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DEDICATÓRIA

A todos que de alguma forma contribuem para uma programação mais educativa e cultural da televisão brasileira, para que saibam diferenciar o que é entretimento e o que é pura e simplesmente lucro televisivo gratuito.

O autor Paulo Tarciso Freire de Almeida Rua Odilon Nopa de Azevedo, n° 45 Centro - Buíque - PE. CEP 56.520-000 e-mail: ptarcisofreire@hotmail.com

12 de março de 2007 Produzido por: Paulo Tarciso

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2 LITERATURA DE CORDEL

VIOLÊNCIA NA TV

É uma istora ingraçada Que pra vocês eu discrevo E tem várias tistimunha Muitas dela aqui eu vejo; Foi lá no Sítio Fundão Que um amigo quaje irmão Sua cabeça isquentou, Tudo dispois que comprou Pra casa uma televisão. Seu Armando um sessentão, Casado cum Dona Éster, Velho bondoso e disposto, Rigoroso eu sei que é, Dos tempos da ingnorança, Pois quando ele era criança Inzistia coroné. Pois bem! Esse véi seu Armando Tem cinco fia muié; As rainha da beleza. Digo pruquê sei que é; Duas dela são casada, Tem também um camarada Que se chama de Jusé. Produzido por: Paulo Tarciso

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Rosinha a fia caçula Foi passiar na cidade, E na casa de uma irmã De quem sintia saudade, Trinta dia ali passou, Muita amiga ela arrumou E era tudo diversão; Mais de tudo que ela viu, O que mais lhe distraiu Foi a tá televisão. Repórte, filme ou novela, Rosinha a nada perdia. Cunversano ela dizia O nome dos personage, E fazeno um sundage Pelo que eu apurei, Rosinha mudou demais. Cuma foi isso eu num sei!. Me falou de um prefeito Que tinha o nome Sassá, De Bárbara, Gilda e Severo E o povo de Tangará. Me diche dôta novela Que tem um indolatrada E dum rei de nome Petrus, Que quando via de perto Rosa ficava incantada. Produzido por: Paulo Tarciso

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Por arte do sapirico Teve uma celebração, Que no Salvador da Pátria Chamou muita atenção; Falo de um casamento, Perfeito acunticimento Que a Rosinha assistiu; Quem tava lá tudo viu: Traição im lua de mel. Que Deus perdoe lá do céu, Isso né coisa decente, Para que se apresente A uma moça donzela Que foi criada no sítio Só veno mato e cancela. No retorno de Rosinha Foi aquela aligria Abraçando o velho pai Que tanto bem lhe quiria A mãe e a todos irmãos E os vinhos do quinhão Que sua falta sintia; Pois tava cum trinta dia Que ninguém mais caçuava Pruquê sem Rosinha no sítio Aligria num reinava.

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Rosinha contou para a mãe Sobre tudo que assistiu Diche sobre o casamento Que na televisão viu A noiva jogando flores Em televisão a cores E assim pra mãe pidiu: Eu quiria que a sinhora Cum papai fosse falar Pra ele vender uns bode E o dinheiro que apurar Comprar uma televisão Pois a maior diversão Que hoje pode inzistir É um tv colorido Isso eu posso garantir O véi ficou mei cabreiro Pruquê nunca concordava Em vê suas fia moça Que tanto amor dedicava Olhar praqueles pecados Que a Tv apresentava.

