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N.º 228 Julho/Agosto 2011 Mensal 2,00 euros

TempoLivre www.inatel.pt

Xangai A nova China

Entrevista Vítor Ramalho Terra Nossa Crestuma Desporto Campeões Inatel


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Sumário

Na capa

Foto: Catarina Serra Lopes

38 VIAGENS

Xangai: a Nova Iorque chinesa Frenética e carismática, moderna mas tradicional, Xangai é a cidade com mais arranha-céus na China. Com um passado glorioso e uma época de decadência, vive nos últimos anos uma explosão económica e industrial. Um património histórico muito rico, bons restaurantes, lojas e hotéis, fazem desta cidade um dos destinos turísticos do momento.

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EDITORIAL

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CARTAS

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NOTÍCIAS

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CONCURSO DE FOTOGRAFIA

44 53 56 60 62 87 88

VIDAS

Unurjargal Tsegmid: Uma mongol em Lisboa

65 82

Vítor Ramalho Primeiro presidente da Inatel desde que a instituição passou a Fundação de direito privado e utilidade pública, Vítor Ramalho faz para "TL" um balanço de três anos da gestão empenhada em "reforçar os alicerces" e garantir a auto sustentabilidade, "sem recurso a fundos públicos - de uma organização de relevante utilidade económica, social e cultural.

31 TERRA NOSSA

PINTURA NAÍF

Um desafio aos associados Inatel MEMÓRIA

Vasco Santana OLHO VIVO A CASA NA ÁRVORE O TEMPO E AS PALAVRAS Maria Alice Vila Fabião OS CONTOS DO ZAMBUJAL

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ENTREVISTA

CRÓNICA Álvaro Belo Marques

BOA VIDA

Crestuma Situada na margem esquerda do Douro, Crestuma é terra natal de gente campeã da Europa e do mundo em canoagem e de um dos pioneiros da fotografia portuguesa. Mas os pergaminhos da freguesia passam também por narrativas antigas e pela comemoração, este mês, dos noventa anos da banda filarmónica.

46 DESPORTO INATEL

CLUBE TEMPO LIVRE

Passatempos, Novos livros e Cartaz

Relatos e histórias dos campeões nacionais nas principais modalidades desportivas da Fundação.

Revista Mensal e-mail: tl@inatel.pt | Propriedade da Fundação INATEL Presidente do Conselho de Administração: Vítor Ramalho Vice-Presidente: Carlos Mamede Vogais: Cristina Baptista, José Moreira Marques e Rogério Fernandes Sede da Fundação: Calçada de Sant’Ana, 180, 1169-062 LISBOA, Tel. 210027000 Nº Pessoa Colectiva: 500122237 Director: Vítor Ramalho Editor: Eugénio Alves Grafismo: José Souto Fotografia: José Frade Coordenação: Glória Lambelho Colaboradores: António Costa Santos, António Sérgio Azenha, Carlos Barbosa de Oliveira, Carlos Blanco, Gil Montalverne, Humberto Lopes, Joaquim Diabinho, Joaquim Magalhães de Castro, José Jorge Letria, José Luís Jorge, Lurdes Féria, Manuela Garcia, Maria Augusta Drago, Maria João Duarte, Maria Mesquita, Pedro Barrocas, Rodrigues Vaz, Sérgio Alves, Suzana Neves, Vítor Ribeiro. Cronistas: Alice Vieira, Álvaro Belo Marques, Artur Queirós, Baptista Bastos, Fernando Dacosta, Joaquim Letria, Maria Alice Vila Fabião, Mário Zambujal. Redacção: Calçada de Sant’Ana, 180 – 1169-062 LISBOA, Telef. 210027000 Publicidade: Direcção de Marketing (DMRI) Telef. 210027189; Impressão: Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas, SA - Rua Consiglieri Pedroso, n.º 90, Casal de Sta. Leopoldina, 2730-053 Barcarena, Tel. 214345400 Dep. Legal: 41725/90. Registo de propriedade na D.G.C.S. nº 114484. Registo de Empresas Jornalísticas na D.G.C.S. nº 214483. Preço: 2,00 euros Tiragem deste número: 126.867 exemplares


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Editorial

V í t o r Ra m a l h o

Prestar contas

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oncluir-se-á em Setembro próximo o primeiro mandato de um conselho de administração da Fundação Inatel. Tenho tido a honra de o presidir. Os meus colegas do conselho de administração deram recentemente, na Tempo Livre, entrevistas sobre as áreas das competências que lhes foram delegadas. É assim natural que, com a aproximação do termo do mandato eu próprio faça um balanço sobre a actividade desenvolvida, que obedeceu a uma estratégia delineada desde a tomada de posse. Admito, em função das múltiplas e permanentes acções desenvolvidas que aos próprios beneficiários, embora sempre atentos à vida da Inatel, lhes tenham escapado alguns dos objectivos já concretizados. É útil fixar em letra de forma o que foi feito, a razão de ser e o que ainda falta realizar. Estamos de consciência tranquila embora seguros que houve erros e omissões neste primeiro mandato como em tudo na vida. Procurámos e procuramos estar atentos para fazer mais e melhor e sempre vigilantes nas reivindicações e anseios dos beneficiários, conscientes da crise e dos seus constrangimentos. A Inatel, os beneficiários e o contributo que

entendemos dever prestar para a superação dos momentos difíceis que o país vive exigem que não desfaleçamos nos esforços a desenvolver, recriando a esperança.

E

ste próprio número da Tempo Livre dá conta de muitas actividades, sempre inacabadas, sejam no Turismo, desta vez com a participação da Inatel como membro executivo do Centenário das comemorações da institucionalização do turismo no nosso país, a merecer uma exposição na nossa agência do Palácio do Barrocal em Évora, até à realização de inúmeras actividades desportivas que vão desde o Jet Sky à regata, passando pelas finais de várias competições e terminando na cultura, de que é exemplo a inauguração de uma peça de invulgar qualidade "Casamento em Jogo" no Teatro da Trindade. Isto para não falar nos novos programas sociais como o "Sempre em Férias" que teve inicio neste primeiro dia de Julho. De alguma maneira a "Tempo Livre" foi dando testemunho, ao longo destes três anos das acções projectadas ou realizadas. Mas, como disse, é altura agora de se fazer o balanço, prestando contas. n

Pormenor da exposição na agência Inatel, no Palácio do Barrocal, em Évora

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Cartas A correspondência para estas secções deve ser enviada para a Redacção de “Tempo Livre”, Calçada de Sant’Ana, nº. 180, 1169-062 Lisboa, ou por e-mail: tl@inatel.pt

Piscina da Caparica Acompanhada pelo meu marido e filho de dois anos, dirigi-me, no passado mês de Junho, à piscina da Caparica para uma tarde de lazer e em família. Chegámos entre as 14h30 e 15h e foi-nos cobrado 9€ por adulto. Fiquei espantada com o excesso do valor do preço, mas já que ali estávamos, acabámos por entrar. O Segurança informa-nos, depois, que não podemos entrar com a geleira (30x20) que transportava a alimentação do meu filho de 2 anos. Conseguimos pô-la no saco que trazíamos. Segundo nos disseram, a alimentação teria de ser feita no Bar/Esplanada que o complexo possui. O problema é que o mesmo não dispõe de alimentação adequada para crianças. Chegados à piscina das crianças, deparamo-nos com a proibição da utilização de auxiliadores de flutuação (bóias ou braçadeiras). É uma piscina de crianças. Porquê esta regra? Não tem lógica, as crianças precisam de estar seguras e a qualquer momento pode acontecer um acidente. Compreendo a proibição/regra na piscina dos adultos, mas não na das crianças. A zona envolvente da piscina está melhorada, nota-se que houve investimento e vontade de melhorar. No entanto, o piso que colocaram junto às piscinas (substituindo o antigo que eram uns quadrados com umas pedras) é escorregadio e facilmente se cai. O que torna ainda mais perigo-

so a circulação junto à piscina das crianças. Acho que o espaço exterior está bastante bom, possui uma vasta zona verde, um bar/esplanada e um parque infantil (só aconselho a manter limpos os WC's). A minha mãe deixou de ser sócia no ano de 2009 porque não existia manutenção no espaço e não existia nenhum meio de diferenciação para os sócios e os não sócios na entrada para a piscina. Conforme apuramos, os preços, este ano, já fazem essa distinção, o que é muito bom. Mas, para os não sócios, continuam, acho eu, muito elevados: dias de semana 15€ o dia todo, e 9€ meio-dia; finsde-semana 20€ o dia todo e 12.50€ meio-dia. O Segurança explicou que estes preços são mais para manter "afastados" umas quantas pessoas que por lá andaram, noutras alturas, a praticar distúrbios. Compreendo isso, mas não deixa de ser um abuso. Marta Freire Viegas, Almada

50 anos na INATEL Completaram, nos meses de Julho e Agosto, 50 anos de ligação à Inatel os associados: Carlos Alberto Melo, de Almada; José Carlos Duarte, de Barreiro; Roberto Lança, de Caldas da Rainha; António João Simões, de Coimbra; José Joaquim Raquel, de Elvas; Fernanda Roque, Mário Ferreira, Manuel Vaz, Graciosa Castanheira e António Silva, de Lisboa; António Florindo e Francisco Celorico, de Oeiras; Helder Pereira, de Seixal; Júlio Craveiro, de Sintra.

Coluna do Provedor

Kalidás Barreto provedor@inatel.pt

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ESTE PERÍODO estival que se avizinha e que, logicamente, deveria ser de férias e de recuperação de forças, é recheado de angústias que atravessam os que, pelo país fora, têm as 'férias' prolongadas do desemprego, ou dos salários atrasados, ou de uma reforma ameaçada pela injustiça social, ou, ainda, dos que tendo férias e subsídio não as gozam na prática porque a crise lhes traz preocupações, tanto aos próprios como aos familiares. O quadro é negro, mas não devemos esquecer que foi através do quadro negro escolar que aprendemos muita coisa; aprendamos, pois. Penso, em primeiro lugar, que os que estão em melhor posição para enfrentar a crise devem estimular a família, os amigos, mas também os que, na sociedade em geral, enfrentam maiores dificuldades. Em segundo, não devemos deixar cair os braços

e acreditar que não é com pessimismo que se vencem os problemas que estamos a enfrentar no país que ainda é o nosso. Na Fundação Inatel tem-se procurado modernizar, métodos e instalações que possam enfrentar o mercado com êxito. A Fundação não tem esquecido o apoio ao Turismo e Termalismo Sénior, ao lazer dirigido aos que menos têm, sem esquecer os deficientes. Aos jovens foram também disponibilizados programas apropriados e, por isso, apelativos; obviamente que também os associados condições especiais. Creio que não serão esquecidos os que trabalham internamente neste esforço de esperança no futuro da Fundação. Criar a esperança é a palavra de ordem. Mãos à obra! n


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Notícias

História do Turismo Social em exposição no Palácio do Barrocal

l Integrada

nas comemorações do centenário do Turismo em Portugal, está patente, até final de Dezembro, no Palácio do Barrocal, sede da Agência Inatel de Évora, a exposição "A Fundação INATEL na génese do Turismo Social em Portugal". Ainda no âmbito da programação nacional dos 100 anos do turismo, a exposição será apresentada noutros pontos do país, "dando o mesmo sinal de descentralização que orientou a programação nacional do centenário", como salientou, no acto de inauguração, o arquitecto Jorge Mangorrinha, presidente da comissão organizadora do centenário. "Quisemos - assinalou ainda aquele responsável - diversificar conteúdos e locais de realização das iniciativas, porque o turismo é para todos e deve ser uma manifestação à escala do território nacional. Espero que estas iniciativas polinucledas também sirvam para motivar a viagem pelo país, ou não fora a arte de viajar o suporte do turismo e do lazer." Com textos e imagens da evolução do turismo social, desde a criação da FNAT, em 1935, até aos tempos actuais da Fundação Inatel, a exposição revela como, até às 8

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primeiras décadas do século passado, o turismo era sobretudo uma actividade de luxo, reservado aos mais favorecidos. A ocupação dos tempos livres dos trabalhadores centrava-se em associações e sociedades populares de educação e recreio e em actividades de excursionismo, música e leitura. O desenvolvimento de um verdadeiro "turismo social" tem início em meados dos anos trinta e terá um impulso decisivo com a criação da FNAT, hoje Fundação INATEL.

Reabilitação e Arquivo A inauguração da mostra no Palácio do Barrocal, onde funciona a Agência Inatel de Évora, coincidiu com o termo das obras de requalificação de uma parte importante do edifício, no âmbito de uma candidatura apresentada ao QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional) e que teve uma parceria alargada, incluindo a própria autarquia eborense - facto sublinhado pelo Presidente da Fundação, Vítor Ramalho, que elogiou a qualidade da mostra e a importância da reabilitação do palácio, sede também do arquivo central da Inatel.

Assistiram ao acto, várias personalidades, designadamente o Reitor da Universidade de Évora, o Presidente da Câmara de Évora, um representante do Bispo, o Presidente da Fundação Eugénio de Almeida, um membro do I.E.F.P., e delegações da GNR e dos Bombeiros de Évora. Presentes ainda, o vice-presidente da Inatel, Carlos Mamede - membro também da Comissão Nacional do Centenário do Turismo -, Delegados Regionais, o Coordenador das Agências, Rui Máximo, e outros quadros e colaboradores da Fundação. A cerimónia iniciou-se com a exibição de um grupo musical de jovens da escola de música eborense, seguindo-se as intervenções de Jorge Mangorrinha, Vítor Ramalho e, por fim, de Ernesto Oliveira, presidente da Câmara, que destacou a importância da função social e cultural da Inatel quer no âmbito nacional quer no respeitante à sua cidade, enaltecendo o facto do arquivo da Fundação Inatel ir ser sediado no Palácio do Barrocal, facilitando o estudo e a investigação deste importantíssimo espólio, com parcerias estabelecidas com a Direcção Geral dos Arquivos Nacionais e a Universidade de Évora.


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"Casamento em Jogo" l A estreia de "Casamento em Jogo", comédia dramática inédita em Portugal do dramaturgo norteamericano Edward Albee, interpretada por Cucha Carvalheiro e Rogério Samora, levou ao Trindade, na noite de 17 de Junho numerosas personalidades dos meios políticos e culturais nacionais. A peça - onde os dois conhecidos actores interpretam um casal, Gillian e Jack, com as suas decepções, alegrias, memórias e traições acumuladas ao longo de trinta anos de vida conjugal - estará em cena até 31 de Julho. As sessões são de 5ª (a preço reduzido 5€!) a Sábado, às 22h00, e aos Domingos, pelas 17h00.

Inatel membro da UCCLA lA

28ª Assembleia Geral da UCCLA, que

decorreu, em Maio, em Luanda, aprovou por unanimidade as novas adesões à UCCLA da cidade de Benguela como membro efectivo, e a TAAG, o Grupo Visabeira, a Fundação INATEL e o Instituto Internacional de Macau, como membros apoiantes. Nesta AG foram eleitos os novos Órgãos Sociais para 2011 - 2013. A cidade de Luanda foi eleita para a presidência da UCCLA e, por inerência, passa presidir à Comissão Executiva. Para a presidência da AG foi eleita a cidade do Maputo. Ficou também decidido que a próxima Assembleia-Geral da UCCLA se realizará na cidade da Praia (Cabo Verde), em Abril ou Maio de 2013. Miguel Anacoreta Correia é o Secretário - Geral.


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Notícias

Portugal no Coração l Duas

dezenas de portugueses, residentes no estrangeiro há várias décadas e sem recursos para custear a viagem, puderam, no âmbito do programa Portugal no Coração, revisitar o país natal, em Junho último. Durante quinze dias, as unidades da INATEL na Caparica, Foz do Arelho, Albufeira, Sta Maria da Feira e Vila Ruiva acolheram os nossos compatriotas - com idades compreendidas entre os 67 e 80 anos residentes em Namíbia, África do Sul, Argentina, Brasil, Moçambique, Venezuela e Zimbabwe, que visitaram alguns dos locais e monumentos mais

emblemáticos do país e degustaram iguarias da cozinha tradicional ao som de muita música popular, fado e folclore. Vítor Ramalho, presidente da Fundação INATEL, esteve presente num fraterno e caloroso convívio, na Caparica, com os veteranos

emigrantes, destacando a longa odisseia por eles vivida, "desde a tenra idade" noutros continentes. "Portugal no Coração" tem, a par da Inatel, o apoio da TAP, da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e do Ministério do Trabalho e da Solidariedade.


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Feira de S. Mateus: um acontecimento nacional l Símbolo

de Viseu, a Feira de S. Mateus - que remonta a Janeiro de 1392, por concessão real - é o acontecimento maior da cidade e do distrito, a sua marca mais impressiva; mas é também símbolo de uma convergência entre o passado, o presente e o futuro que caracterizam uma cidade diferente, rica em patrimónios, aberta a novos saberes e culturas, que configuram uma mundividência que potencia a competitividade territorial que é marca dos tempos modernos. Há muito tempo que a Feira de S. Mateus é indissociável do seu Terreiro,

hoje dito por toda a gente como Campo da Feira, o espaço centenário onde renasce a cada edição, em boa hora requalificado pela Autarquia viseense, através do Projecto Polis. Ganha particular relevo a presença da Inatel na S. Mateus 2011. A projecção e a experiência adquiridas pela Fundação nos campos social e cultural constituem uma mais-valia para o alargar das suas fronteiras. O stand, no Pavilhão Multiusos, será a base de um serviço de informação útil

para os milhares de visitantes que demandam a feira. A rica gastronomia regional e uma extensa e variada programação concertos de Tony Carreira, James, Áurea, Pedro Abrunhosa, Jorge Palma, entre outros, além de exposições de pintura, de brinquedos da feira e Salão BD (Banda Desenhada) – são outras das múltiplas componentes de uma Feira de inegável importância nacional que abre a 14 de Agosto e encerra a 21 de Setembro.


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Notícias Arcos de Valdevez homenageia Mário Soares l No

passado dia 17 de Junho teve

lugar no Forum FNAC Chiado, em Lisboa, a apresentação do livro "Vida e Obra de Mário Soares", uma edição conjunta do Município arcuense e da Editorial Novembro, integrada no culminar programático do evento "Arcos de Valdevez- Concelho de Estado", que no ano transacto, e na sua

"Sempre em Férias" arranca no Luso

primeira edição, homenageou a figura singular deste estadista português. Coube a Manuel Sobrinho Simões, investigador e professor universitário,

l Viver,

durante vários meses, ou sempre, num hotel dotado do conforto e da comodidade adequada à idade sénior, é uma opção, agora disponível para os cidadãos com idade superior a 60 anos, graças ao programa "Sempre em Férias", que arrancou, este mês, na Inatel Luso, unidade que acolhe, até Setembro, os participantes da primeira fase da iniciativa. Dotado de um vasto programa de animação, que inclui visitas a locais de interesse turístico, actividade física e outras de carácter lúdico, assistência médica e de enfermagem, o "Sempre em Férias" teve apresentação pública, em Junho passado, na sede da Fundação INATEL, com a presença de Ilda Silva e o seu companheiro Fernando Esteves, dois dos pioneiros de inscrição no programa, naturais de Setúbal. "Gosto de viajar e de conhecer novos destinos e como já conheço os serviços da Inatel não hesitei em avançar", explicou Ilda Silva, feliz por não ter de cuidar das lides domésticas nos próximos tempos. Também Fernando Esteves sublinhou a importância da iniciativa no combate à solidão, situação que ele próprio já 12

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experimentou e que a vida só adquiriu novas cores após ter conhecido a sua actual companheira. "Desde que estou junto com a Ilda, há quatro anos, que adoro viajar com a Inatel por isso não hesitei em avançar para o "Sempre em Férias", onde espero passar bons momentos". "A Segurança Social acarinha e apoia esta iniciativa e espera que ela contribua para a melhoria das condições de vida da população sénior", sublinhou Edmundo Martinho, presidente do Instituto de Segurança Social, IP, acompanhado no acto de apresentação do programa por Maria João Ramalho e Ana Gomes. Carlos Mamede, vice-presidente da Fundação vincou, por sua vez, a missão da Inatel atenta à "generalidade dos grupos etários da sociedade, desenvolvendo projectos inovadores e este é um exemplo que irá beneficiar, em muito, a comunidade sénior". A apresentação do programa, a que assistiram diversos quadros técnicos e superiores da Fundação contou, ainda, com um apontamento musical a cargo do grupo de cavaquinhos da Universidade Sénior da Amadora.

as notas de apresentação, realçando a forma como todos os intervenientes no livro, que inclui, entre vários nomes, Adriano Moreira, Carvalho da Silva, Almeida Santos, Fernando Nobre ou Freitas do Amaral, referenciaram a personagem abrangente e singular de Mário Soares, reunindo em todos um consenso global e uma evidente admiração e amizade.

Reunião Anual da Direcção Desportiva l Como

vai sendo habitual a Direcção

Desportiva, bem como toda a sua equipa, de norte a sul do país respondeu à convocatória do seu administrador, Moreira Marques, para a realização de mais um encontro anual. O encontro, que decorreu nos dias 31 de Maio e 1 de Junho, envolveu o balanço de um ciclo, iniciado em 2008. Moreira Marques entregou a todos os colaboradores um relatório de sustentabilidade, que documenta toda a acção conjunta da Direcção desportiva durante o triénio 2008-2011, e deixou uma mensagem de confiança no futuro da importante função social do Desporto Inatel.


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Notícias

Raid INATEL Estrela-Açor

Um passeio inesquecível l Mais

uma missão cumprida, mais um passeio bem sucedido. Sócios e não sócios da Inatel responderam ao chamamento da aventura e percorreram os trilhos entre as serras da Estrela e do Açor, numa caravana que juntou 35 viaturas e cerca de uma centena de pessoas que esgotaram as unidades hoteleiras da Inatel de Vila Ruiva e Piódão. Além das habituais viaturas 4x4, marcaram presença também as viaturas SUV, que suportaram, com competência, as subidas e descidas dos corta-fogos, como aliás, o Clube Escape Livre já tinha comprovado com o Hyundai ix35, viatura oficial deste evento. Para a organização, o balanço final foi manifestamente positivo: novos visitantes ficaram a conhecer, a par das magníficas unidades Inatel, alguns dos encantos da região, por percursos e obstáculos naturais criteriosamente escolhidos e que permitiram que todos os participantes chegassem, com adrenalina, orgulho e satisfação, a todos os locais. Para os menos habituados ao fora de estrada, o passeio contou com a importante parceria da Hyundai, da

Bridgestone e da ValorPneu, que expuseram diversas dicas no âmbito do uso da condução todo terreno, dos pneus e no respeito pela natureza. A etapa nocturna, que ligou Vila Ruiva, Celorico e Linhares da Beira, com visita aos castelos e ainda ao Museu do Queijo, foi um bom aperitivo do programa que os participantes iriam desfrutar nos dias seguintes.

