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PERCURSO LIVRE MANDELA: O AFRICANO DE TODAS AS CORES

Língua Portuguesa - Ensino Fundamental


1º ENCONTRO

De todas as cores, 13

2º ENCONTRO

O livro ou a sabedoria?, 21

3º ENCONTRO

Heróis, 29

4º ENCONTRO

Identidade, 37

5º ENCONTRO

Liberdade, liberdade..., 45


Fundação Roberto Marinho PRESIDENTE José Roberto Marinho SECRETÁRIO - GERAL Hugo Barreto SUPERINTENDENTE - EXECUTIVO Nelson Savioli GERENTE - GERAL DE EDUCAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO Vilma Guimarães


Professor, professora, Você já sabe que o Percurso Livre tem o objetivo de ajudar os estudantes a reencontrarem o prazer da leitura. A língua é o instrumento que o homem tem para entrar em contato com o que o cerca, interagindo, discutindo, mostrando sua opinião. Ao melhorarmos a capacidade de uso do português dos nossos estudantes (lendo, ouvindo, falando ou escrevendo), estamos, certamente, contribuindo para que eles possam exercer plenamente a sua cidadania. Veículo da expressão da cultura de um grupo social, a língua marca a individualidade, o estilo de um povo. E a literatura é uma dentre as várias funções comunicativas e expressivas da linguagem. Trabalhar textos literários, comparando-os ou aproximando-os de outros gêneros de textos (como notícias, publicidade, internet) e fazeres artísticos (música, teatro, cinema, artes plásticas), ajuda a desenvolver o gosto por nossa cultura. Uma leitura eficiente se faz quando o leitor é capaz de compreender tanto os dados explícitos, quanto o que está nas entrelinhas de um texto. Ler pode ser um ato solitário, mas quando lemos nunca estamos “sozinhos”. Nosso passado, vivência e leituras são as ferramentas que possuímos para dar significado ao texto. Por isso, é válida a discussão e a troca do entendimento de vários leitores sobre um mesmo texto. Professor(a), você está recebendo, hoje, em suas mãos, um Percurso Livre muito diferente. Diferente e colorido. Um Percurso Livre que vai propor caminhos não sobre uma obra de ficção ou poesia, mas sim sobre uma cronologia, a biografia de um homem. Um homem que carrega a força de milhões de homens e mulheres: Nelson Mandela. Cada estudante recebe seu próprio exemplar do livro Mandela: o africano de todas as cores e, neste caderno do Percurso Livre, você encontra sugestões de atividades para serem trabalhadas em cinco encontros. Aqui oferecemos as ideias e o estímulo, mas só você pode garantir que seja preservado o clima de prazer em cada um desses encontros. Sua atuação será fundamental para que os estudantes sintam-se confortáveis, integrados e motivados para interagir em sala, criando expectativas para as próximas leituras.


Este caderno Percurso Livre de Língua Portuguesa está estruturado da seguinte forma: A seção Primeiras palavras, como o nome já diz, é uma conversa inicial a respeito do tema. Não é uma atividade para ser realizada com os estudantes, e sim uma instigação para você, professor(a). Sugerimos que este texto seja lido antes da preparação da sua aula. Pense nestas informações como uma ferramenta que vai auxiliá-lo na construção de um cenário. Estabelecido assim o foco do encontro, você pode organizar o trabalho passo a passo. O Vamos começar é uma primeira atividade para “aquecer” a turma, que aguça a curiosidade e dá motivação para os estudantes iniciarem o momento da leitura. Em cada encontro, é proposta uma dinâmica diferente, pode ser um jogo de palavras, uma música, uma adivinha, uma atividade em roda. Momento da leitura. Em cada encontro, alguns estudantes são incumbidos de realizar a leitura de um trecho do livro em voz alta, enquanto o restante da turma a acompanha. Para que os estudantes façam uma boa leitura, é fundamental que deem sentido ao texto. É preciso que tenham uma ideia global da história a ser lida, que tirem as principais dúvidas sobre o sentido das palavras e saibam que sensações e emoções desejam despertar nos ouvintes. Após a leitura, é a hora da Mão na massa, quando os estudantes constroem uma compreensão mais ampla do texto por meio de jogos e oficinas. São atividades de experimentação em grupo. As atividades vão propor o diálogo entre a cultura brasileira e a cultura e história da África do Sul. Vamos trabalhar com assuntos que estejam no dia a dia através de músicas, jogos teatrais e muito mais. Descobrimento são informações de cultura geral para o/a professor(a) partilhar com os estudantes em diferentes momentos – na preparação para a leitura ou durante as atividades de grupo. Navegando na internet abre outras possibilidades de pesquisa e relações com o tema proposto no encontro. A compreensão do significado de palavras e expressões, bem como do contexto em que se inserem as narrativas, pode ser facilitada pela consulta ao Glossário em cada encontro.

Dicas para dinamizar os encontros Ler com prazer “A leitura é uma viagem”. Não sabemos se os nossos estudantes já têm essa sensação, mas é isso que queremos proporcionar a eles. Vamos propor uma viagem à África do Sul, através do percurso de luta de um homem que representou com sua força a identidade de milhões.


E que tal transformar a sala de aula, na atividade do Percurso Livre, em um espaço ainda mais agradável para receber todas as “cores” da África do Sul? Para tanto, a turma pode providenciar almofadas, plantas, gravuras, fotos – enfim, o que os estudantes decidirem que pode contribuir para criar um espaço onde a viagem vai começar. Ler e entender Utilize o glossário, questione seus estudantes a respeito do significado daquelas palavras antes ou depois do momento da leitura. Converse com a turma sobre como lidar com as palavras desconhecidas, cujo significado ignoramos. Em casos assim, a grande quantidade de palavras novas costuma desanimar algumas pessoas a seguir com a leitura. Outras conseguem até ler o texto, mas ficam com a sensação de que “leram mal” o livro. O processo de leitura pressupõe uma troca de informações, uma interação autor/leitor. Podemos relacionar o trecho que temos dificuldade de entender com o restante da história. Não é preciso, portanto, parar a cada palavra ou construção obscura para pesquisar o seu sentido. A própria leitura do que vem antes ou depois dela vai ajudar na compreensão. Ler e partilhar Esclareça os estudantes a respeito do ritmo do trabalho no Percurso Livre. Diga que em cada encontro será lido em sala um trecho da obra e que, com essa leitura compartilhada e feita em voz alta, todos terão a chance de se expressar.


Percurso Livre – Mandela: o africano de todas as cores Quando pensamos em Nelson Mandela, qual a palavra que nos vem à cabeça? Luta, igualdade, direitos humanos, persistência? Talvez para os estudantes seja difícil achar uma palavra, mas pode ser uma instigação inicial, antes de começarmos a leitura do livro. Será que a ideia que temos é o senso comum? Será que é clara para nós, brasileiros, a importância desse personagem para o cenário mundial? Nossa história é muito diferente da África do Sul? Colonização, exploração das riquezas naturais, subjugação do povo nativo, racismo... A colonização aqui se deu pelos portugueses no século XVI, já a África só começou a ser colonizada propriamente no final do século XIX. Mas, apesar da distância temporal, a marca colonizador/colonizado é bem parecida no que diz respeito à extração de matérias-primas e ao uso do trabalho compulsório. No Brasil, a Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, determinou a abolição da escravidão, mas a desigualdade racial permaneceu. O movimento negro brasileiro levou décadas para conseguir que fossem reconhecidos oficialmente os efeitos perversos do racismo no nosso país e se criassem políticas para reduzi-los. Enquanto, em 1948, na África do Sul, o apartheid, inspirado em ideais segregacionistas, era instituído por lei pelo governo (que era formado por brancos e descendentes de europeus) após uma história de medidas racistas que vinham sendo implantadas pelo menos desde finais do século XIX. A modificação das leis só foi possível após muitas manifestações e a libertação de Nelson Mandela, em 10 de fevereiro de 1990, que marcou o fim do apartheid. Mas por que trazer o livro Mandela: o africano de todas as cores para nossos estudantes? O que há de comum entre o Brasil e a África do Sul? Fora a imensa paixão pelo futebol, há uma história de desigualdades reafirmadas por um discurso e/ou uma prática racista (velada ou explícita) e, em termos de passado recente, um trauma político-social (ditadura aqui, apartheid lá) a ser revisto, enfrentado e superado. Lá criaram a Comissão da Verdade e Reconciliação (essa última palavra entrou por influência do modo Mandela de se governar o país) e aqui


