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Edição 10 l Ano 7 l 2018

O novo contexto da

América Latina

a conduz ao protagonismo


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Sumário

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O novo contexto da América Latina a conduz ao protagonismo

Páginas 8 e 9

A fronteira do desenvolvimento Página 16

Acordos de livre-comércio com a União Europeia e o Canadá favorecem o Mercosul

Página 10

Um modelo inédito de negócio Página 17

São Paulo brilha no cenário mundial

Mercosul – O gigante do agronegócio mundial Página 12

Páginas 20 e 21


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O Paraguai desponta na liderança da América do Sul

Gastronomia de tirar o fôlego Páginas 22 e 23

Página 28

RS, um Estado pronto para o crescimento

Mulheres conquistam seu lugar no mundo dos negócios

Página 24 Página 29

Cluster de Tecnologias para a Saúde do RS torna o setor mais competitivo

4.0 - uma indústria em transformação

Página 25

Página 30

Transformação digital não tem nada a ver com internet

A contribuição da cultura para a expansão do turismo sustentável no Rio Grande do Sul Página 26

Página 32


Editorial

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A metamorfose digital guia a nossa transformação

os últimos anos, o mundo está migrando do analógico para o digital. E, em consequência, nós, da Revista do Mercosul e do CNM Mercosul, também estamos nos transformando. Lançaremos em breve o novo Portal de Informações, com conceitos e imagens bem elaboradas, atendendo ainda melhor a demanda digital. Mas mantemos a política de publicar a revista impressa, pois consideramos importante documentar a história e o desenvolvimento do continente americano.

Assim, reafirmamos o compromisso de integrar o mercado regional, que encontra nas páginas da revista Negócios do Mercosul uma vitrine para seus produtos. Queremos suprir uma necessidade do mercado e assim crescer e ampliar nosso campo de atuacão. Muito obrigado aos apoiadores, colaboradores, parceiros e aos amigos que estão sempre por perto. Pedro Nimeth Diretor do CNM e da revista Negócios do Mercosul

Expediente Rua Chaves Barcelos, 27 sala 801 Centro Histórico - Porto Alegre/RS - CEP 90030-120

Diretor: Pedro Oliveira Nimeth Jornalista e designer gráfica: Geraldine Timm Ilustração da capa: Bonorino - Comunicação & Design Apoio comercial: bonorino@gmail.com Promoção: Claudio Urruth

contato@cnmmercosul.com.br centronegociosmercosul@yahoo.com.br atendimento.limageisa@gmail.com - Geisa Lima Oliveira 55 -51- 3227.4603 e 55-51-99275.1819 São Paulo - Vagner Craveiro - Multimaster 55 - 11 - 98481.0834


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O novo contexto da América Latina a conduz ao protagonismo

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América Latina saiu de uma longa recessão econômica em 2017. A maioria dos países da região melhorou seu desempenho econômico e foram registrados avanços em setores-chave como a gestão integral das cidades, a implementação dos acordos climáticos, a integração regional e o fortalecimento institucional. Diversas esferas políticas e sociais convocaram a América Latina a se comprometer com o aumento da produtividade, com o fim de conseguir um crescimento contínuo que não dependa tanto da exploração das matérias-primas. Nas últimas décadas, a América Latina atingiu uma estabilidade macroeconômica que se reflete em menor inflação e maior poder aquisitivo para seus habitantes. No âmbito social, foram executadas políticas eficientes contra a pobreza, que diminuiu, passando, em pouco mais de dez anos, de níveis próximos de 50% para níveis inferiores a 25%, em média.

A região precisa consolidar os avanços obtidos nas últimas décadas, o que exige prudência fiscal, sendo também necessário um pacto pela produtividade incluído na agenda de todos, tanto do setor público como do privado. Para isto é necessário o desenvolvimento de cadeias de produção global, conglomerados produtivos, o aumento significativo do investimento em infraestrutura, o crescimento e fortalecimento das classes médias e a contribuição para a melhoria da institucionalidade dos países. O papel político reservado para a América Latina está em franco crescimento. As relações geopolíticas estão sofrendo profundas transformações como consequência da ausência de liderança global e do aparecimento de atores emergentes, o que traz uma boa oportunidade para que a América Latina e a Europa fortaleçam seus laços e reforcem sua influência internacional.

Região segue rumo ao desenvolvimento sustentável Nos próximos anos, a América Latina aposta em centros urbanos acessíveis que sejam motores de crescimento e inclusão social, sendo necessário incidir em três dimensões: o uso do solo, o mercado residencial e a infraestrutura de transporte. É possível aproveitar os benefícios econômicos da urbanização em uma região onde oito de cada dez habitantes moram em cidades, tornando-as mais habitáveis e com-

petitivas e estimulando seu respeito pelo meio ambiente. Alguns tópicos são essenciais ao desenvolvimento urbano, como o impulso à e produção e melhores mecanismos de financiamento de políticas urbanas. No aspecto ambiental, em 2017, a região consolidou-se como um dos atores climáticos mais importantes por conseguir canalizar os recursos financeiros necessários para realizar a transição para economias

de baixas emissões de carbono. Nos últimos anos, os investimentos em energias renováveis na região se multiplicaram. Isso permitiu que a América Latina tenha hoje a matriz energética mais limpa do mundo, com uma representação de 25% das fontes renováveis, em comparação com 13% da média global. Fonte: Banco de Desenvolvimento da AL


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Acordo entre Mercosul e Aliança do Pacífico fortalece o continente freepik

