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Whiplash one

Revista Oficial do Portugallica Chapter - Nยบ1 - Ano I

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2 Whiplash • Ano 1 • #1


Índice 4 - Editorial 6 - Jump In The News 7 - And Chapter For All 25 - Chapter I.D. 30 - Reportagem: “Colhões de Ferro” 31 - Reportagem: “Metallica no O2” 34 - Agenda 37 - Crónicas do Pato Rasto 39 - “Shoot Me Again” 40 - As Receitas do CM 41 - Passatempos 44 - Merchandise Portugallica #1 • Ano 1 • Whiplash 3


Editorial Finalmente “habemus revista”! por Paulo Mendes

Após alguns percalços naturais de uma primeira edição, o #1 da Whiplash é uma realidade. Quando aceitei o cargo de Editor, a orientação que me propus seguir foi muito simples: em vez de se editar mais uma revista sobre Metallica e cair no erro comum de contar a História da banda pela milionésima vez com a simples pilhagem de artigos da internet, para a “NOSSA” revista queria algo diferente: dar voz ao Chapter e às pessoas que o constituem. A própria capa não foi escolhida ao acaso: UM Chapter, UMA família! (e claro assinalar o #1). Foi reunida uma equipa de luxo para esta primeira edição; equipa essa que desenvolveu um trabalho de excelente qualidade, quer em artigos próprios, quer no design de elementos que compõem este primeiro número. O meu sincero e profundo agradecimento às pessoas que colaboraram e deram o seu melhor para criar o que vão ler nestas páginas. Portugallicos e não-Portugallicos.

Produção: Portugallica Chapter Editor: Paulo Mendes (Firewall) Grafismo: Design de Assets e Logótipo: Nelson Raposo (LOD) Editor Gráfico: Paulo Mendes (Firewall) Paginação: Paulo Mendes (Firewall) Tratamento de Imagem: Paulo Mendes (Firewall) Revisão: António Póvoas (/tallicaBrother\), Jorge Ferreira (jVIDIA), Joana Rodrigues (Joantallica), Pedro Romão (Wolf), Pedro Marreiro (metallifan1993), Nelson Raposo (LOD) Redacção: Ângelo Costa (dxvolt), António Silva (Urutu), António Póvoas (/tallicaBrother\), Hugo Nunes (Hugo666), Joana Rodrigues (Joantallica), Nelson Raposo (LOD), Pato Rasto, Pedro Romão (Wolf), Pedro Marreiro (metallifan1993) e Cameraman Metallico. Passatempos: Pedro Marreiro (metallifan1993) Fotografia: Ricardo Costa (Ricardo Costa Photography), Cameraman Metalico, Carlos Ferreira (Carlos Ferreira Photography) e Arquivo Portugallico. Apoio Moral: “Jessica” (errr ...lol) Direcção Geral de marketing: Portugallica Chapter

Deixo também um abraço a todos os membros do chapter; pelo apoio moral e força para que este sonho se tornasse realidade.

Impressão: Chapa5

Sem eles não haveria Whiplash.

Contactos: Geral: portugallica@gmail.com Whiplash: fanzine.portugallica@gmail.com

Espero que a espera tenha valido a pena e que todos tenham orgulho no resultado final. Cumprimentos, Paulo Mendes - Editor Whiplash

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Distribuição: António Póvoas (/tallicaBrother\) Propriedade: Portugallica Chapter © 2009

Com o Apoio de:


Caros, É com grande agrado que vemos o nosso Chapter tomar mais um passo decisivo, pois com a edição desta Fanzine que já é pensada há algum tempo, conseguimos cumprir mais um objectivo. Quando dizemos que mais um objectivo foi cumprido, não significa que podemos estar mais descansados! Pelo contrário. Temos que trabalhar para fazer ainda mais e ainda melhor. Por todos os membros e apoiantes, por todos os parceiros que temos feito ao longo deste percurso, pelos MetallicA, pelo metal em geral e por todos os apreciadores deste género musical. Temos feito já iniciativas como colocar uma bandeira no palco no final do concerto dos MetallicA no Rock In Rio de 2008, tendo esta bandeira sido colocada em local de destaque no "Quartel General" da banda; as várias festas de celebração do lançamento de "Death Magnetic"e apenas para citar algumas. No entanto queremos poder realizar mais eventos deste calibre e como tal gostaríamos de vos convidar a todos a continuarem com o PortugallicA, para juntos podermos chegar mais longe. Aproveitamos para fazer um agradecimento muito especial ao Paulo Mendes (Firewall) pelo excelente trabalho que fez para tornar esta Fanzine naquilo que estão a ler neste momento! A todos o mais sincero obrigado por terem estado com o PortugallicA e por terem acreditado tal como nós! Hugo Nunes & Pedro Romão

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As notícias do mundo MetallicA

Metallica no Optimus Alive Foi confirmada a presença dos Four Horsemen em Portugal, depois da circulação de vários rumores. A noticia foi confirmada no dia 5 de Fevereiro no site oficial do grupo que estes actuarão na 3ª edição do Festival Optimus Alive! 09 pela primeira vez. Esta será a terceira vez consecutiva dos deuses por solo lusitano após a passagem em 2007 no 13º Festival Super Bock Super Rock e noanopassadonoRockinRioLisboa.Trarãocompanhiaparaesteconcerto em Lisboa no dia 9 de Julho; a saber Slipknot, Machine Head , Mastodon e Lamb of God até ao momento também confirmados pela Everything is New, promotora do evento. Em simbiose com as datas americanas e outras europeias em recintos fechados, tinha sido anunciado também que iriam comparecer mais uma vez em alguns dos festivais principais em formato ao ar livre (outdoor), Portugal está entre um deles.

GRAMMYs MAGNETIC! É com prazer que recebemos a noticia no passado dia 8, de que os Metallica arrecadaram mais 2 Grammys para o seu currículo. Ao todo estavam nomeados para 4 categorias: Melhor Álbum Rock e Melhor Embalagem para "Death Magnetic", Melhor Performance Rock Instrumental para "Suicide & Redemption" e ainda Melhor Performance Metal para "My Apocalypse". Rick Rubin, produtor de Death Magnetic foi também nomeado para a categoria “Produtor do Ano”. As categorias ganhas foram a de Melhor Embalagem a "Death Magnetic" e Melhor Performance Metal á faixa "My Apocalypse". Rick Rubin foi também contemplado com o grammy na sua nomeação. Muitos Parabéns em nome da Whiplash/Portugallica Nation!

JUMP IN TO THE... ROCK AND ROLL HALL OF FAME

Mais uma vez Portugallica apoiará os seus meninos em força com a sua presença, euforia e devoção. Bilhetes já estão à venda na Ticketline.pt, Lojas Fnac e outros locais habituais pelo preço de 50€ por um dia ou 90€ para o conjunto dos 3 dias (9, 10 e 11 de Julho).

BOX SET DIGITAL EM EXCLUSIVO NO ITUNES Confirmado está para 31 de Março o lançamento exclusivo na loja online da Apple, iTunes a venda de uma "box digital" especial que conterá de acordo com a noticia oficial: todos os discos de estúdio, a gravação ao vivo com a Orquestra de São Francisco "S&M", "Some Kind of Monster", as duas músicas tocadas no "Live Earth" em Londres em 2007, e ainda a faixa "I Disappear" da banda sonora do filme "Missão Impossivel 2". Para além disto terá versões ao vivo de "The Four Horsemen", "Whiplash", "For Whom The Bell Tolls", "Creeping Death", "Battery", "One", "...And Justice For All" entre outros, num total de 163 faixas. Outros sites de venda online terão disponíveis este pacote para venda mas só a partir de 28 de Abril, aproximadamente um mês depois.

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Todos os anos, o Rock And Roll Hall Of Fame anuncia os escolhidos por um grupo de júris, as bandas a ingressar no mesmo segundo duas maiores condições: que o seu primeiro disco tenha sido lançado à pelo menos 25 anos e que tenham contribuído para o crescimento da indústria de uma forma ou de outra. Como sabemos os Metallica estavam aptos a ingressar desde o ano passado, e foi anunciado após estarem entre os nomeados que... serão formalmente induzidos com toda a pompa e circunstância no dia 4 de Abril em cerimónia a realizar em Cleveland, Estados Unidos. Com os Metallica irão Jeff Beck, Little Anthony and The Imperials, Run D.M.C., Bobby Womack, Wanda Jackson, Bill Black, DJ Fontana e Spooner Oldham. Mais um incrível prémio por toda a carreira merecida da banda, neste ano que é já um dos mais marcantes.


Outras Notícias

A setlist:

GUITAR HERO: METALLICA NUMA CONSOLA PERTO DE SI Guitar Hero é um videojogo musical onde, através de um gamepad em forma de guitarra e agora também um microfone e bateria, podem ser tocadas músicas presentes através da coordenação e ritmo bem como a da nossa capacidade de resposta perante as notas que nos vão sendo apresentadas onde temos de acertar em questões de segundos, consoante a dificuldade. A produtora desta “franchise” que é já uma das mais importantes na indústria, acumulando ainda como o maior projecto da Neversoft e Activision e ainda responsável por conciliar venda de músicas e álbuns de artistas bem conhecidos através do jogo, é um caso de sucesso mais do que comprovado, tendo já um peso muito grande na venda de música mundial. Depois de Guitar Hero: Aerosmith, capitulo totalmente dedicado somente a uma banda, eis que se segue a vez dos Metallica. O jogo contará com a recriação dos membros actuais na banda, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Rob Trujillo mas trará como bónus cenários clássicos do grupo pelos anos 80 e ainda recriações dos mesmos na década em que se tornaram a banda de metal mais conhecida do mundo. Haverá ainda a possibilidade controlarmos Lemmy Kilmister (vocalista e fundador dos Motorhead) para além dos próprios Metallica. Presentes para disfrutarmos ao máximo estarão 28 músicas dos Four Horseman e 21 músicas de outros grupos escolhidos pela banda de onde se destacam: Slayer, Alice in Chains, Queen, Foo Fighters ou Machine Head. Anotem no vosso calendário a data de lançamento, 29 de Março.

All Nightmare Long Battery Creeping Death Disposable Heroes Dyers Eve Enter Sandman Fade To Black Fight Fire With Fire For Whom The Bell Tolls Frantic Fuel Hit The Lights King Nothing Master of Puppets Mercyful Fate (Medley) No Leaf Clover Nothing Else Matters One Orion Sad But True Seek And Destroy The Memory Remains The Shortest Straw The Thing That Should Not Be The Unforgiven Welcome Home (Sanitarium) Wherever I May Roam Whiplash

HEAVEN & HELL REVELAM PORMENORES DO NOVO DISCO A banda Heaven & Hell que não é nada mais que uma reforma dos velhos Black Sabbath com o carismático vocalista de "Dehumanizer" ou "Mob Rules" Ronnie James Dio divulgou recentemente pormenores do disco que se encontra em produção. "The Devil You Know" assim se chama, irá sair para as lojas no dia 28 de Abril e conta com algumas faixas tais como "Bible Black", "Rock & Roll Angel", "Atom & Evil" ou "Breaking Into Heaven" foi gravado no mesmo local do clássico "Dehumanizer" de 1982, no Rockfield Studios, Reino Unido.

E ainda: Alice In Chains - No Excuses Bob Seger - Turn The Page Corrosion of Conformity - Albatross Diamond Head - Am I Evil? Foo Fighters - Stacked Actors Judas Priest - Hell Bent For Leather Kyuss - Demon Cleaner Lynyrd Skynyrd - Tuesday’s Gone Machine Head - Beautiful Mourning Mastodon - Blood And Thunder Mercyful Fate - Evil Michael Schenker Group - Armed and Ready Motorhead - Ace of Spades Queen - Stone Cold Crazy Samhain - Mother of Mercy Slayer - War Ensemble Social Distortion - Mommy's Little Monster Suicidal Tendencies - War Inside My Head System of a Down - Toxicity The Sword - Black River Thin Lizzy - The Boys Are Back in Town

PUNK ROCK PORTUGUÊS REVISITADO Foi lançado no mercado inéditos dos Censurados e Peste & Sida, entre outras raridades de bandas como Vómito ou Crise Total muitas já extintas. Sob o nome de "Raridades Vol.I", esta antologia ao panorama puink rock português da década de 80 está disponivel em vinil mas em edição limitada e numerada de apenas 500 exemplares. Esta verdadeira bíblia contêm banda desenhada de Afonso Cortez e Marcos Farrajota. Para o próximo Verão está previsto o lançamento do segundo volume.

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Pascoallica

T-Shirt Portugallica 2009 Encontra-se em preparação e quase a sair da fornalha a primeira t-shirt anual do Portugallica Chapter, referente a 2009. A equipa de design está a trabalhar afincadamente e o resultado desse projecto será disponibilizado muito em breve.

Para os festejos carnavalescos deste ano, teve lugar mais um evento Portugallica. Baptizado de “Carnavallica”, o evento decorrido em Cacilhas no dia 21 de Fevereiro teve uma fantástica adesão de Portugallicos de todo o país e de algumas caras estreantes. Desde os óculos rockeiros da Magdallica, ao espírito de Joey Ramone que fez questão de marcar presença , toda a loucura que se fez sentir será revista no próximo número da Whiplash. A não perder! 8 Whiplash • Ano 1 • #1

Se estás a ler estas linhas e nunca foste a nenhum eventos, está na altura de marcar no calendário e tentar comparecer! Para mais informações, vai consultando o www.portugallicachapter.com/forum.

MARÇO tallicagirl Nametallica

29 Mar 30 MAR

ABRIL metallifan1993 01 AbrIL Urutu 02 ABRIL Kittallica 08 abril metallicagirl83 19 Abril cali4nick8 23 abril Panzer 13 abril MAIO Hugo666 Velkan MatallicA Wookie

03 Maio 08 Maio 27Maio 15 maio

ANIVERSÁRIOS

“Carnavallica 2009”

Ainda na ressaca do “Carnavallica” foi sugerida a realização de mais um encontro. Da cabecinha fantástica da Tia Magdallica saiu o “Pascoallica” - evento de Páscoa do Chapter. Este terá lugar no próximo dia 18 de Abril (Sábado) na bonita cidade da Figueira da Foz. Promete-se muita diversão, ovos (de chocolate), coelhos, coelhinhas e o convívio sempre saudável entre Portugallicos. Haverá também uma jam session de membros que tocam instrumentos e de outros que “pensam” que tocam.


MY MP3 A redacção da WHIPLASH revela o que roda nos seus leitores de mp3...

Paulo Mendes - Firewall Ÿ Ÿ Ÿ

Metallica - Death Magnetic Megadeth - Rust in Peace Moonspell - Night Eternal Nelson Raposo - LOD

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Metallica - Death Magnetic Dragonforce - The Valley Of The Damned Haggard - Tales of Ithiria Pedro Marreiro - Metallifan1993

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“Até Já” ??? Como é do conhecimento geral, os Mortallica encontram-se em licença sabática e dedicados a outros projectos no mundo da música. O que ainda não se sabia (e que constitui o primeiro furo jornalístico exclusivo da Whiplash), é que apesar do hiato da banda, está confirmado o tão aguardado concerto de “Até Já”. Uma fonte próxima da banda confirmou com toda a certeza a realização desse concerto, pelo que só nos resta aguardar pacientemente pela data e o local onde terá lugar esta “despedida”. Assim que os detalhes forem acertados e surgir o tão aguardado anúncio, o Portugallica Chapter irá dar conhecimento à nação para a mobilização habitual.

Black Label Society - Boozed, Broozed and Broken Boned Mastodon - Leviathan The Hellacopters - By The Grace Of God Angelo Costa - DxVolt

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Metallica - Master of Puppets Moonspell - Night Eternal Testament - The Formation Of Damnation António Póvoas- /tallicabrother\

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Metallica - Death Magnetic Led Zeppelin - Mothership Red Hot Chili Peppers - Californication

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Opeth - Watershed Testament - The Formation Of Damnation Metallica - Death Magnetic

Hugo Nunes - Hugo666

Joana Rodrigues - Joantallica Ÿ Ÿ Ÿ

Metallica - Death Magnetic Black Label Society - Mafia Ozzy Osbourne - Black Rain António Silva - Urutu

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Opeth - Watershed Amon Amarth - Twilight of The Thunder God Metallica - Death Magnetic Pedro Romão - Wolf

Esperemos que não demore muito. Ÿ Ÿ Ÿ

Metallica - Death Magnetic Megadeth - Greatest Hits: Back To The Start Opeth - Watershed #1 • Ano 1 • Whiplash 9


HISTÓRIA DE UM

CAPÍTULO por Pedro Marreiro

Todos os livros têm uma história; Todos os livros têm capítulos; Neste caso, o livro é MetallicA. Neste caso o capítulo é Portugallica. E como nos livros, tem a sua história...

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O NASCIMENTO A ideia de se fundar um "chapter" Português foi uma consequência lógica da razão de os intervenientes estarem num determinado evento, numa determinada altura: os MetallicA num Meet & Greet (M & G) com os fãs num festival (Rock in Rio) a 4 de Junho de 2004. Entre os fãs encontrava-se o Hugo666, o Vilela, o Malco, o TheaterOfDreams e eu próprio.. Lembro-me como se fosse hoje que no fim do concerto, a caminho do Metro, reencontrei o TheaterOfDreams.. Começámos a falar obviamente do concerto e do M & G. Foi aí que ele me disse que estava a pensar em fundar um clube de fãs, um "chapter" oficial, juntamente com mais fãs claro está. O nome nasceu nesse mesmo dia, entre conversas construtivas sobre o ainda por nascer Portugallica. Se a memória não falha, foi o Malco quem se lembrou de tão bendito nome! E a coisa foi andando.

O passo seguinte foi o processo de criação do "chapter". Para ser oficializado e reconhecido pela banda, foi necessário registá-lo, enviando um e-mail para o Metclub, a fim de ser apresentado o projecto para a sua fundação, organização, e tudo o mais que envolvesse a sua tão desejada criação. Em 2 de Agosto de 2004 foi assim fornecido ao Metclub o projecto, juntamente com outros dados, como o nome, e-mail e website do "chapter", tal como uma descrição do mesmo, qual os seus intentos, os objectivos, o seu programa. O próximo passo consistiu na criação do logótipo e da página de internet. Grande parte da criação gráfica do "chapter", t-shirts inclusive coube a um imaginativo artista de nome João Sousa aka Morrow. Devemos-lhe portanto, um grande OBRIGADO! Venha mais deste tipo de imaginação, apesar de termos grandes carolas nas nossas fileiras. É sempre bem-vindo! Houve também quatro pessoas que trabalharam arduamente na elaboração do "site". Destes nossos geniozinhos contam-se o TheaterOfDreams, de novo o João Sousa (Morrow), o Daniel Dias (7mithril7) e posteriormente o Pedro Romão (Wolf). Foram estes meninos que elaboraram o que hoje todos nós conhecemos por "Portugallica Chapter website"!

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Como em qualquer "site" de bandas não se pode dispensar o fórum, local onde todos falam, opinam, discutem, desabafam, informam e sei lá que mais, mas é onde as amizades nascem e se formam (sem contar com os eventos, mas isso é para mais tarde)! O fórum assim foi criado aquando do processo de criação e organização dos menus para o "site". Quem terá sido o génio que se lembrou de incluir um fórum num site de musica??... Bem, chega de piadinhas sarcásticas. Adiante. Estando o nosso Portugallica já em frase embrionária, havia qualquer coisa que faltava. Então foi quando o Pedro (Wolf) se lembrou de que faltava algo I mportante e indispensável para um clube de fãs: o "merchandise"!! Grande carola! Depois de aplaudida a ideia, tratou-se de pô-la em prática. O Cameraman Metálico foi contactado pelo Hugo666 a fim de se informar acerca de alguém que estivesse disposto a trabalhar com o Portugallica em termos de t-shirts. Marcou-se uma reunião com o Rui Guerreiro da Pinhead e a química foi inevitável e instantânea (nem foi preciso juntar água!). Quanto ao design das t-shirts… Adivinhem lá! Ganham um doce se adivinharem! Claro, muito bem: o João Sousa (Morrow) foi mais uma vez, uma peça fundamental nas suas criações, lançando as bases para o resultado final que hoje conhecemos. Esta foi uma fase muito criativa na organização da estrutura do "chapter". Tanto que até o nosso Hugo666 acordava a meio da noite com suores frios e ideias, desenhos, logos, etc… Vai-se lá saber o que o etc. quererá dizer (cof, cof). Em 2007, no SBSR foi a estreia das t-shirts do Portugallica. Devo dizer que usei a minha com muito orgulho! O sucesso das t-shirts foi imediato. Quer dizer, não foi logo imediato, tipo 1 ou 2 minutos, mas esteve quase lá! Os pedidos e adesões (Sim, é mesmo com o "d" em vez do "t"), cresceram consideravelmente e em 2008 arriscou-se uma série de modelos para assim agradar a gregos e troianos. Com o Portugallica organizado e criado, claro que na escala da evolução o passo seguinte seria os eventos. E foi de facto! Mas antes vou abordar uma associação muito especial com o nosso "chapter". Desta vez foi o Cameraman Metálico que havia falado com o Hugo 666 sobre uma banda muito boa de "covers" de MetallicA e que iriam dar um concerto; O concerto, no In Live Café na Moita a 24 de Maio de 2008; a banda… Mortallica!! Grandes músicos; grandes profissionais! Entre a assistência estavam, na altura, os Portugallicos Cameraman Metálico, Hugo666, Vilela e eu entre outros. Diga-se que também foi a 1ª vez que os vi e fiquei mmmmaravilhado! No fim do concerto houve uma conversa informal e divertida com os Mortallica. Chegou-se à conclusão de que as duas instituições destinadas a honrar o nome de MetallicA se complementavam e que se haveria de fazer uma associação entre elas. E assim se fez, de comum acordo. Os Portugallica passaram a acompanhar os Mortallica para todo o lado onde tocassem. Organizaram-se concertos, sempre apoiando aquela banda de jovens com um poder e uma garra invulgares! Deram 3 concertos dos mais importantes que podiam dar: dois "show cases" na Fnac e um "gig" no Hard Rock Café.

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O Portugallica, como qualquer organismo estrutural, tem tendência para crescer. Sendo este já oficializado, tem o acordo e o reconhecimento dos Metclub perante os MetallicA. Faltava ainda um outro acordo: com a editora Universal! Houve uma reunião entre estas 2 entidades e chegou-se a acordo, havendo algum apoio por parte da editora, nomeadamente a nível de material promocional da banda, visto que estava eminente a saída do novo álbum, Death Magnetic e sendo este mesmo material utilizado, não para reciclagem mas sim para concursos no "chapter".Também tivemos apoio da Universal para o lançamento do novo álbum Death Magnetic na divulgação dos vários eventos e com um "press release" que saiu na imprensa. Para além disso, temos acesso a informação privilegiada o que dá ao Portugallica um protagonismo interessante e de relevo. OS EVENTOS PORTUGALLICA Estando o Portugallica a crescer, tanto em termos de reputação e instituição como de inscrição de membros, tornaram-se inevitáveis os chamados eventos Portugallica. E o que são estes eventos? Encontros (oficiais e também não oficiais) entre membros do Portugallica, seja em almoços, jantares, concertos e até uma tardezinha bem passada num café. Entre vários eventos há sempre os mais marcantes. Nos eventos Portugallica também os houve. O mais marcante poderá ser considerado, logicamente, o M & G de 2004. E porquê? Porque estive lá! Ok, não foi por isso, claro, está bem! Foi o mais marcante porque foi nesse M & G que surgiu a ideia que originou este nosso bebé que é o "chapter" Portugallica. A criação, o nascimento do "chapter" e a sua consequente colocação online. Que maior alegria poderá haver do que assistir ao nascimento de uma criação nossa? Sem paralelo, aposto. Sem contar com a alegria de se ter um filho que será, com certeza, de igual sentimento. Outro evento marcante foi, sem dúvida, o ensaio dos MetallicA no SBSR, a 27 de Junho de 2007, na véspera do concerto propriamente dito. Não foi um exclusivo para os Portugallicos (era bom era!), mas houve alguns afortunados "chapterianos" que assistiram ao dito ensaio. Foi mágico certamente! Devido a este concerto, houve uma "press conference" com os MetallicA em que o Rob Trujillo ostentou uma t-shirt do Portugallica. O pormenor curioso é que ele também a utilizou no M & G do SBSR. Contam as más-línguas que o Rob Trujillo até dormiu com ela! Como não podia deixar de ser, um dos eventos mais marcantes foi o 1º almoço Portugallica. Também ele o primeiro evento oficial do "chapter". Aconteceu em Peniche a 30 de Dezembro de 2007 (como o tempo voa). Há até um registo em vídeo da nossa Tia Magdallica a engolir… uma garfada de salada! Suas mentes perversas! O que é que já estavam a imaginar, hã?! Depois do almoço fomos todos beber uma ginjinha à Vila de Óbidos. Resumindo, um dia bem passado e uma oportunidade para nos começarmos a conhecer melhor. A associação dos Mortallica com o Portugallica. A união faz a força… E eventos fantásticos!

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A vinda dos MetallicA a 5 de Junho de 2008 foi deveras marcante, (até parece que a vinda deles não é sempre um evento marcante para nós!), porque deu a oportunidade ao "chapter", representado por alguns, muitos até, membros de serem convidados para o programa Curto Circuito na SIC Radical na véspera do concerto. O ponto alto foi no fim do concerto com os MetallicA a mostrarem a bandeira do "chapter" perante os milhares de fãs que assistiam tanto no recinto como na emissão em directo na TV. De referir que a nossa bandeira está orgulhosamente exposta numa parede do HQ da banda! Ah pois é!! Almoço e concerto de Mortallica no Calhandriz a 12 de Julho de 2008. Foi marcante, pois foi um evento onde se fomentou e consolidou grandes amizades, inventou-se histórias, historietas, linguagens novas e assistiu-se a um dos melhores concertos que os Mortallica podiam dar. Outro evento, ainda que mini, foi a ida ao Inferno, estúdio dos Moonspell para entrevistar o Ricardo Amorim. Uma série deveras marcante foi a dos eventos do lançamento do novo álbum dos MetallicA, “Death Magnetic”. Fomos mais uma vez convidados para o Curto Circuito a 11 de Setembro de 2008, na véspera do lançamento do álbum. Mais uma tarde bem passada, portanto. A parceria com a Fnac, a entrevista na Antena 3 para a reportagem do concerto no O2 World em Berlim, o artigo na revista Noite Digital e bem como o artigo no Correio da Manhã pelo Sr. Figueiredo Silva vieram dar alguma projecção e reconhecimento mediático ao Portugallica Chapter. Mas este "chapter" não pára! Ainda há mais! A festa de lançamento do Death Magnetic no Hard Rock Café e os concertos dos Mortallica , na passagem de dia 11 para dia 12 de Setembro de 2008, dia de lançamento do álbum na Fnac e no Hard Rock Café no dia 16. Concerto memorável! "Nunca a casa esteve tão cheia com uma banda como nesta noite", disse-me o porteiro. Após este frenesim houve um evento especialmente marcante: o jantar de 4 de Outubro de 2008. Por 2 motivos: 1º- depois do jantar houve um concerto de Mortallica em Cacilhas. 2º- a apresentação oficial da mascote do Portugallica, o Pato Rasto! Foi nesta noite que se deu a conhecer aos membros do "chapter" a tão almejada mascote: um pato com cabelo, t-shirt do "chapter" e muito charme! Fez um daqueles sucessos… Nem vale a pena comentar o concerto. Brutal e energético.