a Comissão da Verdade, inspirada na deles e nas de outros países. Como lidar com uma história que deixou tantas cicatrizes sem aprofundá-las? – essa é uma pergunta que se fizeram e se fazem brasileiros e sul-africanos. Além disso, temos em comum com a República da África do Sul o fato de sermos um país em crescimento econômico, em que pese a recente crise mundial, e fazermos parte dos cinco países emergentes: o grupo dos BRICS. Vamos mostrar aos nossos estudantes a história da África do Sul que se mistura à vida de Nelson Mandela. Mandela está vivo e, por isso, por ter se mantido vivo, apesar dos 27 anos preso em uma cela de três metros por três, é que a África do Sul hoje é uma “nação arco-íris”. Sua luta foi pela igualdade de direitos, mas também de reconhecimento das diferenças (de cor de pele, de costumes etc.). Mas essas diferenças não deveriam criar a segregação, separando, excluindo um grupo de pessoas. A ideia seria formar uma “união das cores”, sem propor um desparecimento das diferenças dessas cores, afinal um arco-íris tem todas as cores, mas nenhuma é superior à outra, nenhuma faz a outra desaparecer. Nosso Percurso pretende mostrar um pouco dessa jornada, em temas que aproximam nossos estudantes da realidade vivida pela população negra da África do Sul e que podem ser sentidos na história de Nelson Mandela.

Sobre a obra O livro Mandela: o africano de todas as cores vai narrar a história de Mandela desde a sua infância, em uma aldeia no interior da África do Sul, até os dias de hoje, com 95 anos de idade, em sua casa em Houghton, um bairro de Joanesburgo. E quem conta esta história é Alain Serres, um francês de 56 anos, nascido em Biarritz, que dedicou sua vida à literatura juvenil, tendo lançado seu primeiro livro em 1982; desde então, já publicou mais de cinquenta livros. Alain Serres viaja muito e, em suas obras, procura registrar suas preocupações com relação aos problemas que afligem o mundo, como o racismo e os direitos humanos, daí não ser supresa ele ter escolhido Nelson Mandela como tema de um de seus livros. Mas, para complementar seu livro, Alain Serres contou ainda com a ajuda de um importante amigo e colaborador, o ilustrador Zaü, cujo nome completo é Zaü Langevin, que também é francês, nascido em 1943, em Rennes, e que, além das atividades de ilustração dedicadas ao editorial infantil, também trabalha no ramo da publicidade. Zaü também gosta de viajar e muito de sua inspiração vem de suas via-


gens, sendo que ele também é muito atento às diferenças sociais e humanas. Vale lembrar que hoje podemos encontrar também na Europa e em especial na França uma grande parcela de população negra oriunda do continente africano vinda de antigas áreas coloniais, vítimas das guerras civis de seus países, muitos buscando refúgio e oportunidades de trabalho em terras francesas, aumentando assim o interesse de europeus na história da África e, particularmente, da África do Sul.

O que é BRICS? É uma sigla com as letras iniciais dos países fundadores, que se encontram em crescimento econômico: Brasil, Rússia, Índia e China. O "S" chegou depois, em 14 de abril de 2011, com a inclusão da África do Sul. Juntos, os países formam um grupo político de cooperação; estão todos em um estágio similar de mercado emergente, devido ao seu desenvolvimento econômico. É geralmente traduzido como "os BRICS" ou "países BRICS" ou, alternativamente, como os "Cinco Grandes".


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1º ENCONTRO

De todas as cores

Primeiras palavras Quando você recebeu o livro, professor(a), em que reparou primeiro? Nas cores vibrantes? É um livro que quase pulsa de tantas cores, não? E o colorido não se dá apenas no título, mas através das imagens e cores que reforçam o conteúdo do texto, e também por transmitir em cada virada de página a base do pensamento de Nelson Mandela: a presença de muitas cores, que representam os diferentes grupos na África do Sul. Neste encontro, vamos situar nossos estudantes no universo de Nelson Mandela através das cores. As cores têm um significado? As cores transmitem ideias? Vamos ler o livro e discutir com nossos estudantes a importância desta “união de cores”, conseguida após muita luta e resistência, emergida através do respeito de Nelson Mandela ao humano, às diferenças que sempre vão existir e que devem ser mais do que aceitas, devem ser valorizadas. Vamos ver como um país que durante três séculos viveu sob o domínio de uma única cor – a do branco – chamou a atenção do mundo todo quando a segregação racial e os brutais confrontamentos entre as raças eclodiram em uma única cor: o vermelho sangue. Como a África do Sul chegou a essa união de cores? Vamos descobrir juntos.

Vamos começar O sol é a luz e a energia que nos provê a vida. O alimento só nasce depois de receber a luz solar. As cores são reflexos da incidência dos raios de luz, só enxergamos as cores por causa do sol. Assim, poeticamente, as cores, como o dia, são a própria vida, e, por isso, as pessoas também poderiam dizer, quando nasce um bebê, da mesma forma

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que a “mãe deu à luz”, que a “mãe deu cores”, porque agora o bebê que nasceu poderá ver a luz ou cores da vida. Será que a infância tem cor? E a adolescência, a vida adulta e a velhice? Se pudéssemos estender uma linha do tempo imaginária, cada fase da vida humana poderia ser representada por uma cor? Use a discussão acima para instigar os estudantes a relacionar as cores a outras associações: sentimentos, intenções, raças. Essa imagem inicial vai ser reforçada ao longo do encontro em que as cores não serão apenas cores, mas ganharão significado e usos.

Momento da leitura O livro é composto por quatro cenários: 1. 2. 3. 4.

a infância no campo e o interesse pelo estudo; a chegada à cidade e o início da luta; a vida na prisão e resistência; liberdade.

Vamos, neste encontro, ler os trechos que apresentam a mudança de cenários e pontuá-los para nossos estudantes, fazendo-os perceber como é a representação das cores em cada trecho e o porquê do uso de cada uma delas. Apresente as páginas, leia em conjunto, discuta o uso das cores nas ilustrações. Página 05 Mandela gosta de derreter o quibebe de abóbora na boca; fazer graça dos cabelos brancos do pai, cobrindo-os com cinza do borralho; beber, nas tetas da vaca nas verdes colinas, o leite das pastagens... É sem dúvida uma profusão de cores. Para reforçar essa ideia, o ilustrador carrega nas tintas das primeiras páginas, que abordam a infância e juventude de Mandela. Página 08 Quando Mandela chega a Joanesburgo, a utilização da cor verde para destacar as plantas e matas desaparece e, nas ilustrações, passam a prevalecer cores mais fechadas, frias, escuras, enfatizando o ambiente hostil enfrentado pelos negros na cidade, dominada politicamente pelos brancos.

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Página 15 Para a ilustração do massacre na favela de Sharpeville, ocorrido em 21 de março de 1960, quando uma manifestação pacífica foi dissolvida pela polícia com a morte de 69 negros, a cor predominate utilizada foi o vermelho, cor do sangue derramado pelas ruas. Página 16 Depois que o Congresso Nacional Africano é considerado ilegal pela justiça constituída de brancos, e Mandela é obrigado a entrar para a clandestinidade, as ilustrações assumem um tom mais escuro, sugerindo que todas as ações de sabotagem e terrorismo, que obviamente eram investigadas e reprimidas pelas autoridades que representavam o poder dos brancos, eram realizadas à noite. Página 19 A partir do momento em que Mandela é preso, em 5 de agosto de 1962, todas as ilustrações seguintes até a sua saída da prisão serão pintadas com três cores: branco, preto e cinza, além de uma faixa de cor vermelha simplesmente para destacar o texto, mas ainda assim de grande significado, o vermelho do sangue, da luta, da paixão. A monotonia do branco, preto e cinza representa a ausência de vida que se expressa por não-cores (não esquecer que o preto é a ausência de cores), a vida monocromática passada na cela, o isolamento, a falta de informações da vida no extramuros, da família, dos amigos, da política, enfim, a falta da liberdade. Página 47 Da saída da prisão, em 10 de fevereiro de 1990, até o final do livro, que se encerra com a figura de Mandela sentado no jardim de sua casa depois de ter concluído o seu mandato na Presidência, todas as ilustrações passam a exibir uma exaltação de cores, em oposição à monotonia dos anos passados na prisão. É o renascer, a alegria e exuberância da vida, a perspectiva de um futuro mais justo e digno para todo o país. Finalizando, destaque o título O africano de todas as cores, e justifique: quando foi oficialmente empossado na Presidência da República, em 10 de maio de 1994, em seu discurso, Mandela evocou novamente as cores como metáfora representativa do povo sul-africano, manifestando seu orgulho por dirigir “uma nação arco-íris, em paz consigo mesma e com o mundo”.

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Mão na massa A união de todas as cores Na leitura dos trechos do livro, vimos a vibração e a importância das cores nas ilustrações. Vamos, agora, propor um exercício para refinar os sentidos! Será que as cores têm significado? Uma cor pode passar algum sentimento? Você pode começar esta atividade do lado de fora da sala. Proponha um exercício de observação do espaço. Pergunte aos estudantes o que eles estão vendo e como é a cor de cada coisa: o céu, as plantas, as nuvens, as paredes. Instigue-os pedindo que observem atentamente e que mapeiem bem o espaço e suas cores. Destaque as diferentes nuances de cor que aparecem nas nuvens, as diferenças que surgem de acordo com a quantidade de luz e a forma, os raios que incidem sobre elas, os diferentes tons de verde na copa de uma árvore etc. O que sentimos quando estamos do lado de fora? Chame os estudantes para dentro da sala e provoque outra observação, desta vez no espaço interior. Como nos sentimos agora do lado de dentro? A partir das observações trazidas pelos estudantes, questione quais diferenças podem ser apontadas entre o fora e o dentro. Fale que as cores e coisas que vimos são concretas. Uma árvore vai, provavelmente, ter tons de verde. Após este aquecimento, questione: qual é a cor do amor? E da liberdade? Será que existe uma cor para essa palavra? Depois vamos propor uma votação. Teremos que atribuir uma cor para algo abstrato: um sentimento, uma atitude, uma intenção. Peça para os estudantes pensarem em palavras, sugira algumas: paz, luta, alegria, tristeza, força, esperança. O ideal é que tenham ideias contraditórias. Vamos escrever as palavras no quadro e anotar as indicações que os estudantes forem falando, como um placar onde seja possível ir registrando cada voto. Após escolhida a cor de uma palavra, realize a votação para escolher as cores das demais. Agora, utilizando papel em formato quadrado e lápis colorido, peça que os estudantes criem um símbolo que irá representar a união. Deixe os estudantes livres para criar da forma que quiserem. Peça para usarem palavras e cores definidas pela votação anterior na construção desse símbolo. Ao final, junte esses desenhos e produza com eles um mosaico cooperativo que vai formar uma identidade do grupo através da partici-

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pação individual e transformação motivada pelo coletivo. Não era essa a intenção de Nelson Mandela?

Momento musical Será que as cores têm som? Ou podemos dar som às cores? Vamos tentar? Antes de iniciar com as cores, converse um pouco sobre os tipos de som que nós percebemos: graves, intermédios (médios) e agudos. É bom que ocorram comparações para melhor percepção, exemplo: som do apito – agudo; latido de cachorro – médio; um trovão – grave. Nesta atividade, o professor deve ter cartões com diversas cores. Crie um círculo no chão com os cartões. Os estudantes devem observar os cartões e imaginar que som teria aquela cor, partindo da conversa anterior. Vamos propor primeiro uma brincadeira, peça para emitirem o som que imaginaram, partilhando com a turma. Agora que já temos os sons, vamos focar nas cores. O estudante pegará o nome da sua cor e a dividirá por sílabas. Exemplo: ver-me-lho. Logo que a divisão for realizada por todos, os estudantes irão subsitituir cada sílaba pelo som escolhido anteriormente. Exemplo: ver-me-lho por tum-tum-tum. Agora o professor organiza sua orquestra do som das cores, criando uma sequência por cores. Os estudantes emitem o som quando chega a sua cor. Para dar mais musicalidade à atividade, deve-se alterar a sequência das cores.

Descobrimento Seguindo com as cores, você sabia que existe um país muito grande, muito bonito, cujo nome está diretamente relacionado a uma cor? Conta a história que, quando os colonizadores europeus chegaram a tal país, depararam-se com uma árvore que produzia um corante vermelho, uma cor vermelha muito intensa, semelhante a brasas em fogo. Diz-se que esse corante era muito valioso na corte europeia, pois essa cor só podia ser usada por pessoas das classes altas. Inicialmente eles deram outro nome ao país, Terra de Santa Cruz, mas como todo mundo só chamava o país pelo nome da árvore, resolveram batizá-lo com o seu nome atual. Que país seria esse? Todos os países têm os seus símbolos nacionais, o Brasil, por exemplo, tem quatro: a bandeira nacional, o brasão de armas nacional, o

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hino nacional e o selo nacional. Os símbolos representam o país em documentos, embarcações, eventos diversos, como jogos esportivos internacionais, e, em destaque, nas comemorações cívicas. A bandeira nacional certamente é o símbolo mais utilizado pelas sociedades, principalmente ocidentais, de maneiras mais informais, como estampas de vestimentas e outros objetos de uso pessoal. O que não é ruim, ao contrário, é bom, e quer dizer que a sociedade se identifica com a sua bandeira. A atual bandeira da África do Sul é um símbolo muito especial para os sul-africanos, porque representa a união do país, a vitória da persistência de Mandela e a promoção da convivência entre pessoas de diferentes cores. Para simbolizar a união, a antiga bandeira do país foi amalgamada com a bandeira do Congresso Nacional Africano, preservando as cores que integravam cada uma delas. Conforme abaixo, temos uma bandeira à esquerda, de três faixas, que era a do Congresso Nacional Africano, partido de oposição que Nelson Mandela representava. A do meio, a antiga bandeira da África do Sul, a bandeira do colonizador branco. E a da direita, um caleidoscópio de cores, é a atual bandeira desde 1994. O que as cores representam? A vermelha, o derramamento de sangue dos ativistas da luta contra o apartheid; a branca, a população branca; a azul, o céu ou os oceanos, uma vez que a África do Sul é banhada por dois oceanos; o amarelo, os minerais, fonte de riqueza do país; o verde, a agricultura e as florestas; e o preto, a população negra, agora incluída como elemento da bandeira nacional.

Navegando na internet Vamos conversar mais sobre as cores? Apresentamos duas obras que tratam do tema: um livro e uma música, que tratam das cores com muito talento e poesia. 1. O livro é Flicts de Ziraldo, que conta a história de uma cor procurando o seu lugar no mundo. Ele foi editado pela primeira vez em 1969 e já foi traduzido para diversos idiomas:

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“Não tinha a força do Vermelho Não tinha a imensidão do Amarelo Nem a paz que tem o Azul Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts...” 2. A música é Aquarela, de Toquinho, mas que na verdade não é só do Toquinho, ele não a fez sozinho, ela também é do Vinícius de Moraes e dos italianos G. Morra e M. Fabrizio. Cada um foi juntando um pedacinho e criou esta letra que, não é para menos, é uma verdadeira obra-prima da música popular brasileira. “Numa folha qualquer Eu desenho um sol amarelo E com cinco ou seis retas É fácil fazer um castelo...” Sobre as “cores da África do Sul”, procure a arte do grupo Ndebele, um grupo étnico sul-africano que tem uma marca de arte muito colorida e que pode propor diálogos com as cores do livro e a proposta ideológica de Nelson Mandela.

