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SOLANGE SILVEIRA GARCIA

ilustrações de Edson Ikê


1 0 s U PEr d I CAs N ÇA D e s E G U rA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

!

Nunca faça pipas com papel laminado ou use fios metálicos (como o fio de cobre que encontramos em bobinas). O risco de choque elétrico é grande. Não empine pipas naqueles dias de tempo ruim, com nuvens carregadas, quando a chuva é certa. Mais perigoso ainda é se houver relâmpagos! Nunca brinque perto de antenas, fios telefônicos ou cabos elétricos. O risco de sofrer uma descarga elétrica é enorme! Procure locais abertos como praças, parques e praias. Longe de fios e obstáculos, você e seus amigos podem brincar tranquilos e com segurança. Se, por algum motivo, a pipa enroscar em fios ou postes, não tente tirá-la. É melhor fazer outra. Nunca use canos, vergalhões ou bambus para querer resgatá-la. Não empine pipa em cima de lajes e telhados. Você pode cair e se machucar gravemente.. Cuidado com o espaço ao seu redor quando estiver empinando sua pipa, principalmente ao andar para trás ou correr. Você pode tropeçar em algum buraco ou até ser atropelado! Atenção especial com os motociclistas e ciclistas: a linha pode ser perigosa para eles, mesmo sem cerol — aquela mistura feita de cola e vidro moído, que alguns pipeiros costumam passar na linha para disputar a pipa do outro. Lembre-se: lugares abertos são sempre melhores para brincar. Nunca, jamais, em hipótese alguma, utilize o cerol ou coisas parecidas. Além de criminosa, essa prática coloca em risco a vida das pessoas! Jamais invada estações de distribuição de energia para recuperar pipas. É proibido! Estes locais são muito perigosos porque ali circulam correntes elétricas de alta tensão. Apenas pessoas capacitadas e devidamente protegidas estão autorizadas a entrar nestes lugares. E lembre-se sempre: a eletricidade é invisível, mas o risco de se machucar gravemente é real. Vamos brincar com pipas e não com nossas vidas.


Texto SOLANGE SILVEIRA GARCIA Texto

Ilustrações SOLANGE SILVEIRA GARCIA EDSON IKÊ Ilustrações EDSON IKÊ


Simplesmente voar... Nenhuma infância é tão bem aproveitada quanto aquela em que nos divertimos com brincadeiras simples. Uma diversão que, para os mais velhos, sempre vem à mente, naqueles dias ensolarados, no parque ou na praia, é a arte de empinar pipa. A pipa é capaz de atingir alturas que todos nós gostaríamos de alcançar, pois tem o poder de fazer o que tanto desejamos: simplesmente voar! Você é nosso convidado para alçar voo nesta divertida brincadeira! 3


Era um tĂ­pico mĂŞs de agosto, Havia vento, ventania... Vitor somente pensava, na pipa que ele faria! Vitor morava no morro e amigos tinha aos montes. De dia, via um cĂŠu estrelado, com pipas no horizonte.

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Você sabia que o nome pi

pa der s? uma iva da ido sua semelhança com u q í rl ojuda, feita de madeira, e q orta p vasilha b ue era s n a a tr usada an tigamente par ! q s u ipas Faça uma pe isa e descubra outr p s da as cur iosidades sobre o mundo

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Pediu ao pai uma ajuda para a confecção começar: um bambu no bambuzal, os dois foram coletar. Escolhe, golpeia e corta... três varetas eles vão afinar. “Cuidado com tantas ferpas!”, seu pai o avisa ao tocar. Hora de pensar no recorte, com a seda precisam cobrir. Escolheram a cor mais bela, para a pipa no céu subir... Mede, recorta, cola... o esqueleto que irão moldar. Dois arcos bem amarrados farão a pipa voar.

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“E agora, pai, o que falta?”, Vitor põe-se a perguntar. “Rabiola, meu filho, é preciso, para a pipa se equilibrar!” E foi com sacolinha plástica, que Vitor aprendeu a recortar amarrando as fitas na linha, a rabiola viu-se alongar.

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s tico ĂĄ m ate m s o eit pipa ganhamos hab ilidade m conc empinar uma e s r o e m z e ! d a anual, apren Ao f livre r a o sica a iosidades sobre os ventos e ainda p Ă­ r f u c e , s d o a d c i raticamos ativ e fĂ­si

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Já estava quase pronta, sua pipa para empinar faltava a linha adequada, para a obra finalizar. Com uma rabiola imensa, feito noiva com longo véu, mostrou à mãe, costureira: “só me falta um carretel!”