A união do Mercosul com a Aliança do Pacifíco – formado pelo Chile, Colômbia, México e Peru – está cada vez mais próxima. A iniciativa ganhou força em abril de 2017, quando houve uma reunião em Buenos Aires entre os ministros dos quatro países fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e dos quatro membros da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru). No documento divulgado ao final da reunião, os países se comprometeram a realizar esforços para ampliar o comércio na América do Sul e conquistar novos mercados. “Estamos avançando na integração, num momento em que reina a incerteza em nível internacional e se observam pressões protecionistas, nacionalistas e

inclusive xenófobas”, afirmou o chanceler chileno, Heraldo Muñoz, referindo-se a decisão dos Estados Unidos de rever acordos de integração e a força conquistada, nos últimos tempos, por partidos nacionalistas de direita na Europa. O acordo com o bloco vizinho gira em torno do aumento no comércio entre os países, ainda considerado baixo. Também está voltado para a diminuição de tarifas cooperação alfandegária, promoção de pequenas e médias empresas, redução de barreiras não tarifárias e facilitação no comércio de bens e serviços. Fonte: EBC Agência Brasil

Intercâmbio comercial brasileiro com a Aliança do Pacífico O Chile é o segundo parceiro comercial do Brasil na região. As empresas chilenas que atuam no Brasil se distribuem por áreas como papel e celulose, varejo e energia. Entre os principais produtos da pauta de exportações brasileiras estão óleos brutos de petróleo, carnes, tratores e automóveis. Na relação bilateral há, ainda, potencial de cooperação em ciência e tecnologia, em operações na Antártida e em matéria de defesa. n

A Colômbia é um importante destino de investimentos brasileiros. Há, atualmente, cerca de 160 empresas brasileiras estabelecidas naquele país, atuando em setores estratégicos. Em 2017, o comércio bilateral aumentou 25,7% em relação a 2016, impulsionado pelo aumento do preço internacional do petróleo e pela diversificação da pauta exportadora colombiana ao Brasil. As importações brasileiras da Colômbia saltaram 58,8% em 2017, ao passo que nossas vendas ao país cresceram 12,2%. O ano de 2018 também já começou em alta, com a Colômbia elevando em 25% suas vendas ao Brasil. n

O Brasil é um dos maiores investidores latino-americanos no México e o principal destino dos investimentos mexicanos na região. O intercâmbio bilateral totalizou US$ 7,34 bilhões em 2016, quando o México foi o oitavo parceiro comercial do Brasil. Os produtos industrializados representaram 94% das vendas, sendo o item principal os automotivos. É possível que o agravamento das relações entre os EUA e o México beneficie o agronegócio brasileiro. O México é importante comprador de produtos de valor agregado, como madeira e celulose, frutas e carnes. n

O Peru foi o 24º parceiro comercial do Brasil em 2016, quando as exportações brasileiras cresceram 7,3% em relação ao ano anterior. Os produtos manufaturados representam 86,9% do total, com destaque para tratores, autopeças e automóveis. Os produtos básicos são metade das importações brasileiras, destacandose o cobre e óleos brutos de petróleo. Os manufaturados vêm em seguida, com 30,8%, e os semimanufaturados com 18,5%. n


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Acordo de livre-comércio com a União Europeia favorece o Mercosul

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acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul está muito próximo de ser concretizado. Esta iniciativa irá ampliar os caminhos deste comércio bilateral, aumentando o potencial de crescimento de médio prazo para o bloco econômico formado pelo Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. No dia 5 de abril de 2018, houve uma reunião em Brasília entre o ministro Marcos Jorge de Lima, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, e o embaixador da União Europeia no Brasil, João Cravinho. De acordo com o embaixador, a assinatura de acordo entre os dois parceiros comerciais nunca esteve tão próxima. As tratativas têm avançado bem e o Mercosul está perto de comemorar seu primeiro acordo em matéria de bens com a União Europeia, que pode se tornar o primeiro bloco de países desenvolvidos a ter livre acesso ao mercado do Mercosul. Algumas arestas devem ser aparadas, como a

redução das barreiras tarifárias para produtos como grãos e alimentos, dos quais o Mercosul é grande exportador. A conjuntura mundial está favorecendo as negociações. Na União Europeia, houve a mudança de posição da França, o principal país contrário ao acordo, pois os agricultores franceses não queriam competir com os produtos do Mercosul. O presidente francês, Emanuel Macron declarou, em 26 de janeiro deste ano, que “é pertinente tentar finalizar rapidamente o acordo no contexto geopolítico atual”. A política protecionista dos Estados Unidos, adotada por Donald Trump, está obrigando a União Europeia a abrir novas frentes de comércio, acelerando assim o fechamento de acordos. No Mercosul, houve um alinhamento da política econômica. Argentina, Brasil e Paraguai agora têm regimes políticos favoráveis ao liberalismo comercial.

Canadá inicia negociação com o Bloco Econômico

Fonte: Ministério da Indústria, Comércio exterior e Serviços

Mercosul e Canadá iniciaram um amplo acordo que envolve temas como o comércio de bens, serviços, compras governamentais, pequenas e médias empresas, barreiras não tarifárias e propriedade intelectual. No dia 9 de março de 2018 aconteceu a cerimônia de lançamento das negociações em Assunção, no Paraguai. O momento é estratégico, pois ocorre após os Estados Unidos anunciarem medidas que irão impactar as exportações

brasileiras de produtos siderúrgicos e de alumínio para aquele mercado. O Mercosul vem trabalhando para uma maior abertura e participação no comércio internacional, ampliando suas parcerias. A negociação inclui discussões sobre comércio inclusivo, que abarca temas como o desenvolvimento sustentável, pequenas e médias empresas, considerações relativas a gênero, legislação trabalhista e responsabilidade corporativa.


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São Paulo brilha no cenário mundial

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capital paulista é a metrópole mais influente da América Latina, de acordo com um estudo elaborado pela Chapman University e Civil Service College de Cingapura. Alcançou a 23ª posição no ranking das megacidades, sendo a latino-americana mais bem posicionada. Também aparece em um ranking do relatório que avalia os melhores lugares para começar um negócio no ramo da tecnologia. Conquistou o 13º posto entre os 20 com melhor ambiente para o surgimento de novas companhias tecnológicas. São Paulo é o principal centro financeiro do país, sede da Bolsa de Valores (BM&FBOVESPA), uma das cinco maiores bolsas de valores do mundo, a segunda das Américas e líder no continente latino-americano. O poder financeiro e do maior mercado consumidor brasileiro está presente em locais como a Avenida Paulista. Abriga empresas de tecno-

sergio souza / unsplash

logia e startups, fazendo da cidade o “Vale do Silício Brasileiro”. Possui o principal hub de transportes do Brasil e da América do Sul. Conta com três aeroportos, três terminais rodoviários, dez rodovias de acesso e diversas opções de transporte local, como trens, metrô, táxis, veículos alugados e malha cicloviária.