Glossário página 5 [Borralho] Brasido coberto de cinza; cinzas quentes. página 8 [Cercanias] Vizinhança, proximidade, imediações. página 8 [Esfalfam] Esfalfar, fatigar, cansar por excesso de trabalho, de esforço.

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2° ENCONTRO

O livro ou a sabedoria?

Primeiras palavras Desde os tempos mais antigos, as pessoas se reúnem para contar e ouvir histórias. Durante muito tempo, era assim que pais ensinavam os filhos a se proteger dos perigos, a entender as transformações da natureza, a escolher o melhor lugar para morar ou até o que comer. Muitos foram os contadores de histórias antes de nós, e, sem dúvida, todos tivemos ao menos um que nos contou algo valioso que ficou guardado na memória e no coração. Com o passar do tempo, as pessoas sentiram necessidade de reunir os conhecimentos transmitidos através das histórias, assim surgiram os livros e, depois, as escolas. Tão importante quanto a sabedoria popular, a escola nos possibilita o encontro com diversos ensinamentos que nos preparam, desde pequenos, para no futuro ocuparmos um papel no quebra-cabeça da nossa sociedade. Você percebeu, que ao longo da história de Mandela, tanto a sabedoria transmitida pelos idosos da aldeia, quanto o conhecimento encontrado nos livros foram importantes na luta pelo sonho da liberdade? Mandela reconheceu a importância de ambos. Talvez, por isso, hoje a sua história seja contada pela tradição oral e pelos livros. Neste encontro, vamos ver a importância do conhecimento na trajetória de Nelson Mandela, que acreditava que a base de qualquer mudança era o estudo, o livro, a sabedoria. Mandela estudou muito e uma mostra disso é o fato de que o primeiro escritório de advocacia dirigido por negros da África do Sul foi criado por Mandela e seu amigo Oliver Tambo. Vamos discutir com nossos estudantes a importância do conhecimento na formação do indivíduo.

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Vamos começar Converse com os estudantes sobre a diferença entre tradição oral e o que está organizado, documentado nos livros: qual a importância de ambos? Será que um é mais importante que o outro? O que está no livro é mais importante do que contam nossos pais ou avós? Proponha um exercício: vamos pedir para que os estudantes formem duplas e juntos lembrem um caso de família. Deve ser algo que aconteceu com um membro da família. Incentive: Seus avós vieram de onde? Você sabe como seus pais se conheceram? Tem alguma história engraçada da sua infância? E será que algum ensinamento já os ajudou em alguma situação importante que tenham vivido? Peça para lembrarem e escreverem cinco frases curtas que descrevam o acontecimento. Depois, como sinopses de cinema, os casos vão ser contados bem rapidamente. Será que vai dar vontade de saber mais? Se tiver algum caso “imperdível”, esse momento vai virar uma contação de histórias! O mais votado (ou mais votados) vai narrar sua história, mas começando com “Era uma vez” para dar o “toque mágico” do contador de histórias.

Momento da leitura Leve para a sala cartões ou folhas coloridas, com o maior número de cores que você conseguir. Para proposta de leitura, entregue cartões coloridos aos estudantes. Se a turma for grande, inclua outros recortes, como pedaços de jornais e revistas, ou você pode revezar a cada momento de leitura. Inicie a leitura e vá chamando as cores. O estudante que estiver com a cor continua de onde parou. O bacana desta proposta é que todos deverão estar atentos ao livro, pois a qualquer momento poderão ser chamados! Não precisa ser, por exemplo, no final de uma frase, pode até ser no meio de uma palavra. O que você não pode é esquecer quais cores (ou recortes) você entregou à turma. E lembre-se de “chamar” todas as cores para que todos consigam participar.

Vamos ler Página 07 – Conhecimento dos anciãos da aldeia. Página 10 – Conhecer as leis para um dia mudá-las. Página 28 – Mandela na prisão lê muito e fala sobre a importância da leitura. Página 32 – Mandela escreve suas memórias. Página 34 – Mandela dá conselhos aos jovens. 22

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Depois da leitura, todos vão escrever nos cartões uma palavra que ouviu e que ficou guardada na memória.

Mão na massa Vimos no texto o valor do conhecimento. Na primeira parte, o valor dos mais velhos e, na prisão, o valor do livro, do conhecimento da cultura do outro: “Para escrever a palavra liberdade, Mandela explica que é preciso conhecer todo o alfabeto”, como vemos na página 28. No final do livro, página 61, há um poema: Invictus, de William Ernest Henley. Vamos ler? Esse poema servia de motivação para que Nelson Mandela se erguesse nos piores dias na prisão e encontrasse força para seguir vivo, já que a sua respiração era a resistência contra o sistema de separação tão brutal entre negros e brancos. Após a leitura, discuta com os estudantes sobre o significado das palavras. A poesia se apropria muitas vezes das imagens muitas vezes da natureza, do nosso cotidiano, para mostrar uma “nova” forma, um significado diferente da ideia inicial que uma palavra contém. Esse poema tem “imagens” muito fortes. Será que conseguimos fazer um painel a partir dessa “força” das palavras? Você vai precisar de um papel grande, pode ser cartolina ou, melhor ainda, se for um papel 40 quilos. Divida a turma em grupos e peça para que os estudantes escolham algumas dessas imagens, ou melhor, os versos que, para eles, tenham um significado muito diferente do significado usual. Exemplo: “Emerjo das ondas negras da noite” “Prisioneiro dos fatos que me atormentam” “Além desse mundo de lágrimas e fúria” “Sou capitão da minha alma” Aí é só soltar o “lado artístico”! Com recortes, tinta, hidrocor, tecidos, enfim, o mais variado número de materiais que for possível para ilustrar as cenas escolhidas.

Momento musical Para esta atividade, o professor deve reunir materiais recicláveis para a construção de instrumentos e elementos sonoros, deve separar la-

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tas de alumínio, fita adesiva e pedaços e fitas de tecidos. É necessário conseguir punhados de arroz ou feijão e palitos. Construção: coloca-se o feijão e/ou o arroz na lata, depois vedamos com fita adesiva o buraco da lata. Confeccionamos a lata com as fitas e pedaços de tecidos coloridos. Tradição também é ligada à música e temos muitas músicas populares que vêm passando de geração a geração. Assim, escolhemos a música tradicional A velha a fiar, que é uma história cantada, na qual vamos aglutinando informações. As informações da história devem ser resolvidas na hora com os estudantes. A letra da música: Estava a velha em seu lugar Veio a mosca perturbar A mosca na velha A velha a fiar Estava a velha em seu lugar Veio o rato perturbar O rato na mosca A mosca na velha A velha a fiar Estava a velha em seu lugar Veio o gato perturbar O gato no rato O rato na mosca A mosca na velha A velha a fiar Agora, o(a) professor(a) irá cantar a música e marcar com os instrumentos as partes assinaladas abaixo na letra da música. Todos fazem de uma primeira vez juntos. Posteriormente, divida uma frase para pequenos grupos de pessoas. Todos devem cantar juntos e cada grupo toca com seus instrumentos no momento que foi designado. Es-ta-va a ve-lha em seu lu-gar Veio a mosca per-tur-bar A mosca na velha A velha a fiar Observação: a música acima é um exemplo. Você, professor(a) pode trazer outra canção popular que dialogue melhor com o local onde vocês vivem.