O percurso, no dia seguinte, entre Vila Ruiva e o Piódão, revelou-se útil para acalmia das tensões acumuladas na rotina diária, levando os participantes a dedicarem-se quase exclusivamente à tarefa de ultrapassar os obstáculos naturais, corta-fogos, caminhos mais ou menos estreitos e escarpados. Entre os tempos de "descanso", as visitas ao Centro de Interpretação da Serra da Estrela e

Grande Prémio de Jet Ski lA

Lagoa de Óbidos na Foz do Arelho foi palco nos passados

dias 11 e 12 de Junho de uma das etapas do Grande Prémio de Jet ski 2011. Fruto de uma parceria entre a Fundação INATEL e a Federação Portuguesa de Jet Ski, esta etapa contou com a participação de mais de meia centena de pilotos numa competição renhida, tendo o publico local aderido em massa ao evento. O jantar oficial do campeonato decorreu na UH da Foz do Arelho e contou com a participação do Presidente da Federação de Jet Ski, Vereador do Desporto do Município das Caldas da Rainha e administrador da Fundação INATEL, Moreira Marques. 14

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Museu do Pão, ambos em Seia, foram de agrado geral. A terceira etapa, numa manhã de domingo, acabou por ser ainda mais deslumbrante face a um nevoeiro denso que se fixou a média altitude, permitindo que os participantes percorressem trilhos como se circulassem sobre as nuvens, enquanto se dirigiam à Fraga da Pena e ao Monte do Colcurinho, locais de beleza excepcional. Para Luís Celínio, do Clube Escape Livre, este terceiro Raid Inatel consolidou "uma parceria que, da nossa parte, está a contribuir para a divulgação da nova e dinâmica imagem da Inatel para trazer mais sócios para a Fundação - foram já muitas dezenas que aderiram a estas iniciativas - e contribui ainda para que as suas instalações hoteleiras sejam não só mais utilizadas como muito divulgadas junto de um potencial público". Moreira Marques, da Inatel, lembrou, por sua vez, que a Fundação "tem um conjunto de propostas para os sócios não só através deste Raid Inatel em todo terreno, mas também no BTT, na canoagem, na motonáutica, no jet ski, no parapente e noutras modalidades" e mostrou-se satisfeito com a parceria Inatel/Clube Escape Livre que - frisou - "tem ultrapassado as nossas expectativas e é para continuar."


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Notícias Inatel promove em Outubro

Encontro sobre Património Cultural Imaterial a reflexão e sensibilização para o tema.

Instituições, Tradições e Artesanato

l No âmbito da acreditação da INATEL como ONG (Organização Não - Governamental), apta a prestar serviços de consultoria ao Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (PCI) da UNESCO, e dada a sua responsabilidade nesta área, a Fundação vai organizar, em Outubro próximo, em conjunto com a Comissão Nacional da UNESCO, um Encontro sobre Património Cultural Imaterial. O encontro, que decorrerá nas instalações da Inatel Foz (Foz do

Arelho), será um espaço de debate e diálogo sobre o Património Cultural Imaterial e sobre a Convenção para a sua salvaguarda, aberto às associações culturais que desenvolvem trabalho na área do PCI e a académicos do sector, caso, entre outros, dos antropólogos e etnomusicólogos. As colectividades associadas à Fundação e outras instituições da sociedade civil terão, aí, espaço e oportunidade para mostrar e apresentar o seu trabalho na salvaguarda do seu PCI, promovendo

O Programa do Encontro compreenderá quatro painéis ("As Instituições e a Convenção para a Salvaguarda do PCI", "Tradições Orais", "Artesanato e o Saber Fazer", "Passados no Presente"), que serão integrados por um moderador e vários oradores, em representação de entidades com actuação nessas áreas, além de dois Estudos de Caso, que terão uma vertente mais prática. Após cada painel, haverá um espaço alargado de debate aberto ao público. Haverá ainda lugar à apresentação de três comunicações, previamente seleccionadas pela Fundação INATEL e CNU. Está ainda previsto um programa de animação cultural, com música tradicional, exposições temáticas, exibição do filme Sinfonia Imaterial e uma visita facultativa ao Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha. A informação sobre inscrições no Encontro será divulgada brevemente.

Escolas do Turismo com procura recorde l Mais

de um milhar de candidatos inscreveu-se já nos cursos das 16 Escolas de Hotelaria e Turismo para o ano lectivo 2011/2012, o que representa mais do dobro das candidaturas registadas no ano lectivo anterior. As inscrições prolongam-se até 6 de Julho. O mais recente Estudo de Inserção 16

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Profissional dos alunos das Escolas de Hotelaria e Turismo, realizado pelo Turismo de Portugal, conclui que a taxa de actividade atinge os 80 por cento ao final de seis meses, sendo que 65 por cento dos alunos encontra emprego em menos de um mês. A oferta formativa da rede escolar

do Turismo de Portugal abrange mais de 3.000 alunos por ano, dos quais, cerca de 2.000 são novos alunos. Distribuída em 11 programas, a formação inicial cobre áreas como a Cozinha, a Pastelaria, a Gestão Hoteleira, o Serviço de Restauração e Bebidas e o Turismo.


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Notícias

Protocolos Inatel

l A Fundação Inatel e a AHRESP Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal assinaram, em Junho, um protocolo de cooperação destinado a promover e dignificar o sector hoteleiro da Inatel através do reforço da formação relativas ao exercício da actividade e aos recursos humanos.

Fundação Benfica Ainda em Junho, foi estabelecida nova parceria, desta feita com a Fundação Benfica, destinada ao desenvolvimento dos projectos "Para ti Se não faltares!" e "Tu Decides Bem!". O primeiro visa, através de actividades lúdicas e pedagógicas para crianças e jovens, dos 6 aos 16 anos, o combate ao absentismo, abandono escolar precoce e violência escolar. "Tu Decides Bem!" procura mobilizar jovens dos 17 aos 35 anos para a Fundação Inatel, como agentes

de arbitragem, usufruindo da capacidade de mobilização das parcerias estratégicas de dimensão nacional de Fundação Benfica. Os jovens envolvidos poderão, no âmbito do acordo e em função das disponibilidades em cada ano, participar nos programas "Turismo Solidário" e "Turismo Júnior" da Inatel. A parceria envolve ainda a divulgação das actividades nos meios próprios de cada uma das entidades e o acesso às respectivas instalações desportivas e culturais, incluindo a participação em acções de formação.

Évora, foi assinado um protocolo com a Direcção-Geral dos Arquivos Portugueses, entidade que dispõe dos técnicos adequados ao projecto de identificação, avaliação, organização, descrição e disponibilização do acervo documental da Fundação. O acordo foi rubricado pelo directorgeral da DGAP, Silvestre Lacerda, e por Vítor Ramalho e Cristina Baptista, respectivamente, presidente e administradora da Inatel.

Arquivo Inatel No âmbito da instalação do Arquivo da Inatel no Palácio do Barrocal, em

CIOFF® Portugal 2011 l

Portugal vai acolher, entre Julho e

desde 1994, a representante oficial.

12 festivais tiveram a participação de 62

Setembro, em diferentes pontos do país,

Criada em 1970 para salvaguarda,

grupos estrangeiros, oriundos de 42

11 Festivais CIOFF® (Conselho

promoção e difusão da cultura

países de quatro continentes.

Internacional das Organizações de

tradicional e do folclore, mantém

Este ano, estão previstos, em Julho,

Festivais de Folclore e Artes

relações consultivas com a UNESCO.

festivais em Cantanhede, Figueira da

Tradicionais), com a participação de

Entre Julho e Setembro de 2010,

Foz, Barcelos, e Argoncilhe. Em Agosto,

numerosos agrupamentos nacionais e

recorde-se, realizaram-se 12 Festivais

decorrerão o Festarte (Matosinhos),

internacionais.

CIOFF® que abrangeram 36 concelhos

FolkMonção, e os festivais de

Constituída em 8 de Fevereiro último, a

Portugueses, com a realização de 183

Gulpilhares, Angra do Heroísmo e Faro,

Associação CIOFF-Portugal será

espectáculos e 20 desfiles, a que

seguindo-se, em Setembro, os Festivais

presidida pela Fundação Inatel que é,

assistiram cerca de 200 mil pessoas. Os

do Alto Minho (V. Castelo) e Santarém.

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Fotografia

XV Concurso “Tempo Livre”

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Regulamento 1. Concurso Nacional de Fotografia da revista Tempo Livre. Periodicidade mensal. Podem participar todos os associados da Fundação Inatel, excluindo os seus funcionários e colaboradores da revista Tempo Livre. 2. Enviar as fotos para: Revista Tempo Livre - Concurso de Fotografia, Calçada de Sant’Ana, 180 - 1169-062 Lisboa. 3. A data limite para a recepção dos trabalhos é o dia 10 de cada mês.

Menções honrosas [ a ] Sérgio Guerra, S. João do Estoril Sócio n.º 204212 [ b ] José Barreiro, Albufeira Sócio n.º 36010 [ c ] Mário Bizarro, V. N. de Gaia Sócio n.º 64888

4. O tema é livre e cada concorrente pode enviar, mensalmente, um máximo de 3 fotografias de formato mínimo de 10x15 cm e máximo de 18x24 cm., em papel, cor ou preto e branco. 5. Não são aceites diapositivos e as fotos concorrentes não serão devolvidas.

[a]

6. O concurso é limitado aos associados da Inatel. Todas as fotos devem ser assinaladas no verso com o nome do autor, morada, telefone e número de associado da Inatel. 7. A «TL» publicará, em cada mês, as seis melhores fotos (três premiadas e três menções honrosas), seleccionadas entre as enviadas no prazo previsto. 8. Não serão seleccionadas, no mesmo ano, as fotos de um concorrente premiado nesse ano

[b]

9. Prémios: cada uma das três fotos seleccionadas terá como prémio duas noites para duas pessoas numa das unidades hoteleiras da Inatel, durante a época baixa, em regime APA (alojamento e pequeno almoço). O prémio tem a validade de um ano. O premiado(a) deve contactar a redacção da «TL». [ 1 ] Óscar Saraiva, S. Mamede Infesta Sócio n.º 31309 [ 2 ] Manuel Carvalho, Vidigueira Sócio n.º 249980 [ 3 ] Augusto Santiago, V. N. de Gaia Sócio n.º 460443

10. Grande Prémio Anual: uma viagem a escolher na Brochura Inatel Turismo Social até ao montante de 1750 Euros. A este prémio, a publicar na «TL» de Setembro de 2011, concorrem todas as fotos premiadas e publicadas nos meses em que decorre o concurso.

[c]

11. O júri será composto por dois responsáveis da revista T. Livre e por um fotógrafo de reconhecido prestígio.

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Entrevista

Vítor Ramalho "Preparamos a INATEL para a crise e para o futuro…"

P

rimeiro presidente da Inatel desde que a instituição passou a Fundação de direito privado e utilidade pública, Vítor Ramalho faz para "TL" um balanço de três anos da gestão empenhada em "reforçar os alicerces" e garantir a auto sustentabilidade, "sem recurso a fundos públicos - de uma organização de relevante utilidade económica, social e cultural. Advogado de profissão, com larga experiência governativa e parlamentar, VR evoca a adolescência em Angola ("sou português, angolano e europeu..."), para sublinhar o papel pioneiro de Portugal na globalização e manifestar a convicção de que o país tem condições para superar a actual crise e projectar-se na "senda do desenvolvimento".

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Entrevista

Cumpre, em Setembro próximo, três anos na presidência da Fundação Inatel. Considera ter concretizado os objectivos enunciados no acto de posse da sua Administração? O diploma que criou há três anos a Fundação Inatel estabeleceu desde logo um vasto conjunto de obrigações - da extinção do ex-Instituto Inatel, da adequação das actividades do turismo, cultura e desporto e dos equipamentos à legislação privada em vigor, da aprovação de novos regulamentos, parte dos quais a exigirem a aprovação prévia dos conselhos consultivo e geral, também eles constituídos de raiz. O cumprimento dessas obrigações envolveu uma grande complexidade. Houve que efectuar um vasto conjunto de operações administrativas, financeiras e contabilísticas para a extinção do ex-Instituto e elaborar a própria Na Inatel sirvo portaria de extinção de tal sorte uma instituição de que o processo só se pode conenorme prestígio e cluir sete meses após a tomada de credibilidade, que é posse, em Maio de 2009. da maior utilidade Aprovaram-se entretanto os económica e regulamentos e as normas adesocial. quadas ao funcionamento da nova Fundação, nomeadamente o Regulamento dos Beneficiários, o Código do Desporto, as normas de atribuição de subsídios aos CCD'S, e as regulamentadoras dos direitos e deveres dos Campistas, o Código de Ética e de Conduta, não esquecendo a Carta de Missão que consigna os princípios orientadores do plano de desenvolvimento estratégico e a respectiva programação financeira. Face ao desenvolvimento da crise foram estabelecidas também normas para atribuição de apoios aos trabalhadores que carecessem de empréstimos, sendo os pedidos avaliados por uma comissão constituída pelos próprios trabalhadores, tendo o Conselho de Administração dotado uma verba razoável para esse efeito. A concretização destes objectivos correram paredes meias com a aprovação de uma nova estrutura orgânica em todas as áreas e sectores. O objectivo central da passagem do Instituto a Fundação era adequar as diferentes áreas de intervenção da Inatel às realidades do mercado,

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dotando a Inatel de uma gestão mais dinâmica e competitiva… Para a adequação das actividades do turismo, cultura e desporto, bem como dos equipamentos à legislação privada em vigor, foram encetados todos os passos necessários, o que não foi nem é tarefa fácil. Para os equipamentos (antigos centros de férias) tratou-se de os converter em unidades hoteleiras, com classificações adequadas, o que implicou e implica ainda toda a sorte de licenciamentos - das autarquias, das CCDR's, do Instituto de Turismo de Portugal. Sucede que uma parte dos centros de férias nem sequer estavam registados, por estranho que possa parecer e em inúmeros outros nem sequer existiam plantas de arquitectura. Superadas estas dificuldades uma outra se deparou - a adequação dos equipamentos, sobretudo das unidades hoteleiras (como se passaram a chamar os antigos centros de férias) envolviam por razões legais requalificações profundas não só por condicionalismos de segurança mas também da dimensão e características dos quartos, das cozinhas, etc., etc., etc.. Tiveram que ser realizados projectos de arquitectura para o efeito, abrir concursos e contar com a escassez de meios. Para se ter uma ideia desses condicionalismos desde o início do mandato desta administração até ao presente, as comparticipações públicas para a Fundação, já de si escassas, diminuíram cerca de 25%! Essa redução das comparticipações públicas teve efeitos na vertente salarial da Fundação? O Conselho não deixou de actualizar os salários dos trabalhadores em 2009 no montante de 2,9% e, em 2010, essa actualização foi efectuada por acordo com as estruturas sindicais para os rendimentos mais baixos. E decorrem, agora, negociações visando um Acordo de Empresa para um mecanismo facilitador das carreiras e que enquadre de forma mais adequada as categorias profissionais. A diminuição das remunerações acima de 1.500 euros fixada pelo orçamento do Estado não ocorreu em 2011 uma vez que o Conselho de Administração solicitou tempestivamente pareceres a conceituados juristas que concluíram pela não aplicação. Os membros da Administração deliberaram porém aplicar aos próprios essa diminuição, tal como o havia feito com o PEC 3, apesar dos pareceres serem em sentido contrário.


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Há, entretanto, um ambicioso programa de reabilitação das unidades hoteleiras… Para se cumprir os objectivos impostos por lei para adequação das actividades e equipamentos à legislação privada apresentámos pela primeira vez na história da instituição candidaturas com sucesso ao Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) para Cerveira, Manteigas, Linhares da Beira, Palácio do Barrocal e Porto Santo, encontrando-se pendente uma candidatura para o edifício "velho" de Albufeira, seguindose para o final do ano a apresentação de uma outra candidatura para o Luso. Para se ter uma ideia mais precisa, estão em curso 26 frentes de obra. A isto chama-se preparar o futuro numa lógica de auto-sustentabilidade. Quem visitar a Foz do Arelho constata essa evidência, tal como se constatará no primeiro semestre do próximo ano com a reabertura de Cerveira, ou a partir do último trimestre deste ano com o início das obras de total requalificação do edifício "velho" de Albufeira", para não falar da requalificação da unidade de Oeiras, Porto Santo, do Teatro da Trindade, do Parque de Jogos 1º de Maio, Manteigas e o mais que se sabe. E em relação a Santa Maria da Feira e Entre-osRios? Não obstante este esforço, era impossível avançar, em simultâneo, para todas as requalificações. Para a Unidade de Santa Maria da Feira está em curso um projecto de arquitectura novo e não é possível iniciar-se a obra no curto prazo. Quanto a Entre-os-Rios, teremos de encontrar uma solução financeira inovadora face aos elevadíssimos montantes envolvidos para a requalificação. Esse processo de reabilitação estendeu-se igualmente às agências distritais.. Os beneficiários têm o direito a usufruírem das melhores condições de lazer em todos os domínios das nossas actividades. Como é sabido este esforço coincide com a uniformização da imagem da Fundação e da modernização das agências distritais, com inicio em Vila Real, a que se seguiu Aveiro, agora Santarém e depois Setúbal. Esta modernização da imagem foi suportada pelo arejamento da própria "Tempo Livre" e do nosso sítio, com respostas adequadas às exigências deste mundo cada vez mais competitivo e onde os utilizadores podem não só aceder a todas

as nossas ofertas de qualidade mas também adquirir os nossos bens e serviços em todas as áreas, podendo-se fazer beneficiário através do próprio sítio. Que reflexos teve a crise economico-financeira do país nos resultados e na gestão da Inatel? A ampla modernização levada a cabo na Fundação integrou-se numa aposta muito profunda em toda a área administrativo-financeira, não só com a racionalização dos recursos humanos mas também com programas muito exigentes de formação profissional a todos os níveis, sem se jamais descurar a informatização de todas as áreas. Em função da crise contiveram-se os custos, eliminando-se desperdícios, objectivo que não prejudicou a outorga de inúmeros contratos de pré-reforma e de reformas de trabalhadores. Neste quadro, de eliminação de custos que não se justificava manterem-se pelos anormais encargos envolvidos, agravando a gestão financeiApesar da ra suspendeu-se a actividade da gravidade da crise, unidade hoteleira do Santo da esta Administração Serra na Madeira e a do turismo cumpriu o programa rural em Penedones, encontrana que se propôs neste do-se as melhores soluções para mandato. os trabalhadores, privilegiando-se sempre a via do diálogo. Em função do estudo económicofinanceiro feito por uma terceira entidade ao edifício da Infante Santo em Lisboa, haverá, muito em breve, uma decisão enquadrada na racionalização e modernização de meios em curso. Encerraram-se unidades, mas foram abertas outras, como aconteceu nos Açores… Estas situações foram, de facto, contrabalançadas com a abertura de três novas unidades hoteleiras de excelência em Linhares da Beira e nos Açores, nas ilhas Flores e Graciosa. Esta administração orgulha-se de ter contribuído para concretizar um velho sonho da Inatel - ter unidades hoteleiras também nas duas regiões autónomas para além do continente. Entretanto, alargaram-se os mecanismos de reforço de receitas com protocolos relevantes com grandes empresas, desde a BP, passando pela PT, Central de Cervejas, etc. o que permitiu reforçar as vantagens dos beneficiários que têm hoje também acesso a um vasto conjunto de farmácias a preços mais reduzidos, para

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Entrevista

além de inúmeros outros bens e serviços titulados por protocolos entretanto estabelecidos. Sem falsas modéstias como presidente do Conselho de Administração costumo dizer - e penso que bem - que neste primeiro mandato da Fundação Inatel levámos a efeito uma verdaCada euro que o deira revolução silenciosa, prepaEstado aplique no rando a instituição não só para a programa do crise mas para o futuro, para bem "Turismo Sénior" dos que nela desenvolvem a sua recebe em volta três, actividade e para o bem estar dos resultado dos beneficiários. Claro que nem tudo impostos que são vai e corre bem, razão porque é cobrados… sempre útil a crítica e as tomadas de posição dos beneficiários, que levamos muito a peito. A área da cultura não foi afectada pela crise? Essa revolução silenciosa deu-se também na cultura, com a entrada na UNESCO e a reformulação

dos objectivos de relacionamento de tipo novo com os CCD'S. E destaco o próprio Teatro da Trindade com a excelência da sua programação, e que foi duas vezes galardoado, com um prémio atribuído ao melhor actor do ano e um outro de reconhecimento pela melhor peça de teatro. A relação com o CIOFF foi também reformulada e pela primeira vez centralizada toda a parte mais relevante do arquivo da Fundação no nosso Palácio Barrocal, em Évora, adaptado para o efeito, com um protocolo estabelecido com a Direcção Geral dos Arquivos Nacionais e outro com a Universidade de Évora. É no Turismo, porém, que a Inatel tem a sua principal fonte de receitas… Houve, também, uma valorização orgânica do sector da hotelaria e turismo, compreendendo nela a componente termal, com ofertas inovadoras incluindo a nível internacional uma vez que a Inatel funciona cada vez mais também como

"Portugal já viveu períodos da sua História bem mais graves…" Fez advocacia, foi governante e

actividades do mundo da lusofonia e do

nos impede, de sermos isentos e

deputado, mas não abandonou a

trabalho, tendo sido, até cessar funções

objectivos na gestão de uma instituição

actividade política como fez questão de

de deputado do presidente da 11ª

ainda que de utilidade pública como é a

sublinhar no acto de posse da Inatel.

Comissão da Assembleia da República

Fundação Inatel. Não tenho hoje dúvidas

Em qual destas vertentes - incluindo,

que é exactamente a Comissão de

que a generalidade dos trabalhadores

obviamente, a da liderança da Fundação

Trabalho e presidente da Associação

sabe que é assim. Não privilegio nem

- se sentiu mais realizado?

Parlamentar de Amizade Portugal -

beneficio quem quer que seja como

Quando tomei posse do cargo de

Angola e do Núcleo Nacional do Fórum

trabalhador senão pelo mérito, sendo-

presidente do Conselho de

dos Parlamentos da Língua Portuguesa.

me indiferente as opções políticas e

Administração entreguei a minha

Desde que me conheço como adulto

religiosas que são do foro pessoal,

cédula pessoal de advogado que exerci

que sempre exerci a actividade politica.

garantidas pela Constituição e pela lei.

desde 1973, salvo nos dois períodos em

Nunca o escondi porque considero que

É assim que me ensinaram. È assim

que suspendi a actividade por

o trabalho para o bem comum é dos

que faço. É assim que continuarei a

imperativos legais quando exerci

mais nobres que um ser humano pode

fazer, sem esconder a minha filiação

funções governativas de 1984 a finais de

exercer. Procurei fazê-lo sempre com

partidária, como aliás deve ser numa

1985 e mais tarde de 1987 a 2000, nos

transparência perante os meus

democracia adulta. Em todas as

Ministérios do Trabalho e da Economia.

concidadãos nunca escondendo o que

actividades que desenvolvi senti-me

Na advocacia especializei-me nos

sou e o que penso. Isso mesmo disse,

sempre mais realizado na última que

domínios do direito social e

como refere, no acto da minha posse

sirvo. Neste caso na Inatel. Procuro dar

particularmente do trabalho, facto que

perante todos, com total clareza. Acho

o melhor de mim. Seguro que na Inatel

"legitimou" a minha opção em 2008 pela

uma hipocrisia e falta de coragem

sirvo uma instituição de enorme

Fundação Inatel.

escondermos o que somos.

prestigio e credibilidade, que é da maior

Como deputado estive sempre ligado às

Ser político e ter opção partidária não

utilidade económica e social, mas

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agência de viagens, reconhecida para o efeito. Estes objectivos são suportados na ampla requalificação dos equipamentos e na reorganização, bem como domínios do turismo da natureza e religioso entre outros, que se encetarem pela primeira vez. O Desporto amador é outra das áreas fundamentais da Inatel… No plano desportivo, e sem negligenciar as numerosas modalidades em actividade, cito-lhe o exemplo da Taça de Futebol Inatel envolver 308 equipas distribuídas por todo o país. E temos as várias escolas de desporto, caso, entre outras, as dirigidas por profissionais credenciados que vão desde o Professor Moniz Pereira passando pelos ex-atletas Dimas e Hélder. E não esqueço a realização pela primeira vez no nosso país do 1º Campeonato Mundial de Parapente, em Linhares da Beira, ou as iniciativas de todo-o-terreno, torneios de vela, cicloturismo, etc.

infelizmente não tanto conhecida como

simples perceber-se a razão pela qual

grande crise da era da globalização que

devia ser.

me sinto angolano - nunca se renega a

é muito séria mas não nos podemos

Comentador político, várias obras

mãe e Angola foi terra que fez grande

esquecer que fomos nós quem deu

publicadas, quadros e desenhos já

parte do que sou até à adolescência.

novos mundos ao mundo e nesse

expostos. Um cidadão preenchido?

