Skip to main content

Revista FundsPeople Setembro e Outubro 2020

Page 67

P

AR

P

R

TNE

R

AR

TNE

A OPINIÃO DE ANA CLAVER GAVIÑA, CFA Responsável de negócio na Península Ibérica e Chile, Robeco

INVESTIMENTO SUSTENTÁVEL EM MOMENTOS DE CRISE: ENTENDENDO AS NOVAS TENDÊNCIAS

19%, enquanto nos Estados Unidos a percentagem é de 21%. O mercado britânico, por exemplo, acumula 45% da sua capitalização nas 10 maiores empresas. Os índices MSCI sobre a Índia, Austrália, Brasil e Alemanha movem-se entre 53% e 56% e, se passarmos para Espanha, encontramos 80% de concentração. Em países como Portugal, Áustria ou Noruega as maiores empresas representam 100% do índice. “Encontramo-nos perante índices que não apresentam nem remotamente a diversicação suciente”, reconhece Carlos Fernández. E isto, segundo o professor do Mestrado em International Management do IEB, pode representar um problema. “Para começar, um índice concentrado, tal como qualquer carteira concentrada, tem uma proporção elevada de risco especíco, isto é, o risco derivado do comportamento particular de uma empresa. Torna-se divertido e ao mesmo tempo um pouco heterodoxo dizer que um índice, que é a nossa aproximação por antonomásia ao risco sistemático de um mercado, tem risco especíco”, arma. Para um gestor ativo, esta situação pode gerar um grande dilema. “A priori, se o índice está muito concentrado deveríamos diversicar mais. A questão é o que signica diversicar e onde estão as linhas vermelhas. Deverá reponderar a carteira, mas dentro

dos títulos que constituem o índice? Ou talvez deva adquirir títulos fora dele? Poderá fazer as duas coisas, como de facto ocorre a maior parte das vezes na gestão ativa. Ou poderá adquirir outros ativos. Ou poderá até pensar em levar para a frente estratégias dinâmicas sobre os subjacentes em carteira”, relata o especialista. Na realidade, o problema vem depois porque, uma vez eleito o caminho da diversicação, a questão seguinte é reconhecer uma verdade incómoda. “Obter uma melhor combinação em rentabilidade-risco do que o índice não signica sequer bater o índice”. Em condições normais, Fernández não se atreverá a dizer que os gestores podem fazer algo reposicionando as carteiras contra o índice, ainda que considere que agora parece que poderá chegar a ter sentido. Não obstante, não vão acabar os inconvenientes. “Depois de começarmos a diversicar o verdadeiro problema está em acertar com o ponto de alavancagem ou desalavancagem que ajusta o nosso beta, a nossa volatilidade ou o nível de risco ou desvio de risco que temos acordado com os nossos clientes”. Mas simplesmente o facto de diversicar não vai garantir ao gestor alcançar o que quase sempre é o primeiro objetivo da lista de objetivos e pelo qual o cliente costuma pagar: bater o benchmark. É daí que vem o dilema sobre se deve fazê-lo ou não.

Centrando-nos no campo da sustentabilidade, matéria na qual a Robeco e RobecoSAM são líderes a nível global, analisámos no trabalho “Four ESG trends that will shape the post-COVID-19 world” (R. Baumann, CFA, Responsável de Investimentos da RobecoSAM), aquelas que consideramos que serão as principais tendências ESG (ambientais, sociais e de governance) da era pósCOVID-19: maior regulamentação para uma rápida recuperação e com maior consideração dos parâmetros ESG; evolução para um transporte menos poluente; relocalização da produção perante a vulnerabilidade do sistema, com investimento em automatização e robótica; descentralização do trabalho e da saúde. Compreendendo estas tendências encontrar-nos-emos numa melhor posição para aproveitar as oportunidades que acompanham o desafio atual, um bom momento para impulsionar o investimento em sustentabilidade. Continuamos a confiar que do estudo dos parâmetros ESG nos investimentos, assim como do seu impacto, advêm pontos-chave para qualquer investimento com futuro, e assim integramo-los em toda a gama de fundos da Robeco, tais como Smart Energy, Smart Materials, Circular Economy ou os nossos fundos SDG (Sustainable Development Goals). Na Robeco continuamos a trabalhar para o benefício dos nossos clientes, e para que esse benefício se torne positivo para a sociedade. SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 65


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook