmo o caminho que for nos desviar de nossa meta, faz parte do processo de nossa aprendizagem. É claro que ele irá nos causar sofrimento, pois estaríamos nos desviando do nosso propósito espiritual. Mas o sofrimento neste caso serve de alerta vermelho como se ele nos advertisse: “Atenção perigo” você esta na contramão. Se tivermos bom senso, discernimento e um intelecto fortalecido compreenderemos o significado do alerta e mudaremos a nossa trajetória. Esta visão nos permite clarear dois pontos principais. A primeira é que todos os caminhos são sagrados e o segundo é que todo tipo de sofrimento é um aviso nos informando que estamos nos distanciando de nossa fonte, ele nos força com mais rigor para acelerar o nosso despertar.


Para quem está trilhando o caminho do sagrado, reconhece o verdadeiro sentido da espiritualidade. Entende que ser espiritual, não significa apenas acreditar em Deus, na vida depois da morte, freqüentar igrejas, centros espíritas ou grupos de meditação. Não que tudo isto não seja positivo, no entanto tudo isso não irá transformar a nossa consciência. O que ocorre muitas vezes de forma muito sutil, para um discípulo iniciante é acreditar que ser espiritual significa fazer coisas espirituais. Chogyam Trungna, mestre budista descreve este materialismo espiritual como um grande e sedutor brechó. Ser verdadeiramente espiritual é ter transcendido a ilusão de um eu pessoal (ego) e possuir uma conduta serena, desprendida e amorosa; isto é ter alcançado um puro estado de consciência. Conforme recentes pesquisas, podemos constatar, até para nossa surpresa, que apenas 1% da humanidade encontra-se nos níveis mais elevados da espiritualidade. O que de fato ocorre é que o termo “Espiritualidade” é muito enganador, Talvez para ser mais preciso a definição mais clara seria dizer que existem diversos níveis de espiritualidade, ou estágios que devemos trilhar para sermos verdadeiramente espirituais. Como tão bem definiu o filósofo e psicólogo Ken Wilber, seus estudos monstram que cerca de 70% da população mundial, encontra-se ainda nos níveis mais baixos de desenvolvimento, ou em outras palavras, seguem inconsciêntimente uma orientação “espiritual” fundamentalista, com seus preconceitos e crenças. De acordo com o gráfico de Wilber eles são representados pela cor âmbar. Cerca de 30% encontra-se no segundo estágio representados pela cor laranja ou turquesa e menos de 1% encontram-se

nos

estágios

traspessoais

ou

iluminadas,

representados pelas cores ultavioleta e branca luminosa . Neste capítulo iremos entender quais são os caminhos mais saudáveis, que podem nos auxiliar para alcançar estes níveis mais elevados. Como caminhar sem tropeçar, e saber se desviar dos obstáculos que inevitavelmente irão surgir. Não para nos punir, mas para nos testar e nos conduzir para o nosso principal objetivo. Este é


um caminho que não tem fim. Provavelmente jamais teve um começo, considerando que tempo e espaço são ilusões. Não percebemos isso, porque estamos num nível de consciência que não nos permite viver esta verdade. Fica quase que impossível, entender através de nossa mente racional e limitada que já estamos vivendo o momento do agora, ou seja, nós já estamos no atemporal, mas sonhando no tempo. Quando trilhamos

os caminho alternativos,

podemos notá-lo e senti-lo até mesmo no mundo das formas. Na beleza da natureza, nas artes ou quando sentimos um amor puro e incondicional nos relacionamentos. Podemos dizer que surge uma espécie de transparência e luminosidade que eleva a nossa vibração e nos sentimos mais livres como que flutuando por entre as nuvens. Ficamos impregnados por esta energia amorosa, que também acaba se irradiando ao nosso redor. Sentimos mais intensamente o nosso “Ser” livre de pensamentos e desejos quando penetramos na dimensão do silêncio. Trilhar o caminho do sagrado é como estar voltando para casa. Na medida em que nos aproximamos começamos a reconhecer aos poucos as paisagens quase esquecidas. É como se estivéssemos perdidos numa densa floresta e aos poucos descobrimos um rio, com suas margens verdejantes, as montanhas com seus picos nevados, o canto dos pássaros vindo do pequeno bosque, um lindo lago azul turquesa, e lá longe já podemos avistar o nosso lar. Tudo aos poucos começa a se tornar cada vez mais familiar, sentimos em nosso coração uma plenitude intensa e de repente nos lembramos nitidamente que somos o amor. O amor eterno que sempre nos acompanhou em nossa jornada. Ficamos deslumbrados e surpresos e nos questionamos: _ Como posso ter esquecido a verdade do que sou? Por isso é importante sempre estar na companhia das pessoas com os mesmos objetivos para que possam nos inspirar e nos orientar na direção do caminho do sagrado. Como afirma o grande mestre Kabir: “Busquei no mosteiro e no templo, mas eles estavam vazios. a verdadeira igreja é o “Ser” e a grande catedral é o coração de um


santo”. Assim se em seu caminho para o sagrado conhecer um mestre que alcançou a iluminação, permaneça com ele e torne-se seu amigo”. Podemos constatar através da história, que em todas as civilizações, das mais primitivas até os nossos dias, sempre houve reverência pelo sagrado. Isto ocorre porque sentimos em nosso íntimo que existe algo de muito grandioso permeando o todo cósmico da qual fazemos parte. O sagrado está em tudo. No “Ser”, na natureza, nas estrelas, nas galáxias, nos extraterrestres, no mundo animal, nas pedras, nos rios, nos homens bons e maus e até no lixo e no esgoto. Não existe nada neste universo que não seja sagrado. Poderia algo que vem do “Ser” não ser sagrado? Até mesmo alguém que pensa que é apenas um corpo mortal, não altera a verdade de sua essência. É simplesmente a antiga e ilusória crença, que faz com que ele enxergue um mundo distorcido pelas lentes embaçadas do ego. Tudo é luz, tudo é vida, e tudo que é vida é sagrado. Todos temos esta luminosidade em nosso interior. Até as pedras mais duras são constituídas de luz, a diferença está apenas na intensidade da sua vibração. Uma pedra possui uma luz congelada, enquanto num Buda sua luz é tão intensa que ilumina a humanidade inteira. Talvez isto explica

porque sentimos uma

grande fascinação pela pedras preciosas e fogos de artifício. Podemos achar um tanto estranho esta afirmação, porém as pedras preciosas nos emocionam pela sua beleza, durabilidade e brilho, e os fogos

pelo

encantamento

de

suas

luzes

e

seus

efeitos

deslumbrantes no céu. Parece que isto, de algum modo, nos transporta

para

um mundo

mágico

e encantado

que ainda

permanece em nós, como uma tênue lembrança de nossa própria grandeza, luminosidade e eternidade. Um dos mais importantes caminhos que nos conduz ao sagrado é sem dúvida a prática da meditação. Ela é universal e não é propriedade de alguma religião ou seita. Através da prática constante da meditação se dissipam as impurezas mentais que


temporariamente encobrem a nossa essência e alcançamos a nossa meta sagrada . A

iluminação espiritual.

Ela nos permite

transcender o sentimento de separatividade que aprisiona o nosso “Ser” e nos possibilita passar de um nível de consciência para a seguinte, obtendo uma visão muito mais ampliada. É o despertar e o reconhecimento

da

nossa

natureza

divina.

Hoje

muitos

pesquisadores reconhecem que a meditação ativa o córtex préfrontal, e estimula a liberação de neurotransmissores. Por isso é fundamental dedicar diariamente um tempo para sua prática, apesar de todas as dificuldades que surgem no início, e procurar entender todo o processo e as etapas que a meditação irá nos proporcionar. Por isto se faz necessário ter um conhecimento correto para que a meditação não seja apenas uma forma de relaxar, mas que possa alcançar o seu verdadeiro propósito. De acordo com as próprias experiências dos mestres iluminados, o nosso corpo é como um lótus de quatro pétalas. O Físico, o Sutil, o Causal e o Supercausal. Quando este último é alcançado, então surge a luz do “Ser” chamada pérola azul, conforme mencionei no capítulo anterior. Ela é do tamanho de uma semente de gergelim, porém é tão grandiosa que contém todo o universo. Este é considerado o ponto culminante da meditação. Neste estado as nossas limitações desaparecem e percebemos que tudo é um “Jogo da Consciência”. Segundo o mestre Muktananda juntamente com outros mestres de sua tradição, insistem em que o “Ser” é idêntico a Deus, a verdade suprema, e afirmam que o desenvolvimento desse “Ser” interior é de fato a meta principal da vida humana. Provavelmente estas afirmações podem nos surpreender e é muito difícil aceitar de imediato este conhecimento. Isto ocorre, porque durante muito tempo ficamos identificados com o nosso corpo e o mundo das formas. Fomos levados a acreditar que somos simples indivíduos, limitados, imperfeitos, pecadores e mortais. Muitas

pessoas,

senão

a

maioria,

não

conseguem

compreender o poder do silêncio e da meditação, como uma força


ativa, embora aparentemente invisível. Como ainda estão presas no paradigma materialista e dominados pelo ego, elas se questionam como é possível um homem não fazer algo para resolver o problema da pobreza, da corrupção, das guerras e tantas injustiças. Elas acreditam que com a mudança do mundo externo eliminando os maus e preservando os bons, reinaria finalmente a felicidade na Terra e o mundo seria um verdadeiro paraíso. Mas na verdade são dimensões

diferentes.

Sim

vamos

encontrar

muitas

pessoas

imbuídas por este ideal, que procuram interferir nas instituições e algumas vezes conseguem um relativo sucesso. Porém não passa de um paliativo. Não sou contra atividades filantrópicas se a pessoa se sente útil agindo desta forma. Mas a única e verdadeira solução é extirpar a ignorância pela raiz. Gosto muito de uma afirmação do Osho,

quando

em

uma

de

suas

palestras

diz

com

muita

determinação: “As pessoas tem que mudar internamente, porque o mundo nada mais é, senão um fenômeno projetado da alma do indivíduo. Mudando a si mesmo você estará mudando o mundo”. Escrever sobre meditação exigiria outro livro para poder nos aprofundar mais em todos os seus detalhes. Mas no final deste volume, recomendo diversos livros sobre o tema. Infelizmente muitas pessoas desconhecem o imenso valor e o poder da meditação porque no início parece algo vazio. Ficar sentado, imóvel, coluna reta e sem nada pensar. Por termos um excessivo acúmulo de pensamentos fica difícil aquietar a mente; em outras palavras, por estarmos dominados por pensamentos inúteis e negativos que desencadeiam emoções turbulentas, que nos deixam desorientados, carentes e desamparados. Temos que nos livrar destes entulhos para limpar a mente. Devemos nos dar conta que o ego é o impostor, que tenta de todas as formas dificultar o nosso acesso ao “Ser”. É por esta razão que no início quando começamos a meditação não é nada muito prazeroso. Ao invés de sentir paz e bem estar, sentimos no início angústia, remorsos, dores pelo corpo, e lembranças de traumas

emocionais.