Como esquecer onde estudei, com que

sentido fomos pioneiros da própria

Eu sou um cidadão sempre

brinquei, também o meu primeiro amor

globalização.

inconformado, que não se resigna. Nós

… Como? Também Portugal onde me

Sei que a UE em que nos integrámos

nunca estamos totalmente preenchidos

formei e onde sempre trabalhei. E claro,

corre riscos sérios e nós com ela.

porque todos os dias aprendemos com

a Europa a que Portugal pertence.

Apesar disso, é minha convicção que a

a lição da vida e com o contacto com os

Infelizmente agora sem o rumo que

prazo recriaremos condições para nos

outros. A vida é sempre um percurso

devia ter.

projectarmos de novo na senda do

inacabado.

Que futuro vê para Portugal,

desenvolvimento. Portugal já viveu

Nasceu e viveu a adolescência em

confrontado com uma tão grave crise

períodos da sua História bem mais

Angola. Saudades da terra mãe?

económica e social?

graves, nomeadamente quando perdeu

Vim para Portugal com apenas 17 anos

Acredito muito no povo português que

a independência.

estudar na Faculdade de Direito de

é, de facto, o verdadeiro obreiro da

Levantámo-nos então com grande

Lisboa porque nesse tempo - em 1965 -

grande alma de que somos portadores.

determinação como o iremos fazer

não havia estudos superiores em

Como não acreditar num povo que

enfrentando esta crise. Estou

Angola. Se tenho saudades da terra

construiu a sexta língua mais falada em

esperançado nisso e acredito

onde nasci? Penso nela todos os dias

todo o mundo e cuja diáspora está

sinceramente que assim será. Somos

sem nenhum exagero e costumo dizer

consolidada em todos os continentes de

um grande país e fazemos parte de um

que tenho uma tripla pertença. Sou

forma muito profunda?

grande povo, como a nossa fala comum

português, angolano e europeu. É

É certo que vivemos hoje a primeira

nos diz.n

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Entrevista

Que avaliação faz dos novos programas do Turismo Social? Muito positiva. Sem alterarmos a filosofia que justificou aquilo que é hoje a grande Fundação Inatel, com uma história de 75 anos abrimos novas iniciativas na direcção social que vão desde o Turismo Educativo Júnior, passando pela "Conversa Amiga" ao programa "Sempre em Férias", jamais descurando os chamados programas governamentais, cada vez mais enriquecidos com ofertas adequadas às exigências dos nossos beneficiários. Orgulhamo-nos, por isso, de a Fundação ter sido seleccionada para participar a convite da UE no programa "Calypso" que pretende no futuro dinamizar, em reciprocidade entre os 27 países, o turismo sénior, que muito contribuirá para a superação da própria crise em que a União está mergulhada. É útil a propósito termos presente que no plano interno está cientificamente provado que por cada euro que o Estado aplique no programa do Todos os dias "Turismo Sénior" recebe em volta aprendemos com a três, resultado dos impostos que lição da vida e com o são cobrados. Esta é a conclusão contacto com os do relatório da Universidade de outros. A vida é Aveiro mandado elaborar pela sempre um percurso direcção anterior. inacabado… Considera, pois, ter concretizado as grandes linhas do actual mandato? Apesar da gravidade da crise, esta Administração cumpriu o programa a que se propôs neste mandato. E tal só foi possível mercê da coesão da equipa em que me integro como presidente e mercê da colaboração de todos quantos trabalham na Inatel, uma grande e prestigiada instituição. Por isso mesmo, quando em 2010 se assinalou o 75º aniversário da Inatel não nos poupámos a esforços para divulgar um documentário que encomendámos aos jornalistas Cesário Borga e Fernanda Bizarro, editando também uma obra sobre a História da Inatel que teve profunda difusão pública, escrita pelo Sr. Prof. José Carlos Valente, bem como duas outras uma denominada "Um Estádio na Cidade" sobre o Parque de Jogos 1º de Maio e uma outra, da história das nossas unidades hoteleiras e que se dominou "Inatel 75 Anos - Das Colónias de Férias da FNAT à Rede Hoteleira do Séc. XXI". E não

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posso deixar de relevar os colóquios que quinzenalmente a Fundação Inatel levou a efeito, com inicio em 2009, denominado "Novas Respostas aos Novos Desafios", tendo neles participado as maiores personalidades de referência do nosso país e que se saldaram em êxitos consideráveis. Houve, certamente, dificuldades mais complicadas… As dificuldades mais significativas que o Conselho de Administração encontrou têm a ver com obrigações pecuniárias que são imputadas à Fundação no chamado fundo de pensões que de facto não tem verbas próprias nem rendimentos. Em concreto, em 1995 o governo de então que não integrou os trabalhadores da Inatel na Caixa Geral de Pensões como o fez em relação a trabalhadores de outros institutos públicos garantiulhes em alternativa que o Inatel lhes asseguraria à data da reforma o pagamento do complemento da pensão até ao valor do último vencimento. Só que, quando foi criada a Fundação não se dotou o dito fundo de qualquer valor e os complementos de reforma estão a ser pagos por receitas da própria Fundação. Apesar de mais tarde o governo ter revogado essa portaria todos os trabalhadores admitidos até à data desta têm direito ao dito complemento. O valor hoje pago já é significativo e os estudos actuais demonstram que a prazo as provisões a efectuar dos complementos são muitíssimos avultados. Infelizmente, foram infrutíferas as diligências efectuadas pela Administração para resolver esta situação que é anacrónica e afecta seriamente a gestão financeira da Inatel. Não houve resposta positiva por parte do Governo? O facto de, à data da nossa tomada de posse, o exInatel não ter já sido extinto levou a que a primeira prioridade do inicio do mandato fosse essa, ou seja a realização de todos os procedimentos conducentes à extinção do ex-Instituto, o que só se pôde concretizar a meio do ano seguinte, em 2009, impossibilitando de todo que durante este mandato fosse possível adaptar as actividades e os equipamentos existentes à legislação privada em vigor. No primeiro trimestre de 2010 o governo preparou por isso um diploma para prorrogar o prazo por mais dois anos, fixando ainda a isenção do pagamento de I.R.C. e equiparando a fun-


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dação a uma I.P.S.S. mas na exacta altura em que o Conselho de Ministros o ia aprovar o governo passou a ser de mera gestão, por dissolução da Assembleia da República, inviabilizando-se assim a sua aprovação. Espero sinceramente que o governo que recentemente foi empossado retome esta iniciativa, indispensável para o futuro. Não teme a redução dos apoios públicos? A crise que se despoletou de forma mais intensa em 2009 determinou uma natural quebra no consumo e por efeito dessa quebra também uma menor procura dos bens e serviços ofertados pela Fundação. Este facto conjugado com a diminuição dos apoios públicos impôs maior imaginação para respondermos de forma positiva a estas dificuldades adicionais, quer no controlo dos custos, quer na exploração de novas fontes de rendimento. Testemunho disso mesmo é o resultado do exercício de 2010 com um desvio negativo de pouco mais de 300.000 euros quando se estimava que esse desvio pudesse vir a ser muitíssimo superior, eventualmente quase o décuplo. A auto sustentabilidade é um dos princípios básicos da sua gestão. Considera possível uma total independência financeira da Inatel? A estratégia que foi desenvolvida pela Administração durante este mandato teve sempre a preocupação de reforçar os alicerces da

Fundação Inatel para que esta possa no futuro auto-sustentar-se, sem recurso a fundos públicos. Daí a razão dos objectivos prosseguidos e a que fiz referência na primeira das perguntas que me formulou. É para a Administração claro que a prosseguir-se a estratégia delineada no próximo mandato essa auto-sustentabilidade poderá ser no final dele possível. É aliás útil que tenhamos presente que a comparticipação pública é hoje percentualmente já muito baixa. Esta auto-sustentabilidade é aliás útil a prazo à própria Fundação porque permite tirar todo o potencial do excelente capital humano que tem a Fundação, reforçando-se a lógica empresarial sem qualquer lesão da natureza que uma Fundação integrada na economia social deve ter. Por isso mesmo e como já referi foi feito um planeamento muito rigoroso na formação profissional em geral e na dos quadros em particular, com afectação significativa de verbas orçamentais para este objectivo. Tem havido queixas de associados relativamente aos preços praticados na área hoteleira em comparação com o sector privado… Estamos a atentos a essa realidade e vão ser tomadas as medidas adequadas no sentido de enfrentar essa forte concorrência do sector privado n Eugénio Alves (texto) José Frade (fotos) JUL/AGO 2011 |

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Terra Nossa

Crestuma

Histórias de sucesso à beira-rio Crestuma, nas margens do Douro, é terra natal de gente campeã da Europa e do mundo em canoagem e de um dos pioneiros da fotografia portuguesa. Mas os pergaminhos da freguesia passam também por narrativas antigas e pela comemoração, este mês, dos noventa anos da banda filarmónica. JUL/AGO 2011 |

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Terra Nossa

P

ara desvendar os segredos dos lugares, há que começar por dar voz à etimologia dos topónimos. E nesta Crestuma, freguesia do concelho de Gaia, o nome ter-se-á engendrado há uns bons mil anos. A topografia castreja, uns quantos achados arqueológicos e documentação vária sustentam a tese: o povoado responderia, já no séc. X, pelo nome de "Crastumie", junção de "castro" e "umie", nome do curso de água que ali se junta ao Douro. Outra versão, transcrita em 1874 por Pinho Leal no seu "Portugal antigo e moderno", afiança que o lugar se chamava Castrumire "por o seu castello se mirar nas aguas do Douro, sendo o topónimo Crestuma "uma corrupção de Castrumire". Lugar de antanho, portanto, com remotos pergaminhos, como se confirma: em documento de 1113, anterior à formação do reino, D. Teresa lavra a doação de uma ermida à Sé de Coimbra. E ali, também, terá sido fundado, já no séc. VII, um convento de frades bentos, onde se viria a

Vista geral de Crestuma

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recolher o tal D. Gomado, bispo resignatário do Porto. Vem tal enumeração de factos a talhe de foice para evocar um episódio contado por Pinho Leal. Corria o ano de 922 e estava de visita ao Porto D. Ordonho II, rei de Leão e de outras terras adjacentes, como as que iam do Douro à Galiza. Quis o monarca leonês, dadas as afamadas virtudes de D. Gomado, que o novel asceta se deslocasse ao Porto para com ele conferenciar. Recusou-se o bispo, "sob pretexto de ter feito voto de não tornar a sahir do convento. Então o rei, a rainha e toda a sua côrte se metteram em barcos e foram visitar o santo bispo a Crestumire e fazer oração à sua egreja".

Do sável no espeto ao bolo-rei… A propósito de navegações, a freguesia foi escala certa dos rabelos que desciam o Douro - e, apontamento curioso, era demandada aos domingos por excursionistas vindos das bandas de jusante, do Porto e arredores, talvez pela cénica paisagem


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que ali se formaria (e se forma): uma curva do rio a poente, emoldurada por margens frondosas, a vista do extenso lençol de água para nascente e o recanto da confluência do Uíma e do Douro. E certamente, também, atraídos por um dos exlibris da gastronomia da região, o singular sável assado no espeto. A espécie era abundante nas águas do rio e preparada com uma receita que exigia lenha de vide, preparação muito lenta, depois o tacho abafado dentro de um pano, ainda sobre as brasas, e um molho especial para rematar. E continua a exigir: fórmula tradicional é ainda hoje praticada por um dos mais emblemáticos restaurantes da zona, situado junto à barragem, o já sexagenário "O Freitas". Também de renome - e muito para além das fronteiras da freguesia - é o bolo-rei local, de massa suave e pródigo recheio. A velha padaria Barbosa, onde nasceu a guloseima, continua a laborar, ainda que a casa mãe tenha transferido balcão e demais armas e bagagens para as alturas vizinhas de Seixo Alvo.

Anos de ouro foram, ainda, os da industrialização. A prosperidade industrial começou no final do séc. XIX e marcou a vida da freguesia até aos anos 70 do séc. XX, com predominância do ramo têxtil, a par dos da fundição, serralharia e papel. As crises não pouparam a freguesia, encerrando grandes empresas, como a Companhia de Fiação de Crestuma, que chegou dar trabalho a um milhar de operários, e a Fábrica A. C. da Cunha Morais. Desta última família, e natural da terra, era o pioneiro da fotografia etnográfica em Portugal, o fotógrafo J. A. da Cunha Morais, que andou por terras africanas e publicou, entre outros, o livro "Africa Occidental, Album Photographico e Descriptivo". Cunha Morais, que trabalhou com Emílio Biel, no Porto, chegou a ter um estúdio em Crestuma, onde fabricava o papel que utilizava na sua arte fotográfica, como recorda Barbosa Ribeiro, autor de um breve ensaio monográfico sobre a freguesia. Crestuma, que acolhe no seu perímetro o Centro de Estágio do Futebol Clube do Porto (na JUL/AGO 2011 |

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antiga Quinta da Velha, no limite com a freguesia do Olival), tem ainda muitos outros motivos de orgulho, como são as histórias e sucessos das suas colectividades, da Sociedade Filarmónica, do Clube Náutico e dos Ranchos Folclóricos, um deles com uma muito solicitada Fanfarra de setenta elementos.

Da banda para os conservatórios A Sociedade Filarmónica de Crestuma nasceu em 1 de Julho de 1921 e tem, desde então, marcado presença contínua em festividades e celebrações locais - ou alhures, com os mais variados pretextos, incluindo, obviamente, as romarias e festas religiosas. A actual sede, situada numa rua íngreme, bem característica da topografia de 34

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Crestuma, tem os dias contados. Um projecto de requalificação prevê novas funcionalidades: a nova sede vai integrar, de acordo com José Campos, presidente da colectividade, um pequeno auditório polivalente, a utilizar em concertos, projecções cinematográficas, sessões de poesia, seminários, etc. A componente de formação tem sido muito acarinhada. A história da Banda, que tem cerca de sessenta elementos, regista muitos prémios conquistados por alunos nela formados, em concursos realizados nas escolas de música. José Campos recorda um concurso particularmente memorável, em que o agrupamento "conquistou um primeiro lugar colectivo e os cinco primeiros lugares a nível individual". As boas prestações


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Um lugar no coração Joana Vasconcelos, campeã do mundo em K1 em 2009, em Moscovo, e campeã da Europa em Poznan, no mesmo ano, entre outros títulos, e Joana Sousa, medalha de ouro na Taça do Mundo de Maratonas, em 2000, medalhas de bronze em Halifax (K2) e no Campeonato do Mundo de Maratonas (K4), em 2009, começaram as suas carreiras no Clube Náutico de Crestuma. Integram, agora, as equipas de canoagem do Benfica e do Naval do Funchal e treinam habitualmente numa pista de alta competição, em Montemoro-Velho. Mas volta e meia aparecem em Crestuma para treinar onde fizeram o seu tirocínio de atletas de nível internacional. Para Joana Sousa, o ar livre e a água são os meios em que melhor se sente e

ambiente que foi fundamental para a

quatro anos depois fez-se campeã da

não vê grandes diferenças entre treinar

sua formação.

Europa e do Mundo. Para a atleta, estes

no Douro e numa pista de alta

Joana Vasconcelos ganhou o gosto pelo

regressos periódicos aos treinos no rio

competição: "o que conta é a qualidade

rio com o avô David - barqueiro de Lever

representam um enorme prazer.

do treino e a orientação". Para Joana,

que, diariamente, transportava, à força

Diferenças? Sim, há uma. Joana leva a

que se iniciou na canoagem muito cedo

dos remos, operários para uma fábrica de

mão ao peito e diz: "A diferença está aqui.

ali no Douro, vir treinar a Crestuma

Crestuma - e teve um início de carreira

Crestuma tem um lugar para sempre no

significa, afinal, reencontrar amigos e o

auspicioso: começou aos catorze anos e

meu coração. Foi aqui que comecei". n

dos músicos mantêm-se: "Aqui à volta é a banda que mais músicos fornece aos conservatórios da região". Os protocolos celebrados com estabelecimentos escolares e com os conservatórios constituem práticas privilegiadas - há um acordo com um conservatório no sentido de isentar de propinas os estudantes que obtenham média superior a 16 valores. "E neste momento, ninguém está a pagar propinas! Aliás, muitos dos nossos músicos conseguem notas de 18, 19 ou 20 nas provas de admissão". A actual direcção tem também em preparação "um projecto para cativar as crianças dos bairros mais desfavorecidos, para lhes dar a oportunidade de terem formação musical". O que sobra são dificuldades de ordem finan-

ceira - sobretudo actualmente, quando o discurso da crise fundamenta cortes nos apoios, que se esfumaram desde o ano passado

Glórias fluviais Foi há trinta anos, em Fevereiro de 1981, que o Clube Náutico iniciou uma actividade que traria a Crestuma uma invejável projecção internacional no domínio da canoagem. A actual direcção do clube está apostada em fazer a colectividade "voltar às glórias antigas", procurando mobilizar "uma nova dinâmica e novo sangue para voltarmos a ser o melhor clube nacional", como promete António Carlos, o vice-presidente. "Tivemos onze anos seguidos como campeões e depois isso acabou". Esses anos de glória incluíram a conJUL/AGO 2011 |

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Vista do Clube Náutico. A actual direcção do clube, fundado em 1981, está apostada em fazer a colectividade "voltar às glórias antigas"

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quista de medalhas de ouro, prata e bronze, e a formação de duas das maiores atletas portuguesas da actualidade (ver caixa). Também praticamente desde a sua fundação vem o clube organizando a Maratona Internacional de Crestuma, que é hoje a prova mais antiga no calendário da Federação Internacional de Canoagem. Para o regresso aos pódios, as estratégias do clube desdobram-se por várias frentes: promoção do desporto escolar através de protocolo com a Escola C+S do Olival, acordo com o município de Gaia para a manutenção de uma escola de canoagem de referência para todo o concelho (só 20% dos alunos são de Crestuma), treinos diários ao fim da tarde e uma aposta especial na formação precoce de atletas: "Tínhamos cinco miúdos em Novembro passado e agora temos entre trinta a quarenta cadetes, com menos de 16 anos, a frequentar os treinos". Já haverá alguns resultados positivos, mas a preparação é um processo lento: "Isto não se faz de um momento para o outro, demora quatro anos, e mesmo assim tem que se andar muito bem". Todo este esforço é levado a cabo com técnicos e treinadores que se formaram no

próprio clube e que atingiram, também eles, o estatuto de campeões, como Hugo Guedes (medalha de bronze no Campeonato da Europa de Maratonas) ou João Gomes (campeão da Europa de Maratonas em 1995). A sustentabilidade do clube é outro desafio. O alargamento a actividades como as das aulas de ginástica aeróbica, danças de salão e ballet procura complementar as receitas, que se apresentam magras apenas com as quotas dos associados. O esforço tenta responder à quebra de apoio por parte da Câmara Municipal de Gaia - que em 2005 havia contribuído generosamente para construção das actuais instalações. Retoma-se o mesmo reparo de tantas outras colectividades que vivem do voluntarismo dos seus activistas e na corda bamba de um funambulismo financeiro. Sinal dos tempos e de novos discursos que imputam diferentes responsabilidades aos poderes públicos: "Durante alguns anos tivemos o apoio da Câmara. Este ano foi-nos transmitido que não haveria qualquer apoio financeiro. Contamos apenas com o apoio da Gaianima para a manutenção de uma treinadora". n Humberto Lopes (texto e fotos)


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Viagens

X a n g a i

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"Frenética e carismática, moderna mas tradicional, Xangai é a cidade com mais arranhacéus na China. Com um passado glorioso e uma época de decadência, vive nos últimos anos uma explosão económica e industrial. Um património histórico muito rico, bons restaurantes, lojas e hotéis, fazem desta cidade um dos destinos turísticos do momento."

A Nova I


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a Iorque chinesa JUL/AGO 2011 |

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Viagens

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hegar a Xangai de avião é já por si uma aventura. A ligação do aeroporto ao centro da cidade é feita pelo "comboio-bala", assim alcunhado por ser dos mais velozes do mundo. O trajecto de 30 quilómetros é percorrido a uma velocidade de 400 quilómetros por hora. Inaugurado em 2002, este comboio é actualmente um dos símbolos daquela que é considerada uma das cidades com um maior desenvolvimento económico no mundo. Situada nas margens do rio Huangpu, no litoral leste da China, Xangai é neste momento a maior cidade do país - já tem 20 milhões de habitantes - e aquela que mais tem vindo a crescer nos últimos anos. Não só do ponto de vista económico e industrial como também em altura. Dividida pelo rio, numa margem da cidade fica a parte antiga, do outro lado a parte nova, Pudong, de seu nome. Antiga zona pobre da cida-

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de, desde 1990 que tem vindo a transformar-se num horizonte de arranha-céus espelhados. Bairro de barracas e bordéis, tornou-se em apenas 20 anos, um dos sítios a nível mundial com os mais altos edifícios. O ritmo da construção é tal que estão aqui concentrados um terço dos maiores guindastes do mundo. Da margem Sul do rio, Pudong faz, hoje, lembrar Manhattan. A Torre da Televisão "Pérola do Oriente", com 457 metros de altura, é um dos arranha-céus que oferece vistas estupendas sobre a cidade. Já à noite, imbatível é o Cloud 9, o bar do hotel Park Hyatt. Fica no 87 º andar e oferece uma vista de 380 graus sobre a cidade. É o bar mais alto do mundo. Também em Pudong, vale a pena visitar o Museu de História de Xangai, com uma colecção de mais de 120 mil peças, entre as quais algumas das maiores relíquias culturais desde o Neolítico chinês até à dinastia Qing. Na margem oposta do rio Huangpu, ficam duas das principais zonas da cidade, a Cidade


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Velha com as suas ruas estreitas, tipicamente chinesas, e a zona das Concessões. Até 1842, Xangai era uma cidade insignificante, foi só após a sua abertura ao comércio livre que começou a atrair as economias estrangeiras. Em pouco tempo tornou se a cidade mais cosmopolita da China, com milhares de residentes de diferentes nacionalidades. O território foi dividido em Concessões, e, nacionais e estrangeiros passaram a viver em versões tamanho miniatura de Inglaterra, França, Estados Unidos, Japão. Foram os anos áureos da cidade, de que ainda hoje é memória o The Bund, a grande avenida marginal, com os seus históricos edifícios coloniais. Autêntico passeio público, é aqui que se encontram alguns dos marcos mais emblemáticos da cidade, como o Peace Hotel, o edifício da Alfândega ou o Banco de Hong Kong e Xangai. Este último, construído em 1921, ficou conhecido na altura como o edifício mais elegante da Ásia. Em 1949, altura em os comunistas conquistaram a cidade, Xangai era o terceiro maior centro

financeiro do mundo. Uma cidade rica e boémia, trabalhadora mas também muito hedonista, onde a moda, o sexo, o jogo e ópio se combinavam numa mistura explosiva. A cidade começou, entretanto, a ressurgir após 1990, altura em que adquiriu o estatuto de Zona Económica Especial. Hoje o seu ritmo é frenético. Nas duas principais avenidas de comércio que atravessam a cidade, é fácil ser se levado em braços pela multidão. Entre ambas, a Huaiha Lu é a artéria mais chique. Localizada na zona da Concessão Francesa, tem lojas das principais cadeias de luxo como a Luís Vuitton, a Tiffany, a Hugo Boss. É aqui que fica também o Xintiandi, um pequeno bairro de ruas pedonais e casas antigas transformadas em bares e restaurantes. É um dos centros mais agitados da vida nocturna da cidade e nas noites de Verão, as esplanadas ficam até altas horas da noite apinhadas de turistas, locais e expatriados. JUL/AGO 2011 |

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Viagens

Guia COMO IR

a cidade. Duplo a partir de 300 euros.

A Turkish Airlines tem voos a partir de

http://shanghai.park.hyatt.com

Lisboa com destino a Xangai a partir de 750 euros já com taxas. Faz uma escala

ONDE COMER

em Istambul.