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Descobrimento Como guardar muitas histórias em um único lugar e ainda poder ilustrar as histórias com desenhos e pinturas? No antigo Egito, os acontecimentos do dia a dia, o controle dos impostos, os estoques de alimentos, as experiências de caça, a engenharia e até uma receita de comida – tudo era registrado. Para fazer esses registros, era preciso que houvesse algo semelhante ao papel! Sabe como eles faziam? Existia uma planta muito comum no rio Nilo, chamada papiro. Os egípcios preparavam essa planta mais ou menos assim: retiravam sua casca verde do caule, depois cortavam o caule em tiras, arrumando–as em camadas, verticais e horizontais, martelavam as tiras para que ficassem bem juntinhas, depois alisavam esse preparado com uma pedra, ufa! Assim foram feitos os primeiros livros no Antigo Egito.

Sugestão de atividade: Vamos fazer um papel antigo? Que tal presentear um(a) amigo(a) ou namorado(a) com uma carta muito diferente? É só pegar um papel liso e mergulhar em uma bacia com café. Não pode deixar muito tempo! É só uma molhadinha. Aí é só pendurar e deixar secar. Depois de seco, o papel vai ficar parecendo antigo, como um papiro ou papel que os monges usavam na Idade Média! Uma ideia é, depois de escrever, dobrar o papel e selar com um pingo de vela. Vai ficar ainda mais legal! A troca de informações por carta era uma coisa muito difícil na prisão, mas no livro vimos que, quando há vontade, sempre existe um jeito. Comunicados seguiam em papéis no meio da roupa suja com a cumplicidade de alguém de dentro da prisão. Assim chegavam a Nelson Mandela informações importantes sobre a família, sobre o partido, sobre a luta.

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Navegando na internet Procure na internet a música de Marisa Monte, Gentileza. A música discute a importância da sabedoria da tradição em contraponto com a rapidez da informação e nossa vida tão corrida, e tem “imagens” como discutimos há pouco, veja: O mundo é uma escola / A vida é o circo “Amor: palavra que liberta” / Já dizia o profeta. Outra forma de olhar a sabedoria dos nossos antepassados está na fala abaixo: “A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitiram, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente.” (Tierno Bokar) Tierno Bokar SALIF, falecido em 1940, passou toda a sua vida em Bandiagara (Mali). Grande mestre da ordem muçulmana de Tijaniyya, foi igualmente tradicionalista em assuntos africanos. A citação é feita por Amadou Hampâte Bâ, escritor, historiador e tradicionalista do Mali. Veja em http://afrologia.blogspot.com.br/2008/03/tradio-viva.html (acesso em 02/05/2013).

Glossário página 32 [Locutório] Compartimento dividido por grades, através das quais falam, nos mosteiros, as monjas com as pessoas que as visitam. Nas prisões, compartimento semelhante; parlatório. página 61 [Emergir] Produzir ou trazer à tona, geralmente, aquilo que estava submergido. Manifestar-se; aparecer, surgir.

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3° ENCONTRO

Heróis

Primeiras palavras Herói: um personagem de uniforme justinho, colorido e com capa, claro. Persegue os bandidos, livra os inocentes do mal. Nos quadrinhos essa seria uma definição usual, mas, e na vida real? Os heróis da ficção, da literatura, precisam cumprir uma missão e ultrapassam todos os obstáculos e perigos sempre obstinados, com honestidade e perseverança, e, geralmente, essa tarefa está associada a um bem maior, algo grandioso. Mas ainda bem que os heróis também existem fora das obras literárias e dos filmes de ação. É certo que costumam nascer de tempos em tempos homens singulares que, assim como os dos quadrinhos, têm superpoderes: uma consciência latente que se preocupa não só com o bem próprio; eles chegam equipados com olhos diferenciados que enxergam as necessidades humanas e possuem uma superforça que lhes dá a habilidade para desfazer o que está errado. Tudo bem que o parágrafo acima é uma brincadeira, mas não parece que os grandes líderes e pensadores da nossa época têm um pouquinho de super-heróis? Vamos ver, neste encontro, a trajetoria do herói Nelson Mandela, contra o que ele lutou, quais pedras no caminho ele enfrentou: 27 anos de “pedras” enfrentadas dia a dia na prisão.

Vamos começar Os heróis são reconhecidos, basicamente, pelos seus ideais e pelo empenho que dedicam para realizá-los. A trajetória do herói é sempre marcada pela dedicação e luta. Em muitos casos, esse trajeto pode expressar violência, dor, morte, mas também é possível vencer pela resistência e convencimento pacíficos. Sabe aquele ditado: água mole

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em pedra dura, tanto bate até que fura? E os nossos heróis? Converse com os estudantes sobre essa “figura”. Peça que se lembrem de heróis da ficção e heróis do mundo real. Após esse primeiro momento, vamos criar nossos heróis.

• Qual o seu nome? • Vai ter uma identidade secreta? • Vai ter uniforme? • Vai lutar contra o quê? • Vai ter algum “ponto fraco”? Cada um deverá criar uma descrição e escrever um parágrafo sobre a personalidade desse nosso herói imaginado. Vamos escrever e guardar o texto produzido. Lembre que, na literatura, muitas vezes um herói pode ser engraçado e até bem malandro. Conte, por exemplo, uma aventura de Pedro Malazartes! Vamos lembrar uma? Estava Malazartes a andar por aí, até que encontrou um urubu machucado caído na estrada, assim: meio lá, meio cá. Sem saber por que, Malazartes pegou o bicho, colocou-o dentro de um saco e seguiu adiante. Andou, andou e, quando caiu a noitinha, percebeu que estava perto de uma casa grande, bem bonita. Pela janela viu uma mulher guardando em seus armários vários pratos de comidas saborosas e garrafas de vinho. Foi à porta, pediu abrigo, mas a mulher recusou, dizendo que o marido não estava e “não ficava bem” receber um homem, assim sozinha em casa. Malazartes foi embora, mas não para longe: ficou debaixo de uma árvore. Daqui a um tempinho, viu a chegada de um rapaz que foi recebido com muitos agrados pela dona da casa. Mal chegou e foi direto para a mesa do jantar. Iam os dois começando a refeição quando o dono da casa apareceu montado num cavalo alazão. O rapaz pulou uma janela e fugiu. Malazartes esperou um pouco e foi logo bater e pedir pousada. O dono da casa apareceu e, muito gentil, mandou-o entrar, lavar as mãos e ir jantar com ele. A comida que apareceu era outra, bem pobre e malfeita. Malazartes, sempre com o urubu dentro do saco, deu com o pé, fazendo o bicho roncar, começou a falar, baixinho, como se estivesse discutindo.

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— Com quem está falando? – Perguntou o dono da casa. — Com esse urubu. — Mas ele fala? – Perguntou o homem. — Fala tudo! E adivinha também. — E o que ele está adivinhando a agora? — Está me dizendo que naquele armário há um peru assado, arroz de forno, bolo de milho e três garrafas de vinho. — Não me diga ... Procura aí, mulher! A mulher procurou nos armários e, fingindo muita surpresa, encontrou tudo o que o urubu havia dito e trouxe os belos pratos e o saboroso vinho para a mesa. Comeram fartamente e o dono quis porque quis comprar o urubu. Pela manhã, Malazartes, muito contrariado, aceitou uma grande quantia e foi embora, deixando o urubu que nunca mais adivinhou coisa nenhuma. Adaptação do conto recolhido por Luís da Câmara Cascudo no livro Contos tradicionais do Brasil.

Momento da leitura Como conversamos, para ser herói, o personagem deve seguir uma jornada, não é? E o que faz de Nelson Mandela um herói? Vamos ler trechos do livro: Página 12 – Contra o que lutar? Professor(a), aqui vamos fazer uma pausa: o que foi o apartheid? O primeiro passo é compreender que havia uma minoria branca descendente dos colonizadores (cerca de 20% da população) que dominava e controlava o território. Com a criação do Partido Nacional Africânder, formado por brancos, ingleses e holandeses, ganharam as eleições em 1948 e introduziram o regime do apartheid, um conjunto de leis que organizava a separação entre negros e brancos e dava todo o poder à minoria branca. Vale pontuar que a história da segregação na África do Sul é mais antiga que a história do regime político do apartheid como escolha dos governantes. Os africanos foram sendo expulsos de suas terras, impedidos de morar nas cidades que construíam e nas quais trabalhavam, eram impedidos de votar nas eleições que escolhiam o governante de seu país – tudo isso antes de o Partido Nacional chegar ao poder. Depois continue a jornada: Página 22 – A descrição da cela: como viver neste lugar? Só sendo mesmo um herói? Página 31 – Fugir? Se Mandela não resistisse, não conseguiria com-

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pletar a sua “missão”, sua luta se torna exemplo para o mundo. Página 38 – Resistência! Perseverança do herói Mandela. Página 42 – Persistência em seus ideais: “Só os homens livres podem negociar”. Página 50 – Mandela é eleito! Eleições com votos de todas as raças. Página 52 – Um herói que respeita seus adversários – prevalece a igualdade.

Cela que abrigou Mandela por 27 anos!

Mão na massa Vamos propor um jogo, um caça-palavras literário. Divida a turma em duplas e vamos trabalhar com ideias contrastantes. A partir do tema paz x guerra, vamos propor que os estudantes “cacem”, no livro, palavras que acompanhem o significado, girem em torno dos sentidos iniciais propostos pelas duas palavras acima. Vamos conversar sobre as antíteses/contrários: uma ideia que se contrapõe a outra.

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Dê um tempo determinado, pode até usar um cronômetro. Vale procurar no livro todo! Vale achar palavras ou até mesmo ideias contrastantes: é muito bonito o início do livro que mostra a infância e o contraste da “guerra”, dos abusos praticados pelo governo. Cada dupla vai receber duas folhas. Em uma delas, vão escrever todas as palavras relacionadas à paz e, na outra, as palavras relacionadas à guerra. Será que vamos encontrar mais palavras relacionadas à paz ou à guerra? Esse exercício vai mostrar, em palavras simples, tudo em que Nelson Mandela acreditava e também tudo quanto teve que enfrentar para conseguir alcançar seus ideais: a jornada do herói!

Momento musical Nas histórias em quadrinhos, muitas vezes, são alinhadas às imagens onomatopeias que dão mais rapidez ou reforçam a qualidade heroica que o personagem está executando, certo? Se possível, separe alguns exemplos e leve para a sala. Vamos aproveitar a primeira atividade, a que criamos nossos heróis, e vamos aproximá-los às nossas características. Será que nossos estudantes podem representar esses heróis inventados? O professor reúne os estudantes em uma roda. Cada integrante da roda falará seu primeiro nome e, seguido do seu nome, deverá colocar três caraterísticas de seu herói. Exemplo: Maria veloz, pulo de gato e sopro de gelo. Todo o grupo repete o nome e as características que foram ditas pelos colegas. Ao final da primeira rodada, os estudantes devem criar um som para cada característica de seu herói – como a onomatopeia do quadrinho. A rodada recomeça diferente, o estudante falará seu primeiro nome e, em lugar de falar as características do herói, fará o som que representa a característica. Exemplo: Maria zapt!, puft! e shuuuuu... Lembramos que são três características para cada estudante e todos da roda devem repetir o nome e os sons de cada um. Ao final da rodada, é a hora de apresentar seu personagem para o grupo. Cada estudante contará uma façanha heroica, um caso mirabolante vivido por seu personagem, do centro da roda para o grupo, usando se possível os sons elaborados neste momento musical.

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Descobrimentos O livro cita Martin Luther King Jr. (página 25) e seus ideais podem ser comparados à experiência de Mandela, mas quem foi Martin Luther King? Nascido em Atlanta em 15 janeiro de 1929, Martin Luther King foi um pastor norte-americano ativista e líder do Movimento dos Direitos Civis Afro-Americanos. Semelhantemente a Mandela, ele também é mais conhecido por seu papel no avanço dos direitos civis usando a desobediência civil não-violenta. Martin Luther King também foi um vencedor, pois nos Estados Unidos também havia uma forma de apartheid, ou seja, de regime segregacionista, no qual as pessoas negras eram impedidas de entrar em ônibus, frequentar lugares e bairros de brancos. Martin Luther King tornou-se um ícone nacional na história do progressismo americano, mas, diferentemente de Mandela, não viu sua vitória, porque foi assassinado em 4 de abril de 1968, na cidade de Memphis, Tennessee.

Navegando na internet

• Para o tema heroísmo na família, vale a pena ouvir Pai herói, mú-

sica interpretada por Fábio Júnior, grande sucesso de 1979 junto com a novela de mesmo nome.

• Kiriku e a Feiticeira. Direção Michel Ocelot. França, 1998. Retrata a

lenda africana que conta a história de um menino minúsculo (Kiriku), cujo destino é enfrentrar a poderosa e malvada feiticeira Karabá. Uma história que mostra um herói pequeno e desacreditado por todos em sua aldeia, mas de coração puro, com coragem e determinação, que vence de forma surpreendente a feiticeira.

• Para conhecer a história de heróis africanos, procure Sundiata, o

Príncipe Leão do Mali. Existe uma versão em quadrinhos ilustrada por Will Eisner e publicada pela Cia. das Letras. A história traz o confronto entre o jovem guerreiro que nasceu deficiente e um vilão que fez um pacto diabólico para dominar as forças da natureza.

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4º ENCONTRO

Identidade

Primeiras palavras Qual o seu nome? De onde você vem? O documento de identidade pode até dizer sua filiação, naturalidade, data de nascimento, mas será que define quem você é? Seus gostos, particularidades, crenças e anseios? Somos formados por muitas peças e temos várias faces. Será que conseguimos identificar em nós mesmos traços de comportamento de algum grupo específico? Pode ser uma forma de falar, uma gíria, ou mesmo um modo de vestir. Será que repetimos esses traços em todos os lugares que frequentamos?  Os componentes dos círculos sociais em que convivemos nos fornecem as peças que, junto com os nossos aspectos individuais, formam a  nossa personalidade. Família, amigos, trabalho, escola, programas de televisão a que assistimos, produtos que consumimos, músicas de que gostamos, todos esses traços permitem que nos identifiquemos como pertencentes a diferentes grupos, mas em cada esfera social uma face se destaca – o eu do trabalho é o mesmo da família? Pergunte aos estudantes: você é conhecido por algum apelido em algum dos círculos a que frequenta? Será que o apelido e o nome dizem as mesmas coisas sobre você?   E tudo começa com o nome. No livro, conhecemos Rolihlahla, que se torna Nelson Mandela. Será que o fato de trocar de nome fez Rolihlahla esquecer-se de quem era? Nelson se esqueceu de Rolihlahla?

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Vamos começar No encontro anterior, peça para que os estudantes tragam de casa, no encontro de hoje, um objeto com algum valor simbólico, um objeto que contenha uma memória, um significado pessoal. Enfatize para que não seja nada valioso, sob a perspectiva monetária, e sim algo que seja importante na história de cada um. Receba os objetos de forma que ninguém veja quem trouxe o quê. Coloque em uma mesa todos os objetos, como em uma exposição. Os estudantes vão escolher e pegar um objeto, depois vão escrever um pequeno texto sobre ele, como se fosse seu o objeto. Incentive com perguntas: isso veio de onde? Quando? De que forma? Em roda, cada um vai apresentar sua história inventada e depois quem trouxe o objeto vai contar a “história verdadeira”. Será que as histórias serão parecidas? Será que as histórias pessoais podem ser percebidas como histórias de um grupo? Minhas experiências podem dialogar com as experiências do outro? Este exercício propõe a discussão entre experiências pessoais e sociais e pode ser um ótimo ponto de partida para a discussão sobre o tema: identidade.