Todos

estes

sentimentos

emergem

na


superfície, para serem compreendidos e perdoados, como um processo

de

purificação

para

nos

livrarmos

de

inúmeros

pensamentos falsos, que ficam como entulhos, limitando a nossa consciência, e bloqueando temporariamente o nosso brilho. Isto também pode ser feito através de vários tipos de terapias como a respiração holotrópica, a terapia de vidas passadas, integração craniossacral, a pathwork e muitas outras que nos permitem desbloquiar emoções negativas e alcançarmos estados ampliados de consciência. Porém a meditação é uma das mais profundas, pois permite não apenas liberar o passado, mas um acesso para níveis de consciência mais elevados, e que na verdade é o objetivo principal da meditação. É importante esvaziar a mente, cheia de tabus e preconceitos, para que a água pura e cristalina da verdade possa circular. Assim pouco a pouco você começa a experimentar o poder do silêncio. Quando não surgirem mais pensamentos, surge a quietude. Então há uma total entrega e você começa a vislumbrar e sentir a sua real natureza. Hoje importantes universidades americanas como a de Madison, Princeton, Harvard e Berkely, fazem intensas pesquisas sobre o efeito da meditação e foi constatado que os meditadores mais experientes conseguem criar estados mentais precisos e mais duradouros. Estas experiências demonstraram que a zona do cérebro associada às emoções apresenta uma atividade maior nas pessoas que tem mais vivência meditativa. Ela também melhora a clareza mental, para fazermos escolhas apropriadas, e fortalece nossa imunidade,

devido a uma

redistribuição

da circulação

sanguínea e a melhora da oxigenação geral. Naturalmente existem vários outros caminhos como já mencionei,

que

mediunidade,

o

também

podem

xamanismo,

a

ser

oração,

praticados, a

como

a

contemplação,

a

concentração, o amor ao próximo, a lembrança de si, a devoção. Porém segundo os mestres de todas as épocas, a prática constante da meditação é considerado o caminho mais rápido e eficaz para


nos

tornarmos

perfeitos

e

alcançarmos

a

bem

aventurança.

Reconheço que é um processo difícil, porque com certeza surgirão em seu início muitos obstáculos. Devemos estar vigilantes e atentos, e quando surgirem pensamentos não devemos lutar contra eles, mas deixá-los imergirem, pois desaparecerão da mesma forma como surgiram. É importante permanecer com o a coluna ereta, para que a energia possa circular por todo o corpo e respirar de forma rítmica. Como mencionei anteriormente, a meditação não é de modo algum apenas um método de relaxamento, mas sim um caminho para o sagrado. Portanto a meditação é aprender a voltar-se para dentro do seu próprio “Ser”. Surge então uma paz e uma alegria tão profunda que simplesmente transcende qualquer tentativa em descrevê-la. O que pode ser dito é que toda a felicidade que temos procurado durante todas as nossas vidas é experimentada em nosso interior. Neste momento sentimos o nosso esplendor e não conseguimos imaginar que algo mais possa ser acrescentado. Somente alcançado este estágio, teremos consciência que todos os estados afetivos que imaginávamos ser amor, na realidade não eram. O amor só poderá se tornar verdadeiro, quando amarmos os outros pela pura essência que estão em todos nós, e não pela expectativa de um retorno que muitas vezes não podem nos dar. No entanto, não podemos esquecer que o homem antes de atingir este despertar, ele é ainda um ser em transição, isto quer dizer que ainda está vivendo entre duas dimensões. “O mundo da formas e o mundo do”Ser”. Assim podemos afirmar que o homem em sua presente condição, é um ser incompleto. Ele próprio é um gigantesco laboratório vivo, passando por muitas transformações e isto pode explicar a sua constante insatisfação causando-lhe constantes conflitos interiores. Assim para o aspirante que deseja trilhar o caminho do sagrado, pois sente em seu íntimo uma necessidade imperiosa de despertar, deve estar preparado para enfrentar lutas internas, com muita disciplina e serenidade, como é tão bem descrito na épica batalha espiritual do Bhagavad Gita*. Todo crescimento espiritual é quase sempre precedido por um período de crise existencial. Como mencionei no capítulo anterior, surgem sintomas psíquicos e físicos que as vezes


podem chegar a um ponto, onde a vida lhe parece vazia e sem sentido. Sente como se estivesse em uma

profunda solidão e

desamparo. A terapeuta Dr. Angela Maria La sala batá definiu este estado com muita precisão: “Para o “aspirante espiritual” é talvez o período mais atormentado e difícil. Nesta fase o homem é posto a prova de mil maneiras e a pressão interior da centelha divina que procura manifestar-se torna-se mais forte, gerando conflitos, crises e sofrimentos físicos e psíquicos. Nesta fase, a imagem evolutiva nela oculta torna-se mais clara, e a sua finalidade purificadora mais evidente. O seu aspecto favorável e positivo pode ser melhor compreendido, pois o indivíduo está mais próximo do despertar e sua consciência está mais sensível e preparada”. É importante compreender que todos estes sintomas não podem ser tratados pela terapia comum ou através de um tratamento psiquiátrico convencional. Se for analisado pelos padrões da psicologia psicanalítica clássica, será classificado como um doente neurótico, quando na realidade ele é um verdadeiro pioneiro no caminho da ascensão, descobrindo um mundo novo. Segundo o Dr.Rüdiger Dahlke afirma em seu profundo

livro: Depressão

Caminhos de superação da noite escura da alma” ele diz: “Só quando libertamos nossos desejos frustrados do “mundo das sombras”, só quando eles se tornam visíveis para nós, podemos dar uma nova direção à vida. Podemos superar padrões antigos e abrir-nos para novas idéias e valores, voltando a ter esperança no futuro”. Tendo por base a visão de Maslow, psicólogo humanista, e também podemos

grande afirmar

impulsionador que

a

da

humanidade

psicologia trilha

transpessoal,

dois

caminhos

fundamentais, que dão origem a dois grupos bem distintos. Os do primeiro

grupo,

são

movidos

pelos

seus

instintos

básicos,

necessidades afetivas e sexuais, auto-afirmação, possesividade, auto-defesa, e muitos outros impulsos emocionais sustentados por


um eu (ego) ilusório e sem consistência, mas ainda assim necessário para sua evolução. Já as pessoas do segundo grupo que podemos chamar de “Aspirantes espirituais”, se destacam por uma busca muitas

vezes

desenfreada

para

alcançar

uma

verdade

mais

consistente. Surge uma sede pelo autoconhecimento para se descondicionarem das ilusões e prazeres efêmeros. Como já mencionei, surge neste estágio uma crise, em consequência justamente desta tensão. Aproveitando novamente as palavras da Angela Maria La Sala Batá “O sofrimento desta fase, parece não ter saída mas pode ser resolvida não por algum esforço racional ou por uma vontade consciente, considerando que estas são mais expressões do eu pessoal (ego), mas pelo abandono, pela rendição incondicional, pela desistência a toda luta”. Se considerarmos o que foi exposto e levarmos em consideração a verdade da alma, então a tentativa de curar o paciente apenas através da medicina alopática, só vai mascarar o problema, a não ser que ele esteja em estado grave. Desta forma podemos compreender que todas estas perturbações, são na realidade em sua grande maioria um conflito existencial entre o ego, as vezes bastante cristalizado, e o mundo do “Ser”. Ocorre assim um atrito constante entre duas dimensões relativamente opostas. Uma pela sua tendência em manter, conservar e resistir a qualquer tipo de mudança.

Enquanto

que

a

dimensão

do

”Ser”

é

liberdade,

dinamismo e em constante movimento para a transformação. Isto explica a crescente popularidade da medicina alternativa, apesar do grande avanço da ciência médica. De acordo com a descrição do místico S. João da Cruz, estas penosas experiências, são muito semelhantes a psicose depressiva. Isto também é confirmado pelo psiquiatra italiano Assagioli onde diz em uma de suas anotações : “É um estado de intensa depressão, que pode chegar ao desespero. Em alguns casos pode acreditar que está perdido ou condenado”.


No entanto do ponto de vista espiritual, apesar do sofrimento, é uma fase positiva porque é o início de uma transformação purificadora. Se entendermos com clareza esta condição, então teremos a tranqüilidade de aceitarmos com serenidade este período de crise com todos os seus transtornos como inevitáveis, pois é o início de uma transformação alquímica em toda a nossa estrutura vibracional e dimensional que impulsiona o “Ser” em direção da sua verdadeira identidade, que também é chamado de “segundo nascimento”, porque passa por uma profunda mudança interior, dando início a uma nova consciência. Por esta razão muitos acabam mudando seus nomes, como uma demonstração simbólica, que já não são mais os mesmos. Em outras palavras, é o nosso “Ser” que começa a brilhar mais intensamente, enquanto que o mundo das formas já não nos afeta como antes. Quando o homem finalmente alcança este despertar, se surpreende

porque percebe que esta

verdade era ele próprio o tempo todo. Estava tão perto e era tão simples que não se dava conta. É bom lembrar sempre que é o próprio caminho, com suas curvas e seus altos e baixos que irá conduzi-lo para atingir a meta, naquilo que nasceu para realizar. Nunca houve tantos caminhos e oportunidades como hoje, e todas elas possuem o propósito de oferecer-lhe novas e renovadas energias. Elas o ajudarão a descobrir o caminho do sagrado para desempenhar o papel que escolheu, nesta fascinante época de grandes transformações. O mestre Vivekananda, que alcançou o estado de samadhi, descreve a natureza e a plenitude que ela proporciona com as seguintes palavras: “Neste estado, você percebe que nunca nasceu e jamais morrerá, que não necessita do céu, nem da terra. Você saberá que nunca chegou nem partiu, que quem se movia era a natureza e era esse movimento que se refletia sobre o “Ser”. A forma da luz refletida pelo vidro de uma lente sobre a parede movimenta-se. A parede imagina ingenuamente que é ela que esta se movendo. O mesmo acontece conosco. É a mente que está em constante 


movimento, ela assume várias formas e nós imaginamos que somos essas formas. Todas estas ilusões irão desaparecer”

*Bhagavad Gita - Antiga escritura indiana. * James Redfield – Autor do livro “A profecia Celestina” *Vivekananda - Discípulo principal do mestre Sri Ramakrishna-1863-1902. *Samadhi - Estado de união meditativa com o Absoluto.


O DIVINO JOGO DA CONSCIÊNCIA


Somos centelhas vivas da divindade. Aquele que mergulha profundamente no “Ser” realiza não apenas sua identidade com o espírito cósmico, como prova a doçura da felicidade infinita. O “Ser” é a fonte de toda a felicidade, o que a humanidade tem de mais precioso. O grande valor da vida está na alegria de viver. Sentir-se unificado ao “Ser” é viver em união com Deus infinito Paranahansa Hariharananda

Este capítulo só poderia começar com um profundo e poético texto do mestre Shankara,* que soube retratar com muita fidelidade,


como o homem é constantemente ludibriado por este divino e misterioso jogo da consciência. Quem é a esposa? Quem é o filho? Estranhos são os caminhos deste mundo. Quem és tu? De onde vieste? Vasta é a ignorância, meu bem amado. Medita, pois sobre essas coisas e adora o Senhor. Vê a loucura do homem: Na infância ocupado com seus brinquedos. Na juventude seduzido pelo amor. Na maturidade curvado sob as preocupações – E sempre negligente com o Senhor! As horas voam, as estações passam, a vida se escoa, mas a brisa da esperança sopra continuamente em seu coração. O nascimento traz a morte, a morte traz o renascimento: Esse mal não necessita de prova. Onde pois, ó homem, está a tua felicidade? Esta vida tremula na balança, qual orvalho numa folha de lótus. Não obstante, o sábio pode nos mostrar, num instante, como Atravessar esse mar de mudanças. Quando o corpo se cobre de rugas, quando o cabelo encanece, quando as gengivas perdem os dentes, e o bordão do ancião vacila sob o seu peso como um caniço, a taça do seu desejo ainda está cheia. Teu filho pode trazer-te sofrimento. Tua riqueza não te garante o céu: Não te vanglories, pois de tua riqueza, nem de tua família, nem de tua juventude. Todas elas passam, todas hão de mudar. Saber isso, é ser livre. Entre na alegria do Senhor.


Não busques a paz nem discórdia com amigos ou parentes. Ó bem amado, se queres alcançar a liberdade, Sê igual em tudo.

A verdade é que de algum modo, o homem reluta em despertar. Hoje a ciência reconhece que tudo que envolve os sentidos é distorcido e imperfeito. Um conceito que Platão expressou em sua famosa Alegoria da caverna. Tente imaginar um grupo de pessoas que habitam no interior de uma caverna. Como estão de costas para a entrada e acorrentados, tudo que conseguem ver é a parede da caverna por onde passam silhuetas em forma humana devido a uma fogueira atrás deles. Desta forma o que os habitantes da caverna podem ver é um teatro de sombras e pelo fato de ser tudo que conhecem, acreditam que esta é a única realidade. Porém um dos habitantes consegue se libertar e sair da caverna. Após certo tempo, quando começa a se acostumar com a luminosidade do sol percebe gradativamente o descortinar de um mundo

novo. Tão

entusiasmado ficou pela liberdade e pela beleza do cenário que acabou por conquistar, que decide voltar para o interior da caverna para tentar

explicar aos outros, que as sombras na parede não

passam de imitações da realidade. No entanto poucos acreditaram nele. Como

podemos

perceber,

esta

antiga

alegoria

mostra

claramente as nossas limitações na compreensão das coisas que estão além dos limites dos sentidos. Como os outros habitantes da caverna jamais

haviam experimentado nenhuma outra realidade

além do que viam, não podiam imaginar que outra coisa pudesse existir. Temos o conceito de que toda experiência sensorial é a prova crucial da sua existência. Somente quando posso ver ou tocar algo, então ela passa a ser verdadeira. Platão, filósofo grego, que foi discípulo principal de Sócrates por volta de 470 A.C, já antevia até certo ponto que a vida era um “Jogo da Consciência.” Ele sentiu que a vida humana era um espetáculo de sombras. Estamos presos no interior de uma caverna escura e por isso cada um possui uma visão


diferente, dependendo do ângulo em que a luz é projetada. Acreditamos que as sombras são a realidade, mas elas não passam de ilusões. Platão percebeu que as respostas de nossa realidade, só podem estar dentro da secreta caverna do nosso coração. Tudo que é aparentemente sólido é apenas uma sombra. Somente a luz é verdadeira. Enquanto estivermos vendo o mundo com os olhos da inconsciência, estaremos distorcendo a verdade. Para ilustrar ainda mais esta condição, quero citar o magnífico e criativo filme de Kurosawa “Rashomon*”, pois retrata como cada indivíduo, interpreta os acontecimentos de acordo com o seu estado de consciência. Tendo como cenário o Japão do século X1, vemos três personagens; um lenhador, um padre e um plebeu que se refugiam de uma forte e prolongada tempestade, sob as ruínas do portal de Rashomon. Na medida em que a história se desenrola , vemos em flash Black como cada personagem conta a sua própria versão sobre um crime cometido na região. No final, não sabemos qual deles está contando a verdadeira história. Da mesma forma como não possuímos a experiência do “Ser” vemos apenas um teatro de sombras, e assim cada um interpreta o mundo de acordo com a sua limitada visão. A verdadeira consciência é o reconhecimento da nossa essência, e que fazemos parte deste “Divino Jogo do Ser”. Quando esta verdade é incorporada, nada, absolutamente nada pode me iludir, porque reconheço a verdade do meu “Ser.” Não importa quem você seja, porque o amor incondicional de Deus, não permite que você se extravie. Você está na palma de sua mão, tão grande o suficiente para protegê-lo com o maior amor e carinho, sobretudo para as almas mais perdidas.

Isto é lindamente transmitido pela mais

poética e comovente parábola de Jesus. A parábola da ovelha perdida: “Qual entre vós é o homem que tendo cem ovelhas, ao perder uma delas, não deixaria as noventa e nove no deserto ou nos montes e iria em busca daquela que se perdeu até encontrá-la ? E achando-a põe-na sobre os ombros com alegria e voltando para casa convoca os amigos e os vizinhos dizendo-lhes: ---Alegrais-vos comigo porque encontrei a minha ovelha perdida! Em verdade vos


digo que maior alegria sinto por causa desta, do que pelas noventa e nove que não se extraviaram”. Esta parábola demonstra a imagem amorosa de um bom pastor que por estar consciente, resgata todas as suas ovelhas. Comprova como todos nós somos importantes, e da impossibilidade de alguém de nós se extraviar, porque como uma grande orquestra, estaria faltando um instrumento vital que compõe a grande sinfonia cósmica. Da mesma forma, que um computador corrige o curso de um satélite, o “Ser” está constantemente corrigindo a sua rota. Em caso do satélite se desviar, o computador automaticamente o corrige para executar a sua missão. O que pode ocorrer se você permanecer inconsciente é prolongar as suas ilusões e sofrer as suas conseqüências. Mas provavelmente você leitor que acompanhou o livro até este capítulo deve ter se questionado: Porque um jogo? Porque temos que passar por todo este processo, principalmente quando as coisas vão mal. Porque temos que passar por adversidades e tantos sofrimentos? Toda esta evolução não poderia ocorrer de outra forma? Esta é uma questão que não pode ser respondida no nosso atual estado de consciência. No entanto existe uma história no cabala chamada “A Parábola do Quebra Cabeça” que tenta explicar esta nossa condição. Ela é descrita no primeiro livro da trilogia “O Divino jogo do Ser.” Porém na medida em que evoluirmos e nos conectarmos com o nosso “Ser”, todas estas indagações deixarão de fazer sentido. Tente imaginar como seria para um mestre iluminado tentar explicar com palavras a sensação de paz e serenidade para um homem ansioso, perturbado e dominado pelo ego? Um mestre iluminado percebe a diferença entre o real do irreal, pois sente vivencialmente que o mundo das formas é como um sonho, percebido apenas pelos nossos limitados sentidos. Enquanto o real é a manifestação ilimitada de nossa verdadeira essência, o irreal só existe dentro do reino da percepção. Seria impossível cultuar o ego e


o “Ser” ao mesmo tempo. No evangelho de Tomé, vamos encontrar mais um estupendo ensinamento de Jesus, quando disse: “É impossível para um homem montar em dois cavalos, ou retesar dois arcos. E é impossível que um servo sirva a dois senhores, pois ele honra um e ofende o outro”. Adquirir esta percepção pode exigir um certo tempo. Portanto tudo tem que ser gradativo, afinal, quanto tempo você levou para aprender um novo idioma ou tocar um instrumento musical? A vida não existe por mero acaso, tudo segue um sofisticado processo. Um belo exemplo nos é dado por Eckhart Tolle* numa de suas palestras quando ele explica porque a mente humana, não pode entender muitas coisas que acontecem aparentemente sem sentido. Segundo suas próprias palavras: “Não

existe

nenhum

evento

isolado.

Tudo

está

interconectado. Se temos uma grande pintura e tirarmos dela somente um pequeno pigmento, diríamos que este pigmento não faz sentido. Somente quando vemos a totalidade é que veremos onde ele se encaixa”. Alcançar a sabedoria

portanto é sentir a verdade do nosso

“Ser” e compartilhar este sentimento amando o nosso próximo. Perceber com clareza que não existe o que normalmente rotulamos como certo e errado, possível ou impossível. Para o “Ser” não existem limites. O nascimento não é o início e a morte não é o fim. Há continuidade porque a existência é atemporal. A consciência se unifica com o todo e o todo se torna um. Nada está separado. Tudo está interligado e se propaga vibracionalmente de forma invisível, mas sentida e captada por todos. Talvez a melhor comprovação da realidade da interconexão é a famosa história do centésimo macaco. Quem a conhece, vale a pena relembrá-la. Mas caso você não a conheça, então irá se surpreender. Conta-se que em 1952, um grupo de cientistas, jogaram de avião batatas doces nas praias de Kochina, habitada por


macacos, mas como caiam na areia, acharam desagradável o seu sabor. No entanto, passado um

certo tempo, um dos macacos,

descobriu que lavando as batatas num rio, resolveu o problema. Seus companheiros aprenderam a novidade e passaram também a lavá-las. Quando o centésimo (apenas um número ilustrativo), também aprendeu a lavar as batatas, então aconteceu algo totalmente surpreendente e inesperado. O hábito de lavar as batatas havia atravessado o oceano, e bandos de Macacos de outras ilhas, também começaram a lavar suas batatas pouco tempo depois que os cientistas Jogaram as mesmas batatas nestas ilhas mais distantes, sem que ninguém os ensinassem.

Assim os cientistas

constataram que quando um certo número crítico, atinge uma nova consciência este pode ser comunicado de uma mente a outra. Assim se cada um dedicar alguns minutos, para meditar entrando na freqüência de amor e paz, poderíamos alcançar um novo estado para uma consciência mais elevada. Como uma espécie de contágio, poderia se espalhar a nível global. Como vimos através dos depoimentos das pessoas que passaram pela (EQM) e consciência cósmica, elas adquirem a convicção que a vida possui um propósito sagrado e perdem totalmente o medo da morte. Porém além destas mudanças elas posteriormente apresentam uma percepção mental ampliada, um sentimento de maior sincronicidade, dons de cura, ativação da kundalini, mudanças neurológicas e cerebrais e muitas outras alterações físicas e astrais. Entretanto seja qual for a explicação para estas ocorrências, um fato é incontestável, deixam marcas profundas e duradoras para todos eles. Temos que olhar para dentro de nós e humildemente perceber em nosso coração as fraquezas que nos mantém ainda em servidão. Precisamos romper estas cadeias torturantes dos pensamentos compulsivos e egóicos, que nos afastam da nossa essência e da vida infinita do espírito, da qual somos os seus legítimos herdeiros. “Vós sois a luz do mundo” declarou Jesus tentando nos despertar para perceber que o nosso destino é alcançar Deus. Quando a nossa luz interior estiver unida a


Deus, o amor resplandece. O amor é esta ligação eternamente viva que demonstra que cada “Ser” se interconecta com o todo. O conceito de mútua interpenetração cósmica é também exemplificado de forma fascinante na escola de pensamento budista Hwa Yen. Segundo a história, para que a princesa Wu pudesse entender mais facilmente esta complexa filosofia pediu ao sábio Fa Tsang que lhe fizesse uma pequena demonstração simples. Então após algum tempo ele a levou a uma gigantesca sala cujo interior, o piso, as paredes e o teto eram cobertos por espelhos. Em seguida ascendeu uma vela no meio do salão e levantou-a até o teto. Com isto ficaram rodeados por miríades de velas indo até o infinito. Depois colocou no centro do salão um pequeno cristal multifacetado. Agora tudo ao redor do cristal, inclusive todas as incontáveis imagens de velas, estavam agrupadas e refletidas no interior do pequeno cristal. Assim ele conseguiu demonstrar para a princesa, como o infinitamente pequeno contém o infinitamente grande e o infinitamente grande contém o infinitamente pequeno. É impressionante a correlação entre a criatividade do sábio Fa Tsang para demonstrar a interconexão com todas as coisas e o grande avanço da física moderna, que nos prova cientificamente esta verdade. O físico Erwin Schrodinger, detentor do prêmio Nobel se expressou sobre esta interconexão com as seguintes palavras: “A consciência é um singular

cujo plural é desconhecido.