No M on The Bund. Fica no topo de um dos edifícios do The Bund, com vista para

ONDE FICAR

Pundong. Se for à noite, reserve uma mesa

No Park Hyatt, em Pudong, no centro

para jantar no terraço, a vista é deslum-

financeiro de Xangai. Os quartos ficam

brante. E a cozinha também. Da autoria de

entre os pisos 79 e 93, fazendo deste o

Michelle Garnaut, mistura sabores

hotel a maior altitude no mundo. Tem

europeus e asiáticos num resultado final

uma vista fantástica de 360 graus sobre

único. Preço médio por refeição: 60 euros.

Nanjing Lu, a outra rua de comércio da cidade, tem dez quilómetros de comprimento e vários troços pedonais. Mais de 500 mil pessoas passeiam por aqui diariamente. "Ver montras" é um hobbie nacional. Cuidado nos cruzamentos, entre a multidão, as motas, os carros, as bicicletas e os riquexós, a confusão é muita, principalmente para alguém acabado de chegar do ocidente. Ao fundo o Parque do Povo e a Praça do Povo são o ponto de encontro de locais que aqui vêm conversar, fazer exercício, passear. No canto noroeste da Praça está o novo Grande Teatro de Xangai, construído quase integralmente em vidro. Outra atracção no parque é o Museu de Arte Contemporânea, um edifício em forma de caixa

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de vidro. Tem dois pisos de exposições temporárias de pintura e design. Junto ao rio, a Cidade Velha é outra parte da cidade que merece uma visita. Em oposição aos edifícios coloniais do The Bund e dos arranha-céus de Pudong, aqui as ruas são estreitas e os edifícios antigos têm estilo oriental. Há um bazar repleto de lojas a vender de tudo, desde "souvenirs" a remédios tradicionais. Os preços são inflacionados mas o regateio mais que permitido, é obrigatório. É melhor ir cedo pois este mercado costuma ser bastante concorrido, principalmente aos finsde-semana. Em redor do lago há muitos restaurantes com comida típica chinesa, como os bolinhos recheados. No meio do lago há a casa de chá Huxingting, um bonito pavilhão chinês construído em 1748. Na Cidade Velha ficam também os jardins Yu criados em 1559, tempo da dinastia Ming. São muito bonitos e tranquilos e um óptimo sítio para relaxar depois de umas horas a negociar preços no bazar. Os jardins estão divididos em seis espaços diferentes e têm um Jardim de Rochas, conhecido como um dos mais belos da época Ming, e um Templo do Deus da Cidade, também datado da mesma era. Jardins paradisíacos, ruas pejadas de multidões, avenidas de lojas a perder de vista, arranha-céus a rasar as nuvens, mercados de rua a vender de tudo o que se possa imaginar, prédios da era colonial e muita gente de várias raças e credos. É assim Xangai, uma cidade mais do que da China, do mundo. n Catarina Serra Lopes (texto e fotos)


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Tempo Global

Uma mongol em Lisboa Unurjargal Tsegmid trocou as terras frias e montanhosas da Ásia pelo calor luso há sete anos. Apesar de integrada em Portugal, não esquece as suas raízes e criou uma associação para aproximar a Mongólia do nosso país.

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em os olhos rasgados, feições orientais, fala uma língua que poucos conhecem e chegou a Portugal há sete anos. Não, esta não é a história de mais uma emigrante chinesa que veio para terras lusas montar uma loja daquelas onde se vende tudo e mais alguma coisa a preços de pôr os olhos em bico. Unurjargal Tsegmid, de 24 anos, deixou o seu país para prosseguir a sua formação e é hoje uma estudante de mestrado em Gestão, na Universidade Católica de Lisboa. Nasceu numa terra de nómadas, perdida nas montanhas da Ásia, mas onde, segundo a própria, existem afinidades com Portugal. "Sou da Mongólia. Escolhi Portugal porque achei que havia semelhanças com o meu país. Historicamente, Portugal era o grande conquistador do mar e nós éramos 44

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conquistadores no terreno. E eu pensei: 'Por que é que eu também não sou pioneira?' Queria descobrir outro sítio onde ninguém da minha terra tivesse ido", diz Unurjargal à Tempo Livre. Hoje, a comunidade mongol conta com cerca de 30 pessoas em todo o país, apenas apoiadas pelo cônsul honorário José Serrão. "Somos nómadas em Portugal", conta, sublinhando que se juntam regularmente para festas onde falam a sua língua, cantam as músicas tradicionais e recordam as "coisas boas" do seu país. A adaptação à língua de Camões não foi fácil, uma vez que na Mongólia é utilizado o alfabeto cirílico, fruto da ocupação soviética durante décadas. "Sem a língua não há comunicação, por isso tive de fazer um curso", revela, num português fluente e praticamente sem falhas. Mas mais do que a língua, houve toda uma nova realidade


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para absorver na chegada a Portugal, que aconteceu em 2004, durante a euforia do Europeu de futebol e à qual se mostrou completamente indiferente. "Nós gostamos mais de desportos de luta, como sumo ou boxe", explica. Do budismo mongol ao catolicismo português, da "canção arrastada" do Urtiin Duu ao fado e das paisagens inóspitas da sua terra às praias lusas que já a cativaram, foi no contacto com os portugueses que sentiu as maiores diferenças. "Vocês são pessoas mais abertas, faladoras e simpáticas. É diferente, porque nós somos mais fechados. Mas depois de quebrar o gelo também somos afáveis", garante, acrescentando: "O que gosto mais nos portugueses é que valorizam a qualidade de vida acima de tudo". Rendida ainda ao clima e à gastronomia, Unurjargal não esconde o olhar positivo sobre um país dado à melancolia e à lamentação. "Em relação à Mongólia, Portugal é uma grande potência e um grande país, onde eu posso aprender muitas coisas", afirma, orgulhosa da sua mescla cultural. "Gosto de manter as duas culturas em mim. Tenho muito orgulho no meu país e na minha origem e nunca quereria perder a minha identidade como mongol, mas gosto muito de Portugal e é claro que estou afeiçoada aos hábitos portugueses". Em sete anos a viver em Portugal, só voltou à sua terra Natal uma vez, em 2009. Os custos da viagem também não ajudaram. "Quase me senti uma estrangeira na Mongólia. Estive lá um mês e nas primeiras duas semanas senti-me algo perdida", confessa. Porém, nem tudo mudou na vida desta jovem, que continua a estudar, ir ao cinema e a sair à noite com os amigos… tal como fazia na Mongólia. E porque a tradição ainda é o que era, Unurjargal continua a seguir alguns rituais mongóis em solo nacional. "Temos as nossas grandes festas e em Fevereiro celebramos a chegada do novo ano, conforme o calendário chinês", refere. Ciente de que a Mongólia é praticamente desconhecida para os portugueses, onde o conquistador Genghis Khan continua a ser o mongol mais conhecido desde o séc. XIII,

esta jovem sente que tem a missão de dar a conhecer a sua terra, cultura e tradições. Nesse sentido, criou a Associação de Amizade Portugal-Mongólia, que no dia 2 de Julho verá finalmente a luz do dia, com uma festa em Belém. Uma tenda tradicional mongol - conhecida por Ger ou Yurt - será à partida o cenário para um convívio onde estarão diversos produtos do seu país, como caxemira, peles e bens alimentares, como o buuz, uma espécie de crepe recheado com carne. "Há muitos portugueses que estão interessados em conhecer o meu país e eu sentia que tinha de fazer algo. Queria também estabelecer um intercâmbio empresarial,

com a exportação de produtos portugueses, como o vinho e a cortiça", diz a futura autora de um guia de conversação português-mongol. "É para os turistas que queiram conhecer a Mongólia. Espero tê-lo pronto brevemente", esclarece, salientando que no Verão a capital Ulaanbaatar se enche de turistas ocidentais. Há um provérbio mongol que diz que "um homem falha sete vezes e levanta-se oito vezes". Outrora grandiosa, a Mongólia tenta hoje sair da obscuridade. Unurjargal não sabe ainda se um dia voltará a viver na sua pátria, mas tem a certeza de querer ajudar a reerguer a nação. "Esperar que o país fique melhor para eu voltar é um pensamento egoísta. Tenho de fazer parte desse crescimento. Agora estou a fazer essa promoção da minha terra e julgo que isso já ajuda um pouco". n HMC JUL/AGO 2011 |

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Desporto Inatel

Brenha ainda mexe! Campeão de Vólei vence torneio INATEL Lembram-se dele? Do João Brenha? Dele e do inseparável parceiro Miguel Maia? Aquele 4º lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), em vólei de praia, tirou-os definitivamente do anonimato. E, contudo, o Brenha, pois é dele que nos propomos falar, já era nome respeitado na modalidade de pavilhão.

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inha começado na Académica de Espinho, prosseguira no Castelo da Maia, terminando no Sporting de Espinho, claro - que foi sempre uma cidade virada para o vólei, que ele, cedo, se habituou a venerar. Falar do currículo do João até cansa: 10 vezes campeão nacional, oito taças de Portugal, quatro supertaças e uma Taça das Taças europeia, para além Nas Olimpíadas de Atenas

das 99 vezes em que foi chamado à selecção. É obra! Mas se não fosse a vertente Praia, poucos lhe reconheceriam o mérito ou, sequer, a figura. A Praia e os Jogos Olímpicos, nos quais ao tal quarto lugar nos EUA João Brenha lhe juntou outro quarto posto em Sidney-2000 e uma nona posição em Atenas-04. Um verdadeiro campeão que, agora, dá nas vistas nas competições da Fundação Inatel, com a sua equipa de "Os Mochos" (de Espinho, para não variar), que acaba de se sagrar de novo campeã nacional, após concludente triunfo sobre a Casa de Pessoal dos Serviços do IVA, de Lisboa, (ver caixa), na final disputada em Viseu.

Grato à Inatel Com 42 anos, João Brenha é um exemplo para os mais novos e, no fundo, para todos aqueles que fazem do Desporto um modo (saudável) de estar na vida. É ele quem nos conta: - Estou muito agradecido à Inatel pelo facto de me ter possibilitado continuar ligado ao voleibol. Quando surgiu o volei de praia, tive de estabelecer prioridades, tal a intensa actividade com que me confrontava, e, nessa altura, vi-me forçado a abandonar a selecção. Tinha 26 anos. E nos clubes ainda prolonguei por mais 13 anos o meu vínculo à modalidade ao mais alto nível, o que, se não é recorde, anda lá perto. Mas esta continuidade, agora no âmbito da 46

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Inatel, prova que, afinal, não estava ainda acabado... Claro que não, nem eu queria acabar sequer. Só que eles não me quiseram. Eles, quem? O Sporting de Espinho entendeu prescindir dos meus serviços e eu só tenho de respeitar essa decisão. Tinha 39 anos e repartia a actividade com o volei de praia. Algo que podia tornar-se inconciliável. Eu sempre achei que não, mas não levei a mal que houvesse quem não fosse da mesma opinião. Perante isto, virei a agulha, há uns três anos, para outras aventuras. A aventura da Fundação Inatel, através da tal equipa de "Os Mochos". Que história é essa e porquê semelhante nome? É uma história que vai já para cima de 20 anos. Em 1990, os antigos jogadores da Académica de Espinho, que entretanto deixou o escalão maior, entenderam juntar-se para constituir um novo colectivo de características totalmente amadoras, claro, do qual eu até sou um dos sócios-fundadores. Porquê Mochos? Porque a sede do clube estava situada no Lugar do Mocho, em Espinho. Nada mais simples! Agora que não é apenas sócio-fundador e tem uma acção muito mais efectiva no grupo, como é que as coisas têm funcionado? Muito bem, com muito empenho e carolice, como se calcula. Todos têm a sua vida organizada, as suas ocupações profissionais. Há de tudo, desde médicos a informáticos, eu sou o único licenciado na área desportiva, embora, com a saturação do mercado de trabalho, esteja por ora inactivo. Uma situação que espero em breve resolver. As despesas são divididas entre nós e contamos com o apoio da Câmara Municipal de Espinho, que nos cede gratuitamente as instalações para jogos e treinos. Alguns subsídios especiais por parte da Fundação Inatel também têm ajudado, se bem que essa colaboração já tenha conhecido melhores dias. Menos apoios? Bem vê, a crise geral tem obrigado a algum retraímento e o apoio financeiro para as grandes deslocações ou outras acções mais onerosas, que, anteriormente, era total foi ligeiramente reduzido. E nós, nos Mochos, nem sempre estamos em condições de reunir o dinheiro em falta. Sobretudo quando se trata de grandes encargos,

como foi o caso da recente deslocação aos Jogos Mundiais na Estónia, em que não pudemos estar presentes. Por falar em dinheiros, referiu-se à sua situação de desemprego, mas também na participação nas despesas, escassas que sejam. Não há aí alguma contradição? Bem, ainda não estou numa situação desesperada (risos). Os diversos circuitos de volei de praia têm contribuído satisfatoriamente para o equilíbrio do orçamento familiar e vai dando para estes episódios a nível interno. Mais é que é já difícil.

João Brenha com a taça Inatel

Dos palcos olímpicos aos pavilhões da Inatel. Sempre com a mesma disponibilidade, a mesma eficácia, a mesma fibra de campeão. Principal responsável por mais um êxito da sua equipa (foi eleito o melhor jogador do torneio), Brenha não esquece igualmente o título de campeão do Mundo de Desporto para Trabalhadores alcançado em 2008, em Itália, principal galardão até agora conseguido. “Apesar de alguns naturais condicionalismos no apoio às nossas participações, estamos gratos à Fundação Inatel por todas as alegrias que nos tem proporcionado. E não falo só dos triunfos, mas, em especial, do saudável convívio que resulta destes encontros. É uma festa que faço questão de não dispensar.” n Rui Tovar JUL/AGO 2011 |

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Desporto Inatel

Associação de Perre

Um Vólei-caso muito sério A ASSOCIAÇÃO Desportiva e Cultural de Perre (Viana do Castelo) revalidou o título nacional da Liga de Voleibol Feminino da Fundação Inatel, impondo-se ao CCD PT, com quem vem mantendo, desde há algum tempo, animado duelo. A sua jogadora Cristina Lomba foi distinguida como a melhor da fase final da competição. Com 42 anos e três filhos, todo eles virados para o Desporto (as duas gémeas no volei e ginástica, o rapaz no futebol e hóquei em patins), a Cristina, que tem Ana como primeiro nome, segue, afinal, as pisadas do marido, Pedro Neto, também ele com passado no Desporto digno de registo, foi praticante de hóquei em patins do primeiro escalão, no Infante de Sagres e na Juventude de Viana, além de ter jogado na selecção angolana. Apesar da pluralidade de modalidades lá em casa, Cristina manteve-se fiel ao seu voleibol de

Cristina Lomba e, em baixo, Letícia Cruz (com bola, a servir)

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sempre. Fez parte da equipa do Volei Clube de Viana, da 2ª divisão, e agora compete na ACD de Perre com o mesmo entusiasmo de outros tempos, apesar da sua condição de funcionária bancária não lhe permitir a disponibilidade desejada. Mas com boa vontade e o bom ambiente que se respira no grupo consegue-se milagres. O próprio clube também não fica atrás em matéria de militância e, com a ajuda dos sóciospagantes, que ainda são largas dezenas, fica garantido o dinheiro para a gasolina, afinal o principal óbice a enfrentar, dado o razoável número de jogos e treinos (muitas vezes no mesmo dia para...poupar!) a obrigar a deslocações constantes, para as quais a carrinha da agremiação é companheira obrigatória. " O maior problema foi agora a viagem à Estónia para os Jogos Mundiais. O Inatel avançou com 80 por cento das despesas e o resto foi coberto pelo clube, patrocínios locais e ainda 100 euros por cada atleta", confidenciou-nos Rui Parente, dirigente da secção de volei do Perre. "Mas pelo retorno a vários níveis, valeu a pena o esforço", concluiu. Outro exemplo de entrega ao clube e à modalidade é o de Letícia Cruz, médica -anestesista, que começou por ser internacional nos escalões de formação, mantendo esse estatuto já como sénior, depois de experiências no Volei Clube de Viana e nos mais exigentes Esmoriz, Famalicão e Gueifães. É com muito entusiasmo que conjuga a sua vida profissional com a de voleibolista do Perre, ainda para mais quando, ao prazer da actividade, lhe junta os sucessivos êxitos que dela decorrem. E com apenas 28 anos de idade, Letícia vem também desmentir aquela ideia já feita de que a prática desportiva ali é destinada "só a velhos". A par dos veteranos, que sempre os houve e é mister manter, a juventude marca também presença efectiva nestas andanças. Porque o Desporto da Fundação Inatel está aberto a todas as idades, com os resultados, no âmbito desportivo e social, que estão à vista.n RT


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Futebol

Almoster levou a Taça A EQUIPA da Associação Recreativa e Cultural da Freguesia de Almoster (Santarém) foi a vencedora da Taça Fundação Inatel em futebol, ao bater na final, disputada no Estádio Municipal de Oeiras, o Centro Cultural Desportivo de Nadais (Aveiro), por 4-3, no desempate por pontapés da marca de grande penalidade, depois da igualdade (1-1) que se verificava no final do tempo regulamentar. A formação de Almoster, que já se tinha sagrado campeã distrital, numa memorável final com o Benfica do Ribatejo, voltou a denunciar razoáveis recursos técnicos que lhe permitiram de início maior disponibilidade ofensiva. E de tal maneira que viria a beneficiar até de uma grande penalidade, logo aos quatro minutos, que Anilton Silva, contudo, não soube aproveitar. Já o Nadais, fazendo uso de grande determinação e de uma fogosidade aqui e ali exagerada, especialmente por parte das suas linhas mais recuadas, nunca se deixou impressionar, conseguindo rectificar processos e terminar o primeiro período em plano de igualdade com o seu adversário. O nulo ao intervalo acabava, assim, por reflectir o equilíbrio então vigente. Na 2ª parte, o Nadais foi o primeiro conjunto a dar mostras de maior inconformismo, ao enveredar por duas substituições que lhe permitiram consolidar o ataque, a que o Almoster respondeu com a entrada do dianteiro José Fernandes. O jogo tornou-se então mais aberto e não surpreendeu que surgissem os golos. Primeiro, para o Nadais, por Diogo Pinho, depois para a equipa de Santarém, através precisamente do reforço acabado de entrar. Um empate que subsistiria até final, pelo que houve necessidade de se recorrer à lotaria dos "penalties", que acabaria por sorrir ao Almoster (4-3), que, desta forma, levou a Taça. No plano disciplinar é que ninguém mereceu tal troféu. O final deixou muito a desejar, com três expulsões, duas delas já após o jogo terminado. Foi o culminar de uma campanha nacional intensa que envolveu, na fase final, 16 equipas

em representação dos 13 distritos participantes, num total de 15 jogos que preencheram, final à parte, todo o mês de Maio. Santarém, Lisboa e Beja tiveram direito a apurar duas equipas para esta maratona e a nota mais insólita foi fornecida pela equipa do FC Biqueiras de Aço (Lisboa), onde jogam Sá Pinto, Chaínho e outras figuras ilustres, que não compareceu a um jogo de qualificação. À mesma hora, havia um outro, na TV, da Liga dos Campeões… Para a História, aqui ficam os nomes dos artistas da final da Taça 2010-11: ALMOSTER: Rui Marques; Benvindo Borges, Adilson Nascimento, Anilton Siva e Éder Lopes; Wilson Martins (José Fernandes, 60 m), Vítor Neves, Heldemar Rodrigues (Dario Inácio, 75 m) e Castillo Sousa; Alceu Delgado (Diolindo Santos, 75 m) e Nuno Monteiro. NADAIS: Fernando Cardoso; Bruno Ferreira, Vítor Sousa e Hélder Santos; Rui Rodrigues (Roberto Rosário, 50 m), Luis Santos (Marco Mota, 72 m), André Silva e Miguel Castro (Marco Santos, 56 m); Vítor Amorim (Edgar Vieira, 68 m), Vítor Pinho e Diogo Pinho Apesar das dificuldades levantadas por jogadores e adeptos, sobretudo afectos ao Nadais, António Oliveira Costa, o árbitro, dirigiu com total acerto.n RT JUL/AGO 2011 |

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Desporto Inatel

Campeões Inatel No Andebol, o novo campeão nacional é o CCD CSPD Sobralinho (Lisboa), vencedor da final com o CCD Coopermaia (Porto) por 20-15. João Lopes foi considerado o melhor jogador do torneio. No Basquetebol masculino triunfou o CCD Fidelidade/Bonança (Lisboa) que bateu, na final, o CCD S.Sociais CGD (Lisboa) por 64-43. Melhor jogador: Delfim Rodrigues. No torneio feminino, o título coube ao CCD Esc. da Amadora, frente ao CCD Banco de Portugal. Resultado 32-25. Rita Cunha foi considerada a melhor jogadora. O CCD A. A. da Cortelha (Faro) é o campeão de Futsal ao vencer o CCD Bila Bikers (Vila Real) por 2-1. No Voleibol masculino, a equipa do CCD "Os Mochos" (Aveiro) revalidou o título frente ao CCD Serviços IVA (Lisboa) por 3-0. João Brenha foi considerado o melhor jogador do torneio. O CCD ADC Perre (Viana do Castelo) triunfou no Vólei feminino frente ao CCD Clube PT(Lisboa), por 3-1. Campeão de Futebol: CCD Almoster (Santarém), que venceu na final o CCD Nadais (Aveiro) por 5-4, Melhor jogador: Benvindo Borges. Melhor Guarda-Redes: Fernando Cardoso

Luís Grosso, director do Desporto da Inatel, entrega a taça aos vencedores do campeonato de Futebol, o CCD Almoster (Santarém). Em baixo, a equipa vencedora do Vólei feminino, CCD ADC Perre (Viana do Castelo)

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Arte

A beleza e a facilidade da pintura Naïf Um desafio aos leitores da “Tempo Livre”

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á mais de 30 anos que a Galeria de Arte do Casino Estoril começou a divulgar a pintura naïf, que como muitos dizem não é a pintura de quem não sabe pintar, mas é a pintura dos que pintam como sabem, muitas vezes com erros de perspetiva, por exemplo, uma abelha do tamanho de um pássaro ou uma ovelha do tamanho de uma vaca. Se os exemplos apontados são erros para quem sabe pintar, para quem pratica a pintura naïf, já não o são. São características de tal modalidade pictórica. E quais sãos as características da Pintura Naïf? São várias. Duas das quais muito importantes. A primeira é a ingenuidade. Parecer que é pintura feita por crianças. A segunda, é pintar tudo com muito pormenor, mas sem regras técni-

Nesta página, uma pintura de J.B. Durão

cas. Quando se iniciam, os pintores naïfs utilizam sempre as cores primárias e não cores complementares, feitas da junção de várias cores, que só são usadas, quando os artistas já têm bastante prática. Em regra, o pintor naïf pinta o que vê à sua volta. Muitos autores que actualmente praticam este género de pintura, começam a fazê-lo, já depois da reforma, aos 60, 70 e mais anos. A Galeria de Arte do Casino Estoril está a organizar a 31ª edição do Salão Internacional de pintura Naïf, a apresentar em Agosto e faz um desafio aos leitores da revista “Tempo Livre”, que sejam sócios da Fundação INATEL para participar nesta exposição colectiva, obviamente se os seus trabalhos se inserirem neste tipo de pintura, estando reservadas dez participações, podendo cada um desses artistas escolhidos participar


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Arte

com dois trabalhos, que devem ser de dimensões médias, não mais de 100 x 100 centímetros de mancha. Querem saber como começaram alguns dos pintores portugueses naïfs? Albino Moreira, que era da Maia, barbeiro e electricista de profissão e que morreu aos 99 anos, pintava nas horas vagas, apenas porque gostava muito de pintar. Manuel Carvalho, que era empregado de escritório, um dia, já depois da reforma, lembrou-se de pintar a portinhola da caixa do contador de electricidade de sua casa e um amigo que viu e gostou, incentivou-o a pintar mais e ele chegou a ser um grande pintor naïf. Augusto Pinheiro, de Niza, exportava frutos secos, começou a pintar aos 70 anos e é um dos nossos melhores pintores. José Maria, de S. João de Rei, Póvoa de Lanhoso é pastor de profissão e só pinta à noite, quando recolhe o rebanho das suas 150 cabrinhas. Ivone Carvalho era mulher de Manuel Carvalho e dona de casa, começou a pintar às escondidas, com medo de que o marido não gostasse... Maria de Jesus era empregada de limpeza de uma fábrica de cerâmica e um dia, o Manuel Cargaleiro deu-

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Em cima, um trabalho de Augusto Pinheiro e, eem baixo, quadro de Albino José Moreira

lhe uns azulejos em branco, que ela pintou, assim tendo começado. Maria Antónia Gomes era cabeleireira, e começou a pintar com os restos dos vernizes de arranjar as unhas das suas clientes. Manuel Castro, um dos nossos melhores pintores, explorava uma tabacaria de um hotel do Algarve e os turistas pediam-lhe aqueles pequenos azulejos com motivos portugueses. Ele nunca tinha pintado; começou a fazê-lo, sendo hoje um dos nossos melhores pintores, até de nível mundial. Os pintores naïf pintam sempre a óleo ou acrílico em tela ou placas finas de madeira e nunca com aguarela, que não se adequa a tal tipo de pintura e é muito difícil para pintores principiantes. No próximo número desta revista daremos conta de mais dados sobre esta iniciativa e de mais exemplos de como outros pintores naifs portugueses se iniciaram nessa pintura, que tão grande encanto tem, havendo cada vez mais pessoas que a apreciam. Coloco-me desde já à vossa disposição para qualquer esclarecimento, podendo fazê-lo através da Redacção da revista, “Tempo Livre”. n Nuno Lima de Carvalho (Director da Galeria de Arte do Casino do Estoril)


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Memória

Vasco Santana, o Rei da Comédia Roubei, propositadamente, este título ao Jorge Leitão Ramos porque não encontrei outro melhor para definir o actor Vasco Santana.