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Marcante também foi a data de 20 de Novembro de 2008. Almoço de Natal nas Caldas da Rainha. Foi num restaurante muito simpático. Mas antes presenciou-se a um momento inesquecível: o "Jump In The Fire Parody". Um lenço de papel a arder e uns Portugallicos a saltar por cima das mais variadas maneiras! Muito bom! O almoço foi muito divertido com troca de prendas e uma reportagem feita pelo repórter de serviço (LOD) com uma garrafa como microfone. De seguida assistimos a uma "jam" com a banda das "gajas", membros do nosso "chapter" e também a uns momentos únicos de karaoke. Um dia muitíssimo bem passado e que deixou saudades! Por ultimo mas não menos importante, a criação dos cartões para a Metal Militia e, mais que óbvio, a criação do nosso mais recente bebé: a revista Whiplash!! Resumindo: isto não foi fácil. O Portugallica apareceu em 2004, atravessou um período inicial conturbado e algo instável. Estava-se numa fase de aprendizagem, do que fazer e como fazer as coisas. Em 2007, com a tournée "Escape from the Studio", Portugal foi novamente visitado pelos MetallicA e aproveitou-se esse momento para tirar o Portugallica do anonimato, planeando uma série de acções a serem implementadas, nomeadamente dar-nos a conhecer à Universal, "merchandise", um novo fórum, para assim podermos crescer em número de membros. Este objectivo foi bem conseguido e desde aí temos estado sempre a crescer tanto em nº de membros no fórum como na Metal Militia. O FUTURO Quanto ao futuro do "chapter" só pode ser um: o do sucesso! O Portugallica já fez o mais difícil, ultrapassou dificuldades sem apoios nem fundos de terceiros, persistindo à custa da teimosia e colaboração de todos nós, membros, acreditando sempre que podemos construir algo de belo. Portanto ao ultrapassar todas as dificuldades e desafios, hoje olhamos para trás, vemos o que foi criado, as histórias e peripécias por que já passámos e por isso só podemos estar confiantes no futuro e no sucesso do Portugallica já que o que não nos mata torna-nos mais fortes... O Portugallica mostrou que é uma instituição credível e que somos únicos na nossa postura adulta, apesar de todas as brincadeiras, bem-disposta, empenhada, correcta, respeitadora (às vezes) e principalmente com capacidade de trabalho e entrega! É esta a imagem que as pessoas que já lidaram connosco no meio musical têm do Portugallica e não a imagem de um grupo de fãs histéricos! Como podem ver, este é um capítulo com uma história bem preenchida! Vamos continuar a preenchê-lo com mais e mais histórias e continuar o bom trabalho! "We will never stop, we will never quit, 'cause we Portugallica"!W

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n Metálico Foto: Camerama

Foto: Ricar do Costa

Foto: Cameraman Metálico

por Ângelo Costa 16 Whiplash • Ano 1 • #1


T

hrash Metal. Um sub-género que nasceu como que a fusão de raiva com heavy-metal. O estilo é rápido, pesado, feroz mas sempre

com uma veia criativa bem acima do que o seu ente menos querido que dominava as tabelas nos inicios da década de 80 mostrava. Por volta de 1982, 1983 várias bandas fundavam o movimento glam, com destaque para os Quiet Riot, Cinderella ou os mais conhecidos Mötley Crüe. Uns levavam-no ao extremo onde laca, purpurinas, maquilhagem e roupas femininas davam um toque "circense" a qualquer espectáculo. Para isso é conhecida a Bay Area de Los Angeles. No entanto quase que paralelamente nascia aquele que viria-se a prolongar até aos dias de hoje, esgotando e arrebatando salas pelo mundo inteiro. Era quase que como a antitese do glam. Os seus executantes eram feios, vestiam-se mal e encontravam apenas a mesma trajectória nos excessos com a bebida e drogas. Como que cavaleiros do apocalipse, quatro forças chegaram ao olimpo do thrash, Anthrax com uma vertente mais cómica e ligeira, Slayer com um sabor mais pesado com elementos que viriam a influenciar e ser influenciado ao mesmo tempo pelo death metal, Megadeth liderado pelo "abelhudo" mas criativíssimo David Scott Mustaine (o Pato Rasto do Metal) que saiu algo espezinhado de uma relação conturbada com aqueles que são ainda considerados a maior banda de metal do mundo, e fundador deste, os Metallica. Apresentações indispensáveis à parte, o Metallica assumia-se como que uma mescla de punk, típico metal à lá anos 70 e ainda levando a New Wave of British Metal (movimento de explosão do metal britânico) com o angélico Lars Ulrich dinamarquês cheio de convicções e ambição. Quando a atenção se mantinha no Glam, o estado de decadência fatalmente auto-infligida implodía e o thrash até então underground começava a explodir na cena como um veículo musical mais credível, imaginativo e pujante, a frase "Metal Up Your Ass" fazia tanto sentido que empurrou as produtoras a apostaram nele contrariamente ao inicialmente pensado. Em meados de 1985 a influência do thrash estendia-se nesta altura, como que um polvo até aos quatro cantos do planeta e se houver um álbum que melhor o caracteriza este será Master of Puppets. Obra-prima máxima do metal e da música em si, um trabalho magnifico de quatro indivíduos no pico da sua juventude e cheios de vontade de tocar e compor. Por esta altura já eram estrelas em ascensão e depois de uma morte inesperada do bem-amado Cliff Lee Burton e um muito bem recebido "...And Justice For All" decorria o ano de 1988, o próximo grande passo chamado "Black Album" ou “Metallica”, viria a mudar a visão agressiva do começo cedendo agora terreno a uma postura um pouco diferente que os levou a outro tipo de público fora dos "recônditos" do heavy-metal. O disco é um dos melhores trabalhos de sempre, e o disco mais bem sucedido do grupo. No nosso país a ânsia de tê-los a actuar cá crescia grandemente assim como a sua popularidade a nível mundial, especialmente pela Europa onde sempre gozaram muito sucesso. Em 1993, mais concretamente 16 de Junho é marcado a estreia em solo nacional, muito embora por esta altura já tenham

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visitado o nosso continente uma parelha de vezes. Apesar de não o ter presenciado devido à tenra idade que ainda possuia, dizem os muitos "cotas" que foi "O" concerto da banda por paragens lusitanas. A abrir os The Cult e Suicidal Tendencies. A Nowhere Else To Roam Tour chegava assim ao fim com este concerto no velho e já extinto Estádio José de Alvalade. Uma setlist pejada de clássicos oitentistas em adição a meio “Black Album", satisfizeram as cerca de 50.000 almas que iluminaram os quatro magníficos pelas ruas da calçada lisboeta. E foi um verdadeiro santuário metal este concerto que provavelmente abriu as hostilidades para uma maior visibilidade de bandas mais pesadas e que permitiu que pudessem sair de concertos em menores dimensões para algo maior. Mesmo vivendo num país com poucas tradições de metal, o toque característico dos Metallica misturado ao lançamento do Black Album fez com que Rádios nacionais começassem a passar regularmente uma banda deste género. Músicas como "Nothing Else Matters", "Enter Sandman" faziam as delícias dos muitos fãs e outros que agora os descobriam, fazendo depois a ponte para as gerações actuais e futuras. Acabado este suporte largo de três anos ao álbum, os Metallica viriam a entrar no seu período mais POP se assim se pode chamar, ou seja, a sua fase mais ligeira e mais conturbada. Os mesmos alcançavam diversas plateias, fama visibilidade e dinheiro como nunca antes mas alcançavam uma legião de disertores e também por sua vez uma perda inerente de identidade, não tanto de letras, mas mais de sonoridade, imagem e rumo futuro; entrávamos assim na era Load. Em suporte a banda viria a pisar solo nacional pela 2º vez, na digressão Poor Touring Me em 1996 no Estádio do Restelo a 20 de Setembro numa época pré-outono. O concerto não foi épico como há 3 anos, a banda sofrera alguma perda de misticidade ainda que sem lançar maus discos, o facto é que na era do Grunge com bandas como Alice in Chains, Nirvana ou Pearl Jam as atenções era menores ao metal e por consequente o concerto não viu uma enchente condizente, nem o próprio espaço permitiria tal feito. A abrir os Corrosion of Conformity uma banda que combinava vários estilos e que se puderá equiparar hoje a uns Mastodon ainda que até hoje não tenham atingido grande fama. Pelo palco do Belenenses FC desfilariam novas levas como "Ain't My Bitch", "Bleeding Me", "King Nothing", "Until It Sleeps", "Wasting My Hate" ou "Overkill". Este foi um dos poucos concertos ao ar livre nesta digressão que duraria mais um ano até ao lançar da segunda parte prevista Re-Load. Após um interregno de dois anos mais precisamente em 1999 e a propósito de um disco de covers de diversas bandas como Thin Lizzy, Bob Seger, Mercyful Faith ou Diamond Head a banda marcou o pioneirismo de metal fundido com clássico de uma orquestra. Em Abril do mesmo ano era gravado o S&M de duas noites com a Orquestra Sinfónica de São Francisco, da terra onde viu o grupo erguer-se para o estrelato. No verão em 16 de Julho viriam na "The Garage Remains The Same" uma 3ª vez a Portugal, desta vez não em nome próprio mas no já desaparecido Festival T99 que teve transmissão em directo pela Rádio Antena3. Este hábito dos festivais não mais voltaria a largá-los por cá até aos dias de hoje. A acompanhar tinham Anger, Rollins Band, os portugueses Ramp e ainda os Monster Magnet num Estádio Nacional com fome de Metallica por três anos foi mais uma vez uma actuação superior, para mais de 30.000 pessoas no entanto com um setlist menor mas que chegou para matar as saudades.

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E bem necessitavam os fãs de ver atentamente a actuação da banda já que só passados 4 longos anos voltariam a Portugal. O motivo de tão longa espera prende-se com tudo o que veio a público, Jason Newsted baixista dos Metallica desde 1986 deixava a banda por conflitos de expressão de criatividade pessoal e pela nova abordagem e postura do grupo. Audições foram feitas para que fosse encontrado um substituto à altura, e ao mesmo tempo a gravação do polémico Some Kind of Monster, onde mostrava a faceta crua e dura da banda girando em torno dos problemas antigos relacionados com o alcoolismo de James, a postura autoritária e conflituosa de Lars, sempre expostos a todos os olhares indiscretos mas que os manteve na ribalta sem qualquer disco de originais desde 1997. Era notória a sua força inerente e a sua postura para quebrar barreiras invisíveis por onde sempre se pautaram. Robert Trujillo (ex-Ozzy Osbourne e Suicidal Tendencies) viria a assumir o lugar de tocador de baixo, psicólogo interino, exorcizador de males e reencaminhador da boa alma musical dos "Lords Justice". Toda esta carga negativa da banda registrada em documentário seria transposta em estúdio como forma de encerrar um capítulo. Capítulo esse que não seria fechado da forma mais correcta. O álbum vendeu bem mas não foi tão aceite pelos fãs como os anteriores e as lacunas eram evidentes: a falta de solos e a irritante bateria de Lars que teimava em zumbir nos incautos, inexperientes e mal habituados fãs. O disco era diferente, era "irritante" mas não seria sempre essa a filosofia do grupo? Mudar e nunca copiar o passado não era já um lema bem patente? Esquecendo feitiços e vícios inerentes, o disco continha grandes faixas para um bom concerto ao vivo. Prova mais do que provada quando em 2004 na digressão homónima actuaram na sua 4ª vez em Portugal, e 1ª vez no Festival Rock in Rio. O parque da Bela Vista foi particularmente pequeno e sossegado de mais para perto de 80.000 espectadores, o maior concerto de sempre da banda nas nossas paragens. No dia 4 de Junho, mesmo dia dos portugueses Moonspell, Incubus, Sepultura e Slipknot foi patente a vibração especial pelo regresso tardio e desta vez com o novo elemento Trujillo a quem souberam saudar, vibrar e no qual o músico correspondeu. Na "Madly In Anger With The World", os Metallica estavam de regresso revigorados, sóbrios, com energia para uma nova década da banda que transfigurou o metal, as tabelas e as mentalidades, os "novos Zeppelin" como outrora foram apelidados tinham espantado os demónios interiores. Um hiato estava à vista dado o término desta digressão. Os trabalhos só recomeçariam em 2006 e a preparação de novo disco. Antes disso a banda preparou nova digressão europeia "Sick of The Studio" onde procuravam novas forças e entravam assim na rotina depois de um largo descanso. A abrir esta digressão estava o país de Camões, e a paragem: "13º Festival Super Bock Super Rock" Parque Tejo a 28 Junho. Em companhia de Men Eater, More Than A Thousand, The Blood Brothers, Mastodon, Stone Sour e Joe Satriani naquele ainda considerado o mais épico concerto em território nacional no novo milénio. O desfile da instrumental "Orion" selo carismático do falecido Cliff Burton e a "...And Justice For All" tocada ao vivo após 18 anos.