Existe apenas uma coisa e aquilo que parece pluralidade é apenas uma série de aspectos diferentes desta coisa única, produzidos por uma ilusão, a maya indiana, como em uma galeria de espelhos”. Tentar controlar ou nos apegar ao mundo das formas, estaremos construindo a nossa prisão. Como ensinou Jesus “Amar o próximo como a si mesmo”, é como abrirmos as portas e janelas com humildade no coração e aceitarmos as pessoas como elas são. Temos que aumentar a nossa fé para sermos verdadeiros guerreiros espirituais e com coragem e serenidade enfrentar as adversidades


da vida e aprender as suas lições. São elas que irão nos transformar para sentir a nossa união com o nosso “Ser”, eternamente jovem, pacífico, amoroso, alegre e bem aventurado. Então tudo passa a ser como um jogo, uma diversão com todas as suas regras e desafios. Se tivermos em mente a demonstração de Fa Tsang e as surpreendentes

descobertas

da

física

moderna,

poderemos

compreender que cada objeto não é totalmente independente, mas envolve

todos os outros. Em outras palavras: Eu sou você. Você sou eu. Os outros somos nós. Nós somos os outros. Os outros sou eu. . Assim, quando sentimos que estamos todos unificados, compreendemos que a história de cada um, faz parte de nossa própria história. Em nossa essência não existe nada que deva mudar ou fazer para ser o que você sempre foi. Quando de fato incorporamos todas estas verdades, então passamos a viver plenamente cada instante. Quando estiver com fome você se alimenta. Quando sentir sede você bebe. Quando sentir dor você a aceita. Quando sentir alegria você se diverte. Você se sente confortável e sereno consigo situação.

mesmo e com os outros em qualquer

E quando você estiver pronto para aparentemente

morrer, você continua a ser o que você sempre foi “O “Ser” divino e atemporal que você é.” Este é o Divino Jogo da Consciência.


*Shankara – Monge e poeta indiano, principal formulador da doutrina Vedânta não dualística.788 –820 D. *Rashomon - Portal de entrada sul da antiga capital imperial (Kyoto) *Eckhart Tolle - Escritor e mestre espiritual.


O FEITIÇO DO TEMPO


O tempo é muito lento para os que esperam. O tempo é muito rápido para os que têm medo, e muito longo para os que lamentam. Mas para os que amam o tempo é eterno. William Shakespeare

Com certeza o enigma do tempo, constitui um dos grandes mistérios da existência. Como um filme projetado, as imagens se sucedem, e como expectadores

não podemos interromper sua

seqüência. Não podemos voltar e não podemos avançar. Sentados em nossas poltronas, assistimos o desenrolar da história sem poder interferir nos acontecimentos. Naturalmente esta é apenas uma simples analogia. Para voltar ao passado só podemos fazê-lo através da memória. Se a nossa memória nos traz lembranças alegres ficamos felizes ou nostálgicos, caso contrário ficamos entristecidos, e muitas vezes inconformados. O mesmo acontece com o futuro, podemos sofrer por antecipação imaginando um futuro doloroso ou nutrir expectativas por um futuro esperançoso. Dominar o tempo só foi possível até agora através da imaginação. Pintores, escritores ou cineastas conseguem materializar os seus sonhos através de suas obras. Um sonho dentro de um grande sonho. Lembro-me que desde pequeno, sempre fui fascinado pelo mistério do tempo e do espaço. Quem assistiu e não se encantou com os filmes “A máquina do Tempo, O Planeta dos Macacos, O Feitiço do Tempo, De Volta para o Futuro ou a série Jornada nas Estrelas? Quem já não leu as obras fascinantes de Júlio Verne, Ray Bradbury, Isaac Asimov ou Arthur Clarke? Muitas vezes sentimos um desconforto que se apodera de


nós, por termos tomado decisões equivocadas, e em nosso íntimo surgem pensamentos como: !Ah, se pudesse voltar no tempo”... Se eu soubesse o que sei agora... Estes pensamentos podem nos ajudar, se forem considerados como lições, do contrário eles podem nos causar sentimentos de culpa que se acumulam em nosso inconsciente, causando muito sofrimento pelo redemoinho de pensamentos que agitam a nossa mente. Por outro lado isso pode ser positivo, pois desperta em nós um poder até então adormecido, e que intuitivamente sentimos. Colocado em ação, pode modificar a história de nossa vida, a história de nossa sociedade, a história do nosso planeta. Este desejo na verdade é a nostalgia da verdade do nosso “Ser”, ecoando em certos momentos de inspiração. Com este entendimento, podemos sentir que o presente é um momento atemporal, que parece se mover separando o ontem do amanhã. A cada decisão que tomamos, ele pode influenciar a nossa vida, e que o futuro está em nossas mãos. Recomendo assistirem o filme “O Feitiço do Tempo”, dirigido por Harold Ramis, porque representa de forma humorística e trágica ao mesmo tempo, como os nossos pensamentos interferem em nossa jornada. Neste filme, um repórter de meteorologia, arrogante e centrado em si mesmo, interpretado magnificamente por Bill Murray, fica preso numa espécie de teia do tempo, de forma que todos os dias, quando ele acorda é sempre o mesmo dia. Dia 2 de fevereiro. O dia da marmota. No início é divertido e ele astutamente tira vantagens das situações, pois sabe tudo que irá acontecer. Porém com o passar dos dias e meses e tudo se repetindo da mesma maneira, ele começa a ficar entediado, pois os prazeres começam a perder o seu encantamento a ponto de cometer suicídio. Porém, ele acorda de novo no mesmo dia, e percebe que não há saída, nem mesmo a morte. Por fim, depois de suportar um constante sofrimento, ocorre uma grande mudança em sua vida. Quando escolhemos o amor em vez do medo, então há uma transformação em nosso íntimo que desperta um poder que vai dos limites auto-impostos, para infinitas possibilidades. Tudo em nossa volta se torna mais colorido, e nossas vibrações se tornam mais elevadas pois se alinham com o propósito


de nossa essência. Assim em vez de buscar auto-gratificações, ele muda o seu comportamento e começa a realizar boas ações pela simples alegria de ajudar as pessoas, pois sabe tudo que irá acontecer. Com o passar do tempo, conquista o amor e a admiração de todos, quando um dia... Bem acho melhor não contar o final para que possam assisti-lo e terem o prazer de participarem do seu suspense e de seu maravilhoso final. É surpreendente a correlação entre a realidade vista pelos mestres iluminados e os físicos quânticos. Ambos afirmam que o tempo e o espaço são ilusões em nossa mente, eles não existem da maneira como são interpretados pelos nossos limitados sentidos físicos. Só existe o momento presente. O passado se torna apenas um registro em nossa memória e o futuro uma projeção de nossa consciência.

Como vivemos no tempo linear, fica difícil entender

este conceito. Mas se considerarmos como verdade que um mestre iluminado está na atemporalidade, podemos supor que mesmo que outros levem milênios para despertar, isto

só pode ocorrer no

eterno presente. Como só existe o eterno presente, fica claro que o despertar só pode ocorrer para todos no mesmo instante. Outra questão intrigante é como explicar as visões dos profetas ou videntes que conseguem prever o futuro? Será que estamos vivendo ao mesmo tempo no passado e no futuro, ou seja, já estamos na eternidade e apenas criando o sonho da nossa vida? Será que vivemos

várias

vidas

ao

mesmo

tempo?

Será

que

Einstein

considerado o maior gênio do século XX, estava certo quando afirmou: A experiência de um homem, é uma ilusão de ótica da consciência. O passado, o presente e o futuro acontecem todos simultaneamente? Este grande mistério do tempo em que (Liberdade/Determinismo) estão inseridos, só pode ser entendido como apenas uma estimativa daquilo que está no campo das possibilidades cármicas. Ela pode ocorrer, mas também pode ser alterada através de uma consciência positiva, evitando o seu efeito, ou diminuindo o seu impacto


negativo. É como colapsar o tempo, e alterar certas situações que não precisamos passar. Para compreender melhor este complexo conceito em que o passado, o presente e o futuro existem ao mesmo tempo, vamos encontrar uma brilhante analogia nos ensinamentos do Cabala. Imagine que está agora no décimo quinto andar de um prédio de trinta andares. Os andares de um a quatorze representam o passado, e os andares de dezesseis a trinta representam o futuro. No entanto o que percebemos no momento com os nossos limitados sentidos é apenas o décimo quinto andar. Não temos condições de ver os andares de baixo, nem os andares de cima. Porém o passado, o presente e o futuro existem como um todo unificado. Se formos para fora do prédio, poderemos sem nenhuma dificuldade ver todos os trinta andares de uma só vez. O feitiço do tempo nos ilude e cria uma distância entre a causa e o efeito. Podemos ter cometido uma ação seja negativa ou positiva há vinte anos atrás. Mas como uma semente, um dia ela brota e de repente passamos por uma determinada situação sem saber porque. Mas como nada acontece por acaso, se rastearmos o nosso passado, vamos constatar que há 20 anos uma semente foi plantada e depois a esquecemos. Segundo a civilização Maia, que foram extraordinários astrônomos, a medição do tempo era vista como decorrência de tempo e espaço. Para eles o tempo era uma coisa só, que não fluía livremente, mas sim circularmente, isto é, em ciclos repetitivos. Talvez por esta razão a adivinhação e a clarividência ocorriam por terem a capacidade de entrarem em contato com o registro Akáshico que são conhecimentos armazenados na zona intermediária entre o mundo

astral

e

mental.

Constituem

registros

de

todos

os

pensamentos e eventos que já ocorreram, como um infinito e sofisticado computador. De acordo com os estudiosos da civilização Maia, eles eram capazes de mapear o futuro de uma reencarnação, prever a data exata de seu nascimento, os ciclos positivos e negativos de uma pessoa durante sua estadia na terra e também


seus talentos e suas contas kármicas. Se de fato houver uma verdade nas profecias Maias, e que podiam acessar esses grandes registros virtuais, consta que haverá um período em que iremos nos mover para uma nova energia. Com isso todos

estaremos

conectados uns com os outros, como um só todo, porque fazemos parte de um só organismo. Desaparecerão muitos limites, e nada poderá ser ocultado. Ações violentas ou emoções negativas deixarão de existir, assim como leis de controle, pois cada um será responsável por seus atos. Será estabelecido um governo mundial, administrado pelas pessoas mais sábias. Um planeta sem fronteiras, nacionalidades,

e

organizações

religiosas.

Será

a

primavera

terrestre. Uma harmônica etapa de nossa evolução terá início para o florescimento de uma nova realidade planetária e sua integração com novas dimensões cósmicas. Sinto que muitos de nós aspiramos por esta transformação, principalmente em nossos dias onde impera a discórdia, e acredito que ela irá ocorrer, porque faz parte do nosso destino. É claro que ainda estaremos sob o domínio do mundo das formas, embora muito menos grosseira. Tudo isso pode nos parecer uma visão muito otimista, muitos poderão pensar que seja fruto de muita imaginação sem nenhuma base científica. No entanto todos os

mestres

afirmam

esta

possibilidade.

Existe

uma

citação

autobiográfica no livro do ParamahansaYogananda *, considerado um dos grandes mestres contemporâneo que descreve detalhadamente o poder do seu mestre Sri Yuktéswar que colapsou o espaço/tempo, transportando-se

repentinamente

da

cidade

de

Calcutá

até

Serampore na Índia. Uma distância de aproximadamente de 120 Klm. Vale a pena ler a sua descrição, pois confirma que não se trata de mera fantasia. Vou tentar resumi-la

pois ocupa um capítulo

inteiro, mas que irá nos proporcionar uma ideia deste extraordinário fenômeno. Aproximadamente às oito e meia, na quarta feira de manhã, uma mensagem telepática de Sri Kuktéswar blilhou como relâmpago em minha mente: “Estou atrazado; não espere o trem das nove horas”. Comuniquei as últimas instruções a Dijen meu colega de


quarto, que já estava pronto para sair. Como a sala estivesse um tanto escura, acerquei-me da janela que dava para a rua. De súbito, a escassa luz solar aumentou até uma intensidade resplandecente, onde a janela com sua grade de ferro desapareceu por completo. Contra este fundo deslumbrante, apareceu a figura de Sri Yuktéswar claramente materializado. Desnorteado pelo choque, levantei-me da cadeira e ajoelhei-me diante dele. Excessivamente assombrado para pronunciar

uma

palavra,

ergui-me

e

encarei-o

com

olhos

interrogativos. ---- Quanto me alegra que tenha recebido minha mensagem telepática! --- A voz do Mestre era tranquila inteiramente normal. Como eu ainda o mirasse, com olhos arregalados e sem voz. Sri Yuktéswar continuou:---- Esta não é uma a uma aparição, mas meu corpo em carne e osso. Foi-me divinamente ordenado que lhe proporcionasse esta experiência, raras vezes conhecida na Terra. Encontra-me na estação; você e Dijan verão que me aproximo, vestido como estou agora. Serei precedido por um companheiro de viagem --- um menino carregando uma jarra de prata. Antecipei a meu amigo detalhes sobre o modo como o nosso guru se aproximaria de nós. Acabada a descrição divisamos Sri Kuktéswar, usando as mesmas roupas que eu vira pouco antes. Caminhava devagar, atrás de um jovenzinho que carregava uma jarra de prata. Acredito que este poder poderá se manifestar quando o homem atingir um elevado nível de consciência. Existe uma passagem bíblica em que o mestre Jesus aparece diante de Pedro sobre o mar, e muitos relatos desta natureza são descritas por todos os mestres iluminados. Mas isto só poderá ser possível quando ocorrer um despertar, e nos desvencilharmos do nosso sofrimento que ocorre com muita frequência devido a lembranças traumáticas que carregamos em nossa memória. Um fardo desnecessário quando se trata de memórias negativas ou inúteis alimentadas pelo ego devido a nossa inconsciência. Da mesma forma, as expectativas em relação ao futuro, também nos dão a ilusão de que se alcançarmos um determinado desejo finalmente alcançaremos a felicidade. O poder


da mente muitas vezes acaba tornando real, o que não passa de meras fantasias. No entanto acredito que a raiz de toda a nossa inquietação e angústia é algo muito mais profundo e que deve ser muito bem compreendido. Muito diferente de um animal que se preocupa quase que exclusivamente em preservar a sua vida, o ser humano devido ao seu intelecto e outras faculdades ainda um tanto adormecidas, o forçam a sentir que precisa ser algo mais substancial do que apenas satisfazer as suas necessidades físicas e psicológicas. Isto o leva em busca de um propósito mais amplo, para preencher o vazio que ele sente grande parte do tempo, e que nem a fama, o poder ou o sucesso material pode apaziguar. Como já afirmei ao longo deste livro, na verdade tudo que ele procura se encontra em suas mais longínquas lembranças. Como uma espécie de amnésia, ele esqueceu o “Ser” que ele sempre foi, onde tudo era “Perfeito e Infinito”. Imaginar que é possível, alcançarmos a plenitude no mundo das formas para quem está no início de sua jornada espiritual, é estar na inconsciência. É sonhar com o impossível. É como desejar que o absoluto se concretize no mundo relativo, ou tentar colocar as águas do oceano num simples copo. Isto é impossível porque pela sua própria natureza o mundo material é impermanente, efêmero e transitório. Ele é apenas um sonho. Este é o nosso grande dilema, e a nossa angustia existencial. Assim temos que perceber que tentar modificar as situações do mundo externo principalmente quando certos momentos nos parecem desfavoráveis é um desgaste mental que só retarda a nossa ascensão. É como tentar parar o tempo, retardando assim a nossa conexão com o nosso “Ser” Não devemos jamais lamentar o passado, porque é como se fosse um dinheiro falsificado, e o futuro um dinheiro que ainda não está em nosso bolso. Devemos sim, através da auto-investigação descobrir “Quem sou eu” Esta é a pergunta mais importante que devemos fazer. Para exemplificar este doloroso estado de consciência, lembrome de ter recebido um e-mail, onde é relatado uma consulta em


que o famoso psiquiatra e neurologista Honard Cutler, teve com um paciente que começou a relatar o que o trazia ao seu consultório: ---- Aquela vagabunda! Gritava ele de repente, com sua voz espumando de raiva. A peste da minha mulher! Ex-mulher agora, ela estava tendo um caso em segredo! Depois de tudo o que eu fiz por ela. Aquela... Aquela piranha! Sua voz foi ficando mais alta enquanto ele repassava as queixas contra a ex-mulher. A sessão estava chegando ao final. Percebendo que o paciente só ganhava ímpeto e que poderia continuar falando por horas, Honard Cutler tentou redirecioná-lo, dizendo-lhe que de fato a maioria das pessoas possuem dificuldades para se ajustarem a um divórcio recente e sem dúvida esse é um assunto que seria tratado em sessões futuras --- Por sinal, há quanto tempo está divorciado? Perguntou o psiquiatra. ---Há dezessete anos completos, respondeu o paciente. Pode até parecer uma piada, mas infelizmente, quando nos apegamos a alguém pela nossa fragilidade, e não temos consciência que o verdadeiro amor está em nosso coração, passa a ser um fardo que carregamos,

um ressentimento que nos deixa vulneráveis e

sofremos as suas conseqüências. Um dos ensinamentos de Jesus, que abordamos no capítulo “A Luz da Consciência”, mostra que além de mestre, era um extraordinário terapeuta, por isto enfatizava a importância de viver o momento presente quando disse: “Não vós preocupeis com o dia de amanhã, porque o amanhã trará o seu próprio cuidado. A cada dia basta o seu trabalho”. O que significa esta advertência? Significa se concentrar no poder do agora. Desfrutar do momento, e viver somente um momento de cada vez, sem se preocupar com o dia de amanhã. É claro que isto não quer dizer que vamos cruzar os braços e deixar as coisa acontecerem aleatoriamente, sem nos responsabilizarmos pelas suas conseqüências. Quando você observa atentamente sua própria vida, perceberá que no fundo é uma história que você criou.


Se dará conta que é uma ficção criada pela mente para lhe dar um senso de identidade. Experimente permanecer por um momento sem esta identificação. Se conseguir então você verá seu próprio drama como uma fantasia. Perceberá que por de trás de todas as suas máscaras, existe o “Ser”, seu eu verdadeiro que nunca teve início e jamais terá fim. Embora de difícil compreensão, estamos aparentemente

mergulhados

no

tempo,

mas

também

num

gigantesco oceano de amor. Esta união é indissolúvel, e atemporal. No

entanto

se

faz

necessário

compreender

profundidade, a importância de se manter no

em

sua

aqui-agora, e que

atualmente é bastante cultuado na espiritualidade moderna. Muitos livros já foram escritos sobre este tema, mas não nos proporciona a verdadeira presença. Não que isto não seja positivo, ele deve ser constantemente praticado, porém o problema é que estar no aquiagora não irá nos proporcionar a verdadeira e suprema experiência de estar vivenciando o momento presente em toda sua plenitude. Isto só pode ocorrer quando despertarmos da ilusão do sonho, e nos unificarmos com a fonte. (Deus) Para isto, é importante um trabalho interior para desfazer as nossas sombras. E isto é um processo que deve ser feito gradualmente. O que são as sombras? senão todas as crenças de acreditarmos na realidade deste mundo e nos acharmos separados da fonte. Assim por mais belo ou por mais trágico que o mundo se apresente, na verdade tudo não passa da projeção da nossa mente. Se não removermos toda a culpa acumulada através do poder do perdão, e redescobrir a nossa pureza e inocência (somos todos um ) a experiência do agora, torna-se temporária. Se compreendermos esta sutil condição, então vamos perceber a grande diferença entre estar temporariamente no aqui-agora, mas ainda envolvido no mundo das formas onde o ego ainda é predominante, ou a verdadeira e permanente experiência da presença pela minha conexão constante com a verdade do meu “Ser”. No entanto mesmo que ela seja temporária, quando estamos no aqui-agora, ele nos proporciona o sentimento mais próximo da


atemporalidade

que

podemos

experimentar

neste

mundo

impermanente. Reconheço que é difícil entender certas verdades porque como sempre enfatizo é insuficiente entendê-las intelectualmente. Mas quando você as experimenta ela passa a ser sua própria verdade. Por esta razão entender mentalmente o enigma do tempo, torna-se apenas um conceito, uma idéia, uma teoria.

Somente quando de

fato estivermos conectados com o nosso “Ser”, então as palavras não mais serão necessárias. Sentirá todas as suas qualidades inatas atuando em seu “Ser” de forma natural. Uma gigantesca sensação de liberdade será sentida e perceberá que sua felicidade não fica mais na dependência de objetos, pessoas ou condições do mundo externo, até mesmo vivendo ainda num corpo. Você simplesmente se dará conta de forma absoluta que tudo que você procurou o tempo todo no mundo das formas, sempre esteve em seu próprio “Ser.” Não que não possa mais interagir com o externo; a diferença é que você não mais dependerá dele. Surge então um sentimento arrebatador de espanto, por não ter percebido durante a sua jornada esta verdade, tão clara e evidente como a luz do dia. Como já mencionei, toda a riqueza já estava em você, mas não se dava conta devido aos véus de Maya. É como quando você tem um sentimento de amor e ternura por uma pessoa. Ele se torna parte intrínseca do seu “Ser”. Ele não é visível, só você pode senti-lo. É um sentimento que ninguém pode alterar, roubar ou destruir. Ele se manifesta em seu coração e ninguém pode modificá-lo. Então neste momento, aqui e agora você experimenta a sua verdadeira natureza: O amor que está em seu íntimo. Agora respire bem fundo, feche os olhos e com o poder de sua imaginação, vamos fazer uma rápida viagem pelo tempo. Sim, isto mesmo. Você deve estar um tanto surpreendido com este estranho convite! Como podemos viajar pelo tempo neste momento? Mas imagine só por um momento se pudéssemos dispor de uma máquina do tempo e viajar para o passado como exploradores, e constatar ao


vivo momentos importantes de nossa história. Determinamos a data e a hora e em poucos minutos já estamos no ano 600 antes de Cristo. Então como num passo de mágica, o nosso cenário se transforma e vemos que estamos num vasto jardim ao lado de uma antiga e majestosa figueira. Imaginem a emoção que sentiremos, se ao lado da figueira constatamos a presença de um homem de olhar sereno em posição de lótus, e reconhecer que é o próprio Sidarta Gautama, chamado (O Buda) e que neste exato momento explica para seus discípulos o significado do tempo. Isto seria uma fantástica aula de história ao vivo. Todos atentos esperando ouvir suas sábias palavras que ele pronunciou naquele tempo: ---Do ponto de vista relativo a divisão do tempo, possui certo grau de praticidade. Tempo para dormir, tempo para comer e tempo para brincar. Mas dentro de uma perspectiva absoluta, não existe nenhuma diferença entre um minuto ou um bilhão de anos. Surpreendente, não é? Estas foram exatamente suas próprias palavras,

hoje

registradas

em

livros.