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«Rei da Comédia», que, por sinal, conheci nos tempos em que não havia classificação para os espectáculos e uma criança como eu ia alegremente ao Parque Mayer ver o teatro que ali se fazia. O público ria com as pilhérias do palco e eu, sem perceber parte do que ouvia, ria também. E, no fim da revista, ia com os tios ao camarim do Vasco onde as gargalhadas continuavam com o «Rei da Comédia». Era assim com «Alto lá com o Charuto» ou com o «Baile de Máscaras».

Amava as mulheres Vasco Santana nem precisava de falar porque assim que entrava no palco o público já ria e batia palmas. Muito teatro, muito cinema, alguma rádio, o actor que morreu no Verão de 1958 foi, como disse o seu grande amigo Artur Semedo, um pinga amor, amando perdidamente as mulheres e não perdendo uma boa cavaqueira ou uns petiscos com os amigos. Era, além do actor, um homem que amava a vida e não perdia uma ocasião para o provar. Dizem os seus biógrafos que Vasco, embora nascido numa família com ligações ao teatro, orientara os estudos para as Belas Artes e foi, afinal, por uma circunstância banal (a doença do compère da revista «O Beijo») que acabou por ser o fabuloso actor que todos conhecemos. Convidado a substituir o actor que fazia as ligações da peça, aceitou e foi desde logo um êxito. Claro que as Belas Artes ficaram no tinteiro e Vasco Santana, com 19 anos apenas, acabara de se lançar numa carreira fabulosa. 56

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Direito a hino A «boutade» exagerada tinha que vir do espírito delirante de um dos grandes amigos de Vasco Santana: Artur Semedo. Quando Vasco morreu, num dia de Santo António, o actor e realizador que trabalhou bastante com ele, escreveu um belíssimo e sentido retrato de Santana. Hiperbólico, como sempre, Artur Semedo imaginou o morto a encaminhar-se para o cemitério agradecendo os aplausos e a dizer: «Vou-me enterrar, meninos! Morri! Vou desta p’ra melhor! Adeus, palco da vida!» É ainda Artur Semedo quem conta uma pequena história: «um pobre alentejano contou os tostões e veio a Lisboa realizar o seu sonho: ver representar o Vasco Santana. E viu. Esperou-o à saída do teatro e avançou determinado quando a sua realidade apareceu. O diálogo foi curto: «tome lá cinco escudos para beber uma cerveja!» e o Vasco, enleado em tão sincero aplauso, aceitou e murmurou um obrigado de nó na garganta. Encontrara naquela moeda o seu «graal». Além do teatro de revista, Vasco fez muita opereta («O Solar dos Barrigas», «A Morgadinha de Val Flor», «Coração de Alfama», etc) e em tudo foi um actor fabuloso. Fins de anos 40, Vasco decide criar a sua própria Companhia de Comédias que levaria à cena grandes êxitos como «Quem manda são elas», «O Conde Barão» ou «O Domador de Sogras». É também, por esta altura que a Emissora Nacional apresenta: «Vasco Santana, o Zequinha e Irene Velez, a Lélé – as vitaminas da alegria». Mas disso falaremos mais adiante.

O «Rei da Comédia» na Televisão Foi a Televisão que apresentou Vasco Santana aos públicos deste tempo. Os seus filmes, transmitidos regularmente na RTP, deram a conhecer o grande actor que ele era e por isso mesmo não estranha-


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mos ouvir gente nova a repetir «Ó Evaristo, tens cá disto?» ou galhofando com o «esternocleidomastoideu» quando a Televisão resolve apresentar um dos filmes em que Vasco Santana foi o maior. O estudante de Medicina relapso de «A Canção de Lisboa», o bêbado crónico que fala com o candeeiro de rua no regresso a casa de «O Pátio das Cantigas», o tio africano de «O Costa d’África» são figuras de antologia na comédia portuguesa. Mas Vasco era também capaz de outro registo como o seu «Joaquim Marujo» do filme «Fado, história de uma cantadeira». Dirão os críticos mais esclarecidos que este tipo de cinema era para entreter as massas e não as deixar pensar. História simples com cenas a puxar à lágrima, com cantiguinhas na boca e amor no coração, e, se possível, mangericos e balões, pessoal honrado e trabalhador, final feliz, eis o cinema dos anos quarenta que ainda hoje anima tardes e noites de Televisão. Assim seja. Mas do que falamos quando falamos de Vasco Santana? Falamos de um enorme actor que pedia meças a qualquer outro vindo da estranja. Certa estava a quadra que alguém escreveu numa das paredes do camarim do Vasco: Vasco da Gama foi grande // Sua barba foi falada // Mas Vasco Santana é grande // Mesmo sem barba, sem nada.

Vasco Santana, o Zequinha, Irene Velez, a Lélé Quando a Emissora Nacional resolveu transmitir uma série humorística com duas figuras que se tornariam tão populares como as novelas do Tide, (a marca de detergente para a roupa que patrocinou um dos maiores êxitos radiofónicos que ficou conhecido como o «folhetim da coxinha») os autores, Nelson de Barros e Aníbal Nazaré, foram buscar Vasco Santana e Irene Velez que ficariam para sempre crismados de Zequinha e Lélé. Os diálogos entre os dois actores eram de gargalhada e, de vez em quando, juntava-se-lhes uma sogra (Elvira Velez) que ficou conhecida por «aquela santa». As piadas entre Zequinha e Lélé eram inocentes e quase primárias mas com Santana tudo era motivo de gargalhada. Inocente mas não tanto… pois o progra-

ma iria ser proibido só porque o casamento entre os dois namorados ia ser no civil. A Igreja metida ao barulho e o Zequinha e a Lelé a transferirem-se para o Politeama, para o «Comboio das Seis e Meia», que Igrejas Caeiro dirigia. E ali no teatro a Lélé estava numa frisa e o Zequinha na plateia interpretando ambos conversas delirantes com o público aplaudindo de pé os dois actores e também «aquela Santa» quando Elvira Velez entrava no delírio.

Com Maria da Neves em “O Pátio das Cantigas”e com Ribeirinho no filme “O Costa d’África”

Alguns amores e três filhos Como dizia Semedo, Vasco Santana amava as mulheres e teve várias. A mais conhecida foi com certeza Mirita Casimiro com quem o actor contracenou várias vezes mas foram outras as mães dos seus três filhos. Conta quem conheceu o romance entre Vasco e uma belíssima actriz chamada Aldina de Sousa (mãe de José Manuel), que o actor sofreu muito com a morte prematura de Aldina. Da primeira mulher, Arminda, nasceu o primeiro filho, Henrique, que viria a dedicar-se também ao teatro. O mais novo dos três filhos, João, foi o único que não teve nada a ver com teatro. Foi médico. O último trabalho de Vasco Santana foi «Um Fantasma chamado Isabel» no Teatro Monumental. Ao seu lado, Laura Alves e o filho, Henrique. Operado de urgência, interrompeu a peça e, quando não se esperavam complicações de maior, Vasco não resistiu a uma crise cardíaca e morreu exactamente quando Lisboa festejava o seu Santo. Era o dia 13 de Junho de 1958. n Maria João Duarte JUL/AGO 2011 |

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CASAMENTO SA AMENT M TO EM JOGO JOGO O de Edw Edward wa ard Alb Albee ee encenação G Graça raç ça P P.. Corrêa Corrêa

Cucha ucha Carvalheiro C ar rva al lheir ro Rogério ogério Samora Samora

©M Margarida argarida Dias

cenografia ografia Ana Vaz Va az luz JJoão oã ão P Paulo aulo Xavier Xav vier

SALA A PRINCIPAL PRINCIP PA AL . aaté té 31 JJUL t 5ª a Sáb às 22h | Dom às s 17h | M16

HORÁRIO DE H V VERÃO. 22H

O BANC BANCO CO adaptação Banco no Abismo” adaptaçã ão do texto de Luigi Jannuzzi “Um “ encenação encenaçã ão João Lobo interpretação interpreta ação Bruno Simões, Carla Vasconcelos Vasconcelos

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sonoplasttia Diogo Branco, Octaviano Rodrigues sonoplastia R desenho de luz Bruno Simões os, concepçã ão do cenário Carla Vasconcelos, Vasconcel a concepção Brranco, Octaviano Rodrigues, Diogo Branco, figurinos Dino Alves produção pr odução o Glam com o apoio BOX

Um hom homem em sentado num banco à beir beira ra de um abismo observa a humanidade humanidade a pr precipitar-se ecipitar-se para ele. e Chega um ma mulher pr onta para V ZHS[V VX\LMHaLTLZ[HZWLZZVHZ HSP& OLY}PJV 6X\LtVHIPZTVLV uma pronta V ZHS[VOLY}PJV 6X\LtVHIPZTVLVX\LMHaLTLZ[HZWLZZVHZHSP&° Conceito os aterradores aterradores e visões de misté érios profundos profundos emergem emergem do se eu confronto, confronto, para concluírem concluírem que, qu ue, Conceitos mistérios seu afinal, a vida v precioso... é um bem precioso...

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Olho Vivo

Afinal o leite... Biólogos da universidade sueca de Uppsala afirmam: tomar cálcio não reduz o risco de fracturas e osteoporose. O risco atinge o seu mínimo com 750 mg diários de cálcio e depois não diminui mais. É escusado, pois, andar a beber litros de leite e quilos de queijo. O British Medical Journal publicou este estudo preocupante para a indústria dos lacticínios, baseado na observação de mais de 60 mil mulheres, ao longo de vinte anos.

Acabou-se a peste bovina Durou milénios, mas acabou-se. A Organização Mundial de Saúde Veterinária declarou erradicada a peste bovina, uma das doenças mais letais para o gado, que podia reduzir a pó rebanhos inteiros. Só entre 1740 e 1760, a peste matou 200 milhões de rezes e foi a causa da criação das escolas de medicina veterinária. Na Europa, a última epidemia é dos anos 20, mas em África, ainda nos anos 80, a peste matava.

Mais 17 pirâmides Dezassete pirâmides, mil túmulos e mais de três mil povoados do Antigo Egipto foram localizados por cientistas do Alabama, graças a um novo sistema de infravermelhos que permite ver claramente o subsolo, a partir de satélites. Duas das pirâmides já foram confirmadas no solo por arqueólogos. A nova disciplina da "arqueologia espacial" promete novas descobertas. 60

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O terror dos mares O anomalocaridides, um bicho feio que foi o principal e maior predador dos mares da Terra no período Câmbrico, que se pensava ter sido extinto há 540 milhões de anos, afinal viveu durante mais uns 30 milhões de anos. Um novo espécime fossilizado agora encontrado em Marrocos é o que nos diz. O anómalo tinha um corpo segmentado com um metro de comprimento e dois apêndices em forma de pinça, com que agarrava o que metia à boca. Foi descrito em 1985, 200 anos depois de se encontrarem os primeiros fósseis.

Suavizar memórias As memórias dolorosas podem ser apagadas de certa forma por uma droga de nome metirapona, que reduz a capacidade do cérebro de recordar as emoções negativas associadas a más memórias. A conclusão é de investigadores canadianos e desafia a ideia de que é impossível apagar recordações. Pode ser útil no tratamento do stress pós-traumático.


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A n t ó n i o C o s t a S a n t o s ( t ex t o s ) A n d r é L e t r i a ( i l u s t r a ç õ e s )

Vai um banho de Lua? Depois de estudarem pedaços de lava solidificada proveniente de erupções vulcânicas ocorridas na Lua há uns milhões de anos e trazidos para cá pelos astronautas das missões Apolo, cientistas da NASA confirmam num artigo publicado em Maio na Science, que o interior do satélite da Terra contém tanta água quanto o nosso planeta-natal. Depois de encontrar, no ano passado, água numa cratera, a NASA não pára de dar provas de que a Lua não é assim tão seca como nós pensávamos.

A religião encolhe o cérebro? O hipotálamo, uma das partes do cérebro, das pessoas religiosas fica atrofiado na terceira idade, segundo um estudo publicado na revista PlosOne, divulgado em Junho. Cientistas da universidade americana de Duke estudaram cerca de 250 pessoas com mais de 58 anos, com diversos níveis de crença religiosa e concluíram que a religião afecta a morfologia do cérebro. Os efeitos do sentimento religioso na psique têm sido classificados de benéficos no tratamento do stress e da ansiedade. Este é o primeiro estudo em que se registam efeitos negativos.

Adeus, Robô O robô marciano Spirit morreu. A NASA desistiu em finais de Maio de voltar a entrar em contacto com o engenho, um dos dois "veículos teleguiados" levados por sondas para o planeta vermelho. O Spirit foi apanhado há dois anos numa armadilha de areia e calou-se quando o inverno marciano chegou e os painéis solares deixaram de lhe fornecer energia. A NASA pensava restabelecer o contacto nesta primavera marciana, mas o Spirit não dá acordo de si. Os cientistas decidiram que não valia a pena gastar mais tempo e dinheiro a tentar. Os robôs "amartaram" em Janeiro de 2004, para uma missão de três meses. Já renderam muito mais do que se esperava.

Beba óleo de peixe Os óleos gordos de ómega3 do peixe podem ajudar a tratar o alcoolismo e outros problemas de saúde mental, segundo um estudo do prof. Alexandre Niculescu, publicado na revista Translational Psychiatry. Niculescu tratou com óleo de peixe ratinhos geneticamente transformados para sofrerem de doença bipolar e teve bons resultados na "normalização do seu comportamento". Os óleos gordos carregados de Ómega 3 podem, assim, não servir apenas para prevenir maleitas do foro do coração.

Lipo-aspiração tem prazo Um estudo da Faculdade de Medicina americana do Colorado demonstra que o efeito das lipo-aspirações, operação estética cada vez mais na moda no Ocidente, tem um prazo máximo de um ano. Ao fim desse tempo, a gordura regressa e redistribui-se noutras áreas do ventre, podendo subir até em volta dos ombros e na parte debaixo dos braços. O estudo revela que os níveis de gordura do corpo estão directamente ligados a mecanismos que ainda não compreendemos.

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A Casa na árvore Susana Neves

O anjo tóxico A Trombeteira leva ao consolo ou ao Inferno de não ter vontade própria.

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Folha e pormenor da flor de Brugmansia

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sta crónica era para ser dedicada à BelaSombra, o “farol das pampas” no Uruguai e na Argentina, não fosse o estranho magnetismo da Trombeta-deAnjo (“Brugmansia Pers.”) nos ter desviado para a Rua Fernando Caldeira, em Lisboa, onde várias árvores pareciam rebentar de tanto florir. É raro ver uma “Brugmansia”, pequena árvore natural da América do Sul (particular incidência nos Andes) nas nossas ruas, jardins ou avenidas,

como acontece na Colômbia, onde o perfume nocturno de algumas espécies serve de soporífero aos que padecem de insónias. Por isso, observar a desmesura das suas flores (de 12 a 30 cm), brancas, amarelas ou rosa é, em si, um acontecimento — com um potencial de risco inesperado. De facto, apesar do nome Trombeta-de-Anjo evocar delícias celestiais, a exposição prolongada à beleza e ao perfume da sua floração pode, consoante as sensibilidades, garantir um dos melhores lugares no Inferno. Conforme relata Tonny Surrow-Hansen, no “blog” dedicado à espécie tropical, quando uma pessoa se apaixona por esta árvore tende a ficar “agarrado”. Engrossando o contingente dos que padecem de “BA” (“Brugmansia Addiction”) ou “BBA” (“Brugmansia Buying Addiction”) começa a coleccionar compulsiva e obsessivamente todas as espécies. Até um simples “affair” com uma “Brugmansia”, que passe pelo adormecimento debaixo das suas flores tóxicas, na expectativa de ter sonhos eróticos, dada a reputação afrodisíaca do perfume, pode levar os mais vulneráveis a uma urgência de hospital. Ainda assim, males menores, tendo em conta a inscrição da Trombeteira (outra designação possível) na História da Criminalidade. Se como apaixonado perder a fortuna ou a família, negligenciada pela atenção excessiva dada às suas árvores exóticas, e em troca adquirir resistência à toxicidade da espécie, resultante da presença de alcalóides, como a escopolamina e a atropina, essa recompensa não o afastará de um horizonte menos problemático. Desde as civilizações pré-colombianas até hoje, várias espécies de “Brugmansias” (entre elas, a “B. Aurea”, “B. Candida” ou “B. Sanguinea”), através da extracção dos seus alcalóides, têm sido utilizadas como instrumentos de controle da mente e de alienação da vontade, permitindo, no passado, enterrar vivos, os escravos e as mulheres dos guerreiros mortos (tribo dos “Chibchas”) e no presente, servir para roubar, violar e matar milhares de pessoas não só na Colômbia, Brasil, Chile, Equador, Peru, Venezuela mas também nos


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Fotos: Susana Neves

Estados Unidos da América e no Canadá, onde são consumidas em «pastilhas elásticas, chocolate, bebidas e sob a forma de pó metido em pedaços de papel». Ou seja, senão sucumbir à paixão, plantando “Brugmansias” até na banheira, um “BBA” poderá transformar-se num fornecedor involuntário de novas viagens alucinogéneas, fatais para muitos jovens incautos, úteis aos criminosos que transformam as vítimas num “zombie”, cúmplice amnésico do seu próprio sacrifício. Da mesma família dos tomates, da batata ou da malagueta, uma “Solanaceae” (“Solanum L.”, do latim “solari”, consolar, aliviar, por alusão “às propriedades narcóticas e calmantes”), a Trombeteira é afinal uma árvore demasiado poderosa para se circunscrever a um papel meramente ornamental. Nas tribos ameríndias (Jívaros, por ex.), ela participava em vários rituais xamânicos e de iniciação à “arutam wakani”, “alma visionária”, aquela que permite contactar e aprender com os antepassados. Muitas eram as suas funções, multiplicadas pela facilidade das “Brugmansias” hibridizarem sozinhas: «Os índios usam

estas espécies de forma bastante específica. Uma espécie é notável por disciplinar crianças problemáticas, que são forçadas a beber uma poção feita de uma infusão de sementes. Como consequência [esta bebida] provoca perturbações na audição, durante as quais os antepassados aparecem e advertem os mais novos. Sobre outra [espécie] acredita-se que revele a existência de tesouros enterrados nos túmulos; outra ainda, que prepare os guerreiros para o combate por lhes apresentar os rostos triturados dos que terão de matar», escreve Jonathan Kellerman, no romance “Over the Edge” (1987). Em suma, a Trombeteira só é dos anjos consoante quem a toca. Quando sai das mãos do xamã (“curandero”) e da esfera iniciática ou medicinal pode tornar-se numa perigosa droga de rua (“Burundanga”) ou de gabinete (foi também usada pelos Nazis e pela CIA durante interrogatórios). Porventura, a droga ideal para qualquer criminoso porque transforma a presa na principal colaboradora do seu crime.n

Brugmansia no Parque Monteiro-Mor e, em baixo, flor de Brugmansia

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72 CONSUMO Cada um de nós pode contribuir para uma cidade melhor, se alterar os seus padrões de consumo. Pág. 66 l LIVRO ABERTO Em destaque a reedição de três importantes obras de Camilo: "Memórias do Cárcere", "Livro Negro de Padre Dinis" e "Livro de Consolação". Pág. 68 l ARTES As exposições de Luísa Correia Pereira, Joana Rosa e Maria de Jesus Reino e a conclusão de que a hora é das mulheres na arte em Portugal. Pág. 70 l MÚSICAS Mais uma novidade na música portuguesa: o album dos nortenhos "Atlantihda" e, ainda, "Director`s Cut", de Kate Bush. Pág. 72 l NO PALCO Aí está a 28ª edição do Festival de Teatro de Almada. Boas companhias, nacionais e estrangeiras, e programação descentralizada. Pág. 74 l CINEMA EM CASA Quatro filmes celebrados na festa 2011 dos Óscares: "O Discurso do Rei", "Cisne Negro", "O Mágico", e "Fora da Lei". Pág. 76 l GRANDE ECRÃ Julho e Agosto prometem graças aos novos filmes de Robert Redford, Tom Hanks, Pablo Trapero e Daniele Luchetti. Pág. 77 l TEMPO INFORMÁTICO A pensar nas ferias, a importância de netbooks, projectors ou telemóveis pequenos, cómodos e práticos. Pág. 78 l l

BOAVIDA

AO VOLANTE A tecnologia das novas versões do Opel Astra traduz-se em mais conforto, segurança e redução do consumo de gasóleo e das emissões de CO2. Pág. 79 l SAÚDE Quer os doentes com anorexia quer os doentes com bulimia carecem de apoio psicológico… nem toda a gente pode ter um corpinho enxuto e bem torneado... Pág. 80 l PALAVRAS DA LEI A Lei nº 61/2008, de 31 de Outubro - Novo Regime do Divórcio - regula a situação de prestação de alimentos. Pág. 81 JUL/AGO 2011 |

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Boavida|Consumo

Por uma cidade sustentável Um dos grandes desafios do século XXI é tornar as cidades mais humanas, seguras e sustentáveis, elevando os padrões de qualidade de vida dos seus habitantes. Cada um de nós pode contribuir para uma cidade melhor, se alterar os seus padrões de consumo.

