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ano 7 nĂşmero 24 Jan-Fev-Mar 2011


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* Fonte: Estudos Marplan Setembro/09 a Outubro/10 Brasília Filtro: 10+ anos


primeira palavra 5 destaque 6 dia do diagramador 8 entrevista 11 capa 14 cartão postal 18 saúde 21 nossa gente 23 coluna da Dad 24 pérolas do Chatô 25 passatempo 26


EXPEDIENTE Diários Associados Brasil é o veículo de informação corporativa dos Diários Associados, sob a coordenação da Fundação Assis Chateaubriand (FAC). Endereço: SIG, Quadra 2, Lote 340, Brasília - DF, CEP: 70.610-901. E-mail: fac@correioweb.com.br Telefone: (61) 3214 1378. Fax: (61) 3214 1381. FUNDAÇÃO ASSIS CHATEAUBRIAND (FAC) Presidente – Edison Zenóbio Vice-Presidente Executivo – Evaristo de Oliveira Diretor Cultural – Márcio Cotrim Diretor de Relações Institucionais – Paulo César Marques Conselho de Curadores Jarbas Passarinho (presidente), José de Arimathéa Gomes Cunha (vice-presidente), Affonso Heliodoro dos Santos, Álvaro Augusto Teixeira da Costa, Arnaldo da Costa Prieto, Evaristo de Oliveira, Francisco Queiroz Caputo Neto, Joezil dos Anjos Barros, José Adirson de Vasconcelos, Mário Pacini, Maurício de Castilho Dinepi e Pedro Batista Freire Conselho Fiscal Vitório Augusto de Fernandes Melo, Possidônio do Espírito Santo Meireles e Cleisson Nunes Barbosa

REVISTA Diários Associados Brasil Diretor de Redação Márcio Cotrim Conselho Editorial No distrito federal Carmela Marques: Superintendente de RH Cleisson Nunes Barbosa: Superintendente de Gestão Maria Celeste A. Antunes: Assistente Administrativa Nos Estados Isabela Teixeira da Costa: Minas Gerais Mônica Pereira: Pernambuco Paulo Coimbra: Rio de Janeiro Julianna Araújo Cruz Sales: Paraíba Logomarca - Capa Rafael Ohana - Diários Associados em Brasília Edição Lívia Barreto e Rogério Fuente Coordenação Editorial Adriana Mendes Reportagem Flávia Medeiros e Lívia Barreto Projeto Gráfico Liberdade de Expressão Diagramação Fabrício Martins Capa Alessandro Santanna Revisão Cecília Fujita e Joíra Coelho Produção Editorial

Diretora: Patrícia Cunegundes (61) 3349-2561 Impressão Gráfica Ipiranga


primeira palavra

O futuro é o leitor

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omo será o jornal do futuro? Em uma linha: cada vez mais pautado pelos leitores. A revolução tecnológica a partir da última década do século XX, com a popularização da internet e da telefonia celular, mudou a maneira de se produzir e consumir a informação. A nova realidade acabou com a primazia dos jornalistas na tarefa de definir, apurar e publicar o que se convencionou chamar de "notícia". Hoje a centelha de um veículo de comunicação se resume em uma palavra: participação. o Correio Braziliense, fundado em 1960 em sintonia com o espírito ousado e inovador que inspirava a construção da nova capital, está empenhado em aprofundar a parceria com leitores e internautas na produção de conteúdo. A participação dos leitores na produção de conteúdo pode ser medida de diferentes formas. Um dos principais canais de interação com o nosso público reside no atendimento prestado pela equipe do Call Center. Esses profissionais captam, desde as primeiras horas da manhã, as impressões dos assinantes do Correio sobre as reportagens publicadas nas páginas do jornal, bem como a apresentação da capa e das páginas internas. Além de comentários acerca de determinada matéria, são frequentes as sugestões de temas a ser explorados pelo jornal: a dificuldade de atendimento na saúde pública, uma denúncia de corrupção em determinada repartição do governo, uma ação solidária desenvolvida por determinada grupo comunitário. o comentário registrado pelo Call Center é encaminhado à redação, que imediatamente começa o trabalho de apuração e verificação dos temas sugeridos pelos leitores. A publicação de uma nova reportagem reinicia o processo, com comentários adicionais de leitores e mais sugestões. Essa colaboração amplia a cobertura jornalística do Correio e reforça os laços entre o jornal e seu público. A variedade de temas captados dos leitores é proporcional à gama de assuntos abordados todos os dias nas edições do Correio. Mas há outras maneiras de colaborar com o Correio. o site constitui importante canal de interatividade entre o jornal e internautas. Comentar uma notícia, participar de

Edson Ges/CB/D.A Press

discussões em blogs e chats, votar em uma pesquisa de opinião são algumas das possibilidades que estão à disposição dos frequentadores do correiobraziliense.com.br. os temas levantados na plataforma digital também contribuem para o formato impresso. Frequentemente as páginas do Correio publicam desdobramentos e comentários de internautas acerca de notícias lançadas em primeira mão no site do jornal. Em tempos de rápidas mudanças no mercado da informação, a interação com o público é condição sine qua non para a longevidade dos veículos de comunicação. Hoje o leitor tem condições de apontar claramente o que ele quer ler nas páginas do jornal, ver na televisão, ouvir no rádio, acompanhar na internet. Viverá mais o veículo que responder com mais agilidade a essa demanda.

ana maria Dubeux Costa Membro do Condomínio Acionário dos Diários Associados e editora-chefe do jornal Correio Braziliense

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destaque

O espaço da arte No Maranhão, Espaço Ímpar caminha para se consolidar como local de promoção da cultura regional Gilson Teixeira

O espaço, inaugurado no início de dezembro de 2009, já recebeu mais de 30 eventos culturais, como exposições, shows e peças de teatro

O

s Diários Associados no Maranhão estão levando a sério os ideais de promoção e divulgação da cultura difundidos pelo fundador do grupo, Assis Chateaubriand. Há um ano em funcionamento, o Espaço Ímpar já promoveu mais de trinta eventos culturais, entre sessões de cinema, apresentações teatrais, shows e exposições. A estrutura da sede do jornal O Imparcial, inaugurada em 2001, já contemplava a ideia de um espaço cultural, mas os planos saíram do papel apenas em dezembro de 2009, quando o Espaço Ímpar foi um dos locais de exibição do Festival Maranhão na Tela. Desde então, o movimento não parou mais. Quem organiza e promove as atividades do local é a Comissão Espaço Ímpar, formada pelo editor-chefe de O Imparcial e do AQUI-MA, Pedro Henrique Freire, pela assessora de marketing Priscilla Schleier e pelo gerente de tecnologia, Célio Sérgio, sempre contando com a orien-

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Diários ASSOCIADOS BRASIL

tação do diretor-presidente dos Diários Associados no Maranhão, Pedro Freire. “Queremos movimentar a cena cultural maranhense”, explica Pedro Henrique Freire. Para colocar o objetivo em prática, a maior parte das atrações prestigia artistas e temas da região. O lugar também pretende promover a cidadania. Durante a campanha eleitoral de 2010, os candidatos ao governo do estado estiveram lá, para debater suas propostas. O Espaço Ímpar é composto por três ambientes. O primeiro é o amplo hall de entrada do edifício, onde é possível fazer exposições de artes plásticas e encontros culturais. O segundo ambiente é o anfiteatro, que possui lugar para 150 pessoas – quando necessário, é possível oferecer cadeiras extras e comportar até 180 visitantes. O terceiro ambiente é um lounge, ideal para os debates e discussões que acontecem depois das apresentações no anfiteatro.


sucesso destaque

Neidson Moreira/OIMP/D.A Press

O anfiteatro também recebe muitas peças de teatro, a maior parte delas infantis. O grande número de escolas nas redondezas do jornal provê um público cativo, ávido por atividades culturais. A música é outra atração com lugar garantido na programação do Espaço Ímpar, que já foi palco para bandas de rock, como Garibaldo e o Resto do Mundo, e para o lançamento do CD do cantor maranhense Djalma Lúcio.

Espaço versátil – A sétima arte tem destaque na agenda de eventos. O Espaço Ímpar mantém parceria com a Programadora Brasil – órgão do Ministério da Cultura responsável por organização e divulgação de filmes nacionais – e com as embaixadas da França, da Espanha e da Alemanha. Há também uma parceria com a seção maranhense da Associação Brasileira de Documentários, que oferece curtas-metragens e documentários produzidos por cineastas locais. Essas instituições parceiras oferecem diversos títulos e exigem apenas uma contrapartida: que as exibições sejam gratuitas. As turmas que participam do projeto Leitor do Futuro têm direito a uma sessão depois da visita ao jornal, e vários professores de São Luís procuram o local para ampliar os horizontes cinematográficos de seus alunos. O colunista social de O Imparcial, Alex Palhares, promove todas as quartas-feiras uma sessão especial de cinema, reservada para seus convidados e pessoas que se inscrevem no site do jornal. A curiosidade desse evento é que os convidados nunca sabem a que filme vão assistir.