Quando

se

alcança

a

iluminação, as verdades independem do tempo. É importante aqui entender que quando utilizo a palavra eternidade, isso não significa a continuidade do tempo, porque por mais eterno que seja, ele ainda faz parte do tempo. Um tempo prolongado. Eternidade é estar fora do tempo, ele não pode ser temporal, por esta razão utilizo muitas vezes o termo “Atemporal.” Existe também uma fantástica história, que também ilustra magicamente, este grande mistério, através de uma fascinante e antiga analogia. A história começa quando um jovem discípulo depois de muito procurar, encontra finalmente um mestre iluminado e este lhe pede para ensiná-lo sobre a verdade da vida. O mestre concordou contanto que aceitasse antes uma xícara de chá. O discípulo não se opôs, e enquanto saboreava o chá o seu líquido foi transbordando e miraculosamente se transforma num imenso lago, cercado por majestosas montanhas. Enquanto ainda atônito pela surpreendente situação, ele se depara com a beleza de um


paradisíaco cenário. Nisto percebe a presença de uma linda mulher, que se aproxima a beira do lago para encher seu balde de água. Assim que se viram, foi amor a primeira vista. Passado alguns meses resolveram se casar. Os anos foram passando e depois de quinze primaveras já tinham três lindos filhos. Um belo dia

resolveram

passear de barco, quando depois de algum tempo, o céu se cobriu de espessas nuvens e foram surpreendidos por uma inesperada e forte tempestade. Foi tão violenta que a embarcação acabou por naufragar. O pobre homem tentou salvar sua família, mas foi em vão. Quando despertou na beira do lago, ainda estonteado, se deu conta que foi o único sobrevivente. Todos estavam mortos. Tendo perdido sua esposa e seus filhos, entrou em desespero e resolveu também morrer. Quando estava prestes a se suicidar, subitamente se viu de volta à casa do mestre, segurando entre as mãos a sua xícara de chá ainda aquecida. Neste instante o mestre se aproximou vagarosamente e lhe diz: --- Agora você vivenciou. Todos os fenômenos provêm da mente. Esta é a verdade da vida. Como um castelo de areia, vem o mar e tudo se desmancha. É surpreendente verificar para quem leu e assimilou o “Um curso em milagres” que esta fantástica história, poderá certamente nos intrigar, porque ela enfatiza que a nossa existência não passa de um sonho que parece muito longo, mas na verdade segundo os mestres é apenas o mesmo que um piscar de olhos. Isto poderá nos deixar um tanto estonteados, pois desmorona o conceito do tempo linear. Com certeza para a maioria das pessoas esta verdade é tremendamente desafiadora e de difícil aceitação enquanto ela não se tornar uma experiência vivencial. Quando um mestre iluminado se liberta do mundo criado pelo ego, não oscila mais no mundo da dualidade, não se torna mais prisioneiro entre o prazer e a dor, entre a vida e a morte. Ele transcende este mundo de ilusões e se conecta com a luz da verdade que o conduz para o seu próprio “Ser”. Quando esta mesma


certeza se manifestar também em nós, todos os obstáculos serão transponíveis.

Então sentiremos que não existe absolutamente

nenhum risco que não possa ser superado, e que o tempo é apenas como um elástico que nos permite o tempo necessário para nos conectarmos com o atemporal.

Neste estado você relaxa e todo

medo desaparece. O conceito de um jogo cósmico é o cerne do hinduísmo. Como já afirmei no primeiro volume, para um jogador consciente, nada é definitivamente trágico. No entanto para que o jogo se mantenha empolgante é fundamental imaginou,

que haja risco e incerteza. Você já

se ganhasse sempre na mega-sena, ou se seu time

preferido de futebol sempre ganhasse o jogo? Pode ser emocionante no começo, mas depois seria uma tremenda chatice. O objetivo do jogo da vida não é ganhar ou perder, mas participar do jogo, sem saber se vamos ganhar ou perder. Esta é a verdadeira vitória Outro filme estonteante que também aborda o mistério do tempo é “Corra Lola, Corra” do diretor Tom Tykwer, que vale a pena assisti-lo. O filme mostra diferentes versões que acontecem, ou que poderiam acontecer entre dois amantes. Ela recebe um desesperado telefonema do namorado, que perdeu uma pequena fortuna que seria entregue a seu chefe mafioso, e tem apenas vinte minutos para repor o dinheiro a tempo, antes que ele sofra graves conseqüências.

Assim

Lola

a

namorada

têm

um

tempo

cronometrado para conseguir o dinheiro. Nesta vibrante corrida contra o tempo através de repetidas cenas, podemos ver como alguns minutos a mais ou a menos, podem fazer grandes diferenças e alterar o nosso destino. O filme é uma verdadeira montanha-russa de suspense, e nos faz refletir como poderia ter sido a nossa vida, se o tempo e as nossas decisões tivessem sido diferentes. Isto levanta a questão misteriosa em conceber se vivemos simultaneamente várias versões de nossa vida em mundos paralelos! Seria isso possível?


Para entendermos com mais profundidade o enigma do tempo, vamos encontrar no livro “Um Curso em Milagres”, talvez a mais profunda definição, e que possui uma grande semelhança com as afirmações

de

outros

grandes

mestres.

Com

certeza

estas

contundentes palavras poderão nos instigar a uma reavaliação dos nossos conceitos. “ O tempo é um truque, um passe de mágica, uma vasta ilusão em que figuras vem e vão como por magia...Sonha com o tempo, um intervalo em que o que parece acontecer nunca ocorreu, em que as mudanças forjadas são sem substância e em que todos os eventos não estão em parte alguma. Quando a mente desperta, apenas continua tal como sempre foi...O tempo e a eternidade estão ambos em tua mente e irão conflitar até que percebas o tempo só como um meio de reaver a eternidade.” Vamos encontrar também na milenar doutrina oriental (Ajatavada) que o “Ser” é desprovido de alterações ou mutações, como nascimento, crescimento e morte. Tempo, espaço, causa e efeito. Estas mudanças, são apenas ilusões. Isto só pode ser compreendido e confirmado por seres iluminados. Hoje começamos a perceber através da moderna física quântica, algo de que os místicos, os sábios e os poetas sempre souberam ou intuíam. Nossa mente é um poderoso portal para o infinito. Uma seção do córtex, contêm a ordem de 600 milhões de sinapses* por milímetro cúbico. Haveria portanto a ordem de 15 sinapses no córtex cerebral. Se pudéssemos contar mil por segundo, levaríamos aproximadamente mais de 30 mil anos para contar todos. Hoje já sabemos que o mundo material é a somatória de vibrações. Uma gigantesca rede de energia interligada à mente cósmica interdimensional. Tudo o que pensamos pode modificar a nossa realidade. Segundo a teoria das supercordas, que são filamentos infinitesimais de energia vibrando como as cordas de um instrumento musical, estruturam toda matéria, e nos vemos envoltos por um surpreendente conjunto de dimensões, muito além do espaço tridimensional. As implicações destas descobertas,

nos obrigam a abrir mão de todas as certezas tidas


como absolutas. Somos levados a expandir a nossa consciência e perceber que somos todos interconectados ao todo. Devido as nossas limitações, muitas verdades do passado tinham que ser explicadas através de analogias, parábolas ou histórias zen. Cada uma delas possui vários níveis de interpretação, por isto quanto mais vezes você lê-las, com certeza mais verdades serão reveladas. Jesus por exemplo, não poderia naquela época utilizar uma linguagem científica para divulgar seus sábios ensinamentos. Com certeza seria incompreendido e talvez ao invés de ser crucificado, seria ignorado e considerado como um pobre homem que perdeu o juízo. Mas o mais enigmático é que mesmo hoje, quando cientistas tentam explicar para um leigo, o significado da física quântica, os buracos negros ou o princípio de incerteza de Heisenberg, também acabam se utilizando de analogias. Tentar explicar os mistérios da vida mesmo por analogias,

está além de toda compreensão

humana. Tudo que pensamos conhecer é limitado, porque vivemos num mundo em contínua dualidade, e transformação. Podemos notar também, que hoje proliferam muitos livros canalizados por várias entidades, que através de sensitivos afirmam que muitos de nós, somos como embaixadores da luz. Estamos encarnados no mundo linear da Terra, para ajudar a humanidade a navegar por estes tempos turbulentos. Como sempre afirmou a filosofia perene: ”Alpha e Omega (O início e o fim) são realmente a mesma coisa. Não poderia terminar este capítulo sem mencionar mais um filme que demonstra de forma deslumbrante a ilusão do tempo. Trata-se de “Contato” um filme baseado no livro homônimo do renomado cientista Carl Sagan, e dirigido por Robert Zemeckis. Uma astrônoma Ellie interpretada por Jodie Foster, descobre um sinal de rádio inteligente vindo do espaço. Desvendando o sinal, descobre que são instruções para a construção de uma sofisticada máquina de transporte espacial. Ellie quer provar a existência de outras civilizações fora da Terra e julga que só o conhecimento está na experiência dos sentidos. Escolhida para ser a astronauta, em vez de uma viagem linear pelo tempo, ela penetra misteriosamente numa


outra dimensão e transcende a sua consciência para além do intelecto. Após esta experiência Ellie muda de concepção e surge em seu lugar uma mulher radiante e com um coração iluminado por Deus. Percebe que a viagem não a transportou para outros espaços, mas sim em seu espaço interior. O impacto desta extraordinária experiência lhe demonstra a existência de algo que ultrapassa o espaço/tempo. O que parecia para ela até então apenas a existência de um mundo material e racional, passa a ser de origem metafísica. De forma semelhante, quando deixamos para traz os limites do pensamento linear, penetramos num majestoso universo interior e temos uma conexão com o nosso “Ser”. Passamos da tristeza e solidão, para um mundo de alegria e magnificência. Como todos os mestres sempre enfatizam:

“A plenitude não existe no reino da percepção”. Outra definição que pode ajudar a compreender o mistério do tempo, é que ele é apenas o pensamento ilusório de se sentir separado do todo, e que surgiu na aparente divisão da eternidade. Quando acreditei ter terminado este capítulo sem saber a razão, não conseguia conciliar o sono naquela noite, acordando de madrugada, sob o impacto de um insight. Aliás isto frequentemente acontecia quando sentia uma súbita inspiração, e ainda meio sonolento procurei por um papel para rabiscar rapidamente as palavras, antes que a esquecesse. “Para alcançar o Reino dos céus, é como o degustar de uma alcachofra”. Alcachofra? Sim uma alcachofra! Este vegetal que se parece com uma flor, com suas pétalas fechadas, que eu particularmente adoro. No início saboreamos o gosto de suas pétalas, como um pequeno aperitivo. Elas nos proporcionam momentos curtos de prazer, mas a melhor parte é quando chegamos em seu coração. No início


sentimos um gosto amargo, devido a uma camada de espinhos (adversidades) e muitos acabam desistindo. Mas em verdade vos digo, aquele que tiver fé e paciência em retirá-los (disciplina e determinação), sentirá o delicioso e inebriante sabor de sua essência (o reino dos céus.)” Podemos

portanto afirmar que o verdadeiro propósito do

tempo, é ter mais tempo emprestado para relembrar da nossa verdadeira

identidade.

Devemos

estar

atentos

a

nossos

pensamentos e emoções e praticar o perdão. Ele é um dos principais ensinamentos do “Um curso em milagres” Como enfatizei nos capítulos anteriores, somente quando você perdoa, é você mesmo que está sendo perdoado por desfazer algo que aparentava ser real. Somente através do perdão, o ego se enfraquece e você começa a despertar das ilusões do mundo não permitindo mais ser ludibriado pelo irreal. Para sintetizar este último capítulo, podemos novamente afirmar que o tempo é apenas a distancia mental entre o passado e o futuro. Estamos sempre na consciência presente do Ser. Somos extensões do Divino eternamente presente em nós. Tudo que observamos, sentimos ou idealizamos, são as nossas criações mentais. Tempo, matéria e espaço são conceitos ilusórios, que criam limitações que podemos chamar de matrix. A única verdade que não muda e que nos liberta é o amor. Neste despertar, você vivencia que tudo não passou de um sonho, e que durou apenas o tempo de um piscar de olhos. Jamais em tempo algum você se separou da fonte. De acordo com uma concludente afirmação de

“Um Curso em

Milagres”: “Você teve um pensamento equivocado de separação”. ...Pensas que vive no espaço, onde conceitos tais como”para cima” e “para baixo” são significativos. Em última instância, o espaço é tão sem significado quanto o tempo. Ambos são meramente crenças.