Sede dos mais importantes hospitais do país, é referência internacional em medicina e saúde. Apresenta uma excelente estrutura no setor, com diversos tipos de tratamentos e cirurgias, para saúde ou estética, além de modernos laboratórios. C

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Fonte: www.investe.sp.gov.br

Turismo em Sampa São Paulo foi escolhida como o melhor destino turístico do Brasil e terceira da América do Sul pelo site Trip Advisor. São diversos os segmentos nos quais a capital paulista é referência: negócios, eventos, economia, hotelaria, gastronomia, transporte, estudos, pesquisa, comércio, esportes, saúde, tecnologia e outros. n

Eventos de diversos setores atraem milhões de pessoas, como o Salão do Automóvel, Carnaval, Virada Cultural, Marcha para Jesus, GP Brasil de Fórmula 1, Couromoda, Hospitalar, APAS Show e São Paulo Fashion n

Week e muitos outros. Participantes de feiras de negócios chegam diariamente ao maior destino do segmento no Brasil, seja para uma reunião ou uma megaexposição. O mundo das artes e espetáculos é destaque em São Paulo. Lá o turista encontra mostras, espetáculos e diversas manifestações artísticas. E a diversão segue pela noite paulista, que está entre as dez melhores do planeta, de acordo com a rede americana CNN e o National Geographic.

Rafael Neddermeyer / Fotos Públicas

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A capital paulista também é a capital brasileira da boa mesa. Por atrair imigrantes de todo o mundo, oferen

ce infinitas opções gastronômicas aos turistas e aos paulistanos. O turismo de compras é uma das atividades mais buscadas pelos visitantes. A grande variedade de mercadorias com bons preços e itens exclusivos e luxuosos atraem turistas de todas as partes do mundo. n

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A fronteira do desenvolvimento

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Brasil possui uma fronteira de cerca de 3.700 km com os demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). Possui um grande espaço de diálogo com outras nações, pois faz fronteira com dez países. Os municípios que fazem divisa com os países vizinhos são classificados como de linha de fronteira e os que se unem diretamente com um ou mais vizinhos são chamados de cidades gêmeas. O Rio Grande do Sul tem fronteiras com Argentina e Uruguai. Devido à sua ocupação e às suas características, apresenta dez cidades gêmeas, o maior número entre os estados brasileiros. Foz do Iguaçu constitui um espaço vital para a integração econômica e a união política da América Latina. A região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, com cerca de 2.500 km2, foi declarada Zona de Interesse

Cataratas do Iguaçu S.A

Foz do Iguaçu desfruta de uma localização estratégica no Mercosul

Turístico do Mercosul. Abrange os municípios de Foz do Iguaçu, no Brasil, Ciudad del Este, no Paraguai, e Puerto Iguazú, na Argentina, e coincide com a desembocadura do Rio Iguaçu no Rio Paraná. Foz do Iguaçu se comunica pela

Ponte Tancredo Neves (sobre o Rio Iguaçu) a Puerto Iguazú, na Argentina, e pela Ponte da Amizade (sobre o Rio Paraná) a Ciudad del Este, no Paraguai. Em Puerto Iguazú está localizado um dos maiores shoppings da região.

Instalação de free shops beneficia cidades brasileiras Os free shops no Brasil agora são legais e logo se tornarão realidade. São lojas que vendem produtos importados com valores inferiores aos praticados nas lojas, pois são vendidos com isenção ou redução de impostos. A lei, que foi regulamentada em março de 2018, altera o regime aduaneiro e autoriza a criação de free shops em cidades gêmeas. A Receita Federal autorizou a elaboração do programa de informática que será utilizado para controlar o funcionamento do sistema. Nos países vizinhos eles geram receitas consideráveis. Surgiram no Uruguai, na década de 1980, e espalharamse por várias cidades fronteiriças. A Argentina seguiu pelo mesmo caminho, instalando grandes shoppings na fronteira com o Brasil. A concorrência com o comércio brasileiro é desleal, pois a carga tributária desses três países é menor, permitindo que comercializem nossos produtos por preços muito inferiores. A implantação dos free shops no lado brasileiro irá corrigir as desigualdades econômicas e sociais das cida-

Marcelo Pinto / A Plateia

Nova lei aquece a economia nas fronteiras do Brasil

des gêmeas, restabelecendo um processo de desenvolvimento, com emprego, renda e qualidade de vida para a população da fronteira brasileira. A instalação de lojas francas no lado brasileiro vai beneficiar diretamente dez municípios gaúchos: Aceguá, Barra do Quaraí, Chuí, Itaqui, Jaguarão, Porto Xavier, Quaraí, Santana do Livramento, São Borja, Uruguaiana.


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Um modelo inédito de negócio

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Fronteira do Brasil com o Uruguai é favorecida por importantes elementos do turismo. De um lado o Uruguai, através de Free Shops, gera mercado de produtos duráveis e não duráveis, livre de impostos; de outro, o Brasil, em especial o Rio Grande do Sul, gera compradores ávidos por produtos importados. É um modelo de negócio com efeito positivo para comércio e serviços, mas com efeito negativo para o crescimento do turismo interno para além da linha divisória entres os países. Com situação cômoda da rede hoteleira e do comércio, poucas eram as opções de lazer e de geração de renda, trabalho e emprego, oriundas de uma das maiores cadeias produtivas do mundo: o turismo. Com esta finalidade, buscamos, desde 2010, alternativas para o crescimento do turismo com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da região. Percebendo que a localização

vitivinícola no interior do município é disposta na forma de arco, idealizamos, na Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA, a Ferradura do Vinhedos. Identificamos e descrevemos elementos com potencial turístico no local, materializados em belezas naturais, atrativos culturais, riquezas históricas, religiosas e sociais, as quais compõem um rico patrimônio material e imaterial além do vinho e dos free shops. Isto despertou a rede hoteleira, que desde então capacita profissionais sobre o local, apoia pequenos empreendedores hortifrutigranjeiros, colabora com agências de turismo receptivo (em franca ascensão) e investe no turismo decorrente de águas termais. Avelar Fortunato Dr. economista; com estágio pós-doutoral em Desenvolvimento Econômico; professor do pós-graduação em Administração na UNIPAMPA; autor do relatório que materializou o Roteiro Turístico Ferradura dos Vinhedos