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Este magnifico concerto deixa ainda hoje saudades e pena a quem não compareceu. Mais uma boa assistência superior a 55.000 incessantes almas que fizeram brilhar os "big boys" para o resto desta muito bem sucedida tour. O regresso dos Metallica dos velhos tempos profetizava-se. A 5 de Junho, 6º concerto e 2ª presença consecutiva e agora de volta ao Festival Rock in Rio Lisboa. Já em gravações do novo disco, a banda não traz mesmo assim nada de novo na "Summer Vacation Part III", e assim pôde experimentar uma setlist menos rodada cá com estreias audaciosas como "No Remorse", "Damage Inc." ou ainda "Devil's Dance", houve ainda espaço para os cerca de 50.000 presentes pularem ao som de So What! com apoio vocal dos Machine Head que haviam tocado antes em conjunto com Apocalyptica e Moonspell. Ponto alto da actuação: no fim onde o conjunto ergue a bonita bandeira do nosso chapter, "Portugallica Welcomes Back The Four Horsemen". Logo a seguir começariam os sérios preparativos para o que se avizinhava. A 12 Setembro é lançado o badalado Death Magnetic após uma enorme campanha de marketing e proximidade com os fãs do qual nasceu o site www.missionmetallica.com, e inúmeras outras iniciativas. Robert Trujillo marcava a sua estreia como seu primeiro disco na integra e Rick Rubin como produtor de Metallica. A profetização é uma realidade com a volta de todas as caracteristicas do som nos anos 80, riffs e produções elaboradas, músicas longas e carregadas de encadeamentos soloistas. Em marcha está a primeira digressão americana desde 2004. Digressão indoor leia-se em recintos cobertos e com palco a meio da plateia. Uma grande produção de efeitos laser, pirotecnia, luzes e caixões iluminados é preparado. 36 concertos na América do Norte e 27 na Europa para nos fazer lembrar uma coisa. Os nossos mentores estão de volta a 9 de Julho no Optimus Alive ‘09. E desta vez há mais um argumento de peso para além da estreia de músicas do novo disco, sou eu que lá estarei a marcar a minha estreia em todos os clássicos que há alguns anos que me povoam a memória e que nunca tive oportunidade de agraciar. Neste dia fica preenchido a memória de mais uma marioneta conduzida por James Hetfield, Lars Ulrich, Robert Trujillo e Kirk Hammett! W

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Foto: Carlos Ferreira

Numa quente tarde de Primavera, o Portugallica entrou no "Inferno" (estúdio dos Moonspell) para entrevistar Ricardo Amorim, guitarrista da banda de metal portuguesa que mais projecção tem, quer em solo nacional como internacional. Segue então a conversa que tivemos com o Ricardo, tanto sobre os Moonspell como sobre os Metallica, de quem o guitarrista é fã há longos anos. por Pedro Romão e Hugo Nunes

A conversa essa acompanhada pelo som da bateria de Mike Gaspar como banda sonora.

Qual a influência que os Metallica tiveram ou têm na tua vida? Os MetallicA não foram a banda que me introduziu ao Heavy Metal, mas foram uma banda que eu descobri, não muito mais tarde e que me deixou bastante admirado, porque naquela altura (1986, 1987) eu não pensei que a música pesada pudesse ser tão extrema. O Heavy Metal era uma coisa nova para mim, pois comecei a ouvir este género com cerca de 13, 14 anos, não comecei muito cedo como a maior parte das pessoas. Já gostava de Rock, entretanto descobri os Iron Maiden e os MetallicA apareceram-me alguns meses depois, através de outros "metálicos" da minha rua [risos]. A primeira música que ouvi deles foi a "Fight Fire With Fire" como já disse antes, não pensei que a música pudesse ser tão extremo na altura. Achei incrível, é como dizem, os MetallicA são "Motorhead on speed" [risos] e foram-me conquistado através da atitude, da música que fazem e do jeito que têm para fazer música, independentemente de fazerem discos que choquem muito uns com os outros e que choquem fãs. Eu tanto consigo ouvir os MetallicA no Load como no Master Of Puppets, pois às vezes não tem tanto a ver com o peso da música mas sim com o feeling. Eu reconheço o James tanto a tocar num álbum como no outro e em termos líricos o peso continua lá.

musicais, mas continuei a ter os MetallicA como o ponto máximo do Metal e do Rock pesado, seja ele rápido ou lento. E apesar de tudo são uma banda que "rockam", "rockam" muito [risos], que é algo difícil de encontrar nas bandas mais novas. Pois, há aí bandas com garra, que tocam muito bem, mas... falta rock, falta atitude.

Começaste então a ouvir metal através dos Iron Maiden? Sim, Heavy Metal comecei com Iron Maiden, já gostava dos Scorpions e comecei a gostar de guitarras pesadas. A maior parte dos meus vizinhos, estavam na onda de Jimi Hendrix, The Doors, Van Halen, etc, e foi aí que comecei a gostar de guitarras e comecei a procurar os sons mais pesados. Entretanto, ouvi também U2 com cerca de 12 anos e fui andando até chegar aos Iron Maiden e mais tarde à "Fight Fire With Fire".

E passaste pelos Black Sabbath na altura? Não passei muito pelos Black Sabbath, porque já não eram bem da minha geração. Comecei mesmo pelos Iron Maiden, depois descobri os MetallicA e mais tarde acabei por descobrir bandas ainda mais pesadas e extremas, umas com um significado mais especial que outras.

Muitas pessoas que eu conheci, fãs de Metal, que tocavam em bandas, Então foi com o “Ride the Lightning” que começaste a ouvir nalguns projectos que eu tive para tocar Trash Metal, e os MetallicA Metallica? foram sempre uma referência. Entretanto descobri outros géneros Sim, foi. #1 • Ano 1 • Whiplash 21


Diz-nos 5 músicas de metallica que gostes especialmente? Whiplash, Fight Fire With Fire pelos motivos que expliquei! The Thing That Should Not Be, que é a minha música preferida de MetallicA ….há tantas, sei lá…Talvez o My Friend Of Misery e Fuel, que grande malha!

Quando viste os Metallica ao vivo pela primeira vez? Em 1993 no Estádio de Alvalade. Eu e quase todos os portugueses [risos]. Na altura havia muita gente que ia a Espanha, como por exemplo na tour do...And Justice For All houve quem fosse a Madrid.

Álbum preferido? Master Of Puppets.

O que esperas do próximo álbum? Acima de tudo, personalidade.

Uma nova personalidade?? Não, não, só personalidade! Eu tenho algum receio que, com toda a pressão que existe à volta de um álbum dos MetallicA, onde toda a gente diz sobre o que deveriam ou não fazer, a banda entre um pouco no desespero ao querer satisfazer esses pedidos e o álbum não seja tão sentido, ou seja, fazer um disco seguro em deterimento de fazer um disco sentido. Por exemplo o St. Anger, foi um álbum que chateou muita gente, mas esse disco foi sentido. Reflecte o que a banda estava a sentir na altura e o caos por que estava a passar e o álbum saiu um puro som de raiva de "garagem". É certo que faltavam ali muitas coisas que caracterizam os MetallicA, mas é um álbum muito honesto. Apesar de não ser o meu álbum preferido, tem lá grandes músicas. Mas nesta altura não gostaria de ouvir um novo St. Anger. Gostaria mais de ouvir um cross entre o Master Of Puppets e o Black Album. E de preferência que se ouça o baixo [risos].

Por falar no baixo, o que é que pensas que o Robert pode trazer à banda, uma vez que este é o seu primeiro registo de estúdio com os Metallica?

“Os MetallicA são "Motörhead on speed"” Não faço ideia do que é que o Robert Trujillo compõe. O Jason também compunha bastante, e no entanto duas ou três "coisas” do Jason é que entraram. O Cliff Burton foi uma pessoa que tinha um input muito forte na banda e esse deve ser o "fantasma" dos MetallicA. Após a morte do Cliff, mais ninguém conseguiu contribuir para a composição da mesma maneira.

O James e o Lars tinham também um grande respeito por ele. Ele ensinou-lhes muito em termos musicais, dado que era o único com formação de música clássica e possuía um grande sentido melódico... Exactamente. Como a Orion, a To Live Is To Die têm passagens lindíssimas. E a verdade é que ficou ali um espaço vazio, e o "desgraçado" que vai ocupar o lugar de baixista está tramado. Apesar de agora, e pelo que se percebe no Some Kind Of Monster, o Trujillo não vai sofrer muito nas mãos dos outros membros da banda. Aqui são mais os fãs que implicam um pouco com ele. Mas os fãs implicam sempre com (tudo) alguma coisa. Connosco também é a mesma coisa [risos].

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UNDER THE MOONSPELL Pode dizer-se que o “Night Eternal” marca um novo ponto na vossa carreira? Pode-se dizer que todos os álbuns marcam um novo ponto [risos], uma vez que fomos apontados como uma banda que nunca se repete nos álbums que faz. O Night Eternal é na minha opinião um seguimento lógico do Memorial, mas que vem trazer aquilo que lhe faltava. O Memorial é um disco sólido, intenso, coeso, mas é demasiado duro; tu metes o disco e é sempre a abrir até ao fim [risos], apesar de haver uma altura em que acalma um pouco, voltando de novo à carga. E é um disco que pode ser um pouco cansativo por causa disso. O Night Eternal por sua vez, traz mais ambiente, contém as músicas rápidas, pesadas e negras, como o Memorial, mas é mais melódico, e com mais trabalho instrumental e mais dinâmico, muito mais desenvolvido. Tem partes calmas, tem partes pesadas. Tem vozes femininas, que sempre fizeram parte de Moonspell (Vampiria, por exemplo). Pode-se dizer


que é uma viragem... para onde, não sei [risos]. Não sei se o próximo disco será mais melódico ou outra vez mais pesado.

...Ou talvez um Daemonarch parte 2? Não sei, talvez! Não temos ainda ideia da direcção a tomar!

Preferes gravar os álbums em fita ou em suporte digital? Só deixámos de gravar em fita no Darkness And Hope. E tal como gosto mais de película, gosto mais de fita. Apesar de gravar com Pro Tools seja muito mais fácil, principalmente em nível de edição.

Qual foi a vossa principal inspiração para este álbum? Como disse o Fernando, quando estávamos a gravar o disco, existem as bandas emo e nós estávamos eco [risos]. Este disco de certa maneira reflecte o que estamos a fazer ao planeta. Temos por um lado o símbolo feminino, com todo o sofrimento patente nas mulheres e há uma relação entre esse sofrimento e o da Terra, ou seja a Terra Mãe está a ser abusada e com o percurso natural terá a sua vingança. E como é algo que nos preocupa, inspirou o conceito deste disco.

Que temas mais te agradam neste novo material? Há uma semana emque gosto de dois ou três, noutra semana gosto doutros [risos], no entantogosto bastante da "First Light", que é uma música que todos gostamos, a "Moon In Mercury" que tem uma mistura de Black Metal com Heavy Metal Retro [risos]. É um pouco mais experimental. E há um tema que se chama "Shadow Sun" que foge um pouco à linha do álbum, não quebrando no entanto a coesão do mesmo e gosto bastante do ambiente que proporciona.

O álbum já circulava nos sistemas de partilha de ficheiros antes de estar à venda nas lojas. O que achas desta fase do mercado? Consideras esse facto como uma ameaça ou uma oportunidade? Há quem ache que mais vale disponibilizar os temas, sendo de facto um meio de promoção brutal e há quem ache que é prejudicado. Penso que no futuro o mercado da música vai evoluir e qualquer dia o suporte de CD vai deixar de existir.

No que se inspiram para uma grande actuação ao vivo? Penso que no futuro, a música vai ser comercializada na net, as lojas deixam de ser espaços físicos para serem espaços virtuais. Não sei de facto o que vai acontecer, mas vai haver uma grande mudança num futuro próximo. O problema é que a Internet ainda é um pouco "terra sem lei”; um universo paralelo onde tu podes fazer o que bem entenderes. Enquanto as leis não forem aplicadas, e enquanto as pessoas não forem educadas no sentido de que não é por estar na net que quer dizer que seja gratuito, enquanto não houver um controlo que impeça que as bandas sejam lesadas, vai demorar tempo. O problema é que tu olhas para os miúdos mais novos e eles não têm vontade de ter um CD, de ver o booklet. Têm mais interesse em ir ao PC e "sacar" os ficheiros.

O problema é que quem não está habituado a ter o cd e a coleccionar não liga a isso... Exacto. Eu tenho a minha colecção de CD's em casa, apesar de ter deixado de andar com CD's no carro. Agora ando com o iPOD, porque é mais prático. Um vinil é algo estranho para um míudo. Que de facto, é algo muito melhor em termos sonoros. Tens a música analógica em vez de estar digitalizada e tens uma maior sensação de presença da banda.