*Sinapses - Regiões de comunicação entre os neurônios. Do Grego (Synapsis, ação de juntar) *Princípio da incerteza - Conceito em que quando muda nossa percepção sobre um objeto, o próprio objeto também muda literalmente. *Paramahansa Yogananda – Um dos maiores mestres espirituais do século XX – 1993 - 1952


CONCLUSÃO


Tudo que acontece, tudo que você sente, tudo que se passa na vida faz parte do seu relacionamento com Deus. Todo ser tem uma centelha de consciência divina e traz consigo uma conexão direta e oculta com o divino total. O universo é nossa mãe, a vida é nossa mãe. Tudo que acontece na vida é uma tentativa de nos conduzir a uma consciência mais profunda. A nossa tarefa é despertar para esse relacionamento


que Ê nosso direito de herança. Andren Harvey


Ao chegar ao término deste terceiro e último volume da trilogia “O divino jogo da consciência” é claro que muitas coisas ainda poderiam ser descritas, pois o tema da sabedoria é inesgotável e acredito que ficou evidente que a sua compreensão não pode ficar confinada apenas em uma leitura. Trata-se de uma compreensão que irá depender muito mais do nível intuitivo, disciplina e também do seu despertar. É por estas razões que as mesmas palavras podem produzir efeitos os mais variados. Para alguns poderá ocorrer uma verdadeira mudança interior, enquanto que outros poderão permanecer indiferentes. O propósito deste terceiro livro da trilogia, é refletir e estudar tudo que possa ser um impedimento para a auto-realização. Tudo que possa ser um obstáculo para se alcançar o “Ser.” Mas também tudo que possa nos beneficiar para sentir a nossa verdadeira natureza. Através do depoimento de muitas pessoas que alcançaram a iluminação, tivemos a oportunidade de participar intelectualmente de suas experiências. Quando os mestres falam sobre o nirvana, todos se referem a uma experiência vivencial e por isto, todos os seus ensinamentos nada mais são do que disciplinas necessárias para alcançarmos este estado de bem aventurança, do contrário seríamos apenas eruditos, isto é apenas como sábios de gabinete. Temos que levá-los à prática se quisermos viver de fato a verdade de tudo que foi dito sobre o Divino Jogo da consciência, e experimentar o “Ser” por nós mesmos.

É impossível não citar o grande cabalista Rav

Ashlag, que foi o primeiro a registrar por escrito esta milenar sabedoria, que somente era transmitida oralmente de mestre para discípulo. Ele freqüentemente dizia:


---Há um tesouro em seu sótão, e uma escada com dez degraus para subir. Se você parar no nono degrau, poderá achar que chegou longe, e o mundo poderá achar que se tornou um homem rico de sabedoria. No entanto se está no nono degrau, você ainda não entrou no sótão. Portanto o tesouro ainda não foi alcançado. Apenas para complementar esta bela analogia do mestre Rav Ashlag, na verdade não importa se você subiu um, dois ou cinco degraus, e resolveu parar. Pode ser que você não esteja ainda preparado para tamanha altura, Portanto não existe ninguém forçando você a subir. Da mesma forma existem aqueles que preferem permanecer apenas ao lado da escada, e neste caso, também está tudo certo. Não existe nenhum problema. Afinal este tesouro, já é nosso por direito, ele está em nosso interior. Ele está a nossa espera, apenas não temos consciência disto. Alcançar o décimo degrau, e entrar no sótão de acordo com Rav Ashlag é ter absoluta certeza desta verdade e desfrutar desta riqueza. E isto faz uma grande diferença. Como a vida é um sonho, vamos encontrar aqueles que despertam mais cedo e outros mais tarde. Não existe a mínima possibilidade de alguém dormir para sempre. Para concluir, posso dizer que quando começarmos a subir os primeiros degraus, sentiremos uma pequena vertigem, medo, e talvez insegurança e isto é absolutamente natural. Mas depois, com um pouco de coragem, a vista começa a se tornar mais ampla e deslumbrante. Desta forma, continuaremos subindo com mais entusiasmo, não por uma imposição externa, mas porque sentiremos em nós mesmo que a cada subida, o panorama se torna cada vez mais empolgante. Naturalmente devem ter reparado no decorrer da leitura deste livro, aparentes contradições e paradoxos. Por exemplo, quando foi mencionado que o nirvana se revela no estado de puro silêncio, com o cessar dos pensamentos, no entanto a leitura deste livro exigiu um intenso pensar. Também se falou da necessidade de um trabalho interior para adquirir consciência das nossas fraquezas, e não permitir a interferência do falso eu (ego) mas

também


insistimos que não devemos lutar contra ele, pois ele ainda se faz necessário. Todas estas contradições ocorrem por estarmos vivendo numa dimensão dualística e é por isto que não é possível evitar estes paradoxos. No entanto eles são apenas aparentes. Também podemos dizer que embora o nosso objetivo seja a nossa iluminação ou o estado do “Ser”, sem um amadurecimento intelectual, emocional e espiritual ele não será alcançado. Só pode ocorrer quando cessa toda luta, todo o esforço e até mesmo o desejo de alcançá-lo. O conceito do holograma, que só recentemente foi descoberto, pode nos ajudar para entendermos estas aparentes contradições. O holograma é um sistema de reprodução visual que utiliza raio laser. Você pode cortar um pequeno pedaço do negativo da fotografia e pelo método holográfico você reconstrói todo o resto da imagem. Então

de

fato

não

como

separar

coisas

supostamente

independentes. Da mesma forma, quando estamos vivendo como indivíduos achamos que somos aparentemente como uma simples parte da imagem. (“A separação”) mas ao mesmo tempo sem termos consciência, como um holograma, somos também a imagem completa. ( “A totalidade”) Somente quando se alcança este estado de unificação, se rompe finalmente a casca do ovo e nascemos para um mundo novo. Adquirimos sentidos muito mais apurados e muitos mistérios se desfazem. Se pudéssemos percorrer todas as vidas de um mestre iluminado poderíamos ver que em seu passado teve uma heróica luta, um anseio poderoso, uma energia sobre-humana, todos eles revelaram serem homens persistentes, homens que sabiam o que queriam, dispostos ao mais alto sacrifício para alcançar seu objetivos. E um dia devido a um acontecimento, muitas vezes até sem grande importância, surge o despertar. Quando se alcança este estado de pureza e simplicidade, não se necessita de grandes prazeres para ser feliz. O mundo todo é motivo de alegria. Um raio de sol, uma brisa do mar, uma noite coalhada de estrelas, uma


criança brincando, um casal apaixonado se beijando, uma agradável caminhada num bosque, o som melodioso de um pássaro. Tudo isto é suficiente para sentir intensamente a glória da vida e fazer parte dela. Isto acontece porque a plenitude que ele traz em seu interior transborda e se projeta em tudo. Ele experimenta com prazer e alegria o verdadeiro sentido da vida, como um bom conhecedor de chá que experimenta com suavidade o sabor de cada gole. Também é necessário lembrar que estes mestres iluminados beneficiam a humanidade não somente através de palestras ou livros, mas principalmente pelas vibrações que emitem, como se fossem estações retransmissoras, altamente sofisticadas e de alta potência. Muitos deles permanecem até desconhecidos, vivem em estado de solitude e deixam o corpo em total anonimato. Como devem ter notado em todos os meus livros, menciono alguns filmes para ilustrar e exemplificar minhas reflexões. Como cinéfilo e cineasta amador, achei vantajoso citá-los, porque muitos deles revelam muitos ensinamentos na seqüência de suas imagens, que muitas vezes permanecem ocultas, e sem entendermos o seu real significado. Ficamos então restritos apenas pelo seu espetáculo visual, e perdemos o essencial. O grande benefício que os filmes possuem é que eles atingem as nossas emoções e sentimentos com muito mais intensidade, e podem nos proporcionar uma nova visão para uma reavaliação dos nossos conceitos. Como tão poeticamente expressou o diretor Ingmar Bergman* “O cinema é como um sonho, como uma música. Nenhuma arte perpassa a nossa consciência da forma como um filme faz; vai diretamente até nossos sentimentos, atingindo a profundidade dos quartos escuros de nossa alma”. Talvez por isso que sinto paixão pelo cinema. Ele também constitui

o

que

adormecimento

e

mais

se

utilizado

aproxima por

de

diversos

nossa mestres

condição como

de uma

excelente metáfora do nosso tempo. A tela é o nosso ser. Ela é imutável. Nenhuma imagem pode ameaçá-la, porque as imagens


que estão sendo vistas, estão no projetor que está escondido. Tentar mudar o que está sendo projetado na tela, nada aconteceria. No entanto se me dou conta que tudo que acontece vem do projetor, então posso ter acesso a ele e mudar o filme. A tela é a nossa realidade, enquanto que o filme que está sendo projetado é o nosso sonho. Eu sei que meus conceitos e pensamentos encontrarão oposição de muitos que se julgam defensores da verdade, cujas ideias se apresentam defasadas pelo tempo. Mas isso é normal acontecer quando se apresentam novos conceitos que conflitam com que é sacramentado pela ciência oficial. Para os que possuem uma mente mais aberta e desejam de fato uma autotransformação espero que as citações deste volume possam ter contribuído para o florescimento das nossas virtudes e qualidades. Como mencionei no primeiro volume da trilogia “Ele não apresenta nada que de alguma forma

já não tenha sido falado ou escrito. Trata-se de um tema

inesgotável, e naturalmente nem mil livros poderiam esgotá-lo. De acordo com um famoso verso em sânscrito: “Se o tinteiro fosse os oceanos, as montanhas a tinta, toda a terra fosse o papel e se Saraswati a deusa da sabedoria tivesse escrito sobre os mistérios da vida, sua obra não teria ainda terminado”. Considero importante enfatizar mais uma vez, que para trilhar verdadeiramente o caminho espiritual, temos que entender e seguir estes fundamentais princípios: A riqueza que precisamos encontrar é o nosso próprio “Ser”. O território em que está escondido está em nosso interior. O autoconhecimento e o perdão desfazem as ilusões. A meditação e o silêncio nos conecta com a nossa essência. Os ensinamentos dos mestres são as luzes que iluminam o caminho A vigilância dos pensamentos para não compactuar com o ego A humildade para viver o presente e aceitar as situações.