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Depois da pipa alinhada, foi em busca de latinha, para melhor manusear, os infinitos metros de linha... Com o sol quase se pondo, o trabalho entĂŁo terminou. A pipa estava completa, a famĂ­lia comemorou! E Vitor passou a noite, pensando no amanhecer... Era dia de campeonato e sua pipa iria concorrer.

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Sonhou com a pipa ao vento, no céu feito maestrina e resolveu logo batizá-la: “Sofi, a pipa bailarina”. Imaginou Sofi ao vento, aos poucos se distanciando subindo ao encontro do Sol e das nuvens se desviando. Feito acrobata no céu, fazendo a pipa desbicar Vitor dançou com Sofi, ele no chão, ela no ar...

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Mandou recadinho amoroso: “Sofi, não vá se molhar! Enquanto brinca com as nuvens, seu retorno vou esperar!” E no sonho o Sol se pôs, era hora de resgatar. Vitor usou a carretilha e Sofi conseguiu reencontrar!

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Pela manhã, ansioso: “Pai, hora de seguir! Eis aqui Sofi, minha pipa, pronta para se exibir!” Depois do café matutino, puseram-se a caminhar rumo ao campo reservado, para o “Campeonato do Ar”! No caminho de longo percurso, Vitor externou sua emoção: “Jamais vou esquecer, meu pai, dessa nossa bela invenção!”

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e niz a g r seo e m p a e c o n m a u p t l o a i t d e e u p u i p Q q as entre lto seus amigos? Junte as e is a a oo m v q , u s a e l e o e v r o e t n n c edor será r as, e l! o pipeiro que conseguir alça as regr ina g i r o em b a a r p e i v p i a t m e u a p q i s i bonita! U ém o se a criativi de e faça uma p e tamb da

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“Escute, meu filho querido e aprenda de uma vez: a pipa é invenção antiga, criada por um general chinês.” “Verdade, pai? Conte mais! Pensei que era só um brinquedo. Vai me dizer que a pipa tem muito mais segredos?” “Há 200 anos antes de Cristo, num castelo, Han Xin mediu, usando uma pipa, a distância de um túnel sem fim! Logo Japão e Coreia usaram pipas de forma concreta: como instrumento militar, enviavam mensagens secretas! Ao Brasil, somente chegou na época da colonização. Tornou-se arte popular, folclore de uma Nação.”

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“Me conta pai, mais um pouco, tenho muita curiosidade: será que homens famosos, soltaram pipas na minha idade?” “Sim! Não só na sua idade: adultos famosos ficaram ao usar a ‘ciência da pipa’, muitas descobertas deixaram! Marco Polo, grande navegador, encurralado por inimigo hostil prendeu fogos de artifícios, numa pipa que no céu explodiu! E foi Benjamin Franklin, que a eletricidade das nuvens provou! Na tempestade, usou chave na pipa e o para-raios ele criou.

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Santos Dumont, famoso no mundo inteiro, do 14 bis foi o grande inventor, o primeiro avião brasileiro, inspirado numa pipa, com motor! Marconi e depois Graham Bell, experiências fizeram no vento: com pipa na transmissão de rádio, criaram telefone, nobre invento!”

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m aha que se inspiraram na pipa para suas cria r s e r o t n e v G n i ce er conhe a nd x e l Você ni, A a quise sobre Benj min Franklin, Guglielmo Marco s e p : a dic Uma lberto Santos Dumont. O que eles inventaram? A o r i e l i ras eob

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“Foram adultos, meu filho, que brincaram com pipa também, e deixaram para a humanidade, inteligência usada como bem! Uma história cheia de mistérios de lendas, mitos e imaginação desde que o homem se deu conta que pássaro voa e ele não! Conta a mitologia grega que Ícaro, ao tentar voar, criou asas feito pipa, para a liberdade alcançar. Do labirinto de Creta com seu pai ele escapou usando cera e penas, vaidoso, rumo ao Sol voou...

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Seu pai Dédalo alertara, mas teimoso, continuou: o astro rei derreteu suas asas e Ícaro, no mar, se afogou!” “Nossa pai, que tristeza! Nada teria acontecido, se Ícaro fosse obediente e a seu pai tivesse ouvido!”

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iste x e s r a a g n t é i d a a em dias se ão segur uven m chuv Divers a e sem raios, pois nas n ! dade estática e ela é facilmente atra idado ída pelas eletrici pipas. Muito cu ão quer servir de para-raios, não é Você n mesmo? 23


“Mas me diga, filho querido, Em que foi que você pensou quando escolheu o nome Sofi e a sua pipa batizou?” “Sofi, de Sofia, o significado ouvi na escola, é ‘sabedoria’. ‘Sábio é quem sabe ouvir!’, a professora sempre repetia.”