Carlos Barbosa de Oliveira

S

e tivermos em consideração que as cidades ocupam apenas 2% da superfície da Terra, até não parece complicado tornar as cidades mais sustentáveis. O problema é que nesses dois por cento vive, actualmente, 50 por cento da população mundial, que consome 75 por cento dos recursos naturais do planeta, dois terços da energia a nível mundial e gera mais de 75 por cento dos resíduos. Acresce que 10 por cento da população mundial vive em cidades com mais de 10 milhões de habitantes e que, em 2050, se estima que aumente para 75 por cento, o número de habitantes do planeta a viver nas cidades. Curiosa contradição (ou talvez não) numa sociedade cada vez mais digital, onde o contacto entre as pessoas se faz frequentemente no mundo virtual, deixando a resolução de problemas à distância de um clique. Apesar de existirem inúmeros estudos dedicados ao desenvolvimento urbano sustentável, poucos arriscam definir a cidade do futuro. Estão, porém, identificados os principais factores susceptíveis de combater a degradação da qualidade de vida urbana. Um deles é o consumo responsável. Apesar de o seu conceito não ter sido ainda devidamente assimilado pela esmagadora maioria dos consumidores, ganhou já expressão como indicador para o desenvolvimento sustentável. Consumir menos e melhor, tendo em atenção o impacto ambiental dos produtos e serviços é uma tarefa que está ao alcance de cada um. Levado à prática, o consumo responsável contribui para uma melhor qualidade de vida urbana. Há inúmeros aparelhos e produtos que podemos substituir, ou usar de forma parcimoniosa, em benefício da nossa saúde. É o caso, por exemplo dos ares condi66

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cionados nos escritórios. Mas também - como explicam especialistas - de numerosos produtos que temos em casa e são verdadeiros inimigos escondidos sob o manto do conforto. Estão neste caso, entre outros, as alcatifas, as tintas, o papel de parede ou mesmo móveis feitos de aglomerados. No caso das alcatifas, servem de hospedaria ideal aos ácaros, uns seres invisíveis responsáveis por noites mal dormidas e algumas doenças alérgicas que não se conseguiam até há pouco explicar. Os efeitos destes poluentes escondidos no remanso das nossas casas, são ainda difíceis de descortinar em toda a sua extensão, razão que levou vários países europeus a colaborarem estreitamente na criação de um banco de dados que permita detectar, a partir das queixas de doentes, os produtos utilizados na construção civil que podem afectar a saúde. Entre eles o amianto, que tem estado no centro de acaloradas polémicas no que concerne à sua nocividade em termos de saúde pública. Também os produtos de limpeza doméstica, anunciados como possuidores de crescente eficácia, estão sob mira, uma vez que contêm solventes que se evaporam na atmosfera. Os mais perigosos são os decapantes para fogões e fornos eléctricos e os vernizes, mas os dissolventes para vernizes, os desinfectantes com cloro e os perfumadores para sanitas são irritantes, não apenas para a pele, mas também para os brônquios. A sua perigosidade aumenta com a humidade, já que esta favorece a sua inalação, pelo que é aconselhável não utilizar depois do chuveiro, no quarto de banho saturado de vapor de água, perfumes, lacas ou desodorizantes em aerossol, para evitar que atinjam os brônquios. Dores de cabeça, náuseas, fraqueza muscular, são muitas vezes provocadas por outro actor do conforto dos nossos lares: os aquecedores. Assim, aconselhase uma escolha criteriosa deste tipo de aparelhos, a fim de evitar problemas. Finalmente, falemos de humidades. Os vidros ANDRÉ LETRIA


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duplos, o isolamento das paredes, a supressão das condutas das chaminés, contribuem para que dentro de casa vivamos em ambientes estanques. No entanto, a nossa actividade dentro de casa produz vapor de água, como é o caso dos cozinhados, dos duches, das plantas ou mesmo da própria respiração. Acresce, ainda, que apesar de estanques as casas deixam penetrar humidade por razões diversas (fugas nas canalizações, por exemplo...). No contacto com as paredes, a humidade condensa-se e gera acumulação de impurezas nos cantos, sob as janelas, ou atrás dos móveis, levando a que a atmosfera se carregue de elementos que penetram nas vias respiratórias, provocando rinites, alergias, crises de asma, fibroses pulmonares...Torna-se por isso necessário, renovar o ar e secá-lo. A utilização de desumidificadores é apenas um paliativo. Aconselha-se também a abolição dos secadores de roupa não ligados ao exterior. Vai crescendo o número de cidades, no mundo inteiro, onde medidas coercivas servem para obrigar os cidadãos a um comportamento cívico que crie melhores condições de vida nas grandes urbes. Espectáculos como a lavagem de

carros na via pública, abandono de animais mortos, descargas de lixo fora dos recipientes apropriados ou cuspidelas para o chão, são ainda possíveis de ver na maioria das cidades portuguesas. Em algumas delas existem medidas sancionatórias para quem pratique estes actos de violência urbana, mas a verdade é que as coimas previstas raramente são aplicadas. Todos concordam com a necessidade de criar cidades sustentáveis, mas poucos estão sensibilizados para concretizar esse modelo urbano, que nos permite melhorar a qualidade de vida urbana. Uma cidade sustentável tem de ser solidária e 'justa', sem grandes desequilíbrios económico-sociais que gerem assimetrias e áreas de conflitualidade. Não pode crescer rápida e desordenada e tem de agilizar a funcionalidade das estruturas e serviços urbanos; melhorar a qualidade dos transportes e a sua eficiência energética; cuidar a estética urbanística e arquitectónica; assegurar o conforto e a salubridade ambiental. Tem de ser lugar de mobilidade… onde o automóvel não seja um elemento omnipresente. n


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Boavida|Livro Aberto

Camilo, Lobo Antunes e muitas outr Com direcção, prefácios e organização de Maria Alzira Seixo, nome maior do ensaísmo e da docência universitária em Portugal, acaba a Parceria A.M. Pereira de reeditar três obras fundamentais de Camilo Castelo Branco, autor intemporal e genial da literatura portuguesa: “Memórias do Cárcere”, “Livro Negro de Padre Dinis” e “Livro de Consolação”.

José Jorge Letria

O

s textos introdutórios de Maria Alzira Seixo são essenciais para que o leitor compreenda melhor a obra camiliana e para que possa situar correctamente estes títulos no quadro de uma produção torrencial que só a morte por suicídio, quando a cegueira era já inelutável, conseguiu parar. Reler Camilo, seja em que época for, é sempre um modo de conhecer o Portugal profundo que alterna com o outro, também genialmente retratado por Eça de Queirós, muito mais virado para a realidade urbana e para a dimensão mundana e cosmopolita que o universo ficcional do autor de “Memórias do Cárcere”. Com a chancela da D. Quixote, encontra-se nas livrarias o “Quarto Livro de Crónicas”, de António Lobo Antunes, volume da obra completa “ne varietur”, acompanhado por um CD com as crónicas lidas pelo autor, o que confere à edição um valor documental e até emocional acrescentado. Para muitos leitores, o melhor Lobo Antunes é justamente o das crónicas, por ser o mais poético, o mais confessional e o mais tocante. Para esses, que são muitos, este é um livro a não perder, definitivamente. Quem se interessa pela História recente de Portugal e também pela literatura de carácter memorialístico, encontra no livro “Na Sombra do Poder”, de Pedro Feytor Pinto (D. Quixote), um interessante documento para perceber como foram os derradeiros anos da ditadura vividos e contados a partir de dentro. O autor não o assume como um 68

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livro de memórias, mas sim como um conjunto de relatos passados a escrito por um português nascido no norte de Portugal e 1936 e que foi homem de confiança de Marcelo Caetano, também na sua condição de director dos serviços de informação do regime. Foi com esse estatuto que Pedro Feytor Pinto esteve activamente presente na negociação que precedeu, no quartel do Carmo, a rendição e a queda da ditadura, ao fim de 48 anos no poder. Um testemunho a ter em conta por parte de quem quiser debruçar-se sobre esse episódio da História portuguesa. EM MATÉRIA DE FICÇÃO NARRATIVA portuguesa e estrangeira de qualidade há vários destaques a fazer, dirigidos, sobretudo, a quem organiza com antecedência as suas leituras estivais. A saber: “Ilha Teresa”, o mais recente romance de Richard Zimler, autor que tem a nacionalidade norte-americana e portuguesa e que escreveu nos últimos anos vários livros justamente reconhecidos pelo público e pela crítica, “A Paixão de Araci”(Oficina do Livro), o novo romance de José Marques Vidal, nome que muitos leitores continuam a associar à hierarquia de topo da magistratura portuguesa devidos aos importantes cargos que nela desempenhou, “O Seu Lado Clandestino”( D. Quixote), de Peter Carey, autor duas vezes distinguido com o Booker Prize, “A Viagem dos Cem Passos” (D. Quixote), de Richard C. Morais, um livro brilhante que tem como pano de fundo o mundo da gastronomia, “Por Este Mundo Acima” (D. Quixote), o mais


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utras leituras para os meses de férias

recente romance de Patrícia Reis sobre a dimensão amorosa da amizade, numa narrativa pujante, e “A Manhã do Mundo” (D. Quixote), auspicioso livro de estreia de Pedro Guilherme-Moreira, que nos confronta com a possibilidade meramente ficcional de alguém ter acordado a tempo de evitar a tragédia do 11 de Setembro, que mudou a História à escala global. Destaque ainda para o extenso, bem documentado e exemplarmente narrado “Lisboa. Um Melodrama” (D. Quixote), do argentino Leopoldo Brizuela, cuja envolvente acção decorre em 1942 em Lisboa, em plena guerra, quando a capital portuguesa era o ponto de chegada e de partida de milhares de refugiados de todas as procedências, crenças e convicções. Uma obra de maturidade. Um destaque especial para “Contos Reunidos” (Oficina do Livro), de Felisberto Hernandez, oportunidade única para os leitores portugueses conhecerem a obra genial de um uruguaio que escritores como Gabriel Garcia Marquez consideraram determinantes para a sua própria carreira literária. Uma colectânea de contos que nos familiariza com esse imaginário único e contagiante. A chegada às livrarias portuguesas de um grande escritor universal. A não perder. COM A CHANCELA de Publicações Europa-América. e integrado na sua Biblioteca das Ideias. acaba de ser lançado “São João Paulo II”, ensaio biográfico do francês Alain Vircondelet, mestre conferencista do Instituto Católico de Paris sobre o papa polaco que, tendo assumido a dimen-

são global da sua fé, tão perto ficou da canonização pelo Vaticano. Também a não perder é o breve e excelente “Uma Semana no Aeroporto - um Diário de Heathrow”(D. Quixote), de Alain de Botton, que nunca pára de nos surpreender com a forma como aborda temas como o amor, a viagem ou a literatura, sempre num registo original a que não é alheia a solidez da sua formação filosófica. Com a chancela do Clube do Autor, três destaques merecidos nesta abertura de férias: “ A Era da Mentira”, de Mohamed Elbaradei, que muitos apontaram ou apontam ainda como o próximo presidente do Egipto, o excelente e oportuno “23 Coisas que Nunca Lhe Contam Sobre a Economia”, Há-Joon Chang, docente da Universidade de Cambridge, e a antologia “Onésimo-Português sem Filtro”, do açoriano há muito radicado nos Estados Unidos, Onésimo Teotónio de Almeida. A quem se interessa pelo mundo da psicoterapia recomenda-se a leitura do original e certeiro “Cada um Vê o Que Quer…Num Molho de Couves” (Oficina do Livro), que sintetiza três décadas de prática clínica de Isabel Abecassis Empis; a quem quiser conhecer de forma divertida e crítica os portugueses que somos e as suas, nossas manias, recomenda-se a leitura de “Cemitério dos Prazeres”(Oficina do Livro), de Pedro Boucherie Mendes, director dos canais temáticos da SIC e pessoa com um apurado e acerado poder de observação, de que nos fica a marca forte neste livro divertido e contundente. n JUL/AGO 2011 |

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Boavida|Artes

Arte em Portugal: A hora é das mulheres Decididamente, a hora é das mulheres na arte em Portugal. Feita a habitual triagem para decidir por quem optar para o registo habitual do que se está a fazer em arte por cá, acabámos por ter de falar desta vez apenas de artistas mulheres. Sem favor, claro.

Rodrigues Vaz

A

Composição de Luisa Correia Pereira e, em baixo, um trabalho de Joana Rosa. Na página da direita, uma aguarela de Maria de Jesus Reino

começar, há a destacar a exposição de Luísa Correia Pereira, intitulada Convocação de Todos os Seres, patente na Galeria da Culturgest no Porto, até 13 de Agosto. Centrando-se na obra gráfica da artista, constituída por gravuras em metal, linóleos, xilogravuras e monotipias, realizada de 1971 a 1974, anos fundadores da sua prática, é uma oportunidade única para (re)descobrir estas obras e as reavaliar na história da arte contemporânea portuguesa. Luisa Correia Pereira (Lisboa, 1945-2009) produziu, ao longo de quase quatro décadas, uma obra de pintura e de desenho idiossincrática, com notáveis fulgurações, mas que uma grande parte do mundo da arte desconhece ou à qual permanece indiferente. De vários modos, o que o poeta Nuno Júdice escreveu sobre ela quando da exposição Fiat Lux: Paris-Lisboa, que teve lugar no Centro de Arte Moderna em 2003, é válido para a mostra actual: "Na pintura de Luísa Correia Pereira, as formas nascem no interior de uma arquitectura luminosa em que é a cor que institui o quadro genético da geometria e da fluidez narrativas que produzem uma rigorosa distribuição de sentidos ao longo do seu percurso. Não é, por isso, de surpreender que o jogo infantil surja logo no início, como epígrafe simbólica de uma estética que não perde nunca uma dimensão lúdica: e é nesse espaço de descoberta "ingénua" dentro da extrema elaboração discursiva do enunciado pictórico que o olhar não se afasta nunca do seu referente natural." JOANA ROSA NA GALERIA ANTÓNIO PRATES

Joana Rosa, filha dos conhecidos artistas plásticos Helena Almeida e Artur Rosa, apresenta, por seu turno, até ao próximo dia 16, as suas últimas produções na Galeria António Prates, em Lisboa. Trata-se de um conjunto de 30 obras em consonância com a pesquisa que a artista tem vindo a fazer nos últimos anos. Desde 1982 que Joana Rosa tem vindo a colec70

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cionar anotações, ou gestos instintivos (ou compulsivos), que fazemos quando estamos distraídos, a que dá o nome de scribbles. Neste conjunto de trabalhos, os scribbles enveredam pelo íntimo da artista, pelas suas preocupações mais actuais, ou mesmo as que se prendem ao seu passado. Bailarinas convivem com armas de guerra; angústias pessoais dançam com perguntas, afirmações e miras de metralhadora. Do seu interior nasce um exército de formas, que são o escape da artista, mas também a sua protecção MARIA DE JESUS REINO EM ALFRAGIDE

Entretanto, e porque estamos na chamada época balnear, outra mulher artista, Maria de Jesus Reino, apresenta, até ao próximo dia 20, na galeria da Molduraminuto, sita na Loja 69 do Centro Comercial Alegro, em Alfragide, uma exposição de aguarelas tendo o mar e a vela como inspiração e a zona de Cascais como pano de fundo. Nascida em Moçambique, virada às Ciências, Maria de

Jesus Reino cursou Economia na Universidade Católica, profissionalmente dedicou-se ao Marketing em diversas multinacionais de produtos de grande consumo e acumulou experiências nas áreas financeira e de controle de gestão, mas a frequência de galerias, museus e feiras de arte levaram-na à arte, a que ficou irremediavelmente ligada, deslumbrada com as potencialidades da criação e com a busca de novas formas e materiais. n


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Boavida|Músicas

“Atlantihda” em estreia e revisitações de Kate Bush Mais uma novidade na música portuguesa: o álbum “Atlantihda” do grupo nortenho com o mesmo nome. De Kate Bush chegou-nos o CD “Director`s Cut”, uma “revisitação” de temas emblemáticos da cantora e compositora inglesa.

Vítor Ribeiro

A

tlantihda” integra 10 temas: oito escritos e compostos pelo próprio grupo e duas versões dos “clássicos” “Meu Amor é Marinheiro” (Manuel Alegre/Alain Oulman) e “Vou Dar de Beber à Dor” (Alberto Janes). A produção e direcção musical são assinadas por Frederico Pereira. “A história dos Atlantihda é contada por seis músicos e uma fadista”, segundo se anuncia num texto de apresentação assinado por Hélder Moutinho, que chama a atenção para o facto dos vários elementos do grupo serem “oriundos dos mais distintos géneros musicais”. No mesmo texto, diz-se que “os Atlantihda viajaram pelo mundo da música nacional e internacional, absorvendo várias influências para se encontrarem num projecto que acabaria por ligar a música de raiz tradicional e rural, com aquela que é a nossa música popular urbana: o Fado”. E de facto, quase tudo se pode encontrar nos Atlanthida: o som rústico de uma viola braguesa, o característico acordeão de uma boa parte do nosso folclore, a sonoridade clássica de um violoncelo, o indelével trejeito fadista da bela voz de Gisela João. O surgimento dos Atlantihda integra-se, pois, num movimento mais vasto observado nos últimos anos, num contexto social e cultural fervilhante, em que os jovens procuram participar activamente nas múltiplas frentes de defesa da nossa identidade colectiva, na busca de novas formas e conteúdos, num momento de desmoronamento da chamada “globalização”. Os Atlantihda merecem a nossa melhor atenção. Ei-los: Gisela João (voz), Fátima Santos (acordeão), João Campos (guitarra clássica e flauta transversal), José Flávio Martins (baixo acústico e cajon), Melanie Paula (violoncelo) e Miguel Antas Teixeira (guitarra clássica, viola braguesa, adufe e bilha). 72

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VISÃO CINEMATOGRÁFICA DE KATE BUSH

“Director`s Cut” é o título genérico do mais recente álbum da cantora e compositora inglesa Kate Bush. Não estamos perante um CD de originais, mas, antes, de um acto de “revisitação” de temas dos álbuns “The Sensual World” e “The Red Shoes”, regravados com novas sonoridades. A própria autora, de resto, considera ter efectuado algo semelhante ao trabalho de um realizador de cinema, quando resolve remontar um filme, sem no entanto alterar o fio condutor do argumento original. Para lá dos onze temas que nos são apresentados, Kate Bush, criadora cujo talento não se esgota no canto e na composição musical, é também co-autora do design e imagem gráfica da excelente capa/livrete de “Director`s Cut”. FESTIVAL DA EUROVISÃO EM CD

Os frequentadores do Festival da Eurovisão podem relembrar o acontecimento através do duplo-CD “Eurovision Song Contest – Dusseldorf 2011”, já disponível no mercado nacional. Apresentado como se tratando do “the official álbum”, ali se encontram as 43 canções concorrentes ao concurso, de entre as quais destacamos, naturalmente, “A Luta é Alegria” dos “Homens da Luta”. n


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Boavida|No Palco

Almada, capital do Teatro O Festival de Teatro de Almada regressa em 2011 para a sua 28ª edição com mais vontade que nunca em apostar em mais e melhores criações, de 4 a 18 de Julho em vários pontos do país.

S

ão 15 os espaços que, este ano, acolhem a programação do FTA, situados sobretudo a sul do Tejo e em Lisboa, em parcerias que se alargam desde Almada até ao Porto, passando por Coimbra. Em época de crise, o esforço orientou-se na realização de duas produções originais e duas co-produções, sem esquecer, obviamente, as companhias internacionais, oriundas de 10 países, entre outros, França, Roménia, Tunísia e Estados Unidos da América - a surpresa deste ano. O tema do FTA 2011 é a Commedia dell'Arte, com a presença de Ferruccio Soleri, o maior Arlequim dos séculos XX e XXI, o convidado especial para a apresentação da peça "Retratos da Commedia dell'Arte", dia 13 de Julho, no Teatro Nacional de S. João, Porto e dia 14 de Julho no CCB, em Lisboa. Um espectáculo onde, através de pequenos e divertidos monólogos, surgem as várias histórias protagonizadas por todos os intervenientes desta forma de artes de palco. Os actores não se limitam apenas à interpretação de texto, sendo também malabaristas, acrobatas, músicos, numa encenação que nos permite rever alguns magníficos exemplos de entrega ao Teatro. Joaquim Benite (na foto) conta este ano com a preciosa ajuda de outros três grandes encenadores/ criadores para as produções da Companhia de Teatro de Almada, como Solveig Nordlund, com "Do Amor" (7 a 10 de Julho na Sala Experimental do TMA) em parceria com o Festival das Artes de Coimbra; Bernard Sobel com a peça "Santa Joana dos Matadouros" (5 e 6 de Julho na Sala Principal do TMA); e Mario Mattia Giorgetti, que dirige "O Teatro Cómico" (dia 15 de Julho na Escola D. António da Costa, também em Almada) em ampla homenagem ao tema principal do Festival. 74

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Em vésperas de paragem estival para os Teatros nacionais, este é sem dúvida um conjunto de espectáculos a não perder. "A CASA DA FAMA"

Um "reality show" em forma de peça teatral? Sim, é possível! "A Casa da Fama" continua em cena no Teatro Armando Cortez, em Lisboa, para presenciarmos aqueles

últimos instantes em que se desvenda quem é o grande vencedor da competição… O que fazem a Princesa Diana, o poeta Luís de Camões e a Padeira de Aljubarrota juntos dentro do mesmo espaço? De que forma estas personagens que ficaram na História têm algo em comum? Pegando no conceito dos "reality shows" que diariamente nos entram em casa via televisão juntamente com os concursos que elegem as principais e mais influentes pessoas ao longo dos vários séculos de História, resulta uma peça teatral onde cada um faz o que pode para merecer o prémio final. Desde os devaneios poéticos de Camões, passando pelo activismo social de Diana e pela audácia desmesurada de uma mulher sem papas na língua, a padeira Brites, todos tentam revelar os seus melhores atributos revelando igualmente histórias vividas na "casa" com outros míticos personagens desde Saddam Hussein, Bocage, a própria Amália ou Maria Callas. FICHA TÉCNICA: Autores: Frederico Pombares, Henrique Dias

e Roberto Pereira Direcção: João Baião; Cenografia e

© Margarida Dias

Maria Mesquita


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figurinos: Marta Carreiras; Direcção musical: Fernando Martins; Desenho de luz: Paulo Sabino; Assistente de produção: Sónia Aragão; Com: João Baião, Mané Ribeiro, Ana Brito e Cunha; Produção: UAU A LIÇÃO DE "O AVARENTO"

"O Avarento" de Molière é a peça que a companhia Ensemble - Sociedade de Actores irá apresentar, primeiro em Almada (dentro da 28ª edição do Festival de Teatro) e depois, no regresso à casa mãe, o Teatro Carlos Alberto, no Porto, até 31 de Julho. Eleito "Espectáculo de Honra" pelo público do Festival de Almada em 2010, "O Avarento" será provavelmente o texto de Molière que mais sentimentos contraditórios provoca nos espectadores. Dotado de toda a carga políticosocial que levanta dúvidas e questiona a burguesia e os seus costumes, é igualmente o retrato de como as pessoas conseguem ser levianas ao ponto de não se deixarem ser felizes nem de permitir que os outros, seus próximos e familiares, também o sejam. Aqui a personagem principal, Harpagão (brilhantemente interpretada por Jorge Pinto), é

o detentor da palavra, é quem manda e desmanda, num misto de orgulho e avareza. Um homem capaz de vender a filha a quem não a merece (mas que tem dinheiro de sobra) do que a deixar pacificamente com um rapaz mais simples, mais humilde. Um homem que em vez de dar de comer a dez pessoas, apenas o faz a oito. Um homem que não "Dá" os Bons-dias, mas sim, que os "empresta". Um homem capaz de nos fazer sentir o maior ódio, como nos arranca a maior gargalhada mediante tanta sovinice. Estreado no Teatro Carlos Alberto em 2009, regressa agora ao mesmo espaço com encenação de Rogério de Carvalho. FICHA TÉCNICA: Autor: Molière; Tradução: Alexandra Moreira

da Silva; Encenação: Rogério de Carvalho; Cenografia: Pedro Tudela; Figurinos: Bernardo Monteiro; Música: Ricardo Pinto Desenho de luz: Jorge Ribeiro; Assistência de encenação: Emília Silvestre; Interpretação: Jorge Pinto, Emília Silvestre, Clara Nogueira, Isabel Queirós, Pedro Galiza, Vânia Mendes, Miguel Eloy, António Parra, Júlio Maciel, Tiago Araújo, Ivo Luz Silva; Produção: Ensemble - Sociedade de Actores

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Boavida|Cinema em Casa

Óscares 2011 Tempo de férias, tempo para quatro escolhas marcantes. Quatro filmes que estiveram em foco na festa 2011 dos Óscares: "O Discurso do Rei", grande vencedor dos prémios da academia; "Cisne Negro", com a melhor actriz do ano; "O Mágico", que ficou a um passo da glória no cinema de animação; e "Fora da Lei", sobre a Guerra de independência da Argélia, nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro. Sérgio Alves O DISCURSO DO REI

Cor, 2010; EDIÇÃO: Zon

lo passado, uma revolução

FORA DA LEI

Coroado rei após a abdicação

Lusomundo

agita o universo do music-

Expulsos da sua terra, a

irmão, Jorge VI, pai da actual

hall: o sucesso do Rock atira

Argélia, três irmãos e a sua

Rainha de Inglaterra, assumiu

CISNE NEGRO

para o esquecimento os outros

mãe separam-se. Messaoud

o trono com alguma relutân-

Nina (Portman) é uma bailari-

artistas: acrobatas, artistas de

vai combater para a guerra da

cia. Afectado por uma forte

na da Companhia de Dança

variedades e ventríloquos que

Indochina. Em Paris,

gaguez que o

de Nova Iorque que, tal como

passam a estar fora de moda.