Planos para 2011 – Se depender de Pedro Henrique Freire, este será um ano bastante agitado. Entre os planos, estão a execução de atividades mensais e a busca por novas parcerias. Há também o projeto de redecorar o lounge próximo ao anfiteatro com elementos que remetam à comunicação e ao jornalismo. A elaboração de um calendário mensal de eventos tem por objetivo consolidar o Espaço Ímpar como local de promoção da cultura do Maranhão. Pedro Henrique pretende iniciar um projeto chamado MPA – Música, Poesia e Artes, que contemple essas três vertentes culturais. De acordo com o editor, a pretensão é que na segunda quinzena de cada mês sejam produzidos um show musical acústico, um evento de declamação de poesia e o lançamento de uma exposição de artes plásticas. “Toda vez que apresentamos o projeto do Espaço Ímpar a parceiros em potencial, ele é visto com muita simpatia. Em 2012, São Luís completará 400 anos, e nós queremos que o espaço seja palco de debates e discussões sobre nossa cidade. Queremos aprender com a Fundação Assis Chateaubriand a utilizar as leis de incentivo à cultura e como profissionalizar um trabalho que tem sido feito com muito sonho e muita paixão”, afirma Pedro Henrique Freire.

Karlos Geromy/OIMP/D.A.Press

Honório Moreira/OIMP/D.A Press

O anfiteatro, com capacidade para 150 pessoas, recebeu em agosto de 2010 a terceira edição do festival Maranhão Vídeo de Bolso

Peças infantis são comuns na programação do Espaço Ímpar. Na imagem, os atores interpretam a história de João e Maria

Em setembro de 2010, a exposição sobre surf na pororoca atraiu a atenção de estudantes de São Luís

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dia do diagramador

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B de ete La Ba el lan Ro co dr , ig ue s

EXCLUÍDA DA ESCOLA S EXPLORAD , NAS RUAS AS

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ais do que uma simples organização de conteúdos, a diagramação é peça-chave para a comunicação nos meios impressos e virtuais. Quem nunca se sentiu atraído por uma bela ilustração ou por um texto sinuoso, que contorna um gráfico cuidadosamente elaborado? o trabalho dos diagramaEm Desenrola, f dores é, acima de tudo, seduzir e etualmente em ex informar o leitor, utilizando os mais Rosane Svartma a sexualidade diversos recursos visuais. o cotidiano no euniverso de um diagramador não é moleza, M adolescente só acaba após o fechamento do jornal. Essa rotina exige uma formatação rápida, com utilização de modelos de páginas pré-prontos, mais simples. “A pressa

ERIKA KLING

L DA EQ UIPE DO CORR EIO

A ed ra a cid ucação é a de crianadania. É chave paum e um ças e adol direito de pais e ver do Es escentes ed uc dos educad tado, dos aç aos ou ão, nã o ores. Sem há dos na tros direito ac es so ga ra nt Constituiçã s definim er ca ia de in gr o. E nem Brasil do de tr ab es so no os an se orgulha al ho. O os de mai , alcançar de, todos ças e s de 96% a marca do da idades s adolesce s criantricula entre 7 e 14 ntes com damen dos no en anos masino fu ta l. O conde uma crproblema é nque uel re Há não vê seis meses alidade. tal índice es na 6ª seus coleg Jéssica (fo sé ra do rie do ensinas de esco to ao la do la. (CE). Ce ar á, ba irr o fundam Ela esta ) va qüentaMas, nas es o po bre ental na Ba de rcação as aulas. Pa tatísticas Fo rta le za , Jéss (M ra EC o feitura ica fre Minist ), o go passa de Fortalez verno do Ceério da Ed uta-feiratodas as m a, a menin ará e a pr ean meren sentada hãs de se a de 14 an os ca na da servida no banco gunda a se do xdi mater co nt a. As simariamente colégio. co m o inclui Jé A ca nã ial didático. ss o o está ites, na lá. Pa O problem re pa ss e do costad s ruas. É vi ssa, quase a é que Jéss to que pa a na plac sta com fre das as no ia tal ce ssa pelos pr da Avenid qüência reiar nhecid ense e é po incipais ho a Abolição té o em Forta nto de pros is da capi , Desd tituiçã de ca e junho leza. o cobe a ma da los castanhgarota, m des da exploração os e com agra e frági pr tipo de Avenida Be sexual na idos, é vít l, s R$ 30 perigo, Jé ira-Mar. Ex proximid i. axiliar Seu sonho ssica faz pr posta a todo de de distant enfermag tornar-seogramas po , um r e. em, es tá cada dia, auApes vez m no últimar de ter ais fa sores, o semes ltado a to tre da co com a legas ou , nenhum s as aula dos ba menina so alguém de dos profes s bre nc ca A ga os da esco seu parade sa falou iro long culdad rota relac la. io e nheço es finance na sua sit ua ira pregad meu pai. E s da fam ção às di fiíli Jé ss ic a”, relata. minha mãe a. “Não co An “L im a era ví tim tes de pa está desem pa R$ 20 va ca sa a de tra ba ssar às ruas 0. um m Não dava de fa m ílilh o in fa nt , il. dade, ês bom, co para nada a e tir av m ch orgulh ego a rece muitos tu . Agora, ema o be r R$ 1.0 ristas na escond no rosto ci00 da esco e os sinai frágil e meig ”, afirma. s da vid O o la. a que de Jéssica Nas pr leva lo óximas zilien nge se tá long revela qu páginas, o Correi e lh ares e de ser ún a história o Brade trás da de m en in ica. Somam Jéssica es salizaç s estatístic as e m en in -se a ela m as ios ão de su da ed ab an cess qu e, po uc do anos. na m as ação básic o da unive r rsa reportaO levantam la s de au a no Bras il, direta gem deste ento inéd la to do s os ito desem entre a expl jornal, mos , feito pe la penho tra oração esco Ex ist sexual a relação e o ba que re em 92 7 lar. ixo m ças e gistram expl un ic íp io ad s ção, po olescent oração se bras ile iro xu es Em 85 rnografia, , vítimas al de crian s de pr abando% de ss as tráfico e tu ostitui ris maior no e de di ci da de s, os mo sexu al. es sto ín rç di próprio do que as médão idade-sé ce s de s rie ias ob Prem estados. tidas são so Tim iado pela pelos ca, es Lopes de 3ª edição se de pa levantamInvestigaçã do Concur rti reporta da para umento serv o Jornalísti des da gem do Co a viagem iu de pont o s cinco pe rr regiõe eio esteve lo país. A em cid s bras ileira apr ov ou s e comd e p e qu e, in menten d e n t e Os nomes das za do da riquees m un tado ou crianças e jovens ic explor íp io , a citados neste xual deação secaderno são ças e crianfictícios. Mas as adoles centes histórias e traz existe consirelatadas não. go o ba de se ix o m nh o es pe co lar.


dia do diagramador

prÊmiOs

não dá muita margem para criar, por isso é preciso ter um conhecimento mínimo da editoria na qual se está trabalhando, para poder concluir o trabalho mais rápido”, explica o editor de arte do Jornal do Commercio, ricardo Gomes. No caso dos suplementos e especiais, o diagramador vai à reunião de pauta, que acontece uma vez por semana. Nela são definidas a capa e as linhas de inspiração para a elaboração dos trabalhos. Esses conteúdos são feitos de forma mais calma e com direito a um referencial gráfico e artístico maior, conforme explicam os diagramadores. o uso de apelos visuais, cuidadosamente estudados, instiga o gosto pela leitura e moderniza os periódicos. No entanto, para esse encaixe ser perfeito, é preciso saber aplicar essa visualidade em qualquer plataforma, porque o trabalho do designer de notícias não acaba nunca – seja em meio impresso, seja em internet e até mesmo em celular. Nos últimos 50 anos, a informação visual tem ganhado cada vez mais espaço na composição das notícias. Jornalistas e leitores perceberam que ela é ingrediente essencial para a percepção de determinado fato.

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CULTURA CORREIO BRAZILIENSE

Brasília, sexta-feira,1 de julho de 2005 Editora: Clara Arreguy //clara.arreguy@correioweb.com.br Subeditores: Hélio Franco,Natal Eustáquio,Sérgio Maggio e Teresa Albuquerque cultura@correioweb.com.br Tels: 3214 1178 • 3214 1179

DOCE

REBELDIA

TERESA ALBUQUERQUE DA EQUIPE DO CORREIO

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ássia Eller não era uma só. Era escrachada no palco, moleca entre amigos, bicho-do-mato com desconhecidos. Cantando, berrava, cuspia, coçava o “saco”, mostrava os seios. Em casa, era doce, brincalhona, divertida. Fora de seu habitat, morria de vergonha de tudo. Não falava direito com estranhos, não sabia onde enfiar as mãos. São essas duas Cássias, a frágil e a endemoniada, que Eduardo Belo e Ana Cláudia Landi mostram em Apenas uma garotinha, biografia da cantora que chega hoje às lojas pela Editora Planeta. No dia 12, os autores lançam o livro em Brasília, pelo projeto Sempre um papo. A história da menina que podia ser tão acanhada quanto ousada começa pelo fim, na véspera do Natal de 2001, cinco dias antes de sua morte. As primeiras 40 páginas (ao todo são 304) dão detalhes do que aconteceu antes e depois das quatro paradas cardíacas na Clínica Santa Maria, em Laranjeiras, no Rio. Falam das crises nervosas, dos rumores de overdose (depois descartados por laudo do Instituto Médico Legal), da disputa pela guarda de Francisco, o Chicão, filho da cantora – que ficou com Maria Eugênia Vieira Martins, companheira de Cássia durante 14 anos, em decisão inédita da Justiça. Os autores reforçam a tese de que Cássia Eller já tinha problemas cardíacos. Citam a febre reumática na infância, a arritmia identificada por exames em 1974, os estranhos desmaios em Brasília, nos anos 80. “Meu coração não é bom, ele falha”, ela dizia. A autópsia revelou que o coração apresentava “cicatrizes de lesões preexistentes” (anteriores ao infarto) e coronarioesclerose (formação de gordura nas coronárias).