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“Então ouça, Vitor, meu filho, vou contar mais um segredo: a pipa pode ser uma arma ou então o melhor brinquedo! Tudo depende do seu dono, não importa qual seja a idade para empinar uma pipa, é preciso ter responsabilidade. Cuidado com rede elétrica. Cerol não usar jamais! Além de ser contra a lei, pode causar vítimas fatais! Tenha atenção e cuidado, ser seu pai me deixa orgulhoso, com nome Vitor você foi batizado, porque significa vitorioso”!

. . me á-la r t a o g es é en ipa, por um acaso, enroscar em fios não tente r e p a u s u e s q : to o e aten de ch o g i Fiqu r e alhões ou bambus com essa finalidade, pois o p nos, verg a c e s ca u Nun outra pipa bem bonita! or fazer h l e Ém

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E Vitor alertou: “Veja pai! Chegamos ao campo da Escolinha É aqui que a Sofi, tão leve voará mais que uma andorinha!” “Saiba filho, soltar sua pipa sempre com zelo e sabedoria. Que Sofi seja a lembrança, do sonho realizado com alegria!” E logo ouviram o chamado do campeonato que começaria... E na sua imaginação, como essa história terminaria?

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m ae d i ! ec ira onh e c d é a ela rinquedo muito popular no mun rinc a é um b do. Pesquisar como b p i a p A es. ertid õ v i ç d f i n i c g i a s d o o l a a d a os nomes r e qu in ecebidos pode ser um s lugares om n e outro sd riosa e conhecer os variados forma u d a c ç e s u a q u s tos de pipas e s ee Não s

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Como fazer sua pipa Tudo fica muito mais animado quando criamos nosso próprio brinquedo. E aí, quer fazer a sua pipa?

Então, vamos lá. Você só precisa de varetas finas, papel de seda (aquele bem fininho, quase transparente), cola e linha apropriada. Será uma pipa do tipo peixinho! Mãos à diversão!

1 Duas Varetas Utilize duas varetas, uma com cerca de 50 cm e outra de 40 cm. As varetas podem ser de madeira ou bambu, mas precisam ser resistentes e levíssimas!

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2 Formato de Cruz Junte as varetas formando uma cruz que terá uma ponta com cerca de 16 cm, ou seja, um terço do comprimento da vareta maior.

3 Amarração e contorno Prenda bem as varetas, fixando a cruz, com vários nós. Depois, amarre a linha em cada extremidade, fazendo o contorno da pipa. Cuidado para não apertar demais a linha e deformar as varetas. Não se esqueça de dar nós bem firmes! Pronto, a estrutura da sua pipa está pronta!


4 Cortando o papel Corte o papel de seda no formato e no tamanho da pipa, deixando uma margem para que sejam feitas as dobras. Não esqueça de cortar as pontinhas para facilitar a colagem.

5 Dobrar e colar Passe um pouco (pouco mesmo!) de cola sobre as varetas e coloque a armação pronta sobre o papel seda. Aplique cola também nas bordas do papel. Depois, dobre-as sobre a linha e deixe secar.

6 Fazendo a rabiola Para a rabiola, amarre uma linha na parte inferior da vareta maior. Nessa linha, amarre várias tirinhas de sacolas plásticas ou de papel de seda. Vale colocar tirinhas de todas as cores! Mas, atenção: amarre a linha nas tiras e não as tiras na linha.

7 Onde amarrar a linha? Só falta um ponto para amarrar a linha: é o estirante (ou cabresto). Meça um pedaço de linha com um tamanho um pouco maior que a altura da pipa. Prenda uma das pontas na parte de baixo e a outra bem ali onde as varetas se cruzam. Agora, forme um triângulo com a linha e dê um nó, deixando um lacinho para amarrar a linha. Muito bem! Sua pipa ficou linda e agora está pronta para voar. 29


Como empinar sua pipa Você sabe por que a pipa sobe? O vento bate de frente com a pipa, e estando ela na inclinação ideal (25º a 30º), a tendência seria arrastá-la e tirá-la de sua posição. Mas por causa da linha, o vento bate e desvia para baixo, e a pipa sobe por reação, junto com a linha presa na mão do empinador! Empinar pipa é bastante divertido e, com amigos, melhor ainda. A brincadeira dura mais tempo e você aprende novas voltas e manobras. Organize sua turma e vamos lá:

1 Amarrar Amarre bem a ponta da sua linha no estirante (o cabresto) da pipa.

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2 Segurar Segure o carretel e peça ao seu amigo para segurar a pipa. Ela deve estar virada para você e contra o vento.