Potencial turístico da região fotos divulgação / ferradura dos vinhedos

As vinícolas Salton, Nova Aliança, Almadén e Cordilheira de Sant’Ana têm conquistado prêmios nacionais e internacionais. A região produz os melhores vinhos de uvas Merlot e Chardonnay do Brasil. n A olivicultura da Olivo Pampa e outros empreendimentos. n A produção de hortifrutigranjeiros da agricultura familiar. n As águas termais e o complexo turístico Amsterland. n Belezas naturais como Cerro de n

Palomas, Cerro da Cruz, Arroio da Cruz, entre outras. n Riquezas patrimoniais podem ser encontradas no Binacional Cemitério da Cruz e em antigas estâncias. n Testemunhos históricos de revoluções gaúchas: a Farroupilha, a Federalista e a de 1923. n O culto à tradição gaúcha está presente na Invernada Campeira Passo do Guedes e no Centro de Tradições Gaúchas Presilha do Pago, um dos mais clássicos do RS.


Rodoviaria de Porto Alegre Guiche 27G

Setor Empresas Interestaduais e Internacionais


Salto


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Mercosul – O gigante do

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s números não mentem. O Mercosul é um dos gigantes mundiais quando o quesito é produção de alimentos. A abundância de terras férteis e vantagens competitivas certamente fazem parte desta fórmula. No entanto, um dos principais fatores para este alto nível de competitividade é a força dos produtores presentes nestes países, que produzem cada vez mais e com mais qualidade, através da adoção do que há de melhor no mundo quando se trata de produção agropecuária. Somente isto pode explicar como o agronegócio atingiu o atual nível de desenvolvimento, apesar das diversas dificuldades enfrentadas pelo setor nestes países. O setor sofreu durante anos com políticas públicas erradas e o descaso dos governos com o mesmo. Citando apenas dois casos, na Argentina e no Brasil, os dois maiores produtores do bloco, podemos exemplificar as dificuldades enfrentadas. As “Retenções Móveis”,

foto Onlyyouqj / Freepik

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tributos sobre a exportação de produtos agrícolas, acabaram com a competividade dos produtos argentinos, com fortes efeitos na alocação de investimentos e no desenvolvimento do agronegócio argentino, resultando em uma perda no comércio global e na perda do ciclo de expansão das commodities e resultando nos maiores estoques de soja em grãos do mundo. Já o Brasil sofre com custos de produção cada vez mais altos, fruto do Custo Brasil, e com políticas agrícolas pouco eficientes, como por exemplo os anúncios de crédito do Plano Safra – que estão cada vez mais descolados dos valores efetivamente disponibilizados para os tomadores de crédito, entre inúmeros outros problemas. Apesar dos obstáculos acima citados, o bloco é um dos principais produtores de alimentos para o mundo. Se destaca entre os maiores produtores de grãos e proteínas animais, sendo o maior produtor de soja e carne bovina, conforme a tabela a seguir.

Produção 2016/2017 Arroz

Milho

Soja

Trigo

Carne bovina

Carne de frango

China

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Mercosul

União Europeia

Mercosul

Estados Unidos

China

Índia

China

Estados Unidos

China

Estados Unidos

Mercosul

União Europeia

Indonésia

Mercosul

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Índia

União Europeia

União Europeia

Estados Unidos

Indonésia

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Índia

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China

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Ucrânia

Canadá

Estados Unidos

Índia

Índia

Rússia

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Ucrânia

Canadá

Austrália

Rússia

Vietnã

Birmânia

Índia

Uruguai

Austrália

México

México

Canadá

Filipinas

África do Sul

Rússia

Mercosul

Paquistão

Turquia

Filipinas

Mercosul

Rússia

União Europeia

Ucrânia

Turquia

Tailândia

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Japão

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Bolívia

Paquistão

Rússia

Malásia

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M Fonte: FAS/USDA M Elaboração: Sistema Farsul/ Assessoria Econômica

Carne suína


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agronegócio mundial Além de ser um grande produtor também se destaca como importante fornecedor de alimentos para o resto do mundo. O Mercosul assume o papel de protagonista M

entre os maiores exportadores do mundo, sendo o maior exportador de soja e carne bovina e o segundo maior de milho e carne de frango, conforme a tabela que segue.

Exportação 2016/2017 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º

Arroz Índia Tailândia Vietnã Paquistão Estados Unidos Birmânia Mercosul China Camboja Guiana

Milho Estados Unidos Mercosul Ucrânia Rússia Servia União Europeia África do Sul México Canadá Birmânia

Soja Mercosul Estados Unidos Canadá Ucrânia Rússia Índia União Europeia Servia Turquia China

Trigo Estados Unidos Rússia União Europeia Austrália Canadá Ucrânia Mercosul Cazaquistão Turquia México

Carne bovina Mercosul Índia Austrália Estados Unidos Nova Zelândia Canadá União Europeia México Bielorrússia Nicarágua

Carne de frango Mercosul Estados Unidos União Europeia Tailândia China Turquia Ucrânia Bielorrússia Canadá Rússia

Carne suína União Europeia Estados Unidos Canadá Mercosul China Chile México Vietnã Austrália Rússia

M Fonte: FAS/USDA M Elaboração: Sistema Farsul/ Assessoria Econômica

Com o aumento da demanda mundial de alimentos, o bloco passou a produzir não apenas visando a demanda interna, mas também para atender a demanda de outros países. Dessa forma, o comércio internaM

cional é fundamental para o agronegócio dos países membros do Mercosul, uma vez que fatia importante da produção é destinada ao consumo externo, conforme tabela que segue.