Primeiros anos

Voltando no tempo, até a tarde quente de 10 de dezembro de 1962, quando Cássia Rejane Eller nasceu, no Rio de Janeiro, o livro conta a infância e a adolescência da primeira dos cinco filhos de Nanci Ribeiro e do militar Altair Eller. Lembra os anos vividos em Santarém (PA) e em Belo Horizonte, a mudança para Brasília, em 1981. O primeiro violão, as primeiras namoradas, o início da carreira, a mudança frustrante para São Paulo, o começo difícil no Rio, o estouro com o Acústico MTV, tudo isso está lá. Inclusive o fim dado ao All Star azul (que combinava com o preto, de cano alto, na canção de Nando Reis). A dificuldade de lidar com a fama é comentada em vários momentos da biografia. Da Cássia “capiau” vêm alguns dos melhores episódios. Como o dia em que Max Pierre, executivo de gravadora, convidou Cássia para almoçar. Por pura vergonha, a cantora fez a refeição em casa, antes de ir para a churrascaria. Menos de dois anos depois, Caetano Veloso a convidou para a festa de dois anos do filho Zeca, no Rio. Morrendo de vergonha, Cássia foi. Levou Chicão e Eugênia, arrumou a mesa mais longe que conseguiu, e ficou lá, tomando chope. Caetano foi até a mesa, tirou o paletó e se sentou na cadeira ao lado, para

TRÊS ANOS E MEIO DEPOIS DA MORTE DA CANTORA, BIOGRAFIA QUE

puxar converCHEGA HOJE ÀS LOJAS REVELA TODAS AS FACES DE CÁSSIA ELLER sa. Nervosa, Cássia viu o amigo Alex Merlino passar ao lado e se levantou imediatamente para falar com ele. Só para fugir do anfitrião. Caetano não entendeu nada.

Os autores

Jornalistas de São Paulo especializados em economia, Eduardo Belo, 40 anos, e Ana Cláudia Landi, 38, não conheceram a cantora. Só a viram no palco, transformada, “possuída”. A idéia de escrever sobre ela surgiu num jantar, em setembro de 2003, enquanto conversavam sobre música e a memória curta do brasileiro. “Queríamos mostrar quem foi Cássia Eller, como ela viveu, antes que a imagem dela se apagasse”, conta Eduardo. “Uma das surpresas foi conhecer uma Cássia que a gente não conhecia. Ela era muito diferente no palco e na vida pessoal.” Em um ano e meio de trabalho, eles fizeram 50 entrevistas com 40 pessoas (algumas deram mais de um depoimento). Começaram por Fortaleza, ouvindo o pai da cantora, Altair Eller. Estiveram também em Brasília e no Rio. A dificuldade inicial foi apresentar o projeto para a família, especialmente para a mãe, Nanci Ribeiro, e para Maria Eugênia. Para chegar às duas, aproximaram-se primeiro dos amigos e depois de Ronaldo Villas, o último empresário. A tática deu certo. “Queríamos ter o aval da família para começar a escrever”, diz o autor. “Houve um pouco de resistência, mas era natural que isso acontecesse. Cássia tinha morrido há pouco tempo, e foi uma morte trágica, que chocou muito quem convivia com ela. Tivemos certa dificuldade, sim, mas conseguimos convencê-las de que não iríamos distorcer a imagem da Cássia. Tínhamos a preocupação de que o livro fosse fiel, mas respeitoso.” A negociação com a editora foi feita em meados de 2004. Maria Eugênia leu os originais e, segundo Eduardo, não vetou nada. “Eugênia foi bastante coerente. Temos uma dívida enorme com ela. Pediu para ler apenas porque não queria ter surpresas depois. Em nenhum momento pediu para mudar alguma coisa.” Nem as puladas de cerca da cantora. Ela conhecia como ninguém a garotinha malandra.

APENAS UMA GAROTINHA Biografia da cantora Cássia Eller, escrita por Eduardo Belo e Ana Cláudia Landi. Editora Planeta, 304 páginas. Preço médio: R$ 35

Arte: Kleber Sales

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artE DE Diagramar – A diagramação pode ser considerada a síntese do verbal – o texto feito pelo repórter – e do visual – imagens produzidas por fotógrafos, ilustradores ou infografistas. “É uma atividade tão importante quanto editar matérias do jornal”, declara João Bosco, editor de arte do Correio Braziliense (CB) há 20 anos. Para ele, trata-se de uma profissão que exige leitura, pesquisa, atualização diária e um pouco de ousadia. “Tem de olhar o produto como um todo, de maneira que ele agrade aos olhos do leitor e, ao mesmo tempo, tenha substância, seja inovador”, aconselha. filme ~ Na opinião de ricardo Gomes, diagramador há 24 xibicao, a an aborda anos, dominar o assunto é premissa básica para arquiCla tetar um bom plano de design e apresentar soluções de M Me agn udiapáginas em qualquer editoria. “Para uma boa diagramanino o, e de Ado Rio mção, ter conhecimento do conteúdo é essencial”, consi, n Ca tonio dera. Em se tratando de cadernos especiais, conforme lmon Gomes, esse trabalho requer ainda mais cuidados. “No caso dos suplementos do jornal, é preciso um portfólio

Fruto de uma diagramação inovadora, entre 1990 e 2003, o Correio Braziliense foi líder no design dos jornais brasileiros, usando o conceito de um veículo aberto às mudanças de linguagem nas publicações editoriais. Foi o periódico brasileiro com o design gráfico mais premiado pela society for news Design (snD) – principal sociedade internacional de design de jornais – com 89 títulos recebidos. O CB também foi condecorado com o prêmio Esso nacional, na categoria diagramação, em 1997 e 2007; pela associação Brasileira de marketing & negócios (aBmn), em design, em 1998; com o prêmio vladimir Herzog, de ilustração, em 2007 e 2008; e pelo Festival internacional de Humor C-1 do rio de Janeiro – Desenho de imprensa, 2008.

LEIA MAIS SOBRE A BIOGRAFIA DE CÁSSIA NA PÁGINA 3

O Correio Braziliense já ganhou 89 vezes o mais prestigioso prêmio de design de comunicação do mundo, oferecido pela Society for News Design (SND). Essa capa do caderno de cultura publicada em julho de 2005 ganhou o prêmio em 2006. C-1

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dia do diagramador Daniel Ferreira - CB/D.A Press

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João Bosco (o primeiro à esquerda) desenha páginas jornalísticas há 20 anos e hoje está à frente de uma talentosa equipe de diagramadores que tem o desafio diário de aliar beleza e informação mental, com um referencial estético de artes visuais mais apurado”, ressalta. “Mesmo em conteúdos em que a liberdade de criar é maior – como um caderno especial ou suplementos – , é preciso lançar mão de uma linguagem artística clara”, define o artista plástico Christiano Mascaro, diagramador

há 12 anos, oito deles no Diario de Pernambuco. Para ele, não se trata de um trabalho autoral: “É a interpretação de um texto de alguém, trabalhado de forma subjetiva. “Essa comunicação pode ser feita de forma imediata ou com interpretação em aberto, para despertar a curiosidade do leitor, chamando-o para o texto”, completa.