Momento da leitura Quem é Nelson Mandela? Vamos procurar, no texto, marcas culturais e da personalidade de Mandela através da leitura dos significados. O campo e a cidade. A infância e a luta. A resistência na prisão. O porquê da persistência. Se no exercício anterior a busca era por palavras antagônicas, agora vamos ao texto, refinando a descrição de Nelson Mandela. Vamos ler as páginas: Página 06 – A simplicidade da aldeia, a imposição do nome. Página 07 – A política dos anciões, discussões serenas, sem vencedor ou perdedor. Página 14 – Preza por protestos não violentos. Página 16 – A revolta, mas com um princípio: “nunca ter como alvo a vida humana”. Página 23 – A dificuldade da vida na prisão. Página 26 – A solidão da cela e a movimentação de milhares por sua libertação.

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Página 41 – o amor pela família. Página 54 – a liberdade aos homens. Vamos pedir aos estudantes para separarem frases que acreditem “traduzir” Nelson Mandela.  Com essas listagens, vamos criar o perfil de Nelson Mandela. De onde ele veio? No que acreditou? Por quem lutou?   Veja a imagem = painel com ilustração de Nelson Mandela feita com decalque/impressão de palmas de muitas mãos.

Essa foto foi tirada de um painel em um prédio no centro da Cidade do Cabo. Vamos propor que nossos estudantes façam um painel formando um rosto, e, neste rosto, usaremos as palavras, frases separadas na leitura. Nosso painel formará a nossa percepção de Nelson Mandela, como em uma identidade formada e percebida por nossos estudantes.

Mão na massa Nossa identidade é formada em grande parte pelas características do solo em que pisamos. Cada lugar diferente que frequentamos pede de nós atitudes e posturas diferentes. Em certas ocasiões nos vestimos mais formais; noutras, mais descontraídos. A maneira como nos vestimos também é caracterizada pelas condições climáticas, geográficas e históricas. Não é engraçado quando visitamos um lugar mais frio do que estamos acostumados? Ou quando vamos para um lugar mais quente? Muitas vezes, nossas vestimentas destoam do que usam os moradores da região, acostumados com a temperatura do local.  Assim como as vestimentas, existem muitas diferenças entre regiões e até mesmo, entre um estado e outro, entre uma cidade e outra e muitas vezes até de um bairro para outro vizinho!

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Saberes e costumes, alinhados ao território que cada grupo ocupa, constituem a chamada tradição local. Vale mostrar aos estudantes aqui imagens que apresentem objetos tradicionais: tecidos africanos, cerâmica marajoara, renda renascença, quimonos japoneses etc. Aproveite para localizar geograficamente no mapa cada uma dessas culturas e apresente através de imagens os traços fisionômicos destes grupos. É possível ainda apresentar a música de cada um desses lugares. E, para demarcar territórios, desde sempre, o homem tentou padronizar, sistematizar, em desenhos os locais onde esteve. Embasados pelos aspectos naturais da região (rios, florestas, montanhas), fomos construindo mapas que situassem quais eram os melhores caminhos para ir e vir mais facilmente, organizando os territórios.

Vamos criar a nossa cidade? O nosso território? Vamos precisar de uma lanterna, um papel grande e canetas hidrográficas. Divida os estudantes em grupos de cinco e entregue a cada grupo um kit de materiais. Eles se revezarão entre segurar o papel, posar diante da lanterna e desenhar a silhueta de quem estiver posando. Peça que os estudantes escolham a cor com que querem ter a sua silhueta desenhada. Quando os cinco estudantes houverem posado (peça para fazerem formas diferentes com o corpo) e as cinco silhuetas estiverem sobrepostas no papel, apresente o resultado parcial e questione aos estudantes dos outros grupos se dá para identificar qual cor representa a silhueta de quem. As linhas no papel e o cruzar de silhuetas vão formar as ruas e avenidas de nossa cidade. Mas não é só criar um mapa, vamos pensar em tudo quanto uma cidade precisa, elementos naturais e paisagem construída. Vamos pensar também em quais os serviços que devem ser oferecidos para que nossa população tenha uma vida digna e próspera. Você pode oferecer, também, recortes de revistas para compor uma colagem coletiva no nosso mapa. Instigue, nessa produção, os estudantes a se reconhecerem nos elementos que escolheram incorporar à colagem. Eles podem importar referências de outras culturas e, assim, é possível pensar a multiculturalidade. Após a atividade, mostre o mapa da África do Sul. Pontue aos estudantes que o país, ponto de parada na rota das navegações, era um ponto estratégico  no  comércio entre Europa e Índia. Mostre que esse foi o começo da colonização, que se deu inicialmente pelos portugueses (fundaram a Cidade do Cabo) e holandeses, depois chegaram os franceses e, posteriormente, os ingleses, que, junto com os holandeses, iriam

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mesmo ser a mão devastadora que retira os recursos, explora os homens e impõe as leis, segregando os nativos. Não se esqueça de falar que, junto com essa exploração e invasão promovida pelos colonizadores europeus, cada povo deixou de herança um traço da sua cultura, que foi incorporado aos costumes do povo africano, tal como os europeus, índios e africanos que formaram a identidade cultural do Brasil.

Momento musical Assim como enxergamos o mundo, percebemos os sons que o mundo tem. Vamos ler a página 29. Agora vamos ver a foto abaixo.

Vista da cadeia Ilha de Robben Quase dá para ouvir o som desta praia, o som desta paisagem, não é? Por falar em som, nós também emitimos sons, esse som é a voz. A voz é a principal fonte de comunicação que nós temos, a voz é nossa identidade sonora, pela voz reconhecemos nossos familiares, amigos e vizinhos. E, além de nos comunicarmos por palavras, sabemos que, por meio da voz, podemos criar diversos sons. Para este momento, separe alguns objetos que emitam som, nada elaborado, podem ser pedaços de plástico, folhas de jornais, um potinho com grãos, coisas simples do dia a dia. Você pode pedir, no encontro anterior, que os estudantes tragam de casa. E será que conseguimos reproduzir o som da paisagem? Comece a experiência pela página 29 com o grupo todo. Depois separe a turma em pequenos grupos e peça para que escolham uma

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página. Vamos construir paisagens sonoras. Dê um tempo para elaboração e depois vamos apresentar os resultados: um estudante vai ler o texto e os outros vão emitir os sons, vamos utilizar a voz e os recursos trazidos para sala.

Descobrimento Começamos este encontro falando sobre o nome, mas você sabia que Mandela era conhecido por outro nome? Madiba. Era assim chamado pelos companheiros políticos. A palavra Madiba faz referência ao povo a que pertencia sua família, Mandela faz parte do clã dos Madiba.

Navegando na internet Estamos cercados pela cultura negra, africana, presente em nossa culinária, danças, religião e música. E falando em música, sem dúvida, o samba é uma das mais populares representações. Vamos ouvir a música Chico Rei, de Martinho da Vila. É um samba sobre um escravo que vence a escravidão.

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5° ENCONTRO

Liberdade, liberdade...

Primeiras palavras O que é liberdade para você? Ir aonde quiser, escolher o que vestir, expressar opiniões? Essas questões são um bom início de conversa, pois as respostas que chegarão vão partir do princípio do livre arbítrio, em que cada um é seu próprio “árbitro” (aproxime essa palavra traçando uma comparação com juiz de futebol – nós decidimos o que fazer, somos nosso próprio juiz) e tem a possibilidade de escolher e decidir o que mais lhe convém, o que é melhor para si. Mas e se não houver liberdade? E se, de repente, alguém lhe dissesse que tudo o que você estava acostumado a fazer agora era proibido e que todos à sua volta, sua família e amigos, teriam que seguir novas determinações, sem o direito de reclamar? Imagine ser proibido de ir a um hospital, ou de frequentar a escola, ou mesmo de ir à praia ou caminhar em certas ruas. Levante com a turma coisas que cada um faz no cotidiano que eles consideram muito importantes como exercício de liberdade. Pergunte: o que você gosta de fazer?