Produção e exportação de grãos e carnes do Mercosul, em 2017

Produção (mi tons) Exportação (mi tons) Percentual da produção exportado (%)

Arroz 10,74 2,49 23%

Milho 143,25 44,50 31%

Soja 185,78 79,42 43%

Trigo 27,17 14,19 52%

Carne de frango 13,58 2,96 22%

Carne bovina 15,24 4,03 26%

Carne suína 4,31 0,79 18%

M Fonte: FAS/USDA M Elaboração: Sistema Farsul/ Assessoria Econômica

Conforme estudo do Sistema Farsul, a demanda mundial de alimentos entre 2016 e 2026 deve aumentar principalmente no continente asiático, o que demandaria ainda maior capacidade competitiva do bloco frente aos demais produtores de alimentos. Danielle Guimarães Analista de Conjuntura Econômica do Sistema Farsul

Renan Hein dos Santos Analista de Relações Internacionais do Sistema Farsul

Nossa preocupação é: até quando conseguiremos chegar ao outro lado do globo sendo competitivos, com todos os problemas estruturais crônicos que assolam o bloco? O gigante está correndo o risco de se tornar um anão.


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fotos www.visitparaguay.travel

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O Paraguai desponta na liderança da América do Sul

á dez anos o Paraguai cresce sem parar. Neste período, atingiu um crescimento médio anual de 4,5%, o maior da América do Sul. A projeção do Banco Central paraguaio para 2018 é manter o percentual. O país superou a dependência da exportação de produtos agrícolas diversificando sua base econômica. Atualmente, indústria e construção civil já representam 20% do PIB. De 2003 até hoje, a pobreza passou de 50% para 28% e a classe média duplicou, estimulando os negócios imobiliários na capital Assunção. Em seus novos bairros surgiram torres de escritórios, shoppings e hotéis. O setor de construção civil cresce, em média,

18% ao ano. Este desenvolvimento atraiu empresas e profissionais do ramo, principalmente argentinos, brasileiros e espanhóis. A política fiscal fornece sustentação à atividade econômica. O país tem um dos menores índices de endividamento público mundial. A Lei de Responsabilidade Fiscal, em vigor desde 2015, impõe um teto de 1,5% do PIB ao déficit do orçamento. Somada às finanças públicas sólidas, a baixa inflação torna o mercado financeiro paraguaio atrativo para investidores estrangeiros, tanto de países vizinhos como da Europa, Ásia e Oceania. Desde a sua adoção, em 2011, o regime de metas de inflação tem conseguido orientar a política monetária e conter a inflação, que nos últimos seis anos não ultrapassou 5%. Todos estes fatores fazem com que o retorno de investimento no Paraguai seja de 22%, o segundo mais alto da América Latina.

Divulgação

O diretor de Promoção de Investimentos da Rediex, Carlos Paredes, e Rubén Jacks, presidente da Cámara de Comercio Paraguay Brasil, apresentam a empresários oportunidades de negócios.

O embaixador José Martínez Lezcano e a cônsul do Paraguai no RS, Rosanna Berino atuam na divulgação do país. Mais informações no consulado do RS: t (51) 3249.0530 e 3241.9576 a portoalegreconsulpar@ mre.gov.py


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Governo oferece incentivos à industrialização Com crescimento, baixa inflação e finanças públicas sólidas, o Paraguai criou um ambiente favorável à vinda de empresas estrangeiras. Os custos de produção são muito competitivos. O país é o maior produtor mundial de energia renovável, o que a torna muito barata. A mão de obra é abundante e com alta produtividade, pois 66% da população tem menos de 35 anos. A legislação trabalhista é mais flexível e os encargos sociais menores. Outro atrativo é a baixa carga do tributos. Em 2004, foi implantado um sistema tributário simplificado e vantajoso para empresas nacionais e internacionais, denominado “triple 10”: 10% do imposto de renda corporativo, 10% do imposto de renda pessoal e 10% do Imposto sobre valor agregado sobre bens e serviços. Mas o grande estímulo governamental veio da Lei de Maquila, regulamentada no ano 2000 para incentivar a instalação de empresas estrangeiras no país. Inspirada na legislação mexicana, oferece isenção de impostos às empresas estrangeiras para importação de máquinas, equipamentos e matéria-prima. Em contrapartida, a empresa precisa exportar 100% de sua produção até completar o primeiro ano no regime e paga um imposto único de 1% sobre a sua fatura de exportação. Para

Força que vem do campo A agropecuária desempenha um papel fundamental no cenário econômico, sendo responsável por cerca de 30% da riqueza produzida pelo país. O setor pretende expandir, principalmente na área de grãos. O Paraguai é o sexto produtor e o quarto maior exportador de soja do mundo, posição que conquistou devido à mecanização das plantações de soja. A Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais (Cappro) comunicou que as boas expectativas para 2018 estão sendo consolidadas e estima que a moagem do grão supere a média dos últimos cinco anos. A perspectiva é de avanço, tanto das oleaginosas quanto dos demais produtos primários. Com o objetivo de desenvolver as pequenas propriedades rurais, o

fanjianhua / Freepik

acessar tais benefícios, precisa manter a operação no país de origem, o que traz vantagens para empresas internacionais exportarem com tarifa reduzida para Europa, com quem o Paraguai mantém acordo. Atualmente já são 124 indústrias incluídas no programa de Maquila e sete em cada dez são brasileiras. O Paraguai quer ampliar esta participação, construindo uma agenda conjunta com o Brasil para substituir as importações da Ásia.

jonas Oliveira / ANPr

governo implantou, em 2014, um projeto de modernização da agricultura familiar, com investimentos que chegam a US$ 21 milhões. Entre as atividades já desenvolvidas estão: a habilitação de parcelas para a produção de itens de renda ou autoconsumo; o preparo do solo e semeadura mecanizada; o reflo-

restamento como item de renda de longo prazo; a semeadura de adubos verdes para recuperar solos degradados; a comercialização dos produtos. Na próxima fase, serão realizadas ações que integrem as famílias às cadeias de valor e tragam reforço financeiro, garantindo a sustentabilidade da agricultura familiar.