Abdelkader lidera um movi-

tornava inapto

as suas colegas, se dedica

O nosso herói, um Mágico,

mento de independência da

para o cargo,

quase exclusivamente, e de

começa a perceber que per-

Argélia e Saïd enriquece á

procura a ajuda

forma obsessiva, á sua profis-

tence a esta categoria de artis-

custa dos negócios da noite e

de um médico,

são. Ela vive com a sua Mãe,

tas em vias de extinção. Viaja

dos clubes de Boxe de Pigalle.

Lionel Logue,

Erica, uma antiga bailarina

de terra em terra não con-

O destino deles, unido em

que, com uma

que exerce um controlo rígido

seguindo fixar-se em nenhu-

torno do amor da Mãe, estará

terapia pouco convencional

sobre a sua vida. A pressão da

ma pois não consegue arranjar

ligado ao duma nação em luta

para um monarca, consegue

perfeição e a concorrência de

trabalho. A sua vida mudará

pela independência e pela

bons resultados, permitindo-

uma nova bailarina vão ter

ao chegar a uma

Liberdade.

lhe liderar o país na Segunda

consequências profundas…

pequena aldeia

A luta pela independência da

Guerra Mundial.

Protagonizado pela talentosa

no Norte da

Argélia é o tema principal do

Uma história épica, baseada

Natalie Portman (Óscar de

Escócia onde

filme que abre com uma

em factos verídicos, que

Melhor actriz), o filme é rea-

conhece a jovem

sequência notável

Alice.

recriando o mas-

cativou os espectadores

lizado de

(incluindo a actual Rainha) e

forma bri-

O mestre Jacques Tati deixou

sacre de Sétif onde

conquistou os Óscares mais

lhante por

á sua filha um argumento por

morreram cente-

importantes da cerimónia

Darren

filmar e o realizador Sylvain

nas de argelinos

deste ano - Melhor Filme e

Aronofsky (A

Chomet (autor de Belleville

que desfilavam

Melhor Realização). Assinado

Vida Não é um

Rendez-Vous) agarrou-o e assi-

pacificamente apelando á inde-

pelo jovem e promissor rea-

Sonho, 2000,

nou esta pequena obra-prima

pendência do seu país. Por isso,

lizador britânico Tom Hooper

O Wrestler ,2008) e teve hon-

do cinema de animação.

o filme causou forte contes-

, o filme é um retrato cati-

ras de abertura do Festival de

Nomeado para o Óscar de

tação no Festival de Cannes de

vante do monarca e da

Veneza no ano passado. Uma

Melhor Filme de animação, O

2010 e se tornou num dos

relação especial que ele estab-

viagem alucinante e trágica

Mágico, é uma homenagem a

acontecimentos do cinema

eleceu com o médico, com

pelo universo da Dança.

Tati e uma bonita história de

francês do ano tendo sido

duas notáveis interpretações:

TÍTULO ORIGINAL: Black Swan;

amizade entre um velho mági-

nomeado para o Óscar de me-

Colin Firth (Óscar de Melhor

REALIZADOR: Darren Aronofsky;

co e uma rapariga, num

lhor filme Estrangeiro.

Actor) e Geoffrey Rush

COM: Natalie Portman, Mila

mundo em mudança.

TÍTULO ORIGINAL: Hors La Loi;

(nomeado para Óscar de

Kunis, Vincent Cassel, Barbara

TÍTULO ORIGINAL: L'illusionniste;

REALIZAÇÃO: Rachid

Melhor Actor Secundário).

Hershey, Winona Ryder; EUA,

REALIZAÇÃO: Sylvain Chomet;

Bouchareb; COM: Jamel

TÍTULO ORIGINAL: The King´s

108m, Cor, 2010; EDIÇÃO:

VOZES : Jean Claude Donda,

Debbouze, Roschdy Zem, Sami

Speech; REALIZAÇÃO: Tom

Castello Lopes Multimédia

Eilidh Rankin

Bouajila, Sabrina Seyvecou;

GB/França, 80m, cor, 2010;

França/Argélia/Tunísia, 138m,

Hooper; COM: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham

O MÁGICO

EDIÇÃO: Castello Lopes

cor, 2010; EDIÇÃO: Zon

Carter, Guy Pearce; GB, 118m,

No final dos anos 50 do sécu-

Multimédia

Lusomundo

76

TempoLivre

| JUL/AGO 2011


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Boavida|Grande Ecrã

Excepções à regra Apesar da variedade de estreias que se anuncia, os dois meses que se avizinham são bastante promissores com os novos filmes de Robert Redford, Tom Hanks, Pablo Trapero e Daniele Luchetti.

Joaquim Diabinho

A

época que o país vive não é a melhor, evidentemente, mas para uma maioria dos espectadores fica a chamada de atenção: serem curiosos ou estimulados para a descoberta de um pequeno conjunto de quatro obras de excepção que fazem a diferença (encaixam bem nos hábitos e gostos do público em geral) e, por isso, valem a pena ser fruídas em toda a plenitude. Em "Larry Crowne", segundo filme de Tom Hanks, actor sobejamente conhecido (oscarizado duas vezes) que em 1997 se estreara na realização com "The Wonders", dando prova de um outro talento, é no seu desempenho ao lado de Julia Roberts que Hanks se revela extraordinário, num trabalho compositivo "imprevisível" – um homem de meia-idade, proactivo e honesto, é despedido de uma empresa por não possuir formação superior resolve ingressar na universidade...- por onde perpassa a ideia de que é preciso força de vontade para superar dificuldades (a recessão?)e dar volta à vida, – é tudo uma questão de saber e equilíbrio. Uma comédia romântica, relativamente inconvencional e agradável. Nas salas a 7 julho. De "The Conspirator" (na foto)convirá lembrar, tendo em

conta o relativo desconhecimento de que padece a sua obra entre os novos públicos, que Robert Redford se distanciou da concepção do sistema hollywoodense. Actor ícone, realizador independente, activista liberal, criador do Sundance Film Festival, Redford regressa em força com um drama político histórico centrado no processo da primeira mulher (Marry Surratt) executada nos Estados Unidos por alegada cumplicidade com John Wilkes Booth no assassinato de Abraham Lincoln, em 15 de Abril de 1865. Solidamente construído, pleno de sombras e desencanto, "The Conspirator"é um daqueles filmes (realistas) raros e incomuns que teimam em manter vivo o espírito crítico face aos usos indevidos dos diversos poderes. Estreia 21 Julho. Quanto a "Carancho"("Abutres"), do argentino Pablo Trapero vale notar que por detrás da vulgar história de amor, em ambiência realista, entre uma jovem médica e um advogado de seguradoras se encontra o descarnado panorama de uma sociedade que faz da tragédia dos acidentes de viação (na Argentina morrem todos os anos mais de oito mil pessoas nas estradas e mais de cento e vinte mil ficam feridas) um negócio de grandes e lucrativas dimensões. O tom policial que contamina todo o filme não suaviza, nem por um instante, o olhar duro que o tema incómodo merece. Estreia prevista a 7 Julho. Finalmente, "A Nossa Vida", de Daniele Luchetti, um dos mais promissores cineastas italianos dos últimos anos. E, porventura, é-o não tanto pela novidade temática (a vida de Claudio e da sua família são perturbadas por um acontecimento dramático na empresa onde ele trabalha) mas pela capacidade de intuir o drama de uma geração. Melodrama social e político, "La Nostra Vita" é um filme que ama a vida e que acredita na amizade, no amor, na solidariedade, nos filhos. Um filme carregado de sinceridade sofrida. Prémio "melhor actor" para Elio Germano em Cannes o ano passado. Estreia prevista: 25 Agosto. n JUL/AGO 2011 |

TempoLivre

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Boavida|Tempo Informático

Tecnologia em férias Contrariamente ao período de férias propriamente dito que gostaríamos de ver o mais alargado e económico possível, muito desejamos também que tudo o que levamos connosco seja o mais pequeno e mais cómodo para que o seu uso e transporte não pese muito.

Gil Montalverne

P

ajuda@gil.com.pt

or exemplo, mas não só, vejamos o uso imprescindível de um computador. Nem pensar, como outrora, em levar o portátil. Há bons e baratos Netbooks que chegam perfeitamente para o essencial: ver email com pen de banda larga cujo cartão pré-pago custa 15 Euros para 10 horas, ver as fotos e vídeos que vamos fazendo, jogar os nossos jogos preferidos e é quanto basta. Os Netbooks são pequenos, rápidos, com boa capacidade de disco e a escolha é variada, entre os 250 e 300 (Asus, Acer,Tsunami e mesmo Toshiba) com ecrã de 10 “. Mas se quiser mais pequeno talvez ainda encontre o mais pequeno do mundo que cabe na palma da mão: o Sagem Spiga com 5” até cabe no bolso. Navegar na Net, sistema XP, ecrã táctil de alta resolução, leitor SD para aumentar o armazenamento, 315 gramas de peso. Que mais será necessário? É só procurar. IMAGINE que nas férias, em pleno descanso, mesmo até repousando na cama, deseja ver os seus vídeos preferidos. A solução existe num pequeníssimo projector chamado PICO que liga ao seu portátil pela porta USB. Entre os vários modelos, pode optar pelo mais económico PPX1020 (199€) ou o PXP1430 (299€). 78

TempoLivre

| JUL/AGO 2011

Desfrute dos seus vídeos directamente da memória interna, cartão SD ou uma unidade USB. A Tecnologia LED dálhe uma luminosidade que varia nos dois microprojectores entre 20 e 30 lúmens – o que é excelente - e tem uma qualidade de cinema perfeita. A projecção ao fundo do quarto ou num painel de ecrã até 3 metros atinge as 80 polegadas, o que é perfeitamente aceitável. Pode usar um adaptador de corrente mas a bateria dá para cerca de 2 horas e meia e a capacidade de memória varia entre os dois gigas do 1430 ou no cartão de memória que utilizar no 1020. Claro que existem outras diferenças que têm de considerar. O PXP1430 acresce a essas qualidades um telecomando, leitor de MP4, entrada de áudio e de vídeo para dispositivos externos e altifalante estéreo. Quanto ao peso, condição a que referimos, a escolha é entre 150 e 290 gramas. Um verdadeiro sonho. MAS ESTAMOS A FALAR de férias e nunca é demais aproveitar para lembrar a segurança durante a condução nas deslocações que de vez em quando vai fazer pela estrada. O telemóvel é uma necessidade. Mas sabe que não pode atender salvo com um auricular. Para sua comodidade, escolhemos um dispositivo inovador que alia o conforto à eficiência. Quantas vezes já teve dificuldade em ouvir e fazer-se ouvir ao telemóvel por culpa do ruído circundante? Com o Bose Auricular Bluetooth desfruta de conversações com som natural, em telemóvel Bluetooth, graças à tecnologia da Bose que adapta o volume do auricular ao som ambiente. A qualidade de voz do outro lado da linha é assegurada por um microfone com rejeição de ruído. Autonomia de 4,5 horas. Nunca houve melhor bem-estar, estabilidade em movimento e sobretudo: segurança ao volante. Tenha umas Boas Férias. n


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Boavida|Ao Volante

Sistema Start/Stop no Opel Astra A gama Opel Astra passa a contar com novas versões 1.3 CDTI ecoFLEX Start/Stop, tanto na variante de carroçaria de cinco portas, como na station wagon Sports Tourer.

Carlos Blanco

C

om a integração de série do sistema Start/Stop, o motor 1.3 CDTI de 95 cavalos de potência vê a sua reconhecida economia reforçada. Ao desligar automaticamente o motor quando o automóvel está parado no trânsito, esta tecnologia permite reduzir ainda mais o consumo de gasóleo e as emissões de CO2. O novo Astra 1.3 CDTI ecoFLEX de cinco portas revela um reduzido consumo de gasóleo sendo as emissões em ciclo misto de apenas 3,9 l/100, contra 4,1 l/100 da anterior versão sem Start/Stop. Quando o sistema Start/Stop desliga o motor, os sistemas de climatização de direcção assistida e de assistência à travagem permanecem activos. A função Start/Stop não é activada se o sistema detectar potencial risco de segurança ou se a paragem do motor afectar o seu funcionamento ou diminuir o conforto no habitáculo. As novas versões do Opel Astra apresentam um desempenho aerodinâmico superior, graças à entrada de ar variável para o compartimento do motor. A grelha dianteira possui um deflector activo que abre quando o automóvel circula a baixas velocidades (situação em que a aerodinâmica não é tão importante e o motor necessita de mais ar para o circuito de arrefecimento) e fecha automaticamente quando se circula a maior velocidade, optimizando

desta forma o seu desempenho. Esta cortina de funcionamento automático é complementada por várias melhorias ao nível da performance. Em matéria de condução económica, os condutores podem contar com um indicador de mudança de velocidade colocado no painel de instrumentos. A luz acende quando o regime e a carga do motor atingem o patamar ideal para engrenar uma velocidade acima. O nível de equipamento Enjoy do novo Opel Astra possui de série ar condicionado, quatro vidros eléctricos, fecho centralizado de portas com comando à distância, computador de bordo, rádio-leitor de CDs compatível com MP3, programador de velocidade e espelhos de regulação eléctrica, entre outos. As versões Cosmo adicionam de série elementos como travão de estacionamento eléctrico, bancos forrados a couro e tecido, sistema de som com sete altifalantes e sensores de chuva e de faróis. Para além do conforto, também o foco na segurança é extensivo aos novos Astra ecoFLEX Start/Stop. Airbags frontais, laterais e de cortina, encostos de cabeça activos, cintos de segurança com tensores e limitadores de força, sistema Isofix para cadeiras de criança e controlo electrónico de estabilidade (ESC) fazem parte do equipamento de série. A gama Astra ecoFLEX Start/Stop está disponível no mercado português com preços a partir de 23.050 euros. n

JUL/AGO 2011 |

TempoLivre

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Boavida|Saúde

Anorexia versus bulimia Com a chegada do Verão e a necessidade de aligeirar as fatiotas, vêm à superfície as inseguranças geradas pelos descontentamentos mais ou menos profundos com o corpo e a imagem que cada um faz de si próprio. Este fenómeno é mais frequente entre as mulheres, mas não deixa de afectar cada vez mais os homens.

M. Augusta Drago

A

medicofamília@clix.pt

resposta não tarda, as indústrias da moda, da cosmética e a farmacêutica aparecem, com alguma elegância e inocência forjada, para dar resposta a esta necessidade que elas mesmo criaram. É espantoso ver brotar, como cogumelos silvestres, dietas e mezinhas para todos os gostos, sendo que algumas, tais como os cogumelos, também são “venenosas” e até podem matar. Em tudo na vida é preciso ter bom senso e nem toda a gente pode aspirar a ter um corpinho enxuto e bem torneado, como os que aparecem nas capas das revistas de moda. Podemos e devemos ter cuidado com o nosso corpo, ter uma alimentação saudável e de acordo com o dispêndio de energia exigido pelo trabalho e pelas outras tarefas diárias, fazer exercício de forma regular, porque assim melhoramos a saúde e logo a nossa aparência também melhora. Ter presente que ninguém pode fugir à sua identidade genética. As adolescentes e as mulheres jovens são aquelas que são mais sensíveis aos modelos estereotipados de beleza, pelo que correm maior risco de sofrer de perturbações do comportamento alimentar. Os erros alimentares na adolescência podem comprometer definitivamente o desenvolvimento harmonioso do corpo. Tanto a anorexia como a bulimia surgem nesta fase da vida e há a ideia de que são as duas faces duma mesma moeda. Errado! São doenças bem distintas, embora não sejam de todo o oposto uma da outra. Na anorexia, o doente apresenta uma massa corporal inferior à esperada para o seu sexo e grupo etário. O doente não se considera doente – e de facto, os outros comportamentos 80

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| JUL/AGO 2011

não estão, em geral, comprometidos. No entanto faz uma avaliação da sua imagem e da sua aparência profundamente distorcida. Olha-se ao espelho e considera-se persistentemente “gordo”, embora o peso seja abaixo do esperado e todos à sua volta verifiquem que está realmente magro ou mesmo muito magro. Já a bulimia é uma perturbação do comportamento alimentar, caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar, em que o doente consome quantidades anormalmente grandes de alimentos durante um curto espaço de tempo. O doente perde o controlo sobre si mesmo, é como se sofresse duma fome insaciável. Estas sessões de perfeita “orgia alimentar” são, em regra, seguidas de um forte sentimento de culpa, e porque também tem receio de engordar desmesuradamente, o doente provoca o vómito ou toma laxantes para evacuar e impedir a absorção desses alimentos. O doente que sofre de bulimia não quer engordar. Está constantemente a pensar em comida e na maneira de evitar comer demais. Esta resistência permanente acaba por levar ao descontrolo total, o que acontece duas ou três vezes por semana. Ao contrário do doente com anorexia que não se reconhece como doente, o doente com bulimia tem uma baixa autoestima, reconhece que o seu comportamento não é normal, esconde-se para provocar o vómito e, em geral, não procura ajuda porque sente vergonha. Quer os doentes com anorexia, quer os doentes com bulimia carecem de apoio psicológico. Para alguns doente com bulimia, a psicoterapia tem-se mostrado suficiente. No entanto, a maior parte destes doentes tem necessidade de ser medicada com fármacos anti-depressivos e seguidos na consulta da especialidade. n ANDRÉ LETRIA


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Boavida|Palavras da Lei

Falta de pagamento de pensão de alimentos a um filho menor ?

O meu ex marido tem, sistematicamente, faltado ao

pagamento da pensão de alimentos ao nosso filho menor, fixada pelo Tribunal. Esse atraso já dura há mais de cinco meses. E ele não tem pago a pensão, porque julga que ficou desobrigado, por ter uma nova relação, cuja companheira se encontra grávida, e também porque ele acha que gasto o dinheiro da pensão em coisas que não interessam ao nosso filho, apesar de provas em contrário. O meu filho não tem acesso a explicadoras, por causa dele não pagar a pensão, o que o afectou nas notas da escola. Terei que recorrer ao tribunal de família e menores de novo? Sócio devidamente identificado – Mafra

Pedro Baptista-Bastos

A

Lei nº 61/2008, de 31 de Outubro, alterou o regime do divórcio, passando comummente a chamar-se de Novo Regime do Divórcio (NRD). Entre outros aspectos, regulou-se a situação do incumprimento de pagamento de prestação de alimentos. Onde a Organização Tutelar de Menores considerava os alimentos a menor e seu incumprimento como um chamado incidente processual – isto é, dentro de um processo de regulação de poder paternal estabelecido e fixado pelo tribunal, o mesmo sofre vicissitudes; ocorrendo uma dessas vicissitudes, escusava-se de abrir um novo processo, e suscitava-se o “incidente de incumprimento”, que o tribunal, diante dos factos e provas, apreciava – o NRD, entre muitas alterações significativas, também modificou os arti-

gos 249º e 250º do nosso Código Penal. E estes dois artigos dizem respeito, precisamente, a este género de situações, prevendo, porém, o artigo 249º a chamada “Subtracção de menor” e o 250º a “Violação de obrigação de alimentos”. Ao caso, interessa-nos o artigo 250º do Código Penal. Diz este artigo, nos seus nºs 1 e 2, que quem estiver legalmente obrigado a prestar alimentos, estiver em condições de o fazer e não cumprir no prazo dos dois meses a seguir ao seu vencimento, é punido com pena de multa de 120 dias; a prática reiterada é punida com pena de prisão até um ano ou pena de multa até 120 dias. Se esse incumprimento afectar necessidades fundamentais do menor, é punido com pena de prisão até dois anos e pena de multa até 240 dias – nº 3 do artigo 250º do Código Penal. De acordo com a situação da nossa leitora, pode lançar mão de uma queixa-crime contra o seu ex marido. O uso deste meio que o NRD promulgou ainda não é muito frequente. Terá que provar a chamada “actividade penal” em si, isto é, a falta de pagamento injustificado pelo seu ex marido, a actuação dele, tal como a norma penal prevê, já não sendo necessário provar o perigo que o seu filho sofreu, decorrente dessa actuação. n JUL/AGO 2011 |

TempoLivre

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ClubeTempoLivre > Passatempos Palavras Cruzadas | por José Lattas

1

HORIZONTAIS: 1-Atrela; Derrear; Preposição, que geralmente

1

estabelece relação de companhia. 2-Jazigo; Abalareis; Abano. 3-Respeito; Apontar. 4-Caminho; Consolidar; Nome de feminino. 5-Templos chineses. 6-Rodoviária de Lisboa (sigla); Instrumento de cordas muito usado na antiguidade; Continente; Protactínio (s.q.). 7-Abrasar; Primazia. 8-Crómio (s.q.); Utiliza-se para evitar a repetição, do autor, nas citações; Apara; Antiga designação da nota dó. 9-Afrontara. 10Cachucho; Brilhante; Derivas. 11-Arruaceiro; Desculpa. 12Aniversário; Acumular; Sigla portuguesa de NATO. 13-Freira; Cantadeira; Alça.

2

verbo ter; Chaminé; Elemento de composição de palavras, que expressa a ideia de pequeno 3-Comenta; Administrador. 4Pedra de altar; Foro; Rio que banha a cidade de Leiria. 5Chalaça. 6-Percebi; Sarrafo; Livro de poemas de António Nobre. 7-Letra grega (invertida); Nome de letra, do alfabeto português; Amaldiçoado; Porco (invertido). 8-Principal unidade de medida de comprimento; Crómio. 9-Bismuto (s.q.); Sufixo que exprime a ideia feito de; Sigla de taxas de juro, usadas nos empréstimos bancários; Abreviatura de avenida. 10-Artigo definido (pl.); Sopro; Goza. 11-Fechara as asas para descer mais depressa. 12-Estação Orbital Internacional; Enfiada; Consto. 13-Auréola; Catálogo. 14-Ovário dos peixes (pl.); Asneira; Assanhos. 15-Aposentara; Xarope.

3

4

5

6

7

8

9 10 11 12 13 14 15

3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 SOLUÇÕES (horizontais): 1-ATA; ALOMBAR; COM. 2-MINA: IREIS; MOVO. 3ADORO; T; VIRAR. 4-ROTA; SARAR; ROSA. 5-A; A; PAGODES; A; R. 6-RL; LIRA; ÁSIA; PÁ. 7-ATEAR; PALMA. 8-CR; IDEM; TIRA; UT. 9-R; V; ATACARA; P; I. 10-ANEL; AUREO; SAIS. 11-VADIO; O; DOURA. 12-ANOS; SOMAR; OTAN. 13-SOR; COOVIA; ASA.

VERTICAIS: 1-Amarizar; Encostadores. 2-Participo passado do

2

Ginástica mental| por Jorge Barata dos Santos

N.º 28

Preencha a grelha com os algarismos de 1 a 9 sem que nenhum deles se repita em cada linha, coluna ou quadrado

N.º 28

82

TempoLivre

| JUL/AGO 2011

SOLUÇÕES


85:Layout 1 27-06-2011 15:44 Page 1


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ClubeTempoLivre > Novos livros

BOOKSMILE

passado

bela guerreira aurabrana

nos mantêm a todos

recente são

desperta num tempo que

interligados.

inúmeros os

parece não ser o seu. A

factos

antiga rainha, conhecida

O TEMPO QUE JÁ NÃO

históricos a

como a

VIVEREI

decifrar com

Portadora da

o rigor e perícia do Canal de

Luz, está

Fabio Volo Com uma infância dominada

História.

destinada a

pela ausência da figura

EDITORA LICORNE

protagonizar

paterna,

uma missão

Lorenzo, agora

quase

adulto, luta

DAS CERCAS DOS

impossível - salvar o mundo

por conquistar

CONVENTOS CAPUCHOS

da ameaça e domínio

o amor do pai

ACADEMIA DAS FADAS

DA PROVÍNCIA DA

Holkan.