A minha inspiração a dizer a mim mesmo que é isto que eu sempre quis fazer e tenho essa oportunidade. Quando tinha 14 anos pensava "quero aprender a tocar guitarra e quero ter uma banda". Viajo muito e gosto bastante daquilo que faço, portanto basta-me pensar nisso. É claro que há momentos difíceis, há coisas das quais tivemos que abdicar; não temos uma rotina estável, nem sempre estivemos bem economicamente e mesmo quando estamos tem que ser tudo muito controlado. A qualidade de vida por vezes não é a melhor porque andamos sempre em aviões, dormimos pouco e é algo que vai moendo. Às vezes para descomprimir bebe-se um pouco e no dia a seguir temos que estar à mesma prontos para entrar no avião e ir tocar. Mas nada na vida é fácil. Uma vez tocámos em Belo Horizonte às 3 da manhã com jet lag, estava com duas horas de sono e no fim do concerto tínhamos cerca de 900 pessoas que não arredavam pé enquanto não lhes autografássemos tudo. Como nunca nos tinham visto lá e estavam completamente entusiasmados ficaram à espera.

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Qual seria a tua digressão de sonho? Uma digressão em que possamos ser cabeças de cartaz e tocar em salas tipo o Coliseu de Lisboa esgotadas. Antigamente tinha a ideia de fazer digressões de estádios, mas é algo muito megalómano. São espaços muito grandes e pouco intimistas. Os Moonspell são uma banda para locais mais pequenos.

Qual o teu cartaz de sonho como espectador? Uma banda que não consigo ver, inclusivé já tive bilhetes para ver no estrangeiro e ainda não tive hipóteses, os U2. Gostava também de ter visto os The Doors com o Jim Morison e os Pink Floyd. Já vi Black Sabbath com Ozzy mas gostava de ver o Ozzy a solo.

Das novas bandas, quais achas que podem ser Novas promessas no mundo do metal? Há bocado falaste dos Trivium. Pensas que eles podem ser uma nova promessa? Eu não sei o que dizer dos Trivium. Acredito que se tivesse 18 anos e ouvisse os Trivium ficava muito espantado, mas eu já vi muitas bandas como eles. Eles insistem muito em ser como os MetallicA e acho que deviam tentar ser eles próprios em vez de tentarem ser outra banda. No entanto, tocam muito bem, as músicas têm qualidade e são bem feitas, mas soa-me a falso e há ali qualquer coisa que não me entra, sobretudo quando se ouve as bandas que eles gostam a fazer a cena real. Os Muse por exemplo são uma banda cheia de personalidade e que eu faço questão de ir ver no dia a seguir ao nosso no Rock In Rio. Foram das melhores coisas que aconteceram ao Rock ultimamente e foram mesmo uma lufada de ar fresco. São três indivíduos que tocam muito bem e aquilo é muito inspirado. Aquilo é uma fusão inteligente de vários estilos, porque consegues encontrar um pouco de Iron Maiden fundido com Queen e por aí. Mas respondendo à tua pergunta, Talvez os Trivium sejam uma promessa, como os Bullet For My Valentine porque é isso que os putos querem ouvir, mas eu pessoalmente não posso dizer que goste.

O que pensas das salas de espectáculos em Portugal actualmente? Recentemente fui ver os Paradise Lost (por acaso são uma banda com a qual gostava de fazer uma digressão) a Corroios e sinto-me um pouco envergonhado por trazermos bandas àquela sala. Compreendo que se façam lá concertos mais underground, mas há certas bandas que deviam ir a outro tipo de salas. O Hard Club por exemplo, foi demolido para fazer um restaurante, que na realidade é isso que o nosso país quer, comer e beber e não fazer nada. Era uma sala conceituada no estrangeiro. Muitas bandas estrangeiras falavam-nos daquela sala, portanto é realmente pena ter fechado.

Que álbuns estás a ouvir neste momento? O novo de Ceptic Flesh, "Cominion". São uma banda grega, da qual o vocalista foi o responsável pelo artwork do Night Eternal. Já os conheço há muitos anos. Tenho ouvi também o álbum de Muse ao vivo e o bootleg dos MetallicA no SBSR. 24 Whiplash • Ano 1 • #1

Para terminar, algumas perguntas de carácter generalista de interesse público: É verdade que fizeram um pacto com o demónio e que tomam o pequeno almoço com Lucifer? Sobre o que é que conversam? É verdade!! Ultimamente o tema que tem vindo à baila é o Apito Dourado. Ah! E é ele que paga o pequeno almoço. É um tipo porreiro!

Quando é que podemos ouvir a música do Noddy nos vossos concertos? Nunca.

Ouvimos dizer que para o próximo álbum convidaram a Floribela e a Ana Malhoa para participar numa música. Confirma-se? Não! Há aí uma pequena confusão. Nós convidámos a Floribela para estar nas páginas centrais do booklet em propósitos semelhantes como quando pousou para uma conhecida revista para podermos atingir mais pessoas. Assim já podemos também pôr o CD à venda nas bombas de gasolina. Espero que a Floribela não leia esta entrevista!

Ela não é membro do Portugallica. Não te preocupes! E foi assim q foi a nossa tarde com o Ricardo Amorim, guitarrista dos Moonspell, enquanto isso o Mike Gaspar "dava-lhe" forte na bateria, ficamos um pouco a conversar em “off” com eles, e mostraram-nos o local de ensaios da banda: "O INFERNO"...portanto se alguém já foi ao Inferno e sobreviveu, fomos nós!! Um grande bem haja para o Ricardo e para os MOONSPELL pela vossa disponibilidade. Vemo-nos brevemente em tour! As maiores felicidades para esta lenda viva do Metal em Portugal. e no Mundo! W


Os Portugallicos à mercê do nosso Inquisidor

Por António Póvoas

Nome: Magda Peres Casqueiro Profissão: maquilhadora/caracterizadora Banda Favorita: Metallica Musica Favorita: Sad but True O melhor concerto: Metallica Rock in Rio 2008 O melhor momento: na praia com o Kirk e Trujillo Cor favorita: cor rosa (e laranja) Natural de: Lisboa Residente em: Vale Milhaços Hobbies: Dança do varão, natação e artesanato

Caracterizadora e maquilhadora de profissão, Magda Casqueiro é uma figura incontornável do mundo . Habituada a conviver com inúmeras vedetas do panorama televisivo nacional, Magda já partilhou momentos únicos com os Metallica, daqueles que não passam de apenas sonhos para a maioria dos fãs. A Whiplash foi conhecer melhor a “Tia Magdallica”. Antes de mais, "Magdallica" é um nick que sem dúvida faz referência ao sentimento que nutres pela banda, mas porque razão os Portugallicos te chamam carinhosamente de "Tia"? Magdallica: Bom é muito simples explicar, o facto é que quando conheci alguns membros dos Portugallica e entrei para o clube eu era o membro feminino mais velho, e desde que me tornei uma mulher na casa dos trinta aninhos que acho graça o pessoal mais novo me tratar por Tia, talvez seja um fetiche escondido no meu íntimo (gargalhadas). O facto é que também gosto de mimar todos os meus "sobrinhos" como uma verdadeira Tia.

Magdallica: Nesse dia além de conhecer a banda, tive o privilegio de conhecer o Médico que acompanha os Metallica e lhes trata das mazelas, o Dr. Don (Oyao), que por sinal é o primo do Kirk. Uma pessoa com uma energia tremenda e de coração gigante. Trocamos contactos e ate hoje nunca parámos de comunicar. É um bom amigo espiritual com quem tenho conversas muito boas! Experiências como acompanhar a banda no Backstage, assistir a um concerto na integra a partir do palco, fazer praia com elementos da banda, entre outros, são privilégios a que muito poucos têm acesso. Como descreverias cada um desses momentos?

Tal como outros membros do chapter, já tiveste o prazer de privar com a banda num M&G. Que recordações guardas desses momentos? Magdallica: Eu ganhei o concurso do M&G através da RTP1 no programa Top+ por mera sorte. Fiquei eufórica quando me ligaram a dizer que tinha ganho e já nem dormi. A sensação foi como se tivesse num filme, parecia que aquilo não estava a acontecer. Só pensava: " Eu aqui com os METALLICA foooggoooo !Ganda sorte". Dessa experiência do M&G no Super Bock Super Rock 2007 nasceu uma relação de proximidade com os membros da banda. Queres falar-nos um pouco sobre isso?

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Acho que é indescritível, eu sou uma pessoa divertida mas ao mesmo tempo gosto de respeitar o espaço de cada um. E foi o que fiz dias antes do Rock in Rio quando o Dr. Don disse para eu ir ter com eles á praia. Fiquei a tremer! Meti a máquina fotográfica dentro da mala e lá fui eu. Cheguei e fui ter com o Don; foi quando vi o Kirk mesmo ao meu lado a vestir o seu fato para ir surfar e o Trujillo a vir da água de prancha debaixo do braço todo contente. Eles dirijam se a mim e cumprimentaram-me como uma pessoa normal o faria. " Hey Magda how are you?". Eu com um sorriso de orelha a orelha mas a conter me para não explodir de emoção pelo que me estava a acontecer. Foi então que o Don disse que tinha backstage passes para mim e mais uma pessoa e que ia ter a oportunidade de ver o concerto em cima do palco. Momentos únicos sem duvida! O que sentes é o que te passa na cabeça nesses momentos? Magdallica: Penso " fotografo ou nao fotografo....... bom já que tenho este privilégio deixa-me mas é pedir palhetas para a malta do clube!

No que à banda diz respeito que traços da personalidade de cada elemento destacarias? Magdallica: Épa, eles são todos tão diferentes... Vou designar uma palavra para cada um: Kirk - Lider, James - Poderoso, Lars - o eletrico, Trujillo - Waveman Existe alguma particularidade ou tique que algum deles tenha que não seja do conhecimento do público em geral? Magdallica: O Lars está sempre de palito na boca e a falar ao mesmo tempo. Qual é o elemento da banda mais te identificas e porquê?

É complicado abstraíres-te de que estás na presença dos METALLICA, ou encaras esses convívios como um outro qualquer convívio entre amigos? Magdallica Nunca nos conseguimos abstrair que são os Metallica mas consegues vê-los ali sem a atitude de palco... simpáticos acessíveis como pessoas normais. Acabas por disfrutar de outra maneira. Mas acordas no dia seguinte e parece que foi tudo um sonho! E tu para eles és vista também como uma amiga ou existe algum tipo de distanciamento entre as Estrelas e a Fã?

Magdallica: Bom eu identifico-me com a tagarelice e a boa onda do Trujillo misturado com a alma espiritual do Kirk. Já viveste alguma situação caricata com eles? Magdallica: Já... (Corada). No dia em que tive na praia com ele, sentei me la num banquinho de madeira ao lado do Kirk. Quando ele acabou de vestir o fato começou à procura e a perguntar se alguém tinha visto o Wax da prancha... e nada. Adivinhem onde estava o dito Wax???' Debaixo do meu rabinho! Sentei em cima dele e veio colado às minhas calças. Fiquei toda corada! (risos) Como é a relação entre eles fora do palco?

Magdallica: Amiga, sou do Dr. Don; da banda não tenho propriamente essa confiança para dizer que me consideram amiga... Dei-hes prendinhas é um facto ( gargalhadas), mas nunca tiveram atitude de estrelas para comigo. Tendo em conta esses episódios que todos os fãs sonham um dia vir a viver, mas de que poucos se podem gabar de ter vivido, qual o momento que consideras ter sido o mais intenso e de que guardas mais recordações? Magdallica: Sem duvida o ver o concerto em cima do palco, foi muito intenso. Entrar no palco e ver 50 mil pessoas , senti me uma privilegiada e sortuda. Sentir a energia do publico foi uma coisa fora do normal, nem sei explicar. Fico com pele de galinha quando me lembro.

26 Whiplash • Ano 1 • #1

Magdallica: Daquilo que pude presenciar achei todos muito tranquilos uns com os outros. Boa onda!! Saltando do tema METALLICA para o tema Portugallica... Este chapter nasceu da vontade de um grupo de fãs de Metallica que no M&G do Rock in Rio 2004 teve o sonho de criar um clube de fãs português. A partir de que momento o Portugallica passou a fazer parte da tua vida?


Magdallica: Os Portugallica entraram na minha vida exactamente no M&G do Superbock. Fui totalmente adoptada por 3 membros: o Hugo, o Wolf e o Vilela, que me venderam logo uma t-shirt! Este é um chapter que se pode orgulhar de ter organizado uma serie de iniciativas que promovem o convívio entre os membros. Costumas participar nestas iniciativas organizadas pelo chapter? Magdallica: Sempre! Acho que só falhei um por estar a trabalhar. Como classificas a relação existente entre os users? Magdallica: Acho que se criou um grupo muito fixe de amigos à séria! Numa palavra como definirias o chapter? Magdallica: FAMILIAAAAAA!!! Tiveste conhecimento que recentemente foi formado um novo chapter português? Magdallica: Tive sim Estando já implementado no nosso país o chapter Portugallica que ao longo de quase 5 anos tem uma serie de provas dadas a vários níveis, o que achas que motivou o desenvolvimento de um outro chapter?

www.magdacasqueiro.com

Para além de nos apresentar o seu invejável curriculum, Magda dá a conhecer os seus alguns dos seus trabalhos de caracterização e maquilhagem.