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RS, um Estado pronto para o crescimento

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crise brasileira chegou ao fim. A avaliação, feita pela Fecomércio-RS a partir do balanço de 2017, projeta para 2018 um crescimento da economia, impulsionado pelo consumo e com a tendência de todos os setores produtivos apresentem melhores resultados. O poder de compra das famílias vem crescendo por conta da queda da inflação e dos juros. O mercado de trabalho está mais aquecido, aumentando a confiança e o retorno ao consumo. A entidade destaca a urgência de reformas essenciais, como a reforma da Previdência, para estabelecer o equilíbrio das contas públicas do país e promover o desenvolvimento econômico e social. O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos ijeab / Freepik

Bohn, reforçou que não há mais como suportar aumento de impostos para resolver o déficit fiscal. “Se faz urgente melhorar o ambiente de negócios no Brasil. Criou-se uma inconstitucional e injusta política arrecadatória implementada por alguns estados, inclusive o nosso, que atinge em cheio todo o segmento varejista optante pelo Simples Nacional”, afirma. Em relação à economia gaúcha, Bohn avalia que o Rio Grande do Sul está em situação “pré-falimentar” e que o estado depende da aprovação da renegociação da dívida para não quebrar. A partir do congelamento das parcelas, a recuperação da atividade econômica deverá ocorrer de forma lenta e gradual, acompanhando os ajustes na inflação.

Números indicam recuperação O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderá atingir um percentual de 1,9% em 2018.

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A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) divulgada pela Fecomércio-RS mostra que a intenção de consumo das famílias gaúchas em março deste ano apresentou elevação de 9,2% na comparação ao mesmo mês de 2017 e um acréscimo de 2,3% sobre fevereiro de 2018. n

n O indicador referente à perspectiva profissional alcançou 92,9 pontos, uma elevação significativa de 39,4% sobre o mesmo período do ano passado. O cenário atual do mercado de trabalho mostra que a tendência é de melhora nos próximos meses, com a retomada da atividade econômica.

Setores com grande potencial A tecnologia e a aposta em inovação podem contribuir para a criação de uma agenda positiva para o Rio Grande do Sul e exercem um papel importante na retomada do crescimento. Uma iniciativa importante é a criação empresas que tragam tecnologia para o estado. Porto Alegre e a Região Metropolitana têm potencial para tornarem-se extremamente digitais. Além desse segmento, outros quatro devem ser mais explorados: gastronomia, mobilidade urbana, entretenimento e futebol.


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Cluster de Tecnologias para a Saúde do RS consiste em um programa que reúne os principais agentes públicos e privados para que atuem na produção de tecnologias de alto impacto na melhoria da saúde humana. Seu objetivo é tornar-se uma referência na geração de conhecimento, tecnologias e serviços, impulsionando o crescimento econômico e melhorando os indicadores de saúde da população. A existência de um mercado promissor no Brasil e América Latina e a vontade política dos atores envolvidos para atuar no desenvolvimento deste segmento foram os motores da sua criação em 2015. As reuniões iniciais ocorreram no Badesul, um dos parceiros do projeto. Seus técnicos auxiliaram na condução dos primeiros estudos, quando foram estabelecidas metas a curto e médio prazo. Hoje o Cluster já conta com

a participação de 190 empresas, de hospitais dos municípios de Porto Alegre, Passo Fundo e Pelotas e de todas as universidades localizadas no Rio Grande do Sul que possuem cursos relacionados à saúde. A diretora de Promoção Comercial e Assuntos Internacionais da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do RS, Sandra Schaëfer, também atua como secretária executiva do Cluster. Sandra destaca que muitas metas já foram atingidas, como a criação de várias startups, a oferta de cursos de capacitação para empresas e profissionais do setor, entre outras. Outra ação importante que está em curso é o projeto Conexão Saúde, cuja proposta é ajudar no desenvolvimento de 20 micro e pequenas indústrias do segmento, promovendo a aproximação comercial e a geração de negócios junto ao seu mercado-alvo.

Onlyyouqj / Freepik

Cluster de Tecnologias para a Saúde do RS torna o setor mais competitivo Objetivos do Cluster Integrar instituições e realizar projetos que implantem um ambiente de tecnologia e inovação em saúde. n Promover a articulação institucional setorial. n Atuar no desenvolvimento, retenção e atração de talentos. n Estimular a complementariedade. n Fomentar a inovação de produtos e serviços. n Desenvolver um modelo de governança. n Promover a melhoria de tecnologias acessíveis ao cidadão. n Fomentar o empreendedorismo no setor da saúde. n Fomentar sistemas de inovação na economia gaúcha. n Atrair investimentos estratégicos para o RS. n


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eduardo seidl

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A contribuição da cultura para a expansão do turismo sustentável no Rio Grande do Sul

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ultura é o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização. Portanto, fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc. Uma das capacidades que diferenciam o ser humano dos animais irracionais é sua a capacidade de produção de cultura. A cultura brasileira foi formada ao longo dos séculos (desde o início da colonização, no começo do XVI), pela mistura da cultura portuguesa com a indígena e a africana. Tempos depois, nos séculos XIX e XX, nosso país recebeu a influência cultural dos imigrantes italianos, espanhóis, alemães, árabes, japoneses, chineses, entre outros. O turismo é um fenômeno social, cultural, ambiental e econômico. Quando planejado e bem estruturado, é gerador de emprego e renda. O turismo sustentável privilegia a cultura local, incentiva as criações dos habitantes do destino turístico, destacando e valorizando as suas manifestações como lendas, folclore, gastronomia, tradições, entre outras. O turismo sustentável é um fenômeno de conscientização e proteção dos ecossistemas, além de ser uma maneira de preservá-los para as gerações futuras.