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Direitos do homem e do cidadão

Apartheid

Artigo 1º- Os homens nascem e

*Qualquer policial pode

são livres e iguais em direitos.

interpelar sul-africanos negros

As distinções sociais só podem

e exigir a apresentação da

fundar-se na utilidade comum.

caderneta de controle.

Artigo 2º- O fim de toda

*O uso de praias, bibliotecas,

a associação política é a

transportes, praças, hospitais,

conservação dos direitos naturais

banheiros públicos e todo e

e imprescritíveis do homem. Esses

qualquer outro serviço público

Direitos são a liberdade,

deve ser feito separado por

a propriedade, a segurança,

brancos e negros.

e a resistência à opressão.

Artigo 3º O princípio de toda a

*Nenhum sul-africano negro

soberania reside essencialmente

tem o direito de adquirir a

em a Nação. Nenhuma

propriedade de terras, nem é

corporação, nenhum indivíduo

intenção do governo outorgar

pode exercer autoridade que

tal direito, mesmo em relação às

aquela não emane expressamente.

suas reservas indígenas.

Vamos começar O sistema do apartheid criou uma divisão política do povo sul-africano baseada na cor da pele.  Os brancos, apesar de não serem tradicionalmente os donos da terra e serem minoria, concentravam o poder político e assim dominavam a maioria negra. Na realidade do apartheid, os negros eram a força de trabalho e, à medida que o regime se estabeleceu, começaram a ter sua liberdade e direitos cada vez mais restringidos. Como era possível que poucos dominassem muitos? Vamos fazer um teste. Você vai precisar de uma bacia com água e alguns corantes, podem ser em pigmentos, líquidos ou até mesmo tinta guache. Seria ideal ter um pouco de nanquim ou alguma cor bem forte, bem escura. Reúna os estudantes em volta da bacia e mostre que a água clara é a África do Sul; ponha a primeira cor, deve ser um tom claro, vá misturando e dizendo que aquela cor representa a cultura local, os negros e sua tradição. Pingue uma gotinha de tom mais escuro, nanquim de preferência. O que vai acontecer? Aquela gotinha vai transformar o

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tom da água, não? Converse com os estudantes que essa seria a interferência daquela minoria branca da África do Sul que governava e a quem Nelson Mandela se opunha. Mas outra leitura também pode ser proposta: quando colocamos o segundo pigmento, a cor da água se transforma em uma única cor, não? E por isso, Nelson Mandela lutava e luta, para mostrar que não importa a quantidade de cores, de raças, somos humanos, somos um só. Seu ideal era que todas as pessoas de todas as cores tivessem os mesmos direitos e oportunidades, a cor (da pele) não deveria ser fator de segregação, de hierarquização.

Momento da leitura Divida a turma em vozes femininas e masculinas, pois vamos ler dividindo em frases A cada parágrafo um coro lê em voz alta, alterando meninos e meninas. Página 33 – Mundo chocado com a brutalidade. Página 43 – O canto na prisão clama pela liberdade. Página 45 – Mobilização mundial pela libertação de Mandela. Página 46 – Início da mudança. Página 47 – Saída da prisão. Páginas 48 e 49 – Liberdade!

Mão na massa Mandela foi o homem que nunca deixou de sonhar. Por acreditar nos seus sonhos e não desistir deles, conseguiu ver acontecer grandes mudanças no seu país, a África do Sul, e no mundo. Mais ainda falta muita coisa para mudar. Vamos exercitar a liberdade? Divida a sala em quatro grupos e entregue a cada estudante uma ficha onde eles escreverão um direito que eles gostariam de ter. Troque as fichas entre os grupos para que cada grupo conheça o que é considerado importante para aquele outro grupo. Deve haver limites para a liberdade? Entregue outra ficha para cada estudante e peça agora para escreverem um limite ou dever que esteja relacionado ao direito escrito na primeira ficha. O jogo será o de escrever um documento similar à "Declaração dos Direitos Humanos", que determine os direitos e deveres que os estu-

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dantes terão, considerando o que cada grupo julga importante, mas estabelecendo limitações e deveres. Esse documento pode ser utilizado durante o ano para estabelecer as regras de convivência comum na sala.

Momento musical Mandela é um personagem emblemático da história, lutou em prol da liberdade em seu país. Na África do Sul, o regime político favorecia a segregação, uma divisão entre o povo que nasceu e vivia na mesma terra. Mandela preconiza a igualdade para liberdade e o reconhecimento das diferenças. Para realizar esta atividade, o professor utilizará equipamentos de reprodução de áudio, folhas brancas e lápis de cor (ou giz de cera). A música sugerida é o samba-enredo do G.R.E.S Imperatriz Leopoldinense do Rio de Janeiro do ano de 1989, composta por Miltinho Tristeza, Preto Joia, Jurandir e Vicentinho - Liberdade, Liberdade! Abre as asas sobre nós! O professor deve ler para os estudantes as palavras do refrão da música: Liberdade, liberdade Abre as asas sobre nós E que a voz da igualdade Seja sempre a nossa voz Os estudantes devem ouvir as palavras atentamente, cada um deve escolher a sua palavra e depois desenhar uma imagem relacionada a essa palavra (ou expressão), utilizando apenas uma cor de lápis (ou giz de cera). Após a finalização dos desenhos, o professor canta a música para eles, ensinando verso por verso até completar a estrofe. A dinâmica da atividade: eles cantam a melodia e letra da música aprendida erguendo seus desenhos de acordo com a palavra (ou expressão) escolhida por eles. A continuação da atividade é a retirada de uma palavra (ou expressão) cantada de cada vez, porém o estudante ergue seu desenho no mesmo lugar onde estava a palavra. Ao final, saem todas as palavras e apenas os desenhos serão erguidos respeitando a ordem e os sentidos das palavras.

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Descobrimento Mandela Day A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o dia 18 de julho, aniversário de Nelson Mandela, o Nelson Mandela International Day (Dia Internacional Nelson Mandela), um dia mundial para discussão das ações do homem e valorização da vida. Um dia de chamar a atenção do mundo para a realização de pequenos atos que possam melhorar a nossa vida em sociedade. Assim como Mandela, um pequeno passo de cada vez para tornar o mundo melhor. Como foram 67 anos servindo sua comunidade e, por seu ideal, servindo ao mundo, a data pede para que todos doem 67 minutos de seu dia para realizar alguma ação que valorize a vida, um pequeno gesto de solidariedade para com a humanidade e em um pequeno passo em direção a um movimento global e contínuo para o bem. Veja mais em http://www.mandeladay.com/

Navegando na internet Existem muitas músicas que promovem ou louvam a libertação de Nelson Mandela, mas vamos procurar uma música que fala da liberdade, ouça: Free, versão do conjunto Cidade Negra, música de autoria de Ian Lewis. Na letra da música, existem versos que dialogam bem com a luta de Mandela e a importância da liberdade, como: “O homem na selva, para sempre será rei E vai transformar, fazer de nós eternamente Free...” ou “Pessoas que odeiam, o tempo tem passado. Pessoas que amam, o tempo é agora”. Vale o clique!

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PERCURSO LIVRE MANDELA: O AFRICANO DE TODAS AS CORES

FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO Percurso Livre Língua Portuguesa Ensino Fundamental Mandela: o africano de todas as cores

Supervisão Geral Vilma Guimarães Coordenação Pedagógica Célia Farias Maria de Fátima Gabriel Tereza Farias Equipe de Conteúdo Sandra Portugal (Coord.) José Henrique de Oliveira Equipe de Materiais Helena Jacobina (Coord.) Anne Rocha Jacqueline Barbosa Paula Reis

Edição SAPOTI PROJETOS CULTURAIS Colaboração Cláudia Márcia Rocha Carlos Lima Gustavo Pereira Luan Castelucci Luísa Mendes Redação Flavia Rocha Revisão Tatiane Rezende Ilustração Lula Palomanes Fotos Alexandre Diniz

Consultoria de conteúdo Mônica Lima

Projeto Gráfico Grande Circular


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