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A OPINIÃO DE ANA CLAVER GAVIÑA, CFA Responsável de negócio na Península Ibérica e Chile, Robeco
INVESTIMENTO SUSTENTÁVEL EM MOMENTOS DE CRISE: ENTENDENDO AS NOVAS TENDÊNCIAS
19%, enquanto nos Estados Unidos a percentagem é de 21%. O mercado britânico, por exemplo, acumula 45% da sua capitalização nas 10 maiores empresas. Os índices MSCI sobre a Índia, Austrália, Brasil e Alemanha movem-se entre 53% e 56% e, se passarmos para Espanha, encontramos 80% de concentração. Em países como Portugal, Áustria ou Noruega as maiores empresas representam 100% do índice. “Encontramo-nos perante índices que não apresentam nem remotamente a diversicação suciente”, reconhece Carlos Fernández. E isto, segundo o professor do Mestrado em International Management do IEB, pode representar um problema. “Para começar, um índice concentrado, tal como qualquer carteira concentrada, tem uma proporção elevada de risco especíco, isto é, o risco derivado do comportamento particular de uma empresa. Torna-se divertido e ao mesmo tempo um pouco heterodoxo dizer que um índice, que é a nossa aproximação por antonomásia ao risco sistemático de um mercado, tem risco especíco”, arma. Para um gestor ativo, esta situação pode gerar um grande dilema. “A priori, se o índice está muito concentrado deveríamos diversicar mais. A questão é o que signica diversicar e onde estão as linhas vermelhas. Deverá reponderar a carteira, mas dentro
dos títulos que constituem o índice? Ou talvez deva adquirir títulos fora dele? Poderá fazer as duas coisas, como de facto ocorre a maior parte das vezes na gestão ativa. Ou poderá adquirir outros ativos. Ou poderá até pensar em levar para a frente estratégias dinâmicas sobre os subjacentes em carteira”, relata o especialista. Na realidade, o problema vem depois porque, uma vez eleito o caminho da diversicação, a questão seguinte é reconhecer uma verdade incómoda. “Obter uma melhor combinação em rentabilidade-risco do que o índice não signica sequer bater o índice”. Em condições normais, Fernández não se atreverá a dizer que os gestores podem fazer algo reposicionando as carteiras contra o índice, ainda que considere que agora parece que poderá chegar a ter sentido. Não obstante, não vão acabar os inconvenientes. “Depois de começarmos a diversicar o verdadeiro problema está em acertar com o ponto de alavancagem ou desalavancagem que ajusta o nosso beta, a nossa volatilidade ou o nível de risco ou desvio de risco que temos acordado com os nossos clientes”. Mas simplesmente o facto de diversicar não vai garantir ao gestor alcançar o que quase sempre é o primeiro objetivo da lista de objetivos e pelo qual o cliente costuma pagar: bater o benchmark. É daí que vem o dilema sobre se deve fazê-lo ou não.
Centrando-nos no campo da sustentabilidade, matéria na qual a Robeco e RobecoSAM são líderes a nível global, analisámos no trabalho “Four ESG trends that will shape the post-COVID-19 world” (R. Baumann, CFA, Responsável de Investimentos da RobecoSAM), aquelas que consideramos que serão as principais tendências ESG (ambientais, sociais e de governance) da era pósCOVID-19: maior regulamentação para uma rápida recuperação e com maior consideração dos parâmetros ESG; evolução para um transporte menos poluente; relocalização da produção perante a vulnerabilidade do sistema, com investimento em automatização e robótica; descentralização do trabalho e da saúde. Compreendendo estas tendências encontrar-nos-emos numa melhor posição para aproveitar as oportunidades que acompanham o desafio atual, um bom momento para impulsionar o investimento em sustentabilidade. Continuamos a confiar que do estudo dos parâmetros ESG nos investimentos, assim como do seu impacto, advêm pontos-chave para qualquer investimento com futuro, e assim integramo-los em toda a gama de fundos da Robeco, tais como Smart Energy, Smart Materials, Circular Economy ou os nossos fundos SDG (Sustainable Development Goals). Na Robeco continuamos a trabalhar para o benefício dos nossos clientes, e para que esse benefício se torne positivo para a sociedade. SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 65