Magdallica: Não sei! Outros assuntos que queiram abordar talvez Haverá espaço em Portugal para a existência de 2 chapters? Magdalica: Eu acho que há sempre espaço para todos, desde que ninguém atropele ninguém. Afinal rezamos todos pelo mesmo " DEUS"

www.myspace.com\magdacasqueiro Foi um prazer falar contigo, e desde já agradeço em nome da Whiplash a disponibilidade e simpatia. Antes de nos despedirmos, queres deixar algumas palavras aos teus “sobrinhos Portugallicos”? Magdallica: Amo-vos de coração! Adoro esta grande família e vou fazer tudo o que tiver ao meu alcance para arranjar mais palhetas á malta ( gargalhadas).

Neste seu “MySpace” podemos ver a parte mais descontraida da Magda: os amigos no seu dia-a-dia, a criatividade artística dos seus trabalhos “home-made” e a mostra de alguns projectos de efeitos especiais.

Até uma próxima e obrigada pela disponibilidade! Saudações /tallicaBrother\W

#1 • Ano 1 • Whiplash 27


por Nelson Raposo

Nesta primeira edição da Whiplash resolvemos abrir este espaço dedicado aos coleccionadores de Metallica com uma entrevista a um dos maiores, se não mesmo o maior, fã de Metallica em Portugal no que respeita a coleccionismo. Pedro Marreiro ( metallifan1993 ) aceitou o convite e com toda a boa disposição, recebeu-nos em sua casa e partilhou connosco alguns dos seus artigos, entre algumas histórias caricatas que envolvem alguns deles. Há quanto tempo começaste a fazer a tua colecção? Metallifan1993: Bem, eu comecei a minha colecção em 86, logo quando saiu o Master Of Puppets. O meu pai levou-me a uma casa de discos, e comprei o Master Of Puppets, foi a partir daí. Sabes quantos itens tens ao todo na tua colecção? Metallifan1993: (risos) Não.... Assim calculando por alto, possuo cerca de 90 Cd's e 80 e tal vinís; vídeos já cerca duns 30, tendo em conta que são originais. Não conto com os downloads nem nada disso! Bonecada é o que se pode ver... Agora números exactos, é para esquecer, não faço ideia! (risos) Cada novo item que arranjas é especial para ti, ou é só apenas “mais um”? Metallifan1993: Não. Cada um é especial, á sua maneira como é evidente! É mais um para a colecção, mas não há itens “banais” nem coisas do género! Cada um é especial.

Foi fácil arranjar todos estes artigos? Houve artigos mais difíceis de arranjar que outros? Metallifan1993: Houve alguns que foi muito difícil arranjar. Tive que esperar anos! Dou-te o exemplo da revista HARD ROCK– Especial Metallica de 88 que demorei vinte anos para comprar! Em 1988 (tinha eu 12 anos) vejo a revista pendurada e lembro-me de dizer ao meu pai “compra-me esta revista” e de ele responder: “não compro nada, cá revista..”! Comprei-a no ano passado; consegui encontra-la. De 1988 a 2008, passaram 20 anos até conseguir arranjar a revista!

Fora isso, temos por exemplo o Ride The Lightning “verde”; demorei uns belos aninhos para o comprar. Dos mais valiosos que tenho, o Metal Up Your Ass foi dos Metallifan1993: (risos) Nunca fiz contas! Mas por alto, mais difíceis de arranjar e custou-me os olhos da cara, estou a calcular assim sete mil e quinhentos euros a dez assim como um dos clássicos do bootleg de Metallica Acting Like a Maniac que também é extremamente raro. mil euros.

Tens ideia, por alto, quanto vale a tua colecção? Se eventualmente um dia a quiseres vender?

Isso em moeda antiga? (risos) Metallifan1993: (risos) Entre mil e quinhentos a dois mil contos.... mais coisa, menos coisa.

28 Whiplash • Ano 1 • #1

Estes foram os mais difíceis. O Live Shit: Binge and Purge, levou 5 anos a comprar... não o comprei logo em 93! O Phantom Lord, foi um grande amigo que mo vendeu, também extremamente raro; consegui arranjálo por relativamente bom preço, sendo uma edição limitada, mas isso não é parar contar!


“...façam um pouco de sacrifício, juntem uns trocos e andem sempre á procura”

#1 • Ano 1 • Whiplash 29


Já houve algum artigo que quisesses mesmo arranjar e ainda não tivesses conseguido? Metallifan1993: Praticamente o todo o catalogo “bootleg” deles. Mas há vários - na maior parte todos bootlegs: o Demonic Invocation, o Four Horsemen of the Apocalypse , o For Metallians Only, o Fucking Nuts, enfim, alguns considerados dos grandes clássicos do bootleg de Metallica, mas que são muito difíceis de arranjar. O Unstoppable Force, o Assassins, enfim são alguns dos títulos que ainda ando á procura, mas hei-de conseguir mais cedo ou mais tarde.

Após a entrevista, em conversa com o Metallifan1993, ele contounos que estava de olho num novo negócio, o single Master Of Puppets. Ainda no mesmo dia acabou por consumar o negócio, a preço de amigo, adicionando mais uma pérola à sua colecção. Fica então a foto da nova aquisição de peso!!

Qual foi o artigo que te deu mais gozo de conseguir adquirir? Já alguma vez foste enganado com um artigo? Metallifan1993: Mais gozo, tenho para ai uns dois ou três! Nomeadamente o One - Collectors Edition – Demo Version que Metallifan1993: Já, uma vez e por culpa minha. Eu tenho o tem uma espécie de livro com os roadies da banda a contar a grande defeito de, quando vejo uma coisa nova de Metallica que ainda não tenho, tenho que ter! Isso aconteceu-me no história. Até há uma história gira acerca dele: um amigo meu comprou-o em 89-90, na altura por cerca de dois contos, dois Wacken Open Air na Alemanha. Vi um vinil que era o Live In Brooklyn, um concerto de 85 e nem pensei duas vezes; agarrei contos e quinhentos. Era muita guita na altura. Quando quis no vinil e trouxe-o. Ao chegar a casa, ponho o vinil a tocar e vende-lo e eu disse-lhe: “olha vende-me a mim, quanto é que não era Metallica mas sim outra banda qualquer! Claro que queres por isso?” ao que ele respondeu: “Eh... oitocentos para reclamar já não dava. Já estava em Portugal! Foi um paus”. Disse-lhe logo: “Dá cá!”. Portanto essa foi uma boa grande engano esse... por minha culpa, o gajo ou enganou-me aquisição! ou enganou-se! (risos) Tens algum conselho para dar a quem está a começar agora a coleccionar e ainda tem pouca coisa? Metallifan1993: Bem, os tempos são outros. Mas o que eu aconselho é que façam um pouco de sacrifício, juntem uns trocos e andem sempre á procura. Na internet há pouca mística, falando mais naquela parte nostálgica; o bonito é um gajo ir á procura nas casa de discos. Claro que as casas de discos já não têm nada a ver com o que eram antigamente... Eu lembro-me de ir á Torpedo na estação do Rossio com 1314 anos e ficar a babar para os vinis e bootlegs que lá tinham. Eu nem mesada tinha ainda!

O Enter Sandman com as quatro fotografias da banda foi numa casa de discos que entretanto já fechou. Trabalhavam lá dois amigos meus e um queria vende-mo por salvo erro 100 ou 120€. Eu disse-lhe: “Assim ninguém to compra”. Alguns dias depois apanhei na loja o outro gajo e disse: “Olha lá... então o outro gajo queria-me vender isto por 120 euros” ao que ele me respondeu: “Olha dás-me 25€, e dizes ao gajo que foi 120” , ou seja, custou a quantia risonha de 25€! (risos) O Ride The Lightning “verde” também consegui de uma forma engraçada. Fui a uma loja de discos em Lisboa (já não me lembro qual) e vejo o Ride The Lightning “verde”. Queria saber o preço mas o gajo da loja ignorou-me pura e simplesmente. Pus o disco debaixo do braço e começo a ver os outros ao mesmo tempo que me dirigia para a porta. E o gajo na dele... Vim-me embora, com o Ride The Lightning “verde” a custo zero, que é sempre bom! (risos)

30 Whiplash • Ano 1 • #1

Hoje em dia já não há esse tipo de casas de discos, talvez algumas, feiras do disco; mas lá está: é ir à procura, juntar sempre um guitozinho porque os bootlegs cá em Portugal são um bocado puxados! Pelo eBay também se arranjam bons negócios. Muitos dos meus artigos vieram do eBay! Mas pronto. O que eu aconselho é que juntem guito, estejam sempre à procura e tenham paciência que isto é uma coisa que leva tempo, muito amor e carinho! Ficámos então a conhecer um pouco mais a colecção bem como o coleccionador Pedro Marreiro ( metallifan1993 ), prestando o tributo e respeito merecido que é o objectivo deste espaço que pretende todas as edições dar a conhecer não só colecionadores como artigos diferentes mas sim poder transmitir á comunidade Portugallica um olhar mais intimo e pessoal dos seus membros e da sua paixão que nos une a todos: METALLICA! W


por António Silva

COLHÕES DE FERRO IV - (mini review) Caldas da Rainha - 24 Janeiro 09

Na noite de Sábado 24 de Janeiro, teve lugar nas Caldas da Rainha o Colhões de Ferro IV. Por volta das 10:15 as portas abriram e começou a destruição, com Revage, para mim talvez a pior banda das cinco que subiram ao palco. Tocaram o seu “black metal” mas não foi nada por aí além. O vocalista ainda tentou animar o pessoal. Sem resultados. Seguiram-se os PussyVibes com o seu “sexy grindcore”. Grandes malhas e um bom “grindcore”, que cativa qualquer ouvinte. Uma das melhores bandas da noite. Depois de algum descanso, os Fungus entraram a matar com o vocalista a puxar sempre pelo pessoal, indo ele também fazer uns “stage divings”. Quanto à sua musica: um brutal “death” muito bom, com um vocal um bocado diferente do que estamos habituados a ouvir em “death” e “brutal death”, mas que encaixa perfeitamente no som que tocam... fica uma nota positiva para esta banda do Algarve. Seguiram-se os Theriomorphic, os melhores da noite. Que grande “death metal”! Sem palavras mesmo. Tinham tudo, poder, presença em palco e transmitiram energia de destruição para o publico. Para descontrair, última banda da noite foi Vizir. Hélio Fodas (baixista) vestiu a sua melhor camisola mexicana amarela e preta, tipo abelha, com umas tulipas azuis nas costas, uns óculos de sol e um chapéu pirata; Hellraiser (voz) estava com o seu melhor avental, com um crucifixo na mão, e sua banana e cenoura transformadas em dildo; Barrasco (bateria) trajado com um chapéu de bruxa. O palco estava decorado com páginas de revistas porno, e ainda uma fralda "cheia de m****" junto a bateria. Tocaram então os vários clássicos do seu reportório : Bombardeamento de Cagalhões, Atropelei um Peregrino, entre outras, intercalando cada uma com historias para explicar e anteceder o nome da musica que iam tocar, o alvo destas era sempre o carismático Hélio. (N.Ed.: Alguns nomes de músicas foram retirados pelo excesso de vernáculo). Os Vizir animaram o pessoal com a sua sátira e com o seu “Porno Black Metal” e ainda contaram com o acompanhamento de Edgar dos Esclerose em algumas musicas. Resumindo: um grande festival... com bandas de renome nacional, e que proporcionaram um grande espectáculo e uma noite muito bem passada. W

Assististe a algum concerto recentemente? Envia a tua reportagem para: fanzine.portugallica@gmail com

#1 • Ano 1 • Whiplash 31


MetallicA

DEATH MaGNetIC Party Berlim, O2 - 12 Setembro 08

A Missão

por Hugo Nunes

A missão “Death Magnetic” - Berlim, começou na madrugada de 12 de Setembro (sexta-feira); o ponto de encontro - Aeroporto da Portela; a hora - 4:30, mas antes a comemoração do novo álbum dos Metallica já tinha começado em Lisboa Antes o PortugallicA (Clube de Fãs Oficial da banda), tinha aquecido os fãs portugueses com dois eventos incríveis, na Fnac do Colombo (que ficou aberta depois da meia-noite para vender as 1ªs unidades do novo album) um showcase de 1 hora dos Mortallica (unica banda portuguesa de tributo aos Metallica), onde tocaram na perfeição temas como, Master of Puppets, One , Fade to Black, Enter Sandman, e o novo single The Day That Never Comes, e a Listening Party no Hard Rock Café – Lisboa, onde foram tocadas pela primeira vez em público algumas malhas do novo álbum. Começou assim, o meu warm-up para o que ainda estava para vir... o tão aguardado concerto no O2 World de Berlim. Descolámos de solo português às 6:15, voo da Lufthansa, tendo feito Foto: Ricardo Costa escala em Munique. Chegamos a Berlim, por volta das 12h. A nossa comitiva contava com alguns fãs vencedores de vários concursos, pelo representante da Universal Music Portugal Pedro Trigueiro, o enviado especial do Correio da Manhã Figueiredo Silva, pelo fotógrafo Ricardo Costa e pela autoridade metálica em Portugal, António Freitas. Assim, que aterramos em Berlim, a comitiva dividiu-se, tendo os profissionais ido para a conferência de imprensa, enquanto os fãs ficaram com a tarde livre para descobrir a cosmopolita Berlim. À hora marcada, 18:30, estávamos na entrada do Hotel Berlim, onde tínhamos reservado transporte para magnífica O2 World Arena, imponente e moderna infra-estrutura que foi estreada com este extraordinário evento. Cheirava a MetallicA no ar. Pessoas de todas as nacionalidades, Suécia, Noruega, Dinamarca, Polónia, Holanda, e de fora da Europa, como por exemplo do México e Japão, eram todos naquele dia da mesma nação, ou melhor, da mesma família, a “Metallica family”, como disse James Hetfield no concerto. O espectáculo começou com algum atraso. A arena estava esgotada, com cerca de 17.000 fãs, quase todos pertencentes ao Metclub (Clube de Fãs Oficial), na medida em que os bilhetes foram disponibilizados apenas através de dois canais, o Metclub, e o Mission Metallica, ao preço simbólico de 10€. A receita do concerto (170 mil Euros) reverteu a favor de um hospital pediátrico. Estava tudo preparado, o palco no meio do pavilhão em forma de rectângulo, com a bateria no meio, numa plataforma que rodava ao longo das músicas, para que todos pudessem ter a mesma qualidade de visão, o som de vários