História da diagramação

B de ete La Ba el lan Ro co dr , ig ue s

Até pouco antes do fim da segunda Guerra Mundial (1939-1945), a diagramação dos jornais no Brasil era feita pelos chefes de redação e da impressão. Não havia diagramadores. A primeira grande reforma nesse sentido aconteceu no início dos anos 1940, quando os argentinos Guevara e Parpagnoli vieram ao Brasil e constituíram a chamada “escola argentina” de paginação no jornalismo brasileiro, uma imitação de escolas clássicas inglesas e francesas, que usavam conceitos de diagramação moderna, como ornamentos e negativos, excessos de fios e boxes. Em meados dos anos 1950, as técnicas de diagramação avançaram aos poucos, sobretudo nas revistas ilustradas. Porém, um episódio marcante foi a renovação do Jornal do Brasil, feita por Amílcar de Castro, herdeiro do neoconcretismo, baseado no construtivismo russo, e por reynaldo Jardim. Essa modificação, pensada de maneira funcional, trouxe artifícios visuais bastante usados até hoje, como a assimetria de matérias, aprimoramento do cálculo gráfico, títulos em caixa-baixa, padronização de

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Diários AssoCiADos BrAsiL

tipos de fontes, laudas compostas por 30 linhas e a valorização do material fotográfico. outra grande mudança ocorreu nos anos 1970, no Jornal da Tarde, que, além do editor-chefe e do secretário de redação, possuía dois diagramadores: Mino Carta e Murilo Felisberto. Eles desenhavam as páginas na tentativa de encontrar uma linguagem gráfica única para o jornal. Para a dupla, cada editor deveria desenhar sua página dentro do padrão de tipologia e tipografia que o jornal tinha adotado. Aos poucos, alguns editores aderiram a essa atividade. Por fim, a mais recente quebra de paradigma foi com o Correio Braziliense, nos anos 1990. o editor executivoEm de Desenrola, f etualmente em ex arte nesse período, Francisco Amaral, arquitetou as mudanRosane Svartma ças de design do jornal. Um exemplo claro está na primeira a sexualidade página do jornal, que valoriza um ou dois temas principais no universo M e usa uma hierarquia tipográfica para as chamadas e manadolescente chetes. "A partir daí, o que vemos é uma padronização ou pasteurização dos jornais mundo afora. Não apenas na forma, mas também no conteúdo", considera ricardo Gomes, editor de arte dos Diários Associados do rio de Janeiro.


entrevista

A VOZ DO MORRO I

nício de noite do dia 26 de novembro de 2010, tuitadas provenientes do Morro do Adeus, Complexo do Alemão, informavam quando o tiroteio começava e terminava. As postagens eram retuitadas por milhares de pessoas e ganharam a páginas pessoais de milhões de brasileiros. O responsável era Rene Silva, 17 anos, que pretendia apenas avisar seus colegas de escola sobre a invasão do Bope à favela. O jovem, aliás, sempre teve compromisso com a informação. Editor e responsável pelo primeiro jornal comunitário do complexo de favelas, Rene trabalha com jornalismo há seis anos e não pretende deixar a profissão. Além do jornal voz da Comunidade, Rene ainda escreve no site do jornal e no seu blog pessoal, sem contar as postagens nos twitters do jornal e do próprio Rene Silva. Auxiliado na elaboração do voz da Comunidade por Gabriela Santos, Jackson Alves, e Renato Moura, o futuro jornalista afirma que o segredo é falar a língua do povo, conversar com os moradores do Morro do Adeus por meio das páginas do jornal. O sucesso do adolescente está inspirando as crianças do Complexo do Alemão. Por causa da fama, Rene já deu entrevista em vários programas de televisão. Agora ele quer que esse exemplo seja seguido pelos garotos da comunidade. Confira, abaixo, o bate-papo com Rene Silva.

Google images Diários AssoCiADos BrAsiL

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entrevista

D.A Brasil: Como surgiu o Jornal Voz da Comunidade?

D.A Brasil: Quais as fontes de renda do “Voz da

Rene Silva: Eu criei o Jornal Voz da Comunidade quan-

Comunidade”? Em algum momento você precisou

do tinha 11 anos de idade. Eu participava de um jornal escolar e decidi criar um jornal para a comunidade. A diretora foi apoiando e aí o jornal foi crescendo aos poucos.

tirar dinheiro do próprio bolso para fazer o jornal? Rene Silva: Nunca precisei. O jornal é autossustentável, se posso assim dizer. Ele se mantém com os anúncios. Já tem um banco internacional (Santander), uma opera-

D.A Brasil: E como a diretora e a escola ajudaram nes-

dora de telefonia (TIM) e o grupo AfroReggae que sempre

se começo?

anunciam no Voz da Comunidade. Com o dinheiro dos

Rene Silva: Ela foi dando suporte pra poder imprimir

anúncios dá para pagar a impressão do jornal, que eu

na escola e eu fui seguindo. Aos poucos uma tiragem de

faço na gráfica daqui do Morro do Adeus mesmo, e os

cem exemplares, que era a quantidade de jornais no iní-

três colaboradores.

cio, se tornou uma tiragem de 5 mil jornais. D.A Brasil: Quem são seus colaboradores e o que eles D.A Brasil: Foi nessa época que você descobriu seu dom para o jornalismo?

fazem? Há algum tipo de hierarquia entre vocês? Rene Silva: Atualmente contamos com quatro pes-

Rene Silva: Descobri minha vocação para jornalis-

soas na elaboração do jornal. Eu, Gabriela Santos, 13,

mo aos 12 anos. Foi quando eu me identifiquei com o

Jackson Alves, 13, e Renato Moura, 15. Cada um é respon-

trabalho feito no jornal, gostava do que estava fazendo,

sável por uma área no jornal. Um faz as fotos, outro faz a

daquele trabalho jornalístico mesmo. Foi ali que eu "parei

parte de esporte, outro entretenimento, tecnologia. Cada

e pensei ‘Pronto! Vou ser jornalista".

um dá uma contribuição e coloca seu texto ou até coluna

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Complexo do Alemão, Rio de Janeiro

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Diários ASSOCIADOS BRASIL


Google Images

entrevista

os problemas sociais, questão urbana da comunidade, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Temos uma pegada mais informativa e apelativa. Informar a população e apelar para o governo olhar mais para a nossa comunidade. D.A Brasil: Você ficou famoso após a invasão do Bope no Complexo do Alemão, quando você criou o perfil do Jornal Voz da Comunidade para tuitar os acontecimentos. Como foi isso? Você esperava toda essa repercussão? Rene Silva: Tudo começou quando eu meus amigos da escola perguntavam o que tava acontecendo por aqui. no jornal. Eu estou há mais tempo, então tenho um pou-

Eu respondia via twitter, mas achei que fosse melhor criar

co mais de experiência que os outros. Por isso eu tento

um perfil para o Jornal Voz da Comunidade para dar mais

dar sempre uma ajuda aqui e outra ali.

crédito à informação. Eu não esperava a repercussão porque, na verdade, eu só escrevia o que estava acontecen-

D.A Brasil: E em casa? Como é a relação dos seus fami-

do sem fotos ou imagens dos acontecimentos. Postava

liares com o trabalho precoce?

coisa do tipo “Tiroteio agora", “Pararam os tiros” e as pes-

Rene Silva: Minha família, no começo, não apoiava muito a ideia de eu ser jornalista. Eles reclamavam que eu

soas gostavam disso. Gostavam da notícia em tempo real e aí a coisa foi crescendo.

chegava em casa muito tarde, mas agora já dão todo o apoio e ajudam sempre no que eu preciso. Conseguiram

D.A Brasil: Quais os planos para o futuro do

ver que era isso que eu queria, que esse é o meu futuro.

Rene Silva? Rene Silva: Continuar com o Jornal Voz da Comunidade

D.A Brasil: Qual a atual estrutura do Jornal Voz da

e estudar bastante. Quero começar logo e terminar bem

Comunidade e como foi a evolução com o tempo?

minha faculdade de jornalismo. Recebi bolsa integral da

Rene Silva: Hoje nós temos computador, notebooks, modens. Nós utilizamos da tecnologia para poder andar

Universidade Estácio de Sá e começo meus estudos em 2013, assim que eu terminar ensino médio.

pelo Morro (do Adeus) e acompanhar as notícias em tempo real. Nós não só fazemos o jornal, mas também ali-

D.A Brasil: E os planos para o futuro do jornal? Você

mentamos seu site (www.jornalvozdacomunidade.com.

acha que com o tempo, com os futuros compromis-

br) e o twitter. (@jornalvozdacomunidade). A estrutura é

sos, você pode deixá-lo em segundo plano?

bem diferente de quando começou. A evolução foi incrí-

Rene Silva: Acho que não. Quero continuar com

vel de cinco anos para cá e melhorou ainda mais depois

o jornal. A gente até pretende expandir o Jornal Voz da

de toda essa exposição na mídia.

Comunidade para outras comunidades. Expandir para todo o Complexo do Alemão e também aumentar o nú-

D.A Brasil: Quais os principais assuntos abordados

mero de exemplares com o passar dos meses. Além disso,

no jornal?

queria também auxiliar os moradores daqui. Mostrar para

Rene Silva: Os principais temas são assuntos da comunidade. São coisas que estão acontecendo aqui,

as crianças que há outros caminhos a ser seguidos que não o da violência e o do tráfico.