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Mesmo assim chamou a veia Se pusero a conversar E um acordo firmaro Nesse ato cumbinaro A televisão comprar. Na casa do genro Arlindo O veio foi passiar E a tv foi ispiar Ficou naquela peleja Viu umas cenas tão linda Na novela Dona Beija Que pensou a noite inteira: Rosinha tinha razão Num vejo nenhum pecado Comprar a televisão. Dispois de tudo instalado Ligaro a televisão E um filme muito antigo Começou a inzibição Produzido preto em branco Segundo as letras dizia Mas o véi num sabia E começou a xingar Dizia: aquele ladrão Pensa que vai me inganar Eu comprei foi colorida Essa daí tá perdida Quem vendeu vai me pagar! Produzido por: Paulo Tarciso

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Passou umas propagandas Da novela Dona Beija E era bem colorida E o véi diche: Mai veja! Inda agora era só branco E tudo agora coloriu? Essa ta é cum defeito, Onde é que já se viu? Vou pegar o vendedor E dá-lhe um tiro de fuzil. Rosinha tudo intindia Cumeçou a ixplicar E o véi foi se acalmando E num banco foi sentar. A famia se ajuntava, A gurizada se ispaiava Se assentano pelo chão, E as moça cumbinava Pra dispois da refeição Lavar os prato e inxaguar Pra dar tempo a inspiar A tá da televisão.

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As cunversa im famia Já num inzistia mais, Ninguém mais batia papo, Fosse moça ou rapaz, Pois a novela das oito Chamava muita atenção, Pidia concentração Pra quem quisesse intender. Ninguém quiria perder Nenhuma parte siquer. E inté mermo as muié Deixaro de fuxicar E quando batia as oito Que cumeçava a novela, Dava inté um nó na güela Pra parar de cunversar. Ôta coisa que o Armando Cumeçou a disgostar Foi as tá das propaganda Que os fí ficava a ispiar E aperriano o véi Querendo tudo cumprar.

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Era uma bota da Xuxa, Um bonezim do Sassá, Uma blusa da Angélica, Discos para escutar, De preferença em inglês, Caipira perdeu a vez Pruquê na televisão Ser boy é rock paulêra E ôtas tantas besteira Que deixou-lhe acabrunhado Em ver seu lar de sussêgo Num'stante ser transformado. Seu Armando ficou brabo Na noite que foi ciar, E o cuscuz que ele gosta A véia deixou queimar, E a carne lá da gréia Por pouco virou torrão, Só prucausa da novela Que tem na televisão

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As nutiças do Jorná Trazia preocupação: Natureza amiaçada, Guerra im toda nação, Aids, cânce, minigite, Sem falar na infração Que corre disimbestada Sem frei de pé nem de mão. Cum pouco os fí de Armando Perdero a inducação: Respondia aos mais veios, Não lhe dava atenção; Deixaro de dar a bênça Pruquê viro na novela Quando um fí dizia ao pai: --- “Corta véi, isso já era!” Logo dispois da novela As letras grande avisou: Este filme é proibido E a censura liberou. Era um filme de sexo Quase igual a pornô, O véi num sabia ler Purísso nem se ligou.

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Cumeçou cum um casal Que trocava palavrão. O véi de urêia im pé Pegou um pau cum a mão E ficou alí calado Esperano o resultado, E todos de ôi grelado Olhando para o casal Que de brigar logo parava E numa cama se deitava E uns carim e coisa e tal. Quando o casal lá do filme Cumeçou a se dispir Seu Armando ficou branco E pegou logo a tussir. Se retirou para um quarto E ficou a carregar Um bacamarte antigo Que ele tinha pra lá.

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Quando voltou para a sala Vermelho que só pimenta, Ninguém viu o bacamarte Nem sintiu sua presença, Inquanto lá na TV Já tava nú o casal Um no outro amuntado E todos de ôi grelado, Muntos de queixo na mão. Pêêêêiii. Seu Armando deu um tiro No mei da televisão. Toda luz se apagou, Munta gente dismaiou E a TV virou torrão. Acendero uns candinheiro, Ajeitaro a istalação, Fizero muita garapa Pois foi grande o supetão, E quando normalizou O véi bem corado ficou Cum bacamarte na mão Subiu na mesa e falou: “--- ENQUANTO VIVO O VÉI FOR, NUNCA MAIS TELEVISÃO!”.

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Violência na TV  

Literatura de Cordel Autor: Paulo Tarciso Freire de Almeida Buique - PE

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