32 Whiplash • Ano 1 • #1


clássicos do Metal, preparavam os nossos ouvidos, musicas de Pantera, Sepultura, Queens of the Stone Age, Slayer entre outros, aqueciam as gargantas e os ouvidos para o que ai vinha. As luzes apagam-se, ouve-se o som do intro dos Metallica, Ecstasy of Gold que uniu pela primeira vez as gargantas. Os Metallica entraram a correr para o palco, bem ao estilo do Cunning Stunts, e ouve-se a batida característica da 1ª faixa do novo álbum That Was Just Your Life. Depois foi sempre a abrir caminho para uma prestação energética e electrizante. Seguiu-se o tema The End of The Line, com o publico já a cantar as letras destas duas novas musicas; os fãs fizeram bem o trabalho de casa. TheThingThatShouldNotBeabriuashostilidades para os clássicos, tendo James anunciado que iriam tocar musicas novas, e musicas que Foto: Ricardo Costa não têm sido tocadas com muita frequência. Seguiu-se então Of Wolf And Man, e o arrepiante “One”, para regressarem ao novo álbum com Broken, Beat, and Scarred e Cyanide. Um James Hetfield sempre muito comunicativo, perguntou ao publico qual seria a próxima, e se reconheciam a guitarra; foi a vez deFrantic do controverso St. Anger. O concerto abrandou um pouco com Until It Sleeps, Wherever I May Roam, For Whom The Bell Tolls, e o primeiro single do novo álbum The Day That Never Comes. Depois o sempre aclamado Master of Puppets, impressionante já que acústica da arena era fenomenal, ouvindo-se no fim do refrão o som do publico a pairar no ar...”Master” entrava pelos nossos ouvidos de maneira acutilante, capaz de levantar um morto se fosse preciso. Era o renascer de um monstro, como James disse: “Metallica is rising again”. E sem levantar o pé do acelerador devastaram com o thrash de Blackened, acontecendo então o 1º encore. Para a recta final mais 3 temas, acompanhados do lançamento de bolas gigantes pretas com a palavra “MetallicA”, publico e banda começaram então num jogo, ao som da cover Blitzkrieg, tendo tocado então do álbum Kill Em All, Jump in the Fire (1º single dos Metallica) e finalizando com a já habitual Seek And Destroy. Seguiram-se então os agradecimentos, e como sempre o discurso de Lars Ulrich, que prometeu regressar já na próxima Primavera para um tour indoor... Nós por cá ficamos a aguardar!!! Foram 2 horas de um concerto frenético, onde a energia que saia do palco era estonteante, e não deixou ninguém indiferente, destaco a performance de Lars, e Kirk... realmente questionei-me se eles tinham tomado algo, já que estavam com o “speed” todo. Depois disto, seguiu-se a viagem para o Hotel, tendo o Sábado servido para passear um pouco por Berlim. Destaco o portão de Brandemburgo, o Parlamento, o Check Point Charlie (área de controlo de trafego entre Berlim Ocidental e Oriental) e o impressionante Memorial para Judeus vitimas do Holocausto Nazi. O regresso para Lisboa deu-se Domingo. E foi assim a minha jornada em Berlim, para assistir a um concerto indoor único. As comemorações continuaram em Portugal, com um concerto dos Mortallica no dia 16 que encheu o Hard Rock Café, com 25 temas de Metallica em 3 horas de música. W

#1 • Ano 1 • Whiplash 33


Concertos 13/03/09 - Australian Pink Floyd - Coliseu dos Recreios -Lisboa 16/03/09 - The Sisters Of Mercy - Coliseu dos Recreios - Lisboa 18/03/09 - Moonspell - Hard Rock Café - Lisboa 05/05/09 - Lenny Kravitz - Pavilhão Atlântico 03/06/09 - AC/DC - Estádio José de Alvalade

por Joana Rodrigues

18/06/09 - Dream Theater - Coliseu dos Recreios - Lisboa 07/07/09 - Eagles - Pavilhão Atlântico 26/09/09 - Xutos e Pontapés - Estádio do Restelo

FESTIVAIS NACIONAIS 17/03/09 - Priest Fest - Judas Priest / Megadeth / Testament - Pavilhão Atlântico 27/03/09 e 28/07/09 - Moita Metal Fest - Soc.Fil. Estrela Moitense - Moita 09/07/09 - Optimus Alive!’09 - MetallicA, Slipknot, Machine Head, Mastodon, Lamb of God 10/07/09 - Optimus Alive!’09 - Placebo 11/07/09 - Optimus Alive!’09 - Dave Matthews Band, Chris Cornell 11/07/09 - SBSR - ACT1 - Depeche Mode+Nouvelle Vague - Porto - Estádio do Bessa 17/07/09 - SBSR - ACT2 - The Killers + Duffy - Estádio do Restelo - Lisboa 30/04/09 a 02/05/09 - SWR - Barroselas: The Haunted, Origin, Esoteric, Akercocke, Unmerciful, Dornenreich,Machetazo,Urgehal,Mournful Congregation, Corpus Christii, Ingrowing,Year of no Light,Grey Daturas, Longing for Dawn, Nehemah, Asva, Ad Hominem,Rompeprop, The Firstborn, Blacklodge, Torture Squad, Insidious Decrepancy, Blockheads, Rectal Smegma, Spearhead, Morbid Death, Despise, Impureza 05 e 06/06/09 - METAL GDL - Grândola - Setúbal: Kronos, Benighted, Cilice, Haemophagia, Nervecell, Pitch Black, Crushing Sun, Gwydion, We Are The Damned , Simbiose, entre outros.

34 Whiplash • Ano 1 • #1


FESTIVAIS INTERNACIONAIS Wacken Open Air: 30/07 - Wacken, Alemanha Bandas: Amon Amarth, Axel Rudi Pell,Callejon,Cathedral,Einherjer, Epica, HammerFall, In Flames, Kampfar, Korpiklaani, In Extremo, Machine Head, Nevermore, Tristania, Walls of Jericho. Hellfest Summer Open Air: 19/20 e 21/06 - Clisson, França Bandas: Motley Crue, Heaven and Hell, Papa Roach, WASP, Doom, Anthrax, Voivod, Gorgoroth, Marilyn Mason, Machine Head, Soulfly, Cradle of Filth, Misfits, Manowar, Dream Theater, Europe, Suicidal Tendencies, Mastodon, Amor Amarth, Moonspell, entre outros. Tuska Open Air: 26/06 a 28/06 - Helsinquia, Finlandia Bandas: Immortal, Neurosis, All That Remains, Gojira, Ensiferum, Legion Of The Damned Callisto, Black Dahlia Murder, Rotten Sound, Tukkanuotta, Bullet For My Valentine, Amorphis, Sabaton, Paul Gilbert, Gama Bomb, Pestilence, Evile, John Oliva’s Pain, Deathchain, Firewind, Profane Omen, Dauntless, Volbeat,My Dying Bride, Stam1na, Mucc, Eluveitie, Parkway Drive, Girugämesh,Medeia, entre outros. Sweden Rock Festival: 04/06 a 07/06 - Norje, Suécia Bandas: Heaven & Hell, In Flames, ZZ Top, Twisted Sister, Europe, Journey, UFO, Tyketto, Tank, Dream Theater, Foreigner, Ground Mower, Demonical, Renegade Five, Electric Boys, Hammerfall, Motörhead, Volbeatk, Johnny Winter Band, Immortal, Lita Ford, Uriah Heep, Marillion, Amon Amarth, Flogging Molly, Riot, Jon Oliva's Pain, Kamelot, Blackfoot, Voivod, Demon, Soilwork, Forbidden, Blaze Bayley, The Outlaws, The Tubes, Kebnekajse, Eric Sardinas, Sevendust, Unleashed, Crucified Barbara, Pilgrimz, Thor, Helstar, Impellitteri, H.E.A.T, Pain, Seventh Wonder, Bullet, Stormzone, Grand Magus, Torch, Tracenine, Enforcer, The Chair, Hysterica, Black Tooth, Lujuria, Chains, Powderhog.

#1 • Ano 1 • Whiplash 35


MetallicA

DEATH MaGNetIC09 WORLD 36 Whiplash • Ano 1 • #1


Caros Portugallicos: O Editor desta nova revista contactou-me de me convidar para colaborar neste novo e grandioso projecto do nosso chapter, Portugallica. É claro que aceitei com o maior prazer. Em que vão consistir as minhas crónicas? Verão nas futuras edições (o segredo é a alma do negócio)! Para já, decidi inaugurar esta secção com um artigo em 3 partes: 1. O meu nascimento, a minha criação. Todos vocês ficarão a saber como nasci e a quem devo a minha existência. 2.

A essência do 'LHA!' Expressão que ganhou forma e que se tornou numa espécie de clássico, de culto. Explicarei a sua origem e a sua génese.

3.

Este último será ponto assente nesta nova fanzine. Será uma secção de perguntas e dúvidas da vossa parte, a que responderei com a minha (in) finita sapiência! Sim, que apesar de ter nascido em 2008, não me impede de ser um ser extraordinário, fora do comum mesmo (LHA LHA)!

Então e porquê, perguntam vocês? Vamos recuar então até 12 de Setembro de 2008. Festa de lançamento do novo álbum de MetallicA, Death Magnetic no Hard Rock Café (HRC) em Lisboa, organizada pelo Portuguese Portugallica Chapter. Como é proibido fumar dentro do HRC, o Marreiro (Metallifan1993) veio para a rua para fumar um cigarrinho. O Nelson (LOD), por solidariedade, fez-lhe companhia. Há muito que já se falava em criar uma mascote para o chapter, mas a coisa não desenrolava. Ora vai daí, por obra do Destino, no momento em que eles estão precisamente a falar sobre este assunto, passa um indiano, daqueles vendedores ambulantes que vendem relógios, brinquedos, marionetas, etc. Entre essa tralha, lá ia eu maldizendo a minha vida, pensando a quem, de má sorte, seria vendido. Oh martírio! O vendedor passa e tenta vender-me aos Portugallicos. Lembro-me como se fosse ontem: o Metallifan1993 olhou para mim, assim como o LOD, como quem gostou do que viu. Mas depressa as minhas esperanças se foram, pois ambos disseram que não estavam interessados em nada. Lá fui triste, desolado, no meio dos outros. Quis o Destino que mais tarde o vendedor voltasse atrás e que eles ainda estivessem à porta do HRC. Fiquei logo esperançoso e de olhos arregalados. O vendedor interpelou-os de novo e eu fiz o meu jogo: fiz o meu olhar de patinho feio e era-o realmente! Estão a ver um pato laranja, aos quadradinhos e com umas asas tão pequenas que nem dão para voar?) e uma expressão de coitadinho. Não sei se resultou, o que é certo é que o Metallifan1993 meteu a mão ao bolso ao mesmo tempo que alegava não ter muito dinheiro. "Está a fazer bluff", pensei eu. Sacou de 2,5€ e disse ao homem que era o único dinheiro que tinha. O vendedor lá foi na conversa e passei para as mãos do LOD e do Metallifan1993. Até foi um bom negócio, visto que o indivíduo me estava a vender por 5€. Admiraram-me, viram-me, mexeram-me. Se fosse um ser vivo teria tido uma erecção, juro-vos! Trataram de me levar para dentro do HRC e não perderam tempo a fazer as apresentações à malta. Conheci logo uma data de gente! Até cantei uma das músicas novas do Death Magnetic e tudo. Resumindo: um sucesso imediato! Toda a gente me queria ver, admirar este vosso novo elemento do chapter. Mas apesar disto, o processo não estava completo. O Metallifan1993 falou com o LOD acerca da minha aparência, pois estava despido, desprovido de elementos identificativos ao que eles queriam que eu representasse. Ficou decidido que iria ter uma t-shirt do Portugallica e até cabelo!! O Metalifan1993 levou-me a conhecer a mãe dele. Foi uma santa, diga-se de passagem. Num dia, fez-me uma t-shirt do chapter toda gira e uma guedelha de fazer inveja a muito metaleiro! A minha apresentação oficial foi a 4 de Outubro de 2008, num jantar do chapter. Fui apresentado à malta pelo meu papá Metallifan1993 tendo o meu outro papá LOD do lado direito. Foi uma loucura! Todos gritaram pelo meu nome, todos me mexeram. Até fiquei tonto de passar de mão em mão… Mas todos gostaram de mim. Devo tudo aos papás LOD e Metallifan1993, a minha existência e a todos vocês o meu progresso, o meu sucesso, o meu estatuto. Até já tenho o cartão da Metal Militia!! Tendo sido criado no conceito de amor à música, aos MetallicA, ao Portugallica, a tudo o que nos rodeia, nasci com o dom da sapiência fora do vulgar. Sei tudo o que há a saber… Mesmo que não saiba, sei (LHA LHA)! Daí querer partilhar a minha sabedoria com todos vocês, abrindo assim a secção de perguntas e respostas. Tenho também o dom da intemporalidade; dá-me para viajar entre espaço e tempo. Mas sobre este dom… fica para a próxima edição!