O turismo é sistêmico e está vinculado às mais diversas áreas da sociedade. Ele impacta e é impactado pelas suas ações ou omissões. Na realidade, é ofertado após sua delimitação como produto turístico, reunindo os aspectos geográficos, históricos, culturais e equipamentos e serviços. Nos aspectos culturais, podem ser encontrados os diferenciais capazes de atraírem visitantes. Na realidade, as experiências culturais podem tornar inesquecíveis as visitações ao núcleo receptor. Os eventos culturais são responsáveis pelo aumento de fluxo de visitantes. Em várias partes do mundo, o fenômeno turístico ajuda na melhoria da qualidade de vida e na autoestima da comunidade. No aspecto econômico, constata-se o efeito multiplicador de cada investimento realizado, podendo gerar resposta mais rápida na geração de emprego e da renda. No Rio Grande do Sul, existem 27 regiões turísticas que representam 371 municípios. São celebrados mais de 400 eventos tradicionais nos 497 municípios do estado e estão disponibilizados mais de 180 roteiros turísticos para todos, de todas as idades e interesses. Abdon Barretto Filho Diretor de Turismo da Secretaria Estadual do Turismo, Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul Mais informações no site www.turismo.rs.gov.br e/ou no aplicativo grátis Turismo RS


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Gastronomia de tirar o fôlego

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Mercosul é um enorme território com extensa gastronomia, indo do galeto ao churrasco, da parrilla a paeja, da polenta a pizza, da cerveja ao vinho e do chimarrão ao terere. São muitas particularidades, heranças dos indígenas, colonizadores, escravos e imigrantes. Difícil é respirar e degustar ao mesmo tempo, quando nos depararmos com as preparações desta rota gastronômica! É impossível ficar imune a essas gostosuras sem brindar com um bom vinho, que pode ser da Serra Gaúcha ou dos países vizinhos. A produção brasileira, com uvas selecionadas, elevou nosso produto no ranking mundial de exportação. Os vinhos argentinos e chilenos estão entre os melhores do mundo. A cultura gastronômica no Brasil é mais vasta. A que mais me agrada é a do Rio Grande do Sul. Talvez porque, ao deleitar os olhos com as hortências em suas nuances de cores, em contraste com o verde e o brilho das serras, a beleza é tanta que nos deixa sem respiração. Algumas paisagens gaúchas nos remetem à Europa. Poderemos optar por massas maravilhosas que os antepassados legaram como herança, como o tortéi típico italiano, um pastel cozido com recheio de cabotiá, frango e queijo parmesão e servido com um molho à sua escolha. Outra sugestão é o ravióli com recheio de espinafre com queijo e molho. Ou que tal uma sopa de cappelletti in brodo? Não dá para deixar de ir a uma boa churrascaria e saborear um excelente churrasco com uma bela maionese de batatas e cheiro verde, acompanhado de salada de folhas. Temos também o porco paraguaio, assado direto na brasa, em pé, num buraco feito no chão.

fotos Pinterest

Tudo pode ser degustado em algumas propriedades rurais abertas ao público, onde encontramos queijos, geléias, salames e sucos diversificados para degustação e venda. As experiências são completas quando experimentamos comidas típicas de cada país. No Uruguai vamos nos deliciar com o assado de tira, que consiste no churrasco de costela. Caso queira um lanche rápido, sugiro o chivito, parecido com o xis-tudo brasileiro, acompanhado de uma Quilmes. Não podemos esquecer do famoso dulce de leche. Quando pensamos em Argentina, o que nos vem à cabeça é o alfajor, sendo o mais famoso o Havana. Na Ricolleta, em Buenos Aires, está a melhor empanada do país. O bife de chorizo argentino e uruguaio é referência nos restaurantes europeus.

Um destaque no Paraguai é a sopa paraguaia, torta preparada com fubá, queijo meia cura ralado grosso, cebola, milho verde debulhado e manteiga. Não podemos esquecer da chipa, bolinho de polvilho assado com manteiga e queijo, e das tortilhas, semelhantes às argentinas mas com mais recheio. Podem ser de mandioca ou trigo, fritas ou assadas. O universo gastronômico do Mercosul é enorme. Fornecemos algumas sugestões, há muito a ser explorado. Aventure-se rumo ao desconhecido. Pegue um cardápio e namore. Com calma, atenção. Então peça e saboreie, degustando as delícias do novo! Até a próxima. Maria da Luz M. Van Langendonck Nutricionista (CRN 384 8 Região), especialista em Marketing e Desenvolvimento Organizacional


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Mulheres conquistam seu lugar no mundo dos negócios

A presença feminina no mercado de trabalho vem crescendo desde a Revolução Industrial. Hoje elas ocupam um lugar de destaque e buscam espaço em áreas dominadas pelos homens, como cargos de liderança. Dedicamos esta página à todas que lutam pelo empoderamento feminino, como Susana Kakuta e Simone Leite fotos divulgação

Susana Kakuta

Simone Leite

A maturidade me possibilita olhar para trás e refletir sobre quais fatos realmente determinaram meu empoderamento profissional como executiva de empresas e, mais recentemente, como responsável pela Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul. Focando no essencial, o que mudou minha vida, foi a educação! Nasci em Lomba Grande, interior de Novo Hamburgo. Estudei em escola publica até chegar à universidade, quando custeei meus estudos, trabalhando durante o dia e estudando a noite. Depois fiz doutorado através de bolsa de estudos. Nada foi fácil! Mas, foi definitivo na minha vida! A presença de mulheres na nova economia, baseada no conhecimento, é evidente. Falo da presença na biotecnologia, TI, nano tecnologia... A discussão sobre oportunidades de carreira e de remuneração segue sendo uma verdade no universo feminino; verdade que somente se modifica com formação educacional, postura ética e vontade de vencer – garra!