A pureza para estar com o coração sempre aberto. O amor é a única realidade que existe e que jamais pode ser ameaçado. Sei que tudo tem seu tempo certo, e não se pode apressar o rio a se unir com o oceano, ou desejar que um bebê recém nascido comece a andar ou falar. Trilhar o caminho da espiritualidade, deve ser feito de modo gradual, caso contrário, tentar viver em perfeição num mundo imperfeito sem estar preparado só resultará em ansiedade e sofrimento. Existe uma história a respeito de Milarepa, reconhecido como um dos grandes mestres tibetanos, que vale a pena contar, pois ilustra de forma até cômica como o ego pode nos sabotar. Certo dia chegando a uma vila, um de seus habitantes, ficou tão impressionado pela sabedoria do mestre, que quis abrir mão de todos os seus bens e ir viver como eremita. Mas Milarepa muito amorosamente o aconselhou que seria melhor permanecer como estava e praticar a meditação e a compaixão de forma gradativa. Mas o homem ignorando o conselho de Mirarepa, se desfez de seus bens e partiu para as montanhas, onde se acomodou dentro de uma caverna e começou a meditar. Alguns dias depois, o homem se sentiu exausto, com fome e com frio. No sétimo dia, não resistiu e voltou envergonhado para a vila. Consegui recuperar seus bens e voltou a procurar por Milarepa e muito humildemente solicitou suas instruções. Com o tempo, ele se tornou um grande meditador, a paz emergiu do seu coração e com sabedoria beneficiou muitas pessoas que passaram a procurá-lo. Estamos chegando ao final deste livro, e fico imaginando o dia, quando ele será considerado

apenas como uma simples cartilha

primária, onde seus ensinamentos se tornarão tão óbvios, tanto quanto hoje não se discute mais se a Terra é redonda, quadrada ou plana. Um mundo onde o ego se torne apenas um simples servidor, e que o amor seja o único sentimento natural e espontâneo, incorporado totalmente em nossos corações. Um mundo onde se possa conviver pacificamente com os mais diversos povos, e fazendo da diversidade uma só união. Tudo isto será sem dúvida o


início da verdadeira civilização, mas que será também a sua mais difícil e definitiva prova. Somente com o despertar de uma nova consciência, isto poderá se tornar possível, porque o mundo nada mais é que a projeção dos nossos pensamentos. Por isso devemos estar constantemente atentos e vigilantes, concentrando a mente no que é essencial. Com esta persistência os pensamentos de maya se diluem da mesma forma que um bloco de gelo se derrete aos poucos com o calor do sol. Utilizando as mesmas palavras do “Um curso em milagres” em seu epílogo, posso dizer que este livro “é um começo e não um fim” Escrever o “Divino Jogo da Consciência” foi para mim uma experiência sagrada, no verdadeiro sentido da palavra. Espero que isto tenha transparecido ao longo de seus capítulos, demonstrando que quando nos unificamos com o nosso “Ser”, a ilusão da separação se desfaz. Conforme a parábola do filho pródigo, a nossa meta é voltar para os braços amorosos do nosso pai. Como um sussurro suave que ouve em sua mente, você desperta serenamente ao som de uma linda canção quase esquecida, cujo título é: “Acorde meu amado filho, você sonhou demais”.

Om Shanti*


*Ingmar Bergman - Excepcional cineasta Sueco, considerado um dos pioneiros do cinema de autor. *Om Shanti - Eu sou um ser cheio de paz.

AFIRMAÇÕES


Importantes afirmações contidas neste livro Como um campo de treinamento, somos testados todos os dias e o Jerry (ego) apesar de estar sempre nos perseguindo e aparentemente parecer ser o vilão da história, no fundo é um espelho para que possamos ver as nossas fraquezas e ilusões. Todos os mestres declaram unanimamente a mesma verdade. Sentir dentro de nós a alegria do “Ser”, que não depende de nada que esteja fora de nós, e que somos parte inseparável da vida e livre de todas as limitações de tempo e forma. A cada momento passamos por frustrações, porque desejamos que as coisas sejam do jeito que nós queremos. Ao invés de viver o presente, nos preocupamos demasiadamente com o futuro. Ficamos ansiosos, o medo nos assalta e passamos a viver uma luta interna que só nos traz mais sofrimentos. Se você pensa em construir sua segurança e felicidade nesta praia de ilusões, ela com certeza

desaparecerá pelo avanço incontrolável da

maré. Se desejamos acender o fogo da iluminação na madeira seca de nossa mente, precisamos de uma lente de aumento para concentrar os raios do sol. Caso contrário levará muito mais tempo. O mestre é exatamente esta lente de aumento. O grande insight que Buda teve, foi ter percebido a grande ilusão do eu (ego). Por mais que você possa estar preenchido pela riqueza, pela fama, relacionamentos prazerosos, conforto e bem estar físico, sempre haverá um vazio em seu coração, que não pode ser preenchido por nada deste mundo impermanente e efêmero. Despertar a consciência significa purificar a mente. É o cessar dos pensamentos compulsivos, repetitivos, negativos ou inúteis. Não se pode ter um relacionamento saudável com uma pessoa inconsciente a não ser que você esteja consciente e perceba com clareza e


serenidade a inconsciência do outro. Este é o verdadeiro perdão. Compreender as atitudes inconscientes do outro e não se identificar com suas ilusões. Quando estamos conscientes e nos conectamos com a nossa essência, não existe nenhuma motivação de auto defesa. Não existe julgamento, pois o “Ser” é ilimitado e sempre livre. Este é o jogo (Lila) O Divino jogo da consciência. Saímos do nosso reino, nos distanciamos dele, enfrentamos os malfeitores (Maya). Estamos conscientes das instruções dos nossos mestres (A Luz da nossa essência) e finalmente voltamos para casa (O nosso reino) A principal barreira de não estarmos conscientes do “Ser” é que a maioria das pessoas, acreditam que já a possuem. Acham que são livres, possuem um bom estoque de informações, ocupam posições profissionais importantes, se destacam na mídia e desfrutam de um bom conforto material. Isto não é ter consciência de si. Isto é apenas imaginar que estamos

acordados

enquanto

na

verdade

continuamos

dormindo,

sonhando e roncando. Na verdade não meditamos para alcançar Deus, porque já o alcançamos. Ele está sempre em nosso interior. Meditamos para termos consciência vivencial da manifestação de Deus dentro de nós. É fundamental esvaziar a mente cheia de tabus e preconceitos, para que a água pura e cristalina da verdade possa penetrar. Assim pouco a pouco você começa a experimentar o silêncio. Quando não surgirem mais pensamentos, surge a quietude. Então há uma total entrega e você começa a sentir a sua real natureza. Estamos cada vez mais nos dando conta que está havendo uma conscientização planetária sem precedentes e que as estruturas políticas e sociais de modo geral não conseguem mais se manter como estão, e acabarão desmoronando pela sua própria ineficiência, pois não estão mais alinhados com a nova visão deste novo mundo que se aproxima e agora com muita rapidez.


O sagrado está em tudo. No “Ser”, na natureza, nas estrelas nas galáxias, nos extraterrestres, no mundo animal, nas pedras, nos rios, nos homens. Não existe nada neste infinito universo que não seja sagrado, tudo é luz, tudo é vida e tudo que é vida é luz. Todos nós temos esta luminosidade em nossas vidas. Um dos mais importantes caminhos que o conduzirá ao sagrado é sem dúvida a prática da meditação. Ela é universal e não é propriedade de nenhuma religião ou seita. Através da prática constante da meditação se dissipam as impurezas mentais que temporariamente encobrem a nossa essência e alcançamos a nossa meta sagrada. A iluminação espiritual. Temos que olhar para dentro de nós e perceber em nosso coração as fraquezas que nos mantém ainda em servidão. Precisamos romper estas cadeias torturantes dos pensamentos compulsivos e egóicos, que nos afastam da vida infinita do espírito, da qual somos os seus legítimos herdeiros. Quando estamos vivendo como indivíduos, somos aparentemente como uma simples parte da imagem. (“A separação”) mas ao mesmo tempo somos também como um holograma. A imagem completa.

(“A

totalidade”). Quando por fim despertamos para quem somos, nosso amor se espalhará sem exceção. Por isto a importância dos relacionamentos para aprender a perdoar, e depois perceber que nem precisamos perdoar, porque

compreendemos

que

nenhuma

ofensa

ocorreu

para

ser

perdoada. O amor irá sempre prevalecer. Ela é a bússola apontando sempre na direção da verdade. O objetivo da vida não é ganhar ou perder, mas participar do jogo, sem saber se vamos ganhar ou perder. Esta é a verdadeira vitória. Temos que reconhecer que nossa própria natureza já possui em si a essência da divindade e que nos dirige inexoravelmente em direção a unidade. Quando esta verdade se incorpora em mim, então porque não acelerar o processo e evitar o sofrimento?


Assim quando sentimos a nossa conexão universal, e que estamos todos unificados, compreendemos que a história de cada um, faz parte de nossa própria história. O despertar da consciência é estar unificado com o todo. É sentir a bem aventurança. É perceber de forma vivencial a ilusão do eu, o que nos faz lembrar da nossa verdadeira identidade.


BIBLIOGRAFIA


SUGESTÕES DE LIVROS E FILMES Antologia do êxtase

Pierre Weil Editora: Palas Athenas

O terceiro Jesus

Deepak Chopra Editora: Rocco

Ascenda a chama do meu coração

Gurumayi

Chidvilasananda Editora: Vozes O jogo cósmico

Stanislav Grof Editora: Atheneu

A arte de meditar

Mattieu Ricard Editora: Globo

Verdade suprema

Sri Maha Krishma Swami Editora: Grande União

Iluminação cotidiana

Yeshe Chödron Editora: Gaia

Lições de luz

Kenneth

Ring

/

Evelin

Valarino Editora: Summus editorial O divino jogo do ser

Roberto Saul Editora: Alaúde

A prática da meditação

Swami Ritajananda Editora: Lótus do Saber

Kundalini

Gopi Krishna Editora: Record

Adultos Índigos

Ingrid Cañete Editora: Novo Século

A yoga do Bhagavad Gita

Paramahansa Yogananda Self-Realization Fellowship


O Desaparecimento do Universo

Gary R. Renard Editora: Ibis Libris

Contatos Sagrados

Caroline Myss Editora Rocco

Kundalini

Swami Muktananda Publicação:

Siddha

Yoga

Brasil O divino jogo do amor

Roberto Saul Editora:

Kriya yoga

Paramahansa

Hariharananda Editora: Lótus do Saber Os casos sugestivos de reencarnação

Ian Stevenson. M.D. Editora: Difusora Cultural

Consciência cósmica

Richard

Maurice

Bucke

M.D Editora: Remes A importância de cada momento

Dan Millman Editora: Pensamento

Princípios de vida

Sai Baba Editora: Nova Era

A arte da felicidade

Howard C Cutler

(entrevista com Dalai Lama)

Editora: Martins Fontes

Kundalini uma experiência oculta

G.S Arundale Editora: Pensamento

As variedades da experiência religiosa

William James Editora: Cultrix

Medicina Psico-Espiritual Maria La Sala Batá

Angela


Editora: Pensamento

O Casamento do Espírito

Leslie

Temple-Thurston Vivendo iluminado no mundo de hoje

WVA

Editora Análise da Inteligência de Cristo

Augusto

Cury Editora Sextante

FILMOGRAFIA


FILMES:

DIRETORES

Você pode curar sua vida (Louse Hay)

Michael A. Goorjian

Agonia e êxtase

Carol Reed

Spartacus

Stanley Kubrick

Corra Lola, Corra

Tom Tykwer

Os setes samurais

Akira Kurusawa

Antes de amanhecer

Richard Linklater

Antes do pôr - do –sol Jesus de Nazaré

Franco Zefirelli

Titanic

James Camaron

Dama por um dia

Frank Capra

As setes leis espirituais de Deepak Chopra

Ron Frank

Dr. Fantástico

Stanley Kubrick

O planeta dos macacos

Franklin J. Schaffner

Primavera, verão, outono, inverno e primavera Quem somos nós?

Kim Ki-Duk

Mark Vicente Besty Chasse e William

Arnitz Fronteiras da física, o universo elegante (Baseado no físico e matemático Brian Greene)

Joseph MC Master

A profecia celestina (Baseado no livro de James Redfield)

Armand Mastroianni

Vidas em Jogo

David Fincher


Feitiço do Tempo

Harold Ramis

Rashomon

Akira

Kurosawa Além da Vida

Clint

Eastwood Avatar

James

Cameron Contato Robert Zemeckis Soylent Green (No mundo de 2020) Flrischer

Richard


CONTATO COM O AUTOR robbysaul@gmail.com

O Divino Jogo da Consciencia - Roberto Saul  
O Divino Jogo da Consciencia - Roberto Saul  
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