Diários ASSOCIADOS BRASIL

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capa

Somos todos ouvidos! Seja por carta, telefone, e-mail ou pelas redes sociais, o público dos veículos dos Diários Associados envia milhares de mensagens diariamente. Você sabe o que acontece com elas? istockphoto

s

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ão 16 horas de uma quinta-feira e, ao final de uma

do ao mesmo tempo. Agora que sou eu quem está do

música, o locutor Dilson Campos, da Clube FM de

outro lado da linha, sei o que aquele ouvinte está sen-

Brasília, anuncia, pela segunda vez em uma hora,

tindo, sei como ele se esforçou para conseguir falar com

os dois números de telefone e o e-mail da rádio. “Use e

a gente. Então tenho de ser o mais bem-humorado pos-

abuse das ferramentas que foram feitas especialmente

sível com cada um, mesmo que esteja atendendo uma

para você!”, ele conclama. os ouvintes obedecem aos

ligação atrás da outra por horas. Quando falam comigo,

chamados. Fazem milhares de ligações por dia, tantas que

elas estão falando com a Clube. A impressão que tiverem

não é possível atender a todas. Centenas dessas ligações

do meu atendimento é a impressão que vão ter da rádio”,

são recebidas por um dos três telefonistas da Clube, Ailon

explica Ailon.

Araújo. o rapaz mal desliga a ligação de um aparelho e já

A receptividade encontrada pelos ouvintes da Clube

levanta o fone do outro, sempre com a mesma simpatia.

FM de Brasília é uma das melhores representações da fa-

“Eu mesmo era um dos que ligavam para a rádio para

cilidade com que leitores, telespectadores e internautas

pedir músicas ou participar das promoções. sei que é

podem se comunicar com os veículos dos Diários Asso-

difícil ser atendido, pois são milhares de pessoas ligan-

ciados em todo o Brasil. Canais de comunicação não fal-

Diários AssoCiADos BrAsiL


capa

ronaldo de oliveira - CB/D.A Press

tam: seja pela boa e velha carta, por telefone, e-mail, seja, mais recentemente, pelas redes sociais. As sugestões, os elogios e as críticas não param de chegar. E é a opinião desses consumidores de informação que guia o trabalho de todos nós. O OuvintE É QuEm manDa – os ouvintes da Clube FM de Brasília ainda contam com outro meio de comunicação com a rádio, ainda mais direto: os celulares dos locutores. os números corporativos são

Antes de se tornar telefonista da Clube FM de Brasília, Ailon Araújo era um ouvinte apaixonado: “Ouvia a rádio de manhã até a noite e também telefonava para participar da programação”, conta o rapaz

divulgados durante a programação e só recebem men-

rapiDEZ E EFiCiÊnCia – No Diário de Natal, o principal

sagens, mas haja mensagens! são dezenas por dia, com

meio de comunicação entre o jornal e seus leitores é a in-

recadinhos, pedidos de músicas e sugestões.

ternet. De acordo com a editora executiva da publicação,

o acompanhamento sobre a opinião do ouvinte é

Juliska Azevedo, a interação é muito forte pelo Twitter, mi-

feito da seguinte maneira: todos os dias, cada telefonista

croblog em que o DN Online mantém um perfil que está

pede para dois ouvintes, escolhidos aleatoriamente, res-

sempre em contato com os 5.450 seguidores. “As redes

ponderem a uma pesquisa de opinião sobre a programa-

sociais e outras formas indiretas de comunicação, como

ção, os locutores e as promoções. os questionários são

os comentários nas matérias do site, são uma maneira ime-

enviados para o gerente das rádios brasilienses, Arthur

diata de conhecer qual a repercussão de cada notícia, uma

Luís. Ele também recebe diariamente um relatório em

forma de acompanhar a opinião e direcionar a cobertura

que estão detalhados os motivos de cada ligação. Dessa

na direção do que interessa ao leitor”, conta a editora.

maneira, pode avaliar o que agrada, ou não, ao público.

As mensagens via e-mail são frequentes. os ende-

A programação da rádio é totalmente elaborada com

reços eletrônicos dos repórteres são publicados com as

base nas preferências dos ouvintes. Mudanças até deixa-

matérias assinadas por eles, e é bastante comum que os

ram de ser feitas depois que eles foram consultados. o

comentários sejam enviados diretamente para os jornalis-

programa Amor sem fim, por exemplo, por pouco não

tas. As mensagens recebidas são direcionadas para Juliska

perdeu sua segunda edição diária, transmitida apenas

Azevedo e respondidas de acordo com o conteúdo de

algumas horas depois da primeira. “Achamos que podia

cada uma. “A maior parte das manifestações dos leitores

não ser legal duas edições em horários tão próximos,

é positiva, de elogios, e outra parte é composta de su-

então perguntamos, durante a programação mesmo, se

gestões de pauta e acréscimo de informações a matérias

eles queriam que a segunda edição fosse substituída por

publicadas”, explica ela.

outra atração, e a resposta foi NÃo. os ouvintes queriam

No site DN Online, há um link chamado Cidadão Re-

que o Amor sem fim continuasse no ar naqueles horários”,

pórter, que funciona como um mural no qual o leitor

conta Luís. A vontade do público, é claro, foi feita.

pode postar fotos, informações. Muitas das novidades

Diários AssoCiADos BrAsiL

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capa

enviadas pelos leitores são mais tarde apuradas por re-

muito certo. De maneira geral, o maranhense não costu-

pórteres e viram matérias do jornal impresso. “A imprensa

ma reclamar muito ou discutir. A maioria das manifesta-

tem o objetivo de prestar serviço à sociedade, e isso não

ções é feita para sugerir pautas”, afirma o editor-chefe de

pode ser feito de maneira isolada. os novos meios de co-

O Imparcial e do AQUI-MA, Pedro Henrique Freire.

municação com nosso público só têm a acrescentar, pois

Voltado para um público de renda mais baixa, o jornal

representam uma maneira mais rápida e eficaz de ouvir

AQUI-MA é o veículo que mais recebe as boas e velhas

o que a sociedade quer e do que precisa”, conclui Juliska.

cartas de papel. são cerca de 25 por mês, a maioria chamando a atenção para algum fato novo que o remetente

Diga sEu nOmE E a CiDaDE DE OnDE Está Falan-

julga interessante. o telefone celular que fica na redação

DO – Mais de cinco mil pessoas adicionaram o jornal O Im-

está liberado para receber ligações a cobrar, o que acon-

parcial entre seus contatos na rede social Facebook. Assim,

tece com frequência. A equipe editorial do Maranhão

podem entrar em contato de maneira rápida, direta e bas-

está estudando a possibilidade de montar um perfil do

tante informal: mandam diariamente dezenas de recados

jornal AQUI-MA na rede social orkut, para que os leitores

e de sugestões para novas matérias. o Facebook também

tenham mais um canal de comunicação com o jornal.

facilitou bastante a vida dos repórteres, que estão sempre atrás de “personagens” (o que no jargão jornalístico quer

sugEriu, pautOu – os editores dos veículos dos Di-

dizer: pessoas que exemplifiquem o tema de uma matéria).

ários Associados em diversos estados são unânimes: a

A rede social também está se tornando o principal ca-

maioria dos contatos feitos pelo público é para propor

nal para a divulgação de vídeos produzidos pela equipe

novas pautas. Denúncias, reclamações contra o gover-

do jornal, como bastidores de grandes eventos e making

no, anúncios de novos conjuntos musicais... o que não

of de ensaios fotográficos. “É um caminho que tem dado

falta é assunto.

Elio rizzo - Esp.CB/D.A Press

A equipe do Call Center dos Diários Associados no Distrito Federal está preparada para lidar com os clientes: eles fazem treinamentos constantes para atendê-los da melhor maneira possível

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Diários AssoCiADos BrAsiL


capa

“A imprensa tem um papel social muito importante, e as pessoas acreditam que as soluções para seus problemas chegam mais rapidamente se eles forem anunciados em um meio de comunicação”, explica o editor de mídias convergentes, responsável pelo conteúdo do Portal Uai e do jornalismo da TV Alterosa, Benny Cohen. Ele conta que os telespectadores utilizam todos os jeitos de entrar em contato: o telefone da redação toca incessantemente, os e-mails chegam a cada momento e há, inclusive, quem vá pessoalmente à sede da TV para falar de algum fato que julgue digno de ser levado

"As pessoas acreditam que as soluções para seus problemas chegam mais rapidamente se eles forem anunciados em um meio de comunicação”, explica o editor Benny Cohen.

ao ar. Todas as sugestões são ouvidas, e muitas delas se

tões, as críticas e o que poderia ser feito para tornar a pu-

tornam matérias.

blicação melhor.

o portal colaborativo Dzaí foi criado com a intenção

o resumo de cada reunião é encaminhado para a

de atender a essa sede insaciável de interação que o pú-

editora-chefe do Correio Braziliense, Ana Dubeux, que pro-

blico apresenta. Depois de cadastrado, o usuário pode

cura então conduzir as edições de acordo com as obser-

incluir fotos, vídeos e textos na página virtual. os jorna-

vações pertinentes feitas durante o encontro. A editora

listas do portal Dzaí estão sempre monitorando o que os

também recebe, diariamente, o Painel de Leitores, uma

internautas colocam na rede.

pesquisa feita por telefone com assinantes do jornal.