BRILHANTES: FESTA À

SOLEDADE

MEIA-NOITE

António Manuel Xavier Um livro dedicado à

Titania Woods Twink vai passar o

e da amada. Mas, só quando adquirir

edificação das cercas dos

AMOR, PONTO E VÍRGULA

maturidade emocional e

Andrew Nicoll Algures no Báltico, entre

assumir os afectos

exóticas e curiosas

equilíbrio interior, aceitando-

conseguirá restabelecer o

aniversário na escola, longe

conventos

da família, mas as suas

capuchos,

personagens, a

amigas fadinhas organizam-

situado a norte

narradora

lhe uma festa à meia-noite. O

do rio Tejo, que

omnisciente e

REFLEXOS NUM OLHO

problema surge quando as

reflecte a forma

omnipresente,

DOURADO

professoras descobrem o

como estes

Santa Walpurnia,

Carson McCullers Numa pequena base militar

se a si e aos outros.

estariam repartidos em

uma virgem barbuda e

terreiros e muros ou

mártir, confere ao romance

americana a

preenchidos por bosques e

um inigualável grau de

rotina e o

jardins, abençoados por

humor, na linha do realismo

isolamento

CAMINHOS DO CORAÇÃO

capelas e grutas…

mágico.

criam uma

Helena Sacadura Cabral Entre o sonho e a realidade,

PONÇ PONS PESSOANAS

C

este mapa sentimental

A poesia de Ponç Pons,

perigosamente as

evento!

CLUBE DO AUTOR

tensão insuportável e agudiza

conduz-nos

escritor

Tom McCarthy Filho de um homem

ao coração,

espanhol que

fascinado por experiências

contradições. Um romance

através da

figura nas mais

com comunicações sem fios

que explora

partilha de

importantes

e director de

os limites da normalidade e

experiencias

antologias.

uma escola

o foro íntimo das pulsões,

e histórias

A presente

para

que se lhe opõem.

que reflectem diferentes

edição recebeu diversos

crianças

formas de amar, de errar, de

prémios em Espanha e

surdas,

aprender e de viver.

apresenta-se, agora,

Serge Carrefax

traduzida por Manuel de OS GRANDES MISTÉRIOS

Seabra.

nasce em 1898. Entre o silêncio e o ruído de estática

DA HISTÓRIA Canal de História A humanidade está repleta

EDITORIAL PRESENÇA

de mitos, lendas e mistérios.

EDIUM EDITORES CAIS DA ALMA José Carlos Moutinho Um livro de poesia que evoca

a sua vida fica marcada

os sentidos, as

pelos mistérios da

emoções e os

O REGRESSO DOS DEUSES

comunicação.

desejos do

Desde as civilizações mais

Rebelião

Um romance que procura

autor em

remotas, continentes

Pedro Ventura Após sono de décadas, a

decifrar os códigos e ritmos

diferentes fases

obscuros que regem a vida e

da sua vida.

perdidos, até ao nosso 84

TempoLivre

| JUL/AGO 2011


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EUROPA AMÉRICA

desaparecimento do lendário

OS PIRATAS QUE

aquiliniano,

agente Sivart, terá de

ROUBAVAM VERDADES

onde a ironia, a

descobrir o

Rita Vilela e Ana Sofia

critica social e

seu

Caetano De forma divertida, o livro

politica marcam

paradeiro,

presença.

enquanto

promove a

Relembra a obra de Aquilino

protege a

reflexão em

Ribeiro, um dos escritores

cidade do

torno de

mais apaixonantes da

princípios e

literatura portuguesa.

crime que assombra os

de aspectos relevantes para

habitantes. AS NOVAS AVENTURAS DA

a formação da criança e sua

A FRAGATA PALLADA

relação com os outros.

Ivan Alexandrovich

CADEIRA-DOS-DESEJOS - A O VAMPIRO ARMAND

TERRA DOS CONTOS DE

BIOÉTICA EM DIÁLOGO

Goncharov A fragata Pallada iniciou uma

Sinfonia para Sybelle

FADAS

COM OS JOVENS

viagem de circum-navegação

Anne Rice Acompanhando o percurso

Enid Blyton A Cadeira-dos-Desejos leva

Giovanni Russo Fundamental para

no báltico em

do vampiro Armand por

Jessica e Tiago à Terra dos

aprofundar a problemática

sido afundada

cenários de luxo e elegância,

Contos de Fadas, um mundo

bioética a nível

pela tripulação

ou de adoração ao demónio.

onde as histórias de

didáctico, a obra

Este herói, eternamente

encantar são realidade.

aborda em forma

tarde, foi substituída pela

vulnerável, será forçado a

de diálogo novas

fragata a vapor, Diana, que o

escolher entre a imortalidade

fronteiras da

maremoto de Shimoda

e a salvação da sua alma.

1852 e, após ter

dois anos mais

vida, da ciência e do

destruiu no final do mesmo

ambiente. Um importante

ano. Um canto do cisne de

INOCENTE

contributo sobre os valores

um tipo de navegação (à

Scott Turow Dois homens defrontam-se

essenciais à vida.

vela) condenado a desaparecer, que dedica

LUCERNA

num

capítulos à Madeira e Cabo

fascinante

Verde.

duelo

SANTOS DE PORTUGAL

psicológico.

João César das Neves De forma sucinta, a obra

Quando

VOGAIS

Sabich, juiz

revista e

GENO: O TALISMÃ DE

de um

actualizada,

ANOKI

inclui informação

Moony Witcher Geno é um rapaz de 11 anos

sobre os Santos

capaz de mover objectos

tribunal de apelação,

PAULUS EDITORA

encontra a sua mulher morta em circunstâncias

CARTA AOS CRISTÃOS DO

misteriosas, Molto acusa-o

SÉCULO XXI

de Portugal, figuras

com o

de homicídio pondo em

abençoadas que brilham ao

pensamento e

marcha um julgamento que

Maria Stella Salvador Seguindo o seu estilo

longo dos tempos.

ler a mente das

mostra uma sala de

testemunhal devocional, a

audiências tensa e explosiva.

autora apresenta um

pessoas. Ao

SOPA DE LETRAS

caminho

tentar desvendar os mistérios da sua infância

MANUAL DO DETECTIVE

espiritual

NA LUZ DA SOMBRA DE

conhece Madame Crikken,

Jedediah Berry Charles Unwin, um

baseado nas

MESTRE AQUILINO

uma anciã enigmática e

cartas do Apóstolo

Manuel de Lima Bastos Um livro que cruza

sábia que o vai ajudar a

meticuloso funcionário de uma agência de detectives,

São Paulo.

memórias pessoais com

poderes.

após misterioso

figuras do universo

conhecer todos os seus Glória Lambelho JUL/AGO 2011 |

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ClubeTempoLivre > Cartaz

COIMBRA

desafio e Gr. Etnográfico da

Mostra de Teatro Escolar na

Região da Lousã, em Lousã.

Escola EB 2/3 em Teixoso.

VIANA DO CASTELO

JULHO

Feira: dias 22 a 31 – Stand

JULHO

Música: dia 9 às 22h –

INATEL na EXPOFACIC em

Exposição: até ao dia 29 -

grupos Bairrada Brass

Cantanhede.

Orquestra e Dixie Gringos

Cursos Iniciação à

Jazz Band na Pça do

Pintura: inscrições na

JULHO

INATEL.

Comércio em Coimbra e,

Agência Inatel.

Espectáculos: Agência

Eventos: dia 15 às 21h30 - “No

pelas 17h, concerto de aniv.

INATEL (no pátio) às 21h, dia

Mundo das Mulheres” pela

da Filarmónica de Arganil, em

6 - Filarmónica Liberalitas

Esc. de Mús.de Perre, no salão

Júlia, dia 13 - Rancho Folcl.

Paroquial de Perre; dia 16 às

Flor do Alto Alentejo, dia 20 -

21h30 - “As Vidas dos Outros”

Arganil; dia 17 às 16h –

CASTELO BRANCO

Encontro de Bandas em

ÉVORA

Artes Plásticas de Arnaldo Rodrigues na Agência

Quiaios; dia 22 às 21h30 -

JULHO

Filarmónica União

na J. de Freg. de Vila Franca.

Orquestra de Sopros de

Folclore: dias 8, 9 e 10 – XVI

Calipolense e dia 27 -

Passeios: dias 9 e 10 -

Coimbra na Igreja Matriz de

Festival em Enxames

Musical União Vimieirense.

Convívio Tourém / Perre pelo

Tábua (76º Aniv. INATEL); dia

(Fundão); dias 8 a 16 - 15º

Evento: dias 16 e 17 - Rancho

Gr. Cicloturismo de Perre.

24 às 21h30 - Orquestra de

Encontro Nacional de Folclore

Folcl. Flor do Alto Alentejo e

Cicloturismo: dia 15 às 9h -

Sopros de Coimbra no

em Castelo Branco; dias 9 e

Banda Filarmónica de

Passeio em Freixieiro Soutelo e às

Conservatório de Música de

10 – festival de folclore e

Redondo na Casa do Povo do

21h30 “Viana à Noite” em Sta

Coimbra.

jogos Tradicionais em Unhais

Freixo.

Marta Portuzelo; dia 31 às 8h -

Folclore: dia 17 às 21h30 -

da Serra.

Malha: dia 17 - Troféu Malha

circuitos em Perre e em Monte

Concertinistas, cantadores ao

Teatro: Até ao dia 20 – 1ª

em Borba

de São João.


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O Tempo e as palavras M a r i a A l i c e Vi l a Fa b i ã o

Ainda a propósito de um alegre fim-de-semana prolongado e de uma subsidiariedade mal compreendida... Neste mundo traidor / Nada é verdade, nem mentira. / Tudo depende da cor / Do vidro por onde se mira // Ramón de Campoamor (1817-1901), in: "Humoradas" Trad.: MAVF

A

"cronista" da cidade chegou e disse: - Já todos partiram. Só eu fiquei. A levíssima sugestão de queixa é contrariada pela luminosidade do riso e pela inusitada alacridade com que faz deslizar o pano do pó sobre a superfície polida dos móveis. Ao olhar inquisitivo que ergo do papel responde que também ela partirá, com toda a família, mas só amanhã, pago já este seu quinhão de palavras e suor de hoje. E relata, enquanto limpa: - Amanhã é feriado. E depois há ponte - fim-de-semana prolongado. A cidade já está vazia… Enumera os possíveis destinos de arribação: Algarve, sobretudo, em corridas de um ao outro extremo do país; Benidorme; Canárias… Ela ficará por perto, desta vez. A crise. A despesa do outro fim-de-semana no Douro. E no seguinte, do casamento do filho de amigos, a 100 € por cabeça. E no outro ainda, a ida a Fátima. Tudo a custar um "dilúvio". Não sabe como "outros" aguentam: pequeno-almoço, lanche e cafés, no café; alguns nem fazem uma sopa em casa; a prestação das "bombas" (carros); a prestação das casas. Desempregados. Uns, porque não arranjam emprego; outros, porque não querem. Dizem que para ganhar o que ganham a trabalhar têm os subsídios, sem fazer nada. E há os empréstimos. Até para viagens. Ela mesma empresta às vezes, do seu pouco. Mas rende: de mil euros, a dez meses, só entrega setecentos. - Já são trezentinhos que ficam. Coitados dos envergonhados. Esses… O mal foi dos governos e da "subsidiaridade" que veio da CEE: era para comprarem barcos, mas compraram casas, carros, "luxúrias". Agora, comemos sardinha de Espanha e peixe-gato do Vietname. Vem tudo de fora. Até as cebolas. Como se os nossos campos não dessem! Era subsídio para não os trabalharmos, era subsídio para não pescarmos… A gente "habituámo-nos" ao bem-bom. Agora custa. (É óbvio que os "outros", de que se exclui, e "a gente" se não referem ao jet-set nacional!) Não interrompo. Presa numa intrincada teia de associações de ideias, nem tento explicar-lhe que subsidiariedade não é o colectivo de subsídio.

A sua demonização do conceito deve-se à ignorância da origem da designação do mesmo: a versão alemã da encíclica "Quadragesimo Anno", sobre a restauração e aperfeiçoamento da ordem social em conformidade com a Lei Evangélica, (1931), dirigida pelo Papa Pio XI ao mundo católico (em resposta à Grande Depressão de 1929), em que surge pela primeira vez o termo Subsidiarität na composição Subsidiaritätsprinzip - Princípio da Subsidiariedade. No léxico comunitário, o princípio da subsidiariedade é garante de determinado grau de autonomia dos Estados-Membros face à Comunidade (das regiões face ao poder central, e do indivíduo face à autoridade) e de ajuda por parte da instância superior sempre que a inferior dela necessite. (Grécia...). Com ouvido intermitente, vou escutando o retrato sonoro, a negro-e-negro, que com alegre inconsciência faz de si e de uma sociedade que é nossa neste "agora" do nosso continuum histórico. O conhecimento do passado ajuda-nos a explicar o presente e a preparar um futuro melhor. O retrato da sociedade portuguesa que o erudito flamengo Clenardo, professor do irmão do Rei D. João III (1521-1557), nos deixa nas suas cartas aos amigos durante os anos que viveu em Portugal só na linguagem difere do da actual "cronista" da cidade. Como traços principais, realça a prosápia nobiliárquica dos portugueses, que faz deles crónicos endividados "comedores de rabanetes", a facilidade dos costumes, o desamor ao trabalho e o amor à ociosidade, tornados mais graves pelo amor à ostentação que, à falta de produtividade compensatória, leva o país à decadência. Exagerado, chamam-lhe alguns. Lusitanófobo, outros. Realista, consideravam-nos os seus pares nacionais. Na transparência do horizonte, há um traço de loucura temperada pela aragem salgada de conchas e crustáceos. Carpe diem. Aceitemos o convite em que, em ritmo ternário, insiste a voz de Leonard Cohen: Ay, ay,ay, ay Take this waltz, take this waltz, take this waltz… Toma esta valsa, toma esta valsa… n JUL/AGO 2011 |

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Os contos do

Olhos nos olhos

I

nterrompeu a leitura num final de capítulo em que a personagem central sentenciava: “Se não fossem as surpresas, a vida seria um imenso tédio”. São cinco e meia da tarde, umas dezenas de pessoas partilham com Manuela a amenidade da esplanada. Há mais som que movimento, conversas e risos de gente recostada saboreando bebidas frescas e a sombra do toldo. Numa viagem dos olhos pelos circunstantes, ela conta mais jovens que maduros, mais mulheres que homens. A cidade mudou com as mudanças do mundo. Nos tempos distantes da adolescência de Manuela seria improvável aquele grupo de mocinhas que anima três mesas agrupadas. Lembra-se de como era diferente. Tem muito que lembrar, os anos voam e deixam recordações. No rodopiar da observação, detém-se-lhe a visão num rapaz que parece, por sua vez, olhá-la fixamente. Surpreende-se dada a pouca idade do contemplativo em confronto com a já não pouca idade dela. Épocas passadas, sim, habituara-se a ser focada com embevecimento e desafio. E não só no apogeu dos vinte, quando tentaram convencê-la a participar num concurso de beleza. Como se riu, recusando! Mas também depois, com trinta, os quarenta, e mais, continuou a sentir-se alvo de admirativas atenções. Guarda fotos e vídeos que documentam a perfeição do rosto e a forma do corpo. Não menos gabadas as pernas e as pernas não se alteraram com os passos percorridos no trilho do tempo. Espreitando de soslaio, iria jurar que é precisamente nas pernas que se cravou o olhar do moço. Mas não só. Nota que a percorre dos pés à cabeça como se pretendesse fotografá-la na mente em imagem de corpo inteiro. Não pode esconder de si mesma que se sente lisonjeada. Mas, que diabo, é um garoto. Garoto? Terá talvez uns vinte e cinco, trinta anos, uma barba escura, de dois dias, sombreia-lhe o rosto, a camiseta que lhe envolve o tronco não esconde o porte atlético. Coloca os óculos de sol. Quer verificar se o

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rapaz continua a fitá-la, mas sem que ele possa perceber que também é observado. Coisa útil, os óculos de sol. Pode agora mirá-lo livremente. Com quem se parece? Talvez com Odílio, um segundo e conveniente namorado que a levou à descoberta de prazeres até então só imaginados. Há quantos anos isso lá vai! Com quem não tem parecenças é com o ex-marido, esse fascinou Manuela pelo intelecto. Sempre o lembrará como um conversador brilhante mas estupidamente ciumento e os homens ciumentos, considera ela, não deviam casar-se com mulheres a que os outros homens não resistem olhar. Por vontade dele, teria de usar sempre casacões, saias a tapar os joelhos, sapatos rasos e golas apertadas no pescoço. Eram frequentes as discussões e o menos que ele lhe chamava era “coquete”. Que coisa! Não restam dúvidas de que o rapaz está a “mordê-la”, como se dizia em calão antigo. É verdade que ela ainda hoje chama miradas masculinas, mas agora de veteranos da sua geração. Como um vizinho que lhe confidenciou ter vontade de voltar a casar-se. E não foi mais longe porque ela atalhou: “Eu não”. Uma espreitadela ao relógio diz-lhe que são horas de ir andando, combinou com a filha, Diana; que mora no Estoril. Mas está a sentir-se bem ali, não será todos os dias que uma pré-reformada cativa o enlevo de um jovem bem-parecido. A situação acaricia-lhe o ego. Suspeitará o atrevido que também ela está a “mordê-lo”, protegida no esconderijo dos óculos de sol? É um jogo que a diverte e, ao mesmo tempo, lhe agita a sensualidade. Reage. Vai retirar os óculos e apontar os olhos aos olhos dele com idêntica fixidez. Apostaria que o descarado baixa a cabeça, os homens assustam-se quando são enfrentados. Mas, espera. Ao que se afigura, o galador não tem pressa de se afastar, acaba de pedir mais uma bebida. Por esses breves momentos desviou dela o olhar, mas ei-lo de volta, persistente e sem disfarces. Mais ainda, sorri e esboça um cumprimento com leve aceno. ANDRÉ LETRIA


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Desconcertada, Manuela retribuiu o sorriso, meia aceitação para os avanços dele. De súbito, apetece-lhe fugir. Ainda se semiergue na cadeira mas torna a sentar-se – como desprezar a vertigem que logo lhe provoca? É a vez de ela pedir outro café e esperar o que acontece. Decide ser a última a desistir do pingue-pongue ocular. Pensando melhor, não, decididamente já não é um garoto. E ela não é mulher acabada para a sedução, sente-o na insistência dele e na sua própria vontade. Novo sorriso a que ela corresponde, agora mais expressivamente, é como uma autorização de abordagem. O provocador levanta-se e caminha para o lugar onde Manuela estremece, entre a surpresa e o contentamento. O quê? Uma aventura? Com um rapaz pouco mais velho que a sua filha Diana? Só sabe que o atiradiço lhe reforçou o amor-próprio e é com um gesto que o convida a sentar-se na cadeira em frente. Então, ele diz: - Não me reconhece? Sou o Ivo, seu antigo aluno de Matemática.

A ilusão de Manuela desmoronou-se como construção de açúcar batida por jorro de água gelada. - Sim, o Ivo – murmura. – Tenho uma ideia. Com os cotovelos fincados na mesa, Ivo aproxima mais a cara do semblante desolado dela: - Permita dizer-lhe agora o que não podia dizer na altura. Eu tinha uma paixão tremenda pela “sotôra”. Manuela força uma gargalhada que sai amarga como um gemido: - Tinha? Uma garotice, claro. Não é raro. Ivo segura-lhe nas mãos e acrescenta: - Talvez garotice, mas com todo o nexo. Tenho estado a observá-la e tão encantado como nesse tempo. Vou directo: aceita jantar comigo? Entontecida, só lhe saí uma pergunta: - Hoje? - Sim, hoje. De preferência na minha casa. Vivo só e tornei-me um excelente cozinheiro. O sorriso renasce na face de Manuela quando segura o telemóvel: - Diana? Desculpa mas não posso ir jantar. Tenho um compromisso já antigo. n JUL/AGO 2011 |

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Crónica

A mentira não compensa (às vezes…) Álvaro Belo Marques

E

u estava à espera do autocarro que fazia a Basewater Road e não me saía da cabeça a carta que nessa manhã recebera da Alfândega de Sua Majestade. Portanto, estou em Londres, já há dois meses a trabalhar e, neste momento, ao pé da célebre esquina de Hyde Park. Dizia-me o senhor director da Alfândega, que se encontrava lá uma encomenda proveniente de Lisboa, Portugal, com maços de cigarros mas dizendo por fora "Livros" e, como remetente, uma senhora que era precisamente a minha mulher. Mais me informava o senhor director que, para levantar esta encomenda, teria de pagar não sei quantas libras (muitas) ou aguardar o leilão no dia tal, às tantas horas, para poder licitar. Apanhei o autocarro e saí na terceira paragem, atravessei a road para estibordo e entrei na ruazinha que me levava ao meu hotel - um pequeno e modesto hotel dirigido por um simpático alemão chamado Otto. Já no meu quarto escrevi uma resposta à carta da Alfândega, numa tentativa infantil de recuperar os cigarros. Depois fui mostrá-la ao Otto para que emendasse eventuais deslizes ortográficos. O Otto foi simpático, pegou na carta e começou a lê-la. Para meu espanto, começou a rir, depois a chorar de rir e depois assoou-se, devolveu-me a carta e disse: - Se o senhor mandar esta carta para os Correios, amanhã estão dois polícias aqui para o prender. - Porquê? -, perguntei espantado. - Por falta de respeito à Alfândega de Sua Majestade. - Não pode ser -, afirmei, atónito. - Sabe, eles vão considerar esta carta um insulto. Agradeci-lhe a gentileza do conselho e retireime em boa ordem, não enviando obviamente a carta, que dizia mais ou menos isto:

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"V.Exª. não conhece por certo Portugal. Pois este meu país é uma terra de milagres. Um deles, muito interessante, foi realizado pela Rainha Santa Isabel que um dia, rodeada de aias e de pobres ia sendo apanhada pelo seu marido, D. Dinis. Com o avental dobrado cheio de carcaças para dar aos pobres, ela fazia a caridade sem alarde, como antigamente se usava. Mas D. Dinis que era um desconfiado, interrogou-a sobre o volume que se notava no regaço. E ela mentiu com quantos dentes tinha na boca: "São rosas, senhor, são rosas." E, quando abriu o avental, dezenas de belas rosas saltaram para o chão. Deixou de ser mentirosa e continuou a ser santa. "Mas os milagres começaram mais cedo. Começaram com o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques o qual, na Batalha de Ourique, tinha de vencer um numeroso exército islâmico. Mas ele, com as costas quentes, e já vão saber porquê, atira-se para a frente com os seus homens e mata cinco reis mouros e não contente com isso, coloca o resto da malta a fugir por Ourique e arredores fora, em debandada. E isto, segundo as crónicas, num só dia! "Contamos a V.Exª. como foi que ele se encontrou com as costas quentes. É que, no dia anterior, Jesus em pessoa conversou com o Afonso, num ameno e longo bate-papo, dizendo-lhe que a peleja estava ganha e que Ele próprio o iria ajudar. Pelos vistos assim foi. "Já no sec.XX, Nossa senhora apareceu a uns miúdos pastores, em Fátima, sendo hoje o local um dos negócios mais lucrativos dos portugueses. "Portanto, se a remetente da encomenda, no caso a minha mulher, disse que eram livros, é porque eram livros. Se a Alfândega de Sua Majestade diz que são cigarros, é porque são cigarros. A única explicação é que, durante o trajecto, de Lisboa para Londres, se deu um milagre." n


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