3 Distanciar Peça para seu amigo se distanciar um pouco, deixando a linha um pouco frouxa. Quando sentir uma rajada de vento, peça para ele soltar a pipa. Puxe um pouco a linha para exercer certa pressão e lance-a para o ar…

4 Controlar Para que a pipa voe mais alto, solte a linha, e para baixá-la, simplesmente diminua a linha, enrolando-a de volta no carretel. Deixe as coisas mais interessantes, criando manobras e marcando seu tempo e recordes! 31


Evoluir Cultural, 2015 Este livro atende às normas do novo Acordo Ortográficos da Língua Portuguesa, em vigor desde janeiro de 2009. Título original Autor Ilustrações Coord. Editorial Design gráfico Revisão

Sofi, a pipa bailarina Solange Silveira Garcia Edson Ikê Lilian Rochael Gabriela Ferreira e Uriá Fassina Elisa Andrade Buzzo

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Garcia, Solange Silveira Sofi, a pipa bailarina / Solange Silveira Garcia ; [ilustrações Edson Ikê]. -- São Paulo : Evoluir, 2015. 1. Ficção - Literatura infantojuvenil I. Garcia, Solange Silveira. II. Ikê, Edson. III. Título. 15-00528CDD-028.5 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura infantojuvenil 2. Ficção : Literatura juvenil

028.5 028.5

ISBN 978-85-8142-070-7

Fontes Bassanova e Ideal Sans Tiragem 7000 unidades Papel miolo Pólen bold 90g/m2 Papel capa Triplex 300g/m² Impressão Meltingcolor Impresso em março de 2015

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional. Evoluir · FBF Cultural Ltda. Rua Aspicuelta, 329 · São Paulo-SP · CEP 05433-010 (11) 3816-2121 · ola@evoluir.com.br · www.evoluir.com.br


solange silveira garcia é pedagoga (PUC-SP) e especialista em “Abordagem Clínica para os Problemas de Aprendizagem”. Iniciou sua vida profssional na área de educação, arte e cultura em Orlândia, interior de São Paulo. Representou o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) em Conferências de âmbito municipal, estadual e nacional. Em 2008, recebeu o Prêmio Ouro “Dica de Mestre” no Congresso de Neuroeducação “Aprender Criança”, com o trabalho “O Xadrez e a Criança com TDAH”. Publicou “Os Direitos das Nossas Crianças” (selo PNLD 2005) pela Editora Evoluir. Reside em Ribeirão Preto, onde atende como psicopedagoga clínica e institucional.

edson ikê nasceu em 1980, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O contato com as artes gráfcas começou pelo interesse por fanzines, xilogravura e política. Suas ilustrações carregam forte identidade com a cultura negra, a cultura urbana e o cordel nordestino. Os símbolos, os grafsmos africanos, indígenas, os ritmos visuais das esculturas e formas são influência direta em seus projetos. Trabalhou em estúdios de comunicação e foi diretor de arte nas revistas Raça e Rap Brasil. Tem outros trabalhos como ilustrador em livros didáticos e infantis, em editoras da capital paulista, e como designer gráfco desenvolve projeto de identidade visual. Seu gosto pela música o fez ilustrar também flyers, cartazes, capas de disco e livros.


Diversão com segurança A EDP, com apoio do Instituto EDP, organização que coordena as iniciativas socioambientais do Grupo EDP, investe no relacionamento com as comunidades onde está presente. Uma das iniciativas é o apoio ao projeto “Brincando com Pipas”, que leva para crianças uma nova forma de trabalhar a integração social. No projeto, os alunos recebem como apoio, o livro Sofi, a Pipa Bailarina, que reúne histórias relacionadas à educação, segurança e ao uso consciente da energia elétrica. Essa iniciativa reforça a boa energia e o compromisso em contribuir para uma melhor educação pública, qualidade de vida e bem estar das famílias. Vitor e sua pipa bailarina, a Sof, têm muito a nos dizer sobre atingir alturas que todos nós sonhamos e viver plenamente com segurança. Entre nessa história você também.

parceria

apoio

patrocínio

realização

evoluir

isbn 978-85-8142-070-7

Profile for Gabriela Ferreira

Sofi, a pipa bailarina  

Texto por Solange Silveira Garcia. Ilustrações por Edson Ikê. Projeto gráfico por Gabriela Ferreira e Uriá Fassina.

Sofi, a pipa bailarina  

Texto por Solange Silveira Garcia. Ilustrações por Edson Ikê. Projeto gráfico por Gabriela Ferreira e Uriá Fassina.

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