#1 • Ano 1 • Whiplash 37


O Pato Rasto Pergunta do Mês Responde Tal como anunciado no forum do Chapter, de todas as perguntas que chegassem ao grande Pato Rasto, seria premiada a melhor. Por falta de espaço, decidimos publicar apenas a vencedora. As restantes vão aparecer no número 2 da Whiplash!

A origem e a essência do “LHA”

O vencedor foi o António Silva (URUTU) com a seguinte questão:

O termo “LHA” é originário de uma época muito antes do meu nascimento (mais precisamente 2 meses, LHA LHA)! Convido-vos então a recuar ao dia 12 de Julho de 2008, dia importante em que se deu um dos primeiros grandes encontros Portugallica, desta feita para um almoço e tarde de convívio e uma noite ao som dos grandes Mortallica! Numa pequena localidade perto de Alverca de nome Calhandriz, deu-se o encontro, e num dia onde o vento e o frio dominavam, dois malucos falavam mais alto que todos os outros sobre colecções e artigos raros de Metallica. Esses dois malucos viriam mais tarde a revelar-se serem os meus papás: Metallifan1993 e LOD! A conversa desenrolou-se de tal modo que a dada altura (não sei porquê) os meus futuros papás chegaram à conclusão que o melhor exemplo de um coleccionador árduo de Metallica seria aquele que possuísse amostras da banda em si, amostras essas que descambaram até uma amostra de fezes do James ou do Lars, coleccionadas num frasco (LHA LHA!). Desta feita o “LHA”tomou o seu lugar, pois consistia num processo de "verificação" da autenticidade do artigo, e mais não digo, vocês chegam lá! (LHA LHA!)

O Conceito Então em que consiste a expressão “LHA”? O “LHA” consiste em 2 simples movimentos executados com a língua e o dedo indicador em simultâneo! Sincronizando o movimento do dedo, com o "deitar a língua para fora", emitindo um som característico! Aí temos o “LHA”! Em tempos fui um mestre do “LHA”, até ficar com a língua presa! (LHA LHA) O “LHA” é não só uma expressão, como um estilo de vida em si! Ou seja, encontramos “LHA” no nosso dia-a-dia sem nos darmos conta, por exemplo, quando não gostamos de algo dizemos "LHAk! Isto não presta" ou então

Olá caro Urutu! Em 1981 o Lars Ulrich, após se ter juntado com o James Hetfield através de um anúncio no jornal Recycler de Los Angeles, decidiu colocar um segundo anúncio nesse mesmo jornal, mas desta vez a pedir um guitarrista solo. Quem respondeu foi um jovem ruivo de nome Dave Mustaine, que na altura estava numa banda de nome Panic. Sabiam desta? Se sim, então está bem. Lá foi o Dave para a audição. O Lars e o James, após verem tanto a sua capacidade de tocar guitarra como o equipamento caro que o Dave tinha, decidiram recrutá-lo mas não lhe disseram nada! Mas já sabes como eles dois eram: num ensaio, enquanto o Dave estava nas suas afinações de guitarra, eles em vez de se juntarem a ele, não senhor, estavam noutra sala!! Frustrante não achas? Ao que o Dave também não foi de modas; entra na sala e pergunta-lhes: - "Mas que merda, estou na banda ou não?" Ao que, obviamente, a resposta foi sim!... O resto já todos sabemos... Acho eu.

"Os Metallica cortaram o cabelo na época do LHoad e do Re-LHoad não foi?"! (LHA LHA!) O “LHA” pode ser utilizado para definir ou salientar praticamente tudo, desde artigos de colecção de Metallica a um simples olhar sobre o nosso dia "Como te correu o dia? ---- Eh “LHA”"! O LHA acaba por servir também como forma "jocosa" em relação a algo! Espero que vos tenha elucidado em relação à mais famosa expressão do nosso chapter. Vemo-nos na próxima edição da Whiplash! Até lá, muito e muito LHA LHA LHA LHA! 38 Whiplash • Ano 1 • #1

O prémio é um CD-Single “All Nightmare Long”, gentilmente oferecido pelo Pato Rasto.


#1 • Ano #1 1 ••Whiplash Ano 1 • Whiplash 39 7


As Receitas do CM

por Cameraman Metallico

“SALADA MetallicA”

Confecção:

“SALADA METALLICA” Ingredientes 2 tomates maduros 1 pimento verde 1 pimento vermelho 1 pepino 1 cebola 1 ramo de coentros 2 talos de aipo

Corte os tomates em pedaços pequenos, os pepinos em tiras e depois em cubos, a cebola em pedaços muito pequenos, os pimentos em pedacinhos miudos. Por fim o aipo em tiras e logo em pedacinhos. Os coentros bem picadinhos... Misture tudo e tempere com vinagrette (azeite, vinagre e limão) ou com mayonese... Se gostar do sabor tradicional pode temperar com azeite, vinagre e sal... Nota quanto mais picadinha ficar, melhor o sabôr... acompanha bem com sardinhas assadas... “Le Chef” CM W

O Portugallica Chapter é afiliado directo do clube de fãs oficial de Metallica - o Metclub. Faz-te sócio do Metclub para ter direito a vantagens exclusivas! Mais informação em:

www.metclub.com 40 Whiplash • Ano 1 • #1


por Pedro Marreiro

Os Passatempos Portugallica Quem Disse o Quê?

A

“Quanto a mim, acho que não deviam pôr esta música no álbum… É a minha opinião… Acho mesmo que não”

D

“Devido ao alcool, a minha maneira de demonstrar afecto pelas pessoas que gostava, era sufocá-las”

1 - Torben Ulrich

2 - Dave Mustaine

B

C

“As editoras? Devíamos matálos a todos! Que se f***m todos!”

“Gostaria de voltar o tempo atrás e que me dissessem que precisava de ajuda com o meu alcoolismo”

E

F

“Se algo te faz sentir bem, fá-lo!”

3 - Cliff Burton

4 - James Hetfield

“Quando eu entrei para os Metallica, os pais do Cliff deram-me a benção e apoiaram-me muito.”

5 - Lars Ulrich

6 - Robert Trujillo

#1 • Ano 1 • Whiplash 41


Cruzadex

1

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11

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

HORIZONTAIS: Nome próprio do Papa Het; O melhor do chapter; 2--Expressão de dor; Existe; Nome próprio feminino; 3- Calão para erecção; Outra coisa; Sigla de Estrada Nacional; 4- Adorado; 5Rocha em Inglês; O Kirk Hammett gosta mais disto que surf; 6- Cumprimento; Antiga nota ‘Dó’; 7Saudação Romana; Banda de Michael Stipe; 8- Siga de Rodoviária Nacional; Nome do Shôr Presidente (invertido); 9- Membros Portugallica (2 palavras); 10- Apelido de guitarrista de Anthrax; O mesmo que aéreo, aero; 11- É a grande bocarra dos MetallicA; Carta de jogar; Nota musical VERTICAIS: 1- A quem Lars agradece nos Grammy’s por não terem lançado um disco (2 palavras); 2Expressão utilizada nas touradas; 3- Linguagem universal; Desmoronar; 4- Expressão de espanto, alegria; Tanto é bicho como estádio de futebol; 5- Sigla de ultra violeta; Sigla de União Nacional; 6Alcunha do Kirk Hammett em 1986; 7- Recibo; o que somos todos nós; 8- 550 em numeração romana; Ratar; 9- Dá; O sono das crianças; Guitarrista dos U2; 10- É uma música e um número; Onde trocamos ideias e opiniões (invertido); 11- Existe na praia e numa letra de MetallicA; Verbo ‘haver’ no presente 42 Whiplash • Ano 1 • #1


s a r t e L Sop a d e P H L V Q M O M I D E S I N O U P X F S A G O V D

S M F U E X F O A X N Z A H C N Z L O O C L A X O

O O X S O T R E C N O C S V L I C F I C O L C S R

A S N V E I Y R K C U J O G A D L A R R A T I U G

R F W E N O F O R C I M X I P L J L C K F B M C Z

M G M R C H X P O V A Z U Q E E O G U A M N E E N

S H P F O A N E B D L Y A S U X C I P X I A L S I

E L C P L S A G S Y S I I F C J O W S N K O S N H L F A I V U C O M F Y F U A V S C Q A O P S O M Y

G C K U M N B S L P G U B J S K A Q S I U G W R J

N S G X I F A N F A L S L D O P V G L F N S M O G

I H Z S O O F M R I P N J U X Z D E Y E A U I R N

S A J B O N Y O Q X J U N & S K Q M L A P B E G O

Y K D E D I C A C A O B W G M G M U Z Z S E V A P

M C Z Y V C R M I O U L O S N A X H U N T O C H X

I G R F H O N Y F I N A F A R V D I L G E B U L C

Q V S S F X W S L C I F E G Z O R B A K R Q X A R

A I R E T A B F P I P N A M S I R A C H A H C X N

#1 • Ano 1 • Whiplash 43


PORTUGAL (preferencialmente pagamento por TRF (Transferência Bancária)). Enviar e-mail com a encomenda para: portugallica@gmail.com e os seguintes dados: - Itens pretendidos, cor, tamanho e modelo - Nome & Nick no PortugallicA - Morada & Telefone de Contacto - Talão (digitalizado) ou comprovativo de TRF - Ao Preço acresce portes de envio, em correio Registado Nacional (ver custos em baixo) Pagamentos no acto de entrega: Em Lisboa e Peniche poder-se-ão fazer entregas em mão combinando um local para a entrega (podendo pagar-se no acto de entrega) Pagamento por Transferência Bancária: Entre contas CGD: 0371.001598.700 NIB: 0035 0371 00001598700 58 Titular da conta: Hugo Nunes Notas: Respondemos a todas as encomendas por mail no prazo de 2 dias úteis. Portes até 2 T-shirts 3.56€, De 3 T-shirts a 5 T-shirts 5.36€ O envio à cobrança fica mais caro, assim como Vales do Correio; para alem dos portes, pagam o envio dos CTT do dinheiro para nós. Não entregamos T-SHIRTS no dia do Concerto!

44 Whiplash • Ano 1 • #1

Não s Sócios


sócios: 11€ s: 9,90€

#1 • Ano 1 • Whiplash 45


Soluções Passatempos Portugallica:

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Quem Disse o Quê: A - 1 B - 3 C - 4 D - 2 E - 5 F - 6 Cruzadex Portugallica - HORIZONTAIS: 1- James, todos; 2- Ui, há, Ana; 3- tusa, al, EN; 4- amado; 5- rock, solos; 6- olá, UT; 7- ave, REM; 8- RN, oguh; 9- urutu, fedra; 10- Ian, areo; 11- Lars, as, fa; VERTICAIS: 1- Jethro, Tull; 2- ole; 3- musica, ruir; 4- eia, antas; 5- UV, UN; 6- hamster; 7- talão, fãs; 8- DL, roer; 9- da, óó, Edge; 10- one, muróf; 11- sand, há Sopa de Letras - HORIZONTAIS (linhas): 1- singles; 2- som; 6- sinfónico; 10- paixão; 12- álbuns; 15- palco; 19- luz; 21- napster; 23- polémica 24- sucesso VERTICAIS (linhas): 2- álcool; 3- concertos; 4- guitarra; 5- microfone; 8- clássicos fãs; 14- dedicação; 16- clube; 18- bateria, carisma DIAGONAIS (linhas): meet; música; grammy; BAIXO: greet

Bank:Caixa Geral Depósitos

Pins - 4€ (cada conjunto)

Name;

MERCHANDISE

Palhetas- 1€ (unidade) We reply by mail, in 2 business days Europe - 7.56€ USA & RW - 14.71€ More than 3 Tshirts, and less than 5: Less than 3 Tshirts: Europe - 5.06€ USA & RW - 7.46 Note: You must include the Shipping and Handling: Credit Card or PayPal Or the easiest way: Account Name: Hugo Nunes BIC SWIFT CGDIPTPL IBAN PT50 0035 0371 00001598700 58 Account Details: Scanned Doc with the Order Transfer; Shipping Address; Your Order (T-shirt model, Size, etc); You must send us an email with: International Money Order Transfer : Europe / Rest of the World


Ser membro do Portugallica, da-te acesso a estares mais próximo da tua banda de eleição e a oportunidade de conheceres pessoas que têm o mesmo gosto que tu!! Vantagens: * Cartão Laminado Exclusivo para membros ( tipo Multibanco); * Revista WHIPLASH (4x por ano); * Descontos em Merchandise; * Possibilidade de participar em eventos exclusivos do Chapter; * Possibilidade de entrar em concursos exclusivos; Assim, para ser membro, preenche o formulário em excel disponível em www.portugallicachapter.com com os teus dados, junta uma fotografia tua e manda por e-mail para: metalmilitia.portugallica@gmail.com, juntamente com comprovativo de transferência de 5€ (Custo de emissão do cartão e expedição por correio) para o seguinte NIB - 0035 0371 00001598700 58 Join Metal Militia!

#1 • Ano 1 • Whiplash 47


Whiplash one


Whiplash#1 - Portugallica Chapter Official Magazine - Nº 1