Quando o material tem valor jornalístico – como o ví-

o painel indica a nota concedida por eles para man-

deo de uma casa sendo levada pela chuva ou fotos de

chetes, imagens e assuntos abordados na edição do dia, o

buracos nas estradas, por exemplo –, os repórteres en-

que permite buscar a produção de edições afinadas com

tram em contato com o leitor responsável pela postagem

o que o leitor espera.

para apurar informações e dar início à produção de nova

Mas é claro que não é possível agradar todos, espe-

matéria, que pode ser veiculada na TV, no site ou no jornal

cialmente quando o assunto é futebol. Assim como acon-

impresso. “Quanto mais aproveitamos o material enviado

tece em todas as outras seções do jornal, o telefone da

pelos internautas, mais eles se sentem motivados a pos-

editoria e o e-mail do editor do Superesportes estão im-

tar. É um ciclo muito benéfico”, aponta Cohen.

pressos na capa do caderno, e muitos torcedores ligam para reclamar das abordagens críticas com que algumas

OuvinDO COnsElHOs – Além dos meios tradicionais

matérias são feitas. Todos são ouvidos e sempre recebem

de interação (telefone, internet e cartas), a equipe do

explicações justas sobre o ponto de vista defendido nos

Correio Braziliense conta com uma maneira organizada

textos que causaram discórdia.

pelo próprio jornal de ouvir a opinião do público: o Con-

De acordo com Ana Dubeux, a maior parte das recla-

selho de Leitores. Criado há cerca de 13 anos, o conselho

mações são respondidas pessoalmente pela equipe do

atualmente consiste em uma reunião mensal entre 28

jornal, seja por um editor, seja por ela mesma. A meta é

leitores e representantes de quatro editorias do Correio.

que todos os protestos sejam respondidos, para que os

o editor e um repórter das editorias de Cultura, Cida-

leitores saibam a importância fundamental que a opi-

des, Suplementos e da Revista do Correio selecionam sete

nião deles tem para a confecção não apenas do Correio

leitores com perfis diferentes para representar cada seção.

Braziliense, mas de todos os meios de comunicação dos

Durante toda uma tarde, os jornalistas escutam as suges-

Diários Associados.

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cartão postal

Chapada Diamantina, um paraíso na serra baiana

João Ramos/Bahiatursa/Divulgação

Vista do alto do Morro do Pai Inácio no Parque Nacional da Chapada Diamantina

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em só de praias é formada a paisagem geográfica da Bahia. Bem no centro do estado, a 400km de Salvador, existe um dos cenários mais bonitos do país, repleto de cachoeiras, grutas, serras e vales. Além do visual, outro aspecto riquíssimo que vale a pena ser conhecido é o da história da região – pautada pela exploração de diamantes em meados do século XVIII, quando o lugar passou a ser conhecido como Chapada Diamantina. A princípio, a ocupação do local foi majoritariamente de garimpeiros provenientes do antigo Arraial do Tijuco (que hoje é a cidade histórica de Diamantina, em Minas Gerais) que queriam se aventurar no sertão em busca de valiosas jazidas. Porém, logo em seguida, veio a população urbana, que também tinha esperança de encontrar diamantes. Embora a exploração intensa tenha durado

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Diários ASSOCIADOS BRASIL

até 1996, poucas pessoas realmente se tornaram ricas com essa prática. Com o declínio da “Era do Diamante”, o ecoturismo ganhou força, principalmente devido às inúmeras atrações existentes na Chapada Diamantina. Entre os cartõespostais mais famosos estão o Morro do Pai Inácio, o Rio Garapa, o Morro do Camelo, o Poço do Diabo, o Ribeirão do Meio, o Poço Azul e a Cachoeira da Fumaça. O visitante também pode aproveitar para conhecer as principais cidades que compõem a região, como Lençóis – tida como a capital da Chapada Diamantina –, Mucugê e Andaraí. Vale a pena visitar as belezas de Igatu, uma cidade composta por casas de pedra, e do Vale do Capão, lugar que abriga uma das últimas grandes concentrações de hippies, com direito a sonhos de um mundo onde não existiria guerra e onde reinariam as premissas de paz e amor.


cartão postal

Alfredo Durães/EM/D.A Press

Caminhadas – A Chapada Diamantina foi moldada há milhões de anos pela ação da Natureza: sol, chuvas e ventos esculpiram a terra, dando origem aos enormes paredões característicos da região. Ao todo, são 38 mil km² de natureza única, com cerca de 300 cachoeiras. Com esse repertório ecológico, programa para fazer é o que não falta. Que o diga Alfredo Durães, editor de Turismo do Estado de Minas, que visitou o local em outubro do ano passado. Para Durães, trata-se de um lugar para aqueles que gostam de admirar belíssimas paisagens e de andar muito. “Embora haja muita caminhada, não é necessário ter preparação física de atleta para aproveitar as atrações. Pessoas de todas as idades podem curtir”, acentua o editor. Ele ressalta a trilha de 83km que vai do Vale do Capão ao Vale do Paty, cuja travessia dura aproximadamente cinco dias. “Dizem que é um dos trekkings mais legais do Brasil”, destaca Durães. O roteiro mais tradicional dessa longa jornada começa no Vale do Capão e passa por cidadelas como Gerais do Vieira, Gerais do Rio Preto, Morro do Castelo e Cachoeirão. Apesar de ser um percurso grande, a maior parte do caminho é plana. Durante a caminhada, as paradas de repouso são feitas nas casas de lavradores da região – onde também é possível acampar. Tudo muito rústico, com velas e lamparinas, além daquele ar de um Brasil estrelado que ainda não foi ofuscado pela tecnologia das cidades. Existem também outras 23 trilhas além dessa, todas operadas por agências de turismo locais. É importante frisar a necessidade de fazer os passeios com guias credenciados. Para os que curtem distâncias curtas e moderadas, são boas opções as trilhas do Rio Lençóis, do Ribeirão do Meio, da Cachoeira do Sossego (7km) e a de Pai Inácio até o Vale do Capão (18km). O tempo ideal para que o turista conheça algumas das principais cidades e atrações da Chapada Diamantina é de uma semana. Além do acesso às paisagens naturais, existem outros serviços para aqueles que curtem esportes radicais, como tirolesa (R$ 15), arvorismo (R$ 30) e rapel (R$ 25 cada descida).

Idosa sentada junto à fachada de casa da vila de Xique-Xique do Igatu, em setembro de 2010, no Parque Nacional da Chapada Diamantina

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cartão postal

Pessoa desce de tirolesa no Poço do Diabo, em setembro de 2010, no Parque Nacional da Chapada Diamantina

Alfredo Durães/EM/D.A Press

Tudo programado – Pacotes de passeios oferecidos por agências de turismo locais são opções práticas para os que pretendem viajar, conhecer e não se preocupar com itinerário. Eles costumam durar sete dias, com direito a visita aos principais pontos, como o Museu do Garimpeiro, o Poço do Diabo e as grutas Azul, Pratinha e Lapa Doce. Além dessas atrações, o trajeto inclui a passagem pelo Morro do Pai Inácio, Vale do Capão e Cachoeira da Fumaça.

Os pacotes custam a partir de R$ 726 e dão direito a traslados, refeições e lanches durante a trilha. A hospedagem também pode estar inclusa e varia entre R$ 951 e R$ 1.510, a depender do tipo de quarto escolhido. Todas as opções incluem café da manhã. Os preços podem sofrer variações sem prévio aviso. Você ainda estava sem saber para onde ir no próximo feriado? Vá para a Bahia!

Mais informações Como chegar – Existem duas maneiras de se chegar à cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina: ônibus e avião, ambos saindo de Salvador. O trajeto é de aproximadamente 400km. A viagem aérea – mais recomendada – leva em média 50 minutos e sai sempre aos sábados pela companhia Trip. Onde ficar – A região conta com cerca de 10 hotéis e pousadas. “São boas opções de hospedagem, que agradam a todo tipo de gosto e de bolso”, garante Alfredo Durães. “As acomodações vão do luxo a algo mais simples, porém confortável”, completa o editor. Cardápio – Por ser uma cidade serrana, frutos do mar não são o ponto forte do menu. Carnes e comidas mais pesadas, típicas do Brasil Colônia, são os pratos mais apresentados nos restaurantes locais. Os preços variam, geralmente, entre R$ 20 e R$ 60. http://www.guiachapadadiamantina.com.br/ http://www.chapada-diamantina.info/ http://www.guialencois.com.br/

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Saúde

Má postura: fique longe desse mal Para quem passa a maior parte do dia sentado à frente do computador, cuidados com o posicionamento do corpo são fundamentais para evitar problemas Elio Rizzo - Esp.CB/D.A Press

O

corpo humano é dotado de enorme flexibilidade, versatilidade e precisão. Os movimentos dependem de um conjunto delicado e complexo de ossos, articulações, músculos, nervos, tendões e ligamentos. Esse sistema deve ser respeitado ao carregar peso, praticar esportes e ao permanecer em uma mesma posição por tempo prolongado, seja em casa, seja no trabalho. Conforme explicou a médica do Trabalho dos Diários Associados de Minas Gerais, Tereza Carneiro, o ser humano pode ficar várias horas sentado ou de pé, sustentando e transportando cargas. Para isso, é preciso estar sempre na posição correta – inclusive em relação ao uso e à distância de equipamentos – e não deixar de se movimentar ao longo do dia. “Assim, o corpo descansa a musculatura que está sendo usada”, esclarece. Exposição prolongada – No ambiente de trabalho, é comum a exposição ao computador por até oito horas, situação propícia para o corpo adquirir maus hábitos de postura. Por isso, é preciso prestar atenção para evitar manter a coluna encurvada, as pernas dobradas ou excesso de espaço entre o corpo e os objetos de trabalho. Essas práticas podem, em longo prazo, contribuir para o aparecimento de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) ou de Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (Dort) – ambos produzidos pela manutenção prolongada de posição inadequada.