Natural de Estância Velha, sou professora e administradora. Atuo como diretora administrativo-financeiro do Grupo Urano, em Canoas, e integro conselhos superiores de empresas. Participo de entidades associativas desde 2003. Em 2011 presidi a Câmara da Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, tendo sido a primeira mulher a ocupar o cargo. Fui secretária de Desenvolvimento Econômico de Canoas entre 2009 e 2011. Em 2016 fui eleita, pela maioria absoluta dos votos, a primeira mulher a presidir a Federasul – Federação de Entidades Empresariais do RS, onde já atuo como vice-presidente de Integração desde 2012. Percebo que o carisma, a sensibilidade e a coragem das mulheres têm contribuído muito nas relações econômicas e sociais nos dias atuais. As mulheres vêm ocupando espaços de decisão e qualificando os ambientes empresariais e políticos. Apesar do preconceito e do machismo enraizados na sociedade, a determinação e a necessidade têm feito as mulheres desbravarem e conquistarem autonomia, respeito e excelentes resultados pessoais e profissionais.


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4.0 - uma indústria em transformação um conjunto de medidas para auxiliar o setor produtivo, em especial as pequenas e médias indústrias, em direção ao futuro da produção industrial. As ações vão da difusão deste novo conceito à disponibilização de linhas crédito mais acessíveis para que indústrias de todos os portes possam investir na adoção ou geração de novas tecnologias. A Agenda Brasileira para a Indústria 4.0 prevê um amplo suporte ao empresário que pretende seguir o caminho da transformação digital. O objetivo é aumentar a competitividade da indústria nacional, hoje um grande gargalo do setor. Fonte: Ministério da Indústria, Comércio exterior e Serviços

kjpargeter / Freepik

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indústria 4.0 representa a quarta Revolução Industrial e se caracteriza por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e biológico aos processos produtivos, etapas da cadeia de valor, distribuição, entre outras mudanças. A indústria brasileira enfrenta o desafio de aumentar sua competitividade no cenário global impactado por esta revolução, transformando as plantas industriais atuais em fábricas inteligentes e modulares. Eficiência, controle de processos, qualidade dos produtos e segurança dos trabalhadores são condições essenciais para que o setor produtivo avance rumo à indústria 4.0 O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), lançou

Metas da Agenda Brasileira para a Indústria 4.0 Disseminar os conceitos e processos da indústria 4.0 através de campanha permanente de comunicação. O tema será inserido em todos os acordos comerciais. n

Aproximar indústrias e startups, por meio do programa Startup Indústria 4.0, da ABDI, que destinará R$ 30 milhões para que empresas desenvolvam soluções tecnológicas para as indústrias. n

Finep, BNDES e BASA, oferecerão linhas de crédito para modernização das plantas produtivas, produção de máquinas ou sistemas em instituições financeiras públicas e privadas. n

Zerar o imposto de importação para aquisição de robôs industriais não produzidos no Brasil.

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Reduzir a alíquota do Imposto de Importação para impressoras 3D e equipamentos voltados para a manufatura aditiva.

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Revisar as regras legais para que as empresas brasileiras migrem para o modelo 4.0.

Alinhar os currículos dos cursos com a oferta e a demanda do mercado de trabalho, facilitando a transição dos trabalhadores para os empregos 4.0. n

Criar mecanismos de financiamento público-privado para a requalificação dos trabalhadores. n

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Capacitar 1,5 mil professores de educação profissional e tecnológica e 10 mil alunos da rede federal, bem como criar até 100 laboratórios voltados para o tema. n

O MDIC e a ABDI, em parceria com agências federais e estaduais de fomento, financiarão o desenvolvimento das fábricas do futuro, que são ambientes reais para testes de soluções inovadoras, para que possam ser aplicadas no processo produtivo. n


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Transformação digital não tem nada a ver com internet

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omo assim? A resposta é SIM e NÃO. Deixa eu explicar. SIM, porque a TRANSFORMAÇÃO DIGITAL começou com as oportunidades que a web trouxe às empresas. Com uso cada vez maior pelos consumidores, a exigência foi ficando cada vez maior. Para que as marcas respondessem no menor tempo por todos os canais, oferecessem seus produtos não só na loja física, mas também no e-commerce, e tivessem uma presença digital uniforme e efetiva. Essa exigência trouxe ao mercado startups, com modelos de negócios nunca utilizados, promovendo um Tsunami nas empresas tradicionais. Precisamos pensar no jogo seguinte, como dizem os técnicos de futebol. NÃO, porque TRANSFORMAÇÃO DIGITAL não é só o que acontece na web. É muito mais, pois envolve três elementos.

1º elemento: pessoas As lideranças das empresas, desde o início da internet, mantiveram-se afastadas das principais decisões, seja por desconhecimento, ou descrença. Nunca valorizaram de forma correta o que estava acontecendo no mundo dos negócios. Não era só na internet.

Paulo Kendzerski Presidente do Instituto da Transformação Digital Acesse o artigo completo pelo link www.institutodatransformacao.com.br/ ebookvamostransformar

2º elemento: processos Até os anos 2000, as empresas determinavam a forma como os consumidores iriam se comunicar com elas. Informavam nos rótulos dos produtos o endereço, caixa postal e 0800. As mudanças, impostas pelo consumidor, trouxeram à tona problemas de processos. Sejam eles de produção, distribuição, comercialização (quem não ouviu falar de conflito de canais?), mas, principalmente, de qualidade, atendimento e pós-venda. Se antes a comunicação era de mão única e individual, hoje ela é pública e acessível a qualquer um que colocar o nome de uma marca num motor de busca ou numa rede social.

3º elemento: tecnologia Por último, e não menos importante, a tecnologia, que hoje permite a qualquer um tornar-se líder no seu segmento, com investimento acessível e pouco tempo de mercado. Mais importante do que a tecnologia são as ferramentas de Inteligência que são utilizadas para alavancar os negócios. Inteligência não se compra. Se desenvolve com pessoas e com processos bem definidos. Entendeu agora?


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O novo contexto da

América Latina

a conduz ao protagonismo


Revista Negócios do Mercosul 10  
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