Exemplo no Correio Os atendentes do Call Center recebem atenção especial na sede do Correio Braziliense. Os funcionários se revezam em aulas de ginástica laboral três vezes por semana. São 15 minutos que fazem muita diferença para aqueles que passam muito tempo na mesma posição. Os exercícios são baseados em educação postural influenciada pelo pilates e práticas orientais como tai chi chuan e liang kun. “Essas atividades mobilizam a musculatura do corpo de forma global. Isso é positivo porque o corpo parado não se oxigena devidamente”, ressalta a fisioterapeuta Beatriz Garcia. Equipamentos também precisam ser levados em consideração quando o assunto é boa postura. Antes de adotar qualquer prevenção, deve-se estudar o ambiente de trabalho. Isso começa logo na escolha dos móveis, que deve basear-se nos conceitos da ergonomia de concepção – que planeja e estrutura todo o projeto de dispositivos técnicos a partir dos dados referentes do ser humano. “Isso significa pensar na altura dos móveis em relação a cada funcionário, na distância correta dos equipamentos e na iluminação adequada”, explica o engenheiro de Segurança do Trabalho dos Diários Associados de Minas Gerais, Sócrates de Paula. Segundo ele, o ideal é que a bancada do monitor tenha altura ajustável: a linha da parte de cima da tela deve estar alinhada com a testa da pessoa. “Normalmente, não

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Lívia Barreto

Saúde

A linha da parte de cima da tela deve estar alinhada com a sua testa. Do contrário, o pescoço é forçado para cima ou para baixo, causando dores na lombar.

A distância do mouse deve ser suficiente para manter um ângulo de 90° com o braço. Ajuste a cadeira para que os ombros fiquem alinhados com o quadril.

Ajuste o brilho do monitor de acordo com a intensidade de luz externa.

Também é importante ter um descanso para os pés, que precisam ficar em um ângulo de 45° em relação à cadeira.

se faz isso, ou ela olha para baixo ou para cima, e essas situações podem causar dor lombar, que começa no pescoço” adverte. A distância do mouse deve ser suficiente para manter um ângulo de 90° com o braço. “Se passar disso, pode causar LER ou Dort”, explica Sócrates. Também é importante ter um descanso para os pés, que precisam ficar em um ângulo de 45° em relação à cadeira. “Trabalho de escritório é muito parado, mas tem de ter mobilidade, permitir à pessoa levantar, alongar as pernas e os braços”, diz Sócrates de Paula. “Muito tempo na mesma posição, com movimentos repetitivos e sem pausas, força mais os tendões”, completa. Até a iluminação do local é importante quando o uso de computadores é intenso. “É comum a instalação do monitor próximo à janela, mas esse excesso de luminosidade é nocivo”, ressalta o engenheiro de Segurança do Trabalho do D.A de Minas. Segundo ele, para minimizar esse efeito, basta ajustar o brilho do monitor de acordo com a intensidade de luz externa.

Alongue-se! – Adquirir postura correta contribui para que a coluna vertebral, eixo central do corpo, mantenha-se saudável, sem desvios. Isso propicia mais disposição, uma vez que os órgãos internos trabalham melhor e não ficam pressionados pela acomodação inadequada das vértebras. Para conseguir essa postura, é preciso treinar, prestar atenção na ergonomia, fazer pausas e adotar uma Não esqueça de movieducação corporal – evitar manter os ombros mentar-se a cada 50 caídos e cuidar para que o abdômen esteja minutos. Alongue-se, sempre contraído. busque um copo d’água, Quando essas ponderações são ignofaça uma pequena caminhada! radas por longo espaço de tempo, o corpo pode responder com fadiga, dores musculares e até lesões graves e incapacitantes, que, na pior das hipóteses, acarretam perda total ou parcial dos movimentos. E o foco desses problemas está geralmente no trabalho, onde se passa a maior parte do tempo na mesma – e muitas vezes errada – posição. No trabalho, principalmente por causa das atividades repetitivas, é importante manter a postura correta e não se esquecer de movimentar-se a cada 50 minutos. “Em vez de levar a garrafinha de água para a mesa, é legal carregar apenas um copo. Isso cria mobilidade – já que obriga a pessoa a levantar-se – e ainda descansa os pulsos”, sugere o engenheiro. Outras atividades, como ginástica laboral (conjunto de práticas de exercícios físicos realizados no ambiente de trabalho), ioga e alongamento, também ajudam na dinamização do corpo e na prevenção da LER e do Dort. “Esses exercícios restauram a musculatura e neutralizam futuros riscos”, ensina o técnico de Segurança do Trabalho dos Diários Associados do Distrito Federal, Luís Antônio Araújo.

Reabilitação Segundo os médicos do trabalho, pacientes que já tiveram LER são mais vulneráveis à má postura. Nesses casos, para evitar que a doença volte, é fundamental uma mudança efetiva no comportamento, uma vez que o paciente já se acostumou a posicionar-se de maneira errada. O ideal é voltar ao trabalho mediante um estudo de adequação e reeducação para um novo tipo de postura. Para auxiliar nessa análise, existe a Norma Regulamentadora (NR) nº 17, de 23 de novembro de 1990, criada para cuidar especificamente das questões relacionadas à saúde e à segurança no trabalho. A NR-17 estabelece parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente, inclusive no que se refere ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho.

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nossa gente

Os bichinhos dos Diários Associados Você tem um supercompanheiro que você adora? Um animalzinho tão especial que já faz parte da família? Nesta seção você pode compartilhar as histórias mais engraças e mostrar para todo mundo as fotos do seu bichinho! Arquivo Pessoal

EDILSON SEGUNDO - CHEFE DE REPORTAGEM DA TV CLUBE / BAND RECIFE “sou dono de um filhote de shih tzu de seis meses de idade. Ele se chama Bento, é branco e marromescuro e muito inteligente. Já sabe o nome dos brinquedos (que eu batizei), e, quando se fala a palavra mágica "passear", ele corre para o armário onde está guardada a coleira. Dentro de casa ele é bem tranquilo, gosta de dormir e não late, mas quando vai para a rua passear, ele se transforma. Toda a calma que tem dentro de casa vai para os ares. Ele corre, quer brincar com todo mundo que passa pela calçada e resiste quando tento levá-lo de volta. Ao chegar, corre logo para a vasilha de água e se esbalda. Por conta da quantidade de pelos, Bento sente muito calor. Por isso se deita com a barriga para cima ou com a barriguinha encostada na cerâmica "fria". Bento e eu fomos homenageados na praia de Boa Viagem por uma oNG de defesa dos animais. recebi um certificado de "Amigo dos animais". Na pet shop, Bento já foi eleito o cãozinho mais simpático, pois está sempre feliz. isso me deixa orgulhoso. É carente e ao mesmo tempo um amor de cão. Uma ótima companhia.”

Arquivo Pessoal

ABIGAIL MARIA TEIXEIRA DIAS – ASSESSORA COMERCIAL DO JORNAL DO COmmErCiO “Esta belezura de cachorrinho se chama Gerard, é uma bolinha de pêlo, muito brincalhão e charmoso, adora um colo. Ele não estranha ninguém, é muito amoroso. Ele e meu gato Frederico são companheiros inseparáveis, um fica lambendo o outro o tempo inteiro. À noite ficam correndo pela casa, não sei quantos vasos decorativos já quebraram. Gerard adora passear de carro e de moto. Quando ele ouve o barulho do carro saindo, chega a chorar, querendo ir junto.” Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

O cachorrinho Gerard e o gato Frederico contrariam a regra e brincam juntos o dia inteiro

resposta

O cachorrinho shih tzu Bento deixa toda a tranquilidade no apartamento quando sai para passear. Na rua, ele faz a festa!

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coluna da Dad

Pronúncia, pra que te quero? iano Andrade/CB

Conhece a expressão "a sete chaves"? Pois saiba que ela esconde um senhor mistério. Trata-se do número. Em Portugal, lá pelo século 13, não havia cofres. Dinheiro, documentos, joias, metais preciosos & tudo o mais que exigia proteção guardavamse em arcas de madeira. Elas tinham quatro fechaduras e, claro, quatro chaves. Cada uma ficava com um servidor pra lá de graduado e merecedor da total confiança do rei. Abrir o baú implicava cerimônia cuidadosa com a presença do quarteto. Pergunta-se: o que "a quatro chaves" tem a ver com "a sete chaves"? resposta: o mistério. o povo considerou o quatro sem graça. Preferiu o cabalístico sete para designar segredo bemmmmmmmmmmmmmm guardado. A expressão dava ideia da curiosidade que o conteúdo tão protegido despertava em homens, mulheres e crianças. Desvendado o enigma medieval, vale decifrar o mistério contemporâneo. Trata-se da pronúncia de sete palavras. Por motivos que até Deus ignora, elas caíram na boca do povo e da elite. Mas, a exemplo do quatro que virou sete, trocou-se a sílaba tônica dos vocábulos. o resultado é um só: a silabada bate pesado nos ouvidos. Quem sente o golpe não deixa por menos. Foge. os mais sensíveis são os apaixonados. sem resistir à dor, eles partem pra outra. Perdem-se promessas, juras e eternidade. Confirma-se, assim, fato pra lá de conhecido. o amor é cego, mas não é surdo.

Olho na fortona 1.

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subsídio joga no time de subsolo, subserviente, subsalário, subsaariano, subsimilar, subsíndico, subsinuoso. Em todas, o s que vem depois do sub se pronuncia ss. sem tossir nem mugir. recorde, concorde e acorde orgulhosamente pertencem à equipe das paroxítonas. A sílaba mandachuva é cor sim, senhor. Dizer "récord"? É a receita do cruz-credo. Xô!

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rubrica e fabrica são irmãzinhas inseparáveis. A força delas mora na casa do meio — a paroxítona (bri). A dupla tem vizinhos legais. À direita, a senhora oxítona. À esquerda, a dona proparoxítona. Confundir endereços? Valha-nos, Deus. Papai Noel entregará os presentes para quem não pediu. Convenhamos: ninguém merece pagar tal mico. Nobel, Mabel, papel e cruel se pronunciam do mesmo jeitinho. A sílaba tônica é a última. Na dúvida, pense um pouco. se Nobel fosse paroxítona, pertenceria à gangue de móvel e automóvel. Teria acento. Como não tem, a conclusão é uma só. o nome do prêmio mais cobiçado do planeta é oxítono e não abre. PT saudações. ibero é a forma alatinada de ibérico. Trissílabo e polissílabo têm o mesmo significado. Designam os originários da Península ibérica, que engloba Portugal e Espanha. A menorzinha mantém a marca da grandona. A sílaba tônica de ambas é a mesma — be. Diga, pois, sem medo de errar: cúpula ibero-americana, povos ibero-americanos, presidentes ibero-americanos. Gratuito, fortuito e circuito são como unha e carne. Nas três, o ui forma ditongo. Não se separa nem com sangue, suor e lágrimas. Vamos combinar? se a fortona recaísse no i, o acentão pediria passagem como em cuíca. Linguiça, tranquilo, cinquentenário & cia. perderam os anéis, mas mantiveram os dedos. Em bom português: a reforma ortográfica lhes cassou o trema, mas a pronúncia nem ligou. sabida, hein? A reforma é ortográfica, só atingiu a grafia das palavras.

Mais um Cateter e ureter se escrevem sem acento. A pronúncia nota 10 põe as duas mocinhas na turma das oxítonas. É como bater, comover e remover. Mas "uréter" e "catéter" estão tão generalizados que os dicionários os citam como modismo brasileiro. Em resumo: aceitamse as duas formas.


pérolas do chatô

Nasce o império

C

omo afirma Fernando Morais em seu livro Cha-

Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A Press

tô, o rei do Brasil, Chatô assumiu a direção de O Jornal em 1924 “com o estrondo das tempes-

tades de verão na Paraíba”. Para presidi-lo, chamou nada menos que o ex-presidente da República Epitácio Pessoa. Caçou colaboradores como o prêmio Nobel de Literatura, Rudyard Kipling, o ex-presidente francês Raymond Poincaré e o ex-premiê britânico Lloyd George. De São Paulo, veio Monteiro Lobato. Sabia que, para dar lucro, um jornal deve ter anunciantes. “Temos uma das mais pobres imprensas do mundo porque nossa indústria e nosso comércio não anunciam.” Tentava convencer os amigos a aderirem à propaganda, mas era malhar em ferro frio. Sublinhava as vantagens que as empresas teriam se anunciassem o que produziam, mas industriais poderosos, como o conde Francisco Matarazzo, ouviam a arenga com ceticismo: _ Não sou contemporâneo dessa tal de propaganda – dizia o conde. Se meus filhos quiserem vender com anún-

Correio da Manhã, e lhe pediu que começasse a substituir

cios, não me oporei, mas sou de outra era.

os soníferos artigos que ocupavam meia, uma e até duas

Van Dyck, presidente da filial brasileira da General Electric, sabendo da obsessão de Chateaubriand pelo as-

páginas por uma novidade que fazia muito sucesso nos EUA, as reportagens.

sunto, chamou-lhe a atenção para o americano Fitz Gib-

Decidiu consolidar suas relações com fatias do poder.

bon, chefe do Departamento de Propaganda do New York

Ao visitar o influente D. Sebastião Leme, arcebispo do Rio

American, publicado em Nova York. Valia a pena conhecê-

de Janeiro, ouviu dele um pedido: já que O Jornal man-

lo, sugeriu Van Dick. Chatô marcou um almoço com ele.

tinha uma coluna sobre o protestantismo, por que não

Antes da sobremesa, Gibbon já havia decidido mudar-se

criar outra, sobre o catolicismo? A única condição é que

para o Rio, onde criaria o Departamento de Propaganda

as duas saíssem em lugares diferentes, nunca lado a lado.

de O Jornal. Recebeu expressa recomendação:

O agnóstico Assis Chatô fez um discurso carola:

_ Quero vender mercadorias através da imprensa

_ Eminência, a coluna foi criada pelo afro-brasileiro

diária. Quem não vier atrás de nós vai morrer de fome,

Toledo Lopes, antigo dono do jornal. Esse mulato pa-

seu Gibbon.

chola gostava de exibir independência, e por isso teima-

Chatô ia dando cara nova a O Jornal. Convidou para

va em manter a coluna protestante. Mais, ainda: cevou

redator-chefe Austregésilo de Athayde. Para secretário de

na Redação uma malta de energúmenos só para ata-

Redação, Azevedo Amaral, redator-chefe do prestigioso

car o clero e apoquentar Vossa Eminência. Com a nova

Diários ASSOCIADOS BRASIL

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pérolas do chatô

coluna, estarão rifados todos os gemidos calvinistas e

outro em Minas, dando início a uma cadeia nacional de

allankardequianos.

informação. A palavra “nacional” fez brilhar os olhos do

Depois do afago ao poder espiritual, era hora de fa-

deputado Getúlio:

zer cafuné no poder do capital. Inaugurando uma prática

_ Mais que qualquer outra coisa, este país precisa de

que seria sua marca registrada, lançou a primeira de suas

instituições que lhe deem unidade. Cada estado brasileiro

célebres “campanhas”. Ela estimulava o uso intensivo do

é uma ilha de costas para as outras. A cadeia de jornais

cheque. Antes que o ano terminasse, ainda faria outras:

que tu projetas pode ser o embrião da unidade nacional

pela preservação dos monumentos históricos brasileiros,

por que eu tanto luto. Se precisares de ajuda para a reali-

contra as emissões desenfreadas de moeda, a favor da

zação de teus planos, podes contar comigo.

criação de um instituto de defesa do café e, finalmente, por maior crédito oficial ao comércio e à indústria.

Ao descrever o encontro para os colegas de Redação, Chatô disse que Getúlio “era até uma pessoa agradável,

Chatô mantinha cordiais relações com políticos, entre

não fosse o cheiro do fedorento charuto que mantém o

os quais o deputado federal gaúcho Lindolfo Collor, tam-

tempo todo na boca, como uma chupeta de bebê”. Ape-

bém redator-chefe de O País, e foi ele quem o procurou

sar da aversão ao fumo, teria de suportar o vício do gaú-

para dizer que um colega seu da Câmara queria conhecer

cho pelos meses seguintes, quando ele se tornou assíduo

de perto o jornalista do Norte que tanta polêmica provo-

frequentador da Redação de O Jornal, ao final das sessões

cava no Rio. O deputado chamava-se Getúlio Vargas.

do Congresso – mas um atento observador diria que Cha-

Chateaubriand se impressionou com a cultura e a

teaubriand ainda seria obrigado a conviver com os charu-

vivacidade do político gaúcho, que se dizia positivista

tos de Vargas não apenas por meses, mas até a morte do

individualista, “ao contrário de meus conterrâneos Júlio

homem que acabara de conhecer.

de Castilhos e Borges de Medeiros, comtistas ortodoxos”. Ao perguntar pelos planos de Chatô para o futuro, sou-

Márcio Cotrim

be que ele pretendia comprar um jornal em São Paulo e

Diretor Cultural da Fundação Assis Chateaubriand

passatempo

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Complete todos os quadrados menores usando números de 1 a 9. Vale a seguinte regra: não pode haver números repetidos nas linhas horizontais e verticais. (Solução na página 23.)

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Sudoku

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